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Jornal pessoal
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00203
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00203

Full Text







OCIO F LA VIO PINT O


PO~f77CA




Uma guerra viciada

Neste dia 14 sairdi o nome do novo president do senado, o quarto cargo na linha
sucessd'na do president da repziblica. A guerra que Jader Barbalbo e Ant~nio Carlos
Maga~lhdes travaram leva a uma conclusdo: ambos t~m razdo apenas quando acusam. Jd' e
hora de levar suas acusagdes ais ziltiEmas conseqad~ncicas. Mas nd~o segundo o enredo da
grande imprrensa. O Brasil quer outro Brasil,/Y


C


alguma coisa de moralmente exemplar ou
edificante para a sociedade?
Como qualquer colegial esta cansado
de saber, o gangster Al Capone roubou,
extorquiu, cometeu, indimeras transgres-
s~es penais e mandou matar g vontade
sem ser preso. Mas foi mofar numa peni-
tencidria por sonegar o imposto de renda,
a brecha encontrada por seu implacivel
perseguidor, o agent Elliot Ness, do FBI.
Os EUA ndo shio melhores moralmente
do que o Brasil, milito pelo contrdrio. Mas
hB lb uma divisa nitida para todos, umna
convenq~o partilhada pela na~go.
Em todas as sociedades cometem-se
crimes, em todas hB numerosos casos de
impunidade ou mesmo de edifica~go de
impbrios baseados na ilicitude. Mas pare-
ce que s6 progridem aquelas naC6es que
adotaram mecanismos de prevenC~o, con-
tenCgo e repressio a partir de um enten-
dimento ticito: de que, uma vez tornados
pdiblicos, os delitos ji ndo podem mais ser )


serid protegida pelo pr6prio exercicio do
poder. O crime ficard acautelado dos ri-
gores da lei por suas pr~prias lacunas, que
um bom advogado sabe t~Lo bem explorer.
Como mostrou, at6 um certo ponto, o
mafloso americano Al Capone.
A pergunta que todos se faziam (es-
crevo no dia 10),' Bs v~speras da defini-
950 do confront entire Jader e ACM pela
presid~ncia do senado, o quarto cargo na
escala de substituigio do president da re-
puiblica, 6 sobre qual esse limited de tole-
rincia no Brasil. Se os dois politicos due-
lassem nos Estados Unidos como vem fa-
zendo no Brasil, ainda estariam livres de
process ou, talvez, das grades de uma
prisio? Ainda estariam usufruindo dos
seus mandates parlamentares? Ainda se-
riam interlocutores sancionados da maior
' autoridade pdiblica do pais e simbolos de


political brasileira atual, os
senadores Jader Barbalho
(do PMDB) e Antanio Car-
Olos Magalhies (do PFL), t~m
um ponto em comum: jamais foram outra
coisa na vida al~m de politicos. Por isso
mesmo, ambos v~m suscitando d6vidas
sobre a evolu~go do patriminio pessoal
que acumularam enquanto se dedicavam
integralmente g political. Quando atacam,
a ambos 6 dada a razio: essa *yariaqio
patrimonial nho guard coer~ncia com as
rendas que tem declarado ao fisco. Quan-
do se defendem, n~lo conseguem conven-
cer a opinion pdiblica. Reforgam nela uma
convicqgo latente: exercer o poder 6 o
melhor caminho para enriquecer. Mesmo
que ilicita essa acumulago de bens, ela


~pc~








2 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001


santo guerreiro (ainda mais, afilhado de
orixas). Dessa guerra, entretanto, o mo-
cinho parece ter sido expurgado. E as
regras sho de uma pelada de fundo de
quintal. Acima do joelho tudo e canela.
Atualizando a fortune de Jader, dos 2,6
milhaes de reais declarados ao fisco para
os quase R$ 30 milhdes de valor real, Veja
deu uma media mais exata do descom-
passo na rela~go entire os ingresses com-
provaveis de renda do ex-governador do
Para e as incorporates patrimoniais que
tem feito, uma faganha que o notabilizaria
na iniciativa privada se ele realmente hou-
vesse se arriscado no jogo do mercado
(administra as empresas do conglomera-
do como um autarca).
Mas Veja se esqueceu de que o pa-
trim~nio declarado por ACM ao ledo e
duas vezes maior do que o de Jader, o
que, em principio, autoriza trata-lo como
home de R$ 60 milhbes, riqueza nio
mais explicavel do que a de seu oponen-
te de circunstincia (uma tal que poderia
jogar Capone contra Luciano, sem, con-
tudo, diferencia-los).
Antbnio Carlos Magalh~es nho pas-
sava de um obscure deputado federal,
eleito pela UDN baiana a sombra dos
velhos coroneis do Estado, mas buscan-
do calor ao lado de Juscelino Kubitsche-
ck, quando, aos 40 anos, foi nomeado
prefeito de Salvador. Era um tipico mem-
bro da classe media, que subia no vicuo
do autoritarismo do regime military, caldo
de cultural ideal para o seu pr6prio man-
donismo. Deixou JK e se atrelou aos
generals, ele pr6prio um legitimo cacique
no modelo de antanho dos coron~is da
Guarda Nacional (adaptado a era da co-
municaqio eletr~nica).
Em 1967, o prefeito nomeado tinha
50% de uma casa sua em Salvador e
metade na que o sogro doara g sua filha,
quando casara, al~m de um apartamento
na capital baiana, em nome da filha; um
lote e uma casa de veraneio em Madre
de Deus; um apartamento em constru-
950 e financiado em Ipanema, no Rio de
Janeiro; um apartamento em Brasilia, fi-
nanciado pelo IAPI (o institute de previ-
dancia dos industridrios); dois carros Vo-
Ikswagen; e uma pequena quantidade de
agdes de empresas.
Quatro anos depois, ao ser eleito in-
diretamente (pela Assembl~ia Legislati-
va) governador da Bahia, ACM nio per-
dera nenhum dos seus im6veis e ainda
conseguira incorporar mais um sitio em
Brasilia e um outro apartamento no Rio
de Janeiro. Mas comegara a engordar
bastante sua bolsa de aqaes, um nitido
element do rito de passage da classes
m~dia para a classes alta, sendo de fato,
entio, ao menos ja nas aspira95ies, que


se consolidariam em 1975, quando encer-
rou o primeiro dos tris mandates como
governador baiano.
Mas o deputado Elquisson Soares, que
analisou as declara95es de ACM ate 1982,
fez uma observaCio interessante sobre
elas: para comprar um apartamento na
avenida Vieira Souto, em Ipanema, onde
esta um dos metros quadrados mais ca-
ros do Brasil, que custou 1,3 milhio de
cruzeiros (valor da epoca), Antinio Carlos
precisou vender 68 mil aqaes preferenci-
ais do Banco do Brasil, que lhe renderam
Cr$ 800 mil. Mesmo assim, seu estoque de
acges do BB, que na declaraqio de rendi-
mentos anterior somava 55.890 aqdes, pas-
sou para 193.663 aqdes, mesmo comn a qui-
ta~go do apartamento na Vieira Souto.
Milagre dos peixes adaptado ao capitahis-
mo financeiro que nos assola?
A partir dai, o universe patrimonial do
cacique do PFL se ampliou para um ta-
manho que s6 nio 6 exatamente equiva-
lente ao de Jader porque o excede em pelo
menos o dobro, aceitos os valores das de-
claragaes de ambos (ACM, e verdade,
tendo partido de uma base mais bem for-
nida do que a de Jader, alguns degraus
abaixo na escala da renda). Tanto um
como outro podem exigir que seus detra-
tores apresentem provas concretas da
acusagio que lhes fazem, de engordar
seus patriminios atraves do roubo, colo-
cando-se acima dessas cahinias enquan-
to a relagio de causa e efeito nio tiver
sido estabelecida, como nio o foi ate: ago-
ra (ate mesmo porque nio houve uma ten-
tativa sdria nesse sentido na inst~incia com-
petente, administrative ou judicial). Mas a
extrema facilidade com dinheiros pu~bhcos
e parcerias privadas, que e colocada ao
alcance dos politicos (e de certos segmen-
tos da elite), permit disfargar oroubo com
a apar~ncia do beneficio legitimo, embru-
lhando tudo com o celofane do sigilo ou
da clandestinidade.
O senador Jader Barbalho, por exem-
plo, em 1980, quando ainda era apenas
um deputado federal como Antinio Car-
los em 1965 (a diferenga de idade entire
os dois e de 17 anos), tinha no seu patni-
m6nio tributavel uma casa de 272 me-
tros quadrados, num bairro suburban de
Belem (o Marex, ao lado do aeroporto),
no valor de 1,8 milhio de cruzeiros (da
6poca). Usando-a como garantia, conse-
guiu arrancar do mesmo Banco do Bra-
sil (uma m~ie para esse tipo de gente, diz
Italo Rossi pela boca de um personagem
de SaZo Paulo S/A, filme de Luis S~rgio
Pherson sobre a saga da industrializa~go
national, feita pela iniciativa privada com
dinheiro pfiblico), no intervalo de um ano
(ate junho de 1981), quatro emprestimos
rurais, no valor de R$ 97,7 milhaes ou


