Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00206

Full Text





JOTTE CeSSO
UC O F LA VIO P T O


A Sudam, como naquela mtisica, nasceu torta e pode morrer tortuosamente. Males de
origem criaram uma cadeia de ineficie~ncia, fraude e corrupgd~o. Mas o process de revisd~o
dos seus erros, que estava em cursor, foi atropelado pelas denzincias do senador Antinio
Carlos Magalhdes. Como caso de poli'cia, a Sudam estd' ameagada de desaparecer sob o
guante de um intemventor, que ndo aceita o ti'tulo, mals age como tal. No final das contas,
uma parte perderdi semzpre: a Ama~zdonia.


governor federal chegou a
est8 podre e tem que ser ex-
tinta ao fimndeuma auditoria
Odo Minist~rio da Integraqio
Nacional, que tomou como base denincia
do senador Ant~nio Carlos Magalh~ies, feita
no cursor do tiroteio que trava com seu in-
desejado successor na presid~ncia do Se-
nado, Jader Barbalho, patrono das 61ltimas
administraq6es na Superintendencia do De-
senvolvimento da Amaz~nia. De uma amos-
tra de 95 projetos de colabora~go financei-
ra examinados, 29 apresentavam irregula-


ridades, provocando desvio de 108 milhdes
de reais de incentives fiscais.
Aplicada a mesma proporqgo, de 30%,
a totalidade dos 548 projetos ativos na
carteira da Sudam, a fraude chegaria a
quase 170 projetos e o desvio subiria para
R$ 500 milh~es (dos R$ 1,7 bilhio com-
prometidos, segundo a estatistica official .
Os mimeros se tornammais impressionan-
tes. Ainda estio long, contudo, de repre-
sentar a realidade. O buraco no caso,
para usar a linguagem cabivel, a criminal,
o rombo 6 mais embaixo e maior.
Dos 29 projetos incluidos na amostra-


gem do minist~rio, apenas um, o da Usi-
mar, no Maranhio, represent os mamu-
tes predominantes no redil sudanesco (ou
sudamtesco, neologismo mais fiel). Os
demais sho, como regra, esp~cies da raia
miuda, o que nio quer dizer que sejam
menos vorazes (uma piranha 6 muitas
vezes menor do que um pirarucu e virias
vezes mais agressiva). Por isso, a amos-
tragem pode padecer de certa improprie-
dade ou vicio (talvez de origem), dando
causa a um vi~s nas conclusaes.
Mas bastava pegar aleatoriamente um
projeto para ter um bomn exemplo dos er- )


A hora da








2 JOURNAL PESSOAL *la QUINENA DE ABIL/ 200


Sudam, o Minist~rio Pilblico, a Receita
Federal, a Policia Federal e, se nio for
demasiado, a justiga, quando provocada.
O novo superintendent, Jos6 Diogo
Cyrillo da Silva, tem o dever de atigar seus
subordinados competentes para o trato da
matbria, cobrando-lhes resultados e punin-
do os relapses ou venais. Mas nio 6 esta
a sua missio mais nobre. Cabe-lhe, aci-
ma de tudo, reconciliar a Sudam (ou outro
nome que vier a ter) com sua missio de
ag~ncia de desenvolvimento, tirando-a (se
possivel, de vez) das piginas e dos assen-
tamentos policiais e do ciclo viciado em
que Brasilia a enredou.
A feig~io inquisitorial e punitive assumi-
da pelo superintendent pode ser uma fer-
ramenta de trabalho, um recurs tatico para
poder se firmar em solo dificil, desconhe-
cido ou hostile. Mas para nio se ver reduzi-
do ao papel de interventor (que, ali~s, diz
ter recusado), ele precisa tamb~m se ajus-
tar a um pano de fundo institutional mais
nobre. Se a SPVEA nasceu aleijada, pri-
vada que foi dos melos e mnstrumentos a
ela conferidos na letra (logo morta) da lei
de 1948 (precisou de cinco longos anos para
se instalar), a Sudam sucedeu-a comn vici-
os de origem que jamais conseguiu sanar,
justamente por serem cong~nitos.
Esse acervo de deformidades nio
pode, entretanto, ser liquidado como um
incident policialesco ou o desdobramen-
to de um folhetim politico. Se for assim, o
6rgdo que suceder a Sudam nascera~ sob
o mesmo signo de desajuste, fadado a ser
uma anomalia ou um exotismo numa
Amaz~nia para a qual a percepgo do
poder central se tem mostrado insensivel,
distorcida ou mesmo refratiria.
Hg erros e errados a inventariar nes-
tas quase quatro d~cadas de Sudam. A
matriz desses entes deformados, huma-
nos ou materials, entretanto, esta fora da
regiio. Sem essa compreensio pr~via,
tudo o mais continuara na sucessio de
equivocos que resultou na 6pera bufa en-
cenada em Brasilia pelo baiano Ant~nio
Carlos Magalh~ies, tomando como perso-
nagem maligno um chefe politico paraen-
se que ndo esteve g altura do poder que a
hist6ria lhe conferiu.
Os fraudadores, de dentro da Sudam
ou de fora dos seus muros, podem e de-
vem ser punidos, ap6s a devida apuraqio
dos fats. A Sudam pode at6 desapare-
cer, como exata punigio por seus erros.
Mas ji 6 o memento de separar os ele-
mentos de uma conjuntura perverse dos
components de uma estrutura que diz
respeito a uma regiio tio grande e com-
plexa como a Amaz~nia, vitima, quando
nio mera expectadora, de toda essa en-
cenaq~io feita sob e com o seu nome.
Mas nlo para favorec6-la.


ros do sistema de colaboraqio financeira
do governor comn projetos incentivados na
Amaz6nia. Nenhum projeto pode dar certo
se seu proprietirio 6 obrigado a deixar
40% do seu valor no ponto de origem da
dedugio do imposto de renda, assinando
um contrato de gaveta com o devedor (e
optante) que transformara a aplicago
num dinheiro-bumerangue, aquele que
acaba voltando g mio de quem o langa.
Essa corretagem 6 illegal, mas tem so-
brevivido a todas as mudangas de regra
que foram adotadas, a partir de 1976 (10
anos depois da criagao da Sudam), como
corretivo das irregularidades constatadas.
O sistema parece o escorpido da piada:
pegando carona no lombo de um outro
animal para atravessar o rio, pica seu
transportador, mesmo sabendo que ambos
nio sobreviverio a tal impulse. "E a mi-
nha natureza", explica-se o escorpido,
antes de se afogar.
E da natureza dos incentives fiscais
produzir corruppio e fraude? Tudo indi-
ca que sim. Um bom projeto, se quiser
ter dinheiro garantido, tem que optar pelo
artigo nono (artigo 18 na regulamenta-
glo anterior), do projeto prC~prio. Seus in-
centivos fiscais virdo das dedug~es de
grandes devedores de impostos de ren-
da. O dinheiro saird diretamente do local
da dedug50 para a Amaz~nia. Mas o s,-
cio de araque retirarS seu nome da soci-
edade assim que receber a comissio de
40%. Como cumprir as metas assumi-
das com apenas 60% do cronograma fi-
nanceiro estabelecido? S6 superfaturan-
do despesas, maquilando as contas, adul-
terando os pap~is.
Se n~io tem condiC~es ou vontade de
entrar nesse esquema, o projeto precisard
sujeitar-se ao leilio do fundo de incentives,
o Finam, onde o dinheiro pinga e 6 tlo in-
certo que desmoraliza qualquer programa-
pio. Exceto, naturalmente, se vocC for forte
o bastante em Brasilia para que de 18 ve-
nha uma ordem do ministry para o superin-
tendente, determinando previamente quan-
to dos recursos do artigo 5" (antigo 17) te-
rio seu destiny carimbado. Para o grupo
Joso Santos, por exemplo, que recebeu
centenas de milhbes de incentives para
construir duas fibricas de cimento (uma
em Manaus e outra em Itaituba) e s6, colo-
cou uma em funcionamento, desviando para
Sergipe equipamentos que deveriam ficar
na Area amaz6nica incentivada.
Os 28 projetos nos quais a auditoria
constatou irregularidades primirias, gros-
seiras e escandalosas sio, sobretudo, um
atestado da impericia (ou da conivencia)
das fiscalizaq8es da Sudam e do desvio
politico de funq~es do Conselho Delibe-
rativo do 6rgdo. Tais projetos, nas mini-
mas condigaes de rigor t~cnico e dec~n-


