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~:~:-~: .": '- Jomna Pessoal LUIjCIO F LAVIO PIN TO ANO XIV NP 247 2a QUINZENA DE NOVEMBRO DE 2000 R$ 2,00 POLI77A Onde a esperanga? Venceu o menos rulim, d'a sensagd~o que fica da~ eleigd~o deste ano em Beli'm. A cidade, sem ulma boa opgd~o, dividiu-se ao meio. M~as essay "voz das urnas" nd~o e' ouvida pelo vencedor e o perdedor nd~o da' o brago a torcer. Sinal de que os antagonismos uado se aprofundar e d'e que grandes nd'o deem ser esperadas. declarou que a campanha para a reeleigio do prefeito Edmilson Rodrigues foi a Omais cara ja realizada em Bel~m. O prefeito Edmilson Rodrigues declarou que a campanha do seu opo- nente, Duciomar Costa, patrocinada pelo governador Almir Gabriel, foi a mais cara ja realizada em Belem. Como de habito entire politicos, ambos tim razio quando acusam. Mas nio quando se defendem. Se nio estivesse ocupando o poder municipal, o PT jamais teria suportado a milionaria campanha que fez neste ano para a prefeitura de Bele~m. A estrutura pr6pria do deputado Duciomar Costa, in- cluindo as fontes ocultas de financiamento da sua funda~go-biombo, nio guard a menor relagio com o custo da ofensiva que quase Ilhe permitiu veneer Edmilson Rodrigues. Ambos foram para oconfron- to dispostos a recorrer a todos os meios, ate: mesmo os subterrineos, para nio perder. Nesse clima, so nio valia o espi- rito olimpico. Era ganhar ou ganhar, o lema dos maus jogadores. Finalizada a mais acirrada eleigio da hist6ria da capital paraense, o vencedor nio se disp~s a reconhecer sua derrota moral e o perdedor nio admitiu sua der- rota real. Com o mesmo discurso de 1996, o prefeito reeleito classificou de hist6rica e monumental a sua vit6ria, in- sensivelaBdiferenga minima -del1,5% - sobre o adversario, sem paralelo no 2" turno de todas as capitals brasileiras. Proj etando artificialmente e superdimen- ) 2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE NOVEMBRO/ 2000 ) sionando al~m da conta o poder do con- tendor, o prefeito parece julgar-se um legitimo David contra Golias, o que tal- vez s6 se possa admitir se no bolso de tris desse David estilizado estivesse nio uma baladeira (ou estilingue), mas uma metralhadora Uzzi. Em 1996 Edmilson foi eleito pela pri- meira vez porque era uma alternative e uma novidade em rela~go aos velhos co- ron~is da political paraense. Agora, a des- peito de tudo, venceu porque a outra op- Fgo era pior. Os votos que asseguraram a magra e suada vitbria do alcaide foram dados por eleitores que taparam os olhos, a mente e o nariz. Uma forma diferente de administrar, mais limpa e honest, ain- da 6 buscada pelo povo. Mas Edmilson deixou de ser a expresso dessa ansie- dade. E o PT pode perder seu lugar nes- sa moldura se nio conseguir forgar seu prefeito a mudar de m~todos. Albm dos elements de uma guerra de manipula~go e golpes baixos, o que parece ter salvado o PT na und~cima hora foi a volta da militincia is ruas, o ele- mento que distingue o PT dos demais partidos nacionais. Aqueles militants que ficaram em casa ou foram anestesiados por cargos de conflanga na administra- gio municipal (um cala-boca vermelho), ou fungo remunerada (e negligenciada pela aparente profissionalizaqio da cam- panha) no boca-de-urna do l' turno, as- sustados pela imin~ncia do pior consegui- ram compensar o crescimento das oppies por Duciomar nas faixas mais pobres da popula~go e a prega~go anti-esquerdista entire as elites. Mas Bel~m foi (e ficou) partida ao meio na elei~go deste ano. So o prefeito e seus ac61itos nio conseguem ver o que esteve a mostra, sobretudo no segundo turno, e ainda remanesce por toda a ci- dade. Muitas eram as casas ostentando ao mesmo tempo as bandeiras vermelha e amarela. Families se dividiram por in- teiro. At6 carros circulavam bi-coloridos. Apesar dessa cisio, o povo deu um tes- temunho de civilidade e toleraincia que nio foi seguido e continue a ser ignorado - pelos lideres politicos. Tudo indica que, por esse prisma, o ParB caminha para um confront extre- mado, um antagonismo tio grande que nio haveri tr~gua entire esta e a pr6xi- ma elei~go, em 2002. Os comandantes das duas facqdes que se enfrentaram em outubro se tornaram inimigos mortals, para os quais inviabilizou-se de vez a via da conversa civilizada e do entendimen- to ticito que a fungio pxiblica deveria impor aos detentores de mandates dele- gados pelo voto popular. A dupla derrota feriu gravemente a estrategia do governador Almir Gabriel para os pr6ximos dois anos. Ele nio conseguiu tirar seu candidate, o depu- tado federal Zenaldo Coutinho, de uma posi~go meramente decorative no 16 turno. Isto significa que, depois de ter conseguido carregar o ex-deputado Luiz Otavio Campos ate o Senado, o gover- nador ja nio pode dizer que elege um poste. E na rela~go nominal de possi- veis candidates do PSDB a sucessio estadual nio ha muitas alternatives que nio sejam postes. Al~m disso, a maquina estadual ngo transfer votos, nem converted em votos obras administrativas. Os votos passam a custar exageradamente carol, como aconteceu em Belbm, mas nio na quan- tidade suficiente para permitir o surgi- mento de fenimenos. Duciomar Costa foi um quase-fenibmeno ou, como se poderia preferir, forgando no palavrio, um epifendmeno. A dermini8o (ou diagn6stico) cabe como luva ao caso, vendo-o pela 6tica m~dica ou filos6fica. Duciomar nio ame- agou a reeleigio do prefeito apenas por ter recebido maciga ajuda da maquina estadual, que 6 o que Edmilson tenta im- pingir para levantar sua teoria de p6 que- brado, de que a vit6ria foi estrondosa, apesar de pifia. A doenga social penetra em uma cidade quando s6 uma pequena parcela da sua populaFgio em idade de trabalhar consegue uma colocag8o regu- lar ou, atrav~s de qualquer meio, uma sobrevivincia minima, estritamente sufi- ciente para enfrentar o dia seguinte de inc6gnitas e assombraqdes. A mis~ria de Bel~m engendrou essa figure que atende pelo nome de Ducio- mar, mas ele nio