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Jorna Pessoal LUIjC O F LAVIO PIN TO .~~L1ANO XIV N. 249 28 QUINZENA DE DEZEMBRO DE 2000 RS 2,00 SUDAM Ou vai ou racha A Sudam nunca esteve td~o ameagada quanto agora. No meio do tiroteio violento que os senadores Ant~nio Carlos Magalhades e fader Barbalbco travam, e' apresentada na imprensa national como um covil de ladrdes. Mas esta pode ser a bora adequada para apurar tudo, corrigindo velbos erros, recompondo um conceito tdcnico e moral. E, separando o joio do trio, identificar quem e que, por integrar quadrilhas, deve estar em outro lugar que nd~o uma age~ncia de desenvolvimento. Se possivel, na cadeia. Com colarinho branco e tudo. volvimento da Amazinia, se- diada em Belem, chegou aos 36 anos de existancia mais Ar6xima do fim como nunca antes, um 6rgio que bem podia ser extin- to (ou, quem sabe, fundido com o Banco da Amaz~nia, antigo projeto de muita gen- te entricheirada em Brasilia). Mas tam- b~m, como em nenhum memento anteri- or, mais pr6xima de se salvar. Em conseqtiincia da guerra selvagem que o senador baiano Ant~nio Carlos Magalhies, do PFL, um dos homes mais poderosos da Repuiblica, trava comn o in- desejado candidate a sua sucessio na presid~ncia do Senado, o paraense Jader Barbalho, president national do PMDB, a Sudam foi colocada na ribalta como "o maior covil de ladries do Brasil", segun- do as palavras de ACM, uma Madalena exposta g execraqio pdiblica como a mais viciada instincia do governo federal (en- quanto outras, por uma providencial par- ceria da grande imprensa com sua fonte nio assumida, sio deixadas de lado). A causa imediata seria a dilapidagio de algo em torno de 300 milhdes de reais do eratio, fundo formado pela ren~incia fiscal em favor da implantaCio, na Ama- zinia, de projetos que s6 v~m para a re- giio por serem subsidiados (no caso, pelo ledo do imposto de renda), em projetos eivados de irregularidades e vicios. Ha a suspeita de que muitas das fal- catruas tenham servido de instrument para desviar dinheiro p6blico para caixas dois, seja de empresas fraudadoras, como em favor de politicos que promovem cam- panhas miliondrias sem correspond~ncia com seus meios legals. E, na convergin- cia desses dois atalhos, possibilitando a formaCio de patriminios pessoais inex- pliciveis, senio atrav~s do enriquecimen- to ilicito. Ou, como se costuma dizer, as- J-6 7~ 2 JOURNAL PESSOAL 2a QU1NZENA DE DEZEMBRO/ 2000 ) saltando a vi6va, o nome do governor em lugares nio muito recomendaveis. Na verso do senador baiano, o maior beneficidrio desse desvio de verbas 6 o seu desafeto, hoje inimigo mortal (o que esti pri~ximo de deixar de ser uma figure de ret6rica, tal a violincia das escaramu- gas entire ACM e JB), suserano das ex- tensies locals dos minist~rios dos trans- portes e da integraqio national, qune cou- beram ao PMDB na partigio do poder entire os aliados dos tucanos. Como o senador paraense jamais se defended satisfatoriamente das suspeitas suscitadas (e mesmo dos ataques dire- tos) sobre seu sucesso pessoal a sombra de cargos p6blicos, sem uma exata equi- val~ncia patrimonial com asua renda, sua costa 6 suficientemente larga para se tor- nar alvo ficil para qualquer atirador, mes- mo os menos destros (como um concei- tuado jornalista baseado em Brasilia, ago- ra seu maior acusador, qlue colocou no curriculo de Jader a superintend~ncia da Sudam, qlue ele jamais ocupou). Se o truculento senador pefelista tem razio, qlue o ex-governador do Pari res- ponda por seus atos e pague por seus pecados. Mas a Sudam antecede a Jader Barbalho e deve sobreviver a ele. Nio pode, portanto, se reduzir a ele. Por mais qlue o lider peemedebista tenha sido o condestivel das gesties mais recentes e se haja prevalecido dessa forga em be- neficio pr6prio, erros e acertos do 6rgio formam um acervo muito maior do qlue os produtos da safra jaderista. Desde o dia 11 a Sudam esti sendo passada a limpo por uma comissio de sin- dicaincia enviada de Brasilia, com prazo de 90 dias para apresentar o resultado das apuraqdes, enquanto ficam suspensas as liberaq6es de recursos comprometidos com os projetos aprovados. O foco sio os 25 projetos e os R$ 300 milhdes qune recebe- ram. Mas as irregularidades podem che- gar ao dobro desses numeros, ou muito mais, se se considerar qlue, em tras d~ca- das e meia, a sangria de incentives fiscais pode ser media em bilhdes de reais. Nio importa: a preocupa~go na Su- dam neste memento deve ser a de colo- car toda a roupa suja para lavar, sacrifi- car tudo o qlue precisa ser sacrificado, cortar na carne o mais fundo qlue for ne- cess~rio, se esse 6 o prego para restabe- lecer a autoridade t~cnica e moral da ins- titui~go. Para livrd-la da margindlia para- sitbria nela introduzida. Todas as suas mis~rias e desacertos precisam vir a pdiblico para que o 6rgio seja avaliado como tem qlue ser uma agin- cia de desenvolvimento regional, por sua visio estrat~gica da regiho, pelos meca- nismos qlue adota para alcangar seus ob- jetivos, e nio por ser um balcio de neg6- cios, um mercado de oportunidades. Ao mesmo tempo em que as fraudes sio exaustivamente divulgadas pela im- prensa national como casos de policia, mesmo (ou sobretudo) quando envolvem personagens ditos notiveis, a Sudam esti comegando a discutir a verso preliminary do document "Construindo o future da Amazinia- Estrat~gias para o desenvol- vimento sustentivel (2000/2003)". Hfi cinco anos a Sudam tenta e nio consegue montar um plano de desenvol- vimento capaz de merecer essa concei- tuaFio. Nio tem ido al~m de aproxima- 95es prec~rias. A rigor, o 61timo plano foi o II PDA (Plano de Desenvolvimento para a Amazbnia), elaborado para ter vig~n- cia entire 1975 e 1979, durante o governor do general Ernesto Geisel. Foi o apogeu da forma tecnocr~itica de conduzir a administration pdblica fe- deral. O objetivo na Amaz6nia era fazer da regiko um p61o de exportagio, uma fonte das escassas divisas em moeda es- trangeira de que precisava um pais que se endividara al~m da conta. Era um pla- no claramente colonialista. Mas, a partir dessa diretriz, funcionava, era conseqtien- te. Podia ser combatido a partir da pre- missa de que o que estava dizendo era o que pretendia realmente fazer. O condutor da Sudam naquele perio- do est8 de volta a superintendencia, duas d~cadas depois. O nordestino Hugo de Almeida passou 40 dos seus 66 anos na administration pdblica, cuidando principal- mente da ag~o regional do poder