Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00205

Full Text





JOrnal Pess HE
U IO F L A V I O P AR Q8 2001 iI
ANO XIV NP 255 21 QUINZENA DE MARCO DE 200 ESR$ 2,00

BANPARA;:



Excess eescassez

Um jogfo de empurra e movimentos de bastidores ainda nd~o permitem reconstituir

sido aplicados em contalsparticular-es, sem retornar a conta de origemn. Parte da imprensa
national julga e condena o president do senado, Jader Barbalbo, comno benecficidrio do
"rombo". Outra o absolve sem examiner cr-itediosamente os dados. Onde esta' a verdade?


ticulares, beneficiando "o Sr. Jader F. Bar-
balho" e tambt~m "familiates, pessoas fi-
sicas e juridicas" a ele ligadas.
Feitas as aplicaqdes dos recursos do
Banpara, o rendimento teria sido desvia-
do em favor desses particulares, sem ja-
mais retornar g origem. O "rombo", ca-
muflado atraves de manipulaCio contaibil
e manobras de despistamento com che-
ques "ao portador", teria atingido o equi-
valente, entio, a um milhio de reais (no


aprofundamento da apuraqio, o valor vi-
ria a se multiplicar por 10).
Feita a denuncia nas paginas do journal
paulista, "no intuito de colaborar" com a
apuraqio dos fats que o envolviam, o
senador Jader Barbalho repassou ao Mi-
nisterio Publico do Para um dossi6 que o
president do Banco Central, Gustavo
Loyola, lhe havia entregue, a pedido seu.
Com apenas tris paginas, o dossi8 com
uma singela carta de Loyola na abertura )


m 1996, o journal O Estado de
S. Paulo fez a primeira divul-
gagio publica do relat6rio que
um inspector do Banco Central,
EAbrahio Patruni Jiinior, havia
elaborado seis anos antes. Ao final de uma
fiscalizaCio nas contas do Banco do Es-
tado do Para relatives a 1984, o inspector
teria detectado "evid~ncias" de que dinhei-
ro havia sido retirado dos cofres do banco
e aplicado indevidamente em contas par-








2 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE MARCO/ 2001


- informava que o nome do senador pee-
medebista, governador do Pard no perio-
do em que as irregularidades teriam sido
praticadas no banco estadual, nito cons-
tava do process concluido pelo BC em
outubro de 1992. Esse mesmo dossiC fora
entregue ao MP paraense no mis seguin-
te ao da sua elabora~gio.
De fato, o texto do relatt~rio encaminha-
do ao MP e assinado pelo president do BC
no govemo Collor, Francisco Gros, nito acu-
sou Barbalho diretam~ente. Reuniu contmaele
"evid~ncias", mas ainda niio aquele tipo de
prova conclusive que tanto os advogados
exigem. O lider do PMDB aparece como
responsavel direto pelos desfalques apenas
no titulo do document: "Banco do Estado
do Pardi x Jader Barbalho -Utilizagilo inde-
vida de recursos e manipula~glo de procedi-
mentos operacionais e cont~ibeis, caracteri-
zando fraude contabil".
No relate da fraude, o inspector Paturi
direcionou as conclusdes da sua investiga-
glio para o ex-govemnador e atual presiden-
te do senado, citado 16 vezes, e pessoas a
ele vinculadas, mas nito chegou a fazer uma
acusa~gio explicit contra ele, frontal e for-
mal. Nem a demonstrar convincentemente
os elos entire as aplicagdes do Banpara e as
do ent~io govemnador, deslindando os pontos
obscures das transaqdes.
O inspector procurou reconstituir didati-
camente o desvio de recursos. Onze che-
ques administrativos, assinados e endossa-
dos.por tr~s gerentes do Banpara~, foram
emitidos "ao portador". como se fossem
destinados ao reforgo do caixa da institui-
~gio, pagamento de despesas eventuais e
rendimentos de clients. O dinheiro tinha sua
principal origem no Fundepard (Fundo de
Desenvolvimento do Estado do Para Mas
terminava em duas contas particulares em
duas ag~ncias bancairias situadas no Rio de
Janeiro, uma do Itaui e outra do Citibank, e
em uma terceira, do Banco EconBmico
(hoje, BBVA), em Beldm.
Ja entlio, foi localizado um cheque pes-
soal, nuimero 541.426, emitido contra a con-
ta 96.650-4 da ag~ncia 0532 do banco Itau,
no bairro do Jardim Botitnico, no Rio de Ja-
neiro, complementando uma das aplicaqaes,
feita em letras de renda fixa, num process
ainda incompreensivel tecnicamente.
O titular da conta era Jader Fontenele
Barbalho, que, consultado, conf irmou o fato,
mas se declarou incapaz de reconstituir o
significado do cheque, 17 anos depois. De
qualquer maneira, ressaltava o valor infi-
mo desse cheque, equivalent a um salario
minimo atual. O rendimento da aplicaqlo
continuou na conta.
Apesar desse dado, o inspector Patruni
Junior niio parece ter conseguido chegar ao
original do cheque, nem rastreado todas as
pistas da trajet6ria do dinheiro, para recons-


tituir toda a movimentagilo financeira. Pre-
feriu fazer refer~ncias indiretas ao benefici-
ario das fraudes, citando, por~m, o nome de
Jader como tendo partcipaglo ativa no "rom-
bo" apenas no titulo do relati~rio.
Das filigranas formats parecem ter se
aproveitado Gros e Loyola para tangenci-
at o problema e mandi-lo em frente, o que
continuam a fazer at6 hoje. Loyola chegou
a dizer que escreveu o oficio de encami-
nhamento do document, usado por Jader
como atestado de inoctncia, apenas pelo
que leu na capa do process, sem exami-
nar seu contetido.
Suely Cals, de O Estado de S. Paulo,
.diz num artigo de domingo que Loyola foi
praticamente chantageado por Jader a for-
necer a carta, que seria uma maliciosa de-
claragilo de inocdncia. Mais do que isso:
um argument a demonstrar a fragilidade
do Banco Central diante das presses poli-
ticas e em favor da necessidade de dar-lhe
verdadeira autonomia, tilo longamente re-
clamada, para poder agir com a indepen-
d~ncia que hoje lhe falta (como se tamb~m
nbt houvesse, independentemente das nor-
mas legals, um component humane nessa
embrulhada).
Seria entlio o caso de perguntar por que
o BC nbt intimou Jader Barbalho dos fats
apurados para ele se defender regularmen-
te no process, o que, estranhamento, nun-
ca fez. Neste aspect, o senador tem raz~io
de reclamar que estal sendo condenado num
process que desconhece completamente
(se nbt de fato, ao menos de direito), no
qual nbt pode se defender atraves do ne-
cessario contradit~rio.
Somente depois de ter redigido seu pri-
meiro relatt~rio 6 que o inspector Patruni Filho
teria podido concluir a investigagil, fechan-
do os elos pendentes do rastreamento, num
segundo relatirio, no qual ja teria investido
objetivamente contra o ex-govemador.
A presid~ncia do Banco Central, a qual
o relati~rio foi submetido, ao inv~s de levar o
procedimento as ultimas conseqilancias,
dando-lhe reforgo e partilhando suas con-
clusdes, ou arquivando-o, por considerai-lo
inepto, optou por uma estranha attitude de
cautela. Nessa 6poca, o Banparai ja havia
atravessado um periodo de quase quatro
anos sob gestlio compartilhada com direto-
res indicados pelo BC e que eram tam-
bem seus funcionarios -, ap6s uma inter-
vengliobranca do govemo federal, eml1987.
No dossit encaminhado ao Ministbrio
Puiblico do Para~ (diz uma das verses que
brotam a larga das paginas da grande im-
prensa national), Francisco Gros teria ex-
cluido esse relatbrio de Patruni. Transferiu
ao MP paraense a responsabilidade de dar
andamento ao process e produzir novas
provas, inclusive voltando ao pr~prio BC
atris de provid~ncias, como obter o extrato


