Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00209

Full Text




Jomal Pessoal
L C I O F L A V I PI N TO
ANO XIV NQ 259 2' QUINZENA DE MAIO DE 2001 R$ 2,00

JUSTICE


As vantagens


indevidas
Os juizes do Tribunal Regional do Trabalho estabeleceram a prdtica de devolver em
parcelas insignificantes, por prazos larguissimos, vantagens recebidas indevidamente.
Devolugao feita a partir de questionamento externo, ndo por iniciativa voluntdria, que
cancelou o beneficio. Essa prdtica ainda vai ser mantida?

l r 7. k (


E m maio de 1999, osjuizes do Tribu-
nal Regional do Trabalho da 8" re-
giao, corn sede em Bel6m, tiveram que
devolver os 8 mil reais que cada um
deles havia indevidamente passado a receber,
a titulo de vale-alimenta go. O ato administra-
tivo, considerado uma forma disfarqada de
aumento salarial, acabou sendo revogado.
Mas os beneficiados foram autorizados
a devolver os valores em prestaq6es men-
sais de R$ 10, como haviam solicitado, ale-
gando nao poder pagar mais do que isso,
sob pena de comprometer seus orqamentos.


Assim, o dinheiro demorara 60
anos para voltar aos cofres pu-
blicos, dos quais nem deveria ter
said com aquela finalidade. Em uns
poucos casos, de parcelas mensais fixadas
em R$ 50, a devolugao sera bem mais rapida.
S6 que ocorrera em 13 anos. Certamente, a
grande maioria dos juizes morrera antes de
completar o ressarcimento.


-.
C- -~--~
Cinco meses depois desse epis6dio,
o TRT paraense resolve incluir a parce-
la aut6noma de equivalencia na verba de re-
presentaq~o de 102 juizes, ativos e inativos,
sem prejuizo do seu adicional por tempo de
serviqo Atendia a reivindicaqgo que Ihe fora


u .i~u'IeUA C EGO1 Ucslka









2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE MAIO/ 2001


apresentada pela Associaqao dos Magistra-
dos Trabalhistas (Amatra), tendo como base
precedent do TRT de Santa Catarina. S6 um
juiz, Josd Maria Quadros de Alencar, votou
contra a provid6ncia, recusando-se a receber
a sua parte.
A vantagem representaria um acr6scimo
de R$ 1,2 milhao por mes a folha de pessoal do
tribunal. Como os pagamentos se estenderam
por tres meses, o prejuizo dado ao erdrio so-
maria R$ 3,6 milh6es. A diferenqa em favor dos
magistrados various de um minimo de R$ 8,6
mil a um maximo de R$ 18 mil. Na m6dia, o
salario de umjuiz pularia, graqas a esse adici-
onal, de R$ 6,5 mil para R$ 17 mil.
No mesmo dia em que a resoluqAo foi apro-
vada, os novos contracheques ja estavam em
circulaqio, incorporando o valor adicionado.
Embora os juizes alegassem estar corrigindo
um erro de interpretaqao da forma de cilculo
de suas remuneraqOes, o procurador da Repiu-
blica no Para, Ubiratan Cazetta, props najus-
tiqa federal, uma semana depois da concessao
do aumento, uma Agao Civil Pdblica para der-
rubar a resolugdo do tribunal trabalhista.
Argumentou que o ato "redundou em ina-
ceitavel concessao de aumento salarial, sem
base legal, afrontando o sistema constitucio-
nal em vigor". Seria necessaria autorizagao le-
gislativa para o aumento ser concedido. Expli-
cou que a interferencia do Ministerio Pdblico
Federal na questao, alem de ter amparo legal,
baseava-se tambdm na "experiencia recente,
demonstrando que o TRT do Pard, quando seus
atos administrativos sdo revogados, "nio tem
adotado medidas satisfat6rias para sanar o
dano ao patrim6nio public causado por seus
atos ilegais". Como "somente uma ordemjudi-
cial" poderia resolver essa situaqdo, o procura-
dor decidiu entrar com a aqgo civil.
Observou Cazetta a "pouca seriedade" do
procedimento do TRT na devoluqao de quan-
tias pagas a mais aos juizes, em parcelas vari-
ando de 10 a 50 reais ao mes. Queria a devolu-
q~o "de forma integral e imediata, sem parcela-
mentos". Questionou atW a boa-fe do ato ad-
ministrativo, ji que o TST havia repelido por
duas vezes a iniciativa, antes de ela ser adota-
da num ato administrative interno.
Ao ser intimado da ag~o, o entao presi-
dente do TRT, Vicente Malheiros da Fonseca,
alegou nao poder cumprir o mandado porque
nesse mesmo dia a juiza Francisca Oliveira
Formigosa, do pr6prio tribunal, havia acolhi-
do mandado de seguranqa da associaqdo dos
magistrados para continuar pondo em execu-
qFo o ato combatido pelo MP, que resultava
no seu pr6prio aumento salarial.
Formigosa era uma das interessadas na
questao e litisconsorte passiva na demand,
como argumentou o MP, mas nao se deu por
suspeita. Fonseca solicitou entao ao juiz fe-
deral Edvaldo Femandes Filho que a aago fos-
se, por isso, liminarmente indeferida, ja que o
exame da materia competiria ao Tribunal Su-


perior do Trabalho. Caso nao fosse atendido,
suscitava o conflito de competencia para o
Superior Tribunal de Justiga.
Em 29 de novembro de 1999, com o con-
tencioso ainda tramitando pelo judicidrio, o
pr6prio TRT revogou sua resolugao e assim
considerou encerrada a questao. Mas o pro-
curador Cazetta sustentou que a demand
deveria prosseguir at6 a devolucgo do dinhei-
ro, em uma unica parcela. Dois juizes, Jose
Augusto Affonso e Vanilson Hesketh, fize-
ram a devolug~o integral e pediram para serem
excluidos da ago.
Em margo do ano passado, STJ conside-
rou competent o TRT para apreciar a causa.
Cazetta observou, por6m, que todos os mem-
bros do TRT "sHo diretamente interessados
no resultado da demanda, por terem recebi-
do a vantagem e poderem devolver os recur-
sos publicos em parcelas infimas, por long
prazo. Insistiu no deslocamento da questao
para o Supremo Tribunal Federal. Mas o pro-
cesso foi mesmo para o TRT.
O president do tribunal, Vicente Fonse-
ca, mandou os autos para ajuiza Formigosa.
Em dezembro do ano passado ela declarou a
perda do objeto da ag~o, sem julgar o merito
da questao, porque os juizes ja estariam de-
volvendo o dinheiro. Ndojuntou prova do fato
nos autos. Nem esclareceu que o ressarcimen-
to se fara em muitos anos e nao de uma vez.
No inicio deste ano o procurador-chefe do
Ministerio Piblico do Trabalho no Pard, L6ris
Pereira Junior, remeteu peas do process para
o Procurador-Geral do MP em Brasilia, Gui-
Iherme Basso. Se quiser, Basso podera pro-
por ao Procurador-Geral da Reptblica que
suscite a questao junto ao Supremo Tribunal
Federal, na forma de reclamaqao. Se isso nao
ocorrer, osjuizes do trabalho no Pari poderAo
continuar a receber a vista beneficios indevi-
dos e devolve-los a prazo long, em parcelas
minimas. Uma esp6cie de empr6stimo sem a
mais pilida equivalencia no mercado formal
do dinheiro no Brasil. A custa do erario.

