<%BANNER%>
Jornal pessoal
ALL VOLUMES CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00199
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00199

Full Text

Jorna Pessoal
LUIjC O F LAVIO PIN TO
.~~L1ANO XIV N. 249 28 QUINZENA DE DEZEMBRO DE 2000 RS 2,00
SUDAM



Ou vai ou racha

A Sudam nunca esteve td~o ameagada quanto agora. No meio do tiroteio violento que os
senadores Ant~nio Carlos Magalhades e fader Barbalbco travam, e' apresentada na imprensa
national como um covil de ladrdes. Mas esta pode ser a bora adequada para apurar tudo,
corrigindo velbos erros, recompondo um conceito tdcnico e moral. E, separando o joio do
trio, identificar quem e que, por integrar quadrilhas, deve estar em outro lugar que nd~o
uma age~ncia de desenvolvimento. Se possivel, na cadeia. Com colarinho branco e tudo.


volvimento da Amazinia, se-
diada em Belem, chegou aos
36 anos de existancia mais
Ar6xima do fim como nunca
antes, um 6rgio que bem podia ser extin-
to (ou, quem sabe, fundido com o Banco
da Amaz~nia, antigo projeto de muita gen-
te entricheirada em Brasilia). Mas tam-
b~m, como em nenhum memento anteri-
or, mais pr6xima de se salvar.
Em conseqtiincia da guerra selvagem
que o senador baiano Ant~nio Carlos
Magalhies, do PFL, um dos homes mais
poderosos da Repuiblica, trava comn o in-


desejado candidate a sua sucessio na
presid~ncia do Senado, o paraense Jader
Barbalho, president national do PMDB,
a Sudam foi colocada na ribalta como "o
maior covil de ladries do Brasil", segun-
do as palavras de ACM, uma Madalena
exposta g execraqio pdiblica como a mais
viciada instincia do governo federal (en-
quanto outras, por uma providencial par-
ceria da grande imprensa com sua fonte
nio assumida, sio deixadas de lado).
A causa imediata seria a dilapidagio
de algo em torno de 300 milhdes de reais
do eratio, fundo formado pela ren~incia
fiscal em favor da implantaCio, na Ama-


zinia, de projetos que s6 v~m para a re-
giio por serem subsidiados (no caso, pelo
ledo do imposto de renda), em projetos
eivados de irregularidades e vicios.
Ha a suspeita de que muitas das fal-
catruas tenham servido de instrument
para desviar dinheiro p6blico para caixas
dois, seja de empresas fraudadoras, como
em favor de politicos que promovem cam-
panhas miliondrias sem correspond~ncia
com seus meios legals. E, na convergin-
cia desses dois atalhos, possibilitando a
formaCio de patriminios pessoais inex-
pliciveis, senio atrav~s do enriquecimen-
to ilicito. Ou, como se costuma dizer, as-


J-6 7~






2 JOURNAL PESSOAL 2a QU1NZENA DE DEZEMBRO/ 2000


) saltando a vi6va, o nome do governor em
lugares nio muito recomendaveis.
Na verso do senador baiano, o maior
beneficidrio desse desvio de verbas 6 o
seu desafeto, hoje inimigo mortal (o que
esti pri~ximo de deixar de ser uma figure
de ret6rica, tal a violincia das escaramu-
gas entire ACM e JB), suserano das ex-
tensies locals dos minist~rios dos trans-
portes e da integraqio national, qune cou-
beram ao PMDB na partigio do poder
entire os aliados dos tucanos.
Como o senador paraense jamais se
defended satisfatoriamente das suspeitas
suscitadas (e mesmo dos ataques dire-
tos) sobre seu sucesso pessoal a sombra
de cargos p6blicos, sem uma exata equi-
val~ncia patrimonial com asua renda, sua
costa 6 suficientemente larga para se tor-
nar alvo ficil para qualquer atirador, mes-
mo os menos destros (como um concei-
tuado jornalista baseado em Brasilia, ago-
ra seu maior acusador, qlue colocou no
curriculo de Jader a superintend~ncia da
Sudam, qlue ele jamais ocupou).
Se o truculento senador pefelista tem
razio, qlue o ex-governador do Pari res-
ponda por seus atos e pague por seus
pecados. Mas a Sudam antecede a Jader
Barbalho e deve sobreviver a ele. Nio
pode, portanto, se reduzir a ele. Por mais
qlue o lider peemedebista tenha sido o
condestivel das gesties mais recentes e
se haja prevalecido dessa forga em be-
neficio pr6prio, erros e acertos do 6rgio
formam um acervo muito maior do qlue
os produtos da safra jaderista.
Desde o dia 11 a Sudam esti sendo
passada a limpo por uma comissio de sin-
dicaincia enviada de Brasilia, com prazo de
90 dias para apresentar o resultado das
apuraqdes, enquanto ficam suspensas as
liberaq6es de recursos comprometidos com
os projetos aprovados. O foco sio os 25
projetos e os R$ 300 milhdes qune recebe-
ram. Mas as irregularidades podem che-
gar ao dobro desses numeros, ou muito
mais, se se considerar qlue, em tras d~ca-
das e meia, a sangria de incentives fiscais
pode ser media em bilhdes de reais.
Nio importa: a preocupa~go na Su-
dam neste memento deve ser a de colo-
car toda a roupa suja para lavar, sacrifi-
car tudo o qlue precisa ser sacrificado,
cortar na carne o mais fundo qlue for ne-
cess~rio, se esse 6 o prego para restabe-
lecer a autoridade t~cnica e moral da ins-
titui~go. Para livrd-la da margindlia para-
sitbria nela introduzida.
Todas as suas mis~rias e desacertos
precisam vir a pdiblico para que o 6rgio
seja avaliado como tem qlue ser uma agin-
cia de desenvolvimento regional, por sua
visio estrat~gica da regiho, pelos meca-
nismos qlue adota para alcangar seus ob-


jetivos, e nio por ser um balcio de neg6-
cios, um mercado de oportunidades.
Ao mesmo tempo em que as fraudes
sio exaustivamente divulgadas pela im-
prensa national como casos de policia,
mesmo (ou sobretudo) quando envolvem
personagens ditos notiveis, a Sudam esti
comegando a discutir a verso preliminary
do document "Construindo o future da
Amazinia- Estrat~gias para o desenvol-
vimento sustentivel (2000/2003)".
Hfi cinco anos a Sudam tenta e nio
consegue montar um plano de desenvol-
vimento capaz de merecer essa concei-
tuaFio. Nio tem ido al~m de aproxima-
95es prec~rias. A rigor, o 61timo plano foi
o II PDA (Plano de Desenvolvimento para
a Amazbnia), elaborado para ter vig~n-
cia entire 1975 e 1979, durante o governor
do general Ernesto Geisel.
Foi o apogeu da forma tecnocr~itica
de conduzir a administration pdblica fe-
deral. O objetivo na Amaz6nia era fazer
da regiko um p61o de exportagio, uma
fonte das escassas divisas em moeda es-
trangeira de que precisava um pais que
se endividara al~m da conta. Era um pla-
no claramente colonialista. Mas, a partir
dessa diretriz, funcionava, era conseqtien-
te. Podia ser combatido a partir da pre-
missa de que o que estava dizendo era o
que pretendia realmente fazer.
O condutor da Sudam naquele perio-
do est8 de volta a superintendencia, duas
d~cadas depois. O nordestino Hugo de
Almeida passou 40 dos seus 66 anos na
administration pdblica, cuidando principal-
mente da ag~o regional do poder central
em duas fontes permanentes de proble-
mas (e de e~sperangas), o Nordeste e a
Amazbnia. E~ um tipico t~cnico federal,
mas tem sensibilidade politica, inclusive
para granjear apoios que eram liminar-
mente descartados, numa 6poca em que
o poder era exercido unitariamente, de
cima para baixo, a partir de Brasilia.
O mal de que Hugo Almeida podia ser
acusado entire 1975 e 1979, o do tecnicis-
mo, agora pode ser uma boa ferramenta
para expurgar da estrutura do 6rgio a cros-
ta deoutra praga, ado clientelismo politico
(com sua derivagio patog~nica ou patol6-
gica, a corrupCo). Hg tris meses no car-
go, transmitido por um tecnocrata mais
envolvido na political e suas derivagies,
como Mauricio Vasconcelos, que o havia
indicado, Hugo nio tem nada a perder,
exceto as associates esp~irias -e, no caso
dele, inapliciveis. Pode oferecer a comis-
sio de inquerito, ao Ministerio P~blico ea
sociedade todas as informaqaes necess6-
rias para a elucidaCio das acusaqdes fei-
tas e das suspeitas pendentes, limpando o
terreno para nele plantar suas pr6prias
sementes (e, por elas, vir a ser julgado).


