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JOTOR PeSSOR LUIjC IO F LA V O PIN TO A NOXV '* 258 1L QUINZENA DE MAIO DE 20010~p.. RS ,00-a b' -i"(! Pun id os Foram necessarios 13 anos para que a justiga, embora ainda em primeiro grau, punisse os responsdveis por uma das ma~is grosseiras fraudes na histd'ra agrdira recent do pais: a desapropriagdo da Fazenda Paraiso, um imdvuel fantasma em Viseu, pelo qual a Unido pagou milbd~es de reats. Pode ser o principio da anulagdo de uma sucessdio de atos semelhantes, uma negociagdo agrd~ria que levou o nome de reform agrdwia. s. E ~W~P ~n J4 ~rSI' c n, 7 :-r 1 ~i4c=~---~L~,- N~o dia 9 de junho de 1988 o enge Brasil, responsavel pela Secre taria de Recursos Fundisrios do NMinisttrio da Reforma e do Desenvolvimento Agrsirio, passou um telexo- grama de Brasilia para a delegacia regional do 6rgdio em Bel~m. Pedia que lhe fosse encami- nhado "urgentemente" o process de desapro- priaqio da Fazenda Paraiso, de interesse de Vi- cente Paula Pedrosa da Silva, que estava trami- tando na representagno paraense do Mirad. Alegava ele que ofazendeiro desapropria- do entregara diretamente g Seref o document que faltava para concluir o process expropri- atibrio, formalizado atravts do decreto 96.085, assinado pelo president Jos6 Sarney e o mi- nistro Jader Barbalho, duas semanas antes (a 23 de maio). A press de Brasil era tio grande que ele pedia que, "caso possivel", o proces- so fosse entregue ao chefe local do cadastro do Incra, Henrique Santiago, "que, segundo informaqio, est~i viajando para Brasilia nesta data". Por coincid~ncia, claro. fraudadore 2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MAIO/ 2001 via sido seu secretario de transportes no pri- meiro governor (1983-87), foi comn ele, assu- mindo a superintendgncia do lapas, o brago financeiro da previd~ncia. Depois, ainda con- seguiu se eleger deputado federal pelo PMDB. A partir dai, trocou a vida plblica por atividade privada. Os seis fazendeiros que realmente atua- vam no lugar nlo viram, mas a engenheira agri~noma Norma Iracema Santana, do Projeto Fundigrio de Paragominas, esteve em Viseu. Foi ela quem fez a unica vistoria in loco. No que imaginou ser a Fazenda Paraiso (por falta de precis~lo na descri~go do imbvel, que nlo estava demarcado), s6 conseguiu encontrar tris hectares de capim. Mas, ao inv~s de uma situaqio conflituosa, capaz de justificar a in- terven~go expropriat6ria do governor, consta- tou haver harmonia entire proprietirios, colo- nos e posseiros. A ttcnica constatou haver "divergtncias ticnicas" na documenta~go que Vicente Pe- drosa juntou quando props ao Mirad a de- sapropriaqgo de sua fazenda, alegando que ngo conseguia desenvolvQ-la, apesar de ter um projeto Sudam aprovado, porque a area havia sido invadida por posseiros, causan- do-lhe "prejuizo muito grande e incalcul~vel", porque ja havia investido recursos proptios por conta dos incentives fiscais, que acaba- ram nlo sendo liberados. As diverg~ncias ficaram visiveis aos olhos do advogado Sebastiso Azevedo, di- retor do Incra, quando o process lhe foi submetido. Ele observou que as certid~es de registro imobilibrio do im6vel nlo estavam autenticadas. O detalhe teria mero valor bu- rocr~itico, n~o fosse a circunstincia de que um dos livros de registros imobilibrios do cart6rio de Viseu simplesmente havia desa- parecido. Por coincid~ncia, aquele no qual provavelmente estariam registradas a Fazen- da Paraiso e a Campos do Pirid. Todas as advert~ncias, ponderaqdes e re- comendaqdes feitas a partir de entho por Aze- vedo e outros dois ttcnicos do Mirad (C61ia Cavalcanti Ribeiro e Wellington Mendes Lo- pes) forram atropeladas pelas expedidas pro- vidtncias de Brasil e ignoradas nos atos sucessivamente assi- nados por Barbalho, Sarney e Bessone. Para tal celeridade contribuiu decisivamente a in- terfer~ncia final do secretario da Seref, fazendo oprocesso retor- nar a Brasilia sem ter recebido um despacho conclusive na '.0. base operacional do Ministtrio. O que guardava coerancia com --------- a prbpria histdria dessa transa- ----~ glo: tudo, nela, foi decidido em Brasilia pelos homes de con- fianga de Jader Barbalho. Que agora, ainda na capital federal, comegam a ser punidos. O delegado regional do Mirad, Ronaldo Barata (hoje, president do Iterpa), atendeu a solicitaqgo e remeteu o process, que ainda estava em cursor. Com ele em mLos, Brasil tra- tou de cumprir o decreto presidential, que declarara "de interesse social, para fins de desapropriaqio", os 58 mil hectares da fazen- da, situada no municipio de Viseu, na divisa entire o Para e o Maranhio. O que deveria ser um memento important do process de reform agrdiria acabou se transformando numa das mais escandalosas transaq6es agrarias da hist6ria recent do pais: o governor havia investido milh~es de reais (o valor final ainda nlo foi levantado) numa terra que simplesmente nao existia. A Fazenda Pa- raiso era, na verdade, uma fazenda fantasma. Na semana passada, 0 juiz