Esclarecimento
Numa carta que me enviou a prop6sito des-
te texto, divulgado pela Agencia Estado em seu
site, ojuiz Vicente Fonseca julgou-se no dever
de prestar os seguintes esclarecimentos:
"I chamado "aumento" foi, na verda-
de, mero recalculo da verba de representa~9o,
pela sua incidancia, nao apenas sobre o ven-
cimento-base dojuiz, mas tamb6m sobre a cha-
mada "parcela de equivalencia", assunto am-
plamente divulgado na imprensa.
II Vale esclarecer que o vencimento-base
de umjuiz togado do TRT e inferior a R$500,00
(quinhentos reais), pois o verdadeiro salario
do magistrado inclui a chamada "parcela de
equivalencia", decorrente de norma constitu-
cional, que equipara (teoricamente) a remune-
raqdo dos membros dos Poderes da Republi-
ca. Por isso, o percentual da verba de repre-


sentaq~o deveria incidir sobre o autentico sa-
lario dojuiz (salirio base acrescido da chama-
da "parcela de equivalencia").
III O recalculo foi determinado por diver-
sos Tribunais Trabalhistas, e nao apenas pelo
TRT da 8- Regiao.
IV Na qualidade de Presidente do Tribu-
nal Regional do Trabalho da 8- Regiao, a epo-
ca, coube-me dar cumprimento as deliberaqtes
da Corte.
V Mas deve ser ressaltado que os juizes
da Justica do Trabalho da 8W Regiao talvez se-
jam os tnicos magistrados da Uniao, no pais,
que estao devolvendo a diferenqa resultante
do recAlculo mencionado, porque os demais
apenas cessaram o pagamento, quando a ma-
teria foi questionada nos Tribunais Superiores.
VI Alguns juizes desta RegiAo efetuaram
a devolucqo integral da diferenga percebida,
muito embora o Tribunal tenha autorizado a
reposig5o parcelada, com respaldo na legisla-
9go e em precedent estabelecido, em caso
id6ntico, pelo TST.
VII No meu caso, em particular, devolvi
integralmente o pagamento relative ao mes de
setembro/99, eis que o Tribunal revogou a sua
resoluq o anterior.
VIII Os pagamentos relatives aos meses
de outubro e novembro/99 foram efetuados
em cumprimento a decis6esjudiciais, proferi-
das em mandado de seguranga e em aqgo pe-
rante a Justica Federal de Brasilia (DF), pro-
postos pela AMATRA-VIII.
IX Em obedi6ncia a Lei Organica da Ma-
gistratura Nacional que me impede de fazer
comentarios sobre processes judiciais -, dei-
xo de tecer consideraq6es relatives a aago ci-
vil public, cuja relatora e ajuiza togada deste
Tribunal Regional, Dr. Francisca Oliveira For-
migosa, a qual foi distribuido o process, an-
tes ajuizado na Justiqa Federal, mas remetido
ao Oitavo Regional, por forga de decisao do
Superior Tribunal de Justiqa, que, apreciando
conflito de competencia, declarou o TRT da 8-
Regiao competent para julgar aquela acgo,
em face do precitado mandado de seguranqa.
X Finalmente, parece mais do que necessa-
rio retomar as provid&ncias no sentido de esta-
belecer o "teto" de remuneragdo para o serviqo
pdblico, unico para todos os Poderes, em todos
os niveis e para todas as entidades da federa-
qFo, cor o objetivo de tomar racional, digna e
transparent a political salarial do funcionalismo,
inclusive quanto aosjuizes, que ha muito (pelo
menos, na drea da Justica do Trabalho, Federal e
Military magistratura da Uniao) pugnam pela
definigqo da mat6ria, at6 hoje pendente, embora
prevista em dispositivo constitutional".
Como se v6, a carta do juiz togado do
TRT em nada modifica o conteudo da mat&-
ria, apenas aduzindo-lhe seus juizos de va-
lor Ha apenas uma inJbrmacdo nova: de que
ele devolveu integralmente o pagamento que
recebeu indevidamente em setembro de 1999.
Quantos o acompanharam?








JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE MAIO/ 2001 3


A hora do vice


vice-govemador Hildegardo Nunes 6 o
personagem da vez. Ele tinha quase tudo
para ja estar sendo considerado, neste
period pr6-eleitoral, como o mais forte dos
candidates a sucessao de Almir Gabriel. O pro-
blema & que Ihe faltajustamente a simpatia do
titular do cargo.
Nao fosse isso e as coisas estariam cami-
nhando melhor para a coligagio official: o gover-
nador poderia se desincompatibilizar para dis-
putar, como franco favorite, uma das duas va-
gas ao senado; seu substitute legal assumiria
de vez o govemo e, pelas atuais regras, disputa-
ria no cargo a reeleiqgo, favorecendo-se do calor
da maquina estadual; todos os demais candida-
tos da alianqa seriam favorecidos.
Mas Almir Gabriel quer mesmo 6 viabilizar
o seu secretario especial Simao Jatene, a quem
falta ate a dose exata de disposicqo para dar
consistencia eleitoral ao seu neofito nome,
quando nao de empatia e carisma. Es-
ses fatores sao escassos em Jatene,
mas nele abunda um element de
identificaqo com Almir, que sig-
nificaria a continuaqao de um
mesmo esquema de poder, da-
quilo que o govemador gos-
taria de ver consolidado: o al-
mirismo. Nao propriamente um
program de governor, mas um
n(icleo de pessoas que gravi-
tam em torno do goverador.
Faqa ele o que fizer.
O governador poderia
permitir-se o luxo de perma-
necer no cargo at6 o fim do
seu mandate, ficar um ano a sombra do su-
cessor e comeqar a campanha pela prefeitura
de Belem, em 2004. Antes de completar esse
novo mandate municipal (o primeiro foi bi6-
nico), sairia outra vez candidate ao governor,
enquanto seu successor trataria de trabalhar
para outro almirista e assim, sucessivamen-
te, per omnia saecula saeculorum, confor-
me a cartilha dos coroneis sem dragonas da
political paraense, que s6 nao se eternizam
porque as circunstancias humans sao mais
fortes do que a perenidade dos seus pianos.
Hildegardo s6 sera candidate da coliga-
qao situacionista se a opqao um (Jatene) fa-
lhar e a opqao dois (Nilson Pinto) escapar ao
canibalismo (e, antes disso, puder restabele-
cer seus mecanismos de influencia na univer-
sidade). Esperar pela undecima hora pode ser
fatal aos pianos do vice. Como ele pr6prio ja
percebeu, esta e a melhor e talvez a inica -
oportunidade de aspirar ao governor. Se nao
montar um esquema consistent e tenaz, e
melhor aceitar a compensaqAo queja Ihe ofe-
recem: ser candidate a Camara Federal. Talvez
para um 6nico mandate.


