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;LI JOmTl CeSSOR LUIjC O F LAV O P N T O ANO XIV NP 260 1. QUINZENA DE JUNHO DE 2001 RS 2,00 POLITI CA Caminhos do future Se nd~o bd' horizonte para fader Barbalbo na poli'tica national, principalmente de~pois qule ele de~ixar a preside~ncia do Senado, sura posigdo ainda e o principal elem~ento de de~finigdo da dispurta pelo poder no Parai. ~El tentarai se~r governador do Estado pela terceira vez oul renovar seue atulal m~andato? Da resposta dependem outras vanavelis. E o estado de coisas na poli'tica paraense. mento da opiniio puiblica, da imprensa e dos seus pares, aliados e adversarios ao long das proximas semanas. E, natural- mente, dompr6prio JdareBta ea abese sua passage pela presidencia do Sena- do sera mete6rica e desastrosa, ou se ele conseguira concluir seu mandate. As fontes mais prbximas do senador garan- tem que ele nio renunciara jamais. Em nenhuma outra instincia do poder esse tp~o de garontiaeesta a uaimente mais dus- dado a considerar. Jader esta disposto a continuar enfrentando a frente poderosa contraria. D~epois de Roberto Arruda e Jader Barbalho e a bola da vez no Sermdo S formulsa~ga te ao chefe do poder legislativo national. A intensidade do questionamento agravara sua situaqio, dependendo do comporta- 2 JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DEJUNHO/ 2001 Essa avalanche poderia crescer utilizan- do um atalho que foi fatal para Luiz Este- vio, Arruda e ACM: o decor parlamentar. Apesar de todas as denuncias feitas contra Jader ate agora, nenhuma permit tecnica- mente a caracteriza~go de quebra do deco- ro parlamentar, que o faria trilhar para o cadafalso atrav~s da comissio de etica. S6 um ato de vontade, qune depend da corre- lagio political, pode faz&-lo entrar forgada- mente nesse corredor fatal. A falta dessa circunstancia, um tanto imprevisivel a partir de agora (muitos dos elements estio escondidos em escaninhos privilegiados), Jader tera que continuar a ser processado judicialmente, em procedi- mentos ja instaurados e que avangam a pas- so de cagado, ou em novas iniciativas, como a que o Ministerio Puiblico do Para final- mente adotou. Tais aq6es chegario ao fim antes do termino do mandate do president do Senado, um significativo instrument de poder que Barbalho tem em suas mios para cuidar da pr6pria cabega? Ele tentara preservar a qualquer custo essa prerrogativa, que o torna interlocutor necessario nos atos do poder brasileiro. Mas parece fora de drivida que, ao final do bie- nio como president, Jader tera pouco mais do que o pr6prio mandate. Pesa sobre qual- quer outra aspiraqio sua um estigma que se tornou pesado demais para que possa se beneficiary da desmem6ria national. Jader devera voltar a condi~go anterior ao tiroteio com ACM: um politico estadual. Em 2002 Jader Barbalho ainda tera uma op~go relativamente tranqiiila: poder esco- lher entire voltar a tentar ser governador do Para (pela terceira vez) ou senador da re- p~iblica (pela segunda vez). Em qualquer das alternatives, ainda e, a despeito do seu enor- me desgaste national, o candidate favori- to. It o resultado das pesquisas que vim sendo feitas informalmente, inclusive pelo governor do Estado, que ve com preocupa- ~go os indices inferiores dos nomes com os quais conta dentro da coligaCio situaci- onista (o PT co segundo colocado). Todos, indistintamente, admitem que e muito cedo para qualquer progn6stico so- bre como se dara a corrida eleitoral e o seu desfecho, dentro de menos de um ano e meio. Ha, em primeiro lugar, os condicio- namentos da political national, impondera- veis por varios fatores, alguns politicos mesmo, como os desempenhos de inimi- gos do Palacio do Planalto (Itamar Franco, ACM, Ciro Gomes e Lula), e outros mais palpaveis e materials, como a crise da ener- gia e seus desdobramentos econ~micos. Independentemente desses fatores, po- rim, as pedras no tabuleiro da political para- Mas, se acontecer, como ele acontecera? Por se tratar ainda de um mero exercicio de imaginaqio, tudo e plausivel. Menos o candi- dato a governador por tal coalizio ser o se- cretario especial Simio Jatene. Jatene signifi- ca o prolongamento do almirismo, para cuja empada Jader niopretende adicionar sua azei- tona. Como ele nio tem um candidate de ex- pressio eleitoral vitoriosa no PMDB, aopp~o seria o vice de Almir, Hildegardo Nunes, cada vez mais um indesejado no ninho tucano. Mesmo que os almiristas pr6,-Jatene fa- lem nos bastidores horrores de Hildegardo, de publico o que o governador podera dizer contra seu vice, que nio lhe deu qualquer dos enormes e cabeludos problems do an- tecessor, Helio Gueiros Juinior? Que o vice tem perfil cada vez mais favoravel do que o de Jatene e o do outro candidate a candida- to, Nilson Pinto? Almir Gabriel estara dis- posto a renunciar aos seus projetos de po- der? Saira para a dispute senatorial, nela encerrando sua carreira political? Talvez os personagens queiram se pou- par de tais perguntas. O problema e que, ao rejeita-las, formula automaticamente ou- tras indagagdes. Por exemplo: vedado o caminho de acesso de Hildegardo a candi- datura da coliga~go official, estara aberta a via de aproximaqio com o PMDB? Fontes pr6ximas ao vice nio responded, mas ar- gumentam que se isso ocorrer Jader estara quitando a divida com o pai do provavel candidate, o coronel Alacid Nunes, que contribuiu decisivamente para o primeiro mandate de governador de Barbalho (e, depois, foi descartado). Mas qual sera a credencial de Hilde- gardo para essa alianga temeraria? Ele nio tem uma posi~go de mando no seu parti- do, o PTB, controlado pelos Kayath. Pai e filho podem desfazer um compromisso e assumir outro, deixando o vice na mio caso decide enfrentar a ma-vontade do go- vernador. Qual o outro partido disponivel? O mais credenciado e o PFL. Um s6 PFL? O PFL de He~lio Gueiros? O de Vic Pires Franco? Ngo se sabe. Apesar de tantos desmentidos, F >rem, o que se sabe e de muita conversa~go. Envolvendo, inclusi- ve, o senador do governador, Luiz Otivio Campos, ainda sem partido. Mas dialogan- do com todos, ate com o do seu arquiini- migo (ex?) Jader Barbalho. Por isso, apesar da repulsa national ao president do Senado, ele ainda 6 o vertice de todas