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LUIjC O F LA VIO PIN TO ANO XIV NP 244 1L QUINZENA DE OUTUBRO DE 2000 R$ 2,d00 -~ l. ELEI('ao Mesmo se reeleger Edmilson Rodrigues, o eleitor de Belim estard' dizendlo um na~o ais velhas liderangas poli'ticas do Pardi. O atual prefeito ainda consegue encarnar algumas das esperangas que o fiz~eram vencer a dispute hd quatro anos, gragas a obras populares, ao carisma do partido e ao uso da mdquina municipal. Mas o crescimento das opg~es por Duciomar Costa ~-/-~..~..~serve de alerta para a eleigdo --- ) de 2002, cuja campanha jd g um elo de ligagio entire as eleiqdes de 1996 e de 2000 em Bel~m: o povo da capital paraense nio quer o retorno kldas velhas liderangas politi- cas do Estado. Qualquer que venha a ser o resultado da vota~go do dia 1', os mai- ores nomes do poder estadual ja foram derrotados. Com uma campanha milioni- ria e acabando por se envolver diretamen- te na propaganda, o que ate entio os mar- queteiros vinham evitando, o governador ~CAlmir Gabriel nio conseguiu colocar o Pt seu candidate, o deputado federal Zenal- do Coutinho (PSDB), no parreo decis6rio. Desses limits sempre permaneceu de fora o candidate do senador Jader Bar- balho, o ex-prefeito Augusto Rezende (PMDB). Boicotado pelo maior grupo de comunicqq5io do norte do pais e alcanga- do pelos respingos do alto indice de rejei- ~go ao ex-governador H61io Gueiros, o deputado federal Vic Pires Franco (PFL) dilapidou o patriminio derivado da condi- Fgo de ter sido o parlamentar mais bem votado em Bel~m na ultima elei~go. A reelei~go de Edmilson Rodrigues, ji no primeiro turno, ou apenas no segun- do turno, confirm essa tend~ncia: o can- didato do PT se manteve como favorite provavelmente porque ainda nio esta identificado com os velhos caciques poli- ticos (ou ainda nio 6 identificado como tal pela maioria dos eleitores). Ai forga de obras disseminadas pela cidade (virias realmente populares, mas muitas delas nitidamente eleitoreiras), de uma propaganda massive, da mistica que ainda subsiste em torno da legend do seu partido (principalmente quanto a honesti- dade) edo uso da maquina official, Edmil- son suportou os efeitos da campanha sem ) 2 JOURNAL PESSOAL Pa QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 ) cair de uma posi~go pri~xima da metade das prefer~ncias uas pesquisas de opinion, que, desta vez, assumiram a fei~go de autintico caso de policia. A uma semana da elei~go, faltavam dados seguros para prever se realmente seria factivel uma defini~go no l' turno. Apesar dessa margem de incerteza, o grupo Liberal nio vacilou em abrir man- chete de primeira paigina, na ultima edi- Fgo dominical, proclamando a inevitabili- dade do 2" turno, com uma surpreenden- te reviravolta: a vitbria de Duciomar Cos- ta, nominalmente candidate do PDS, mas, na verdade, uma esp~cie de PSDB do B, sobre Edmilson Rodrigues. A intense atua~go das Organizaqbes Romulo Maiorana nos bastidores do pro- cesso eleitoral deste ano em Bel~m cons- tituiu um capitulo B parte, uma marginalia capaz de criar um campo gravitacional pr6prio, muito al~m do alcance da justiga ou do ordenamento administrative publi- co. O grupo Liberal perseguiu varios ob- jetivos. Conseguiu dois deles: inibir o cres- cimento da candidatura de Vic Pires Franco, interditado pela familiar Maiora- na como seu inimigo preferencial, e criar um trampolim para Duciomar Costa se projetar. Um outro foi s6 parcialmente obtido: frear o crescimento de Edmilson (sabotagem apenas iniciada e abortada). O ultimo dos alvos se frustrou: viabilizar a candidatura de Zenaldo Coutinho. O fracasso do esquema do govemna- dor 6 uma das principals conseqilincias da dispute em Bel~m. Mesmo sendo o governante que mais obras realizou na capital nos uiltimos anos, uma das quais, a macrodrenagem das baixadas, de efeito multiplicador expressive, Almir Gabriel nio conseguiu transferir para Zenaldo os dividends politicos politicos das realiza- 95es administrativas. Ao aparecer na propaganda eleitoral defendendo seu candidate, sem faz6-lo subir na preferdncia dos eleitores entre- vistados pelas pesquisas, exp~s-se aos mesmos desgastes: o povo que lhe di apoio como administrador nio vota (ou n9o vota na mesma propor~go) nele como politico, ou em seus aliados. Ao que pa- rece, o governador ji entrou na faixa de desgaste em que se encontram as lidle- rangas political mais antigas do Par6. Esse 6 um dado significativo para a pri~xima eleigio, de 2002. Indica que Al- mir Gabriel precisard de uma boa base de sustenta~go se quiser se eleger sena- dor. Tendo que se desincompatibilizar do govemno, precisard deixar em seu lugar algu~m de extrema conflanga e de algu- ma compet~ncia, que nio o atrapalhe e possa multiplicar os votos. Quem se aco- moda melhor nesse figurine 6 o vice-go- vemnador, Hildegardo Nunes. O problema e que Hildegardo 6 do PTB e nio do PSDB, j6 esta montando um esquema de poder independent para segurar a sua candidatura (provocando ciumada entire os tucanos) e tem um ape- tite voraz. Almir poderd barr8-lo se deci- dir permanecer no cargo at6 o fim do seu mandate, escolhendo outro nome para suced6-lo. Ainda restaria a alternative da rebeliho para o filho do ex-governador Alacid Nunes, mas ela o deixaria enfra- quecido (com o agravante de possiveis mudangas na legisla~go eleitoral para acabar com a reeleigio ou impor a desin- compatibilizagio a todos os candidates). O govemnador ainda tem tempo, em- bora nio muito, para encontrar um nome conflivel com maior densidade e melho- res atributos do que Zenaldo Coutinho para contrapor a Hildegardo no Hmbito da sua coligagio, ou, nio conseguindo essa solugho, sacrificar os sonhos sena- toriais e continuar a comandar a maquina estadual para colock-la a servigo de uma candidatura de circunstincia. Mas jb ad- vertido, pela dispute deste ano na capital, de que fi~rmulas migicas, como a que permitiu a elei~go de Luiz Otivio Cam- pos, o "senador do governador", nio sio etemnas, nem universals. Ja o senador Jader Barbalho nem esse tempo minimo tem mais. Ngo por mero acaso, ele j6 comegou sua campanha elei- toral para tentar voltar (pela terceira vez) ao governor do Estado ou retomnar ao se- nado alternativea cada vez mais remota), em 2002. Jader deve saber que em al- guns redutos seu indice de rejeigrio au- mentou e, em outros, o que se elevou foi a taxa de esquecimento do seu nome. Ele ja est8 bem perto daquele caminho sem volta que fulminou a carreira de Jarbas Passarinho quando ele se distanciou da base eleitoral e, com isso, referendou, pela omiss~io, o discurso dos adversirios. Por mais que consiga a presid~ncia do senado e se manter a luz