Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00202

Full Text







L i)C O F LA VIO P NTO


IMPACT



O Pard parou


O que foi feito da opinid~o pdblica no Pardi? Em meio a tantas medidas anunciadas ou
tomadas pelo governor, o sildncio geral justzfica a preocupagdo comn a apatia social.
Iniciativas de ampla e profunda relpercussdo nd~o suscitam o deba~te-que dev~em' a ser
travado antes de se consumarem. Talvez uma daEs razdes seja .o desinteress via grande
imprensa em entender e fazer entender o qule. contece.


agenda para o primeiro
substanciosa. O governa-
dor Almir Gabriel anuncion
Asua disposiqgo de transfe-
rir a capital do Estado de Bel~m para Belo
Monte e, mesmo enfrentando reaplo ge-
ral 9 id~ia, nio recuou. Tamb~m foi em
frente na elevag~io das aliquotas de ICMS
sobre alguns servings essenciais para a
populagdo, altm de alguns produtos de
largo consume, encarecendo o custo de
vida no Estado relativamente is demais
unidades federativas. O prefeito Edmilson
Rodrigues nao titubeou em mais uma vez
reajustar a tarifa dos Bnibus bem acima
da inflagio e do poder aquisitivo da popu-
lagilo. Em Brasilia, o ministry da Integra-


pio Nacional, Fernando Bezerra, anteci-
pou que em margo pedird ao president
da repiiblica a exting~lo da Sudam e sua
substituigio por uma agencia regional de
desenvolvimento, provid~ncia a ser tam-
btm adotada na Area da Sudene.
Apesar de tantas iniciativas de impac-
to, sil~ncio e acomodag5lo da parte da opi-
nilSo p~iblica. Se algumas dessas medidas
tinham osentido de bales de ensaio, com
os quais se pretendeu medir as expectati-
vas socials, seus promotores devem ter
sido estimulados aavangar,protegidos pela
abulia ou insensibilidade da sociedade pa-
raense. Os 6rg~Los de classes nalo se me-
xeram e os grupos de pressio, se agiram,
se limitaram aos bastidores. O poder do
governor, quej jera grande, se tornou mas-


tod~ntico contra um pano de fundo de in~r-
cia dos cidadsos.
A fragilidade da opiniao pdiblica tem
sido um dos fatores favoriveis a decisies
de grande significado para o Estado, mas
que s~o adotadas em circuit fechado, sem
debate pliblico e at6 sem o menor grau
de information fora dos atores diretamen-
te interessados nas questdes. O que acon-
teceu com a vontade do Pard? E~a per-
gunta que cabe fazer quando se passa os
olhos por um dos filtros de sua mamifesta-
950o, a grande imprensa.
A maioria dos assuntos abordados
tem pouca coisa a ver com o cursor real
dos acontecimentos. Mesmo quando
os temas sto referidos, trata-se de um
registro quase telegrifico, pouco aju-)








2 JOURNAL PESSOAL P" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001


Mudanga
Em 1984, o entdlo director do Inpa
(Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazania), Roberto Vieira, veio ao
plendrio da Assembltia Legislativa
do Pard~ participar de um acalorado
debate sobre a hidrel~trica de
Tucurui.
Disse que o reservat6rio da usina
podia ser enchido em duas etapas,
sem problems. Seria at6 melhor do
que o enchimento de uma s6 vez,
numa estagSio de ver~o, porque
permitiria observaqaes e corregoes
de erros entire os dois mementos.
Sem saber, estava desautorizando
a Eletronorte, que antes havia
declarado impensivel essa hip6tese,
considerando-a tecnicamente
impratici~vel. Na verdade, pretendia
former todo o lago de imediato para
impedir que o movimento pelas
eclusas e a escada de peixe se
fortaleeesse. Jg havia na justiga uma
agio com esse prop6sito.
Conversei com Vieira e pedi-lhe
para detalhar por escrito sua tese.
Os dias se passaram e nio veio
resposta de Manaus. Cobrei tanto
que ele, final, responded:
infelizmente, nio podia me fornecer
os dados cientificos (conforme
suas palavras) que eu lhe pedia
porque um conv~nio comn a
Eletronorte o impedia de proceder
dessa maneira. Estava impedido de
divulgar tudo o que o Inpa apurasse
sobre Tucurui. Mesmo que dissesse
respeito ao mundo da ciencia.
Menos de 20 anos depois, o
director atual do Inpa, Warwick Kerr
(paulista, apesar do nome, pela
segunda vez no cargo) vem a pliblico
dizer que uma pesquisa que apontou
perspectives ecol~igicas (e tamb~m
econbmicas, por derivaplo) sombrias
para a Amaz~nia, projetadas a partir
de um desmatamento exponencial
nas pri~ximas duas dtcadas, 6 de
responsabilidade dos dois cientistas
que a realizaram. A pesquisa
desagradou ao Minist~rio da Ci~ncia
e da Tecnologia, ao qual o Inpa est8
subordinado, porque o cendrio
adverse est8 ligado aos efeitos
negatives do program Avanga
Brasil (avanga sobre a floresta
virgem). Mas desta vez o Inpa soube
(ou pide) distinguir o aspect politico
do cientifico. Defendeu a ci~ncia.
Nem tudo sio espinhos no jardim
das maravilhas criadas.


