|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Z.lr ~ ~~1111~ LI'L L=LS; rr)l i3 r O -r ' ~3 01TK1l CeSSOR LUIjCIO F LAVIO P N TO ANO XIV N" 248 la QUINZENA DE DEZEMBRO DE 2000 ,RS 2,00 AL('A VIARIA E otudo ou nada Com sua reagd~o iis critics feitas ao projeto da Alga Via'ria, o governo Almir Gabriel nos devolve aos tempos de rodoviar-ismo e militarismo na Amazdnia, quando a decisa~o era apresentada pronta e acabada. Restava ai sociedade aceita'-la ou ser punida pela desobedid~ncia. Faz parecer que o tempo na~o passou no reino do Pardi. gos do desenvolvimento do Pari, quase dem6nios (ou mais do que de- m6nios?). Um dos anuncios concla- mava a populagio a nio permitir "que fagam do Para uma mala sem alga". JB antecipando o que devera ser a campanha eleitoral de 2002, terminal com uma pergunta acusat6ria: "A quem interessa o atraso?". A Alga Viaria, que comega com um orgamento de 190 milhdes de re- ais (e sabe-se la por quanto vai aca-, bar, numa administration que nio tem primado pela exatidio orgamentaria), ) No 61timo final de semana o governor do Estado despe- jou pela imprensa cinco piginas inteiras de anunci- os para defender a Alga Viaria dos seus critics, transformados pela pro- paganda official em autinticos inimi- 2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2000 6C uma das grandes obras que o go- vernador quer inaugurar no seu se- gundo mandate, uma das alavancas para fazer o seu successor. Nada me- nos surpreendente do que ele reagir A sua maneira, despejando raios do seu trono, no Olimpo da Augusto Montenegro, contra os que nio se curvam g sua vontade imperial. Mas o discurso estadual tem uma sensa- boria que nos devolve quase literal- mente g era do rodoviarismo e ao nefando modelo de desenvolvimento atrav~s de corredores de exportagio, que exigiram investimentos pesados, mas deixaram tio poucos efeitos ger- minativos no territ6rio amazanico. N~io se hB de querer manietar o governador, deixando-o indefeso aos ataques politicos dos seus adversdri- os. Hg um plano estritamente politico nessa queda-de-brago, a exigir cam- panha de massa, propaganda, ataques contundentes, malicia. Mas hi tam- b~m um plano ttcnico a preservar. Reagindo atrav~s da melhor defe- sa political, que 6 o ataque, ainda as- sim o governor nio tem o direito de interditar um debate t~cnico aberto sobre a Alga Viiria e seu suposto pla- no de desenvolvimento, atrav~s do Sistema Integrado do Leste do ParS. O confront politico acaba se tornan- do uma maneira de contornar o dia- logo t~cnico e impor a obra como um tema de salvagio estadual, aprisio- nando-a nos estreitos limits de um passionalismo de Remo e Paissandu. Se tudo fosse realizado conforme os pianos do governor, a Alga Vidria nio passaria de uma liga~go fisica da capital paraense com o seu novo por- to de carga geral, que sera desloca- do das atuais instalagdes, no cais da baia de GuajarB, para o terminal (por enquanto especializado em gran~is s61idos) de Ponta Grossa, em Barca- rena. A cidade nio poderia perma- necer seccionada do seu porto por terra, uma anomalia em tese, indepen- dentemente da fundamentagio econ6- mica da ligagio rodovibria. A quem ela beneficiaria? Natu- ralmente, a quem precisa utilizar si- multaneamente a cidade e o porto. O usudrio preferencial seria o im- portador de bens e mercadorias a serem utilizados e comercializados em Bel~m. Essa carga passara a ser desembarcada em Ponta Grossa e serS transportada para a capital uti- lizando a Alga, sem precisar embar- car em balsas para a travessia flu- vial. Fazendo percurso inverse, o usudrio seguinte 6 o element pro- dutivo ou consumidor que mantiver relaqdes com o porto ou dele pre- cisar para embarcar seus produtos para fora, mas tendo sua base eco- n~mico em Bel~m. E~ duvidoso que a configuraqio atual da Alga ViBria e do SILP re- sista a uma andlise de custo/benefi- cio ou a uma confrontation com for- mas alternatives de organiza~go do transport e da produgho. Talvez nem tenha havido uma verificaqio de hip6teses. A partir da premissa de que um elo fisico entire a cidade e o porto 6 inquestion~vel, o esquema atual veio por gravidade, como de- rivagio natural. Afastados, por~m, os elements politicos (ou simples- mente partiddrios) de perturbaqio da andlise, evidencia-se a inconveni~n- cia do process decis6rio adotado pelo governor para colocar sua obra como fato consumado. AlCm de nio ter havido um exame de alternatives, o projeto do governor ressente-se de estar desligado do con- texto envolvente, embora seja apre- sentado como parte de um todo mai- or que ir8 incrementar o desenvolvi- mento estadual. No maior dos am'm- cios publicados, em pigina dupla, a Alga ViBria 6 apresentada como in- tegrada a um "proj eto para o future", ao lado do porto de Santar~m (e da rodovia Santartm-Cuiabi), da PA- 150 e das eclusas. Mas esse "sistema" 6 apenas um desenho no papel, tendo sido orde- nado e composto para efeito mera- mente argumentative. A hidrovia do Tapaj6s, teoricamente muito mais efi- caz do que a BR-163, nem 6 lembra- da no desenho do governor. A hidro- via Araguaia-Tocantins 6 uma trilha pontilhada, que, na ausancia da trans- posi~go da barragem de Tucurui, ter- mina em MarabB, deslocando-se para leste, at6 o porto de Sgo Luis, no Maranhio. A participa~go do gover- no do Estado na luta pelas eclusas 6 decorative. Sempre disposto a acre- ditar nas vis promessas de Brsilia. Problems de ordem variada, vin- culados a processes produtivos em expansio (como os 500 milhaes de d61ares que ampliario a escala dos pdlos de alumina-aluminio e de cau- lim) ou a regimes em decadincia, umas por falta de infra-estrutura ade- quada, outras por exaustio das anti- gas funcaes econ~micas, sho simples- mente ignorados, como se um gover- no que renunciou ao planej amento, ri- gorosamente falando, controlasse as variaveis bisicas em ag~o. O que est8 muito long de ser a verdade. Se o governor nio quer conside- rar quanto custa o seu projeto para a ligagio terrestre entire Bel~m e o porto de Barcarena, e qual o seu beneficio, se proclama ser irrele- vante o impact negative da obra, se interdita as hip6teses alternatives para a pr6pria via rodoviaria (can- celando ou mudando a localizagio da principal e mais onerosa obra de arte, a ponte sobre o rio GuamS) e se consider delet~rio examiner a alternative hidrovibria, mesmo que exigindo uma nova forma de abor- dagem da questio, entio 6 claro que deve-se continuar a to car a Alga Vibria tal como esta. Mas para tanto 6 precise voltar no tempo e esquecer o que se aprendeu, a partir da decada de 70, sobre os aspects negatives de uma estrada de rodagem na Amaz6nia, desde sua comparaqio ao transport hidrovi8- rio, at6 os efeitos multiplicados (mas nem sempre perceptiveis de imedia- to, ou previsiveis) da sua existincia sobre o solo, o clima, a flora, a fau- na, a hidrologia, as populaqdes nati- vas e as relaq8es de troca da Ama- z6nia com o mundo externo, das quais o Par6 tem sido como dizem os acad~micos -um paradigma nada edificante. Colocando a populagio diante de uma escolha maquiav61ica, do isso ou nada, o governor Almir Gabriel pare- ce-se cada vez mais aos governor do regime military, que abriram profundas chagas na regiso, muitas delas irre- versiveis, a pretexto de, integrando- a a toque de caixa (ou de corneta & sabre), nio permitir que ela fosse en- tregue ao pirata estrangeiro. O pirata, de tapa-olho, palet6, beca ou bata, jB estava aqui. Como vemos. JORNAL, PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2000 3 Os mnisterios do miercado Quando querem almogar fora, muitos belenenses costumam procurar restauran- tes nos quais possam "saborear um peda- go de charque ou de peixe frito acompa- nhado de uma tigela de agai sem aqucar". Se voc6 ainda nI~o se permitiu esse hibito, azar o seu: voc6 nio faz parte do "mercado muito especial" do Park, que tem sido uma esfinge para os grandes grupos nacionais de supermercado. Sem se dar conta de especificidades como a dos "co- medores" de agai, esses gigantes de papel acabam sendo devorados pelo monstro ao agai e tucupi, segundo o diagn6stico da revista Exame, da Editora Abril. E~ assim que, em sete piginas fartas de fotos e elogios, a uiltima edigio da re- vista (da segunda quinzena de novembro) explica o sucesso de grupos locals, so- bretudo o Y. Yamada, e o fracasso de conglomerados econ~micos que se deram bem em outros Estados e aqui naufraga- ram, como o Pgo de AF6car e o Bom Prego. Por aqui, s6 conseguiram sopo- brar B porotoca de consume a C & A, Arapud, Riachuelo e Lojas Americanas. Talvez, pensando bem, nio menos nume- rosos do que os casos de insucesso total das mesmas proporC~es. A explicaqio, por~m, 6 dada sem maior indaga~go, sem it atris de razies mais profundas. Levada pelo embalo de teorias oportunistas ou interesseiras, a autora da reportagem tomou como se fora um almogo especial dos belenenses habi- to alimentar de outra natureza. Se ha be- lenense que sai de casa para almogar agai com peixe frito, esse 6 um excantrico. O belenense padrio toma o agai como so- bremesa e nio lhe da o status de chama- riz para um "almogar fora". Mesmo por- que depois do agai vem o embalar na rede, sob cafune da nhanti, com uma arara no punho e um jacare bocejando por baixo (ou seria uma onga ronronando?). Se, como qualquer mercado, o bele- nense tem seus mist~rios e manias, tal- vez eles ajudem a explicar parte do su- cesso de grapos locais, como o nunca suficientemente festejado Yamada, ou o agora menos em evid~ncia Lider, mas nio todo o sucesso e muito menos o apa- rente fracasso dos concorrentes nacio- nais. A capacidade de adaptagio e in- ventiva das quatro gerag~es de descen- dentes de Yoshio Yamada nio pode ser minimizada. Ela 6 responsive por par- cela expressive dos resultados do grupo em meio s~culo de empreitada. Mas na terra do agai, como na do Marlboro, determinadas regras de comer- cio, mesmo quando basicamente imuti- veis, ajustam-se g rolanga do tempo. Num mundo de contabilidade globalizada, o que as redes de supermercados do restante do pais podem estar enfrentando com maior dificuldade sho os procedimentos gerenciais e administrativos dos grupos locais e o poder de influincia que eles exercem sobre autoridades encarregadas da regulamentagio dessas praiticas ou da fiscaliza~go do seu exercicio, comn a de- vida cor local, 6 claro. Talvez um Pio de Agucar ou um Bom Prego nio pudessem adotar, em sua base belenense, uma -digamos assim -male- abilidade e inventividade de empreende- dores que controlam suas derivaqdes lo- cais com r~dea curta, ou podendo alcan- Fg-las comn as pr6prias mios. Quem sabe nio 6 a causa de tanto estudo e vacila- 950 do mais recent dos grandes do se- tor, a multinational Carrefour, ainda a soleira das nossas casas-grandes do co- m~rcio varejista? Nessas contas, muito mais do que nos nossos habitos (que nossos visitantes nio conseguem captar com fidelidade, prova- velmente porque sua generosidade 6 um tanto menor do que seus preconceitos e estere6tipos, disfargados de superior bono- mia e benevolincia), 6 que devem ser bus- cadas causes mais profundas, por~m mais simples e claras, de toda essa etnologia da desculpa e da enrolagio. Mesmo quando cifrada com econombs de orelha. I) Advogados em foria Durante alguns dias dois trios el~tricos foram mantidos em frente ao forum de Be- 16m. O barulho que faziam ul- trapassava o limited legal, me- dido em decib~is. Mas isso parecia ser detalhe para as duas chapas em apaixonada dispute pelo comando da Or- dem dos Advogados do Bra- sil, segio do ParB. Embora o prestigio da OAB derive tan- to da protegio corporativa aos associados, como de sua fungio institutional, de p6lo ativo na defesa das leis e do sistema democratic, no qual elas funcionam como ossatu- ra, os candidates e seus sim- patizantes nio tomaram as normas legals como limited ao jogo da dispute. Nem o bom sensor. Sequer a civilidade. O cidadio comum deve ter-se espantado com a pro- porgio que a eleigio deste ano na OAB assumiu. AlCm dos inconvenientes trios el~tricos em frente ao pr~dio da justiga, outdoors as centenas espalha- dos pela cidade, panfletos dis- tribuidos nas ruas, anuincios nos jomais, mensagens publicit~rias pelo radio e a televisio, ca- bos eleitorais percorrendo o interior, acirramento dos 8ni- mos, comicios inflamados. Tal- vez essa exterioridade sirva a causa da divulga~go e da pro- paganda da OAB, mas o risco e de que o cidadio tenha to- mado conhecimento da exis- tincia da Ordem pelo lado ruim, do nivelamento por bai- xo de uma atividade political que, quando segmentada, quando restrita, deveria servir de exemplo demonstrative. Se uma chapa venceu, como tinha que ser, quem saiu perdendo mesmo foi a pr6pria OAB, a imagem dos advoga- dos como categoria profissio- nal essencial e o aprego do home de rua pelas leis e a democracia. Convinha a todas as parties apagar as divisees de ontem e os improperios di- tos at6 a v~spera e se empe- nhat numa tarefa comum: re- cuperar o conceito pdblico nio s6 de uma entidade de classes, a de maior status, por obra e graga de uma disposigio cria- da pelos pr6prios advogados, os redatores dos textos legals, mas de umsistema sem oqual os advogados costumam se tornar meros rabulas dos do- nos absolutes do poder, exer- cendo-o nio com o simbolo da democracia, a pena com que se redigem as leis, mas o dos regimes de excegio, a espada - com a qual sio cortados nio s6 os textos das leis, mas as cabegas dos que as redigem. Ou para afastar da socie- dade a desconflanga de que, por trais de tantas causes no- bres, o que haja mesmo 6 o desejo de tomar as redeas de uma entidade que pode indicar candidates ao cargo superior de carreira de um dos poderes da Repuiblica, a justiga, que tem um orgamento expressive e que represent uma apreciavel fonte de poder, podendo ser utilizada em um jogo maior e mais pesado. Seria bom que, como naquela muisica de car- naval, os advogados tratem de garantir que a pr6xima elei~go jamais se parega a esta que, felizmente, passou. 