Trata-se de uma salutar media de
profilaxia moral. Desde que os militares
deixaram de ser os gendarmes da Repu-
blica e os capities-do-mato da fronteira
amazinica, a Sudam tem sido assolada,
entire curtos e raros periods de bonanza
ou calmaria, por administraq8es devasta-
doras, das quais os dois maiores lideres
politicos do Pard nas 61timas d~cadas -
primeiro Jarbas Passarinho e depois Ja-
der Barbalho tim sido os fladores.
Na conta de Passarinho hi um d6-
bito do peso de Elias Sefer, que provo-
cou no 6rgio o estrago de uma bomba
neutra, aquela que aniquila as pessoas
preservando as estruturas fisicas, como
se s6 estas 6 que fossem valiosas. O
pr~dio permaneceu inc61ume (embora
vitimado por uma deterioraqio que hoje
lhe confere a marca da decadencia),
mas a intelig~ncia foi abolida do seu fun-
cionamento. A Sudam era apenas o
DAI (Departamento de Administraqio
de Incentives), uma entidade que se
encalacraria como um monstro bifronte
de uma mitologia grega ao tucupi, re-
duzindo os bons e justos aos venais e
desonestos.
Na conta passiva de Jader hS a pas-
sagem do medico Henry Kayath, final
uma criatura que se assumiu como pre-
cedente ao criador, e do administrator
Arthur Tourinho, um nome no qual tantos
tragos de um poder paralelo se incrusta-
ram. Mas as den6ncias de irregularida-
des foram sendo acumuladas para provi-
dancias ulteriores jamais adotadas, como
se um cinismo operacional tivesse se tor-
nado o modus operandi na superinten-
dincia, como se todos ji tivessem dan-
Fado o baile da ilha fiscal e estivessem
na portaria, a espera do troco do paga-
mento que nio fizeram.
O troco est8 vindo pelas mios do
maior de todos os falsos Catios da Re-
pdiblica, que encontrou um bom modo de
acertar as diferengas com o odiado ini-
migo sem que dessa agio result qual-
quer bem para a naqio, a nio quer que,
por fim, ambos se arrastem para o des-
tino comum de que sio merecedores.
Nio sendo esse destiny o que se auto-
atribuem.
Como os dois politicos s6 tim razgo
quando acusam, cada uma das acusa-
95es (na maioria das vezes tiradas de
recortes da imprensa, langadas ao mer-
cado e descontinuadas na hora do va-
mos ver) deve ser deslindada pela ins-
tincia competent do executive, do le-
gislativo, do MP e do judicidrio at6 suas
61timas conseqtiincias. Jg a via institu-
cional deve seguir seu caminho prbprio,
embora at6 o mesmo destiny, que nso
deve ser o das calendas gregas.






JOURNAL PESSOAL 28 QUINZENA DE DEZEMBRO/2000 3


Por seus interesses politicos, o sena-
dor Ant6nio Carlos Magalhies colocou
em boca pr6pria a litania de muitos anos
dos critics do modelo de desenvolvi-
mento regional adotado tanto pela Su-
dam quanto pela Sudene. A pretexto de
atrair e induzir os grandes capitals das
regimes centrals, dentro e fora do pais,
para se instalarem na periferia, os sub-
sidios estatais acabam criado um efeito
multiplicador do capital na pr6pria ori-
gem dele, agravando ao inves de elimi-
nar ou atenuar as desigualdades (inter e
intrarregionais).
O II PDA, que Hugo de Almeida aju-
dou a criar, reconhecia que o desequilibrio
era o efeito natural desse modo de desen-
volvimento. Mas prometia adotar meca-
nismos institucionais (sobretudo atraves do
planejamento) para impedir os aspects
nocivos do modelo, corrigindo-os.
Duas d~cadas depois, nio foi isso o
que aconteceu, como o pr6prio Hugo de
Almeida pode verificar. Em seu qiiinqili-
nio, os vazamentos de recursos oficiais
eram menores porque a condigio pr~via
para a liberaqio dos incentives fiscais
era a contrapartida do capital privado e,
na verificaqio das aplicaqdes, havia o
guante dos objetivos categ6ricos do es-
tablishment tecnoburocrata sob cerca-
dura military.
Agora, as den~incias falam em milhaes
de reais liberados pela Sudam sem um
centavo vindo da parte dos parceiros in-
centivados e inexistancia de qualquer obra
fisica a atestar a aplicag~o do dinheiro.
Ou seja: se algu~m se aperfeigoou foram
os pirates, os dilapidadores dos cofres
pdiblicos. Efeito perverse do modelo ou
nada mais do que sua criatura endemoni-
ada, como num livro de Guimaries Rosa
sobre o sert~io?
Um velho samba tem resposta cate-
g6rica para esse tipo de drama: manda a
criatura tomar o filho que gerou, por mais
monstruoso e disforme que ele se tenha
tornado. "Toma que o filho e teu, meu
senhor", diz a letra do samba. O pai, no
caso, 6 a elite. A elite brasileira, dona dos
capitals acrescidos de milhdes que deve-
riam ser arrecadados pelo le~o tributario,
supostamente para beneficio indiscrimi-
nado de todos. E a elite paraense, princi-
palmente ela, e especialmente seus prin-
cipais politicos, por terem colocado em
cargos tio importantes pessoas tio des-
qualificadas, exceto para cobrar o seu PF.
Ngo o prato feito do Z6 Man6. Mas o
"por fora" dos coluniveis. Daqueles que
erigem seus pali~cios de mandarins sob
os ossos de uma massa que, fora dos pe-
riodos eleitorais, chamam de povar~u.
Com escbrneo.
A hora da Sudam chegou. (


