Jornal pessoal

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00229


This item is only available as the following downloads:


Full Text




JOmTl CeSSOa
LUC I C O F LA V IO P IN T O


ANO XV Ne 279 1L QUINZENA DE MARQO DE 2002 R$ 2,00
LATIN AME~RICAN COLLEC3Tlt IOa

UNIVE,. :S~iTY OFa FLOjRiDA LI(



Ha lugar para uma zebra?

Ameaga ir ao ar mais um capi'tulo da velhca novela eleitoral paraense: diretamente ou atraves
de afilbadlos, as velhas raposas da poli'tica va~o dispultar o governo d'o Estado. Parece nao
haver lugar para u~ma candidatulra alternativa, ulma novidade, ulma surpresa. Oul hd'?


avera lugar napim lic aa



u~ m candidate altemativo ao gover-
no do Para? Ou a dispute para va-
t~ler sera travada entire as velhas ra-
posas da political estadual, diretamente ou atra-
ves de prepostos?
E a pergunta que se deve fazer it media que
vai se delineando o gran~de antagonismo enr eo
campo de dominarilo do govemador Almir Gabri-
el e o do ex-senador Jader Barbalho. Permanecen-


do ate o final do mandate, o govemador dara ao
seu candidate o calor da maquina official, mesmo
qlue o judiciario e o Ministerio Pliblico venham,
finalmente, a se manter atentos aos abuses do go-
vemoe, que costumam ser a marca registrada da pre-
senga do govemo na estagio eleitoal. Seraumlncan-
didato forte mesmo qlue nito tenha forga pessoal.
Teria de um tergo a 40% dos votos validos.
A candidatura de Jader Barbalho ao govemo
do Estado, pela quart vez (o que seria um recor-


de estadual em elegides), preenchera outro gran-
de espago. Ele tem, ao mesmo tempo, o maior
eleitorado cativo e o maior indice de rejei~go do
Para.. Um tergo dos eleitores votam nele em qlual-
quer circunstancia. Mais de 40% nele nho votam
de maneira alguma. Haveria uma faixa aproxi-
mada de 15% do cole~gio eleitoral que ainda pode
votar nele, dependendo da conjuntura no memento
da vota~go. E o que dizem as pesquisas, essas
emulaqdes despudoradas do orriculo de Delfos.


~f t-, f7


1~ LL\1'L'~ LLfLii~L~C`LI~ L\llt L'LC3 L~~~L'I~~ (Llt~~, ~)







2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MARCO/2002


1-411


A ser verdadeira essa partilha de votos, o que
sobrar para terceiros candidates lhes permitiria
apenas uma participa~gio secundaria no l' tumor.
O 2" turno estaria reservado para o candidate do
govemnador e o ex-senador Jader Barbalho. Seja
Simlio Jatene ou qualquer dos outros politicos que
postulam o lugar dentro da coliga~gio situacionis-
ta o nome que Almir Gabriel carregara, uma vito-
ria no 2" tumor sera por estreita margem de votos,
para um ou para o outro lado.
A isso se resume o enredo eleitoral paraense
deste ano? Aparentemente, sim. O fatalismo du-
alista, porem, pode ocultar surpresas. O gover-
nador pode se convencer da inviabilidade elei-
toral do seu delfim, o secretario especial da pro-
duptio, Simlio Jatene, ou o pr6prio candidate
jogar a toalha. Optar ent~io pelo vice-governa-
dor Hildegardo Nunes significara, para Almir
Gabriel, desligar-se da principal dispute. Ele
poderia deixar o govemno e candidatar-se ao se-
nado. Mas, para garantir a condiglo de franco
favorite a uma das duas vagas, enfrentando Ana
Juilia Carepa ou Ademir Andrade, vai precisar
contar com o decidido apoio do seu substitute
na chefia do executive paraense. Rei morto cos-
tuma ser rei posto. E o lugar de vice nito e um
cargo, mas um formigueiro.
Certamente o filho do ex-govemnador Ala-
cid Nunes oferecera a Almir todas as garantias
que ele lhe cobrar para passar-lhe o bastlio, e
provavelmente cumprir8 o acerto. Niio sera
mais, entretanto, o candidate do govemador.
Havera compromissos entire eles, mas ja estio
suficientemente distanciados e desgastados para
que um nio se sinta o continuador do outro, se
eleito. Para se sentic outra coisa 6 s6 uma ques-
tiio de oportunidade.
Essa sucessio niio linear afetarai niio apenas a
carreira de Almir Gabriel como senador (e, de-
pois, de possivel candidate a prefeito de Belem
ou a govemador do Estado), como podera ser um
golpe mortal num germinante almirismo. Hilde-
gardo, que ainda e apenas um politico bii~nico,
sem eleitorado pri~prio, se afirmaria como uma
nova lideranga e poderia comegar a tentar former
um novo grupo politico no Estado. .
Uma outra surpresa pode estar em forma~glo
para o ex-senador Jader Barbalho no cursor da
conturbada campanha eleitoral que o aguarda. Se
nilo contar com uma boa estrutura de suporte, sua
palavra pode nito ter uma difustio no vasto e de-
mograficamente pulverizado interior paraense a
altura da ofensiva que seus adversarios fad~io con-
tra a sua imagem, batendo insistentemente nas
questdes de malversa~gio de dinheiro ptiblico e
enriquecimento ilicito que o tim acompanhado.
Ainda que os jaderistas empedemidos nito mu-
dem mais sua escolha, a significativa faixa de vo-
tos flutuantes seri decisive para uma nova-e desta
vez decisive -derrota do ex-governador.
O flanco do ex-ministro, que e largo e ex-
posto, continue a se ampliar. Na festa de desa-
gravo que seus correligionarios realizaram, no
sabado passado, Jader dividiu o palanque com o
ex-govemador Helio Gueiros. As relaqdes entire


os dois seguiram a trajet6ria de um b61ido malu-
co, ora unha-e-carne ora inimigos mortals. Na
elei~gio de 1990, Gueiros carregou em todas as
tintas, mesmo as mais sensacionalistas e agres-
sivas, para acusar seu ex-aliado de ladrilo, ten-
tando eleger o ex-prefeito Sabid Xerfan seu su-
cessor. Uma decada depois, discursa em defesa
daquele que foi o alvo dos seus ferozes ataques
moralistas. O eleitor estarai disposto a esquecer
o passado ou concluira que um merece o outro,
mas nito o voto de quem quer mudar o Pard na
busca de caminhos melhores para o Estado?
O eleitor existe, mas ele esta ao alcance do
candidate? E existe mesmo esse candidate al-
ternativo, uma zebra qlue pode se aproveitar das
hip6teses viciadas colocadas a disposiqilo do
eleitorado paraense?
A primeira dificuldade result das condiq~des
fisicas, demograficas, socials e ecorii~mictis do
Estado. Em um colegio eleitoral mais restrito e
melhor qualificado, como o da capital, um candi-
dato correndo por fora pi~de chegar em primeiro
lugar, como ocorreu com Edmilson Rodrigues,
pelo PT, em 1996. Mas num Estado pobre e mal-
servido de infraestrutura, com 6 milh~es de habi-
tantes disperses por um territdrio de 1,2 milhlo
de quil~metros quadrados, concentrando-se na ca-
pital apenas pouco mais de 20% desse contingen-
te, dispor de avilio e outros meios de transport,
estrutura receptive em cada um dos 143 munici-
pios e produtos de divulga~gio, e uma diferenga
que conta muito, quase decisivamente.
O PT c o linico dos partidos de esquerda,
de oposi~gio ou nito absorvido pela alianga si-
tuacionista que dispde do minimo dessas con-
digaes para seguir em paralelo com a maquina
official e o esquema de Jader Barbalho. Mas o
PT niio tem um candidate de peso para levar


