Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00218

Full Text




JOfflR PeSSO
L IjC IO F LA V IO P IN T O
ANO XIV NO 2~68 la QUINZENA- DE OUTUBRO DE 2001 RS 2,00

JADER BARBALHO


1


sarag hist6ria como um raro politi-
co do tso discriminado Norte a as- da Repilblica, F'ernando Hennque Cardoso.
sumir a presid~ncia do poder legis- Caprichosa, por~m, a histbria registrar que o
lativo no Brasil, vencendo o ho- paraense sequer conseguiu tomar posse de fato
mem mais influence no pais naquele momen- da presid~ncia, na qual permaneceu por con-
to, o senador Ant6nio Carlos Magalhaes, que turbados sete meses, cedendo, final, as pres-
ate entio conseguia intimidar at6 o president sdes para se tornar o primeiro president do


Senado a renunciar ao cargo, em quase 180
anos de hist6ria. O ex-governador bem que
merecera o titulo de Jader, o Breve.
Jg slo poucos os que apostam na pos-
sibilidade de ele ainda conseguir salvar o )


O dia depois do fim

Depo~is de renunciar ii ambicionada presiddncia~ do Senado, Jader Barbalho terd'
que abrir mdob tambdm do mandate de senador para ndob perder os direitos politicos e poder
participar da eleigdob de 2002? Se ele permanecer elegivuel, qual o cargo que decidird' disputar?
Sua decisdo constitui a maior inedgnita do jogo eleitoral no Pard'.
12 onde o ex-governador ainda lr








2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001


seu mandate, a um ano de se submeter a
uma eleigio para renov8-lo e a 15 meses
de encerr8-lo. Mesmo os que estio empe-
nhados em faz&-lo seguir o destiny de
ACM e Jos6 Roberto Arruda, que abriram
mio dos mandates para nlo serem cassa-
dos, o que os tornaria inelegiveis por oito
anos, admitem, entretanto, que a resisttn-
cia de Jader 6 inigualivel.
Quando um politico comum ji teria en-
tregado os pontos e aceitado os sinais nega-
tivos dos seus pares, o ex-presidente do Se-
nado aparece com novo inimo, ajudado ain-
da por acontecimentos de grande impact
(como o seqiiestro na familiar de Silvio San-
tos e o atentado ao World Trade Center), que
desviam a aten~go da opinilo phiblica (mas
nio o bastante para a grande imprensa ig-
nord-lo). A estrela de Jader 6 brilhante, mas
a boa sorte nlo basta para tudo.
Politico que em 35 anos realizou uma
carreira quase complete, de vereador a se-
nador, sendo ainda governador e ministry
duas vezes, Jader conquistou por mereci-
mento o titulo de o professional mais com-
petente em mattria de political que ja hou-
ve no Parl republican. Mas deixou-se le-
var pelos louros dessa fama, subestiman-
do os percalgos da sua biografia, com suas
fraturas visivelmente expostas, quando
aceitou o desaflo de impor sua candidatu-
ra g presid~ncia do Senado a quem exer-
cia plenipotenciariamente esse cargo, o
baiano ACM.
Conflante na sua not6ria habilidade para
contornar problems e superar desafios atra-
v~s da negociag8o de p6 de ouvido ou da
ret6rica de palanque, Jader pagou para ver.
O prego veio atravis da mais feroz campa-
nha de den6ncias que um politico brasileiro
ji sofreu da imprensa. Jader podia travar o
combat como um boxeador ggil e inteligen-
te, que se esquivava com rapidez para nlo
ser atingido. Mas cada vez que um golpe o
apanhava, era a um ponto sensivel, que o
fazia sangrar e acusar a dor. Quando subiu
a tribune do Senado, no dia 18, ele ji nio
tinha mais o rosto limpo, nem a disposi~go
de antes. Era um derrotado, independente-
mente do resultado da luta.
Pode ate conseguir, por manobras de bas-
tidores, urdidas g sombra do Palaicio do Pla-
nalto, o que jii 6 considerado quase impos-
sivel: salvar o seu mandate. Mas nio conse-
guird recompor a imagem de vitorioso, que
ostentou quando bateu boca com ACM e,
em seguida, o derrotou na vota~go para pre-
sidente da casa. Os estigmas da corrup~go e
do enriquecimento ilicito estario definitiva-
mente associados a Jader Barbalho, mesmo
que, em um e outro caso, ou em virios, ele
possa demonstrar que foi injustigado ou que
a pecha lhe foi pespegada sem a admission
de algo elementary: o seu direito de defesa.
E que ele foi escolhido para boi de piranha,
enquanto uma manada de politicos corrup-


tos, alguns que at6 ocuparam tambtm a pre-
sidencia do Senado, atravessou inc61ume a
avenida do poder sem provocar a menor
aten~go da combative grande imprensa.
Mesmo que consiga reverter a tend~n-
cia dominant e preservar o mandate que
lhe resta, Jader nio conseguird voltar a ser
um politico de primeira linha no cendrio
national. O proscenio do poder brasileiro
lhe foi definitivamente vedado. Tornar-se-
a entlo irrelevant o memento seguinte ao
da rendncia ao comando do legislative fe-
deral. Ainda que lhe restem alguns elemen-
tos de esperanga, ele poderia optar por re-
nunciar tamb~m ao mandate sem sofrer
mais seqiielas do que as que ji lhe foram
causadas. Sua tarefa prioritlria sera a de
retomar o patriminio politico que ainda
possui no ParB, a fatia maior com que con-
ta um politico individualmente no Estado,
independentemente do poder institutional
que eventualmente possuir.
Arrematar a primeira ren6ncia com a se-
gunda poderia at6 ser mais interessante para
Jader Barbalho, se ele conseguir voltar a sua
terra com um tom convincente no discurso
que devera adotar a partir de agora: de que
foi punido por ter tido a audicia de aspirar
a um cargo tio important, sendo ele ape-
nas "um caboclo do Para". Os pecados se
tornarao secundarios em relagio a figure do
pecador, punido por nso ser da "panelinha",
por nio ser um branco, como os poderosos
de mios finas que acabam decidindo o que
interessa para valer no pais, mas um rustico
cabocio de cor parda.
E evidence que Jader vai empunhar essa
bandeira, caso decide disputar outra vez o
governor do Estado no pr6ximo ano. Mas
esse tom prevalecerii sobre a infase que seus
adversaries certamente dar~io ao seu envol-
vimento com corrupglo? O estigma que a
imprensa lhe aplicou nlo o impedird de reu-
nir fontes para o financiamento de uma cam-
panha a altura dos recursos que serlo colo-
cados a disposi~go do candidate official? Ate
que a poeira senate (em quanto tempo isso
ocorrerd?), Jader nso sera equivalent a um
leprosy de antigamente, do qual se buscard
distincia para evitar a contamina~go? Tudo
o que foi construido com os poderes de pre-
sidente do Senado e seus satelites de infil-
traqio, como a Sudam, nio sera varrido pela
miquina official do Estado, mobilizada em
favor do adverstrio?
De concrete, o que se pode dizer ago-
ra, no memento mais desfavoravel para o
senador do PMDB, e que se sua situaqio
em seu reduto eleitoral nlo 6 tio tranqiiila
quanto a de ACM na Bahia, 6 imensamen-
te melhor do que a de Arruda em Minas
Gerais. Se nio tiver seus direitos politicos
suspensos por causa da cassagio do seu
mandate, ou se renunciar antes de defla-
grado o process de puni~go, Jader ainda
tera opg~es a sua escolha.


Seus assessores declaram que a definigio
da candidatura ao governor 6 a menos proyd-
vel. Apostam que Jader ird~ mesmo tentar re-
conquistar seu lugar no Senado. Alguns ja
admitem o que consideram ser a mais desfa-
voriivel das hip6teses: o ex-governador dis-
putar uma vaga de deputado federal, descar-
regando votos na legend para montar uma
forte bancada federal do PMDB paraense.
Qualquer que seja a decisio do ex-pre-
sidente do Senado, ela vai ter repercussio
direta e important sobre a arrumaqgo do
jogo eleitoral no Para. Se cabega de chapa
ao governor, Jader ird liderar uma coligagio
reunindo alguns segments dissidents (mais
por fisiologismo do que por qualquer ideia)
do governor e certas areas ditas oposicionis-
tas, dividindo esse terreno com o PT e com
Hildegardo Nunes, se o vice-governador
mantiver a diretriz de disputar de qualquer
maneira o governor em 2002 (perspectiva que
sofrerzi, contudo, uma drastica alteraqio com
uma candidatura Barbalho).
Se concorrer novamente ao Senado, Ja-
der dard a dispute dessa vaga um carriter ple-
biscitlrio, sujeitando-se a um desgaste equi-
valente ao da elei~go para o governor e com
um grau de risco, se nio igual, talvez at6
maior, por enfrentar uma concorrincia ain-
da mais dura no reduto situacionista.
Mas o que aconteceria se Jader trocasse
uma elei~go majoritlria por um pleito pro-
porcional? Nem seus mais empedernidos ini-
migos seriam capazes de negar que ele se
elegeria deputado federal. Nlo s6 tranqiii-
lamente, mas provavelmente comn a mais ex-
pressiva de todas as votaqBes para a Cbma-
ra Federal. Jader conseguiria essa vit6ria
sem precisar recorrer a maiores funds de
financiamento, nem mesmo a outros com-
promissos politicos.
Essa condigio talvez lhe permitisse re-
comegar sua vida political, podendo pagar
pelos erros cometidos, responder aos pro-
cessos judiciais (todos ou praticamente
todos prescritos) e usufruir um privil6-
gio que poucos tiveram e raros levaram a
bomn termo: escrever uma nova biografia,
nio negando todos os erros do passado, mas
nio mais os repetindo, porque teriam real-
mente passado.
Arthur Bernardes, em outro context,
conseguiu redimir os erros do autoritaris-
mo praticado na presidencia da Rep~iblica,
sob permanent estado de sitio, tornando-
se um senador defensor de ideias (embora
nem sempre certas ou equilibradas). JB
Adhemar de Barros, Orestes Qubrcia e Pau-
lo Maluf mantiveram coer~ncia com o pas-
sado, apostando na desmemoria dos homes
e na lentidso ou vicio das instituiqdes para
realizar uma vida bem sucedida, apesar de
pontilhada de ilicitos na funq8o pdblica,
muito denunciados, mas nio desfeitos.
Como sera o "day after" de Jader Fonte-
nele Barbalho?








JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 3




As maiores e melhores



empresas da Amazonia


AS MAlORES EMPRE8AS DA AMAZ6NIA
Empresa Estado Vendas Patriminio Lucro Empregados
(US$ milhies) Ilquido liquid

Gradiente Eletr~nica AM 687 --
Albras PA 540 157 120 1.306
Itautec Philco AM 511 156 33 2.008
Samsung AM 410---
Celpa PA 377 379 10 2.287
Gillette AM 376 --
CCE da Amazbnia AM 368 78 -6 2.437
Petrbleo Sabbd AM 335 41 41 80
Alunorte PA 324 286 22 498
Semp Toshiba` AM 306 278 34 545
Lojas Yamada PA 264 10 1,3 4.800
Telemar PA 241 306 30 503
LG AM 233 26 3,7 509
MRN PA 232 296 76 956
Panasonic AM 209 13 12 -
Videolar AM 194 164 -5,3 1.700
Brastemp AM 184 94 -2,4 651
Jarcel Celulose PA 179 179 -29 939
Lider Supermercados PA 149 ---

OBS Alguns dados nhio foram fornecidos. Ignorei as fragi~es, exceto em nlimeros abaixo de.10.


Das 10 maiores empresas em faturamento
instaladas na Amazbnia, sete slo do Amazo-
nas, segundo o levantamento feito pela revista
Exame, na sua traditional edigio annual Melho-
res e maiores. Pelo critbrio de vendas, a maior
firma amazi~nica 6 a Gradiente Eletr~nica, que
tem sede em Manaus, com o equivalent a 687
milh~es de d61ares no ano passado. Em se gui-
da vem a Albr~is, de Barcarena, com US$ 540
milhdes. As duas seguintes do ranking sio
amazonenses: Itautec Philco (US$ 511 milh~es)
e Samsung (US$ 410 milhbes). O quinto lugar
6 da empresa de energia do Parki, a Celpa (do
grupo Rede), com US$ 377 milhoes. As ama-
zonenses seguem em trio a partir dai: Gillette
(376 milhbes), CCE da Amaz6nia (368 mi-
thaes) e Petribleo SabbB (335 milh~es). A Alu-
norte 6 a nona (324 milh~es) ea Semp Toshiba
Amazinia a IF (306 milh~es).
A Gradiente Eletr~nica 6 a 92" maior em-
presa do Brasil por vendas. Deu um gmande salto
em relagilo a 1999, quando ocupava apenas o
281" lugar. A Albris 6 a 13F" do ranking naci-
onal, mas sofreu uma queda em rela~go 1 124a
posiqgo do ano anterior. A Itautec, que era a
166", encostou mais, ficando no 136 lugar em
2000. No geral, as indtistrias eletroeletri~nicas
da Zona Franca de Manaus apresentaram uma
evolugito muito melhor do que as empresas do
Parsi: das 10 que mais cresceram na regilo, oito
sho da ZF (a Samsung, por exemplo, saltou do
303" posto para o 177" no ano passado), gra-
gas ao aquecimento das vendas. Mas deverio


voltar a encolher em 2001, por causa da retra-
950 do consume de bens duriveis, um das con-
seqtiincias da crise de energia.
O desempenho mais destacado foi o da Mi-
neraglo Rio do Norte, escolhida por Exame
como a melhor empresa do setormineral no Bra-
sil. A MRN, formada pela uma association da
Companhia Vale do Rio Doce com virias multi-
nacionais, g frente das quais estio as gigantes
Alcoa e Alcan, bateu no ano passado seu recor-
de de produgio de bauxita, com 1 1,2 milh~es de
toneladas, faturando 232 milhbes de d61lares. Mas
dentro de dois anos, gragas a um investimento
s6 um pouco inferior g sua receita bruta annual,
de US$ 224 milh~es, deverA; chegar a 16 mi-
lh8es de toneladas, consolidando-se como a
maior mineradora de bauxita do mundo.
Apesar da avaliaqio da revista especializa-
da da Editoma Abril, o mais notivel comporta-
mento foi o da Alunorte, na escala seguinte da
transformaqio da mat~ria prima extraida das ja-
zidas de Oriximind pela MRN. A Alunorte, que
fomece alumina (transformada a partir da bau-
xita) para a Albris, a Alumar (em Sgo Luis do
Mamanho) e virios compradores internacionais,
faturou quase 100 milhdes de d61lares a mais do
que a MRN: US$ 324 milhbes. Mas o principal
6 que, em quatro anos de opemyso regular, a
Alunorte j6 apresentou lucro liquid, que, ajus-
tado, alcangou US$ 22,2 milhaes. O perfil do
endividamento da empresa melhorou e ela obi-
teve a quinta melhor liquidez corrente entire as
empresas regionals, com indice de 1,67%.


Continuando no ciclo do aluminio, 6 im-
portante o lucro finalmente conquistado pela
Albris na produ~gio de aluminio mettlico: o
lucro liquid ajustado da empresa no ano pas-
sado foi de mais de US$ 120 milhdes. Esse re-
sultado pode significar que a empresa esti em
condiq6es de resolver seu maior problema, o
pesado endividamento de long prazo, e se
manter rent~ivel a partir de agora?
A busca de uma resposta correta exigira uma
andlise profunda nas contas das empresas. O ci-
clo do aluminio no Pard esti consolidado. Da
ponta da linha a sua etapa final, nos limits do
produto industrial primairio, que 6 o lingote de
aluminio, as empresas est~lo amadurecidas. A
MRN, que tum conglomerado ainda conflituo-
so de gmandes empresas concorrentes nos mer-
cados national e internacional, tem conseguido
sobreviver a essas idiossinerasias internas, apre-
sentando lucros ha virios anos seguidos. Niio
exatamente por obter prepos relatives (ou abso-
lutos) melhores, mas por constant elevaq~o da
sua produglio, que, em um quarto de stculo, ter-
se-i multiplicado oito vezes, pulando de 2 mi-
lh~es pama 16 milh~es de toneladas.
A Alunorte, prima pobre do circuit, surpre-
ende comn resultados positives mais cedo do que
se podia esperar, conseguidos certamente poruma
efici~ncia pri~pria, mas tamb~m pela solugho co-
mum a esses gr~andes projetos: aumento constan-
te do volume fisico de produgho pama contraba-
langar a manuten~gio (ou a qlueda) do prego (ab-
soluto ou relative) do produto. A Albris estd en-
frentando o fantasma do seu pesado endividamen-
to, devendo softer neste ano com mais intensida-
de o efeito deletbrio da crise de energia, que bre-
cou seu plano de expansho, e a alta do d61lar.
Mas a pergunta que fica 6 esta: sedi suficien-
te fechar esse ciclo, aceitando o limited estabele-
cido, que 6 a primeira transformagilo industrial
da materia prima em aluminio bruto? A histi~ria
commercial da mineragao do aluminio ja vai para
um quarto de stculo e parece estar ocorrendo
num outro territibrio que nio o do Idcusi real da
sua atividade, que 6 este desatento Parid.
A hist6ria da mineraglo do ferro 6 s6 um
pouco mais nova, mas nela o avango ainda 6
muito menor do que no setor aluminifero. O
Parki, segundo maior produtor mineral do pais,
continue a ser quase zero em siderurgia. S6
n~o 6 zero porque conta em seus limits com
tres usinas de ferro-gusa, mas isso 6 apenas
pouco mais do que um residue de nada. As
escalas se produg8o de mat~ria prima conti-
nuarilo a crescer, exaurindo as jazidas mine-
rais, e ficaremos s6 nisso?
Jg ests na hora de encontrar uma res-
posta pr~itica para essa indaga~go, antes que
a hora passe.








4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001





Amazonia ameagada


Se podem bombardear qualquer pais do
mundo que esteja abrigando terrorists en-
volvidos nos atentados a Nova York ou a
eles sejam simpaticos, por que os Estados
Unidos ndo poderiam invadir a Amaz~nia,
cuja floresta sob crescente ameaga fun-
ciona como absorvedouro da polui~go in-
dustrial americana e 6 uma reserve de re-
cursos naturals e informagaes biol6gicas
sem igual para suas empresas?
Perguntas assim surgiram em Belem
logo depois que as duas imensas torres do
World Trade Center ruiram, sepultando sob
milhares de toneladas de concrete, ferro e
vidro milhares de cidadios da capital de
um dos maiores imperios de todos os tem-
pos, causando-lhe o maior abalo em sua
ainda recent e ja muito tumultuada -
hist6ria. Uma reaeio agressiva do gover-
no do president George W. Bush sobre o
mundo drabe que nio se colocasse a favor
dos EUA poderia gerar intranqiiilidade e
inseguranga em todos os lugares onde hou-
vesse uma tensio entire os interesses do im-
p~rio e uma resisthncia local.
A Amazbnia seria um desses reposit6-
rios de conflito, segundo uma corrente de
interpretagio geopolitica, desenvolvida A
direita eag esquerda do espectro ideol6gi-
co, em Belem do Pard~ ou Brasilia, e em
Paris ou T6quio. A pedra de toque dessas
andlises 6 o conceito de soberania limita-
da ou restrita, que estaria sendo desenvol-
vido na cabega de virios dos mais podero-
sos dirigentes mundiais e j6 chegou a boca
de alguns deles, como os presidents Fran-
gois Mitt errand (ji falecido) e Jacques Chi-
rac, o primeiro da centro-esquerda e o se-
gundo da centro-direita da Franga, al~m de
militares do Pentagono.
O Brasil, sem o control adequado ou
a presenga necessaria na Amaz~nia, te-
ria soberania relative sobre seu territ6-
rio, aberto a uma supervisor internacio-
nal. Naq8es indigenas de um lado (com
seus "territ6rios libertados") e ONGs de
outro, com sua atuaqio paralela a do go-
verno, seriam os elements de introdu-
Fgo a essa nova realidade. De uma ma-
neira ou de outra os bancos multilaterais
e as agencias internacionais estariam
dando suporte a essa infiltraqio. Mais um
pouco e a presenga dessas instituiqdes
estrangeiras se superporia e prepondera-
ria sobre o governor national.


Tal linha de raciocinio ndo 6 recent.
Ao contririo, parece ter vindo para a Ama-
z6nia junto com o colonizador europeu, su-
prindo sua incapacidade de ocupar e asse-
gurar para si o vasto territ6rio do mundo
do Eldorado, com tamanho equivalent, no
continent sul-americano, ao dos Estados
Unidos. Para Portugal quinhentista, o Bra-
sil era seu finico aval de future, o antidote
para a decad~ncia de um imp~rio que, na
sua 6poca, podia ser comparado ao ameri-
cano dos nossos dias.
A consolida~go da presenga portugue-
sa nesse territ6rio setentrional, que seria
tratado como um outro Brasil, com identi-
dade e governor pr6prios, foi obtida mili-
tarmente no literal, afastando os pirates
ingleses, franceses e holandeses, e, no in-
terior, por esperteza (combinada com bar-
barismo) dos seus bandeirantes, que igno-
raram os tratados internacionais para abo-
canhar terras espanholas situadas al6m do
limited do tratado de Tordesilhas.
Quando o Brasil meridional caminhou
para a independ~ncia, o Brasil setentrio-
nal foi tratado a ferro, fogo e despotismo
esclarecido (do Marquis de Pombal) para
continuar portuguis. S6 se libertou da do-
minaqio colonial B custa de uma insurrei-
Cgo, que, se tivesse ocorrido hoje, teria cau-
sado dois milh~es de mortes em cinco
anos, quatro vezes mais do que as baixas
americanas em toda a guerra do Vietnam,
de mais de uma decada de duraqio.
A fragilidade do Estado national diante
da extensio territorial da regiio e da cobi-
ga international sobre ela, derivada de ri-
quezas mais presumidas do que conhecidas,
constituem os elements essenciais dessa
visio geopolitica, em suas exacerbaqdes
derivada para a teoria conspirativa. Um in-
ventiirio feito sem criterio de todos os inci-
dentes da hist6ria das relaqdes da Amazb-
nia com o mundo exterior alimentarai a con-
clusio dessa literature sobre a cobiga inter-
nacional permanent, s6 nio consumada
gragas g maestria dos colonizadores portu-
gueses e dos seus sucessores brasileiros,
ambos, alias, na sua realpolitik amaz~nica,
colonizadores latu sensor.
Uma revisio mais rigorosa do passado
revelarai, contudo (e ja esta revelando, con-
tra as resistincias ortodoxas, g esquerda ea
direita), que naqdes mais poderosas do que
a velha Portugal e o novo Brasil s6 nio to-


maram conta militarmente da Amaz~nia
porque nio quiseram: lhes era mais interes-
sante e rentavel continuar a ter acesso aos
recursos naturals da regiso, que ji se havi-
am transformado em mercadoria (com acei-
tagilo e procura no mercado mundial, por-
tanto), atravbs de um governor national que
ja estava constituido. Era ocioso substitui-
lo por um novo governor, com todos os pe-
sados investimentos materialss e humans)
decorrentes.
A Inglaterra se estabeleceu como go-
verno metropolitan na Asia, mas recu-
sou a oferta que lhe fez o regente brasi-
leiro Diogo Ant6nio Feij6, em dezembro
de 1835, de invadir com tropa armada a
Amazinia para reprimir a Cabanagem, a
sangrenta reaqio dos natives contra o re-
gime colonial lusitano, interpretada no
Rio de Janeiro como uma ameaga ao en-
gatinhante imptrio brasileiro (os ecos
amazanicos sempre chegaram distorcidos
aos ouvidos da capital national, tanto o
Rio de Janeiro quanto Brasilia).
Por quC gastar tanto dinheiro e, eventu-
almente, vidas humans na substituigio
manu military de um governor national por
uma metr6pole de alem-mar se as merca-
dorias chegavam na quantidade e no prego
convenientes g city de Londres, que dispu-
nha de r~gua e compasso para estabelecer a
forma da produgilo e o seu fluxo? Os geo-
politicos de palanque esquecem que depois
da desorganiza~go da vida social e econb-
mica provocada pela Cabanagem, com a
morte de 30% da populagio de entio (dos
150 mil habitantes), a opulancia que come-
garia na segunda metade do s6culo XIX, com
a exploraqio da borracha, foi financiada pelo
capital inglbs, que estabeleceu sua casa ban-
c~iria antes de o Banco do Brasil fincar sua
bandeira no ignoto sertiio amaz6nico.
Essa nova visio retrospective 6 elucida-
tiva para o seculo XIX e pelo menos meta-
de do sdculo XX. Ela ira exigir uma nova
maneira de situar epis6dios como o do Ins-
tituto Internacional da Hil~ia Amazanica,
de ap6s a Segunda Guerra Mundial (cria-
Fgo da Unesco atribuida aos Estados Uni-
dos, mas a qual os americanos, presents
de outra maneira na regiio, nio s6 niio ade-
riram como boicotaram). O seculo XXI,
que, a rigor, comegou com a crise mundial
da energia, em 1973, atraindo a atengho de
todos para o lugar de maior concentraqio









JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 5


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naqdes mais poderosas a
exigir a manuten~go da
configuraqio original da
Amaz6nia, sua intocabilidade. Seja
para usufruir o efeito purificador da mas-
sa vegetal como para ter sempre uma fon-
te de informagdes geneticas, freqilente-
mente sujeitas a biopirataria.
N~io ha, entretanto, no horizonte visua-
lizivel da hist6ria, uma possibilidade de in-
vasio military da Amaz~nia para o atendi-
mento desses interesses ultramarinos, mes-
mo que sob o impulse de um novo impeto
policial da ainda poderosa naqio america-
na, sob o comando do filho (literalmente
falando) de um guerreiro frio. As condigaes
ji nio sio as mesmas de 1835, quando Fei-
j6 pediu a Lorde Palmerston para invadir a
Amaz6nia e matar os rebeldes cabanos com
a cobertura confidencial do governor impe-
rial. Mas cabe a mesma pergunta: o que a
presenga military daria a essas pottncias que
elas ji nio tim ao seu alcance, por via legal
e menos onerosa?
Por outro lado, uma rela~go altiva e in-
teligente diante de um mundo cada vez mais
interessado na Amaz~nia, provando-lhe
competencia especifica em mat~ria amaz8-
nica, superior 1 de qualquer outro interes-
sado no assunto, realizando as melhores
metas (humanitarias, nacionais e regionals)


de energia in natural, justamente a Amaz6-
nia, exige uma abordagem mais sofisticada
e complex do que essa. Em compensa~go,
nada tem a ver com a fi~rmula das conspira-
goes dos geopoliticos.
A revelagio da riqueza amaz~nica ain-
da 6 uma tarefa a realizar, mas j6 nio 6
uma lenda ou uma utopia, como no perio-
do anterior aos primeiros levantamentos
sistemiticos e em profundidade, desenca-
deados a partir do esforgo de guerra dos
anos 40 do sdculo passado. Alguns recur-
sos naturals da regido, sobretudo os mine-
rais, ja se consolidaram como commoditi-
es de relevincia mundial ou mattrias pri-
mas de importlincia crescente, como o es-
tanho, o minbrio de ferro, a bauxita, o alu-
minio, o manganbs, a madeira. Alguns cir-
cuitos da produgho international contam
com o insumo amaz~nico e dele ji ngo
podem mais prescindir.
Todos os calculos econ6micos de futu-
ro incluem o fator amaz~nico como rele-
vante, sobretudo para stores de ponta: a
biotecnologia, a engenharia genttica, a tec-
nologia de novos materials, o control da
poluigio e, naturalmente, refuigios de vida
selvagem, cada vez mais vitals para a so-
brevivdncia da humanidade, ou a manuten-
g~io do seu ciclo de evolu~go e progress.
Alguns acham que essa situaqio levard as


at6 agora estabelecidas, nio 6 a maneira
mais eficaz de impor a soberania national
sobre a maior fronteira de recursos naturals
que hi no memento no planet? Ela conci-
liaria a fungdo que a Amaz~nia deve de-
sempenhar no mundo com seu desejo mais
legitimo: de continuar a ser o territ6rio da
harmonia entire Agua, luz e massa vegetal
deste nosso universe ameagado.
Nesse ponto, n6s e os estrangeiros de-
viamos estar de acordo, conscientes de que,
embora mais demorada e muito mais cus-
tosa, essa 6 a 6nica maneira inteligente a
disposipio do homem para se introduzir
como element criador na paisagem ama-
z8nica. A diferenga a nosso favor 6 que
possuimos soberanamente esse patrim~nio.
Mas essa 6 tambem a nossa maior respon-
sabilidade: aceitar a perpetuaqio e ampli-
a~go dos erros cometidos na regiso equi-
vale um verdadeiro crime de lesa-humani-
dade. Para nio darmos autoridade a ne-
nhum outro povo para puxar nossas ore-
lhas e erguer sua voz acima da nossa, e
precise e 6 urgente restabelecer o pri-
mado da natureza na fronteira do caos.









G JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001


nheimo de chapa (e de alianga) em
1998 e passard a combater aberta-
mente o candidate dele, o secretairio
Simdio Jatene, recorrendo a um alen-
tado dossier para mostrar quem o
pretendente tucano ao tmno estadu-
al. Mas como Hildegardo excplicard
ao povo o sildncio obsequioso que
manteve ati entdio, como nota o lei-
tor Elias Tavares, na carta publica-
da abaixo? Conseguirai convencer o
eleitor que essa linguagem oposicio-
nista k sincera e profunda e ndio o
recurs extremado, a que teve que
recorrer em fungdo de interesse con-
trariado? Que sd comegou a esper-
near porque suas pretensdes nio fo-
ram atendidas? Que g uma verdadei-
ra opgdio para o Parai e ndio a outra
face da mesma moeda?
Saio perguntas pertinentes. Mas a
candidatura de Hildegardo Nunes
tem, pelo menos, o ad'rtre a'e permridr
ci opinidio ptiblica formular essar per-
guntas e, atraves delays, aprofurndar
seu conhecimento da situagdio politi-
ca do Estado. Este serdi um resultado
positive do process, se o vice levar
sua opgdio ais lltimas conseqiidncias.
Quanto ais corrego~es do leitorso-
bre o cartum que ilustrou a materia
de capa da edigdo anterior b bom
explicar que a palavra mag~ica (sha-
zam) na boca do Super-Homemn e nio
do Capithio Marvel foi um recurs
deliberado, ndio um laps. Aldm dis-
so, ao invis de usar a celebre cabine
telefdnica novaiorquina, o heroi ma-
rajoara do desenho liga de um ore-
lhdo. Ulma opgio pelo pastiche para
carnavalizar ahistdria emostrar que
ela eo. que 6: uma geldia geral.
INas democracies, a kryptonita &
o voto. Felizmente.
Jai em relagdio ao future journal,
O Paraense, cujo langamento aca-
bou sendo adiado por duas vezes,
esclarego que o registro complete
das possibilidades que foram aber-
tas (e continuam abertas) pela in-
suficidncia da grande imprensa pa-
raense ndio deve ser considerado
como prova de ingenuidade. E ape-
nas um diagndstico de situagdio. Se
o journal ndoe desenvolver a propos-
ta que apresentou e utilizar a lacu-
na existente, limitando-se a ser uma
publicagdio political, semi-oficial (a
execraivel imprensa chapa branca),
serdi o moment de critica-lo pelo
que nd'o fez, tanto como pelo que
terc feito de errado. Se isso for con-
siderado cridito de conflanga, k bom
ndo esquecer que esse tipo de cre-
dencial pode ser retirado com a
mesma naturalidade da sua outor-
ga. Prefiro esperar pelo produto
para critiedi-lo melhor
A carta do leitor:


PREZADO Li[cIo FLAiVIO,
Ao comprar o JP n' 267 e dar
comn a charge da capa, de cara lem-
brei os artigos do jornalista Fernan-
do Pedreira, nos idos de 1989, in-
censando um outro Fernando, o Co-
Ilor (hoje Collor, o Doido). Nos ar-


tigos do jornalista Pedreira, ele era
"Indiana Collor ", o super-her~i que
colocaria este pais nos eixos...
Lendo sen artigo, fiquei envergo-
nhado da injustiga que cometi, em
pensamento. De qualquer modo, em
nome da cultural eda civilizaglo cris-
tI e ocidental, quero registrar que a
palavra mlgica "shazan!" faz (ou
fazia) surgir o Capital Marvel, e nio
o Superman, como sugere o escudo
que aparece por baixo da camisa en-
treaberta do super-heri~i chargeado
(esse termo existe?).
Talvez seja bom voc2 decidir: o
super-her6i da charge, Sr. Hildegar-
do Nunes, seria o Capitho Marvel on
o Superman ? Se voc2 me permit,
sugiro o (iltimo.
Como sabem todos os que acom-
panhavam as aventuras do Homem de
Ago nos gibis da Ebal, o Superman veio
db ilmetna K~ryptonr. E dal uirdram sees
superpoderes, incluida a capacidade de
voar. Mas, por al guma raz~o que j8 nio
lembro, ele era extremamente vulneri-
vel a uma rocha originiria do mesmo
planet a kryptonita. As proximida-
des de um fragmentozinho vagabundo
de kryptonita, os superpoderes do Su-
perman simplesmente evaporavam. Ou
seja: o Homem de Apo tinha, na sua
origem, a raziio de sua forga e, ao mes-
mo tempo, sua maior fraqueza.
NaLo deixa de lembrar um pouco
o Sr. Hildegardo, ndio 6? Sem fisio-
nomia pr~pria, sem densidade politi-
ca, ele se projeta por ser filho de quem
6, sendo esta a raz~io principal pela
qual, sem muito esforgo ou mdrito,
chegou ao ponto em que chegou. Em
1998, o eleitor nem tomou conheci-
mento da presenga dele na chapa do
Sr. Almir Gabriel.
Eleito (???) vice-governador, esme-
rou-se em permanecer B sombra do Sr.
Almir, poupando- de constrangimen-
tos como aqueles causados pelo outro
principle herdeio, que completou acha-
pado primeiro mandate. A compensa-
950o, esperava, viria em 2002.
E tanto se deu em nada fazer, que
nada fez. Continue, hoje, tlo apaga-
do como sempre foi, sem cheirar
bem nem mal. Fosse ele o ungido por
Sua Excelancia, a miquina de agit-
prop do Governo do Estado teria em
mlos a mesma ingrata miss~o que
hoje tem, para fazer algar vBo a can-
didatura do Sr. Jatene, que flutua
com a leveza, a graga e o charme de
um zepelin de chumbo.
Preterido, o principle herdeiro
faz que se rebela. Incapaz de gerar
sua pr6pria luz, ensaia refletir o
que resta do brilho da estrela do
Sr. Barbalho (e olha que tem mais
$ente querendo fazer o mesmo...).
E ai que entra a kryptonita desse
Superman papachib6. As radiaq~es
emanadas pelo governador contra-
riado podem fulminar o super-he-
r6i, cujos superpoderes atendem
pelos prosaicos nomes de "verba
de gabinete ", "nomeagdes de se-
guidores ou coisa que o valha. A
caneta do governador 6 a krypto-
nita do Sr. Hildegardo.


Se, nas pr~ximas charges, o 6ti-
mo luizantoniodefariapinto suprimir
o shazan, creio que elas ficardlo bem
mais expressivas.
No mesmo n" 267 do JP, voc&
diz que "O Paraense ter8 entire
suas metas prioritlrias "...dar
apoio a Almir Gabriel e a seu can-
didato, fazendo o contracanto aos
ataques que eles receberem ". Mais
adiante, voc& manifesta a esperan-
Fa de que o novo journal niio seja,
"... na praitica, mais uma confirma-
gdio dos velhos metodos dos pode-
rosos de plantdo e seus satblites
mal disfargados".
Se a primeira afirmaFao 6 verda-
deira, a segunda 6, no minimo, ing&-
nua. A troco de quC al gum montaria
um journal que tem entire suas metas
priorit~rias apoiar o governador e seu
candidate? Por que esse um se lan-
ga~rie s tat empreitada, sendo estivegs-
se sendo pago para isso? S6 posso
concluir que o governador ou al-
guem, B sua ordem esti financian-
do o tal Paraense. Com que dinhei-
ro, talvez vocal mesmo nos diga, mais
dia, menos dia (menos, espero...).
Se o journal jB nasce programa-
do para defender o governador e seu
candidate, presume-se que ele ja-
mais podera ser imparcial, quando
estiver em jogo esse "principio pro-
gramaitico ". Seria at6 deslealdade.
Se a boiada da candidatura almiris-
ta voar, e o Sr. Jatene emplacar (no
Parik, tudo 6 possivel...), que razoes
teria O Paraense para larger das
tetas e batalhar seu espago, como
um journal de verdade?
Lamento, carol Lticio F1lvio, mas
suas esperangas beiram o delirio. Len-
do seu artigo, acabei lembrando um
conto de Santos Fernando, publica-
do no tambtm falecido "O Pasquim ".
Nele, o escritor portuguds fala de uma
prostitute que era virgem...
Um abrago, e parab~ns pelos
14 anos do JP.
Elias Tavares


SENHOR Lu~cIo FLAvio
Sou seu assiduo leitor.
Apesar de nem sempre concordar
com alguns posicionamentos, tenho
que reconhecer seu brilhantismo e lu-
cidez cultural, caracteristicas t~o es-
cassas no nosso Pard.
Sou produtor rural e paraense por
opgb e paix~io, apesar de ter nascido
em Minas Gerais, porem muito mais
paraense do que muitos que aqui es-
t~Lo por falta de opgh.
Logo que cheguei ao Pard, ap6s
ter concluido em 1989 o cursor de Ve-
teriniria na Universidade Federal de
Minas Gerais, adquiri uma fazenda no
sul do Estado, em Redenciio, vim a
Beltm e tive a oportunidade de ler seu
jornal. Gostei tanto que sempre estou
lendo a cada m~imero editado.
Parabens pela sua persistencia e
dedicago. O povo paraense agradece.
Atenciosamente
Luciano Guedes
Redenglio PA


A can did atura

do vice 6 mesmo

para valer "

Hildegardo Nunes tem luz prd-
pria? Esta k a grande ddivida, que tal-
vez esteja ati mesmo na cabega do
vice-governador do Estado. Mas ele
parece ter uma certeza: o cavalo se-
lado estai passando ri sua frente; se
ndio montar agora, poderdi ndio ter
uma segunda oportunidade. Oportu-
nidade ainda mais rara, caso o Tri-
bunal Superior Eleitoral confirm o
entendimento de que a legislagdio the
permit concorrer ao governor Na hi-
pdtese de assumfr o cargo, se Almrir
Gabriel viesse a se desincompatibili-
zar para conconrer ao Senado (ques-
tcio suscitada a partir da situagdo de
Geraldo Alkmnin, que assumiu o go-
verno de Sdio Paulo em substituigio
a Madno Covas, jd num segundo man-
dato: o novo titular: que estai em seu
primeiro mandate, poderia concor-
rer ai reeleigdio?).
Utilizando d larga as franquias do
seu gabinete, Hildegardo pdde fazer
umna intense e ampla campanha elei-
toral nd'o declarada, como nenhum
outro concorante potential. Mesmo
sem ter realizado qualquer obra ou
praticado qualquer ato de destaque,
dyimidiu seu nome e sua imagem por
todo o Estado, valendo-se da ambi-
giiidade da orientado political do go-
vernador, que estimulava todos os
pretendentes a sura sucessdio, garan-
tindo ndio ter escolhido ainda um can-
didato, mas preparava as condiges
para, no memento certo e conforme
sua determinagdio, tirar o nome de
sua preferdncia do colete.
Agora que os cortesdios e as pes-
soas mais bem informados ja sabem
que o candidate k Simdio Jatene, ca-
bia a Hildegardo o papel de reinol:
curvar-se ai vontade do chefe e acei-
tar o lugar que lhe seria oferecido
como compensagdio por seu compor-
tamento discrete e secundairio por
tras da excelsa figure do governadon
Mas o vice decidiu manter sua can-
didatura governmental e se dispds
a enfrentar a ira do rei.
Essa declaragdo de intengdo se
manteraipor quanto tempo, apartirdo
memento em que se materializarem (e
jdi estdio comegando mesmo a se con-
cretizar) as retaliagd~es palacianas?
Hildegardo sobreviverdi ao draistico
corte dar~ verbas do seu gabinete ed c
maivontade da maquina ojicial, que tem
usado para seus constantes desloca-
mentos pelo interior do Estado? Ele
terdidensidadepoliticapropria einfr~a-
estrutura de apoio para sustentar sua
candidatura dirsidente, tIo ou maisin-
desejada do que a oposicionista?
Ulma fonte assegura que ati o fi-
nal do ano o vice-governador rom-
perdi publicamente com seu compa-







JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 7


Estou relendo Gibbon e al guns outros Todo americano m~dio ja deve ter visto, ao
autores sobre o fim do imptrio romano, menos uma vez, no cinema e na television, uma
que me parece o paralelo mais esclarece- imagem equiparivel a das trag~dias das duas
dor que se pode ter. Nixon foi o ultimo es- torres deNY e do Pentagono. Mas Super-Ho-
tadista, para o bem e para o mal, depois de mem e Capitio Marvel, Bruce Willis e Ar-
Kennedy. Reagan e Clinton parecem ter nold Scharzenegger, generals, brigadeiros e al-
sido aquela melhora que antecede o agra- mirantes audazes, e outros tantos heri~is de celu-
vamento da situaqio, gs vezes a morte. Far- 16 lide e vapor sempre davam um jeito, resolviam
tura de consume langada na conta do endi- oproblema na undcima hom, de preferencia.
vidamento e do desequilibrio estrutural, a ~ Agoraqentretanto, elesn~ioapareceram.Etodo
custa de um magnetismo financeiro sem o aparatob61ico e tecnol~gico se mostrou fhi-
qualquer media ou escrupulo, exigindo gil e impotente diante da sagaz e diabolica inte-
mais das col6nias ultramarinas, resultou lig~ncia dos organizadores do atentado. E da co-
em ostenta~go no nuicleo e mistria no 11ragem suicide dos que o executamam, 18 pessoas
hinterland, que 6 tudo o que esta do ou- competentes, inteligentes, mas dispostas a se sa-
tro lado do Atl~ntico e do Pacifico. crificar pela causa, o que nenhum ou ra~ro -
Desde entio, s di Antoninos nos EUA. ocidental seria capaz de fazer.
Bush seria um Nero a moda do Texas (onde Se os EUA tiverem ainda poder criativo
surgiu o rastro que cottou o caminho de JFK) e racionalidade humana (nio s6 softwares e
e onde o acerto ainda 6 na base do cartaz do hardware, maquinas e equipamentos), revi-
alive or died? Os barbaros v~m outra vez sario tudo e aceitario dividir para valer (e n~io
do Oriente, pri~ximo ou longinquo? Volta- s6 pro forma) o poder mundial. Mas quem di-
mos a mentalidade das Cruzadas? minui voluntariamente seu poder? Quem e ca-
O atentado mostrou a corrosio e a fal8- paz de cortar na pri~pria care? Com Bush a
cia de todo o sistema de poder americano. Irtesta? A testa? Quid?
Meia centena de arabes, trabalhando inces- E ~o memento de a humanidade encarar
santemente ao long de meses (ou talvez com horror os atentados, supina criaqio da
anos), estabelecendo sua cabega de ponte destruigilo, e com sensibilidade as causes
em territi~rio americano, provavelmente mantidas invisiveis (embora bem percepti-
com decisive apoio interno (mais profun- veis) que os engendraram, a partir de situa-
do do que admitem as autoridades), monta- g oes inumanas, para as quais o establishment

audaciosos ficcionistas americanos (sobre- imune a elas (que, finalmente, atravessaram
tudo os de Hollywood e dos pocket-books, O Atldntico, o que nem japoneses e nazistas
para ler e esquecer) foram capazes de con- do Eixo haviam conseguido).
ceber. Um ato perfeito de terrorism, obra- As sementes da destrui~go (da humani-
prima da destrui~go. A salamandra de dentro dade? de parte dela? do sistema que a regular,
do vidrinho de laborat6rio virou hidra gigan- hoje?) estio langadas no terreno. Podem at6
tesca no contato com o at exterior. n io medrar. Vai defender de um bom trabalho
Tirando know-how (sobre a opera~go de eliminaqio das sementes ruins e de oxige-
de grandes jatos) de instrutores america- naqio do terreno, revolvido para escapar g com-
nos, seqiiestrando avides americanos, pacta~go pelo 6dio e pela misbria, cujas cau-
cheios de passageiros americanos, e sas, sobretudo na concentraqio da riqueza e no
com eles destruindo pr~dios de valor tan- monop61io do poder politico, s6, nio slo vistas
to material quanto (e sobretudo) simb6- pelo pior cego. O poeta Bertolt Brecht alertava
lico, ou forgando americanos a matar ame- contra a vesguice de condenar um rio tumul-
ricanos no espago atreo americano, os ter- tuado e esquecer as margens que o compri-
roristas edfiaramuma agulha no cora~go da mem. A irracionalidade e o fanatismo sho a
mais poderosa naqio de todos os tempos, ponta desse imenso iceberg humane.
nio para mata-la de vez (ao contrbrio, ela E um privil~gio e uma responsabilida-
ainda pode sobreviver e voltar a crescer), de enorme, al~m de uma insuperavel fonte
Smas para deixa-la perplexa, abatida, he- de angustia, estar vivo na Terra neste mo-
3 moragca.Agula d vou, ate rimti- mento. Mas nlo basta estar vivo. Ei precise
va que liberal a intelig~ncia dos condicio- viver. Saindo do tempo passive para o tem-
namentos dos manuals e dos programs ba- po ativo. Conquistando a nova vida, es-
seados na constincia e na repeti~go. pantando a morte.


As imagens da destrui~go dos simbolos fi-
nanceiro e military dos USA S/A (ou U-SA) sio
as mais fortes que minhas retinas j8 fixaram -
e, provavelmente, de bilhaes de series huma-
nos em todo o planet. Estaremos testemu-
nhando, com direito a replay ad nauseam,
o inicio da decad&ncia do maior imptrio
ji construido em todos os tempos?
A resposta vai defender da rea~go dos
americanos. E sintomitico que o comando
do impbrio esteja com o mais mediocre de
todos os presidents da Republica, consagra-
do numa eleiCio tipica de Sucupira (a rustici-
dade do process eleitoral, que funcionava is
mil maravilhas at6 dar galho, ja era uma ad-
vertencia, que La Fontaine teria transforma-
do em mais uma fibula moralista). George
W. Bush est6 agindo (escrevo no sibado, 22)
como era previsivel, sem qualquer inova~go,
retilineo. Nio era o que devia fazer. Esti per-
dendo a oportunidade de transformar em cri-
ativa uma crise concebida por seus detona-
dores para ser mortal.
O outro lado da bipolaridade na qual o
mundo balangava ruiu com o fim da Uniso
Sovi~tica, cujo regime (centralizado e repres-
sivo em political e economic) nso podia se
ajustar aos novos tempos, da competi~go e
da individualidade. Os americanos tiveram 1


a ilus~o de se tornar, entio, o eixo Ainico
do mundo, a policia mundial, a justica uni-
versal, a cultural global, a moral delivery, o
comandante-em-chefe do mercado u~nico. Le-
gitimos vencedores, desaprenderam com a vi-
t6ria, que pode se tornar um trunfo de Pirro.
Se conseguirem refletir agora com luci-
dez, verificario, sobre os escombros ainda
fumegantes das babil~nicas torres gtmeas
de Nova York, uma Babel sem utopias, que
a multipolaridade do mundo 6 a unica pers-
pectiva possivel de paz, a verdadeira esta-
bilidade international, a requerer uma diplo-
macia multilateral, n~io o big stick. Agora que
lhes foi extirpado um dedo, 6 hora de os
EUA cederem os an~is, voltando a ser po-
derosos de outra maneira, nio tanto quan-
to antes, mas com uma verdadeira ostpo-
litik. Um poder sem a tensio do 6dio, do
rancor, da misdria e do desespero alheio, que
leva a imaginaqio aos pincaros do diab61i-
co e do bestial. A questio, s~ria, e: quem
abdica ao poder, mesmo que apenas a parte
dele? Quem sabe a hora de diminuir de
grandeza? O que 6 mais forte nessas ho-
ras: o instinto da sobrevivincia ou a razio
da existbncia? Ou a gula?


1

'1


Um mundo que rui,



outro que renasce


















































































i Journal Pessoal
SEdilar LuciDFato PbmRrhto Fons* 1091 I 22'-.690 ;I I -I?ia a 2EI -462 CorIal(o* T. BenlbTI..s C.>..sli i 8-14203eat i5j iai 0.5 -11 unall 66orrP~nlLa I8 de Art: Lulzantonidefariapinto
05/8/82 BB


Landi
As comemoraqbes dos 500
anos do descobrimento do Brasil
foram um bom pretexto para Be-
16m redescobrir o maior dos seus
arquitetos, o bolonh~s Ant~nio
Jose Landi, que aqui esteve hi
mais de dois s6culos. Uma bela
exposi~go na maior de todas as
obras de Landi, o atual Museu do
Estado, e um rico Album sobre a
Amazdnia Felsinea foram os pon-
tos altos desse capitulo das come-
moraqdes. Mas foi pouco.
Sugeri que a "casa rosa", na pri-
meira rua de Bel~m, a Siqueira
Mendes, a mais important casa
particular da Bel~m antiga, fosse
transformada num Museu Landi,
reanimando a tradigao na Cidade
(ex) Velha. Nada. Defendi a restau-
ma~o da igreja de Sant'Ana, a mais
querida das realizaC~es do artsta
italiano, onde diz a lend que ele
foi enterrado. Silencio absolute.
Outro dia entrei na igreja: que
tristeza! Infiltraqdes sem conta
nlo s6 est~o destruindo as pintu-
ras e afrescos, mas tambem co-
megando a ameagar a estrutura
do pr~dio. A igreja tem ativida-
de incomum, exercida, por~m,
sob um teto prec~rio e diante de
uma praga aviltada.
Vamos aguardar um desh
bamento para fazer alguma c ~
sa, as pressas, mal feito, pargo
marketing ver?


Calamidade
Vai chegar o dia em que a Telemar se transformard
em caso de calamidade p~iblica no Parii, unindo gregos e
troianos contra ela. Ainda que, para registrar a queixa
uninime, todos tenhamos que ligar para Fortaleza e ficar
na linha enquanto engenhocas de
grava~go eletr6nica
continuarso a nos em-
bromar. E Ofender.










Marketin
A prefeitura de Beltm est~i fazendo a reforma da urba-
nizagio" da Braz de Aguiar, a rua que jit foi a nossa Augus-
ta. Por reforma da urbanizaglio", entenda-se construir flo-
reiras (ainda sem flores, s6 concrete) nas esquinas, com o
avango da calgada, obra de 150 mil reais que se arrasta hi
tres meses, sem justificaglo plausivel para essa lentidllo,
exceto, talvez, justificar a expressilo de puro (e vazio) ma-
rketing na enorme tabuleta afixada na calgada.



Muralha
Pelo jeito, nem a prefeituma e nem o CREA deram o ar
de suas grag~as na obra n~io identificada que estd terminando
de fechar uma das janelas pams o rio, no Porto do Sal, a
despeito de denuncia feita na edi~go anterior deste jornal.
Quando la passei no ultimo fim de semana, o muro, refor-
Fado, ji estava concluido. Sem uma placa sobre a responsa-
bilidade do serving. E sem nenhum bom sensor, e claro.


Centro melhor
A vereadora Ana Julia Carepa, li-
der do PT na C~mara Municipal de
Bel~m, apresentou na semana passada
um projeto de lei "baseado nas interes-
santes sugestoes" que fiz na mat~ria
"Salvar o centro", publicada neste jor-
nal (edi~go 266).
Ana Juilia se declara receptivea a no-
vas sugesties" que possam ser apresen-
tadas ao seu projeto, "seja para dar sub-
sidios outros a essa proposta seja para
sugerir novas aqdes". Embora ela tenha
certeza "de que o Governo do Povo estl
no caminho certo", nlo consider que
"a misslo est6 cumprida, antes, pelo
contrbrio, muito ainda hii por fazer e s6
com a participa~go de todos daremos
continuidade aos avangos".
O projeto de lei cria o cadastro de
im6veis de valor hist~rico do centro de
Beltm, que incluird o nome do proprie-
tirio do im6vel, sua condigao legal e
sucinto diagn6stico da sua situaqio fi-
sica. Depois de notificados para fazer o
cadastramento, os proprietirios terlo
dois meses "para expor o que preten-
dem fazer com esses im6veis", sujeitan-
do a sangbes legals se n~o atenderem a
convocaqio no tempo hibil.
A prefeitura deverd constituir uma
linha especial de cr~dito, com recur-
sos pr6prios e de outras instituiq~es que
atuam na grea, destinada a recuperar
os imbveis de valor hist6rico. Caso os
proprietarios ngo se interessem em as-
sumir essa tarefa, poderio assinar um
contrato de muituo com a Fumbel (Fun-
dagio Cultural do Municipio de Be-
16m), que se valerrA dos recursos aloca-
dos para esse fim. Recuperando os im6-
veis, a Fumbel poder8 alug8-los, dan-
do prefer~ncia ao uso residential ou
algumas atividades comerciais (pada-
rias, mercadinhos, restaurants e arte-
sanato regional). Trinta por cento da
renda iria para o proprietbrio.
Comn seu projeto, a vereadora Ana
Julia Carepa acredita que a prefeitura
poder8 fazer "um diagn6stico mais pre-
ciso a respeito da situaqio legal e de
fato" do centro hist6rico da cidade, pro-
porcionando a popula~go "uma outra
visso" dessa area vital de Beltm.
O projeto 6 important e merece o
apoio de todos, para dar-lhe mais for-
ga, inclusive com as critics e suges-
tdes dos interessados: os que amam Be-
16m e querem melhora-la.


A grande razio para Zls mais signif icativas politico, preferindo transitar entire todos. Acabou io
trocas de partido, na tempot~da que ird ate os resistindo A mosca azul. A picada foi desastrosa. Nio
primeiros dias de outubro, e o receio do quoci- conseguiu se tornar um bom politico (ou um politico
ente eleitoral por alguns candidates potenciais professional) e deixou de ser um empres~rio
a dispute de 2002. Partidos maiores e com no- ousado.Ou empresbrio, ponto.
mes de grande apelo politicaexigem vo- IP1Voltou a political no cargo de vereador, co-
taq6es mais significativas para garantir a aP 11 megando pelo verdadeiro comego de carreira.
elei~go dos seus candidates. Quem tem du- ~IMas parece nao acreditar na sua vit6ria para
vida das suas bases de votos prefer legend deputado estadua~l dentro do PPB, depois de ter
menor, onde o piso 6 mais baixo. ; tido uma votagsio significativa no conjunto da
E esse o caso do ex-prefeito Sahid Xer- Cimnara, mas abaixo das expectativas que se
fan, que deixou o PPB e ainda nio decidiu ll~~1~tinha em relaCio a ele. Vai atrris de outro par-
em qual legend vai se acomodar? Xerfan I tido, menos exigente. Corre orisco de coleci-
foi uma das mais poderosas (e simpaticas) emi- onar mais legends do que vit6rias eleitorais. Um
n~ncias pardas nos bastidores politicos em Be- destiny duro, que talvez Sahid Xerfan nio merega,
16m, quando recusava todos os convites para por uma perspective, a da sua pessoa, mas que esta
combinar sua condi~go de empresdrio com a de comegando a fazer jus, por seus erros.