Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00220

Full Text














A proporGy Ao torta


Os poli'ticos do Nonte sido os mais corrupts? O Sul
responded cada ve~z mais afirmativamente. E
responsabiliza o desequili'brio do sistema poli'tico
representation como a causa


1


dos escd ndalos que se
repetem no pais.
T~m a guma razdob
na queixa, mas
pouca no
diagndstico .
Se a iddia

prevalece, c'
porque
-i~ discute-se

pouco o
problema .


dbnia, em plena via publica de Porto
Velho, a capital do Estado, domicilio
eleitoral- de ambos os politicos. Enredo
da Chicago dos gangesters nos anos da
depressio americana transferido para a
fronteira amazi~nica de "laranjas" e "la-
vadores" de dinheiro sujo.
Na transi~go milenar, uma d6cada de-
pois do furacio rondoniense, a nova im-
plosio de credibilidade da political ocorre


na chamada Cimara Alta, com uma am-
plitude geogr~ifica maior, que, dependen-
do da seqilbncia dos fats, pode se estrei-
tar mais uma vez no rumo do "sertio"
amaz6nico. Em process de autolimpeza
moral, o Senado defenestrou de suas ca-
deiras quatro congressistas de tras Esta-
dos da federaqio: dois do Distrito Fede-
ral (Luiz Estevio e Jos6 Roberto Arru-
da), um da Bahia (Antinio Carlos Maga- )


~1R~I~


frido pelo parlamento brasileiro
adveio da.descoberta de que o
Ndeputado federal Jabes Rabelo,
de Rond~nia, estava ligado ao tri~fico in-
ternacional de drogas, que, por sua vez,
podia ser o responsivel pelo assassinate
do senador Olavo Pires, atingido por ti-
ros de metralhadora quando participava
de um comicio para o governor de Ron-








2 JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE OUTUBRO/2001


Configurado esse cendr~io, certamente
surgirio pedidos de revisilo do sistema fe-
derativo brasileiro, talvez com uma infa-
se semelhante g da campanha por mudan-
ga que eclodiu nos Estados Unidos depois
do embaragoso impasse em torno da con-
tagem de votos para a presid~ncia da Re-
puiblica, decidida entire ddvidas e confu-
sho rudimentares, como se estivesse em
causa n~io a mais poderosa naqio do pla-
neta, mas a Buscape de Al Capp.
Com 8% da populagio do pais, a re-
giko Norte, de alguma maneira o v~rtice
das duas grandes crises de credibilidade
da representa~go political national, ocupa
quase 15% das 513 cadeiras da Cimara
dos Deputados, praticamente o dobro da
sua grandeza demografica. Teoricamen-
te, os deputados federals sho eleitos pelo
sistema proporcional, que da aos Estados
uma bancada de acordo com sua popula-
gio. Por esse critbrio, Sio Paulo, que conta
com 22% da popula~go do pais, deveria
ter direito a 113 deputados federals, en-
quanto Roraima, comn 0,16% da popula-
950 brasileira, teria que se contentar com
um u~nico deputado.
Mas a bancada paulista 6 de 70 depu-
tados, o mbximo legal, e a de Roraima
soma 8 deputados, o tamanho minimo de
uma representagio political estadual. O
deputado menos votado nas Altimas elei-
95es para a Cimnara Federal foi Joio Tota,
do PPB do Acre, que teve apenas 5.477
votos correspondente a uma votagio
mediocre at6 para a cbmara municipal
paulistana). O deputado eleito menos vo-
tado em Slo Paulo foi Neuton Lima, do
PFL, com 37.604 votos (sete vezes mais
do que a do seu afortunado colega), o equi-
valente a pouco menos da metade dos 80
mil votos somados Ile todos os oito depu-
tados da bancada acreana.
Dos oito Estados da Amaz~nia Legal
(classificaq~io adotada para efeito de incen-
tivos fiscais ao desenvolvimento), apenas
um, o controvertido Parb, nio se beneficia
da condescend~ncia legal ao minimo, ado-
tada em contraposi~go ao o sistema de ri-
gorosa representaio aritm~tica. Comnseus
6 milh~es de habitantes (6 o nono em po-
pulagio do pais), o Pardi tem mesmo direi-
to aos seus 17 deputados federals, sem pa-
ternalismo politico. Mas todos os demais
Estados amaz~nicos s6 garantem seus 8
deputados gragas a esse crit~rio politico.
Norte e Nordeste, as duas regimes mais
pobres do pais, com quase 35% da popu-
lagio brasileira, ficam com pouco mais
da metade das cadeiras da Camara dos


lhies) e um do Pard (Jader Barbalho), o
li1timo deles quando exercia a presid~n-
cia da casa e o anterior pouco depois de
deixar esse cargo.
O desvio de fungi~o na political seria,
ent~io, um fendmeno national desta vez,
nio um quisto localizado em paragem
mais remota do pais, malmente alcanga-
da pelo verniz da modernizaqio e da civi-
lidade emanado de seu centro irradiador,
embora diga algupna coisa tamb~m sobre
a anomalia representada pela localizaqio
da capital federal num ponto ermo do pais.
Mas so por enquanto. Hg uma perspecti-
va de que os dois abalos se liguem pelo
conduto amaz6nico. O primeiro sintoma
patol6gico 6 a interruppio do process su-
cess6rio: ao contrdrio dos tr~s primeiros
casos traum~iticos, o suplente do ex-sena-
dor Jader Barbalho, do PMDB do Park,
nio subiu automaticamente para ocupar-
lhe o lugar em Brasilia.
O successor e o pr6prio pai do ante-
cessor, o velho politico (de dimensio
meramente paroquial) La~rcio Barba-
lho. O fator de impedimento, contudo,
nio 6 o lago de consangoiinidade. ACM
deu a vez ao pr6prio filho sem qualquer
constrangimento, como se seu cargo
fosse realmente heredit~rio. A idade (83
anos), agravada pela sadide precsria, do
Barbalho pai poderia n~io ser um fator
realmente impeditivo. Durante certo
tempo especulou-se em Bel~m que o ex-
governador se licenciaria por um breve
period apenas para ver o genitor como
senador, homenageando-o ainda em
vida com o maior cargo de sua carreira
political, alcangada por in~rcia, simples-
mente por figurer na supl~ncia do filho,
sem precisar ser votado.
Na 6poca, essa hip6tese estava condi-
cionada a questionamentos do ponto de
vista moral ou 6tico, mas era absolutamen-
te legal. Permanece sendo legal, mas o
peso dos dois elements, valorativo e sub-
jetivo, a inviabilizou. O pai poderia rece-
ber por gravidade a lama atirada com sel-
vageria incomum sobre o filho. Pruden-
temente, La~rcio Bairbalho teve que de-
clinar da honraria. Ela pode acabar so-
brando para Fernando Ribeiro, o segun-
do suplente, que foi secretario particular
de Jader no primeiro dos seus dois man-
datos como governador do Park, al~m de
deputado estadual pelo PMDB.
Se responder a convocaqio da mesa
do Senado, Fernando saber que em seu
curto mandate (de menos de um ano e
meio) sofrerid as conseqii~ncias do des-


