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Ornal essoal LUCIO FL V O P NTO ANO XIV *N= 265 2. OUINZENA 'DE AGOSTO DE 2001 R~3~~~j ARAGUAIA Uma guerra suja --u Investida do L ~c3/L7, Ministe'rio Pziblico Federal ~-rc\ P" ~~ C;~r-U r~"7em Marabd 1 mostra que a s" C irguerrilha do Araguaia ainda ndo e um tema Sdo passado. ,Mesmo extinta hd *27 anos, ainda mobilize a \1 *atengd~o da ~S~6~~CP-Cr~~-r~in teligd~n cia \\' ,f M military, 1 \1 empenhada em impedir que os pllLC ~1 ,V~ Ifatos sejam ( esclarecidos para que um acontecimento traumdtico se normalidadenoro e -7.democrd'tica do pai's. guerrilha do Partido Comunista to. Para a fama que conquistou, 6 tempo I B do Brasil no Araguaia, entire curto demais. Mas para os meios de que f f Goids (hoje Tocantins)e o Paril, dispunham os militants do PC do B, a ojX~i5 Io durou mais do que cinco longevidade do movimento foi excepcio- anos, entire o final de 1969 e setembro de nal. Ele n~io contou com mais do que 70 1974, quando o 61ltimo guerrilheiro foi mor- pessoas, a maioria jovens, sem uma for- ) 2 JORNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE AGOSTO/ 2001 magli t~cnica adequada, movidos pelo ide- alismo, guiados pela obtusidade ideologi- ca. Em tris campanhas sucessivas de combat, as forgas armadas brasileiras deslocaram para a regillo cinco mil ho- mens, entire 1972, quando comegaram os combates, e 1975, quando a operaqio de rescaldo atestou que nio havia mais "ter- roristas" na Area. Todos os combatentes (mas nio todos os guerrilheiros, ji que uns poucos haviam escapade a solugio final determinada pelos militates: a"queima de arquivo") estavam eliminados. Mas a histi~ria da guerrilha do Araguaia nito 6 uma pagina virada, como estlio ve- rificando tr~s procuradores federals (de Stio Paulo, Distrito Federal e Pard), que instauraram em junho uma ag5o civil pu- blica para apurar os fats. Os procurado- res Marlon Weichert, Guilherme Schelb e Felicio Pontes Jr. se defrontaram com uma estrutura military quase clandestine em ple- na atividade. Entre seus objetivos, esta o de impedir que a mem6ria daquele tempo seja reavivada e os pap~is que registra- ram os acontecimentos, revolvidos. A 23" brigada de selva do Ex6rcito, se- diada em MarabB, a principal cidade do vale do Araguaia-Tocantins, alcangado pela guerrilha, mantem foma dos seus limits ofi- ciais um setor de intelig~ncia operoso. Mi- litares nito fardados tomaram como base casas comuns em um sub~irbio da cidade, a Nova MarabB, disfargando sua atividade sob a fachada de uma agencia de noticias (a Free Lance). Embora o principal de sua agenda se relacione aos movimentos soci- ais e politicos presents, como o MST (Mo- vimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra), nIho negligenciam o acompanha- mento do acervo da guerrilha. Sempre que surgem visitantes na d~rea, algu6m da inteligtncia do Exbrcito vai atris. Quer saber quem 6 o estranho, o que esti perguntando e o que lhe foi dito. Se necessi~rio, faz propostas para com- pensar o silancio daqueles que foram per- sonagens da histi~ria. Ou simplesmente procura intimidd-los, quando n~io afasta o intruso. S6 que desta vez a ofensiva ex- terna 6 feita pelo Minist~rio P~iblico Fe- deral, uma instincia bem mais persuasive e forte do que eventuais historiadores e circunstanciais jornalistas. Os procuradores federals nio se as- sustaram. Alem de revelar a estranha anomalia institutional, com a qual a forga armada regular parece conviver sem pro- blema (talvez ainda anestesiada pela con- cep~gio de "guerra internal) os represen- tantes do MP decidiram aprofundar a apreciaCio legal dessa part da histi~ria recent do pais que o Estado parecia pre- ferir continuar a tangenciar, por se tratar de um vespeiro. Algumas entidades da so- ciedade civil, altm das families de guerri- theiros que jamais tiveram seus paradei- ros definidos regularmente, jii empreen- deram buscas na area. Coletaram muitas informages, mas o resultado pritico des- sas iniciativas foi quase nenhum. Desta vez com muito mais Cnfase, a a~go civil pliblica que tramita na Procura- doria da Repdiblica apresenta, g parte seus possiveis efeitos legals, um dado novo: a revela~gio dos danos que os combates na floresta acarretaram B popula~gio civil. E verdade que alguns moradores locals, emigrantes vindos do Maranhio ou que cruzaram o Araguaia da parte entlio goi- ana para a paraense, foram maltratados ou mortos por guerrilheiros, em atos clas- sificados de "justigamento" (notabilizados no Gulag sovi~tico). Mas foi a exceglio. A esmagadora maioria dos natives foi vitima das forgas militares nacionais. Os que cederam a atos de tortura e intimidagio, descambando para uma brutalizaglo animal, acabariam sendo usados como guias, os "bate-paus". Os que resistiram seriam mortos ou car- regariam para sempre seqtielas, a mais freqiiente das quais sendo a loucura. Fo- ram epis6dios marcantes. Provocados pelos procuradores, que peregrinaram pela mata durante duas semanas, os testemu- nhos fluiram com abund~incia, na exten- slio e no detalhe. Ningu~m esqueceu aque- les cinco anos. E ainda nio houve um rito da passage, mesmo porque permane- cem insepultos virios cadi~veres. A consult aos depoimentos coletados pelos procuradores devolve o leitor mais atento a epis6dios semelhantes do passa- do, como Canudos, de Ant~nio Conselhei- ro, no inicio do sdculo XX. As forgas ar- madas brasileiras, urbanizadas, doutrina- das por uma elite, que esparge suas con- vicqaes sobre a massa dos recrutados, parecem estruturalmente despreparadas para entender o serttlo, ele se express mimetizado por radicals de esquerda infil- trados no meio natural, ou por rdsticos ho- mens com suas mentes fundidas no isola- mento e no abandon, a distincia das pai- sagens mirificas da outra face dessa Be- lindia, cujos extremes de pobreza e rique- za nto cessam de sedistanciar. Aquela foi uma guerra suja, definiu o coronel da reserve e ex-senador Jarbas Passarinho, numa reminisctncia sobre a guerrilha do Araguaia. Sujeira 6 o que abunda nos documents de 6poca, que os procuradores estio agora compulsando, depois de terem-nos conseguido gragas a um in~dito mandado de busca e apreen- sho expedido