Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00213

Full Text







L Ij C IO FIA VIO P N TO







Haverb mudanga


em 2002? "1i



O ponto de chegada aind~a e'
impreviszivel, mas jd se pode
especular comn mais solidez .
sobre como poderd' estar o Ii~
local de largada para a
corrida eleitoral do prdximo
ano. Com o readivuer na mdo
para o tiro inicial estardi o
governador Almir Gabriel.
Em fungdlo privilegiada ou T
deslocada da raia,
dependendo do seu destiny, I ~ ~~ r
o senador Jader Barbalho. A
mudanga continuard a ser
uma esperanpa no Pard.


rece prov~ivel, o governador Almir
Gabriel serd o grande eleitor na dis-
puta do pr6ximo ano. Para se tor-
Snar vitorioso s6 lhe falta umat coi-
sa: o candidate. Se o secretirio especial da pro-
dug~io, Simso Jatene, n2o fosse quase um zero
eleitoral at6 poucos meses atrsis, ele jB poderia
estar posando de candidate virtual da coliga-
gfio official. Como a mdquina estadual, mesmo
costumando ser o cabo eleitoral decisive no
Park, n~Lo 6 suficiente ainda para dar a Jatene a
densidade de que ele 6 carente (e que nem mes-
mo constituia sua preocupaq~o at6 assumir
neste ano sua candidatura informal), o gover-
nador mant~m sua opg~o preferida na algibeira.
Faz tudo para oficializd-la, dando a Jatene os


dentemente de ouvir deni~ncias sobre o enri-
quecimento ilicito do lider do PMDB local, o
que ji vem sendo feito hi pelo menos 20 anos.
Para nio ser pulverizado do poder, Jader
terd que oferecer aos seus correligiondrios o
console da imagem de vitima: de que foi pu-
nido pelos muitos erros que cometeu, sobre-
tudo no trato com dinheiro p~blico, mas seus
inimigos exageraram os seus pecados por-
que, na verdade, queriam dar-lhe o troco por
ter levado i cassaq~o de Ant~nio Carlos Ma-
galhiles, o todo-poderoso politico que nin-
gubm, at6 Jader, havia tido a coragem de en-
frentar. Se conseguir essa fagsnha, que jB
comegou a tentar (antecipando-se i! possibi-
lidade de vir a ser realmente cassado), ainda
poderd influir na pr6xima campana. Se n~o, )


meios para difimdir seu nome pelo vasto terri-
tcirio paraense (provavelmente com a maior dis-
pers~o eleitoral do pais), mas reserva-se ainda
o direito de descarti-la se for mantida -ao in-
v~s de dissipada a ameaga do scu compa-
'nheiro de viagem ser nso um novo Luiz Otivio
Campos, mas um novo Zenaldo Coutinho.
A principal inc6gnita na projeq~o do future
eleitoral do Estado 6 o destiny do senador Ja-
der Barbalho. Com todo o seu desgaste, ele
ainda 6 o principal politico fora dos redutos
situacionistas. Se tudo o que de pior acontecer
com ele (perder a presid~ncia do Congresso
Nacional e o mandate de senador, tornando-se
inelegivel pelos pr~ximos oito anos), ainda as-
sim poderd~ manter influ~ncia sobre um quinto
do eleitorado paraense, que o ap6ia indepen-








2 JOURNAL PESSOAL 2r QUINZENA DE JULHO/ 2001


voltard i political ji como sexagendirio (6pou-
co proviivel que consiga colocar em seu lu-
gar o filho Helder, vereador em Ananindeua,
on a ex-esposa, Elcione, estigmatizada pelo
sobrenome e que ainda pode ser alcangada
pela onda punitive ao ex-marido).
Para minorar os efeitos do exilio que uma
cassaglo the acarretarii, Jader terii que embar-
car numa candidatura que the garanta um mini-
mo de influ~ncia na composigl~o da pr6xima
administraqio, atuando nos bastidores e nos
coh~tatos com os redutos do interior, sua princi-
pal reserve de votos. Dificilmente SimZso Jatene
se enquadr~a nesse perfil. Ele 6 continuidade
demais, o que significa fortalecer o esquema
Almir Gabriel (e, por conseqii~ncia, enfraque-
cer os p6los opostos). .
Jader poderia apoiatr um nome menos iden-
tif icado com o govemador e mais fiicil de carre-
gar, como o do vice-governador Hildegardo
Nunes. Essa alianga represent uma ironia, ji
que em 1982 Jader haviai tratado de rapidtamen-
te se livrar do pai do vice, Alacid Nunes, peFa
fundamental para que derrotasse o candidate
do sistema, o empresirio Oziel Carneiro. Mas,
como diz o senadorpeemedebista, politico olha
para frente e nio para trbis. Quando isso the 6
convenient, claro.
Almir Gabriel estaria disposto a trocar Jate-
ne por Hildegardo? Provavelmente s6 numa
hip~tese: a de derroa icerta. Realista como 6, o
govemnador ainda n~o conseguiu definir o peso
dessa varidvel. Acredita que uma exposi~go
escancarada do seu secretirio e toda a reta-
guards official para arrasti-lo pelo Park ainda
poderlio colocsi-lo numa posiqgo de forga no
memento exato de definir as candidaturas no
cronograma eleitoral.
S6 se o ponteiro das pesquisas confiden-
ciais continuar batendo abaixo de um mimnero
mediocre (5% ou 6%)ea data da escolha che-
gar 6 que o governador poderd, a contragos-
to, lanqar a candidatura do seu vice. Mas nes-
se caso surgiria como tentadora uma hipcitese
que Almir prticamente descartou: deixar ogo-
verno para concorrer a uma vaga, quase certa
para ele, de senador. O que significaria dar
adeus a um projeto de poder. A partir do mo-
mento em que trocar de cadeiras no pal~cio
dos despachos, Hildeg~ardo fard tudo para es-
tar em boa forma na hora de reivindicar um
segundo mandate.
Dai o quadro de esquizofrenia que caracte-
riza as rela95es entire os dois inquilinos princi-
pais da sede do governor. Almir dii todos os
sinais de que Hildegardo o desagrada ao trans-
formar o exercicio da vice-governadoria numa
permanent campanha 1 sucesslo, contrarian-
do a indicagio de apoio a Jatene com o que nlo
faz pate do catecismo do tucano-chefe: a inde-
pend~ncia dos subordinados. Jsi o vice faz de
conta que aceita o comando do governador,
mas prepare as condig~es para sair de sua b~rbi-
ta se, so completi-la, a postulaq~o ii candidatu-
ra n~lo o estiver esperando.