Jovem, sem

estigmas, simpa tico,

Hildegardo pode ser

uma nova lideranga

political no Para



Se quiser continuar visando o governor e a
o pendulo da balanqa official nao apresentar
nenhuma mudanqa expressive nos pr6ximos
meses, Hildegardo Nunes vai precisar de mai-
or agressividade. Seu partido, o PTB, domina-


do pelos Kayath, nao 6 confiAvel: poderia su-
cumbir a uma pressao maior do govemador,
apoiando qualquer nome que Almir indicar, se
para tanto for devidamente recompensado.
Qual a outra opao? A primeira seria o
PFL, do qual o pai de Hildegardo, o ex-go-
vernador Alacid Nunes, foi excluido atra-
ves de um ardiloso golpe de mao. Por meio
de um amigo jornalista, o vice desautori-
zou a nota aqui publicada, sem assumir o
desmentido nem envia-lo ao destinatario da
"indireta". Diz que nao pretend sair do
PTB e muito menos se filiar ao PFL. Mas
isso nao & mais do que palavras. No PTB,
sem que consiga uma mudanqa a partir de
cima, suas possibilidades sao incertas e nao
sabidas; precarias.
Mas ha um outro desafio: Hildegardo sera
candidate contra Almir Gabriel, desagradan-
do-o ou mesmo contraditando-o? At&
agora, a carreira do vice tem sido
risonha e franca, quando nao fra-
ca (pelo mau desempenho da fa-
milia em sua base eleitoral pri-
maria, o municipio de Soure, no
Maraj6).
Todos parecem gostar
dele e acha-lo um bom su-
jeito. Mas tambem ele nao
precisou entestar com ne-
nhum dos poderosos da po-
litica local. Tera tutano para
arrostar o autoritario Almir
Gabriel, sabendo que, como
candidate a um outro cargo
(o de governador), pouco
podera se valer da estrutu-
ra official (inclusive por nao
poder assumir o governor, ja
que assumir a titularidade
ocasionara a incompatibiliza-
gio eleitoral?).
Esta & uma pergunta que to-
dos devem estar querendo fazer a
Hildegardo e ele, mais do que todos, a
si tambem, ainda que s6 com o testemu-
nho dos seus bot6es. Para ser um candidate
independent ele precisar ter, antes de mais
nada, autonomia financeira, um determinado
caixa de campanha capaz de faz&-lo visivel
em todo o Estado.
Se esse fundo existir, Hildegardo podera
infiltrar-se num vacuo que nem o PT, um parti-
do pouco mais do que municipal no Para, con-
seguiu preencher. Atrairi votos de simpati-
zantes e se o destiny do senador Jader Barba-
Iho passar pela cassaiao, boa parte dos pee-
medebistas, de preferencia sem que eles se
identifiquem como tal.
Nessa moldura, Hildegardo Nunes deixarA de
ser uma circunstancia na political paraense.







4 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE MAIO/ 2001


Falha
Ao pedir para ser excluido da
promoqao da TV Liberal, que ira
escolher o paraense do s6culo XX,
o govemador Almir Gabriel conse-
guiu safar-se da sinuca de bico em
que o grupo Liberal o havia colo-
cado, por absolute incompetencia.
Como qualquer pessoa sensa-
ta faria, o governador alegou que
por estar vivo e ter poder, sua con-
diqao especial afetaria sua votaq~o
e a dos demais concorrentes, a fa-
vor e contra. Se ganhasse a dispu-
ta, poderia ser acusado de ter-se
valido do cargo de governador. Se
perdesse, seus adversarios certa-
mente propagariam que nem mes-
mo o poder o livrara da derrota. A
primeira situaqdo nao seria uma gl6-
ria duradoura. A segunda seria um
demerito imerecido. E ainda have-
ria uma terceira: ter que financial a
propaganda do grupo Liberal.
A iniciativa do governador re-
tirou uma das evidentes falhas da
promo9go. Mas nao e o suficiente
para permitir levar a serio uma elei-
qio que nio oferece Lauro Sodre e
Ant6nio Lemos como candidates.


As armas
Outro dia vi uma pessoa passar
pela rua corn tres emplastros Sabia
a mostra no peito. Devia ser um
protest silencioso contra a
proibidio do Biot6nico Fontoura.
Esse Jose Serra nao teve infancia?


Justiga
A desembargadora Climenie
Pontes parece haver esquecido
os atos do seu antecessor,
endossados pelos pares
emparedados, e voltou a
convocar ajuiza Maria Ines
Antunes Jaddo para funcionar
nas camaras civeis do Tribunal
de JustiCa do Estado. Por quatro
vezes a subida de Marta ao
desembargo oi obstada, mesmo
ela sendo a mais antigajuiza e
nenhuma mancha macular sua
ficha funcional.
Pode ser que agora, quando
nova vaga se abrir na instincia
superior dojudicidrio paraense, as
portas tambmn se abram. E a
justiga se figa. independentemente
das restriC5es quepossam serfeitas
ao modo de se expressar dajuiza.


As duas faces da CVRD


Nao houve
qualquer relagao
de causa e efeito
entire a interdiq~o
da ferrovia de Ca-
rajas por integran-
tes do MST, na se-
mana passada, as
proximidades de
Maraba, no Pard, e
os quatro anos da
privatizaqdo da
Companhia Vale do
Rio Doce, que
opera a linha por
concessao de 50
anos do governor
federal. Mas a co-
incidencia as vezes
serve de inspiraqao
para uma reflexdo
inadvertida.
Desde que re-
cebeu aj6ia da co-


roa estatal, a preqo de bijuteria, o grupo que
assumiu o control da CVRD vem acumulan-
do records de produqgo, de faturamento, de
lucro liquid e, mais que tudo, de dividends
pagos aos acionistas. Um ins6lito persona-
gem, Benjamin Steinbruch, que assumiu a po-
siqao de fact6tum da empresa com menos de
3% das suas aqSes, ja se foi, levando consigo
seu bilhao de reais. Troca de papeis, com e
sem cifroes, ter sido feita numa intensidade e
alternncia de origem/destino tais que con-
fundem a opinido public e ate mesmo os ob-
servadores menos atentos.
Poupada pelo governor do 6nus de cortar
gorduras, extraidas antes da venda (sem a de-
vida compensaqFo no preqo), a Vale tornou-
se a mais eficiente das ex-estatais passadas
em frente pelos governor Collor, Itamar e FHC,
num moto-continuo monoc6rdio que indepen-
deu das evidentes diferenqas entire os tres pre-
sidentes da rep(blica. Nao chega a ser um ti-
tulo in6dito, ja que se tornara tambem a mais
conceituada das estatais. Mas e um titulo.
Sem dfivida, age com mais rapidez e deter-
minaqao na definiq~o e no desenvolvimento
dos seus neg6cios. Seu portfolio estd mais
nitido do que nunca. Pode permitir-se fazer
planejamento de medio e long prazo manten-
do a taxa de risco num nivel perfeitamente acei-
tavel. Mas continue claudicando na dimen-
sao social dos seus neg6cios. Implantados em
area pioneira, eles sao mais do que businesses
as usual. Foi o recado do movimento coman-
dado pelo MST.
Defendeu-se a empresa alegando que
nada tem a ver cor o m6vel dos trabalhado-
res rurais sem-terra, nem poder influir para o
atendimento de suas reivindicaq6es, o que e


