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OCIO F LA VIO PINT O PO~f77CA Uma guerra viciada Neste dia 14 sairdi o nome do novo president do senado, o quarto cargo na linha sucessd'na do president da repziblica. A guerra que Jader Barbalbo e Ant~nio Carlos Maga~lhdes travaram leva a uma conclusdo: ambos t~m razdo apenas quando acusam. Jd' e hora de levar suas acusagdes ais ziltiEmas conseqad~ncicas. Mas nd~o segundo o enredo da grande imprrensa. O Brasil quer outro Brasil,/Y C alguma coisa de moralmente exemplar ou edificante para a sociedade? Como qualquer colegial esta cansado de saber, o gangster Al Capone roubou, extorquiu, cometeu, indimeras transgres- s~es penais e mandou matar g vontade sem ser preso. Mas foi mofar numa peni- tencidria por sonegar o imposto de renda, a brecha encontrada por seu implacivel perseguidor, o agent Elliot Ness, do FBI. Os EUA ndo shio melhores moralmente do que o Brasil, milito pelo contrdrio. Mas hB lb uma divisa nitida para todos, umna convenq~o partilhada pela na~go. Em todas as sociedades cometem-se crimes, em todas hB numerosos casos de impunidade ou mesmo de edifica~go de impbrios baseados na ilicitude. Mas pare- ce que s6 progridem aquelas naC6es que adotaram mecanismos de prevenC~o, con- tenCgo e repressio a partir de um enten- dimento ticito: de que, uma vez tornados pdiblicos, os delitos ji ndo podem mais ser ) serid protegida pelo pr6prio exercicio do poder. O crime ficard acautelado dos ri- gores da lei por suas pr~prias lacunas, que um bom advogado sabe t~Lo bem explorer. Como mostrou, at6 um certo ponto, o mafloso americano Al Capone. A pergunta que todos se faziam (es- crevo no dia 10),' Bs v~speras da defini- 950 do confront entire Jader e ACM pela presid~ncia do senado, o quarto cargo na escala de substituigio do president da re- puiblica, 6 sobre qual esse limited de tole- rincia no Brasil. Se os dois politicos due- lassem nos Estados Unidos como vem fa- zendo no Brasil, ainda estariam livres de process ou, talvez, das grades de uma prisio? Ainda estariam usufruindo dos seus mandates parlamentares? Ainda se- riam interlocutores sancionados da maior ' autoridade pdiblica do pais e simbolos de political brasileira atual, os senadores Jader Barbalho (do PMDB) e Antanio Car- Olos Magalhies (do PFL), t~m um ponto em comum: jamais foram outra coisa na vida al~m de politicos. Por isso mesmo, ambos v~m suscitando d6vidas sobre a evolu~go do patriminio pessoal que acumularam enquanto se dedicavam integralmente g political. Quando atacam, a ambos 6 dada a razio: essa *yariaqio patrimonial nho guard coer~ncia com as rendas que tem declarado ao fisco. Quan- do se defendem, n~lo conseguem conven- cer a opinion pdiblica. Reforgam nela uma convicqgo latente: exercer o poder 6 o melhor caminho para enriquecer. Mesmo que ilicita essa acumulago de bens, ela ~pc~ 2 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 santo guerreiro (ainda mais, afilhado de orixas). Dessa guerra, entretanto, o mo- cinho parece ter sido expurgado. E as regras sho de uma pelada de fundo de quintal. Acima do joelho tudo e canela. Atualizando a fortune de Jader, dos 2,6 milhaes de reais declarados ao fisco para os quase R$ 30 milhdes de valor real, Veja deu uma media mais exata do descom- passo na rela~go entire os ingresses com- provaveis de renda do ex-governador do Para e as incorporates patrimoniais que tem feito, uma faganha que o notabilizaria na iniciativa privada se ele realmente hou- vesse se arriscado no jogo do mercado (administra as empresas do conglomera- do como um autarca). Mas Veja se esqueceu de que o pa- trim~nio declarado por ACM ao ledo e duas vezes maior do que o de Jader, o que, em principio, autoriza trata-lo como home de R$ 60 milhbes, riqueza nio mais explicavel do que a de seu oponen- te de circunstincia (uma tal que poderia jogar Capone contra Luciano, sem, con- tudo, diferencia-los). Antbnio Carlos Magalh~es nho pas- sava de um obscure deputado federal, eleito pela UDN baiana a sombra dos velhos coroneis do Estado, mas buscan- do calor ao lado de Juscelino Kubitsche- ck, quando, aos 40 anos, foi nomeado prefeito de Salvador. Era um tipico mem- bro da classe media, que subia no vicuo do autoritarismo do regime military, caldo de cultural ideal para o seu pr6prio man- donismo. Deixou JK e se atrelou aos generals, ele pr6prio um legitimo cacique no modelo de antanho dos coron~is da Guarda Nacional (adaptado a era da co- municaqio eletr~nica). Em 1967, o prefeito nomeado tinha 50% de uma casa sua em Salvador e metade na que o sogro doara g sua filha, quando casara, al~m de um apartamento na capital baiana, em nome da filha; um lote e uma casa de veraneio em Madre de Deus; um apartamento em constru- 950 e financiado em Ipanema, no Rio de Janeiro; um apartamento em Brasilia, fi- nanciado pelo IAPI (o institute de previ- dancia dos industridrios); dois carros Vo- Ikswagen; e uma pequena quantidade de agdes de empresas. Quatro anos depois, ao ser eleito in- diretamente (pela Assembl~ia Legislati- va) governador da Bahia, ACM nio per- dera nenhum dos seus im6veis e ainda conseguira incorporar mais um sitio em Brasilia e um outro apartamento no Rio de Janeiro. Mas comegara a engordar bastante sua bolsa de aqaes, um nitido element do rito de passage da classes m~dia para a classes alta, sendo de fato, entio, ao menos ja nas aspira95ies, que se consolidariam em 1975, quando encer- rou o primeiro dos tris mandates como governador baiano. Mas o deputado Elquisson Soares, que analisou as declara95es de ACM ate 1982, fez uma observaCio interessante sobre elas: para comprar um apartamento na avenida Vieira Souto, em Ipanema, onde esta um dos metros quadrados mais ca- ros do Brasil, que custou 1,3 milhio de cruzeiros (valor da epoca), Antinio Carlos precisou vender 68 mil aqaes preferenci- ais do Banco do Brasil, que lhe renderam Cr$ 800 mil. Mesmo assim, seu estoque de acges do BB, que na declaraqio de rendi- mentos anterior somava 55.890 aqdes, pas- sou para 193.663 aqdes, mesmo comn a qui- ta~go do apartamento na Vieira Souto. Milagre dos peixes adaptado ao capitahis- mo financeiro que nos assola? A partir dai, o universe patrimonial do cacique do PFL se ampliou para um ta- manho que s6 nio 6 exatamente equiva- lente ao de Jader porque o excede em pelo menos o dobro, aceitos os valores das de- claragaes de ambos (ACM, e verdade, tendo partido de uma base mais bem for- nida do que a de Jader, alguns degraus abaixo na escala da renda). Tanto um como outro podem exigir que seus detra- tores apresentem provas concretas da acusagio que lhes fazem, de engordar seus patriminios atraves do roubo, colo- cando-se acima dessas cahinias enquan- to a relagio de