passa de um epifeno- menismo, que nio gera consciincia so- bre o problema de que 6 origem, nem o resolve. O que nho chega a ser garantia de nada, ja que a ameaga de oppgo pela miragem persiste. Se n9o foi agora, pode ser logo depois. A ameaga persiste. Isto porque Belem como o Para - continua sem condutores coletivos vali- dos, sem projetos pertinentes, sem ca- pacidade de decifrar o enigma que res- ponde pelo crescimento do Estado como rabo de cavalo: para baixo. Indicadores quantitativos as vezes impressionantes resultam em indicadores socials ainda mais espantosos por seu conterido ne- gativo. Nesse chio escorregadio, extre- mamente perigoso, as liderangas pati- nam, seja na mio esquerda quanto na mio direita do caminho. S6 a corte estadual nio vi que o go- vernador subordina seu projeto para o Estado ao seu projeto de poder pessoal. Um, isoladamente, ja nio 6 grande coi- sa, mas existe. Submetido ao control do aparelho de Estado, por~m, torna-se uma caricature ou uma deformaqi~o das suas intengies. Sujeita a tantas interfer~nci- as deturpadoras, ainda assim a vontade popular insisted em nio se harmonizar com os prop6sitos do governador. E ele teima em acreditar que sua sagacidade political contornara o problema e rearru- mara as coisas. Mas o campo de manobra de Almir Gabriel encurtou comn a dupla derrota em Bel~m e o avango da horda jaderista no interior. Ele s6 se situara no tabuleiro de 2002 numa posi~go de impor respeito se permanecer no governor ate o fmnal do mandate. Tal decisio significara a rentin- cia, talvez definitive, ao sonhado manda- to de senador. Ele continuara teimando em fazer de um poste governador? Ain- da acredita que 6 possivel eleger Simio Jatene ou quetais do tucanato ao tucupi? Ou tera que se curvar a um Manoel Pio- neiro, comn um acompanhante conhecido alem dos muros da Grande Bel~m? Esse nio 6 um dilema para se ter nas medita- 95es de finais-de-semana. Mas o gover- nador, que ja escolheu como lideres par- lamentares Luiz Otavio e Mario Couto, deve ter-se acostumado a tal companhia. E quem levara a serio o amincio do prefeito rec~m-reeleito de que ficara na PMB atC o fim, nio se desincompatibili- zando do cargo para disputar o governor? Se Edmilson Rodrigues deixou de ser o maior lider politico da terra para Edmil- son Rodrigues, entio e possivel que ele aproveite sua posiCgio para fortalecer uma outra lideranga no PT paraense, ativida- de de elevada pedagogia political que n9o tem atraido o condutor do rebanho petis- ta, Luis Inicio Lula da Silva, o eterno candidate a president da Reptiblica. O populismo de novo (novo?) estilo do PT perdeu no interior para o velho populismo de Jader Barbalho. O sena- dor, que parece ter trabalhado nesta elei- gilo, na qual nio era candidate, mais do que na que disputou, dois anos atras (tal- vez por haver pressentido a ameaga real do fim da sua hegemonia political mo- vido por seu proverbial realismo: ou res- tabelece seu carisma nas brenhas inte- rioranas, com presenga ativa, ou ja pode comegar a pensar nio em ser senador, mas deputado federal. Jader esta apos- tando em voltar a ser governador, dei- xando sua imagem national descansat (e suas ja prejudicadas raizes locals se fortalecerem). Neste quadro de possibilidades, h6 lu- gar para a esperanga? C) JOURNAL PESSOAL*2" QUINZENA DENOVEMBRO/ 2000 3 governor do Estado quer ligar Be- lem a Barcarena atraves de uma Orodovia que tera quase tris ve- zes a extensio da linha direta entire as duas cidades, optando pela via rodovibria sem um exam mais acurado de outras alternatives, sobretudo a hidroviaria e a mista rodofluvial, sem satisfat6rios levan- tamentos de campo quanto a impacts ecol6gicos e humans e, por extensio, deixando sem plena sustenta~go tecnica o orgamento da obra, estabelecido em quase 200 milhdes de reais, al~m de defi- nir itens, como a mais extensa das pontes de concrete, de quase dois quilbmetros, sobre o rio Guama, passando por cima de varios questionamentos critics. A um observador independent se destaca a falta de pleno amadurecimento t~cnico do projeto, de que result a sen- sagio de agodamento do governor na exe- cugio da obra. Em funF~o dessa vonta- de imperiosa de fazer, a despeito dos ar- gumentos em contratio e ate: do bom sen- so, nio surpreende a reaCio irada do go- vernador Almir Gabriel B liminar do juiz substitute da 5" vara federal de Bel~m, que acolheu uma ag~o popular impetrada por Roberto dos Santos Pantoja, deter- minando a suspensio das obras da Alga Viaria e vedando a instala~go do canteiro de obras "at6 ulterior deliberag8o". "LA obra vai continuar", prometeu o governador, apoiando sua irresignaqio na circunstincia de nio haver sido comuni- cado oficialmente sobre o despacho judi- cial no memento em que a imprensa o noticiou, na semana passada. A a~go po- pular pode ser fragil ea sentenga equivo- cada, mas a ordem constitutional impde ao cidadio, mesmo que ele seja detentor de um important cargo pilblico, acatar a decisio da justiga e, nio se submetendo, dela recorrer para a mesma justiga, como manda o ordenamento legal do pais. Como acontece quase sempre, o go- verno procurou desmoralizar a reaqilo A Alga Viaria apontando para uma origem espliria da iniciativa. O autor da a8o popular, um mechnico estabelecido na avenida Bernardo Saydo, tem como cli- entes as balsas que fazem a travessia de Bel~m para o Arapari. Os dons do ne- g6cio serio prejudicados pela constru~go da ponte, estabelecendo a ligagio direta por terra, sem transbordo. Roberto Pan- toja estaria a servigo desses empresari- os. Mas ele poderia tambem estar a sol- do do senador Jader Barbalho, o maior adversario politico do governador, sem- pre disposto a atirar cascas de banana no caminho de Almir Gabriel. Por enquanto, sio hip6teses. Mesmo que sejam comprovadas, revelar a moti- vagio espuria nio e suficiente para anu- lar as razdes apresentadas pelo author po- pular ao juizo federal, convencendo-o a tomar uma decisio liminar, sem ouvir