|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Jorna Pessoal L UIj C I O F L A V I O P I N T O ANO XV NU 273 2L QUINZENA DE DEZEMBRO DE 2001 R$ 2,00 POT.iTTICA O maior eleitor A eleiga~o do pro~ximo ano serai dryicil para a politico mais influ~ente, famoso e que individusalmenzte tem mais votos no PaEra: o ex-senzador~cader Barbal~bo. As difi~culdades sera~o maiores se, ao invis de dispultar o govuerno, ele qulziser retornzar a cd mara alta, depois de haver renunciad'o ao proprio mand~ato. Se ficar de fora emn 2002, sera o maior eleitor. Paradoxes polzticos de uim Estado cri'tico como o Para'. PL ader Barbalho teria mais possibili- Sdades de vit6ria disputando o go- -verno do Estado do que a volta ao *. senado. Segundo os dados de uma pesquisa que o Ibope concluiu em outubro, a pedido da direptio national do PSB (Partido So- cialista Brasileiro), Jader teria 32% dos votos se a eleigilo fosse agora. Ademir Andrade, do PSB, % r ficaria a pequena distlincia dele, comn 28%. 6 7 Se preferisse, porem, reconquistar o car- ..- go ao qual renunciou dois meses atras, en- .. volvido no esciindalo de desvio de recursos -' do Banco do Estado, ficaria em terceiro lu- gar e, portanto, de fora, ja que estarilo em dispute no pr6ximo ano duas das tres vagas ---- t~-:(Luiz Otavio Campos, do PPB, ainda tera mais quatro anos de mandate). Em uma das simulaqi~es feitas pelo Ibope, 'i' i\\ o primeiro lugar seria de Ademir Andrade, comn )! 32%/, vindo logo em seguida o governador Almir Gabriel e a petista Ana Julia Carepa, comn os mesmos 31%. Bem mais atras, Jader Bar- balho teria 24% (e Helio Gueiros em quarto, \\ comn 19%). Excluido o governador, a fila pas- sa a ser: Ademir, 41%; Ana Julia, 35%; Jader, 26%, e Gueiros, 21%. Chamados a opinar sobre a atuadio de Ja- der como senador, 38% dos entrevistados pelo Ibope a aprovaram e 54% a desaprovaram. ) 2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 Foi o maior indice de desaprova~gio entire os senadores entilo com mandate: o de Ademir Andrade foi de 18% (muito abaixo da apro- vagao, de 62%) eo de Luiz Otavio foi de 41% (para uma aprovagio deficitaria, de 23%/;). Em compensagilo, o indice de indiferenga em re- lagito a Juder foi o m~enor de todos, 8%, con- tra 19% de Ademir e 36%/ do "senador do go- vernador", ilustre desconhecido para um ter- go do eleitorado paraense. A favor ou contra, poucos conseguem deixar de se posicionar em rela~gio ao ex-governador. Jader e o politico comn o maior indice de rejeiglio, de 44%, seguido a razoavel distlincia por seu parceiro Helio Gueiros, com7 25% (logo depois, dois petistas: Paulo Rocha, com7 23%, e Valdir Ganzer, comn 22%). Mantem a lide- ranga negative da antipatia, com 38%, corpos a frente do segundo mais antipatico, Helio Gueir-os, comn 23%. Mas seu indice de simpa- tia, de 33%, e igual ao de Ana Juilia, empata- dos os dois num terceiro lugar (abaixo dos 46% de Ademir e 37% de Almir). Neste period pre-eleitoral, a conflabilida- de das pesquisas e bastante relative. Mesmo quando se-rias e honestas, elas refletem um determinado memento, naturalmente mutavel. As simulaqdes feitas pelo lbope tem valor restrito. Um candidate bem cotado, como o senador Ademir Andrade, pode ter boa posi- Cglo por estar preservado da fuzilaria dispara- da contra outros personagens mais nottiveis. Se entrar no foco, e capaz de nito resistir. Fei- tas todas as ressalvas, porem, a pesquisa do lbope parece servir de element a uma antlise comn maior proveito do que as especulaqdes estatisticas em cursor. Esses mimneros mostram, de qualquer ma- neira, que, se participar da eleiCio do priximno ano, o politico mais influence e famoso do Para enfrentara enormes dificuldades para veneer, qualquer qlue venha a ser o cargo que decidir disputar. Menores sertio as dificuldades se con- correr, pela quarta vez, ao governo do Estado do que, pela terceira vez, ao senado da Repth blica. Parece que o eleitor considerou perdido o voto que deu foramm 550 mil no total) para o senador, obrigado, sucessivamente, a renunci- ar a presidencia do senado e ao pr6prio cargo, frustrando uma carreira que parecia destinada a ser brilhante e ascendente, rendendo muitos ganhos ao Para. Sobretudo no interior, o elei- tor niio gosta de desperdigar o seu voto. Pune quem lhe causa essa desfeita. Esse eleitor pode vir a dar uma nova opor- tunidade a Jader Barbalho, mas se ele, desta vez, concorrer ao governor. No entanto, ele tera que reconquistar apoios e desfazer uma imagem predominantemente negative, que se consolidou na rejeigilo do eleitorado mais joyem e de melhor instru~gio, que ja niio pa- rece disposto a apoia-lo. Individualmente, e o politico que mais temn votos no Para. Um tergo dos eleitores votou, vota e votara nele por mera simpatia, em resposta ao seu caris- ma. Nio e um voto que depend do que ele realizar, de bomn on ruim. E cativo. Nenhum outro adversitrio dispde de um capital desse tamanho, pessoal e intransferi- vel. Mas nIto e mais o bastante para assegurar a vit6ria de Jader nulma elei~gio majoritairia-e menos ainda para o senado. Estai praticamente fora do seu alcance a possibilidade de definir a eleigilo em primeiro turno, quaisquer qule ve- nhamn a ser seus concorrentes no governor. E se niio desfizer a imagem negative que o acom- panha, estara exposto a umna surpresa no se- gundo turno, caso a polarizaqilo em torno do seu nome se torne terreno fertil no qual podera brotar uma frente antiJader (ou, tematicamen- te falando, anticorruppilo). Se optar por ficar de fora da dispute cleito- ral do pr6ximno ano, Jader Barbalho se tornara o grande eleitor. Principalm~ente se agic mnais nos bastidores do que ostensivamente. Nesta uiltima hip6tese, a pesqluisa do Jbope sugere que ele poderia colocar o senador Ademir Andrade a um pass de se eleger governador do Estado jai no primneiro turno, comn 49%/, en- frentando apenas Hildegardo Nunes (11%), Paulo Rocha (7%~) e Sim7ito Jatene (4%0). Entre indecisos c tendencias de voto negatives, ain- da haveria, porem7, umn potential de votos de 30%, ao alcance de uma campanha mais agres- siva dos outros candidates. A constancia do vice-governador Hildegar- do Nunes na faixa de I1/i12% indica que cle so ocupara uma posigrio relevanlte no ranrrking se tiver recursos para popularizar sua campanha, que ainda circula comn desenvoltura apenas nas camadas mais altas da populagio, ou se o can- didato da sua coligagjio, Ciro Gomes, for acei- to como o oposicionista tipico pelos eleitores para a presidencia da republica. O grande mote de campanha do candidate do PTB seria a sua autonomia, que custard carol quando precisar ser difundida num Estado de dimensbes conti- nentais como o Para. Ele praticamnente nito se beneficia das transfer~ncias de terceiros, alia- dos ou adversarios que se metamorfosearem em correligionairios nos prciximos meses, Como fazer Simlio Jatene sair da faixa ve- getativa de 3 a 5%? Esse eo grande desaflo posto diante da maquina official pelo gover- nador Almir Gabricl, convencido de poder tirar leite da pedra e popularizar quailquer poste, gragas aos saldos que tem acumulado eah disposigilo de comandar a engrenagem pulblica durante a elei~go, colocando-se como o cixo central de poder. Para colocar- seu secretario especial numa zona comn potential de passage para o se- gundo turno, o governador tera que se expor a um jogo perigoso, fronteirigo a legalidade eaj moralidade. Como, alias, ja esta fazen- do, beneficiando-se da inercia dos ojrglios en- carregados de impedir que a propaganda eleitoral chegue as ruas antes do tempo ou extrapole os limits legals. Por enquanto, a ulnica coisa que parece envergonhar ea pos- sibilidade de derrota. -.- governador Almir Gabriel e um de ~~senvolvimentista toutl court.., mas sua assessoria esta deixando-o desatua- lizado nessa posi~gio. Embarcando na canoa dos fazendeiros, o governador assumiu, no inicio da semana, a lideranga do combat ao dispositivo atual, que exige a manutenglio de 80% da area dos im6veis rurais como reserve florestal. Pelo C~digo Florestal, de 1965, a reserve legal era de 50%/. O governador concede que passe a ser de 70 ou ate 75%, mas nunca os 80% em vigor gragas a reedi~go da media provisbria qlue instituiu esse limitc. "Isso e uma loucura", disse. Seus aliados ruralistas, atraves da emenda do deputado Moacir Mi- cheletto, querem a volta aos 50%, sem mais lari-lari tucano. O goivernador ainda esgrime a tese de qlue pecuaria, cultivo de soja ou plantio de denda representam uso economnicoj mais rentavel e in- teligente do solo amazonico do que floresta. Como area nova e o que esta em questito (e nito area jit desmatada), essa posi~go se mo7s- tra de um primnarismo assustador. A ciencia ja evoluiu o bastante para nem mais consider outro prisma qlue nito seja o florestal nas areas de mata native da Amazo~nia. O avango que se busca e no sentido de abandonar a produqilo de madeira s61ida e se aplicar conhecimento e tecnologia na transformagilo das informagies e recursos biogeneticos em produtos muito mais nobres, sem qlue desse uso result a eli- minagilo da riqueza original da natureza. O governador defended mais destrui~gio flo- restal para produzir boi, soja e dend2. Almir Gabriel estaria em boa companhia se tivesse sido escolhido para administrar o Parit antes de o coronel Alacid Nunes coloca-lo na Se- cretaria de Salide do Estado, em 1979. As di- ferengas entire o qlue diz hoje e o qlue os milita- res proclamavam na de~cada de 70 e apenas de enfase, de modulaglio, de acessorio. Como h~omem pliblico, Almir Gabriel tem andado como o Curupira: para trits. O governador propugna outra tese equi- vocada: de que as reserves, ao inves de se- rem individuals, relacionadas a cada im6vel rural, sejam agrupadas emn areas continues, Governador descompassado JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 3 unicas, independentemente das propriedades isoladas. Essa e a ideia de alguem que abs- trai o fato mais marcante e vital da Amaz6- nia: sua heterogeneidade e, por conseqilen- cia, biodiversidade. Talvez pegando carona na teoria dos refui- gios, o governador se julga um novo Noe, ca- paz de recolher amostras da fauna e da flora e, colocando-as numa arca tucana, deposita-las na reserve unificada, central, arbitraria. Isso significa ignorar os esptcimes-animais ou ve- getais end~micos em areas especificas e os ecossistemas diferenciados. O governador pa- rece estar atras de um numero, de uma "obra", de uma imagem, de algo que se preste a uma presta~go de contas feita no papel, que, como todos sabem, tudo aceita. Lendo a reproduC50 das declaraqdes fei- tas pelo governador a um audit6rio de pecu- aristas que se formou na segunda-feira no Palacio dos Despachos, lembrei de Aloysio Chaves, um antecessor ja meio remote do doutor Almir. Quando se permitia admitir que nio entendia de algum assunto, o dou- tor Aloysio chamava um especialista para uma conversa reservada. Mal terminada a ex- posigio do tecnico no que, ate ha pouco, era uma novidade para ele, as vezes carregando ideias que nio eram suas, mas eram melho- res do que as suas, e, referendadas, passa- vam a servir a political puiblicas. . Convinha ao doutor Almir Gabriel ado- tar essa metodologia, tendo, porem, o cui- dado de nio convocar apenas audit6rios para ouvi-lo, fazendo v~nias as suas decisdes, e, quando se dispuser a tambem ouvir e acei- tar, recrutar critics e divergentes, nio soi au- licos palacianos, ainda que de plumagem rica. Talvez assim o que dissesse viesse a se tornar mais coerente com seu tempo, o avan- go da humnanidade e os legitimos interesses de seus concidadios. administrativos ao seu chefe de gabinete. O ato, bisado de um decreto id~ntico de maio do ano passado, favorecendo o vice-procu- rador (que renunciou e se aposentou), esta previsto na lei orglinica national do MP e visa tender as necessidades de descentrali- zaqio e continuidade administrativas (prin- cipalmente quando o titular, mesmo estando em territ6rio paraense, se encontra distant da sede, em Bel~m). Mas foi interpretado, em clima eleitoral, como uma transfertncia de poder a alguem associado ao grupo de Manoel Santino. Da mesma forma, Rocha precisou expli- car porque nio executou ainda uma reivin- dicaCio de procuradores e promotores, ja aplicada pelo judiciario estadual e reconhe- cida como devida pelo Supremo Tribunal Fe- deral, o "escalonamento" dos salarios a par- tir do teto legal, com efeito cascata para as posiqdes inferiores da carreira. O procura- dor-geral mostrou que a media precisa da disponibilidade de recursos, do amparo or- gamentario e do enquadramento na Lei de Responsabilidades Fiscais, o que presume poder vir a ocorrer entire fevereiro e margo. Mas agora o MP nio disporia dessas condi- F5es objetivas. O caldo de cultural para esses embates ainda e a fragilidade real do Ministerio Pui- blico, que contrast com seus poderes no- minais. A instituigio ainda esta numa ca- misa-de-forga financeira. Recebe apenas metade (3.5%) dos recursos orgamentarios destinados ao judiciario (7%), um fosso que o MP tenta reduzir (para 4% ou 4,5%), mes- mo admitindo que deva existir, em fungo da estrutura mais pesada do judiciario. Tam- bem pleiteia participa~go proporcional na Taxa de Reequipamento do Judiciario (que estaria prevista para 10 milhiaes de reais neste ano), juntamente com a Defensoria Publica, ambos completamente a margem desses recursos atualmente. O MP queixa- se ainda de ter direito apenas a um tergo (2%) do limited (de 6%) fixado em lei para o judiciario gastar da parte que lhe cabe com despesas de pessoal. Mas ha outra fonte de complicaqbes: e o poder que o governador ainda detem de escolher o chefe do MP a partir de uma lista triplice que o Conselho Superior da instituigio lhe remete. Uma parcela cres- cente de procuradores e promotores con- sideram que a autonomia, sem a qual nio ha verdadeira independ~ncia entire os po- deres constitucionais, s6 viri quando a pr6pria categoria escolher seu chefe, sem submeter a deliberaqio a san~go do chefe do poder executive. Provavelmente o novo colegiado superi- or que ira surgir no dia 12 ainda nio assumi- ra todas essas frentes de batalha. Mas a pres- sho para que o faga devera ser maior duran- te o seu mandate. ia 12 edia de uma elei~go pela qual poucos se interessam, mas que tem Dinfluincia no jogo de poder: e a es- colha dos integrantes do Conselho Superior do Ministerio Publico do Estado. Vio estar em dispute cinco das sete cadeiras do colegi- ado. Duas delas sio ocupadas automaticamen- te pelo procurador-geral de justiga e o corre- gedor-geral. Estio habilitados as demais 26 procuradores (ji que quatro estio impedidos ou se desinteressaram de concorrer). A campanha eleitoral e intense, ainda que nio ecoe pela imprensa. Como sempre, ha candidates de oposi~go e de situaqio. A lin- guagem usada nem sempre e escorreita e os arguments podem descambar pela lingua- gem da political partidaria, sujeitos a chuvas e trovoadas. Desde que a procuradora Mari- lia Crespo deu ao Ministe~rio Puiblico insta- lagdes e condiqdes de trabalho sem paralelo em sua hist6ria at6 entilo, as alas se dividem entire a continuidade dos melhoramentos a sombra do establishment e a busca de inde- pendencia e autonomia, mesmo que a custa de dificuldades e problems. Ninguem contest que o MP se divide em antes e depois da gestio de Marilia Crespo. Os que a seguiram insisted em sustentar que, para continuar a evoluir, o MP precisa culti- var boas relagdes comn o executive estadual, a matriz dos beneficios por ela conseguidos. Uma ala que teve a mesma origem, mas for. mou outro grupamento, brigando no varejo, reproduz o discurso. Ja representantes de uma frente de opositores gostaria de quebrar a linhagem dessa sucessio e abrir uma cu- nha na administration superior do MP, con- siderada fisiol6gica ou atrelada aos interes- ses do governor. Um pacto de compromisso foi o que a ex-chefa do MP consagrou quando pulou o balcio e foi ser vereadora e candidate a vice-prefeita pelo PMDB de Jader Barba- lho, em cujo governor acumulou benesses. Seu ex-aliado, Manoel Santino do Nasci- mento Junior, confirmou essa nova tradigio (comn a agravante de ter continuado na ati- va, enquanto Marilia se aposentava), ao tro- car a procuradoria de justiga por uma se- cretaria, especial na administration Almir Gabriel e, agora, ser candidate a candidate a deputado federal pelo PSDB. Hip6tese que estard eliminada quando um projeto de lei, jP no congress, proibir membros efe- tivos do MP de participar de eleiqdes ou exercer advocacia particular. Por ila~go ou derivagio, tudo o que sub- siste na cupula do MP e associado aos inte- resses eaB equipe do ex-chefe, como se a ins- titui~go nio passasse de uma extensio do executive. O atual chefe do MP, Geraldo Rocha, teve que fazer circular inernamente uma carta na qual explicava o significado de uma portaria que baixou delegando poderes Uma eleigaio esquecida: a do Mmnisterg o Purblico 4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 induzido a se submeter atraves de algum meio persuasive ou de constrangimento. A febre da madeira esta grassando nesse comego de se- culo e milinio no serttlo amazonico comn a vi- rulincia da febre do ouro nos anos 80. Como aconteceu naqluela e~poca, agora o Estado e tambem atraido para a cumplicidade. Na de~cada de 80, os garimpeiros de Serra Pe- lada eram tratados como herois nacionais. O ouro qlue arrancavam do venture da terra ia pa- rar nos depbsitos do Banco Central, compen- sando a evapora~gio das divisas em d61ar qlue haviam sido acumuladas (e dilapidadas) nos anos do "milagre econbmico", ao long da de- cada de 70. Ja os madeireiros da de~cada inau- gural do novo seculo supreme a lacunla do agent pliblico na abertura e "amansamento" das no- vas fronteiras, assumnindo por sua conta a cons- truplio de estradas, a instalagilo de cidades, a multiplicaptio de atividades produtivas e a cri- aglio de oportunidades de trabalho. O problema e que, com a globaliza~gio dos circuitos econbmicos, a corrida e mais exten- sa e os corredores exigem a delimitagilo do percurso para conectar o ponto de origem ao de chegada. Algumn tempo atras seria inimagi- navel o qlue aconteceu no mes passado: uma instituigilo governmental, como o Ibama (!ns- tituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Re- cursos Naturais Renovaveis), fazer uma ope- ra~gio de comnbate a extragilo illegal de mogno, a mais valiosa de todas as madeiras da Ama- z6nia comercializadas no mundo, ao lado de uma ONG ambientalista, como o agressivo Greenpeace, qlue ofereceu meios materials para aumentar a eficacia da operaglio. Poucos dias depois de ter indlicado os alvos da pirataria madeireira, possibilitando prisdes e apreensdes, O Greenpeace armava seu estande ao lado dos inimigos declarados de ontem7, no 5, Congress Internacional de Compensado e Ma- deira Tropical, realizado em Belem, o lugar qlue mais embarca madeira em toda a regitio. Esses antigos contendores parecem conven- cidos de qlue a selvageria dessa nova forma de garimpagem prejudicaral, ate o limited da elimi- na~gio, os agents produtivos interessados numa atividade mais duradoura, menos sazonal, qune atendem compradores atraves de contratos com prazos mais longos do qlue o varejo de centenas de predadoies (e preadores) de madeira espa- lhados pelo hinterlandramazonico. A corrida desse-s personagens e pela legali- zacgio Centenas de projetos de manejo flores- tal v~m sendo protocolados no lbama, qune nio tem estrutura material e humnana para dar a apreciaqilo desses pedidos a velocidade que sua avoluma~gio reqjuer, nem o respaldo qlue o 1:gi- time junto a instincias internacionais, fladoras da rela~gui comercial e~m bases menos selvagens. Quando o licenciamento ambiental e expedido, descobre-se qune a titulaglio das terras e podre. Pressionado a conceder os titulos requeridos por compra, ai c o Estado qune se surpreende com sua fragilidade e comn certa dose de leviandade na gestlio do patriminio fundiario publico. Fla- grado ao agir como mero mercador imobilid- rio, g maneira de um simples corretor privado, assusta-se com a possibilidade de receber a cul- pa pelo esgotamento dos uiltimos estoqjues flo- restais da regitio, entregues a prego de banana e por criterios de mercado persa. E o qlue esta acontecendo com o Estado do Para no memento. O avango das frentes ma- deireiras sobre a area qlue tem a maior e a derradeira concentration de mogno, no vale do Xingu, na margem direita da calha do rio Amazonas, adquiriu os contornos de um caso de calamidade publica. O Estado se comportava em relaglio ao pro- blema como se o seu principal papel fosse o de aguardar, na retaguarda, qlue alguns dos pi- oneiros se livrassem do fivont ca~tico, no qual a tinica lei respeitada e um feroz darwinismo social, e lhe apresentassem seu pedido de re- gularizaqilo da terra, protocolado e despacha- do debaixo de algumas fonnalidades, adota- das mais para ingles ver, e o prego de venda carimbado, recolhendo-se o dinheiro ao era- rio para financial obras explicitas (e outras nem tanto, como o fundo eleitoral). Alcangado pelas critics e pelos primeiros indicadores acusatorios, o Estado apressa-se a buscar uma posigio mais coerente com sua natureza de inte~rprete e defensor do interesse coletivo. Estuda-se a suspensilo dos processes de venda de terras atraves de requerimentos, que comegaram a pipocar no Instituto de Ter- ras do Para, ressuscitando uma era de triste memn6ria (no inicio da decada de 60 e a partir da metade da decada de 70, at6 o comego dos anos 80), em que havia uma industria da ven- da de terras estaduais e, por deriva~go, uma indlistria da fraude de titulos de propriedade, comn a forma~gio de aut~nticas quadrilhas. O Estado volta a se convencer de qlue niio deve simplesmente alienar a terceiros as vali- osas terras ptiblicas. A venda pode ser substi- tuida com proveito pela concession com clau- sula resolutiva, condicionando a aquisi5lio ao cumprimnento de obrigaq8es. A expediCio da autorizaqilo deve tambem estar casada com o melhor uso da terra, de acordo com aptiddes bem examinadas e definidas. A venda tera qlue ser precedida de um zoneamento, o que pode reeditar o projeto das florestas de rendimento, que a extinta Sudam (Superintend~ncia do Desenvolvimento da Amazinia) chegou a con- ceber nos anos 70, mas nito pos em execu~gio. O governor teria papel ativo na aprovagilo, no control e na fiscalizagilo da atividade flores- tal, qlue seria desenvolvida em suas terras. Se essa contra-onda regulamentadora e in- tervencionista aumentar e quebrar sobre o mar revolto da pirataria madeira, podera vir a ser um sinal de qlue o requiem para as melhores parties da floresta amaz~nica ainda nito soou. Ou, se teve o seu primeiro dobrado,, ainda pode ser revertido, ainda ha tempo para um contra- canto mais alegre e vivo. A pi rat aia fl O Fs tal Calculam al guns tecnicos que 20 milhdes de metros cubicos de madeira sejam extraidos da floresta amaz6nica a cada ano. Estimam tambem que 80% dessa madeira slio cortadas ilegalmente. Isto significa que todos os anos uma area de 40 mil hectares perde a sua co- bertura vegetal sem que o agent do process seja o donor da terra usada ou, mesmo tendo sua propriedade, dela retira a madeira sem cumprir as normas legals. O resultado e a des- trui~glo ecol6gica, a sonegaglio de impostos e a criaqilo de um circuit clandestine do mer- cado, que pode desembocar em diversas ilici- tudes (da propina a economic subterrlnea) e em conflitos sangrentos entire os diversos per- sonagens dessa cadeia marginal. Quem optou pela marginalidade assume o risco. Em casos cada vez mais numerosos, ele pode significar multa pesada, apreensito da mercadoria ou prisli do infrator, alem das san- goes sobre a area irregular. Uma tecnologia mais agressiva e acessivel, tendo como base de apoio os sate~lites, com recupera~gio imedi- ata da informa~gio, como nos portateis GPS, e um estado de consciencia internacional, tim aumentado a probabilidade de constatagilo, caracterizacgio e repressilo a antigos metodos de pirataria florestal, antes niio detectavel. Um nuimero crescente de madeireiros, racio- cinando sobre calculos objetivos, ja esta chegan- do a conclustio de que e melhor e ate mesmo mais rentlivel legalizar sua atividade. Um selo de cer- tificaptio, uma boa imagem e referincias favora- veis de instincias arbitrais ou avalizadoras sio instruments para abrir ou manter os melhores clients espalhados pelo mundo. E claro que muitos compradores de madeira tropical em boas pragas ainda nito se preocupam em saber se o produto que recebem tem uma origem identifi- cavel ou se ela represent uma atividade de ma- nejo, auto-sustenta~vel. O que interessa 6 o prego. E o prego no mercado internacional se tornou tilo vantajoso que reativou uma nova corrida as reserves florestais amaz~nicas. A correria deu a esse refluxo as caracteris- ticas de uma autintica garimpagem de madei- ra, tiio desordenada e compulsive quanto as investidas dos farejadores de ouro. Niio por acaso, a compara~gio entire a capa as especies vegetais mais nobres e a garimpagem do me- tal dito precioso tem sido tiio freqiiente. Ho- mens t~m sido largados no meio da floresta, estradas primarias sjio rasgadas para dar aces- so a direas novas, indios tim sido seduzidos a abrir caminho as suas terras de densa cobertu- ra florestal, acidentes de percurso sito suplan- tadas com selvageria (que as vezes se mani- festa em curses d'agua aterrados) e quem se coloca na frente dos pioneiros e atropelado ou JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 5 publicaFgo do journal O Liberal, 6: critical. Em 1999 ela registrou um prejuizo de R$ 2 milhdes. No ano passado o vermelho pulou para R$ 11,7 milhaes. O passive junto a institui~des rmnanceiras, o item mais problematico das contas de curto pra- zo, quase dobrou no period: era de R$ 6,3 milhdes e foi parar em 2000 em R$ 1 1 milhaes. O custo financeiro mais do que dobrou, passando de R$ 1 milhio para R$ 2,7 milhaes, enquanto a receita liquid caiu de R$ 30,9 milhaes para R$ 21,8 mi- Ihbes. Pior e a condig8o do exigivel de long prazo. O valor do parcelamento dos im- postos federals continue se avolumando: foi de R$ 7,6 milhaes em 1999 e alcangou R$ 10,2 milhaes em 2000. Ja os "debitos de pessoas ligadas", rubrica algo esdnixu- la, disparou: de R$ 24 milh~es para R$ 34 Inilhdes. Em conseqilincia dessas evolu- 95es negatives, o patrimonio liquid ema- greceu no period de R$ 18,2 milhdes para R$ 6,5 milhaes, gragas justamente as re- servas de reavaliaqio, sobre as quais Ro- sangela e Angela parecem ter restriqdes, mas sob uma sombra de dificil discerni- mento no eliptico balango, "outras contas", inexistentes em 1999 e somando podero- sos R$ 12 milh~es em 2000. S6 com esses mlimeros da para proje- tar perspectives nada favoraveis para o maior grupo de comunicaqio do norte do pais. O panorama torna-se ainda mais com- plicado com os resultados ruins de neg6- cios novos, como a TV por assinatura e o provedor de internet, mal concebidos e mal geridos. Provavelmente em fungio dessa con- juntura, Rosangela Maiorana decidiu sair do anonimato em que vinha se mantendo e assumir iniciativas de repercussio soci- al, alem de comegar a aparecer com fre- qiincia nos veiculos da empresa, enquan- to a presenga do irmio mais famoso (e ain- da se recusando a voltar ao expediente de O Liberal) se torna mais intense em ou- tros stores, mais informais, ou nada for- mals. Os sism6grafos mais sensiveis da ci- dade devem estar registrando os seguidos abalos internos na luxuosa sede fincada atras do Bosque Rodrigues Alves. Os Maiorana fizeram em sua sede uma receppio para comemorar os 40 anos da Mendes Publicidade, no final do mis pas- sado. Na pagina inteira de O Liber-al que documentou o acontecimento, em duas fotografias apareciam os irm~os. Em ne- nhuma delas, por~m, os dois principals executives da empresa, o vice-presidente Romulo Maiorana Junior e a diretora ad- ministrativa, Rosingela Maiorana Kzan, apareceram juntos. Ha maito tempo eles sustentam uma luta internal cada vez mais polarizada, que os impede ate mesmo de posar para uma inocente fotografia, mes- mo quando (o que e: raro) estio presents no mesmo ambiente. A festa para a Men- des nio foi uma exce~go. Cada um apare- ceu ao lado dos demais irmios. Mas nio aceitou aparecer na mesma foto junto do adversario familiar. Por ser o mais velho dos varies, ter tino commercial, haver sido preparado pelo pai para suced6-lo e ainda levar-lhe o nome, Romzinho assumiu o comando do grupo de comunicaqio quando o fundador da em- presa morreu. Com as ban~gos da m~e, Dea, manteve essa lideranga sem questio- namentos por muitos anos. Mas esse nio e mais o caso. Rosangela decidiu confron- tar o irmio, principalmente depois que varias diverg~ncias na condu~go das em- presas e em decisdes importantes levaram- nos a ocupar campos antag6nicos. Uma das mais recentes manifestaqaes do conflito deu-se durante as assembleias gerais ordinaria e extraordinaria, datadas do final do ano passado, convocadas para a aprovagio das contas da Delta Publici- dade referentes a 1999. Rosangela e sua aliada, Angela Maiorana Lanhoso Mar- tins, foram as unicas que nio comparece- ram. Fizeram-se representar por seus ad- vogados. A ata da reuniho, so publicada cinco meses depois (ou com data atrasa- da), reflete a tensio do ambiente e os con- flitos entire o grupo de Rominho (apoiado na ocasiho por Ronaldo, Rosemary, Ro- berta e Rosana) e o de Loloca, como Ro- singela e conhecida na intimidade. No cursor da sessio, seus representan- tes apontaram a demora na convocaqio para a aprova~go das contas quase um ano depois de findo o exercicio de 1999, mas Algo de critic cresce no reino dos Maiorana ::A Delta Publicidade registrou prejuizo de R$ 2 milhies, em 1999. Ano passado, o _ Vermelho pulou para R$ 11,7 milhies foram contraditadas com a explicaqio de que "a demnora representou o consenso de todos os acionistas". Ela tamberm questio- nou sobre o valor da remluneraqio de cada director da empresa e quanto for distribui- do durante o ano, sendo-lhe informado que "'todas as remuneraqdes e retiradas a qual- quer titulo, por parte dos acionistas, cons- tam em conta corrente, devidamente con- tabilizada na empresa". A president ga- nha 6 mil reals por mes e o vice-presiden- te, R$ 5,4 mil. Sobre as retiradas, nio hou- ve registro. . Os representantes de Rosangela e An- gela tamb~m cobraram informagaes sobre a finalidade da reavaliaqio dos ativos da empresa, querendo saber ainda se todos os ativos reavaliados "sio de propriedade exclusive da Companhia" e quals foram os criterios utilizados nessa reavaliaqio. Pediram tamnbem c6pia do laudo de rea- valiaqio "que esta sendo aprovado nesta Assembl~ia . As informagies f'oram prestadas, com a observaq~o de que elas constavam dos documnentos colocados a disposi~go de todos os acionistas, "e tambem foram en- tregues diretamente as acionistas Rosan- gela e Ange~la, conforme solicitagio escrita destas". Amnda assimr, as duas irmis dei- xaram consignado na ata "que nao neces" sariamente concorda [sic] com os esclare- cimentos prestados". A situaqio de Delta Publicidade, a prin- cipal empresa do Sistemna Romulo Maio- rana de ComunicagBo, responsavel pela 6 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 3- N~o deixaria para o pr~ximo milmero para te dar direito de res- posta emn nenhuma hip6tese. Qual- quer refere~ncia a teu nome ou ao do Jornal Pessoal em uma edi~go do nosso journal O Paraense, por exemplo, certamente seria respon- dida por ti de imediato. Acho que esse e o tratamento que deve ser destinado aos amigos, as pessoas que so respeitam, admiram, convi- vem ha decadas; 4- Niio publicaria, nunca, carta de pessoa que nito conhego difaman- do, caluniando, injuriando, pessoas da minha relaqiko pessoal; 5- S6 por isso estranhei a carta do Cassio Franco, a quem destes 15 mi- nutos de famna, atacando O Par-ael- se e agredindo o Sc~rgio Palmnquist, director de reda~go do nosso journal. Fiquci sabendo depois que o Cas- sio chegou a dizer a al guns mais chegados que o Palmquist tinha sido "importtado" para vir trabalhar no O Parraense. E de rir. 6- Tua resposta, nos e-mails tro- cados com o Edir Gaya, salu pior que o soneto. Niio entendi tuas no- vas e desairosas refer&ncias ao Palmquist. 7- Gostaria de deixar bem claro a teus leitores que te consultei a respeito de publicar no O Pa-raen- se tua coluna Carta da Amazonia, atraves da Agi~ncia Estado. Con- cordaste sem restrigdes, embora tenhas exigido o credito da AE. E eu concordci. 8- Quanto a tuas qucixas contra o Sindlicato dos Bancarios, que nio se solidarizou contigo quando foste :meagado pelo Jor~nal Popular, do finado Silas de Assis, te disse de corpo present: ha uma diferenga muito grande em ser atacado pelo finado Silas, no JP (Jornal Popular) e ser ofendido pelo JP (Jornal Pes- soal), do Luicio Flavio Pinto, como ocorreu com o Palmquist. 9- Para finalizar, volto a lamentar que tenhas abrigado em tuas pagi- nas injilrias de um rapaa que sequer conheces. Um rapaz que fez jus ao seu hominimo famoso, aquele que tramou o assassinate e apunhalou Julio Cesar pelas costas. Saudaybes paraenses. Ronaldo Brasiliense 4.# O Sindicato dos Jornalistas no Es- tado do Para, diante dos recentes fa- tos publicados no Jornal Pessoal, envolvendo o jornalista Sergio Pal- mquist, vemn a publico solidarizar- se com o referido professional, con- siderando, que as acusaq6es feitas a sua pessoa nito correspondem a se- riedade pr-ofissional com que Ser- gio tem pautado sua atuaqio como jornalista. E inadmissivel que pro- fissionais, como Setrgio Palmquist, sejam alvo de critics descabidas que vao de encontro a trajet6ria de vida, reconhecida por todos que convivem com o jornalista. Atenciosamente, Caetana Ferreira da Silva President '88 elo menos uma centena de 9i~S projetos que recebiam re- -- curses financeiros da Su- dam deverho receber, at6: o fmnal do ano, cobranga atrave~s da justiga dos recursos da colaboragao financeira official, que desviaram ou frauda- ram. E o que preve o ex-superinten- dente da Sudam e secretario espe- cial do Ministerio da Integraqio Na- cional, Jose Cyrillo Diogo da Silva, atualmente chefiando a Corregedo- ria-Geral da Advocacia-Geral da Uniho, em Brasilia. Em carta envi- ada a este jornal, a prop6sito de ar- tigo publicado na edigilo anterior, cle presta contas do period que passou em Belem, na transigilo da extinta Sudam para a criada (ainda apenas no papel) Ag~ncia de Desen- volvimento da Amazdnma.Cita as duas agaes de improbidade que mandou instaurar contra os dols maiores escrit6rios de elabora~giode projetos Sudam, que resultaram na coloca~gio em indisponibilidade de bens dos seus proprietarios, no va- lor de 30 milhaes de reais. A INTEGRA DA CARTA: Leitor dos varios veiculos em que o bravo de coragem, nho de bra- beza pontifica, li sua mat~ria "O interventor caiu. Viva o interven- tor", edi~go de o Jornal Pessoal, P" quinzena de dezembro. A prop6si- to, desde que assumi como interven- tor da Sudam expressiio cunhada pela midia local e nacional-, em 21 de margo transato, dei especial aten- 950 a tudo o que tem sido escrito sobre a Sudam passado, present e future. Encontrei, alhures, expressito de Millo~r Fernandes (creio que consta de algum texto seu): "jornalismo e 90% oposiqito; o resto er secos e mo- lhados". No period em que titulei a Su- dam extinta, junto com a Sude- ne,, em 3 de maio passado -depois, quando Secretario Especial mncum- bido da transi~go para a future Ag~ncia de Desenvolvimento da Amazo~nia (ADA), criada e ainda nto instalada, estabeleci, junto com diminuta, posto fidelissima equipe de trabalho (nito mais do que 30 ser- vidores), eixos de atuaqilo, a saber: a) instaurar procedimentos apura- torios relativamente a mais de tras centenas de projetos irregulares, que receberam recursos publicos ao lon- go dos uiltimos anos, e que foram desviados de suas finalidades. Em outras palavras, sumiram. His regra legal Lei n" 8/137/91, que regular cordando de varios pontos do que ele escreveu, por toma-la como mote para um debate necessario, vital ate mesmo para afastar as en- grenagens do corporativismo c das conveniincias no jornalismo. Idei- as foram esquecidas em proveito de emnoqbes, razacs objetivas sufoca- das por subjetivismo delete~rio, no meu entendimento. Ngo pesa sobre a minha consci~ncia nada que me acuse de ter praticado uma injusti- ga contra Palmquist, ou deslealda- de (artigo que, da minha parte, ja- mais faltou aos meus amigos). Mas desaba sobre a minha vontade a sen- sagao de ter provocado a montanha a parirum rato. Deixo-o passar, por- tanto, como aquilo que tem que pas- sar e que passara. As unicas duas pessoas as quais devo afeto incondicional se cha- mamn, nito por coincidencia, Manu- ela. Uma tem 70 e a outra seis anos. Para series meu amigo, primeiro tens que escrever de pri~prio punho no teu journal que o S~rgio Palmquist nifoeCum lacaio; segundo, informar que nho to autorizei a publicar o di- alogo que mantive contigo por e- mail, no qual fiz referincias a figu- ras pdblicas -uma delas ja falecida - as quais devo gratidso e respeito pela oportunidade de trabalho. Todos sabemos -e tu mais do que todos n6s que polemicas ajudam a vender jornal, embora fosse de se esperar que o teu padrho etico so- bre este assunto estivesse acima exa- tamente do que critics em outros jornais. Lamentavelmente, vejo que nho. Prefiro, portanto, me enquadrar na ultima alternativa que criaste para encerrar a nossa conversa, agora puiblica, embora sem a minha auto- riza~gio: amigo-inimigo. Edir Gaya PS. Por favor esta mensagem tens autorizagdio de publicar... 2 Lucio Flavio, carol. Nos conhecemos ha mais de 20 anos. Mantivemos, nesse tempo, uma boa amizade. Nos falamos - pessoalmente, pelo telefone, troca- mos e-mails centenas de vezes. Mas nos14 anos de Jornal Pessoal nunca te escrevi. Nem para o bem nem para o mal. Nem para clogiar, nem para critical. Agora, sinto-me obrigado a to mandar essas poucas linhas. Para ser bem rapido: 1- Niio publicaria, em clualquer journal em que trabathasse, nada contra ti sem antes, pelo menos, te informar; 2- Nflo publicaria, em qualqu~r journal em que trabalhasse, carta de quem quer que fosse atacando o teu jornal, sem te informar; Ca rtas O "affaire Palmquist Quando decidi publicar, na edi- pito anterior, nho s6 uma nota ofici- al do Sindicato dos Bancarios, mas toda a troca de mensagens via in- ternet que travoi comn o redator des- sa nota, Edir Gaya, imagine poder provocar um debate necessario en- tre jornalistas e a opiniho puiblica sobre o desempenho desses profis- sionais na atual conjuntura da im- prensa paraense. A crise do setor, fenbmeno, de resto, mundial, em- bora em escala e qualidade diferen- ciadas, criou uma certa promniscui- dade entire redaqbes e assessorias de imprensa; e, ademais, um espirito de corpo que sufoca ou mesmo elimi- na no nascedouro certas questdes consideradas inc~modas. Dai o ex- purgo das pol~micas ou sua redu- gio a bate-boca de lavanderia. Nao me arrependo de ter publi- cado o dialogo comn Edir, mesmo sem sua autorizaqgo previa. Quan- do aprofundamos a controversia, nem ele e nem eu imaginavamos que ela fosse levada a letra de forma. Da mesma maneira como Helio Guei- ros jamais sup6s que eu publicaria aquela fetida carta que me mandou, 10 anos atras. S6 lamento que o re- sultado dessa iniciativa seja o des- vio da controversial para o ambito pessoal, sufocando~no redil da ami- zade um assunto que deveria ir para a arena publica e o interesse superi- or da coletividade. Tornar-me vilgo quando deixo de visar terceiros e atinjo pessoas prbximas e uma smna da qual niio deverei escapar enquan- to for o jornalista que tenho procu- rado ser. Ja nem me importo em poupar-me desses espinhos. Eles doem, de fato, mas sho secundari- os. O mundo continue a girar e a Lusitana a rodar. Como tem que ser. Edir Gaya, em sua carta abaixo, impde condigdo para voltar a ser (ou vir a ser?) meu amigo. N ao a aceito. Ronaldo Brasiliense relata suaes normas de redagdio. Respeito- as. Na~o sdio exatamente as minhas. Prezo meus poucos amigos como meu maior bem, uma das razdes ftmndamentais da minha vida. Mas naiopara favorecC-los, em qualquer nivel, sobre qluesto'es da res plibli- ca. Se tal exigirem, ndio sa'o meus amigos. Ou deixam de sC-lo. Pro- vavelmente para o bem deles e meu prejuizo, naturalmente. Mas assim sempre serai. Ngo vi na carta de Cissio de An- drade, detonador de todas essas arengas, nenhuma fonte de injuiria, cablinia ou difama~go contra Sbrgio Palmquist. Publiquei-a, mesmo dis- JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 7 o Fundo de Incentivo a Amaz~nia (Finam), que nito foi extinto pre- vendo procedimentos. Findo o pro- cesso apuratdrio, em se comprovan- do que ocorreram desvios na apli- captio de recursos, o projeto e can- celado, remetendo-se a Procurado- ria-Geral da Fazenda Nacional, para finls de execupilo fiscal. Aqui esta se falando de algo em torn de um bilhilo e seiscentos milhdes de re- ais. Uma centena do tais projects, se mantida a sistematica que implan- tei, podera ser enviada a cobranga judicial (execupilo fiscal), ate` o fi- nal do ano; b) determinei a instauragilo de mais de tres dezenas de procedimen- tos administrativo-disciplinares, em desfavor de 140 servidores da ex- tinta autarquia, a partir de diversas fontes de denulncias: relat6rios da Secretaria Federal de Controle, do Tribunal de Contas da Unitio, da Policia Federal, dentre outras, afo- ra investigaq6es internal. O univer- so de servidores da ex-Sudam era de 540 pessoas. Niko pense que sen- ti orgulho ou satisfaglio com tais procedimentos: lembro-me de Churchill: "ha. certos exitos que nto nos trazem alegria, sentio que tris- teza e vergonha". Todos e nito e exagero conceitual procedimen- tos instaurados, ultimados e em cursor, obedecem aos ditames espe- cificos: respeito a principios cons- titucionais -contraditidrio e ampla defesa, por exemplo e as regras estatuidas na Lei n"8. 112/90 -Re- gime Juridico dos Servidores Pu~- blicos Civis da Unilio; c) inovamos na atuaqio investi- gat6ria: passamos a atuar em rede, comn a Policia Federal, Ministdrio Puiblico, Receita Federal, Secreta- ria Federal de Controle Interno, Corregedoria-Geral da Uniiio, Tri- bunal de Contas da Unilo e Advo- cacia-Geral da Unitio, em cinco frentes de atuaqilo simultfinea: Para, Amazonas, Mato Grosso, Tocantins e Maranhilo. O que isso quer dizer: nenhum expediente pro- vmndo de tais 6rgilos foi sepultado; periodicamente, reunites de traba- lho eram realizadas com tais insti- tuiqdes; um intense interciimbio de infonnagdes e de documents per- mitiu que o Ministerio Pliblico e a Policia Federal instrumentassem suas investigates. Do mesmo modo, relativamente ao Tribunal de Contas da Unitio e it Secretaria Fe- deral de Controle Interno e as de- mais referidas. Ignore outra enti- dade pilblica, em qualquer nivel, que tenha recebido process inves- tigatorio comn o mesmo rigor e cri- terio. Disso, lamentavelmente, nto tem se ocupado a midia; d) foram ajuizadas duas aC~es de improbidade administrative, com decreta~go de indisponibilidade de bens, contra titulares de dois escri- t6rios de claboragilo de projetos, chamados de os "portais da corrup- glio"; cis que, comprovadamente, parcela preponderante dos projetos cancelados, por irregulanidades e/ou fraudulentos, estavam sob e-gide de tais pessoas. Stio elas: Maria Auxi- liadora Barra Martins, familiares e prepostos; idem, relativamente, a Geraldo Pinto da Silva, idem, idemn. Os bons indisponibilizados montam a R$ 30 milhaes; e) sem embargo dessa atividade, por muitos cunhada de policiales- ca, comno se fosse depreciativa tal fun~gl,~ dei cursor as provide~ncias tendentes a imnplantaphio da ADA. Nesse sentido, ha quatro ctapas, pelo menos, indispensavels a con- cretiza~gro de tal intent: 1) trans- formagilo da Medida Provisbria em lei (valida, por igual, emn imbito da Adene), material de competincia exclusive do Congresso Nacional; 2) em seguimento, regulamentagio do Fundo de Financiamento ao De- senvolvimento da Amazonia, de natureza fiscal, com recursos do Orgamento Geral da Unitio, subs- tituindo a fonte de renuincia fiscal de receita, que vigorou por mais de trinta anos; 3) na continuidade, edigio de regimento interno, defi- nindo a atuagrio da entidade; 4) a derradeira, a nomeaqito dos diri- gentes, ap6s a prova~go dos nomes pelo Senado Federal; f) observe, ademais, que a par- tir de 26 de outubro prete~rito, ha Portaria Ministerial definindo ob- jetivos transparentes para a libe- ragilo de recursos para os projetos em vigor, ate 4 de maio passado - data da extinglio da Sudam. E evi- dente que a retomada das libera- 95es exigiu a edi~gio de regras ri- gidas, para evitar o que aconteceu, ao tempo da Sudamn. Para seu conhecimento, esta dis- ponivel no site www.sudam.aov.br o relatorio que entreguei ao Mi- nistro-Chefe da Advocacia-Geral da Unillo, a Ministra da Correge- doria-Geral da Unilio e ao Secre- tario-Executivo do Ministerio da Integraqflo Nacional, acerca do period que estive investido nos cargos em comento. Sci que pou- cas pessoas 16~em relati~rios eu sou uma delas. Cordialmente, Jose Diogo Cyrillo da Silva Carol Lucio Flavio, 7. e permit usar este tipo de :0.~ i tratamento, pois como c; scu leitor quase assi- duo, me sinto nesse dircito; no Jornal Pessoal da 1" quinzena de dezembro, no artigo Minrr~io: sa- fras estrio acabando, extraio este paragrafo: "...o empresario Luis Carlos Monteiro, donor da maior das tr~s guserias qlue funcionam em Maraba, ... sustenta que esse c um bomn negi~cio, porque o Bra- sil tem, na regitio, a possibilida- de de realizar umna 'siderurgia tro- pical'. Essa 'tecnologia emninen- temente brasilcira' decorre do uso da floresta, na forma de carviio vegetal". O negrito das frases finals e mou. Gostaria de informa-lo que moro nesta regillo ha 6 anos, que estarito se completando no dial 1 de janeiro proximo. Vim para esta reglio dos municipios da area de influe-ncia da Hidrocle~trica de Tu- curiT, trabalhar para um madeirei. ro do Breu, emn 19596, e vi bem todo este process de explorailo flores- tal que aqui so realiza. Niio havia, nom exagerando, 10 fornos de car- vflo nos ste municipios. De um ano para ca devemos ter entrado comn certeza na casa dos milhares de fornos. Por que sera que esta ocorrendo essc fendmeno? Alguns dizem que estamos ex- portando para o Maranhflo, outros dizem que o consume represen- tado pelas tres guserias, que se re- fcre no scu artigo, aumentou, ou- tros ainda afirmam que essas gu- serias compram e exportam esse carviio; o important e que a nos- sa regitio se tornou uma enorme carvoaria, carvio produzido ate ondc a vista alcanga de residues s61idos de serrarias. Penso que o perigo maior do que o atual (a po- luiglio ambiental gerada pela fu- maga das carvoarias e comn as do- en gas respirat6rias que provoca) c aqucle representado nas frases que negritei do scu artigo,"o uso da floresta, na forma de carvio vegetal". Voci nito acha que a mmnha pre- ocupa~gio precede? Cordialmente, Jose Virgilio Moura MINHA RESPOSTA Naio so acho qlue a preocupa- gdio do leitor precede, comlo essa tem sido uma das mlinhas m~aio- res preocupagdes, manlifestada hai wirios emz palestras e ar~tigos. Lembhro sempre que a pr-imeira lei ecologica do mtundo, comn 400 anros, jobi baixada pelo r~ei dla Su- ecia par-a imlpedir- o ulso da f/lo- r~esta para carvdo vegetal, usado na produgdo de gusa, por 20 an~os. E a idade do nosso atraso nesse setor. Fiz referdncia ai these do donor da Cosipar porqgue Luis Car-los Monteiro e o mlais dina- mico,, atuante e? replresenltativo emlpresar-io do setol,; com lideran- ja sobr~e os demlais e influincia sobre o priblico. Ficaria feliz se o leitor- e outras pessoas apr-ofitn dassemn e enlr~iquecessemn a ques- tdro suscitada. COmendador Ele era um salazarista pleno. Eu, um anti-salazarista convic- to. Niio s6 pela repulsa aos dita- dores em geral, mas porque Sa- lazar, um ditador mediocre, re- duzira Portugal, tamb~m terra de alguns dos meus ancestrais, asua imagem e semelhanga, um qua- se creplisculo de longa duragilo. Felizmente, porem, meus conta- tos com Joaquim Marques dos Reis sise amiudaram, sem nun- ca nos permitir maior intimida- de, quando os craves comega- vam a florescer em Portugal. Jamais tratamos de political, por sabio pressuposto de uma camaradagem sadia. Pude usu- fruir face cavalheiresca do sa- lazarista que, inclusive por ne- cessidade commercial, foi esma- ecendo os lagos politicos do passado com o avango da de- mocracia portuguesa. Esses elos nunca devem ter se rompido por complete, mas imergiram no arquivo morto do dintimico co- mendador, restritos a sua me- m6ria eaBvida intimna. Como seu pr6prio pais, se arejou. Seus conhecidos, como eu, contaram sempre com sua fi- dalguia e aten~gio. Freqilente- mente me convidava para apa- recer no Hotel Equatorial, mas minhas incursbes se limitavam a uma rapida parada na Luso- tur, quando o via. Numa des- sas ocasibes, saudamos esse distant bem-querer com um excelente vinho do Porto, que sacou, incontinenti, na inicia- tiva natural nos bons anfitribes. Foi um dos nossos 6ltimos con- tatos. Ja niio mais o vi no peri- odo da enfermidade, que aca- bou por leva-lo de entire n6s, no final do mes passado. Senti a perda. Sente-se sem- pre quando a restrita rela~glo de gentil-homens, representantes de uma epoca de atenqdes e corte- sias, diminui mais ainda. Belem sofreu um baque profundo com a morte do comendador Mar- ques dos Reis. Fica aos seus des- cendentes, porem, um patrimo~- nio que igualmente partilhamos: a saudade. Com a qual, mais ou menos distantes, continuamos a ser, todos, um pouco portugue- ses tambem. Como ele sempre foi ate a alma, ou a partir dela. Jornal Pessoal Editor: thei FI~i Pinto Fones: (091) 223-7690, 261-4284 e 261-4827 Contato: Tv.Benjamin Constant 849203/66.053-040 e-mail: jomal@amazon.com.bt ProdugBo: Angelim Pinto Edigl de Are: Luizantoniodefaripmt Quando o ultimo dos Beatles se for, deles permanecera para sempre as baladas, das quais fo- ram os niaiores criadores na mu- sica popular international. Da duizia de baladas imortais que ge- raram, Somlething estar aentre as tr~s melhores, um intervalo de musicalidade que revigorava a alma dos cabeludos barulhentos da d~cada de 60 e enternece a membria dos cinqiienties de hoje - e de todos os que, independen- temente da idade e da epoca, con- tinuarem a ouvir mlisica nos tem- pos seguintes, O Para esta revoltado com o tratamento que rece- beu da novela da Globo O Clone. Um dos persona- gens diz que aqui 6 o fim do mundo. Uma casa focali- zada em Belem sequer possui luz elttrica. A musica referida 6 nordestina. Parece ate que o Brasil niio co- nhece a Amaz~nia. E nlio conhece mesmo. Parece que a ignora. E, de fato, dela nilo quer saber. Parece que a despreza. E realmente a despreza. Para reclamar com conseqilincia, 6 precise reconhecer que o enredo da novela revela, sem retoque, embora com distor~gio e caricaturismo, a imagem que de n6s tem o Sul Mara- vilha. Atacar apenas a novela e tomar a imagem refle- tida pelo que lhe da causa. Quando punido, o military era mandado do Brasil para a Amaz~nia. Podia ser castigo mesmo, como o que so- freu o entlio coronel (depois general) Gustavo Moraes Rego quando foi mandado para Tabatinga, no acerto de contas do vitorioso grupo do marechal Costa e Silva com o destronado seqiiito castelista. Mas nito foi por verda- deira promo~gio que o pri~prio marechal Castelo Bran- co veio para o Comando Militar da Amaz6nia e a 88 Regitio Militar, em Belem, uma decada antes. Mesmo a maior cidade da regitio era um inferno na 6tica de um official superior acantonado as margens do literal cen- tro-sul do pais, onde, desde a epoca quinhentista, a ci- viliza~gio arranhava a praia como caranguejo. Quando peguei meu primeiro ita no Norte, na me- tade da decada de 60, tinha dificuldades em ver minha proced~ncia identificada corretamente. Dizia-me pa- raense e era ouvido como paranaense. Niko me ouvi- am, na verdade: me olhavam. Eu era branco, puxado para o louro e niio falava como "nortista", um falar associado a baiano, universalizado na generalizagio equivocada aplicada a tudo o que estivesse de Salva- dor para cima. Para ser paraense, eu tinha que apre- sentar a imagem de indio, falando cantado como um baiano. Um tipico paulistano, que, a sua maneira, gos- tava de mim, repetia sempre o bordlio: "como vai o Tuna", refratario a qualquer corre~go. O valor atribu- ido superava o valor percebido. A Amaz6nia e o que dela esperam, a imagem que se lhe pespegam. O colo- nizador nito se permit ver o que e a col~nia e quem 6, realmente, o colonizado. Em muitas das minhas palestras, queriam que circuns- crevesse minha exposiCio ao exotismo da jungle, a ico- nografia da selva selvaggia aspra e forte. Costumavam desligar quando eu chegava a maior faibrica de aluminio do continent, aos intrincados novelos do financiamento japones com dupla paridade cambial, ao jogo de basti- dores dos gigantes da bauxita, do caulim e do cobre. Um audit6rio em Livorno, numa daquelas frias noi- tes do literal mediterrlneo da Italia, ficou tito sensibi- lizado comn meu relate das estaq~es da paixiio amaz6- nica que queria former imediatamente seu Exercito Brancaleone para libertar a regitio, como personagens redivivos de Torquato Tasso. Deixei passar um pouco o clima e sugeri-lhes que, antes, dessem uma passada pelo mnezzoggiorno para liberar os Schilacci da vida do marginalizado sul do pais. A liberta~gio que eles alcangassem, eu gostaria de partilhar, tilo long dali, beneficiado por uma solidariedade international, ai, sim, saudivel. E a nossa: existe? Falei no jogador italiano porque ele estava no auge da fama (quem lembra?), driblando como um Garrincha em format menor, desengonga- do em tamanho id~ntico, passaro balado desde o nas- cedouro, condenado a esse tipo de inferioridade dis- criminat6tia que nos reservou a novela global, apesar dos afagos sonantes oriundos do erario paraense, se- gundo se diz, ou pela falta dos que foram prometidos, conforme outros boateiros. Se a ofensa foi onerosa ou gratuita, nito interessa, embora fosse de interessar as instancias encarregadas de apurar a justeza e conveni~ncia dos gastos publicos. Ela e multissecular. S6 d6i mais porque aparece na mol- dura eletro~nica da campell (ou ex?) de audi~ncia. Ou quando um poema superior a prega na parede, como fez Drummond comn sua Itabira desentranhada, claman- do contra o imobilismo de muitos e o cinismo de outros tantos. La como aqui, nestas minas de abulismo. Bitolados pela antinomia Paul- John, contribuimos involuntaria- mente para os padecimentos de George Harrison, o criador de So- mething e que, mesmo nos mo- mentos de decibeis mais altos, nos fazia perceber que sua guitarra gently weeps, chorando com ter- nura. Imerecidamnente, acabou ni- velado ao sofrivel Ringo Starr, car- regando esse estigma at6 o ultimo dos seus dias, consumado na se- mana passada. Mesmo anunciada ha tempos, a morte de George foi sentida em todo o mundo por milhdes de pes- soas, que se beneficiaram de suas musicas, de seu contracanto, da sua guitarra correta e dos seus problems, sufocados pela impos- sibilidade de coloca-los adiante dos de Paul McCartney e John Lennon. Pipocavam nas musicas que comps, infelizmente (e pre- visivelmente) poucas, mas comn um padrilo de qualidade que raro muisico pop alcangou. Pobre George: o que cobrou do publico s6 lhe serai devolvido p6s- morte. Quando, voltando as nossas antediluvianas vitrolas, rastros de luz de uma epoca luminosa, pirilam- pos no jardim das revolugdes que fizemos ou testemunhamos, desco- brirmos a delicadeza das lagrimas que fez rolar da sua voz e das suas miios para o sempre da nossa me- moria. E da nossa gratidito. Ofensa global Livros A Secretaria de Educapilo vai comprar, de uma so vez, mais de 6,5 milhbes de reais em livros na praga de Belem para tender as bibliotecas das escolas de ensino medio do Estado. Uma "Estante de Literature Paraense" sera formada em 200 unidades escolares com 36.500 exemplares de 146 titulos publicados exclusivamente pela Cejup, a editor de Gengis Freire (ver Jornal Pessoal 272). Outros R$ 6 milhdes sertio usados pela Sedue para a aquisiqilo de acervo bibliogrifico para essas bibliotecas. .. A Cejup vai ter direito a mais R$ 563 mil. Mas o neg6cio de major valor esta sendo feito com a Somensi, que vendera R$ 3 milhaes, em quatro contratos. A segunda principal transagilo e com a Saraiva, no valor de R$ 1,5 milhaes, tendo a Moderna direito a R$ 864 mil, a Jinkings ficando com R$ 540 mil (em cinco contratos de menor valor) e a Papirus a R$ 103 mil. Os extratos dos contratos, publicados na semana passada no Diario Oficial, nada informam sobre os livros que a Sedue esti adquirindo (quantidade de exemplares e titulos) para colocar nas escolas da rede publica. Apenas os nomes de algumas editors (como LPM, Bertrand, Sprint) slio indicados. Todas as operaq~es foram feitas com inexigibilidade de licita~gio, por motives que os extratos tambem nito revelam, o que significa privar a opinion publica de avaliar a transa~gio do ponto de vista pedag6gico e cultural. Em casos semelhantes, o governor devia adotar como principio que o que abunda nto prejudice. Ao menos em rela~glo a informagies sobre o uso de dinheiro do erbrio para atos de interesse da coletividade. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 17 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |