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s7 ? *'' ~ ;..P-l .~~Jr j i ..I d si ~r ;~ ;~5~ ~c;SB ft vel pelas obras, atestoo que a parte prin- cipal dosj servigos jti havia sido execuita- da. A (11brica estava quase pronta par-a receber os equipamentos industriais quan- do o temporal provocou o desastr-e, terri- vecl, mas sem qualquer assentamento emn nenhuma fontc de referencia. Os fiscairs da Sudam devem ter en~con- trado um terreno limpo. Se hri havia umna edificaqio industrial quase concluida c agora nrio restavamn ncm escomnbros, s6i Ihes cabia atestar que os R$ 3,.3 milhiacs. m abril de 2000, dois te~cnicos ia hoje extintla Sudam-a economnis- to Emira Fecrreira Neves c o en- genheiro civil Ronaldo Augusto Pamplona atestaram que um projeto in- contivado pela Super-intendencia do Desen- volvimento da Amazonia hiavia sido vitima de umi acidente f~Ltal: um f~orte \endat al des- truira todas as instalago~es civis ate: entio levantadas pela Tropical indulstria Alimecn- ticia S/A. Numa thigio de tempo a venta- nia arr-astou 3,3 mnilhoes reais de investi- mento realizado durantre os quiatro anos an- teriores grayas nos incentivos fiscais. Nem a m~eteorologia e nem as orglos comipetentes, ptiblicos ou privados, regis- traram o f~no~meno e scu conseqiente episodio. Mlas n~to parecia haver dilvida de qlue as instalayoes da fIjbrica de sucos dos irm50s Romullo c Ronaldo Maiorana, no district industrial de Icoaraci, no mu- nicipio de Belemn, tiniham realmecnte vii- do abaixo. A Plangec (Plancjamento Gc- ral em Enlgenharia C~ivil Ltda.), responsii- LUCIO F LA V O PI i- ANO XV N" 283 1" QUINZENA DE MAIO DE 20 RS 0 Tem Maiorana n A Tr~opicaIl ndlistr-ia A/intentrcia.i, a ~j)ll eme dalli qual eii o re)igera~-lnief~ BiS, e unt1 projeto nuatlio pareccido aqueles quec o ar\-se nador jaderl Barbalbo~7 e aIcuIsado de bar~1er patrloc-inad-o por baix~o d-os panios na~ Sudant.1 Aqs irregu;l~llaridade~C- s de-sse sll on'edouo de in~centlir osfi'scals, poranl, ad~o aprcernlccio nlos r Icucllos dars Olgan~izag~oes Romulllo k. , "r'"r lp C 2 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE MAIO/2002 resultantes de colaboraqio financeira fe- deral, estavam mesmo perdidos. Talvez nio tenham prestado atengho a detalhes intrigantes. Como a ausincia de data nos relatbrios de execu~go da obra, assinados pelo s6cio gerente da Plangec, Rodrigo Chaves. Se os relat6rios de andamento da construCho estavam sem data, todos os contratos assinados ate 1998, embora da- tados, ntio estavam reconhecidos. Para comprovar que o dinheiro dos incentives fiscais da Sudam realmente foi aplicado nas obras destruidas pelo feroz vendaval, a Plangec emitiu, entire 1996 e 1997, nove notas fiscais e dois recibos em favor da Tropical, por conta de servings que teria realizado para a empresa, no valor de R$ 4,l milhaes. Mas nesses peri- odo s6 declarou a Receita Federal R$ 142 mil de faturamento bruto. Das duas, uma: ou cometeu sonega~go fiscal ou emitiu notas frias, talvez a posteriori do period em que os fats teriam ocorrido. Ou seja: papelada sem valor legal, ape- nas para justificar dinheiro gasto, mas nio no local onde ja deveria estar a base para o funcionamento da fibrica de sucos. Dessa forma, dois dos acionistas das Or- ganizaqdes Romulo Maiorana teriam pra- ticado o mesmo tipo de delito que seus veiculos acusaram outros empresarios de terem cometido, sob a prote~go do ex-se- nador Jader Barbalho: desvio ou mB apli- caqio de dinheiro pilblico, atraves de va- rios tipos de fraude. Constatando a discrepincia no con- fronto entire as documents fornecidos pela Plangec g empresa dos irmios Maio- rana e suas declaraqdes ao fisco, a Dele- gacia da Receita Federal em Belem deci- diu apurar os fats atrav~s de diligencia, em 21 de dezembro de 2000. Para isso, solicitou todos os documents da conta- bilidade da empresa. A empresa alegou nio poder tender o pedido porque "gran- de parte da documenta~go fiscal referen- te aos anos de 1996 a 1999 foi lamenta- velmente extraviada e deteriorada". Mes- mo novamente intimada a apresentar os livros com suas contas, a Plangec se de- clarou impossibilitada de cumprir a soli- citaCio. Argumentou que, por ter parali- sado suas atividades, toda a sua papelada se deteriorou ou extraviou, fato s6 perce- bido muito depois, quando ja nio havia mais condiqdes de reconstitui-la ou sequer de publicar os avisos regulars para co- nhecimento pliblico. Os procedimentos administrativos con- tra a empresa prosseguem na Receita Fe- deral, sob regime de sigilo, mas tambem a contratante da Plangec esta tendo qlue se explicar sobre as irregularidades constata- das. Em julho de 2000 o Procurador Regi- onal dos Direitos da Cidadania no Estado do Para, Ubiratan Cazetta, determinou a instauraqigo de procedimento administra- tivo para apurar denuncias sobre ma apli- caCgo de recursos pilblicos pela Tropical. Nessa 6poca, tudo o qlue havia do projeto, aprovado em 1995 pela Sudam, era uma placa fmncada no terreno, anunciando a implanta~go no local de um empreendi- mento incentivado pelo governor federal. No entanto, em apenas dois anos, de novembro de 1995 a novembro de 1997, a Sudam liberou para a Tropical R$ 3,3 mi- lhdes de incentives fiscais, qlue o vento su- postamente destruiria de uma s6 lufada. O valor total do projeto era de R$ 20 mnilh~es, metade de recursosDri)prios eos outros50% de incentives fiscais, pelo artigo 9" (o "pro- jeto pro~prio", no qual o investidor aplica diretamente sua dedu~go do imposto de ren- da, em geral cobrando uma taxa "por fora" e estabelecendo esse compromisso atrav~s de um "contrato de gaveta", para valer ex- clusivamente entire as parties Deveria en- trar em operaqio em 1998. O procedimento administrative do Ministbrio Publico Federal esti em fase de conclusio, mas a hist6ria tortuosa do projeto dos irmios Maiorana