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/2000 de personalidade para nos igualar numa irman- dade alegre, de fresca jovialidade? Por isso, em noite avangada de um s~ibado, la estavamos no deteriorado centro velho da cidade para testemunhar o reconhecimento ao espirito empreendedor de Anna Maria pela as- sociaCio de classes, numa solenidade em que os poucos segundos do agradecimento da home- nageada a concessio do titulo eqilivaleram a alegria de uma ora~gio de DemC~stenes para os seus amigos, uma confraria desigual cujo ponto de encontro e harmonia e justamente a energia dessa bela mulher de 75 anos, um patriminio vivo da cidade que tanto ama. Na passage do s~culo e do milinio, premi- ada, Anna continue a set a inspiraqio para ousa- dias. Como a tapioquinha recheada com caran- guejo (sem falar na pupunha ao rochefort, ji in- corporada ao cardapio e ao gosto citadino), que nos foi servida inauguralmente, dando-nos a im- pressio de sermos os verdadeiros distinguidos naquela solenidade, sendo esse, alids, o segredo dos grandes anfitrides e o que diferencia os sim- ples restaurants dos lugates nos quais concede- mos ao corpo eag alma o superior prazer da mesa, da conversa e da amizade. No nosso caso, sob a protegilo de Anna Maria Leal Malcher Martins, nessa forma de poesia que comega ja pela suave aliteraglo do nome. Todos os que fomos g sede da Associaqilo Commercial do Para no ultimo dia 18 s6, queria- mos dizer o que saiu da boca de Anna Maria como resposta ao titulo recebido: muito obri- gado. Muito obrigado por tudo, Anna. Que sua juventude se estenda ao infinite. * Anna Maria tem tres sobrenomes nobili- arquicos. E Aradijo e Malcher por nascimento e Martins pelo casamento. Teve bergo de ouro, que lhe garantiu uma forma~glo de qualidade. Mas livrou-se de preconceitos derivados da origem quando, por um dos caprichos de que a vida costuma ser pr6diga, precisou traba- lhar. Foi para o forno e o fogilo, ate entlo referincias remotas para ela. Mostrou uma rapida maestria na arte da cozinha. Mas tam- b~m nilo reduziu esse universe a domesticida- de. Fez dos quitutes uma arma de autonomia e independancia, numa 6poca em que a mulher s6 costumava avangar al~m dos limits famili- ares para os compromissos do mundanismo, geralmente no papel de figurante. Criou um restaurant no porilo da mansito construida pelo av8, que deu nome a avenida em frente quando, para homenage8-lo, os politicos nio titubearam em abolir a bela denominaqio an- terior, de Stio Jer~nimo. O restaurant Ldi em Casa deu certo por- que na retaguarda, com o apoio providencial do filho, Paulo, que a vocapilo natural de gourmet arrastou da arquitetura e do servigo pilblico, Anna Maria comandava todo o process. Des- de a escolha de frutas, verduras e carnes nas fontes de suprimento, sobretudo a Ceasa, aces- sada diariamente, na manhli ainda imprecisa, com heroismo proporcional ao avangar dos anos, a inclemtncia da via, sistematicamente esburacada, e a rusticidade da necessiria Kom- bi de transport. Passando pelo balanceamen- to e tempero dos pratos, no ponto certo. At6 o fidalgo tratamento dispensado aos fregueses, chamados pelos nomes, atendidos em prefe- rincias, gostos e manias, Anna Maria realizou uma faganha quase impossivel: criar uma clientele cativa na cidade onde funciona seu restaurant e conquistar o respeito dos turistas, satisfazendo duas cor- rentes que costumam seguir em paralelas, en- contrando-se, portanto, no infinite. Paulo Martins que me perdoe: sem Anna Maria ele talvez estivesse condenado a admiragilo das confrarias, dos apreciadores da inventividade e pericia que inegavelmente nosso arquiteto glu- tito possui nos mistbrios da culindria. Mas sem a mile, quem estaria nos receben- do g porta da casa com um sorriso nos libios, eterno sem ser artificial, irradiante sem ser desmedido, afetuoso, amigo, cativante? Quem chamaria um gargom distraido para nos aten- der de pronto e, compensando nossa eventual timidez, corrigisse o pedido para melhor, mais adequado? Quem ofereceria sua f6 de oficio para nos permitir conflar no sucesso da dele- ga~gio de poderes para fazer o pedido? E quem nos daria a graga de contar com uma restaura- ter que extravasa o profissionalismo da mesa para ser nossa amiga e nossa igual, interlocu- tora que desconhece as diferengas de idade e IIIIIIIIIIIIIIIIIII IIIIIIIIIIIIIIIIIII IIIII mentos hidraulicos. Se muito for pressionado, o governor talvez che- gue ao fim, mas seguindo um crono- grama de perfil muito mais alongado do que o exigido pelos paraenses, destinando menos verbas do que as necessirias. Se e que a obra chegard ao seu termo final algum dia. O Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agrono- mia) ea OAB (Ordem dos Advoga- dos) do Para decidiram nio esperar mais pelo cumprimento de velhas e sempre renovadas promessas. Pedi- ram ao Ministtrio Publico federal para ajuizar uma a~go civil pdblica obrigando a Eletronorte a acelerar as obras das eclusas, sob pena de ter que suspender a execu~go da dupli- caqio da hidrelttrica de Tucurui, ja em andamento. Em 2002 a primeira das 1 1 maquinas da nova casa de for- ga devera entrar em opera~gio. Seria quando o rio tamb~m ja deveria es- tar desbloqueado. Do ponto de vista legal, 6 uma media elementary: ao manter, ji por 16 anos, a interruppo da navega~go no Tocantins, a Eletronorte violou o C6digo de Aguas, de 1934, que de- termina o restabelecimento da nave- gabilidade ap6s a conclusilo da bar- ragem. A hidrel~trica esti, portanto, illegal. O MP se mostrou receptive a denuncia das duas entidades. Mas a batalha judicial nao tera desfecho imediato porque vai evoluir num pro- cesso sujeito ao contradit6rio, ad- mitindo vlrios tipos de recursos in- termedidrios ou protelatbrios. O que esti em causa 6 um confli- to de concepgdes. Para Brasilia, a Amaz~nia e uma fonte de mattrias primas e um caminho de passage de produtos de exporta~go para o li- toral, onde serioembarcados em por- tos freqiientados por navios intero- celnicos do tipo Panamax. Os tec- nocratas brasilienses nito sabem li- dar com plano de desenvolvimento integrado, voltado para dentro do pais, destinado a agregar valor e ge- rar a maior quantidade possivel de emprego aqui e nio 18 fora. Se talvez jag paregam proceden- tes as suspeitas de que o projeto original das eclusas foi superdimen- sionado para aumentar o faturamen- to da empreiteira, ainda assim defi- nir a viabilidade da obra em fungo de um cruzamento singelo de vari8- veis (custo versus demand de car- ga) e uma proje~go timida do cres- cimento do transport hidroviario, e aceitar como legitimo e imutavel o modelo exportador de desenvol- vimento (desenvolvimento de quem compra, subdesenvolvimento de quem vende). O Crea e a OAB fizeram sua par- te, dando o pontap6 inicial. Agora devem as outras associates, cate- gorias profissionais, politicos e ci- dadios em geral entrar em campo para participar do jogo. Ele envolve a mudanga dessa diretriz que nos tem feito inchar, mas nito nos desenvolve verdadeiramente. Se essa corre~gio for feita, as eclusas de Tucurui deixatio de ser encaradas em Brasilia como OVNIs tropicais. Nossa Anna Fan tas ia feder al Brasilia ji firmou uma posi~go definitive sobre as eclusas de Tucu- rui: elas nio slio necessbrias para manter o fluxo de carga no rio To- cantins a altura da barragem, ao me- nos num horizonte previsivel. Essa crenga tem dois fundamentos: o vo- lume atual de carga, que 6 incompa- ravelmente inferior g capacidade no- minal do sistema de transposi~glo, e o custo da obra, de 300 milhies de d61ares, que a tornaria a maior do mundo. Seria como edificar um pa- lacio na mais erma floresta. Por pensar assim, Brasilia vai continuar empurrando com abarriga o movimento pela conclusio