<%BANNER%>
Jornal pessoal
ALL VOLUMES CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00226
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00226

Full Text








ANO XV NP 276* 1 QUINZENA DE


FEVEREIRO DE 2002 R$ 2,00


BLECAUTE


Tucurui, a sexta maior do mundo, construida sobre
o leito do rio Tocantins. A Albras precisa de mais
energia do que toda a populagio do Para somada.
Sua conta represent 1,5% do consume de energia
de todo o Brasil. E, individualmente, o maior clien-
te do pais. Duas das 12 enormes maquinas da usina
de Tucurui funcionam apenas para servir a fabrica
de aluminio implantada, as proximidades de Belem,
por um consorcio de empresas japonesas e a Com-
panhia Vale do Rio Doce, inaugurada em 1985. E~a
maior do continent, uma das maiores do mundo,
garantindo 15% de todo o aluminio usado pelo Ja-
pio, que fica a 20 mil quil~metros de distlincia.


r-a 8 de margo de 1991, exatamente
meio-dia de uma sexta-feira, o "dia da
cerveja", quando comega a contagem
regressiva para o final de semana: fal-
.tou luz em Bele~m. Nem mesmo quan-
do os 1,2 milhio de habitantes da capital paraense
perceberam que o blecaute atingira toda a cidade,
houve maior surpresa. O desassossego nio cres-
ceu com a constata~go de que a interruppio se es-
tendera a mais de dois tergos dos quase 6 milhbes
de habitantes do Estado, espalhados sobre um ter-
rit6rio de 1,2 milhio de quilo~metros quadrados, o
fsegundo maior da federaqio brasileira.


Todas as geraC2~es vivas do Para se acostuma-
ram a conviver com a falta de energia, constant
a partir do memento em que, no pos-guerra, os
concessionarios ingleses deixaram de investor na
Para Eletric, rebatizada pelo humor popular: pas-
sou a ser a "paralitica". Estava sempre parada.
Mas o blecaute de 1991 durou nio uma ou duas
horas, conforme a retina hist6tica: chegou a 12 ho-
ras. Alem de todos os problems que causou a vida
dos cidadios, quase liquidou a Albras, o maior dos
consumidores da Eletronorte, empresa estatal res-
ponsavel pelo abastecimento da maior parte do Es-
tado a partir da energia gerada pela hidreletrica de


~~:~~
.e
-i~


Jorna Pessoal
LUI O F LA V O PIN T O


Energia que



se (es val


O Para' e e serai cada vez mais a provincia energetica do Brasil. Essa condiga~o
colonial pode imzpedir que energia se torne sindnimo de desenvolvimento no Estado.
Exportada em bruto, val tra~zer benefi'cios para os vizinhos Estados consumidores. O
apaga~o do dia 10 revela essa situaga~o: sd' contamos para exportar o que temos.
LATIN AMERICAN COLLECTION


L'"' ~.~;L~"~i~~C~LIII~L~.~LC LL:~ _t(l~~ F: Li


J638/









2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002


A media que o tempo passava e a energia
nio era restabelecida, mais cubas eletroliticas da
fabrica esfriavam e ameagavam ficar completa-
mente inutilizadas. Quando, a meia-noite, Tucu-
rui voltou a funcionar, a Albras, um investimento
de 1,8 bilhio de d61lares, comn media annual de ex-
porta~go de 400 milhbes de d61ares, sofrera o
major acidente da histi~ria mundial da induistria
de aluminio provocado pela falta de energia. Por
pouco njo teve que refazer todos os seus fornos.
O prejuizo, descontada a cobertura do seguro, foi
superior a US$ 50 milhdes.
A Bolsa de Metais de Londres registrou o fato
histi~rico, mas os paraenses, passados quase 12
anos do acidente, nlo tem uma ide~ia nem aproxi-
mada do que aconteceu. Na ocasiio, a Eletronor-
te atribuiu o blecaute a um raio, que teria atingi-
do uma das torres da linha de transmissio entire
Tucurui e Belem, com 350 quilo~metro-s de exten-
sho. Foi a estreia da "teoria do raio", aplicada pos-
teriormente ao sul do Brasil.
Na verdade, a linha de Tucurui foi desligada
por causa de uma pega, instalada na torre de trans-
missio sem a qualidade devida. Fora, assim, "co-
missionada" irregularmente, conforme o jargio do
setor. A especificaqio dizia uma coisa, mas a pega
continha outra qualidade, inferior. Estourara an-
tes do prazo previsto para o fim de sua vida uitil.
Transferida a responsabilidade para os largos cos-
tados do raio, pore~m, nio se falou mais nisso.
O tema retornou no dia 10, quando um novo
acidente deixou milh~es de pessoas sem energia,
nso s6, no Para, mas tambem no Maranhio e em
Tocantins. Desta vez, ao contrario do que ocor-
reu em 1991, a Eletronorte nio procurou desviar
a opiniso puiblica da causa real do blecaute. Ago-
ra, forneceu as informaqbes que tinha. Mas, pas-
sadas quase tres semanas do acidente, as infor-
magaes disponiveis sao insuficientes para expli-
car claramente o que aconteceu no dia 10.
Sabe-se que o acidente comegou num capaci-
tor da subesta~go de Vila do Conde, que recebe,
rebaixa e retransmite a energia originaria da hi-
dreletrica de Tucurui. Se o sistema estivesse sau-
davel, o curto-circuito teria sido isolado, sem mai-
ores conseqiiincias. Mas ele acabou superando
as barreiras e se irradiando para a linha, provo-
cando o desligamento geral. No acidente de 1991
a causa foi atribuida ao raio, que teria atingido
uma das torres da linha. Agora, o component
natural do problema seria a umidade.
A umidade, porem, existe, e elevada (nunca
abaixo de 80%) e tem que ser considerada em to-
das as obras realizadas na Amazonia, nso so na
sua qualidade como na definiCio da expectativa da
vida uitil de todos os components da obra. O ble-
caute do dia 10 de janeiro tem ingredients multo
mais complicados. Ao contrario do que aconteceu
quase 11 anos atras, desta vez nso parece ter havi-
do irregularidade no comissionamento de peas,
afetando sua exaustso ou fadiga. l ate natural, por
isso, que a Eletronorte ainda nio tenha apresenta-
do um laudo final sobre o episi~dio. Melhor enca-
rar com seriedade a questio do que emitir umna nota
apressada, como ocorreu em 1991.


Esse e o caso exemplificador de que energia
e mate~ria de political publicas. A terceira linha
ei do mais alto interesse coletivo, mas nso atrai
investidores, descrentes de sua rentabilidade.
Agora que o governor federal parece estar se sen-
sibilizando novamente para suas responsabili-
dades perante o setor, depois dos impacts cau-
sados por apagbes nacionais, era a hora de pres-
sionar Brasilia a tirar a capital paraense da triste
posi~go de a mais desasssistida das metrdpoles
brasileiras, energicamente falando. Ngo s6 ener-
geticamente, aliais.
Essa iniciativa seria important para atenuar,
se nio pode eliminar, a posigio de provincia ener-
ge~tica emn que o Para vai se consolidando. O Es-
tado ja eo quinto maior produtor national de ener-
gia. Pula para a terceira posi~go quando o r~ankinlg
e dos exportadores de energia. Isto quer dizer que
cada vez mais a energia obtida em seus rios sera
transferida para outros Estados.
Ate o final da decada, se a hidreletrica de
Belo Monte for construida no rio Xingu, o Para
se tornara o primeiro produtor e o primeiro ex-
portador de energia do Brasil. Assim, a ener-
gia sairit bruta do seu territbrio, sendo benefi-
ciada na terra do vizinho. Por causa da cobran-
ga do ICMS sobre o consume e nio sobre a
produ~go de energia, o kw que sai de Tucurui
fica mais barato no Maranhio do que no Para.
Se nio conseguem nem saber o que esta acon-
tecendo comn a energia produzida em seus limi-
tes, dificilmente os paraenses conseguirio re-
ter a energia para beneficia-la. Energia, nesse
caso, nio sera sino~nimo de desenvolvimento.
Muito pelo contrario.