ja 6 bem conhecida. Apesar de aprovado em tra- mitagio acelerada, suas inconsistincias eram evidentes desde a carta-consulta, protocolada em margo de 1994. Para ser enquadrada na faixa "a" de prioridade, que lhe garantiu metade de todo o investimento na forma de incenti- vos fiscais, a empresa se prop6s a fazer o beneficiamento de frutas regionals, como acerola, abacaxi, cupuaqu e guaran8. As declaragies dos alegados fornecedores dessas frutas, por~m, era evidentemente graciosa, a comegar pela ressalva de qune o fornecimento seria sem "base firme", algumas delas feitas em papel comum, sem timbre, com as mesmas marcas dos atestados da Plangec. A graciosidade pode ser constatada . numa gondola de supermercado: o pro- duto qlue a Tropical comegou a entregar neste ano 6 um refrigerate artificial, tipo "pet" (ou tubaina), sem uma gota de fnrta regional. S6, agora e anunciada uma mis- tura de agai comn guarand, uma iniciativa adotada as pressas para preencher lacu- nas e tentar evitar a apuraCio da verdade. Tiio as pressas quanto foi n implantaFio do projeto a partir do ano passado, sob o impact das investigaF~es administrativas e judiciais do mar de lama que cobriu a Sudam, atC enterra-la de vez. Na carta-consulta, Romulo Junior e Ro- naldo Maiorana nio comprovaram suas ca- pacidades econbmico-financeiras para dar a contrapartida de recursos proprios aos in- centivos fiscais e nem apresentaram no qua- dro de acionistas uma pessoa juridica, sem a qual a Sudam nio podia aprovar o proje- to. As de Rominho, afinal apresentadas, nio puderam ser aceitas: elej8 as oferecera para aprovar outro projeto aprovado pela Sudam, do Hotel Rio Negro, no Amazonas. O in- vestimento realizado ate. entio se limitava a R$ 120 mil, gastos na compra do terreno, com area de um hectare. Forgados a ajustar o projeto as normas, ainda assim os s6cios precisaram fazer novas modificag6es na empresa que in- corporaram a sociedade para esse fim, a Bis Participagies (firma commercial que, no0 balango de 1994, para um ativo total de R$ 7,5 milhbes, registrava R$ 7,3 mi- lhdes de aplicaqdes fmnanceiras), e nio nomearam os tras investidores que entra- riam com 43% das aq8es. A comprova- 950 da capacidade de conduzir o empre- endimento continuou obscura. Tgo confusa se tornou a danga dos acio- nistas. Feitas as adequagbes, os irm~os, que dividiam em metades o control da emnpre- sa, passaram a ter participa~go simb61ica, ja que a Bis ficou comn quase 98,9% do ca- pital da Tropical. Um ano depois de apro- vado o projeto, esse percentual foi reduzido para pouco menos de 69%, entrando pesso- as juridicas com imposto de renda a dedu- zir, cada um com 10% (a empresa jornalis- tica Zero Hora, de Porto Alegre, a RBS TV Florian6polis, do mesmo grupo, e o Frigo- rifico Industrial Monte Carmelo). Em dezembro de 1998 a Bis sumiu da sociedade, assim como os irm~os Romu- lo e Ronaldo. Em seu lugar entrou a Ecca Engenharia de ConstruC~o Civil, uma fir- ma nordestina sobre a qual nio se encon- trou registro na Sudam. Nem ela aparece na enxurrada de propaganda do recem- langado refrigerate, numa campanha que seria milionaria se os veiculos escolhidos nio pertencessem ao Sistema Romulo Maiorana (que, evidentemente, ou nada cobram ou fazem apenas escrituraCgo para contabil cobrir a despesa) e que seria at6 adequada se a produgio da fabrica justi- ficasse tanto apelo a um consumidor que, ao chegar aos postos de venda, nio en- contra uma oferta proporcional B expec- JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MAIO 3 tativa criada pela publicidade, provavel- ::":e :e dga na I<:::::a d aam te artificial, ali~s, contrariando o compro- misso do projeto). Onde estio os verdadeiros dons apon- tados no ultimo registro de movimentagio societaria encontrado nos arquivos da ja finada Sudam? Por que a Bis, de Ronaldo Maiorana, aparece de fato como a contro- ladora principal da Tropical, se vendeu sua parte a desconhecida (ao menos localmen_ te) empresa de engenharia nordestina? Ele readqluiriu as aqbes transacionadas? Muitas perguntas, poucas respostas. O Grupo Especial de Trabalho instituido em dezembro de 2000 pelo Ministbrio da Inte- graFio Nacional para apurar o "escbndalo Sudam", na trilha de denuncias abertas contra o ex-senador Jader Barbalho pelo tambem ex-senador Ant~nio Carlos Maga- lhttes, enquadrou o projeto da Tropical In- distria Alimenticia entire aqueles que "de- verflo merecer nova fiscalizaq~to, em cara- ter de urg~ncia, verificando principalmen- te a documentagio original quanto a sua idoneidade, uma vez que a exigthidade de tempo nio permitiu que se fizesse a circu- lagio junto as autoridades competentes". Anotou a comissio que a uiltima libe- raqlo feita pela Sudam parao projeto, em agosto de 2000, havia sido de R$ 1,3 mi- lhao, arrematando os R$ 3,3 milhaes ja integralmente liberados, valor que estava contabilizado como o saldo de 1998, nio de 2000. A duvida sugere que a soma fi- nal pode ser bem maior do que os R$ 3,3 milhies apontados. Ngo por acaso, logo em seguida comne- param, em ritmo fren~tico, as obras onde, desde 1998, devia estar funcionando uma indbstria de sucos de frutas r~egionais, mas onde s6 havia uma placa. Como por mila- gre, a TV Liberal fez dezenas de insergies ditirias anunciando um produto que so co- megaria a ser comercializado, em doses ho- meopaticas, dias depois. A inaugura~gio seria em grande estilo, mas os convidados ainda teriam pouca coisa a ver num galpio so residualmente ocupado por maquinas. Como a elucida~go das muitas drividas em torno do proj eto nao virat atrav~s dos ve- iculos dos monopolistas da comunicaqlio no Para, que s6 dflo atengito (e pouca) a outros projetos bichados da Sudam, espera-se que o Mmnisterio Ptiblico e a Receita Federal pos- sam dar conta do dinheiro pliblico enterra- do. E, se possivel, restituir ao eiraio