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Jornal pessoal
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00201
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00201

Full Text






























































1


GOVERNOR



O Para mass care'


Ao aumentar as ali'quotas do ICMS sobre alguns produtos es os de uso ha
governo optou pelo lado mais anacrdnico da federagdob brasile a. pretexto de forwar
caixa para pagar o saldrio mzinimo, que d~a remuneragdo de um g de ao
de paraenses, avanga sobre o que e' mais fdcil: o bolso do contribuint ~~:,~ mais de
2000 no rumo do passado.


de energia e telefo-cesoaacn
nes, tanto o cellular quanto
-o fixo, fizeram question de assi-
nalar que estavam aumentando suas ta-
rifas apenas para repassar a elevagilo das
aliquotas que incidem sobre seus servings,
determinada pelo governo. Elas passaram
de 25% para 30%.'-E a mesma aliquota
incident sobre a gasoline e o Blcool, que
tamb~m ficaram mais cars 10% para o
consumidor. E, estranhamente, igual para
a cerveja.
Assim, Bel~m, em particular, alvo de
tantas atenq6es do governador Almir Ga-
briel, esta se tornando uma das capitals
mais caras do pais. O Dieese calcula que
a inflagi8o na (ainda) capital paraense em
janeiro vai ficar acima de 0,5% por conta
dessa incidencia mais pesada do ICMS
sobre produtos e servings de intense con-


2 1ira inci-
~ dir sobre pro-
dutos sup~rfluos ou
de luxo, como os importados
e os refrigerantes. Mas a justifica-
tiva comegou a se desfazer quando o re-
ajuste alcangou o telefone, a energia ele-
trica e-o golpe final, aduzido por decre-
to a lei extraida a forceps da Assembl~ia
Legislative, em convocaF~o extraordin8-
ria o g~s de cozinha.
O ga1s esta chegando quase 10% mais
carol ao cidadio, o da avenida Nazar6 e o
das baixadas sobre este pesando imen-
samente mais, 6 claro. As privatizadas


Jomal Pessoal
LUIjC IO F LA V IO P N TO
ANO XIV NP 251 2L QUINZENA DE JANEIRO DE 2001 RS 2,00


O ~m~todo ja nio era salutar:
para enfrentar novos encar-
gos, o governor simplesmen-
Ote decidiu recorrer ao au-
mento de imposto, a mais facil e conven-
cional das solugaes, que s6 tem utilidade,
sempre, para a administration publica.
Mas pelo menos havia o argument (na
ponta da linha, falso para o consumidor),
de que a elevagio da aliquota do ICMS







2 JOURNAL PESSOAL 2s QUINZENA DE JANEIRO/ 2001


COmo sempre
O reajuste das tarifas do transport coletivo em Bel~m torna-se cada vez mais
um ato predominantemente politico, que s6 residualmente tem fundamento tbeni-
co. E claro que a metodologia padrio 6 seguida, do que dlo prova as planilhas
apresentadas tanto pelos dons dos Bnibus quanto pelo 6rgio pdblico responsivel
pelo setor, a Ctbel. Mas ningu~m tem control sobre o preenchimento dos qua-
dros e tabelas, exceto os atores, que desempenham seu papel com enredo pr6-
determinado. No que se parece a um jogo de cartas marcadas.
Como a sociedade civil estd mal organizada e n~io tem muita experibncia,
depois de apenas dois anos de participa~go num conselho independent, fica ii
merc6 das parties. Pela primeira vez, as empresas de inibus sairam da sua posi-
Cgo traditional, ancorada num pedido al~m do razobvel, para endossar a tarifa
definida pela Ctbel, que, no menos ruim dos casos, ficou sendo o dobro da infla-
950 do period e o triple do reajuste salarial.
Se a tarifa at6 agora praticada estava entire as menores do pais, geralmente se
esquece que o valor mais alto de outros municipios inclui servings inexistentes no
nosso, como a integraqio do 6nibus ao metrb, a passage conjugada e a tarifa
diferenciada. E que os 70 centavos da passage vigente em Bel~m depois do
aumento anterior tiveram seu calculo composto com a catraca eletr~nica, a clini-
ca para os rodovidrios e o seguro, beneficios que nio foram reahizados (ou nio
por inteiro). Sho milh~es de reais (12?), que as empresas colocaram no bolso
desde entio.
A prefeitura, mesmo que quisesse enfrentar o desaflo de um transport pdbhi-
co decent e compativel com o poder aquisitivo da populaCgio (40% dos belenen-
ses economicamente ativos ganham at6 um salirio minimo por m~s), est8 desar-
mada. Podia nio estar, se quisesse. Mas deixou-se ficar assim. Qualquer decision
que tome a desgastard agora e nos pr6ximos anos. Jg a sociedade, que perde
sempre, e mais, precisa se preparar para defender melhor seus direitos no future.
Nesta rodada, mais uma vez, vai pagar a conta. S6, n~io aprenderid se ficar parada,
esperando o 8nibus passar. Mais carol.


Estado-gerente ou o Estado-minimo re-
duz-se a uma concepg~o de guarda-livros,
g escrituraq;8o do livro de deve e haver,
Criterioso, sim. Mas obsolete.
O Estado tornou-se rigorosamente
minimo quanto ao nivelamento por baixo
dos vencimentos dos seus servidores. Em
janeiro de 1995, quando Almir Gabriel
assumiu o governor, 5% dos barnabbs ga-
nhavam um salirrio minimo. Hoje, segun-
do o Dieese, esse percentual 6 de 60%.
Com o sal~rio de R$ 180, poderSi it a 70%,
gragas ao congelamento dos vencimen-
tos um pouco superiores. Uma relativiza-
g~Lo de valores pelo poder real de compra
do sal~rio minaimo imprimird cores ainda
mais fbotes ~sobse esse moldura de uma
burocaci ~s ipsade despotismo oriental.
Os deputedles, aos quais a vontade do rei
foi apsesenatda~nesta realeza ainda constitu-
cional, deviam ter feito as ponderaga~es a que
os compromissos de seus cargos os obriga-
vam. Mas no afogadilho de final de ano, com
jetons a embolsar e a relaFgo de compadrio
a renovar, tudo o mais se tornou deletbrio.
A aliquota sobre a cerveja, por exem-
plo, manteve-se no mesmo nivelamento
anterior em relagio ao fumo, telefonia e
combustiveis (excetuado o 61eo). Quase
simultaneamente, a grande fibrica local de
cerveja, a Cerpasa, recebeu o beneficio


de redugho de 95% do ICMS, ao compor
uma divida de R$ 38 milhdes, parcialmen-
te derivada da apropriaqio de imposto des-
contado e nio recolhido como contribuin-
te substitute.
Ao tomar uma iniciativa tio temeraria,
o governor se expde a critics que podem
ecoar ate 2002, trazendo, na baixamar do
efeito inverse ao pretendido, desgaste para
o candidate official que vier a ser escolhido.
Depois de ter formado um invejaivel caixa
pama investimentos, gragas ao equilibrio das
contas estaduais, mas principalmente a re-
ceita da venda da Celpa, o governor nio tem
um horizonte tio favoravel para os pri~xi-
mos dois anos.
Embora tenha langado oprojeto da Alga
Vibria, sua mais audaciosa obra, gamantindo
dispor de dinheiro suficiente em caixa para
tocar os servigos, tenta atrair recursos fe-
derais para ni~o ficar na mlio. Se para ree-
leger Almir Gabriel foi precise criar uma
ampla frente de investimentos, boa pate
deles de origem federal e outra de aliena-
950 patrimonial, agora seria precise repetir
a dose com ampliaFgo. Como o estoque de
verba previsivel 6 insuficiente, o governor
estai recorrendo aos velhos m~todos mer-
cantis do Estado, acreditando que a socie-
dade absorvera a facade sem reagir. A res-
posta definitive s6 sera dada em 2002.


sumo ou uso pela populagio (inclusive o
terrivel fumo, do qual o medico Almir Ga-
briel e um inveterado apreciador).
O caso do g~s de cozinha e o mais
perturbador. O produto nio constava da
mensagem enviada pelo executive ao le-
gislativo, como de regra, em period ex-
traordindrio (o que significa mais dinhei-
ro com menos trabalho para os parlamen-
tares, desde que votem a toque de caixa
matbrias que poderiam perfeitamente ser
apresentadas em sess~es ordinirias, com
o sinete de urgtncia, mas nho o do afo-
gadilho). Foi acrescido posteriormente, por
um ato de imp~rio do governador,
constitucionalidade (ou legalidade) o M~i-
nist~rio Puiblico, se comprovar sua inde-
pendancia, poderid questioner.
O Para saiu na frente no reajuste do
gis de cozinha e foi, at6 agora, o 6nico a
dar um aumento, que se junta a dois ocor-
ridos ao long do ano passado, chegando
a quase 15%, para uma inflagio que gra-
vitou em torno de 6%. Desta vez, nem
foi para reforgar a margem de lucro das
empresas, mas apenas para compens8-
las da mordida maior do erilrio, como elas
fizeram questio de destacar, embora em
notas divulgadas discretamente na im-
prensa, para nio tocar nas cordas mais
sensiveis do mau humorado ledo pidblico.
Com essa elevagio de aliquotas, o Pard
se junta aos Estados da federaqio com a
mais atrasada das visbes da gestio publi-
ca, arriscando-se a ficar numa posi~go
desfavora~vel para atrair (e consolidar) in-
vestimentos. E ainda castigando sua po-
pula~go mais pobre, que tem seus nerves
expostos para qualquer aumento de ghs e
energia sem cobertura salarial.
O governor, ali~s, diz ter sido obrigado
a recorrer a esse aumento de imposto para
fazer frente ao acertado reajuste do salii-
rio minimo. Com as novas aliquotas, a re-
ceita pri~pria estadual ganharia um refor-
go de quase 10% adicionais (ou 9 a 10
milhaes de reais), podendo responder pelo
novo encargo sem expor a administration
as sangbes da Lei de Responsabilidade
Fiscal, em funglo do percentual da arre-
cadagio comprometida com as despesas
de pessoal. Tamb~m seria a maneira de
ntlo diminuir a capacidade de investimen-
to do Estado, que quer estar em condigaes
de gerar obras e votos para a temporada
eleitoral que se aproxima (ainda mais se
novamente a m~iquina tiver que arrastar
um candidate oficialpesado).
O acionamento do mecanismo semi-
automitico, que compensa despesas com
a ampliaCio da carga tribut~ria, deixa 2
mostra a velha face mercantil de um Es-
tado que tinha a veleidade de se apresen-
tar comn um perfil modern, empreende-
dor. Tudo o que se vinha falando sobre o





JORNAL PESSOAL *2 QIQIZNZDENADEJNE IRO/2001 3


Nova capital:



uma conurbaqiio tucana


(2,84% ao ano) inferior as de Maritu-
ba (11.26%), Benevides (5.88%) e
Ananindeua (3,59%). Parcelas cres-
centes da populagio imigrante ja nio
se instalam na capital, preferindo as
cidades satblites. A entrada liquid
tamb~m foi atenuada pela said de mo-
radores da capital para os municipios
metropolitanos (e para outros, na mar-
gem oposta do Guam$).
Esse movimento espontineo pode
ser incrementado se o governador con-
siderar sua contestaeio um pouco mais
do que ret6rica, interferindo para que
a irea metropolitan de Bel~m deixe
de ser apenas um titulo pendurado na
parede. A integraqio entire os munici-
pios "conurbados" pela capital 6 mini-
ma. Motives nio faltam para eles se
unirem, mas a political age no sentido
do desentendimento, uma political ras-
teira, personalista, imperial. Se conse-
guisse estabelecer political comuns,
complementares, afinadas, o governa-
dor faria muito mais em favor de Be-
lem do que transferindo a capital para
outro lugar.
Mas enquanto isso nio acontece,
deve-se levar em consideraqio o mu-
nicipio, que exerce sua autonomia e ju-
risdigio apenas dentro do seu limited
territorial. Com o projeto de Belo Mon-
te, nio ha duvida que o governador est8
desferindo um golpe mortal em Bel~m.
Tirar-lhe a condi~go de sede adminis-
trativa do Estado significa priva-la dos
meios que ja possui para enfrentar os
mesmos problems, agigantando-os,
por conseqilincia. O resto 6 ci~ncia tu-
cana. Talvez bruxaria.


Poderoso, quando forgado a pole-
mizar, jamais cita o nome do conten-
dor ao qual est8 se referindo. Ngo po-
dendo center sua reaqgo, pune o de-
safeto impingindo-lhe o anonimato. E
trata de desqualificar o argument con-
trario atribuindo-lhe ignoriincia, despre-
paro, primarismo. N~io 6 ao critic que
responded, mas a si mesmo. Lambe as
feridas abertas. Cr2 no poder miracu-
loso de sua saliva.
Foi agindo assim que o governador
Almir Gabriel deu o tom da tr~plica na
controversial sobre o seu projeto de es-
tabelecer em Belo Monte, no Xingu, a
nova capital do Para. Sustenta que Be-
16m vai sofrer, sim, uma pressio de-
mografica capaz de transforma-la
numa megal6polis de 8 milhaes de ha-
bitantes dentro de quatro d~cadas.
Desdenha de quem (at6 aqui, s6 eu),
estabelecendo um paralelismo entire
Bel~m e Manaus, coloca a capital
amazonense no lugar que foi da capi-
tal paraense como metr6pole da Ama-
z~nia, simplesmente por ja possuir mais
habitantes.
Esse intragavel critic deve ter
pensado sua excel~ncia, antes de fa-
lar aos rep6rteres desconhece o fe-
nbmeno da conurbaqio, por isso pro-
clama semelhante besteira.
De fato, o municipio de Manaus tem
populaqgo superior ao de Bel~m, mas
a area metropolitan da capital do Pard
supera em habitantes a da capital do
Amazonas. Manaus niio se espraia por
municipios vizinhos, incorporando-os
ao seu tecido urban, "conurbando-
os". Mesmo porque jB concentra me-


tade da populaCio do Estado bar6. O
interior se pulveriza demograficamen-
te em um territ6rio de 1,5 milhio de
quilbmetros quadrados.
Incorporando Ananindeua, Maritu-
ba e Benevides, a popula~go metropo-
litana de Bel~m vai a 1,8 milhio de ha-
bitantes, ntimero que daria razio ao
governador. Daria, se o melhor crit6-
rio da verdade fosse o solil6quio (ou o
monblogo).