Mas seria aconselhavel que uma instfincia inde-
pendente acompanhasse com atengho o trabalho de
apuraqio dos fats. Quando ele estivesse concluido,
a Eletronorte podia ser convocada para explicar tudo
numa audiencia publica, aberta a todos os interessa-
dos. Sobretudo aqueles que nso gostariam de acei-
tar uma interpreta~go distorcida do acidente.
E claro que, tendo ocorrido na subestagio, por
causa de sua amplitude e profundidade ele afeta-
ria o suprimento de energia ainda que houvesse
duas ou tres linhas de transmissio entire a hidre-
le~trica e Belem. Mas o fato de so, haver ainda em
operaqio uma linha singela, num circuit respon-
savel por quase 2% do consume de energia de
todo o Brasil (por causa da fabrica de aluminio
da Albras), da uma media da prioridade que essa
rede tem do governor.
A fabrica de aluminio da Alumar, quase do ta-
manho da Albras, instalada em Sgo Luis do Mara-
nhso, pela Alcoa e a Billiton, duas das seis "irmas"
do cartel internacional do aluminio, a uma distan-
cia duas vezes maior, opera ha mais de uma decada
com linha duplicada. A empresa fez o investimen-
to e se ressarciu da despesa atraves de um encontro
de contas com a Eletronorte, descontando o valor
na tarifa, ja privilegiada por subsidies.
A duplicaqio da linha Tucurui-Belem, com
obras em andamento, esta prevista para ser con-
cluida ate o final do ano. Mas ela nada mais e do
que a linha de seguranga da Albras, correndo em
paralelo com a que ja existe. Para Belem e o nor-
deste do Para seria necessario um ramal com outro
tragado. A Eletronorte diz estar consciente dessa
necessidade, mas nio ha interessados na oferta do
serving, agora transferido a iniciativa privada.


Da revoluqio de 30 para ca, Sio Paulo tem
absorvido de 40 a 50% da riqueza national. Em
parte por seu espirito empreendedor. A partir de
certo memento, pelo uso do poder que essa capa-
cidade lhe proporcionou. Acumulou beneficios
sem paralelo com nenhum outro ponto do territo~-
rio national. Sua capital ostenta um patrimi~nio
sem competitor, incluido o Rio de Janeiro, a ca-
pital federal por mais tempo ate hoje.
Mas Sho Paulo esta sofrendo agora um proces-
so de deterioraqio formidavel, o mais violent em
cursor num Brasil que sofre os efeitos de uma dire-
triz distorcida, segundo a qual o bolo deveria pri-
meiro crescer, em usufruto fechado dos cozinhei-
ros, para depois ser repartido com a rale. Agora, as
classes esquecidas ("excluidas", segundo o jargio
do memento) estio ultrapassando as barreiras do
control e da coer~go em busca de suas migalhas.
O bolo, pore~m, e muita casca e pouco conterido.
Massa que deveria estar sob essa capa de opulen-
cia foi drenada para fora do pais e para bolsos pri-
vilegiados. Da proxima vez, o fogo.
Circulei mais uma vez por Slo Paulo na sema-
na passada. Apesar da rapidez, e: impossivel nio se
impressionar com o avango da pobreza, comn as
marcas da necrose urbana, da dissipagio social. Sgo


Paulo nao podera voltar a ter a hegemonia de de-
cadas atras sob pena de inviabilizar o pais, levan-
do-o a explosio (que, a propi~sito, comega pela im-
plosio dessa cidade fantastica, impossivel de nio
amar para quem viveu nela por mais tempo, de
olhos abertos e mente receptive, sem nunca esque-
cer o coraqio discrete). As elites abusaram desse
poder, dilapidando a riqueza acumulada. E agora?
Se a recuperaqio do Rio da crise em que Bra-
silia o fez mergulhar e um desaflo national, o ree-
quilibrio de Sio Paulo, a partir da corre~go do
modelo econi~mico concentrador, e tarefa para to-
dos n6s, mesmo vitimas dessa centrifuga cruel. E
tema para todos, por nos afetar, direta e indireta-
mente. O desaflo de livrar o Brasil do brutal dese-
quilibrio inter-regional (e social) s6 estara complete
se o prego nio for o sacrificio de Sgo Paulo, que
equilibra, como nenhum outro Estado, os dois po-
los extremados de riqueza e pobreza do Brasil.
Equilibrio deveras perigoso, como revela o surto
de criminalidade, ja tornado cri~nico.
Pago neste ulimero, como pemitincia, ter sa-
crif'icado o fechamento da edi~go com a mete-
6rica ida ao continent paulista. As mate~rias
mais candentes ficam para a proxima. Sgo Paulo
merece e justifica.


Sio-Sho Paulo








JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 3





Belem: capital sem energia


Desta vez, ao contrario do que ocorreu no
grande blecaute de 8 de margo de 1991, a Ele-
tronorte nio procurou desviar a opinitio puibli-
ca dacausa real da interruppiono fornecimen-
to de energia eletrica para Belem e grande par-
te do Para. Agora, forneceu as informaqdes que
tinha. Mas, passadas quase tr~s semanas do aci-
dente, as informagdes disponiveis slio insufi-
cientes para explicar claramente o que aconte-
ceu no dia 10 do mis passado, deixando mi-
thdes de pessoas sem energia durante quatro
horas em tris Estados.
Sabe-se que o acidente comegou num ca-
pacitor da subestagilo de Vila do Conde, que
recebe, rebaixa e retransmite a energia origina-
ria da hidreletrica de Tucurui. Se o sistema es-
tivesse saudavel, o curto-circuito teria sido iso-
lado, sem maiores conseqi18ncias. Mas ele aca-
bou superando as barreiras e se irradiando para
a linha, provocando o desligamento geral. No
acidente de 1991 a causa foi jogada sobre as
costas'largas de um raio, que teria atingido uma
das torres da linha Tucurui-Vila do Conde, com
350 quil6metros de extensio. Agora, o com-
ponente natural do problema seria a umidade.
A umidade, pore~m, existe, e elevada e
tem que ser considerada em todas as obras


realizadas na Amazonia, nio s6 na sua qua-
lidade como na defini~go da expectativa de
sua vida util. O blecaute do dia 10 de janei-
ro tem ingredients muito mais complica-
dos. Ao contrario do que aconteceu ha qua-
se 11 anos, desta vez nito parece ter havido
irregularidade no comissionamento de pe-
Fas, afetando sua exaustlio ou fadiga. E ate
natural, por isso, que a Eletronorte ainda
nito tenha apresentado um laudo final so-
bre o epis~dio. Melhor encarar com serie-
dade a question do que emitir uma nota er-
rada, como ocorreu em 1991.
Mas seria aconselhavel que uma instancia
independent acompanhasse com aten~gio o tra-
balho de apura~gio dos fats. Quando ele esti-
vesse concluido, a Eletronorte podia ser con-
vocada para explicar tudo numa audiencia pui-
blica, aberta a todos os interessados. Sobretu-
do aqueles que nio gostariam de aceitar uma
interpreta~gio distorcida do acidente.
E claro que, tendo ocorrido na subesta-
Cgl,, com sua amplitude e profundidade ele
afetaria o suprimento de energia ainda que
houvesse duas ou tres linhas de transmis-
slio entire a hidreletrica e Belem. Mas o fato
de s6 haver ainda em opera~glo uma linha