substitute da 12" vara da justiga federal de Brasilia, Eduardo Morais da Rocha, condenou Brasil a cinco anos e quatro meses de reclusio. Ele foi apon- tado como o principal responsivel pelas irre- gularidades apuradas pelo Minist~rio P6blico no process desapropriat6rio. Outros dois funciondrios do Incra (Instituto Nacional de Colonizaqio e Reforma Agrdria) tambtm fo- ram condenados por envolvimento na fraude. Para o beneficibrio, Vicente Pedrosa, a pena foi a maior, de seis anos de prisio, em virtude dos seus "antecedentes desabonadores". Todos, por~m, poder~lo recorrer da senten~a em liberdade. Os responsaveis pelo inqubrito adminis- trativo, instaurado depois que denuncias fo- ram apresentadas, pela primeira vez, na edi- Fgo 37 deste journal, na primeira quinzena de margo de 1989 (a mattria, de capa, com qua- se cinco pgginas, anunciava "um novo es- cbndalo"), temiam que Ant~nio Brasil esca- passe da responsabilizagao penal. B que o original do telegrama por ele expedido, atra- ves do telex 91 11681CRA BR (e que recebeu o nuimero 1820), foi extraviado do process de desapropria~go. Dessa maneira teria sido eliminada a prova de que ele "chegou a avocar o process admi- nistrativo para assim subtrair fases e adiantar o cursor normal do feito", conforme a observa- 95o do juiz Eduardo Rocha, na sentenga. Se no process nlo restou demonstrada nenhuma vantagem financeira pessoal de Brasil, sua participagio no an- damento da desapropria~go ge- rou beneficio para o suposto : k donor das terras. Vicente Pedrosa aparecia como o proprietirio, mas foi sus- citada a possibilidade de que a Fazenda Paraiso fosse, na ver- ' dade, integral ou parcialmente, uma antiga propriedade, consti- tuida com base em titulo de ses- fr . maria, a Campos do Pirid. S6, que essa grea fora vendida em 1982 a uma madeireira, a Bannach, por seu entio donor, o deputado federal do PMDB Jader Barbalho. Nesse mesmo ano ele concorreria ao governor do Estado, vencendo sua primeira eleiqlo para um cargo executive na adminis- traqio publica. Surpresos comn a desapropriaqio de terras que consideravam suas, sem conseguir iden- tificar na irea um im6vel com o nome de Fa- zenda Paraiso, embora suas atividades remon- tassem "jd~ alguns anos" na regido, seis fazen- deiros solicitaram logo em seguida ao Mirad a sustaqgo do process, que diziam ter sido montado "sem as cautelas devidas". Eles con- fessaram sua "perplexidade maior" porque "existem muitas duvidas quanto a existencia de tal 8rea, principalmente nas dimensbes apontadas", numa regilo onde mesmo os mai- ores imbveis nio tem o tamanho dos latifiindi- os caracteristicos das Aireas de mais recent ocupa~go no Park. Os fazendeiros criticaram o"tempo record" da desapropriaglo, observando que se pelo menos tivesse sido realizada uma vistoria no local, "certamente que seria detectado o aqui denunciado e o mais grave: pelas caracteristi- cas e describes do decreto, englobaria as pro- priedades dos signatilrios". Mas entire dezembro de 1988, quando a denuncia foi protocolada no Mirad em Be- 16m, e 28 de margo do ano seguinte, quando foi finalmente considerada, o ato que com- batiam se consumnou por inteiro. No dia 27 de outubro, Leopoldo Bessone, o quinto em quatro anos iniciais de Mirad, ji entio subs- tituindo Jader Barbalho, assinou a escritura de "desapropriaglo amiglivel" do im6vel. Vi- cente de Paula Pedrosa da Silva recebeu 547 milhaes de cruzados de ent~o pelas benfei- torias supostamente existentes na fazenda e mais 55.221 Titulos da Divida Agrdiria pela terra nua (quase seis milh~es de reais, a pre- 90s de hoje). Essas TDAs podiam ser res- gatadas em cinco anos, 40% delas ji no se- gundo ano. Nessa 6poca, Jader jB havia assumido o Ministtrio da Previd~ncia Social, ainda na ad- ministraqio Sarney. Ant~nio Brasil, que ha- : ,, - JORNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE MAIO/ 2001 3 O process instaurado para apurar o destiny de 11 cheques administrativos do Banco do Estado do Parsi, emitidos ao lon- go de 1984, comegou mal e terminou mal no Ministbrio P~blico do Estado. Ap6s 10 anos de idas e vindas no venture da insti- tui~go, sem uma decisio finalista, o 4' Promotor de Justiga de Direitos Constitu- cionais e do Patrim~nio Puiblico, Jos6 Vi- cente Miranda Filho, conseguiu desagra- dar a gregos e troianos: simplesmente de- terminou o arquivamento do process, "em razio da prescrigio dos atos de improbi- dade administrative e dos ilicitos penais, porventura existentes". O Conselho Superior do MP n~io aca- tou a decisio, que est8 revendo. O caso pode passar para a esfera federal, com o que se aliviariam as consci~ncias pesa- das (se o procurador Geraldo Brindeiro inovar o seu motor continue de arquiva- mento). Mas o epis6dio 6 suficientemen- te grave para exigir uma reflexio mais profunda e conseqiiente da institui~go. Sem isso, ela nao said ilesa do episbdio. No minimo, exibird escoriaq~es generali- zadas. A moral da hist6ria aponta para a relutincia do Ministtrio Publico em