rdncia da anailise era o

78uniCl'pio, nd~o a area

meCTv~politana.
Recorrer a metropoliza~go ao se re-
ferir a uma das capitals, restringindo
o limited municipal as demais, 6 co-
meter um insanavel erro metodol6-
gico. Tgo imperdoavel quanto achat
que um sociblogo razoavelmente bem
formado pode nio saber o que signi-
fica conurbagio (o sociblogo, por sua
vez, nao p~e em duivida o profundo
conhecimento do governador em
questdes m~dicas, eximindo-se de it
desafia-lo nessa seara para nio se
expor ao ridicule).
Aceitando-se a indu~go do gover-
nador para uma analise metropolitan,
ainda assim se verifica que a conur-
ba~go, ao inves de agravar a situa~go
de Belem nesse conjunto, a alivia. En-
tre 1996 e 2000, Bel~m registrou uma
taxa de incremento demogra~fico


No censo de 1991, Bel~m era a
32" cidade do pais em m~imero de
favelas, com 20 delas. No ultimo
recenseamento, do ano passado,
pulou para a 10" coloca~go, ja com
93 favelas, bem aproximada das
cidades que est~io nas posiqdes
seguintes (Salvador, com 99; Osasco
e Belo Horizonte, ambas com 101).
Foi a cidade brasileira na qual mais
cresceu a quantidade de favelas


Doenga urbana
nesse period: 365%. Em Guarulhos,
segundo lugar em terms percentuais (e
em 4", em nuimeros absolutes), a
expansio foi de 112%. A faveliza~go
em Teresina, terceira em incremento,
foi de 93%.
Pode-se imaginar como virilo os
mi~meros em 2010 se o governador,
mudando a capital, a pretexto de
desestimular a migraqio para Bel~m,
privar a cidade dos meios que, em tese,


possui para enfrentar esse problema,
mas que nio usa, ou usa mal. O
maior problema de Bel6m, hoje, estai
dentro dela mesmo. E, a falta de
cuidados adequados, ou mesmo de
sensibilidade para descobri-los,
diagnostica-los e trata-los, crescem
patologicamente, como um tumor
maligno.
Uma comparaqio, alias, feita
bem a prop6sito.







4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE JANEIRO/ 2001


E por isso que d~cadas de viv~ncia com
os natives n~o imunizaram o notivel cien-
tista contra uma visio estereotipada, que tra-
duz em linguagem exclusivamente mercantil
a desconflanga arraigada do cabocio e seu
instinto do negocio como forma de defesa,
um instinto de sobrevivincia que costume
chocar os bwanas.
Quando eles nos falam, esperam que
acatemos comn humildade obsequiosa suas
frases, muitas de mero efeito, porque sho
os sabios, os elements de ponta do co-
nhecimento, que as vezes nos encaram com
bonomia, bondade ou benevolincia, mas do
alto, de cima para baixo, patriarcais. Mas
jB sabemos que niio slio deuses. Feito esse
expurgo, tamb~m n~o somos santos, nem
detentores da verdade pelo simples fato
de aqui terms nascido. Devemos ser inte-
ligentes e corajosos: a tudo ouvindo; mas
tudo submetendo a nossa analise. E, se
possivel, deliberagso.



Ll be ral x


G overn o:po r


0 ra, g ue rr ilha

Ainda niio foi desta vez que houve o
rompimento entire o grupo Liberal e o go-
verno do Estado. Mas nunca as relaqdes
entire as duas parties, aliados incondicio-
nais at6 recentemente, estiveram tilo frias
como agora. A tensho, que vinha crescen-
do desde a divulgagao da pesquisa do lbo-
pe na vtspera do 2" turno da dispute para
prefeito de Beltm, se agravou quando O
Liberal publicou um citustico editorial de
primeira piigina, no dia 30 de dezembro,
condenando o "palpite infeliz" do gover-
nador Almir Gabriei, de transferir a capi-
tal para Belo Monte, no Xingu (ver Jor-
nal Pessoal 250).
A decislo de reagir ao projeto do go-
vernador ji estava tomada e o editorial en-
comendado, no dia 28, quando aconteceu
um incident commercial que azedaria ainda
mais o ambiente. O journal pretendia rece-
ber um caderno de quatro paginas de pu-
blicidade estadual para a edi~go especial


dos trechos da entrevista que mais polbmica
esta provocando toca em tabus e mitos, com
impropriedades, 6 certo mas mexendo com
feridas mal curadas, colocando-nos diante do
desafio de ver a realidade:
"FMA E os institutes de pesquisa
como o INPA, Museu Goeldi, qual o pa-
pel deles?
Vanzolini Muito ruim, 6 zero. Ngo t~m
densidade cientifica para pesar. A qualidade
da pesquisa 6 muito ruim, a consci~ncia de-
les e muito primitive.
FMA Mas nunca teve qualidade?
Vanzolini Quer dizer, de vez em quan-
do vocC tem um [Philip] Fearnside no INPA,
porque aconteceu um cara bomn. O Museu
Goeldi nunca teve nada que prestasse, nun-
ca. Comegando pelo Goeldi, que nito gostava
de brasileiros.
FMA Que histbria 6 essa?
Vanzolini O Goeldi era racist, ele nio
gostava de brasileiros. Ele era um suigo-ale-
m~o que veio para cl naquela col~nia suiga
de Teresbpolis, no final do sdculo passado.
Um exemplo: o Carlos Moreira, que foi o
primeiro especialista em crusti~ceos que teve
no Brasil, era do Museu Nacional e era loi-
ro. Um dia o Goeldi chegou para ele indig-
nado: O senhor mentiu para mim. Eu esta-
va certo que o senhor era anglo-saxso e o
senhor 6 filho de portugueses. Deu a maior
bronca no Carlos Moreira porque nio era
anglo-saxlio. Outro exemplo: quando a Ins-
petoria de Pesca, no Rio de Janeiro, com-
prou um navio chamado Annie, que tinha
um trol com uma rede de 200 metros, come-
gamos a conhecer as esp~cies da costa do
Brasil. Foi uma loucura, o que comegou a
entrar de peixes que nito se sabia que existi-
am no Brasil. O icti(,logo Alipio Miranda
Ribeiro, que era do Museu Nacional, come-
gou a descrever as especies. Sabe o que o
Goeldi fazia? Ia ao mercado, comprava os
peixes do Annie e mandava para o Museu
Britinico. Resultado: o trabalho do Tate Re-
agan, icti61ogo do Museu Britinico, saiu
quase ao mesmo tempo do trabalho do Ali-
pio Miranda Ribeiro".
Hg um indisfarqdvel acento colonialists
nas declaragoes de Vanzolini, tipicas dos per-
sonagens da metr6pole national que peregi-
nam pelo sertho amazinico, dele retomnando
as suas sedes com a tibua dos mandamentos,
as verdades cientificas e um conhecimento
que, mesmo baseado em vivtncia real, acaba
alterado por exotismos, exageros e uma dose
de presun~gio refratiria g auto-critica.