Hildegardo avanga em duas frentes: bene-
ficia-se so maxrimo da infraestrutura colocada
aoalcance do vice-govemador, que the dgran-
de poder de deslocamento e penetrago (sem o
qual continuaria a ser umra figure de ret~trica no
jogo politico para valer), e aumenta seu poder
no PTB, uma sigla que havia se tornado propri-
edade privada dos Kayath. O ex-superinten-
dente da Sudam (por indicago de Jader Barba-
lho) e seu filho, que integra o secretariado de
Almir, nio costumam levar muito a s~tio as po-
siqi~es estabelecidas, seja a dos outros quanto
a deles pr6prios.
Foi assim que Henry Kayath elevou o filho,
B 6poca muito mais ne6fito do que Jatene, a
condiqlo de deputado (estadual e federal) bem
votado, arrasando a horta eleitoral alheia (como
a de Mrdrio Chermont) com os produtos popu-
lares made in Sudam. Poderiam agora falhar a
Hildegardo na und~cima hora, fechando com o
esquema Almir Gabriel e deixando o vice a ver
navios em Soure? Pars n~io parssr por esse
constrangimento, Hildegardo est8 tentando
deslocar os Kayath do comando do partido,
algo que parece ser-lhe mais virivel do que ca-
gar outra legend.
e semelhante a estrat~gia do prefeito de
Ananindeua, Manoel Pioneiro, outro candida-
to a candidate dentro da coligagso official, em-
bora com menos recursos do que o vice. Pio-
neiro di a impress~lo de que fazer uma adminis-
tralio populist e realizar o m~iximo possivel de
obras, independentemente de se saber se for-
mam on nZ~o um todo coerente, no segundo
principal municipio do Estado, pode ser o bas-
tanteparacredencid-lo soprincipal cargo majo-
ritbrio da eleigao do 2002. Como sua campanha
nso foi vetada pelo govemador, ele, como Hil-
Ilegardo, acha que Almir Gabriel aindapode vir
a ap6ia-lo. Para manter-se como essa alternati-
va potential, age como se ji fosse o candidate
da Uniso pelo Pard. Sabendo que se seu proje-
to tiver sido concebido para enfrenter qualquer
situacqlo, vai ter que buscar outro pouso, igual
a Hildegardo, mas sem os recursos dele.
E se, numa hip6tese jS considerada menos
provi~vel, Jader Barbalho tdo for cassado, in-
dependentemente de continuar on nlio como
president do poder legislative? Ai volta ao
p~ndulo das decis~es. Mas continuard sem ter
um nome peemedebista para concorrer so go-
verno, produto de sua estrat~gia de nsio deixar
surgir uma sombra dentro do seu partido. Ele
partir para uma alianga com a oposiCglo tamb~m
n~o parece uma boa possibilidade.
A oposi~go ainda n~Lo deverd ter umgrande
nome para o governor. Nem mesmo Ana Jtilia
Carepa,~ a mais qualificada para essa dispute, esti
disposta a enfirentar o elevado risco sem ter na
retaguarda um partido com presenga forte no
Estado (nilo conta com essa certeza nem mesmo
dentro do PT). Agravar essa fraqueza intrinseca
com um desgaste junto ao p~iblico externo seria
o resultado de uma alianca dos partidos ditos de
esquerda com o PMDS de Jader Barbalho. A


nso ser que o senador esteja disposto a sacrifi-
car seus pr6prios pianos de retomada do con-
trole politico do Estado para, disputando ape-
nas sua reeleiglo, apostar tudo na derrota do
governador. Seria, ent2Co, optar pela vitbria de
Pirro. Ganhar e levar coisa alguma.
At6 agora ningu~m ouviu de Almir e de Ja-
der que a possibilidade de se aliarem em 2004
esti~ definitivamente descartada. Livre da cas-
sagno, com espago para cultivar a imagem de
vitima, salvado mais uma vez de uma situaqio
extremamente perigosa gragas B sua habilida-
de, Jader poderd apenas exigir, na mesa da ne-
gociag~2o, que o deixem voltar ao Senado. E,
quem sabe, n~o o obriguem a ajudar a eleger
um govemador que mais tarde o enforcarsi. Uma
alianga sem maior exposig2lo, sem necessidade
de palanque comum, mas exercida atrav6s da
combinag~io de cabos eleitorais capazes de
multiplicar os votos nos redutos interioranos.
Essas diferentes alternatives t~m em co-
mum o fato de que gravitam em torno do po-
der de mando, derivado da caneta que no-
meia funcionririos pilblicos e da chave que
di acesso aos cofres do erdirio. B o poder que
di forga is candidatures e elas se viabilizam
por representarem a continuidade desse mes-
mo poder, embora o governador que sucede
nem sempre se submete inteiramente ao que
o antecedeu. Algumas vezes, muito pelo con-
trdrio. Exemplos de que o Park, particularmen-
te, 6 muito pri~digo.
Esse enunciado tamb6m significa que as
possibilidades de renovapo no comando poli-
tico do Estado s~Lo minimas, ainda que ndlo to-
talmente impossiveis. Menos pelas forgas de
mudanga internal e mais pelas ondas de trans-
formas~io no cendrio politico national, no qual
as surpresas ainda slio um dado a levar na de-
vida conta. Tanto para desorganizar o quadro
da dispute local, como para reforgar aqueles
movimentos que simulam mudanga para que
tudo continue quase igual a dantes.

:


distraido, traou o d'dvdrbio pala~

capa da lIdman~,~! datjqrnal,
colocando'um in m~d~nas na placa
de bkras(o~u sericbriadsoba?}d
Eletionorte, emboapensando no
..Janals. Conso, pqrema ausdag do
Ssisema de transpobSko da futur
bazrragem~s de Bel~d~onle t tMay
lacna en~tda-sel distragdy d
narso Rosamentrdo cimso ~uma fopnai

deSprea 4 puqual trna deficigd

0$ artistas, boesm nirse esquecer sdo

:~ e~~ e"bp~aro : -t








JOURNAL PESSOAL *2a QUINZENA DE JULHO/ 2001 3


Hidrel~trica zero
Pelos meus c~lculos, a futuma hidrel~trica de

"gapon fncoia uat doi mees don
apesar de ser projetada pam uma capacidade no-
minal de 11 milb~ies de kw, a maior de uma usina
inteiramentenacional (e uma das m~aiores do mun-
do). Na semana passada, durante um debate pro-
movido emBelimpelo Crea (Conselho Regional
de Engeabaria e Arquitetura) do Parb, o principal
executive da Eletronorte para a irea do meio am-
biente me disse que en erara A interrupgo total
na gera95o de energia na projetada usina seri de
tres meses completes. E ainda haverb, como pre-
vi, tres meses de baixa produg~o de energia por
conta da falta de Argua suficiente para acionar to-
das as mdquinas. Portanto, durante todo um se-
mestre Belo Monte adicionard uma quantidade
deenergiamuitoabaixodasuapot~nciafrrme.Em
umtrimestre,simplesmentenada.
No entanto, pretende-se gastar o equivalent
a 2,7 bilhoes de d61ares na linha de transmissdo,
de 3.300 quil~metros de extensalo, a pretexto de
abastecer a region sudeste do pais, al~m dos US$
3,8 bilhaes na constru~go da usina (US$ 6,5 bi-
lhales de custo total do empreendimento). HA~ real-
mente viabilidade nesse projeto?
E a pergunta que cabe fazer, e f~azer ripido,
principalmente agora que o cronograma de Belo
Monte foi retomado pela Eletronorte, grages A
decisso dojuiz Jirair Aram Meguerian, do Tribu-
nal Regional Federal da le1 Regilio. Ele suspen-
deu, na semana passada, a liminar que seu cole-
ga Rubens Rollo d'Oliveira, da justiga federal do
Park havia concedido, sustando arealizaqlo dos
estudos de impact ambiental da obra, a pedido
do Ministbrio Pdblico federal.Agora a discus-
siLo vai tratar do mbrito da questZ~o: se a Fadesp
(Fundaglio de Amparo e Desenvolvimento da
Pesquisa da Universidade Federal do Parsi) po-
dia ser contratada para o Eia-Rima comndispensa
de licitagso pilblica, atrav~s de um convenio, no
valor de 3,8 milh~es de reais, se estli qualificada
para a realizag~ do servigo e se 6 legal o proce-
dimento da Eletronorte.
Pelo jeito que a empresa sonega ou solta
informag~es, o mttodo da pol~mica e do con-
tencioso parece ser o iinico para reveler a ver-
dade e former juizo.


G e6g r af o
Milton Santos foi o maior gebgrafo brasilei-
ro desde Josu6I de Castro. Parece at6 que este
passou o bastslo dquele. Milton Santos admitiu,
numa entrevista recent, que seu interesse pela
geografia comegou com a leitura de Geograjia
Humana (Estudo dapaisagem cultural do mun-
do), livro diditico que Josu6 escreveu em 1939
(e que aqui comentei, na edigso 222, registran-
do seus 60 anos de exist~ncia). Quem teve a
ventura de ler esse manual na fase de formaqio
jamais poderia esquecb-lo.
O pemambucano Josu de Castronos fezolbar
al~m da paisagem fisica da Terra. Mostrou-nos o
home sofredor, sobletudo aquele que tern fome
e morre por causa dela, milhares todos os dias.
Comni'nneros, raciocinios, andlises comparativas
e indignag~Fes. O bano Milton Santos desnudou