pelo juiz federal Jefferson Schneider, de Mato Grosso, respondendo pela seglio judicidria de Marabg. Essa arma lhes permitiu, com a co- bertura armada da Policia Federal, inva- dir a dependtncia semiclandestina do setor de intelig~ncia da 23" Brigada de Infantaria da Selva do Ex~rcito, em Ma- rab8. Mas nito foi s6 uma guerra suja: foi uma guerra burra, estuipida, que mul- tiplicou desnecessariamente a amplitude da sua face ruim sobre tantos inocentes, como parece ser a triste regra da inter- vengdo do Estado nas paragens remotas e abandonadas do serttlo brasileiro, es- fmnge esta que 6 destituida do poder de retaliaqilo da mitologia. O foco guerrilheiro, do qual poderia re- sultar a revoluglio, num movimento de on- das expansivas do campo para as cidades, era uma obtusa reproduFgho de condiqaes exi~genas e ex6ticas de um partido comui nista sem autonomia intellectual. Apesar do desvelo e da generosidade dos seus mili- tantes, sobre os quais os natives fazem tanl tos elogios ainda hoje, a guerrilha era uma criaqilo natimorta. O Brasil nho era a Al- b~inia, nem a China, ou Cuba, o laborat~rid dos revoluciondrIios do PC do B, para os quais seu prbprio e imenso pais era poucq mais do que uma inc6gnita. Mas as for gas armadas brasileiras nso eram mais bem habilitadas nessq campo. As tropas foram mandadas pardl a mata desconhecida como se o draglio da maldade as esperasse e houvessa mil Che Guevaras atri~s de cada drvordi (por sinal, invariavelmente posta abai- xo, seja pelo colono, o guerrilheiro ou oi military, com propbsitos diferentes e titid ca igual). Se era uma guerra suja (e burra), os que comandaram e os quei executaram as misses repressivas abu- saram na mlo, que foi pesadissima e cega na sua ira punitive. Sera isso, talvez, que a c61ula de in- telig~ncia military camuflada estard eml penhada em evitar que seja trazido a pdi- blico, controlando o "teatro de opera- 95es", conforme a linguagem castren- se, at6 que o tempo apague as cinzas da hora e possa prevalecer a versito do vencedor? A ele, as batatas, como diria o bruxo do Cosme Velho. * JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE AGOSTO/ 2001 5 Para "sanear" a rede de 42 bancos estaduais que funcionavam no Brasil, o Banco Central pre- cisou gastar 60,3 bilh~es de reais em seis anos. Mais da metade dessa dinheirama toda, R$ 33,6 bilhdes, foram colocados no Banespa. S6 assim o charmoso Banco do Estado de Sgo Paulo p~de ser vendido aos espanh6is, que pagaram um agio muito superior ao prego minimo da licita~go, mas se beneficiaram com os efeitos dessa milionaria lavagem fmnanceira previa. Com a nota de despe- sa mandada a caridosa viuiva, e claro. Seis anos depois, um pouco mais da metade da rede bancaria original continue administrada pelos Estados, mas somente oito na forma traditional de bancos; outros 16 ex-bancos foram transformados em ag~ncias de fo- 4 mento. Sete dos aL ' antigos bancos - estaduais ja foram prvtzdscomo o Banespa. Y Dez estio em fase de extin~go ou liquidagio. Seis foram federaliza- dos e encontram-se prontos para ir a leilgo. O Banpara e um dos oito bancos que continu- am sob o control do Estado, agora sob o foco dos holofotes nacionais por conta dos desatinos cometidos durante os oito anos em que Jader Barbalho foi o governador do Estado. Desatinos que podem ter tido valores mais expressivos do que em qualquer outra epoca, mas nio destoaram das caracteristicas gerais da gestio estatal em 40 anos de existancia da institui~go. Conseguirai o Banpara sobreviver ao desgaste que a abertura dos armaros e a limpeza dos tapetes velhos lhe acarretadio? Deve sobreviver? Merece outra oportunidade? Tem said? Sgo perguntas que a opinigo publica devia fazer, nio s6 em rela~go ao banco paraense, mas a todo o remanescente da rede e ao inventariante das providencias ja adotadas, fazendo um balango do custo-beneficio. O caso do BanparB esta tendo uma notorieda- de desproporcional ao alcance dos prejuizos cau- sados, alguns deles irremediaveis. E uma pena que a sofreguidso e a vontade dos que hoje apuram as ilicitudes seja desproporcional ao tempo decorri- do. Se tal interesse tivesse sido imediato, prova- velmente nio teria restado sujeira para colocar debaixo do tapete, nem esqueletos para esconder em armarios soturnos. Houve neglig~ncia, coni- vencia ou prevarica~go. Se o senador Jader Barba- lho deve ser cobrado pelos crimes eventualmente nho prescritos e pela devolu~go do dinheiro desvi- ado ilicitamente, hB varias outras contas a apre- sentar e responsabilidades a cobrar. Para tal, nio basta rastrear os 1 1 cheques administrativos inde- vidamente emitidos a portador oculto. E necess8- rio reconstituir histdtias mal contadas. Esclarecidos todos os pontos vitals desse enredo tortuoso e punidos os personagens com culpa provada em cart6rio, e bom nio esquecer a dimensio dessa pega de um quebra-cabega muito maior. A conta maior ate agora referida nio vai alem de R$ 40 milhies. Digamos que o valor chegue ao dobro, com as cominaqdes pos- siveis e os desdobramentos previsiveis. E uma soma expressive para um horizonte de oito anos (R$ 10 milhaes desviados do Banpara a cada ano) e para a economic local (algo como 10% da receita mensal de ICMS). Os paraenses t~m que cobrar os crimes cometidos e os valores apropriados com o maximo rigor. Mas o Banpa- rB nio pode ser colocado no centro do picadei- ~ro.Nem como ator menos como Ju- das unico. Smento" dos banO" ane - cos estaduais engoliu R$ 60,3 bilh~es, provisionados pelo era- rio atraves de endividamento publico e, prova- velmente, de emissilo de moeda, acarretando maior carga tributaria ou pressio inflacionaria. Ou seja: bnus que pesa e pesara, agora e no fu- turo, no bolso do desavisado contribuinte. A bagatela de R$ 33,6 bilhdes foi sacada do tesouro (ou deixou de nele ingressar, mas cance- lando debitos) para cobrir o rombo dos cidadios da avenida Paulista, que empinaram seus colori- dos papagaios no Banespa, deixando o agent bandeirante a ver navios. E~ mil vezes mais do que o que o Banco Central diz haver apurado (sem demonstrar os calculos B opiniio pdblica) de des- vio no Banpara na era Barbalho. Sem que igual interesse se oriented para os Barbalho de la, que tanto atendem por Quercia quanto Maluf e, ate, Montoro ou Covas, em pecados certamente me- nores, veniais, quem sabe, mas pecados. Os bancos estaduais tem sido a guard pre- toriana financeira dos governadores, satrapas (ou sobas) de uma federaqio envergonhada. Talvez R$ 60 bilhaes seja um prego aceitavel para estancar essa sangria desatada e desavergonha- da, que nio justifica nenhuma saudade dos ban- cos extintos. Mas tambem nio deve servir de gazua para o arrombamento do patriminio naci- onal ou para que qualquer outra alternative, por ser menos ruim, seja aceita sem maior verifica- F50. Principalmente quando a sutura de um feri- mento que sangra nlo e garantia contra a aber- tura de outra hemorragia. Como, olhando melhor para o panorama financeiro p6s-privatiza~go, parece ser o caso brasileiro, hoje. Banpara rima com panama, mas nio rima com boi de piranha. Linha paralela A guerrilha do Araguaia foi extinta ha 27 anos. Ja e tempo suficiente para ser considerada um acontecimento his- t~rico. Mas a questio esta distant de se reduzir a um tema acad~mico. Ainda envolve paixbes e responsabilidades, civeis e criminals. As imputaq6es de natureza political foram apagadas pela anistia, alcangando ambos os lads da dispute, sob o compromisso do perdio e do esquecimento. Permanecem de p6, entretanto, os direitos individuals e as razdes de Estado. Os procuradores federals, atraves da a~go civil pdiblica instaurada, irio fornecer elements nio s6 para a hist6- ria como para eventuais provid~ncias oficiais. A iniciativa e, portanto, legiti- ma, alem de legal. Ela podera reenqua- drar o epis6dio da guerrilha na normali- dade democritica do pais, possibilitan- do-lhe encara-la sem passionalismos, ainda vivos e fortes. A estrutura semi- clandestina da intelig~ncia military em Maraba e uma dessas sobrevivtncias espuirias do passado. O serving de inteligtncia e uma ne- cessidade vital do Estado contemporl- neo. Os governs e particularmente suas forgas armadas nio podem ser surpreendidos por acontecimentos que resultam de processes, que tim acon- tecimentos encadeados nas suas ori- gens. O Estado precisa acompanhar com aten~go, acuidade e precisio tudo o que acontece de essencial na vida em soci- edade. li a maneira de se antecipar a cri- ses e prevenir problems. O governor pode ser bem informado sem que sua inteligtncia extrapole a or- dem legal e violent os direitos essen- ciais, ao menos enquanto o cotidiano segue seu ritmo normal. Se o serving de intelig~ncia da 23" brigada estivesse obtendo e processando informaq~es sobre os acontecimentos presents re- gistrados na sua jurisdi~go, estaria rea- lizando sua missio professional. Mas quando recorre a truques e ardis para interferir nos fats ou interditar o co- nhecimento de situaq8es publicas, esta indo alem do que a lei the faculta. Mais grave ainda quando utiliza tec- nicas de sedugio ou de intimidagio para manter-se incolume ou alcangar os seus prop6sitos. Em tais circunstincias, agen- tes com identidades falsas, usando car- ros com chapa fria, instalados em falsas resid~ncias particulares, presenteando armas e obstruindo o trabalho de agents oficiais nos trazem de volta a triste mem6- ria de anos recentes, que pareciam supe- rados. E deveriam estar superadas. Banpard: boi de piranha financeiro .r* F 4 JoRNAL. PESSOAL 2" QUINZENA DE AGOSTO/ 2001 gradavel incident para refletir sobre as rela- Fdes entire o poder e a imprensa, entire as prer- rogativas do individuo e as necessidades co- letivas. Ele ajuizou no ano passado contra mim duas agaes, uma civel e outra penal, de- clarando-se ofendido por artigos que escrevi neste jornal. Nos artigos, eu criticava o magis- trado por haver restabelecido, em media limi- nar, os registros imobilidrios em nome da C. R. Almeida existentes no cart6rio de Altamira. Com base nesses registros, a empresa se diz dona de uma area que pode ir de cinco a sete milhies de hectares. Contestando tal do- minialidade, O Iterpa prop6s uma a~go de nuli- dade e cancelamento dos registros. O juiz Tor- quato Alencar, acolhendo o pedido, determi- nou cautelarmente a averbaqio desse 6nus. A conseqilincia pratica da providencia era uma advert~ncia a possiveis interessados na vas- tissima gleba de que a validade do document estava sendo combatida judicialmente pelo 6r- gao fundibrio do Estado. A empresa, porem, permanecia com o do- minio de fato da drea. Se existisse, o seu proje- to ecol6gico-cientifico podia continuar a ser desenvolvido sem problems. O que ela esta- va temporariamente impedida era de transaci- onar com as terras, terras essas que todas as instincias oficiais pertinentes, federals e es- taduais, consideram nio ter sido desmembra- da regularmente do patriminio publico. Na minha critical, argumentei que o desem- bargador podia ter deixado de conceder a limi- nar requerida, considerando o grande debate, de repercussio ate international, sobre essas terras, com mais do que fundados receios de ela estar sofrendo um process de grilagem grosseiro. Podia ter solicitado informaqBes ao Minist~rio Publico, que viria a se pronunciar contra a decisio do desembargador Paiva, quatro meses depois de ter sido ela adotada. Por fim, se a empresa tinha boa fe, nenhum prejuizo a tutela antecipada do juiz Alencar lhe causaria. Exceto, naturalmente, se sua in- ten~go era especular com terras de titularida- de privada incerta e nio sabida, com quase toda certeza da Uniio e do Estado do Para. Eu n9o acusei o desembargador de ter con- cedido a liminar requerida pela C. R. Almeida para tirar proveito pessoal. Ngo fiz qualquer associaqio extra-autos entire o magistrado e a empresa. E nio fiz isso por algum receio de represalia: foi simplesmente por nlo dispor de informagdes que pudessem colocar em dlivi- da a lisura da deliberaqio do desembargador. Para mim, ele estava errado. Mas presumi, a falta de fats em contrario, que seu erro fora cometido, a meu juizo, de boa f6. Nio avancei um milimetro altm na apreciaqio do conteuido do seu julgamento. Circunscrevi-me a andlise do que ele escreveu nos autos. A reaqio do desembargador, propondo queixa-crime com base na lei 5.250/67 (a triste- mente celebre lei de imprensa) e a~go civel de reparaqio de dano moral, me surpreendeu. Joso Alberto Paiva nio me mandou uma carta, nem mesmo um recado. Deixou de lado o direito de resposta para litigar de pronto na justiga, para isso contratando um credenciado escritbrio de advocacia de Brasilia. Essa e uma prerrogativa pessoal dele. Mas eu presumia que um magistrado, consciente do significado de sua missio de home publico, atentaria para o significado da critical e o inte- resse da sociedade na questio, prestando os esclarecimentos devidos, aceitando o exercicio da liberdade de imprensa e a superveniencia da mais legitima causa publica. Sem suscetibilida- des excessivas, nem privacidade afetada. O magistrado parece, nesse particular, par- tilhar as ideias de Cecilio do Rego Almeida. Ao inv~s de entrar numa poltmica stria e res- peitosa, como as que aqui se praticam, ele de imediato recorreu ai justiga, atraves de tr~s aqbes (duas penais e uma civel), para ca man- dando procurador do ParanB e mobilizando na retaguarda escritbrio paulista de advocacia. Considero-me injustigado nessa rela~go. Mais prejudicada, por~m, est6 a opiniio pu- blica, privada de conhecer o que agora se circunscreve aos autos dos proces- sos, que, ademais, consomem tem- po precioso das minhas apuraqdes e reflexes, em prejuizo da riqueza de informaqdes deste journal. Esse acaba sendo o efeito mais nocivo (e, certamente, desejado pelos meus eventuais inimigos) dessas deman- das judiciais. Mas se e o prego a pagar para defender os interesses socials, que venha a conta. As ji apresentadas e as que se apresenta- rem, definindo a verdadeira autoria e os verdadeiros prop6sitos por tris de uma ret6rica de ocasiio. * Na cagada da grande imprensa ao senador Jader Barbalho, o desembargador Joso Alber- to Paiva foi acusado de favorec6-lo com um despacho, retribuindo, assim, um favor: foi Jader, quando governador, em 1992, que esco- lheu Paiva para o desembargo, a partir de uma lista triplice que lhe foi submetida pelo Tribu- nal de Justiga do Estado. A associagio e ficil de fazer, mas nem por isso pode ser considerada automaticamente verdadeira. O nome pelo qual o entio gover- nador trabalhava era o do seu consultor-ge- ral, Joio Roberto Cavaleiro de Macedo. Mas "Macedio" desagradara o TJE com alguns de seus atos e opini~es. O tribunal o excluiu da lista triplice, ao receber os seis nomes indica- dos pela OAB, dona do quinto constitucio- nal. Em represilia, Jader fez a op~go surpreen- dente por Joio Alberto, com quem nio tinha maiores relaqdes. O nome preferido pelo TJE era o de Haroldo Guilherme da Silva, que nes- se epis~dio sofreria a primeira da dupla prete- ri~go a magistratura, entrando no enredo como Pilatos no Credo. Embora sempre se estabelega nessas situ- aFges pelo menos uma rela~go de aprego, isso nio quer dizer que a partir da posse no cargo o novo desembargador vi ter que ficar sem- pre ao lado das causes do governador res- ponsavel por sua nomeaqio. No caso especi- fico de Paiva, ngo houve uma negociaqio pr6- via em favor do nome dele junto a Jader, nem a escolha do governador resultou de sua von- tade: impedido de exercer a sua verdadeira pre- fer~ncia, Jader decidiu dar o troco ao tribunal, mandando para o colegiado superior alguem que o tribunal nio esperava. Especialmente porque nio havia intimidade entire Jader e Pai- va. Portanto, a rigor, o desembargador nada ficou a dever pessoalmente. Estava em plenas condiqdes para apreciar e julgar as causes a si submetidas conforme seu livre arbitrio. A imprensa poderia acus8-lo de favorecer indevidamente o ex-governador, na dificil si- tuaqio em que ele se encontra, sob a saraiva- da de dentincias da midia, se fundamen- tasse a acusa~go. Mas limitou-se a fazer a associaqio de fats, sem um nexo cau. sal entire eles, sem provas de que a deci- sio do desembargador foi acertada com o ex-govemador, uma aglo entire amigos. Com toda razao, o desembargador pro- testou contra a suspei~go, baseada em meras suposiq6es, costuradas com um rango de leviandade, a sofreguidso acu- sat6ria que se tornou uma das marcas da imprensa na campanha contra o pre- sidente licenciado do Senado. Mas o desembargador Joso Alberto Paiva bem que podia aproveitar o desa- 0 prego da verdade JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE AGOSTO/ 2001 5 A said de J6rio Dauster da presidin- cia da Companhia Vale do Rio Doce pode significar que, quatro anos depois da pri- vatiza~go do seu control acionario, a em- presa esta privatizando o seu comando ad- ministrativo. O embaixador era um remanes- cente da epoca em que a estatal atuava combinando sua face de empresa particu- lar com seu papel de ag~ncia de desenvol- vimento, recrutando executives bifrontes, com um olho no calculo econ~mico e outro na estrategia political, buscando um equili- brio que estava nas suas origens e servia de aval ao seu future. Mas para que o novo perfil tenha clara definiCio, a Vale tera que deixar de ser uma empresa de bolsa, obsedada pelo pagamen- to de dividends e por retorno de curt pra- zo, para ser o que seus cola- rinhos brancos gostam de chamar de player, uma au- t~ntica multinational brasi- , leira, respeitada etemida por sua competencia no merca- do, por sua autonomia, in- i dependentemente da reta- li guard oficial, do jeitinho , brasileiro. A said de Dauster 6 uma perda para o sentido dessa hist6ria centenaria da CVRD, ou seu epilogo, sem choro nem vela. A nova face, contudo, ainda nio esta definida. Vai defender do amadureci- mento do process iniciado. Apesar da venda do control acionario que a Uniio detinha, ~pJ~F~os funds de pensio, g frente b ?ntrPl o Previ, permanecem sendo o U maior s6cio. Os pr6prios fun- dos ainda estio trocando de couro, como uma serpente em --- busca de nova identidade (que eige enfrentar a realidade dos ntimeros). Os executives que expressavam a simbiose (ou promiscuidade) entire cofres publicos e privados estio sen- do substituidos. Por quem? Esta e a duvida. A CVRD conseguiu re- alizar seu rito de passage, no qual os fun- dos ainda patinam? Aparentemente, sim. A said de J6rio Dauster, neste aspect, com- plementa o desligamento de Benjamin Steinbruch, que, por sua