-C
-C7;t'';/r )2
4-


w-.a


verdade. Mas ain-
da e a melhor cai-
xa de ressonancia
na regido. Bater
no seu couro
certeza de ver a
pancada ecoar em
Y Brasilia (e Sao
; Paulo, T6quio,
Londres ou Nova
York). A CVRD,
que foi, apesar
dela mesma, uma
,w agencia de desen-
Svolvimento quan-
do estatal, conti-
nuara atrelada a
essa dimensao
mesmo que a te-
nha descartado.
Nao se livrara
dessa funqao en-
carando-a como
uma a~go entire


amigos, patrocinando obras de elite da qual
se apropria o amigo do rei ou esse ins6lito
"andando pelo Para", do vice-presidente do
grupo Liberal, Romulo Maiorana Junior, que
deposit moedas no cofre e serve de guia de
cego para ele e seus amigos, quem sabe e a
quimica permitir-ate Brasilia.
A CVRD, para o bem e para o mal, e ago-
ra uma empresa rigorosamente privada. Mas
o entorno dos seus enclaves e supinamen-
te desorganizado e miseravel. Se ela julga
possivel manter essas ilhas de excelencia
contectadas a arquipelagos do consume ex-
terno sem a contaminaqio dessa dinamica
humana, ter que aceitar uma margem de
risco bem superior aos seus takes de lu-
cros e dividends.
A racionalidade nesse cenario e tdo fragil
que uma paralisacio de um dia, mais ordeira
do que a principio se imaginou, desfeita corn
mais naturalidade do que a da instalaqCo, cau-
sou-lhe ameaqa de prejuizo maior do que o
efetivado. Simplesmente por ter revelado a
dependencia da ferrovia das metas de expor-
taq~o. Para chegar a 50 milhoes de toneladas
anuais numa linha a beira da complete exaus-
tao, a empresa ndo parece estar em condi-
q6es de former estoques no porto de embar-
que cor a margem de seguranca adequada.
A soluq~o teria que vir atraves da dupli-
caqdo da ferrovia, mas isso, talvez, s6 depois
que a distribuiqao do lucro cumprir a finali-
dade que a face de paper company assumida
pela Vale privatizada engendrou. Sem que o
governor se tivesse lembrado de que detem
as suas golden share exatamente para evitar
essa selvageria. Coisas de Alice tucana no
pais das maravilhas.


q







JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE MAIO/ 2001 5


Estagdo pesada
Sem considerar os 20 milh6es
de reais que significou construi-
la, a Estaqao das Docas exigiu dos
cofres plblicos estaduais alguma
coisa entire um milhAo e R$ 1,5 mi-
lhao no seu custeio ao long de
12 meses. E a conta do subsidio,
prevista para durar um ano, com-
pletado neste m6s. Findo esse
prazo, por6m, a Estaqao continue
sem poder caminhar corn as pr6-
prias pernas.
Quase todas as lojas do segun-
do andar faliram. No primeiro piso,
ja ha insatisfeitos. Foi parar najus-
tiga o primeiro litigio sem possibi-
lidade de conciliacao administrati-
va. Dos estabelecimentos que per-
maneceram funcionando, a maio-
ria se mant6m porque teve acesso
a um financiamento em condiq6es
privilegiadasjunto ao FDE, admi-
nistrado pelo Banpara. S6 come-
gara a pagar o emprdstimo no pr6-
ximo ano.
A Estagao nao tem muito moti-
vo para comemorar. Para permane-
cer, terA que mudar e muito. A
primeira tentative ji estd sendo
feita, atrav6s de uma programaqio
cultural mais intense. Mas logo os
erros de concepgdo dos espagos
internos se manifestarao. O teatro,
por exemplo, tern actstica defici-
ente, camarins inadequados e &
feio. Espeticulos ao ar livre, em fins
de semana, poderdo atrair mais
gente do que o palco m6vel no in-
terior da Estaio, uma invengao de
mau gosto e nada funcional. Mas
se o Estado nao continuar bancan-
do os principals custos, sem o re-
torno do capital, a Estaqto s6 teri
vida fora do espago refrigerado.
Com faturamento que nao darA
para a sua auto-sufici8ncia.
Comojustificar e legitimar esse
grande gasto do Estado, se o lu-
gar 6 administrado autocratica-
mente pela Pari 2000, uma OS or-
ganizada na surdina, para a qual
foram indicados apenas simpati-
zantes, dependents e parent do
secretario de cultural, Paulo Cha-
ves Fernandes, uma tipica ag o
entire amigos? Se o p6blico arca
corn a manutengao, a administra-
gao da Estagio tem que sair dessa
bitola e passar a ser efetivamente
piblica, condigao que imp6e res-
ponsabilidades para o future e,
tamb6m, em relaglo a um passado
cuja hist6ria foi mal contada. *


A Medida Provis6ria assinada na semana
passada, em Brasilia, pelo president Fernan-
do Henrique Cardoso, significou uma volta ao
passado na Amaz6nia. Nio a 1966, quando foi
criada a Sudam, substituida agora pela nova
Ag&ncia de Desenvolvimento da Amaz6nia.
Mas a 1953, quando surgiu a SPVEA (Supe-
rintendencia do Piano de ValorizaqAo Econ6-
mica da Amaz6nia), que antecedeu a Sudam e
inaugurou o planejamento regional no Brasil,
que esti chegando a quase meio s6culo de
vida, inconstante e problematica.
Corn a MP, desapareceu a figure da renmin-
cia fiscal em beneficio da colaboraqio finan-
ceira dada pelo governor a projetos produti-
vos da iniciativa privada em areas incentiva-
das. Os recursos, j neste ano, estarao previs-
tos no orgamento da UniAo. A Amaz6nia teri
direito a aproximadamente dois tergos do que
ira para o Nordeste (R$ 308 milh6es e R$ 462
milh6es, respectivamente, no exercicio em cur-
so, somando R$ 770 milh6es para as duas re-
gi6es; R$ 400 milhoes e R$ 600 milh6es em
2002, dando pouco mais de US$ 1 bilhio).
Diferentemente de 1953, entretanto, quan-
do a Amaz6nia eram assegurados (em
tese) 3% da receita tributaria da
Uniao, agora nao havera
uma fonte segura de
recursos para os
dois funds regio-
nais. Diz o gover-
no que tomard
como base a
m6dia do
queja vinha
sendo apli-
cado no Fi-
nam e no Fi-
nor. Mas nao
esta obrigado legalmente a se-
guir essa diretriz, que adotou por
mera liberalidade. Tdo liberalmente
que ningu6m se deu ao trabalho de
checar o calculo. Nos anos mais re-
centes, a Amaz6nia havia invertido
a seu favor uma vantage que sem-
pre fora do Nordeste.
Admitindo-se, contudo, que
seja mantida a proporgao e os re-
cursos saiam religiosamente do
orgamento federal, uma inova-
c9o da MP ira alterar a
diretriz dos
funds. Os
projetos que
pleitearem o