A desembargadora Maria de Nazareth Bra-
bo de Souza determinou, no final do m~s pas-
sado, o prosseguimento de uma cobranqa de
77 milh~es de reais que a Agropecubria Para-
portf esti fazendo, por conta de uma desapro-
pria~go mal feita do Estado, que se consumou
hP 30 anos, tornando-se uma das maiores "cau-
ses c61ebres" do setor fundidrio.
Como o cumprimento do precat6rio requi-
sit6rio estivesse demorando, a empresa recor-
reu ao Superior Tribunal de Justiga, que man-
dou a justiga paraense dar andamento ao fei-
to, independentemente da apuragio e corre-
~go dos erros mater isis do process, que nun-
ca prescrevem e podem ser sempre argaiidos a
qualquer memento. O poder priblico expres-
sou seu inconformismo com a vitbria da Para-
poril e com o valor arbitrado para a indeniza-
CWo, equivalent ao custo da polimica ponte
de concrete sobre o rio Guama, a principal obra
de arte da badalada Alga Vidria, on a mais de
meio mbs de receita de ICMS..
No seu despacho, a desembargadora, na
condipiio de president em exercicio do TJE,
determinou B auditoria internal do tribunal para
recalcular o valor do precat6rio. A ParaporZ
foi desapropriada pelo governador Fernando
Guilhon, em 1971, depois de um conflito san-
grento entire posseiros e funcionsirios da fa-
zenda, para que em suas terras os lavradores
fossem assentados. A empresa reagin alegan-
do que o Estado naso tinha competincia legal
para desapropriar por interesse social um im6-
vel rural e que estava em plena implantaq~o
um projeto agropecudrio pela Sudam, recor-
rendo a justiga contra a media.


Iniciada a ago, por~m, o Incra supriu o erro
do Estado e fez a desapropriag~o da fazenda
Parapor&B, pagando aos seus dons indeniza-
q~o correspondent so valor da terra nua e das
benfeitorias existentes. Mesmo tendo recebido
os valores, os respons~iveis pela empresa con-
tinuaram a reivindicar a anulaglo da desapro-
priagao estadual, cumulada com perdas e da-
nos, como se n~io tivesse havido a intervengslo
do Incra. Mas se os partculares omitiram em
sua agBo esse fato decisive, o Estado, de sua
pate, estranhamente, tamb~mnso oargaiiu.
Passadas tres d~cadas de um desgastante
process judicial, os representantes do Esta-
do n~o propuseram uma ago ordiniria de anu-
laglo de ato juridico (ato jurisdicional de com-
posiqgo da lide), no cursor da qual poderia ser
intentada ag3o cautelar inominada, a fim de
suspender o pagamento do precat6rio. Suges-
t~io nesse sentido, apresentada neste ano pelo
procurador Carlos Lamartio Corr~a, parece n~o
ter sido levada na devida conta.
Ao sugerir a media, pori~m, ele lembrou
que para a ado~go de tais providencias seria
imprescindivel fazer o levantamento complete
dos documents que instruiram o process
exrpropriat~rio promovido pelo Incra, "de modo
que se possa verificar quais os valores que in-
tegraram a indenizagho paga aos autores da agno
movida contra o Estado do Pard. Nesse senti-
do, deve o Estado do Pari, com a urg~ncia pos-
sivel, formular consult ao governo federal".
Se isso foi feito, n~Lo se sabe. Mas agora
vai bater no caixa do erdrio uma conta pra 16
de salgada, de R$ 77 milhaes, e, provavel-
mente, indevida.


as rel~ages socials e as teias econ~mices, desfa-
zendo a histbria edulcorada dos te~rios da glo-
baliz~aglo como placebo e pantomima. Levou a
geograf la aos limits extremes da interdisciplinari-
dade, tocando emtodas asciancias vizinhas, em-
prestando suas fenramen~tas.
Como todo inovador, criou escola, atraiu se-
guidores. Na tentative de ultrapassi-lo, muitos
deles reduziram a geografia g sociologia, a politi-
ca, a antropologia. De detalhe, a paisagem redu-
ziu-se a vapor, on mesmo a sujeito oculto. Para
combater o fetiche do neoliberalismo, esses "no-
ves secgrafos"c~i~aramumamatriz explicativaqlue
pode ath abstrair as condigles fisicas sob as quais
os homes produzem, se relacionam, estabele-
cem suas formas de dominaglo e poder.
Parece ser a sina dos verdadeiros inventories
de conhecimento, daqueles que mudam o conbe-
cimento e a interpretag~o do mundo. Qual casti-
go 6 maior para a membria de Leon Trotski do
que os trotskistas? Talvez seja o prego que o
criador do Extrmito Verrnelho paga pelos exces-


so~s que cometeu no exeroicio do poder sovi~tico
e na vaidade autocomplacente do exilio mexica-
no. Teorias que surgiram debaixo do seu cosmo-
politismo multicultural e cometimentos biogr~id-
cos suburbanos e de sub-literatum slo, para a
biograf la de Trotski, bempiores do que apicatera
de Ramon Mercader. Um home oulto Ctransfor-
mado em igual por pessoas semi-alfagbetizadas,
que se guiam por orelha de livro e manuals cate-
qu~ticos. Seja em Tim~na como em Bel~m.
Ervas daninhas grelaram sob a elevada es-
tatura que Milton Santos alcangou, mas no me-
nos o grande ge6grafo baiano experimentou
gl6rias que faltaram, no mesmo exilio, a Josu6
de Castro, desaparecido sem conseguir recon-
ciliar-se consigo e com suas raizes. Certamente
haverd agora um outro tipo de movimento, ca-
paz de recolocar a geografia num novo ponto
de equillbrio, capaz debem perceber os homes
e a terra. Mas Milton Santos, que morreu de
cancer no m~s passado, jB alcangou o lugar dos
maiores: aimortalidade.


A conta da ParaporA:=


meio m~s de ICMS








4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE JULHO/ 2001


entgo em outro circulo do inferno em que cos-
tuma se transformar avida pdblica.
Mas jB agora, personagem naci 1, Jader
Barbalho n2o pode subir sozinho so adafalso.
Tomara que a putgaqgo pi~blica dos seus erros
arraste a fauna acompanhante dos politicos,
aqueles personagens ainda mais sagazes, mais
perfumedos, mais cosmopolitas, melhor vestidos
e melhor aindal apresentados que costumam dar
o tiro de largada e sumir no ponto de chegada.
Podem ser vistos num fim-de-mundo, represen-
tado por uma fazenda pioneira, am ~grimpo on
uma estradapoeirenia, que renda muitissimo mais
dinheiro do que se sup~ no lugar, e depois emer-
gir em Paris ou Nova York, desfrutando dos trun-
fos de poliglota com os meios de uma conta nu-
mer~ada. Quando tamb~m n8o se tomam politi-
cos, esses personagens de balstidores costumam
ser piores do que os politicos, que is vezes cri-
am, freqtientemente usam, e, quandonecessdrio,
descartam, preservando-se do tiroteio, voltando
aos ambientes acima de qualquer suspeita, em
seus clubes, associaga2es profissionais, entida-
des de classes e as beatificadas empresas.
HA v~rios deles nas histcirias que est~o sen-
do cascavilhadas com avidez por dezenas de
jornalistas, postos a trabalhar por pautas dirigi-
das e promessas de premiaC9Bo no caso de che-
garem a bons trof~us, e por cobranqas implack8-
veis de seus chefes e dos chefes dos seus che-
fes, nem sempre com o nome no expediente ou
na composiglo acionfiia da firma. Sotuma e pe-
rigosa 6 essa fauna acompanhante dos TDAs,
dos jatinhos emprestados, dos contratos em-
prenhados, dos aditivos enxertados, da mate-
mitica inflacionada, do toma-16-dd~-c6, dessa
orgia com o dinheiro pbblico que coloca o Bra-
sil do lado de baixo do ranking dos mais corrup-
tos entire 96 paises pesquisados.
E precise arrancar essa gente das asas dos
sous bons advogados, dos seus contadores e
auditors, dos seus economists performiticos
(viram banqueiros de repente, manipulando di-
nheiro de funds de estatais que ajudaram a
vender) e detrsis dos seus computadores high-
tech, arma que se torna letal quandojunta infor-
maF~o privilegiada com mente esporta e ines-
crupulosa, fazendo da crenga (ou ingenuidade)
da opiniso pdblica o adubo par a oplantio de
tantas noticias hibridas.
Se a necessr~ia devassa de Jader Barballho
tem que ser feita, e tem que ser, que vs iis lilti-
mas conseqii~ncias, sem poupar ningubm, sem
enredo pr6-estabelecido, sem vicio de origem
on desvio de conveniancia. Teao ruim quanto
sua impunidade seriatomd-lo como boi de pira-
aba, esquecendo oma alentada manada que tem
pastado sobre a coisa pdblica e continuard a
passer se conseguir desviar todos os holofotes
par a afigura um tanto mal esquadrinhada a esta
altura do mais important politico que surging no
Parfi ap6s o cidlo dos coron~is e derivados do
regime military. O que diz muito sobre a political,
sobre oPard e sobre a elite que tem feito a poli-
tica eoa Pard nestas quase quatro d~cadas. *)


sem igual nos anais da impreasa, por veiculos
impresses, televisados e radiof~onicos.
Teria sido melhor assim? Para a sociedade
brasileira, certamente quae Mo. Com atraso e so-
frendo certa injustiga, al~m de servir de meio
para a canonizaggo de figures nocivas da vida
pdblica brasileira, travestidas de cordeiros na
imprensa, na political e pa vida empresarial, Ja-
der Barbalho estd pagandd por ter praticado,
induzido, acobertado, estimulado, camuflado,
ignorado ou minimizado muita coisa ruim incrus-
tada no seu curriculo desde qlue assumiu o man-
dato de deputedo federal.
Ele parecia convencido de dispor de um cin-
to dasmilutilidades, caparz de livnir-lo sempre de
todo e qualquer embargo. Apostava tamb~m
na desmemoria do povo. Acreditava que ne-
nhum escindalo, por maior qlue fosse, resistiria
a mais do que algumas semanas,tudo podendo
ser recomposto depois. Embevecido por suas
evidentes virtudes de sagacidade e experi~ncia,
isolou-se dos seus atos, criando uma crosta de
protegao que talvez lhe parecesse legitima, mas
aos ob~tservadores isenies nlo passava de um
grosseiro cinilsmo.
Seria ruimpara a moralidade pdblica qlue Ja-
der Barbalho, epicentro de tantas hist6rias es-
cabrosas no uso da miquina oficial, seguisse
imp~vido e impoluto at6 o fim de sua carreira
political, aposentando-so com aparecia de res-
peitabilidade (como Sarney vai conseguindo, a
despeito de tudo). Se, centudo, ngo 6 correta a
condenaggo agodada quest atual onda de jorna-
lismo investigativo lhe pespega, derivada prin-
cipalmente de fitas de gravagdes clandestinas,
dossies entregues de bandeja e boatos tso tos-
camente apurados, Mo~se pode ignorer que es-
ses esqueletos foram sendo acumulados no ar-
msrio de Jader sem que ele se desse ao trabalho
de exibi-los a luz do dia, para mostrar qune n8o
passariam de ossos descamnados.
Pelo menos dois tergos de tudo o qune dia-
riamente brota nas pdginas da imprensa eu ji
publiquei em OLiberal, em OEstado deS. Pau-
lo e neste Jornal Pessoal. A iOnida queixa que
ouvi de Jader (com quem nblo converse nem
pelo telefone hipelo menos dois anos e a quem
n~o vejo pessoalmente hd pelo menos uns cin-
co anos) foi quanto a entrega de dinheiro do
jogo do bicho para a AFto Social, comandada
por Elcione, no primeiro governor. Ele negou
qlue fosse verdade. En sustentei. Confirmei de
novo junto B fonte. Elo preferiu passer a outro
assunto. E assim fez com dezenas de casos, no
minimo obscures, quepodiam ter sido esclare-
cidos, se de fato pudessem ser esolarecidos
sem incrimindl-lo, direts on indiretamente. Fez
do silincio uma t~cnica de relaq~es pdblicas e
uma titica political. Vinha conseguindo exce-
lentes resultados, at6 trombar com inimigos
muito mais poderosos do qlue enfrentara at6


Se o senador Jader Barbalho conseguir re-
sistir a ofensiva da grande imprensa national
por mais tempo, mas se tamb~m os jornais do
desistirem de continuar seguindo as pegadas
do president do Congresso Nacional, 6 possi-
vel que desse confronto result mais do que um
acerto de contas entire os contendores. Isso
acontecert se ambos perderem o control de
suas ages: Jader se limitando adefender-se ea
imprensa evitando alargar a linha de tiro. Talvez
entilo a sociedade deixe de ver o politico para-
ense como a personif icaCgto do mal, detentor do
monopblio de transgressso da coisa pdblica, e
a imprensa se livre do r6tulo de vi6va de Ant6-
nio Carlos Magalbs~es. Um caso individual po-
deri proporcionar uma profilaxia coletiva.
Um balango dessa guerra verbal revelara o
constant recuo do atacado, mas a pouca efi-
cicia dos golpes dos atacantes, alguns mais
profundos, outros mais superficiais, a maioria
deles dados a esmo. Na histciria recent da Re-
pliblica, apenas Getdlio Vargas. Juscelino Ku-
bitscheck e Femnando Collor de Mello recebe-
ram um combat tao sisteminitico da grande im-
prensa, emborn os dois primeiros, mesmo no
auge do tiroteio corrado, tenham contedo com
alguns aliados, e o 61ltimo, tao bombardeado
quanto Jader agora, tenha sido, at6 a v~spera,
o queridinho dos publishers.
Ha uma diferenga significativa, por~m: Ja-
der Barbalho tem sido fustigado use pelos atos
que cometeu como president de um dos tres
poderes constituidos e a terceira autoridade na
linha sucess6ria do president da Repirblica.
Nem teve oportunidade para exercer essas prer-
rogativas. A devassa 6 retrospective, alcangean-
do toda a sua vida piblica, que ji tem 35 anos.
O ponto de partida da remiss~o 6omomento em
que ele nLo aceitou a vontade do entglo presi-
dente do Senado, Antbnio Carlos Magalbse~s,
que o vetou como seu successor. A partir de
ent~o a turva biografia de Jader Fontenele Bar-
balho passou a ser virada de cabega para baixo.
Esse fato incontestivel sulgeree logo a per-
gunta: se os dois politicos, ACM e Barbalho,
tivessem feito uma composiggo, a grande im-
prensal teria se interessado pelo home que ji
havia sido duas vezes ministry (ambas na pre-
sidencia do assemelhado Jos6! Samney), duas
vezes governador, lider da chmars alta e presi-
dente de um dos tr~s maiores partidos politi-
cos do pais? Havia duas hip6teses de compo-
si~go: Jader desistir de assumir a cadeira de
ACM c o babalorix8 baiano desistir de vetar o
seu at6 entZ~o amig~vel companheiro de legis-
latura, com o qual trocavapublicamente conf i-
d~ncias a beira do ouvido. Certamente se qual-
quer uma dessas hip~teses prevalecesse, mes-
mo a primeira, Jader teria sido pouipado das
centenas de piginas e centenas de minutes
que a ele foram resenrvados, numa constincia


MaS SQ O Barballro?







