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L Ij C IO FIA VIO P N TO Haverb mudanga em 2002? "1i O ponto de chegada aind~a e' impreviszivel, mas jd se pode especular comn mais solidez . sobre como poderd' estar o Ii~ local de largada para a corrida eleitoral do prdximo ano. Com o readivuer na mdo para o tiro inicial estardi o governador Almir Gabriel. Em fungdlo privilegiada ou T deslocada da raia, dependendo do seu destiny, I ~ ~~ r o senador Jader Barbalho. A mudanga continuard a ser uma esperanpa no Pard. rece prov~ivel, o governador Almir Gabriel serd o grande eleitor na dis- puta do pr6ximo ano. Para se tor- Snar vitorioso s6 lhe falta umat coi- sa: o candidate. Se o secretirio especial da pro- dug~io, Simso Jatene, n2o fosse quase um zero eleitoral at6 poucos meses atrsis, ele jB poderia estar posando de candidate virtual da coliga- gfio official. Como a mdquina estadual, mesmo costumando ser o cabo eleitoral decisive no Park, n~Lo 6 suficiente ainda para dar a Jatene a densidade de que ele 6 carente (e que nem mes- mo constituia sua preocupaq~o at6 assumir neste ano sua candidatura informal), o gover- nador mant~m sua opg~o preferida na algibeira. Faz tudo para oficializd-la, dando a Jatene os dentemente de ouvir deni~ncias sobre o enri- quecimento ilicito do lider do PMDB local, o que ji vem sendo feito hi pelo menos 20 anos. Para nio ser pulverizado do poder, Jader terd que oferecer aos seus correligiondrios o console da imagem de vitima: de que foi pu- nido pelos muitos erros que cometeu, sobre- tudo no trato com dinheiro p~blico, mas seus inimigos exageraram os seus pecados por- que, na verdade, queriam dar-lhe o troco por ter levado i cassaq~o de Ant~nio Carlos Ma- galhiles, o todo-poderoso politico que nin- gubm, at6 Jader, havia tido a coragem de en- frentar. Se conseguir essa fagsnha, que jB comegou a tentar (antecipando-se i! possibi- lidade de vir a ser realmente cassado), ainda poderd influir na pr6xima campana. Se n~o, ) meios para difimdir seu nome pelo vasto terri- tcirio paraense (provavelmente com a maior dis- pers~o eleitoral do pais), mas reserva-se ainda o direito de descarti-la se for mantida -ao in- v~s de dissipada a ameaga do scu compa- 'nheiro de viagem ser nso um novo Luiz Otivio Campos, mas um novo Zenaldo Coutinho. A principal inc6gnita na projeq~o do future eleitoral do Estado 6 o destiny do senador Ja- der Barbalho. Com todo o seu desgaste, ele ainda 6 o principal politico fora dos redutos situacionistas. Se tudo o que de pior acontecer com ele (perder a presid~ncia do Congresso Nacional e o mandate de senador, tornando-se inelegivel pelos pr~ximos oito anos), ainda as- sim poderd~ manter influ~ncia sobre um quinto do eleitorado paraense, que o ap6ia indepen- 2 JOURNAL PESSOAL 2r QUINZENA DE JULHO/ 2001 voltard i political ji como sexagendirio (6pou- co proviivel que consiga colocar em seu lu- gar o filho Helder, vereador em Ananindeua, on a ex-esposa, Elcione, estigmatizada pelo sobrenome e que ainda pode ser alcangada pela onda punitive ao ex-marido). Para minorar os efeitos do exilio que uma cassaglo the acarretarii, Jader terii que embar- car numa candidatura que the garanta um mini- mo de influ~ncia na composigl~o da pr6xima administraqio, atuando nos bastidores e nos coh~tatos com os redutos do interior, sua princi- pal reserve de votos. Dificilmente SimZso Jatene se enquadr~a nesse perfil. Ele 6 continuidade demais, o que significa fortalecer o esquema Almir Gabriel (e, por conseqii~ncia, enfraque- cer os p6los opostos). . Jader poderia apoiatr um nome menos iden- tif icado com o govemador e mais fiicil de carre- gar, como o do vice-governador Hildegardo Nunes. Essa alianga represent uma ironia, ji que em 1982 Jader haviai tratado de rapidtamen- te se livrar do pai do vice, Alacid Nunes, peFa fundamental para que derrotasse o candidate do sistema, o empresirio Oziel Carneiro. Mas, como diz o senadorpeemedebista, politico olha para frente e nio para trbis. Quando isso the 6 convenient, claro. Almir Gabriel estaria disposto a trocar Jate- ne por Hildegardo? Provavelmente s6 numa hip~tese: a de derroa icerta. Realista como 6, o govemnador ainda n~o conseguiu definir o peso dessa varidvel. Acredita que uma exposi~go escancarada do seu secretirio e toda a reta- guards official para arrasti-lo pelo Park ainda poderlio colocsi-lo numa posiqgo de forga no memento exato de definir as candidaturas no cronograma eleitoral. S6 se o ponteiro das pesquisas confiden- ciais continuar batendo abaixo de um mimnero mediocre (5% ou 6%)ea data da escolha che- gar 6 que o governador poderd, a contragos- to, lanqar a candidatura do seu vice. Mas nes- se caso surgiria como tentadora uma hipcitese que Almir prticamente descartou: deixar ogo- verno para concorrer a uma vaga, quase certa para ele, de senador. O que significaria dar adeus a um projeto de poder. A partir do mo- mento em que trocar de cadeiras no pal~cio dos despachos, Hildeg~ardo fard tudo para es- tar em boa forma na hora de reivindicar um segundo mandate. Dai o quadro de esquizofrenia que caracte- riza as rela95es entire os dois inquilinos princi- pais da sede do governor. Almir dii todos os sinais de que Hildegardo o desagrada ao trans- formar o exercicio da vice-governadoria numa permanent campanha 1 sucesslo, contrarian- do a indicagio de apoio a Jatene com o que nlo faz pate do catecismo do tucano-chefe: a inde- pend~ncia dos subordinados. Jsi o vice faz de conta que aceita o comando do governador, mas prepare as condig~es para sair de sua b~rbi- ta se, so completi-la, a postulaq~o ii candidatu- ra n~lo o estiver esperando. Hildegardo avanga em duas frentes: bene- ficia-se so maxrimo da infraestrutura colocada aoalcance do vice-govemador, que the dgran- de poder de deslocamento e penetrago (sem o qual continuaria a ser umra figure de ret~trica no jogo politico para valer), e aumenta seu poder no PTB, uma sigla que havia se tornado propri- edade privada dos Kayath. O ex-superinten- dente da Sudam (por indicago de Jader Barba- lho) e seu filho, que integra o secretariado de Almir, nio costumam levar muito a s~tio as po- siqi~es estabelecidas, seja a dos outros quanto a deles pr6prios. Foi assim que Henry Kayath elevou o filho, B 6poca muito mais ne6fito do que Jatene, a condiqlo de deputado (estadual e federal) bem votado, arrasando a horta eleitoral alheia (como a de Mrdrio Chermont) com os produtos popu- lares made in Sudam. Poderiam agora falhar a Hildegardo na und~cima hora, fechando com o esquema Almir Gabriel e deixando o vice a ver navios em Soure? Pars n~io parssr por esse constrangimento, Hildegardo est8 tentando deslocar os Kayath do comando do partido, algo que parece ser-lhe mais virivel do que ca- gar outra legend. e semelhante a estrat~gia do prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, outro candida- to a candidate dentro da coligagso official, em- bora com menos recursos do que o vice. Pio- neiro di a impress~lo de que fazer uma adminis- tralio populist e realizar o m~iximo possivel de obras, independentemente de se saber se for- mam on nZ~o um todo coerente, no segundo principal municipio do