Em 35 anos, a partir de 1965, 700 as-
sassinatos foram cometidos no Para mo-
tivados pela dispute de terra, com ou-
tras 2.500 pessoas saindo feridas nes-
ses conflitos. Segundo o levantamento
da Comissio Pastoral da Terra, 447 cri-
mes ainda nio foram esclarecidos. Ape-
nas tr~s assassinos e um mandante fo-
ram julgados pela justiga.
E uma estatistica tio impressionante
que o Ministbrio da Reforma Agriria esti
pedindo a ajuda do Ministerio Publico do
Para na revisio dos processes ainda pen-
dentes. Pode-se esperar ajustes estatisti-
cos e correqdes informativas ao long
dessa revisio, mas erros e distorqdes sio
o prego a pagar para atacar o mal maior:
a impunidade. Ela chegou a um ponto tal
que passou a servir de estimulo a um mor-
ticinio com todas as caracteristicas de
uma guerra civil nio-declarada. At6 pior
do que isso: uma selvageria desatada tor-
nou a vida humana um bem de valor des-
prezivel, ou sem valor algum.
A vida de Jos6 Dutra da Costa, o "De-
zinho", director da Federaqio dos Traba-
thadores na Agricultura do Estado do Par~i,
por exemplo, custou dois mil reais e o di-
nheiro sequer chegou a ser pago ao seu
assassino, o baiano Wellington de Jesus
Silva. Wellington, um sujeito franzino, de
19 anos, havia chegado A
perigosa Ron-
don do Para, a
margem da
BR-222 (Be-
16m/Brasilia-
Marab6), ape-
nas al guns
dias antes do
crime.
Ele decla-
ra que nio foi
contratado na
Bahia, de onde veio,
s6 para matar "Dezi-
nho", e que nio 6 um
pistoleiro. Pode at6
estar falando a ver-
dade porque agiu
de uma maneira
desconcertante:
foi a humilde
casa de "Dezi-
nho", esperou-o
chegar e ali mesmo ati-
rou nele, que ainda teve forgas
para reagir com as balas no corpo e se


agarrar ao seu algoz. Gragas a isso, We-
Ilington foi preso por amigos e conheci-
dos do sindicalista antes de conseguir se
afastar do local. Escapou de ser lincha-
do, mas entregou um primo que o levara
a "Lcena do crime" c o tio, um poderoso
fazendeiro local, D~cio Barroso Nunes.
Executor e mandante estio press no
que pode ser uma exce~go a regra geral
de impunidade.
Essa sensagio de que nada vai acon-
tecer quando se tem as costas largas
nio foi o que levou Wellington a dis-
pensar qualquer cobertura na hora de
atirar em "Dezinho"? Matar tornou-se
atividade trivial, um trabalho como ou-
tro qualquer, nio s6 nos ermos do ser-
tio, e em serties de dons violentos,
como Rondon, mas na capital, onde um
empresario da contravengio (em plena
atividade apesar desse "detalhe", igno-
rado pelos guardi~es e fiscais da lei) 6
liquidado em frente ao seu estabeleci-
mento de jogo do bicho, onde prosaica-
mente conversava, e o assassino seguiu
tranqililamente, assinalando a mission
cumprida na sua agenda do dia.
E realmente assustador. Chegamos
Aquele grau de degeneresc~ncia no qual
o dnico rem~dio ao alcance da autori-
dade, no cumprimento da de-
terminaqio superior, 6 esque-
cer que no Brasil as "rigoro-
sas providincias" nio pas-
sam de ret6rica e deixar-se
levar pela information obj eti-
va de um lado e a letra da lei
do outro, sem perguntar sobre
a quem o crime interessa e
sem querer saber com quem
esti falando. Ou isso, a lei gs
61ltimas conseqtiincias, doa
a quem doer, ou, como na-
quele pat~tico livro de Ja-
mes Baldwin, da prbxi-
ma vez sera o
fogo. Total,


Os males da


im midd












N ovos d es afios


Ahist6ria do inicio da definitive
ao Brasil, sobretudo a partir da
Ad~cada de 70, nio pode ser
escrita para valer sem consult ao journal
O Estado de S. Paulo. Para comprovar,
basta verificar a bibliografia dos mais im-
portantes livros escritos sobre o period
por autores que conseguiram escapar a
bitola da torre de marfim acad~mica, que
abriram os porties dos campi para ver a
realidade, nio ficando na sua mera re-
produCio intellectual, nas fontes secunda-
rias, no diz-que-disse.
O Estadd~o era o journal brasileiro mais
bem informado sobre a Amaz~nia gragas
a uma excepcional rede de corresponden-
tes, um em cada capital da regiio, mas at6
mesmo em cidades menores, como San-
tar~m e Marabi. A Amaz~nia era tema
permanent de matbrias especiais e repor-
tagens em s~rie, freqtientemente desdo-
brando-se por uma semana inteira, em
paginas e piginas, como a dedicada, em
1977, ao problema fundiirio amazinico,
men~go honrosa do Pr~mio Esso national
daquele ano, talvez o derradeiro do mais
fecundo ciclo jornalistico da imprensa na-
cional sobre a Amazinia.
E possivel que a censura implacavel,
exercida diariamente na redagio, tenha
contribuido para consolidar o compromis-
so do mais influence journal do pais com
sua mais desconhecida e grandiosa re-
giio. Mas manter uma cobertura corajo-
sa e eficiente teve seus custos para a di-
regrIo da empresa. Afinal, nas pbginas do
centenario peri6dico eram expostas algu-
mas das mais danosas marcas deixadas
no dorso da terra que um dos mais noti-
veis paulistas, Euclides da Cunha, com-
parara, no inicio do s~culo, a uma secula-
rizada pigina do Ginesis, apandice da
criaq5io biblica delegada aos homes.
Marcas cuja autoria podia ser cobrada de
quatrocentonas nobiliarquias paulistas,
quando nio como autores, ao menos en-
.quanto porta-vozes.
Um dos mementos mais tenses des-
sa excepcional relaCio deu-se quando da
publicaqio da s~rie de mat~rias, que des-
nudavam as causes mais profundas dos
sangrentos conflitos de terra a se multi-
plicar na Amaz6nia, incorporada ao ca-
dastro imobilibrio national para ser uma
esp~cie de 6den fundibrio national, via
imigra~io, mas logo apresentando um in-
dice de concentra~go da propriedade su-
perior g m~dia national. Cobrava-se in-


cisivamente a responsabilidade dos ban-
deirantes paulistas, comn sua eterna filo-
sofia de avangar sobre a fronteira com
sua frente pecu~ria, indiferentemente a
circunstincia de o sitio dessa atividade
ser incompativel comn tal "especializa-
950", dada a dominancia florestal da
Amazbnia (atenuada a custa da maior
devastaCio vegetal que se conhece em
todos os tempos).
Jg a enorme pauta (de 10 laudas) pre-
parada para sustentar essa sbrie provo-
cara abalos sismicos em Brasilia. Deixa-
da inadvertidamente na sede do Incra por
uma reporter da sucursal, fora repassada
comn alarme ao Conselho de Seguranga
Nacional, encrespado com os ataques a
rec~m-aprovada lei de discriminaqio de
terras da Uniho (a 6.383), g atuaqio de
oficiais da reserve nos bastidores do po-
der e com as perquiriqaes sobre corrup-
gio na esfera official.
A secretaria do CSN comunicou Sgo
Paulo a apresentar em Brasilia o autor
da pauta. LA fui eu, com um advogado de
prontidio li fora para alguma anomalia,
de que a 6poca era pr6diga. Mas fui bem
recebido naquele santuario da doutrina de
seguranga national, inacessivel a curio-
sidade externa. Conversei com oficiais
atenciosos e bem informados sobre a
Amazinia, ouvi seus pontos de vista e lhes
expressed os meus, num clima de fran-
queza. Sai livre para escrever o que qui-
sesse, mesmo porque eles devem ter fi-
cado com a impressio de terem um in-
terlocutor qualificado -e, quem sabe, de
bons prop6sitos.
Mas ainda fui chamado a Sgo Paulo
para uma outra conversaCio, antes da
autorizagio para publicaCgo do vasto tex-
to mandado para a sede. O doutor Jxilio
de Mesquita Neto me pediu para conver-
sar com Rubens Rodrigues dos Santos, o
editorialista ao qual transferira a incum-
b~ncia de resolver pendancias da repor-
tagem com a linha editorial do jornal. Dis-
cutimos bastante sobre virios pontos que
ele havia sublinhado no texto. S6 tive que
fazer uma tinica e pequena supressio,
relative a uma pessoa, algo irrelevant
para a reportagem, tris linhas em 1.400.
Resisti as estocadas de Rubens, um jor-
nalista que havia estado varias vezes na
Amazinia e fora reporter especial at6
passar para o corpo de editorialistas. No
dia em que saiu a primeira das materias,
ele escreveu um duro editorial, repetindo
por escrito o que havia me dito pessoal-


