Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00204

Full Text







UCIO F LA VI P


83


PO~i77CA


u.XJ '~'


sendo paraenses de nascimento o primei-
to e o d1timo). Como chefe do poder le-
gislativo, formalmente na mesma linha hi-
erdrquica do president da repdiblica e do
president do Supremo Tribunal Federal,
Jader tornou-se o politico mais importan-
te do ParSd na Quinta Repdiblica.
Jos6 Sarney iniciou essa quinta etapa
republican em 1985, quando substituiu o
61ltimo general-presidente do ciclo military,
o patttico Jolo Figueiredo. Mas a carrei-
ra political de Jader comegara duas d~ca-


das antes, literalmente pelo comego: pu-
lando da political estudantil para uma ca-
deira de vereador na Cimnara Municipal
de Beltm. Quando se tornou deputado
estadual, na eleigSio seguinte, ainda con-
servava a imagem do politico generica-
mente de esquerda, com a qual subiu para
Brasilia em 1978, um coadjuvante dos "au-
tinticos" do MDB.
Para ser eleito governador do Parid pela
primeira vez, quatro anos depois, Jader jB
precisou fazer uma composiCio hetero-)


Jader e Almir e ?

Derm~tar ACM e assumir a presiddncia do senado e' md2~to pe~ssoal de i-iZ;l;t~ o. Favorecido,
pordm, pela tomada "nortista" do parlamento national. thna vit6 ia para valer ou proporcionazda
pelo govemo federal, controlado pelos "sulistas'? Independentemente dai esposta, dela result um
fato novo na politica paraense atual: os inimi~gos de ontem, fazder e Almir Gabriel, podem voltar a
ser aliados em 2002. Novidade mesmo ou o de sempme, comn nomes trocados?


C4CT (IP) )~-~3t iP~S~;ric
Bs~ ~g`C1i~E 't) QCi~Zii-t r ~ PCf Cr

~rcL, 2;


A~o derrotar o todo-poderoso
se eleger president do sena-
do, Jader Fontenele Barbalho
icevuseu nome numa ga-
leria de honra: a dos politicos paraenses
que asseguraram sua perenidade no tem-
po e no esp ago, tornando-se figures de
grandeza national. Essa posigho 6 parti-
lhada por poucos na hist6ria republican,
como Ant~nio Lemos, Lauro Sodr6, Ma-
galh~es Barata e Jarbas Passarinho (ndo








2 JOURNAL PESSOAL* la1 QUINZENA DE MARCO/ 2001


notivel de sua biografia) divide a mesa
da Cimnara com seis "nortistas", sem um
6nico "sulista" acompanhante.
Enquanto no executive federal o "Sul"
recuperou a chefia, que deambulou em
m~os "nortistas" nos dois primeiros man-
datos pbs-ditadura (com Sarney e Collor),
o parlamento, inclinado em favor das re-
gi~es mais pobres, teria a fungio de esta-
belecer politicamente um equilibrio nacio-
nal, ou corrigir, atrav~s da vontade, um
desequilibrio que decorre de fatores es-
truturais (sobretudo econ~micos). Esse
context serve de pano de fundo (ou de
simples moldura, conforme o ponto de vis-
ta) para ajudar a exphicar o notivel triun-
fo do representante de uma unidade me-
nor da federag~lo numa conflagraCqio de
cachorro grande.
O "Norte" 6 donor do poder politico.
Mas o poder politico que conquistou 6 mais
do que um poder formal? O trof~u ao al-
cance desse poder 6 vital ou decorative,
as migalhas do banquet? Talvez Jader
Barbalho ajude a responder a essas e ou-
tras perguntas que sua vitC~ria pode susci-
tar. Mesmo sendo apontado como um dos
mais c61ebres exemplos de enriquecimento
ilicito, conseguido gragas ao assalto aos
cofres pdiblicos, ele ultrapassou todos os
obstitculos e armadilhas postos em seu
caminho. Teve um voto altm da metade
das cadeiras do senado e bem acima do
exigido para ser eleito.
Tecnicamente, disp6e de legitimidade
e poder para exercer soberanamente o
cargo. Mas essa sera uma legitimidade
meramente formal se ele nio conseguir
convencer a opiniio p~iblica de que as
maculas do passado sho apenas manchas
removiveis; ou entire que, reats ou nio, o
que conta a partir de agora 6 seu compor-
tamento, suas a95es.
Muitos lideres refizeram suas biogra-
flas sem precisar neg8-las ou retoc8-las.
O ditador Getdlio Vargas, depois de um
lastro de ignominias no Estado Novo, co-
locou-se a frente de um program de ver-
dadeiro estadista, um dos raros da hist6-
ria, quando voltou a presidencia pelo voto
popular, em 1950. Foi o unico, nesse car-
go, a preferir a morte ao ultraje, a se can-
sar dos "jeitinhos" negociados dos quais,
antes, fora um mestre.
Pode-se esperar isso de Jader Barba-
lho? S6, ele pode responder, o que, se fi-
zer, o farir contra as evid~ncias do passa-
do e o ceticismo do present. E 6bvio, ao
observador desapaixonado, que dificilmen-
te ele teria derrotado um esquema vicia-
do de poder, mantido independentemente
das diferengas de geografia political, se
nZdo houvesse um outro esquema mais for-
te em aCgo e, talvez, nZo menos victa-
do. E acaciano que votos foram compra-


doxa, unindo-se ao tenente-coronel Ala-
cid Nunes, o illtimo dos governadores do
Estado eleito indiretamente (pela Assem-
bl~ia Legislativa), a partir de uma imposi-
950 feita de cima para baixo pelo presi-
dente military.
Jader abriu uma cunha, que antecipou
localmente a derrocada do regime military,
beneficiando-se do paraxismo a que che-
gou a rivalidade entire Alacid e Jarbas
Passarinho. No poder, tratou de livrar-se
do aliado inc6modo, restabelecendo um
dominio politico inspirado nos velhos mb-
todos "baratistas", uma combinaglo de
carisma, populismo e relaxamento na con-
dugsro dos negi~cios pliblicos.
Mas o poder foi um butim pequeno
demais para ser dividido. H61io Gueiros,
o successor, tambtm tentou se livrar do
aliado. Faltou-lhe, por~m, habilidade su-
ficiente e Jader retomou o governor, ti-
rando proveito dos dois ministtrios que
ocupou no governor Sarney para acumu-
lar forg~as (e forg~a$).
Sem equipe, teve que engendrar um
esquema temerdirio para tentar, ao mes-
mo tempo, subir para o senado e deixar
um representante no comando do Estado.
Para tanto, usou como escudo e trampo-
lim o nome de Jarbas Passarinho. S6 con-
seguiu e com dificuldades o primeiro
objetivo. O prego foi o fim da carreira da
maior lideranga political do cidlo military no
Parii. Passarinho foi quem o pagou.
Para Jader, a conta foi mais suave.
Mas, ameagado de seguir no mesmo ca-
minho, teve que aceitar entrar na dispute
pelo governor, em 1988. Sabia que as pos-
sibilidades de veneer o governador Almir
Gabriel, disposto a tudo pela reeleig~o,
eram pequenas. Contudo, se n~Lo retomas-
se o contato com a base eleitoral, podia
tratar de se acomodar no planalto brasili-
ense ou no literal alencarino. Sua primei-
ra derrota eleitoral serviu de advertancia,
que ele considerou na media certa: em
2000 envolveu-se inteiramente na dispute
municipal e voltou do sertso comn um
PMDB restabelecido na linha de frente.
O confront com Ant~nio Carlos Ma-
galh~les, o i~nico politico que nZdo perdeu
poder na passage do regime de exce-
glo para a democracia, foi um teste de
adestramento para Jader. Nas artes e en-
genhos dos bastidores do poder national,
ele mostrou uma compet~ncia muito su-
perior g do cacique baiano. E uma noti-
vel capacidade de resistencia aos ataques
de desmoralizag~o e descr~dito da gran-
de imprensa brasileira. Engoliu sapos
como nenhum outro politico nos 61ltimos
anos. Mas nlo mugiu e nem tossiu, se-
guindo g risca o manual das raposas de
terreiro eleitoral.
Sua votaq~lo foi na media certa: bem