as linhas projetadas sobre as espe- culaq~es que levam ao poder no Para. Tan- to pelo que fard como pelo que nio fara. Pelo que diecidir e nio decidir. O que serve de parlimetro para medir em que nivel se encontra a political paraense. ense se mexer~io conforme o destiny de Ja- der Barbalho. Desde que ndo seja cassado ou nio surjam esciindalos mais cabulosos do que os ja revelados, ele dificilmente dei- xara de renovar o seu mandate senatorial. Basta n9o perder a estrutura que montou no interior do Estado no ano passado, com as vitbrias municipals alcangadas pelo PMDB, que superou todos os concorrentes, Come que Jader conseguiu essa faga- nha? Alem da sua indesmentivel habilidade para fazer political (e sobreviver), ele se be- neficiou do alheamento do governador Al- mir Gabriel, que se ausentou do interior para se concentrar na capital (talvez preparando a volta a prefeitura de Belem, em 2004). Mas tambem se valeu de longos bragos da administration federal, gragas a possibilida- de de acesso ao gabinete do president Fer- nando Henrique Cardoso e, dai, aos minis- terios e suas dependencias, como a des- bragada Sudam. Na condi~go de president do Senado, e provavel que, a despeito das aparancias em contrario, Jader continue se beneficiando das gentilezas presidenciais. Se isso ocorrer, sera o bastante para asse- gurar a reelei~go. Por que, entio, ele iria se expor e se ar- riscar como candidate a governador, fechan- do a porta a uma alianga explicit com o tu- canato e satelites? Os que apostam em Jader senador em 2002 dio pronta resposta a essa pergunta, por varios motives, inclusive o de uma alianga ampla. Mas fica faltando um element: se os superpoderes de Barbalho acabam com o fim da chefia do poder le- gislativo, o que ele podera oferecer depois aos politicos paraenses e seus cabos eleito- rais? Qual a garantia de perenidade nesse acordo, nessa com perdio da palavra - parceria? Jader podera ser senador ficil se costurar um acordo comn Almir. Mas, tal- vez, nada mais depois. E ojaderismo difi- cilmente subsistird a esse arranjo. JOURNAL PESSOAL *la QUINZENA DEJUNHO/ 2001 3 Enquanto a parte mais rica e populosa do Brasil vive os problems e a tensio provoca- dos pela estiagem, com a ameaga de colapso no fornecimento de energia, para quem mora em tr~s municipios paraenses nas margens do maior rio do mundo a situaqio e exatamente inversa: o risco veio com o aumento das chu- vas e do volume das aguas do Amazonas. Na semana passada, a prefeitura de Obi- dos jogou a bandeira branca: admitiu ter che- gado "ao limited maximo a capacidade de res- posta aos desastres", que ocorreram no muni- cipio por causa da cheia e das chuvas, pedin- do ajuda ao Estado para enfrenta-los. Monte Alegre e Prainha tiveram a mesma attitude. O estado de emergencia foi homologado pelo governador Almir Gabriel. Quase tr~s mil fami- lias estlio em areas consideradas de risco. Nesta semana a Defesa Civil distribuiu cestas basicas a essas families. Mas as perspectives ja pareciam melhores: o Amazonas comegou a baixar e as chuvas a enfraquecer, Metade do cais de O~bidos, important elo do transport na regitio, desmoronou, levado pela enxurrada das chuvas. E nesse trecho que o rio Amazonas mais se estreita. Niio tem mais do que dois quil~metros de largura, quando, em certos pontos, se espraia por area 30 a 40 vezes maior. Em compensa~gio, sua profundi- dade varia, em frente ao porto de Obidos, en- tre 80 e 100 metros. Comprimidas, as aguas cavam o leito, aprofundando-o. Em media, a descarga do Amazonas supe- ra 200 milhdes de litros de agua por segundo. E 20 vezes a vazlio do Tocantins, que aciona as turbines da segunda maior hidreletrica do pais, a de Tucurui. Se uma barragem fosse construida em Obidos, seria possivel gerar energia equivalent a oito usinas de Itaipu, a maior do Brasil ou 100 milhbes de quilowatts. Na decada de 60, o futurologo Herman Kahn, com seu Hudson Institute, de Nova York, patrocinou a ideia de construir ali uma barragem de baixa queda para produzir ener- gia. Mas a ideia se mostrou inviavel. Alguns critics chegaram a levantar a hip6tese de que o reservatorio dessa monumental barragem alteraria o equilibrio do planet, tal o peso da agua que iria acumular. A variaglio do nivel do rio pode ser equiva- lente a altura de um predio de 6 a 7 andares, entire o augre do vlelio e o pique do "inverno". nas (numa epoca chove mais; na outra, menos). A partir de fevereiro ou margo, as aguas comegam a transbordar do seu leito normal e a avangar sobre as areas marginais. As Aguas ainda cres- cem ate junho ou julho, quando comega o cilo da vazante, prolongando-se pelos seis meses seguintes. Ha varios anos nio ocorre no Baixo Amazo- nas uma cheia excepcional, como as de 1953 e 1976, duas das maiores doseculo passado. Quan- do isso ocorre, o rio Amazonas amplia o seu leito para uma largura superior a 200 quili~metros, to- cando em pontos extremes, quando comegam as "terras altas", no sentido do Planalto das Guianas ao norte e do Planalto Central ao sul. O espetacu- lo desse oceano interior choca e fascina. Ha um lado assustador, da pri~pria violin- cia das aguas, que, ao alcangar sua desembo- cadura, costumam penetrar dezenas de quil6- metros no Oceano Atlantico e langar ricos se- dimentos carregados em suspensio muito alem, ate a costa da Flbrida. Casas submersas, pastagens e cultivos agricolas inundados e milhares de pessoas desabrigadas (e apresen- tadas a opinitio piblica como flageladas) cons- tituem motive para explora~glo pela "indlistria da cheia". E uma pratica sazonal de obter aju- da de emerg~ncia para socorrer os prejudica- dos, renegociar emprestimos e obter cre~ditos favorecidos, enquanto uma filantropia de oca- sitio produz rendimentos politicos. O problema, evidentemente, existe quando as pessoas sho surpreendidas pela velocidade e o avango das aguas encrespadas. Poderia ser mini- mizado por previs~es bem feitas, em tempo real e comn projeq~es, sustentadas em informaq~es ob- tidas atraves de satelites. Mas sempre as autori- dades precisam estar atentas: tanto para minimi- zar os danos reais como paratexpurgar as manipu- laqbes. Esse eo element conjuntural do proble- ma. O component estrutural e de que, enquanto houver cheias, isso