central em duas fontes permanentes de proble- mas (e de e~sperangas), o Nordeste e a Amazbnia. E~ um tipico t~cnico federal, mas tem sensibilidade politica, inclusive para granjear apoios que eram liminar- mente descartados, numa 6poca em que o poder era exercido unitariamente, de cima para baixo, a partir de Brasilia. O mal de que Hugo Almeida podia ser acusado entire 1975 e 1979, o do tecnicis- mo, agora pode ser uma boa ferramenta para expurgar da estrutura do 6rgio a cros- ta deoutra praga, ado clientelismo politico (com sua derivagio patog~nica ou patol6- gica, a corrupCo). Hg tris meses no car- go, transmitido por um tecnocrata mais envolvido na political e suas derivagies, como Mauricio Vasconcelos, que o havia indicado, Hugo nio tem nada a perder, exceto as associates esp~irias -e, no caso dele, inapliciveis. Pode oferecer a comis- sio de inquerito, ao Ministerio P~blico ea sociedade todas as informaqaes necess6- rias para a elucidaCio das acusaqdes fei- tas e das suspeitas pendentes, limpando o terreno para nele plantar suas pr6prias sementes (e, por elas, vir a ser julgado). Trata-se de uma salutar media de profilaxia moral. Desde que os militares deixaram de ser os gendarmes da Repu- blica e os capities-do-mato da fronteira amazinica, a Sudam tem sido assolada, entire curtos e raros periods de bonanza ou calmaria, por administraq8es devasta- doras, das quais os dois maiores lideres politicos do Pard nas 61timas d~cadas - primeiro Jarbas Passarinho e depois Ja- der Barbalho tim sido os fladores. Na conta de Passarinho hi um d6- bito do peso de Elias Sefer, que provo- cou no 6rgio o estrago de uma bomba neutra, aquela que aniquila as pessoas preservando as estruturas fisicas, como se s6 estas 6 que fossem valiosas. O pr~dio permaneceu inc61ume (embora vitimado por uma deterioraqio que hoje lhe confere a marca da decadencia), mas a intelig~ncia foi abolida do seu fun- cionamento. A Sudam era apenas o DAI (Departamento de Administraqio de Incentives), uma entidade que se encalacraria como um monstro bifronte de uma mitologia grega ao tucupi, re- duzindo os bons e justos aos venais e desonestos. Na conta passiva de Jader hS a pas- sagem do medico Henry Kayath, final uma criatura que se assumiu como pre- cedente ao criador, e do administrator Arthur Tourinho, um nome no qual tantos tragos de um poder paralelo se incrusta- ram. Mas as den6ncias de irregularida- des foram sendo acumuladas para provi- dancias ulteriores jamais adotadas, como se um cinismo operacional tivesse se tor- nado o modus operandi na superinten- dincia, como se todos ji tivessem dan- Fado o baile da ilha fiscal e estivessem na portaria, a espera do troco do paga- mento que nio fizeram. O troco est8 vindo pelas mios do maior de todos os falsos Catios da Re- pdiblica, que encontrou um bom modo de acertar as diferengas com o odiado ini- migo sem que dessa agio result qual- quer bem para a naqio, a nio quer que, por fim, ambos se arrastem para o des- tino comum de que sio merecedores. Nio sendo esse destiny o que se auto- atribuem. Como os dois politicos s6 tim razgo quando acusam, cada uma das acusa- 95es (na maioria das vezes tiradas de recortes da imprensa, langadas ao mer- cado e descontinuadas na hora do va- mos ver) deve ser deslindada pela ins- tincia competent do executive, do le- gislativo, do MP e do judicidrio at6 suas 61timas conseqtiincias. Jg a via institu- cional deve seguir seu caminho prbprio, embora at6 o mesmo destiny, que nso deve ser o das calendas gregas. JOURNAL PESSOAL 28 QUINZENA DE DEZEMBRO/2000 3 Por seus interesses politicos, o sena- dor Ant6nio Carlos Magalhies colocou em boca pr6pria a litania de muitos anos dos critics do modelo de desenvolvi- mento regional adotado tanto pela Su- dam quanto pela Sudene. A pretexto de atrair e induzir os grandes capitals das regimes centrals, dentro e fora do pais, para se instalarem na periferia, os sub- sidios estatais acabam criado um efeito multiplicador do capital na pr6pria ori- gem dele, agravando ao inves de elimi- nar ou atenuar as desigualdades (inter e intrarregionais). O II PDA, que Hugo de Almeida aju- dou a criar, reconhecia que o desequilibrio era o efeito natural desse modo de desen- volvimento. Mas prometia adotar meca- nismos institucionais (sobretudo atraves do planejamento) para impedir os aspects nocivos do modelo, corrigindo-os. Duas d~cadas depois, nio foi isso o que aconteceu, como o pr6prio Hugo de Almeida pode verificar. Em seu qiiinqili- nio, os vazamentos de recursos oficiais eram menores porque a condigio pr~via para a liberaqio dos incentives fiscais era a contrapartida do capital privado e, na verificaqio das aplicaqdes, havia o guante dos objetivos categ6ricos do es- tablishment tecnoburocrata sob cerca- dura military. Agora, as den~incias falam em milhaes de reais liberados pela Sudam sem um centavo vindo da parte dos parceiros in- centivados e inexistancia de qualquer obra fisica a atestar a aplicag~o do dinheiro. Ou seja: se algu~m se aperfeigoou foram os pirates, os dilapidadores dos cofres pdiblicos. Efeito perverse do modelo ou nada mais do que sua criatura endemoni- ada, como num livro de Guimaries Rosa sobre o sert~io? Um velho samba tem resposta cate- g6rica para esse tipo de drama: manda a criatura tomar o filho que gerou, por mais monstruoso e disforme que ele se tenha tornado. "Toma que o filho e teu, meu senhor", diz a letra do samba. O pai, no caso, 6 a elite. A elite brasileira, dona dos capitals acrescidos de milhdes que deve- riam ser arrecadados pelo le~o tributario, supostamente para beneficio indiscrimi- nado de todos. E a elite paraense, princi- palmente ela, e especialmente seus prin- cipais politicos, por terem colocado em cargos tio importantes pessoas tio des- qualificadas, exceto para cobrar o seu PF. Ngo o prato feito do Z6 Man6. Mas o "por fora" dos coluniveis. Daqueles que erigem seus pali~cios de mandarins sob os ossos de uma massa que, fora dos pe- riodos eleitorais, chamam de povar~u. Com escbrneo. A hora da Sudam chegou. ( Em 35 anos, a partir de 1965, 700 as- sassinatos foram cometidos no Para mo- tivados pela dispute de terra, com ou- tras 2.500 pessoas saindo feridas nes- ses conflitos. Segundo o levantamento da Comissio Pastoral da Terra, 447 cri- mes ainda nio foram esclarecidos. Ape- nas tr~s assassinos e um mandante fo- ram julgados pela justiga. E uma estatistica tio impressionante que o Ministbrio da Reforma Agriria