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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00192

Full Text














































Em 1964, Henry Checralla
Kayath foi afastado pela pri-
meira vez do servigo publico,
Equando era secretirio da fa-
zenda estadual, no governor Aurelio do
Carmo. Acusado de corruppio, foi cas-
Ssado e seus direitos politicos foram sus-
Spensos por 10 anos pelo regime military


I-


que se estabeleceu no Brasil com a depo-
sigiodo president Joho Goulart. NiiopIde
se defender. Trocou entio o Para pelo Rio
de Janeiro. Abandonando a political, prati-
cada no velho PSD baratista, voltou ao
exercicio de sua profissio de m~dico.
Passados 25 anos, Kayath recebeu
nova puni~go cirilrgica: em 1989, a pe-


dido do ent~o ministry do Interior, Jo~o
Alves, o president da Reptiblica, Jos6
Sarney, demitiu-o da superintendincia
da Sudam, a bem do servigo p~iblico, por
desidia e improbidade equivalente a
prevaricaqio). Mas os procedimentos
administrative e policial instaurados aca-
baram sendo arquivados. Isento da de-)


JOTIT CeSSOa
LUIjC O F LAVIO P N TO
ANO XIII NP 241 2L QUINZENA DE AGOSTO DE 2000 ^*'RS 2,00
SUDA M



Esqueleto fora

do armanoo








2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE AGOSTO/ 2000


mincia, Kayath contra-atacou: em maio
deste ano ajuizou uma a~go de indeni-
za~go de danos morals e reparag8o de
danos materials contra a Uniio peran-
te a justiga federal, em Bel~m. Um dos
advogados de Kayath 6 o ex-juiz fede-
ral Edison Messias de Almeida, que
abandonou o forum hB nio muito tem-
po. O ex-superintendente cobra cinco
milhoes de reais de ressarcimento pe-
los prejuizos que alega haver sofrido.
Em funCho do ato desonroso de de-
missio sumaria, Kayath argument que
se sentiu moral e psicologicamente aba-
lado e sem condiqbes de prosseguir em
sua carreira de medico e de politico. Pe-
diu seu desligamento da clinic m~dica
da qual era sdcio e das atividades de ma-
gist~rio na 28" Enfermaria do Rio de Ja-
neiro, al~m de desistir de se candidatar
a governador ou a senador do ParB, nas
eleiqdes de 1990, perdendo o que ja ti-
nha e vendo frustrarem-se as perspecti-
vas emergentes de ganho. Aplicada aos
130 meses decorridos desde esse abalo,
a indeniza~go pedida representaria uma
remuneraqio de quase R$ 40 mil men-
sais nesse period, prova de que Kaya-
th continue pensando muito alto quando
avalia seu potential.
E de se prever que a demand ird
se prolongar at6 a decisio final, se a
Uniko nio acatar os motives apresen-
tados por Kayath para pedir indeniza-
950. A produ~go de provas na lide, in-
dependentemente do seu desfecho, de-
vera contribuir para esclarecer alguns
mementos importantes da hist6ria re-
cente do ParB.
At6 ser cassado, o medico Henry
Kayath era uma das principals perso-
nalidades do Partido Social Democriti-
co do general Magalhies Barata. Im-
pressionava tanto pelos seus conheci-
mentos na Area m~dica quanto por sua
engenhosidade na condu~go das finan-
gas pilblicas e sua argxicia nas mano-
bras political. Os militares o cassaram
nio por subversio, uma das faces da
repressio feita aos advers~rios derro-
tados, mas por corruppio. Alegaram
que Kayath desviava dinheiro do era-
rio. Mas como o process de puni~go
nio admitia o contradit6rio, o ato pres-
cindiu da demonstraqio.
Fundando no Rio de Janeiro, cinco
anos depois, uma clinic especializada
em endocrinologia, nutri~go e diabetes.
Kayath conseguiu recomegar sua vida
com sucesso. Parecia desligado do Pard
e do universe politico anterior. Eleito go-
vernador em 1982, por~m, Jader Bar-
balho, filho de um antigo amigo e cor-
religiondrio de Kayath, valeu-se da as-
sessoria informal daquele que era con-


siderado "o c~rebro" do extinto PSD de
Barata, principalmente em mat~ria fi-
nanceira. Em 1985, trouxe-o de volta a
Bel~m para chefiar a Superintend~ncia
do Desenvolvimento da Amaz~nia.
Em 1987 Jader deu posse ao suces-
sor que conseguiu eleger, principalmen-
te por ter ficado no governor at6 o fim
do seu mandate. Mas logo os caminhos
de Helio Gueiros comegaram a se dis-
tanciar dos do seu aliado. Um dos mo-
tivos dessa ruptura estava na elei~go
seguinte: Jader desejava voltar ao go-
verno, consolidando seu dominio da po-
litica paraense, mas H61io nio o queria,
por ter os mesmos pianos de domina-
950. Seu candidate do peito era Henry
Kayath, que, para se viabilizar, armava
comn o entilo governador todas as ar-
madilhas para obstar o retorno de Ja-
der. Um dos seus maiores trunfos era
justamente o cargo que o atual senador
do PMDB lhe proporcionara.
Para aumentar a forga da superin-
tend~ncia da Sudam e escapar a subor-
dinaCio ao ministry do Interior, fiel a
Jader em fung~io dos interesses comuns
dentro do PMDB (na presid~ncia da
Republica com Sarney), Kayath deu
nova demonstraqio da sua sagacidade:
inventou uma modalidade de aplicaqio
de recursos dos incentives fiscais, o "17
e meio", uma forma intermedidria en-
tre a aplicag8o pelo "artigo 18" (atra-
v~s da qual grandes empresas, que tam-
bem sho as maiores devedoras do im-
posto de renda, aplicavam diretamente
em proj etos pr6prios na Amaz8nia) e o
"artigo 17" (aplicag~o pela Sudam,
atravds de leilio, das opgdes feitas pe-
los pequenos investidores, sem direito
a escolher o destinatirio).
No esquema arquitetado pelo supe-
rintendente, os projetos do artigo 17
podiam tentar seduzir os grandes de-
vedores do imposto de renda para lhes
destinar parte de suas opg~es, apre-
sentando-as a Sudam, que as carim-
baria (dai a expresso incentiveo ca-
rimbado"), honrando a escolha. Mas
para que ela se efetivasse, foi resta-
belecida a selvagem atividade de cor-
retagem, com toda a sua fauna acom-
panhante, que a institui~go de um fun-
do estatizado, o Finam, em 1974, viera
para combater (a comissio de corre-
tagem chegou a representar 40% do
valor do incentive fiscal).
Albm disso, o superintendent, com
os poderes do principle, decidia com ab-
solutismo sobre esse crescente "17 e
meio". Ngo s6 atraindo para si uma
prerrogativa ate entio inexistente (e
sem franquia legal), como desencade-
ando processes especulativos que po-