o que tiver sido desviado ou mal aplicado. Com a pubhicidade que for possivel. Ao long dos uiltimos tempos tenho escrito seguidamente sobre a hidreletrica de Belo Monte, como, antes, ja escrevera exaustivamente sobre Tucurui. Convida- do para umn debate em Altamira, achei mais eficaz nio repetir o qlue ja escrevi. Aproveitei a oportunidade para apresen- tar sugesties concretas. Acredito que pelo menos algumnas dessas indicapaes, se ado- tadas, possibilitario dar ao projeto de Belo Monte uma configuraqio nova, evitando qlue ele repita os erros de Tucurui, ou mesmo qlue provoque um retrocesso na insergio desse tipo de obra, de grande porte, na paisagem fisica e humana do local onde sera implantado. Assim, pedi para serem examinadas as seguint-es sugestijes: Proper a rec~m-criada Agincia Na- clonal de Aguas (ANA) a criagito do co- rnit6 da bacia do Xingu. Apesar de a le- gisla~gio jai prever essa figure, ela perma- nece apenas no texto da lei. O comity vai ser a principal instancia da sociedade ci- vil no acompanhamento de qualquer obra na bacia do rio. Reqluerer a tamb~m recC1m-criada Ag~ncia do Desenvolvimento da Amazo- nia (ADA), qune substituiu a Sudam, qlue elabore os terms de refer~ncia, em cara- ter de urg~ncia, para abrir licita~go para a contrata~go do Plano de Desenvolvimen- to do Vale do Xingu. Esse plano sera sub- metido ao Senado Federal para ser trans- formado emn lei. At6 qlue essa lei entire em vigor, nenhuma obra qlue cause impact na bacia do Xingu podera ser iniciada. Ela tera que ser enquadrada no planejamento federal em sentido mais amplo, que esse plano estabelecera. Solicitar ao Ibama, responsavel pelo licenciamento ambiental da obra qlue exija do Eia-Rima uma analise so- bre a transposiCio da barragem princi- pal e da barragem auxiliar para a nave- ga~gio O licenciamento nio podera ser concedido se esse aspect nio for in- cluido como parimetro de avaliaqflo dos impacts da barragemn. Sugerir a realizaqito de duas audi- ancias pulblicas conj untas, uma delas em Belem e outra em Cuiaba, entire as se- cretarias de meio ambiente dos dois Es- tados, representantes do lbamna, dos Mi- nist~rios Puiblicos estaduais e federals, das universidades federals, dos repre- sentantes da sociedade civil e ONGs, alem da Eletronorte e de 6rgitos do go- verno federal envolvidos no empreen- dimento, para examiner em profundida- de e extensho o projeto da hidrel~trica de Belo Monte. O resultado concrete desse encontro seria um ajustamento de conduta que o MP julgasse necessario estabelecer comn base no qlue tiver sido apresentado como evid~ncia de falhas e insufici~ncias do projeto da Eletronor- te ao long dos debates. Criagio de umna comissio tripartite (governo, sociedade civil e instituiC~es tecno-cientificas) para o acompanhamen- to da evolu~go do projeto da hidreletrica e de sua execu~gio. A comissito teria cara- ter consultive, mas todos os seus pedidos de informaqbes e documents, assim como todas as suas duividas, teriam que ser atendidos pelo construtor. A comis- s~o se reuniria ordinariamente uma vez por trimestre em Altamira, ou, extraordi- nariamente, quando convocada por pelo menos metade dos seus membros. O president da comissflo seria tam- bem nomeado, por ato do president da Repuiblica, ombudsman do projeto, com mandate de um ano, renovavel por ape- nas mais umn ano, protegido de afastamen- to ou demissio nesse period, exceto por just causa, devidamente caracterizada em process administrative, referendado pela maioria absolute dos membros da comis- sito tripartite. O ombudsman, como os demais integrantes da comissio, nflo te- ria direito a salario, recebendo apenas um jeton por participa~gio em reuni~o. A fun- Cgo seria considerada de relevant inte- resse pitblico. O custeio de suas ativida- des seria retirado do fundo qlue sera cria- do para tender a populaCio sob mnfluen- cia da barragem. Espero que estas id~ias contribuam para animar os debates necessarios para que esse novo grande projeto, concebido para desenvolver a regiio na qual ira se instalar, nho se transforme numa fonte de problems, tendo efeito contrario ao pro- metido. Para qlue isso seja possivel, os cidadios, a comegar pelos qlue ficario ao lado da enorme barragem de 90 metros, precisam nio apenas entender o que esta ocorrendo diante de si, mas se antecipar a obra. Do contrario, mais uma vez, serio atropelados por ela. Ag ua: e os comit 6s ? 4 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE MAIO/2002 estadual precisava morrer com Cr$ 200 mil. Quem desse bolo perdia seu lugar na chapa. O pra- zo fatal se esgotava tres meses antes da dispute. Os candidates qlue ficassem abaixo da s~tima suplincia de deputado estadual e da segunda suplincia de deputa- do federal contavam pelo menos comn um console: receberiam de volta metade da cota paga. Ref rig erante Em 1962 havia nada menos do qlue 10 indtistrias de refrigerantes estabelecidas em Belem: Para Refrigerantes, Produtos Vitbria, Hilario Ferreira & Cia., Induistria Amazonia de Refrigerantes, Fa- brica Nazare, Vale Alves & Cia., B. M. Costa & Cia., Duarte & Fonseca, Nogueira Mesqluita e Induistrias Caciqule. Pesquisa A primneira pesquisa sobre o custo de vida no Para foi reali- zada emn 1962. Responsavel pelo trabalho, realizado em todo o pais pela Fundagilo Getulio Var- gas, ficou o Setor de Estudos, Treinamento e Aplicaplo (SETA) da Faculdade de Ciin- cias Economicas da Universida- de Federal do Para. O escrit6rio central de pesquisa era coman- dado por Armando Mendes, di- retor da faculdade, comn a parti- cipaqflo dos professors Adria- no Menezes, Wilton Brito, Ra- m7iro Nazarei e Constantino Ote- ro (qlue tambtm atuava como co- ordenador). Pesqjuisadores fo- ram recrutados entire alunos dos curses de economic, filosofia e servigo social. RAd io As oito horas da noite de do- mingo, Oseas Silva