Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00194

Full Text






LUIjC O F LA VIO PIN TO
ANO XIV NP 244 1L QUINZENA DE OUTUBRO DE 2000 R$ 2,d00 -~ l.

ELEI('ao







Mesmo se reeleger Edmilson Rodrigues, o eleitor de Belim estard' dizendlo um na~o ais velhas
liderangas poli'ticas do Pardi. O atual prefeito ainda consegue encarnar algumas das
esperangas que o fiz~eram vencer a dispute hd quatro anos, gragas a obras populares, ao
carisma do partido e ao uso da mdquina municipal.
Mas o crescimento das opg~es por Duciomar Costa
~-/-~..~..~serve de alerta para a eleigdo
--- ) de 2002, cuja campanha jd


g um elo de ligagio entire as
eleiqdes de 1996 e de 2000
em Bel~m: o povo da capital
paraense nio quer o retorno
kldas velhas liderangas politi-
cas do Estado. Qualquer que venha a ser
o resultado da vota~go do dia 1', os mai-
ores nomes do poder estadual ja foram
derrotados. Com uma campanha milioni-
ria e acabando por se envolver diretamen-
te na propaganda, o que ate entio os mar-
queteiros vinham evitando, o governador
~CAlmir Gabriel nio conseguiu colocar o
Pt seu candidate, o deputado federal Zenal-


do Coutinho (PSDB), no parreo decis6rio.
Desses limits sempre permaneceu de
fora o candidate do senador Jader Bar-
balho, o ex-prefeito Augusto Rezende
(PMDB). Boicotado pelo maior grupo de
comunicqq5io do norte do pais e alcanga-
do pelos respingos do alto indice de rejei-
~go ao ex-governador H61io Gueiros, o
deputado federal Vic Pires Franco (PFL)
dilapidou o patriminio derivado da condi-
Fgo de ter sido o parlamentar mais bem
votado em Bel~m na ultima elei~go.
A reelei~go de Edmilson Rodrigues,
ji no primeiro turno, ou apenas no segun-


do turno, confirm essa tend~ncia: o can-
didato do PT se manteve como favorite
provavelmente porque ainda nio esta
identificado com os velhos caciques poli-
ticos (ou ainda nio 6 identificado como
tal pela maioria dos eleitores).
Ai forga de obras disseminadas pela
cidade (virias realmente populares, mas
muitas delas nitidamente eleitoreiras), de
uma propaganda massive, da mistica que
ainda subsiste em torno da legend do seu
partido (principalmente quanto a honesti-
dade) edo uso da maquina official, Edmil-
son suportou os efeitos da campanha sem )






2 JOURNAL PESSOAL Pa QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000


) cair de uma posi~go pri~xima da metade
das prefer~ncias uas pesquisas de opinion,
que, desta vez, assumiram a fei~go de
autintico caso de policia.
A uma semana da elei~go, faltavam
dados seguros para prever se realmente
seria factivel uma defini~go no l' turno.
Apesar dessa margem de incerteza, o
grupo Liberal nio vacilou em abrir man-
chete de primeira paigina, na ultima edi-
Fgo dominical, proclamando a inevitabili-
dade do 2" turno, com uma surpreenden-
te reviravolta: a vitbria de Duciomar Cos-
ta, nominalmente candidate do PDS, mas,
na verdade, uma esp~cie de PSDB do B,
sobre Edmilson Rodrigues.
A intense atua~go das Organizaqbes
Romulo Maiorana nos bastidores do pro-
cesso eleitoral deste ano em Bel~m cons-
tituiu um capitulo B parte, uma marginalia
capaz de criar um campo gravitacional
pr6prio, muito al~m do alcance da justiga
ou do ordenamento administrative publi-
co. O grupo Liberal perseguiu varios ob-
jetivos. Conseguiu dois deles: inibir o cres-
cimento da candidatura de Vic Pires
Franco, interditado pela familiar Maiora-
na como seu inimigo preferencial, e criar
um trampolim para Duciomar Costa se
projetar. Um outro foi s6 parcialmente
obtido: frear o crescimento de Edmilson
(sabotagem apenas iniciada e abortada).
O ultimo dos alvos se frustrou: viabilizar
a candidatura de Zenaldo Coutinho.
O fracasso do esquema do govemna-
dor 6 uma das principals conseqilincias
da dispute em Bel~m. Mesmo sendo o
governante que mais obras realizou na
capital nos uiltimos anos, uma das quais, a
macrodrenagem das baixadas, de efeito
multiplicador expressive, Almir Gabriel
nio conseguiu transferir para Zenaldo os
dividends politicos politicos das realiza-
95es administrativas.
Ao aparecer na propaganda eleitoral
defendendo seu candidate, sem faz6-lo
subir na preferdncia dos eleitores entre-
vistados pelas pesquisas, exp~s-se aos
mesmos desgastes: o povo que lhe di
apoio como administrador nio vota (ou
n9o vota na mesma propor~go) nele como
politico, ou em seus aliados. Ao que pa-
rece, o governador ji entrou na faixa de
desgaste em que se encontram as lidle-
rangas political mais antigas do Par6.
Esse 6 um dado significativo para a
pri~xima eleigio, de 2002. Indica que Al-
mir Gabriel precisard de uma boa base
de sustenta~go se quiser se eleger sena-
dor. Tendo que se desincompatibilizar do
govemno, precisard deixar em seu lugar
algu~m de extrema conflanga e de algu-
ma compet~ncia, que nio o atrapalhe e
possa multiplicar os votos. Quem se aco-


moda melhor nesse figurine 6 o vice-go-
vemnador, Hildegardo Nunes.
O problema e que Hildegardo 6 do
PTB e nio do PSDB, j6 esta montando
um esquema de poder independent para
segurar a sua candidatura (provocando
ciumada entire os tucanos) e tem um ape-
tite voraz. Almir poderd barr8-lo se deci-
dir permanecer no cargo at6 o fim do seu
mandate, escolhendo outro nome para
suced6-lo. Ainda restaria a alternative da
rebeliho para o filho do ex-governador
Alacid Nunes, mas ela o deixaria enfra-
quecido (com o agravante de possiveis
mudangas na legisla~go eleitoral para
acabar com a reeleigio ou impor a desin-
compatibilizagio a todos os candidates).
O govemnador ainda tem tempo, em-
bora nio muito, para encontrar um nome
conflivel com maior densidade e melho-
res atributos do que Zenaldo Coutinho
para contrapor a Hildegardo no Hmbito
da sua coligagio, ou, nio conseguindo
essa solugho, sacrificar os sonhos sena-
toriais e continuar a comandar a maquina
estadual para colock-la a servigo de uma
candidatura de circunstincia. Mas jb ad-
vertido, pela dispute deste ano na capital,
de que fi~rmulas migicas, como a que
permitiu a elei~go de Luiz Otivio Cam-
pos, o "senador do governador", nio sio
etemnas, nem universals.
Ja o senador Jader Barbalho nem esse
tempo minimo tem mais. Ngo por mero
acaso, ele j6 comegou sua campanha elei-
toral para tentar voltar (pela terceira vez)
ao governor do Estado ou retomnar ao se-
nado alternativea cada vez mais remota),
em 2002. Jader deve saber que em al-
guns redutos seu indice de rejeigrio au-
mentou e, em outros, o que se elevou foi
a taxa de esquecimento do seu nome. Ele
ja est8 bem perto daquele caminho sem
volta que fulminou a carreira de Jarbas
Passarinho quando ele se distanciou da
base eleitoral e, com isso, referendou, pela
omiss~io, o discurso dos adversirios.
Por mais que consiga a presid~ncia do
senado e se manter a luz dos refletores
da imprensa, e pouco provavel que a car-
reira national de Jader VA mais long de
onde se encontra agora. Sustenti-la per-
manecendo mais tempo em Brasilia 6
expor-se ao mesmo risco de Passarinho.
Trocando Bel~m pelo interior, Jader esti
tentando recuperar ou consolidar suas fon-
tes de votos, enquanto usa Augusto Re-
zende como se fosse um apagador dos
borr~es que mancham a sua imagem na
capital, na expectativa de ainda poder res-
guardar um tergo dos votos nesse reduto.
Bel~m ji s represent pouco mais de um
quinto do col~gio eleitoral paraense. Mas,
se nio garante uma elei~go majoritbria,


