<%BANNER%>
PRIVATE ITEM
Digitization of this item is currently in progress.
Jornal pessoal
ALL VOLUMES CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00211
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00211

Full Text




Journal Pessoal
L C IO FLA V P IN T
ANO XIV NO 261 2a QUINZENA DE JUNHO DE 2001 'R$ 2,00

POLITICAL


Todos no picadeiro

Jader Barbalho pode estar sendo condenado ndo pelo que realmente fez, mas pelo
que seus adversarios, muitos deles ainda ocultos, dizem que fez. A sentenga
precede o devido process legal. Se o president do Senado merece ser cassado,
antes disso as hist6rias devem ser devidamente esclarecidas, expostas a luz do dia.
Sem definigdo antes da apuraado dosfatos.


Osenador Jader Barbalho per-
deu seu ultimo aliado na gran-
de imprensa brasileira: nesta
semana, a revista Istoe, a
unica que Ihe vinha dando
tratamento favoravel, colocou sua foto na
capa (repetida, com mais agressividade
editorial, na abertura da materia) e oito
paginas de reportagem feita para causar
impact. Ecoava, assim, uma nova de-


nuncia, tao ou mais grave que as anteri-
ores, contra o president do legislative
brasileiro: de que ele foi o beneficiario
da comercializagao de TDAs (Titulos da
Divida Agraria), emitidos quando era mi-
nistro da reform agraria, no governor
Jos6 Sarney, para bancar as benfeitorias
de im6veis rurais desapropriados por in-
teresse s6cia, diretamente por ele ou por
sua indicacqo.


At6 entao, Istoe vinha caminhando em
parelha com o senador do PMDB, contra-
ditando as mat6rias escritas contra ele ou
atacando seus inimigos, principalmente o
ex-senador Ant6nio Carlos Magalhaes.
Dizia-se que, alem do interesse estritamente
jornalistico, havia um component ainda
mais forte nessa posiqao: o ex-governador
de Sao Paulo, Orestes Qu6rcia, que sem-
pre foi extremamente generoso corn a re-


........ 1 11 :{c r .r i11 LCL.] L :1 E .i a u







2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DEJUNHO/ 2001


vista, destinando-lhe verbas publicitarias ou
prestando-lhe outras gentilezas. Se tal in-
terferencia existia e persiste, o que mudou
para alterar o sentido do vento dominant
na redadao da revista?
Segundo as especulacqes, o apoio que
Jader deu ao deputado federal Michel Te-
mer na dispute pelo control do PMDB
paulista. Temer 6 adversario de Qu6rcia,
a quem deseja afastar para poder apre-
sentar-se como candidate ao governor de
Slo Paulo, objetivo que voltou a fazer parte
da estrat6gia de Qu6rcia. O texto, cujo
tom extrapolou a tecnica da reportagem
para assumir uma entonacgo editorializa-
da, seria o troco. Qu6rcia rompeu ou esta
ameacando romper com seu antigo alia-
do, Jader Barbalho, a quem tanto ajudou
no passado e com quem vinha mantendo
identidades, voluntarias ou nao.
Essa hip6tese 6 plausivel. O conteu-
do da mat6ria a reforga. Istoe aceitou e
deu desproporcional repercussao a uma
hist6ria fragil, cheia de lacunas e contra-
dicqes. Seu principal element de credi-
bilidade 6 o pr6prio enredo da desapro-
priacao da Fazenda Paraiso, em Viseu,
no Para, feita pelo Mirad em 1988, que
este journal foi o primeiro a denunciar,
naquele mesmo ano (13 anos antes da
grande imprensa).
O chefe da Secretaria de Recursos
Fundiarios, Ant6nio Pinho, na 6poca um
dos homes mais pr6ximos e influentes
junto a Jader, atropelou o bom senso, as
normas legais e a pr6pria seqtiUncia re-
gular da tramitagao do process para con-
cluir a desapropriaqao de um im6vel cuja
existencia era posta em d6vida e a domi-
nialidade, questionada. Era, no minimo,
uma agao temeraria, que acabou levan-
do-o a condenaqao pela justiqa federal
(ver, a prop6sito, JP 259).
A reportagem publicada por Istoe sus-
tenta que por tras da operaqco estaria o
pr6prio Jader Barbalho. A ele o suposto
proprietario da Fazenda Paraiso, Vicente
de Paula Pedrosa da Silva, teria levado o
'dinheiro apurado com a venda das TDAs
que recebeu do Mirad por conta da desa-
propriaqao. Um irmao de Jader (nao iden-
tificado pela revista, que simplesmente re-
passou a documentaqao recebida de ter-
ceiros, limitando sua investigaqao pr6pria
a ouvir alguns dos principals envolvidos)
teria sido apenas o intermediario e Pedro-
sa funcionou como "laranja". Como esse 6
um esquema triangular usual nesse tipo de
corrupcgo, o enredo tem verossilhanca. S6
nao tem consist6ncia.


As 55,2 mil TDAs entregues pelo Mi-
rad a Pedrosa no final de 1988 valem atu-
almente 5,3 milhoes de reais, segundo a
revista. O banqueiro e pecuarista Serafim
Rodrigues de Moraes diz, na conversa te-
lef6nica que teve com seu advogado, o pro-
curador aposentado da Republica Gildo
Corria Ferraz, ter pago 4 milh6es por es-
ses titulos. Serafim iria usar as TDAs para
amortizar a divida do Agrobanco, de sua
propriedade, com o Portus, o fundo de pre-
vid6ncia privada dos portuarios.
Esse tipo de operamo, muito praticada
at6 hoje, nao 6 illegal, mas 6 moral. Sem
considerar a possibilidade de desapropria-
cqes superdimensionadas ou irreais (pela
inexistencia das benfeitorias pagas), a imo-
ralidade result da compra desses titulos por
um preqo muito abaixo do valor de face e
sua plena utilizagao na quitaqAo de dividas,
principalmentejunto a instituic6es publicas,
cor o minimo (ou ne-
nhum) desembolso. A
diferenga entire o valor
efetivamente pago pelo
devedor e o que ele
apropria nominalmente
para fazer face ao debi-
to 6 tao brutal que as A InatI rit
TDAs se tornaram os revela o s
mais desacreditados den- q s o
tre os papeis podres do
mercado. A podridao torm
monetaria contaminou o comerci
cheiro moral dessas de moedc
transagqes.
Ai comega a apare-
cer o p6 quebrado da
hist6ria trombeteada como coisa s6ria por
Istoe, tao inconsistent no ataque a Jader
Barbalho quanto o foi na sua tendenciosa
defesa (o que reforqa as sombras de Qu-
6rcia por tras da revista). Se as TDAs va-
liam R$ 5,3 milh6es, pagar R$ 4 milh6es
(na hip6tese de que a mulher do banqueiro
se equivocou e estava se referindo a real e
nao a d6lar) por elas ja seria um neg6cio
desinteressante para o dono do Agroban-
co. Se alguma vez chegou a ser praticado,
um tal desagio s6 pode ter havido no inicio
da emissao de TDAs, feita aos turbilh6es.
Rapidamente o desagio desceu abaixo
de 50%, tendo chegado a at6 30% do valor
de face (ou 70% de desagio), a taxa mais
comum. Pagar com desagio de apenas
20% 6 algo que nao se ajusta a experi8n-
cia e ao conhecimento, nao s6 do banquei-
ro Serafim, mas tamb6m de sua mulher,
Vera Arantes Campos, ex-operadora da
Bolsa de Valores de Sao Paulo. Tamb6m