mente, quase insinuando que aquela re-
portagem era uma maquiavelica infiltra-
Cio de um dissidente da casa.
Tomei um susto ao ler o destacado edi-
torial, mas fiquei feliz. Esse 6 o tipo ideal
da grande imprensa: na pilgina de editori-
al, a opiniio dos dons. Ngo um palpite,
pura e simples, o exercicio do livre arbitrio
de quem pode porque pode, mas uma and-
lise fundamentada. Nas outras piginas, o
que os jornalistas apuraram, sem censura,
cada um respondendo pelo que escreveu.
Foi um dos mementos mais felizes ao lon-
go dos meus 17 anos de Estadd'o, refor-
gado pelo Esso, a seguir.
Depois, o jornal afrouxaria os elos des-
se compromisso, perderia a rede de cor-
respondentes que tio aplicadamente ha-
via montado, deixaria enfraquecer amisti-
ca amaz6nica e se apartaria da condi~go
de consciincia critical, na matriz, dos erros
metropolitanos cometidos pela plutocracia
paulista (e sua fauna acompanhante) em
rela~go g Amazinia. Certo dia de 1988
achei que a curva declinara demais e pedi
para sair, saindo sem bater a porta.
Passados 12 anos, essa porta me 6
aberta de novo por uma pessoa que, num
esforgo quase solit~rio, manteve a cha-
ma amazi~nica acesa nas piginas do Es-
tadd~o. Foi justamente pensando em Ro-
drigo Mesquita como uma das poucas al-
ternativas amazinicas na grande impren-
sa brasileira que lhe escrevi uma carta,
dias atras, partilhando minhas inquietaC~es
sobre a cobertura jornalistica da region.
Fiz isso logo depois de escrever a
mat~ria de capa sobre o Plano Col6mbia
para a Agenda Amazinica. Fiquei mui-
to preocupado com as conseqtiincias da
investida dos Estados Unidos nessa par-
te do continent. Acho que a grande na-
950 do Norte pode estar dando um pass
sobre o qual, no future, nio terii control,
desencadeando um mal que podera ultra-
passar suas piores expectativas. Pode
estar langando a Amazbnia e todo o con-
tinente numa aventura desastrosa.
Para preveni-la, 6 precise ter uma
instincia informative capaz e crivel,
independent, autinoma, influence. O
Estado de S. Paulo, por seu passado e
pelo que ainda mant~m presentemente,
6 esse reduto da sociedade civil capaz
de evitar desdobramentos perniciosos,
ou ao menos alertar a opiniio pxiblica
para os riscos envolvidos, com sereni-
dade e firmeza, sem histeria ou exage-
ro, mas com solidez.






JOURNAL PESSOAL 2p QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2000 5


Pelas mios de Rodrigo Mesquita, es-
tou voltando a casa como reporter es-
pecial, na perspective de projetos mais
ambiciosos para um future imediato. Por
enquanto, 6 algo bastante prosaico, mui-
to distant do que sugeriu Mauro Bonna
na sua coluna no Didrio do Pard, pro-
vocando curiosidade e inquieta~go no cir-
culo mais pr6ximo. Simplesmente you
escrever mat~rias especiais para o por-
tal da Agincia Estado na internet e as
piginas do Estadd~o, como qualquer re-
p6rter pode fazer, estando habilitado a
tratar do tema. Minha base continuard
sendo Bel~m.
Mas esse primeiro memento de rea-


tamento podera contribuir para a conse-
qtiincias mais amplas, restabelecendo um
compromisso mais decidido da empresa
para com a causa da Amaz~nia. Algo,
evidentemente, que exige muitas m~os e
denodadas vontades; muito al~m dos
eventuais m~ritos de um s6 individuo. Mas
capaz de criar um tal estado de consci-
incia national sobre a regido que impega
ou ao menos iniba sua exploraqio desen-
freada, sem peias.
Essa nova tarefa ird afetar tanto este
Jornal Pessoal quanto a Agenda
Amaziinica, jB que as mat~rias produzi-
das para Sio Paulo serio exclusivas.
Apesar das redobradas dificuldades, you


tentar manter as duas publicaq8es, na
media das minhas limitaqdes, modifican-
do suas identidades e encontrando novos
espagos para elas, se isso for possivel. O
leitor poderb ajudar nessas busca. E tam-
b~m dara a palavra final sobre os resul-
tados. Embora possamos escrever milha-
res e milhares de linhas, a defini~go final
acaba sendo do leitor, como sempre foi e,
felizmente, ou infelizmente, conforme o
caso, sempre sera. Ao menos para as
publicaqdes que efetivamente dependem
Oinica e exclusivamente do seu leitor,
como este journal.
O dado, portanto, esti langado, como
mais um jogo mallarmaico na floresta.


0 desaflo da redivisaio


atual governor do Pard diz ter
investido 360 milhdes de reais
Onos 22 municipios da regiio oes-
te, que querem se emancipar para for-
mar um novo Estado. DB R$ 60 milhdes
ao ano, R$ 2,2 milhdes por municipio. E
pouco mais do que 10% do que o gover-
no aplicou na Estagio das Docas, na ca-
pital, em tris anos, uma aplica~go de ca-
pital de baixo efeito multiplicador. Basta
para center o impeto separatist dos que
querem criar o Estado do Tapajbs?
A queixa hist6rica da populagio des-
sa parte do territ6tio paraense 6 justa-
mente de que o governor de Beltm tem
sido concentrador e espoliador. Sequer
devolve os recursos efetivamente ar-
recadados e, por forga da distincia e
do isolamento, acabou coonestando a
cultural da sonegaFio, que se tornou
uma praga. AlCm disso, fases de apro-
ximaqio e incremento s~o apenas um
intervalo entire o abandon e a punigio
que Bel~m impbe ao ser contrariada.
O desenvolvimento no interior estancou
ou nio tem o ritmo que seria possivel
se a region j8 dispusesse de autonomia.
A aspiraqio a independ~ncia beira
a secessio ou o irredentismo. Nio tem
ouvidos para as advertancias sobre a
manipulagio dos politicos, o custo da
emancipagio (calculado em 1,5 bilhio
de reais, mais do que toda a receita
paraense de um semestre), o risco de
dividir a mis~ria, a ameaga de insolvi~n-
cia e outros arguments. Quer porque
quer. Ngo 6 essa, por~m, a forma de