da conta do Fundepara, ci~pias dos cheques
apontados e, conforme o caso, a quebra do
sigilo bancirio dos arrolados na inspeglio,
ou mesmo submeter a um teste de consis-
tancia o trabalho realizado pelo inspector.
Certamente, o promoter ao qual o caso
fosse entregue chegaria at6 o relatbrio Pa-
truni e, mesmo se o considerasse insufici-
ente ou insatisfati~rio, teria que solicitar o
prosseguimento das investigaqges. Isso, se
aconteceu, acabou ficando apenas na es-
fera administrative internal do BC, 18 ter-
minando conforme comegou: em mondlo-
go. Ref~m de normas que s6 tim san~go
dentro da institui~go.
Patruni finalizou sua inspeqiloprometen-
do entregar "oportunamente em relat6rio a
parte" os documents relativess is sucessi-
vas reaplicaq8es e/ou novas aplicaqaes, bem
como dos resgates parciais e/ou integrais
(cheques administrativos e ordens de paga-
mento)". Mas esse segundo relatbrio (ou
complement daquele que seria o primeiro
e 11nico), se existe, foi mantido sob sigilo den-
tro do Banco Central ate ser vazado atra-
ves da imprensa national, na semana pas-
sada, quase nove anos depois, talvez pelo
prC~prio Patruni. Valor foi o primeiro jomal a
divulgar esse possivel segundo relatbrio, se-
cundado pela Folha de S. Paulo. Agora, ja
no clima da dispute political, a imprensa pa-
rece estimulada pelos invisiveis corddes dos
grupos de pressio e, eventualmente, servin-
do a seus aliados, sem dar conta dessa ali-
anga aos interessados: os leitores.
Ao receber o dossia do BC, em novem-
bro de 1992, o Minist~rio Publico do Parai
preferiu niio ir alem das obser-vagdes cons-
tantes do dossia remetido por Francisco
Gros. Considerando que as informagdes
disponiveis nbt sustentariam uma denun-
cia, niio incriminando Jader Barbalho, ar-
quivou o process, deixando de lado a pos-
sibilidade de promover a produglio de no-
vas provas. A batata parecia quente de-
mais nas miios de quem preferia nito me-
xer nessa panela de muitas miios, mesmo
que por tras da alegoria houvesse uma coi-
sa simples: o dever funcional.
A retomada da question agora, em fun-
glio da guerra que Jader trava com o sena-
dor Ant6nio Carlos Magalhiles, espalhando
proj~teis para todos os lads (inclusive so-
bre o ji combalido Banpara, empenhado
numa operagilo de ressuscitamento que nito
parece ter fim, ou esta ameagada de vir a
ter um fim indesejado), pode gerar efeitos
morals e politicos, mas niio legals. O crime,
se existente, por ter ocorrido ha mais de 16
anos, ja prescreveu. Ou seja: o criminoso,
mesmo que pudesse ser caracterizado na
forma da lei, tomnou-se inimputaivel.
Mas ainda pode merecer que se faga
uma complete apuragilo dos fats, atraves
de uma CPI, por exemplo. O senador Jader






JOURNAL PESSOAL *2P QUINZENA DE MARCO/ 2001 3


governador e o senador, foi carimbada a
verso de que "Pepeca" votou em Jader a
pedido do seu chefe politico, em beneficio
dos superiores interesses do Para. Ou seja:
ambas as parties querem que seja assim,
mesmo que assim nio tenha sido.
Menos atado a political nacional do que
Jader, cada vez mais preso (em sentido
figurado, naturalmente) a Brasilia, o go-
vernador esta se antecipando a um en-
tendimento formal para um acordo cri-
ando fats consumados. Ele ja tem seus
candidates a suced6-lo. Se quiser coli-
gar, Jader Barbalho tera que apresentar
seus candidates, que nio tem. Ou ser, ele
pr~prio, candidate. Isto significa que en-
trara na chapa em situaCio de inferiori-
dade, aceitando a composi~go porque a
outra alternative seria pior. A nio ser que
o president do PMDB desista de vez
da rampa national e volte inteiramente a
political planiciaria.
Se ainda quiser voar, Jader tera que
voar bem rasteiro no Para, restabelecen-
do uma alianga que, para dar certo, tera
que ser engolida com o prazer que um re-
m~dio para os intestines costuma propor-
cionar a quem e obrigado a toma-lo.


uma tendencia. O governador tucano s6
apoiara seu vice petebista se nio tiver
outra said. Mas, como tem poder, arran-
ja novas saidas quando as que tinha lhe
faltam. Seu ideal seria de que Hildegardo
se candidatasse a deputado federal, libe-
rando a dispute majoritaria.
Uma das rotas mais fortes nessa dire-
gio e a composipio entire Almir Gabriel e
Jader Barbalho, apesar dos desejos mais
intimos em contrairio de ambos. Se se uni-
rem, sera por puro realismo politico, ou
impure oportunismo politico, se a question
for vista de outra perspective. Alem dos
acertos para a composigio da Assembl~ia
Legislative e da Cimara Municipal de
Belem, o fato mais important nesse sen-
tido foi oapoio -ainda que nada volunta-
rio dado pelo governador a elei~go do
president do Senado.
Fontes jaderistas juram que o senador
Luiz Otavio Campos (ainda sem partido)
nio votou no lider do PMDB, como teria
mandado dizer na vlspera da votaFio. Fon-
tes almiristas tamb~m sustentam essa in-
formaqio. O que importa, porem, e que,
no conjunto de contatos que precederam e
levaram a uma conversa telef~nica entire o


Cardoso, avesso visceralmente (e nio bem
fundamentadamente) a esse tipo de media
no atmbito federal.
Se nem o MP e nem o BC foram capa-
zes de elucidar satisfatoriamente a contro-
versa question, 6 hora de abrir tudo diante
da opiniho p~iblica para chegar a verdade
dos fats. Inclusive convocando personagens
decisivos, sobretudo na movimenta~go do
dinheiro do Pani na praga financeira do Rio


Barbalho, que apoiou a iniciativa, como for-
ma de provar sua inocincia, podia dar con-
seqtiincia pratica imediata a esse gesto re-
comendando essa diretriz aos deputados do
seu partido na Assembl~ia Legislativa do
Para, o unico lugar onde a CPI pode ser
propostato pr~prio senado niotem tal com-
petencia, ja que o banco 6 estadual). Essa
solughio n~iocolidiria com amanifestagio em
contiraio do president Fernando Henrique


de Janeiro naquele period, mas que ate ago-
ra nio foram lembrados (nem, obviamente,
deram o ar da sua graga).
Esti na hora de aplicar aquele ve-
lho ditado popular: quem for podre que
se quebre. Podridio, ao que parece, e
o que nio falta nesse enredo de novela
mexicana, mas que lembra o soturno
reino da Dinamarca concebido por Wi-
lliam Shakespeare.