nao seria a forma esperta (e imoral). Pa-
gando 80% do valor declarado, dificilmen-
te o casal usaria TDAs para amortizar o
passive do Agrobanco. Buscaria outros
pap6is de maior rentabilidade. E Istoe as-
segura que, antes de fechar o neg6cio, Se-
rafim resolveu pechinchar".
Diz a atual esposa do banqueiro que pa-
gou Vicente Pedrosa com um cheque da
ag6ncia central do Bamerindus em Sao
Paulo, na rua XV de Novembro. Nao diz o
numero do cheque, a data certa da sua
emissao, quando foi sacado, se foi retirado
no caixa do Bamerindus ou depositado em
outra conta de outro banco, e detalhes as-
sim que enriqueceriam a reportagem. A
revista nao se importa com tais lacunas.
Afinal, mesmo sem esses fatos importan-
tes, seria facil fazer "o levantamento das
contas pelas quais passou o milionario che-
que do Bamerindus, preenchido e assinado


a de Istod
ubmaundo
rnnou emi
o da
alizafdo
s pobres
rasil

estranha relagAo,


por Vera Arantes". Seu
marido aposta tamb6m
nessa trivialidade, at6
porque Vera "emitiu no
maximo dez cheques de
valores elevados".
Qual 6 mesmo o va-
lor de refer6ncia, nem as
fontes e nem a revista se
preocupam em precisar.
Vera Arantes, ap6s cer-
to embaraco cor a ma-
tematica e a lingua por-
tuguesa, diz que o cheque
tinha, em 1988, valor
equivalent a quatro mi-
lh6es de d6lares, numa
de um para um, que nao


guard coer6ncia com a temporalidade e a
cronologia cambial. Nao ha qualquer refe-
rnncia ao valor do cheque que ela subscri-
tou, na moeda de entao. Tudo o que ela diz a
respeito 6 na comparacio ao d6lar.
Atualizado monetariamente e cambi-
almente, esse valor gravitaria, hoje, em tor-
no de R$ 10 riilhoes. Mesmo se apenas
fosse feita apenas a equiparacao cambi-
al, bacteria em R$ 9 milhoes. Nesse pata-
mar, a hist6ria 6 nao s6 ridicule, mas pri-
maria. Era melhor o banqueiro meter a
mao no bolso e fazer o que raro capitalis-
ta aceita fazer no Brasil: tirar dinheiro para
pagar em esp6cie divida que contraiu, re-
cebida igualmente em esp6cie. No nosso
capitalism, tal movimento 6 considerado
her6tico. Os executives de Jader Barba-
lho que o digam.
Nao 6 menos risivel a reconstituiqao que
Vera Arantes faz do ato de pagamento das








JOURNAL PESSOAL .2 QUINZENA DEJUNHO/ 2001 3


TDAs. Vicente Pedrosa recebeu o che-
que no saguao de um hotel paulistano
(qual? E irrelevant para Istoe). Colocou o
papel no bolso, atravessou caminhando o
hall ("bem grandao", assinala Vera) e foi
entregar o cheque a Jader Barbalho, que o
esperava sentado do outro lado (em mais
um detalhe insignificant, fica-se sem sa-
ber se Barbalho ainda era ministry da re-
forma agraria ou ja havia assumido o mi-
nisterio da previdencia social, em qualquer
das hip6teses sendo razoavelmente passi-
vel de identificaq o em ambiente publico.
Mesmo um colegial, ouvindo semelhante
relato, se perguntaria: para que, entao, usar
intermediario, "laranja"?
Ora, Jader Barbalho andou cada vez
mais mal acompanhado a media que foi
acumulando poder, principalmente a partir
do seu primeiro mandate de goverador,
conquistado em 1982, quando era um dos
"autenticos" do MDB na Camara Federal.
Auxiliares, parents e amigos seus se me-
teram em encrencas, varias das quais ter-
minaram najustiga, no Minist6rio Publico
ou najustica. "Terminando" e algo mais do
que forca de expressao. Nenhum deles, po-
rem, acusou o chefe, lider ou amigo, inclu-
sive os que trocaram de barco (como o
empresario Jos6 Maria Mendonca, agora
na nau tucana). Ou 6 uma regra do silen-
cio (ormeth) capaz de fazer qualquer ma-
fioso babar de inveja, ou, a parte essa pos-
sibilidade, 6 tamb6m porque Jader se com-
porta como um senhor medieval: abre um
fosso em tomo do seu castelo, isolando-o
com um lago cheio de piranhas oujacar6s.
E claro que o senhor do castelo precisa
ocasionalmente sair do seu reduto ou deixar
entrar quem Ihe interessa. Os muitos atos
de improbidade, comprovados ou sob sus-
peiqdo, apontados na passage de Jader
Barbalho pela vida public, atingiram gente
que estava pr6xima dele, um tanto ou de-
masiadamente. S6 ele d imaculado nesses
circulos conc6ntricos de sujeira e lama?
Por tras da pergunta esta a 16gica que
move a enxurrada de investidas contra ele
nos tiltimos meses. Fatos fdtidos resvalam
nele, respingam-lhe, mas nao ha uma co-
nexao cor ele, nao ha um elo objetivo, do-
cumentado, conclusive. As suspeitas, por
mais abundantes que se tenham tornado,
por mais inc6modas que sejam, nAo sao
munidio bastante para fulmina-lo.
A Fazenda Paraiso, as TDAs, Vicen-
te Pedrosa e um banqueiro querendo di-
minuir seu prejuizo (ou obrigado a reduzir
sua rubrica de perdas e ganhos) poderi-
am ser o elo que faltava para, finalmente,


chegar ao ponto de origem e de chegada
de todas essas hist6rias que, mesmo sem
fechar, cheiram mal.
Mas se realmente esta ai o nexo, Istoe
nao foi apenas incompetent para demons-
tra-lo: agiu de ma-fd, tendenciosamente,
com dolo. O que talvez sirva de impulse
para ir atras de suas relac6es nebulosas de
bastidores, com Orestes Quercia, quem
sabe. Qudrcia, as pessoas parecem haver
esquecido, foi uma continuacao mais bem
sucedida de um modelo, o do tambdm pau-
lista Adhemar de Barros, que ter servido
de inspiraqgo para politicos como Jader
Barbalho, embora sem o mesmo sucesso
(Qudrcia posa, hoje, de cidadao notavel e
o centenario de Adhemar tem comemora-
9go em Sao Paulo).
Jader nao esta apenas sendo submeti-
do a uma revisao hist6rica ou a um exer-
cicio acaddmico: ele responded a procedi-
mentos em curso e ex-
poe-se a um process
definitive de cassagao
de um mandate que o
povo Ihe conferiu e a
uma honraria que a mai- .
oria absolute dos seus
pares Ihe conferiu (pa- Quenm e,
res em um sentido mais prdxi
profundo do que a ret6- verdade
rica da expressao). Re-
vendo um caso do pas- do ran
sado pode-se corrigir mulh
um erro hist6rico ou preside
confirmar o acerto de
uma condenaqco. Num
caso vivo, envolvendo
pessoas de came e osso, deve-se evitar
decidir contra as provas ou precipitar uma
decisao para servir a um interesse tao
condenavel quanto o que se apura.
A rigor, alias, Istoe quase nao apurou:
repassou ao seu leitor o que suas fontes
dizem ser a verdade, aplicando-lhe o si-
nete dojomalismo para ter aceitagao. Essa
renuncia a verificaqao independent pro-
voca erros graves. A revista se refere a
desapropriaqao dos im6veis compreendi-
dos no que se convencionou chamar de
Poligono dos Castanhais como se eles fos-
sem localizados em Mato Grosso e nio
em Maraba, no sul do Para. Repete a la-
dainha de sempre: teria sido uma desa-
propriacio fraudulent.
Mas nao foi uma desapropriacao: foi
uma prosaica operacao de compra e ven-
da. Corn a qual Jader Barbalho transfor-
mou a reform agraria em neg6cio agra-
rio, sem precisar desapropriar e sem pro-


