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ANO XV NP 276* 1 QUINZENA DE FEVEREIRO DE 2002 R$ 2,00 BLECAUTE Tucurui, a sexta maior do mundo, construida sobre o leito do rio Tocantins. A Albras precisa de mais energia do que toda a populagio do Para somada. Sua conta represent 1,5% do consume de energia de todo o Brasil. E, individualmente, o maior clien- te do pais. Duas das 12 enormes maquinas da usina de Tucurui funcionam apenas para servir a fabrica de aluminio implantada, as proximidades de Belem, por um consorcio de empresas japonesas e a Com- panhia Vale do Rio Doce, inaugurada em 1985. E~a maior do continent, uma das maiores do mundo, garantindo 15% de todo o aluminio usado pelo Ja- pio, que fica a 20 mil quil~metros de distlincia. r-a 8 de margo de 1991, exatamente meio-dia de uma sexta-feira, o "dia da cerveja", quando comega a contagem regressiva para o final de semana: fal- .tou luz em Bele~m. Nem mesmo quan- do os 1,2 milhio de habitantes da capital paraense perceberam que o blecaute atingira toda a cidade, houve maior surpresa. O desassossego nio cres- ceu com a constata~go de que a interruppio se es- tendera a mais de dois tergos dos quase 6 milhbes de habitantes do Estado, espalhados sobre um ter- rit6rio de 1,2 milhio de quilo~metros quadrados, o fsegundo maior da federaqio brasileira. Todas as geraC2~es vivas do Para se acostuma- ram a conviver com a falta de energia, constant a partir do memento em que, no pos-guerra, os concessionarios ingleses deixaram de investor na Para Eletric, rebatizada pelo humor popular: pas- sou a ser a "paralitica". Estava sempre parada. Mas o blecaute de 1991 durou nio uma ou duas horas, conforme a retina hist6tica: chegou a 12 ho- ras. Alem de todos os problems que causou a vida dos cidadios, quase liquidou a Albras, o maior dos consumidores da Eletronorte, empresa estatal res- ponsavel pelo abastecimento da maior parte do Es- tado a partir da energia gerada pela hidreletrica de ~~:~~ .e -i~ Jorna Pessoal LUI O F LA V O PIN T O Energia que se (es val O Para' e e serai cada vez mais a provincia energetica do Brasil. Essa condiga~o colonial pode imzpedir que energia se torne sindnimo de desenvolvimento no Estado. Exportada em bruto, val tra~zer benefi'cios para os vizinhos Estados consumidores. O apaga~o do dia 10 revela essa situaga~o: sd' contamos para exportar o que temos. LATIN AMERICAN COLLECTION L'"' ~.~;L~"~i~~C~LIII~L~.~LC LL:~ _t(l~~ F: Li J638/ 2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 A media que o tempo passava e a energia nio era restabelecida, mais cubas eletroliticas da fabrica esfriavam e ameagavam ficar completa- mente inutilizadas. Quando, a meia-noite, Tucu- rui voltou a funcionar, a Albras, um investimento de 1,8 bilhio de d61lares, comn media annual de ex- porta~go de 400 milhbes de d61ares, sofrera o major acidente da histi~ria mundial da induistria de aluminio provocado pela falta de energia. Por pouco njo teve que refazer todos os seus fornos. O prejuizo, descontada a cobertura do seguro, foi superior a US$ 50 milhdes. A Bolsa de Metais de Londres registrou o fato histi~rico, mas os paraenses, passados quase 12 anos do acidente, nlo tem uma ide~ia nem aproxi- mada do que aconteceu. Na ocasiio, a Eletronor- te atribuiu o blecaute a um raio, que teria atingi- do uma das torres da linha de transmissio entire Tucurui e Belem, com 350 quilo~metro-s de exten- sho. Foi a estreia da "teoria do raio", aplicada pos- teriormente ao sul do Brasil. Na verdade, a linha de Tucurui foi desligada por causa de uma pega, instalada na torre de trans- missio sem a qualidade devida. Fora, assim, "co- missionada" irregularmente, conforme o jargio do setor. A especificaqio dizia uma coisa, mas a pega continha outra qualidade, inferior. Estourara an- tes do prazo previsto para o fim de sua vida uitil. Transferida a responsabilidade para os largos cos- tados do raio, pore~m, nio se falou mais nisso. O tema retornou no dia 10, quando um novo acidente deixou milh~es de pessoas sem energia, nso s6, no Para, mas tambem no Maranhio e em Tocantins. Desta vez, ao contrario do que ocor- reu em 1991, a Eletronorte nio procurou desviar a opiniso puiblica da causa real do blecaute. Ago- ra, forneceu as informaqbes que tinha. Mas, pas- sadas quase tres semanas do acidente, as infor- magaes disponiveis sao insuficientes para expli- car claramente o que aconteceu no dia 10. Sabe-se que o acidente comegou num capaci- tor da subesta~go de Vila do Conde, que recebe, rebaixa e retransmite a energia originaria da hi- dreletrica de Tucurui. Se o sistema estivesse sau- davel, o curto-circuito teria sido isolado, sem mai- ores conseqiiincias. Mas ele acabou superando as barreiras e se irradiando para a linha, provo- cando o desligamento geral. No acidente de 1991 a causa foi atribuida ao raio, que teria atingido uma das torres da linha. Agora, o component natural do problema seria a umidade. A umidade, porem, existe, e elevada (nunca abaixo de 80%) e tem que ser considerada em to- das as obras realizadas na Amazonia, nso so na sua qualidade como na definiCio da expectativa da vida uitil de todos os components da obra. O ble- caute do dia 10 de janeiro tem ingredients multo mais complicados. Ao contrario do que aconteceu quase 11 anos atras, desta vez nso parece ter havi- do irregularidade no comissionamento de peas, afetando sua exaustso ou fadiga. l ate natural, por isso, que a Eletronorte ainda nio tenha apresenta- do um laudo final sobre o episi~dio. Melhor enca- rar com seriedade a questio do que emitir umna nota apressada, como ocorreu em 1991. Esse e o caso exemplificador de que energia e mate~ria de political publicas. A terceira linha ei do mais alto interesse coletivo, mas nso atrai investidores, descrentes de sua rentabilidade. Agora que o governor federal parece estar se sen- sibilizando novamente para suas responsabili- dades perante o setor, depois dos impacts cau- sados por apagbes nacionais, era a hora de pres- sionar Brasilia a tirar a capital paraense da triste posi~go de a mais desasssistida das metrdpoles brasileiras, energicamente falando. Ngo s6 ener- geticamente, aliais. Essa iniciativa seria important para atenuar, se nio pode eliminar, a posigio de provincia ener- ge~tica emn que o Para vai se consolidando. O Es- tado ja eo quinto maior produtor national de ener- gia. Pula para a terceira posi~go quando o r~ankinlg e dos exportadores de energia. Isto quer dizer que cada vez mais a energia obtida em seus rios sera transferida para outros Estados. Ate o final da decada, se a hidreletrica de Belo Monte for construida no rio Xingu, o Para se tornara o primeiro produtor e o primeiro ex- portador de energia do Brasil. Assim, a ener- gia sairit bruta do seu territbrio, sendo benefi- ciada na terra do vizinho. Por causa da cobran- ga do ICMS sobre o consume e nio sobre a produ~go de energia, o kw que sai de Tucurui fica mais barato no Maranhio do que no Para. Se nio conseguem nem saber o que esta acon- tecendo comn a energia produzida em seus limi- tes, dificilmente os paraenses conseguirio re- ter a energia para beneficia-la. Energia, nesse caso, nio sera sino~nimo de desenvolvimento. Muito pelo contrario. Mas seria aconselhavel que uma instfincia inde- pendente acompanhasse com atengho o trabalho de apuraqio dos fats. Quando ele estivesse concluido, a Eletronorte podia ser convocada para explicar tudo numa audiencia publica, aberta a todos os interessa- dos. Sobretudo aqueles que nso gostariam de acei- tar uma interpreta~go distorcida do acidente. E claro que, tendo ocorrido na subestagio, por causa de sua amplitude e profundidade ele afeta- ria o suprimento de energia ainda que houvesse duas ou tres linhas de transmissio entire a hidre- le~trica e Belem. Mas o fato de so, haver ainda em operaqio uma linha singela, num circuit respon- savel por quase 2% do consume de energia de todo o Brasil (por causa da fabrica de aluminio da Albras), da uma media da prioridade que essa rede tem do governor. A fabrica de aluminio da Alumar, quase do ta- manho da Albras, instalada em Sgo Luis do Mara- nhso, pela Alcoa e a Billiton, duas das seis "irmas" do cartel internacional do aluminio, a uma distan- cia duas vezes maior, opera ha mais de uma decada com linha duplicada. A empresa fez o investimen- to e se ressarciu da despesa atraves de um encontro de contas com a Eletronorte, descontando o valor na tarifa, ja privilegiada por subsidies. A duplicaqio da linha Tucurui-Belem, com obras em andamento, esta prevista para ser con- cluida ate o final do ano. Mas ela nada mais e do que a linha de seguranga da Albras, correndo em paralelo com a que ja existe. Para Belem e o nor- deste do Para seria necessario um ramal com outro tragado. A Eletronorte diz estar consciente dessa necessidade, mas nio ha interessados na oferta do serving, agora transferido a iniciativa privada. Da revoluqio de 30 para ca, Sio Paulo tem absorvido de 40 a 50% da riqueza national. Em parte por seu espirito empreendedor. A partir de certo memento, pelo uso do poder que essa capa- cidade lhe proporcionou. Acumulou beneficios sem paralelo com nenhum outro ponto do territo~- rio national. Sua capital ostenta um patrimi~nio sem competitor, incluido o Rio de Janeiro, a ca- pital federal por mais tempo ate hoje. Mas Sho Paulo esta sofrendo agora um proces- so de deterioraqio formidavel, o mais violent em cursor num Brasil que sofre os efeitos de uma dire- triz distorcida, segundo a qual o bolo deveria pri- meiro crescer, em usufruto fechado dos cozinhei- ros, para depois ser repartido com a rale. Agora, as classes esquecidas ("excluidas", segundo o jargio do memento) estio ultrapassando as barreiras do control e da coer~go em busca de suas migalhas. O bolo, pore~m, e muita casca e pouco conterido. Massa que deveria estar sob essa capa de opulen- cia foi drenada para fora do pais e para bolsos pri- vilegiados. Da proxima vez, o fogo. Circulei mais uma vez por Slo Paulo na sema- na passada. Apesar da rapidez, e: impossivel nio se impressionar com o avango da pobreza, comn as marcas da necrose urbana, da dissipagio social. Sgo Paulo nao podera voltar a ter a hegemonia de de- cadas atras sob pena de inviabilizar o pais, levan- do-o a explosio (que, a propi~sito, comega pela im- plosio dessa cidade fantastica, impossivel de nio amar para quem viveu nela por mais tempo, de olhos abertos e mente receptive, sem nunca esque- cer o coraqio discrete). As elites abusaram desse poder, dilapidando a riqueza acumulada. E agora? Se a recuperaqio do Rio da crise em que Bra- silia o fez mergulhar e um desaflo national, o ree- quilibrio de Sio Paulo, a partir da corre~go do modelo econi~mico concentrador, e tarefa para to- dos n6s, mesmo vitimas dessa centrifuga cruel. E tema para todos, por nos afetar, direta e indireta- mente. O desaflo de livrar o Brasil do brutal dese- quilibrio inter-regional (e social) s6 estara complete se o prego nio for o sacrificio de Sgo Paulo, que equilibra, como nenhum outro Estado, os dois po- los extremados de riqueza e pobreza do Brasil. Equilibrio deveras perigoso, como revela o surto de criminalidade, ja tornado cri~nico. Pago neste ulimero, como pemitincia, ter sa- crif'icado o fechamento da edi~go com a mete- 6rica ida ao continent paulista. As mate~rias mais candentes ficam para a proxima. Sgo Paulo merece e justifica. Sio-Sho Paulo JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 3 Belem: capital sem energia Desta vez, ao contrario do que ocorreu no grande blecaute de 8 de margo de 1991, a Ele- tronorte nio procurou desviar a opinitio puibli- ca dacausa real da interruppiono fornecimen- to de energia eletrica para Belem e grande par- te do Para. Agora, forneceu as informaqdes que tinha. Mas, passadas quase tr~s semanas do aci- dente, as informagdes disponiveis slio insufi- cientes para explicar claramente o que aconte- ceu no dia 10 do mis passado, deixando mi- thdes de pessoas sem energia durante quatro horas em tris Estados. Sabe-se que o acidente comegou num ca- pacitor da subestagilo de Vila do Conde, que recebe, rebaixa e retransmite a energia origina- ria da hidreletrica de Tucurui. Se o sistema es- tivesse saudavel, o curto-circuito teria sido iso- lado, sem maiores conseqi18ncias. Mas ele aca- bou superando as barreiras e se irradiando para a linha, provocando o desligamento geral. No acidente de 1991 a causa foi jogada sobre as costas'largas de um raio, que teria atingido uma das torres da linha Tucurui-Vila do Conde, com 350 quil6metros de extensio. Agora, o com- ponente natural do problema seria a umidade. A umidade, pore~m, existe, e elevada e tem que ser considerada em todas as obras realizadas na Amazonia, nio s6 na sua qua- lidade como na defini~go da expectativa de sua vida util. O blecaute do dia 10 de janei- ro tem ingredients muito mais complica- dos. Ao contrario do que aconteceu ha qua- se 11 anos, desta vez nito parece ter havido irregularidade no comissionamento de pe- Fas, afetando sua exaustlio ou fadiga. E ate natural, por isso, que a Eletronorte ainda nito tenha apresentado um laudo final so- bre o epis~dio. Melhor encarar com serie- dade a question do que emitir uma nota er- rada, como ocorreu em 1991. Mas seria aconselhavel que uma instancia independent acompanhasse com aten~gio o tra- balho de apura~gio dos fats. Quando ele esti- vesse concluido, a Eletronorte podia ser con- vocada para explicar tudo numa audiencia pui- blica, aberta a todos os interessados. Sobretu- do aqueles que nio gostariam de aceitar uma interpreta~gio distorcida do acidente. E claro que, tendo ocorrido na subesta- Cgl,, com sua amplitude e profundidade ele afetaria o suprimento de energia ainda que houvesse duas ou tres linhas de transmis- slio entire a hidreletrica e Belem. Mas o fato de s6 haver ainda em opera~glo uma linha singela, num circuit responsavel por qua- se 2% do consume de energia de todo o Brasil (por causa da fabrica de aluminio da Albras), da uma media da prioridade que essa rede tem do governor. A duplicapilo, ja em obras, esta prevista para ser concluida ate o final do ano. Mas ela nada mais e do que a linha de seguranga da Albras, o maior client de energia do pais, correndo em paralelo com a que ja existe. Para Belem e o nordeste do Para seria necessario um ramal com outro tragado. A Eletronorte diz estar cons- ciente dessa necessidade, mas nito ha interes- sados na oferta do servigo, agora transferido a iniciativa privada. Esse e o caso exemplificador de que ener- gia e materia de political puiblicas. A terceira linha e do mais alto interesse coletivo, mas nlio atrai investidores, descrentes de sua rentabili- dade. Agora que o governo federal parece es- tar se sensibilizando novamente para suas res- ponsabilidades perante o setor, depois dos im- pactos causados por apagbes nacionais, era a hora de pressionar Brasilia a tirar a capital pa- raense da triste posiqilo de a mais desasssistida do Brasil, energicamente falando. Nio s6 ener- geticamente, alias. O ex-senador Jader Barbalho sera candidate a alguma coisa na elei~go de outubro. A que, ele nio disse ate: agora. Todas as interpretaqdes a partir desse ponto slio palpites. A possibilidade mais evidence e:o governor do Estado, mas certamente o lider do PMDB no Para ainda examine as alternatives. Tranqiiila mesmo, seria apenas a elei- Fgio para uma cadeira de deputado fe- deral para quem dispie de um acervo de pelo menos 800 mil votos. Niio quer dizer que, para a obten- Cgio de um novo mandate de senador, depois de a ele haver renunciado sob uma ofensiva anticorruppio, Jader va ter a mesma vota~go alcangada no se- gundo tumor da elei~gio para o governo, quatro anos atrais. Em 1994 ele se ele- geu senador com 550 mil votos, ape- nas 10% a mais do que Ademir Andra- de, que ficou com a segunda vaga em dispute. As pesquisas indicam que o eleitor hesita mais em dar seu voto para Jader reaparecer no senado do que para voltar a ocupar, pela terceira vez, o go- vemo do Estado. Ele agora conta com o parecer fa- voravel de um perito judicial. Apresen- ta-o como aprova dos nove de inocin- cia em rela~go as acusaqdes que lhe fi- correria o risco de entrar num limbo politico, dos que se mantim numa boa posi~gio, mas nio tim poder de man- do, capacidade de voltar a organizer um grupo de poder? O cargo mais forte e o do executi- vo estadual, com a vantagem de estar fora do jogo de interesses principals da political national. Contando com a fidelidade de um tergo dos eleitores do Para e a rejei~go imutavel de 40% des- se universe, Jader nio pode esperar mais do que 51% a 52% dos votos validos no segundo turno, independen- temente de quem venha a ser o seu adversario. Qualquer erro ou fato des- favoravel de maior significado e a elei- Fgio estara comprometida. Nflo tem mais do que 5% a faixa do eleitorado que ainda manifesta alguma indecisio quanto a votar em Jader, podendo pen- der para um lado ou para outro da ba- langa na hora decisive. Com essa perspective bastante complicada, o ex-ministro anunciou que vai entrar assim mesmo na bata- lha, rejeitando a outra hipo~tese, a de ficar de fora da elei~gio deste ano, uma outra forma de "fico" (de fora), que certamente faria o bem de todos e a felicidade geral do Para. zeram, de transferir para sua conta pes- soal dinheiro desviado ilicitamente do Banco do Estado. O laudo pericial e, de fato, um trunfo. Mas nio e sentenga de absolvicgio. Passa a fazer parte da intrincada colegio de papeis juntados na evoluqio do contencioso, a favor e contra. Na avalanche dessa guerra, o ex- senador pode argumentar em seu favor que nao provaram sua culpa. Os acusa- dores podem retrucar, de seu lado, que ele tambem nito provou ser inocente. Logo, persistem as sombras comprome- tedoras. Atinal, o entrio governador andou em tilo mis companhias que es- taria merecendo ser enquadrado no di- tado popular: dize-me comn quem an- das e te direi quem es. Ou: o habito faz o monge (e, se nio fliz, indica a que ordem ele pertence). Nesse context, Jader estara dis- posto a voltar a se expor no tiroteio que certamente recomegara quando sua cabega se tornar visivel outra vez? Ate sofrer a saraivada de golpes, mal saira da comemoraqio pela conquista da presidencia do senado, Jader era um dos cinco homes mais poderosos da repilblica. Hoje, ninguem mais fala nele. O silencio convem a todos, in- clusive a Jader, que nio deve ter se recolhido a provincia sem um enten- dimento compensat6rio com pelo me- nos um ou dois integrantes desse quin- teto de poderosos, entre os quais o nuimero um (por enquanto). Estara Jader convencido da segu- ranga de voltar a Brasilia como sena- dor, sujeito a ouvir provocapies mali- ciosas ou ataques frontals, que podem provocar a retomada do process de desgaste? Se o caminho do senado esta interditado, o da Camara Federal seia uma rota mais long e mais protegida, sem atrair os principals predadores? E, inquestionavelmente, a uinica alternati- va imune a ameaga de derrota? S6, esse element pesa em favor da hip~tese de Jader Barbalho se apre- sentar como candidate a deputado fe- deral, retomando duas de~cadas na sua carreira, a 1982, quando trocou o man- dato de deputado pelo de govemnador. Todos os outros influem negativamen- te. De volta a political como deputado, Jader teria um ocaso glorioso, gragas a votaqilo, capaz de render uma boa bancada para o PMDB. Mas ele nho 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 s~o, Bruno de Menezes. E antes do fim ainda se pronunciaram Jose Santos, Julio Colares e Paulo Eleutetrio. La pelas tantas, lembrando-se de um velho funcionario do journal, que servia cafe acompanhado de uma observaqilo assaz sensata ("isto de ser jornalista nio e: das melhores coisas"), o poeta Bruno de Menezes criou na hora uma quadra: "A Folha e um bloco adoravel. Ngo te mete com estas trincas, Que a Folha s6 tem respeito Ao cafe do 'mestre Quincas"'. Qual o jornalista que nio queria ter estado la, 70 anos atras? Te atro Vanguardista como sempre, o Norte Teatro Escola do Para levou para o 3" Festival de Teatros de Estudantes do Brasil, que se realizou em 1960 na futurista Brasilia, re- cem-emmpossa na condigio de capital brasileira, a pega "Pic- Nic no Front", de Fernando Arrabal. Como ja havia feito um pouco antes com "Morte e Vida Severina", de Joho Ca- tosa muralha de coloridos sobra- dos portugueses, Nos postais produzidos pela ACio Catolica Brasileira logo de- pois da Segunda Guerra Mundi- al, quando Belem ia comegar nova etapa da sua vida, podia-se verificar que os armaze~ns de fer- ro ainda eram suf~cientemente es- pagosos para abrigar toda a car- ga movimnentada pelo porto. Ele tinha important papel no trans- porte de cargas e passageiros por toda a bacia amazi~nica, a maior do mundo. Sobretudo na impor- tagio de mercadorias atraves da pequena cabotagem, recebendo produtos que vinham para Belem ou reembarcando-os para os di- ferentes pontos da region. Comn tamanho adequado para armazenagem, nito precisava do espago retroportuario disponivel, como o que ainda se podia ver por tras do predio colonial ingles da Port-of-Para (depois Snapp e, por fimn, Enasa). O Boulevard Casti- lhos Franga podia ter prossegui- do por ali ate, numa primeira eta- pa, o igarape das Almas (hoje, a Doca de Souza Franco). Abriria uma via unica na paisagem de Bele~m, consolidando essa fisiono- mia parisiense-lusitana. Nada disso aconteceu. A area retroportuaria foi sendo ocupada como depo~sito de conteineres, a forma mais mo- derna de transport. Quando, artificialmente, foi decretado o fimn do porto, sem uma discus- slio mais ampla e aprofundada sobre a nova funglio desse es- pago, a sucessora da concessto feita pelo governor federal ao empresario Percival Farquhar, doCParP) cma~ a D ear o terrenos sem uma vision de con- junto da area, nem um plane- jamento integrado ao da admi- nistragilo municipal. Ao bel prazer de seus interesses me- ramente imobiliarios. O resultado e a colcha de retalhos e de incongru~ncias que se seguiu ao uso do solo por tras do predio da Enasa, reduto ainda aberto ao tragado criativo no p6s-guerra. E pre- ciso, urgentemente, suspender a destinaqio da area para sub- mete-la a um ajuste ao conjun- to do espago urban. O postal seguinte deve deixar saudade nos que puderam usu- fruir a paisagem nele fixada e inveja nos que vieram depois. Esta Belem niio existe mais. A janelinha para o rio, arborizada, comn seu chafariz, na buc61ica Praga do Pescador, foi engolida pela feira, cuja anarquia sobre- vive aos eventuais impulses de organizaqilo, raramente mais consequentes, todos cedendo a acomodagilo desse bazar a ceu aberto em que a cidade se redu- ziu, espraiando-se do centro para a periferia. E pelas reforms mi- meticas de quem pretend tomar- se como o principio de tudo, re- vogando o que veio an~tes e to- das as disposiqdes em contrario. Culpa de Belem? Claro que nito. Mas esse tambe~m nilo e um destiny manifesto, ja escrito nas estrelas (ou na estrela cadente d sogop onommunic pal) enpE- do a heranga recebida, como a que os dois postais retratam, pensar na possibilidade de ten- tar de outra maneira. Afinal, quem nito sonha nada temn para realizar de future. -- Ic~f r- - .J r r ~C1 P.~CI a '"-" J~ j c I ~ r 1~ 'C 'd tL 5 _.. -,'-LI J .- r Jornal Em 7 de junho de 1931 um almopo no Grande Hotel reuniu 51 pessoas para comemorar a inauguraqio do pre~dio da Folha do Norte, construido na roa Gaspar Viana pelo engenheiro Francisco Bolo- nha (o mesmo do Palacete Bolonha e da Vila Bolonha). Eram 42 integrantes do jornal, do donor ao grafico, e nove colaboradores, que saudavam o retorno do funcionamento a velha sede, depois adquirida por Romulo Maiorana, para a instala~go de O Liberal. No menu ficou registrado que o almopo era "em regozijo pela volta de suas instalaqdes a antiga sede, em que vive ha mais de 35 anos". Os convidados so serviriam de camorim ao molho Mous- seline, frango a marengo, file a Grande Hotel, sorvete fantasia, vinhos Souterne, Medoc e Raposeira, branco e tinto, cerveja, gua- rana, licores e cafe. A Fabrica Sllo Vicente, de M. Santos & Cia., criou um creme especialmente para a ocasiio. A mesa tinha a forma de M, em homenagem ao sobrenome, Maranhio, do donor e alma do journal, Paulo. Discursaram o pa- dre Dubois, Nogueira de Faria, Luis Barreiros e Ildefonso Ta- vares. Em nome dos graficos falou Abelardo Chagas. Pela revi- A zona portuiria Belem era uma cidade privi- legiada: tinha um boulevard como divisa portuaria. Ao s61i- do ancoradouro construido pe- los ingleses, no estilo da epoca, inicio do seculo XX, atraves do qual os passageiros chegavam a capital da Amazi~nia, seguia-se umna avenida larga, arborizada, comn dois chafarizes c uma vis- rr~ L`,~, p c. . ja*p- ,/ 3'" i JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 5 BELEM pela PP-VS Eneurtandoa distinci enr a Novar CaVlp ital ..r mlir nova usehr Belim-Brasilir, com ecaclas em cidades situldas ro longo da rodovia "Bernardo Saylo". E ramb m pars o trlanprte de cargas uuln iv qut ba msouNA sus disposiS~o. VIAJE BEM... VIAJE VASI ouM Procure ~ ~ n sonagmedovige los 6as, ds 6 h,. com Un Corlm ..~~l man c~. zus.Uo d~&~ ... Ib daslas,5asadbado.r ,"" '.~lo~ld Grp. God 1I 1,60 nlcl~~r pURUAlCS vaAo rtREA SAD PAULO s.A. RInu Frutooso Gvlmara,~n 94-1.* onder TuI 2)0o-8.... C/j Acompanhada de uma 'cacha7~cinha do Pard: no restaurants (ar condicionado) do GRANDE HOTEL bral de Mello Neto, o NTEP realizaria a primeira encena- 950 no Brasil (e na Am~rica do Sul) dessa obra do teatrolo- go espanhol, na e~poca ainda pouco conhecido. . Mal chegada da Europa, como bolsista de teatro da embal- xada francesa no Brasil, Maria Silvia Nunes embarcou de novo para assumir a chefia do elenco, composto por Angelita Silva, como secretaria, Maria Helena Coelho e Fernando Penna, como convidados especiais, e pelos atores Daniel Carvalho, Waldir Sarubbi de Medeiros Paraguassu Elleres, Joho Augusto Gama, Eduardo Abdelnor e Aita Christine Altmann. Por "motivos de ordem superior", deixaram de acompanhar o grupo as cronistas Lindanor Celina e Maria Brigido. E tam- bem o ator Joaquilm Francisco Coelho, que iria passar uma tem- porada de estudos nos Estados Unidos, supostamente ate 1962. Por la, porem, permanece ate hoje. Arquitetura Foi em 1966 que a Universidade Federal do Para formou sua primeira turma de arquitetos. Integraram esse grupo pio- neiro Alcyr Meira, Camillo Porto de Oliveira, Lticia Daltro de Viveiros, Milton Monte, Roberto La-Rocque Soares e Rui Vicira. O paraninfo for o professor Fernando Lunardi. Fo- ram homenageados, entire outros, Jorge Derenji, Bohdan Bu- jnowski, Wolf Livi e Donato Mello Jr. Banco Em julho de 1966 o Banespa (Banco do Estado de Sho Pau- lo) comprou o control do Banco do Para, presidido por Oscar Faciola, por 1,2 bilhio de cruzeiros, valor da epoca. Era o co- mego do desaparecimento dos bancos locals, qlue surgiram, cres- ceram e se mantiveram como agents financeiros do extrativis_ mo, estabelecendo-se ao lado das grandes firmas aviadoras na rua XV de Novembro, a Wall Street ao tucupi. Cinema No final de 1966 a empresa Cinemas e Teatros Palacio pu- blicou uma nota na imprensa para admitir serem procedentes as seguidas reclamaqdes feitas pelo priblico contra "o mau es- tado em que se encontra a principal casa de espetaculos da cidade". Mas transferia a responsabilidade pelo problema a Empresa Cinematografica Sul e a Luiz Severiano Ribeiro. Atraves de um ardil, elas se apossaram do control do Cine Palacio, construido por Judah Levy, no terreo do edificio Palacio do Radio, justamente com o objetivo de dotar Belem de um cinema de padrjho superior, enfrentando o cartel montado a partir de 1946 por Luiz Severiano, com salas de exibiCio ultrapassadas. Prometia lutar na justiga contra a transferincia, feita a sua revelia. A rt vista Erastos Banhos, com a face do palhago Alecrim, completou 1.200 apresentagies do program "Clube do Garoto", na TVI Marajoara, em 25 de novembro de 1970. Era o record national para artists de televisio, feito comemorado pelo "Carequmbha" paraense, qlue nio era paraense. E, a noite, assumia a face de ani- mador de boate no Palacio dos Bares, na Condor, comn seus chis- tes picarescos atravessando as madrugadas a beira do Guama. Bemn Belem. Nossa feijoada A feijoada sempre foi uma institui~go national. Em 1966, o desaparecido (e pranteado) Grande Hotel ainda servia a sua, recomendada pelo chef' Barroso, uma "autentica feijo- ada complete a carioca", com sua cachacinha acompanhante, e: claro, eo indispensavel at condicionado (um luxo da e~po- ca) para atenuar os vapores. Quem tem mais de 50 anos e nio atendeu o convite nio sabe o que perdeu. Era como transporter o Para ate um am- biente europeu. BB por ar A linha que a Vasp inaugu~ rou em julho de 1960, "encur- tando a distancia entire a Nova Capital e o Norte", era um au- tantico sobrev~o da Rodovia Bernardo Sayho, o nome dado a Bele~m-Brasilia em homena- gem ao seu construtor, que morreu esmagado por uma ar~ vore antes da conclusio da obra. Eram nada menos do que nove escalas antes que o DC-3, um her6ico sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, pu- desse concluir o percurso: Im- peratriz, Estreito, Carolina, Guara, Porto Nacional, Guru- pi, Uruaqu, Ceres e Anapolis. Tris dessas escalas (Gurupi, Guara e Estreito) s6 seriam "iniciadas posteriormente". Mas ja era uma verdadeira 8 inkana area, com sobes-e desces e turbulencia a vontade. 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 do, perguntado sobre o que e o Egito, responder sem vacila~glo: um produto do Nilo. A frase esta em todos os manuals, desde as primeiras letras. Criou um refr~io universal sobre um pais que tem releviincia planetaria ha milhares de anos. Se a pergunta fosse sobre a Amazi~nia, qual seria a resposta? Para ser convincente, a maneira do conceito fixado a civilizaqio egipcia, a res- posta devia vincular a regitio a dois dos seus ele- mentos naturals: a agua e a floresta. Slio duas esmagadoras evid~ncias fisicas. Um tergo das florestas tropicais que sobrevivem na Terra estlio concentradas na Amazo~nia, um terri- se consider a massa vegetal, independentemente das fronteiras nacionais dos seis paises que lati- no-americanos a contim. Um quinto da agua dre- nada pelos rios do planet para os mares circula pela bacia amazo~nica, numerosos afluentes que contribuem para former o mais extension e mais caudaloso de todos os rios, o Amazonas. Quantos seriam capazes de associar a essencia amaz2~nica a combina~gio de vegeta~go e agua? Os resultados da terceira edi~gio de uma pesquisa nacio- nal de opinitio puiblica realizada desde 1 992 pelo lbo- pe, sob encomenda do Ministe~rio do Meio Ambiente e do Instituto de Estudos de Religitio (Iser), mndicam dar a Ulnido. A hidreletr~ica serai licitada pela Aneel a grupos particulares, a Ele- tronorte se Ilmitando (se e que se pode caracterizar sua participa~rdo comlo "li- mitada ") a elaborar os estudos de enge- nhar~ia e entrar comt 30% do capitalpara o investimlento. Logo, a autorizagdio le- gislativa e nao so comlpulsoria, comlo ne- cessairia. Umna obra de U/S$ 3, 7 bilhaes (so na usina, havendo mlais UiS$ 2,8 bi- lhaes na linha de transmissdio) esta bem long de poder ser considerada "uma es- capadela e caber na capacidade sus- peita do 'j'eitinho brasileiro ". O terceiro iteml. Demlocracia, para miml, vem desacompanhada dos qualifi- cativos a que semlpre recorreml os dita- dores disfargados para ndo praticai-la. De ve: eml quando surge umta "demo- cr-acia relative ", ou umla "democracia social" que ndio sd~o, na verdade, demzo- cracias. Acatar a vontade da maioria, assegur~ando os dimeitos da mIinoria, e cumlprir a lei, sdio dois dos jimdamen- tos da dem~ocracia desde os antigos gre- gos. Ei na discussdo e re controversia que a sociedade se mnanife~sta. Se ha al- gueml viciado na arena, defendendo in- teresses ocultos ou dizendo o que nio val fazer: a tarefa demnocraica e des- mascarar-lo e ndjo sufocar o contradi- torio, uinico caminho da verdade. Porfilm: os fellores gostaml de gran- des obras. Tucurui, por exemlplo, foi um manai para os fr~anceses, que ganharam na obra, diretamnente, fornlecendo tur- binas e cobrando juros pelos empresti- mlostanto quanto os japoneses fatura- ramn indiretamenie. Protegidos pela cortina de firmaga do desinformado (ou caviloso) discurso nacionalista. O silencio da Fadesp, de fato, faz mIal a todos, principalmlente ai fundagdo universitaria. Para que o silencio nio se transforme eml erro coletivo, convi- nha ao Ministerio Puiblico federal, complemlentando suas iniciativas sobre o temla, realizar uma audiencia puibli- ca para a fundagdio apr~esentar seu tra- balho e explicar quanto gastou (e de que maneira) nele, subm~etendo-se ao dia~logo que constitui o grande patr~i- modnio da demnocracia. E a razaio mlai- or da sua longevidade, a despeito de tudo e de mzultos. CARO JORNALISTA, Em que pese toda a admira~glo profis- sional que tenho por seu trabalho, cau- sou-me surpresa a materia que trata do direito de escolha e a escolha do candi- dato a governador pelo atual Governa- dor do Estado. Perguntas como: O Governador 6 um novo Magalhies Barata, podendo eleger quem quiser? Sua vontade pode ser lei no Para? bem assim as respostas dadas a elas me surpreenderam pela 6tica com que fo- ram tratadas. Se eu posso, voce pode e qualquer pessoa tambe~m pode ter o direito de escolher quem quiser para ser candida- to ou escolher dentre os candidates o seu preferido, por que o Governador nito teria esse direito? Estamos ou nio num Estado Democratico de Direito? Por outro lado, quem garante que a escolha do Governador sera a do povo, que, final, e quem elege? Pode-se ate ser contra o escolhido, mas nito se pode it contra o direito de escolha. Trata-se de uma garantia cons- titucional do cidadito. Esclarego que nio estou aqui para dis- cutir o me~rito da escolha, se certa ou er- rada, viavel ou inviivel, boa ou ma para o Pari, mas como advogado que sou, de- fendo as garantias constitucionais do di- reito a liberdade e a igualdade. Aceite um abrago fraterno e a minha grande admirag~iio. Hipblito Garcia OAB/PA 2633 MINHA RESPOSTA Quando escolhe o candidate a sua sucessiio, o governador nito age como cidadito comum. Nada a objetar se as- sim fosse. Ele esti transformando o seu preferido no candidate official. De outro modo, o economist Simio Ja- tene nito se disporia a disputar a elei- Cgo para o governor. Dificilmente o fa- ria de motor proptio, saindo do zero (nenhuma participa~gio em elei~go ate agora) para o 80 (o topo da carreira political estadual). Ele persisted com um indice entire 3% e 4% nas pesquisas de opiniio por suas caracteristicas pessoais e sua historia na vida pliblica, de tecnico ate entlio avesso a political. Provavelmente estaria inviabi- lizado se niio pudesse contar com o calor da maquina official e o uso de recursos que estlio muito alem do alcance de um cidadlio comum, ainda que no pleno gozo de suas garantias constitucionais. A mate~ria formula a pergunta: por que, ainda assim, ogovernadoropta por uma pessoa destituida das condigaes exigidas de uma pessoa que aspira ao cargo mais alto da political, quando po- dia encontrar uma solu~go mais efici- ente dentro de sua pr6pria coliga~gio ou numa composi~go mais ampla? Respos- tas sito sugeridas. Conclui que o gover- nador, ao assumir os altos riscos envol- vidos, se consider comn os poderes de um autocrata, capaz de eleger a quem quisesse, preferindo um esquema suces- sbrio fechado. Ao critical, o journal exer- ce um direito (e ate um dever), que constitui um dos eixos de sustentaqilo da democracia: expor o poder (absolu- to?) do governador a um espelho que, como na lenda da Branca de Neve, nio corresponde aos seus desejos por niio ser, na otica do jornalista, a verdade. Espero que a critical nio acarrete a destrui~glo do espelho. Mesmo porque njto sera dessa maneira que a madrasta se tornari mais bonita do que Branca de Neve e realizari sua vontade, como mostra a lenda. 00 ff 6ciO A loja do saudoso antiquirio Elias Oha- na ficava na 28 de Setembro e nito 28 de Novembro. O redator adiantou-se: no tem- po e no espago. As imagens da seqilo nostalgia sai- ram ruins por impropriedade de pro- grama~gio. O computador, como todos sabem, burro. Em "epoca posterior", Augusto Rezen- de, irmlio do felizardo Berna Rezende, foi prefeito e niio ex-prefeito de Bele~m. Ex, so, mais posteriormente ainda. Perdlio, leitores. Monte Retorno ao tema Belo Monte, tendo em vista os terms da materia publica- da no JP n" 274, para fazer os seguin- tes comentarlos: voc2 diz que os Eias-Rimas de dois projetos anteriores elaborados pela Fadesp foram rejeitados judicialmente por com- pleta inconsisttncia. Parece-me que a in- formaglo ficou inconclusa porque niodei- xou claro se a rejei~go ocorreu no aspect legal ou no conteuido do document; Squanto a competencia para o licenci- amento ambiental do estudo ecologico, re- piso minha posi~go anterior, os artigos 23", VI,VII e 24", VI, paragrafos 1", 2" e 3" da Constitui~go Federal slio cristalinos, nito ha erro. No maximo, admite-se no event, aparticipaqio obrigatria dos Es- tados do Mato grosso e do Para. Cabe, e claro, ao Congresso, autorizar o aprovei- tamento de recursos hidricos (art. 49" da CF), porem, em se tratando de projeto de suma relevancia pode-se conseguir o seu referendo, sem maiores melindres. Nas obras do program Avanga Brasil que es- tiio sendo executados em todo o territbrio brasileiro, por acaso voce tem noticia se o Congress foi ouvido ou cheirado? Nio quero, com isso, sugerir a transgressito ge- neralizada, seria tio-somente uma escapa- dela, coerente com o jeitinho national. concordo que o process para feitura dos estudos dos impacts ambientais seja orientado segundo as diretrizes tragadas por voct, porque propiciaria o envolvi- mento da sociedade como um todo. Po- rem, quais slio os representantes da co- munidade nesta sua democracia nominal? Geralmente organizaqdes lideradas por in- dividuos ou grupos comprometidos com o capital transnacional e que, portanto, jamais irlo contrariar interesses de seus feitores. De resto, o estado de pobreza e a ignordincia dos colonizados nito lhes per- mitem ousar nem sonhar com o refina- mento das legitimas democracies. A de- mocracia nominal em que estamos assen- tados, b um centralismo democratic dis- fargado. Nos dois casos, uma decision e sempre previamente acertada. Para encerrar, como a Fadesp faz parte da UFPa, e esta e uma institui~gio manti- da com os recursos da poliula~gio, estra- nha-se que ela nito tenha se pronunciado acerca de assunto tilo important. Ao menos para dar uma satisfaqilo a quem lhe mantem as pernas. Rodolfo Lisbon Cerveira MINHA RESPOSTA Quanto ao primreiro itemn da carta do atuante leitor: a ,lejeieio foi dupla. A jus- tiga acolheu os argumlentos do Ministerio Puiblico sobs a inconsistencia do traba- lho da Fadesp, suspendendo o licencia- mento ambiental das duas hidmvias (Ara- guaia-Tocantins e Teles Pires-Tapajos). O segundo iteml. A justica ja dec~idiu qute o licenciamlento ambiental de Belo Monte, envolvendo rio que se estendepor dois Estados, e federal, a cargo do Iba- mIa. Parad e Mato Gmosso podem2 secun- A consciencia Qualquer colegial, em qualquer parte do mun- ti~rio equivalent ao dos Estados Unidos quando JOURNAL PESSOAL* 1" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2002 7 Quem quisesse fa- IA ONIA zer avangar sua ativida- de econi~mica tinha que continuar a usar a flores- ta como um estoque de capital. Para que o pas- to ou a lavoura cresces- Sse, a reserve florestal en- i?.:il1.. curtava. Os que tenta- 1 ~ram voltar sobre os pro~- Sprios passes constata- .ram que a tal de "recu- 3 pera~gio de areas degra- dadas" saia mais carol do que a formaptio da area desmatada original. As vezes, multo mais carol. Entio, depois de ligeira hesitapho, to- -~--- ---zdos voltaram a po~r a mata abaixo para con- quistar novos espagos ou fazer capital. E o que estamos a assistir neste memento: o incremento do desmatamento, em valores absolutes e em ta- xas. Mais algumas especies nativas desaparece- rem antes de serem satisfatoriamente conheci- das, ou mesmo identificadas. Niio e: melhor o destiny que se da ao outro ele- mento fundador da Amazo~nia real: sua imensa rede de drenagem fluvial. Um dos grandes rios da re- gitio, o Tocantins, ja sustenta comn suas aguas aquela que, ao ser concluida, com a duplicapilo da sua po- tencia, a partir deste ano, sera a sexta maior hidre- letrica do mundo. Ate: o final da decada, o Xingu estara cedendo aiguas para a quarta maior usina de energia, a de Belo Monte. Mesmo com a pressilo crescente sobre as aguas da regillo, nenhum dos comites de bacia recomendados pela recent legislagilo sobre es- ses recursos foi criado ate hoje na regilio. A vi- slio que predomina sobre eles e compartimenta- da: os barragistas s6, pensam em agua na forma de energia; os armadores, enquanto meio de transport; e os agricultores,para irriga~go. Niio ha um planejamento global e integrador dos di- ferentes usos, muito menos de antecipa~gio de situaqies e de prevenglio dos problems. Por incrivel que possa parecer, em alguns pontos da Amazo~nia a agua j i problema e em outros seu uso esta se aproximando da saturagilo. Assim, se no future, gragas a political pu- blicas competentes e a uma campanha national de conscientiza~gio, o colegial for capaz de co- nectar agua e floresta a razlio de ser da Amazi8- nia da forma tito imediata e espontanea como a que o faz dar sua resposta sobre o Egito como produto do Nilo, talvez esse estado de saber re- sulte em uma grande conquista do ponto de vis- ta museoli~gico, paisagistico ou spiritual. Mas para a Amazi~nia real nito sera nem con- solo. Quando descobrir a verdade, talvez s6, reste ao colegial aprecia-la no papel, em gravuras, em fotografias ou num filme de sabor arqueol6gico. A Amazi~nia viva e verdadeira ja sera um doloro- so retrato na parede. Quando fez suas herojicas e maravilhosas via- gens pelo Pantanal mnatogrossense, no inicio do seculo XX, a Comissito Rondonl calculou que 500 mil quilibmetros quadrados desse paraiso bastari- am, no future, para alimentar todos os brasilei- ros. E provivel qlue o positivismo, a matriz men- tal desses militares pioneiros, cheios de otimis- mo, os tenha impedido de atentar devidamente para a fragilidade daquele ecossistema se expos- to a um esforgo produtivo mais intense, como aquele que propunham. A Amazoinia, contudo, ja, oferece (nito volun- tariam~ente, e claro, mas em fun~gio de um proces- so de ocupa~go compuls6ria, imposta de fora para dentro) uma area despojada de sua cobertura ve- getal original 20% maior do que aquela que sus- tentaria produglio agropeculria suficiente para matar a fome de uma populagio continental. Numa das levas de interesse intellectual sobre a regitio, a proposta de "recuperaglio de areas de- gradadas" se tornou um refrilo, da mesma manei- ra como, antes, na epoca da "ocupaglio pela pata do boi", com a qual os colonizadores se armaram para po~r abaixo floresta e em seu lugar former pastagens para incertos bois, a ladainha era de que o desmatamento niio la fazer mal porque se fazia em areas de "cerrado, cerradlio e mata fina". Aproveitar areas ja desmatadas para a produ- glio de generos pecuarios e agricolas, ao inves de continuar a desmatar, parecia o 6~bvio ululante. Mas s6, parecia. Os pioneiros, estimulados ou constrangidos a integrar as frentes de penetraglo para "amansar a terra" (nito s6, destruindo-a, mas tambem expulsando o habitante native), conta- vam com generosos e permissivos incentives fis- cais do governor para "abrir fazendas", a primeira attitude do bandeirante. Hoje, nito ha mais esses recursos, mal aplicados ou simplesmente desvia- dos a rodo, como prova a triste historia da extinta Sudam (Superintendencia do Desenvolvimento da Amazi~nia). Ha, em contrapartida, a crescente consciencia ecol6gica, national e international, profunda ou superficial, mas um dado inexistente ou desprezivel nos tempos pioneiros. tardt M como crescente a proporgio de pessoas que perce- bem a relaglio, valorizando, por isso, o patrimo~nio natural do pais. Das duas mil pessoas entrevistadas pelo institute, em outubro do ano passado, 28% con- sideraram as florestas como o principal motive do orgulho national, o plus que valoriza o Brasil no ce- nario mnundial. Os rios, ou, mais diretamente, a quan- tidade de agua doce entcirculagilo por seu territrio, slio o segundo patriminio mais lembrado, embora por um nuimero multo menor de pessoas, 4%. Agua e floresta, portanto, constituem a vanta- gem brasileira no concerto das naqdes para 32% dos entrevistados; acrescidos outros components naturals, o indice sobre para 39%, contra 30% apu- rados na segunda pesquisa, de quatro anos antes. A evologlio, de 30% no period (1997-2001) c significativa. Dai o otimismo dos responsaveis pela consult comn o quadro de melhoria da cons- ciencia ecol~gica national. Mas a pesquisa tam- be~m fornece dados para preocupagilo. Se o brasi- leiro esta mais atento a natureza, ainda nito pas- sou de uma fase estatica para uma postura dina- mica. A natureza e considerada sagrada para 67% dos brasileiros, attitude partilhada por 57% em 1992. Ou seja: a visio e idilica, edanica. A natu- reza esta. ali, represent uma grandeza dada, e deve continuar assim. Mas niio depend de ni~s. Niio se passa ao memento seguinte, de enten- de-la para poder fazer parte dela. So, quem vive na Amaz~nia sabe que a natureza nito e um mu- seu, um quadro na parede, um cardio postal, um escaninho na memibria ou um adorno na consci- encia, porque a ve encurtar a cada ano, sem, de fato, saber o que ela e. E sem poder fazer qual- quer coisa para que continue a ser o que e, ate poder ser compreendida e manejada. E exatamente por isso que a propor~gio de pes- soas qlue incluem series humans entire os elemen- tos naturals foi maior (40%) na regillo Norte, aci- ma da media national e muito acima do Centro- Oeste uma regitio que, sendo uma extensito dela, ou a mais pri~xima de sua fisionomia, tem o me- nor indice, de 23%, segundo a pesquisa MME/ Iser, de inclustio do home no ecossistema. A cada ano o que vem abaixo de floresta na Amazonia equivale, na melhor das hipi~teses, a dos anos de desmatamento menos intense, ao territo~- rio de Chipre, onde vivem 800 mil pessoas. A area ja alterada na regitio, se formasse um pais, consti- tuiria o m~aior pais da Europa Ocidental, com seus quase 600 mil quil~metros quadrados. Se considerada a Amazi~nia Legal, um conceito administrative para efeito de incentives fiscais, que inclui parties do Centro-Oeste c do Meio-Norte, o desmatamento ja alcanqou 12%/ do total. Se tomada como referincia apenas a floresta densa, a hileia, a area submetida a desmatamento estaria chegando a 20% dessa regitio, que result da rara combina~gio de floresta com agua. Sua integridade ja esta sujeita a uma alta taxa de risco, quase mortal. Jornal Pessoal Editor: Llcio Fl~vio Pinto- Fones: (091) 241 7626 Contato: Tv Benjamin Constant 845/203/66.053-040 email: ]omnal@amazon.com.br Produglo: Angelim Pinto EdirZo de Arte: Luizantoniodefadiapinto especial do Ministerio da Integragio Nacional, embora ainda em carter provis6rio. Ela substitui Jose Diogo Cyrillo da Silva, colocado no cargo para fornecer as exequias da Sudam e preparar o surgimento da nova agencia de desenvolvimento, debai- xo da infeliz sigla de ADA (cabe logo um trocadilho sobre sua complicada gestagio: nao Ada nem Desada). Eliana era coordenadora de pla. nejamento regional quando oturao de escandalos varreu a Sudam do uni- verso de siglas vivas do aparato esta- tal. Emergiu do caos assumindo o co- mando, um fato simbolico nessa fase de transi~gio, quando o governor tenta imunizar o novo 6rglio da lama que sepultou o antecessor e dar-lhe a ima- gem de coisa realmente nova. Em matetria de simbologia, qual- quer nascimento esta em melhores mios se entregue a uma mulher. Parai. As muisicas tim o problema da terra como inspiraga~o basica, conseqiincia da associagdo dos artists com o MST (Movimnento dos Trabalhadores RuraisSem- Ter- ra). A vinculagdo, porem, ndo e li- mitadora, nem a motivagdo impde a datagdo aos trabalhos, alguns de qualidade superior ai media. Alem de boa musrica, algumas das composigdes trazemz um posiciona- mento lucido dos autores. Eles nio criam a partir do nada ou de um impulse apenas voluntarista: e com base numa reflexdIo mais profu~nda sobre o "estado da arte da violin- cia e da destnruigdo num dos Esta- dos mais marcados por essa selva. geria no Brasil que eles transpdem a temaitica para o universe da arte, "uma cantoria em defe~sa da vida". Agem ao mesmo tempo como inte. lectual e como cidaddios. Ofe~recem aopublico, assim, umafonte depra- zer e de conscidncia. Simbolo S6 depois de extinta e que a Sudam forneceu um servidor de carreira para o cargo maximo de diregao, o de superintendent. Por ironia da hist~ria, o orgio ja nio e mais a Superintendencia do Desenvolvimento da Amazonia, extinta cirurgicamente no ano passado, mas a ADA (Ag~n. cia de Desenvolvimento da Amazo~nia), criada no papel mas ainda sob laborioso parto de instalaCio. Ate entlo, todos os superintendents ha. viam descido de para-quedas, tecnocrata ou politico, baixados de Brasi. lia ou recolhidos n a grei provincial. Desde a semana passada, a economist Eliana Zacca e a nova secretaria Basa existe O Banco da Amazo~nia vai comegar a existir a partir da segunda quin- zena deste m~s, quando o seu capital aumentara quase 20 vezes, saltan- do dos atuais 124 mi- lh~es de reais para os R$ 2,28 bilhdes, ja autoriza- dos pelos seus acionis- tas, a partir da determi- na~glodo principal deles, o governor federal. A Uniho responder pela quase totalidade dessa nova subscri~go, inje- tando pouco mais de R$ 1bilhilo. Um faz-de- conta de popularizaCio de papeis que possibili- tara umjogo verdadeiro de aq~es a partir dai. Com um capital des- se tamanho, o Basa po- dera competir de verda- de no mercado, assu- mindo de vez a face de banco commercial, sem perder a condi~go, es- sencial ou quase uini- ca ate: agora de banco de desenvolvimento, que a principio o Finam (o fundo dos incentives fiscais administrados pela extinta Sudam) e, depois, o FNO (o fun- do constitutional do Norte) lhe asseguraram Finalmente a harmoni- zagio da condigio bifron- te da institui~go, que pa- recia inalcangivel, ou a capitaliza~gio 6 o pass derradeiro para passar o Basa para a iniciativa pri- vada, oferecendo-lhe um negocio que s6 agora vai poder se tornar atraente? Ha arguments para sus- tentar as duas altemativas, que devem ser debatidas junto a sociedade. Acos- tumada a tmtamento a plo e agua, ela tem motives para desconflar quando lhe oferecem pilo-de-16. Cimento: agora f~brica sairs? A faibrica de cimento do grupo Joho Santos em Itaituba e um dos mais tardios projetos da hist6ria da extinta Sudam: aprovado ha quase um quarto de sdculo, ainda nio comegou a funcionar. Ate o fi- nal deste mes o motive alegado para esse incrivel retardamento de 25 anos tera de- saparecido: a Rede/Celpa promete ener- gizar nos proximos dias a linha, com 30 quil~metros de extensilo, entire Itaituba e a f~ibrica, abastecida pela hidreletrica de Tucurui. O linhio do Tramoeste ja supre a sede do municipio ha quase dois anos- O projeto da fabrica foi aprovado ori- ginalmente em 1978 para entrar em ope- ra~go simultaneamente comn a unidade de Manaus, inaugurada em 1985. A partir dessa epoca a uinica atividade em Itaitu- ba tem sido a extraqio do minbrio e seu embarque para capital amazonense, que o beneficia. S6 em 1991 o grupo Joho Santos comegou de fato a implantaglo do empreendimento. A empresa diz ter executado 90% do projeto geral, mas surgiu uma dentincia de que equipamen- tos importados com os beneficios da Su- dam para funcionarem na Amaz~nia fo- ram usados fora da regitio, em outra fa- brica do grupo (ver Jornal Pessoal 264). A faibrica de Itaituba, a terceira do grapo Jolo Santos na Amazinia (hi outra em Ca- panema), represent atualmente um inves- timento de quase 190 milhdes de reais, sem ter produzido ate agora um unico quilo de cimento. Para superar a barreira imposta pelo governor do Para no Conselho Deli- berativo da Sudam, o grupo aceitou im- plantar a simultaneamente as duas novas fibricas, a de Manaus e de Itaituba, assu- mindo o compromisso de gerar sua pr~- pria energia. Depois, repassou a responsa- bilidade para o governor federal, que teria sescomprometido a coloc8-la na porta da fibrica at6 o final de 1988, o que s6 estA fazendo mais de 13 anos depois. Para que isso ocorresse, foi precise gastar 240 milhbes de reais no Tramoes- te, servindo a regitio da Transamaz~ni- ca, Santarem e Itaituba, e, agora, conti- nuar o investimento por um ramal de 30 quil~metros para beneficiary um client de 30 mil kw, consume que represent uns 7% da potincia nominal de uma 6mi- ca das 12 maquinas da usina de Tucumui. Afinal, trata-se de um client especial. De Brasilia e de Belem. Destiny A gora que as termicas voltamz a crista da onda, cabe a pergunta: onde foi parar a usina termica de Tapand? Desativada precipitadamente no auge do furor hidreletrico, seus servings foram dispensados arbitrariamente, emnbora ela pudesse ser acionada nos mementos de colapso total, mantendo servings essenciais Por onde anda, se ainda anda? IVI0SiC8 Mesmo emz umn momentodte infe- liz e injustificada marivontadepara comt o Para,. Maircio Souza ndo pode deixar de reconhecer que o Estado vive um memento musical fe~liz. Alem? das nossas cantoras de projegdio national (Fafai de Belem, Leila Pinheiro e Jane Duboc), al- guns interpretes e compositores es- td~o ja na soleira desse reconheci- mento dijicil, principalmente por- que o Brasil que domina a culture (e apolitica e aeconomia) contem- pla apenas o proprio umbigo e o foreland, ndio o hinterland. Muitos outros artists verdadei- ros estdio em plena atividade no aimbito local ou regional. A reno- vagdio e permanent. As fbntes de criagdjo mostram-se generosas, do que dai exemplo o CD Um canto pela paz, pr-oduto de bomn nivel de 20 compositores e interpretes do |
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