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3 rnal Pessoal Ul .C I O F L A V I O P I N TO ,-r XV N" 277 21 QUINZENA DE FEVEREIRO DE 2002 R$ 2,00 POLITICAL 0 bloco (ainda) nao saiu 0 goverador Almir Gabrielparecia convencido de que, sozinho, era capaz de eleger seu successor o seu candidate do peito, o secretdrio especial Simdo Jatene. Agora, estd sendo obrigado a reaprender que eleigdo e obra coletiva. // Quem nao ajuda pode atrapalhar. De.. ,. trapalhada em trapalhada, a canoa de I 3 1 j Jatene comegava afazer dgua. o cargo at6 o fim do seu mandate, o governador Al- mir Gabriel sera o maior eleitor em outubro/novem- bro. Mas nem cor o coman- do da maquina official conseguirai, sozinho, eleger seu successor o economist Simao Jatene, seu principal secretario e candida- to pessoal. Provavelmente convencido des- sa impossibilidade, o pr6prio Jatene tratou de chacoalhar seu padrinho para faz&-lo encarar a realidade, que parece se escon- der por detras do seu espelho magico. E precise atrair mais donos de votos para a nau tucana. Sendo, com bandeirolas e fo- guetes, ela pode naufragar. Jatene deu partida a revis5o dos pianos de campanha amea9ando pular fora da fra- gata. Pretextando uma doenga, deixou de comparecer a compromissos politicos du- rante tres dias seguidos. Sua ausencia de- sencadeou boatos desgastantes, alguns pro- duzidos pela desinformaqdo mesmo, outros criados pelos adversaries politicos. O se- cretario especial da producgo teria renun- ciado a candidatura, diziam uns, manipu- lando um element da personalidade du- ) L 4~~;L _96. k-jqL j \~~~~- jur.r~ .~~: - ar-iC fr Ill- i , '-i 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 bitativa do provavel candidate do PSDB. Outros garantiam que os problems car- diacos de Jatene haviam se manifestado novamente, tirando-o da maratona eleito- ral. Terceiros admitiam que a doenga nio passava de uma trivial inflamacio na gar- ganta, mas destacavam o fato de que ele fora visto tomando sorvete em pleno do- mingo deforfait politico. Candidate em tom de campanha acir- rada, a nao ser que esteja seriamente doen- te, tem que superar suas limitacqes e apa- recer com boa apar6ncia em p6blico, ou, ao menos, mostrar disposiiao. Pouca coi- sa 6 mais complicada para marqueteiros politicos do que candidate doente. Unha de pe inchada rapidamente vira cancer na ra- dio cip6. Uma informaago dessas pode dis- seminar a descrenca do eleitor na seguran- Ca do nome, algo como jogador de futebol "bichado" ou boxeador com queixo de vi- dro. O atleta pode ser 6timo. Sem transmi- tir confianca, contudo, nao ira long. A confianca talvez tenha faltado ao pr6prio candidate in pectori do governa- dor. Almir Gabriel declarou reiteradas vezes que nao apenas havia escolhido seu secretario como candidate da coligacio situacionista: ele ja era praticamente o novo governador do Para. "Nao tem para ningu6m", proclamou sua excel6ncia, como se estivesse numa geral de campo de futebol. Cor indice sempre abaixo de 5% nas pesquisas de opiniao e mais rea- lista do que o padrinho, Jatene deve ter vislumbrado nao apenas o alto risco de derrota, mas tamb6m a possibilidade de uma derrota um tanto fragorosa. Sua debilidade eleitoral, agravada por seu modo.de ser, discrepante das caracte- risticas que deve ter um campeao de vo- tos (ainda mais num Estado pobre, gran- de e de populaago dispersa como o Para), teria que ser compensada por uma s6lida retaguarda e por abre-alas eficientes, como os que arrastaram Almir Gabriel na sua primeira campanha vitoriosa para o governor do Estado, em 1994. O governa- dor, acostumado a seguir no vacuo de um lider realmente carismatico e popular (como o que o fez prefeito bi6nico de Bel6m, em 1985, e senador, logo em se- guida), era um ne6fito em nomes e locali- dades quando teve que assumir a linha de frente da campanha. Politicos como o ex- governador Alacid Nunes serviram-no como uma esp6cie de guia de cego. O problema 6 que essa equipe estava se desfazendo. Uns comegavam a cruzar os bracos, descrentes de que o otimismo pala- ciano pudesse se irradiar para os currais elei- torais do interior. Nao por falta de dinheiro e de ordens, mas do que serve de amalga- ma a esses components decisivos: a po- pularidade do candidate, suas possibilida- des de aceitaago junto ao eleitor, sua em- patia. Sempre a sombra dos que lidam corn esse produto, Jatene se especializou como um home da retaguarda, da conversa de gabinete, da estrat6gia, da sombra. Mes- mo num palanque, a estampa 6 a mesma. Nao tem poder gravitacional nem forca de irradiagAo. Vira decoraqio political. O sinal vermelho acendeu quando se formou um triunvirato a margem da Uniio pelo Para, a alianga que elegeu o m6dico Gabriel. O vice-governador Hildegardo Nunes, candidate dissidente do PTB, atraiu o deputado (circunstancialmente tucano) Martinho Carmona, garantindo-lhe que se o govemador se desincompatibilizasse para disputar uma das duas vagas do senado, abriria mao da sucessao para que o presi- dente do legislative, o segundo na seqiin- cia, assumisse o cargo por nove meses, co- mandando a campanha eleitoral. Era a arma que faltava a Carmona para pressionar ain- da mais Almir Gabriel, quando nada para aumentar seu cacife no jogo de compensa- 96es, um jogo que se tomou muito alto, es- capando ao control do crupi6. O