comandava, no audit6rio da Radio Marajoa- ra (com piiblico e tudo, "ao vivo", como se diz hoje), no Lar- go de Nazare, o program "Ra- dio Divertimentos". Subiam ao palco as estrelas do "cast" Asso- ciado: Jurema Cordeiro, Celia Reis, Maria de Nazare, Jose Ra- malho, Augusto Silva, Mario Costa e, eventualmente, convida- dos. Como, em setemnbro de 1962, a "cantora de radio e TV cariocas" Claudia Moreno. Dedo O deputado estadual Athau- alpa Fernandez, do PSD, em ou- tubro de 1964, apresentou emen- da substitutiva a um projeto do seu colega, Gerson Peres, qlue requeria solidariedade ao gover- nador Jarbas Passarinho, dis- pondo-se a prestar uma "colabo- ragilo espontbnea": apontar "um por um dos corruptos, dos con- trabandistas, dos subversives e desonestos que estlio agregados ou apbiam o governor honest" de Passarinho. A mate~ria foi rejeitada em plendrio. FE B Um dos contritos romeiros do Cirio de Nazar6 de 1945 era o tenente-coronel Manuel Jose Ferreira Coelho, que havia sido chefe de policia e comandante da forga policial em Bel~m (e depois, ja na reserve, como ge- neral de exercito, ocuparia car- gos civis nos governor pos-64). Ferreira Coelho viera, comu a mulher, agradecer por ter sobre- vivido a Segunda Guerra Mun- dial. Foi um17 dos integrantes do Regimento Sampaio da For~a Expedicionaria Brasileira qlue combateram na Italia, ao lado das tropas Aliadas, contra s po- tincias do Eixo. Luz Em 1954 a prefeitura de Be- 16m abriu concorrencia publica national para vender o material remanescente utilizado pela Para Eletrica no servigo de bondes da cidade. A sucata incluia os tri- lhos. Depois qlue eles fossem ar- rancados, o vencedor da licitagilo teria qlue recompor a via pribli- ca. Comn o dinheiro arrecadado, a prefeitura subscreveria o capi- tal da sociedade de economic mista qlue seria organizada para explorer o transport coletivo na capital paraense. Ja a rede eletrica da extin~ta companhia, fundada pelos ingle- ses, seria entregue a Forga e Luz do Para, em pagamento das aqdes subscritas pela prefeitura, qlue criara O Departamento de Forga e Luz para substituir a antiga concessionaria particular. Mementos de transiglio nesse sempre precatio serving. Cand idatura Quem quisesse ser candidate a senador pelo PSD (Partido So- cial Democratico) na eleiglio de 1962 tinha que contar comn um 1 milhilo de cruzeiros. Era o valor da cota estabelecida pelo partido. O suplente de senador precisaria entrar comn 400 mil cruzeiros. A confirmagao da candidatura para deputado federal custaria Cr$ 500 mil. E um candidate a deputado gor, nio ha erro; tito somente uma afetaglio do estilo, uma especie de preciosismo As avessas". Essa nota de CAM (iniciais de Carlos A. de Mendonga) saiu na Folha do Norte de 17 de feverei- ro de 1965, mas continue comn espantosa atualidade. Aplica-se como corretivo ao linguajar atu- al, qlue, de novidade, trouxe um novo uso ("fulano colocou qlue...", "sicrano fez a coloca- glio"), aplicado a discursos. O mundo gira para ficar no mesmo lugar. M'lrsica Eleita Rainha dos Jopagicos (Jogos Paraenses Ginasio-Cole- giais) de 1967, ela descansou da competi~gio vereaneando em Mosqueiro. Nilo sem antes dei- xar, "com o musicista Jesus, para orquestragito", dois sambas bos- sa-nova, uma composigio "em ritmo i8-ie-ie" e duas can95es, letra e muisica de sua lavra. Era a afinada Jane Moreira, agora conhecida nacionalmente como Jane Duboc, um dos grandes no- mes na histbria da musica popu- lar paraense. Caffei raS Cassado pelo regime military e afastado da political, o ex-gover- nador do Amazonas Gilberto Mestrinho publicou uma nota na imprensa de Belem, em 1967, para anunciarqcue estava colocan- do a1 venda seus 45 apartamentos no edificio que levava o seu nome, na Serzedelo Corre~a com a Con- selheiro Furtado, naquele momnen- to em construglio pelo engenhei- ro Ocyr Proenga. As vendas seri- am feitas por Secundino Portela, da Imobiliaria Gamna Malcher, Mestrinho se responsabilizava "pelo prazo de entrega qlue se fi- xar nos contratos de venda a se- remn celebrados". Mulito rico, Mestrinho volta- ria a political como governador (agora e: senador pelo PMDB). Ocyr Proenga nito sustentaria a carreira empresarial; morteria pouco depois. Secundino pularia para a induistria, mas terminaria tilo cedo quanto tragicamente. Linguag em "EstB-se a praticar freqiien- te abuso do verbo 'colocar'. Nio resta duivida qlue a sinonimia com o verbo 'pir' e perfeita. Mas, nem sempre bem posto, o arrebique vernacular deve ser evitado. Amigo nosso, viu re- centemente na sala de redaglo do 'Jornal do Brasil' o seguinte aviso: 'Fica expressamnente proibido o emprego do verbo colocar, em qualquer artigo, to- pico ou noticia sem permissio do secretirio'. E qlue o abuso foi notado. Por da-se-ca-aquela pa- lha, la vinha o verbo 'colocar', tomando a vez do seu colega 'por'. E comum se ver impresso nas gazetas: 'A galinha colo- cou um ovo'; 'O ladrito foi colo- cado em liberdade'; 'Pedro co- locou os olhos em alvo'; 'Maria estava junto ao altar, de mitos colocadas'; (!); e assim outros exemplos. NumT diario local vi- mos ha dias: -'Plano de triinsito sera colocado emn pratica'. A ri- JOURNAL PESSOAL 16 QUINZENA DE MAlo 5 Salvar o institute T*O Instituto Hist6rico e Geografico do Para completara 102 b'anos no dia 2. E uma senhora data. Mas o IHGP tornou-se uma palida caricature da mnstituli~o qlue conheci, mal said das cal- gas curtas, ciceroneado para uma sessio, no inicio dos anos 60, :a por Jesse Feitosa. Quase quatro d~cadas atras, o institute ainda vivia. A maioria dos seus integrantes podia ser identificada em associaqio facil, exatamente por sua vinculagio com a histdria. A revista da entidade ate saia. Hebdomadaria, e verdade, mas com presenga pelo menos annual. Ha muitos anos quase nio ha sessies no assim chamado silo- geu. As poucas qlue ainda