dos refletores da imprensa, e pouco provavel que a car- reira national de Jader VA mais long de onde se encontra agora. Sustenti-la per- manecendo mais tempo em Brasilia 6 expor-se ao mesmo risco de Passarinho. Trocando Bel~m pelo interior, Jader esti tentando recuperar ou consolidar suas fon- tes de votos, enquanto usa Augusto Re- zende como se fosse um apagador dos borr~es que mancham a sua imagem na capital, na expectativa de ainda poder res- guardar um tergo dos votos nesse reduto. Bel~m ji s represent pouco mais de um quinto do col~gio eleitoral paraense. Mas, se nio garante uma elei~go majoritbria, pode inviabiliza-la, caso o indice de rejei- 950o do candidate na capital chegue a um indice muito alto, para onde aponta uma tendtncia em relagBo a Barbalho. Se efetivamente desviar seu rumo do senado para o governor do Estado, e qua- se certo que Jader vi encontrar Edmil- son no caminho. O prefeito armou sua alianga political prometendo ficar no car- go ate o fim e apoiar outro nome para o govemo, sua correligionaria Ana Julia Carepa ou o senador Ademir Andrade (PSB). Mas essa e uma hist6ria da caro- chinha. Reeleito, ele dard o pass que falta para apresentar sua candidatura como a primeira do PT com possibilidades reais de vitbria na principal dispute no Estado dentro de dois anos. Sairai de Belem comnmais votos do que qualquer outro concorrente. Mas, e o in- terior? O governador Almir Gabriel ter- minarb a elei~go municipal deste ano com a maior fatia dos votos, mas poderio es- tar com Jader Barbalho alguns dos prin- cipais col~gios (como Santar~m, Mara- bai, Tucurui e Castanhal). A participa~go do PT nesses currais ainda seri residual, a mais expressive, entretanto, de toda a hist6ria do partido. Jg tendo percorrido al- guns dos municipios, Edmilson devera dedicar boa parte do tempo na nova ges- tio, se a obtiver, para ampliar seu raio de expectativas no Estado. O interior (um conceito necessaria- mente falho em sua generalidade diante da diversidade de situaC~es no vasto ter- rit6rio paraense) poderb dar o mesmo recado que a capital esti mandando aos politicos atrav~s das sondagens previas? Certamente nio. Mas a 2rnsia de renova- 950 parece permear todos os redutos elei- torais. Pode at6 ser imprecisa, nio ter dire~go certa ou mesmo estar completa- mente equivocada, mas a busca existe. E o que explica, ao menos em parte (a visivel), o crescimento da candidatura de Duciomar Costa, o mais cotado para dividir com Edmilson Rodrigues a cedula eleitoral no 2"turno em Bel~m, eque che- gou mais perto dele do que podia imagi- nar a vi filosofia petista. O eleitorado terAi motives para se arrepender dessa oppgo no future. O governador Almir Gabriel poderb pagar carol por essa alianga e isso, nho apenas em sentido figurado. Mas o eleitor, desesperangado, maltrata- do e muitas vezes enganado por aqueles aos quais destinou seu voto no passado, parece disposto a aceitar o pior depois, desde que seja o diferente agora. Quer uma novidade, na esperanga de que ela mude uma-situaqio na qual ji nio acre- dita, ainda que estej a trocando o seis pela meia ddizia. Ou o Xm pelo 13. * JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 3 Bel~nm: da saudade ao tempo present Belem da Saudade, um album que mos- tra a Bel~m do inicio do s~culo em carties- postais da epoca, custa 100 reais e s6 cir- cula entire a elite. Ngo e sem raz~io: tem que custar carol mesmo, tal a qualidade da im- pressito e da edi~gio (272 paginas ricamente ilustradas, com capa dura e format gran- de). Mas o governor estaria fazendo um ex- celente investimento cultural se, ao tirar uma terceira edi~go, revendo-a e aumentan- do-a ainda mais, subsidiasse a distribui~go gratuita de exemplares por toda a rede pu- blica de ensino (ao menos de 2" grau) e uni- versidades, alem de centros de pesquisa e 6rgios de classes, incluindo-o na bibliogra- fla obrigatbria de referincia. Ao restringir as ilustragies a carties- postais, os organizadores do album (Rosa- rio Lima da Silva e Paulo Chaves Fernan- des) empobreceram o referencial iconogra- fico. Lacunas se tornaram inevitaveis, afe- tando a plena reconstitui~go visual da cida- de no apogeu da riqueza derivada da explo- raCio da borracha. Mas o trabalho e sufici- entemente bom para encher de saudade, tris- teza e melancolia 0 belenense que compare a sua cidade ao alvorecer do s~culo com a Bel~m deste entardecer. A cidade era, entio, a terceira mais im- portante do pais. A media da sua atual sig- nifica~gio est8 na ignorincia que lhe dedica a imprensa national ao tratar das eleigaes mu- nicipais. Ela niio foi incluida em nenhuma das rodadas de pesquisa do Jlornal Nacional, a janela eletr~nica do pais made in TV Glo- bo. Sua unica posiqilo de destaque em toda a campanha so aparece agora, nas paginas da revista Veja : tem o terceiro maior indice de candidates com processes na justiga; tam- bem esta em terceiro lugar quando esse nu- mero inclui apenas os processes por crimes graves, abaixo apenas de Salvador e do Rio de Janeiro (em posigies alternadas nas duas estatisticas). Quem vem a Bel~m, hoje, ainda pode perce- ber as marcas do projeto de metropolizagilo da cidade financiado pela borracha e conduzido por uma elite europeizada. Bel~m tinha import~incia decisive nIto sCporque aborracha era osegundo item na pauta de exportagies do Brasil, mas porque avontade de construir uma cidadeuinica, ao ser retomada, nbt comegou do zero. Ji havia o acervo deixado no s~culo XVIII pelo iluminis- mo pombalino, que aqui deixou sua segunda marca mais signific~ativa. Mas, ao contririo da outra, firmada em Minas Gerais, a daqui n~io dependia de uma base econ6mica, de uma produ~go existente: a urbanizaCio de Belem atendia a um impe- rativo geopolitico e a uma vision estrat~gica, tecidas desde os primbrdios da coloniza~gio. O retorno do investimento, se viesse, viria depois. Na cidade foi construida uma base para algo muito maior, que alguns interpre- tam como a provavel nova sede do imp~rio lusitano, mas que seria a sua ultima base co- lonial no continent americano. Por isso, Belem exibe uma cativante fei- Fgio europ~ia no album editado pela Secreta- ria de Cultura do Estado, um perfil inusita- do, original, encantador: voltada para dentro de si, e uma cidade europeia, portuguesa, barroca, um quisto cultural encravado na flo- resta tropical, que lhe serve de moldura, sem invadi-la. Ha algo semelhante no mundo? Nlo havia, 6 o que a mensagem visual dos car- tdes-postais transmite. O que sobrou e tilo pouco na visio dos que acompanham a desmontagem dessa he- ranga, desde antes e por dentro, mas e muito ao primeiro contato dos que aqui chegam com uma