da transposi~go, que apenas foi inicia- da, com a cabega da eclusa de mon- tante, incrustada na estrutura de con- creto da barragem, faltando construir a segunda eclusa e o canal de concre- to, alem de instalar todos os equipa- JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/2000 5 Desde a semana passada o Pardi ji tem uma grande poeta. Aos 49 anos, ela langou seu primeiro livro. E todars as onluestras acenderam a lua nio 6 apenas o livro de uma grande poeta esta- dual: 6 um dos melhores livros de poesia brasileira que eu li nos uiltimos anos. Lilia Silvestre Chaves estreia como uma criadora madura, forte, unica, com o frescor da novidade e da surpresa, com um impact que recomenda fruigio lenta depois da primeira leitura, febril, appassionata. Talvez coubesse dizer que se Anna Karenina tivesse escrito verses, pelas m~os de Leon Tolst6i, ela assinaria varios dos 99 poemas (com sete agrupamentos tematicos) que ocupam as 142 piginas desse livro pequeno e precioso, inclusive pelas ilustraqdes e o acabamento grafico. Clarice Lispector tamb~m se acharia em excelente companhia, n~io s6 na verso definitive de sua poesia em prosa, como pelo dialogo afinado da pessoa (siamesa do Pes- soa em camuflagem e de Borges em alquimia). Ngo foi por capricho que Lilia vasculhou gavetas e juntou es- critos para former um livro, como costuma acontecer na provin- cia. Seus poemas sho quase sempre curtos, alguns encantadora- mente elipticos. E provivel ter varado madrugadas solitairias a submeter seus ais, sua memoria e seus desejos a um rigoroso artesanato da palavra, a um exigente process de depuragilo, a uma "outra" infernal, saturniana com a qual convive, na qual se funde na fimbria indivisivel das letras ("s6, encontro a completu- de na poesia"). Anos de leitura (especialmente dos simbolistas franceses) e transpiraq~io ardente lhe permitem manejar como poucos a rima e a m~trica, em decassilabos maiores ou menores, uma maestria que a faz enveredar pelo verso livre (a sombra de Rimbaud, atiga- da por Baudelaire) sem ser traida pela impericia dos que desco- nhecem o ritmo, a melodia, os brancos da pagina, os silincios da palavra, sua descamada ossatura e seu enchimento significant. Em poucos mementos da literature national houve uma pene- traqio tho harmoniosa do erotismo e da sensualidade com o liris- mo como neste faustiniano (e dionisiaco) E todas as orquestras acenderam a lua, romintico e realista, spiritual e carnal, sutil e direto, inginuo e malicioso, contido e desbragado, revelando mes- mo quando tenta ocultar, sugerindo tudo o que uma mente recep- tiva pode captar ("E cultivo o silencio/ na membria,/ que 6 muito mais/ que o esquecimento...") e a vohipia pode imaginar (como a saudade "de toques despudorados,/ de uma flor que nio se abriu").. Lilia deixa um rastro de si em forma de palavras, mas monta labirintos, constrdi castelos, tanto para aumentar o encantamento quanto para provocar ilusaes. Se "nio existo, sou palavra", ela et tamb~m "Fogo que acalma./ Corrosio perdida." A poeta cria em solidio, g noite, circulando por seus dominios: as palavras, a me- mbria, as impresses, as marcas, o que podia ter sido e nio foi, a frustraqio que nio incomoda porque a lembranga vivida adoga. Mas ela vai li fora e vb a "6mida cidade que se arrastal Ao rumo deste rio, que vai morrendo". Vb ainda mais long, em Viena e Praga. VC com um olhar amante, intimo, obsequioso e doador. Mas a protetora distincia: "Pontes ruindo/ Quando tu fores...". Para os apressados e superficiais, obcecados pelo context e o engajamento, pela vontade de agredir ou de impressionar, uma ligio do mais natural erotismo entire series que amam cri- ando simbolos: "(o remo ama a agua sem ruido e eu escorro liquid a procura deste remo que me espera, que viaja em mim na noite escura...". Finalmente o Para tem um novo grande poeta, que 6 mulher. Nio era sem tempo. Lilia nos fez esperar tanto que se apresenta comn um livro que nio e de comego, mas de chegada. De uma estrela para brilhar em qualquer firmamento, mesmo sendo (ou sobretudo por ser) uma estrela da tarde, da tipica tarde belenense: brilhante e luminosa ao entardecer. *) os governos ao long de 15 anos. S6 voltou ao quartel em 1989, para exercer atividades buro- cra~ticas, cumprindo exig~ncia regimental. Mas no inicio de 1991 estava de volta g chefia da casa military do governo, permanecendo no car- go quando Jader passou a faixa ao seu vice, Carlos Santos. Foi este quem, numa leva de 19 nomes, promoveu Gomes a coronel. Mas, ao assumir, Almir Gabriel "despromo- veu-o", alegando que o ato fora praticado fora do prazo legal. O mandado de seguranga impe- trado por Gomes deu-lhe ganho de causa, mas Almir nio assinou o ato de promo~go, deixan- do que essa tarefa fosse cumprida por seu vice, Hildegardo Nunes. Tudo indica que a political ji penetrou o bastante nos quarteis, esvaziando seus con- tingentes para servigos nio relacionados com a razio de ser da forga (inclusive fazendo as vezes de seguranga privada para medalhdes e medalinhas), a ponto de engendrar conflitos como o que envolveu o finalmente coronel Flaviano Gomes, Muito ganharia o Estado no dia em que as misses dadas aos militares voltassem a se basear exclusivamente no regimento da corpora~go. vemo de Alacid Nunes, oficiais da PM passa- ram a ser convocados para desempenhar mis- sdes political e administrativas que nada ti- nham a ver com suas fun95es profissionais. Por causa da facilidade com que a Uniho e o Estado podiam intervir em Estados e municipi- os, sempre que era precise designer um inter- ventor municipal, Alacid Nunes recorria a um official da PM. Parecia achar que havia algo como uma gen~tica de bom caraiter e lucidez nos limi- tes das fronteiras castrenses. Ou talvez porque militares cumpririam mais fielmente suas ordens, sem vacilaqbes, ainda mais porque o governa- dor era tenente-coronel da reserve do Exercito. Logo esse crescimento alcangou a casa mi- litar da governadoria, que passou a controlar nio apenas a ajudincia de ordens do chefe do executive, mas, aos poucos, todas as despesas do gabinete, tornando-se uma important fon- te palaciana de poder. Esse expansionismo in- formal atingiu seu ponto maximo comno gover- nador Jader Barbalho, quando houve mais PM por metro quadrado da histbria do palicio Lau- ro Sodre. No ano seguinte a sua chegada a Bel~m, em 1974, como 28 tenente, o alagoano Gomes ji estava trabalhando em palacio. Serviu a todos Poeta, enfim Os q arteiss Flaviano Gomes Melo e, finalmente, coro- nel da Policia Militar. Ngo seria se sua ascen- slo ao ultimo posto da carreira dependesse do governador do Estado. Almir Gabriel preteriu Gomes em tr~s mementos em que decidiu fazer outros oficiais passarem B frente. Gomes deci- diu entito recorrer a justiga. Depois de tris anos de litigio, ganhou a causa, obtendo a promo- 950. O veto do governador era de natureza poli- tica: Gomes se notabilizou como um dos princi- pais elements de ligaqio do senador Jader Bar- balho dentro da PM (e tamb~m fora dela), de- pois de ter servido no gabinete military durante os dois mandates de Jader como governador. Na elei~go municipal deste ano, Gomes tentou ser vereador, mas recebeu menos de dois mil votos, ficando numa distant suplincia do