ignorados. Muita sujeira colocada embai-
xo do tapete indica que a tolerincia ao
desvio se tornou patol6gica. Passou a ser
a tolerancia daquelas casas que lhe tomam
a denominaqio.
E esta insensibilidade publica que es-
panta na escalada das escaramugas en-
tre os dois senadores. Verifica-se, mais
uma vez, que ambos tim toda razio quan-
do atacam e nenhuma quando se defen-
dem, uma constatagio quase generaliza-
da em relaCio a classes political, mas de
facil extensio a toda a elite brasileira.
Certamente o paraense Jader Barbalho
teria sido aclamado e muito mais cedo
- president do senado se nio tivesse
trombado com Antinio Carlos Maga-
lhies. Jader esta pagando carol por um
dos maiores meritos da sua ja extensa
carreira political, de 35 anos: nio ter ver-
gado a coluna a mais um dos desmandos
do sultho baiano.
Fica uma inc~moda sensagio de que,
nio fora esse detalhe, o lider do PMDB
nio teria sido premiado com um tratamen-
to excepcionalmente incomum nas pagi-
nas de Veja~, a mais influence revista de
informaFio do Brasil (e uma das mais im-
portantes do mundo): depois de uma re-
portagem de capa de oito paginas, uma
suite de quatro paginas na edigio seguin-
te, na qual a repercussio era constituida
por acrescimos~da pr6pria revista e nio
pela reaqio da sociedade (na se~go de
cartas a participagio de Jader foi a de um
coadji~vante; logo sumiu daquele espago).
O tratamento francamente parcial
dado aos preliantes (ou seria meliantes?)
mostrava que um segment do poder, sim-
bolizado pela Editora Abril, havia esco-
lhido ACM como parceiro, conduzindo a
opinidio pitblica para objetivos que at6 po-
dem ser legitimos, mas nio sio limpos
porque padecem de uma tendenciosida-
de larvar. Algo como ocorreu com Fer-
nando Collor de Mello, fustigado nas suas
muitas e abertas chagas, mas em fungio
de interesses nio muito melhores do que
os dele. Porque era de outra "panela",
de outra "tchurma", de outra gangue,
ne6fita no poder nacional (e por isso tio
desastrada).
A imprensa pode ter seus favorites,
mas sua escolha nio deve impedi-la de
informar o melhor possivel para permitir
a escolha do pilblico, nem camuflar sua
pr6pria definigio para que o campo de
batalha fique suficientemente iluminado.
Nio 6 ficil abordar com equilibrio um
cheque t9o passional de lideres politicos,
atrss dos quais ha legiaes ocultas, nada
passionais, muito pragmaticas. Mais fa-
cil, porem, 6 se~rvir a um dos lads, apre-
sentando-o como a escolha certa, o ou-
tro sendo o dragio da maldade contra o







JOURNAL PESSOAL *2" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 3


As relaqdes entire a im-
prensa e a opiniho pdi-
Alica melhorariam
muito no Brasil se duas provi-
dancias legals fossem adota-
das: considerar criminosa a
recusa ao direito de resposta
do leitor e condicionar o direi-
to de acionar jornalistas na jus-
tiga ao uso da instincia admi-
nistrativa ou mesmo da inter-
pela~go judicial. Com essas
corregoes, os maus profissio-
nais e os falsos ofendidos sai-
riam perdendo. A sociedade
ganharia sempre.
Nenhuma publicaCgo pode-
ria recusar carta ou manifes-
ta~go de algu~m que houves-
se citado em seu noticidlrio.
Bastaria o interessado compro-
var perante a justiga a rejeig~io
do seu direito de resposta
(exercido atrav~s de carta en-
viado por cartbrio de titulos e
documents ou com aviso de
recebimento postal) para se
tornar cabivel a aplicaCgo de
multa, com incidencia didiria e
de valor capaz de inibir a trans-
gressio, cumulada comn a sus-
pensio do veiculo a partir de


certo tempo. O fato seria au-
tomaticamente delituoso, inde-
pendentemente do process
instaurado para impor o aco-
thimento do direito de respos-
ta. Talvezsd assim aempeder-
nida intolerlncia de alguns
grandes jornais fosse quebra-
da, fazendo-os refletir a opinion
alheia e a posigio conflitante.
Em compensa~go, nin-
gu~m poderia processar um
jornalista sem antes responder
ao que fosse divulgado a seu
respeito, exceto se a matbria
tivesse tratado de quest~es
estritamente pessoais, intimas,
privadas. S6 entio se tornaria
possivel o acionamento judicial
direto (apenas pelo delito de
injuiria), comprovados serem
de natureza objetiva os valo-
res ou fats envolvidos.
Com tal providencia se per-
mitiria que os interesses coleti-
vos prevalecessem sobre as
motivaqdes individuals, que fre-
qiientemente servem de pretex-
to para interessados escamote-
arem fats relevantes e intimi-
dar a imprensa, impedindo-a de
exercer suas func;8es de critical


e vigilincia. Esta necessidade
6 ainda mais forte para homes
p~iblicos, sobretudo os que de-
t~m cargos de mando, como
uma forma de contrabalangar
seus poderes, obrigando-os a
prestar contas sempre que um
aspect mais obscure ou polC-
mico de suas atuaC~es for sus-
citado. T~m que prestar contas
g sociedade, mesmo que para
tanto sejam obrigados.
Volto a esses temas muito
cars, mais uma vez, quando sou
novamente vitima de uma quei-
xa-crime com base na Lei de
Imprensa, a tristemente famosa
5.250, de 1967. 1:o desdobra-
mentodaag~iode indenizagiopor
dano moral tamb~m proposta
pelo desembargador Joi Alberto
Paiva. Ele se considerou ofendi-
do com a avaliaq~io que aqui fiz,
em maio do ano passado, a pro-
p6sito de sua decision de resta-
belecer os registros imobilidrios
em poder da C. R. Almeida so-
bre uma drea de 4,7 milhies de
hectares no Xingu, cancelando
uma tutela antecipada concedida
pelo juiz Torquato Alencar, por
solicitagio dolIterpa, que tentava


(econtinuaatentar)anularecan-
celar esses registros.
Hoje, hi~ uma maciga unani-
midade de que tais registros sio
indevidos e que a b~rea integra o
patriminio p~iblico. Diveras ins-
tituigTes do poder p~iblico est~io
empenhadas em invalidar de vez'
as anotaqdes feitas pelo tabeliso
doregistro imobilibrio de Altami-
ra, porque flagr~antemente contr-i-
rias gs normas legals e aos fats.
Todos tratain a question
como "a grilagem da C. R. Al-
meida", enquanto eu, mais uma
vez, sou cobrado a pagar o pre-
go por ter dito a verdade com
todas as letras, de forma leal. A
uma inversio de valores, quan-
do todos deviamos estar dando
conta do que dizemos ou faze-
mos de forma pxiblica, sem afe-
tar falsos melindres, sem pre-
textar o inverossimil, em bene-
ficio da coletividade.
JA apresentei minha defesa
pr~via. Com a profunda indig-
nag~o dos justos e a mais inti-
ma convicq50 daqueles que
carregam consigo, agora e para
sempre, uma arma fenomenal:
a verdade.


~,\\\\\~,\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\


seja, algo quase 100 vezes maior do que
a garantia dada g transagio. Dois anos
depois, quando jB era governador, em
1983, Jader quitou essa divida pelo valor
hist6rico, gragas a facilidades concedi-
das para resolver o problema de quem
comprara um elefante para pagar por
uma formiga.
A partir dessa origem comum, seguin-
do trajet6ria idtntica, os dois se tornaram
potentados na sua base eleitoral. A dife-
renga 6 que Jader seguiu sempre o per-
curso do voto, que 6 mais lento e hierar-
quizado. ACM, parceiro dos militares,
quennou etapas e emergiu como a mais
poderosa lideranga nortista (nio importa
a impropriedade geogrifica na 6tica dos
que vaem o pais a partir do seu centro
econ~mico, umbigo do universe national).
Sagaz e niio muito dado a escrtipulos,
ACM usou esse poder para multiplicar
seu capital, o material e o material. Se-
dimentou-o tanto na f~rtil terra baiana,
receptive a messe mistica e hipnotizada
pela moderniza~go autoritbiria, de mios


dadas comn a marquetizaqgo do folclore,
quanto nos anels superiores da alianga,
sintonizada nos cifraes. N~o chegou tio
long quanto Jos6 Sarney por mero aca-
so (os brizios maranhenses parecem mais
eficientes), mas tem sido mais poderoso
nas alcovas e bastidores.
Sem essa dupla sustentagio, ACM
nio teria podido tirar a retransmissio da
TV Globo, mantida por 18 anos pela TV
Aratu, para sua TV Bahia (a chave foi o
despejo de M~rio Garnero da NEC, so-
ciedade entregue de mlo beijada g Glo-
bo), nem usado com tanta folga os sat6-
lites da constelagio de Roberto Marinho
para irradiar seu prestigio, com um tal
appetite que acabou por assustar o donor
da opinido p~iblica national.
A ocasito para comegar a livrar-se do
parceiro, com perigoso potential de do-
minaqio, veio quando os excesses do co-
ronel incomodaram tamb~m outros cir-
cunstantes do poder e dona Nic~a Pitta
apareceu-lhes como sopa no mel. Ali,
ACM comegou a decair da conflanga -


como se dizia na 6poca do regime military
-do companheiro Marinho. E ali tamb~m
comegava a tomar corpo o arroubo de
energia de Jader Barbalho para mandar o
soba calar-se em sua poltrona no plendrio
do senado e la ficar, quietinho, quietinho,
mando como um ledo sem dentes.
Mas se a plutocracia paulis'ta ultrapas-
sou suas medidas de toler~ncia a esses
cangaceiros nortistas, seu m~todo para li-
vrar-se deles 6 virtual, mais eficiente do
que um primitive duelo ao entardecer, tes-
temunhado por mandacarus antediluvia-
nos, mas justamente por isso menos per-
ceptivel, o que confunde os juizos e com-
promete as avaliaC~es. Ngo 6, certamen-
te, o que interessa g naqio. Os estere6ti-
pos cabem como luva, mas 6 precise atra-
vess8-los com a luz da verdade para que
se chegue a moral que di valor a hist~ria:
todos siro culpados. Ou, como diria o ira-
cundo Emile Zola, na Franga do seculo
XIX, se Zola pudesse ter emprego na
grande imprensa brasileira de hoje:
Ah, a boa gente! Que canalhas!


Interesse pishlico~\\\\\\\\\,







4 JORNAL PESSOAL *2= QUINZENA D FEVEREIRO/ 200


SMas esse pesado subsidio, superior, em
m~dia, a US$ 200 milh8es ao ano, nio te-
ria sido necessirio se nio tivesse havido
corruppgo na construg50 da hidrel~trica
no rio Tocantins, cujo custo atualizado
Bahia calcula em torno de US$ 12 bilh~es.
Num depoimento prestado a Gisela Pires
do Rio e C61ia Coelho, em outubro de 1995,
o ex-presidente da CVRD (entio estatal)
e ex-ministro das Minas e Energia, Elie-
zer Baptista, admitiu que o "elevado cus-
to da energia vem da corruppio" e que a
usina sairia muito mais barata se a obra
fosse executada com mais seriedade. A
Eletronorte poderia, assim, adotar uma
tarifa capaz de cobrir o custo de geraqio
da energia, ao inv~s de dar pesado preju-
izo, como acabou acontecendo.
A dentincia de corruppo, feita por al-
gu~m comn a-autoridade de ter sido o ho-
mem mais influence do setor mineral bra-
sileiro (foi o principal responsivel pelos
projetos da provincia mineral de Carajds),
hoje um consultor da pr6pria CVRD, era
ainda mais grave diante do seu context.
No projeto detalhado de engenharia, a
hidrel~trica de Tucurui deveria custar US$
3,3 bilhaes. Ao ser inaugurada, em 1984,
seu prego ji estava em US$ 5,4 bilhdes,
incluidos apenas os juros durante a cons-
trug~o. Em 1998, os ediculos batiam em
US$ 7,5 bilh~es. Mas o engenheiro e ge6-
logo Ruy Bahia, autor de muitos trabalhos
acadimicos sobre o assunto, acredita que
o valor atualizado at6 o ano passadoj jest8
em US$ 12 bilh~es, havendo ainda por qui-
tar um saldo dos empr~stimos internacio-
nais contraidos para a execug~io da obra.


At6 2004, o subsidio energ~tico con-
cedido durante 20 anos is duas maiores
induistrias de aluminio do pais deverd al-
cangar o equivalent a cinco bilhaes de
d61ares, o mesmo valor de reposigio de
duas fibricas de aluminio inteiramente
novas e quase metade do custo da hidre-
16trica de Tucurui, a maior inteiramente
national, de onde vem a energia.
Para chegar a esse resultado, o pes-
quisador Raymundo Ruy Bahia, profes-
sor aposentado da Universidade Federal
do Pard~ e principal autoridade sobre o
tema no Estado, calculou a diferenga en-
tre o custo da gerag~o da energia em Tu-
curui, de 72 d61ares o megawatt/hora, e
os US$ 18 e 24 Mwh da tarifa fornecida
as duas indlistrias desde 1984, quando a
usina entrou em operaqio, apbs nove anos
de construgho. Somadas, as duas fibri-
cas consomem quase cinco vezes mais
energia do que Bel~m, com seus 1,2 mi-
lhio de habitantes.
Esse subsidio foi a condiqdo para que
as duas fibricas, responsiveis, em con-
junto, por 3% do consume de energia de
todo o Brasil, se instalassem na iirea pio-
neira da Amaz6nia, fora dos principals ei-
xos econdmicos: a Albris, formada pela
associaqio da Companhia Vale do Rio
Doce com um cons6rcio japon~s, em Be-
16m, e a Alumar (com as multinacionais
Alcoa e Billiton), em Sio Luis do Mara-
nhdo. Essa diferenga de tarifas, principal
responsi~vel pelo cri~nico deficit operaci-
onal da Eletronorte (de 700 milhbes de
reais em 1999), tem sido coberta pelo te-
souro national. Ou seja: o contribuinte.


cuidade cerebral, excess de
moldura para escassez de con-
terido. Popularmente, sabe-se
muito bem o diarreico resulta-
do dessa conjungdo. Mas nQo
conv~m repetir o nome do pro-
dutto com todas as letras. Nao
seria uma piada de salsio.


Inflago
Primeira grande realizaqlo
da administragio Almir Gabri-
el no novo milanio: fez Bel~m
se tornar campeR national da
carestia no primeiro mas de
2001. Num dos indices de me-
diqo do custo de vida, o IPCA
(Indice de Prepos ao Consu-
midor Amplo), a-por enquan-
to capital paraense sofreu


mas incidem mais sobre a clas-
se mtdia, que recebeu um cho-
que entire dezembro e janeiro,
por causa da explosion do IPCA
(variaqio de 0,18% e 2,62%
nesses dois meses). Alem de
piorar as condigaes de vida do
morador de Bel~m (para ficar
na andlise das regiaes metro-
politanas), a media do gover-
noreduziuacompetitividadedo
Estado na federaqlio e seu po-
der de atragSo de investimen-
tos, que s6 se realizam aqui
quando isso 6 compulsirrio.
A political de apoio e esti-
mulo a atividade produtiva no
Estado, ali~s, 6 incoerente. No
memento em que gasta prect-
oso dinheiro na re forma e
adaptagio do antigo Presidio


uma varia~go uma vez e meia
maior do que a segunda mais
cara, Salvador. Em rela~go ao
INPC, que 6 um medidor mais
restrito, com mais representa-
tividade sobre as camadas de
menor renda, a varia~go em
torno de 2,6%-foi praticamen-
te a mesma em Bel~m, mas
como esse indice foi bem mai-
or em Salvador, a diferenga
entire as duas cidades mais
Cars do pais no m~s passado
baixou para 50% ainda con-
tra Bel~m, infelizmente.
Esse incremento da inflaio
deveu-se ao aumento das ali-
quotas de ICMS de vtrios pro-
dutos e servigos, alguns dos
quais pesam sobre todos os bol-
sos (como o g~s de cozinha),


Em foco, subsidio


Resultado
Romulo Maiorana Jumnor
emprestou sua valiosa assina-
tura a um editorial de primei-
ra pagina em O Liberal con-
tra o Estado do TapajC~s, mais
do que centendria aspiraqio
dos habitantes daquela region.
O journal, ji sem a griffe do
seu executive numero um,
tamb~m adornou sua primei-
ra pagina com um editorial
contra o "palpite infeliz" do
governador de levar a capital
para Belo Monte, deixando
Bel~m na orfandade.
Em seguida, a campanha
"andando pelo Pari" promo-
veu, em MarabB, um encontro
de todos os prefeitos do sul e
do sudeste do Estado. O ponto
alto foi o apoio ao projeto do
desmembramento dessa drea
para a formaqio do Estado de
Caraj~s, movimento mais re-
cente do que o do Tapaj6s, ba-
seado mais na demografia e na
economic do que na hist6ria.
Um novo encontro do "an-
dando" esti previsto para San-
tar~m. Desta vez, nio apenas a
pauta estid sendo revista pelos
promotores do event: h~i uma
grande preocupagio com o que
6 que essa reuniio ird provocar.
Nio serd pouca coisa, nilo.
Se o tema da redivisio for
expurgado da agenda, parece-
rd que o grupo Liberal nio 6
contra a tese da formaqio de
novos Estados a partir do atu-
al territ6rio paraense, apenas
discrimina o Tapaj6s. Se dei-
xar que a emancipagio avan-
ce, parecerd que est8 fomen-
tando o irredentismo no Esta-
do, nio exatamente por causa
nobre, e que faz campanha
contra Almir Gabriel nio s6
para ter verba publicit~ria. Em
qualquer situagio, a Compa-
nhia Vale do Rio Doce estard
em posi~go inc~moda, arrasta-
da pela parceria na empreita-
da por desaviso do velho dita-
do (dize-me comn quem andas
e te direi quem 6s).
Na verdade, a impressio de
um objetivo estrat~gico por tis
do "andando" 6 falsa. Mas 6 no
que dB se aliar a quem tem
muito poder, de fato, mas nio
id~ias. Caso raro de hipertrofia
encefi~lica combinada com va-







JOURNAL PESSOAL *2. QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 5


Eletronorte esteja adotando um artificio
para viabilizar um novo contrato.
A empresa estii anunciando que cada
megawatt instalado na segunda etapa
custard U$ 17,50, o que lhe permitiria
manter as tarifas atuais, de US$ 18 para
a Albris e US$ 24 para a Alumar, que,
juntas, terio uma necessidade constan-
te ("firme", segundo o jargio do setor)
de 1,9 mil megawatts. "Esse valor, po-
r~m, abstrai todo o custo da primeira
etapa, que 6 de US$ 72 por Mwh, quan-
do o minimo que se deveria fazer seria
a soma dos dois valores para tirar uma
mtdia, do que resultariam US$ 51,60
MWh", raciocina Bahia.
Ele nio acredita que a Eletronorte ve-
nha a conseguir a dissociaqio de Tucurui
como se a hidrel~trica constituisse duas
usinas distintas, "porque a ggua passa pe-
los mesmos vertedouros e a segunda eta-
pa 6 continue a estrutura da primeira eta-
pa, altm do fato de que os recursos t~m a
mesma origem, o, governor federal". Por
isso, ele acha que a renovagio do contra-
to de hidreletricidade, com os subsidies
embutidos, nio sera possivel e as duas
induistrias ter~io que buscar outra fonte de
energia, provavelmente atravbs do gas
natural, importado de Trinidad-Tobago,
numa primeira etapa, ou da foz do rio
Amazonas, at6 2010, se as prospecq~es
- ja em cursor no literal amazcinico de-
rem bom resultado.
Bahia diz que a question precisa sair
dos gabinetes fechados e do dominio ex-
clusivo dos burocratas oficiais e ser dis-
cutida pela opinion p~iblica, por envolver
as ind~istrias mais eletrointensivas do Brasil
e estar na raiz de novas perspectives para
o setor energ~tico no norte do pais, com
implicaqaes sobre toda a economic.


Oficialmente, a declaraqio de Elie-
zer Baptista ainda n~io foi divulgada. As
duas pesquisadoras nio conseguiram
concluir as entrevistas necessarias para
um livro que estio escrevendo sobre a
hist6ria da CVRD. Mas uma sintese do
depoimento de Baptista, publicado ex-
clusivamente neste journal, acabou che-
gando ao conhecimento do deputado
federal Geraldo Pastana (PT-PA), que
o encaminhou como dem~incia ao presi-
dente do Tribunal de Contas da Uniso,
em novembro de 1997.
Dois meses depois, o assessor da Se-
cretaria de Controle Externo do TCU no
ParB, Daniel Eliezer Rodrigues, prop6s o
arquivamento do process formado a par-
tir do pedido do deputado paraense. Se-
gundo Rodrigues, os "graves dados" sub-
metidos ao tribunal, "que, alias, foram e
sio amplamente conhecidos da socieda-
de brasileira, escapam a apuraqio dese-
jada, uma vez que a construgio dessa usi-
na ocorreu num memento politico diverse
do atual vivido pelo pais. Naquela ocasi~io,
de liberdade restrita, o control externo
nio apresentava algumas das atuais ca-
racteristicas, estabelecidas somente em
1988, quando da promulga~go da nova
Carta Magna brasileira".
O assessor considerou "razo~vel su-
por que se deu em outras 6pocas a opor-
tunidade e conveniancia de apurar os fa-
tos". Hoje, "devemos ser realistas a pon-
to de compreender que dificilmente uma
investigation sobre o caso hB tanto ocorri-
do, cujas possiveis proves dissiparam-se
nas n~voas do tempo, ocasionarid no des-


fecho desejado pelo ilustre parlamentar".
Acatando o parecer do t~cnico, o entio
president do TCU, Marcos Vinicius Vi-
llaga, determinou o arquivamento dos au-
tos. Nenhuma investigapSo foi realizada
pelo tribunal sobre um passado classifica-
do de remote, embora n~io tenha sido man-
dado para o arquivo morto, em fungio de
d~bitos ainda por amortizar.
Mas se a primeira etapa de Tucurui
foi deixada is "n~voas do tempo", a se-
gunda etapa, para a duplicago da capa-
cidade de geraqio de energia da usina, de
4,3 mil para 8,2 mil megawatts, a ser con-
cluida no pri~ximo ano, jid d trabalho. T~c-
nicos da Secretaria de Controle Interno
do Ministbrio da Fazenda, numa audita-
gem realizada entire agosto e setembro de
1999, constataram que s6 para recuperar
e complementary o canteiro de obras, a
Eletronorte havia gasto quase 60 milhies
de reais, 10% do orgamento previsto para
toda a duplicag~o da hidrel~trica, de R$
580 milhdes. .Quase metade desse dinhei-
ro ou 27 milh8es teriam sido aplica-
dos com distorqaes ou irregularidades. Dos
38 itens da construgio, sobre 21 os audi-
tores levantaram suspeitas.
A exata verificag~o dos numeros 6
considerada indispensivel, segundo Ruy
Bahia, para definir o future suprimento
dos dois maiores pblos de aluminio do
continent quando o contrato que garan-
tiu o subsidio g Albris e d Alumar ca-
ducar, dentro de tr~s anos. Aparente-
mente, a renovaCio da tarifa enorme-
mente favorecida seri impossivel, pre-
vC o pesquisador. Mas ele teme que a


de Sio Jose para torn8-lo a
base de um pcilo joalheiro, o
Estado imp~e um ICMS pe-
sado sobre o setor. Assim,
quem acabard brilhrando ndo
ser~lo as j6ias, mas o assumi-
do arquiteto da id~ia. Brilho
pra 16 de suspeito.

Educaqio
Tempos atri~s a educagio
no Parid ganhou destaque na-
cional com os jacar~s em sala
de aula, alunos que estudavam
deitados no ch~io por falta de
carteiras. O Estado volta ago-
ra g notoriedade como o cam-
pelio brasileiro dos alunos fan-
tasmas, enxertados nas esta-
tisticas para aumentar a cota


do n~io menos tristemente c6-
lebre Fundef (Fundo de Manu-
ten~go e Desenvolvimento do
Ensino Fundamental e de Va-
lorizagio do Magist~rio), mais
freqiente no noticidrio policial
do que nas colunas pedag6gi-
cas por obra e graga dos al-
caides municipals e seus padri-
nhos federals.
De cada seis alunos fan-
tasmas detectados pelo Minis-
t~rio da Educag~o, um era pa-
raense. O levantamento foi
efetuado em 18 Estados, nos
quais foi apurada inconsisten-
cia nos mapas elaborados pe-
las autoridades locais. O Pard
teve mais de 11 mil fantasmas.
A Bahia, mesmo sendo muito
mais populosa, contou com


pouco mais de 9 mil no segun-
do lugar. Em quase 20% dos
municipios paraenses havia ir-
regularidade. O MEC se pre-
ocupou apenas em checar a
estatisticas, sem penetrar no
m~rito do erro, se por despre-
paro ou mi-f6. -
Por enquanto, portanto, ain-
da nso 6 mat~ria policial.

Carreira
Atanagildo de Deus Matos
chegou agora, aos 51 anos, A
chefia do Centro Nacional de
Desenvolvimento Sustentado
das Populaqdes Tradicionais,
integrado g estrutura do Iba-
ma (Instituto Nacional do Meio
Ambiente e dos Recursos Na-


turais Renovi~veis), em Brasi-
lia. Em 30 anos de vida pdibli-
ca,, "Gatio", como 6 mais co-
nhecido,tornou-se um fendme-
no. Deu grandeza national ao
sindicato rural de um munici-
pio menor, Oeiras do Pard.
Sem nunca haver sangrado
uma irvore, assumiu a presi-
dancia do Conselho Nacional
dos Seringueiros. Circuloupelo
pais todo e o exterior. Algou-
se (ou foi algado) ao nivel de
um Chico Mendes. E agora
est8 pulando do galho da soci-
edade civil para o do Estado,
comn aprovagio geral.
De uma outra perspective,
carreira parecida entire os pa-
raenses s6 mesmo a do geofi-
sico Jos6 Seixas Lourengo.


de U$ 5 bilhoes







) JORNALPESSOAL* 2"QUINZENADEFEVEREIRO/2001


~\\\\\\\\\\\\\~\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\


O Estado do Pard se livrou, no mes passa-
do, de ter que reservar quase um mis inteiro de
arrecadago die ICMS, on 80 milhaies de reais,
para opagamento da indenizaiio de uma fazen-
da de gado que desapropriou hd exatamente 30
anos. O desembargador Werther Benedito Coe-
lho, acolhendo recurs do governor, suspended
a execuFio da sentenga de umajuiza de 19 grau,
que determinava o pagamento imediato da inde-
nizagio atravbs de precat6rio. O cabimento ou
nio desse direito, e a definiG~o do seu valor,
voltar~io a ser discutidos judicialmente.
Se fosse cumprida a decision da juiza Dahil
Paraense, da 15" vara civel da comarca de Be-
16m, seria a confirmaqio de "um dos mais claros
casos de erro judicidrio com que me depareinos
61timos anos", testemunhou o jurista Humber-
to Theodoro Jinior, num parecer elaborado a
pedido do Estado. O erro resultava do fato de
que a quest~o da indenizaCqio d~o havia transi-
tado em julgado, admit indo ainda recursos. Sem
uma decisbo definitive em inst~ncia final, nto
poderia haver um titulo executive judicial para
cobranqa. Ela se tornara indevida e illegal.
O parecerista admitia que esse erro podia
ter resultado "do long tempo de teamitaglo do
processo. Ele comegouem 1971, quando oen-
t~o governador do Pari, Fernando Guilbon, de-
creton a desapropriaggo da Fazenda Parapor&,
"por utilidade p~iblica". O ato foi motivado por
um dos primeiros casos de conflito de terras
ocorridos na Amaz6nia a partir da implantacgio
dos projetos de colonizagilo, que acompanha-


ram a construg~o de grandes rodovias de inte-
graq~o national na regilo.
Funcion~rios da fazenda, de uma familiar
paulista, os Meinberg, entraram em cheque
com posseiros que haviam ocupado parte dos
17 mil hectares da propriedadq, no municipio
de S~lo Domingos do Capim, irs proximidades
da Bel~m-Brasilia. Duas pessoas morteralmnos
incidents. Chamada para re solver o proble-
ma, a Policia Militar ocupou a Brea. A situa-
~go era uma novidade para os paraenses, vi-
vendo at6 entio sob o regime extrativista de
exploraqio da terra (que valia pelas Arvores de
valor commercial que tinha e nio pelo solo em
si). Pressionado pela Igreja, o governador bai-
xou decreto desapropriando as terras para us$-
las na implantacgo de uma col~nia agricola em
beneficio dos posseiros.
A Agropecu~ia ParaporAi tinha apenas um
ano de exist~ncia. Seuprojeto para a criago de
gado de corte havia sido aprovado sete meses
antes pela Sudam (Superintend~ncia do Desen-
volvimento da Amazania), emapenhada ema~poiar
a ocupag~lo da Amaz~nia attav~s de grandes fa-
zendas de criagalo extensive, a mais conbecida e
a mais barata formal de coloniza~go.
A familiar Meinberg recorreu & justipa com
duas contest~ages. Emuma delas alegava que o
govemo do Estado d~o tinha compete-ncia legal
para fazer a desapropriaqIo de um im6vel rural,
prerrogativa de uso exclusive da Unitio. Em
outra, argumentava que, indlependentemente do
m~rito da questilo, lhe cabia o direito de ser


indenizada pelos danos quej jhavia sofrido e
que ainda viriam a ocorrer.
Apbs virios incidents, o Supremo Tri-
bunal Federal reconheceu que a empresa es-
tava certa e anulou o decreto estadual, consi-
derado inconstitucional. A ParaportL inter pre-
tou essa manifestaqgo como o final de toda a
hist6ria e requereu a execupso da sentenga
condenat6ria do Estado ao pagamento de uma
indenizagiio avaliada pela juiza da 1 5 vara
civel de Belem em R$ 80 milhaes. O valor foi
considerado "absurdo" pela Procuradoria
Geral do Estado, que contestou os itens do
cilculo, a partir da constatagio de que a fa-
zenda mal iniciara sua instalag Ao e que ji es-
tava invadida quando o governor interveio. Os
cofres pliblicos iriam ser "indevida, illegal e
inconstitucionalmente sangrados", protestou
o procurador Aloysio Campos.
Apbs sucessivos recursos, a Procuradoria
conseguiu que o desembargador Werther Coe-
lho revogasse a decision anterior e determinas-
se A juiza Dahil Paraense n~o inscrever o d~bi-
to a ser ressarcido por precat6rio at6 a apreci-
aglo do m~rito da indenizaq2lo. Os R$ 80 mi-
lhaes correspondem a maior obra em exerxcugo
pelo Estado, uma ponte de concrete de dois
quil~metrois ligando Bel~m ao seu future por-
to de carga geral. Agora, 30 anos depois de ter
comegado, o "caso ParaporA" parte para o se-
gundo e derradeiro capitulo, sem data certa
para terminar e sem enredo previsivel numa
Amaz~nia ainda pioneira.


Uma boa ideia poderia ser a
criaqd~o de uma empresa pdblica
(mas de direito privado), a ser for-
mada pela subscriglo de aqaes
pelas prefeituras do arquip61ago,
outras empresas pdblicas e pela
sociedade em geral, desde que haja
uma campanha de sensibilizaFqlo.
Uma empresa com a missile de
providenciar a infraestrutura e
former a mentalidade sem as quais
a busca do desenvolvimento auto-
sustenti~vel serAi uma quimera ou
uma ret6rica. Uma empresa de fo-
mento, que pode vir a precisar
menos de capital material do que
de vontade e lucidez de idtias e
iniciativas. Uma verssio adaptada,
melhorada e atuahizada do que foi
a Chesf, a Companhia Hidrel~tri-
ca do Vale do Slo Francisco.
N~io custa pensar na id~ia. Alids,
custa: descartar a retina do atraso.


urbana, se necessdrio constrangen-
do, rigorosamente dentro da lei, as
vontades B diretriz de preservagno,
conservaglo e ajuste dos bens de
interesse arquitet~nico e histcitico.
Favorecendo, 6 claro, os que se in-
corporarem a esse esforgo de salva-
czlo da cidade, quej jtarda.
Acabaria por mostrar aos nos-
sos emped'ernios e insensiveis her-
deiros imobilibrios que manter em
p6 e integro seus patriminios pode
dar lucro e nilo apenas irritago.

SM rj
Quem vem passear em Belem
obega comum-destino na ponta da
lirigua: o Mclaraj6. Com todos os im-
previstos que possa enfrentar, vol-
ta da ilha encantedo. Mas raramen-
te volta. Certamente voltaria mais
vezes se houvesse uma eficiente co-


nexho entire o continent e a ilha e,
dentro dela, um esquema modemo
de recepClo, atendimento eorienta-
~go. Mais do que tydo que possa
produzir, Maraj6 6 turismo. Mas
turismo nsodd em Arvore. Nemnpode
ser criado como gado solto empas-
to sem fim- e sem trato, o boi cri-
ando o citador e d~o vice-versa.
E desnorteante o contrast en-
tre o potential do Maraj6 e sua po-
breza, talvez o mais baixo indice de
desenvolvimento humane do Park.
Essa situaqio pode comegar a mu-
dar agora, quando surgem evid~nci-
as de um entendimento comum so-
bre os problems e uma busca con-
junta de solug~o. O status quo nio
estd sendo mais aceito. A attitude de
esperar uma solugso vinda de fora e
do alto tamb~m comega aser deixa-
da de lado. Os marajoaras querem
encontrar umnovo caminho.


As elites belenenses ndio s~lo l
muito sensiveis para o patrim~nio
histiricoe arquitet~nico quefigura
em seus haventiirios, recebidos tan-
to como um bem material quanto
como um estorvo. E muito dificil
mudar essa mentalidade, uma das
raizes do desaprego pelo serving
pdblico. Periodicamente umpr~dio
de alto valor para a cidade 6 posto
abaixo, um jardim 6 sacrificado, ob-
jetos s~Lo contrabandeados para fora.
Talvezjbestejanahoradeapre-
feitura pensar em criar uma empre-
sa imobilibriam nicipal, atrav~s da
qual iriaprogressivatllenle~ compran-
do os pr~dios tombados da cidade,
recuperando-os e da~ndo-lhes uma
destinagso inteligente de mercado.
Para isso langaria m2[o da divida ati-
va e dos instruments de political


Parapora: desapropriagao


de 80 milh6es pode cair








JOURNAL PESSOAL *2. QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 7




C~oisas deste pais varonil


(e outras remas recas)


Quem comprou Membrias das Trevas, de
Jo~o Carlos Teixeira Gomes (Geraqio Edito-
rial, Slo Paulo, 766 pilginas, R$ 40), pode it
queixar-se ao Procon. O subtitulo (Uma de-
vassa na vida de Antdnio Carlos Magalha~es)
nio passa de propaganda enganosa. Quando
muito, trata-se de um libelo contra ACM. Um
libelo cabe na tribune, no judiciario ou no par-
lamento. Tamb~m em livro, desde que o lei-
tor seja advertido.
Mas Joca ngo fez a devassa que anunciou:
limitou-se a reconstituir a persegui~go que
ACM moveu contra o Jornal da Bahia. Ngo
toda, alids: apenas enquanto o autor foi o res-
ponsivel pela redaglo, ji que o autor 6 o que
interessa (o resto e figuraqio, ou 6 o resto,
como preferitia nosso prefeito).
Mesmo nesse context mais restrito, seu
levantamento nio foi al~m de uma coletinea
de artigos, a maioria escritos por ele mesmo.
Nlo h~ idvida de que 6 material suficiente para
caracterizar o uso da forga e, sobretudo, da
miiquina p~iblica -para silenciar um journal in-
Sc6modo. Mas n~io para contar a hist6ria com-
pleta. Mesmo porque, ao contririo do que su-
Sgere a capa do livro, o personagem principal
nio 6 o senador baiano, mas o jornalista baia-
no, lui-mime, Joso Carlos. ACM, que lhe cau-
sou tantas dores de cabega, agora serviu de
escada para conduzir os originals at6 uma edi-
tora national, conquistar dela uma volumosa
edi~go, uma tiragem (e uma receppio) despro-
porcional aos mbritos do livro, inquestion8-
veis nos limits da provincia, insubsistentes
na amplitude da nagio.
E um livro que is vezes emociona e como-
ve, mas a repeti~go de hiptrboles cansa e tira a
forga que teria um volume mais enxuto, objeti-
vo, expositivo, menos auto-centrado, como diz
uma certa psicologia da coniv~ncia. Jolo Car-
los podia dar seu valioso testemunho se tives-


se um pouco de humildade para esperar a ava-
liaqio de terceiros a partir de seu arrolamento
de dados e situagbes. Mas ele 6 advogado, juiz
e jurado desse tribunal que armou em piginas
embebidas de saturado 61eo-de-dendC. Em
1967, quando comegou sua guerra com ACM,
ele garante que js desfrutava "de crescente
conceito", nio s6 por sua dedicaqio ao jorna-
lismo e conduta ilibada, mas tamb~m "pelo
exemplo da minha coragem pessoal".
O autor se consider o mirtir da impren-
sa brasileira nesse period de chumbo, no
qual tantos perderam a vida, mais do que o
emprego ou o cargo de chefia, e trombaram
nio com um inimigo que atacava g distincia,
mas com um repressor com instrument de
tortura 9 mlo. E evidence que Joio Carlos 6
um caso de dignidade, mas um entire virios,
e certamente nio o mais grave, nio o mais
injustigado (hoje mesmo, hi jornalista que
sofre mais numa democracia do que ele no
period da ditadura).
Ao relatar ter sofrido nove processes mo-
vidos contra ele com base na tal da Lei de Im-
prensa, um dos quais pela16lgubre Lei de Se-
guranga Nacional, Jolo Carlos, ofuscado pe-
los limits da provincia baiana, perde o con-
texto geral que explica seu caso dentre outros.
Ele admite que, at6 hoje, nilo consegue enten-
der "por que foi processado o redator-chefe, e
nlo o.diretor do jornal, que era seu proprieti-
rio", quando ACM e apaniguados apresenta-
ram suas queixas-crime. Bastaria a ele, que 6
advogado, ler a lei 5.250/67 para verificar que,
formalmente, o respons~ivel pelo suposto de-
lito de imprensa 6 o responsi~vel pela redagio
e nio o donor da publicago.
O caso nio perderia em gravidade, mas cer-
tamente se tornaria mais r~s-o-chio, rotineiro
naquela era das trevas, uma violbncia, n9o ha
duivida, mas enquadrivel no quadro juridico


(ou antijuridico) de entio. Joto se consider
um "subversivo" que "nio tinha sequer o di-
reito de morar", por ter que apresentar uma
certidlo negative da Auditoria Militar para
poder efetuar a transagio. Nlo hB d~ivida da
viol~ncia que sofreu. Mas dai a ser her6i por
tC-la sofrido vai uma certa distincia.
Sua posiFio diante do atrabilibrio ACM e
seus esbirros foi decent e honrosa, mas ele
se excede quando se qualifica como um jorna-
lista que buscou "escrever sem tutelas e, num
plano ideol6gico mais vasto, atingir a ditadu-
ra". Nlo se vexou, contudo, em elogiar o ge-
neral Garrastazu M~dici, em editorial de pri-
meira pigina no Jornal da Bahia, em 1972,
para tentar encontrar no entlo president da
ditadura um anteparo contra Toninho Malva-
deza. Deu-se mal: M~dici continuou adstrito
ao seu radinho de pilha e ao futebol, barulho
que o isentava de ouvir os gritos nas mas-
morras da tortura.
Ngo espanta que, ao fim de quase 800 pB-
ginas, metade das quais nada tim a ver com
uma "devassa" do gendarme baiano (sio via-
gens, opinides e cometimentos literarios do
autor, membro da Academia Baiana de Le-
tras), ACM tenha desistido do impeto inicial
de prender e arrebentar, que partilhava com
o general Jolo Figueiredo at6 mudar-se, na
und6cima hora, para a nau de velas infladas
de Tancredo Neves.
Ficaram elas por elas, uma milo inadverti-
damente lavando a outra, que deu uma mdio-
zinha sem querer. Coisas daquele pais cha-
mado Bahia, levadas a todos os confins da
patria por essa guerra das families ACM e
Jader Barbalho.
Ah, o Brasil encalacrado e morrinha do qual
se queixava Mirio de Andrade, esse paquider-
me inerte que enervava o britinico Antinio
Callado, sempre recorrendo ao jeito errado.


ofensiva contra a apropriaio
illegal de terras p~iblicas.
O Liberal publicou o
artigo, 6 verdade, mas com
um corte cirdrgico. Do texto
original foi expurgado o trecho
no qual S~rgio Couto (que
tamb~m funciona como
advogado da empresa) havia
escrito: "Todos temos que
rezar para que Deus dQ vida
longa ao Carlos Lamario,
professional que vive a
desafiar os poderosos no
cumprimento devotado do seu


dever. Sem ele, a recuperagio
do patrim~nio fundidrio do
Pard ficardi 6rfA.".
O elogio devia-se d
atuaCqlo de Lamario g frente
do departamento juridico do
Iterpa (Instituto de Terras do
Pard). Mas para o jornalio
dos Maiorana isso nio
importa, embora relacionado A
causa pdblica. O que importa
6 que Carlos Lamarxo ousou
aceitar ser meu advogado nas
aC~es contra mim propostas
por Rosingela Maiorana


Kzan, diretora administrative
do grupo Liberal. Mesmo
fazendo nada mais do que sua
atividade professional, ele se
tornou persona non grata g
casa, entrando no seu index.
Morreu em vida nas piginas -
alids, hirtas de O Liberal.
E~o padrao do jornalismo
praticado nos funds do
Bosque Rodrigues Alves. Que
se mant~m inc61ume porque
quem pode reagir se submete
aos circunstanciais grileiros da
opinihlo pdblica.


CeflSUra
O advogado S~rgio Couto,
ex-presidente da OAB/Pard e
membro do conselho federal
da entidade, escreveu um
contundente artigo sobre o
papel dos cartcirios nas
grilagens de terras no Park,
publicado em O Liberal no
mesmo dia em que Bel~m era
visitada por uma mission
integrada por representantes
do executive e do legislative
Federal, empenhados na





Edllor L~o FI~vio Pinfo (IjaDlgl2 ) a 626 (ax)Cate: Yv.1,nle~icn la ( `s -0 .o~
r *-==di lornalPlwron setqi~l n0q!1Irn pmfrFTo.Edigle. de-Ait]~rleIzanonldf e~riapintd/20- 3 -10 ..


IVau jornalismo
''Tem um amigo nosso aqui que-
rendo falar com vocC", anunciou
Alvaro Jorge, do outro lado da li-
nha, passando o fone para o amigo
comum. Era Gualter Loyola, um
veteran reporter e editor na Fo-
lha do Norte, agora em Brasilia.
Disse que estava escrevendo uma
autobiografia e queria me entrevis-
tar.Precisava checar algumas infor-
magdes. Acertamos nos encontrar-
mos algumas horas depois, a tarde.
NahomacertaAlvaroJorgetocou
a campainha, introduziu Loyola e foi
embora. Ripidos rapapbs e Loyola
perguntou se podia ligar o gravador.
Nada aopor. Primeiras e poucas per-
guntas sobre jornalismo. Logo o as-
sunto passou a ser Jader Barbalho.
Continue na mesma batida, citando
fats e dando opiniies. Mas queria
voltar ao jornalismo, nosso suposto
leitmotiv, expression ao gosto de Oda-
cyl Catete, oritro veteran. Loyola,
por~m, voltava a Jader, espicaqava,
provocava com frases sobre o maior
ladrdlo e coisas assim. Eu contextua-
lizava. Ele especificava.
Macaco velho, comecei a sacar
a jogada, definindo-a quando fui le-
var o confrade (como se dizia na
6poca em que ele andava por aqui) A
porta. Um tdxi continuava esperan-
do-o Explicou que chegara de ma-
nh~i e voltaria g noite para Brasilia,
porque tinha muito trabalho. Bati a
porta e de volta ao computador co-
mentei na sala: "isso 6 coisa do An-
tinio Carlos Magalhbies". Autobio-
graia jornahsticacoisanenhurna: era
o segundo livro contra osenador do
PMDB em elabompio.
Dias depois veio, obliquamen-
te, a confirmaqio definitive na edi-
95o dominical do Diario doFara.
Uma histbria ainda meio nebulosa
sobre tentative de chantagem com
os originals (ou disquete, na nossa
era do computador) do livro de
Loyola sobre Jader, em fase de aca-
bamento para impress~lo. Um grifi. '
co (ou o que seja) de Brasilia cobrou
100 mil reais para destruir o livro e
entregar a matriz ao senador para-
ense, que acionou a Policia Federal,
deu o flagrante, conseguiu a prison
do proponents e, ao que parece,
abortar ou tirar a forga do livro.
Por que cargas d'Agua o Loyola
simplesmente ngo chegou aqui,
anunclou seu virdadeiro projeto e
fez a entrevista, abertamente, que
eu daria sem a menor resistincia?
Nada iria mudar, exceto menOS
mentira no congestionado mercado


A caixa rta
1.ma das ma is recalcitantes p&;s'ietas do B~adr 6 :
a political de beneficio fiscalpd tajrdo com base no
ICMS. A aprecia~go e a decis5V ~ijsenqi ou redu-
Fgo de imp~osto percorre c~irediitos fechados dentro de
mriquina pliblica, sem qualquerp ia~gio externa,
nem aminima divulgaglo ptiblica. ~ib s dslo conbe-
cidos, en documents sumtlrios, qlMbIublicados no
Dibrio Oficial do Estado. Mas 6 imji~el, acpartir de
tao escassas informag~es, saber p a reduplode
ICM Sdada auma indristria cervej icm quatmd~c-
das dee~x isti nc is 6 maior do que do uma induistria
alimenticia, como ados laticinioslijunacaba deberrar
sua reclamaqio (ao que parece, para obvidos moucos,
ou de mercador).
Alii~s, o caso da Ceipasa indtuareflexaes. A empre-
sa diz ter feito sus modernizacgo colit recursos pri~pri- -
os a partir de 1999. Faltava compnraripquines.e equi- ~..
pamentos para dar a essa nova estrt~tra sus plena ca- .
pacidade produtiva. A produg~lo se multiplicardpor cinco
em cinco anos, pulando, nesse periodsj de 300mil para
1,5 milhlo de hectolitros. :E
Seria possivel tanto crescimento orue a fus~o da
Brahma com a Antarctica, formandg a.Amibovr as fez .


das palavras. Tudo o que lhe disse
6 o que tenho publicado, nem mais
nem menos. O tom de sigilo, as ar-
tes da clandestinidade, se lhe d~io a
ilusio de arrancar o que (ele talvez
pense) nlo sairia de outro modo,
sen~io pela malicia, neste caso vi-
zinha da fraude, para mim 6 nada
mais do que rango de mau jornalis-
mo. E pior carter.


01n q 06n t40
O sindicato dos jornalistas re-
alizou uma faganha ao comemorar,
no mis passado, meio stculo de
vida: patrocinou uma re vista com
100 piginas, destinada a registrar
essa trajeti~ria de 50 anos. O feito
merece elogios. Foi a melhor edi-
9Ro de toda a histbtia de O Jorna-
lista, o 6rgEdo official do sindicato.
Mas os meritos seriam ainda inai-
ores, e os dembrtos insignifican-
tes, se em algumas matdrias os res-
ponsi~veis tivessem tido o cuidado
de checar certas informagBes para
poupar a publicaglo de lacunas im-
perdobvels e erros primirios.
Uma das lacunas, ja lamentada,
6 a exclusio de Vera Castro do rol
dos principals colunistas sociais da
imprensa paraense. Ou o esqueci-
mento de Joso Malato, sobre cuja
atuago eu sempre fiz restrig~es (ele
na ativa), sem nunca pretender ne-


gar a influincia que exerceu dura-
te um largo period da nossa his-
t~ria republican. Ou Santana Mar-
ques, um dos textos mais pondera-
dos e corretos que tivemos.
Uma simples consult a uma
fontem~ais antiga impediria quenuma
edigio histbrica constasse erro tio
grosseiro, como dizer que Cl~udio
Augusto de Sai Leal, um dos mais
importantes jornalistas do period,
"iniciou na profisslo um ano ap6s
[Romulo] Maiorana ter adquirido o
desconhecidoO Liberalnoinicio da
d~cada de 60", quando tentava "al-
gar vbo com o 'Jornal do Dia'".
Sobretudo quem for usar a re-
vista para pesquisa vai ver-se numa
sipuca de bico. Leal saiu de A Pro-
vincla, onde ji tinha mais de 10
anos, para fazer o Jornal do Dia
no inicio da dtcada de 60. Mas
quando Romulo comprou OLibe-
ral, em 1966, Leal jB estava de vol-
ta aA Provincia e o memor~ivel
Jornaldo Dia (a Ujltima Hora do
dia seguinte, diziam seus critics)
havia morrido quase dois anos an-
tes. Leal s6 foi fazer dobradinha
comn Romulo em O Liberal sete
anos depois, iniciando a era do of-
set na imprensa paraense.
Outra falha foi a ausancia de
uma reconstituiq~lo do period de
censura political, feita pelo Estado
totalitsirio, e da auto-censura atu-


al, imposta de cima pelos dons da
imprensa e aceita pacificamente por
jornalistas que nem tentam mais o
contracanto. Tamb~m caiu em erro
a revista ao igualar publicaFgo pe-
quena a imprensa alternative. Hg
muito journal picareta de format
pobre, que n~o cresce porque seu
varejo 6~ limitado e seus prop6sitos
comerciais de alcance imediato.
Talvez numa data tilo festival, o
excess de festividade numa 6poca
em que htiopouco o que comemo-
rar na nossa imprensa, tenha afetado
o contedido da ediplo cinqilentendria.


COmp et iq50
Como produto grifico e editori-
al~olivrode JoioCarlos TeixeimaGo-
mes contra ACM d de goleada no
que Ant~nio Carlos patrocinou con-
tma Jader. Mais um ponto para o pro-
fissionalismo e o sensor de oportuni-
dade (resvalandonooportunismo)do
jornalista Luiz Fernando Emediato,
donor da Geragao Editorial.
Se algu~m a mais entrou no cir-
cuito para favorecer a edigio, hip6-
tese negada pelo editor, deve-se pen-
sar num dos padrinhos de Jader e
n~io nele prciprio. O que significa
falar do ex-governador Orestes Qu-
ercia. Ao menos no impulse dado
nas p~iginas da revistalIstot, a som-
bra de Qu1~rcia 6 mais visivel.


dos incentives
concentrar-se nosgrandies centrqs, abrindo mertados
perif~ricos para as fi~bricas menores. Ainda assim, a
Cerpasa vai destissar mais de 90% ~da sua produg Go so
Para (e s6, residualmente ao Amaprl), onde haveria de-
mandal para 2 milhbes de bectolitros. 1sso quando os
gmndes cervejeiros anunciam exatamente ooposto: vol-
tar a es tender seus tenta~culos por todo o pals.
.O beneficio fiscal representani 20 milhdes de reals
par ano para o caixa da emnpresa, fmnanciando scu capital
de giro. Ei quase o valor patrimonial da Cerpasa. Logo,
uma decision como a de conceder-lhe redug Ao de 95% do
ICIMS deido tinha que serdiscutida publicamente. Ain-
da mais porque foi fmnalmente concedida, quatro anos
apis a solicitaqgo, embutida na renegociagnlo da divida
da empresa, que chegou a ser de RS 38 mi~lhes, parte
resultante da apropriafgo do imposto retido e nio reco-
Ihido, na condiq8o de contribuinte substitutoo o que pode
ser classificado de estelionato).
O govemo do Estado, que critical a policia federal de
incentives fiscais, devia tratar do seu pr6prio telbado.
Ou melhor* como essas caixas continuam pretas, a opi-
nillo pdiblica tem que expb-las A luz do dia. Para que se
tomem, como diz o jargio oficial, tsrasparentes.