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A proporGy Ao torta Os poli'ticos do Nonte sido os mais corrupts? O Sul responded cada ve~z mais afirmativamente. E responsabiliza o desequili'brio do sistema poli'tico representation como a causa 1 dos escd ndalos que se repetem no pais. T~m a guma razdob na queixa, mas pouca no diagndstico . Se a iddia prevalece, c' porque -i~ discute-se pouco o problema . dbnia, em plena via publica de Porto Velho, a capital do Estado, domicilio eleitoral- de ambos os politicos. Enredo da Chicago dos gangesters nos anos da depressio americana transferido para a fronteira amazi~nica de "laranjas" e "la- vadores" de dinheiro sujo. Na transi~go milenar, uma d6cada de- pois do furacio rondoniense, a nova im- plosio de credibilidade da political ocorre na chamada Cimara Alta, com uma am- plitude geogr~ifica maior, que, dependen- do da seqilbncia dos fats, pode se estrei- tar mais uma vez no rumo do "sertio" amaz6nico. Em process de autolimpeza moral, o Senado defenestrou de suas ca- deiras quatro congressistas de tras Esta- dos da federaqio: dois do Distrito Fede- ral (Luiz Estevio e Jos6 Roberto Arru- da), um da Bahia (Antinio Carlos Maga- ) ~1R~I~ frido pelo parlamento brasileiro adveio da.descoberta de que o Ndeputado federal Jabes Rabelo, de Rond~nia, estava ligado ao tri~fico in- ternacional de drogas, que, por sua vez, podia ser o responsivel pelo assassinate do senador Olavo Pires, atingido por ti- ros de metralhadora quando participava de um comicio para o governor de Ron- 2 JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE OUTUBRO/2001 Configurado esse cendr~io, certamente surgirio pedidos de revisilo do sistema fe- derativo brasileiro, talvez com uma infa- se semelhante g da campanha por mudan- ga que eclodiu nos Estados Unidos depois do embaragoso impasse em torno da con- tagem de votos para a presid~ncia da Re- puiblica, decidida entire ddvidas e confu- sho rudimentares, como se estivesse em causa n~io a mais poderosa naqio do pla- neta, mas a Buscape de Al Capp. Com 8% da populagio do pais, a re- giko Norte, de alguma maneira o v~rtice das duas grandes crises de credibilidade da representa~go political national, ocupa quase 15% das 513 cadeiras da Cimara dos Deputados, praticamente o dobro da sua grandeza demografica. Teoricamen- te, os deputados federals sho eleitos pelo sistema proporcional, que da aos Estados uma bancada de acordo com sua popula- gio. Por esse critbrio, Sio Paulo, que conta com 22% da popula~go do pais, deveria ter direito a 113 deputados federals, en- quanto Roraima, comn 0,16% da popula- 950 brasileira, teria que se contentar com um u~nico deputado. Mas a bancada paulista 6 de 70 depu- tados, o mbximo legal, e a de Roraima soma 8 deputados, o tamanho minimo de uma representagio political estadual. O deputado menos votado nas Altimas elei- 95es para a Cimnara Federal foi Joio Tota, do PPB do Acre, que teve apenas 5.477 votos correspondente a uma votagio mediocre at6 para a cbmara municipal paulistana). O deputado eleito menos vo- tado em Slo Paulo foi Neuton Lima, do PFL, com 37.604 votos (sete vezes mais do que a do seu afortunado colega), o equi- valente a pouco menos da metade dos 80 mil votos somados Ile todos os oito depu- tados da bancada acreana. Dos oito Estados da Amaz~nia Legal (classificaq~io adotada para efeito de incen- tivos fiscais ao desenvolvimento), apenas um, o controvertido Parb, nio se beneficia da condescend~ncia legal ao minimo, ado- tada em contraposi~go ao o sistema de ri- gorosa representaio aritm~tica. Comnseus 6 milh~es de habitantes (6 o nono em po- pulagio do pais), o Pardi tem mesmo direi- to aos seus 17 deputados federals, sem pa- ternalismo politico. Mas todos os demais Estados amaz~nicos s6 garantem seus 8 deputados gragas a esse crit~rio politico. Norte e Nordeste, as duas regimes mais pobres do pais, com quase 35% da popu- lagio brasileira, ficam com pouco mais da metade das cadeiras da Camara dos lhies) e um do Pard (Jader Barbalho), o li1timo deles quando exercia a presid~n- cia da casa e o anterior pouco depois de deixar esse cargo. O desvio de fungi~o na political seria, ent~io, um fendmeno national desta vez, nio um quisto localizado em paragem mais remota do pais, malmente alcanga- da pelo verniz da modernizaqio e da civi- lidade emanado de seu centro irradiador, embora diga algupna coisa tamb~m sobre a anomalia representada pela localizaqio da capital federal num ponto ermo do pais. Mas so por enquanto. Hg uma perspecti- va de que os dois abalos se liguem pelo conduto amaz6nico. O primeiro sintoma patol6gico 6 a interruppio do process su- cess6rio: ao contrdrio dos tr~s primeiros casos traum~iticos, o suplente do ex-sena- dor Jader Barbalho, do PMDB do Park, nio subiu automaticamente para ocupar- lhe o lugar em Brasilia. O successor e o pr6prio pai do ante- cessor, o velho politico (de dimensio meramente paroquial) La~rcio Barba- lho. O fator de impedimento, contudo, nio 6 o lago de consangoiinidade. ACM deu a vez ao pr6prio filho sem qualquer constrangimento, como se seu cargo fosse realmente heredit~rio. A idade (83 anos), agravada pela sadide precsria, do Barbalho pai poderia n~io ser um fator realmente impeditivo. Durante certo tempo especulou-se em Bel~m que o ex- governador se licenciaria por um breve period apenas para ver o genitor como senador, homenageando-o ainda em vida com o maior cargo de sua carreira political, alcangada por in~rcia, simples- mente por figurer na supl~ncia do filho, sem precisar ser votado. Na 6poca, essa hip6tese estava condi- cionada a questionamentos do ponto de vista moral ou 6tico, mas era absolutamen- te legal. Permanece sendo legal, mas o peso dos dois elements, valorativo e sub- jetivo, a inviabilizou. O pai poderia rece- ber por gravidade a lama atirada com sel- vageria incomum sobre o filho. Pruden- temente, La~rcio Bairbalho teve que de- clinar da honraria. Ela pode acabar so- brando para Fernando Ribeiro, o segun- do suplente, que foi secretario particular de Jader no primeiro dos seus dois man- datos como governador do Park, al~m de deputado estadual pelo PMDB. Se responder a convocaqio da mesa do Senado, Fernando saber que em