vez, era o resulta- do da teia de ligaF~es, umas claras e outras obscuras, na qual foi tecida a privatiza~go da empresa federal. O component especu- lativo desse process foi muito alto, do que dio ideia as retiradas de dividends ao lon- go dos tres primeiros anos de gestio pri- vada (ou semi-privada). Esse component acabou? Aparente- mente, sim. Mas como explicar que o Bra- desco, um dos responsaveis pela modela- gem da venda da Vale, na condi~go de con- sultor contratado, tenha se tornado o prin- cipal s6cio privado, a despeito da proibi- 950o legal a essa muta~go camale6nica? Foi um artificio de advogado, uma daquelas brechas deixadas depois da virgula de uma norma para ser utilizada pelo autor do dis- positivo quando ele passa para o outro lado do balcio? Ou foi uma evolu~go, altm de legal, legitima? O poderoso jornalismo investigative da grande imprensa, que concentrou sua arti- lharia em cima do senador Jader Barbalho, nio se tem mostrado tio obstinado e curi- oso quando esta em pauta um assunto que exige mais do que fitas gravadas e dossibs de documents orientados. Os jornalistas parecem jai ter virado a pigina de suas agen- das na qual a sigla CVRD foi escrita. E o tema parece recent demais para os analis- tas academicos, que preferem dedicar sua competencia a fen6menos mais distancia- dos no tempo, mais passiveis de en quadra- mento em suas "bases te6ricas". A sorte de uma empresa cinqtientenaria, comn uma trajet6ria tio rica, permanece sob o dominio da mesma elite de sempre. * A participagio de Belem na receita do ICMS, a principal fonte de receita tri- butaria do Estado, ja est8 do tamanho da sua dimensio demogrifica. O indice da capital na cota-parte do ICMS para o pr6- ximo ano, definida em decreto do gover- nador Almir Gabriel no final do m~s pas- sado, sera de 23,96%. Antes, Bel~m reti- nha mais receita do que o corresponden- te em populagao, o que significa menos ICMS "per capital ao menos na redistri- bui~go dos 25% do bolo do imposto que o Estado redistribui entire os municipios. Os indices revelam a nova distribui- gio econbmica paraense, que nio tra- duz literalmente a sua fisionomia demo- grafica ou tem sintonia com a tradi~go hist6rica. Esses crittrios foram interrom- pidos e substituidos pela emergtncia dos projetos de impact da integra~go econ~mica da Amazgnia, que reordena- ram (ou estabeleceram novo caos) no espago regional. Como conseqtiincia, o segundo mai- or indice de participa~go 6 o de Paraua- pebas, com 9,57% do ICMS (mais de um tergo do que cabe a Belem), em fungo da extra~go do minerio de Carajas (fer- ro, manganbs e ouro), que 6 um residue se comparado aos terms de trocas in- ternacionais que engendra, mas tem ex- pressio no context estadual. Sobretu- do de um Estado pobre e desequilibra- do como o Pari. O terceiro maior indice e o de Barcare- na, com 6,40%, por causa do pblo indus- trial (de aluminio, alumina e caulim). Ain- da sob a influtncia de um grande projeto, Tucurui tem o quarto indice, de 5,16%. A quinta posi~go 6 de Ananindeua (se- gundo municipio em populagio), que in- tegra a Brea metropolitan de Belem, com 4,33%. No lugar seguinte volta um muni- cipio associado a um grande projeto, o de Oriximina, onde estl a maior mina indivi- dual de bauxita do mundo (operada pela Mineraqio Rio do Norte), com 3,30%. E apenas em s~timo lugar desponta Santa- rem, provavel capital do possivel novo Estado, um municipio da linha traditional, que ja foi o segundo mais important do Estado, mas ficou num purgat6rio vocaci- onal, com 3,1 1%. No oitavo lugar esta um municipio com grande projeto (o comple- xo agroindustrial da Jari), Almeirim, cujo indice 6 de 2,77%, vindo a seguir Marabi, com 2,46%. Nas posiq6es seguintes de maior destaque ficaram Paragominas (1,67%)e Altamira(1,66%). Assim, cinco municipios nos quais fo- ram instalados grandes projetos, com di- reito a 27,20% da cota-parte do ICMS, e seis municipios que, tradicionais ou nio, nio receberam grandes projetos, incluin- do a capital, com 34,73%. Numeros e cor- relaq8es a serem examinadas pelos que se preocupam com o perfil e a integridade d6 Estado do Par~. Perfil da CVRD Um ret rato t O ES 8dd E G JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE AGOSTO/2001 ria de pagina inteira para comemorar seu amplo dominio no jornalismo impresso. OSo que os nuimeros do indice de prefer~n- cia do jomal se inverteram: os 98% de leitura regis- trado ate trts anos atras se transformaram, em maio deste ano, data da ultima pesquisa do Ibope, em 89%. Esses 9% provavelmente foram engolidos pela nova cria da casa, o Amazdnia Jornal, apontado na sondagem como o segundo mais lido, com 22%. Se o mais recent dos veiculos das OrganizaC~es Romulo Maiorana tiou leitores do concorrente na po- sigio seguinte, essa conquista foi de pouca expresso: o Diairio do Parai aparece com 14%, apenas um pouco menos do que o pique da sua participa~go nesse seg- mento, que chegou a atingir 18%. Na ultima posi~go entire os diarios ests A Provincia do Parai, com 5%, um percentual que n9o chega a ser insignificant, da- das as dificuldades da empresa, sua opC5opela econo- mia de papel e por uma circula~go restrita nos dias de semana (atenuada um pouco aos domingos). E claro que os indices confirmam o macigo do- minio dos veiculos do grupo Liberal na dispute dos diarios. Mas o tamanho dessa hegemonia provavel- mente esta superdimensionado, tarefa facilitada pela recusa sistematica da empresa em publicar a integra da pesquisa encomendada. Com 89% da prefertncia, O Liberal seria lido por 91 1 mil pessoas, ou 15% de toda a popula~go do Para, incluindo criangas ainda totalmente incapazes para a leitura. Se reduzido o alvo aquela parte da populagio com possibilidade teorica de ler um jor- nal, mesmo que na pratica nio tenha condiqdes de acesso a um exemplar, significaria que um em cada tris paraenses 18 OLiberal. E faganha que nenhum jomal do mundo conseguiu. Quando souber do fato, o pessoal do New York Times ficara deprimido. O feito seria ainda mais notavel se ouniverso de refer~ncia deixasse de ser todo o Estado e passasse a ser considerado apenas a capital. Ngo menos de 80% da circulagio de O LiberaleC em Belem. Isto