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1 GOVERNOR O Para mass care' Ao aumentar as ali'quotas do ICMS sobre alguns produtos es os de uso ha governo optou pelo lado mais anacrdnico da federagdob brasile a. pretexto de forwar caixa para pagar o saldrio mzinimo, que d~a remuneragdo de um g de ao de paraenses, avanga sobre o que e' mais fdcil: o bolso do contribuint ~~:,~ mais de 2000 no rumo do passado. de energia e telefo-cesoaacn nes, tanto o cellular quanto -o fixo, fizeram question de assi- nalar que estavam aumentando suas ta- rifas apenas para repassar a elevagilo das aliquotas que incidem sobre seus servings, determinada pelo governo. Elas passaram de 25% para 30%.'-E a mesma aliquota incident sobre a gasoline e o Blcool, que tamb~m ficaram mais cars 10% para o consumidor. E, estranhamente, igual para a cerveja. Assim, Bel~m, em particular, alvo de tantas atenq6es do governador Almir Ga- briel, esta se tornando uma das capitals mais caras do pais. O Dieese calcula que a inflagi8o na (ainda) capital paraense em janeiro vai ficar acima de 0,5% por conta dessa incidencia mais pesada do ICMS sobre produtos e servings de intense con- 2 1ira inci- ~ dir sobre pro- dutos sup~rfluos ou de luxo, como os importados e os refrigerantes. Mas a justifica- tiva comegou a se desfazer quando o re- ajuste alcangou o telefone, a energia ele- trica e-o golpe final, aduzido por decre- to a lei extraida a forceps da Assembl~ia Legislative, em convocaF~o extraordin8- ria o g~s de cozinha. O ga1s esta chegando quase 10% mais carol ao cidadio, o da avenida Nazar6 e o das baixadas sobre este pesando imen- samente mais, 6 claro. As privatizadas Jomal Pessoal LUIjC IO F LA V IO P N TO ANO XIV NP 251 2L QUINZENA DE JANEIRO DE 2001 RS 2,00 O ~m~todo ja nio era salutar: para enfrentar novos encar- gos, o governor simplesmen- Ote decidiu recorrer ao au- mento de imposto, a mais facil e conven- cional das solugaes, que s6 tem utilidade, sempre, para a administration publica. Mas pelo menos havia o argument (na ponta da linha, falso para o consumidor), de que a elevagio da aliquota do ICMS 2 JOURNAL PESSOAL 2s QUINZENA DE JANEIRO/ 2001 COmo sempre O reajuste das tarifas do transport coletivo em Bel~m torna-se cada vez mais um ato predominantemente politico, que s6 residualmente tem fundamento tbeni- co. E claro que a metodologia padrio 6 seguida, do que dlo prova as planilhas apresentadas tanto pelos dons dos Bnibus quanto pelo 6rgio pdblico responsivel pelo setor, a Ctbel. Mas ningu~m tem control sobre o preenchimento dos qua- dros e tabelas, exceto os atores, que desempenham seu papel com enredo pr6- determinado. No que se parece a um jogo de cartas marcadas. Como a sociedade civil estd mal organizada e n~io tem muita experibncia, depois de apenas dois anos de participa~go num conselho independent, fica ii merc6 das parties. Pela primeira vez, as empresas de inibus sairam da sua posi- Cgo traditional, ancorada num pedido al~m do razobvel, para endossar a tarifa definida pela Ctbel, que, no menos ruim dos casos, ficou sendo o dobro da infla- 950 do period e o triple do reajuste salarial. Se a tarifa at6 agora praticada estava entire as menores do pais, geralmente se esquece que o valor mais alto de outros municipios inclui servings inexistentes no nosso, como a integraqio do 6nibus ao metrb, a passage conjugada e a tarifa diferenciada. E que os 70 centavos da passage vigente em Bel~m depois do aumento anterior tiveram seu calculo composto com a catraca eletr~nica, a clini- ca para os rodovidrios e o seguro, beneficios que nio foram reahizados (ou nio por inteiro). Sho milh~es de reais (12?), que as empresas colocaram no bolso desde entio. A prefeitura, mesmo que quisesse enfrentar o desaflo de um transport pdbhi- co decent e compativel com o poder aquisitivo da populaCgio (40% dos belenen- ses economicamente ativos ganham at6 um salirio minimo por m~s), est8 desar- mada. Podia nio estar, se quisesse. Mas deixou-se ficar assim. Qualquer decision que tome a desgastard agora e nos pr6ximos anos. Jg a sociedade, que perde sempre, e mais, precisa se preparar para defender melhor seus direitos no future. Nesta rodada, mais uma vez, vai pagar a conta. S6, n~io aprenderid se ficar parada, esperando o 8nibus passar. Mais carol. Estado-gerente ou o Estado-minimo re- duz-se a uma concepg~o de guarda-livros, g escrituraq;8o do livro de deve e haver, Criterioso, sim. Mas obsolete. O Estado tornou-se rigorosamente minimo quanto ao nivelamento por baixo dos vencimentos dos seus servidores. Em janeiro de 1995, quando Almir Gabriel assumiu o governor, 5% dos barnabbs ga- nhavam um salirrio minimo. Hoje, segun- do o Dieese, esse percentual 6 de 60%. Com o sal~rio de R$ 180, poderSi it a 70%, gragas ao congelamento dos vencimen- tos um pouco superiores. Uma relativiza- g~Lo de valores pelo poder real de compra do sal~rio minaimo imprimird cores ainda mais fbotes ~sobse esse moldura de uma burocaci ~s ipsade despotismo oriental. Os deputedles, aos quais a vontade do rei foi apsesenatda~nesta realeza ainda constitu- cional, deviam ter feito as ponderaga~es a que os compromissos de seus cargos os obriga- vam. Mas no afogadilho de final de ano, com jetons a embolsar e a relaFgo de compadrio a renovar, tudo o mais se tornou deletbrio. A aliquota sobre a cerveja, por exem- plo, manteve-se no mesmo nivelamento anterior em relagio ao fumo, telefonia e combustiveis (excetuado o 61eo). Quase simultaneamente, a grande fibrica local de cerveja, a Cerpasa, recebeu o beneficio de redugho de 95% do ICMS, ao compor uma divida de R$ 38 milhdes, parcialmen- te derivada da apropriaqio de imposto des- contado e nio recolhido como contribuin- te substitute. Ao tomar uma iniciativa tio temeraria, o governor se expde a critics que podem ecoar ate 2002, trazendo, na baixamar do efeito inverse ao pretendido, desgaste para o candidate official que vier a ser escolhido. Depois de ter formado um invejaivel caixa pama investimentos, gragas ao equilibrio das contas estaduais, mas principalmente a re- ceita da venda da Celpa, o governor nio tem um horizonte tio favoravel para os pri~xi- mos dois anos. Embora tenha langado oprojeto da Alga Vibria, sua mais audaciosa obra, gamantindo dispor de dinheiro suficiente em caixa para tocar os servigos, tenta atrair recursos fe- derais para ni~o ficar na mlio. Se para ree- leger Almir Gabriel foi precise criar uma ampla frente de investimentos, boa