Estado, pode ser o bas- tanteparacredencid-lo soprincipal cargo majo- ritbrio da eleigao do 2002. Como sua campanha nso foi vetada pelo govemador, ele, como Hil- Ilegardo, acha que Almir Gabriel aindapode vir a ap6ia-lo. Para manter-se como essa alternati- va potential, age como se ji fosse o candidate da Uniso pelo Pard. Sabendo que se seu proje- to tiver sido concebido para enfrenter qualquer situacqlo, vai ter que buscar outro pouso, igual a Hildegardo, mas sem os recursos dele. E se, numa hip6tese jS considerada menos provi~vel, Jader Barbalho tdo for cassado, in- dependentemente de continuar on nlio como president do poder legislative? Ai volta ao p~ndulo das decis~es. Mas continuard sem ter um nome peemedebista para concorrer so go- verno, produto de sua estrat~gia de nsio deixar surgir uma sombra dentro do seu partido. Ele partir para uma alianga com a oposiCglo tamb~m n~o parece uma boa possibilidade. A oposi~go ainda n~Lo deverd ter umgrande nome para o governor. Nem mesmo Ana Jtilia Carepa,~ a mais qualificada para essa dispute, esti disposta a enfirentar o elevado risco sem ter na retaguarda um partido com presenga forte no Estado (nilo conta com essa certeza nem mesmo dentro do PT). Agravar essa fraqueza intrinseca com um desgaste junto ao p~iblico externo seria o resultado de uma alianca dos partidos ditos de esquerda com o PMDS de Jader Barbalho. A nso ser que o senador esteja disposto a sacrifi- car seus pr6prios pianos de retomada do con- trole politico do Estado para, disputando ape- nas sua reeleiglo, apostar tudo na derrota do governador. Seria, ent2Co, optar pela vitbria de Pirro. Ganhar e levar coisa alguma. At6 agora ningu~m ouviu de Almir e de Ja- der que a possibilidade de se aliarem em 2004 esti~ definitivamente descartada. Livre da cas- sagno, com espago para cultivar a imagem de vitima, salvado mais uma vez de uma situaqio extremamente perigosa gragas B sua habilida- de, Jader poderd apenas exigir, na mesa da ne- gociag~2o, que o deixem voltar ao Senado. E, quem sabe, n~o o obriguem a ajudar a eleger um govemador que mais tarde o enforcarsi. Uma alianga sem maior exposig2lo, sem necessidade de palanque comum, mas exercida atrav6s da combinag~io de cabos eleitorais capazes de multiplicar os votos nos redutos interioranos. Essas diferentes alternatives t~m em co- mum o fato de que gravitam em torno do po- der de mando, derivado da caneta que no- meia funcionririos pilblicos e da chave que di acesso aos cofres do erdirio. B o poder que di forga is candidatures e elas se viabilizam por representarem a continuidade desse mes- mo poder, embora o governador que sucede nem sempre se submete inteiramente ao que o antecedeu. Algumas vezes, muito pelo con- trdrio. Exemplos de que o Park, particularmen- te, 6 muito pri~digo. Esse enunciado tamb6m significa que as possibilidades de renovapo no comando poli- tico do Estado s~Lo minimas, ainda que ndlo to- talmente impossiveis. Menos pelas forgas de mudanga internal e mais pelas ondas de trans- formas~io no cendrio politico national, no qual as surpresas ainda slio um dado a levar na de- vida conta. Tanto para desorganizar o quadro da dispute local, como para reforgar aqueles movimentos que simulam mudanga para que tudo continue quase igual a dantes. : distraido, traou o d'dvdrbio pala~ capa da lIdman~,~! datjqrnal, colocando'um in m~d~nas na placa de bkras(o~u sericbriadsoba?}d Eletionorte, emboapensando no ..Janals. Conso, pqrema ausdag do Ssisema de transpobSko da futur bazrragem~s de Bel~d~onle t tMay lacna en~tda-sel distragdy d narso Rosamentrdo cimso ~uma fopnai deSprea 4 puqual trna deficigd 0$ artistas, boesm nirse esquecer sdo :~ e~~ e"bp~aro : -t JOURNAL PESSOAL *2a QUINZENA DE JULHO/ 2001 3 Hidrel~trica zero Pelos meus c~lculos, a futuma hidrel~trica de "gapon fncoia uat doi mees don apesar de ser projetada pam uma capacidade no- minal de 11 milb~ies de kw, a maior de uma usina inteiramentenacional (e uma das m~aiores do mun- do). Na semana passada, durante um debate pro- movido emBelimpelo Crea (Conselho Regional de Engeabaria e Arquitetura) do Parb, o principal executive da Eletronorte para a irea do meio am- biente me disse que en erara A interrupgo total na gera95o de energia na projetada usina seri de tres meses completes. E ainda haverb, como pre- vi, tres meses de baixa produg~o de energia por conta da falta de Argua suficiente para acionar to- das as mdquinas. Portanto, durante todo um se- mestre Belo Monte adicionard uma quantidade deenergiamuitoabaixodasuapot~nciafrrme.Em umtrimestre,simplesmentenada. No entanto, pretende-se gastar o equivalent a 2,7 bilhoes de d61ares na linha de transmissdo, de 3.300 quil~metros de extensalo, a pretexto de abastecer a region sudeste do pais, al~m dos US$ 3,8 bilhaes na constru~go da usina (US$ 6,5 bi- lhales de custo total do empreendimento). HA~ real- mente viabilidade nesse projeto? E a pergunta que cabe fazer, e f~azer ripido, principalmente agora que o cronograma de Belo Monte foi retomado pela Eletronorte, grages A decisso dojuiz Jirair Aram Meguerian, do Tribu- nal Regional Federal da le1 Regilio. Ele suspen- deu, na semana passada, a liminar que seu cole- ga Rubens Rollo d'Oliveira, da justiga federal do Park havia concedido, sustando arealizaqlo dos estudos de impact ambiental da obra, a pedido do Ministbrio Pdblico federal.Agora a discus- siLo vai tratar do mbrito da questZ~o: se a Fadesp (Fundaglio de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa da Universidade Federal do Parsi) po- dia ser contratada para o Eia-Rima comndispensa de licitagso pilblica, atrav~s de um convenio, no valor de 3,8 milh~es de reais, se estli qualificada para a realizag~ do servigo e se 6 legal o proce- dimento da Eletronorte. Pelo jeito que a empresa sonega ou solta informag~es, o mttodo da pol~mica e do con- tencioso parece ser o iinico para reveler a ver- dade e former juizo. G e6g r af o Milton Santos foi o maior gebgrafo brasilei- ro desde Josu6I de Castro. Parece at6 que este passou o bastslo dquele. Milton Santos admitiu, numa entrevista recent, que seu interesse pela geografia comegou com a leitura de Geograjia Humana (Estudo dapaisagem cultural do mun- do), livro diditico que Josu6 escreveu em 1939 (e que aqui comentei, na edigso 222, registran- do seus 60 anos de exist~ncia). Quem teve a ventura de ler esse manual na fase de formaqio jamais poderia esquecb-lo. O pemambucano Josu de Castronos fezolbar al~m da paisagem fisica da Terra. Mostrou-nos o home sofredor, sobletudo aquele que tern fome e morre por causa dela, milhares todos os dias. Comni'nneros, raciocinios, andlises comparativas e indignag~Fes. O bano Milton Santos desnudou A desembargadora Maria de Nazareth Bra- bo de Souza determinou, no final do m~s pas- sado, o prosseguimento de uma cobranqa de 77 milh~es de reais que a Agropecubria Para- portf esti fazendo, por conta de uma desapro- pria~go mal feita do Estado, que se consumou hP 30 anos, tornando-se uma das maiores "cau- ses c61ebres" do setor fundidrio. Como o cumprimento do precat6rio requi- sit6rio estivesse demorando, a empresa recor- reu ao Superior Tribunal de Justiga, que