gaste do titular. Certamente haveri~ quem
venha a sugerir a abertura de process
tambem contra o novo senador, que aca-
ba de ser denunciado pelo Minist~rio Pu-
blico do Para como um dos supostos be-
neficidrios do desvio de recursos do Ban-
co do Estado, uma das causes dos pro-
cessos contra Jader. Os fats suscitados
sio de 1984-85, mas esse tipo de detalhe
ja nio importa. Se 6 que importou no
cursor da ofensiva contra o governador
acusado de enriquecer ilicitamente, a
custa do erario estadual.
Caso a novela Barbalho se estenda ao
novo capitulo Ribeiro, dois dos tr~s sena-
dores do Pard estario na mira dos raios
moralizadores da casa. E que voltou a ter
cursor o process contra Luiz Otavio Cam-
pos, que vagou sem partido por muitos
meses at6 retornar ao PPB de origem. Iro-
nicamente, foi tamb~m uma histbria es-
cusa envolvendo Campos que o levou &
prison, embora apenas por algumas ho-
ras, quando Jader govemnava o Pard pela
segunda vez. O enredo tamb~m se relaci-
onava ao desvio da.finalidade declarada
de dinheiro puiblico.
No Senado, a verba em causa 6 fede-
ral. No episddio de 10 anos atris, era re-
curso estadual. A materialidade dos fats
ficou demonstrada nos dois mementos,
mas o acusado atribuiu sua situaCqio a per-
seguigoq political, favorecendo-se de uma
certa trucul~ncia no epis6dio mais antigo
e de um ~inimo mais enfitico da colega
que pugna por sua cassagio, a senadora
Heloisa Helena, do PT de Alagoas, no
caso mais recent.
Se processes contra Fernando Ribeiro
e Luiz Otivio Campos vierem mesmo a
ser instaurados no Congresso, o Pard terd
muito a lamentar da excepcional notorie-
dade national e at6 mesmo internacio-
nal alcangada agora por seus represen-
tantes politicos, normalmente abuilicos e
opacos na corte brasiliense. Foi paraense
o primeiro president a renunciar ao car-
go em toda a hist6ria senatorial brasilei-
ra, sem ter conseguido, de fato, se aco-
modar na honrosa poltrona para coman-
dar a Cimara Alta nos seis meses em que
era seu chefe em tese. E o Pard poderd ser
o primeiro Estado da federag~o a ficar com
uma das suas tr~s cadeiras vaga at6 o en-
cerramento da legislature, caso o proces-
so sucess6rio de Jader Barbalho nlo se
defina nos pr6ximos dias, antes do prazo
de 15 meses do fimn do mandate, quando
nenhum novo senador poderi ser eleito
para conclui-lo.







JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO/2001 3


Deputados. Teoricamente, por isso, se
pudessem vir asomar suas forgas em tor-
no de uma causa comum (o que at6 agora


imporiam sua vontade.
Fariam isso mesmo que nio pudessem
contar com a solidariedade do Centro-
Oeste e suas 33 cadeiras (Goids, Distrito
Federal e Mato Grosso do Sul, com uma
renda per edpita ji superior B do Sudeste,
numa faixa de transi~go geopolitica ain-
da imperceptivel e indefinida, constituem,
alids, um buraco negro no entendimento
e na identidade national). O Centro-Oes-
te est8 cada vez mais pr6ximo da face
B61gica do Brasil e mais dissociado do
lado India desse pais de contrastes bru-
tais, a Belindia criada pelo economist
"belga" Edmar Bacha.
Esses fats e n~imeros convergem para
justapor as quest~es national e regional e
contrapor political e economic, capacidade
de mandar e poder efetivo de mando, po-
der nominal e poder real, sistema de repre-
sentagio proporcional e intervencionismo
politico, difusio de poder e centralizaso,
democracia e ditadura. Temas que estio
subjacentes a esses enredos primariamen-
te tortos, aparentemente laterals, mas de-
les derivam e a eles dio a dimension mais
profunda do que a cr~nica dos faits-divers
e do varejo 6 capaz de sugerir.
A visio dominant, porque estabele-
cida a partir do centro hegem~nico naci-
onal, 6 de que a preponderincia das Areas
atrasadas do pais impede ou atravanca a
march da sua evolugho political. Reduto
de coron~is truculentos ou pirates rudi-
mentares dos cofres pdiblicos, o Norte
(nesse conceito homogeneizador caben-
do o Norte propriamente dito e o Nordes-
te) 6 um peso e uma fonte de atraso para o
Sul Maravilha.
Se esse favorecimento politico, que di
als regimes mais pobre do Brasil (pobres nes-
sa perspective geogrifica) um peso politico
superior ao da sua equivaltncia demogrifi-
ca, prejudicando a representatividade poli-
tica da Nap~o, nio tem sido bastante para
diminuir a distincia que separa o convenci-
onado Norte do Sul em matbria de condi-
95es devida, ofosso n~oestaria muito mai-
or sem essa possibilidade de compensag~io
political? Mesmo que ela tenha pouca eficb-
cia, o fato de existir esse mecanismo e ele
poder ser acionado nio pondera um pouco
a hegemonia efetiva do Sul?
Perguntas a responder. Com coragem
e urg~ncia.


Se o ex-senador Jader Barbalho acredita-
va que sair da cena national seria o suficien-
te para poder trabalhat com tranqiiilidade no
seu reduto estadual para voltar a disputar um
cargo politico, a a~go civil pdiblica ajuizada
na semana passada pelo Ministerio P6blico
do Pard indica que ele nio teri~ o beneficio
da tregua. Muito pelo contrario: despido de
sua imunidade parlamentar, vai estar sujeito
a todo tipo de injungio que a justiga e o apa-
relho do Estado podem proporcionar. Inclu-
sive, numa hip6tese extrema, um pedido de
prisio e sua determinaqio judicial.
O MP paraense ainda nio solicitou tal coi-
sa, mas a a~go que prop6s no dia 16 6 dura. Os
promotores Agar Jurema, Jolo Gualberto Sil-
va e Hamilton Salame querem o bloqueio dos
bens do ex-presidente do Senado e de mais 12
pessoas com ele denunciadas, acusadas de se
beneficiary ilicitamente de recursos desviados
dos cofres do Banco do Estado do Para. Todas
essas pessoas, incluindo o suplente do sena-
dor, Fernando Ribeiro, e at6 o journal dele, o
Diairio do Fara, teriam seus sigilos bancairio e
fiscal quebrados. Se condenados, teriam que
devolver ao Banpara 5,5 milh~es de reais, de-
rivados da utiliza~go de 21 cheques adminis-
trativos emitidos fraudulentamente ao long
de 10 meses, entire 1984 e 1985, quando Jader
ocupou pela primeira vez o cargo de governa-
dor do Estado, altm do prejuizo decorrente
desses atos soffido pelo banco, com todas as
cominaq8es previstas legalmnente. .
A fundamenta~go da a~go esta contida nas
3.717 piginas de 13 volumes de documents
juntados pelos trbs promotores pdiblicos, ori-
gindrios das inspeC6es realizadas pelo Banco
Central nas contas do Banpard e correlatas.
Apesar desse fantastico reforgo de pa-
pel, nlo parece muito provivel, diante do
tempo decorrido desde a propositura da
a~go, que a juiza conceda a media limi-
nar requerida pelos representantes do MP.
Com a instru~go do process, talvez se
torne possivel a um observador indepen-
dente ter finalmente acesso a toda essa ma-
Faroca, que ora tem servido a um prop6-
sito ora a outro, em histbrias tio turvas
na interpreta~go dos fats quanto os pr6-
prios fats que lhes deram ensejo. Sendo
publica a a~go, os autos estario acessiveis
aos que dispuserem de engenho e arte,
altm de tempo, para a prova dos nove des-
se episodio cabuloso.


Ele se desdobra em tris vertentes. Uma, 6
a da culpa do ex-governador e dos que teriam
participado da trama para desviar dinheiro dos
cofres do Banparai para suas contas particula-
res, enriquecendo ilicitamente, uma hist6ria
que, ao menos aos paraenses, interessa ver es-
clarecida definitivamente. A outra, que admi-
te essa culpa, sem, porem, hav&-la demonstra-
do, inclui a conivencia ou omissio de tercei-
ros, inclusive dos que, com pouca eficicia ou
tardiamente, agora de investem nos papeis de
justiceiros, como o Banco Central e o pri~prio
Minist~rio Publico do Estado, depois de terem
favorecido as irregularidades por omissio ou
ato. E a terceira, que herda todos esses ingre-
dientes e lhes acrescenta um element novo: a
ofensiva para derrubar Jader Barbalho da pre-
sid~ncia do Senado e do mandate de senador,
independentemente de suas culpas passadas,
ngo exatamente pelo que jai havia feito, mas,
sobretudo, pelo que ainda poderia vir a fazer.
Sem que esses mocinhos queiram ver revela-
da a trama verdadeira dos seus interesses,
O ex-senador diz que os tris promotores
podem estar simplesmente fazendo o jogo do
governador Almir Gabriel, atravbs do secre-
ti~rio especial Manoel Santino Nascimento,
ex-chefe do MP estadual e ainda muito influ-
ente na institui~go. Alguns trechos da peti-
Cgo inicial poderiam servir de prova para a
tese de Jader. Hg um certo tom emotional na
petigio inicial, com,o quando promete reti-
rar o "caso Banpard" da "extensa lista de im-
punidades que martiriza, desestimula e tira
as esperangas do cidadio brasileiro".
Um assunto t~io tumultuado pelas paix~es
a manipulaqdes devia chegar a instincia ju-
dicial com uma linguagem rigorosamente t~c-
nica para que o process transcorra sem as
mesmas ingerancias, que s6, t~m prejudicado
a definiCio da verdade (ou das verdades). Um
tom al~m das provas juntadas pode servir B
future campanha eleitoral. Ainda assim, con-
tudo, a a~go tem o merito indiscutivel de im-
pedir que uma questio dessa gravidade vies-
se a ter o destiny que, ate recentemente, o pr6~-
prio MP queria para ela: o arquivo morto.
Como hg por elucidar fats que sangraram o
er~rio, e sangue financeiro derramado, al~m
de gente muito viva transitando com desen-
voltura no palco dos acontecimentos, esse se-
ria um fim nada merecido para essa novela.
Um fim de moral negative, que cumpre, en-
quanto e tempo, corrigir.


O caso Banpara


chegaa g ustiga








4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/2001





0 vice sai na frente.




Sai com quem?


abuses e da insensibilidade do governor fe-
deral em relagio aos interesses do Pard~.
Quem gravou a fita do program do PTB
para ush-la de imediato ou durante a fase ofi-
cial da campanha eleitoral, nio encontrarii na
apresentagio de Hildegardo uma razio obje-
tiva para aplicar nele as tarjas que serviram
para tirar Helio Jr. definitivamente da politi-
ca. Mas se as palavras pronunciadas diante
da televislo parecem ter sido pesadas e me-
didas para evitar servir de pretexto para o
contra-ataque do governador, o press-relea-
se distribuido simultaneamente foi redigido
com o prop6sito de induzir a imprensa a in-
terpretar da manifestagio do vice um claro
rompimento com Almir Gabriel, tomando o
que ele nio disse pelo que quis dizer.
Ngo podendo ser o candidate de primeira
hora do governador e sujeitando-se a um ris-
co demasiadamente alto para set a oppgo de
61tima hora. Hildegardo Nunes coloca o blo-
co na rua para tentar assumir o estandarte da
alternative entire o situacionismo almirista por
mais quatro anos e o retorno as origens do ja-
derismo, ja sem vez no cendrio national. Ou
seja: quer incorporar a insia paraense de re-
nova~go, por um novo caminho entire o cen-
tralismo fechado e autoritario do
governador, ao mesmo tempo
submisso a Brasilia, e os velhos
costumes pessedistas (e baratis-
tas), que se prolongaram em Ja-
der Barbalho, determinando a
estagnaqio do Estado.
Conseguiri o joyem vice-go-
vernador essa proeza? Se a elei-
Fgo fosse hoje, ele nio seria pa-
reo para Jader, a vice-prefeita
Ana Julia Carepa, do PT, ou o se-
nador Ademir Andrade, do PSB.
Seu nome s6 penetrou at6 agora
nas camadas mais altas da popu-
la~go, permanecendo como um
ilustre desconhecido para a mas-
sa. Se Jatene e um complete ne-
6fito em disputes eleitorais, o
unico antecedente de Hildegar-
do nio represent muita vanta-
gem: ele ngo conseguiu se ele-
ger deputado estadual na xinica
elei~go de que participou.
A imagem do vice 6 boa, nilo
hB element algum conhecido
que possa desabonar seu curri-
culo e ele e tio aplicado Bs li-


Ningu~m precisa ser profeta para prever
que a campanha eleitoral do pr6ximo ano vai
ser agressiva, talvez at6 violent, e muito cara.
Ao contrdrio de muitas outras eleig8es, en-
tretanto, esta pode nio ficar bipolarizada en-
tre governor e oposi~go, um representante do
bem de um lado e outro suposto representan-
te do mal de outro, o mocinho e o bandido, a
criatura e o criador. Talvez tenha sido com o
prop6sito de criar um terceiro eixo (ou via,
como preferem os europeus) que o vice-go-
vernador Hildegardo Nunes se antecipou e
assumiu publicamente a sua candidatura, cri-
ando com isso um fato novo, o de maior re-
percussio ate agora.
O mais contrariado comn essa iniciativa foi
justamente o governador Almir Gabriel. Ele
esperava ter a seu favor os meses em banho-
maria da campanha at6 abril, quando os pre-
tendentes ao seu cargo terio que ser oficiali-
zados. Nesse period, o ex-senador Jader
Barbalho estaria encolhido, tentando sair do
foco das aten95es para curar algumas chagas
ainda abertas e nlo expor outras, e o PT conti-
nuaria sem um nome de forte apelo eleito-
ral e capacidade de unir as muitas tendtnci-
as oposicionistas ou de esquerda. Nesse vB-
cuo, a miquina official seria usada para co-
locar a alternative preferida do governador,
seu secret~rio especial, Sim~o Jatene, numa
posi~go decent nas pesquisas de opinion.
Comn o que poderia ser referendado candi-
dato official da situagno.
Aparecendo na televisio, circulando pelo
interior do Estado, referendando aconteci-
mentos de repercussio popular e sendo in-
termediario de reivindicaqdes, Jatene pode-
ria sair do trago para dois digitos nas sonda-
gens preliminares, aproveitando-se da inbr-
cia dos adversirios, que nio teriam atras de
si um empurrador tio poderoso quanto a es-
trutura governmental. Se, numa hip6tese que
s6 nio e exatamente remota por causa do peso
do nome do secretario de produ~go, Jatene
nio vingasse, Almir Gabriel podia, a contra-
gosto, recorrer aos dois oferecidos para a
dispute, o vice-governador e o prefeito de
Ananindeua, Manoel Pioneiro, ou a regras
tres do PSDB, como os secretarios Nilson
Pinto de Oliveira e Sergio Leio.
Para Hildegardo, o console e fraco de-
mais. Mesmo sendo o nome com maior po.
tencial de crescimento, ele e do PTB e dei-
xou de fazer parte do circulo intimo do go-
vernador, se e que alguma vez chegou tio


pr6ximo de Almir Gabriel. Cometeu a here-
sia de nlo esperar pela voz de comando do
chefe, que, quando fala para baixo, nio ad-
mite nada altm da cega obediencia. Se es-
perasse pela frustraqio das expectativas em
Jatene at6 abril, ao fim de todos os esforgos
para viabilizar sua candidatura, Hildegardo
podia deixar passar o cavalo selado que esti
trotando B sua frente. Decidiu sair logo, for-
gando o governador a refazer a estrattgia
montada para controlar completamente o
process sucessbrio.
O que o vice fez no hordirio da propagan-
da do PTB, na semana passada, foi romper
quaisquer compromissos com seu superior,
exceto, como destacou, os da "governabili-
dade". Com frieza e sagacidade, tomou to-
dos os cuidados para nio se expor ao risco
de se tomnar um novo Helio Gueiros Jr., o de-
sastrado vice do primeiro mandate de Almir
Gabriel, que acabou sendo isolado com a
imagem de desleal e traidor. O pronunciamen-
to de Hildegardo foi ponderado e calmno. A
rigor, suas critics foram sempre indiretas a
Almir Gabriel, usando por tabela o presiden-
te Fernando Henrique Cardoso e a passivi-
dade da administra~go estadual diante dos








JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE OUTUBRO/2001 5


D1 W
g g pli ga


I II I


95es que toma quanto o ex-governador Aloy-
sio Chaves, com um perfil algo parecido,
embora muitos anos mais velho. Sai de uma
conversa sobre determinado tema como um
expert no que acabou de ouvir pela primeira
vez. Mas tem trbs problems a enfrentar. .
O primeiro e a equipe de governor, ji toda
mobilizada pessoalmente pelo governador
(embora muites de seus membros a contra-
gosto) em favor de Jatene. A figure pilbli-
ca e privada de Hildegardo vai comegar a
sofrer tiroteio assumido ou disfargado, dire-
to e indireto. Ele comegardi a ser pintado como
oportunista, que se aproveitou das vantagens
da vice-governadoria para beneficio politico
ou pessoal, ou como desleal, que refez o dis-
curso da vtspera para se passar como pala-
dino de causes justas, assumindo um papel
que nio lhe cabe. Tambem perder8 todos os
trunfos proporcionados pelo cargo.
O segundo problema 6 o pai, o ex-gover-
nador Alacid Nunes, um bom alvo para ata-
ques provenientes da direita, da esquerda e
do centro, por tantos pontos controversos de
sua carreira political que podem ser utiliza-
dos contra o filho. Prevenido, por~m, Hilde-
gardo fez questio de enfatizar as diferengas
political e conceituais que o separam do pai,
sem deixar de acrescentar que essas diferen-
gas nlo afetam o bom relacionamento pesso-
al de ambos. Ou seja: 6 um bom filho, sem
ser submisso, assim como 6 um bom vice,
sem ser "pau-mandado" do governador, que
os tem aos montes na sua corte. Ou s6 tem.
O terceiro problema 6 o financiamento da
campanha. E evidence que a condi~go para
tornar leve o nome de Simio Jatene (que,
alem de tudo, nio fotografa bem) 6 dar-lhe
uma campanha de estrela, com tudo o que o
marketing puder fazer por ele. Num Estado
com o tamanho do Para, a equaqio do suces-
so depend do element principal: a capaci-
dade de destocamento do candidate. Mas nio
s6 para que ele possa percorrer os 143 muni-
cipios espalhados em 1,2 milhio de quil6-
metros quadrados; e tambem para que nio
chegue ao interior de mios abanando. E pre-
ciso levar consigo gente que decide, obras e
dinheiro, muito dinheiro. O veiculo do vice
pode competir com essa supermaquina?
Sgo elements a ponderar com realismo,
criatividade e competencia. Terd havido na
cabega de Hildegardo essa ponderaqio antes
da conclusio de enfrentar a ira do chefe?
Muita gente estA imaginando que tudo nio
passa de um blefe e que, na hora certa, o vice
chegara a uma composigio, voltando a se
colocar sob a lideranga do governador em
troca de compensaq8es. Essa possibilidade,
entretanto, ja parece superada e nio ape-
nas pelo clima pesado entire os dois ocupan-
tes do assim chamado Palacio dos Despachos-
Se fosse essa a intengio de Hildegardo,
ele nio precisaria montar nenhum teatro para
alcangar o que pretendia. Bastaria continu-


O prefeito Edmilson Rodrigues usou o
excepcional espago que lhe foi concedido
no program Bomn dra, Parai, da TV Libe-
ral, nas vtsperas do Cirio, para foguetear
as obras que iria inaugurar antes da passa-
gem da fenomenal massa de romeiros atri~s
da berlinda de Nossa Senhora de Nazar6,
um dos maiores auditbrios do mundo.
Como. nso propriamente por acaso, a pre-
feitura havia presenteado os veiculos das
Organizaqbes Romulo Mariorana com gene-
rosa publicidade official, a entrevistadora do
alcaide deve ter-se inibido de fazer as ob-
servaq~es pertnentes as declaraq8es do en-
trevistado, deixando-o expandir-se em seu
eterno discurso de palanque, no estilo que
mais o agrada: o moncilogo.
Em outras circunstincias, a entrovista-
dora poderia perguntar: por que inaugurar
uma o~bra ainda inconclusa, como o Elea-
do Paulo Foneseles, partede uma obra mais
geral, a complex viario da Bandeira Bran-
ca (indevidamente batizado de Carlos Ma-
righella), sobre cuja realiza~go ninguem
pode adiantar nada a serio neste memento?
A situacgo criada por esse agodamento 6
surrealista: festa num dia; no dia seguinte,
volta a obra a sua realidade, de trabalho em
andamento; pol~mico andamento, aliis.
Na segunda visit que fiz a Santos, 32
anos atras, chamou-me a atenCio um via-
duto (viaduto mesmo, nio aponas eleva-
do) a margem da estrada de acesso g capi-
tal da baixada santista. Ngo havia estrada
alguma de contato com a obra de arte, ina-
cessivel, como se fora um monument ao


irracional. No caso, so cinisnio obreirista
de Adhemar de Barros.
O elevado do pre feito de Be~m nia che-
ga a tanto. A\ parte essa sofreguid~io pub~li-
citbria e esse aproveitamento descarada-
mente eleitoreiro, que insulta a intelig~ncia
dos municipes, o que impression c a pou-
ca utilidade arual da obra e sua quase: ne-
nhuma seri entia no future. A~o obsers ar o
elevado, ningu~m precisa de olho clinico
para concluir que em pouce tempo o fluxo
de veiculos provocarit congestionamento
tanto na entrada quanto na said da via, que
ocupa uma das pistas de uma avenida que,
mesmo com todas as quatro faixas, dio dB
conta do recado, para cujo desafogo, ali~s,
viria o tal elevado, que, assim, se anula pela
ma concepc;io de origem.
As razes do sucesso serso tambtm as
do fracasso do ele\ ado: se ele atrair a op-
C-jo dos motorists, deiuara de ser uma al-
ternativa para o cruzamento de duas das
principals art~rias da cidade. Justamente
porque nio dard conta do fluxo da Doutor
Freitas e sobrecarregara a Almirante Bar-
toso. Teremos ent~o mais engarrafamen-
to, inclusive no alto da obra, de bitola es-
treita e curva fechada, um fator de redu-
gio de valocidade e de elevagio do risco
de acidente para motorists mais impetuo-
sos ou desatentos.
Estas objeq6es, feitas com os melhores
proposiros, soj tem razio de ier porque a
realidade teima em nio se encaixar no dis-
curso do alcaide. Ele diz uma coisa. Os fa-
tos sho outra coisa.


o candidate da Uniso Pelo Pard. Em tese, Hil-
degardo podia ser esse nome. Na pr~itica, essa
hip6tese ficava cada vez mais long da reali-
dade na media em que Almir Gabriel cumu-
lava Simio Jatene dos afagos do poder.
A partir de agora o caminho do vice-go-
vernador vai estar cheio de buracos, arma-
dilhas e desvios, um panorama diferente da
pista reta e limpa que teve diante de si ate
agora. O teste de consist~ncia da sua candi-
datura esti apenas comegando e seu grau de
resistincia e desconhecido. Como ainda 6
novo, Hildegardo pode tomar o insucesso
como o prego a pagar para difundir seu nome
e associd-lo a uma imagem positive para
uma prbxima dispute eleitoral, que poder8
travar, j6 entio, como um ente aut6nomo e
de perfil pr6prio. Plantar uma boa promes-
sa ja terd sido um ato positive para um Es-
tado que, acostumado apenas a frustraqdes,
encara com desconflanga cada nova promes-
sa, embora precise tanto dela para fazer o
present e acreditar no future.


ar a ilharga de Almir Gabriel, decorativa-
mente brilhante como cendrio para acentu-
ar a grandeza do chefe. Em ultimo caso,
podia acabar saindo candidate g sucessio,
ou substituir Gerson Peres como o nome da
coligagrIo situacianista ao Senado ou, por
fim, disputar uma vaga na Cimnara Federal.
Ou mesmo ficar no lugar do governador, li-
berando-o para disputar um lugar que seria
quase certo para ele no Senado.
Ora, se Almir Gabriel nio fez objetiva-
mente essa proposta a seu companheiro de
mandate, a tempo e a modo, e porque nio
pensou nela. Formulada com clareza, na oca-
siho devida, essa iniciativa teria afastado do
entorno de ambos todos os elements que en-
venenaram suas relaq6es, ou desfeito mate-
rial para intrigas, que acabaram prosperan-
do, e manteria intacta a coligagio vitoriosa
em 1998. Ao inves disso, o governador dei-
xou de aplicar na pritica as mensagens de
estimulo que mandou ao vice para que conti-
nuasse a trabalhar com a hip6tese de vir a ser







(3 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/2001


se desajuste 6 n~io ter sabido dessa bri-
lhante iniciativa da Coliumbia: agregar as
12 faixas editadas de Lady in Satin aque-
las que ficaram de fora, mas tim uma
grande importincia sentimental, est~tica
e documental.
Principalmente para os admiradores de
Lady Day. Mas capaz de emocionar tam-
b~m os que gostam de boa muisica. Ainda
deve haver recalcitrantes g voz de Billie,
em relagio a qual shio feitas restriC~es
como as que tentam diminuir o valor do
nosso Jolo Gilberto. Mas se 6 para con-
ferir o titulo de int~rprete musical, nin-
guem passa a frente dessa cantora negra
americana. Dar-lhe o titulo quando na
competigio, apenas dentro dos Estados
Unidos, ha artists como Ella Fitzgerald,
Bessie Smith, Sarah Vaughan, Nina Simo-
ne, Etta James e um bocado de outras ne-
gras estupendas (sem contar com brancas
quase do mesmo padrio, embora as vezes
sub-valorizadas, como Doris Day), dat uma
id~ia do cr~dito de Billie.
Ela incorporou B sua vida m~isicas que
nio foram feitas para ela e tornou com-
pletamente suas composiC~es que a to-
maram como inspiraqio, identificando-
se com as letras que cantava, projetando
nelas suas buscas e car~ncias, usando-as
para mandar recados ou, nem sempre
com sucesso, receber o que tinha direi-
to. O cancioneiro de Billie, que inclui tan-
tos compositores americanos, 6 ela pr6-
pria, tal a forga da sua interpretag~io Aini-
ca. Todos os partners se tornaram panos
de fundo ou coadjuvantes ao passarem a
fazer parte de seu repertbrio. .
Muitos acham que esse modo pecui-
at de viver o enredo das m~isicas resulta-
va da vida trigica de Billie. Certamente
seu estado de espirito era fundamental
para as sofridas interpretaqaes que fazia,
mas hb um element de exagero e artifi-
cialidade na saga que a pri~pria cantora
imaginou e alguns dos seus amigos ou bi-
6grafos trataram de difundir. A arte da
cantora era maior do que todas as suas cru-
6is adversidades, servindo de barreira de
contengho ou plataforma para lan~g-la no
plano superior da pura criaqio artistic,
formada pela maestria da voz, num mun-
do g parte e acima de tantas adversida-
des, em boa media resultantes da pro~-
ptia personalidade da artist.
Os mais radicais f-as de Billie, aqueles
que s6 conseguem ouvi-la na cercadura
do mundo do jazz de raiz, na comunidade
negra, costumam detestar esse Lady in
Satin. De minha parte, sempre o conside-
rei um Album irnico na carreira da canto-
ra. Cheguei ao jazz a partir da muisica clas-
sica, tendo como ponte de acesso compo-
sitores e rmisicos como Dave Brubeck,
Gerry Mulligan, Chet Baker e Stan Getz,


ou conjuntos como Modern Jazz Quartet
e Swingle Singers. S6 bastante depois
pude apreciar jazzistas como Ornette Co-
leman, Sonny Rollins, John Coltrane,
Charlie Parker, Miles Davis, Thelonius
Monk e tantos dos grandes nomes do jazz
negro, quando os clissicos Count Ba-
sie, Duke Ellington ou Louis Armstrong
- ji haviam sido digeridos.
Um dos primeiros discos que ouvi de
Billie foi justamente Lady in Satin. Dois
dos meus iniciadores no jazz, ambos ne-
gros, viravam o rosto de nojo. Havia
cordas demais nos arranjos, coisa aqu-
carada de branco imposta a Billie pelo
maestro Earl Ellis. Acontece que a ideia
desse disco foi da pr6pria cantora, que
teve o desejo de gravi-lo depois de ou-
vir o primeiro trabalho de reg~ncia de
Ellis transformado em disco, no qual os
violinos estavam realmente uns pontos
al~m do gosto certo.


DI 18










Minha aten~go foi atraida para a pra-
teleira de uma das lojas de livros e discos
que percorro na condigio de jornaleiro,
entregando minhas folhas impressas. Era
a verso em CD de Lady in Satin, o 61ti-
mo disco de Billie Holiday, de 1958, que
tenho, guardado com o m~iximo carinho,
na vers~io original, em bolacha preta, o LP
(ou Long-Play). Como os tempos sto de
vacas magras, n~io ia comprar, mesmo com
a possibilidade de permuta. Ficaria para
um memento mais favorivel.
Mas, como acontece sempre que vejo
algo de Lady Day, fui dar uma olhada. A
nova gravaCio, de 1997, tinha as 12 fai-
xas do original, sem novidade at6 ai. S6
que o CD trazia de acr~scimo 20 minutes
absolutamente novos, extraidos de grava-
95es que nio haviam sido usadas na pren-
sagem de 1958. Eram ensaios ou verses
nio aprovadas de I 'm afool to want you
e The end of a love afahir. Nessas faixas,
Billie interrompe a muisica, canta sem fun-
do musical e conversa, enquanto Ray Ellis
tamb~m interv~m ou comanda a partici-
pa~go da orquestra, antes da mixagem da
parte instrumental com a vocal. Uma emo-
~go inesperada, um memento maravilho-
so para quem consider Billie Holiday a
maior cantora de mdisica popular em to-
dos os tempos e em todo o mundo.
Confesso que meu vasto universe de
vinis e as contingtncias financeiras nho
me permitiram ser, no mundo dos CDs, o
consumidor up-to-date que fui no perio-
do tecnol6gico anterior. Por decorr~ncia
dessa limita~go e tamb~m, em escala
residual, por opgio prefiro voltar aos
discos queridos do acervo ji formado a
sair atr~is das novidades. O resultado des-


O que se deseja. pessoas de bem, e
claro e njio as 'pessimas elites', e o
afjamsamnto definiiito da vida puibli-
caB desses esperalh(es que se locuple-
tam com os recursos da socledade em
proteiro proprio e de seus apanigua-
dos. O sr. Jader Barbalho deve enca-
begar a lista. Ora. mas para que o ali-
jamento se concrelize e precise ser
mail inlimorato e menos escrupuloso.
Ngo se tinge esse desiderado enquan-
to se: distribuLr lisonjas ao Indigitado,
mesmo que seja para fazer compara-
cgo, ou para concluir algum trecho que
se tenha inrciado negativamente. ou,
alnda, por mera conslalagdo historica.
No meu entendimento e: isso que abun-
da nos dois tilumos mlimeros (268/9)
do Jornal Pessoal. Tanto foi a pujan-
Fa de um dos enc~mios que ele (Ja-
der), ao ser informado do fato pelo en-
trevistador de sua emissora de televi-
slo (RBA), chegou a agradecer com o
program no ar. Como sei que esse
journal 6 um poderoso formador de
opinion, fico apreensive que as mat6-
rias ("O dia depois do fim" e "Jader
Barbalho acabou?"), possam vir jun-
tar-se B nota 'dos dons de hotel e
motel' e servirem de mote para as fu-
turas campanhas eleitorais (?) desse
- para usar um termo de sua lavra,
inigualavel fariseu.
Rodolfo Lisboa Cerveira

MINHA RESPOSTA
Nada me farai dispensar meus es-
crsipulos, os da conscilncia, os da
verdade, os do respeito as pessoas,
os do reconhecimento dos direitos
dos meus adversairios, os da civili-


A vo



et Te n








JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/2001 7


A um ano da morte, Billie queria se
vestir de cetim, como diz o titulo do LP, e
isforneceu-lhe a vestimenta, como se
osevison puro, ainda assim com a
fungio de destacar quem o vestia.
Cordas e toda a orquestra, com
bons muisicos, eram a orna-
menta~gio para a verdadei-
ra estrela, com sua voz
rouca, fraca, mas
modulando com
sabedoria, su-
bindo e des-
cendo mo-
vida pela
alma,


pela sensibilidade rara, trazendo das en-
tranhas um som agreste e ao mesmo
tempo sofisticado, dor e sublimaqio,
amargura e leveza.
O amigo Irwing Thownsend disse que
esse foi o melhor disco que Billie gravou na
sua vida. Na 6poca, o arranjador e condutor
nio se deu conta do que ele e Billie haviam
feito. Na apresentaCio que escreveu em
1997 para o CD, 40 anos depois, Ellis ja
podia perceber que os solos de Lady Day
vinham de um coraqio em lagrimas, a se
despedir de tudo, que ja ent~io era pouco.
Cordas e metals apenas ecoavam esse
lamento, o "desabafo do coraqio" da
maior de todas as damas da muisica po-
pular. Ela se foi em 17 de julho de 1959,
mas esse Lady in Satin, enriquecido na
verso em CD, e o seu emocionado e
emocionante testamento. Antes do co-
lapso fisico final, Lady Day deu a sua
forma ~imica de interpreter a dimensio
que lhe era devida: a eterna.


lizados, o que cria uma atmosfera
agradi~vel,visualmente falando. Vale
dizer, n6s nos sentimos com os othos
leves em nio ver a rua tumultuada de
penduricalhos os mais diversos.
Como me parece que se pretend
que a Bras de Aguiar seja um mode-
lo de via puiblica, commercial ou nlo,
por que nio se pensar tamb~m em
retirar os flos e tornd-los subterri-
neos, bem como deixar apenas um
tipo de poste na rua (percebo que
apareceram outros postes mais bai-
xos no local) e, evidentemente, reti-
rar as caixas de leitura de consume
da Celpa? Parece-me que feito isso,
ficariamos a contemplar apenas a
beleza das mangueiras e os lumino-
sos das lojas, estes, no limited das
posturas municipals, bem colocados
nas paredes externas.
Alils, prestar-se-ia um serving e
uma caridade para comn as manguei-
ras: seriam evitadas as podas que
mutilam as mangueiras e as deixam
com o format de "V" para que se
permit passar os fios por entire seus
galhos. Complementando a suges-
tio, que se estenda a id~ia de tornar
subterrinea a flaqio em cada nova
rua urbanizada (e tem-se urbaniza-
do muitas) e instalada iluminaqio
pliblica. Poderia at6 se fazer uma
parceria entire a Celpa e a Prefeitu-
ra, casando as contas ou se fazendo
o acerto de contas entire os d6bitos
da taxa de iluminaqio publica que,
por ventura, a Celpa tenha para com
a Prefeitura. Seria uma 6tima opor-
tunidade de se pensar Bel~m com
humanismo e urbanidade.
Um abrago.
Mauro O' de Almeida


dade. Nem mesmo se, em alguns mo-
mentos, meus artigos forem utiliza-
dos contra o seu verdadeimo senti-
do. Uma vez publicado, o que es-
crevo passa a ser de dominio puibli-
co, tantopara oentendimento quan-
to para a incompreensdio, seja para
servir a objetivos claros quanto a
tditicas maliciosas.
Lembro do olhar acusatdrio do
atual prefeito Edmilson Rodrigues,
na 4poca apenas professor, quan-
do o governador Jader Barbalho
(no exercicio do primeiro manda-
to) se levantou da cabeceira da lon-
ga mesa de reunid'o no gabinete do
Palaicio Lauro Sodre, e distribuiu
copia de um artigo que eu havia es-
crito nesse mesmo dia em O Libe-
ral, criticando certas posigdes do
movimzento dos professors, que na-
quele just dia triam estar reuni-
dos com o governadb~r. Naquele
memento, o artigo interessava ao
governor. AlIguns meses depois meus
artigos jd eram trio contrairios aos
seus interesses que.;ne vi ameaga-
do de morte por investor duramen-
te contra Jader Barbalho, fazendo
as primeiras denuincias de corrup-
gdo contra ele.
Portanto, ja tenho tempo de es-
trada suficiente para ndio me surpre-
ender em ser louvado num dia por
aquele que me atacard furiosamen-
te no dia seguinte. O que me previ-
ne contra esses movimentos pendu-
lares, que marcaram minhas rela-
gdes com todos os poderosos neste
Estado ao long de quase quatro dd-
cadas, e a plena convicgdio de que
meu raciocinio se orienta pelos fa-
tos e pela busca da verdade. Mesmo


quando erro, todo meu esforgo e no
sentido de seguir essas diretrizes -
e ndio de averiguar a quem eventu-
almente estarei beneficiando ou pre-
judicando, quem poderai me usar e
quem poderdi se enraivecer comigo.
Se Jader Barbalho ainda encon-
tra em meus artigos motivagdio sufi-
ciente para me elogiar em puiblico,
a despeito de tudo (o que ndio me
causa nenhum constrangimento,
antes pondera, no estrito limited pes-
soal, o balango negative da atua-
glio puiblica desse antigo compa-
nheiro), o leitor anti-Jader (e ant-
escrup~ulos) vai neles tambtm bus-
car munigdo contra o mesmo Jader
- e ati contra mim.
Se querem uma metrjfora, la vai
uma, glauberiana, qure muito me
agrada: minha fungdio t colocar
deus e o diabo na terra do sol, sem
intermediairios, um diante do outro;
eles, que scio os verdadeimos perso-
nagens, que fagam a historia. Ou
ndo a fagam. Mas deixem de se es-
conder por trdis de santos, beatos,
cangaceiros ou vaqueimos. A verda-
de nos libertara. Na~o como um
mana dos cgus. Como uma plant
que semeamos, cultivamos, protege-
mos e colhemos, ao Jim de um lon-
go e meritbrio trabalho. Amtm.

Na Br7
Prezado LMcio,Escrevo na condi-
glo de ex-morador das cercanias da
Avenida Bris de Aguiar e como pes-
soa vinculada ate hoje gquele
lugar.Meu pai morou 65 anos na Vila
Amaz~nia, mais especificamente na
Passagem 5 de Abril, hoje e apbs a


sua morte Passagem Vereador Ema-
noel O' de Almeida.Ainda hoje, mi-
nha m~e, uma tia, irms do meu pai,
e um de meus irmios moram no
mesmo nlimero 32 naquele lugar.
Quando casei, quase dez anos
atris, a Bris de Aguiar ainda nio ti-
nha o apelo commercial que tem hoje,
mas ji havia um combrcio que pro-
metia crescer. Este crescimento, so-
mado a algumas medidas da Prefei-
tura, como a proibi~go do estacio-
namento nas Av. Nazar6 e Av. Gov.
Jos6 Malcher, trouxe mais carros
para as ruas laterais (traduzido em
stress para os moradores dos logra-
douros ao redor), mais flanelinhas
(da ultima vez que contei, s6 no pe-
rimetro compreendido entire a Gene-
ralissimo Deodoro e a Rui Barbosa
haviam 37) e al guma violincia, va-
mos dizer assim. N6s, la de casa, nos
gabivamos de nunca terms sido
assaltados ali por perto, o que in-
felizmente, nio 6 mais verdade.
Mas fiquemos na restauraqio da
ma que esta sendo feita agora. Gos-
taria de sugerir is autoridades com-
petentes que faqam uma andilise so-
bre a permanincia dos fios eletricos,
telef~nicos e das caixas de leitura da
Celpa nos postes da Brais de Aguiar.
Quem conhece o Rio de Janeiro e
conhece o projeto "Rio Cidade" que
pretendia, ou pretend, ser um mo-
delo de urbanismo para o Brasil, sabe
que nio existem flos condutores de
energia eletrica e de telefone aparen-
tes nos postes. Por toda a extensio,
por exemplo, das ruas paralelas a orla
do Leblon, Ipanema, Copacabana e
Leme nlio se enxergam tais aderegos
nos postes, bem como estes slo esti-




















































































Jornal Pessoal
Edilor* Llo Flwto Perun. Fones: (001 I23-70110. 261 4284 e 261482 Contao. TvBengarnin CaonrstaraB 4&03160310 anell: larmelanesn cm r Produgan. Angehmn Pmint Edign de Arle: Luizaniniearwi ~pinlo


s impul5sosnormativos, mod~iza- ZE Nada: mdica que os devo~tos do Cirio
dores, burocratizanles e repres- rtithem as plrocupaqbes e impulsos
sores do Cirio sSio como umq "E os que comandam essa fesla em nome
onda, que vai e vem. O cid~o parect. le-~ ~ ~ ~ umr estrurur institutional on reli-
recome litmaf3^s uia ez. o~ira sie I d giosa que pode ter direito a algum
pretend excluir os babados da cor- j 4 ~L pad~er dem~iando;; mas:ron~ mando,
da. Se fosse exequliveL ja seria uma r? absolutlo. Este, e do povo, que n~o
media discriminatbria, odiosa Os quer essas regras cistradoms~ e uni-
be~bados tambim sdo. illhos de -ficadoras sabte an-acontecitnetl-
Deus, comdireilo a curmprir aque- `to do mliltiplo quanto o Crrio.
It ripo de promessa que eoD mais A\ hisr6ria dessa festividade
sacrificante na paoci~ssio. A~las OfflO empo(I)ado mostra que ocidad~o ano~nimo


como lambem ~o cidadboj.o d
deem ser retimdos da massa se a estiverem incomo-
danldo ou ameagando terceiros. Puniveis pela lei dos
homes. A de Deus 6 para outtro memento
A corda. o elemento mais importante e polemi-
co do Cirio de Nossa Senhora de Nazard, nlo e tao
selva~gem como as corridas de touros que aconte-
cem pelas ruas de algumas cidades espanholas e
italianas, os animals fusligando as pessoas e \ ice-
versa. Ninguem, na civihzrada Europa, pensa em
acabar comn essas fesias apenas porque causam vi-
timas, fatais ou njo. Fa= parte da tradigijo. Tradi-
pso, so ao povo, que a invecnta, pode aboli-la.


tem sido muito mais racional,
Ilogico e mesmo sabio do que as tais auroridades, civis
ou religiosais. Se dependesse dele, O Larg~o de Nazati
continuaria com as seus coretos, seu rel6gio central,
abeno e capaz de abrigar a parte ditra profana do acon-
tecimento sem nanz empmado e dedo em nste.
Tudo o que foi feito para ordenar as coisas he-
terodoxas e epurgar os elementos considerados no-
cit os so piorou a situagso. O C~onj unto Arquireto-
nico de Nazar e eo retrato desses formalistas. N~o
a imagem do povo que faz a festa e garante-lber a
beleza e a perenidade A despeiro dresses eaga-re-
gras, como se dizia antanho, sem rapapbs.


essas publicaqdes num livro com1 a
mem6ria oral da cidade.
Como laboratbtio para o proje-
to, a prefeitura instalaria a primei-
ra dessas casas na Cidade Velha.
As outras seguiriam as solicitaq8es
dos moradores dos demais bairros.


Delirio
Pronto: agora s6 falta o
engolecobra.com (com perdso do
Flivio Nassar) querer ser candida-
to g presidincia da Rep~iblica.




COnta
De abril ao final do ano, o
governor do Estado deverd
gastar 9,l milh~es de: reais
em publicidade
official. Cinco ag~ncias
s~lo trsponsaveis por essay
veiculagio. A conta
maior, de R$ 3,2 milhaes, 6
da Griffo. Em segundo lugar,
vem a Mendes. As outras
trbs (DC3, Galvio e
DMG) tem fatias iguais'
de R$ 1,3 milhso.


neceu inativo. Obteve lucro bruto
de R$ 40 mil, ou R$ 28 mil liqui-
do, ap6s a previsio para o impos-
to de renda e as contribuiq8es so-
ciais. O ativo da empresa em 2000
ficou em R$ 3,58 milhdes, um pou-
co menor do que o de 1999 (R$
3,69 milhbes). Ngo houve qualquer
muta~go patrimonial no period.
O maior item do passive de lon-
go prazo da empresa sio debentu-
res no valor de R$ 1,38 milhilo
(que somavam R$ 1,57 milhio em
1999), a escrituraqio da participa-
Fgo da extinta Sudam no capital do
randrio da Centeno & Moreira. Isto
quer dizer que, para efeitos cont8-
beis, sujeitos a auditagem official,
o que a empresa de Mircia Zahlu-
th Centeno admite dever como
contrapartida g colaboraqio dos in-
centivos fiscais esti abaixo desse
valor. Ngo os R$ 9,2 milh~es apon-
tados pela midia.
Os nuimeros aparecem no ba-
lango da empresa, publicado no
Diario Oficial. Se foram maqui-
lados, e o caso de serem desmas-
carados. Esse trabalho, porem, jb
nao parece mais interessar aos in-
vestigadores de ontem. Por bons
ou maus motives, o ParB, que por
bons ou maus motives episodica-
mente recebe aten~go, voltou a
sair da agenda dos jornalies.


Errata
Com menos stress, errinhos
bestas podiam ser evitados neste
journal. Uma vez o leite derrama-
do, por~m, 6 melhor aproveit8-lo
numa coalhada.
Simio Jatene, como todos sa-
bem, e secretirio especial da pro-
dugIo. Mas associa-lo a promo~go
social, como se fez na edi~go pas-
sada, tem sentido. Ao menos de
uns trds meses para cB. Quem mais
o governor tem promovido?


Id ela
Sugeri, na edi~go passada, que
a prefeitura apoiasse a formaqio de
associates de amigos de bairros
cedendo-lhes pr6prios municipais.
Gostaria de ampliar essa proposta.
Nos pr~dios, de valor hist6rico ou
arquitetanico, que a prefeitura vi-
esse a comprar e ceder para essas
entidades, em regime de comoda-
to, tamb~m seriam instalados cen-
tros de convivtncia para pessoas
agora classificadas como da tercei-
ra idade. Essas casas seriam equi-
padas com bibliotecas, material
para priticas de lazer (como diver-
sos tipos de jogos) e assistincia
psicolbgica e social. Mais voltadas
para trabalho mental e intellectual
(o fisico poderia continuar a ser
realizado nas ruas ou academias).
Cada centro teria como sua
principal tarefa coletar, organizar
e publicar os testemunhos dos mo-
radores mais antigos do bairro,
funcionando como um museu da
imagem e do somn. A prefeitura ce-
deria equipamentos para a toma-
da em video dos depoimentos e
auxiliaria o trabalho de transcri-
gio e edi~go do material num li-
vro, por ela pr6pria publicado. Os
membros do centro se encarrega-
riam de todo o trabalho de produ-
950 e distribui~go do livro, trans-
ferindo a renda para um fundo de
manutengio do centro.
Um supervisor da prefeitura
funcionaria como interlocutor jun-
to ao grupo de moradores, estabe-
lecendo crittrios e regras para a
aprovacgio da edi~go inaugural.
Outras se seguiriam a media que
novos depoimentos fossem obti-
dos. Num prazo de cinco anos, por
exemplo, uma equipe consolidaria


Lacuna
O Banco do Estado do Para
descumpriu resolu~go do Tribunal
de Contas do Estado ao nao pu-
Illicar o valor do aditamento (com
wyigincia de mais um ano, a partir
de 10 de outubro) ao contrato que
assinou com a Unisys Brasil. O
contrato, feito sem licita~go pit-
blica, que foi considerada inexi-
givel para o caso, objetiva "solu-
gio integrada de call-center e in-
ternet banking, voltada para o
atendimento de clients e para a
realizaqio de neg6cios".
Alem de nio obedecer a exigin-
cia do TCE sobre o valor do termo
aditivo contratual, o Banpara so-
nega informaqio preciosa ao leitor,
interessado em saber como o be-
dleficio da inexigibilidade de lici-
ta~go se aplica a Unysis.
Com a palavra, o president do
banco, Mgrio Ribeiro.



O randrio da mulher do ex-se-
nador Jader Barbalho, que mere-
ceu tantas materias da grande im-
prensa national, faturou no ano
passado 218 mil reais, contra ne-
nhum movimento commercial no
exercicio anterior, em que perma-