ao interior, de onde virio mais de dois tergos
dos votos, mais da metade dos quais de nucle-
os atrasados, pouco alcangados pelos meios
modemoes de comunicaqio.
A autofagia petista, privilegiando os interes-
ses das facqdes sobre os do partido, se encarre-
gou de, mais uma vez, afasta-lo do centro da dis-
puta. Ainda que os dois principals candidates ofe-
regam seus costados para a critical vergastadora, a
ret6rica oposicionista niio sera o bastante para
transformar a simpatia pelo PT em votos sufici-
entes para de seus quadros surgir o novo gover-
nador do Para.
Se, reconhecendo essa situaqio, o PT deci-
dir, ao inves de langar um candidate pr6prio
para fazer figura~gio, colocar sua forga a servi-
cgo de uma coliga~gio que nio lidere, a unica
opplio possivel e trabalhar pela candidatura do
senador Ademir Andrade, do PSB. Mas nio
seria uma nova figura~gio, que poderia at6 ser
incorporada ate as ultimas conseqi16ncias pela
direptio partidaria, mas niio pela militancia pe-
tista? Seria possivel montar dois palanques lo-
cais distintos, para Lula e Garotinho? Haveria
conflanga muitua para a montagem de um pro-
grama comum e a forma~gio de um governo ver-
dadeiramente de alianga, depois da vit6ria?
Para isso, ao invest de continuar a procura de
um nome qualquer para substituir aqueles pou-
cos politicos petistas que tim um perfil de can-
didatos, mas nito querem ser tandidatos, o PT
teria que adotar uma defini~gio clara e a tempo
de dar ao seu candidate, em alianga com outros
partidos, uma expressilo estadual que, por en-
quanto, nito possui. Sem o que o Para vera, mais
uma vez, a dispute eleitoral ser travada entire os
mesmos caciques, mudando apenas a posi~gio
das peas nesse tabuleiro viciado.


Os outros
Os investigadores, na policia, no Ministerio Ptibli-
co e na justiga, avangaram bastante na identificapilo de
quadrilhas e aproveitadores individuals que desviaram,
dentro da pri~pria area beneficiada, recursos dos incen-
tivos fiscais administrados pela Sudam. S6, niio chega-
rito aos finalmlentes, identificados os autores dos cri-
mes e recuperando o dinheiro ilicitamente apropriado,
se houver acidentes e desvios de percurso.
Tudo bem. Mas e os escrit6rios de corretagem de
incentives estabelecidos no sul do pais, principalmen-
te em Sho Paulo? E as empresas que simularam partici-
pa~gl societairia em projetos incentivados pela Sudam,
assinando contratos de gaveta, recebendo de volta boa
parte da divida para com o imposto de renda que devi-
am aplicar na Amaz~nia? Estes personagens nio fa-
zem parte da mesma fraude?
De 30 a 40% do dinheiro teoricamente aplicado na
regilio ficou no ponto de origem, tilo irregularmente
como foi a sangria dos projetos fantasmas, com suas
contals superfaturadas ou enxertadas de documents
fals:os? Essa outra parte da ma~gi podre estii fora da apu-
raCio da safra de malversa~gio?
Com a palavra, quem pode responder.


Desig ualdade
Em 1999 a Amaz~nia possuia 5% do PIB
(Produto Interno Bruto) national. A region
mais pr6xima, o Centro-Oeste, tinha uma fatia
de 7%. O Nordeste, 13%. O Sul, 16%. E o
Sudeste, a bagatela de 59%.
Em 2000 o BNDES destinou a Amaz~nia
4% das verbas do program criado para redu-
zir as desigualdades regionals no Brasil. O
Centro-Oeste ficou com 9%, o Nordeste com
12%, o Sul com 18% c o Sudeste comn 57%.
No ano passado o Norte perdcu mais um
naco dos recursos: sua radio baixou para 3%.
Ao Centro-Oeste foram reservados 7%, ao
Nordeste 13%, ao Sul 19% e ao Sudeste 58%.
Assim, a Amazonia recebeu, em 2001,
25% menos recursos que o banco the finan-
ciara em 2000, 40% abaixo da sua participa-
Fglo n PIB. Ou seja: se defender do BNDES,
a desigualdade crescent ao invets de diminuir,
ao menos da perspective amazo~nica. Tallvez
porque, na sofisticada sede do BND)ES, no
Rio de .ianciro, Amazinia nito rime co~m de-
senvolvimento, ou civilizaqilo.







JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MARCO/2002 3





Intolerancia na selva


Se as forgas federals nflo tivessem intervindo,
a luta contra a discriminaqio racial nos Estados
Unidos teria sido mais morosa e apresentaria re-
sultados muito mais modestos do que os exibidos
entre as decadas de 50 e 60, quando os choques
foram mais violentos, frequientemente sangrentos.
Para cumprir as decisi~es de Washington, que ex-
pressavam a media da opiniflo publica national, re-
presentantes do poder central foram mandados ao
sul atrasado para quebrar as ferozes resistencias ao
reconhecimento dos direitos civis (e humans mes-
mo7) dos negros. Era uma luta de elites, umas sen-
siveis aos apelos por mais equanimidade entire os
diferentes ou opostos, e, outras, numa intolerante
defesa do status quro segregacionista. Nem por isso
deixou de scr um cheque poderoso.
Da para pensar nessa refere~ncia, ainda que a
ajustando a um cenario comn menor antagonismo (ao
menospor enquanto), diante docrescimento d asd
ferengas entire o poder federal e o poder local na
Amaz6nia, o primciro identificado comn propostas
e praticas considecadas lesivas pelo segundo, le-
vando a uma rejeigio antes de haver a possibilida-
de de identificapito muitua.
Um caso exemplar desse conflito e a tentative
de criaCno, pelo governor federal, do que seria a mai-
or reserva extrativista da Amazo~nia, comn 2,3 mi-
lhdcs de hectares, no Para. O projeto foi concebido
em Brasilia e apresentado diretamente aos clients
potencials da reserve, natives de uma area ainda
densamente coberta por floresta, mas sobre a qual
avanga umna feroz frente mnadeireira. Essa frente esta
consumindo as 61timas grandes concentrates de
mogno, a mais valiosa das especies florestais da
regifto, entire os vales do Xingu e do Tapajos, no
oeste do Estado. A especie, segundo uma corrente
de pesquisadores esta amneagada de extinrito pela
exploragdo intensive.
A tritica adotada pelos tecnocratas federal pa-
recia certa: cles aglutinavam apolos entire os que iri-
am se beneficiar da media para so abrit o debate e
enfr~entar resistincias numa posiCio de forga, com
legitimaqflo. Mas essa tittica tambem embutia um
risco, o do pri~prio sigilo. Ao se antecipar aos idea-
lizadores na divulgaglto do plano, seus adversarios a
apresentaram como uma conspiragio contra os inte-
resses da regifto, uma mnanobra de estrangeiros c maus
brasileiros para congelar a atividade produtiva e
transformar a Amazo~nia num museu a servigo dos
alienigenas, o que ja estaria explicit no prbprio ti-
tulo da reserve ("Verde para semnpre"). A campanha
foi reforgada comn a incorporaqflo do governador Al-
mir Gabricl, um correligionfirio do president Fer-
nando Henrique Cardoso.
Era a senha que parecia estar faltando para en-
grossar a oposigito ao projeto dos ministe~rios do mcio
ambiente c da recforma agrdria. Na uiltima sexta-fei-
ra, as duras palavras de critics a iniciativa cederam
lugar a atos concretes: os prefeitos de tres dos cinco
municipios que tertio de ceder terras para a reserve
recrutaram 800 pessoas e invadiram a terceira das
audie~ncias publicas de consult a populagio. Nio
foram para debater o projeto. O que queriam era in-
viabilizar o encontro e mnandar um recado categdri-
co: nfro accitaram a criaqito de mais uma unidade de
conservaqilo federal na region.


Uma tropa da Policia Militar foi convocada as
pressas para proteger os organizadores da audiencia
e permitir que eles pudessem sair do local do encon-
tro, no municipio de Santa Maria do Para. Os repre-
sentantes dos o~rgflos pliblicos prometeram pedir a
instauraqio de inquerito policial contra os tris pre-
feitos, acusando-os de incitaqao a populagio e de
estimular as agressdes fisicas aos participants do
event, alem de ameagar de morte tris deputados do
PT e depredar bens pliblicos.
A transformaqClo foi sintomatica. Antes dos po-
liticos levarem o assunto ao conhecimento pdbli-
co, apresentando-o com as tonalidades fortes de
uma conspiraqio de lesa-Estado, as audiencias ti-
nham sido realizadas sem qualquer incident, em-
bora em mcio a polemicas. Logo em seguida its de-
claragaes dos politicos e do governador, a terceira
audiancia empacou num quebra-quebra organiza-
do pelos tre~s prefeitos, que conseguiram mobilizer
muita gente com a agressiva retorica anti-reserva.
Como serts a quarta audiiancia? Havera uma quarta
auditncia? A criaqio da reserve extrativista conti-
nuara em andamento?
Certamente so se os executores do projeto con-
tarcm com uma reforgada cobertura da Policia Fe-
deral e comn uma massive campanha de convenci-
mento sobre o acerto da media. E se os teoricos
da providtncia, baixando de seus distantes e prote-
gidos gabinetes no Distrito Federal, aceitarem tra-
var a batalha de opiniflo pdblica in situ. Num siste-
ma aberto, mesmo ideias positivas e benfazejas s6
dflo certo, ou s6, "vingam", se slio adotadas sob con-
vencimento geral, nflo se chegam para cumprimen-
to compulsi~rio.
Isso ocorria na e~poca dos "projetos de impact"
dos governor do regime military: urdidos nos labora-
t6rios da tecnocracia, baixavam no cenario como pro-
dutos prontos e acabados, eliminando resisti~ncias
atraves do fato consumado. As vezes a iniciativa ti-
nha o efeito purgativo dos reme~dios: ainda que fos-
sem adotadas para o bem, era natural a reaqflo do
paciente. Reme~dio bomn tem gosto ruim, eo que os
autocratas pensam e dizem para que os demais pen-
sem da mesma maneira. E aceitem a medicapao.
Na epoca em que militares e tecnicos, de mflos
dadas, faziam scus raids de reform autoritaria e mno-
dernizagilo impositiva sobre a Amazo~nia, instalan-
do enclaves exportadores no meio da floresta, a elite
local se voltava romanticamente para o passado.
Bons eram considerados os tempos do extrativismo,
nos quais seringalistas e dons de castanhais manti-
nham a floresta intacta para autenticos servos da gle-
ba coletarem os frutos das airvores ou extrairem-nos
do scu lenho, na forma de amendoas de castanha ou
hitex, produtos que eram embarcados para distantes
mercados, juntamente comn os filbos das families
abastadas, cm busca de instrugho superior. Era para
hi que tambem la parte dos scus rendimentos. Ah,
esse extrativismo, como cra ecol6gico (omitia-se, e
claro, seus anacronismos socials e econo~micos).
Produtos tradicionais como esses sairam da li-
nha de frente da pauta de exportaqflo ou mesmo das
estatisticas de produgho. Seringalistas e dons de cas-
tanhais nlo se importaram em passar em frente suas
terras tilo logo novos pionciros se apresentaram para
adquiri-las e transforma-las em campos de pastagem.


Levaram consigo sua consciancia ecolbgica (criada
remissivamente), que se tornou decorative, sem se
preocupar comn o que ficaria no j~ontr, quase sempre
um selvagem preconceito antiflorestal, ou um total
desprezo it integridade da paisagem original.
As elites que se reciclaram aderiram ao novo
"modelo" de ocupaqflo da terra, ora como parceiros
secundarios dos atores principals ora como porta-
vozes dessa nova ordem (principalmente politicos e
advogados). Guiada pela 16gica do lucro rtipido, cla
c ferozmente imediatista. Em seus parfametros, criar
gado e sempre melhor porque isso os pioneiros sa-
bem fazer. Transformar arvores em madeira sblida,
tambemn. Ainda mais quando apenas umas poucas
especies tem aceitaqflo certa no mercado c podem
chegar a pregos tlo bons que, no caso do mogno,
nfro e exagero chama-la de ouro verde.
Este e o staturs quro consolidado pela coloniza-
qFlo em cursor. Ela result da conjugagio de interes-
ses de pioneiros comn natives, infiltrando-se pelas
estruturas do poder local. Os personagens tim pres-
sa, estflo atrais de resultados imediatos, sejam eles
politicos carentes de votos ou empresarios aventu-
reiros. As representaqdes da sociedade local estio
Ocupadas por esse tipo de gente, para a qual a atual
estrutura de produglio e comercializaqflo de produ-
tos amazo~nicos deve ser mantida para que scus be-
neficios continue a fluir.
O governor federal represent umn caleidoscbpio
de interesses mais matizados. Ha dentro dele in-
crustaqdes desse modo convencional de encarar a
Amazonia e segmnentos apostando na inovagio, que,
em algumnas situaqies, significa recriar o passado.
Entre estas 61timas tendencias estflo aqueles que
acreditam na sobrevida do extrativismo, nflo com
os barges da terra is frente, mas abrindo alas para
aqueles que a cles estavam submetidos, numa rela-
Clo que levou alguns intelectuais do passado a en-
contrar resquicios medievais na estrutura de pro-
duCho da Amazonia (e nflo s6 nela, aliais). Eles
acham que um extrativismo de novo tipo poderai dar
certo se conciliar tecnologia e conhecimentos mo-
dernos com o ignorado ou desprezado habitante na-
tivo, sob a tutela do Estado, ao menos durante a
fase inicial, de amadurecimento.
Teses e teorias ndo faltam na (e sobre a) Ama-
zi~nia. Algumas slio logo postas sob suspciplio, no
mercado das prtiticas correntes, por suposta ori-
gemn international, servir de instrument a inte-
resses geopoliticos estrangeiros, defender o con-
gelamento da produ~go da regiflo, reduzirem-na a
um mnuseu para turista alienigena ver, favorecer a
pirataria, etc. Excetos pelas situapics de compro-
vada dimensito criminal e definitiva lesividade no
interesse national, essa pluralidade c um patrimo-
nio valioso para uma regiflo que sofre gravemente
a carencia de conhecimento.
Pior do que idelia equivocada e reprimi-la atra-
veis da viole~ncia, sufocando, antes de poder mani-
festar-se, qualquer proposta beterodoxa, alternative
ou incomoda. A intolerancia e erva daninha na mai-
or fronteira de recursos naturals do planet. Mas, pelo
jeito, cla estal comegando a medrar como epidemia,
apoiada por quemn quer continuar a agir como sc fosse
o xerife da selva, um fantasma-que-anda sem roman-
tismo, mas poderoso.






4 JOURNAL PESSOAL I" QUINZENA DE MARCO/2002


M ~f


da moeda da Inglaterra continua-
vam guardadas. O prefeito Celso
Malcher decidiu entio oferecer
esses caixotes de libras ao Minis-
terio da Fazenda por conta da
amortizaqio do debito.


Bolsa
Em 17 de fevereiro de 1954 foi
instalada a Bolsa de Valores do
Para, tendo como sindico o cor-
retor Ruben Martins. Ate: entio
Belem estava sob a jurisdigio de
Recife, a bolsa mais proxima.
Comn a instalaqio da SPVEA e a
execu~go do plano de valorizaCio
econ~mica da Amaz~nia, inicia-
da no ano anterior, o Para passou
a sentir a necessidade de um agen-
te regulador do mercado de titu-
los. Toda a estrutura da bolsa foi
criada por Ricardo Borges, asses-
sor economico da Associaqio
Commercial do Para, em cuja sede
a nova institui~go funcionou.


Salinizagio
Em outubro de 1955 o prefeito de
Belem, Celso Malcher, comunicou
a popula~go que "a falta de ener-
gia eletrica que se vem verifican-
do na cidade e: em conseque~ncia
do excess de salinidade na agua
que alimenta na agua que alimen-
ta as caldeiras da usina do Depar-
tamento Municipal de Forga e Luz,


cujos tubs, por esse motive, vtm
sofrendo perfuraqio".
Isso, 30 anos antes da inaugu-
ra~gri da hidreletrica de Tucurui,
quando o tema da saliniza~go se
tornou polemico e popular.


Expressio
Aloysio da Costa Chaves foi es-
colhido o professor do ano de
1961 pela Sociedade Paraense de
Educaqio, numa solenidade pre-
sidida pelo vice-governador,
Newton Miranda, no exercicio do
cargo de governador pela ausin-
cia do titular, Aurelio do Carmo.
Respondendo a saudagio do ad-
vogado Otavio Miranda, o future
reitor assinalou a importancia da
revolugio de 1930 na formaqio
da mentalidade da sua geraqio,
uma geraqio que ''nio foi atingi-
da pela espurcicia dos que trans-
formaram as funqdes puiblicas em
fontes inesgotaveis dos mais es-
plirios beneficios".
Anos depois,ja quando gover-
nador, o professor Aloysio utili-
zaria expresso do mesmo jaez: o
verbo esgaivar. Forgou muita gen-
te boa a correr para o dicionirio.


TV
Em outubro de 1961 a TV Mara-
joara apresentou a novela "O
Morro dos Ventos Uivantes",
adaptaCio do famoso romance de


Charlotte Brointe, com Daniel
Carvalho no papel principal, de
Heatclift. A novela fez parte do
TV Romance, indo ao at as quar-
tas e sextas-feiras, a partir de oito
e meia da noite.


Russo
O cargueiro Sretensk foi o primei-
ro navio russo aaportar em Belem,
no dia 8 de novembro de 1965.
Trouxe 280 toneladas de adubo
quimico, carga desembarcada sob
a discreta vigilincia de agents do
DOPS (Delegacia de Ordem Poli-
tica e Social), que tambem acom-
panharam com a mesma e notoria
discri~go as saidas dos tripulantes
pela cidade, subversives em poten-
cial por sua origem, conforme a
cartilha daqueles tempos. O navio
ficou apenas 24 horas na bala do
Guajara, o suficiente para provo-
car olhares curiosos.


Parae nse
Em 1965 o medico Sergio Martins
Pandolfo obteve "honrxosa classifi-
caqio" numa selegio de medicos
feita pela Superintendencia dos Ser-
vigos Medicos do Estado da Gua-
nabara (hoje Rio de Janeiro), em
1965. Formado dois anos antes pela
Faculdade de Medicina do Para, fi-
lIho de Rocco Rafael Pandolfo, con-
sultor tecnico do Banco de Credito
da Amazinia, e de Clara Martins
Pandolfo, membro da Comissio de
Planejamento da SPVEA, era mais
um paraense a veneer no sul, co-
memorava aFolha do Norte em sua
antologica se~go.


JOrnalistas
Em novembro de 1965 o Clube
dos Jornalistas do Para comemo-
rou seu primeiro aniversario de
funda~go com um almogo na sede
social do Para Clube (que era na
avenida Nazare, onde foi levan-
tado o edificio Ernestino Souza
Filho), organizado pelos diretores
Odir Macedo e Carlos Rocque.
Para omes seguinte, os diretores
seriam a colunista Jeanette Blan-
che (pseudo~nimo de Elanir Go-
mes de Sousa, qlue tambem e
Lana) e Joho de Jesus Paes Lou-
reiro, de A Provin~cia do Paraj.


uca3 ge-nre lemb~ra. mas depois

seguilnj&. fuI~~rar abarera da cen\ura.l no-

guerITlhr l jo Parade Comunista Jot Brsill no~ A- r

jlme~s Je c'Olouir umj lapide~ de silencle jsubre de ~
Em1 3 Je cutulbro de 102' o Clomando hllbrar

renemelr cronellll Paula: Hnreqlliue Lc. is .c~hdel do
2: 54~30. iromunllcajndo ai 3isassinjl o do .' *ur-



de' posesC Je searanngj Instaladosi Para i E urc~-
[1I". ComeII prjye dasj manobltraS que I: E\Ierate

Replj, Rl1110ar e acl outra-, grjndes~ unlJdes" O

jlirgenrolil a1 ll1"trinuamnengidopoumllr j [T


.1 nola dlizi que "um terrorilaw" liana 1
sIde o alutor Jo Jlspore, admiu~ndo que' "C' Ierro
Ir.mbtou masls um JeICadoL~CC sen lidor daParia ejl ~
elemplar chefei de famills". mas3 qule. "longe de



po~s corntra atenta~dos~ de Irl naLTureza1". Segu~ndo a
comluni~~cado as ulllluma palaira TdSlli pe'lco wr-
gentol logo dep~is de ferido r" \ifrrem-se no~ Ir-

rangajL"I''h33 deCoar pr F oda aiij Amaton~/ia1 c~Omo
lioj, je responsablladade e amo~r a Brasil"
.inle~s je morrcr. Abrahim Ileria chamadeo a
sartlnto Bonifamo e' Ihe panadjC oI IComandl iom
as Jerra~de'Iru pa~laira. ".1 hreind-\Te~rde e ua,
co~mpanheiroc Coma1nde` none~u homerns para que
a Patrll pe''jrmanga Ilireedejmocro~lica" OCMC.
mandou~l rezur misa pe~la mem~cria Jo, surgento ~
moIo~~ no3 C`aedral IAler'TOpoijna de' Alanau,


C ]..


SP VEA

O poeta Mario Faustino (dos San-
tos) foi nomeado chefe da segio
da SPVEA (Superintendencia do
Plano de Valorizaqio Econ~mica
da Amaz~nia) em fevereiro de
1954, com salario de 7 mil cru-
zeiros. Na mesma data, outro po-
eta, Cauby Cruz, foi designado
assistente juridico, com direito a
8,4 mil. Ja o advogado Daniel
Coelho de Souza (que viria a ser
reitor da UFPa, entire outros car-
gos), era designado consultor ju-
ridico, com salario de Ce$ 10 mil.
Maria Lidia Mendonga, irm8 do
tambtm advogado Otavio Men-
donga (e future esposa do coro-
nel Gustavo Moraes Rego Reis),
era admitida como assistente ad-
ministrativa e salario de Cr$ 3,6
mil, o mesmo de Paulo de Carva-
lho, que iniciaria ai uma longa
carreira, sobrevivendo a substitui-
950 da SPVEA pela Sudam.


Dinheiro
Em I954 a prefeitura de Belem
guardava, encaixotadas, cedulas de
libra esterlina inglesa em valor
equivalent a seis milh~es de cru-
zeiros (900 meses de salario de um
chefe de se~go da SPVEA, como
Mario Faustino), que tomara em-
prestado e nao usara. A divida da
PMB em moeda estrangeira ja era
vultosa naquele ano, mas as notas






JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE MARCO/2002 5


~a


,'


r. 0JE 3 Sessnes a parlic d B$


1 eOf SENS ACIO NAL


4 ~E ST RE lAS


b'le0 M aior Presente Para Os

.aane i







me.sn C pail. em 4 .q *M inmm~iele I ... g...&. reaprldr, L....nt dwi d.r dl.. Ammens
~Pa flranO rt* Ilk. em anrnunra cam ar Itands rt e, time~lded Ccr $LM#1400, ar; coais teph



Ouftra Sensaicionl Eslrirei Hoje: ROI AL NB 0 aM~iS

F~tamess CatOrTioniista E quilibristal Internacional

ilM E LEfv MOGRN Dl050 NUMr PROGnRAMA DU PLO
rr s,;r l oneilusr r ...<.....r Ce 4ee aE n" ) S


A Doca

Este era o panorama da hoje
multo valorizada Doca de
Souza Franca, entire Gaspar
Viana e Senador Lemlos, no
final de 1965. A paisagem
aindar eran a de umz igarape
natural, o das Almlas (ou das
Armalrs, na poldmica condenada
a nunca acabar). O leito do
igarrapi estava tomado de
vegetagd'o aquatica e
sedimentado, o que provocava
inun~dagdes (e a delicia dos
mzoleques das
cir~cunvizinhannas). Os anibus,
qlue circurlavaml intensamnente
por- esse per-imetro, ofer-eciam
aos seuls passageiros duas
paisagenls, que se inverteram
COen o tempo: umn igarape
mzaltratado pelos despejos
humanlos, mas ainda na sua
configuragdro original, e uma
cr-iagdo humana ainda viva, a
dlas fabr-icas, eml plenla atividade,
com seul circulo de oper~cjrios
(cuja presenga o padre holand~s
Thiago Way gravitou para o
Circullo Operairio), atualmnente
cemliterios fabris. Muita
mnudanga eml menos de quatr-o
dcadas para tudo multdar pouco.


dur-ante e depois da exibigdio
dos filmes. Passou a contar coml
umau amlpla entrada e sala de
espera, salido de projegd~o comt
if piso encerrado em tacos de
madeir~as r~egionais, com 1.500
poltronas. A tela tinha 13
m netros de largura. A grande
nlovidade e qule passava a
con~tar comn instalagdes de
Cinzemascope, som mzagnetico,
equipamento imzportado dos
Estados Unlidos. Belem? passava
a ser a terceira capital do Norte
a r~eceber essa mnelhoria.
No festival de reinaucgur-ag~o
for-am~ exibidos O mantro
Sagrado, Demehtrio o Gladiador
A Fonte dos Desejos, Carmzen
Jonles, Sup/licio de um11a
Saudade, As Aventuras de Hajji
Babcj e O Principe Valenzte.


O Poeira
Linda Batista, "a
m~ais famosa e m nais

Brasil",: se apresentou
no teatro Poeira, emn
1955, em tres sessdes
continues a partir das
sete dla noite, durante
dois dias. Na sua
comlpanhia,
Simplicio, "o mzais
complete humorista
brasileiro "e de
Roialino, "o mais
famnoso contorcionista
e equilibrista
mnternacional ".
Haveria umz "vesperal
das mlogas "
naturalm~ente. Na
ep~oca, Linda ainda
~fazia jus ao nome.
Arrastava multiddes'
mzesmo quando a
coreografia cinica
atrapalhava sua voz.
Em, outubro de 1956 o
Teativ Poeira reabriu,
mas ja comt o nom~e de
cinema Nazare
dlepois de amzplas
reforms, que o
tiraram? da sula
primlitiva (maS
divertida) condigdio,
de sitio de
mzolecagens e
aventur-as, antes,






G JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE MARCO/2002


tancia que devia ter um livro (de 800 paginas)
publicado para assinalar o cinqilentenario de
uma instituigilo como o CNPql. Houve certa
neglig~ncia, ouI, talvez, ingenuidade da parte
da editor da publicaqio, qu~e foi tamnbem a
entrevistadora do escritor. Mas esse e um pe-
cado francamente venial. No maximo, Prisci-


malha impertinente, ociosa ou incongruente.
A pesquisadora, porem, nio introduziu no tex-
to oqcue niotivesse sido dito pelo entrevista-
do, o que, ai, sim, seria pecado mortal.
O president da Funarte ameagou, na en-
trevista a O Libe~ral, interpelar judicialmente
o Inpa [no qule comleteria um erro, de~rivado a
outrance d'o seul iracundlo bairrlismzo, jar que o
orgaio responlscvel pelo livro e o "Goeldi"]
para qlue o institute, sediado em Manaus,
"apresente a comprova~glo de qlue a publica-
~gio do texto foi autorizada", esperando, comn
essa iniciativa, levar a que "o livro seja retira-
do do mercado e o capitulo excluido".
Se a vontade de primeira linha de Marcio
fosse cumprida, nito seria de todo ruim. Os
editors do livro (Priscila e Peter Mann de
Toledo) ja recolheram uma vez a publicaqio
para expurgar erros de impressito e revisilo.
A exclustio da entrevista de Marcio faria ate
um bem ao conjunto de depoimentos reuni-
dos no livro. O qlue o president da Funarte
disse e: um amontoado de incorreqdes, inver-
dades, despropi~sitos e primarismos, total-
mnente deslocado do espirito da obra (no qlue,
alias, Marcio concorda, adm~itindo qune suas
baboseiras sobre cultural paraense ficaram


menos se devia dar aten~gio. Mis graves eram
os erros de informa~gio e as interpretagbes
eqluivocadas de Marcio na entrevista.
A reaqio, da qual teve ciencia emn Mos-
cou, como fez question de frisar, obrigaram-
no a procurar um journal que decretou como
sendo de primeira classes, O Liberanl. igno~
rando soberbamente o que havia said "num
journal de segunda linha [o Diario do Parai]
com7 umna se~rie de depoimentos de gente de
segunda linha". Era uma tentative de desau-
torizar no nascedouro, por e~dito emanado do
trono carioca do burocrata das artes nacio-
nais, a celeuma localizada, antes que ela se
irradiasse, podendo ecoar por amnbientes ca-
pazes de desencadear presses sobre o cargo
tito zelosamente mantido pelo escritor ama-
zonense. Que, sagazmente, tratou de incen-
sar um intellectual organico de O Liberal, o
fecundo ficcionista (ao menos quantitativa-
mente falando) Salomilo Laredo, equiparan-
do-o a Haroldo Maranhilo como exemplares
de uma excelencia literaria paraense qlue
Marcio se permite reconhecer.
Abusando da descortesia e do tom fo-
lhetinesco, desviado de seu sitio apropria-
do, na literature, Marcio Souza tentou eli-
minar de pronto o affaire emn for~magilo. Atri-
buiu a culpa a sua entrevistadora, que nito
lhe teria submetido o texto da entrevista para
aprova~gio e que cometera certa leviandade
ao passar a letra de forma uma conversa gra-
vada, imprecisa por definiptio, ainda mais
porque o entrevistado se dispi~s a falar "en-
tre duas reunites dificeis dentro da institui-
glio" (atengilo, povare~u: o doutor Marcio e
nauito ocupado, as usual).
A dire~go do Museu Goeldi expli-
cou, em nota official, qlue, ao contra-
rio da verso do criador do Boto
Tucuxi modern e urban, o texto
da entrevista lhe foi mandado por
e-mail para que o revisasse, com o
pedido de autorizaqilo para publica-
glio, autorizaqilo essa concedida, em7
conitato telef~nico, por sua secretit-
ria, que disse estar falando
em nome do chefe.
Digamos que esse nao ,c ~
e um padrito de edigilo
compativel comn a impor- :


arcio Souza colocou o ponto final
no seu tilltimo livro, Desordemn (se-
gundo volume da programada te-
tralogia sobre o Grio-Para), no Delmonico
Hotel, em New Yor~k (conforme escreveu), no
dia 26 de margo de 2000. Quase dois anos de-
pois estava emn Moscou. Foi la qlue soube da
repercussito negative da entrevista qlue conce-
deu a antrop~loga Priscilla Faulhaber, incluida
no livro Conh~ecimlenlto e Fronzteiran: Histor-ia
dar Cienlcia na Amalzonlia, organizado pelo Mu-
seu Emilio Goeldi para comemorar os 50 anos
do CNPql (Conselho Nacional de Desenvolvi-
mento Cientifico e Tecnol6gico).
Comn a referencia ao bomn hotel novaior-
quino eag capital moscovita, Marcio estava
tentando dizer qlue e umn intellectual cosmopo-
lita, umn cidadito do mundo, e nflo mais o re-
presentante de uma cultural regional, circuns
crito ao universe provinciano. Como viaja
m7uito around os quatro continents, o presi-
dente da Funarte, i6rgflo do MinisterIio da Cul-
tura para as artes em geral, com sede no Rio
de Janeiro, nito pide se prevenir contra o tiro-
teio qlue se seguiu ao aparecimento em letra
de suas (muitas) infelizes declaraqdes na en-
trevista. Entre as qluais, a de qlue atualmente o
Para "nito tem literature, o Para nito temn mulsi-
ca, o Parai nio tem nada. O Para nito tem tea
tro, nito temn dramaturgia. Tem artes plfisticas,
tem fotografia, tem algumas coisas, mas foi
perdendo a sua identidade".
Pela finada Agenda Amaz~nica, fui o
primeiro a reagir as palavras de Marcio Sou
za, depois de esperar por dias que alguem
falasse antes, clente qlue estou do desagra-
do dele as minhas critics aos seus ultimos
cometimentos literitrios (movido qlue esta-
ria por inveja, despeito ou frustragilo, ap~ud
MS). Njo fiz para defender o ParB das
agressies de um amazonense, qlue, contra-
r-iando o seu passado, fazia renascer ulm bair-
rismo provinciano, tolo e initial na dispute
entire Parij e Am~azonas.
Fiqluei chocado ao ver esse prop6sito nas
palavr-as de qluem era um dos mais brilhantes
intelectuais da Amazonia. Ficava evidence a
intenglio do president da Funarte de destacar
o Amazonas, e especificamente Manaus, no
embalo da depreciaqilo do ParB e de Belem.
Essa, porem, era a face da entrevista a qlue


O es crit or de



p reme ara I n ha no


seu lugar de direito


OU. OS ig uals se proximam)( 1







JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE MARCO/2002 7


no municipio. E esse o publico que interessa ao
Marcio Souza dandi, um important intellectual
da Amazonia que a hidra do cosmopolitismo
engoliu, sem a menor garantia de que venha a
ser tratado comno o Jonas da Biblia. O Marcio
que sumiu no venture do ilusionismo internacio-
nal, esse nio volta mais. Pode-se acender a vela


e entoar o canto fuinebre. De preferencia, em ale-
mio, frances ou ingles. Ainda que apenas para
repetir sons, sem necessidade de saber o signifi-
cado das belas palavras entoadas. O significado
nio e o que significa, mnas o que gente comno
Marcio quer fazer significar emn suas significiin-
cias ch~apas brancas.


deslocadas "numna publicaqio sobre a hist6-
ria de uma institui~go cientifica").
A entrevista foi publicada sem a revision fi-
nal do autor, mas, comno afirma o proprio Mar-
cio, "O problema niio C o que eu falei, mas o
que saiu". Ou seja: ele realmente disse o qlue
aparece no livro como sendo sua manifesta~go.
O problema 6 qlue essas declaraqdes nio deve-
riam ter sido publicadas. Em O Liberacl (joral
de primneira linha ouvindo escritor de primeira
linha), porem, Marcio express opinides e da
informagies em contradi~go comn o qlue esta no
livro. Do teatro paraense, qlue era nada na en-
trevista, surgem pelo menos cin~co espetaculos
"de altissima categoria", submetidos ao proje-
to "(Em7 Cena Brasil", da Funarte. Quanto a
muisica, o Para "tem se destacado na execugho
de muisica classica, com belas orquestras" (es-
tamos todos aguardando o roteiro do dirigente
da Funarte para usufruir essas maravilhas).
Estamos diante de umn caso classico de es-
quizofirenia ou e mesmo evidencia de ma-fe:?
O Mikrcio de O Liberal sabe o qlue faz o Mar-
cio do livro do "Goeldi", qlue, por sua vez,
tem alguma remota ideia do qlue foi o Marcio
de Manaus, aquela intelig~ncia viva e criati-
va, o intelectual qlue absorveu e reescreveu a
hist6ria da sua terra, qlue deu a forma critical
de farsa ao enredo da elite da borracha e aos
delirios da Zona Franca, o amnigo de boas e
longas conversas com outros amigos de uma
bela geragito, como o alegre poeta Aldisio Fil-
gueiras, qlue montou sua trincheira no Jornal
dlo Amalzonas, de hist6ria gloriosa?
Esse Marcio Souza dandi em journal parve-
nur e tiio carreirista qlue, criticado por genuinos
intelectuais, escritores poderosos, como Vicente
Cecim, da nossa mesma gera~gio, orgulho de
todos n6s, s6, se preocupa em mandar recado a
um governador, como o doutor Almir Gabriel,
qlue entire suas muitas qlualidades njo esta a de
poder se apresentar como7 um leitor de in filios
nem exatamente como um militant cultural
(masqcue carrega consigo a caneta de assinar
convenios e pode fazer chegar sua voz ao Pala-
cio do Planalto ou ao gabinete do inchado m7i-
nistro Weffort): "O pr6prio governador me co-
nhece, conhece meus livros, sabe qlue eu nio
dicia isso", proclama, como a se imunizar con-
tra eventuais bicadas tucanas ao seuI honoritvel
cargo burocratico, escaldado por incidents
nada edificantes em qtliproqu6s passados, como
o qlue arrastou Ferreir-a Gullar, umn grande poe-
ta, autor de pelo menos umn livro inesquecivel
(Poema Sujo, onde estlio alguns dos mais be-
los verses qlue uma cidade ja mereceu na litera-
tur-a universal), mas sujeito a epidemias de bair-
rismo, vaidade e mesquinhar-ia.
Pairando acima de intelectualidades paroqui-
ais, mas ja tendo levitado tanto qlue passou a
pairar sobre as letras em geral, exceto as dos atos
bur-ocraticos e sua fauna acompanhante, Marcio
Soulza e todo atengFlo e desvelo par~a comn seus
pares na dir~egio da cultural official, como Paulo
Chaves Fernandes, no Estado, e Mbrcio Meira,


H ist6 ria

A presenga humana na Amazinia tem oito
mil ou nove mil anos. A europeia, cinco secu-
los. A ocupagilo colonial defmnitiva ainda nlo
completou 400 anos. Qualquer ponto de par-
tida que se tome, porem, o percurso ate o ponto
de chegada ja e um tanto long e bastante comn-
plexo. Ha especificidade na histi~ria amaz8-
nica, nflo so, por sua geografia original, mas
pela organiza~gio que a ela deu o ocupante co-
lonial, o de presenga mais important (quan-
do nada, por ser o vencedor).
O Brasil, pore~m, acha que nossa hist6ria e
um residue da hist6ria national; e que o qlue
nos resta e: nos enquadrarmos aos ditamnes do
bwanar, seja o de lingua estrangeira ou o nosso
conterdineo. A tarefa de escrever uma hist6ria
regional autdnoma nos compete e so a nos,
ou aos que aderirem a essa perspective de au-
tonomia, de identidade pr6pria. Desde que nio
nos deixemos seduzir pela bitola do provincia-
nismo, nilo confundamos autonomia com iso-
lamento e nem aceitemos propostas ou suges-
tdes apenas por terem sido feitas por gente da
terra, sem submete-las ao teste da verdade.
Com Marxismno, Socialismno e os Militan-
tes Excluidlos (Editora Paka-Tatu, 171 paginas),
Vicente Salles oferece rico material para a his-
t6ria regional. Niio a que as elites e seus histo-
ri6grafos esculpiram em pedra, mas a criatura
em sangue, carne eosso ainda em busca de mo-
delagem, carente do arcabougo te6rico que the
de forma, que junte suas parties num todo dota-
do de significaqilo. Comn sua incansavel pes-
quisa em fontes primarias ou em fontes secun-
darias maltratadas, Vicente esta impedindo o
des'carte de temas inco~modos ou indesejaiveis
no br-ic-a-brac da historiografia dos notavels.
Os trabalhos reunidos nesse livro, qule ti-
veram a primeira forma nas paiginas de journal
on nas her6icas microediqdes do autor, pro-
pdem uma agenda real, de series determina-
dos, nflo de her6is que nflo resistem a pergun-
tas que niio constam do catecismo official. Ele
pr6prio ain~da nito temn as respostas. Mas nio
apenas ajudou a enriquecer o questionfirio,
como abre algumas perspectives mais positi-
vas de reconstituigio dos fats e de decifra-
Fgi de alguns enigmas. Um livro precioso pelo
que trata e pela forma simples e clara com qlue
trata. Um present para todos n6s dos 70 anos
desse bravo caboclo de Igarape-Agu.


Repa ro

Ronaldo Brasiliense publicou na sua co-
luna, no0 ultimo7 num11ero do journal O Para-
ense: "O Jornal Pessoal, do jornalista Lu-
cio Flavio Pinto, esta nas bancas comn uma
edigilo extra sobre 'A prisito do Barbalho'.
Diz Luicio na matdria qlue Jader 'parece con-
denado a ser novamente candidate ao go-
verno do Para'. Governar o Para, para Lui-
cio, agora virou castigo. Eu, bein!".
O titulo correto da mat~ria de capa 6 "Pri-
slio do Barbalho". Ronaldo acrescentou-lhe
o artigo inicial. E aduziu um significado ine-
xistente. No seu context, afrase explicaqcue
Jader esta condenado a ser novamente candi-
dato a governador porque a outra alternative,
da sua preferencia, a de senador, dificilmente
se viabilizara. Jader prefericia o mandate par-
lamentar, qlue remeteria seus processes para
o Supremno Tribunal Federal. Com a outra van-
tagem do cargo, a imunidade parlamentar, ele
so poderia ser processado depois qlue o Sena-
do concedesse a justiga licenga para tal.
Em tese, ele podia arriscar concorrer a
umna das duas vagas senatoriais em dispute
neste ano. Na pratica, porem, estaria com-
prando brigas desgastantes, a partir do pri-
meiro memento em que assumisse o man-
dato, sujeitando-se a um destiny ingl6rio
como7 o do ano passado. Para a opinitio pli-
blica national, ele ea expressito do mal-
versador de recursos puiblicos.
Por isso, esta condenado a ser novamen-
te governador. Nio qlue o Para represent um
castigo para quem seja eleito governador (o
contrario, porem, e possivel). Foi o qlue acon-
teceu emn 1994, quando Jarbas Passarinho
niio qu~eria ser o candidate de Jader ao go-
verno, mas teve qlue se submeter ao patrono
por nho the poder apresentar- uma negative.
A expressito se inspira niio no modelo
criminal, mas no padrito literatio, como qlual-
qluer pessoa comn alguma intimnidade com o
tema percebera semn dificuldade. Interpreter
o contratio er sinal de desqlualifica~go, ma
vontade ou ma fe. Depois de ter dedicado
grande parte da minha vida a viver, estudar,
divulgar e procurar defender o Parit, aqlui
mantendo mneu domicilio permanente, se eu
pensasse o qlue Ronaldo Brasiliense apregoa
que penso, seria um insane. Sou?
Com a palavra, o leitor.









Pobreza
Emn 1991 a regiao amazinica
tinha o maior percentual de do-
micihios sem qualqluer tipo de ren-
dimento, com 6,26% do total. O
Nordeste vinha em segundo lugar,
com7 4,35%/. Em 2000, dobou a
quantidade de domicil ios sem ren-
dimento na Amaz~nia: eles pas-
saram a representar 12,87% do
ulniverso regional. A situaqio pi-
orou proporcionalmente mais no
Nordeste, cujo indice saltou para
11,84%, mas sem tirar a infeliz
lideranga do Norte.
As duas regimes tiveram as
piores variaqies nessa decada,
permanecendo acima do indice
national, em7 condigdes mais gra-
ves do qlue as existentes nas tres
outras regimes do pais. O percen-
tual de domicilios sem rendimen-
to em tod oo Brasil passou de
3,69% em 1991 par-a 9,15% em
2000, mostrando qlue nesses peri-
odo houve deterioraqio dos ren-
dimentos dos trabalhadores, se-
gundo os resultados de uma pes-
quisa realizada pela Secretaria do
Desenvolvimento, Trabalho e
Solidariedade de Sjo Paulo, com
base nos dados do I BG E.
Num1 qluadro national negati-
vo, com7 crescimento de 198%/ dos
domicilios scm q cualquler tipo de
rendimento, a gravidade e ainda
maior nas duas regimes cada vez
mais pobres do pais. Gravidade
qlue nflo e percebida pela opinirio
publ ica, no caso amnazonico, por
causa de seus baixos valores em
terms absolutes.
Isto significaqcue mesmo com
o crescimento mais acentuado,
propor-cionalmente, dos investi-
m~entos puiblicos na Amaz~nia do
qlue nas demais regiocs, da aber-
tura de frentes econ6micas priva-
das e da participagio mais acen-
tuada da regiflo no comrcio ex-
terior, continuaram a crescer os
lares sem qlualqluer tipo de rendi-
mnento, completamnente it margem
da expansao da atividade produ-
tiva. De cada 15 pessoas qule mo-
ram na Amazonia, uma vive de
favors ou trocas com terceiros -
parentes, amigos ou vizinhos -
por nlo dispor de
qualquer for- ma
de renda.


O Para foi o sex-
to Estado mais
bem aquinhoa-
do comn verbas
do Fundo Naci-
onal de Segu-
ranga P ubl ica
previstas para
este ano. Abaixo
apenas do Rio


O gabinete de Romlulo Mariorana era I g
wnI lugarr diemocrcitico: eleJiarnqurearva o
acesso a esquerdistas e dlireitistas, joyens-
e velhos, boemios e gentec de vidan r-egmdrada 1 ,,
proflissionais de todos os setore~s, politicos de '
toclas as tendencies. Romlulo sempre se servill
dessa pluralic/ade para darr maior consistncia Je 1,, ,L -
cisdes, antecipando-Ihes~ as conseqildnciars.
Sel principal herdelcir~o ndio teml esse bom sto al C`L. ic- so'
a~penas de iguals, da~nclo ao gabinete originado do pai umn tom
inonocodio, suaf expr~essaio liter~al. Talvez por isso ndio haja ninl-
gueml coml ascendencia sobr-e Romullo Maiorrana Jlinior parao alericri-
lo par-a o ridicurlo artr~oz dar pcigina intecilra qule veml sen~do publicadar
hci wirrios dias seguirdos eml O Liberal, comn sua fot~o, anlunciandlco a
r.etomadaLCIdo pivjeto "AILndandopIelo Pardj".
Imaugine-se rum Mesqluita, uml Friacs oul uml Marrinho permitinldo-
se protargonizar, uml aurtentico out-dloor dentryo dos seus jornacis, po-
sando para uma jotlo comno se fossem~ astros de televisdio (o antincio
de O Liberal, mluilo sintomaticamnente, anluncia: "Vem~ ai, ma~is umt
camlpedio de audlibncia ").
Ncio que um~r clonlo de'j'orInal ndio posso licle,rar uma camlparnhar de
diivulgaga~o dos munllicipios clo seul Estado. E djesejci vel e m~eritorio que
o jaga. Mas ndio para tomaro, o temal comlo pitexto para umalr camp~a-
nh/a de pr'omnogio pe~ssoal (nlo caso da "Ancrldand", patoincrinad pelar
Comlpanhia Vale clo Rio Doce, que cede recursos e o pre-stigio dlo seul
nlome para' uma1 agdio de fancaria), tranlsfollrmando o qule deviar ser o
objetivo da iniciatliva eml panro de jimdo no0 pr.oscnio. Os munllicipios.
sdio secndlclir~ios. O qlue imlportaN ea estamIpaI do prlincipl) L~executivo
do gruprlo Libecral, argo~ra clevidamllenlte "saradlo ".
As viargens sdo mreteor~icas, quase eml cir~cuito f~chado.o Uma1 VeZ enI-
cer7nvda aICSC~I pasage dacomitiVa r.eal, o Vinculo jor~nal-municipl~i o se VOla-
tiliza. O mullnicipio e apenasF uml mlote para tir-ar dlinheity dar CVRD. O
pior e que a postww~c editor~ial do glrupo dle comlulincicdo pellrmanece a
melsma:n. desinformlada, dtesatentla, negligenlte para-r coml os temlas locaris.
Aleml do asp~ecto comlerciarl, o r~etorno daL cam~lpanhar significaria
quef, desta vez, Romulllo Juinior serci carndidatro a selnador-? Os qule es-
p'ecurlam coml essa possibiliciadel exibeml wnalr outrar evidencia: ate hoje
o nom~e do vice-pr-esidlente dacs OIganliZagdes Romu~llo Marioranac ndio
voltoul ao expedliente dlojolrnal. Seria par~a nalo inlcomlpatlibilizci-lo par-a
a dlisputa de um~l cargo eletivo, emlborar coml extraordcinli~ciri aNtercipa-
ga~o. No enltantlo, essa possibilic/adie e ido crivel quantlo o inlteretsse! do
executrivo pelos temlas ligadr~os ao "dlesenlvolvimentol a econlomria e a
rearlic/ade d/os mIunicipios paraenr~rses ", comlo anunlcia a peCa pivm~loci-
onlal ao "AndandI~o de Romlinlho pe~lo Palrd.


de Janeiro, Pernambuco, Distrito
Federal, Espirito Santo e Santa Ca-
tarina, o Estado deverit receber 14
milhdes de reais, qlue deverio ser
usados para complementary as apli-
caqbes estaduais no setor. Na pres-
tagio de contas dos recursos rece-
bidos no ano passado, o governor
do Para usou, indevidamente, di-
nheiro de destinagio especifica em
seguranga publica para comnprar
seis antenas parab61icas e quatro
balangas de pesagem de veiculos.


Baux ita
A receita bruta da Mineragio
Rio do Norte foi, no ano passado,
27% maior do que a alcangada em
2000, passando de 435 milhbes de
reais para RS 55 1 mil hdes. Aft o lu-
cro liquid cresceu mais de 40%,
pulando de RS 171 milhies para
nada menos do qlue R$ 241 mi-
lhbes. Significa qlue a maior em-
presa de mineraqio de bauxita do
Brasil e uma das maiores do mun-
do conseguiu, em 2001, uma ren-
tabil idade excepcional, equivalen-
te a um quarto do seu ativo total.
Num finico ano, a empresa teve de
volta 25 de cada 100 reais qlue in-
vestiu para mnontar seu empreen-
dimento, no Para.
Esses resultados foramn obtidos
apesar de uma discreta redugho na
produ~go de bauxita, qlue foi de
10,7 milhiaes de toneladas, reflexo
do "desaquecimento da economic
mundial", segundo o relat6rio da
diretoria dia empresa, qlue acompa-
nhou o balango, divulgado na se-
mnana passada. Mas os investimen-
tos para elevar a capacidade da
mina estflo continuando, devendo
ser concluidos em dezembro deste
ano. Em 2001 chegaram aquase 90
milhdes de d61ares. A MRN deve-
ra alcang~ar a produ~go record de
16 milhbes de toneladas de mine-
rio em 2003, ocupando a lideranga
do ranlkinlg mundial.
Emlbora a emnpresa realize um
destacado projeto de recuperacpho


ecol6gica do Lago Batata, que
durante alguns anos poluiu e as-
soreou, depositando nele os re-
jeitos da lavagemn do minerio, os
investimentos em meio ambien-
te no ano passado representaram
menos 1% do faturamento liquli-
do. Ja os recolhimentos de im-
postos, royalties e contribuiqdes
socials ficaram em 7% da recei-
ta liquid da emnpresa, qlue e con-
trolada pela Companhia Vale do
Rio Doce, em associaqito com
sete outras empresas, a frente as
multinacionais Alcan e Billiton
e a national CBA, do grupo Er-
mirio de Moraes.


Fagan ha
Dos 10 municipios brasileiros
cujos chefes de familiar tim as pi-
ores rendimentos de todo o pais,
seis estio localizados no Mara-
nhflo (Cantanhede, o mais pobre,
Belilgua, Palmeirandia, Serrano
do Maranhao, Nina Rodrigues e
Mates do Norte) e quatro no
Piaui (Morro do Chape~u do Piaui,
Cabeceiras do Piaui, Caraulbas do
Piaui e Joga Marques).
Mais uma realizaCio da fami-
lia Sarney: ajudar o Maranhflo a
ganhat o trofe~u miserIia do Piaul,
campejo ate entrlo.


I I i 'I.


(In)seguranga Andando


j~ i


1-4 -
-


Ir-iin:il pr~~c-,:il '




Full Text
xml version 1.0 encoding UTF-8
REPORT xmlns http:www.fcla.edudlsmddaitss xmlns:xsi http:www.w3.org2001XMLSchema-instance xsi:schemaLocation http:www.fcla.edudlsmddaitssdaitssReport.xsd
INGEST IEID EQWVFLKF2_D9HVTY INGEST_TIME 2012-02-29T18:39:46Z PACKAGE AA00005008_00229
AGREEMENT_INFO ACCOUNT UF PROJECT UFDC
FILES