significara que as varzeas con- tinuariio a ser as terras mais fe~rteis da Amazinia e do mundo. Grandes cheiastamnbetmsignificam que areas ovas etilo sendo fertilizadas. Ciente disso, na decada de 40 um grande personagem da hist6ria recent da regitio, ? - Felisberto Camargo, tentou ordenar e con- trolar essa adubaqio natural, conduzindo os nutrients arrastados pelo Amazonas des- de a cordilheira dos Andes, onde estio as suas nascentes, por canals artificiais que iri- am fazer a colmatagem nas margens do Lago Grande de Monte Alegre. Ail, O Instituto Agron~mico do Norte (hoje Embrapa) mon- tou um experiment, de cujo sucesso resul- taria a terra mais fertil do planet. Mas o rio contrariou o desejo de Camargo, destruiu seus canals e formou uma baia onde deveria surgir o eden amazo~nico. Tres decadas depois uma outra figure ex- ctntrica da abertura da fronteira amazo~nica, o milionario americano Daniel Ludwig, ten- tou, com outra abordagem e metodos opos- tos, former na margem esquerda do Amazo- nas, as proximidades de sua foz, o mais pro- dutivo de todos os plantios de arroz, com tres safras por ano. Tambem fracassou. No entanto, e um erro deduzir dessas experienci- as a conclusio apressada de que o rio e sel- vagem demais para se amoldar a domestici- dade produtiva do home. A conclustio cer- ta e inversa: o home e que nito se tem apli- cado suficientemente no seu trato. O Amazonas e: um desaflo que parece ter perdido prioridade e interesse real por detras do glamour do marketing. As frentes pioneiras avangam abrindo estradas nas terras altas, uma regitio desconhecida que parece fadada a ja- mais ser adequadamente revelada porque e des- truida antes que o home possa observa-la e estuda-la em sua condi~go natural. Um avango tilo selvagem que, em quatro de~cadas, o indice de destruigilo da floresta pulou de 1% para 17%. Nessas zonas avangadas o home que des- tr6i enfrenta o proprio home que tenta cons- truir, enquanto os 150 mil quilo~metros quadra- dos de varzeas marginais ao Amazonas, a terra primitive da regitio e sua paisagem mais tipica, slio esquecidos. Ninguem parecer ter dado aten- glio a decretaglio da situa~gio de emergencia nos trts municipios paraenses, nem se preocu- pado comn o sinal das aguas, que, como no ciclo recent, parecem se acomodar em niveis bem abaixo das medigaes mais graves de ate tres decadas atrais. Melhor para quem mora na area nito receber o impact das cheias excepcionais. Sem a calamidade pliblica e os flagelados, po- r~m. o rio ~cntinuan n o me-recor a atengao~ qlue O sinal das aguas 4 JOURNAL PESSOAL lQUINZENA DEJU~NHO/2001 ~I ~ ~ IL 1II__~~ arlos Drummond de Andrade e a Companhia Vale do Rio Doce nasce- Gram em Itabira, Minas Gerais. A CVRD esta no Para ha 32 anos. Na semana passada, ela patrocinou a incorporaqio ao pa- triminio paraense das primeiras ediqbes, edi- gies especiais e ediqdes autografadas daque- le que e considerado o maior poeta brasileiro. Livros hoje raros de Drummond slio alguns dos quase cinco mil volumes qlue constituem a biblioteca de Haroldo Maranhilo, talvez o maior escritor vivo do Para, o de mais forte presenga nas letras nacionais de hoje. Esse rico acervo, que estava no Rio de Janeiro, terra de ado~gio do escritor ha quase 40 anos, tornou- se paraense por 150 mil re- ais, pagos pela CVRD. Alem dos livros, que incluem edi- 95es preciosas do seculo ~S~B~~SSXVII(como OsLusiadas,de Camies) e XVIII, uma amostra do conjunto da li- teratura brasileira, diciona- rios e quase todo o moder- rl~dg~lii~snismo, a transaglio incluiu obras de arte e o arquivo pessoal do escritor. Quando todo esse ma- terial tiver sido tratado para consult externa, a Bibliote- ca Puiblica do Para se torna- ra uma referencia national. Em primeiro lugar, em literature modernista. Ninguem podera se tornar um especialista no tema sem passar pelas ediq~es principles que ali estario armazenadas. Os dicionarios que Haroldo utilizou com a maestria de um profun- do conhecedor da lingua (ou das linguas, como ele diz: a portuguesa de Portugal, a por- tuguesa do Brasil e a paraense) estadio a dis- posi~go de quem queira se aventurar nas sa- gas do vernaculo. E agora a literature portu- guesa, da qual era intimo, pode voltar a ser cultivada entire n6s. O Para tambem esta novamente de posse de um dos mais fins trabalhos executados por Benedito Mello: o retrato de Paulo Mara- nhilo, o terrivel donor da Folha do Norte, avo de Haroldo. Desde a primeira vez que a vi, essa tela me provocou uma associaqilo imediata com o av6, de Hans Castorp, o principal persona- gem de A Montanha Magica. O detalhismo narrative da pena de Thomas Mann, escul- pindo a figure senatorial do pr6prio pai sob outra designaqio, foi seguido com pinceis por esse grande Benedito Mello (que, alias, nio devia estar confinado numa galeria lateral de arte, por mais bem instalada que ela seja) ao captar a expressilo agreste de Paulo Mara- nhilo. E pega para uma antologia do retrato. Quando chegar o memento, da correspon- dencia travada entire Haroldo e Benedito Nu- nes saira a hist6ria intellectual do Para, princi- palmente entire as decadas de 30 e 60, pela otica de duas intelig~ncias sensiveis e rigoro- sas. As possibilidades de utilizaqilo de todo o material sho enormes. Provavelmente, nenhu- ma outra pessoa viva tem tantas hist6rias para contar sobre a cultural brasileira quanto Harol- do. E sobre as coisas da Amazo~nia. Depois de ter escrito Cabelos no cor-agdo, ainda nilo adequadamente avaliado pela criti- ca brasileira, ele pretend passar da ficqilo para a hist6ria na reconstituigio da personalidade e dos feitos de Felipe Patroni, um dos mais ricos personagens da historia paraense. Mes- mo sendo romance, Cabelos no Coragdoj ja ea melhor referencia sobre o introdutor da impren- sa no Estado. Agora que proporcionou essa important conquista, a Vale do Rio Doce podia consoli- da-la e multiplica-la adquirindo as bibliotecas de Francisco Paulo Mendes e Machado Coe- lho, hoje fundidas na residincia do segundo, na promessa de ser aberta a consult puiblica quando uma fundaglio gerir o acervo. Reuni- das as tras bibliotecas dos trts grandes ami- gos, com niio menos do qlue 20 mil volumes valiosos, a prometida Sala Haroldo Maranhilo poderia evoluir