PMDB na C~mara de Belem. Se a justiga mostrou que as sucessivas pre- teriq~es de Gomes nio passavam de persegui- Fgo political, seu curriculo express um tipo de distor~go tambem political que se instalou na corpora~go military. A partir do primeiro go- 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 2000 a qualidade da administraqio? Ngo ttm credibilidade as instituigies que deram os primios (a ONU, a Funda~go Abrinq, o pr6prio governor federal do partido advers~irio)? Eu nio vi Edmilson classificar de "hist6rica monumental" avit6ria, mas mesmo que ele tenha dito isso,6 de somenos importincia. A vit6ria foi dificil e se deveu nio s6 a compet~ncia da equipe professional como aos brios (mesmo tardios) da militincia. Mes- mo com o bom trabalho da prefeitura, houve um boicote generalizado da mi- dia nestes quatro anos; a fabricaqio de fats contra a prefeitura (a metafisica "Milicia Cabana", o contrato das ara- ras); um derrame de propaganda estadu- al (chegando at6 As "vias do fato", on seja, critical a prefeitura em pleno co- mercial institutional); um preconceito arraigado anti-petista (mostrado nas pesquisas de opiniho, numa curva des- cendente de prefer~ncia pelo PT B medi- da que subia a faixa etiria); um adversa- rio de perfil popular (ou populista); e o uso dos velhos metodos de compra e aliciamento de votos (a autuaqio de Ex- pedito Fernandez mostra isso). Por isso mesmo, a vitbria foi subs- tantiva. VocZ se engana redondamente sobre a diferenga de votos nio ter "pa- ralelo no 2n turno de todas as capitals brasileiras". Em Recife e no Rio (ges- tbes bem avaliadas) os atuais prefeitos PERDE RAM, por diferengas menores do que essa. Em varias outras os prefei- tos atuais nio concorreram, pois nio tinha condigaes de veneer. E no geral as eleigies foram bem parelhas (como em Curitiba, cidade tambem bastante pre- miada). Nio di para dizer que em Be- 16m foi a eleigio mais dificil para as atuais ad ministraq~es. Eu posso garantir, petista pode ser meio sectdrio mas nio dB tiro no p6. Mesmo que eventualmente estejam com discurso triunfante, o "recado das umas" foi sim entendido, e existem mais qua- tro anos para corrigir o que esti errado. Muitas orelhas devem estar sendo puxa- das nas internas. Lula se encarregou de puxar algumas quando esteve aqui. Vou ficando por aqui, para nlo tomar demais seu espago. S6 gostaria de relembrar as critics alcidas de Al- berto Dines ao oposicionismo pato- 16gico da "Folha de Stio Paulo" a todo e qualquer governor. E dizer que, muitas vezes, ler seu (de resto, exce- lente) journal, me dl a sensa~go de que voct faz a mesma coisa. Atenciosamente, Marcus Pesson de Aratijo MINHARESPOSTA Para Marcus meu journal e excelen- te, exceto quando trata do PT e da adminisruagio Edmilson Rodrigues. Em relagdio a esses temas, eu estaria con- taminado de ma vontade, reduzindo o que escrevo apuro "opinionismo". Lamento que tal ponto de vistaseja o de um estudante de jornalismo. Mar- cus critical o que diz ser um editorial, quando, com mais rigor, deveria ser tratado como artigo de opinid'o. Acei- temos, porem, que seja um editorial. Na~o e esse o lugar certo para dar opi- nid~o? Opinidio, em um jornalista, nio e palpite de jogo do bicho, extraido do sonho. Fundamenta-se em fatos, resul- ta de uma anailise logica sobre razdes claras. O leitor tem todo o direito de ndo concordar com oquepenso. Mas ndio o de transformar um pensamento divergente do dele em pecado, suspeito simplesmente por existir. Se eu me limitasse a tratar do sexo dos anjos, ndio estaria, neste momen- to, respondendo a oito processes judi- ciais, um dos quais proposto por Ed- milson Rodrigues (sem sequer exercer o direito de resposta), por cometer de- lito de opinido. Todos os artigos con- siderados ofensivos trataram de rele- vantes temas de interesse coletivo. Em nenhum deles a intimidade, a privaci- dade, as caracteristicas subjetivas da personalidade, a correspondancia, as relagdes pessoals e familiares foram sequer tocados. Neles tratei de grila- gem de terras, comportamento precipi- tado da justiga, em desfavor dos inte- resses difusos da sociedade, attitudes ditatorials de governantes, promiscui- dade do poder publico comn a impren- sa, etc.. Estou sendo e tenho sido - punido por tratar de temas muito mais cabulosos do que o sexo dos anjos. Pago carol por abordar assuntos dos quais a grande imprensa foge como o diabo da cruz. O prego inclui ser in- justigadopor meus leitores. Alas, como diria um enforcado: tudo bem. Um dos objetivos mais insistentes que procure alcangar na atividade professional e a isengd'o de ainimo ao escrever: Ndio pretend agradar a to- dos e sei que a perfeigdio ndio passa de uma meta. Jai estaria imensamente fe- liz em ser reconhecido como um ho- nesto professional da informagdo, passivel de erros, menos o da parcia- lidade. Os diferentes grupos de inte- resse podem utilizar o que escrevo. Eventualmente favorego um lado con- tra o outro. Mas ndo h6 nenhum pro- posito deliberado nesse sentido. A vida e que L mesmo pendular. Foi assim que ajudei Jader Bar- balho a se eleger governador em 1982 (e a se livrar de Sahid Xerfan, tris anos depois, colocando Almir Gabri- el no lugar do dileto prefeito de bo- tas) e assim dei alguma contribuigio ai vitoria de Edmilson Rodrigues em 1996, colocando contra a parede o seu adversario, Ramiro Bentes, du- rante o debate eleitoral na TVRBA (com a presenga de jornalistas, hoje, quem diria, uma utopia saudosista). Fiz isso ndio porque quisesse prejudi- car ocandidato do entio prefeito He- lio Gueiros, mas porque minha tarefa ali era confrontai-lo com uma verdade que passara a incomodai-lo (uma li- gagdio com o execrado governador Ja- der Barbalho atraves de uma poldmi- ca desapropriagdio de uma empresa de Ramiro). Individualmente, ele estava mais preparado para ser prefeito. Alas seus compromissos politicos o pren- diam ao passado, do qual era uma expressdo remanescente. JaEdmilson era uma incdgnita, mas ndo tinha rabo preso ao passado. Por isso foi eleito. Ndio porque eu quisesse. Ou, como diria Gueiros, desquisesse. Concluida a eleigdio e empossado o novo governor, eu ndio tinha motive para cobrar-lhe algum credito pesso- al, nempara antipatizai-lo. Como sem- pre fiz, procurei ouvir o prefeito, estar present aos seus atos mais importan- tes, sentir suas intengdes, observer suas attitudes. As primeiras critics, Edmilson comegou a reagir com intole- ra~ncia, desde a falta de civilidade e educagdio (como ensaiar recusa a cum- primento numa participagdio comum no langamento de um livro de Emir Sader no auditorio do Centur) ate atos mais substantivos, como fechar as torneiras da informagdiopuiblica, mantendo qua- se como clandestine a circulagdio do Diarino Oficial do Municipio, e tornan- do "personas non gratas os critics. Este journal jamais desrespeitou o direito de resposta das pessoas que cri- tica, submetendo-se ate mesmo aiquele ditado popular, segundo o qual quem diz o que quer deve estar sujeito a ou- vir o que ndio quer. A tudo o que criti- quei, a prefeitura do PT podia respon- der, integralmente, sem pagar um cen- tavo por isso (como o leitor deve sa- ber; este jornalsempre recusou publi- cidade, por principio). Os cofres puiblicos foram usados para