Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00230

Full Text





Journal Pessoal
L C I O F L A V IO P I N T O
ANO XV N. 281.,..J QJ UINZENA DE ABRIL DE 2002 R$ 2,00


f--* c '


ELEI(AO


Vai ter marmelada?

0 eleitor, os cabos eleitorais e os candidatosjd pareciam convencidos de que o eixo da
pr6xima eleigdo seria definido pelo antagonismo entire o grupo do governador Almir Gabriel
e o do ex-senadorJader Barbalho. Porforga depirotecnia formal, elespodem acabar
aparecendo como aliados. Como reagira a essa metamorfose o distinto public?


goverador Almir Gabriel e o
ex-senador Jader Barbalho no
mesmo palanque, ou, mais sim-
bolicamente, no mesmo pica-
deiro? Antes de uma interpretacao do Tri-
bunal Superior Eleitoral impor coligacges
eleitorais de cima at6 embaixo, essa hi-
p6tese era completamente descartada.
Mas se a alianqa PSDB-PMDB para a dis-
puta da presidencia da Republica se for-


malizar, com a chapa Jose Serra-Jarbas
Vasconcelos, o goverador e o ex-sena-
dor terao que esquecer tudo o que disse-
ram atW agora e costurar tamb6m uma co-
liga9ao no Para?
Por enquanto, nenhum dos dois lados
quer examiner essa circunstancia, nem para
raciocinar sob hip6teses. Talvez porque ela
nem venha a se materializar. Tanto PSDB
quanto PMDB poderiam disputar a elei-


cgo estadual sozinhos ou buscar coligagd
com partidos que nao apresentassem can-
didatos a presidencia, aproveitando-se de
uma brecha deixada pelo TSE na sua in-
terpretaiao, com forqa de aut6ntica lei
nova, sobre as coligag6es verticalizadas (ou
engessadas). O PFL pode ser o aliado do
PSDB paraense, se a candidatura de Rose-
ana Samey for mesmo rifada e o partido
optar por se fortalecer no parlamento. Ou- )


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2 JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE ABRIL/2002


tras legends, embora de importincia muito
inferior, podem ser oferecidas para agre-
gar-se a um dos dois partidos.
Se ficar inviabilizada qualquer coli-
gacao, exceto a imposta por acordo fe-
deral, PSDB e PMDB preferirdo arris-
car uma caminhada sozinha ou tentar
costurar uma composiggo de nomes? Do
lado do governor, uma definigao 6 cate-
g6rica: indicar o candidate a sucessao
de Almir Gabriel. O escolhido, como
todos ja sabem (sobretudo os descon-
tentes), 6 o secretario especial da pro-
dugao, Simao Jatene. Jader Barbalho
pode aceitar esse nome?
As indicaqoes feitas pelo PMDB sao
de rejeigio a Jatene. Ele seria um can-
didato demasiadamente identificado
cor Almir Gabriel, que, por isso mes-
mo, assumiu uma postura intransigente
diante das reacqes dentro da "Uniao
pelo Para" i confirmacio do seu favo-
rito. Alguns sinais mais recentes, con-
tudo, sao de mudanga. No iltimo domin-
go, na coluna que, para pasmo de mui-
tos, voltou a escrever no Didrio do Para,
o ex-prefeito Helio Gueiros s6 faltou se
declarar titio de Jatene, depois de ha-
ver se referido cor ironia e deboche ao
secretario do governador.
Apesar de alardear independencia e
profissionalismo, Gueiros escreve mais
como politico do que como jornalista.
Fala tanto por ele mesmo como pelo es-
quema politico ao qual voltou a se inte-
grar, depois de dele ter sido expulso, em
1990, acusado de traidor, por proposi-
gio do deputado Nicias Ribeiro (hoje
tucano de carteirinha), aprovada por
unanimidade pelo PMDB.
A simpatia do ex-atual peemedebis-
ta, reincorporado no papel de irmao
mais velho de Jader Barbalho, pode sig-
nificar que Jatene sera absorvido, des-
de que o acordo PSDB-PMDB compen-
se. De ambos os lados, alias, ja sao fei-
tas refer6ncias a participagio de Jatene
como secretario de planejamento no pri-
meiro governor de Jader e secretario de
assuntos fundiarios na conturbada ges-
tao de Jader no Ministerio dos Assun-
tos Fundiarios.
Nessa hip6tese, o que seria mais van-
tajoso para o partido de Jader e H6lio?
Talvez a maquina official ampliando o
poder de convencimento p6blico para a
volta do ex-ministro ao Senado. O es-
forco poderia ser complementado corn
um trabalho de limpeza de area dos tu-
canos, nos bastidores, para que o impac-
to do retorno do filho indesejado nao
crie constrangimentos intransponiveis.
Essa predisposigio parece ja existir a
nivel federal. T6m sido constantes as
ligaoses telef6nicas de Brasilia para


Jader e vice-versa, algumas do Palacio
do Planalto e arredores.
O PMDB ganharia ainda o direito de
preencher a vice-governadoria e parti-
cipar da nova administration. Para He-
lio Gueiros sobrariam recursos sufici-
entes para chegar a Camara Federal corn
uma grande votagao, capaz de compen-
sar a perda de status para quem ja foi
senador e governador.
Para o grupo do governador, o maior
ganho seria afastar o espectro de Jader
Barbalho, que paira como uma grande
ameaca sobre a ainda fragil candidatu-
ra de Simao Jatene ao governor. As pes-
quisas mostram que se os dois fossem
para o segundo turno, ha um ligeiro fa-
voritismo do ex-governador.
Esse e um esquema em tese, talvez o
mais provavel se outras altemativas, como
um acordo informal ou por baixo dos pa-
nos, separando os palanques para os can-
didatos dos dois partidos, nao derem cer-
to ou forem inviaveis, ate mesmo de pen-
sar. Os dois lados evitarao ser associados
antes que essa uniao se tome inexoravel.
Talvez ela acarrete mais prejuizos para
os interesses do governador do que para
os do ex-ministro. Mas certamente vao
expor seus flancos para o ataque de um
terceiro candidate, em condiqges de des-
tacar os vicios dessa alianca sem oferecer
um rabo de palha ao contra-ataque. Nao
bastara bater com insistencia nas trocas
de acusaqoes entire o grupo do governa-
dor e o do ex-senador, embora essa tatica
renda votos certos entire as camadas mais
esclarecidas do eleitorado. E precise con-
tar cor uma estrutura para fazer essa pre-
gacao oposicionista ser difundida por todo
o Estado. Sem isso, uma uniao Jader-Al-
mir, por mais her6tica que parega, pode
acabar alcancando um saldo positive.
O senador Ademir Andrade, o nome
mais cotado nas pesquisas para ocupar o
espaco das oposiqGes, vive o dilema da
indefinigdo do quadro eleitoral federal. A
media que cresce a cotagao do govema-
dor do Rio de Janeiro, Anthony Garoti-
nho, minguam as possibilidades de um
acordo PT-PSB para a presid6ncia da
Repiblica e, por extensao, para o go-
verno do Estado. Concorrendo sozinho,
Ademir pode acabar tendo o destino do
coelho na lenda: sera vencido pelas su-
cessivas tartarugas postadas ao long do
caminho. Mesmo saindo bem na frente de
Jatene, 6 candidate a chegar atras no se-
gundo turno por falta de f6lego para rom-
per a fita de chegada.
Se Garotinho desistir da sucessao de
Femando Henrique Cardoso, abrira espa-
go para o senador do PSB dar cores de
realidade a desbotada moldura dos enten-
dimentos que ter mantido cor os petis-