JOURNAL PESSOAL *2r QUIN2ENA DE JULHO/ 2001 5


Boechat alega que, so erru~, esse erro 6 corri-
queiro nas redagaes: rep6rteres 18em suas math-
rias para fontes, trocam favors com elas, plan-
tam bales de ensaio que lhes entregam, servem
de instrumento para o que esti al~m (e por tr~s)
das noticias, pulando o balcbo ou derrubando o
biombo entire o reporter como testemunha dos
fats e personagem desses mesmos fats. A
patologia n8o seria individual, mas coletiva. Pelo
que passaria a viger a maxima da Vov6, Zulmira,
criada pelo tamb~tm jornalista Stanislaw Ponte
Preta (pseud~nimo de Sbrgio Porto): ou todos
nos locupletemos, ou restaure-se a moral.
Se 6 verdadeira a observagsgo de Boechat,
n~o slio defensifveis essas priticas. Nenhum
joraalista deve submeter seus textos a ningu~m
sealo seus chefes imediatos, pelos quais a ma-
thria transitar por conting~ncia funcional, devi-
damente hierar quizada. As vezes assuntos com-
plexos, sobretudo ligados & ciencia, exigemuma
nova checagem. Mas o jornalista que ainda nofi
6 capaz de responder por tudo o que escreve
tem uma grave defici~ncia na apuraglo das in-
formaqles. Precisa adestrar-se melhor. A solu-
Fgo dio 6 ler o que escreve para a fonte corrigir.
Isso, jamais, em situ~aqo alguma.
O jornalista ngo deve se indagar sobre o des-
tino que suas mat~rias terilo, se serilo usadas
por xis onipsilon. As perguntas que lhe compe-
tem f~azrsso: ofatotem importincia, 6verdadei-
ro, est8 exrposto da formal mais complete e acaba-
da possivel? Preenchidos esses reqisisitos, est8
pronto par ser divulgado. E claro que em mmi-
tas situaq~es os fartos s~o revelados on levados
aos jomalistas por pessoas com envolvimento
na hist6ria. O jornalista n~o deve descartih-los
s6 porque tam uma fonte com interesses defini-
dos. Mas deve consulter outras fontes, checar
informiages e avaliar o signif icado do fato.
Sso tantas as situaqes que uma regra geral
decomoproceder admite inirmeras excego~es.Em
todas elas, o critirio de definigao 6 revelar o mi-
ximo do que se aputou. Lembro na 6poca do
regimemilitar. Como correspondent de OE~sta-
do de S. Paulo em Bel~m consegui ter acesso a
fontes privilegiadas do establishment. Para me
passer informaq~es, essas fontes exigiam nlo
ser identificadas. Combinei com SZoPaulo queo
cr~dito desses matbrias seria atribuido a alguma
sucursal, de Brasilia on Rio de Janeiro, n~o s6
Spara desviar o foco como para diluir as respon-)


Todos os jomalistas deviam aproveitar o
"caso Boechat" para um exame (ou reexame) de
conscibacia coletivo e a renovaCqlo do c6digo
de 6tica e dos padres de conduta da categoria.
Ambos excistem mais como lein~dde fonna e habe-
as corpuls preventive. Por isso, hi maito fedor
nas redaq~es. Disf~argado com os melhores per-
fumes.
Ricardo Boechat foi sumariamente demitido
do jornal O Globo e da TV Globo, em pleno do-
mingo, dia 24 de junho, por conduta considera-
da a~tica e antiprofissional. A prova do crime
aparecera nas p~iginas da revista Veja: a trans-
cri~go da grav~agno clandestine de uma conver-
sa por telefone entire Boechat e Paulo Marinho,
travada tres meses antes.
A gravaqgo compmovava tr~s faltas graves.
A primeira: o journalist leupera o interlocutor a
integra de uma reportagem que havia escrito pera
ser publicada no dia seguinte; on seja, crion um
leitor privilegiado, que se antecipon i circulag~o
do joral no contato com o texto impresso.
AlCm do seu valor intrinseco incontestivel,
esse texto tinhaum valor utilitbrio: seria usado
por uma parte contra sen oponente, aprimeira so
antecipando a uma manobra que o segundo fa-
ria exatamente no dia da publica5pso da mat~ria.
O contencioso evolve duas empresas de tele-
fonia com valor de mercado de 2 bilholes de re-
ais, que dois dos s6cies est~o disputando num
vale-tudo disfazgado de diverg~ncha societdria.
Porf~im, ojornalista revelava informaqes~ede
economic intema da empress de comunicagso
na qualtrabalbava; seuinterlocutor, albmde ser
lobista de uma das empresas de telefonia, por
meio dela era tamb~m informant do principal
acionista do Jornal do Brasil, concorrente de O
Globo, numa fase de acirramento de dispute.
Ricardo Boechat 6 uma pessoa querida e
admirada (como professional, amigo e chefe de
familia, al~m de parte em divertidas sess~les de
papo) pelos colegas que j8 tiveram o prazer de
trabalbarasolado dele. Ngotenho nenhuma refe-
rincia sobre troca de noticias por dinheiro (nos-
so chen, o jabaculd dos carioces) por parte dlele.
B um dos jomalistas mais bem informados do
pais. Redige corretamente o que apura. Tem 30
anos de estrada pavimentada de sucessos. Ain-
da assim, fez por merecer ademiss~o.
Os errors que comneteu foram o m6vel da ini-
ciativa da empresa? Ai 6 que reside a divida.


A moral do






(Ou o jornalismo


Sm amoral)


Versao
Numa mat~ria no Jornal do Brasil de 22 de
junho, Mauricio Lima escreveu que, so des-
cobrir o caso amoroso do scu marido com sua
sobrinha, Elcione Barbalho "foi vista entran-
do em casa com um rev61lver. O seguran~a de
aeruem eao d Po, omo um susto tao
Quando surgiu, quase 10 anos atr~s, a his-
t6ria adLo era bem assim. Uma fonte que se
apresentou como servigal da granja do Icui
entrou em contato comigo para dizer que o
major Arruda havia sido baleado e morto por
Elcione, que atirara em Jader e acertara na sua
sombra. A pessoa disse ter testemunhado o
fato e se desdobrou em detalhes. O corpo de
Arruda ainda estava quente. Nilo tinha marca
de bala. Morrera de ataque cardiac, proble-
ma com tradiglo familiar, que liquidaria depois
um irm~o dele. Saira alegre do Icui, junto com
amigos, depois de ter participado do aniver-
sdrio de um filho do casual (provavelmente
Helder), ansioso porque tinha program me-
lhor e Jader e Elcione demoraram demais a che-
gar. O enfarte, A~lminante, veio menos de uma
hora depois, quando ji havia se separado dos
amigos e partido para o novo programa.
No necrol6gio que escrevi, desmenti o
boato, que havia tomado conta da cidalde (o
irm~o me agradeceu algum tempo depois, du-
rante uma solenidade na Assembl~ia Legisla-
tiva). Era s pura verdade, que repeti para vri-
os colegas quando me procuraram para se in-
formar sobre o epis6dio na semana passada.
Estavam certos da histbria do tiro, que foi adap-
tada no texto do JB para o ataque cardiac.
Arruda, um home brincalhto e camarada.
Ngo merecia ser novamente morto, agora de
formal ingli~ria, como se fosse seguranga de
opereta bufa de repdblica banana latino-ame-
ricana. Ou de jornalismo de bizds.


Cid ade
Caminhrar pela parte velha de Belim 4
ser candidate a testemunha de destruicdo.
Pode-se ver um prbdio velho entrar em
decadincia, exibir seus sinais de fr~atura e
ruir, ou pegar fogo, sem apossibilidade de
um final feliz, o poder plblico entrando em
agdio preventivamente ou os dons das
edificag~es cientes de suas
responsabilidades socials.
Na semana passada ocasardo da av6de
Beatriz velo abaixo de ver. Dias depois um
novo inc~ndio no combrcio, um permanente
barril de pdivora a exigir que os bombeiros
dali nd~o se distanciem. Na rota da caminhada
matutina, ainda pude ver fogo e antever o
desabamento das paredes ocas que restaram.
Jd vi tris desabamentos na atual temporada.
tt um nlimero que diz mais sobre a condigdo
da Feliz Lulsita3nia do que seus obsis de
belera ou sua propaganda de levera.








() JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE JULHO/ 2001




Guerrilha do Araguaia:


ainda a hora das vers~ies


A histi~tia complete da guerrilha
do Araguaia, quando vier a ser esni-
ta, mostrard~ que, tanto g direita quan-
to a esquerda, o Brasil desconhecia a
Amaz~nia; o sertiio ainda era algo
indecifrivel para o literal. O Partido
Comunista do Brasil, pensando com
a cabega de Sti~lin, fossibilizada na
Albinia e temperada em Cuba, achou
que podia criar um foco ou uma zona
libertada no ponto de ligagio entire o
planalto central e a floresta amaz~ni-
ca. Ao saber que guerrilheiros (nun-
ca mais do que 60) haviam consegui-
do se estabelecer naquele ponto
ermo, abandonado e pobre do pais,
o outro lado da face de cartio postal
do prosseguimento da "corrida ao
oeste" ("uma aventura t~io grandio- '
sa quanto a conquista da Lua", dizia a propa-
ganda do Brasil "pra frente"), o Exercito achou
que ia ter que enfrentar (finalmente?) uma guer-
ra. Encarou-a como tal.
Em duas campanhas organizadas conven-
cionalmente, sob o comando duro (mas de-
sajustado) do general Ant~nio Bandeira, mo-
bilizando um miximo de trts mil homes, o
Ex~rcito fez mais mal aos civis do que aos


S que s6 nioteriadadocerto porque
a correlag~io de forgas era demasia-
damente desigual. Ainda assim,
idealistas dispostos a morrer por
uma causa just.
Na verdade, a do Araguaia foi
uma guerrilha natimorta. E provilvel
que os bravos combatentes conhe-
cessem mais as condiq6es chinesas
ou cubanas do que as amaz~nicas.
Os diarios da guerrilha tem uma ve-
rossimilhanga com a situaqio real da
regi~o que teria um ensaio produzi-
do nas areas de Ipanema por um
militant da festival, muito solidatrio,
sem d~ivida, mas fantasioso, idealis-
ta naquele sentido hegeliano que
Ll ~ Marx tanto escarneceu. A simpatia
era superficial. N~o rompeu de prin-
cipio porque as tropas regulars do governor
cometeram violbncias e barbaridades com os
moradores locais.
Era de se prever. Em Xambiod ficaram esta-
cionadas centenas de soldados, a maioria jo-
vens e solteiros, que acabariam cometendo ex-
cessos com as mogas nativas. O mesmo acon-
teceu com os lavradores no meio da mata, as-
sustados por aquelas investidas sem muita or-)


guerrilheiros. Reforgou neles a iluslo de que
haviam realmente conquistado a simpatia da
populagio native, algo qlue o her6ico Che
Guevara havia tentado sem sucesso em sel-
va semelhante na Bolivia. E criou um caldo
de cultural para que os erros de concepglo e
de pritica da guerrilha ficassem sepultados
sobre um manto didfano de fantasias, dos
heri~is perseguidos, dos mirtires de uma luta


sonagem oculto da trama, Daniel Dantas, o
ardiloso s6cio dos investidores canadenses
nas telefi~nicas (e, quem sabe, a ponta final na
origem das fitas, antes da chegada a Veja),
mandaram um torpedo na dire~go de Tanure e
do JB, e ainda desvalorizaram sua future pro-
vivel conquista. Nem Janete Claire escreveria
roteiro mais maquiav61ico. O doutor Roberto
nlo tem rival nessas artes e manhas do poder.
Ao menos vivo.
O agradabilissimo Boechat nio deve ter
sido um atento leitor das fibulas antigas, aque-
las que narram uma hist~ria de sadismo ou
vilania, recoberta de tintura infantil, ocultan-
do um enredo torto sob uma moral edificante.
Acabou arrastado por essa mar6 de sujeira da
qual se imaginava apenas um cronista distan-
ciado, por um dos incontiveis rolos de fitas
clandestinas, que nio parecem ter fim, e ainda
poderaio enforcar outros, inclusive os que cri-
am monstros na presunglo de pod6-los sem-
pre controlar, como afoitos jornalistas. E as-
sim poderdi acabar sendo com todos os que
imaginam manter essa relagio incestuosamen-
te para sempre. S6, nas lendas de convenien-
cia cabe a eterna felicidade. Eternidade somen-
te para quem tem ao seu alcance um poder: o
de contar a verso final.


sabilidades (mais jornalistas e muito mais fontes
teriam que ser investigadas). Mas eu sempre si-
tuava o setor de atuaqio da fonte ("uma fonte
military "uma fonte bem posicionada no setor
de seguranga", por exemplo) para que o leitor
capacitado a interpreter aquela informaqiio tives-
se um dado a mais para enriquec6-la e pudesse
verificar sua validade, nilo entregando a fonte,
mas tamb~m nto a deixando an~nima no 6ter.
Boechat nio seguiu principios bsisicos do
jornalismo independent -e, como ele, muitos
jornalistas se desfizeram de tais normas. HA os
que tiram vantagem material dessa remnmcia, e
ndo s~io poucos, infelizmente. Muitos outros
apenas estao, ao seu modo, cultivando e preser-
vando boas fontes, que lhes garantem informa-
Fio de prirfieira, Aesso aos bastidores do poder
ou "furos", que so transformam em instrumen-
tos de notoriedade e afirmaqio profissionais.
Constantemente uma relaFgio necessdria emes-
mo vital comega a perder equilibrio e a fonte passa
a comandar ojornalista~,que vai se desfazendodos
principios para continuar a seguir na linha de fren-
te, integrada por uns poucos que sabem das ~ilti-
mas oumais quentes informagies, mal elas aconte-
cem, admirados e cultuados por serem "insiders".
Acabam pagando um alto prego, como ocor-
reu no caso de Ricardo Boechat. Ele ultrapas-


sou os limits admissiveis na relagio jornalis-
ta-fonte, tornando-se um element de manobra
daqueles que lhe davam as informagbes e che-
gando a promiscuidade. Mas talvez nio che-
gasse a ser demitido, e seguramente nsio seria
demitido com humilhagio, se essa promiscui-
dade nso significasse uma ameaga aos interes-
ses das OrganizaqBes Roberto Marinho.
Havia o boato de que o colunista estava
negociando sua transferincia para o Jornal
do Brasil, que O Globo havia conseguido su-
perar no dificil mercado carioca, menos por
m~ritos pri~prios do que em funqlo da corrosi-
va crise internal do JB. A lenta e continuada
decadencia do journal, que sucedeu o Correio
da Manha como o mais influence na capital
politica (e ainda cultural) do pais, poderia agora
seguir uma nova tend~ncia, de ascensdo, com
a chegada de dinheiro de Nelson Tanure, o
segundo principal personagem na novela te-
lef~nica grampeada que Veja revelou, e a ade-
sio de jornalistas de prestigio, como Boechat,
amigo intimo de longos anos do empresdrio.
E claro que os Mlarinho nio armaram uma
rocambolesca armadilha para o seu at6 entio
mimoseado colunista. Mas aproveitaram uma
circunstincia favorrivel para potencializar seus -
efeitos positives. Favoreceram o grande per-








JOURNAL PESSOAL *2p QUINZENA DE JULHO/ 2001 7


mio por seu comportamento, Ggspari herdou
os cobigados arquivos de Golbery, o criador
do SNI (criatura que tanto o assustou, a pon-
to de abjurd-la depois), comn os quais, hti anos,
promete reescrever a hist6ria do period e
que sempre tem adiado.
Ainda assim, a avalia~go de Passarinho nso
6 correta., talvez por n~o ser isenta. Por mais que
o ex-senador tente depurar os rangos do passa-
do, n8o parece conseguir se livrar de certa mi-
goa em relagao aos "castelistas". Afinal, foi ape-
nas no mandate de Castelo Branco, mas, sobre-
tudo, no de Geisel, que Passarinho experimen-
tou inicialmente atritos e, depois, animosidade
declarada ao long do ciolo dos generais-presi-
dentes. As difereng~as, ao que parece, n~o foram
acertedas at6 hoje. E talvez n~o venham a si-lo
nunca. Passarinho se excede tanto na defesa de
M~dici quanto no alaque a Geisel.
A francamente distorcida a defesa que ele faz
do poder do SNI. Passarinho sustenta que o Ser-
vigo Nacional de Informag~es era apenas "um
brgiio de informaqiio do president da Repdbli-
ca", que ndo se envolvia com operaC~es exter-
nas, como a guerrilha do Araguaia. Curi6, entre-
tanto,era um home do SNI,embora,para consu-
mo extemo, enquanto esteve na ativa, se apre-
sentasse como integrante do Conselho de Segu-
ranga Nacional, apenas para nio softer o desgas-
te que certamente aimagemdo SNIlhe imporia.
Foi como agent do SNI que Curi6 assumiu
e exerceu o control do garimpo de Serra Pela-
da. E foi o SNI que comandou a Capemi no
desastrado projeto de exploraq~o florestal do
reservat6rio da hidreletrica de Tucurni, que
deveria funcionar como fundo de campanha
presidential para o chefe do servigo, general
Ant~nio Medeiros, numa~ 6poca em que estar g
frente do SNI era ter o direito de reivindicar o
cargo superior, a presidencia da Reptiblica (como
aconteceria com M~dici e Jolo Figueiredo).
Quem acompanhava os acontecimentos de
ent~o e tinha um olho na histciria n~o podia
deixar de ver semelhangas com a luta travada
nos bastidores do nazismo entire a SS e a SA.
Geisel foi o home da SA que comegou
a combater a negra SS, mal compa-
rando (mas comparando) a dife-
renciaqgio entire os homes de
carreira regular nas forgas ar-
madas e os que desceramn
para os por~les. Se fez pou-
co ou fez mal, pelo menos
Geisel fez. M~dici fez nada.
Foi o nosso Pilatos, mal
comparando outra vez,
mas comparando.
Que 6 assim, fazendo
paratelismo e provocando
manifestaqdes, que se con-
segue escrever uma histi~ria que
n~o se reduza B vers~lo dos com-
batentes, vencidos ou vencedores.
Como parece ainda ser o estigio da
hist6ria da guerrilha do Araguaia.


dem, os militares superes-
timando o inimigo, do que
Sderivaram alguns desentendi-
mentos (uma tropa atirando
contra outra tropa), por medo
ou inexperi~ncia. O exr-
cito Brancaleone pa-
recia mais a forgFa re-
gular do que os guerrilheiros, di-
ferentemente do que sugere o
coronel Jarbas Passarinho, nas
intervenq~es que fez na impren-
sa a prop6sito da tentative de recons-
tituigio dos fats em O Liberal.
Naterceiracampanha,ademenordu-
raglo e a que mobilizou menos gente, o
Extrcito liquidou quase sem baixas ofoco guer-
rilheiro gragas a uma competent operagio pr6-
via de intelig~ncia, comandada pelo ent~lo major
SebastisLo Rodrigues de Moura, que se popula-
rizaria como Curi6. Ele se infiltrou na mata com
outros homes e pi~de verificar que os guerri-
lheirosecram poucos, estavam enfaquecidos (in-
terna e externamente) e poderiam ser destruidos
se seus poucos elos fossem desfeitos.
Curi6, desfez os n6s oferecendo terra e outras
vantagens a lavradores que se dispusessem a ser
bate-paus, ou espi~es. Tris estradas (as OPs) fo-
ram aberlas para o assentamento desses colabo-
radores, f inalmente dons do scu lote (a via, nio
interessava). Eles levaram os soldados g maioria
dos guerrilheiros, inclusive o lider do grupo, Os-
valdo Orlando da Costa, o asvalddio.
Certamente uma parte ao menos do grupo
poderia ter sido presa com vida. Houve deci-
sio superiorpara um ataque radical, talvez para
eliminar arquivos e testemunhas. Seria dificil
explicar como um grande ex~rcito esbarrou por
mais de quatro anos num movimento guerri-
theiro taio frigil. Atrav~s da exaltagso do inimi-
go seria possivel n~o s6 remir a culpa do co-
mando das duas primeiras operaC~es, como
talvez at6 eleva-los B condigao de heri~is.
Por desconhecimento dos fats on por di-
retriz political, muitos intelectuais, especialmente
os mais prxiamos do PC do B, deram g guerrilla
do Araguaia umaprojeqlio falsa, superdimensi-
onada. O ex-senador Passarinho diz que esse
resultado insiblito, os derrotados escrevendo a
hist6ria no lugar dos vencedores, invertendo a
regra hist6rica, deve-se B infiltragio da esquer-
da nas redaqi~es e outras formas de omiss~io on
coniv~ncia de terceiros. N~o principalmente:
deve-se, sobretudo, a recusa do Estado brasi-
leiro, eparticularmente doEx~rcito, de apresen-
tar documents que comprovem sua pr~pria
versfio, sempre tibiamente apresentada.
Pior do que desmistificar a importincia da
guerrilha seria comprovar a incompetincia da
nossa principal forga military, g 6poca desprepa-
rada tanto para enfirentar uma guerra convenci-
onal (como a das Malvinas, que arrastaria para
o ocaso a vizinha ditadura military Argentina,
mais profissionalizada do que a nossa, em to-
dos os sentidos, bons e ruins) quanto um foco


guerrilheiro (urbano ou rural), e compreender
uma region pioneira como aAmaz~nia. Osil~n-
cio official se explica menos pela submiss~o a
uma norma de discrigto, mas pelo receio de
enfrentar o desaflo da verdade.
Se 6 da responsabilidade da administracilo
Geisel a ~iltima e vitoriosa campanha contra os
guerrilheiros, na qual teria vindo embutida a
ordem de n~lo deixar testemunhas vivas, como
diz o ex-govemador, 6 errado deduzir dai que as
duas etapas anteriores tivessem sido menos
sangrentas, menos sujas. Podem ter sido at6
mais. A diferenga 6 que as principals vitimas
foram civis e n~io guerrilheiros, a sociedade
como um todo e n~io apenas um grupo de con-
testaCgso armada, que se transformaria numa
visagem B custa de fabulaq~es.
O inimigo interno da doutrina de seguran-
ga national era difuso e por isso pagavam pela
suspeigio culpados e inocentes, os alvos di-
retos ou aqueles qlue aparecessem no cami-
nho. Dai aquele ambiente horroroso de inse-
guranga, suspeiC~o, dela~go e entrega qune
constitui a n6doa indel~vel e perene das dita-
duras sobre a membria dos que viveram com
alguma dignidade esses tristes periods, infe-
lizmente constantes (ao menos at6 recente-
mente) no nosso continent.
O ditador Emilio Garrastazu Mbdici era
simpitico e, de fato, popular. Ele podia dar-
se a esse luxo bizarre. De nada queria saber.
Altm de ouvir seu radinho de pilha (com fas-
cinio semelhante ao qlue o carteado exerceu
sobre seu antecessor, Costa e Silva, o "seu"
Arthur do marketing nascente), o que mais
queria cra lavar a mlo daquela sujeira toda
nos pores do sistema, que, a custo, manti-
nha o isolamento, evitando a contamina8o
dos andares superiores do establishment,
pelo qual podia-se caminhar sem ouvir gritos
ou deparar com cadivreres.
M~dici foi escolhido exatamente por n~o ser
obstiiculo gqueles homes "rdicais mas sin-
ceros"-que queriam continuar a fazer a revolu-
95io permanent, que, de outra maneira, Trotski
quis fazer no mundo inteiro, mas substituindo
uma classes por outra. Como personalidades des-
se tipo construiram carreiras tfio estreladas den-
tro o Exbrcito 6 um desafio a ser enfrentado
pelos te6ricos da formaCgo castrense, empenha-
dos em criar uma corporago g altura das nobles
misses qlue a ordem constitutional lhes incum-
be, sem qune de sua exaq~o result a exce~go.
O ex-ministro tem razZao ao atribuir ao qlue
consider como sendo uma corrente italiana
do jornalismo brasileiro (tendo Mino Carta e
ilio Ggspari como abre-alas), de m~ios dadas
com o bruxo Golbery do Couto e Silva, a ima-
gem de pacificador do general Ernesto Geisel,
de qlue "naquele governor se combateu a tor-
tura". E verdade que os dois jornalistas muito
ajudaram a inflar os bales de ensaio que, atra-
v~s deles, eram langados hopiniiso plblica pelo
general Golbery, como se fossem avalia9&lo in-
dependente, investigag~o prbpria. Como pre-











,i .iaV ~j i aV ,r -

Andria Pinheiro conseguiu, no CD de estrdia (Fiz da vida uma cangdo), o que pare-
cia impossivel: cantar Waldemar Henrique de uma forma diferente, nova, verda-
& dieiramente criativa. Sem precisar apelar e sem que a estilizagd'o distorga a inten-
gdo do auto Com arranjos corretos e discretos de Floriano, as 16 muisicas do
disco soam remogadas, ajustadas ao ouvido de um bom apreciador deste 2001.
A voz de Andrea e maviosa, suave, exata. Cordas, sopros e, sobretudo, percussdo
.casam texatamente com essa marca forte do CD: ser Jiel ao mesmo tempo ao
co lpositor refinado e ndio deixar que sua muisica soe como pega exotica de
S\~fo~clore. Andria consegue nos mostrar um Waldemar Henrique mais con-
S.'tempordineo do que nunca. Os muisicos que a acompanham comprovam
tambem o alto padrdio alcangado pela interpretagdo musical em Belem.
Um CD para ouvir e guardar como um present fino, de bom gosto, e uma
obra que se incorpora ao melhor acervo da muisica do Parai.