engordar os ja bem nutridos or- gdios da grande imprensa, que efetiva- mente boicotaram a administr~ago mu- nicipal quando seus desejos n~o foram atendidos. Edmilson Rodrigues foi o primeiro prefeito na face desta terra azulada a conceber verba publica (100 mil reais) para aumentar o lucro de um grupo de Comunicagdo (o Liberal) na venda ao publico de fitas de video descaradamentecomercials. Quitou com o mesmo grupo a divida formada com intengdo ruinosa e deixada como res- tos a pagar pelo antecessor, que seu primeiro secretarino de finangas (hoje desembargador) glosou, considerando- a exorbitante e interditando-a, ate ser defenestrado do cargo. Eja comegou a fazer nova quitagdo de uma divida de valor equivalent que fez em seu pri- meiro quatridnio, tdio despropositada quanto a de Gueiros. Basta ao leitor compulsar a cole- gio destejornalpara verificar que te- nho acompanhado ndo apenas a parte adjetiva (de incivilidade) do governor municipal, acessoria sem sersuperfua, mas tambem a substantive. Sopara re- frescar sua memoria, basta lembrar textos mais recentes sobre o transport coletivo e sua tarifa, o langamento do IPTU 2000 e oaffaire Ctbel-Detran. Em todas, se minha interpretaagdo estai sujeita (e sempre esta)l a questiona- mentos, minhas informagdes nio fo- ram desmentidas. Ninguem se apresen- tou para o diailogo, em aberto. Logo, ndo e "opinionismo ", mas jornalismo de investigagdio, interpretagdo e criti- ca ancorado em fatos, nd o pon to de agenda ou propaganda. Se eu praticasse esse jornalismo inconseqilente, tenho certeza de que Marcus ndio me leria, ndio incorpora- No alvo, o PT Prezado Lcio, Ngo estava querendo retrucar em re- lagio a sua recorrente mi-vontade para com Edmilson e o PT, mas seu editori- al da edigio 247 ("Onde a Esperanga?") foi a gota d'ggua. Como estudante de jomalismo, fico decepcionado comn essa oppgo preferencial pelo puro opinionis- mo d~esprovido de comprovagio fitica. E risivel voc& dizer que quem votou em Edmilson foram "eleitores que tapa- ram os olhos, a mente e o nariz". O apoio ao PT este ano foi muito maior e mais orgdnico do que hB quatro anos atrais, quando Edmilson ganhou meio que no susto e na base da novidade. Foi um apoio que derivou do trabalho real e con- creto que a Prefeitura fez nesses quatro anos, trabalho do qual voci nem fala, preferindo discutir o sexo dos anjos, so- bre se Edmilson devia ter sido ou ngo cortis com Almir na festa da Yamada. As obras de saneamento que a pre- feitura fez na periferia nesses quatro anos nlo ttm paralelo na hist6ria recent da cidade. Isso e substantive, a cortesia political com o adversirio 6 adjetiva. Com o trabalho do orgamento partici- pativo (onde ate a direita esti disputan- do agora, legitimando o process de fato), da bolsa escola, do banco do povo, coisas reais, que funcionam mes- mo, independentemente das critics dos adversarios, todo um novo contingent de pessoas passou a apoiar o PT. O partido saiu da sua adolescincia nessa experitncia administrative. Nio estou fazendo discurso triun- falista ou ufanista, ate porque tenho inumeras critics a gestio, mas s6 um cegonio v&que, numa comparaqio com as gestdes anteriores, a do PT foi mui- to melhor. Esse antagonismo acirrado entire PT e direita, que voce tanto critical, e mais do que natural. O projeto politico e ad- ministrativo de Almir e companhia 6 completamente antag~nico aodo FF.Voc6 mesmoja demonstrou oprofundo elitis- mo que permeia tudo que ogovernador faz. Mesmo assim, ainda poderia haver algum entendimento (e isso foi tentado), mas 6 6bvio que Almir age como um suserano que s6 aceita conversar com quem the presta vassalagem. O que ele quer e faturar politicamente comn tudo, mesmo o que nioeC de sua algada (obras conseguidas com empenho de toda aban- cada federal, obras do govemno federal, ate empreendimentos financiados pela iniciativa privada). O que ele nio pode faturar, ele boicota os exemplos de boicote ao trabalho da Prefeitura sto ind- meros e 6 ocioso relembrrd-los. E engragado vocC falar em "novo populismo" petista quando aqui sio apli- cados todos os principios do modo petista de govemar", tio elogiado nos quatro cantos do pais. Serique as deze- nas de pr~mios nbobastam para atestar JOURNAL PESSOAL la QU~INZENA DE DEZEMBRO/ 2000 7 ria o que digo ais suas proprias opini- des e nd'o classificaria este journal de excelente, exceto nos aspects diver- gentes dele. Reconhego, por exemplo, que bolsa-escola ou banco dopovo sdo inovagd'es na gestd~opuiblica. Mas sera que em Belem o recheio dessa forma teoricaetde boa qualidade? A forma njo se tornou umafd~rma? Primio in- ternacional buma via de reconhecimen- to, mas ndio e tudo, principalmente quando se multiplica seu nuimero ese distorce seu significado. Marcus devia relersua carta eme- ditar: as justas acusagdes que faz ao despotismo do governador Almir Ga- briel, aqui relatados e criticados d exaustd'o, n'o se aplicam como luva ao modo de governor doprefeito Edmil- son Rodrigues? Quemn se comporta como "um suserano, quesd aceita con- versar com quem the presta vassala- gem "? Ou que "quere faturar politi- camente com tudo, mesmo oque ndoe desua algada "? Marcusaqfirma que as obras desa- neamento da PMB na periferia "n'o tim paralelo na histaria recent da ci- dade ". Sua declaragdio sopode ser le- vada a strio se ele se refereac macro- drenagem das baixadas, uma obra es- sencialmente do governor do Estado, da qual oprefeito quis se apossar atraves de iniciativas espertas, mas ilegitimas (que deram certo pelo abulicismo da administragdo estadual). A participa- gd~o da prefeitura, embora efetiva, e re- sidual. Deve-se, sobretudo, aexigincia do agent financiador, o BID (Banco InteramenicanodeDesenvolvimento). 0 governofoi quemfez todo oprojetoee P quem vaipagar toda aconta do capital. Independentemente do quepenso sobre a obra (epenso criticamente sobre ela), e a maior intervengdio do setor publico em saneamento desde que os ingleses construiram os primeiros (e quase to- dos, ateagora) esgotos de Belem. Dizer que ignore os meritos da atual gestd'o municipal por mri vontade C uma injustiga, que soposso atribuir afalta de leitura (ou d mdi leitura) do que escrevo. Procure ser um critic equilibrado (embora incisive), ponde- rado epositivo. Basta Marcus irai co- legdio do JP para verificar quantas sugestdes e propostas ja apresentei, nenhuma delas merecedora da menor das atengdes da administragdo munici- pal, mesmo que fossepara considerai- las imprestaiveis. Quando critiquei olangamento precipitado dolIPTUpara antecipar a formagdo de caixa, um dos principals responsciveispela base informativa do tnibuto me telefonou eme convidoupara ver o cadastro multifinalitairio. Eu la ful. Conversamos civilizadamente, fiz meus questionamentos, ele prestou as informagdes evoltei ame manifestar repassando oque captei, confrontando as explicagd~es com minha critical, cor- rigindo oque estava imprecise rea- firmando oque ainda me parecia cor- reto. Por que ndio P assim em todos os casos? Por que, quando criticado em materia public, sem apresentar res- posta, sem mandar seus assessores da- rem-nas, reage o grdio-vizir petista com process na justiga, coisa que o majes- tatico doutor Almir ndo fez, nem, an- tes dele, emepocas muito mais