cia administrative, nio podiam ser apro-
vados. Aprovados, deviam ter tido as li-
beraq8es de recursos interrompidas a pri-
meira fiscalizaqio. Inadimplentes, deve-
riam ser compelidos judicialmente a de-
volver o dinheiro pdiblico mal aplicado ou
desviado. Sgo fortes as suspeitas de que
tenham servido de biombo para a drena-
gem de dinheiro para diversos caixas dois,
seja de empresirios como de politicos. Por
este prisma, o dinheiro deve ser rastreado
at6 suas 61ltimas conseqtiincias,
O caso da Usimar 6, individualmente,
muito mais grave. O Conselho Deliberati-
vo da Sudam se deslocou para Sho Luis,
onde o empreendimento deveria se insta-
lar, para aprovi-lo. Nio por acaso: havia
resistencia, principalmente na direa da
Receita Federal, a aprovagio do projeto.
Primeiro em relaglo a conveni~ncia de
comprometer recursos com um projeto
que, sozinho, no valor de R$ 1,3 bilhio,
representava quase tr~s orgamentos anu-
ais do Finam. Em segundo lugar, porque o
s6cio controlador nio tinha competincia
especifica demonstrada na produgho de
ferro-gusa, fundidos brutes e usinados. Em
terceiro, por ser suspeito seu quadro de
usos e funds.
Mas, ao que parece, o donor da Usi-
mar tinha bons padrinhos na estrutura de
poder do Maranhio e na c~ipula da Su-
dam. A carta-consulta foi apresentada em
20 de setembro de 1999. Quatro dias de-
pois ji estava aprovada. Os primeiros R$
22 milh~es foram liberados em janeiro do
ano seguinte. A dose foi repetida em mar-
go. Os R$ 44 milh8es migraram dos co-
fres da Sudam antes que um centavo ti-
vesse said do capital prC~prio da Usimar.
Tudo isso foi denunciado g 6poca. Nenhu-
ma providencia foi tomada pela Sudam.
Infelizmente, a amostragem nio incluiu
nenhum dos seis projetos de Jos6 Osmar
Borges, talvez o recordista atual da Su-
dam em numero de empreendimentos
aprovados, nivelando-se a outros bem
aquinhoados empres~rios que transitaram
em anos anteriores pela superintendencia,
tendo escapade ao crivo final porque ji
se desvincularam do balclo de negbcios.
A Receita Federal acusa Borges de desvi-
ar R$ 111 milhbes (razob~vel m~dia de qua-
se R$ 20 milhdes por projeto), um pouco
mais do que o que aprontaram todos os
29 projetos auditados pelo ministtrio. Por
que ele ficou de fora?
Perguntas desse jaez podem se multi-
plicar ao infinite, mas todas devem ser
adequadamente respondidas para que
cada centavo do eriirio tenha seu destiny
identificado, seu retorno cobrado e o ma-
ximo dessas centenas de milhdes retorne
aos cofres pdiblicos. Esta 6 uma tarefa a
que' devem se dedicar a procuradoria da







JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE ABRIL/2001 3


As principals e mais graves acusag~es que
est~io sendo feitas contra o senador Jader Barba-
lho referem-se a fats commais de uma dicada de
ocorr~ncia. A grande imprensa national pouco
se preocupou com esses fats enquanto o poder
de Jader se circunscrevia ao Park. O interesse na-
cional que chegou a haver anteriormente se res-
tringiu ao periodo em que o ent~io govemador
avalizava Nelson Ribeiro como ministry da refor-
ma agrairia e o Mirad tentou, em 1985, desapropri-
at latifiindios por explomp~io, tidos como produti-
vos ao arrepio do Estatuto da Terra (de novembro
de 1964, por~mmais avangado do que o PNRA da
Nova Repdiblica, que fez soar atrombeta de Jeric6
para Ronaldo Caiado e sua UDR muito louca).
Cristalizada a armadura dos latifundidrios na
"constituigiocidadsi" de Ulysses Guimaries, Ja-
der, Nelson e seus quixotes foram deixados de
lado. Que voltassem g provincia primitive.
Mesmo quando a carreira do politico paraen-
se adquiriu algum acento national, a "gr-ande im-
prensa" (a rigor, imprensa grande) s6, tratou-o no
varejo, commI~iivontade na maioria dasvezes. Mas
bastou o senador Antinio Carlos Magalh~ies,
fonte preferencial de muito jomalista considera-
do bem informado e independent, langar o inter-
dito proibiti~rio contra Jader, para os jomaldes de-
sencadearem uma impressionante campanha de
atacado contra aquele que se tornou a expresso
do pior em political. E do pior em tudo que diz
respeito a 6tica e momalidade.
At6 hoje, Jader Barbalho nio pi~de tomar pos-
se, de fato, na presid~ncia do Senado, mais de
dois meses depois de ter sido eleito para o cargo
com o voto da maioria absolute dos seus pares
(metade mais um senador). Os fats lesivos mais
recentes, inclusive a suspeita de fraude na vota-
950o, partilhados entire ele e seu incansi~vel desa-
feto (com mais peso pendendo para o lado de
ACM), foram deixados de lado, exceto quando
(como no caso da Sudam) envolvem afilhados,
apaniguados e protegidos de JB (cujos rabos
empalhados excedem o de um dragilo mitol6gico
-e ainda siovulneri~veis ao fogo do animal ima-
gindrio, que desse mal nio sofre).
Os holofotes est~io voltados para fats de 10
a 16 anos atrds, como os cheques administrativos
do Banpardi, emitidos em 1984. Todos os fats
foram noticiados ou mesmo denunciados no mo-
mento mesmo de sua materializagno, ao menos
por algu~m na imprensa. Todos formmdo conhe-
cimento do Ministbrio Pliblico e de v~rias outras
instilncias administrativas do govemo afetadas
pelas ocorr~ncias. Todos chegaram a via judicial.
Se foram mal apuraldos, sufocados, engavetados
- e questio de apurar e punir.
Exceto as demands que prescreveram judici-
almente, todas as demais -e mesmo aquelas que
est~io na 6rbita judicial, com arquivamento sem
exame do m~rito, suscetiveis, portanto, a fats
novos podem ser reabertas. Tudo dentro da
normalidade institutional e conforme o rito legal.
Mas se a sociedade quer tomar Jader Barbalho
como exemplo e, a partir dele, atingir os maus poli-
icos, osmaus homes piblicos emgerale osmaus
empresdrios, entio a mira ni pode ser dirigida
apenas contra o president do Senado, nem ficar
no movimento pendular maniqueista at6 o orixi
secular da Bahia. Se hoje Jader Barbalho aparece
na grande imprensa national como o simbolo do


enriquecimento ilicito particular A custa do ersirio, 6
bom nio esquecer que esse lugar foi ocupado an-
tes pelo paulista Paulo Maluf, que sucedeu o pau-
lista Or~stia Quercia, que restabeleceu a linhagem
paulista de Adhemar de Barros-para ficarmos no
Brasil posterior & Repdiblica de 30, vitoriosa exata-
mente para remover do pais os politicos carcomi-
dos, sustentaculos da viciosa alteridade do cafe-
com-leite, de paulistas e mineiros, que prevalecia
ate entio ( fi restabelecida ap~s ~o furacioClo,
com Itamar e seu inverse, FHC).
Quase todos os dias sou consultado por co-
legas jornalistas do sul sobre fats da vida pre-
gressa de Jader Barbalho. Repito tudo o que sei,
de fato provado. Alguns colegas ficam assusta-
dos com o que ouvem. Perguntam se pretend
publicar hist~rias tio exuberantes, que caberiam
como luva num romance de Miguel Angel Asti-
rias ou Manuel Scorza. Digo que ji publiquei tu-
dinho, muitas coisas em primeimm rio (e, As vezes,
a Oinica m~io dada pela imprensa). S6 dois exem-
plos: a fraude na desapropriago da idilica (para o
desapropriado, infernal para o contribuinte) Fa-
zenda Pamaiso, em Viseu, ou a negociata comn os
castanhais de Marabzi (operag~o de compra even-
da e nio desapropriago, como insisted os jorna-
16es), tudo em 1988.
Leio, sem conseguir reprimir de todo certo en-
fado e nojo, fats pelos quais ji passei hA tanto
tempo, como a enrolada dos cheques administra-
tivos do Banpara, e que reaparecem agora como a
pedma filosofal da corrupplo, a quintessincia do
jomalismo investigative, agindo atoda bacteria pam
prostrar eliquidar um politico primariamente cor-
rupto, acuado no gabinete que malmente ocu-
pou, sem esquentar a cadeira.
Diz um colega que a Folha de S. Paulo teria
oferecido dois meses de f~rias no exterior ao re-
pi~rter que encontrasse o famoso (com materiali-
dade por enquanto equivalent g da Fazenda Pa-
raiiso) terceiro relatirio do inspector do Banco Cen-
tral, Patruni Filho. O Jornal do Brasil, na vora-
gem inquisitorial, colocou o nefando empresdrio
Jos6 Osmar Borges como sendo o superinten-
dente da Sudam, o que, convenhamos, se verda-
de fosse,j jseria a gli~ria para a raposa: o galinhei-
to todo ao seu absolute dispor.
HA uma certa histeria anti-Jader na imprensa.
Um dos seus mais poderosos alimentadores 6 a
promiscuidade de bastidores entire jornalistas e o
senador Antinio Carlos (e, parainfelicidade de b-
rio S~rgio Conti, uma promiscuidade incompara-
velmente maior das empresas jomalisticas comn o
ex-ministro das comunicaqaes e homern forte do
setor el~trico, de obras milion~rias, de empleiteiros
dadivosos). E claro que uma faglsa santidade barba-
lhista, como a de htob ni~otem fu~ndo mais noble.
Mas e fmocamente minoritbria no espectro atual.
Se o paraense Jader Barbalho 6 esse ogre pin-
tado pela imprensa, a opinion p~iblica poderd ser
levada a cler que, eliminando-o, mesmo que a custa
de um golpe branco brandido a partir das reda-
95es (por control remote, talvez), o ambiente po-
litico national estard grandemente saneado. Mas
se a perniciosidade de Jader for relativizada, inse-
rida no context mais geral da elite (n~Lo s6 politi-
ca) do pais, entI~o o quadro estardr mais equilibra-
do ese~dmais realista. Perigosamente realistaaa
quem maneja os cordaes do teatro de variedades
para o qual a midia dai sua contribuigno valiosa.


Mesmo em matbria de corruppio e maus cos-
tumes, o Norte atrasado 6 fichinha. Se 6 para ser
tratado como ladr~io de galinha, nio pode ter o
6nus da comparaqio com os criminosos de cola-
rinho branco, s6, porque estes s~io mais bonitos e
cheirosos e pagam advogados mais competen-
tes, ou cars. Mas vi-se checar a conta de pagar
que deixam para nosotros.
Jader 6 o piorpolitico em atividade no Brasil? A
pergunta est~i feita e deve ser feita. A resposta
pri-paga da grande imprensa, entretanto, nio ser-
ve de resposta, por seu evidence vicio insani~vel de
origem. Impedido de ocupar um cargo para o qual
foi eleito, sejald~ por qual m~todo (legitimado e san-
cionado pelo reconhecimento official da sua vit6i-
ria), Jader s6 pode ser apeado da presid~ncia do
Senado por um golpe branco, que 6 o nome verda-
deiro da campanha a frente da qual se colocou a
imprensa. N~io 6 de todo improvi~vel que venha a
ter mesmo esse destiny. Talvez dessa maneira o
"caso Jader Barbalho"nio chegue is suas ultimas
e mais profundas conseqii~ncias, servindo de ates-
tado da falancia das instituiF~es bmasileiras.
Por todas elas passaram os fats, as suspei-
tas e os indicios de ilicitude apontados no cursor
da carreira de um home que foi vereador, depu-
tado (estadual e federal), governador, ministry e
senador. Ou seja: foi quase tudo o que um politico
pode ser, exceto president da repdiblica.
O fato mais grave que se exibe hoje transitou
porv~rios escaninhos oficiais e dormitou no Ban-
co Central e no Minist~rio Pdiblico estadual at6
ser reaquecido, a tal ponto que agora provoca o
comportamento indigno de autoridades pdiblicas
no banco e em nivel hierarquicamente superior,
transferindo responsabilidades para o costado
alheio e trauteando alegaqBes de lana caprina,
como se dizia antanho, com o la~tego simb61ico da
expression fazendo seu devido efeito.
Assim, se Jader Barbalho se elegeu presi-
dente do poder legislative brasileiro, um dos tras
previstos pela Constituigio da repdblica, tendo
como curriculo um verdadeiro prontuario polici-
al, esse que os jornais se encarregam de enri-
quecer todos os dias, com ou sem razio, com
fats ou vers6es, 6 porque os canals de vaza-
mento das instituiqbes deixaram de ser um sim-
ples com perdio da palavra ladraio para se
tomnarem um monumental canal de drenagem.
Da mesma maneira que todos os procedimen-
tos regulars contra o ex-govemador precisam
chegar aos seus finalmentes, saindo do limbo Itil
em que se encontram, sempre favorlivel ao neg6~-
cio e is chantagens, as instituig8es tem que ser
submetidas a uma prestagio de contas em regra.
Mas se 6 para iniciar uma operaqio limpeza, como
a desencadeada pelo MP italiano, entio 6 precise
acabar com essa brincadeira de bicho-papho, sem-
pre de mau gosto, e olhar na cara dos meliantes de
colarinho cristalino, que aprenderam a nio deixar
a orelha tremer quando mentem.
Caso contedrio, quando o esquartejamento de
Jader Barb~alho tiver sido concluido, os dons da
republican voltario ao seu copo de uisque, Zls suas
engrenagens financeiras, aos seus caixas 2 e a
todo o aparato subterrineo que impede este pais
rico de ser umanaqio para valer. Aparato, natural-
mente, que inclui a imprensa grande. E muita da-
quele gente para a qual Emile Zola tinha uma clas-
sificagao dura, mas exata: os canalhas.


O Judas do Barbalho







4 JORNAL PESSOAL la QUINZENA DE ABRIL/2001


a elei~go municipal do ano pas-
sado, o goernador Almir Ga-
briel apoiou dois candidates no
Ndisputa pela prefeitura de Be-
lm com Edmilson Rodrigues, que acabou
se reelegendo. O candidate oticial. o de-
r putado federal Zenaldo Coutinho, do par-
tido do governador, nem conseguiu pas-
sar para o 2" turno. O candidate informal,
Duciomar C3osta, ultrapassou essa barrei-
.ra e diz que so n3o venceu o prefeito do
PT porque nso recebeu de Almir roda a
ajuda n~ce~ssaria. Com mais dinheiro nos
uilt imos dias e sem a pesquisa do Ibope na
vespera, divulgada pelo grupo Libe~ral.
acredilta que: teria Invertido o relsultado fi-
nal. Edmilson chegou na frente. com uma
dlferenrga de: 1.200 dos votos.
A primeira li~go dessa detrrom3 foi de
que nem sempre a maquina official e ca-
paz de eleger um postet, a falsa conclu-
.sao deixada pela eleigio de: Luiz Oravio
Campos para o senado, a frente de Ana
Jtlia Carepa e Helio Gueiros, dois anos
antes. A segunda hqdao dos tucanos: e
preferitel apostar todas as fichas num
. unico candidate no 19 rturno do que des-
Sperdigar forgas com dois nomes sem forte
apelo popular, deixando outros acertos
para o 24 turno. O ensaio e erro deve ser
t'. entado antes da homologaqgo da candi-
datura pelo partido, testando varias al-
i~~c ternativas para chegar no inicio da cam-
panha eleitoral com um so nome.


Assim. nesta f~ase: ainda informal da
corrida ao voto. o govemador esta com
tres candidates a candidates no mercado.
O nome: mais bemn estruturado ate agora
e o do vice-goternador Hildegardo Nu-
nes. que praticamente atua visando a su-
cessio estadual desde o primeiro dia do
seu mandate. Dos tre~s possiveis calndida-
tos, porem. Hildegardo eo menos simpa-
tico a Almir. Tanto por nio ser do PSDB,
como por \ir demonstrando um tal appetite
pelo poder que susenta dth~ idas quanto a
fidelidade ao tucanato quando assumir a
titularidade do gol erno. Oi \Ice te~m de-
mnonstrado uma11 Iiberdude e autonom~ia de
mioL ime~ntos que: ndo se: harmnonizant com
o mod~lo de: condug'~o Cenntralizada e mlan-
do terticalizado do golernador. Mlas Al-
mir nlio fez nenhum eteo a possibilidade-
um lanto remote. mias real de Hildegar-
do vir a ser seu candidate.
Se pudesse passar diretamenre a fai-
xa a alguemn. o g~ove~mador ni~o hesitaria:
seria o secreta~rio especial da produ~go
Simao Jatene, seu alter-ego (ou l ice-ver-
sa). M~as Jatene, que nunca foi uma plu-
ma eleitoral. njlo conseguiu levar a con-
sequb~ncias praticas seu desejo de: substi-
ruir Gabriel (a forma de tratamelnto pre-
ferencial de uma ala da corte). Ora falta
a programaCdes de: viagem ao interior, ora
se enfada de: contatos politicos. M~esmo
empenhado em ser popular, njio consegue
estabelecer um campo gral itacional em


ser imoral, mas nio 6 illegal,
observa a revista. Ngo
exatamente.
Quando, em 1979, a
Eletronorte transferiu para a
jii extinta Portobris a
responsabilidade de construir
o sistema de transposiq8o da
barragem, aobra, mesmo
desmembrada, continuou
com a Camargo Corr~a.
Depois de seis anos de
paralisa~go, a construg8o
das eclusas foi retomada
pela empresa, ainda com o
mesmo. contratoo


A duplicaqio da
capacidade nominal da usina,
com investimento global de
US$ 1,5 bilhlo, tamb~m esti
sendo feita pela Camargo
Corrba, ao abrigo do velho e
maravilhoso contrato, que
espicha mais do que o
Homem-Submarino.
A Eletronorte se orgulha
de proclamar, em seu
raquitico site, que a usina de
Tucurui 6 a obra que
acumula mais concrete (8
milhoes de metros c~bicos)
do B~rasil e a maior


hidrel~trica "genuinamente
national". Esta 6 a banda
sadia da ma~g. Estd na hora
de virar para ver a banda
podre, ligeira e
equivocadamente exibida na
mat~ria de Veja.
Se estit todo mundo
perplexo com a fortune
pessoal de R$ 30 milhaes do
senador Jader Barbalho ~e os
R$ 110 milhaes de desvios
constatados na Sudam, cabe
um aviso: ests conta da
Eletronorte 6 media em
v~irios bilh~es de reais.


Fi almnte ( ab-e la
por qual motivagio) Veja

dCewao iou:Ca asnou: h
um quarto de seculo para a
:osr~o daahde~rc d
uma empreiteira ji ganhou
no Brasil. A mat~ria,
publicada com algum
destaque na 61tima edigio da
revista, nio 6 exatamente
um primer dejornalismo: hi
poucas informaqdes,
algumas delas trocadas, e
muitos juizos de valor. O
autor do texto ouviu o galo
cantar certo, mas apurou
mal a cantoria (talvez porque
o que interessa 6 reproduzir
os decib~is registrados). Os
poucos fats revelados,
por~m, sho suficientes para
exigir explicaqdes de quem
de direito.
A revista diz que o
orgamento da usina duplicou,
dos 6 bilh~es de reais
originals para os atuais R$
11,5 bilh~es. Se as grandezas
fossem expresses em
d61ares, Veja estaria muito
mais pr6xima da verdade. A
Eletronorte jura que a
primeira etapa de Tucurui,
com 12 miquinas instaladas
e comn capacidade maxima
nominal de geraqio de 4,2
milhaes de quilowatts, saiu
por 4,7 bilhaes de d61ares
(quase R$ 10 bilhaes ao
cimbio do dia). A Comissio
Mundial de Barragens faz
seu c~lculo em US$ 7,5
bilhbes, computando, como
tambtm faz a Eletronorte,
apenas a hidrel~trica e os
juros durante a constru~go.
Incluido o linhio e os juros
pagos a partir de 1985, a
conta facilmente bate em
US$ 13 bilhaes (ou mais de
R$ 26 bilhqes).
Desde sua assinatura, em
1977, o contrato-base foi
aditado 29 vezes, em "'pontos
essenciais", observa a
revista, esticando os servings
e multiplicattdo o tralor. Tudo
isso, poi-6m, ocorrido sob a
vig~ncia da antiga lei de
licitaG~es piiblicas,
substituidaem -1993, .pode


Sucess~io: por


enquanto, so os

candidates de Almnir






JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE ABRIL/ 2001 5


remetidas pelo correio. Na busca de eco-
nomias de ponta de lengo e de normas bu-
rocriticas formalistas, a secretaria chega-
ra a cortar os didirios de classes e os livros
de ponto dos professors. Era o que falta-
va para implodir a motivaCio de profissio-
nais que ha cinco anos recebem os mes-
mos 3,99 reais por hora/aula.
Com o Fundef, que transferiu para as
prefeituras os recursos do ensino funda-
mental, suprimindo um canal que drenava
dinheiro para o ensino m~dio, mantido sob
a jurisdi~go estadual, a situaqio se tornou
ainda mais dificil para o governor, que 6
surpreendido pelos problems e parece ter
perdido at6 a visualiza~go de sua rede de
ensino disseminada pelo interior.
Esse quadro pode encerrar uma arma-
dilha para o novo secretario especial, se
ele assumiu o cargo com projeto eleitoral.
Nilson Pinto teve que manter no cargo a
titular da Seduc, Izabel Amazonas, por ele
mesmo indicada. Teve que readmitir seu
antecessor, Marcos Ximenes, demitido
pelo governador por incompetencia (Mar-
cos, successor de Nilson na reitoria da
Universidade Federal do Parid, chegou g
reuniio convocada para tratar emergen-
cialmente do problema das matriculas sem
saber que o problema sequer existia), tam-
b~m por ser do seu grapo politico.
Mas se o crit~rio de conflanga inspi-
rou os dois atos, o da competencia vai ter
que sobrepor-se para assegurar ao ex-
deputado que a Secretaria da Promo~go
Social nio serat sua tumba, ao invbs de
plataforma para o langamento da sua can-
didatura ao governor. Nilson Pinto tem
muito mais empatia popular do que Simio,
mas n~o a mesma infludncia na curul tu-
cana. E, por enquanto, os grandes lances
preliminares da dispute estio sendo tra-
vados na corte, como um jogo de xadrez,
para o qual, naturalmente, o distinto elei-
tor ainda nio foi chamado.


torno de si. Alguns tucanos ja comegam a
desistir de tC-lo como projeto.
Vgrios trocaram mesmo de barco, pas-
sando para a nau do novo secretirio da
promoCio social, Nilson Pinto de Olivei-
ra. O ate recentemente deputado federal
esta disposto a entrar com tudo na ginka-
na pr6-eleitoral: cumprimenta e da o ine-
faivel toque nas costas de quem se apro-
xima, vai a batizados e casamentos, dis-
cursa por onde passa. E tem nas mios
uma secretiria poderosa. Mas, na atual
conjuntura, de ambiguo poder.
A educago (e, por ironia, a sadide) sio
dois dos stores mais frigeis e polemicos
da administraFio Almir Gabriel. Nenhum
secretiirio conseguiu esquentar a cadeira
na Sespa e dar frutos. Entre outros moti-


vos, porque ndo tem poder (exercido di-
retamente pelo governador e, mesmo sem
delegagio sua, pela primeira dama, is
vezes em linhas cruzadas).
Jg na Se due o que houve foi um pro-
gressivo desmonte da estrutura que o pr~-
prio Almir comegara a levantar, disposto
a acabar com uma heranga simbolizada
pelo aluno-jacar6 (aquele que estudava
deitado, por falta de carteiras). A nova
conjuntura tamb~m ji tem seu simbolo: a
cai~tica matricula deste ano em Bel~m.
A Sedue conseguiu transformar em cri-
se um ato que ji se havia tornado rotineiro,
sem problems, por total incompet~ncia na
metodologia de elaboraqio, na feitura e na
revisio das listas de matriculas, pela pri-
meira vez divulgadas pela imprensa e nio


O quadro do balango dizirio
de energia, preparado pela
Operadora Nacional do Siste-
ma E16trico, leva a algumas
observaCges. Apesar de o pe-
riodo de cheia do Tocantins es-
tar chegando is v~speras do
seu nivel mfiximo, a capacida-
de de geraqio firme da hidrel6-
trica (aquela energia que ela 6
capaz de fornecer sempre) na-
quele dia era de 3.570 MW (ou
3,57 milhaes de kw) parauma
capacidade nominal de 4.200
MW. Uma expressive diferen-
ga entire o miuximo em tese e o
m~dio para um memento em


que o reservatirio estai com todo
o seu volume util de igua.
O Norte vai ter que se aco-
modar na camisa-de-forgado sis-
tema integr~ado, como exportador
de energia bruta? Se descontada
a energia transferida para outros
Estados e a apropriada pelas f~i-
bricas de aluminio da Albris e da
Alumar (em torno de 1.5000
MW), que consomemmuita ener-
gia, mas dio enorme prejuizo, o
que sobrou~para os paraenses dos'
3,5 mil MW de Tu~curni foram
menos de mil MW. A parcela
menor do total, portanto.
Vai ser sempre assim?


Ene rg ia
No dia 15 de margo, Tucu-
rui estava transferindo para
fora do Parii 1.020 dos 3.570
megawatts m~dios que estava
gerando. O Sistema Norte era,
naquele dia, o 6nico com su-
peri~vit de energia. Uma parte
maior dessa exportagdo (579
MW) estava indo para o Nor-
deste. Outra parte (441 MW)
para o Sudeste e o Centro-
Oeste, o sistema com o maior
deficit, compensado com ener~
gia vinda de fora do pais.







6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE ABRIL/2001


uma margem de liberdade su-
ficiente para nio ser sufocado
pelo ardor do outro duelista.
Infelizmente, por~m, tambem
tenho provocado a reaqilo de
pessoas que n~io querem servir
ao puiblico, que nio estio interes-
sadas em contribuir para a for-
maqio de id~ias, que n~io trazem
qualquer pensamento para a are-
na dos contrairios. O que querem
6 intimidar, fazer o oponente se
curvar a forga de suas agressdes
estabanadas, sem qualquer fun-
damento, exceto o de manti-las
a distancia de qualquer control,
completamente livres para dispor
ao seu arbitrio do poderpuiblico a
que tiveram acesso, nem sempre
meritoriamente.
E esse o caso de Francisco
Cavalcante, donor da Vanguar-
da Propaganda e da conta pu-
blicitaria da prefeitura de Belem,
agora sujeita a uma CPI da CA-
mara Municipal, instaurada para
apurar se foi de maneira limpa e
legal que a empresa venceu a
concorr~ncia da PMB. O publi-
citario Cavalcante acha que
pode me assustar e atemorizar
reagindo com selvageria a criti-
ca que fiz ao livro dele, Comu-
nicagd~o militant, escrito em
parceria com outra jornalista da
prefeitura petista, Ruth Vieira,
mediocremente langado na se-
mana passada em Bel~m, numa
festa de fraco comparecimento
(mais de quatro meses depois da
publicaCtio do livro).
Eu podia ter dado aos dois e-
mails que o publicitairio Cavalcan-
te me mandou o destiny que ele
merece: a lata de lixo (a latrina
podia ficar entupida). Mas ele e
um dos homes mais fortes do
grupo que, por um capricho da
hist~ria, ocupou o palacio Anti-
nio Lemos ha pouco mais de qua-
tro anos. Logo, represent aque-
les que slo responsaveis pelas
principals decisies em uma cida-
de de 1,2 milhio de habitantes. E
uma amostra representative, sem
censura, do que, debaixo da ma-
quilagem publicitaria, 6 essa ala
do PT que se aboletou na admi-
nistraCio belenense.
Chiquinho nito 6 apenas o
Goebbels da prefeitura, como dis-
se na resenha do seu livro (ver
Jornal Pessoal 255). Ele 6
tamb~m o Helio Gueiros petis-
ta. Al~m de ser essa a interpre-


taglio natural a que se chega ao
fim da leitura dessa correspon-
dancia abjeta, e ele pri~prio que
decide assumir a identidade, de
resto, ja existente: final, sob o
pseud6nimo de D~cio Malho
(para ser lido "desce o malho"),
Chiquinho esteve por tras de
uma coluna torpe publicada no
Jornal Popular. Sob esses tra-
jes bifrontes de medico e de
monstro, ele esta plenamente
autorizado a falar de Silas As-
sis, de quem se aproximou exa-
tamente atrav~s de Helio Guei-
ros e comn quem teve contatos
para pagar (descontando os 20%
de comissio da sua ag~ncia, e
claro) as peas publicitarias da
prefeitura de Belem inseridas,
com total desprop6sito em rela-
glio a normas tecnicas e merca-
dol6gicas (sem falar em 6ticas,
morals e political, que o perso-
nagem ignora), naquela nausea-
bunda publicago. Ainda hoje, 6
a que mais elogios faz a admi-
nistraqio Edmilson Rodrigues
(ap6s uma chuva de critics
motivada pela momentinea es-
tiagem de dinheiro)
Covarde como so, ele, Chi-
quinho atribui a um morto com-
paraqio de Silas comigo, uma
mtbrbida e nojenta forma de cha-
mar em vio o testemunho de
Euclides Bandeira exatamente
quando sua morte complete um
ano. O publicitairio Cavalcante
nunca foi interlocutor do Chem-
bra, exceto, talvez, por interpos-
tas pessoas intimas do falecido
jomalista (e agora tambem petis-
tas, por necessidade). Bandeira
foi meu "foca" em A Provincia
do Palra, meu companheiro no
primeiro (e no terceiro) Bandei-
ra 3, vice-presidente na chapa
que presidi no sindicato dos jor-
nalistas e meu querido compa-
nheiro de mesa de senadinho.
Nossas evidentes diferengas
jamais formmmaiores do que nos-
so mutuo respeito e admiraq~io,
alem do querer bem, que consti-
tui a pedra de toque para quem
participa da nossa confraria. Se
algu~m disse pama o publicita~rio
Cavalcante que Chembra disse
o que o donor da Vanguarda diz
que o Chembra disse (sem ter
qualquer das qualidades de um
interlocutor do falecido jomalis-
ta), entlio mentem dois: a fonte e
seu papagaio ignorante.


Na nossa mesa senta tam-
b~m Orly Bezerra, o donor da
Griffo Propaganda e da princi-
pal conta de publicidade do go-
vemno do Estado. Senta, alias,
comnfreqilincia cada vez menor,
por n6s todos, "senadores", la-
mentada. Porque e uma das
atraqdes da nossa tavola as dis-
cussdes que Orly e eu travamos
a prop6sito das materias deste
jomnal sobre a administration Al-
mir Gabriel, em tons que ja esti-
veram decibeis acima da cordi-
alidade, mas nio ultrapassaram
o limited da civilidade.
Nem Chiquinho nem o leitor
sio obrigados a aceitar o fato.
Mas os petistas podem recorrer
a um companheiro de primeima
hora, o advogado Jo~o Sa, para a
prova dos nove. Joho 6 outro ma-
ravilhoso (e impontual) conviva
em uma mesa que nio cobre
atestado ideolbgico aos seus fre-
qiientadores. Quer apenas qul
eles tenham sensor de humor par
agiientar a galhofa e tolerinci;
para aceitar as diferengas. Cad
um chega e sai com suas convic
95es, posiqaes profissionais e op-
95es pessoais. Ao fimn de cads,
sessio, agradecemos silenciosa-
mente por sermos tio diferentes
(aproveitando para falar mal do
outro, e 6~bvio).
Devo responder a tanta es-
tultice, dita com a conseqtiincia
de algu~m de mentalidade tio
primaria, um juquinha iniciado no
chiqueiro? A acusa~go de ser al-
mirista posso retrucar pedindo ao
respeitavel leitor que revise todos
os nuimeros do Jornal Pessoal
a partir de maio de 1995, quando
esta publicaqio voltou a circular
ap6s sua segunda e tiltima (der-
radeira, espero) interrupg50.Ne-
nhum govemador foi tantas ve-
zes capa de edigio e tiio malha-
do;nioporque odoutor Almir seja
pior do que seus sucessores: e
porque frustrou as melhores es-
perangas que havia suscitado e
se acostumou a uma imprensa
domesticada pela verba da pro-
paganda official, passando a achar
que isso e jomalismo.
Quanto a fazer o jogo dos
candidatess conservadores",
tamb~m 6 suficiente ao leitor
consultar a cole~go do JP. A 1-
tima edigio antes da elei~go do
ano passado era uma detalhado
e incisive desnudamento da frau-


Escatolog ia

p et ista
A polbmica e um dos gran-
des mementos da atividade in-
telectual. No jornalismo, 6 um
element vital, infelizmnente abo-
lido das nossas grandes folhas
burocratizadas. O duelo numa
pol~mica pode ser duro, violen-
to, mortal. Mas tem que obe-
decer a determinadas regras
eticas e morals.
A principal delas e servir de
element de informaqio para a
opinihio ptiblica. A outra e a de
buscar um patamar de eqiializa-
950o dos contendores. Eles devem
se atrair por seus pesos, campos
gravitacionais e estaturas. O Fri-
gurguense pode e deve jogar com
o Flamengo. E capaz de veneer
o time rubro-negro. Mas, at6 que
ocorra uma mudanga drastica
consolidada, uma partida entire o
Friburguense e o Flamengo nio
e um classico do futebol carioca.
Foi uma felicidade para mim
terpolemizado compessoas como
Vicente Salles, de quem me tor-
nei amigo ao critical seu livro
Mtisica e mtisicos no Para, em
1972, eum admirador permanen-
te, nio s6 das suas qualidades de
pesquisador e escritor, como de
seu caraiter. Tamb~m tem sido
uma fonte de aprendizado para
mim os sucessivos embates com
Jarbas Passarinho, que ja duram
mais de 30 anos.
Al guns dos mementos des-
sa litigfincia foram extrema-
mente gsperos e contundentes,
mas o nivel de respeito que
mantivemos nos permitiu res-
tabelecer uma rela~gio civiliza-
da ap6s o cheque de manifes-
tapdes (e agora, no outono do
coronel, uma afetividade que
faz bem a ambos, presume).
Expusemos nossas posiqaes de
tal maneira a permitir aos lei-
tores tirar suas pri~prias con-
clus~es. Se nito mudamos em
substancia o que pensavamos,
ao sermos obrigados a expor o
que pensavamos ao flo da na-
valha da critical, evoluimos e
talvez tenhamos contribuido
para a evolu~go de terceiros,
cada um dos envolvidos com








JOURNAL PESSOAL I QUINZENA DE ABRIL/ 2001 7


de do diploma de Duciomar Cos-
ta (qlue disse a amigos ter pen-
sado em me processar, deixan-
do que o recado chegasse aos
meus ouvidos, devidamente mou-
cos), combinada com uma criti-
ca ao primarismo de Edmilson
Rodrigues, este tartufo que jul-
ga poder reescrever a hist6ria
atrav~s de uma tecnica de ma-
rketing iniciante.
O mesmo se aplica a diatribe
de que pass a m~o na cabega
da CVRD porque a conta da
empresa passou para a ag~ncia
do Orly. Basta ler as muitas ma-
te~rias que ja escrevi e continua-
rei a escrever, quando nada por-
que a Vale vive esse paradoxo: e
a maior empresa do Parai sem ser,
nem mentalmente, paraense.
Enfim, nio merego um plole-
mista re~s-do-chio como Chiqui-
nho. No PT ha gente honest,
decent, competent, digna, inte-
ligente. Mas onde estai essa gen-
te, que aceita as inflimias de pes-
soas como o chefe da propagan-
da official municipal? Cargos de
confianga, chefias e sinecures
calaram a todos? Esses temem
umn Gulag paroara? Outros pre-
ferem deixar-se embalar pela te-
oria do aparelhamento, do vamos
conquistar o poder e depois pen-
sar na reform social?
Pensando nesse silencio tris-
te, veio-meagmemibria oarquite-
to do Reich dos mil anos. Albert
Speer esteve ao lado de Hitler,
foi seu confidence, dele nos dei-
xou um testemunho impressio-
nante, fez observagies brilhan-
tes sobre seu tempo e depois
passou inc61ume pelo teste de
Nuremberg e de sua pr6pria
consci~ncia, acabando numa ve-
lhice pastoral. Mesmo assimn,con-
tinuo convencido da malignidade
desse tipo de gente, sobre as quais
Dante manifestou seu asco na
Divinza Comidia: os indiferen-
tes, os neutros, os passives, os co-
niventes e abxilicos, que preferem
o purgat6rio a se arriscar a um
gesto de indignaqio, de fibma, de
decancia. O PT do Para 6 uma
legito de Speer, que passaria por
um regime stalinista ao tucupi
como se ele fosse o jardim dos
Finzi-Contini?
Fica a pergunta, inquisitive
mesmo. Infelizmente, sou obri-
gado a transcrever as mensa-
gens do home da propaganda


da prefeitura petista, um lodo que
busca me atingir, mas volta, como
bumemangue putrido, sobre quem
praticou a sujeira. Um Helio
Gueiros vermelho-translucido,
conforme ele prdprio fez ques-
tflo de ressaltar na busca de ins-
piraqio, exatamente quando a
pomografica cart do ex-prefeito
complete 10 anos.
Inspimpgo de sarjeta namen-
te de quem diagnostic doenga
mental e nito sabe identifica-la,
diz ter escrito quatro livros e nlo
os arrola para a devida corre-
Cgo, e pie para fora seus piores
instintos a prop6sito de um arti-
go que diz nito ter lido, mas so-
bre o qual diz tudo. Ora, se nio
leu meu artigo e sobre ele fez tal
juizo de valor que mais parece
uma rameira de rua, Chiquinho
e um leviano; se o leu e diz que
nio o fez, julgando que assim me
humilha, Cavalcante 6 um men-
tiroso. Ou e uma coisa e outra,
acrescidas e multiplicadas por
sua raivosa e doentia maneira de
querer calar uma pessoa tentan-
do amedronta-la.
Se essa foi a intenCio, Chi-
quinho pode perder as esperan-
gas. Com ou sem elas, duvido
que volte ao trabalho honest
que alega ocupar seu tempo.
Isso, tudo indica, pelo que os-
tenta, nflo e: sua especialidade.
Quanto aos leitores, espero
que encarem a leitura das duas
mensagens a seguir como um
teste: o desafio de, a despeito de
Chiquinhos Cavalcantes da vida,
continuar acreditando na raga
humana e na hist6ria dos ho-
mens. Chiquinho e, nela, um
apindice esptirio. Ouum traque.

AS CARTAS:


Ojomalista Ltcio Flavio Pin-
to 6 maluco. O bom sensor man-
da niodiscutir com malucos.
Atenciosamente,
Chico Cavalcante


Pinto. Teu artigo de enco-
menda, escrito apedido dos ami-
gos almiristas com quem parti-
lhas a mesa, 6 a demonstraCio
nio apenas de tua insanidade
mas de tua desonestidade crini-
ca talvez gen~tica, como dis-
se certa vez H61io Gueiros. Ora,


a existencia de um Jornal Pes-
soal 6, em si, uma demonstra-
gio de que tu praticas um retro-
jomalismo avesso a critical, ao
debate coletivo e, portanto, anti-
social, onde a tiltima palavra e
sempre tua, onde a verdade esta
contigo, onde os outros estio
sempre errados e tu, o sabio en-
tre as tragas, a reencamnaqio de
IF Stone, sempre certo. Nos
comp~ndios de psiquiatria tal mo-
16stia tem um nome. Te sugiro
que busque ajuda. O respeito que
tinha por ti foi pelo esgoto j unto
com aquele monte de merda que
escreveste contra mim e contra
o prefeito de Belem no ano pas-
sado, comn o intuito claro de fa-
zer opiniio a favor dos candida-
tos conservadores, contra a es-
querda, as v~speras da eleiCio,
ao mesmo tempo em que cala-
vas diante dos escindalos clan-
destinos que a trupe amarela pro-
duz em escala industrial.
Aliais, cad6 a Vale do Rio Doce?
Sumiu de teu panfleto. Sera que
e porque agora a Vale e: atendi-
da pelo teu patrocinador? A con-
vivincia com os rats e os fa-


vores da cuipula almirista estio
agravando teu estado mental a
olhos vistos. O que tu ouves por
la, reproduzes de maneira acriti-
ca e alienada. Es um papagaio
do Orly. N~o tens, por isso, es-
tatura moral ou intellectual para
fazer mais do que fazes: um jor-
naleco imundo, um panf leto ra-
quitico que, como bem me disse
o saudoso Chembra, te reduz a
ser nada mais nada menos que
um Silas com verniz erudite. Ali-
as, nio li teu panfleto. Tenho
coisa mais important para fa-
zer na vida, como criar meus fi-
lhos e trabalhar honestamente.
Mas pelo que me informaram,
escreveste que o livro que es-
crevi com Ruth Vieira 6 meu
"I'mico" livro. Mais uma vez, in-
formas desinformado. "Comuni-
cag~o Militante" e meu qluarto
livro. E nenhum deles foi feito
apenas colando estatisticas
alheias, como os teus. Te sugiro
fazer sexo. A gala seca em tua
cabega pode ser a causa dos
delirios que extemnas.
Cordialmente,
Chico Cavalcante


ImOrtalidade
Num dos circuitos da minha membria permanece ativo
um unilerso de imagens, enredos e de morarlidad c~rialdo
por WCilliaml H-anna e Joseph Barbera. Naqu~le ejc~urinlh o
mag~ico do desa~paree~ido Cine Pal~cio acompanhei hipnoti-
zado as guerras de Tom & Jerry como se fize~sse parte do
celul6ide. Minha simpatia era pelo gator, vitima~ Jos So Jlc'OS
ratinhos. Anos de~pois, ainda em idade de fol~rmaqo. outro
gator me catit ou, o Alarnda-Chuva. E dois ursos ma~ral ilho-
sos: Z6 Colmeria e Catatau. Jdi quando surgiu o Scooby Do-o.
eu sC) me permitia ceder uml olho de traves' Para; as5 cenaS.
dlanlte das quls~l meu'LS filhos pe~mrmaneciamn quedos e mnu-
dos, imobilizados pela magia das imagens.
Os desenhos Hnimnados, com dezenas de personagens,
de Hanna-Barbera foram vistos por virias geragders es3pa-
lhadas no rempo e: no espago deste planeta. V;istos comI1
encantame~nto e prazer. Alguns dos tipos ficaram press a
uma e~poca, outros je tornarami ~ternos. Todos, poremn. del-
xaram uma mnarear forte e 11nica nos que tiveramn o prl\ ile-
gio de ser' s~us pareeiros do outro lado da tela. Ce~nt endls dec
milhries de pe~ssoas. entre as quais me incluo, se beneficia-
ram dessa relaqio.
Numa dime~nsio microscbpica, n~io posso deixar de de-
dicar algumas linhas de gratidiio a William Hlnnla. que se
foi. aos 90 anos. na semnana passada. em Los Anglepls.
Mlorreu por mera circunlauncia. Continuard viio parn semn-
pre, no allo de um podio especiael. Aqulerls ocupado pe~los
raros mortais que se tornaramll imnortals de t erdade. E ainda
tornaram nossa passagem por e`Ste vale de ligrimnas um
re frigerio, u ma doce e de fi nitiva fantasia na terra do, n unc`;.













G nlag em


r~ELIJ~ra~;a6~B~~ ~C~C~~~C~'~giai~:~&;r_~;c,~!


J~Ornal PeSSOnl
Editor: Lucio FI~vio Panlo* Fones: (091) 223-7690 (lone-laxi e 241-7626 (larr Contato: Tv Benlamin Conslant 84520~3 66 053 040li
*e-mail: lornal1Pamazo~n cm br ProduFBo: Angellm P~nloj EdigBo de Arle: Luizlanionlodeb~rispEnse2 30-131:4


Mediocridade
Numa cr6nica para o Jor-
nal do Brasil, Moacyr Wer-
neck de Castro lembrou outro
dia que, nos idos da d~cada de
40, o (grande) antrop6logo
americano Charles Wagley, pi-
oneiro do brazilianismz, foi
chamado a se explicar peran-
te a lugubre Comissio de Ati-
vidades Anti-Americanas, che-
flada pelo furioso senador Jo-
seph McCarthy. Os membros
da comissio cobraram de Wa-
gley explicapies pela contra-
tagio de esquerdistas brasilei-
ros pelo Sesp (Servigo Espe-
cial de Saude Puiblica), criado
a partir dos Acordos de Wa-
shington, sob inspiraq50 dos
Estados Unidos, com a mission
de sanear a Amazinia para o
esforgo dos aliados na Segun-
da Guerra Mundial.
Entre os suspeitos estava o
paraense Dalcidio Jurandir,
autor do mais important ciclo
de romances sobre o Para
(com seu apice em Marajd e
Belem2 do Grilo Pardi) e tam-
bem comunista, como Werne-
ck (primo do mais famoso dos
anticomunistas brasileiros, Car-
los Lacerda), que substituiu
Rubem Braga como redator
dos boletins do Sesp. .
Uma e~poca que tinha mar-
ca forte, ao contratio da atual,
que tem "a mediocridade como
retina", titulo do artigo de Mo-
acir Werneck de Castro. Bri-
lhante, como de habito.


I nve rs co
Cametai eo quarto munici-
pio que menos arrecada impos-
tos no Brasil. O poder ptiblico
local recolhe apenas 65 reais "per
capital" ao ano, dos quais 47 sio
do FPM, o Fundo de Participa-
gio dos Municipios, transferido
pela Uniso a partir do imposto
de renda e do IPI. Medicilindia
vem na posiCgo seguinte, ao lado
de Pago do Lumiar, no Mara-
nhio, com R$ 66 de receita tri-
butarria annual por habitante (R$
46 do FPM). Sgo F61ix do Xingu
esta na 12' posigio (R$ 83 de
imposto), Acard na 15" posigio
(R$ 88) e Bujaru em 26" lugar
IR$ 103) no ranking, preparado
pelo BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econbmi-
co e Social). A colocaqilo obe-


A Corregedoria Geral de Justiga do Parai, ao
contrario do que fez a similar amazonense, nio
acatou os pedidos que lhe foram feitos pelo Mi-
nisterio Puiblico Federal, o Incra e o Iterpa. Ao
inves de determinar o cancelamento da matricu-
la e do registro de im6veis rurais constituidos a
partir de titulos de propriedade considerados nu-
los, como the foi solicitado, a Corregedoria optou
por mandar averbar o bloqueio provis6rio das
matriculas e registros existentes em nome de
Carlos Medeiros, o fantasma atras do qual age
uma quadrilha, que teria grilado 9 milhdes de
hectares de terras no Para. Id~ntica provid~ncia
foi adotada pela Corregedoria em relaCio a Fa-
zenda Jabuti, de supostos 663 mil hectares, em
Altamira. A averba~go do bloqueio sera manti-
da at6 que a justiga, na aCgo considerada pro-
pria, decide sobre o m~rito da questio.
Os 6rgios pilblicos que fizeram o pedido,
portm, entendem que o cancelamento e a anula-
~go podem ser feitos administrativamente pela
Corregedoria, tendo por base a lei de registros
puiblicos, que e de 1979, mas permanece em vi-
gor. Consideram que o registro e a matricula
obtidos por especuladores de terras sho comple-
tamente nulos porque feitos indevidamente. Uma
escritura particular de cessio e transfer~ncia de
direitos evenda de posse de dois castanhais, como
a utilizada pelos pretensos dons da Fazenda
Jabuti, nio e titulo de dominio. Nao deveria, por
isso, ser escriturada no livro de propriedades,
como foi feito no cart6rio de Altamira. Sendo o
document de origemnnulo de pleno direito, igual-
mente nulos seriam seu registro e matricula.
O mesmo aconteceria com todos os frau-
dulentos assentamentos de im6veis atribuidos
a Carlos Medeiros, um caso ainda mais grave
de grilagem, nio so pela fantastica extensio
da area apropriada, como pelas circunstanci-


as da sua "legalizagio". Ja em 1985 o desem-
bargador (recentemente falecido) Nelson
Amorim, no exercicio da Corregedoria, havia
determinado aos oficiais de registro imobiliario
que suscitassem duividas sempre que lhes fos-
sem submetidos documents em nome de Car-
los Medeiros. Oito anos depois, os procurado-
res do home inexistente, atraves de um pro-
cesso judicial, conseguiram restaurar um ale-
gado inventario dos proprietarios originals (na
verdade, meros arrendatarios de pequenas e
especificas areas de castanhais), mas o ardil
nio sobreviveu dois anos.
Apesar de em 1995 uma cimara civel do Tri-
bunal de Justiga do Estado haver cancelado a de-
cisio que legalizara o inventario em primeira ins-
tincia, a sentenga revogada foi cumprida, como
se estivesse plenamente valida, pelos cart~rios imo-
biliarios. Ficou evidence a extensio e a profundi-
dade da rede de fraudes. Mesmo grosseiras, elas
continuam gerando efeitos.
A Corregedoria, entretanto, nio quis decla-
rar a inexistencia e o cancelamento dos regis-
tros por considerar que o ato iria contrariar os
principios constitucionais do contradit6rio e da
ampla defesa, alem de nio ser estritamente ad-
ministrativo, atinente apenas ao ato do registro,
como exige a lei, mas relacionar-se ao titulo.
Assim, extrapolaria o limited da autorizagio le-
gal. Preferiu a desembargadora Osmarina Sam-
paio Nery seguir um dos principios elementares
de direito, "de [que] quem pode o mais (cance-
lar) pode o menos (bloquear)", e adotar "medi-
da menos drastica", ja que ela "se apresenta
necessaria e suficiente para remediar ou pre-
venir o mal ocorrido ou em potential".
O Para, onde essas fraudes comegaram e sho
as mais graves da Amaz~nia, continuam a ser o
mais atrasado no seu combat e eliminaqio.


dece a uma hierarquiza~go in-
vertida: quem tem pior arreca-
dagio esta na frente.
Pard e isso?


Bou leva rd
Agora que o Reduto esti sen-
do valorizado pelos investimenos
privados, a prefeitura podia aprlo-
veitar a reabertura da rua de
Belem (e nio da Paz) para a reur-
banizagio complete da area que
vem sendo usada como retro-por-
to. Ja que o governo do Estado
pretend manter seu pol~mico
projeto de usar a Alga Viairia para
acelerar a transfer~ncia do porto


de Bel~m para Vila do Conde, no
vacuo desse remanejamento en-
traria a administraCqio municipal
pam~itransformar area num ver-
dadeiro boulevard, o unico que
subsiste da tentative de tmansplan-
te da fisionomia parisiense para
o tri~pico amaz6nico.
A tarefa consistiria em res-
taurar e salvar os belos casaries
que permanecem heroicamente
na Castilhos Franga, recuperar a
sua pr-aga e eliminar todos os de-
p6sitos de cont~ineres que se
aquartelaram entire a praga Wal-
demar Henrique (ex-Kennedy) e
a Doca de Souza Fr-anco, ajardi-
nando e arborizando todo o peri-


metro, para integra-lo ao conjun-
to (ainda que um tanto disforme)
ja existente, formado pela Esta-
950 das Docas, as duas pragas
beira-rio da prefeitura eas novas
instalaqdes criadas pelos investi-
dores privados no Reduto.
Olhando do alto essa paisa-
gem, gostei do resultado do exer-
cicio de imaginaCio, que muda-
ria completamente a feigio atual
desse trecho da cidade, recom-
pondo o que fora Bel~m quando
era a porta de entrada da Ama-
z6nia. Sem precisar gastar rios de
dinheiro. Apenas usando a cria-
tividade, a energia e a forga da
vontade de querer fazer.