acontecem tiveram que ser transferidas para a Academia Paraense de Letras. Sob teto podre e a ameaga de inimigos invisiveis no ar, de acaros a bacterias, os associados, muitos deles vetustos, quase nao aparecem na sua pr~pria casa. Durante sua gestio longaa, como de habito entire os presiden- tes do IHGP), o ex-reitor da UFPA, Jose da Silveira Neto, pelo m~enos dava seu despacho diatio no lugar, cuidando do qlue via e mantendo a formalidade da existencia. Sea successor, Geraldo Mar- tires Coelho, que assumiu atraindo esperangas, nem isso fez, embora prometesse muito mais. O belo solar, que hospedou a nobreza local eeC uma das mais belas edificaqdes da cidade, ao lado dos palacios estadual e municipal (e do monstrengo arquite- t~nico da Assembli~ia Legislativa), esta em ruinas. Nao se trata de forga de expresso: a deterioraCio do pr6- i* dio, sobretudo nos andares superiores (e no mirante, pega rara de um estilo qlue ainda faz o encanto de Sio Luis do Mara- nhio), ameaga com desabamentos. Os cupins fazem sua festa e alguns saqueadores, beneficiados pela desatengio dos res- ponsaveis pela instituigBo, provavelmente surrupiaram algu- mas das peas. Valiosas, elas ja provocaram admiraCgo em exposipies realizadas em outros lugares e nas poucas visits qlue o institute ainda recebe. A ausancia do qlue ver e agora mais forte do que os objetos exibidos. A junta governativa atual, com a adessio de associados e pessoas de boa vontade, tenta salvar o solar que o Bartio de Guajara notabilizou e dar importincia social ao institute. Comn r* D~LPrr'l hB:4C~TIl(`t' titl'aPua ~SPrrr. - ~; ;,- ~ i-;l~-;~ ~-- h~ ~:-~i ~ i;~l- -J Pii. .-i y~ IcC--i ual n lll~o?) major-brigadeiro (da Aneronautica) Eduardo Gomes era o candidate dos conlsen a~.dores, a frente dos quais a UDN agitava as bandeiras, a presidincia da Reptiblica em 1945. Neste arnincio, publicado em dezembro daquele ano na Folha do Norte, sua autentica estampa de hert~i aparece com todo o destaque, apresentado como o candidateo da NaCio". Mesmo em tamanho menor, por~tm, la esta a imagem de outro official superior, o general Eurico Gaspar Dutra, candidate rival do PSD, o mais pr6ximo do perfil do recem-destronado Gettilio Vargas, do qual havia sido o ministry da Guerra (minist~rio ainda existente, com jurisdigilo sobre as tres Armas). Jos6 da Gama Malcher e Agostinho Monteiro eram os nomes da coliga~go UDN-PPS ao Senado Federal. Deodoro de Mendonga tentava a Cimara Federal pelo PPS. Todos representantes da elite local, embora o PPS de Ademar de Barros se chamasse Partido Popular Sindicalista. O eleitorado de entio, de 45 milhdes de brasileiros, era pouco mais de umn tergo do que ird as urnas neste ano para escolher o successor de um president que tambitm tinha um dos pes, o paterno, enraizado no geltulismzo. Tinha. (Maluricinho, seria possivel dizer hoje? Ou isso, esperam atrair recursos e chamar a atenghio da comunida- de para o desafio de salvar o institute e o patriminio que, pos- to sob sua guard, emergiu em sono pre-ag6nico. Sabem que s6 conseguirio seu objetivo recriando a instituiClo, de tal ma- neira que nos apercebamos de que ela existe. E dela passemos a tirar o just e devido proveito. Sou suspeito para falar, mas you falar: agiu certo o Dia~- rio do Para ao abrir espago para uma coluna didria (de terga a sibado) de Elias Ribeiro Pinto, complementada por sua pigina literaria dominical e uma entrevista is se- gundas-feiras. Ngo e por ser meu irmio, mas Elias 6 um dos profissionais que melhor se sai no dificil jornalismo cultural no pais. E tem a verve do cronista que a cidade perdeu e nio recuperou. Tomara que tenha aplicaqio e discipline para ocupar o espago que, de direito, lhe per- tencia, e, agora, de fato, lhe foi reconhecido. O Candidate Dagl Nagg A Presidencia DA~ Re pu blica I': i~rJ w J+e - w,~~ '~ ~; 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MAIO/2002 Duas semanas antes de ser assassi- nado, em dezembro de 1989, o serin- gueiro Chico Mendes participou de um debate em Piracicaba, no interior de Sgo Paulo. Confidenciou aos seus interlocu- tores, a margem das discusses sobre a Amazinia: estava com medo de morrer. Achava que seria mesmo assassinado se voltasse ao Acre, uma distant paragem do sertho brasileiro, s6 lembrada quan- do algum de seus filhos adquire fama, como o pr6prio Chico (& Jarbas Passa- rinho & Armando Nogueira & Jose Vas- concelos & etc.; na verdade, muito pou- co etcetera a mais). Francisco Alves Mendes Filho foi erigido a condigio de her6i por pessoas fisicas e juridicas (as entio emergentes ONGs) de varias parties do mundo por seus "empates", uma resistencia pacifi- ca (como a do Mahatma Gandhi) aos desmatamentos, que estavam destruin- do a seringueira, a "arvore que chora" do romance de Vick Baum; chorando latex, a seiva branca da existencia dos antigos "soldados da borracha", aban- donados a pr6pria sorte depois de terem dado seu sangue vermelho no esforgo de suprimento dessa vital matbria pri- ma aos paises aliados~na Segunda Guer- ra Mundial (1939/45). O violent fazendeiro Darly Alves da Silva, o donor de fato do municipio de Xapuri, nio estava nem ai para o herbi international da ecologia. O que ele nio tolerava era o caboclinho audacioso, que juntava gente na mata e se colocava di- ante dos pedes contratados para derru- bar floresta e substitui-la por pastagem para boi. Desacostumado de ver suas or- dens nio serem cumpridas, o fazendeiro mineiro colocou o desafeto no que na Amazinia se tornara (e continue a ser at6 hoje) normal: a lista dos anunciados para morter. Um tiro de escopeta espalhou 60 fragments de chumbo pelo corpo do seringueiro, rec~m entrado nos 44 anos. Com o estrondo, um cabo e um soldado da Policia Militar acreana, responsaiveis pela seguranga do seringueiro, a poucos passes de distincia, fugiram assustados. Se Chico