acima do minimo necessdrio, o que ser-
viu para the conferir legitimidade, mas nLo
tanto que minasse definitivamente a base
de sustenta~go do governor, aumentando
a capacidade gravitacional da oposiq~o.
A claro que essa engenharia s6 se tor-
nou possivel porque o Palbcio do Planal-
to, contrariamente ao que declarou o pre-
sidente Fernando Henrique Cardoso, par-
ticipou da batalha ao lado do lider do
PMDB. Uma vit6ria da sagacidade poli-
tica, mas que tambtm evidencia o cres-
cente distanciamento entire as instituiqdes
e a sociedade, que acompanhou a dis-
tincia impotente, mas um tanto enoja-
da o desenvolvimento dos combates e
o seu desfecho.
Pela segunda vez em toda a histi~ria
republican, um representante do Pard
chefia um dos trbs poderes legals do pais.
Nem o mais empedernido inimigo de Ja-
der Barbalho pode deixar de reconhecer
nesse resultado um components decisive
da sua capacidade pessoal. Foi o que o
ex-senador Passarinho destacou na carta
de felicitaqaes dirigida ao home que vol-
tou a ocupar o lugar que fora, at6 entdo,
privilegio exclusive seu (fato objetivo que
nenhum dos anti-Passarinho tamb~mpode
deixar de negar).
Mas h6 um context sem o qual mes-
mo as mais noti~veis qualidades individu-
ais resultariam em nada. Sete dos oito
politicos que ocuparam a presidencia do
senado a partir de 1985 foram represen-
tantes das regimes mais pobres do pais:
Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Essa
linhagem "nortista", conforme a defini-
g~o tropockntrica dos "sulistas", s6 foi
interrompida, de 1989 a 1991, pelo sena-
dor N61son Carneiro, do Rio de Janeiro
(o c61ebre defensor do div6rcio, j6 fale-
cido). A atual mesa do senado 6 toda de
"nortistas" (quatro do Nordeste, dois do
Norte e um do Centro-Oeste).
Na C~mara dos Deputados a relagio
6 quase inversa porque, ao contr~rio da
casa vizinha, onde a representaqlo 6 uni-
forme (tr~s vagas por Estado, indepen-
dentemente da populaqgo de cada um),
a definiglo dos lugares obedece ao cri-
t~rio demogrifico, embora sob certa bi-
tola, que compromete seu rigor (minimo
de oito e miximo de 70 deputados por
bancada, concedendo mais lugares a Es-
tados pobres. e menos a Slo Paulo, o caso
mais grave de distorglo aritmttica).
No mesmo period, a presidencia da
casa foi ocupada por cinco "sulistas" e
tres "nortistas". Depois de dois mandates
de Michel Temer, de Slo Paulo, agora 6 a
vez de Aecio Neves, de Minas Gerais,
restauragao da dobradinha do caf6-com-
leite que congelou a Repdblica Velha. S6
que o neto de Tancredo Neves (6nico item






JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MARCO/ 2001


Rio esquecido
O governor do Estado acusou o me-
chnico da Estrada Nova, autor de uma
ag~o popular contra a construCio da
ponte sobre orio Guama, principal obra
de arte da Alga Viaria, de ser instru-
mento das empresas que fazem a tra-
vessia de Bel~m para o Arapari. Com
a ponte, permitindo a liga~go por terra
da capital com o seu future porto de
carga geral, em Vila do Conde, essas
empresas perderio a galinha dos ovos
de ouro (que, alias, maltratam sem d6
nem piedade, escudadas no cartel).
Mas essas empresas poderio ga-
nhar ainda mais, beneficiando-se de
uma obtusidade do projeto. As esta-
cas da ponte foram projetadas igno-
rando o trafego de embarcaC~es de
maior porte pelo Guama. Vio limitar'
o tratfego a barcapas e barcos meno-
res, embora estivessem previstas al-
gumas obras para permitir o uso do
Guama como hidrovia numa extensio
de I10 quil6metros.
As empresas de transport que se
reciclarem e sairem na frente, vio ga-
nhar tanto ou mais dinheiro do que na
travessia para o outro lado de Bel~m.
Isto, sem considerar a duivida que vem
sendo apresentada: de que a ponte nio
suportara um trafego mais pesado por-
que suas fundaqdes nio foram apro-
fundadas o suficiente (a plataforma fer-
roviaria ja foi descartada).
De qualquer maneira, observer o
trabalho intense dos opeiraios de um
dos lads da ponte, enquanto nio hico-
bertura suficiente no caixa do tesouro
estadual para suportar todo o empre-
endimento e persistem d~ividas no meio
tecnico e acad~mico, s6 faz reforgar
aquela velha e sibia observa~go popu-
lar: a press e inimiga da perfeigio.
Mas a press raramente 6 fortuita
(nem gratuita, naturalmente).
O govemno continue se impondo atra-
ves de fats consumados. Mesmo que
seja um fato anacr~nico: gastar dezenas
de milhdes de reais numa obra rodovia-
ria que vai servir, principalmente, ao ve-
lho tmnspotte individual, que sempre fun-
cionou como mosca de pres~pio para o
rodoviarismo de viseira. Abandona-se
uma excepcional oportunidade de inves-
tir num novo modelo, que a natureza in-
dica com todas as suas forgas, sem atrair
a atenCio das autoridades.
O rio vai continuar passando sem
vez por debaixo da ponte. Persona-
gem? Apenas nos verses do poeta Ruy
Barata.


dos, comn conta de veneer g vista ou par-
celadamente, ainda que por compra sim-
b6hica (mas nem um pouco menos efici-
ente e cara).
Um dado novo na political paraense
result, quase por gravidade, desse acer-
to por cima: a possibilidade de que Ja-
der e Almir Gabriel, inimigos ferozes na
eleigio de 1998, dividam o mesmo pa-
lanque em 2002. O pombo-correio des-
sa novidade, tio velha na political brasi-
leira, em seu format de gangorra biru-
ta, tem sido o ministry dos transported,
Eliseu Padilha.
No cargo por injunqgo do PMDB e
aval de Jader, ele retribuiu partilhando o
ministerio segundo indicapies do seu
companheiro de senado. Mereceu, por
isso, raios furiosos do governador nos
mementos de ma metereologia. Mas
quem melhor do que esse belzebu do
Pal~cio dos Despachos para restabele-
cer a ponte erodida sobre esse terreno
comum (tho pantanoso, alias, como o da
onirica Alga Viaria).
O primeiro ensaio foi durante a visita-
surpresa ao gabinete do governador. A
reaqio foi pouco menos delicada do que
um choice de tucano (menos violent, po-
rem, do que imagine a ave que coiceia).
Mas a ligagio feita por Padilha a partir de
Brasilia, na v~spera da elei~go para a pre-
sidencia do senado, precedida de arranjos
a ilharga do Palacio do Planalto, foi rece-
bida sem decib~is negatives.
Sim, o governador nada teria a opor a
que o pr6prio Jader Barbalho lhe telefo-
nasse, mesmo porque, para 0 bem de to-
dos os paraenses e felicidade geral deste
que quase fora um pais (ao menos na
mxisica do poeta Ruy Barata e na drama-
turgia do filho, Paulo Andr6), ja orientara
seu senador, o brilhantemente mudo (ao
menos nestes tempos de muda) Luiz Ota-
vio Campos a digitar seu voto no painel
eletri~nico (viciado? censurado?) em fa-
vor do antipoda de ACM, tanto mais igual
quanto mais oposto.
Jader ligou, a conversa foi amena por
imensos dois minutes e acabou. Ne-
nhum contato pessoal depois, nenhuma
mensagem escrita de felicitagio. Os
dois aprontam suas agendas, inscrevem
em seus livros de haver. Dizem que ori-
entados por causes nobres, os pleitos
que ficam para depois no orgamento da
Uniio, as plataformas que emergem
como cinzas avivadas por vento forte e
ef~mero, e assi~m se vio para o reino
do nunca mais. E claro que, entremean-
do tantos motives relevantes, ha deta-
lhes menores, como saber quem ocupa-
ra as candidaturas majoritarias, quais
maquinas serio usadas e etcetera. Me-
nores, talvez, mas preliminares sempre.