dinheiro passario primeiramente pela analise
dos t6cnicos do BNDES (Banco Nacional do
Desenvolvimento Econ6mico e Social). Mes-
mo que esse canal intermedidrio nAo venha a
acarretar despesas adicionais, as normas do
banco provavclmente afastarao os projetos de
pequeno e medio porte.
Maiores exig6ncias, como as que o BN-
DES costuma fazer, s6 poderao ser suporta-
das por grandes empresas. Elas podem at6 nao
ser mais rigorosas do que os empreendimen-
tos que desviaram recursos da Sudam nos ul-
timos anos, mas sabem organizer melhor suas
prestac9es de contas.
A consequincia previsivel dessa modifi-
cacao 6 novamente haver concentraqao de
recursos nas maos de capitalistas de maior
porte, afastando do fundo os pequenos em-
preendedores, que piratearam grosseiramente
o dinheiro do Finam, espalhando rastros e pis-
tas por todas as parties. O prego da moraliza-
cao deveri ser o restabelecimento da alianga
entire o governor e o grande capital national (e
international).
As elites locais, que patrocinaram a mais
recent onda de pilhagem
ao caixa da Sudam, po-
deriam aproveitar o en-
sejo para ajustar a
political de re-
cursos orga-
mentados
para o Finam
a um verdadei-
ro planejamen-
to para o de-
senvolvi-
mento regi-
onal, algo
que FHC
defended
enquanto
soci6logo e
descumpriu ao se tornar
president da rep6blica.
Ao inv&s de colaboraqAo financeira a
empresas privadas, o governor aplica-
ria os recursos de forma ordenada e ar-
ticulada em infraestrutura, saide, edu-
caqgo, tecnologia e ciencia. Os frutos
dessa irvore mais frondosa beneficia-
riam a todos, nao apenas a freqfienta-
dores da avenida Paulista ou da ave-
nida Almirante Bar-
roso. Seria
exigir de-
mais?


A Sudam mudou.


Para melhor?







6 JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE MAIO/ 2001


-J; '- -- '



O objeto primordial do jornalis-
mo 6 a informagao, element crucial A
geragqo de debates. Ojomalista c6ns-
cio do seu dever sempre promove a
discussion, pois se elevando al6m de
seus pr6prios interesses e melindres,
torna plblico at6 pensamentos con-
trarios aos dele mesmo. Tamb6m a
causa destes pensamentos.
Licio Flivio Pinto tern mostra-
do, no seu Jornal Pessoal, ser mais
que um jomalista: 6 um militant da
comunicagao, respeitador dos direi-
tos que o leitor tem de comparar ver-
s6es diferentes dos fatos, para tirar
sua pr6pria conclusio.
Este jomalista e soci6logo, que
Francisco Cavalcante diz pensar ser a
"reencamagao do I F Stone", defended
corn ardor suas id6ias (o que, por
sinal, 6 virtude, nao defeito ), mas o
faz dentro de parimetros argumenta-
tivos, nio apenas opinativos. E nio
suprime os arguments alheios, mes-
mo quando discorda deles. Prova dis-
to 6 que public as cartas que recebe,
na integra, sendo elas favoriveis ou
nao ao seujornal.
Gostaria de dizer o mesmo de
Francisco Cavalcante, algu6m quejul-
gavajusto e amante da dial6tica. Nao
posso. Ele repudia ao retro-jomalis-
mo e conservadorismo, mas mostra-
se retr6grado e conservador ao tentar
barrar por tres vezes um dialogo que
poderia ser rico de comentirios e ex-
plicaq6es para o leitor.
Primeiro, omite as falas de Luicio
Flivio Pinto e Alex Fidza de Melo,
no seu livro Comunicafto Militante,
porque discordam dele. Ressalto que,
por falta de oportunidade, ainda nlo
pude ler a obra. Como entao posso
afirmar que o Sr Cavalcante suprimiu
as colocaq6es dos demais? Ele pr6-
prio levou-me a tal conclusio, por-


que quando o editor deste JP o cha-
mou de desonesto e disse que apre-
sentava um mon6logo no seu livro,
nio uma discussio, como a que acon-
teceu, di uma resposta furiosa, mas
vazia de explica6es.
Em investidas desesperadas, bus-
ca ofender o questionador, num e-mail
publicado no JP da primeira quinze-
na de abril. Mostra-se absolutista.
Medievo. Como se fosse algu6m sem
"estatura moral e intellectual" para se
defender numa discussao saudivel.
Deixou o seu critic com a verdade,
pois nAo apresentou nenhuma prova
que contradissesse as afirmaq6es dele.
Assim, pela segunda vez, Limitou, e
nao militou a comunicagao.
Numa terceira chance, renega a
democracia na comunicaAo, quando,
em vez de provar a populaqAo que o
Prefeito Edmilson Rodrigues nao 6
submisso ao Grupo Liberal, apenas
ataca quem disse o contrario. Parece
perguntar "quem pensa que 6 para
dizer isso?", mas nega-se a prestar es-
clarecimentos a populagio, a promo-
ver um moment genuinamente de-
mocritico, na sua resposta.
Pode ser que Francisco Cavalcan-
te tenha lido a resposta de Lucio Fla-
vio Pinto, no JP da segunda quinzena
de marco. Se leu, viu que estejomalis-
ta, tachado por ele de "desonesto, aves-
so A critical e ao debate coletivo", se
exp6e, presta explicagco, apresenta
fatos em sua defesa, corn dignidade.
Deixa o leitor intacto nos seus direi-
tos. Ele, Francisco, poderia seguir este
exemplo de sapi6ncia, e p6r em pr6ti-
ca o que n6s, da esquerda, pensamos e
propagamos ser democracia e respeito
ao direito do outro de se opor aos nos-
sos conceitos. Direito este que nlo raro
traimos com autoritarismo. Nossos
defeitos se tomam um mal, quando nao
temos humildade para admitir a pre-
senca dele em n6s e o banirmos.

Laura Noguelra


Petr6leo

QuemrdeixariadeassumiracausadaBritishPetroleum quequercontinuarainvestir
naprospeciodehidrocarbonetos(gise6leo)naplatafonmacontinental, entreoPatieo
Amap6,depoisque teninaroprazodetrs anosdadopelAgnciaNacionaldePetr61eo
paraaapesentaiodebonstesaadsconcretos?Atagoraocons6rolideradopelaBP,
quetenaindaaPetrobrisaEsso(americana)eaElf(fiancesa),jaaplicou80milh6esde
d6lares. At6 agosto, quando venceoprazo, prev investor mais US$ 20 milh6es.
Mas poucoprovivelqueconsigaencontrargs e 6leocomdefiniio deaprovei-
tamento commercial. 0 inverse seria urn milagre. A concesslo foi dada originalmente a
Petrobris em 1998. A estatal nada fez. S6 no ano seguinte comegou o trabalho,
engrossadopelas tres multinacionais, a frente a BP. A empresa trouxe para a Area o
maiornaviojAconcebidoparaessetipodeoperao. Masaindaest nosegundopogo.
A no serquetenhaomapada minaouoniscicncia, uma empresapetrolifera no
entra numa Area pioneira, ainda mais quando seus poqos serao em Aguas profundas,
corn fortes correntes, esperandoterresultados corn apenas duasperfiuraees. O cons6r-
cio tern direito A renovag9o do prazo, mesmo que tangenciando o rigor da letra da lei,
que requer a comprovaio de gas ou6leo comercialmente aproveitivel na Area da
concessio. Mas antes precise contar a histria direitinha.
Essa, que o gerente da BP no Brasil, Jorge Rohland, contou na semana passada
para os integrantes da Cnimara Setorial de Mineraqao da Associag~o Comercial do
ParA, 6 inverossimil, mesmo que seja verdadeira. Deve estar truncada por algum
detalhe relevant que permanece atrelado aos bastidores. Antes de promover a causa
da empresajunto i ANP,convinha liberta-lo de suas amarras. Parafalarmos s claras
e, sem meia-luz, arrancarmos o petr61eo vital do lugar onde ele se encontra, bem
escondido, 6 certo, mas nao invisivel.