singela, num circuit responsavel por qua-
se 2% do consume de energia de todo o
Brasil (por causa da fabrica de aluminio da
Albras), da uma media da prioridade que
essa rede tem do governor.
A duplicapilo, ja em obras, esta prevista para
ser concluida ate o final do ano. Mas ela nada
mais e do que a linha de seguranga da Albras,
o maior client de energia do pais, correndo
em paralelo com a que ja existe. Para Belem e
o nordeste do Para seria necessario um ramal
com outro tragado. A Eletronorte diz estar cons-
ciente dessa necessidade, mas nito ha interes-
sados na oferta do servigo, agora transferido a
iniciativa privada.
Esse e o caso exemplificador de que ener-
gia e materia de political puiblicas. A terceira
linha e do mais alto interesse coletivo, mas nlio
atrai investidores, descrentes de sua rentabili-
dade. Agora que o governo federal parece es-
tar se sensibilizando novamente para suas res-
ponsabilidades perante o setor, depois dos im-
pactos causados por apagbes nacionais, era a
hora de pressionar Brasilia a tirar a capital pa-
raense da triste posiqilo de a mais desasssistida
do Brasil, energicamente falando. Nio s6 ener-
geticamente, alias.


O ex-senador Jader Barbalho sera
candidate a alguma coisa na elei~go de
outubro. A que, ele nio disse ate: agora.
Todas as interpretaqdes a partir desse
ponto slio palpites. A possibilidade
mais evidence e:o governor do Estado,
mas certamente o lider do PMDB no
Para ainda examine as alternatives.
Tranqiiila mesmo, seria apenas a elei-
Fgio para uma cadeira de deputado fe-
deral para quem dispie de um acervo
de pelo menos 800 mil votos.
Niio quer dizer que, para a obten-
Cgio de um novo mandate de senador,
depois de a ele haver renunciado sob
uma ofensiva anticorruppio, Jader va
ter a mesma vota~go alcangada no se-
gundo tumor da elei~gio para o governo,
quatro anos atrais. Em 1994 ele se ele-
geu senador com 550 mil votos, ape-
nas 10% a mais do que Ademir Andra-
de, que ficou com a segunda vaga em
dispute. As pesquisas indicam que o
eleitor hesita mais em dar seu voto para
Jader reaparecer no senado do que para
voltar a ocupar, pela terceira vez, o go-
vemo do Estado.
Ele agora conta com o parecer fa-
voravel de um perito judicial. Apresen-
ta-o como aprova dos nove de inocin-
cia em rela~go as acusaqdes que lhe fi-


correria o risco de entrar num limbo
politico, dos que se mantim numa boa
posi~gio, mas nio tim poder de man-
do, capacidade de voltar a organizer
um grupo de poder?
O cargo mais forte e o do executi-
vo estadual, com a vantagem de estar
fora do jogo de interesses principals
da political national. Contando com a
fidelidade de um tergo dos eleitores do
Para e a rejei~go imutavel de 40% des-
se universe, Jader nio pode esperar
mais do que 51% a 52% dos votos
validos no segundo turno, independen-
temente de quem venha a ser o seu
adversario. Qualquer erro ou fato des-
favoravel de maior significado e a elei-
Fgio estara comprometida. Nflo tem
mais do que 5% a faixa do eleitorado
que ainda manifesta alguma indecisio
quanto a votar em Jader, podendo pen-
der para um lado ou para outro da ba-
langa na hora decisive.
Com essa perspective bastante
complicada, o ex-ministro anunciou
que vai entrar assim mesmo na bata-
lha, rejeitando a outra hipo~tese, a de
ficar de fora da elei~gio deste ano, uma
outra forma de "fico" (de fora), que
certamente faria o bem de todos e a
felicidade geral do Para.


zeram, de transferir para sua conta pes-
soal dinheiro desviado ilicitamente do
Banco do Estado. O laudo pericial e,
de fato, um trunfo. Mas nio e sentenga
de absolvicgio. Passa a fazer parte da
intrincada colegio de papeis juntados
na evoluqio do contencioso, a favor e
contra. Na avalanche dessa guerra, o ex-
senador pode argumentar em seu favor
que nao provaram sua culpa. Os acusa-
dores podem retrucar, de seu lado, que
ele tambem nito provou ser inocente.
Logo, persistem as sombras comprome-
tedoras. Atinal, o entrio governador
andou em tilo mis companhias que es-
taria merecendo ser enquadrado no di-
tado popular: dize-me comn quem an-
das e te direi quem es. Ou: o habito faz
o monge (e, se nio fliz, indica a que
ordem ele pertence).
Nesse context, Jader estara dis-
posto a voltar a se expor no tiroteio
que certamente recomegara quando
sua cabega se tornar visivel outra vez?
Ate sofrer a saraivada de golpes, mal
saira da comemoraqio pela conquista
da presidencia do senado, Jader era um
dos cinco homes mais poderosos da
repilblica. Hoje, ninguem mais fala


nele. O silencio convem a todos, in-
clusive a Jader, que nio deve ter se
recolhido a provincia sem um enten-
dimento compensat6rio com pelo me-
nos um ou dois integrantes desse quin-
teto de poderosos, entre os quais o
nuimero um (por enquanto).
Estara Jader convencido da segu-
ranga de voltar a Brasilia como sena-
dor, sujeito a ouvir provocapies mali-
ciosas ou ataques frontals, que podem
provocar a retomada do process de
desgaste? Se o caminho do senado esta
interditado, o da Camara Federal seia
uma rota mais long e mais protegida,
sem atrair os principals predadores? E,
inquestionavelmente, a uinica alternati-
va imune a ameaga de derrota?
S6, esse element pesa em favor
da hip~tese de Jader Barbalho se apre-
sentar como candidate a deputado fe-
deral, retomando duas de~cadas na sua
carreira, a 1982, quando trocou o man-
dato de deputado pelo de govemnador.
Todos os outros influem negativamen-
te. De volta a political como deputado,
Jader teria um ocaso glorioso, gragas
a votaqilo, capaz de render uma boa
bancada para o PMDB. Mas ele nho






4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002


s~o, Bruno de Menezes. E antes do fim ainda se pronunciaram
Jose Santos, Julio Colares e Paulo Eleutetrio.
La pelas tantas, lembrando-se de um velho funcionario do
journal, que servia cafe acompanhado de uma observaqilo assaz
sensata ("isto de ser jornalista nio e: das melhores coisas"), o
poeta Bruno de Menezes criou na hora uma quadra:
"A Folha e um bloco adoravel.
Ngo te mete com estas trincas,
Que a Folha s6 tem respeito
Ao cafe do 'mestre Quincas"'.
Qual o jornalista que nio queria ter estado la, 70 anos atras?


