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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00191

Full Text




omnal essoal
L OjC o F L v o P N TO
ANO XIII N' 240 la QUINZENA DE AGOSTO DE 2000I-*-RS 2,00


V enda Vd a





sera



d @fita?I

Trds anos depois da privatizagd~o da
Companlbia v/ale do Rio Doce, a justiga
federal do Parai, acionadai pelo Ministin'o
P2dblico e por de~zenas de ag~es populares,
estdi revendo a operagd~o. Se
comprovar a prd tica de
fraudes, poderz .
cancelaZ-la. E
evitar que o
pai's sofra um
enorme arl
prejui~zo.


i;l r
i -:?,'~.~iv~~-~


guntas comegam a ser respondidas.
EsclarecC-las, porem, deixou de ser
uma questio acad~mica ou um item de
dispute political: e uma tarefa pratica,
da qual se estio desincumbindo a jus-
tiga e o Minist~rio Publico federal no
Para. A partir da revisio dos dados de
85 agbes populares, que foram drena-)


intencionalmente para bloquear o acesso
pelo flo da meada, forem desatados?
Quais as conseqtiincias desse esquema
para o control e o usufruto national so-
bre algumas das mais estrategicas jazi-
das de minerios do pais?
Mais de tris anos depois da priva-
tizaCio da CVRD, s6 agora essas per-


''"-''' ''' '-
I- L~;-~L;~~,~~L;;~=LL'I:''~?.,:
*r~;JC::: ~fki~c~;*l.~yeJr,;;~~;f .i -iii;;~i. ....~
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-~41 ;Ci~-~1;~;ICCiIIl)fi~L :r I .:i. ;~rl 1 .*


" II


a Companhia Vale do Rio
Doce, a maior produtora de
minerio de ferro do mundo e
Puma das mais importantes es-
tatais do Brasil? Quem e: que detem real-
mente o control acionario da empresa?
Para quem ele ira quando os n6s, dados





2 JORNAL PESSOALlr QUINZENA DE AGOSTO/ 2000


das de virias parties do Brasil, por vin-
cula~go, para a 4" vara federal de Be-
16m, e de um inqu~rito civil publico pro-
posto pelo procurador Ubiratan Cazet-
ta, o process de desestatizaqio da
CVRD pode ser finalmente reexami-
nado, sustado e, conforme a instrugho
das demands, desfeito.
Tudo vai defender agora dos dados
que serio fornecidos ao Ministbrio
Publico a partir da quebra dos sigilos
bancario, fiscal, commercial e acion~rio
das 16 pessoas juridicas e fisica en-
volvidas na venda da Vale, media de-
terminada pelo juiz substitute da 4
vara, Eduardo Cubas. O prazo para a
entrega dessas informaqdes termina-
ria no dia 27 (esta matiria foi fecha-
da tras dias antes). Enquanto essa
pendencia nio for definida, o Banco
Nacional do Desenvolvimento Econ6-
mico Social esta proibido pelo magis-
trado de financial qualquer opera~go
financeira em favor dessas entidades,
Os dados contidos em milhares de
paginas de autos sugerem que por
tras do aparecimento inesperado do
Cons6rcio Brasil, formado is pres-
sas para impedir que o grupo lidera-
do pelo empresirio paulista Ant6nio
Ermirio de Moraes arrematasse a
mais cobigada empresa do setor mi-
neral, havia um ardil. Uma institui-
950 financeira recent, o grupo
Opportunity, e um empres~rio sem
maior destaque at6 entho, Benjamin
Steinbruch, receberam maciga inje-
950 de dinheiro, que nio tinham, para
poder bancar o lance vencedor do
leilio, de 3,l bilhdes de reais.
Alcangado o objetivo, a nova dire-
950o da Vale tratou de arrancar o mB-
ximo possivel de rendimento da ope-
raqio da empresa, acumulando lucros
recordistas, distribuidos em dividends
de valor sem paralelo ate entio. A ca-
pitaliza~go serviria para a devolugho
do dinheiro emprestado, com uma
"taxa de participaFio" estupenda. A
partir dai, o cenario estaria pronto para
qixe, num process semelhante ao da
queda em sbrie, o tal do "efeito domi-
n6", os verdadeiros dons, na ponta
invisivel do cordito, att entlio maneja-
do nos bastidores, comegassem a apa-
recer. Os supostos astros de hoje nio
passariam, na verdade, de doubless".
O lance mais explicit desse des-
nudamento envolve o Bradesco. Va-
lendo-se de sucessivas conexbes so-
cietarias, o lider do sistema financeiro
privado national atuou nos dois extre-
pmos do enredo da privatiza~go. De um
lado, integrou o cons6rcio liderado pela


estrangeira Merryl Linch e por Ernest
Young e KPMG, contratados pela Vale
para modelar a sua venda e avaliar o
seu valor. Do outro lado, estava por
tris de um dos associados que arre-
matou a ex-estatal.
Apesar de tortuoso, o nexo causal
ji est8 bem claro nos documents jun-
tados aos autos, mesmo porque o pr6-
prio Bradesco assumiu publicamente,
em margo deste ano, sua participagio
na Vale (de 7,5% do capital votante e
4,8% do capital total). Tamb~m ja des-
moronou o argument de que o Bra-
desco apenas praticou um ato negoci-
al regular quando fez um empr~stimo
para o responsavel pela aquisiCio. Fal-
ta ainda sepultar de vez o outro ele-
mento de defesa: que a transagio se
consumou depois do period em que a
lei a vedava. Os indicios sho de que
ocorreu antes.
Mas esse 6 apenas um dos elemen-
tos da trama, embora o que pode anu-
Iri-la. Tudo indica que funds de agaes
foram apenas testas-de-ferro ou "la-
ranjas" para empresas estrangeiras,
especificamente para mineradoras
concorrentes diretas ou laterals da
CVRD no cenario mundial, indepen-
dentemente de relaqaes de sociedade
no plano national (como Anglo Ame-
rican e Billiton).
Elas aparecerio quando for consu-
mada uma ja acertada operaCio de
"descruzamento" de aq8es, concebida
para separar gatos pardos dos pretos
no mercado (consolidando o setor si-
deruirgico e apartando dele o minera-
dor). S6 que o Minist~rio Publico e a
justiga federal parecem dispostos a nio
permitir que essa complicada manobra
de engenharia financeira, com suas
complexes razaes socials, se realize
abocanhando mais dinheiro publico -
no caso, financiamento tamb~m ja
acordado do BNDES, no valor de 300
milh~es de reais.
.Quanto is fraudes na venda da
Vale, a principio atrav~s de uma feroz
especulagio com pap~is pelos interme-
didrios, e, agora, com a assungao dos
verdadeiros dons, o Bradesco do lado
national e mineradoras estrangeiras
que ainda nio concluiram seus estra-
tagemas, com a definigio da estrutura
aciondria, seu desnudamento mostra-
ra de vez que o Brasil fez um pessimo
negbcio ao leiloar e vender como
vendeu a CVRD. Cabera a justiga,
agora, decidir se esse dano 6 ou nio
reversivel. Se o plano foi perfeito ou
se, como todo crime, deixou pistas para
ser desfeito.


Temporada eleitoral

O inicio violent da campanha eleito-
ral no Para, com duas mortes quase si-
multineas, revela, mais uma vez, a falta
que faz uma dispute political em torno de
id~ias. Como os litigantes buscam o po-
der mais para realizar projetos pessoais
ou, o que e ainda mais grave, para res-
sarcir despesas que fizeram por conta de
um cargo que ainda nio ocupam, nem
considerando a hip6tese de executar um
program, a partir de uma determinada
visio de mundo, o que deveria ser um
confront politico passa a ser uma autin-
tica batalha, uma guerra. Sua principal
regra e de que vale tudo. S6, nio vale
perder.
Como ganhar? Para quem dispute a
reeleigio, antes de mais nada dispondo
da maiquina official. S6 deixa de contar
com essa vantagem quem jai se desgas-
tou pelo uso da maquina no exercicio do
mandate, a tal ponto que o efeito conse-
guido nio 6 o bastante para compensar a
impopularidade. Mas nem porisso os bi-
candidatos deixam de abusar do que a lei
proibe, em tese. Espera-se que mais essa
ligSio permit ao Brasil retomar sua tradi-
Cgo republican, que exclui o institute da
reelei~go como media de prt~vio sanea-
mento politico.
Mas hA um custo irrealmente ele-
vado para um candidate poder aspirar
seriamente ao trono, que o cargo de
chefe do executive realmente repre-
senta, com poderes ainda exagerados,
al~m do control social. Quem tem
esse dinheiro? Quem esta disposto a
empenha-lo? Quem o quer de volta,
multiplicado pelo favorecimento na re-
lagio com o poder, os empreiteiros de
hoje e os de amanhi, os prestadores
de serving, que querem que as regras
continue viciadas. E uma estrutura tio
poderosa e, ao mesmo tempo, tio dis-
tante do povo, que nem parece que o
dinheiro se original de impostos pagos
pela popula~go, mas sobretudo, propor-
cionalmente, pelo assalariado. O povo,
como diziam os colloridos, antes de
sua frase ser incorporada pelos progra-
mas humoristicos, e "detalhe".
Nio basta fiscalizar mais, melhorar a
lei, aparelhar os orgios pxiblicos: e preci-
so promover uma profunda reform poli-
tica. No Para, 6 algo tio distant que soa
como utopia no memento em que as dife-
rengas sao resolvidas atraves da vio in-
cia, aberta ou disfargada, e o abuso do
poder 6fato corriqueiro. Mas compensa
tentar mudar. E pouco provavel que a si-
tuaqio fique pior do que esta.









Paulo. Se tivesse que pagar pela
tabela de publicidade da revista,
precisaria desembolsar R$ 156,8 mil,
ja que o prego da 4" capa 6 de R$
I1.200. A diregio da revista, porem,
decidiu dar um desconto de 30%,
reduzindo o prego unitdrio para R$
7.840 (mais R$ 216 pelo fotolito, a
matriz da impressio). Euma
transagio normal e licita, jB que o
client, fechando um pacote de
anuncios, the asseguraria um ano
inteiro de receita, g razio de
aproximadamente R$ 5 mil liquidos
por mis, descontada a comiss~io da
agtncia, a Vanguarda Propaganda
(que acumulou no period R$ 33 mil),
ou R$ 78 mil no ano de propaganda
sistemitica, previamente garantida.
Vista a relagio a partir desses
nurmeros, nio hg d6vida de que a
administration Edmilson Rodrigues
ajudou bastante a revista. Cars
Amigos teve na prefeitura de Bel~m,
de long, o seu melhor client no
period, embora a prefeitura n~io
venda um produto, nio tenha seus
municipes entre os principals leitores
da publicaqio, cuja circula~go em
Bel~m 6 muito inferior ao de outras
midias acessiveis.
Essa rela~go se justifica, entio, pelo
ingulo do eratrio de uma cidade pobre
como Bel~m? E aceitivel programar
14 anincios sucessivos, que,
computada a produ~go do fotolito,
custaram aos cofres belenenses R$
113 mil, quase R$ 10 mil ao mis?
N~o teria sido mais just e moral
anunciar menos, ajudando, sim, a
revista, tendo comn ela uma relagio
political, mas tamb~m commercial, em
consonincia com a capacidade
financeira do municipio e suas
prioridades de gasto ou investimento?
De outra forma, abstraidas as quest~es
ideolbgica, political ou cultural, nio
estard a esquerda (aceitando-se a
conceituaqio corrente) repetindo os
mbtodos da direita, que tanto combat
enquanto 6 apenas oposigio? A partir
de uma certa tolerincia, em nome do
apoio a uma visgo alternative,
contestat6ria ou oposicionista, nio se
estari relaxando e relativizando
conceitos morals e 6ticos, que acabam
estimulando ou acobertando a
corruppio de esquerda? Afinal, se se


rouba muito h direita, nio deixa de
haver tamb~m roubos a esquerda.
Al~m de roubos, imoralidades,
iniqiiidades, procedimentos anti-
eticos.
Quero deixar bem claro, ao final desta
nota, que o jornalismo em particular e
asociedade brasileira em geral
ganham muito com a existancia de
Cars Amigos e perderio muito se ela
desaparecer. A revista precisa
continuar. Fago minha parte para isso,
comprando meu exemplar, aqui
comentando as matdrias que me
parecem mais importantes,
divulgando-a, principalmente entire os
joyens, e aprendendo tamb~m com ela
(um pequeno artigo de H61io
Alcintara no n" 39, sobre Domingos e
Ademir da Guia, por exemplo, est~i
entire os melhores textos que li nos
ultimos tempos, provando, mais uma
vez, que pode-se ser simples,
profundo e emocionante em pouco
espago).
Tamb~m consideraria legitimo e
correto que a prefeitura de Bel6m
anunciasse duas, tras ou quatro vezes
na revista, um n~imero qualquer, mas
bem distant de 14 anuncios
sucessivos, tornando o erdrio paraense
o principal client da publicaqio.
Certamente um tecnico do setor, sem
outro interesse que n~io o de uma boa
programaqio publicit~ria, nio
endossaria a decisio da administra~go
Edmilson Rodrigues. Ela 6
completamente desproporcional aos
interesses e meios do municipio de
Bel~m. N~o foi, portanto, um crit~rio
estrito de midia que levou a tal
programaqio. Nesse caso, por
elementary coer~ncia com o erro, a
Vanguarda Propaganda deveria ter
renunciado a sua comissio, reduzindo
o desembolso do governor em R$ 33
mil, o equivalent a 200 sal~rios
minimos, o que daria para pagar 15
funciondrios por mis, ao long de um
ano, no escaldo inferior da PMB.
Espero que a abordagem inicial e este
esforgo complementary contribuam
para analisar a questio sem
preconceitos. E com a coragem que
ele requer para que erros sejam
corrigidos e pr~iticas novas, realmente
novas, sejam adotadas.


Aliviado, depois da vitbria do Brasil
com a Argentina, sentei para ler esta
ediCio do Jornal Pessoal, que
acabara de ser impressa. Quase tive
uma sincope ao me dar conta do grave
erro que podia ter cometido. Eu havia
deduzido, das telegraficas respostas
que Se~rgio de Souza havia dado ao
question~rio que eu lhe enviei
(notando-lhe um tom "quase
inquisitorial"), que a soma da
publicidade veiculada em 14 edigdes
seguidas de Caros Amigos era de 8
mil reais, incluido o custo do fotolito.
Na verdade, a interpretagio correta
seria de que esses R$ 8 mil se
referiam a cada um dos 14 an~incios
da PMB veiculados na revista, editada
em Sgo Paulo.
Como pudera cometer erro tio
elementary, visivel a primeira leitura?
Em parte porque S~rgio, respondendo
seqiiencialmente as perguntas, deixou
de tender a meus questionamentos
sobre os prepos unitarios e global da
publicidade, dando apenas o valor de
tabela e um prego que poderia ser
interpretado como unitirio ou global.
Assumindo esta ultima hip6tese, a
conclusio era espantosa: a
administration Edmilson Rodrigues
pagara apenas 5% do prego
estabelecido em tabela para a 4" capa
da revista, o espago ocupado pela
midia da prefeitura de Bel~m. Era,
entio, a revista quem estava ajudando
o PT belenense e nio o contrario.
Mas a interpreta~go aceitavel nio 6
essa, cuja incorporaqio s6 posso
atr'ibuir ao achimulo de cansago e
stress de um cidadio que ha muitos
anos, sem fbrias regulamentares, em
empreitadas como a deste journal,
tornou-se suscetivel a armadilhas
decorrentes do esgotamento fisico, e,
as vezes, da desesperanga.
Imediatamente, entio, decidi corrigir
o erro. A present edigio ji estava
pronta para a expedigio no final da
quarta-feira, 26. Hoje, 27, sento-me
ao computador para incluir, is
pressas, este anexo, que, em
linguagem tipogrifica, atende pelo
nome sugestivo de macarr~io.
De maio do ano passado a junho deste
ano, a prefeitura de Bel~m veiculou
14 anu~ncios em Caros Amigos,
publicaqio mensal editada em Sio


A propaganda official (2)








Na ultima segunda-feira, Silas
Assis iniciou, atrav~s de cart6rio, a
cobranga de uma divida de 70 mil
reais junto a prefeitura de Bel~m,
por veiculaC~o de publicidade nio
paga do municipio em seu Jornal
Popular. A prefeitura, ao que
parece, nio reconhece esse d~bito.
Segundo uma fonte, nenhum dos
amincios anexados a cobranga teve
sua veiculagio autorizada pela
assessoria de comunicaqio social
da PMB, a Comus. Seriam peas
que foram publicadas hB algum
tempo. Toda a publicidade
autorizada ja teria sido paga.
A que se deve essa shbita iniciativa
de Silas Assis? A hip6tese mais
facil de explicaqio 6 a de que se
trata de um ardil. O rompimento
entire as parties teria sido encenado
para evitar o desgaste que se
seguiu as ediC~es extras deste
journal. Ngo. que a administragao
Edmilson Rodrigues esteja
preocupada com a repercussio da
sua associaqio a um veiculo da
pior imprensa que existe,
sensacionalista e extorsion~ria,
mas por causa da reap8o internal no
PT. Verbalmente, em contato
pessoal ou por telefonema, e
atraves de e-mails, tenho recebido
a solidariedade de uns e a
indignaqio de outros, embora raros
tenham autorizado a revela~go
dessa manifestaCio, feita em
confianga. Uns por temer a perda
do emprego, de um DAS
prmncipalmente. Mas di para medir
o estrago.
Poucos dos que 18em este jornal ji
haviam lido ou mesmo
conhecido a folha de Silas Assis
at6 referir-me a ela (o que daria
razio aos que me desaconselharam
a entrar nessa briga). Nem
imaginavam que o PT (no caso, a
facC~o de Edmilson, a Forga
Socialista) pudesse estar associado
a uma publicag~o tilo estranha e


oposta gs id~ias do partido sobre a
imprensa, o direito a informaCio, a
liberdade de expresso, a
dignidade humana e temas
correlates. Muitos ficaram
chocados. Alguns parecem ainda
nio acreditar nas teias subterrineas
que passaram a ligar o erario
municipal ao Jornal Popular.
Para evitar que essa descrenga
ceda e que a reaqio crespa, a
simula~go do rompimento seria
providencial. Sendo ou nao
verdadeira essa hip6tese, hB um
dado mais relevant do que ela: a
publicidade institutional da
prefeitura teve que ser suspense no
dia 30 de junho, por forga da
legisla~go eleitoral. S6 sera
retomada ap6s a elei~go de
outubro-novembro (se houver 2'
turno).
Mas Silas Assis, insaciivel como 6
(e costumam ser os do seu g~nero),
nio pode ficar sem a publicidade
official de Bel~m, concedida sem a
menor rela~go 16gica com a
tiragem do seu journal, sua
importincia, credibilidade ou
eficicia em vendas. Se ele recebeu
dinheiro do governor Edmilson
Rodrigues apenas em fungio da
midia explicit, dos anuncios
produzidos pela Vanguarda
Propaganda e tamb~m veiculados
em outros 6rgios da imprensa,
entio o baque no caixa do Jornal
Popular sera doloroso.
Mas teria sido s6, (s6?) por esses
anuncios que ele abriu todas as
piginas do seu journal ao grupo do
prefeito, deixando que ele
ocupasse a coluna Dicio Malho e
pudesse escrever artigos sem
assinatura, para os efeitos legals
autanticos editorials (portanto, sem
o risco da responsabiliza~go),
descendo o nivel para atingir
inimigos e desafetos? Ou houve
mais do que o que aparece nas
autorizaC~es, nas faturas e nos
empenhos, que constituem a
rela~go marginal e obscura, algo
que sempre existiu quando a


imprensa e o poder estabelecem
pactos promiscuos, condenaveis
mas uma caracteristica na vida
brasileira (de que servem de
atestado, em campos opostos,
Assis Chateaubriand e Samuel
Wainer)?
Se os amincios cobrados atrav~s de
cart6rio nio foram autorizados
pela PMB e se a relaCio entire Silas
Assis e o grupo de Edmilson se
limitou aos atos de um client comn
o veiculo, entio o donor do Jornal
Popular embarcou numa canoa
furada e a prefeitura saird bem
desse confront. Mas se houve
muito mais do que dizem os porta-
vozes do PT, entso a questio se
transformara numa fonte de
problems para o prefeito.
Como todos sabem em tese, mas
muitos esquecem na pratica, a
chantagem, uma vez iniciada, nio
tem fim, nem limits. Ou nio tem
fim normals, hicitos, dignos.
Mesmo porque nenhuma
chantagem comega dessa maneira.
O chantagista sempre quer mais.
Nenhum esenipulo limita sua
voracidade.
Se houve uma rela~go promiscua
entire Silas Assis e o negociador da
propaganda veiculada em seu
journal, nio sera de surpreender se
ele comegar a publicar provas
dessa marginalia. Claro, nio sem
antes fazer ameagas, como ja
parece Ter feito, com a inclusio de
Edmilson Rodrigues entire os 10
mais chatos e as primeiras mati~rias
de critical g PMB, no b1timo
n6mero do seu journal, depois de
um ano de louvor parecem indicar.
Se isso ocorrer, o alcaide vai
aprender o significado do velho
ditado criado pelo povo para
alertar sobre a perigo das mis
companhias. Que s6 nio fazem
mesmo danos mais profundos se o
acompanhante e, ele pr6prio, uma
ma companhia.


Com quem anda o prefeito?







JOURNAL PESSOALla QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 3


soas que me procuraram para manifes-
tar sua posiCgo acham que essa intense
programaCio publicitaria estava tirando
a independancia da revista, impedindo-a
de fazer materias que pudessem desagra-
dar o PT (ou fazendo materias de inte-
resse do partido). Como uma esp~cie de
teste, o jornalista Glauber Uch6a chegou
a proper a diregio de Caros Amigos a
realiza~go de uma entrevista comigo.
A ideia foi aceita, mas a entrevista
acabou nio sendo feita, nio necessaria-
mente por desinteresse da revista (mes-
mo porque o personagem nio e dos mais
importantes), mas por uma serie de ou-
tros fatores, inclusive limita~go de mei-
os, que nada tem a ver com a linha edi-
torial da publicaCio. Seus principals com-
ponentes shio jornalistas cuja hist6ria os
tornam imunes a tais indignidades, pro-
fissionais que merecem grande respei-
to, humane e professional.
Minha visio da questio n~o 6 a mes-
ma do Albano e de alguns amigos. E cla-
ro que publicaqdes como Caros Amigos
nio costumam receber publicidade ofici-
al e costumam ser boicotadas pelas gran-
des ag~ncias de publicidade, mesmo que
elas levem seus 20% de comissilo. E uma
rejeigio ideologica, political, cultural. As-
sim, 6 compreensivel e at6 desejavel que
governor democraticos compensem o que
deixam de fazer governor nio-democra-
ticos, contribuindo assim para manter uma
certa pluralidade de posi95es jornalisticas
e de oppies de leitura.
Mas seria esse o caso da publicidade
da prefeitura do PT? Ela foi compativel
com os interesses do municipio da capital
paraense? Estio na media da compen-
sagio? Esta ajustada aos meios do erairio
belenense? Nio estaria a esquerda sim-
plesmente repetindo os erros da direita,
trocando publicidade por apoio politico,
usando recursos puiblicos para fins priva-
dos, estabelecendo uma promiscuidade
entire o erdrio e a midia?
Com o prop6sito de responder objeti-
vamente a essas indaga95es, enviei um
questiontrio ao editor de Caros Amigos.
Com um espirito de tolerincia e a no~go
do interesse pbiblico que os jornalistas
sempre cobram, mas nem sempre prati-
cam, Sbrgio de Souza responded a todas
as perguntas.
A publicidade comegou em maio do
ano passado e dever8 voltar a revista
quando 0 veto eleitoral for suspense.


Nesse period foram veiculadas 14 pe-
gas depublicidade, que custaram R$ 7.840
a prefeitura, mais R$ 216 pelo fotolito.
Segundo as informaqdes de S~rgio, tra-
ta-se de um valor excepcional, ja que o
prego de tabela para a 4" capa, que a
PMB ocupou nesse um ano de midia sis-
tematica, 6 de R$ 11.200,00. Essa enor-
me diferenga foi atribuida a venda de um
pacote fechado, que jogou para baixo o
prego unitario do anuncio. Quem prop6s
a veiculagio foi a agancia da prefeitura,
a Vanguarda Propaganda, que cobrou
seus 20% regulamentares.
De acordo com esses dados, a esco-
lha de Caros Amigos foi um grande ne-
g6cio, mesmo para sua menor circulagio
em Bel~m. Pelo valor de tabela, as 14
veiculaFges sairiam por algo em torno de
R$ 100 mil a 150 mil (neste valor, se to-
dos os anuincios fossem para a 4" capa).
Mas ficaram por R$ 8 mil.
Em sendo assim, seria um valor per-
feitamente aceitavel para a rela~go en-
tre o veiculo e o anunciante. E ainda mais
justificivel por contrabalangar as dificul-
dades que uma publica~go de tal quali-
dade enfrenta para se manter conforme
as regras do mercado. Mas se esses va-
lores forem analisados da perspective
simplesmente mercadol~gica, a impres-
slo que fica 6 a de que nio foi o gover-
no de Edmilson Rodrigues que ajudou a
revista, mas esta 6 que cedeu espago a
prego quase de custo (ou mesmo abaixo
de um custo real) para ajudar a divulgar
uma administration desfavorecida no
jogo do poder. Ao inv~s de ter um desa-
fogo econBmico, a revista sacrificou o
lucro para veicular propaganda de uma
administration petista.
Qualquer que venha a ser o ponto de
vista do leitor a respeito, inquestionivel 6
o alto nivel de uma revista como Caros
Amigos, bonita de ver, f~cil de ler, rica
em informagaes e andlises, com um pa-
dr~io professional digno, formativa e edu-
cativa. Mas ao mesmo tempo a prefeitu-
ra patrocina uma excresc~ncia como o
Jornal Popular, publicaqio radicalmen-
te oposta. Qual a 16gica? Fazer jogo de
cena com um puiblico bem informado a
distincia e com a esquerda national, en-
quanto, para consume interno, adota as
mais terriveis prdticas political, o mais vil
jornalismo? Tudo pelo poder?
Ficam essas informaC~es e analises
para 0 juizo de cada um.


Disse Bernardo Kucinski, em seu li-
vro A sindrome d'a antena paraboli-
ca, que as unicas publicaqbes verdadei-
ramente alternatives do Brasil sio Ca-
ros Amigos e o Jornal Pessoal. Claro
que ha uma desproporgio entire elas.
Fago sozinho o meujornal, meu publico
e, em essancia, o de Belem e do Para, e
faltam-me competincia e meios para
chegar a um produto como Caros Ami-
gos. AlCm do mais, nio aceito publici-
dade, decidindo por uma opCpo radical
ao lado do leitor,
Leio a revista desde o inicio (ela esta
agora no 40" numero). Acho que o qua-
dro de colaboradores 6 muito desigual.
Certos ndimeros parecem ter sido fecha-
dos nas coxas. E sinto a ausancia de uma
linha editorial capaz de atrair, por magne-
tismo, colaboradores que componham in-
dividualmente, cada um na sua, um con-
junto harm6nico. Mas nio se consegue
tal coisa apenas com talent. E precise o
dinheiro de que o nucleo central de jorna-
listas disp6s para fazer Realidade, a maior
revista de reportagem que jB houve no
Brasil (1966-1974), ou ao menos uma par-
te desses recursos.
Tenho conscibncia da carancia de re-
cursos com que Caros Amigos e feita.
No balango, por~m, o saldo 6 altamente
superavitario. Como pudemos perceber
depois que Paulo Francis se foi, era me-
lhor contar com as implicaC5es, precon-
ceitos, desvarios e imprecisdes dele do
que ficar sem ele, que tinha a virtude de
provocar (o padrio dos nossos articulis-
tas 6 de sonifero). Se desaparecesse,
Cars Amigos deixaria uma lacuna ainda
maior, principalmente entire os joyens, tra-
tados a alpiste e conta-gotas nas publica-
95es da grande imprensa.
Mas havia nas p~iginas da revista uma
coisa que incomodava cada vez mais seus
leitores mais exigentes e critics, at6 que o
jornalista Joiio Albano, na ultima edigio,
resolve tocar, um tanto desajeitadamen-
te, na ferida aberta: a publicidade official
dada por administracgaes p~iblicas petistas.
Durante varios ndimeros lai estavam
anuncios das prefeituras de Santo Andr6,
no ABC paulista, e de Bel~m. Mas sem
duivida o governor de Edmilson Rodrigues
foi, at6 a pen61ltima edig~io (quando teve
que suspender a veiculagio por causa da
proibi~go da legislagio eleitoral), o maior
anunciante de Caros Amigos.
O pr~prio Joso Albano e algumas pes-


A propaganda official:


Um~ monstro bifronte?







4 JOURNAL PESSOAL1laQUINZENA DE AGOSTO/ 2000


Se vivo fosse, Elias Ribeiro Pinto teria
completado 75 anos neste dia 31. Sem con-
seguir se recuperar de um derrame cerebr-al
que sofreu em Santar~m, ele morreu em
Belemn no natal de 1985. Lembro-o no mo-
mento, mais um, em que meus caluniadores
intimam-me a tratar dele. Julgam que assim
fazendo me constrangem. Meu pai teria dei-
xado uma ma memi~ria, que seus filhos nbo
gostariam de lembrar. Dai meu sil~ncio.
Enganam-se esses detratores an~nimos.
Nem me lembro de algum que tenha assi-
nado nota ou artigo a respeito, assumindo a
responsabilidade de provar o que diz. Se
meu pai causou prejuizo, inclusive a admi-
nistraCio puiblica, nenhum foi maior do que
os danos g familiar. Ainda assim, o mal mai-
or que nos fez foi ter-se ido tio cedo, aos
60 anos, deixando em n6s um sentiment
de perda e uma lacuna que jamais serio
supridos. A mim, particularmente, sua falta
d6i at6t hoje.
A dimens~io familiar de sua vida nos
pertence, dela nio abrimos mio e n~io you
discuti-la com os agougueiros do Jornal
Popular e da propaganda paga petista. O
interesse p~iblico 6 de outra ordem. Meu
pai nio foi um santo. Cometeu seus erros,
causou males, numa vida intense e contur-
bada. Reconheci isso no artigo que escrevi
logo depois da sua morte, publicado em O
Liberal. Fiz-lhe minhas restri95es quando
estava vivo. Mas no balango dos pri~s e
contras, sua biografia 6 amplamente supe-
ravithria. Um dia darei conta dela, quando
a pesquisa que fago me permitir concluir o
livro que venho escrevendo sobre ele.
Panegirico de filho para pai? Nada dis-
so. Meu pai foi um personagem autintico
do seu tempo. Era filho de imigrantes nor-
destinos que a seca inclemente tocou para
a Amazbnia, como milhares de outros.
Acompanhou o ir e vir da sua familiar entire
diferentes pontos do interior amaz~nico e a
frustrada tentative de voltar ao sert~io cea-
rense, em Sho Francisco do Canind6. Mas
o com~rcio do "velho" Raimundo nio re- -
sistiu por muito tempo.
Meu pai trabalhou desde cedo. Estava



que dava, ainda adolescent, a gente mais
velha do que ele, em torno de uma longa
mesa na casa do meu av6, no bairro da Al-
deia. Foi locutor de radio, fot6grafo e con-
gregado mariano. Ai caiu nas gragas do
prefeito Adherbal Caetano Corria. Pouco
depois dos 22 anos, era o "papagaio do pre-
feito"'. Substituia o timido "seu" Babi na


hora em que era precise discursar nos atos
oficiais e solenidades p~iblicas. Papai sem-
pre foi um brilhante orador. Mesmo seus
mais renhidos adversarios nio negavam
essa qualidade. Era um prazer ouvi-lo.
Tinha tambem muito carisma. Era um
lider popular numa 6poca em que nio ha-
via marqueteiros para maquilar politicos.
Saber falar bem e ter uma mem~ria inveji-
vel o ajudaram a conquistar parcelas cres-
centes do povo, que n~o era para ele uma
coisa aninima, amorfa, mas pessoas com
nome e hist~ria, que ele desfiava nos pro-
gramas de radio, conquistando entire os ci-
tados adeptos para sempre. Mas, sobretu-
do, entire os "arig6s", como os imigrantes
nordestinos eram desdenhosamente trata-
dos. Papai foi o primeiro politico a assumir
a prefeitura de Santar~m em nome desses
deserdados e discriminados, quebrando a
linhagem da elite traditional do municipio.
Era um oposicionista e, quase por conseqii-
incia, um populista.
Consolidou essa posiCio quando, com
apenas 26 anos, pediu e ganhou uma audi-
incia com o president Getu~lio Vargas no
Palacio do Catete, no Rio de Janeiro, a ca-
pital federal de ent~io. Teve mais um en-
contro, levando a tiracolo o japonis Kotaro
Tuji. Era para conseguir apoio para a insta-
laCio da primeira unidade de beneficiamento
de juta do interior da Amazinia, dando um
pass mais largo para a verticalizaqio do
cultivo agricola que outra categoria de imi-
grantes, os nipinicos, havia introduzido na
regi~o. Sua participation foi decisive para
possibilitar o surgimento da Tecejuta, cujos
escombros, na Prainha, sio uma advertin-
cia sobre o desprezo as liq8es do passado e
os desaflos quanto ao future do Baixo-
Amazonas (que papai se empenhou para
transformar em Estado).
O PTB de Getfilio passou a ser sua iden-
tidade, mesmo depois do suicidio do presi-
dente (que prometera ir a Santar~m inau-
gurar a fibrica). Com essa mistica, se ele-
geu comn folga deputado estadual, trazendo
a familiar para Belem, em 1955. Perdeu, em
seguida, a primeira das tr~s tentativas de



nhecida. Quando, final, ganhou, foi Fara
viti~ria arrasadora, a consagraqi o "br
ra limpa", seu nome de guerra.
Semn mandate, for destgaopr aS c
missio de plane Imnno de SValria (So
perintendencia doPaod aoia g
Econibmica da Amaz~nia), antecessora do
Sudam. Sua posse, em 1959, for um ds


;d'3"jp'' mos atos puibli-il-
cos do entio governa-
dor Magalhies Barata. Teste-
munham os remanescentes dessa 6poca
que meu pai teve um desempenho desta-
cado na comiss~io. Poucos acreditavam
que ele havia cursado apenas at6 o tercei-
ro ano primario (do 1" grau, hoje). Domi-
nava o inglbs. Lia muito. Se deixassem
fontes de consult a mio, rapidamente se
tornava quase um especialista no tema,
mesmo que com ele s6 tivesse travado
contato naquele memento, gragas a sua
intelig~ncia viva eaB sua curiosidade insa-
ciavel. Quatro dos seus sete filhos segui-
ram o jomalismo que ele trilhou como um
dos dons e o principal redator do Baixo-
Amazonas, jornal que editou em Santarem,
de bom padrio para a epoca e o lugar.
Um dos poucos prefeitos eleitos pelo
MDB (o atual PMDB) em todo o pais em
1966 (o outro, no Para, foi o de Santa Iza-
bel), em pleno regime military, papai pagou
carol por ser amplamente minorit~rio na
Cimara Municipal, onde os derrotados na
elei~go majoritiria se enquistaram para lhe
dar um combat sem descanso, desde a
primeira hora (que ele nio avaliou ade-
quadamente). Aproveitaram-se do seu
modo cai~tico de administrar, tipico dessa
era de populismo.
Uma inspegio com evidence prop6sito
politico do Tribunal de Contas do Estado
aproveitou as irregularidades constatadas
para sustentar o pedido do seu afastamen-




n 950o do cri P, pela protelag~io que bons
advogados propiciam e pelos furos da lei,
alem da ousadia e o cinmsmo crescentes
de muitos homes pfiblicos.
Tanto que papat consegu uum mandado
de seguranga, concedido pelo entio juiz de
Olbidos, Manoel Christo Alves (depois de-


Meu pai







JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 5


Gangorra eleitoral


sembargador, president do TJE e agora

gvmddr Ald Nues feikOco to d
Policia Militar para impedir o cumprimento
da ordem judicial, atropelando aquele broca-
do juridico elementary (ordem judicial cum-
pre-se, e recorre-se). Houve o confront
desigual. Tres populates foram mortos e saiu
gravemente ferido o brigadeiro Haroldo Ve-
loso, um heri~i da Aeron~utica, que apoiou
papai apesar de ter sido eleito deputado fe-
deral pela Arena, o partido do governor. Ve-
loso viria a morter em conseqii~ncia do fei-
mento que sofreu, de baioneta. Do outro lado,
nenhum arranhio. Foi um massacre. Papal
escapou porque mulheres fizeram um cor-
dilo de isolamento at6: ele entrar na Casa de
Saude Sao Sebastiko e de la ser resgatado
para Bel~m por tropa armada da Aeronauti
ca que entestou com a PM.
No ano seguinte seu mandate foi cas-
sado, sem que os procedimentos iniciados
tivessem sido concluidos. N~o interessava:
o objetivo de afastai-lo havia sido alcanga-
do. Um idatorio elaborado apedido damesa
da Cimara Federal pelo deputado Dnar
Mendes, da pri~pria Arena, responsabilizou
os homes do governo pelas mortes, a co-
megar por Alacid. Mas tudo foi deixado de
lado. As presta95es de contas de alguns de
seus sucessores, na leva de interventores
que sufocou avertente oposicionista de San-
tarem, nioforam aprovadas pelo TCE. Mas
nenhuma marolazinha se formou a respei-
to. Trataram foi de apagar essas marcas.
Papai tentou voltar political, muito de-
pois. N~io mais conseguiu, inclusive por er-
ros que cometeu. Um grave problema de
coluna foi cerceando a sua incrivel capa-
cidade criativa para os negocios, sempre
prejudicada por sua falta de constincia e
discipline. Morreu pobre, com a roupa do
corpo. Uma pessoa que me procurou de-
pois de sua morte para cobrar a parte dele
numa sociedade nioacreditou nisso. Ofe-
rect-lhe procuraCio para vasculhar todos
os cart6rios ou qualquer outra fonte de in-
formagio e ficar comn o bem que locali-
zasse do meu pai. Seu corpo esta deposi-
tado numa tumba que comprei para ele no
cemiterio de Santa Izabel.
A cada aniversirio dele ou a cada natal
que passa, minha saudade cresce e meu ju-
izo sobre sua obra vai reforgando emmim a
convicq~io de que, n~io exatamente como fi-
lho, mas como seu companheiro e critic, As
vezes desajeitado, 6meu dever contar sua his-
tibria. N~io para mim, meus parents ou ade-
rentes. Nempara seus biliosos inimigos e meus
covardes inimigos. Mas para a region que
ambos, meu pai e eutanto amamos, umtrago
que nos une hoje mais do que nos uniu ontem,
quando dessa afmnidade mal tinhamos consci-
encia, se e que a possuiamos.


A taxa annual de crescimento do
eleitorado paraense entire 1998 e
2000 foi de 1,26%. Como esti
ligeiramente abaixo do crescimento
demogrifico da populagio
projetivel para o period, a partir
da media anterior, isso pode
sigmificar que uma parte da
popula~go, embora em indice de
menor expresso, chega a idade de
votar mas ainda nho procura tirar
seu titulo eleitoral. Isto tudo,
apesar da crescent informatizaq~o
e melhor ajuste administrative da
justiga eleitoral, que esti
procurando expurgar uma longa
tradigio de obsoletismo e
inefici~ncia (tem sido a illtima ou
das illtimas a apresentar o boletim
final de votagio).
Uma das caracteristicas
humans mais fortes do Para 6
ainda estar sofrendo intensos
processes migrat6rios. Ao lado
disso, uma das suas marcas
econdmicas 6 a irtuppio de
enclaves ou grandes projetos, que
geralmente desenvolvem atividades
meramente extrativas. Essas
caracteristicas se refletem no
quadro eleitoral pela fluidez e
inconstincia da distribuigio
espacial do eleitorado, que gravita
conforme o magnetismo exercido
pela atividade produtiva e pelos
fatores de atragao exercidos sobre
o migrant, tanto no seu ponto de
origem quanto no de chegada,
atrav~s quase de um funl,
interligando rigidamente esses elos
da cadeia.
O que se vC, em conseqii&ncia, e
uma perda de importincia de Bel~m.
A capital mal consegue sustentar sua
participagio, em torno de um quarto
do contingent total (de 3,2 milhies)
de eleitores. Mesmo quando se
agrega os municipios diretamente
sob a mnfluencia da capital, na
Grande BelCm (mais Ananindeua e
Marituba), essa participa~go mal
chega a um tergo e, nesse
conjunto, o peso de Ananindeua em
tend~ncia de expansio: enquanto
Bel~m perdeu meio por cento dos
eleitores entire 1998 e 2000, o
col~gio de Ananindeua se expandiu
quase 30%.


Belem continue bem a frente
dos demais municipios, com 792
mil eleitores. Santarem ainda
mant~m a Segunda posi~go, com
151 mil eleitores, mas a distincia
de Ananindeua (com 140 mil
eleitores) diminuiu muito, jai que a
capital mocoronga perdeu 1,32%
do seu eleitorado no period. O
quarto lugar e de Maraba, com 82
mil eleitores. Castanhal continue
na Quinta posiCio, com 69 mil
eleitores. Abaetetuba, de 78
col~gio em 1998, passou para 6-
neste ano, com 57 mil eleitores.
Braganga, que era o nono, subiu
para 88 (surpreendente aumento
de 15%), com 51 mil eleitores. Ja
Parauapebas pulou duas posiqaes,
assimundo o 10" lugar, com seus
45 mil eleitores. Tucurui
manteve-se em 11", com 43 mil.
Breves deu o maior de todos os
saltos: da 17" para a 12" posi~go,
com 38,2 mil eleitores. Capanema
ficou na 13 comn 37 mil eleitores.
Reden~go 6 a 14 : 37,2 mil.
Altamira, perdendo muitos
eleitores (12,7%), desceu da 10"
para a 15' posipio, um reflexo da
expansio de outros municipios e
da estagnaCdo da regiio da
Transamazinica (sua melhor
perspective, se pode ser
considerada melhor, 6 a retomada
do projeto da hidrel~trica do
Xingu).
Em terms proporcionais, as
maiores taxas de crescimento do
eleitorado nesse period seguiram
a seguinte ordem: Marituba (48%),
Novo Progresso (46%), Taillndia
(3 7,8%), Ananindeua (29,5%),
Breu Branco (28,9%), Sapucaia
(28,5%), Sgo Joso da Ponta
(24,6%), Eldorado de Caraj~s
(23,8%), Goian~sia do Pard
(23,7%) e Breves (22,8%).
Jg os maiores decr~scimos
foram registrados em Cumaru do
Norte (menos 39,5%), Sio
Francisco do Para (-31,8%),
Ourdindia do Norte (-28%), S~io
Jodo do Araguaia (-26,5%),
Igarap6-Agu (-25,3%)'
Curion6polis (-24,9%), Rio Maria
(-21,8%), Pigarra (-18,4%) e Abel
Figueiredo (-15,4%).







6 JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE AGOSTO/ 2000


Se ndio houver contratempos de chegada, o
Jornal Pessoal completarai 13 anos na edigd~o 242,
da P" quinzena de setembro. Como das outras
vezes, gostaria de comemorar a data com os meus
leitores. Espero que eles se disponham a tratar de
liberdade de informagd~o, da livre mamifestagdio de
pensamento, da relagd'o da imprensa com o poden
do que t~m feito os jornalistas e o que deles espera
a sociedade, do papel da imprensa numa regido de
fronteira como a Amazdnia, da dor e da delicia de
estar vivo na transigd'o entire dicadas, sbculos e
milinios, da dificuldade para se posicionar no
tempo present, do desatio maior ainda de encarar
o future e, se possivel, uma avaliagd'o deste journal:
e~le deve continuar? O que melhorar? Como
garantir sua sobrevivdncia? O que lhe tem faltado?
Enfim, ao invis de anuincios e propaganda
oficial, a voz daquele que 4, aqui, a razd'o da nossa
exist~ncia, sem mera retdrica: o leitor


nando Henrique Cardoso jd
foam feitas aqui. Os artigos
a que ele se refere (nos quais
ndlo existe a expressdo "poor-
tentosa': nem o propdsito de
defender o personagem),
acompanhados das cartas
que lhes deram motive, tra-
taram do intelectual Fernan-
do Henrique Cardoso. Ha
uma certa autonomia entire
essas duas faces da mesma
pessoa. O leitor, como qual-
quer outra pessoa, tem todo
o direito de desprezar a
obra do sociologo. Antes,
porem, g precise conhecd-la.
O professor Martins e eu,
ati por dever de oficio (so-
mos todos socio logos), a
conhecemos, certamente.ele
bem melhor do que eu. Acha-
mos que, como socidlogo,
FHC b um intellectual a res-
peitar, algubm que soube
fazer o que fez. Desde a fa-
culdade, sempre discordei de
muitas das iddias dele (meus
colegas tomavam por mar-
xismo o que era, na verda-
de, funcionalismo). Mas
aprende-se muito lendo al-
guns de seus livros (para
mim, como ja disse, o melhor
sendo Capitalismo e escravi-
dio no Brasil Meridional).
No meu ponto de vistit, o
livro produzido sobre a Ama-
z~nia 6 um dos trabalhos me-
nores da obra dele. A impor-
tincia de FHC para a socio-
logia brasileira nio guard
qualquer relagio comn a de
Jos6 Sarney para a literature
national. Ser president da
repuiblica nio melhorou em
nada a ficCio de Sarne, que
nio passa de um beletrista
acad~mico. A boa sociologia
de Fernando Henrique, capaz
de nivela-lo a Florestan Fer-
nandes, niotornou veniais os
pecados mortals que ele tem
cometido como president.
Sem perder de vista que se
trata da mesma pessoa e que
ela responded mntegralmente
por seus atos, 6 recomendd-
vel n8o transferir para um ni-
vel todos os justos motivoy.
que o leitor tem para atacar o
politico, deixando de apreciar
e tirar proveito do que a inte-
ligbncia de Fernando Henri-
que propiciou ao pensamento


brasileiro (sempre comprome-
tida por sua vaidade). Esse
paradoxo coloca um pouco
mais de complica~go na anai-
lise do papel do intellectual na
sociedade e da rela~go entire
o plano das id~ias e o da rea-
lidade. Motive para um outro
artigo. Para quem estiver in-
teressado, recomendo a leitu-
ra do que escrevi nas ediq8es
129 (2" quinzena de outubro
de 1995) e 162 (la quinzena
de maio de 1997).


R eg ressio
Hoje comprei seus jornais.
Fiquei indignada com a amea-
ga feita a voc6 e acho que
vocal tem toda razio de ficar
preocupado com sua seguran-
ga. Afinal, estamos no Para, e
nio 6 de hoje que os podero-
sos nio admitem critics e
costumam reagir radicalmen-
te, contando com a imunidade
e a impunidade. Parece mal-
digio, mas at6 agora nenhum
politico resistiu, quando no po-
der, 9s tentagbes que condu-
zem inevitavelmente a sua des-
trui~go moral.
Nos tempos baratistas da
primeira interventoria, a em-
pastela~go era recurs usual
para fazer calar os inconveni-
entes da critical. Recurso nada


novo, se pensarmos nas agru-
ras do journal do C~nego Ba-
tista Campos, lembrado com
propriedade por voc6, que so-
freu humilhaqdes de toda sor-
te. Mas nio se calou. E 6 isso
que incomoda mais do que
tudo, especialmente aos que
nio possuem a sua coragem e
desprendimento. Resistir 6
precise! Conte com seus lei-
tores fi~is, gente como eu e
muitos amigos e admiradores,
alguns aninimos, mas sabedo-
res do seu valor e importincia
para a regiio, objeto de nos-
sas preocupaqdes maiores.
De tudo isso f ico com uma
preocupa~go a mais: em quem
votar. Estava quase dando meu
"apoio critic" e aceitando que
o PT 6 bom de governor, como
sua propaganda afirma. Pobre
Marx! Aqui, ja estamos repe-
tindo a farsa da farsa, pensan-
do fazer Hist6ria.
Abragos solida-rios da lei-
tora amiga.
Denise Simbes
Rodrigues

MINHA RESPOSTA
Denise, estudiosa do ba-
ratismo, sabe muito bem o que
diz. E o diz com forga. O que
aumenta o peso da sua soli-
dariedade, recebida com toda
a gratidio.


C rtaYsS

EO Soci6 ogo
Achei interessante o emba-
te que vem sendo travado por
esse journal (n~s 237-238) e
eventuais missivistas no caso
FHC. Todos saimos lucrando,
pelo menos fiquei conhecen-
do alguma coisa do outro lado
do nosso Presidente. O pro-
fessor, o academico, o pesqui-
sador e o pensador. Porque a
sua face orgulhosa, vaidosa,
autorit~ria e quiga cabotina,
estou enfadado de ver nesses
duradouros quase seis anos e
you ter que suporthi-lo por mais
tr~s anos. Noblesse oblige.
Pelo cargo que ocupa e
devido a portentosidade de sua
obra acadimica (como voc6
afirma), os dois discursos de-
fensivos, o seu e o do Prof.
Jose de Souza Martins (publi-
cado no Didrio), nio chega-
ram a entusiasmar ningu~m,
acredito. Diditica e teorica-
mente foram frigeis, talvez a
sombra do outro FHC tenha
anulado o esforgo. E not6ria a
atabalhoada atuaqio do indi-
gitado. Digo d~o s6 no campo
politico, tambem na elabora-
Fgo e execu~go de aqdes eco-
nbmicas, financeiras e soci-
ais. Gosta de ser mal asses-
sorado e nio 6 diferente na
escolha de seus auxiliares di-
retos. O recent escindalo do
seu secretario geral durante
o primeiro reinado, 6 bem pos-
sivel que nio seja o ultimo. As
relaq~es espuirias com o Con-
gresso Nacional, de pleno co-
nhecimento de todos os bra-
sileiros, sio de causar inveja
at6 ao Presidente-Poeta, que
no seu tempo partilhou des-
sas estreitezas.
Esse 6 o comportamento
de um home que exerce o
cargo de Presidente da Repui-
blica, mas que nio perdeu a
sua condigio intrinseca de ci-
dadio, de educador e de pes-
quisador, etc. A sociologia nio
explica isso?
Rodolfo Lisbon Cerveira

MINHA RESPOSTA
Todas as critics que o
leitor faz ao president Fer-







JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 7


quilibrado mentalmente para o legendd-
rio dicionario de lingua inglesa de Oxford,
6 um "livro alucinante", que suscita a ori-
ginalissima questio: "hauma fronteira real
entire a ficC~o e a realidade?" (ao menos
em favor da eufonia, sem nenhum ganho
gnoseologico, talvez fosse melhor pergun-
tar se ha"uma fronteira verdadeira entire
a ficq~o e a realidade?").
A grande ruptura, de Francis
Fukuyama, provoca no nosso critico uma
constata~go: "A grande cultural desse
pensador nipo-americano acaba deixan-
do muitos leitores com a impressio de um
filme aqucarado da Metro". A frase 6
engenhosa, mas quem leu Fukuyama es-
tara mais autorizado a relacionar seu 11-
vro a uma epopeia da Metro do que a um
filme aqucarado. O pensador "nipo-ame-
ricano" pode ter interpretado mal os fil6-
sofos que leu, ou tirade deles o que neles
nio esta contido, mas n8o os leu pela ore-
lha (como, quem sabe, pode ter feito Leo
Gilson?).
Ele nio 6 menos infeliz (nem ao recri-
at Waste Land, de Elliot, para Waste-
land) quando desaconselha a leitura de
Extingdio, romance de Thomas Bernhard,
pelo acerto de contas que o escritor faz
comn sua Austria natal: "~Autodestruigio,
vinganga insaciavel, essas quase 500 pa-
ginas estio inflamadas de 6dio e horror.
Poucos leitores optario por uma leitura
tio arrasadora". Entio ningu~m leria
Celine. Talvez nem James Joyce. Ou,
quem sabe, nosso Haroldo Maranhio. Ate
evitaria o licoroso Paul Erdman, um ex-
banqueiro americano que ha anos vem
fustigando os banqueiros suigos. Catarse
tamb~m liberta. Principalmente quando 6:
de qualidade. Os semelhantes se curam
pelos semelhantes, ensina a homeopatia.
Leo Gilson parece nio saber disso.
Ainda no primeiro semestre, ele ja se
consider seguro o suficiente para anun-
ciar que A arma da casa, da sul-africa-
na Nadine Gordimer, 6 "o livro do ano".
Seja IA que livro venha a sair at6 dezem-
bro, esse romance nio sera igualado, ji
que, como diz o critic, 6 "tio perfeito".
Como se a perfeigio, por set absolute,
nho dispensasse o adjetivo acompanhan-
te, algo como hierarquizar metafisicamen-
te o "mais honest" c o "menos hones-
to", contribuindo dessa maneira para a
impunidade dos homes pilblicos (ou pu-
blicanos).
E tudo isso nio mais numa se~go se-
manal, mas numa coluna mensal. Sinal
dos tempos?


Quando a Editora Abril saiu das suas acanhadas

instalago~es na rua Jod~o Adolfo e se instalou em sede

prdipria, na MaErginal do Tiet, emn Sado Paulo, na metade

da dicada de 60, alguns de seus funciondirios e

colaboradores recorriam a uma Kombi, que sai'a da

Alameda Santos, prdximo da avenida Paullista, no centro,

para alcangar a distant via (entd~o dita) express. Eu era

um deles. A eli'trica Irede Cardoso era outra. Com seu bom

bumor, sua irrevere~ncia e sua exuberd ncia, ela animwava

a enfadonha viagem (viagem, sim.- ainda na~o havia

metra na capital paulistana).


Um dia subiu na nossa Kombi um
cidadio compenetrado, ar euro-
Upeu, nariz empinado. Era Leo
Gilson Ribeiro, rec~m-chegado da Ale-
manha, onde fez um pbs-graduaCio so-
bre Kafka, Biichner e Ionesco (depois
publicado em livro pela excelente editor
de Jose Alvaro, ji desaparecida do mer-
cado). Leo Gilson conquistou o lugar de
resenhista de livros de Veja, numa e~poca
em que se anunciar como integrante da
revista dava direito a receber um trata-
mento semelhante ao que hoje e conferi-
do as estrelas da TV Globo (involuimos?).
Leo Gilson aparecia na redagio com
a resenha de tr~s, quatro, cinco livros.
Estava la datilografando sua lauda, na
reda~go pr6-computadores, quando Rai-
mundo Rodrigues Pereira, no auge da sua
fase anarquista (a melhor de todas), de-
brugou-se sobre os ombros do neogermi-
nico brasileiro e depois, aos brados, co-
brou-lhe explicaqbes, com aquele irinico
e inquisitorial modo de empolar as frases
que o tornava um c6mico verdadeiro:
Mas Leo, voc6 leu mesmo todos
esses livros?
O critic tentou defender-se, mas ja
balbuciou: lera, sim. E claro que lera.
Raimundo nio se deixou convencer:
Mas como voct consegue? Eu ten-
to e s6 consigo ler um ou dois livros por
semana. Leo, voc6 estii mentindo. VQlca
nao leu todos esses livros.
Virou as costas e foi-se, indiferente
as explicaC~es que L~o, atordoado pelos


decib~is do bandalho editor, tentava or-
ganizar atras dele.
O que diria Raimundo agora, vendo a
seCglo de livros que Ldo Gilson assina em
Cars Amigos? Pego uma edigio qual-
quer, como a 39". Ali estio resenhados e
julgados, em dois ou trbs parigrafos por
livro, nada menos do que 10 publicaqdes,
nove delas livros, varios deles maqudos,
outros, al~m disso, dificeis.
Umas poucas linhas sso o bastante
para Leo Gilson sentenciar se a obra e
imortal ou vagabunda, se merece it aos
c~us ou descer aos infernos. Todos es-
ses editos costurados com expresses do
tipo "enfronhar-se", "em prol", "canden-
te", "instigante", "ind~mita", "alucinante",
"solerte", "intr~pido", "magistral" e ou-
tras p~rolas.
Elas costumam adorner o colar das
frases feitas e dos clich~s. Ha delas a
mios cheias na coluna de Leo Gilson.
Rubem Braga, por exemplo, "notabilizou-
se por suas cr~nicas sutis, didfanas". A
sdrie de reportagens que ele escreveu,
reeditadas pela Record em Aventuras,
retratando a contribui~go do Brasil "em
prol da liberdade no Velho Continente",
durante a Segunda Guerra Mundial, sio
um "marco important" da mem6tia bra-
sileira. Mas o marco ji nio e em si im-
portante? Ou hB marco sem importincia?
Ja o deslumbrante O professor e o
demente, de Simon Winchester, mostran-
do a colaboraqio que o destiny estabele-
ceu entire um erudite shoe outro dese-


Scritico incansavel










































































Journal Pessoal1
Edilor: Lu~cs Flavia P~nlo- Fones: (091) 2:3-7690 lione-fa.) e 241- '626 1lar)
contalo- rs nenlam~n constani as1 2os as assi~oa e-mana: ornalsamazon com e I
Edigao de Arte: Lulzanionedefarslaoanloll 230- 1 31.14


Com agradaivel e reconfortadora surpre-
sa recebi uma notaa de repuidio emitida no
final da semana passada por 10 jornalis-
tas de A Provincia do Para. A alegria result
nd~o apenas de eles estarem ao meu lado num
memento em que muita gente opta por se
manter em cima do muro, mesmo sem ser
tucano militant. Mas porque seus argumen-
tos destacam a distaincia em que nos encon-
tramos das franquias civis praticadas e res-
peitadas em paises do chamado primeiro
mundo. Evidenciam a gravidade das agres-
sodes praticadas contra mim, mas-de. uso
corrente entire nos porque os direitos e ga-
rantias individuals sdo ignorados na nossa
terra, contribuindo para perpetuar as vio-
Idncias e propiciar o retrocesso politico.
A covardia de pessoas que se aproveitam
de orgd'os da imprensa levianos para atacar
desafetos sem assumir a responsabilidade
pelo que dizem ja era combatida hai quase
um sdculo e meio no Brsil por A Reforma, o
grande porta-voz da oposigd'o democraitica
no Rio de Janeiro em 1869. No seu nuimero
inaugural, em 1869, ele trazia no cabegalho
a advertincia, tirada do historiador romano
Taicito: "Nado se admitem testas-de-ferro".
Era so o que havia entdio e por isso o
novo journal foi combatido pelos jai estabe-
lecidos na praga. Mas A Reforma reagiu:
"Esse sistema nos pareceu necessdirio como
exemplo e como argument para afastar de
nossas colunas editorials a caldinia e o in-
sulto. Se assinamos e tomamos a responsa-
bilidade de nossas opinid~es e censures, te-
mos o direito de exigir que todos os artigos
enviados ci Reforma venham com a forga
moral da convicgdo de seus autores ".
No Parai, estaremos involuindo para an-
tes dessa epoca? E o que parece diante do
silbncio geral que acolhe tantas indignida-
des acobertadas sob o manto espuireo do
anonimato. Por isso, acolho com alegria a
nota de protest dos jornalistas de A Pro-
vincia, culja integra e a seguinte:
N6s, jornalistas de A Provincia do Palri,
queremos repudiar, publicamente, a maneira
como nosso colega de profissio Luicio Flavio


Pinto foi atacado em duas paginas da uiltima
edigio do Jornal Popular porque nelas houve
um desrespeito frontal ao que estabelecem a
ConstituiC~o da Repuiblica Federativa do Bra-
sil, o nosso C6digo de Etica e a Declaraqio
Universal dos Direitos Humanos.
Os ataques aparecem num texto assinado e
num outro assinado apenas com um pseud~ni-
mo, o que se constitui num desrespeito ao Art.
S5". Inciso 4P. da Constitui~go brasileira, que
proibe o anonimato. Al~m disto, os textos vio-
lam a intimidade da vida privada do jornalista e
tentam afetar a sua imagem professional, o que,
novamente, contraria o mesmo artigo do docu-
mento legal, no seu Inciso X.
Ao tentar intimidar Luicio Flaivio, n~io s6 com
uma s~rie infindavel de agressies verbais, mas
atC mesmo com uma ameaga de agressio fisi-
ca, as duas pdginas do Jornal Popular des-
respeitam quase tudo o que o C6digo de Etica
do Jornalista estabelece como conduta profis-
sional correta, no seu Artigo 9 .: a) tentam im-
pedir a liberdade de pensamento e expresso;
b) seopiem aolivre exercicio da profissio jor-
nalistica; c) desvalorizam, desonram e tornam
indigna a profissio; d) desrespeitam a privaci-
dade de um cidadio; e) estabelecem o arbitrio
e a opressio.
Por fim, ao pretender intimidar o jornalista,
colocando sua seguranga pessoal em risco, o
material veiculado por aquele journal, nas duas
paginas citadas, afrontam os artigos I, III, IV,
V, XVIII e XIX da Declaraqio Universal dos
Direitos Humanos, que asseguram a todo cida-
dio a sua liberdade natural, os seus direitos a
vida, a seguranga pessoal, a proteg~o contra
tratamento degradante ou desumano, a liber-
dade de pensamento eag liberdade de opinion.
Bel~m, 19 de julho de 2.000
Oswaldo Coimbra, Editor do caderno Re-
alidade Amazdnica; Nicodemos Sena, Diretor
de Redagdo; Hamilton Braga, Secretairio de
Redagdo; Ailson Braga. Reporter; Alberto da
Cunha Neto, Reporter; Eliete Ramos, Editora
de Political; Manoel Adolfo Sampaio, Editor de
Variedades; Mozart Lira, Colunista, Sub-edi-
tor de Variedades; Fabian Gomes, Repdrter
fotograf~ico; Lilian Leitio, Reportet:


ameaga de agressio fisica que
me foi feita atraves das pagi-
nas do Jornal Popular, em
nome da familiar de Silas As-
sis, num artigo sem assinatu-
ra, equivalent a um editorial
da publicaqio. No mesmo dia
solicitei ao procurador geral de


Justiga que o Ministerio Publi-
co acompanhasse a investiga-
gio policial.
Dois dias depois, o secreta-
rio Paulo Sette C~umara infor-
mou, por oficio, que meu reque-
rimento havia sido remetido ao
delegado geral de policia, Joio


Moraes, para os procedimen-
tos relatives ao caso. Espero
que as autoridades apurem o
crime e denunciem os respon-
saveis, instruindo o process
para que esse ato vil seja leva-
do as barras do tribunal.
Aguardo e acompanho serene.


POf CIma
Jos6 Marcelino Monteiro
da Costa foi nomeado mem-
bro do Comit6 Cientifico da
Amaz~nia do Ministerio da
Ciincia e da Tecnologia, con-
forme portaria do ministry
Ronaldo Sardenberg, publica-
da no Diario Oficial da Uniho
de 5 de julho.
A boa noticia veio junto
comn outra: Marcelino "redes-
cobriu" que tinha autoriza~go
do Consep, o conselho superi-
or da Universidade Federal do
Parai, para dar aulas no mes-
trado, orientar dissertaq8es de
mestrado e participar de ban-
cas examinadoras.
Para quem nio p6de parti-
cipar da banca examinadora do
Plades, no Nucleo de Altos
Estudos Amazinicos da
UFPA, 6 mais do que com-
pensador. Ou nio?

Rabo
Pela primeira vez em mais
de um ano, desde que come-
Cou a publicidade official do
municipio, oultimo ntimero do
Jornal Popular trocou elogi-
os fartos por critics (conve-
nientemente timidas) ao pre-
feito Edmilson Rodrigues, ago-
ra at6 classificado como um
dos 10 mais chatos. Trata-se
de uma manobra de despista-
mento diante das critics que
tenho feito a essa relaCio pro-
miscua, que precisa ser con-
venientemente esclarecida
quanto a forma (notas de em-
penho, recibos, recolhimento
de imposto, etc.) e duraqio.
Mas tambem pode levar a
mais uma das tipicas mudan-
gas editorialss" da folha, sem-
pre que cessa ou mingua a
drenagem de dinheiro do era-
rio para o caixa de Silas As-
sis. E por causal da proibiFio
legal a publicidade official des-
de 30de junho.
O gator escondeu-se, mas
deixou o rabo de fora. Con-
vem puxa-lo.

Pr ovid 6n cia
No dia 17 protocolei na
Secretaria Especial de Defe-
sa Social do Estado um pedi-
do de provid~ncias contra a


Repu lo