expectativa mais sensivel. Certamente, o que nito sucumbiu a essa selvagem destrui- 9110 urbana ainda 6 capaz de sustentar espe- rangas e alimentar proj etos de recuperag8o e restauragilo. Mas j amais voltaremos a ser o que fomos ate ha pouco tempo -e poderia- mos ter continuado a ser com um pouco mais de intelig~ncia, bom sensor e sensibilidade no trato da cidade. Niio surpreende que as declara95es pres- tadas pelo romancista amazonense Milton Ha- toum a Elias Pinto no Diario do Para soem t~io reconfortadoras e ilus6rias ao mesmo tem- po. E natural o amor a primeira vista a Belem porque a cidade e encantadora, ainda e uinica em seus escombros, vestigios e testemunhos sobreviventes. Esse elogio estrangeiro, vindo de fora ou mesmo de dentro das nossas fron- teiras, como o de Hatoum, pode reanimar o compromisso dos belenenses, ja um tanto (ou muito) desesperangados, embrutecidos pelos maus-tratos mantidos h6 d~cadas. Mas a mes- se excede a compreenslo do visitante, que ge- ralmente se restringe ao quadrilatero das man- gueiras. Ou que, ao transferir sua desilusto com a cidade de origem, tende a edulcorar a cidadleprojetada. E o caso da relagilo de Hatoum com Ma- naus. A capital bare sucumbiu g padroniza- Fgio e uniformizagilo a que o crescimento ar- tificializado da Zona Franca a induziu. Ela tem viadutos, ruas asfaltadas, funcionalida- de, estandardiza~gio, mas perdeu a alma -ou a vendeu na tenda do arrivismo e da mentali- dade mercantil. Virou uma sub-Hong-Kong amazinica. Chegar a Bel~m e sentir seu chei- ro, suas cores, seu casario colonial remanes- cente, a Cidade Velha parada no tempo (mas para cada casa ainda com valor arquitetinico ou hist6rico, ha 8 ou 9 ja descaracterizadas, sem falar nas que simplesmente ja foram pos- tas abaixo), e uma festa, o desabrochar de uma cidade com marca e registro pr6prios resistindo ao massacre, extra e intra-muros. Mas fora do quadrilatero das mangueiras e de seu apandice neocolonial, a miseria e a deteriora~gio do padrilo de vida nada ficam a dever a Manaus, ou a Calcuta. Nessa mate- ria, Belem foi ficando para tris no cenario nacional, tito desvalida que se entrega ao pri- meiro aliciador, a promesseiros primarios, mas ardilosos. Esta a frente de qual capital brasileira quando se trata de recolher e tratar o lixo, os esgotos, a agua, todos os servings basicos, as normas de convivincia, a digni- dade e a decincia cidad8 (que extrapole a lin- guagem propagandistica)? Quem viaja e faz comparagies chega a conclus~es desalenta- doras. Se ja fomos a terceira capital brasilei- ra, hoje estamos no rabo da fila, em alguma posi~go entire o l5" c o 20" lugar. Mas ainda somos a capital cultural, inte- lectual, cientifica e educational da Amaz6- nia. Se tentar criar uma cidade industrial ou reviver a fungo de entreposto commercial da regitio se tornaram metas alem do nosso al- cance, desenvolver os atributos que ja temos parece ser o caminho natural: Belem como espelbo e proj e~go do que vai pela bacia ama- z~nica e do que dela sai para o mundo. Mas como fazer isso? E quem devera fazer essa transidio? Antes disso: cad6 o projeto dessa transi~gio, capaz de preservar o acervo exis- tente e construir a nova base da hegemonia cientifica, t~cnica, cultural e intellectual de Belim, ajustada ao tempo atual e ao future, integrada ao esp ago mundial? Eis um tema para meditaq6es. Ainda mais porque ele nito esta na agenda dos candidates a elei~go deste ano, nem na agenda das elites dominantes da cidade. Ou seja: esta fora do horizonte projetavel. Mas, felizmente, ainda dentro do campo de invenglio humana. Da utopia. *) 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 Resistir engrandece a alma cessado uma vez. Foi em 1976. O governador Aloysio Chaves Aeterminara a instauraqio de inqu~rito policial para apurar a violan- cia da propria policia contra prisionei- ros que haviam escapade da lancha "Marta da Concei~go", a caminho da ilha de Cotijuba, onde provavelmente seriam torturados. A operaqio de re- captura tivera cenas de selvageria, do- cumentadas por toda a imprensa, inclu- sive o suplemento Encarte, que eu cri- ara e editava em O Liberal. Um dia, fui intimado a depor pelo pre- sidente do inqubrito, o entio major (de- pois coronel e secretario de seguranga puiblica, hoje advogado) Ant6nio Carlos Gomes. A entrada do quartel da Policia Military, na Gaspar Viana, fui chamado a um canto. A policia queria mesmo era acertar velhas diferengas com Paulo Ro- naldo (que viria a morrer quatro anos de- pois, fulminado por um enfarte durante uma dessas peladas de fim-de-semana, perigosas para os atletas eventuais). Paulo, oriundo da classes m~dia, muito inteligente, se tornou o mais brilhante dos rep6rteres de policia, um personagem tre- mendamente popular e, depois, deputado estadual (do PMDB) combative e pol8- mico. Gostava de comprar brigas, figura- das e reais. Fizera inimigos, alguns pode- rosos. Mas ngo se intimidava. Estava em baixa quando lhe pedi para cobrir a fuga dos press. Na volta da missio, conver- samos sobre o material. Ele estava re- voltado com o espancamento de homes imobilizados. Houvera at6 tiros em pes- soas ji capturadas. As fotos eram impres- sionantes. Dei-lhe pagina dupla. Escrevi um texto de apoio em outra pigina, ocu- pada com muitas fotos. Foi o material que mais influiu sobre a opiniio publica e o kinimo do governador. Como a unica assinatura era a de Pau- lo Ronaldo, o reporter de linha de frente naquela cobertura, eu podia escapar pela tangente, sugeriu o PM que me abordou antes de me ouvir formalmente. Para ser mais convincente, me mostrou as peas do process com os depoimentos dos jor- nalistas que me haviam antecedido (fui o ultimo a ser chamado). Todos admitiam que as fotos tinham sido produzidas para causar impact. Policiais e press havi- am simulado aquelas cenas, inclusive tiro real e expresses e gestos de pavor, em concluio com os rep6rteres. A viol~ncia policial era produto de manipula~go da imprensa, iria ser a con- clusio do inqubrito. Tudo inventado por Paulo Ronaldo, o subversive tentando se vingar da cassagio do seu mandate, im- posta pelo regime military em fungo de uma desafortunada campanha dele con- tra o "esquadrio da morte" da policia (centrada na denuncia de execugho de um bandido, o Indio do Maranhio, que acabaria aparecendo vivinho da silva). A policia ia, finalmente, colocar de novo Paulo atras das grades, por crime contra a seguranga national. Li, chocado, o que disseram meus co- le gas. Mas nio apenas sustentei que a violencia de fato existira, como assumi total responsabilidade pelo que publicara o suplemento de O Liberal. Afinal, eu nio era o editor? Logo, respondia pelo que havia editado. "Ah, e?", reagiu o ofi- cial, mudando de tom e de postura. Sen- tei-me, prestei as declaraq~es e, alguns dias depois, estava sendo planilhado na sede da Policia Federal, na Castelo Bran- co, sozinho, sem uma nota na imprensa. O inqubrito foi remetido pela PF A Auditoria Militar, Paulo e eu enquadra- dos na lugubre Lei de Seguranga Nacio- nal. Mas era tal o despautbrio (como cos- tuma aparecer na linguagem forense), que o auditor Juraci Reis Costa desqualificou os supostos crimes e mandou os autos para a justiga comum, onde igual foi a decisio adotada pelo promoter (hoje pro- curador) Ambrico Monteiro. Aquela far- sa foi parar no arquivo. Uns meses depois, em pleno carnaval no Pardi Clube, sou surpreendido por uma mgo no ombro e, ao virar, o abrago afetu- oso de Paulo, comemorando uma amiza- de que at6 hoje, completados 20 anos de sua morte, no ultimo dia 21, ainda me co- move e muito me honra. Continuivamos livres e soltos (quanto a lindos, ji 6 outra coisa). Brindamos essa irmandade ate o sol raiar. Ele nio soubera dos bastidores do process por mim. Mas, como exce- lente reporter que era, ficou sabendo. Passei por outros mementos dificeis ao long daqueles 20 anos de chumbo, vividos sempre dentro de uma reda~go jornalistica. Logo depois do atentado no Riocentro, fui o Oinico jornalista no ParB a descobrir e sustentar a cobertura do pro- testo solitario e enbrgico do coman- dante da principal unidade operative do Exercito no Estado, o 2" BIS (Batalhio de Infantaria de Selva), coronel Nivaldo de Oliveira Dias. O official nio se deixou enganar nem intimidar pela verso ofici- al, que atribuia o ato terrorist g esquer- da. Durante varios dias um home mus- culoso e de expresses duras (nio se iden- tificou, mas ficamos sabendo ser do ter- rivel DOI-CODI) foi a reda~go de A Pro- vincia do Parai, onde eu entio trabalha- va, perguntar por mim. Perguntava, recebia a resposta nega- tiva do Euclides Bandeira, nosso biotipo mais a altura (eu ficava la nos funds da redagio, s6 ouvindo), e ia embora, pro- metendo voltar. Era apenas intimida~go, mas bastava isso para algumas pessoas desistirem. A Provincia, entretanto, man- teve o noticiario. E O Estado de S. Pau- lo, do qual era correspondent, publicava o material com destaque. Demos tudo, ate a puniFio e o afastamento do valente coronel Nivaldo, hoje empenhado em ati- vidades humanitarias em Recife, sua ter- ra natal. For que essas hist6rias, carissimo leitor? Porque, apesar de tudo, das ameagas e do medo, pude desempenhar com muita dignidade e alguma competincia minha profissito ao long de todo O a~cido re gime military, dedicando-me integralmente a levantar e difundir informaqdes. Estava consciente de uma regra fundamental: nio ultrapas- sar os limits do meu oficio. Nunca me filiei a partido politico, nSio militei em or- ganizaCT~es de esquerda, nem entrei na clandestinidade, mesmo a ambivalente (como a de Fernando Gabeira, entire o Jornal do Brasil e a ALN). Aceitava esses limits porque nio concordava com a luta armada. Mesmo que pudesse ter simpatia por ela, por~m, nio estava (e continue nio estando) preparado para pratic6-la. Ajudei alguns amigos que haviam ul- trapassado essa linha divis6ria, mas per- maneci do lado digamos assim legal, sancionado, nio exatamente porque fos- se seguro, mas porque ali e que me iden- tificava e realizava profissionalmente. Certamente por isso nio sofri qualquer violtncia fisica, direta. As intimidagaes e JOURNAL PESSOAL Pa QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 5 e faz a vida valer a pena ameagas permaneceram num nivel supor- tavel para quem nio fosse um covarde, nem pretendesse aspirar ao heroismo. Era possivel ser decent e corajoso, realizan- do um trabalho sbrio, dentro dos limits toleraveis pelos dons do poder, contrari- ando-os e causando-lhes prejuizos, sem, contudo, ameaq-los de imediato (acaba- riam atingidos a long prazo, tendo que engolir uma quantidade crescente de con- trariedades at6 voltarmos a democracia - ou cairmos nela, como preferia Mill6r Fernandes). Durante os anos da ditadura military, participei ativamente do melhor journal al- ternativo desse period (e um dos mais importantes da histbria brasileira), o Opi- nid~o, comandado por Raimundo Rodri- gues Pereira. Integrei a equipe do me- lhor suplemento do jornalismo paraense da 6poca, em A Provincia. Criei e editei o journal que trouxe a vertente alternative para ca, o Bandeira 3. Dele passei para O Informe Amazdnico. Mantive uma co- luna assinada durante a maior parte do period. Escrevi mat~rias de denuncia e revelagio. Provoquei pol~micas, contra- riei fortes interesses.Mas nem uma s6 vez fui levado Bs barras dos tribunals. Mesmo o home mais poderoso des- sa quadra no Park, o ex-governador, ex- ministro e ex-senador Jarbas Passarinho, reagiu escrevendo cartas e artigos, revi- dando com palavras durissimas e susten- tando pol~micas que chegaram ao limited do decor civilizado e democritico, sem ultrapassa-lo uma unica vez que fosse, depois de raros mementos menos edifi- cantes ao inicio das nossas sucessivas contends, uma das quais em plena tele- visio, "ao vivo", no anoitecer daqueles critics anos 60. Ngo hS um texto meu sobre a privaci- dade dos meus personagens, sobre esca- ninhos de suas vidas desligados das fun- goes e papeis publicos que desempenha- vam. Nenhum texto catalogivel como sensacionalista, marrom. Algumas infor- macqdes que divulguei ou estavam erra- das ou nio estavam completamente cer- tas. Adiantei-me a corrigi-las, t9o logo verifiquei a imprecisio. Nenhuma com- prometia o que eu estava dizendo, alte- rando-lhe o sentido. Ningu~m teve sua manifestaeio cerceada ou proibida por mim. Nenhuma reposta ficou sem con- testa~go. N~o sai derrotado de nenhuma das muitas polbmicas em que me envolvi, ou ao menos em nenhuma delas joguei a to- alha. N9o desrespeitei ou humilhei nin- gu~m. Nenhuma palavra foi tio dura que cancelasse o cumprimento protocolar. No desenvolver da minha profissio, conquis- tei um grau de credibilidade que me con- fere a condigio de professional razoavel- mete competent. Jamais deixei de aco- lher o ponto de vista de quem pensa dife- rentemente, exigindo, entretanto, que o demonstrasse no jogo dos contrarios. Sempre acreditei que o vencedor e o melhor, ainda que eventualmente circuns- tincias externas possam influir sobre o resultado final. Saber perder e uma das supremas virtudes humans. Tirar liqbes da derrota e conquista de poucos dentre os muitos sobre a face da terra. A partir de 1992, sete anos ap6s a re- conquista da democracia, passei a ser acionado seguidamente perante a justiga, demands varias para autores poucos: cinco aqdes patrocinadas por Ros~ingela Maiorana Kzan, uma das herdeiras do imp~rio de comunicaq8es construido por Romulo Maiorana (com quem trabalhei durante 13 anos), tras por Cecilio do Rego Almeida e, mais recentemente, uma pelo desembargador Joho Alberto Paiva e outra pelo prefeito Edmilson Rodrigues (alem de mais uma, na justiga eleitoral, pela coligacgio eleitoral que promove a candidatura do alcaide, querendo obter direito de resposta para um direito que voluntariamente defend e respeito, ques- tio decidida a meu favor neste mis pelo TRE). Tudo comegou quando noticiei as gra- ves cisdes internal no grupo Liberal, uma das principals fontes de poder no Para~. A minha algoz nio contraditou as infor- maqdes que publiquei, recusando-se a exercer o direito de resposta que lhe pro- pus para o esclarecimento pdblico da ques- tio. Declarando-se atingida na sua hon- ra, iniciou sucessivas aq6es contra mim, a despeito de nenhuma refertncia alcan- gar o seu lar, os seus familiares, a sua vida privada, os aspects intimos da sua personalidade. Conflante na justiga, apresentei-me voluntariamente ao cartbrio para ser inti- mado tio logo soube da propositura da a~go (normalmente, recorre-se a qualquer forma de protelagio para alcangar a pres- cri~go). Todas as minhas testemunhas eram parents ou subordinados da auto- ra do process. Eu estava plenamente seguro das informag8es essenciais do noticidrio (uma e outra imprecisio secun- d~ria tratei de imediatamente corrigir nes- te journal) e da relevincia do assunto, que precisava ser comunicado ao publico pa- raense. Nunca fui desmentido. O passar dos anos confirmou o que, ji entio, tinha carter prof~tico. Uma competent profissionalizaqio, tentada sem maior empenho apenas uma vez des- de entio, teria poupado o grupo Liberal dos dissabores que agora enfrenta. A verdade nio faria mal as avestruzes se elas nio fossem avestruzes. Muito pelo contratio. Se, ao invds de enflar a cabe- ga em buracos, encarassem a realidade, ficariam em melhor condi~go. Enfrentei com discipline espartana os quatro processes seguintes e o crescente ceticismo e as desilusdes que ator- mentaram e ainda v~m atormentando minha vida particular e minha atividade professional. Mas a multiplicaqio de pro- cessos, que tomam como pretexto sensi- bilidades pessoais hipertrofiadas para tra- tar de claros casos de interesse publico, deixaram de ser uma via crucis individual para se tornarem um element de patolo- gia social, um component que perturba e pode at6 comprometer um dos eixos do regime democritico entire no~s. Esse eixo e a atividade jornalistica in- dependente. Sem ela, fica mais dificil ao cidadio exercer control sobre o funcio- namento das vastas engrenagens da md- quina do poder. O poder s6 se tornarai verdadeiramente democritico se os de- tentores dos cargos pdblicos estiverem ao alcance da sociedade que lhes delegou esses instruments decisbrios, o principal dos quais 6 a caneta que admite e demi- te, liberal ou ret~m recursos, sanciona ou cancela contratos. Com os prC~s e contras inevitiveis, um dos eixos de fiscaliza~go 6 o Minist~rio P~iblico, a inst~incia institutional com maior capacidade de iniciativa e o canal mais aberto para captar o barulho das ruas, que ressoa inutilmente pela consci~ncia do nosso presidente-sociologo. A imprensa tem proximidade ainda maior, se ela nio esti comprometida com as conexdes do seu neg6cio, as comerciais e as political, numa contaminaqio letal. A imprensa nio pode ser intimidada e coagida no exerci- cio da sua fungio puiblica. Foi salutar que a constituigito de 1988 relacionasse a liberdade de expresso aos direitos individuals do cidad~io no combat ao sensacionalismo, g exploraqio mercan- til, a extorsio e d chantagem atraves dos meios de divulga~go de massa. Mas essa inovagio no direito brasileiro nho pode ser- ) 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 ) vir, em movimento inverse, a que a dimen- sho subjetiva sofra distor~go convenient para calar o contracanto da critical, sem o qual o que sobra 6 um coro dos contents manipulivel pelos inquilinos e, jb a partir dai, dons inicos do poder. Como jornalista, sou um servidor do puiblico. Minha fun~go 6 auditar o que est~io fazendo aqueles que exercem car- gos e desempenham pap~is publicos, no governo ou na iniciativa privada. Este jor- nal nio existe para distribuir elogios ou realizar a agenda do entretenimento, em- bora ambas sejam necessarias atividades jornalisticas, comn direito ao pr6prio espa- go. Minha principal tarefa 6 confrontar o discurso official a realidade, buscando a correspondencia entire o que dizem que fazem os poderosos e o que eles efetiva- mente estio fazendo. Minha linguagem, portanto, 6 necessariamente critical, em- bora nio necessariamente negative. Em relagio ao grupo Liberal, o senti- do do meu acompanhamento seria fazer a familiar Maiorana e aderentes reconhe- cerem que estio sujeitos g critical tanto quanto tim o direito (mais do que isso: a obrigagio) de critical, sempre com co- nhecimento de causa; que fazem parte do poder, dele usufruindo g larga, desme- didamente at6, n~io sendo despropositado que arquem com o Bnus dessa serventia. Ngo podem pretender o monop61io da baladeira. N~o 6 legitimo excluir-se da condicgio de vidraga. Fracos e fortes que vio a chuva estso igualmente expostos a se molhar. As desigualdades favorecidas sio iniquas. Que as gguas rolem sobre todos, ao menos como possibilidade. O nexo causal entire as tr~s aq~es do empres~rio Cecilio do Rego Almeida e, agora, a do desembargador Jodo Alberto Paiva, e a dispute por um mundio de ter- ras entiree 4 milhaes e 7 milhaes de hec- tares), situadas no que resta de melhor na margem direita do rio Amazonas, no vale do Xingu, em territbrio paraense. O pol~mico empresario, nascido em Obidos e enriquecido no Parana, diz que essa area lhe pertence de direito, embora na origem esteja uma estrutura fundada em anacro- nismos, de conhecidos efeitos negatives na nossa hist6ria. JA as inst~incias oficiais com jurisdigio sobre a questio susten- tam, unanimemente, que essas terras constituem patriminio puiblico, apropria- das de forma illegal atrav~s de "grilagem". Hg que se respeitar direitos individu- ais tutelados pela lei, mas, at6 a 61ltima palavra da justiga, superveniente 6 o in- teresse coletivo. E o interesse da maio- ria converge para a posigio dos repre- sentantes do governor. De elementary pru- d~ncia 6 a preservaqgo da grea, tanto fisicamente quanto do ponto de vista le- gal, at6 a elucidagio do conflito em ins- tincia final, de tal maneira que o dano nio se torne irreversivel para o povo paraense e, por extensio, para todos os brasileiros, nio apenas para uma mi- crosc6pica fraqio deles, sejam mais ca- pazes ou mais vivaldinos. Tudo o que for dito a respeito, desde que guardada a consistincia dos dados e as formalidades da linguagem, deve ser dito de pdiblico, alimentando um debate que, travado atrav~s da imprensa, possa ajudar a definigio nos escalies instituci- onalmente decisbrios. E o que sempre tem feito o Jornal Pessoal, aberto B acolhi- da dos seus divergentes, opositores ou mesmo desafetos, tendo como aval esse ji long passado a que fiz rdpida referin- cia, suficiente, contudo, para denotar um conceito (ou ao menos uma intengdo) de seriedade, honestidade e respeito. Nio quero, com estas digresses, esca- par gbatalhajudicial, que venho travando e continuarei a travar, com meus limitadissi- mos meios, mas toda a minha disposigio, sempre que ela me for imposta. Quero ape- nas alertar o leitor para o significado do dano social que tais attitudes est~io provocando, nio s6 a esta publicaqio, privando seu re- dator solit~irio do tempo, da tranqiiilidade e das condigdes para o desempenho de sua fung~io de fiscal do poder (para g~udio dos poderosos inescrupulosos), mas B impren- sa como um todo. Alguma coisa ela tem a ver com o fim da imprensa alternativa, do jornalista de combat (nio o tresloucado, por~m), em plena democracia. Qual a pedagogia de uma persegui- Cgo que cala os critics e exalta os in- censadores do poder? Qual a ligio de di- reito que queixosos dio quando suas exa- cerbadas sensibilidades subj etivas servem de arrimo ao esmagamento de situacgdes objetivas, concretas, que dizem respeito a temas de interesse coletivo? O que re- sulta de levar para autos forenses um contradit6rio que deveria estar acessivel a todos nas pgginas de jornais, deslocan- do para recbnditos exclusives o que seria melhor se socializado? Antes de ser chamado a Brasilia pela CPI da Cimnara Federal, que examine a ocupagio de terras p~iblicas na Amaz~nia, para falar sobre o "caso C. R. Almeida", ji na condigio de testemunha e n~io mais de convidado (por haver faltado a primeira session, realizada em Bel~m), o desembar- gador JoSio Alberto decide me processar. Quer indenizaCio por dano moral, que ale- ga haver sofrido com minhas mat~rias so- bre sua decisio de restabelecer os regis- tros imobiliririos da Incenxil (atri~s da qual estai a corporaqio do empres~irio). Isto, sem ter feito uma s6 comunicag~o pdiblica so- bre o assunto e sem buscar a caracteri- zagio do alegado delito na esfera crimi- nal, com seu contradit6rio. O prefeito Edmilson Rodrigues des- denha da possibilidade de esclarecer seus municipes a respeito das critics que lhe fiz, em duas ediq~es extras deste journal, pelo patrocinio da imprensa marrom com os minguados recursos publicos de Be- 16m. Preferiu recorrer g tristemente fa- mosa lei de imprensa dos militares (de 1967), numa peca em que, mudada a as- sinatura, os alvos de sua linguagem infla- mada (nio tem muito mais do que ela) de ontem nio se sentiriam desconfortiveis rubricando-a. Mutatis mutandis, tudo permaneceu igual? Acusa-me o alcaide petista de ca- luniar, injuriar e difamar, sem me conce- der o privilegio de receber e publicar - uma carta dele, respond a verdade que trombeteia carregar consigo e possibili- tando ao distinto pliblico informar-se a respeito para former seu pr6prio juizo, tra- vando na praga, dominio do povo, o que ele quer tergar nos escaninhos do forum- de Bel~m. Esquecem meus algozes que sho, for- mal ou informalmente, pessoas puiblicas, devendo responder a tal condigio com uma contraprestagio de servings ao pu- blico, fonte de seu poder ou de sua rique- za. Tais pessoas nio querem reconhecer o povo como destiny de tudo aquilo que realizam quando deixam o limited de seus domicilios particulares, o sagrado reduto dos seus lares, onde jamais penetrei e cu- jos eventuais segredos nio me interessam. Do lado de fora, na arena social, es- pero continuar vivo e ativo para lembrar- lhes esse "outro lado", ainda que per- manegam recalcitrantes e ainda que me imponham as pesadas e ilegitimas penas que me tim acarretado. E mesmo que o povo, desatento para esses "detalhes", considerados como casos meramente in- dividuais, nio se dC conta do prejuizo que estb sofrendo. Essa desaten~go social explica o pa- radoxo de haver tanta information circu- lando no mercado paralelamente a tanta desinformaqio e desorienta~go coletiva, situaqio que tem nexo causal com o fimn da imprensa alternative, a mais critical e independent nos anos de chumbo, qua- se totalmente eliminada nos nossos dias democraticos. Formalmente democriti- cos, nio hB d~ivida. Mas dominados por falsos democrats, mediocres lideres po- pulares ou pessoas que desfiguraram por complete anopiode serving plblico, tanto quanto a de povo. Em nome de quem fa- lam, nio sem antes tirar-lhe a voz. *) JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 7 ao Brasil nio com alegria, mas com desconforto. Ja no Paeroporto do Galeso, antes de seguir para Slo Paulo, ver aquelas pes- soas bonitas circulando bem vestidas e despreocupadas me sufocava naquele dia de 1973. Eu deixara para tris os tiltimos dias de Salvador Allende no comando de um projeto socialist de- mocratico no Chile, o primeiro a dis- pensar a ditadura do proletariado, um atalho que nunca levava a realizaqio da utopia da igualdade, desviando-se pela tirania. Projeto claudicante, cheio de erros, mas intense, novo, vital. O Brasil vivia o apogeu do "milagre econbmico" do regime military, o PB crescendo ao redor de 10%, a introdu- 950o da televisio em cores, a loteria es- portiva, o consumismo financiado por petrod61,ares,que nos custariamumsan- gue disfargado, na forma de juros escor- chantessangria que n50 sentamospor- que drenada ataves dos assepticos e gla- mourosos agents financeiros. Mas san- gue. Eramos um povo desfibmado, volui- vel, presungoso, omisso, semumpro- jeto national, disposto a entregar a ca- bega a dangarina e delegar a terceiros todo opoderdecisdrio. Continuavamos a nos contentar com as bugigangas e quinquilbarias que nos oferecia-e con- tinua a oferecer-o colonizador apartir do primeiro contato. Essa mesma sensagio eu tive quan- do o tal do gol de ouro decidiu a par- tida para Camaries, nas quartas-de-fi- nal do futebol nas olimpiadas da Aus- tralia, na semana passada. Meu pri- meiro contato plenamente consciente com uma selegio brasileira de futebol foi aos 8 anos, na campanha da Copa do Mundo de 1958, que vencemos com toda a tranqililidade, entire os princi- pais motives porque enacatamos a ver- dade, assumindo a nossa verdadeira feigio racial. E~ inacreditivel, ainda assim, lembrar que Mazzolea jogou as duas primeiras partidas com a camisa 10, enquanto o garoto mais genial que ja houve no futebol, Pele, com 18 anos, sentava no banco dos reserves. Que o magnifico Djalma Santos, o melhor za- gueiro na sua posi~go em todos os tem- pos, ficou ali ate aultimapartida, quando se tornou impossivel manter De Sordi como titular. Que Garrincha perdeu a camisa 7 porque brincara durante um jogo preparatt~rio na Europa. no qual apliciramos uma goleada desmoraliza- dor noadversatio, desmoralizadomr tem fungli do clown de pernas tortas. Todos esses absurdos foram denun- ciados por M~irio Filbo, o irmio mais velho de Nelson Rodrigues, no anto- 16gico O Negro no Futebol Brasilei- ro, livro que todo torcedor deveria ler para nlio virar escravo do radinho de pilha e da viciada cr6nica esportiva sibilidade de ser estrelas solitarias - e, mesmo, de ser gente. Decidi acrescentar estas ociosas li- nbas as milhares que ji brotaram e con- tinuario a borbulbar em toda a im- prensa brasileira porque aquela foi uma das manbis mais tristes para mim nos uiltimos anos. Em parte, era o orgulho ferido, a humilhagio inesperada-e, se posso ousar, unerecida. Mas tamb~m porque senti que simplesmente culpar a delegagilo futebolistica era transfor- ma-la em bode expiati~rio, um conve- niente boi de piranha a nos poupar da- quilo que nio serve de honra a quem dela tem um conceito mais nobre: ser manada. A manada passard se atribuir- mos toda a culpa aos jogadores e diri- gentes, mas continuarid sillva porque foi tocada por quem a comanda e a domina. Ou seja: porque faz o que lhe determinam. Porque 6 manada. AorganizaCq~iroftebolisticacomoum todo terid que entrar em confissio e ini- ciar uma revisio em profundidade se quiser escapar a um rebaixamento ca- paz de tirar do Brasil a primazia nesse setor do mercado dos esportes, desva- lorizando os passes dos jogadores, de- sinteressando as plat~ias, rebaixando os caches de jogos e toda a engrena- gem de prazer e dinheiro que depend desses elements. Mas esse 6 o aspect secundario da questio. O futebol entrou na sua mais grave crise desde otetracampeonato, de- senadeadaapartirdaquela inexplicadae melanc61ica perda do quinto titulo, na Franga, porque um craque amarelou, o outro fofocou, um terceiro gelou e oque era uma esquadra virou um circo. Mas essa crise e apenas um retrato em 3 por 4, na escala microsci~pica, da crise na- cional. Essa crise maior pode ser parci- almente traduzida em mimeros, quanti- 1icaqdes. Mas ba uam component quali- tativo fundamental, que mant~m o esta- do de anemia social mesmo quando, finalmente, se consegue controlar a in- flagilo, estabilizar amoeda emanteruma estrutura produtiva capaz de resistir a al guns abalos maiores. Essa dimension qualitativa diz res- peito a pessoa, ao povo, so que esti contido em sua cabega e ativa o seu coraqio, circulando por suas artbrias e penetrando em suas fibras, algo imate- rial que tomou conta de mim ao con- templar aquelas tristes figures de atle- tas se arrastando como sombras pelo gramado australiano e sentir, na mais intima segito de mim, que eles nio me representam, nem me projetam. Sen- tindo, mais uma vez, agoma com todaa forga dos instintos, sensagbes e per- cepg8es, que nio 6 apenas um novo mundo do futebol que precisamos re- criar, mas todo este pais, amarelo e medroso como as aves canarinbas da arribaQiono gramadoaustraliano. () (com suas nobres exceq6es, 6 claro). Mesmo cedendo espago para os des- cendentes dos africanos escravos, que fomos o ultimo povo do continent a libertar de sua vil condigio, 6 espanto- so s6 o terms feito 20 anos depois da passage de Le6nidas da Silva pela sele~go national e de uma geraqio de atletas que continuariam marginaliza- dos se entire os "cartolas" nio houves- se gente mais sensivel como Feola e o "marechal" Paulo Machado de Carva- lho (para contrapor toler~ncia a arro- gincia, que ainda e a marca dos cha- mados "paredos"). Os titulares desbancados em 1958, porem, nio eram ruins, nio eram atle- tas sem fibra, no geral. Excetuando Mazzola, que deliberadamente se pou- pou, hipnotizado pela promessa de montanhas de liras no futebol italia- no, pioneiro nesse intercimbio, to- dos os demais gastavam seu abundan- te talent e suavam a camisa. Esta era uma condi~go fundamental, ao lado da competincia: saber honrar uma das poucas marcas brasileiras admiradas e respeitadas por um mundo domi- nante que s6, nio nos ignora quando conseguimos ser ext~ticos, bizarros ou estranhos em nossa condi~go inferior, admitindo-a como pressuposto (do que e um exemplo emblematico nos- sa Carmen Miranda, entire bananas e abacaxis sobre a cabega, util apenas para suportar o aderego tropical). Nso me lembro mais se foi a camisa de Jair da Rosa Pinto ou de Zizinho (acho que foi a do primeiro) que os torcedores do Flamengo queimaram, em solenidade p~iblica, na dtcada de 50 (a do segundo tricampeonato rubro- negro) porque a teriam encontrado en- xuta ao final de um classico carioca. As portas do clube se fecharam para o cmaque (qualquer um dos dois era genio da bola). Ngo seria essa a destinaqio que deveriamos ter dado imediatamente a camisa de Alex, o capitio da sele~go olimpica bralsileira na Australia? O home era um zumbi em campo, perdido, disperse, sem vontade, a ex- presslo da covardia que congelou a alma de atletas debilitados pelo espi- rito mercendirio, amolecidos pelo tra- tamento bovinamente compassion da imprensa, supervalorizados no contra- plano de uma mediocridade generali- zada, daperda dos referenciais. Nis os tivemos a partir de 1958, ate que a obtusidade tecnocratica, disseminada durante os govemos militates, de mis dadas com o gangsterismo de sempre do "alto comando" do futebol brasilei- ro, nos isolou na- cada vez mais falsa -presungiode auto-sufici&ncia, de su- premacia natural, filhos que somos de Deus, gigantes pela pr~pria natureza que adormeceram em ben~o esplandido. Essa desfibrada selegiode futebol 6 uma amostma perfeita do Brasil de boje. E triste encara-la assim, em sua situa- gio0 especifica e no seu papel de mode- lo. Pessoas como eu, que ji participa- ram de competigies dentro deum cam- po de futebol de dimens~es oficiais, que desenvolveram sua visbt de mun- do em contato com esse apaixonante esporte (ainda sei de cor formaFges in- teiras de tines de futebol, brasileiros e estrangeiros), jamais imaginaram tes- temunhar um dia sua selegio ser derro- tada por uma selegioafricana, sem ter conseguido fazer um gol ao long de 23 minutes em que a relagi era de 1 1 jogadores nossos contra 9 deles. Mas quem ia em cima, quem estava confi- ante, quem tinha o at da vit6ria? Os africanos e no n6s. Falo africanos sem desd~m, sem su- por uma superioridade qualquer. A dife- renga esta na nossa culture futebolisti- ca, transmitidaha geraqdes, depurada, aperfeigoada.Negros, sejam africanos como brasileiros, timuma estrutura fi- sica que os predisp8e melbor para o futebol do que os brancos, sem ser, po- rem, um fator determinante (ao contrai- rio do que insinua um novo tipo de preconceito). Enquanto falta aos africa- nos um control melhor daprC~priafor- ga (por isso ainda slio t5io faltosos) e uma aplicaqio ttica, derivada da nopio de conjunto, n6s teriamos tudo isso, negros e brancos, se os nossos atletas continuassem aformar uma constelagio ou um arquip61ago -um verdadeiro time, para ser mais simples. Mas nossos supostos craques se tor- naram desmedidas ilhas de vaidade, esnobismo e mercantilismo, egos imen- sos em minimos eus. A camisa, que era divisa e bandeira, virou detalhe, como, em nosso pais, virou circuns- tincia ou inconveniancia tratar dos in- teresses nacionais, dos que nio inte- gram a nossa "turma", as dezenas de milh~es de cidadios privados da pos- S(Ig g g( I r I c l(l S Jornal Pessoal Editor: Lujcio FI~vio Prnlo* Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (lav) Contato: Tv.Benlamin Constant 845/203;66.053-040 e-mail: lornal~amazon.com.br Ediqao de Arte: Luizantonlodefariapintol230- 1304 Ponte O Cons6rcio Novo Guama ganhou a concorrincia publica para a constru~go da ponte sobre o rio Guama, a principal e mais cara obra da chamada "alga vibria" (liga~go por terra de Belem a Barcarena), no valor de 80 milhdes de reais. Na ultima quinzena da campanha eleitoral, o cons6rcio comprou 175 mil camisas de malha. Ao prego de R$ 1,50 a unidade, a partida saiu por R$ 268 mil (mais de 0,3% do valor bruto da obra). A vendedora, a Sul Fabril, de Santa Catarina, enviou a encomenda em tris remessas sucessivas (de 75 mil, 75 mil e 25 mil camisas). Para se ter uma id~ia do neg6cio, as Lojas Americanas compram cinco mil camisas desse tipo por mis para tender o mercado de Belem. Pelo jeito, de decamisados os futures operarios da ponte nio vio poder ser chamados. Mas correm o risco de serem tratados como azulinos. Correg~o A Eletronorte pagou a Camargo Corrba R$ 58,8 milhdes pela recuperacqio e complementagio do canteiro de obras da hidrel~trica de Tucurui, em seis prestacqdes mensais e nio anuais, como saiu no JP 243, pagina 6. Ali funciona um canteiro e nio um cartdrio, como escrevi (pensando na via crucis forense, certamente) embora, em certo sentido filgurado, nilo deixe de s6-lo. Mas a ironia foi involuntaria. Assim como o cochilo. Perdio, leitores. ~( 1.I~~~i ssa em frente ao belo :Faciola, na esquina da .a Nazare com a Dou- foraes, pode experi- Itar duas sensagdes. alivio, pela iniciativa prefeitura de evitar o :sabamento do predio. `~e consternaqio, pela 1 C :mora dessa iniciativa. ; amarraqdes metili- as deixam, mesmo no 5 9 leigo, a impressio do dano talvez irrepar8- vel aos tragos origi- ~c ~ i,,. ; ~ 1Hl~, p nais da construgho, que jB cedeu bastan- Ste, provocando ra- chaduras mais pro- 2das nas paredes. ?or isso, e com o sensor ;6ncia que alerto para id~ntico que esta se- I das duas construgdes :culo, na esquina da rua >m a Ledo XII, no cen- tro commercial da cidade. A cada dia au- mentam as fissuras na parede frontal do lindo predio de quatro andares, que, ao lado do seu irmio siam~s do outro lado e da Paris n'Ambrica, mais em frente, trouxe um pedago de Paris para Bel~m, integrando um dos poucos conjuntos arquitetini- cos que ainda sobrevive no "Belocentro" de outrora. Vamos esperar que rache de vez? Carts Lucio, Manifesto minha solidariedade aos 13 anos de Jornal Pessoal, ainda que um pouco forade ~poca, pormoti- vos que nio convem mencionar. Contudo, como a razio da minha solidariedade transcende as circuns- tincias e o tempo, vale a pena registrar e confirmar a minha admiraqio eapoio ao papel que exerces como jornalista competent, nas refer~ncias aos problems politicos ou de outra natureza da nossa terra. Teu trabalho pode ser comparado a uma chama tenue, alimentada por azeite, tipo da luz do SS Sacra- mento, perdida na escuridio da ignorincia, dos pre- conceitos e, sobretudo, do desinteresse pelo patri- m~nio puiblico, mas capaz de ser um referencial de credibilidade e de coerincia. Espero e fago votos que continues perseverante. Um abrago, Armando Avellar Estimado Lxicio Flvio Pinto, Sou leitor do "Jomal Pessoal" desde o primeiro mi- mero, em 1987, ano em que comecei no jomalismo professional. Tambem naquele ano, em novembro, eu completava 20 anos e fazia parte de uma geraqio de estudantes para a qual o Brasil nso tinha jeito por- que, para qualquer lado que olhissemos, o que via- mos era problemas-politicos, econbmicos, socials - e pouca esperanga de solug6es. Eu havia conhecido voc2 pessoalmente alguns anos antes, como uma referencia de compettncia paraense apontada pormeu pai, e respeitava o teu trabalho. Ap6s a morte do R~mulo Maiorana e a tua said de "O Liberal" para fazer o "Jornal Pessoal", a tua insist~ncia em fazer jomalismo serio, comprometido com os leitores, fez o teu trabalho passar de refer~ncia a paradigma para mim porque passei a ter um padrso professional para alcangar, objetivo que continue empenhado em atin- gir. E muito bom poder dizer a amigos, conhecidos e colegas de profissio fora do Pard que o "JP" ja conquistou dois pr~mios nacionais da Fenaj, entire outras distingaes. Espero um dia poder dizer que, tal como vocC e o professor Benedito Nunes, consegui elevar o nome do Pardi. Parab~ns pelo 13P ano do "JP". Salide e Paz para vocC e a equipe do teu jornal. Do colega de profissio, Paulo Oliveira Cobranga Depois que o prefeito Helio Gueiros inaugurou, com fogue- t6rio e fanfarra, seis quadras de asfalto na rua Ant6nio Bar- reto, agora 6 a vez do prefeito Edmilson Rodrigues inaugurar um dos tr~s andares do Pala- cete Bolonha. Ngo ha duvida sobre o m~rito da iniciativa municipal, interrompendo o sono profundo das administra- 95ies anteriores em relagio ao valioso pr~dio. E a propagan- da eleitoral razso suficiente para essa pantomima, que compromete o tom de serie- dade sem o qual a perenidade desse tipo de trabalho fica ameagada? A propbsito: bem que o Iphan (Instituto do Patrim~nio Hist~rico e Artistico Nacional) podia informar quem fez a pin- tura e a (ma) maquilagem da casa rosa (ou rosada), a mais valiosa das edificagdes colo- niais, na primeira rua de Be- lem, a Siqueira Mendes. Ja comego a achar que essa in- tervengdo foi realizada com a intenCio de aplacar os ~inimos e desviar a cobranga de uma restauraqio para valer. |
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