LI 1


Jornal Pessoal
Editor LucoFt Rh Pnto. Fone ls.1Bi 2231-690 2414284 e 261 4827 Cnial. Tu Benymnw Colant 84520366. 053040 Musil: jornibanaonrn0 ior PR~odu: Ang~enm Pinto Edigan de Ar. Lulanianiedalangenio


Mancha
A auda~cia dos grileiros esta em
alta, mas al guns dos seus golpes
sio tio grosseiros que o poder
pdiblico est8 conseguindo desfa-
z&-los a tempo. Foi o que aconte-
ceu com a tentative de praticamen-
te inventar um im6vel rural, a Fa-
zenda Guropi, com nada menos do
que 1,l milhio de hectares, no
municipio de Paragominas.
Qualquer pessoa medianamen-
te versada em assuntos fundiari-
os ficaria alerta com a noticia de
uma propriedade com tais dimen-
s~es num lugar como Paragominas-
Foi o que fez o Incra. Os grileiros
tentaram cadastrar o im6vel comn
base em documents de dominio
que teriam sido expedidos pelo car-
t~rio de Sio Miguel do Guama. Ra-
pidamente foi provado que os pa-
peis eram falsos e era nenhuma a
possibilidade de existir tal fazen-
da. A corregedoria de justiga do
Estado ja declarou a inexist~ncia
dos documents, cancelando a
matricula e o registro.
Mas tambem determinou uma
media profilaitica que ja deveria ter
sido adotada hi muito tempo, para
prevenir esse tipo contumaz de
embrulhada: pediu a instaura~gio de
sindicincia contra a official do re-
gistro de im6veis do Guami, a
local que entrou para os anais da
hist6ria fundidria do Parai como um
laborat~rio de fraudes, tendo atra~s
de si um nome: dona Paquita.
Tomara que, desta vez', a ne-
fasta tradi~gio chegue ao fimn. Ja e
tempo de o Para aprofundar o
ajuste de contas com essas ve-
thas pend~ncias de irregularida-
des e ilicitudes, que ja comegou.
Os esqueletos comegam a tremer
nos armarios.


(In) justiga
A situaqilo em Stio F61ix do
Xingu e dramitica na perspective
da aplicaqilo das leis. Quando la
chegou, no mis passado, para
uma inspe~gio correctional, a de-
sembargadora Osmarina Nery nio
encontrou o promoter, o defen-
sor publico e o delegado de poli-
cia; ja o contingent policial e mi-
litar era "inexpressivo".
Em dois anos e meio, apenas
21 aC~es penais foram propostas
na comarca. Havia 98 inqueritos
policiais em cartbrio, que nio se
transformavam em aq6es porque
o promoter, o donor da agilo pe-
nal, a ser iniciada com a denun-
cia, se ausentara desde a eleiglo


do ano passado, nio mais retor-
nando ao seu posto. Havia ainda
23 inqueritos dependendo do des-
pacho judicial para serem encami-
nhados ao Ministerio P~iblico.
Pior: nenhum dos 67 proces-
sos de homicidio resultara ainda
em um 6nico julgamento no muni-
cipio. "Alguns processes" esta-
vam desaparecidos do cartorio.
A corregedoria promete mudar
essa triste situaqio, um atestado
da inepcia do poder pxiblico em
uma Brea estrategica de abertura
de fronteira.


Grilagem
O juiz Jos6 Torquato de Alen-
car adotou em Sgo F61ix do Xin-
gu, para onde foi temporariamen-
te deslocado, a mesma decisito de
Altamira: conceder tutela anteci-
pada a quatro aqdes do Iterpa de
anula~go e cancelamento de titu-
los de terra registrados no cart6-
rio da comarca, mas declarados
nulos pelo institute estadual, que
os considerou falsos. O juiz man-
dou logo averbar nos lIvros car-
toriais o 6nus que passou a inci-
dir sobre esses titulos para pre-
venir que eles sejam usados em
novas transaqdes e causem pre-
juizo a terceiros, permanecendo
bloqueados ate a decision de m6-
rito sobre o contencioso.
Id~ntica tutela fora deferida
pelo juiz em relag~io aos titulos que
cairam nas miios da C. R. Almei-
da, com os quais a empresa pas-
sou a reivindicar, como se fossem
seus, 7 milhaes de hectares no
'vale do Xingu, area considerada
do Estado e da Unilio pelos ibr-
glios publicos. A prote~gio foi
suspense, em grau de recurs,
pelo desembargador Joho Alber-
to Paiva, que acolheu as razbes
da construtora.


Por ter feito reparos a decision
superior, respond a dois proces-
sos-um civel e outro penal ins-
taurados a pedido do desembar-
gador, que interpretou as critics
como ofensas a sua houra pesso-
al. A empresa tambem ajuizou trs
aq~es contra mim pelos mesmos
motives, duas penais (devidamen-
te trancadas por habeas corpus
concedido pela justiga paraense)
e uma civil, em cursor. Os advoga-
dos da empresa slio de Stio Paulo
e Curitiba. Os do desembargador,
v~m de Brasilia, do prestigiado
escriti~rio Alckmin.
Seri que anovela grilagem -2
tera o mesmo enredo da anterior?


Divida
A desembargadora Climenie
Pontes, president do Tribunal de
Justiga do Estado, determinou o
seqiiestro de 270 mil reais do er8-
rio para o pagamento de um pre-
cat6rio em favor da Cibrasa, a fa-
brica de cimento de Itaituba do
grupo Joflo Santos. A quita~go
da divida teria que ser feita no
exercicio passado, mas o ano ter-
minou e o Estado, atraves de me-
didas protelatbrias, empurrou
com a barriga o compromisso. A
empresa decidiu nito esperar e
executou a fazenda estadual. A
president do TJE acolheu o pre-
cat6rio e determinou o pagamen-
to; em trbs parcelas.
Alias, no ano passado o go-
vernador Almir Gabriel deixou
de usar o jatinho executive que
alugava a Weston, empresa do
grupo. Alegando prego melhor,
passou a contratar o Citation de
R~mulo Maiorana Jr., o princi-
pal executive do grupo Liberal,
que tem base em Belem. O ou-
tro aviio tinha que ser desloca-
do de Recife.


Polui Ao
Se o filho leu o artigo do pai,
bem que o secret~irio municipal de
assuntos juridicos Egidinho Sa-
les podia dar conseqtiincia priti-
ca ao just protest do tambem
advogado Egydio Sales contra a
polui~gio visual de Belem. Basta-
va dar um parecer mostrando a ile-
galidade da permanancia de pla-
cas da prefeitura em logradouros
pdiblicos, uma vez cessado o mo-
tivo que lhes deu causa.
Na praga D. Pedro II, felizmen-
te, uma placa horrorosa, que com-
pletaria dois anos em setembro,
foi retirada. Provavelmente por
conta das ligeiras melhorias que
estlio sendo feitas ali. Mas, 50
metros adiante, uma placa ainda
maior permanece fincada no gra-
mado da praga dom Macedo Cos-
ta, entire as igrejas da Se e de San-
to Alexandre, numa flagrante con-
traven~gio ao c6digo de posturas.
Se Egidinho nada fizer, doutor
Egydio, puxe as orelhas dele.

Saudade
A Telemar conseguiu uma fa-
ganha: nos fazer sentir saudades da
Telepara. Essa parecia que ia ser
uma privatizagio benfazeja. Mas se
tornou um tormento ou uma fonte
de irrita~glo permanent para o pui-
blico, desrespeitado desde detalhes
simples (como ser atendido em so-
taque cearense pelos telefones de
servigo da empresa) ate agressdes
abertas, como essa conta extra re-
metida por uma empresa relapsa ao
spu impotente client e enflada go-
ela adentro sem a menor ceriminia,
com tal impropriedade que ajustiga
se viu obrigada a susta-la.
Diante do quadro de deterio-
raqio, s6 nos resta uma palavra
de ordem: Telepara~, come home.