en- frentar questoes mais graves, que envol- vem algum risco politico, deixando de cum- prir sua missio constitutional. Em 1991, sumiram dentro do MP os documents que o Banco Central lhe en- caminhara, referentes g inspe~go feita no ano anterior no Banpard, em funqgo da tortuosa rota seguida pelos 11 cheques administrativos emitidos pelo banco esta- dual. Sobrou apenas o document que encaminhara a papelada. Tras anos depois, em 1994, o BC foi acionado novamente para restaurar a do- cumentagio. O entlio president do BC, Pedro Malan (hoje, ministry da Fazenda), encaminhou de Brasilia 100 folhas de pa- pel, que seriam uma segunda via dos do- cumentos remetidos em 1991. Cinco me- ses depois da juntada ao process, o 2' Promotor de Justiga de Protegio de Di- reitos Constitucionais e do Patriminio P~blico, Judas Tadeu Brasil, pediu para ser considerado impedido de atuar no caso. Mesmo assim, reteve esses autos por dois anos, sem dar-lhes andamento. Em 1996, a imprensa national noticiou que o process recebera um embargo de gaveta no MP do Parkt, que s6 entio de- cidira sair atris do process desapareci- do, porque atingia o ex-governador Jader Barbalho. O senador pediu providencias ao MP, encaminhando-lhe c6pias de off- cios de dois diferentes presidents do BC. O mais antigo, de 1992, assinado por Fran- cisco Gros. O mais recent, de dois dias antes da manifesta~go senatorial, em abril de 1996, de Gustavo Loyola. Ambos o ino- centariam, atestando que seu nome n~o constava do relat6rio de fiscalizaq~io. Feita a tal varredura, a diregio do Mi- nisttrio P~blico verificou que o caso havia se convertido num inqutrito policial e re- metido para a 6" vara penal de Bel~m, sem chegar a uma den~ncia criminal porque o representante do MP nos autos, "em razio de falta de provas suficientes quanto a au- toria", havia pedido o arquivamento. Comegou entio uma capa a esses au- tos e uma confusio danada entire o inqu6- rito policial, arquivado em 1991, e o pro- cedimento extra-judicial, de 1992, que vol- tou a ter tramitagio internal no MP comn o reenvio dos documents do BC em 1994, em iniciativas que visavam mais confun- dir do que esclarecer, protelar e nio deci- dir. Tanto que permanece como incognita o destiny dado a uma outra remessa de documents do BC, feita em 1992 (oficio 92/1913), provavelmente mais complete do que a anterior, de 1991. Esse imbroglio n~io podia ter mesmo um desfecho correto. Uma coisa 6 o po- lImico parecer do procurador Vicente Miranda, que superestimou a lacuna do- cumental da inspeCio do Banco Central e subestimou seu trunfo maior, a compro- va~go da materialidade dos ilicitos penais cometidos, desinteressando-se por com- pleto do prosseguimento das investigaqaes e da recuperaqio dos recursos publicos efetivamente desviados. Esta 6 a conseqiitncia. A causa 6 a postura mental e a priitica operacional do MP do Parki, escandalosamente desnuda- da pela tibieza com que se houve neste "caso Banpardi". Para limpar essa n6doa, espera-se que o Ministtrio Pdblico revol- va e apure os fats como autintico fiscal da lei, esclarecendo as situaqdes e discri- minando as responsabilidades dos seus representantes, para que a sociedade o olhe com o respeito e a admiraCio que a institui~gio nos merece, em tese. No Para, com esperanga. A chaga do MP TWOCO Por linhas tortas, e involun- tariamente, a deputada fede- ral Elcione Zaluth Barbalho deve estar se deliciando com o capitulo mais recent da no- vela Jader Barbalho. Diz o ditado que a vingan- ga 6 prato para ser comido frio. O povo aumenta. Nro mnventa. Co mpe nsagAo Felizmente, o grupo Y. Yamada ji tem um bom paddio de qualidade. Todas as lojas que inaugurou nos 61timos anos sho vistosas. Todas, exceto a maior e mais antiga, no centro velho da cidade. Simbolo de uma era que a empresa parece realmente empenhada em deixar para trris, ainda continue incomodando, principalmente quando vista no conjunto da rede. Ngo hi muito o que fazer diante das sucessivas improvisaq~es e adaptaC~es que foram engolindo os pr~dios vizinhos, quase ocupando todo um quarteirio a partir da rua Manuel Barata, numa cacofonia arquitetbnica. Mas os Yamada bem que podiam oferecer compensaqdes g populagio. Num dos extremes do quarteir~io eles estio negociando com a familiar Pires Franco a bela casa que foi resid~ncia de Victor. Ao que parece, o pr~dio foi construido na d~cada de 20 por um alemio, num estilo bem europeu. E enorme e linica na paisagem belenense. Bem recuperada, podia ter um uso nobre. Uma loja sofisticada de mbveis, por exemplo. Do outro lado, a Y. Yamada podia tratar da restauraq~io do conjunto Pombo, a partir da maravilhosa capela e seu precioso pitio interno. Tudo, ali, 6 desfiguraqio ou destrui~go. Mas 6 um dos poucos conjuntos arquitet6nicos que ainda pode ser salvo no centro, uma pbrola em extingio. A empresa podia transformar a ftrea num conjunto de galeria de arte, livraria, caf6 e restaurant. Daria vida nova a toda a grea, ajudando a engolir o pato feio que 6 a sede. Fica a sugest~io do critic chato, talvez, mas construtivo. 