tas locais para a montagem de uma chapa
de forga: ele para o govemo e a vereadora
Ana Jilia Carepa para o Senado. Cor esse
arranjo, o prefeito Edmilson Rodrigues
nao precisaria se expor aos altos riscos
de sua participagio numa dispute majori-
taria neste ano e Paulo Rocha poderia con-
tinuar no rumo de mais um mandate na
Camara dos Deputados.
Foram essas as duas condigces esta-
belecidas por Ana Jilia para trocar o lu-
gar que 6 quase seu no Senado pelo in-
certo governor do Estado. Mas se nenhu-
ma das hip6teses se tornar factivel e ela
puder recusar um palanque de peso para
fazer eco a campanha de Lula, seu cami-
nho sera a volta a Camara Federal, cor
votaCgo para eleger mais um ou dois de-
putados petistas, e o partido fara mais um
papel coadjuvante na dispute para o go-
verno. Indo para o governor, tera condi-
cGes de sustentar um confront cor Si-
mao Jatene nos debates? Podera reciclar
seu discurso pr6-senado para a lingua-
gem do executive?
Ha ainda o vice-govemador Hildegar-
do Nunes. Com as coligaqGes vinculadas,
ele nao poderia se beneficiary da aproxi-
madao Jader-Almir porque seu partido, o
PTB, tem candidate a presidencia, o ex-
govemador do Ceara, Ciro Gomes. Esta-
ria de fora de cogitaqSes, como um ter-
tius, no caso de um impasse entire PSDB
e PMDB em tomo da candidatura de Ja-
tene. Teria apenas a alternative de dois
pequenos partidos para ap6ia-lo, o PDT e
o PPS. Podera ir long nessas condig6es?
E pouco provavel.
Mas tambem sao poucos os que se atre-
vem a fazer projeg5es porque tudo pode
mudar de repente, seguindo um lance de
dados qualquer. Numa inversao da tend6n-
cia dominant na republica brasileira, agora
os acordos locais estao a reboque dos acer-
tos federais, tendo que se acomodar ao que
for acordado em (e por) Brasilia.
B uma situacao nova, que desfavorece
o caciquismo e a oligarquia regional. A
rigor, com tantos vicios e dependencias
estabelecidas ao long do tempo, ninguem
sabe ao certo se essa mudanga 6 positive
ou negative, perene ou efemera, real ou
manipulada. Por enquanto, ela result de
acertos de caipula, com assessorias espe-
cializadas, dentre as quais se destacam os
marqueteiros e os arapongas. Em meio a
tanta sagacidade e engenhosidade, ainda
resta pendente uma pergunta: e o povo, o
que acha disso tudo?
Os marquetreiros tratarao de fazer
uma pesquisa para encontrar a resposta.
Podem encurtar o tamanho da divida.
Mas a resposta verdadeira s6 vira quan-
do as uras falarem. t delas que pode
vir a maior das surpresas.







JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE ABRIL/2002 3




Belem ja tem pre-candidato


Com mais de dois anos de anteceden-
cia, ja ha um pre-candidato a eleiglo de
2004 para a prefeitura de Belem. O se-
cretario de cultural do Estado, Paulo Cha-
ves Femandes, ofereceu seu nome como
opdao ao PSDB, caso o governador Al-
mir Gabriel cumpra o que anunciou em
entrevista ao journal da Federaqdo das In-
dustrias: deixar a political quando chegar
ao fim do seu mandate. O nimero dos que
acreditam nessa declaraqgo de amor pelo
farniente do cacique tucano e tao grande
quanto a quantidade dos que apostam na
possibilidade de Paulo Chaves realmente
se tornar um candidate para valer a pre-
feito da capital paraense.
Independentemente dos m6ritos da
candidatura, o ceticismo se aplica a pr6-
pria personalidade do secretario, combi-
nada cor suas condiq6es de saide. Seu
perfil de politico 6 tao convincente quan-
to o do principal executive do grupo Li-
beral, Romulo Maiorana Jinior. Mas,
como neste caso, ningu6m pode duvidar
do desejo de Paulo de assumir de vez o
comando de uma maquina piblica, ao in-
ves de permanecer na segunda linha, ain-
da que destacada. O problema 6 que ja
ningu6m pode chegar a esses cargos sem
passar por uma eleicao. Ela combine corn
o modo de ser do secretario estadual?
Mas ele tem feito o que pode para fi-
gurar como personalidade proeminente na


vida da cidade. Invadindo competencias
alheias e ignorando formalidades, Paulo
ja executou em Bel6m obras cor investi-
mento superior a 40 milh6es de reais. Vai
estar a frente de outras empreitadas de
mais de R$ 30 milhoes antes de chegar ao
fim a administragao Almir Gabriel. Ed-
milson Rodrigues tern esse curriculo?
Se seu padrinho conseguir eleger o su-
cessor, Paulo tera grandes possibilidades de
continuar no govemo, ainda que sem a mes-
ma influencia. Tera combustivel suficiente
para permanecer em plena evid6ncia, corn
projetos de repercussao e impact. Se sair,
o que fez ecoara o suficiente para nao dei-
xar que o seu nome seja esquecido tao rapi-
damente. Mas nao para coloca-lo como can-
didato potential a prefeito. Na verdade, ele
tera que continuar a ser rebocado por um
patrocinador forte, que sustente suas inicia-
tivas e estimule seus impulses.
A presenga do amigo Gabriel a frente
do governor deu a Paulo a rara oportuni-
dade de realizar seus sonhos e devaneios,
mesmo os mais dispendiosos e volunta-
ristas, que estouraram os orgamentos e de-
safiaram a capacidade de um Estado po-
bre gastar tanto, sem pensar no peso do
custeio das estruturas que engendrou, e
sem um ajuste 16gico entire a origem do
investimento e o seu usufruto.
A Estacgo das Docas 6 um exemplo
dessa distorcao. Ha poucos reparos a fa-