separar para crescer, mantendo os ele-
mentos da identidade e da solidarieda-
de que haviam, mesmo a forga, sob um
Ainico territbrio. Por esse motive, con-
tudo, 6 a hora de abordar para valer o
tema da redivisio do ParB, nio com
prop6sitos triunfalistas, nem por mera
embromaCio ou sentimentalismo.
HE um claro component politico a
explicar por que o projeto de emancipa-
Cio foi apresentado por um senador de
Roraima, numa ins61ita e in~dita situa-
Cgo, e porque a id~ia 6 apoiada ou tem a
simpatia do PMDB do senador Jader
Barbalho. Mas esse 6 o element mera-
mente conjuntural, o estopim. O campo
de cultivo que faz germinar a id~ia de
retalhar o Park, o segundo maior Estado
da federaqio, 6 muito mais amplo e com-
plexo. Pode nio ser desta vez que a pla-
taforma se concretize, mas talvez foi
agora que ela mais avangou.
Um indicador nesse sentido foi a
inova~go introduzida no process ple-
biscitario: para o surgimento do Esta-
do do Tapaj6s, se a consult vier a ser
aprovada pelo plenario da Cimara Fe-
deral (passou apenas pelas comissdes),
depois de ainda atravessar o plendrio
do Senado, terio que ser ouvidos nio
apenas os habitantes da future unida-
de federativa, conforme a regra vigen-
te at6 entio, mas todos os moradores
do Estado-m~e.
Esse mecanismo de defesa foi ado-
tado como compensagio a possibilida-
de, agora mais real, de convocaqio do


plebiscito. Mas pode nio ser tio efici-
ente quanto pensam os adversirios da
separaCio, certos de contar com a mai-
or expresslio demogrifica daquelas are-
as remanescentes do atual Estado, que
serio as mais prejudicadas. A ampla
consult incluird, por~m, a populaCio do
sul do Parli, ji mobilizada em favor da
criagio do Estado de Caraj~s. A ade-
sho a causa do Tapaj6s sera a ante-sala
para essa nova emancipagio, bandeira
mas recent sem ser menos forte.
E~ provivel que os anti-separatistas
ainda continue a ser demografica-
mente majorit~rios e certamente tim
maior forga no legislative estadual, ou-
tra instincia decis6ria. Mas se os que
querem manter o ParB na sua configu-
rac;io atual forem vitoriosos, sera uma
vit6ria prec~ria diante do crescente di-
laceramento e antagonismo de posiqdes,
que tirar~o cada vez mais a racionali-
dade de um process que pode vir a ser
traumitico para todas as parties envol-
vidas. No entanto, a base do entendi-
mento, pode trazer boas surpresas, in-
clusive as imprevistas.
A melhor attitude neste memento
n~io 6 ser contra ou a favor, pura e sim-
plesmente. E abordar com intelig~ncia,
coragem e conseqtiincia o tema, ine-
vitivel num Estado que possui dimen-
sdes continentals como o Par6. Niio
como um tema academico, mas como
uma question de vida. Se possivel, como
um instrument para a melhoria da vida
de todos. Q)


do


jor nalismo







6 JOURNAL PESSOAL* 2p QUINZENA DE DEZEMBRO/2000


que se lixassem os demais mo-
toristas que se sentissem inco-
modados. Isso 6 just?
Quanto a questio abordada
pelo Jornal Pessoal sobre o di-
ploma falso de medicine do ex-
quase-prefeito, que o possibili-
tou ingressar e se former no
Curso de Direito da Unama,
gostaria que essa entidade de
ensino se manifestasse de pu-
blico. Como ex-aluno dessa uni-
versidade, acho-me no direito de
questioner isso que parece ser
uma fraude, pois me sentirei in-
comodado de possuir um diplo-
ma, conseguido com sacrificio
financeiro e intellectual e de for-
ma licita, e que, no final, tem o
mesmo valor legal do diploma
desse politico, que todos n6s o
conhecemos tso bem hoje.
JosC Miguel Batista

MINHA RESPOSTA
Segundo informagd'o da
Unama, Duciomar Costa fez o
vestibular normal em 1982 e se
graduou bacharel em direito
em 1994, ndio se valendo, por-
tanto, do "vestibulinho para
ingressar no cursor superior, ao
contrairio das primeiras denuin-
cias. Uma questd'o ainda resta:
como ele conseguiu se manter
no cursor durante 12 anos, sem
jubilamento, quando o perio-
do normal de graduagd~o em di-
reito d de cinco anos?


As eleiqbes

rezado Lilcio FlIvio,
formulou, para regula-
mentaglio das elegibes. Preferi
expor minha opiniso em duas
cartas, porque voc6 tem o hibi-
to de publicar na integra as ma-
nifestaq8es de seus leitores,
quase sempre roubando muito
espago no JP. No meu caso,
pego-lhe que fique a vontade
para nada publicar, ou publicar
somente o que vocC achar ne-
cesslrio para situar uma even-
tual resposta.
Indo ao que interessa: voc6
diz que os institutes de pesqui-
sa "...ndo conseguird~o se lim-
par por si prdprios. E hora de
uma intervengd'o puiblica ".
Novamente n~o concordo
com vocC. Os institutes de pes-
quisa estio sujos ? Eles que se
danem! Se esse for o problema,
entio e hora de surgir novos
institutes, de preferencia sem os
vicios dos antigos.
A interven~go pilblica -via
aprimoramento da regulamenta-


Fgo -nio deve ter por objetivo
limpar os institutes de pesqui-
sa, mas impedir que as elei95es
sejam afetadas pela sujeira pe-
culiar a varios deles. Se, como
voct afirma, o Ibope caiu no
descr~dito aqui em Beltm, tan-
to melhor. Sendo assim, essa
criatura ji nio influenciard tan-
to, nas prbximas eleiqbes.
O problema nio e s6 com os
institutes de pesquisa. E com os
eleitores, tambtm, e tanto quan-
to. S6 um cretino decide votar
em um determinado candidate,
apenas porque esse candidate
est8 em vantagem nas pesqui-
sas. Com a elei~go em dois tur-
nos, entio... Os institutes de
pesquisa viciados, e seus con-
tratantes idem, apenas instru-
mentalizam a cretinice, e dela ti-
ram proveito. Sem tantos eleito-
res cretinos, os institutes de
pesquisa sujos comeriam capim.
Creio que o aperfeigoamen-
to da regulamenta~go passa, ne-
cessariamente, pelo fim do voto
obrigatbrio. A legisla~go eleito-
ral brasileira deve conferir ao
voto o status que efetivamente
lhe cabe numa democracia. O
voto deve ser um direito de ci-
dadania, nio uma obrigagio.
Certamente que um indivi-
duo nio deixa de ser cretino, s6
porque nio esta obrigado a vo-
tar. Mas tambem 6 certo que o
fimn da obrigatoriedade elevaria
substancialmente o percentual
de votos por convicqio, ji que
as pessoas desmobilizadas po-
liticamente, ou c~ticas quanto
As opg8es, simplesmente se
absteriam de votar.
Em tais circunstincias, pou-
co importaria que as pesquisas
fossem publicadas 10 ou 2 dias
antes das eleiqi~es. Quem vota
por convic~go, tem no voto a
manifesta~go de sua vontade
political, independentemente da
posi~go dots) candidato(s) de
sua preferencia nas pesquisas
eleitorais.
A exig~ncia de mais de um
contratante 6 in6cua. Bastaria
que o verdadeiro e 11nico con-
tratante se associasse a outro,
sendo a segunda contratagio,
de mentirinha, formalizada no
papel. A exig~ncia estaria des-
moralizada, sobrevivendo ape-
nas como uma (mais uma...) for-
malidade burocritica, no pais do
papel6rio. De modo algum ela
inibiria a "pesquisa "com resul-
tados previamente acertados.
Mais eficaz seria divulgar ex-
clusivamente as pesquisas re-
gistradas no TRE, e somente 72


horas ap6s disponibiliza-las
para todos os partidos politicos,
independentemente de quem as
contratasse, permitido-se divul-
gar apenas informaq8es dispo-
nibilizadas para os partidos. Ao
publicar as pesquisas, a impren-
sa teria que ir mais fundo na
analise, posto que os dados
mais elementares ji estariam
sendo utilizados nas campa-
nhas ha pelo menos dois dias.
Creio que essas medidas,
altm de inibir a maracutaia, ain-
da beneficiariam os partidos
menores, sem recursos para
contratar pesquisas, em espe-
cial junto a institutes de gran-
de porte.
Elias Tavares

MINHA RESPOSTA
A regulamentagdio ndo e
feita para "limpar ", mas exa-
tamente para estabelecer re-
gras puiblicas das quais resul-
tem direitos e deveres. Nos Es-
tados Unidos o voto ndio & obri-
gatdrio e as pesquisas influem
sobre o voto de quem val ais se-
gdes eleitorais voluntariamen-
te. Mas t tal o acompanhamen-
to dessas pesquisas que ne-
nhum institute se atreveria a
descumprir as normas legals,
como fez o Ibope em Belim na
eleigdo deste ano, deixando de
entregar, at6 a undicima hora,
os formuldrios aplicados pelos
entrevistadores e os nomes das
pessoas utilizadas nas pesqui-
sas. Se a sociedade ainda nd'o
estdi com sua conscidncia ama-
durecida, a imprensa e as ins-
tituigd'es puiblicas, como o ME
precisam desempenhar um pa-
pelpedagagico. A exigincia de
mais de um contratante pode-
ria resultar numa armagd'o, e
verdade, mas se nd~o houvesse
um "outro lado ". Dificilmente
o grupo Liberal faria o que fez
se os veiculos de comunicagd'o
do senador Jader Barbalho
tambtm tivessem contratado
pesquisas junto a um institute
de credibilidade.
Vado expostas integralmen-
te as opinid'es do leitor, mas
continue divergindo dele.


Ainda o PT


objetivo prosseguir a po-
lImica da edi~go passa-
da, e nem pretend voltar ao
assunto, pois sei que isso 6
meio chato para o leitor. Acho
apenas que voc& tomou minha
critical contundente como uma


NOVO Estado

Escrevo ao Jornal Pesso-
promessa feita em edi~go
passada no sentido de abordar
assunto sobre a criaqio de no-
vas unidades da Federaqio,
desmembrados do territ6rio do
ParB. Como santareno, interes-
sa-me sobremaneira a cria~go do
Estado do Tapaj6s. E grande o
sentiment de abandon dos
habitantes do Oeste do Parz
pelo Governo do Estado. O sr.
Governador nio passa de um
segundo prefeito da capital. Em
luta renhida com a Prefeitura de
Bel~m, o Governo do Estado pri-
vilegia Beltm com obras fara8-
nicas, caras, de gosto duvido-
so e superfaturadas, como eo
caso da Esta~go das Docas. Por
outro lado, o interior esti entre-
gue is baratas, com estradas em
p~ssimo estado, transportes
prec~rios e sem uma political
agricola que gere emprego e ren-
da g popula~go que ali vive. Se
as obras que o governador faz
em Bel~m fossem realizadas pelo
prefeito, nada tinhamos a repa-
rar. No entanto, as obras sup~r-
fluas, como dissemos, slo fei-
tas com recursos arrecadados
por todos os paraenses que
possuem necessidades muito
mais importantes e urgentes do
que janelas para o rio e aero-
portos superdimensionados.
Sobre a matiria "Advoga-
dos em f~iria", da edigio n" 248,
concordo plenamente comn a
sua opini~io a respeito da elei-
gBo e da entidade OAB. Eu, que
moro pr6ximo B Praga da Repli-
blica e trabalho prbximo B sede
da OAB/PA, tive que conviver
com toda aquela barulheira e
incivilidade da eleigio para pre-
sidente dessa entidade. E nlo
esquegamos o lixo visual e ter-
reno que ficou ap6s o pleito,
numa demonstraqio cabal de
falta de educaqio e de respeito
As leis. Em uma das carreatas,
das vsrias que atrapalharam o
trinsito ca6tico do centro da
cidade, um carro-som, na esqui-
na da Gama Abreu com a Presi-
dente Vargas, chamava a aten-
gio dos agents de trinsito ali
postados, em tom quase amea-
gador, da necessidade de se dar
prioridade i passage da car-
reata dos advogados. Ou seja,






JORNAL PESSOAL *2'QUINZNA DE E ZEMBRO/ 2000 7


acusaqgo, e est8 claro que tom
da carta era outro. Tentarei ser
breve:
a) eu nio disse que voct fala
"Lapenas"~ sobre o sexo dos an-
jos. Realmente vocC tratou de
coisas substantivas, como o
IPTU c o caso Detran-CTBel.
Mas no editorial que eu criti-
quei (e na maioria dos outros) o
que aparece 6 um texto recor-
rente que usa crittrios exagera-
damente subjetivos para demos-
trar que as duas questdes (do
PT e do PSDB) shlo iguais (em
defeitos, principalmente), o que
para mim 6 uma injustiga. Se as
relaqdes Estado-Municipio che-
garam ao ponto de nio-retorno,
a culpa 6 do governador o pre-
feito at6 o visitou em palacio
para tentar uma aproximaqi~o,
mas o boicote A prefeitura con-
tinuou.
b) 6 interessante que nas
questdes "substantivas" cita-
das sua posigio foi, apesar das
ressalvas, de apoio B Prefeitura.
c) espero que vocC nio te-
nha querido dizer que o dr. Ge-
raldo Lima saiu da Secretaria de
Finangas por se recusar a pagar
o Grupo Liberal. Existiam varios
outros pontos de atrito entire ele
e stores do PT, como por exem-
plo seu mttodo de gestio hi-
per-centralizador. Segundo sou-
be, ele d~o s6 chamava para si
toda e qualquer decisio na Se-
cretaria como insinuava que os
funciondrios de carreira eram
desonestos at6 prova em con-
trlrio. (Desculpe entrar nesse
novo assunto, mas o trecho de
sua resposta deixou as coisas
meio nebulosas).
d) as obras de saneamento a
que me referi nio foram as da
macrodrenagem. Conv~m nio
tomar os 300 e tantos quil6me-
tros da propaganda official como
delirio. Muitas ruas foram pavi-
mentadas, muitos c6rregos dre-
nados, principalmente porque
foram as principals decisdes po-
pulares no orgamento participa-
tivo. Trechos inteiros do Juru-
nas, do GuamB, da Terra Firme e
da Cremaqio ganharam melho-
rias e de boa qualidade, com
sinaliza~go, etc. E isso sem em-
pr~stimo do BID, sem venda da
Celpa, e ainda enfrentando as
tungas (Fundef, Lei Kandir,
ICMS) dos governor tucanos.
Ngo ando muito na periferia, mas
quando you Id percebo uma ni-
tida diferenga de alguns anos
atrs. Nem precise falar das me-
Ihorias na educaqio, saude,
embelezamento do centro, etc,


para reafirmar que o conj unto de
obras desta gestio e muito su-
perior ao das anteriores.
Por uiltimo: tenho critics a
gestio petista, que sio muitas
vezes as mesmas suas, como o
patrocinio a cole~go de video do
Liberal e a publicidade inserida
no Jornal Popular. Numa carta
anterior minha (sobre o bate-
boca com a reporter do Liberal)
o que se leu nio foram exata-
mente elogios a Forga Socialis-
ta. Apenas acho que nio preci-
so cover no molhado para ga-
nhar algum tipo de credencial de
isen~go.
Marcus Pessoa de Arairjo

MINHA RESPOSTA
Acho que minhas divergin-
cias com Marcus ja foram suff-
cientemente desenvolvidas
para permitir ao leitor tirar
suas prdprias conclusdes.
Quanto aos motives da said
de Geraldo Lima da Secretaria
de Finangas do Municipio, po-
dem ser todos esses apresenta-
dos, a partir de um estopim, o
conflito com o grupo Liberal,
que pode ter servido tanto de
causa quanto de pretexto.
NdTo podemos ser compara-
dos ao Inferno de Dante, o
que sugere a manchete da pri-
meira pagina do Jornal Pes-
soal n' 247. A ascensd'o da es-
querda, capitaneada pelo Par-
tido dos Trabalhadores, mes-
mo que nd~o tenha trazido os
merecidos beneficios a Belim,
conforme vocb diz, e que seria
o desejaivel, ao menos tem o
mtrito de alijar do combat le-
gendas perniciosas ligadas
aos Barbalhos, aos Gueiros,
aos Passarinhos, etc., ati
bani-los definitivamente do ce-
nairio politico belenense, que
d o desejo de muitos que aqui
residem. Haja esperanga!


O be nef icio
ntes de prosseguir, pego
vtnia para me reporter
ao assunto que esta
sendo repetido no Jornal Pes-
soal de n" 248 sobre a Alga Via-
ria. A verdade 6 que projetos de
carter nitidamente desenvolvi-
mentistas, como a Hidrovia do
Araguaia-Tocantins, a do Ma-
raj6 e o sistema de transport
que ird integrar definitivamente
o territbrio paraense de Norte a
Sul, vtm sendo torpedeados por
agdes na justiga e critics acer-
bas na imprensa, al~m de cam-
panhas encomendadas pelo


submundo da colonizaCio e da
subservitncia. Cabe assinalar,
portanto, que os motives slo
sempre os inevitaveis impacts
ambientais. Contudo, 6 bom que
se esclarega que a questio eco-
16gica e apenas o biombo onde
se escondem interesses econb-
micos, politicos, regionals, cor-
porativos e at6 mesmo pesso-
ais. Hoje o lema brasileiro (como
nos bons tempos da ditadura
military) deveria ser: "Tudo pelo
ambiental, nada pelo social".
Fiz um comentario gentrico
das duas materias acerca da
Alga Vibria (JPs n's 247/8), po-
r~m, nio posso furtar-me ao di-
reito de intervir, de maneira su-
cinta -porque o espago nio re-
comenda outra ordem de dis-
cussio, em dois aspects le-
vantados nos textos sobre en-
foque. O primeiro, diz respeito
A troca de 45 km por 110 km.
Para um incauto ou leigo, pode
parecer uma heresia, fechar os
olhos ao principio geom~trico
da menor distincia entire dois
pontos. Acontece que um pro-
jeto dessa envergadura deve
ser visto sob o prisma da efici-
incia econdmica dos investi-
mentos pdiblicos previstos na
obra de infra-estrutura. A trans-
posigio de cargas diversas el
ou pessoas, independentemen-
te do modal a set utilizado tem
de perseguir a efici~ncia nos re-
cursos disponiveis. Tem tudo
a ver, tamb~m, com aquilo que
os economists chamam de re-
lagio custo/beneficio. Outro
aspect refere-se a distribuigio
da "mata, original ou secundd-
ria". Peloqune sei, hb muito pou-
co de cobertura primaria, tanto
na regiio insular, como na par-
te do continent que a estrada
(70 km) vai rasgar. Ngo pode-
mos aceitar que estudo de em-
preendimento dessa grandeza
nio comporte itens especificos
para resguardar o que restou
da flora e da fauna, inclui-se ai
a preserva~go dos supostos
"sitios arqueol6gicos".
Rodolfo Lisboa Cerveira

MINHA RESPOSTA
Num dos mementos em que
conseguiu sair da sua letargia
ominosa, o general Garrastazu
Mi~dici, terceiro president do
cid-o military, observou que a
economic brasileira, em pleno
resfolegar do "milagre econd-
mico da dicada de 70, ia bem,
sim, senhor, mas o povo ia mui-
to mal. O home t a media de
todas as coisas e continuara a


sd-lo, mesmo que como espe-
ranga e utopia. Mas agora sa-
bemos que a agdio humana
pode acarretar danos ao pro-
prio home pela via obliqua
da natureza (que alguns, como
a Januairia do Chico Buarque,
sd viem da janela).
E a contribuigd'o da ecolo-
gia, a cidncia chave do novo
stculo. Mas nd~o a pedra filo-
sofal. Ela & rdgua e compasso
indispensaveis, vitals numa re-
gid'o com tantos e tais recursos
naturals, como a nossa. Mesmo
quando precisamos fazer cail-
culos, como na avaliagdo da
relagdio custo/beneficio, J pre-
ciso introduzir o component
da natureza, expurgado do ra-
ciocinio conventional. Sendo,
soltaremos foguetes comemora-
tivos de anacronismos anti-so-
ciais, como o de produzirmos
ferro-gusa a base de caryd~o
vegetal.
O element diferenciador,
que garantirai nosso future, & a
introdupdo do calculo ecold-
gico na formagdo dos pregos.
De outro modo, estaremos con-
denados a crescer como rabo
de cavalo, sem o console de
nosso principle tirar sua lente
colorida para ver, como o ge-
neral Medici, que o bem do
povo corre paralelo ao bem da
economic, indo para o enorme
bolso de quem aciona as duas
alavancas, escondendo a mdo,
& claro.
Em relagd~o ai Alga V~iaria,
o que defend d o cumprimen-
to das normas relatives ao
meio ambiente, mesmo que,
aparentemente, a um olhar
menos sensivel, nada na natu-
reza esteja sendo significativa-
mente alcangado. A lei ambi-
ental deve ser cumprida, escru-
pulosamente cumprida, e ndio
apenas para inglds ver. E
quanto aos beneficios econd-
micos e socials, ja t mais do
que hora de tirarmos dos nos-
sos ombros a canga do rodo-
viarismo e o latego que nos
pune quando deixamos de nos
submeter a um projeto, sem
perquirir por seu significado
(e pela relagdo custo/benefi:-
cio menos bitolada), apenas
porque ele nos traz dinheiro.
Que, como um bumerangue,
circula a nossa vista, mas vai
se reproduzir, ampliado, em
outra freguesia, ficando como
nosso patrimanio uma ave que
aqui gorjeia melhor do que lai.
Ficamos muito saudosos e po-
bres. E a, ouvir estrelas.





























da foz. Nada se sabe dos efei-
tos dessa transposi~go ou mes-
mo como ela sera efetivamen-
te processada.
Mas hS virias outras ques-
ties de natureza t~cnica e le-
gal, inclusive sobre a cobranga
do valor da Agua a ser transfe-
rida para outros Estados. At6
agora, apenas o engenheiro
Luiz Otivio da Mota Pereira
se manifestou publicamente
sobre o tema entire nbs. Con-
v~m ampliar, aprofundar e so-
norizar esse debate para que a
voz do Para, se possivel em
coro com o Maranhio e To-
cantins, tamb~m seja ouvida em
Brasilia antes da consumaqio
dos fats. E o plantio de sur-
presas, mis surpresas, na nos-
sa desguarnecida horta.


amin hos
Inias da historic. Ao subir para
cretaria-execurita do Mlinis-
o d3 Inte~graqio Nacional,
uricio lasconcelos chamou
So scu lugar, nad superiniten-
cia dai Sudam. HugL~o de Almei-
que: estaba cirom asjSeSso do
iisteirio do Alc~io Amnbie~nte.
ndo estoruranram as dellnuciaS
ei a Suldaml. Afluricio e Hugo
egaramn os seus cargos no
istro Fernando Bezerra, des-
do-o ai tomade para fazer o
bem quisesse e para de~sem-
garn as apuraq6c'S. O pe~dido
emissdo de Mlauricio foi acei-
ele tollou ao BNDES. O de
o. lot recusado. apos~ uma con-
a; telle~fonica,- e ele vollou in


JOffl31 PeSSO:11
Edilor: Luine FlaviO Plnto* Fones: 1091) 22.1 6'69 (ron-lar~) e; 241 7626b Ia.)
conlalo: a~ senlsmln conjlanl an~5LS.2 605511 on e-mail: larndle~amazon iom tr
EdigiLo de Ade: Luzlerjnnirdelarlspinio*.DO 1304


__IW__I__lilY______-***Y~III~--YYI


Manrinho era uma espejcle de embai.\ador e
o grande corretor de~ssa grilagem, o mais ex-
posto da quadritha. o uinico a ser preso (ja per
suas \-ezes, a primleira, em 1996. no Parai, e:a
outran, neste ano, no Parana). M~as nem era o
cerebro da armlaqio. nem o seu personagem
mais influente. Se: a pericia indicar que e~le fo~i
assassinado. o caso assume gravidade inedita.
e nio apenats no piano penal. Evidenciara a
amlpliaqio do~ interesse sobre as terrars. hlas se
a ~ipojrese: mais fo~rte, a da mlorte natural, L ier a
ser conflirmada, nem por isso a asjo esfriarai.
Justame~nte porque ha genire muito mais grall-
da por tras. Que pode: fzer a que Mlarinho sem-
pre prometeu e nunca fe~z: dizer a v-erdade~.


Nossa ggua
* Oprojeto original previa sim-
plesmente transferir ggua do
Sio Francisco, em duas toma-
das localizadas no Estado de
Pernambuco, para quatro Es-
tados nordestinos (Paraiba,
Rio Grande do Norte e CearB,
al~m dopr6prio Pernambuco)
que tim problems s~rios de
suprimento, irrigando seus
campos de cultivo ressequi-
dos. Mas os Estados compul-
soriamente doadores reagiram,
capitaneados pela Bahia, a
mais poderosa unidade fede-
rativa da regiio. Temiam que
o desvio afetasse o cursor re-
gular do "rio da integraqio
national", como o Sio Fran-
cisco 6 conhecido, prejudican-
do quem ji conta comn suas
aguas para diversos usos.
O grito fez Brasilia rede-
senhat o proj eto, incorporan-
do o Tocantins ao sistema de
transposi~go. Dos 70 metros
cilbicos desviados por segun-
do, a nova media passou
para algo entire 140 e 170 m3
por segundo de transfer~ncia.
O custo pulou de 2,8 bilhaes
para 4,l bilhdes de d61ares
(em torno de 8 bilhdes de re-
ais). Os nordestinos continu-
aram a discutir o projeto, mas
ja sob o ingulo do beneficio
evidence dessa incorporagio.
O Para, o Estado que mais
utiliza o Tocantins, continuou
indiferente a essa intrusio.
Os100 m3 que se
pretend captar no
Tocantins, em qual- Ci
quer condigio de va-
*Iro
zio do rio, mesmo
nas estiagens, seriam
teri~
mnferiores a 5% do
Alai
volume total, caindo
abaixo de 1% no pe- P~'
deni
riodo das cheias nor-
da, (
mais. N~o haveria
Rlin
comn o que se preo-
Qua1
cupar. Mas ha. A
sobr
capta~go ser5 feita
nio diretamente do ent
Tocantins, mas de
um dos seus forma- S"
dores, o rio do Sono, que
ba~ra
que tem uma vazio
de d
incomparavelmente
to e
menor e esti gs pro-
Hugt
ximidades das nas-
c'S
centers, a mais de r
Sud:
dois mil quilimetrOS


Esg oto
*Marcus Vinicius Pratini de
Moraes 6 um sobrevivente
de governor e regimes. Da
administration dos generals
emergiu de novo na gestio
do sociblogo ex-subversivo
Fernando Henrique Cardo-
so, distribuindo otimismo e
simpatia. Mas, ao que pare-
ce, permanecendo o mesmo
por dentro. Entre baforadas
de entusiasmo com as pers-
pectivas econdmicas do
Pari na agriculture, na sua
passage por Bel~m, na se-
mana passada, deixou a im-
pressio de qlue seu objetivo
principal 6 tomar o Estado
como uma via de escoamen-
to de produtos do Centro-
Oeste (a regilo que mais
tem crescido no pais nos ll-
timos anos), "a tiltima gran-
de reserve agricultivel do
mundo", segundo suas pala-
vras, para o exterior.
Que o Centro-Oeste mo-
nopolize a soja, nio hB pro-
blema, 6 e at6 melhor para
nossas terras. Mas ser um
"corredor de exportagi~o" 6
ser nio muita coisa al~m de
esgoto econ8mico. Disso, o
regime ao qual o ministry da
agriculture de FHC primei-
ramente serviu ji nos deu -
e muito. Dispensamos uma
edigio revista e ampliada.


Semn final
Nada miais natural do que a opiniio puiblica
resistir a aceitar a hiporese de morte: nartur~l
de harinho Gomls de Figueiredo, ocorrida no
t'lltimo domingo, em Belem. Ao depor na CPI
da Tetrra, na Cjlmara Fedetral, emn Brasilia, no
mes pa1ssado. ele prometera dar os nomes de
pessons, muito mais poderosas do que ele, be-
ne~ficidrias ou participants do "esquema Car-
los Alede~iros". uma arapuca atravets da qual
se p~retendia abocauhar;1 de 9 a 12 millhies de
hectares de terras pilblicas paraenses. Olici-
almente, Alarinho nada havia diro aos deputa-
dos. comoi de: hdlbito. O compromisso de "'abrir
o jogo", ele adotou nos bustidores, informal-
menrze.


Poll tica
*Depois de sua excursio de
quatro dias pelos 1.900 quilb-
metros da BR-163, entire Cui-
ab6 e Santar~m, na semana
passada, o ministry das comu-
nica95es, o mineiro Pimenta
da Veiga, tamb~m politico do
PSDB, deixou varias drividas
no seu rastro. O autintico
rally organizado, com os equi-
pamentos e a logistica de esti-
lo, seria o pano de fundo para
forgar a restauraqio e o as-
faltamento da estrada, por ela
em si, ou como caminho para
os cabos de fibra 6tica das
empresas de telecomunica-
C5es, impacientes no aguardo
de providencias do governor?
Al6m disso, seria uma estoca-
da noministro dos transportes,
Eliseu Padilha, e, por extensio,
no senador Jader Barbalho,
ambos do PMDB, que se tim
mostrado niomuito expedidos
nessa frente, enquanto fazem
avangar a Transamaz6nica?
Seria, por via de conseqtiin-
cia, um colocar de azeitona na
empada do governador Almir
Gabriel, tremendamente des-
gastado na direa, especialmen-
te em Santar~m, onde uma
vaia certamente faria a recep-
~go se ele at6 li se dirigisse?
Sem malicia, apolitica nio
funciona. Mas por isso mes-
mo nio 6 auto-explicivel.