man- dou a justiga paraense dar andamento ao fei- to, independentemente da apuragio e corre- ~go dos erros mater isis do process, que nun- ca prescrevem e podem ser sempre argaiidos a qualquer memento. O poder priblico expres- sou seu inconformismo com a vitbria da Para- poril e com o valor arbitrado para a indeniza- CWo, equivalent ao custo da polimica ponte de concrete sobre o rio Guama, a principal obra de arte da badalada Alga Vidria, on a mais de meio mbs de receita de ICMS.. No seu despacho, a desembargadora, na condipiio de president em exercicio do TJE, determinou B auditoria internal do tribunal para recalcular o valor do precat6rio. A ParaporZ foi desapropriada pelo governador Fernando Guilhon, em 1971, depois de um conflito san- grento entire posseiros e funcionsirios da fa- zenda, para que em suas terras os lavradores fossem assentados. A empresa reagin alegan- do que o Estado naso tinha competincia legal para desapropriar por interesse social um im6- vel rural e que estava em plena implantaq~o um projeto agropecudrio pela Sudam, recor- rendo a justiga contra a media. Iniciada a ago, por~m, o Incra supriu o erro do Estado e fez a desapropriag~o da fazenda Parapor&B, pagando aos seus dons indeniza- q~o correspondent so valor da terra nua e das benfeitorias existentes. Mesmo tendo recebido os valores, os respons~iveis pela empresa con- tinuaram a reivindicar a anulaglo da desapro- priagao estadual, cumulada com perdas e da- nos, como se n~io tivesse havido a intervengslo do Incra. Mas se os partculares omitiram em sua agBo esse fato decisive, o Estado, de sua pate, estranhamente, tamb~mnso oargaiiu. Passadas tres d~cadas de um desgastante process judicial, os representantes do Esta- do n~o propuseram uma ago ordiniria de anu- laglo de ato juridico (ato jurisdicional de com- posiqgo da lide), no cursor da qual poderia ser intentada ag3o cautelar inominada, a fim de suspender o pagamento do precat6rio. Suges- t~io nesse sentido, apresentada neste ano pelo procurador Carlos Lamartio Corr~a, parece n~o ter sido levada na devida conta. Ao sugerir a media, pori~m, ele lembrou que para a ado~go de tais providencias seria imprescindivel fazer o levantamento complete dos documents que instruiram o process exrpropriat~rio promovido pelo Incra, "de modo que se possa verificar quais os valores que in- tegraram a indenizagho paga aos autores da agno movida contra o Estado do Pard. Nesse senti- do, deve o Estado do Pari, com a urg~ncia pos- sivel, formular consult ao governo federal". Se isso foi feito, n~Lo se sabe. Mas agora vai bater no caixa do erdrio uma conta pra 16 de salgada, de R$ 77 milhaes, e, provavel- mente, indevida. as rel~ages socials e as teias econ~mices, desfa- zendo a histbria edulcorada dos te~rios da glo- baliz~aglo como placebo e pantomima. Levou a geograf la aos limits extremes da interdisciplinari- dade, tocando emtodas asciancias vizinhas, em- prestando suas fenramen~tas. Como todo inovador, criou escola, atraiu se- guidores. Na tentative de ultrapassi-lo, muitos deles reduziram a geografia g sociologia, a politi- ca, a antropologia. De detalhe, a paisagem redu- ziu-se a vapor, on mesmo a sujeito oculto. Para combater o fetiche do neoliberalismo, esses "no- ves secgrafos"c~i~aramumamatriz explicativaqlue pode ath abstrair as condigles fisicas sob as quais os homes produzem, se relacionam, estabele- cem suas formas de dominaglo e poder. Parece ser a sina dos verdadeiros inventories de conhecimento, daqueles que mudam o conbe- cimento e a interpretag~o do mundo. Qual casti- go 6 maior para a membria de Leon Trotski do que os trotskistas? Talvez seja o prego que o criador do Extrmito Verrnelho paga pelos exces- so~s que cometeu no exeroicio do poder sovi~tico e na vaidade autocomplacente do exilio mexica- no. Teorias que surgiram debaixo do seu cosmo- politismo multicultural e cometimentos biogr~id- cos suburbanos e de sub-literatum slo, para a biograf la de Trotski, bempiores do que apicatera de Ramon Mercader. Um home oulto Ctransfor- mado em igual por pessoas semi-alfagbetizadas, que se guiam por orelha de livro e manuals cate- qu~ticos. Seja em Tim~na como em Bel~m. Ervas daninhas grelaram sob a elevada es- tatura que Milton Santos alcangou, mas no me- nos o grande ge6grafo baiano experimentou gl6rias que faltaram, no mesmo exilio, a Josu6 de Castro, desaparecido sem conseguir recon- ciliar-se consigo e com suas raizes. Certamente haverd agora um outro tipo de movimento, ca- paz de recolocar a geografia num novo ponto de equillbrio, capaz debem perceber os homes e a terra. Mas Milton Santos, que morreu de cancer no m~s passado, jB alcangou o lugar dos maiores: aimortalidade. A conta da ParaporA:= meio m~s de ICMS 4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE JULHO/ 2001 entgo em outro circulo do inferno em que cos- tuma se transformar avida pdblica. Mas jB agora, personagem naci 1, Jader Barbalho n2o pode subir sozinho so adafalso. Tomara que a putgaqgo pi~blica dos seus erros arraste a fauna acompanhante dos politicos, aqueles personagens ainda mais sagazes, mais perfumedos, mais cosmopolitas, melhor vestidos e melhor aindal apresentados que costumam dar o tiro de largada e sumir no ponto de chegada. Podem ser vistos num fim-de-mundo, represen- tado por uma fazenda pioneira, am ~grimpo on uma estradapoeirenia, que renda muitissimo mais dinheiro do que se sup~ no lugar, e depois emer- gir em Paris ou Nova York, desfrutando dos trun- fos de poliglota com os meios de uma conta nu- mer~ada. Quando tamb~m n8o se tomam politi- cos, esses personagens de balstidores costumam ser piores do que os politicos, que is vezes cri- am, freqtientemente usam, e, quandonecessdrio, descartam, preservando-se do tiroteio, voltando aos ambientes acima de qualquer suspeita, em seus clubes, associaga2es profissionais, entida- des de classes e as beatificadas empresas. HA v~rios deles nas histcirias que est~o sen- do cascavilhadas com avidez por dezenas de jornalistas, postos a trabalhar por pautas dirigi- das e promessas de premiaC9Bo no caso de che- garem a bons trof~us, e por cobranqas implack8- veis de seus chefes e dos chefes dos seus che- fes, nem sempre com o nome no expediente ou na composiglo acionfiia da firma. Sotuma e pe- rigosa 6 essa fauna acompanhante dos TDAs, dos jatinhos emprestados, dos contratos em- prenhados, dos aditivos enxertados, da mate- mitica inflacionada, do toma-16-dd~-c6, dessa orgia com o dinheiro pbblico que coloca o Bra- sil do lado de baixo do ranking dos mais corrup- tos entire 96 paises pesquisados. E precise arrancar essa gente das asas dos sous bons advogados, dos seus contadores e auditors, dos seus economists performiticos (viram banqueiros de repente, manipulando di- nheiro de funds de estatais que ajudaram a vender) e detrsis dos seus computadores high- tech, arma que se torna letal quandojunta infor- maF~o privilegiada com mente esporta e ines- crupulosa, fazendo da crenga (ou ingenuidade) da opiniso pdblica o adubo par a oplantio de tantas noticias hibridas. Se a necessr~ia devassa de Jader Barballho tem que ser feita, e tem que ser, que vs iis lilti- mas conseqii~ncias, sem