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omnal essoal L OjC o F L v o P N TO ANO XIII N' 240 la QUINZENA DE AGOSTO DE 2000I-*-RS 2,00 V enda Vd a sera d @fita?I Trds anos depois da privatizagd~o da Companlbia v/ale do Rio Doce, a justiga federal do Parai, acionadai pelo Ministin'o P2dblico e por de~zenas de ag~es populares, estdi revendo a operagd~o. Se comprovar a prd tica de fraudes, poderz . cancelaZ-la. E evitar que o pai's sofra um enorme arl prejui~zo. i;l r i -:?,'~.~iv~~-~ guntas comegam a ser respondidas. EsclarecC-las, porem, deixou de ser uma questio acad~mica ou um item de dispute political: e uma tarefa pratica, da qual se estio desincumbindo a jus- tiga e o Minist~rio Publico federal no Para. A partir da revisio dos dados de 85 agbes populares, que foram drena-) intencionalmente para bloquear o acesso pelo flo da meada, forem desatados? Quais as conseqtiincias desse esquema para o control e o usufruto national so- bre algumas das mais estrategicas jazi- das de minerios do pais? Mais de tris anos depois da priva- tizaCio da CVRD, s6 agora essas per- ''"-''' ''' '- I- L~;-~L;~~,~~L;;~=LL'I:''~?.,: *r~;JC::: ~fki~c~;*l.~yeJr,;;~~;f .i -iii;;~i. ....~ z5L~ ~, --:t ~~- I C3 ir. I Ir'''Ir~L ~1r\ -~41 ;Ci~-~1;~;ICCiIIl)fi~L :r I .:i. ;~rl 1 .* " II a Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora de minerio de ferro do mundo e Puma das mais importantes es- tatais do Brasil? Quem e: que detem real- mente o control acionario da empresa? Para quem ele ira quando os n6s, dados 2 JORNAL PESSOALlr QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 das de virias parties do Brasil, por vin- cula~go, para a 4" vara federal de Be- 16m, e de um inqu~rito civil publico pro- posto pelo procurador Ubiratan Cazet- ta, o process de desestatizaqio da CVRD pode ser finalmente reexami- nado, sustado e, conforme a instrugho das demands, desfeito. Tudo vai defender agora dos dados que serio fornecidos ao Ministbrio Publico a partir da quebra dos sigilos bancario, fiscal, commercial e acion~rio das 16 pessoas juridicas e fisica en- volvidas na venda da Vale, media de- terminada pelo juiz substitute da 4 vara, Eduardo Cubas. O prazo para a entrega dessas informaqdes termina- ria no dia 27 (esta matiria foi fecha- da tras dias antes). Enquanto essa pendencia nio for definida, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econ6- mico Social esta proibido pelo magis- trado de financial qualquer opera~go financeira em favor dessas entidades, Os dados contidos em milhares de paginas de autos sugerem que por tras do aparecimento inesperado do Cons6rcio Brasil, formado is pres- sas para impedir que o grupo lidera- do pelo empresirio paulista Ant6nio Ermirio de Moraes arrematasse a mais cobigada empresa do setor mi- neral, havia um ardil. Uma institui- 950 financeira recent, o grupo Opportunity, e um empres~rio sem maior destaque at6 entho, Benjamin Steinbruch, receberam maciga inje- 950 de dinheiro, que nio tinham, para poder bancar o lance vencedor do leilio, de 3,l bilhdes de reais. Alcangado o objetivo, a nova dire- 950o da Vale tratou de arrancar o mB- ximo possivel de rendimento da ope- raqio da empresa, acumulando lucros recordistas, distribuidos em dividends de valor sem paralelo ate entio. A ca- pitaliza~go serviria para a devolugho do dinheiro emprestado, com uma "taxa de participaFio" estupenda. A partir dai, o cenario estaria pronto para qixe, num process semelhante ao da queda em sbrie, o tal do "efeito domi- n6", os verdadeiros dons, na ponta invisivel do cordito, att entlio maneja- do nos bastidores, comegassem a apa- recer. Os supostos astros de hoje nio passariam, na verdade, de doubless". O lance mais explicit desse des- nudamento envolve o Bradesco. Va- lendo-se de sucessivas conexbes so- cietarias, o lider do sistema financeiro privado national atuou nos dois extre- pmos do enredo da privatiza~go. De um lado, integrou o cons6rcio liderado pela estrangeira Merryl Linch e por Ernest Young e KPMG, contratados pela Vale para modelar a sua venda e avaliar o seu valor. Do outro lado, estava por tris de um dos associados que arre- matou a ex-estatal. Apesar de tortuoso, o nexo causal ji est8 bem claro nos documents jun- tados aos autos, mesmo porque o pr6- prio Bradesco assumiu publicamente, em margo deste ano, sua participagio na Vale (de 7,5% do capital votante e 4,8% do capital total). Tamb~m ja des- moronou o argument de que o Bra- desco apenas praticou um ato negoci- al regular quando fez um empr~stimo para o responsavel pela aquisiCio. Fal- ta ainda sepultar de vez o outro ele- mento de defesa: que a transagio se consumou depois do period em que a lei a vedava. Os indicios sho de que ocorreu antes. Mas esse 6 apenas um dos elemen- tos da trama, embora o que pode anu- Iri-la. Tudo indica que funds de agaes foram apenas testas-de-ferro ou "la- ranjas" para empresas estrangeiras, especificamente para mineradoras concorrentes diretas ou laterals da CVRD no cenario mundial, indepen- dentemente de relaqaes de sociedade no plano national (como Anglo Ame- rican e Billiton). Elas aparecerio quando for consu- mada uma ja acertada operaCio de "descruzamento" de aq8es, concebida para separar gatos pardos dos pretos no mercado (consolidando o setor si- deruirgico e apartando dele o minera- dor). S6 que o Minist~rio Publico e a justiga federal parecem dispostos a nio permitir que essa complicada manobra de engenharia financeira, com suas complexes razaes socials, se realize abocanhando mais dinheiro publico - no caso, financiamento tamb~m ja acordado do BNDES, no valor de 300 milh~es de reais. .Quanto is fraudes na venda da Vale, a principio atrav~s de uma feroz especulagio com pap~is pelos interme- didrios, e, agora, com a assungao dos verdadeiros dons, o Bradesco do lado national e mineradoras estrangeiras que ainda nio concluiram seus estra- tagemas, com a definigio da estrutura aciondria, seu desnudamento mostra- ra de vez que o Brasil fez um pessimo negbcio ao leiloar e vender como vendeu a CVRD. Cabera a justiga, agora, decidir se esse dano 6 ou nio reversivel. Se o plano foi perfeito ou se, como todo crime, deixou pistas para ser desfeito. Temporada eleitoral O inicio violent da campanha eleito- ral no Para, com duas mortes quase si- multineas, revela, mais uma vez, a falta que faz uma dispute political em torno de id~ias. Como os litigantes buscam o po- der mais para realizar projetos pessoais ou, o que e ainda mais grave, para res- sarcir despesas que fizeram por conta de um cargo que ainda nio ocupam, nem considerando a hip6tese de executar um program, a partir de uma determinada visio de mundo, o que deveria ser um confront politico passa a ser uma autin- tica batalha, uma guerra. Sua principal regra e de que vale tudo. S6, nio vale perder. Como ganhar? Para quem dispute a reeleigio, antes de mais nada dispondo da maiquina official. S6 deixa de contar com essa vantagem quem jai se desgas- tou pelo uso da maquina no exercicio do mandate, a tal ponto que o efeito conse- guido nio 6 o bastante para compensar a impopularidade. Mas nem porisso os bi- candidatos deixam de abusar do que a lei proibe, em