jetar um dem6nio para os empedemidos
fazendeiros. A partir da vantajosa opera-
5Ao de aquisicgo dos castanhais, vantajosa
para o vendedor e ruinosa para o compra-
dor (em ultima instancia, o contribuinte),
fazendeiros passaram a se acotovelar nos
corredores do Incra, em Brasilia e Beldm,
oferecendo seus im6veis para o govemo.
Algo tao grave quanto outras negociatas,
mas cor a marca da inventive de um poli-
tico populista que trocou seu carisma pela
fortune pessoal.
O ajuste de contas nao pode ser feito,
pordm, a custa da verdade, que deve ser
buscada tanto na seara do acusado quanto
na do acusador, tudo exibido sobre a mesa
da opiniao public, a quem cabera ojulga-
mento. E evidence que as principals perso-
nagens da matdria de Istoe nao intervieram
na trama olimpicamente ou movidas pelo su-
perior interesse public. Ha bandido demais
para mocinho de menos
nesse script.
A peca fundamental
e uma fita, que teria sido
gravada clandestina-
mente por um policial
federal e por ele entre-
td mais gue a revista (outro con-
to da to da carochinha). Se
a novela verdade, mais uma vez
a PF estaria extrapolan-
rio da do sua missao e agindo
r do conforme um padrao
Wte do tecnico vulgar. Veja re-
do? produziu trechos de fi-
tas que a mesma PF
teria gravado e, ao in-
ves de transcrever integralmente, decidiu
editar, inutilizando a peca como prova para
fins de instrucgo processual emjuizo. Mas
nem mesmo como fonte para trabalhosjor-
nalisticos serviria. Jamais uma fita grava-
da clandestinamente-e, sobretudo, as fi-
tas utilizadas por Veja e Istoe deviam
receber o cr6dito que as duas publicaq6es
lhes deram, sob pena de lanqar-lhes um
pouco da lama que atiram sobre tercei-
ros. Nao imerecidamente, alias.
No caso de Istoe, abstraindo a muito
plausivel hip6tese de que a conversa foi
adredemente armada para gravaqao, a fita
devia servir como provocaqco para uma
checagem verdadeiramente jornalistica.
Comecando pelo levantamento da hist6ria
do Agrobanco e de sua divida. Nada, ex-
ceto a boa vontade da revista, sugere que
o banqueiro seja o empresario correto des-
crito por seu advogado, desejoso de resol-
ver seu problema financeiro licitamente. A


sl


n
d


a
Gci







4 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DEJUNHO/ 2001


operaago da qual ele participou 6 uma das
muitas negociatas feitas a sombra de moe-
da podre, divida cor o setor public, trafi-
co de influencia, informaqao privilegiada,
caixa 2 e enriquecimento espurio, elemen-
tos caracteristicos de grande parte das his-
t6rias ocultas desta Republica apodrecida
e sua elite doidivanas.
E precise aprofundar a apuraqdo do en-
volvimento do senador Jader Barbalho, tio
caricatamente demonstrado no texto. Mas nao
viciar a investigagao no nascedouro, em fun-
cio de um limited pre-estabelecido, de uma
diretriz obtusa por opao. Se for estabelecido
o nexo do ex-govemador cor a sucessao de
ilicitudes que o seguem como fauna acom-
panhamente, sem fechar a cadeia (como sim-
bologia e realidade), deve-se puni-lo adequa-
damente. Sem esquecer, por6m, os demais
personagens que participam da trama.
A esposa do banqueiro, por exemplo,
diz que obteve os quatro milh6es de d6-
lares (como ela diz) atuando na Bolsa de
Valores de Sao Paulo. E precise consta-
tar tal rendimento, que esta muito long
de ser rotineiro. Da mesma maneira
como o rastreamento dos seus cheques
independe de ter ou nao o senador pee-
medebista num dos pontos finals, ja que
ela assinou "alguns cheques" com valor
aproximado de US$ 4 milh6es (quantos
tmr tal poder no Brasil?). Esses "alguns"
podem ser um trunfo no rastreamento.
Embutidos numa fortune pessoal, passam
a ser numerosos. Nessa hist6ria, segu-
ramente nao ha mocinhos.
Ejusto que uma instituicao formadora
de opiniao public como a imprensa, uma
vez convencida da nocividade de deter-
minado politico, se empenhe em expurga-
lo da vida p6blica. Esse 6 um compromis-
so enobrecedor. Mas quando alcanca-lo
passa a ser uma meta obsessive, indepen-
dentemente dos m6todos adotados, o per-
seguidor se equipara ao perseguido, ojus-
to ao vilao.
Se o crit6rio de diferenciaqao 6 o da
verdade, os fatos devem prevalecer, mes-
mo que eventualmente eles favorecam o
personagem considerado nocivo. Ele deve
pagar pelo que fez, nao pelo que Ihe atribu-
iram. Do contririo, sendo a boa intenqgo a
pedra de toque da hist6ria, o lobo pode apre-
sentar-se travestido de cordeiro. E o cida-
dao, preso num maniqueismo viciado, to-
mar por seu salvador quem nao passa de
saqueador com nova roupagem.
Os novelos dos "casos" Banpara, Fa-
zenda Paraiso, Poligono dos Castanhais e
outros que turvam o passado de Jader Bar-


balho e comprometem
seu future continuam a
ser desastradamente
desfiados pela imprensa,
que, atacando cor fiu-
ria e objetivos nem sem-
pre limpamente defini- Depo
dos, nao ataca bern, des- consegui
perdicando o grande ta- cabega d
lento de seus rep6rteres
e o material de arquivo grande i
que se acumula aos mi- national
shares de centimetros sua ca
nos recortes. A impetu-
osidade, o passionalismo noralize
e a tendenciosidade po-
dem acabar servindo a fuga do bandido es-
perto. Ou de alibi para o candidate a bandi-
do, que v6 sua hora chegar, protegido pela
barulheira desbragada.
Tome-se o escandalo em tomo do ra-
nario da atual esposa do senador, Marcia
Zahluth Centeno. O projeto se tornou mo-
tivo national de escrneo e deboche. O su-
perintendente-interventor da extinta Sudam
cancelou-o unilateralmente por haver cons-
tatado um desvio de recursos, algo inacre-
ditavel para um empreendimento que teria
recebido 9,6 milh6es de reais de incentives
fiscais e ainda nao passava de um conjun-
to de galpoes risticos, sem qualquer ativi-
dade produtiva.
A imprensa aproveitou o mote para uma
enxurrada de mat6rias sobre a fraude pra-
ticada pela mulher do president do Con-
gresso Nacional na criaqao de ras e a in-
terfer6ncia do pr6prio Jader para favore-
c6-la junto a Sudam. S6 agora 6 que a
empresa, depois de uma pat6tica e contra-
producente tentative de desmentir as acu-
saq9es com uma inconsistent pagina de
mat6ria paga em O Liberal, apresenta ar-
gumentos de peso em sua defesa.
Em primeiro lugar, desde a semana pas-
sada, com o protocolamento da defesa na
Ada (a intragavel sigla da nova ag6ncia,
que substituiu a Sudam), o caso passou a
ter o curso da legalidade, com a ampla
defesa e o contradit6rio. At6 entao, era
um ato de forga de um burocrata nomea-
do para exercer um poder que nao pode
ser discricionario, mesmo tendo sido as-
sim na pratica. O burocrata pode ter os
melhores prop6sitos. Mas a lei 6 peqa in-
dissociavel do regime democratic, a pe-
dra no caminho da mutag~o de burocra-
tas bem intencionados em d6spotas, de
que a hist6ria 6 pr6diga.
A leitura isenta da defesa de Marcia
Centeno nao deixa dfivida de que sua em-


d
r
e


presa foi vitima de um
ato arbitrario do superin-
tendente da Sudam. Ele
passou por cima de um
process administrative
em curso, sujeito ao de-
'S que vido process legal, ain-
COrtar a da pendente da defesa
Jader, a do acusado, e simples-
mente puniu o ranario,
wprensa com base num laudo de
acabard inspegao do pr6prio 6r-
tpanha gao que nao definira mo-
tivos suficientes para
dora da esse ato ne pedira o
seu cancelamento.
Constatando irregulares, os fiscais da
Sudam fizeram seis exig6ncias para que o
empreendimento se ajustasse. A principal
falha observada era o descompasso entire
o indice de liberaqao de recursos compro-
metidos pela superintend6ncia com o pro-
jeto, que era de quase 80%, com o indice
de implantagao do ranario, que era de 55%.
A defasagem, de 25%, ultrapassava o li-
mite de tolerancia estabelecido pela legis-
laqao da Sudam, que 6 de 20%.
Na sua defesa, a empresa question e
explica essa extrapolagao, atribuindo-a a
obras nao previstas que precisou fazer para
ajustar tecnicamente o criat6rio diante de
uma mortandade quase complete do plan-
tel em 1997, quase liquidando o neg6cio,
mas que nao foram aceitas pelos t6cnicos.
As justificativas para essa e para as
demais irregularidades serao examina-
das, analisadas e contraditadas, se for o
caso. O important 6 que quase todas as
exig6ncias da Sudam ja foram atendidas
pela empresa e o indice de implantagao foi
recolocado na faixa da normalidade, de 8%
segundo a defesa. Se ha manipulagao nos
dados ou nos arguments, o contradit6rio
vai esclarecer. Mas do confront entire a
defesa agora apresentada pelo ranario e
as acusaq6es publicadas pela imprensa
national a partir de declaraqces prestadas
pelo superintendent da Sudam ou infor-
maq6es que tiveram origem no 6rgao, o
pendulo da inverdade pende mais para o
lado do sr. Jos6 Cyrillo.
Independentemente do resultado do pro-
cesso, j a esta fora de d6vida que o calculo
apresentado pelo superintendent sobre o
total das liberaq es 6 irreal e indevido. Ao
cancelar arbitrariamente o projeto, ele sim-
plesmente aplicou o indexador mais pesa-
do para reajustar valores, adicionando-lhe
juros e multas que caberiam se, compro-
vadas as irregularidades no devido proces-







JOURNAL PESSOAL 2. QUINZENA DEJUNHO/2001 5


so legal, o process tivesse sido regular-
mente cancelado.
A empresa mostra que recebeu R$ 830
mil, um valor que poderia quase dobrar
(para R$ 1,5 milhao) no calculo de atuali-
zaqao normativo da Sudam, pela Ufir. Ain-
da assim, distant dos R$ 9,6 milhoes apon-
tados por Jos6 Cyrillo. O indice de implan-
taqao que ele informou tambem esta muito
aquem do indice apurado pelos pr6prios fis-
cais da superintend6ncia.
Ainda que as 22 paginas de texto da de-
fesa e seus 27 anexos de documents fos-
sem s6 mentira, duas provid6ncias deviam
separar o process punitive movido contra
Jader Barbalho da apuracqo da verdade. A
primeira competia a Sudam: seria reconhe-
cer o direito de defesa antes do sentencia-
mento do caso, com o cancelamento unila-
teral do projeto, sem o contradit6rio. A se-
gunda 6 mat6ria da imprensa: se tanto espa-
go foi dado ao ataque da superintendencia,
alguma atengao pelo menos teria que ser
concedida ao outro lado. Esse principio cons-
ta de todos os manuais de redagao. Mas
parece abolido sempre que o assunto for
Jader Barbalho.
No entanto, neste aspect, os joralis-
tas precisam ser objetivos. Lembro que no
segundo capitulo da investigagao sobre o
assassinate do ex-deputado Paulo Fonte-
les de Lima, a inacreditavel hist6ria levan-
tada pelo delegado Bertolino Neto, de que
o mandante era o empresario Josiel Mar-
tins, foi endossada por todos. Menos por
este jomal. Sustentei que Josiel tinha ou-
tras contas a acertar com a policia e a jus-
tica, mas era inocente no assassinate de
Paulo. Minha convicqao resultara de ex-
tensa apuraqao dos fatos. Nio importavam
minhas impresses sobre o entao dono vir-
tual de Capanema, nem o empenho da fa-
milia Fonteles em incrimina-lo. Daquele
crime ele era inocente, como, final, aca-
bou demonstrado, corn a decisive partici-
pacgo deste journal, o que, a sua maneira, o
pr6prio Josiel acabou reconhecendo.
Sao numerosas e diversificadas as con-
tas que Jader Fontenele Barbalho preci-
sa prestar ao cidadao brasileiro. Algu-
mas ja est.o colocadas na agenda, ou-
tras estao mesmo no moment da co-
branca no lugar competent, ajustiga, ou
em andamento por escaninhos do poder
executive e do Ministerio P6blico. Se
esse contencioso anda lento demais ou
se os 6rgdos plblicos sao omissos, deve-
se pressionar para que cumpram sua par-
te nesse acerto de contas. O que ndo se
pode 6 executar o acusado sem o devido


process legal, cor o contradit6rio e a
ampla defesa assegurados.
Muita gente deve-se perguntar como urn
politico do Pari chegou tao long, ocupando
a presid6ncia do poder legislative national,
mesmo contra a vontade do politico entao o
mais poderoso do pais, cuja ascensao tern
um rastro cristalino, de adesdo ao poder es-
tabelecido, independentemente de sua cor
ou feicio. Jader Barbalho foi um politico de
centro-esquerda que, no exercicio do poder,
subordinou sua identidade mal definida a um
prop6sito maior, o de ser cada vez mais rico
e poderoso. A qualquer preco.
At6 chegar a presidencia do Senado,
entretanto, teve que atravessar o rio que
separa a sociedade brasileira em duas mar-
gens, sempre mais distantes entire si. Nao
esteve do outro lado desde o inicio. Nao
era um antigo iniciado nas praticas e cos-
tumes dos que se estabeleceram na mar-
gem incrivelmente rica desta naqgo, cri-
minosamente rica. Ao passar para o outro
lado, nAo p6de se desvencilhar de todos os
compromissos e afinidades da margem ex-
cluida do usufruto do bolo do poder, para o
qual gente como Delfim Neto, agora posan-
do de democrat, tanto contribuiu, em atos
(fazendo a diferenca social se acentuar, num
padrao africano ou asiatico) e em pensa-
mentos (dizendo que o bolo precisava pri-
meiro crescer para depois ser distribuido).
Ja Ant6nio Carlos Magalhaes, o home
que continue a influir poderosamente na
pauta dos jornais, como raros, mesmo ja
sem mandate politico, sempre esteve do lado
de la. Camufla essa posiq~o com seu enor-
me carisma, cor o lado abertamente mo-
demizante do seu despotismo, com sua face
de mecenas, pr6digo para os que o acei-
tam como Oxala. E baiano por circunstan-