dando no entendimento das situaqies.
Ngo ha continuidade na abordagem,
nem vigilincia na identificapso das no-
vidades. O Pardi parece uma terra de
provincia que se mexe preguigosamen-
te, por mero instinto de sobreviv~ncia.
Ngo um lugar de grandes e sdbitas
transformacqges, como de fato 6. Por
isso, 6 cada vez mais ignorado sobre
seus grandes temas.
O governador Almir Gabriel, por
exemplo, alcangou um pioneirismo sus-
peito ao se tornar o primeiro a assu-
mir de pdblico um projeto de mudanga
da capital. Sem que se conhega qual-
quer estudo a respeito, ele jri estaria
disposto a baixar um decreto criando
uma comisslo para estudar a viabili-
dade da proposta e, se for o caso, os
projetos executives, porque teria ama-
durecido suas iddias ao long de con-
tinuas reflexes nos ultimos quatro
anos. Sua convicq~o sobre Belo Monte
estaria assentada em razdes geod6si-
cas, desprezando arguments em sen-
tido contririo (como os que o leitor
Nelson Sanjad suscitou na edigao pas-
sada, relativizando o fator geografico
pelas mudangas nas comunicaC~es e
nos transportes).
O governador acredita que a cons-
tru~go da nova capital seria viabilizada
com a simples redugio dos pagamen-
tos da divida estadual. Nos pr6ximos
anos, a reduglo do estoque da divida
daria ao Estado uma folga de caixa de
130 milh8es de reais ao ano. Dessa
fonte viriam os recursos para o proje-
to, incluindo duas estradas (uma par-
tindo de Baiso e outra de Uruard no
rumo de Belo Monte), sem afetar o
program de investimento ji previstos
no orgamento estadual, de R$ 250 mi-
th~es anuais.
At6 revelar sua disposiglo em en-
trevrista g Gazeta Mercantil Pard, o
governador nlo havia partilhado, so
menos fora do seu circulo mais inti-
mo, as elucubrag~es que vinha fazen-
do de trocar Belem por Belo Monte.
Mas se ngo quiser entrar numa aven-
tura perigosa, porque de desfecho im-
previsivel, ele podia encarar comn boa
vontade a sugest~o apresentada pelo
empres~rio Miro Gomes, em artigo de
primeira pigina em A Provincia do
Pardi do 61timo domingo, abrindo a
questio ao debate pdblico antes de en-
cerr8-la com um ato administrative au-
torit~rio (e talvez, no future, lesivo ao
interesse geral). Ela 6 muito comple-
xa para que reflexes solithrias de um
governador a esgotem, mesmo sendo
algu~m que tanto se concede como o
medico Almir Gabriel.


Da mesma maneira, os paraenses
nio podem aceitar como fato consu-
mado as concluSdes do ministry Fer-
nando Bezerra sobre o future da Su-
dam. Algumas das reflexes feitas na
semana passada pela AssociaCgo dos
Servidores e a Comissio de Interlocu-
95o (em document que, infelizmente,
nenhum 6rgio da grande imprensa re-
produziu) merecem ser respondidas
antes de qualquer ato executive sobre
a polemica superintend~ncia.
Os funciondrios acham que um novo
6rgio n~o pode surgir sem que este-
jam concluidas as medidas de apura-
glo e responsabilizaCio das irregulari-
dades praticadas, mesmo porque os
homes de confianga na c~pula foram
afastados, mas nio seus assessores de
conflanga. A primeira provid~ncia se-
ria a quebra dos sigilos bancirio, fiscal
e telef~nicos de todos os envolvidos,
para cuja adoCio se oferecem como
volunt~rios antecipadamente.
Outra seria a divulgagio dos resul-
tados das auditagens e investigaq6es ji
realizadas, sem escamoteaplo dos fa-
tos, e a autorizaqlo de acesso pdiblico
aos estudos contratados ao custo de
2,4 milhdes de reais com a Fundagio
Getdlio Vargas para a reestruturaqio do
brgio. O valor e o tempo dispendidos
nesses estudos n~o podem afasti-los do
eixo das medidas que a administraCho
federal adotar8 para livrar a Sudam do
mar de lama revolvido a partir da dispu-
ta entire os senadores Ant~nio Carlos
Magalhles e Jader Barbalho.
O que o ministry esti propondo 6, em
alguns aspects, praticamente uma vol-
ta is origens da Sudam e mesmo a an-
tes dela, A Spvea (como o ressurgimen-
to do conselho t~cnico., o 6rg~Lo delibe-
rativo em substituiplo ao Condel, que
ficaria como instE~ncia normative). Mas
esses corretivos cheiram a paliativos,
medidas cosm~ticas de curta dura~go,
rapidamente absorvidas e anuladas pela
corrente de fraudes que sempre se for-
ma na esteira dos incentives fiscais.
Se a FGV levou tanto tempo para
chegar a um document final, o minis-
tro anun~ciar em Brasilia medidas pron-
tas e acabadas 6 um contra-senso. O
contencioso ACM-JB, o m6vel do fim
da letargia do Planalto sobre um pro-
blema que vem crescendo hi anos
(como uma bola, mas nlo exatamente
de neve), n~o pode ser o parimetro Aini-
co das provid~ncias. O detonador 6 po-
litico, mas o que est8 em causa 6 muito
mais amplo e mais profundo.
A julgar pela reagtlo (ou, sendo mais
precise, falta de reaglo) da opinito pi-
blica, nio parece.







JOURNAL PESSOAL laQUINZENADE FEVEREIRO/2001 3




Epidemia de uma epoca


Charles M~rieux morreu no mis pas-
sado, em Paris, aos 94 anos, sem ter sido
adequadamente entrevistado pela im-
prensa brasileira para explicar melhor sua
participagdo no combat A maior epide-
mia de meningite quej jocorreu num meio
urban em todo o mundo, causando cen-
tenas de vitimas em Slo Paulo, entire 1974
e 1975.
Os intelectuais brasileiros, alids, est~o
devendo g sociedade uma pesquisa mais
profunda sobre esse epis6dio, que acabou
por revelar aos paulistas o que eles des-
conheciam: que, jB entio, Sio Paulo era
uma cidade bifronte, cindida entire uma
exuberante face de riqueza, sem paralelo
no pais, e uma ainda mais monumental
face de pobreza, miseria mais negra do
que a nordestina (sendo, em grande me-
dida, uma extensio nordestina segregada
na metri~pole industrial), que todos queri-
am esconder.
Quando comegaram a se multiplicar as
mortes por causa da meningite, o governor
tomou duas providencias: espalhou a ver-
shio de que a propagaq~io da bacteria se
devia ao frio e impediu, atrav~s da censu-
ra, que essa explicaglo fosse checada
adequadamente. Para fugir da contami-
naqio, as pessoas se isolavam em casa,
evitando a aglomeragio. A paranciia le-
you ao pinico. Sio Paulo parecia indefe-
sa, sujeita a um fator que parecia incon-