pate deles de origem federal e outra de aliena- 950 patrimonial, agora seria precise repetir a dose com ampliaFgo. Como o estoque de verba previsivel 6 insuficiente, o governor estai recorrendo aos velhos m~todos mer- cantis do Estado, acreditando que a socie- dade absorvera a facade sem reagir. A res- posta definitive s6 sera dada em 2002. sumo ou uso pela populagio (inclusive o terrivel fumo, do qual o medico Almir Ga- briel e um inveterado apreciador). O caso do g~s de cozinha e o mais perturbador. O produto nio constava da mensagem enviada pelo executive ao le- gislativo, como de regra, em period ex- traordindrio (o que significa mais dinhei- ro com menos trabalho para os parlamen- tares, desde que votem a toque de caixa matbrias que poderiam perfeitamente ser apresentadas em sess~es ordinirias, com o sinete de urgtncia, mas nho o do afo- gadilho). Foi acrescido posteriormente, por um ato de imp~rio do governador, constitucionalidade (ou legalidade) o M~i- nist~rio Puiblico, se comprovar sua inde- pendancia, poderid questioner. O Para saiu na frente no reajuste do gis de cozinha e foi, at6 agora, o 6nico a dar um aumento, que se junta a dois ocor- ridos ao long do ano passado, chegando a quase 15%, para uma inflagio que gra- vitou em torno de 6%. Desta vez, nem foi para reforgar a margem de lucro das empresas, mas apenas para compens8- las da mordida maior do erilrio, como elas fizeram questio de destacar, embora em notas divulgadas discretamente na im- prensa, para nio tocar nas cordas mais sensiveis do mau humorado ledo pidblico. Com essa elevagio de aliquotas, o Pard se junta aos Estados da federaqio com a mais atrasada das visbes da gestio publi- ca, arriscando-se a ficar numa posi~go desfavora~vel para atrair (e consolidar) in- vestimentos. E ainda castigando sua po- pula~go mais pobre, que tem seus nerves expostos para qualquer aumento de ghs e energia sem cobertura salarial. O governor, ali~s, diz ter sido obrigado a recorrer a esse aumento de imposto para fazer frente ao acertado reajuste do salii- rio minimo. Com as novas aliquotas, a re- ceita pri~pria estadual ganharia um refor- go de quase 10% adicionais (ou 9 a 10 milhaes de reais), podendo responder pelo novo encargo sem expor a administration as sangbes da Lei de Responsabilidade Fiscal, em funglo do percentual da arre- cadagio comprometida com as despesas de pessoal. Tamb~m seria a maneira de ntlo diminuir a capacidade de investimen- to do Estado, que quer estar em condigaes de gerar obras e votos para a temporada eleitoral que se aproxima (ainda mais se novamente a m~iquina tiver que arrastar um candidate oficialpesado). O acionamento do mecanismo semi- automitico, que compensa despesas com a ampliaCio da carga tribut~ria, deixa 2 mostra a velha face mercantil de um Es- tado que tinha a veleidade de se apresen- tar comn um perfil modern, empreende- dor. Tudo o que se vinha falando sobre o JORNAL PESSOAL *2 QIQIZNZDENADEJNE IRO/2001 3 Nova capital: uma conurbaqiio tucana (2,84% ao ano) inferior as de Maritu- ba (11.26%), Benevides (5.88%) e Ananindeua (3,59%). Parcelas cres- centes da populagio imigrante ja nio se instalam na capital, preferindo as cidades satblites. A entrada liquid tamb~m foi atenuada pela said de mo- radores da capital para os municipios metropolitanos (e para outros, na mar- gem oposta do Guam$). Esse movimento espontineo pode ser incrementado se o governador con- siderar sua contestaeio um pouco mais do que ret6rica, interferindo para que a irea metropolitan de Bel~m deixe de ser apenas um titulo pendurado na parede. A integraqio entire os munici- pios "conurbados" pela capital 6 mini- ma. Motives nio faltam para eles se unirem, mas a political age no sentido do desentendimento, uma political ras- teira, personalista, imperial. Se conse- guisse estabelecer political comuns, complementares, afinadas, o governa- dor faria muito mais em favor de Be- lem do que transferindo a capital para outro lugar. Mas enquanto isso nio acontece, deve-se levar em consideraqio o mu- nicipio, que exerce sua autonomia e ju- risdigio apenas dentro do seu limited territorial. Com o projeto de Belo Mon- te, nio ha duvida que o governador est8 desferindo um golpe mortal em Bel~m. Tirar-lhe a condi~go de sede adminis- trativa do Estado significa priva-la dos meios que ja possui para enfrentar os mesmos problems, agigantando-os, por conseqilincia. O resto 6 ci~ncia tu- cana. Talvez bruxaria. Poderoso, quando forgado a pole- mizar, jamais cita o nome do conten- dor ao qual est8 se referindo. Ngo po- dendo center sua reaqgo, pune o de- safeto impingindo-lhe o anonimato. E trata de desqualificar o argument con- trario atribuindo-lhe ignoriincia, despre- paro, primarismo. N~io 6 ao critic que responded, mas a si mesmo. Lambe as feridas abertas. Cr2 no poder miracu- loso de sua saliva. Foi agindo assim que o governador Almir Gabriel deu o tom da tr~plica na controversial sobre o seu projeto de es- tabelecer em Belo Monte, no Xingu, a nova capital do Para. Sustenta que Be- 16m vai sofrer, sim, uma pressio de- mografica capaz de transforma-la numa megal6polis de 8 milhaes de ha- bitantes dentro de quatro d~cadas. Desdenha de quem (at6 aqui, s6 eu), estabelecendo um paralelismo entire Bel~m e Manaus, coloca a capital amazonense no lugar que foi da capi- tal paraense como metr6pole da Ama- z~nia, simplesmente por ja possuir mais habitantes. Esse intragavel critic deve ter pensado sua excel~ncia, antes de fa- lar aos rep6rteres desconhece o fe- nbmeno da conurbaqio, por isso pro- clama semelhante besteira. De fato, o municipio de Manaus tem populaqgo superior ao de Bel~m, mas a area metropolitan da capital do Pard supera em habitantes a da capital do Amazonas. Manaus niio se espraia por municipios vizinhos, incorporando-os ao seu tecido urban, "conurbando- os". Mesmo porque jB concentra me- tade da populaCio do Estado bar6. O interior se pulveriza demograficamen- te em um territ6rio de 1,5 milhio de quilbmetros quadrados. Incorporando Ananindeua, Maritu- ba e Benevides, a popula~go metropo- litana de Bel~m vai a 1,8 milhio de ha- bitantes, ntimero que daria razio ao governador. Daria, se o melhor crit6- rio da verdade fosse o solil6quio (ou o monblogo). rdncia da anailise era o 78uniCl'pio, nd~o a area meCTv~politana. Recorrer a metropoliza~go ao se re- ferir a uma das capitals, restringindo o limited municipal as demais, 6 co- meter um insanavel erro