turvas, Aloysio Chaves, Jarbas Passarinho ou A lacid Nunes, tambem contrariados frontalmente? Oprofessor sem drago- nasePmais coronel do que eles? Na question da Ctbel, recebi um dos- siO da empresa, passei uma manhd len- do oprocesso najustiga, ouvi oMinis- terio Publico efui afonte diversas antes de expor minha posigdo. Divulgada e reiterada, ninguem mais se mamfestou. Serd que estou certo? Nio sei, mas e assim que se estabelece o criterio da verdade. Naoecompropaganda. Naioe comprando jornalistas. Nado k se sub- metendo ddoutrina ouao catolicismo. Nem anatematizando os que ndo pen- sam como nos. Epor isso que continua- mosa defender democracia, sem adje- tivo acompanhante relativea, integral, socialista. Porque to melhor regime politico intrinsecamente eporque ndo apareceu concorrente melhor Para criticar; &preciso captar com fidelidade o que diz a outra parte, evitando-se delurpar sua posigdio e desnaturar suaspalavras. Eu ndodis- se, por exemplo, quetfodos os que vo- taram em Edmillson "taparam os olhos, a mente e o nariz". Eu estava me referindo apenas aos "votos que asseguraram a magra e suada vitoria do alcaide ". Ou seja: aos menos de 10 mil votos da diferenga entire ele e Duciomar Costa. Tambem ndo escrevi que essa foi a menor de todas as dife- rengas no 2n turno nas capitals brasi- leiras. Disse quefoi amenor diferen- ga entire osprefeitos reeleitos. Ospre- feitos de Recife e do Rio de Janeiro ndiose reelegeram. Dos que consegui- ram o segundo mandate, Edmilson foi o que teve amenor vantagem. Uma anailise realista dos fatos, travada inclusiveaotravis do confron- to com posigdes divergences ecaptan- do as critics (como as "inuimeras" que Marcus diz ter, sem expd-las de puiblico) e necessairia para o PTcor- rigir os evidentes erros cometidos no primeiro mandate de Edmilson e ndo distorcer osigmylicado da eleigio des- te ano em Belim. Com a maiquina mu- nicipal nas mdos e com um acervo de realizagdes que, se ndo esta ai altura das suas possibilidades edo desaflo que o memento historico the impds, tambem ndio Pinferior ao deadminis- tragdes antecessoras(4 um pouco me- lhor do que a mdia ou umpouco abai- xo das raras melhores, sem ser excep- cional para mais ou para menos), o PTsaiu-seplor numa reeleigio no 29 turno deste ano do que em l996, quan- do sua situag'o era muito mais desfa- vordivel. Como serd em 2002 e 2004 pelo andor da carruagem do nosso alcaia'e-mor? Eapergunta quefica, como uma proposta dereflexdiopara todos os que querem ver Belem melhorar, indepen- dentementedesabera quem deve-seatni- buir esse merito. Jai basta cada ano anterior ser melhor do que o seguinte, deixando saudades imprecisas. Eleig ho m elhor Ngo concordo com suas pro- postas para regulamenta~go das eleiqbes. Quanto aos debates em radio e tev2, por exemplo, nio vejo por que tornar obrigat6ria a parti- cipa~go dos candidates a cargos majoritarios, sob pena da impug- naqio das candidaturas. A praxe e que, no primeiro turno, nio comparegam aos de- bates os candidates com maiores chances de passar ao turno se- guinte. Desse modo, eles tentam evitar um possivel massacre pe- los demais. E compreensivel, embora isto nIo garanta a vit6- ria a ningubm. E s6 checar os fats aqui em Bel~m. Nas elei- 95es de 1996, Ramiro Bentes nlo compareceu aos debates no pri- meiro turno e, nem por isto, dei- xoudelevarbombanosegundo. Neste ano, Edmilson tambem nlo compareceu a um debate no pri- meiro turno; mesmo assim, saiu- se vencedor. A ausdncia dos candidates mais bem colocados nas pesqui- sas, nos debates do primeiro tur- no nio impede que eles sejam cri- ticados pelos demais, e ainda pro- porciona mais tempo e oportuni- dade para que os cand idatos me- nos cotados exponham suas criti- cas e propostas. No segundo turno, o proble- ma e que, pel a re gul amenta~g o atual, a ausincia de um dos con- tendores inviabiliza debate. Mas dai a impugnar a candidatura do fujio e pular uma passage! Isto atribuiria ao debate no radio e na tevt, uma importincia que ele nio tem, nem deve ter. A melhor pu- ni~go seria realizar o debate com o candidate que comparecesse. Se esta fosse a regra, s6 um idiota deixaria de comparecer... Concordo que os debates no radio e na tev& deveriam contar com a participa~go de represen- tantes credenciados da imprensa peri6dica local, indicados e sor- teados para esse fim. A nio parti- cipa~go de jornalistas locals tem concorrido para que os debates se tornem cada vez mais chatos, e menos esclarecedores. Com eles, os debates ganhariam em interes- se, mesmo que um s6 candidate comparecesse. Creio que os debates do se- gundo turno ficariam mais inte- ressantes se cada bloco, ao seu final, fosse comentado por um jornalista sorteado (cada jornalis- ta s6 comentaria um bloco). Can- didatos especialistas em lero- lero, desses que quanto mais fa- lam, menos dizem, poderiam se meter numa encrenca de bem ta- manho... Os candidates teriam di- reito a replica, para rebater al gum comentario do qual discord asse. Ao comentarista, por seu turno, caberia a treplica. N Ro acho que a realizaqio de debates deva se tornar obri gat6ria para as emissoras de radio e teve. Isto faria com que as campanhas political ficassem ainda mais de- pendentes desses meios de comu- nicaqio, em prejuizo do contato direto com os eleitores. De quebra, haveria um monte de debates em cada turno, torran- do os paises baixos de todos, can- didatos e eleitores. Na melhor das hip6teses, a obrigatoriedade con- duziria a formaqio de redes, e os debates se converteriam numa ver- slo eleitoral da nio menos chat Voz do Brasil. Final mente, consider absolu- tamente dispensavel a tutela do Ministerio Publico sobre os de- bates. O MP que cuide de bem realizar as tarefas que ji sio suas. O que, alias, nem sempre ocorre. Um abrago Elias Tavares MINHA RESPOSTA Estdo ai novas iddias para uma discussdo necessairia. Eu so gostaria de esclarecer que, ao impor a participagdio de candi- datos, eu sugeria que a austn- cia fosse punida com o pedido de impugnagdio da candidatura perante a justiga eleitoral, fei- to pelo Ministerio Puiblico, e ndio com a cassagdio pura e sim- ples. O candidate impugnado iria se defender, apresen tando suas justificativas. Acho que a corregio feita pelo leitor tem o inconvenient de permitir a um candidate fa- vorito evitar o debate, mesmo que o encontro se realize com os outros (ou outro) candidates. No segundo turno, faltar pode ser uma temeridade, embora com risco sujeito a algum grau de control. Mas no primeiro turno o perigo e incomparavelmente menor, ou nenhum, para quem estiver com folga na lideranga das pesquisas. A participagd'o do MP fede- ral nos debates pela radio e a televisdo garantiria um arbitra- mento independent e uma audi- tagem externa, impedindo que as emissoras de comunicagd'o mani- pulassem esses debates arbitra- riamente, ou os submetessem a regras tdo rigidas que os conti- nuem a transformar em progra- ma insipido, inodoro e in color, usado conforme o interesse da empresa. A auditoria popular do MP ndo se preocuparia apenas com debates, mas tambem com as terriveis pesquisas e toda espe- cie de falcatrua, que se benefi- cia da sazonalidade da estrutu- ra eleitoral puiblica para criar uma impunidade que tem desser- vido a democracia, mesmo