para um predio pri~prio, de valor histbrico, gerando o Centro de Referin- cia da Cultura da Amazonia, uma institui~go de reconhecimento international, que passa- ria a atrair o interesse e a produ~gio de amazo- nblogos de todo o mundo. Assim, um memento de coincid~ncia como o da semana passada, bem lembrada pelo presi- dente da CVRD, o intellectual Jorio Dauster, po- deria ir alem do acaso e se tornar um projeto capaz de reforgar o compromisso de nilo permi- tir que onde o Para e a Vale estlio irmanados, nas montanhas de Carajas, surja uma Itabira que venha a se tornar um dolorido retrato na parede, como o do poema do maior de todos os itabiranos, Carlos Drummond de Andrade. chados, que se apoderam das in- formaqbes e privam sua circula- glio pela opiniio publica. S6 quando poderosos brigam essas informagies, escapando ao seu control, slio partilhadas. Fre- qilentemente, elas apenas slio in- sinuadas, como um jogador de poquer faz para intimidar o ad- versario. Para o bem de todos e felicidade geral da na~gio, os ACM da vida puiblica brasileira precisam ser destronados. Quem tem que decidir e quem paga a conta. O povo, sempre. ~ i` A nossa Itabira sem chantagem A queda de Antinio Carlos Magalhiles, mesmo que nito seja definitive, contribuira para uma boa moral piiblica, segundo a qual a chantagem political pode nito dar certo. ACM elevou essa velha pratica da political brasilei- ra, present em quase todas as relagdes humans, ao nivel da eficiencia maxima. Como desta- cou um observador politico, na maioria dos confrontos o ca- cique baiano venceu por WO. Apresentou-se ao rin- gue. O adversario, intimida- do na vespera, sobretudo pelos dossies de Antinio Carlos (quase sempre, cava- los de Tr6ia ao azeite de dende), fugia. Vencia a chantagem, edulcorada com outro nome. A lista de votaglio da sessito do Senado em que Luiz Esteviio foi cassado se- ria outra arma de chantagem para ACM. Insensibilizado pela retina de vit6rias obti- das sem precisar jogar, po- rem, ele superestimou sua forga e minimizou as cir- cunstancias. As duas prin- cipais eram sua desmedida arrogancia no trato comn um president da repuiblica que se encolhia diante do trombetea- do fact6tum, mas ja havia trans- posto o maximo de humilhaptio, e o confront comn um adversario que imaginou pulverizar, o para- ense Jader Barbalho, encurrala- do num canto onde s6 lhe era ofe- recida a humilha~go. Impedido de ganhar pelos metodos antigos, ACM perdeu o sensor do realismo e da oportuni- dade. Iniciou uma aposta suici- da, cego por aquela ira que cos- tuma esperar os despostas numa esquina imprevista da hist6ria. Um resto de bom sensor o teria advertido de que a relaglio de be- neficio da lista em relaqilo ao cus- to do seu risco nito era favoravel. Mas quem imagine tudo poder niio esta disposto a conceder nem a 16gica e nem ao bom sensor. O insucesso de ACM pode abrir os olhos da sociedade para esse jogo viciado da elite, trava- do em ambientes exclusives e fe- JOURNAL PESSOAL *la QUINZENA DEJUNHO/ 2001 5 De pouco mais de 1,2 bilhio de reais que constituiam o saido de dep6sitos do Banco da Amazinia no final do ano passado, 44,3% haviam sido captados no mercado e apenas 27,3% eram recursos institucionais, o FNO o Finam. Foi a primeira vez, em toda a sua hist6- ria, que o Basa teve num exercicio um compor- tamento tipico de banco, deixando de ser um mero agent do governor federal, repassando recursos de funds estatais. Em 1998, o dinheiro que chegou aos co- fres do Basa atraves do FNO (Fundo Consti- tucional do Norte, formado por 0,6% da re- ceita tributaria da Uniio) e do Finam (Fundo de Investimentos da Amaz~nia, resultante de dedug8es do imposto de renda para a cola- boraqio financeira a projetos incentivados pela ex-Sudam, hoje Agencia de Desenvolvi- mento da Amazinia) representou 45,1%, en- quanto os dep6sitos via mercado ficaram em 25,4%. No ano passado essas posiqdes pra- ticamente se inverteram. Mais do que isso: pela primeira vez em quase 60 anos, as trans- fer~ncias feitas pela administration federal foram superadas pe los recursos que o banco captou junto ao puiblico. A faganha devia ser comemorada. Ela es- taria indicando que o Basa ja e capaz de ca- minhar com suas pr6prias pernas, indepen- dentemente do que o seu principal acionista, o governor, decidir sobre o seu future. Com certeza nio e exatamente assim, mas e nessa dire~go que o 6nico banco federal da region esta caminhando. Ser o brago financeiro do governor central, desempe- nhando sua fungo vital de banco de desenvolvimento da Amnazi~nia, ainda the imp~e custos, que sua receita, pro- porcionada pela face de ban- co multiplo, ainda nio e ca- paz de suportar. Mas ja ago- ra parece possivel fazer ho- nesta e conseqilentemente a pergunta: n9o sera possivel conciliar as duas funqdes em uma mesma estrutura? Uma resposta para valer exigira~mais algum tempo por- que a nova ossatura do Basa ainda esta em formaqio. Os encargos do FNO, por exem- plo, ainda superam o patrim6- nio liquid do banco. Um ca- taclismo financeiro, exigindo cobertura imedia- ta, demandaria uma liquidez que o banco nio tem. Mas os balangos apresentados nos ulti- mos cinco anos mostram a evolu~go excepcio- nal do Basa. Sgo nuimeros que atestam o sane- amento das irregularidades operacionais e con- tabeis do passado e a montagem de um orga- nismo sadio. Analisar esses dados e confronta-los com as praticas correntes da institui~go, depois de uma visit a sua sede e uma conversa com alguns membros da sua diretoria, result na constata~go de que o Banco da Amaz~nia esta bem pr6ximo de se consolidar como um banco muiltiplo. Sem precisar deixar de buscar sua missio de fomento numa regiso tio carente como a amazinica. O brago de fomento age satisfatoriamente atraves de duas carteiras. Com o FNO, o banco foi aberto para o micro, o pequeno e o medio produtor, nio s6 para as tradicionais (e freqilen- temente nefastas) operaqdes de financiamento a pecuaria eag monocultura. 