significa- ria que quase 800 mil leitores que homram o journal com sua leitura diaria sio belenenses. O que equivalia a dizer que todo morador desta muy heroica cidade lI a folha dos Maiorana, excluindo-se as criangas e os incapacitados totals a mera leitura de um papel im- presso. O Liberal tem todo o direito a reivindicar sua presenga do livro do Guinesse. E~ recordista absolute em materia de leitura de jornais. Ao menos se o que diz na sua pega publicitaria traduzisse a verdade. Calcula-se em, no maximo, cinco leitores por jomnal (outras estatisticas usam como parimetro trts leitores por jornal). Nesse caso, a tiragem media de O Liberal seria de mais de 180 mil jornais. Ou seja: seria superior a tiragem do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, em plena campanha para recuperar o se- gundo lugar na antiga capital do 1I Brasil, onde o mercado de leito- res de jornais e muito maior do que o de Beltm. Sabe-se, pelo boletim do IVC I I;~~ (Instituto de Verificaqio de Cir- acusado de culagio), que a tiragem media de vo~ anpr O Liberal gravita em tomo de 50 mil exemplares (bem abaixo em al guns dias da semana e um pou- co acima no domingo). Para ser verdildelro a un I r - so de leitores indicado na pega publicitaria, seria precise que quase 20 pessoas lessem cada exemplar do jornal, subvertendo a novio estabelecida interna- cionalmente sobre padrio de leitura de jornais. Expurgadas as fantasias e manipulaqdes, contu- do, ainda fica um indice invejivel, que nenhum con- corrente tem conseguido derrubar. O leitor continue a optar macigamente pela leitura dos veiculos das ORM, o que diz bastante sobre o estado da informa- Co no Para. O pulo que o Amazdnia Jornal deu, para o segundo lugar, o mais prC~ximo que qualquer veiculo ji chegou de OLiberal em tantos anos, deve- se a entrada no mercado de um novo tipo de leitor, que antes simplesmente nio se interessava por jor- nais, informando-se apenas atravts do radio e da te- le visgo. Ele 6 fisgado pelo visual da publicaqio, pelo mundo do entretenimento (e sua cultural da futi- lidade), pela tal da virtualidade, que a publicaqlo explore sem o menor escrlipulo. E, rigorosamente, o mundo da fantasia, tanto no conteudo como na sus- tentabilidade desse consumidor. Ele pode evaporar mais rapidamente do que perfume vagabundo- Alem do menu que oferece e de sua apar~ncia, o Amazdnia se segura no seu prego, inferior ao dos dema;is concrrentes E um palel mluno be~m frito, mas oco. Por isso o anunciante nio se entusiasma por essa midia. Sua equaqio s6 dar8 certo com vendagem ainda maior, mas num ponto de equilibrio em que o consume de mais papel nio engula sua receita da venda avulsa, um item sem- pre inferior do faturamento global em todas as em- presas jornalisticas solidas. Conseguira o journal caqula dos Maiorana conquistar maior quantidade de novos leitores, ou incursionara na seara do ir- mgo por afinidade? Chegara ao ponto de equilibrio ou morrera na beira? O sucesso que alcangar na resposta a essas per- guntas nada tera a ver, entretanto, com qualidade da informaqio, contribui~go da imprensa para a cidada- nia e outras quest~es mais nobres. O anuncio de pagina inteira para comemorar o sucesso das folhas das ORM tem pouco a ver com temas transcenden- tais, embora a pega atribua essa lideranga a um jor- nalismo "feito com seriedade" (a ironia, portanto, e involuntaria). Tem a ver comn o que lhes interessa: os cifr~es. Um simbolo tio concrete e decisive quanto fugidio e perigoso nesse ramo sensivel de neg6cio com a informaqio. Jornal nio e quitanda, mesmo quando tratado por esse prisma. * E se Jader nao renunclasse tido como certo em Brasilia que o senador perpetraqio de injustigas contra si. Com todos os Jader Barbalho tera o mandate cassado por seus sigilos quebrados, um home ptiblico com a seus pares se nio renunciar logo. O presiden- trajetbria do ex-govemador dificilmente resistiria a te licenciado do Congresso Nacional ainda mandava um precise trabalho de anatomia investigative, de dizer no meio da semana que resistira ao destino ja esquartejamento e cruzamento e informaqdes, de au- tragado pela imprensa. Iria abandonar a attitude ante- ditagem meticulosa. E quem mais conseguiria tal rior, de defender o indefensaivel, para adotar uma proeza no Brasil dos nossos dias-e, alias, de qual- posi~go de ataque contra os que o atacam. A premis- quer dos dias que ja passaram? sa dessa posi~go e de que nio hB mocinhos nesse O quadro do memento e um tanto bizarre. Seria filme. Todos, indistintamente, ttm o que temer. como se a imprensa antecipasse o final de uma nove- Para o bem do Brasil, seria bom se, desta vez, la, guardado a sete chaves, mas que efetivamente ja um senador da Reptiblica nlo estivesse blefando -e foi gravado. Os produtores iriam irritar-se com o mentindo com uma competincia de grande ator, como "furo", mas nada poderiam fazer para defender o se- foram os desempenhos de Ant~nio Carlos Magalhies gredo porque o capitulo final js estava efetivamente e Jose Roberto Arruda. Nada indica, porem, que Ja- gravado e pronto para ir ao ar. der Barbalho possa ocupar uma posi~go elevada, na A diferenga e que, no caso de Jader Barbalho, qual haveria de montar uma trincheira para resistir a esse derradeiro memento ainda ngo foi gravado. A ) A quitanda da sm rensa " JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE AGOSTO/2001 7 ~r --_7T _L -? r- ( O ) a Ha um outro aspecto grave na bhizrkrieg da o que foi uma compra direta (verdadeiramentee s- grande imprensa national so senador Jadetr Bar- candalosa na sua execucgio e anibuir a TDAs (Ti - balho, desvilo que pode alcangar qualgluer pesson rulos da Divida Agraria) uma possibilidade ficti- escolhida para Judas desse ulpo de ofesnslra; as cla. de poderem formar cadeias dominiais (o que paginas das publicaq~es envolvldas na campa- so care a litulos de domino Imobillaino). nha njo re letem o contradIitorlo das qluesties. Se o objeti to das publicavies e polI tico, cer- Ale~m de al guns dos personagens citados nso le- tamente elas estio consegulndo consencer a clda- rem o direito de serem oun dos no curso da In- djio comum de: que o senator Jader Barbalho e vestigaglio journalistic, suas manlfestaqess sio um conrumaz e rasteiro ladrdo de dinheiro plibli- Ignoradas qua ndo eles con tesam a s refe~rencias co, um aurentico ladrso de galinha. Tudo e es- qure lhes slio fe ltas. O leitor desa vi sado corntinua candaloso e enfatlico, seml conrradigoes, axioma- a receber textlos unilineares. O silnc~lo fo~rrado IIsco, definitivo, lapidar. Essa unanlmidade. po- seria a conlirmaq~o da t erdde. rem.e onseguida a custa de suf'ocar o contradi- injusug~ada per Istoc;, Maria Eug~nia Barros to~rio, mesmo quando as reportag~ens sho inleira- nj~o conseguiu l'azer a rev~ista public sua crtanr de menle mconsinsentes. esclareclmenlo, env iada dua veze~s a redaga~o pau- Ao leltor mass alento e: quali ficado. como lisia. O evcartoratio Silvio Sa. salendo-se de aos personagens coadjut antes e laterais, varies suas amizardes, saiu logo com um caustico artlgo- deles arrastados injustificadamenle a senda (eai Treposla. publicado na semana passada em O Li- san ha) do senador peemedebi sta, jai condenado beral, e anuncla a contrata~go de um respeitado pelo tribunal da midia, nito passam dejsprcebl- advogado paulista parar processar a revlsta. dos lantos erros e~lementares nas materias. Erros Os reparos que SIll io Sa f'ez a dentincia de qlue slio ditos, repenldos e nunca corngidos, me'S- Isrtoe sobre a panicilpagao do C'ani~rio Condurti na mo quando as publicaCbe s do prot ocajds por prosaica Ie polemrca) operapso de compra e vendal trcealros a fazer uma erralra dos castanhaisde haraba pelo hlrad. na epoca Esse Ilpo deleilorjaulnha juizo felto sobre em que: Jader era a ministro, sjho do0 definital os Jader Barbalho. com um pronrualrio suficienle, eml qlue o advogado se permuuu todo upoH de iromla no tempo e espago, para lal a~allapgo. Agora tem ele- artigo, aproteiando para desanca3r desafelos que: mnemos para fazer um noo juizo. sobre: um certo Identi icou por tr~is dla primaria matena. tipode, impre~nsa que, para cassar o ex-governador De falo. mass um pouco de auldado na apura- do Para. estd jsposta a ignomrar oda a deontologia go, teri poupado has de: tantos erroj grossearos, da prollssjio, desde assegurar o dlrello de resposta c~omo confundlr cannon de notas com caanono de a~t corriglr erro-, demonstrados como tal. reglrtro, Imobillario?. tratar c~omo deiapropriaqao Jader Barbalho vale esse prego?' )imprensa, no entanto, trata do assunto na condi~gio de caso consumado. O senador paraense que nio se meta a besta de contrariar a antecipagilo do desfecho. Ele que trate de corresponder ao papel de grande villio national que a midia lhe conferiu, sem consul- ta -e nem seu pedido, e claro. Mas podiamos imaginar que o grito de guerra de Jader Barbalho fosse para valer; que ele, por convicqio pr6pria ou por desvio esquizofrtnico, nada visse nos seus antecedentes na vida publica capaz de incrimina-lo, e incorporasse o espirito de um Dreifuss, ji por ele citado. O pais so teria a agradecer por essa decision. Finalmente seriam submetidas g prova dos nove todas as graves acusaq8es que surgiram e foram ficando pelo caminho na vitoriosa carreira do ex-governador, que nunca se permitiu respon- dC-las, ou contests-las satisfatoriamente. Agora, com toda a grande imprensa em cima, mais o po- der judiciario, o Ministerio Puiblico, a policia e demais instincias do executive, nenhum escorre- glio do senador ficaria impune. Jamais -ou pelo menos raramente -um bomem puiblico foi submetido no Brasil a uma devassa dessa amplitude e profundidade. Se sobrevivesse a esse monumental check-up, Jader Barbalho ganharia um atestado de idoneidade 6mico na hist~ria brasileira. Ou a definitive execra~gio publica. Se se dispusesse realmente enfrentar todas as instancias acusatorias, Jader tambem poderia possi- bilitar a revela~gio das quadrilhas de predadores que agem a sombra do poder pliblico, sangrando o era- rio, pilhando-o de uma forma t~io selvagem como em poucas naq~es se hadeencontrar paralelo. Se osena- dor foi agent, veiculo ou instrument do desvio de dinheiro publico, certamente nio agiu s6. E bem provavel at6 que nito seja o personagem principal. Niio e do interesse da na~gio, portanto, que a trama seja restrita a sua pessoa. E precise revelar todos os personagens, especialmente os ocultos, porque mais inteligentes e, talvez, mais poderosos. E~ certamente enganosa a presun~gio de que de um lado estariam os bandidos e de outro, os moci- nhos. Os papeis se embaralham, as posiq8es mu- dam. Se esta provado de fato que dinheiro do Ban- co do Estado do Para acabou em conta particular do entlio governador, o Banco Central foi conivente com essa ilicitude. Se nio foi conivente, e espan- tosamente incompetent para detectar manobras bancarias ou descaradamente leviano no desempe- nho do seu papel. Este 6 um capitulo a exigir ur- gente apura~gio, sobretudo no memento em que vol- tam a intensificar as reivindicaqdes pela autonomia do BC. Ele deve possui-la. Mas estara em condi- 95es de merect-la? A sociedade brasileira tem con- fianga suficiente na institui~go para reforgar o seu poder de autoridade monetaria? A mesma duivida se aplica ao Ministerio Publi- co, em particular ao MP do Para. E notbria a irres- ponsavel busca de notoriedade entire representantes do MP na capital federal. Deve-se estender as con- quistas inscritas na constituiCtio de 1988 a a~gio de promotores e procuradores a frente das investiga- 95es policiais como garantia da execu~gio (e do res- peito) da lei. Mas causa espanto ver um represen- tante do MP a dar entrevistas seguidas a imprensa, antecipando o que ainda vai fazer, dando como ver- dade elements ainda pendentes de verificapilo. Pior e ver a omissIlo convenient do MP estadual, enre- dado nas teias que teceu para evitar encarar de fren- te os documents que de Brasilia lhe foram manda- dos pelo Banco Central. Se Jader Barbalho renunciar agora, manchando a credibilidade do Senado com mais um blefe, o quarto desde a cassa~gio de Luiz Esteviio, ele pode- ra at6 voltar ao cargo em dois ou tris meses, se nenhum dos seus dois suplentes assumir, numa elei~giosuplementar paramandato de umano emeio, enroscado na dispute seguinte, do pr6ximo ano, num faz-de-conta que so mal