Desenvolvimento


OgovemodoEstadodeuoprimeiro
pass institutional para apoiarmais ex-
plicitamente uma nova forma de desen-
volvimento rural no Par Familiar,o Pro-
naf, que foi extinto. antecessor Susten-
tivel. O novo 6rgo surgiu n. Atrav6s de
decreto, criou o Conselho Estadual de
Desenvolvimento RuraldaAgriculturao
lugardoConselhoEstadual do Programa
Nacional deFortalecimento nao funcio-
nou. Osucessorteridestino maisnobre?
Vale apergunta. O CEDRS, confor-
me a nova sigla, ter 26 membros, to-
dos com sua indicagio dependent da
aprovacaodoseja: con maioriataotran-
qiiila, dificilmente o conselho adotari
posiq6es contrArias A determinagao do
govemo. Provavelmente ser uma repe-
ti9io do Conselho Deliberativo da Su-
dam, o obediente Condel. Os trabalha-


does at6 tm ampla vantage govema-
dor. Funcionaricolegiado tao amplo? E
a primeira d6vida. Desses 26 integran-
tes, 17 sdo representantes goveramen-
tais (9 da administraiAo federal e 8 da
estadual). Ou sobre os empresrios (tres
representantes contra um s6). Ha, inclu-
sive, uma cadeira para o MST. Mas na
proporio entire os demais representan-
tes da sociedade (mais quatro de outras
instituio6es e um da etema ONG nesses
casos, a Sopren) e os oficiais, a present
6 mais decorative do que efetiva.
Amiodogovemotamb6mseinsinua
naestruturadoCEDRS.Opresidentesera
sempre o secretArio executive de agricul-
tura. Joestrat6gicosecret6rioexecutivo
ser quemopresidentedesignar,porlivre
escolha, submetida apenas aogovemador.
Elescuidaraodetodososassuntosopera-
cioiais. O conselho se reunir ordinaria-
mente uma vez a cada tres meses. Para
refeendarasdecises,certaente.
Mesmo que o 6rgio fosse mais vi-
brante,aut6nomoerepresentativo,dificil-
mentedariacontadaurgnciadoproblema
edoceticismoenraizadoemrelagaoaotal
dodesenvolvimento sustentAvel.O plano
federalji existe, sem ter dado conta do
vacuo metafisico. 0 estadual 6 uma pro-
messaeomunicipalaindaumaquimera.
Oprocessodeveriaterevoluidodeforma
inversa,ouaomenos,simultinea para ter
maior contedo de realidade. Por enquan-
to,levitanoplanodaformalidade.


Corre(go
Por um problema ticnico, noa houve revisao na edigio passada. Dessa lacuna se aproveilou nosso infernal compu-
tador para dar uma de Hall, a maquiav6lica maquina de 2001, uma odissiia no espago (livro de Arthur Clark e fime
do rec6m-falecido Stanley Kubrick): bagunqou tudo.
Entre outros cometimentos, subverteu a matemitica na estimativa da preferincia do govemador entire os candidates
a candidates oficiais i sua sucessAo, fazendo a conta de chegada exceder em 5% os limits da boa aritmelica. Na
verdade, a tend6ncia de sua excelEncia pode ser calculada em 75% para Simio Jatene, 20% para Nilson Pinto e 5% para
Hildegardo Nunes (talvez nosso computador, somando 105%, estivesse querendo fazer ironia; os 5% do vice-govema-
dor seriam metafisicos).
Uma mat6ria sobre a rodovia do Coqueiro, rebatizada de .Mrio Covas (se vivo, ele aceitaria?), vai republicada em
outro espago. A abertura (ou lide) foi engolida na edi~o passada. .
Por isso, e por muito mais, pcrdio, litores.








JOURNAL PESSOAL 21 QUINZENA DE MAIO/ 2001 7


Basa
O Banco da Amaz6nia
faturou 150 milhoes de reais no
ano passado (mais da metade
das operaoqes de credito que
efetuou) s6 por administrar o
Finam e o FNO, que Ihe
proporcionaram receitas
equivalentes. Se o polemico
Fundo de Investimentos da
Amaz6nia da Sudam vai mal das
pernas, seu administrator
financeiro conseguiu, cor essa
fonte, bancar metade da sua
folha de pessoal em 2000. Ja o
Fundo Constitucional Norte
serviu para cobrir todas as
outras despesas administrativas
do banco.
E uma receita apreciavel,
derivada de uma taxa de
administracao relativamente alta
(e cumulative cor o "custo
Sudam", de problematica
contabilizagqo, como os
escandalos as saison estao
mostrando). Talvez constituam as
operaq6es de maior rentabilidade
do Basa. Foram elas duas das
quatro receitas que cresceram no
ano passado. As outras foram as
receitas sobre servigos e as taxas
de services. Experimentaram
queda as receitas sobre
operaq6es de credito e sobre
titulos e valores imobiliirios.
O pr6prio resultado
operacional do banco caiu pela
metade: ele havia sido de R$ 113
milhoes em 1999 e ficou em R$
56 milh6es no ano passado. O
lucro liquid tambem caiu,
embora em proporq6es bem
menores nesse mesmo period:
de R$ 74 milh6es para R$ 50
milhOes.


Voz
Alguem, na prefeitura de Be-
lnm, precisa dar a cidade a opor-
tunidade de questioner o projeto
de transformar o buraco da Pal-
meira e o pr&dio da Lobras em ca-
mel6dromos. Se for para impor a
formalidade aos ambulantes ou
coloca-los em ambientes fecha-
dos, eles reagirao. Do contrario,
teriam que renunciar a condiqgo
de ambulantes, sem nada em tro-
ca. Nao resolve a situaqio, nem a
da cidade.
A voz da razAo foi demitida da
PMB?