Sucessaio:



Almir continue


na frente



governador Almir Gabriel con
tinua liderando a movimentag~io
para a elei~go do pr6ximo ano.
8Seu candidate preferencial a sua
sucessio continue a ser o secretario es-
pecial Simlio Jatene. Mas o governador
nio quer ficar na depend~ncia de uma hi-
pbtese que ainda nio demonstrou a me-
nor viabilidade eleitoral. Ele decidiu criar
uma nova alternative, trazendo Nilson Pin-
to da Camara Federal para a critical Se-
cretaria de Promogio Social, que tem duas
vertentes de grande apelo popular (a edu-
caqio e o trabalho) e a maior fatia do or-
gamento estadual.
Nilson, ex-reitor da Universidade Fe-
deral do Para, nio e exatamente um
campeso de votos, mas tem mais apeti-
te para a dispute eleitoral do que Jate-
ne, e apresenta um biotipo politico bem
mais leve. Se o amigo do peito nio de-
colar, o novo secretario estadual sera a
hip6tese seguinte. O vice-governador
Hildegardo Nunes desceu para um dis-
tante terceiro lugar entire as oppies de
trabalho do governador.
Circula na corte a informaglio de que
o vice se encontrou reservadamente
com o senador Jader Barbalho, no Rio
de Janeiro, para uma conversa political.
Teria cometido o pecado mortal de nio
pedir a autorizagio pr~via de sua exce-
lancia e o delito venial de nio relatar-
lhe o ocorrido, depois.
A informaCio continue a ocupar o sta-
tus de versito, mas em political, ao menos
como 6 rotineiramente praticada, a ver-
sito pode valer mais do que um fato. So-
bretudo quando indica uma vontade ou








4 JORNAL, PESSOAL 2' QUINZENA DE MARCO/ 2001




"LComunica5go militante: uma


publicitario Francisco Cavalcante
6 um desonesto. No seu primeiro -
e, at6 agora, unico-livro, Comuni-
Ocacilo Militante, escrito a quatro
mitos com Ruth Vieira e publicado pela Labor
Editorial no final do ano passado, ele inclui a
intervengli que fez na mesa-redonda "Comuni-
captio e democracia", durante o I F6rum Muni-
cipal de Cultura de Belem, realizado em novem-
bro de 1998. A desonestidade intellectual do
donor da Vanguarda Propaganda, detentora da
conta de publicidade da prefeitura petista da
capital, e multipla nessa insergilo.
Ele se permitiu "corrigir" a transcri~gio da
sua intervenglio. Mas nito se obrigou sequer a
reproduzir as manifestagies dos outros parti-
cipantes da mesa, Alex Fidiza de Melo e eu, com
os quais manteve pol~mica na ocasilio e que ago-
ra, na versilo unilateralmente "corrigida", se pro-
pi~e a atacar como se todos estiv~ssemos num
ringue de boxe Alex e eu de punhos amarra-
dos, naturalmente.
Se Chiquinho Cavalcante tivesse escrito um
artigo expondo suas id~ias e combatendo as mi-
nhas, eu estaria aqui respondendo aos seus ar-
gumentos como se estiv~ssemos no cursor de
um dialogo, de uma controversia ou mesmo de
um duelo, em igualdade de condigies, numjogo
limpo e leal. Ele ate poderia ter optado por uti-
lizar sua interven~gio como ponto de partida
para um novo texto, escrito com a intenglio de
ser um capitulo do seu livro. Apresentaria meus
arguments e os contestaria da forma que qui-
sesse, mas garantindo a idoneidade do discurso
e o necessario contraditbrio.
Ao invbsdisso, atranscriptioeCapresentada
como se expressasse, com um grau aceitivel de
fidelidade, um debate travado "ao vivo", reve-
lando a capacidade de Chiquinho de me veneer
diante do audit6rio. Os impulses patolbgicos
(sintomas de uma doenga infantil do narcisis-
mo) revelam-se quando, na versito "corrigida",
sujeita ao arbitrio absolute de uma das parties, o
publicitairio, sem esperar pelo reconhecimento
alheio, proclama sua gl6ria:
"Reconhego [sic] como um ato de cora-
gem, de ousadia, eu vir aqui e debater com o
mais premiado jornalista do Para, assim, de
maneira franca, fazendo afirmaqBes duras, des-
mentindo-o em publico, quando sei que boa
parte da plat~ia nio veio aqui para me ouvir e
sim para ouvi-lo".
Menas verdade, camarada. O encontro foi
promovido pela Fumbel, a funda~gio cultural da
prefeitura. A esmagadora maioria do auditbrio
era de militants petistas. Louvo o espirito plu-
ralista dos que me incluiram na programa~glo,
mesmo sem desconhecer minha condiglo debate
noire do edmilsonismo, versito caricatamente
stalinista de socialismo. S6, que o local do en-
contro, originalmente o colegio Rego Barros, na


avenida J~lio C~zar, foi transferido para o audi-
t6rio do col~gio Nazar6, muito distant dali, sem
que eu tivesse sido informado. A condu~go que
me conduziria foi prometida (em funglio da dis-
tincia) e nito veio. Nenhum contato de confir-
magilo. S6 fui para o Nazar6 (gratuitamente)
porque, ao abrir o journal de sabado, enquanto
esperava pelo carro que nito vinha, li uma noti-
cia sobre o encontro.
Niio vejo um toque de malicia nesses desa-
certos. Podem ter acontecido sem prop6sito
algum, por desatenglio ou desleixo. Mas se hou-
ve transcrigilo das fitas gravadas e essa transcri-
glio foi cedida a um dos participants, devia ter
sido oferecida tamb~m aos demais integrantes
da mesa, dando-lhes condi~gio de recorrer a elas
como element de prova, caso necessario. Fi-
cou agora apenas a transcriptio "corrigida" do
Goebbels da administragilo Edmilson Rodrigues.
Vou dar-lhe de ganho que ele foi mais co-
rajoso ao enfrentar um joyem audit6rio pe-
tista, mobilizado pela administragilo munici-
pal; que foi garboso no confront comn o appa-
ratchick acantonado na PMB, e que foi mais
inteligente no duelo comigo. Mas desde logo
6 precise deixar de lado essa bobagem de que
o Gramsci de Chiquinho 6 "mais verdadeiro"
do que oapresentado pormim oupelo pro-
fessor Alex Fidiza de Melo.
Alex escreveu um livro criativo e provoca-
dor sobre o grande pensador italiano. Eu publi-
quei meu primeiro artigo sobre Gramsci antes
que sua primeira obra tivesse sido traduzida no
Brasil, lendo-0 em edigies da revista Rinacita
(que tenho ate hoje, para quem quiser conferir)
adquiridas no Rio de Janeiro. Eml1973 (oul1974),
publiquei em O Jornalista, jornal do nosso sin-
dicato, um long artigo sobre o principio do
jornalismo orginico de Gramsci, talvez o pri-
meiro a explorer suas ideias por esse prisma
entire nbs. Foi com essas ideias, claramente apre-
sentadas, que organize o Bandeira 3, em 1975.
Posso ser um n~scio em Gramsci, um dos
autores que maisli na minha vida, autor de um
document (Cartas do Carcere) que toda pes-
soa devia ler quando estivesse ameagada pelo
ceticismo e a desesperanga nos homes. Mas
minha produ~gio sobre ele esta disponivel para
quem quiser contesti-la, a vontade, concreta-
mente. Se alguma vez o publicit~rio Cavalcante
colocou em letra de forma o que aprendeu com
o fundador do Partido Comunista Italiano, essa
sabedoria ainda nito foi servida a opinitio pdbli-
ca. At6 la, continuaremos ignorando o "verda-
deiro Gramsci" que ele descobriu.
O donor da Vanguarda Propaganda acha que
me diminui ou humilha ao me tratar, na versto
"corrigida" (a maneira dos processess de Mos-
cou", obviamente), como uma pessoa "conser-
vadora e de direita". E dai, cara-pilida? Quando
entrei na universidade, era o que me diziam de


alguns autores que me haviam impressionado
muito quando os li, sem verificar-lhes os rotu-
los (para mim, sem serventia). Eram "conserva-
dores e de direita", por isso deviam ser deixa-
dos de lado, sepultos vivos no index do fanatis-
mo milenarista da esquerda.
Como eu me considerava iconoclastamente
"de esquerda" (mais por exclusion), nunca de
partido (sem desmerec6-lo), tratei de reler e re-
avaliar todos aqueles intelectuais que me havi-
am feito descobrir um Brasil novo, um Brasil
perturbadoramente diferente do que era descri-
to pelo catecismo dos manuals, dos tratados
oficiais, que meus "companheiros de viagem"
etiquetavam como series despreziveis. Era a eles
que eu estudava no meu proj eto de dissertagilo
de mestrado na USP, estimulado pela convivin-
cia com meu orientador, Oliveiros S. Ferreira,
um intellectual "conservador e de direita" que
tinha, na sua sala de estudo, os retratos de Rosa
Luxemburgo e Leon Trotsky, duas das minhas
maiores admiraqdes humans, tambem.


Se estou em compa-

nhla de Gilberto Freyre,

UllV1Tra Vianna, Azevedo

Amaral, Octavio de Faria,

Lourival F onte s, Almir de

Andrade ou Gustavo Bar-

TO S ent Ro nio me ab or -

reg o, nem me imp or to

C Om as cat al oga q6es do

publicitirio Cavalcante.
Foi ao ler esses autores, de par com Caio Pra-
do Junior, Celso Furtado, S~rgio Buarque de
Holanda ouNelson Werneck Sodrer, que apren-
di a descobrir um Brasil que nito cabe no dis-
curso reducionista de marqueteiros politicos
de p6 quebrado.
Francisco Cavalcante e um desse tipo,
que amolda os fats a sua conveniincia, dis-
posto a caluniar quando serve aos seus inte-
resses. Num dos trechos da sua "reconsti-
tuigilo" (bem ao estilo de ditadores, de di-
reita ou de esquerda, Stalin ou Hitler), ele
diz que eu nito tenho o direito de acusar o
prefeito Edmilson Rodrigues de se ter sub-
metido ao grupo Liberal, ap6s arreganhos
de independincia, porque eu teria sido um
servigal de Romulo Maiorana:







JOURNAL PESSOAL *2' QUINZENA DE MARCO/ 2001 5


Reduto redivivo
Inclui no roteiro da 61tima caminhada
domingueira pela cidade a Companhia
Athl~tica, uma combinaCgo de centro es-
portivo, de ginastica e de lazer que est8
tendo sua constru~go concluida, no Re-
duto. Um amigo que cruzou comigo pelo
local perguntou se era obra do governor.
Respondi que nio. Na inspiraqio da per-
gunta estava implicita uma critical sutil
ao governor e um elogio desbragado ao
donor do empreendimento.
Depois da Esta~go das Docas (cujo
custo, global e definitive, superou 30 mi-
lh~es de reais), o morador de Bel~m pare-
ce convencido de que s6 os cofres pdbli-
cos slo capazes de suportar uma obra que
quadruplica seu valor original (sem con-
tar o capital de terceiros), se aprimora na
qualidade do material de construglo e no
acabamento e tem sofisticaglo incomum
para os padr2Tes do mercado local.
Se o construtor da Companhia Athl6-
tica fosse dar ouvido aos seus interlocu-
tores, jamais erigiria a obra prestes a ar-
rematar. Beltm nlo estaria'em condiq8es
de remunerar e sustentar uma obra com
tal qualidade, visivel para quem passa ao
lado mesmo antes da inauguraga[o, gragas
aos vidros panor~imicos que exp~em B cu-
riosidade pliblica o enorme salso de gi-
nistica. Mas Miro Gomes encasquetou:
ou faria uma obra de primeiro mundo, ou
nada faria. Fez. E esti de parabens.
Masj agora sua academia paretee uma
p6rola incrustada na lama. A lama abstra-
tale tambem concrete, a cada.aguaceiro)
deriva da aus~ncia do governor. A Compa-
nhia Athl6tica esti cercada por dep6si-
tos de contgineres e o acesso est8 blo-
queado porque fecharam a rua da Paz,
deixando as artbrias circundantes esbura-
cadas. Se 6 para mudar a zona portuaria,
alo 6 suficiente investor (ainda~que des-
bragadamente) apenas no cais. E precise
mudar a concepFio de toda a Area at6 ago-
ra classificada de retro-porto. Ali ji hB
es cola, centro de atendimento medico,
bares, restaurants, boates. A silica au-
sancia 6 a do governor.
Como os particulares fizeram ou es-
tio fazendo a sua parte, aplicando capi-
tal de risco e tendo uma presenga pionei-
ra, 6 a vez de o governor, na retaguarda
que lhe cabe em tais situag8es, comple-
mentar os investimentos, planejar e or-
denar o uso para que equipamentos e ati-
vidades se integrem no usufruto da cida-
de e espraiem os seus beneficios.
O velho e querido Reduto, maltratado
nos 61timos tempos, pode ressurgir no as-
falto como a flor drummondiana.


interesses do donor. No period, o R-70 deu
muitos "furos". Vou citar apenas um: a reve-
la~go, com total exclusividade, do encontro
de Sahid Xerfan com Jarbas Passarinho, man-
chete de primeira pigina, que deu ao entio
governador Jader Barbalho o pretexto para
demitir o "prefeito de botas", que nomeara,
por se encontrar com seu maior adversbrio
politico de ent~io, sem o consultar, antes, nem
avisar, depois.
4 -Nunca fui "escudeiro" de Romulo, na
companhia de quem raramente estive fora dos
limits do journal, nem jamais exerci "fungdes
de mando" na empresa dele. O miximo a que
cheguei, como mostrars o exame da minha fi-
cha funcional, foi ser redator ou articulista
(nunca escrevi nem mesmo um editorial). Sem-
pre estive na posiglo de reporter e colunista,
antes e hoje, sem ocupar qualquer funq~o de
mando nas organizagaes do grupo Liberal.
Ngo tenho nem jeito para dar ordens.
5 Sai duas vezes da empresa por nlo
aceitar censura, numa limpida divergbncia
editorial. Na primeira vez, eu ji em A Pro-
vincia do Parci, Romulo foi me buscar para
voltar a O Liberal. Antes que ocorresse a
segunda vez, em 1986, fui ao Rio de Janeiro,
onde ele se recuperava de um terrivel trata-
mento de sadde, para entregar-lhe todas as
minhas funF~es na empresa naquele momen-
to: o Rep6rter 70, um program de televislo
e minha coluna.
Queria poupi~-lo da presslo dos maiores
alvos da minha critical na ocasitlo: o governa-
dor Jader Barbalho, o senador H61io Gueiros e
o factdtum Henry Kayath, que se aproveita-
vam da amizade com Romulo para tentar me
calar. Indiferente aos meus arguments, ele lo
aceitou meu pedido de demissso e me mandou
voltar com tudo o que eu lhe tinha levado.
Continue no meio de um tiroteio pesado,
at6 que ele vetou um artigo meu, menos con-
tundente do que virios outros que euj jhavia
escrito. Tivemos entilo nossa maior discus-
s~io. Eu peguei meu bon6 e fui embora. Nunca
fui demitido em toda a minha carreira profis-
sional, de 35 anos. Sempre tomei a iniciativa
de sair quando a situaqio se tornou inaceiti~-
vel para meus principios. Quem nlo quiser
acreditar que investigue. Alids, pode checar
tudo o que disse at6 aqui.
E mais nlo digo sobre o cometimento in
folios do publicitbrio Cavalcante porque eu
mesmo me pergunto se vale a pena. E eu mes-
mo, como naquela piada, me respond que nio
vale. Mas admito que pensem o contrdrio e
digam o contrdirio. Nlo tenho a veleidade de
"corrigir" a posteriori a histi~ria que me desa-
gradar, como faz o home da conta de propa-
ganda do governor Edmilson. Um tartufo tingi-
do de vermelho, envernizado de cultural.


"[Luicio] nlo apenas almogou, tomou caf6
da manhi e jantou muitas vezes com os mai-
orana [em mimliscula no original], de quem
partilhou a amizade at6 seu brusco falecimen-
to; escreveu durante anos a principal coluna
do journal, o Rep6rter 70; foi correspondent
international; teve um program de tevC com
o seu nome, enfim, exerceu como subordina-
do de Romulo e seu fiel escudeiro, funq8es
de mando no grupo. Agora, que perdeu a vaga,
vira opositor ferrenho, talvez tentando re-
tornar na marra".
Mais do que as 195 paginas desse op~iscu-
lo propagandistico, destituido de qualquer va-
lor ttcnico ou cientifico, o trecho citado des-
nuda por inteiro o"modo edmilsoniano" (muito
mais do que petista, ao qual n~io faz justiga)
de lidar com a comunica~go social. Deve ser
destrinchado por seu valor pedag6gico.
As mentiras:
1 Romulo Maiorana n~o teve "brusco
falecimento". A evolu~go da doenga foi, infe-
lizmente, ripida. Mas n~o apanhou de sur-
presa os que o acompanhavam mais de perto.
2 -Nunca almocei, tomei caf6 da manh5
ou jantei comn Romulo, sua esposa ou qual-
quer dos seus filhos. Houve uma excegio, no
nosso derradeiro encontro, no Rio de Janei-
ro, um almogo a s6s, testemunhado apenas
por D~a Maiorana (Roberta chegou depois e
permaneceu ao largo).
Freqiientei o gabinete dele no journal, is
vezes diariamente. Ali, chegivamos a conver-
sar por longos periods, com total informali-
dade e absolute lealdade, offs que respeito
at6 hoje, mesmo quando revelar alguma coisa
podia me trazer grandes vantagens em certas
situaqBes, sobretudo judiciais. Mal comega-
vam a chegar os participants do "bir6", po-
r~m, eu me retirava do gabinete. Nunca fiquei
para o uisque amigo de todos os dias.
Por gostar dele, o que implicava aceitar
suas muitas falhas (e valorizar suas iniumeras
virtudes), eu evitava que o aspect profissio-
nal se confundisse comn o pessoal. Havia mui-
tas diverg~ncias entire n6s, a serem resolvidas
profissionalmente, de tal maneira a nLo sacri-
ficar a relag~lo pessoal, o que s6 seria possivel
se eu me mantivesse g distitncia do stquito.
Fiz at6 grosserias, como recusar presents que
ele me dava com sincera afei~go. Qualquer um
que testemunhou nossa convivincia rejeitard
o que o publicitbrio Cavalcante diz, comn supi-
na (ou eqiiina?) leviandade.
3 Durante os quatro ou cinco anos em
que participei como um dos redatores do Re-
pbrter 70, fui responsivel apenas pelas no-
tas na parte de cima da coluna, onde sempre
fiz jornalismo, sem qualquer interferencia
sobre os valorizados gossisps da dos "em
poucas linhas", onde havia o dedo, a voz e os


hist~,ria "Lcorrigida"







G JOURNAL PESSOAL 2= QUINZENA DE MARCO/ 2001


I


A Provincia

de volta

tou a icur io domig 6et:
sado, porque o empreszirio Miguel
Arrais, mais conhecido como Mi-
guel do barulho, por sua maneira
extrovertida de ser, entrou com o
dinheiro que Gengis Freire ndo ti-
nha ou alegou nlo dispor -para
pagar os salirios em atraso dos
funciondirios do journal, do Grafi-
centro e da Cejup, que funcionam
no mesmo local. O atraso, ao con-
traio do que disse um editorial de
primeira pigina na ediq~o de vol-
ta, nlio era de 9 dias. Ficou faltan-
do um zero depois.
O movimento de paralisaqlo, a
mais demorada de que tenho conhe-
cimento na atual grande imprensa
paraense, nio foi induzido por par-
tido politico ou pela prefeitura de
Bel~m, que, segundo o mesmo edi-
torial (mas sem dar nomes, apenas
sugerindo), estaria devendo um
milhio de reais g empresa,
Hg realmente um contencioso
entire A Provincia, que apoiou (nem
sempre eticamente, ou profissio-
nalmente) o candidate Duciomar
Costa na eleiCglo do ano passado, e
a administraFio Edmilson Rodri-
gues. Mas se os petistas se alegra-
mam com a greve ou a estimularam,
a motivagio real foi o colapso final
do diilogo entire os empregados e a
direio do jomal, contumaz em ata-
sar salirios, pag~i-los em conta-go-
tas, n~io respeitar acordos e violar
normas de trabalho.
De outro lado, o governodo Es-
tado deu aA Provincia o mesmo
tratamento publicit~rio de OLibe-
ral, esquecendo as diferengas de
tiragem e penetraCgo entire os dois
jornais. O governador manifestou
sua preocupagiio com a possibili-
dade de A Provincia desaparecer,
deixando a imprensa polarizada
entire o Didrio do Pardi e O Libe-
ral, situagio que Almir Gabriel
consider indesej~ivel.
O aporte de capital do donor da
RM Midia (com 550 pontos de out-
door espalhados pela cidade) e da
MTV ainda n~io se refletiu no ex-
pediente do journal ou na razfio so-
cial da empresa, que permaneceram
inalterados. Na informalidade, Mi-
guel Arrais entrou emA Provincia
em parceria comn o radialista Wla-
dimir Costa, detentor de um con-


ecia um capricho da hist6ria: quando
president do CREA (Conselho Re-
gional de Engenharia e Arquitetura) do
PPari, Messias Filho, estava passando
o microfone para o president da Eletronorte,
Jos6 Ant~nio Muniz Lopes, iniciar sua pales-
tra sobre a nova grande obra hidrel~trica do Bra-
sil, a usina de Belo Monte, no Xingu (quase do
tamanho de Itaipu, com 11 mil megawatts), na
quarta-feira da semana passada, em Bel~m, a
luz faltou. O blecaute durou uma hora. Esse
tempo no esouro complete dentro do auditi~rio
do CREA parecia ter um obj etivo: lembrar o
apagio de exatamente 10 anos antes. O mais
traumitico da hist(,ria recent do Park.
A 8 de margo de 1991, a energia el~trica foi
interrompida ao meio-dia, em plena sexta-feira.
S6, voltou a meia-noite. A causa official foi atri-
buida a um raio, que teria atingido uma das mais
de 700 torres metfilicas (cada uma com 30 me-
tros de altura) da linha de transmissio de 330
quil~metros entire a hidrel~trica de Tucurui e a
subestagio de Vila do Conde. Um dos ramais
dessa linha serve Bel~m. O outro, A Albris, a
maior fiibrica de aluminio do continent, na qual
a Companhia Vale do Rio Doce e um consircio


japonbs slo s6cios. Sozinha, a Albris (Alumi-
nio do Brasil S/A) represent 1,5% de todo o
consume de energia do Brasil e uma vez e meia
a demand da capital paraense, com seus 1,2
milhio de habitantes. Sua conta de energia 6 equi-
valente a 7 milhbes de d61ares (quase 15 mi-
lh~es de reais) ao mis.
Por causa da interrupglo de 12 horas no
fornecimento, a Albrris foi vitima do maior aci-
dente causado pela falta de energia que uma
ind~istria de aluminio ji sofreu no mundo em
toda a sua hist6ria. Nos Estados Unidos ocor-
reu um desligamento maior, na Alumax (em
Monte Holly, na costa Oeste), provocada pela
aproximaqlo de um furacio. No entanto, a fii-
brica foi desligada com programaqio, em con-
diq8es bastante diferentes de um desligamento
intempestivo.
O problema surgiu um mis depois que a Al-
bris alcangou sua plena capacidade de produ~go
(de 340 mil toneladas de lingote de aluminio),
desde o inicio das suas operaq6es comerciais, em
julho de 1985, ap6s investimento de US$ 1,4 bi-
Ihio (ou quase R$ 3 bilhdes). Os 854 fornos da
fibrica ja comegavam a entrar na fase de perda
total quando a energia foi restabelecida.


trovertido program na ridio Rau-
land. Passou g frente de Ronaldo
Maiorana, que tentou assumir o
journal apenas se responsabilizan-
do por seus encargos, sem aplicar
dinheiro na aquisiCgio.
O novo sicio diz ter pianos de
dinamizagio do jomal, que tem uma
folha mensal de 70 mil reais, um
passive a curto prazo de R$ 500
mil e tiragem real inferior a 9 mil
exemplares, bem abaixo do que che-
gou a ter quando langou uma cam-
panha popular de assinaturas. Ele
acredita que A Provincia encontra-
'ri seu lugar no mercado como um
jornal independent e combative,
situa~go que constitui o desej o de
seus velhos leitores e uma necessi-
dade para a opini~o pdiblica. Mas,
at6 agora, uma utopia de improvi-
vel realizaio.

Univ6erSid ade
Sob o olhat vigilante do meu
acompanhante, contemplei com
fervorreligioso a citedra que havia
sido de Galileu Galilei na Univer-
sidade de Bolonha, na It~lia, a pri-


meira do mundo, criada em 1088.
Depois de assistir a uma tipica ceri-
m~nia de formatura, umaluno qua-
se nu sendo perseguido ao long
dos corredores por parents e ami-
gos, terminando por subir num
pi61pito improvisado e ler uma lon-
ga edesconexa mensagem extraida
de um papiro arrevesado, sentei
para contemplar as velhas instala-
95~es 21 minha frente e pensar sobre
a realidade que me esperava do ou-
tro lado do oceano.
Em sua trajet~tia, j8 quase mi-
lenar, a universidade permanece
centrada no eixo que a define: os
professors ensinam e os alunos
aprendem. E claro que mudam as
formas de ensinar e aprender. Bo-
lonha surgiu como produto da re-
agZo ao exclusivismo das ordens
religiosas na formaFglo de quadros
intelectuais. Contemporanea-
mente, exige-se da universidade
que esteja relacionada com a so-
ciedade, respondendo is suas in-
dagag Bes e propondo-lhe novos
temas. Mas o essencial 6 que alu-
nos s6 aprendem tendo bons pro-
fessores. E professors s6 se


adestram se slo cobrados por alu-
nos aplicados.
Sou contra esse iluminismo
fora de 6poca que pretend pas-
sar por cima do element que dis-
tingue a universidade de outros
produtos da inventive humana.
Alunos e funciondrios nio podem
ter um peso igual ao dos profes-
sores na hora de escolher a reitor.
Esse 6 um process que deve ser
feito sobretudo entre pares, em-
bora n~io exclusivamente por eles,
para nio ficar tlo sujeito ao cor-
porativismo e is igrejinhas. Nio
sei se 70% do universe para os
professors 6 uma proporglo jus-
ta. Sei 6 que o minimo devia ser
pelo menos de 50% mais um.
E certo que uma pessoa nio
vota certo apenas por ser um pro-
fessor, nem simplesmente por essa
condig~io se torna mais consciente
do que um aluno ou um funciona-
rio. Mas o corpo docente 6 a espi-
nha dorsal de uma institui~go de
ensino (e pesquisa, naturalmente),
6 o que a distingue da sociedade
civil como um todo. Se hd profes-
sores que ensinam mal e descum-


0 blecaute record


da Albr~s: 10 anos








JOURNAL PESSOAL *2a QUINZENA DE MAR('O/ 2001 7


O prejuizo foi calculado oficialmente em
US$ 42 milh~es (quase R$ 90 milh~es), dos
quais US$ 26 milh~es foram indenizados pelo
seguro. Mas a empresa levou seis meses para
restabelecer a plena produ~go. Houve uma
perda de 38 mil toneladas de metal. Outras
43 mil toneladas foram produzidas fora das
especificaFBes, sendo comercializadas a pre-
go inferior.
0 prejuizo teria sido muito menor se a
Albris (que no ano passado faturou um bi-
lhlo de reais e teve lucro de R$ 111 milhaes)
nd~o dependesse, at6 hoje, depois de 15 anos
de funcionamento, de uma linha singela para
receber energia da usina de Tucurui, a maior
inteiramente national. S6, agora essa linha vai
comegar a ser duplicada, com previslio de 14
meses para a conclusio da obra e investimen-
to de R$ 155 milhdes.
Foi a primeira grande linha de transmis-
s~o de energia licitada para a iniciativa pri-
vada na Amazinia, no mbs passado. Mas a
Albris, que durante muitos anos manteve
em suspense um projeto para fazer ela pr6-
pria a duplicaqio, comn financiamento do
Eximbank japonbs, acabou ficando de fora.
A Alumar, outra grande f~ibrica de aluminio
que se implantou simultaneamente em Slo
Luis, produto da sociedade entire a Alcoa e a
Billion, conta com linha dupla de energia
hB quase 10 anos.
Na 61tima quarta-feira, o blecaute -que
deixou tras milh~es de pessoas sem energia -


foi atribuido novamente a raios. Desta vez,
eles ndo cairam sobre a torre. A linha 6 que
foi desligada automaticamente para prevenir
exatamente ser atingida por raios, devido ls
descargas eletricas que acompanham as chu-
vas pesadas que caem na regillo durante o atu-
al period. Mas a Aneeel, a agtncia estatal
que control o setor, prometeu cobrar com
rigor uma explicaq~io da Eletronorte.
Embora a causa official do acidente de 10
anos atri~s tambem tenha sido atribuida a rai-
os, na verdade o desligamento da energia se
deveu ao rompimento de uma haste de susten-
tagio de um dos cabos em uma das torres, de
qualidade inferior ao que as especificaq8es t~c-
nicas exigiam. Em vez de ser de ferro fundido,
a pega, por ser de ferro forjado, entrou em
colapso de fadiga antes do tempo previsivel,
pegando de surpresa a Eletronorte e a Albri~s.
Apenas este jornalista, na 6poca, contestou
os terms da nota official da empresa, revelan-
do a causa verdadeira do acidente.
A paralisaqgo de quarta-feira passada foi
de apenas uma hora, mas esquemas de emer-
gancia foram logo acionados, como efeito da
sindrome de 1991. Numa avaliaqio exigente,
por~m, ela parece nito ter sido suficiente para
fazer o governor dar ao problema a gravidade
que ele sempre teve. Todos os que dependem
de Tucurui para ter energia, num bico de luz
ou num super-forno de fundi~go, ainda vio
ter que esperar at6 meados de 2002 para nio
ficar dependendo de uma linha isolada.


prem seus demais deveres funcio-
nais, ai, sim, estb o papel funda-
mental do corpo discente, de obri-
g8-los a sair, principalmente atra-
vbs do mais legitimo dos constran-
gimentos em uma instituigio do
conhecimento: colock-los diante de
sua ignorincia, flagrd-los no que
nito sabem.
Estou, portanto, entire os que
nbt se sensibilizam com o discurso
sedutoramente democritico do
voto universal sem barreiras na
universidade para a escolha de rei-
tor. Nem perfilho entire os que se
curvam diante dos poderes de deus
ex-machina da citedra. Tambtm
nbi me deixo levar por jesuitismos
e leninismos de algibeira, que re-
duzem a cidadania universitirria A
tomada do poder reitorial. Ainda
acho que a melhor definiglo para a
vida acad~mica 6 a perseguigo do
inalcanq~vel ideal do maior saber.

J or nalis mo
Sempre fui contra o monop6-
lio do jornalismo por diplomados
do cursor de comunicaglo social.


Qualquer diploma de cursor supe-
rior poderia habilitar o profissio-
nal que quisesse a exercer o jorna-
lismo. Nbo quero a volta ao status
quo ante, no qual mesnlo quemMo
tivesse diploma algum podia ser
jornalista, para nlo dar aos pa-
tri~es uma arma para achatar ainda
mais os salirios da categoria, de
regra miserriveis. .
Sem o monop61io, os curses de
comunicapilo social teriam que jus-
tificar sua existincia pelo critbrio
da verdade: o da competancia. Nos
Estados Unidos, metade dos jor-
nalistas t~m diploma especifico de
jornalismo, mas nito conquistaram
seus lugates nas redag Ges por uma
clausula de lei. Procuraram um cur-
so superior de j ornalismo por sa-
berem que dessa maneira estariam
melhor habilitados para a dispute
de mercado. Outra metade chega &
imprensa trilhando os caminhos da
vocagio ou do acaso, sem trombar
numa pedra burocritica num cami-
nho sem verses (caiu de uma espa-
da num dos periods mais negros
da repbblica, em 1969).
Tambtm sustento que devam


existir curses de comunicaqio so-
cial e jornalismo. Os primeiros
formariam comunicadores em ge-
ral (e em cada irea especifica des-
se vastissimo campo do conheci-
mento) e os segundo, apenas jor-
nalistas. Se essa divisio ja esti-
vesse consagrada, Paulo Zing nto
cometeria uma injustiga contra
Marise Morbach, considerando-a
desqualificada para ocupar a co-
ordenadoria do cursor de comuni-
caq~io social da Unama (Universi-
dade da Amaz~nia) apenas por niio
ser jornalista. No caso, a 6nica
coisa que Marise precisa provar
para continuar onde estit 6 que tem
competincia especifica. No mais,
est8 perfeitamente apta.
O que, at6 agora, n~io est~iapta
6 a ponte do entendimento entire o
jornalismo, o mercado e a universi-
dade. Nem 6 de estranhar tais trom-
badas: a maior parte da regulamen-
tagso a respeito ainda 6 o que resta
do entulho autoritirio. Material do
qual, alibs, as empresas jornalisti-
cas estilo cheias. T~lo repletas que
o material vaza pelo ladrl~o-cons-
trativamnente falando, 6 claro.


Vang uarda

m un icipal
Se, por acaso, a prefeitura le-
vasse a sdrio a sugest~io aqui feita,
de criar uma empresa imobilitria
municipal, o primeiro teste a que
poderia submeti-la seria faz&-la
participar de concorrencia puiblica
para a elabora~go de um cadastro
dos im6veis de valor hist6rico e
arquitet~nico da cidade e um plano
de uso para esses bens. A empresa
municipal participaria sem privi-
16gios dessa licitaFio national, atra-
v~s da qual surgiria uma listagem
complete e rica de informaqBes so-
bre todas as construgdes com -
vamos supor mais de 50 anos,
remontando aos pr~dios coloniais.
Simultaneamente, a empresa ven-
cedora faria um plano de agilo que
a prefeitura seguiria para conse-
guir manter e valorizar esses im6-
veis, integrando-os inteligente-
mente (e harmoniosamente tam-
b~m) 9 vida da cidade.
Qualquer pessoa habituada a
caminhar por Bel~m descobrir8
p~rolas arquitet~nicas e de grande
valor para amembria da cidade per-
didas em Areas is quais nio se atri-
bui maior significado, ou mesmo
conjuntos que n~io slo corretamen-
te avaliados. Muitas vezes, nem
seus proprietarios ou moradores se
dilo conta do valor dos im6veis.
Temos uma tendincia de chorar
(liigrimas de crocodile, para muitos)
sobre as ruinas colonials e o massa-
cre do circuit do centro commercial
velho, mas esquecemos do restante
da cidade. Ela apresenta, ao obser-
vador mais atento, um caleidosco-
pio de estilos, a partir da segunda
metade do sdculo 19, que nito pode
ser desprezado, nem mantido sob
uma icncra cnrminosa.
Mesmo nas direas mais velhas,
fora do quadrilaitero das manguei-
ras, que tanto encanta os visitantes
(As vbsperas do baile da ilha fiscal),
ha verdadeiras preciosidades da ar-
quitetura que vem desde o art-nou-
yeau. O trabalho de consultoria, que
poderia testar a empresa municipal,
daria partda a uma nova political mu-
nicipal para Belem, se na PMB ain-
da houver pessoas dotadas de non-
chlalance suficiente para ouvir os
outros, mesmo que anatematizados
bom belzebus. Ou, pelo menos, ca-
pazes de escapar 1 quadratura ed-
mihsoniana do circulo.












































































Edior:L~slo ~dva Pnto Foes:(09) 2 -690 (lone-lex) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constanl 845/203/66 053-040
.e-mail: larnaloaemazon.comn.br Predulo: Angellm Pinto Ed~g~o de Arte: Luizantoniodefariapintol230-1 304


extremidades do Largo da Trindade, eu estabe-
lecido do outro lado, vizinho ao Movimento de
Jovens, que cheguei a presidir, sob a coordena-
950 do padre (hoje, ex) Carlos Coimbra. Na pri-
meir-a vez que fui g casa dele, antes ouvi o cur-
riculo da professor Guilhermina, "que conhece
mais gramattica do que tu", dizia, sem empafia,
por puro orgulho -justo, alii~s.
Wilson foi pega chave para a renovagio do
jornal, que Cl~zudio Leal e eu fizemos entire 1967
e 1968, depois que voltei do Rio de Janeiro, are-
jando a primeira pigina (antes, atulhada de ma-
tbrias), criando um novo tipo de cademo especi-
al (inspirado, naturalmente, numa combinaq~io
de Caderno B e Informe Especial, do Jornal
do Brasil, comn o Quarto Cademno, do Correio
da Manhil).
Precisei descer is oficinas no inicio e acom-
panhar a paginacio at6 o fim para consolidar
inovaqdes entiree nC~s, 6 claro), como o uso de
espago branco, que provocava arrepios nos grdi-
ficos tradicionalistas. Depois de uma ligeira re-
sistencia, Wilson incorporou a mudanga e se tor-
nou seu defensor criativo. Sua atuaqSio a partir
de entio the garantiria a posigio de o mais im-
portante gnifico na histi~ria recent do jomalis-
mo paraense. Mas nunca usou-o. E, infelizmen-
te, ningu~m lhe fez essa justiga.
Na sucessio dessas mudangas, criei uma
coluna, Viramundo, com uma seCqio de notas
curtas, as "notissancias", reveladoras da influ-
incia de Guimarfies Rosa, para dar uma volta
pelo planet a partir do meu observatcirio lite-
ralmente provinciano. Um dia, discrete como
de hiibito, Wilson parou ao lado da minha mesa,
como sempre fazia, e observou: "At6 parece
coisa de agencia, menino". E foi embora. Re-
cebi suas palavras como um dos melhores elo-
gios da minha vida, dito por quem estava auto-
rizado a dizer aquilo, algu~mpnor quem tive tanto
respeito e carinho.
Desencontros da vida, quej jnos haviam dis-
tanciado, me impediram de acompanhar mrestre
Wilson Corr~a na sua illtima incursio entire nC~s,
desta vez sem volta, nem mesmo aquela tortuo-
sa e demorada voluta que nos levava em espiral
de esquina em esquina, papeando como se, numa
de suas generosas defer~ncias, eu fosse um
igual. Mas Wilson foi muito maior, "mais igual".
E~ s6 por isso que me atrevo, neste adeus, a
tomar de empr~stimo seu nome para valorizar
este jornalzinho feio, que ele lia sempre e para o
qual n~io deixava de mandar generosos sinais de
estimulo, oque seria de esperar de algu~m como
ele: um verdadeiro mestre.


Cisco
Um leitor escreveu ao journal
O Estado de S. Paulo para fazer a
pergunta: "sera pura coincid~ncia
o fato de os principals atores da
comedia pastello que se desen-
volve no Congresso serem politi-
cos de uma certa regiio do Pais?".
Outro proclamou que o Pard
"6 o Estado mais corrupt da
Federago".
Tudo bem: assumimos anos-
sa parte, na qual nlo passamos
de vitimas, e tiramos de letra os
efeitos do velho preconceito
sulista contra os Estados mais
pobres e atrasados do pais. Mas
onde mesmo nasceram Adhemar
de Barros e Paulo Maluf?


COffecciO
O president do senado 6 o ter-
ceiro e nio o quarto na linha suces-
si~ria do president da repuiblica. Ao
contribrio, portanto, do que escrevi
aqui, porpura leseira amaz~nica.
Na mesma edigio, um erro t~c-
nico na mat~ria sobre o subsidio de
energia: o custo de geraqio da hi-
drel~trica de Tucurui 6 de 54 d61la-
res o MWh, o que di US$ 36/MWh
quando deduzida a tarifa m~dia de
subsidio, de US$ 18/MWh, desfra-
tado pelas ind~istrias eletrointen-
sivas. Esse valor, multiplicado~ pelo
somatorio de toda a energia forne-
cida g Albras/Alunorte e I Alumar,
projetada at6 2004/2005, quando
chegam ao fim os contratos em vi-
gor, di os 5 bilh~es de dolares de
subsidio acumulado que o povo
brasileiro concede e ainda conce-
der8 aos dois empreendimentos,
conforme c~ilculo do professor Ruy
Bahia, citado na mat~ria.
Seri que algu~m se espantou
comn esse valor, de US$ 5 bilhdes,
ou mais de R$ 10 bilh~es? Equi-
vale a 10 anos de receita de ICMS
do ParS


Pobreza
Um terg:o dos paraenses, que
moram emn 60% dos municipios
do Estado, estio entire os mais
pobres do pais. Desde o mbs
passado, eles slo clients do Pro-
jeto Alvorada, no qual o governor
federal se comprometeu a inves-
tir 13,2 bilh~es de reais, at6 o fi-
nal do ano passado, para tentar
reduzir a pobreza e as desigual-
dades regionals no Brasil.
0 ParB 6 um dos 14 Estados


Mestre W~ilson
A voz de tenor era gentil, mas categ6rica:
Quando terminar, tu vais sair conosco.
Obedeci, incontinente, a convocaCgo de
Wilson Corr~a. Era um inicio de tarde de sa-
bado de maio de 1966, fim do primeiro expe-
diente no journal. Deixei a redagio um tanto
inibido e acompanhei-o na primeira, para
mim, adolescent de 16 anos que comegava a
ganhar as ruas incursio a um bar situado
na Zonaa". Junto, Oswaldo Ferreira, o cliche-
rista de A Provincia do Pari.
Ainda estivamos na primeira garrafa de
cerveja quando Wilson comegou a preencher a
imagindria ficha biogrifica que preparara para
mim. Eu lia? Sim, eu lia. O que lia? "De um
tudo", como diria Edwaldo Martins, que abria o
caminho da fama. Poesia? Tamb~m. Enth~o que
recitasse um verso, disse, de bate-pronto.
Meio sem jeito, vacilei. Mas nio podia fa-
lhar na minha estr~ia ao lado dos primeiros
companheiros. Pensei e achei que "Eu", de
Augusto dos Anjos, talvez viesse a calhar na-
quele ambiente. Fechei os olhos e comecei a
declamar o que sabia de cor. Quando voltei a
olhar para os meus acompanhantes, ambos cho-
ravam, emocionados.
"Eu" ema o poema preferido de Wilson, como
de Oswaldo. N~io s6 deles: de geraqCes de ope-
rdrios instruidos e ilustrados como eles, emtodo
o pais. Mas nio eram muitos entire os grificos,
apesar de a categoria ser, entio, uma elite na
empresa jomalistica. Jornalista s6 podia fazer
qualquer coisa, greve, sobretudo, tendo o apoio
da oficina. Mas raros jornalisticas desciam at6
elas, os intestines de um jomal, segundo a maio-
ria, seu pulmsio, na verdade.
LA, imperava Wilson Cor~a, um home fino
e elegant, uma alma nobre, um gmande compa-
nheiro, que morreu no si~bado passado, aos 82
anos, 30 a mais do que seu fiel acompanhante
em algumas dessas incurs8es etilico-literdirias.
Se tais jornadas
---a tinhamprincipio,
nem sempre so-
bre seu fim se
podia dar teste-
G` munho, ao me-

masse...Freqilente-
~dl~id~BL~mente, por~m,
Cr i3 fmosn a aaos despedia-

rt Ldele, numa das


que t~m um IDH (Indice de De-
senvolvimento Humano) abaixo
da m~dia national e, por isso, re-
ceber8 recursos do projeto. Jun-
to com ele, mais tris Estados
amaz~nicos (Rond~nia, Acre e


RoQraima), 9 nordestinos (Alago-
as~, Bahia, Cearid, Maranh~o, Pa-
fiba, Pernambuco, Piaui, Rio
Grande do Norte e Sergipe) e
Tocantins (que, para efeito de in-
centivos fiscais, tamb6m 6 con-


siderado, amazcinico), formando o
bolst~o de pobreza.
O.IDH 6 formado pela renda
pitr capital, o indice de escolaridade
eg expectativa de vida. Mas nlo
pela ret6rica publicitilria.