4 JOURNAL PESSOAL l'QUINZENA DEMAIO/ 2001 Corruppio, fraudes e irregularidades constituem a inevitivel fauna acompa- nhante do sistema de incentives fiscais adotado pelo governo federal, a pretexto de desenvolver as greas mais pobres do pais, o Nordeste, o Centro-Oeste e a Amaz~nia? Sou dos que, hB muito tempo, responded sim. Cada vez que um enor- me vazamento 6 descoberto e tampona- do, outro, maior ainda, ou pelo menos de igual tamanho, aparece. Uma casa com maus alicerces e piores pilares vai ter fra- turas sempre. Um dia, cai. O vicio do sistema e de origem. Diz respeito g sua natureza: colaboraq~io fi- nanceira estatal, dada a empreendimen- tos privados, atrav~s da utilizagio de op- 9~5es de devedores de imposto de renda. E algo absolutamente heterodoxo na 1,- gica do capitalism. Para que funcionas- se, Estado e empres~rios deveriam ser reeducados. Se nio fossem reenquadra- dos, coagidos. Sem resultado pedag6gi- co, punidos. Claro: por uma sociedade que estivesse acompanhando o process e comn capacidade de nele intervir. Ao inv~s disso, criaram um monstro de la- borat6rio. E esperaram sua auto-regula- menta~go. Teria que dar no que sempre deu: desvio de recursos. O que a imprensa vem revelando nos li1timos meses 6 a face abertamente pato- 16gica do sistema, sua marginalia assumi- da, ladies de galinha que cresceram g base de uma vitamin poderosa: a impunidade. Mais do que ela: a cobertura associativa. Algu~m, "li em cima", ia quebrar todos os galhos. E ningudm seria preso. O triste espetaculo apresentado diari- amente pela midia 6 a depravaCpo de uma causa nobre, mas insubsistente. Enquan- to o regime military esteve em vigor, a ali- anga entire os tecnocratas e o grande ca- pital nio deu vez aos empres~rios da ter- ra, de curta poupanga. As cartas ji vi- nham marcadas de Brasilia. Eventualmen- te, beneficiando gente local que conseguiu seduzir e enganar o inico paraense pode- roso desse period, o ex-senador Jarbas Passarinho. No mais, o orgamento da Su- dam era previamente retalhado entire aqueles capitalistas que iriam extrair da fronteira amaz~nica produtos de exporta- Cgo. D61ares, portanto. A uinica merca- doria que interessava aos pais da pi~tria de entio. Como aos de hoje. Com a democratizaCqio, o peso das ban- cadas ditas nortistas (todo o Brasil da Bahia para cima) levou a uma repactuaCio das regras do jogo. Passou a sobrar mais di- nheiro para a partilha entire os projetos ha- bilitados no fundo estatal de investimentos. N~o tanto quanto o que era inscrito nos pap~is oficiais, cuja alvura burocritica nem sempre reflete as tonalidades da realidade (para o bem ou para o mal). Os escrit6rios da avenida Paulista ou da Wall Street tupiniquim, em torno da Bovespa, no centro velho da capital pau- listana, abocanhavam com seus caixas 2 uma parte consideravel do dinheiro, at6 um m~ximo de 40% (denurncia velha que finalmente o senador Jader Barbalho, em desespero de causa, fez ecoar pelo pais). Mesmo assim,ji havia mais dedugaes nio carimbadas para ter aplicaqio fora dos elos oligopolisticos anteriores. O dou- tor Henry Kayath teve essa clarividtncia 15 anos atra~s. Como bom jogador de p8- quer, achou que podia avangar sobre 30% dos recursos que jB vinham com destina- gio preestabelecida. Fincou a bandeira da democratizaCio: queria ter dinheiro para retalhar entire os sem-incentivos. E~ 16gico que usufruindo o poder que passou a con- ferir a si mesmo. Em tese e na pra~tica. O cabuloso espeta~culo que estamos a assistir 6 o raio-x da elite local. Ela criti- cava a voracidade e o centralismo da eli- te national, que s6 tratava bem os seus. Conseguiu introduzir seus pri~prios parcei- ros no espeticulo. Mas, como aconteceu com o governor Collor, dessa descentrali- zaCio regionalizante resultou apenas a sensagio de que o que diferencia estes daqueles e a escala. A dos novos empre- endedores incentivados 6 bem menor do que a dos velhos bandeirantes. E, infeliz- Devemn sobreviver OS I0 CO llVOS flScais'. Mondlogo O governor do Estado come- te uma temeridade ao fazer ouvidos de mercador its pon- deraq8es que o president da Praticagem da Barra do Park, Miguel Salgado, tem feito so- bre as conseqtiincias negatives da ponte sobre o rio Guami, a principal obra de arte da Alga Vib~ria, representando metade do investimento total previsto, de 180 milhies de reais. Ele diz que a altura maxima de projeto da ponte, de 23 metros, acar- retarid restriq~es at navegaglio. O minimo deseji~vel seria de 36 metros, diz Salgado, ressaltan- do que esse limited ainda esti abaixo do ideal. A ser correta essa obser- vagio (antecipada aqui, na edi- CNo da 2" quinzena de feverei- ro), a administration Almir Ga- briel continuard andando na contra-mio em mat~ria de transport: induzindo o rodovi- arismo. E pior ainda em mat6- ria de opiniio puiblica: apostan- do na forga dos fats consu- mados, sem didlogo a strio. EleigAo Nelas, por~m, para desagrado dos moradores dos oito quilbmetros cortados pela rodovia, nio hit nem Area de escapamento para manobras e muito menos cidlovias. Os beneficiados sbo exclusivamente os que vLo poder desenvolver maiores velocidades, enfrentando menos imprevistos desagradaveis, na pista de rolamento. InovagCes, mesmo, quem sabe, depois. Depois que passar a eleiqilo. Porque a obra tinha seu cronograma fisico-financeiro muito apertado. N~io para permitir a motorists dar meia-volta comn seguranqa ou a ciclistas pedalar no acostamento. Mas a empunrra o candidate official A sucessslo do dono da obra, a governador Almir Gabriel. JOURNAL PESSOAL* la QUINZENA DE MAIO/ 2001 5 bem intencionadas. Passaria a ter a forga de uma lei. A Sudam cuidando de ajustar os programs aos seus recursos. Talvez assim a necessaria prioridade de aplica- 95es pesadas em citncia, tecnologia e educa~go se tornasse mais do que um cre- do metafisico. O 6rgio podia n~io ser mais a Sudam, tal como a conhecemos hoje, um paqui- derme submetido a spa rigoroso, mas ain- da lento, viciado, sem inimo. Nio pode, entretanto, ser um clone do BNDES. Anos atras fui chamado para um encontro na sede carioca do banco. Era um padr~io de primeiro mundo. Num memento dado tra- tou-se do PAI, um program de investi- mentos para a Amaz~nia que tinha um bilh~o de reais em caixa. Um irmso do Bussunda, S~rgio Bes- sermann, desceu de seus tamancos para dizer que a regi~io nio tinha empresi~rios, por isso nio conseguia dar conta do dinhei- ro. Lembrei-o de que o maior aporte do BNDES em toda a hist6ria amaz6nica foi para o Projeto Jari. O donor era um wasp americano, o tycoon Daniel Ludwig. O successor dele era um wasp a brasileira, Augusto Antunes. O dinheiro caiu em areia movediga, que tragou uns R$ 300 milh~es do banco. Sem um ai do seu apparatchi- ck. Brancos se entendem. Ngo somos brancos. Somos pardos, quando muito. N~o 6 desse padrilo metropolitan que precisamos, se o prop6sito 6 o de criar uma nova agbncia de desenvolvimento. A Adam (minha sugestio de sigla para a Ag~ncia de Desenvolvimento da Amaza- nia) podia ser um 6rg~io de excel~ncia, com intimidade nos assuntos cientificos e t~c- nicos, credibilidade externa, respeito inter- no, aberto, democritico, formado por pes- soas muito bem selecionadas, submetido a conselho curador independent, direta- mente ligado ao president da Repdiblica, mas insuscetivel a seu mando pessoal gra- gas a mediaqio de um comity interno de auditoria, com status ministerial. S6j as- sim essa ag~ncia seria lembrada por seus m~ritos, ndo pelas impresses, como as que atualmente a Sudam deixa em tudo o que toca. Impresses que t~m seu sitio competent nio em anais ou livros, mas em prontuarios policiais. Jg 6 hora de a sociedade amazbnida li- vrar sua principal ag~ncia do confinamento criminoso em que os apadrinhados do sena- dor Jader Barbalho a deixaram. Ou, a falta de vontade ou forga, dar-lhe uma morte, se nio digna, ao menos misericordiosa. mente para eles, seu poder de fogo junto g opinion pdiblica, tambtm. Se o roubo "per capital" tornou-se menor, houve, em com- pensaqgo, mais "capitas" para roubar. Quase ficou elas por elas. E n6s, vendo a banda (podre) passar. O que fazer, entio, dos salvados do in- cdndio? Esti ai uma resposta que deveria ser dada coletivamente, atrav~s do didlo- go. Mas talvez a gravidade da situaqio torne mais receptivos ou ouvidos normal- mente moucos de Brasilia. E mais do que chegada a hora de p6r fim a esse Frankenstein, acabando com a colabora- ~go financeira a projetos privados. O ni- cho estatal por excel~ncia num sistema capitalist 6 o cr~dito, uma operaCgo de troca de dinheiro por determinadas garan- tias, incluindo o custo da mercadoria. Como quem entende de cr~dito 6 ban- co, nada mais desejaivel do que entronizar no Basa a carteira de projetos do Finam, eliminando-a nesse ato. Quem quiser ser um pioneiro na Amaz~nia, ird ao banco com seu projeto. Se o que apresentar for bom, said com o dinheiro necessario, em com- petente c~lculo econbmico e financeiro, ao menor custo possivel para que a empresa se apresente adequadamente ao mercado. As dedugdes das empresas, que pas- sariam a ser compuls6rias, como quer o ministry dalIntegraqio Nacional (um "qua- dro" nordestino da poderosa Confedera- ~go Nacional da Inddistria), iriam para o cronograma financeiro do Plano de De- senvolvimento da Amazania. Assim, o PDA deixaria de ser item de curriculo aca- dtmico, uma libaqgo beletrista de almas 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MAIO/ 2001 _ I I_ _~ ~II~ I ~ I provavel que nenhum ranario tenha di- vulgado no pais, em todos os tempos, uma pega publicitaria tiio grande e cara quanto a que a patrocinada pela empresa da esposa do sena- dor Jader Barbalho, Marcia Centeno Barba- lho, publicada no ultimo domingo em O Libe- ral. Foi uma pagina inteira, que o journal nto teve o cuidado de bem identificar como ma- teria paga, deixando nos leitores menos infor- mados a impressito de que poderia ser mate- ria redacional, o tipo de