man- tendo-a formalmente. Mas ndo quero fechar o tema, que permanece em aberto. Jornal Pessoal cm nondu Lucl FIo rt-ni F ons (09r) 2269 n ~la r a 246 r lv EdiCao de Arte: Luizanionieelarlapirdo.230-1304 tannbd6m see tiselemocsonad gulho'", publicado com a assi- natura de Romulo Jr., na capa da edigio de aniversario. "Existem lagos tio fortes que nem o tempo e o afastamento podem romper", observa o re- c~m-candidato a prefeito de Bel~m. Aparentemente, nio houve reaproximaqio, nem prepara- t6tia g carta, nem dela decor- rente. Muito pelo contrario. D iSCriCiO Enquanto o deputado Vic foi adjetivo nas suas congra- tulaqdes, o governador Almir Gabriel foi apenas protocolar na mensagem que mandou a O Liberal pela passage dos 54 anos de vida do journal. O registro nas paginas do matu- tino foi tio discrete quanto. Jatin ho Depois de t6-lo usado uma primeira vez para ir a Brasi- lia, o governador Almir Ga- briel voltou a servir-se do Ci- tation, o modern j ato da ORM Air, a verso do grupo Liberal para a aviaqio. Como na ocasiio anterior, o jatinho foi fretado pelo governor do Estado para permitir ao go- vernador ir num dia e voltar no outro sem as condicionan- tes dos vios comerciais re- gulares. Almir foi visitar seu amigo, o governante paulista Mario Covas. Enquanto o dispendioso Citation voava por conta do erdrio estadual, a president das Organizagies Romulo Maiorana, Dba, desembarca- va em Val-de-Cans de um pro- saico vao da Varig do Rio de Janeiro, com escala em Bra- silia. Uma semana antes seu filho, Romulo Ju~nior, vice-pre- sidente das ORM, fora com sua corte de amigos para uma festa em Sho Luis e, dias an- tes, para um jantar no Rio de Janeiro, usando o jatinho da empresa. JUStiga Ha vit6rias que mais se pare- cem a derrotas. Sgo as famosas vi- t6rias de Pirro. Mas hi aquelas que engrandecem, merecendo ser comemoradas, porque sho legiti- mas e justas. Veneer uma batalha judicial gragas a um voto como o que a desembargadora Heralda Rendeiro deu, na semana passada, acolhendo habeas corpus para trancamento de aqiopenal, em meu favor requerido pela advogada An- gela Salles, revigora a crenga de que a justiga ainda pode ser anteparo eficaz is arbitariedades e persegui- 95es, aoabuso de poder. Como relatora do process, nas cimaras criminals do Tribunal de Justiga do Estado, a desembarga- dora Heralda acolheu afundamen- taFgio do HC, de que falta just cau- sa ao empresario Cecilio do Rego Almeida para me processar por cri- me de imprensa, determinando o arquivamento de uma das duas queixas-crime ajuizadas por ele contra mim. Se todas as minhas in- formaqdes foram obtidas em fon- tes oficiais e se, em unissono raro, todos os 6tgios publicos, nas tras instaincias de poder, consideram ter havido grilagem de terras na apro- priaqio de uma enorme area no Xingu (com pretensio a algo entire 5 e 7 milh~es de hectares), nio posso ser acusado de injuria, calti- nia ou difama~go. Estou apenas exercendo um direito fundamental no regime democratico: aliberdade de imprensa, atrav~s da informa- gI~o e da critical. Nio cometi qual- quer crime, muito pelo contrario: prestei um relevant serving de in- teresse publico. Depois da s61ida e judiciosa manifesta~go da desembargadora Heralda Rendeiro, referendada por seus pares, a exce~go do desem- bargador Werther Coelho, voz dis- cordante nesse coro de lucidez, te- nho aconvicSio de que ser-iaames- ma a acolhida ao segundo HC, im- petrado por motives semelhantes, contra o mesmo autor da persegui- Fio, sob a relatoria da desembar- gadora Raimunda Gomes. Assim, minha energia sera renovada para enfrentar outras seis demands do mesmojaez. Anivers~rio liberal Romulo Maiorana J~inior, president em exercicio das Organizaqdes Romulo Maio- rana, assinou o editorial da edigio comemorativa dos 54 anos do mais antigo dos vei- culo de comunicaqio do gru- po e o de maior circula~go no norte do pais, nou~ltimo dia 15. Prometeu "fazer da verdade o element essencial" da linha editorial de O Liberal. E um bom compromisso para o pre- sente e o future. Mas nio e um acervo de que o journal dis- ponha. Nio tem sido essa a f6 do seu oficio. Se realmente estivesse comprometido com a verdade, O Liberal seria um journal plu- ralista, nio manteria um index de nomes, nem despejaria das suas paginas os temas consi- derados indesejiveis, que afe- tam seus interesses comerci- ais e irritam seus dirigentes, embora digam respeito a toda a coletividade. S6 assim o jor- nal seria mais atento aos com- promissos com a opiniko pu- blica, sem renunciar a fungio pedag6gica que lhe cabe. Mas tais observaqdes nio estio entire as preocupagdes dos responsiveis pela publi- caqio. No editorial que assi- nou, sem o apuro de estilo do ghost-writer de outros anos, mas com a inefivel fotogra- fla de sempre, o executive presidente interino assumido na primeira pigina, mas ain- da ausente do expediente do journal na pagina seguinte) ga- rante que O Liberal mant~m o "firme prop6sito de fazer sempre o melhor, atendendo as expectativas de nossos milhares de leitores e sem perder a humildade que s6 os verdadeiramente grandes e vencedores podem ter". Diz o ditado popular que elogio em boca pr6pria 6 vitu- p~rio. Nio importa: como nio e dado a essas superficialida- des, Romulo Junior canta o parab~ns, bate palmas, apaga a vela, reparte o bolo, leva a melhor parte e fica com o pre- sente. Nem Dorian Gray faria melhor. Trin sito Mais de tris anos depois do inicio das obras, o governor finalmente conseguiu concluir a construCho da sede do De- tran na avenida Augusto Mon- tenegro. O prego de largada era de 4,5 milhbes de reais. O de chegada, ao fim de uma cascata de aditamentos, foi de R$ 6,2 milhdes. Era necessC- rio chegar a esse investimen- to? Justifica-se imobilizar tal dinheiro no Detran quando a determinaqio superior 6 para a municipalizagio do trinsito? Municipalizaqio em ter- mos. O trinsito continue a ser um monstro bifronte. Al~m de as atribuiqdes serem reparti- das entire a Ctbel e o Detran, em parties irracionais, um 6r- gio costuma avangar na sea- ra do outro. A dispute se vale das imprecisas fronteiras e se alimenta da rivalidade entire as administraq~es municipal e estadual. Quem paga a conta o pato, isto 6, o cidadio. A se~go criada em O Li- beral para registrar as congra- tulaqdes ao jornal, pelo seu 54' aniversario, apresentou no dia 21 uma inovagio: a reprodu- gio, ipisis litteris, de uma car- ta enviada a Romulo Jdnior, president das Organizagies Romulo Maiorana, pelo depu- tado federal Vic Pires Franco, do PFL publicada, em tama- nho desproporcional em rela- 950 a todas as demais. A car- ta, al~m de reproduzida em fac- simile, foi levada ao Cart6rio K6s Miranda para o reconhe- cimento da firma do missivis- ta, como se Rominho nio acreditasse que aquela era verdadeiramente a assinatura de Vic, de amigo intimo trans- formado em inimigo figadal, e que ele estivesse escrevendo tudo aquilo. No trecho mais incisive de sua carta, Vic reconhece que "o espirito do pai [Romulo Maiorana] ficou como heran- ga para o filho, identificado na visio empreendedora de sem- pre fazer de 'O Liberal' um grande journal O parlamentar |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 30 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |