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UCI O F LA VIO PIN TO C I1A S . O gigante cr ce Nos prdximos anos a provilncia de mineral de Carajdis estardi comn~~ca 4rbda cqpacidade atual de produpdo de ferro e mangatnds, aEs duas pmncipais mzaidrialytP~I~Mnsp vas pa a ra indzistria do ago. Nessa escala, alcangard uma posigdo sem paralelo na economic mineral brasileira. Mas os efeitos desse crescimento serdo sentidos pela populagd~o? rlB~B~lrl, II~ ~'1 ~ulcb I=l;IZ1LI1 LI1 =I ;~~~I =t;7r*1~; Companhia Vale do Rio Doce ji iniciou os procedimentos para duplicar a capacidade de produgio de mintrio de ferro emCarajds, no sul do ParB, hoje, individualmente, a principal unidade produtiva do Estado, com faturamento su- perior a 700 milh~es de reais ao ano. No ano passado a empresa produziu 43 milhdes de toneladas de min~rio de ferro em Carajris. Nos pr6ximos anos, poderd chegar a 85 mi- lh~es de toneladas. Como export quase tudo o que produz, Carajds se tornou o maior centro de exporta- gio de ferro do pais, deslocando Minas Ge- mais dessa traditional posiglo. Em 2000, a CVRD vendeu para outros paises mais de 1,2 milhlo de toneladas de mangan&s, tamb~m extraidas de Carajis. Chegou no nivel dos melhores anos da Icomi (Ind6stria e Combrcio de Mintrios), at6 entio recordista absolute em exportagilo de manganis no Brasil. Ferro mais manganes, todos sabem, result em ago. Com outros in- gredientes complementares. 2 JOURNAL PESSOAL 28 QUINZENA DE ABRIL/ 2001 Durante quatro d~cadas, a partir da me- tade dos anos 50, alndfistria eComercio de Minerios, formada pelo grupo Antunes mais a Bethlehem Steel, segunda maior siderurgi- ca dos Estados Unidos, minerou e exportou manganas da jazida de Serra do Navio, no AmapB, a melhor que ja houve no pais. A mina chegou a exaustio antes do final do contrato de concessio, de 50 anos. Nos pe- riodos de mais intense lavra, a Icomi mante- ve-se na crista de um milhio de toneladas anuais de mangan~s. O s mimneros de Cara- js sempre impressionam. No future, ainda mais. A CVRD ji obteve a licenga de operaqio da Sectam (Secretaria Executiva de Ciancia, Tec- nologia e Meio Ambiente do Estado) para elevar a produ~go de ferro ate 85 milhbes de toneladas e de mangants para 1,75 milhio, nivel este jamais registrado nos anais da mi- neraqio brasileira de manganes. O feito se anuncia exatamente quando o prego do man- ganas esta muito baixo no mercado interna- cional. Justamente por causa da deterioraqio dos valores das mattrias primas e commodities, a escala de produ~go tem sido sistematica- mente crescente em Carajbs. Desde o inicio das operaqdes da mina, a perda por tonelada e de quase 10 d61ares. Com 18 bilhdes de to- neladas de minbrio na jazida, o limited visuali- zavel pela CVRD pode chegar a uma altura de 120 milhdes de toneladas de ferro ao ano, num horizonte de quatro seculos. Nesse topo, CarajaBsverd j nio mais um ranking national, mas um p6dio mundial, topando face a face com os produtores aus- tralianos, que tim hoje apenas maior volu- me de produgio. Em mattria de qualidade, ji estio bem abaixo de Carajas. Que, por isso, coloca seu ferro no Japio a prego competiti- vo com o australiano, dois tergos mais perto da poderosa ilha asiatica, principal compra- dora do mintrio dos dois paises. Mas esse crescimento se afunila num gargalo: a ferrovia ate: o porto de Ponta da Madeira, ao qual podem ancorar sem pro- blemas imensos navios de 400 mil tonela- das. Proj etada originalmente para 35 milhdes de toneladas, a ferrovia chegou aos 50 mi- lhies atuais gragas a novos patios de esto- cagem e desvios. Para suportar a nova de- manda, tera que ser duplicada, um investi- mento de alto coturno e de profunda reper- cussito. A Estrada de Ferro de Carajas ar- rasta seus imensos comboios de min~rio por uma das regimes mais primitivas, pobres e conflituosas do pais. Continuara a ser as- sim, apesar dos records de incremento da capacidade produtiva inicial? Diz a legisla~go que quando uma obra causa impact em mais de um Estado, seu licenciamento ambiental 6 da responsabi- lidade do 6rgio federal, o Ibama (Institu- to Brasileiro do Meio Ambiente e dos Re- cursos Naturais Renoviveis). Mas os Es- tados da Amaz6nia ja ngo aceitam essa transfer~ncia de atribui~go (e, naturalmen- te, de poder). Protegidos pela figure constitutional da competincia concorrente, eles defendem o direito de processar o licenciamento das obras que os afetam, mesmo que elas atin- jam tamb~m o Estado vizinho. E ja nio sio apenas os Estados que querem exercer essa jurisdi~go: os municipios, elos finals da ca- deia e os que ttm a gestio direta do territ6- rio, tambem jB manifestaram a intenglo de participar do licenciamento, mesmo que a Uniio ja esteja envolvida na tarefa. Se ti- verem que comprar uma briga para isso, estio dispostos a pagar o prego. Um caso concrete esta levando a rede- fini~go desses pap~is: a ferrovia de Cara- j~s, hoje a principal via de escoamento de minbrio para a exportagio do pais, comn ca- pacidade para transportar 50 milhdes de toneladas anuais. Sgo 970 quilbmetros de extensio, entire a maior provincia mineral do planet, no sudeste do Para, e um dos ports de Aiguas mais profundas em ativi- dade, o de Ponta da Madeira, em Sgo Luis do Maranhio. Tendo consumido mais da metade dos 3 bilhdes de d61ares investi- dos pela Companhia Vale do Rio Doce para viabilizar a extra~go de ferro em Carajas, a ferrovia entrou em opera~go em 1985. As normas de proteglio ambiental ainda estavam surgindo quando grandes proje- tos como esse iniciavam sua fase produti- va na Amaz6nia. Uma resolu~go federal fa- cultou ao 6rglio ambiental exigir estudos de impact ecol6gico de obras ja conclui- das. Durante pouco mais de uma decada, entretanto, a ferrovia de Carajds nio esti- mulou o Ibama a submeti-la a essa andlise a posteriori. O institute preferia concen- trar seus recursos na analise de empreen- dimentos novos. O Maranhio decidiu entio sair na fren- te: assumindo uma posi~go pioneira, sub- meteu o trecho da ferrovia de Carajas que fica em seu territdrio (quase dois tergos de todo o tragado) ao licenciamento, ji conclu- ido, com a autoriza~go para a operaqio. O Para o seguiu e esta concluindo a sua parte, depois de um contencioso sobre um trecho da ferrovia que fica em zona divisoria de liti- gio entire os dois Estados, no Gurupi, que acabou entregue aos tecnicos paraenses. O resultado final da avalia~go do lado do Para deve ser o mesmo do Maranhio. No caso, nilo houve problema porque o Ibama nio se interessou em entrar na ques- tio. Mas, e quando essa hip6tese ocorrer? Nio havera maiores conseqilincias se o Es- tado, exercendo a competincia concorren- te com a do 6rgio federal, chegar as mes- mas conclusies do Ibama. Mas se uma ins- tancia decidir pela concessio da licenga de operaqio e a outra instancia o negar, como esse impasse sera resolvido? Por enquanto, os tecnicos