Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00197

Full Text



























































~:~:-~: .": '-


Jomna Pessoal
LUIjCIO F LAVIO PIN TO
ANO XIV NP 247 2a QUINZENA DE NOVEMBRO DE 2000 R$ 2,00

POLI77A



Onde a esperanga?
Venceu o menos rulim, d'a sensagd~o que fica da~ eleigd~o deste ano em Beli'm.
A cidade, sem ulma boa opgd~o, dividiu-se ao meio. M~as essay "voz das urnas" nd~o e'
ouvida pelo vencedor e o perdedor nd~o da' o brago a torcer. Sinal de que os
antagonismos uado se aprofundar e d'e que grandes nd'o deem ser esperadas.


declarou que a campanha
para a reeleigio do prefeito
Edmilson Rodrigues foi a
Omais cara ja realizada em
Bel~m. O prefeito Edmilson Rodrigues
declarou que a campanha do seu opo-
nente, Duciomar Costa, patrocinada
pelo governador Almir Gabriel, foi a
mais cara ja realizada em Belem.
Como de habito entire politicos, ambos
tim razio quando acusam. Mas nio
quando se defendem.


Se nio estivesse ocupando o poder
municipal, o PT jamais teria suportado a
milionaria campanha que fez neste ano
para a prefeitura de Bele~m. A estrutura
pr6pria do deputado Duciomar Costa, in-
cluindo as fontes ocultas de financiamento
da sua funda~go-biombo, nio guard a
menor relagio com o custo da ofensiva
que quase Ilhe permitiu veneer Edmilson
Rodrigues. Ambos foram para oconfron-
to dispostos a recorrer a todos os meios,
ate: mesmo os subterrineos, para nio
perder. Nesse clima, so nio valia o espi-


rito olimpico. Era ganhar ou ganhar, o lema
dos maus jogadores.
Finalizada a mais acirrada eleigio da
hist6ria da capital paraense, o vencedor
nio se disp~s a reconhecer sua derrota
moral e o perdedor nio admitiu sua der-
rota real. Com o mesmo discurso de
1996, o prefeito reeleito classificou de
hist6rica e monumental a sua vit6ria, in-
sensivelaBdiferenga minima -del1,5%
- sobre o adversario, sem paralelo no 2"
turno de todas as capitals brasileiras.
Proj etando artificialmente e superdimen- )







2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE NOVEMBRO/ 2000


) sionando al~m da conta o poder do con-
tendor, o prefeito parece julgar-se um
legitimo David contra Golias, o que tal-
vez s6 se possa admitir se no bolso de
tris desse David estilizado estivesse nio
uma baladeira (ou estilingue), mas uma
metralhadora Uzzi.
Em 1996 Edmilson foi eleito pela pri-
meira vez porque era uma alternative e
uma novidade em rela~go aos velhos co-
ron~is da political paraense. Agora, a des-
peito de tudo, venceu porque a outra op-
Fgo era pior. Os votos que asseguraram
a magra e suada vitbria do alcaide foram
dados por eleitores que taparam os olhos,
a mente e o nariz. Uma forma diferente
de administrar, mais limpa e honest, ain-
da 6 buscada pelo povo. Mas Edmilson
deixou de ser a expresso dessa ansie-
dade. E o PT pode perder seu lugar nes-
sa moldura se nio conseguir forgar seu
prefeito a mudar de m~todos.
Albm dos elements de uma guerra
de manipula~go e golpes baixos, o que
parece ter salvado o PT na und~cima hora
foi a volta da militincia is ruas, o ele-
mento que distingue o PT dos demais
partidos nacionais. Aqueles militants que
ficaram em casa ou foram anestesiados
por cargos de conflanga na administra-
gio municipal (um cala-boca vermelho),
ou fungo remunerada (e negligenciada
pela aparente profissionalizaqio da cam-
panha) no boca-de-urna do l' turno, as-
sustados pela imin~ncia do pior consegui-
ram compensar o crescimento das oppies
por Duciomar nas faixas mais pobres da
popula~go e a prega~go anti-esquerdista
entire as elites.
Mas Bel~m foi (e ficou) partida ao
meio na elei~go deste ano. So o prefeito
e seus ac61itos nio conseguem ver o que
esteve a mostra, sobretudo no segundo
turno, e ainda remanesce por toda a ci-
dade. Muitas eram as casas ostentando
ao mesmo tempo as bandeiras vermelha
e amarela. Families se dividiram por in-
teiro. At6 carros circulavam bi-coloridos.
Apesar dessa cisio, o povo deu um tes-
temunho de civilidade e toleraincia que nio
foi seguido e continue a ser ignorado -
pelos lideres politicos.
Tudo indica que, por esse prisma, o
ParB caminha para um confront extre-
mado, um antagonismo tio grande que
nio haveri tr~gua entire esta e a pr6xi-
ma elei~go, em 2002. Os comandantes
das duas facqdes que se enfrentaram em
outubro se tornaram inimigos mortals,
para os quais inviabilizou-se de vez a via
da conversa civilizada e do entendimen-
to ticito que a fungio pxiblica deveria
impor aos detentores de mandates dele-
gados pelo voto popular.


A dupla derrota feriu gravemente a
estrategia do governador Almir Gabriel
para os pr6ximos dois anos. Ele nio
conseguiu tirar seu candidate, o depu-
tado federal Zenaldo Coutinho, de uma
posi~go meramente decorative no 16
turno. Isto significa que, depois de ter
conseguido carregar o ex-deputado Luiz
Otavio Campos ate o Senado, o gover-
nador ja nio pode dizer que elege um
poste. E na rela~go nominal de possi-
veis candidates do PSDB a sucessio
estadual nio ha muitas alternatives que
nio sejam postes.
Al~m disso, a maquina estadual ngo
transfer votos, nem converted em votos
obras administrativas. Os votos passam
a custar exageradamente carol, como
aconteceu em Belbm, mas nio na quan-
tidade suficiente para permitir o surgi-
mento de fenimenos. Duciomar Costa
foi um quase-fenibmeno ou, como se
poderia preferir, forgando no palavrio,
um epifendmeno.
A dermini8o (ou diagn6stico) cabe
como luva ao caso, vendo-o pela 6tica
m~dica ou filos6fica. Duciomar nio ame-
agou a reeleigio do prefeito apenas por
ter recebido maciga ajuda da maquina
estadual, que 6 o que Edmilson tenta im-
pingir para levantar sua teoria de p6 que-
brado, de que a vit6ria foi estrondosa,
apesar de pifia. A doenga social penetra
em uma cidade quando s6 uma pequena
parcela da sua populaFgio em idade de
trabalhar consegue uma colocag8o regu-
lar ou, atrav~s de qualquer meio, uma
sobrevivincia minima, estritamente sufi-
ciente para enfrentar o dia seguinte de
inc6gnitas e assombraqdes.
A mis~ria de Bel~m engendrou essa
figure que atende pelo nome de Ducio-
mar, mas ele nio passa de um epifeno-
menismo, que nio gera consciincia so-
bre o problema de que 6 origem, nem o
resolve. O que nho chega a ser garantia
de nada, ja que a ameaga de oppgo pela
miragem persiste. Se n9o foi agora, pode
ser logo depois. A ameaga persiste.
Isto porque Belem como o Para -
continua sem condutores coletivos vali-
dos, sem projetos pertinentes, sem ca-
pacidade de decifrar o enigma que res-
ponde pelo crescimento do Estado como
rabo de cavalo: para baixo. Indicadores
quantitativos as vezes impressionantes
resultam em indicadores socials ainda
mais espantosos por seu conterido ne-
gativo. Nesse chio escorregadio, extre-
mamente perigoso, as liderangas pati-
nam, seja na mio esquerda quanto na
mio direita do caminho.
S6 a corte estadual nio vi que o go-
vernador subordina seu projeto para o