pode inviabiliza-la, caso o indice de rejei-
950o do candidate na capital chegue a um
indice muito alto, para onde aponta uma
tendtncia em relagBo a Barbalho.
Se efetivamente desviar seu rumo do
senado para o governor do Estado, e qua-
se certo que Jader vi encontrar Edmil-
son no caminho. O prefeito armou sua
alianga political prometendo ficar no car-
go ate o fim e apoiar outro nome para o
govemo, sua correligionaria Ana Julia
Carepa ou o senador Ademir Andrade
(PSB). Mas essa e uma hist6ria da caro-
chinha. Reeleito, ele dard o pass que falta
para apresentar sua candidatura como a
primeira do PT com possibilidades reais
de vitbria na principal dispute no Estado
dentro de dois anos.
Sairai de Belem comnmais votos do que
qualquer outro concorrente. Mas, e o in-
terior? O governador Almir Gabriel ter-
minarb a elei~go municipal deste ano com
a maior fatia dos votos, mas poderio es-
tar com Jader Barbalho alguns dos prin-
cipais col~gios (como Santar~m, Mara-
bai, Tucurui e Castanhal). A participa~go
do PT nesses currais ainda seri residual,
a mais expressive, entretanto, de toda a
hist6ria do partido. Jg tendo percorrido al-
guns dos municipios, Edmilson devera
dedicar boa parte do tempo na nova ges-
tio, se a obtiver, para ampliar seu raio de
expectativas no Estado.
O interior (um conceito necessaria-
mente falho em sua generalidade diante
da diversidade de situaC~es no vasto ter-
rit6rio paraense) poderb dar o mesmo
recado que a capital esti mandando aos
politicos atrav~s das sondagens previas?
Certamente nio. Mas a 2rnsia de renova-
950 parece permear todos os redutos elei-
torais. Pode at6 ser imprecisa, nio ter
dire~go certa ou mesmo estar completa-
mente equivocada, mas a busca existe.
E o que explica, ao menos em parte
(a visivel), o crescimento da candidatura
de Duciomar Costa, o mais cotado para
dividir com Edmilson Rodrigues a cedula
eleitoral no 2"turno em Bel~m, eque che-
gou mais perto dele do que podia imagi-
nar a vi filosofia petista. O eleitorado terAi
motives para se arrepender dessa oppgo
no future. O governador Almir Gabriel
poderb pagar carol por essa alianga e
isso, nho apenas em sentido figurado.
Mas o eleitor, desesperangado, maltrata-
do e muitas vezes enganado por aqueles
aos quais destinou seu voto no passado,
parece disposto a aceitar o pior depois,
desde que seja o diferente agora. Quer
uma novidade, na esperanga de que ela
mude uma-situaqio na qual ji nio acre-
dita, ainda que estej a trocando o seis pela
meia ddizia. Ou o Xm pelo 13. *






JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 3





Bel~nm: da saudade




ao tempo present


Belem da Saudade, um album que mos-
tra a Bel~m do inicio do s~culo em carties-
postais da epoca, custa 100 reais e s6 cir-
cula entire a elite. Ngo e sem raz~io: tem que
custar carol mesmo, tal a qualidade da im-
pressito e da edi~gio (272 paginas ricamente
ilustradas, com capa dura e format gran-
de). Mas o governor estaria fazendo um ex-
celente investimento cultural se, ao tirar
uma terceira edi~go, revendo-a e aumentan-
do-a ainda mais, subsidiasse a distribui~go
gratuita de exemplares por toda a rede pu-
blica de ensino (ao menos de 2" grau) e uni-
versidades, alem de centros de pesquisa e
6rgios de classes, incluindo-o na bibliogra-
fla obrigatbria de referincia.
Ao restringir as ilustragies a carties-
postais, os organizadores do album (Rosa-
rio Lima da Silva e Paulo Chaves Fernan-
des) empobreceram o referencial iconogra-
fico. Lacunas se tornaram inevitaveis, afe-
tando a plena reconstitui~go visual da cida-
de no apogeu da riqueza derivada da explo-
raCio da borracha. Mas o trabalho e sufici-
entemente bom para encher de saudade, tris-
teza e melancolia 0 belenense que compare
a sua cidade ao alvorecer do s~culo com a
Bel~m deste entardecer.
A cidade era, entio, a terceira mais im-
portante do pais. A media da sua atual sig-
nifica~gio est8 na ignorincia que lhe dedica a
imprensa national ao tratar das eleigaes mu-
nicipais. Ela niio foi incluida em nenhuma
das rodadas de pesquisa do Jlornal Nacional,
a janela eletr~nica do pais made in TV Glo-
bo. Sua unica posiqilo de destaque em toda a
campanha so aparece agora, nas paginas da
revista Veja : tem o terceiro maior indice de
candidates com processes na justiga; tam-
bem esta em terceiro lugar quando esse nu-
mero inclui apenas os processes por crimes
graves, abaixo apenas de Salvador e do Rio
de Janeiro (em posigies alternadas nas duas
estatisticas).
Quem vem a Bel~m, hoje, ainda pode perce-
ber as marcas do projeto de metropolizagilo da
cidade financiado pela borracha e conduzido por
uma elite europeizada. Bel~m tinha import~incia
decisive nIto sCporque aborracha era osegundo
item na pauta de exportagies do Brasil, mas
porque avontade de construir uma cidadeuinica,
ao ser retomada, nbt comegou do zero. Ji havia
o acervo deixado no s~culo XVIII pelo iluminis-
mo pombalino, que aqui deixou sua segunda
marca mais signific~ativa.


