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LU)C IO F LA VI O P IN TO BEL M-PARA, JULHO DE 2000 RS 2,00 o 0' DOSSIER 2 O PT e Silas Assis ameag am espancar critic P- 2 JOURNAL PESSOAL EDICAO EXTRA/ JULHO/ 2000 uoMaranhio foi-e ainda 6-o irjornalista do Parrd.Por uma soma de fatores. Em primeiro lu- gar, pelo seu long tempo de vida, de 94 anos (de 1871 a 1966). Al~m disso, teve a felicidade de permanecer lucido at6 o ultimo memento, escrevendo at6 as v~s- peras de sucumbir ao desgaste fisico. E por ter sido, ao mesmo tempo, ao long de meio s~cu- lo (de 1916 a 1966), o donor do jornal (a Folha do Norte, o mais important do pais, de Recife para ca) e o seu principal redator, o respons8- vel pela marca editorial da publicaqio. Umas poucas pessoas merecem o lugar que o velho Maranhio ocupou na histbria da im- prensa republican brasileira: Edmundo Bit- tencourt, no Correio da Manhai, e Orlando Dantas, no Dicirio de Noticias, no Rio de Ja- neiro, Julio de Mesquita Filho em O Estado de S. Paulo, Assis Chateaubriand em sua ca- deia de comunicaF5es (os Dibrios e Emissoras Associados), Carlos Lacerda na Tribuna da Imprensa, e quase s,. Mas Paulo Maranhio nio foi sempre um grande jornalista e um home digno. Nem os her6is sho imaculados. Numa 6poca de paro- xismos, de poder quase absolute em Estados que mais se pareciam a satrapias orientals, ele as vezes desceu ao nivel do chiqueiro em que o forgaram a entrar. Feriu perversamente ad- versirios ou desafetos. Seu neto, Haroldo Maranhio, reconhece- ria, quatro d~cadas depois, o cometimento desses danos, nem todos motivados, nem to- dos como reap~o a uma agress~io, acabando por alcangar inocentes, no belo e terrivel romance Rio de Raivas. Nele, reconstituiria, com o au- xilio de sua poderosa imaginaqio, o mais odi- oso atentado praticado contra seu av8 pelos baratistas, seus maiores inimigos, dons do poder no Pard entire 1930 e 1959 (insepultos ate hoje), com interregno entire 1950 e 1955, quando a oposi~go (na verdade, um conglo- merado anti-M~agalhies Barata), conquistou o governor do Estado. Descreve Haroldo: "Naqueles tempos, merda nio era insulto abstrato mas artefato ofensivo, feito o que langaram na cara de Palma Cavalio [persona- gem que Haroldo criou com elements ver- dadeiros do av8 e do pai, Jod'o, gerente da Folha por 50 anos], que aceitou a merda de Bnimo inteiro, como de p6 teria ficado se em vez de bosta lhe tivessem vazado a faca o baixo venture, ou lhe espatifado o peito a balas de ago. Uma bomba que lhe explodisse as vis- ceras, nem piscar piscaria. Olharia nos othos o matador e quando fossem segurai-lo parra nio cair ja seria um morto. Palma Cavalio com os dedos atirou fora o exagero da bosta, abundante aquela toda mer- da de nenhuma precisio, que dois punhados teriam causado igual estrago, humilhando-lhe a cara, que 6 o que quiseram, humilhar-lhe a cara. Nio sabiam e nio souberam que o orgu- tho nio dobrou. Ngo sujaram a alma do velho, que foi o que se quis, melar de merda a alma de Palma Cavalio, o agravo seguindo-o pelo resto da vida. Merda assim endurece como barro, seca, empedra, grudada, soldada na pele da alma, fede anos, fedor de alma nio se lava a sabonete, Palma Cavalio sem press e sem raiva livrou-se do grosso do excremento. Ha- via desembarcado do autombvel, chegou a dar trbs, quatro passes, quando o insulto o atin- giu. Parou. Outros apressariam a fuga, de medo nio, de vergonha da pasta escorrendo deva- gar. Nio mostrou o minimo sinal da ira fecha- da na garganta. Conhecia os costumes. Botou a merda de banda e seguiu" : Enquanto se limpava, ja em casa, com o auxilio da mulher, Palma Cavalio tomou a decis~lo de contar tudo o que sofrera atrav~s das paginas do seu journal, rebatizando o au- tor intellectual se tal expresso pode ser aplicada ao caso -do atentado (no romance, Inocincio Liberal) para Inocincio Liberal Bosta (na vida real, de Armando Corr~a para Armando Trampa): "Vai morrer Inocincio Liberal Bosta. A merda que ele me mandou atirar ja sumiu. Jg o nome dele sera Inoctncio Liberal Bosta", pro- fetiza 0 personagem. No dia seguinte, a manchete do journal (Fo- lharai na ficq~o) era: "Ato porco de um go- verno poreo". Atingiu fundo aquele que deve- ria ser o beneficibrio da agressio a Paulo Ma- ranhio, o general Barata (ou coronel Cagarrai- os Palacio no livro). Sua reaCio mostrava que dois gigantes, no confront mortal, tinham ao seu lado, de cada lado do front, verdadeiros pigmeus, como costuma acontecer nas cortes dos potentados, cheios de poder e de vaidade, suscetiveis ao jogo da perfidia e da bajula~go, da mais abjeta sujeigio, da mais esperta cor- ruppio, como aconteceu no cursor da autocra- cia de Barata, na ditadura (e no populismo) de Getu~lio Vargas e comega a se desenhar no imperio de Fernando Henrique Cardoso. Cagarraios, sob o impact daquela man- chete garrafal na primeira pagina do journal do seu Aicido antagonista, manda chamar o corre- ligionario para saber o que fez com Palma Cavalso. Informado, reage: "Mas o senhor! Foi capaz de uma misdria dessas?! O senhor 6 um porco. Porco imun- do! Ouviu? Reaja, diga um ai, que eu quero emporcalhar esta mio aqui na sua cara. Cara cinica. O senhor 6 o individuo mais sujo. Um bandido. O senhor 6 um bandido. E al6m do mais, covarde!". O governador consult um assessor mais qualificado para saber o que fazer. Ele lhe diz: "infelizmente nio hai o que fazer. Como o se- nhor iria admitir publicamente que o seu dele- gado de policia foi o autor intellectual do aten- tado? Melhor o governor ignorar". O governador ainda tenta uma outra atitu- de, mas acaba convencido pelo mais pr6ximo dos seus auxiliares. Quando chega em casa e 6 cobrado pela mulher (Ebr~ia/Dalila Ohana), a decisio est8 tomada: "Assumo a responsabilidade, Ebr~ia" "Mas, bem, nio foi voc6! Voc2 nio autoriza- ria uma coisa dessas". "Verdade. Mas nio de- sautorizo meus amigos. O Dr. Inoc~ncio Li- beral obrou mal, mas agiu na qualidade de meu amigo. Sou amigo dos meus amigos. Pronto. Esta acabado. Nio se fala mais nisso" Pelas linhas da fievio, esse tr echo do romance de Haroldo Maranhio e o retrato de uma 6poca de violincias, de violagio dos direitos civis, dentre os quais o da livre ma- nifestagio do pensamento e da divulgagio da informaqio, de pilhagem dos cofres p6- blicos, de divisio radical da sociedade, de paixdes extremadas. Foi nessa 6poca que pensei ao terminar de ler o artigo (sem assi- natura, equiparavel a um editorial) com a qual o Jornal Popular responded, na sema- na passada, g minha primeira edi~go extra. Depois de um rol de sandices, reunidas para agredir e nio para responder, o an~nimo re- dator terminal com uma ameaga, arrematada por uma derradeira injdria, em nome do donor da coisa, Silas Assis: "Mais um detalhe: em relaFio as alfineta- das dadas por Lucio na familiar Assis, esta ja e uma outra questio. Ele deve procurar, imedi- atamente, um professor de defesa pessoal ou mesmo fazer um plano de saude que oferega servigos de cirurgia plastica facial, por que [sic] a 