esti pedindo a ajuda do Ministerio Publico do Para na revisio dos processes ainda pen- dentes. Pode-se esperar ajustes estatisti- cos e correqdes informativas ao long dessa revisio, mas erros e distorqdes sio o prego a pagar para atacar o mal maior: a impunidade. Ela chegou a um ponto tal que passou a servir de estimulo a um mor- ticinio com todas as caracteristicas de uma guerra civil nio-declarada. At6 pior do que isso: uma selvageria desatada tor- nou a vida humana um bem de valor des- prezivel, ou sem valor algum. A vida de Jos6 Dutra da Costa, o "De- zinho", director da Federaqio dos Traba- thadores na Agricultura do Estado do Par~i, por exemplo, custou dois mil reais e o di- nheiro sequer chegou a ser pago ao seu assassino, o baiano Wellington de Jesus Silva. Wellington, um sujeito franzino, de 19 anos, havia chegado A perigosa Ron- don do Para, a margem da BR-222 (Be- 16m/Brasilia- Marab6), ape- nas al guns dias antes do crime. Ele decla- ra que nio foi contratado na Bahia, de onde veio, s6 para matar "Dezi- nho", e que nio 6 um pistoleiro. Pode at6 estar falando a ver- dade porque agiu de uma maneira desconcertante: foi a humilde casa de "Dezi- nho", esperou-o chegar e ali mesmo ati- rou nele, que ainda teve forgas para reagir com as balas no corpo e se agarrar ao seu algoz. Gragas a isso, We- Ilington foi preso por amigos e conheci- dos do sindicalista antes de conseguir se afastar do local. Escapou de ser lincha- do, mas entregou um primo que o levara a "Lcena do crime" c o tio, um poderoso fazendeiro local, D~cio Barroso Nunes. Executor e mandante estio press no que pode ser uma exce~go a regra geral de impunidade. Essa sensagio de que nada vai acon- tecer quando se tem as costas largas nio foi o que levou Wellington a dis- pensar qualquer cobertura na hora de atirar em "Dezinho"? Matar tornou-se atividade trivial, um trabalho como ou- tro qualquer, nio s6 nos ermos do ser- tio, e em serties de dons violentos, como Rondon, mas na capital, onde um empresario da contravengio (em plena atividade apesar desse "detalhe", igno- rado pelos guardi~es e fiscais da lei) 6 liquidado em frente ao seu estabeleci- mento de jogo do bicho, onde prosaica- mente conversava, e o assassino seguiu tranqililamente, assinalando a mission cumprida na sua agenda do dia. E realmente assustador. Chegamos Aquele grau de degeneresc~ncia no qual o dnico rem~dio ao alcance da autori- dade, no cumprimento da de- terminaqio superior, 6 esque- cer que no Brasil as "rigoro- sas providincias" nio pas- sam de ret6rica e deixar-se levar pela information obj eti- va de um lado e a letra da lei do outro, sem perguntar sobre a quem o crime interessa e sem querer saber com quem esti falando. Ou isso, a lei gs 61ltimas conseqtiincias, doa a quem doer, ou, como na- quele pat~tico livro de Ja- mes Baldwin, da prbxi- ma vez sera o fogo. Total, Os males da im midd N ovos d es afios Ahist6ria do inicio da definitive ao Brasil, sobretudo a partir da Ad~cada de 70, nio pode ser escrita para valer sem consult ao journal O Estado de S. Paulo. Para comprovar, basta verificar a bibliografia dos mais im- portantes livros escritos sobre o period por autores que conseguiram escapar a bitola da torre de marfim acad~mica, que abriram os porties dos campi para ver a realidade, nio ficando na sua mera re- produCio intellectual, nas fontes secunda- rias, no diz-que-disse. O Estadd~o era o journal brasileiro mais bem informado sobre a Amaz~nia gragas a uma excepcional rede de corresponden- tes, um em cada capital da regiio, mas at6 mesmo em cidades menores, como San- tar~m e Marabi. A Amaz~nia era tema permanent de matbrias especiais e repor- tagens em s~rie, freqtientemente desdo- brando-se por uma semana inteira, em paginas e piginas, como a dedicada, em 1977, ao problema fundiirio amazinico, men~go honrosa do Pr~mio Esso national daquele ano, talvez o derradeiro do mais fecundo ciclo jornalistico da imprensa na- cional sobre a Amazinia. E possivel que a censura implacavel, exercida diariamente na redagio, tenha contribuido para consolidar o compromis- so do mais influence journal do pais com sua mais desconhecida e grandiosa re- giio. Mas manter uma cobertura corajo- sa e eficiente teve seus custos para a di- regrIo da empresa. Afinal, nas pbginas do centenario peri6dico eram expostas algu- mas das mais danosas marcas deixadas no dorso da terra que um dos mais noti- veis paulistas, Euclides da Cunha, com- parara, no inicio do s~culo, a uma secula- rizada pigina do Ginesis, apandice da criaq5io biblica delegada aos homes. Marcas cuja autoria podia ser cobrada de quatrocentonas nobiliarquias paulistas, quando nio como autores, ao menos en- .quanto porta-vozes. Um dos mementos mais tenses des- sa excepcional relaCio deu-se quando da publicaqio da s~rie de mat~rias, que des- nudavam as causes mais profundas dos sangrentos conflitos de terra a se multi- plicar na Amaz6nia, incorporada ao ca- dastro imobilibrio national para ser uma esp~cie de 6den fundibrio national, via imigra~io, mas logo apresentando um in- dice de concentra~go da propriedade su- perior g m~dia national. Cobrava-se in- cisivamente a responsabilidade dos ban- deirantes paulistas, comn sua eterna filo- sofia de avangar sobre a fronteira com sua frente pecu~ria, indiferentemente a circunstincia de o sitio dessa atividade ser incompativel comn tal "especializa- 950", dada a dominancia florestal da Amazbnia (atenuada a custa da maior devastaCio vegetal que se conhece em todos os tempos). Jg a enorme pauta (de 10 laudas) pre- parada para sustentar essa sbrie provo- cara abalos sismicos em Brasilia. Deixa- da inadvertidamente na sede do Incra por uma reporter da sucursal, fora repassada comn alarme ao Conselho de Seguranga Nacional, encrespado com os ataques a rec~m-aprovada lei de discriminaqio de terras da Uniho (a 6.383), g atuaqio de oficiais da reserve nos bastidores do po- der e com as perquiriqaes sobre corrup- gio na esfera official. A secretaria do CSN comunicou Sgo Paulo a apresentar em Brasilia o autor da pauta. LA fui eu, com um advogado de prontidio li fora para alguma anomalia, de que a 6poca era pr6diga. Mas fui bem recebido naquele santuario da doutrina de seguranga national, inacessivel a curio- sidade externa. Conversei com oficiais atenciosos e bem informados sobre a Amazinia, ouvi seus pontos de vista e lhes expressed os meus, num clima de fran- queza. Sai livre para escrever o que qui- sesse, mesmo porque eles devem ter fi- cado com a impressio de terem um in- terlocutor qualificado -e, quem sabe, de bons prop6sitos. Mas ainda fui chamado a Sgo Paulo para uma outra conversaCio, antes da autorizagio para publicaCgo do vasto tex- to mandado para a sede. O doutor Jxilio de Mesquita Neto me pediu para conver- sar com Rubens Rodrigues dos Santos, o editorialista ao qual transferira a incum- b~ncia de resolver pendancias da repor- tagem com a linha editorial do jornal. Dis- cutimos bastante sobre virios pontos que ele havia sublinhado no texto. S6 tive que fazer uma tinica e pequena supressio, relative a uma pessoa, algo irrelevant para a reportagem, tris linhas em 1.400. Resisti as estocadas de Rubens, um jor- nalista que havia estado varias vezes na Amazinia e fora reporter especial at6 passar para o corpo de editorialistas. No dia em que saiu a primeira das materias, ele escreveu um duro editorial, repetindo por escrito o que havia me dito pessoal- mente, quase insinuando que aquela re- portagem era uma maquiavelica infiltra- Cio de um dissidente da casa. Tomei um susto ao ler o destacado edi- torial, mas fiquei feliz. Esse 6 o tipo ideal da grande imprensa: na pilgina de editori- al, a opiniio dos dons. Ngo um palpite, pura e simples, o exercicio do livre arbitrio de quem pode porque pode, mas uma and- lise fundamentada. Nas outras piginas, o que os jornalistas apuraram, sem censura, cada um respondendo pelo que escreveu. Foi um dos mementos mais felizes ao lon- go dos meus 17 anos de Estadd'o, refor- gado pelo Esso, a seguir. Depois, o jornal afrouxaria os elos des- se compromisso, perderia a rede de cor- respondentes que tio aplicadamente ha- via montado, deixaria enfraquecer amisti- ca amaz6nica e se apartaria da condi~go de consciincia critical, na matriz, dos erros metropolitanos cometidos pela plutocracia paulista (e sua fauna acompanhante) em rela~go g Amazinia. Certo dia de 1988 achei que a curva declinara demais e pedi para sair, saindo sem bater a porta. Passados 12 anos, essa porta me 6 aberta de novo por uma pessoa que, num esforgo quase solit~rio, manteve a cha- ma amazi~nica acesa nas piginas do Es- tadd~o. Foi justamente pensando em Ro- drigo Mesquita como uma das poucas al- ternativas amazinicas na grande impren- sa brasileira que lhe escrevi uma carta, dias atras, partilhando minhas inquietaC~es sobre a cobertura jornalistica da region. Fiz isso logo depois de escrever a mat~ria de capa sobre o Plano Col6mbia para a Agenda Amazinica. Fiquei mui- to preocupado com as conseqtiincias da investida dos Estados Unidos nessa par- te do continent. Acho que a grande na- 950 do Norte pode estar dando um pass sobre o qual, no future, nio terii control, desencadeando um mal que podera ultra- passar suas piores expectativas. Pode estar langando a Amazbnia e todo o con- tinente numa aventura desastrosa. Para preveni-la, 6 precise ter uma instincia informative capaz e crivel, independent, autinoma, influence. O Estado de S. Paulo, por seu passado e pelo que ainda mant~m presentemente, 6 esse reduto da sociedade civil capaz de evitar desdobramentos perniciosos, ou ao menos alertar a opiniio pxiblica para os riscos envolvidos, com sereni- dade e firmeza, sem histeria ou exage- ro, mas com solidez. JOURNAL PESSOAL 2p QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2000 5 Pelas mios de Rodrigo Mesquita, es- tou voltando a casa como reporter es- pecial, na perspective de projetos mais ambiciosos para um future imediato. Por enquanto, 6 algo bastante prosaico, mui- to distant do que sugeriu Mauro Bonna na sua coluna no Didrio do Pard, pro- vocando curiosidade e inquieta~go no cir- culo mais pr6ximo. Simplesmente you escrever mat~rias especiais para o por- tal da Agincia Estado na internet e as piginas do Estadd~o, como qualquer re- p6rter pode fazer, estando habilitado a tratar do tema. Minha base continuard sendo Bel~m. Mas esse primeiro memento de rea- tamento podera contribuir para a conse- qtiincias mais amplas, restabelecendo um compromisso mais decidido da empresa para com a causa da Amaz~nia. Algo, evidentemente, que exige muitas m~os e denodadas vontades; muito al~m dos eventuais m~ritos de um s6 individuo. Mas capaz de criar um tal estado de consci- incia national sobre a regido que impega ou ao menos iniba sua exploraqio desen- freada, sem peias. Essa nova tarefa ird afetar tanto este Jornal Pessoal quanto a Agenda Amaziinica, jB que as mat~rias produzi- das para Sio Paulo serio exclusivas. Apesar das redobradas dificuldades, you tentar manter as duas publicaq8es, na media das minhas limitaqdes, modifican- do suas identidades e encontrando novos espagos para elas, se isso for possivel. O leitor poderb ajudar nessas busca. E tam- b~m dara a palavra final sobre os resul- tados. Embora possamos escrever milha- res e milhares de linhas, a defini~go final acaba sendo do leitor, como sempre foi e, felizmente, ou infelizmente, conforme o caso, sempre sera. Ao menos para as publicaqdes que efetivamente dependem Oinica e exclusivamente do seu leitor, como este journal. O dado, portanto, esti langado, como mais um jogo mallarmaico na floresta. 0 desaflo da redivisaio atual governor do Pard diz ter investido 360 milhdes de reais Onos 22 municipios da regiio oes- te, que querem se emancipar para for- mar um novo Estado. DB R$ 60 milhdes ao ano, R$ 2,2 milhdes por municipio. E pouco mais do que 10% do que o gover- no aplicou na Estagio das Docas, na ca- pital, em tris anos, uma aplica~go de ca- pital de baixo efeito multiplicador. Basta para center o impeto separatist dos que querem criar o Estado do Tapajbs? A queixa hist6rica da populagio des- sa parte do territ6tio paraense 6 justa- mente de que o governor de Beltm tem sido concentrador e espoliador. Sequer devolve os recursos efetivamente ar- recadados e, por forga da distincia e do isolamento, acabou coonestando a cultural da sonegaFio, que se tornou uma praga. AlCm disso, fases de apro- ximaqio e incremento s~o apenas um intervalo entire o abandon e a punigio que Bel~m impbe ao ser contrariada. O desenvolvimento no interior estancou ou nio tem o ritmo que seria possivel se a region j8 dispusesse de autonomia. A aspiraqio a independ~ncia beira a secessio ou o irredentismo. Nio tem ouvidos para as advertancias sobre a manipulagio dos politicos, o custo da emancipagio (calculado em 1,5 bilhio de reais, mais do que toda a receita paraense de um semestre), o risco de dividir a mis~ria, a ameaga de insolvi~n- cia e outros arguments. Quer porque quer. Ngo 6 essa, por~m, a forma de separar para crescer, mantendo os ele- mentos da identidade e da solidarieda- de que haviam, mesmo a forga, sob um Ainico territbrio. Por esse motive, con- tudo, 6 a hora de abordar para valer o tema da redivisio do ParB, nio com prop6sitos triunfalistas, nem por mera embromaCio ou sentimentalismo. HE um claro component politico a explicar por que o projeto de emancipa- Cio foi apresentado por um senador de Roraima, numa ins61ita e in~dita situa- Cgo, e porque a id~ia 6 apoiada ou tem a simpatia do PMDB do senador Jader Barbalho. Mas esse 6 o element mera- mente conjuntural, o estopim. O campo de cultivo que faz germinar a id~ia de retalhar o Park, o segundo maior Estado da federaqio, 6 muito mais amplo e com- plexo. Pode nio ser desta vez que a pla- taforma se concretize, mas talvez foi agora que ela mais avangou. Um indicador nesse sentido foi a inova~go introduzida no process ple- biscitario: para o surgimento do Esta- do do Tapaj6s, se a consult vier a ser aprovada pelo plenario da Cimara Fe- deral (passou apenas pelas comissdes), depois de ainda atravessar o plendrio do Senado, terio que ser ouvidos nio apenas os habitantes da future unida- de federativa, conforme a regra vigen- te at6 entio, mas todos os moradores do Estado-m~e. Esse mecanismo de defesa foi ado- tado como compensagio a possibilida- de, agora mais real, de convocaqio do plebiscito. Mas pode nio ser tio efici- ente quanto pensam os adversirios da separaCio, certos de contar com a mai- or expresslio demogrifica daquelas are- as remanescentes do atual Estado, que serio as mais prejudicadas. A ampla consult incluird, por~m, a populaCio do sul do Parli, ji mobilizada em favor da criagio do Estado de Caraj~s. A ade- sho a causa do Tapaj6s sera a ante-sala para essa nova emancipagio, bandeira mas recent sem ser menos forte. E~ provivel que os anti-separatistas ainda continue a ser demografica- mente majorit~rios e certamente tim maior forga no legislative estadual, ou- tra instincia decis6ria. Mas se os que querem manter o ParB na sua configu- rac;io atual forem vitoriosos, sera uma vit6ria prec~ria diante do crescente di- laceramento e antagonismo de posiqdes, que tirar~o cada vez mais a racionali- dade de um process que pode vir a ser traumitico para todas as parties envol- vidas. No entanto, a base do entendi- mento, pode trazer boas surpresas, in- clusive as imprevistas. A melhor attitude neste memento n~io 6 ser contra ou a favor, pura e sim- plesmente. E abordar com intelig~ncia, coragem e conseqtiincia o tema, ine- vitivel num Estado que possui dimen- sdes continentals como o Par6. Niio como um tema academico, mas como uma question de vida. Se possivel, como um instrument para a melhoria da vida de todos. Q) do jor nalismo 6 JOURNAL PESSOAL* 2p QUINZENA DE DEZEMBRO/2000 que se lixassem os demais mo- toristas que se sentissem inco- modados. Isso 6 just? Quanto a questio abordada pelo Jornal Pessoal sobre o di- ploma falso de medicine do ex- quase-prefeito, que o possibili- tou ingressar e se former no Curso de Direito da Unama, gostaria que essa entidade de ensino se manifestasse de pu- blico. Como ex-aluno dessa uni- versidade, acho-me no direito de questioner isso que parece ser uma fraude, pois me sentirei in- comodado de possuir um diplo- ma, conseguido com sacrificio financeiro e intellectual e de for- ma licita, e que, no final, tem o mesmo valor legal do diploma desse politico, que todos n6s o conhecemos tso bem hoje. JosC Miguel Batista MINHA RESPOSTA Segundo informagd'o da Unama, Duciomar Costa fez o vestibular normal em 1982 e se graduou bacharel em direito em 1994, ndio se valendo, por- tanto, do "vestibulinho para ingressar no cursor superior, ao contrairio das primeiras denuin- cias. Uma questd'o ainda resta: como ele conseguiu se manter no cursor durante 12 anos, sem jubilamento, quando o perio- do normal de graduagd~o em di- reito d de cinco anos? As eleiqbes rezado Lilcio FlIvio, formulou, para regula- mentaglio das elegibes. Preferi expor minha opiniso em duas cartas, porque voc6 tem o hibi- to de publicar na integra as ma- nifestaq8es de seus leitores, quase sempre roubando muito espago no JP. No meu caso, pego-lhe que fique a vontade para nada publicar, ou publicar somente o que vocC achar ne- cesslrio para situar uma even- tual resposta. Indo ao que interessa: voc6 diz que os institutes de pesqui- sa "...ndo conseguird~o se lim- par por si prdprios. E hora de uma intervengd'o puiblica ". Novamente n~o concordo com vocC. Os institutes de pes- quisa estio sujos ? Eles que se danem! Se esse for o problema, entio e hora de surgir novos institutes, de preferencia sem os vicios dos antigos. A interven~go pilblica -via aprimoramento da regulamenta- Fgo -nio deve ter por objetivo limpar os institutes de pesqui- sa, mas impedir que as elei95es sejam afetadas pela sujeira pe- culiar a varios deles. Se, como voct afirma, o Ibope caiu no descr~dito aqui em Beltm, tan- to melhor. Sendo assim, essa criatura ji nio influenciard tan- to, nas prbximas eleiqbes. O problema nio e s6 com os institutes de pesquisa. E com os eleitores, tambtm, e tanto quan- to. S6 um cretino decide votar em um determinado candidate, apenas porque esse candidate est8 em vantagem nas pesqui- sas. Com a elei~go em dois tur- nos, entio... Os institutes de pesquisa viciados, e seus con- tratantes idem, apenas instru- mentalizam a cretinice, e dela ti- ram proveito. Sem tantos eleito- res cretinos, os institutes de pesquisa sujos comeriam capim. Creio que o aperfeigoamen- to da regulamenta~go passa, ne- cessariamente, pelo fim do voto obrigatbrio. A legisla~go eleito- ral brasileira deve conferir ao voto o status que efetivamente lhe cabe numa democracia. O voto deve ser um direito de ci- dadania, nio uma obrigagio. Certamente que um indivi- duo nio deixa de ser cretino, s6 porque nio esta obrigado a vo- tar. Mas tambem 6 certo que o fimn da obrigatoriedade elevaria substancialmente o percentual de votos por convicqio, ji que as pessoas desmobilizadas po- liticamente, ou c~ticas quanto As opg8es, simplesmente se absteriam de votar. Em tais circunstincias, pou- co importaria que as pesquisas fossem publicadas 10 ou 2 dias antes das eleiqi~es. Quem vota por convic~go, tem no voto a manifesta~go de sua vontade political, independentemente da posi~go dots) candidato(s) de sua preferencia nas pesquisas eleitorais. A exig~ncia de mais de um contratante 6 in6cua. Bastaria que o verdadeiro e 11nico con- tratante se associasse a outro, sendo a segunda contratagio, de mentirinha, formalizada no papel. A exig~ncia estaria des- moralizada, sobrevivendo ape- nas como uma (mais uma...) for- malidade burocritica, no pais do papel6rio. De modo algum ela inibiria a "pesquisa "com resul- tados previamente acertados. Mais eficaz seria divulgar ex- clusivamente as pesquisas re- gistradas no TRE, e somente 72 horas ap6s disponibiliza-las para todos os partidos politicos, independentemente de quem as contratasse, permitido-se divul- gar apenas informaq8es dispo- nibilizadas para os partidos. Ao publicar as pesquisas, a impren- sa teria que ir mais fundo na analise, posto que os dados mais elementares ji estariam sendo utilizados nas campa- nhas ha pelo menos dois dias. Creio que essas medidas, altm de inibir a maracutaia, ain- da beneficiariam os partidos menores, sem recursos para contratar pesquisas, em espe- cial junto a institutes de gran- de porte. Elias Tavares MINHA RESPOSTA A regulamentagdio ndo e feita para "limpar ", mas exa- tamente para estabelecer re- gras puiblicas das quais resul- tem direitos e deveres. Nos Es- tados Unidos o voto ndio & obri- gatdrio e as pesquisas influem sobre o voto de quem val ais se- gdes eleitorais voluntariamen- te. Mas t tal o acompanhamen- to dessas pesquisas que ne- nhum institute se atreveria a descumprir as normas legals, como fez o Ibope em Belim na eleigdo deste ano, deixando de entregar, at6 a undicima hora, os formuldrios aplicados pelos entrevistadores e os nomes das pessoas utilizadas nas pesqui- sas. Se a sociedade ainda nd'o estdi com sua conscidncia ama- durecida, a imprensa e as ins- tituigd'es puiblicas, como o ME precisam desempenhar um pa- pelpedagagico. A exigincia de mais de um contratante pode- ria resultar numa armagd'o, e verdade, mas se nd~o houvesse um "outro lado ". Dificilmente o grupo Liberal faria o que fez se os veiculos de comunicagd'o do senador Jader Barbalho tambtm tivessem contratado pesquisas junto a um institute de credibilidade. Vado expostas integralmen- te as opinid'es do leitor, mas continue divergindo dele. Ainda o PT objetivo prosseguir a po- lImica da edi~go passa- da, e nem pretend voltar ao assunto, pois sei que isso 6 meio chato para o leitor. Acho apenas que voc& tomou minha critical contundente como uma NOVO Estado Escrevo ao Jornal Pesso- promessa feita em edi~go passada no sentido de abordar assunto sobre a criaqio de no- vas unidades da Federaqio, desmembrados do territ6rio do ParB. Como santareno, interes- sa-me sobremaneira a cria~go do Estado do Tapaj6s. E grande o sentiment de abandon dos habitantes do Oeste do Parz pelo Governo do Estado. O sr. Governador nio passa de um segundo prefeito da capital. Em luta renhida com a Prefeitura de Bel~m, o Governo do Estado pri- vilegia Beltm com obras fara8- nicas, caras, de gosto duvido- so e superfaturadas, como eo caso da Esta~go das Docas. Por outro lado, o interior esti entre- gue is baratas, com estradas em p~ssimo estado, transportes prec~rios e sem uma political agricola que gere emprego e ren- da g popula~go que ali vive. Se as obras que o governador faz em Bel~m fossem realizadas pelo prefeito, nada tinhamos a repa- rar. No entanto, as obras sup~r- fluas, como dissemos, slo fei- tas com recursos arrecadados por todos os paraenses que possuem necessidades muito mais importantes e urgentes do que janelas para o rio e aero- portos superdimensionados. Sobre a matiria "Advoga- dos em f~iria", da edigio n" 248, concordo plenamente comn a sua opini~io a respeito da elei- gBo e da entidade OAB. Eu, que moro pr6ximo B Praga da Repli- blica e trabalho prbximo B sede da OAB/PA, tive que conviver com toda aquela barulheira e incivilidade da eleigio para pre- sidente dessa entidade. E nlo esquegamos o lixo visual e ter- reno que ficou ap6s o pleito, numa demonstraqio cabal de falta de educaqio e de respeito As leis. Em uma das carreatas, das vsrias que atrapalharam o trinsito ca6tico do centro da cidade, um carro-som, na esqui- na da Gama Abreu com a Presi- dente Vargas, chamava a aten- gio dos agents de trinsito ali postados, em tom quase amea- gador, da necessidade de se dar prioridade i passage da car- reata dos advogados. Ou seja, JORNAL PESSOAL *2'QUINZNA DE E ZEMBRO/ 2000 7 acusaqgo, e est8 claro que tom da carta era outro. Tentarei ser breve: a) eu nio disse que voct fala "Lapenas"~ sobre o sexo dos an- jos. Realmente vocC tratou de coisas substantivas, como o IPTU c o caso Detran-CTBel. Mas no editorial que eu criti- quei (e na maioria dos outros) o que aparece 6 um texto recor- rente que usa crittrios exagera- damente subjetivos para demos- trar que as duas questdes (do PT e do PSDB) shlo iguais (em defeitos, principalmente), o que para mim 6 uma injustiga. Se as relaqdes Estado-Municipio che- garam ao ponto de nio-retorno, a culpa 6 do governador o pre- feito at6 o visitou em palacio para tentar uma aproximaqi~o, mas o boicote A prefeitura con- tinuou. b) 6 interessante que nas questdes "substantivas" cita- das sua posigio foi, apesar das ressalvas, de apoio B Prefeitura. c) espero que vocC nio te- nha querido dizer que o dr. Ge- raldo Lima saiu da Secretaria de Finangas por se recusar a pagar o Grupo Liberal. Existiam varios outros pontos de atrito entire ele e stores do PT, como por exem- plo seu mttodo de gestio hi- per-centralizador. Segundo sou- be, ele d~o s6 chamava para si toda e qualquer decisio na Se- cretaria como insinuava que os funciondrios de carreira eram desonestos at6 prova em con- trlrio. (Desculpe entrar nesse novo assunto, mas o trecho de sua resposta deixou as coisas meio nebulosas). d) as obras de saneamento a que me referi nio foram as da macrodrenagem. Conv~m nio tomar os 300 e tantos quil6me- tros da propaganda official como delirio. Muitas ruas foram pavi- mentadas, muitos c6rregos dre- nados, principalmente porque foram as principals decisdes po- pulares no orgamento participa- tivo. Trechos inteiros do Juru- nas, do GuamB, da Terra Firme e da Cremaqio ganharam melho- rias e de boa qualidade, com sinaliza~go, etc. E isso sem em- pr~stimo do BID, sem venda da Celpa, e ainda enfrentando as tungas (Fundef, Lei Kandir, ICMS) dos governor tucanos. Ngo ando muito na periferia, mas quando you Id percebo uma ni- tida diferenga de alguns anos atrs. Nem precise falar das me- Ihorias na educaqio, saude, embelezamento do centro, etc, para reafirmar que o conj unto de obras desta gestio e muito su- perior ao das anteriores. Por uiltimo: tenho critics a gestio petista, que sio muitas vezes as mesmas suas, como o patrocinio a cole~go de video do Liberal e a publicidade inserida no Jornal Popular. Numa carta anterior minha (sobre o bate- boca com a reporter do Liberal) o que se leu nio foram exata- mente elogios a Forga Socialis- ta. Apenas acho que nio preci- so cover no molhado para ga- nhar algum tipo de credencial de isen~go. Marcus Pessoa de Arairjo MINHA RESPOSTA Acho que minhas divergin- cias com Marcus ja foram suff- cientemente desenvolvidas para permitir ao leitor tirar suas prdprias conclusdes. Quanto aos motives da said de Geraldo Lima da Secretaria de Finangas do Municipio, po- dem ser todos esses apresenta- dos, a partir de um estopim, o conflito com o grupo Liberal, que pode ter servido tanto de causa quanto de pretexto. NdTo podemos ser compara- dos ao Inferno de Dante, o que sugere a manchete da pri- meira pagina do Jornal Pes- soal n' 247. A ascensd'o da es- querda, capitaneada pelo Par- tido dos Trabalhadores, mes- mo que nd~o tenha trazido os merecidos beneficios a Belim, conforme vocb diz, e que seria o desejaivel, ao menos tem o mtrito de alijar do combat le- gendas perniciosas ligadas aos Barbalhos, aos Gueiros, aos Passarinhos, etc., ati bani-los definitivamente do ce- nairio politico belenense, que d o desejo de muitos que aqui residem. Haja esperanga! O be nef icio ntes de prosseguir, pego vtnia para me reporter ao assunto que esta sendo repetido no Jornal Pes- soal de n" 248 sobre a Alga Via- ria. A verdade 6 que projetos de carter nitidamente desenvolvi- mentistas, como a Hidrovia do Araguaia-Tocantins, a do Ma- raj6 e o sistema de transport que ird integrar definitivamente o territbrio paraense de Norte a Sul, vtm sendo torpedeados por agdes na justiga e critics acer- bas na imprensa, al~m de cam- panhas encomendadas pelo submundo da colonizaCio e da subservitncia. Cabe assinalar, portanto, que os motives slo sempre os inevitaveis impacts ambientais. Contudo, 6 bom que se esclarega que a questio eco- 16gica e apenas o biombo onde se escondem interesses econb- micos, politicos, regionals, cor- porativos e at6 mesmo pesso- ais. Hoje o lema brasileiro (como nos bons tempos da ditadura military) deveria ser: "Tudo pelo ambiental, nada pelo social". Fiz um comentario gentrico das duas materias acerca da Alga Vibria (JPs n's 247/8), po- r~m, nio posso furtar-me ao di- reito de intervir, de maneira su- cinta -porque o espago nio re- comenda outra ordem de dis- cussio, em dois aspects le- vantados nos textos sobre en- foque. O primeiro, diz respeito A troca de 45 km por 110 km. Para um incauto ou leigo, pode parecer uma heresia, fechar os olhos ao principio geom~trico da menor distincia entire dois pontos. Acontece que um pro- jeto dessa envergadura deve ser visto sob o prisma da efici- incia econdmica dos investi- mentos pdiblicos previstos na obra de infra-estrutura. A trans- posigio de cargas diversas el ou pessoas, independentemen- te do modal a set utilizado tem de perseguir a efici~ncia nos re- cursos disponiveis. Tem tudo a ver, tamb~m, com aquilo que os economists chamam de re- lagio custo/beneficio. Outro aspect refere-se a distribuigio da "mata, original ou secundd- ria". Peloqune sei, hb muito pou- co de cobertura primaria, tanto na regiio insular, como na par- te do continent que a estrada (70 km) vai rasgar. Ngo pode- mos aceitar que estudo de em- preendimento dessa grandeza nio comporte itens especificos para resguardar o que restou da flora e da fauna, inclui-se ai a preserva~go dos supostos "sitios arqueol6gicos". Rodolfo Lisboa Cerveira MINHA RESPOSTA Num dos mementos em que conseguiu sair da sua letargia ominosa, o general Garrastazu Mi~dici, terceiro president do cid-o military, observou que a economic brasileira, em pleno resfolegar do "milagre econd- mico da dicada de 70, ia bem, sim, senhor, mas o povo ia mui- to mal. O home t a media de todas as coisas e continuara a sd-lo, mesmo que como espe- ranga e utopia. Mas agora sa- bemos que a agdio humana pode acarretar danos ao pro- prio home pela via obliqua da natureza (que alguns, como a Januairia do Chico Buarque, sd viem da janela). E a contribuigd'o da ecolo- gia, a cidncia chave do novo stculo. Mas nd~o a pedra filo- sofal. Ela & rdgua e compasso indispensaveis, vitals numa re- gid'o com tantos e tais recursos naturals, como a nossa. Mesmo quando precisamos fazer cail- culos, como na avaliagdo da relagdio custo/beneficio, J pre- ciso introduzir o component da natureza, expurgado do ra- ciocinio conventional. Sendo, soltaremos foguetes comemora- tivos de anacronismos anti-so- ciais, como o de produzirmos ferro-gusa a base de caryd~o vegetal. O element diferenciador, que garantirai nosso future, & a introdupdo do calculo ecold- gico na formagdo dos pregos. De outro modo, estaremos con- denados a crescer como rabo de cavalo, sem o console de nosso principle tirar sua lente colorida para ver, como o ge- neral Medici, que o bem do povo corre paralelo ao bem da economic, indo para o enorme bolso de quem aciona as duas alavancas, escondendo a mdo, & claro. Em relagd~o ai Alga V~iaria, o que defend d o cumprimen- to das normas relatives ao meio ambiente, mesmo que, aparentemente, a um olhar menos sensivel, nada na natu- reza esteja sendo significativa- mente alcangado. A lei ambi- ental deve ser cumprida, escru- pulosamente cumprida, e ndio apenas para inglds ver. E quanto aos beneficios econd- micos e socials, ja t mais do que hora de tirarmos dos nos- sos ombros a canga do rodo- viarismo e o latego que nos pune quando deixamos de nos submeter a um projeto, sem perquirir por seu significado (e pela relagdo custo/benefi:- cio menos bitolada), apenas porque ele nos traz dinheiro. Que, como um bumerangue, circula a nossa vista, mas vai se reproduzir, ampliado, em outra freguesia, ficando como nosso patrimanio uma ave que aqui gorjeia melhor do que lai. Ficamos muito saudosos e po- bres. E a, ouvir estrelas. da foz. Nada se sabe dos efei- tos dessa transposi~go ou mes- mo como ela sera efetivamen- te processada. Mas hS virias outras ques- ties de natureza t~cnica e le- gal, inclusive sobre a cobranga do valor da Agua a ser transfe- rida para outros Estados. At6 agora, apenas o engenheiro Luiz Otivio da Mota Pereira se manifestou publicamente sobre o tema entire nbs. Con- v~m ampliar, aprofundar e so- norizar esse debate para que a voz do Para, se possivel em coro com o Maranhio e To- cantins, tamb~m seja ouvida em Brasilia antes da consumaqio dos fats. E o plantio de sur- presas, mis surpresas, na nos- sa desguarnecida horta. amin hos Inias da historic. Ao subir para cretaria-execurita do Mlinis- o d3 Inte~graqio Nacional, uricio lasconcelos chamou So scu lugar, nad superiniten- cia dai Sudam. HugL~o de Almei- que: estaba cirom asjSeSso do iisteirio do Alc~io Amnbie~nte. ndo estoruranram as dellnuciaS ei a Suldaml. Afluricio e Hugo egaramn os seus cargos no istro Fernando Bezerra, des- do-o ai tomade para fazer o bem quisesse e para de~sem- garn as apuraq6c'S. O pe~dido emissdo de Mlauricio foi acei- ele tollou ao BNDES. O de o. lot recusado. apos~ uma con- a; telle~fonica,- e ele vollou in JOffl31 PeSSO:11 Edilor: Luine FlaviO Plnto* Fones: 1091) 22.1 6'69 (ron-lar~) e; 241 7626b Ia.) conlalo: a~ senlsmln conjlanl an~5LS.2 605511 on e-mail: larndle~amazon iom tr EdigiLo de Ade: Luzlerjnnirdelarlspinio*.DO 1304 __IW__I__lilY______-***Y~III~--YYI Manrinho era uma espejcle de embai.\ador e o grande corretor de~ssa grilagem, o mais ex- posto da quadritha. o uinico a ser preso (ja per suas \-ezes, a primleira, em 1996. no Parai, e:a outran, neste ano, no Parana). M~as nem era o cerebro da armlaqio. nem o seu personagem mais influente. Se: a pericia indicar que e~le fo~i assassinado. o caso assume gravidade inedita. e nio apenats no piano penal. Evidenciara a amlpliaqio do~ interesse sobre as terrars. hlas se a ~ipojrese: mais fo~rte, a da mlorte natural, L ier a ser conflirmada, nem por isso a asjo esfriarai. Justame~nte porque ha genire muito mais grall- da por tras. Que pode: fzer a que Mlarinho sem- pre prometeu e nunca fe~z: dizer a v-erdade~. Nossa ggua * Oprojeto original previa sim- plesmente transferir ggua do Sio Francisco, em duas toma- das localizadas no Estado de Pernambuco, para quatro Es- tados nordestinos (Paraiba, Rio Grande do Norte e CearB, al~m dopr6prio Pernambuco) que tim problems s~rios de suprimento, irrigando seus campos de cultivo ressequi- dos. Mas os Estados compul- soriamente doadores reagiram, capitaneados pela Bahia, a mais poderosa unidade fede- rativa da regiio. Temiam que o desvio afetasse o cursor re- gular do "rio da integraqio national", como o Sio Fran- cisco 6 conhecido, prejudican- do quem ji conta comn suas aguas para diversos usos. O grito fez Brasilia rede- senhat o proj eto, incorporan- do o Tocantins ao sistema de transposi~go. Dos 70 metros cilbicos desviados por segun- do, a nova media passou para algo entire 140 e 170 m3 por segundo de transfer~ncia. O custo pulou de 2,8 bilhaes para 4,l bilhdes de d61ares (em torno de 8 bilhdes de re- ais). Os nordestinos continu- aram a discutir o projeto, mas ja sob o ingulo do beneficio evidence dessa incorporagio. O Para, o Estado que mais utiliza o Tocantins, continuou indiferente a essa intrusio. Os100 m3 que se pretend captar no Tocantins, em qual- Ci quer condigio de va- *Iro zio do rio, mesmo nas estiagens, seriam teri~ mnferiores a 5% do Alai volume total, caindo abaixo de 1% no pe- P~' deni riodo das cheias nor- da, ( mais. N~o haveria Rlin comn o que se preo- Qua1 cupar. Mas ha. A sobr capta~go ser5 feita nio diretamente do ent Tocantins, mas de um dos seus forma- S" dores, o rio do Sono, que ba~ra que tem uma vazio de d incomparavelmente to e menor e esti gs pro- Hugt ximidades das nas- c'S centers, a mais de r Sud: dois mil quilimetrOS Esg oto *Marcus Vinicius Pratini de Moraes 6 um sobrevivente de governor e regimes. Da administration dos generals emergiu de novo na gestio do sociblogo ex-subversivo Fernando Henrique Cardo- so, distribuindo otimismo e simpatia. Mas, ao que pare- ce, permanecendo o mesmo por dentro. Entre baforadas de entusiasmo com as pers- pectivas econdmicas do Pari na agriculture, na sua passage por Bel~m, na se- mana passada, deixou a im- pressio de qlue seu objetivo principal 6 tomar o Estado como uma via de escoamen- to de produtos do Centro- Oeste (a regilo que mais tem crescido no pais nos ll- timos anos), "a tiltima gran- de reserve agricultivel do mundo", segundo suas pala- vras, para o exterior. Que o Centro-Oeste mo- nopolize a soja, nio hB pro- blema, 6 e at6 melhor para nossas terras. Mas ser um "corredor de exportagi~o" 6 ser nio muita coisa al~m de esgoto econ8mico. Disso, o regime ao qual o ministry da agriculture de FHC primei- ramente serviu ji nos deu - e muito. Dispensamos uma edigio revista e ampliada. Semn final Nada miais natural do que a opiniio puiblica resistir a aceitar a hiporese de morte: nartur~l de harinho Gomls de Figueiredo, ocorrida no t'lltimo domingo, em Belem. Ao depor na CPI da Tetrra, na Cjlmara Fedetral, emn Brasilia, no mes pa1ssado. ele prometera dar os nomes de pessons, muito mais poderosas do que ele, be- ne~ficidrias ou participants do "esquema Car- los Alede~iros". uma arapuca atravets da qual se p~retendia abocauhar;1 de 9 a 12 millhies de hectares de terras pilblicas paraenses. Olici- almente, Alarinho nada havia diro aos deputa- dos. comoi de: hdlbito. O compromisso de "'abrir o jogo", ele adotou nos bustidores, informal- menrze. Poll tica *Depois de sua excursio de quatro dias pelos 1.900 quilb- metros da BR-163, entire Cui- ab6 e Santar~m, na semana passada, o ministry das comu- nica95es, o mineiro Pimenta da Veiga, tamb~m politico do PSDB, deixou varias drividas no seu rastro. O autintico rally organizado, com os equi- pamentos e a logistica de esti- lo, seria o pano de fundo para forgar a restauraqio e o as- faltamento da estrada, por ela em si, ou como caminho para os cabos de fibra 6tica das empresas de telecomunica- C5es, impacientes no aguardo de providencias do governor? Al6m disso, seria uma estoca- da noministro dos transportes, Eliseu Padilha, e, por extensio, no senador Jader Barbalho, ambos do PMDB, que se tim mostrado niomuito expedidos nessa frente, enquanto fazem avangar a Transamaz6nica? Seria, por via de conseqtiin- cia, um colocar de azeitona na empada do governador Almir Gabriel, tremendamente des- gastado na direa, especialmen- te em Santar~m, onde uma vaia certamente faria a recep- ~go se ele at6 li se dirigisse? Sem malicia, apolitica nio funciona. Mas por isso mes- mo nio 6 auto-explicivel. |
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