a outra parte. E sio efetivamente argumen- tos de peso. Ngo basta se indignar contra a suspensio das obras, nem e suficiente gritar contra quem se atreveu a alterar os designios de sua excelincia, o gover- nador. Agora que as questdes suscitadas pela a~go se tornaram publicas, cumpre ao governor prestar os esclarecimentos dos quais a sociedade esta carente. A comegar pela controversial nos autos. Lembro-me bem da primeira vez em que o entio governador Helio Gueiros, no inicio do seu mandate, ainda concetado aos compromissos com seu antecessor, Jader Barbalho, principal responsavel por sua eleigio, apresentou o primeiro esbo- go do Sistema Integrado do Leste do Par6, nome pomposo e mais amplo para a "alga viaria", uma curva, como o pr6prio nome sugere, entire os dois pontos visados. Nos bancos escolares aprendemos que a reta 6 a menor distincia entire dois pon- tos. Na reta, Bel~m e Barcarena distam entire si 40 a 45 quilimetros. Todo esse percurso pode ser feito por via fluvial, o modal de transport mais barato que exis- te. Por efeito de matematica frivola, maus hibitos de raciocinio e posturas publicas ainda piores, esta 6 a alternative que se adota apenas quando nilo existe outra, embora (ou justamente por isso) mais cara. Por isso, o transport adotado ate agora e:o misto: a maior parte do percur- so (ou de sua durag8o) e feito por agua e o complementary por terra. Ao inve~s de se trocar a 16gica de Ali- ce no pais das maravilhas pelo da econo- micidade, a solu~go salvadora foi conce- bida atraves da eliminaqio do modal flu- vial. Com a "alga vibria", todo o percurso serb coberto por rodovia. Dos seus 110 quil6metros, 70 quilimetros serio rasga- dos na mata, original ou secundaria, e sobre solo at6 entio protegido, com um impact malmente assinalado em ligeiros estudos ecol6gicos aprontados de afoga- dilho por pressio externa e executados por consultora contratada sem concorrin- cia puiblica e sem a demonstraqio de no- t6ria especializagio no assunto. Quase quatro quilimetros do tragado serio sobre pontes de concrete, metade do total em uma uinica ponte, a ser cons- truida sobre o rio Guama num trecho com dois quili~metros de largura quando, em outro ponto apontado como tamb~m (ou mais) viavel, a extensio seria reduzida em mais da metade do que se pretend reali- zar (16gica do pais das maravilhas visita- do p~or Alice?). A parte tais restriqdes, o tabuleiro das pontes ignora pretensio manifestada ha quatro anos pelos engenheiros do Para, de que pelo menos as fundagies e as pi- lastras sejam projetadas para suportar uma linha ferrea, permitindo que a trans- posigio do rio seja rodoferroviaria e nio apenas rodoviaria, com um olho no hoj e e outro no amanhi. Nenhuma resposta a essa demand foi dada ate agora. Assim, se em alguns as- pectos o projeto est8 exageradamente (e articialmente) adiantado (ou apressado), em outros ele represent um atraso, assu- mindo sem maior indaga~go o modelo ro- doviario que imaginivamos haver sido su- perado na Amaz~nia. O que pensar de uma estrada que antes mesmo de ter seu tra- Fado definitive, a avaliaqio dos seus im- pactos e os recursos alocados, ja impulsi- onava o governor a desapropriar os im6- veis localizados no seu suposto eixo? Ou da solugio de um problema, a necessida- de de remanejamento do porto de carga geral de Bel~m, instalando-o em Barcare- na, que nem sequer foi satisfatoriamente formulado e debatido com a sociedade? Ou imaginar um Sistema Integrado do Leste do Para sem um plano de desenvol- vimento mais amplo que lhe db articula~go e efeito multiplicador, formulado por um governor que persegue o planej amento nio como uma meta, mas um advers~rrio? Ou o idealizador oculto do projeto indo ao Ja- pio atras de financiamento antes de ga- rantir verbas no orgamento estadual? E muita coisa pendente, a sugerir que essa algaeC um lago no future e um sal- to no imponderivel. Melhor ter a cau- tela liminar do juiz federal, perguntan- do para agir ao inves de s6 indagar de- pois do fato consumado, como parece ser a intengio do governor. * Alca rodoviaria: um lao na razao~ 4JORNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE NOVEMBRO/ 2000 O Ibope esta cada vez mais in- convincente, nas pesquisas eleitorais que tem feito e nas explicaqdes que apresenta depois. Se no l' turno hou- ve a suspeita de induFho em favor de Duciomar Costa, em rela~go ao 2" turno a desconfianga foi de que o institute haja corrigido seu rumo em favor de Edmilson Rodrigues, ou por- que essa era a tend~ncia real, capta- da nas pesquisas realizadas apenas para orientar os comit~s de campa- nha, ou por qualquer outro motive ainda pendente de comprova~go. E dificil acreditar que depois do debate na TV Liberal, na anteve~s- pera da elei~go, o resultado da pes- quisa de uma semana antes, regis- trando empate entire os dois candi- datos em 48%, tenha mudado para uma vit6ria do prefeito, de 51% a 44% na votagio geral (ou 54% a 46% computados apenas os votos vali- dos). E pouco provavel que um de- bate tio igualmente mediocre entire contendores nivelados por baixo te- nha tido o poder de tal transforma- pio na preferincia do eleitorado. Ej igualmente incompreensivel que me- nos de 24 horas ap6s a conclusio das entrevistas pelo Ibope, a manifesta- Fgo do eleitor ja fosse outra, regis- trando outro empate, em 50%, apu- rado na pesquisa de boca-de-urna. Se a divulgagio da pesquisa a poucas horas do inicio da vota~go influiu sobre o Bnimo do eleitor, o 16- gico seria que a diferenga aumentas- se, mesmo que parte do eleitorado preferisse simplesmente nio ir votar, elevando o indice de absten~go. Ora, se quem desistiu de votar era eleitor de Duciomar, na pior das hip6teses seria mantida a diferenga em favor do candidate do PT. Mas ela poderia at6 crescer. A vit6ria na votagio real, que eqilivaleria a empate tecnico para a pesquisa (Ja que a diferenga foi de apenas 1,5%, enquanto a mar- gem de erro da pesquisa final che- gou a 4%, em fungio da redugio a metade do numero de entrevistas), foi completamente discrepante em rela~go a ultima apura~go do Ibope, que, por sua vez, nio guardou qual- quer afinidade com a sondagem de boca de urna do institute. Se o Ibope e s~rio, o eleitor da capital paraense 6 um moleque. Ou vice-versa. O prefeito reeleito acha que a classes media nio paga IPTU porque nio quer. Para permanecer no ora, veja, costuma engendrar campanhas contra o imposto, tomando o lugar dos pobres no protest. Tem certa razio o nosso alcaide. O IPTU 6 um imposto legitimo e relativa- mente barato, apesar da tentative de in- chamento deste ano. Quando ele deixa de servir aos seus prop6sitos, notamos logo -o que, convenhamos, nio tem sido dificil de constatar entire n6s ha um bo- cado de tempo. Mas a melhor maneira de cobrar a aplica~go do dinheiro 6 pa- gando o imposto. O IPTU, um imposto nobre, foi des- moralizado. Tanto pelos ricos e remedi- ados, recalcitrantes em cumprir sua obri- ga~go, como o grupo Liberal e a familiar Maiorana (todos sendo executados na justiga pela PMB), mas tamb~m pelas sempre recorrentes anistias anuais da- das pela prefeitura, um primio aos inadimplentes e um estimulo ao calote (alem de favorecer acertos atris dos panos oficiais). Mas o prefeito extrapolou na conta quando disse ao Diario do Parai que "qualquer cidadio de classes media em qualquer final de semana, comprando tras garrafas de uisque, gasta R$ 300,00", mais do que os R$ 200,00, que, segundo ele, constituem o teto do IPTU para a maio- ria da populagio da cidade. Se tal m~imero fosse verdade, a classes media ja teria feito sua revolug~io no Brasil sob o impbrio de FHC l e II (ou, em Be- lem, sob Edmilson, o furioso). Uma gar- rafa de um dos melhores uisques estran- geiros, o Ballantines selo preto, que o car- torbrio Reginaldo Cunha degusta com prazer, custa menos de R$ 80,00 nos bons supermercados de Bel~m (selado, 6 cla- ro). Mesmo sendo um dos mais compe- tentes atletas do refinado Clube do Uis- que, R~eginaldo nio da conta de tris gar- rafas nos finals de semana. Logo, a classes media de Edmilson ]Rodrigues nio 6 a mesma da realidade. E olha que o Reginaldo nio e um cidadio qualquer de classes media, que este, como eu, est8 muito abaixo da altura em que la nos pie, dando-nos vertigens consumis- tas, para dessa maneira construir seu dis- curso, o chefe da comuna belenense. De qualquer maneira, quero minha par- te na cota edmilsiana em cesta basica, que os tempos nio estio para o escoc~s. a n 3~~~ I -i Um dos mist~rios sogobrantes da elei- 950 de abril foi a decisio do grupo Libe- ral de publicar a ultima pesquisa eleitoral do Ibope antes da vota~go do segundo interno. Dirigentes da campanha de Du- ciomar Costa e seus padrinhos no gover- no do Estado tentaram impedir a divulga- 950. Ngo o conseguindo, procuraram mi- nimiza-la. Ao saberem que a pesquisa seria incluida no noticiario noturno da TV Liberal e sairia na primeira pagina de O Liberal, comn desenho e tudo, apelaram para a pesquisa da Oppgo na primeira pigina de A Provincia do Parai. Mlas era um tiro de 38 contra um missile. No day after da elei~go, Duciomar, o grande beneficiado pelas suspeitas de ma- nipula~go nas pesquisas do Ibope, ate a penuiltima sondagem, esbravejando con- tra o institute e deixando implicitas algu- mas agulhadas no at6 entio parceiro. Ed- milson Rodrigues, que tonitroara ao seu estilo, ficou calado. O que teria havido para essa complete inversio de papeis (e outras coisas mais)? Segundo uma verso extra-oficial, um telefonema no final da tarde de sabado, v~spera da eleiglio, reverteu a tendin- cia de nio publicar a pesquisa derradei- ra do Ibope antes da vota~go (no cursor da vota~go, viria a surpreendente pes- quisa de boca-de-urna, nio encomenda- da e discrepante com o diagn6stico da vespera). Num telefonema interurbano, o interlocutor de Romulo Maiorana Jui- nior, o principal executive do grupo Li- beral, lembrou-lhe que nio s6 a TV Glo- bo, no Jornal Nacional, e o journal O Globo, mas tambem o journal O Estado de S. Paulo divulgariam a pesquisa, ja entio franqueada na Internet. Ficaria muito mal para as Organizaqdes Romu- lo Maiorana passer batido na hist6ria, da qual eram co-patrocinadoras. Uma fonte diz que o telefonema foi dado pelo dirigente do Ibope, Carlos Au- gusto Montenegro, defendendo o presti- gio da instituigio (mas alimentando boa- tos e especulaqbes que fervilhavam em Bel~m sobre a oferta de resultados por terceiros muito bem credenciados). Ou- tra diz que veio mais de cima. Preferindo nio arriscar um nome, a fonte garante que e de uma das poucas pessoas que pode tocar fundo no ponto mais sensivel do grupo Liberal: o bolso. Em parceria. JORNALPESSOAL *2 QUINZENA DE OVEMBRO/ 2000 5 Silva Neto, responsavel legal pelo jor- nal, pediu demissio do cargo, inconfor- mado com a attitude do seu superior. Gengis Freire havia chegado ao maximo de envolvimento com ocandidato da co- ligagio liderada pelo PSD, mas tendo por tris o governador Almir Gabriel. Quan- do o grupo Liberal resistiu as presses e decidiu publicar a pesquisa do Ibope, que surpreendentemente deu uma grande vantagem para Edmilson na vespera da eleigio, a manchete preparada por Gen- gis passou a ser uma arma da contra- propaganda de Duciomar. A escalada em favor do ex-quase-fu- turo medico foi antecedida pelo rompi- mento de A Provincia com a prefeitura de Bele~m, uma das etapas do ziguezague do journal entire poderes seguindo a trilha das verbas publicitarias oficiais. De acor- do comn o movimento do caixa, o journal de Gengis foi almirista radical, extremado a favor de Edmilson Rodrigues ou um quinta coluna de Duciomar (sem falar no idilio interrompido e aparentemente reatado -com a Unimed-Bel~m). Essas mudangas, entretanto, nio se- guem um process evolutivo: tim sido stibitas e radicals. Tambem nio apre- sentam uma causa editorial discernivel: uma administraFio louvada sem medi- das num dia 6 criticada sem discerni- mento no outro, algo que parecia