Mendes tivesse ido para algum dos paises de origem dos seus aliados estrangeiros, 14 ficando homi- ziado por certo tempo, e nio para o Acre, ainda estaria vivo? Era uma pos- sibilidade, bastante plausivel. Ja a ou- tra alternative, a adotada, era uma fa- talidade: a familiar do fazendeiro tru- culento ja havia determinado o desti- no do desatefo. Certamente por isso, quase chorando, Chico disse aos aca- dimicos, que o ouviram encantados, em Piracicaba, que ele s6 queria uma coisa: viver. Sabia que, enquanto he- r6i, estava com a sentenga pronta, pen- dente apenas de execu~go. Queria po- der voltar a ser um home comum da mata, marido carinhoso, pai atencioso. Mas essa era uma dimensio que ja nio interessava a mais ninguem. Estava condenado a ser her6i. Por conseqa6n- cia, precisava seguir seu destiny: mor- rer; para tornar-se um martir. O destiny manifesto de Chico Men- des, s6 lateralmente abordado nos mi- lhares de paginas escritas a prop6sito do seu assassinate, deveria ter servido de incentive a um esforgo coletivo de atualizaqio, no sentido de conciliar o sertio amazbnico com o acervo de fran- quias e direitos individuals do Brasil modern. Do lado mais glamouroso do pais, sho poucas as pessoas marcadas para morter. Quase sempre, porque fi- zeram da violencia profissio de fe e ofi- cio. It uma retina entire traficantes de drogas, por exemplo. O cidadio comum, porem, entra nessa safra sanguinaria por acaso, ou sem consciincia da ameaga, tramada por seqiiestradores, nos casos mais graves, em funCio da expectativa de ganhos. Desde a redemocratizagi~o, deixou de ser rotineira nesse Brasil a ameaga de morte motivada pelas idei- as. O crime politico, enfim. Na Amaz~nia, pori~m, pessoas que se destacam por sua combatividade ou pe- las ideias divergentes que adotam, ou entio porque pertencem as chamadas "classes subalternas" (rebeldes ou mnar- ginais), continuam sujeitas a eliminaqio fisica premeditada, a entrar para a rela- Cgo da morte anunciada, que circula, com desenvoltura e cinismo, pelos grotdes da regiio. Quando um personagem cuja no- toriedade ultrapassou as fronteiras locals 6 a vitima, hB repercussio no upper-land, e, as vezes, impact dos grandes, como no caso de Chico Mendes, porque esse e o papel principal que cabe a tais perso- nagens: deixar-se ficar como uma ban- deira, gloriosa porque p6stuma, e her6i- ca exatamente porque a dor da perda san- tificara a biografia, apondo-lhe o sinete da verdade e encerrando a hist6ria, a ser consagrada no universe ultramarino. A colheita de nomes na safra do cri- me anunciado se faz sem alarido o ano inteiro quando ceifa a vida de gente ano- nima. Anbnima para os grandes centros, onde nascem as ondas de cultural que se irradiam pelo mundo. Relevante, porem, para as populagaes das quais nasceram esses lideres e dos quais elas tanto de- pendem para continuar a caminhar (quan- do, de fato, sairam do estado de letargia e ja caminham). Custa ouro produzir es- sas liderangas. O process de formaqio e demorado, claudicante, perigoso. O da destrui~go 6 simples e rapido. Ha pistoleiros de aluguel nos arre- dores de qualquer zona de convergin- cia dos fatores de tensio e conflito, que podem ser representados por garimpos ou fazendas, reserves indigenas ou acampamentos de lavradores sem aces- so a terra, batizados como cidades. Mata-se em domicilio por um cachi que pode comegar com algumas notas de 50 reais (as ja populares "roseanas", um escarnio ao Rosa que melhor expressou literariamente o sertio brasileiro, o mi- neiro Joso Guimaries). O valor mone- tario depend do alvo indicado. Mata- se sem a mais remota ideia do valor so- cial e pessoal de quem sera eliminado. Eventualmente, a execugho do "servi- go" pode trazer dissabores ao profissi- onal da morte (ou ao empreiteiro, quan- do ele toma as dores e cuida diretamen- te do "problema"). A violincia, que ignora os parame- tros constitucionais em vigor na tercei- ra maior democracia do planet, e as- sustadora na Amazonia. Choca ainda mais quando e possivel dimensiona-la em toda a sua amplitude. Ela tem uma face explicit, a dos assassinates politi- cos, que visam eliminar divergentes e opositores, mais freqiientes do que su- pie o noticiario jornalistico. Outra face se apresenta atrav~s da sobrevivincia de formas sociais primitivas, algumas delas remotamente primitivas, como o traba- lho escravo, legalmente abolido no pais ha quase 120 anos. Atualmente ha um debate na regiko entire os que registra- A lei da selva JOURNAL PESSOAL In QUINZENA DE MAIO 7 r m l~ nia~- e- br o n n o asp d oe os que fazem seu calculo com base em alguns milhares de ocorrencias. A dife- renga soa comno problema metodol6gico. Abstrai-se que centenas ou milhares diz respeito a vidas humans. Mas ha violincias sutis que a retina se encarrega de banalizar. Quem viaja durante o verho pelas grandes estradas de chio compactado da regiho, ainda as predominantes, cinco d~cadas depois das primeiras rodovias de penetraqio na Amaz~nia, pode testemunhar, sobretu- do aos domingos, um espeticulo de agressio dissimulada: families inteiras, vestindo sua melhor roupa, recebem ca- madas e mais camadas da grossa poeira vermelha levantada pelos carros em trb~nsito, nos quil6metros que precisa- rio seguir it margem da estrada ate o culto religioso que as espera. Sairam limpas e bem vestidas de casa. Regressad~o empoeiradas e desgrenhadas do program semanal mais important de suas agendas. Nio notario o desrespeito se ja estiverem suficientemente embru- tecidas pela "lbgica da fr~onteira". E a lei nflo escrita, mas cumprida a risca, segun- do a qual os direitos e garantias indivi- duais s~o para todos os brasileiros, mas nflo exatamente para os sub-brasileiros da jungle, da terra selvagem que cabe ao bandido amansar, como o modelo de pi- oneiro na frente de abertura economica, enquanto o mocinho