Paulo Emilio Vanzolini merece respeito
nio apenas pelos seus 76 anos. Tamb~m por
ser um dos mais importantes zoblogos do
Brasil, al~m de compositor de miisica popu-
lar e poeta. E por quase meio s~culo de inte-
resse, dedicaq~io e produ~go cientificas, so-
bretudo na Amaz6nia. Tem que ser ouvido,
mesmo quando suas opiniBes, freqilentemen-
te apresentadas com exaltagio e passionalis-
mo, nos chocam. Ele fala com conhecimento
de causa. Mas nem sempre comn a razio. E
obrigat6rio respeit8i-o. Mas niio 6 obrigat6-
rio aceiti-lo.
Uma entrevista dele 8 61tima edi~go da
Folha do Meio Ambiente, de dezembro do
ano passado, esti provocando polimicas e
iras. Com e sem razlio. O que disse o paulis-
ta Vanzolini de til grave?
Disse coisas que sito absolutamente
sensatas e corajosas. Como sobre a atitu-
de que deve ter o Brasil na fronteira ama-
zanica, certamente desagradando g esquer-
da (aos que querem tomar o tema como
mote de unitio com militares nacionalistas
para novas aventuras nasseristas)e e di-
reita (aos que inventam fantasmas para
tomb-los como bandeiras de aqaes que
sabe-se como comegam, mas nio como ter-
minam). Os problems existentes (do nar-
cotrifico B pirataria cientifica e comerci-
al) ao long de tlo extensas linhas de fron-
teira, em sirea de tanta complexidade, de-
vem ser enfrentados de frente. Justamente
por isso, sem emocionalismos, preconcei-
tos e excess de voluntarismo.
Vanzolini destaca o papel fundamental
das forgas armadas nessa fronteira, na qual a
natureza ainda predomina sobre o home,
de cuja esp6cie os indios slio o element hu-
mano definidor. Mas adverte que, agindo
como missionitios, faniticos e dogmaticos
(tal como muitos integrantes de ONGs), exa-
geram nas avaliaqdes geopoliticas que fazem,
deduzindo de tudo o dedo de uma potencia
estrangeira empenhada em se apossar da
Amazdnia: "Pode fazer besteira. De repente
eles se metem a defeder a Patria AmadalIdo-
latrada e sai um tiroteio danado".
As Organizagaes nio-Giovernamentais
tambtm estlio no rumo da metralhadora gira-
t6ria de Vanzolini, que, para acertar, genera-
liza arbitrariamente, metendo todos numa
cambulhada de nadas. Comete injustigas, mas,
mesmo apanhado nesse pecado, diz coisas
que deviam ser tomadas como pretexto para
reflexes dissociadas de provincianismo, es-
airito de corpo, oportunismo e malicia. Um


Vanzolini: fala


o bwana paulista







JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE JANEIRO/ 2001 5


Tudo indica que Jader Fontenele Barba-
lho chegou ao maximo da sua carreira poli-
tica. Ocupou todos os cargos possiveis de
alcanqar em uma eleigio e o topo do execu-
tivo federal, sendo por duas vezes ministry
de Estado. S6 nio foi, ate agora, president
e vice-presidente da Republica. E pratica-
mente impossivel que venha a sb-lo algum
dia, embora certamente tenha incluido, en-
tre os projetos de sua senatoria, viabilizar
seu nome como companheiro de chapa de
um candidate presidential com maior den-
sidade political national do que ele. Agora,
o maximo a que pode aspirar 6 ser presi-
dente do Senado, tornando-se o segundo na
linha sucess6tia de Fernando Henrique Car-
doso e o chefe da climara legislative mais
influence do pais. Conseguira?
A\ distlincia de Brasilia, sem condigies de
participar das conversas de bastidores, as que
realmente decide as votagies em plenbrio, res-
ponder a essa duivida passa a ser um lance de
jogo de azar. Mineiramente, pode-se dizer que


Jader ainda 6 o candidate mais forte a sucessio
de Antdnio Carlos Magalhies, contra a vonta-
de manifesta e militant do politico que ainda 6
o mais poderoso de todos (mas ja nem tanto:
sua exubera-ncia se parece 8quela revitaliza~gio
que precede o fimn).
A vantagem de Jader pode ser de 50,1%
contra 49,9%, o que nio e pouco se conside-
rado que enfrenta a fuiria de ACM como ne-
nhum outro antes. Qualquer maresia pode afo-
g8-lo. Se chegar a praia, sera como um naufra-
go, salvo milagrosamente de ondas violentas,
ji sem fblego, desgastado por uma travessia
que lhe deu, finalmente, uma projeglio como
nunca havia tido, mas negative, estere~tipo
do que ha de pior da imagem do politico na
consciencia popular.
Mesmo que venga, o president national
do PMDB se livrari do estigma das vitbrias de
Pirro? Podera bem conduzir o Senado? Preva-
lecer8 sobre seus muitos adversirios, alguns
levados ao paroxismo? Conseguirai impor res-
peito, eliminando ou pelo menos atenuando a


ptssima imagem dele projetada pe los princi-
pais 6rglios da imprensa?
Uma analise realista da situaglio poderia
aconselhar o ex-governador a procurar uma al-
ternativa intermediaria entire a vit6ria e a der-
rota, uma said honrosa. Mas ela ainda existe
(se 6 que foi possivel alguma vez)? Niio se deve
duvidar da capacidade mimetica dos politicos e
de sua inventividade. Por isso, emelhor nio
descartar de todo essa hipbtese.
Mas tanto Jader quanto ACM chegaram a
um limited que mesmo o esti~mago descomunal
da especie ja parece incapaz de suportar o me-
nor dos batraquios. Talvez so, o president da
Repuiblica, usando o poder que o cargo lhe con-
fere, especialmente o de encontrar compensa-
95es, podera impedir que a evoluqilo da vora-
gem chegue ate o plenario, no dia da vota~go.
Imagina-se que ambos poderiam sair derrota-
dos e vencedores. Jader niio seria o president
do Senado, apenas indicando-o. Vititria do bai-
ano. Mas aumentaria sua presenga no govemo.
Vitibria do paraense. Esquema talvez vibvel se
o ocupante do Pal~cio do Planalto nito fosse
FHC, o dubidativo.
Independentemente desse desfecho, nada
al~m da presidtncia da cimara alta esti ao al-
cance previsivel de Jader Barbalho. E aqudm?
President do Senado, poderia trabalhar me-
lhor sua reeleiqiio, quase assegurando-a desde
jB. E uma tentaqgo e a hip6tese mais factivel,
ainda mais porque, sem outro nome equipard-
vel ao seu, Jader poderia entrar comnmais faci-
lidade numa forte coligagio, cedendo acandi-
datura ao governo ao seu parceiro para reforgar
ainda mais oseu cacife.
Mas pode ser o canto da sereia. Mais oito
anos garantidos em Brasilia, com uma vida mais
cosmopolita,1levariam o senador a voltar a en-
fraquecer os vinculos politicos com sua base
eleitoral, queja comegavam aficar d~beis quan-
do, na elei~go do ano passado, ele decidiu rea-
viva-los (o quej jparecia improvivel). E uma
sedughoe tanto paraquem identifica nessa base
a origem da ma fama que o acompanha pelo
pais. Mas como d~o eliminar8 as causes reais
do problema, Jader apenas destruird o espelho
no qual elas se refletem.
Talvez se possa apostar que a curva de in-
fluincia do politico mais poderoso no Par~des-
de Jarbas Passarinho (antecipando-se, gragas a
outro coronel, ao surgimento da Nova Repu-
blica, em 1985, que p6s fim formalmente ao
ciclo dos governos militares) comeg~ara a infle-
tir. Para baixo, naturalmente. Uma tend~ncia
histbrica, mas cujo grau de determinismo ainda
poderi ser ponderado por atos de vontade. Em
que media, nito se sabe.