nio sabem responder a pergunta. Simplesmente porque as normas existentes sho omissas a respeito e nenhuma regulamenta~go foi criada. Ate mesmo porque s6 agora o problema esta sur- gindo. E vai crescer. E que os municipios tambem estlio dispostos a sustentar seu di- reito de participar do process de licencia- mento de obras em seu territdrio, process do qual foram excluidos at6 agora. Por enquanto, de nenhuma prefeitura saiu um ato legal a respeito, privado-as de uma ferramenta de agio. Mas isso e ape- nas uma questio de tempo. Os prefeitos ja perceberam que o licenciamento, desde a sua etapa de andlise tecnica ate as discus- sdes em audiancia pilblica, 6 um instrument de poder. Na onda da descentraliza~gio da gestio pfiblica, querem que a municipaliza- 950 se estenda ao control dos impacts ecol6gicos das obras produtivas e de in- fraestrutura. Inevitavelmente, todos terio que se reu- nir e definir as hierarquias, competencias e jurisdiq8es. A estrutura atual ja nio e mais aceita. O Ibama perdeu o seu monop61io eco- 16gico, mantido por disposigio legal-ou, a falta dela, pelo vacuo institutional. Mesmo quando e clara a prerrogativa federal, ja nio 6 pacifica a aceita~gio da com- petincia do institute. Reclamam os tecni- cos estaduais que o Ibama so avalia a re- percussio sobre o meio fisico, num fimbito estritamente geografico, dos projetos que ttm impact regional, sobre mais de um Estado. Deixam de lado as conseqtie~ncias indiretas, circunscrevendo-se a area sob a influencia direta do empreendimento. O efeito disso seria transferir para os ombros pilblicos encargos que deveriam, no minimo, ser divididos com o investidor privado, mas slio descartados por nito te- rem sido incluidos nos EIA-RIMA. A eco- logia deixou de ser um monop61io da Unitio. Se vai ser bom ou nilo, s6 o future podera responder. Fim do monop61io 6 COolg ico da Un iao JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE ABRIL/ 2001 3 1111~slllllll(sll1~IllsIlll(lllllls O alto tucanato, que esteve em Belem no ultimo dia do mas passado para participar de um encontro national de cuipula do PSDB, p6de ver, nas paginas do jornal O Liberal, que o go- vernador Almir Gabriel estava entire as 10 per- sonalidades do seculo no Para, selecionadas para uma elei~gio popular sob o patrocinio das Organizagbes Romulo Maiorana. Por outra ca- sualidade, a imagem de sua exceltncia era a unica em cores, destacando-se no meio dos concorrentes, em prosaico preto e branco, nio tio comn tudo na foto, portanto. A pretexto de comemorar os 25 anos da TV Liberal, a corpora~gio decidiu realizar a escolha popular de um, dentre 10 nomes previamente in- dicados, como o paraense mais influence do se- culo passado. Representantes de 1 1 instituiqbes, entire as quais tris do governor do Estado e tris de empresarios, e nenhuma de uma verdadeira ONG (Organizaqilo N~io-Govemamental), seleci- onaram 10 nomes para a c~dula de vota~go, seis deles ligados mais fortemente a cultural, dois a political, um a ci~ncia e um a educagio. Oito de- les ja mortos: o medico Gaspar Viana, o roman- cista Dalcidio Jurandir, a cronista Eneida de Moraes, o musico Waldemar Henrique, o poeta e compositor Ruy Barata e o advogado Daniel Coelho de Souza. S6 dois vivos: o fil6sofo Be- nedito Nunes e o governador Almir Gabriel. Basta enunciar essa lista para constatar a falta de profundidade na iniciativa, seu carter superficial, talvez agodado, quem sabe interes- seiro e, de qualquer modo, desqualificado, ape- sar das entidades que responderam a convoca- Fgio do grupo Liberal para dar credibilidade A promogilo (mas parecem ter-se nivelado por es- ses ne6fitos em assuntos um pouco mais pro- fundos do que o vaudeville da informa~go). Recomendaria o bom sensor excluir da sele- glio as pessoas vivas, mesmo que do tamanho de um Benedito Nunes, ainda sujeitas ao fogo das paixdes, a favor ou contra elas, ou capazes de induzir o desvio dos critbrios de avaliaqilo, ou simplesmente porque, vivas, devem sofrer os efeitos dessas condicionantes, ainda que nada tenham a ver com elas. Especialmente porque quase um quarto do colegio pre-eleitoral, tendo representagio do govemno do Estado, pode ter pensado primeiro (ou unicamente) em seus res- pectivos empregos, muito mais do que na hist6- ria estadual. Esse e um defeito de representativi- dade que macula com vicio insanavel a lista de personalidades elegiveis. Ha um outro erro metodol6gico grave: s6 considerar os paraenses naturals. Uma reflexio preliminary aconselharia incluir na sondagem os paraenses adotivos, aqueles que, mesmo aqui nio tendo nascido, aqui deixaram sua marca registrada, contribuindo para dar uma forma es- pecifica a epoca do Estado que tornaram seu atravbs de sua a~go. E o caso, na political, do maranhense Ant6- nio Lemos, ainda considerado, 90 anos depois de sua passage pela intendtncia municipal, o melhor prefeito de Bel~m. E, na cultural, do maior poeta do Para, o piauiense Mario Faustino (o segundo, ao meu ver, e Ruy Barata, integrante da lista, cuja estatura cresce a media que o tem- po passa, acompanhada por Max Martins). Sem essas duas diretrizes metodol6gicas, o resultado do esforgo do comity de sele~go e quase pifio. O esquecimento de Lauro Sodre e inaceitavel. Nio houve politico paraense com maior proje~go national, ao menos no period republican, do que ele. Durante tras decadas a political no Para nio foi mais do que o embate do lemismo dos coron~is de barranco com o laurismo dos republicans reformadores auto- ritarios. Nenhuma rela~go dos 10 mais se sus- tenta sem Lauro Sodre. Na do grupo Liberal, a presenga de oito inte- lectuais, seis deles militando na literature, na m6 - sica e na filosofia, sugeriria ao desavisado que somos para inveja parnasiana dos vizinhos maranhenses -a realiza~gio dos ideals de Platito numa repuiblica letrada (ou beletrista?). Um Leo Naphta ao tucupi poderia proclamar, entlio, o Marquis de Pombal, comn seu iluminismo mer- cantilista, como a mais profunda infludncia no Para do seculo XX, mesmo que remota. Faltou nessa sele~gio desigual e desequili- brada a capacidade de discernir entire aquelas personalidades com as quais simpatizamos, que tim ideias assemelhadas as nossas, que consi- deramos positivas e maravilhosas, com aquelas que realmente participaram da conformaqio efe- tiva do seculo, qualquer que sejam os nossos juizos de valor a respeito. Os socidlogos cha- mam a isso de vies. No decalogo dos Maiorana, o vies tem tamanho amazi~nico. Qual o formador de mentalidades e influenci- ador de idtias geradas endogenamente que se iguala a Francisco Paulo do Nascimento Mendes, um mestre de sucessivas geraq~es nas inimeras salas de aula que freqiientou e no sitio por exce- 16ncia do intellectual puiblico da maior parte desse period, que foram os bares e as resid~ncias par- ticulares? Quem deu ao esmagador element fisi- co, da geografia, o ainda dominant numa