nfro chega. Se 6 que chegara algum dia. A aventura de fazer, num pais de di- mensies continentais como o Brasil, um journal didrio verdadeiramente national engoliu mais um aventureiro, a Gazeta Mercantil. Dirio os apressados que a es- finge e indecifravel, da mesma maneira como a culpa pelos fracassos dos proje- tos Ford e Jari foi jogada sobre as costas largas da floresta amazonica. E impossi- vel minimizar as dificuldades da emprei- tada. No caso da Gazeta, a empresa que at6: hoje chegou mais perto de domar o touro bravio, o desastre deve ser atribui- do, porem, menos a fatores externos do que a causes internal. Dispondo de tecnologia mais apropria- da (do que, por exemplo, o Diairio de Noti- cias, na decada de 70, que usava sinal de radio) para editar um jornal simultanea- mente, cinco dias da semana, em 12 capi- tais brasileiras, a partir da central, em Sio Paulo, agregando a edigio national cader- nos locals, a Gazeta esteve bem pr6ximo de consolidar um modo e uma estrutura de produgho de jornalismo brasileiro. Deve-se creditar esse merito a auda- cia de Luiz Fernando Levy, que sucedeu o pai, Herbert Levy, numa empresa com 82 anos de existincia, especializada no noticidrio econbmico e fmnanceiro. O ex- cesso de infase, contudo, projetou Luiz Fernando no vacuo da megalomania. Ten- tou abarcar ao mesmo tempo o Brasil e o continent, indo na onda do Mercosul. Dentro dela, o jacar6: nio era nada simb6- lico. Temn engolido todas as dificeis con- quistas da empresa. E exibido seus exces- sos e irracionalidades. Na busca do modelo do Wall Street Journal, que talvez ate pretendesse supe- rar, a Gazeta encolheu ao tamanho de anos atrais, involuindo a partir da grandeza a que chegara. Comprometeu at6 mesmo a sua sobrevivincia. Sua receita ja nio e bastan- te para amortizar seu debito. A fi~rmula salvadora tem dois components. Um, po- litico, depend do que acontecer ate: as elei- 95es presidenciais. Outro, financeiro, esta relacionado ao ingresso de capital liquid estrangeiro na midia national. No plano estritamente local, deve-se lamentar o fim precipitado de uma expe- riincia de dois anos, a Gazeta Mercantil Parai, que vinha tentando levantar o pa- drflo da cobertura jornalistica entire n6s, emnbora com uma entonaqflo acentuada- mente official, quase chapa branca as ve- zes. Pelo menos o caderno paraense se- guia normas profissionais, uma das quais, basica, parece estar sendo esque- cida nos shopping de noticias em que as paginas de jornais (e os espagos de veicula~go de radios e televises) pare- cem estar se transformando: o jornalis- mo nio agride os fats, submete-se a eles. Quem sacrifice fats ou os negocia faz comercio, nio jornalismo. Mais uma perda a lamentar. anuncia, em entrevista a Elias Ribeiro Pinto, no Diario do Parai, que suas mem6rias des- ta vez sairflo. Se tudo der cer- to, at6 o fmnal do ano. Tomara que sim. O livro anterior foi pouco mais do que um album de retratos. Consciente de que escrever mem6rias para nflo dizer o que sabe 6 infitil, o ex- governador podera remir suas falhas, ao menos em parte, ofe- recendo aos seus contempora- neos elements para uma anit- lise mais correta daqueles tem- pos do que as desculpas esfar- radadas dos baratistas ou as acusaC6es ocas (e as vezes tos- cas) dos seus engomados (e freqiientemente farisaicos) acusadores morals. que voltavam a cena imaginan- do aproveitar o vicuo deixado pela morte do lider dessa oli- garquia, Magalhies Barata. Fazendo carreira agregado ao judiciario, que a condigio de pretor nomeado lhe permitiu, ou subindo pelas engrenagens correcionais do baratisrno, en- quanto chefe de policia, Aur6- lio era um apparatchick pesse- dista, uma esp~cie de joyem turco, se tal fosse possivel nas hostes do velho PSD. Os tris anos de Aur61io como governador revelam um confuse difuso projeto popu- lista, derivagao do modelo ge- ral que aqui chegou desviado - ou, melhor dizendo, contra- bandeado, para usar uma refe- r~ncia marcante da 6poca. Era uma situaqio desigual, irregu- lar, contradit6ria. O ultimo so- pro de autonomia do governa- dor destituido do cargo e cas- sado pelos militares vitoriosos foi de dignidade, fechando com chave de ouro um desem- penho administrative desen- contrado, descontinuo e, fre- qilentemente, desastrado. Mo- .mentos de boa inspiraqio e acerto nio foram mais do que mementos. O joyem governa- dor pagou o prego da imaturi- dade. Diga-se em seu favor que, ao contrario de virios companheiros de viagem, pa- gou devidamente o prego. Octogenario, o ex-desem- bargador Aurelio do Carmo FOCilo de ouro Aur61io Corr~a do Carmo nasceu em Bel~m no mesmo ano, o de 1922, no qual inte- lectuais paulistas tentavam atu- alizar a mentalidade brasileira ao Brasil real, apagando suas ilus~trias projeq~es parnasianas e as interpretaCges utilitarias patrocinadas pela elite no po- der. Trinta e nove anos depois, o advogado Aurelio do Carmo seria o mais joyem governador do Para, na sua primeira dispu- ta eleitoral. Emprestou sua jo- vem estampa, sua linguagem agradivel e seu carisma ao res- tabelecimento do poder bara- tista sobre uma oposigio de velhas liderangas "coligadas", Perda jornalistica Faganha O Journal Pessoal comple- ta, nesta edigio, sete anos com o mesmo prego de capa. Tal- vez seja um dos raros produ- tos do mercado a poder apre- sentar esse resultado. Em ma- t~ria de pagamento de funcio- narios, a administraqi~o Almir Gabriel ficou apenas ligeira- mente atris. No mesmo perio- do, reajustou o salario dos bar- nabe~s estaduais em 7%/. Parabens, leitores. Meus pasames, barnab~s. Advog ad o Os privilegios dos advoga- dos sio legitimos e positives durante as audiancias e em to- dos os mementos da instrugio processual, como garantia do devido process legal e do amplo contradit6rio. Estendi- dos a mera entrada e circula- gio nos diversos foruns, tor- na-se