poupar ningubm, sem enredo pr6-estabelecido, sem vicio de origem on desvio de conveniancia. Teao ruim quanto sua impunidade seriatomd-lo como boi de pira- aba, esquecendo oma alentada manada que tem pastado sobre a coisa pdblica e continuard a passer se conseguir desviar todos os holofotes par a afigura um tanto mal esquadrinhada a esta altura do mais important politico que surging no Parfi ap6s o cidlo dos coron~is e derivados do regime military. O que diz muito sobre a political, sobre oPard e sobre a elite que tem feito a poli- tica eoa Pard nestas quase quatro d~cadas. *) sem igual nos anais da impreasa, por veiculos impresses, televisados e radiof~onicos. Teria sido melhor assim? Para a sociedade brasileira, certamente quae Mo. Com atraso e so- frendo certa injustiga, al~m de servir de meio para a canonizaggo de figures nocivas da vida pdblica brasileira, travestidas de cordeiros na imprensa, na political e pa vida empresarial, Ja- der Barbalho estd pagandd por ter praticado, induzido, acobertado, estimulado, camuflado, ignorado ou minimizado muita coisa ruim incrus- tada no seu curriculo desde qlue assumiu o man- dato de deputedo federal. Ele parecia convencido de dispor de um cin- to dasmilutilidades, caparz de livnir-lo sempre de todo e qualquer embargo. Apostava tamb~m na desmemoria do povo. Acreditava que ne- nhum escindalo, por maior qlue fosse, resistiria a mais do que algumas semanas,tudo podendo ser recomposto depois. Embevecido por suas evidentes virtudes de sagacidade e experi~ncia, isolou-se dos seus atos, criando uma crosta de protegao que talvez lhe parecesse legitima, mas aos ob~tservadores isenies nlo passava de um grosseiro cinilsmo. Seria ruimpara a moralidade pdblica qlue Ja- der Barbalho, epicentro de tantas hist6rias es- cabrosas no uso da miquina oficial, seguisse imp~vido e impoluto at6 o fim de sua carreira political, aposentando-so com aparecia de res- peitabilidade (como Sarney vai conseguindo, a despeito de tudo). Se, centudo, ngo 6 correta a condenaggo agodada quest atual onda de jorna- lismo investigativo lhe pespega, derivada prin- cipalmente de fitas de gravagdes clandestinas, dossies entregues de bandeja e boatos tso tos- camente apurados, Mo~se pode ignorer que es- ses esqueletos foram sendo acumulados no ar- msrio de Jader sem que ele se desse ao trabalho de exibi-los a luz do dia, para mostrar qune n8o passariam de ossos descamnados. Pelo menos dois tergos de tudo o qune dia- riamente brota nas pdginas da imprensa eu ji publiquei em OLiberal, em OEstado deS. Pau- lo e neste Jornal Pessoal. A iOnida queixa que ouvi de Jader (com quem nblo converse nem pelo telefone hipelo menos dois anos e a quem n~o vejo pessoalmente hd pelo menos uns cin- co anos) foi quanto a entrega de dinheiro do jogo do bicho para a AFto Social, comandada por Elcione, no primeiro governor. Ele negou qlue fosse verdade. En sustentei. Confirmei de novo junto B fonte. Elo preferiu passer a outro assunto. E assim fez com dezenas de casos, no minimo obscures, quepodiam ter sido esclare- cidos, se de fato pudessem ser esolarecidos sem incrimindl-lo, direts on indiretamente. Fez do silincio uma t~cnica de relaq~es pdblicas e uma titica political. Vinha conseguindo exce- lentes resultados, at6 trombar com inimigos muito mais poderosos do qlue enfrentara at6 Se o senador Jader Barbalho conseguir re- sistir a ofensiva da grande imprensa national por mais tempo, mas se tamb~m os jornais do desistirem de continuar seguindo as pegadas do president do Congresso Nacional, 6 possi- vel que desse confronto result mais do que um acerto de contas entire os contendores. Isso acontecert se ambos perderem o control de suas ages: Jader se limitando adefender-se ea imprensa evitando alargar a linha de tiro. Talvez entilo a sociedade deixe de ver o politico para- ense como a personif icaCgto do mal, detentor do monopblio de transgressso da coisa pdblica, e a imprensa se livre do r6tulo de vi6va de Ant6- nio Carlos Magalbs~es. Um caso individual po- deri proporcionar uma profilaxia coletiva. Um balango dessa guerra verbal revelara o constant recuo do atacado, mas a pouca efi- cicia dos golpes dos atacantes, alguns mais profundos, outros mais superficiais, a maioria deles dados a esmo. Na histciria recent da Re- pliblica, apenas Getdlio Vargas. Juscelino Ku- bitscheck e Femnando Collor de Mello recebe- ram um combat tao sisteminitico da grande im- prensa, emborn os dois primeiros, mesmo no auge do tiroteio corrado, tenham contedo com alguns aliados, e o 61ltimo, tao bombardeado quanto Jader agora, tenha sido, at6 a v~spera, o queridinho dos publishers. Ha uma diferenga significativa, por~m: Ja- der Barbalho tem sido fustigado use pelos atos que cometeu como president de um dos tres poderes constituidos e a terceira autoridade na linha sucess6ria do president da Repirblica. Nem teve oportunidade para exercer essas prer- rogativas. A devassa 6 retrospective, alcangean- do toda a sua vida piblica, que ji tem 35 anos. O ponto de partida da remiss~o 6omomento em que ele nLo aceitou a vontade do entglo presi- dente do Senado, Antbnio Carlos Magalbse~s, que o vetou como seu successor. A partir de ent~o a turva biografia de Jader Fontenele Bar- balho passou a ser virada de cabega para baixo. Esse fato incontestivel sulgeree logo a per- gunta: se os dois politicos, ACM e Barbalho, tivessem feito uma composiggo, a grande im- prensal teria se interessado pelo home que ji havia sido duas vezes ministry (ambas na pre- sidencia do assemelhado Jos6! Samney), duas vezes governador, lider da chmars alta e presi- dente de um dos tr~s maiores partidos politi- cos do pais? Havia duas hip6teses de compo- si~go: Jader desistir de assumir a cadeira de ACM c o babalorix8 baiano desistir de vetar o seu at6 entZ~o amig~vel companheiro de legis- latura, com o qual trocavapublicamente conf i- d~ncias a beira do ouvido. Certamente se qual- quer uma dessas hip~teses prevalecesse, mes- mo a primeira, Jader teria sido pouipado das centenas de piginas e centenas de minutes que a ele foram resenrvados, numa constincia MaS SQ O Barballro? JOURNAL PESSOAL *2r QUIN2ENA DE JULHO/ 2001 5 Boechat alega que, so erru~, esse erro 6 corri- queiro nas redagaes: rep6rteres 18em suas math- rias para fontes, trocam favors com elas, plan- tam bales de ensaio que lhes entregam, servem de instrumento para o que esti al~m (e por tr~s) das noticias, pulando o balcbo ou derrubando o biombo entire o reporter como testemunha dos fats e personagem desses mesmos fats. A patologia n8o seria individual, mas coletiva. Pelo que passaria a viger a maxima da Vov6, Zulmira, criada pelo tamb~tm jornalista Stanislaw Ponte Preta (pseud~nimo de Sbrgio Porto): ou todos nos locupletemos, ou restaure-se a moral. Se 6 verdadeira a observagsgo de Boechat, n~o slio defensifveis essas priticas. Nenhum joraalista deve submeter seus textos a ningu~m sealo seus chefes imediatos, pelos quais a ma- thria transitar por conting~ncia funcional, devi- damente hierar quizada. As vezes assuntos com- plexos, sobretudo ligados & ciencia, exigemuma nova checagem. Mas o jornalista que ainda nofi 6 capaz de responder por tudo o que escreve tem uma grave defici~ncia na apuraglo das in- formaqles. Precisa adestrar-se melhor. A solu- Fgo dio 6 ler o que escreve para a fonte corrigir. Isso, jamais, em situ~aqo alguma. O jornalista ngo deve se indagar sobre o des- tino que suas mat~rias terilo, se serilo usadas por xis onipsilon. As perguntas que lhe compe- tem f~azrsso: ofatotem importincia, 6verdadei- ro, est8 exrposto da formal mais complete e acaba- da possivel? Preenchidos esses reqisisitos, est8 pronto par ser divulgado. E claro que em mmi- tas situaq~es os fartos s~o revelados on levados aos jomalistas por pessoas com envolvimento na hist6ria. O jornalista n~o deve descartih-los s6 porque tam uma fonte com interesses defini- dos. Mas deve consulter outras fontes, checar informiages e avaliar o signif icado do fato. Sso tantas as situaqes que uma regra geral decomoproceder admite inirmeras excego~es.Em todas elas, o critirio de definigao 6 revelar o mi- ximo do que se aputou. Lembro na 6poca do regimemilitar. Como correspondent de OE~sta- do de S. Paulo em Bel~m consegui ter acesso a fontes privilegiadas do establishment. Para me passer informaq~es, essas fontes exigiam nlo ser identificadas. Combinei com SZoPaulo queo cr~dito desses matbrias seria atribuido a alguma sucursal, de Brasilia on Rio de Janeiro, n~o s6 Spara desviar o foco como para diluir as respon-) Todos os jomalistas deviam aproveitar o "caso Boechat" para um exame (ou reexame) de conscibacia coletivo e a renovaCqlo do c6digo de 6tica e dos padres de conduta da categoria. Ambos excistem mais como lein~dde fonna e habe- as corpuls preventive. Por isso, hi maito fedor nas redaq~es. Disf~argado com os melhores per- fumes. Ricardo Boechat foi sumariamente demitido do jornal O Globo e da TV Globo, em pleno do- mingo, dia 24 de junho, por conduta considera- da a~tica e antiprofissional. A prova do crime aparecera nas p~iginas da revista Veja: a trans- cri~go da grav~agno clandestine de uma conver- sa por telefone entire Boechat e Paulo Marinho, travada tres meses antes. A gravaqgo compmovava tr~s faltas graves. A primeira: o journalist leupera o interlocutor a integra de uma reportagem que havia escrito pera ser publicada no dia seguinte; on seja, crion um leitor privilegiado, que se antecipon i circulag~o do joral no contato com o texto impresso. AlCm do seu valor intrinseco incontestivel, esse texto tinhaum valor utilitbrio: seria usado por uma parte contra sen oponente, aprimeira so antecipando a uma manobra que o segundo fa- ria exatamente no dia da publica5pso da mat~ria. O contencioso evolve duas empresas de tele- fonia com valor de mercado de 2 bilholes de re- ais, que dois dos s6cies est~o disputando num vale-tudo disfazgado de diverg~ncha societdria. Porf~im, ojornalista revelava informaqes~ede economic intema da empress de comunicagso na qualtrabalbava; seuinterlocutor, albmde ser lobista de uma das empresas de telefonia, por meio dela era tamb~m informant do principal acionista do Jornal do Brasil, concorrente de O Globo, numa fase de acirramento de dispute. Ricardo Boechat 6 uma pessoa querida e admirada (como professional, amigo e chefe de familia, al~m de parte em divertidas sess~les de papo) pelos colegas que j8 tiveram o prazer de trabalbarasolado dele. Ngotenho nenhuma refe- rincia sobre troca de noticias por dinheiro (nos- so chen, o jabaculd dos carioces) por parte dlele. B um dos jomalistas mais bem informados do pais. Redige corretamente o que apura. Tem 30 anos de estrada pavimentada de sucessos. Ain- da assim, fez por merecer ademiss~o. Os errors que comneteu foram o m6vel da ini- ciativa da empresa? Ai 6 que reside a divida. A moral do (Ou o jornalismo Sm amoral) Versao Numa mat~ria no Jornal do Brasil de 22 de junho, Mauricio Lima escreveu que, so des- cobrir o caso amoroso do scu marido com sua sobrinha, Elcione Barbalho "foi vista entran- do em casa com um rev61lver. O seguran~a de aeruem eao d Po, omo um susto tao Quando surgiu, quase 10 anos atr~s, a his- t6ria adLo era bem assim. Uma fonte que se apresentou como servigal da granja do Icui entrou em contato comigo para dizer que o major Arruda havia sido baleado e morto por Elcione, que atirara em Jader e acertara na sua sombra. A pessoa disse ter testemunhado o fato e se desdobrou em detalhes. O corpo de Arruda ainda estava quente. Nilo tinha marca de bala. Morrera de ataque cardiac, proble- ma com tradiglo familiar, que liquidaria depois um irm~o dele. Saira alegre do Icui, junto com amigos, depois de ter participado do aniver- sdrio de um filho do casual (provavelmente Helder), ansioso porque tinha program me- lhor e Jader e Elcione demoraram demais a che- gar. O enfarte, A~lminante, veio menos de uma hora depois, quando ji havia se separado dos amigos e partido para o novo programa. No necrol6gio que escrevi, desmenti o boato, que havia tomado conta da cidalde (o irm~o me agradeceu algum tempo depois, du- rante uma solenidade na Assembl~ia Legisla- tiva). Era s pura verdade, que repeti para vri- os colegas quando me procuraram para se in- formar sobre o epis6dio na semana passada. Estavam certos da histbria do tiro, que foi adap- tada no texto do JB para o ataque cardiac. Arruda, um home brincalhto e camarada. Ngo merecia ser novamente morto, agora de formal ingli~ria, como se fosse seguranga de opereta bufa de repdblica banana latino-ame- ricana. Ou de jornalismo de bizds. Cid ade Caminhrar pela parte velha de Belim 4 ser candidate a testemunha de destruicdo. Pode-se ver um prbdio velho entrar em decadincia, exibir seus sinais de fr~atura e ruir, ou pegar fogo, sem apossibilidade de um final feliz, o poder plblico entrando em agdio preventivamente ou os dons das edificag~es cientes de suas responsabilidades socials. Na semana passada ocasardo da av6de Beatriz velo abaixo de ver. Dias depois um novo inc~ndio no combrcio, um permanente barril de pdivora a exigir que os bombeiros dali nd~o se distanciem. Na rota da caminhada matutina, ainda pude ver fogo e antever o desabamento das paredes ocas que restaram. Jd vi tris desabamentos na atual temporada. tt um nlimero que diz mais sobre a condigdo da Feliz Lulsita3nia do que seus obsis de belera ou sua propaganda de levera. () JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE JULHO/ 2001 Guerrilha do Araguaia: ainda a hora das vers~ies A histi~tia complete da guerrilha do Araguaia, quando vier a ser esni- ta, mostrard~ que, tanto g direita quan- to a esquerda, o Brasil desconhecia a Amaz~nia; o sertiio ainda era algo indecifrivel para o literal. O Partido Comunista do Brasil, pensando com a cabega de Sti~lin, fossibilizada na Albinia e temperada em Cuba, achou que podia criar um foco ou uma zona libertada no ponto de ligagio entire o planalto central e a floresta amaz~ni- ca. Ao saber que guerrilheiros (nun- ca mais do que 60) haviam consegui- do se estabelecer naquele ponto ermo, abandonado e pobre do pais, o outro lado da face de cartio postal do prosseguimento da "corrida ao oeste" ("uma aventura t~io grandio- ' sa quanto a conquista da Lua", dizia a propa- ganda do Brasil "pra frente"), o Exercito achou que ia ter que enfrentar (finalmente?) uma guer- ra. Encarou-a como tal. Em duas campanhas organizadas conven- cionalmente, sob o comando duro (mas de- sajustado) do general Ant~nio Bandeira, mo- bilizando um miximo de trts mil homes, o Ex~rcito fez mais mal aos civis do que aos S que s6 nioteriadadocerto porque a correlag~io de forgas era demasia- damente desigual. Ainda assim, idealistas dispostos a morrer por uma causa just. Na verdade, a do Araguaia foi uma guerrilha natimorta. E provilvel que os bravos combatentes conhe- cessem mais as condiq6es chinesas ou cubanas do que as amaz~nicas. Os diarios da guerrilha tem uma ve- rossimilhanga com a situaqio real da regi~o que teria um ensaio produzi- do nas areas de Ipanema por um militant da festival, muito solidatrio, sem d~ivida, mas fantasioso, idealis- ta naquele sentido hegeliano que Ll ~ Marx tanto escarneceu. A simpatia era superficial. N~o rompeu de prin- cipio porque as tropas regulars do governor cometeram violbncias e barbaridades com os moradores locais. Era de se prever. Em Xambiod ficaram esta- cionadas centenas de soldados, a maioria jo- vens e solteiros, que acabariam cometendo ex- cessos com as mogas nativas. O mesmo acon- teceu com os lavradores no meio da mata, as- sustados por aquelas investidas sem muita or-) guerrilheiros. Reforgou neles a iluslo de que haviam realmente conquistado a simpatia da populagio native, algo qlue o her6ico Che Guevara havia tentado sem sucesso em sel- va semelhante na Bolivia. E criou um caldo de cultural para que os erros de concepglo e de pritica da guerrilha ficassem sepultados sobre um manto didfano de fantasias, dos heri~is perseguidos, dos mirtires de uma luta sonagem oculto da trama, Daniel Dantas, o ardiloso s6cio dos investidores canadenses nas telefi~nicas (e, quem sabe, a ponta final na origem das fitas, antes da chegada a Veja), mandaram um torpedo na dire~go de Tanure e do JB, e ainda desvalorizaram sua future pro- vivel conquista. Nem Janete Claire escreveria roteiro mais maquiav61ico. O doutor Roberto nlo tem rival nessas artes e manhas do poder. Ao menos vivo. O agradabilissimo Boechat nio deve ter sido um atento leitor das fibulas antigas, aque- las que narram uma hist~ria de sadismo ou vilania, recoberta de tintura infantil, ocultan- do um enredo torto sob uma moral edificante. Acabou arrastado por essa mar6 de sujeira da qual se imaginava apenas um cronista distan- ciado, por um dos incontiveis rolos de fitas clandestinas, que nio parecem ter fim, e ainda poderaio enforcar outros, inclusive os que cri- am monstros na presunglo de pod6-los sem- pre controlar, como afoitos jornalistas. E as- sim poderdi acabar sendo com todos os que imaginam manter essa relagio incestuosamen- te para sempre. S6, nas lendas de convenien- cia cabe a eterna felicidade. Eternidade somen- te para quem tem ao seu alcance um poder: o de contar a verso final. sabilidades (mais jornalistas e muito mais fontes teriam que ser investigadas). Mas eu sempre si- tuava o setor de atuaqio da fonte ("uma fonte military "uma fonte bem posicionada no setor de seguranga", por exemplo) para que o leitor capacitado a interpreter aquela informaqiio tives- se um dado a mais para enriquec6-la e pudesse verificar sua validade, nilo entregando a fonte, mas tamb~m nto a deixando an~nima no 6ter. Boechat nio seguiu principios bsisicos do jornalismo independent -e, como ele, muitos jornalistas se desfizeram de tais normas. HA os que tiram vantagem material dessa remnmcia, e ndo s~io poucos, infelizmente. Muitos outros apenas estao, ao seu modo, cultivando e preser- vando boas fontes, que lhes garantem informa- Fio de prirfieira, Aesso aos bastidores do poder ou "furos", que so transformam em instrumen- tos de notoriedade e afirmaqio profissionais. Constantemente uma relaFgio necessdria emes- mo vital comega a perder equilibrio e a fonte passa a comandar ojornalista~,que vai se desfazendodos principios para continuar a seguir na linha de fren- te, integrada por uns poucos que sabem das ~ilti- mas oumais quentes informagies, mal elas aconte- cem, admirados e cultuados por serem "insiders". Acabam pagando um alto prego, como ocor- reu no caso de Ricardo Boechat. Ele ultrapas- sou os limits admissiveis na relagio jornalis- ta-fonte, tornando-se um element de manobra daqueles que lhe davam as informagbes e che- gando a promiscuidade. Mas talvez nio che- gasse a ser demitido, e seguramente nsio seria demitido com humilhagio, se essa promiscui- dade nso significasse uma ameaga aos interes- ses das OrganizaqBes Roberto Marinho. Havia o boato de que o colunista estava negociando sua transferincia para o Jornal do Brasil, que O Globo havia conseguido su- perar no dificil mercado carioca, menos por m~ritos pri~prios do que em funqlo da corrosi- va crise internal do JB. A lenta e continuada decadencia do journal, que sucedeu o Correio da Manha como o mais influence na capital politica (e ainda cultural) do pais, poderia agora seguir uma nova tend~ncia, de ascensdo, com a chegada de dinheiro de Nelson Tanure, o segundo principal personagem na novela te- lef~nica grampeada que Veja revelou, e a ade- sio de jornalistas de prestigio, como Boechat, amigo intimo de longos anos do empresdrio. E claro que os Mlarinho nio armaram uma rocambolesca armadilha para o seu at6 entio mimoseado colunista. Mas aproveitaram uma circunstincia favorrivel para potencializar seus - efeitos positives. Favoreceram o grande per- JOURNAL PESSOAL *2p QUINZENA DE JULHO/ 2001 7 mio por seu comportamento, Ggspari herdou os cobigados arquivos de Golbery, o criador do SNI (criatura que tanto o assustou, a pon- to de abjurd-la depois), comn os quais, hti anos, promete reescrever a hist6ria do period e que sempre tem adiado. Ainda assim, a avalia~go de Passarinho nso 6 correta., talvez por n~o ser isenta. Por mais que o ex-senador tente depurar os rangos do passa- do, n8o parece conseguir se livrar de certa mi- goa em relagao aos "castelistas". Afinal, foi ape- nas no mandate de Castelo Branco, mas, sobre- tudo, no de Geisel, que Passarinho experimen- tou inicialmente atritos e, depois, animosidade declarada ao long do ciolo dos generais-presi- dentes. As difereng~as, ao que parece, n~o foram acertedas at6 hoje. E talvez n~o venham a si-lo nunca. Passarinho se excede tanto na defesa de M~dici quanto no alaque a Geisel. A francamente distorcida a defesa que ele faz do poder do SNI. Passarinho sustenta que o Ser- vigo Nacional de Informag~es era apenas "um brgiio de informaqiio do president da Repdbli- ca", que ndo se envolvia com operaC~es exter- nas, como a guerrilha do Araguaia. Curi6, entre- tanto,era um home do SNI,embora,para consu- mo extemo, enquanto esteve na ativa, se apre- sentasse como integrante do Conselho de Segu- ranga Nacional, apenas para nio softer o desgas- te que certamente aimagemdo SNIlhe imporia. Foi como agent do SNI que Curi6 assumiu e exerceu o control do garimpo de Serra Pela- da. E foi o SNI que comandou a Capemi no desastrado projeto de exploraq~o florestal do reservat6rio da hidreletrica de Tucurni, que deveria funcionar como fundo de campanha presidential para o chefe do servigo, general Ant~nio