region como a amaz~nica, uma dimensio mais ampla e mais sensivel do que Eidorfe Moreira, um gei~gra- fo precioso (e raro) em qualquer cultural deste pla- neta? Nosso uinico pintor essencial para a cultural brasileira desses 100 anos foi Ismael Nery. Cade ele? E Jose Verissimo, o intellectual mais poderoso de sua epoca na capital da republica? Se, entire os vivos e os vivissimos, Almir Ga- briel pode ser melhor, mais just ou mais hones- to do que Jader Barbalho, quem e que ainda do- mina individualmente a political paraense e tem a maior projeglio national (mesmo que negative, infelizmente)? Se Adhemar de Barros foi mais poderoso do que Lucas Garcez, por que colocar Almir a frente do estandarte barbalhista? Para manter acesa a vaidade do homenageado e pin- gando nada vis metals oriundos do erario no cofre da empresa? Assim, sugiro ao leitor que guard seu voto para uma eleiglo menos viciada. Quem s6 tem es- colhido rainhas do camaval nito e omais qualifica- do para ir alem de lantejoulas e paetis. Se a onda et essa, melhor seguir o ziriguidum da etemna Eneida. Usina Progresso, no cimcuito de camel~dmomos fechados. E uma politica temeniria. As novas unidades custaruo, ao final, vbrios milhdes de rtais imobilizados, de retomo problemati- co. Se melhomarem situaq~es individuals, dificilmente modi- ficardto um problema global. E atrelarao o poder puiblico a uma anomalia, sancionada como se fosse uma nonnalidade. O camel8 e um subproduto do desemprego. Quando a relagio de trabalho estavel guardava alguma pmoportfo com o crescimento da populagio em idade economicamente ati- va, o camelB era reprimido, circunscrito ou atmaido pam a formalidade. Hoje, se transformou numa opIgo de vida. OpF3o, alids, nio exatamente: a rigor, e um atestado da falta de opg50o. Se a estrutura econi~mica fosse mais saudavel, o trabalho temporbrio, o bico e a venda ambulante estariam numa faixa residual do mercado, sempre sazonal e precai- ria. A prefeituma petista esta consumando a institucionaliza- Fgo dessa doenga social, que cresce ha varias administragas. O problema existe, e grave e se expand. N51o pode ser colocado pama baixo do tapete institucional, cada vez mais curto e roto. Mas tem que ser enfrentado como um fato social a ser eliminado e nio consolidado. Nrio com policia, mas com political p~iblicas. Ate que elas sejam adotadas ou gerem efeitos, no entanto, e precise manter em vigor as posturas municipals, sem o que isto aqui derivarai de vez para a selvageria coletiva. Continue defendendo a utilizagio do "bumaco da Pal- meira" como um respiradouro urban. Nada de constmu- gio e intensificago do uso comercial na area. Uma pmpaa aber~ta, mas aproveitando o caro gradil ali ja constmuido, na epoca do talentoso estaleiro. Atividades de lazer para o cidadio e as criancas confinadas no center velho da cidade. Interligagio visual entire as igrejas de Santana e do Rosario. Uma bandeira e um simbolo da restauraqio da dignidade desse umbigo urban de n6s todos. Nbo metecemos? Os dez mais do Park: samnba do liberal doido Ur be d oe nte Terminou com um final adequado a novela do "bu- raco da Palmeima": a prefeituma araematou a area por 1,9 milhio de reais, quase R$ 3 milhaes abaixo da avaliaqio official (tendo em contrapartida, port~m, o enorme IPTU ainda a pagar). Mas outra novela de gosto duvidoso esta para comegar: o destiny a ser dado a valiosa area, encravada no centro da cidade. A PMB se tomou dona do terreno sabendo o que fazer nele: um centro cometrial combinando lojas-inco- ras e pequenos estabelecimentos de ambulantes, tendo uma ganagem no subsolo. Convinha ao govemo munici- pal, porem, submeter seu projeto is discussio pliblica antes de p~r em praitica suas intenqdes. O "bumaco da Palmeima" somar-se-a ao pr~dio da Lo- bris, que a prefeitura pensa em desapropriar, e a antiga 4 JOURNAL PESSOAL 2*QUNZEN A DE ABRL/ 2001 Lixo No mesmo dia 9, em que regula- mentou a lei sobre o servigo parti- punir com multa pesada quem joga de mais limpa. Na pritica, douran- do a pilula para as prestadoras do servigo, adotando uma sutil co- ergio social para que o novo ne- g6cio venha a dar certo, abrindo alas para o novo bloco passar. Vamos admitir que seja correto o poder pdiblico se desobrigar do recolhimento desse material, trans- ferindo-o para a iniciativa privada. Mas serrb que esti mesmo criando condiC~es capazes de impedir que essa privatizaqlio encarnada io venha ter o mesmo destiny das ven- das tucanas, que resultaram em cus- tos crescentes (gs vezes extorsivos) e qualidade inferior na maioria dos servigos que sairam da 6rbita esta- tal? Serd que os novos empresiirios daarueamerecem tal deferencia? Mas se 6 para limpar a cidade dos "equipamentos que poluam a paisagem", como placess, faixas, cartazes e outdoors", a prefeitura podia comeg~ar dando o exemplo. Mandando retirar das pragas e ou- tros logradouros pdiblicos places suas que jd perderam a finalidade (se tiveram alguma de valor infor- mativo para a popula~go) e sao mantidas por meses ou mesmo anos como propaganda illegal da atual administration. Esta 6 uma daquelas attitudess que violam o C6digo de Postura do Municipio", relatadas no folhe- to da campanha da prefeitura, como se apenas os cidadios tives- sem tais attitudes. No final, eles 6 que pagam a conta, tendo ou nlo boa educaglo. Estaleiro A Policia Federal continue dan- do andamento ao inquirito sobre o desvio de dinheiro piblico para a construgso de 13 estaleiros no es- taleiro da Ebal, que tem como prin- cipal personagem o senador (sem partido) Luiz Ot~ivio Campos. O J1- timo a depor foi o advogado Paulo Gueiros, filho do ex-governador H61io Gueiros. A justiga paraense tem um novo pblo de poder: 6 o desembargador Milton Augusto Brito Nobre. HA apenas um ano e meio na mais alta instincia do judicidrio do Estado, indica- do para o cargo pela OAB, gragas a contro- versa figure do quinto constitutional, Milton se transformou numa fonte de consult e refe- rtncia para uma parte consideravel das deci- sdes tomadas naquele poder, mesmo sem sua assinatura. Ngo apenas nas quest~es crimi- nais, que lhe dizem respeito por competencia funcional, mas nas civeis tambem. Estas 6 que eram, por sinal, as matbrias de seu dominio em longos anos g frente de um dos mais concei- tuados escrit6rios de advocacia da cidade. Quando coube ao novo desembargador funcionar nas clmaras criminals, alguns de - seus desafetos vibraram. Processes de na- tureza penal seriam como fel para o elitista e vaidoso advogado. Milton estava acostu- mado a transitar entire temas fiscais, finan- ceiros, tributiirios, comerciais e empresari- ais, esgrimidos em gabinetes refrigerados, por gente perfumada, em linguagem rebus- cada, embora, freqtientemente, esse univer- so possa ficar a um pass de nefastos cri- Smes de colarinho branco. Como fez com todos os desafios que pre- cisou enfrentar at6 agora, Milton Nobre mer- gulhou nos c6digos, tratados, julgados e doutrinas de um ramo do direito que costu- ma ser reduzido a uma coisa s6, o c6digo penal (deixando 6rflo o process penal), e enquadrado em esquemas meclnicos, for- malistas, de expedientes que resvalam para a chicana com grave contumlcia, gerando uma discriminaqio e, por derivagio, uma cor- poraqio 1 margem do interesse coletivo (sen- do tratada muitas vezes como s6cia). Nas suas decis~es, o desembargador tem apresentado solida fundamentagio, re- missiva g cultural juridica consolidada, na- cional e international, mas tambbm criati- va, inovadora. Conhecendo os julgados precedentes, naio se deixou manietar pelas fi~rmulas prontas, nem ficou caudat~rio do assim chamado autor da a~go penal (o do- minus litis do jarglo juridico), o Minist~rio SP~bico, de pareceres.no mais das vezes homeopiticos (mas acolhidos mecanica- mente pelo julgador). Suas decis~es tem sido soberanas. S6, podlem ser combatidas pelos que se enquadrarem no nivel que ele Simpbs is quest8es das quais trata. Isto 6 tambem pedagogia do oficio. Algu~m que desempenha o desembargo com esse padrlo presta um servigo relevant a justiga da sua jurisdi~go. Ainda mais a uma justiga que chegou a um nivel de qualidade tio baixo como a paraense e a uma imagem prejudicada por nepotismos que vazam de gabinetes para corredores, desafiando o tem- po e vencendo seus eventuais desafiadores. Felizmente, Milton Nobre nio e exce~go soli- talria nesse panorama que projeta algumas lu- zes de mudanga -e de esperanga, tamb~m. A desembargadora Climenie Pontes assumiu a presid~ncia do TJE dividindo o poder que the foi conferido, atrav~s de um rec~m-criado con- selho, com suas sete cbmaras administrativas. Chefiar uma delas 6, alids, o unico poder insti- tucional do desembargador Milton Nobre. Outra desembargadora, Osmarina Sampaio Nery, mesmo na interinidade (o titular, Benedi- to Alvarenga, convalesce de uma cirurgia), ativou a corregedoria geral de jlistiga. Bastou para isso cumprir o dever de todo servidor pdblico: decidir. De decisdes, recorre-se. Em- bargos de gaveta, por~m, proliferam. No nimero anterior deste journal, divergi de uma das suas decisdes, relative aos registros imobilibrrios de terras griladas. Mas seu provi- mento era fundamentado o bastante para per- mitir um debate de id~ias, com mituo respeito. Algo nada freqilente nas decisdes do judicidi- rio paraense. T~o incomum que meu artigo, apre- sentado como se fosse um ataque pessoal ou uma prova de mi-vontade suspeita, na semana seguinte d sua publicagio foi juntado a autos judiciais pelos advogados do empreiteiro Ceci- lio do Rego Almeida como fundamento para me impedir de testemunhar em juizo em favor do advogado Carlos Lamar~io Corr~a. Para m6 moral piblica, o procurador estadual sofre pro- cessos movidos pelo home que quer ser donor de 5 ou 7 milh~es de hectares de terras no ParSd, justamente por se opor a tal intent, gravoso ao superior interesse coletivo. Outro dia, ao chegar em seu gabinete, a corregedora encontrou juizes empenhados no jogo de presses, que sempre tem havi- do a cada process de remoglio de magis- trados de um municipio para outro, ou de uma instincia menos favorecida para outra de maior importincia, ou nas promoqdes. A desembargadora Osmarina determinou que todos voltassem is suas comarcas e 19 trabalhassem, no aguardo da decisso su- perior, que seria adotada seguindo critbri- os ttenicos, sem apadrinhamentos. Umna nobre espe~ranga na justiga paraense JOURNAL PESSOAL 2. QUINZENA DE ABRIL/ 2001 5 O desembargador Milton Nobre vai ter que responder por esses mtritos, indesmentiveis hoje, a conferir no future -e sempre. Ele ainda 6 joyem o bastante mas experience o sufici- ente-para seguir a carreira que abragou at6 a aposentadoria compuls6ria, aos 70 anos. A tenta~go de se aposentar com cinco anos de serving, retornando 21 advocacia, 6 forte. Mas 6 tambtm mediocre. E isso ningu~m pode con- testar: mediocre, Milton Nobre nio 6. Se ele fizer diferente, tera comprometido o que fez de digno ao optar pela magistratura. Fago-lhe este elogio, coisa que pouco fago (mesmo que nS~o tenha maior serventia), para dar continuidade a uma provocaglo que lhe fiz logo depois da sua indicag~o para o cargo. Pa- rabenizei-o no restaurantelAi em casa e, no meio da conversa, ele me assegurou que seria sua diretriz inflexivel julgar todos os processes que lhe coubessem. Ngo recorreria ao que muitos magistrados transformam em ardil: declarar-se suspeitos ou impedidos para funcionar em fei- tos polgmicos, desagradiveis ou demandan- tes de doses maiores de fosfato e tutano de saber (tambbm de coragem), elements dos quais parcela considerivel ainda e carente (nlio geneticamente, 6 claro, mas por indolancia ou fraco compromisso funcional). Disse ao novo desembargador que iria re- gistrar esse compromisso para cobra-lo a par- tir dai. Ele me advertiu: se fizesse isso, infeliz- mente ele teria que se declarar suspeito nos meus processes, rigorosamente dentro do que determine o dispositivo legal. Achei que valia a pena perder a rara possibilidade de ter mi- nhas muitas demands bem julgadas para ser- vir o interesse puiblico. N~Lo faco este elogio, portanto, com a in- tenglo de tirar proveito de uma simpatia a meu favor de um juiz ao qual minhas demands eventualmente fossem sorteadas. Milton No- brejm sais nciolnamrdenosvproc ssos emf qe mente de acordo, aceitei. B uma perda para mim. Nossa amizade, que nada tem de intima, sendo derivada da circunstincia de terms dado uma certa orientagio qualitativa a nos- sas vidas pliblicas, que nos favorece o en- contro circunstancial em lugares igualmente pxiblicos (nio freqtiento a casa dele, nem ele a minha), nso o inibiria de apreciar com isen~go os litigios. E, por isso mesmo, dar-lhes a me- lhor avalia~go possivel no mundo juridico, o que constitui a razlio de ser da justiga em qual- quer lugar do planet e nio apenas nesta provincia atrasada. Fago este elogio com a esperanga de contribuir para que encurte a brutal distin- cia a nos separar dos lugares verdadeira- mente civilizados deste planet azulado. Com o desejo de que, onde se busca a justiga, se faga realmente justiga, abolindo-se aquele ditado popular segundo o qual quem tem juizo nlo vai a juizo. Ja 6 hora de haver juizo no domicilio da justig~a. Num fC~rum no qual circulam his- t6rias escabrosas sobre juizes sin- gulares que delegam a assistentes a intransferivel tarefa de realizar au- diancias, e que alguns desses es- purios juizes ad-hoc podem nem ter vincula~go funcional com a justiga, attitudes como essa podem indicar que os maus hibitos estio come- gando a mudar e as correq~es es- tio a caminho, na und~cima hora, is v~speras de a casa cair, ainda assim last but not least. Do seu estado ruinoso dlo ser- vem de atenuante nem as vestes lu- xuosas com as quais 6 revestida. De- pois de um investimento de 6 milhaes de reais, por exemplo, a nova sede do tribunal nio consegue escapar da apara~ncia de um acampamento de vi. dro, marmore e at climatizado (o refri- gerado de "antanho"). Tudo material , carol. Mas inteiramente desajustada ao seu uso. Os novos dirigentes do TJE tim uma responsabilidade que nilo pode ser banalizada ou desmerecida. O de- sembargador Milton Nobre, que exer- ce seu inegivel e crescente poder apreciando causes e redigindo votos, comn capacidade mi- nima ou nenhuma de exonerar, admitir, remo- ver ou ordenar despesas, tem uma importin- cia particularmente destacada na atual con- juntura exatamente por essa condigio. Cada vez mais procurado paraorientar, dirimir duvi- da ou corrigir atos, ele pode fazer dessa refe- rancia um padraio para o exercicio da funqlo judicante no ParB, um Estado que se agigan- tou na estrutura produtiva, num tristemente clitssico modelo de enclave, sem ter o acom- panhamento das instituiqFes pdblicas, uma das causes do se atual caos social, 11 beira de Haverl gente a discordar de tal aprecia- 950. Nenhum home p6blico sbrio aspira A unanimidade, que, como todos sabem e pou- cos levam ils l1timas conseqtiincias, 6 bur- ra. Evidentemente, o desembargador Milton Nobre tem falhas. Uma 6 apontada com faci- lidade: a sua vaidade. A vaidade mais evi- dente que ele revela, portm, 6 relative a sua inteligincia, complementada por uma excep- cional capacidade de trabalho e um acentu- ado apego B qualidade. Isto significa que seu culto a certas formalidades e apartncias nlo o impede de trabalhar bem e certo, de ver a realidade a despeito da imagem refleti- da no espelho do ego. Uma outra critical estaria relacionada ao seu escrit6rio particular de advocacia. Esse escri- t6rio era suficientemente bem sucedido para tornar suptrfluo o desejo de Milton Nobre de saltar para a magistratura, ji no topo da carrei- ra, sem por ela evoluir no servigo, benefician- do-se da a meu ver, indevida ou ilegitima - catapulta da OAB (como a do Ministerio Pu- blico), embora ganhando muito menos em di- nheiro. Na dificil hora da decisiio, deve ter pre- valecido a vaidade do future desembargador, nesse caso cumprindo uma funglio-com per- d~o do trocadilho efetivamente nobre. Os ceticos ainda res- mulgam que Os interesses do escritonio saio agora re- preSentados pelos dois fi- IOS do desem arga or, que o substituiram na coduo da f-ra Posso dizer genericamente de ambos, e espe- cificamente de um deles, mais pri~ximo de um de meus filhos quando eram criangas, que sio rapazes excelentes. Vendo-os g distincia, nos poucos mementos de convivencia paralela que temos tido, orgulho-me, como cidadio desta res public pouco edificante, da educa~go que o pai thes deu. Ttm tudo para ser profis- sionais competentes e de respeito, os dois na mesma advocacia paterna. Se nio corres- ponderem a essa expectativa, separando os interesses do escrit6rio das tarefas do de- sembargador, a frustra~lio deve ser debitada aos mist6rios da alma humana, surpreenden- tes por serem imprevisiveis -e, por isso mes- mo, constituindo o sal da vida. 4 JOURNAL PESSOAL 2P QUINZENA DE ABRIL 2001 presa nesse period. Sem poder continuar a servir a dois senhores, mesmo porque se julga acima de todos, Kayath optou pelos Gueiros. Mexendo os cordtis, Jader fez o ministry Joio Alves demitir seu antigo aliado, a bem do ser- vigo pbblico. Kayath tentou resistir, tomando H61io Gueiros como estudo. Nlo conseguiu. Hoje, cobra R$5 milh~es de indenizagio da Uniso por ter sido prejudicado. Estb ai a origem primeira do novo ciclo (ve- lho, na verdade, porque produto de velhos e novos pessedistas, gente passada e muito -na casca do alho). Ciclo que descambaria em Arthur Tourinho e Mauricio Vasconcelos. Hugo de Almeida voltou i Sudam, que ji ha- via dirigido antes, quanto a gestio tinha pa- drilo tecnocritico, no memento errado, da for- ma errada e sem tempo ou modo para corrigir nada, ou para mudar priticas e imagens. Teve um final melanc61ico, que, a rigor, nlo merecia. Mas vai pagar carol por nlo ter captado e bem interpretado os sinais do novo tempo. Um ti- pico professional de carreira encerrou-a como se fosse um phraquedista. Espera-se que o atual xerife da Sudam, re- presentante de uma estirpe que nio 6 nova na entidade, mas nio deu bons resultados no passado (de que 6 exemplo o coronel Roberto Klein, outro preposto do Planalto designado para substituir Kayath), prossiga no seu tra- balho investigative at6 as ailtimas conseqii- Cncias. Hi um aspect criminal necessitando de tratamento compativel com a gravidade da situaqio. Mas se a apura~go n~o remontar ao ponto de partida de todos esses vicios, vai ser mais um memento em que trombones e bumbos soario, estridentes, anunciando o di- luvio. E tudo nso passard de um p6 de Agua. Volumoso e rbpido. Passageiro. Enganador. A pr(,pria legislaglo dos incentives fiscais engendra os seus monstros, abrigando frau- des, manobras, manipulaqdes e ardis que re- sultam na ma aplicaqio do dinheiro pdiblico ou no seu desvio para bolsos de particulares poderosos, sagazes ou audaciosos. Uma man- chete de journal anunciando que 1,7 bilhio de reais foram desviados dos cofres da Sudam 6 de causar profunda impressio. Parece coisa de hoje. Mas 6 fendmeno de sempre. S6, nlo foi percebido antes porque nio havia em Bra- silia uma retaliaqgo como a que resultou desse porco confront entire os dois mais importan- tes senadores da repdblica. Assistido por uma legiao de Pilatos, a comegar pelo inquilino do Palicio do Planalto, um Pilatos de penas. Se at6 anos atris a Sudam simplesmente ignorava ou descurava a mi aplicaqio dos incentives pelos projetos aprovados para re- ceber colaborayso financeira do governor, quando essa mi pritica foi corrigida e os pro- jetos irregulares comegaram a ser cancelados (a principio, timidamente; depois, is pencas), o vicio passou a ser n~io it atris do dinheiro p~iblico dilapidado, desviado, roubado. Pri- meiro porque a divida, n~lo sendo corrigida, ficava com um valor ridicule. Depois, porque O governor federal nunca foi tao fundo na apuraqio das irregularidades na Sudam como agora. EstB a um pass de desnudar as frau- des e a corrup~go que se acumularam ao lon- go do tempo, identificando fats e nominan- do autores. Mas est8 atacando apenas a d1ti- ma onda de sujeiras, iniciada entire 1995 e 1996. A revis~o, para eliminar de vez essa tra- diglo nefasta e expurgar o sistema de incen- tivos fiscais de vicios de origem, ou extingui- lo de vez, por irrecuperivel, precisa ter uma remiss~o mais ampla. Se possivel, at6 o co- mego da hist6ria, em 1966. O senador Jader Barbalho est8 se decla- rando injustigado pela campanha da impren- sa, que o atinge por tabela. E evidence a mi vontade e a tendenciosidade da grande im- prensa national contra ele. V~rios erros fac- tuais t~m sido cometidos e o envolvimento direto do senador paraense nos escabrosos casos de desvio de recursos pdiblicos nlo tem sido comprovado. A suspeita de que o senador baiano Antanio Carlos Magalhiles (ex-ministro das ComunicaqBes, nunca 6 de- mais lembrar) estd por tris desse impeto mo- ralista e 6tico da midia mais poderosa do pais 6 mais do que fundada. No entanto, o presi- dente do Congresso Nacional nlo tem moti- vo para queixa. Esse 61timo ciclo sistemi~tico e cumulative de fraudes tem como responsiveis dirigentes indicados e sustentados pelo president na- cional do PMDB. Evidentemente, ele n~o pode responder pelos atos dos seus apadrinhados. Mas hi! alguma lic;2o a tirar da caracteristica comum desses homes pdblicos, permanen- temente ligados a fats obscures, a condutas desviadas ou a ilicitos definitivamente carac- terizados. Como o patrono. Sgo pessoas que administram recursos do tesouro sem discernir as esferas competen- tes. Estabelecem uma promiscuidade conde- niivel entire o que pertence a naqfio e o que 6 de particulares, metendo na cumbuca destes o que deveria estar na despensa daquela. Se, para efeitos criminals ou civeis, a serem co- brados nas barras da justiga, no devido pro- cesso legal e garantido o contraditbrio, nao hi (ou ainda nito h6) umnexo de causa e efeito entire os delitos ji identificados e o ex-gover- nador do Parrk, politicamente ele responded por ser a pega que deu causa a essa geraplo mais recent de maus superintendents da Sudam (e por acaso ji houve algum bom superinten- dente na Sudam?). Quando se candidatou a presidencia do Senado, contra a vontade de ACM, Jader de- via ter feito uma revisgo da sus carreira. Pre- cisaria certificar-se de ter condiC~es de en- frentar uma forte cadeia de rea95es ao seu nome, que agora transcende tudo o que se podia imaginer, e resistir ao que pudesse ser inventariado no seu passado, que ja teve um long (mas tamb~m cadtico) prontuirio no extinto SNI, o antepassado da atual Abin (Agbncia Brasileira de Informaq~es). O seu passado certamente o condenaria, se essa checagem fosse rigorosa. Numa conversa reservada que tivemos em 1985, no auge de mattrias que eu entio escre- via sobre as primeiras grandes irregularidades no seu primeiro governor (desapropriag8o do Aurii, Instituto Tecnol6gico de Brasilia, che- ques administrativos do Banpard~, manipula- gio na contabilidade do banco, conta espdiria dos clientss especiais", Maiamegate), eu lhe sugeri nlo indicar o medico Henry Cheeralla Kayath para a superintendincia da Sudam. O minimo que lhe disse foi que Kayath era um medico de sucesso no Rio de Janeiro, para onde havia se transferido depois dos traumiticos acontecimentos politicos de 1964, que o apanharam na condigao de se- cretdrio da fazenda estadual. Foi cassado por corruppo, um process cujo sumarismo e truculincia tirou-lhe a capacidade demons- trativa e de convencimento pdblico, que te- ria em outra circunstincia. No Rio, Kayath retomara sua incontesta- da competancia de medico e cientista, colo- cando-se a frente de uma clinic conceituada. Para que faz3-lo voltar, depois de duas dica- das de afastamento do Parki, para uma funqgo com a qual nio tivera o mesmo sucesso da medicine, muito pelo contrbrio? Seria porque ele entio servia aos interesses particulares do governador? Kayath na Sudam indicado por Jader era, para mim, a definitiva prova dos nove: o governador nlo agia com boa inten- glo. Cruzara o RubicZio. Disse a Jader, cuja imagem ainda nbo ha- via se desgatado como agora, que ele poderia vir a maltratar o Pard tanto quanto Jarbas Pas- sarinho o fizera no ciclo anterior, do regime military (encerrado pelo pri~prio Jader, dois anos antes da mesma transigZo a nivel federal, com o inefivel Jos6 Sarney e a Nova Repdiblica), abonaria com seu poder e prestigio pessoas totalmente desqualificadas para a fun95o p6- blica, inclusive-e sobretudo-a Sudam. Quan- do era baladeira, Jader se cansou de apontar esse erro. No comando do governor estadual, estava repetindo-o. Mas ele acabou conseguindo a nomeapio de Kayath. Os fats posteriores poderiam ter demonstrado que estava com a razio. Infeliz- mente, n~io foi o que aconteceu. Com sua inte- lig~ncia e ousadia, Kayath inventou a figure do "17 e meio", um artificio que lhe permitia reter 30% dos recursos do ent~io artigo 18 (hoje 6 o nono), do "projeto pr6prio", e aplied-lo como se fosse do artigo 17 (o atual artigo quin- to), o do leil~io de incentives fiscais, sem di- nheiro carimbado. S6 que no 17 e meio o carimbo ficava com o superintendent, que o aplicava sem con- trole. Foi com arranjos assim que Kayath con- seguiu transformar a Ebal, at6 ent~o comple- tamente jejuna de liberaq6es de recursos, no s~timo maior estaleiro do pais. Pormera coin- cidencia, naturalmente, dois filhos do entlo governador H61io Gueiros, ingressaram na em- Sudam: limpeza total? JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE ABRI/ 2001 7 Defesa do rio faltou vontade. E, quando ocasionalmente ela existia, ngo havia funcionalidade na mio que, depois de ter soltado dinheiro a rodo, nso conseguia recupera-lo. Quase metade do dinheiro liberado pela Sudam para os projetos particulares foi conta- minada por algum tipo de irregularidade. A conta apurada at6 agora ji chegou a R$ 1,7 bilhlo. Mais um pouco de c~lculo e passard de R$ 2 bilh~es. O relati~rio dos t3cnicos Clan- do e Yokomizo, mais de uma d~cada e meia atris, ji havia apurado n~meros parecidos. Mas como nso havia incendidrios e bombei- ros nos bastidores, essa realidade brutal per- maneceu maquilada como trabalho tecnico, abstrato, sem nomes nem cifras. Agora a pds- tula estourou. Fede. Mas se o odor pestilento for o prego para lancetar o tumor, tudo bem. Convenhamos, porem, que ficar apenas nos protegidos do senador Jader Barbalho 6 pouco, ou pelo menos nlo 6 tudo. O superin- tendente Jos6 Cyrillo retroagiu apenas a 1994 no seu levantamento dos danos. De 18 para ed, permaneceu a facilidade de meter a mao no fundo formado pelas dedug6es do imposto de renda e permanecer impune, mas houve uma certa mudanga na clientele. Como os grandes devedores do IR descontavam na fonte, em seu favor, sem escrituraqio, 40% do total que estavam recolhendo para o Finam, este pas- sou a ser um dos mais atraentes fluxos para o caixa dois, inteiramente livre de tributaglo e mesmo de identificapso. Quanto esse circuit invisivel estaria mo- vimentando? Algo entire 150 e 200 milhaes de reais ao ano, pelo menos. Quem participa da engrenagem? Ora, grandes empresas e gran- des escrit6rios de corretagem. Ambos, 6 cla- ro, instalados fora da Amaz~nia. A maioria, certamente, em S~io Paulo. E justificado o assombro ao ver que trbs escritbrios de consultoria em Bel~m, com me- nos de cinco anos de existbncia, patrocinaram projetos comn investimento de quase R$ 1,6 bilhao, conseguindo o comprometimento de RS 364 milhoes e a liberagao de R$ 108 milh~es de incentives fiscais nesse period. S6 essas grandezas ji sio o bastante para langar sus- peitas sobre a da correglo e lisura da Sudam na administration dos empreendimentos incen- tivados. Fundos de campanha eleitoral ou en- riquecimento particular ilicito podem estar num dos desvios na aplica~go das verbas. No esquema atual, os grandes empreendi- mentos da primeira geraio Sudam foram subs- tituidos por projetos de pequeno e mtdio por- te. Isso porque as posi95es se inverteram: as grandes empresas, de receptoras preferenci- ais, se tornaram aplicadoras de dinheiro dedu- tivel do imposto de renda; empreendedores menores puderam chegar ao balcio dos in- centivos, mas seus papeis eram, em grande parte, viciados. Al~m de terem que deixar na mio do s6cio de papel 40% do valor de face dos seus projetos, precisavam contribuir para padrinhos ocultos. A regionalizagso que as elites locals conseguiram foi a da pilhagem. Nessa retina da fraude, o paroxismo da chi- cana chegaria ao roubo, pura e simplesmente. Mas o perigo do moralismo punitive de 61ltima hora 6 s6 alcangar os ladrdes de galinha, a raia midida, os peixes pequenos. Estes n~o devem escapar por terem cometido um delito primatio, facil de caracterizar (ja punir 6 sempre outra coisa). Mas os tubaries nao devem continuar ocultos. Se 12 escritbrios de consultoria ja fo- ram descredenciados pela Sudam por serem a fauna acompanhante desses cardumes peque- nos, 6 precise ver se escrit6rios muito maiores ficaram fora do alvo simplesmente porque seus clients, no ponto de origemto mesmo da che- gada tortuosa) da dedu~go, escaparam dessa fiscalizagio de varejo. Como o foco das investigates em cur- so na Sudam visa o senador Jader Barbalho, os maiores esforgos tim sido aplicados na verificagio dos seus possiveis parceiros, nos porovaveis elos que levariam a sua res- ponsabiliza~go e, no mbximo, is gestdes da Sudam iniciadas em 1994. Muito bem: essa razzia precisa e deve ser feita. Mas 6 uma profilaxia parcial. Se apresentada como sendo uma corre~go complete, padecerib de parcialidade, uma fresta atravbs da qual se esvairdi a possibilidade de corrigir a Sudam na raiz ou mandd-la para o esca- ninho das siglas caducas, se incorrigivel (como apregoam que 6, hB tanto tempo, os critics des- se ins61ito sistema de colaborag8o financeira do poder pdblico com empresas privadas sob capi- talismo dito concorrencial, desmerecidos pelos "pragmiticos" e"realistas" como sendo'pessi- mistas"). E indispensivel, ao seguir o flo de Adriadne, chegar a todos os que se aproveita- ram do fato de terem cimcunstancialmente namslo a chave do cofre do erdirio, se juntando Aqueles que levaram o dinheiro do tesouro para casa, quando nio o cofre inteiro. Durante a semana passada estiveram reunidos em Beltm os procuradores fede- rais com atuag~o na drea da bacia do Ara- guaia-Tocantins, que drena Aguas de 10% do territbrio national, em cinco Estados (Park, Maranh~o, Tocantins, Goids e Mato Grosso), na Amazbnia e no Centro-Oeste. O principal objetivo foi o de unificar as lin- guagens. Um procurador goiano impediu que a hidrovia, um dos projetos do Avanga Brasil, tivesse sequer seu relat6rio de im- pacto ambiental elaborado. Enquanto isso, um procurador paraense tentava viabilizar uma das obras mais importantes dessa mes- ma hidrovia, o sistema de transposiCqlo da enorme barragem da hidreldtrica de Tucu- rui, ameagada de jamais ser concluida. Em contatos informais, os representantes do Ministtrio Plblico perceberam o parado- xo. Descobriram tamb~m a complexidade na- tural de uma bacia tio extensa, com 2.200 qui- 16metros de comprimento e 850 mil quili~me- tros quadrados de area, formada por dois rios caudalosos, mas com regimes hidricos dis- tintos entire si. Problemitica que se torna ain- da mais delicada quando o atendimento de uma velha e 6bvia reivindica~go, o desloca- mento da via priorititria de transport (das rodovias para as hidrovias), revela faces in- suspeitadas da situaqlo. A preparagao de um rio para a plena na- vegabilidade e seu uso regular posterior po- dem criar efeitos que vlo prejudicar ou mes- mo comprometer de vez o pr6prio rio. De dra- gagens e derrocagens mal feitas pode resul- tar o assoreamento do leito e o desapareci- mento das praias marginais. Do trinsito de barcagas dotadas de meios para se auto-li- bertar de bancos de areia pode ocorrer a des- truiglo dos canals naturals. Os procuradores, por isso, reforgaram seu entendimento de que os relatbrios de impact ambiental devem ter uma consistbncia sufici- ente para afastar temores negatives e reforgar as medidas de antecipa~go de efeitos. Por essa perspective, devem continuar insistindo em cobrar mais qualidade desses estudos, mes- mo que paregam estar adotando uma posi~go contraria ao progress. Um rio nlo e exatamente uma hidrovia. Do estado natural, ele passa i condi~go de obra humana, depois que sofre interven95es a titulo de corregio, melhoramento e com- plementa~go. Logo, os homes t~m que pres- tar a devida conta do que estilo fazendo. Sem isso, logo um rio virars uma hidrovia esburacada, deteriorada, imprestivel. Como as estradas de rodagem, uma obra totalmen- te humana. Mas tamb6m os procuradores constata- ram que 6 precise adotar as medidas para que a hidrovia Tocantins-Araguaia seja plena- mente utilizada e nlo apenas em um dos seus trechos, como estl ocorrendo hoje. Jri 6 pos- sivel embarcar uma carga em Goids e faze-la chegar at6 Xambiodt, no Tocantins, de onde ela 6 reembarcada em caminh~o e vai ser le- vada at6 o pitio da ferrovia Norte-Sul, em Imperatriz. Seguird a partir dai pela ferrovia de Carajds para o porto da Ponta da Madeira, no literal maranhense. Mas, ao invts de tres modais, a carga poderia ir sempre pelo rio at6 o porto de Vila do Conde, no literal do ParB, se as eclusas de Tucurui, no Tocantins, fossem finaliza- das. O que, se defender do governor fede- ral, nlo acontecera -ou, so menos, s6 acon- tecer8 daqui a muito tempo, sem data defini- da. No seu encontro de quatro dias em Be- 16m, os procuradores perceberam que n~io 6 esse o interesse regional. Estio dispostos para agir de tal maneira a favorecer todo o vale, mesmo que enfrentando vontades po- derosas em sentido contririo. POFSOnagens Em seqildncia, morreram nas ultimas semanas Dalila Ohana, Ar- mando Morelli e Herm6genes Conduru. Em esferas distintas, em mo- mentos histbricos diferentes, cada um deles foi personagem marcante no Pardi contemporfineo. Dalila foi aquela mulher corajosa, adiante do seu tempo, que nio se vexou em ser a amante do politico mais poderoso de entio no Estado, o caudilho Magalhaes Barata, que, para tC-la ao seu lado, deixou a residtncia official para se instalar em casa alugada. Dalila teve classes e amor o bastante para nio criar caso na hora em que as conven95es socials a impediram de assumir plenamente a posi~go que lhe cabia quando o poderoso morreu, mais de 40 anos atris. Foi uma das mulhe- res mais interessantes do Par6 republican. Armando Morelli fez seu nome na saga da demarca~go das fron- teiras amazanicas, combinando essa face aventureira com sua posi- Fgio de vanguard na medicine do Estado. Fez muitas coisas certas e erradas, entire estas uiltimas ter aceitado o convite de Aloysio Chaves para presidir a Celpa, missilo que nio combinava com seu talent e sua biografia. Talvez, ji em idade avangada, Morelli tivesse querido encarar mais um desaflo, dos muitos que topou sem a menor hesita- 950. Era um home de a~go. S6 um gabinete medico ou uma sala cirdrgica lhe serviam bem de retaguarda. Queria mesmo era estar na linha de frente. A Amaz~nia do seu tempo era cenririo ideal para homes dessa tempera. Ouvir suas hist6rias, mesmo criticando ou condenando algumas delas, era descortinar uma parte considerivel dessa hist6ria de fronteira. Herm6genes Condurti foi o elo entire a ultima geraqio de empreen- dedores de uma Amaz~nia que feneceria junto comn as Arvores derruba- das para a passage das estradas de integra~glo national, que coloca- riam ponto final no extrativismo vegetal (e consolidando o extrativismo mineral), e a geragio atual, que mal sabe desse passado. Seguiu os passes e substituiu um dos simbolos desse period de apogeu e eclip- se, Ant6nio Velho, no comando de um empreendimento notavel, como a Importadora de Ferragens. Numa epoca em que o que se trazia de fora da Amaz~nia, viesse de outros Estados da federaqio ou do exterior, era coisa importada. A Amazcinia era um pais e nito sabia. Agora sabe. E 6 pouco mais do que nada. Tris personagens que so foram num silbncio geral, que acusa ape- nas os que ficam, destituidos de uma membria de valia coletiva. Raqui- ticos e insignificantes registros na imprensa, que se lixa para o seu papel de aggeda cotidiana dos cidadlios. Dizia-se em Londres que nito valia ter vivido se, ao morrer, o passamento nao fosse registrado no Times, ao menos antes de Rupert Murdoch. Mal alguem se tornava personalidade e ja merecia a pesquisa de um redator do necrol6gio do mais traditional jornal inglbs. Quando a morte chegava, o Times nilo era surpreendido: sabia tudo o que interessava do falecido. E suas pala- vras viravam hist6ria. No ParB, os jornais viram papel de embrulho do mesmo dia em que circulam. Ou papel de outra serventia, mais deleteria. JOrnal Pessoal Editor: Luclo FI~vio Panlo* Fones: (091) 223 7690 (lone far) r 241-7626 (lax) Contato: Tr Benjamln Conslanl 845/203!66 053-0410 -e-mail: lornal~amazon com Dr Produgho: Angeilm~ Plnlo Ed~gio de Arte: L12azlnpeanondeariapnloi230-130-1 Angelis (Desenvolvimento Urba- no). A situa~go dele nio e con- fortilvel. Um deslize do PMDB e Ovidio perde o cargo". Espero poder voltar a elogiar a postura do Didirio, que, infeliz- mente, nio tem exemplos melho- res em toda a imprensa national. Neles, a voz do donor do journal costuma ser vox Dei. COff69(~)S Uma revisio mal feita nio es- pantou varias pequenas, mas sanguindrias gralhas que pou- saram em varias materias da edi- Fgo passada. O popular "quadro de usos e fontes", muito conheci- do dos contabilistas, virou "qua- dro de usos e fundss. Conve- nhamos, por~m: a pritica do con- ceito nio se aproxima dessa iro- nia involuntbria? JB a Amaz6nia espectadora virou expectadora, talvez por causa das fumagas dos criminosos desmatamentos anu- ais, que estlio para comegar e sem- pre estio para aumentar. Os qua- se dois meses de Jader Barbalho na presidtncia do senado estica- ram para mais de dois meses, com coer~ncia imprevista: final, com ACM e acolitos nas funds pega- das do senador, o tempo corre c61ere (mesmo sem ter no cart6rio a culpa da matriz). O inspector do Banco Central Patruni Filho foi tra- tado como Jdnior. Mas, admita- mos: hidiferenga? Enfim: foi uma edigSio interati- va. O autor errando e o leitor cor- rigindo. Perdlio, leitores. Campan ha A campanha eleitoral ji esti nas ruas, violando a lei. Camufla- da em supostas mensagens admi- nistrativas de presta~go de con- tas e outdoors de apar~ncia ino- cente. Integrantes da administra- ~go priblica que antes nio saiam da penumbra, agora estio diaria- mente sob os refletores, benefici- ando-se indevidamente da propa- ganda official, veiculada principal- mente atrav~s das emissoras de radio e television, e, nos jornais, por meio dos inefaveis press-re- leases. Tudo custeado pelo con- tribuinte, consultado apenas na Justiga O advogado Jos6 Eduardo Rangel de Alckmin veio no itltimo dia 4 de Brasilia, onde e s6cio do escrit6rio Alckmin Associados S/ C, como representante do desem- bargador Joso Alberto Paiva, do Tribunal de Justiga do Parai. Sua missio: participar da audiencia de conciliaqio na 1la vara civel de Beltm, onde omagistrado prop6s uma aglo de indeniza~gio contra mim, declarando-se ofendido por um artigo que escrevi neste jornal sobre a grilagem de terras no Xin- gu (de 5 a 7 milhdes de hectares) do empresario Cecilio do Rego Almeida. Ngo houve conciliaqio. A au- ditncia nio durou mais do que cinco minutes. O advogado re- tornou, entio, a Brasilia. Deverc estar de volta no pr6ximo mis para o inicio da instru~go do pro- cesso. A a~gio penal, com base na chamada lei de imprensa, de 1967, tambem teve andamento na 16" vara criminal. Nos processes em que tenho sido r~u, por alegado crime de im- prensa, o que n9o posso 6 recla- mar da morosidade do judiciario, tema constant na boca de quem costuma ser autor. Censura Nilo se pode mesmo elogiar: registrei aqui com satisfaqgo a postura editorial do Diario do Para, publicando na integra to- das as critics ao senador Jader Barbalho de jornalistas e colabo- radores contidas no material das ag~ncias nacionais. Logo em se- guida o journal suprimiu duas no- tas do "Painel Politico" da Folha de S. Paulo do dia 16 de margo, ao fazer a reprodugho da coluna, por serem inconvenientes ao donor do jornal. A nota de abertura da coluna do journal paulista dizia: "O go- verno mandara um recado ao PMDB: se o partido nito cumpris- se o acordo com o PSDB no Se- nado e se Jader continuasse a defender a CPI, o partido perde- ria um ministbrio. A ameaga deu certo e a Comissio de Assuntos Econ~micos ficou com L~icio Al- cintara (PSDB)". A nota seguinte era esta: O ministry do PMDB que est8 com a cabega a primio e Ovidio de hora de pagar um imposto que se espraia na derrama tucana. Com a palavra, para a respos- ta, o Ministerio Pliblico eleitoral. Ao menos para colocar em prati- ca aquela velha maxima da Vov6 Zulmira, de Stanislaw Ponte Pre- ta: on restaure-se a moral, ou to- dos nos locupletemos. No caso, ou continuam em vigtncia as nor- mas que proibem a personalizaCio dos atos e comunicados do go- verno, ou todos passam a ter o direito de usar o erdrio para pro- mover seus nomes, sobretudo os pesados, aqueles que s6 sobem abusando do estatuto da gafleira, criado pelo nosso maravilhoso Billy Blanco, ele pr6prio comn um p6 no salio. |
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