'turma' anda pensando em aplicar nele uma boa sova, na base do 'muque'.. te cuida, Liicio, final, tu 6s gay, que eu sei...". O artigo, por enquanto metaforicamente, 6 excremento puro, grosso, fetido, daquele que emporcalhou Paulo Maranhio. Nenhuma no- vidade de localizaqio na origem das fezes, ex- pelidas que foram a partir do Jornal Popular. Mas agora hB um novo component, o da ame- aga a integridade fisica. Uma fonte bem situa- da me advertiu para nio encarar essa ameaga como brincadeira, ainda que de mau gosto. Na defesa da minha vida, valiosa para mim e para os meus dependents, estou tomando as providtncias que a situaqio requer. Natu- ralmente, nio sho as que o covarde redator sugere, tomando-se como padrio, que s6 o 6 para uso negative (ou seja: para se rejeitar). Vou encaminh8-lo is autoridades competen- tes, esperando que elas sejam competentes de fato, e nio apenas de direito, para apurar o claro crime cometido. N~to basta, por~m, resguardar a minha pes- soa. E precise defender um bem da sociedade: a liberdade de expresso, o direito B informa- Cgo. No Para, a ameaga que paira sobre ela esti deixando de ser um problema individual para se tornar uma grave questio social. Se eu estivesse sendo ofendido apenas pelo execra- do Silas Assis, nem estaria me dando ao tra- balho de contra-atacar. Reajo porque atrzis dele est~iuma autoridade p~iblica, um segmen- to da administra~go p~iblica, um grupo politi- JOURNAL PESSOAL EDICLO EXTRA/ JULHO/2000 3 co que expand o seu poder no Estado e, indevidamente, o erario municipal. O estilo (que uma pericia grafol6gi- ca ira atestar) mostra que o artigo de pigina inteira (a setima) da ultima edi- 950 do Jornal Popular nio foi escrito por Silas Assis, nem pelo seu testa-de- ferro, J. R. Avelar, suposto (e irregular) redator-chefe, que, na verdade. se cha- ma Ugui Gama de Avelar (o que talvez explique mais esse pseudinimo naquela folha). O estilo 6 o mesmo do respons8- vel por uma coluna da segunda pagina, Opinides, atribuida a um ficticio Decio Ma- lho. Por tris desse falso personagem esta o home de liga~go da administraqlio Edmilson Rodrigues com Silas Assis. Que, al~m de tudo, nem jornalista e. Malmente letrado. A prefeitura de Bel~m, gragas a uma abusiva verba de publicidade, incompativel com o significado do veiculo, ngo apenas insere nesse agougue moral suas peas de propaganda convencionais: tem direito a cri- ar colunas, esconder-se atris de pseud6ni- mos e ocupar espago editorializado, sem qualquer assinatura, sem as conseqilincias da responsabilidade. E por isso que a resposta g edi~go extra do Jornal Pessoal, de duas semanas atras, nem procura esconder, como vinha fazendo at6 en- tio, que nio se trata da voz do donor do pape- lucho, mas do seu financiador, de quem o alu- gou: a prefeitura de Bel~m, controlada pelo grupo petista de Edmilson Rodrigues. Silas Assis e sua familiar sgo tratados na terceira pessoa. Portanto, a noticia sobre a ameaga que ele me faz 6 dada nio por ele, mas pelo autor do artigo disfargado de editorial, que veicula anuncios, escreve colunas e editorials e paga tudo isso com dinheiro publico (convem a CI- mara Municipal, ao Tribunal de Contas dos Municipios ou ao Ministerio Publico, por- tanto, apurar esse item: o desvio de fungo de verba publica). Silas vomitou suas anomalias mentais na mesma edigio, mas em outro espago, com ou- tro estilo. Na pigina sete, tudo indica que 6 o intermediario do PT de Edmilson Rodrigues quem esti servindo de porta-voz das ameagas de agressio de Silas e de sua familiar. O PT, quem diria, desistiu do combat de id~ias, do confront intellectual, da dial~tica dos opostos. Como um assumido fascista, quer ca- lar o adversitrio no tapa, a ser consumado se nio conseguir realizar seus intentos intimida- t6rios. O PT quer de volta a era das trevas da bipolaridade entire baratismo e anti-baratismo, na voragem do conflito nivelando-se por baixo, faces da mesma moeda. Os fascistas de esquer- da querem retomar aquele tipo de combat que resultou no crineo esfacelado de Leon Trotsky no seu refuigio mexicano. Os bragos de St~lin eram extensos. Os do seu seguidor ao tucupi, tamb~m. Parece ser a forma de compensar, pa- tologicamente, acurta inteligincia. seu lar, e ele fica nas encolhas tre- mendo como todos tremem". A alegoria de Haroldo Maranhio caberia como luva a situaqio atual se os personagens de hoje nio se tives- sem encolhido, da 6poca de Paulo Ma- ranhio e Magalhies Barata para ca, como aqueles andes descritos pelo es- critor no seu romance anterior, justa- mente com esse titulo. E Paulo Mara- nhio tinha consciincia do uso abusi- vo que fazia de sua caneta mortifera. Basta ver seu timulo, no cemitbrio de Santa Isabel. La esta o epitfifo: "Aqui, sim, tenho paz". Ter que enfrentar gente como Silas e seu oculto financiador esta muito long de cons- tituir um bom combat. Deve-se entesta-los, sim, mas 6 irreprimivel a sensagio de nojo, de desconforto professional, de nausea. Se ha c6pias mal-feitas e mindisculas de Paulo Maranhio, os herdeiros liliputeanos de Barata ainda estlo ai, praticando o mes- mo jornalismo (e a mesma political) de calu- nias. O mais bem-sucedido deles 6 H61io Gueiros, escriba do journal de Silas, vizinho de pagina do colunista do PT, disfargado de D~cio Malho (sem aquela dignidade minima, de enfrentar de frente o adversario). A con- viv~ncia ja e tio afetuosa entire os dois, es- quecidos do passado, por pura conveni~ncia entire as parties, que o colunista-propagan- dista trata o (antes anatematizado) anteces- sor do "professor" Edmilson de "colega ai do lado". Colega... O "ai do lado" nio sera mera refer~ncia topogrifica. Gueiros tentou embarcar na nau de Jader Barbalho, engrossando obliquamente a esquadra de Edmilson com uma candidatu- ra s6 para inglis ver, apostando numa vit6- ria do alcaide ja no primeiro turno. Com isso, alcangando a desmoraliza~go do governador Almir Gabriel, que precisara carregar na mB- quina official para tentar tirar seu candidate, Zenaldo Coutinho, do final da fila de pre- tendentes a prefeitura de Bel~m. Em 2002, ambos esperam que venha a ser outra a his- tbria, com Almir no governor at6 o final do mandate, para tentar fazer seu successor (e desistindo do senado). Edmilson, mesmo com Valdir Ganzer na prefeitura, poderi estar mais vulneravel do que agora. Ou, quem sabe, em condigaes de estabelecer uma nova e sur- preendente composi~go. Aparentemente, isso 6 impossivel. Mas a histbria nos ensina o suficiente sobre a capacidade que costuma ter o "convertido" de engolir sapo e reescrever sua biografia anterior para se manter na nova situaqio, tirando o maior proveito. Nela, o "conver- tido" se excede porque traz consigo a expe- riincia, o ressentimento e a consciencia de culpa de ter vindo do "outro lado" (nio era "naciona~l-socialista" o partido nazista de Hitler?) O que me acontecer fisicamente, a partir de agora, a responsabilidade final, ainda que indireta, eu a atribuo ao prefeito Edmilson Ro- drigues. Nio creio que ele ird me agredir