Quando as coisas se tornam insondaveis
aos manuais de auto-ajuda e a psicanalises ins-
tantineas, nada melhor do que ir buscar uma
explicaqio (ou, ao menos, uma comparaqio) em
gente como Homero, Shakespeare ou Dostoie-
vski. A orientaqio cabe ao caso da violaaio do
sigilo da votaqio no Senado. Tudo indica que
o crime nao foi cometido para viciar a votaqio.
Foi para dar aos fraudadores uma informa~go:
como votou cada um dos senadores na cassa-
qCo do mandate de Luiz Estevio.
S6 isso? Ate que uma informaiao bom-
bastica seja revelada para mudar radicalmente
o atual enredo, s6. "S6", entretanto, para po-
bres mortais. Nio para o poderoso senador
Ant6nio Carlos Magalhaes. Corn a lista, ele
poderia dar partida a mais um dos seus triste-
mente famosos dossies. Cor um dossih nas
mios, partiria para a agressao a vitima, flagra-
da em contradigio, erro ou pecado. ACM nao
vence as batalhas no dia marcado. Antecipa a
vit6ria na vespera, chamando o inimigo ao seu
terreno, entire quatro paredes, propicias ao
sussurro de seduqgo ou capazes de absorver
o grito de ameaqa. Para o babalorixa secular da
Bahia, o risco valia, embora nao pudesse pre-


Entre iguais
Em editorial de primeira pagi-
na, na sua ultima edi~io, o Jornal
Popular confessa que, nas eleiC6es
municipals do ano passado, "depois
de muitas conjecturas e introspec-
C6es, decidiu encampar, atraves de
seu balcio de anuncios, a candi-
datura do senhor Edmilson Rodri-
gues para prefeito de Belem, mes-
mo sabendo ser o tal individuo pes-
soa de duvidosas virtudes e parcos
moments de equilibrio".
Ojornal esta dizendo, com to-
das as letras, que vendeu espago
editorial em troca de dinheiro. Em-
presajornalistica seria vende espa-
qo publicitario e trata de identifica-
lo como tal para evitar eventual
confusio do leitor. Nio vende espa-
qo editorial. O prefeito Edmilson
Rodrigues teve a sua disposiqio co-
lunas e materias no Jornal Popular
porque pagou por isso. Quando
dava dinheiro para a publicaqio, era
elogiado, exaltado, glorificado.
Deixando de pagar, sofre agora uma
campanha tao adjetivada quanto des-
tituida de fundamento.
0 Jornal Popular e uma publica-
iao de escroqueria e chantagem. Para


arrancar dinheiro, nio tem o menor
escr6pulo. Inventa a larga. Difama e
calunia. Quem cede, passa a ter trata-
mento de client. Quem resisted, so-
frera as mais s6rdidas inj6rias. Quem
sonega impostos ou ter riqueza de
origem duvidosa, acaba achando que
e melhor pagar a ver expostos os seus
podres. Mas uma vez feito um paga-
mento, a cobranqa sera continue e cres-
cente. Como e pr6prio dos chantagis-
tas. E dos chantageados.
Desde que essejornal se estabe-
leceu, em 1992, todos os govemado-
res e prefeitos, de forma continue ou
epis6dica, Ihe deram dinheiro. Nao
numa relaqio normal entire anuncian-
te e veiculo, estabelecida a partir de
parametros-objetivos e subjetivos-
discerniveis, como tiragem, penetra-
qio, influencia, credibilidade. Usaram
ojornal para ofender desafetos e ini-
migos. Ou para conseguir um reco-
nhecimento impossivel de obter em
fontes mais honestas.
Edmilson Rodrigues, diretamen-
te ou atraves de intermediario, va-
leu-se desse 6rgao da imprensa mar-
rom para tentar me intimidar. Como
reagi, passou para outra forma de in-
timidacio, uma queixa-crime najus-
tiqa com base na Lei de Imprensa. E


ver que um telefonema seria tio important e
uma pessoa poderia ir alem dos seus limits.
Os observadores, que talvez nao cultivem
como deviam gente como Homero, Shakespe-
are ou Dostoievski, descuram desse "detalhe".
Da mesma maneira como deixaram de lado um
elementary raciocinio investigative: se ACM e
Arruda falaram toda a verdade, deviam ser
punidos da mesma maneira. Afinal, eles esta-
riam interessados em verificar se o sistema de
vota~go estava protegido contra manipula-
q6es. Ao receberem da diretora do Prodasen
uma lista de votaqao que nao deveria ser ex-
traida desse mesmo sistema, tinham em mios
a prova do crime. E destruiram-na, ao inves de
imediatamente acionarem os mecanismos de
apuraqao e puniqdo da fraude.
Num de seus filmes para a televised, Alfredo
Hitchcock contou a hist6ria de um home que
matou a mulher golpeando sua cabeqa corn um
pemil. Quando a policia chegou para fazer um
levantamento da situaqco, ele serviu o pemil aos
policiais, que traqaram o prato sem se dar conta
de que estavam eliminando a prova do crime.
Que festa nao faria o director ingles se pudes-
se filmar as entranhas do Senado brasileiro. ,


como ninguem de respeito da a mi-
nima para o Jornal Popular, aban-
donou-o. So que a cobra criada ago-
ra o ataca, com materias que sio tio
despropositadas na ofensa quanto ha-
viam sido na louvaqio.
Nio e s6 a sordidez da publica-
rio que impression, mas a tortuo-
sidade moral dos que tentam usa-la
para prop6sitos sujos, ou aqueles que
nela veiculam seus anuncios, empe-
nhados unicamente em nao sofrer
agress6es, mas ignorando um outro
aspect da questao: de que o leitor,
ciente da quitaqio da chantagem, fica
sabendo tambem que essas empresas
tem podres a esconder. No ultimo nu-
mero hi anuncios da Big Bern, da
Facil Veiculos e duas paginas de
materia paga da Unimed Belem.
Quem anuncia nessejornal, seja
em peas publicitarias caracterizadas,
seja atraves da compra clandestine
de espaqos editorials, 6 tio s6rdido
quanto a pr6pria publicaqio. E nao
se limpa dessa sujeira quando dela
se afasta, com o oprefeito Edmilson
Rodrigues deve estar verificando
agora-e varios outros poderososja
experimentaram na pele antes.
Espera-se que o povo aprenda a
identificar todos esses falsarios. &


Alma humana


I;r~C~JI*\1~~*C~`~~(dl*IJC;SJL~~:I;-+










Eleigdo
Com muita propaganda e tipi-
ca festa pre-eleitoral, o governor
reinaugurou a rodovia do Coquei-
ro, agora levando o nome de Ma-
rio Covas, nessa onda de 6tica em
que os tucanos aproveitam para
surfar sobre o espolio sacralizado
do falecido goverador paulista.
Toda a macaqueaqao teria senti-
do porque a antiga art6ria foi mo-
dernizada, cor melhorias na sua
calha central e nas laterais.
Nelas, porem, para desagrado
dos moradores dos oito quil6me-
tros cortados pela rodovia, nAo ha
nem area de escapamento para
manobras e muito menos ciclovi-
as. Os beneficiados sao exclusi-
vamente os que vao poder desen-
volver maiores velocidades, en-
frentando menos imprevistos de-
sagradaveis, na pista de rolamen-
to. InovaqGes, mesmo, quem sabe,
depois. Depois que passar a elei-
qio. Porque a obra tinha seu cro-
nograma fisico-financeiro muito
apertado. Nao para permitir a mo-
toristas dar meia-volta corn segu-
ranqa ou a ciclistas pedalar no
acostamento. Mas a empurrar o
candidate official a sucessao do
dono da obra, o goverador Al-
mir Gabriel.
(Republicado por ter vaido
coin incorrecao.)


Destino
O interventor da Sudene,
Wagner Bittencourt, conseguiu
pular do navio que foi a pique a
tempo de embarcar no novo na-
vio que zarpava, assumindo a di-
reqio da Agencia de Desenvol-
vimento do Nordeste. Ja seu co-
lega Jose Diogo Cyrillo nio teve
igual sorte: ficou amarrado aos
salvados do incendio da Sudam,
encarregado do trabalho de res-
caldo. Nao conseguiu assumir a
Agencia de Desenvolvimento da
Amaz6nia.
Se tera vida curta, delimitada
ao fechamento da Sudam, pode-
ria acrescer-lhe umas pitadas de
dignidade, num passamento me-
nos ingl6rio do que a vida.


Revisio
A grande duvida na neces-
saria revisao das irregularidades
na aplicacao dos incentives fis-
cais administrados pela extinta


Sudam 6 o alcance da remissfo.
Para o sistema ser expurgado dos
seus vicios, a analise ter que
retornar at6 1966, abrangendo
todos os projetos aos quais o
governor prestou colaboraqAo
financeira atrav6s da renincia
fiscal. Mesmo os projetos ja
emancipados teriam que passar
pelo pente fino de um grupo-ta-
refa multidisciplinar e interinsti-
tucional. Tudo o que fosse gas-
to nesse trabalho seria coberto,
varias e varias vezes, pelo ajui-
zamento de aq6es e o retorno do
dinheiro public dilapidado.
Alias, nao s6 com colabora-
gao financeira a projetos produti-
vos da iniciativa privada. Mas
tambem com convenios assinados
pela Sudam corn outras institui-
oqes publicas apenas para dar
beneficio politico ao protetor do
superintendent, alem de eventu-
ais sangrias de recursos para bol-
sos privilegiados. Ainda hoje se
faz exatamente como era pratica-
do ontem.
A mem6ria coletiva 6 curta.
Como as pernas da mentira.


Intimidade
Numa mat6ria sobre a Amaz6-
nia na revista Icaro, distribuida a
bordo dos avioes da Varig, o re-
p6rter alemio Werner Rudhart 6
apresentado como um intimo da
regiao. No texto, ele fala do "efei-
to do poderoso mingau de tacaca
da dona Zilda".
Deu aquela ansia de vomito
que vem quando vejo agai mistu-
rado cor granola.


Promessa
Os primeiros quatro ou cinco
capitulos de O Armagedon na
Cidade do Parc e a polemica
RessurreiCdo do Engolecobra
lEncl sao uma agradavel promes-
sa de que Belem sera finalmente
submetida a um ajuste de contas.
Flavio Nassar, autor da insolita
obra, combine ironia, hist6ria, sa-
tira, informaiao, bom humor, jor-
nalismo e imaginaqio ao colocar
Belem diante de um imaginadoju-
izo final, decidido a partir dos al-
tos do edificio Manoel Pinto da
Silva, ainda o maior do Norte do


Triste universidade
E simplesmente vergonhoso o espetaculo de incivilidade que a Uni-
versidade Federal do Para esta apresentado para a sociedade paraense. E
tamb6m melanc6lico o epilogo da administraqio do reitor Cristovam Diniz,
sepultado por um erro primario na regulamentacqo do process eleitoral
para a indicaqio do seu successor. O que, se nao comprova ma-fe, atesta a
impericia da cupula administrative universitaria. A UFPA esta mostrando a
opiniAo public uma face mais viciada do que a do parlamento national,
para o qual devia funcionar como espelho critic, reflexo depurado dos
golpes sujos e rasteiros que demarcam a busca pelo poder.
0 pais se livrou do despotismo da catedra, das formalidades e con-
vencqes que distanciavam o corpo docente do alunado e sua magnifi-
cencia dos pobres mortais. Mas desde a vit6ria de Seixas Lourenco, que
arrombou a porta da academia para um populismo barato, oportunista e
demag6gico, a UFPA ter sido sufocada por ervas daninhas do compa-
drio e corroida pelo virus da tolerancia desbragada, alem do corporati-
vismo a qualquer prego.
Se as luzes da reitoria ofuscam a consci6ncia dos atores principals,
inabilitando-os para ver, alem dos muros universitarios, uma sociedade
que ja nao consegue tolerar seus desmandos, deste lado de ca da vida
ecoam muito mais fundamente denuncias como a que o professor Jose
Maria Bassalo fez em entrevista a Elias Pinto, no Diario do Pari.
Criar process seletivo, estabelecer regras eleitorais e votar consti-
tuem um moment nobre na agenda da comunidade acad6mica. Mas um
moment secundario, derivado. A primeira tarefa de uma universidade,
onerada por sua condiqio de instituiqio plblica, suportada pelos im-
postos do contribuinte, e ensinar, pesquisar, difundir conhecimentos,
aproximar a ciencia do cotidiano, o saber da pratica. A UFPA s6 nio
aparece mais sofrivel e mediocre nessa mission essencial porque a caren-
cia de dignidade civilizat6ria elementary na dispute political costuma dar
ao acess6rio a aparencia de fundamental.
Ao submeter tudo isso a uma avaliacgo criteriosa, o cidadao que res-
ponde pela sustentaqio dessa engrenagem deve se perguntar pela afini-
dade cor tal produto, por sua relevancia, pelo significado de mantI-lo. A
universidade, que deveria servirde exemplo nessas mat6rias, e lamentavel-
mente reprovada. A decisao desta semana, de refazer a eleiqio, anulada
pelo Conselho Universitario, 6 a reediqio da farsa, sem que ela tenha sido
precedida pela tragedia, que a poderia engrandecer.


pais. Mas depois da surpresa ini-
cial e da boa expectativa que gera,
o restante do livro (ediqio da Se-
cretaria de Cultura, 134 paginas) 6
repetitive, mecanico, frustrante.
NAo falta fluidez ao texto, nem
alguns bons achados ocasionais,
que garantem a leitura ate o fim,
sem enfado. Mas a excelente cria-
Fgo inicial se perde. Talvez por-
que Nassar tenha pretendido mui-
to, demasiadamente, sem uma de-
finiqao forte. Personagens e situ-
aq6es se comprimem na camisa-
de-forqa de um enredo unilinear,
limitagio resultante da inexperiAn-
cia ou impericia do autor no peri-
goso terreno da ficqio. Talvez se
o livro se mantivesse nos limits
de uma novela ou nao ultrapas-
sasse o cercado do ensaio, os re-


sultados fossem muito mais satis-
fat6rios. Nassar nao se teria enre-
dado nas teias dessa aranha tro-
pical, perdendo o Norte, desper-
diqando tanto talent.
Se uma pr6xima edigio hou-
ver, ele poderia adotar duas pro-
videncias para melhorar sua obra.
Submete-la a uma revisao melhor,
sobretudo para eliminar os mui-
tos erros de pontuaq o que so-
breviveram. E abolir a numerayio,
que remete as notas bibliografi-
cas no final do livro, para que elas
possam ser lidas ao final sem a
enervantes idas e vindas ao texto
principal (bastando, para isso, fa-
zer a remissao nas pr6prias refe-
rAncias).
Vamos ficar aguardando o pr6-
ximo confront.


Jornal Pessoal
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