Estado ao seu projeto de poder pessoal.
Um, isoladamente, ja nio 6 grande coi-
sa, mas existe. Submetido ao control do
aparelho de Estado, por~m, torna-se uma
caricature ou uma deformaqi~o das suas
intengies. Sujeita a tantas interfer~nci-
as deturpadoras, ainda assim a vontade
popular insisted em nio se harmonizar
com os prop6sitos do governador. E ele
teima em acreditar que sua sagacidade
political contornara o problema e rearru-
mara as coisas.
Mas o campo de manobra de Almir
Gabriel encurtou comn a dupla derrota em
Bel~m e o avango da horda jaderista no
interior. Ele s6 se situara no tabuleiro de
2002 numa posi~go de impor respeito se
permanecer no governor ate o fmnal do
mandate. Tal decisio significara a rentin-
cia, talvez definitive, ao sonhado manda-
to de senador. Ele continuara teimando
em fazer de um poste governador? Ain-
da acredita que 6 possivel eleger Simio
Jatene ou quetais do tucanato ao tucupi?
Ou tera que se curvar a um Manoel Pio-
neiro, comn um acompanhante conhecido
alem dos muros da Grande Bel~m? Esse
nio 6 um dilema para se ter nas medita-
95es de finais-de-semana. Mas o gover-
nador, que ja escolheu como lideres par-
lamentares Luiz Otavio e Mario Couto,
deve ter-se acostumado a tal companhia.
E quem levara a serio o amincio do
prefeito rec~m-reeleito de que ficara na
PMB atC o fim, nio se desincompatibili-
zando do cargo para disputar o governor?
Se Edmilson Rodrigues deixou de ser o
maior lider politico da terra para Edmil-
son Rodrigues, entio e possivel que ele
aproveite sua posiCgio para fortalecer uma
outra lideranga no PT paraense, ativida-
de de elevada pedagogia political que n9o
tem atraido o condutor do rebanho petis-
ta, Luis Inicio Lula da Silva, o eterno
candidate a president da Reptiblica.
O populismo de novo (novo?) estilo
do PT perdeu no interior para o velho
populismo de Jader Barbalho. O sena-
dor, que parece ter trabalhado nesta elei-
gilo, na qual nio era candidate, mais do
que na que disputou, dois anos atras (tal-
vez por haver pressentido a ameaga real
do fim da sua hegemonia political mo-
vido por seu proverbial realismo: ou res-
tabelece seu carisma nas brenhas inte-
rioranas, com presenga ativa, ou ja pode
comegar a pensar nio em ser senador,
mas deputado federal. Jader esta apos-
tando em voltar a ser governador, dei-
xando sua imagem national descansat
(e suas ja prejudicadas raizes locals se
fortalecerem).
Neste quadro de possibilidades, h6 lu-
gar para a esperanga? C)







JOURNAL PESSOAL*2" QUINZENA DENOVEMBRO/ 2000 3


governor do Estado quer ligar Be-
lem a Barcarena atraves de uma
Orodovia que tera quase tris ve-
zes a extensio da linha direta entire as
duas cidades, optando pela via rodovibria
sem um exam mais acurado de outras
alternatives, sobretudo a hidroviaria e a
mista rodofluvial, sem satisfat6rios levan-
tamentos de campo quanto a impacts
ecol6gicos e humans e, por extensio,
deixando sem plena sustenta~go tecnica
o orgamento da obra, estabelecido em
quase 200 milhdes de reais, al~m de defi-
nir itens, como a mais extensa das pontes
de concrete, de quase dois quilbmetros,
sobre o rio Guama, passando por cima de
varios questionamentos critics.
A um observador independent se
destaca a falta de pleno amadurecimento
t~cnico do projeto, de que result a sen-
sagio de agodamento do governor na exe-
cugio da obra. Em funF~o dessa vonta-
de imperiosa de fazer, a despeito dos ar-
gumentos em contratio e ate: do bom sen-
so, nio surpreende a reaCio irada do go-
vernador Almir Gabriel B liminar do juiz
substitute da 5" vara federal de Bel~m,
que acolheu uma ag~o popular impetrada
por Roberto dos Santos Pantoja, deter-
minando a suspensio das obras da Alga
Viaria e vedando a instala~go do canteiro
de obras "at6 ulterior deliberag8o".
"LA obra vai continuar", prometeu o
governador, apoiando sua irresignaqio na
circunstincia de nio haver sido comuni-
cado oficialmente sobre o despacho judi-
cial no memento em que a imprensa o
noticiou, na semana passada. A a~go po-
pular pode ser fragil ea sentenga equivo-
cada, mas a ordem constitutional impde
ao cidadio, mesmo que ele seja detentor
de um important cargo pilblico, acatar a
decisio da justiga e, nio se submetendo,
dela recorrer para a mesma justiga, como
manda o ordenamento legal do pais.
Como acontece quase sempre, o go-
verno procurou desmoralizar a reaqilo A
Alga Viaria apontando para uma origem
espliria da iniciativa. O autor da a8o
popular, um mechnico estabelecido na
avenida Bernardo Saydo, tem como cli-
entes as balsas que fazem a travessia de
Bel~m para o Arapari. Os dons do ne-
g6cio serio prejudicados pela constru~go
da ponte, estabelecendo a ligagio direta
por terra, sem transbordo. Roberto Pan-
toja estaria a servigo desses empresari-


os. Mas ele poderia tambem estar a sol-
do do senador Jader Barbalho, o maior
adversario politico do governador, sem-
pre disposto a atirar cascas de banana no
caminho de Almir Gabriel.
Por enquanto, sio hip6teses. Mesmo
que sejam comprovadas, revelar a moti-
vagio espuria nio e suficiente para anu-
lar as razdes apresentadas pelo author po-
pular ao juizo federal, convencendo-o a
tomar uma decisio liminar, sem ouvir a
outra parte. E sio efetivamente argumen-
tos de peso. Ngo basta se indignar contra
a suspensio das obras, nem e suficiente
gritar contra quem se atreveu a alterar
os designios de sua excelincia, o gover-
nador. Agora que as questdes suscitadas
pela a~go se tornaram publicas, cumpre
ao governor prestar os esclarecimentos
dos quais a sociedade esta carente. A
comegar pela controversial nos autos.
Lembro-me bem da primeira vez em
que o entio governador Helio Gueiros, no
inicio do seu mandate, ainda concetado
aos compromissos com seu antecessor,
Jader Barbalho, principal responsavel por
sua eleigio, apresentou o primeiro esbo-
go do Sistema Integrado do Leste do Par6,
nome pomposo e mais amplo para a "alga
viaria", uma curva, como o pr6prio nome
sugere, entire os dois pontos visados.
Nos bancos escolares aprendemos que
a reta 6 a menor distincia entire dois pon-
tos. Na reta, Bel~m e Barcarena distam
entire si 40 a 45 quilimetros. Todo esse
percurso pode ser feito por via fluvial, o
modal de transport mais barato que exis-
te. Por efeito de matematica frivola, maus
hibitos de raciocinio e posturas publicas
ainda piores, esta 6 a alternative que se
adota apenas quando nilo existe outra,
embora (ou justamente por isso) mais
cara. Por isso, o transport adotado ate
agora e:o misto: a maior parte do percur-
so (ou de sua durag8o) e feito por agua e
o complementary por terra.
Ao inve~s de se trocar a 16gica de Ali-
ce no pais das maravilhas pelo da econo-
micidade, a solu~go salvadora foi conce-
bida atraves da eliminaqio do modal flu-
vial. Com a "alga vibria", todo o percurso
serb coberto por rodovia. Dos seus 110
quil6metros, 70 quilimetros serio rasga-
dos na mata, original ou secundaria, e
sobre solo at6 entio protegido, com um
impact malmente assinalado em ligeiros
estudos ecol6gicos aprontados de afoga-


dilho por pressio externa e executados
por consultora contratada sem concorrin-
cia puiblica e sem a demonstraqio de no-
t6ria especializagio no assunto.
Quase quatro quilimetros do tragado
serio sobre pontes de concrete, metade
do total em uma uinica ponte, a ser cons-
truida sobre o rio Guama num trecho com
dois quili~metros de largura quando, em
outro ponto apontado como tamb~m (ou
mais) viavel, a extensio seria reduzida em
mais da metade do que se pretend reali-
zar (16gica do pais das maravilhas visita-
do p~or Alice?).
A parte tais restriqdes, o tabuleiro das
pontes ignora pretensio manifestada ha
quatro anos pelos engenheiros do Para,
de que pelo menos as fundagies e as pi-
lastras sejam projetadas para suportar
uma linha ferrea, permitindo que a trans-
posigio do rio seja rodoferroviaria e nio
apenas rodoviaria, com um olho no hoj e e
outro no amanhi.
Nenhuma resposta a essa demand foi
dada ate agora. Assim, se em alguns as-
pectos o projeto est8 exageradamente (e
articialmente) adiantado (ou apressado),
em outros ele represent um atraso, assu-
mindo sem maior indaga~go o modelo ro-
doviario que imaginivamos haver sido su-
perado na Amaz~nia. O que pensar de uma
estrada que antes mesmo de ter seu tra-
Fado definitive, a avaliaqio dos seus im-
pactos e os recursos alocados, ja impulsi-
onava o governor a desapropriar os im6-
veis localizados no seu suposto eixo? Ou
da solugio de um problema, a necessida-
de de remanejamento do porto de carga
geral de Bel~m, instalando-o em Barcare-
na, que nem sequer foi satisfatoriamente
formulado e debatido com a sociedade?
Ou imaginar um Sistema Integrado do
Leste do Para sem um plano de desenvol-
vimento mais amplo que lhe db articula~go
e efeito multiplicador, formulado por um
governor que persegue o planej amento nio
como uma meta, mas um advers~rrio? Ou
o idealizador oculto do projeto indo ao Ja-
pio atras de financiamento antes de ga-
rantir verbas no orgamento estadual?
E muita coisa pendente, a sugerir que
essa algaeC um lago no future e um sal-
to no imponderivel. Melhor ter a cau-
tela liminar do juiz federal, perguntan-
do para agir ao inves de s6 indagar de-
pois do fato consumado, como parece
ser a intengio do governor. *


Alca rodoviaria:


um lao na razao~






4JORNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE NOVEMBRO/ 2000


O Ibope esta cada vez mais in-
convincente, nas pesquisas eleitorais
que tem feito e nas explicaqdes que
apresenta depois. Se no l' turno hou-
ve a suspeita de induFho em favor
de Duciomar Costa, em rela~go ao
2" turno a desconfianga foi de que o
institute haja corrigido seu rumo em
favor de Edmilson Rodrigues, ou por-
que essa era a tend~ncia real, capta-
da nas pesquisas realizadas apenas
para orientar os comit~s de campa-
nha, ou por qualquer outro motive
ainda pendente de comprova~go.
E dificil acreditar que depois do
debate na TV Liberal, na anteve~s-
pera da elei~go, o resultado da pes-
quisa de uma semana antes, regis-
trando empate entire os dois candi-
datos em 48%, tenha mudado para
uma vit6ria do prefeito, de 51% a
44% na votagio geral (ou 54% a 46%
computados apenas os votos vali-
dos). E pouco provavel que um de-
bate tio igualmente mediocre entire
contendores nivelados por baixo te-
nha tido o poder de tal transforma-
pio na preferincia do eleitorado. Ej
igualmente incompreensivel que me-
nos de 24 horas ap6s a conclusio das
entrevistas pelo Ibope, a manifesta-
Fgo do eleitor ja fosse outra, regis-
trando outro empate, em 50%, apu-
rado na pesquisa de boca-de-urna.
Se a divulgagio da pesquisa a
poucas horas do inicio da vota~go
influiu sobre o Bnimo do eleitor, o 16-
gico seria que a diferenga aumentas-
se, mesmo que parte do eleitorado
preferisse simplesmente nio ir votar,
elevando o indice de absten~go. Ora,
se quem desistiu de votar era eleitor
de Duciomar, na pior das hip6teses
seria mantida a diferenga em favor
do candidate do PT. Mas ela poderia
at6 crescer. A vit6ria na votagio real,
que eqilivaleria a empate tecnico
para a pesquisa (Ja que a diferenga
foi de apenas 1,5%, enquanto a mar-
gem de erro da pesquisa final che-
gou a 4%, em fungio da redugio a
metade do numero de entrevistas),
foi completamente discrepante em
rela~go a ultima apura~go do Ibope,
que, por sua vez, nio guardou qual-
quer afinidade com a sondagem de
boca de urna do institute.
Se o Ibope e s~rio, o eleitor da
capital paraense 6 um moleque. Ou
vice-versa.


O prefeito reeleito acha que a classes
media nio paga IPTU porque nio quer.
Para permanecer no ora, veja, costuma
engendrar campanhas contra o imposto,
tomando o lugar dos pobres no protest.
Tem certa razio o nosso alcaide. O
IPTU 6 um imposto legitimo e relativa-
mente barato, apesar da tentative de in-
chamento deste ano. Quando ele deixa
de servir aos seus prop6sitos, notamos
logo -o que, convenhamos, nio tem sido
dificil de constatar entire n6s ha um bo-
cado de tempo. Mas a melhor maneira
de cobrar a aplica~go do dinheiro 6 pa-
gando o imposto.
O IPTU, um imposto nobre, foi des-
moralizado. Tanto pelos ricos e remedi-
ados, recalcitrantes em cumprir sua obri-
ga~go, como o grupo Liberal e a familiar
Maiorana (todos sendo executados na
justiga pela PMB), mas tamb~m pelas
sempre recorrentes anistias anuais da-
das pela prefeitura, um primio aos
inadimplentes e um estimulo ao calote
(alem de favorecer acertos atris dos
panos oficiais).
Mas o prefeito extrapolou na conta
quando disse ao Diario do Parai que
"qualquer cidadio de classes media em


qualquer final de semana, comprando tras
garrafas de uisque, gasta R$ 300,00", mais
do que os R$ 200,00, que, segundo ele,
constituem o teto do IPTU para a maio-
ria da populagio da cidade.
Se tal m~imero fosse verdade, a classes
media ja teria feito sua revolug~io no Brasil
sob o impbrio de FHC l e II (ou, em Be-
lem, sob Edmilson, o furioso). Uma gar-
rafa de um dos melhores uisques estran-
geiros, o Ballantines selo preto, que o car-
torbrio Reginaldo Cunha degusta com
prazer, custa menos de R$ 80,00 nos bons
supermercados de Bel~m (selado, 6 cla-
ro). Mesmo sendo um dos mais compe-
tentes atletas do refinado Clube do Uis-
que, R~eginaldo nio da conta de tris gar-
rafas nos finals de semana.
Logo, a classes media de Edmilson
]Rodrigues nio 6 a mesma da realidade.
E olha que o Reginaldo nio e um cidadio
qualquer de classes media, que este, como
eu, est8 muito abaixo da altura em que la
nos pie, dando-nos vertigens consumis-
tas, para dessa maneira construir seu dis-
curso, o chefe da comuna belenense.
De qualquer maneira, quero minha par-
te na cota edmilsiana em cesta basica, que
os tempos nio estio para o escoc~s.


a n
3~~~ I -i


Um dos mist~rios sogobrantes da elei-
950 de abril foi a decisio do grupo Libe-
ral de publicar a ultima pesquisa eleitoral
do Ibope antes da vota~go do segundo
interno. Dirigentes da campanha de Du-
ciomar Costa e seus padrinhos no gover-
no do Estado tentaram impedir a divulga-
950. Ngo o conseguindo, procuraram mi-
nimiza-la. Ao saberem que a pesquisa
seria incluida no noticiario noturno da TV
Liberal e sairia na primeira pagina de O
Liberal, comn desenho e tudo, apelaram
para a pesquisa da Oppgo na primeira
pigina de A Provincia do Parai. Mlas era
um tiro de 38 contra um missile.
No day after da elei~go, Duciomar, o
grande beneficiado pelas suspeitas de ma-
nipula~go nas pesquisas do Ibope, ate a
penuiltima sondagem, esbravejando con-
tra o institute e deixando implicitas algu-
mas agulhadas no at6 entio parceiro. Ed-
milson Rodrigues, que tonitroara ao seu
estilo, ficou calado. O que teria havido
para essa complete inversio de papeis (e
outras coisas mais)?
Segundo uma verso extra-oficial, um
telefonema no final da tarde de sabado,
v~spera da eleiglio, reverteu a tendin-


cia de nio publicar a pesquisa derradei-
ra do Ibope antes da vota~go (no cursor
da vota~go, viria a surpreendente pes-
quisa de boca-de-urna, nio encomenda-
da e discrepante com o diagn6stico da
vespera). Num telefonema interurbano,
o interlocutor de Romulo Maiorana Jui-
nior, o principal executive do grupo Li-
beral, lembrou-lhe que nio s6 a TV Glo-
bo, no Jornal Nacional, e o journal O
Globo, mas tambem o journal O Estado
de S. Paulo divulgariam a pesquisa, ja
entio franqueada na Internet. Ficaria
muito mal para as Organizaqdes Romu-
lo Maiorana passer batido na hist6ria, da
qual eram co-patrocinadoras.
Uma fonte diz que o telefonema foi
dado pelo dirigente do Ibope, Carlos Au-
gusto Montenegro, defendendo o presti-
gio da instituigio (mas alimentando boa-
tos e especulaqbes que fervilhavam em
Bel~m sobre a oferta de resultados por
terceiros muito bem credenciados). Ou-
tra diz que veio mais de cima. Preferindo
nio arriscar um nome, a fonte garante
que e de uma das poucas pessoas que
pode tocar fundo no ponto mais sensivel
do grupo Liberal: o bolso. Em parceria.






JORNALPESSOAL *2 QUINZENA DE OVEMBRO/ 2000 5


Silva Neto, responsavel legal pelo jor-
nal, pediu demissio do cargo, inconfor-
mado com a attitude do seu superior.
Gengis Freire havia chegado ao maximo
de envolvimento com ocandidato da co-
ligagio liderada pelo PSD, mas tendo por
tris o governador Almir Gabriel. Quan-
do o grupo Liberal resistiu as presses e
decidiu publicar a pesquisa do Ibope, que
surpreendentemente deu uma grande
vantagem para Edmilson na vespera da
eleigio, a manchete preparada por Gen-
gis passou a ser uma arma da contra-
propaganda de Duciomar.
A escalada em favor do ex-quase-fu-
turo medico foi antecedida pelo rompi-
mento de A Provincia com a prefeitura
de Bele~m, uma das etapas do ziguezague
do journal entire poderes seguindo a trilha
das verbas publicitarias oficiais. De acor-
do comn o movimento do caixa, o journal de
Gengis foi almirista radical, extremado a
favor de Edmilson Rodrigues ou um quinta
coluna de Duciomar (sem falar no idilio
interrompido e aparentemente reatado
-com a Unimed-Bel~m).
Essas mudangas, entretanto, nio se-
guem um process evolutivo: tim sido
stibitas e radicals. Tambem nio apre-
sentam uma causa editorial discernivel:
uma administraFio louvada sem medi-
das num dia 6 criticada sem discerni-
mento no outro, algo que parecia pr6-
prio do jornalismo marrom mas parece
ter grassado como praga pela grande
imprensa local. N~o ha a menor preo-
cupagio com a coerincia, nem o mais
elementary respeito a memoria do leitor
(e, menos ainda, aos compromissos com
os funcionarios da empresa).
Gengis Freire transformou um journal
secular num mero balcio de neg~cios.
Tem comercializado espago, informa~go
e opinides. O PT era maravilhoso quan-
do prometia descarregar 800 mil reais
em impresses eleitorais na Cejup, a edi-
tora e grafica de Gengis. E ordindrio
quando nio cumpriu a promessa, que
teria sido feita ao editor pelo vice-pre-
feito eleito Valdir Ganzer.
Mesmo em seus mementos mais cri-
ticos no passado, A Provincia do Para
sempre cultivou seu titulo como seu
maior patrimi~nio. Provavelmente se
excedeu em tais cuidados, perdendo as


oportunidades que a hist6ria lhe per-
mitiu de firmar sua posiCio no merca-
do e consolidar um projeto profissio-
nal concebido originalmente por Fre-
derico Barata, no final da decada de
40, consolidado por ClBudio Augusto
de Sa Leal nos anos 60 e, sempre ten-
do a m~o forte de Milton Trindade nos
bastidores, retocado em seguida por
Roberto Jares Martins.
A Provincia de Gengis entristece a
n6s todos, que ali comegamos, ali dei-
xamos muito do nosso suor e ali depo-
sitavamos as esperangas em uma im-
prensa mais isenta, embora participan-
te. A busca da impossivel neutralidade
esfriou, a principio, e congelou, depois,
o lugar que cabia ao journal quando Fre-
derico Barata quis dar-lhe um profissi-
onalismo que o lider dos jornais, a Fo-
lha do Norte, nio queria ou ngo con-
seguia alcangar. E quando a Folha dos
Maranhio consumiu-se nas cinzas de
germinaqio de O Liberal, essa assep-
sia desligou-a dos dramas correntes do
povo paraense. Havia brilho em edito-
riais e matbrias, mas das paginas re-
cendia um cheiro de eter, que cabe em
sala de cirurgia, necessariamente este-
ril, mas e mortal numa redaFio, obriga-
toriamente contaminada pelas contra-
digaes tematicas.
Durante uma parte do period em que
A Provincia funcionou tambem como
uma escola de jornalismo, na metade da
decada de 60, Gengis Freire compare-
ceu a reda~go comn uma coluna sobre
letras e artes, composta de press-relea-
ses, orelhas de livros, transcrigaes de
textos e uma ou outra pitada eventual
de criatividade pr6pria.
Eramos todos, entio, candidates a
literates. Ngo supunhamos que ele tam-
bem viesse a ser candidate a empresa-
rio e donor do journal. Se alcangou essa
condi~go por seus meritos, desperdigou
a oportunidade de ligar seu nome a uma
fase de rejuvenescimento de um dos
mais antigos jornais do pais. Ao con-
trdrio: por ele esta passando como A~ti-
la sobre Roma, ou um romano sobre
Cartago. Sem o menor vestigio de uma
causa nobre.
AA Provincia que ajudamos a cons-
truir merecia destiny melhor. *)


A edigd~o de A Provincia do
Pard do dia da eleigd~o do 2
tumzo para prefeito teve tr S
manchetes. A pri'metra,
preparada na madrugada
do dia 28, sd'bado ("Paz
nas eleigo~es"), foi mudada
para "Belim pede paz" no
final da tarde.

Parte da edi~go dominical circulou
dessa maneira. Mas uma rodada
Padicional, que deveria ter chega-
do a marca extraordinaria de 25 mil
exemplares, circulou com uma manche-
te escrita pessoalmente pelo donor do
journal, Gengis Freire, depois das 22 ho-
ras (quando a edi~go normal ja estava
em circula~go).
Essa manchete de encomenda
anunciava que "Duciomar vence elei-
950", tomando por base uma pesquisa
que a Oppgo teria realizado depois da
sondagem do Ibope, divulgada sabado
a noite pela TV Liberal (e, em segui-
da, no journal O Liberal), dando uma
vantagem de 8% para o candidate do
PT, considerando apenas os votos va-
lidos. O "Belem pede paz", de man-
chete que era, passou a ser uma le-
genda de foto e uma chamada para
materia publicada internamente.
Apenas um joyem diagramador e os
graficos que participaram da impressio
nio se surpreenderam quando a edi~go
quase clandestine irrompeu nas ruas, dis-
tribuida por bocas-de-urna de Duciomar,
que foram g oficina de A Provincia bus-
car os exemplares do journal. Integran-
tes da campanha do advers~rio do pre-
feito Edmilson Rodrigues acertaram com
Gengis que uma tiragem de 25 mil exem-
plares seria rodada, mas naquele mo-
mento s6 havia uma bobina inteira e
menos da metade de outra na oficina.
Com esse papel, a tiragem nho podia ir
alem de cinco mil exemplares.
Todos os demais funcionarios da em-
presa s6 tiveram conhecimento da es-
tranha manchete no dia seguinte. Dias
depois, o secretario de redaCio, Alberto


A Provincia:



uma quitanda?






6 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE NOVEMBRO/ 2000


eleiqaes munici-
pais, resta-nos tirar do pleito al-
gumas liqbes, entire as quais a que
diz respeito a tio propalada divi-
slo da popula~go de Belim em
torno dos dois candidates -nio
exatamente em torno das duas
propostas de governor.
A despeito da opiniio do jor-
nalista sobre as obras de cunho
puramente eleitoreiro, o pr6prio
admitiu haver obras de "maior fi~-
lego", decididas etocadas em cima
da hora, creio que as melhorias
socials obtidas pelo governor mu-
nicipal, retiradas as impresses de
superficialidade e de possiveis
manipulaFies que lhe emprestam
os quen~io conseguem inovar (con-
tra a Bolsa Escola, em particu-
lar), de fato trouxeram novas
perspectives a quem durante toda
a vida nio vislumbrava qualquer
possibilidade de alcangar um ni-
vel de vida digno, de cidadania
compativel com as garantias de
acesso a mesma dadas a todos os
brasileiros pela C. F. [ Constitui-
gd'o Federal].
Quem nio se lembra, por
exemplo, daquela imagem depri-
mente das criangas catando obje-
tos no lixio do Aura, ao inves de
estarem na es cola, estudando para
no future ser um medico, um ar-
quiteto, umjornalista, um profes-
sor? Gragas a Bolsa Escola essa
imagem que agredia nossos olhos
e mentes, nio 6 mais a mesma.
Ainda existem criangas fora das
escolas. Ainda ha criangas em
Bel~m que entram nos inibus
para vender balas; nas periferias
com certeza hamuitas criangas
que nio tim acesso a educaqio. E
esse e um dos desaflos da nova
gestio de Edmilson: colocar o
maior m~imero de criangas quanto
seja possivel dentro de uma sala
de aula. E naquilo que for compe-
tincia da Administraqio Munici-
pal, igualmente nio medir esfor-
Fos para diminuir o deficit da sau-
de, no saneamento, enfim, aten-
der as necessidades da populaCio
carente dessa cidade pobre, nos-
sa querida Bel~m.
Em relag ioaafirmaCio de que
metade da populagio de Bel~m re-
provou a administration do PT, o
argument usado poraqueles que
apoiaram Duciomar Costa, sendo
derrotados apesar das fabulas de


dukhero o ad

3iI~que 49,25% re-
jeitaram Edmilson Rodrigues.
Hoje mesmo, O1.11.2000, a A
Provincia do Parac, para manter a
coerincia, em sua Primeira Colu-
na, afirma que tal rejeiFio de deve
ao lixo acumulado pelas roas de
Belem, a um IPTU confiscador e
a uma passage de inibus que e
mais cara do pais. Quer dizer, a
mentira continue sendo a base
sobre a qual os derrotados ten-
tam explicar avit6ria de Edmil-
son Rodrigues. O prego da pas-
sagem de inibus em Belem e das
mais baratas em todo o Brasil,
inclusive, e menor do que o co-
brado em Santarem.
Os que optaram por Ducio-
mar Costa nio o fizeram porque
reprovaram a administra~go de
Edmilson, ou porque acharam as
propostas de Duciomar as melho-
res. Conhego muitos, a comegar
no meu ambiente de trabalho, que
apesar de reconhecerem que Ed-
milson fez um bom governor (dis-
seram isso varias vezes), voltari-
am em Duciomar porque ou nio
gostam do Edmilson ou nio gos-
tam do PT. Quer dizer, o voto
dessa metade nada tinha aver com
a ma administra~go da capital (o
que nho ocorreu, conforme os tes-
temunhos descritos), e sim com
questies meramente pessoais. E
os que pensam ter surgido uma
nova lideranga political em Belem,
Duciomar Costa, ainda tomando
como argument essa metade de
eleitores, cometem um equivoco
primario, pois langam mio de
analises superficiais, que nioatin-
gem exatamente aseguinte com-
preensio: esses eleitores nio vo-
taram por apoiar e reconhecer
Duciomar como uma alternative
viavel e s61ida de um novo lider
para Bel~m. Descontado o mimne-
ro daqueles habilmente manipu-
lados pela impressio assistencia-
lista que Duciomar imprimiu, os
incautos, os outros eleitores de
Duciomar votaram contra Edmil-
son e o PT, traduzindo sua moti-
vaFio no voto, segundo dizem,
contra a baderna, a violincia, 0
radicalismo etodas as caracteris-
ticas do estigma imposto contra
o partido pelos que nio aceitam
que os trabalhadores sejam os
dons do seu pr6prio destiny.
Clovis Luz da Silva


Adeus -. ~1~1L
Comn os seus Xumucuis, na abertura (meramente formal, ja
que o pais vivia sob uma fechadura) da terrivel decada de 70,
Valdir Sarubbi de Medeiros deu partida para uma nova geraqio
de pintores artistss plasticos seria uma hip~rbole?) no Para,
mantendo o nivel da safra anterior, que nos legara Paolo Ricci,
Benedito Mello, Eduardo Falesi, Roberto La Roque e varios
putros. Valdir escapou aos limits da tela e trouxe das suas
origens a motiva~go e o impulse para gerar uma obra nova,
audaciosa, criativa e, ao mesmo tempo, ligada a heranga dos
antecessores. De vanguard e de tradi~go.
Tinha uma mente f~rtil e febril, mas era um camarada
pacifico, atencioso, amavel, um zen imerso nas aguas do rio
Caet6. Foi para Sgo Paulo tris d~cadas atris e li morreu,
nesta semana, sem ter perdido suas raizes e sem ter sido
sufocado por elas, cosmopolita como um caboclo do salga-
do, mais breve do que queriamos, mais intense do que supu-
nha a rapaziada da banda.
Um grande artist. Uma figure humana maravilhosa. Vai-
se com o nosso agradecimento mais intimo e a nossa tris-
teza mais profunda.



Pfomogeio ... ?im...
O grupo I: Yamada langou novamente neste ano sua pro-
mogd~o de vendas atravis da raspadinha, como da vez ante-
rior logo depois de igual iniciativa do governor do Estad'o
visando aumentar a receita de impostos (e a evasio fiscal,
obviamente). Apesar da coinciddncia, assegura fonte ligada
ai empresa que sua promogd~o em nada afetardi a atividade
do fisco, jd que as notas fiscais dos clients da Yamada,
trocadas por cupons que lhes dd'o direito ao bilhete da ras-
padinha (e a concorrer a primios), tambem poderd'o ser le-
vadas ao posto de troca da Secretaria da Fazenda, jai que
essas notas tim que ser devolvidas pelos atendentes da I:
Yamada. Se isso nd~o estiver ocorrendo, os eventuais preju-
dicados devem comunicar o fato a quem de direito para a
corregd~o do erro, que seria, entdio, involuntbrio. O client
deve exigir a devolugdio da sua nota de compra, mesmo ha-
vendo trocado essa nota pelo cupom.
Nos trbs meses e meio em que vai durar a promogd~o, a
expectativa de faturamento do grupo Y. Yamada & de 100
milha~es de reais. E receita capaz de colocar a empresa
no topo dos grandes contribuintes do Estado, se tudo
estiver ocorrendo conforme se diz.


Dilema w
Fiquei muitos minutes diante do video depois do final do de-
bate entire Edmilson Rodrigues e Duciomar Costa na TV Libe-
ral sem poder reagir ao que havia visto: um dos mais melanc6-
licos mementos da dispute pelo poder politico no Para que ja
testemunhei. Um confront de mediocridades que s6 podia ser
resolvido pelo espectador recorrendo ao criterio da exclusio,
em favor do menos ruim.
N~o titubeio em afirmar que Edmilson era o menos ruim.
Mas, a esta altura da vida, era a finica escolha que me restava
fazer? Meus botdes nio aceitaram a conting~ncia. Mas tam-
b~m nio tinham alternative alguma a oferecer. Um quadro da
pobreza de Belem em seu nivel mental.
Bel~m, entretanto, merece opCpo melhor, nas duas pontas
desse dilema, como dizia um jornalista famoso por suas fra-
ses a Wadih Helou, e ja falecido.


I






JOURNAL PESSOAL *2=QUINZENA DE OVEMBRO/ 2000 7


~~M~I~P~I~


Lama ou algo ainda mais f~tido -
respingou sobre os institutes de pes-
quisa e, entire nos, especificamente
sobre Ibope, nas uiltimas eleiqdes mu-
nicipais. Eles nio conseguirio se lim-
par por si pr6prios. E hora de umna in-
tervengilo publica.
De minha parte, defend que as pes-
quisas de opiniio s6 devem ser divulga-
das at6 uma semana ou 10 dias antes da
eleigio. Pesquisas eleitorais nio poderio
ser divulgadas se houver um s6 client
registrado. Precisaria haver pelo menos
dois. O Tribunal Regional Eleitoral defi-
nir8 um period, anterior a fase da cam-
panha, para que os interessados em en-
comendar pesquisas se credenciem. Se
apenas um se apresentar, a divulgagio de
previas sera proibida.
Os contratantes de pesquisa e os ins-
titutos que nio depositassem os documen-
tos exigidos pela legisla~go eleitoral, no
prazo legal, seriam punidos com a sus-
pensio automatica das suas atividades


Pesquisas

ate que a exig~ncia fosse cumprida, alem
da multa ja prevista, independentemente
da defmni~go sobre o merito da questio,
quando suscitada em juizo por prejudica-
dos ou simples interessados.
O MP federal criaria uma ouvidoria
especial permanent para receber e pro-
cessar as demands da opiniho pilblica
em materia eleitoral e fiscalizar a a~go
de partidos e candidates fora do tribunal
e alem dos autos judiciais, aproveitando-
se do poder de iniciativa que a constitui-
Cgo lhe delegou.
Um contratante de pesquisa nio
podera divulgar apenas parcialmente
os resultados apurados. Se nio o fi-
zer por inteiro, estara sujeito a ficar
suspense ate cumprir a determinaqio.
Qualquer cidadio podera acionar o
TRE para exigir a divulgagio complete
da pesquisa. Ja o tribunal criara con-
digies para facilitar o acesso de qual-
quer pessoa ao original das pesquisas,
incluindo sua base metodol6gica, re-


servando um local especial para tais
consultas.
Todas as emissoras de radio e tele-
visio envolvidas da propaganda eleito-
ral gratuita teriam que organizer deba-
tes entire os candidates a cargos majo-
ritarios, isoladamente ou em rede. A
definiCio das regras do debate seria
feita perante um mediador do Ministe-
rio Pilblico federal, que tambem seria
responsavel pela moderaqio durante a
apresenta~go do program.
Um dos blocos teria que incluir neces-
sariamente representantes credenciados
da imprensa peri6dica local, indicados e
sorteados para fazer parte do debate. Ele
s6 nio seria realizado se o MP conside-
rasse impossivel estabelecer um entendi-
mento entire as parties, mas os candidates
que simplesmente se recusassem a de-
bater seriam punidos com a impugnaqio
de suas candidaturas perante o TRE.
Sera que a elei~go nio melhoraria com
essas normas?


A primeira edigio p6s-eleitoral do Jornal Popular veio
de novo com uma pagina inteira de matbria provavelmente
paga, com um pequeno texto laudat6rio e uma enorme foto
do prefeito Edmilson Rodrigues, saudando a "vit6ria do
povo". A manchete da capa foi "Edmilson derrota Almir e
seu grupo", ilustrada com uma foto do candidate vitorioso
(e seu vice, Valdir Ganzer) ao lado de Lula. Dentro, materi-
as favoraveis ao PT e desfavoraveis aos seus advers~rios
politicos.
S6 nio posso afirmar que a pigina de culto a personali-
dade do nosso Josef paraoara e paga porque a Comus, a
assessoria de comunicaqio social da prefeitura, nio res-
pondeu aos dois e-mails que lhe enviei pedindo esclareci-
mentos. Ao que parece, propaganda passou a ser a mat~ria
exclusive de uma assessoria concebida para tratar in forma-
F5es comn a imprensa.
Como o leitor deve lembrar, o journal (?) de Silas Assis
rompeu com a prefeitura do PT antes da elei~go, cobrando
80 mil reais em faturas de publicidade supostamente venci-
das e nio pagas. O reatamento da rela~go, entremeada pe-
los tradicionais improp~rios dirigidos pelo donor do jornal (?)
aos que nio se submetem aos seus caprichos, sugere que a
pendencia foi solucionada atrav~s do assim chamado vil
metal. O meu, o seu, o nosso dinheirinho, convertido em
imposto e queimado em propaganda.
Da para acreditar que a administration Edmilson Rodri-
gues vai corrigir seus erros e ser diferente nesta reedi~go,
deixando, em mat~ria de rela~go com a imprensa, de culti-
var o jornalismo marrom?


Outra

Depois do desembargador Benedito Alvarenga, mais um .
membro da magistratura paraense acionou o grupo Liberal
cobrando indenizaqio por danos morals em fungo do noti-
cidrio dos veiculos de comunicaCgo da empresa. O juiz Jos6
Maria Teixeira do Rosario, titular da vara distrital do Mos-
queiro e na carreira ha 12 anos, quer 10 milhdes de reais
(R$ 5 milhaes da TV Liberal e R$ 5 milhdes do journal O
Liberal) como reparaqio por se considerar vitima de ma-
t~rias tendenciosas e falsas divulgadas pelos dois 6rgios.
O juiz viu no noticiario da emissora de televisio e do jor-
nal sobre os atos que praticou, ao apreciar o litigio entire inte-
grantes do MST e os proprietirios de uma fazenda da Taba
na ilha, invadida pelos sem-terra, o objetivo de macula-lo, "a
qualquer prego", na "busca vil e inescrupulosa do sensacio-
nalismo desenfreado" e na "cupidez desmedida". O juiz lem-
bra na a~go que a concessio de liminar para a reintegraqio
de posse (seguida, com a nova invasio, por um mandado de
manutenCio da posse) da fazenda pelos seus dons, com a
retirada das pessoas que a haviam ocupado, fora deferida
pela titular anterior da vara, C61ia Pinheiro. Ele apenas rati-
ficara a decisio, determinando o cumprimento das normas
legals pertinentes. Mas entire elas n9o se incluia "ordem para
prender todo mundo que estiver dentro da fazenda, inclusive
mulheres e criangas", como o grupo Liberal lhe atribuiu.
Rosairio aponta varios outros erros reiterados do noticiario,
que visariam criar-lhe uma "situaCio de constrangimento, hu-
milha~go e aborrecimento", comprometendo sua imagem e
conceito professional e abalando sua intimidade. A agio foi
protocolada em maio na 18" vara civel, aguardando despacho.


Imutivel








NaZiCa
O poeta e burocrata Affonso Romano de Sant'Anna viu o
seu primeiro Cirio hB uns 14 anos. Voltou a Bel~m neste
Cirio 2000 para se extasiar com a festa religiosa e profana,
al~m de participar de um forum sobre leitura "no belo cam-
pus da Unama". De volta ao Rio de Janeiro, escreveu para
O Globo uma crinica, na qual registra a relaCio dos para-
enses com sua padroeira, Nossa Senhora de Nazar6: "E a
intimidade que os paraenses tim com sua santa 6 tanta, que
a chamam domesticamente de Nazica, como se fosse uma
comadre. No ParB, at6 os ateus se agarram g Nazica na
hora do aperto".
Continue afiada a verde ficcional do escritor. Disso, nio
ha duvida.


Jomnal Pessoal
Editor: Lrjcio FI~vio Pinto* Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (fax)
Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 *e-mail: jornal@amazon.com.br
Ediqdo de Arte: Luizantoniodefariapintol230-1304


nais concorrentes (o Dicirio
do Parai com 19% e A Pro-
vincia do Parai com 11%) ja
representam mais de um quar-
to da tiragem conj unta dos dois
jornais da familiar Maiorana.
Amnda 6 pouco para uma plu-
ralidade verdadeira, mas ja nio
tio pouco.
A custa de uma furiosa
campanha promocional, a tira-
gem de O Liberal experimen-
tou ligeira recuperaqio nos
tris tiltimos meses at6 setem-
bro deste ano, mas nio voltou
aos niveis de anos anteriores:
pennanece abaixo de 40 mil
exemplares medios, depois de
ter batido (ou ao menos a em-
presa alega isso) numn pico de
100 mil exemplares, aos do-
mingos. A grande faganha 6
de Amazdnia, que conseguiu
alcangar a marca de 10 mil
exemplares diaries, em m~dia,
praticamente empatado com o
Diario do Parai. Mas essa 6
uma tipica vit6ria de Pirro, se
nio para a empresa, certamen-
te para o puiblico.

MOda
Os psic61ogos costumam as-
sociar a esquizofrenia a "per-
da de contato vital com a rea-
lidade". O esquizofranico tor-
na-se refratario a realidade.
Pode estar diante dela sem vB-
la. Podemos falar-lhe por ho-
ras sobre a realidade e ele saira
do nosso discurso sem se dei-
xar tocar por ele. S6 vi o que
quer. Principalmente a si. Seu
umbigo eo mundo. O mundo
que se lixe.
Cabe ou nio a classifi-
cag~o a political municipal
belenense?


Reto rno
Desta vez, o pretexto para o
imediato reatamento p6s-elei-
toral entire a prefeitura de Be-
lem e o grupo Liberal nio sio
fitas comerciais de video, mas
o carnaval fora de epoca da
empresa, atrav~s do Para Fo-
lia. Jornal, radio e televisio dos
Maiorana voltaram a dar ge-


nerosos espagos a administra-
gio municipal, tendo como eixo
a polimica Aldeia Cabana,
onde se realizard a micareta,
depois dos ensaios de resistin-
cia dos promotores. Fala-se at6
que tras das faturas, alcangan-
do R$ 900 mil, de uma divida
de publicidade cobrada pelo
grupo Liberal da PMB, no va-
lor de 1,2 milhio de reais, teri-
am sido pagas nesta semana.
Eleigio e como carnaval:
depois que passa, tudo vira
cinza.


Realidade
Dos prefeitos de capitals bra-
sileiras que se reelegeram,
Edmilson Rodrigues foi o que
teve o menor indice de vo-
tos. Isso 6 realidade. Logo,
nio conta.


Trico
Atrav~s das piginas de Istog,
o senador Jader Barbalho, a
maneira do seu inimigo mor-
tal, deu o troco a Antinio Car-
los Magalhies. A mais recen-
te edi~go da revista trouxe
uma mat~ria extensa dedica-
da unicamente is alegadas tra-
palhadas do president do Se-
nado, que nio quer o desafeto
como successor. O melhor da
mat~ria foi o s6cio minoritario
da OAS (que n9o significa
Obras Arranjadas pelo Sogro),
suposto laranja de ACM, ne-
gando o que a revista pergun-
ta se 6 verdade.


Outro trago interessante e
supor quem conseguiu tio fi-
dalgal acolhimento da revista
aos interesses de Jader. Seria
o ex-governador paulista
Orestes Quercia, lui-mi~me?
Placar da imprensa semanal
de informagdes: 2 (Veja e Epo-
ca) a 1 (Istoe) para o baiano.

D ijvida
A anunciada desapropriaqio,
pela prefeitura de Belem, da
Area portusria da Sanave para
a ampliaFio do Ver-o-Rio se-
ria, de fato, uma puniCio a re-
calcitrincia da empresa em
ceder o espago contiguo? Ou
nio exatamente isso? Ou mui-
to pelo contratio?

Lembrete
Alguem precisa avisar a clas-
se political que ainda nio foi
realizado o baile da Ilha Fis-
cal. Insensiveis ao fato, os
politicos podem dangar antes
do tempo.



Esta edi~go ji estava fechada
quando a Comus, a assessoria
de comunicaCio social da pre-
feitura, informou por e-mail
que a pagina com a foto de Ed-
milson no Jorna/ Popular nio
era materia paga da prefeitu-
ra. Vai ver, Silas Assis esta
querendo receber a medalha
Francisco Caldeira Castelo
Branco do pr6ximo ano.


Imprerisa 1
Uma empresajornalistica nho
s6 pode como deve ter uma
posiCgio political. Mas tem que
expressa-la no lugar cabivel:
a pagina editorial. E ali que
cabemn as posiq~es de comba-
te, os juizos de valor, o julga-
mento. Se nio gosta de deter-
minada administration ou poli-
tico, o journal (para ficar no
veiculo impresso) tem que tra-
ti-lo com a informaqio. A cri-
tica jornalistica s6, tem legiti-
midade se praticada com fa-
tos, neles centrada. Se deriva
para falsificaqdes ou delibera-
das manipulaqdes, presta um
desservigo g opiniho publica.
Nesse caso se enquadra a
grande imprensa paraense.
Com pouco ou nenhum edito-
rial explicitando sua oppgo po-
litica, os jornais tentaram in-
duzir a vontade do leitor prati-
cando um jornalismo de em-
buste, a partir da premissa de
que o povo nio percebera o
ardil ou, constatando-o, nio
reagira. Felizmente nio foi
exatamente assim. Ja houve
reaqio desta vez. Quem sabe,
terio sido plantadas as semen-
tes da indignaqio contra o
comportamento eleitoral dis-
fargado da grande imprensa.


imprensa
Al guns anos atras, nem 5%
dos leitores de jomais liam mais
de um peri~dico. Hoje, sho
32%, segundo pode-se dedu-
zir de uma pesquisa do Ibope
encomendada pelo grupo Li-
beral e publicada com espa-
lhafato nas paginas de O Li-
beral. O journal, e claro, pre-
feriu destacar que 102% dos
leitores 16em o primeiro matu-
tino e seu joyem derivado, 0
vaporoso Amazdnia (um caso
de desperdicio de titulo). Mas
nio destaca, naturalmente, que
o indice de leitura de O Libe-
ral, que ja chegou a 98%, ago-
ra e de 82%, ainda uma situa-
Fgo de risco para a democra-
cia e a sanidade social, mas ja
nio tio escabrosa. Os dois jor-