pes- soalmente. Em mementos relaxados, o pro- fessor (como o trata seu cio-de-guarda) 6 um interlocutor agradavel e uma pessoa amavel. Contrariado, sofre a muta~go caracteristica da- quelas pessoas que nlo aceitam o contratio, com tendincias a tirania, a impor a sua vonta- de de qualquer jeito. Dou-lhe de graga que ate nio concorda com as agressies que o fact6tum tem perpe- trado contra mim, nem delas tomou conheci- mento pr~vio. Mas, como Cagarraios PalB- cio no romance de Haroldo Maranhgo, nada faz para impedir essas vilanias, passando a ser responsavel por elas. Afinal, Silas Assis nio estaria circulando com seu journal se nio recebesse dinheiro da prefeitura petista, numa propor~go incompativel com a tiragem, o valor de mercado e a credibilidade (nenhu- ma) do instrument que utiliza para realizar neg6cios. E se o pacto entire ele e seus maio- res anunciantes (com verba publica) nlo in- cluisse deixar que textos sem assinatura ou sob pseud6nimo, oriundos dos sub solos pe- tistas, saiam naquela imundicie em format de papel impresso. Paulo Maranhio freqiientemente igno- rou o direito g privacidade, transpondo o limited inviolavel da casa dos seus desafe- tos, um "demi~nio com a caneta na mio", como o descreveu Haroldo: "Da caneta nio sai tinta, saem lagrimas de homes humi- lhados diante dos filhos, da mulher, sai san- gue, sai fel, ele espalha a destruigio, arrasa lares, aponta adulteras, marca os cornos de ferro em brasa na testa, escreve que moci- nhas prevaricam e da os nomes das moci- nhas. E nio aparece um home nesta terra que pegue um rev61ver e entire no journal dele e atire para matar como se mata um cachor- ro doido?, terra sem homes, parece que o 6nico 6 ele mesmo, ele e o coronel Cagarrai- os, s6 os dois. Mas mesmo o coronel podia apanhar a sua arma que ele 6 military e en- frentar a fera de macho para macho. Mas nso enfrenta, nio vai, agilenta as cuspara- das na cara, que o homenzinho escarra na cara do coronel, chama-o de ladrio, de pu- lha, de cagio, de atrabiliirio, enxovalha o 4 JOURNAL PESSOAL EDIC ~O EXTRA/ JULHO/ 2000 berto redator petista quer nos fazer retroa- gir a uma 6poca de selvageria, que ameaga nio apenas a mim ea minha familiar, mas a toda a sociedade paraense. Sua agressio re- pete as vilanias anteriores, na ofensa moral, acrescentando-lhes um grau extremado, o da violincia fisica. Querem me impor a lei da selva. Mas eu a rejeito. Por mim e por todos os paraenses, pensem comigo ou divirjam de mim, mas que nio podem ser punidos pelo crime de pensar. Ou big brother Edmilson quer dar nova verso a 1984? Continuarei apegado ao meu jornalismo, que nio inventei. Aprendi a pratica-lo a par- tir da heranga deixada por grandes profissio- nais. Muito do que aprendi, devo-o a I. F. Stone. Em 1963, tr~s anos antes do meu in- gresso no jornalismo professional, ele escre- veu: "Eu sou um anacronismo. [...] Em uma 6poca em que os ovens iniciam suas carreiras no jornalismo procurando um lugar em algum enorme jomnal ou grapo de revistas, eu sou um jornalista inteiramente independent, me man- tendo sozinho, sem qualquer retaguarda orga- nizacional ou partidaria...". N~io foi fricil para ele iniciar seu I. E Stone & Weekly aos 45 anos, no auge do maccarthismo nos Estados Unidos. Mais dificil ainda foi manter o semanario, que escrevia sozinho, durante 19 anos, entire 1952 e 1971. Mesmo na Ambrica, um jornalista independent de verdade nio era-e continue nio sendo -bem aceito. Por isso, sio tio poucos. Quando um enfarte o obrigou a interromper a carreira do seu enorme jornalzinho (j6 entio quinzenarrio, que chegou a tirat 70 mil exemplares, come- Cando com 5 mil), Stone "deixou uma lacuna dificil de ser preenchida; ha numerosos inves- tigadores e critics do governo e da imprensa, mas nenhum com a persist~ncia e a habilidade de Stone. Muitos sho professors, com ou- tras obrigaC~es, que s6 publicam ocasional- mente; outros sio jornalistas que nio tim os meios para se empenhar em tempo integral na investiga~go das mazelas oficiais. A trajet6ria cultural 6 conhecida: onde outrora havia pou- cos, hoje h9 muitos, mas estes muitos perma- neceram silenciosos", registrou Russell Jaco- by, no seu ja classico Os uiltimos intelectuais. Izzy Stone est8 tio pr6ximo de mim quan- to qualquer estrela da nossa prosaica Terra. Justamente por isso, ele 6 um modelo, a ser buscado mesmo que estejamos cientes da im- possibilidade de alcanga-lo. Ngo e tio impro- vavel, no entanto, toma-lo como parimetro. Alias, 6 necessirio dar-lhe essa fun~go; como diz aquela muisica de Gilberto Gil, a perfei~go nio passa de uma meta. Sem metas, nos tor- namos insuportavelmente mediocres. O leitor comum e os jornalistas iniciantes, seduzidos por um certo tipo de j ornalismo corrosive, brilhante, apesar de tudo, em Pau- lo Maranhio, e asqueroso quando manejado por profissionais inescrupulosos e incompe- tentes, como Silas Assis e o encapuzado pu- blicista do PT, podem achat que 6 isso o tal de jornalismo investigative. Podem achar que dizer a verdade 6 despejar meia duizia de fra- ses conclusivas, fortes, carregadas -e vazias de conteudo. Nio e, nio. Jomalismo, independentemen- te do qualificative acompanhante, 6 fato. Os meus detratores nio tim fats a exibir, mes- mo quando se apresentam como se estives- sem munidos de tal arma. O editorialista das sombras insisted, no seu artigo, que me vendi ao senador Jader Barba- lho. Diz que isso "e fato e contra fato nio ha contesta~go possivel". Mas trata logo de re- mendar: "Evidentemente que esse 6 um fato dificil de provar". Porque, em se tratando de corruppio, nio haveria recibo, nem nota fis- cal para comprovar a afirmativa. Mas teria que haver indicios. E quais sho? Minha pos- tura diante de fats envolvendo o president national do PMDB, diz ele. Como se estivesse descobrindo a p61vora, recomenda o tal etnaclavac: "Procuremos o Jornal Pessoal, do senhor L6cio, e tentemos encontrar alguma reportagem de investigation feita por ele, em cima de alguns acontecimen- tos da recent histbria do Park, todos relacio- nados, diretamente, com o hoje senador Jader Barbalho" (com o acento no primeiro nome que nio consta do registro de nascimento do lider do PMDB). O primeiro caso seria o de "Mgrcio, o Rambo/Castelo dos Sonhos", que atestaria meu comprometimento comn Jader. O magarefe da honra alheia, cujo raciocinio ngo vai alem de palavras de ordem, no seu discurso de palan- que, diz que o senador me comprou em 1992, sem ao menos especificar um period, uma refer~ncia datada. Relaciona o acerto ao es- cindalo da desapropriaqio da gleba Auri (que ocorreu em 1984, no primeiro mandate de Ja- der como governador). O goiano Mgrcio Martins da Costa mor- reu em 18 de janeiro de 1992, aos 26 anos, no garimpo de Castelo dos Sonhos, executado pela Policia Militar. Eu ja estava "vendido", ou nio? Jg havia tido tempo para nosso "neg6- cio", mal comegado o ano da transa~go? Nenhuma pessoa sB aceitard a insinuaqio se seguir o conselho do sinistro redator. A morte de M~rcio "Rambo" foi mat~ria