Medeiros, numa~ 6poca em que estar g frente do SNI era ter o direito de reivindicar o cargo superior, a presidencia da Reptiblica (como aconteceria com M~dici e Jolo Figueiredo). Quem acompanhava os acontecimentos de ent~o e tinha um olho na histciria n~o podia deixar de ver semelhangas com a luta travada nos bastidores do nazismo entire a SS e a SA. Geisel foi o home da SA que comegou a combater a negra SS, mal compa- rando (mas comparando) a dife- renciaqgio entire os homes de carreira regular nas forgas ar- madas e os que desceramn para os por~les. Se fez pou- co ou fez mal, pelo menos Geisel fez. M~dici fez nada. Foi o nosso Pilatos, mal comparando outra vez, mas comparando. Que 6 assim, fazendo paratelismo e provocando manifestaqdes, que se con- segue escrever uma histi~ria que n~o se reduza B vers~lo dos com- batentes, vencidos ou vencedores. Como parece ainda ser o estigio da hist6ria da guerrilha do Araguaia. dem, os militares superes- timando o inimigo, do que Sderivaram alguns desentendi- mentos (uma tropa atirando contra outra tropa), por medo ou inexperi~ncia. O exr- cito Brancaleone pa- recia mais a forgFa re- gular do que os guerrilheiros, di- ferentemente do que sugere o coronel Jarbas Passarinho, nas intervenq~es que fez na impren- sa a prop6sito da tentative de recons- tituigio dos fats em O Liberal. Naterceiracampanha,ademenordu- raglo e a que mobilizou menos gente, o Extrcito liquidou quase sem baixas ofoco guer- rilheiro gragas a uma competent operagio pr6- via de intelig~ncia, comandada pelo ent~lo major SebastisLo Rodrigues de Moura, que se popula- rizaria como Curi6. Ele se infiltrou na mata com outros homes e pi~de verificar que os guerri- lheirosecram poucos, estavam enfaquecidos (in- terna e externamente) e poderiam ser destruidos se seus poucos elos fossem desfeitos. Curi6, desfez os n6s oferecendo terra e outras vantagens a lavradores que se dispusessem a ser bate-paus, ou espi~es. Tris estradas (as OPs) fo- ram aberlas para o assentamento desses colabo- radores, f inalmente dons do scu lote (a via, nio interessava). Eles levaram os soldados g maioria dos guerrilheiros, inclusive o lider do grupo, Os- valdo Orlando da Costa, o asvalddio. Certamente uma parte ao menos do grupo poderia ter sido presa com vida. Houve deci- sio superiorpara um ataque radical, talvez para eliminar arquivos e testemunhas. Seria dificil explicar como um grande ex~rcito esbarrou por mais de quatro anos num movimento guerri- theiro taio frigil. Atrav~s da exaltagso do inimi- go seria possivel n~o s6 remir a culpa do co- mando das duas primeiras operaC~es, como talvez at6 eleva-los B condigao de heri~is. Por desconhecimento dos fats on por di- retriz political, muitos intelectuais, especialmente os mais prxiamos do PC do B, deram g guerrilla do Araguaia umaprojeqlio falsa, superdimensi- onada. O ex-senador Passarinho diz que esse resultado insiblito, os derrotados escrevendo a hist6ria no lugar dos vencedores, invertendo a regra hist6rica, deve-se B infiltragio da esquer- da nas redaqi~es e outras formas de omiss~io on coniv~ncia de terceiros. N~o principalmente: deve-se, sobretudo, a recusa do Estado brasi- leiro, eparticularmente doEx~rcito, de apresen- tar documents que comprovem sua pr~pria versfio, sempre tibiamente apresentada. Pior do que desmistificar a importincia da guerrilha seria comprovar a incompetincia da nossa principal forga military, g 6poca desprepa- rada tanto para enfirentar uma guerra convenci- onal (como a das Malvinas, que arrastaria para o ocaso a vizinha ditadura military Argentina, mais profissionalizada do que a nossa, em to- dos os sentidos, bons e ruins) quanto um foco guerrilheiro (urbano ou rural), e compreender uma region pioneira como aAmaz~nia. Osil~n- cio official se explica menos pela submiss~o a uma norma de discrigto, mas pelo receio de enfrentar o desaflo da verdade. Se 6 da responsabilidade da administracilo Geisel a ~iltima e vitoriosa campanha contra os guerrilheiros, na qual teria vindo embutida a ordem de n~lo deixar testemunhas vivas, como diz o ex-govemador, 6 errado deduzir dai que as duas etapas anteriores tivessem sido menos sangrentas, menos sujas. Podem ter sido at6 mais. A diferenga 6 que as principals vitimas foram civis e n~io guerrilheiros, a sociedade como um todo e n~io apenas um grupo de con- testaCgso armada, que se transformaria numa visagem B custa de fabulaq~es. O inimigo interno da doutrina de seguran- ga national era difuso e por isso pagavam pela suspeigio culpados e inocentes, os alvos di- retos ou aqueles qlue aparecessem no cami- nho. Dai aquele ambiente horroroso de inse- guranga, suspeiC~o, dela~go e entrega qune constitui a n6doa indel~vel e perene das dita- duras sobre a membria dos que viveram com alguma dignidade esses tristes periods, infe- lizmente constantes (ao menos at6 recente- mente) no nosso continent. O ditador Emilio Garrastazu Mbdici era simpitico e, de fato, popular. Ele podia dar- se a esse luxo bizarre. De nada queria saber. Altm de ouvir seu radinho de pilha (com fas- cinio semelhante ao qlue o carteado exerceu sobre seu antecessor, Costa e Silva, o "seu" Arthur do marketing nascente), o que mais queria cra lavar a mlo daquela sujeira toda nos pores do sistema, que, a custo, manti- nha o isolamento, evitando a contamina8o dos andares superiores do establishment, pelo qual podia-se caminhar sem ouvir gritos ou deparar com cadivreres. M~dici foi escolhido exatamente por n~o ser obstiiculo gqueles homes "rdicais mas sin- ceros"-que queriam continuar a fazer a revolu- 95io permanent, que, de outra maneira, Trotski quis fazer no mundo inteiro, mas substituindo uma classes por outra. Como personalidades des- se tipo construiram carreiras tfio estreladas den- tro o Exbrcito 6 um desafio a ser enfrentado pelos te6ricos da formaCgo castrense, empenha- dos em criar uma corporago g altura das nobles misses qlue a ordem constitutional lhes incum- be, sem qune de sua exaq~o result a exce~go. O ex-ministro tem razZao ao atribuir ao qlue consider como sendo uma corrente italiana do jornalismo brasileiro (tendo Mino Carta e ilio Ggspari como abre-alas), de m~ios dadas com o bruxo Golbery do Couto e Silva, a ima- gem de pacificador do general Ernesto Geisel, de qlue "naquele governor se combateu a tor- tura". E verdade que os dois jornalistas muito ajudaram a inflar os bales de ensaio que, atra- v~s deles, eram langados hopiniiso plblica pelo general Golbery, como se fossem avalia9&lo in- dependente, investigag~o prbpria. Como pre- ,i .iaV ~j i aV ,r - Andria Pinheiro conseguiu, no CD de estrdia (Fiz da vida uma cangdo), o que pare- cia impossivel: cantar Waldemar Henrique de uma forma diferente, nova, verda- & dieiramente criativa. Sem precisar apelar e sem que a estilizagd'o distorga a inten- gdo do auto Com arranjos corretos e discretos de Floriano, as 16 muisicas do disco soam remogadas, ajustadas ao ouvido de um bom apreciador deste 2001. A voz de Andrea e maviosa, suave, exata. Cordas, sopros e, sobretudo, percussdo .casam texatamente com essa marca forte do CD: ser Jiel ao mesmo tempo ao co lpositor refinado e ndio deixar que sua muisica soe como pega exotica de S\~fo~clore. Andria consegue nos mostrar um Waldemar Henrique mais con- S.'tempordineo do que nunca. Os muisicos que a acompanham comprovam tambem o alto padrdio alcangado pela interpretagdo musical em Belem. Um CD para ouvir e guardar como um present fino, de bom gosto, e uma obra que se incorpora ao melhor acervo da muisica do Parai. LI 1 Jornal Pessoal Editor LucoFt Rh Pnto. Fone ls.1Bi 2231-690 2414284 e 261 4827 Cnial. Tu Benymnw Colant 84520366. 