veiculaCio mais cara de um journal. A razilo da pioneira iniciativa estava al- gumas paginas adiante, em reportagem pro- duzida e distribuida pela Ag~ncia Globo (e tamb~m divulgada no Jornal Nacional, da TV Globo), com a denuncia de que o recem- cancelado projeto Sudam da mulher do se- nador paraense teria desviado os 9,6 milhdes de reais recebidos atraves de colaboraqio financeira dos incentives fiscais da Sudam. Como a equipe da Globo ja havia estado na sede do ranario, em Icoaraci, a empresa achou de bom marketing se antecipar a es- perada reportagem investigative com um co- municado a opiniio publica. A leitura de ambos os textos deve ter dei- xado muita gente sem um juizo formado sobre o tema. Parece pouco provavel que o ranario tenha tido acesso tio milionario ao caixa da Sudam, desviado tanto dinheiro e feito tio pou- co. As acusaC~es nesse sentido da materia jornalistica claudicam nas provas e tropegam na logica. Mas niio e m'enos improvavel que o ranario esteja tiio bem quanto proclama a ma- teria publicitaria, hiperb61ica na adjetivagilo, ra- quitica nas informaqdes, escrita, quem sabe, para inglis ao tucupi ler. A prova dos nove deve estar a meio ca- minho entire jornalismo de maior consistin- cia e presta~go de contas mais conseqiien- te. Se possivel, exercitada num veiculo de maior credibilidade. Sem isso, fica o chiste pelo faz-de-conta. luta clareza, descartando a eventualidade de recursos de ultima hora, de armadilhas ca- mufladas em disposiqdes obs- curas, de uma posta-restante de quest~es pendentes. S6 quando a materia tivesse sido discutida em colegiado na am- plitude e profundidade neces- sarias para um process elei- toral claro como nosso ceu, a vota~gio seria sancionada. Assim, cumpridas as for- malidades legals e dados to- dos os esclarecimentos devi- dos, a apuraqilo dos votos se- ria seguida automaticamente pelo reconhecimento do ven- cedor, cabega de uma lista que incluiria dois nomes por mero rito formal, desde que todo o process, do seu principio a sua finalizaqilo, tivesse legiti- midade categorica, com aca- tamento pelas parties, desejo- sas de veneer para executar um program, nito para usu- fruto pessoal dessa parcela de poder em causa. Ao inv~s disso, o perde- dor declara-se esbulhado e vai a justiga atras de um novo resultado, na triste manifes- tagio do tapettio, descum- prindo ainda acordo de cava- lheiros por se considerar le- sado. A partir dai, um mar de lama se espraia, com acusa- gies de ambos os lads, a maioria das quais nada tem a ver com a dire~go de uma institui~gio do saber. Saber? Lamentavel. Desencontro Decide-se atualmente um novo capitulo na hist6ria re- cente do Para. O cenario e Carajas. O fio da meada se desdobra entire varios paises. E se reparte entire substilnci- as minerals, do ferro ao co- bre, passando pelo mangan~s. Bilhdes de d61ares estlio em causa. Desenvolvimento de mercados de amplitude mun- dial em perspective. Mas parece que e em Mar- te. O Para de ontem ignora o Para de hoje. Niio vai encon- trar o de amanh5. Chaga O governador Almir Gabriel herdou muita coisa ruim dos seus antecessores em materia de saude. Alguns deles tambem pagaram sua cota pelo clamoroso erro do governor Collor de extinguir a Sucam (Superintend~ncia de Campanhas Medicas), depois do qual o problema da malaria voltou a recrudescer e continue sendo uma chaga aberta. Mas deve ser incomodo para um medico nito ter conseguido reverter os pessimos indicadores de saude do Estado, nas tiltimas posiqdes nesse assunto no ranking national. Ainda mais porque nesses seis anos secretario de sat'de foi, no Para, uma abstra~gio. Candidate Se fosse possivel medir estatisticamente a preferin- cia do governador Almir Ga- briel pelos tres nomes que disputam a sua sucessio den- tro da coligaFio situacionis- ta, a divisio ficaria mais ou menos assim: Simio Janete, 75%; Nilson Pinto, 25%; Hil- degardo Nunes, 5%. Talvez por ter id~ia de grandeza semelhante, o vice- governador decidiu colocar sua candidatura nas ruas e tra- balha-la independentemente da sagra~gio official. Hildegar- do esta disposto a disputar o governor no proximo ano mes- mo sem o apoio (ou sequer o nihil obstat) de Almir Gabri- el. Hhipo~tese que nao e im- possivel. S6 e remota. Nio, porem, pelo PTB, partido ao qual esta filiado. O vice nio confla nos Kayath, que dominam a sigla. Prefere tentar ir para o PFL. Com uma condigilo: ter poder de fato na direptio do partido. Uma presidincia de honra ja serviria. Desde que Helio Gueiros seja colocado de lado, para nho criar proble- mas. Nem inventar surpresas deu6ltima hora, como tentou fazer na elei~go municipal do ano passado em Belem. Os entendimentos ja estio em cursor. Academia E uma tristeza essa eleiglo para reitor da Universidade Federal do Para. Uma prova a mais de que a academia nto consegue estabelecer exce- lancia nem mesmo quando se trata de former cidadlios, de criar um padrito modelar para a atividade political, de fazer a contrafaqilo a politica dos profissionais. Havia tempo e devia haver espirito olimpico bastante para que a regulamentaglio da con- sulta a comunidade fosse feita sem agodamentos, com abso- Bat ra quad a JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MAIO/ 2001 7 Matrnz Estreou na 61ltima segun- da-feira, em Sio Paulo, uma exposiqgo sobre o centendrio de nascimento de Adhemar de Barros. Ele foi tr~s vezes governador paulista, mas nio conseguiu realizar seu maior sonho: chegar g presid~ncia da Repilblica. Sua passage de 30 anos pela political dei- xou duas marcas hist6ricas: o assistencialismo da mulher, Leonor, e seu slogan infor- mal e paradigm inconfesso da political brasileira ("rouba, mas faz"). Como a exposi~go vai cir- cular pelo pais, o Parai podia logo candidatar-se a receb6- la. Tem tudo a ver. Adhemar, alids, foi acusado de ter rou- bado em Bel~m uma urna marajoara, do acervo do iviu- seu Goeldi. In iciativa O senador Jader Barba- lho jb disse que nio renunci- ard a nada. E um direito que the cabe. Para o bem de to- dos e felicidade geral da na- ~go, por~m, podia licenciar- se da presid~ncia do Sena- do. Essa attitude, al~m defa- cilitar a apuraqio das acusa- 95es que the t~m sido feitas, teria uma just ficativa pesso- almente relevant: o senador poderia se dedicar em tem- po integral ao esclarecimen- to dos fats, em todas as ins- tincias, indo is redaq6es dos principals 6rgios da impren- sa e a todos os 6rgios puibli- cos onde fats desabonado- res foram registrados. Fica- ria neles at6 colocar tudo em pratos limpos. Se a cruzada fosse bem sucedida, Jader reassumiria a presiddncia do Senado com legitimidade bastante para exercer o cargo em sua ple- nitude, nZ~o de forma capen- ga, mutilada. Possibilidade que, nas circunstincias atu- ais, se tornou impossivel. O prej uizo da Jari Celulose, a maior do setor em todo o Norte do pais, quase do- brou entire 1999 e 2000. Nesses dois exer- cicios a empresa, criada na Amazinia pelo miliondrio americano Daniel Ludwig, na 6poca considerado o home mais rico do mundo, foi administrada por seus novos controladores, o grupo Orsa, de Shio Pau- lo, o quarto maior fabricante national de papel, celulose e embalagens. Em 1998, ultimo ano em que o pol~mi- co projeto esteve sob o comando dos do- nos anteriores, o grupo Caemi, o prejuizo havia sido de 122 milhdes de reais. Ja sob o comando da Orsa, de S~rgio Garcia Amoroso, o saldo negative passou para R$ 156 milhoes. No ano passado, chegou a R$ 288 milh~es. Desde que comegou a operar comercialmente, em 1979, a Jari acumula quase R$ 900 milhdes de prejui- zo. Nunca deu lucro liquid, principalmente por ca usa do seu custo financeiro. O ano passado deveria ser bem fa- voravel g empresa, que experimentou um discrete avango sobre seu record hist6rico de produ~go, de pouco mais de 290 mil toneladas. O prego medio da celulose no mercado international cresceu 34%, pulando de 490 para 657 d61ares a tonelada. O faturamento da empresa, que destina 88% da sua pro- du~go para a exporta~go, sobretudo na Europa, acompanhou essa evolu~go, indo de R$ 246 milh~es para R$ 336 milh~es en- tre 1999 e 2000. Logo no inicio do ano passado a Jari fechou a renegocia~go da sua di- vida, de R$ 880 milh8es, com 81% dos seus cre- dores. Comprometeu-se a pagar pelo menos 27% desse valor nos pr6xi- mos 11 anos, a partir de uma determinada gera- ~go de caixa, acima de cujo limate a parcela mai- or do valor adicional so- bre um prego minimo de US$ 420 pela tonelada de celulose (80%) ira para os credores. O peso do custo financeiro, por~m, continuou alto (bateu em R$ 285 milhbes no ano passado), agravado pelas contin- gtncias que a empresa precisou fazer. Para atenuar um pouco o impact desse fator sobre as contas, a Jari recorreu a procedimentos contibeis que, segundo o parecer dos auditors independents, per- mitiram reduzir em R$ 56 milhdes o pre- juizo real, que iria, entso, para mais de R$ 340 milhdes. As perspectives para este ano podem ser ainda menos animadoras. Depois de ter caido no uiltimo trimestre de 2000, o prego da celulose manteve-se numa ten- d~ncia acentuada de queda no primeiro trimestre de 2001, comprometendo a ge- raqio de caixa com a qual a Jari pode manter seu esquema de amortiza~go mi- nima do seu grande d~bito. Foi esse pesado endividamento que Da- niel Ludwig deixou como heranga em 1982, quando desistiu do monumental projeto que havia concebido para a floresta amaz6nica (com celulose, papel, caulim, madeira, arroz e caree, mas nunca chegou a realizar ple- namente. O desaflo nio foi vencido por Augusto Trajano Antunes, que o sucedeu B frente de um conglomerado de 22 emprest- rios brasileiros, como conseqiidncia do pro- cesso de nacionalizaqio. E parece come- gar a pesar demasiadamente sobre o pro- prietario mais recent, o grupo Orsa. Jani: prejuizo, COmro sem pre JO1-nal Pessoal Editor: Lbacio FI~vio Pinto* Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 *e-mail: jornal@amazon.com.br Produgo:An~gelmPinto Edigod re Luizantoniodef ariapintol230-1 304 Repetigio Em 1988 a Policia Federal instaurou inquerito em Belem para apurar uma histbria que tinha como personagens a Sudam, os incentives fiscais, escritbrios de corretagem, intermediaqio indevida, documents falsos, trafico de influincia e corrupp~o. Ou seja: um enredo muito parecido ao atual, que tambem esta sendo destrinchado pela PF. E com outros amigos que o senador Jader Barbalho tinha entio. Ngo convinha trazer a investigation anterior para os autos do atual procedimento, ajudando a esclarece-lo? Ao menos ajuda a impedir que uma trag~dia, repetida, se transform numa farsa. Renlancia O Ministbrio do Meio Ambiente confessa que acompanha apenas a distincia os estudos tecnicos sobre a transposigio de aguas do rio Tocantins para o Sio Francisco. Os responsaveis sao outras instancias do governo. Como a compet~ncia do MMA e especifica, a confissio equivale a dizer que a obra sera realizada independentemente do seu impact sobre o meio ambiente? Se nio e assim, se os tecnicos dos outros 6rg5ios governamentais estio tratando desse problema, a declaraqio do MMA equivale a uma renuincia tacita as suas atribuigaes legals. Ou, transpondo a frase de Clemenceau, meio ambiente e questio seria demais para ser conduzida pelo MMA? Que tal, entio, extingui-lo? ab range edi- 1 95es especi ais que forem langadas, E~ assim que a adminis- I traqio Edmil- a son Rodrigues continue a-tra tar, mais de 1 quatro anos ?e1) depois, sua ; principal rela- ~jllgy~ Fgo institucio- ~~;,l~(t-i nal com a soci- edade. Infor- \\ B,\Li'?~ maqio pode ser propagan- da. Mas nem sempre 6. A lei obriga o admi- nistrador publico a dar a maior publicidade possivel aos seus atos. Nosso alcaide inter- preta essa norma constitutional como auto- rizaCio para propagandear-se, quando nio faz o basico e essencial: dar vida official aos seus atos, atraves do DO (que continue, a rigor, clandestine) para que seus concidadios deles tomem ci~ncia e os julguem. Mas isso, ao que parece, foi e conti_ nuara sendo "o resto" para nosso gr~o vizir iluminado. Comunicaqgo Eram 10 e meia da manhi do dia 19, quin- ta-feira da semana passada, quando cheguei a sala que o Diario Oficial do Municipio de Belem ocupa no predio da Secretaria de Ad- ministraqio. Infelizmente, at6 aquele momen- to a Cinbesa, a empresa municipal de infor- matica, responsavel pela impressio, ainda nio havia mandado a edigio daquele dia. S6 es- tava disponivel o numero anterior. Paguei dois reais pelo exemplar, com uma unica folha de papel, dividida em qua- tro paginas, format oficio (menor do que o deste JP). Na folha de rosto, apenas dois quadros, um com a composi~go da alta ad- ministraqio municipal e outro com os no- mes dos vereadores da clmara de Belem, mais uma chamada sobre a lei do IPAMB (ex-IPMB) e outra sobre a campanha anti- drogas. Nas paginas internal, 11 portarias da Semad, dois aditivos contratuais da Seurb, outros dois da administration do Outeiro e mais seis atos rotineiros, entire os quais uma "ata de enstalatio" de uma comissio de sindicancia da Funpapa. O exemplar atrasado custa 50% a mais; sai por R$ 3,00. A assinatura mensal e de R$ 25,00, mas o eventual assinante tera que it buscar o seu exemplar diariamente na sede da Semad. O Diario Oficial do Municipio nio faz entrega em domicilio. A assinatura nho Participaq~o Alem de Antinio Brasil, ou- tros paraenses atuciram no pro- cesso de desapropriaqio da Fazenda Paraiso: Maria Eug6- nia Rio, que era assessora do ministry da reform agraria (e hoje desempenha a mesma fungio na presid~ncia do se- nado, tendo acompanhado Ja- der Barbalho durante todo esse tempo), e Simio Jatene, que era, entio, Secretario de Ca- dastro e Tributagio do Mirad, levado por Jader para o cargo depois de ter sido secretario de planejamento na sua primeira passage pelo governor do Es- tado (e, agora, eo candidate preferencial de Almir Gabriel a sua sucessio). Ambos nada fizeram que pudessem expa-los a ser de- nunciados pelo Ministe~rio Pur- blico. Ao contratio de Brasil. Hist~ria Em 1986, Wady Salim Khayat era director da Alephe Asses- soria e Planejamento quando solicitou ao superintendent da Sudam a relocalizaqio do projeto de criaqio de blifalo da Agro- pecuaria Hakone, aprovado tras anos antes, de Viseu para Cha- ves, no Maraj6, alegando a "existencia de conflitos de terras causador de tensio social" na area original. O superintendent era, entho, Henry Checralla Kayath, que atendeu o pedido, com as recomendacqdes aduzidas por Francisco Melo, director do De- partamento de Administraqio de Incentivos, hoje um dos principals executives das em- presas de Jader Barbalho. I O caso da Hakone, da qual o future e./. vereador Wady Khayat era represen- JI tante, foi usado por Vicente P~edrosa como exemplo da situaqio de tensio so- 3;~ cial na area da Fazenda Paraiso, em Vi- - seu, que justificaria a desapropri- agio por interesse social. Como seria o enredo da hist6- ria no context atual? % u |
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