diam nio estar obj etivamente a ele vin-
culados, mas de sua decisio decorriam.
Nessa estrutura, vicejou a Ebal, ate: a
ascensio de Kayath um obscure proje-
to, que nio havia recebido um tostio
de incentives, e, depois, favorecido pela
liberaCio de quase todos os recursos
comprometidos no intervalo de dois
meses, com ampliag6es posteriores, o
s~timo maior estaleiro do pais. No co-
mando da empresa, dois filhos do entio
governador H61io Gueiros, entronizados
em sincronia comn os "novos tempos".
A Sudam era, assim, a catapulta
para langar o doutor Kayath aos c~us
da political paraense. Maquiavelica-
mente, o entio ministry Jader Barba-
lho tratou de desfazer a geringonga.
Com base em procedimentos internos
que nio chegaram a amadurecer real-
mente, Kayath foi demitido sumaria-
mente da Sudam. Para evitar o con-
tradit6rio, o ato foi baseado na Conso-
lida~go das Leis do Trabalho, ao mes-
mo tempo em que foi divulgada a ale-
gaqgo de just causa (como o cargo e
de confianga, o afastamento ja era
puni~go satisfat6ria aquela altura, se
a intengio era proteger o interesse pui-
blico). O objetivo era menos defender
a coisa publica do que tornar inelegi-
vel o ex-superintendente, afastando-0
da corrida eleitoral de 1990.
Nesse sentido, Kayath tem no que
basear seu argument de que o ato com-
prometeu a continuidade de suas pre-
tensdes political. Mas se estivesse re-
almente decidido a enfrentar o desaflo,
ao menos teria apresentado seu nome
como candidate, ao governor do Estado
ou ao senado, esperando eventuais im-
pugnaqbes. A elas poderia reagir com
um fato: em nenhum dos procedimen-
tos contra si instaurados houvera deci-
sho final; ainda cabiam recursos. Logo,
era tio elegivel em 1990 quanto Luiz
Otavio Campos o foi em 1998.
Na verdade, maior do que a amea-
ga dos processes era a possibilidade
de o eleitor o rejeitar para os dois car-
gos, em um deles tendon que enfrentar
o pr6prio Jader (que acabou derrotan-
do o ex-prefeito Sahid Xerfan, apoia-
do por Gueiros, que tambem ficou at6
o uiltimo dia do seu mandate). Passa-
dos mais de 10 anos dos atos de ofen-
sa moral, s6 agora o ex-superintenden-
te busca a reparaqio dos danos, ao
prego de R$ 5 milhdes.
A explicag8o e de que ele esperou
pela instruCio de todas as apuraF~es,
concluidas com o pedido de arquiva-
mento. E~ fato. A manifestagio da
Uniio nos autos da a~go de indeniza-
~go, que tramita na 5" vara federal do








JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 3


A corte paraense


e os mronumnentos


I II _


ParB, podera, no entanto, levar a fats
novos e, talvez, i revisio dessas deci-
saes, algumas das quais podem ser
consideradas passiveis de controver-
sia. Em 1989, por exemplo, o procura-
d rr regoa lad ue~blc Puo Mei
to instaurado pela Policia Federal a par-
tir de den6ncia feita contra Kayath pelo
empresario Joaquim Bittencourt.
A denuncia de "Feola" resultava de
interesse pessoal contrariado. N~o fi-
cara demonstrada a responsabilidade
penal do superintendent da Sudam,
nem tipificados os crimes. Mas o pro-
curador concluiu que a pritica do "17 e
meio" era incompativel com a legisla-
Fgo dos incentives fiscais, provocara
abuses na intermediaqio para a cap-
ta~go dos recursos, havia nascido "a
margem da lei e a sua ado~go, ou, no
minimo tolerincia pela diregio da SU-
DAM represent, claramente, um ili-
cito administrative".
O procurador da Repuiblica viu, no
balango dos pr6s e contras dessa cria-
Fgo "mais beneficios do que prejuizos",
apesar dos altissimos pregos de corre-
tagem (retidos no sul do pais, local da
capta~go, desviando-se da atividade
produtiva para a intermediaqio espe-
culativa). Mas ainda assim, nio teve
d6vida sobre a ilicitude administrative:
"os dirigentes que aprovaram e ate es-
timularam o uso do sistema do 'artigo
17 V/2' praticaram infraC~es administra-
tivas, sendo passiveis das penas cabi-
veis e, se demonstrados prejuizos ao
6rgio, conseqilentes de tais infraqdes,
serio, tamb~m, civilmente responsaveis
pela reparaqio a entidade".
N~o hi duivida de que o prop6sito
de apurar tais crimes foi comprometi-
do pela interfer~ncia political, visando
impedir Kayath de se apresentar como
candidate em 1990 em beneficio do seu
ja entio advers~rio Jader Barbalho.
Mas ha duvida se os inqu~ritos foram
final arquivados por inexistincia de
delito ou simplesmente por incompe-
tincia (ou inapet~ncia) para compro-
var as ilicitudes apontadas pelo procu-
rador Paulo Meira, o tempo decorrido
acabando por servir a acomodaqdes
burocriticas, de quem talvez tenha
optado pelo arquivamento para nio
precisar recomegar tudo a partir de no-
vos fats apurados. Mas agora, em que
uma soma significativa esta em causa
e uma cadeia de responsabilidades
pode vir a ser estabelecida, essa revi-
sho talvez ocorra, ajudando a esclare-
cer de vez uma hist6ria mal contada
de um passado tio recent, mas apa-
rentando ser tio remote.


O desabamento parcial do Col6-
gio Lauro Sodr6 se apresenta como
um caso de neglig~ncia na adminis-
traqio do patrim6nio hist6rico. e ar-
tistico do Estado. Podia ter sido tam-
b~m um acidente com vitimas a la-
mentar se tivesse ocorrido poucos
dias depois, em pleno reinicio do se-
mestre letivo. Em qualquer das hi-
p6teses, serve de ligio, de alerta e
de acusa~go.
E revoltante ver o estado de aban-
dono em que foi deixada uma insti-
tui~go de ensino com 128 anos de
vida e um predio valioso, testemu-
nho da passage do neoclissico en-
tre n6s. Concebido num period de
riqueza, no qual a elite dirigente ten-
tava trazer a civiliza~go europ~ia
para os tr6picos amaz~nicos, a sede
do "Lauro Sodr6" exige uma reci-
clagem, uma nova destinaqio. Dei-
xar que a incuria cumpra esse pa-
pel, entretanto, nio 6 aceitivel, ape-
sar dos antecedentes sugerirem a
pritica de um ardil: deixar o patri-
minio se deteriorar para que sua
recuperaqio se tor a mais destacai-
vel e mais cara, -~aturalmente.
Essa reciclagem alcanqa tamb~m
o mercado de Sio Braz c o mercado
de ferro do Ver-o-Peso, construgdes
que ja nio mantim coerbncia, nem
mesmo commercial, com seu uso. O
belo mercado de Sgo Braz, na base
do ensaio e erro, vai evoluindo aos
tropeqdes. Ja o mercado Francisco
Bolonha permanece escravo da so-
nol~ncia mental dos gestores munici-
pais (nio s6 os de hoje). Romper com
essa mesmice nio autoriza, contudo,
um anticonvencionalismo destrambe-
lhado, de nouveau riche deslumbra-
do com o pr6prio umbigo, de narci-
sos imobilizados diante do espelho.
E precise ouvir a sociedade em
geral e os especialistas em particu-
lar para definir uma political coeren-
te e produtiva para o patriminio pui-
blico, tanto o estadual quanto o mu-
nicipal. Mas sem sangrar o eririo.
Da maneira como vem sendo feito
no Museu do Estado, no Parque da
Resid~ncia, na Esta~go das Docas
e na Feliz Lusitinia, 6 inevitavel que
um santo novo coberto deixe o san-


to velho exposto. O dano econbmi-
co e financeiro aos cofres publicos
e crescente.
Mesmo assim, o Landi maneiris-
ta do doutor Almir quer sangrar ain-
da mais a vidiva com seus proiximos
projetos, no Forte do Castelo, no Ar-
senal de Marinha e na antiga Alf~in-
dega (e, se deixarem, no "Lauro So-
dre" tambem). Investimentos que
comegad~o beirando os 30 milhdes
de reais (por quanto terminario, e
sempre uma inc6gnita), depois po-
derio resultar em transfer~ncias
subsidiadas aos amigos do rei. O
Estado, onerado pelo gasto sem re-
torno no investimento e pelo subsi-
dio do custeio, nio poderd dar con-
ta de todo o acervo posto sob sua
responsabilidade.
Ngo 6 circunstancial o desaba-
mento no "Lauro Sodr6" ou o esta-
do de abandon do Museu do Esta-
do. Como o dinheiro 6 carreado para
as criaq9es do arquiteto real, as ou-
tras edificaqdes tim que dividir as
migalhas sopobrantes. Afinal, o Para1
deste final de s~culo ja nio 6 o Es-
tado rico do inicio. A situaqio mu-
dou muito. S6 quem nio admite essa
realidade 6 o ordenador das despe-
sas (com o dinheiro que nio sai do
bolso dele).
Ha muito no que pensar crian-
do ou recriando na gestio do pa-
trimanio material da cidade. E uma
frente ampla e complex, o bastan-
te para nio se admitir mais que ela
seja decidida em circuit fechado,
por uma "turminha", numa agio en-
tre amigos. Eles podem ser vivazes
e inteligentes, mas a esfera pdblica
requer control pdiblico. A Estagio
das Docas foi entregue, sem con-
vocaqio pdblica (licita~go? nem
pensar), aos escolhidos pelo feitor
da obra. Albm de nio ter o regula-
mentar EIA-Rima, a destina~go da
obra foi decidida em circuit fecha-
dissimo, com seus agravantes de
custo. Isso, em plena 6poca de
ONGs e Minist~rio P6blico (o fede-
ral, pelo menos) ativissimos.
Ou a coisa pdblica se tornou cai-
xa preta na administration de El-Rei
Gabriel?





4 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE AGOSTO/ 2000


O entio senador e president (por qua-
se meio s~culo) da Federaqio das Indits-
trias do Para, Gabriel Hermes, Filho che-
gou a ameagar que se a hidreletrica de
Tucurui fosse inaugurada sem o restabe-
lecimento da navegagio no rio Tocantins,
ele se colocaria debaixo da barragem, a
jusante, como protest. Present na oca-
siho do compromisso, sugeri ao nobre se-
nador (ja falecido) que levasse um guar-
da-chuva para se proteger. Ele riu.
Talvez todos encarassemos com ceti-
cismo a possibilidade de o 25" maior rio
do planet, comn 2.200 quil~metros de ex-
tensio, ficar bloqueado pela monumental
estrutura de concrete, no interior da qual
imensas turbines comegariam a gerar
energia no final de 1984. Mas nesse mes-
mo ano o entio coordenador da presid~n-
cia da Eletronorte, Armando Ribeiro Ara-
ujo, foi ao plenario da Assembleia Legis-
lativa e disse, com todas as letras, que
sua empresa nio cumpriria o C6digo de
Aguas, de 1934. O rio Tocantins ficaria
mesmo sem o sistema de transposi~go
complementary, necessirio para veneer o
desnivel de 70 metros criado no rio pela
barragem de Tucurui. Na casa das leis,
um servidor publico assumia a condi~go
de transgressor da lei. Entrou e saiu sem
receber voz de prisio, embora ela tives-
se sido sugerida a um deputado, que a
descartou, "porque criaria um escinda-
lo". Nio 6 a 6mica maneira de fazer o
mamute estatal se mexer?
Quando o projeto executive da hidre-
letrica foi aprovado, em 1976, isso era im-
possivel: a Eletronorte era responsavel
tanto pela usina de energia quanto pelas
eclusas. Nessa configuraqio, a transpo-
si~go, representando 5% do custo da hi-
dreletrica, era um "detalhe". A infraes-
trutura de apoio abocanhou 20% do que
a obra custaria ao ser inauguralda. nlas a
eclusagem foi passada para os ombros
da Portobriis, deixando menos one~rados
os da Eletronorte. A Portobrds desa-
pareceu em meio ao ziguezague da
privatizagio e do Estado mini-
mo. As eclusas de Tucurui,
destinadas a ser as maiores
do mundo, ficaramno arqui- .
vo em banho-maria.
Mais de 15 anos depois T
que a hidrel~trica entrou em
funcionamento, um novo
capitulo dessa novela de


transposi~go da barragem est8 programa-
do para os pri~ximos dias. Dois ministros
irio ver o andamento das obras das eclu-
sas, que 6 minimo. In situ, dir~o que o
projeto 6 prioritbrio, far~io refer~ncia a
recursos, anunciario um cronograma e
voltario para Brasilia.
Tudo como dantes no pal~cio (jB que o
quartel ficou fora de moda, ao menos tem-
porariamente) de Abrantes? Certamente,
nio fora um detalhe: at6 2004 a Compa-
nhia Vale do Rio Doce precisa definir uma
nova fonte de energia para suas ativida-
des produtivas, a principal delas sendo a
metalurgia de aluminio, em Barcarena, que
responded por 1,5% do consume energ~ti-
co de todo o Brasil.
A melhor hip6tese seria continuar a usar
Tucurui, da qual a Albris extrai mais de
um quarto da potincia firme. Mas a Vale
s6 estaria disposta a entrar no leilio da
usina se com ela nio viesse o custo acu-
mulado, que era de 5,4 bilhaes de d61ares
na data da inauguraqio (o dobro da pri-
meira estimativa de projeto) e j8 esta pas-
sando de US$ 10 bilhaes comn os juros, hoje,
ainda sem complete amortizaCio. Tal be-
nesse seria mais lesiva do que os ja leoni-
nos contratos de suprimento em vigor, que
terminam dentro de quatro anos. Entio, 6
precise colocar para funcionar a plena
carga a cabega dos assessores e a inven-
tiva dos parceiros entiree os quais voltou a
se incluir o governador, com o acordo re-
cente de encontro de contas, que lhe per-
mitiu um saldo de R$ 40 milhdes, talvez
por pura liberalidade -nio desinteressa-
da, 6 claro da CVRD).
No jogo desse raciocinar sobre todas
as hip6teses, a transposigio da barragem
casa com a alternative de it buscar gas
natural em Ucuru, no Amazonas, trazen-
do-0 por gasoduto pela selva at6 Maraba


e embarcando-o em balsas para comple-
tar a pernada at6 Barcarena, caso a ou-
tra hip6tese, com o gbs da foz do rio Ama-
zonas, venha a ser inexeqiiivel ou s6 exe-
qtilvel em prazos mais longos (e a custos
mais elevados?).
Esta mera possibilidade mostra que os
paraenses precisam estar melhor informa-
dos sobre a questho, se nio quiserem ser
tapeados mais uma vez com uma promes-
sa para boi dormir, ou servir de instrumen-
to a interesses particulares ocultos. Deve
continuar a ser considerada como princi-
pio irrenunci~vel a exig~ncia de manter a
navegabilidade do rio Tocantins em Tucu-
rui, nio s6 enquanto determninaqio legal em
vigor, mas tamb~m como ponto de honra
para o Estado do Para. Mas s6 agora co-
mega a ser desnudada a face verdadeira
da obra, embrulhada pela doutrina de se-
guranga national, com as primeiras provi-
dancias oficiais para apurar superfatura-
mento (tantas vezes apontado neste jor-
nal). Apurar se houve ou nio desvio de
dinheiro puiblico nio e somente tarefa aca-
dimica: ainda ha um saldo pendente da
divida que pode ser rediscutido. Isto signi-
fica muitos milhaes de d61ares, na mais mo-
desta das hip6teses.
Tamb~m deve-se estender essa revi-
sio is eclusas. Elas foram retomadas com
aditamento do primeiro contrato. Tem que
set assim? A Eletronorte diz haver redu-
zido o custo do projeto, simplificando-o.
Mas em que consistiu essa simplificaqio?
Quais os seus impacts? Deve-se exe-
cutar todo o projeto de transposi~go, de
uma vez, ou em etapas? O estudo de via-
bilidade 6 seguro? Foi definido em fun-
gio de um context regional ou em fun-
950 da obra em si?
Independentemente da visit dos minis-
tros e de arroubos reti~ricos, convinha as
jentidades de classes e instituiqbes relacio-
nldas ao tema, com o devido apoio politi-
co e institutional, convocar os assim cha-
mados atores dessa novela e as fon-
.tes possiveis de dados para escla-
recer de vez a questio das eclu-
i-~ 'ksas. Uma vezestabelecidoo oco

serai o memento de partir para
;o bomn combat, ou para qual-
1 ~' quer combat. Inclusive o ba-
nho de cascata sugerido pelo se-
nador Gabriel Hermes. Simbo-
ia- licamente, 6claro.


0 bomn comnbate



pelas eclusas








JOURNAL PSSOAL 2=QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 5


Durante alguns bons anos, entire os 70
e os 80, um dos meus mais agradiveis
programs dominicais era desviar cami-
nho para um subbrbio de Bel~m, onde
remanesce o autintico belenense, e sen-
tar numa cadeira, na calgada, para lon-
gas horas de prosa solta com Ruy Para-
natinga B arata. Meu brilhante interlocu-
tor era, ao mesmo tempo, poeta, critic
literario, historiador, letrista de muisica,
politico, observador das coisas a volta,
trocista, causeur um paraense por in-
teiro, um caboclo educado sob as vistas
several do doutor Alarico e a ternura de
dona Noca. Filho uinico, Ruy aparece em
algumas fotos da juventude e da primeira
maturidade como um verdadeiro dindi, com
o melhor temno, a mais bem composta indu-
menta~ria, a pose calculada, o at de ironia.
Advogado, bem nascido e bem criado,
podia ter ido para a Franga, sua Segunda
matriz cultural, e seguido uma carreira de
playboy. Mas virou comunista, sem jamais
deixar-se seduzir, entretanto, pelos dogmas
catequ~ticos da seita. O que sempre causou
confus~io ou perplexidade entire os seus se-
veros acompanhantes: uma hora Ruy vinha
com um discurso panf letario, outra hora dei-
xava-se levar pelo mundanismo, a joie-de-
vivre que 6 o sal da vida. ContradiCgio? Ab-
solutamente: Ruy era varios, espathando-se
por varios dominios, detonando-os com sua
recusa as limitaqdes, desaguando como um
rio-mar no estuaro oce~nico.
Integrou a mais brilhante geraqito de in-
telectuais paraenses do period republican,
que, para resumir, podiamos dizer que gravi-
tou em torno da figure uinica de Francisco
Paulo do Nascimento Mendes, desapareci-
do no cabalistico ano de 1999.PFor ter vivido
bastante, embora n~io tanto quanto deseja-
vamos, Chico Mendes atraiu e revelou pes-
soas que, sociologicamente falando, integra-
vam diversas geraqaes, nio apenas uma ou
duas. Todas elas foram marcadas por pelo
menos um denominador comum: a felicida-
de de conviver com uma fonte de provoca-
95es tio rica e generosa como o professor
Mendes, o tio Mendes dos filhos dos seus
amigos ediscipulos.
Outro ponto em comum: ingressavam na
vida consciente no vacuo da decadencia da
exploraFqio daborracha, aquilo que (mais uma
vez impropriamente) costoma-se definir como
"a idade m~dia amazinica". Aperda da con-
digi-o de monopolista no fomecimento da
he~vea, seguida da perda de qualquer expres-


s~o nesse setor em escala mundial, fez a
Amaziniaperder interesse externo. Em con-
trapartida, aos seus habitantes foi concedida
a tr~gua mais valiosa para uma coli~nia: eles
podiam escolher o mundo ao seu gosto, sem
a apertada cangalha do colonizador.
Juventudes que gravitaram em tomo do
professor Mendes puderam fazer suas op-
95es, elegendo suas refer~ncias culturais,
todas ao alcance do conhecimento do Rati-
nho. Podemos pensar na produghio de pes-
soas como Mirio Faustino, Paulo Plinio
Abreu, Benedito Nunes, Haroldo MaranhiFo,
Max Martins e Ruy Barata, para ficar s6
nesses exemplos, como derivadas dessa re-
lativa liberdade de escolha, orientada por um
espirito rigoroso e sensivel. Sem o canto de
sereia metropolitan.
Ruy, como a maioria, seguiu na diregio
apontada pelo mestre: buscou inspiraqio na
cultural francesa, num ponto entire o roman-
tismo e o simbolismo, chegando, depois, ao
modernismo. JA ai com uma expresso de
liberdade bem amazinica: ambivalente, ma-
liciosa, aned~tica, sensual e festeira, um ele-
mento de identidade entre o home e sua
terra que livrou Ruy das escoras e muletas
de inspiraqio francesa, francamente obser-
vavel em seus sempre bons primeiros ver-
sos, como observou Antinio Cindido, quase
60 anos atr~is, na primeira critical national A
poesia do paraense Ruy (infelizmente sem
continuidade, nessa conspiraqSio do silancio
atraves do qual o centro metropolitan tent
desfibrar a periferia).
Antilogia, livro que Tito Barata, ao mes-
mo tempo filho e editor, langarai no dia 28,
em Bel~m, comemorando pbs-morte os 80
anos de Ruy, contbm a combinagio dessas
fortes raizes: um soberbo manejador de so-
netos intercalando lirismo comn humor, ironia
e political, o amor em abstrato com o mais
primitive erotismo, rima e verso livre, histo~ria
e cotidiano, mitologia e anedota. A palavra 6
uma argila que toma forma de acordo comn a
modelagem do artes~o. Ja no titulo da anto-
logia, por ele pr~prio organizada, Ruy deixa
a marca da sua paixio pelo jogo de palavras,
na intimidade do pleno control semintico,
etimol6gico esintitico.
Ele opde naturalmente palavra contra
palavra, id~ia ante id~ia, numa seqtiincia
que 6 quase inversa g cronologia dos poe-
mas. Cria sem artificialismo porque a sua
arte 6 a expression da sua vida, is vezes
caotica, as vezes irregular, em conflito. As
peas da sua vida, como da sua arte, entre-


tanto, se compdem como uma ponderada
colcha de retalhos. As peas nio tiveram a
unidade como inten~go, mas, reunidas, for-
mam uma totalidade, multicolorida certa-
mente, mas cheia de energia e significado,
uma arenga manhosa e doce como o olhar
do poeta sobre o mundo.
O politico que Ruy incorporou comn a de-
mocratizagio del1946 parecia vir para liqui-
dar o flaneur e beletrista. Mas o politico,
embora intense (ha toda uma lenda em tomo
dos seus autol6gicos pronunciamentos par-
lamentares), foi breve. O iconoclasta de car-
teirinha, contudo, nio se restabeleceria por
inteiro. O bacharel em direito foi convocado,
em 1976, a montar banca de advogado para
defender pobres posseiros da antiga PA-70
(hoje BR-222, ligando MarabiaB Bel~m-Bra-
silia), enquadrados na sinistra Lei de Segu-
ranga Nacional pela infeliz coincid~ncia de
partkiciparem de um conflito fundidrio san-
grento exatamente quando os Estados Uni-
dos da Ambrica comemoravam os 200 anos
da sua independ~ncia- e, justamente ali, en-
tre Paragominase VilaRondon~, nooutro lado
do conflito havia uma familiar americana ins-
talada, suiditos de Tio Sam.
Acompanhei a inteligente estrat~gia de
defesa que Ruy montou comn Gabriel Pi-
menta, joyem advogado cujo entusiasmo o
condenaria a uma morte suibita e violent
na arena de Maraba, logo em seguida.
Ambos estiveram g altura daqueles tempos
sombrios, quando a prova dos nove da dig-
nidade sempre se apresenta.
Toda essa Antilogia revela o dialogo
critic de Ruy consigo mesmo, comn sua
imperfeigio e sua vontade de it ali~m, fa-
zendo mais e melhor. Em diversos momen-
tos ele tropegou, caiu, sentiu o gosto rude
da terra. Mas levantou, limpou-se e assu-
miu seu lugar na calgada de uma entio
poeirenta rua de subulrbio, montado em sua
cadeira de embalo, atento aos cumprimen-
tos dos passantes e g conversa do compa-
nheiro, transitando com desenvoltura e bri-
lho pelo que foi o seu tema: a vida huma-
na. Forma de ver e revelar a vida que cres-
ce a media que o tempo passa e sua si-
lhueta, recortada contra o horizonte da
apreciagio critical, revela o contorno do
grande poeta que ele foi em tudo e aci-
ma de tudo. E do maravilhoso companhei-
ro daqueles encontros dominicais nos quais
s6 nilo se alcangava as estrelas porque,
para elas, Ruy Paranatinga reservaria ou-
tro expediente.


A estrela antilog ica


do poeta Ruy Barata








(7 JOURNAL PESSOAL 28 QUINZENA DE AGOSTO/ 2000




Jornalismo cultural:


- 1 111


ar puro da democracia e da
liberdade entire 1946 e 1968
abimas piginas dos muitos
bons jornais disponiveis nesse period
com ansiedade. Nos dias de suplementos
e cadernos especiais, podia-se ter aulas
de cultural lendo resenhistas, articulistas,
colunistas, cronistas e escritores do ta-
manho de Otto Maria Carpeaux, Alvaro
Lins, Alceu Amoroso Lima, Mario Faus-
tino, Ferreira Qullar, Otto Lara Resende,
Nelson Rodrigues, Ant6nio Cindido, Car-
los Drummond de Andrade, Clarice Lis-
pector... uma rela~go representative
ocuparia linhas e linhas de texto. A cultu-
ra brasileira -estava vivamente abrigada
na imprensa, com seus altos e baixos,
pr6s e contras, em toda a sua pujanga e
mediocridade, cristalinamente desigual.
Cultura e jornalismo se fundiam, entire
faiseas e curtos-circuitos. Mas gerando
luz e calor.
Desde o Ato Institucional numero cin-
co, de um lado, e a abertura sem contro-
le do pais g sociedade de massa molda-
da al~m-mar, de outro, o Brasil tem em-
pobrecido. O jomnalismo cultural reflete
essa decad~ncia, que nio 6 exatamente
decadincia, no sentido moral, mas em-
pobrecimento mental mesmo. Ele 6 tal


que algumas pessoas das mais recentes
elites pensantes, quando questionadas a
respeito, reagem alegando em defesa que
os tempos, agora, sho p6s-modernos.
Motive de uma ji extensa bibliografia,
esse 6 um daqueles conceitos camale6-
nicos, que se presta a tudo sem conse-
guir ser, jamais, precise. Como o Zellig
de Woody Allen.
No universe p6s-moderno, a infase
cultural que resultava em criaqdes como
o Suplemento Dominical do Jornal do
Brasil ou os suplementos literirios de O
Estado de S. Paulo e do Estado de Mi-
nas, hoje soaria como humanismo fora
de moda, desatualizado, "nso-palativel"
a geraqdes que parecem consumer cultu-
ra como o Bode Francisco Orellana (cri-
a~go do humorista Henfil): comendo os
livros, ao inv~s de 18-los, engolindo sem
mastigar, digerindo sem deglutir.PFor isso,
os agora dinossauros foram substituidos
nos segundos cadernos por gente ggil,
leve e solta, muito bem informada sobre
tudo, mas pela rama.
Jos6 Lino Griinewald teria emprego
nesses cadernos culturais se fosse come-
gar a carreira neste memento? Foi uma
das coisas em que pensei enquanto assi-
milava a noticia da sua morte, aos 62 anos,
no Rio de Janeiro, no mis passado. Eu


conhecia Z6 Lino, como o chamavam os
mais intimos, de long, a partir do "sere-
no" que cabia a um foca diante de notb-
veis jornalistas.
Era aos sibados, quando ficava im-
presso o Quarto Caderno, na reda~go
do Correio da Manha~, aquele lugar en-
cantador que a intolerincia e o radicalis-
mo, de um lado e do outro do espectro
ideol6gico, acabaram por transformar em
ruinas na rua Gomes Freire, na Lapa ca-
rioca. Alguns dos mais ferozes debates
eram travados ali entire Z6 Lino, Ely Aze-
redo e Antinio Moniz Vianna em torno
do cinema. Mas a irreverancia no confli-
to de id~ias tinha san~go legal do editor
do caderno, Paulo Francis, e se estendia
a todos, colaboradores eventuais ou de-
tentores de cadeira permanent. O Quar-
to Caderno foi o ultimo suspiro de inteli-
g~ncia enrage antes dos ultimos vestigi-
os de luz serem sufocados pelo Al-5 e
sua espiral de medo. Foi, tamb~m, um dos
mais nobres espagos da imprensa repu-
blicana no Brasil. Voltaria, hoje? Voltaria
a velha (e ainda vanguardista) Senhor?
Hg uma questio, geralmente omitida
ou subestimada: as id~ias eram postas
em cheque permanentemente, em qual-
quer lugar, diante de qualquer auditbrio,
sem marca~go pr~via. Numa redagio de


gou no lixo a reputagio que
mantinha diante de todos;
pelo prazer sexual, da mes-
ma forma agiu o vice-c6nsul,
e foi tambem por dinheiro
que o pseudo-jornalista hi
muito tempo deixou de lado
a 6tica e a moralidade na re-
lagaio com a populagio (nela
incluidos os verdadeiros j or-
nalistas), a qual pretend "in-
formar" com as noticias do
seu pseudo-jornal.
O que nio percebe o tal
pseudo-jornalista 6 que ele,
juntamente com os crimino-
sos que lh'e acompanham nos
casos descritos, seri punido,
seja pela lei dos homes aqui
e agora, seja pela Hist6ria,
mais adiante, e, certamente,
por Deus, na eternidade,
quando todos prestario con-
tas de seus atos.
Deixo para reflexio do
pseudo-jornalista, bem como


a todos que nio medem es-
forgos em fazer o mal, o se-
guinte: "Ngo erreis: ...nem
os ladraes, ...nem os maldi-
zentes ...herdario o reino de
Deus".
Solid~irio ao caro jornalista,
certo de que o seu combat 6
digno e dele sair8 vencedor
(nio existe melhor arma que
a verdade), cordialmente.
Clovis Luz da Silva


Prezado jornalista Lucio
Flivio,
Receba minha solidariedade
pelas sdrdida campanha de di-
famaqio que lhe move o jor-
nal popular (com minuscula
mesmo, pois nem de journal
merece ser chamado). E in-
compreensivel que um 6rgio
assim, que se diz de imprensa
possa existir, e com o perma-
nente e aparentemente iinico


intuito de s6 tentar denegric a
vida dos outros, e em geral,
com arguments falsos, fan-
tasiosos, desconexos, inconsis-
tentes.
Atenciosamente,
Gabriel Gasparetto


Prezado Luicio Flivio Pinto
Gostaria de parabeniza-lo ,
pelas reportagens sobre a uti-
lizagio do Jornal Popular pela
Prefeitura de Bel~m ealgumas
outras pessoas e empresas de
nossa cidade. Que Deus lhe
dC forgas para continuar a ten-
tar nos livrar de ver nas ban-
cas jornais daquele tipo.
Gostaria tamb~m, que voc&
investigasse os porese" da
Unimed Bel~m e como ela
vem agindo com os profissio-
nais medicos e seus usukrios.
Cordialmente
Manuel Ramos


Ca ta

Caro jornalista Luicio Flivio
Pinto,
Sabe qual 6 a diferenga en-
tre o Nicolau dos Santos Neto,
o vice-c~nsul de Israel no Bra-
sil, flagrado em agdes ped6fi-
las, e o pseudo-jornalista Silas
Assis? Sob o ponto de vista da
moralidade, nenhuma.
Eles, cada qual no seu am-
biente, escondidos nas som-
bras de suas atividades, com
as regalias e prerrogativas de-
las oriundas, as quais lhes con-
feriram status de intocaveis,
mancharam a dignidade, a
honra e a moral no exercicio
de suas profissdes.
A uinica diferenga, que nio
altera a natureza torpe dos
meios, 6 que n~io foi pelos
mesmos fins que agiram.
Por dinheiro, a juiz lalau jo-








JOURNAL PESSOAL 2a QU~INZENA DE AGOSTO/ 2000 7


journal, numa livraria, num boteco, no
meio da rua. Ngo dava para pedir tem-
po, ir ao banheiro, sair atris de um copo
de agua (de resto, o unico liquid que
nio era requisitado pelos circunstantes).
Quem sabia, falava. Quem nio sabia,
ficava calado. Quem nio sabia e falava,
podia ser destruido. Quem nio sabia e
prestava atengio, aprendia. Querendo,
podia bater palma. Era bem recebida,
sem ser necessaria. Como jurados, um
gargom ou um doutor tinham o direito
de voz. Era precise saber o que falar.
Mas tamb~m saber como dizer. Profun-
didade e clareza, consistincia e leveza,
essa conciliaqio que e o ideal do inte-
lectual, acessivel a poucos, mas que qual-
quer um tem o direito -e deve ter a pos-
sibilidade de buscar.
Num espago para 10 parigrafos de
tamanho medio, Otto Maria Carpeaux
dava liqdes inesqueciveis, sem o rango
de um magister dixt que impera nas aca-
demias, mesmo sem as catedras. Agora
que 0 primeiro volume da sua obra, reu-
nindo artigos de journal, est8 disponivel
no mercado, convinha aos mais joyens
libertar-se da intolerincia e do precon-
ceito para usufnrir do que iia nata des-
se g~nero em extingio: o ensaio em ta-
manho compact, o que significa con-
centraqio de ideias para o leitor diluir
ao long do tempo, em novas leituras e
reflexes, direcionadas ou sugeridas pelo
autor, que ji fez esse caminho.
O que temos no atual jornalismo cul-
tural brasileiro e t~io mais pobre que pa-
recemos haver andado para tris em ma-
tbria de civilizaFio, de refinamento, de
sofisticaqio, de profundidade. Os reda-
tores dos suplementos que subsistem,
animicos, nos nossos j ornais policroma-
ticos apenas ouviram o galo cantar ou mal
entraram na estrada do conhecimento,
mas ja se consideram rodados em letras.
Langam juizos de valor sobre todos e to-
das as coisas, mas nio parecem dominar
o que sentenciam.
Por exemplo. A liltima pigina da tilti-
ma edigio de julho do suplemento Iddi-
as, do Jornal do Brasil, 6 dedicada a
reedi~go das obras de Jean-Paul Sartre
pela Nova Fronteira, "como parte das
comemoraC~es dos 20 anos de sua mor-
te", segundo a autora do texto (de 10 pa-
ragrafos), Leneide Duarte. Acho que nem
os espiritas comemoram uma morte, em-
bora a recebam com uma alegria incom-
preensivel para n6s, cat61icos, pratican-
tes ou nio, mas condenados a ang~istia


pendular (e insoluivel) entire a vida e a
morte. Qualquer pessoa menos apressa-
da falaria no registro ou na membria dos
20 anos da morte do fili~sofo francis. Ngo
em "comemoraqdes". Mesmo os inimi-
gos de Sartre, adocicados pelo tempo, nio
chegaram a tal escarnio. Ser desintenci-
onal, s6 agrava a "mancada".
Embora destinados a um espago jor-
nalistico especializado e dirigidos a um
publico supostamente mais ex~igente, es-
ses an6dinos textos parecem resultar de
uma rapida passage pelo arquivo, com-
binada com um press-release e uma bis-
pada numa orelha de livro, os ingredien-
tes costurados e emendados segundo uma
fita metrica. S6, esse metodo justifica uma
observaCio da jornalista do Iddias: "O
casal Jean-Paul Sartre-Simone de Beau-
voir, apesar de nunca ter assinado nenhum
[um] papel para formalizar a uniho nem
nunca ter morado sob o mesmo teto, foi
um mito daquela geraqio".

A lrios outros casais se formaram
\Ina Franga, na epoca, da mesma
IImaneira, e nunca se tornaram
mitos. Outros casais, como Andr6-Cla-
ra-Malraux, para nio deixar o territorio
francis, mesmo sendo convencionais nes-
se aspect, tamb~m se tornaram mitos.
A legend permaneceu porque Sartre e
Simone pensavam autonomamente e
pensavam muito bem, teorizando sobre o
que faziam, o estar e ser no mundo se
refletindo e projetando no espago e no
tempo, chegando ate a remota Bel~m do
ParB. Lendo a trilogia de romances de
Os Caminhos da Liberdade, me com-
portava na noite me imaginando Mathieu
Delarue, com meu calculado at blasi,
minhas roupas displicentes de cor neutra,
minhas frases inconclusas.
Literature era vida, paixio, sedu~go,
mistbrio. A jornalista do suplemento do
JB deve ter absorvido muitos drops edul-
corados sobre Sartre em clippings ou na
internet, mas nio nos convene de que o
leu. Ou nio acharia "um primer de ho-
nestidade intellectual e sinceridade abso-
luta somadas a um sutil sensor de humor"
Sartre afirmar que so leu ja adulto (com
mais de 35 anos) o fil6sofo dinamarquds
S~ren Kierkgaard, geralmente apontado
como o precursor do existencialismo, ou
o primeiro dos existencialistas: "eu sabia
que ele existia, mas era apenas um nome
para mim e esse nome, njio sei por que
motive, me era antipatico. Acho que por
causa dos dois a".


Lendo As palavras, e lendo nio as
pressas, para pingar frases para um tex-
to, mas numa rela~go de absorg~io e fer-
tilizagBo, a resenhadora encontraria tes-
temunhos muito mais encantadores, ho-
nestos, bem humorados e profundos de
Sartre sobre sua vida e sua relaC~o com
a cultural, num livro definitive, no mais alto
estagio que a memorialistica humana ja
alcangou. Mas por que entregar a res-
ponsabilidade de uma pigina "comemo-
rativa" aos 20 anos da morte de um dos
pensadores do s~culo a uma marinheira
de primeira viagem?
Nos jornais das d~cadas de 40 a 60, o
editor do caderno ligaria para um Fernan-
do Peixoto e lhe pediria um artigo, nio
sem antes discutir a abordagem, questio-
nar o parigrafo de abertura, a finaliza-
Cgo, um toque de originalidade, uma re-
percusslio local de Sartre, enfim, um dib-
logo entire duas pessoas que dominam o
assunto, nio entire ne6fitos, para que um
nio d& ordens absurdas e outro nio rein-
vente a roda sobre uma quadratura. Pes-
soas que amam o que fazem, por isso ten-
do incorporado o objeto a sua vida. Tal-
vez nio muito s61idos na base tedrica, tal-
vez desatualizados na interpretagio do
tema, mas familiarizados com ele, inca-
pazes de cometer os freqiientes deslizes
dos atuais resenhadores de livros, que la-
mentam a falta de tradu~go de obras que
ji foram traduzidas, mas num horizonte
menos pr6ximo da sagrada biografia des-
ses resenhadores, onde pretendem estar
plantado o umbigo do mundo.
Quem conviveu com Jos6 Lino Grti-
newald tomou homericos porres com ele,
aprendeu tudo o que se podia saber sobre
o tango, teve acesso a percepgoes cine-
matograficas insuspeitadas, trocou desa-
foros futebolisticos e usufruiu de primoro-
sas tradug8es que ele fez nos intervalos
de tantas atividades, como Os Cantos, de
Ezra Pound, um labirinto pelo qual tatea-
vamos at6 ele iluminar aquelas cavernas
mitol6gicas com a luz de uma erudigio
formada nas ruas, nio num tugtirio acad8-
mico. Nosso intellectual combatia em pra-
Fa pliblica, possessive, trigico, miseravel,
mas essencial. Hoje, esti privatizado em
universidades p~iblicas, prisioneiro atris das
grades de ouro da carreira, delimitado en-
tre seus pares, desnatado, desnaturado, um
alimento congelado. A nossa imprensa,
com ele, e seu espelho, seu outro igual, nesta
era em que a xerox significou para o livro
o que a fotografia 6 para os indios isola-
dos: uma sugadora da alma.


o saber em pilulas





JOrnal Pessoa1l
Editor: L~clo FIAvla Plnto. Fones: (091) 223-7690 ~(one-fax) e 241-7626 (lax)
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Edigao de Arte: Luizanioniodelariapinol230-1304


85/8B/82 347BB


No dia l' a coliga~go eleitoral que apoia a
"recandidatura" do prefeito Edmilson Rodri-
gues entrou com uma a~go no TRE requerendo
o direito de responder, neste jomnal, ao que es-
crevi na segunda edi~gio extra, do mis passado.
A a~gio 6, na pritica, completamente desneces-
shria: sempre defend e assegurei o direito de
resposta, meu e de terceiros. Mesmo cartas
ofensivas e mentirosas foram aqui reproduzi-
das, na integra. O prefeito sabe muito bem dis-
so: a ~imica carta que me mandou at6 agora aqui
apareceu, sem qualquer supressio ou retoque.
Recentemente, publiquei as respostas da Co-
ordenadoria de Comunicago Social da PMB a
um long questiondrio que lhe enviei, tratando
de uma questio, o boicote da imprensa ao PT,
que s6, neste jomnal e abordada. O segundo ques-
tionairio s6 nio saiu por n~io ter sido respondido.
Por que, entilo, ir buscar na justiga eleito-
ral um direito que 6 acatado voluntariamente
neste jomal? A lei niio obriga ningu~m a esgo-
tar a instincia do entendimento antes de re-
correr a via judicial, mas esse deveria ser um
direito consuetudinario, uma pratica capaz de
atestar boa f6. Se a carta que enviamos 6 pu-
blicada, com corre~go, conforme a norma le-
gal, por que sobrecarregar ainda mais os jui-
zes? Nilo 6 uma attitude de bom sensor, nem
atestado de boa inten~gio. Mas, no caso, tem
sua 16gica: a coliga~gio liderada pelo PT nto
quer ser contraditada. Pela via judicial, pre-
tende me amordagar, impedindo-me de retru-
car ao que vier na nota de resposta.
Niio o farei na present edi~gio, em respeito
A justiga, que ira decidir sobre a demand, para
nito exercer qualquer tipo de pressito, mesmo a
inurtil. Mas, se imitasse a malicia e a mai-f6 dos
meus opositores, poderia antecipar-me ao que
diz o outro lado, valendo-me de nito haver ain-
da uma delibera~io judicial. Mas se a 6tica dos
candidates a meus algozes 6 utilitaria e conve-
niente, a minha 6 um principio, a ser adotado
independentemente das circunst~incias,
Na hip6tese de publicada espontaneamente
a sua cairta, a coliga~gio comandada pelo PT
poderia nit concordar com a minha tr~plica.
Niio seria problema: eu receberia sua tr~plica.


Pesando o privil~gio de ter direito a 61ltima
palavra, procure me ater aos fats ea1 sua
interpreta~gio. Nunca pass para o ataque pes-
soal. Se 6 conflito, busco ajustar meu espago
ao do litigante.
Alguns acham que freqilentemente me ex-
cedo nessa relagilo, o que 6 verdade. Mas isso
ocorre quando precise me defender. O ataque
leviano 6 faicil: o atacante formula uma acusa-
950 qualquer, sem se importar em fundament~i-
la ou em investigar sua proced~ncia, atC sem a
menor verossimilhanga. Quem responded preci-
sa provar o que diz. E uma invers~io doentia do
principio legal (e universal) de que o Bnus da
prova cabe a quem acusa. Mas 6 a nossa priti-
ca, infelizmente. S6, nesses casos, ou quando se
trata de mera discussilo de id~ias, sem confron-
to ou agressito, 6 que me permit ir al~m do
espago do meu interlocutor.
A pol~mica 6 um dos mais importantes ins-
trumentos de educaqil e aperfeigoamento, pes-
soal ou coletiva. Quem polemiza se afia, evo-
lui. Quem dela e assistente, aprende. O con-
fronto obriga os contendores a ir al~m de suas
estrat~gias e taticas, cedendo informagdes para
o publico que, de outra maneira, continuariam
privativas dos grupos melhor posicionados na
estruturar social e de poder. Portanto, um par-
tido que se diz democraitico, reformista ou re-
volucionitio niio deve fugir do dialogo, da po-
16mica ou mesmo do combat aberto de id~ias.
Em mat~ria de comunicago social e relaCio
coma imprensa, a admlinistra~gioEdmilson Ro-
drigues em quase nada difere da do seu anteces-
sor, H61io Gueiros. Selecionam para quem e o
que responder. Premiam os que repassam press-
releases e punem os que questionam a informa-
~lo official. Reduziram a comunicaptio a propa-
ganda: ao invbs de fomnecer a information, acei-
tando o direito da imprensa de trat~i-la conforme
seus critbrios editorials, querem tutelar a divul-
gagil, transformando-a em mat~ria paga. Nlo
aceitam a interlocugho em alto nivel, acatando a
verdade alheia. Querem que a veiculagil de pro-
paganda seja retribuida com a sujeigiio editorial.
O critic nio e tolerado. A isnica diferenga 6 que
a atual administra~gio se consider portadora da


verdade e instrument do progress, enquanto
classifica a anterior como reacionaria, um pro-
duto das velhas elites. O que 6 verdade na criti-
ca. Mas nio na auto-avaliaCio. Objetivamente,
os dois governor tratam a informaq5io e a im-
prensa da mesma maneira. At6 mesmo na deci-
sho de esconder seus atos em diririos oficiais de
circulag5io semi-clandestina.
A coligaglio puxada pelo PT decidiu deixar
de lado a posiqilo democrritica e valer-se de um
artificio advocaticio para usufluir do mondlogo
(ou solili~quio mesmo?). Como, na edi~go extra,
nio tm-tei de eleigil, nem encarei a figure do pre-
feito como candidate A eleigil, mas como gestor
da coisa puiblica, igualmente n~io fazendo qual-
querreferincia a coligagli que o apbia, se a nota
falar desses temas estara colocando na edigio
extra deste journal o que nela nio esta escrito.
Tratando do conteuido verdadeiro do JP, que 6 a
condugli da prefeitura, estani~ envolvendo inde-
vidamente a justiga eleitoral na hist6ria, apro-
veitando um ardil para golpear nito a mim, mas a
liberdade de informagilo e de expresso. Triste
papel de partidos que se dizem defensores da
libertaglio do home e da utopia socialist.
A introdu~gio do institute da reeleigilo, es-
tranho g tradi~go republican brasileira, sem o
contrapeso da desincompatibilizaqilo do cargo
do gestor que parte para um segundo mandate
consecutive, pode dar-lhe um privilbgio odio-
so: de utilizar como escudo protetor contra a
fiscaliza~gio dos seus atos de govemnante a ale-
gagilo de que a inten~go das critics 6 prejudi-
car sua candidatura. N~io bastasse continuar a
usar a miquina official, contida ou desbragada-
mente, ainda pode colocar fora do alcance da
imprensa independent os atos que pratica
como detentor efetivo do cargo que pretend
exercer por mais um mandate.
Aguardarei serenamente o veredicto da justi-
ga. Qualquer que ele venha a ser, passivel de re-
curso at6 a~iltima instincia, um pronunciamento
maior, o da hist6ria, dificilmente estara do lado
dos meus opositores, quando essa avaliaqilo dos
dificeis tempos que vivemos for feita. E o seni, a
despeito de os pobres-e, as vezes, tristes-po-
derosos do dia se imaginarem etemnos.


ali fica sem saber ao certo porque
essa placa, mais recent, omitiu in-
forma~go que consta da anterior,
sobre o inicio dos servings.
O autor das duas places, o mes-
mo, deve ter-se "esquecido" desse
item para nito ser mais incomodado.
Afinal, a administration municipal, em
ambos os casos, estidando mau exem-
plo: o que devia ser uma prestagil de
contas ao contribuinte sobre a aplica-


gli do dinheiro dos impostos se trans-
formou numapega de propaganda, um
outdoor disfargado, poluindo visual-
mente as pragas, enfeiando o gramado
e manipulando o transeunte, mesmo
que subliminarmente.
Mas ele, passando pelo largo da
S6 e vendo a placa, altaneira como
~pe a obra estivesse por comegar, es-
tranhard se ji observer algumas ra-
chaduras nas calgadas rec~m-constru-


idas e os primeiros remendos na pra-
ga, reformada para integrar um cir-
cuito cultural na Cidade Velba que
se completar8 nito se sabe quando.
Talvez no segundo mandate do al-
caide. Que essa talvez seja a finali-
dade de tantas places obsoletas ou
despropositadas que a prefeitura fin-
cou na cidade, indiferente aos c6di-
gos municipais que deveria aplicar
ou deles ser a guardi8.


Democracia petista


Mau e xemplo
Em duas semanas, a prefeitura
de Bel~m fez a recuperaqio da praga
D. Pedro II, ao custo de 10 mil re-
ais. No pr(,ximo dia 19 de setembro
a placa que assinalou essa obra vai
comemorar um ano de vida, fincada
no maltratado gramado do local,
mais conhecido como largo do pa-
licio. A poucos metros dali, outra
placa da prefeitura anuncia a recu-
peraqio, em trbs semanas, da praqa
frei Caetano Brandlio, projeto de R$
15 mil. A obra foi concluida hB al-
guns meses, mas quem passa por