um favorecimento odi- oso, discriminatdrio. A porta de seguranga ins- talada no Tribunal Regional do Trabalho ajudata a deslin- dar o advogado corretamente aparelhado para o desempe- nho do seu oficio do profissi- onal desqualificado ou pes- porrento (e o mau do bom ci- dadio em geral). Em nada di- minui ou humilha o exercicio da profiss~io. A falsa dignida- de aviltada pode ser apenas habeas corpus preventive, in- devido e imerecido, para a mentalidade das "carteira- das", o traditional recurs de quem, nio tendo razio, julga ter forga para impor sua von- tade recorrendo ao "sabe com quem esta falando?". Se avaliar melhor a attitude a adotar em relagi~o a essa ino- vaCio do TRT do Para, a OAB mostrar8 que, al~m de entida- de corporativa, 6 uma institui- gio da sociedade. N~io um te- lhado vadio para gatos pardos e pretos. Ainda que togados. O Umarizal esti merecendo a urgente aten- gio dos belenenses. Reduto da popula~go mais pobre da cidade, sobretudo dos negros, o bairro se fez com um perfil muito pri~prio: pequenas casas geminadas, para diminuir o custo da cons- tru~go, convivencia comn as areas alagiveis, uma iconograff a quase rural e uma simpatia genera- lizada entire seus moradores, a despeito dos re- gistros policiais de fim-de-semana. Hoje o bairro passa por uma dristica e pro- funda altera~go de composiEgio e fisionomia. Os antigos moradores, muitos deles descendentes de escravos, est~io sendo tocados de suas casas pela especulagio imobilidria ou pelos hibitos dos no- vos moradores, emboletados em suas construg~es verticals. Um dos sintomas dessa mudanga 6 a press~io para acabar com a escola de samba Quem Shio Eles, uma evidence perturbaCio sonora, mas traditional, qlue agora soa intoleraivel a ouvidos mais sensiveis aos decib~is populares. Enquanto a simpatica agremiaqio carnava- lesca esta sendo "convidada" a fazer as trouxas e procurar outro abrigo, os espigaes de concre- to, cada vez mais altos, se multiplicam. Con- quistada a terra as mars gragas a aterro e dre- NOsso pintor Ra Emanoel Nassar 6 um dos talvez A seja mesmo "o" mais cosmopolitas duzid pintores paraenses. Para veneer o desa- so pal flo das fronteiras ele nio precisou ade- be, ul rir a modismos nem a solugdes de mer- dispu cado. Manteve suas raizes. N~o como na no uma formula meclinica, um regionalis- queci mo estreito, uma decoraqio folcl6rica. bre e Sua linguagem se tornou universal g prim~ media qlue ele foi eliminando o aces- plexic s6rio on as interferincias em sua obra. elensl Limpida e clara, ela passou a expressar A um inconsciente coletivo est~tico ama- Sharo zonico, com sua geometria e suas co- dem u res, seus tragos e linhas, explorando ao sua u' maximo aautonomia da pintura enquan- clara to criava respiradouros que funcionam nio p como canals de expresso, sugerindo o onali~ mundo que se encerra nesta regiio. vos cc Alegra a todos nbs, seus conterri- neos, admiradores e amigos, que Ema- M noel Nassar tenha sido um dos poucos M brasileiros selecionados para a expo- Nr siCio de pintura brasileira que serb forma apresentada durante a Copa do Mun- des d~ do. Desta vez, o mercado fez justiga. do pel nagem, ser~io outros os beneficiarios da melhoria. Tera que ser assim porque 6 sempre assim que e? Esta e uma quest~io. A outra diz respeito ao bem de toda acidade. Os arranha-ceus (amazonicamente falando, 6 claro: chegando a 30 andares) estio for- mando um pared~io de concrete justamente na di- re~go em que o vento, entrando no sitio urban, se espraia pela cidade, minorando os efeitos dessa combinaqio mortal de calor e umidade. Sem vento (e sem arborizagio), Bel6m vai se tornar insupor- tivel para nossos filhos e netos. Talvez, alias, ja para n6s mesmos, se a inctiria continuar a evoluir a galope, como tem ocorrido, e fomos tio omissos quanto temos sido. Ja est8 mais do que na hora de nossos legisla- dores municipals estabelecerem um gabarito dra- coniano para construgdes em Bele~m. Os especia- listas, sobretudo os que estilo atentos a formaCgo das ilhas de calor nas cidades, poderiam definir o limited de altura. Agora que a macrodrenagem esta valorizando novas areas de baixada, dificilmente o efeito dessa salutar provid~ncia podera ser o enca- recimento da construgio. A nio ser que os admi- nistradores p~iblicos queiram continuar indiferen- tes ou coniventes com o lucro especulativo. Izao Confederaqio Israelita do Brasil, em nota aqui repro- la pelo Centro Israelita do Para, admite que vive no nos- is em harmonia e respeito mlituo com a comunidade Bra- m modelo que poderia servir de exemplo "as diversas .tas que ocorrem pelo planeta. As consideraqdes feitas ta teriam apenas o prop6sito de "contribuir para o enri- mento do debate sobre o oriented M~dio". Prop6sito no- justo. No entanto, ao endossar tudo o que tem feito o eiro-ministro Ariel Sharon, a nota desmente a real com- dade do problema, exaurindo-o num enunciado: os isra- es tim razio; os arabes, nio. nota nio chega a sustentar a soluFho pelas armas, que ,n adotou como bandeira, chocando os que ainda defen- Ima solu~go political para o sangrento impasse atual, mas nilateralidade tamb~m nio efetiva os objetivos que de- defender. Pelo menos ate agora, de qualquer maneira, rovocou um indesejado efeito lateral: importar o passi- smo e o odio que transformaram a terra comum de po- om a mesma origem numa arena de barbaros. iidsculo a propaganda que fez para 0 laborat6rio Pfizer, Pel6 in- Sque "um em cada tris homes adults tem Dificulda- e Ere~go". O "atleta do seculo", pelo visto, foi escolhi- la facilidade com que faz as letras ficarem maitisculas. '"'''' "~_.'1"::'I"':_'""'''''"' :" ~'--'- "''"'"'" i '1'1; '::;';;'"'~ :':'I'-'~,:;'~'~~ imrll I llj'.jr. j; r plo.ujai jl..;. ~...l.j E.ljli~d Pns L.l.;j.,I.:.~,.- 1;lj..,,....l: Ar, mais ar |
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