metodol6- gico. Tgo imperdoavel quanto achat que um sociblogo razoavelmente bem formado pode nio saber o que signi- fica conurbagio (o sociblogo, por sua vez, nao p~e em duivida o profundo conhecimento do governador em questdes m~dicas, eximindo-se de it desafia-lo nessa seara para nio se expor ao ridicule). Aceitando-se a indu~go do gover- nador para uma analise metropolitan, ainda assim se verifica que a conur- ba~go, ao inves de agravar a situa~go de Belem nesse conjunto, a alivia. En- tre 1996 e 2000, Bel~m registrou uma taxa de incremento demogra~fico No censo de 1991, Bel~m era a 32" cidade do pais em m~imero de favelas, com 20 delas. No ultimo recenseamento, do ano passado, pulou para a 10" coloca~go, ja com 93 favelas, bem aproximada das cidades que est~io nas posiqdes seguintes (Salvador, com 99; Osasco e Belo Horizonte, ambas com 101). Foi a cidade brasileira na qual mais cresceu a quantidade de favelas Doenga urbana nesse period: 365%. Em Guarulhos, segundo lugar em terms percentuais (e em 4", em nuimeros absolutes), a expansio foi de 112%. A faveliza~go em Teresina, terceira em incremento, foi de 93%. Pode-se imaginar como virilo os mi~meros em 2010 se o governador, mudando a capital, a pretexto de desestimular a migraqio para Bel~m, privar a cidade dos meios que, em tese, possui para enfrentar esse problema, mas que nio usa, ou usa mal. O maior problema de Bel6m, hoje, estai dentro dela mesmo. E, a falta de cuidados adequados, ou mesmo de sensibilidade para descobri-los, diagnostica-los e trata-los, crescem patologicamente, como um tumor maligno. Uma comparaqio, alias, feita bem a prop6sito. 4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE JANEIRO/ 2001 E por isso que d~cadas de viv~ncia com os natives n~o imunizaram o notivel cien- tista contra uma visio estereotipada, que tra- duz em linguagem exclusivamente mercantil a desconflanga arraigada do cabocio e seu instinto do negocio como forma de defesa, um instinto de sobrevivincia que costume chocar os bwanas. Quando eles nos falam, esperam que acatemos comn humildade obsequiosa suas frases, muitas de mero efeito, porque sho os sabios, os elements de ponta do co- nhecimento, que as vezes nos encaram com bonomia, bondade ou benevolincia, mas do alto, de cima para baixo, patriarcais. Mas jB sabemos que niio slio deuses. Feito esse expurgo, tamb~m n~o somos santos, nem detentores da verdade pelo simples fato de aqui terms nascido. Devemos ser inte- ligentes e corajosos: a tudo ouvindo; mas tudo submetendo a nossa analise. E, se possivel, deliberagso. Ll be ral x G overn o:po r 0 ra, g ue rr ilha Ainda niio foi desta vez que houve o rompimento entire o grupo Liberal e o go- verno do Estado. Mas nunca as relaqdes entire as duas parties, aliados incondicio- nais at6 recentemente, estiveram tilo frias como agora. A tensho, que vinha crescen- do desde a divulgagao da pesquisa do lbo- pe na vtspera do 2" turno da dispute para prefeito de Beltm, se agravou quando O Liberal publicou um citustico editorial de primeira piigina, no dia 30 de dezembro, condenando o "palpite infeliz" do gover- nador Almir Gabriei, de transferir a capi- tal para Belo Monte, no Xingu (ver Jor- nal Pessoal 250). A decislo de reagir ao projeto do go- vernador ji estava tomada e o editorial en- comendado, no dia 28, quando aconteceu um incident commercial que azedaria ainda mais o ambiente. O journal pretendia rece- ber um caderno de quatro paginas de pu- blicidade estadual para a edi~go especial dos trechos da entrevista que mais polbmica esta provocando toca em tabus e mitos, com impropriedades, 6 certo mas mexendo com feridas mal curadas, colocando-nos diante do desafio de ver a realidade: "FMA E os institutes de pesquisa como o INPA, Museu Goeldi, qual o pa- pel deles? Vanzolini Muito ruim, 6 zero. Ngo t~m densidade cientifica para pesar. A qualidade da pesquisa 6 muito ruim, a consci~ncia de- les e muito primitive. FMA Mas nunca teve qualidade? Vanzolini Quer dizer, de vez em quan- do vocC tem um [Philip] Fearnside no INPA, porque aconteceu um cara bomn. O Museu Goeldi nunca teve nada que prestasse, nun- ca. Comegando pelo Goeldi, que nito gostava de brasileiros. FMA Que histbria 6 essa? Vanzolini O Goeldi era racist, ele nio gostava de brasileiros. Ele era um suigo-ale- m~o que veio para cl naquela col~nia suiga de Teresbpolis, no final do sdculo passado. Um exemplo: o Carlos Moreira, que foi o primeiro especialista em crusti~ceos que teve no Brasil, era do Museu Nacional e era loi- ro. Um dia o Goeldi chegou para ele indig- nado: O senhor mentiu para mim. Eu esta- va certo que o senhor era anglo-saxso e o senhor 6 filho de portugueses. Deu a maior bronca no Carlos Moreira porque nio era anglo-saxlio. Outro exemplo: quando a Ins- petoria de Pesca, no Rio de Janeiro, com- prou um navio chamado Annie, que tinha um trol com uma rede de 200 metros, come- gamos a conhecer as esp~cies da costa do Brasil. Foi uma loucura, o que comegou a entrar de peixes que nito se sabia que existi- am no Brasil. O icti(,logo Alipio Miranda Ribeiro, que era do Museu Nacional, come- gou a descrever as especies. Sabe o que o Goeldi fazia? Ia ao mercado, comprava os peixes do Annie e mandava para o Museu Britinico. Resultado: o trabalho do Tate Re- agan, icti61ogo do Museu Britinico, saiu quase ao mesmo tempo do trabalho do Ali- pio Miranda Ribeiro". Hg um indisfarqdvel acento colonialists nas declaragoes de Vanzolini, tipicas dos per- sonagens da metr6pole national que peregi- nam pelo sertho amazinico, dele retomnando as suas sedes com a tibua dos mandamentos, as verdades cientificas e um conhecimento que, mesmo baseado em vivtncia real, acaba alterado por exotismos, exageros e uma dose de presun~gio refratiria g auto-critica. Paulo Emilio Vanzolini merece respeito nio apenas pelos seus 76 anos. Tamb~m por ser um dos mais importantes zoblogos do Brasil, al~m de compositor de miisica popu- lar e poeta. E por quase meio s~culo de inte- resse, dedicaq~io e produ~go cientificas, so- bretudo na Amaz6nia. Tem que ser ouvido, mesmo quando suas opiniBes, freqilentemen- te apresentadas com exaltagio e passionalis- mo, nos chocam. Ele fala com conhecimento de causa. Mas nem sempre comn a razio. E obrigat6rio respeit8i-o. Mas niio 6 obrigat6- rio aceiti-lo. Uma entrevista dele 8 61tima edi~go da Folha do Meio Ambiente, de dezembro do ano passado, esti provocando polimicas e iras. Com e sem razlio. O que disse o paulis- ta