de fim-de-ano, tratando de fazer chegar a
mensagem ao gabinete do governador. Mas
de 18 saiu a orienta~go: 0 Liberal iria re-
ceber a mesma cota programada para os
outros dois didrios. Ou seja: uma pigina
de anuncio official.
Romulo Maiorana Jdnior, quem toma
as decisbes no journal (embora seu nome
continue de fora do expediente), ameagou
retaliar. A ameaga nlo gerou efeito algum.
O editorial, que jriestava pronto, mas pen-
dente de decislo, foi mesmo para a pri-
meira palgina, algo raro na publicaglo, mas
sem a assinatura de Rominho, ao contrbrio
do que ele costuma fazer em mementos que
julga 6picos, digamos assim. Ranger de
dentes e fungadas de indignaqio na granja
do Icui, mas o silencio persistiu. Rominho
decidiu, entio, nio publicar no domingo a
pagina de publicidade do Estado.
Mas na segunda-feira pensou duas ve-
zes. Mesmo sem autorizaCio explicit, aca-
bou determinando a insergio, feita na ediglo
de quarta-feira. Formalmente, contrariou o
que constava da autorizagilo do anuncio, pro-
gramado para a edigilo dominical e nito de
quarta-feira. Segundo informaqdes do gabi-
nete, oficialmente li consta que o anuincio
nito foi publicado. A empresa- ou a agencia
que tem a conta da publicidade official, a Gri-
ffo- teria que comunicar a mudanga e solici-


tar nova autorizagilo. O que ainda n~io teria
sido feito at6 o inicio desta semana.
Almir Gabriel n~o gostou nem um pou-
co desse enredo, mas preferiu, ao menos
por enquanto, nito avangar para um con-
fronto aberto. O grupo Liberal continuou
a receber todos os anlncios programados
para veiculaglo, mas, desde o epis6dio,
estii nivelado aos outros jornais didrios,
que tim uma tiragem muito menor. Na prs-
tica, essa diretriz significou que tanto o
Dicirio do Pard, que pertence a um adver.
sbrio politico, o senador Jader Barbalho,
quanto A Provincia do Para, o journal de
menor circula~go, tiveram sua cotagilo ele-
vada. JB O Liberal, que tinha tratamento
especial, em fungo do seu maior peso co-
mercial e por ser um parceiro politico da
administraCio estadual, vai faturar relati-
vamente menos, ji que tem despesas ope.
racionais mais elevadas e altm disso -
pretens~es muito maiores.
A coexistancia pacifica entire o gover-
no tucano e o Sistema Romulo Maiorana
sera cada vez mais tacita e titica. Nenhum
dos dois lads 6 suficientemente forte para
encarar uma guerra declarada, nem fraco o
bastante para ser ignorado. Travario uma
guerra de guerrilha at6 surgir uma boa oca-
sitio de ataque. Ou renegociario o pacto,
em terms que conhecem muito bem.


Jader Barbalho:


Hamlet tropical







6 JOURNAL PESSOAL 25 QUINZENA DE JANEIRO/ 2001


"insight", na eureca, naquele estalo que faz os
problems mais complexes ganharem na mente a
simplicidade e nitidez do canto de um sabia.
Creio que tenho condigaes de ser um grande
e respeitavel filosofo. E claro que, como o se-
nhor, tio logo descobri minha vocaqio, entrei
em pinico, porque a filosofia, naturalmente ge-
rada pelo espanto diante do mundo, pela dor que
o pensamento causa ao espirito quando este se
p~e a questioner a existancia e suas relagies, em
mim tem se configurado por pensamentos ainda
embaralhados, vindo g tona como violentas, pro-
celosas vagas no mar, que queremn derrubar tudo
o que encontram pela frente, e n9o sei se um dia
terei um m~todo para ordend-los de forma 16gica
e consistent.
Caso encontre esse m~todo, ainda terei que
me preocupar em como reagir aqueles que dis-
cordarem de meus pensamentos. Tenho a ten-
d~ncia, pela certeza de minha genialidade, de re-
duzir g condi~go de vermes, biltres, insanos,
pulhas, todos os que nio concordam com os meus
pensamentos ou a eles sequer chegam compre-
ender. Pois, como ousam falar contra algo que
nio entendem? E como dar socos no ar, como
dizia o apbstolo Paulo.
Por falar em insanos, carol f il6sofo, o Sr. Pin-
to, a quem mui gentilmente o senhor tratou em
seu direito de resposta na revista Epoca, n" 136,
de 25.12.00. e meu conterrsineo; trata-se do jor-
nalista, sociblogo, professor universitbrio e es-
critor Luicio Flivio Pinto. Escreveu al gun livros,
a maioria sobre a realidade amaz~nica, edita o
Jornal Pessoal, escreve para jornais daqui de
Bel~m, e recentemente entrou para a rela~go de
correspondents do journal O Estadlo de S. Paru-
lo. Nio lhe causa esp~cie que um ser tio destitu-
ido de densidade intellectual, mediocre mesmo,
comn um curriculo risivel, tenha sido contratado
por um grupo tio sdtio como o que comanda
aquele jomal? Quem sabe o senhor possa atestar
toda a mediocridade desse insane quando ele es-
crever algum artigo no Estaddio.
Crendo que o senhor, carol filbsofo, cumpri-
r5i a promessa de responder a todos que lhe es-
creverem, aguardo ansiosamente sua resposta,
pois dela depend todo o meu future.
Cl6vis Luz da Silva


IFTp Osto
O IPTU 2001 ji esti nas ruas. A prefeitura
faz um esforgo para apresenti-lo ao contribu-
inte com uma imagem de seriedade e justiga,
depois dos arranhdes e desgastes do ano pas-
sado e de um acervo de descr~dito que parece
acompanhar o tribute desde sempre. A causa
mais profunda seria a rejeiglo do brasileiro a
qualquer forma de taxa~go patrimonial, fen8-
meno de amplitude national. Mas o quadro se
apresenta em tintas mais fortes em Bel~m.
Tudo o que a prefeitura poder8 arrecadar
com o IPTU langado neste ano 6 uma quarta
parte do que esti registrado na divida ativa. Ja
hB 15 mil aqdes executives na justiga. Apenas