Mas, ao contririo da outra, firmada em
Minas Gerais, a daqui n~io dependia de uma
base econ6mica, de uma produ~go existente:
a urbanizaCio de Belem atendia a um impe-
rativo geopolitico e a uma vision estrat~gica,
tecidas desde os primbrdios da coloniza~gio.
O retorno do investimento, se viesse, viria
depois. Na cidade foi construida uma base
para algo muito maior, que alguns interpre-
tam como a provavel nova sede do imp~rio
lusitano, mas que seria a sua ultima base co-
lonial no continent americano.
Por isso, Belem exibe uma cativante fei-
Fgio europ~ia no album editado pela Secreta-
ria de Cultura do Estado, um perfil inusita-
do, original, encantador: voltada para dentro
de si, e uma cidade europeia, portuguesa,
barroca, um quisto cultural encravado na flo-
resta tropical, que lhe serve de moldura, sem
invadi-la. Ha algo semelhante no mundo? Nlo
havia, 6 o que a mensagem visual dos car-
tdes-postais transmite.
O que sobrou e tilo pouco na visio dos
que acompanham a desmontagem dessa he-
ranga, desde antes e por dentro, mas e muito
ao primeiro contato dos que aqui chegam com
uma expectativa mais sensivel. Certamente,
o que nito sucumbiu a essa selvagem destrui-
9110 urbana ainda 6 capaz de sustentar espe-
rangas e alimentar proj etos de recuperag8o e
restauragilo. Mas j amais voltaremos a ser o
que fomos ate ha pouco tempo -e poderia-
mos ter continuado a ser com um pouco mais
de intelig~ncia, bom sensor e sensibilidade no
trato da cidade.
Niio surpreende que as declara95es pres-
tadas pelo romancista amazonense Milton Ha-
toum a Elias Pinto no Diario do Para soem
t~io reconfortadoras e ilus6rias ao mesmo tem-
po. E natural o amor a primeira vista a Belem
porque a cidade e encantadora, ainda e uinica
em seus escombros, vestigios e testemunhos
sobreviventes. Esse elogio estrangeiro, vindo
de fora ou mesmo de dentro das nossas fron-
teiras, como o de Hatoum, pode reanimar o
compromisso dos belenenses, ja um tanto (ou
muito) desesperangados, embrutecidos pelos
maus-tratos mantidos h6 d~cadas. Mas a mes-
se excede a compreenslo do visitante, que ge-
ralmente se restringe ao quadrilatero das man-
gueiras. Ou que, ao transferir sua desilusto
com a cidade de origem, tende a edulcorar a
cidadleprojetada.
E o caso da relagilo de Hatoum com Ma-
naus. A capital bare sucumbiu g padroniza-


Fgio e uniformizagilo a que o crescimento ar-
tificializado da Zona Franca a induziu. Ela
tem viadutos, ruas asfaltadas, funcionalida-
de, estandardiza~gio, mas perdeu a alma -ou
a vendeu na tenda do arrivismo e da mentali-
dade mercantil. Virou uma sub-Hong-Kong
amazinica. Chegar a Bel~m e sentir seu chei-
ro, suas cores, seu casario colonial remanes-
cente, a Cidade Velha parada no tempo (mas
para cada casa ainda com valor arquitetinico
ou hist6rico, ha 8 ou 9 ja descaracterizadas,
sem falar nas que simplesmente ja foram pos-
tas abaixo), e uma festa, o desabrochar de
uma cidade com marca e registro pr6prios
resistindo ao massacre, extra e intra-muros.
Mas fora do quadrilatero das mangueiras
e de seu apandice neocolonial, a miseria e a
deteriora~gio do padrilo de vida nada ficam a
dever a Manaus, ou a Calcuta. Nessa mate-
ria, Belem foi ficando para tris no cenario
nacional, tito desvalida que se entrega ao pri-
meiro aliciador, a promesseiros primarios,
mas ardilosos. Esta a frente de qual capital
brasileira quando se trata de recolher e tratar
o lixo, os esgotos, a agua, todos os servings
basicos, as normas de convivincia, a digni-
dade e a decincia cidad8 (que extrapole a lin-
guagem propagandistica)? Quem viaja e faz
comparagies chega a conclus~es desalenta-
doras. Se ja fomos a terceira capital brasilei-
ra, hoje estamos no rabo da fila, em alguma
posi~go entire o l5" c o 20" lugar.
Mas ainda somos a capital cultural, inte-
lectual, cientifica e educational da Amaz6-
nia. Se tentar criar uma cidade industrial ou
reviver a fungo de entreposto commercial da
regitio se tornaram metas alem do nosso al-
cance, desenvolver os atributos que ja temos
parece ser o caminho natural: Belem como
espelbo e proj e~go do que vai pela bacia ama-
z~nica e do que dela sai para o mundo. Mas
como fazer isso? E quem devera fazer essa
transidio? Antes disso: cad6 o projeto dessa
transi~gio, capaz de preservar o acervo exis-
tente e construir a nova base da hegemonia
cientifica, t~cnica, cultural e intellectual de
Belim, ajustada ao tempo atual e ao future,
integrada ao esp ago mundial?
Eis um tema para meditaq6es. Ainda
mais porque ele nito esta na agenda dos
candidates a elei~go deste ano, nem na
agenda das elites dominantes da cidade. Ou
seja: esta fora do horizonte projetavel.
Mas, felizmente, ainda dentro do campo
de invenglio humana. Da utopia. *)







4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000




Resistir engrandece a alma


cessado uma vez. Foi em 1976.
O governador Aloysio Chaves
Aeterminara a instauraqio de
inqu~rito policial para apurar a violan-
cia da propria policia contra prisionei-
ros que haviam escapade da lancha
"Marta da Concei~go", a caminho da
ilha de Cotijuba, onde provavelmente
seriam torturados. A operaqio de re-
captura tivera cenas de selvageria, do-
cumentadas por toda a imprensa, inclu-
sive o suplemento Encarte, que eu cri-
ara e editava em O Liberal.
Um dia, fui intimado a depor pelo pre-
sidente do inqubrito, o entio major (de-
pois coronel e secretario de seguranga
puiblica, hoje advogado) Ant6nio Carlos
Gomes. A entrada do quartel da Policia
Military, na Gaspar Viana, fui chamado a
um canto. A policia queria mesmo era
acertar velhas diferengas com Paulo Ro-
naldo (que viria a morrer quatro anos de-
pois, fulminado por um enfarte durante
uma dessas peladas de fim-de-semana,
perigosas para os atletas eventuais).
Paulo, oriundo da classes m~dia, muito
inteligente, se tornou o mais brilhante dos
rep6rteres de policia, um personagem tre-
mendamente popular e, depois, deputado
estadual (do PMDB) combative e pol8-
mico. Gostava de comprar brigas, figura-
das e reais. Fizera inimigos, alguns pode-
rosos. Mas ngo se intimidava. Estava em
baixa quando lhe pedi para cobrir a fuga
dos press. Na volta da missio, conver-
samos sobre o material. Ele estava re-
voltado com o espancamento de homes
imobilizados. Houvera at6 tiros em pes-
soas ji capturadas. As fotos eram impres-
sionantes. Dei-lhe pagina dupla. Escrevi
um texto de apoio em outra pigina, ocu-
pada com muitas fotos. Foi o material que
mais influiu sobre a opiniio publica e o
kinimo do governador.
Como a unica assinatura era a de Pau-
lo Ronaldo, o reporter de linha de frente
naquela cobertura, eu podia escapar pela
tangente, sugeriu o PM que me abordou
antes de me ouvir formalmente. Para ser
mais convincente, me mostrou as peas
do process com os depoimentos dos jor-
nalistas que me haviam antecedido (fui o
ultimo a ser chamado). Todos admitiam
que as fotos tinham sido produzidas para
causar impact. Policiais e press havi-
am simulado aquelas cenas, inclusive tiro
real e expresses e gestos de pavor, em
concluio com os rep6rteres.
A viol~ncia policial era produto de