0 prospect de clien- tes se diversificou muito e ate a linguagem e outra. O Basa nio reflete apenas as elites tradici- onais: ja e freqilentado por pessoas aninimas, provavelmente mais rentaveis. Essa nova mo- dalidade de rela~go representou (e ainda repre- senta, em dosagem decrescente) um risco de inadimplencia ou de atendimento insuficiente. Mas medidas de corre~go (que oneraram bastante o banco, em sua condigio de man- tenedor do fundo) e maior audacia mudaram a natureza do problema, permitindo que as operaq~es batessem o record em 2000 e o saldo acumulado, que punha em cheque a capacidade operacional do banco, fosse in- tegralmente raspado. No atual exercicio o pro- blema sera o oposto: sobrario pedidos e es- casseario recursos. Uma forma de enfrentar a situaqio e tentar aumentar a parcela da Amazi~nia (0,6%) no total da dedu~go cons- titucional (de 3%), reduzindo a do Nordeste (de 1,8%) ou ampliando para 4% o que cabe as regimes menos desenvolvidas do pais. A outra, gerencialmente de grande expresso, e administrar a carincia, apertando os para- fusos e tapando os vazamentos. Em rela~go ao Finam, continue sustentan- do ser despropositado incluir o BNDES no cir- cuito de analise dos projetos que pleiteiam a colaboraqio financeira dos incentives fiscais. Ngo apenas o Basa e a instancia adequada para executar esse trabalho, como toda apoli- tica de incentives fiscais, da analise a aprova- Cgo de projetos, deveria passar para o banco. Para a ex-Sudam deveriam ser transferidas as atividades de planejamento, de verificaqio da consistencia dos projetos, avaliaqio dos seus impacts maiores e gerais, adequaeio as poli- ticas puiblicas, definigio das obras de infraestrutura e projetos cientificos. Se ainda falta consoli- dar varias das conquistas alcangadas e corrigir erros e desajustes, trabalho que pode e deve ser feito atra- ves do dialogo com a soci- edade, pelo menos obser- vam-se avangos conside- raveis, independentemen- te da defini~go do novo modelo institutional que o Banco da Amazi~nia (e a pr6pria ADA, tio nova quanto imprecisa nos seus aprofundamentos) devera ; ter e dos rumos da tramita- 950 desse projeto. Nunca o Basa esteve tio perto da autonomia como agora. It algo que o silencio geral, numa region acostumada apenas a la- mentar perdas e derrotas, nio justifica. Basa: enfim, uma perspective 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DEJUNHO/ 2001 Se ainda estivesse vivo, Paulo Plinio Baker de Abreu completaria 80 anos neste l' de ju- nho de 2001. Mas no pr~ximo dia 5 de setem- bro ele ja tera 42 anos de morto. Plinio viveu apenas 38 anos, entire 1921 e 1959. Nio publi- cou um unico livro. Mas seus poemas, espa- lhados por revistas e jornais de Belem, estio entire os melhores que ja foram escritos entire n6s. Com uma dicq~o diferente e um acento original, resultado de uma influ~ncia ate entio (mnica, da poesia alemli, sobretudo de Rainer Maria Rilke, e de uma introspecq8o inusual entire os habitantes de Santa Maria de Belem do Grlio Para, a cidade de muros baixos, terra de fuxicos e mexericos. Paulo Plinio Abreu, seu nome de guerra, bem que organizou um volume, Poemas, que gostaria de ter publicado. Mas o volume s6 foi impresso quase 20 anos depois, em 1978, gragas aos esforgos do professor Francisco Paulo Mendes, tambem ja falecido. Chico Mendes pegou os Poemas e aduziu-lbes tudo o qlue conseguiu coletar na imprensa e em manuscritos, escrevendo um prefatcio que, mesmo curto, ainda e o melhor guia de aproxi- maqio ao autor. Surgiu, entilo, Poesia, publi- cada pela Universidade Federal do Para. E tudo o que se tem para consult, numa ediptio pobre e defeituosa. Mas cujo doloroso parto, sutilmente reconstituido por Chico, mobilizou tres reitores: Aloysio Chaves, que teve a ideia da publicaqio; Cl6vis Malcher, "em cuja reitoria foi aprovada oficialmente a edi~go da obra"; e Aracy Barreto, que, final- mente, autorizou a publicaptio. Ha mais de 20 anos a cultural paraense clama por uma nova edi~go, revista e, se possivel, ampliada. Uma boa data seria 1998, que passou. Agora, neste 2001, os 80 anos do poeta podiam ter inspira- do os mais sensiveis. Debalde, como diria Goethe, pela boca de Egmont. Poesia tem miseras 214 paginas, muito pou- co para a obra 6mica de um poeta da enverga- dura de Paulo Plinio. Mas, dele mesmo, sio apenas 65 paginas, com 62 poemas, apenas um ocupando mais do que uma pagina (uma e meia, para ser precise). Poemas curtos, alguns claramente fragmentados, obra em progress. Na maior parte do livro esta a tradu~go que fez com Peter Paul Hilbert de A elegia de Duino, de Rilke, "estupenda", segundo o rigoroso juizo de Chico Mendes. Em mais esse detalhe, Paulo Plinio inte- gra uma geraqio singular de escritores para- enses: curto, concise, denso, substituindo a narrative (freqiientemente descambando para o verborragico) por reflexiio intense, intros- pectiva, indo e vindo de um tema recorrente: a morte. Era timido, desconflado, discrete. Gostava mesmo era de ler e lidar com livros. Confinava-se na biblioteca do entlio Institu- to Agronomico do Norte (hoje, Embrapa), organizando as prateleiras, ordenando o con- trole tecnico, traduzindo, editando. Poliglota, abriu o canal de acesso para autores ingleses, alemies, franceses e ameri- canos ate entilo interditados aos intelectuais paraoaras, desempenhando uma missito pe- dag6gica semelhante aquela que paralelamen- te Chico Mendes ja exercia e assumiria cada vez mais, e a uma agitagio cultural que Mario Faustino ampliaria. Plinio tinha o perfil da- quele tipo de pessoa com a premonigio da vida breve, por isso vivida intensamente, ain- da que para dentro. Conversou muito com seus amigos inte- lectuais, da geraqio que emergiu ap6s o de- clinio da borracha, testemunhou a maior de todas as guerras mundiais e descobriu o va- lor da liberdade quando ela acabou. Deixou uma impressio forte em todos eles com a sua erudi~go, a sua sensibilidade, os seus misterios e, sobretudo, sua poesia refinada, sofrida, melanc61ica, metafisica. Poesia que as geraqdes seguintes parecem fazer ques- tilo de ignorar, numa insensata conspiraqio do silencio, contra a qual precisamos reagir, da maneira que faria justiga a Paulo Plinio Abreu: permitindo o acesso de mais leitores aos seus poemas. Assim e que em margo iniciamam-se as discusses em torno da tematica, no foro competent para tanto, qual seja, o Conselho Universitario, 6rgilo colegi- ado maximo da institui~go, que, em que pese o replidio a iniqua legislaqilo vi- gente, que