Por enquanto, 6 ai que In~s continue
sua imola~go. O governador tem um can-
didato do peito: 6 o secretairio especial
Simio Jatene. Ngo ignora que o nome
de Jatene e pesado, de pouco apelo po-
pular. Mas, quem sabe, se Jader desse
um empurrio, o rateante motor de Jate-
ne nio pegava? Mesmo porque, qual e o
candidate do senador peemedebista? Ele
pr6prio? Ngo gostaria de voltar ao sena-
do, consagrado?
Quanto a essa possibilidade, s6, se ti-
ver o governor atras, inflando as velas
dos ca~adores de votos. Caso contra-
rio, vai ter que batalhar na bacia das al-
mas, como fez em 2000, com a pers-
pectiva de ombrear com algu~m da es-
querda (talvez Ana Juilia Carepa?). Se
Jader for o coligado para senador e Ja-
tene o candidate comum ao governor,
Almir talvez se sacrifique e va at6 o fim
do seu mandate, voltando um ano e meio
depois para disputar a prefeitura de
Bel~m. E depois novamente o governor,
ou o senado. E depois...
As combinaq~es possiveis sho nume-
rosas, desafiam a imaginaqio, surpreen-
dem as expectativas. Nio ha espinhas
dorsais resistentes ou programs consis-
tentes para atrapalhar o embaralhamen-
to de cartas, conforme os caprichos do
crupi2. Mas uma coisa e certa: se ainda
falta o memento certo para que Jader e
Almir sentem diante de uma mesa e pos-
sam puxar suas listas da algibeira (ou da
cartola?), a hip6tese de um acordo entire
eles deixou de ser demoniaca, ja nio
constitui heresia e, mais um pouco, pas-
sara a ser sagrada. Em prol do Para, do
povo e quetais, evidentemente, e deles
tamb~m, naturalmente, que Mateus deve,
biblicamente, embalar os seus (primeiro).
A equagio precisa ser armada antes que
se possa anunciar o resultado.
Dizem os velhos cronistas da hist6ria
brasileira que nossos coron~is, de carrei-
ra ou da sempiterna Guarda Nacional,
antes de travar iminentes batalhas san-
grentas consultam a forga do inimigo. Se
convincente, antes de tergar armas no
assim chamado teatro de operaF~es, ar-
mam um tratado e cada um ocupa o que
lhe cabe na partilha. A vida fica mais sau-
davel, menos cruenta.
Um ambiente assim, do qual pode re-
sultar uma batalha de Itarare ou um pac-
to de fancaria, vive-se agora no Parai. O
tempo criado pela emocionante vit~tria do
senador Jader Barbalho em Brasilia e
propicio. Embora sujeito a chuvas e tro-
voadas trazidas de fora do continent
pelas maquiav61icas frentes frias de sem-
pre. No Para~, at6 os ventos mudam de
rota quando colidem com os interesses
de um poderoso.








4 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE MARCO/ 2001


A Provincia
Nada indica que A Provincia do


mbs seus 125 anos de exist~ncia.
Sua publicaqio foi suspense a 16
de fevereiro, quando os funciona-
rios da reda~go e da oficina, alia-
dos aos graficos da Cejup, que fun-
ciona no mesmo local, decidiram
entrar em greve. Era areaFiko ao sis-
temi~tico atraso eo pagamento ir-
regular dos sal~rios, num process
de desgaste que, segundo os jorna-
listas, se agravou a partir do mo-
mento em que Gengis Freire teria
percebido o risco de perder o titu-
lo do j ornal num litigio na justiga'
deixando de investor na empresa.
Interromper sua circulagio nito
e uma novidade na historia de A
Provincia. Ela ji experimentou
essa circunstincia tr~s vezes an-
tes. Mas esta tem sido sua fase
mais longa, com 50 anos de ativi-
Sdade ininterrupta, s6 ha quatro
anos sob o comando de Gengis
Freire. Se a greve n~oacabar e se a
direptio da empresa nio mudar'
talvez desta vez, mais do que uma
nova interrupplio, seja o fim do
"j ornal da familiar paraense".
Os jornalistas t~m feito esfor-
gos para motivar um outro grapo
a adquirir A Provincia. Os 6micos
candidates sho os mbdicos que
ocupam a dire~go da Unimed Be-
16m. Elesjl haviam se associado a
Gengis, mas divergiram de seus
mbtodos e sairam, iniciando entio
com ele um contencioso, ainda
pendente. Poderiam voltar, desde
que o antigo parceiro saisse. Mas
nito haviam chegado a um valor
para a transa~gio, atris da qual hi
um passive que se agiganta (ja es-
taria em 6milhdes de reais, segun-
do algumas fontes).

Tamanho
Pelas regras nito escritas do
meu tempo de rapaz, eu s6 pode-
ria namorar com 5 das 20 joyens
que concorreram ao Rainha das
Rainhas, a maior promo~gio do
grupo Liberal em beneficio da so-
ciedade paraense, realizada no mis
passado. Explico: s6 essas cinco
tim menos de 1,67 metro de altue
ra, o meu tamanho. Entre as 15
mais altas, acima de 1,70 metro,
uma tem 1,84 m e outra, 1,80.
Naquela epoca, s6 se namo-


mlina de Carajas, no extensa ferrovia entire o
Para e:o Alaranhj~o. com quase 900 quilbme-
tros je exte~njao, e no porto de Ponta da Ma-
delra. no ilha de Slo Luis, um dos maiores do
mlun~o. reml tldo especializa~go crescente na
expyortagou." A roduglio de ferro em Carajas,
51.10 qu~ilomet~ros~ a udoeste de Belem, eqiti-
\alcu a massj de -1000 ~ de todo o minerio extra-
,do pelj Vale2 em 2000O.
Masi como else minbrio 6 quase integral-
mnle~~r exportado. e~nquanto boa parte do fer-
ro de Mlinas Getrais e fornecido a inditstria
naclon31. Carajj s.Iae o principal centro bra-
jileiro de ei\portagdio do minerio (com 48 mi-
Ihbces de loneladas). superando a traditional
pOsig30l~ do dlIstrno ferrifero de Minas. O Para
e o EStadI qlue mass export ferro no planet.
Mais5 de 8000 da bauxita (o minerio do
aluminio I produzida no Brasil sai das minas
da Milne~raqio R io do Norte, uma controlada
da Valet. emi Tromnbetas, mil quil6metros a
oeste~ de BelIem. Como em todas as outras
ali~ Idades do c~omplexo da CVRD, a MRN
I em jocledade, com algumas das principals
mul~ltinacioonals do ietor, inclusive as lideres
A~lc~oa e Alcadn I bate'u o record de produplio
no ano passado. Comt mais de 11 milhdes de
tone~ladas de minerio, quase 10% de toda a
produg Jo mundial.
Dese~mpenhos semelhantes tiveram as de-
masis emnpre~ss do setor. A Alunorte gerou
quase: melade de toda a alumina (insumo do
alumilnio, produzlda no Brasil e 3,5% da pro-
ducao mnundlal. enquanto a Albras, instalada
aolado~~emjoc~ledadecom um consrcio ja-
pones. chegou prioxima de 30% da produgho
nacilonal de alulmlnio. Jg do distrito mmneral
de Caraias, a C'R D extraiu dois terpos do
manganes prodluzido no Brasil no ano passa-
do lo~orresjpondentec a 20% da produ~go mun-
d11 Il sel Ioneladas de ouro, ou 60% do total
nacrional, no Igarape: Bahia, a maior de todas
as mni nas eml at I idade no pais (que suplan-
tou a centetndria e famosa mina de Morro Ve-
lho. em hlinasi.
Para monta1;r os cinco centros de produ-
gho7 mneltral e: mela~ltrgica, a CVRD e empre-


ACompanhia Vale do Rio Doece e, no
Para. um dos nover Estados nos quals
atua no Brasil. maior do que: a pr,-
prio governo local. Em 2000, a empresa falu-
rou quase a debro do que arretcadou a admii-
nistraqio e~stadual. seg@undo Jados do balan-
go, dilulgados na semana passada. AIT3rates
de cinco dos malores empreetndimentos pro-
duti\oj instalados em te~rritorto paraeinse. to-
dos no selor de: extraqi;o e beneficilamento de
mine~rlo. destrinados sobretrudo a exportaq6o.
a C\'RD alcanqou recettia de: dois bilhies de
reiS. 2000 do falurame~nto bruto global obii-
do no paiss no ano de me~lhor detsempetnho em
toda a sua hlstoria.
Esse \ alor re~pre~sentou qluase: 8000 do co-
mercio exterior do Para, quet eo sertimo mator
ex.portador brasileiro, o segundo em saido de
di vi sas e tem a se~gu nda economy ia m inerall do
pals. Equivaleu ainda al 300 do PIB (Produro
Inte~rno Bruto) etstadual, de RS 16,5 bilh3es.
Provaveclme~nte em nenhum outro Estado bra-
sile~iro e 150 f~orie o peso de: uma uinicai em-
presa na economic local. O Para, onde a pre-
senga da Vale: e mais recente, ja e lio impor-
lante quanto Mainas Ge~rais e: Espirito Santo,
areas de participacqio mais tradlctonal da etm-
p'resa, que tem 59 anos de v~ida (55 dos quais
como esttall).
Dos RS 2 bilhdes que: obtev~e com as \ en-
das de minerio de: ferro. bauxita, manganes,
alumina, aluminio euro, a CV RD diz hal r r
dei.\ado 1,S bllhilo no proprio Para. Suas mai-
ores despesas no Estado. se~gundo as se~us
dados, foram com compras (RS I bilh50) e
sert igos contratados (210 milhbesl it rens que
cresce~ram expressivamente a partar de um
program de: cadastrumelnto e qualificaqio de
fo~rnecedores locals. A folha de pagamento
dos seus quatro mil empregados direros, de
RS 1 20 mllhdes (ha outros sete mil empre~ga-
dos indirelos). fol apenas um pouco superior
no dos Impostos pagos pela empresa (RS 95
milhdes), qlue corre~sponderam a menos de 50 0
da sua recetita bruta, em funfjio das isenqdes
e beneficios tributb~rios de que usufrui.
O Sistema None da CVRD. centrado na


das da political brasileira. Para
evitar esse desvio de rota, al-
gumas providincias saneadoras
devem ser adotadas. A princi-
pal delas e definir um calend8-
rio de debates entire os tras can-
didatos que ja assumiram suas
pretensdes. Mesmo que a un-
950 de um dos nomes que deve-
rito ser encaminhados ate abril
ao Ministerio da Educapilo dis-
pense esse process dialogico
(e dial~tico), a escolha do diri-


rava meninas que tivessem pelo
menos do mesmo "tope" do ca-
valheiro. O machismo nio permi-
tia ao home ficar por baixo, ao
menos o casal estando perfilado
verticalmente,
O crescimento das mulheres e
fun~gio do leite, da verdura e,
tamb~m, dos aditivos quimicos
incorporados g alimenta~go in-
dustrial e passados em frente nos
fast-foods que, agora, a classes
media e algumas faixas de renda


mais baixa (por~m melhor infor-
madas) ji consomem. Ale~m da
malhagionas academias.
As paraenses mais bem nas-
cidas ji se aproximam do padrto
global. O que dB pra rir da pra
chorar.


Inteli & ncia
A dispute pela reitoria da
Universidade Federal do Pard
ameaga seguir as trilhas vicia-


Vale: umn Estado


dentro do Estado







JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE MARCO/ 2001 5


sas associadas investiram no Para, des-
de a final
da d~cada
de 70, o

I eqivalente a
i5,8 bi-
lh~es de
dolares (quase 11
bilhaes de reais), ex-
.- -- -~

cluindo-se desse valor apenas o que foi apli-
cado no trecho maranhense da ferrovia de Ca-
rajis e no porto da Ponta da Madeira (cerca
de R$ 1 bilhio).
Tanto em mme~rio de ferro quanto em man-
ganis, ouro, bauxita, alumina e aluminio, em
minas ou fabrics espalhadas por todo o in-
terior do Parl, a empresa tornou-se lider na-
cional. Na mais recent das suas atividades
produtivas, a de caulim para usos nobres (es-
pecialmente o revestimento de papel), tam-
btm assumira a lideranga nos prbximos anos.
Por causa desses investimentos, 80% das
exportaq~es do Para sio constituidas de mi-
ne~rios e seus derivados, todos sob o control
da CVRD. Sob varies criterios, principalmen-
te o de geraqio de caixa, a empresa e maior do
que o prbprio governor do Estado. Mas sua
contribui~go a administraglo publica tem sido
menor em fungo dos beneficios que o gover-
no federal concede aos exportadores de pro-
dutos semi-elaborados.
O Para foi o Estado mais prejudicado por
essa political, que, s6 em relaCio i Vale, the
acarretou perda equivalent a um mis e meio
de arrecada~go de ICMS. Os investimentos
da empresa tambem nio tim sido considera-
dos satisfatbrios: no ano passado, ela apli-
cou no Estado apenas 5% do investimento
que fez em todo o pais, embora o Para haja
contribuido com um quinto do seu fatura-
mento bruto.
Mas a Vale continuara a crescer no Estado,
certamente mais do que o governor, e moldan-
do a fisionomia do Parai conforme seus novos
empreendimentos. O mais important deles
sera numa area nova, a do cobre. Em 2004 de-
vera entrar em operaqio a primeira mina de
concentraqio do minbrio em Carajas, a do Sos-
sego, em parceria comna americana Phelps Dod-
ge. Ela fara a produio national de cobre cres-
cer 500% c o Brasil economizar os 600 mi-


thbes de d61ares que gasta anualmente com a
importa~go do produto. O investimento pre-
visto 6 de R$ 1,3 bilhio, para umn faturamento
liquid annual de R$ 450 milhdes.
Outra mina de cobre tambem poder8 es-
tar em atividade em 2008, ainda em Carajas,
a do Salobo. Dependendo dos resultados dos
ensaios tecnol6gicos e econi~micos em anda-
mento, necessarios diante das caracteristicas
inusitadas do minbrio (em dureza e presenga
de flidor), alem da concentraqio, essa nova
unidade poder8 incluir uma usina metalurgi-
ca, ampliando a verticaliza~go do process
produtivo e os ganhos de renda. Seria a se-
gunda metabirgica do Brasil. A uinica, atual-
mente, e a da Caraiba Metais, localizada na
Bahia. No projeto Salobo, a Vale esta associ-
ada i maior produtora de ouro do mundo, a
Anglo American
Se novas fontes de suprimento de energia
forem viabilizadas, a empresa espera fazer o
beneficiamento do minerio de ferro em Carajas
mesmo, instalando no local uma aciaria. Por
enquanto, o unico investimento em execu~go 6
o da pelotiza~go do ferro, em Sgo Luis, no
valor de R$ 400 milhbes. Embora a hidrel~tri-
ca de Tucurui esteja a menos de 200 quil6me-
tros de distincia, nio hi energia disponivel
para tender as necessidades da produ~go de
ago ao lado da mina. A solu~go pode vir atra-
v~s do gas natural, se as prospecqbes na foz
do rio Amazonas, pela Petrobras e virias mul-
tinacionais, ji iniciadas, forem bem sucedidas.
As empresas j9 em atividade do sistema
CVRD no Para estio ampliando suas atuais
capacidades produtivas e prevendo novas am-
pliaqdes ao long desta d~cada -de bauxita,
alumina, aluminio e caulim. A CVRD contra-
tou dois ex-ministros, Eliezer Baptista (ex-
presidente na 6poca da estatal) e Raphael de
Almeida Magalhies, como consultores de um
planejamento estrattgico do Estado.
Com base nesses estudos, J6rio Dauster,
president da empresa, disse recentemente
que o Para, pela abundincia dos recursos na-
turais de que disp~e, de solo, subsolo, flo-
resta e Agua, "tem tudo para ser a mais rica
unidade da federa~go". Por enquanto, se esse
6 o desejo, ainda 6, tambem, uma utopia. O
resultado vai defender dos terms da rela~go
entire a empresa, o governor e a sociedade, um
trip que sempre foi desequilibrado e nio che-
gou amnda a ser adaptado a nova condi~go da
Vale, de empresa privada.


O fim, numa universidade, foi,
6 e sera sempre a inteligencia.
Como, dramaticamente, proclamou
Miguel de Unamuno diante dos fas-
cistas do generalissimo Franco,
num desses peri6dicos curto-cir-
cuitos de que ahist6ria humana nlo
consegue se livrar, mas precisa con-
tinuar tentando. Ao menos para
animar anecessarria utopia.
Ao debate no GuamB, por-
tanto. Sem desvios leninistas
ou tentaC~es fisiol6gicas.


gente de uma universidade di-
fere da political conventional.
Um centro do saber nio 6
apenas um centro do poder: s6
o 6 se ngo renunciar a sua fun-
950o educational e cultural, que
o define. Os pretendentes ao
cargo maiximo de uma univer-
sidade tim que apresentar suas
ideias e por elas credenciar-se,
ainda que um velho e carcomi-
do populismo time em tomar
o meio pelo fim.


N O I Clas



Nos ultimos tempos, fats perturba-
dores v~m ocorrendo no grupo Liberal. Um
novo "rombo" na gerancia de circulagio do
journal, por exemplo, levando ao afastamen-
to do responsivel por esse setor vital, acu-
sado de desvios continuados ao long dos
uiltimos meses. Ou o emperramento do pro-
cesso de profissionalizagio da empresa,
sem o qual ela dificilmente poder8 se ha-
bilitar a vultosos recursos publicos para
expandir seas atividades de vanguard. Ou
ainda o cometimento de erros inconcebi-
veis, como reproduzir integralmente uma
pagina que ja havia sido publicada no jor-
nal apenas dois dias antes, com o inconve-
niente de trazer de novo um artigo escrito
comn tintas pesadas por Marcos Sa Corria
contra o senador Jader Barbalho, agora tra-
tado com afabilidade.
Seriam sinais do que vai e mal pe-
las entranhas da maior corporagao de co-
municaqio do norte do pais. Mas se nela
ha problems serios, a tal nio indica o ri-
tual de incensamento do seu principal exe-
cutivo, Romulo Maiorana Junior. Sua fes-
ta de aniversitio, numa segunda-feira, ge-
ralmente condenada a placidez, ocupou
varias paginas de ediC~es seguidas do jor-
nal e mereceu desbragados adjetivos do
cronista do acontecimento, o colunista Is-
maelino Pinto, um dentre os "privilegia-
dissmos" convidados de uma "segundona
que vai ficar na hist6ria .
Preocupado com essa distinta e obliqua
senhora do tempo, o homenageado tratou
de, aos closes batidos no convescote, jun-
tar na pretensamente nobre pagina 3 do
journal as dezenas de telegramas de fehici-
tagies que recebeu "de todo o mundo",
como diria o cronista da corte.
Certamente a destacar se encontravam a
telegrifica e impessoal mensagem do gover-
nador supostamente aliado ("Aceite meus
cumprimentos pelo transcurso seu aniver-
satio", mandou dizer Almir Gabriel) e a
efusividade do alegado adver-
sario senatorial ("Tenho o
prazer e a alegria de registrar
este importantissimo event
que marca a passage de sua
data natalicia", assinou Jader
Barbalho, sem deixar suspei-
ta de ironia). Mas o "abrago
especial", quem mandou for
um certo Lel6, da Rede Ga-
zeta: "Sem voc6, ela [a
vida?] seria chata. E sem
cor", recitou o remetente.
E contagiante a alegria dos
reis. Como a dengue.







6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MARCO/ 2001


uarndo oSupremo Tnbunall Fede-
ral anulou a desapropriag~o da
QFazendla Parapor3, em S3o Do-
mingos do Capim. feita em 197 1 pelo Es-
tado do Para. o Incra (Instituto Nacional
de: ColonizaCBo e Re forma Agrd~ria)~ r~-
fez e'SSa desalpropriaqio, ja na ojrbita do
governo federal. A faimilia Me~inberg. de
Sao Paulo. foi indenizada -em dinhetiro e
TD~s (Titulos da D iia Agrdria) pe-
los 17 mil hectares e benfeirorias acre~sci-
das~ iserra nua,
O problema e que, memo vetncidaa a
questio de merito na demanda e~ntre a
empresa e o Estado. persisrau o conten-
cioso sobre: o \alor dos danos suposta-
menre causados pelo ato exupropriarorio
original. assinado pelo e~nto go\ ernador
Fernando Guilhon.
No entanto. nio houve comunicaq3o
entire os dois ni~teis de: Interiengdo do
poder pliblico. como se umn n3o soube~s-
se a que aconltena com o outro. comno
se: um1 eStivesse na Terra e outro im
Alarte. Se: a Unido ja pagara pela rota-
lidade do t alor da area aringida pe~lo alo
do Esjtado. o qlue: ainda reistala por qui-
tar na ago0 proposal pela Paraporl con-
tra a aidministraqio paraense? So, ago-
ra essa que~stio elementar foi suscita-
da pelo adiogado Carlos Lamario. di-


rertor jursldico do Irerpa (Instituto de
Terras do Paral.
Em relunido realizadja no 11narl do meSj
passado, entre represenrantesj da admi~nis-
traqio estardual e'niolidos com a quetiSjo
(umt dos te~mas da ultimai ediqdo do Jornal
Pessoal). Lamlario obseriou queOS hein-
be~rg. que sho arualmentre a unica~ parte utu-
ando nos dots proce~ssos Ium,andminlstrali-
So.Jd Concluido. Coutro.judiCial. ainda em
cursol. agirmi de ma-fe no ndo cintificar
ajustiga~da desacpropringd3o xecurada pelo
Incra. dar qual focramn beneticiidno s. Props
qu o Estadjoa.Iuize:umangd~o ordlnariapara
anular a processo de indenizar;3o d Para-
par3. emn funcijo da Iligapnc~ia de ma-fe da
emnpresa e da aiusencia do Incra c~omo litis-
consorte nece~ssrio. Cametclarmente, o Es-
tado tnambem slicirana a suspe~nsio do pa-
gamelnto do preemo3trio que se~ria expe~dido
c~omo garantia dadiu da. embo raal protte-
Noc 53 te~nha sido c~oncedidaj pelo desemn-
barcadjor Werther Benerdito Coelho. mezs-
me semll consideror o faLotC SUPeriniente:
relet onre" aduzido agora.
A~c~rescido. alrids. sem~ qlue ninguem.
foira do incra. conhega; o procesjso do de-
sur~opT1rigdo fe'ila pela Unido. O que: dj
umia Idela da de'Sainagn3o ofiena~l em ma-
reria fundiiria. Apesar de~ rodas as decla-
rai3es em1 contrdrio.


mente, no te~rreo, continuasse a
funcionar uma loja -como, aliis,
era a caracteristica desse perime-
tro at6 anos atras, quando a inse-
guranga foi provocando a expul-
sho dos antigos moradores.
Com a reutiliza~gio do centro
para fins residenciais, atividades
comerc iais de apoio (padarias,
farmicias, restaurants) para la
tamb~m voltariam, espontanea-
mente ou mesmo induzidas a tal
pelo poder pilblico, mas com
mercado disponivel. A prefeitu-
ra entraria com a prote~gio, atra-
ves da guard municipal, e outras
medidas de apoio e estimulo, se
possivel em conjunto comn o Es-
tado. Certamente pessoas que
foram obrigadas a fugir dos altos
alugueis para a periferia, haven-
do ou nito residido antes no cen-
tro, teriam interesse por uma pro-
posta como a sugerida.
Da para pensar nela?


mais que apoio, a leitura prazero-
sa que um texto merece. Como o
de Amarilis.


Ce ntro vel ho
A prop6sito da sugestio feita
na edi~go anterior, de cria~gio de
uma empresa imobiliaria municipal,
encarregada de adquirir e adminis-
trar im6veis de interesse atquite-
tanico e histbrico para a cidade, um
arquiteto observou: o alvo princi-
pal nio deveria ser a atividade co-
mercial, mas o uso residential des-
se patriminio.
A empresa pfiblica municipal
alugaria as casas restauradas a
pessoas que se dispusessem a
morar no centro velho da cidade
(abrangendo do Comercio g Ci-
dade Velha), hoje em acelerado
process de esvaziamento. A
destina~gio residential poderia ser
adotada mesmo que, eventual-


NOva Sud am
E provavel que a explosive cri-
se political complique ao inves de
facilitar uma boa soluglio para a
crise em que a Sudam vem se arras-
tando ha muito tempo, a rigor des-
de suas origens, em 1966. Os mui-
tos estudos encomendados e pa-
gos a prego de ouro podem ser
atropelados pela necessidade em
que se vi o governo federal de res-
ponder convincentemente as de-
nuincias do senador Antinio Car-
los Magalhies. Mas talvez valha a
pena reapresentar uma proposta
varias vezes feita-e seguidamente
ignorada pelos que tinham entio o
poder de assinar pap~is oficiais.
Ainda penso que uma media
salutar seria transferit o poder de-
cis6rio sobre a colabora~glo finan-
ceira dos incentives fiscais para
projetos privados ao Banco da
Amaz~nia. Mais agora, que acu-


Descompasso:


Estado e Uma~o


Amarilis
Amarilis veio ao mundo com o
prdprio nome da poesia e cultivou-
a num aconchego fertilizador, odos
Tupiassu, que nos deu o Amilcar,
t~io prematuramente levado de en-
tre nis. Essa origem tem marcado
todas as estaqdes de passage de
Amarilis, matriz da sua sensibili-
dade, da maneira bem humorada e
ternade encarar avida, afineza no
trato das letras, a criatividade no
amanho das razdes que aacademia
inculca em quem a toma como ra-
zio de trabalho eeixo da carreira.
Ela Cuma acad~mica, uma mes-
tra, uma doutora, que pesquisa e
ensina, que diz eescreve. Mas nada
de notas de rodap6, de remissiobi.
bliogrrifica magante, de demonstra-
gho cartesiana eexposi~go escolas-
tica. Amarilis produz como quem
rema numa igarite, flui de bubuia
no rio, caminha entire tajas, banha-
se na aguada defronte da cabana e
some sob as luzes lunates por de.
trasdos agaizeiros.
Sem nunca despojar-se dos
classicos que leu eaos quais tem
dado sua retribuigio (como oamo-
roso ensaio dedicado a Eade Quei-
roz), Amarilis e um produto de
suas raizes, conectadas as mais
poderosas fontes do conhecimen-
to. Oque ela escreve sel1¶sa-
ber sem deixar, nunca, de ler com
prazer. E assim com esse Riso e
Pranto nos Mares do Descobri-
mento ou Ensaios sobre Histo~ria e
Poesia, titulo bem quinhentista
para o quarto volume da senie de
titulos publicados pela Unama com
o obj etivo de celebrar os 500 anos
da descoberta do Brasil.
No livro, Amarilis nos guia por
algumas descobertas e nos leva a
perceber de outra maneira antigas
convivincias, como a cotidiana que
temos com o Ver-o-Peso. Umaml~o
firme e delicada 6 a que nos conduz
pelas 166 paginas do livro, fazen-
do-nos chegar rapidamente ao fim,
mas usufruindo por todo o percur-
so dos ensaios reunidos, alguns pu-
blicados na imprensa. Ngo admira
que tantos tenham ido ao langamen-
to do seu livro, na semana passa-
da, os visitantes da Unama ainda
mais encantados pela decisgo da
casa de premid-los com a distribui-
Fho gratuita do valioso volume.
Mais patrocinadores deviam
seguir esse exemplo. Livro 6 algo
que merece subsidio. E livro bom,








JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MARCO/ 2001 7


Uns 20 milhdes de hectares, area
que corresponde a quase 20% do
Uterritbrio do Para (o segundo
maior da federaqio brasileira) e 6 superior
a de varios paises da Terra, foram grilados
atraves de iniciativas simpl~rias e metodos
primitives. Os grileiros se aproveitaram da
forma relaxada (mas considerada normal
para a 6poca) de concessio de terras, fei-
ta pelo governo paraense quando prevale-
cia na economic local o extrativismo vege-
tal, e da precariedade dos registros publi-
cos, numa fase em que a terra valia por
sua cobertura vegetal, mais do que pela qua-
lidade do solo, e raramente era instrumen-
to de neg6cio.
Desfazer essas fraudes seria facil se
houvesse decidida vontade nesse sentido,
adotando-se os mecanismos de combat
existentes nas leis e responsabilizando-se os
envolvidos na media dos seus delitos. In-
formaqdes sobre o mundo do extrativismo e
o que nio faltam nos arquivos oficiais, que
sobreviveram ao maltrato e a incuiria, e na
memibria de uma pessoa. Ela estate com 74
anos (que, como as mulheres da sua 6poca,
nio gosta de citar), mas todos os dias traba-
lha com jovialidade, prazer e agilidade, nos
111timos tempos atris de uma tosca mesa,
ilhada e exposta a entrada do predio do Ins-
tituto de Terras do Para.


Alice de Albuquerque Lima 6 a memo-
ria viva de tudo o que se relaciona com
arrendamentos eaforamentos, registros que
faz, com sua letra miuda e apurada, desde
1953. Comegou a trabalhar diretamente
com o tema, mal havia concluido o cursor
de contabilidade na Escola T~cnica de
Comercio, quando o Servigo de Cadastro
Rural do Estado era uma
depend~ncia no s6t~io da c
antiga sede do govemo, no
Palacio Lauro Sodr6 (hoje,
Mvuseu do Estado).
Acompanhou, desde
entio, os caminhos e des- T
caminhos do setor fundid- 1
rio, mudando de pr~dio, "
trocando de leis, substitu- 1
indo chefes e siglas. Ano-
tava com rigor e esenipu-
lo todos os atos vinculados a concessio de
areas publicas para a extraqio dos princi-
pais produtos dessa fase, como o 61eo de
pau-rosa (um fixador de perfume), o litex
ou a castanha. Permaneceu servidora apli-
cada indiferentemente ao desabamento
dessa estrutura econbmica, que constituiu
tamb~m a base do poder politico estadual
durante certo tempo (o que Barata mon-
tou, AssumpCio desmontou, e vice-versa).
Os pareceres redigidos por Alice


Lima, a partir de consult aos arquivos
que ela mesma montou, al~m de coleta
de toda e qualquer information relavan-
te para o seu trabalho que consegue en-
contrar, dispersa em outras fontes, cons-
tituem um modelo dessa burocracia ne-
cessairia. Retaguarda que resisted a to-
dos os golpes, inclusive a falta de reco-
nhecimento das chefias, e
que se nutre na fidelidade
ao compromisso com o

r Aposentada, mas sem-
./X pre na ativa, A lice ain daeviopib i o
r pode e deve continuar
a ser uma refer~ncia para
todos os que precisam de
uma information sobre par-
te do valioso patriminio
fundiatio do Para. Basta
que lhe dbem a oportunidade de perma-
necer no manuseio e na alimentagSio dos
seus livros, uma refer~ncia ja arcaica di-
ante dos registros eletr6nicos, mas, sem
tC-la como base e ponto de partida, eles
simplesmente nio existiriam. Alice dei-
xou de ser uma simpless" servidora pu,-
blica, o que sempre fez questio de ser. E
um personagem da histdria recent do
Para. Mais do que temida por sua fran-
queza e competincia: respeitada.


mula experi~ncia com a gestio do
FNO, o fundo constitutional para
a regiio norte, o Basa tornou-se a
instituigio mais habilitada a lidar
comn os mecanismos financeiros e
a ponderar a liberaqio de cr~dito
puiblico conform criterios soci-
ais, sem perder de vista o retorno
do capital.
ASudam(ouadenominaqioque
passaria a ter, ainda como autarquia
ou ja como ag~ncia de desenvolvi-
mento, mas sem seguir o modelo do
BNDES) ficaria com a analise t~cni-
ca e o enquadramento dos proj etos
individuals a political geral para a
Amaz~nia, al~m de exercer a super-
visio e a avaliaCio do trabalho do
Basa, que tambem assumiria a fis-
calizagio fisica dos empreendimen-
tos, hoje com a Sudam.
As cartas-consulta seriam en-
caminhas originalmente ao Basa,
que sobre elas expediria um pare-
cer analitico e o remeteria a Sudam.


Feito o ajuste a political official pam
a Amazinia, o texto final seria sub-
metido a um comity interinstituci-
onal, com representantes do Basa,
da Sudam (os unicos a falar em
nome da administration federal), de
empresarios e trabalhadores, da
comunidade acadimica edos gover-
nos estaduais da regiio (com direi-
to a voto apenas sobre os proj etos
dentro dos seus limits territorials).
Todos os membros do comity
teriam que obrigatoriamente se ma-
nifestar por escrito sobre cada pro-
jeto, sem o que nio poderiam par-
ticipar da sessio final de aprova-
gio ou rejei~go do pedido de cola-
boraCio financeira. Qualquer um ds
integrantes desse colegiado pode-
ria denunciar a qualquer memento
desvio de execugho do projeto e
pedir seu reexame, desde que com-
provando suas denmncias.
Niio seria um esquema melhor
do que o atual?


"m residue entregue a pr6pria sor-
te no final do titulo da Seicom, a
Secretaria de Industria, Comercio
e Mineraqio.

Leite
Um governor que reduz a quase
nada a aliquota de ICMS de uma
fabrica de cerveja comn quase 40
anos de funcionamento, dando-lhe
um desconto pantagruelico, tem que
ser sensivel a pedido da mesma or-
dem (mas sem igual grandeza) da
industria do leite. As 21 empresas
do setor querem que a aliquota bai-
xe de 12% para 1% e 2%, conforme
oproduto sejaexportado ou comer-
cializado no mercado intemo.
Como contrapartida, o gover-
no pode exigir que o setor ponha
um ponto final na pessima tradi-
950o de leite de baixa qualidade no
Para~. O fim do leite de vaca batiza-
do pela agua do home.


M in r io
Outro dia acessei o site da
Roskill, uma empresa britinica de
consultoria especializada em pro-
duzir relatbrios sobre metals e mi-
nerios. O trabalho sobre caulim,
com 336 paginas, me fascinou.
Prometia tudo o que eu queria sa-
ber. Para recebi-lo, por~m, eu ti-
nha que "morter" com 2.400 d61a-
res, mais as despesas de correio.
Temos, aqui no Para, uma das
mais importantes economies mine-
rais do mundo. Mas se information
e poder (e e), estamos long de
poder perceber o que acontece de-
baixo dos nossos narizes. Nosso
governo e a maioria dos nossos "es-
pecialistas" brincam com a bolinha
do poder, como se tivessem poder
-e nio uma bola murcha.
Como todos est~io cansados (e
tristes) de saber, na estrutura da
administraqio estadual, mindrio 6


Alice: personagem


da hist~ria da terra











































































9- 017181l PCSSOal
Editor: Locio FI~vio Plnto FoI~ [00.88-7890 **fosax) e 24i-762 (l(ax) Contato: Tv.Benjamin Constalnt 845/203/66.053-040
..-mail: jamaleamaz~oo0i41 Frduql0s Angelim Pinto EdQF~o de Arle: Luizantoniodefrlrapintol230- 1304


Pailavra municipal
Mais um carnaval foi realizado no dente a necessidade de que suas ativi-
local, mas a Aldeia Cabana, a Estaqilo dades sigamnumaprogramaga~o, planeja-
das Docas da administragso Edmilson da com a antecipa~go devida, para ter
Rodrigues fincada na Pedreira, conti- cursor ao long de todo o ano, e que os
nua irregular. Airregularidade result efeitos da poluigiosonora sejam mini-
do descumprimento, pela prefeitura, mizados para causar o menor transtor-
do "termo de ajustamento de conduta" no possivel aos moradores da Area.
assinado com o Ministbrio Pdblico do O ideal teria sido que a prefeitura
Estado em fevereiro do ano passado. nso levantasse na avenida Pedro Mi-
A pri~pria prefeitura reconheceu a randa aquele mostrengo arquitet~nico,
necessidade desse ajuste, pedido por limitando uma via que poderia ser usa-
mais de mil moradores em abaixo-assi- da como um dos respiradouros de tri-
nado, em virtude da "existencia de im- fego da cidade, um eixo-tronco. Mes-
pactos negatives" da implantaqgo da mo porque um samb6dromo ao tucupi
Aldeia Cabana, com "inc~modo na cir- result de uma vislo ex6tica e artifici-
cunvizinhanga durante os events, de- osa das verdadeiras raizes histi~ricas e
vido a ruidos emitidos pelas fontes da mais forte motiva~go do carnaval
sonoras", segundo o document. paraense.
A PMB se comprometeu a regula- Reconhego, por~m, que esse 6 um
mentar o uso do local em 120 dias, pla- entendimento pessoal. O mal esti fei-
nejando os dias da programagl~o e dan- to e gasto o dinheiro (o equivalent,
do-lhe ampla divulgaglio pdblica, al~m guardadas as proporqcies entire os or-
de concluir a obra, no valor original de gamentos estadual e municipal, A Es-
seis milh~es de reais, para que ela pu- taglo das Docas de Almir Gabriel, sem
desse ser utilizada perenemente-e nlo o refinamento maneirista -ou chave-
s6 para o carnaval, o traditional e o riano -desta). Se esti fora de cogita-
"fora de 6poca", uma cascata de dei- 95es implodir aquele troco, deve-se
btis e cacofonia para os que nllo con- completi-lo e corrigi-lo, conforme o
seguem entrar na "onda". interesse pdblico. Conclui-lo com a
Os compromissos n~lo foram cum- prometida piscina e as instalacaes para
prides e a Aldeia Cabana acabou sendo o funcionamento de escolas. Regula-
inaugurada com toda a pompa e circuns- mentar suas atividades. E atenuar seus
titncia, abrigando regularmente os even- danos. Enquadrd-lo nas leis e no bom
tos festivos. O MP acionou a prefeitu- sensor, enf im.
ra na justiga para enquadrar a Aldeia Cobrada a fazer o que prometera, a
Cabana nas normas do ajustamento de prefeitura petista reage vendo dedo po-
conduta, que slio tamb~tm regras legals. litico a impulsionar o Ministtrio Pd-
A prefeitura contestou a agio. Seu blico, que seria pau-mandado do go-
principal argument 6 de que as pes- vernador tucano, e recorrendo a preci-
soas que subscreveram o document osidades formats para desvencilhar-se
nao tinham autoridade legal para repre- do compromisso. Chega a dizer que
sentar a administrapio. S6 o pr6prio seus servidores foram constrangidos
prefeito poderia dar valor juridico ao pelos representantes do MP a assinar
ato com sua assinatura, o que do hou- o document. "Slo posturas pouco
ve. O compromisso, portanto, seria s~rias como esta-divorciadas da 6tica
mera liberalidade. que se poderia esperar do exercicio do
As filigranas juridicas certamente direito de defesa-que podem levar ao
v~io ser debatidas na instrugLo prces- descr~dito da Administra~go Pdiblica
sual. Mas, para o cidadlo de Bel~m, Municipal peranta sociedade", ad-
nio 6 isso o que importa. Para ele 6 verte a promotormy Pereira, ao
important ficar sabendo que um se- se manifestar nos ~ns do process
cret~iio municipal on um dirigente de em que o MP tenta fazer a prefeitura
autarquia podem assinar um documen- cumprir os compromissos assumidos
to official em nome da prefeitura de e assinados.
Bel~m e fazer sua divulgaglo piiblica Independentemente do desfecho da
por um certo tempo. Mas tudo isso agto, uma coisa parece certa: no atual
pode se tornar um tostso furado se o governor municipal, o que conta 6 a pa-
prefeito, ap6s instaurado um contend lavra e os atos do prefeito. O resto 6 o
cioso, vier a desautorizi-los. resto, conforme o principio que ele
No caso da Aldeia Cabana, 6 evi- pr6prio sancionou.


Comego
A desembargadora Clime-
nie Pontes comegou acertan-
do: partilhou a gestio no co-
mando do Tribunal de Justiga
do Estado, que assumiu hi
menos de dois meses. Para
isso criou um conselho, que
vai participar das decis~es,
atuando em sete esferas espe-
cializadas, cada uma delas de-
legada a um desembargador.
Tambtm hit erros nas decis~es
colegiadas. Mas at6 os erros
slo mais legitimos quando re-
sultam de um did logo.
Depois de anos de mando
centralizado e verticalizado,
6 um bomn come o, mesmo
que ainda seja pouco. A jus-
tig a paraense est8 muito ne-
cessitada de uma diregio que
comece bem (como algumas
no passado) e termine bem
(algo raro nos anais do judi-
ciiirio).

I AVe1SiO
Fica-se atualmente mais bem
informado sobre o senador Ja-
der Barbalho lendo seu jornal, o
Didirio do Parki, do que o do seu
concorrente, O Liberal. O Dii-
rio temt publicado todos os arti-
gos e colunas que assina dos
grandes jornais nacionais. Nbo
faz mais qualquer corte. Respei- .
ta as notas e comentirios de ter-
ceiros desfavoriveis ao donor, al-
guns dos quais em linguagem
agressiva. Dg vazio, ao noticid-
rio do dia, publicando inclusive
as matbrias critics a Jader.
O Liberal parece estar ten-
do uma attitude mais cautelosa e
at6 condescendente, sacrifican-
do inclusive o pr6prio tratamen-
to jornalistico das informaq8es,
em beneficio da imagem do -
agora-presidente do senado.
Elogios e palmas para a
crescente profissionalizagiio do
Dihrio do Parki, desvencilhan-
do-se da figure -pdiblica e po-
18mica do proprietiirio, sem
deixar de servir-lhe de instru-
mento. Oferece, nesse aspect,
um raro espet~iculo na impren-
sa brasileira, que costuma ca-
nomizar o dong e exorcizar os
advers~rios. Quanto B mudan-
ga de O Liberal na cobertura de
Jader, se nlo express algum
movimento de bastidores, cons-
titui um erro editorial.


Dire ito
Nenhum candidate
paraense, dos 52 in~critos,
alcangou a nota min~ima,
cinco, para apro /agdo no
concursopdblic para o
provimento de p2argos de juiz
fedieralsubstiglto, realizado no
mis passado. As dezenas, em
sucessivas fornadas, novos
advogados saem todos os
anos das faculdades em
Jurncionamento no Estado.
Ja k hora de uma ofensiva
corajosa pela melhoria do
ensino juridico no Parai. Naio 4
o linico ramo que estd podre
em universidader ou
faculdades isoladas. Masjdi se
tornou um caso de calamidade
puiblica, como outros. Este, t
da competincia da OAB, uma
instituigdioprojissionalcom
um poder sd rivalizado, mas
alguns degraus abaixo na
escala de valores, pela
representagio dos engenheiros
e medicos.
Que, alicis, tambim
precisam mover-se para evitar
essas sucessivas
demonstragdes de colapso no
conhecimento.

Lo u ros
A Fumbel, a fundagdo
cultural de Belim, terai 14 seas
motivos para se considerar
injustigada por certos
avaliadores do seu trabalho.
Mas, ao responder cis critics
e cobrangas nio pode incluir
entire as obras que realizou as
restauragdes dos palacetes
Bolonha ePinho, malmente
iniciados, e do chald Tavares
Cardoso, um arremedo do
original.
No caso das obras no
palacetePinho, na Cidade
Velha, a casa vizinha da
pintora Dina de Oliveira,
restaurada 'com recursos
prdprios e extreme bom gosto,
serve de contrast gritante e
indicador do muito que ainda
falta ser feito (se o sei*d, ainda
sob a atual administrator, t
uma duvida cabivel) no solar
dafamniliaPinho.