manipula~go da imprensa, iria ser a con-
clusio do inqubrito. Tudo inventado por
Paulo Ronaldo, o subversive tentando se
vingar da cassagio do seu mandate, im-
posta pelo regime military em fungo de
uma desafortunada campanha dele con-
tra o "esquadrio da morte" da policia
(centrada na denuncia de execugho de
um bandido, o Indio do Maranhio, que
acabaria aparecendo vivinho da silva). A
policia ia, finalmente, colocar de novo
Paulo atras das grades, por crime contra
a seguranga national.
Li, chocado, o que disseram meus co-
le gas. Mas nio apenas sustentei que a
violencia de fato existira, como assumi
total responsabilidade pelo que publicara
o suplemento de O Liberal. Afinal, eu
nio era o editor? Logo, respondia pelo
que havia editado. "Ah, e?", reagiu o ofi-
cial, mudando de tom e de postura. Sen-
tei-me, prestei as declaraq~es e, alguns
dias depois, estava sendo planilhado na
sede da Policia Federal, na Castelo Bran-
co, sozinho, sem uma nota na imprensa.
O inqubrito foi remetido pela PF A
Auditoria Militar, Paulo e eu enquadra-
dos na lugubre Lei de Seguranga Nacio-
nal. Mas era tal o despautbrio (como cos-
tuma aparecer na linguagem forense), que
o auditor Juraci Reis Costa desqualificou
os supostos crimes e mandou os autos
para a justiga comum, onde igual foi a
decisio adotada pelo promoter (hoje pro-
curador) Ambrico Monteiro. Aquela far-
sa foi parar no arquivo.
Uns meses depois, em pleno carnaval
no Pardi Clube, sou surpreendido por uma
mgo no ombro e, ao virar, o abrago afetu-
oso de Paulo, comemorando uma amiza-
de que at6 hoje, completados 20 anos de
sua morte, no ultimo dia 21, ainda me co-
move e muito me honra. Continuivamos
livres e soltos (quanto a lindos, ji 6 outra
coisa). Brindamos essa irmandade ate o
sol raiar. Ele nio soubera dos bastidores
do process por mim. Mas, como exce-
lente reporter que era, ficou sabendo.
Passei por outros mementos dificeis
ao long daqueles 20 anos de chumbo,
vividos sempre dentro de uma reda~go
jornalistica. Logo depois do atentado no
Riocentro, fui o Oinico jornalista no ParB a
descobrir e sustentar a cobertura do pro-
testo solitario e enbrgico do coman-
dante da principal unidade operative do
Exercito no Estado, o 2" BIS (Batalhio
de Infantaria de Selva), coronel Nivaldo
de Oliveira Dias. O official nio se deixou
enganar nem intimidar pela verso ofici-


al, que atribuia o ato terrorist g esquer-
da. Durante varios dias um home mus-
culoso e de expresses duras (nio se iden-
tificou, mas ficamos sabendo ser do ter-
rivel DOI-CODI) foi a reda~go de A Pro-
vincia do Parai, onde eu entio trabalha-
va, perguntar por mim.
Perguntava, recebia a resposta nega-
tiva do Euclides Bandeira, nosso biotipo
mais a altura (eu ficava la nos funds da
redagio, s6 ouvindo), e ia embora, pro-
metendo voltar. Era apenas intimida~go,
mas bastava isso para algumas pessoas
desistirem. A Provincia, entretanto, man-
teve o noticiario. E O Estado de S. Pau-
lo, do qual era correspondent, publicava
o material com destaque. Demos tudo, ate
a puniFio e o afastamento do valente
coronel Nivaldo, hoje empenhado em ati-
vidades humanitarias em Recife, sua ter-
ra natal.


For que essas hist6rias,

carissimo leitor? Porque,

apesar de tudo, das ameagas e

do medo, pude desempenhar

com muita dignidade e

alguma competincia minha

profissito ao long de todo

O a~cido re gime military,
dedicando-me integralmente a levantar e
difundir informaqdes. Estava consciente
de uma regra fundamental: nio ultrapas-
sar os limits do meu oficio. Nunca me
filiei a partido politico, nSio militei em or-
ganizaCT~es de esquerda, nem entrei na
clandestinidade, mesmo a ambivalente
(como a de Fernando Gabeira, entire o
Jornal do Brasil e a ALN). Aceitava
esses limits porque nio concordava com
a luta armada. Mesmo que pudesse ter
simpatia por ela, por~m, nio estava (e
continue nio estando) preparado para
pratic6-la.
Ajudei alguns amigos que haviam ul-
trapassado essa linha divis6ria, mas per-
maneci do lado digamos assim legal,
sancionado, nio exatamente porque fos-
se seguro, mas porque ali e que me iden-
tificava e realizava profissionalmente.
Certamente por isso nio sofri qualquer
violtncia fisica, direta. As intimidagaes e







JOURNAL PESSOAL Pa QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 5




e faz a vida valer a pena


ameagas permaneceram num nivel supor-
tavel para quem nio fosse um covarde,
nem pretendesse aspirar ao heroismo. Era
possivel ser decent e corajoso, realizan-
do um trabalho sbrio, dentro dos limits
toleraveis pelos dons do poder, contrari-
ando-os e causando-lhes prejuizos, sem,
contudo, ameaq-los de imediato (acaba-
riam atingidos a long prazo, tendo que
engolir uma quantidade crescente de con-
trariedades at6 voltarmos a democracia
- ou cairmos nela, como preferia Mill6r
Fernandes).
Durante os anos da ditadura military,
participei ativamente do melhor journal al-
ternativo desse period (e um dos mais
importantes da histbria brasileira), o Opi-
nid~o, comandado por Raimundo Rodri-
gues Pereira. Integrei a equipe do me-
lhor suplemento do jornalismo paraense
da 6poca, em A Provincia. Criei e editei
o journal que trouxe a vertente alternative
para ca, o Bandeira 3. Dele passei para
O Informe Amazdnico. Mantive uma co-
luna assinada durante a maior parte do
period. Escrevi mat~rias de denuncia e
revelagio. Provoquei pol~micas, contra-
riei fortes interesses.Mas nem uma s6 vez
fui levado Bs barras dos tribunals.
Mesmo o home mais poderoso des-
sa quadra no Park, o ex-governador, ex-
ministro e ex-senador Jarbas Passarinho,
reagiu escrevendo cartas e artigos, revi-
dando com palavras durissimas e susten-
tando pol~micas que chegaram ao limited
do decor civilizado e democritico, sem
ultrapassa-lo uma unica vez que fosse,
depois de raros mementos menos edifi-
cantes ao inicio das nossas sucessivas
contends, uma das quais em plena tele-
visio, "ao vivo", no anoitecer daqueles
critics anos 60.
Ngo hS um texto meu sobre a privaci-
dade dos meus personagens, sobre esca-
ninhos de suas vidas desligados das fun-
goes e papeis publicos que desempenha-
vam. Nenhum texto catalogivel como
sensacionalista, marrom. Algumas infor-
macqdes que divulguei ou estavam erra-
das ou nio estavam completamente cer-
tas. Adiantei-me a corrigi-las, t9o logo
verifiquei a imprecisio. Nenhuma com-
prometia o que eu estava dizendo, alte-
rando-lhe o sentido. Ningu~m teve sua
manifestaeio cerceada ou proibida por
mim. Nenhuma reposta ficou sem con-
testa~go.
N~o sai derrotado de nenhuma das
muitas polbmicas em que me envolvi, ou
ao menos em nenhuma delas joguei a to-


alha. N9o desrespeitei ou humilhei nin-
gu~m. Nenhuma palavra foi tio dura que
cancelasse o cumprimento protocolar. No
desenvolver da minha profissio, conquis-
tei um grau de credibilidade que me con-
fere a condigio de professional razoavel-
mete competent. Jamais deixei de aco-
lher o ponto de vista de quem pensa dife-
rentemente, exigindo, entretanto, que o
demonstrasse no jogo dos contrarios.
Sempre acreditei que o vencedor e o
melhor, ainda que eventualmente circuns-
tincias externas possam influir sobre o
resultado final. Saber perder e uma das
supremas virtudes humans. Tirar liqbes
da derrota e conquista de poucos dentre
os muitos sobre a face da terra.
A partir de 1992, sete anos ap6s a re-
conquista da democracia, passei a ser
acionado seguidamente perante a justiga,
demands varias para autores poucos:
cinco aqdes patrocinadas por Ros~ingela
Maiorana Kzan, uma das herdeiras do
imp~rio de comunicaq8es construido por
Romulo Maiorana (com quem trabalhei
durante 13 anos), tras por Cecilio do
Rego Almeida e, mais recentemente, uma
pelo desembargador Joho Alberto Paiva
e outra pelo prefeito Edmilson Rodrigues
(alem de mais uma, na justiga eleitoral,
pela coligacgio eleitoral que promove a
candidatura do alcaide, querendo obter
direito de resposta para um direito que
voluntariamente defend e respeito, ques-
tio decidida a meu favor neste mis pelo
TRE).
Tudo comegou quando noticiei as gra-
ves cisdes internal no grupo Liberal, uma
das principals fontes de poder no Para~.
A minha algoz nio contraditou as infor-
maqdes que publiquei, recusando-se a
exercer o direito de resposta que lhe pro-
pus para o esclarecimento pdblico da ques-
tio. Declarando-se atingida na sua hon-
ra, iniciou sucessivas aq6es contra mim,
a despeito de nenhuma refertncia alcan-
gar o seu lar, os seus familiares, a sua
vida privada, os aspects intimos da sua
personalidade.
Conflante na justiga, apresentei-me
voluntariamente ao cartbrio para ser inti-
mado tio logo soube da propositura da
a~go (normalmente, recorre-se a qualquer
forma de protelagio para alcangar a pres-
cri~go). Todas as minhas testemunhas
eram parents ou subordinados da auto-
ra do process. Eu estava plenamente
seguro das informag8es essenciais do
noticidrio (uma e outra imprecisio secun-
d~ria tratei de imediatamente corrigir nes-


te journal) e da relevincia do assunto, que
precisava ser comunicado ao publico pa-
raense. Nunca fui desmentido.
O passar dos anos confirmou o que,
ji entio, tinha carter prof~tico. Uma
competent profissionalizaqio, tentada
sem maior empenho apenas uma vez des-
de entio, teria poupado o grupo Liberal
dos dissabores que agora enfrenta. A
verdade nio faria mal as avestruzes se
elas nio fossem avestruzes. Muito pelo
contratio. Se, ao invds de enflar a cabe-
ga em buracos, encarassem a realidade,
ficariam em melhor condi~go.
Enfrentei com discipline espartana os
quatro processes seguintes e o crescente
ceticismo e as desilusdes que ator-
mentaram e ainda v~m atormentando
minha vida particular e minha atividade
professional. Mas a multiplicaqio de pro-
cessos, que tomam como pretexto sensi-
bilidades pessoais hipertrofiadas para tra-
tar de claros casos de interesse publico,
deixaram de ser uma via crucis individual
para se tornarem um element de patolo-
gia social, um component que perturba
e pode at6 comprometer um dos eixos do
regime democritico entire no~s.
Esse eixo e a atividade jornalistica in-
dependente. Sem ela, fica mais dificil ao
cidadio exercer control sobre o funcio-
namento das vastas engrenagens da md-
quina do poder. O poder s6 se tornarai
verdadeiramente democritico se os de-
tentores dos cargos pdblicos estiverem ao
alcance da sociedade que lhes delegou
esses instruments decisbrios, o principal
dos quais 6 a caneta que admite e demi-
te, liberal ou ret~m recursos, sanciona ou
cancela contratos.
Com os prC~s e contras inevitiveis, um
dos eixos de fiscaliza~go 6 o Minist~rio
P~iblico, a inst~incia institutional com maior
capacidade de iniciativa e o canal mais
aberto para captar o barulho das ruas, que
ressoa inutilmente pela consci~ncia do
nosso presidente-sociologo. A imprensa
tem proximidade ainda maior, se ela nio
esti comprometida com as conexdes do
seu neg6cio, as comerciais e as political,
numa contaminaqio letal. A imprensa nio
pode ser intimidada e coagida no exerci-
cio da sua fungio puiblica.
Foi salutar que a constituigito de 1988
relacionasse a liberdade de expresso aos
direitos individuals do cidad~io no combat
ao sensacionalismo, g exploraqio mercan-
til, a extorsio e d chantagem atraves dos
meios de divulga~go de massa. Mas essa
inovagio no direito brasileiro nho pode ser- )







6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000


) vir, em movimento inverse, a que a dimen-
sho subjetiva sofra distor~go convenient
para calar o contracanto da critical, sem o
qual o que sobra 6 um coro dos contents
manipulivel pelos inquilinos e, jb a partir
dai, dons inicos do poder.
Como jornalista, sou um servidor do
puiblico. Minha fun~go 6 auditar o que
est~io fazendo aqueles que exercem car-
gos e desempenham pap~is publicos, no
governo ou na iniciativa privada. Este jor-
nal nio existe para distribuir elogios ou
realizar a agenda do entretenimento, em-
bora ambas sejam necessarias atividades
jornalisticas, comn direito ao pr6prio espa-
go. Minha principal tarefa 6 confrontar o
discurso official a realidade, buscando a
correspondencia entire o que dizem que
fazem os poderosos e o que eles efetiva-
mente estio fazendo. Minha linguagem,
portanto, 6 necessariamente critical, em-
bora nio necessariamente negative.
Em relagio ao grupo Liberal, o senti-
do do meu acompanhamento seria fazer
a familiar Maiorana e aderentes reconhe-
cerem que estio sujeitos g critical tanto
quanto tim o direito (mais do que isso: a
obrigagio) de critical, sempre com co-
nhecimento de causa; que fazem parte
do poder, dele usufruindo g larga, desme-
didamente at6, n~io sendo despropositado
que arquem com o Bnus dessa serventia.
Ngo podem pretender o monop61io da
baladeira. N~o 6 legitimo excluir-se da
condicgio de vidraga. Fracos e fortes que
vio a chuva estso igualmente expostos a
se molhar. As desigualdades favorecidas
sio iniquas. Que as gguas rolem sobre
todos, ao menos como possibilidade.
O nexo causal entire as tr~s aq~es do
empres~rio Cecilio do Rego Almeida e,
agora, a do desembargador Jodo Alberto
Paiva, e a dispute por um mundio de ter-
ras entiree 4 milhaes e 7 milhaes de hec-
tares), situadas no que resta de melhor
na margem direita do rio Amazonas, no
vale do Xingu, em territbrio paraense. O
pol~mico empresario, nascido em Obidos
e enriquecido no Parana, diz que essa area
lhe pertence de direito, embora na origem
esteja uma estrutura fundada em anacro-
nismos, de conhecidos efeitos negatives
na nossa hist6ria. JA as inst~incias oficiais
com jurisdigio sobre a questio susten-
tam, unanimemente, que essas terras
constituem patriminio puiblico, apropria-
das de forma illegal atrav~s de "grilagem".
Hg que se respeitar direitos individu-
ais tutelados pela lei, mas, at6 a 61ltima
palavra da justiga, superveniente 6 o in-
teresse coletivo. E o interesse da maio-
ria converge para a posigio dos repre-
sentantes do governor. De elementary pru-
d~ncia 6 a preservaqgo da grea, tanto


fisicamente quanto do ponto de vista le-
gal, at6 a elucidagio do conflito em ins-
tincia final, de tal maneira que o dano
nio se torne irreversivel para o povo
paraense e, por extensio, para todos
os brasileiros, nio apenas para uma mi-
crosc6pica fraqio deles, sejam mais ca-
pazes ou mais vivaldinos.
Tudo o que for dito a respeito, desde
que guardada a consistincia dos dados e
as formalidades da linguagem, deve ser
dito de pdiblico, alimentando um debate
que, travado atrav~s da imprensa, possa
ajudar a definigio nos escalies instituci-
onalmente decisbrios. E o que sempre tem
feito o Jornal Pessoal, aberto B acolhi-
da dos seus divergentes, opositores ou
mesmo desafetos, tendo como aval esse
ji long passado a que fiz rdpida referin-
cia, suficiente, contudo, para denotar um
conceito (ou ao menos uma intengdo) de
seriedade, honestidade e respeito.
Nio quero, com estas digresses, esca-
par gbatalhajudicial, que venho travando e
continuarei a travar, com meus limitadissi-
mos meios, mas toda a minha disposigio,
sempre que ela me for imposta. Quero ape-
nas alertar o leitor para o significado do dano
social que tais attitudes est~io provocando,
nio s6 a esta publicaqio, privando seu re-
dator solit~irio do tempo, da tranqiiilidade e
das condigdes para o desempenho de sua
fung~io de fiscal do poder (para g~udio dos
poderosos inescrupulosos), mas B impren-
sa como um todo. Alguma coisa ela tem a
ver com o fim da imprensa alternativa, do
jornalista de combat (nio o tresloucado,
por~m), em plena democracia.
Qual a pedagogia de uma persegui-
Cgo que cala os critics e exalta os in-
censadores do poder? Qual a ligio de di-
reito que queixosos dio quando suas exa-
cerbadas sensibilidades subj etivas servem
de arrimo ao esmagamento de situacgdes
objetivas, concretas, que dizem respeito
a temas de interesse coletivo? O que re-
sulta de levar para autos forenses um
contradit6rio que deveria estar acessivel
a todos nas pgginas de jornais, deslocan-
do para recbnditos exclusives o que seria
melhor se socializado?
Antes de ser chamado a Brasilia pela
CPI da Cimnara Federal, que examine a
ocupagio de terras p~iblicas na Amaz~nia,
para falar sobre o "caso C. R. Almeida", ji
na condigio de testemunha e n~io mais de
convidado (por haver faltado a primeira
session, realizada em Bel~m), o desembar-
gador JoSio Alberto decide me processar.
Quer indenizaCio por dano moral, que ale-
ga haver sofrido com minhas mat~rias so-
bre sua decisio de restabelecer os regis-
tros imobiliririos da Incenxil (atri~s da qual
estai a corporaqio do empres~irio). Isto, sem


ter feito uma s6 comunicag~o pdiblica so-
bre o assunto e sem buscar a caracteri-
zagio do alegado delito na esfera crimi-
nal, com seu contradit6rio.
O prefeito Edmilson Rodrigues des-
denha da possibilidade de esclarecer seus
municipes a respeito das critics que lhe
fiz, em duas ediq~es extras deste journal,
pelo patrocinio da imprensa marrom com
os minguados recursos publicos de Be-
16m. Preferiu recorrer g tristemente fa-
mosa lei de imprensa dos militares (de
1967), numa peca em que, mudada a as-
sinatura, os alvos de sua linguagem infla-
mada (nio tem muito mais do que ela) de
ontem nio se sentiriam desconfortiveis
rubricando-a.
Mutatis mutandis, tudo permaneceu
igual? Acusa-me o alcaide petista de ca-
luniar, injuriar e difamar, sem me conce-
der o privilegio de receber e publicar -
uma carta dele, respond a verdade que
trombeteia carregar consigo e possibili-
tando ao distinto pliblico informar-se a
respeito para former seu pr6prio juizo, tra-
vando na praga, dominio do povo, o que
ele quer tergar nos escaninhos do forum-
de Bel~m.
Esquecem meus algozes que sho, for-
mal ou informalmente, pessoas puiblicas,
devendo responder a tal condigio com
uma contraprestagio de servings ao pu-
blico, fonte de seu poder ou de sua rique-
za. Tais pessoas nio querem reconhecer
o povo como destiny de tudo aquilo que
realizam quando deixam o limited de seus
domicilios particulares, o sagrado reduto
dos seus lares, onde jamais penetrei e cu-
jos eventuais segredos nio me interessam.
Do lado de fora, na arena social, es-
pero continuar vivo e ativo para lembrar-
lhes esse "outro lado", ainda que per-
manegam recalcitrantes e ainda que me
imponham as pesadas e ilegitimas penas
que me tim acarretado. E mesmo que o
povo, desatento para esses "detalhes",
considerados como casos meramente in-
dividuais, nio se dC conta do prejuizo que
estb sofrendo.
Essa desaten~go social explica o pa-
radoxo de haver tanta information circu-
lando no mercado paralelamente a tanta
desinformaqio e desorienta~go coletiva,
situaqio que tem nexo causal com o fimn
da imprensa alternative, a mais critical e
independent nos anos de chumbo, qua-
se totalmente eliminada nos nossos dias
democraticos. Formalmente democriti-
cos, nio hB d~ivida. Mas dominados por
falsos democrats, mediocres lideres po-
pulares ou pessoas que desfiguraram por
complete anopiode serving plblico, tanto
quanto a de povo. Em nome de quem fa-
lam, nio sem antes tirar-lhe a voz. *)







JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE OUTUBRO/ 2000 7


ao Brasil nio com alegria,
mas com desconforto. Ja no
Paeroporto do Galeso, antes de
seguir para Slo Paulo, ver aquelas pes-
soas bonitas circulando bem vestidas
e despreocupadas me sufocava naquele
dia de 1973. Eu deixara para tris os
tiltimos dias de Salvador Allende no
comando de um projeto socialist de-
mocratico no Chile, o primeiro a dis-
pensar a ditadura do proletariado, um
atalho que nunca levava a realizaqio
da utopia da igualdade, desviando-se
pela tirania. Projeto claudicante, cheio
de erros, mas intense, novo, vital.
O Brasil vivia o apogeu do "milagre
econbmico" do regime military, o PB
crescendo ao redor de 10%, a introdu-
950o da televisio em cores, a loteria es-
portiva, o consumismo financiado por
petrod61,ares,que nos custariamumsan-
gue disfargado, na forma de juros escor-
chantessangria que n50 sentamospor-
que drenada ataves dos assepticos e gla-
mourosos agents financeiros. Mas san-
gue. Eramos um povo desfibmado, volui-
vel, presungoso, omisso, semumpro-
jeto national, disposto a entregar a ca-
bega a dangarina e delegar a terceiros
todo opoderdecisdrio. Continuavamos
a nos contentar com as bugigangas e
quinquilbarias que nos oferecia-e con-
tinua a oferecer-o colonizador apartir
do primeiro contato.
Essa mesma sensagio eu tive quan-
do o tal do gol de ouro decidiu a par-
tida para Camaries, nas quartas-de-fi-
nal do futebol nas olimpiadas da Aus-
tralia, na semana passada. Meu pri-
meiro contato plenamente consciente
com uma selegio brasileira de futebol
foi aos 8 anos, na campanha da Copa
do Mundo de 1958, que vencemos com
toda a tranqililidade, entire os princi-
pais motives porque enacatamos a ver-
dade, assumindo a nossa verdadeira
feigio racial. E~ inacreditivel, ainda
assim, lembrar que Mazzolea jogou as
duas primeiras partidas com a camisa
10, enquanto o garoto mais genial que
ja houve no futebol, Pele, com 18 anos,
sentava no banco dos reserves. Que o
magnifico Djalma Santos, o melhor za-
gueiro na sua posi~go em todos os tem-
pos, ficou ali ate aultimapartida, quando
se tornou impossivel manter De Sordi
como titular. Que Garrincha perdeu a
camisa 7 porque brincara durante um
jogo preparatt~rio na Europa. no qual
apliciramos uma goleada desmoraliza-
dor noadversatio, desmoralizadomr tem
fungli do clown de pernas tortas.
Todos esses absurdos foram denun-
ciados por M~irio Filbo, o irmio mais
velho de Nelson Rodrigues, no anto-
16gico O Negro no Futebol Brasilei-
ro, livro que todo torcedor deveria ler
para nlio virar escravo do radinho de
pilha e da viciada cr6nica esportiva


sibilidade de ser estrelas solitarias -
e, mesmo, de ser gente.
Decidi acrescentar estas ociosas li-
nbas as milhares que ji brotaram e con-
tinuario a borbulbar em toda a im-
prensa brasileira porque aquela foi uma
das manbis mais tristes para mim nos
uiltimos anos. Em parte, era o orgulho
ferido, a humilhagio inesperada-e, se
posso ousar, unerecida. Mas tamb~m
porque senti que simplesmente culpar
a delegagilo futebolistica era transfor-
ma-la em bode expiati~rio, um conve-
niente boi de piranha a nos poupar da-
quilo que nio serve de honra a quem
dela tem um conceito mais nobre: ser
manada. A manada passard se atribuir-
mos toda a culpa aos jogadores e diri-
gentes, mas continuarid sillva porque
foi tocada por quem a comanda e a
domina. Ou seja: porque faz o que lhe
determinam. Porque 6 manada.
AorganizaCq~iroftebolisticacomoum
todo terid que entrar em confissio e ini-
ciar uma revisio em profundidade se
quiser escapar a um rebaixamento ca-
paz de tirar do Brasil a primazia nesse
setor do mercado dos esportes, desva-
lorizando os passes dos jogadores, de-
sinteressando as plat~ias, rebaixando
os caches de jogos e toda a engrena-
gem de prazer e dinheiro que depend
desses elements.
Mas esse 6 o aspect secundario da
questio. O futebol entrou na sua mais
grave crise desde otetracampeonato, de-
senadeadaapartirdaquela inexplicadae
melanc61ica perda do quinto titulo, na
Franga, porque um craque amarelou, o
outro fofocou, um terceiro gelou e oque
era uma esquadra virou um circo. Mas
essa crise e apenas um retrato em 3 por
4, na escala microsci~pica, da crise na-
cional. Essa crise maior pode ser parci-
almente traduzida em mimeros, quanti-
1icaqdes. Mas ba uam component quali-
tativo fundamental, que mant~m o esta-
do de anemia social mesmo quando,
finalmente, se consegue controlar a in-
flagilo, estabilizar amoeda emanteruma
estrutura produtiva capaz de resistir a
al guns abalos maiores.
Essa dimension qualitativa diz res-
peito a pessoa, ao povo, so que esti
contido em sua cabega e ativa o seu
coraqio, circulando por suas artbrias e
penetrando em suas fibras, algo imate-
rial que tomou conta de mim ao con-
templar aquelas tristes figures de atle-
tas se arrastando como sombras pelo
gramado australiano e sentir, na mais
intima segito de mim, que eles nio me
representam, nem me projetam. Sen-
tindo, mais uma vez, agoma com todaa
forga dos instintos, sensagbes e per-
cepg8es, que nio 6 apenas um novo
mundo do futebol que precisamos re-
criar, mas todo este pais, amarelo e
medroso como as aves canarinbas da
arribaQiono gramadoaustraliano. ()


(com suas nobres exceq6es, 6 claro).
Mesmo cedendo espago para os des-
cendentes dos africanos escravos, que
fomos o ultimo povo do continent a
libertar de sua vil condigio, 6 espanto-
so s6 o terms feito 20 anos depois da
passage de Le6nidas da Silva pela
sele~go national e de uma geraqio de
atletas que continuariam marginaliza-
dos se entire os "cartolas" nio houves-
se gente mais sensivel como Feola e o
"marechal" Paulo Machado de Carva-
lho (para contrapor toler~ncia a arro-
gincia, que ainda e a marca dos cha-
mados "paredos").
Os titulares desbancados em 1958,
porem, nio eram ruins, nio eram atle-
tas sem fibra, no geral. Excetuando
Mazzola, que deliberadamente se pou-
pou, hipnotizado pela promessa de
montanhas de liras no futebol italia-
no, pioneiro nesse intercimbio, to-
dos os demais gastavam seu abundan-
te talent e suavam a camisa. Esta era
uma condi~go fundamental, ao lado
da competincia: saber honrar uma das
poucas marcas brasileiras admiradas
e respeitadas por um mundo domi-
nante que s6, nio nos ignora quando
conseguimos ser ext~ticos, bizarros ou
estranhos em nossa condi~go inferior,
admitindo-a como pressuposto (do
que e um exemplo emblematico nos-
sa Carmen Miranda, entire bananas e
abacaxis sobre a cabega, util apenas
para suportar o aderego tropical).
Nso me lembro mais se foi a camisa
de Jair da Rosa Pinto ou de Zizinho
(acho que foi a do primeiro) que os
torcedores do Flamengo queimaram,
em solenidade p~iblica, na dtcada de
50 (a do segundo tricampeonato rubro-
negro) porque a teriam encontrado en-
xuta ao final de um classico carioca.
As portas do clube se fecharam para o
cmaque (qualquer um dos dois era genio
da bola). Ngo seria essa a destinaqio
que deveriamos ter dado imediatamente
a camisa de Alex, o capitio da sele~go
olimpica bralsileira na Australia?
O home era um zumbi em campo,
perdido, disperse, sem vontade, a ex-
presslo da covardia que congelou a
alma de atletas debilitados pelo espi-
rito mercendirio, amolecidos pelo tra-
tamento bovinamente compassion da
imprensa, supervalorizados no contra-
plano de uma mediocridade generali-
zada, daperda dos referenciais. Nis os


tivemos a partir de 1958, ate que a
obtusidade tecnocratica, disseminada
durante os govemos militates, de mis
dadas com o gangsterismo de sempre
do "alto comando" do futebol brasilei-
ro, nos isolou na- cada vez mais falsa
-presungiode auto-sufici&ncia, de su-
premacia natural, filhos que somos de
Deus, gigantes pela pr~pria natureza que
adormeceram em ben~o esplandido.
Essa desfibrada selegiode futebol 6
uma amostma perfeita do Brasil de boje.
E triste encara-la assim, em sua situa-
gio0 especifica e no seu papel de mode-
lo. Pessoas como eu, que ji participa-
ram de competigies dentro deum cam-
po de futebol de dimens~es oficiais,
que desenvolveram sua visbt de mun-
do em contato com esse apaixonante
esporte (ainda sei de cor formaFges in-
teiras de tines de futebol, brasileiros e
estrangeiros), jamais imaginaram tes-
temunhar um dia sua selegio ser derro-
tada por uma selegioafricana, sem ter
conseguido fazer um gol ao long de
23 minutes em que a relagi era de 1 1
jogadores nossos contra 9 deles. Mas
quem ia em cima, quem estava confi-
ante, quem tinha o at da vit6ria? Os
africanos e no n6s.
Falo africanos sem desd~m, sem su-
por uma superioridade qualquer. A dife-
renga esta na nossa culture futebolisti-
ca, transmitidaha geraqdes, depurada,
aperfeigoada.Negros, sejam africanos
como brasileiros, timuma estrutura fi-
sica que os predisp8e melbor para o
futebol do que os brancos, sem ser, po-
rem, um fator determinante (ao contrai-
rio do que insinua um novo tipo de
preconceito). Enquanto falta aos africa-
nos um control melhor daprC~priafor-
ga (por isso ainda slio t5io faltosos) e
uma aplicaqio ttica, derivada da nopio
de conjunto, n6s teriamos tudo isso,
negros e brancos, se os nossos atletas
continuassem aformar uma constelagio
ou um arquip61ago -um verdadeiro
time, para ser mais simples.
Mas nossos supostos craques se tor-
naram desmedidas ilhas de vaidade,
esnobismo e mercantilismo, egos imen-
sos em minimos eus. A camisa, que
era divisa e bandeira, virou detalhe,
como, em nosso pais, virou circuns-
tincia ou inconveniancia tratar dos in-
teresses nacionais, dos que nio inte-
gram a nossa "turma", as dezenas de
milh~es de cidadios privados da pos-


S(Ig g g( I r I c l(l S











































































Jornal Pessoal
Editor: Lujcio FI~vio Prnlo* Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (lav)
Contato: Tv.Benlamin Constant 845/203;66.053-040 e-mail: lornal~amazon.com.br
Ediqao de Arte: Luizantonlodefariapintol230- 1304


Ponte
O Cons6rcio Novo Guama
ganhou a concorrincia
publica para a constru~go
da ponte sobre o rio
Guama, a principal e mais
cara obra da chamada
"alga vibria" (liga~go por
terra de Belem a
Barcarena), no valor de 80
milhdes de reais. Na ultima
quinzena da campanha
eleitoral, o cons6rcio
comprou 175 mil camisas
de malha. Ao prego de R$
1,50 a unidade, a partida
saiu por R$ 268 mil (mais
de 0,3% do valor bruto da
obra). A vendedora, a Sul
Fabril, de Santa Catarina,
enviou a encomenda em
tris remessas sucessivas
(de 75 mil, 75 mil e 25 mil
camisas).
Para se ter uma id~ia do
neg6cio, as Lojas
Americanas compram
cinco mil camisas desse
tipo por mis para tender
o mercado de Belem.
Pelo jeito, de
decamisados os futures
operarios da ponte nio vio
poder ser chamados. Mas
correm o risco de serem
tratados como azulinos.


Correg~o
A Eletronorte pagou a
Camargo Corrba R$ 58,8
milhdes pela recuperacqio
e complementagio do
canteiro de obras da
hidrel~trica de Tucurui, em
seis prestacqdes mensais e
nio anuais, como saiu no
JP 243, pagina 6. Ali
funciona um canteiro e
nio um cartdrio, como
escrevi (pensando na via
crucis forense,
certamente) embora, em
certo sentido filgurado, nilo
deixe de s6-lo. Mas a
ironia foi involuntaria.
Assim como o cochilo.
Perdio, leitores.


~( 1.I~~~i ssa em frente ao belo
:Faciola, na esquina da
.a Nazare com a Dou-
foraes, pode experi-
Itar duas sensagdes.
alivio, pela iniciativa
prefeitura de evitar o
:sabamento do predio.
`~e consternaqio, pela
1 C :mora dessa iniciativa.
; amarraqdes metili-
as deixam, mesmo no
5 9 leigo, a impressio do
dano talvez irrepar8-
vel aos tragos origi-
~c ~ i,,. ; ~ 1Hl~, p nais da construgho,
que jB cedeu bastan-
Ste, provocando ra-
chaduras mais pro-
2das nas paredes.
?or isso, e com o sensor
;6ncia que alerto para
id~ntico que esta se-
I das duas construgdes
:culo, na esquina da rua
>m a Ledo XII, no cen-
tro commercial da cidade. A cada dia au-
mentam as fissuras na parede frontal do lindo predio de quatro
andares, que, ao lado do seu irmio siam~s do outro lado e da
Paris n'Ambrica, mais em frente, trouxe um pedago de Paris
para Bel~m, integrando um dos poucos conjuntos arquitetini-
cos que ainda sobrevive no "Belocentro" de outrora.
Vamos esperar que rache de vez?


Carts


Lucio,
Manifesto minha solidariedade aos 13 anos de Jornal
Pessoal, ainda que um pouco forade ~poca, pormoti-
vos que nio convem mencionar. Contudo, como a
razio da minha solidariedade transcende as circuns-
tincias e o tempo, vale a pena registrar e confirmar a
minha admiraqio eapoio ao papel que exerces como
jornalista competent, nas refer~ncias aos problems
politicos ou de outra natureza da nossa terra.
Teu trabalho pode ser comparado a uma chama
tenue, alimentada por azeite, tipo da luz do SS Sacra-
mento, perdida na escuridio da ignorincia, dos pre-
conceitos e, sobretudo, do desinteresse pelo patri-
m~nio puiblico, mas capaz de ser um referencial de
credibilidade e de coerincia.
Espero e fago votos que continues perseverante.
Um abrago,
Armando Avellar

Estimado Lxicio Flvio Pinto,
Sou leitor do "Jomal Pessoal" desde o primeiro mi-
mero, em 1987, ano em que comecei no jomalismo
professional. Tambem naquele ano, em novembro, eu


completava 20 anos e fazia parte de uma geraqio de
estudantes para a qual o Brasil nso tinha jeito por-
que, para qualquer lado que olhissemos, o que via-
mos era problemas-politicos, econbmicos, socials -
e pouca esperanga de solug6es. Eu havia conhecido
voc2 pessoalmente alguns anos antes, como uma
referencia de compettncia paraense apontada pormeu
pai, e respeitava o teu trabalho. Ap6s a morte do
R~mulo Maiorana e a tua said de "O Liberal" para
fazer o "Jornal Pessoal", a tua insist~ncia em fazer
jomalismo serio, comprometido com os leitores, fez o
teu trabalho passar de refer~ncia a paradigma para
mim porque passei a ter um padrso professional para
alcangar, objetivo que continue empenhado em atin-
gir. E muito bom poder dizer a amigos, conhecidos e
colegas de profissio fora do Pard que o "JP" ja
conquistou dois pr~mios nacionais da Fenaj, entire
outras distingaes. Espero um dia poder dizer que, tal
como vocC e o professor Benedito Nunes, consegui
elevar o nome do Pardi. Parab~ns pelo 13P ano do
"JP". Salide e Paz para vocC e a equipe do teu jornal.
Do colega de profissio,
Paulo Oliveira


Cobranga
Depois que o prefeito Helio
Gueiros inaugurou, com fogue-
t6rio e fanfarra, seis quadras
de asfalto na rua Ant6nio Bar-
reto, agora 6 a vez do prefeito
Edmilson Rodrigues inaugurar
um dos tr~s andares do Pala-
cete Bolonha. Ngo ha duvida
sobre o m~rito da iniciativa
municipal, interrompendo o
sono profundo das administra-
95ies anteriores em relagio ao
valioso pr~dio. E a propagan-
da eleitoral razso suficiente
para essa pantomima, que
compromete o tom de serie-
dade sem o qual a perenidade
desse tipo de trabalho fica
ameagada?
A propbsito: bem que o
Iphan (Instituto do Patrim~nio
Hist~rico e Artistico Nacional)
podia informar quem fez a pin-
tura e a (ma) maquilagem da
casa rosa (ou rosada), a mais
valiosa das edificagdes colo-
niais, na primeira rua de Be-
lem, a Siqueira Mendes. Ja
comego a achar que essa in-
tervengdo foi realizada com a
intenCio de aplacar os ~inimos
e desviar a cobranga de uma
restauraqio para valer.