trolivel, aleat6rio. Mas quem investigou
bem a origem do problema chegou a pis-
tas assustadoras sobre as condiq8es de
vida da maioria dos paulistanos (de que
resultaria o famoso inqubrito encomenda-
do em 1975 pelo arcebispo Evaristo Arns).
O governor recorreu a uma vacina fa-
bricada nos Estados Unidos e testada
apenas em soldados que participavam da
guerra do Vietnam e unicamente sol-
dados negros. Mas era eficaz apenas con-
tra o meningococo do tipo C, nio o tipo
que assolava Sgo Paulo. O ministry da
sa~ide, Paulo de Almeida Machado, sem
outra alternative, apostou todas as suas
fichas numa nova vacina que ainda esta-
va sendo testada em cobaias animals no
Laborat6rio M~rieux, em Lyon, na Fran-
Ca. Antes de ter sido aplicada em qual-
quer ser humane, a vacina foi adquirida
aos milh8es e usada para campanhas
massivas de imunizagio, que, de Slo Pau-
lo, se espalharam por todo o pais, em 90
milhies de doses.
Felizmente, nP~o apresentou qualquer
contra-indicaCqio. Particularmente, fiquei
sempre na d~ivida se teria sido realmente
eficaz contra omeningococo A eC, como
se alegou, mesmo depois de uma conver-
sa longa e franca, mas conf idencial, com
o ministry da Sadde, que eu conhecera
poucos anos antes, quando ele dirigia o
Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da


Amaz~nia), em Manaus. Acompanhei-o
numa visit g Transamazanica e tive boa
impress~o dele, home simples, sincere
e competent.
Ele me disse que, por sorte, tudo ti-
nha dado certo e que a censura fora ado-
tada para evitar a histeria e o descon-
trole enquanto se providenciava uma so-
lu~go. De minha parte, sempre achei que
a information correta, transmitida com
serenidade, seria melhor do que o con-
trole official, tendente a manipulaCio e
ao jogo de interesses. P~ginas e pigi-
nas de O Estado de S. Paulo, cada vez
mais pr6ximas da verdade sobre as cau-
sas da epidemia (a mis~ria paulistana e
n~o o frio), foram vetadas. Permanecem
no arquivo do journal g espera de uma
consult conscenciosa de pesquisadores
que despertem para a gravidade de um
tema tio important e recent da hist6-
ria do Brasil.
Charles Mtrieux, um dos principals
responsiveis pela virologia de massa, ci-
entista e empressrio ao mesmo tempo,
era uma fonte indispensivel para recons-
truir esse epis6dio emblemitico daque-
les tempos de chumbo. Foi-se sem ter
sido ouvido adequadamente. Como, an-
tes, foram-se personagens importantes de
um drama que deixou expostas algumas
das chagas do regime military, ainda aber-
tas, apesar de cicatrizes profundas.


Ve nto
O Liberal descobriu o novo sentido
dominant dos ventos em Bel~m. At6 uma
noticia recent da principal coluna do jor-
nal, o Repdrter 70, seguida de uma ma-
t~ria mais ampla, supunha-se que viesse
da baia do Guajara a brisa que refresca a
cidade e minora seu calor 6mido. Agora,
ficamos sabendo que os ventos vgm 6 da
Cidade Nova.
Talvez o interesse por essa surpresa
da geografia tenha uma motivagio: os
grandes pr~dios projetados para a beira
da orla, entire as avenidas Pedro Alvares
Cabral e a rua da Municipalidade. Espi-
gaes de 30 andares ou mais jd foram anun-
ciados, inclusive um das OrganizagBes
Romulo Maiorana.
Algum tempo atris a prefeitura em-
bargou projetos semelhantes porque eles
criariam um pared~io que reteria ou des-
viaria os ventos, contribuindo para aumen-
tar as ilhas de calor na cidade. O journal
estai tratando de resolver esse problema.
Ao menos no papel.


Bolonha
O palacete Bolonha, finalmente, esta. sendo restaurado, embora por etapas, a pass
verdadeiramente de edgado. Mas a Area em que ele se encontra foi deixada em tal
abandon, tendo um terreno baldio ao lado, onde funcionou a Associaglo Espanhola de
Socorros Mirtuos, que muitos moradores da Vila Bolonha, contigua ao palacete, ji
est~lo se mudando. Cansaram de ser assaltados e de viver na intranqiiilidade. A maior
das vitimas, o marchand Gileno Mtiller Chaves, fechou a sua Galeria Bolonha, segui-
das vezes arrombada e pilhada, e adiou os pianos de acoplar o im6vel ao lado para uma
atividade cultural em serie.
A prefeitura j8 podia transformar em realidade a anunciada Praga Jornalista Eucli-
des Bandeira. Comn Chembra no pedago, os bandidos perderiam a desenvoltura atual.


PlanejafnentO
Como naquele famoso filme, o governor esti de volta ao future. Deu um salto de
pelo menos 10 anos para tris, retomando, reconstituindo e reformulando sua base de
dados a partir dos escombros do extinto Idesp (Instituto de Desenvolvimento Econ~mi-
co e Social do Estado do Pard) e dos efeitos da bomba neutra langada sobre a Secre-
taria de Planejampento, que se esgarqou entire a Area fazenddrtia e a political. Assim,
esti emergindo, de sob as plumas do tucanato, um banco de dados e um an~urio esta-
tistico, sob a chancela exclusive da Seplan, desobrigada de dialogar com uma alma
penada, que a incomodava.
Se essa ressurreigo 6 seria, para valer, e n~io mais um golpe publicithrio (agora
para escorar uma candidatura governmentall, menos mal. Mas quanta perda de tem-
po, dinheiro e gente., na fogueira das vaidades.







4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001


Agua
Antes que comecem a pas-
sar a m~io nas Aguas do Tocan-


irrigaCpo dos politicos, que nio


te), o governor do Estado podia
comegar a instalar e colocar
em funcionamento o nosso co-
mitC de bacias para defender
o patriminio hidrico paraense
e exigir tudo o que a legisla~go
estabeleceu para o uso da
ggua. Deixar
para depois pode~a~o ~


Ao assumir pela primeira vez o gover-
no do Estado, em 1999, Almir Gabriel re-
alizou usa faganha ngo alcangada por
qualquer dos seus antecessores, nem mes-
mo no period em que os governadores
eram eleitos indiretamente, pela Assem-
bl~ia Legislativa, e o regime militar-pro-
motor, fiador e controlador de todo o pro-
cesso lhes dava sustentaFgo a partir do
poder centralizado em Brasilia: conquis-
tou o apoio de 37 dos 41 deputados esta-
duais. S6 a bancada do PT the fez oposi-
g~o no primeiro mandate, situag8o que
mais ou menos se mant~m neste revival.
Desde entio, Almir Gabriel nio per-
deu uma inica dispute que dependesse de
articulaCio de bastidores e para a qual
pudesse ter influincia decisive o uso da
mi~quina official. Ele imp6s tras derrotas
seguidas ao prefeito Edmilson Rodrigues
na escolha da mesa dirigente da C~mara
Municipal de Belem. Conseguiu que seus
candidates fossem sucessivamente con-
firmados na direq~lo da Assembl~ia Le-
gislativa, sem maiores complicaq8es. Um
ou outro revs na votagso de projetos do
seu interesse, rapidamente corrigido, foi
pilida exceCgio na caracteristica submis-


sio dos parlamentares ao rolo compres-
sor do executive, que arrancou tudo o que
quis do legislative. Rigorosamente tudo.
O mesmo sucesso nlo se estende is
votaq8es mais amplas, g consult popular
direta. Almir derrotou Jarbas Passarinho,
depois de ter ficado em terceiro distant
lugar na dispute anterior pelo governor es-
tadual, gragas ao Plano Real, 51 abulia de-
pressiva de Passarinho (entalado no pre-
sente de grego de Jader Barbalho) e d
insia de renovaCio do povo, desejoso de
fechar um ciclo na vida pdiblica estadual.
Os dois primeiros fatores, que inde-
penderam da vontade de Gabriel, nio des-
merecem os m~ritos com os quais ele se
credenciou a receber uma boa vota~go,
ajustando-se ao modelo projetado pelo
maltratado imagindrio coletivo. Mas a cor-
relagaio de fatores deixou bem claro, ao
analista independent, que as circunstin-
cias contribuiram mais para essa vitbria
do que o pri~prio candidate.
Foi o que fez a diferenga a seu favor
em relag~io is mal sucedidas empreitadas
anteriores pela vice-presid~ncia da repdi-
blica (ao lado de Mirio Covas)e o gover-
no. E o fator que lhe permitiu, pela pri-


-
a


Adlantamento
Por conta de um serving
que ainda vlo prestar, gra-
gas ao vale-transporte, as
empresas de 6nibus de Be-
16m recebem todo mes 8,4
milhdes de reais antecipa-
dos. Em um ano, slo R$ 100
milh~es.
Que setor da economic
conta com tal tipo de finan-
ciamento indireto, sem 8nus?

POVO
A parte toda a discussion
sobre o m~rito dos reajustes
das tarifas do transport co-
letivo de Belem, a verdade e
que quando Edmilson Rodri-
gues assumiu a prefeitura de
Bel~m o trabalhador de sa-
li~rio minimo tinha o dobro do
poder de compra de passa-
gem de anibus do que hoje.
Em 1995 podia comprar 224
passagens de 50 centavos.
Agora, so 117 passagens de
85 centavos.
Governo de que povo?


Carlos Magalhiles, do de-
sagrado, evidentemente, do
padroeiro secular (e profa-
no) da "boa terra".
As televises pdblicas
existem para cumprir um pa-
pel cultural e educative que
njo figure na agenda das te-
levis~es privadas, escravas
dos indices de audiencia. Mas
qual a liqlo positive desses
episbdios, que se repetem em
todo o pais, inclusive -e cada
vez mais em nosso Estado?
Fica a repetigio rumi-
nante daquela p~rola da ti-
rania que o velho PSD con-
sagrou, de que lei 6 potoca
e o que conta 6 a voz de
quem est8 comn as chaves do
cofre pdblico.
Para colocar um paradei-
ro nesses maus exemplos, s6


obrigaudo as televises plibli-
cas a criar uma fundaylo, exi-
gir que pelo menos metade
dos seus integrantes sejam in-
dicados por representaq8es
da sociedade civil, regular
seu funcionamento por um
estatuto democritico, no qual
uma cli~usula petrea seria a
de que a diregilo da emissora
s6 pode ser demitida pela
maioria dos conselheiros, e
dar-1hes autonomia financei-
ra, reservando-lhes um per-
centual da receita pr6pria do
Estado (mnesmo que seja algo
como 0,2%).
Ao governador seria asse-
gurado o direito de nomear os
representantes da sociedade,
indicar o president da funda-
CWo e proper vetos is suas de-
liberag6es, mas tendo que aca-


TV de qe?
As televises pbblicas tem
que ser da sociedade, n~Lo do
governador. E precise prote-
gg-las do despotismo dos che-
fes do poder executive, que,
quando contrariados, como
aconteceu na semana passa-
da na TV Educativa da Bahia,
atropelam tudo para fazer va-
ler sua vontade monocritica,
soberana, absolute.
No caso baiano, a emis-
sora deixou de retransmitir o
program "Opini~o Brasil",
gerado pela TV Cultura de
Sgo Paulo, porque um dos
entrevistados era o jornalis-
ta Jolo Carlos Teixeira Go-
mes, autor do livro Memdri-
as das Trevas Uma de-
vassa na vida de Ant~nio


Tudo novo, tudo


igual no tardio


reino paraense







JOURNAL PESSOAL *18 QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 5


meira vez, tentar uma carreira individual,
sem a determinante dependencia de um
padrinho superior, sem o qual jamais teria
sido prefeito de Bel~m (nomeado pelo
entlio governador Jader Barbalho), nem
senador (ainda comn o apoio de Jader).
O crescente distanciamento dos com-
promissos de campanha e da pri~pria bio-
grafia tragada at6 ent~io constituem ca-
racteristicas quase generalizadas na poli-
tica mundial, mas uma marca particular-
mente forte nos politicos tucanos de todo
o pais, a comegar pela ave mais emplu-
mada do partido, o socidlogo Fernando
Henrique Cardoso.
O medico Almir Gabriel nio 6 exce-
950. Mas seu realismo politico e seu co-
nhecimento dos indigentes meandros da
pritica political local, com suas seqilelas e
miasmas, do compadrio ao fisiologismo,
superaram todas as expectativas.PFor isso,
seu sucesso 6 maior do que o alcangado
por quase todos os antecessores.
Essa exceltncia na politicagem, edul-
corada por uma propaganda massive e um
maneirismo na retbrica, de embocadura
esquerdista numa cercadura autoritbria, tem
conseguido compensar a falta de carisma
e empatia popular, que comprometem a
political de massa do tucanato paraense,
A ma~quina deu o impulse vital, sem o
qual toda a simpatia de Luiz Oti~vio Cam-
pos teria sido insuficiente para levfi-lo ao
senado. Mas nio arrastou Zenaldo Couti-
nho, nem foi suficiente para o 61timo fbole-
go de Duciomar Costa. Tamb~m n9o su-
plementou na media certa o desconforto
das investidas do governador ao interior,
dando cor e vida ao contato face-a-face


com o eleitor. Dai as derrotas em tantos e
t~o importantes municipios na li1tima elei-
glo, inclusive para um aliado serpentean-
te, como o PTB dos Kayath & Nunes, ima-
ginando poder vir a dar o bote caso uma
alianga com o PSDB se tome invi~vel.


OgOvernador, no mini-

mo, tem sido tio sagaZ

quanto ranosas das fami-
lias dos Barbalho ou dos

Gueiros, mas seu populis-

mo mimetico nao e tAo

eficaz fora dos gabineteS.
Nio vai muito altm do brilho da propa-
ganda ou do maquiavelismo cirdrgico sob
as luzes do erdirio, comprando adesdes
estrat~gicas, como a do grupo Liberal (o
mais important instrument de formaq~o
- e deformaqgo de opiniho).
Depois de seis anos com tantas bata-
lhas vencedoras, o que o governador cons-
truiu se assemelha a um castelo de car-
tas, a um esperto -mas incomplete -lan-
ce de dados, que niio se conclui porque
aguarda liderangas political mais enraiza-
das naquele universe que, ultrapassando
concilidbulos e cortes, independentemen-
te de critbrios valorativos, 6 o que decide
nos processes politicos de representa~o
popular pela via do voto universal. E por
isso precisa ser mobilizado para sustentar


iniciativas mais profundas e mais trans-
formadoras.
O governador esti~ qual os antecesso-
res, em relagio aos quais foi eleito para
ser uma alternative melhor, evolutiva (o
que, em parte, na massacrante regulari-
zaqlo interna da miiquina puiblica, tornou-
se efetivamente). Continue demitindo e
contratando para sua paquid~rmica asses-
soria especial (que, como o prbprio nome
diz, deveria ser uma institncia de assesso-
ramento t~cnico superior) gente aninima,
nio s6 no nome, mas nos atributos pesso-
ais, conforme acordos politiqueiros feitos
ou desfeitos, no rescaldo de incendios elei-
torais ou na comemoraqio do seu suces-
so, dando abrigo a correligionirios, cabos
eleitorais ou outros apaniguados.
Continue sem ter candidate natural g
sua sucessio, preferindo fabricar outro
politico bi~nico is v~speras da convoca-
Cglo eleitoral, frankenstein com mascara de
carnaval veneziano, do que estimular e apoi-
ar liderangas de verdade (mas que aca-
bam fazendo sombra, algo detestado pelos
talents solares da political paroquial). Conti-
nua atormentado pelo dilema de sair para o
senado ou ficar at6 o fim do mandate, an-
gdistia que se enrosca no impasse seguinte,
de fazer nova alianga com o inimigo da v~s-
pera, cedendo-lhe au~is para proteger sua
retaguarda, ou ir em frente, arrostando os
riscos para aspirar ao cofre todo, a ilus~io do
mando integral atrav~s da criatura.
Tudo mudou para tudo ficar igual num
Pard que nem se assustou quando tocou o
requiem de um mil~nio e soaram os dobres
de anunciaqio de um novo tempo -novo,
nestas paragens, apenas no calend~rio.


tar a rejeigao dos vetos pela
maioria dos conselheiros,
quando assim fosse decidido.
S6 uma televisio assim
merece o nome de pdiblica. E
continuar a receber o dinhei-
ro do contribuinte.

Silancio
Edmilson Rodrigues ini-
ciou seu segundo mandate de
prefeito de Beltm mantendo
o Didrio Oficial do Municipio
como public ago semi-clan-
destina. A tiragem 6 peque-
na, minima e, al~m disso,
prec~ria. Nio hB esquema de
distribuigio. Quem se interes-
sar pela publicaqio terd que
ir bused-la na sede da Secre-
taria de AdministraCio, mes-
mo que faga uma assinatura.


vez sequer o DO, a publi-
capso que registra os atos
da administration munici-
pal, dando-lhes validade
legal e permitindo seu
acompanhamento pela opi-
nito p~iblica (o principio da
publicidade 6uma das obri-
j gagbes da administraggo
pdiblica).
Enquanto isso, o Didrio
Official do Estado pode ser
adquirido nas bancas, circula
todos os dias da semana, 6
entregue em domicilio aos
assinantes e public, com ra-
zo~vel riqueza de detalhes,
todos os atos do governor, que,
neste particular, cumpre o
que lhe determine a lei.
Jg o governoro do povo"
deve achar que povo bom 6
s6 o que aplaude.


Mais um indicador do
tamanho da economic
informal (e, dentmo dela, em
proporgdjes crescentes, a
economic illegal) no Pard: t
o Estado com o maior indice
de CPFs cancelados do
Brasil, de quase 45%.
Percentual que chega a 61%
se incluidos os documents
que, por estaterm pendentes
de regularizagdlo, tambim
poderd'o ser cancelados
proximamente. A midia
national, alta para os
padrd~es internacionais, 6 de
32% de cancelamento do
document de identryicagd'o
fiscal do cidaddio, por ele
nd~o haver se apresentado ao
recadastramento.