de capa das ediqdes 82 e 83 do Jornal Pessoal, refe- rentes a 2" quinzena de janeiro e gl1 quinzena de fevereiro de 1992, merecendo, em conjun- to, cinco piginas. Na primeira mat~ria sobre o assassinate, fiz referincia ao depoimento prestado g poli- cia de Goiinia pelo mechnico C~sar Luis Ca- margo, empregado de Mgrcio, que acusou o ex-patrio de envolvimento no assassinate do senador Olavo Fires, de Rondinia, executado com 15 tiros de metralhadora durante a cam- panha eleitoral de 1990. Camargo citou o entio governador Jader Barbalho como um dos personagens que visi- O~redator aninimo do PT (que lacionadas ao seu nome eag far- sa de democracia montada na alta administra~go dos regimes do "socialismo real" sobre uma heranga de uto- pias na sonhada democracia socialist, o Comi- tb Central, que acabou servindo ao dominio bu- rocratico, a "nova classes" de Djilas) diz, no seu artigo, que se todos os crimes de Jader Barba- lho fossem revelados, o ex-senador Luiz Este- vio e o ex-deputado Hildebrando Paschoal se pareceriam a "dois querubins, quem sabe pari- dos por madre Tereza de Calcuta". O Goebbels petista s6 diz isso porque sua identidade foi oportunamente (ou oportunis- ticamente) escondida. No entanto, seu chefe, o "professor" Edmilson, foi a Brasilia pedir a ajuda desse incrivel criminoso para conseguir dinheiro federal. Ngo se importou em posar ao lado do satinico senador para uma foto que, periodicamente, o Diario do Parai tem publicado, ressaltando que a verba s6 saiu porque Jader usou seu poder junto ao gover- no de FHC para consegui-lo. Os meios justificam os fins? Usar o aliado para depois livrar-se dele? Tudo pelo poder popular? A revolu~go redime qualquer coisa? O escritor alemio Thomas Mann satiri- zou Gyorgy Lukacs, um teorico marxista um tanto mais bem preparado do que a soma dos catetos dos intelectos de todo o grupelho do alcaide, justamente por incorporar ao pensa- mento marxista o ardil jesuitico dos meios e dos fins. Sugiro a leitura de A Montanha Mai- gica (o prefeito comprou outro dia um livro num sebo, a 10 reais, certamente muito enri- quecendo sua biblioteca), no trecho sobre o confront de Leo Naphta com Ludovico Set- tembrini. Ao fim e ao cabo, como diria o Isaac Paes, ver~io que esse recurs a instrumentali- za~go 6 um disfarce para os tiranos chegarem ao poder e, li instalados, mandar os progra- mas is favas, como fazem todos os ditadores e seus asseclas. Mesmo no caso dos revolucionarios ou re- formistas, na avalia~go hist6rica do que fize- ram sempre hB uma duvida cruel: as conquis- tas materials que propiciaram compensam os danos espirituais que acarretaram, valores imateriais que, nos casos mais extremados, acabaram por se traduzir em milhares ou mi- lhdes de vidas ceifadas, comegando pelas ca- begas divergentes, como aconteceu no Partido Bolchevique russo? O home nio e s6 nem principalmente care. A satisfaqio, o bem- estar e o prazer humans envolvem compo- nentes que a contabilidade obj etiva consider desdenhosamente como abstratos, metafisi- cos, sem valor apuriivel. Mas sio o amalgama da existincia, o sal da vida. Com aquele trecho final do artigo, que esti me levando a adotar as providencias le- gais e administrativas cabiveis, e a tirar mais esta ediCio extra do Jornal Pessoal, o enco- JOURNAL PESSOAL EDICAO EXTRA/ JULHO/ 2000 5 conteddo) com a cobertura da grande impren- sa a morte de Marcio "Rambo" para compro- var aabsurda eleviana acusaio. Vai verifi- car, inclusive, que numa das edigaes eu conti- nuava a denunciar o desvio de dinheiro do Banco do Estado do Pard durante a primeira administration de Jader Barbalho ("O destiny do dinheiro", e o titulo). Matbrias que, at6 hoje, me dio alguma dor de cabega, inclusive na formal de velada ameaga, por telefonema interurbano. Mais risivel 6 a acusa~go de que silenciei sobre o "caso Quintino". Na verdade, escrevi dezenas de artigos a respeito, sempre manti- ve minha coluna (entio publicada em "O Li- beral") aberta ao principal porta-voz dos la- vradores, Chico Barbudo, que me procurava quando vinha a Bel~m para longas conversas. Fui um dos que denunciou a execugho de Quin- tino, sem fazer vista grossa, por~m, ao lado da sua biografia que nada tinha de Robin Hood (o que uma canoniza~go tendenciosa sempre ocultou). Se mais meus artigos nio sio cita- dos 6 porque certos tipos de pesquisadores consideram out usar materials jomalistico em seus trabalhos acad~micos. Um artigo meu influiu numa decision que o Tribunal de Justiga tomou contra a legaliza- gio da grilagem da gleba Cidapar (e, por con- seqilancia, a favor dos posseiros). Ngo fui eu quem disse tal coisa: foi o que, da tribune do TJE, na sustentagilo oral, proclamou o advo- gado Clbvis Ferro Costa, defensor das em- presas. Arengando diretamente contra mim, que me encontrava no auditC~rio como um mero cidadio, sem o direito de replicar, disse que eu escrevera um artigo ("Kafka no tribunal"), publicado tamb~m em "O Liberal", para in- fluir sobre o julgamento dos desembargado- res. Ferro Costa foi um brilhante advogado, brilhante sempre; certo, nem tanto. E qual foi o meu crime no "caso Coronel Arruda"? Ter publicado a verdade, de que ele morreu de ataque cardiac e nio por causa de uma bala perdida que Elcione Barbalho teria disparado contra Jader, de quem entio se se- parava, no auge de uma discussio entire os dois? O boato era mais atraente g maledictn- cia puiblica do que a verdade, de um infeliz acidente natural que vitimou Arruda. S6, a imprensa marrom da vazio a boatos atraentes para aumentar a vendagem, como fez o Jornal Popular entire agosto e setembro de 1993, anuncian- do como verdadeira a morte do seguranga a bala, mas jamais d voltando ao assunto depois, 1,,embora tivesse prometido re- S vela-lo "por inteiro". Jornalis- mo para valer perde em impac- to para nio perder em credibi- lidade. Arruda morreu mesmo foi do coraqio. Talvez porque o tivesse generosamente gran- de demais. Tera o redator introduzido o nome do ofi- cial da PM que fazia a guard pessoal de Ja- der por causa do lamentavel incident que en- volveu o military com Edmilson Rodrigues no govemno H61io Gueiros? Pois 6, Gueiros (hoje um "colega do lado") mandou os segurangas do palicio Lauro Sodr6 (entio a sede do go- verno, hoje um museu em franco abandon) retirarem Edmilson, que liderava uma mani- festaCio de professors, considerando-se ofen- dido pelo entio deputado do PT. Edmilson resistiu. Arruda carregou-o, aju- dado por outro PM. Edmilson ameapou mor- der um dedo do (g 6poca) capit~io, que o segu- rava. Quando ia dar a mordida, Arruda, com aquele seu jeito moleque, ameagou: "Se o sr. me morder, deputado, eu lhe encho de porra- da", disse, entredentes. Edmilson abriu. E con- tinuou a ser arrastado pela escadaria princi- pal do palacio. No caminho, a cinegrafista Gouveia Jd- nior, da TV Liberal, foi calgado por tras por um dos PMs e se estatelou ao chio. Teste- munha da cena, voltei na dire~go do gabinete para protestar contra a violtncia, seguido pelos militares que nio estavam fazendo o despejo de Edmilson (com quem me solida- rizei, apesar de sua intemperanga diante de quem, bem ou mal, era o govemnador do Esta- do). O major (depois coronel) Gomes, chefe da casa military, reagiu. Fomos um contra o outro, dedo em riste, batendo boca. O fot6- grafo de A Provincia do Pard pegou o ins- tantineo, que saiu na primeira pigina do jor- nal no dia seguinte. Helio prometeu tomar provid~ncia. Nio tomou. Como do seu esti- lo. Mas esse ji 6 outro "caso". Portanto, nenhuma das inverdades do oculto agressor resisted d mais elementary che- cagem. Sua tatica 6 surrada: a cada calunia que 6 desmoralizada, langa outra, tenha ou nio alguma verossimilhanga. Se volta ao tema, 6 ignorando a contradita. S6 ouve o que fala. Retoma os mesmos arguments que ja foram desfeitos, apenas dando-lhes nova embalagem. Em seu granitico universe men- tal, ainda prevalece aquela maxima dos ma- nipuladores: uma mentira, repetida mil ve- zes, se transform em verdade. E assim que retoma a desmoralizada acu- sa~go sobre minha transagio comn Jader atra- v~s do banco de da dos que formei para a Funtelpa (Fundagio de Telecomunicaqaes do Para). Quem a fez, em 1991, foi o vere- ador Raul Meireles, entio no PT (hoje na desgraga, no PDT). Eu a desfiz. Sem exami- nar os arguments (por isso 6 tao simples e sumario acusar, exigindo tio pouco espago, enquanto o acusado, numa inversio do ve- lho principio de direito, de que o 6nus da prova 6 de quem acusa, precisa demonstrar em contrario, convincentemente, e, e claro, em muito mais espago), sentencia: "E no final fica a palavra dele [minha] contra a do vereador". tou M~rcio na sede de suas empresas de fa- chada, em Porto Velho, ou na fazenda em Cas- telo dos Sonhos. Tamb~m questioned a versio official de que Mgrcio foi morto por ter reagi- do a prisio, sustentando que ele foi baleado quando tentava estava escondido numa pare- de falsa da sede da fazenda. Tudo com as ca- racteristicas de uma "queima de arquivo". O segundo parigrafo da segunda mat~ria dizia: "Ele [Ma'r:io] foi morto na sede do seu 'bunker' no garimpo de Castelo dos Sonhos, no sul do Estado, por homes da Policia Mi- litar, em circunstincias polimicas e ainda sem condiqdes de complete reconstitui~go. A sor- te de M~ircio foi selada quando o governador Jader Barbalho ficou sabendo que o haviam acusado de ter algum tipo de ligaCio com o grupo de Marcio, atravbs do ex-deputado Ja- bes Rabelo [cassado por envolvimento com o narcotrafico], apontado pelo mechnico C~sar Camargo como um dos mandantes do assassi- nato do senador Olavo Pires, praticado por cinco pistoleiros contratados por M~ircio. In- dignado, Jader determinou a Policia Militar que organizasse imediatamente uma operaqio em alta escala para acabar com a base de Mar- cio no garimpo". O leitor que for ate os dois jornais verifi- car8 que, em outra mat~tia, lamento estar acompanhando ;ozinho temas explosives na- quele memento (um outro era o assassinate de Bruno Meira Mattos, filho do entio secre- tario de justiga de Jader), dos quais a grande imprensa se afastava, mesmo sabendo que essas anomalias estavam se transformando em fontes autinomas de poder baseadas na cri- minalidade. "A rigor, aliais, jg e temer~irio fa- lar em anomalia, tantos sho os casos seme- lhantes que vio surgindo no Pard, como o ga- rimpo do Manelio [segunda "eviddncia do meu comprometimento, na acusagd'o que o Goebbels encarnado faz da minha suposta omissdio], ainda a espera de um tratamento cirurgico, mas nio de 'queima de arquivo', como a execuqio de Marcio se caracterizard se impossibilitou as autoridades de obter uma confissio ampla e detalhada desse persona- gem", escrevi. Bastara ao verdadeiro investigator con- frontar as mat~rias do Jornal Pessoal ("As raizes ocultas" e "Para o arquivo morto", manchetes de capa que dizem muito sobre o G JOURNAL PESSOAL EDI('AO EXTRA/ JULHO/ 2000 N~ada disso. Bastaria ao vereador goar falsidades comn base num sumario extrato de contrato, N~examinar aintegra desse contra- to, antes de lhe atribuir o que nio constava do document. O que eu pedi ao PT foi que desig- nasse uma comissio para apurar os fats. Si- 18ncio sepulcral. No entanto, o entio vice-lider do PT na mesma Cimnara Municipal de Bel~m Ohoje tam- b~m satanizado pelos dons do partido)j jse manifestara sobre o assunto: Jos6 Carlos Lima havia apresentado requerimento, "em regime de urgincia e prioridade", para que a casa ma- nifestasse "o seu mais pungente pesar pela said de circulagio do Ainico jornal alternative realmente independent de que se tem noti- cia, o 'Jornal Pessoal', editado solit~ria e exemplarmente por Ldcio Flivio Pinto". No mesmo requerimento, o companheiro de bancada de Meireles tambem pedia con- gratulagdes pelo banco de dados que eu or- ganizava, no qual "serio colocadas a dispo- sipio da comunidade informaq8es importan- tissimas sobre a regiko". O vereador (depois deputado estadual) esolarecia que essa tare- fa poderia ter sido minimizada "se a grande imprensa tivesse informado de forma isenta Q popula~go o que ocorreu na instalagiio dos grandes projetos, por exemplo". Ele denun- ciava ainda a "concorrencia desleal" que su- focara o meu journal: "Lamentivel 6 ter que constatar que um jornalista da compet~ncia de L~cio Flivio Pinto nio possa exercer, com dignidade, sua profissio justamente por exer- ct-la com altivez". O grande patriminio de quem sempre age com dignidade 6 ter a hist6ria ao seu lado. Pode voltar no tempo sem receio de contradi- tar-se, de precisar esconder o que fez, desdi- zer o que disse. Por isso tenho o meu arquivo. Esse arquivo tem de tudo (ou entio s6 espe- lharia parcialmente a hist6ria). Inclusive um produto tio nojento quanto o Jornal Popular. O redator camuflado estranha que eu guard essa coisa, achando poder colocar-me em si- tua~go desconfortavel ao afirmar que no jor- nal dele (dele, nio: momentaneamente aluga- do, a peso de ouro, retirado dos cofres publi- cos) "nio existe um exemplar sequer do seu jornalzinho arquivado". Pior para ele: se tivesse relido o Jornal Pessoal n~io faria acusagies t~io primirias, f~i- ceis de desfazer. Relendo, por dever de oficio (sem a correspondent taxa de insalubridade), o que Silas Assis tem perpetrado em sua alco- va das letras, nio precise it buscar muni~go em outro lugar. A melhor prova de acusa~go contra ele e seus aliados inescrupulosos 6 ele mesmo, o que fez c o que disse. Por exemplo: na edig8o n" 26, de 5 de junho de 1992, Silas Assis acusa o advoga- do Jean Hueth de estar "mancomunado com o trambiqueiro Juinior", ou seja, seu filho, Silas Assis Jlinior, hoje donor do sanguina- rio Jornal do Dia (em sociedade com o ex- representante do Ibama no ParB, Paulo Cas- telo Branco, acusado e preso por crime de extorsio). Eles estariam usando "todos os vicios para ludibriar a Justiga paraense, num process em que Silas Junior, Marina Cha- ves Malaquias e o ladravaz Rosemiro Ro- cha sonegam o pagamento de mais de 300 milhdes de cruzeiros emitidos em Notas Promiss6rias, ao j ornalista