053040 Musil: jornibanaonrn0 ior PR~odu: Ang~enm Pinto Edigan de Ar. Lulanianiedalangenio Mancha A auda~cia dos grileiros esta em alta, mas al guns dos seus golpes sio tio grosseiros que o poder pdiblico est8 conseguindo desfa- z&-los a tempo. Foi o que aconte- ceu com a tentative de praticamen- te inventar um im6vel rural, a Fa- zenda Guropi, com nada menos do que 1,l milhio de hectares, no municipio de Paragominas. Qualquer pessoa medianamen- te versada em assuntos fundiari- os ficaria alerta com a noticia de uma propriedade com tais dimen- s~es num lugar como Paragominas- Foi o que fez o Incra. Os grileiros tentaram cadastrar o im6vel comn base em documents de dominio que teriam sido expedidos pelo car- t~rio de Sio Miguel do Guama. Ra- pidamente foi provado que os pa- peis eram falsos e era nenhuma a possibilidade de existir tal fazen- da. A corregedoria de justiga do Estado ja declarou a inexist~ncia dos documents, cancelando a matricula e o registro. Mas tambem determinou uma media profilaitica que ja deveria ter sido adotada hi muito tempo, para prevenir esse tipo contumaz de embrulhada: pediu a instaura~gio de sindicincia contra a official do re- gistro de im6veis do Guami, a local que entrou para os anais da hist6ria fundidria do Parai como um laborat~rio de fraudes, tendo atra~s de si um nome: dona Paquita. Tomara que, desta vez', a ne- fasta tradi~gio chegue ao fimn. Ja e tempo de o Para aprofundar o ajuste de contas com essas ve- thas pend~ncias de irregularida- des e ilicitudes, que ja comegou. Os esqueletos comegam a tremer nos armarios. (In) justiga A situaqilo em Stio F61ix do Xingu e dramitica na perspective da aplicaqilo das leis. Quando la chegou, no mis passado, para uma inspe~gio correctional, a de- sembargadora Osmarina Nery nio encontrou o promoter, o defen- sor publico e o delegado de poli- cia; ja o contingent policial e mi- litar era "inexpressivo". Em dois anos e meio, apenas 21 aC~es penais foram propostas na comarca. Havia 98 inqueritos policiais em cartbrio, que nio se transformavam em aq6es porque o promoter, o donor da agilo pe- nal, a ser iniciada com a denun- cia, se ausentara desde a eleiglo do ano passado, nio mais retor- nando ao seu posto. Havia ainda 23 inqueritos dependendo do des- pacho judicial para serem encami- nhados ao Ministerio P~iblico. Pior: nenhum dos 67 proces- sos de homicidio resultara ainda em um 6nico julgamento no muni- cipio. "Alguns processes" esta- vam desaparecidos do cartorio. A corregedoria promete mudar essa triste situaqio, um atestado da inepcia do poder pxiblico em uma Brea estrategica de abertura de fronteira. Grilagem O juiz Jos6 Torquato de Alen- car adotou em Sgo F61ix do Xin- gu, para onde foi temporariamen- te deslocado, a mesma decisito de Altamira: conceder tutela anteci- pada a quatro aqdes do Iterpa de anula~go e cancelamento de titu- los de terra registrados no cart6- rio da comarca, mas declarados nulos pelo institute estadual, que os considerou falsos. O juiz man- dou logo averbar nos lIvros car- toriais o 6nus que passou a inci- dir sobre esses titulos para pre- venir que eles sejam usados em novas transaqdes e causem pre- juizo a terceiros, permanecendo bloqueados ate a decision de m6- rito sobre o contencioso. Id~ntica tutela fora deferida pelo juiz em relag~io aos titulos que cairam nas miios da C. R. Almei- da, com os quais a empresa pas- sou a reivindicar, como se fossem seus, 7 milhaes de hectares no 'vale do Xingu, area considerada do Estado e da Unilio pelos ibr- glios publicos. A prote~gio foi suspense, em grau de recurs, pelo desembargador Joho Alber- to Paiva, que acolheu as razbes da construtora. Por ter feito reparos a decision superior, respond a dois proces- sos-um civel e outro penal ins- taurados a pedido do desembar- gador, que interpretou as critics como ofensas a sua houra pesso- al. A empresa tambem ajuizou trs aq~es contra mim pelos mesmos motives, duas penais (devidamen- te trancadas por habeas corpus concedido pela justiga paraense) e uma civil, em cursor. Os advoga- dos da empresa slio de Stio Paulo e Curitiba. Os do desembargador, v~m de Brasilia, do prestigiado escriti~rio Alckmin. Seri que anovela grilagem -2 tera o mesmo enredo da anterior? Divida A desembargadora Climenie Pontes, president do Tribunal de Justiga do Estado, determinou o seqiiestro de 270 mil reais do er8- rio para o pagamento de um pre- cat6rio em favor da Cibrasa, a fa- brica de cimento de Itaituba do grupo Joflo Santos. A quita~go da divida teria que ser feita no exercicio passado, mas o ano ter- minou e o Estado, atraves de me- didas protelatbrias, empurrou com a barriga o compromisso. A empresa decidiu nito esperar e executou a fazenda estadual. A president do TJE acolheu o pre- cat6rio e determinou o pagamen- to; em trbs parcelas. Alias, no ano passado o go- vernador Almir Gabriel deixou de usar o jatinho executive que alugava a Weston, empresa do grupo. Alegando prego melhor, passou a contratar o Citation de R~mulo Maiorana Jr., o princi- pal executive do grupo Liberal, que tem base em Belem. O ou- tro aviio tinha que ser desloca- do de Recife. Polui Ao Se o filho leu o artigo do pai, bem que o secret~irio municipal de assuntos juridicos Egidinho Sa- les podia dar conseqtiincia priti- ca ao just protest do tambem advogado Egydio Sales contra a polui~gio visual de Belem. Basta- va dar um parecer mostrando a ile- galidade da permanancia de pla- cas da prefeitura em logradouros pdiblicos, uma vez cessado o mo- tivo que lhes deu causa. Na praga D. Pedro II, felizmen- te, uma placa horrorosa, que com- pletaria dois anos em setembro, foi retirada. Provavelmente por conta das ligeiras melhorias que estlio sendo feitas ali. Mas, 50 metros adiante, uma placa ainda maior permanece fincada no gra- mado da praga dom Macedo Cos- ta, entire as igrejas da Se e de San- to Alexandre, numa flagrante con- traven~gio ao c6digo de posturas. Se Egidinho nada fizer, doutor Egydio, puxe as orelhas dele. Saudade A Telemar conseguiu uma fa- ganha: nos fazer sentir saudades da Telepara. Essa parecia que ia ser uma privatizagio benfazeja. Mas se tornou um tormento ou uma fonte de irrita~glo permanent para o pui- blico, desrespeitado desde detalhes simples (como ser atendido em so- taque cearense pelos telefones de servigo da empresa) ate agressdes abertas, como essa conta extra re- metida por uma empresa relapsa ao spu impotente client e enflada go- ela adentro sem a menor ceriminia, com tal impropriedade que ajustiga se viu obrigada a susta-la. Diante do quadro de deterio- raqio, s6 nos resta uma palavra de ordem: Telepara~, come home. |
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