causa e efeito nio tiver sido estabelecida, como nio o foi ate: ago- ra (ate mesmo porque nio houve uma ten- tativa sdria nesse sentido na inst~incia com- petente, administrative ou judicial). Mas a extrema facilidade com dinheiros pu~bhcos e parcerias privadas, que e colocada ao alcance dos politicos (e de certos segmen- tos da elite), permit disfargar oroubo com a apar~ncia do beneficio legitimo, embru- lhando tudo com o celofane do sigilo ou da clandestinidade. O senador Jader Barbalho, por exem- plo, em 1980, quando ainda era apenas um deputado federal como Antinio Car- los em 1965 (a diferenga de idade entire os dois e de 17 anos), tinha no seu patni- m6nio tributavel uma casa de 272 me- tros quadrados, num bairro suburban de Belem (o Marex, ao lado do aeroporto), no valor de 1,8 milhio de cruzeiros (da 6poca). Usando-a como garantia, conse- guiu arrancar do mesmo Banco do Bra- sil (uma m~ie para esse tipo de gente, diz Italo Rossi pela boca de um personagem de SaZo Paulo S/A, filme de Luis S~rgio Pherson sobre a saga da industrializa~go national, feita pela iniciativa privada com dinheiro pfiblico), no intervalo de um ano (ate junho de 1981), quatro emprestimos rurais, no valor de R$ 97,7 milhaes ou ignorados. Muita sujeira colocada embai- xo do tapete indica que a tolerincia ao desvio se tornou patol6gica. Passou a ser a tolerancia daquelas casas que lhe tomam a denominaqio. E esta insensibilidade publica que es- panta na escalada das escaramugas en- tre os dois senadores. Verifica-se, mais uma vez, que ambos tim toda razio quan- do atacam e nenhuma quando se defen- dem, uma constatagio quase generaliza- da em relaCio a classes political, mas de facil extensio a toda a elite brasileira. Certamente o paraense Jader Barbalho teria sido aclamado e muito mais cedo - president do senado se nio tivesse trombado com Antinio Carlos Maga- lhies. Jader esta pagando carol por um dos maiores meritos da sua ja extensa carreira political, de 35 anos: nio ter ver- gado a coluna a mais um dos desmandos do sultho baiano. Fica uma inc~moda sensagio de que, nio fora esse detalhe, o lider do PMDB nio teria sido premiado com um tratamen- to excepcionalmente incomum nas pagi- nas de Veja~, a mais influence revista de informaFio do Brasil (e uma das mais im- portantes do mundo): depois de uma re- portagem de capa de oito paginas, uma suite de quatro paginas na edigio seguin- te, na qual a repercussio era constituida por acrescimos~da pr6pria revista e nio pela reaqio da sociedade (na se~go de cartas a participagio de Jader foi a de um coadji~vante; logo sumiu daquele espago). O tratamento francamente parcial dado aos preliantes (ou seria meliantes?) mostrava que um segment do poder, sim- bolizado pela Editora Abril, havia esco- lhido ACM como parceiro, conduzindo a opinidio pitblica para objetivos que at6 po- dem ser legitimos, mas nio sio limpos porque padecem de uma tendenciosida- de larvar. Algo como ocorreu com Fer- nando Collor de Mello, fustigado nas suas muitas e abertas chagas, mas em fungio de interesses nio muito melhores do que os dele. Porque era de outra "panela", de outra "tchurma", de outra gangue, ne6fita no poder nacional (e por isso tio desastrada). A imprensa pode ter seus favorites, mas sua escolha nio deve impedi-la de informar o melhor possivel para permitir a escolha do pilblico, nem camuflar sua pr6pria definigio para que o campo de batalha fique suficientemente iluminado. Nio 6 ficil abordar com equilibrio um cheque t9o passional de lideres politicos, atrss dos quais ha legiaes ocultas, nada passionais, muito pragmaticas. Mais fa- cil, porem, 6 se~rvir a um dos lads, apre- sentando-o como a escolha certa, o ou- tro sendo o dragio da maldade contra o JOURNAL PESSOAL *2" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 3 As relaqdes entire a im- prensa e a opiniho pdi- Alica melhorariam muito no Brasil se duas provi- dancias legals fossem adota- das: considerar criminosa a recusa ao direito de resposta do leitor e condicionar o direi- to de acionar jornalistas na jus- tiga ao uso da instincia admi- nistrativa ou mesmo da inter- pela~go judicial. Com essas corregoes, os maus profissio- nais e os falsos ofendidos sai- riam perdendo. A sociedade ganharia sempre. Nenhuma publicaCgo pode- ria recusar carta ou manifes- ta~go de algu~m que houves- se citado em seu noticidlrio. Bastaria o interessado compro- var perante a justiga a rejeig~io do seu direito de resposta (exercido atrav~s de carta en- viado por cartbrio de titulos e documents ou com aviso de recebimento postal) para se tornar cabivel a aplicaCgo de multa, com incidencia didiria e de valor capaz de inibir a trans- gressio, cumulada comn a sus- pensio do veiculo a partir de certo tempo. O fato seria au- tomaticamente delituoso, inde- pendentemente do process instaurado para impor o aco- thimento do direito de respos- ta. Talvezsd assim aempeder- nida intolerlncia de alguns grandes jornais fosse quebra- da, fazendo-os refletir a opinion alheia e a posigio conflitante. Em compensa~go, nin- gu~m poderia processar um jornalista sem antes responder ao que fosse divulgado a seu respeito, exceto se a matbria tivesse tratado de quest~es estritamente pessoais, intimas, privadas. S6 entio se tornaria possivel o acionamento judicial direto (apenas pelo delito de injuiria), comprovados serem de natureza objetiva os valo- res ou fats envolvidos. Com tal providencia se per- mitiria que os interesses coleti- vos prevalecessem sobre as motivaqdes individuals, que fre- qiientemente servem de pretex- to para interessados escamote- arem fats relevantes e intimi- dar a imprensa, impedindo-a de exercer suas func;8es de critical e vigilincia. Esta necessidade 6 ainda mais forte para homes p~iblicos, sobretudo os que de- t~m cargos de mando, como uma forma de contrabalangar seus poderes, obrigando-os a prestar contas sempre que um aspect mais obscure ou polC- mico de suas atuaC~es for sus- citado. T~m que prestar contas g sociedade, mesmo que para tanto sejam obrigados. Volto a esses temas muito cars, mais uma vez, quando sou novamente vitima de uma quei- xa-crime com base na Lei de Imprensa, a tristemente famosa 5.250, de 1967. 1:o desdobra- mentodaag~iode indenizagiopor dano moral tamb~m proposta pelo desembargador Joi Alberto Paiva. Ele se considerou ofendi- do com a avaliaq~io que aqui fiz, em maio do ano passado, a pro- p6sito de sua decision de resta- belecer os registros imobilidrios em poder da C. R. Almeida so- bre uma drea de 4,7 milhies de hectares no Xingu, cancelando uma tutela antecipada concedida pelo juiz Torquato Alencar, por solicitagio dolIterpa, que tentava (econtinuaatentar)anularecan- celar esses registros. Hoje, hi~ uma maciga unani- midade de que tais registros sio indevidos e que a b~rea integra o patriminio p~iblico. Diveras ins- tituigTes do poder p~iblico est~io empenhadas em invalidar de vez' as anotaqdes feitas pelo tabeliso doregistro imobilibrio de Altami- ra, porque flagr~antemente contr-i- rias gs normas legals e aos fats. Todos tratain a question como "a grilagem da C. R. Al- meida", enquanto eu, mais uma vez, sou cobrado a pagar o pre- go por ter dito a verdade com todas as letras, de forma leal. A uma inversio de valores, quan- do todos deviamos estar dando conta do que dizemos ou faze- mos de forma pxiblica, sem afe- tar falsos melindres, sem pre- textar o inverossimil, em bene- ficio da coletividade. JA apresentei minha defesa pr~via. Com a profunda indig- nag~o dos justos e a mais inti- ma convicq50 daqueles que carregam consigo, agora e para sempre, uma arma fenomenal: a verdade. ~,\\\\\~,\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\ seja, algo quase 100 vezes maior do que a garantia dada g transagio. Dois anos depois, quando jB era governador, em 1983, Jader quitou essa divida pelo valor hist6rico, gragas a facilidades concedi- das para resolver o problema de quem comprara um elefante para pagar por uma formiga. A partir dessa origem comum, seguin- do trajet6ria idtntica, os dois se tornaram potentados na sua base eleitoral. A dife- renga 6 que Jader seguiu sempre o per- curso do voto, que 6 mais lento e hierar- quizado. ACM, parceiro dos militares, quennou etapas e emergiu como a mais poderosa lideranga nortista (nio importa a impropriedade geogrifica na 6tica dos que vaem o pais a partir do seu centro econ~mico, umbigo do universe national). Sagaz e niio muito dado a escrtipulos, ACM usou esse poder para multiplicar seu capital, o material e o material. Se- dimentou-o tanto na f~rtil terra baiana, receptive a messe mistica e hipnotizada pela moderniza~go autoritbiria, de mios dadas comn a marquetizaqgo do folclore, quanto nos anels superiores da alianga, sintonizada nos cifraes. N~o chegou tio long quanto Jos6 Sarney por mero aca- so (os brizios maranhenses parecem mais eficientes), mas tem sido mais poderoso nas alcovas e bastidores. Sem essa dupla sustentagio, ACM nio teria podido tirar a retransmissio da TV Globo, mantida por 18 anos pela TV Aratu, para sua TV Bahia (a chave foi o despejo de M~rio Garnero da NEC, so- ciedade entregue de mlo beijada g Glo- bo), nem usado com tanta folga os sat6- lites da constelagio de Roberto Marinho para irradiar seu prestigio, com um tal appetite que acabou por assustar o donor da opinido p~iblica national. A ocasito para comegar a livrar-se do parceiro, com perigoso potential de do- minaqio, veio quando os excesses do co- ronel incomodaram tamb~m outros cir- cunstantes do poder e dona Nic~a Pitta apareceu-lhes como sopa no mel. Ali, ACM comegou a decair da conflanga - como se dizia na 6poca do regime military -do companheiro Marinho. E ali tamb~m comegava a tomar corpo o arroubo de energia de Jader Barbalho para mandar o soba calar-se em sua poltrona no plendrio do senado e la ficar, quietinho, quietinho, mando como um ledo sem dentes. Mas se a plutocracia paulis'ta ultrapas- sou suas medidas de toler~ncia a esses cangaceiros nortistas, seu m~todo para li- vrar-se deles 6 virtual, mais eficiente do que um primitive duelo ao entardecer, tes- temunhado por mandacarus antediluvia- nos, mas justamente por isso menos per- ceptivel, o que confunde os juizos e com- promete as avaliaC~es. Ngo 6, certamen- te, o que interessa g naqio. Os estere6ti- pos cabem como luva, mas 6 precise atra- vess8-los com a luz da verdade para que se chegue a moral que di valor a hist~ria: todos siro culpados. Ou, como diria o ira- cundo Emile Zola, na Franga do seculo XIX, se Zola pudesse ter emprego na grande imprensa brasileira de hoje: Ah, a boa gente! Que canalhas! Interesse pishlico~\\\\\\\\\, 4 JORNAL PESSOAL *2= QUINZENA D FEVEREIRO/ 200 SMas esse pesado subsidio, superior, em m~dia, a US$ 200 milh8es ao ano, nio te- ria sido necessirio se nio tivesse havido corruppgo na construg50 da hidrel~trica no rio Tocantins, cujo custo atualizado Bahia calcula em torno de US$ 12 bilh~es. Num depoimento prestado a Gisela Pires do Rio e C61ia Coelho, em outubro de 1995, o ex-presidente da CVRD (entio estatal) e ex-ministro das Minas e Energia, Elie- zer Baptista, admitiu que o "elevado cus- to da energia vem da corruppio" e que a usina sairia muito mais barata se a obra fosse executada com mais seriedade. A Eletronorte poderia, assim, adotar uma tarifa capaz de cobrir o custo de geraqio da energia, ao inv~s de dar pesado preju- izo, como acabou acontecendo. A dentincia de corruppo, feita por al- gu~m comn a-autoridade de ter sido o ho- mem mais influence do setor mineral bra- sileiro (foi o principal responsivel pelos projetos da provincia mineral de Carajds), hoje um consultor da pr6pria CVRD, era ainda mais grave diante do seu context. No projeto detalhado de engenharia, a hidrel~trica de Tucurui deveria custar US$ 3,3 bilhaes. Ao ser inaugurada, em 1984, seu prego ji estava em US$ 5,4 bilhdes, incluidos apenas os juros durante a cons- trug~o. Em 1998, os ediculos batiam em US$ 7,5 bilh~es. Mas o engenheiro e ge6- logo Ruy Bahia, autor de muitos trabalhos acadimicos sobre o assunto, acredita que o valor atualizado at6 o ano passadoj jest8 em US$ 12 bilh~es, havendo ainda por qui- tar um saldo dos empr~stimos internacio- nais contraidos para a execug~io da obra. At6 2004, o subsidio energ~tico con- cedido durante 20 anos is duas maiores induistrias de aluminio do pais deverd al- cangar o equivalent a cinco bilhaes de d61ares, o mesmo valor de reposigio de duas fibricas de aluminio inteiramente novas e quase metade do custo da hidre- 16trica de Tucurui, a maior inteiramente national, de onde vem a energia. Para chegar a esse resultado, o pes- quisador Raymundo Ruy Bahia, profes- sor aposentado da Universidade Federal do Pard~ e principal autoridade sobre o tema no Estado, calculou a diferenga en- tre o custo da gerag~o da energia em Tu- curui, de 72 d61ares o megawatt/hora, e os US$ 18 e 24 Mwh da tarifa fornecida as duas indlistrias desde 1984, quando a usina entrou em operaqio, apbs nove anos de construgho. Somadas, as duas fibri- cas consomem quase cinco vezes mais energia do que Bel~m, com seus 1,2 mi- lhio de habitantes. Esse subsidio foi a condiqdo para que as duas fibricas, responsiveis, em con- junto, por 3% do consume de energia de todo o Brasil, se instalassem na iirea pio- neira da Amaz6nia, fora dos principals ei- xos econdmicos: a Albris, formada pela associaqio da Companhia Vale do Rio Doce com um cons6rcio japon~s, em Be- 16m, e a Alumar (com as multinacionais Alcoa e Billiton), em Sio Luis do Mara- nhdo. Essa diferenga de tarifas, principal responsi~vel pelo cri~nico deficit operaci- onal da Eletronorte (de 700 milhbes de reais em 1999), tem sido coberta pelo te- souro national. Ou seja: o contribuinte. cuidade cerebral, excess de moldura para escassez de con- terido. Popularmente, sabe-se muito bem o diarreico resulta- do dessa conjungdo. Mas nQo conv~m repetir o nome do pro- dutto com todas as letras. Nao seria uma piada de salsio. Inflago Primeira grande realizaqlo da administragio Almir Gabri- el no novo milanio: fez Bel~m se tornar campeR national da carestia no primeiro mas de 2001. Num dos indices de me- diqo do custo de vida, o IPCA (Indice de Prepos ao Consu- midor Amplo), a-por enquan- to capital paraense sofreu mas incidem mais sobre a clas- se mtdia, que recebeu um cho- que entire dezembro e janeiro, por causa da explosion do IPCA (variaqio de 0,18% e 2,62% nesses dois meses). Alem de piorar as condigaes de vida do morador de Bel~m (para ficar na andlise das regiaes metro- politanas), a media do gover- noreduziuacompetitividadedo Estado na federaqlio e seu po- der de atragSo de investimen- tos, que s6 se realizam aqui quando isso 6 compulsirrio. A political de apoio e esti- mulo a atividade produtiva no Estado, ali~s, 6 incoerente. No memento em que gasta prect- oso dinheiro na re forma e adaptagio do antigo Presidio uma varia~go uma vez e meia maior do que a segunda mais cara, Salvador. Em rela~go ao INPC, que 6 um medidor mais restrito, com mais representa- tividade sobre as camadas de menor renda, a varia~go em torno de 2,6%-foi praticamen- te a mesma em Bel~m, mas como esse indice foi bem mai- or em Salvador, a diferenga entire as duas cidades mais Cars do pais no m~s passado baixou para 50% ainda con- tra Bel~m, infelizmente. Esse incremento da inflaio deveu-se ao aumento das ali- quotas de ICMS de vtrios pro- dutos e servigos, alguns dos quais pesam sobre todos os bol- sos (como o g~s de cozinha), Em foco, subsidio Resultado Romulo Maiorana Jumnor emprestou sua valiosa assina- tura a um editorial de primei- ra pagina em O Liberal con- tra o Estado do TapajC~s, mais do que centendria aspiraqio dos habitantes daquela region. O journal, ji sem a griffe do seu executive numero um, tamb~m adornou sua primei- ra pagina com um editorial contra o "palpite infeliz" do governador de levar a capital para Belo Monte, deixando Bel~m na orfandade. Em seguida, a campanha "andando pelo Pari" promo- veu, em MarabB, um encontro de todos os prefeitos do sul e do sudeste do Estado. O ponto alto foi o apoio ao projeto do desmembramento dessa drea para a formaqio do Estado de Caraj~s, movimento mais re- cente do que o do Tapaj6s, ba- seado mais na demografia e na economic do que na hist6ria. Um novo encontro do "an- dando" esti previsto para San- tar~m. Desta vez, nio apenas a pauta estid sendo revista pelos promotores do event: h~i uma grande preocupagio com o que 6 que essa reuniio ird provocar. Nio serd pouca coisa, nilo. Se o tema da redivisio for expurgado da agenda, parece- rd que o grupo Liberal nio 6 contra a tese da formaqio de novos Estados a partir do atu- al territ6rio paraense, apenas discrimina o Tapaj6s. Se dei- xar que a emancipagio avan- ce, parecerd que est8 fomen- tando o irredentismo no Esta- do, nio exatamente por causa nobre, e que faz campanha contra Almir Gabriel nio s6 para ter verba publicit~ria. Em qualquer situagio, a Compa- nhia Vale do Rio Doce estard em posi~go inc~moda, arrasta- da pela parceria na empreita- da por desaviso do velho dita- do (dize-me comn quem andas e te direi quem 6s). Na verdade, a impressio de um objetivo estrat~gico por tis do "andando" 6 falsa. Mas 6 no que dB se aliar a quem tem muito poder, de fato, mas nio id~ias. Caso raro de hipertrofia encefi~lica combinada com va- JOURNAL PESSOAL *2. QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 5 Eletronorte esteja adotando um artificio para viabilizar um novo contrato. A empresa estii anunciando que cada megawatt instalado na segunda etapa custard U$ 17,50, o que lhe permitiria manter as tarifas atuais, de US$ 18 para a Albris e US$ 24 para a Alumar, que, juntas, terio uma necessidade constan- te ("firme", segundo o jargio do setor) de 1,9 mil megawatts. "Esse valor, po- r~m, abstrai todo o custo da primeira etapa, que 6 de US$ 72 por Mwh, quan- do o minimo que se deveria fazer seria a soma dos dois valores para tirar uma mtdia, do que resultariam US$ 51,60 MWh", raciocina Bahia. Ele nio acredita que a Eletronorte ve- nha a conseguir a dissociaqio de Tucurui como se a hidrel~trica constituisse duas usinas distintas, "porque a ggua passa pe- los mesmos vertedouros e a segunda eta- pa 6 continue a estrutura da primeira eta- pa, altm do fato de que os recursos t~m a mesma origem, o, governor federal". Por isso, ele acha que a renovagio do contra- to de hidreletricidade, com os subsidies embutidos, nio sera possivel e as duas induistrias ter~io que buscar outra fonte de energia, provavelmente atravbs do gas natural, importado de Trinidad-Tobago, numa primeira etapa, ou da foz do rio Amazonas, at6 2010, se as prospecq~es - ja em cursor no literal amazcinico de- rem bom resultado. Bahia diz que a question precisa sair dos gabinetes fechados e do dominio ex- clusivo dos burocratas oficiais e ser dis- cutida pela opinion p~iblica, por envolver as ind~istrias mais eletrointensivas do Brasil e estar na raiz de novas perspectives para o setor energ~tico no norte do pais, com implicaqaes sobre toda a economic. Oficialmente, a declaraqio de Elie- zer Baptista ainda n~io foi divulgada. As duas pesquisadoras nio conseguiram concluir as entrevistas necessarias para um livro que estio escrevendo sobre a hist6ria da CVRD. Mas uma sintese do depoimento de Baptista, publicado ex- clusivamente neste journal, acabou che- gando ao conhecimento do deputado federal Geraldo Pastana (PT-PA), que o encaminhou como dem~incia ao presi- dente do Tribunal de Contas da Uniso, em novembro de 1997. Dois meses depois, o assessor da Se- cretaria de Controle Externo do TCU no ParB, Daniel Eliezer Rodrigues, prop6s o arquivamento do process formado a par- tir do pedido do deputado paraense. Se- gundo Rodrigues, os "graves dados" sub- metidos ao tribunal, "que, alias, foram e sio amplamente conhecidos da socieda- de brasileira, escapam a apuraqio dese- jada, uma vez que a construgio dessa usi- na ocorreu num memento politico diverse do atual vivido pelo pais. Naquela ocasi~io, de liberdade restrita, o control externo nio apresentava algumas das atuais ca- racteristicas, estabelecidas somente em 1988, quando da promulga~go da nova Carta Magna brasileira". O assessor considerou "razo~vel su- por que se deu em outras 6pocas a opor- tunidade e conveniancia de apurar os fa- tos". Hoje, "devemos ser realistas a pon- to de compreender que dificilmente uma investigation sobre o caso hB tanto ocorri- do, cujas possiveis proves dissiparam-se nas n~voas do tempo, ocasionarid no des- fecho desejado pelo ilustre parlamentar". Acatando o parecer do t~cnico, o entio president do TCU, Marcos Vinicius Vi- llaga, determinou o arquivamento dos au- tos. Nenhuma investigapSo foi realizada pelo tribunal sobre um passado classifica- do de remote, embora n~io tenha sido man- dado para o arquivo morto, em fungio de d~bitos ainda por amortizar. Mas se a primeira etapa de Tucurui foi deixada is "n~voas do tempo", a se- gunda etapa, para a duplicago da capa- cidade de geraqio de energia da usina, de 4,3 mil para 8,2 mil megawatts, a ser con- cluida no pri~ximo ano, jid d trabalho. T~c- nicos da Secretaria de Controle Interno do Ministbrio da Fazenda, numa audita- gem realizada entire agosto e setembro de 1999, constataram que s6 para recuperar e complementary o canteiro de obras, a Eletronorte havia gasto quase 60 milhies de reais, 10% do orgamento previsto para toda a duplicag~o da hidrel~trica, de R$ 580 milhdes. .Quase metade desse dinhei- ro ou 27 milh8es teriam sido aplica- dos com distorqaes ou irregularidades. Dos 38 itens da construgio, sobre 21 os audi- tores levantaram suspeitas. A exata verificag~o dos numeros 6 considerada indispensivel, segundo Ruy Bahia, para definir o future suprimento dos dois maiores pblos de aluminio do continent quando o contrato que garan- tiu o subsidio g Albris e d Alumar ca- ducar, dentro de tr~s anos. Aparente- mente, a renovaCio da tarifa enorme- mente favorecida seri impossivel, pre- vC o pesquisador. Mas ele teme que a de Sio Jose para torn8-lo a base de um pcilo joalheiro, o Estado imp~e um ICMS pe- sado sobre o setor. Assim, quem acabard brilhrando ndo ser~lo as j6ias, mas o assumi- do arquiteto da id~ia. Brilho pra 16 de suspeito. Educaqio Tempos atri~s a educagio no Parid ganhou destaque na- cional com os jacar~s em sala de aula, alunos que estudavam deitados no ch~io por falta de carteiras. O Estado volta ago- ra g notoriedade como o cam- pelio brasileiro dos alunos fan- tasmas, enxertados nas esta- tisticas para aumentar a cota do n~io menos tristemente c6- lebre Fundef (Fundo de Manu- ten~go e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Va- lorizagio do Magist~rio), mais freqiente no noticidrio policial do que nas colunas pedag6gi- cas por obra e graga dos al- caides municipals e seus padri- nhos federals. De cada seis alunos fan- tasmas detectados pelo Minis- t~rio da Educag~o, um era pa- raense. O levantamento foi efetuado em 18 Estados, nos quais foi apurada inconsisten- cia nos mapas elaborados pe- las autoridades locais. O Pard teve mais de 11 mil fantasmas. A Bahia, mesmo sendo muito mais populosa, contou com pouco mais de 9 mil no segun- do lugar. Em quase 20% dos municipios paraenses havia ir- regularidade. O MEC se pre- ocupou apenas em checar a estatisticas, sem penetrar no m~rito do erro, se por despre- paro ou mi-f6. - Por enquanto, portanto, ain- da nso 6 mat~ria policial. Carreira Atanagildo de Deus Matos chegou agora, aos 51 anos, A chefia do Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populaqdes Tradicionais, integrado g estrutura do Iba- ma (Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Na- turais Renovi~veis), em Brasi- lia. Em 30 anos de vida pdibli- ca,, "Gatio", como 6 mais co- nhecido,tornou-se um fendme- no. Deu grandeza national ao sindicato rural de um munici- pio menor, Oeiras do Pard. Sem nunca haver sangrado uma irvore, assumiu a presi- dancia do Conselho Nacional dos Seringueiros. Circuloupelo pais todo e o exterior. Algou- se (ou foi algado) ao nivel de um Chico Mendes. E agora est8 pulando do galho da soci- edade civil para o do Estado, comn aprovagio geral. De uma outra perspective, carreira parecida entire os pa- raenses s6 mesmo a do geofi- sico Jos6 Seixas Lourengo. de U$ 5 bilhoes ) JORNALPESSOAL* 2"QUINZENADEFEVEREIRO/2001 ~\\\\\\\\\\\\\~\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\ O Estado do Pard se livrou, no mes passa- do, de ter que reservar quase um mis inteiro de arrecadago die ICMS, on 80 milhaies de reais, para opagamento da indenizaiio de uma fazen- da de gado que desapropriou hd exatamente 30 anos. O desembargador Werther Benedito Coe- lho, acolhendo recurs do governor, suspended a execuFio da sentenga de umajuiza de 19 grau, que determinava o pagamento imediato da inde- nizagio atravbs de precat6rio. O cabimento ou nio desse direito, e a definiG~o do seu valor, voltar~io a ser discutidos judicialmente. Se fosse cumprida a decision da juiza Dahil Paraense, da 15" vara civel da comarca de Be- 16m, seria a confirmaqio de "um dos mais claros casos de erro judicidrio com que me depareinos 61timos anos", testemunhou o jurista Humber- to Theodoro Jinior, num parecer elaborado a pedido do Estado. O erro resultava do fato de que a quest~o da indenizaCqio d~o havia transi- tado em julgado, admit indo ainda recursos. Sem uma decisbo definitive em inst~ncia final, nto poderia haver um titulo executive judicial para cobranqa. Ela se tornara indevida e illegal. O parecerista admitia que esse erro podia ter resultado "do long tempo de teamitaglo do processo. Ele comegouem 1971, quando oen- t~o governador do Pari, Fernando Guilbon, de- creton a desapropriaggo da Fazenda Parapor&, "por utilidade p~iblica". O ato foi motivado por um dos primeiros casos de conflito de terras ocorridos na Amaz6nia a partir da implantacgio dos projetos de colonizagilo, que acompanha- ram a construg~o de grandes rodovias de inte- graq~o national na regilo. Funcion~rios da fazenda, de uma familiar paulista, os Meinberg, entraram em cheque com posseiros que haviam ocupado parte dos 17 mil hectares da propriedadq, no municipio de S~lo Domingos do Capim, irs proximidades da Bel~m-Brasilia. Duas pessoas morteralmnos incidents. Chamada para re solver o proble- ma, a Policia Militar ocupou a Brea. A situa- ~go era uma novidade para os paraenses, vi- vendo at6 entio sob o regime extrativista de exploraqio da terra (que valia pelas Arvores de valor commercial que tinha e nio pelo solo em si). Pressionado pela Igreja, o governador bai- xou decreto desapropriando as terras para us$- las na implantacgo de uma col~nia agricola em beneficio dos posseiros. A Agropecu~ia ParaporAi tinha apenas um ano de exist~ncia. Seuprojeto para a criago de gado de corte havia sido aprovado sete meses antes pela Sudam (Superintend~ncia do Desen- volvimento da Amazania), emapenhada ema~poiar a ocupag~lo da Amaz~nia attav~s de grandes fa- zendas de criagalo extensive, a mais conbecida e a mais barata formal de coloniza~go. A familiar Meinberg recorreu & justipa com duas contest~ages. Emuma delas alegava que o govemo do Estado d~o tinha compete-ncia legal para fazer a desapropriaqIo de um im6vel rural, prerrogativa de uso exclusive da Unitio. Em outra, argumentava que, indlependentemente do m~rito da questilo, lhe cabia o direito de ser indenizada pelos danos quej jhavia sofrido e que ainda viriam a ocorrer. Apbs virios incidents, o Supremo Tri- bunal Federal reconheceu que a empresa es- tava certa e anulou o decreto estadual, consi- derado inconstitucional. A ParaportL inter pre- tou essa manifestaqgo como o final de toda a hist6ria e requereu a execupso da sentenga condenat6ria do Estado ao pagamento de uma indenizagiio avaliada pela juiza da 1 5 vara civel de Belem em R$ 80 milhaes. O valor foi considerado "absurdo" pela Procuradoria Geral do Estado, que contestou os itens do cilculo, a partir da constatagio de que a fa- zenda mal iniciara sua instalag Ao e que ji es- tava invadida quando o governor interveio. Os cofres pliblicos iriam ser "indevida, illegal e inconstitucionalmente sangrados", protestou o procurador Aloysio Campos. Apbs sucessivos recursos, a Procuradoria conseguiu que o desembargador Werther Coe- lho revogasse a decision anterior e determinas- se A juiza Dahil Paraense n~o inscrever o d~bi- to a ser ressarcido por precat6rio at6 a apreci- aglo do m~rito da indenizaq2lo. Os R$ 80 mi- lhaes correspondem a maior obra em exerxcugo pelo Estado, uma ponte de concrete de dois quil~metrois ligando Bel~m ao seu future por- to de carga geral. Agora, 30 anos depois de ter comegado, o "caso ParaporA" parte para o se- gundo e derradeiro capitulo, sem data certa para terminar e sem enredo previsivel numa Amaz~nia ainda pioneira. Uma boa ideia poderia ser a criaqd~o de uma empresa pdblica (mas de direito privado), a ser for- mada pela subscriglo de aqaes pelas prefeituras do arquip61ago, outras empresas pdblicas e pela sociedade em geral, desde que haja uma campanha de sensibilizaFqlo. Uma empresa com a missile de providenciar a infraestrutura e former a mentalidade sem as quais a busca do desenvolvimento auto- sustenti~vel serAi uma quimera ou uma ret6rica. Uma empresa de fo- mento, que pode vir a precisar menos de capital material do que de vontade e lucidez de idtias e iniciativas. Uma verssio adaptada, melhorada e atuahizada do que foi a Chesf, a Companhia Hidrel~tri- ca do Vale do Slo Francisco. N~io custa pensar na id~ia. Alids, custa: descartar a retina do atraso. urbana, se necessdrio constrangen- do, rigorosamente dentro da lei, as vontades B diretriz de preservagno, conservaglo e ajuste dos bens de interesse arquitet~nico e histcitico. Favorecendo, 6 claro, os que se in- corporarem a esse esforgo de salva- czlo da cidade, quej jtarda. Acabaria por mostrar aos nos- sos emped'ernios e insensiveis her- deiros imobilibrios que manter em p6 e integro seus patriminios pode dar lucro e nilo apenas irritago. SM rj Quem vem passear em Belem obega comum-destino na ponta da lirigua: o Mclaraj6. Com todos os im- previstos que possa enfrentar, vol- ta da ilha encantedo. Mas raramen- te volta. Certamente voltaria mais vezes se houvesse uma eficiente co- nexho entire o continent e a ilha e, dentro dela, um esquema modemo de recepClo, atendimento eorienta- ~go. Mais do que tydo que possa produzir, Maraj6 6 turismo. Mas turismo nsodd em Arvore. Nemnpode ser criado como gado solto empas- to sem fim- e sem trato, o boi cri- ando o citador e d~o vice-versa. E desnorteante o contrast en- tre o potential do Maraj6 e sua po- breza, talvez o mais baixo indice de desenvolvimento humane do Park. Essa situaqio pode comegar a mu- dar agora, quando surgem evid~nci- as de um entendimento comum so- bre os problems e uma busca con- junta de solug~o. O status quo nio estd sendo mais aceito. A attitude de esperar uma solugso vinda de fora e do alto tamb~m comega aser deixa- da de lado. Os marajoaras querem encontrar umnovo caminho. As elites belenenses ndio s~lo l muito sensiveis para o patrim~nio histiricoe arquitet~nico quefigura em seus haventiirios, recebidos tan- to como um bem material quanto como um estorvo. E muito dificil mudar essa mentalidade, uma das raizes do desaprego pelo serving pdblico. Periodicamente umpr~dio de alto valor para a cidade 6 posto abaixo, um jardim 6 sacrificado, ob- jetos s~Lo contrabandeados para fora. Talvezjbestejanahoradeapre- feitura pensar em criar uma empre- sa imobilibriam nicipal, atrav~s da qual iriaprogressivatllenle~ compran- do os pr~dios tombados da cidade, recuperando-os e da~ndo-lhes uma destinagso inteligente de mercado. Para isso langaria m2[o da divida ati- va e dos instruments de political Parapora: desapropriagao de 80 milh6es pode cair JOURNAL PESSOAL *2. QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 7 C~oisas deste pais varonil (e outras remas recas) Quem comprou Membrias das Trevas, de Jo~o Carlos Teixeira Gomes (Geraqio Edito- rial, Slo Paulo, 766 pilginas, R$ 40), pode it queixar-se ao Procon. O subtitulo (Uma de- vassa na vida de Antdnio Carlos Magalha~es) nio passa de propaganda enganosa. Quando muito, trata-se de um libelo contra ACM. Um libelo cabe na tribune, no judiciario ou no par- lamento. Tamb~m em livro, desde que o lei- tor seja advertido. Mas Joca ngo fez a devassa que anunciou: limitou-se a reconstituir a persegui~go que ACM moveu contra o Jornal da Bahia. Ngo toda, alids: apenas enquanto o autor foi o res- ponsivel pela redaglo, ji que o autor 6 o que interessa (o resto e figuraqio, ou 6 o resto, como preferitia nosso prefeito). Mesmo nesse context mais restrito, seu levantamento nio foi al~m de uma coletinea de artigos, a maioria escritos por ele mesmo. Nlo h~ idvida de que 6 material suficiente para caracterizar o uso da forga e, sobretudo, da miiquina p~iblica -para silenciar um journal in- Sc6modo. Mas n~io para contar a hist6ria com- pleta. Mesmo porque, ao contririo do que su- Sgere a capa do livro, o personagem principal nio 6 o senador baiano, mas o jornalista baia- no, lui-mime, Joso Carlos. ACM, que lhe cau- sou tantas dores de cabega, agora serviu de escada para conduzir os originals at6 uma edi- tora national, conquistar dela uma volumosa edi~go, uma tiragem (e uma receppio) despro- porcional aos mbritos do livro, inquestion8- veis nos limits da provincia, insubsistentes na amplitude da nagio. E um livro que is vezes emociona e como- ve, mas a repeti~go de hiptrboles cansa e tira a forga que teria um volume mais enxuto, objeti- vo, expositivo, menos auto-centrado, como diz uma certa psicologia da coniv~ncia. Jolo Car- los podia dar seu valioso testemunho se tives- se um pouco de humildade para esperar a ava- liaqio de terceiros a partir de seu arrolamento de dados e situagbes. Mas ele 6 advogado, juiz e jurado desse tribunal que armou em piginas embebidas de saturado 61eo-de-dendC. Em 1967, quando comegou sua guerra com ACM, ele garante que js desfrutava "de crescente conceito", nio s6 por sua dedicaqio ao jorna- lismo e conduta ilibada, mas tamb~m "pelo exemplo da minha coragem pessoal". O autor se consider o mirtir da impren- sa brasileira nesse period de chumbo, no qual tantos perderam a vida, mais do que o emprego ou o cargo de chefia, e trombaram nio com um inimigo que atacava g distincia, mas com um repressor com instrument de tortura 9 mlo. E evidence que Joio Carlos 6 um caso de dignidade, mas um entire virios, e certamente nio o mais grave, nio o mais injustigado (hoje mesmo, hi jornalista que sofre mais numa democracia do que ele no period da ditadura). Ao relatar ter sofrido nove processes mo- vidos contra ele com base na tal da Lei de Im- prensa, um dos quais pela16lgubre Lei de Se- guranga Nacional, Jolo Carlos, ofuscado pe- los limits da provincia baiana, perde o con- texto geral que explica seu caso dentre outros. Ele admite que, at6 hoje, nilo consegue enten- der "por que foi processado o redator-chefe, e nlo o.diretor do jornal, que era seu proprieti- rio", quando ACM e apaniguados apresenta- ram suas queixas-crime. Bastaria a ele, que 6 advogado, ler a lei 5.250/67 para verificar que, formalmente, o respons~ivel pelo suposto de- lito de imprensa 6 o responsi~vel pela redagio e nio o donor da publicago. O caso nio perderia em gravidade, mas cer- tamente se tornaria mais r~s-o-chio, rotineiro naquela era das trevas, uma violbncia, n9o ha duivida, mas enquadrivel no quadro juridico (ou antijuridico) de entio. Joto se consider um "subversivo" que "nio tinha sequer o di- reito de morar", por ter que apresentar uma certidlo negative da Auditoria Militar para poder efetuar a transagio. Nlo hB d~ivida da viol~ncia que sofreu. Mas dai a ser her6i por tC-la sofrido vai uma certa distincia. Sua posiFio diante do atrabilibrio ACM e seus esbirros foi decent e honrosa, mas ele se excede quando se qualifica como um jorna- lista que buscou "escrever sem tutelas e, num plano ideol6gico mais vasto, atingir a ditadu- ra". Nlo se vexou, contudo, em elogiar o ge- neral Garrastazu M~dici, em editorial de pri- meira pigina no Jornal da Bahia, em 1972, para tentar encontrar no entlo president da ditadura um anteparo contra Toninho Malva- deza. Deu-se mal: M~dici continuou adstrito ao seu radinho de pilha e ao futebol, barulho que o isentava de ouvir os gritos nas mas- morras da tortura. Ngo espanta que, ao fim de quase 800 pB- ginas, metade das quais nada tim a ver com uma "devassa" do gendarme baiano (sio via- gens, opinides e cometimentos literarios do autor, membro da Academia Baiana de Le- tras), ACM tenha desistido do impeto inicial de prender e arrebentar, que partilhava com o general Jolo Figueiredo at6 mudar-se, na und6cima hora, para a nau de velas infladas de Tancredo Neves. Ficaram elas por elas, uma milo inadverti- damente lavando a outra, que deu uma mdio- zinha sem querer. Coisas daquele pais cha- mado Bahia, levadas a todos os confins da patria por essa guerra das families ACM e Jader Barbalho. Ah, o Brasil encalacrado e morrinha do qual se queixava Mirio de Andrade, esse paquider- me inerte que enervava o britinico Antinio Callado, sempre recorrendo ao jeito errado. ofensiva contra a apropriaio illegal de terras p~iblicas. O Liberal publicou o artigo, 6 verdade, mas com um corte cirdrgico. Do texto original foi expurgado o trecho no qual S~rgio Couto (que tamb~m funciona como advogado da empresa) havia escrito: "Todos temos que rezar para que Deus dQ vida longa ao Carlos Lamario, professional que vive a desafiar os poderosos no cumprimento devotado do seu dever. Sem ele, a recuperagio do patrim~nio fundidrio do Pard ficardi 6rfA.". O elogio devia-se d atuaCqlo de Lamario g frente do departamento juridico do Iterpa (Instituto de Terras do Pard). Mas para o jornalio dos Maiorana isso nio importa, embora relacionado A causa pdblica. O que importa 6 que Carlos Lamarxo ousou aceitar ser meu advogado nas aC~es contra mim propostas por Rosingela Maiorana Kzan, diretora administrative do grupo Liberal. Mesmo fazendo nada mais do que sua atividade professional, ele se tornou persona non grata g casa, entrando no seu index. Morreu em vida nas piginas - alids, hirtas de O Liberal. E~o padrao do jornalismo praticado nos funds do Bosque Rodrigues Alves. Que se mant~m inc61ume porque quem pode reagir se submete aos circunstanciais grileiros da opinihlo pdblica. CeflSUra O advogado S~rgio Couto, ex-presidente da OAB/Pard e membro do conselho federal da entidade, escreveu um contundente artigo sobre o papel dos cartcirios nas grilagens de terras no Park, publicado em O Liberal no mesmo dia em que Bel~m era visitada por uma mission integrada por representantes do executive e do legislative Federal, empenhados na Edllor L~o FI~vio Pinfo (IjaDlgl2 ) a 626 (ax)Cate: Yv.1,nle~icn la ( `s -0 .o~ r *-==di lornalPlwron setqi~l n0q!1Irn pmfrFTo.Edigle. de-Ait]~rleIzanonldf e~riapintd/20- 3 -10 .. IVau jornalismo ''Tem um amigo nosso aqui que- rendo falar com vocC", anunciou Alvaro Jorge, do outro lado da li- nha, passando o fone para o amigo comum. Era Gualter Loyola, um veteran reporter e editor na Fo- lha do Norte, agora em Brasilia. Disse que estava escrevendo uma autobiografia e queria me entrevis- tar.Precisava checar algumas infor- magdes. Acertamos nos encontrar- mos algumas horas depois, a tarde. NahomacertaAlvaroJorgetocou a campainha, introduziu Loyola e foi embora. Ripidos rapapbs e Loyola perguntou se podia ligar o gravador. Nada aopor. Primeiras e poucas per- guntas sobre jornalismo. Logo o as- sunto passou a ser Jader Barbalho. Continue na mesma batida, citando fats e dando opiniies. Mas queria voltar ao jornalismo, nosso suposto leitmotiv, expression ao gosto de Oda- cyl Catete, oritro veteran. Loyola, por~m, voltava a Jader, espicaqava, provocava com frases sobre o maior ladrdlo e coisas assim. Eu contextua- lizava. Ele especificava. Macaco velho, comecei a sacar a jogada, definindo-a quando fui le- var o confrade (como se dizia na 6poca em que ele andava por aqui) A porta. Um tdxi continuava esperan- do-o Explicou que chegara de ma- nh~i e voltaria g noite para Brasilia, porque tinha muito trabalho. Bati a porta e de volta ao computador co- mentei na sala: "isso 6 coisa do An- tinio Carlos Magalhbies". Autobio- graia jornahsticacoisanenhurna: era o segundo livro contra osenador do PMDB em elabompio. Dias depois veio, obliquamen- te, a confirmaqio definitive na edi- 95o dominical do Diario doFara. Uma histbria ainda meio nebulosa sobre tentative de chantagem com os originals (ou disquete, na nossa era do computador) do livro de Loyola sobre Jader, em fase de aca- bamento para impress~lo. Um grifi. ' co (ou o que seja) de Brasilia cobrou 100 mil reais para destruir o livro e entregar a matriz ao senador para- ense, que acionou a Policia Federal, deu o flagrante, conseguiu a prison do proponents e, ao que parece, abortar ou tirar a forga do livro. Por que cargas d'Agua o Loyola simplesmente ngo chegou aqui, anunclou seu virdadeiro projeto e fez a entrevista, abertamente, que eu daria sem a menor resistincia? Nada iria mudar, exceto menOS mentira no congestionado mercado A caixa rta 1.ma das ma is recalcitantes p&;s'ietas do B~adr 6 : a political de beneficio fiscalpd tajrdo com base no ICMS. A aprecia~go e a decis5V ~ijsenqi ou redu- Fgo de imp~osto percorre c~irediitos fechados dentro de mriquina pliblica, sem qualquerp ia~gio externa, nem aminima divulgaglo ptiblica. ~ib s dslo conbe- cidos, en documents sumtlrios, qlMbIublicados no Dibrio Oficial do Estado. Mas 6 imji~el, acpartir de tao escassas informag~es, saber p a reduplode ICM Sdada auma indristria cervej icm quatmd~c- das dee~x isti nc is 6 maior do que do uma induistria alimenticia, como ados laticinioslijunacaba deberrar sua reclamaqio (ao que parece, para obvidos moucos, ou de mercador). Alii~s, o caso da Ceipasa indtuareflexaes. A empre- sa diz ter feito sus modernizacgo colit recursos pri~pri- - os a partir de 1999. Faltava compnraripquines.e equi- ~.. pamentos para dar a essa nova estrt~tra sus plena ca- . pacidade produtiva. A produg~lo se multiplicardpor cinco em cinco anos, pulando, nesse periodsj de 300mil para 1,5 milhlo de hectolitros. :E Seria possivel tanto crescimento orue a fus~o da Brahma com a Antarctica, formandg a.Amibovr as fez . das palavras. Tudo o que lhe disse 6 o que tenho publicado, nem mais nem menos. O tom de sigilo, as ar- tes da clandestinidade, se lhe d~io a ilusio de arrancar o que (ele talvez pense) nlo sairia de outro modo, sen~io pela malicia, neste caso vi- zinha da fraude, para mim 6 nada mais do que rango de mau jornalis- mo. E pior carter. 01n q 06n t40 O sindicato dos jornalistas re- alizou uma faganha ao comemorar, no mis passado, meio stculo de vida: patrocinou uma re vista com 100 piginas, destinada a registrar essa trajeti~ria de 50 anos. O feito merece elogios. Foi a melhor edi- 9Ro de toda a histbtia de O Jorna- lista, o 6rgEdo official do sindicato. Mas os meritos seriam ainda inai- ores, e os dembrtos insignifican- tes, se em algumas matdrias os res- ponsi~veis tivessem tido o cuidado de checar certas informagBes para poupar a publicaglo de lacunas im- perdobvels e erros primirios. Uma das lacunas, ja lamentada, 6 a exclusio de Vera Castro do rol dos principals colunistas sociais da imprensa paraense. Ou o esqueci- mento de Joso Malato, sobre cuja atuago eu sempre fiz restrig~es (ele na ativa), sem nunca pretender ne- gar a influincia que exerceu dura- te um largo period da nossa his- t~ria republican. Ou Santana Mar- ques, um dos textos mais pondera- dos e corretos que tivemos. Uma simples consult a uma fontem~ais antiga impediria quenuma edigio histbrica constasse erro tio grosseiro, como dizer que Cl~udio Augusto de Sai Leal, um dos mais importantes jornalistas do period, "iniciou na profisslo um ano ap6s [Romulo] Maiorana ter adquirido o desconhecidoO Liberalnoinicio da d~cada de 60", quando tentava "al- gar vbo com o 'Jornal do Dia'". Sobretudo quem for usar a re- vista para pesquisa vai ver-se numa sipuca de bico. Leal saiu de A Pro- vincla, onde ji tinha mais de 10 anos, para fazer o Jornal do Dia no inicio da dtcada de 60. Mas quando Romulo comprou OLibe- ral, em 1966, Leal jB estava de vol- ta aA Provincia e o memor~ivel Jornaldo Dia (a Ujltima Hora do dia seguinte, diziam seus critics) havia morrido quase dois anos an- tes. Leal s6 foi fazer dobradinha comn Romulo em O Liberal sete anos depois, iniciando a era do of- set na imprensa paraense. Outra falha foi a ausancia de uma reconstituiq~lo do period de censura political, feita pelo Estado totalitsirio, e da auto-censura atu- al, imposta de cima pelos dons da imprensa e aceita pacificamente por jornalistas que nem tentam mais o contracanto. Tamb~m caiu em erro a revista ao igualar publicaFgo pe- quena a imprensa alternative. Hg muito journal picareta de format pobre, que n~o cresce porque seu varejo 6~ limitado e seus prop6sitos comerciais de alcance imediato. Talvez numa data tilo festival, o excess de festividade numa 6poca em que htiopouco o que comemo- rar na nossa imprensa, tenha afetado o contedido da ediplo cinqilentendria. COmp et iq50 Como produto grifico e editori- al~olivrode JoioCarlos TeixeimaGo- mes contra ACM d de goleada no que Ant~nio Carlos patrocinou con- tma Jader. Mais um ponto para o pro- fissionalismo e o sensor de oportuni- dade (resvalandonooportunismo)do jornalista Luiz Fernando Emediato, donor da Geragao Editorial. Se algu~m a mais entrou no cir- cuito para favorecer a edigio, hip6- tese negada pelo editor, deve-se pen- sar num dos padrinhos de Jader e n~io nele prciprio. O que significa falar do ex-governador Orestes Qu- ercia. Ao menos no impulse dado nas p~iginas da revistalIstot, a som- bra de Qu1~rcia 6 mais visivel. dos incentives concentrar-se nosgrandies centrqs, abrindo mertados perif~ricos para as fi~bricas menores. Ainda assim, a Cerpasa vai destissar mais de 90% ~da sua produg Go so Para (e s6, residualmente ao Amaprl), onde haveria de- mandal para 2 milhbes de bectolitros. 1sso quando os gmndes cervejeiros anunciam exatamente ooposto: vol- tar a es tender seus tenta~culos por todo o pals. .O beneficio fiscal representani 20 milhdes de reals par ano para o caixa da emnpresa, fmnanciando scu capital de giro. Ei quase o valor patrimonial da Cerpasa. Logo, uma decision como a de conceder-lhe redug Ao de 95% do ICIMS deido tinha que serdiscutida publicamente. Ain- da mais porque foi fmnalmente concedida, quatro anos apis a solicitaqgo, embutida na renegociagnlo da divida da empresa, que chegou a ser de RS 38 mi~lhes, parte resultante da apropriafgo do imposto retido e nio reco- Ihido, na condiq8o de contribuinte substitutoo o que pode ser classificado de estelionato). O govemo do Estado, que critical a policia federal de incentives fiscais, devia tratar do seu pr6prio telbado. Ou melhor* como essas caixas continuam pretas, a opi- nillo pdiblica tem que expb-las A luz do dia. Para que se tomem, como diz o jargio oficial, tsrasparentes. |
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