Silas Assis, que ao ver Junior chegar a Bel~m, expulso do journal 'Amapi Estado' pelo prbprio irmio, deu-lhe aF~es do Jornal Folha da Tarde, ten- tando recupera-lo e tird-lo do servigo bra- gal, posto que J~inior sempre foi inculto". Palavra de pai sobre filho, que agora tenta ve stir de anjo. Na edi~go 80 (25/6/93), Luiz Otivio Campos, president da Clmara, tem matbria de duas piiginas, cujo titulo ja diz tudo: "Luiz Otivio coloca a C~imara dentro da lei e resol- ve problemss. Cinco anos depois (edigio 253, de 30/1/1998), ji sem poder ou querer pagar publicidade official, o senador do go- vernador sofria achaque para "se explicar", no melhor estilo da casa: "Um censor de ara- que do Jornal Popular, 6 o sr. Luis Otivio Campos, president da Assembl~ia Legisla- tiva do Estado. "Pep~ca" tem a mem6ria curta e esquece, que mesmo contrariando os seus principios, o Jornal Popular escondeu as grandes facetas da sua vida como empresario falido e que faliu o sogro. Pepeca pode sen- tar em cima do nosso journal, tentando escon- der as verdades que ele diz. Mas dificilmen- te continuard tendo imunidade para voltar para a cadeia, de onde o Vice-Governador, Gueiros J~nior, lhe tirou..." (grifo e pego perdio por reproduzir tanto erro). A titica e sempre a mesma contra anunci- antes em potential. Ainda nessa edi~go, Silas deu a seguinte nota, sob o titulo "Esperta- lhio": "Parece que o velho Oscar, donor do Lider, nasceu para burlar a lei. Depois da alta sonegagio, ele agora burla o IBAMA, usando na construgho da ampliaCio, do Lider da Doca, madeiras em extingio. Vamos ficar no aguardo de uma providincia". Ap6s muita resistincia, a recent autua- ~go do Lider pelas receitas estadual e federal resultou na "provid&ncia" desejada: anuncio no Jornal Popular. E nada mais foi dito a res- peito. A chantagem produziu efeito. Uma vez iniciada, por~m, a chantagem s6 costuma aca- bar com violancia ou trag~dia. O chantageador e o chantageado parecem esquecer essa ligio. Algu~m acaba pagando muito carol. Ou todos. Em 25/6/93, Silas saudava na primeira pC- gina o primeiro semestre de Helio Gueiros na prefeitura de Bel6m: "Apesar da crise ge- neralizada, Gueiros faz uma administration exemplar, transparent e dinimica". A pu- blicidade municipal bamburrava nos cofres do Jornal Popular. Tr~s meses depois dava-se o inverse. A edi~go 243, de 27/9/1996 anunciava, na capa: "Elcione [Barbalho] dispara rumo a Prefei- tura". Era mais uma daquelas "pesquisas" feitas na reda~go, apontando resultado con- veniente. Logo abaixo da manchete, uma des- tacada materia: "Escdndalo PF [Policia Federal] vai apurar desvio de verbas fede- rais pelo filho do governador do Para", re- produzindo oficio encaminhado por cinco de- putados do grupo de Jader contra H61io Guei- ros Jr., acusado de desviar para sua conta pessoal dinheiro do Banco do Estado do Para, quando o pai era governador. No p6 de pdgina, uma nota "informava" que um "sabujo do prefeito" H61io Gueiros havia entregue, em mios de Romulo Maiora- na Jdinior, "uma maleta de d61ares" para o gru- po Liberal apoiar a candidatura de Ramiro Bemtes, g 6poca o principal adversario da mu- lher de Jader. Ao lado da nota, uma foto de Gueiros com um copo de uisque na m~io e uma legend: "Um copo na mio e ideias sem-ver- gonhas na cabega". Dentro, matbrias contra a dupla Gueiros/ Ramiro e a favor de Jader/Elcione: "Elcione vai transformar Outeiro", "Guerreira e acla- mada na Prratinha", "Elcione na lideranga ab- soluta", "Jader sabe quem 6 o judeu", e por ai afora. Toda a ultima pagina foi ocupada com a transcrigio da carta imoral que H61io Gueiros me mandou em 1991 e da minha resposta, com este texto de apresenta~go, sem assinatura (pode ter sido escrito pelo pr6prio Silas ou ele apenas o incorporou): "Quem li agora ou ja leu antes, pode at6 achar que ele 6 bom de briga, nio leva desa- foros para casa, etc, por~m como se trata de um home pdblico (?), ai o caso passa a ser s~tio e bastante preocupante. Estamos fa- lando de Helio Gueiros, sem duvida nenhu- ma, um canalha da pior esp~cie, pelo menos, pelo menos do ponto de vista da carta que um dia escreveu para o Jornalista Luicio F1B- vio Pinto, como resposta a um artigo em que Lucio provava que H61io Gueiros 6 ladrio. Al~m da mediocridade de espirito e da com- pleta falta de estrutura emotional, esse pa- lhago travestido de jornalista e politico pos- sui um dos textos mais imundos de que se tem noticia. Tamb~m 6 um covardio. Afinal, 6 muito facil ser prefeito de Bel~m e a partir dai passar a responder a critics que recebe com acusag Ges e ofensas desta natureza. E, ainda por cima, se aproveitar do fato de es- tar entrando para a fase senil de sua existin- cia, o que impede o mais cabega quente dos series humans a lhe dar umas porradas. Di- ficilmente a sociedade aceita o fato de seus velhinhos serem espancados, principalmen- te com tapas na cara". Conclui a apresenta~go: "E possivel que dois ou tris eleitores gos- tem do estilo e at6 apoiem a attitude do prefei- to ao responder para Lucio Flivio. A grande JOURNAL PESSOAL EDI('AO EXTRA/ JULHO/ 2000 7 maioria, por~m, esclarecida e preocupa- da com o future de seus filhos, nio pode de maneira alguma colaborar para dar sustentaculo politico para um verme dessa esptcie. O Estado do Para nio pode suportar por mais tempo a exis- tancia desses homes movidos a iilcool e, em conseqilencia, agindo como o mais sujo e imoral entire todos os moleques safados da face da terra. Sinceramente, nio e possivel que cidadios s~rios pos- sam votar num politico que um dia, pelo simples fato de algudm discordar de si, possa escrever tanta inf~amia e mentiras con- tra seus critics. Portanto, saiba agora por- que nio podemos votar em quem ele apoia". Fosse outro o autor dessas frases, eu me teria sentido reconfortado. E, em essincia, o que, de pronto, me mandou dizer do Rio de Janeiro o almirante Mgrio Jorge da Fonseca Hermes, recdm-reformado na chefia da esqua- dra naval brasileira (o segundo posto mais im- portante da Marinha), na mais decidida e fir- me solidariedade que recebi a 6poca (o dnico a autorizar a publicaglo da carta que escreveu contra o home que fora govemnador do Esta- do a epoca em que ele comandava, em Bel~m, o IV Distrito Naval). Mas quando Jader deixou de pagar o que ele queria e Helio reassumiu esse lugar no cai- xa, Sias esqueceu o que havia escrito e trocou condena~go por louva~go, invertendo os pa- peis, conforme o novo fluxo do dinheiro. Quando Gueiros e Jader voltaram a se aliar, em 1998, lb estava o belzebu ao lado. Agora 6 a parceria entire ele, Gueiros e o PT de Edmil- son Rodrigues. Esta certo: se equivalem. Mas s6 manterio a sociedade se os co- fres municipals continuarem a ser arromba- dos em favor de Silas. Menos de dois anos atris (na edigio 285, de 25/9/1998), ele, a soldo do ex-prefeito, denunciava, numa en- trevista montada com ele mesmo, o acordo entire o grupo Liberal e Edmilson: "a maioria dos petistas paraenses 6 formada por imbe- cis barulhentos. As publicaqdes dessas de- mirncias contra H61io Gueiros, nada mais sao do que uma satisfa~go que Rominho [Romu- lo Maiorana Jlinior] ds para o Prefeito de Bel~m que, como ji disse, ultimamente vem recheando os bolsos dos Maioranas com ver- bas municipais. Lembram-se da resistincia de Edmilson Rodrigues logo ao tomar posse como prefeito, no sentido de nio pagar divi- das em favor do Grupo Liberal? Pois 6, tudo uma farsa para montar a encenaqio que hoje eles sustentam. Agora eu pergunto: o Grupo Liberal ji pagou em moeda sonante o IPTU de virias d~cadas em atraso?". No nlimero seguinte (286, de 2/10/98),, Edmilson e apresentado como "o bocio": "E que fica todo arreganhado nas fotos que [sic] aparece ao lado da classes que antes chamava de "burguesia". Ngo hB uma foto que [sic] nio esteja com a dentadura toda arreganhada contra, sistematicamente. A adminis- traqio Edmilson Rodrigues acumula erros e acertos, numa escala e numa intensidade que nio a distingue da maioria das administragies que a an- tecederam. Ele 6 mais um prefeito de Belem. Nio o prefeito. Al guns seto- res trabalham bem. Outros nem tan- to. Varios sio sofriveis. Tenho feito critics. Mas nio me consider o donor da verdade. Estou sempre disposto a reconhecer meus er- ros. Para isso mantenho aberta uma segio de cartas, publicando-as na integra, coisa cada vez mais rara na imprensa brasi- leira. E vou atras das informagies oficiais, da voz do governor. No m~imero 235 publiquei, em duas pigi- nas e meia, a integra de uma entrevista com a Assessoria de Comunica~go Social da PMB, analisando as relaqdes do governor municipal com a imprensa, acusada de boicot8-lo. No diall de maio remeti para a Comus um novo questionario, tratando exclusivamente da ques- tio. Aguardo as respostas at6 agora. A lista de perguntas possibilitaria a prefeitura dar a sua verso sobre fats controversos, que tim sido constantemente referidos, comn calma, analisando e trabalhando cada resposta. Mas nada, dois meses depois. As perguntas: Como foram pagos a O Liberal os 2 mi- lhies deixados por H61io Gueiros (valores e datas de quitaCio). Qual era o montante da divida com os outros veiculos de comunicaCio, especifican- do valor e veiculo, e como foi paga. Relagio dos jornalistas demitidos por nlo trabalhar (na resposta [anterior] hi refe- rancia apenas ao Diario do Municipio). Valor da divida do IPTU da familiar Mai- orana e de suas empresas, discriminada. Rela~go dos jornalistas que integram atu- almente a Comus. Todos os 30 mil exemplares iniciais do Jornal do Povo eram impresses no journal no qual eram encartados? Qual foi o crittrio ado- tado para a escolha de tais j ornais? _Ha algum tempo a remessa de dois exem- plares do Jornal do Povo que me eram endere- Cados foi suspense. A 61tima vez que vi o jornal foi encartado em A Provincia. Ja acei- taram a volta da circula~go nesse journal? -As paiginas de materia aparentemente re- dacional que tim sido publicadas no Jornal Popular sobre a prefeitura sho pagas? Hi quan- to tempo e feita essa veicula~go? Qual o cri- t~rio adotado pela Comus para programar o Jornal Popular? Com quanto entrou a PMB para apoi- ar o encarte de fitas de video no journal O Liberal? Quanto foi pago at6 agora a Caros Amigos? Quantos anuincios de ultima pB- gina forram publicados? Qual a progra- maqio future? mais parecendo pinto naquilo. Como assim aparece ate em mementos s~rios ou ao lado de personalidades que nlo estio gargalhan- do, o Boca ri a toa nio se sabe de que [sic]. Deve ser por ter sido feito prefeito como o Cacareco ou o Odorico". Apbs paginas de critics g administration municipal, outra nota na mesma edigio ecoa denuincia feita neste journal, mas na lingua- gem e nos modos de Silas (agora patrocina- dos pela prefeitura petista): "O desequili- brado prefeito Edmilson Rodrigues, na mai- or cara-de-pau e desfagatez est8 patrocinan- do a campanha do CINEMA EM CASA da familiar Maiorana. Esse rapaz e mesmo uma deceppio que beira o patttico. Ou pateta? Sabe-se que ja se foram mais de 300 mil re- ais, enquanto a grande massa de contribuin- tes nio tem calgada, meio-flo ou pelo menos ruas limpas. Somente aqueles camel6s s6ci- os do Edmilson do PT (pagam por fora e bem pago) tim vez. E agora o prefeito que esta destruindo o PT paraense est8 bancan- do boa parte do carnaval dos meninos do LE, ou seja, esbanj a verbas p6blicas patrocinan- do foliaes, segur~anga, saide, arquibancadas e muita, muita publicidade. Que tal o retor- no de uma camisa de forga como aquela da Clinica Jacarepagua, no Rio de Janeiro". A partir do inicio do segundo semestre do ano passado o tratamento mudou da ggua para o vinho. As critics sumiram. A ironia evapo- rou. Para Edmilson e o PT, s6 tapete verme- lho. A edi~go 328 (3/9/1999) do Jornal Popu- lar foi literalmente enriquecida por um cader- no de quatro paginas de propaganda da pre- feitura de Belem, todo em polieromia. Em tro- ca, teve dlireito a coluna do ficticio D~cio Malho e meia pigina de elogios para a inaugu- raqio do espago esportivo e cultural Altino Pimenta (materia redacional paga, sem a indi- caqio dessa condi~go). Certamente eu nio estaria sendo alvo de injurias, difamagdes e cal~inias se adotasse o modelo de jornalismo da vanguard petista: receber os press-releases, reproduzi-los na in- tegra e bater palmas para o grio-vizir (e pas- sar no caixa para receber a propina, digo, o pagamento do empenho). Mas essa nio 6 a missso do jornalismo. O nosso dever 6 fiscalizar o poder. Claro que nio para fazer campanha, a favor ou or que a prefeitura nio aprovei- tou essa oportunidade para "res- tabelecer a verdade", como se diz, se consider incorreto o que tem Psido denunciado contra ela em re- la~go a essas questies? S6 hi uma explicaqio: a administration Edmilson Rodrigues e que nio esta agindo corretamente. Ela s6 quer ceder al- gumas informagaes, as que ndo a comprome- tem. As demais, inconvenientes, sio trancadas a sete chaves. Em cima de meias-verdades, que podem ser mais perigosas do que mentiras aber- tas, tenta manipular os raros fiscais da impren- sa verdadeiramente investigative (a meu ver, redund~incia: a imprensa tem que sempre che- car as informaCges recebidas). Quando assumiu a prefeitura, Edmilson deve ter achado que eu ia estar ao lado dele, a mesma ilusio de Jader Barbalho e H61lio Guei- ros, antes. Os petistas s6, faltaram me carregar na said do estuidio da TV RBA, apbs o debate dos candidates & prefeitura de Bel~m, em 1996. Mas fui aclamado. Acharam que eu havia aper- tado Ramiro Bentes, candidate de Helio Guei- ros, para favorecer Edmilson. Um jomalista faz a sua parte, sem pergun- tar a quem favorece ou prejudice. S6 quer saber se e: verdade. A verdade servia a Edmilson na- quele memento, como ji serviu a Jader ou a H61io em alguma ocasiio. Hoje, e sua inimiga, como foi dos dois, na maioria das vezes. Entio ele tenta destruir quem a apresenta ao pu~blico. Se quisesse confrontar a sua verdade com a minha, viria para um debate pdblico, escre- veria cartas, mandaria sua assessoria respon- der, abriria obras e documents para a checa- gem. Tudo isso e absolutamente gratuito nes- te journal. Ao inves disso, recorre a todos os meios, inclusive os escusos e moralmente con- denaveis, s6, para destruir o critic e sufocar a verdade. Conseguira? E pouco provavel. Os poderosos geralmente tentam desacreditar os critics inquinando-os de levianos, pessimistas, derrotistas, "pra bai- xo", expandindo a premissa de que critical 6 facil, fazer e que sio elas. "Menas" verdade. Caluniar, difamar e injuriar 6 que e faicil. Criti- car com s61idos fundamentos 6 extremamente dificil, privilegio de poucos. Exige conhecer bem o que se pretend critical, as vezes ate melhor do que quem criou a coisa a ser criticada, por- que e precise desdobra-la ou desnuda-la para que suas falhas, vicios e problems aparegam, sejam visiveis e inteligiveis de uma outra ma- neira que nio a encobridora do discurso official, da propaganda, da retbrica. S6 assim, no con- fronto direto com o criador ou responsavel pela obra, o critic se sustenta. S6 dessa maneira ele conquista credibilidade, vencendo desaflos, temperando-se no embate. Saber o que faz realmente o poder p6blico 6 tarefa ingl6ria, profundamente desgastante. Minha precoce afinidade comn I. F. Stone veio do respeito que, desde o primeiro contato com o trabalho dele, tive pela acuidade com que se langava diante do mundo official. Entendi que devia ler com amixtima atenCio os documents publicos, de relatbrios a decretos, de peas pu- blicitarias a estudos acad~micos. Que devia do- minar o procedimento burocratico e os estrata- gemas politicos. Que precisava confrontar o plano ideal (nem sempre das id~ias, como aprendi em Hegel) com o da realidade concrete (que Marx me fez ver), indo checar com os pr~- prios olhos e os demais sentidos o que, tradu- zido ou camuflado, se desprendia dos papeis oficiais, explicit ou implicitamente. Para nio se tornar o verso da burocracia, o desejavel 6 que o jomalista seja a sua contrafa- Cio. E a grande contribuigio da imprensa para o equilibrio dos poderes numa sociedade (cada vez mais) democratic. E o legitimo poder in- formal (mas necessitando de control social crescente) que cabe a imprensa. Essa e uma tarefa hercuilea, mas oferece suas compensagies, adestrando a professional da im- prensa. Cito uma situaqio em que sai favoreci- do por essa conceppio: denunciei a irregulari- dade na venda das terras de Carajas g Compa- nhia Vale do Rio Doce a partir da leitura inte- gral do process, que estava na Assembleia Le- gislativa. A primeira leitura nio me fez ver o pulo do gator. Tive a pachorra de voltar a ler aquelas mais de mil paginas. Ai percebi que a CVRD estava pagando por 445 mil hectares, embora fosse levar 30 mil hectares a menos. O prego, contudo, fora calculado sobre a totali- dade. Para onde iria o valor daquela diferenga? Era algo como 15 milhies de reais, hoje. Tentando me induzir ao seu "jomnalismo", o redator mascarado do Jornal Popular me aconselha como bem critical: "Mesmo que nlo tenha provas do que afirma, seja, no minimo, coerente, direto, como um bom jornalista deve ser. Faga como o JP, que afirma que voc2 ven- deu-se para o J~ider Barbalho". Afirma, sim, mas nio prova. Afirma, de fato, mas nio junta um unico fato a respeito. Proclama sem ao menos reunir evidencias ca- pazes de dar uma aparancia de verdade a sua calunia. Esse 6 o jomnalismo premiado do PT, essa 6 a imprensa que a prefeitura de Edmilson Rodrigues quer financial. Mas nio 6 a minha. Nio se encontrara neste jomal uma mat~ria dizendo que "a prefeitura do PT compete falca- truas com o dinheiro pdiblico", conforme o de- saflo do editorialista de aluguel do Jornal Po- pular. Porque nio tenho provas disso. Se as tivesse, diria, sem receio, como sempre tenho feito, e deixei bem claro na poltmica com Ber- nardo Kucinski. As cinco aqdes judiciais de Ro- singela Maiorana Kzan, que me atazanam a vida ha quase oito anos, nio me intimidaram. Nem as tris do grileiro C. R. Almeida, que quer transformar no maior imbvel rural particular do mundo a que 6 terra pdiblica estadual. Esta- rei disposto a dizer quem 6 boi e quem 6 ladrio, desde que tenha essa convicqio. De circunlo- quios, como Batista Campos, que tamb6m fez seu jornal Pessoal (em O Paraense), nada sei. O que tenho dito e que o PT nio esta fa- zendo bom uso do dinheiro publico, que em alguns casos o esta dilapidando, que nho tem um program de governor, que nio possui uma visio contextualizada de Belem, que esta atu- ando no varejo, que realize obras eleitoreiras ou de fachada, que repete procedimentos ar- roz-com-feijio de outros govemos, que e con- traditbrio, que 6 manipulador e etc. Surpreen- di-me com a fraqueza da administraCio Edmil- son Rodrigues no trato do transport coletivo da cidade, que antes o PT considerava um ne- g~io de mafia, e sua acomodagio em relagio ao problema do lixo. Por tudo isso respond, em qualquer nivel, diante de qualquer arreganho, inclusive do cho-de-guarda colocado naquela pocilga disfargada de Jornal Popular. Ele que ladre a vontade. Pretendo continuar a praticar o jornalismo que aprendi com gente de outra ordem e qualidade. Hip61ito da Costa, que criou o primeiro jornal brasileiro, no tardio 1808 (e mesmo assim em Londres), disse: "A impren- sa livre remedeia-se a si mesma, porque n~io pode haver raz~io para que a mentira, sendo igualmen- te livre como a verdade, prevalega contra esta". Pode ecoar mais em certo memento, parecer se- dutora em outro, principalmente quando finan- ciada a peso de ouro (por quem nio tira dinheiro do pr6prio bolso, mas do erairio). Na verdade, porem, acabara por se afirmar, a despeito dos poderosos do memento. Com o mestre Paulo Maranhio aprendi a nio repetir o seu erro mais grave: desrespei- tar o direito a mais recbndita intimidade, que cada cidadio tem, por mais nefando que ele seja. Sempre paro a soleira da casa dos meus contendores, que, como acertadamente diz a lei, e inviolivel. Assim entrei e assim sai de todas as pol~micas, respeitando os que me respeitam e aprendendo na diverg~ncia, quan- do nada para reforgar minha couraga proteto- ra e afiar minhas armas para o bom combat, o 6nico que me compraz. Os que apelam, os que rastej am, os que cultivam a lama, estes eu desprezo e deles me afasto, quando sinto chegado esse mo- mento, para sempre ter a possibilidade de retomar meu corpo limpo e minha vida de- cente, g maneira do Maranhio que Haroldo rectiou em Rio de Raivas, como fago agora, deixando que a inflexivel poeira do tempo cubra e faga sumir do horizonte as figures despreziveis de Silas Assis e do Judas ver- melho que o sustenta. Ou que, ainda sem essa poeira, se desincumbam dessa tarefa os que nela sio competentes: ches, gatos e urubus. Uma coisa 6 certa: bom repast terio. La, no Jornal Popular e na vanguard soturna da administraFio Edmilson Rodrigues. * |
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| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 207 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |