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Jomna Pessoal LOI O F LA VIO P N TO O governador di g over nad oregpa O governador Almzir Gabriel jd langou no mercado o nome doseu candidate iisua sucessd~o. e oseu secretairio especial Simd~o atene. Os outros pretendentes dentro da coligagd~o official ficaram comendo poeira. fatene sai na frente de todos. Mas o ponto de chegada ainda esta muito lone. tando com todos os beneficios da maqui- na official, em funglo do apoio do gover- nador Almir Gabriel. O governador nio apenas manifesta simpatia cada vez mais explicit pelo seu favorite. Tamb~m afasta ou hostiliza to- dos os concorrentes, declarados ou insi- nuados. JB tirou do seu palanque o vice- governador Hildegardo Nunes, do PTB, comn quem se incompatibilizou, e colocou para escanteio o prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, do PSDB. Jatene deixou de ser carregado pela administraqSio estadual como uma mera opgio de candidatura: jb agora 6 o nome da coligag5io official para 2002. S6 nio estarai na cabega da chapa se nio quiser, se desistir ate abril ou se algum daqueles ) na campanha pela dispute do cargo de governador na elei- U~950 do pr6ximo ano: e o se- cretgrio especial da produCgo, o econo- mista Simio Robson Jatene, o nome ofi- cioso do PSDB. Suas andangas pelo inte- rior do Estado se tornaram completamen- te desenvoltas nas tiltimas semanas, con- 2 JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 bem conhecidos -mas sempre evitados - acidentes de percurso interromper sua tra- jet6ria, hip6tese tio remota que as alter- nativas nem est~io sendo cogitadas. Sua candidatura deixou de ser um en- saio, sujeito ao teste de consistancia e ao veredicto das pesquisas de opinion, ou ao referendo dos seus pares da situa- pio. A ordem do governador 6 para en- corpar politicamente o nome do seu es- colhido, fazendo-o "pegar", nem que seja g forga dos empurrges da engrena- gem pxiblica estadual. Jatene "6 o homem. Para a vit6tia, acredita o medico Almir Gabriel. Mes- mo com o fiasco da candidatura de Ze- naldo Coutinho g prefeitura de Bel~m, ele esta convencido de ter respaldo po- pular, al~m de recursos financeiros, para tirar Jatene da posi~go de aspirante sem expresso g sua sucessio. O "novo Pard", produto de obras ji realizadas, em andamento ouprojetadas, ndo 6mera ret6rica na mente do governador. Incen- sado por uma corte perfeitamente adver- tida para o tom monoc6rdio e monoglo- ta do chefe, o doutor Almir ji nio tem drivida de que o Pard dos dias atuais pode ter uma nova referencia demarca- dora: AA e DA. Ou seja: Antes de Al- mir e Depois de Almir. Da mesma maneira, credit a Jate- ne, te6rico do "modelo" e vanguard da retaguarda administrative, parte consi- deravel desse imaginado sucesso, com inequivocas manifestag8es em sua ree- leigio contra o poderoso Jader Barba- lho e na sagraqio de Luiz Otivio Cam- pos como senador, deixando o ex-gover- nador Helio Gueiros comendo poeira no terceiro lugar, atras da petista Ana Ju- lia Carepa. Ao quebrar unilateralmente o com- promisso verbal que havia assumido com os pretendentes g indicaqio, de deixar es- pago em aberto at6 abril para a livre dis- puta dentro da coliga~go que o apoiou, desequilibrando esse jogo em favor de Jatene, Almir Gabriel fez uma clara es- colha pela continuidade do seu governor, com o maximo de identifica~go entire o chefe que sai c o que vai entrar. Depois de oito anos de mandate, s6 superado nesta fase republican por Alacid Nunes (que ocupou o cargo por nove anos), e igualado entio a Jader (tamb~m com oito anos), mas com uma vantagem sobre ambos, a de ter ocupa- do a chefia do executive em periods sucessivos e ndo alternados, Almir Ga- briel pretend passar o cetro a algu~m de absolute conflanga, em 2003. Tal- vez imagine estar assim consolidando um novo neologismo na political para- ense: o almirismo. Sim~o Jatene foi preparado e favo- recido e, se tudo der certo, vird~ a ser escolhido -, por ser o guardiio dessa continuidade, talvez para a perpetraqio de uma faganha: a volta de Almir Ga- briel ao governor, em 2006, antecedida pela entronizaCio de um tucano (ele pr6prio?) na prefeitura de Bel~m, em 2004. Para essas intenq6es se materia- lizarem, a elei~go do pr6ximo ano 6 o memento chave. Se o que interessasse fosse apenas ganhar, certamente o governador esco- lheria algu~m com um perfil mais ajus- tado ao jogo politico, com maior densi- dade eleitoral e menos incompatibilida- des pr~vias. Jatene, marinheiro de pri- meira viagem eleitoral, acostumado a nio sair do passadigo dos oficiais, de 16 dando ordens ou fazendo baixar editos e proibiC~es, indiferente as reaq8es da marujada, nio se ajusta a esse molde. Mas qualquer outro nome discreparia do objetivo principal do governador: dei- xar a frente do governor um clone seu (ou vice-versa, jb nio se consegue defi- nir com absolute precisio). Politicos dotados de bons marqueteiros, cofres em alguma media abonados e uma corte empenhada em mostrar serving tim costumado se considerar capazes de ele- ger um poste. Nestes terms, a eleigio de Jatene deixa de ser tio impossivel quanto seus adversarios, extra e intrapalacianos, consideram. Poste, ele nio 6. Colocando-o nas ruas mais cedo do que todos os outros e com meios incom- paravelmente superiores, o governador quer ao menos diminuir o fosso que ain- da o separa das alternatives eleitoral- mente mais expressivas. Se conseguir acabar com esse fosso ate abril, aposta na eficibncia da maquina publica no de- saflo alquimico de transformar obras em votos e em fundo de campanha para pas- sar g frente dos concorrentes. No memento, a boa equaCio ainda depend de duas inc6gnitas: a resposta popular na hora da chegada e os nomes com os quais o governador do governa- dor vai precisar se entestar, ainda em timidas evolu95es ou em articulaCio de bastidores. Simio Jatene ji deixou a marca da largada. Mas o ponto de che- gada ainda est8 muito long. Benefit O A Secretaria de Educaqio do Estado comprou, por 500 mil reais, 36.500 ti- tulos de livros publicados pela Editora Cultural e Editorial Cejup, a pretexto de former uma "Estante da Literatura Pa- raense" para 200 unidades escolares de ensino m~dio. Cada exemplar adquiri- do saiu por 15 reais. O prego unitario, considerando o ta- manho da aquisigio, e alto. Fica ainda mais elevado quando, bem examinando os titulos, pode-se chegar g conclusgo de que se tratou, na verdade, da compra do que os livreiros chamam de "ponta de es- toque". Ou seja: foi raspado o dep6sito das publicapaes estocadas pela Cejup, uo simplesmente encalhadas. Ngo parece ter havido um critbrio se- letivo, capaz de former uma coerente e auttntica "Estante da Literatura Paraen- se": a capture de livros foi feita em ma- lha fina. Veio tudo, independentemente da qualidade, de um termo de refer~ncia que precisaria ser estabelecido para de- finir o que deve ser lido nas escolas pti- blicas. Excelente para o editor, que trans- forma estoque morto em dinheiro vivo, num memento particularmente dificil. Mas e para o Estado? E, especificamen- te, para o erdrio? Sem falar nos alunos, que, ao inves de serem educados no bom gosto, podem ser desviados de vez do paladar liter~rio. A compra foi efetuada diretamente, dispensando-se a exigtncia de licita~go p~iblica. Esta legal. Mas nio est8 certo. Quem estabeleceu que o catilogo da Ce- jup (nio com 36.500 "titulos", confor- me erroneamente consta do extrato do contrato, publicado no Diario Oficial, mas comn 146 titulos, de cada um sendo vendidos lotes com 250 exemplares) e adequado para former uma estatee da literature paraense", ou preenche inte- gralmente uma tal exig~ncia? Por que nio estabelecer um padrio e depois sair a cata dos livros, no minimo expedindo uma carta-convite? O neg6cio parece dirigido para bene- ficiar o livreiro. Nio estou tomando como premissa que ele nio faz jus a ini- ciativa. A media 6 que nio parece ajus- tada ao verdadeiro interesse publied, ou nio resultou em um bom contrato, que deve ser bom para as parties e nio ape- nas para uma delas. JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 3 A tal da "~verticalizaq~io": atualizaqgo do atraso Pouca gente presta atengio ao fato ou dele tem ci~ncia: o empresario Augusto Trajano de Azevedo Antunes, que formou em Minas Gerais o segundo maior grupo minerador brasileiro, em torno da MBR (MineraC~es Brasileiras Reunidas), em galopante process de encolhimento sob o comando da segunda geraqio de suces- sores, esta~ na origem de um dos capitulos mais importantes da hist6ria contempo- rinea da Amaz~nia. Era ele o parceiro national da Beth- lehem Steel, a segunda maior siderdrgica dos Estados Unidos, quando a empresa formada em parties iguais por ambos, a Icomi, comegou a extrair manganis da Serra do Navio, na metade da d~cada de 50. Iniciava-se entio uma corrida que prosseguiria e se expandiria posteriormen- te, quando as zonas de mineraliza~go mais intense seriam descobertas, na margem direita do rio Amazonas. Alguns anos antes um caboclo da re- giko, Mario Cruz, encontrou_ uma pedra preta em suas andangas pelo interior do Amapa, que havia acabado de se tornar Territbrio Federal, com Area desmembra- da do ParB, e estava premiando quem conseguisse descobrir novas riquezas. Levada para andlise no sul do pais, a amostra de rocha revelou sua natureza: era mangan~s. Nio pouco: verificou-se fazer parte de uma das maiores e melho- res jazidas do mundo. Provocou o ime- diato interesse dos Estados Unidos, donor do maior parque siderdrgico mundial, mas deficiente desse minbrio, que impor- tava principalmente da cada vez mais conturbada Africa. A Bethlehem saiu na frente. ~Sua con- corrente, a United States States, viria um pouco depois, instalando-se do outro lado do rio Amazonas, na Serra de Carajas, onde encontraria o melhor dep6sito de min~rio de ferro do planet (e tamb~m mangands, bauxita, cobre, ouro, zinco, niquel, jB com a presenga da Companhia Vale do Rio Doce). A Bethlehem teve em Antunes um aliado vital para dar partida ao emppreendimento pioneiro do que, duas d~cadas depois, viria a ser conhe- cido como o ciclo dos "grandes proje- tos", concebidos e executados para ex- trair as riquezas do subsolo amaz6nico e colock-las no mercado international. Per- mitiu que minas antieconbmicas ou nio tio ricas fossem desativadas, deslocan- do-se o centro produtivo do primeiro para o terceiro mundo. A mina de manganbs de Serra do Na- vio se exauriu antes do final da conces- sio, de 50 anos, feita pelo governor fede- ral g Icomi. A Bethlehem se foi, guar- dando em territ6rio americano, como es- toque estrat~gico, para uso em situagdes critics ou emergenciais, uma parte das 30 milh~es de toneladas que para li car- regou. Antunes ficou. Ele se associou a uma empresa holandesa, a Bruynzeel, numa industria madeireira, a Brumasa, que tentou criar um manejo racional nas areas de valrzea do Amazonas, ricas, mas de acesso dificil, as de mais antiga ocu- pag~io humana na regiio, mas utilizando tecnologia primitive. Nio deu certo. Plantou dendt para produzir 61eo, sem competitividade. E tomou conta de 80 mil hectares de cerrado amaz6nico como suporte para a Ameel. A empresa nunca fez jus ao nome: AmapB Celulose. Enquanto o polbmico vizinho e amigo de Antunes, o exc~ntri- co milionario americano Daniel Keith Ludwig, iniciava a produgio de celulose apenas 11 anos depois de ter comegado a derrubar uma area equivalent a dele (mas toda ela de densa floresta native) para substitui-la por esp~cies ex6ticas, a Ameel nio passava do reflorestamento. Em 1982, Antunes liderou um pool de empresas nacionais que assumiu o con- trole da Jari Florestal e Agropecuaria, abandonada de forma traumatica por Lu- dwig, que se retirou de vez da Amaz~nia, recusando-se a pagar a divida que havia contraido para erigir o seu imp~rio de um bilhio de d61ares na selva.. Parecia ent~io que, finalmente, a Ameel teria uma finalidade produtiva, abastecen- do com cavacos de madeira a f~ibrica de celulose da Jari, que comegara a sofrer com a falta de maitbria prima em funglo dos problems de manejo em sua pr~pria reserve. Mas esse fluxo n~io durou muito tempo. Antunes vendeu a Ameel para um grupo americano, a Champion (mais re- centemente, seus netos tamb~m acabari- am vendendo a parte do av6 no Jari). Ao inv~s de seguirem por nio mais do que 500 quil6metros, os cavacos pas- saram a percorrer uma distincia de 20 mil quil6metros, indo suprir fa~bricas de celulose no Japio. Talvez nio por coin- cidtncia, os japoneses comegaram no mesmo period um projeto de reflores- tamento de 300 mil hectares, o equiva- lente a quase 1% de toda a extensio ter- ritorial do pais, favorecidos pela vanta- josa relaCio de troca que a compra de cavaco (oriundo tamb~m do noroeste dos EUA) lhes tem proporcionado. A Champion foi substituida em 1995 pela International Paper, uma das maio- res empresas de papel do mundo, que ago- ra anuncia novos pianos de investimento para a Amcel. A area de dominio efetivo da empresa foi ampliada, de 80 mil para 130 mil hectares, mas poderai ultrapassar os 200 mil hectares. Ate 2013 a Amcel vai continuar apenas exportando cavacos de madeira para o mercado international, 60% para o Japio e 40% para a Europa, como tem feito desde que comegou a ope- rar, na d~cada de 80. Alcangard a produ- gio maxima, de quatro milhaes de tone- ladas, em 2010. Tr~s anos depois os ca- vacos poderiio ser transformados, ali mes- mo, no Amapa, em pasta de celulose. A inten~go do grupo 6 colocar a f~ibri- ca em funcionamento em 2013, com pro- du~go de 750 mil toneladas ao ano, mais do que o dobro da capacidade da Jari, que tem a unica indfistria de celulose em ati- vidade na Amazinia. A fabrica produz 300 mil toneladas por ano. Bem ao lado, ha uma fabrica de caulim, argila usada para o revestimento de pap~is especiais. Era o item rentivel do acervo deixado por Ludwig, que o grupo Antunes assumiu sozinho, deixando de fora desse neg6cio as outras 21 empresas do condominio for- mado is pressas pelo ent~io ministry Del- fim Neto para nacionalizar o Jari, sem estatiz8-lo alternativea decorrente do aval dado pela Uniio aos empr~stimos exter- nos de Ludwig, contra a garantia de todo o seu patrimbnio amaz~nico). HA, no Park, mais duas fsibricss de cau- lim em atividade, a 50 quil6metros de 4 JOURNAL PESSOAL 1* QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 O da celulose e do caulim jB passou dos 20 anos e seus efeitos ainda sho, como dizem os economists, "para tras". Ou seja: ao inv~s de enviar ca- vacos de madeira para um client a mais de 20 mil quilbmetros de distin- cia, que pode multiplicar seus ganhos varias vezes at6 chegar a Altima das industrializaC~es possiveis (dos papeis especiais), a Ameel vai cozinha-los ao lado da floresta e agregar um pouco mais de valor a mercadoria, sob a for- ma de pasta de celulose (ou, em lin- guagem comum, papelio). No caso da Ameel, o custo dessa transformaqio nio representing o dano ecol6gico causado por Ludwig no Jari. Ele p~s abaixo quase 100 mil hectares de uma floresta native exuberante e he- terog~nea para substitui-la por grvores muito menos ricas, como a desconhe- cida asistica gmelina e as convencio- nais esp~cies de pinho e eucalipto, pro- vocando um nitido empobrecimento do ecossistema a partir de uma floresta ex6tica homog~nea. Jg no AmapB, Antunes se langou ori- ginalmente sobre as dreas de cerrado, que, num passado nio muito remote, constitu- iam a esperanga dos amaz6nidas de que seriam as vocacionadas para as ativida- des que demandassem ouso do solo, como a agriculture, a pecuaria e o reflorestamen- to, deixando-se as matas para usos mass nobres. Contrariando a16bgica, o bom sen- so, a citncia e a histi~ria, ocorreu o inver- so: florestas vieram abaixo numa veloci- dade assustadora, enquanto as greas de vegetagio rala permaneceram abandona- das. Ngo seria tio lucrative ocupii-las. A Ameel, por essa 6tica, 6 um raro exemplo de melhor adequaqio ecol6gi- ca. Mas sua racionalidade econbmica deixa imensamente a desejar. S6 tras de- cadas depois surge uma perspective (ou promessa) de avango no horizonte. Mas ainda 6 pouco. Talvez seja apenas a atu- alizaqio do atraso. Bel~m, que se abastecem de jazidas co- nectadas atrav~s de dois minerodutos com menos de 200 quil~metros de extensio, um deles ji em plena operaqio, controla- do pela Companhia Vale do Rio Doce. O Estado esta preste a se tornar o terceiro produtor mundial de caulim. Nlo tem, entretanto, uma inica fibrica de papel. Se o projeto da Amcel for executado, a pro- dug50 de celulose, somada g da Jari, ul- trapassard a marca de um milhio de tone- ladas, dando ao Pard uma posi~go de des- taque no setor dentro do pais (embora tudo o que produz se destine g exporta~go). Mas quanto tempo ainda serd precise para que o lento e nem sempre conexo process de transformaqio industrial com- plete a "verticalizaCio produtiva", che- gando ao papel? O ciclo do manganes, em 50 anos, nio foi al~m da pelotizaCao, ado- tada para dar aproveitamento econbmico aos fins, que se perdiam at6 entio (hi milhares de toneladas expostas nas dre- nagens da mina de Serra do Navio). O empresirio Luis Carlos Monteiro, donor da maior das tras guseiras que fun- cionam em MarabB, a Cosipar (ha outras seis no Maranhio), sustenta que esse 4: um bom negbcio porque o Brasil tem, na regido, a possibilidade de realizar uma "siderurgia tropical". Essa "tecnologia eminentemente brasileira" decorre do uso de floresta, na formal de carvio ve- getal, como insumo de exceptional qua- lidade enquanto redutor, suprindo a ine- xistgncia de carvio mineral (e superan- do-o comparativamente) no pais. E ~uma perspective, a empresarial. Falta, por~m, a visio organizada e con- sistente do Estado, que continue a tra- tar a mineraqio, a siderurgia e a meta- lurgia como residues de competincia na Seicom, sempre mal definidas na Para- min~rios e tangencialmente abordadas na Sectam. A ausancia de uma cultural compre- ensiva e critical do problema explica o refluxo do interesse no memento em que comega 0 ciclo do cobre, que pode se tornar o mais important dos at6 agora implantados, e se consolida o do cau- lim, sem que digamos o que fizemos para evitar que dessas safras fique o buraco na terra e o apito do trem no ar. Como est8 ficando. Minbrio nio di duas safras. Uma vez exauridos os dep6sitos de interesse co- mercial, acabou a histbria. A hist6ria ji acabou para o mangants do AmapB. Du- rou menos de meio seculo. Esta chegan- do ao fim para a mina de ouro do igara- p6 Bahia, em Carajas, que nio foi al~m de 15 anos. Ja tem quase um quarto de s~culo para a bauxita do Trombetas e igual idade para o caulim do Morro do Felipe, no AmapB (beneficiado do outro lado do rio Jari, no ParB). EstB chegando a 20 anos para o minbrio de ferro e o mangan~s de Carajss. Vai alcangar meio s~culo em relagio ao ouro do Tapajbs. S6 considerando as ocorr~ncias de mai- or expresso econbmica. A mineraqio ainda vai viver novos ci- clos no Para. No balango entire o que es- tara acabando e o que se iniciarb, o sal- do sera positive ainda por algumas d6- cadas. Mas alguns cartuchos ji foram queimados e outros continuario a ser desperdigados se o Estado nio der con- seqilincia pritica -e inteligente aessa elementary observa~go dos gedlogos: mi- nerio s6 db uma safra. Depois de duas d~cadas de extraCio do file-mignon do ferro mundial, o de Caraj~s, parecemos nio ter massa critical para questioner a decisio que a Compa- nhia Vale do Rio Doce tomou em dezem- bro de 1998, um ano e meio depois de ser privatizada: instalar em Sio Luis a pri- meira usina de pelotizaqio de ferro do Sistema Norte, individualmente maior do que todas as sete que construiu ao lado do porto de Tubar~io, no Espirito Santo, que 6 a porta de said de riquezas do Sis- tema Sul, o mais antigo e ainda o mais poderoso da sua estrutura. Em margo do pri~ximo ano essa enor- me usina, com capacidade para produzir seis milhaes de toneladas de pellets por ano, entrard em operaqio. Continue irres- pondida a questio que os paraenses nio formularam para a empresa: a agregagio do min~rio fino nio podia ser feita junto A pri~pria mina, no Pard~? A Vale tem uma strie de explicaq6es t~cnicas, ditas em tese, formuladas ex-cathedra. Jamais foi contraditada. Nunca teve que se pronun- ciar sobre uma demonstraqio oposta. Aceitou-se passivamente sua delibera~go. Como manso e pacifico foi o acata- mento g instala~go em Fortaleza da pri- meira grande aciaria do Norte-Nordeste do Brasil, para onde irio o ferro de Cara- j~s e o gas do Rio Grande do Norte. Para no~s restarid, na escala da verticaliza~go, enriquecer um pouco mais o minerio de Carajis, na forma de ferro gusa. Minerio: safras est~io acabando O interventor caiu. Viva o inter ventor Ao ingressar no cendrio, o novo inter- ventor, a semelhanga dos seus antecesso- res (de cuja linhagem o mais recent ha- via sid o 0coronel Roberto Klein), gastou sua energia em tratar do secund~io, ji que seu mandado, outorgado pela tecnocracia federal, plantada em seus arrogantes ga- binetes brasilienses, nio incluia o mais important. E3 claro que esse "troco" 6 expressive, envolve gente desonesta, cau- sa danos ao interesse puiblico e favoreci- mentos ilicitos a pirates e parasitas, que conv~m, por necessaria profilaxia, iden- tificar, punir e expurgar. Mas sem atacar a raiz do problema, ele renascerid no novo 6rgio, que surgird tio comprometido quanto a Sudam, apresentada como um antidote contra a antmica e desacredita- da SPVEA, em 1966. Alguns dos que comemoram o destro- namento do interventor Cyrillo querem que a situaCio retorne ao status- quo ante, que os favorecia. Espera-se que isso nio ocorra, embora essas pesso- as tenham algum peso nas decis~es e nos acordos que as antecedem. Mas hB tambem os que foram injustigados pelo interventor, que enfiou a todos numa camisa-de-forga da suspeita, destruindo bem al~m de uma media ponderada e saudivel para a constru- gio do novo 6rgio, cujas dores do nascimento ainda sdo sofridas com a lentid~io de sempre no parlamento fe- deral. Se o interventor errou, isso nio 6 motive para desistir de continuar ten- tando acertar na construghlo de uma autintica e saudivel ag~ncia de de- senvolvimento regional. S6, que para acertar e precise visar nio o boi de piranha, mas toda a manada, que pasta tanto nos campos da regido incenti- vada, onde a ordem 6 tirar vantagem das sobras, do jeito que der, quanto - e principalmente nas pastagens de onde~se original o dinheiro. Que, ali- is, costuma ser quem nomeia o mnter- ventor baixado do Sul Maravilha e lhe entrega a lista de tarefas, como se fos- se uma caixa-preta pr6-gravada. Jos6 Diogo Cyrillo da Silva foi remo- vido no mbs passado do cargo de secre- tirio especial do Minist~rio da Integra- ~go Nacional, em cuja funglo era o res- ponsivel pela transigso entire a extinta Sudam e a nascente ADA (Ag~ncia de Desenvolvimento da Amaz6nia), por enquanto criada apenas no papel. Para nio lhe dar apar~ncia negative, o ato da destituigio foi seguido pela sua desig- naqio para a chefia da corregedoria-ge- ral da Advocacia Geral da Uniso. Uma daquelas aut~nticas promoq8es para bai- xo, embora acomodadora de interesses. O ato cirdrgico, portm, deixou uma d~vida: o advogado gadicho foi atingido pelo que fez de certo ou pelo que fez de errado? De certo havia o seu interesse de cumprir a missI~o que recebeu, de bai- xar na Sudam como um interventor dra- coniano, dando a um 6rgdo mergulhado no descr~dito e nas den6ncias de cor- rupplio o tratamento adequado, pu- nitivo. De errado era a pr6pria mis- sio: os vicios e erros que Cyrillo pro- curou combater nos seus oito meses como inventariante da Sudam e par- teiro da ADA constituem a face mais visivel de uma estrutura comprome- tida, mas slo- exatamente as pontas do iceberg. O qune hB de maior e mais danoso, como de regra, permaneceu oculto. E inatingivel. A ningu~m mais 6 dado igno- rar que o sistema de incentives fis- cais nasceu distorcido e cresceu expand indo e sofisticando essas distorq6es. Na ponta visivel do novelo h6 corrupp~o passiva de funcion~rios ativos, corrupgio ati- va de ex-funciondrios, rela~go pro- miscua entire servidores com po- der normative e beneficidrios com poder real, inefici~ncia na andlise de projetos que postulam colabo- raqio financeira e na fiscaliza~go da aplica~go dos recursos recebi- dos, interferencia de politicos com poder decisbrio em Brasilia, favo- recimento a membros da corte ins- talada em palicios pliblicos, etc. Mas quem sabe, sabe que toda essa cornuc6pia de falhas tem origem nas or- dens emanadas de Brasilia e de esque- mas que ja nascem viciados quando, na sede da op~go feita pelo incentive ama- zbnico, o aplicador assina um contrato de gaveta para ter de volta 40% do re- curso que declara aplicar no projeto que ele e o beneficiarrio do dinheiro forma- ram, apenas para inglts ver e fiscal ca- rimbar. Um vazamento dessa magnitude autoriza toda a deriva~go labirintica que constituiu o perfil triste da Sudam. O tro- co passou a ser disputado no tapa, ja que as parties melhores desse banquet de dinheiro pdiblico sequer foram transferi- das para o palco amaz~nico. O elefante passou inc61ume e o mosquito (ou mes- mo algum gaviho menos cuidadoso) foi esmagado. Ou se promete que o serA. I~sr () JORNAL PESSOAL l' QUjINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 Somente uma possoa que n~o conhece S~rgio Palmquist poderia consideri-lo lacaio. Lombro aponas um fato que desmente eass acusayso. Em 1987, durante a greve dos jorna- listas, S~rgio era chefe de reportagem de uma grande emissora de television e, mesmo assim, aderiu so movimen- to, tendo sido demitido por isso. Trata-se de um prof issional com- petente e de uma pessoa de carter reconhecido por quem convive e tra- balha comn ele. Quanto so debate, gostaria de fa- zer algumas perguntas sobre o epis6- dio a L~icio FlBvio Pinto. Tu conhe- ces o S~rgio Palmquist, escreves ar- tigos para o jornal que ele dirige. Por que entlio n~o f izeste a ressalva de que a acusa~go contra ele cra no mi- nimo injusta? Se hi tantos questionamentos com relaglo a O Paraense, sobretu- do comn relagso a quem banca a em- preitada, por que emprestas o teu prestigio ao journal? Comn certeza porque, envolvidos no projeto, esti~o figures como o Sr- gio Palmquist. Se assim 6, por que eatBo permi- tir tantos elogios 1 tua independ~n- cia e deixar o director de reda~go do journal onde escreves artigos ser des- qualificado de uma formal tao desas- trada por uma pessoa que nllo conhe- ce o alvo de sua critical? A impress~o que di 6 que o Jor- nal Pessoal estranhou um amigo... 21 Estranho eu esse tom de ageis- sbo pessoal. Como sabes, ndo inter- jim nas cartas dos meus leitores. As que aqui chegam, identri~cadas, sdo de responsabilidade de quem as es- creve. Jdi publiquei att ataques pes- soais a mimt, como esse que agora wecebo de ti, sem mudar ugma virgi- la, divulgando-os na integra. Se les- te as duas notas que escrevi sobre O Paraense, verdis que ressalvei a com- petincia e o conceito de alguns dos professionais gue 16i #abalham. Se ndo leste, vai venyficar. Foi em fucn- gdo deles que ndo endossei aacusa- gdio simples de que se trata de um journal quinta coluna do governor. Pego que leias comn atengdo essas notas, a meu ver o suficiente para considerar impertinentes einjustas as tuas referdncias a meu respeito. Quanto ci carta do C~irssio (a quem ndo conhego), ji observagdes em tese, tratando da questdio geral. Nbo tinha por que censrwar on fazer e- paos pessoais quando a pessoa ata- cada pode se defender; tanto por dis- por dos meios para tal como por ter espago aberto no Jornal Passoal, e em relagdo di qual, como integrante da redagdo de O Paraense, eu jd ha- via emitido uma opinidio, antes des- sa carta. Eu fui atacado em terms incomparavelmente mais dumos e s~r- didos pelo Htlio Gueiros, numa car- ta que eu publiquei na integra, e ndo fui pedir para ningudm me defended A melhor defesa, a meu ver a tinica no nivel exigido pela pomcaria do Hdlio, foi' mandada do Rio de Janei- mo, sponse suat, pelo ahnirante Md- rio Jorge da Fonseca Hermes. No PS da carta ele escreveu: "Faga dessa cart o uso quelIhe aprouver". As so- lidariedades morals que recebi aqui, verbais, nunca chegaram a isso. Quanto a O Paraense, o journal public minha coluna por comprd- la da Agdncia Estado, para a qual escrevo essa coluna. Qualquer um pode fazd-lo, dispensando-se ape- sentagdio de folha de bons anteceden- tes e declaragdo de boas intengdes, Minha obrigagdo t escrever a colu- na. A da Agincia e divulgdi-la. Meu direito t ter meu texto respeitado. O da Agdncia e comercializd-lo como e com quem quiser. Ndo tenho qual- quer participagdo na anda dessa co- mercializag~do. Nio fago emtbargos, nem vetos. Tambdm ndo recomendo. Por Jim, gostaria de saber quemt as- sina a coluna. 3 W W W WW WW W N Bo tenho nenhuma animosida- de contra ti. Muito pelo contririo. Desde adolescent acompanho tua trajet6ria. Tinhamos um grupo na Escola Tbcnica, na MineraqLo, que norteava sua intervenglo political pe- los artigos que escrevias no Liberal. E jP em 84 on 85, quando nos forma- mos, foste o patrono de todas as tur- mas daquele ano. O outro nome er o do Romulo Maiorana e n6s o derro- tamos no voto. Nessa 6poca nem ha- via Jornal Pessoal ainda. O fato de teres sido atacado pelo H61io Guei- ros n~o pode ser justificativa para permitires as referencias pessonis de- sairosas do C~ssio so Palmquist. Veja que, no tou caso, tiveste autonomia sobre publicar ou n~o a covardia do ex-govemnador. E qual a escolha que o Sbrgio tem agora? Poderis argu- mentar que se trata do 6nus de assi- nar um jornal de grande circulagl~o. Concordo. Mas poderias tamb~m ter garantido a cle o direito de manifes- tar-se na mesma edigo, como ali~s tem acontecido sistematicamente quando escreves sobre as carts que publicas, deixando clara a tua opi- nilo. Leio o Jornal Pessoal toda quinzena. [Houve interrupgdio na ~mensa- gemt, retomada a seguir.] Desculpe, a mensagem foi inter- rompida: N~o lembro de teres informado no Jornal Pessoal que os artigos pu- blicados em O Paraense slo distri- buidos pela [Agincia] Estado. Isso responded A parte das indagag~s, mas n~o a principal: o Palmquist teria ou n8o direito de um reparo na mesma ediplo que a ofensa h sua dignidade lhe foi feita? Tamb~m n~io to acusei de "mania de auto-refer~ncia". Esse termo 6 teu, ndo me responsabilizo por ele. Disse que nesse caso a auto- refer~ncia te 6 convenient porque ressalva o teu respeito g redapglo de O Paraense so mesmo tempo que permites uma ofensa a um profissi- onal de 16t, sem nenhuma ressalva cri- tica contra ela. Quanto a quem assi- nao desagravo, a Vera tamb~m ava- lion que o tom estA maito passional. Vai submeter o texto g diretoria e, na pr6xima semana, to envio a ver- silo definitive. 4M Acho que se pode discutir as coi- sas racionalmeente. O tom emotional da tua manifestagdo me soa comple- tamente descabido. Devolve, por considerdi-la injusta, tua acusagio de que tenho "mania de auto-referin- cia".: Eventualmente, fui referdncia em fatos hist~ricos. O do Hdlio Guei- ros B um. Com a responsabilidade de ter sido o segundo home da mrarinha brasileira, como chefe do almiran- tado, o almirante Mririo Hermes dis- se em sua carta que aquela do Hilio era "o pior document da histdria brasileira que ele vira em toda a sua vida. Eu achava a mesma coisa. Mas ndio a disse. Quando o almirante, um homiem decent, competent e digno, a escreveu, senti-me reconfortado. Eu1 sofrera uma violdncia que nenhum dos meus amigos e eventuais admi- radores se dera ao trabalho de ava- lian: Mas tudo bem. Te desajio a en- contrar no JIP e na Agenda auto-re- ferdncias como "conformte previa- mos", "conjirmando fumr deste jor- nal", "em primeira mbo", "com ex- clusividade e quetals. Escrevi algu- mas coisas na forma de depoimento por seu valor documrental, pela feli- cidade que live de testemunhar fatos importantes da hist~ria recent da nossa regidio. Mas tudo bem: C teu direito dizer o que disseste. Na for- ma pela qual disseste. E meu devol- ver-te o que considemo uma agressdio sem a menor fundamento. Pego que releias o que escravi, em relagdo ao que esqueceste de con- traditar: PS Quem assina a carta? 51 NZ~o tome uma critical como ata- que pessoal. N~o temos nada pesso- almente um contra o outro para que uses esses arguments com o intuito de encobrir uma falha tua. O argu- mento do C~ssio 6 mecanicista e po- bre e poderias, sim, ter ressalvado que o Palmquist n~o 6absolutamente um lacaio. Ou o jornalista L6cio Flivio Pinto escreve para um journal dirigi- do por lacaios? Por que esperar a edi- Fgo seguinte para defender um com- panheiro? Ngo se trata de censura, mas de colocar as coisas no devido lugar. Ou nio deves considerago ao Palmquist? Veja que 6 a pessoa dele que esti sendo enxovalhada por um cara que nem o conhece. Recolheu o nome dele do expediente do journal e resolve achincalhar. Mas tu conhe- ces bem o Sbrgio. Sabes que ele 6 um jornalista competent e de carter. Jornalismo: com OU Sem riscos ~ Em nome do sindicato dos ban- chirios, Edir Gaya me mandou uma nota official, protestando contra a carta do leitor Cdssio Guilherme Franco de Andrade (ver JornalPes- soal 271) e se solidarizando com o jornalista Siegio Palmquist, director de aedagdio de O Paraense, que con- siderou ter sido ofendido pelo missi- vista. Dai seguiu-se uma taoca de mensagens eletrdnicas em tornodes- sa manifestagdo inicial, encerrada quando optei por uma resposta final curta, ao invis de continuar o deba- te retomando o que jdi havia dito. Decidi ndo simrplesmente publicar a nota de Gaya: a seguir, repmduzo a integra dodidilogo quetraveicomtele, preservando toda a sua espontanei- dade e suas limitagdes de forma. Acho que t uma contribuigdio neces- sriria para o atural memento de per- plexidades, indecisdes e indejinigdes do jornalismo paraense, desviado para o acerssrio e receoso de en/Pe~n- tar os grandes temas, razdo, ao mes- mo tempo, da ausincia de poldmicas que valham a pena e de excess de abobrinhars no menu didrio da em- presa. O didilogo comega com Edyr em corpo normal, e continue comi- go, em itrilico. Talver enpewca algum amigo em mais esta exposigdo, ou mais de um, algo que me C extrema- mente penoso, mas comn o que, em Ju~ngdo de uma opgdo de vida e pro- fissd~o, son obrigado a conviver. A/i- nal, "a almar inerte,ndco vai para o Paraiso ", como li em Piers Paul Read, talver inspirado no velho Dan- te. Esperando, como um personagem ainda mais anrtigo, osof Hdo Jd que "contra a voh~ipia dalingua que fere " Deus me garanta. Garantindo-nos a todos, com tolerancia e humor, os verdadeimos sais da vida. 1 W W WWHAMWW W W L~cio, a pedido da Vera, te envio a posiq~o official do Sindicato dos Banciros com relagl ao artigo as- sinado pelo Cgssio. A menglo dele ao Sdrgio desqualificou sua critical e, al~m do mais, ele n~o consulton a diretoria para assinar como assessor t~cnico da entidade. Tamb~m te en- viamos algumas indagaqaes, sobretu- do porque estranhamos d~o teres fei- to uma ressalva com relagilo ao Pal- mquist, a quem conheces e com quem tens relag~o professional e pessoal, Portanto, o nosso desagravo a ele. [Segue-se a nota ojicial da pre- sidente do sindicato dos banchrios, Vera Paoloni.] Como president do Sindicato dos Bandbrios, e em nome da dire- toria, manifesto o nosso desagravo ao jornalista Sergio Palmquist, qua- lificado neste journal com um adje- tivo que n~o corresponde d verda- de dos fats. ' JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 7 Ngo merecia ter que agora se defen- der simplesmente porque est~traba- lhando como director de umn journal. Essa tua mania de auto-refer~ncia tamb~m 6 muito convenient. Vamos levar esse debate a pdblico. Quem sabe nenhum de ni~s dois tem razio. 6 1(4~F.1 bIB Naio lembras de eu ter informa- do porque ndio informei que meus ar- tigos, republicados em O Paraense, srio distribuidos pela Agincia Esta- do. Masi anunciei, com algum desta- que, que meus artigos estavam sen- do divulgados pela Agincia quando comegamos essa colaboragd~o, que jd se estendepor 32 semanas. Disse que Jazia pare de um pmjieto mais am- plo, de retomada de um noticiririo amazdnico decent na grande im- prensa national, que trata a regiio pelo lado do exotico, espetaculoso ou sordido. Fiz materia de pagina intei- ra, Nado acho que devia referir cada vez que um orgdio da imprensa repu- blicasse a coluna, jd que, felizmente, isso tem ocorrido com alguma fre- qfidncia. Ai ja seria "auto-referin- cia ". Mas O Paraense ddi o credito, que cobrei quando ndio saiu na pri- meira coluna. Nas duas uinicas vezes em que ndo creditou a coluna ri AE, eu protestei junto ao Ronaldo [Bra- siliense], que restabeleceu o credito. Como agora hdi um incidence de co- municagd~o (ou compreensdo), cita- rei o fato, jdi que deixou de servir a minha eventual megalomania e pas- sou a ser jornalismo. Sobre essa "auto-referdncia ", o que escreveste foi: "Essa tua mania de auto-referdncia ". Ipsis literis, Edir Reprodugdo fiel. Se precisar; te envio a mensagem original para re- avivar a memoria. Estdis deturpando o que tu prdprio escreveste e tentan- do me atribuir teu ermo para assim o combateres, uma velha tditica em con- troydrsias viciadas, com a qual jd estou acostumado. Surge sempre que desagrado, seja aos amigos como aos inimigos. Com estes, sei lidar: Quan- to aos primeiros, pegoa Deus que me ajude. Nenhum amigo ate aqui se queixou da lealdade que lhes dedico religiosamente e que exifo em retri- buigdio, a uinica coisa que exijo dos meus amigos, sem cobrar-lhes o que ndo lhes dou: o sildncio diante de seus ermos (quanto aos meus, pego- lhes que jamais cometam o erro de me pouparem deles, que sdo muitos). Amigo meu pode ser canalha, desde que admita meu direito deproclamar- lhes a canalhice, a maior das quais & fazer mal ri coletividade, ser indigno com a coisa pliblica. O Palmquist tem espago aberto para se defender. Se o missivista ti- vesse dito que ele t ladrd~o ou mau- carditer, eu teria retiyicado na hora on nem publicado. Naio quero que a segdio de cartas seja biombo para agressdes pessoais. Mas a critical ao "lacaio "diz respeitoaciatividadepo- jissional do Sergio. Ele pode ser com- petente, decent, amigo, etc., uma pessoa a quem sempre dediquei aten- Frio e carinho, e ser lacaio ou assim ter-se tornado. Quer dizer que, a des- peito das virtudes pessoais, tem uma falha professional. Nada mais nor- mal. Conhego pessoas que sd~o ma- ravilhosas, mas d distaincia do poder a comegar pelo ex-professor FHC. Como normal d o Sergio se defender Quem esta na vida puiblica se sujeita a esses percalgos. Nio faz parte da political edito- rial do JP submeter as cartas rece- bidas a terceiros, quem quer que eles sejam. Tenho esse direito porque as cartas me scio dirigidas pessoalmen- te e, em geral, tratam do JP, exigin- do meu imediato posicionamento, ndo por franquia, mas por cobran- ga mesmo. No entanto, qualquer pessoa que se julgar referida ou atingida tem o direito de se mani- festar sem qualquer restrigdio, exce- to a limitagdio de espago do journal, para o que, sd de vez em quando, chamo a atengdo, quando recebo tratados (e publico todos eles, mes- mo com prejuizos para a edigdio). Raramente, alidis, levam em consi- deragdo essa restrigdo. E uma coisa, Edir: deixa o Ser- gio se sentir ofendido. Elogio a sen- sibilidade de vocds, saindo logo em defesa dele, de quem sou amigo e espero continuar a s@-lo. Mas serd um caso de td~o escrachada agres- sdio que exija essa manifestagdio? Fago a pergunta atrdis de crittrios. No ano passado, o Jornal Popular me ameagou de agressdo fisica, anuncion a agressdo future, obri- gando-me a ir dar queixa d policia e iniciando, a partir da constatagdo da ofensa grave pelo delegado, um process judicial (que nunca avan- Fa, ao contrdirio dos nove a que res- pondo atualmente, todos movidos por cachorro grande, inclusive o Edmilson, que dava dinheiro do eri- rio municipal para o Silas Assis agredir os outmos, inclusive a mim, e permitir-lhe agredir os outros, atrdis do anonimato), e ndo recebi um telefonema de solidariedade. Digamos que o Sergio foi mesmo ofendido. E eu?' Sou menos simpaiti- co, muito menos jornalista, incom- paravelmente menos present na imprensa, menos agredido? Nunca jamais osindicato dos bancairiosfez ouvir um pio seu, qure teria ouvidos atentos de um Pinto a recebd-lo. Quanto d carta: para mim ela ja existe e produziu seus efeitos. Se o sindicato vai assumi-la ou nd~o, de- pois de a haver expedido como uma nota coletiva, vocds decidam, usan- do a preraogativa de retirar o que, a meu ver, foi uma mamifestagdo bem pouco refletida, exagerada tanto na solidariedade quanto no ataque que me fez, neste caso, permita-me o jui- zo, absolutamente injusta, despropo- sitada, de inimigo. Continue na chuva. Que, muito bem sei, molha. Mesmo molhado, sou um Pinto que ndo costuma recuan ca de criterios para o nosso desagra- vo ao Palmquist. Quero te dizer que s6 tomo conhecimento do Jornal Po- pular atravts do Jornal Pessoal. De fato, o que relatas sobre esse pasquim 6 mesmo vergonhoso e ji tive opor- tunidade de tratar dessa promiscuida- de envolvendo a Prefeitura do PT e comn as oligarquias locais ai mesmo no Jornal Pessoal, no episddio das cartas da Comus. Nio sabes nem tens obriga~go de saber de outras ocasides em que tomei a iniciativa de te defender, como no epis6dio da ameaga de prisdlo por parte da Justi- ga, na tua peleja comn a Dona Rosin- gela Maiorana, quando organizamos uma manifesta~go de desagravo a ti, na UFPA, protestando contra o ab- surdo do process judicial; e tamb~m no abaixo-assinado de solidariedade, subscrito por varios companheiros jornalistas, quando o Raul Meirelles, entio no PT, te acusava de irregulari- dades no contrato firmado com a Fun- telpa para a organizagio de um ban- co de dados de assuntos amaz~nicos. A Vera, quando ainda estava na Di- retoria de Comunica~go do Sindica- to, por varias vezes manifestou a so- lidariedade da entidade a ti em epi- sddios que certamente ela lembrar8 melhor que eu. Nossa cota de solida- riedade para contigo nio esta defici- taria, portanto, como afirmas num certo tom de amargura. Al~m dos mais, ambos somos leitores e difuso- res do teu jornal, nlo por ser teu e sobretudo por isso -, mas por de fato crermos que ele faz a diferenga. Bom, quanto ao desagravo ao Sergio, me assusta a tua disposi~go belicosa de classifica-la como uma declaraqio de guerra, coisa de "inimigo", como afir- mas, ja que ela foi produzida com o intuito de reparar o que consideramos um erro. A responsabilidade pelo tex- to, por enquanto, 6 toda minha. Re- cebi delegagio para redigi-la. A pes- soa que me delegou a tarefa achou por bem aprecii-la junto com a dire- toria da entidade, mas te adianto que escrevi o que minha sensibilidade ditou a luz de algumas reflexes. Se achas, de fato, que isso 6 a attitude de um inimigo, entio nio fago question al guma de ser teu amigo. Es donor dos teus atos e pala- vras. Portanto, ndo pretend reti- rar nenhum deles. Fazes o que achares melhor, independentemen- te do que eu pensar ou avaliar. Ja trocamos corresponddncia o sufi- ciente para me permitir encerrai- la por aqui, deixando-te com tudo o que e teu. O tom da tua carta ori- ginal foi, ao mesmo tempo, de de- fesa e de ataque. Considerei a ambas despropositadas e injustas. Mas se estas em paz com tua cons- ciencia, permanece assim. Eu fi- carei "na minha", como sempre fiz, independentemente da posigd~o dos amigos e inimigos, ou dos amigos-inimigos. De fato, de O Paraense, s6 li o primeiro n~imero e um outro no qual tamb6m nio havia nenhuma referin- cia no teu artigo a Agbncia Estado. Fazes bem em explicar isso aos leito- res. Desculpe-me pela "mania de auto-refer~ncia", que de fato B minha, mas pego que atribua a frase infeliz ao adiantado da hora. Esse, contu- do, nio 6 o centro do nosso debate. Ngo estou atrds de controversial vici- ada. A nho ser que sejas interlocutor para um diidlogo de surdos... E fato que teres deixado passar, sem um re- paro, o lacaio atribuido ao Sbrgio me desagradou profundamente. Sobretu- do porque "lacaio" n~o 6 um termo que que se refere ao professional S~r- gio. Lacaio 6 um sujeito servil, capaz de matar, morrer e roubar pelo seu senhor. Ou seja, 6 um sujeito sem car~ter. Citas Deus e dizes que tens um compromisso religioso de lealda- de com teus amigos. O que me leva a pensar que o Strgio pode nio estar entire eles, como afirmas, ou entio te distraiste, o que me coloca na posi- Cgo daqueles teus amigos que nio fi- cam em silbncio diante de teus erros. Veja que se a algubm que nem co- nheces permits que chame de lacaio a uma pessoa com quem convives, entio como podes afirmar que ngo queres transformar o Jornal Pessoal em biombo de acusaqdes pessoais? E isso depois do Cbssio ter feito uma mechnica comparaqio entire ti o Paraense, onde se ressalta justamen- te a tua independ~ncia. Isso soa ou nao cabotino? Dies o 6bvio quando afirmas que o Palmquist tem espago para se defender, sobretudo porque nho po- des nivelar o jornalismo que preten- des fazer com o que se pratica na grande imprensa da Amaz~nia. Tam- bem 6 6bvio que o SBrgio tem que se defender, se foi atacado, mas quere- res me convencer de que um lacaio possa ter virtudes pessoais, ai jB vai muito long e to conheces muito bem os lacaios para saber que esse adjeti- vo atinge o ser do humane e macula a honra da pessoa... A political edito- rial do Jornal Pessoal de nio sub- meter os textos a terceiros C corretis- sima Ngo posso admitir, como lei- tor, 6que isso sirva de habeas corpus preventive para permitir agressdes pessoais como a que foi feita contra o S~rgio, com a justificativa de que ele tem garantido o espago para se de- fender, numa edigio posterior ali- s,~ nisso nio inovas muito em rela- gio a grande imprensa. Lembro-te que as cartas de fato sho dirigidas a ti, mas quando as publicas elas se tor- nam comuns e com grande repercus- sio na vida das pessoas... Diante disso afrase "deixa o Ser- gio se defender" me soa como de uma insensibilidade terrivel e evidencia que nio tens o Sergio como amigo e nem pretendes mantC-lo nas tuas re- laqdes. Citas o ano passado, em bus- Imposto - Em janeiro de 1999 o Pardi era o 15"Estado brasileiro em arrecadagdo de ICMS. Em agosto deste ano subiu para 14". Mesmo tendo avangado, entretanto, a taxa de incremento da receita arrefeceu: entire 1999 e 2000, a variagio para mais foi de 31, 11 %, a sexta melhor do pais. Entre janeiro e agosto deste ano a taxa foi de apenas 22%, ficando em 92 lugar. A melhor foi do Acre, de 32,28%, vindo a seguir o Espirito Santo (que tem um peril econdmico assemelhado ao nosso), comn 32, 17%, a Paraiba (30,46%) eo Maranhd'o (27,52%). No Norte, o Amazonas (23, 72%) e Roraima (22,21%) . apresentaram desempenho melhor, sem falar no Tocantins (24,80%), integrante da Amazdnia Legal. Em terms absolutes, Amazonas e Mato Grosso superam o Parai em ICMS, mesmo tendo populagdes muito inferiores, Nado estamos trdo bem na foto como pensamos. Talerito Jcindo estdina hora de o eleitorado escolher um governador com filhos que ainda n~o estejam na idade de exibir seus talents para agir a sombra? Pode sair mais em conta. Jomnal Pessoail Edito ILuci~n~ Rhi Pni- Fons~: topil 241 728 Conial. Iv Benpnrun Constant 8452(07660 91-040. Innl loa~rnai~man com r Produ e. Angear P~nlo EdlCo de ALrt. Luzarlomladelbanpint O Liberal tirou uma edi~go especial de 82 piginas no feriado de 15 de novembro para as- sinalar seus 55 anos de vida. A parte propria- mente comemorativa ocupou 24 psginas em dois cadernos. Talvez tenha sido uma das me- nores ediq8es de aniversairio em muitos anos. Nem assim o journal perdeu a pose: anunciando em primeira psigina "uma hist6ria de sucesso", garante um, com base no Ibope, ser lido por "uma media diaria de 600,mil leitores". Seri? Costuma-se calcular que um exemplar de journal 6 lido, em m~dia, por cinco pessoas. Nesse caso, a tiragem m~dia dilria de O Li- beral seria de 120 mil exemplares, equiva- lente a do Jornal ~do Brasil, do Rio de Janei- ro. Na verdade, o journal jamais chegou a esse patamar em 6poca alguma da sua hist6ria. Chegou at6 a anunciar a faganha em uns pou- cos domingos, anos atris, mas a marca deve ter gravitado em torno de 100 mil exempla- res (ndo de venda, mas de tiragem, inchada pela circunstincia de a empresa nio aceitar sobras de jornaleiros). Aos domingos, a tiragem esteve entire 60 e 65 mil exemplares. O Liberal esta naquele tipo padrio de journal, que tira no domingo o dobro ou um pouco menos do dobro da tiragem mC- dia nos demais dias da semana, que fica entire 35 e 40 mil exemplares. Logo, para ter 600 mil leitores, cada exemplar de O Liberal teria que ser lido por 12 pessoas, uma situaqio in- teiramente atipica em terms mundiais. Como 90% da tiragem fica na regido metropolitan de Be- I 6m .- signifi- LLILrnrrl caria - que um em cada ~,~ tres habi- tantes da i= CL grande Be- ~="~ 16ml~afolha\ // !lt~ da familiar ..-- Maiorana, F nessa relagio - incluidas cri- ~S~----" angas, analfa- rU5 betos, pesso- as sem o me- nor poder .-- *** aquisitivo, in-j "I**-- -- - vailidos, etc. Talvez embalado por essa "histbria de su- cesso", o principal executive da empresa, Romulo Maiorana Jiinior assinou um edito- rial hiperb61ico sob seu retrato, em forma de broche, ainda na primeira pigina do jor- nal. Com lucidez, admite, pouco modesto, que "de nada adiantaria o verniz tecnol6gi- co de que se reveste todo o processamento industrial do journal, pouco efeito o visual refinado, nenhuma conseqilincia, enfim, te- ria qualquer procedimento", se o journal, "em algum memento, se mostrasse rompido com seus objetivos maiores: de bem informar, de ser plural, de ser present, de jamais duvi- dar quando as circunstlncias o obrigam a se posicionar claramente, mesmo que disso decorram incompreensaes e, nio raro, criti- cas desprovidas de qualquer sentido". Como proposta, trata-se de uma bela de- claraqio de intenq6es. Mas nlo serve como re- trato de O Liberal, que tem sido exatamente o oposto. Para chegar a essa constata~go basta colocar uma interrogag~io em cada parte da ora- Cgo, E~ mesmo objetivo de O Liberal bem in- formar? Suas paginas revelam-no como um 6rgio plural, abrigando e respeitando virias opiniaes, representatives do espectro social? Suas posiqaes editorials sio claras, nio depen- dendo dos seus interesses comerciais e de vB- rias outras interfer~ncias, nada jornalisticas? Ele realmente se submete aos fats? Divulga tudo o que de relevant acontece na sua grea de co ertura, sem sonegar ou manipular in- for- LIPZRRc ~~~esma- Cllllt~rllhj ul gar pelas in- formaq6es --riu y~ que presta ("ao publico sobre indices palavras junta- das sob a assi- C ~~/ naturala de R6-d etra mulo Maiorana r7F ~ ~ Jun ior ou s ho ditas em' tese ou -- s e sttio tratan do I de outro journal. / Infelizmente. Qualjor nal? |
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