trata de forma diferenciada os diversos segments da comunidade universitairia--eis que confere aos do- centes pcso de 70% na vota~gio-, con- cluiu pela realizaCio de consult previa a comunidade, obedecendo aos criteri- os da Lei 9.192/95. Ressalte-se que, embora em nos- so entendimento pessoal a lei citada produza uma diferenciaqilo mais que assimetrica e injusta, e nosso dever de oficio encaminhar os trabalhos dentro das normas legals, eis que nto cabe a no~s, como gestores, alterar a legisla~gio, mas cumpri-la, pena de res- ponsabilidade, e, no caso em question, de ser anulado tudo o que tivesse sido realizado a margem da legislagio pelo Ministe~rio da Educapilo. A Consulta em question, e neces- sario esclarecer, nito e senjio uma fa- culdade atribuida as Universidades Federals, que a utilizam como indica- tivo dos anseios da comunidade, eis que e o colegiado maximo de cada ins- tituigao quem possui a atribui~gio de votar os nomes que comporilo a lista triplice que subsidiary a escolha dos novos ge stores pelo Ministro da edu- capilo, por delega~gio do Presidente da Repuiblica. Pois bem. Decidida a realizaqlo da consult, passamos aos atos ne- cessarios a sua implementagilo, deter- minando que a Climara de Legisla~gio e Normas do CONSUN~ claborasse as regras que a norteariam, o que foi tra- duzido no Regimento Eleitoral e na Resolu~go 601/2001. O Regimento Eleitoral foi debatido e ao final votado pelos membros do CONSUN, o mesmo nito se dando, to- davia, com a resoluglio, que o comple- mentava. E precise que se diga que as resolugbes (todas) preservam o espiri- to das decisaes do CONSUN. Come fato not6rio, os documen- tos, assinados por n6s, na qualidade de President do Conselho, traziam em seus corpos contradige~s no tocante aos crite~rios de apuragilo dos votos para o c~mputo do resultado final, qual seja, a considera~gio, ou nito, do fator de abs- tenglio. A respcito, e de Icr-se o ato declarati~rio da Camara de Legislagilo c Normas, que segue em anexo, definindo a autoria dos documents. As contradiq6es nilo foram perce- bidas antes da realizaqilo da Consulta, quer pelos candidates, que a elas se sub- meteram, quer pelos scus autores, e ncm por n6s, que os subscrevemos. Embora nito nos furtemos a respon- sabilidade pelo desenrolar lamentavel do processo, c certo que e impossivel para o Reitor que simplesmente subscreve os documents emanados da Camara de LegislaCio e Normas reter o texto regimental na mem6ria,ou mesmo des- conflar que trariam elements diferen- tes da Resolurilo, oriunda da mesma Camara, subscrita dias depois. Assim e que as injustas imputa- F~es a ni~s dirigidas durante a guerra de panfletos que se seguiu a Consulta, e ao veiculado na midia, apenas causam res- sentimentoagqueles membros da comu- nidade universitaria que ve~mdesenvol- vei a relevantes servigos para a insti- tuigilo, e imbuidos, sempre, do mais alto espirito democratic, e tanto assim o i, que hoje apraz-nos poder dizer, sem pretensito, que a UFPA e de todos, menglio esta feita pelos parlamentares de todos os partidos, do PT ao PPB. Prova inequivoca disso c a liber- dade que todos os membros da nossa equipe desfrutam para apoiar um ou outro candidate, sem que tenhamn sido afastados ou vitimados por qualquer constrangimento pela assun~gio de scu posicionamento politico no process sucessbrio. A indefiniptio do resultado, decor- rente do conflito ja citado, foi levada a apreciaqto do Poder Judiciario, atrave~s A proposition de artligo publicado n2aedigio anterior, oreitor.da Uinivers~idad e Feder~aldoParac, 0 istovam, Picango Diniz, enviou aseguintecan~a: Tivemos ci~ncia da edi~go da 29 quinzena de maio do Jornal Pessoal, no qual foi publicado editorial intitu- lado Triste Universidade, que dis- corre accrea dos fats concernentes ao processo sucesso~rio para os car- gos de Reitor e Vice-Reitor desta Ins- tituiglio Federal de Ensino Superior para o quadriianio 2001-2005. Considerando que para n6s e para a Institui~gio importa aquilo que diz V.Sa. como jornalista, e a nossa amis- tosa rela~glo pessoal, tomamos a li- berdade de oferecer uma vision mais acurada de todo o processo cleitoral, c scus reveses, que muito nos entris- tecem, tendo em vista o empenho com o qual atuamos, eu e minha equipe, em nossa gestlio, mnovidos pela fideli- dade institutional. Emn realidade, de acordo com a le- gisla~gio em vigor acerca da materia, 0 process sucessbrio deveria ter sido encerrado ate a data limited de 18 de abril do ano em cursor. 0 poeta Plinio JOURNAL PESSOAL laQUINZENA DEJUNHO/ 2001 7 Com seus 28 mil alunos, a Universidade Federal do Para se consider a segunda maior do pais. Mas esta ameagada de acabar sofren- do interven~gio federal sem que para isso te- nha praticado mais do que uma confusio ina- creditavel. Seu enredo talvez reflita a situaqlo em que se encontram parte consideravel das universidades brasileiras, assoladas por um virus para o qual deviam funcionar como anti- doto: airracionalidade. No dia 19 de junho terminal o mandate do atual reitor, Crist6vam Diniz. E provavel que ate la o nome do seu successor ainda nito este- ja definido. Mas sua vice, Telma Lobo, nio podera substitui-lo. Ela foi eleita meses de- pois dele. Seu mandate, por isso, nito coinci- de com o do reitor, que terminal antes. Pode substitui-lo em suas faltas e ausencias, mas niio sucede-lo. O cargo ficara entlio vago ate dezembro. O Ministerio da Educaglio tera que designer um reitor pro temlpore ate que as anor- malidades sejam corrigidas ou ele pr6prio as promova. Ou, quem sabe, aproveite para ficar mais tempo como interventor. Nada disso estava em perspective quan- do o Conselho Universitario se reuniu, no ini- cio do mis passado, para homologar o resul- tado da consult a comunidade. O candidate Alex Filiza de Melo havia conseguido menos de meio por cento de vantagem sobre seu prin- cipal adversario, Carlos Maneschy. Conforme a decisito anterior do conselho, o nome do vitorioso encabegaria a lista triplice a ser sub- metida aoMEC. Maneschy, pore~m, suscitou uma question: a resolu~gio eleitoral, assinada pelo reitor, nio havia sido aplicada na votagio. Nos calculos que precisaram ser feitos para a definigilo do vencedor, ponderados pelos percentuais apli- caveis a cada segment da comunidade uni- versitaria (peso de 70% para os professors, 15% para alunos e 15% para funcionarios), a resolu~gio mandava incluir a absten~gio. Mas a decision do conselho era para seguir as nor- mas anteriores da UFPA, que excluem a abs- ten~gio, como em todas as elegi~es. Em todas, exceto no process eleitoral adotado pela Universidade Federal do Ceara. Justamente essa exceglio foi copiada pela re- solu~gio assinada pelo reitor, sem que ele pr6- prio (ou todos os demais) se desse conta da contradi~gio sentio depois da vota~gio e da ata que a encerrou (ver, abaixo, a carta de Cristo- vamn Diniz). O reitor admitiu o erro da resolu- Fgio (ninguem cotejara a resolu~gio ao regimen- to eleitoral para perceber o conflito), mas o candidate Maneschy suscitou a ilegalidade da elei~gio. Ele levou a questio para as barras da jus- tiga federal, mas o relator da sua a~gio nem considerou o merito da question, rejeitando-a liminarmente. Maneschy apontou o reitor como autoridade coatora, mas a outra parte na de- manda teria que ser o colegiado. O problema foi transferido para o Consun, que acabou anulando a elei~gio. A mudanga de attitude re- sultou da adeslio dos estudantes a causa de Maneschy, atraidos pela possibilidade de mudar as regras eleitorais na nova consult: de proporcionais, elas passariam a ser univer- sais. Com a equalizaglio, os estudantes e que iriam decidir aelei~go. Foi a vez do candidate Alex Fiuiza recorrer da decision, lembrando que em todo o proces- so eleitoral nito havia sido verificada nenhu- ma ilegalidade ou irregularidade. Niio caberia, por isso, anula~go, mas apenas homologa~gio. O resultado da elei~gio continuava valido e ao Consun caberia apenas encaminhar a lista tri- p lice. Uma campanha acirrada e agressiva atin- giu o apice quando o reitor Crist6vam Diniz recebeu uma ameaga de morte por telefone. O "bina" instalado no aparelho registrou o nui- mero da chamada. Acionada, a Policia Fede- ral nito teve dificuldade em localizar o autor do telefonema: era o pai de Alex, o engenhei- ro Rodolpho Fiuza de Melo. Com leucemia, em estado grave e em crise de depression, Ro- dolpho ligara do apartamento do hospital onde estava internado, depois de haver pas- sado pela CTI. Logo que soube do incident, Alex procu- rou contato com o reitor, explicou-lbe a situa- glio e se desculpou em nome do pai, que ale- gou ter agido fora de control. Cristo~vam Di- niz aceitou as explicag~es e deu o caso por encerrado, convencido de que a ameaga era apenas de palavra, sem qualquer inten~go de atingi-lo fisicamente. Mas a Policia Federal ain- da estava em duvida se esse desfecho infor- mal seria suficiente para arquivar o inquerito que ja havia instaurado. Algumas notas pu- blicadas em O Liberal procuravam sustentar a ameaga real de vida a que estaria exposto o reitor. Duvida e confustio e o que parece niio fal- tar a esse imbroglio universitario, que pode acabar afunilando ate: uma interven~lio do MEC. Por falta de qualquer outra alternativa legal. Ou de bom sensor. Se ainda nito se pode proclamar o vencedor da dispute pela reitoria, ja se sabe nos quatro cantos quem perdeu: a Universidade Federal do Parti. de Mandado de Seguranga impetrado pelo Prof. Dr. Carlos Edilson de Almei- da Maneschy, indicando a nos como autoridade coatora. O resultado da discussilo j judicial nito ateve-se ao scu merito, mas teve o condlio de deixar claro que os atos concernentes ao process sucessbrio, na forma da legislagli vigente, nito po- dem ser imputados a n6s, reconhe- cendo o Juiz da 5' Vara Federal que estes slio de competincia exclusive do CONSUN. Com isso, deu-se continuidade ao processo anteriormente suspense por determinagio judicial, tendo sido feita convocaptio dos membros do CON- SUN, para vota~gio dos nomes a com- porem a lista triplice. No uiltimo dia 07, como noticiado amplamente na impressa local, enten- Sdeu o Conselho, em decisito sobera- na, pela anula~gio do pleitp, marcado pela indefini~gdl e pelos indicios de irregularidades, apontados pelo ple- nario, ao long da reuniho. E necessario esclarecer que a anu- la~gi da consult realizada junto a co- munidade universitairia para a escolha do Reitor e Vice-Reitor no quadrienio 2001-2005 nito foi solicitada on deter- minada por n6s, quer na qualidade de Reitor, quer na qualidade de Presiden- te do Conselho Universitario, mas, isto sim, foi votada e aprovada pelos mem- bros do CONSUN presents a 12" Reu- niio Extraordinaia daquele Colegiado, em acatamento a proposiqilo formula- da pelos conselheiros discentes (pes- soalmente, defend a todos os mem- bros da minha equipe que trabalhas- sem na diregio de preservar a Consul- ta, visto que muito pouce se obteria de substantive ao reedita-la). Por certo que nito compete a n6s, como Pwesidents do Conselho, nos in- surginnos conta ndecisiro deum Cole- giado do qual fazemdS parte e somps representante. Alias, ainda que a nossa opiniho pessoal seja contraria a. delibe- radio do CONSUN como de fato o e-, e nosso dever de oficio, como Pre- sidente desse Orgilo Deliberativo, res- peitar a sua decisbt, que, diga-se, aqui mais uma vez, entendemos soberana. Niio e, portanto, "reedi~gio da far- sa", posto que nio foi uma decisito va- zia de significados c justificativas, mo- tivada, por certo, pela ansia de manter a grandeza da UFPA, pela "afinidade" com o "produto". Assim, carol amigo Llicio Flaivio, long de ser a UFPA "um reflexo de- purado dos golpes sujos e rasteiros que demarcam a busca pelo poder", a UFPA e e faz mais que escolher o nosso successor, e impingir a UFPA macula desse porte, em razio de um equivoco, sighlifica reduzir a nada todo o trabatho que vem sendo desenvol- vido nos (sitimos quatro anes pars o fortalecimento da institufFbt tra- duzido por significativos i6xitos -, o que e, a nosso ver, no minimo injusto para com a institui~gio e sua histbria. O empreendimento humane deno- minado Universidade Federal do Para possui magnitude reconhecida nacio- nal e internacionalmente, razilo pela qual, por vezes pode ser utilizada como instrument de projeglio political por alguns, o que e de todo lamentavel, face a relevancia das suas atividades de en- sino, pesquisa e extensito dentro da Re- giio AmazZ~nica, mas certamente epara a regitio muito maior do que as dimen- sdes que the pretendem atribuir.. Estes, os fats que julgavamos re- Icvante relatar e apreciariamos fosse de alguma formal considerados pelo amigos que embora nilo precise me re- conher o me~rito, poderia me poupar da injustiga divulgando a verd~ade. Na oportunidade, subscreverpo- nos, renovando rossos votos da raais alta estima e consideragiio. Confusaio universitaria IIImmmmmmmmmmmmmmmm mmmmmmmmmIImmmmmmmmmmmmm rl(t Jornal Pessoal Editor: L~icio Fl~vio Pinto* Fones: (091) 223-7690, 241-4284 e 261-4827 Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 e- mail: jornal@amazon.com.br Produ~go: Angelim Pinto Edip~o de Arte: Luizantoniodefariapinto Registro Homens puiblicos tem que co- locar suas idiossincrasias pesso- ais debaixo dos scus deveres de oficio, subordinando-as a eles. Deveria ser sempre assim. Mas raramente e assim. Mesmo quan- do a critical e de ideias ou apre- senta propostas, o criticado a toma como ofensa pessoal e rea- ge com os poderes que a circuns- tiincia de ser autoridade the con- fere. Por isso, quando ocorre um memento de exce~gio a regra, e bomn registra-lo, ja que a regra continue a ser exce~gio. Foi o que houve na soleni- dade de entrega da biblioteca de Haroldo Maranhilo ao Esta- do. O secretario de cultural, Paulo Chaves Fernandes, no seu discurso official, registrou que estive na origem dos esfor- gos para a aquisiqilo desse va- lioso patrimonio cultural, in- clusive acionando-o as- sim que ele assu:nia a Secult, quando os en- tendimentos ja es- IIIIIIIY~MIII~UpIII)11111 IIYIIII~IIIAI(IY(~.~(IRI~.~IIIR~~((IIIII 111~~1 IIRI~IIIIUII~(I'~IUYI~YYO'HIIII (IYR() IRI( IIL~YIUnlRIlllllnl((il~~llll)(ll IIII(~*~IH~XY(II((~IlllllI111(11~~11111 I~.~IHU[I~IR~(IIIIIIYI uma avaliaqilo de forgas antes do confront. No front in- terno, o prefeito esta mais isola- do do que nun- ca. Por isso, os sonhos de sair candidate a um cargo majorita- rio em 2002, de governador ou senador, pare- cem desfeitos. Ele teria que dei- xar no seu lugar Valdir Ganzer, que e de um gru- po petista adversa- ri0. E arriscar-se numa aventura, ja tavam em cursor PniT Um gesto de dig- nidade diante gosto, R das evidentes Rocqu diver genclas que temos inaior a~ mantido e de uja um infeliz ges- , to do pr6prio ParGL. CO secretario seY; a de~ quando de um ato equivalen- Slim ???OTI te meses an- passed' tes. E~ assim que as diferen- UH !1 gas devem ser discr~eto, tratadas, em be- neficio coletivo. OmirgO. Faltou, porem. Ort um registro sobre a participa~giodo adio- gado Rohan Lima nas tratativas para tenlar convencer a CVRD a efetuar a aquisiglio. Um dos mais desta- cados integrantes do corpo juri- dico da empresa, Rohan, ha mui- tos anos no Rio de Janeiro, nunca esqueceu as suas origens. Por nito ignora-las, as tem dignifica- do com seu trabalho professional e sua sensibilidade pessoal. A Provincia do Paura sobreviveu a terceira greve de funcionarios neste ano, a primeira desde que Miguel Arraes substituiu Gengis Freire no control da empresa, ha pouco mais de dois meses. Mas ainda desafia a escrita de que journal nunca more de vespera. Uma vez instaladas as causes da morte, porem, jamais escapa do fimn previamente tragado. Varios slio os sintomas de que o mais antigo journal da Amazinia e dos mais velhos do pais se encontra em estado pre- falimentar. Isso, mesmo quando ainda era de propriedade dos Diarios e Emissoras Associados. O condominio formado por Assis Chateaubriand se desinteressou pela sorte do seu diario belenense e o passou a Gengis pelo valor da divida. Seis anos depois, o endividamento havia se multiplicado e o maior patrimonio do jornal, o seu titulo, perdera quase todo o seu valor. Mesmo assim, o donor da RM Midia assumiu o neg6cio, quitando alguns dos debitos herdados. Mas o passive parece-se a uma avalanche, crescendo a media que o tempo passa. Os grevistas se queixam da falta de dialogo e do tratamento desrespeitoso do novo proprietario. Ao recolocar o journal em circula~glo, Miguel denunciou a a~go oculta do PT e de seu antecessor, que tambem costumava recorrer a ladainha. E voltou com uma face nova: linguagem agressiva e, mais do que den~imcias, ameagas de investiga~go, um metodo muito usado pela imprensa marrom, entire n6s tendo como seu exemplo maior oJorna/ Popular. Desse jornal, alias, H61io Gueiros pulou para A Provincia, restabelecendo a pagina semanal que escreveu antes em O Liberal, sugerindo sua volta a political e, como de regra na casa, deixando passar ameagas aos desafetos. Todos de olho no que acontecera a partir de agora, ate o pr6ximo ano, de elei~gio pesada e pouca alternativa no mercado da comunicaptio. Se, contrariando as expectativas, o journal se mantiver vivo para usufruir dos beneficios dos ventos e tempestades que tem anunciado em suas paginas, cheias de uma metereologia oportunista. que esta completamen- le foril do seu control o comando do diret6rio esta- dual do partido. Como todos os politicos autoritarios, nito for- mou liderangas alternatives. Sem uma mudanga radical, Edmilson tera que se contentar a cumprir at6 o fimn o seu mandate. E aos belenenses restart seguir a dieta zagallena, engolindo-o. Destiny Primeiro foi.em Castanhal, mas todos tomaram como mais um ex- cesso verbal o autolang~amento de Edmilson Rodrigues como candi- dato a presidencia da Republica pelo PT. Quando, porem, a inicia- tiva foi repetida em Stio Paulo, no mes passado, a despeito da total inconsistencia de tal candidatu- ra, ja foi precise perguntar sobre' suas motivagdes ocultas. A primeira interpretagilo foi a de que Edmilson estaria queren- do se insinuar como companhei- ro de chapa de Lula, a condic;io para desistir da pretensito anun- ciada. Mas tambem essa e: uma hip6tese de factibilidade minima. O outro entendimento e de que a chamada "esquerda do PT" esta- ria utilizando o seu principal qua- dro national para um teste de for- Fas antes da dispute pela dire~go do partido, que ocorrera ate no- vembro.A reaqlo ao nome J,, refeito de Belem ser- u rla de medidor para Ressu rreigao OI IllfIl obertlo La ,e joi o quarelista ~in/Oil iO ,l~inuard a 'speito da 't, RZO ???~S o. Foi-se , decente, .io o )Ltcrp |
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