Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00222

Full Text




Jomna Pessoal
LOI O F LA VIO P N TO


O governador di


g over nad oregpa


O governador Almzir
Gabriel jd langou no
mercado o nome doseu
candidate iisua
sucessd~o. e oseu
secretairio especial
Simd~o atene. Os outros
pretendentes dentro da
coligagd~o official
ficaram comendo
poeira. fatene sai na
frente de todos. Mas o
ponto de chegada ainda
esta muito lone.


tando com todos os beneficios da maqui-
na official, em funglo do apoio do gover-
nador Almir Gabriel.
O governador nio apenas manifesta
simpatia cada vez mais explicit pelo seu
favorite. Tamb~m afasta ou hostiliza to-
dos os concorrentes, declarados ou insi-
nuados. JB tirou do seu palanque o vice-
governador Hildegardo Nunes, do PTB,


comn quem se incompatibilizou, e colocou
para escanteio o prefeito de Ananindeua,
Manoel Pioneiro, do PSDB.
Jatene deixou de ser carregado pela
administraqSio estadual como uma mera
opgio de candidatura: jb agora 6 o nome
da coligag5io official para 2002. S6 nio
estarai na cabega da chapa se nio quiser,
se desistir ate abril ou se algum daqueles )


na campanha pela dispute do
cargo de governador na elei-
U~950 do pr6ximo ano: e o se-
cretgrio especial da produCgo, o econo-
mista Simio Robson Jatene, o nome ofi-
cioso do PSDB. Suas andangas pelo inte-
rior do Estado se tornaram completamen-
te desenvoltas nas tiltimas semanas, con-








2 JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001


bem conhecidos -mas sempre evitados -
acidentes de percurso interromper sua tra-
jet6ria, hip6tese tio remota que as alter-
nativas nem est~io sendo cogitadas.
Sua candidatura deixou de ser um en-
saio, sujeito ao teste de consistancia e
ao veredicto das pesquisas de opinion,
ou ao referendo dos seus pares da situa-
pio. A ordem do governador 6 para en-
corpar politicamente o nome do seu es-
colhido, fazendo-o "pegar", nem que
seja g forga dos empurrges da engrena-
gem pxiblica estadual.
Jatene "6 o homem. Para a vit6tia,
acredita o medico Almir Gabriel. Mes-
mo com o fiasco da candidatura de Ze-
naldo Coutinho g prefeitura de Bel~m,
ele esta convencido de ter respaldo po-
pular, al~m de recursos financeiros, para
tirar Jatene da posi~go de aspirante sem
expresso g sua sucessio. O "novo
Pard", produto de obras ji realizadas,
em andamento ouprojetadas, ndo 6mera
ret6rica na mente do governador. Incen-
sado por uma corte perfeitamente adver-
tida para o tom monoc6rdio e monoglo-
ta do chefe, o doutor Almir ji nio tem
drivida de que o Pard dos dias atuais
pode ter uma nova referencia demarca-
dora: AA e DA. Ou seja: Antes de Al-
mir e Depois de Almir.
Da mesma maneira, credit a Jate-
ne, te6rico do "modelo" e vanguard da
retaguarda administrative, parte consi-
deravel desse imaginado sucesso, com
inequivocas manifestag8es em sua ree-
leigio contra o poderoso Jader Barba-
lho e na sagraqio de Luiz Otivio Cam-
pos como senador, deixando o ex-gover-
nador Helio Gueiros comendo poeira no
terceiro lugar, atras da petista Ana Ju-
lia Carepa.
Ao quebrar unilateralmente o com-
promisso verbal que havia assumido com
os pretendentes g indicaqio, de deixar es-
pago em aberto at6 abril para a livre dis-
puta dentro da coliga~go que o apoiou,
desequilibrando esse jogo em favor de
Jatene, Almir Gabriel fez uma clara es-
colha pela continuidade do seu governor,
com o maximo de identifica~go entire o
chefe que sai c o que vai entrar.
Depois de oito anos de mandate, s6
superado nesta fase republican por
Alacid Nunes (que ocupou o cargo por
nove anos), e igualado entio a Jader
(tamb~m com oito anos), mas com uma
vantagem sobre ambos, a de ter ocupa-
do a chefia do executive em periods
sucessivos e ndo alternados, Almir Ga-


briel pretend passar o cetro a algu~m
de absolute conflanga, em 2003. Tal-
vez imagine estar assim consolidando
um novo neologismo na political para-
ense: o almirismo.
Sim~o Jatene foi preparado e favo-
recido e, se tudo der certo, vird~ a ser
escolhido -, por ser o guardiio dessa
continuidade, talvez para a perpetraqio
de uma faganha: a volta de Almir Ga-
briel ao governor, em 2006, antecedida
pela entronizaCio de um tucano (ele
pr6prio?) na prefeitura de Bel~m, em
2004. Para essas intenq6es se materia-
lizarem, a elei~go do pr6ximo ano 6 o
memento chave.
Se o que interessasse fosse apenas
ganhar, certamente o governador esco-
lheria algu~m com um perfil mais ajus-
tado ao jogo politico, com maior densi-
dade eleitoral e menos incompatibilida-
des pr~vias. Jatene, marinheiro de pri-
meira viagem eleitoral, acostumado a
nio sair do passadigo dos oficiais, de 16
dando ordens ou fazendo baixar editos
e proibiC~es, indiferente as reaq8es da
marujada, nio se ajusta a esse molde.
Mas qualquer outro nome discreparia do
objetivo principal do governador: dei-
xar a frente do governor um clone seu
(ou vice-versa, jb nio se consegue defi-
nir com absolute precisio).
Politicos dotados de bons marqueteiros,
cofres em alguma media abonados e uma
corte empenhada em mostrar serving tim
costumado se considerar capazes de ele-
ger um poste. Nestes terms, a eleigio de
Jatene deixa de ser tio impossivel quanto
seus adversarios, extra e intrapalacianos,
consideram. Poste, ele nio 6.
Colocando-o nas ruas mais cedo do
que todos os outros e com meios incom-
paravelmente superiores, o governador
quer ao menos diminuir o fosso que ain-
da o separa das alternatives eleitoral-
mente mais expressivas. Se conseguir
acabar com esse fosso ate abril, aposta
na eficibncia da maquina publica no de-
saflo alquimico de transformar obras em
votos e em fundo de campanha para pas-
sar g frente dos concorrentes.
No memento, a boa equaCio ainda
depend de duas inc6gnitas: a resposta
popular na hora da chegada e os nomes
com os quais o governador do governa-
dor vai precisar se entestar, ainda em
timidas evolu95es ou em articulaCio de
bastidores. Simio Jatene ji deixou a
marca da largada. Mas o ponto de che-
gada ainda est8 muito long.