seu curto mandate (de menos de um ano e meio) sofrerid as conseqii~ncias do des- gaste do titular. Certamente haveri~ quem venha a sugerir a abertura de process tambem contra o novo senador, que aca- ba de ser denunciado pelo Minist~rio Pu- blico do Para como um dos supostos be- neficidrios do desvio de recursos do Ban- co do Estado, uma das causes dos pro- cessos contra Jader. Os fats suscitados sio de 1984-85, mas esse tipo de detalhe ja nio importa. Se 6 que importou no cursor da ofensiva contra o governador acusado de enriquecer ilicitamente, a custa do erario estadual. Caso a novela Barbalho se estenda ao novo capitulo Ribeiro, dois dos tr~s sena- dores do Pard estario na mira dos raios moralizadores da casa. E que voltou a ter cursor o process contra Luiz Otavio Cam- pos, que vagou sem partido por muitos meses at6 retornar ao PPB de origem. Iro- nicamente, foi tamb~m uma histbria es- cusa envolvendo Campos que o levou & prison, embora apenas por algumas ho- ras, quando Jader govemnava o Pard pela segunda vez. O enredo tamb~m se relaci- onava ao desvio da.finalidade declarada de dinheiro puiblico. No Senado, a verba em causa 6 fede- ral. No episddio de 10 anos atris, era re- curso estadual. A materialidade dos fats ficou demonstrada nos dois mementos, mas o acusado atribuiu sua situaCqio a per- seguigoq political, favorecendo-se de uma certa trucul~ncia no epis6dio mais antigo e de um ~inimo mais enfitico da colega que pugna por sua cassagio, a senadora Heloisa Helena, do PT de Alagoas, no caso mais recent. Se processes contra Fernando Ribeiro e Luiz Otivio Campos vierem mesmo a ser instaurados no Congresso, o Pard terd muito a lamentar da excepcional notorie- dade national e at6 mesmo internacio- nal alcangada agora por seus represen- tantes politicos, normalmente abuilicos e opacos na corte brasiliense. Foi paraense o primeiro president a renunciar ao car- go em toda a hist6ria senatorial brasilei- ra, sem ter conseguido, de fato, se aco- modar na honrosa poltrona para coman- dar a Cimara Alta nos seis meses em que era seu chefe em tese. E o Pard poderd ser o primeiro Estado da federag~o a ficar com uma das suas tr~s cadeiras vaga at6 o en- cerramento da legislature, caso o proces- so sucess6rio de Jader Barbalho nlo se defina nos pr6ximos dias, antes do prazo de 15 meses do fimn do mandate, quando nenhum novo senador poderi ser eleito para conclui-lo. JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO/2001 3 Deputados. Teoricamente, por isso, se pudessem vir asomar suas forgas em tor- no de uma causa comum (o que at6 agora imporiam sua vontade. Fariam isso mesmo que nio pudessem contar com a solidariedade do Centro- Oeste e suas 33 cadeiras (Goids, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, com uma renda per edpita ji superior B do Sudeste, numa faixa de transi~go geopolitica ain- da imperceptivel e indefinida, constituem, alids, um buraco negro no entendimento e na identidade national). O Centro-Oes- te est8 cada vez mais pr6ximo da face B61gica do Brasil e mais dissociado do lado India desse pais de contrastes bru- tais, a Belindia criada pelo economist "belga" Edmar Bacha. Esses fats e n~imeros convergem para justapor as quest~es national e regional e contrapor political e economic, capacidade de mandar e poder efetivo de mando, po- der nominal e poder real, sistema de repre- sentagio proporcional e intervencionismo politico, difusio de poder e centralizaso, democracia e ditadura. Temas que estio subjacentes a esses enredos primariamen- te tortos, aparentemente laterals, mas de- les derivam e a eles dio a dimension mais profunda do que a cr~nica dos faits-divers e do varejo 6 capaz de sugerir. A visio dominant, porque estabele- cida a partir do centro hegem~nico naci- onal, 6 de que a preponderincia das Areas atrasadas do pais impede ou atravanca a march da sua evolugho political. Reduto de coron~is truculentos ou pirates rudi- mentares dos cofres pdiblicos, o Norte (nesse conceito homogeneizador caben- do o Norte propriamente dito e o Nordes- te) 6 um peso e uma fonte de atraso para o Sul Maravilha. Se esse favorecimento politico, que di als regimes mais pobre do Brasil (pobres nes- sa perspective geogrifica) um peso politico superior ao da sua equivaltncia demogrifi- ca, prejudicando a representatividade poli- tica da Nap~o, nio tem sido bastante para diminuir a distincia que separa o convenci- onado Norte do Sul em matbria de condi- 95es devida, ofosso n~oestaria muito mai- or sem essa possibilidade de compensag~io political? Mesmo que ela tenha pouca eficb- cia, o fato de existir esse mecanismo e ele poder ser acionado nio pondera um pouco a hegemonia efetiva do Sul? Perguntas a responder. Com coragem e urg~ncia. Se o ex-senador Jader Barbalho acredita- va que sair da cena national seria o suficien- te para poder trabalhat com tranqiiilidade no seu reduto estadual para voltar a disputar um cargo politico, a a~go civil pdiblica ajuizada na semana passada pelo Ministerio P6blico do Pard indica que ele nio teri~ o beneficio da tregua. Muito pelo contrario: despido de sua imunidade parlamentar, vai estar sujeito a todo tipo de injungio que a justiga e o apa- relho do Estado podem proporcionar. Inclu- sive, numa hip6tese extrema, um pedido de prisio e sua determinaqio judicial. O MP paraense ainda nio solicitou tal coi- sa, mas a a~go que prop6s no dia 16 6 dura. Os promotores Agar Jurema, Jolo Gualberto Sil- va e Hamilton Salame querem o bloqueio dos bens do ex-presidente do Senado e de mais 12 pessoas com ele denunciadas, acusadas de se beneficiary ilicitamente de recursos desviados dos cofres do Banco do Estado do Para. Todas essas pessoas, incluindo o suplente do sena- dor, Fernando Ribeiro, e at6 o journal dele, o Diairio do Fara, teriam seus sigilos bancairio e fiscal quebrados. Se condenados, teriam que devolver ao Banpara 5,5 milh~es de reais, de- rivados da utiliza~go de 21 cheques adminis- trativos emitidos fraudulentamente ao long de 10 meses, entire 1984 e 1985, quando Jader ocupou pela primeira vez o cargo de governa- dor do Estado, altm do prejuizo decorrente desses atos soffido pelo banco, com todas as cominaq8es previstas legalmnente. . A fundamenta~go da a~go esta contida nas 3.717 piginas de 13 volumes de documents juntados pelos trbs promotores pdiblicos, ori- gindrios das inspeC6es realizadas pelo Banco Central nas contas do Banpard e correlatas. Apesar desse fantastico reforgo de pa- pel, nlo parece muito provivel, diante do tempo decorrido desde a propositura da a~go, que a juiza conceda a media limi- nar requerida pelos representantes do MP. Com a instru~go do process, talvez se torne possivel a um observador indepen- dente ter finalmente acesso a toda essa ma- Faroca, que ora tem servido a um prop6- sito ora a outro, em histbrias tio turvas na interpreta~go dos fats quanto os pr6- prios fats que lhes deram ensejo. Sendo publica a a~go, os autos estario acessiveis aos que dispuserem de engenho e arte, altm de tempo, para a prova dos nove des- se episodio cabuloso. Ele se desdobra em tris vertentes. Uma, 6 a da culpa do ex-governador e dos que teriam participado da trama para desviar dinheiro dos cofres do Banparai para suas contas particula- res, enriquecendo ilicitamente, uma hist6ria que, ao menos aos paraenses, interessa ver es- clarecida definitivamente. A outra, que admi- te essa culpa, sem, porem, hav&-la demonstra- do, inclui a conivencia ou omissio de tercei- ros, inclusive dos que, com pouca eficicia ou tardiamente, agora de investem nos papeis de justiceiros, como o Banco Central e o pri~prio Minist~rio Publico do Estado, depois de terem favorecido as irregularidades por omissio ou ato. E a terceira, que herda todos esses ingre- dientes e lhes acrescenta um element novo: a ofensiva para derrubar Jader Barbalho da pre- sid~ncia do Senado e do mandate de senador, independentemente de suas culpas passadas, ngo exatamente pelo que jai havia feito, mas, sobretudo, pelo que ainda poderia vir a fazer. Sem que esses mocinhos queiram ver revela- da a trama verdadeira dos seus interesses, O ex-senador diz que os tris promotores podem estar simplesmente fazendo o jogo do governador Almir Gabriel, atravbs do secre- ti~rio especial Manoel Santino Nascimento, ex-chefe do MP estadual e ainda muito influ- ente na institui~go. Alguns trechos da peti- Cgo inicial poderiam servir de prova para a tese de Jader. Hg um certo tom emotional na petigio inicial, com,o quando promete reti- rar o "caso Banpard" da "extensa lista de im- punidades que martiriza, desestimula e tira as esperangas do cidadio brasileiro". Um assunto t~io tumultuado pelas paix~es a manipulaqdes devia chegar a instincia ju- dicial com uma linguagem rigorosamente t~c- nica para que o process transcorra sem as mesmas ingerancias, que s6, t~m prejudicado a definiCio da verdade (ou das verdades). Um tom al~m das provas juntadas pode servir B future campanha eleitoral. Ainda assim, con- tudo, a a~go tem o merito indiscutivel de im- pedir que uma questio dessa gravidade vies- se a ter o destiny que, ate recentemente, o pr6~- prio MP queria para ela: o arquivo morto. Como hg por elucidar fats que sangraram o er~rio, e sangue financeiro derramado, al~m de gente muito viva transitando com desen- voltura no palco dos acontecimentos, esse se- ria um fim nada merecido para essa novela. Um fim de moral negative, que cumpre, en- quanto e tempo, corrigir. O caso Banpara chegaa g ustiga 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/2001 0 vice sai na frente. Sai com quem? abuses e da insensibilidade do governor fe- deral em relagio aos interesses do Pard~. Quem gravou a fita do program do PTB para ush-la de imediato ou durante a fase ofi- cial da campanha eleitoral, nio encontrarii na apresentagio de Hildegardo uma razio obje- tiva para aplicar nele as tarjas que serviram para tirar Helio Jr. definitivamente da politi- ca. Mas se as palavras pronunciadas diante da televislo parecem ter sido pesadas e me- didas para evitar servir de pretexto para o contra-ataque do governador, o press-relea- se distribuido simultaneamente foi redigido com o prop6sito de induzir a imprensa a in- terpretar da manifestagio do vice um claro rompimento com Almir Gabriel, tomando o que ele nio disse pelo que quis dizer. Ngo podendo ser o candidate de primeira hora do governador e sujeitando-se a um ris- co demasiadamente alto para set a oppgo de 61tima hora. Hildegardo Nunes coloca o blo- co na rua para tentar assumir o estandarte da alternative entire o situacionismo almirista por mais quatro anos e o retorno as origens do ja- derismo, ja sem vez no cendrio national. Ou seja: quer incorporar a insia paraense de re- nova~go, por um novo caminho entire o cen- tralismo fechado e autoritario do governador, ao mesmo tempo submisso a Brasilia, e os velhos costumes pessedistas (e baratis- tas), que se prolongaram em Ja- der Barbalho, determinando a estagnaqio do Estado. Conseguiri o joyem vice-go- vernador essa proeza? Se a elei- Fgo fosse hoje, ele nio seria pa- reo para Jader, a vice-prefeita Ana Julia Carepa, do PT, ou o se- nador Ademir Andrade, do PSB. Seu nome s6 penetrou at6 agora nas camadas mais altas da popu- la~go, permanecendo como um ilustre desconhecido para a mas- sa. Se Jatene e um complete ne- 6fito em disputes eleitorais, o unico antecedente de Hildegar- do nio represent muita vanta- gem: ele ngo conseguiu se ele- ger deputado estadual na xinica elei~go de que participou. A imagem do vice 6 boa, nilo hB element algum conhecido que possa desabonar seu curri- culo e ele e tio aplicado Bs li- Ningu~m precisa ser profeta para prever que a campanha eleitoral do pr6ximo ano vai ser agressiva, talvez at6 violent, e muito cara. Ao contrdrio de muitas outras eleig8es, en- tretanto, esta pode nio ficar bipolarizada en- tre governor e oposi~go, um representante do bem de um lado e outro suposto representan- te do mal de outro, o mocinho e o bandido, a criatura e o criador. Talvez tenha sido com o prop6sito de criar um terceiro eixo (ou via, como preferem os europeus) que o vice-go- vernador Hildegardo Nunes se antecipou e assumiu publicamente a sua candidatura, cri- ando com isso um fato novo, o de maior re- percussio ate agora. O mais contrariado comn essa iniciativa foi justamente o governador Almir Gabriel. Ele esperava ter a seu favor os meses em banho- maria da campanha at6 abril, quando os pre- tendentes ao seu cargo terio que ser oficiali- zados. Nesse period, o ex-senador Jader Barbalho estaria encolhido, tentando sair do foco das aten95es para curar algumas chagas ainda abertas e nlo expor outras, e o PT conti- nuaria sem um nome de forte apelo eleito- ral e capacidade de unir as muitas tendtnci- as oposicionistas ou de esquerda. Nesse vB- cuo, a miquina official seria usada para co- locar a alternative preferida do governador, seu secret~rio especial, Sim~o Jatene, numa posi~go decent nas pesquisas de opinion. Comn o que poderia ser referendado candi- dato official da situagno. Aparecendo na televisio, circulando pelo interior do Estado, referendando aconteci- mentos de repercussio popular e sendo in- termediario de reivindicaqdes, Jatene pode- ria sair do trago para dois digitos nas sonda- gens preliminares, aproveitando-se da inbr- cia dos adversirios, que nio teriam atras de si um empurrador tio poderoso quanto a es- trutura governmental. Se, numa hip6tese que s6 nio e exatamente remota por causa do peso do nome do secretario de produ~go, Jatene nio vingasse, Almir Gabriel podia, a contra- gosto, recorrer aos dois oferecidos para a dispute, o vice-governador e o prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, ou a regras tres do PSDB, como os secretarios Nilson Pinto de Oliveira e Sergio Leio. Para Hildegardo, o console e fraco de- mais. Mesmo sendo o nome com maior po. tencial de crescimento, ele e do PTB e dei- xou de fazer parte do circulo intimo do go- vernador, se e que alguma vez chegou tio pr6ximo de Almir Gabriel. Cometeu a here- sia de nlo esperar pela voz de comando do chefe, que, quando fala para baixo, nio ad- mite nada altm da cega obediencia. Se es- perasse pela frustraqio das expectativas em Jatene at6 abril, ao fim de todos os esforgos para viabilizar sua candidatura, Hildegardo podia deixar passar o cavalo selado que esti trotando B sua frente. Decidiu sair logo, for- gando o governador a refazer a estrattgia montada para controlar completamente o process sucessbrio. O que o vice fez no hordirio da propagan- da do PTB, na semana passada, foi romper quaisquer compromissos com seu superior, exceto, como destacou, os da "governabili- dade". Com frieza e sagacidade, tomou to- dos os cuidados para nio se expor ao risco de se tomnar um novo Helio Gueiros Jr., o de- sastrado vice do primeiro mandate de Almir Gabriel, que acabou sendo isolado com a imagem de desleal e traidor. O pronunciamen- to de Hildegardo foi ponderado e calmno. A rigor, suas critics foram sempre indiretas a Almir Gabriel, usando por tabela o presiden- te Fernando Henrique Cardoso e a passivi- dade da administra~go estadual diante dos JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE OUTUBRO/2001 5 D1 W g g pli ga I II I 95es que toma quanto o ex-governador Aloy- sio Chaves, com um perfil algo parecido, embora muitos anos mais velho. Sai de uma conversa sobre determinado tema como um expert no que acabou de ouvir pela primeira vez. Mas tem trbs problems a enfrentar. . O primeiro e a equipe de governor, ji toda mobilizada pessoalmente pelo governador (embora muites de seus membros a contra- gosto) em favor de Jatene. A figure pilbli- ca e privada de Hildegardo vai comegar a sofrer tiroteio assumido ou disfargado, dire- to e indireto. Ele comegardi a ser pintado como oportunista, que se aproveitou das vantagens da vice-governadoria para beneficio politico ou pessoal, ou como desleal, que refez o dis- curso da vtspera para se passar como pala- dino de causes justas, assumindo um papel que nio lhe cabe. Tambem perder8 todos os trunfos proporcionados pelo cargo. O segundo problema 6 o pai, o ex-gover- nador Alacid Nunes, um bom alvo para ata- ques provenientes da direita, da esquerda e do centro, por tantos pontos controversos de sua carreira political que podem ser utiliza- dos contra o filho. Prevenido, por~m, Hilde- gardo fez questio de enfatizar as diferengas political e conceituais que o separam do pai, sem deixar de acrescentar que essas diferen- gas nlo afetam o bom relacionamento pesso- al de ambos. Ou seja: 6 um bom filho, sem ser submisso, assim como 6 um bom vice, sem ser "pau-mandado" do governador, que os tem aos montes na sua corte. Ou s6 tem. O terceiro problema 6 o financiamento da campanha. E evidence que a condi~go para tornar leve o nome de Simio Jatene (que, alem de tudo, nio fotografa bem) 6 dar-lhe uma campanha de estrela, com tudo o que o marketing puder fazer por ele. Num Estado com o tamanho do Para, a equaqio do suces- so depend do element principal: a capaci- dade de destocamento do candidate. Mas nio s6 para que ele possa percorrer os 143 muni- cipios espalhados em 1,2 milhio de quil6- metros quadrados; e tambem para que nio chegue ao interior de mios abanando. E pre- ciso levar consigo gente que decide, obras e dinheiro, muito dinheiro. O veiculo do vice pode competir com essa supermaquina? Sgo elements a ponderar com realismo, criatividade e competencia. Terd havido na cabega de Hildegardo essa ponderaqio antes da conclusio de enfrentar a ira do chefe? Muita gente estA imaginando que tudo nio passa de um blefe e que, na hora certa, o vice chegara a uma composigio, voltando a se colocar sob a lideranga do governador em troca de compensaq8es. Essa possibilidade, entretanto, ja parece superada e nio ape- nas pelo clima pesado entire os dois ocupan- tes do assim chamado Palacio dos Despachos- Se fosse essa a intengio de Hildegardo, ele nio precisaria montar nenhum teatro para alcangar o que pretendia. Bastaria continu- O prefeito Edmilson Rodrigues usou o excepcional espago que lhe foi concedido no program Bomn dra, Parai, da TV Libe- ral, nas vtsperas do Cirio, para foguetear as obras que iria inaugurar antes da passa- gem da fenomenal massa de romeiros atri~s da berlinda de Nossa Senhora de Nazar6, um dos maiores auditbrios do mundo. Como. nso propriamente por acaso, a pre- feitura havia presenteado os veiculos das Organizaqbes Romulo Mariorana com gene- rosa publicidade official, a entrevistadora do alcaide deve ter-se inibido de fazer as ob- servaq~es pertnentes as declaraq8es do en- trevistado, deixando-o expandir-se em seu eterno discurso de palanque, no estilo que mais o agrada: o moncilogo. Em outras circunstincias, a entrovista- dora poderia perguntar: por que inaugurar uma o~bra ainda inconclusa, como o Elea- do Paulo Foneseles, partede uma obra mais geral, a complex viario da Bandeira Bran- ca (indevidamente batizado de Carlos Ma- righella), sobre cuja realiza~go ninguem pode adiantar nada a serio neste memento? A situacgo criada por esse agodamento 6 surrealista: festa num dia; no dia seguinte, volta a obra a sua realidade, de trabalho em andamento; pol~mico andamento, aliis. Na segunda visit que fiz a Santos, 32 anos atras, chamou-me a atenCio um via- duto (viaduto mesmo, nio aponas eleva- do) a margem da estrada de acesso g capi- tal da baixada santista. Ngo havia estrada alguma de contato com a obra de arte, ina- cessivel, como se fora um monument ao irracional. No caso, so cinisnio obreirista de Adhemar de Barros. O elevado do pre feito de Be~m nia che- ga a tanto. A\ parte essa sofreguid~io pub~li- citbria e esse aproveitamento descarada- mente eleitoreiro, que insulta a intelig~ncia dos municipes, o que impression c a pou- ca utilidade arual da obra e sua quase: ne- nhuma seri entia no future. A~o obsers ar o elevado, ningu~m precisa de olho clinico para concluir que em pouce tempo o fluxo de veiculos provocarit congestionamento tanto na entrada quanto na said da via, que ocupa uma das pistas de uma avenida que, mesmo com todas as quatro faixas, dio dB conta do recado, para cujo desafogo, ali~s, viria o tal elevado, que, assim, se anula pela ma concepc;io de origem. As razes do sucesso serso tambtm as do fracasso do ele\ ado: se ele atrair a op- C-jo dos motorists, deiuara de ser uma al- ternativa para o cruzamento de duas das principals art~rias da cidade. Justamente porque nio dard conta do fluxo da Doutor Freitas e sobrecarregara a Almirante Bar- toso. Teremos ent~o mais engarrafamen- to, inclusive no alto da obra, de bitola es- treita e curva fechada, um fator de redu- gio de valocidade e de elevagio do risco de acidente para motorists mais impetuo- sos ou desatentos. Estas objeq6es, feitas com os melhores proposiros, soj tem razio de ier porque a realidade teima em nio se encaixar no dis- curso do alcaide. Ele diz uma coisa. Os fa- tos sho outra coisa. o candidate da Uniso Pelo Pard. Em tese, Hil- degardo podia ser esse nome. Na pr~itica, essa hip6tese ficava cada vez mais long da reali- dade na media em que Almir Gabriel cumu- lava Simio Jatene dos afagos do poder. A partir de agora o caminho do vice-go- vernador vai estar cheio de buracos, arma- dilhas e desvios, um panorama diferente da pista reta e limpa que teve diante de si ate agora. O teste de consist~ncia da sua candi- datura esti apenas comegando e seu grau de resistincia e desconhecido. Como ainda 6 novo, Hildegardo pode tomar o insucesso como o prego a pagar para difundir seu nome e associd-lo a uma imagem positive para uma prbxima dispute eleitoral, que poder8 travar, j6 entio, como um ente aut6nomo e de perfil pr6prio. Plantar uma boa promes- sa ja terd sido um ato positive para um Es- tado que, acostumado apenas a frustraqdes, encara com desconflanga cada nova promes- sa, embora precise tanto dela para fazer o present e acreditar no future. ar a ilharga de Almir Gabriel, decorativa- mente brilhante como cendrio para acentu- ar a grandeza do chefe. Em ultimo caso, podia acabar saindo candidate g sucessio, ou substituir Gerson Peres como o nome da coligagrIo situacianista ao Senado ou, por fim, disputar uma vaga na Cimnara Federal. Ou mesmo ficar no lugar do governador, li- berando-o para disputar um lugar que seria quase certo para ele no Senado. Ora, se Almir Gabriel nio fez objetiva- mente essa proposta a seu companheiro de mandate, a tempo e a modo, e porque nio pensou nela. Formulada com clareza, na oca- siho devida, essa iniciativa teria afastado do entorno de ambos todos os elements que en- venenaram suas relaq6es, ou desfeito mate- rial para intrigas, que acabaram prosperan- do, e manteria intacta a coligagio vitoriosa em 1998. Ao inves disso, o governador dei- xou de aplicar na pritica as mensagens de estimulo que mandou ao vice para que conti- nuasse a trabalhar com a hip6tese de vir a ser (3 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/2001 se desajuste 6 n~io ter sabido dessa bri- lhante iniciativa da Coliumbia: agregar as 12 faixas editadas de Lady in Satin aque- las que ficaram de fora, mas tim uma grande importincia sentimental, est~tica e documental. Principalmente para os admiradores de Lady Day. Mas capaz de emocionar tam- b~m os que gostam de boa muisica. Ainda deve haver recalcitrantes g voz de Billie, em relagio a qual shio feitas restriC~es como as que tentam diminuir o valor do nosso Jolo Gilberto. Mas se 6 para con- ferir o titulo de int~rprete musical, nin- guem passa a frente dessa cantora negra americana. Dar-lhe o titulo quando na competigio, apenas dentro dos Estados Unidos, ha artists como Ella Fitzgerald, Bessie Smith, Sarah Vaughan, Nina Simo- ne, Etta James e um bocado de outras ne- gras estupendas (sem contar com brancas quase do mesmo padrio, embora as vezes sub-valorizadas, como Doris Day), dat uma id~ia do cr~dito de Billie. Ela incorporou B sua vida m~isicas que nio foram feitas para ela e tornou com- pletamente suas composiC~es que a to- maram como inspiraqio, identificando- se com as letras que cantava, projetando nelas suas buscas e car~ncias, usando-as para mandar recados ou, nem sempre com sucesso, receber o que tinha direi- to. O cancioneiro de Billie, que inclui tan- tos compositores americanos, 6 ela pr6- pria, tal a forga da sua interpretag~io Aini- ca. Todos os partners se tornaram panos de fundo ou coadjuvantes ao passarem a fazer parte de seu repertbrio. . Muitos acham que esse modo pecui- at de viver o enredo das m~isicas resulta- va da vida trigica de Billie. Certamente seu estado de espirito era fundamental para as sofridas interpretaqaes que fazia, mas hb um element de exagero e artifi- cialidade na saga que a pri~pria cantora imaginou e alguns dos seus amigos ou bi- 6grafos trataram de difundir. A arte da cantora era maior do que todas as suas cru- 6is adversidades, servindo de barreira de contengho ou plataforma para lan~g-la no plano superior da pura criaqio artistic, formada pela maestria da voz, num mun- do g parte e acima de tantas adversida- des, em boa media resultantes da pro~- ptia personalidade da artist. Os mais radicais f-as de Billie, aqueles que s6 conseguem ouvi-la na cercadura do mundo do jazz de raiz, na comunidade negra, costumam detestar esse Lady in Satin. De minha parte, sempre o conside- rei um Album irnico na carreira da canto- ra. Cheguei ao jazz a partir da muisica clas- sica, tendo como ponte de acesso compo- sitores e rmisicos como Dave Brubeck, Gerry Mulligan, Chet Baker e Stan Getz, ou conjuntos como Modern Jazz Quartet e Swingle Singers. S6 bastante depois pude apreciar jazzistas como Ornette Co- leman, Sonny Rollins, John Coltrane, Charlie Parker, Miles Davis, Thelonius Monk e tantos dos grandes nomes do jazz negro, quando os clissicos Count Ba- sie, Duke Ellington ou Louis Armstrong - ji haviam sido digeridos. Um dos primeiros discos que ouvi de Billie foi justamente Lady in Satin. Dois dos meus iniciadores no jazz, ambos ne- gros, viravam o rosto de nojo. Havia cordas demais nos arranjos, coisa aqu- carada de branco imposta a Billie pelo maestro Earl Ellis. Acontece que a ideia desse disco foi da pr6pria cantora, que teve o desejo de gravi-lo depois de ou- vir o primeiro trabalho de reg~ncia de Ellis transformado em disco, no qual os violinos estavam realmente uns pontos al~m do gosto certo. DI 18 Minha aten~go foi atraida para a pra- teleira de uma das lojas de livros e discos que percorro na condigio de jornaleiro, entregando minhas folhas impressas. Era a verso em CD de Lady in Satin, o 61ti- mo disco de Billie Holiday, de 1958, que tenho, guardado com o m~iximo carinho, na vers~io original, em bolacha preta, o LP (ou Long-Play). Como os tempos sto de vacas magras, n~io ia comprar, mesmo com a possibilidade de permuta. Ficaria para um memento mais favorivel. Mas, como acontece sempre que vejo algo de Lady Day, fui dar uma olhada. A nova gravaCio, de 1997, tinha as 12 fai- xas do original, sem novidade at6 ai. S6 que o CD trazia de acr~scimo 20 minutes absolutamente novos, extraidos de grava- 95es que nio haviam sido usadas na pren- sagem de 1958. Eram ensaios ou verses nio aprovadas de I 'm afool to want you e The end of a love afahir. Nessas faixas, Billie interrompe a muisica, canta sem fun- do musical e conversa, enquanto Ray Ellis tamb~m interv~m ou comanda a partici- pa~go da orquestra, antes da mixagem da parte instrumental com a vocal. Uma emo- ~go inesperada, um memento maravilho- so para quem consider Billie Holiday a maior cantora de mdisica popular em to- dos os tempos e em todo o mundo. Confesso que meu vasto universe de vinis e as contingtncias financeiras nho me permitiram ser, no mundo dos CDs, o consumidor up-to-date que fui no perio- do tecnol6gico anterior. Por decorr~ncia dessa limita~go e tamb~m, em escala residual, por opgio prefiro voltar aos discos queridos do acervo ji formado a sair atr~is das novidades. O resultado des- O que se deseja. pessoas de bem, e claro e njio as 'pessimas elites', e o afjamsamnto definiiito da vida puibli- caB desses esperalh(es que se locuple- tam com os recursos da socledade em proteiro proprio e de seus apanigua- dos. O sr. Jader Barbalho deve enca- begar a lista. Ora. mas para que o ali- jamento se concrelize e precise ser mail inlimorato e menos escrupuloso. Ngo se tinge esse desiderado enquan- to se: distribuLr lisonjas ao Indigitado, mesmo que seja para fazer compara- cgo, ou para concluir algum trecho que se tenha inrciado negativamente. ou, alnda, por mera conslalagdo historica. No meu entendimento e: isso que abun- da nos dois tilumos mlimeros (268/9) do Jornal Pessoal. Tanto foi a pujan- Fa de um dos enc~mios que ele (Ja- der), ao ser informado do fato pelo en- trevistador de sua emissora de televi- slo (RBA), chegou a agradecer com o program no ar. Como sei que esse journal 6 um poderoso formador de opinion, fico apreensive que as mat6- rias ("O dia depois do fim" e "Jader Barbalho acabou?"), possam vir jun- tar-se B nota 'dos dons de hotel e motel' e servirem de mote para as fu- turas campanhas eleitorais (?) desse - para usar um termo de sua lavra, inigualavel fariseu. Rodolfo Lisboa Cerveira MINHA RESPOSTA Nada me farai dispensar meus es- crsipulos, os da conscilncia, os da verdade, os do respeito as pessoas, os do reconhecimento dos direitos dos meus adversairios, os da civili- A vo et Te n JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/2001 7 A um ano da morte, Billie queria se vestir de cetim, como diz o titulo do LP, e isforneceu-lhe a vestimenta, como se osevison puro, ainda assim com a fungio de destacar quem o vestia. Cordas e toda a orquestra, com bons muisicos, eram a orna- menta~gio para a verdadei- ra estrela, com sua voz rouca, fraca, mas modulando com sabedoria, su- bindo e des- cendo mo- vida pela alma, pela sensibilidade rara, trazendo das en- tranhas um som agreste e ao mesmo tempo sofisticado, dor e sublimaqio, amargura e leveza. O amigo Irwing Thownsend disse que esse foi o melhor disco que Billie gravou na sua vida. Na 6poca, o arranjador e condutor nio se deu conta do que ele e Billie haviam feito. Na apresentaCio que escreveu em 1997 para o CD, 40 anos depois, Ellis ja podia perceber que os solos de Lady Day vinham de um coraqio em lagrimas, a se despedir de tudo, que ja ent~io era pouco. Cordas e metals apenas ecoavam esse lamento, o "desabafo do coraqio" da maior de todas as damas da muisica po- pular. Ela se foi em 17 de julho de 1959, mas esse Lady in Satin, enriquecido na verso em CD, e o seu emocionado e emocionante testamento. Antes do co- lapso fisico final, Lady Day deu a sua forma ~imica de interpreter a dimensio que lhe era devida: a eterna. lizados, o que cria uma atmosfera agradi~vel,visualmente falando. Vale dizer, n6s nos sentimos com os othos leves em nio ver a rua tumultuada de penduricalhos os mais diversos. Como me parece que se pretend que a Bras de Aguiar seja um mode- lo de via puiblica, commercial ou nlo, por que nio se pensar tamb~m em retirar os flos e tornd-los subterri- neos, bem como deixar apenas um tipo de poste na rua (percebo que apareceram outros postes mais bai- xos no local) e, evidentemente, reti- rar as caixas de leitura de consume da Celpa? Parece-me que feito isso, ficariamos a contemplar apenas a beleza das mangueiras e os lumino- sos das lojas, estes, no limited das posturas municipals, bem colocados nas paredes externas. Alils, prestar-se-ia um serving e uma caridade para comn as manguei- ras: seriam evitadas as podas que mutilam as mangueiras e as deixam com o format de "V" para que se permit passar os fios por entire seus galhos. Complementando a suges- tio, que se estenda a id~ia de tornar subterrinea a flaqio em cada nova rua urbanizada (e tem-se urbaniza- do muitas) e instalada iluminaqio pliblica. Poderia at6 se fazer uma parceria entire a Celpa e a Prefeitu- ra, casando as contas ou se fazendo o acerto de contas entire os d6bitos da taxa de iluminaqio publica que, por ventura, a Celpa tenha para com a Prefeitura. Seria uma 6tima opor- tunidade de se pensar Bel~m com humanismo e urbanidade. Um abrago. Mauro O' de Almeida dade. Nem mesmo se, em alguns mo- mentos, meus artigos forem utiliza- dos contra o seu verdadeimo senti- do. Uma vez publicado, o que es- crevo passa a ser de dominio puibli- co, tantopara oentendimento quan- to para a incompreensdio, seja para servir a objetivos claros quanto a tditicas maliciosas. Lembro do olhar acusatdrio do atual prefeito Edmilson Rodrigues, na 4poca apenas professor, quan- do o governador Jader Barbalho (no exercicio do primeiro manda- to) se levantou da cabeceira da lon- ga mesa de reunid'o no gabinete do Palaicio Lauro Sodre, e distribuiu copia de um artigo que eu havia es- crito nesse mesmo dia em O Libe- ral, criticando certas posigdes do movimzento dos professors, que na- quele just dia triam estar reuni- dos com o governadb~r. Naquele memento, o artigo interessava ao governor. AlIguns meses depois meus artigos jd eram trio contrairios aos seus interesses que.;ne vi ameaga- do de morte por investor duramen- te contra Jader Barbalho, fazendo as primeiras denuincias de corrup- gdo contra ele. Portanto, ja tenho tempo de es- trada suficiente para ndio me surpre- ender em ser louvado num dia por aquele que me atacard furiosamen- te no dia seguinte. O que me previ- ne contra esses movimentos pendu- lares, que marcaram minhas rela- gdes com todos os poderosos neste Estado ao long de quase quatro dd- cadas, e a plena convicgdio de que meu raciocinio se orienta pelos fa- tos e pela busca da verdade. Mesmo quando erro, todo meu esforgo e no sentido de seguir essas diretrizes - e ndio de averiguar a quem eventu- almente estarei beneficiando ou pre- judicando, quem poderai me usar e quem poderdi se enraivecer comigo. Se Jader Barbalho ainda encon- tra em meus artigos motivagdio sufi- ciente para me elogiar em puiblico, a despeito de tudo (o que ndio me causa nenhum constrangimento, antes pondera, no estrito limited pes- soal, o balango negative da atua- glio puiblica desse antigo compa- nheiro), o leitor anti-Jader (e ant- escrup~ulos) vai neles tambtm bus- car munigdo contra o mesmo Jader - e ati contra mim. Se querem uma metrjfora, la vai uma, glauberiana, qure muito me agrada: minha fungdio t colocar deus e o diabo na terra do sol, sem intermediairios, um diante do outro; eles, que scio os verdadeimos perso- nagens, que fagam a historia. Ou ndo a fagam. Mas deixem de se es- conder por trdis de santos, beatos, cangaceiros ou vaqueimos. A verda- de nos libertara. Na~o como um mana dos cgus. Como uma plant que semeamos, cultivamos, protege- mos e colhemos, ao Jim de um lon- go e meritbrio trabalho. Amtm. Na Br7 Prezado LMcio,Escrevo na condi- glo de ex-morador das cercanias da Avenida Bris de Aguiar e como pes- soa vinculada ate hoje gquele lugar.Meu pai morou 65 anos na Vila Amaz~nia, mais especificamente na Passagem 5 de Abril, hoje e apbs a sua morte Passagem Vereador Ema- noel O' de Almeida.Ainda hoje, mi- nha m~e, uma tia, irms do meu pai, e um de meus irmios moram no mesmo nlimero 32 naquele lugar. Quando casei, quase dez anos atris, a Bris de Aguiar ainda nio ti- nha o apelo commercial que tem hoje, mas ji havia um combrcio que pro- metia crescer. Este crescimento, so- mado a algumas medidas da Prefei- tura, como a proibi~go do estacio- namento nas Av. Nazar6 e Av. Gov. Jos6 Malcher, trouxe mais carros para as ruas laterais (traduzido em stress para os moradores dos logra- douros ao redor), mais flanelinhas (da ultima vez que contei, s6 no pe- rimetro compreendido entire a Gene- ralissimo Deodoro e a Rui Barbosa haviam 37) e al guma violincia, va- mos dizer assim. N6s, la de casa, nos gabivamos de nunca terms sido assaltados ali por perto, o que in- felizmente, nio 6 mais verdade. Mas fiquemos na restauraqio da ma que esta sendo feita agora. Gos- taria de sugerir is autoridades com- petentes que faqam uma andilise so- bre a permanincia dos fios eletricos, telef~nicos e das caixas de leitura da Celpa nos postes da Brais de Aguiar. Quem conhece o Rio de Janeiro e conhece o projeto "Rio Cidade" que pretendia, ou pretend, ser um mo- delo de urbanismo para o Brasil, sabe que nio existem flos condutores de energia eletrica e de telefone aparen- tes nos postes. Por toda a extensio, por exemplo, das ruas paralelas a orla do Leblon, Ipanema, Copacabana e Leme nlio se enxergam tais aderegos nos postes, bem como estes slo esti- Jornal Pessoal Edilor* Llo Flwto Perun. Fones: (001 I23-70110. 261 4284 e 261482 Contao. TvBengarnin CaonrstaraB 4&03160310 anell: larmelanesn cm r Produgan. Angehmn Pmint Edign de Arle: Luizaniniearwi ~pinlo s impul5sosnormativos, mod~iza- ZE Nada: mdica que os devo~tos do Cirio dores, burocratizanles e repres- rtithem as plrocupaqbes e impulsos sores do Cirio sSio como umq "E os que comandam essa fesla em nome onda, que vai e vem. O cid~o parect. le-~ ~ ~ ~ umr estrurur institutional on reli- recome litmaf3^s uia ez. o~ira sie I d giosa que pode ter direito a algum pretend excluir os babados da cor- j 4 ~L pad~er dem~iando;; mas:ron~ mando, da. Se fosse exequliveL ja seria uma r? absolutlo. Este, e do povo, que n~o media discriminatbria, odiosa Os quer essas regras cistradoms~ e uni- be~bados tambim sdo. illhos de -ficadoras sabte an-acontecitnetl- Deus, comdireilo a curmprir aque- `to do mliltiplo quanto o Crrio. It ripo de promessa que eoD mais A\ hisr6ria dessa festividade sacrificante na paoci~ssio. A~las OfflO empo(I)ado mostra que ocidad~o ano~nimo como lambem ~o cidadboj.o d deem ser retimdos da massa se a estiverem incomo- danldo ou ameagando terceiros. Puniveis pela lei dos homes. A de Deus 6 para outtro memento A corda. o elemento mais importante e polemi- co do Cirio de Nossa Senhora de Nazard, nlo e tao selva~gem como as corridas de touros que aconte- cem pelas ruas de algumas cidades espanholas e italianas, os animals fusligando as pessoas e \ ice- versa. Ninguem, na civihzrada Europa, pensa em acabar comn essas fesias apenas porque causam vi- timas, fatais ou njo. Fa= parte da tradigijo. Tradi- pso, so ao povo, que a invecnta, pode aboli-la. tem sido muito mais racional, Ilogico e mesmo sabio do que as tais auroridades, civis ou religiosais. Se dependesse dele, O Larg~o de Nazati continuaria com as seus coretos, seu rel6gio central, abeno e capaz de abrigar a parte ditra profana do acon- tecimento sem nanz empmado e dedo em nste. Tudo o que foi feito para ordenar as coisas he- terodoxas e epurgar os elementos considerados no- cit os so piorou a situagso. O C~onj unto Arquireto- nico de Nazar e eo retrato desses formalistas. N~o a imagem do povo que faz a festa e garante-lber a beleza e a perenidade A despeiro dresses eaga-re- gras, como se dizia antanho, sem rapapbs. essas publicaqdes num livro com1 a mem6ria oral da cidade. Como laboratbtio para o proje- to, a prefeitura instalaria a primei- ra dessas casas na Cidade Velha. As outras seguiriam as solicitaq8es dos moradores dos demais bairros. Delirio Pronto: agora s6 falta o engolecobra.com (com perdso do Flivio Nassar) querer ser candida- to g presidincia da Rep~iblica. COnta De abril ao final do ano, o governor do Estado deverd gastar 9,l milh~es de: reais em publicidade official. Cinco ag~ncias s~lo trsponsaveis por essay veiculagio. A conta maior, de R$ 3,2 milhaes, 6 da Griffo. Em segundo lugar, vem a Mendes. As outras trbs (DC3, Galvio e DMG) tem fatias iguais' de R$ 1,3 milhso. neceu inativo. Obteve lucro bruto de R$ 40 mil, ou R$ 28 mil liqui- do, ap6s a previsio para o impos- to de renda e as contribuiq8es so- ciais. O ativo da empresa em 2000 ficou em R$ 3,58 milhdes, um pou- co menor do que o de 1999 (R$ 3,69 milhbes). Ngo houve qualquer muta~go patrimonial no period. O maior item do passive de lon- go prazo da empresa sio debentu- res no valor de R$ 1,38 milhilo (que somavam R$ 1,57 milhio em 1999), a escrituraqio da participa- Fgo da extinta Sudam no capital do randrio da Centeno & Moreira. Isto quer dizer que, para efeitos cont8- beis, sujeitos a auditagem official, o que a empresa de Mircia Zahlu- th Centeno admite dever como contrapartida g colaboraqio dos in- centivos fiscais esti abaixo desse valor. Ngo os R$ 9,2 milh~es apon- tados pela midia. Os nuimeros aparecem no ba- lango da empresa, publicado no Diario Oficial. Se foram maqui- lados, e o caso de serem desmas- carados. Esse trabalho, porem, jb nao parece mais interessar aos in- vestigadores de ontem. Por bons ou maus motives, o ParB, que por bons ou maus motives episodica- mente recebe aten~go, voltou a sair da agenda dos jornalies. Errata Com menos stress, errinhos bestas podiam ser evitados neste journal. Uma vez o leite derrama- do, por~m, 6 melhor aproveit8-lo numa coalhada. Simio Jatene, como todos sa- bem, e secretirio especial da pro- dugIo. Mas associa-lo a promo~go social, como se fez na edi~go pas- sada, tem sentido. Ao menos de uns trds meses para cB. Quem mais o governor tem promovido? Id ela Sugeri, na edi~go passada, que a prefeitura apoiasse a formaqio de associates de amigos de bairros cedendo-lhes pr6prios municipais. Gostaria de ampliar essa proposta. Nos pr~dios, de valor hist6rico ou arquitetanico, que a prefeitura vi- esse a comprar e ceder para essas entidades, em regime de comoda- to, tamb~m seriam instalados cen- tros de convivtncia para pessoas agora classificadas como da tercei- ra idade. Essas casas seriam equi- padas com bibliotecas, material para priticas de lazer (como diver- sos tipos de jogos) e assistincia psicolbgica e social. Mais voltadas para trabalho mental e intellectual (o fisico poderia continuar a ser realizado nas ruas ou academias). Cada centro teria como sua principal tarefa coletar, organizar e publicar os testemunhos dos mo- radores mais antigos do bairro, funcionando como um museu da imagem e do somn. A prefeitura ce- deria equipamentos para a toma- da em video dos depoimentos e auxiliaria o trabalho de transcri- gio e edi~go do material num li- vro, por ela pr6pria publicado. Os membros do centro se encarrega- riam de todo o trabalho de produ- 950 e distribui~go do livro, trans- ferindo a renda para um fundo de manutengio do centro. Um supervisor da prefeitura funcionaria como interlocutor jun- to ao grupo de moradores, estabe- lecendo crittrios e regras para a aprovacgio da edi~go inaugural. Outras se seguiriam a media que novos depoimentos fossem obti- dos. Num prazo de cinco anos, por exemplo, uma equipe consolidaria Lacuna O Banco do Estado do Para descumpriu resolu~go do Tribunal de Contas do Estado ao nao pu- Illicar o valor do aditamento (com wyigincia de mais um ano, a partir de 10 de outubro) ao contrato que assinou com a Unisys Brasil. O contrato, feito sem licita~go pit- blica, que foi considerada inexi- givel para o caso, objetiva "solu- gio integrada de call-center e in- ternet banking, voltada para o atendimento de clients e para a realizaqio de neg6cios". Alem de nio obedecer a exigin- cia do TCE sobre o valor do termo aditivo contratual, o Banpara so- nega informaqio preciosa ao leitor, interessado em saber como o be- dleficio da inexigibilidade de lici- ta~go se aplica a Unysis. Com a palavra, o president do banco, Mgrio Ribeiro. O randrio da mulher do ex-se- nador Jader Barbalho, que mere- ceu tantas materias da grande im- prensa national, faturou no ano passado 218 mil reais, contra ne- nhum movimento commercial no exercicio anterior, em que perma- |
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