Filosof ia
Caro jomalista Lutcio Fl~ivio Pinto,
Escrevo-lhe esta carta em protest de solidari-
edade faceaagress~ioasuapessoa~comohomeme
professional, por meio do arrogante direito de res-
posta do fil6sofo Olavo de Carvalho. Alheio aos
verdadeiros motives que levaram o indigitado a ser
t~io descortbs, somente posso supor que se trata do
fruto de uma relaio patoli~gica do fili~sofo com o
seu ego, o qual nio admite ser contrariado minima-
mente. Albm de ser desonesto, nio admit indo ser
um intellectual a serving das elites que mandam nes-
sepais, ele se mostrou um covarde que foge ao bom
combat, o das id~ias, preferindo atacar com me-
neios e muxoxos sofisticos (e grosseiros, sobretu-
do) a quem inteligentemente oquestionou.
Envio-lhe o texto integral da mensagem que
enviei ao filbsofo Olavo de Carvalho, pore-mail,i
revista Epoca, ji que nio consegui o do pri~prio.
Quando digo integral,6porque vai exatamente como
escrevi, inclusive com oerro de concordincia qe
grifei, pela insia com que o produzi.
"Prezado Fil6sofo Olavo de Carvalho,
Tenho lido com aten~go seus artigos, tanto os
que exp~em seus pensamentos quanto os que se
dedicam a refutar as critics daqueles que do se-
nhor discordam. Em face dessas leituras, uma dui-
vida imensa tem me perseguido: ser ou nio ser
fil6sofo? Tenho 34 anos, e resolvi que quero ser
f ilbsofo, como o senhor. O problema 6 que, lendo
seus artigos, conclui que para ser f ili~sofo e neces-
sario um astissimo conhecimento, e uma erudigio
que lhe db adomno, para que os meus leitores se
impressionem com minhas teses.
O outro problema, carol fil6sofo, 6 que eu
nio sou humilde, e descobri que todos os gran-
des sabios, exatamente pela vastid~io de seus co-
nhecimentos, demonstravam uma incrivel capa-
cidade em reconhecer suas limitaqdes, aoponto
de o grande Sdcrates afirmar que s6 sabia que
nada sabia!
Eu meconsidemoalgu~m com inteligencia aci-
mada media. Por~m, contrariando aquela asserti-
va segundo aqual quemtem grandes potencialida-
des cedo se conscientiza delas, somente depois
dos vinte anos 6 que descobri minha incrivel habi-
lidade em abstrair, em elaborar pensamentos pro-
fundos, n5io alcangaveis pela maioria dos homes.
O senhor acredita que eu tirei um 9,5 e duas notas
10 nas tres primeiras provas de filosofia do cursor
de Ciincias Sociais da UNESPA, hoje UNAMA,
Universidade da Amazi~nia? Eu tenho as provas
(nos dois sentidos), cas oosenhor queira atestar a
veracidade do que lhe afinno.
Ali~s, esse e mais outro dos meus proble-
mas, a falta de persist~ncia. Por duas vezes aban-
donei a Universidade, e agora presto vestibular
para Letras, na UFP". Nio creio que precise es-
tudar filosofia para ser um fil6sofo, assim como
ha jornalistas que exercem essa profissio sem
ter um diploma de jornalismo. Sigo o exemplo
dos grandes fili~sofos que nio tiveram formaqio
academica, tendo tido na vida, no mundo, a fon-
te de todo o seu saber. Creio na intui~go, no


Ca rt as

Cap t
Acabei de ler a matbria de capa do 6ltimo
Jornal Pessoal. Se Almir Gabriel conhecesse
um pouco mais de histciria saberia que os por-
tugueses foram capazes de manter o control
de um imenso impbrio por quase 4 s~culos (hi
inclusive estudos sociol6gicos sobre o caso, cha-
mados "long-distance control"). A ideia que o
governador langou, de transferir a capital para
o centro geografico do Estado a fim de diminuir
as tenses separatists, 6 de uma infantilidade
que faz rir!!i Se os portugueses tivessem feito
algo semelhante, hoje a "metr6pole" lusitana
estaria na Africa, ou seja, a meio caminho do
Oriente e da Ambrica do Sul. Francamente, a
proposta do govemnador s6 se explica por inte-
resses inconfessados. O que estaria por tras?
Quanto g "li~gica iK", 6 mal explicadaat6 hoje.
A id~ia de transferir a capital do Brasil para o
centro do pais data, na verdade, do s~culo XIX,
quando fazia diferenga para um pais ter uma capi-
tal protegida das armadas europ~ias (e quando ain-
danio existiam avid~es, misseis transcontinentais,
bombas ati~micas nem sat61ites). Somente nessa
6poca seria justificavel semelhante loucura.
Nelson Sanjada SP


"Bispo
Fiquei surpreso ao saber pela coluna Infor-
me JB, publicada na edi~go do Diario do Para
de 09/01/2001, que o bispo Edir Macedo, o
todo-poderoso lider da Igreja Universal do Rei-
no de Deus (IURD), esta pedindo filiaqlio ao
Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.
Ora, ja nio bastam os picaretas menores para
desonrar a categoria, agora aflora mais este.
Considerarei uma afronta aos profissionais de
imprensa que militam diariamente no Brasil se
o Sinjor do DF acatar esta (absurda) solicita-
Fgo. Imagine, ter como colega o Edir Macedo!
Me sentirei envergonhado.
O home 6 um farsante. Primeiro, como
lider religioso. Construiu um imperio exploran-
do a boa-f6 dos incautos. Ele mercantilizou as
Escrituras Sagradas. Transformou a religiio em
mercadoria. Fez de Deus um instrument de
barganha. Segundo, como cidadio. Parte da ri-
queza obtida com sua religiio apbcrifa 6 envia-
da, na surdina, para o exterior. O Edir Macedo
esti se lixando para os brasileiros menos afor-
tunados. E um predador. Igual a FHC, Arminio
Fraga, Pedro Malan, e por ai vai.
Voc6, como jornalista influence que 6, nio
pode deixar essa afronta passar em brancas
nuvens. Precisa denunciar tal pretensiio. Com
certeza, estimado Luicio, voc6 estarai prestando
um servigo a todos os brasileiros. Afinal, para
que Edir Macedo quer o registro de jomnalista?
Um abrago do colega e fa.
Emanoel Reis








JORNAL PESSOAL *2, QUINZENA DEJANEIRO/ 200 7


sentativo. E sentenga definitive? Talvez. Nem
sobrar8 o console de voltar a ser o entreposto
commercial da Amaz~nia. O rio Amazonas ja nio
6 o unico caminho de entrada e said, nem mes-
mo o mais important. Arterias artificiais fo-
ram abertas na floresta para aproximar merca-
dos e fontes de materia prima dos centros pro-
dutivos. Belem foi deslocada. Seu combrcio, que
um dia pretendeu erigir na roa 15 de Novembro
uma reproduCio de Wall Street, a base do avia-
mento dos altos rios, repletos de seringueiras
f~rteis, terd o papel de coadjuvante.
Mas quem, entio, sera! o principle das trans-
formagies? A informaqio. Com suas universi-
dades, institutes de pesquisa, museus, bancos
de dados, autarquias pliblicas, mio-de-obra e o
acervo de uma hist6tia de quatro seculos, petri-
ficados ou desfigurados, Bel~m recuperarai sua
hegemonia ao se qualificar para ser o interlocu-
tor autorizado e legitimo da Amazbnia com o
mundo, a instincia capaz de inserir a regiio na
globalizaCqio sem ser por ela engolida-e tamb~m
sem transformai-la em fantasma do meio-dia.
Todas as informagaes relevantes, todas as
fontes produtoras de conhecimento, todos os
elos das cadeias que se tecem de dentro para
fora (e em sentido contri~rio), terlo que passar
pela metrbpole estuarina, capaz de olhar para
o mais vasto de todos os hinterlands do plane-
ta e com condiqbes de descortinar um mundo
de interesses convergentes para a Amazi~nia.
Mas se quiser desempenhar essa fun~go, Be-
16m tera que passar por uma revolu~go, que
nio seja iluminista apenas no discurso e na re-
tbrica publicitbria, capaz de liberta-la dos an-
drajos do sub-emprego, do lumpen, da mentali-
dade perif~tica, do provincianismo auto-sufi-
ciente porque medriocre.
A capital nio tem que ser deslocada. O desa-
flo 6 fazer Bel~m chegar a toda a Amaz6nia e