Vanzolini de til grave? Disse coisas que sito absolutamente sensatas e corajosas. Como sobre a atitu- de que deve ter o Brasil na fronteira ama- zanica, certamente desagradando g esquer- da (aos que querem tomar o tema como mote de unitio com militares nacionalistas para novas aventuras nasseristas)e e di- reita (aos que inventam fantasmas para tomb-los como bandeiras de aqaes que sabe-se como comegam, mas nio como ter- minam). Os problems existentes (do nar- cotrifico B pirataria cientifica e comerci- al) ao long de tlo extensas linhas de fron- teira, em sirea de tanta complexidade, de- vem ser enfrentados de frente. Justamente por isso, sem emocionalismos, preconcei- tos e excess de voluntarismo. Vanzolini destaca o papel fundamental das forgas armadas nessa fronteira, na qual a natureza ainda predomina sobre o home, de cuja esp6cie os indios slio o element hu- mano definidor. Mas adverte que, agindo como missionitios, faniticos e dogmaticos (tal como muitos integrantes de ONGs), exa- geram nas avaliaqdes geopoliticas que fazem, deduzindo de tudo o dedo de uma potencia estrangeira empenhada em se apossar da Amazdnia: "Pode fazer besteira. De repente eles se metem a defeder a Patria AmadalIdo- latrada e sai um tiroteio danado". As Organizagaes nio-Giovernamentais tambtm estlio no rumo da metralhadora gira- t6ria de Vanzolini, que, para acertar, genera- liza arbitrariamente, metendo todos numa cambulhada de nadas. Comete injustigas, mas, mesmo apanhado nesse pecado, diz coisas que deviam ser tomadas como pretexto para reflexes dissociadas de provincianismo, es- airito de corpo, oportunismo e malicia. Um Vanzolini: fala o bwana paulista JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE JANEIRO/ 2001 5 Tudo indica que Jader Fontenele Barba- lho chegou ao maximo da sua carreira poli- tica. Ocupou todos os cargos possiveis de alcanqar em uma eleigio e o topo do execu- tivo federal, sendo por duas vezes ministry de Estado. S6 nio foi, ate agora, president e vice-presidente da Republica. E pratica- mente impossivel que venha a sb-lo algum dia, embora certamente tenha incluido, en- tre os projetos de sua senatoria, viabilizar seu nome como companheiro de chapa de um candidate presidential com maior den- sidade political national do que ele. Agora, o maximo a que pode aspirar 6 ser presi- dente do Senado, tornando-se o segundo na linha sucess6tia de Fernando Henrique Car- doso e o chefe da climara legislative mais influence do pais. Conseguira? A\ distlincia de Brasilia, sem condigies de participar das conversas de bastidores, as que realmente decide as votagies em plenbrio, res- ponder a essa duivida passa a ser um lance de jogo de azar. Mineiramente, pode-se dizer que Jader ainda 6 o candidate mais forte a sucessio de Antdnio Carlos Magalhies, contra a vonta- de manifesta e militant do politico que ainda 6 o mais poderoso de todos (mas ja nem tanto: sua exubera-ncia se parece 8quela revitaliza~gio que precede o fimn). A vantagem de Jader pode ser de 50,1% contra 49,9%, o que nio e pouco se conside- rado que enfrenta a fuiria de ACM como ne- nhum outro antes. Qualquer maresia pode afo- g8-lo. Se chegar a praia, sera como um naufra- go, salvo milagrosamente de ondas violentas, ji sem fblego, desgastado por uma travessia que lhe deu, finalmente, uma projeglio como nunca havia tido, mas negative, estere~tipo do que ha de pior da imagem do politico na consciencia popular. Mesmo que venga, o president national do PMDB se livrari do estigma das vitbrias de Pirro? Podera bem conduzir o Senado? Preva- lecer8 sobre seus muitos adversirios, alguns levados ao paroxismo? Conseguirai impor res- peito, eliminando ou pelo menos atenuando a ptssima imagem dele projetada pe los princi- pais 6rglios da imprensa? Uma analise realista da situaglio poderia aconselhar o ex-governador a procurar uma al- ternativa intermediaria entire a vit6ria e a der- rota, uma said honrosa. Mas ela ainda existe (se 6 que foi possivel alguma vez)? Niio se deve duvidar da capacidade mimetica dos politicos e de sua inventividade. Por isso, emelhor nio descartar de todo essa hipbtese. Mas tanto Jader quanto ACM chegaram a um limited que mesmo o esti~mago descomunal da especie ja parece incapaz de suportar o me- nor dos batraquios. Talvez so, o president da Repuiblica, usando o poder que o cargo lhe con- fere, especialmente o de encontrar compensa- 95es, podera impedir que a evoluqilo da vora- gem chegue ate o plenario, no dia da vota~go. Imagina-se que ambos poderiam sair derrota- dos e vencedores. Jader niio seria o president do Senado, apenas indicando-o. Vititria do bai- ano. Mas aumentaria sua presenga no govemo. Vitibria do paraense. Esquema talvez vibvel se o ocupante do Pal~cio do Planalto nito fosse FHC, o dubidativo. Independentemente desse desfecho, nada al~m da presidtncia da cimara alta esti ao al- cance previsivel de Jader Barbalho. E aqudm? President do Senado, poderia trabalhar me- lhor sua reeleiqiio, quase assegurando-a desde jB. E uma tentaqgo e a hip6tese mais factivel, ainda mais porque, sem outro nome equipard- vel ao seu, Jader poderia entrar comnmais faci- lidade numa forte coligagio, cedendo acandi- datura ao governo ao seu parceiro para reforgar ainda mais oseu cacife. Mas pode ser o canto da sereia. Mais oito anos garantidos em Brasilia, com uma vida mais cosmopolita,1levariam o senador a voltar a en- fraquecer os vinculos politicos com sua base eleitoral, queja comegavam aficar d~beis quan- do, na elei~go do ano passado, ele decidiu rea- viva-los (o quej jparecia improvivel). E uma sedughoe tanto paraquem identifica nessa base a origem da ma fama que o acompanha pelo pais. Mas como d~o eliminar8 as causes reais do problema, Jader apenas destruird o espelho no qual elas se refletem. Talvez se possa apostar que a curva de in- fluincia do politico mais poderoso no Par~des- de Jarbas Passarinho (antecipando-se, gragas a outro coronel, ao surgimento da Nova Repu- blica, em 1985, que p6s fim formalmente ao ciclo dos governos militares) comeg~ara a infle- tir. Para baixo, naturalmente. Uma tend~ncia histbrica, mas cujo grau de determinismo ainda poderi ser ponderado por atos de vontade. Em que media, nito se sabe. de fim-de-ano, tratando de fazer chegar a mensagem ao gabinete do governador. Mas de 18 saiu a orienta~go: 0 Liberal iria re- ceber a mesma cota programada para os outros dois didrios. Ou seja: uma pigina de anuncio official. Romulo Maiorana