pr6- prio do jornalismo marrom mas parece ter grassado como praga pela grande imprensa local. N~o ha a menor preo- cupagio com a coerincia, nem o mais elementary respeito a memoria do leitor (e, menos ainda, aos compromissos com os funcionarios da empresa). Gengis Freire transformou um journal secular num mero balcio de neg~cios. Tem comercializado espago, informa~go e opinides. O PT era maravilhoso quan- do prometia descarregar 800 mil reais em impresses eleitorais na Cejup, a edi- tora e grafica de Gengis. E ordindrio quando nio cumpriu a promessa, que teria sido feita ao editor pelo vice-pre- feito eleito Valdir Ganzer. Mesmo em seus mementos mais cri- ticos no passado, A Provincia do Para sempre cultivou seu titulo como seu maior patrimi~nio. Provavelmente se excedeu em tais cuidados, perdendo as oportunidades que a hist6ria lhe per- mitiu de firmar sua posiCio no merca- do e consolidar um projeto profissio- nal concebido originalmente por Fre- derico Barata, no final da decada de 40, consolidado por ClBudio Augusto de Sa Leal nos anos 60 e, sempre ten- do a m~o forte de Milton Trindade nos bastidores, retocado em seguida por Roberto Jares Martins. A Provincia de Gengis entristece a n6s todos, que ali comegamos, ali dei- xamos muito do nosso suor e ali depo- sitavamos as esperangas em uma im- prensa mais isenta, embora participan- te. A busca da impossivel neutralidade esfriou, a principio, e congelou, depois, o lugar que cabia ao journal quando Fre- derico Barata quis dar-lhe um profissi- onalismo que o lider dos jornais, a Fo- lha do Norte, nio queria ou ngo con- seguia alcangar. E quando a Folha dos Maranhio consumiu-se nas cinzas de germinaqio de O Liberal, essa assep- sia desligou-a dos dramas correntes do povo paraense. Havia brilho em edito- riais e matbrias, mas das paginas re- cendia um cheiro de eter, que cabe em sala de cirurgia, necessariamente este- ril, mas e mortal numa redaFio, obriga- toriamente contaminada pelas contra- digaes tematicas. Durante uma parte do period em que A Provincia funcionou tambem como uma escola de jornalismo, na metade da decada de 60, Gengis Freire compare- ceu a reda~go comn uma coluna sobre letras e artes, composta de press-relea- ses, orelhas de livros, transcrigaes de textos e uma ou outra pitada eventual de criatividade pr6pria. Eramos todos, entio, candidates a literates. Ngo supunhamos que ele tam- bem viesse a ser candidate a empresa- rio e donor do journal. Se alcangou essa condi~go por seus meritos, desperdigou a oportunidade de ligar seu nome a uma fase de rejuvenescimento de um dos mais antigos jornais do pais. Ao con- trdrio: por ele esta passando como A~ti- la sobre Roma, ou um romano sobre Cartago. Sem o menor vestigio de uma causa nobre. AA Provincia que ajudamos a cons- truir merecia destiny melhor. *) A edigd~o de A Provincia do Pard do dia da eleigd~o do 2 tumzo para prefeito teve tr S manchetes. A pri'metra, preparada na madrugada do dia 28, sd'bado ("Paz nas eleigo~es"), foi mudada para "Belim pede paz" no final da tarde. Parte da edi~go dominical circulou dessa maneira. Mas uma rodada Padicional, que deveria ter chega- do a marca extraordinaria de 25 mil exemplares, circulou com uma manche- te escrita pessoalmente pelo donor do journal, Gengis Freire, depois das 22 ho- ras (quando a edi~go normal ja estava em circula~go). Essa manchete de encomenda anunciava que "Duciomar vence elei- 950", tomando por base uma pesquisa que a Oppgo teria realizado depois da sondagem do Ibope, divulgada sabado a noite pela TV Liberal (e, em segui- da, no journal O Liberal), dando uma vantagem de 8% para o candidate do PT, considerando apenas os votos va- lidos. O "Belem pede paz", de man- chete que era, passou a ser uma le- genda de foto e uma chamada para materia publicada internamente. Apenas um joyem diagramador e os graficos que participaram da impressio nio se surpreenderam quando a edi~go quase clandestine irrompeu nas ruas, dis- tribuida por bocas-de-urna de Duciomar, que foram g oficina de A Provincia bus- car os exemplares do journal. Integran- tes da campanha do advers~rio do pre- feito Edmilson Rodrigues acertaram com Gengis que uma tiragem de 25 mil exem- plares seria rodada, mas naquele mo- mento s6 havia uma bobina inteira e menos da metade de outra na oficina. Com esse papel, a tiragem nho podia ir alem de cinco mil exemplares. Todos os demais funcionarios da em- presa s6 tiveram conhecimento da es- tranha manchete no dia seguinte. Dias depois, o secretario de redaCio, Alberto A Provincia: uma quitanda? 6 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE NOVEMBRO/ 2000 eleiqaes munici- pais, resta-nos tirar do pleito al- gumas liqbes, entire as quais a que diz respeito a tio propalada divi- slo da popula~go de Belim em torno dos dois candidates -nio exatamente em torno das duas propostas de governor. A despeito da opiniio do jor- nalista sobre as obras de cunho puramente eleitoreiro, o pr6prio admitiu haver obras de "maior fi~- lego", decididas etocadas em cima da hora, creio que as melhorias socials obtidas pelo governor mu- nicipal, retiradas as impresses de superficialidade e de possiveis manipulaFies que lhe emprestam os quen~io conseguem inovar (con- tra a Bolsa Escola, em particu- lar), de fato trouxeram novas perspectives a quem durante toda a vida nio vislumbrava qualquer possibilidade de alcangar um ni- vel de vida digno, de cidadania compativel com as garantias de acesso a mesma dadas a todos os brasileiros pela C. F. [ Constitui- gd'o Federal]. Quem nio se lembra, por exemplo, daquela imagem depri- mente das criangas catando obje- tos no lixio do Aura, ao inves de estarem na es cola, estudando para no future ser um medico, um ar- quiteto, umjornalista, um profes- sor? Gragas a Bolsa Escola essa imagem que agredia nossos olhos e mentes, nio 6 mais a mesma. Ainda existem criangas fora das escolas. Ainda ha criangas em Bel~m que entram nos inibus para vender balas; nas periferias com certeza hamuitas criangas que nio tim acesso a educaqio. E esse e um dos desaflos da nova gestio de Edmilson: colocar o maior m~imero de criangas quanto seja possivel dentro de uma sala de aula. E naquilo que for compe- tincia da Administraqio Munici- pal, igualmente nio medir esfor- Fos para diminuir o deficit da sau- de, no saneamento, enfim, aten- der as necessidades da populaCio carente dessa cidade pobre, nos- sa querida Bel~m. Em relag ioaafirmaCio de que metade da populagio de Bel~m re- provou a administration do PT, o argument usado poraqueles que apoiaram Duciomar Costa, sendo derrotados apesar das fabulas de dukhero o ad 3iI~que 49,25% re- jeitaram Edmilson Rodrigues. Hoje mesmo, O1.11.2000, a A Provincia do Parac, para manter a coerincia, em sua Primeira Colu- na, afirma que tal rejeiFio de deve ao lixo acumulado pelas roas de Belem, a um IPTU confiscador e a uma passage de inibus que e mais cara do pais. Quer dizer, a mentira continue sendo a base sobre a qual os derrotados ten- tam explicar avit6ria de Edmil- son Rodrigues. O prego da pas- sagem de inibus em Belem e das mais baratas em todo o Brasil, inclusive, e menor do que o co- brado em Santarem. Os que optaram por Ducio- mar Costa nio o fizeram porque reprovaram a administra~go de Edmilson, ou porque acharam as propostas de Duciomar as melho- res. Conhego muitos, a comegar no meu ambiente de trabalho, que apesar de reconhecerem que Ed- milson fez um bom governor (dis- seram isso varias vezes), voltari- am em Duciomar porque ou nio gostam do Edmilson ou nio gos- tam do PT. Quer dizer, o voto dessa metade nada tinha aver com a ma administra~go da capital (o que nho ocorreu, conforme os tes- temunhos descritos), e sim com questies meramente pessoais. E os que pensam ter surgido uma nova lideranga political em Belem, Duciomar Costa, ainda tomando como argument essa metade de eleitores, cometem um equivoco primario, pois langam mio de analises superficiais, que nioatin- gem exatamente aseguinte com- preensio: esses eleitores nio vo- taram por apoiar e reconhecer Duciomar como uma alternative viavel e s61ida de um novo lider para Bel~m. Descontado o mimne- ro daqueles habilmente manipu- lados pela impressio assistencia- lista que Duciomar imprimiu, os incautos, os outros eleitores de Duciomar votaram contra Edmil- son e o PT, traduzindo sua moti- vaFio no voto, segundo dizem, contra a baderna, a violincia, 0 radicalismo etodas as caracteris- ticas do estigma imposto contra o partido pelos que nio aceitam que os trabalhadores sejam os dons do seu pr6prio destiny. Clovis Luz da Silva Adeus -. ~1~1L Comn os seus Xumucuis, na abertura (meramente formal, ja que o pais vivia sob uma fechadura) da terrivel decada de 70, Valdir Sarubbi de Medeiros deu partida para uma nova geraqio de pintores artistss plasticos seria uma hip~rbole?) no Para, mantendo o nivel da safra anterior, que nos legara Paolo Ricci, Benedito Mello, Eduardo Falesi, Roberto La Roque e varios putros. Valdir escapou aos limits da tela e trouxe das suas origens a motiva~go e o impulse para gerar uma obra nova, audaciosa, criativa e, ao mesmo tempo, ligada a heranga dos antecessores. De vanguard e de tradi~go. Tinha uma mente f~rtil e febril, mas era um camarada pacifico, atencioso, amavel, um zen imerso nas aguas do rio Caet6. Foi para Sgo Paulo tris d~cadas atris e li morreu, nesta semana, sem ter perdido suas raizes e sem ter sido sufocado por elas, cosmopolita como um caboclo do salga- do, mais breve do que queriamos, mais intense do que supu- nha a rapaziada da banda. Um grande artist. Uma figure humana maravilhosa. Vai- se com o nosso agradecimento mais intimo e a nossa tris- teza mais profunda. Pfomogeio ... ?im... O grupo I: Yamada langou novamente neste ano sua pro- mogd~o de vendas atravis da raspadinha, como da vez ante- rior logo depois de igual iniciativa do governor do Estad'o visando aumentar a receita de impostos (e a evasio fiscal, obviamente). Apesar da coinciddncia, assegura fonte ligada ai empresa que sua promogd~o em nada afetardi a atividade do fisco, jd que as notas fiscais dos clients da Yamada, trocadas por cupons que lhes dd'o direito ao bilhete da ras- padinha (e a concorrer a primios), tambem poderd'o ser le- vadas ao posto de troca da Secretaria da Fazenda, jai que essas notas tim que ser devolvidas pelos atendentes da I: Yamada. Se isso nd~o estiver ocorrendo, os eventuais preju- dicados devem comunicar o fato a quem de direito para a corregd~o do erro, que seria, entdio, involuntbrio. O client deve exigir a devolugdio da sua nota de compra, mesmo ha- vendo trocado essa nota pelo cupom. Nos trbs meses e meio em que vai durar a promogd~o, a expectativa de faturamento do grupo Y. Yamada & de 100 milha~es de reais. E receita capaz de colocar a empresa no topo dos grandes contribuintes do Estado, se tudo estiver ocorrendo conforme se diz. Dilema w Fiquei muitos minutes diante do video depois do final do de- bate entire Edmilson Rodrigues e Duciomar Costa na TV Libe- ral sem poder reagir ao que havia visto: um dos mais melanc6- licos mementos da dispute pelo poder politico no Para que ja testemunhei. Um confront de mediocridades que s6 podia ser resolvido pelo espectador recorrendo ao criterio da exclusio, em favor do menos ruim. N~o titubeio em afirmar que Edmilson era o menos ruim. Mas, a esta altura da vida, era a finica escolha que me restava fazer? Meus botdes nio aceitaram a conting~ncia. Mas tam- b~m nio tinham alternative alguma a oferecer. Um quadro da pobreza de Belem em seu nivel mental. Bel~m, entretanto, merece opCpo melhor, nas duas pontas desse dilema, como dizia um jornalista famoso por suas fra- ses a Wadih Helou, e ja falecido. I JOURNAL PESSOAL *2=QUINZENA DE OVEMBRO/ 2000 7 ~~M~I~P~I~ Lama ou algo ainda mais f~tido - respingou sobre os institutes de pes- quisa e, entire nos, especificamente sobre Ibope, nas uiltimas eleiqdes mu- nicipais. Eles nio conseguirio se lim- par por si pr6prios. E hora de umna in- tervengilo publica. De minha parte, defend que as pes- quisas de opiniio s6 devem ser divulga- das at6 uma semana ou 10 dias antes da eleigio. Pesquisas eleitorais nio poderio ser divulgadas se houver um s6 client registrado. Precisaria haver pelo menos dois. O Tribunal Regional Eleitoral defi- nir8 um period, anterior a fase da cam- panha, para que os interessados em en- comendar pesquisas se credenciem. Se apenas um se apresentar, a divulgagio de previas sera proibida. Os contratantes de pesquisa e os ins- titutos que nio depositassem os documen- tos exigidos pela legisla~go eleitoral, no prazo legal, seriam punidos com a sus- pensio automatica das suas atividades Pesquisas ate que a exig~ncia fosse cumprida, alem da multa ja prevista, independentemente da defmni~go sobre o merito da questio, quando suscitada em juizo por prejudica- dos ou simples interessados. O MP federal criaria uma ouvidoria especial permanent para receber e pro- cessar as demands da opiniho pilblica em materia eleitoral e fiscalizar a a~go de partidos e candidates fora do tribunal e alem dos autos judiciais, aproveitando- se do poder de iniciativa que a constitui- Cgo lhe delegou. Um contratante de pesquisa nio podera divulgar apenas parcialmente os resultados apurados. Se nio o fi- zer por inteiro, estara sujeito a ficar suspense ate cumprir a determinaqio. Qualquer cidadio podera acionar o TRE para exigir a divulgagio complete da pesquisa. Ja o tribunal criara con- digies para facilitar o acesso de qual- quer pessoa ao original das pesquisas, incluindo sua base metodol6gica, re- servando um local especial para tais consultas. Todas as emissoras de radio e tele- visio envolvidas da propaganda eleito- ral gratuita teriam que organizer deba- tes entire os candidates a cargos majo- ritarios, isoladamente ou em rede. A definiCio das regras do debate seria feita perante um mediador do Ministe- rio Pilblico federal, que tambem seria responsavel pela moderaqio durante a apresenta~go do program. Um dos blocos teria que incluir neces- sariamente representantes credenciados da imprensa peri6dica local, indicados e sorteados para fazer parte do debate. Ele s6 nio seria realizado se o MP conside- rasse impossivel estabelecer um entendi- mento entire as parties, mas os candidates que simplesmente se recusassem a de- bater seriam punidos com a impugnaqio de suas candidaturas perante o TRE. Sera que a elei~go nio melhoraria com essas normas? A primeira edigio p6s-eleitoral do Jornal Popular veio de novo com uma pagina inteira de matbria provavelmente paga, com um pequeno texto laudat6rio e uma enorme foto do prefeito Edmilson Rodrigues, saudando a "vit6ria do povo". A manchete da capa foi "Edmilson derrota Almir e seu grupo", ilustrada com uma foto do candidate vitorioso (e seu vice, Valdir Ganzer) ao lado de Lula. Dentro, materi- as favoraveis ao PT e desfavoraveis aos seus advers~rios politicos. S6 nio posso afirmar que a pigina de culto a personali- dade do nosso Josef paraoara e paga porque a Comus, a assessoria de comunicaqio social da prefeitura, nio res- pondeu aos dois e-mails que lhe enviei pedindo esclareci- mentos. Ao que parece, propaganda passou a ser a mat~ria exclusive de uma assessoria concebida para tratar in forma- F5es comn a imprensa. Como o leitor deve lembrar, o journal (?) de Silas Assis rompeu com a prefeitura do PT antes da elei~go, cobrando 80 mil reais em faturas de publicidade supostamente venci- das e nio pagas. O reatamento da rela~go, entremeada pe- los tradicionais improp~rios dirigidos pelo donor do jornal (?) aos que nio se submetem aos seus caprichos, sugere que a pendencia foi solucionada atrav~s do assim chamado vil metal. O meu, o seu, o nosso dinheirinho, convertido em imposto e queimado em propaganda. Da para acreditar que a administration Edmilson Rodri- gues vai corrigir seus erros e ser diferente nesta reedi~go, deixando, em mat~ria de rela~go com a imprensa, de culti- var o jornalismo marrom? Outra Depois do desembargador Benedito Alvarenga, mais um . membro da magistratura paraense acionou o grupo Liberal cobrando indenizaqio por danos morals em fungo do noti- cidrio dos veiculos de comunicaCgo da empresa. O juiz Jos6 Maria Teixeira do Rosario, titular da vara distrital do Mos- queiro e na carreira ha 12 anos, quer 10 milhdes de reais (R$ 5 milhaes da TV Liberal e R$ 5 milhdes do journal O Liberal) como reparaqio por se considerar vitima de ma- t~rias tendenciosas e falsas divulgadas pelos dois 6rgios. O juiz viu no noticiario da emissora de televisio e do jor- nal sobre os atos que praticou, ao apreciar o litigio entire inte- grantes do MST e os proprietirios de uma fazenda da Taba na ilha, invadida pelos sem-terra, o objetivo de macula-lo, "a qualquer prego", na "busca vil e inescrupulosa do sensacio- nalismo desenfreado" e na "cupidez desmedida". O juiz lem- bra na a~go que a concessio de liminar para a reintegraqio de posse (seguida, com a nova invasio, por um mandado de manutenCio da posse) da fazenda pelos seus dons, com a retirada das pessoas que a haviam ocupado, fora deferida pela titular anterior da vara, C61ia Pinheiro. Ele apenas rati- ficara a decisio, determinando o cumprimento das normas legals pertinentes. Mas entire elas n9o se incluia "ordem para prender todo mundo que estiver dentro da fazenda, inclusive mulheres e criangas", como o grupo Liberal lhe atribuiu. Rosairio aponta varios outros erros reiterados do noticiario, que visariam criar-lhe uma "situaCio de constrangimento, hu- milha~go e aborrecimento", comprometendo sua imagem e conceito professional e abalando sua intimidade. A agio foi protocolada em maio na 18" vara civel, aguardando despacho. Imutivel NaZiCa O poeta e burocrata Affonso Romano de Sant'Anna viu o seu primeiro Cirio hB uns 14 anos. Voltou a Bel~m neste Cirio 2000 para se extasiar com a festa religiosa e profana, al~m de participar de um forum sobre leitura "no belo cam- pus da Unama". De volta ao Rio de Janeiro, escreveu para O Globo uma crinica, na qual registra a relaCio dos para- enses com sua padroeira, Nossa Senhora de Nazar6: "E a intimidade que os paraenses tim com sua santa 6 tanta, que a chamam domesticamente de Nazica, como se fosse uma comadre. No ParB, at6 os ateus se agarram g Nazica na hora do aperto". Continue afiada a verde ficcional do escritor. Disso, nio ha duvida. Jomnal Pessoal Editor: Lrjcio FI~vio Pinto* Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 *e-mail: jornal@amazon.com.br Ediqdo de Arte: Luizantoniodefariapintol230-1304 nais concorrentes (o Dicirio do Parai com 19% e A Pro- vincia do Parai com 11%) ja representam mais de um quar- to da tiragem conj unta dos dois jornais da familiar Maiorana. Amnda 6 pouco para uma plu- ralidade verdadeira, mas ja nio tio pouco. A custa de uma furiosa campanha promocional, a tira- gem de O Liberal experimen- tou ligeira recuperaqio nos tris tiltimos meses at6 setem- bro deste ano, mas nio voltou aos niveis de anos anteriores: pennanece abaixo de 40 mil exemplares medios, depois de ter batido (ou ao menos a em- presa alega isso) numn pico de 100 mil exemplares, aos do- mingos. A grande faganha 6 de Amazdnia, que conseguiu alcangar a marca de 10 mil exemplares diaries, em m~dia, praticamente empatado com o Diario do Parai. Mas essa 6 uma tipica vit6ria de Pirro, se nio para a empresa, certamen- te para o puiblico. MOda Os psic61ogos costumam as- sociar a esquizofrenia a "per- da de contato vital com a rea- lidade". O esquizofranico tor- na-se refratario a realidade. Pode estar diante dela sem vB- la. Podemos falar-lhe por ho- ras sobre a realidade e ele saira do nosso discurso sem se dei- xar tocar por ele. S6 vi o que quer. Principalmente a si. Seu umbigo eo mundo. O mundo que se lixe. Cabe ou nio a classifi- cag~o a political municipal belenense? Reto rno Desta vez, o pretexto para o imediato reatamento p6s-elei- toral entire a prefeitura de Be- lem e o grupo Liberal nio sio fitas comerciais de video, mas o carnaval fora de epoca da empresa, atrav~s do Para Fo- lia. Jornal, radio e televisio dos Maiorana voltaram a dar ge- nerosos espagos a administra- gio municipal, tendo como eixo a polimica Aldeia Cabana, onde se realizard a micareta, depois dos ensaios de resistin- cia dos promotores. Fala-se at6 que tras das faturas, alcangan- do R$ 900 mil, de uma divida de publicidade cobrada pelo grupo Liberal da PMB, no va- lor de 1,2 milhio de reais, teri- am sido pagas nesta semana. Eleigio e como carnaval: depois que passa, tudo vira cinza. Realidade Dos prefeitos de capitals bra- sileiras que se reelegeram, Edmilson Rodrigues foi o que teve o menor indice de vo- tos. Isso 6 realidade. Logo, nio conta. Trico Atrav~s das piginas de Istog, o senador Jader Barbalho, a maneira do seu inimigo mor- tal, deu o troco a Antinio Car- los Magalhies. A mais recen- te edi~go da revista trouxe uma mat~ria extensa dedica- da unicamente is alegadas tra- palhadas do president do Se- nado, que nio quer o desafeto como successor. O melhor da mat~ria foi o s6cio minoritario da OAS (que n9o significa Obras Arranjadas pelo Sogro), suposto laranja de ACM, ne- gando o que a revista pergun- ta se 6 verdade. Outro trago interessante e supor quem conseguiu tio fi- dalgal acolhimento da revista aos interesses de Jader. Seria o ex-governador paulista Orestes Quercia, lui-mi~me? Placar da imprensa semanal de informagdes: 2 (Veja e Epo- ca) a 1 (Istoe) para o baiano. D ijvida A anunciada desapropriaqio, pela prefeitura de Belem, da Area portusria da Sanave para a ampliaFio do Ver-o-Rio se- ria, de fato, uma puniCio a re- calcitrincia da empresa em ceder o espago contiguo? Ou nio exatamente isso? Ou mui- to pelo contratio? Lembrete Alguem precisa avisar a clas- se political que ainda nio foi realizado o baile da Ilha Fis- cal. Insensiveis ao fato, os politicos podem dangar antes do tempo. Esta edi~go ji estava fechada quando a Comus, a assessoria de comunicaCio social da pre- feitura, informou por e-mail que a pagina com a foto de Ed- milson no Jorna/ Popular nio era materia paga da prefeitu- ra. Vai ver, Silas Assis esta querendo receber a medalha Francisco Caldeira Castelo Branco do pr6ximo ano. Imprerisa 1 Uma empresajornalistica nho s6 pode como deve ter uma posiCgio political. Mas tem que expressa-la no lugar cabivel: a pagina editorial. E ali que cabemn as posiq~es de comba- te, os juizos de valor, o julga- mento. Se nio gosta de deter- minada administration ou poli- tico, o journal (para ficar no veiculo impresso) tem que tra- ti-lo com a informaqio. A cri- tica jornalistica s6, tem legiti- midade se praticada com fa- tos, neles centrada. Se deriva para falsificaqdes ou delibera- das manipulaqdes, presta um desservigo g opiniho publica. Nesse caso se enquadra a grande imprensa paraense. Com pouco ou nenhum edito- rial explicitando sua oppgo po- litica, os jornais tentaram in- duzir a vontade do leitor prati- cando um jornalismo de em- buste, a partir da premissa de que o povo nio percebera o ardil ou, constatando-o, nio reagira. Felizmente nio foi exatamente assim. Ja houve reaqio desta vez. Quem sabe, terio sido plantadas as semen- tes da indignaqio contra o comportamento eleitoral dis- fargado da grande imprensa. imprensa Al guns anos atras, nem 5% dos leitores de jomais liam mais de um peri~dico. Hoje, sho 32%, segundo pode-se dedu- zir de uma pesquisa do Ibope encomendada pelo grupo Li- beral e publicada com espa- lhafato nas paginas de O Li- beral. O journal, e claro, pre- feriu destacar que 102% dos leitores 16em o primeiro matu- tino e seu joyem derivado, 0 vaporoso Amazdnia (um caso de desperdicio de titulo). Mas nio destaca, naturalmente, que o indice de leitura de O Libe- ral, que ja chegou a 98%, ago- ra e de 82%, ainda uma situa- Fgo de risco para a democra- cia e a sanidade social, mas ja nio tio escabrosa. Os dois jor- |
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