cia e ess6ncia, mas se aculturou ao centro
hegemonico do pais com a esperteza de
um Jos6 Sarney, um Itamar Franco que
esconde o topete afetado dentro do casa-
cao sagazmente sisudo.
Um cidadao se perguntara quantos acer-
tos Jader tera feito para sentar na cadeira
presidential do senado e quantas jangadas
nao armou antes, para singrar o mar revolto
entire as margens. Legitimo 6, portanto, o
desejo de revisar essa trajet6ria para apon-
tar-lhe os vicios. Os que estio cansados de
saber toda a ladainha da ascensao e exerci-
cio do poder, porque sempre estiveram la,
olham incomodados para esseparvenu ines-
perado (ou nao esperado, indesejado). O que
nAo aceitam nao e a sujeira de m6todos
(mesmo porque sAo os unicos sancionados
para a travessia do rio social), mas o fato de
nao ser da confraria, nAo haver beijado o
anel da Fiesp, nao ter sido ungido nos 6leos
das velhas elites, transeuntes em carro blin-
dado pela avenida Paulista.
Quem, nesse meio, reagiu a Collor, reage
a Jader. Nao propriamente pelos tantos moti-
vosjustos de reagir a ambos, em proveito da
sociedade, na defesa de causes nobres. Mas
(e disso nao deixa d6vida Istoe, incorporan-
do-se ao coro unissono daquela boa gente que
tanto provocou a ira de Emile Zola na Franca
do seculo XIX) como int6rpretes (e marione-
tes) de personagens ocultas nos camarins
ou nos camarotes. A briga s6 estara na
media certa se todos forem levados ao pi-
cadeiro, querendo ou nao. Ali expostos, com
suas verdades e mentiras, o dito e o escon-
dido, a luz do dia e a inquiriqao de todos.
Para que o Brasil aprenda a verdadeira li-
q o e nao a repita, a imprensa aplicando a
orientacgo de Batista Campos: mostrando
querm o patife e quemn 6 o boi.


Suspense
Sempre que urn commercial do govermo do Estado vai ao ar na televised quando
estou diante dela, presto muita atencqo. E para nfo deixar restrito ao meu sub-
consciente uma aparicqo que, quando nao e clara e explicila, em cima do palanque
official, acontece em fundo de cena, rapida c incisiva coino a passagcm de Alfred
Hitchcock mete6rico figurante dos seus proprios filmes.
E o candidate do governador. Sim.o Jatene, dando uma de Willy para Hildegar-
do Nunes. Pergunto: essas incursoes sao contabilizadas na divisao pretensamente
salomonica dos horanos entire os dois fidalgais (ainda) ri\ ais, pagas pelo contribu-
inte na ilusio de que veiculam mensagens de efetivo interesse public e nao propa-
ganda pessoal disfarqada?
Na tentative de resposta, cabe outra pergunta: o Mlinisterio Publico nao acha
que essa veiculacao conslitui propaganda electoral indevida e fora do prazo legal,
uma concorrencia desleal aos possiveis adversarios no fururo?
Fica a pergunta a quem, sendo de direito, tambem esteja no ar.








6 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DEJUNHO/ 2001


O velho bordio de que energia e desen-
volvimento vem sendo posto em questio no
Para. Ha mais de uma d6cada o Estado 6 o
quinto maior produtor e o terceiro maior ex-
portador de energia do pais. Ocupou essa
posiq~o graqas a uma unica hidreletrica, a de
Tucurui, no rio Tocantins, responsavel por
8% da capacidade instalada de geraq~o de
todo o Brasil.
Alem da bacia Tocantins/Araguaia, que
pode receber mais duas grandes usinas ainda
em territ6rio paraense, o Estado dispoe de
outras duas bacias hidrograficas na margem
esquerda do Amazonas, a do Xingu e a do
Tapaj6s, ja inventariadas para aproveitamen-
to hidreletrico. Se a Eletronorte pudesse im-
por sua vontade, no final desta d6cada o Para
j6 estaria gerando mais de um quarto da ener-
gia brasileira.
Nem com ntmeros tio impressionantes,
entretanto, a sina de subdesenvolvimento
crescente estaria abolida na terra do senador
Jader Barbalho. A expansio do parque hidre-
letrico continuara seguindo a diretriz da ex-
portaqio. A usina de Belo Monte, por exem-
plo, que pelo cronograma da Eletronorte deve
come9ar a gerar em 2007, vai transferir para o
sul do pais todos os 11 milh6es de kw que ira
produzir, uma quantidade que equivaleria a
quase 20% da atual produqCo energetica bra-
sileira. Para 3,8 bilhoes de d6lares de investi-
mento na usina, a empresa (ainda) estatal pre-
ve US$ 2,7 bilhoes na linha de transmission,
com tris mil quilometros de extensio.
E um paradoxo amargo para os paraenses
que esse acelerado incremento de energia re-
suite em exportagio. Energia s6 e desenvolvi-
mento quando fomenta processes econ6mi-
cos no mesmo lugar, criando efeito multiplica-
dor na atividade produtiva internal.
Por forqa dos pianos federais, o Para tem
sido obrigado a passar em frente energia bru-
ta, no maximo ligeiramente transformada. Qua-
se um terqo da energia produzida pelas turbi-
nas de Tucurui vai para outros Estados, onde
e transformada em bens de maior valor agre-
gado. No Estado produtor ficam apenas os
royalties, uma gorjeta municipal. O Estado
consumidor nio paga o ICMS, cobrado ape-
nas (com aliquota de 17%) nas operaq6es in-
ternas do gerador da energia. Nio 6 uma boa
16gica, nem fornece moral edificante.
A maior consumidora individual de ener-
gia do Brasil tambem esta no Para. I a Albras,
que divide essa posiq~o com a vizinha Alu-
mar, instalada em Sao Luis do Maranhao. As
duas responded por 3% do consume energe-
tico national. Em 1984 receberam do governor
uma tarifa subsidiada, que custa 200 milh6es
de d6lares ao ano por cada uma, o dinheiro


necessario para cobrir a diferenga entire o cus-
to da geraqto e o pagamento da tarifa. No pra-
zo de validade do contrato, de 20 anos, a con-
ta do subsidio ira parar em US$ 5 bilhoes. S6
do lado da Albras, o valor corresponde a 10
anos de receita de ICMS, a principal fonte de
tributes do Estado, com a qual o governor co-
bre sua folha de pessoal, com mais de 100 mil
servidores puiblicos.
Ha mais de 15 anos a Albras export alumi-
nio bruto, principalmente para o Japio, s6cio
da Companhia Vale do Rio Doce no empreen-
dimento, que tem direito a metade da produ-
9qo. Com o subsidio energ6tico, a empresa
poderia construir uma outra fabrica, inteira-
mente nova. O tnico investimento que fez no
period foi ampliar a capacidade da plant de
aluminio bruto. A verticalizatao, feita por um
grupo argentino instalado no mesmo distrito
industrial, tem significado simb6lico. O efeito
multiplicador desse que 6 o maior p6lo alumi-
nifero do continent, cor investimento de
quase US$ 2,5 bilhoes, continue a ocorrer na
sede do pais importador. O Japao, a 25 mil qui-
lometros de distAncia.
Nao surpreende que sendo o 6nico Esta-
do da federaqto a abrigar o ciclo complete do
aluminio, desde a mineraqao de bauxita at6 a
fundiqao do metal, o Para continue em reta
descendente no ranking national. Pelo IDH
(Indice de Desenvolvimento Humano), esta
numa positao melanc6lica para a grandeza do
seu estoque de recursos naturais: 17' lugar.
Principalmente porque nio consegue reter uma
parcela expressive da energia que brota dos
seus caudalosos rios. Enquanto a curva da
quantidade de energia exportada evoluir com
mais desenvoltura do que a da produq o, sig-
nificara que o Estado caminha para a consoli-
da go de provincia energ6tica national. Um
titulo que nao rima com desenvolvimento.
Nesse context, nio deve ser considerada
como prova de insensibilidade ao drama brasi-
leiro da energia a relutincia dos paraenses em
aderir ao program de racionamento do govemo
federal, relutincia que o govemador Almir Ga-
briel simplesmente ignorou, na capitulaq o que
fez aos burocratas federais em Brasilia. Dos 4,2
milhoes de kw que constituem a potencia maxi-
ma de Tucurui, o Para fica apenas com 15%, dis-
tribuido numa proporgo africana com 4 milhoes
de consumidores, que representam 60% da po-
pulaqto do Estado. Uma proporqio escandalo-
sa dela, 40%, ainda depend de usinas t6rmicas
a 6leo diesel, uma despesa que, no ano passado,
correspondeu a toda a folha de pessoal da Ele-
tronorte, de mais de R$ 200 milh6es.
Albras e Alumar somadas representam o
dobro do consume do Para e um pouco mais
do que absorvem de energia esse Estado e


6 ERA PO


seus dois vizinhos dependents de Tucurui,
o Maranhao e o Tocantins (que em breve, cor
a usina do Lajeado a plena carga no Tocan-
tins, vai se torar auto-suficiente). Cor duas
diferengas essenciais: o consume medio do
Estado cai muito em relag o aos piques, en-
quanto numa redug~o de aluminio o registro e
uniform, sempre la em cima. Isto seria bom
para a fornecedora se a conta fosse superavi-
taria. Mas a tarifa equivalendo a um tergo do
custo de geraqgo, 6 prejuizo certo, que s6 nao
estourou a Eletronorte porque a Eletrobras
banca o vermelho.
Uma redugao na producgo das duas fabri-
cas de aluminio teria repercussao muito maior
do que qualquer program de conservagdo,
racionamento ou mesmo corte para os consu-
midores nao privilegiados. O prejuizo nao se-
ria tao grande porque o valor agregado no pro-
cesso produtivo 6 baixo. Uma negociag.o em
torno do subsidio abrandaria o efeito negati-
vo da media. Uma media amadurecida, obti-
da em negociagao honest e corajosa, tiraria
as duas fabricas da condicgo em que se colo-
caram: de intocaveis.
Tudo isso, naturalmente, nho para que
burocratas ptbblicos desperdicem energia, nem
o consumidor residential ignore que a era da
racionalizagdo pode ter chegado para ficar de
vez. A racionalizacgo do uso da energia pode
ser um efeito ben6fico dessa crise cabulosa,
se nao perdemos de vista o paradoxo de que,
mesmo possuindo o 8" maior PIB do planet, o
Brasil 6 o 82" em consume per capital de ener-
gia. Ou seja: mais sensatez no uso nao 6 sin6-
nimo de contraqAo na aplicaaio da energia.".
Se nao, vamos continuar podres de marred,
marr6, marred. Como o FMI quer.
Pode ser que agora os paraenses consi-
gam tambr m se dar conta de outro fato des-
concertante: embora no auge do "invero" a
barrage de Tucurui tenha que liberar agua
sem gerar energia porque o reservat6rioja esta
com sua capacidade maxima de armazenamen-
to e as turbines nao dao conta de todo o volu-
me descartavel, no ver.o o ingresso de agua
no reservat6rio torna-se inferior as necessi-
dades das maquinas (de pelo menos 6 milhbes
de litros por segundo), ate que o nivel do lago
comega a descer. A quantidade de energia
gerada pode se lmrnar, entio, inferior a deman-
da. E quando Tucurui recorre a complementa-
cao do sistema Chesf, justamente na fase de
enchimento dos reservat6rios nordestinos, em
condiq6es normais (nao em situaq6es de esti-
agem exceptional, como agora).
Viver em sinergia corn o Nordeste parece
ser um condicionante hist6rico da Amaz6nia
e particularmente do Para. Nao podemos es-
quecer da solidariedade, compuls6ria ou voli-
tiva, que viver numa rept~blica federativa nos
impoe. Mas temos que tender esses compro-
missos na media mais favoravel para n6s. De
1981 a 1984, toda a energia de fonte hidrica
que recebemos veio do Nordeste, 6 verdade, e








JOURNAL PESSOAL *2- QUINZENA DEJUNHO/ 2001 7


alguma ainda vem num period restrito, quase
todos os anos. Mas a transferencia dessa ener-
gia nao causa problems aos nordestinos, nem
ao restante do sistema integrado energ6tico
brasileiro. Nao 6 uma violentaoao ao seu equi-
librio interno ou a sua 16gica de vida.
Logo, temos que definir nossas necessi-
dades e prioridades antes de poder estabele-
cer em que media vamos tender a demand
dos nossos irmros e vizinhos deste pais. Uma
redu go em 15% do consume das fabricas de


aluminio tornara dispensavel qualquer mu-
danqa no perfil do consume de uns 4 milh6es
de cidaddos nao privilegiados no recebimen-
to da energia de Tucurui. Albras e Alumar
certamente retrucarao que corte de 15% na
produqgo e insuportavel. Salvando os com-
promissos de long prazo com clients tradi-
cionais, o resto pode-se negociar, montando
um esquema de indenizaqdo ajustado aos gan-
hos das empresas atraves das tarifas leoni-
namente a seu favor.


Enfim, 6 precise impor a nossa perspecti-
va quando ela colidir com o decalogo de Bra-
silia. Para que o Para nao continue a ser tao
vilipendiado. E, se tal ainda e possivel, apro-
veite para tentar entronizar nos seus limits
uma relagio mais saudavel entire energia e
desenvolvimento, transformando energia
bruta em aco ou laminados de aluminio. En-
quanto 6 tempo.
Ou entao a energia vai nos condenar, ao
inves de nos redimir.


Suspenso Rima de Belo Monte


Numa epoca em que a ameaqa de falta de
energia atormenta o cotidiano do cidaddo ou
e fonte de angustia para mais da metade da
populacgo do pais, aparecera quem reprove a
attitude do Ministerio Publico Federal no Pari,
de pedir a suspensao dos estudos sobre o
impact ambiental da hidrel6trica de Belo
Monte, no Xingu, projetada para ser a segun-
da maior do pais, corn 11 milhoes de quilowat-
ts, abaixo apenas de Itaipu. Mais polemica ain-
da seria a decisao do juiz Rubens Rollo
d'Oliveira, da 4" vara federal no Estado, que
concede a suspensao solicitada, na semana
passada. Cor isso, a obra podera perder me-
ses do seu cronograma original. E sair mais
cara. Ou nunca sair.
O clima emotional criado pela perspective
de racionamentos programados ou blecautes
de surpresa, por conta do colapso no forneci-
mento de energia, deve colocar em quarente-
na o regime legal, como parece ser o raciocinio
sofismatico por tras da mais recent Medida
Provis6ria, que tentou suspender a vigencia
dos direitos do consumidor enquanto a politi-
ca de emerg6ncia para o setor el6trico estives-
se em uso? Se o respeito a lei ainda 6 pedra
basilar do edificio democratic, sua clausula
petrea, o projeto da hidreletrica de Belo Mon-
te nio pode deixar de ser considerado illegal.
Passivel, portanto, de puniqgo.
As razbes listadas pelos procuradores da
Republica Felicio Pontes e Claudio Chequer,
do Para, e Suzete Bragagnolo, de Mato Gros-
so, foram fortes o suficiente para serem en-
dossadas pelojuiz, que deferiu liminarmente
a ag o public proposta pelo representante
do MP national. Com a usina de geraqio e a
linha de transmissao de energia a ela associ-
ada, de mais de tr6s mil quil6metros de exten-
sao, do Para ate Sdo Paulo, o projeto repre-
senta um investimento de 13 bilh6es de reais
seiss vezes o orgamento annual paraense) e
20% de acr6scimo a capacidade instalada de
energia do Brasil.
A represa vai barrar o Xingu, o quinto mais
caudaloso (e o sexto em extensao) rio do Bra-
sil, que comeqa no Mato Grosso e terminal no
Para. A legislaggo ambiental preve que quan-


do um rio tem curso em mais de um Estado, a
competencia para o seu licenciamento ambi-
ental 6 do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renova-
veis). No entanto, a Eletronorte entregou a
tarefa a Sectam, a Secretaria de Meio Ambien-
te, Ciincia e Tecnologia do Para. Poderia at6
submeter-lhe o trabalho, como a similar mato-
grossense. Mas a defini go legal teria que ser
do 6rgao federal, o Ibama, a 6nica instancia
competent para esse tipo de licenciamento.
Alem disso, a Eletronorte contratou a Fa-
desp para a realizagao dos estudos ecol6gi-
cos. A Fundaqao de Amparo e do Desenvol-
vimento da Pesquisa da Universidade Federal
do Paria uma entidade de direito privado. Para
delegar-lhe a tarefa, a Eletronorte teria que
contrata-la. Ao inv6s disso, assinou cor ela
um convenio, no valor de 3,8 milhOes de reais,
quando a modalidade certa era o contrato (o
convenio serve para fomento, nao para a dele-
gaqao de service public, observa o procura-
dor). E, evidentemente, a contrataqio nao foi
precedida de um process licitat6rio.
A Eletronorte alegou, em favor da dispen-
sa da concorr6ncia public, aberta a todos os
interessados, que a Fadesp desfrutaria de "in-
questionavel reputacgo 6tico-profissional",
condiq~o contestada pelos procuradores. Eles
lembram que os Eias-Rimas elaborados pela
Fadesp para as hidrovias Araguaia-Tocantins
e Teles Pires-Tapaj6s nao foram aprovados,
por insuficiencia t6cnica, e as obras acabaram
embargadasjudicialmente, tal a fragilidade do
trabalho feito pela fundacqo universitaria.,
"sem habilitagao necessaria" para uma tarefa
do porte da encomendada, admitiu ojuiz Ru-
bens d'Oliveira. Talvez a fundaqio nem pos-
sua profissionais inscritos no Cadastro Tec-
nico Federal de Atividades e Instrumentos de
Defesa Ambiental, habilitaqao exigida para a
realizacAo de estudos de natureza ecol6gica,
especulou o procurador federal.
Em sua petigqo, ele criticou a persistincia
da politicala autoritaria" da Eletronorte, acu-
sando-a de ignorar as orientaoqes estabeleci-
das pela legislacgo ambiental para impor ape-
nas seus interesses. Por forqa desse autorita-


rismo, a empresa "desconsiderou os aspects
social, cultural e ambiental, excluindo de sua
atividade preliminary peas fundamentals para
a feitura de um verdadeiro Estudo Pr6vio de
Impacto Ambiental". Quem fosse elaborar o
Rima, no entendimento do representante do
Minist6rio Publico, deveria comeqar o traba-
lho a partir de um bom termo de referencia.
Alem de nao haver definido tais pressu-
postos, a Eletronorte teria cometido "erro gra-
vissimo no planejamento dos estudos" ou
agido "de ma-fe", ao estabelecer marqo deste
ano como data para a finalizaqgo do Eia-Rima,
enquanto o cronograma da Fadesp previa cam-
panhas de campo at6 novembro de 2001. As
suspeitas do Minist6rio Publico federal au-
mentaram quando ele observou que uma clau-
sula do convenio vedava a Fadesp de "qual-
quer divulgacio dos estudos" at6 a expedi-
qgo da licenca pr6via da obra. O que implicava
na limitacao da autonomia cientifica da funda-
cgo e no cerceamento do debate public.
Se a Eletronorte nao conseguir desfazer
os arguments do MP, que convenceram o
juiz federal a atende-lo liminarmente, sem se-
quer ouvir a outra parte, o Eia-Rima tera que
serreiniciado por inteiro, o tempo ja gasto tera
sido perdido (a empresa esperava apresentar
o trabalho neste m6s) e quase quatro milhoes
de reais terao sido desperdiqados. Talvez a
Eletronorte nem mesmo consiga se favorecer
do clima emotional do pais,ja que mesmo cor
seu seu atual cronograma, irrealisticamente
apertado, a primeira maquina da usina s6 en-
trara em operaqao em 2007. Ja entao, outras
alternatives de soluqgo para o atual deficit
energetico brasileiro terao sido encontradas.
O preco a ser pago por tantos e tao prima-
rios erros, contudo, talvez ajudem a modificar
o perfil da Eletronorte, que os procuradores
diagnosticaram como autoritario, e de outras
assemelhadas nessa desatenq~o, minimizaqio
ou desprezo pelas normas ecol6gicas. Perfil
de uma empresa que continue a encarar as
aguas de um rio exclusivamente como fonte
de energia mecanica- e nada mais. Algo ante-
diluviano no mundo contemporaneo e um des-
prop6sito no cenario amaz6nico.











