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JOfflR PeSSO L IjC IO F LA V IO P IN T O ANO XIV NO 2~68 la QUINZENA- DE OUTUBRO DE 2001 * RS 2,00 JADER BARBALHO 1 sarag hist6ria como um raro politi- co do tso discriminado Norte a as- da Repilblica, F'ernando Hennque Cardoso. sumir a presid~ncia do poder legis- Caprichosa, por~m, a histbria registrar que o lativo no Brasil, vencendo o ho- paraense sequer conseguiu tomar posse de fato mem mais influence no pais naquele momen- da presid~ncia, na qual permaneceu por con- to, o senador Ant6nio Carlos Magalhaes, que turbados sete meses, cedendo, final, as pres- ate entio conseguia intimidar at6 o president sdes para se tornar o primeiro president do Senado a renunciar ao cargo, em quase 180 anos de hist6ria. O ex-governador bem que merecera o titulo de Jader, o Breve. Jg slo poucos os que apostam na pos- sibilidade de ele ainda conseguir salvar o ) O dia depois do fim Depo~is de renunciar ii ambicionada presiddncia~ do Senado, Jader Barbalho terd' que abrir mdob tambdm do mandate de senador para ndob perder os direitos politicos e poder participar da eleigdob de 2002? Se ele permanecer elegivuel, qual o cargo que decidird' disputar? Sua decisdo constitui a maior inedgnita do jogo eleitoral no Pard'. 12 onde o ex-governador ainda lr 2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 seu mandate, a um ano de se submeter a uma eleigio para renov8-lo e a 15 meses de encerr8-lo. Mesmo os que estio empe- nhados em faz&-lo seguir o destiny de ACM e Jos6 Roberto Arruda, que abriram mio dos mandates para nlo serem cassa- dos, o que os tornaria inelegiveis por oito anos, admitem, entretanto, que a resisttn- cia de Jader 6 inigualivel. Quando um politico comum ji teria en- tregado os pontos e aceitado os sinais nega- tivos dos seus pares, o ex-presidente do Se- nado aparece com novo inimo, ajudado ain- da por acontecimentos de grande impact (como o seqiiestro na familiar de Silvio San- tos e o atentado ao World Trade Center), que desviam a aten~go da opinilo phiblica (mas nio o bastante para a grande imprensa ig- nord-lo). A estrela de Jader 6 brilhante, mas a boa sorte nlo basta para tudo. Politico que em 35 anos realizou uma carreira quase complete, de vereador a se- nador, sendo ainda governador e ministry duas vezes, Jader conquistou por mereci- mento o titulo de o professional mais com- petente em mattria de political que ja hou- ve no Parl republican. Mas deixou-se le- var pelos louros dessa fama, subestiman- do os percalgos da sua biografia, com suas fraturas visivelmente expostas, quando aceitou o desaflo de impor sua candidatu- ra g presid~ncia do Senado a quem exer- cia plenipotenciariamente esse cargo, o baiano ACM. Conflante na sua not6ria habilidade para contornar problems e superar desafios atra- v~s da negociag8o de p6 de ouvido ou da ret6rica de palanque, Jader pagou para ver. O prego veio atravis da mais feroz campa- nha de den6ncias que um politico brasileiro ji sofreu da imprensa. Jader podia travar o combat como um boxeador ggil e inteligen- te, que se esquivava com rapidez para nlo ser atingido. Mas cada vez que um golpe o apanhava, era a um ponto sensivel, que o fazia sangrar e acusar a dor. Quando subiu a tribune do Senado, no dia 18, ele ji nio tinha mais o rosto limpo, nem a disposi~go de antes. Era um derrotado, independente- mente do resultado da luta. Pode ate conseguir, por manobras de bas- tidores, urdidas g sombra do Palaicio do Pla- nalto, o que jii 6 considerado quase impos- sivel: salvar o seu mandate. Mas nio conse- guird recompor a imagem de vitorioso, que ostentou quando bateu boca com ACM e, em seguida, o derrotou na vota~go para pre- sidente da casa. Os estigmas da corrup~go e do enriquecimento ilicito estario definitiva- mente associados a Jader Barbalho, mesmo que, em um e outro caso, ou em virios, ele possa demonstrar que foi injustigado ou que a pecha lhe foi pespegada sem a admission de algo elementary: o seu direito de defesa. E que ele foi escolhido para boi de piranha, enquanto uma manada de politicos corrup- tos, alguns que at6 ocuparam tambtm a pre- sidencia do Senado, atravessou inc61ume a avenida do poder sem provocar a menor aten~go da combative grande imprensa. Mesmo que consiga reverter a tend~n- cia dominant e preservar o mandate que lhe resta, Jader nio conseguird voltar a ser um politico de primeira linha no cendrio national. O proscenio do poder brasileiro lhe foi definitivamente vedado. Tornar-se- a entlo irrelevant o memento seguinte ao da rendncia ao comando do legislative fe- deral. Ainda que lhe restem alguns elemen- tos de esperanga, ele poderia optar por re- nunciar tamb~m ao mandate sem sofrer mais seqiielas do que as que ji lhe foram causadas. Sua tarefa prioritlria sera a de retomar o patriminio politico que ainda possui no ParB, a fatia maior com que con- ta um politico individualmente no Estado, independentemente do poder institutional que eventualmente possuir. Arrematar a primeira ren6ncia com a se- gunda poderia at6 ser mais interessante para Jader Barbalho, se ele conseguir voltar a sua terra com um tom convincente no discurso que devera adotar a partir de agora: de que foi punido por ter tido a audicia de aspirar a um cargo tio important, sendo ele ape- nas "um caboclo do Para". Os pecados se tornarao secundarios em relagio a figure do pecador, punido por nso ser da "panelinha", por nio ser um branco, como os poderosos de mios finas que acabam decidindo o que interessa para valer no pais, mas um rustico cabocio de cor parda. E evidence que Jader vai empunhar essa bandeira, caso decide disputar outra vez o governor do Estado no pr6ximo ano. Mas esse tom prevalecerii sobre a infase que seus adversaries certamente dar~io ao seu envol- vimento com corrupglo? O estigma que a imprensa lhe aplicou nlo o impedird de reu- nir fontes para o financiamento de uma cam- panha a altura dos recursos que serlo colo- cados a disposi~go do candidate official? Ate que a poeira senate (em quanto tempo isso ocorrerd?), Jader nso sera equivalent a um leprosy de antigamente, do qual se buscard distincia para evitar a contamina~go? Tudo o que foi construido com os poderes de pre- sidente do Senado e seus satelites de infil- traqio, como a Sudam, nio sera varrido pela miquina official do Estado, mobilizada em favor do adverstrio? De concrete, o que se pode dizer ago- ra, no memento mais desfavoravel para o senador do PMDB, e que se sua situaqio em seu reduto eleitoral nlo 6 tio tranqiiila quanto a de ACM na Bahia, 6 imensamen- te melhor do que a de Arruda em Minas Gerais. Se nio tiver seus direitos politicos suspensos por causa da cassagio do seu mandate, ou se renunciar antes de defla- grado o process de puni~go, Jader ainda tera opg~es a sua escolha. Seus assessores declaram que a definigio da candidatura ao governor 6 a menos proyd- vel. Apostam que Jader ird~ mesmo tentar re- conquistar seu lugar no Senado. Alguns ja admitem o que consideram ser a mais desfa- voriivel das hip6teses: o ex-governador dis- putar uma vaga de deputado federal, descar- regando votos na legend para montar uma forte bancada federal do PMDB paraense. Qualquer que seja a decisio do ex-pre- sidente do Senado, ela vai ter repercussio direta e important sobre a arrumaqgo do jogo eleitoral no Para. Se cabega de chapa ao governor, Jader ird liderar uma coligagio reunindo alguns segments dissidents (mais por fisiologismo do que por qualquer ideia) do governor e certas areas ditas oposicionis- tas, dividindo esse terreno com o PT e com Hildegardo Nunes, se o vice-governador mantiver a diretriz de disputar de qualquer maneira o governor em 2002 (perspectiva que sofrerzi, contudo, uma drastica alteraqio com uma candidatura Barbalho). Se concorrer novamente ao Senado, Ja- der dard a dispute dessa vaga um carriter ple- biscitlrio, sujeitando-se a um desgaste equi- valente ao da elei~go para o governor e com um grau de risco, se nio igual, talvez at6 maior, por enfrentar uma concorrincia ain- da mais dura no reduto situacionista. Mas o que aconteceria se Jader trocasse uma elei~go majoritlria por um pleito pro- porcional? Nem seus mais empedernidos ini- migos seriam capazes de negar que ele se elegeria deputado federal. Nlo s6 tranqiii- lamente, mas provavelmente comn a mais ex- pressiva de todas as votaqBes para a Cbma- ra Federal. Jader conseguiria essa vit6ria sem precisar recorrer a maiores funds de financiamento, nem mesmo a outros com- promissos politicos. Essa condigio talvez lhe permitisse re- comegar sua vida political, podendo pagar pelos erros cometidos, responder aos pro- cessos judiciais (todos ou praticamente todos prescritos) e usufruir um privil6- gio que poucos tiveram e raros levaram a bomn termo: escrever uma nova biografia, nio negando todos os erros do passado, mas nio mais os repetindo, porque teriam real- mente passado. Arthur Bernardes, em outro context, conseguiu redimir os erros do autoritaris- mo praticado na presidencia da Rep~iblica, sob permanent estado de sitio, tornando- se um senador defensor de ideias (embora nem sempre certas ou equilibradas). JB Adhemar de Barros, Orestes Qubrcia e Pau- lo Maluf mantiveram coer~ncia com o pas- sado, apostando na desmemoria dos homes e na lentidso ou vicio das instituiqdes para realizar uma vida bem sucedida, apesar de pontilhada de ilicitos na funq8o pdblica, muito denunciados, mas nio desfeitos. Como sera o "day after" de Jader Fonte- nele Barbalho? JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 3 As maiores e melhores empresas da Amazonia AS MAlORES EMPRE8AS DA AMAZ6NIA Empresa Estado Vendas Patriminio Lucro Empregados (US$ milhies) Ilquido liquid Gradiente Eletr~nica AM 687 -- Albras PA 540 157 120 1.306 Itautec Philco AM 511 156 33 2.008 Samsung AM 410--- Celpa PA 377 379 10 2.287 Gillette AM 376 -- CCE da Amazbnia AM 368 78 -6 2.437 Petrbleo Sabbd AM 335 41 41 80 Alunorte PA 324 286 22 498 Semp Toshiba` AM 306 278 34 545 Lojas Yamada PA 264 10 1,3 4.800 Telemar PA 241 306 30 503 LG AM 233 26 3,7 509 MRN PA 232 296 76 956 Panasonic AM 209 13 12 - Videolar AM 194 164 -5,3 1.700 Brastemp AM 184 94 -2,4 651 Jarcel Celulose PA 179 179 -29 939 Lider Supermercados PA 149 --- OBS Alguns dados nhio foram fornecidos. Ignorei as fragi~es, exceto em nlimeros abaixo de.10. Das 10 maiores empresas em faturamento instaladas na Amazbnia, sete slo do Amazo- nas, segundo o levantamento feito pela revista Exame, na sua traditional edigio annual Melho- res e maiores. Pelo critbrio de vendas, a maior firma amazi~nica 6 a Gradiente Eletr~nica, que tem sede em Manaus, com o equivalent a 687 milh~es de d61ares no ano passado. Em se gui- da vem a Albr~is, de Barcarena, com US$ 540 milhdes. As duas seguintes do ranking sio amazonenses: Itautec Philco (US$ 511 milh~es) e Samsung (US$ 410 milhbes). O quinto lugar 6 da empresa de energia do Parki, a Celpa (do grupo Rede), com US$ 377 milhoes. As ama- zonenses seguem em trio a partir dai: Gillette (376 milhbes), CCE da Amaz6nia (368 mi- thaes) e Petribleo SabbB (335 milh~es). A Alu- norte 6 a nona (324 milh~es) ea Semp Toshiba Amazinia a IF (306 milh~es). A Gradiente Eletr~nica 6 a 92" maior em- presa do Brasil por vendas. Deu um gmande salto em relagilo a 1999, quando ocupava apenas o 281" lugar. A Albris 6 a 13F" do ranking naci- onal, mas sofreu uma queda em rela~go 1 124a posiqgo do ano anterior. A Itautec, que era a 166", encostou mais, ficando no 136 lugar em 2000. No geral, as indtistrias eletroeletri~nicas da Zona Franca de Manaus apresentaram uma evolugito muito melhor do que as empresas do Parsi: das 10 que mais cresceram na regilo, oito sho da ZF (a Samsung, por exemplo, saltou do 303" posto para o 177" no ano passado), gra- gas ao aquecimento das vendas. Mas deverio voltar a encolher em 2001, por causa da retra- 950 do consume de bens duriveis, um das con- seqtiincias da crise de energia. O desempenho mais destacado foi o da Mi- neraglo Rio do Norte, escolhida por Exame como a melhor empresa do setormineral no Bra- sil. A MRN, formada pela uma association da Companhia Vale do Rio Doce com virias multi- nacionais, g frente das quais estio as gigantes Alcoa e Alcan, bateu no ano passado seu recor- de de produgio de bauxita, com 1 1,2 milh~es de toneladas, faturando 232 milhbes de d61lares. Mas dentro de dois anos, gragas a um investimento s6 um pouco inferior g sua receita bruta annual, de US$ 224 milh~es, deverA; chegar a 16 mi- lh8es de toneladas, consolidando-se como a maior mineradora de bauxita do mundo. Apesar da avaliaqio da revista especializa- da da Editoma Abril, o mais notivel comporta- mento foi o da Alunorte, na escala seguinte da transformaqio da mat~ria prima extraida das ja- zidas de Oriximind pela MRN. A Alunorte, que fomece alumina (transformada a partir da bau- xita) para a Albris, a Alumar (em Sgo Luis do Mamanho) e virios compradores internacionais, faturou quase 100 milhdes de d61lares a mais do que a MRN: US$ 324 milhbes. Mas o principal 6 que, em quatro anos de opemyso regular, a Alunorte j6 apresentou lucro liquid, que, ajus- tado, alcangou US$ 22,2 milhaes. O perfil do endividamento da empresa melhorou e ela obi- teve a quinta melhor liquidez corrente entire as empresas regionals, com indice de 1,67%. Continuando no ciclo do aluminio, 6 im- portante o lucro finalmente conquistado pela Albris na produ~gio de aluminio mettlico: o lucro liquid ajustado da empresa no ano pas- sado foi de mais de US$ 120 milhdes. Esse re- sultado pode significar que a empresa esti em condiq6es de resolver seu maior problema, o pesado endividamento de long prazo, e se manter rent~ivel a partir de agora? A busca de uma resposta correta exigira uma andlise profunda nas contas das empresas. O ci- clo do aluminio no Pard esti consolidado. Da ponta da linha a sua etapa final, nos limits do produto industrial primairio, que 6 o lingote de aluminio, as empresas est~lo amadurecidas. A MRN, que tum conglomerado ainda conflituo- so de gmandes empresas concorrentes nos mer- cados national e internacional, tem conseguido sobreviver a essas idiossinerasias internas, apre- sentando lucros ha virios anos seguidos. Niio exatamente por obter prepos relatives (ou abso- lutos) melhores, mas por constant elevaq~o da sua produglio, que, em um quarto de stculo, ter- se-i multiplicado oito vezes, pulando de 2 mi- lh~es pama 16 milh~es de toneladas. A Alunorte, prima pobre do circuit, surpre- ende comn resultados positives mais cedo do que se podia esperar, conseguidos certamente poruma efici~ncia pri~pria, mas tamb~m pela solugho co- mum a esses gr~andes projetos: aumento constan- te do volume fisico de produgho pama contraba- langar a manuten~gio (ou a qlueda) do prego (ab- soluto ou relative) do produto. A Albris estd en- frentando o fantasma do seu pesado endividamen- to, devendo softer neste ano com mais intensida- de o efeito deletbrio da crise de energia, que bre- cou seu plano de expansho, e a alta do d61lar. Mas a pergunta que fica 6 esta: sedi suficien- te fechar esse ciclo, aceitando o limited estabele- cido, que 6 a primeira transformagilo industrial da materia prima em aluminio bruto? A histi~ria commercial da mineragao do aluminio ja vai para um quarto de stculo e parece estar ocorrendo num outro territibrio que nio o do Idcusi real da sua atividade, que 6 este desatento Parid. A hist6ria da mineraglo do ferro 6 s6 um pouco mais nova, mas nela o avango ainda 6 muito menor do que no setor aluminifero. O Parki, segundo maior produtor mineral do pais, continue a ser quase zero em siderurgia. S6 n~o 6 zero porque conta em seus limits com tres usinas de ferro-gusa, mas isso 6 apenas pouco mais do que um residue de nada. As escalas se produg8o de mat~ria prima conti- nuarilo a crescer, exaurindo as jazidas mine- rais, e ficaremos s6 nisso? Jg ests na hora de encontrar uma res- posta pr~itica para essa indaga~go, antes que a hora passe. 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 Amazonia ameagada Se podem bombardear qualquer pais do mundo que esteja abrigando terrorists en- volvidos nos atentados a Nova York ou a eles sejam simpaticos, por que os Estados Unidos ndo poderiam invadir a Amaz~nia, cuja floresta sob crescente ameaga fun- ciona como absorvedouro da polui~go in- dustrial americana e 6 uma reserve de re- cursos naturals e informagaes biol6gicas sem igual para suas empresas? Perguntas assim surgiram em Belem logo depois que as duas imensas torres do World Trade Center ruiram, sepultando sob milhares de toneladas de concrete, ferro e vidro milhares de cidadios da capital de um dos maiores imperios de todos os tem- pos, causando-lhe o maior abalo em sua ainda recent e ja muito tumultuada - hist6ria. Uma reaeio agressiva do gover- no do president George W. Bush sobre o mundo drabe que nio se colocasse a favor dos EUA poderia gerar intranqiiilidade e inseguranga em todos os lugares onde hou- vesse uma tensio entire os interesses do im- p~rio e uma resisthncia local. A Amazbnia seria um desses reposit6- rios de conflito, segundo uma corrente de interpretagio geopolitica, desenvolvida A direita eag esquerda do espectro ideol6gi- co, em Belem do Pard~ ou Brasilia, e em Paris ou T6quio. A pedra de toque dessas andlises 6 o conceito de soberania limita- da ou restrita, que estaria sendo desenvol- vido na cabega de virios dos mais podero- sos dirigentes mundiais e j6 chegou a boca de alguns deles, como os presidents Fran- gois Mitt errand (ji falecido) e Jacques Chi- rac, o primeiro da centro-esquerda e o se- gundo da centro-direita da Franga, al~m de militares do Pentagono. O Brasil, sem o control adequado ou a presenga necessaria na Amaz~nia, te- ria soberania relative sobre seu territ6- rio, aberto a uma supervisor internacio- nal. Naq8es indigenas de um lado (com seus "territ6rios libertados") e ONGs de outro, com sua atuaqio paralela a do go- verno, seriam os elements de introdu- Fgo a essa nova realidade. De uma ma- neira ou de outra os bancos multilaterais e as agencias internacionais estariam dando suporte a essa infiltraqio. Mais um pouco e a presenga dessas instituiqdes estrangeiras se superporia e prepondera- ria sobre o governor national. Tal linha de raciocinio ndo 6 recent. Ao contririo, parece ter vindo para a Ama- z6nia junto com o colonizador europeu, su- prindo sua incapacidade de ocupar e asse- gurar para si o vasto territ6rio do mundo do Eldorado, com tamanho equivalent, no continent sul-americano, ao dos Estados Unidos. Para Portugal quinhentista, o Bra- sil era seu finico aval de future, o antidote para a decad~ncia de um imp~rio que, na sua 6poca, podia ser comparado ao ameri- cano dos nossos dias. A consolida~go da presenga portugue- sa nesse territ6rio setentrional, que seria tratado como um outro Brasil, com identi- dade e governor pr6prios, foi obtida mili- tarmente no literal, afastando os pirates ingleses, franceses e holandeses, e, no in- terior, por esperteza (combinada com bar- barismo) dos seus bandeirantes, que igno- raram os tratados internacionais para abo- canhar terras espanholas situadas al6m do limited do tratado de Tordesilhas. Quando o Brasil meridional caminhou para a independ~ncia, o Brasil setentrio- nal foi tratado a ferro, fogo e despotismo esclarecido (do Marquis de Pombal) para continuar portuguis. S6 se libertou da do- minaqio colonial B custa de uma insurrei- Cgo, que, se tivesse ocorrido hoje, teria cau- sado dois milh~es de mortes em cinco anos, quatro vezes mais do que as baixas americanas em toda a guerra do Vietnam, de mais de uma decada de duraqio. A fragilidade do Estado national diante da extensio territorial da regiio e da cobi- ga international sobre ela, derivada de ri- quezas mais presumidas do que conhecidas, constituem os elements essenciais dessa visio geopolitica, em suas exacerbaqdes derivada para a teoria conspirativa. Um in- ventiirio feito sem criterio de todos os inci- dentes da hist6ria das relaqdes da Amazb- nia com o mundo exterior alimentarai a con- clusio dessa literature sobre a cobiga inter- nacional permanent, s6 nio consumada gragas g maestria dos colonizadores portu- gueses e dos seus sucessores brasileiros, ambos, alias, na sua realpolitik amaz~nica, colonizadores latu sensor. Uma revisio mais rigorosa do passado revelarai, contudo (e ja esta revelando, con- tra as resistincias ortodoxas, g esquerda ea direita), que naqdes mais poderosas do que a velha Portugal e o novo Brasil s6 nio to- maram conta militarmente da Amaz~nia porque nio quiseram: lhes era mais interes- sante e rentavel continuar a ter acesso aos recursos naturals da regiso, que ji se havi- am transformado em mercadoria (com acei- tagilo e procura no mercado mundial, por- tanto), atravbs de um governor national que ja estava constituido. Era ocioso substitui- lo por um novo governor, com todos os pe- sados investimentos materialss e humans) decorrentes. A Inglaterra se estabeleceu como go- verno metropolitan na Asia, mas recu- sou a oferta que lhe fez o regente brasi- leiro Diogo Ant6nio Feij6, em dezembro de 1835, de invadir com tropa armada a Amazinia para reprimir a Cabanagem, a sangrenta reaqio dos natives contra o re- gime colonial lusitano, interpretada no Rio de Janeiro como uma ameaga ao en- gatinhante imptrio brasileiro (os ecos amazanicos sempre chegaram distorcidos aos ouvidos da capital national, tanto o Rio de Janeiro quanto Brasilia). Por quC gastar tanto dinheiro e, eventu- almente, vidas humans na substituigio manu military de um governor national por uma metr6pole de alem-mar se as merca- dorias chegavam na quantidade e no prego convenientes g city de Londres, que dispu- nha de r~gua e compasso para estabelecer a forma da produgilo e o seu fluxo? Os geo- politicos de palanque esquecem que depois da desorganiza~go da vida social e econb- mica provocada pela Cabanagem, com a morte de 30% da populagio de entio (dos 150 mil habitantes), a opulancia que come- garia na segunda metade do s6culo XIX, com a exploraqio da borracha, foi financiada pelo capital inglbs, que estabeleceu sua casa ban- c~iria antes de o Banco do Brasil fincar sua bandeira no ignoto sertiio amaz6nico. Essa nova visio retrospective 6 elucida- tiva para o seculo XIX e pelo menos meta- de do sdculo XX. Ela ira exigir uma nova maneira de situar epis6dios como o do Ins- tituto Internacional da Hil~ia Amazanica, de ap6s a Segunda Guerra Mundial (cria- Fgo da Unesco atribuida aos Estados Uni- dos, mas a qual os americanos, presents de outra maneira na regiio, nio s6 niio ade- riram como boicotaram). O seculo XXI, que, a rigor, comegou com a crise mundial da energia, em 1973, atraindo a atengho de todos para o lugar de maior concentraqio JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 5 --- - -~------C---~-T~~ _ '7. ---~-~L ~I=1~:_-__~=__~_~;~-_~_1___~~_~~____ :~~~ --~- -- - ---~-II -- - ---- ----- - rrr -- -- ~--; ~--- -----. --~ - -.- -- ----------- --. .. -r = -j -~ __i-. -.-l-l.--r*r--~ -- ~-- ~-=-'~-~----^-; s; ------~~~-~ -2- c-_- ------~ `---- ~ --_ _-~i7---=-~- -ii--~--~ir ~;---~- -- -- ---~-11~ -:~-L1~2;-~ ~-' ---~ ~-TC;_1;.7.;-.- -~i--- ---- --- ,~--~-~-~-~-- -- ;~- -- ------r_- ---~I~ --- --~=~-l-i-- --- -----=3--~-~-;-; -~- ~-~--~-.~;- _~~__~. --~-~--~-~-~ ----- --~---`-- -- -" .-n--~-- ~ -T=- ------- naqdes mais poderosas a exigir a manuten~go da configuraqio original da Amaz6nia, sua intocabilidade. Seja para usufruir o efeito purificador da mas- sa vegetal como para ter sempre uma fon- te de informagdes geneticas, freqilente- mente sujeitas a biopirataria. N~io ha, entretanto, no horizonte visua- lizivel da hist6ria, uma possibilidade de in- vasio military da Amaz~nia para o atendi- mento desses interesses ultramarinos, mes- mo que sob o impulse de um novo impeto policial da ainda poderosa naqio america- na, sob o comando do filho (literalmente falando) de um guerreiro frio. As condigaes ji nio sio as mesmas de 1835, quando Fei- j6 pediu a Lorde Palmerston para invadir a Amaz6nia e matar os rebeldes cabanos com a cobertura confidencial do governor impe- rial. Mas cabe a mesma pergunta: o que a presenga military daria a essas pottncias que elas ji nio tim ao seu alcance, por via legal e menos onerosa? Por outro lado, uma rela~go altiva e in- teligente diante de um mundo cada vez mais interessado na Amaz~nia, provando-lhe competencia especifica em mat~ria amaz8- nica, superior 1 de qualquer outro interes- sado no assunto, realizando as melhores metas (humanitarias, nacionais e regionals) de energia in natural, justamente a Amaz6- nia, exige uma abordagem mais sofisticada e complex do que essa. Em compensa~go, nada tem a ver com a fi~rmula das conspira- goes dos geopoliticos. A revelagio da riqueza amaz~nica ain- da 6 uma tarefa a realizar, mas j6 nio 6 uma lenda ou uma utopia, como no perio- do anterior aos primeiros levantamentos sistemiticos e em profundidade, desenca- deados a partir do esforgo de guerra dos anos 40 do sdculo passado. Alguns recur- sos naturals da regido, sobretudo os mine- rais, ja se consolidaram como commoditi- es de relevincia mundial ou mattrias pri- mas de importlincia crescente, como o es- tanho, o minbrio de ferro, a bauxita, o alu- minio, o manganbs, a madeira. Alguns cir- cuitos da produgho international contam com o insumo amaz~nico e dele ji ngo podem mais prescindir. Todos os calculos econ6micos de futu- ro incluem o fator amaz~nico como rele- vante, sobretudo para stores de ponta: a biotecnologia, a engenharia genttica, a tec- nologia de novos materials, o control da poluigio e, naturalmente, refuigios de vida selvagem, cada vez mais vitals para a so- brevivdncia da humanidade, ou a manuten- g~io do seu ciclo de evolu~go e progress. Alguns acham que essa situaqio levard as at6 agora estabelecidas, nio 6 a maneira mais eficaz de impor a soberania national sobre a maior fronteira de recursos naturals que hi no memento no planet? Ela conci- liaria a fungdo que a Amaz~nia deve de- sempenhar no mundo com seu desejo mais legitimo: de continuar a ser o territ6rio da harmonia entire Agua, luz e massa vegetal deste nosso universe ameagado. Nesse ponto, n6s e os estrangeiros de- viamos estar de acordo, conscientes de que, embora mais demorada e muito mais cus- tosa, essa 6 a 6nica maneira inteligente a disposipio do homem para se introduzir como element criador na paisagem ama- z8nica. A diferenga a nosso favor 6 que possuimos soberanamente esse patrim~nio. Mas essa 6 tambem a nossa maior respon- sabilidade: aceitar a perpetuaqio e ampli- a~go dos erros cometidos na regiso equi- vale um verdadeiro crime de lesa-humani- dade. Para nio darmos autoridade a ne- nhum outro povo para puxar nossas ore- lhas e erguer sua voz acima da nossa, e precise e 6 urgente restabelecer o pri- mado da natureza na fronteira do caos. G JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 nheimo de chapa (e de alianga) em 1998 e passard a combater aberta- mente o candidate dele, o secretairio Simdio Jatene, recorrendo a um alen- tado dossier para mostrar quem o pretendente tucano ao tmno estadu- al. Mas como Hildegardo excplicard ao povo o sildncio obsequioso que manteve ati entdio, como nota o lei- tor Elias Tavares, na carta publica- da abaixo? Conseguirai convencer o eleitor que essa linguagem oposicio- nista k sincera e profunda e ndio o recurs extremado, a que teve que recorrer em fungdo de interesse con- trariado? Que sd comegou a esper- near porque suas pretensdes nio fo- ram atendidas? Que g uma verdadei- ra opgdio para o Parai e ndio a outra face da mesma moeda? Saio perguntas pertinentes. Mas a candidatura de Hildegardo Nunes tem, pelo menos, o ad'rtre a'e permridr ci opinidio ptiblica formular essar per- guntas e, atraves delays, aprofurndar seu conhecimento da situagdio politi- ca do Estado. Este serdi um resultado positive do process, se o vice levar sua opgdio ais lltimas conseqiidncias. Quanto ais corrego~es do leitorso- bre o cartum que ilustrou a materia de capa da edigdo anterior b bom explicar que a palavra mag~ica (sha- zam) na boca do Super-Homemn e nio do Capithio Marvel foi um recurs deliberado, ndio um laps. Aldm dis- so, ao invis de usar a celebre cabine telefdnica novaiorquina, o heroi ma- rajoara do desenho liga de um ore- lhdo. Ulma opgio pelo pastiche para carnavalizar ahistdria emostrar que ela eo. que 6: uma geldia geral. INas democracies, a kryptonita & o voto. Felizmente. Jai em relagdio ao future journal, O Paraense, cujo langamento aca- bou sendo adiado por duas vezes, esclarego que o registro complete das possibilidades que foram aber- tas (e continuam abertas) pela in- suficidncia da grande imprensa pa- raense ndio deve ser considerado como prova de ingenuidade. E ape- nas um diagndstico de situagdio. Se o journal ndoe desenvolver a propos- ta que apresentou e utilizar a lacu- na existente, limitando-se a ser uma publicagdio political, semi-oficial (a execraivel imprensa chapa branca), serdi o moment de critica-lo pelo que nd'o fez, tanto como pelo que terc feito de errado. Se isso for con- siderado cridito de conflanga, k bom ndo esquecer que esse tipo de cre- dencial pode ser retirado com a mesma naturalidade da sua outor- ga. Prefiro esperar pelo produto para critiedi-lo melhor A carta do leitor: PREZADO Li[cIo FLAiVIO, Ao comprar o JP n' 267 e dar comn a charge da capa, de cara lem- brei os artigos do jornalista Fernan- do Pedreira, nos idos de 1989, in- censando um outro Fernando, o Co- Ilor (hoje Collor, o Doido). Nos ar- tigos do jornalista Pedreira, ele era "Indiana Collor ", o super-her~i que colocaria este pais nos eixos... Lendo sen artigo, fiquei envergo- nhado da injustiga que cometi, em pensamento. De qualquer modo, em nome da cultural eda civilizaglo cris- tI e ocidental, quero registrar que a palavra mlgica "shazan!" faz (ou fazia) surgir o Capital Marvel, e nio o Superman, como sugere o escudo que aparece por baixo da camisa en- treaberta do super-heri~i chargeado (esse termo existe?). Talvez seja bom voc2 decidir: o super-her6i da charge, Sr. Hildegar- do Nunes, seria o Capitho Marvel on o Superman ? Se voc2 me permit, sugiro o (iltimo. Como sabem todos os que acom- panhavam as aventuras do Homem de Ago nos gibis da Ebal, o Superman veio db ilmetna K~ryptonr. E dal uirdram sees superpoderes, incluida a capacidade de voar. Mas, por al guma raz~o que j8 nio lembro, ele era extremamente vulneri- vel a uma rocha originiria do mesmo planet a kryptonita. As proximida- des de um fragmentozinho vagabundo de kryptonita, os superpoderes do Su- perman simplesmente evaporavam. Ou seja: o Homem de Apo tinha, na sua origem, a raziio de sua forga e, ao mes- mo tempo, sua maior fraqueza. NaLo deixa de lembrar um pouco o Sr. Hildegardo, ndio 6? Sem fisio- nomia pr~pria, sem densidade politi- ca, ele se projeta por ser filho de quem 6, sendo esta a raz~io principal pela qual, sem muito esforgo ou mdrito, chegou ao ponto em que chegou. Em 1998, o eleitor nem tomou conheci- mento da presenga dele na chapa do Sr. Almir Gabriel. Eleito (???) vice-governador, esme- rou-se em permanecer B sombra do Sr. Almir, poupando- de constrangimen- tos como aqueles causados pelo outro principle herdeio, que completou acha- pado primeiro mandate. A compensa- 950o, esperava, viria em 2002. E tanto se deu em nada fazer, que nada fez. Continue, hoje, tlo apaga- do como sempre foi, sem cheirar bem nem mal. Fosse ele o ungido por Sua Excelancia, a miquina de agit- prop do Governo do Estado teria em mlos a mesma ingrata miss~o que hoje tem, para fazer algar vBo a can- didatura do Sr. Jatene, que flutua com a leveza, a graga e o charme de um zepelin de chumbo. Preterido, o principle herdeiro faz que se rebela. Incapaz de gerar sua pr6pria luz, ensaia refletir o que resta do brilho da estrela do Sr. Barbalho (e olha que tem mais $ente querendo fazer o mesmo...). E ai que entra a kryptonita desse Superman papachib6. As radiaq~es emanadas pelo governador contra- riado podem fulminar o super-he- r6i, cujos superpoderes atendem pelos prosaicos nomes de "verba de gabinete ", "nomeagdes de se- guidores ou coisa que o valha. A caneta do governador 6 a krypto- nita do Sr. Hildegardo. Se, nas pr~ximas charges, o 6ti- mo luizantoniodefariapinto suprimir o shazan, creio que elas ficardlo bem mais expressivas. No mesmo n" 267 do JP, voc& diz que "O Paraense ter8 entire suas metas prioritlrias "...dar apoio a Almir Gabriel e a seu can- didato, fazendo o contracanto aos ataques que eles receberem ". Mais adiante, voc& manifesta a esperan- Fa de que o novo journal niio seja, "... na praitica, mais uma confirma- gdio dos velhos metodos dos pode- rosos de plantdo e seus satblites mal disfargados". Se a primeira afirmaFao 6 verda- deira, a segunda 6, no minimo, ing&- nua. A troco de quC al gum montaria um journal que tem entire suas metas priorit~rias apoiar o governador e seu candidate? Por que esse um se lan- ga~rie s tat empreitada, sendo estivegs- se sendo pago para isso? S6 posso concluir que o governador ou al- guem, B sua ordem esti financian- do o tal Paraense. Com que dinhei- ro, talvez vocal mesmo nos diga, mais dia, menos dia (menos, espero...). Se o journal jB nasce programa- do para defender o governador e seu candidate, presume-se que ele ja- mais podera ser imparcial, quando estiver em jogo esse "principio pro- gramaitico ". Seria at6 deslealdade. Se a boiada da candidatura almiris- ta voar, e o Sr. Jatene emplacar (no Parik, tudo 6 possivel...), que razoes teria O Paraense para larger das tetas e batalhar seu espago, como um journal de verdade? Lamento, carol Lticio F1lvio, mas suas esperangas beiram o delirio. Len- do seu artigo, acabei lembrando um conto de Santos Fernando, publica- do no tambtm falecido "O Pasquim ". Nele, o escritor portuguds fala de uma prostitute que era virgem... Um abrago, e parab~ns pelos 14 anos do JP. Elias Tavares SENHOR Lu~cIo FLAvio Sou seu assiduo leitor. Apesar de nem sempre concordar com alguns posicionamentos, tenho que reconhecer seu brilhantismo e lu- cidez cultural, caracteristicas t~o es- cassas no nosso Pard. Sou produtor rural e paraense por opgb e paix~io, apesar de ter nascido em Minas Gerais, porem muito mais paraense do que muitos que aqui es- t~Lo por falta de opgh. Logo que cheguei ao Pard, ap6s ter concluido em 1989 o cursor de Ve- teriniria na Universidade Federal de Minas Gerais, adquiri uma fazenda no sul do Estado, em Redenciio, vim a Beltm e tive a oportunidade de ler seu jornal. Gostei tanto que sempre estou lendo a cada m~imero editado. Parabens pela sua persistencia e dedicago. O povo paraense agradece. Atenciosamente Luciano Guedes Redenglio PA A can did atura do vice 6 mesmo para valer " Hildegardo Nunes tem luz prd- pria? Esta k a grande ddivida, que tal- vez esteja ati mesmo na cabega do vice-governador do Estado. Mas ele parece ter uma certeza: o cavalo se- lado estai passando ri sua frente; se ndio montar agora, poderdi ndio ter uma segunda oportunidade. Oportu- nidade ainda mais rara, caso o Tri- bunal Superior Eleitoral confirm o entendimento de que a legislagdio the permit concorrer ao governor Na hi- pdtese de assumfr o cargo, se Almrir Gabriel viesse a se desincompatibili- zar para conconrer ao Senado (ques- tcio suscitada a partir da situagdo de Geraldo Alkmnin, que assumiu o go- verno de Sdio Paulo em substituigio a Madno Covas, jd num segundo man- dato: o novo titular: que estai em seu primeiro mandate, poderia concor- rer ai reeleigdio?). Utilizando d larga as franquias do seu gabinete, Hildegardo pdde fazer umna intense e ampla campanha elei- toral nd'o declarada, como nenhum outro concorante potential. Mesmo sem ter realizado qualquer obra ou praticado qualquer ato de destaque, dyimidiu seu nome e sua imagem por todo o Estado, valendo-se da ambi- giiidade da orientado political do go- vernador, que estimulava todos os pretendentes a sura sucessdio, garan- tindo ndio ter escolhido ainda um can- didato, mas preparava as condiges para, no memento certo e conforme sua determinagdio, tirar o nome de sua preferdncia do colete. Agora que os cortesdios e as pes- soas mais bem informados ja sabem que o candidate k Simdio Jatene, ca- bia a Hildegardo o papel de reinol: curvar-se ai vontade do chefe e acei- tar o lugar que lhe seria oferecido como compensagdio por seu compor- tamento discrete e secundairio por tras da excelsa figure do governadon Mas o vice decidiu manter sua can- didatura governmental e se dispds a enfrentar a ira do rei. Essa declaragdo de intengdo se manteraipor quanto tempo, apartirdo memento em que se materializarem (e jdi estdio comegando mesmo a se con- cretizar) as retaliagd~es palacianas? Hildegardo sobreviverdi ao draistico corte dar~ verbas do seu gabinete ed c maivontade da maquina ojicial, que tem usado para seus constantes desloca- mentos pelo interior do Estado? Ele terdidensidadepoliticapropria einfr~a- estrutura de apoio para sustentar sua candidatura dirsidente, tIo ou maisin- desejada do que a oposicionista? Ulma fonte assegura que ati o fi- nal do ano o vice-governador rom- perdi publicamente com seu compa- JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2001 7 Estou relendo Gibbon e al guns outros Todo americano m~dio ja deve ter visto, ao autores sobre o fim do imptrio romano, menos uma vez, no cinema e na television, uma que me parece o paralelo mais esclarece- imagem equiparivel a das trag~dias das duas dor que se pode ter. Nixon foi o ultimo es- torres deNY e do Pentagono. Mas Super-Ho- tadista, para o bem e para o mal, depois de mem e Capitio Marvel, Bruce Willis e Ar- Kennedy. Reagan e Clinton parecem ter nold Scharzenegger, generals, brigadeiros e al- sido aquela melhora que antecede o agra- mirantes audazes, e outros tantos heri~is de celu- vamento da situaqio, gs vezes a morte. Far- 16 lide e vapor sempre davam um jeito, resolviam tura de consume langada na conta do endi- oproblema na undcima hom, de preferencia. vidamento e do desequilibrio estrutural, a ~ Agoraqentretanto, elesn~ioapareceram.Etodo custa de um magnetismo financeiro sem o aparatob61ico e tecnol~gico se mostrou fhi- qualquer media ou escrupulo, exigindo gil e impotente diante da sagaz e diabolica inte- mais das col6nias ultramarinas, resultou lig~ncia dos organizadores do atentado. E da co- em ostenta~go no nuicleo e mistria no 11ragem suicide dos que o executamam, 18 pessoas hinterland, que 6 tudo o que esta do ou- competentes, inteligentes, mas dispostas a se sa- tro lado do Atl~ntico e do Pacifico. crificar pela causa, o que nenhum ou ra~ro - Desde entio, s di Antoninos nos EUA. ocidental seria capaz de fazer. Bush seria um Nero a moda do Texas (onde Se os EUA tiverem ainda poder criativo surgiu o rastro que cottou o caminho de JFK) e racionalidade humana (nio s6 softwares e e onde o acerto ainda 6 na base do cartaz do hardware, maquinas e equipamentos), revi- alive or died? Os barbaros v~m outra vez sario tudo e aceitario dividir para valer (e n~io do Oriente, pri~ximo ou longinquo? Volta- s6 pro forma) o poder mundial. Mas quem di- mos a mentalidade das Cruzadas? minui voluntariamente seu poder? Quem e ca- O atentado mostrou a corrosio e a fal8- paz de cortar na pri~pria care? Com Bush a cia de todo o sistema de poder americano. Irtesta? A testa? Quid? Meia centena de arabes, trabalhando inces- E ~o memento de a humanidade encarar santemente ao long de meses (ou talvez com horror os atentados, supina criaqio da anos), estabelecendo sua cabega de ponte destruigilo, e com sensibilidade as causes em territi~rio americano, provavelmente mantidas invisiveis (embora bem percepti- com decisive apoio interno (mais profun- veis) que os engendraram, a partir de situa- do do que admitem as autoridades), monta- g oes inumanas, para as quais o establishment audaciosos ficcionistas americanos (sobre- imune a elas (que, finalmente, atravessaram tudo os de Hollywood e dos pocket-books, O Atldntico, o que nem japoneses e nazistas para ler e esquecer) foram capazes de con- do Eixo haviam conseguido). ceber. Um ato perfeito de terrorism, obra- As sementes da destrui~go (da humani- prima da destrui~go. A salamandra de dentro dade? de parte dela? do sistema que a regular, do vidrinho de laborat6rio virou hidra gigan- hoje?) estio langadas no terreno. Podem at6 tesca no contato com o at exterior. n io medrar. Vai defender de um bom trabalho Tirando know-how (sobre a opera~go de eliminaqio das sementes ruins e de oxige- de grandes jatos) de instrutores america- naqio do terreno, revolvido para escapar g com- nos, seqiiestrando avides americanos, pacta~go pelo 6dio e pela misbria, cujas cau- cheios de passageiros americanos, e sas, sobretudo na concentraqio da riqueza e no com eles destruindo pr~dios de valor tan- monop61io do poder politico, s6, nio slo vistas to material quanto (e sobretudo) simb6- pelo pior cego. O poeta Bertolt Brecht alertava lico, ou forgando americanos a matar ame- contra a vesguice de condenar um rio tumul- ricanos no espago atreo americano, os ter- tuado e esquecer as margens que o compri- roristas edfiaramuma agulha no cora~go da mem. A irracionalidade e o fanatismo sho a mais poderosa naqio de todos os tempos, ponta desse imenso iceberg humane. nio para mata-la de vez (ao contrbrio, ela E um privil~gio e uma responsabilida- ainda pode sobreviver e voltar a crescer), de enorme, al~m de uma insuperavel fonte Smas para deixa-la perplexa, abatida, he- de angustia, estar vivo na Terra neste mo- 3 moragca.Agula d vou, ate rimti- mento. Mas nlo basta estar vivo. Ei precise va que liberal a intelig~ncia dos condicio- viver. Saindo do tempo passive para o tem- namentos dos manuals e dos programs ba- po ativo. Conquistando a nova vida, es- seados na constincia e na repeti~go. pantando a morte. As imagens da destrui~go dos simbolos fi- nanceiro e military dos USA S/A (ou U-SA) sio as mais fortes que minhas retinas j8 fixaram - e, provavelmente, de bilhaes de series huma- nos em todo o planet. Estaremos testemu- nhando, com direito a replay ad nauseam, o inicio da decad&ncia do maior imptrio ji construido em todos os tempos? A resposta vai defender da rea~go dos americanos. E sintomitico que o comando do impbrio esteja com o mais mediocre de todos os presidents da Republica, consagra- do numa eleiCio tipica de Sucupira (a rustici- dade do process eleitoral, que funcionava is mil maravilhas at6 dar galho, ja era uma ad- vertencia, que La Fontaine teria transforma- do em mais uma fibula moralista). George W. Bush est6 agindo (escrevo no sibado, 22) como era previsivel, sem qualquer inova~go, retilineo. Nio era o que devia fazer. Esti per- dendo a oportunidade de transformar em cri- ativa uma crise concebida por seus detona- dores para ser mortal. O outro lado da bipolaridade na qual o mundo balangava ruiu com o fim da Uniso Sovi~tica, cujo regime (centralizado e repres- sivo em political e economic) nso podia se ajustar aos novos tempos, da competi~go e da individualidade. Os americanos tiveram 1 a ilus~o de se tornar, entio, o eixo Ainico do mundo, a policia mundial, a justica uni- versal, a cultural global, a moral delivery, o comandante-em-chefe do mercado u~nico. Le- gitimos vencedores, desaprenderam com a vi- t6ria, que pode se tornar um trunfo de Pirro. Se conseguirem refletir agora com luci- dez, verificario, sobre os escombros ainda fumegantes das babil~nicas torres gtmeas de Nova York, uma Babel sem utopias, que a multipolaridade do mundo 6 a unica pers- pectiva possivel de paz, a verdadeira esta- bilidade international, a requerer uma diplo- macia multilateral, n~io o big stick. Agora que lhes foi extirpado um dedo, 6 hora de os EUA cederem os an~is, voltando a ser po- derosos de outra maneira, nio tanto quan- to antes, mas com uma verdadeira ostpo- litik. Um poder sem a tensio do 6dio, do rancor, da misdria e do desespero alheio, que leva a imaginaqio aos pincaros do diab61i- co e do bestial. A questio, s~ria, e: quem abdica ao poder, mesmo que apenas a parte dele? Quem sabe a hora de diminuir de grandeza? O que 6 mais forte nessas ho- ras: o instinto da sobrevivincia ou a razio da existbncia? Ou a gula? 1 '1 Um mundo que rui, outro que renasce i Journal Pessoal SEdilar LuciDFato PbmRrhto Fons* 1091 I 22'-.690 ;I I -I?ia a 2EI -462 CorIal(o* T. BenlbTI..s C.>..sli i 8-14203eat i5j iai 0.5 -11 unall 66orrP~nlLa I8 de Art: Lulzantonidefariapinto 05/8/82 BB Landi As comemoraqbes dos 500 anos do descobrimento do Brasil foram um bom pretexto para Be- 16m redescobrir o maior dos seus arquitetos, o bolonh~s Ant~nio Jose Landi, que aqui esteve hi mais de dois s6culos. Uma bela exposi~go na maior de todas as obras de Landi, o atual Museu do Estado, e um rico Album sobre a Amazdnia Felsinea foram os pon- tos altos desse capitulo das come- moraqdes. Mas foi pouco. Sugeri que a "casa rosa", na pri- meira rua de Bel~m, a Siqueira Mendes, a mais important casa particular da Bel~m antiga, fosse transformada num Museu Landi, reanimando a tradigao na Cidade (ex) Velha. Nada. Defendi a restau- ma~o da igreja de Sant'Ana, a mais querida das realizaC~es do artsta italiano, onde diz a lend que ele foi enterrado. Silencio absolute. Outro dia entrei na igreja: que tristeza! Infiltraqdes sem conta nlo s6 est~o destruindo as pintu- ras e afrescos, mas tambem co- megando a ameagar a estrutura do pr~dio. A igreja tem ativida- de incomum, exercida, por~m, sob um teto prec~rio e diante de uma praga aviltada. Vamos aguardar um desh bamento para fazer alguma c ~ sa, as pressas, mal feito, pargo marketing ver? Calamidade Vai chegar o dia em que a Telemar se transformard em caso de calamidade p~iblica no Parii, unindo gregos e troianos contra ela. Ainda que, para registrar a queixa uninime, todos tenhamos que ligar para Fortaleza e ficar na linha enquanto engenhocas de grava~go eletr6nica continuarso a nos em- bromar. E Ofender. Marketin A prefeitura de Beltm est~i fazendo a reforma da urba- nizagio" da Braz de Aguiar, a rua que jit foi a nossa Augus- ta. Por reforma da urbanizaglio", entenda-se construir flo- reiras (ainda sem flores, s6 concrete) nas esquinas, com o avango da calgada, obra de 150 mil reais que se arrasta hi tres meses, sem justificaglo plausivel para essa lentidllo, exceto, talvez, justificar a expressilo de puro (e vazio) ma- rketing na enorme tabuleta afixada na calgada. Muralha Pelo jeito, nem a prefeituma e nem o CREA deram o ar de suas grag~as na obra n~io identificada que estd terminando de fechar uma das janelas pams o rio, no Porto do Sal, a despeito de denuncia feita na edi~go anterior deste jornal. Quando la passei no ultimo fim de semana, o muro, refor- Fado, ji estava concluido. Sem uma placa sobre a responsa- bilidade do serving. E sem nenhum bom sensor, e claro. Centro melhor A vereadora Ana Julia Carepa, li- der do PT na C~mara Municipal de Bel~m, apresentou na semana passada um projeto de lei "baseado nas interes- santes sugestoes" que fiz na mat~ria "Salvar o centro", publicada neste jor- nal (edi~go 266). Ana Juilia se declara receptivea a no- vas sugesties" que possam ser apresen- tadas ao seu projeto, "seja para dar sub- sidios outros a essa proposta seja para sugerir novas aqdes". Embora ela tenha certeza "de que o Governo do Povo estl no caminho certo", nlo consider que "a misslo est6 cumprida, antes, pelo contrbrio, muito ainda hii por fazer e s6 com a participa~go de todos daremos continuidade aos avangos". O projeto de lei cria o cadastro de im6veis de valor hist~rico do centro de Beltm, que incluird o nome do proprie- tirio do im6vel, sua condigao legal e sucinto diagn6stico da sua situaqio fi- sica. Depois de notificados para fazer o cadastramento, os proprietirios terlo dois meses "para expor o que preten- dem fazer com esses im6veis", sujeitan- do a sangbes legals se n~o atenderem a convocaqio no tempo hibil. A prefeitura deverd constituir uma linha especial de cr~dito, com recur- sos pr6prios e de outras instituiq~es que atuam na grea, destinada a recuperar os imbveis de valor hist6rico. Caso os proprietarios ngo se interessem em as- sumir essa tarefa, poderio assinar um contrato de muituo com a Fumbel (Fun- dagio Cultural do Municipio de Be- 16m), que se valerrA dos recursos aloca- dos para esse fim. Recuperando os im6- veis, a Fumbel poder8 alug8-los, dan- do prefer~ncia ao uso residential ou algumas atividades comerciais (pada- rias, mercadinhos, restaurants e arte- sanato regional). Trinta por cento da renda iria para o proprietbrio. Comn seu projeto, a vereadora Ana Julia Carepa acredita que a prefeitura poder8 fazer "um diagn6stico mais pre- ciso a respeito da situaqio legal e de fato" do centro hist6rico da cidade, pro- porcionando a popula~go "uma outra visso" dessa area vital de Beltm. O projeto 6 important e merece o apoio de todos, para dar-lhe mais for- ga, inclusive com as critics e suges- tdes dos interessados: os que amam Be- 16m e querem melhora-la. A grande razio para Zls mais signif icativas politico, preferindo transitar entire todos. Acabou io trocas de partido, na tempot~da que ird ate os resistindo A mosca azul. A picada foi desastrosa. Nio primeiros dias de outubro, e o receio do quoci- conseguiu se tornar um bom politico (ou um politico ente eleitoral por alguns candidates potenciais professional) e deixou de ser um empres~rio a dispute de 2002. Partidos maiores e com no- ousado.Ou empresbrio, ponto. mes de grande apelo politicaexigem vo- IP1Voltou a political no cargo de vereador, co- taq6es mais significativas para garantir a aP 11 megando pelo verdadeiro comego de carreira. elei~go dos seus candidates. Quem tem du- ~IMas parece nao acreditar na sua vit6ria para vida das suas bases de votos prefer legend deputado estadua~l dentro do PPB, depois de ter menor, onde o piso 6 mais baixo. ; tido uma votagsio significativa no conjunto da E esse o caso do ex-prefeito Sahid Xer- Cimnara, mas abaixo das expectativas que se fan, que deixou o PPB e ainda nio decidiu ll~~1~tinha em relaCio a ele. Vai atrris de outro par- em qual legend vai se acomodar? Xerfan I tido, menos exigente. Corre orisco de coleci- foi uma das mais poderosas (e simpaticas) emi- onar mais legends do que vit6rias eleitorais. Um n~ncias pardas nos bastidores politicos em Be- destiny duro, que talvez Sahid Xerfan nio merega, 16m, quando recusava todos os convites para por uma perspective, a da sua pessoa, mas que esta combinar sua condi~go de empresdrio com a de comegando a fazer jus, por seus erros. |
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