Em 1908, ap~s 25 anos de constru~go, foi con-
cluida a Estrada de Ferro de Braganga, ligando a
capital ao seu hinterland mais acessivel, a atual
Zona Bragantina. Quatro anos depois as vendas
de borracha comegaram a cair e o prego desmoro-
nou. Ate 1920, Bel~m ainda era a terceira mais
important cidade do Brasil. Depois, sucumbiu a
uma decad~ncia desenfreada. A populaCgio do Pard
diminuiu, at6 em terms nominais, entire 1920/40.
Ngo 6 de surpreender que esse period seja
conhecido como uma Idade M~dia estadual. Mas 6
de espantar que esse conceito se mantenha ate hoje;
pois se faltou a folia do monop61io internacional
da borracha, com um desvario de gastos nio re-
produtivos, n~io faltou imaginaqio para criar uma
induistria de transformaqio, que chegou aproduzir
capas de chuva, sapatos, impermeaveis e alguns
outros artefatos. Assim como manufaturas apro-
veitando derivados de couro, tecelagens, metaluir-
gica. Tendo que usar o mbvel das maravilhas em
um regime capitalist: o capital de risco.
Mas os distritos industrials de Belem, implan-
tados entire os igarap~s do Reduto e das Almas -
duas docas de acesso fluvial ao interior da cidade,
ainda com tragos de Veneza tropical-ouaoliongo
das rodovias Arthur Bemardes e BR-3 16, viraram
cemitbrios de sucatas, agora emreciciagemparaa
economic quatemaria, de servigos.
E o "sinal dos tempos", segundo o qual uma
Bel~m industrial "ja era'? Provavelmente. Saindo
ou entrando em Bel~m, pelos 40 quil6metros da
BR-316, qune exigiram muitos anospara serem fi-
nalmente duplicados, pode-se encontrar um sim-
bolo desse estado de coisas: duas importantes in-
d~istrias, subsidiadas pelos incentives fiscais, com
suas carcapas quase integmas, mas desprovidas do
seu compio, as miquinas, remanejadas na surdina
(como, depois de terem ido, parece estar vindo o
maquinarito movedigo de uma fibrica de cimento).
Bel~m nio ter8 um setor industrial repre-


reabrir os caminhos que ligam o interior (que
pode alcangar o Pacifico e o Caribe) a sua metr6-
pole. Ao invest de despejar 50 milh~es por ano
em Belo Monte, na perspective de uma d~cada,
o govemador tem que aplicar esse dinheiro em
algo que nio seja uma brincadeira narcisista de-
brugada A janela de um rio, como se o rio fosse
uma circunstilncia e o servigo puiblico fosse uma
franquia de narciso. Meio bilhio de reais em 10
anos 6 um bom program para o reforgo dessa
engrenagem quatemrniia de informacqdes, de ex-
pertirse, de conexiio mundial, de multiplicaqio das
habilitagies e ref inamento do saber.
Para voltar a set a metri~pole da Amazinia,
condicgio que perdeu para Manaus, segundo o
61timo censo, sendo esta a capital de um artifi-
cio fiscal e tributarria encravado no sertso hum-
boldtiano (ou euclideano?), Belem precisa ser
uma capital do mundo, voltando a ser bnica,
como o foi nos sonhos oitocentistas do Mar-
ques de Pombal e de Mendonga Furtado, O ir-
mio que para ca mandou.
Sonhos que a hist6ria irrealizou e que, ago-
ra, cumpre retomar, nio na perspective de um
novo pacto colonial, mas justamente do seu
inverse: a liberta~go de toda e qualquer canga-
lha ultramarina, fazendo que naspa de seu ven-
tre o agent que vai impedir a consumaCio des-
se "destino manifesto": a informacqio e o saber
fazer, a serving de uma empreitada de realiza-
950 da utopia amaz6nida.
Essa utopia deve compreender desde um
centro de estudo e tratamento de agua a um
n~icleo de comercio exterior, de uma escola de
minas e metalurgia a um campus de pesquisa
em biodiversidade (no que resta da floresta do
AurC1), ferramentas que amplificar~o a voz da
Amazinia nio apenas em decib~is, mas na au-
toridade que conta neste novo mundo em for-
maqio: a da intelig~ncia.


dois leilies resultaram dessa cobranga at6 ago-
ra. Em ambos os casos, o erairio nio viu a cor
do dinheiro porque sobre os imbveis inadim-
plentes incidia uma hipoteca do agent finan-
ceiro. Ha mais 10 leilies em andamento. Ngo 6
provavel que seu desfecho seja distinto.
A maioria das agies nem terminal: a prescri-
g:o, de seis anos, ealcangada semqueoreu sequer
seja citado. Como a prefeitura decidiu proper as
aq~es contra devedores antes que suas dividas se
tomnem incobrilveis, o que ocorre em cinco anos,
hB uma m~dia de 20 a 30 agaes publicadas todos
os dias no Di~irio da Justiga. Mas elas tramitam
por apenas duas varas do fi~rum de Bel~m, desde
a metade do ano passado especializadas nas cau-


sas da fazendap~iblica,mas querecebemainda as
demands do Estado. Sempre, por isso, estao com
excess de trabalho. Ngo podem dar conta das
necessidades doerario.
O ideal seria que funcionassem quatro varas,
duas dedicadas g fazenda estadual e duas a fa-
zenda municipal, dando conta dos processes
antes que eles mergulhem no pogo sem fundo,
que estimula os maus cidadios. Basta acompa-
nhat o DiBrio da Justiga para constatar que a
relutincia de muitos dos devedores e infundada.
LB estio notbrios freqilentadores das colunas
socials, ostentando uma afluincia que nio se es-
tende aos seus compromissos com o fisco.
A contmapartda da administma~piopblica, al~m


darealiz~ag dos servigos de ula algadaa e do bomn
e respeitoso atendimento ao contribuinte, por
enquanto ainda uma quimera, seria uma melhor
presta~go de contas. Ao invbs de plantar na im-
prensa peas publicitalrias que atendem mais os
interesses do eventual detentor do cargo publico
do que os da coletividade, a comuna podia resta-
belecer uma pratica de passado recent: publicar
nos jornais um boletim mensal da anrecadaCio efe-
tuada, com o m~ximo de detalhe de interesse phi-
blico, ao lado das despesas, tamb~m discrimina-
das. Sem firulas de marketing. Sem discurseira.
Talvez ai as relaqdes entire o contribuinte e
o agents arrecadador pudessem chegar a um
patamar de entendimento, em favor da maioria.


Bel 6m: de no vo,


a capital amazomica











Dualidade
O grupo Liberal e contra a cri-
agio do Estado do Tapaj6s. O
principal executive da corporaio,
Romulo Maiorana Jlinior, ja disse
isso em editorial de primeira pigi-
na, provocando reaCpo indignada
em Santarem. Mas, ao que pare-
ce, apoia a cria~go do Estado de
Carajas, atrav~s do desmembra-
mento de 38 municipios do sul do
Para .
Com o patrocinio do projeto
"Andando pelo Para", que tem
como sua estrela o mesmo Romi-
n~ho e parceira a Companhia Vale
do Rio Doce, foi relangada a cam-
panha em favor de Carajas, na
semana passada, com a perspec-
tiva de que, desta vez, o objetivo
sera alcangado. A aparente con-
tradigio result de uma sofistica-
da reflexio sobre a possivel diver-
sidade das duas pretensies ou a
algo mais chao e pragmatico?


Erro
Nin gu~m faz omelete sem
quebrar ovos, alerta o velho dita-
do popular. Inevitavelmente o ve"
reador Joaquim Passarinho teria
que cometer erros ao tentar sa-
near a Cimara Municipal de
Belem, que chegou a uma situa-
950 de insolv~ncia. Agradar a
gre gos e troianos estava fora de
cogitagio. Ele assumiu a presi-
dancia da casa, gragas a tercei-
ra vitbria seguida do govemnador
Almir Gabriel sobre o prefeito
Edmilson Rodrigues, no campo do
inimigo, com a espada da Lei de
Responsabilidade Fiscal pendente
sobre o seu pescogo.
Mas o vereador s6 nio podia
cometer o erro no qual acabou
incidindo: transferir para tercei-
ros a responsabilidade do seu ato.
Ele podia chama-la diretamente
para si, former uma comissflo in-
tema ou contratar uma auditagem
externa. Preferiu fiar-se na as-
sociaq~io dos funcionarios, envol-
vida na questio, para relacionar
os servidores a serem demitidos.
Comprometeu, assim, a lisura e
a isen950o de um procedimento
que poderia ser atacado por va-
rios lads, menos por esse. O que
deveria ser uma decisio admi-
nistrativa acabou se tornando um
ato politico. Pode arranhar o ne-
cessario esforgo de recuperaqio
do legislative da capital.


__


Praga
Gragas, principalmente, a
Augusto Meira Filho, Bel~m
recuperou sua mais bela pra-
ga, a da Repuiblica, que deft-
nhava na passage da deca-
da de 60 para a de 70. E uma
das mais valiosas j6ias da ci-
dade. Niio pode voltar a ser
destruida por essa combinaFio
de vandalism particular com
omnissio official
A falta de uma regulamen-
tagio do uso do logradouro e
de um seguro cumprimento
das suas previsbes tem feito
agravar as chagas que siste-
maticamente estio sendo
abertas na praga. Nglo se vol-
ta mais integralmente ao sta-
tu~s quo ante, mesmo comn as
vassouradas que se seguem as
apresentaqdes, ou os paliati-
vos a utilizaq~io do lugar como
sitio de moradia, um uso mais
do que indevido, agressivo.
Ou a prefeitura restabele-
ce as posturas municipals na-
quilo que ja esta se tomnando
uma terra de ninguem, impon-
do a reconciliaqio da praga
comn sua natureza e serventia,
ou a sociedade trata de suprir
essa lacuna, antes que os ma-
les isolados se fundanm num
mal maior, talvez definitive.


Formula
Se quiser reeditar o bem
sucedido reveillon de 2001 na
Estag50 das Docas, o gover-
nador Almir Gabriel tera que
tomar uma provid~nc ta: pe-
dir para o seu secretario de
cultural, Paulo Chaves Fer-
nandes, entrar novamente de
ferlas no mesmo period, s6
voltando quando tudo ja es-
tiver decidido. Desta vez, se
possivel, o brilhante arquite-
to bem que podia it nio para
a Europa, como fez no ano
passado, mas para a China.


"Promo ho"
Estranhos os critbrios da
administration municipal de
Belem. Manfredo Ximenes
fez um trabalho tio elogiado
em Icoaraci que foi "promo-
vido" para o distrito de Mos-
queiro. tipico crescimen-
to como rabo de cavalo.


JO fill1 PeSSOal
Edilor: Luclo Flsvio PnIIIIJ Fones: 1(0911 223.N.290 (lone-far a 241-2 1
contato: In tienlsmlrn conslansl eas5zone b653040r e-mail: Icornallg~amazg4;O m o
Edigito de Arte: Lulzanionlnjedef~arian10o5 230.04 :.


1


.


O calcanhar


da ener gia
A Companhia Vale do Rio Doce vai precisar de uma gmande quantidade de
energiapamaverticalizara minempiio de Caraj~s. Oprimeiro estigioeCa agrega-
ghto dos fins em pelotas, ja ai mais do que dobrando o valor do produto (de 15
para 35 d61ares por tonelada). A etapa seguinte, tambem ja em projeto, e
fabricar apos longos, quando a multiplicago de valor serrA bem maior. As unida-
des industrials (a primeira fomecendo asegunda) ficardio em algum ponto, ainda
nio definido (ou niorevelado), da ferrovia de Carajas, no Paraou (com maior
probabilidade) no Maranhio. ,
A ironiaedque nio hadisponibilidade de energia, embom amina de Camajs
esteja a pouco mais de 300 quilbmetros ao sul da hidreletrica de Tucurui. A
CVRD esta planejando trazer gas natural do campo de Urucu, no Amazonas,
que fica dois mil quilbmetros a oeste. O projeto do gasoduto estii orgado em
quatro bilhdes de reais, um valor que, segundo a Petrobrais, detentora dos
direitos sobre as jazidas, e alto demais para a receita possivel, se tiver que
adotar uma tarifa viirvel para dar competitividade ao beneficiamento do minerio
de ferro. Nio parece disposta a entmar no empreendimento.
Nem todas as cartas estio na mesa, ao que parece. Do seu lado, a Vale
garante que o projeto do gas permit utiliza-lo como fonte energetica muito
mais barata do que a alternativa termelertrica a 61eo combustivel e mesmo
hidreletrica, um raciocinio que pode estar part indo da premissa de que a hidre-
letrica de Tucumui e uma caixa preta dos seus atuais usuarios e futures propri-
etarios (se consumada a privatizagio planejada). Para a empresa, a Petrobracs
estaria colocando dificuldades porque ganha mais vendendo 61eo do que gas.
Uma definig~io clara sobre o problema requer dados que nio estio sendo
apresentados ao ptiblico. E precise abrir a caixa preta de Tucurui, especialmen-
te em relaqfo a duplicaqio, antes que a geraqflo esteja def initivamnente compro-
metida com consumidores de fora do Para a partir de uma alienaqio viciada.
Tambem e precise trazer a Petrobris para um debate comn a sociedade sobre a
disponibilidade real de gas de Urucu para uma demand de maior expresso,
que nio se restrinja a substituir o 61eo nas termeletricas convencionais da
Amaz~nia Ocidental, eem relagio ao potential da foz do Amazonas. Finalmnen-
te, e vital incorporar o sistema de transposi~go da barragem de Tucurui a esse
esquema industrial. Pois se ogasoduto for inviavel, de fato e niosode papo, o
gas poderia ser trazido embalsas que navegariam do ~mazonas ate Maraba ou
do literal, criando novas perspectives econbmicas para o vale do Araguaia-
Tocantins e ate mesmo para a area metropolitana de Bel~m.
Jai esta mais do que na hom de atrair essa questio para os nossos dominios,
antes qlue os senhores do dinheiro decidamn aproveitando-se da nossa omiss~io
-e ignorincia-em seus gabinetes refrigerados, a estmategica distincia das ruas,
cuja voz prefermmn~io ouvir.

Atraso
A imprensa national esta denunciando a desapropriaqigo da
Fazenda Paraiso, um im6vel fantasma em Vizeu, proposta pelo
entio ministry da reform agraria, Jader Barbalho. Chegaram
ao tema com mais de 12 anos de atraso. A dernincia original for
feita nested Jornal Pessoal, usado na epoca pelo PT para pro-
por uma CPI na Clmara Fedesal,.4we deu em nada, e objeto de
inquerito administrative no Incra, tamb~m insolvente por<'ue um-.
documento chave sumiu do process de desapropria~go: apa-
gando as pistas que poderiam levar ao responsavel porirrey -
laridades havidas no ato desapropriatorio.
At6 hoje, todas as informaedes usadas sho as mesaa' jqti 1
publicadas em 1988. i...