fari a moral political do pais (se e que o eleitor assistira impassivel a toda essa pantomima, votando pelo cabresto). Se, por uma dessas sempre bem-vindas impro- babilidades, o ex-governador levar a sdrio o desa- fio de provar sua inconvicente inocincia, o Brasil lucrara-e muito-com essa surpresa. As barreiras sedio rompidas e a historia com enredo pre-defini- do escapara ao comando do presumido autor, arras- tando tudo o que for podre, criando a possibilidade de puni~gio para todos os que delinqiliram -e niio s6 para aquele que a grande imprensa brasileira escolheu, em comit& fechado, como bode expiato- rio, ou boi de piranha. Jader Fontenele Barbalho encerraria sua car- reira political com algo que dela sumiu ja ha bas- tante tempo: o sensor da honra. Desceria quase so as escadas da glbria passada, mas teria a certeza de encontrar do outro lado, no sitio da desgraga, que iria ser sua morada pelos prbximos anos, amigos verdadeiros, interpretes da gratidito deste pais, generoso com os ingratos representantes po- liticos que costuma eleger. Mas isso, infelizmente, ja e materia para so- nhos, ou delirios. O circo esti armado eet uma ses- sbt circense o que esta programado para os pr~ximos dias-e para o silancio que se seguirai a rentincia do senador Jader Barbalho. * Tr~gua Algu~m com trlnsito livre entire o governador Almir Gabriel e o prefeito Edmilson Rodrigues devia incumbir-se de uma tarefa de alto interesse ptiblico: convencer os dois a abrir um canal de dialogo, acima das divergencias political, para nio prejudicar os cidadios sujeitos aos seus atos. Poderiam ate criar uma comissio parit~ria, formada por auxiliares de conflanga dotados de elementary compettncia professional e bom sensor, para examine~ desapaixonadamente as pendtncias das parties em assuntos de trato comum. Os 1,2 milhio de belenenses merecem respeito suficiente para que aceitaveis desentendimentos de natureza tecnica sejam tratados pelo criterio unico do bem coletivo,' \ evitando-se que contenciosos, como os que envolvem a Ctbel e o Detran, derivem para algo que ofende os brios da cidadania: a pura molecagem entire autoridades pxiblicas. As assumidas e as enrustidas. As que mandam e as que executam. aberta, com data certa para ocorrer: a partir da campanha eleitoral do prdximo ano.tsqeocmod atlae u et etanfro cb uager Jornal Pessoal Editor* Luto Flavi Pir.Io Fones: (091) 223-7690. 261-528 e 261 4827 Contale: Twvenarners Conhslan 84VJ31~66 0'a-04 e-nal. lorna~amraronc r or Prduglo Angom Pilmo Edigo de Arte: L~uantor~ioel~anaam Imortal idade O arquiteto Paulo Chaves Fernandes pode alcangar, enfim, a imortalidade que tanto busca. Basta que seja inteligentemente fiel ao original nas obras de restauraqio do Teatro da Paz. E o tipo do trabalho para o qual o perfeccionismo e o olho critic de Paulo poder~io contribuir decisivamente, eliminando as agressbes que a bela 6pera paraense sofreu no cursor de reformsa" anteriores. Quanto mais fiel for ao original, resolvendo com competincia os impasses decorrentes dessa restauraqio (como esta fazendo ate agora) e deixando de lado maneirismos e "atualizaq8es", vidros, metals e climatizaq~es, mais o secretirio de cultural do Estado marcara a sua interven~go. O Teatro da Paz teri, entio, um novo marco: o P. P. (ou seja, P6s-Paulo). Desde que, evidentemente, o brilhante arquiteto nio queira dar a sua participa~go um grau alem da perfeita recuperaqio do teatro. Servindo de instrument a restauraCio da integridade de um monument violentado ao long do tempo, ao inves de perpetrar nova viola~go. Quanto menos se sentir a mnterven~go da sua milo, mais present estarai o arquiteto. Sera~ a exemplar aplicadio da velha boutade: uma ausincia preenchendo uma lacuna. Anivers~rio No proximo nfamero o Jornal Pessoal complete 14 anos de i Idal. Comlo sempre faqo, gostaria que: os lelrores aproveitassem a data para uma avaliagao do journal e opinassem sobre os rumos da publica~go. Em c~aras o mais ob- jenvras que for possi\ el. E a tncale nianeira interesslnrte de comemo- rar a data. Alesmo porque nio ha muito quecomemorar. Divida A president do Tribunal de Justiga do Estado, Climenie Pon- tes, determinou, no m~s passado, o seqilestro de quase 100 mil re- ais do fundo de participag~o de Bel~m no FPM, depositado no Banco do Brasil, para o pagamen- to de um precatbrio da Betubel' em trds parcelas. A empresa re- clamou da protela~go da prefeitu- ra no pagamento da divida desde 1999, dois anos o tr~nsito em jul- gado da ag8o de cobranga. Smnal No dia 4 O Liberal voltou a publicar mat~rias de sua pr6pria autoria sobre Jader Barbalho, ate entio abordado atravts de des- pachos das ag~ncias de notici- as, mesmo quando a fonte era Belem (ver Jornal Pessoal 264). Sinal de que a sorte do senador esta mesmo decidida, permitindo ao journal da familiar Maiorana apear do muro? Trabalho Os salarios de soldados e ca- bos da Policia Militar do Para es- tio em oitavo lugar no ranking national. Na Amaz6nia, esse ni- vel fica abaixo do Acre, Rond6- nia, Amazonas e Roraima, este, o Estado amaz~nico que melhor remunera as patentes inferiores da PM. Dados de um levanta- mento national' Mas a posi~go 6 ainda pior para os trabalhadores com car- teira assinada no setor privado no Estado: eles tem a 15" mtdia salarial do pais, ganhando 533 reais por mes. Na Amaz~nia, ela s6 supera as medias de Rond6- nia e Tocantins. O mimero che- ga a It$ 718 no Amazonas. Na cabega da fila est8 o trabalhador privado do Distrito Federal, que ganha, em media, R$ 972, um pouco mais do que os R$ 937 do empregado do setor privado paulista. O que diz alguma coisa sobre o peso da burocracia no Brasil e a falacia da participa~go, principalmente econdmica, do empregado nos resultados da atividade da empresa. Em materia de trabalhadores com carteira assinada, a posi- F50 do Para no quadro national e no 13" lugar. Com 260 mil em- pregados regulars, o Estado lidera regionalmente, bem A frente do Amazonas, que tem 137 mil trabalhadores com car- teira assinada no setor privado (mas tambtm possui populagio inferior a do Para). Niio sio ntimeros brilhantes, muito pelo contratio. |
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