Operaqao
O que os grupos Lider e Big Ben tanto
tmr a esconder que os tornam suscetiveis a /
chantagem?
E o que qualquer cidadao deve se pergun-
tar ao deparar com farta publicidade das duas
empresas nas paginas do Jornal Popular. A
publicagAo e de baixa tiragem e nenhuma cre-
dibilidade. Trata-se de um tipicojomalismo de .
escroqueria. Quem la anuncia nao ter a inten-
gao de corn essa iniciativa aumentar o fatura-
mento. Mas deve ter alguma pratica inconfes-
savel, algum pecado que nto Ihe convem ver
abordado. Sera sonegaqgo fiscal? Sera super-
faturamento de preqos? Ou, quem sabe, ori-
gem ilicita de capital? Iho ditado popular sobre
Quando um patrocinio empresarial fo- tivas de domesticadao da
menta sujeira, o material fetido espalhado sa. O medico e atacado pe
pode alcangar qualquer um, inclusive quem dor maquiavelico pela cri
o despeja. Pode ser que essas duas empre- da. O chantagista e insaci
sas queiram patrocinar os metodos de cali- Os amigos insisted pa
nia, injiiria e difama go que a gangue do mdo essa nojeira impress
Jornal Popular adota contra os incautos, os tnm razdo: nao ha a mais re
que tnm a temer e os obliquos, aqueles ga- no que ali se public. Ojo
tos pardos que deambulam por teto de zin- gazua para intimidar as pe
co quente em noites escuras. saquear as que nao sao c
Ha muitos numeros a maior vitima desses ao achaque. Nao adianta t
esquartejadores da honra alheia tem sido a to racional cor esse tipo
familiar Maiorana. Uma s6rdida montagem, mana. E malhar em ferro fi
queja teve sua origem numa talentosa mente nao me sentiria bem corn a
fronteiriqa, langa lama sobre a sagrada priva- se um estranho a Belem, c
cidade dos donos do grupo Liberal. O Lider e ro, me cobrar sobre o que
a Big Ben aprovam e sancionam esse jorna- essa animalidade travesti
lismo de pocilga? E essa forma de acerto de eu nada puder responder.
contas de sarjeta que desejam promover ma mais torpe de vilania.
quando cedem descomunal espaqo publici- 0 Jornal Popular e m
trio, nao numa rela~go commercial normal, de- imprensa marrom. Os tabl6
limitada pela boa tecnica mercadol6gica, mas exemplo, invariavelmente 1
rum acerto promiscuo, que nivela o chanta- delo para esse tipo de publ
geado ao chantageador, o corruptor ao cor- tro para analisa-la, cultiva
rupto, o criminoso ao coonestador? xericocom competenciapr
Ja esta na hora de cobrar a responsabili- redacges ha jornalistas qu
dade social de empresas que se interessam afinco as investigac6es. \
apenas pela preservaqao dos seus interes- das pessoas famosas, rev
ses, inclusive os ilegitimos ou ilicitos, e se mulado a porta dos locais
lixam para os danos coletivos dessa attitude mente inventam e erram p
irresponsavel. O Jornal Popular nio teria se privacidade das pessoas qi
estabelecido em Belem se Helio Gueiros, quan- sonalidades mundiais ou I
do governador, nito Ihe tivesse aberto os co- qio a que nio escapa a
fres do erario estadual e, depois, a verba pu- humans. Na Inglaterra, a
blicitaria municipal de Belem. O journal nio neira de os plebeus penetr
teria continuado miseravelmente vivo se essa realeza e da nobreza, levan
leviandade corn dinheiro:publico nao fosse narquia desacreditada em
seguida por Jader Barbalho, Almir Gabriel e gares fora da ilha da p6rfid;
Edmilson Rodrigues. fung~o social.
Hoje, todos eles sentem as mordidas da Mas essa coisa s6rdid
cobra. Mas foram os que criaram-na. A sedu- Popular s6 serve para m<
gao do poder, e a busca do poder absolute, qualificadasefomecerumc
combinada cor vaidades desmedidas, fize- sima qualidade para abaste
ram esses homes publicos esquecer o ve- pidas. Ali, 10% sao verda


limpeza


desastradas tenta-
serpente veneno-
lo monstro, o cria-
atura descontrola-
avel.
ra que eu large de
a. Pela fria 16gica,
emota boa intenq~o
rnal e usado como
ssoas inc6modas e
:apazes de resistir
entar um confron-
de deformagito hu-
io, admito. Mas eu
minha consci&ncia
)u alguem no futu-
fiz para combater
da de jornalismo e
A omissto e a for-

uito pior do que a
ides londrinos, por
tomados como mo-
icaiao ou parame-
m a fofoca e o me-
ofissional. Em suas
e se dedicam corn
tisam as entranhas
olvem o lixo acu-
celebres, mas rara-
pouco. Penetrar na
ie se tornaram per-
ocais e uma tenta-
maioria dos series
fofoca e uma ma-
arem no mundo da
do a serio uma mo-
quase todos os lu-
a Albion. Ter uma

a chamada Jornal
anter pessoas des-
:ombustivel de pes-
cer mentes corrom-
de, 20% sao meia-


verdade e 70% sao invenqio pura, como os
relates de um intemauta espiAo infiltrado em
ambientes fechados da familiar Maiorana,
transformada em peqa de ficqio para prevenir
mais processes judiciais, que sempre recaem
nio no dono daquela birosca de letras, mas
no falso redator-chefe (que, a prop6sito, nem
incomodado & pela delegacia do Ministerio do
Trabalho, embora sua situaqito illegal ja tenha
sido denunciada ao 6rgAo pelo sindicato dos
joralistas; o que impede a DRT de cumprir o
seu dever? Serio motives assemelhados aos
dos Rodrigues e dos Aguillera?).
O perigo e a meia-verdade, capaz de en-
ganar aqueles poucos e pobres inocentes que
ainda l1em o journal (a maior parte de sua re-
duzida tiragem, enormemente distant dos 10
mil exemplares trombeteados, e distribuida
gratuitamente para similar amplitude). Na
ultima edigao, o valhacouto mais uma vez ten-
ta me intimidar, com o ramerrio de sempre.
Primeiro, me chamando de veado. Depois, for-
qando a viola~io da mem6ria do meu pai. E,
finalmente, dizendo (de novo) que me vendi
a Jader Barbalho. Prova disso seria a publi-
caq~o de "varios artigos assinados" meus
que o Diario do Para teria publicado.
Ojornal do senador do PMDB publicou
um inico artigo meu. Nao o escrevi para a
publicaito, mas para o journal eletr6nico da
agencia de noticias de O Estado de S. Pau-
lo, onde tenho uma coluna semanal sobre a
Amaz6nia. O Di6rio comprou a materia dire-
tamente da Agencia Estado, sem meu co-
nhecimento, que nem era necessario porque
qualquer um pode se habilitar a receber o
material. O problema e que o Dicrio nio deu
o credito da origem do artigo, condiiao exi-
gida pela ag&ncia e por mim cobrada. Foi
esse o 6nico artigo publicado ate agora. Se
o journal reproduzir os demais, nio havera
nenhum problema, desde que as regras de
publica9io sejam seguidas.
At6 pessoas que eu supunha term discer-
nimento vieram me perguntar se eu havia sido
contratado pelo journal do presideI @
do. Para elas e as outras em igual situaqao, esta
feito o esclarecimento. Para toda a sociedade
paraense, fa9o eu o repto: esse Jornal Popularl
represent algum de seus segments? Ter al-
gum tipo de utilidade para a causa public?
Alem dos Rodrigues, dos Aguillera e dos de-
mais que la aplicam seu dinheiro, sabendo que
o retorno commercial & zero, se lixando para os
dramas pessoais que estio induzindo, alguem
se identifica com a publicaqAo?
Caso todas as perguntas tenham respos-
ta positive, ja esta na hora de retirar o oxig&-
nio artificial do tubo de alimentagao desse
paciente terminal e deixar que ele se extinga
em sua pr6pria lama. Ou no outro tipo de ali-
mento, ainda mais fetido e nojento, do qual
se vale para vegetar. E que o define, como
aos seus patrons e padrinhos.


Journal Pessoal
Editor: Luco Flvco Pnrilo Fones: (091) :23 7690, 241 428- e 261 4827 Contato: Tv Benjamin Conslar 845 2103
66.053-040 e-mail: jornal@amazon.com.br Produg o: Angelim Pinto Ediq;o de Arte: Luizanioniooelarapinlo