esquema incluiu o prefeito de Ana- nindeua, Manoel Pioneiro, que teria po- sigio de forga no novo governor. Unindo os tres, a olimpica ignorancia que o go- vemador Ihes dedicou quando, unilateral- mente, ungiu Jatene como o candidate da coligacao, gostassem ou nao os seus alia- dos. Agindo assim, imaginava minar o poder de barganha na coligacio, deixan- do para a negociaqio as outras posigces, nao a de cabega de chapa. Ao precipitar a decisao, o govemador queimou etapas e instancias, deixando os aliados pendura- dos na parede pela brocha. Haveria mesmo consistencia na convic- cao do govemador de que, ao transferir para o seu candidate pelo menos 40% dos seus votos, o tornava a mais forte altemativa possivel para os situacionistas? S6 a for- muladao da questao ja indicava um ceti- cismo diante das garantias tao categ6ricas do govemador. O reforqo dado a candida- tura do vice por Carmona e Pioneiro signi- ficava um trunfo poderoso, ainda mais se o ex-senador Jader Barbalho, trocando de posigao, tambem engrossasse o cordao, fechando um acordo com Ademir Andra- de para, mais uma vez, os dois fazerem a dobradinha para o senado. Mesmo que decidisse concorrer ao governor, Jader tambem se beneficiaria do alargamento da cisao na ja entao moribunda Uniao pelo Para. Em qualquer hipotese, ainda que pudesse ir para o 2- turno (hip6tese que ja se toraria problematica), Jatene sofre- ria um dano provavelmente fatal. Com sua ameaqa de abandonar a can- didatura, os estrategistas da campanha ti- veram que voltar a mesa das negociaqces para calafetar o barco e ench6-lo de no- vos aderecos para atrair o bloco diversio- nista da situaqao. E a tarefa em que estao empenhados no moment. Como Hilde- gardo tem sido intransigente no tudo ou nada (s6 aceita ser candidate ao governor e nada mais), os tucanos de gabinete se- guiram a maxima popular de atacar o pra- to quente pelas bordas. Comeqaram a tra- tar individualmente cor Carmona e Pio- neiro, colocando sobre a mesa de negoci- aqCo itens sedutores. Detectando o movimento, Hildegardo telefonou para Almir e marcou uma audi- 6ncia para o dia seguinte. Nenhuma das par- tes avangou um milimetro na claudicante aproximaaao, mas o fato politico foi criado pelo encontro a dois. O vice reafirmou sua disposigio de ir as ultimas conseqtiincias, aproveitando para medir o estado de espiri- to do govemador. Para a opiniao p6blica, deixou mais um dado a favor da interpreta- qao de que a candidatura Jatene estava fa- zendo agua e Hildegardo podia acabar subs- tituindo-o, embora os membros da corte sustentem exatamente o contrdrio: o vice 6 que se sentiu isolado e enfraquecido, deslo- cado do eixo principal das articulao6es. Poderia, agora, vir a ser dobrado. A questao que se colocava durante o lim- bo criado pela quadra caravalesca era: o que o govemador pode oferecer para desfa- zer a alianga triplice dos dissidents, sem dar o que cada um quer, mas sem deixa-los sem algo que compense o desprezo anteri- or, combustivel para a insatisfaiao e o en- saio de rebeldia? Sera possivel reparar as fraturas e projetar a image de forca e uni- dade sem a qual nao havera abre-alas para a atraqao principal do bloco tucano? Independentemente da resposta, a ser dada nos pr6ximos dias, Almir Gabriel pode ter reaprendido a liqao de que o go- vernador 6 o grande eleitor numa eleicao no Para, mas isso nao Ihe autoriza cantar vit6ria antes de contados os votos. Da votacao, como do parto, que, este, sim, constitui mat6ria de compet6ncia inques- tionavel de sua excelencia, s6 se sabe de- pois da apuracgo. JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 3 A ilusao do eterno Em 1991, das madeiras extraidas de florestas tropicais que entraram em por- tos europeus, menos de 1% eram origi- narias de areas "sob exploragio respon- savel", segundo a expressao official, re- ferindo-se a alguma especie de manejo capaz de assegurar a rebrota de arvores em substituiqio as que foram abatidas; exploracio auto-sustentavel, como se diz. Talvez a floresta originaria nao fos- se completamente restabelecida, mas nesses 0,9% havia esforgo com tal obje- tivo da parte dos extratores de madeira. Qual o percentual 10 anos depois? Nao encontrei nenhuma nova estatistica atualizada nas fontes que consulted. Mas se dessemos de present que o numero, ainda abaixo da primeira unidade depois de decadas ou seculos de corte em flo- restas da faixa tropical do mundo, pu- desse haver duplicado ou triplicado na d6cada seguinte, a sustentabilidade es- taria variando abaixo de 3% do universe de madeiras oriundas do Terceiro Mun- do e comercializadas no velho continen- te, seu mais antigo client. Um panorama desanimador para quem esteja empenhado em salvar as re- servas florestais dos tr6picos de um des- tino que parece inexoravel: a destruigao. Ou, no minimo, sua reducio a uma di- mensao paisagistica, capaz, apenas, de minorar a consciencia culpada dos que aceitam o discurso ecol6gico da boca para fora, enquanto mantmr a pratica predat6ria entronizada em seus habitos. Anos atras, uma figure rara partici- pou da reuniao do Conselho Deliberati- vo da extinta Sudam (Superintendencia do Desenvolvimento da Amaz6nia), que cedeu seu lugar a ADA (Agencia do De- senvolvimento da Amaz6nia), criada no papel ha quase dois anos pela burocra- cia de Brasilia, mas ainda