Jdnior, quem toma as decisbes no journal (embora seu nome continue de fora do expediente), ameagou retaliar. A ameaga nlo gerou efeito algum. O editorial, que jriestava pronto, mas pen- dente de decislo, foi mesmo para a pri- meira palgina, algo raro na publicaglo, mas sem a assinatura de Rominho, ao contrbrio do que ele costuma fazer em mementos que julga 6picos, digamos assim. Ranger de dentes e fungadas de indignaqio na granja do Icui, mas o silencio persistiu. Rominho decidiu, entio, nio publicar no domingo a pagina de publicidade do Estado. Mas na segunda-feira pensou duas ve- zes. Mesmo sem autorizaCio explicit, aca- bou determinando a insergio, feita na ediglo de quarta-feira. Formalmente, contrariou o que constava da autorizagilo do anuncio, pro- gramado para a edigilo dominical e nito de quarta-feira. Segundo informaqdes do gabi- nete, oficialmente li consta que o anuincio nito foi publicado. A empresa- ou a agencia que tem a conta da publicidade official, a Gri- ffo- teria que comunicar a mudanga e solici- tar nova autorizagilo. O que ainda n~io teria sido feito at6 o inicio desta semana. Almir Gabriel n~o gostou nem um pou- co desse enredo, mas preferiu, ao menos por enquanto, nito avangar para um con- fronto aberto. O grupo Liberal continuou a receber todos os anlncios programados para veiculaglo, mas, desde o epis6dio, estii nivelado aos outros jornais didrios, que tim uma tiragem muito menor. Na prs- tica, essa diretriz significou que tanto o Dicirio do Pard, que pertence a um adver. sbrio politico, o senador Jader Barbalho, quanto A Provincia do Para, o journal de menor circula~go, tiveram sua cotagilo ele- vada. JB O Liberal, que tinha tratamento especial, em fungo do seu maior peso co- mercial e por ser um parceiro politico da administraCio estadual, vai faturar relati- vamente menos, ji que tem despesas ope. racionais mais elevadas e altm disso - pretens~es muito maiores. A coexistancia pacifica entire o gover- no tucano e o Sistema Romulo Maiorana sera cada vez mais tacita e titica. Nenhum dos dois lads 6 suficientemente forte para encarar uma guerra declarada, nem fraco o bastante para ser ignorado. Travario uma guerra de guerrilha at6 surgir uma boa oca- sitio de ataque. Ou renegociario o pacto, em terms que conhecem muito bem. Jader Barbalho: Hamlet tropical 6 JOURNAL PESSOAL 25 QUINZENA DE JANEIRO/ 2001 "insight", na eureca, naquele estalo que faz os problems mais complexes ganharem na mente a simplicidade e nitidez do canto de um sabia. Creio que tenho condigaes de ser um grande e respeitavel filosofo. E claro que, como o se- nhor, tio logo descobri minha vocaqio, entrei em pinico, porque a filosofia, naturalmente ge- rada pelo espanto diante do mundo, pela dor que o pensamento causa ao espirito quando este se p~e a questioner a existancia e suas relagies, em mim tem se configurado por pensamentos ainda embaralhados, vindo g tona como violentas, pro- celosas vagas no mar, que queremn derrubar tudo o que encontram pela frente, e n9o sei se um dia terei um m~todo para ordend-los de forma 16gica e consistent. Caso encontre esse m~todo, ainda terei que me preocupar em como reagir aqueles que dis- cordarem de meus pensamentos. Tenho a ten- d~ncia, pela certeza de minha genialidade, de re- duzir g condi~go de vermes, biltres, insanos, pulhas, todos os que nio concordam com os meus pensamentos ou a eles sequer chegam compre- ender. Pois, como ousam falar contra algo que nio entendem? E como dar socos no ar, como dizia o apbstolo Paulo. Por falar em insanos, carol f il6sofo, o Sr. Pin- to, a quem mui gentilmente o senhor tratou em seu direito de resposta na revista Epoca, n" 136, de 25.12.00. e meu conterrsineo; trata-se do jor- nalista, sociblogo, professor universitbrio e es- critor Luicio Flivio Pinto. Escreveu al gun livros, a maioria sobre a realidade amaz~nica, edita o Jornal Pessoal, escreve para jornais daqui de Bel~m, e recentemente entrou para a rela~go de correspondents do journal O Estadlo de S. Paru- lo. Nio lhe causa esp~cie que um ser tio destitu- ido de densidade intellectual, mediocre mesmo, comn um curriculo risivel, tenha sido contratado por um grupo tio sdtio como o que comanda aquele jomal? Quem sabe o senhor possa atestar toda a mediocridade desse insane quando ele es- crever algum artigo no Estaddio. Crendo que o senhor, carol filbsofo, cumpri- r5i a promessa de responder a todos que lhe es- creverem, aguardo ansiosamente sua resposta, pois dela depend todo o meu future. Cl6vis Luz da Silva IFTp Osto O IPTU 2001 ji esti nas ruas. A prefeitura faz um esforgo para apresenti-lo ao contribu- inte com uma imagem de seriedade e justiga, depois dos arranhdes e desgastes do ano pas- sado e de um acervo de descr~dito que parece acompanhar o tribute desde sempre. A causa mais profunda seria a rejeiglo do brasileiro a qualquer forma de taxa~go patrimonial, fen8- meno de amplitude national. Mas o quadro se apresenta em tintas mais fortes em Bel~m. Tudo o que a prefeitura poder8 arrecadar com o IPTU langado neste ano 6 uma quarta parte do que esti registrado na divida ativa. Ja hB 15 mil aqdes executives na justiga. Apenas Filosof ia Caro jomalista Lutcio Fl~ivio Pinto, Escrevo-lhe esta carta em protest de solidari- edade faceaagress~ioasuapessoa~comohomeme professional, por meio do arrogante direito de res- posta do fil6sofo Olavo de Carvalho. Alheio aos verdadeiros motives que levaram o indigitado a ser t~io descortbs, somente posso supor que se trata do fruto de uma relaio patoli~gica do fili~sofo com o seu ego, o qual nio admite ser contrariado minima- mente. Albm de ser desonesto, nio admit indo ser um intellectual a serving das elites que mandam nes- sepais, ele se mostrou um covarde que foge ao bom combat, o das id~ias, preferindo atacar com me- neios e muxoxos sofisticos (e grosseiros, sobretu- do) a quem inteligentemente oquestionou. Envio-lhe o texto integral da mensagem que enviei ao filbsofo Olavo de Carvalho, pore-mail,i revista Epoca, ji que nio consegui o do pri~prio. Quando digo integral,6porque vai exatamente como escrevi, inclusive com oerro de concordincia qe grifei, pela insia com que o produzi. "Prezado Fil6sofo Olavo de Carvalho, Tenho lido com aten~go seus artigos, tanto os que exp~em seus pensamentos quanto os que se dedicam a refutar as critics daqueles que do se- nhor discordam. Em face dessas leituras, uma dui- vida imensa tem me perseguido: ser ou nio ser fil6sofo? Tenho 34 anos, e resolvi que quero ser f ilbsofo, como o senhor. O problema 6 que, lendo seus artigos, conclui que para ser f ili~sofo e neces- sario um astissimo conhecimento, e uma erudigio que lhe db adomno, para que os meus leitores se impressionem com minhas teses. O outro problema, carol fil6sofo, 6 que eu nio sou humilde, e descobri que todos os gran- des sabios, exatamente pela vastid~io de seus co- nhecimentos, demonstravam uma incrivel capa- cidade em reconhecer suas limitaqdes, aoponto de o grande Sdcrates afirmar que s6 sabia que nada sabia! Eu meconsidemoalgu~m com inteligencia aci- mada media. Por~m, contrariando aquela asserti- va segundo aqual quemtem grandes potencialida- des cedo se conscientiza delas, somente depois dos vinte anos 6 que descobri minha incrivel habi- lidade em abstrair, em elaborar pensamentos pro- fundos, n5io alcangaveis pela maioria dos homes. O senhor acredita que eu tirei um 9,5 e duas notas 10 nas tres primeiras provas de filosofia do cursor de Ciincias Sociais da UNESPA, hoje UNAMA, Universidade da Amazi~nia? Eu tenho as provas (nos dois sentidos), cas oosenhor queira atestar a veracidade do que lhe afinno. Ali~s, esse e mais outro dos meus proble- mas, a falta de persist~ncia. Por duas vezes aban- donei a Universidade, e agora presto vestibular para Letras, na UFP". Nio creio que precise es- tudar filosofia para ser um fil6sofo, assim como ha jornalistas que exercem essa profissio sem ter um diploma de jornalismo. Sigo o exemplo dos grandes fili~sofos que nio tiveram formaqio academica, tendo tido na vida, no mundo, a fon- te de todo o seu saber. Creio na intui~go, no Ca rt as Cap t Acabei de ler a matbria de capa do 6ltimo Jornal Pessoal. Se Almir Gabriel conhecesse um pouco mais de histciria saberia que os por- tugueses foram capazes de manter o control de um imenso impbrio por quase 4 s~culos (hi inclusive estudos sociol6gicos sobre o caso, cha- mados "long-distance control"). A ideia que o governador langou, de transferir a capital para o centro geografico do Estado a fim de diminuir as tenses separatists, 6 de uma infantilidade que faz rir!!i Se os portugueses tivessem feito algo semelhante, hoje a "metr6pole" lusitana estaria na Africa, ou seja, a meio caminho do Oriente e da Ambrica do Sul. Francamente, a proposta do govemnador s6 se explica por inte- resses inconfessados. O que estaria por tras? Quanto g "li~gica iK", 6 mal explicadaat6 hoje. A id~ia de transferir a capital do Brasil para o centro do pais data, na verdade, do s~culo XIX, quando fazia diferenga para um pais ter uma capi- tal protegida das armadas europ~ias (e quando ain- danio existiam avid~es, misseis transcontinentais, bombas ati~micas nem sat61ites). Somente nessa 6poca seria justificavel semelhante loucura. Nelson Sanjada SP "Bispo Fiquei surpreso ao saber pela coluna Infor- me JB, publicada na edi~go do Diario do Para de 09/01/2001, que o bispo Edir Macedo, o todo-poderoso lider da Igreja Universal do Rei- no de Deus (IURD), esta pedindo filiaqlio ao Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. Ora, ja nio bastam os picaretas menores para desonrar a categoria, agora aflora mais este. Considerarei uma afronta aos profissionais de imprensa que militam diariamente no Brasil se o Sinjor do DF acatar esta (absurda) solicita- Fgo. Imagine, ter como colega o Edir Macedo! Me sentirei envergonhado. O home 6 um farsante. Primeiro, como lider religioso. Construiu um imperio exploran- do a boa-f6 dos incautos. Ele mercantilizou as Escrituras Sagradas. Transformou a religiio em mercadoria. Fez de Deus um instrument de barganha. Segundo, como cidadio. Parte da ri- queza obtida com sua religiio apbcrifa 6 envia- da, na surdina, para o exterior. O Edir Macedo esti se lixando para os brasileiros menos afor- tunados. E um predador. Igual a FHC, Arminio Fraga, Pedro Malan, e por ai vai. Voc6, como jornalista influence que 6, nio pode deixar essa afronta passar em brancas nuvens. Precisa denunciar tal pretensiio. Com certeza, estimado Luicio, voc6 estarai prestando um servigo a todos os brasileiros. Afinal, para que Edir Macedo quer o registro de jomnalista? Um abrago do colega e fa. Emanoel Reis JORNAL PESSOAL *2, QUINZENA DEJANEIRO/ 200 7 sentativo. E sentenga definitive? Talvez. Nem sobrar8 o console de voltar a ser o entreposto commercial da Amaz~nia. O rio Amazonas ja nio 6 o unico caminho de entrada e said, nem mes- mo o mais important. Arterias artificiais fo- ram abertas na floresta para aproximar merca- dos e fontes de materia prima dos centros pro- dutivos. Belem foi deslocada. Seu combrcio, que um dia pretendeu erigir na roa 15 de Novembro uma reproduCio de Wall Street, a base do avia- mento dos altos rios, repletos de seringueiras f~rteis, terd o papel de coadjuvante. Mas quem, entio, sera! o principle das trans- formagies? A informaqio. Com suas universi- dades, institutes de pesquisa, museus, bancos de dados, autarquias pliblicas, mio-de-obra e o acervo de uma hist6tia de quatro seculos, petri- ficados ou desfigurados, Bel~m recuperarai sua hegemonia ao se qualificar para ser o interlocu- tor autorizado e legitimo da Amazbnia com o mundo, a instincia capaz de inserir a regiio na globalizaCqio sem ser por ela engolida-e tamb~m sem transformai-la em fantasma do meio-dia. Todas as informagaes relevantes, todas as fontes produtoras de conhecimento, todos os elos das cadeias que se tecem de dentro para fora (e em sentido contri~rio), terlo que passar pela metrbpole estuarina, capaz de olhar para o mais vasto de todos os hinterlands do plane- ta e com condiqbes de descortinar um mundo de interesses convergentes para a Amazi~nia. Mas se quiser desempenhar essa fun~go, Be- 16m tera que passar por uma revolu~go, que nio seja iluminista apenas no discurso e na re- tbrica publicitbria, capaz de liberta-la dos an- drajos do sub-emprego, do lumpen, da mentali- dade perif~tica, do provincianismo auto-sufi- ciente porque medriocre. A capital nio tem que ser deslocada. O desa- flo 6 fazer Bel~m chegar a toda a Amaz6nia e Em 1908, ap~s 25 anos de constru~go, foi con- cluida a Estrada de Ferro de Braganga, ligando a capital ao seu hinterland mais acessivel, a atual Zona Bragantina. Quatro anos depois as vendas de borracha comegaram a cair e o prego desmoro- nou. Ate 1920, Bel~m ainda era a terceira mais important cidade do Brasil. Depois, sucumbiu a uma decad~ncia desenfreada. A populaCgio do Pard diminuiu, at6 em terms nominais, entire 1920/40. Ngo 6 de surpreender que esse period seja conhecido como uma Idade M~dia estadual. Mas 6 de espantar que esse conceito se mantenha ate hoje; pois se faltou a folia do monop61io internacional da borracha, com um desvario de gastos nio re- produtivos, n~io faltou imaginaqio para criar uma induistria de transformaqio, que chegou aproduzir capas de chuva, sapatos, impermeaveis e alguns outros artefatos. Assim como manufaturas apro- veitando derivados de couro, tecelagens, metaluir- gica. Tendo que usar o mbvel das maravilhas em um regime capitalist: o capital de risco. Mas os distritos industrials de Belem, implan- tados entire os igarap~s do Reduto e das Almas - duas docas de acesso fluvial ao interior da cidade, ainda com tragos de Veneza tropical-ouaoliongo das rodovias Arthur Bemardes e BR-3 16, viraram cemitbrios de sucatas, agora emreciciagemparaa economic quatemaria, de servigos. E o "sinal dos tempos", segundo o qual uma Bel~m industrial "ja era'? Provavelmente. Saindo ou entrando em Bel~m, pelos 40 quil6metros da BR-316, qune exigiram muitos anospara serem fi- nalmente duplicados, pode-se encontrar um sim- bolo desse estado de coisas: duas importantes in- d~istrias, subsidiadas pelos incentives fiscais, com suas carcapas quase integmas, mas desprovidas do seu compio, as miquinas, remanejadas na surdina (como, depois de terem ido, parece estar vindo o maquinarito movedigo de uma fibrica de cimento). Bel~m nio ter8 um setor industrial repre- reabrir os caminhos que ligam o interior (que pode alcangar o Pacifico e o Caribe) a sua metr6- pole. Ao invest de despejar 50 milh~es por ano em Belo Monte, na perspective de uma d~cada, o govemador tem que aplicar esse dinheiro em algo que nio seja uma brincadeira narcisista de- brugada A janela de um rio, como se o rio fosse uma circunstilncia e o servigo puiblico fosse uma franquia de narciso. Meio bilhio de reais em 10 anos 6 um bom program para o reforgo dessa engrenagem quatemrniia de informacqdes, de ex- pertirse, de conexiio mundial, de multiplicaqio das habilitagies e ref inamento do saber. Para voltar a set a metri~pole da Amazinia, condicgio que perdeu para Manaus, segundo o 61timo censo, sendo esta a capital de um artifi- cio fiscal e tributarria encravado no sertso hum- boldtiano (ou euclideano?), Belem precisa ser uma capital do mundo, voltando a ser bnica, como o foi nos sonhos oitocentistas do Mar- ques de Pombal e de Mendonga Furtado, O ir- mio que para ca mandou. Sonhos que a hist6ria irrealizou e que, ago- ra, cumpre retomar, nio na perspective de um novo pacto colonial, mas justamente do seu inverse: a liberta~go de toda e qualquer canga- lha ultramarina, fazendo que naspa de seu ven- tre o agent que vai impedir a consumaCio des- se "destino manifesto": a informacqio e o saber fazer, a serving de uma empreitada de realiza- 950 da utopia amaz6nida. Essa utopia deve compreender desde um centro de estudo e tratamento de agua a um n~icleo de comercio exterior, de uma escola de minas e metalurgia a um campus de pesquisa em biodiversidade (no que resta da floresta do AurC1), ferramentas que amplificar~o a voz da Amazinia nio apenas em decib~is, mas na au- toridade que conta neste novo mundo em for- maqio: a da intelig~ncia. dois leilies resultaram dessa cobranga at6 ago- ra. Em ambos os casos, o erairio nio viu a cor do dinheiro porque sobre os imbveis inadim- plentes incidia uma hipoteca do agent finan- ceiro. Ha mais 10 leilies em andamento. Ngo 6 provavel que seu desfecho seja distinto. A maioria das agies nem terminal: a prescri- g:o, de seis anos, ealcangada semqueoreu sequer seja citado. Como a prefeitura decidiu proper as aq~es contra devedores antes que suas dividas se tomnem incobrilveis, o que ocorre em cinco anos, hB uma m~dia de 20 a 30 agaes publicadas todos os dias no Di~irio da Justiga. Mas elas tramitam por apenas duas varas do fi~rum de Bel~m, desde a metade do ano passado especializadas nas cau- sas da fazendap~iblica,mas querecebemainda as demands do Estado. Sempre, por isso, estao com excess de trabalho. Ngo podem dar conta das necessidades doerario. O ideal seria que funcionassem quatro varas, duas dedicadas g fazenda estadual e duas a fa- zenda municipal, dando conta dos processes antes que eles mergulhem no pogo sem fundo, que estimula os maus cidadios. Basta acompa- nhat o DiBrio da Justiga para constatar que a relutincia de muitos dos devedores e infundada. LB estio notbrios freqilentadores das colunas socials, ostentando uma afluincia que nio se es- tende aos seus compromissos com o fisco. A contmapartda da administma~piopblica, al~m darealiz~ag dos servigos de ula algadaa e do bomn e respeitoso atendimento ao contribuinte, por enquanto ainda uma quimera, seria uma melhor presta~go de contas. Ao invbs de plantar na im- prensa peas publicitalrias que atendem mais os interesses do eventual detentor do cargo publico do que os da coletividade, a comuna podia resta- belecer uma pratica de passado recent: publicar nos jornais um boletim mensal da anrecadaCio efe- tuada, com o m~ximo de detalhe de interesse phi- blico, ao lado das despesas, tamb~m discrimina- das. Sem firulas de marketing. Sem discurseira. Talvez ai as relaqdes entire o contribuinte e o agents arrecadador pudessem chegar a um patamar de entendimento, em favor da maioria. Bel 6m: de no vo, a capital amazomica Dualidade O grupo Liberal e contra a cri- agio do Estado do Tapaj6s. O principal executive da corporaio, Romulo Maiorana Jlinior, ja disse isso em editorial de primeira pigi- na, provocando reaCpo indignada em Santarem. Mas, ao que pare- ce, apoia a cria~go do Estado de Carajas, atrav~s do desmembra- mento de 38 municipios do sul do Para . Com o patrocinio do projeto "Andando pelo Para", que tem como sua estrela o mesmo Romi- n~ho e parceira a Companhia Vale do Rio Doce, foi relangada a cam- panha em favor de Carajas, na semana passada, com a perspec- tiva de que, desta vez, o objetivo sera alcangado. A aparente con- tradigio result de uma sofistica- da reflexio sobre a possivel diver- sidade das duas pretensies ou a algo mais chao e pragmatico? Erro Nin gu~m faz omelete sem quebrar ovos, alerta o velho dita- do popular. Inevitavelmente o ve" reador Joaquim Passarinho teria que cometer erros ao tentar sa- near a Cimara Municipal de Belem, que chegou a uma situa- 950 de insolv~ncia. Agradar a gre gos e troianos estava fora de cogitagio. Ele assumiu