Benefit O



A Secretaria de Educaqio do Estado
comprou, por 500 mil reais, 36.500 ti-
tulos de livros publicados pela Editora
Cultural e Editorial Cejup, a pretexto de
former uma "Estante da Literatura Pa-
raense" para 200 unidades escolares de
ensino m~dio. Cada exemplar adquiri-
do saiu por 15 reais.
O prego unitario, considerando o ta-
manho da aquisigio, e alto. Fica ainda
mais elevado quando, bem examinando
os titulos, pode-se chegar g conclusgo de
que se tratou, na verdade, da compra do
que os livreiros chamam de "ponta de es-
toque". Ou seja: foi raspado o dep6sito
das publicapaes estocadas pela Cejup, uo
simplesmente encalhadas.
Ngo parece ter havido um critbrio se-
letivo, capaz de former uma coerente e
auttntica "Estante da Literatura Paraen-
se": a capture de livros foi feita em ma-
lha fina. Veio tudo, independentemente
da qualidade, de um termo de refer~ncia
que precisaria ser estabelecido para de-
finir o que deve ser lido nas escolas pti-
blicas. Excelente para o editor, que trans-
forma estoque morto em dinheiro vivo,
num memento particularmente dificil.
Mas e para o Estado? E, especificamen-
te, para o erdrio? Sem falar nos alunos,
que, ao inves de serem educados no bom
gosto, podem ser desviados de vez do
paladar liter~rio.
A compra foi efetuada diretamente,
dispensando-se a exigtncia de licita~go
p~iblica. Esta legal. Mas nio est8 certo.
Quem estabeleceu que o catilogo da Ce-
jup (nio com 36.500 "titulos", confor-
me erroneamente consta do extrato do
contrato, publicado no Diario Oficial,
mas comn 146 titulos, de cada um sendo
vendidos lotes com 250 exemplares) e
adequado para former uma estatee da
literature paraense", ou preenche inte-
gralmente uma tal exig~ncia? Por que
nio estabelecer um padrio e depois sair
a cata dos livros, no minimo expedindo
uma carta-convite?
O neg6cio parece dirigido para bene-
ficiar o livreiro. Nio estou tomando
como premissa que ele nio faz jus a ini-
ciativa. A media 6 que nio parece ajus-
tada ao verdadeiro interesse publied, ou
nio resultou em um bom contrato, que
deve ser bom para as parties e nio ape-
nas para uma delas.








JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 3




A tal da "~verticalizaq~io":


atualizaqgo do atraso


Pouca gente presta atengio ao fato ou
dele tem ci~ncia: o empresario Augusto
Trajano de Azevedo Antunes, que formou
em Minas Gerais o segundo maior grupo
minerador brasileiro, em torno da MBR
(MineraC~es Brasileiras Reunidas), em
galopante process de encolhimento sob
o comando da segunda geraqio de suces-
sores, esta~ na origem de um dos capitulos
mais importantes da hist6ria contempo-
rinea da Amaz~nia.
Era ele o parceiro national da Beth-
lehem Steel, a segunda maior siderdrgica
dos Estados Unidos, quando a empresa
formada em parties iguais por ambos, a
Icomi, comegou a extrair manganis da
Serra do Navio, na metade da d~cada de
50. Iniciava-se entio uma corrida que
prosseguiria e se expandiria posteriormen-
te, quando as zonas de mineraliza~go mais
intense seriam descobertas, na margem
direita do rio Amazonas.
Alguns anos antes um caboclo da re-
giko, Mario Cruz, encontrou_ uma pedra
preta em suas andangas pelo interior do
Amapa, que havia acabado de se tornar
Territbrio Federal, com Area desmembra-
da do ParB, e estava premiando quem
conseguisse descobrir novas riquezas.
Levada para andlise no sul do pais, a
amostra de rocha revelou sua natureza:
era mangan~s. Nio pouco: verificou-se
fazer parte de uma das maiores e melho-
res jazidas do mundo. Provocou o ime-
diato interesse dos Estados Unidos, donor
do maior parque siderdrgico mundial,
mas deficiente desse minbrio, que impor-
tava principalmente da cada vez mais
conturbada Africa.
A Bethlehem saiu na frente. ~Sua con-
corrente, a United States States, viria um
pouco depois, instalando-se do outro lado
do rio Amazonas, na Serra de Carajas,
onde encontraria o melhor dep6sito de
min~rio de ferro do planet (e tamb~m
mangands, bauxita, cobre, ouro, zinco,
niquel, jB com a presenga da Companhia
Vale do Rio Doce). A Bethlehem teve em
Antunes um aliado vital para dar partida
ao emppreendimento pioneiro do que,
duas d~cadas depois, viria a ser conhe-
cido como o ciclo dos "grandes proje-
tos", concebidos e executados para ex-


trair as riquezas do subsolo amaz6nico e
colock-las no mercado international. Per-
mitiu que minas antieconbmicas ou nio
tio ricas fossem desativadas, deslocan-
do-se o centro produtivo do primeiro para
o terceiro mundo.
A mina de manganbs de Serra do Na-
vio se exauriu antes do final da conces-
sio, de 50 anos, feita pelo governor fede-
ral g Icomi. A Bethlehem se foi, guar-
dando em territ6rio americano, como es-
toque estrat~gico, para uso em situagdes
critics ou emergenciais, uma parte das
30 milh~es de toneladas que para li car-
regou. Antunes ficou. Ele se associou a
uma empresa holandesa, a Bruynzeel,
numa industria madeireira, a Brumasa,
que tentou criar um manejo racional nas
areas de valrzea do Amazonas, ricas, mas
de acesso dificil, as de mais antiga ocu-
pag~io humana na regiio, mas utilizando
tecnologia primitive. Nio deu certo.
Plantou dendt para produzir 61eo, sem
competitividade. E tomou conta de 80
mil hectares de cerrado amaz6nico como
suporte para a Ameel.
A empresa nunca fez jus ao nome:
AmapB Celulose. Enquanto o polbmico
vizinho e amigo de Antunes, o exc~ntri-
co milionario americano Daniel Keith
Ludwig, iniciava a produgio de celulose
apenas 11 anos depois de ter comegado
a derrubar uma area equivalent a dele
(mas toda ela de densa floresta native)
para substitui-la por esp~cies ex6ticas, a
Ameel nio passava do reflorestamento.
Em 1982, Antunes liderou um pool de
empresas nacionais que assumiu o con-
trole da Jari Florestal e Agropecuaria,
abandonada de forma traumatica por Lu-
dwig, que se retirou de vez da Amaz~nia,
recusando-se a pagar a divida que havia
contraido para erigir o seu imp~rio de um
bilhio de d61ares na selva..
Parecia ent~io que, finalmente, a Ameel
teria uma finalidade produtiva, abastecen-
do com cavacos de madeira a f~ibrica de
celulose da Jari, que comegara a sofrer
com a falta de maitbria prima em funglo
dos problems de manejo em sua pr~pria
reserve. Mas esse fluxo n~io durou muito
tempo. Antunes vendeu a Ameel para um
grupo americano, a Champion (mais re-


centemente, seus netos tamb~m acabari-
am vendendo a parte do av6 no Jari).
Ao inv~s de seguirem por nio mais
do que 500 quil6metros, os cavacos pas-
saram a percorrer uma distincia de 20
mil quil6metros, indo suprir fa~bricas de
celulose no Japio. Talvez nio por coin-
cidtncia, os japoneses comegaram no
mesmo period um projeto de reflores-
tamento de 300 mil hectares, o equiva-
lente a quase 1% de toda a extensio ter-
ritorial do pais, favorecidos pela vanta-
josa relaCio de troca que a compra de
cavaco (oriundo tamb~m do noroeste dos
EUA) lhes tem proporcionado.
A Champion foi substituida em 1995
pela International Paper, uma das maio-
res empresas de papel do mundo, que ago-
ra anuncia novos pianos de investimento
para a Amcel. A area de dominio efetivo
da empresa foi ampliada, de 80 mil para
130 mil hectares, mas poderai ultrapassar
os 200 mil hectares. Ate 2013 a Amcel
vai continuar apenas exportando cavacos
de madeira para o mercado international,
60% para o Japio e 40% para a Europa,
como tem feito desde que comegou a ope-
rar, na d~cada de 80. Alcangard a produ-
gio maxima, de quatro milhaes de tone-
ladas, em 2010. Tr~s anos depois os ca-
vacos poderiio ser transformados, ali mes-
mo, no Amapa, em pasta de celulose.
A inten~go do grupo 6 colocar a f~ibri-
ca em funcionamento em 2013, com pro-
du~go de 750 mil toneladas ao ano, mais
do que o dobro da capacidade da Jari, que
tem a unica indfistria de celulose em ati-
vidade na Amazinia. A fabrica produz
300 mil toneladas por ano. Bem ao lado,
ha uma fabrica de caulim, argila usada
para o revestimento de pap~is especiais.
Era o item rentivel do acervo deixado por
Ludwig, que o grupo Antunes assumiu
sozinho, deixando de fora desse neg6cio
as outras 21 empresas do condominio for-
mado is pressas pelo ent~io ministry Del-
fim Neto para nacionalizar o Jari, sem
estatiz8-lo alternativea decorrente do aval
dado pela Uniio aos empr~stimos exter-
nos de Ludwig, contra a garantia de todo
o seu patrimbnio amaz~nico).
HA, no Park, mais duas fsibricss de cau-
lim em atividade, a 50 quil6metros de







4 JOURNAL PESSOAL 1* QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001


O da celulose e do caulim jB passou
dos 20 anos e seus efeitos ainda sho,
como dizem os economists, "para
tras". Ou seja: ao inv~s de enviar ca-
vacos de madeira para um client a
mais de 20 mil quilbmetros de distin-
cia, que pode multiplicar seus ganhos
varias vezes at6 chegar a Altima das
industrializaC~es possiveis (dos papeis
especiais), a Ameel vai cozinha-los ao
lado da floresta e agregar um pouco
mais de valor a mercadoria, sob a for-
ma de pasta de celulose (ou, em lin-
guagem comum, papelio).
No caso da Ameel, o custo dessa
transformaqio nio representing o dano
ecol6gico causado por Ludwig no Jari.
Ele p~s abaixo quase 100 mil hectares
de uma floresta native exuberante e he-
terog~nea para substitui-la por grvores
muito menos ricas, como a desconhe-
cida asistica gmelina e as convencio-
nais esp~cies de pinho e eucalipto, pro-
vocando um nitido empobrecimento do


ecossistema a partir de uma floresta
ex6tica homog~nea.
Jg no AmapB, Antunes se langou ori-
ginalmente sobre as dreas de cerrado, que,
num passado nio muito remote, constitu-
iam a esperanga dos amaz6nidas de que
seriam as vocacionadas para as ativida-
des que demandassem ouso do solo, como
a agriculture, a pecuaria e o reflorestamen-
to, deixando-se as matas para usos mass
nobres. Contrariando a16bgica, o bom sen-
so, a citncia e a histi~ria, ocorreu o inver-
so: florestas vieram abaixo numa veloci-
dade assustadora, enquanto as greas de
vegetagio rala permaneceram abandona-
das. Ngo seria tio lucrative ocupii-las.
A Ameel, por essa 6tica, 6 um raro
exemplo de melhor adequaqio ecol6gi-
ca. Mas sua racionalidade econbmica
deixa imensamente a desejar. S6 tras de-
cadas depois surge uma perspective (ou
promessa) de avango no horizonte. Mas
ainda 6 pouco. Talvez seja apenas a atu-
alizaqio do atraso.


Bel~m, que se abastecem de jazidas co-
nectadas atrav~s de dois minerodutos com
menos de 200 quil~metros de extensio,
um deles ji em plena operaqio, controla-
do pela Companhia Vale do Rio Doce. O
Estado esta preste a se tornar o terceiro
produtor mundial de caulim. Nlo tem,
entretanto, uma inica fibrica de papel. Se
o projeto da Amcel for executado, a pro-
dug50 de celulose, somada g da Jari, ul-
trapassard a marca de um milhio de tone-
ladas, dando ao Pard uma posi~go de des-
taque no setor dentro do pais (embora tudo
o que produz se destine g exporta~go).
Mas quanto tempo ainda serd precise
para que o lento e nem sempre conexo
process de transformaqio industrial com-
plete a "verticalizaCio produtiva", che-
gando ao papel? O ciclo do manganes, em
50 anos, nio foi al~m da pelotizaCao, ado-
tada para dar aproveitamento econbmico
aos fins, que se perdiam at6 entio (hi
milhares de toneladas expostas nas dre-
nagens da mina de Serra do Navio).


O empresirio Luis Carlos Monteiro,
donor da maior das tras guseiras que fun-
cionam em MarabB, a Cosipar (ha outras
seis no Maranhio), sustenta que esse 4:
um bom negbcio porque o Brasil tem, na
regido, a possibilidade de realizar uma
"siderurgia tropical". Essa "tecnologia
eminentemente brasileira" decorre do
uso de floresta, na formal de carvio ve-
getal, como insumo de exceptional qua-
lidade enquanto redutor, suprindo a ine-
xistgncia de carvio mineral (e superan-
do-o comparativamente) no pais.
E ~uma perspective, a empresarial.
Falta, por~m, a visio organizada e con-
sistente do Estado, que continue a tra-
tar a mineraqio, a siderurgia e a meta-
lurgia como residues de competincia na
Seicom, sempre mal definidas na Para-
min~rios e tangencialmente abordadas
na Sectam.
A ausancia de uma cultural compre-
ensiva e critical do problema explica o
refluxo do interesse no memento em que
comega 0 ciclo do cobre, que pode se
tornar o mais important dos at6 agora
implantados, e se consolida o do cau-
lim, sem que digamos o que fizemos
para evitar que dessas safras fique o
buraco na terra e o apito do trem no ar.
Como est8 ficando.


Minbrio nio di duas safras. Uma vez
exauridos os dep6sitos de interesse co-
mercial, acabou a histbria. A hist6ria ji
acabou para o mangants do AmapB. Du-
rou menos de meio seculo. Esta chegan-
do ao fim para a mina de ouro do igara-
p6 Bahia, em Carajas, que nio foi al~m
de 15 anos. Ja tem quase um quarto de
s~culo para a bauxita do Trombetas e
igual idade para o caulim do Morro do
Felipe, no AmapB (beneficiado do outro
lado do rio Jari, no ParB). EstB chegando
a 20 anos para o minbrio de ferro e o
mangan~s de Carajss. Vai alcangar meio
s~culo em relagio ao ouro do Tapajbs.
S6 considerando as ocorr~ncias de mai-
or expresso econbmica.
A mineraqio ainda vai viver novos ci-
clos no Para. No balango entire o que es-
tara acabando e o que se iniciarb, o sal-
do sera positive ainda por algumas d6-
cadas. Mas alguns cartuchos ji foram
queimados e outros continuario a ser
desperdigados se o Estado nio der con-
seqilincia pritica -e inteligente aessa
elementary observa~go dos gedlogos: mi-
nerio s6 db uma safra.
Depois de duas d~cadas de extraCio
do file-mignon do ferro mundial, o de
Caraj~s, parecemos nio ter massa critical
para questioner a decisio que a Compa-


nhia Vale do Rio Doce tomou em dezem-
bro de 1998, um ano e meio depois de ser
privatizada: instalar em Sio Luis a pri-
meira usina de pelotizaqio de ferro do
Sistema Norte, individualmente maior do
que todas as sete que construiu ao lado
do porto de Tubar~io, no Espirito Santo,
que 6 a porta de said de riquezas do Sis-
tema Sul, o mais antigo e ainda o mais
poderoso da sua estrutura.
Em margo do pri~ximo ano essa enor-
me usina, com capacidade para produzir
seis milhaes de toneladas de pellets por
ano, entrard em operaqio. Continue irres-
pondida a questio que os paraenses nio
formularam para a empresa: a agregagio
do min~rio fino nio podia ser feita junto
A pri~pria mina, no Pard~? A Vale tem uma
strie de explicaq6es t~cnicas, ditas em
tese, formuladas ex-cathedra. Jamais foi
contraditada. Nunca teve que se pronun-
ciar sobre uma demonstraqio oposta.
Aceitou-se passivamente sua delibera~go.
Como manso e pacifico foi o acata-
mento g instala~go em Fortaleza da pri-
meira grande aciaria do Norte-Nordeste
do Brasil, para onde irio o ferro de Cara-
j~s e o gas do Rio Grande do Norte. Para
no~s restarid, na escala da verticaliza~go,
enriquecer um pouco mais o minerio de
Carajis, na forma de ferro gusa.


Minerio: safras est~io acabando













O interventor caiu.



Viva o inter ventor


Ao ingressar no cendrio, o novo inter-
ventor, a semelhanga dos seus antecesso-
res (de cuja linhagem o mais recent ha-
via sid o 0coronel Roberto Klein), gastou
sua energia em tratar do secund~io, ji que
seu mandado, outorgado pela tecnocracia
federal, plantada em seus arrogantes ga-
binetes brasilienses, nio incluia o mais
important. E3 claro que esse "troco" 6
expressive, envolve gente desonesta, cau-
sa danos ao interesse puiblico e favoreci-
mentos ilicitos a pirates e parasitas, que
conv~m, por necessaria profilaxia, iden-
tificar, punir e expurgar. Mas sem atacar
a raiz do problema, ele renascerid no novo
6rgio, que surgird tio comprometido
quanto a Sudam, apresentada como um
antidote contra a antmica e desacredita-
da SPVEA, em 1966.
Alguns dos que comemoram o destro-
namento do interventor Cyrillo querem
que a situaCio retorne ao status- quo
ante, que os favorecia. Espera-se que
isso nio ocorra, embora essas pesso-
as tenham algum peso nas decis~es e
nos acordos que as antecedem. Mas
hB tambem os que foram injustigados
pelo interventor, que enfiou a todos
numa camisa-de-forga da suspeita,
destruindo bem al~m de uma media
ponderada e saudivel para a constru-
gio do novo 6rgio, cujas dores do
nascimento ainda sdo sofridas com a
lentid~io de sempre no parlamento fe-
deral.
Se o interventor errou, isso nio 6
motive para desistir de continuar ten-
tando acertar na construghlo de uma
autintica e saudivel ag~ncia de de-
senvolvimento regional. S6, que para
acertar e precise visar nio o boi de
piranha, mas toda a manada, que pasta
tanto nos campos da regido incenti-
vada, onde a ordem 6 tirar vantagem
das sobras, do jeito que der, quanto -
e principalmente nas pastagens de
onde~se original o dinheiro. Que, ali-
is, costuma ser quem nomeia o mnter-
ventor baixado do Sul Maravilha e lhe
entrega a lista de tarefas, como se fos-
se uma caixa-preta pr6-gravada.


Jos6 Diogo Cyrillo da Silva foi remo-
vido no mbs passado do cargo de secre-
tirio especial do Minist~rio da Integra-
~go Nacional, em cuja funglo era o res-
ponsivel pela transigso entire a extinta
Sudam e a nascente ADA (Ag~ncia de
Desenvolvimento da Amaz6nia), por
enquanto criada apenas no papel. Para
nio lhe dar apar~ncia negative, o ato da
destituigio foi seguido pela sua desig-
naqio para a chefia da corregedoria-ge-
ral da Advocacia Geral da Uniso. Uma
daquelas aut~nticas promoq8es para bai-
xo, embora acomodadora de interesses.
O ato cirdrgico, portm, deixou uma
d~vida: o advogado gadicho foi atingido
pelo que fez de certo ou pelo que fez de
errado? De certo havia o seu interesse
de cumprir a missI~o que recebeu, de bai-
xar na Sudam como um interventor dra-
coniano, dando a um 6rgdo mergulhado
no descr~dito e nas den6ncias de cor-
rupplio o tratamento adequado, pu-
nitivo. De errado era a pr6pria mis-
sio: os vicios e erros que Cyrillo pro-
curou combater nos seus oito meses
como inventariante da Sudam e par-
teiro da ADA constituem a face mais
visivel de uma estrutura comprome-
tida, mas slo- exatamente as pontas
do iceberg. O qune hB de maior e mais
danoso, como de regra, permaneceu
oculto. E inatingivel.
A ningu~m mais 6 dado igno-
rar que o sistema de incentives fis-
cais nasceu distorcido e cresceu
expand indo e sofisticando essas
distorq6es. Na ponta visivel do
novelo h6 corrupp~o passiva de
funcion~rios ativos, corrupgio ati-
va de ex-funciondrios, rela~go pro-
miscua entire servidores com po-
der normative e beneficidrios com
poder real, inefici~ncia na andlise
de projetos que postulam colabo-
raqio financeira e na fiscaliza~go
da aplica~go dos recursos recebi-
dos, interferencia de politicos com
poder decisbrio em Brasilia, favo-
recimento a membros da corte ins-
talada em palicios pliblicos, etc.


Mas quem sabe, sabe que toda essa
cornuc6pia de falhas tem origem nas or-
dens emanadas de Brasilia e de esque-
mas que ja nascem viciados quando, na
sede da op~go feita pelo incentive ama-
zbnico, o aplicador assina um contrato
de gaveta para ter de volta 40% do re-
curso que declara aplicar no projeto que
ele e o beneficiarrio do dinheiro forma-
ram, apenas para inglts ver e fiscal ca-
rimbar. Um vazamento dessa magnitude
autoriza toda a deriva~go labirintica que
constituiu o perfil triste da Sudam. O tro-
co passou a ser disputado no tapa, ja que
as parties melhores desse banquet de
dinheiro pdiblico sequer foram transferi-
das para o palco amaz~nico. O elefante
passou inc61ume e o mosquito (ou mes-
mo algum gaviho menos cuidadoso) foi
esmagado. Ou se promete que o serA.


I~sr








() JORNAL PESSOAL l' QUjINZENA DE DEZEMBRO/ 2001


Somente uma possoa que n~o
conhece S~rgio Palmquist poderia
consideri-lo lacaio. Lombro aponas
um fato que desmente eass acusayso.
Em 1987, durante a greve dos jorna-
listas, S~rgio era chefe de reportagem
de uma grande emissora de television
e, mesmo assim, aderiu so movimen-
to, tendo sido demitido por isso.
Trata-se de um prof issional com-
petente e de uma pessoa de carter
reconhecido por quem convive e tra-
balha comn ele.
Quanto so debate, gostaria de fa-
zer algumas perguntas sobre o epis6-
dio a L~icio FlBvio Pinto. Tu conhe-
ces o S~rgio Palmquist, escreves ar-
tigos para o jornal que ele dirige. Por
que entlio n~o f izeste a ressalva de
que a acusa~go contra ele cra no mi-
nimo injusta?
Se hi tantos questionamentos
com relaglo a O Paraense, sobretu-
do comn relagso a quem banca a em-
preitada, por que emprestas o teu
prestigio ao journal?
Comn certeza porque, envolvidos
no projeto, esti~o figures como o Sr-
gio Palmquist.
Se assim 6, por que eatBo permi-
tir tantos elogios 1 tua independ~n-
cia e deixar o director de reda~go do
journal onde escreves artigos ser des-
qualificado de uma formal tao desas-
trada por uma pessoa que nllo conhe-
ce o alvo de sua critical?
A impress~o que di 6 que o Jor-
nal Pessoal estranhou um amigo...


21
Estranho eu esse tom de ageis-
sbo pessoal. Como sabes, ndo inter-
jim nas cartas dos meus leitores. As
que aqui chegam, identri~cadas, sdo
de responsabilidade de quem as es-
creve. Jdi publiquei att ataques pes-
soais a mimt, como esse que agora
wecebo de ti, sem mudar ugma virgi-
la, divulgando-os na integra. Se les-
te as duas notas que escrevi sobre O
Paraense, verdis que ressalvei a com-
petincia e o conceito de alguns dos
professionais gue 16i #abalham. Se
ndo leste, vai venyficar. Foi em fucn-
gdo deles que ndo endossei aacusa-
gdio simples de que se trata de um
journal quinta coluna do governor.
Pego que leias comn atengdo essas
notas, a meu ver o suficiente para
considerar impertinentes einjustas as
tuas referdncias a meu respeito.
Quanto ci carta do C~irssio (a quem
ndo conhego), ji observagdes em
tese, tratando da questdio geral. Nbo
tinha por que censrwar on fazer e-
paos pessoais quando a pessoa ata-
cada pode se defender; tanto por dis-
por dos meios para tal como por ter
espago aberto no Jornal Passoal, e
em relagdo di qual, como integrante
da redagdo de O Paraense, eu jd ha-
via emitido uma opinidio, antes des-
sa carta. Eu fui atacado em terms
incomparavelmente mais dumos e s~r-
didos pelo Htlio Gueiros, numa car-
ta que eu publiquei na integra, e ndo
fui pedir para ningudm me defended


A melhor defesa, a meu ver a tinica
no nivel exigido pela pomcaria do
Hdlio, foi' mandada do Rio de Janei-
mo, sponse suat, pelo ahnirante Md-
rio Jorge da Fonseca Hermes. No PS
da carta ele escreveu: "Faga dessa
cart o uso quelIhe aprouver". As so-
lidariedades morals que recebi aqui,
verbais, nunca chegaram a isso.
Quanto a O Paraense, o journal
public minha coluna por comprd-
la da Agdncia Estado, para a qual
escrevo essa coluna. Qualquer um
pode fazd-lo, dispensando-se ape-
sentagdio de folha de bons anteceden-
tes e declaragdo de boas intengdes,
Minha obrigagdo t escrever a colu-
na. A da Agincia e divulgdi-la. Meu
direito t ter meu texto respeitado. O
da Agdncia e comercializd-lo como
e com quem quiser. Ndo tenho qual-
quer participagdo na anda dessa co-
mercializag~do. Nio fago emtbargos,
nem vetos. Tambdm ndo recomendo.
Por Jim, gostaria de saber quemt as-
sina a coluna.


3 W W W WW WW W
N Bo tenho nenhuma animosida-
de contra ti. Muito pelo contririo.
Desde adolescent acompanho tua
trajet6ria. Tinhamos um grupo na
Escola Tbcnica, na MineraqLo, que
norteava sua intervenglo political pe-
los artigos que escrevias no Liberal.
E jP em 84 on 85, quando nos forma-
mos, foste o patrono de todas as tur-
mas daquele ano. O outro nome er o
do Romulo Maiorana e n6s o derro-
tamos no voto. Nessa 6poca nem ha-
via Jornal Pessoal ainda. O fato de
teres sido atacado pelo H61io Guei-
ros n~o pode ser justificativa para
permitires as referencias pessonis de-
sairosas do C~ssio so Palmquist. Veja
que, no tou caso, tiveste autonomia
sobre publicar ou n~o a covardia do
ex-govemnador. E qual a escolha que
o Sbrgio tem agora? Poderis argu-
mentar que se trata do 6nus de assi-
nar um jornal de grande circulagl~o.
Concordo. Mas poderias tamb~m ter
garantido a cle o direito de manifes-
tar-se na mesma edigo, como ali~s
tem acontecido sistematicamente
quando escreves sobre as carts que
publicas, deixando clara a tua opi-
nilo. Leio o Jornal Pessoal toda
quinzena.
[Houve interrupgdio na ~mensa-
gemt, retomada a seguir.]
Desculpe, a mensagem foi inter-
rompida:
N~o lembro de teres informado
no Jornal Pessoal que os artigos pu-
blicados em O Paraense slo distri-
buidos pela [Agincia] Estado. Isso
responded A parte das indagag~s, mas
n~o a principal: o Palmquist teria ou
n8o direito de um reparo na mesma
ediplo que a ofensa h sua dignidade
lhe foi feita? Tamb~m n~io to acusei
de "mania de auto-refer~ncia". Esse
termo 6 teu, ndo me responsabilizo
por ele. Disse que nesse caso a auto-
refer~ncia te 6 convenient porque
ressalva o teu respeito g redapglo de


O Paraense so mesmo tempo que
permites uma ofensa a um profissi-
onal de 16t, sem nenhuma ressalva cri-
tica contra ela. Quanto a quem assi-
nao desagravo, a Vera tamb~m ava-
lion que o tom estA maito passional.
Vai submeter o texto g diretoria e,
na pr6xima semana, to envio a ver-
silo definitive.


4M
Acho que se pode discutir as coi-
sas racionalmeente. O tom emotional
da tua manifestagdo me soa comple-
tamente descabido. Devolve, por
considerdi-la injusta, tua acusagio de
que tenho "mania de auto-referin-
cia".: Eventualmente, fui referdncia
em fatos hist~ricos. O do Hdlio Guei-
ros B um.
Com a responsabilidade de ter
sido o segundo home da mrarinha
brasileira, como chefe do almiran-
tado, o almirante Mririo Hermes dis-
se em sua carta que aquela do Hilio
era "o pior document da histdria
brasileira que ele vira em toda a sua
vida. Eu achava a mesma coisa. Mas
ndio a disse. Quando o almirante, um
homiem decent, competent e digno,
a escreveu, senti-me reconfortado. Eu1
sofrera uma violdncia que nenhum
dos meus amigos e eventuais admi-
radores se dera ao trabalho de ava-
lian: Mas tudo bem. Te desajio a en-
contrar no JIP e na Agenda auto-re-
ferdncias como "conformte previa-
mos", "conjirmando fumr deste jor-
nal", "em primeira mbo", "com ex-
clusividade e quetals. Escrevi algu-
mas coisas na forma de depoimento
por seu valor documrental, pela feli-
cidade que live de testemunhar fatos
importantes da hist~ria recent da
nossa regidio. Mas tudo bem: C teu
direito dizer o que disseste. Na for-
ma pela qual disseste. E meu devol-
ver-te o que considemo uma agressdio
sem a menor fundamento.
Pego que releias o que escravi,
em relagdo ao que esqueceste de con-
traditar: PS Quem assina a carta?


51
NZ~o tome uma critical como ata-
que pessoal. N~o temos nada pesso-
almente um contra o outro para que
uses esses arguments com o intuito
de encobrir uma falha tua. O argu-
mento do C~ssio 6 mecanicista e po-
bre e poderias, sim, ter ressalvado que
o Palmquist n~o 6absolutamente um
lacaio. Ou o jornalista L6cio Flivio
Pinto escreve para um journal dirigi-
do por lacaios? Por que esperar a edi-
Fgo seguinte para defender um com-
panheiro? Ngo se trata de censura,
mas de colocar as coisas no devido
lugar. Ou nio deves considerago ao
Palmquist? Veja que 6 a pessoa dele
que esti sendo enxovalhada por um
cara que nem o conhece. Recolheu o
nome dele do expediente do journal e
resolve achincalhar. Mas tu conhe-
ces bem o Sbrgio. Sabes que ele 6 um
jornalista competent e de carter.


Jornalismo: com

OU Sem riscos ~

Em nome do sindicato dos ban-
chirios, Edir Gaya me mandou uma
nota official, protestando contra a
carta do leitor Cdssio Guilherme
Franco de Andrade (ver JornalPes-
soal 271) e se solidarizando com o
jornalista Siegio Palmquist, director
de aedagdio de O Paraense, que con-
siderou ter sido ofendido pelo missi-
vista. Dai seguiu-se uma taoca de
mensagens eletrdnicas em tornodes-
sa manifestagdo inicial, encerrada
quando optei por uma resposta final
curta, ao invis de continuar o deba-
te retomando o que jdi havia dito.
Decidi ndo simrplesmente publicar a
nota de Gaya: a seguir, repmduzo a
integra dodidilogo quetraveicomtele,
preservando toda a sua espontanei-
dade e suas limitagdes de forma.
Acho que t uma contribuigdio neces-
sriria para o atural memento de per-
plexidades, indecisdes e indejinigdes
do jornalismo paraense, desviado
para o acerssrio e receoso de en/Pe~n-
tar os grandes temas, razdo, ao mes-
mo tempo, da ausincia de poldmicas
que valham a pena e de excess de
abobrinhars no menu didrio da em-
presa. O didilogo comega com Edyr
em corpo normal, e continue comi-
go, em itrilico. Talver enpewca algum
amigo em mais esta exposigdo, ou
mais de um, algo que me C extrema-
mente penoso, mas comn o que, em
Ju~ngdo de uma opgdo de vida e pro-
fissd~o, son obrigado a conviver. A/i-
nal, "a almar inerte,ndco vai para o
Paraiso ", como li em Piers Paul
Read, talver inspirado no velho Dan-
te. Esperando, como um personagem
ainda mais anrtigo, osof Hdo Jd que
"contra a voh~ipia dalingua que fere "
Deus me garanta. Garantindo-nos a
todos, com tolerancia e humor, os
verdadeimos sais da vida.


1 W W WWHAMWW W W
L~cio, a pedido da Vera, te envio
a posiq~o official do Sindicato dos
Banciros com relagl ao artigo as-
sinado pelo Cgssio. A menglo dele
ao Sdrgio desqualificou sua critical e,
al~m do mais, ele n~o consulton a
diretoria para assinar como assessor
t~cnico da entidade. Tamb~m te en-
viamos algumas indagaqaes, sobretu-
do porque estranhamos d~o teres fei-
to uma ressalva com relagilo ao Pal-
mquist, a quem conheces e com quem
tens relag~o professional e pessoal,
Portanto, o nosso desagravo a ele.
[Segue-se a nota ojicial da pre-
sidente do sindicato dos banchrios,
Vera Paoloni.]
Como president do Sindicato
dos Bandbrios, e em nome da dire-
toria, manifesto o nosso desagravo
ao jornalista Sergio Palmquist, qua-
lificado neste journal com um adje-
tivo que n~o corresponde d verda-
de dos fats. '









JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2001 7


Ngo merecia ter que agora se defen-
der simplesmente porque est~traba-
lhando como director de umn journal.
Essa tua mania de auto-refer~ncia
tamb~m 6 muito convenient. Vamos
levar esse debate a pdblico. Quem
sabe nenhum de ni~s dois tem razio.


6 1(4~F.1 bIB
Naio lembras de eu ter informa-
do porque ndio informei que meus ar-
tigos, republicados em O Paraense,
srio distribuidos pela Agincia Esta-
do. Masi anunciei, com algum desta-
que, que meus artigos estavam sen-
do divulgados pela Agincia quando
comegamos essa colaboragd~o, que jd
se estendepor 32 semanas. Disse que
Jazia pare de um pmjieto mais am-
plo, de retomada de um noticiririo
amazdnico decent na grande im-
prensa national, que trata a regiio
pelo lado do exotico, espetaculoso ou
sordido. Fiz materia de pagina intei-
ra, Nado acho que devia referir cada
vez que um orgdio da imprensa repu-
blicasse a coluna, jd que, felizmente,
isso tem ocorrido com alguma fre-
qfidncia. Ai ja seria "auto-referin-
cia ". Mas O Paraense ddi o credito,
que cobrei quando ndio saiu na pri-
meira coluna. Nas duas uinicas vezes
em que ndo creditou a coluna ri AE,
eu protestei junto ao Ronaldo [Bra-
siliense], que restabeleceu o credito.
Como agora hdi um incidence de co-
municagd~o (ou compreensdo), cita-
rei o fato, jdi que deixou de servir a
minha eventual megalomania e pas-
sou a ser jornalismo.
Sobre essa "auto-referdncia ", o
que escreveste foi: "Essa tua mania
de auto-referdncia ". Ipsis literis,
Edir Reprodugdo fiel. Se precisar; te
envio a mensagem original para re-
avivar a memoria. Estdis deturpando
o que tu prdprio escreveste e tentan-
do me atribuir teu ermo para assim o
combateres, uma velha tditica em con-
troydrsias viciadas, com a qual jd
estou acostumado. Surge sempre que
desagrado, seja aos amigos como aos
inimigos. Com estes, sei lidar: Quan-
to aos primeiros, pegoa Deus que me
ajude. Nenhum amigo ate aqui se
queixou da lealdade que lhes dedico
religiosamente e que exifo em retri-
buigdio, a uinica coisa que exijo dos
meus amigos, sem cobrar-lhes o que
ndo lhes dou: o sildncio diante de
seus ermos (quanto aos meus, pego-
lhes que jamais cometam o erro de
me pouparem deles, que sdo muitos).
Amigo meu pode ser canalha, desde
que admita meu direito deproclamar-
lhes a canalhice, a maior das quais &
fazer mal ri coletividade, ser indigno
com a coisa pliblica.
O Palmquist tem espago aberto
para se defender. Se o missivista ti-
vesse dito que ele t ladrd~o ou mau-
carditer, eu teria retiyicado na hora
on nem publicado. Naio quero que a
segdio de cartas seja biombo para
agressdes pessoais. Mas a critical ao
"lacaio "diz respeitoaciatividadepo-
jissional do Sergio. Ele pode ser com-


petente, decent, amigo, etc., uma
pessoa a quem sempre dediquei aten-
Frio e carinho, e ser lacaio ou assim
ter-se tornado. Quer dizer que, a des-
peito das virtudes pessoais, tem uma
falha professional. Nada mais nor-
mal. Conhego pessoas que sd~o ma-
ravilhosas, mas d distaincia do poder
a comegar pelo ex-professor FHC.
Como normal d o Sergio se defender
Quem esta na vida puiblica se sujeita
a esses percalgos.
Nio faz parte da political edito-
rial do JP submeter as cartas rece-
bidas a terceiros, quem quer que eles
sejam. Tenho esse direito porque as
cartas me scio dirigidas pessoalmen-
te e, em geral, tratam do JP, exigin-
do meu imediato posicionamento,
ndo por franquia, mas por cobran-
ga mesmo. No entanto, qualquer
pessoa que se julgar referida ou
atingida tem o direito de se mani-
festar sem qualquer restrigdio, exce-
to a limitagdio de espago do journal,
para o que, sd de vez em quando,
chamo a atengdo, quando recebo
tratados (e publico todos eles, mes-
mo com prejuizos para a edigdio).
Raramente, alidis, levam em consi-
deragdo essa restrigdo.
E uma coisa, Edir: deixa o Ser-
gio se sentir ofendido. Elogio a sen-
sibilidade de vocds, saindo logo em
defesa dele, de quem sou amigo e
espero continuar a s@-lo. Mas serd
um caso de td~o escrachada agres-
sdio que exija essa manifestagdio?
Fago a pergunta atrdis de crittrios.
No ano passado, o Jornal Popular
me ameagou de agressdo fisica,
anuncion a agressdo future, obri-
gando-me a ir dar queixa d policia
e iniciando, a partir da constatagdo
da ofensa grave pelo delegado, um
process judicial (que nunca avan-
Fa, ao contrdirio dos nove a que res-
pondo atualmente, todos movidos
por cachorro grande, inclusive o
Edmilson, que dava dinheiro do eri-
rio municipal para o Silas Assis
agredir os outmos, inclusive a mim,
e permitir-lhe agredir os outros,
atrdis do anonimato), e ndo recebi
um telefonema de solidariedade.
Digamos que o Sergio foi mesmo
ofendido. E eu?' Sou menos simpaiti-
co, muito menos jornalista, incom-
paravelmente menos present na
imprensa, menos agredido? Nunca
jamais osindicato dos bancairiosfez
ouvir um pio seu, qure teria ouvidos
atentos de um Pinto a recebd-lo.
Quanto d carta: para mim ela ja
existe e produziu seus efeitos. Se o
sindicato vai assumi-la ou nd~o, de-
pois de a haver expedido como uma
nota coletiva, vocds decidam, usan-
do a preraogativa de retirar o que, a
meu ver, foi uma mamifestagdo bem
pouco refletida, exagerada tanto na
solidariedade quanto no ataque que
me fez, neste caso, permita-me o jui-
zo, absolutamente injusta, despropo-
sitada, de inimigo.
Continue na chuva. Que, muito
bem sei, molha. Mesmo molhado, sou
um Pinto que ndo costuma recuan


ca de criterios para o nosso desagra-
vo ao Palmquist. Quero te dizer que
s6 tomo conhecimento do Jornal Po-
pular atravts do Jornal Pessoal. De
fato, o que relatas sobre esse pasquim
6 mesmo vergonhoso e ji tive opor-
tunidade de tratar dessa promiscuida-
de envolvendo a Prefeitura do PT e
comn as oligarquias locais ai mesmo
no Jornal Pessoal, no episddio das
cartas da Comus. Nio sabes nem
tens obriga~go de saber de outras
ocasides em que tomei a iniciativa de
te defender, como no epis6dio da
ameaga de prisdlo por parte da Justi-
ga, na tua peleja comn a Dona Rosin-
gela Maiorana, quando organizamos
uma manifesta~go de desagravo a ti,
na UFPA, protestando contra o ab-
surdo do process judicial; e tamb~m
no abaixo-assinado de solidariedade,
subscrito por varios companheiros
jornalistas, quando o Raul Meirelles,
entio no PT, te acusava de irregulari-
dades no contrato firmado com a Fun-
telpa para a organizagio de um ban-
co de dados de assuntos amaz~nicos.
A Vera, quando ainda estava na Di-
retoria de Comunica~go do Sindica-
to, por varias vezes manifestou a so-
lidariedade da entidade a ti em epi-
sddios que certamente ela lembrar8
melhor que eu. Nossa cota de solida-
riedade para contigo nio esta defici-
taria, portanto, como afirmas num
certo tom de amargura. Al~m dos
mais, ambos somos leitores e difuso-
res do teu jornal, nlo por ser teu e
sobretudo por isso -, mas por de fato
crermos que ele faz a diferenga. Bom,
quanto ao desagravo ao Sergio, me
assusta a tua disposi~go belicosa de
classifica-la como uma declaraqio de
guerra, coisa de "inimigo", como afir-
mas, ja que ela foi produzida com o
intuito de reparar o que consideramos
um erro. A responsabilidade pelo tex-
to, por enquanto, 6 toda minha. Re-
cebi delegagio para redigi-la. A pes-
soa que me delegou a tarefa achou
por bem aprecii-la junto com a dire-
toria da entidade, mas te adianto que
escrevi o que minha sensibilidade
ditou a luz de algumas reflexes. Se
achas, de fato, que isso 6 a attitude de
um inimigo, entio nio fago question
al guma de ser teu amigo.



Es donor dos teus atos e pala-
vras. Portanto, ndo pretend reti-
rar nenhum deles. Fazes o que
achares melhor, independentemen-
te do que eu pensar ou avaliar. Ja
trocamos corresponddncia o sufi-
ciente para me permitir encerrai-
la por aqui, deixando-te com tudo
o que e teu. O tom da tua carta ori-
ginal foi, ao mesmo tempo, de de-
fesa e de ataque. Considerei a
ambas despropositadas e injustas.
Mas se estas em paz com tua cons-
ciencia, permanece assim. Eu fi-
carei "na minha", como sempre
fiz, independentemente da posigd~o
dos amigos e inimigos, ou dos
amigos-inimigos.


De fato, de O Paraense, s6 li o
primeiro n~imero e um outro no qual
tamb6m nio havia nenhuma referin-
cia no teu artigo a Agbncia Estado.
Fazes bem em explicar isso aos leito-
res. Desculpe-me pela "mania de
auto-refer~ncia", que de fato B minha,
mas pego que atribua a frase infeliz
ao adiantado da hora. Esse, contu-
do, nio 6 o centro do nosso debate.
Ngo estou atrds de controversial vici-
ada. A nho ser que sejas interlocutor
para um diidlogo de surdos... E fato
que teres deixado passar, sem um re-
paro, o lacaio atribuido ao Sbrgio me
desagradou profundamente. Sobretu-
do porque "lacaio" n~o 6 um termo
que que se refere ao professional S~r-
gio. Lacaio 6 um sujeito servil, capaz
de matar, morrer e roubar pelo seu
senhor. Ou seja, 6 um sujeito sem
car~ter. Citas Deus e dizes que tens
um compromisso religioso de lealda-
de com teus amigos. O que me leva a
pensar que o Strgio pode nio estar
entire eles, como afirmas, ou entio te
distraiste, o que me coloca na posi-
Cgo daqueles teus amigos que nio fi-
cam em silbncio diante de teus erros.
Veja que se a algubm que nem co-
nheces permits que chame de lacaio
a uma pessoa com quem convives,
entio como podes afirmar que ngo
queres transformar o Jornal Pessoal
em biombo de acusaqdes pessoais? E
isso depois do Cbssio ter feito uma
mechnica comparaqio entire ti o
Paraense, onde se ressalta justamen-
te a tua independ~ncia. Isso soa ou
nao cabotino?
Dies o 6bvio quando afirmas
que o Palmquist tem espago para se
defender, sobretudo porque nho po-
des nivelar o jornalismo que preten-
des fazer com o que se pratica na
grande imprensa da Amaz~nia. Tam-
bem 6 6bvio que o SBrgio tem que se
defender, se foi atacado, mas quere-
res me convencer de que um lacaio
possa ter virtudes pessoais, ai jB vai
muito long e to conheces muito bem
os lacaios para saber que esse adjeti-
vo atinge o ser do humane e macula
a honra da pessoa... A political edito-
rial do Jornal Pessoal de nio sub-
meter os textos a terceiros C corretis-
sima Ngo posso admitir, como lei-
tor, 6que isso sirva de habeas corpus
preventive para permitir agressdes
pessoais como a que foi feita contra
o S~rgio, com a justificativa de que
ele tem garantido o espago para se de-
fender, numa edigio posterior ali-
s,~ nisso nio inovas muito em rela-
gio a grande imprensa. Lembro-te
que as cartas de fato sho dirigidas a
ti, mas quando as publicas elas se tor-
nam comuns e com grande repercus-
sio na vida das pessoas...
Diante disso afrase "deixa o Ser-
gio se defender" me soa como de uma
insensibilidade terrivel e evidencia
que nio tens o Sergio como amigo e
nem pretendes mantC-lo nas tuas re-
laqdes. Citas o ano passado, em bus-













Imposto -
Em janeiro de 1999 o
Pardi era o 15"Estado
brasileiro em
arrecadagdo de ICMS.
Em agosto deste ano
subiu para 14". Mesmo
tendo avangado,
entretanto, a taxa de
incremento da receita
arrefeceu: entire 1999
e 2000, a variagio
para mais foi de
31, 11 %, a sexta melhor
do pais. Entre janeiro
e agosto deste ano a
taxa foi de apenas
22%, ficando em 92
lugar. A melhor foi do
Acre, de 32,28%, vindo
a seguir o Espirito
Santo (que tem um
peril econdmico
assemelhado ao
nosso), comn 32, 17%, a
Paraiba (30,46%) eo
Maranhd'o (27,52%).
No Norte, o Amazonas
(23, 72%) e Roraima
(22,21%) .
apresentaram
desempenho melhor,
sem falar no Tocantins
(24,80%), integrante
da Amazdnia Legal.
Em terms absolutes,
Amazonas e Mato
Grosso superam o
Parai em ICMS, mesmo
tendo populagdes
muito inferiores,
Nado estamos trdo bem
na foto como pensamos.

Talerito
Jcindo estdina hora de
o eleitorado escolher
um governador com
filhos que ainda n~o
estejam na idade de
exibir seus talents para
agir a sombra? Pode
sair mais em conta.


Jomnal Pessoail
Edito ILuci~n~ Rhi Pni- Fons~: topil 241 728 Conial. Iv Benpnrun Constant 8452(07660 91-040. Innl loa~rnai~man com r Produ e. Angear P~nlo EdlCo de ALrt. Luzarlomladelbanpint


O Liberal tirou uma edi~go especial de 82
piginas no feriado de 15 de novembro para as-
sinalar seus 55 anos de vida. A parte propria-
mente comemorativa ocupou 24 psginas em
dois cadernos. Talvez tenha sido uma das me-
nores ediq8es de aniversairio em muitos anos.
Nem assim o journal perdeu a pose: anunciando
em primeira psigina "uma hist6ria de sucesso",
garante um, com base no Ibope, ser lido por
"uma media diaria de 600,mil leitores". Seri?
Costuma-se calcular que um exemplar de
journal 6 lido, em m~dia, por cinco pessoas.
Nesse caso, a tiragem m~dia dilria de O Li-
beral seria de 120 mil exemplares, equiva-
lente a do Jornal ~do Brasil, do Rio de Janei-
ro. Na verdade, o journal jamais chegou a esse
patamar em 6poca alguma da sua hist6ria.
Chegou at6 a anunciar a faganha em uns pou-
cos domingos, anos atris, mas a marca deve
ter gravitado em torno de 100 mil exempla-
res (ndo de venda, mas de tiragem, inchada
pela circunstincia de a empresa nio aceitar
sobras de jornaleiros).
Aos domingos, a tiragem esteve entire 60 e
65 mil exemplares. O Liberal esta naquele tipo
padrio de journal, que tira no domingo o dobro
ou um pouco menos do dobro da tiragem mC-
dia nos demais dias da semana, que fica entire
35 e 40 mil exemplares. Logo, para ter 600
mil leitores, cada exemplar de O Liberal teria
que ser lido por 12 pessoas, uma situaqio in-
teiramente atipica em terms mundiais. Como
90% da tiragem fica na regido metropolitan
de Be-
I 6m .-
signifi- LLILrnrrl
caria -
que um
em cada ~,~
tres habi-
tantes da i= CL
grande Be- ~="~
16ml~afolha\ // !lt~
da familiar ..--
Maiorana, F
nessa relagio -
incluidas cri- ~S~----"
angas, analfa- rU5
betos, pesso-
as sem o me-
nor poder .-- ***
aquisitivo, in-j "I**-- -- -
vailidos, etc.


Talvez embalado por essa "histbria de su-
cesso", o principal executive da empresa,
Romulo Maiorana Jiinior assinou um edito-
rial hiperb61ico sob seu retrato, em forma
de broche, ainda na primeira pigina do jor-
nal. Com lucidez, admite, pouco modesto,
que "de nada adiantaria o verniz tecnol6gi-
co de que se reveste todo o processamento
industrial do journal, pouco efeito o visual
refinado, nenhuma conseqilincia, enfim, te-
ria qualquer procedimento", se o journal, "em
algum memento, se mostrasse rompido com
seus objetivos maiores: de bem informar, de
ser plural, de ser present, de jamais duvi-
dar quando as circunstlncias o obrigam a se
posicionar claramente, mesmo que disso
decorram incompreensaes e, nio raro, criti-
cas desprovidas de qualquer sentido".
Como proposta, trata-se de uma bela de-
claraqio de intenq6es. Mas nlo serve como re-
trato de O Liberal, que tem sido exatamente o
oposto. Para chegar a essa constata~go basta
colocar uma interrogag~io em cada parte da ora-
Cgo, E~ mesmo objetivo de O Liberal bem in-
formar? Suas paginas revelam-no como um
6rgio plural, abrigando e respeitando virias
opiniaes, representatives do espectro social?
Suas posiqaes editorials sio claras, nio depen-
dendo dos seus interesses comerciais e de vB-
rias outras interfer~ncias, nada jornalisticas?
Ele realmente se submete aos fats? Divulga
tudo o que de relevant acontece na sua grea
de co ertura, sem sonegar ou manipular in-
for-

LIPZRRc ~~~esma-

Cllllt~rllhj ul gar
pelas in-
formaq6es
--riu y~ que presta
("ao publico
sobre indices

palavras junta-
das sob a assi-
C ~~/ naturala de R6-d etra
mulo Maiorana
r7F ~ ~ Jun ior ou s ho
ditas em' tese ou
-- s e sttio tratan do
I de outro journal.
/ Infelizmente.


Qualjor nal?