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L i)C O F LA VIO P NTO IMPACT O Pard parou O que foi feito da opinid~o pdblica no Pardi? Em meio a tantas medidas anunciadas ou tomadas pelo governor, o sildncio geral justzfica a preocupagdo comn a apatia social. Iniciativas de ampla e profunda relpercussdo nd~o suscitam o deba~te-que dev~em' a ser travado antes de se consumarem. Talvez uma daEs razdes seja .o desinteress via grande imprensa em entender e fazer entender o qule. contece. agenda para o primeiro substanciosa. O governa- dor Almir Gabriel anuncion Asua disposiqgo de transfe- rir a capital do Estado de Bel~m para Belo Monte e, mesmo enfrentando reaplo ge- ral 9 id~ia, nio recuou. Tamb~m foi em frente na elevag~io das aliquotas de ICMS sobre alguns servings essenciais para a populagdo, altm de alguns produtos de largo consume, encarecendo o custo de vida no Estado relativamente is demais unidades federativas. O prefeito Edmilson Rodrigues nao titubeou em mais uma vez reajustar a tarifa dos Bnibus bem acima da inflagio e do poder aquisitivo da popu- lagilo. Em Brasilia, o ministry da Integra- pio Nacional, Fernando Bezerra, anteci- pou que em margo pedird ao president da repiiblica a exting~lo da Sudam e sua substituigio por uma agencia regional de desenvolvimento, provid~ncia a ser tam- btm adotada na Area da Sudene. Apesar de tantas iniciativas de impac- to, sil~ncio e acomodag5lo da parte da opi- nilSo p~iblica. Se algumas dessas medidas tinham osentido de bales de ensaio, com os quais se pretendeu medir as expectati- vas socials, seus promotores devem ter sido estimulados aavangar,protegidos pela abulia ou insensibilidade da sociedade pa- raense. Os 6rg~Los de classes nalo se me- xeram e os grupos de pressio, se agiram, se limitaram aos bastidores. O poder do governor, quej jera grande, se tornou mas- tod~ntico contra um pano de fundo de in~r- cia dos cidadsos. A fragilidade da opiniao pdiblica tem sido um dos fatores favoriveis a decisies de grande significado para o Estado, mas que s~o adotadas em circuit fechado, sem debate pliblico e at6 sem o menor grau de information fora dos atores diretamen- te interessados nas questdes. O que acon- teceu com a vontade do Pard? E~a per- gunta que cabe fazer quando se passa os olhos por um dos filtros de sua mamifesta- 950o, a grande imprensa. A maioria dos assuntos abordados tem pouca coisa a ver com o cursor real dos acontecimentos. Mesmo quando os temas sto referidos, trata-se de um registro quase telegrifico, pouco aju-) 2 JOURNAL PESSOAL P" QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 Mudanga Em 1984, o entdlo director do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazania), Roberto Vieira, veio ao plendrio da Assembltia Legislativa do Pard~ participar de um acalorado debate sobre a hidrel~trica de Tucurui. Disse que o reservat6rio da usina podia ser enchido em duas etapas, sem problems. Seria at6 melhor do que o enchimento de uma s6 vez, numa estagSio de ver~o, porque permitiria observaqaes e corregoes de erros entire os dois mementos. Sem saber, estava desautorizando a Eletronorte, que antes havia declarado impensivel essa hip6tese, considerando-a tecnicamente impratici~vel. Na verdade, pretendia former todo o lago de imediato para impedir que o movimento pelas eclusas e a escada de peixe se fortaleeesse. Jg havia na justiga uma agio com esse prop6sito. Conversei com Vieira e pedi-lhe para detalhar por escrito sua tese. Os dias se passaram e nio veio resposta de Manaus. Cobrei tanto que ele, final, responded: infelizmente, nio podia me fornecer os dados cientificos (conforme suas palavras) que eu lhe pedia porque um conv~nio comn a Eletronorte o impedia de proceder dessa maneira. Estava impedido de divulgar tudo o que o Inpa apurasse sobre Tucurui. Mesmo que dissesse respeito ao mundo da ciencia. Menos de 20 anos depois, o director atual do Inpa, Warwick Kerr (paulista, apesar do nome, pela segunda vez no cargo) vem a pliblico dizer que uma pesquisa que apontou perspectives ecol~igicas (e tamb~m econbmicas, por derivaplo) sombrias para a Amaz~nia, projetadas a partir de um desmatamento exponencial nas pri~ximas duas dtcadas, 6 de responsabilidade dos dois cientistas que a realizaram. A pesquisa desagradou ao Minist~rio da Ci~ncia e da Tecnologia, ao qual o Inpa est8 subordinado, porque o cendrio adverse est8 ligado aos efeitos negatives do program Avanga Brasil (avanga sobre a floresta virgem). Mas desta vez o Inpa soube (ou pide) distinguir o aspect politico do cientifico. Defendeu a ci~ncia. Nem tudo sio espinhos no jardim das maravilhas criadas. dando no entendimento das situaqies. Ngo ha continuidade na abordagem, nem vigilincia na identificapso das no- vidades. O Pardi parece uma terra de provincia que se mexe preguigosamen- te, por mero instinto de sobreviv~ncia. Ngo um lugar de grandes e sdbitas transformacqges, como de fato 6. Por isso, 6 cada vez mais ignorado sobre seus grandes temas. O governador Almir Gabriel, por exemplo, alcangou um pioneirismo sus- peito ao se tornar o primeiro a assu- mir de pdblico um projeto de mudanga da capital. Sem que se conhega qual- quer estudo a respeito, ele jri estaria disposto a baixar um decreto criando uma comisslo para estudar a viabili- dade da proposta e, se for o caso, os projetos executives, porque teria ama- durecido suas iddias ao long de con- tinuas reflexes nos ultimos quatro anos. Sua convicq~o sobre Belo Monte estaria assentada em razdes geod6si- cas, desprezando arguments em sen- tido contririo (como os que o leitor Nelson Sanjad suscitou na edigao pas- sada, relativizando o fator geografico pelas mudangas nas comunicaC~es e nos transportes). O governador acredita que a cons- tru~go da nova capital seria viabilizada com a simples redugio dos pagamen- tos da divida estadual. Nos pr6ximos anos, a reduglo do estoque da divida daria ao Estado uma folga de caixa de 130 milh8es de reais ao ano. Dessa fonte viriam os recursos para o proje- to, incluindo duas estradas (uma par- tindo de Baiso e outra de Uruard no rumo de Belo Monte), sem afetar o program de investimento ji previstos no orgamento estadual, de R$ 250 mi- th~es anuais. At6 revelar sua disposiglo em en- trevrista g Gazeta Mercantil Pard, o governador nlo havia partilhado, so menos fora do seu circulo mais inti- mo, as elucubrag~es que vinha fazen- do de trocar Belem por Belo Monte. Mas se ngo quiser entrar numa aven- tura perigosa, porque de desfecho im- previsivel, ele podia encarar comn boa vontade a sugest~o apresentada pelo empres~rio Miro Gomes, em artigo de primeira pigina em A Provincia do Pardi do 61timo domingo, abrindo a questio ao debate pdblico antes de en- cerr8-la com um ato administrative au- torit~rio (e talvez, no future, lesivo ao interesse geral). Ela 6 muito comple- xa para que reflexes solithrias de um governador a esgotem, mesmo sendo algu~m que tanto se concede como o medico Almir Gabriel. Da mesma maneira, os paraenses nio podem aceitar como fato consu- mado as concluSdes do ministry Fer- nando Bezerra sobre o future da Su- dam. Algumas das reflexes feitas na semana passada pela AssociaCgo dos Servidores e a Comissio de Interlocu- 95o (em document que, infelizmente, nenhum 6rgio da grande imprensa re- produziu) merecem ser respondidas antes de qualquer ato executive sobre a polemica superintend~ncia. Os funciondrios acham que um novo 6rgio n~o pode surgir sem que este- jam concluidas as medidas de apura- glo e responsabilizaCio das irregulari- dades praticadas, mesmo porque os homes de confianga na c~pula foram afastados, mas nio seus assessores de conflanga. A primeira provid~ncia se- ria a quebra dos sigilos bancirio, fiscal e telef~nicos de todos os envolvidos, para cuja adoCio se oferecem como volunt~rios antecipadamente. Outra seria a divulgagio dos resul- tados das auditagens e investigaq6es ji realizadas, sem escamoteaplo dos fa- tos, e a autorizaqlo de acesso pdiblico aos estudos contratados ao custo de 2,4 milhdes de reais com a Fundagio Getdlio Vargas para a reestruturaqio do brgio. O valor e o tempo dispendidos nesses estudos n~o podem afasti-los do eixo das medidas que a administraCho federal adotar8 para livrar a Sudam do mar de lama revolvido a partir da dispu- ta entire os senadores Ant~nio Carlos Magalhles e Jader Barbalho. O que o ministry esti propondo 6, em alguns aspects, praticamente uma vol- ta is origens da Sudam e mesmo a an- tes dela, A Spvea (como o ressurgimen- to do conselho t~cnico., o 6rg~Lo delibe- rativo em substituiplo ao Condel, que ficaria como instE~ncia normative). Mas esses corretivos cheiram a paliativos, medidas cosm~ticas de curta dura~go, rapidamente absorvidas e anuladas pela corrente de fraudes que sempre se for- ma na esteira dos incentives fiscais. Se a FGV levou tanto tempo para chegar a um document final, o minis- tro anun~ciar em Brasilia medidas pron- tas e acabadas 6 um contra-senso. O contencioso ACM-JB, o m6vel do fim da letargia do Planalto sobre um pro- blema que vem crescendo hi anos (como uma bola, mas nlo exatamente de neve), n~o pode ser o parimetro Aini- co das provid~ncias. O detonador 6 po- litico, mas o que est8 em causa 6 muito mais amplo e mais profundo. A julgar pela reagtlo (ou, sendo mais precise, falta de reaglo) da opinito pi- blica, nio parece. JOURNAL PESSOAL laQUINZENADE FEVEREIRO/2001 3 Epidemia de uma epoca Charles M~rieux morreu no mis pas- sado, em Paris, aos 94 anos, sem ter sido adequadamente entrevistado pela im- prensa brasileira para explicar melhor sua participagdo no combat A maior epide- mia de meningite quej jocorreu num meio urban em todo o mundo, causando cen- tenas de vitimas em Slo Paulo, entire 1974 e 1975. Os intelectuais brasileiros, alids, est~o devendo g sociedade uma pesquisa mais profunda sobre esse epis6dio, que acabou por revelar aos paulistas o que eles des- conheciam: que, jB entio, Sio Paulo era uma cidade bifronte, cindida entire uma exuberante face de riqueza, sem paralelo no pais, e uma ainda mais monumental face de pobreza, miseria mais negra do que a nordestina (sendo, em grande me- dida, uma extensio nordestina segregada na metri~pole industrial), que todos queri- am esconder. Quando comegaram a se multiplicar as mortes por causa da meningite, o governor tomou duas providencias: espalhou a ver- shio de que a propagaq~io da bacteria se devia ao frio e impediu, atrav~s da censu- ra, que essa explicaglo fosse checada adequadamente. Para fugir da contami- naqio, as pessoas se isolavam em casa, evitando a aglomeragio. A paranciia le- you ao pinico. Sio Paulo parecia indefe- sa, sujeita a um fator que parecia incon- trolivel, aleat6rio. Mas quem investigou bem a origem do problema chegou a pis- tas assustadoras sobre as condiq8es de vida da maioria dos paulistanos (de que resultaria o famoso inqubrito encomenda- do em 1975 pelo arcebispo Evaristo Arns). O governor recorreu a uma vacina fa- bricada nos Estados Unidos e testada apenas em soldados que participavam da guerra do Vietnam e unicamente sol- dados negros. Mas era eficaz apenas con- tra o meningococo do tipo C, nio o tipo que assolava Sgo Paulo. O ministry da sa~ide, Paulo de Almeida Machado, sem outra alternative, apostou todas as suas fichas numa nova vacina que ainda esta- va sendo testada em cobaias animals no Laborat6rio M~rieux, em Lyon, na Fran- Ca. Antes de ter sido aplicada em qual- quer ser humane, a vacina foi adquirida aos milh8es e usada para campanhas massivas de imunizagio, que, de Slo Pau- lo, se espalharam por todo o pais, em 90 milhies de doses. Felizmente, nP~o apresentou qualquer contra-indicaCqio. Particularmente, fiquei sempre na d~ivida se teria sido realmente eficaz contra omeningococo A eC, como se alegou, mesmo depois de uma conver- sa longa e franca, mas conf idencial, com o ministry da Sadde, que eu conhecera poucos anos antes, quando ele dirigia o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz~nia), em Manaus. Acompanhei-o numa visit g Transamazanica e tive boa impress~o dele, home simples, sincere e competent. Ele me disse que, por sorte, tudo ti- nha dado certo e que a censura fora ado- tada para evitar a histeria e o descon- trole enquanto se providenciava uma so- lu~go. De minha parte, sempre achei que a information correta, transmitida com serenidade, seria melhor do que o con- trole official, tendente a manipulaCio e ao jogo de interesses. P~ginas e pigi- nas de O Estado de S. Paulo, cada vez mais pr6ximas da verdade sobre as cau- sas da epidemia (a mis~ria paulistana e n~o o frio), foram vetadas. Permanecem no arquivo do journal g espera de uma consult conscenciosa de pesquisadores que despertem para a gravidade de um tema tio important e recent da hist6- ria do Brasil. Charles Mtrieux, um dos principals responsiveis pela virologia de massa, ci- entista e empressrio ao mesmo tempo, era uma fonte indispensivel para recons- truir esse epis6dio emblemitico daque- les tempos de chumbo. Foi-se sem ter sido ouvido adequadamente. Como, an- tes, foram-se personagens importantes de um drama que deixou expostas algumas das chagas do regime military, ainda aber- tas, apesar de cicatrizes profundas. Ve nto O Liberal descobriu o novo sentido dominant dos ventos em Bel~m. At6 uma noticia recent da principal coluna do jor- nal, o Repdrter 70, seguida de uma ma- t~ria mais ampla, supunha-se que viesse da baia do Guajara a brisa que refresca a cidade e minora seu calor 6mido. Agora, ficamos sabendo que os ventos vgm 6 da Cidade Nova. Talvez o interesse por essa surpresa da geografia tenha uma motivagio: os grandes pr~dios projetados para a beira da orla, entire as avenidas Pedro Alvares Cabral e a rua da Municipalidade. Espi- gaes de 30 andares ou mais jd foram anun- ciados, inclusive um das OrganizagBes Romulo Maiorana. Algum tempo atris a prefeitura em- bargou projetos semelhantes porque eles criariam um pared~io que reteria ou des- viaria os ventos, contribuindo para aumen- tar as ilhas de calor na cidade. O journal estai tratando de resolver esse problema. Ao menos no papel. Bolonha O palacete Bolonha, finalmente, esta. sendo restaurado, embora por etapas, a pass verdadeiramente de edgado. Mas a Area em que ele se encontra foi deixada em tal abandon, tendo um terreno baldio ao lado, onde funcionou a Associaglo Espanhola de Socorros Mirtuos, que muitos moradores da Vila Bolonha, contigua ao palacete, ji est~lo se mudando. Cansaram de ser assaltados e de viver na intranqiiilidade. A maior das vitimas, o marchand Gileno Mtiller Chaves, fechou a sua Galeria Bolonha, segui- das vezes arrombada e pilhada, e adiou os pianos de acoplar o im6vel ao lado para uma atividade cultural em serie. A prefeitura j8 podia transformar em realidade a anunciada Praga Jornalista Eucli- des Bandeira. Comn Chembra no pedago, os bandidos perderiam a desenvoltura atual. PlanejafnentO Como naquele famoso filme, o governor esti de volta ao future. Deu um salto de pelo menos 10 anos para tris, retomando, reconstituindo e reformulando sua base de dados a partir dos escombros do extinto Idesp (Instituto de Desenvolvimento Econ~mi- co e Social do Estado do Pard) e dos efeitos da bomba neutra langada sobre a Secre- taria de Planejampento, que se esgarqou entire a Area fazenddrtia e a political. Assim, esti emergindo, de sob as plumas do tucanato, um banco de dados e um an~urio esta- tistico, sob a chancela exclusive da Seplan, desobrigada de dialogar com uma alma penada, que a incomodava. Se essa ressurreigo 6 seria, para valer, e n~io mais um golpe publicithrio (agora para escorar uma candidatura governmentall, menos mal. Mas quanta perda de tem- po, dinheiro e gente., na fogueira das vaidades. 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 Agua Antes que comecem a pas- sar a m~io nas Aguas do Tocan- irrigaCpo dos politicos, que nio te), o governor do Estado podia comegar a instalar e colocar em funcionamento o nosso co- mitC de bacias para defender o patriminio hidrico paraense e exigir tudo o que a legisla~go estabeleceu para o uso da ggua. Deixar para depois pode~a~o ~ Ao assumir pela primeira vez o gover- no do Estado, em 1999, Almir Gabriel re- alizou usa faganha ngo alcangada por qualquer dos seus antecessores, nem mes- mo no period em que os governadores eram eleitos indiretamente, pela Assem- bl~ia Legislativa, e o regime militar-pro- motor, fiador e controlador de todo o pro- cesso lhes dava sustentaFgo a partir do poder centralizado em Brasilia: conquis- tou o apoio de 37 dos 41 deputados esta- duais. S6 a bancada do PT the fez oposi- g~o no primeiro mandate, situag8o que mais ou menos se mant~m neste revival. Desde entio, Almir Gabriel nio per- deu uma inica dispute que dependesse de articulaCio de bastidores e para a qual pudesse ter influincia decisive o uso da mi~quina official. Ele imp6s tras derrotas seguidas ao prefeito Edmilson Rodrigues na escolha da mesa dirigente da C~mara Municipal de Belem. Conseguiu que seus candidates fossem sucessivamente con- firmados na direq~lo da Assembl~ia Le- gislativa, sem maiores complicaq8es. Um ou outro revs na votagso de projetos do seu interesse, rapidamente corrigido, foi pilida exceCgio na caracteristica submis- sio dos parlamentares ao rolo compres- sor do executive, que arrancou tudo o que quis do legislative. Rigorosamente tudo. O mesmo sucesso nlo se estende is votaq8es mais amplas, g consult popular direta. Almir derrotou Jarbas Passarinho, depois de ter ficado em terceiro distant lugar na dispute anterior pelo governor es- tadual, gragas ao Plano Real, 51 abulia de- pressiva de Passarinho (entalado no pre- sente de grego de Jader Barbalho) e d insia de renovaCio do povo, desejoso de fechar um ciclo na vida pdiblica estadual. Os dois primeiros fatores, que inde- penderam da vontade de Gabriel, nio des- merecem os m~ritos com os quais ele se credenciou a receber uma boa vota~go, ajustando-se ao modelo projetado pelo maltratado imagindrio coletivo. Mas a cor- relagaio de fatores deixou bem claro, ao analista independent, que as circunstin- cias contribuiram mais para essa vitbria do que o pri~prio candidate. Foi o que fez a diferenga a seu favor em relag~io is mal sucedidas empreitadas anteriores pela vice-presid~ncia da repdi- blica (ao lado de Mirio Covas)e o gover- no. E o fator que lhe permitiu, pela pri- - a Adlantamento Por conta de um serving que ainda vlo prestar, gra- gas ao vale-transporte, as empresas de 6nibus de Be- 16m recebem todo mes 8,4 milhdes de reais antecipa- dos. Em um ano, slo R$ 100 milh~es. Que setor da economic conta com tal tipo de finan- ciamento indireto, sem 8nus? POVO A parte toda a discussion sobre o m~rito dos reajustes das tarifas do transport co- letivo de Belem, a verdade e que quando Edmilson Rodri- gues assumiu a prefeitura de Bel~m o trabalhador de sa- li~rio minimo tinha o dobro do poder de compra de passa- gem de anibus do que hoje. Em 1995 podia comprar 224 passagens de 50 centavos. Agora, so 117 passagens de 85 centavos. Governo de que povo? Carlos Magalhiles, do de- sagrado, evidentemente, do padroeiro secular (e profa- no) da "boa terra". As televises pdblicas existem para cumprir um pa- pel cultural e educative que njo figure na agenda das te- levis~es privadas, escravas dos indices de audiencia. Mas qual a liqlo positive desses episbdios, que se repetem em todo o pais, inclusive -e cada vez mais em nosso Estado? Fica a repetigio rumi- nante daquela p~rola da ti- rania que o velho PSD con- sagrou, de que lei 6 potoca e o que conta 6 a voz de quem est8 comn as chaves do cofre pdblico. Para colocar um paradei- ro nesses maus exemplos, s6 obrigaudo as televises plibli- cas a criar uma fundaylo, exi- gir que pelo menos metade dos seus integrantes sejam in- dicados por representaq8es da sociedade civil, regular seu funcionamento por um estatuto democritico, no qual uma cli~usula petrea seria a de que a diregilo da emissora s6 pode ser demitida pela maioria dos conselheiros, e dar-1hes autonomia financei- ra, reservando-lhes um per- centual da receita pr6pria do Estado (mnesmo que seja algo como 0,2%). Ao governador seria asse- gurado o direito de nomear os representantes da sociedade, indicar o president da funda- CWo e proper vetos is suas de- liberag6es, mas tendo que aca- TV de qe? As televises pbblicas tem que ser da sociedade, n~Lo do governador. E precise prote- gg-las do despotismo dos che- fes do poder executive, que, quando contrariados, como aconteceu na semana passa- da na TV Educativa da Bahia, atropelam tudo para fazer va- ler sua vontade monocritica, soberana, absolute. No caso baiano, a emis- sora deixou de retransmitir o program "Opini~o Brasil", gerado pela TV Cultura de Sgo Paulo, porque um dos entrevistados era o jornalis- ta Jolo Carlos Teixeira Go- mes, autor do livro Memdri- as das Trevas Uma de- vassa na vida de Ant~nio Tudo novo, tudo igual no tardio reino paraense JOURNAL PESSOAL *18 QUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 5 meira vez, tentar uma carreira individual, sem a determinante dependencia de um padrinho superior, sem o qual jamais teria sido prefeito de Bel~m (nomeado pelo entlio governador Jader Barbalho), nem senador (ainda comn o apoio de Jader). O crescente distanciamento dos com- promissos de campanha e da pri~pria bio- grafia tragada at6 ent~io constituem ca- racteristicas quase generalizadas na poli- tica mundial, mas uma marca particular- mente forte nos politicos tucanos de todo o pais, a comegar pela ave mais emplu- mada do partido, o socidlogo Fernando Henrique Cardoso. O medico Almir Gabriel nio 6 exce- 950. Mas seu realismo politico e seu co- nhecimento dos indigentes meandros da pritica political local, com suas seqilelas e miasmas, do compadrio ao fisiologismo, superaram todas as expectativas.PFor isso, seu sucesso 6 maior do que o alcangado por quase todos os antecessores. Essa exceltncia na politicagem, edul- corada por uma propaganda massive e um maneirismo na retbrica, de embocadura esquerdista numa cercadura autoritbria, tem conseguido compensar a falta de carisma e empatia popular, que comprometem a political de massa do tucanato paraense, A ma~quina deu o impulse vital, sem o qual toda a simpatia de Luiz Oti~vio Cam- pos teria sido insuficiente para levfi-lo ao senado. Mas nio arrastou Zenaldo Couti- nho, nem foi suficiente para o 61timo fbole- go de Duciomar Costa. Tamb~m n9o su- plementou na media certa o desconforto das investidas do governador ao interior, dando cor e vida ao contato face-a-face com o eleitor. Dai as derrotas em tantos e t~o importantes municipios na li1tima elei- glo, inclusive para um aliado serpentean- te, como o PTB dos Kayath & Nunes, ima- ginando poder vir a dar o bote caso uma alianga com o PSDB se tome invi~vel. OgOvernador, no mini- mo, tem sido tio sagaZ quanto ranosas das fami- lias dos Barbalho ou dos Gueiros, mas seu populis- mo mimetico nao e tAo eficaz fora dos gabineteS. Nio vai muito altm do brilho da propa- ganda ou do maquiavelismo cirdrgico sob as luzes do erdirio, comprando adesdes estrat~gicas, como a do grupo Liberal (o mais important instrument de formaq~o - e deformaqgo de opiniho). Depois de seis anos com tantas bata- lhas vencedoras, o que o governador cons- truiu se assemelha a um castelo de car- tas, a um esperto -mas incomplete -lan- ce de dados, que niio se conclui porque aguarda liderangas political mais enraiza- das naquele universe que, ultrapassando concilidbulos e cortes, independentemen- te de critbrios valorativos, 6 o que decide nos processes politicos de representa~o popular pela via do voto universal. E por isso precisa ser mobilizado para sustentar iniciativas mais profundas e mais trans- formadoras. O governador esti~ qual os antecesso- res, em relagio aos quais foi eleito para ser uma alternative melhor, evolutiva (o que, em parte, na massacrante regulari- zaqlo interna da miiquina puiblica, tornou- se efetivamente). Continue demitindo e contratando para sua paquid~rmica asses- soria especial (que, como o prbprio nome diz, deveria ser uma institncia de assesso- ramento t~cnico superior) gente aninima, nio s6 no nome, mas nos atributos pesso- ais, conforme acordos politiqueiros feitos ou desfeitos, no rescaldo de incendios elei- torais ou na comemoraqio do seu suces- so, dando abrigo a correligionirios, cabos eleitorais ou outros apaniguados. Continue sem ter candidate natural g sua sucessio, preferindo fabricar outro politico bi~nico is v~speras da convoca- Cglo eleitoral, frankenstein com mascara de carnaval veneziano, do que estimular e apoi- ar liderangas de verdade (mas que aca- bam fazendo sombra, algo detestado pelos talents solares da political paroquial). Conti- nua atormentado pelo dilema de sair para o senado ou ficar at6 o fim do mandate, an- gdistia que se enrosca no impasse seguinte, de fazer nova alianga com o inimigo da v~s- pera, cedendo-lhe au~is para proteger sua retaguarda, ou ir em frente, arrostando os riscos para aspirar ao cofre todo, a ilus~io do mando integral atrav~s da criatura. Tudo mudou para tudo ficar igual num Pard que nem se assustou quando tocou o requiem de um mil~nio e soaram os dobres de anunciaqio de um novo tempo -novo, nestas paragens, apenas no calend~rio. tar a rejeigao dos vetos pela maioria dos conselheiros, quando assim fosse decidido. S6 uma televisio assim merece o nome de pdiblica. E continuar a receber o dinhei- ro do contribuinte. Silancio Edmilson Rodrigues ini- ciou seu segundo mandate de prefeito de Beltm mantendo o Didrio Oficial do Municipio como public ago semi-clan- destina. A tiragem 6 peque- na, minima e, al~m disso, prec~ria. Nio hB esquema de distribuigio. Quem se interes- sar pela publicaqio terd que ir bused-la na sede da Secre- taria de AdministraCio, mes- mo que faga uma assinatura. vez sequer o DO, a publi- capso que registra os atos da administration munici- pal, dando-lhes validade legal e permitindo seu acompanhamento pela opi- nito p~iblica (o principio da publicidade 6uma das obri- j gagbes da administraggo pdiblica). Enquanto isso, o Didrio Official do Estado pode ser adquirido nas bancas, circula todos os dias da semana, 6 entregue em domicilio aos assinantes e public, com ra- zo~vel riqueza de detalhes, todos os atos do governor, que, neste particular, cumpre o que lhe determine a lei. Jg o governoro do povo" deve achar que povo bom 6 s6 o que aplaude. Mais um indicador do tamanho da economic informal (e, dentmo dela, em proporgdjes crescentes, a economic illegal) no Pard: t o Estado com o maior indice de CPFs cancelados do Brasil, de quase 45%. Percentual que chega a 61% se incluidos os documents que, por estaterm pendentes de regularizagdlo, tambim poderd'o ser cancelados proximamente. A midia national, alta para os padrd~es internacionais, 6 de 32% de cancelamento do document de identryicagd'o fiscal do cidaddio, por ele nd~o haver se apresentado ao recadastramento. Mas ndo hii regularidade na circulagio do DO, que, por isso, se transformou num he- bdomaddrio de aparigo in- certa e nlo sabida, enquanto a propaganda do executive 6 feita g larga, pontual. Na semana passada os vereadores se queixavam de que, desde o inicio do ano, ainda ndo haviam visto uma () JOURNAL PESSOAL lQUINZENA DE FEVEREIRO/ 2001 Li oan Dourado escreveu como mem6rias um livro (Gali- contexto se fosse de ficqio. Jii o jomalista Mino Carta escreveu um romance (O castelo de bm- bar, Record, 400 piginas) que deveria ser memorialistica. Am- bos erraram na media e decep- cionaram. Escreveram dois li- vros equivocados. Autran esperou 40 anos para relatar o que sobrou em sua memciria dos tempos em que foi secret~rio de imprensa (sem a existancia official desse cargo) do president Juscelino Kubitsche- ck. Justifica tanto retardamento com uma observaq~o que o es- critor, empresirio e diplomat Augusto Frederico Schmidt (t~o personagem quanto JK) lhe fez, de esperar a depuraqi dos fa- tos. Quando decidiu-se pela pu- blicaCgo, ji nenhum dos compa- nheiros de enredo esti~ vivo, E Autran nem deu-se ao trabalho de fazer uma checagem em ar- quivos para tirar ddividas (ainda mais por admitir que "minha membrtia n~io me ajuda"). Sua narrative, a de um es- critor professional, 6 fluente e suas hist6rias interessantes, quando n2Lo surpreendentes. Talvez boa parte do que disse seja verdadeiro. Mas em muitos mementos nio hi~ como checar um testemunho que jii M~o pode ser confrontado com a visilo ou o entendimento de outros cir- cunstantes. E em certas ocasi- TGes fica nitida apretensilo do au- tor, a despeito de tantas ressal- vas, de se atribuir uma impor- t~incia que nZo teve. Autran per- deu aoportunidade de seguirum exemplo mais bem sucedido de seu conterrineo Cyro dos An- jos, que, em A Montanha, es- creveu ta~lvez o melhor roman a cle'fsobre a political brasileira (o personagem central era o jurista Francisco Campos, o Chico i- incia da Polaca e dos primei- ros atos institucionais dos milita- res a partir de 1964). 'Mino Carta 6inconvincente a partir de uma sensagl de de- sajuste (ou inadequago) ao ver o seu nome encimando a capa estes, servindo-se das bolsas dos que os adotam, servem-lhes tamb~m de caixa de ressonincia. Aparecer no topo da pigina dos colandos passa a constituir um movimento no tabuleiro do poder para aqueles que pensam numa carreira mais ampla. Ainda mais atraente quando a fonte de financiamento deixa de ser o bolso particular e passa a ser o erdrio. Ao long dos 61ltimos dias as tais piginas (com seus nem sempre orientados integran- tes) sairam aos lotes. Encimadas, na maioria dos casos, pelo prefeito de Ananindeua, Ma- noel Pioneiro, e o principal executive do gru- po Libemal, Romulo Maiomana Jdinior. Romi- nho, que parece guardar no congelador seus pianos politicos (e suas demais pretensies a vidapdiblica), nio precisa pagar os an~imcios, mesmo que custem A sua empresa. Trata-se de uma-digamos assim-permuta. Mas e o prefeito de Ananindeua: esti custeando pes- soalmente essas publicaq~s? Respondida a pergunta por quem de direito, surge outra: Pioneiro esti mesmo pretendendo se apresentar como candi- dato g sucessdo do governador Almir Ga- briel, pelo PSDB, por uma coligag~io mais ampla do que a da tiltima elei~go ou por outro partido, se o ninho tucano ficar al~m do seu alcance? Esta 61ltima especulag2o pode ser feita sem qualquer inus. A anterior, por~m, tem seu prego. E cumpre apurid-lo: quanto al- cangou e a quem foi apresentada a conta. Seria apenas um inocente atestado de provincianismo a compulsto dos nossos formandos por querer ver suas fotos publi- cadas nos jornais, nos indefectiveis andin- cios de colag~io de grau, pritica jB extinto na imprensa das grandes cidades brasilei- ras ha muito tempo, Mas esse ritual vai alem: 6 o primeiro (ou, hsvezes, o 61ltimo) adeus aos ideals da juventude, com os quais muitos se iniciam na militincia politica-ou na participagio como cidad~os dentro das escolas e universidades, Para que saia a pigina, os formandos precisam sair atrds de patrocinadores (nro s6, das piiginas impressas, ali~s, mas tam- b~m das festas de formatura), oferecen- do-lhes como compensagl a designaQio da turma, o paraninfado ou o patronato. Na maioria das vezes, o homenageado tem com os alunos uma relaglo meramente mercantil, que comega e terminal no paga- mento das despesas. . Nada daquela mistica da cumplicidade, irmandade e parceria na vida escolar. O pragmatismo imedialista despeja esses va- lores do horizonte dos novos profissionais. O que 6 ruim tanto para eles quanto para a sociedade. Aqui e em qualquer lugar. Hoje e sempre. Mas essas insossas piginas tem uma serventia lateral: servem de element de andlise sobre inten95es de ex-quase-e-fu- turos poderosos. Jd que nlo hS conexbo academica entire padrinho e apadrinhados, um document com os "proce- dimentos obrigati~rios para inau- guragaes de obras do OP [Or- gamento Participativo] ou vi- sita do prefeito a obra". Quem imagine a political como algo espontineo, deverd ficar chocado com aleitura da peqa. Hoje, contudo, ningu~m tem mais o direito de ignorar que o meio 6 quase tio unpor- tante quanto a mensagem (em- bora muitos marquetetros achem que 6 mais important, ou quase tudo). Logo, 6 justifi- civel a preocupag2o dos diri- gentes da CRC de extratr o miuximo proveito dos atos da administrator municipal, pro- gramando e antecipando o de um livro. Parece que ele s6 esti~ bem abrigado na cercadu- ra de um expediente de jornal e revista. Ainda falta-lhe o fiole- go do verdadeiro escritor, em- bora em alguns mementos do romance fique bem perto dis- so. E quando se assemelha a Haroldo Maranh~io no trato da lingua, na facilidade de mane- ji-la a sua vontade, como JoLo Gilberto ao violbo. Mas s~io ape- nas mementos. O que domina 6 a ~insia de vendetta, o ajuste de contas sem o 8nus de ser precise e verda- deiro. Hipouca novidade para quem viveu o period retmatado pelo livro. Mas se Mino d~o es- tivesse protegido pelo habeas corpus preventive da fic~o, talvez ele nos conseguisse con- vencer da justeza das suas cau- sas em virios dos mementos mais importantes da hist~ria re- cente da imprensa brasileira. Deve-se dizer em favor de ambos os escritores, por~m, que foram criticados n~lo pelo que cometeram de errado, mas por seus acertos irritando os que querem manter sepultos temas inc~modos. O 8_ue, de certa for- ma, os anistia e redime. Pro aanda A Coordenaglo de Rela- 95es com a Comunidade da Prefeitura de Bel~m elaborou As colag 6es c os "Lcoloes"~ IA representaq~io da "~desindu~stria" Gabriel Hermes foi o primeiro presi- dente da Federaqio das Inddistrias do Pard. Permaneceu impi~vido no cargo ao long de 40 anos. Nesse period, foi dei- xando de ser empresirio para assumir completamente sua condiqlo de politico, passando de deputado federal a senador. A Fiepa amoldou-se mais g sua persona- lidade do que ele adaptou-se 21 entidade, resultado quase inevitiivel depois de tanto tempo de mando. Imaginava-se que, encerrado o ciclo Gabriel Hermes, a representa~go da combalida indiistria paraense mudasse a brancura da sua chapa e, quando neces- s~rio, entestasse com o governor na de- fesa dos interesses corporativos ou de toda a sociedade, que constituem a ra- z~Lo da sua exist~ncia. Primeiro veio Fernando Flexa Ribeiro, suplente de senador do PSDB, president regional do partido e um dos mais pri~xi- mos colaboradores informais do governa- dor Almir Gabriel. A vinculaglo haveria de criar embaragos a federaglo. Mas poucos podiam imaginer que o oficialismo se tornasse ainda mais forte na adminis- traglo seguinte, a atual, de Danilo Re- mor. A Fiepa, como o piloto, sumiu. Por exemplo: da campanha pe- las eclusas do Tocantins, liderada pelo CREA e a OAB/Park. A fe- deraqgo, que enviou representante ape- nas ao primeiro dos encontros prepara- t6rios g apresentag8o de uma denuincia ao Minist~rio P~iblico, ficou de mandar c~pia da ag~io que intentou anos atris, deixando-a perdida em um escaninho do judicidrio por falta de interesse de agir. Prometeu, mnas nio cumpriu a palavra. Preferiu fiar-se na promessa do presi- dente da republican ao governador e ao senador Jader Barbalho, de que as obras seriam incrementadas em 60 dias. Mais do que o dobro disso ji se foi. E a Fiepa continue entalada com o abiu. Muda e queda permaneceu diante do aumento desproporcional das tarifas de 6nibus, autorizado pelo prefeito Edmilson Rodrigues (talvez porque industrial nbousa transport coletivo). E mais calada per- maneceu com o reajuste das aliquotas do ICMS para atividades e servigos que, in- fluindo sobre o prego final de produtos, afeta o poder de compra do cidadio e o faturamento dos empres~rios. E como agora, pela primeira vez, o president da Fiepa acumula a presid~ncia do Centro das Inddstrias, nem hi mais o console de descer de andar (antes era andar alguns metros) e botar o bumbo pra tocar (e a boca no mundo). Na Fiepa, o que est8 faltando 6 uma fita amarela. maximo do que poderid acon- tecer nos events pdiblicos. Mas o document recende a agitpmp, de que os bolcheviques russos se valeram na dispute ide- oli~gica e que acabaria, na vora- gem da luta pelo poder, se trans- formando em manipulagi de massa e t~cnica intimidati~ria. Vladimir Maiak6vski, com sua vida, e Serguei Eisentein, com sua arte, se tornaramn dois dos mais conhecidos exemplos das distor- 98es fatais assumidas pela agita- 900 e a propaganda sob o imp6- rio de JosefStilin, o 61ltimo czar. Colocada a servigo do partido iAnico (e de uma verdade 6nica, dogmitica), a propaganda se tor- nou totalitbria, uma distorgo a esquerda do fascismo de direita de Hitler (no caso, especificamen- te, de Joseph Goebbels). Nbo chegamos a tanto em Santa Maria de Bel~m do Grio Par~i, 6 claro. Mas algumas das sementes da intoler~ncia podem estar contidas em algumas das normas recomendadas pela CRC. Ei natural que ela queira aproveitar as inaugurag~s e vi- sitas pdbl~icas do prefeito para fi- xar entire a populaCgo "a id~iade um Governo Popular que realize obras pama o povo de Bel~m", atacando na decoraqgo e na f1- xaqo das imagens desses acon- tecimentos para ressaltar as ca- racteristicas visadas pela comu- nicaqio para o phiblico. Mas jb nio teri sido ultra- passa a linha demarcat6ria da pluralidade democritica quan- do a CRC recomenda (com seu portugu~s para consume inter- no): "As pessoas que irio fa- lar pela comunidade devem ser orientadas no discurso, nio que a gente vi escrever o que a pessoa, vi dizer, mas devemos dar o norte"? Ou quando orienta os asses- sores para que, antes de qual- quer event, avaliem "se nro existe nenhum setor de diteita que queiraprejudicar o evento, repalssando para a coordenaro "qualquer informaqlo a respei- to". Como caracterizar um "se- tor de direita"? Aquele que esti- ver sentado g direita do prefeito, fonte da definigio da verdade? O critic inc~modo? Aquele que teima em exigir respostas con- vincentes para suas ddividas? Inventar a intoler~ncia 6 fi- cil. Desinvent~i-la, 6 algo que esti al~m at6 mesmo de uma imaginaqio criadora como a de Lewis Carrol. Serki que ele pen- saria nested lemapara seu pais das mamavilhas: "~Na CRC nio toma- mos mel. Mastigamos abelhas"? Claro que n~io: deixamos o reino da fantasia e entramos numa seara onde mais apropri- ado 6 invocarpelo nome de Tho- mas Hobbes. Antes da materi- alizag~lo de um Behemoth, ou de um LeviataL. S imbo los Hg dois simbolos -peque- nos e exemplares do modo petista de administrar em (e) Bel~m. Um: uma placa fincada no gramado da Praga D. Pedro II, entire o Ver-o-Peso e os palicios Lauro Sodr6 e Azul, para assinalar uma obra de 15 dias de recuperaqio do lo- gradouro, no valor de 9 mil reais. La permanece, enfei- ando o local e desafiando as posturas municipals, ha um ano e meio, desde setembro de 1999. Dois: a Praga (inadvertida ironia) Paraiso, obra de valor assemelhado, iniciada num di- minuto espago marginal a rua Piedade, no Reduto, is v~s- peras da elei~go do l' turno, para ser concluida em 60 dias. Passado o dobro do tempo, permanece inconclusa. No primeiro caso, o des- respeito a uma norma comu- nit~ria faz-se, com total des- prezo ao dever de dar bom exemplo, porque serve g pro- paganda da prefeitura (imagi- nam os Goebbels municipais que positive). No segundo, evidencia a voragem das obras eleitorei- ras, largadas g pri~pria sorte depois que o voto 6 colocado na urna. Quosque tandem, Edmilson? Conexaio Grilagem A receita de ICMS do Para, mesmo com o drastico O governor federal jB fala em 100 nulh~es de hectares amnodtriaon ~ de terras pxiblicas griladas no pais, metade desse total ape- passado pelo governador Almir nas no Amazonas (o equivalent a um tergo do territbrio are in st ue 0 estadual, o maior da federago brasiletra). E um niumero abaixo da m~dia national na espantoso. Mas tudo isso n2Lo passa, rigorosamente, de pa- relagio da arrecada~go com o pel sobre papel, na maioria dos casos enxertias monumen- rdt neo ue N tais a partir de imprecisos registros de origem, quando o Parai, ela chegou agora a 5,9%. sistema produtivo na reginlo era o extrativismo. No pais, 6 de 7%. Inexistindo a preocupaq~to de medir e demarcar as Bre- . .Mesmo assim, o fatura- as, seus limites eram descritos a partir de lumites naturals de mnod saocmoIM referencia ou segundo velhas medidas, como braga ou 16- gua. A partir de inventdrios forjados, os grileiros se apropri- 2 t stre 99i aram de milh~es de hectares que, em muitas situag8es, se- lhio de reais, segundo o go- quer conhecem fisicamente. verno, principalmente por cau- Todas essas fraudes s6 se tornaram possiveis porque os carti~rios imobiliirios, principalmente do interior, se sentem sadexnsoasrese no direito de registrar tudo o que lhes 6 apresentado como uemrao Se for estabelecida uma se fora titulo de propriedade de terras claro, se algo mais for imutanemene dposiado Os ivrs d muios es- proporgio entire a taxa de in- for imutanemene dposiado Os ivrs d muios es- cremento da receita e o indi- ses cart6rios s~o claras provas de conivencia com o crime, ce de crescimento das redes quando nlo o crime em si. E se multiplicam gragas a omis- de supermercados, provavel- s~es superiores, que, na atual escala de apropriaqio ind~bi- ta do patrim~nio piiblico fundidrio, tamb~m se tornaram cri- metsehvrdecgaa minosas.uma explica~go para esse dra- ma: o imposto subir ano a ano, Desfazer essa montanha de terras griladas nio serid t~o mas abaixo da curva desse dificil quanto parece se a base, formada de barro ruim, for mesmo desempenho em ter- atacada. Os mecanismos legais existem. O que falta 6 a mos nacionals. vontade de aplied-los. E~ possivel, pelas liltimas movimenta- Ou, como diria o querido 95es em Brasilia, que esse imobilismo esteja pri~ximo do compositor da mdisica popular fim. Mas 6 possivel apressi-lo, conforme ficou provado no brasileira: "o que dB pra rir di Amazonas. EstB faltando o mesmo exemplo no Parai. pra chorar/ questio s6 de peso e de mediaa. =~r"~~. ,c 11 Iniciativa Nin Bem que o Minist~rio P~iblico federal podia convocar uma seals Caudi~ncia pdblica para discutir a situa~go da Sudam e as me- i's~ts. didas previstas para sua reestruturaFio ou extin~go, exigindo 3 a apresentagdo de todos os documents produzidos nos ulti- 4 P .omos tempos, internal e externamente, nas auditagens e nos estudos tecnicos, colocando-os a disposi~go dos interessados para consult. Dependendo dos resultados, o pri~prio MP podia tamb~m to- mar suas provid~ncias. De qualquer maneira, abriria um debate que as parties tim preferido evitar ou circunscrever. Livros De 360 milha'es de livros vendidos no Brasil no ano passado, 130 milha'es eram livros didditicos adquiridos exclusivamente pelo governor federal. Se somadas as compras feitas por outras instdincias do poder pziblico, mais os paradidaiticos, as publicagd~es escolares abocanham 64% do movimento editorial brasileiro, uma proporgd~o que, na Franga, ndo vai albm de 20%. O que sobra result num panorama desalentador: pouco mais de meio livro comprado por cada brasileiro em 2000. A Editora Civilizagdo Brasileira tentou, durante anos, convencer a opinid~o pziblica de que "quem ndTo 14 mal fala, mal ouve, mal vi". E uma verdade. Mas nd~o impressionou muito. JOrna PCSSOal Editor: Lljcio Flavio Plnto, Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv Benlamln ConslanI 845/203/66.053-040 -e-malt: lornaleamazon.com.br Edi~go de Arte: Luizanloniodelanlapintol230 .1304 Corregao Manfredo Ximenes foi "promovido" ndio de Icoaraci para Mosqueiro, como, por um laps, saiu na edigdio anterior, mas para Outeiro. O que aumenta ainda mais o tamanho do rabo de cavalo que assinala seu crescimento na administragd'o petista. P |
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