tese. Espera-se que mais essa ligSio permit ao Brasil retomar sua tradi- Cgo republican, que exclui o institute da reelei~go como media de prt~vio sanea- mento politico. Mas hA um custo irrealmente ele- vado para um candidate poder aspirar seriamente ao trono, que o cargo de chefe do executive realmente repre- senta, com poderes ainda exagerados, al~m do control social. Quem tem esse dinheiro? Quem esta disposto a empenha-lo? Quem o quer de volta, multiplicado pelo favorecimento na re- lagio com o poder, os empreiteiros de hoje e os de amanhi, os prestadores de serving, que querem que as regras continue viciadas. E uma estrutura tio poderosa e, ao mesmo tempo, tio dis- tante do povo, que nem parece que o dinheiro se original de impostos pagos pela popula~go, mas sobretudo, propor- cionalmente, pelo assalariado. O povo, como diziam os colloridos, antes de sua frase ser incorporada pelos progra- mas humoristicos, e "detalhe". Nio basta fiscalizar mais, melhorar a lei, aparelhar os orgios pxiblicos: e preci- so promover uma profunda reform poli- tica. No Para, 6 algo tio distant que soa como utopia no memento em que as dife- rengas sao resolvidas atraves da vio in- cia, aberta ou disfargada, e o abuso do poder 6fato corriqueiro. Mas compensa tentar mudar. E pouco provavel que a si- tuaqio fique pior do que esta. Paulo. Se tivesse que pagar pela tabela de publicidade da revista, precisaria desembolsar R$ 156,8 mil, ja que o prego da 4" capa 6 de R$ I1.200. A diregio da revista, porem, decidiu dar um desconto de 30%, reduzindo o prego unitdrio para R$ 7.840 (mais R$ 216 pelo fotolito, a matriz da impressio). Euma transagio normal e licita, jB que o client, fechando um pacote de anuncios, the asseguraria um ano inteiro de receita, g razio de aproximadamente R$ 5 mil liquidos por mis, descontada a comiss~io da agtncia, a Vanguarda Propaganda (que acumulou no period R$ 33 mil), ou R$ 78 mil no ano de propaganda sistemitica, previamente garantida. Vista a relagio a partir desses nurmeros, nio hg d6vida de que a administration Edmilson Rodrigues ajudou bastante a revista. Cars Amigos teve na prefeitura de Bel~m, de long, o seu melhor client no period, embora a prefeitura n~io venda um produto, nio tenha seus municipes entre os principals leitores da publicaqio, cuja circula~go em Bel~m 6 muito inferior ao de outras midias acessiveis. Essa rela~go se justifica, entio, pelo ingulo do eratrio de uma cidade pobre como Bel~m? E aceitivel programar 14 anincios sucessivos, que, computada a produ~go do fotolito, custaram aos cofres belenenses R$ 113 mil, quase R$ 10 mil ao mis? N~o teria sido mais just e moral anunciar menos, ajudando, sim, a revista, tendo comn ela uma relagio political, mas tamb~m commercial, em consonincia com a capacidade financeira do municipio e suas prioridades de gasto ou investimento? De outra forma, abstraidas as quest~es ideolbgica, political ou cultural, nio estard a esquerda (aceitando-se a conceituaqio corrente) repetindo os mbtodos da direita, que tanto combat enquanto 6 apenas oposigio? A partir de uma certa tolerincia, em nome do apoio a uma visgo alternative, contestat6ria ou oposicionista, nio se estari relaxando e relativizando conceitos morals e 6ticos, que acabam estimulando ou acobertando a corruppio de esquerda? Afinal, se se rouba muito h direita, nio deixa de haver tamb~m roubos a esquerda. Al~m de roubos, imoralidades, iniqiiidades, procedimentos anti- eticos. Quero deixar bem claro, ao final desta nota, que o jornalismo em particular e asociedade brasileira em geral ganham muito com a existancia de Cars Amigos e perderio muito se ela desaparecer. A revista precisa continuar. Fago minha parte para isso, comprando meu exemplar, aqui comentando as matdrias que me parecem mais importantes, divulgando-a, principalmente entire os joyens, e aprendendo tamb~m com ela (um pequeno artigo de H61io Alcintara no n" 39, sobre Domingos e Ademir da Guia, por exemplo, est~i entire os melhores textos que li nos ultimos tempos, provando, mais uma vez, que pode-se ser simples, profundo e emocionante em pouco espago). Tamb~m consideraria legitimo e correto que a prefeitura de Bel6m anunciasse duas, tras ou quatro vezes na revista, um n~imero qualquer, mas bem distant de 14 anuncios sucessivos, tornando o erdrio paraense o principal client da publicaqio. Certamente um tecnico do setor, sem outro interesse que n~io o de uma boa programaqio publicit~ria, nio endossaria a decisio da administra~go Edmilson Rodrigues. Ela 6 completamente desproporcional aos interesses e meios do municipio de Bel~m. N~o foi, portanto, um crit~rio estrito de midia que levou a tal programaqio. Nesse caso, por elementary coer~ncia com o erro, a Vanguarda Propaganda deveria ter renunciado a sua comissio, reduzindo o desembolso do governor em R$ 33 mil, o equivalent a 200 sal~rios minimos, o que daria para pagar 15 funciondrios por mis, ao long de um ano, no escaldo inferior da PMB. Espero que a abordagem inicial e este esforgo complementary contribuam para analisar a questio sem preconceitos. E com a coragem que ele requer para que erros sejam corrigidos e pr~iticas novas, realmente novas, sejam adotadas. Aliviado, depois da vitbria do Brasil com a Argentina, sentei para ler esta ediCio do Jornal Pessoal, que acabara de ser impressa. Quase tive uma sincope ao me dar conta do grave erro que podia ter cometido. Eu havia deduzido, das telegraficas respostas que Se~rgio de Souza havia dado ao question~rio que eu lhe enviei (notando-lhe um tom "quase inquisitorial"), que a soma da publicidade veiculada em 14 edigdes seguidas de Caros Amigos era de 8 mil reais, incluido o custo do fotolito. Na verdade, a interpretagio correta seria de que esses R$ 8 mil se referiam a cada um dos 14 an~incios da PMB veiculados na revista, editada em Sgo Paulo. Como pudera cometer erro tio elementary, visivel a primeira leitura? Em parte porque S~rgio, respondendo seqiiencialmente as perguntas, deixou de tender a meus questionamentos sobre os prepos unitarios e global da publicidade, dando apenas o valor de tabela e um prego que poderia ser interpretado como unitirio ou global. Assumindo esta ultima hip6tese, a conclusio era espantosa: a administration Edmilson Rodrigues pagara apenas 5% do prego estabelecido em tabela para a 4" capa da revista, o espago ocupado pela midia da prefeitura de Bel~m. Era, entio, a revista quem estava ajudando o PT belenense e nio o contrario. Mas a interpreta~go aceitavel nio 6 essa, cuja incorporaqio s6 posso atr'ibuir ao achimulo de cansago e stress de um cidadio que ha muitos anos, sem fbrias regulamentares, em empreitadas como a deste journal, tornou-se suscetivel a armadilhas decorrentes do esgotamento fisico, e, as vezes, da desesperanga. Imediatamente, entio, decidi corrigir o erro. A present edigio ji estava pronta para a expedigio no final da quarta-feira, 26. Hoje, 27, sento-me ao computador para incluir, is pressas, este anexo, que, em linguagem tipogrifica, atende pelo nome sugestivo de macarr~io. De maio do ano passado a junho deste ano, a prefeitura de Bel~m veiculou 14 anu~ncios em Caros Amigos, publicaqio mensal editada em Sio A propaganda official (2) Na ultima segunda-feira, Silas Assis iniciou, atrav~s de cart6rio, a cobranga de uma divida de 70 mil reais junto a prefeitura de Bel~m, por veiculaC~o de publicidade nio paga do municipio em seu Jornal Popular. A prefeitura, ao que parece, nio reconhece esse d~bito. Segundo uma fonte, nenhum dos amincios anexados a cobranga teve sua veiculagio autorizada pela assessoria de comunicaqio social da PMB, a Comus. Seriam peas que foram publicadas hB algum tempo. Toda a publicidade autorizada ja teria sido paga. A que se deve essa shbita iniciativa de Silas Assis? A hip6tese mais facil de explicaqio 6 a de que se trata de um ardil. O rompimento entire as parties teria sido encenado para evitar o desgaste que se seguiu as ediC~es extras deste journal. Ngo. que a administragao Edmilson Rodrigues esteja preocupada com a repercussio da sua associaqio a um veiculo da pior imprensa que existe, sensacionalista e extorsion~ria, mas por causa da reap8o internal no PT. Verbalmente, em contato pessoal ou por telefonema, e atraves de e-mails, tenho recebido a solidariedade de uns e a indignaqio de outros, embora raros tenham autorizado a revela~go dessa manifestaCio, feita em confianga. Uns por temer a perda do emprego, de um DAS prmncipalmente. Mas di para medir o estrago. Poucos dos que 18em este jornal ji haviam lido ou mesmo conhecido a folha de Silas Assis at6 referir-me a ela (o que daria razio aos que me desaconselharam a entrar nessa briga). Nem imaginavam que o PT (no caso, a facC~o de Edmilson, a Forga Socialista) pudesse estar associado a uma publicag~o tilo estranha e oposta gs id~ias do partido sobre a imprensa, o direito a informaCio, a liberdade de expresso, a dignidade humana e temas correlates. Muitos ficaram chocados. Alguns parecem ainda nio acreditar nas teias subterrineas que passaram a ligar o erario municipal ao Jornal Popular. Para evitar que essa descrenga ceda e que a reaqio crespa, a simula~go do rompimento seria providencial. Sendo ou nao verdadeira essa hip6tese, hB um dado mais relevant do que ela: a publicidade institutional da prefeitura teve que ser suspense no dia 30 de junho, por forga da legisla~go eleitoral. S6 sera retomada ap6s a elei~go de outubro-novembro (se houver 2' turno). Mas Silas Assis, insaciivel como 6 (e costumam ser os do seu g~nero), nio pode ficar sem a publicidade official de Bel~m, concedida sem a menor rela~go 16gica com a tiragem do seu journal, sua importincia, credibilidade ou eficicia em vendas. Se ele recebeu dinheiro do governor Edmilson Rodrigues apenas em fungio da midia explicit, dos anuncios produzidos pela Vanguarda Propaganda e tamb~m veiculados em outros 6rgios da imprensa, entio o baque no caixa do Jornal Popular sera doloroso. Mas teria sido s6, (s6?) por esses anuncios que ele abriu todas as piginas do seu journal ao grupo do prefeito, deixando que ele ocupasse a coluna Dicio Malho e pudesse escrever artigos sem assinatura, para os efeitos legals autanticos editorials (portanto, sem o risco da responsabiliza~go), descendo o nivel para atingir inimigos e desafetos? Ou houve mais do que o que aparece nas autorizaC~es, nas faturas e nos empenhos, que constituem a rela~go marginal e obscura, algo que sempre existiu quando a imprensa e o poder estabelecem pactos promiscuos, condenaveis mas uma caracteristica na vida brasileira (de que servem de atestado, em campos opostos, Assis Chateaubriand e Samuel Wainer)? Se os amincios cobrados atrav~s de cart6rio nio foram autorizados pela PMB e se a relaCio entire Silas Assis e o grupo de Edmilson se limitou aos atos de um client comn o veiculo, entio o donor do Jornal Popular embarcou numa canoa furada e a prefeitura saird bem desse confront. Mas se houve muito mais do que dizem os porta- vozes do PT, entso a questio se transformara numa fonte de problems para o prefeito. Como todos sabem em tese, mas muitos esquecem na pratica, a chantagem, uma vez iniciada, nio tem fim, nem limits. Ou nio tem fim normals, hicitos, dignos. Mesmo porque nenhuma chantagem comega dessa maneira. O chantagista sempre quer mais. Nenhum esenipulo limita sua voracidade. Se houve uma rela~go promiscua entire Silas Assis e o negociador da propaganda veiculada em seu journal, nio sera de surpreender se ele comegar a publicar provas dessa marginalia. Claro, nio sem antes fazer ameagas, como ja parece Ter feito, com a inclusio de Edmilson Rodrigues entire os 10 mais chatos e as primeiras mati~rias de critical g PMB, no b1timo n6mero do seu journal, depois de um ano de louvor parecem indicar. Se isso ocorrer, o alcaide vai aprender o significado do velho ditado criado pelo povo para alertar sobre a perigo das mis companhias. Que s6 nio fazem mesmo danos mais profundos se o acompanhante e, ele pr6prio, uma ma companhia. Com quem anda o prefeito? JOURNAL PESSOALla QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 3 soas que me procuraram para manifes- tar sua posiCgo acham que essa intense programaCio publicitaria estava tirando a independancia da revista, impedindo-a de fazer materias que pudessem desagra- dar o PT (ou fazendo materias de inte- resse do partido). Como uma esp~cie de teste, o jornalista Glauber Uch6a chegou a proper a diregio de Caros Amigos a realiza~go de uma entrevista comigo. A ideia foi aceita, mas a entrevista acabou nio sendo feita, nio necessaria- mente por desinteresse da revista (mes- mo porque o personagem nio e dos mais importantes), mas por uma serie de ou- tros fatores, inclusive limita~go de mei- os, que nada tem a ver com a linha edi- torial da publicaCio. Seus principals com- ponentes shio jornalistas cuja hist6ria os tornam imunes a tais indignidades, pro- fissionais que merecem grande respei- to, humane e professional. Minha visio da questio n~o 6 a mes- ma do Albano e de alguns amigos. E cla- ro que publicaqdes como Caros Amigos nio costumam receber publicidade ofici- al e costumam ser boicotadas pelas gran- des ag~ncias de publicidade, mesmo que elas levem seus 20% de comissilo. E uma rejeigio ideologica, political, cultural. As- sim, 6 compreensivel e at6 desejavel que governor democraticos compensem o que deixam de fazer governor nio-democra- ticos, contribuindo assim para manter uma certa pluralidade de posi95es jornalisticas e de oppies de leitura. Mas seria esse o caso da publicidade da prefeitura do PT? Ela foi compativel com os interesses do municipio da capital paraense? Estio na media da compen- sagio? Esta ajustada aos meios do erairio belenense? Nio estaria a esquerda sim- plesmente repetindo os erros da direita, trocando publicidade por apoio politico, usando recursos puiblicos para fins priva- dos, estabelecendo uma promiscuidade entire o erdrio e a midia? Com o prop6sito de responder objeti- vamente a essas indaga95es, enviei um questiontrio ao editor de Caros Amigos. Com um espirito de tolerincia e a no~go do interesse pbiblico que os jornalistas sempre cobram, mas nem sempre prati- cam, Sbrgio de Souza responded a todas as perguntas. A publicidade comegou em maio do ano passado e dever8 voltar a revista quando 0 veto eleitoral for suspense. Nesse period foram veiculadas 14 pe- gas depublicidade, que custaram R$ 7.840 a prefeitura, mais R$ 216 pelo fotolito. Segundo as informaqdes de S~rgio, tra- ta-se de um valor excepcional, ja que o prego de tabela para a 4" capa, que a PMB ocupou nesse um ano de midia sis- tematica, 6 de R$ 11.200,00. Essa enor- me diferenga foi atribuida a venda de um pacote fechado, que jogou para baixo o prego unitario do anuncio. Quem prop6s a veiculagio foi a agancia da prefeitura, a Vanguarda Propaganda, que cobrou seus 20% regulamentares. De acordo com esses dados, a esco- lha de Caros Amigos foi um grande ne- g6cio, mesmo para sua menor circulagio em Bel~m. Pelo valor de tabela, as 14 veiculaFges sairiam por algo em torno de R$ 100 mil a 150 mil (neste valor, se to- dos os anuincios fossem para a 4" capa). Mas ficaram por R$ 8 mil. Em sendo assim, seria um valor per- feitamente aceitavel para a rela~go en- tre o veiculo e o anunciante. E ainda mais justificivel por contrabalangar as dificul- dades que uma publica~go de tal quali- dade enfrenta para se manter conforme as regras do mercado. Mas se esses va- lores forem analisados da perspective simplesmente mercadol~gica, a impres- slo que fica 6 a de que nio foi o gover- no de Edmilson Rodrigues que ajudou a revista, mas esta 6 que cedeu espago a prego quase de custo (ou mesmo abaixo de um custo real) para ajudar a divulgar uma administration desfavorecida no jogo do poder. Ao inv~s de ter um desa- fogo econBmico, a revista sacrificou o lucro para veicular propaganda de uma administration petista. Qualquer que venha a ser o ponto de vista do leitor a respeito, inquestionivel 6 o alto nivel de uma revista como Caros Amigos, bonita de ver, f~cil de ler, rica em informagaes e andlises, com um pa- dr~io professional digno, formativa e edu- cativa. Mas ao mesmo tempo a prefeitu- ra patrocina uma excresc~ncia como o Jornal Popular, publicaqio radicalmen- te oposta. Qual a 16gica? Fazer jogo de cena com um puiblico bem informado a distincia e com a esquerda national, en- quanto, para consume interno, adota as mais terriveis prdticas political, o mais vil jornalismo? Tudo pelo poder? Ficam essas informaC~es e analises para 0 juizo de cada um. Disse Bernardo Kucinski, em seu li- vro A sindrome d'a antena paraboli- ca, que as unicas publicaqbes verdadei- ramente alternatives do Brasil sio Ca- ros Amigos e o Jornal Pessoal. Claro que ha uma desproporgio entire elas. Fago sozinho o meujornal, meu publico e, em essancia, o de Belem e do Para, e faltam-me competincia e meios para chegar a um produto como Caros Ami- gos. AlCm do mais, nio aceito publici- dade, decidindo por uma opCpo radical ao lado do leitor, Leio a revista desde o inicio (ela esta agora no 40" numero). Acho que o qua- dro de colaboradores 6 muito desigual. Certos ndimeros parecem ter sido fecha- dos nas coxas. E sinto a ausancia de uma linha editorial capaz de atrair, por magne- tismo, colaboradores que componham in- dividualmente, cada um na sua, um con- junto harm6nico. Mas nio se consegue tal coisa apenas com talent. E precise o dinheiro de que o nucleo central de jorna- listas disp6s para fazer Realidade, a maior revista de reportagem que jB houve no Brasil (1966-1974), ou ao menos uma par- te desses recursos. Tenho conscibncia da carancia de re- cursos com que Caros Amigos e feita. No balango, por~m, o saldo 6 altamente superavitario. Como pudemos perceber depois que Paulo Francis se foi, era me- lhor contar com as implicaC5es, precon- ceitos, desvarios e imprecisdes dele do que ficar sem ele, que tinha a virtude de provocar (o padrio dos nossos articulis- tas 6 de sonifero). Se desaparecesse, Cars Amigos deixaria uma lacuna ainda maior, principalmente entire os joyens, tra- tados a alpiste e conta-gotas nas publica- 95es da grande imprensa. Mas havia nas p~iginas da revista uma coisa que incomodava cada vez mais seus leitores mais exigentes e critics, at6 que o jornalista Joiio Albano, na ultima edigio, resolve tocar, um tanto desajeitadamen- te, na ferida aberta: a publicidade official dada por administracgaes p~iblicas petistas. Durante varios ndimeros lai estavam anuncios das prefeituras de Santo Andr6, no ABC paulista, e de Bel~m. Mas sem duivida o governor de Edmilson Rodrigues foi, at6 a pen61ltima edig~io (quando teve que suspender a veiculagio por causa da proibi~go da legislagio eleitoral), o maior anunciante de Caros Amigos. O pr~prio Joso Albano e algumas pes- A propaganda official: Um~ monstro bifronte? 4 JOURNAL PESSOAL1laQUINZENA DE AGOSTO/ 2000 Se vivo fosse, Elias Ribeiro Pinto teria completado 75 anos neste dia 31. Sem con- seguir se recuperar de um derrame cerebr-al que sofreu em Santar~m, ele morreu em Belemn no natal de 1985. Lembro-o no mo- mento, mais um, em que meus caluniadores intimam-me a tratar dele. Julgam que assim fazendo me constrangem. Meu pai teria dei- xado uma ma memi~ria, que seus filhos nbo gostariam de lembrar. Dai meu sil~ncio. Enganam-se esses detratores an~nimos. Nem me lembro de algum que tenha assi- nado nota ou artigo a respeito, assumindo a responsabilidade de provar o que diz. Se meu pai causou prejuizo, inclusive a admi- nistraCio puiblica, nenhum foi maior do que os danos g familiar. Ainda assim, o mal mai- or que nos fez foi ter-se ido tio cedo, aos 60 anos, deixando em n6s um sentiment de perda e uma lacuna que jamais serio supridos. A mim, particularmente, sua falta d6i at6t hoje. A dimens~io familiar de sua vida nos pertence, dela nio abrimos mio e n~io you discuti-la com os agougueiros do Jornal Popular e da propaganda paga petista. O interesse p~iblico 6 de outra ordem. Meu pai nio foi um santo. Cometeu seus erros, causou males, numa vida intense e contur- bada. Reconheci isso no artigo que escrevi logo depois da sua morte, publicado em O Liberal. Fiz-lhe minhas restri95es quando estava vivo. Mas no balango dos pri~s e contras, sua biografia 6 amplamente supe- ravithria. Um dia darei conta dela, quando a pesquisa que fago me permitir concluir o livro que venho escrevendo sobre ele. Panegirico de filho para pai? Nada dis- so. Meu pai foi um personagem autintico do seu tempo. Era filho de imigrantes nor- destinos que a seca inclemente tocou para a Amazbnia, como milhares de outros. Acompanhou o ir e vir da sua familiar entire diferentes pontos do interior amaz~nico e a frustrada tentative de voltar ao sert~io cea- rense, em Sho Francisco do Canind6. Mas o com~rcio do "velho" Raimundo nio re- - sistiu por muito tempo. Meu pai trabalhou desde cedo. Estava que dava, ainda adolescent, a gente mais velha do que ele, em torno de uma longa mesa na casa do meu av6, no bairro da Al- deia. Foi locutor de radio, fot6grafo e con- gregado mariano. Ai caiu nas gragas do prefeito Adherbal Caetano Corria. Pouco depois dos 22 anos, era o "papagaio do pre- feito"'. Substituia o timido "seu" Babi na hora em que era precise discursar nos atos oficiais e solenidades p~iblicas. Papai sem- pre foi um brilhante orador. Mesmo seus mais renhidos adversarios nio negavam essa qualidade. Era um prazer ouvi-lo. Tinha tambem muito carisma. Era um lider popular numa 6poca em que nio ha- via marqueteiros para maquilar politicos. Saber falar bem e ter uma mem~ria inveji- vel o ajudaram a conquistar parcelas cres- centes do povo, que n~o era para ele uma coisa aninima, amorfa, mas pessoas com nome e hist~ria, que ele desfiava nos pro- gramas de radio, conquistando entire os ci- tados adeptos para sempre. Mas, sobretu- do, entire os "arig6s", como os imigrantes nordestinos eram desdenhosamente trata- dos. Papai foi o primeiro politico a assumir a prefeitura de Santar~m em nome desses deserdados e discriminados, quebrando a linhagem da elite traditional do municipio. Era um oposicionista e, quase por conseqii- incia, um populista. Consolidou essa posiCio quando, com apenas 26 anos, pediu e ganhou uma audi- incia com o president Getu~lio Vargas no Palacio do Catete, no Rio de Janeiro, a ca- pital federal de ent~io. Teve mais um en- contro, levando a tiracolo o japonis Kotaro Tuji. Era para conseguir apoio para a insta- laCio da primeira unidade de beneficiamento de juta do interior da Amazinia, dando um pass mais largo para a verticalizaqio do cultivo agricola que outra categoria de imi- grantes, os nipinicos, havia introduzido na regi~o. Sua participation foi decisive para possibilitar o surgimento da Tecejuta, cujos escombros, na Prainha, sio uma advertin- cia sobre o desprezo as liq8es do passado e os desaflos quanto ao future do Baixo- Amazonas (que papai se empenhou para transformar em Estado). O PTB de Getfilio passou a ser sua iden- tidade, mesmo depois do suicidio do presi- dente (que prometera ir a Santar~m inau- gurar a fibrica). Com essa mistica, se ele- geu comn folga deputado estadual, trazendo a familiar para Belem, em 1955. Perdeu, em seguida, a primeira das tr~s tentativas de nhecida. Quando, final, ganhou, foi Fara viti~ria arrasadora, a consagraqi o "br ra limpa", seu nome de guerra. Semn mandate, for destgaopr aS c missio de plane Imnno de SValria (So perintendencia doPaod aoia g Econibmica da Amaz~nia), antecessora do Sudam. Sua posse, em 1959, for um ds ;d'3"jp'' mos atos puibli-il- cos do entio governa- dor Magalhies Barata. Teste- munham os remanescentes dessa 6poca que meu pai teve um desempenho desta- cado na comiss~io. Poucos acreditavam que ele havia cursado apenas at6 o tercei- ro ano primario (do 1" grau, hoje). Domi- nava o inglbs. Lia muito. Se deixassem fontes de consult a mio, rapidamente se tornava quase um especialista no tema, mesmo que com ele s6 tivesse travado contato naquele memento, gragas a sua intelig~ncia viva eaB sua curiosidade insa- ciavel. Quatro dos seus sete filhos segui- ram o jomalismo que ele trilhou como um dos dons e o principal redator do Baixo- Amazonas, jornal que editou em Santarem, de bom padrio para a epoca e o lugar. Um dos poucos prefeitos eleitos pelo MDB (o atual PMDB) em todo o pais em 1966 (o outro, no Para, foi o de Santa Iza- bel), em pleno regime military, papai pagou carol por ser amplamente minorit~rio na Cimara Municipal, onde os derrotados na elei~go majoritiria se enquistaram para lhe dar um combat sem descanso, desde a primeira hora (que ele nio avaliou ade- quadamente). Aproveitaram-se do seu modo cai~tico de administrar, tipico dessa era de populismo. Uma inspegio com evidence prop6sito politico do Tribunal de Contas do Estado aproveitou as irregularidades constatadas para sustentar o pedido do seu afastamen- n 950o do cri P, pela protelag~io que bons advogados propiciam e pelos furos da lei, alem da ousadia e o cinmsmo crescentes de muitos homes pfiblicos. Tanto que papat consegu uum mandado de seguranga, concedido pelo entio juiz de Olbidos, Manoel Christo Alves (depois de- Meu pai JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 5 Gangorra eleitoral sembargador, president do TJE e agora gvmddr Ald Nues feikOco to d Policia Militar para impedir o cumprimento da ordem judicial, atropelando aquele broca- do juridico elementary (ordem judicial cum- pre-se, e recorre-se). Houve o confront desigual. Tres populates foram mortos e saiu gravemente ferido o brigadeiro Haroldo Ve- loso, um heri~i da Aeron~utica, que apoiou papai apesar de ter sido eleito deputado fe- deral pela Arena, o partido do governor. Ve- loso viria a morter em conseqii~ncia do fei- mento que sofreu, de baioneta. Do outro lado, nenhum arranhio. Foi um massacre. Papal escapou porque mulheres fizeram um cor- dilo de isolamento at6: ele entrar na Casa de Saude Sao Sebastiko e de la ser resgatado para Bel~m por tropa armada da Aeronauti ca que entestou com a PM. No ano seguinte seu mandate foi cas- sado, sem que os procedimentos iniciados tivessem sido concluidos. N~o interessava: o objetivo de afastai-lo havia sido alcanga- do. Um idatorio elaborado apedido damesa da Cimara Federal pelo deputado Dnar Mendes, da pri~pria Arena, responsabilizou os homes do governo pelas mortes, a co- megar por Alacid. Mas tudo foi deixado de lado. As presta95es de contas de alguns de seus sucessores, na leva de interventores que sufocou avertente oposicionista de San- tarem, nioforam aprovadas pelo TCE. Mas nenhuma marolazinha se formou a respei- to. Trataram foi de apagar essas marcas. Papai tentou voltar political, muito de- pois. N~io mais conseguiu, inclusive por er- ros que cometeu. Um grave problema de coluna foi cerceando a sua incrivel capa- cidade criativa para os negocios, sempre prejudicada por sua falta de constincia e discipline. Morreu pobre, com a roupa do corpo. Uma pessoa que me procurou de- pois de sua morte para cobrar a parte dele numa sociedade nioacreditou nisso. Ofe- rect-lhe procuraCio para vasculhar todos os cart6rios ou qualquer outra fonte de in- formagio e ficar comn o bem que locali- zasse do meu pai. Seu corpo esta deposi- tado numa tumba que comprei para ele no cemiterio de Santa Izabel. A cada aniversirio dele ou a cada natal que passa, minha saudade cresce e meu ju- izo sobre sua obra vai reforgando emmim a convicq~io de que, n~io exatamente como fi- lho, mas como seu companheiro e critic, As vezes desajeitado, 6meu dever contar sua his- tibria. N~io para mim, meus parents ou ade- rentes. Nempara seus biliosos inimigos e meus covardes inimigos. Mas para a region que ambos, meu pai e eutanto amamos, umtrago que nos une hoje mais do que nos uniu ontem, quando dessa afmnidade mal tinhamos consci- encia, se e que a possuiamos. A taxa annual de crescimento do eleitorado paraense entire 1998 e 2000 foi de 1,26%. Como esti ligeiramente abaixo do crescimento demogrifico da populagio projetivel para o period, a partir da media anterior, isso pode sigmificar que uma parte da popula~go, embora em indice de menor expresso, chega a idade de votar mas ainda nho procura tirar seu titulo eleitoral. Isto tudo, apesar da crescent informatizaq~o e melhor ajuste administrative da justiga eleitoral, que esti procurando expurgar uma longa tradigio de obsoletismo e inefici~ncia (tem sido a illtima ou das illtimas a apresentar o boletim final de votagio). Uma das caracteristicas humans mais fortes do Para 6 ainda estar sofrendo intensos processes migrat6rios. Ao lado disso, uma das suas marcas econdmicas 6 a irtuppio de enclaves ou grandes projetos, que geralmente desenvolvem atividades meramente extrativas. Essas caracteristicas se refletem no quadro eleitoral pela fluidez e inconstincia da distribuigio espacial do eleitorado, que gravita conforme o magnetismo exercido pela atividade produtiva e pelos fatores de atragao exercidos sobre o migrant, tanto no seu ponto de origem quanto no de chegada, atrav~s quase de um funl, interligando rigidamente esses elos da cadeia. O que se vC, em conseqii&ncia, e uma perda de importincia de Bel~m. A capital mal consegue sustentar sua participagio, em torno de um quarto do contingent total (de 3,2 milhies) de eleitores. Mesmo quando se agrega os municipios diretamente sob a mnfluencia da capital, na Grande BelCm (mais Ananindeua e Marituba), essa participa~go mal chega a um tergo e, nesse conjunto, o peso de Ananindeua em tend~ncia de expansio: enquanto Bel~m perdeu meio por cento dos eleitores entire 1998 e 2000, o col~gio de Ananindeua se expandiu quase 30%. Belem continue bem a frente dos demais municipios, com 792 mil eleitores. Santarem ainda mant~m a Segunda posi~go, com 151 mil eleitores, mas a distincia de Ananindeua (com 140 mil eleitores) diminuiu muito, jai que a capital mocoronga perdeu 1,32% do seu eleitorado no period. O quarto lugar e de Maraba, com 82 mil eleitores. Castanhal continue na Quinta posiCio, com 69 mil eleitores. Abaetetuba, de 78 col~gio em 1998, passou para 6- neste ano, com 57 mil eleitores. Braganga, que era o nono, subiu para 88 (surpreendente aumento de 15%), com 51 mil eleitores. Ja Parauapebas pulou duas posiqaes, assimundo o 10" lugar, com seus 45 mil eleitores. Tucurui manteve-se em 11", com 43 mil. Breves deu o maior de todos os saltos: da 17" para a 12" posi~go, com 38,2 mil eleitores. Capanema ficou na 13 comn 37 mil eleitores. Reden~go 6 a 14 : 37,2 mil. Altamira, perdendo muitos eleitores (12,7%), desceu da 10" para a 15' posipio, um reflexo da expansio de outros municipios e da estagnaCdo da regiio da Transamazinica (sua melhor perspective, se pode ser considerada melhor, 6 a retomada do projeto da hidrel~trica do Xingu). Em terms proporcionais, as maiores taxas de crescimento do eleitorado nesse period seguiram a seguinte ordem: Marituba (48%), Novo Progresso (46%), Taillndia (3 7,8%), Ananindeua (29,5%), Breu Branco (28,9%), Sapucaia (28,5%), Sgo Joso da Ponta (24,6%), Eldorado de Caraj~s (23,8%), Goian~sia do Pard (23,7%) e Breves (22,8%). Jg os maiores decr~scimos foram registrados em Cumaru do Norte (menos 39,5%), Sio Francisco do Para (-31,8%), Ourdindia do Norte (-28%), S~io Jodo do Araguaia (-26,5%), Igarap6-Agu (-25,3%)' Curion6polis (-24,9%), Rio Maria (-21,8%), Pigarra (-18,4%) e Abel Figueiredo (-15,4%). 6 JOURNAL PESSOAL l' QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 Se ndio houver contratempos de chegada, o Jornal Pessoal completarai 13 anos na edigd~o 242, da P" quinzena de setembro. Como das outras vezes, gostaria de comemorar a data com os meus leitores. Espero que eles se disponham a tratar de liberdade de informagd~o, da livre mamifestagdio de pensamento, da relagd'o da imprensa com o poden do que t~m feito os jornalistas e o que deles espera a sociedade, do papel da imprensa numa regido de fronteira como a Amazdnia, da dor e da delicia de estar vivo na transigd'o entire dicadas, sbculos e milinios, da dificuldade para se posicionar no tempo present, do desatio maior ainda de encarar o future e, se possivel, uma avaliagd'o deste journal: e~le deve continuar? O que melhorar? Como garantir sua sobrevivdncia? O que lhe tem faltado? Enfim, ao invis de anuincios e propaganda oficial, a voz daquele que 4, aqui, a razd'o da nossa exist~ncia, sem mera retdrica: o leitor nando Henrique Cardoso jd foam feitas aqui. Os artigos a que ele se refere (nos quais ndlo existe a expressdo "poor- tentosa': nem o propdsito de defender o personagem), acompanhados das cartas que lhes deram motive, tra- taram do intelectual Fernan- do Henrique Cardoso. Ha uma certa autonomia entire essas duas faces da mesma pessoa. O leitor, como qual- quer outra pessoa, tem todo o direito de desprezar a obra do sociologo. Antes, porem, g precise conhecd-la. O professor Martins e eu, ati por dever de oficio (so- mos todos socio logos), a conhecemos, certamente.ele bem melhor do que eu. Acha- mos que, como socidlogo, FHC b um intellectual a res- peitar, algubm que soube fazer o que fez. Desde a fa- culdade, sempre discordei de muitas das iddias dele (meus colegas tomavam por mar- xismo o que era, na verda- de, funcionalismo). Mas aprende-se muito lendo al- guns de seus livros (para mim, como ja disse, o melhor sendo Capitalismo e escravi- dio no Brasil Meridional). No meu ponto de vistit, o livro produzido sobre a Ama- z~nia 6 um dos trabalhos me- nores da obra dele. A impor- tincia de FHC para a socio- logia brasileira nio guard qualquer relagio comn a de Jos6 Sarney para a literature national. Ser president da repuiblica nio melhorou em nada a ficCio de Sarne, que nio passa de um beletrista acad~mico. A boa sociologia de Fernando Henrique, capaz de nivela-lo a Florestan Fer- nandes, niotornou veniais os pecados mortals que ele tem cometido como president. Sem perder de vista que se trata da mesma pessoa e que ela responded mntegralmente por seus atos, 6 recomendd- vel n8o transferir para um ni- vel todos os justos motivoy. que o leitor tem para atacar o politico, deixando de apreciar e tirar proveito do que a inte- ligbncia de Fernando Henri- que propiciou ao pensamento brasileiro (sempre comprome- tida por sua vaidade). Esse paradoxo coloca um pouco mais de complica~go na anai- lise do papel do intellectual na sociedade e da rela~go entire o plano das id~ias e o da rea- lidade. Motive para um outro artigo. Para quem estiver in- teressado, recomendo a leitu- ra do que escrevi nas ediq8es 129 (2" quinzena de outubro de 1995) e 162 (la quinzena de maio de 1997). R eg ressio Hoje comprei seus jornais. Fiquei indignada com a amea- ga feita a voc6 e acho que vocal tem toda razio de ficar preocupado com sua seguran- ga. Afinal, estamos no Para, e nio 6 de hoje que os podero- sos nio admitem critics e costumam reagir radicalmen- te, contando com a imunidade e a impunidade. Parece mal- digio, mas at6 agora nenhum politico resistiu, quando no po- der, 9s tentagbes que condu- zem inevitavelmente a sua des- trui~go moral. Nos tempos baratistas da primeira interventoria, a em- pastela~go era recurs usual para fazer calar os inconveni- entes da critical. Recurso nada novo, se pensarmos nas agru- ras do journal do C~nego Ba- tista Campos, lembrado com propriedade por voc6, que so- freu humilhaqdes de toda sor- te. Mas nio se calou. E 6 isso que incomoda mais do que tudo, especialmente aos que nio possuem a sua coragem e desprendimento. Resistir 6 precise! Conte com seus lei- tores fi~is, gente como eu e muitos amigos e admiradores, alguns aninimos, mas sabedo- res do seu valor e importincia para a regiio, objeto de nos- sas preocupaqdes maiores. De tudo isso f ico com uma preocupa~go a mais: em quem votar. Estava quase dando meu "apoio critic" e aceitando que o PT 6 bom de governor, como sua propaganda afirma. Pobre Marx! Aqui, ja estamos repe- tindo a farsa da farsa, pensan- do fazer Hist6ria. Abragos solida-rios da lei- tora amiga. Denise Simbes Rodrigues MINHA RESPOSTA Denise, estudiosa do ba- ratismo, sabe muito bem o que diz. E o diz com forga. O que aumenta o peso da sua soli- dariedade, recebida com toda a gratidio. C rtaYsS EO Soci6 ogo Achei interessante o emba- te que vem sendo travado por esse journal (n~s 237-238) e eventuais missivistas no caso FHC. Todos saimos lucrando, pelo menos fiquei conhecen- do alguma coisa do outro lado do nosso Presidente. O pro- fessor, o academico, o pesqui- sador e o pensador. Porque a sua face orgulhosa, vaidosa, autorit~ria e quiga cabotina, estou enfadado de ver nesses duradouros quase seis anos e you ter que suporthi-lo por mais tr~s anos. Noblesse oblige. Pelo cargo que ocupa e devido a portentosidade de sua obra acadimica (como voc6 afirma), os dois discursos de- fensivos, o seu e o do Prof. Jose de Souza Martins (publi- cado no Didrio), nio chega- ram a entusiasmar ningu~m, acredito. Diditica e teorica- mente foram frigeis, talvez a sombra do outro FHC tenha anulado o esforgo. E not6ria a atabalhoada atuaqio do indi- gitado. Digo d~o s6 no campo politico, tambem na elabora- Fgo e execu~go de aqdes eco- nbmicas, financeiras e soci- ais. Gosta de ser mal asses- sorado e nio 6 diferente na escolha de seus auxiliares di- retos. O recent escindalo do seu secretario geral durante o primeiro reinado, 6 bem pos- sivel que nio seja o ultimo. As relaq~es espuirias com o Con- gresso Nacional, de pleno co- nhecimento de todos os bra- sileiros, sio de causar inveja at6 ao Presidente-Poeta, que no seu tempo partilhou des- sas estreitezas. Esse 6 o comportamento de um home que exerce o cargo de Presidente da Repui- blica, mas que nio perdeu a sua condigio intrinseca de ci- dadio, de educador e de pes- quisador, etc. A sociologia nio explica isso? Rodolfo Lisbon Cerveira MINHA RESPOSTA Todas as critics que o leitor faz ao president Fer- JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE AGOSTO/ 2000 7 quilibrado mentalmente para o legendd- rio dicionario de lingua inglesa de Oxford, 6 um "livro alucinante", que suscita a ori- ginalissima questio: "hauma fronteira real entire a ficC~o e a realidade?" (ao menos em favor da eufonia, sem nenhum ganho gnoseologico, talvez fosse melhor pergun- tar se ha"uma fronteira verdadeira entire a ficq~o e a realidade?"). A grande ruptura, de Francis Fukuyama, provoca no nosso critico uma constata~go: "A grande cultural desse pensador nipo-americano acaba deixan- do muitos leitores com a impressio de um filme aqucarado da Metro". A frase 6 engenhosa, mas quem leu Fukuyama es- tara mais autorizado a relacionar seu 11- vro a uma epopeia da Metro do que a um filme aqucarado. O pensador "nipo-ame- ricano" pode ter interpretado mal os fil6- sofos que leu, ou tirade deles o que neles nio esta contido, mas n8o os leu pela ore- lha (como, quem sabe, pode ter feito Leo Gilson?). Ele nio 6 menos infeliz (nem ao recri- at Waste Land, de Elliot, para Waste- land) quando desaconselha a leitura de Extingdio, romance de Thomas Bernhard, pelo acerto de contas que o escritor faz comn sua Austria natal: "~Autodestruigio, vinganga insaciavel, essas quase 500 pa- ginas estio inflamadas de 6dio e horror. Poucos leitores optario por uma leitura tio arrasadora". Entio ningu~m leria Celine. Talvez nem James Joyce. Ou, quem sabe, nosso Haroldo Maranhio. Ate evitaria o licoroso Paul Erdman, um ex- banqueiro americano que ha anos vem fustigando os banqueiros suigos. Catarse tamb~m liberta. Principalmente quando 6: de qualidade. Os semelhantes se curam pelos semelhantes, ensina a homeopatia. Leo Gilson parece nio saber disso. Ainda no primeiro semestre, ele ja se consider seguro o suficiente para anun- ciar que A arma da casa, da sul-africa- na Nadine Gordimer, 6 "o livro do ano". Seja IA que livro venha a sair at6 dezem- bro, esse romance nio sera igualado, ji que, como diz o critic, 6 "tio perfeito". Como se a perfeigio, por set absolute, nho dispensasse o adjetivo acompanhan- te, algo como hierarquizar metafisicamen- te o "mais honest" c o "menos hones- to", contribuindo dessa maneira para a impunidade dos homes pilblicos (ou pu- blicanos). E tudo isso nio mais numa se~go se- manal, mas numa coluna mensal. Sinal dos tempos? Quando a Editora Abril saiu das suas acanhadas instalago~es na rua Jod~o Adolfo e se instalou em sede prdipria, na MaErginal do Tiet, emn Sado Paulo, na metade da dicada de 60, alguns de seus funciondirios e colaboradores recorriam a uma Kombi, que sai'a da Alameda Santos, prdximo da avenida Paullista, no centro, para alcangar a distant via (entd~o dita) express. Eu era um deles. A eli'trica Irede Cardoso era outra. Com seu bom bumor, sua irrevere~ncia e sua exuberd ncia, ela animwava a enfadonha viagem (viagem, sim.- ainda na~o havia metra na capital paulistana). Um dia subiu na nossa Kombi um cidadio compenetrado, ar euro- Upeu, nariz empinado. Era Leo Gilson Ribeiro, rec~m-chegado da Ale- manha, onde fez um pbs-graduaCio so- bre Kafka, Biichner e Ionesco (depois publicado em livro pela excelente editor de Jose Alvaro, ji desaparecida do mer- cado). Leo Gilson conquistou o lugar de resenhista de livros de Veja, numa e~poca em que se anunciar como integrante da revista dava direito a receber um trata- mento semelhante ao que hoje e conferi- do as estrelas da TV Globo (involuimos?). Leo Gilson aparecia na redagio com a resenha de tr~s, quatro, cinco livros. Estava la datilografando sua lauda, na reda~go pr6-computadores, quando Rai- mundo Rodrigues Pereira, no auge da sua fase anarquista (a melhor de todas), de- brugou-se sobre os ombros do neogermi- nico brasileiro e depois, aos brados, co- brou-lhe explicaqbes, com aquele irinico e inquisitorial modo de empolar as frases que o tornava um c6mico verdadeiro: Mas Leo, voc6 leu mesmo todos esses livros? O critic tentou defender-se, mas ja balbuciou: lera, sim. E claro que lera. Raimundo nio se deixou convencer: Mas como voct consegue? Eu ten- to e s6 consigo ler um ou dois livros por semana. Leo, voc6 estii mentindo. VQlca nao leu todos esses livros. Virou as costas e foi-se, indiferente as explicaC~es que L~o, atordoado pelos decib~is do bandalho editor, tentava or- ganizar atras dele. O que diria Raimundo agora, vendo a seCglo de livros que Ldo Gilson assina em Cars Amigos? Pego uma edigio qual- quer, como a 39". Ali estio resenhados e julgados, em dois ou trbs parigrafos por livro, nada menos do que 10 publicaqdes, nove delas livros, varios deles maqudos, outros, al~m disso, dificeis. Umas poucas linhas sso o bastante para Leo Gilson sentenciar se a obra e imortal ou vagabunda, se merece it aos c~us ou descer aos infernos. Todos es- ses editos costurados com expresses do tipo "enfronhar-se", "em prol", "canden- te", "instigante", "ind~mita", "alucinante", "solerte", "intr~pido", "magistral" e ou- tras p~rolas. Elas costumam adorner o colar das frases feitas e dos clich~s. Ha delas a mios cheias na coluna de Leo Gilson. Rubem Braga, por exemplo, "notabilizou- se por suas cr~nicas sutis, didfanas". A sdrie de reportagens que ele escreveu, reeditadas pela Record em Aventuras, retratando a contribui~go do Brasil "em prol da liberdade no Velho Continente", durante a Segunda Guerra Mundial, sio um "marco important" da mem6tia bra- sileira. Mas o marco ji nio e em si im- portante? Ou hB marco sem importincia? Ja o deslumbrante O professor e o demente, de Simon Winchester, mostran- do a colaboraqio que o destiny estabele- ceu entire um erudite shoe outro dese- Scritico incansavel Journal Pessoal1 Edilor: Lu~cs Flavia P~nlo- Fones: (091) 2:3-7690 lione-fa.) e 241- '626 1lar) contalo- rs nenlam~n constani as1 2os as assi~oa e-mana: ornalsamazon com e I Edigao de Arte: Lulzanionedefarslaoanloll 230- 1 31.14 Com agradaivel e reconfortadora surpre- sa recebi uma notaa de repuidio emitida no final da semana passada por 10 jornalis- tas de A Provincia do Para. A alegria result nd~o apenas de eles estarem ao meu lado num memento em que muita gente opta por se manter em cima do muro, mesmo sem ser tucano militant. Mas porque seus argumen- tos destacam a distaincia em que nos encon- tramos das franquias civis praticadas e res- peitadas em paises do chamado primeiro mundo. Evidenciam a gravidade das agres- sodes praticadas contra mim, mas-de. uso corrente entire nos porque os direitos e ga- rantias individuals sdo ignorados na nossa terra, contribuindo para perpetuar as vio- Idncias e propiciar o retrocesso politico. A covardia de pessoas que se aproveitam de orgd'os da imprensa levianos para atacar desafetos sem assumir a responsabilidade pelo que dizem ja era combatida hai quase um sdculo e meio no Brsil por A Reforma, o grande porta-voz da oposigd'o democraitica no Rio de Janeiro em 1869. No seu nuimero inaugural, em 1869, ele trazia no cabegalho a advertincia, tirada do historiador romano Taicito: "Nado se admitem testas-de-ferro". Era so o que havia entdio e por isso o novo journal foi combatido pelos jai estabe- lecidos na praga. Mas A Reforma reagiu: "Esse sistema nos pareceu necessdirio como exemplo e como argument para afastar de nossas colunas editorials a caldinia e o in- sulto. Se assinamos e tomamos a responsa- bilidade de nossas opinid~es e censures, te- mos o direito de exigir que todos os artigos enviados ci Reforma venham com a forga moral da convicgdo de seus autores ". No Parai, estaremos involuindo para an- tes dessa epoca? E o que parece diante do silbncio geral que acolhe tantas indignida- des acobertadas sob o manto espuireo do anonimato. Por isso, acolho com alegria a nota de protest dos jornalistas de A Pro- vincia, culja integra e a seguinte: N6s, jornalistas de A Provincia do Palri, queremos repudiar, publicamente, a maneira como nosso colega de profissio Luicio Flavio Pinto foi atacado em duas paginas da uiltima edigio do Jornal Popular porque nelas houve um desrespeito frontal ao que estabelecem a ConstituiC~o da Repuiblica Federativa do Bra- sil, o nosso C6digo de Etica e a Declaraqio Universal dos Direitos Humanos. Os ataques aparecem num texto assinado e num outro assinado apenas com um pseud~ni- mo, o que se constitui num desrespeito ao Art. S5". Inciso 4P. da Constitui~go brasileira, que proibe o anonimato. Al~m disto, os textos vio- lam a intimidade da vida privada do jornalista e tentam afetar a sua imagem professional, o que, novamente, contraria o mesmo artigo do docu- mento legal, no seu Inciso X. Ao tentar intimidar Luicio Flaivio, n~io s6 com uma s~rie infindavel de agressies verbais, mas atC mesmo com uma ameaga de agressio fisi- ca, as duas pdginas do Jornal Popular des- respeitam quase tudo o que o C6digo de Etica do Jornalista estabelece como conduta profis- sional correta, no seu Artigo 9 .: a) tentam im- pedir a liberdade de pensamento e expresso; b) seopiem aolivre exercicio da profissio jor- nalistica; c) desvalorizam, desonram e tornam indigna a profissio; d) desrespeitam a privaci- dade de um cidadio; e) estabelecem o arbitrio e a opressio. Por fim, ao pretender intimidar o jornalista, colocando sua seguranga pessoal em risco, o material veiculado por aquele journal, nas duas paginas citadas, afrontam os artigos I, III, IV, V, XVIII e XIX da Declaraqio Universal dos Direitos Humanos, que asseguram a todo cida- dio a sua liberdade natural, os seus direitos a vida, a seguranga pessoal, a proteg~o contra tratamento degradante ou desumano, a liber- dade de pensamento eag liberdade de opinion. Bel~m, 19 de julho de 2.000 Oswaldo Coimbra, Editor do caderno Re- alidade Amazdnica; Nicodemos Sena, Diretor de Redagdo; Hamilton Braga, Secretairio de Redagdo; Ailson Braga. Reporter; Alberto da Cunha Neto, Reporter; Eliete Ramos, Editora de Political; Manoel Adolfo Sampaio, Editor de Variedades; Mozart Lira, Colunista, Sub-edi- tor de Variedades; Fabian Gomes, Repdrter fotograf~ico; Lilian Leitio, Reportet: ameaga de agressio fisica que me foi feita atraves das pagi- nas do Jornal Popular, em nome da familiar de Silas As- sis, num artigo sem assinatu- ra, equivalent a um editorial da publicaqio. No mesmo dia solicitei ao procurador geral de Justiga que o Ministerio Publi- co acompanhasse a investiga- gio policial. Dois dias depois, o secreta- rio Paulo Sette C~umara infor- mou, por oficio, que meu reque- rimento havia sido remetido ao delegado geral de policia, Joio Moraes, para os procedimen- tos relatives ao caso. Espero que as autoridades apurem o crime e denunciem os respon- saveis, instruindo o process para que esse ato vil seja leva- do as barras do tribunal. Aguardo e acompanho serene. POf CIma Jos6 Marcelino Monteiro da Costa foi nomeado mem- bro do Comit6 Cientifico da Amaz~nia do Ministerio da Ciincia e da Tecnologia, con- forme portaria do ministry Ronaldo Sardenberg, publica- da no Diario Oficial da Uniho de 5 de julho. A boa noticia veio junto comn outra: Marcelino "redes- cobriu" que tinha autoriza~go do Consep, o conselho superi- or da Universidade Federal do Parai, para dar aulas no mes- trado, orientar dissertaq8es de mestrado e participar de ban- cas examinadoras. Para quem nio p6de parti- cipar da banca examinadora do Plades, no Nucleo de Altos Estudos Amazinicos da UFPA, 6 mais do que com- pensador. Ou nio? Rabo Pela primeira vez em mais de um ano, desde que come- Cou a publicidade official do municipio, oultimo ntimero do Jornal Popular trocou elogi- os fartos por critics (conve- nientemente timidas) ao pre- feito Edmilson Rodrigues, ago- ra at6 classificado como um dos 10 mais chatos. Trata-se de uma manobra de despista- mento diante das critics que tenho feito a essa relaCio pro- miscua, que precisa ser con- venientemente esclarecida quanto a forma (notas de em- penho, recibos, recolhimento de imposto, etc.) e duraqio. Mas tambem pode levar a mais uma das tipicas mudan- gas editorialss" da folha, sem- pre que cessa ou mingua a drenagem de dinheiro do era- rio para o caixa de Silas As- sis. E por causal da proibiFio legal a publicidade official des- de 30de junho. O gator escondeu-se, mas deixou o rabo de fora. Con- vem puxa-lo. Pr ovid 6n cia No dia 17 protocolei na Secretaria Especial de Defe- sa Social do Estado um pedi- do de provid~ncias contra a Repu lo |
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