Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00223

Full Text





Jorna Pessoal
L UIj C I O F L A V I O P I N T O
ANO XV NU 273 2L QUINZENA DE DEZEMBRO DE 2001 R$ 2,00

POT.iTTICA



O maior eleitor


A eleiga~o do pro~ximo ano serai dryicil para a politico mais influ~ente, famoso e que
individusalmenzte tem mais votos no PaEra: o ex-senzador~cader Barbal~bo. As difi~culdades sera~o
maiores se, ao invis de dispultar o govuerno, ele qulziser retornzar a cd mara alta, depois de haver
renunciad'o ao proprio mand~ato. Se ficar de fora emn 2002, sera o maior eleitor. Paradoxes
polzticos de uim Estado cri'tico como o Para'.










PL ader Barbalho teria mais possibili-
Sdades de vit6ria disputando o go-
-verno do Estado do que a volta ao
*. senado. Segundo os dados de uma
pesquisa que o Ibope concluiu em outubro, a
pedido da direptio national do PSB (Partido So-
cialista Brasileiro), Jader teria 32% dos votos se
a eleigilo fosse agora. Ademir Andrade, do PSB,
% r ficaria a pequena distlincia dele, comn 28%.
6 7 Se preferisse, porem, reconquistar o car-
..- go ao qual renunciou dois meses atras, en-
.. volvido no esciindalo de desvio de recursos
-' do Banco do Estado, ficaria em terceiro lu-
gar e, portanto, de fora, ja que estarilo em
dispute no pr6ximo ano duas das tres vagas
---- t~-:(Luiz Otavio Campos, do PPB, ainda tera
mais quatro anos de mandate).
Em uma das simulaqi~es feitas pelo Ibope,
'i' i\\ o primeiro lugar seria de Ademir Andrade, comn
)! 32%/, vindo logo em seguida o governador
Almir Gabriel e a petista Ana Julia Carepa, comn
os mesmos 31%. Bem mais atras, Jader Bar-
balho teria 24% (e Helio Gueiros em quarto,
\\ comn 19%). Excluido o governador, a fila pas-
sa a ser: Ademir, 41%; Ana Julia, 35%; Jader,
26%, e Gueiros, 21%.
Chamados a opinar sobre a atuadio de Ja-
der como senador, 38% dos entrevistados pelo
Ibope a aprovaram e 54% a desaprovaram. )








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Foi o maior indice de desaprova~gio entire os
senadores entilo com mandate: o de Ademir
Andrade foi de 18% (muito abaixo da apro-
vagao, de 62%) eo de Luiz Otavio foi de 41%
(para uma aprovagio deficitaria, de 23%/;). Em
compensagilo, o indice de indiferenga em re-
lagito a Juder foi o m~enor de todos, 8%, con-
tra 19% de Ademir e 36%/ do "senador do go-
vernador", ilustre desconhecido para um ter-
go do eleitorado paraense. A favor ou contra,
poucos conseguem deixar de se posicionar em
rela~gio ao ex-governador.
Jader e o politico comn o maior indice de
rejeiglio, de 44%, seguido a razoavel distlincia
por seu parceiro Helio Gueiros, com7 25% (logo
depois, dois petistas: Paulo Rocha, com7 23%,
e Valdir Ganzer, comn 22%). Mantem a lide-
ranga negative da antipatia, com 38%, corpos
a frente do segundo mais antipatico, Helio
Gueir-os, comn 23%. Mas seu indice de simpa-
tia, de 33%, e igual ao de Ana Juilia, empata-
dos os dois num terceiro lugar (abaixo dos 46%
de Ademir e 37% de Almir).
Neste period pre-eleitoral, a conflabilida-
de das pesquisas e bastante relative. Mesmo
quando se-rias e honestas, elas refletem um
determinado memento, naturalmente mutavel.
As simulaqdes feitas pelo lbope tem valor
restrito. Um candidate bem cotado, como o
senador Ademir Andrade, pode ter boa posi-
Cglo por estar preservado da fuzilaria dispara-
da contra outros personagens mais nottiveis.
Se entrar no foco, e capaz de nito resistir. Fei-
tas todas as ressalvas, porem, a pesquisa do
lbope parece servir de element a uma antlise
comn maior proveito do que as especulaqdes
estatisticas em cursor.
Esses mimneros mostram, de qualquer ma-
neira, que, se participar da eleiCio do priximno
ano, o politico mais influence e famoso do Para
enfrentara enormes dificuldades para veneer,
qualquer qlue venha a ser o cargo que decidir
disputar. Menores sertio as dificuldades se con-
correr, pela quarta vez, ao governo do Estado
do que, pela terceira vez, ao senado da Repth
blica. Parece que o eleitor considerou perdido
o voto que deu foramm 550 mil no total) para o
senador, obrigado, sucessivamente, a renunci-
ar a presidencia do senado e ao pr6prio cargo,
frustrando uma carreira que parecia destinada
a ser brilhante e ascendente, rendendo muitos
ganhos ao Para. Sobretudo no interior, o elei-
tor niio gosta de desperdigar o seu voto. Pune
quem lhe causa essa desfeita.
Esse eleitor pode vir a dar uma nova opor-
tunidade a Jader Barbalho, mas se ele, desta
vez, concorrer ao governor. No entanto, ele
tera que reconquistar apoios e desfazer uma
imagem predominantemente negative, que se
consolidou na rejeigilo do eleitorado mais
joyem e de melhor instru~gio, que ja niio pa-
rece disposto a apoia-lo. Individualmente, e
o politico que mais temn votos no Para. Um
tergo dos eleitores votou, vota e votara nele
por mera simpatia, em resposta ao seu caris-


ma. Nio e um voto que depend do que ele
realizar, de bomn on ruim. E cativo.
Nenhum outro adversitrio dispde de um
capital desse tamanho, pessoal e intransferi-
vel. Mas nIto e mais o bastante para assegurar
a vit6ria de Jader nulma elei~gio majoritairia-e
menos ainda para o senado. Estai praticamente
fora do seu alcance a possibilidade de definir
a eleigilo em primeiro turno, quaisquer qule ve-
nhamn a ser seus concorrentes no governor. E se
niio desfizer a imagem negative que o acom-
panha, estara exposto a umna surpresa no se-
gundo turno, caso a polarizaqilo em torno do
seu nome se torne terreno fertil no qual podera
brotar uma frente antiJader (ou, tematicamen-
te falando, anticorruppilo).
Se optar por ficar de fora da dispute cleito-
ral do pr6ximno ano, Jader Barbalho se tornara
o grande eleitor. Principalm~ente se agic mnais
nos bastidores do que ostensivamente. Nesta
uiltima hip6tese, a pesqluisa do Jbope sugere
que ele poderia colocar o senador Ademir
Andrade a um pass de se eleger governador
do Estado jai no primneiro turno, comn 49%/, en-
frentando apenas Hildegardo Nunes (11%),
Paulo Rocha (7%~) e Sim7ito Jatene (4%0). Entre
indecisos c tendencias de voto negatives, ain-
da haveria, porem7, umn potential de votos de
30%, ao alcance de uma campanha mais agres-
siva dos outros candidates.
A constancia do vice-governador Hildegar-
do Nunes na faixa de I1/i12% indica que cle so
ocupara uma posigrio relevanlte no ranrrking se


tiver recursos para popularizar sua campanha,
que ainda circula comn desenvoltura apenas nas
camadas mais altas da populagio, ou se o can-
didato da sua coligagjio, Ciro Gomes, for acei-
to como o oposicionista tipico pelos eleitores
para a presidencia da republica. O grande mote
de campanha do candidate do PTB seria a sua
autonomia, que custard carol quando precisar
ser difundida num Estado de dimensbes conti-
nentais como o Para. Ele praticamnente nito se
beneficia das transfer~ncias de terceiros, alia-
dos ou adversarios que se metamorfosearem
em correligionairios nos prciximos meses,
Como fazer Simlio Jatene sair da faixa ve-
getativa de 3 a 5%? Esse eo grande desaflo
posto diante da maquina official pelo gover-
nador Almir Gabricl, convencido de poder
tirar leite da pedra e popularizar quailquer
poste, gragas aos saldos que tem acumulado
eah disposigilo de comandar a engrenagem
pulblica durante a elei~go, colocando-se como
o cixo central de poder.
Para colocar- seu secretario especial numa
zona comn potential de passage para o se-
gundo turno, o governador tera que se expor
a um jogo perigoso, fronteirigo a legalidade
eaj moralidade. Como, alias, ja esta fazen-
do, beneficiando-se da inercia dos ojrglios en-
carregados de impedir que a propaganda
eleitoral chegue as ruas antes do tempo ou
extrapole os limits legals. Por enquanto, a
ulnica coisa que parece envergonhar ea pos-
sibilidade de derrota.


-.- governador Almir Gabriel e um de
~~senvolvimentista toutl court.., mas sua
assessoria esta deixando-o desatua-
lizado nessa posi~gio. Embarcando na canoa dos
fazendeiros, o governador assumiu, no inicio da
semana, a lideranga do combat ao dispositivo
atual, que exige a manutenglio de 80% da area
dos im6veis rurais como reserve florestal.
Pelo C~digo Florestal, de 1965, a reserve
legal era de 50%/. O governador concede que
passe a ser de 70 ou ate 75%, mas nunca os
80% em vigor gragas a reedi~go da media
provisbria qlue instituiu esse limitc. "Isso e
uma loucura", disse. Seus aliados ruralistas,
atraves da emenda do deputado Moacir Mi-
cheletto, querem a volta aos 50%, sem mais
lari-lari tucano.
O goivernador ainda esgrime a tese de qlue
pecuaria, cultivo de soja ou plantio de denda
representam uso economnicoj mais rentavel e in-
teligente do solo amazonico do que floresta.
Como area nova e o que esta em questito (e
nito area jit desmatada), essa posi~go se mo7s-
tra de um primnarismo assustador. A ciencia ja


evoluiu o bastante para nem mais consider
outro prisma qlue nito seja o florestal nas areas
de mata native da Amazo~nia. O avango que se
busca e no sentido de abandonar a produqilo
de madeira s61ida e se aplicar conhecimento e
tecnologia na transformagilo das informagies
e recursos biogeneticos em produtos muito
mais nobres, sem qlue desse uso result a eli-
minagilo da riqueza original da natureza.
O governador defended mais destrui~gio flo-
restal para produzir boi, soja e dend2. Almir
Gabriel estaria em boa companhia se tivesse
sido escolhido para administrar o Parit antes
de o coronel Alacid Nunes coloca-lo na Se-
cretaria de Salide do Estado, em 1979. As di-
ferengas entire o qlue diz hoje e o qlue os milita-
res proclamavam na de~cada de 70 e apenas de
enfase, de modulaglio, de acessorio. Como
h~omem pliblico, Almir Gabriel tem andado
como o Curupira: para trits.
O governador propugna outra tese equi-
vocada: de que as reserves, ao inves de se-
rem individuals, relacionadas a cada im6vel
rural, sejam agrupadas emn areas continues,


Governador descompassado








JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 3


unicas, independentemente das propriedades
isoladas. Essa e a ideia de alguem que abs-
trai o fato mais marcante e vital da Amaz6-
nia: sua heterogeneidade e, por conseqilen-
cia, biodiversidade.
Talvez pegando carona na teoria dos refui-
gios, o governador se julga um novo Noe, ca-
paz de recolher amostras da fauna e da flora e,
colocando-as numa arca tucana, deposita-las
na reserve unificada, central, arbitraria. Isso
significa ignorar os esptcimes-animais ou ve-
getais end~micos em areas especificas e os
ecossistemas diferenciados. O governador pa-
rece estar atras de um numero, de uma "obra",
de uma imagem, de algo que se preste a uma
presta~go de contas feita no papel, que, como
todos sabem, tudo aceita.
Lendo a reproduC50 das declaraqdes fei-
tas pelo governador a um audit6rio de pecu-
aristas que se formou na segunda-feira no
Palacio dos Despachos, lembrei de Aloysio


Chaves, um antecessor ja meio remote do
doutor Almir. Quando se permitia admitir
que nio entendia de algum assunto, o dou-
tor Aloysio chamava um especialista para
uma conversa reservada. Mal terminada a ex-
posigio do tecnico no que, ate ha pouco, era
uma novidade para ele, as vezes carregando
ideias que nio eram suas, mas eram melho-
res do que as suas, e, referendadas, passa-
vam a servir a political puiblicas. .
Convinha ao doutor Almir Gabriel ado-
tar essa metodologia, tendo, porem, o cui-
dado de nio convocar apenas audit6rios para
ouvi-lo, fazendo v~nias as suas decisdes, e,
quando se dispuser a tambem ouvir e acei-
tar, recrutar critics e divergentes, nio soi au-
licos palacianos, ainda que de plumagem
rica. Talvez assim o que dissesse viesse a se
tornar mais coerente com seu tempo, o avan-
go da humnanidade e os legitimos interesses
de seus concidadios.


administrativos ao seu chefe de gabinete. O
ato, bisado de um decreto id~ntico de maio
do ano passado, favorecendo o vice-procu-
rador (que renunciou e se aposentou), esta
previsto na lei orglinica national do MP e
visa tender as necessidades de descentrali-
zaqio e continuidade administrativas (prin-
cipalmente quando o titular, mesmo estando
em territ6rio paraense, se encontra distant
da sede, em Bel~m). Mas foi interpretado,
em clima eleitoral, como uma transfertncia
de poder a alguem associado ao grupo de
Manoel Santino.
Da mesma forma, Rocha precisou expli-
car porque nio executou ainda uma reivin-
dicaCio de procuradores e promotores, ja
aplicada pelo judiciario estadual e reconhe-
cida como devida pelo Supremo Tribunal Fe-
deral, o "escalonamento" dos salarios a par-
tir do teto legal, com efeito cascata para as
posiqdes inferiores da carreira. O procura-
dor-geral mostrou que a media precisa da
disponibilidade de recursos, do amparo or-
gamentario e do enquadramento na Lei de
Responsabilidades Fiscais, o que presume
poder vir a ocorrer entire fevereiro e margo.
Mas agora o MP nio disporia dessas condi-
F5es objetivas.
O caldo de cultural para esses embates
ainda e a fragilidade real do Ministerio Pui-
blico, que contrast com seus poderes no-
minais. A instituigio ainda esta numa ca-
misa-de-forga financeira. Recebe apenas
metade (3.5%) dos recursos orgamentarios
destinados ao judiciario (7%), um fosso que
o MP tenta reduzir (para 4% ou 4,5%), mes-
mo admitindo que deva existir, em fungo
da estrutura mais pesada do judiciario. Tam-
bem pleiteia participa~go proporcional na
Taxa de Reequipamento do Judiciario (que
estaria prevista para 10 milhiaes de reais
neste ano), juntamente com a Defensoria
Publica, ambos completamente a margem
desses recursos atualmente. O MP queixa-
se ainda de ter direito apenas a um tergo
(2%) do limited (de 6%) fixado em lei para
o judiciario gastar da parte que lhe cabe
com despesas de pessoal.
Mas ha outra fonte de complicaqbes: e
o poder que o governador ainda detem de
escolher o chefe do MP a partir de uma
lista triplice que o Conselho Superior da
instituigio lhe remete. Uma parcela cres-
cente de procuradores e promotores con-
sideram que a autonomia, sem a qual nio
ha verdadeira independ~ncia entire os po-
deres constitucionais, s6 viri quando a
pr6pria categoria escolher seu chefe, sem
submeter a deliberaqio a san~go do chefe
do poder executive.
Provavelmente o novo colegiado superi-
or que ira surgir no dia 12 ainda nio assumi-
ra todas essas frentes de batalha. Mas a pres-
sho para que o faga devera ser maior duran-
te o seu mandate.


ia 12 edia de uma elei~go pela qual
poucos se interessam, mas que tem
Dinfluincia no jogo de poder: e a es-
colha dos integrantes do Conselho Superior
do Ministerio Publico do Estado. Vio estar
em dispute cinco das sete cadeiras do colegi-
ado. Duas delas sio ocupadas automaticamen-
te pelo procurador-geral de justiga e o corre-
gedor-geral. Estio habilitados as demais 26
procuradores (ji que quatro estio impedidos
ou se desinteressaram de concorrer).
A campanha eleitoral e intense, ainda que
nio ecoe pela imprensa. Como sempre, ha
candidates de oposi~go e de situaqio. A lin-
guagem usada nem sempre e escorreita e os
arguments podem descambar pela lingua-
gem da political partidaria, sujeitos a chuvas
e trovoadas. Desde que a procuradora Mari-
lia Crespo deu ao Ministe~rio Puiblico insta-
lagdes e condiqdes de trabalho sem paralelo
em sua hist6ria at6 entilo, as alas se dividem
entire a continuidade dos melhoramentos a
sombra do establishment e a busca de inde-
pendencia e autonomia, mesmo que a custa
de dificuldades e problems.
Ninguem contest que o MP se divide em
antes e depois da gestio de Marilia Crespo.
Os que a seguiram insisted em sustentar que,
para continuar a evoluir, o MP precisa culti-
var boas relagdes comn o executive estadual,
a matriz dos beneficios por ela conseguidos.
Uma ala que teve a mesma origem, mas for.


mou outro grupamento, brigando no varejo,
reproduz o discurso. Ja representantes de
uma frente de opositores gostaria de quebrar
a linhagem dessa sucessio e abrir uma cu-
nha na administration superior do MP, con-
siderada fisiol6gica ou atrelada aos interes-
ses do governor.
Um pacto de compromisso foi o que a
ex-chefa do MP consagrou quando pulou o
balcio e foi ser vereadora e candidate a
vice-prefeita pelo PMDB de Jader Barba-
lho, em cujo governor acumulou benesses.
Seu ex-aliado, Manoel Santino do Nasci-
mento Junior, confirmou essa nova tradigio
(comn a agravante de ter continuado na ati-
va, enquanto Marilia se aposentava), ao tro-
car a procuradoria de justiga por uma se-
cretaria, especial na administration Almir
Gabriel e, agora, ser candidate a candidate
a deputado federal pelo PSDB. Hip6tese
que estard eliminada quando um projeto de
lei, jP no congress, proibir membros efe-
tivos do MP de participar de eleiqdes ou
exercer advocacia particular.
Por ila~go ou derivagio, tudo o que sub-
siste na cupula do MP e associado aos inte-
resses eaB equipe do ex-chefe, como se a ins-
titui~go nio passasse de uma extensio do
executive. O atual chefe do MP, Geraldo
Rocha, teve que fazer circular inernamente
uma carta na qual explicava o significado de
uma portaria que baixou delegando poderes


Uma eleigaio esquecida:


a do Mmnisterg o Purblico







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induzido a se submeter atraves de algum meio
persuasive ou de constrangimento. A febre da
madeira esta grassando nesse comego de se-
culo e milinio no serttlo amazonico comn a vi-
rulincia da febre do ouro nos anos 80.
Como aconteceu naqluela e~poca, agora o
Estado e tambem atraido para a cumplicidade.
Na de~cada de 80, os garimpeiros de Serra Pe-
lada eram tratados como herois nacionais. O
ouro qlue arrancavam do venture da terra ia pa-
rar nos depbsitos do Banco Central, compen-
sando a evapora~gio das divisas em d61ar qlue
haviam sido acumuladas (e dilapidadas) nos
anos do "milagre econbmico", ao long da de-
cada de 70. Ja os madeireiros da de~cada inau-
gural do novo seculo supreme a lacunla do agent
pliblico na abertura e "amansamento" das no-
vas fronteiras, assumnindo por sua conta a cons-
truplio de estradas, a instalagilo de cidades, a
multiplicaptio de atividades produtivas e a cri-
aglio de oportunidades de trabalho.
O problema e que, com a globaliza~gio dos
circuitos econbmicos, a corrida e mais exten-
sa e os corredores exigem a delimitagilo do
percurso para conectar o ponto de origem ao
de chegada. Algumn tempo atras seria inimagi-
navel o qlue aconteceu no mes passado: uma
instituigilo governmental, como o Ibama (!ns-
tituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Re-
cursos Naturais Renovaveis), fazer uma ope-
ra~gio de comnbate a extragilo illegal de mogno,
a mais valiosa de todas as madeiras da Ama-
z6nia comercializadas no mundo, ao lado de
uma ONG ambientalista, como o agressivo
Greenpeace, qlue ofereceu meios materials para
aumentar a eficacia da operaglio.
Poucos dias depois de ter indlicado os alvos
da pirataria madeireira, possibilitando prisdes e
apreensdes, O Greenpeace armava seu estande
ao lado dos inimigos declarados de ontem7, no 5,
Congress Internacional de Compensado e Ma-
deira Tropical, realizado em Belem, o lugar qlue
mais embarca madeira em toda a regitio.
Esses antigos contendores parecem conven-
cidos de qlue a selvageria dessa nova forma de
garimpagem prejudicaral, ate o limited da elimi-
na~gio, os agents produtivos interessados numa
atividade mais duradoura, menos sazonal, qune
atendem compradores atraves de contratos com
prazos mais longos do qlue o varejo de centenas
de predadoies (e preadores) de madeira espa-
lhados pelo hinterlandramazonico.
A corrida desse-s personagens e pela legali-
zacgio Centenas de projetos de manejo flores-
tal v~m sendo protocolados no lbama, qune nio
tem estrutura material e humnana para dar a
apreciaqilo desses pedidos a velocidade que sua
avoluma~gio reqjuer, nem o respaldo qlue o 1:gi-
time junto a instincias internacionais, fladoras
da rela~gui comercial e~m bases menos selvagens.
Quando o licenciamento ambiental e expedido,
descobre-se qune a titulaglio das terras e podre.
Pressionado a conceder os titulos requeridos por
compra, ai c o Estado qune se surpreende com
sua fragilidade e comn certa dose de leviandade


na gestlio do patriminio fundiario publico. Fla-
grado ao agir como mero mercador imobilid-
rio, g maneira de um simples corretor privado,
assusta-se com a possibilidade de receber a cul-
pa pelo esgotamento dos uiltimos estoqjues flo-
restais da regitio, entregues a prego de banana e
por criterios de mercado persa.
E o qlue esta acontecendo com o Estado do
Para no memento. O avango das frentes ma-
deireiras sobre a area qlue tem a maior e a
derradeira concentration de mogno, no vale
do Xingu, na margem direita da calha do rio
Amazonas, adquiriu os contornos de um caso
de calamidade publica.
O Estado se comportava em relaglio ao pro-
blema como se o seu principal papel fosse o
de aguardar, na retaguarda, qlue alguns dos pi-
oneiros se livrassem do fivont ca~tico, no qual
a tinica lei respeitada e um feroz darwinismo
social, e lhe apresentassem seu pedido de re-
gularizaqilo da terra, protocolado e despacha-
do debaixo de algumas fonnalidades, adota-
das mais para ingles ver, e o prego de venda
carimbado, recolhendo-se o dinheiro ao era-
rio para financial obras explicitas (e outras nem
tanto, como o fundo eleitoral).
Alcangado pelas critics e pelos primeiros
indicadores acusatorios, o Estado apressa-se a
buscar uma posigio mais coerente com sua
natureza de inte~rprete e defensor do interesse
coletivo. Estuda-se a suspensilo dos processes
de venda de terras atraves de requerimentos,
que comegaram a pipocar no Instituto de Ter-
ras do Para, ressuscitando uma era de triste
memn6ria (no inicio da decada de 60 e a partir
da metade da decada de 70, at6 o comego dos
anos 80), em que havia uma industria da ven-
da de terras estaduais e, por deriva~go, uma
indlistria da fraude de titulos de propriedade,
comn a forma~gio de aut~nticas quadrilhas.
O Estado volta a se convencer de qlue niio
deve simplesmente alienar a terceiros as vali-
osas terras ptiblicas. A venda pode ser substi-
tuida com proveito pela concession com clau-
sula resolutiva, condicionando a aquisi5lio ao
cumprimnento de obrigaq8es. A expediCio da
autorizaqilo deve tambem estar casada com o
melhor uso da terra, de acordo com aptiddes
bem examinadas e definidas. A venda tera qlue
ser precedida de um zoneamento, o que pode
reeditar o projeto das florestas de rendimento,
que a extinta Sudam (Superintend~ncia do
Desenvolvimento da Amazinia) chegou a con-
ceber nos anos 70, mas nito pos em execu~gio.
O governor teria papel ativo na aprovagilo, no
control e na fiscalizagilo da atividade flores-
tal, qlue seria desenvolvida em suas terras.
Se essa contra-onda regulamentadora e in-
tervencionista aumentar e quebrar sobre o mar
revolto da pirataria madeira, podera vir a ser
um sinal de qlue o requiem para as melhores
parties da floresta amaz~nica ainda nito soou.
Ou, se teve o seu primeiro dobrado,, ainda pode
ser revertido, ainda ha tempo para um contra-
canto mais alegre e vivo.


A pi rat aia


fl O Fs tal

Calculam al guns tecnicos que 20 milhdes
de metros cubicos de madeira sejam extraidos
da floresta amaz6nica a cada ano. Estimam
tambem que 80% dessa madeira slio cortadas
ilegalmente. Isto significa que todos os anos
uma area de 40 mil hectares perde a sua co-
bertura vegetal sem que o agent do process
seja o donor da terra usada ou, mesmo tendo
sua propriedade, dela retira a madeira sem
cumprir as normas legals. O resultado e a des-
trui~glo ecol6gica, a sonegaglio de impostos e
a criaqilo de um circuit clandestine do mer-
cado, que pode desembocar em diversas ilici-
tudes (da propina a economic subterrlnea) e
em conflitos sangrentos entire os diversos per-
sonagens dessa cadeia marginal.
Quem optou pela marginalidade assume o
risco. Em casos cada vez mais numerosos, ele
pode significar multa pesada, apreensito da
mercadoria ou prisli do infrator, alem das san-
goes sobre a area irregular. Uma tecnologia
mais agressiva e acessivel, tendo como base
de apoio os sate~lites, com recupera~gio imedi-
ata da informa~gio, como nos portateis GPS, e
um estado de consciencia internacional, tim
aumentado a probabilidade de constatagilo,
caracterizacgio e repressilo a antigos metodos
de pirataria florestal, antes niio detectavel.
Um nuimero crescente de madeireiros, racio-
cinando sobre calculos objetivos, ja esta chegan-
do a conclustio de que e melhor e ate mesmo mais
rentlivel legalizar sua atividade. Um selo de cer-
tificaptio, uma boa imagem e referincias favora-
veis de instincias arbitrais ou avalizadoras sio
instruments para abrir ou manter os melhores
clients espalhados pelo mundo. E claro que
muitos compradores de madeira tropical em boas
pragas ainda nito se preocupam em saber se o
produto que recebem tem uma origem identifi-
cavel ou se ela represent uma atividade de ma-
nejo, auto-sustenta~vel. O que interessa 6 o prego.
E o prego no mercado internacional se tornou
tilo vantajoso que reativou uma nova corrida as
reserves florestais amaz~nicas.
A correria deu a esse refluxo as caracteris-
ticas de uma autintica garimpagem de madei-
ra, tiio desordenada e compulsive quanto as
investidas dos farejadores de ouro. Niio por
acaso, a compara~gio entire a capa as especies
vegetais mais nobres e a garimpagem do me-
tal dito precioso tem sido tiio freqiiente. Ho-
mens t~m sido largados no meio da floresta,
estradas primarias sjio rasgadas para dar aces-
so a direas novas, indios tim sido seduzidos a
abrir caminho as suas terras de densa cobertu-
ra florestal, acidentes de percurso sito suplan-
tadas com selvageria (que as vezes se mani-
festa em curses d'agua aterrados) e quem se
coloca na frente dos pioneiros e atropelado ou







JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 5


publicaFgo do journal O Liberal, 6: critical.
Em 1999 ela registrou um prejuizo de R$
2 milhdes. No ano passado o vermelho
pulou para R$ 11,7 milhaes. O passive
junto a institui~des rmnanceiras, o item
mais problematico das contas de curto pra-
zo, quase dobrou no period: era de R$
6,3 milhdes e foi parar em 2000 em R$ 1 1
milhaes. O custo financeiro mais do que
dobrou, passando de R$ 1 milhio para R$
2,7 milhaes, enquanto a receita liquid
caiu de R$ 30,9 milhaes para R$ 21,8 mi-
Ihbes.
Pior e a condig8o do exigivel de long
prazo. O valor do parcelamento dos im-
postos federals continue se avolumando:
foi de R$ 7,6 milhaes em 1999 e alcangou
R$ 10,2 milhaes em 2000. Ja os "debitos
de pessoas ligadas", rubrica algo esdnixu-
la, disparou: de R$ 24 milh~es para R$ 34
Inilhdes. Em conseqilincia dessas evolu-
95es negatives, o patrimonio liquid ema-
greceu no period de R$ 18,2 milhdes para
R$ 6,5 milhaes, gragas justamente as re-
servas de reavaliaqio, sobre as quais Ro-
sangela e Angela parecem ter restriqdes,
mas sob uma sombra de dificil discerni-
mento no eliptico balango, "outras contas",
inexistentes em 1999 e somando podero-
sos R$ 12 milh~es em 2000.
S6 com esses mlimeros da para proje-
tar perspectives nada favoraveis para o
maior grupo de comunicaqio do norte do
pais. O panorama torna-se ainda mais com-
plicado com os resultados ruins de neg6-
cios novos, como a TV por assinatura e o
provedor de internet, mal concebidos e mal
geridos.
Provavelmente em fungio dessa con-
juntura, Rosangela Maiorana decidiu sair
do anonimato em que vinha se mantendo
e assumir iniciativas de repercussio soci-
al, alem de comegar a aparecer com fre-
qiincia nos veiculos da empresa, enquan-
to a presenga do irmio mais famoso (e ain-
da se recusando a voltar ao expediente de
O Liberal) se torna mais intense em ou-
tros stores, mais informais, ou nada for-
mals.
Os sism6grafos mais sensiveis da ci-
dade devem estar registrando os seguidos
abalos internos na luxuosa sede fincada
atras do Bosque Rodrigues Alves.


Os Maiorana fizeram em sua sede uma
receppio para comemorar os 40 anos da
Mendes Publicidade, no final do mis pas-
sado. Na pagina inteira de O Liber-al que
documentou o acontecimento, em duas
fotografias apareciam os irm~os. Em ne-
nhuma delas, por~m, os dois principals
executives da empresa, o vice-presidente
Romulo Maiorana Junior e a diretora ad-
ministrativa, Rosingela Maiorana Kzan,
apareceram juntos. Ha maito tempo eles
sustentam uma luta internal cada vez mais
polarizada, que os impede ate mesmo de
posar para uma inocente fotografia, mes-
mo quando (o que e: raro) estio presents
no mesmo ambiente. A festa para a Men-
des nio foi uma exce~go. Cada um apare-
ceu ao lado dos demais irmios. Mas nio
aceitou aparecer na mesma foto junto do
adversario familiar.
Por ser o mais velho dos varies, ter tino
commercial, haver sido preparado pelo pai
para suced6-lo e ainda levar-lhe o nome,
Romzinho assumiu o comando do grupo de
comunicaqio quando o fundador da em-
presa morreu. Com as ban~gos da m~e,
Dea, manteve essa lideranga sem questio-
namentos por muitos anos. Mas esse nio
e mais o caso. Rosangela decidiu confron-
tar o irmio, principalmente depois que
varias diverg~ncias na condu~go das em-
presas e em decisdes importantes levaram-
nos a ocupar campos antag6nicos.
Uma das mais recentes manifestaqaes
do conflito deu-se durante as assembleias
gerais ordinaria e extraordinaria, datadas
do final do ano passado, convocadas para
a aprovagio das contas da Delta Publici-
dade referentes a 1999. Rosangela e sua
aliada, Angela Maiorana Lanhoso Mar-
tins, foram as unicas que nio comparece-
ram. Fizeram-se representar por seus ad-
vogados. A ata da reuniho, so publicada
cinco meses depois (ou com data atrasa-
da), reflete a tensio do ambiente e os con-
flitos entire o grupo de Rominho (apoiado
na ocasiho por Ronaldo, Rosemary, Ro-
berta e Rosana) e o de Loloca, como Ro-
singela e conhecida na intimidade.
No cursor da sessio, seus representan-
tes apontaram a demora na convocaqio
para a aprova~go das contas quase um ano
depois de findo o exercicio de 1999, mas


Algo de critic cresce


no reino dos Maiorana


::A Delta Publicidade

registrou prejuizo

de R$ 2 milhies,

em 1999.

Ano passado, o _
Vermelho pulou

para R$ 11,7
milhies


foram contraditadas com a explicaqio de
que "a demnora representou o consenso de
todos os acionistas". Ela tamberm questio-
nou sobre o valor da remluneraqio de cada
director da empresa e quanto for distribui-
do durante o ano, sendo-lhe informado que
"'todas as remuneraqdes e retiradas a qual-
quer titulo, por parte dos acionistas, cons-
tam em conta corrente, devidamente con-
tabilizada na empresa". A president ga-
nha 6 mil reals por mes e o vice-presiden-
te, R$ 5,4 mil. Sobre as retiradas, nio hou-
ve registro. .
Os representantes de Rosangela e An-
gela tamb~m cobraram informagaes sobre
a finalidade da reavaliaqio dos ativos da
empresa, querendo saber ainda se todos
os ativos reavaliados "sio de propriedade
exclusive da Companhia" e quals foram
os criterios utilizados nessa reavaliaqio.
Pediram tamnbem c6pia do laudo de rea-
valiaqio "que esta sendo aprovado nesta
Assembl~ia .
As informagies f'oram prestadas, com
a observaq~o de que elas constavam dos
documnentos colocados a disposi~go de
todos os acionistas, "e tambem foram en-
tregues diretamente as acionistas Rosan-
gela e Ange~la, conforme solicitagio escrita
destas". Amnda assimr, as duas irmis dei-
xaram consignado na ata "que nao neces"
sariamente concorda [sic] com os esclare-
cimentos prestados".
A situaqio de Delta Publicidade, a prin-
cipal empresa do Sistemna Romulo Maio-
rana de ComunicagBo, responsavel pela









6 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001


3- N~o deixaria para o pr~ximo
milmero para te dar direito de res-
posta emn nenhuma hip6tese. Qual-
quer refere~ncia a teu nome ou ao
do Jornal Pessoal em uma edi~go
do nosso journal O Paraense, por
exemplo, certamente seria respon-
dida por ti de imediato. Acho que
esse e o tratamento que deve ser
destinado aos amigos, as pessoas
que so respeitam, admiram, convi-
vem ha decadas;
4- Niio publicaria, nunca, carta de
pessoa que nito conhego difaman-
do, caluniando, injuriando, pessoas
da minha relaqiko pessoal;
5- S6 por isso estranhei a carta do
Cassio Franco, a quem destes 15 mi-
nutos de famna, atacando O Par-ael-
se e agredindo o Sc~rgio Palmnquist,
director de reda~go do nosso journal.
Fiquci sabendo depois que o Cas-
sio chegou a dizer a al guns mais
chegados que o Palmquist tinha sido
"importtado" para vir trabalhar no O
Parraense. E de rir.
6- Tua resposta, nos e-mails tro-
cados com o Edir Gaya, salu pior
que o soneto. Niio entendi tuas no-
vas e desairosas refer&ncias ao
Palmquist.
7- Gostaria de deixar bem claro
a teus leitores que te consultei a
respeito de publicar no O Pa-raen-
se tua coluna Carta da Amazonia,
atraves da Agi~ncia Estado. Con-
cordaste sem restrigdes, embora
tenhas exigido o credito da AE. E
eu concordci.
8- Quanto a tuas qucixas contra o
Sindlicato dos Bancarios, que nio se
solidarizou contigo quando foste
:meagado pelo Jor~nal Popular, do
finado Silas de Assis, te disse de
corpo present: ha uma diferenga
muito grande em ser atacado pelo
finado Silas, no JP (Jornal Popular)
e ser ofendido pelo JP (Jornal Pes-
soal), do Luicio Flavio Pinto, como
ocorreu com o Palmquist.
9- Para finalizar, volto a lamentar
que tenhas abrigado em tuas pagi-
nas injilrias de um rapaa que sequer
conheces. Um rapaz que fez jus ao
seu hominimo famoso, aquele que
tramou o assassinate e apunhalou
Julio Cesar pelas costas.
Saudaybes paraenses.
Ronaldo Brasiliense

4.#
O Sindicato dos Jornalistas no Es-
tado do Para, diante dos recentes fa-
tos publicados no Jornal Pessoal,
envolvendo o jornalista Sergio Pal-
mquist, vemn a publico solidarizar-
se com o referido professional, con-
siderando, que as acusaq6es feitas a
sua pessoa nito correspondem a se-
riedade pr-ofissional com que Ser-
gio tem pautado sua atuaqio como
jornalista. E inadmissivel que pro-
fissionais, como Setrgio Palmquist,
sejam alvo de critics descabidas


que vao de encontro a trajet6ria de
vida, reconhecida por todos que
convivem com o jornalista.
Atenciosamente,
Caetana Ferreira da Silva
President

'88 elo menos uma centena de
9i~S projetos que recebiam re-
-- curses financeiros da Su-
dam deverho receber, at6: o fmnal do
ano, cobranga atrave~s da justiga dos
recursos da colaboragao financeira
official, que desviaram ou frauda-
ram. E o que preve o ex-superinten-
dente da Sudam e secretario espe-
cial do Ministerio da Integraqio Na-
cional, Jose Cyrillo Diogo da Silva,
atualmente chefiando a Corregedo-
ria-Geral da Advocacia-Geral da
Uniho, em Brasilia. Em carta envi-
ada a este jornal, a prop6sito de ar-
tigo publicado na edigilo anterior,
cle presta contas do period que
passou em Belem, na transigilo da
extinta Sudam para a criada (ainda
apenas no papel) Ag~ncia de Desen-
volvimento da Amazdnma.Cita as
duas agaes de improbidade que
mandou instaurar contra os dols
maiores escrit6rios de elabora~giode
projetos Sudam, que resultaram na
coloca~gio em indisponibilidade de
bens dos seus proprietarios, no va-
lor de 30 milhaes de reais.

A INTEGRA DA CARTA:
Leitor dos varios veiculos em que
o bravo de coragem, nho de bra-
beza pontifica, li sua mat~ria "O
interventor caiu. Viva o interven-
tor", edi~go de o Jornal Pessoal, P"
quinzena de dezembro. A prop6si-
to, desde que assumi como interven-
tor da Sudam expressiio cunhada
pela midia local e nacional-, em 21
de margo transato, dei especial aten-
950 a tudo o que tem sido escrito
sobre a Sudam passado, present
e future.
Encontrei, alhures, expressito de
Millo~r Fernandes (creio que consta
de algum texto seu): "jornalismo e
90% oposiqito; o resto er secos e mo-
lhados".
No period em que titulei a Su-
dam extinta, junto com a Sude-
ne,, em 3 de maio passado -depois,
quando Secretario Especial mncum-
bido da transi~go para a future
Ag~ncia de Desenvolvimento da
Amazo~nia (ADA), criada e ainda
nto instalada, estabeleci, junto com
diminuta, posto fidelissima equipe
de trabalho (nito mais do que 30 ser-
vidores), eixos de atuaqilo, a saber:
a) instaurar procedimentos apura-
torios relativamente a mais de tras
centenas de projetos irregulares, que
receberam recursos publicos ao lon-
go dos uiltimos anos, e que foram
desviados de suas finalidades. Em
outras palavras, sumiram. His regra
legal Lei n" 8/137/91, que regular


cordando de varios pontos do que
ele escreveu, por toma-la como
mote para um debate necessario,
vital ate mesmo para afastar as en-
grenagens do corporativismo c das
conveniincias no jornalismo. Idei-
as foram esquecidas em proveito de
emnoqbes, razacs objetivas sufoca-
das por subjetivismo delete~rio, no
meu entendimento. Ngo pesa sobre
a minha consci~ncia nada que me
acuse de ter praticado uma injusti-
ga contra Palmquist, ou deslealda-
de (artigo que, da minha parte, ja-
mais faltou aos meus amigos). Mas
desaba sobre a minha vontade a sen-
sagao de ter provocado a montanha
a parirum rato. Deixo-o passar, por-
tanto, como aquilo que tem que pas-
sar e que passara.


As unicas duas pessoas as quais
devo afeto incondicional se cha-
mamn, nito por coincidencia, Manu-
ela. Uma tem 70 e a outra seis anos.
Para series meu amigo, primeiro tens
que escrever de pri~prio punho no
teu journal que o S~rgio Palmquist
nifoeCum lacaio; segundo, informar
que nho to autorizei a publicar o di-
alogo que mantive contigo por e-
mail, no qual fiz referincias a figu-
ras pdblicas -uma delas ja falecida
- as quais devo gratidso e respeito
pela oportunidade de trabalho.
Todos sabemos -e tu mais do que
todos n6s que polemicas ajudam
a vender jornal, embora fosse de se
esperar que o teu padrho etico so-
bre este assunto estivesse acima exa-
tamente do que critics em outros
jornais. Lamentavelmente, vejo que
nho. Prefiro, portanto, me enquadrar
na ultima alternativa que criaste para
encerrar a nossa conversa, agora
puiblica, embora sem a minha auto-
riza~gio: amigo-inimigo.
Edir Gaya
PS. Por favor esta mensagem
tens autorizagdio de publicar...

2
Lucio Flavio, carol.
Nos conhecemos ha mais de 20
anos. Mantivemos, nesse tempo,
uma boa amizade. Nos falamos -
pessoalmente, pelo telefone, troca-
mos e-mails centenas de vezes.
Mas nos14 anos de Jornal Pessoal
nunca te escrevi. Nem para o bem
nem para o mal. Nem para clogiar,
nem para critical.
Agora, sinto-me obrigado a to
mandar essas poucas linhas.
Para ser bem rapido:
1- Niio publicaria, em clualquer
journal em que trabathasse, nada
contra ti sem antes, pelo menos,
te informar;
2- Nflo publicaria, em qualqu~r
journal em que trabalhasse, carta de
quem quer que fosse atacando o teu
jornal, sem te informar;


Ca rtas

O "affaire

Palmquist
Quando decidi publicar, na edi-
pito anterior, nho s6 uma nota ofici-
al do Sindicato dos Bancarios, mas
toda a troca de mensagens via in-
ternet que travoi comn o redator des-
sa nota, Edir Gaya, imagine poder
provocar um debate necessario en-
tre jornalistas e a opiniho puiblica
sobre o desempenho desses profis-
sionais na atual conjuntura da im-
prensa paraense. A crise do setor,
fenbmeno, de resto, mundial, em-
bora em escala e qualidade diferen-
ciadas, criou uma certa promniscui-
dade entire redaqbes e assessorias de
imprensa; e, ademais, um espirito de
corpo que sufoca ou mesmo elimi-
na no nascedouro certas questdes
consideradas inc~modas. Dai o ex-
purgo das pol~micas ou sua redu-
gio a bate-boca de lavanderia.
Nao me arrependo de ter publi-
cado o dialogo comn Edir, mesmo
sem sua autorizaqgo previa. Quan-
do aprofundamos a controversia,
nem ele e nem eu imaginavamos que
ela fosse levada a letra de forma. Da
mesma maneira como Helio Guei-
ros jamais sup6s que eu publicaria
aquela fetida carta que me mandou,
10 anos atras. S6 lamento que o re-
sultado dessa iniciativa seja o des-
vio da controversial para o ambito
pessoal, sufocando~no redil da ami-
zade um assunto que deveria ir para
a arena publica e o interesse superi-
or da coletividade. Tornar-me vilgo
quando deixo de visar terceiros e
atinjo pessoas prbximas e uma smna
da qual niio deverei escapar enquan-
to for o jornalista que tenho procu-
rado ser. Ja nem me importo em
poupar-me desses espinhos. Eles
doem, de fato, mas sho secundari-
os. O mundo continue a girar e a
Lusitana a rodar. Como tem que ser.
Edir Gaya, em sua carta abaixo,
impde condigdo para voltar a ser
(ou vir a ser?) meu amigo. N ao a
aceito. Ronaldo Brasiliense relata
suaes normas de redagdio. Respeito-
as. Na~o sdio exatamente as minhas.
Prezo meus poucos amigos como
meu maior bem, uma das razdes
ftmndamentais da minha vida. Mas
naiopara favorecC-los, em qualquer
nivel, sobre qluesto'es da res plibli-
ca. Se tal exigirem, ndio sa'o meus
amigos. Ou deixam de sC-lo. Pro-
vavelmente para o bem deles e meu
prejuizo, naturalmente. Mas assim
sempre serai.
Ngo vi na carta de Cissio de An-
drade, detonador de todas essas
arengas, nenhuma fonte de injuiria,
cablinia ou difama~go contra Sbrgio
Palmquist. Publiquei-a, mesmo dis-








JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 7


o Fundo de Incentivo a Amaz~nia
(Finam), que nito foi extinto pre-
vendo procedimentos. Findo o pro-
cesso apuratdrio, em se comprovan-
do que ocorreram desvios na apli-
captio de recursos, o projeto e can-
celado, remetendo-se a Procurado-
ria-Geral da Fazenda Nacional, para
finls de execupilo fiscal. Aqui esta
se falando de algo em torn de um
bilhilo e seiscentos milhdes de re-
ais. Uma centena do tais projects,
se mantida a sistematica que implan-
tei, podera ser enviada a cobranga
judicial (execupilo fiscal), ate` o fi-
nal do ano;
b) determinei a instauragilo de
mais de tres dezenas de procedimen-
tos administrativo-disciplinares, em
desfavor de 140 servidores da ex-
tinta autarquia, a partir de diversas
fontes de denulncias: relat6rios da
Secretaria Federal de Controle, do
Tribunal de Contas da Unitio, da
Policia Federal, dentre outras, afo-
ra investigaq6es internal. O univer-
so de servidores da ex-Sudam era
de 540 pessoas. Niko pense que sen-
ti orgulho ou satisfaglio com tais
procedimentos: lembro-me de
Churchill: "ha. certos exitos que nto
nos trazem alegria, sentio que tris-
teza e vergonha". Todos e nito e
exagero conceitual procedimen-
tos instaurados, ultimados e em
cursor, obedecem aos ditames espe-
cificos: respeito a principios cons-
titucionais -contraditidrio e ampla
defesa, por exemplo e as regras
estatuidas na Lei n"8. 112/90 -Re-
gime Juridico dos Servidores Pu~-
blicos Civis da Unilio;
c) inovamos na atuaqio investi-
gat6ria: passamos a atuar em rede,
comn a Policia Federal, Ministdrio
Puiblico, Receita Federal, Secreta-
ria Federal de Controle Interno,
Corregedoria-Geral da Uniiio, Tri-
bunal de Contas da Unilo e Advo-
cacia-Geral da Unitio, em cinco
frentes de atuaqilo simultfinea:
Para, Amazonas, Mato Grosso,
Tocantins e Maranhilo. O que isso
quer dizer: nenhum expediente pro-
vmndo de tais 6rgilos foi sepultado;
periodicamente, reunites de traba-
lho eram realizadas com tais insti-
tuiqdes; um intense interciimbio de
infonnagdes e de documents per-
mitiu que o Ministerio Pliblico e a
Policia Federal instrumentassem
suas investigates. Do mesmo
modo, relativamente ao Tribunal de
Contas da Unitio e it Secretaria Fe-
deral de Controle Interno e as de-
mais referidas. Ignore outra enti-
dade pilblica, em qualquer nivel,
que tenha recebido process inves-
tigatorio comn o mesmo rigor e cri-
terio. Disso, lamentavelmente, nto
tem se ocupado a midia;
d) foram ajuizadas duas aC~es de
improbidade administrative, com
decreta~go de indisponibilidade de


bens, contra titulares de dois escri-
t6rios de claboragilo de projetos,
chamados de os "portais da corrup-
glio"; cis que, comprovadamente,
parcela preponderante dos projetos
cancelados, por irregulanidades e/ou
fraudulentos, estavam sob e-gide de
tais pessoas. Stio elas: Maria Auxi-
liadora Barra Martins, familiares e
prepostos; idem, relativamente, a
Geraldo Pinto da Silva, idem, idemn.
Os bons indisponibilizados montam
a R$ 30 milhaes;
e) sem embargo dessa atividade,
por muitos cunhada de policiales-
ca, comno se fosse depreciativa tal
fun~gl,~ dei cursor as provide~ncias
tendentes a imnplantaphio da ADA.
Nesse sentido, ha quatro ctapas,
pelo menos, indispensavels a con-
cretiza~gro de tal intent: 1) trans-
formagilo da Medida Provisbria em
lei (valida, por igual, emn imbito da
Adene), material de competincia
exclusive do Congresso Nacional;
2) em seguimento, regulamentagio
do Fundo de Financiamento ao De-
senvolvimento da Amazonia, de
natureza fiscal, com recursos do
Orgamento Geral da Unitio, subs-
tituindo a fonte de renuincia fiscal
de receita, que vigorou por mais de
trinta anos; 3) na continuidade,
edigio de regimento interno, defi-
nindo a atuagrio da entidade; 4) a
derradeira, a nomeaqito dos diri-
gentes, ap6s a prova~go dos nomes
pelo Senado Federal;
f) observe, ademais, que a par-
tir de 26 de outubro prete~rito, ha
Portaria Ministerial definindo ob-
jetivos transparentes para a libe-
ragilo de recursos para os projetos
em vigor, ate 4 de maio passado -
data da extinglio da Sudam. E evi-
dente que a retomada das libera-
95es exigiu a edi~gio de regras ri-
gidas, para evitar o que aconteceu,
ao tempo da Sudamn.
Para seu conhecimento, esta dis-
ponivel no site www.sudam.aov.br
o relatorio que entreguei ao Mi-
nistro-Chefe da Advocacia-Geral
da Unillo, a Ministra da Correge-
doria-Geral da Unilio e ao Secre-
tario-Executivo do Ministerio da
Integraqflo Nacional, acerca do
period que estive investido nos
cargos em comento. Sci que pou-
cas pessoas 16~em relati~rios eu
sou uma delas.
Cordialmente,
Jose Diogo Cyrillo da Silva

Carol Lucio Flavio,
7. e permit usar este tipo de
:0.~ i tratamento, pois como
c; scu leitor quase assi-
duo, me sinto nesse dircito; no
Jornal Pessoal da 1" quinzena de
dezembro, no artigo Minrr~io: sa-
fras estrio acabando, extraio este
paragrafo: "...o empresario Luis
Carlos Monteiro, donor da maior


das tr~s guserias qlue funcionam
em Maraba, ... sustenta que esse
c um bomn negi~cio, porque o Bra-
sil tem, na regitio, a possibilida-
de de realizar umna 'siderurgia tro-
pical'. Essa 'tecnologia emninen-
temente brasilcira' decorre do
uso da floresta, na forma de
carviio vegetal". O negrito das
frases finals e mou.
Gostaria de informa-lo que
moro nesta regillo ha 6 anos, que
estarito se completando no dial 1
de janeiro proximo. Vim para esta
reglio dos municipios da area de
influe-ncia da Hidrocle~trica de Tu-
curiT, trabalhar para um madeirei.
ro do Breu, emn 19596, e vi bem todo
este process de explorailo flores-
tal que aqui so realiza. Niio havia,
nom exagerando, 10 fornos de car-
vflo nos ste municipios. De um
ano para ca devemos ter entrado
comn certeza na casa dos milhares
de fornos. Por que sera que esta
ocorrendo essc fendmeno?
Alguns dizem que estamos ex-
portando para o Maranhflo, outros
dizem que o consume represen-
tado pelas tres guserias, que se re-
fcre no scu artigo, aumentou, ou-
tros ainda afirmam que essas gu-
serias compram e exportam esse
carviio; o important e que a nos-
sa regitio se tornou uma enorme
carvoaria, carvio produzido ate
ondc a vista alcanga de residues
s61idos de serrarias. Penso que o
perigo maior do que o atual (a po-
luiglio ambiental gerada pela fu-
maga das carvoarias e comn as do-
en gas respirat6rias que provoca)
c aqucle representado nas frases
que negritei do scu artigo,"o uso
da floresta, na forma de carvio
vegetal".
Voci nito acha que a mmnha pre-
ocupa~gio precede?
Cordialmente,
Jose Virgilio Moura

MINHA RESPOSTA
Naio so acho qlue a preocupa-
gdio do leitor precede, comlo essa
tem sido uma das mlinhas m~aio-
res preocupagdes, manlifestada
hai wirios emz palestras e ar~tigos.
Lembhro sempre que a pr-imeira lei
ecologica do mtundo, comn 400
anros, jobi baixada pelo r~ei dla Su-
ecia par-a imlpedir- o ulso da f/lo-
r~esta para carvdo vegetal, usado
na produgdo de gusa, por 20
an~os. E a idade do nosso atraso
nesse setor. Fiz referdncia ai these
do donor da Cosipar porqgue Luis
Car-los Monteiro e o mlais dina-
mico,, atuante e? replresenltativo
emlpresar-io do setol,; com lideran-
ja sobr~e os demlais e influincia
sobre o priblico. Ficaria feliz se
o leitor- e outras pessoas apr-ofitn
dassemn e enlr~iquecessemn a ques-
tdro suscitada.


COmendador
Ele era um salazarista pleno.
Eu, um anti-salazarista convic-
to. Niio s6 pela repulsa aos dita-
dores em geral, mas porque Sa-
lazar, um ditador mediocre, re-
duzira Portugal, tamb~m terra de
alguns dos meus ancestrais, asua
imagem e semelhanga, um qua-
se creplisculo de longa duragilo.
Felizmente, porem, meus conta-
tos com Joaquim Marques dos
Reis sise amiudaram, sem nun-
ca nos permitir maior intimida-
de, quando os craves comega-
vam a florescer em Portugal.
Jamais tratamos de political,
por sabio pressuposto de uma
camaradagem sadia. Pude usu-
fruir face cavalheiresca do sa-
lazarista que, inclusive por ne-
cessidade commercial, foi esma-
ecendo os lagos politicos do
passado com o avango da de-
mocracia portuguesa. Esses elos
nunca devem ter se rompido por
complete, mas imergiram no
arquivo morto do dintimico co-
mendador, restritos a sua me-
m6ria eaBvida intimna. Como seu
pr6prio pais, se arejou.
Seus conhecidos, como eu,
contaram sempre com sua fi-
dalguia e aten~gio. Freqilente-
mente me convidava para apa-
recer no Hotel Equatorial, mas
minhas incursbes se limitavam
a uma rapida parada na Luso-
tur, quando o via. Numa des-
sas ocasibes, saudamos esse
distant bem-querer com um
excelente vinho do Porto, que
sacou, incontinenti, na inicia-
tiva natural nos bons anfitribes.
Foi um dos nossos 6ltimos con-
tatos. Ja niio mais o vi no peri-
odo da enfermidade, que aca-
bou por leva-lo de entire n6s,
no final do mes passado.
Senti a perda. Sente-se sem-
pre quando a restrita rela~glo de
gentil-homens, representantes de
uma epoca de atenqdes e corte-
sias, diminui mais ainda. Belem
sofreu um baque profundo com
a morte do comendador Mar-
ques dos Reis. Fica aos seus des-
cendentes, porem, um patrimo~-
nio que igualmente partilhamos:
a saudade. Com a qual, mais ou
menos distantes, continuamos a
ser, todos, um pouco portugue-
ses tambem. Como ele sempre
foi ate a alma, ou a partir dela.


























































































Jornal Pessoal
Editor: thei FI~i Pinto Fones: (091) 223-7690, 261-4284 e 261-4827 Contato: Tv.Benjamin Constant 849203/66.053-040 e-mail: jomal@amazon.com.bt ProdugBo: Angelim Pinto Edigl de Are: Luizantoniodefaripmt


Quando o ultimo dos Beatles
se for, deles permanecera para
sempre as baladas, das quais fo-
ram os niaiores criadores na mu-
sica popular international. Da
duizia de baladas imortais que ge-
raram, Somlething estar aentre as
tr~s melhores, um intervalo de
musicalidade que revigorava a
alma dos cabeludos barulhentos
da d~cada de 60 e enternece a
membria dos cinqiienties de hoje
- e de todos os que, independen-
temente da idade e da epoca, con-
tinuarem a ouvir mlisica nos tem-
pos seguintes,


O Para esta revoltado com o tratamento que rece-
beu da novela da Globo O Clone. Um dos persona-
gens diz que aqui 6 o fim do mundo. Uma casa focali-
zada em Belem sequer possui luz elttrica. A musica
referida 6 nordestina. Parece ate que o Brasil niio co-
nhece a Amaz~nia. E nlio conhece mesmo. Parece que
a ignora. E, de fato, dela nilo quer saber. Parece que a
despreza. E realmente a despreza. Para reclamar com
conseqilincia, 6 precise reconhecer que o enredo da
novela revela, sem retoque, embora com distor~gio e
caricaturismo, a imagem que de n6s tem o Sul Mara-
vilha. Atacar apenas a novela e tomar a imagem refle-
tida pelo que lhe da causa.
Quando punido, o military era mandado do Brasil para
a Amaz~nia. Podia ser castigo mesmo, como o que so-
freu o entlio coronel (depois general) Gustavo Moraes
Rego quando foi mandado para Tabatinga, no acerto de
contas do vitorioso grupo do marechal Costa e Silva com
o destronado seqiiito castelista. Mas nito foi por verda-
deira promo~gio que o pri~prio marechal Castelo Bran-
co veio para o Comando Militar da Amaz6nia e a 88
Regitio Militar, em Belem, uma decada antes. Mesmo a
maior cidade da regitio era um inferno na 6tica de um
official superior acantonado as margens do literal cen-
tro-sul do pais, onde, desde a epoca quinhentista, a ci-
viliza~gio arranhava a praia como caranguejo.
Quando peguei meu primeiro ita no Norte, na me-
tade da decada de 60, tinha dificuldades em ver minha
proced~ncia identificada corretamente. Dizia-me pa-
raense e era ouvido como paranaense. Niko me ouvi-
am, na verdade: me olhavam. Eu era branco, puxado
para o louro e niio falava como "nortista", um falar
associado a baiano, universalizado na generalizagio
equivocada aplicada a tudo o que estivesse de Salva-
dor para cima. Para ser paraense, eu tinha que apre-
sentar a imagem de indio, falando cantado como um
baiano. Um tipico paulistano, que, a sua maneira, gos-
tava de mim, repetia sempre o bordlio: "como vai o
Tuna", refratario a qualquer corre~go. O valor atribu-
ido superava o valor percebido. A Amaz6nia e o que


dela esperam, a imagem que se lhe pespegam. O colo-
nizador nito se permit ver o que e a col~nia e quem 6,
realmente, o colonizado.
Em muitas das minhas palestras, queriam que circuns-
crevesse minha exposiCio ao exotismo da jungle, a ico-
nografia da selva selvaggia aspra e forte. Costumavam
desligar quando eu chegava a maior faibrica de aluminio
do continent, aos intrincados novelos do financiamento
japones com dupla paridade cambial, ao jogo de basti-
dores dos gigantes da bauxita, do caulim e do cobre.
Um audit6rio em Livorno, numa daquelas frias noi-
tes do literal mediterrlneo da Italia, ficou tito sensibi-
lizado comn meu relate das estaq~es da paixiio amaz6-
nica que queria former imediatamente seu Exercito
Brancaleone para libertar a regitio, como personagens
redivivos de Torquato Tasso. Deixei passar um pouco
o clima e sugeri-lhes que, antes, dessem uma passada
pelo mnezzoggiorno para liberar os Schilacci da vida
do marginalizado sul do pais. A liberta~gio que eles
alcangassem, eu gostaria de partilhar, tilo long dali,
beneficiado por uma solidariedade international, ai,
sim, saudivel.
E a nossa: existe? Falei no jogador italiano porque
ele estava no auge da fama (quem lembra?), driblando
como um Garrincha em format menor, desengonga-
do em tamanho id~ntico, passaro balado desde o nas-
cedouro, condenado a esse tipo de inferioridade dis-
criminat6tia que nos reservou a novela global, apesar
dos afagos sonantes oriundos do erario paraense, se-
gundo se diz, ou pela falta dos que foram prometidos,
conforme outros boateiros.
Se a ofensa foi onerosa ou gratuita, nito interessa,
embora fosse de interessar as instancias encarregadas
de apurar a justeza e conveni~ncia dos gastos publicos.
Ela e multissecular. S6 d6i mais porque aparece na mol-
dura eletro~nica da campell (ou ex?) de audi~ncia. Ou
quando um poema superior a prega na parede, como
fez Drummond comn sua Itabira desentranhada, claman-
do contra o imobilismo de muitos e o cinismo de outros
tantos. La como aqui, nestas minas de abulismo.


Bitolados pela antinomia Paul-
John, contribuimos involuntaria-
mente para os padecimentos de
George Harrison, o criador de So-
mething e que, mesmo nos mo-
mentos de decibeis mais altos, nos
fazia perceber que sua guitarra
gently weeps, chorando com ter-
nura. Imerecidamnente, acabou ni-
velado ao sofrivel Ringo Starr, car-
regando esse estigma at6 o ultimo
dos seus dias, consumado na se-
mana passada.
Mesmo anunciada ha tempos,
a morte de George foi sentida em
todo o mundo por milhdes de pes-
soas, que se beneficiaram de suas
musicas, de seu contracanto, da
sua guitarra correta e dos seus


problems, sufocados pela impos-
sibilidade de coloca-los adiante
dos de Paul McCartney e John
Lennon. Pipocavam nas musicas
que comps, infelizmente (e pre-
visivelmente) poucas, mas comn
um padrilo de qualidade que raro
muisico pop alcangou.
Pobre George: o que cobrou do
publico s6 lhe serai devolvido p6s-
morte. Quando, voltando as nossas
antediluvianas vitrolas, rastros de
luz de uma epoca luminosa, pirilam-
pos no jardim das revolugdes que
fizemos ou testemunhamos, desco-
brirmos a delicadeza das lagrimas
que fez rolar da sua voz e das suas
miios para o sempre da nossa me-
moria. E da nossa gratidito.


Ofensa global


Livros
A Secretaria de Educapilo vai
comprar, de uma so vez, mais
de 6,5 milhbes de reais em
livros na praga de Belem para
tender as bibliotecas das
escolas de ensino medio do
Estado. Uma "Estante de
Literature Paraense" sera
formada em 200 unidades
escolares com 36.500
exemplares de 146 titulos
publicados exclusivamente pela
Cejup, a editor de Gengis
Freire (ver Jornal Pessoal
272). Outros R$ 6 milhdes
sertio usados pela Sedue para a
aquisiqilo de acervo
bibliogrifico para essas
bibliotecas. ..
A Cejup vai ter direito a
mais R$ 563 mil. Mas o
neg6cio de major valor esta
sendo feito com a Somensi, que
vendera R$ 3 milhaes, em
quatro contratos. A segunda
principal transagilo e com a
Saraiva, no valor de R$ 1,5
milhaes, tendo a Moderna
direito a R$ 864 mil, a Jinkings
ficando com R$ 540 mil (em
cinco contratos de menor valor)
e a Papirus a R$ 103 mil.
Os extratos dos contratos,
publicados na semana passada
no Diario Oficial, nada
informam sobre os livros que a
Sedue esti adquirindo
(quantidade de exemplares e
titulos) para colocar nas escolas
da rede publica. Apenas os
nomes de algumas editors
(como LPM, Bertrand, Sprint)
slio indicados. Todas as
operaq~es foram feitas com
inexigibilidade de licita~gio, por
motives que os extratos
tambem nito revelam, o que
significa privar a opinion
publica de avaliar a transa~gio
do ponto de vista pedag6gico e
cultural.
Em casos semelhantes, o
governor devia adotar como
principio que o que abunda nto
prejudice. Ao menos em
rela~glo a informagies sobre o
uso de dinheiro do erbrio para
atos de interesse da
coletividade.