nao efetiva- mente instalada. Era um importador in- gles de madeira. Era o tipo previsivel: forte, um tanto atarracado, careca, em mangas de camisa, um anelao no dedo, de poucas e diretas palavras. As que dis- se deixaram bem claro: o importador se preocupa cor o preqo e a qualidade da madeira que recebe. De onde ela vem, nao Ihe interessa. A li9ao de anos atras continue em vigor ate hoje, como estao aprendendo os responsaveis pelo unico projeto de manejo de mogno em execuqco na Amaz6nia, na reserve dos indios Xikrin do Catete, no sul do Para. O mogno e a especie mais valiosa da floresta ama- z6nica, buscada com avidez pelos que s6 a vfem pela 6tica de ate dois mil d6lares cada metro cubico. O ouro ver- de, como dizem. Sua presenga foi di- minuindo na vastidao vegetal da regido. Restam manchas, cada vez mais isola- das e menos densas. A maior concen- tracao esta entire os vales do Araguaia- Tocantins e o Xingu, a "terra do meio" batizada pelo Greenpeace, cor menos de 500 mil quil6metros quadrados de area, praticamente o dobro do tamanho do Estado de Sao Paulo. Todos os dias, de 400 a 500 cami- nh6es saem desse interfluvio carregan- do toras de madeira para o sul do pais, atraves de Mato Grosso, para benefi- ciamento nas industries nacionais. E o principal fluxo. Um outro, menor, po- rem o mais visado, segue na diregao norte, levando ate os portos da bacia amaz6nica, principalmente o de Belem, para embarque para o exterior. A in- tensidade da exploraqao e as marcas na mata revelam que em mais alguns anos talvez ja nao haja mais mogno nas ma- tas originals. Nem por isso os madeireiros reco- nhecem que a esp6cie, verdadeiramen- te ameagada de extinq~o, precisa ser pre- servada. Argumentam com a existincia de plantios em expansao, sempre em condic6es de impressionar observado- res desatentos ou superficiais, mas nao de convencer a quem 6 do ramo e sabe das enormes dificuldades para fazer es- sas plantac6es se consolidarem. E car- tao postal para ingles ver e o governor carimbar, assegurando a manutencio do canal de drenagem de madeira para os mercados que pagam sem se importar corn a procedencia. Depois de 10 anos de esforco, os res- ponsaveis pelo manejo na reserve do Ca- tet6 sabem que seus esforgos para levar em frente o empreendimento esbarram nessa muralha de interesses imediatos. Antes de entrarem na mata, os partici- pantes do experiment fizeram um in- ventario da area (que, apesar de todo o cuidado, apresentou falhas), participa- ram de treinamento e adotaram meto- dos criteriosos. Se tudo der certo, den- tro de alguns anos atingirdo a meta, de extrair sete mil metros cubicos anuais de 20 especies de madeira (e nao s6 de mogno), deixando cada lote explorado em repouso por 30 anos, para regene- rar, ate voltarem a ele para novo corte, encontrando-o cor o mesmo volume (e idWntica diversidade) de madeira. Esse volume de sete mil metros cubi- cos, ainda em perspective numa emprei- tada que s6 agora chega ao seu terceiro ano de produqCo, represent pouco mais de um quarto do mogno extraido ilegal- mente de areas indigenas que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovaveis) apreendeu s6 no ano passado-e que, por sua vez, represent uma singela fragco do volume de madeira efetivamente co- mercializada. Essa relacao da uma me- dida do que represent a experiencia pi- oneira de nao deixar atras da exploracao florestal um rastro de devastagao. Em favor da ameaga que paira sobre as matas amaz6nicas funcionam como anestesiantes dois raciocinios: um, de que ainda ha florestas virgens em quan- tidade suficiente para deixar para as no- vas gerac6es a preocupagao cor a pre- servagio, enquanto as atuais tratam mes- mo 6 de produzir; o outro, e de que, mes- mo sem sua cobertura vegetal, a Amaz6- nia continuara a mesma, fadada a ser uma fronteira de recursos e um lugar de ma- terializaqao da riqueza (embora seu solo seja de baixa fertilidade). Esse devir de tranqililidade e confor- mismo, embora fabricado por gente de came e osso dos dias atuais, e o combus- tivel que desencadeia os incendios reais na floresta e a irrisao nas mentalidades. Parecemos condenados a ser testemunhas de uma destrui9io anunciada que se con- suma a cada dia, independentemente das nossas vontades. E dos sinais de demen- cia que projeta. 4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 M Bonde Belem teve "os mais bonitos e confortaveis" bondes do Brasil, atestou o monsenhor Am&rico Leal, em artigo de 1987. Os bondes co- meqaram a circular pela cidade em 1905, no auge da "era da borracha". Encerraram sua curta e gloriosa carreira exatamente 40 anos depois, quando o servico ja estava "pre- ag6nico", conforme o diagn6stico de um urbanista mineiro chamado para ser prefeito de Bel6m. Os bondes eletricos ingleses puseram fim ao transport atraves de carruagens particulares de tra- qdo animal. O percurso maximo ia do Ver-o-Peso a Sao Bras, corn quatro a cinco quarteirOes de ex- tensao, em cada parada interme- diaria (Praqa da Republica e Lar- go de Nazare), os passageiros que continuavam a viagem pagavam um determinado valor. Na d6ca- da de 30 a tarifa foi unificada em qualquer linha (antes havia de pri- meira classes e comum) ou percur- so. Vantagem para os moradores dos distantes bairros do Souza e do Marco, que ja contavam corn linhas de bonde. A falta de investimento dete- riorou a qualidade do servigo e tornou o negocio desinteressante, levando ao cancelamento da con- cessao, em 1945. Alem de perder os melhores bondes do pais, o belenense ficou tambem sem um motive de gozaa.o. Os bondes ba- gageiros, identificados por dois grandes bes em letras maiusculas e cor cor vermelha, eram usados como motivo de troqa lus6foba. O BB virou "Bai e Bolta". Nao boltou mais, ora pois. Aeroporto Foi na Semana da Asa de 1955, em outubro, que a 1" Zona Area inaugurou a avenida Julio Cesar, interligando a Tito Franco (atual Almirante Barroso) ao ae- roporto. Inaugurou tambem a nova estaqao de passageiros, que perdurou, com ligeiras modifica- 96es, ate recentemente, no curso de mais de cinco decadas. Artista Em outubro de 1945 boiou um artist em Bel&m: o "cinegra- fista" Zygmunt Sulistrowski, pro- dutor-diretor de filmes internaci- onais da International Films En- terprise, associada a Warner Bros. Veio diretamente de Ho- llywood, junto corn mais tries tec- nicos da Warner, para examiner locac6es para um filme ambien- tado na Amaz6nia. O primeiro de uma s6rie de 20 a 30, "cor his- t6rias baseadas nos tipos amaz6- nicos e marajoaras, abordando aspects e locais puramente bra- sileiros", conforme declarou a imprensa, em entrevista, conce- dida no Amazon Room do Gran- de Hotel (atual Hilton). O cineasta, cor nome cheio de consoantes, denunciando, tal- vez, a origem polonesa, disse que esperava repetir, corn o novo filme, o "grande sucesso de bilheteria" alcancado por "Feitigo da Amaz6nia", sua re- alizaqao anterior. A future peli- cula apareceria cor o titulo de "Comerciante da Amaz6nia", nada atraente, por sinal. Alguem viu? C Modernidade inma das nclhornil registradas pelo croni-ta da cidade de Pro,'vil,. t do Par, na "Bclem progressista" de 194- era o -uruLimento do 6nibus "pro\ ido de duas portas", ino- \aqao "realmente pro ellosa. intereranle. que cheir a i o- dcrnismo", por posibilitar ao passageiro "entrar pela por- ta traseira e sair pela diantcira" AplauuoN gerai-." Nemr lano, obser'a\a o meticuloso cronis,,t. ) pas1aremi da "cozminha". no ultimo hanco. por causa o od rno noder das duas portas. "tern que percorrer todo o interior do onibus". Admitia o ornmalI'a que exiglr sair pela porta mals promima era excesso de comodismo", mas. de qualquer mnaneira. ha\ia os descontcntes coin o que atrapalha a pouco. "mas atrapalha". E o desconrtentamieno de hole? Papagaio Primeiro colunista social a rigor da imprensa paraense, in- ventado por Haroldo Maranhao, Armando Pinheiro noticiou, em uma de suas colunas de outubro de 1955, na Folha do Norte, que havia recebido um papagaio de present, gentileza do "jovem" Romulo Maiorana. O animal ha- via sido recolhido em Caic6 e trazido de 6nibus, na viagem Natal-Belem, pelo pr6prio Ro- mulo, "decididamente Maiora- na", trazendo "em sua carteira de identidade uma filiacao res- peitavel", como brincava o fic- ticio Armando. O papagaio pas- saria a auxiliar o colunista na arrecadagao de informag6es do "grand monde", debaixo do nome de "Jiji". Casamento Cor toda a pompa e circuns- tfncia, ojovem engenheiro Joa- quim Rodrigues Porto casou com Maria Celeste Passarinho Pinto de Sousa em 3 de outubro de 1956. Ele era filho de Edgar Pinheiro Porto, inspector federal do ensino superior; ela, de Raul Pinto de Sousa, socio da firma A Eletro Radio. A cerimonia re- ligiosa foi na cathedral e a recep- qao na residencia da noiva, na rua Apinag6s, "ambas muito concorridas". Entre as testemu- nhas estava o entao major Jar- bas Passarinho, irmao da mae da noiva, Marissanta Passarinho Pinto de Sousa. Juventude O Gardenia Clube, destinado a reunir a "juventude dourada" de Belem, surgiu em 1960, cor uma festa no Autom6vel Clube, ao som do conjunto de Alberto Mota e de sua novidade, o "so- lovox". Comandando a anima- 0ao, Maria da Graqa Dantas Ri- beiro, festeira ate hoje, fundado- ra e president perp6tua. Cor um detalhe: s6 mulheres integravam a diretoria do Gardenia. Colunista Quando ainda era a senhori- ta Vera Licia Cardoso, Vera Castro estreou, em novembro de 1965, como colunista social da Radio Guajara, a terceira emis- sopa do Para, que havia sido lan- qada apenas alguns meses antes. Um coquetel no Hotel Vanja ser- viu para a apresentagao da nova contratada, que deveria dar "um novo impulse ao colunismo so- cial da nosssa terra". Dos tres envolvidos (a radio, a colunista e o hotel), Vera 6 a unica ainda em plena atividade. Agora, no journal Diario do Para. Condor Os moradores da Belem de 1947 tinham, na Condor, "um dos mais belos e pitorescos reffigios". Transformada no "re- canto encantado da cidade" pelo dinamismo de Joao de Barro, a Praqa Princesa Izabel "anima-se extraordinariamente" aos do- mingos e feriados. Uma das grandes atraq6es era o "endiabra- do jazz-band Martelo de Ouro". Com seu "ritmo enlouquece- dor", o conjunto deliciava os habituess" do Palacio dos Bares, desde a manha ate a noite, "apresentando um repert6rio novo de mtisicas de sucesso". O "Martelo de Ouro" tinha contrabai- xo, trompete, saxofone, banjo, bacteria e, naturalmente, um pan- deiro. Jazz, sim, mas corn ritmo brasileiro. JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 5 Belem que era Duas paisagens de Belem em meados da decada de 50. A Praqa Justo Chermont (ou Largo de Nazare) ainda corn o seu pavilhao central, cor colu- nas de marmore, ao fundo, e um dos coretos secundarios, em fer- ro e alvenaria, em primeiro pia- no. Como se sabe, na decada se- guinte os coretos foram desmon- tados e levados para endereqo incerto e nao sabido, em Petr6- polis, provavelmente por quern era o menos indicado para tal delito cometer, mas podia efeti- vamente faze-lo, como fez. Alem da perda dos coretos, cho- ramos a descaracterizacqo da praqa por um projeto completa- mente equivocado. Da paisagem foi corretamente expurgada a presenqa do quiosque, na late- ral esquerda, mas nela persiste a deformadora incrustaqgo na basilica, que ja merecia ser li- vrada desse parasita lateral, cri- ado apenas para gerar receita Tambem em mat6ria de arbori- zacgo a praqa perdeu. O inico element mais present e o con- creto. Um simbolo da mentali- dade dominant. O "dedo mindinho" do edi- ficio Manoel Pinto da Silva, "o maior do norte do Brasil", visto a partir do Teatro da Paz. O em- brido do conjunto de tres blocos tinha menos da metade da altu- ra do bloco principal, cuja edi- ficacqo sacrificaria a bela cons- truqdo em estilo mourisco na esquina da avenida Nazar6 cor a Serzedelo Correa. Para os pa- droes de uma cidade de predios de nao mais do que cinco anda- res, ja entao o "manoelpintinho" era um arranha-c6u. Belem ain- da tinha horizontes para ver, desfrutando o vento que corria solto, vindo da baia (antes que uma teoria utilitarista proclamar sua origem na Cidade Nova, cor o que o emparedamento da orla podia continuar). Duas imagens raras da cida- de. Que era rara. Aprovagao superior 0 "semblante" atestava que o govemador Aurelio do Car- mo aprovara "plenamente" o Sacy, o novo guarana da Para Refrigerantes, langado em ju- nho de 1961. O govemador foi, "naturalmente, uma das pri- meiras pessoas a receber o guarana", para o que, hoje, se chama degustagao. Afinal, ele "tanto ter incentivado a in- dtfstria paraense". Por isso mesmo, posou sorridente, com sua "conhecida simpatia e gen- tileza", para o Foto Leite, per- mitindo ser usado como pro- pagandista do novo produto, mais um na rica colecao de refrigerantes produzidos no Estado. A foto tem pouco mais de 40 anos. Aurelio do Carmo completou 80 recentemente, com o aplomb de sempre, ele- gante e simpatico. Prometen- do escrever suas mem6rias,. nas quais o que ndo faltara sera assunto. 4 . . .- . --;; I*~~~ulLlrrulr~~ Lrr 6 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 Comegar, final A demora na ativagio da ADA, a ag6ncia de desenvolvimento que substi- tuiu a Sudam, submersa em um mar de fraudes e corrupqao, e incompreensivel. Se esse retardamento se deve a busca da perfeiqco e da assepsia burocratica, e melhor dar por encerrada a experi6ncia e fazer do superintendent o administra- dor da massa falida at6 a quitacgo de to- dos os seus compromissos, enterrando de vez a political de incentives fiscais. A ADA podia comecar a funcionar centrada numa novidade saudavel: a ges- tao por orcamento. Ela p6e fim a selva- geria da captagao de recursos dos incen- tivos fiscais junto aos maiores devedo- res de imposto de renda, no "mercado", origem de uma cadeia de irregularidades e desvios que decretaram o fim da Su- dam, como um dos itens da agenda ne- gativa do seu fiador politico, o ex-sena- dor Jader Barbalho, do PMDB. O orgamento devia ser montado pe- los t6cnicos, oferecido as contribuic6es publicas, discutido e consolidado no novo Conselho Deliberativo, sem as amarras corporativas, institucionais ou governamentais de antes. Nao um mero orcamento contabil, mas ferramenta de um piano de desenvolvimento operacio- nal. As dores do part ja se alongaram demasiadamente, comprometendo a cri- atura em nascimento. Pode acabar nati- morta. Dessa indefinigao surgirao novos problems e complicadores, dentre os quais ac6es regressivas dos prejudicados contra os danos provocados pela razzia da intervengao federal. O volume das in- denizac6es pode engolir grande parte do dinheiro que foi sobrestado e esta ente- sourado nos cofres federais, fazendo falta a circulaqCo de riquezas nos lugares onde devia ser aplicado. Antes de completar dois anos de imo- bilizaCgo, a ag6ncia regional podia tra- tar de definir a fracqo do orcamento que reservara para cumprir os compromissos pendentes com os projetos em andamen- to e quanto aplicara nos projetos que vi- erem a ser enquadrados no novo modo de ver a atividade produtiva na Amaz6- nia, vinculada a novos parametros e ba- lizas, sem os vicios do sistema antigo. Em 35 anos, a custa de alguns bilhoes de reais de renincia fiscal da Uniao, o folheto de projetos saudaveis deixados pela Sudam 6 diminuto. Aproximada- mente 200 receberam certificado de im- plantaqCo, alguns apenas por esperteza, para se livrarem da amortizagao da cola- boracdo financeira atrav6s da recompra de aq6es na ficticia bolsa de pap6is do Finam, o fundo estatal. Quando sofreu a intervengao do governor federal que lhe deu cabo, a Sudam tinha em sua carteira 548 projetos ativos, nos quais a colabo- raqao financeira official somava mais de R$ 1 bilhao. Esta na hora de ajustar essa conta para comeqar vida nova. Enquan- to ha possibilidade de vida. Carnava Na busca da independ6ncia gerencial, o combalido camaval de Bel6m acabou se tomando dependent politicamente. Numa tend&ncia que 6 gen6rica e tamb6m natural, as escolas de samba e correlates formaram uma liga para assumir o control da festa, como ja acontece em outros centros. Casava cor a ret6rica official, de passar a responsabilidade para os camavalescos. Talvez isso at6 venha a ocorrer, mas nao em ano eleitoral. A prefeitura empurrou com a barriga e fez ouvidos de mercador is tentativas de contato da Liesge, a liga autodeclarada independent. Imaginava que, deixando tudo para a und6cima hora, conseguisse que tudo continuasse como dantes no quartel do Edmilson. Mas a liga foi seduzida pelo canto de sereia do govero do Estado e embar- cou na nau do patrocinio atrav6s do projeto Semear. O que devia ser um faz-de-conta transformou-se em rompimento pelo maquiavelismo inicial da PMB petista e pelos compromissos bancados pela liga, que a levaram a assumir uma posigo intransigente. O resultado desse enredo nada festive: o camaval belenense, que j nao tem gas para preencher toda a quadra momesca, se bipartiu, dividindo a indigente folia. A dissid6ncia virou micareta involuntAria. O desfile official realizou-se no verdadeiro tumulo do samba, que Caetano Veloso viu em Sao Paulo. Por nao ter vindo A Aldeia Cabana. Agora 6 cinzas. Marca infeliz do "camaval" de Bel6m. Neg6cio O apagAo desencadeado no ano pas- sado mostrou que political energ6tica da bons resultados quando obedece a um planejamento de long prazo, bem con- cebido e executado cor seriedade. O vacuo de iniciativas dos ultimos anos permitiu que a sociedade fosse surpre- endida pelo descompasso entire a oferta e a procura, ameaqando com o risco de colapso os centros de maior consume ou mais sujeitos a depend6ncia das fon- tes de hidreletricidade. Mas sera que o pais ja nao esta indo alem da realidade, submetendo-se aos manipuladores do panico? Para se preve- nir blecautes, o governor pensa em aplicar 16 bilhoes de reais at6 2005, atrav6s de uma nova ag6ncia estatal, a CBEE (Co- mercializadora Brasileira de Energia Ele- trica), para dispor de 38 usinas termel6- tricas de reserve em 13 Estados, com ca- pacidade de suprir o mercado cor 2,1 mil megawatts. Faltando energia por insufi- ci6ncia de agua nos reservat6rios das hi- drel6tricas, elas entrariam no circuit. At6 os reservat6rios alcanqaram seus niveis normais de estocagem de agua. Cada MWh dessas t6rmicas custard R$ 240, mais de cinco vezes o custo equi- valente em uma hidrel6trica, que 6 de R$ 45. Sera um neg6cio para la de atraente para 24 empresas privadas, tr6s delas es- trangeiras, com as quais a CBEE assinara contratos. E este o sentido da volta de maior presenqa do governor no setor ele- trico. Uma estatizagao como suporte a apropriaqao privada do lucro. Nessa onda, a Eletronorte anuncia a disposicao de instalar uma t6rmica de 1.500 MW ao lado da hidrel6trica de Belo Monte (ou seria em Bel6m? Uma d6vida persiste), que tera 11 mil MW, incluindo-a no projeto global. Sera um acr6scimo de nada menos que 500 mi- IhOes de d6lares num orcamento que ti- nha sido estabelecido em US$ 3,7 bi- lhoes, ou 15% a mais. Cor essa reser- va, Belo Monte nao sofreria a forte de- ple~go dos periods de estiagem, pro- vocando uma reduq o de 60% entire a pot6ncia nominal e a potencia firme. Ou entao a Eletronorte se habilitaria a con- tinuar abastecendo a Albras, agora com uma fonte termica e nao mais hidrica, repassando a conta para o financiamen- to estatal, do BNDES. Quem 6 contra essa estatizaqao? JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 7 Jornalismo que vale entiree gargalhadas) Em metade do seu livro Isto ndo deu nojornal (Editora do Brasil, 190 pagi- nas), Jos6 Louzeiro e um causeur di- vertidissimo. As hist6rias hilariantes que relembra da sua passage pelos principals jornais cariocas, entire as d6cadas de 50 e 60, equivalem a uma boa conversa de botequim, a melhor que existe. Sua mem6ria afiada e seu estilo tranqiuilamente ir6nico emoldu- ram situacoes propicias a saudaveis gargalhadas. A beira da lagrima, levan- tei meu brinde ao maravilhoso Louzei- ro. Depois, entretanto, suas hist6rias encompridam demais e, buscando uma tematica, perdem a fruiCgo prazerosa. Ainda assim, chega-se em boa compa- nhia ao fim do texto. Ele deixa uma pergunta na mente de quem riu muito sem perder a atendao no enredo: o que provocou a visivel di- ferenga entire o jornalista do period aureo dos cinco principals jornais ca- riocas em cujas redaq6es Louzeiro bri- lhou (tres ja extintos: Diario Carioca, Correio da Manha e Ultima Hora; e dois no vai-e-vem das circunstancias: Jornal do Brasil e Tribuna da Impren- sa) e o atual? No meu ponto de vista, a regulamentacao da profissao, estabele- cida via decreto (e por isso imposta) pela tristemente obscura Junta Militar de 1969, que preencheu o vacuo insti- tucional (um golpe dentro do golpe) en- tre o impedimento e morte do marechal Costa e Silva e a ascensao do general Garrastazu M6dici. A junta inventou uma roda quadra- da: somente pessoas formadas pelos cursos superiores de comunicacao so- cial poderiam exercer a profissio de jornalistas. Iria ser fechado, nos anos seguintes, o principal canal de drena- gem de talents para as redac6es: o im- pulso vocacional, o sortil6gio das cir- cunstancias, o feliz acaso, o estalo. As empresas se valeram dessa vertente na- tural para esvaziar movimentos reivin- dicat6rios, conquistas profissionais e independ6ncia editorial. Recrutavam colaboradores para tapar buracos e en- fraquecer lideran9as. Mas o contrario em extreme nao atendeu as antigas as- piraq6es de profissionalizacao e tornou a emenda muito pior do que o soneto. Nao por acaso, alias. Escolas de jornalismo ha em todos os paises ocidentais, algumas delas notaveis. Mas nenhuma precisou de reserve de mercado para se estabele- cer. Metade dos jornalistas nas reda- q6es da imprensa americana (ainda nosso espelho, a nos refletir e distor- cer) prov6m dessas escolas. A outra metade segue o curso espontaneo da oferta e da procura. S6 a nefanda jun- ta brasileira estabeleceu a via 6nica do canudo, nao de um curso de jornalis- mo especifico, mas de uma delet6ria, inodora e insossa comunicagao soci- al. Feita mais para explicar (sem ne- cessariamente ser entendida) do que para fazer jornalismo. A preocupacio, obviamente, era com os elements inc6modos nas re- dacoes, pessoas acostumadas a pensar com o pr6prio c6rebro, dispostas a ini- ciativas pessoais, desacostumadas ao vies imposto a suas cabecas por um pensamento 6nico (ou centralizado), anarquicas e irreverentes, indiscipli- nadas mas obsessivas, sujeitas a cor- rupcqo e compromissos anti6ticos, mas tambem a rompimentos; enfim, impossiveis de enquadramento. Mal- acostumadas pelo long (para o pa- drao brasileiro) period democratic, de 1946 a 1964. Pensado no quarter, o enquadra- mento seria dado nas universidades, sob o control de um big brother para valer, nao esse ser minimalista a ca- voucar excrementos da alma via TV escancarada pelo comercialismo. O jornalista sairia dessa lata de sardinha acad6mica ou sob viseira ou sem chdo debaixo dos p6s. O jornalismo bateu pendularmente entire os projetos de yuppies celebrizados pelas lentes da camera ou aqueles ousiders desnorte- ados. Seus parametros passaram a ser releases, dossi6s de papel, fontes em off, e muito pouco a visao da realida- de, o contato direto com os fatos, a malicia formada e testada no testemu- nho, na sensibilidade para a voz das ruas, raramente capazes de sair das pa- ginas de livros de comunic6logos e an- trop6logos equivalentes. Essa avaliacio nao desemboca num discurso saudosista do "bons tempos eram aqueles". Havia gente execravel naqueles tempos, como David Nasser e seu patrao, Assis Chateaubriand, e pecados mortais em instituioses nota- veis, como a idiossincrasia do Correio da Manha com Lima Barreto, liquida- do em vida por ter cometido a heresia de satirizar (e que satira inesquecivel) Edmundo Bittencourt, o patrao mais important do jornalismo brasileiro at6 1964. Ha pr6s e contras antes e agora. O problema 6 que o "agora" ainda e o fal- sete montado pela junta em 1969 e in- corporado como conquista pelos pro- fissionais de hoje, esquecidos daquela maxima lusitana de que 6 a competen- cia a base s6lida do estabelecimento professional, nao a confraria do canu- do do curso de comunicaiAo social. Talvez s6 quem usufruiu os ventos da liberdade e da autonomia pode rir a bandeiras soltas (infladas ao vento do espirito) dos causes de Louzeiro. Os demais, depois de rir, podem cair na prostragAo que a sensaqgo da perda, ir- remissivel, provoca. S6 se levantarao se, revigorados pelo exame realista do passado, aju- darem a construir um presente'com as sementes do future e nao com o vene- no da escuridao, incompativel com a meridiana clareza do finico jornalis- mo que vale a pena: o independent, critic, livre. Ainda que at6 a pr6xi- ma trombada. Viver sempre foi perigoso para esse jornalismo. Mas essa e a unica manei- ra de viv6-lo de fato, imunizando-se contra o pior virus que pode ataca-lo, o da burocracia, que grossa como epi- demia desde 1969. Basa Um ex-presidente, Raimundo de Alcantara Filgueiras, morreu, dois meses atras, mas o Banco da Amaz6nia nao divulgou nem uma nota funebre. Em junho o banco completara 60 anos de vida. Cer- tamente aparecerao peas publi- citarias na imprensa. Tudo berm. Mas quem conhece realmente a hist6ria do Basa, se o pr6prio ban- co a ve transcorrer sem maior in- teresse public por ela? O Basa vive mais um momen- to decisive da sua complicada his- t6ria. Se quiser continuar a exis- tir, ao menos na sua feiqCo atual, precisara do apoio da opiniao pu- blica amaz6nica. Mas como me- dir a necessidade de manter vivo o Basa estatal sem conhece-lo? Convinha a sua direqao apro- veitar a data redonda dos 60 anos para estimular um debate sobre a instituiqio. Quem sabe, ate patro- cinando a publicaqao de um livro realmente independent sobre as seis decadas de trajet6ria do Basa, capaz de orientar a sociedade na decisao em conjuminacao? Rio O Para, em cujo territ6rio o Tocantins entra no seu curso medio e desagua, parece nao estar dando a minima atengao a execugao do projeto de trans- posiqgo das aguas desse rio para o Sgo Francisco. Nenhum representante do Estado apare- ceu na ultima reuniio a tratar da empreitada, no final do mas passado, em Brasilia. Os nor- destinos e os burocratas fede- rais estao comandando a von- tade a delicada e polemica ini- ciativa. O unico estranho no ninho d Tocantins, talvez por estar apoiando a ideia. Todos os participants mini- mizam o significado da transfu- sao hidrica. Em terms proporci- onais, de fato, pode parecer des- prezivel: de 1% a 2% do volume medio de aguas do Tocantins. Mas em valores absolutos a quantida- de e merecedora de atencgo: de 200 mil a 300 mil litros de agua a cada segundo. E isso na cabecei- ra do rio, nao a partir trecho em que ele ja esta hidrologicamente amadurecido. Vamos acabar pagando o pre- 9o da omissao: caro. Coluna Diante de varias consultas, pode ser de utilidade esclarecer que minha "Carta da Amaz6- nia", publicada semanalmente no journal O Paraense, e escrita originalmente para o site da Agnncia Estado, a ag6ncia de noticias do journal O Estado de S. Paulo, que a coloca no ar to- das as tercas-feiras. Atraves de contrato com a AE, O Paraense adquiriu o direito de reproduzir a coluna, que tambem sai em ou- tras publicaq6es. Agora, onde sai a coluna, se em pagina inteira ou % de pagi- na, se corn retratinho do autor ou sem retrato, se no primeiro ou no segundo caderno, esses detalhes sao prerrogativas exclusivas do editor dojornal, seu direito e sua responsabilidade. Agai Por seu valor energetico no combat do dia-a-dia e por ser an- tioxidante, ajudando a retardar a chegada da velhice, o agai e, de fato, o primeiro produto de exportaqgo da cozinha paraense. O preqo a pa- gar pela aceitaqCo do mercado pode ser a perda da sua condigao de ori- gem, paraense.. Assim, ojornalista americano Mac Margolis, num tex- to publicado no ultimo numero da revista Icaro, nao se peja em inclui- lo entire as coisas boas oferecidas pelo Rio de Janeiro ao turista. "Da licenqa, Belem, mas sao os cariocas os maiores usuarios dessa frutinha roxinha, natural da Amaz6nia. No Rio, quase a cada esquina toma-se acai gela- do e batido corn xarope de gua- rana ou com mel, o que seja", avanga Margolis, sugerindo ao visitante que va ate a rua Ataul- fo de Paiva, em Ipanema, "e peqa uma tigela deste verdadei- ro sorbet a brasileira". Na foto que ilustra a material do jornalista, ha muitos anos es- Solil6quio petista 0 modo de governor do prefeito Edmilson Rodrigues nada tem a ver com a ret6rica democrirtica do PT: profundamente autocrdtico. Julgando-se iluminados, o alcaide e seus luas- pretas transformam suas ideias e vontades emfatos prontos e acabados. 0 "resto ", como disse o gestor em uma entrevista tristemente celebre, que se adapte as circunstdncias criadas. Nesse ponto, seu modo de agir e siames cor o do tambem arquiteto (6 raga!, como diria Tutty Vasques) Paulo Chaves Fernandes, secretdrio de cultural do Estado. Cor o desconto, em favor do Landi tucano redivivo na cabeca do governador, de que sua imagina(do e mais fjrtil e de melhor qualidade. A prefeitura do professor Edmilson jd decidiu enterrar 10 milhoes de reais no "buraco" da Palmeira, delejazendo emergir um teatro municipal. Corn mais esse, haverd excess de casas de espet6culo para escassez de talents artisticos, talvez na maior relagdo metro ctbico/homem de teatro do pais (quigc do mundo?), sem que da intensidade quantitativa result necessariamente qualidade. A fixado em instalacges fisicas sufoca o estimulo ao talent pessoal, uma forma estreita de reduzir a agdo public a construqdes, e a cultural a cimento e tijolo. Embora proporcione outras serventias. No caso do projeto engendrado intramuros pela PMB, serviria apenas para justapor o teatro municipal (Jodo Amazonas? Carlos Lamarca? Enver Hoxha? Josef Dughailivitch?) ao estadual, numa dispute de bicudos, ainda que o bico do alcaide esteja condenado a pequenez diante da 6pera dos seringalistas de outrora (viuvas carpideiras de hoje). Um espaCo inico e vital no deteriorado centro da cidade vai ostentar uma supimpa edificagdo, que, corn o tempo e as vacas magras do custeio, tambem irc se deteriorar, ajustando- se ao cen6rio decadente do sitio hist6rico da capital paraense, entregue a selvageria de um darwinismo social residual. Sera que ndo da, desta vez, para ouvir os municipes, exmo. sr. dr. alcaide-arquiteto? Municipes parvos, talvez, mas contribuintes do erdirio. ^ ^ ^ ^ ^ *^ ^ ^ tabelecido no Rio, uma pessoa aparece mexendo seu acai, meti- do numa cuia marajoara, con co- Iher de plastic. Passado mais esse engulho, propiciado pela inventive cario- Sca, cabe aos paraenses uma re- Sflexao: pouco ou quase nada ten- Sdo feito para conquistar essa fa- tia do mercado, o que podem ain- da fazer para que o acai renda di- videndos a terra de origem? Sem uma resposta satisfat6- ria e providencias imediatas, logo nao sera precise vir ao Para provar o aqai (e ficar). O hibito, seus modismos e a re- ceita da venda, tudo isso ficara na terra que aproveitar a onda para se estabelecer. E como diz aquele ditado por- tuguis: quem nao tem competen- cia nao se estabelece. Corregao Nosso computador LAFP se aproveitou da falta de uma revi- sao final da ediqao anterior deste jomal, fechada no esquema vapt- vupt por causa do deslocamento da redac~o, por alguns dias, para a capital paulistana, e perpetrou um crime: repetiu, na material "Be- lem: capital sem energia", parte do artigo de capa, mandando para o espaqo o texto que deveria es- tar no espaco usurpado. Mais uma faqanha negative de LAFP para o Guiness. Perdao, leitores. Jornal Pessoal Editor: Lcio FIAvio Pinto- Fores: (091) 241-7626 Contato: Tv.Benjamin Constant 845203/66.053-l040 e-mail: jomal@amazon.com.br Produlao: Angelim Pinto Edi.o de Arte: Luizantoniodelariapinto |
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