a presi- dancia da casa, gragas a tercei- ra vitbria seguida do govemnador Almir Gabriel sobre o prefeito Edmilson Rodrigues, no campo do inimigo, com a espada da Lei de Responsabilidade Fiscal pendente sobre o seu pescogo. Mas o vereador s6 nio podia cometer o erro no qual acabou incidindo: transferir para tercei- ros a responsabilidade do seu ato. Ele podia chama-la diretamente para si, former uma comissflo in- tema ou contratar uma auditagem externa. Preferiu fiar-se na as- sociaq~io dos funcionarios, envol- vida na questio, para relacionar os servidores a serem demitidos. Comprometeu, assim, a lisura e a isen950o de um procedimento que poderia ser atacado por va- rios lads, menos por esse. O que deveria ser uma decisio admi- nistrativa acabou se tornando um ato politico. Pode arranhar o ne- cessario esforgo de recuperaqio do legislative da capital. __ Praga Gragas, principalmente, a Augusto Meira Filho, Bel~m recuperou sua mais bela pra- ga, a da Repuiblica, que deft- nhava na passage da deca- da de 60 para a de 70. E uma das mais valiosas j6ias da ci- dade. Niio pode voltar a ser destruida por essa combinaFio de vandalism particular com omnissio official A falta de uma regulamen- tagio do uso do logradouro e de um seguro cumprimento das suas previsbes tem feito agravar as chagas que siste- maticamente estio sendo abertas na praga. Nglo se vol- ta mais integralmente ao sta- tu~s quo ante, mesmo comn as vassouradas que se seguem as apresentaqdes, ou os paliati- vos a utilizaq~io do lugar como sitio de moradia, um uso mais do que indevido, agressivo. Ou a prefeitura restabele- ce as posturas municipals na- quilo que ja esta se tomnando uma terra de ninguem, impon- do a reconciliaqio da praga comn sua natureza e serventia, ou a sociedade trata de suprir essa lacuna, antes que os ma- les isolados se fundanm num mal maior, talvez definitive. Formula Se quiser reeditar o bem sucedido reveillon de 2001 na Estag50 das Docas, o gover- nador Almir Gabriel tera que tomar uma provid~nc ta: pe- dir para o seu secretario de cultural, Paulo Chaves Fer- nandes, entrar novamente de ferlas no mesmo period, s6 voltando quando tudo ja es- tiver decidido. Desta vez, se possivel, o brilhante arquite- to bem que podia it nio para a Europa, como fez no ano passado, mas para a China. "Promo ho" Estranhos os critbrios da administration municipal de Belem. Manfredo Ximenes fez um trabalho tio elogiado em Icoaraci que foi "promo- vido" para o distrito de Mos- queiro. tipico crescimen- to como rabo de cavalo. JO fill1 PeSSOal Edilor: Luclo Flsvio PnIIIIJ Fones: 1(0911 223.N.290 (lone-far a 241-2 1 contato: In tienlsmlrn conslansl eas5zone b653040r e-mail: Icornallg~amazg4;O m o Edigito de Arte: Lulzanionlnjedef~arian10o5 230.04 :. 1 . O calcanhar da ener gia A Companhia Vale do Rio Doce vai precisar de uma gmande quantidade de energiapamaverticalizara minempiio de Caraj~s. Oprimeiro estigioeCa agrega- ghto dos fins em pelotas, ja ai mais do que dobrando o valor do produto (de 15 para 35 d61ares por tonelada). A etapa seguinte, tambem ja em projeto, e fabricar apos longos, quando a multiplicago de valor serrA bem maior. As unida- des industrials (a primeira fomecendo asegunda) ficardio em algum ponto, ainda nio definido (ou niorevelado), da ferrovia de Carajas, no Paraou (com maior probabilidade) no Maranhio. , A ironiaedque nio hadisponibilidade de energia, embom amina de Camajs esteja a pouco mais de 300 quilbmetros ao sul da hidreletrica de Tucurui. A CVRD esta planejando trazer gas natural do campo de Urucu, no Amazonas, que fica dois mil quilbmetros a oeste. O projeto do gasoduto estii orgado em quatro bilhdes de reais, um valor que, segundo a Petrobrais, detentora dos direitos sobre as jazidas, e alto demais para a receita possivel, se tiver que adotar uma tarifa viirvel para dar competitividade ao beneficiamento do minerio de ferro. Nio parece disposta a entmar no empreendimento. Nem todas as cartas estio na mesa, ao que parece. Do seu lado, a Vale garante que o projeto do gas permit utiliza-lo como fonte energetica muito mais barata do que a alternativa termelertrica a 61eo combustivel e mesmo hidreletrica, um raciocinio que pode estar part indo da premissa de que a hidre- letrica de Tucumui e uma caixa preta dos seus atuais usuarios e futures propri- etarios (se consumada a privatizagio planejada). Para a empresa, a Petrobracs estaria colocando dificuldades porque ganha mais vendendo 61eo do que gas. Uma definig~io clara sobre o problema requer dados que nio estio sendo apresentados ao ptiblico. E precise abrir a caixa preta de Tucurui, especialmen- te em relaqfo a duplicaqio, antes que a geraqflo esteja def initivamnente compro- metida com consumidores de fora do Para a partir de uma alienaqio viciada. Tambem e precise trazer a Petrobris para um debate comn a sociedade sobre a disponibilidade real de gas de Urucu para uma demand de maior expresso, que nio se restrinja a substituir o 61eo nas termeletricas convencionais da Amaz~nia Ocidental, eem relagio ao potential da foz do Amazonas. Finalmnen- te, e vital incorporar o sistema de transposi~go da barragem de Tucurui a esse esquema industrial. Pois se ogasoduto for inviavel, de fato e niosode papo, o gas poderia ser trazido embalsas que navegariam do ~mazonas ate Maraba ou do literal, criando novas perspectives econbmicas para o vale do Araguaia- Tocantins e ate mesmo para a area metropolitana de Bel~m. Jai esta mais do que na hom de atrair essa questio para os nossos dominios, antes qlue os senhores do dinheiro decidamn aproveitando-se da nossa omiss~io -e ignorincia-em seus gabinetes refrigerados, a estmategica distincia das ruas, cuja voz prefermmn~io ouvir. Atraso A imprensa national esta denunciando a desapropriaqigo da Fazenda Paraiso, um im6vel fantasma em Vizeu, proposta pelo entio ministry da reform agraria, Jader Barbalho. Chegaram ao tema com mais de 12 anos de atraso. A dernincia original for feita nested Jornal Pessoal, usado na epoca pelo PT para pro- por uma CPI na Clmara Fedesal,.4we deu em nada, e objeto de inquerito administrative no Incra, tamb~m insolvente por<'ue um-. documento chave sumiu do process de desapropria~go: apa- gando as pistas que poderiam levar ao responsavel porirrey - laridades havidas no ato desapropriatorio. At6 hoje, todas as informaedes usadas sho as mesaa' jqti 1 publicadas em 1988. i... |
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