Te atro

Vanguardista como sempre, o Norte Teatro Escola do
Para levou para o 3" Festival de Teatros de Estudantes do
Brasil, que se realizou em 1960 na futurista Brasilia, re-
cem-emmpossa na condigio de capital brasileira, a pega "Pic-
Nic no Front", de Fernando Arrabal. Como ja havia feito
um pouco antes com "Morte e Vida Severina", de Joho Ca-


tosa muralha de coloridos sobra-
dos portugueses,
Nos postais produzidos pela
ACio Catolica Brasileira logo de-
pois da Segunda Guerra Mundi-
al, quando Belem ia comegar
nova etapa da sua vida, podia-se
verificar que os armaze~ns de fer-
ro ainda eram suf~cientemente es-
pagosos para abrigar toda a car-
ga movimnentada pelo porto. Ele
tinha important papel no trans-


porte de cargas e passageiros por
toda a bacia amazi~nica, a maior
do mundo. Sobretudo na impor-
tagio de mercadorias atraves da
pequena cabotagem, recebendo
produtos que vinham para Belem
ou reembarcando-os para os di-
ferentes pontos da region.
Comn tamanho adequado para
armazenagem, nito precisava do
espago retroportuario disponivel,
como o que ainda se podia ver por
tras do predio colonial ingles da
Port-of-Para (depois Snapp e, por
fimn, Enasa). O Boulevard Casti-
lhos Franga podia ter prossegui-
do por ali ate, numa primeira eta-
pa, o igarape das Almas (hoje, a
Doca de Souza Franco). Abriria
uma via unica na paisagem de
Bele~m, consolidando essa fisiono-
mia parisiense-lusitana.
Nada disso aconteceu. A
area retroportuaria foi sendo
ocupada como depo~sito de
conteineres, a forma mais mo-
derna de transport. Quando,
artificialmente, foi decretado o
fimn do porto, sem uma discus-
slio mais ampla e aprofundada
sobre a nova funglio desse es-
pago, a sucessora da concessto
feita pelo governor federal ao
empresario Percival Farquhar,

doCParP) cma~ a D ear o
terrenos sem uma vision de con-
junto da area, nem um plane-
jamento integrado ao da admi-
nistragilo municipal. Ao bel
prazer de seus interesses me-
ramente imobiliarios.


O resultado e a colcha de
retalhos e de incongru~ncias
que se seguiu ao uso do solo
por tras do predio da Enasa,
reduto ainda aberto ao tragado
criativo no p6s-guerra. E pre-
ciso, urgentemente, suspender
a destinaqio da area para sub-
mete-la a um ajuste ao conjun-
to do espago urban.
O postal seguinte deve deixar
saudade nos que puderam usu-
fruir a paisagem nele fixada e
inveja nos que vieram depois.
Esta Belem niio existe mais. A
janelinha para o rio, arborizada,
comn seu chafariz, na buc61ica
Praga do Pescador, foi engolida
pela feira, cuja anarquia sobre-
vive aos eventuais impulses de
organizaqilo, raramente mais
consequentes, todos cedendo a
acomodagilo desse bazar a ceu
aberto em que a cidade se redu-
ziu, espraiando-se do centro para
a periferia. E pelas reforms mi-
meticas de quem pretend tomar-
se como o principio de tudo, re-
vogando o que veio an~tes e to-
das as disposiqdes em contrario.
Culpa de Belem? Claro que
nito. Mas esse tambe~m nilo e um
destiny manifesto, ja escrito nas
estrelas (ou na estrela cadente
d sogop onommunic pal) enpE-
do a heranga recebida, como a
que os dois postais retratam,
pensar na possibilidade de ten-
tar de outra maneira.
Afinal, quem nito sonha nada
temn para realizar de future.


-- Ic~f r-
- .J
r r ~C1 P.~CI
a
'"-"

J~ j
c
I ~


r 1~


'C


'd tL 5


_..


-,'-LI J
.- r


Jornal
Em 7 de junho de 1931 um almopo no Grande Hotel reuniu 51
pessoas para comemorar a inauguraqio do pre~dio da Folha do Norte,
construido na roa Gaspar Viana pelo engenheiro Francisco Bolo-
nha (o mesmo do Palacete Bolonha e da Vila Bolonha). Eram 42
integrantes do jornal, do donor ao grafico, e nove colaboradores,
que saudavam o retorno do funcionamento a velha sede, depois
adquirida por Romulo Maiorana, para a instala~go de O Liberal.
No menu ficou registrado que o almopo era "em regozijo pela
volta de suas instalaqdes a antiga sede, em que vive ha mais de 35
anos". Os convidados so serviriam de camorim ao molho Mous-
seline, frango a marengo, file a Grande Hotel, sorvete fantasia,
vinhos Souterne, Medoc e Raposeira, branco e tinto, cerveja, gua-
rana, licores e cafe. A Fabrica Sllo Vicente, de M. Santos & Cia.,
criou um creme especialmente para a ocasiio.
A mesa tinha a forma de M, em homenagem ao sobrenome,
Maranhio, do donor e alma do journal, Paulo. Discursaram o pa-
dre Dubois, Nogueira de Faria, Luis Barreiros e Ildefonso Ta-
vares. Em nome dos graficos falou Abelardo Chagas. Pela revi-


A zona portuiria
Belem era uma cidade privi-
legiada: tinha um boulevard
como divisa portuaria. Ao s61i-
do ancoradouro construido pe-
los ingleses, no estilo da epoca,
inicio do seculo XX, atraves do
qual os passageiros chegavam a
capital da Amazi~nia, seguia-se
umna avenida larga, arborizada,
comn dois chafarizes c uma vis-


rr~


L`,~,
p
c. .
ja*p-
,/ 3'" i







JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 5


BELEM



pela



PP-VS





Eneurtandoa distinci
enr a Novar CaVlp ital
..r mlir nova usehr
Belim-Brasilir, com ecaclas
em cidades situldas ro
longo da rodovia
"Bernardo Saylo".


E ramb m pars o
trlanprte de cargas uuln
iv qut ba msouNA
sus disposiS~o.

VIAJE BEM... VIAJE VASI ouM

Procure ~ ~ n sonagmedovige


los 6as, ds 6 h,. com Un
Corlm ..~~l man
c~. zus.Uo d~&~ ...
Ib daslas,5asadbado.r
,"" '.~lo~ld
Grp. God 1I
1,60 nlcl~~r pURUAlCS







vaAo rtREA SAD PAULO s.A.
RInu Frutooso Gvlmara,~n 94-1.* onder
TuI 2)0o-8....


C/j Acompanhada de uma 'cacha7~cinha do Pard:
no restaurants (ar condicionado) do

GRANDE HOTEL


bral de Mello Neto, o NTEP realizaria a primeira encena-
950 no Brasil (e na Am~rica do Sul) dessa obra do teatrolo-
go espanhol, na e~poca ainda pouco conhecido. .
Mal chegada da Europa, como bolsista de teatro da embal-
xada francesa no Brasil, Maria Silvia Nunes embarcou de novo
para assumir a chefia do elenco, composto por Angelita Silva,
como secretaria, Maria Helena Coelho e Fernando Penna, como
convidados especiais, e pelos atores Daniel Carvalho, Waldir
Sarubbi de Medeiros Paraguassu Elleres, Joho Augusto Gama,
Eduardo Abdelnor e Aita Christine Altmann.
Por "motivos de ordem superior", deixaram de acompanhar
o grupo as cronistas Lindanor Celina e Maria Brigido. E tam-
bem o ator Joaquilm Francisco Coelho, que iria passar uma tem-
porada de estudos nos Estados Unidos, supostamente ate 1962.
Por la, porem, permanece ate hoje.


Arquitetura
Foi em 1966 que a Universidade Federal do Para formou
sua primeira turma de arquitetos. Integraram esse grupo pio-
neiro Alcyr Meira, Camillo Porto de Oliveira, Lticia Daltro
de Viveiros, Milton Monte, Roberto La-Rocque Soares e Rui
Vicira. O paraninfo for o professor Fernando Lunardi. Fo-
ram homenageados, entire outros, Jorge Derenji, Bohdan Bu-
jnowski, Wolf Livi e Donato Mello Jr.


Banco

Em julho de 1966 o Banespa (Banco do Estado de Sho Pau-
lo) comprou o control do Banco do Para, presidido por Oscar
Faciola, por 1,2 bilhio de cruzeiros, valor da epoca. Era o co-
mego do desaparecimento dos bancos locals, qlue surgiram, cres-
ceram e se mantiveram como agents financeiros do extrativis_
mo, estabelecendo-se ao lado das grandes firmas aviadoras na
rua XV de Novembro, a Wall Street ao tucupi.


Cinema
No final de 1966 a empresa Cinemas e Teatros Palacio pu-
blicou uma nota na imprensa para admitir serem procedentes
as seguidas reclamaqdes feitas pelo priblico contra "o mau es-
tado em que se encontra a principal casa de espetaculos da
cidade". Mas transferia a responsabilidade pelo problema a
Empresa Cinematografica Sul e a Luiz Severiano Ribeiro.
Atraves de um ardil, elas se apossaram do control do Cine
Palacio, construido por Judah Levy, no terreo do edificio Palacio
do Radio, justamente com o objetivo de dotar Belem de um cinema
de padrjho superior, enfrentando o cartel montado a partir de 1946
por Luiz Severiano, com salas de exibiCio ultrapassadas. Prometia
lutar na justiga contra a transferincia, feita a sua revelia.


A rt vista
Erastos Banhos, com a face do palhago Alecrim, completou
1.200 apresentagies do program "Clube do Garoto", na TVI
Marajoara, em 25 de novembro de 1970. Era o record national
para artists de televisio, feito comemorado pelo "Carequmbha"
paraense, qlue nio era paraense. E, a noite, assumia a face de ani-
mador de boate no Palacio dos Bares, na Condor, comn seus chis-
tes picarescos atravessando as madrugadas a beira do Guama.
Bemn Belem.


Nossa feijoada
A feijoada sempre foi uma
institui~go national. Em 1966,
o desaparecido (e pranteado)
Grande Hotel ainda servia a
sua, recomendada pelo chef'
Barroso, uma "autentica feijo-
ada complete a carioca", com
sua cachacinha acompanhante,
e: claro, eo indispensavel at
condicionado (um luxo da e~po-
ca) para atenuar os vapores.
Quem tem mais de 50 anos
e nio atendeu o convite nio
sabe o que perdeu. Era como
transporter o Para ate um am-
biente europeu.


BB por ar
A linha que a Vasp inaugu~
rou em julho de 1960, "encur-
tando a distancia entire a Nova
Capital e o Norte", era um au-
tantico sobrev~o da Rodovia
Bernardo Sayho, o nome dado
a Bele~m-Brasilia em homena-
gem ao seu construtor, que
morreu esmagado por uma ar~
vore antes da conclusio da
obra. Eram nada menos do que
nove escalas antes que o DC-3,
um her6ico sobrevivente da
Segunda Guerra Mundial, pu-
desse concluir o percurso: Im-
peratriz, Estreito, Carolina,
Guara, Porto Nacional, Guru-
pi, Uruaqu, Ceres e Anapolis.
Tris dessas escalas (Gurupi,
Guara e Estreito) s6 seriam
"iniciadas posteriormente".
Mas ja era uma verdadeira
8 inkana area, com sobes-e
desces e turbulencia a vontade.








6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002


do, perguntado sobre o que e o Egito, responder
sem vacila~glo: um produto do Nilo. A frase esta
em todos os manuals, desde as primeiras letras.
Criou um refr~io universal sobre um pais que tem
releviincia planetaria ha milhares de anos.
Se a pergunta fosse sobre a Amazi~nia, qual
seria a resposta? Para ser convincente, a maneira
do conceito fixado a civilizaqio egipcia, a res-
posta devia vincular a regitio a dois dos seus ele-
mentos naturals: a agua e a floresta.
Slio duas esmagadoras evid~ncias fisicas. Um
tergo das florestas tropicais que sobrevivem na
Terra estlio concentradas na Amazo~nia, um terri-


se consider a massa vegetal, independentemente
das fronteiras nacionais dos seis paises que lati-
no-americanos a contim. Um quinto da agua dre-
nada pelos rios do planet para os mares circula
pela bacia amazo~nica, numerosos afluentes que
contribuem para former o mais extension e mais
caudaloso de todos os rios, o Amazonas.
Quantos seriam capazes de associar a essencia
amaz2~nica a combina~gio de vegeta~go e agua? Os
resultados da terceira edi~gio de uma pesquisa nacio-
nal de opinitio puiblica realizada desde 1 992 pelo lbo-
pe, sob encomenda do Ministe~rio do Meio Ambiente
e do Instituto de Estudos de Religitio (Iser), mndicam


dar a Ulnido. A hidreletr~ica serai licitada
pela Aneel a grupos particulares, a Ele-
tronorte se Ilmitando (se e que se pode
caracterizar sua participa~rdo comlo "li-
mitada ") a elaborar os estudos de enge-
nhar~ia e entrar comt 30% do capitalpara
o investimlento. Logo, a autorizagdio le-
gislativa e nao so comlpulsoria, comlo ne-
cessairia. Umna obra de U/S$ 3, 7 bilhaes
(so na usina, havendo mlais UiS$ 2,8 bi-
lhaes na linha de transmissdio) esta bem
long de poder ser considerada "uma es-
capadela e caber na capacidade sus-
peita do 'j'eitinho brasileiro ".
O terceiro iteml. Demlocracia, para
miml, vem desacompanhada dos qualifi-
cativos a que semlpre recorreml os dita-
dores disfargados para ndo praticai-la.
De ve: eml quando surge umta "demo-
cr-acia relative ", ou umla "democracia
social" que ndio sd~o, na verdade, demzo-
cracias. Acatar a vontade da maioria,
assegur~ando os dimeitos da mIinoria, e
cumlprir a lei, sdio dois dos jimdamen-
tos da dem~ocracia desde os antigos gre-
gos. Ei na discussdo e re controversia
que a sociedade se mnanife~sta. Se ha al-
gueml viciado na arena, defendendo in-
teresses ocultos ou dizendo o que nio
val fazer: a tarefa demnocraica e des-
mascarar-lo e ndjo sufocar o contradi-
torio, uinico caminho da verdade.
Porfilm: os fellores gostaml de gran-
des obras. Tucurui, por exemlplo, foi um
manai para os fr~anceses, que ganharam
na obra, diretamnente, fornlecendo tur-
binas e cobrando juros pelos empresti-
mlostanto quanto os japoneses fatura-
ramn indiretamenie. Protegidos pela
cortina de firmaga do desinformado (ou
caviloso) discurso nacionalista.
O silencio da Fadesp, de fato, faz mIal
a todos, principalmlente ai fundagdo
universitaria. Para que o silencio nio
se transforme eml erro coletivo, convi-
nha ao Ministerio Puiblico federal,
complemlentando suas iniciativas sobre
o temla, realizar uma audiencia puibli-
ca para a fundagdio apr~esentar seu tra-
balho e explicar quanto gastou (e de
que maneira) nele, subm~etendo-se ao
dia~logo que constitui o grande patr~i-
modnio da demnocracia. E a razaio mlai-


or da sua longevidade, a despeito de
tudo e de mzultos.

CARO JORNALISTA,
Em que pese toda a admira~glo profis-
sional que tenho por seu trabalho, cau-
sou-me surpresa a materia que trata do
direito de escolha e a escolha do candi-
dato a governador pelo atual Governa-
dor do Estado.
Perguntas como: O Governador 6 um
novo Magalhies Barata, podendo eleger
quem quiser? Sua vontade pode ser lei no
Para? bem assim as respostas dadas a elas
me surpreenderam pela 6tica com que fo-
ram tratadas. Se eu posso, voce pode e
qualquer pessoa tambe~m pode ter o direito
de escolher quem quiser para ser candida-
to ou escolher dentre os candidates o seu
preferido, por que o Governador nito teria
esse direito? Estamos ou nio num Estado
Democratico de Direito?
Por outro lado, quem garante que a
escolha do Governador sera a do povo,
que, final, e quem elege?
Pode-se ate ser contra o escolhido,
mas nito se pode it contra o direito de
escolha. Trata-se de uma garantia cons-
titucional do cidadito.
Esclarego que nio estou aqui para dis-
cutir o me~rito da escolha, se certa ou er-
rada, viavel ou inviivel, boa ou ma para
o Pari, mas como advogado que sou, de-
fendo as garantias constitucionais do di-
reito a liberdade e a igualdade.
Aceite um abrago fraterno e a minha
grande admirag~iio.
Hipblito Garcia
OAB/PA 2633

MINHA RESPOSTA
Quando escolhe o candidate a sua
sucessiio, o governador nito age como
cidadito comum. Nada a objetar se as-
sim fosse. Ele esti transformando o
seu preferido no candidate official. De
outro modo, o economist Simio Ja-
tene nito se disporia a disputar a elei-
Cgo para o governor. Dificilmente o fa-
ria de motor proptio, saindo do zero
(nenhuma participa~gio em elei~go ate
agora) para o 80 (o topo da carreira
political estadual).


Ele persisted com um indice entire 3%
e 4% nas pesquisas de opiniio por suas
caracteristicas pessoais e sua historia na
vida pliblica, de tecnico ate entlio avesso
a political. Provavelmente estaria inviabi-
lizado se niio pudesse contar com o calor
da maquina official e o uso de recursos
que estlio muito alem do alcance de um
cidadlio comum, ainda que no pleno gozo
de suas garantias constitucionais.
A mate~ria formula a pergunta: por
que, ainda assim, ogovernadoropta por
uma pessoa destituida das condigaes
exigidas de uma pessoa que aspira ao
cargo mais alto da political, quando po-
dia encontrar uma solu~go mais efici-
ente dentro de sua pr6pria coliga~gio ou
numa composi~go mais ampla? Respos-
tas sito sugeridas. Conclui que o gover-
nador, ao assumir os altos riscos envol-
vidos, se consider comn os poderes de
um autocrata, capaz de eleger a quem
quisesse, preferindo um esquema suces-
sbrio fechado. Ao critical, o journal exer-
ce um direito (e ate um dever), que
constitui um dos eixos de sustentaqilo
da democracia: expor o poder (absolu-
to?) do governador a um espelho que,
como na lenda da Branca de Neve, nio
corresponde aos seus desejos por niio
ser, na otica do jornalista, a verdade.
Espero que a critical nio acarrete a
destrui~glo do espelho. Mesmo porque
njto sera dessa maneira que a madrasta
se tornari mais bonita do que Branca
de Neve e realizari sua vontade, como
mostra a lenda.


00 ff 6ciO
A loja do saudoso antiquirio Elias Oha-
na ficava na 28 de Setembro e nito 28 de
Novembro. O redator adiantou-se: no tem-
po e no espago.
As imagens da seqilo nostalgia sai-
ram ruins por impropriedade de pro-
grama~gio. O computador, como todos
sabem, burro.
Em "epoca posterior", Augusto Rezen-
de, irmlio do felizardo Berna Rezende,
foi prefeito e niio ex-prefeito de Bele~m.
Ex, so, mais posteriormente ainda.
Perdlio, leitores.


Monte
Retorno ao tema Belo Monte, tendo
em vista os terms da materia publica-
da no JP n" 274, para fazer os seguin-
tes comentarlos:
voc2 diz que os Eias-Rimas de dois
projetos anteriores elaborados pela Fadesp
foram rejeitados judicialmente por com-
pleta inconsisttncia. Parece-me que a in-
formaglo ficou inconclusa porque niodei-
xou claro se a rejei~go ocorreu no aspect
legal ou no conteuido do document;
Squanto a competencia para o licenci-
amento ambiental do estudo ecologico, re-
piso minha posi~go anterior, os artigos
23", VI,VII e 24", VI, paragrafos 1", 2" e
3" da Constitui~go Federal slio cristalinos,
nito ha erro. No maximo, admite-se no
event, aparticipaqio obrigatria dos Es-
tados do Mato grosso e do Para. Cabe, e
claro, ao Congresso, autorizar o aprovei-
tamento de recursos hidricos (art. 49" da
CF), porem, em se tratando de projeto de
suma relevancia pode-se conseguir o seu
referendo, sem maiores melindres. Nas
obras do program Avanga Brasil que es-
tiio sendo executados em todo o territbrio
brasileiro, por acaso voce tem noticia se o
Congress foi ouvido ou cheirado? Nio
quero, com isso, sugerir a transgressito ge-
neralizada, seria tio-somente uma escapa-
dela, coerente com o jeitinho national.
concordo que o process para feitura
dos estudos dos impacts ambientais seja
orientado segundo as diretrizes tragadas
por voct, porque propiciaria o envolvi-
mento da sociedade como um todo. Po-
rem, quais slio os representantes da co-
munidade nesta sua democracia nominal?
Geralmente organizaqdes lideradas por in-
dividuos ou grupos comprometidos com
o capital transnacional e que, portanto,
jamais irlo contrariar interesses de seus
feitores. De resto, o estado de pobreza e a
ignordincia dos colonizados nito lhes per-
mitem ousar nem sonhar com o refina-
mento das legitimas democracies. A de-
mocracia nominal em que estamos assen-
tados, b um centralismo democratic dis-
fargado. Nos dois casos, uma decision e
sempre previamente acertada.
Para encerrar, como a Fadesp faz parte
da UFPa, e esta e uma institui~gio manti-
da com os recursos da poliula~gio, estra-
nha-se que ela nito tenha se pronunciado
acerca de assunto tilo important. Ao
menos para dar uma satisfaqilo a quem
lhe mantem as pernas.
Rodolfo Lisbon Cerveira

MINHA RESPOSTA
Quanto ao primreiro itemn da carta do
atuante leitor: a ,lejeieio foi dupla. A jus-
tiga acolheu os argumlentos do Ministerio
Puiblico sobs a inconsistencia do traba-
lho da Fadesp, suspendendo o licencia-
mento ambiental das duas hidmvias (Ara-
guaia-Tocantins e Teles Pires-Tapajos).
O segundo iteml. A justica ja dec~idiu
qute o licenciamlento ambiental de Belo
Monte, envolvendo rio que se estendepor
dois Estados, e federal, a cargo do Iba-
mIa. Parad e Mato Gmosso podem2 secun-


A consciencia



Qualquer colegial, em qualquer parte do mun- ti~rio equivalent ao dos Estados Unidos quando









JOURNAL PESSOAL* 1" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 7


Quem quisesse fa-
IA ONIA zer avangar sua ativida-
de econi~mica tinha que
continuar a usar a flores-
ta como um estoque de
capital. Para que o pas-
to ou a lavoura cresces-
Sse, a reserve florestal en-
i?.:il1.. curtava. Os que tenta-
1 ~ram voltar sobre os pro~-
Sprios passes constata-
.ram que a tal de "recu-
3 pera~gio de areas degra-
dadas" saia mais carol do
que a formaptio da area
desmatada original. As
vezes, multo mais carol.
Entio, depois de
ligeira hesitapho, to-
-~--- ---zdos voltaram a po~r a
mata abaixo para con-
quistar novos espagos ou fazer capital. E o que
estamos a assistir neste memento: o incremento
do desmatamento, em valores absolutes e em ta-
xas. Mais algumas especies nativas desaparece-
rem antes de serem satisfatoriamente conheci-
das, ou mesmo identificadas.
Niio e: melhor o destiny que se da ao outro ele-
mento fundador da Amazo~nia real: sua imensa rede
de drenagem fluvial. Um dos grandes rios da re-
gitio, o Tocantins, ja sustenta comn suas aguas aquela
que, ao ser concluida, com a duplicapilo da sua po-
tencia, a partir deste ano, sera a sexta maior hidre-
letrica do mundo. Ate: o final da decada, o Xingu
estara cedendo aiguas para a quarta maior usina de
energia, a de Belo Monte.
Mesmo com a pressilo crescente sobre as
aguas da regillo, nenhum dos comites de bacia
recomendados pela recent legislagilo sobre es-
ses recursos foi criado ate hoje na regilio. A vi-
slio que predomina sobre eles e compartimenta-
da: os barragistas s6, pensam em agua na forma
de energia; os armadores, enquanto meio de
transport; e os agricultores,para irriga~go. Niio
ha um planejamento global e integrador dos di-
ferentes usos, muito menos de antecipa~gio de
situaqies e de prevenglio dos problems. Por
incrivel que possa parecer, em alguns pontos da
Amazo~nia a agua j i problema e em outros seu
uso esta se aproximando da saturagilo.
Assim, se no future, gragas a political pu-
blicas competentes e a uma campanha national
de conscientiza~gio, o colegial for capaz de co-
nectar agua e floresta a razlio de ser da Amazi8-
nia da forma tito imediata e espontanea como a
que o faz dar sua resposta sobre o Egito como
produto do Nilo, talvez esse estado de saber re-
sulte em uma grande conquista do ponto de vis-
ta museoli~gico, paisagistico ou spiritual.
Mas para a Amazi~nia real nito sera nem con-
solo. Quando descobrir a verdade, talvez s6, reste
ao colegial aprecia-la no papel, em gravuras, em
fotografias ou num filme de sabor arqueol6gico.
A Amazi~nia viva e verdadeira ja sera um doloro-
so retrato na parede.


Quando fez suas herojicas e maravilhosas via-
gens pelo Pantanal mnatogrossense, no inicio do
seculo XX, a Comissito Rondonl calculou que 500
mil quilibmetros quadrados desse paraiso bastari-
am, no future, para alimentar todos os brasilei-
ros. E provivel qlue o positivismo, a matriz men-
tal desses militares pioneiros, cheios de otimis-
mo, os tenha impedido de atentar devidamente
para a fragilidade daquele ecossistema se expos-
to a um esforgo produtivo mais intense, como
aquele que propunham.
A Amazoinia, contudo, ja, oferece (nito volun-
tariam~ente, e claro, mas em fun~gio de um proces-
so de ocupa~go compuls6ria, imposta de fora para
dentro) uma area despojada de sua cobertura ve-
getal original 20% maior do que aquela que sus-
tentaria produglio agropeculria suficiente para
matar a fome de uma populagio continental.
Numa das levas de interesse intellectual sobre
a regitio, a proposta de "recuperaglio de areas de-
gradadas" se tornou um refrilo, da mesma manei-
ra como, antes, na epoca da "ocupaglio pela pata
do boi", com a qual os colonizadores se armaram
para po~r abaixo floresta e em seu lugar former
pastagens para incertos bois, a ladainha era de que
o desmatamento niio la fazer mal porque se fazia
em areas de "cerrado, cerradlio e mata fina".
Aproveitar areas ja desmatadas para a produ-
glio de generos pecuarios e agricolas, ao inves de
continuar a desmatar, parecia o 6~bvio ululante.
Mas s6, parecia. Os pioneiros, estimulados ou
constrangidos a integrar as frentes de penetraglo
para "amansar a terra" (nito s6, destruindo-a, mas
tambem expulsando o habitante native), conta-
vam com generosos e permissivos incentives fis-
cais do governor para "abrir fazendas", a primeira
attitude do bandeirante. Hoje, nito ha mais esses
recursos, mal aplicados ou simplesmente desvia-
dos a rodo, como prova a triste historia da extinta
Sudam (Superintendencia do Desenvolvimento da
Amazi~nia). Ha, em contrapartida, a crescente
consciencia ecol6gica, national e international,
profunda ou superficial, mas um dado inexistente
ou desprezivel nos tempos pioneiros.


tardt M


como crescente a proporgio de pessoas que perce-
bem a relaglio, valorizando, por isso, o patrimo~nio
natural do pais. Das duas mil pessoas entrevistadas
pelo institute, em outubro do ano passado, 28% con-
sideraram as florestas como o principal motive do
orgulho national, o plus que valoriza o Brasil no ce-
nario mnundial. Os rios, ou, mais diretamente, a quan-
tidade de agua doce entcirculagilo por seu territrio,
slio o segundo patriminio mais lembrado, embora por
um nuimero multo menor de pessoas, 4%.
Agua e floresta, portanto, constituem a vanta-
gem brasileira no concerto das naqdes para 32%
dos entrevistados; acrescidos outros components
naturals, o indice sobre para 39%, contra 30% apu-
rados na segunda pesquisa, de quatro anos antes.
A evologlio, de 30% no period (1997-2001)
c significativa. Dai o otimismo dos responsaveis
pela consult comn o quadro de melhoria da cons-
ciencia ecol~gica national. Mas a pesquisa tam-
be~m fornece dados para preocupagilo. Se o brasi-
leiro esta mais atento a natureza, ainda nito pas-
sou de uma fase estatica para uma postura dina-
mica. A natureza e considerada sagrada para 67%
dos brasileiros, attitude partilhada por 57% em
1992. Ou seja: a visio e idilica, edanica. A natu-
reza esta. ali, represent uma grandeza dada, e deve
continuar assim. Mas niio depend de ni~s.
Niio se passa ao memento seguinte, de enten-
de-la para poder fazer parte dela. So, quem vive
na Amaz~nia sabe que a natureza nito e um mu-
seu, um quadro na parede, um cardio postal, um
escaninho na memibria ou um adorno na consci-
encia, porque a ve encurtar a cada ano, sem, de
fato, saber o que ela e. E sem poder fazer qual-
quer coisa para que continue a ser o que e, ate
poder ser compreendida e manejada.
E exatamente por isso que a propor~gio de pes-
soas qlue incluem series humans entire os elemen-
tos naturals foi maior (40%) na regillo Norte, aci-
ma da media national e muito acima do Centro-
Oeste uma regitio que, sendo uma extensito dela,
ou a mais pri~xima de sua fisionomia, tem o me-
nor indice, de 23%, segundo a pesquisa MME/
Iser, de inclustio do home no ecossistema.
A cada ano o que vem abaixo de floresta na
Amazonia equivale, na melhor das hipi~teses, a dos
anos de desmatamento menos intense, ao territo~-
rio de Chipre, onde vivem 800 mil pessoas. A area
ja alterada na regitio, se formasse um pais, consti-
tuiria o m~aior pais da Europa Ocidental, com seus
quase 600 mil quil~metros quadrados.
Se considerada a Amazi~nia Legal, um conceito
administrative para efeito de incentives fiscais, que
inclui parties do Centro-Oeste c do Meio-Norte, o
desmatamento ja alcanqou 12%/ do total. Se tomada
como referincia apenas a floresta densa, a hileia, a
area submetida a desmatamento estaria chegando a
20% dessa regitio, que result da rara combina~gio
de floresta com agua. Sua integridade ja esta sujeita
a uma alta taxa de risco, quase mortal.





Jornal Pessoal
Editor: Llcio Fl~vio Pinto- Fones: (091) 241 7626 Contato: Tv Benjamin Constant 845/203/66.053-040 email: ]omnal@amazon.com.br Produglo: Angelim Pinto EdirZo de Arte: Luizantoniodefadiapinto


especial do Ministerio da Integragio
Nacional, embora ainda em carter
provis6rio. Ela substitui Jose Diogo
Cyrillo da Silva, colocado no cargo
para fornecer as exequias da Sudam
e preparar o surgimento da nova
agencia de desenvolvimento, debai-
xo da infeliz sigla de ADA (cabe logo
um trocadilho sobre sua complicada
gestagio: nao Ada nem Desada).
Eliana era coordenadora de pla.
nejamento regional quando oturao de
escandalos varreu a Sudam do uni-
verso de siglas vivas do aparato esta-
tal. Emergiu do caos assumindo o co-
mando, um fato simbolico nessa fase
de transi~gio, quando o governor tenta
imunizar o novo 6rglio da lama que
sepultou o antecessor e dar-lhe a ima-
gem de coisa realmente nova.
Em matetria de simbologia, qual-
quer nascimento esta em melhores
mios se entregue a uma mulher.


Parai. As muisicas tim o problema
da terra como inspiraga~o basica,
conseqiincia da associagdo dos
artists com o MST (Movimnento
dos Trabalhadores RuraisSem- Ter-
ra). A vinculagdo, porem, ndo e li-
mitadora, nem a motivagdo impde
a datagdo aos trabalhos, alguns de
qualidade superior ai media.
Alem de boa musrica, algumas das
composigdes trazemz um posiciona-
mento lucido dos autores. Eles nio
criam a partir do nada ou de um
impulse apenas voluntarista: e com
base numa reflexdIo mais profu~nda
sobre o "estado da arte da violin-
cia e da destnruigdo num dos Esta-
dos mais marcados por essa selva.
geria no Brasil que eles transpdem
a temaitica para o universe da arte,
"uma cantoria em defe~sa da vida".
Agem ao mesmo tempo como inte.
lectual e como cidaddios. Ofe~recem
aopublico, assim, umafonte depra-
zer e de conscidncia.


Simbolo
S6 depois de extinta e que a Sudam forneceu um servidor de carreira
para o cargo maximo de diregao, o de superintendent. Por ironia da
hist~ria, o orgio ja nio e mais a Superintendencia do Desenvolvimento
da Amazonia, extinta cirurgicamente no ano passado, mas a ADA (Ag~n.
cia de Desenvolvimento da Amazo~nia), criada no papel mas ainda sob
laborioso parto de instalaCio. Ate entlo, todos os superintendents ha.
viam descido de para-quedas, tecnocrata ou politico, baixados de Brasi.
lia ou recolhidos n a grei provincial.
Desde a semana passada, a economist Eliana Zacca e a nova secretaria


Basa

existe
O Banco da Amazo~nia
vai comegar a existir a
partir da segunda quin-
zena deste m~s, quando
o seu capital aumentara
quase 20 vezes, saltan-
do dos atuais 124 mi-
lh~es de reais para os R$
2,28 bilhdes, ja autoriza-
dos pelos seus acionis-
tas, a partir da determi-
na~glodo principal deles,
o governor federal. A
Uniho responder pela
quase totalidade dessa
nova subscri~go, inje-
tando pouco mais de R$
1bilhilo. Um faz-de-
conta de popularizaCio
de papeis que possibili-
tara umjogo verdadeiro
de aq~es a partir dai.
Com um capital des-
se tamanho, o Basa po-
dera competir de verda-
de no mercado, assu-
mindo de vez a face de
banco commercial, sem
perder a condi~go, es-
sencial ou quase uini-
ca ate: agora de banco
de desenvolvimento,
que a principio o Finam
(o fundo dos incentives
fiscais administrados
pela extinta Sudam) e,
depois, o FNO (o fun-
do constitutional do
Norte) lhe asseguraram
Finalmente a harmoni-
zagio da condigio bifron-
te da institui~go, que pa-
recia inalcangivel, ou a
capitaliza~gio 6 o pass
derradeiro para passar o
Basa para a iniciativa pri-
vada, oferecendo-lhe um
negocio que s6 agora vai
poder se tornar atraente?
Ha arguments para sus-
tentar as duas altemativas,
que devem ser debatidas
junto a sociedade. Acos-
tumada a tmtamento a plo
e agua, ela tem motives
para desconflar quando
lhe oferecem pilo-de-16.


Cimento: agora
f~brica sairs?

A faibrica de cimento do grupo Joho
Santos em Itaituba e um dos mais tardios
projetos da hist6ria da extinta Sudam:
aprovado ha quase um quarto de sdculo,
ainda nio comegou a funcionar. Ate o fi-
nal deste mes o motive alegado para esse
incrivel retardamento de 25 anos tera de-
saparecido: a Rede/Celpa promete ener-
gizar nos proximos dias a linha, com 30
quil~metros de extensilo, entire Itaituba e
a f~ibrica, abastecida pela hidreletrica de
Tucurui. O linhio do Tramoeste ja supre
a sede do municipio ha quase dois anos-
O projeto da fabrica foi aprovado ori-
ginalmente em 1978 para entrar em ope-
ra~go simultaneamente comn a unidade de
Manaus, inaugurada em 1985. A partir
dessa epoca a uinica atividade em Itaitu-
ba tem sido a extraqio do minbrio e seu
embarque para capital amazonense, que
o beneficia. S6 em 1991 o grupo Joho
Santos comegou de fato a implantaglo
do empreendimento. A empresa diz ter
executado 90% do projeto geral, mas
surgiu uma dentincia de que equipamen-
tos importados com os beneficios da Su-
dam para funcionarem na Amaz~nia fo-
ram usados fora da regitio, em outra fa-
brica do grupo (ver Jornal Pessoal 264).
A faibrica de Itaituba, a terceira do grapo
Jolo Santos na Amazinia (hi outra em Ca-
panema), represent atualmente um inves-
timento de quase 190 milhdes de reais, sem
ter produzido ate agora um unico quilo de
cimento. Para superar a barreira imposta
pelo governor do Para no Conselho Deli-
berativo da Sudam, o grupo aceitou im-
plantar a simultaneamente as duas novas
fibricas, a de Manaus e de Itaituba, assu-
mindo o compromisso de gerar sua pr~-
pria energia. Depois, repassou a responsa-
bilidade para o governor federal, que teria
sescomprometido a coloc8-la na porta da
fibrica at6 o final de 1988, o que s6 estA
fazendo mais de 13 anos depois.
Para que isso ocorresse, foi precise
gastar 240 milhbes de reais no Tramoes-
te, servindo a regitio da Transamaz~ni-
ca, Santarem e Itaituba, e, agora, conti-
nuar o investimento por um ramal de 30
quil~metros para beneficiary um client
de 30 mil kw, consume que represent
uns 7% da potincia nominal de uma 6mi-
ca das 12 maquinas da usina de Tucumui.
Afinal, trata-se de um client especial.
De Brasilia e de Belem.


Destiny

A gora que as termicas
voltamz a crista da onda,
cabe a pergunta: onde foi
parar a usina termica de
Tapand? Desativada
precipitadamente no auge
do furor hidreletrico, seus
servings foram dispensados
arbitrariamente, emnbora
ela pudesse ser acionada
nos mementos de colapso
total, mantendo servings
essenciais
Por onde anda, se ainda anda?


IVI0SiC8
Mesmo emz umn momentodte infe-
liz e injustificada marivontadepara
comt o Para,. Maircio Souza ndo
pode deixar de reconhecer que o
Estado vive um memento musical
fe~liz. Alem? das nossas cantoras de
projegdio national (Fafai de Belem,
Leila Pinheiro e Jane Duboc), al-
guns interpretes e compositores es-
td~o ja na soleira desse reconheci-
mento dijicil, principalmente por-
que o Brasil que domina a culture
(e apolitica e aeconomia) contem-
pla apenas o proprio umbigo e o
foreland, ndio o hinterland.
Muitos outros artists verdadei-
ros estdio em plena atividade no
aimbito local ou regional. A reno-
vagdio e permanent. As fbntes de
criagdjo mostram-se generosas, do
que dai exemplo o CD Um canto
pela paz, pr-oduto de bomn nivel de
20 compositores e interpretes do