zer a restauracgo das estruturas metalicas
dos antigos galp6es do porto. Ja a defini-
c9o do seu uso (para a qual houve obras
de acrescimo) 6 altamente controvertida.
Envidragado e refrigerado, o espaco per-
deu sua fungao declarada, de p6lo turisti-
co e centro commercial gastron6mico, e esta
se ajustando ao novo uso, de ambiente
fechado para uso da elite local. Participa-
ra do novo circuit da corte, incluindo as
igrejas de Sao Joao e de Santo Alexan-
dre. Esta correto?
E de se esperar melhores resultados da
fiel e sensivel restauracgo do Teatro da Paz
e do Forte do Presepio, ou da concepqdo do
Mangal das GarCas. A predominincia do
arquiteto restaurador sobre o projetista de
obra nova (ou adaptada, com excessive
maneirismo) sera melhor para a sociedade.
Na visao do criador, a coletividade estara
bem se simplesmente aceitar os presents
que o artist lhe da, numa rela~ao tipica en-
tre elite (ativa) e massa (passiva).
Todos ganhardo mais, entretanto, se o
trabalho ja realizado for corretamente
avaliado e os projetos passarem por uma
audiencia pr6via. Isso, infelizmente, nao
esta sendo feito simultaneamente a exe-
cu6ao dos projetos. Mas se Paulo se apre-
sentar como um surpreendente candidate
a prefeito, a oportunidade se apresentara,
de qualquer maneira. E democraticamen-
te. Como at6 agora nao tem sido.


Ideia
E pouco prov6vel que, em ha-
vendo turista, ele saiba que existe
uma delegacia especializada para
atende-lo no centro da cidade. Se
souber, dificilmente chegara ao lo-
cal. Se chegar, se sentira um estra-
nho no ninho naquelas instalac6es.
Mas o governor podia aproveitar e,
olhando em frente, se interessar por
desapropriar o belo casarao no qual
funcionou o consulado de Portugal,
na travessa 13 de maio, restaura-lo
e para la fazer atravessar a delega-
cia de atendimento ao turista. To-
dos ganhariam com a provid&ncia:
a cidade, os turistas e a delegacia.
O predio, que sofreu um in-
c6ndio recentemente, foi abando-
nado desde entao. Esta sem o te-
lhado e perdeu todo o conte6do.
Oco, as paredes comegam a dar


sinais de que nao demorara mui-
to para comegarem a rachar e ruir.
Se isso ocorrer, o centro velho de
Belem perdera uma das suas pre-
ciosas edificacqes.
Sera que o arquiteto Paulo
Chaves pode abrir uma excegao e
adotar a id6ia? Alguem, se ele nao
se sensibilizar, podia se interes-
sar antes de termos mais um de-
sabamento para lamentar?


Placa
Num dos seus primeiros atos,
a prefeitura petista de Bel6m gas-
tou 181 mil reais para recuperar
o telhado e reforgar a estrutura do
Palacete Pinho, em sua categoria
o mais belo da Cidade Velha. Os
anos se passaram e nada mais foi
realizado. O telhado j6 esta todo
perfurado e podre. O palacete tem


o ar de complete abandon, que
contrast ainda mais com o exce-
lente trabalho de restauraqao que
a arquiteta e pintora Dina Olivei-
ra fez exatamente ao lado, na sua
casa, cor recursos pr6prios.
Nesse ponto, o diagndstico 6
facil: a administracao do arquite-
to Edmilson Rodrigues sofre da
sindrome das places.


Volta
E de lamentar que Pedro Veria-
no, um dos mais antigos critics de
cinema vivos do pais, esteja fora de
atividade. Nao por ter perdido o
encanto pela arte ou por ter optado
pela aposentadoria, mas por desen-
contros e desvios no trajeto da im-
prensa diaria paraense, na qual pon-
tificou por quatro decadas. Alguem
precisa abrir um novo espaco para


ele, mantendo-o na militfncia da
critical. t o que desejam todos os
que o admiram, mesmo discordan-
do freqiientemente dele, como eu.
Pedro conhece, entende e ama
o que trata. Nao e um trunfo abun-
dante no mercado. Aprendemos
quando lidamos com gente assim.
Infelizmente, o leitor mais jovem
dejomal nao disp6e de referenci-
ais, como os que a nossa geragao
teve nos anos da sua fonnagio. No
Correio da Manha, no Rio de Ja-
neiro, lia e ouvia as liq6es de An-
t6nio Moniz Vianna, Salvyano
Cavalcanti de Paiva e Jos6 Lino
Grtinewald, dos quais Pedro foi
confrade quando iniciou sua colu-
na di6ria em A Provincia do Para.
Ela precisa voltar. Onde, nao
importa. A lacuna deixada pela
ausencia de Pedro nao foi preen-
chida. Nem sera.







4 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE ABRIL/2002


Ford
A Ford justificava, no seu
balanco referente ao exercicio
de 1944, nao ter realizado
"uma expansao maior" na
plantagao de seringueira, em
suas duas concess6es de um
milhao de hectares no vale do
Tapaj6s, ainda devido "a falta
de bracos" para o trabalho na
regiio. Justificou ter sido ne-
cessario "usar toda a mAo de
obra disponivel para a conser-
vagao das plantac6es". Mas o
serving de enxertia, "corn va-
riedades resistentes a mol6s-
tia" (o mal das folhas, que di-
zimaria o plantio), havia con-
tinuado durante o ano inteiro.
"Cortes experimentais fo-
ram efetuados nas plantac6es
de Fordlandia e Belterra", di-
zia o relat6rio, assegurando: "O
latex obtido destas operacges
foi todo vendido no Brasil". Ja
o service de construc6es fora
paralisado foi paralisado "de-
vido a dificuldade de obtermos
telhas". Ainda assim, a empre-
sa havia conseguido construir
um "curro modelo" em Belter-
ra, sua segunda possessed.


Para um ativo fixo no va-
lor de 176 milh6es de cru-
zeiros, a Companhia Ford
Industrial do Brasil (raz.o
social do projeto de borra-
cha) tinha um capital reali-
zado, em 1944, de apenas
Cr$ 8 milhoes.
Dois anos depois a Ford
desistiria da sua plantacgo de
seringueira no Para.


Poesia
Sera que o poeta Max
Martins ainda guard o poe-
ma Na Alcova, que a Folha
do Norte publicou, em janei-
ro de 1945, na segio Os que
se iniciam. Max, que partici-
pava da Academia dos Novos,
dedicou a Z. estes versos,
combinando erotismo e sen-
sualidade, que seriam duas
das marcas da sua obra:
"Chegas do baile e diante dos
cristais
Vestes um penhoir. Por entire
anseios,
Surge entao sob as sedas
orientais,
A tumidez fecunda dos teus
seios.



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I l ,.'l ,_l htlL. Ill j L .L [ ',l L ll I I/, .'
(' t~dti L/ .' d.I" t,.,. ,,,'ll/ ,.' A)',1m -
I,,* ( ,. lll' li _I. /I I" L '' 14/, /-L/-
L Ill", '.,,./. I /L f'., '111 'lll0 l 1 L It h llli-


E sempre assim: ap6s os teus
passeios,
Depois de admirar-te muito,
vais
Prostar-te num divan, e corn
meneios,
Cantas umas cantigas
sensuais.

Deixando ver em plena
puberdade,
Atrav6s do quimono
transparent,
A nivea forma do teu corpo
ardente!
Vais a estate e, depois
ansiosamente,
LUs um romance de Zola,
prolixo.

Logo ap6s, simulando
ingenuidade,
L6s orac6es perante o
Crucifixo!"


Credit
Emjulho de 1955, depois
de muita luta, Maraba rece-
beu a sua primeira agencia
bancaria, instalada pelo
Banco de Credito da Ama-
zonia (que ja fora Banco de




U. ll ll I I L II [l l L ', .'
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Primordios

economicos



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Crddito da Borracha e agora
e Banco da Amaz6nia). Mas
nio teve muito o que come-
morar: a agencia tinha pou-
co dinheiro. Enquanto um
inico pecuarista do Tocan-
tins conseguia um milhao de
cruzeiros emprestado no
Banco do Brasil de Beldm,
a agencia do BCA em Mara-
ba dispunha de apenas Cr$
250 mil para tender a todos
os seus clients.
Empresarios interessados
em industrializar o babaqu
ou ampliar as invernadas
para a engorda de gado do
Maranhao e de Goias desti-
nado ao abastecimento de
Bel6m encontravam o credi-
to fechado. Talvez porque os
financiadores particulares
das safras de castanha, do-
nos do beneficiamento e da
comercializa9ao, nao quises-
sem concorrencia para osju-
ros extorsivos do dinheiro
que adiantavam aos arrenda-
tarios, empenhando previa-
mente a safra e mantendo o
produtor preso ao cr6dito.
Realidade de um extrati-
vismo primitive.





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JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE ABRIL/2002 5


Div6rcio
Parecia que nao ia haver
surpresas indesejaveis no jiri
simulado que o Colegio Santa
Rosa organizou, em outubro de
1955, para julgar o div6rcio.
A maioria do corpo dejurados
era composta de alunas inter-
nas, inclusive uma prima da
irma superior da instituidao
religiosa. Todos ficaram sur-
presos ou chocados quan-
do o resultado da sessao foi
anunciado: os favoraveis ao
div6rcio venceram por 4 a 3.
Preocupada, a congrega-
cao tratou de organizer um
ciclo de confer6ncias, sob a
responsabilidade de dirigen-
tes da AFao Cat6lica, come-
cando por Orlando Costa (que
viria a ser ministry do Tribu-
nal Superior do Trabalho),
Armando Mendes futureo pre-
sidente do Banco de Credito
da Amaz6nia), o advogado
Aldebaro Klautau e o arcebis-
po de Belem, d. Mario de Mi-
randa Villas-Boas.
Nao houve mais votaqao,
mas quando Orlando Costa,
na primeira palestra, pergun-
tou a platdia se alguem ainda
era divorcista, ouviu-se, de-
pois de certa hesitacao, um
unissono "nao".
Pudera.


Ferrovia
Em 1959 a Estrada de Fer-
ro do Tocantins importou do
"sul do pais" tres possantes
locomotives e duas automotri-
zes, que incrementariam o
transport entire os trechos
mais encachoeirados do To-
cantins, permitindo o transbor-
do de cargas vindas de Mara-
ba para Bel6m e vice-versa.
Era uma funcao vital, princi-
palmente no verao, quando a
navegaqao ficava restrita ou
mesmo impossibilitada pelo
afloramento das rochas.
Cinco anos depois, porem,
num golpe de forFa, que nao
admitiu resistencias, o gover-
no do marechal Castelo Bran-


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malit'or L."' oqLL' ira a L i% rarIN Mn arin. tii.C rc-
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"IN d a ntl '\ I7en1ICI1 N 131[irl aN II Uttll C [)
tri budr.i an 'ig.i *\L''nc].i em l ,in ,Iid ad c i)'-

hiio ', coiman ada.dj p IIl. ii nL' .\lbhano .' Al-I
henii, L.'con ,cl ceIlenialrii' dc hi-tuoriL-a .
-\ Lool.i, nIla iia SanIto -A ton'1110 canto
coIl .1 PadriL PrudciLnci:. nI'I, po, I.u .1 ii m '-a -
Ill nqir iLlc,'.i ;: ie .c pLm '.i lI.i\. t a oii.i ppl -
I i .i I.t, [liil aj s i'., Ir.. io', Lii.tldd Jdo- Jatr s


de hb ni',ili C e<'i.liIeC- lCk.hIdd ',


co liquidou a ferrovia tocanti-
na. A bragantina, tambem.
Comegava a era rodoviaria na
Amazonia. Avancavamos para
o passado.


Political
Num artigo escrito em fe-
vereiro de 1959, no seu 0 Es-
tado do Para, ojornalista San-
tana Marques disse ter ouvido
de Paulo Maranhao, o todo-
poderoso dono da Folha do
Norte (ainda vivo e muito
vivo-na ocasiao, perto dos 90
anos), uma explicacao simpl6-
ria para uma das maiores cri-
ses da political paraense, pro-
vocada pelo rompimento entire
Endas Martins e Cipriano San-
tos (e, por extensao, o pr6prio
Maranhao):


iidr,,i s m n, 111 1 e Ib I:IIm i l'tII ,NL, e .,'oljl",o
e ptublic.c es com'irc.Aii-. No undo dt pre-
di ttll lOr ".1 llin.l I IIp o rL li () a ('IldII1Ill1-
to Ci. cori rdil. c.Coin, dcc .i J t.lci e' se .itnunll O .
Id uctuluhro dc 195".
\ Lo ',lla tc.'h.'ou. SulI lllIuindo--a. hla rml
cii\ c' d\ e i iol' o L ecor!crcL cc I r iii tlm .,o0 cln-
ir.id~a. .m'in i.inela'.. jdetL'tiando .l es[CLIiC' oC 0
codi-' d 'e p'tIuriJ () dc-cnihi' dLi .J iini.=. Io a.
d.i sdlt.aides. dc i.ii 11Iem o 111 que i e |I odidi
l.t/cr ,i i.,,'i'tilw p:elo c iii ro di c idide,. 'cin
IC 'ci % o d0 e ia re',', e''s inClul'.i L'.N I% ItlIJIN I
pel.is rt'. e co1 a cert11 a d qu no 110 nteiiirior
d.'l. Io.t'. lii\CnI pelo imeno', boa recepli\ i-
dJdc a, I'reLue'ic-'c.
(_U anuncLi. qLiem ,.ibhe. podia 'er\ i de
eCtimiiul'o pa.ra a icctipei'a,30j deC',' are.i


dc mnIadiria 1 e Itl de Bcle


Foi por causa da nomea-
Fao de uma autoridade de se-
gunda categoria no interior.
Comentario de Santana:
"Um guard sanitario em Ca-
meta, um suplente de promo-
tor em Araticu, podem preci-
pitar a catastrofe".
Ela pode ser imensa. A mo-
tivacao, nem um pouco. Pode
ter o tamanho da political para-
ense de sempre: liliputiano.


Eleg ncia
Em fevereiro de 1959 o ge-
neral Magalhaes Barata deixou
o governor para tratar da salde
no Rio de Janeiro. Estava corn
cancer, que o mataria tres me-
ses depois, permitindo-lhe ape-
nas vir morrer em Belem, no
exercicio do seu mandate. A


111


doenga era mantida sob sigilo.
0 cancer era quase tao temido
(ou estigmatizado) quanto, hoje,
a AIDS (sem a mesma desonra,
e claro). O deputado Abel Fi-
gueiredo (pai de dona Marilda
Nunes, esposa do coronel Ala-
cid Nunes, que tambem gover-
nou o Estado), como president
da Assembleia Legislativa, as-
sumiu o cargo. Assumiu tam-
bem uma inusitada (para o pa-
drao politico paraense) "linha de
elegancia", inaugurada por Ca-
tette Pinheiro, que tambem era
da oposidao a Barata, mas limi-
tou-se a cumprir os deveres de
oficio, a espera do titular.
Linha que e tecida em pou-
cos moments e desfiada na
maioria das demais ocasi6es.
Vice tornou-se sin6nimo de
encrenca. Das boas.






6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE ABRIL/2002


Military

silencioso
O coronel Vernon Walters, um
raro personagem por sua presenqa
tanto na hist6ria contemporanea do
Brasil quanto na dos Estados Uni-
dos, morreu no mes passado sem
deixar um legado do que fez. Fez
principalmente duas coisas: foi ele-
mento de ligagao entire os militares
brasileiros e os do seu pais, na cam-
panha da Italia, durante a Segunda
Guerra Mundial, e foi adido military
(na verdade, espiao da CIA) na
embaixada americana no Rio de
Janeiro, durante o period do gol-
pe military que dep6s o president
JoAo Goulart e em parte do gover-
no do general Castelo Branco.
Por causa do seu desempenho,
Walters recebeu varias condeco-
raqoes, entire as quais a Cruz de
Combate, que Ihe foi conferida
pelo governor brasileiro. Varias
vezes acompanhou presidents e
autoridades brasileiras em visit
aos EUA, servindo tambem de in-
terprete para os presidents Tru-
man e Eisenhower nas visits que
fizeram ao Brasil.
Costuma-se dizer que Walters
teve papel important no que en-
tao aconteceu, atuando em parce-
ria cor o embaixador Lincoln
Gordon. Mas quando se pensou
que, a distancia dos acontecimen-
tos, ele finalmente daria sua ver-
sao, seu livro de mem6rias dispen-
sou a leitura depois do titulo, Mis-
sdes Silenciosas. Walters foi silen-
cioso ou por excess de discricao,
ou, talvez, porque talvez ele tenha
estado bem pr6ximo do epicentro
das relacqes Brasil-EUA por um
detalhe: falava fluentemente o por-
tugues (alem de seis ou sete outras
linguas), atgo que nossos inrnos
do norte nao davam (e podem con-
tinuar nao dando) maior importan-
cia. Quando surge a necessidade,
no embalo de alguma crise (sobre-
tudo de desinteligencia), a maes-
tria lingiiistica 6 valorizada. Ai
entrava o military para atuar como
interprete, porta-voz e, eventual-
mente, espiao nao assumido.
Nos perfis e registros fiine-
bres do personagem, um detalhe
interessante foi completamente
ignorado: quando ainda era adi-
do military da embaixada dos
EUA, Walters gastou quatro dias
e meio, em janeiro de 1965, no
percurso de Brasilia a Belem pela
entao BR-14, a estrada construi-
da pelo president Juscelino Ku-
bitscheck para ligar pela primei-
ra vez, por terra, a Amaz6nia ao
restante do Brasil.


Grande


projeto:


sempre


enclave?


No pr6ximo ano a Mineragao Rio do
Norte se tornara a maior produtora mun-
dial de bauxita, o minerio do aluminio.
Sua producio subira dos atuais 11 mi-
lh6es para 16,3 milh6es de toneladas
anuais. Sera mais de cinco vezes supe-
rior ao nivel de viabilidade econ6mica,
cor o qual a empresa comegou a ope-
rar em 1979, no extreme oeste do Para,
a mil quil6metros do litoral, em pleno
sertao amaz6nico.
Foi nesse mesmo ano que deu partida
a Jari Florestal e Agropecuaria, o "im-
perio na selva" do milionario americano
Daniel Ludwig, 400 quil6metros rio abai-
xo. MRN e Jari foram os dois primeiros
dos "grandes projetos", concebidos du-
rante o regime military (1964-85) como
uma maneira de desenvolver acelerada-
mente a Amaz6nia, a passar do nivel da
idealizacgo para o piano da realidade. Por
isso, sao os mais antigos em atividade
no novo e talvez definitive ciclo de
penetracao na maior fronteira de recur-
sos naturais do planet.
A principio, a Rio do Norte parecia
fadada a ser uma empresa inviavel, um
autentico saco de gatos societario: nela
estavam associadas multinacionais mais
interessadas em ter lucro comprando mi-
nerio, que transformavam em metal, do
que como produtoras de bauxita. Elas
tambem manobraram para que o ingres-


Ja em Bel6m, o military disse
que percorrer a Belem-Brasilia foi
a maior emogao da sua vida des-
de a Segunda Guerra Mundial. O
adido americano elogiou as con-
diq6es de trafego da estrada, de
terraplenagem primaria, que Ihe
pennitiram sempre desenvolver a
velocidade de 80 quil6metros por
hora em seu jipio, e da infraes-
trutura de apoio ja existente em
seu percurso, tomando desnecets-
saria a carga que levara, inclusi-
ve cor gasoline.
Opinou que o program Ali-
anca para o Progresso devia dar
apoio integral a rodovia, que iria


permitir a Amaz6nia se libertar
do isolamento em que estava,
sendo "o maior empreendimen-
to brasileiro do s6culo XX" Gos-
taria de refazer a viagem 10 anos
depois, para comprovar essa
opinion. Confessou que sua mai-
or emocao durante a viagem, em
companhia de dois outros ofici-
ais americanos, que estavam fa-
zendo curso no Brasil, foi des-
cobrir a existencia, em Goias, de
uma cidadezinha denominada
President Kennedy. Gesto inu-
sual para um official military e
protocolar para um diplomat.
Quem alguma vez teve contato


so no mercado de um novo produtor de
grande porte servisse para manter sob
control o movimento dos demais pro-
dutores, todos situados no Terceiro Mun-
do, em favor de melhores precos para a
materia prima. Tambem havia divergen-
cias entire as s6cias da Companhia Vale
do Rio Doce (detentora de 40% das acoes
da mineradora), como a Alcoa e a Al-
can, as cabecas do cartel das seiss irnns"
do aluminio, e, mais recentemente, de-
las como a mais nova parceira, a dina-
marquesa Norsk-Hydro.
Apesar desses acidentes de percurso,
entretanto, o balanoe da empresa refe-
rente ao ano passado e reluzente e gar-
boso. Para um faturamento bruto de 551
milhoes de reais, o lucro liquid foi de
R$ 241 milh6es, 40% maior do que o de
2000, equivalendo a um tergo do ativo
fixo. Uma rentabilidade invejavel. Nao
por acaso, a MRN foi considerada uma
das 100 melhores empresas para traba-
lhar no Brasil, segundo o levantamento
de uma instituicio especializada.
O desempenho da Rio do Norte tem
sido tao favoravel que em 1999 a empre-
sa decidiu reduzir em 20% o seu capital,
que era de R$ 537 milh6es, para R$ 419
milh6es, porjulga-lo excessiveo", man-
tendo-o nesse mesmo limited at6 hoje,
apesar da notavel evolugio do seu de-
sempenho desde entao. Ao que parece,
apenas uma pessoa deu atengao a essa
reducao de capital, que nao e exatamen-
te usual, embora esteja previsto na lei das
sociedades an6nimas: foi o representan-
te do Ministerio da Fazenda no Conse-
lho Deliberativo da extinta Sudam (Su-
perintendhncia do Desenvolvimento da
Amaz6nia), onde um pedido de nova re-
duCgo de imposto de renda em favor da
mineradora foi examinado.
Jose Barroso Tostes Neto suscitou
uma questao elementary, mas descurada
no acompanhamento da concessao de be-
neficios fiscais e tributarios a empreen-


com Vernon Walter talvez nun-
ca tenha tido certeza de sua sin-
ceridade. Talvez nunca mais va
ter a oportunidade de confirmar
essa impressao.

Vida nova
Durante 30 anos o advoga-
do Paulo Meira, integrante de
uma das mais tradicionais e in-
fluentes families do Estado, che-
fiou o Ministerio Publico Fede-
ral no Para. Seu afastamento do
cargo, no mes passado, promo-
vido que foi para instancia su-
perior, na qual imediatamente se








JOURNAL PESSOAL 1F QUINZENA DE ABRIL/2002 7


dimentos incentivados pelo governor na
Amaz6nia: no dinheiro que a empresa de-
volveria aos seus acionistas, por conta
da diminui9io do capital social, nao iria
de roldio imposto que o erario deixou
de recolher por conta da renincia fiscal
pr6-desenvolvimento?
Os t6cnicos da Sudam nao atentaram
para esse detalhe. Provocada a se mani-
festar, a empresa tratou de ressaltar que
respeitou "a parcela levada a conta do
capital em funcio das isenqces do im-
posto de renda originarias de beneficios
fiscais concedidos pela Sudam". A dui-
vida teria sido satisfatoriamente respon-
dida se a MRN tivesse demonstrado, corn
calculos e documents, que efetivamen-
te cada tostAo oriundo da isengio de im-
posto foi apartado do dinheiro que os
s6cios receberam de volta quando o ca-
pital da empresa encolheu 20%. Mas nio
o fez. Nem foi obrigada a efetuar a de-
monstraiAo. A poeira do tempo cobriu o
assunto. Como de regra.
A Sudam aplicou, ao long de sua
exist6ncia, de 1966 a 2000, algo acima
de 6 bilh6es de d6lares em colaboracgo
financeira official, sua parte (variando
entire 75% e 25% do investimento ne-
cess6rio) na implantacgo de projetos
econ6micos na Amaz6nia. O tamanho,
o significado e os m6ritos dessa politi-
ca de incentives fiscais constituem o
foco das discusses, quando debate ha
em torno desse tema. Ja a mensuracao
da outra forma de colaboracgo, a da
isengio ou redugio do imposto que o
empreendimento incentivado deveria re-
colher ao entrar em atividade comerci-
al, essa jamais foi colocada no foco de
interesse, embora envolva outros tantos
bilh6es de reais.
Varios dos empreendimentos que se
implantaram recebendo injec9o de incen-
tivos fiscais, sobretudo os de grande por-
te, receberam o anabolizante adicional de
complete isenqcao do pagamento do im-


posto de renda por 10 anos. Quando o
period da total desobrigagio de reco-
Iher IR terminou, eles ainda puderam
pleitear e receber reducio a metade do
imposto pela metade por mais uma de-
cada, beneficio que podera ser usufrui-
do at6 2013, pelo menos. Em troca, de-
viam apresentar bom desempenho em
geracio de renda, criacio de emprego,
beneficios socials e aiAo ambiental.
Os compromissos foram detalhada-
mente especificados na norma legal, mas
nao se conhece uma auditagem dos re-
sultados. As empresas indicam o que fa-
zem nos relat6rios que acompanham seus
balangos e nos documents burocraticos
encaminhados a finada Sudam. Mas nin-
guem parece ter-se dedicado a necessa-
ria tarefa de checar as afirmativas e con-
firmar os nimeros. Tudo se transfonnou
em formalidade ou se desmanchou no ar.
Foi o que aconteceu no caso da Rio
do Norte. Era realmente confiavel a ga-
rantia dada pela empresa de que, no meio
dos R$ 118 milh6es devolvidos aos aci-
onistas em 1999, nao foi incentive fis-
cal? Ou, dito de uma forma mais ristica:
pegando de volta capital investido, os s6-
cios nao colocaram no bolso imposto fe-
deral na forma de renuncia fiscal?
A empresa tem um bom alibi para se
prevenir contra essa possivel (mesmo que
inadvertida) apropriacio ind6bita: todo
o recurso fiscal recebido foi apropriado
como reserve de lucros, utilizada para
aumentos de capital e outros fins consi-
derados nobres. Mas a eficacia dessa ex-
plicaqio 6 meramente cont6bil, ou for-
mal. Nao, necessariamente, efetiva e real.
Para ser incondicionalmente aceita, te-
ria que ser provada. O que nao foi feito.
Mas ainda que as duas rubricas nio
tivessem sofrido contaminacio alguma,
ha uma questao que transcende a con-
tabilizagio quantitativa: nao foi a re-
n6ncia fiscal que serviu de alavanca
para o efeito multiplicador do capital?


A pretexto de enfrentar o desafio de im-
plantar empreendimento produtivo em
area pioneira, destituida das vantagens
existentes nas areas mais desenvolvi-
das do pais, que poupam o capital pri-
vado, os projetos amaz6nicos tiveram
um acesso mais franco ao tesouro na-
cional. Esse beneficio especial nio teve
um efeito bem maior do que os fatores
inibidores da fronteira? O "monstro de
Loch Ness" amaz6nico nio e muito
menor do que o imaginado?
Os iltimos balancos da empresa que
esta se tornando a maior mineradora de
bauxita do mundo, mas especialmente o
do ano passado, parecem estar dando
uma resposta francamente positive. Ora,
se os components adversos da fronteira
amazonica pesaram menos do que a ala-
vanca da colaboracio financeira do go-
verno, nfo poderia o empreendimento in-
centivado, ao inves de diminuir de tama-
nho, a partir da constatacio de que o seu
capital se tornou excessiveo", alargar sua
aiao, fazendo novos reinvestimentos,
ainda que eles pareqam heterodoxos a um
estreito raciocinio societario, ou desne-
cessarios numa 6tica acanhadamente mi-
croecon6mica? Por que multiplicar os
ganhos individuals do cotista a custa de
reduzir os beneficios sociais (ou eventu-
almente ambientais) do "grande proje-
to"? Nao seria essa a tnica maneira de
livra-lo da carapaca de enclave, que man-
da a riqueza para fora e, internamente,
ter um efeito positive apenas residual,
extremamente localizado e restrito?
No moment em que os s6cios da
MRN tmn de volta, num unico exercicio,
quase um dos tres reais investidos nur
empreendimento que, considerados os
seus prim6rdios, esta completando agora
30 anos de existencia (comecou em 1972,
quando a Alcan apresentou o primeiro
projeto, exatamente ao Conselho Delibe-
rativo da Sudam), eis uma questdo na qual
vale a pena pensar. Vale muito.


aposentara, nio podia deixar de
ser um fato hist6rico. Significa
que finalmente a Procuradoria
Regional da Repiblica vai po-
der se ajustar ao padr.o da
Constituicio de 1988.
Uma condicao preliminary
para esse ajustamento era que a
chefia do MP sofresse rodizio a
cada dois anos. A permanencia
de Paulo Meira por tres decadas
no cargo e o prolongamento des-
sa anomalia por 14 anos depois
da promulgacio do texto consti-
tucional em vigor era uma situa-
qdo unica em terms nacionais.
Independentemente dos meritos


e qualificaoqes da pessoa, uma
tal perenidade 6 sempre prejudi-
cial a chefia, a instituiCgo e a so-
ciedade. O crit6rio da alternan-
cia, pelo contrario, ter uma fun-
Fio salutar, oxigenadora.
Registre-se o peso da influ-
6ncia de Paulo Meira, que supor-
tou todas as resistencias e rea-
96es, s6 deixando o cargo por
forga de uma promocio, que
equivalera a uma concessao de
aposentadoria em condic6es mais
favoraveis e honrosas para o be-
neficiario. Contudo, a longa, exa-
gerada mesmo, permanencia a
frente da Procuradoria da Repi-


blica no Para causou prejuizos a
entidade, hoje corn um quadro de
pessoal insuficiente para a de-
manda, acanhada no atendimen-
to dos servigos que a sociedade
Ihe imp6e, e inferiorizada na
comparaygo com as procurado-
rias estruturadas de forma mais
arejada em outros Estados.
Alem de propiciar o rodizio,
a said de Paulo Meira tambem
permitira que o quadro de pro-
curadores seja formado exclusi-
vamente por pessoal de carrei-
ra. Chegara ao fim a tolerincia
corn representantes do MP que
tambem advogam. Ja nao ha


mais porqu6 admitir essa ubiqiii-
dade, ultrapassada a fase em que
a Procuradoria se confundia cor
a Advocacia da Uniao.
Sendo exclusivamente pro-
curadores, os representantes do
MP serfo o que a Constituigio
Ihes imp6s: defensores da soci-
edade e fiscais da lei. Chegara
ao fim a conciliacao dessa fun-
co cor escrit6rios particulares
de advocacia. Dedica9go inte-
gral e exclusive aos interesses
coletivos e a fiel execuiao da lei.
Cor 14 anos de atraso, o espi-
rito constitutional de 1988 esti
chegando ao Para.













Record
A edigio de O Liberal do ilti-
mo domingo, 24 de margo, pode ser
inscrita no Guiness, o livro dos re-
cordes: trouxe a maior quantidade de
fotos de uma mesma pessoa ja pu-
blicadas por qualquer journal em
qualquer parte do mundo. Em pagi-
na dupla, sairam nada menos que 38
fotografias do principal executive da
empresa, Romulo Maiorana Jinior,
na primeira incursio deste ano, a
vizinha Ananindeua, do seu Andan-
do pelo Para.
A pretexto de divulgar os mu-
nicipios do Estado, Romulo Junior
conseguiu o patrocinio da Compa-
nhia Vale do Rio Doce (algo em tor-
no de um milhao de reais por tem-
porada) para as excurs6es do seu
safari, de identidade empresarial
um tanto obscura, dando despesas
adicionais is prefeituras anfitriis.
Enquanto o foco da empreitada,
desfocado ou nio, eram os munici-
pios, menos mal.
Mas e agora que o centro mono-
polistico de tudo 6 a figure "sarada"
do empresario, como a CVRD pode
justificar o patrocinio? E se, alem de
arcar cor o custeio da perman6ncia
dos visitantes compuls6rios (um ou
outro, compulsive), as prefeituras
comparecem cor algum para custe-
ar a publicidade, nao estaria ai um
tema para o Tribunal de Contas dos
Municipios, o Minist6rio Publico e
o TRE? Ainda mais se o culto doen-
tio da personalidade se transformar
em propaganda eleitoral fora de 6po-
ca, uma micareta political, cor a
(ainda improvavel) confirmaqio da
candidatura de Rominho a qualquer
coisa nas eleig6es deste ano?
A parte essas questoes, a pro-
morgo e risivel: exibe como porta-
voz dos interesses superiores do Es-
tado, um autantico lider, empresa-
rio que ha muito tempo nem com-
parece a redaggo do seujornal para
um contato direto com os temas da
agenda ptblica e os que a produ-
zem, informando-se, em sua seara
especifica de competencia (ao me-
nos em tese), sobre o que faz de
conta que se interessa nessas ginka-
nas de exibicionismo.
Alias, para ser field a realidade e
prevenir o her6i das segundas inten-
96es dos invejosos do seu prestigio,


Maestro Wilson Dias da
Fonseca ainda estava lu-
cido e produtivo at6 a
semana passada, aos 89 anos. Um
acidente e seus desdobramentos
imprevisiveis (e indesejaveis)
abreviaram sua vida, que ainda ti-
nha muito a oferecer e a cobrar, nos
proporcionando prazer e alegria
com suas composiq6es e exigindo
o que seus merecimentos tora-
ram de direito: nosso reconheci-
mento pelo muito que fez (e por
tudo o que era como pessoa) em


era melhor rebatizar a promogao. Ao
inv&s de Andandopelo Para, o nome
correto e menos cabalistico, diga-
mos assim passaria a ser Passean-
do pelo Para.


Tribunais
Os tribunais de contas se trans-
formaram em filtimos postos para os
politicos, que nessas cortes agora es-
tio vestindo seus pajamas de ouro.
A indicapqo dos nomes dos novos
conselheiros e antecedida por lon-
gas negociaq6es de bastidores, de tal
modo que tudo decorra consensual-
mente. O maximo de divergtncia
que ha e a abstengio. Ninguem mais
vota contra. O conselheiro assume
seu posto de julgador ja cor um
passive de compromissos.
A subordinaFio dos TCs ocorre
exatamente quando ha um esforqo
interno de profissionalizaqgo. Essa
onda positive, entretanto, esbarra
numa duna de interesses, impedin-
do que o fluir da carreira chegue na-
turalmente ao seu posto maximo. A
estrutura superior esta sendo lotea-
da entire pessoas cuja biografia nem


,j prol do engrandecimento
da cultural paraense.
Paraense, alias, em ter-
. ) mos: cor o maestro Isoca
vai-se um dos mais genui-
S nos artists santarenos- e
S talvez um dos lltimos. Era
expressed autentica da as-
_ piragAo santarena pela au-
-- tonomia, hoje entendida
0t em terms mais estreitos,
.j politicos. Na verdade, e
S muito mais ampla: 6 cul-
tural, no sentido que lhe
ddo os antrop6logos.
Isoca comp6s todos os gene-
ros existentes em mtisica para ex-
pressar uma consciencia que, em
grande media, e determinada nos
santarenos por sua posicgo geogra-
fica, a meio caminho entire as duas
maiores cidades da Amaz6nia, mas
intransigente na recusa a ser ape-
nas um ponto de passage e trans-
bordo entire Manaus e Belem.
Santarem se orgulhava de estar
nesse hinterland, a quase igual dis-
tfncia dos dois centros de irradiacgo


sempre as recomendam ao desempe-
nho das funqoes de auditagem das
contas pliblicas. Muito menos apre-
sentam credenciais de independ6n-
cia e autonomia. Ao inv6s de ser 6r-
gao auxiliar dos legislativos, os tri-
bunais de contas se tornaram exten-
s6es informais da political partidaria.
A se consolidar assim, nio e
mais 16gico e muito mais econ6-
mico extingui-los, corn pouco ou
nenhum prejuizo para a gestdo da
coisa public?


Milagre
Em entrevista ao joral O Para-
ense, o arquiteto e secretario de cul-
tura Paulo Chaves Femandes infor-
mou que durante um encontro sobre
parques tematicos realizado em Or-
lando, na Fl6rida (EUA), a Estaq~o
das Docas foi mencionada como "a
melhor intervengao portuaria no
mundo". Tal gl6ria certamente se
deve aos meritos do projeto do arqui-
teto-secretario, que permit aos visi-
tantes dos "500 metros debrucados
sobre a baia" da Estacgo "descorti-
nar a foz do rio Amazonas".


e gravitagio. Tinha as veleidades de
civilizacao, mesmo tendo destruido
uma rica civilizacao, a dos Tapaj6s,
e confinado seus sucessores a um
bairro sugestivamente denominado
de Aldeia. Mesmo sucumbindo, essa
cultural se incrustou na cultural do-
minante, penetrando-lhe tanto por
osmose como por sincretismo.
As criac6es de Isoca represen-
taram o ponto de converg6ncia
dessas vertentes, uma europ6ia,
colonizadora e dominant, a ou-
tra native, india e cabocla, domi-
nada sem ser vencida. A sutileza
e a riqueza da sua obra, alguns dos
seus tons singelos e puros, de par
corn o amor ao torrao natal, ma-
triz do seu modo de ver o mundo,
deram ao maestro que precipita-
damente se foi um lugar definiti-
vo na nossa memoria e naquele
sitio que a projeta acima das cir-
cunstincias do tempo e da preca-
riedade dos homes: na hist6ria.
Isoca morreu para ficar mais
imortal do queja era. S6 nao pre-
cisava serji.


Autentico milagre,ja que a foz
do rio Amazonas esta a 180 quilo-
metros de distancia. DebruCando-
se na murada, o que o visitante con-
templa sao as aguas (severamente
poluidas) do estuario do rio Para,
nao as do Amazonas. O secretario,
naturalmente, vendo sua image
refletida nas aguas do Guajara, deve
considerar irrelevantes os detalhes
geograficos.
Nem as iguas do rio-mar, cor
seus 250 milh6es de litros despe-
jados a cada segundo no Atlantico
(mas quase nada no estuario do
Para), vao impedir o L(D)andi tu-
cano de desfrutar o reconhecimen-
to universal que se atribui, como
um das pessoas cor maior credi-
bilidade "nessa area do patrim6nio
e de intervengao urbana". Razao
pela qual classificou de justt" a
homenagem que Ihe foi prestada,
cor a entronizaqco (nao seria ca-
nonizaq o?) de sua foto, em tama-
nho hiperb6lico, a entrada do tea-
tro da Estacgo.
Maior do que o Amazonas, s6
mesmo Paulo Chaves Fernandes.
Tremei, arquitetos do planet.


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