Mas ndo hii regularidade na
circulagio do DO, que, por
isso, se transformou num he-
bdomaddrio de aparigo in-
certa e nlo sabida, enquanto
a propaganda do executive 6
feita g larga, pontual.
Na semana passada os
vereadores se queixavam de
que, desde o inicio do ano,
ainda ndo haviam visto uma








() JOURNAL PESSOAL lQUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001


Li oan Dourado escreveu
como mem6rias um livro (Gali-



contexto se fosse de ficqio. Jii
o jomalista Mino Carta escreveu
um romance (O castelo de bm-
bar, Record, 400 piginas) que
deveria ser memorialistica. Am-
bos erraram na media e decep-
cionaram. Escreveram dois li-
vros equivocados.
Autran esperou 40 anos para
relatar o que sobrou em sua
memciria dos tempos em que foi
secret~rio de imprensa (sem a
existancia official desse cargo) do
president Juscelino Kubitsche-
ck. Justifica tanto retardamento
com uma observaq~o que o es-
critor, empresirio e diplomat
Augusto Frederico Schmidt (t~o
personagem quanto JK) lhe fez,
de esperar a depuraqi dos fa-
tos. Quando decidiu-se pela pu-
blicaCgo, ji nenhum dos compa-
nheiros de enredo esti~ vivo, E
Autran nem deu-se ao trabalho
de fazer uma checagem em ar-
quivos para tirar ddividas (ainda
mais por admitir que "minha
membrtia n~io me ajuda").
Sua narrative, a de um es-
critor professional, 6 fluente e
suas hist6rias interessantes,
quando n2Lo surpreendentes.
Talvez boa parte do que disse
seja verdadeiro. Mas em muitos
mementos nio hi~ como checar
um testemunho que jii M~o pode
ser confrontado com a visilo ou
o entendimento de outros cir-
cunstantes. E em certas ocasi-
TGes fica nitida apretensilo do au-
tor, a despeito de tantas ressal-
vas, de se atribuir uma impor-
t~incia que nZo teve. Autran per-
deu aoportunidade de seguirum
exemplo mais bem sucedido de
seu conterrineo Cyro dos An-
jos, que, em A Montanha, es-
creveu ta~lvez o melhor roman a
cle'fsobre a political brasileira (o
personagem central era o jurista
Francisco Campos, o Chico i-
incia da Polaca e dos primei-
ros atos institucionais dos milita-
res a partir de 1964).
'Mino Carta 6inconvincente
a partir de uma sensagl de de-
sajuste (ou inadequago) ao ver
o seu nome encimando a capa


estes, servindo-se das bolsas dos que os
adotam, servem-lhes tamb~m de caixa de
ressonincia.
Aparecer no topo da pigina dos colandos
passa a constituir um movimento no tabuleiro
do poder para aqueles que pensam numa
carreira mais ampla. Ainda mais atraente
quando a fonte de financiamento deixa de ser
o bolso particular e passa a ser o erdrio.
Ao long dos 61ltimos dias as tais piginas
(com seus nem sempre orientados integran-
tes) sairam aos lotes. Encimadas, na maioria
dos casos, pelo prefeito de Ananindeua, Ma-
noel Pioneiro, e o principal executive do gru-
po Libemal, Romulo Maiomana Jdinior. Romi-
nho, que parece guardar no congelador seus
pianos politicos (e suas demais pretensies a
vidapdiblica), nio precisa pagar os an~imcios,
mesmo que custem A sua empresa. Trata-se
de uma-digamos assim-permuta. Mas e o
prefeito de Ananindeua: esti custeando pes-
soalmente essas publicaq~s?
Respondida a pergunta por quem de
direito, surge outra: Pioneiro esti mesmo
pretendendo se apresentar como candi-
dato g sucessdo do governador Almir Ga-
briel, pelo PSDB, por uma coligag~io mais
ampla do que a da tiltima elei~go ou por
outro partido, se o ninho tucano ficar al~m
do seu alcance?
Esta 61ltima especulag2o pode ser feita
sem qualquer inus. A anterior, por~m, tem
seu prego. E cumpre apurid-lo: quanto al-
cangou e a quem foi apresentada a conta.


Seria apenas um inocente atestado de
provincianismo a compulsto dos nossos
formandos por querer ver suas fotos publi-
cadas nos jornais, nos indefectiveis andin-
cios de colag~io de grau, pritica jB extinto
na imprensa das grandes cidades brasilei-
ras ha muito tempo, Mas esse ritual vai
alem: 6 o primeiro (ou, hsvezes, o 61ltimo)
adeus aos ideals da juventude, com os quais
muitos se iniciam na militincia politica-ou
na participagio como cidad~os dentro das
escolas e universidades,
Para que saia a pigina, os formandos
precisam sair atrds de patrocinadores (nro
s6, das piiginas impressas, ali~s, mas tam-
b~m das festas de formatura), oferecen-
do-lhes como compensagl a designaQio
da turma, o paraninfado ou o patronato. Na
maioria das vezes, o homenageado tem
com os alunos uma relaglo meramente
mercantil, que comega e terminal no paga-
mento das despesas. .
Nada daquela mistica da cumplicidade,
irmandade e parceria na vida escolar. O
pragmatismo imedialista despeja esses va-
lores do horizonte dos novos profissionais.
O que 6 ruim tanto para eles quanto para a
sociedade. Aqui e em qualquer lugar. Hoje
e sempre.
Mas essas insossas piginas tem uma
serventia lateral: servem de element de
andlise sobre inten95es de ex-quase-e-fu-
turos poderosos. Jd que nlo hS conexbo
academica entire padrinho e apadrinhados,


um document com os "proce-
dimentos obrigati~rios para inau-
guragaes de obras do OP [Or-
gamento Participativo] ou vi-
sita do prefeito a obra".
Quem imagine a political
como algo espontineo, deverd
ficar chocado com aleitura da
peqa. Hoje, contudo, ningu~m
tem mais o direito de ignorar
que o meio 6 quase tio unpor-
tante quanto a mensagem (em-
bora muitos marquetetros
achem que 6 mais important,
ou quase tudo). Logo, 6 justifi-
civel a preocupag2o dos diri-
gentes da CRC de extratr o
miuximo proveito dos atos da
administrator municipal, pro-
gramando e antecipando o


de um livro. Parece que ele s6
esti~ bem abrigado na cercadu-
ra de um expediente de jornal e
revista. Ainda falta-lhe o fiole-
go do verdadeiro escritor, em-
bora em alguns mementos do
romance fique bem perto dis-
so. E quando se assemelha a
Haroldo Maranh~io no trato da
lingua, na facilidade de mane-
ji-la a sua vontade, como JoLo
Gilberto ao violbo. Mas s~io ape-
nas mementos.
O que domina 6 a ~insia de
vendetta, o ajuste de contas sem
o 8nus de ser precise e verda-
deiro. Hipouca novidade para
quem viveu o period retmatado
pelo livro. Mas se Mino d~o es-
tivesse protegido pelo habeas


corpus preventive da fic~o,
talvez ele nos conseguisse con-
vencer da justeza das suas cau-
sas em virios dos mementos
mais importantes da hist~ria re-
cente da imprensa brasileira.
Deve-se dizer em favor de
ambos os escritores, por~m, que
foram criticados n~lo pelo que
cometeram de errado, mas por
seus acertos irritando os que
querem manter sepultos temas
inc~modos. O 8_ue, de certa for-
ma, os anistia e redime.

Pro aanda
A Coordenaglo de Rela-
95es com a Comunidade da
Prefeitura de Bel~m elaborou


As colag 6es


c os "Lcoloes"~
















IA representaq~io

da "~desindu~stria"


Gabriel Hermes foi o primeiro presi-
dente da Federaqio das Inddistrias do
Pard. Permaneceu impi~vido no cargo ao
long de 40 anos. Nesse period, foi dei-
xando de ser empresirio para assumir
completamente sua condiqlo de politico,
passando de deputado federal a senador.
A Fiepa amoldou-se mais g sua persona-
lidade do que ele adaptou-se 21 entidade,
resultado quase inevitiivel depois de tanto
tempo de mando.
Imaginava-se que, encerrado o ciclo
Gabriel Hermes, a representa~go da
combalida indiistria paraense mudasse a
brancura da sua chapa e, quando neces-
s~rio, entestasse com o governor na de-
fesa dos interesses corporativos ou de
toda a sociedade, que constituem a ra-
z~Lo da sua exist~ncia.
Primeiro veio Fernando Flexa Ribeiro,
suplente de senador do PSDB, president
regional do partido e um dos mais pri~xi-
mos colaboradores informais do governa-
dor Almir Gabriel. A vinculaglo haveria
de criar embaragos a federaglo. Mas
poucos podiam imaginer que o oficialismo
se tornasse ainda mais forte na adminis-
traglo seguinte, a atual, de Danilo Re-
mor. A Fiepa, como o piloto, sumiu.
Por exemplo: da campanha pe-
las eclusas do Tocantins, liderada
pelo CREA e a OAB/Park. A fe-


deraqgo, que enviou representante ape-
nas ao primeiro dos encontros prepara-
t6rios g apresentag8o de uma denuincia
ao Minist~rio P~iblico, ficou de mandar
c~pia da ag~io que intentou anos atris,
deixando-a perdida em um escaninho do
judicidrio por falta de interesse de agir.
Prometeu, mnas nio cumpriu a palavra.
Preferiu fiar-se na promessa do presi-
dente da republican ao governador e ao
senador Jader Barbalho, de que as obras
seriam incrementadas em 60 dias. Mais
do que o dobro disso ji se foi. E a Fiepa
continue entalada com o abiu.
Muda e queda permaneceu diante do
aumento desproporcional das tarifas de
6nibus, autorizado pelo prefeito Edmilson
Rodrigues (talvez porque industrial nbousa
transport coletivo). E mais calada per-
maneceu com o reajuste das aliquotas do
ICMS para atividades e servigos que, in-
fluindo sobre o prego final de produtos,
afeta o poder de compra do cidadio e o
faturamento dos empres~rios. E como
agora, pela primeira vez, o president da
Fiepa acumula a presid~ncia do Centro
das Inddstrias, nem hi mais o console de
descer de andar (antes era andar alguns
metros) e botar o bumbo pra tocar (e
a boca no mundo).
Na Fiepa, o que est8 faltando 6
uma fita amarela.


maximo do que poderid acon-
tecer nos events pdiblicos.
Mas o document recende a
agitpmp, de que os bolcheviques
russos se valeram na dispute ide-
oli~gica e que acabaria, na vora-
gem da luta pelo poder, se trans-
formando em manipulagi de
massa e t~cnica intimidati~ria.
Vladimir Maiak6vski, com sua
vida, e Serguei Eisentein, com sua
arte, se tornaramn dois dos mais
conhecidos exemplos das distor-
98es fatais assumidas pela agita-
900 e a propaganda sob o imp6-
rio de JosefStilin, o 61ltimo czar.
Colocada a servigo do partido
iAnico (e de uma verdade 6nica,
dogmitica), a propaganda se tor-
nou totalitbria, uma distorgo a


esquerda do fascismo de direita
de Hitler (no caso, especificamen-
te, de Joseph Goebbels).
Nbo chegamos a tanto em
Santa Maria de Bel~m do Grio
Par~i, 6 claro. Mas algumas das
sementes da intoler~ncia podem
estar contidas em algumas das
normas recomendadas pela
CRC. Ei natural que ela queira
aproveitar as inaugurag~s e vi-
sitas pdbl~icas do prefeito para fi-
xar entire a populaCgo "a id~iade
um Governo Popular que realize
obras pama o povo de Bel~m",
atacando na decoraqgo e na f1-
xaqo das imagens desses acon-
tecimentos para ressaltar as ca-
racteristicas visadas pela comu-
nicaqio para o phiblico.


Mas jb nio teri sido ultra-
passa a linha demarcat6ria da
pluralidade democritica quan-
do a CRC recomenda (com seu
portugu~s para consume inter-
no): "As pessoas que irio fa-
lar pela comunidade devem ser
orientadas no discurso, nio que
a gente vi escrever o que a
pessoa, vi dizer, mas devemos
dar o norte"?
Ou quando orienta os asses-
sores para que, antes de qual-
quer event, avaliem "se nro
existe nenhum setor de diteita
que queiraprejudicar o evento,
repalssando para a coordenaro
"qualquer informaqlo a respei-
to". Como caracterizar um "se-
tor de direita"? Aquele que esti-


ver sentado g direita do prefeito,
fonte da definigio da verdade?
O critic inc~modo? Aquele que
teima em exigir respostas con-
vincentes para suas ddividas?
Inventar a intoler~ncia 6 fi-
cil. Desinvent~i-la, 6 algo que
esti al~m at6 mesmo de uma
imaginaqio criadora como a de
Lewis Carrol. Serki que ele pen-
saria nested lemapara seu pais das
mamavilhas: "~Na CRC nio toma-
mos mel. Mastigamos abelhas"?
Claro que n~io: deixamos o
reino da fantasia e entramos
numa seara onde mais apropri-
ado 6 invocarpelo nome de Tho-
mas Hobbes. Antes da materi-
alizag~lo de um Behemoth, ou
de um LeviataL.




































S imbo los
Hg dois simbolos -peque-
nos e exemplares do modo
petista de administrar em (e)
Bel~m.
Um: uma placa fincada no
gramado da Praga D. Pedro
II, entire o Ver-o-Peso e os
palicios Lauro Sodr6 e Azul,
para assinalar uma obra de 15
dias de recuperaqio do lo-
gradouro, no valor de 9 mil
reais. La permanece, enfei-
ando o local e desafiando as
posturas municipals, ha um
ano e meio, desde setembro
de 1999.
Dois: a Praga (inadvertida
ironia) Paraiso, obra de valor
assemelhado, iniciada num di-
minuto espago marginal a rua
Piedade, no Reduto, is v~s-
peras da elei~go do l' turno,
para ser concluida em 60 dias.
Passado o dobro do tempo,
permanece inconclusa.
No primeiro caso, o des-
respeito a uma norma comu-
nit~ria faz-se, com total des-
prezo ao dever de dar bom
exemplo, porque serve g pro-
paganda da prefeitura (imagi-
nam os Goebbels municipais
que positive).
No segundo, evidencia a
voragem das obras eleitorei-
ras, largadas g pri~pria sorte
depois que o voto 6 colocado
na urna.
Quosque tandem, Edmilson?


Conexaio
Grilagem A receita de ICMS do
Para, mesmo com o drastico
O governor federal jB fala em 100 nulh~es de hectares amnodtriaon ~
de terras pxiblicas griladas no pais, metade desse total ape-
passado pelo governador Almir
nas no Amazonas (o equivalent a um tergo do territbrio are in st ue 0
estadual, o maior da federago brasiletra). E um niumero
abaixo da m~dia national na
espantoso. Mas tudo isso n2Lo passa, rigorosamente, de pa-
relagio da arrecada~go com o
pel sobre papel, na maioria dos casos enxertias monumen- rdt neo ue N
tais a partir de imprecisos registros de origem, quando o
Parai, ela chegou agora a 5,9%.
sistema produtivo na reginlo era o extrativismo.
No pais, 6 de 7%.
Inexistindo a preocupaq~to de medir e demarcar as Bre-
.Mesmo assim, o fatura-
as, seus limites eram descritos a partir de lumites naturals de mnod saocmoIM
referencia ou segundo velhas medidas, como braga ou 16-
gua. A partir de inventdrios forjados, os grileiros se apropri- 2 t stre 99i
aram de milh~es de hectares que, em muitas situag8es, se-
lhio de reais, segundo o go-
quer conhecem fisicamente.
verno, principalmente por cau-
Todas essas fraudes s6 se tornaram possiveis porque os
carti~rios imobiliirios, principalmente do interior, se sentem sadexnsoasrese
no direito de registrar tudo o que lhes 6 apresentado como uemrao
Se for estabelecida uma
se fora titulo de propriedade de terras claro, se algo mais
for imutanemene dposiado Os ivrs d muios es- proporgio entire a taxa de in-
for imutanemene dposiado Os ivrs d muios es- cremento da receita e o indi-
ses cart6rios s~o claras provas de conivencia com o crime,
ce de crescimento das redes
quando nlo o crime em si. E se multiplicam gragas a omis-
de supermercados, provavel-
s~es superiores, que, na atual escala de apropriaqio ind~bi-
ta do patrim~nio piiblico fundidrio, tamb~m se tornaram cri- metsehvrdecgaa
minosas.uma explica~go para esse dra-
ma: o imposto subir ano a ano,
Desfazer essa montanha de terras griladas nio serid t~o
mas abaixo da curva desse
dificil quanto parece se a base, formada de barro ruim, for
mesmo desempenho em ter-
atacada. Os mecanismos legais existem. O que falta 6 a
mos nacionals.
vontade de aplied-los. E~ possivel, pelas liltimas movimenta-
Ou, como diria o querido
95es em Brasilia, que esse imobilismo esteja pri~ximo do
compositor da mdisica popular
fim. Mas 6 possivel apressi-lo, conforme ficou provado no
brasileira: "o que dB pra rir di
Amazonas. EstB faltando o mesmo exemplo no Parai.
pra chorar/ questio s6 de peso
e de mediaa.

=~r"~~. ,c

11 Iniciativa
Nin Bem que o Minist~rio P~iblico federal podia convocar uma
seals Caudi~ncia pdblica para discutir a situa~go da Sudam e as me-
i's~ts. didas previstas para sua reestruturaFio ou extin~go, exigindo
3 a apresentagdo de todos os documents produzidos nos ulti-
4 P .omos tempos, internal e externamente, nas auditagens e nos
estudos tecnicos, colocando-os a disposi~go dos interessados
para consult.
Dependendo dos resultados, o pri~prio MP podia tamb~m to-
mar suas provid~ncias. De qualquer maneira, abriria um debate
que as parties tim preferido evitar ou circunscrever.
Livros
De 360 milha'es de livros vendidos no Brasil no ano passado, 130 milha'es eram livros
didditicos adquiridos exclusivamente pelo governor federal. Se somadas as compras feitas
por outras instdincias do poder pziblico, mais os paradidaiticos, as publicagd~es escolares
abocanham 64% do movimento editorial brasileiro, uma proporgd~o que, na Franga,
ndo vai albm de 20%. O que sobra result num panorama desalentador: pouco mais de
meio livro comprado por cada brasileiro em 2000.
A Editora Civilizagdo Brasileira tentou, durante anos, convencer a opinid~o
pziblica de que "quem ndTo 14 mal fala, mal ouve, mal vi". E uma verdade. Mas nd~o
impressionou muito.


JOrna PCSSOal
Editor: Lljcio Flavio Plnto, Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv Benlamln ConslanI 845/203/66.053-040
-e-malt: lornaleamazon.com.br Edi~go de Arte: Luizanloniodelanlapintol230 .1304


Corregao
Manfredo Ximenes foi
"promovido" ndio de
Icoaraci para Mosqueiro,
como, por um laps, saiu
na edigdio anterior, mas
para Outeiro. O que
aumenta ainda mais o
tamanho do rabo de cavalo
que assinala seu
crescimento na
administragd'o petista.


P