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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00190

Full Text


LU)C IO F LA VI O P IN TO
BEL M-PARA, JULHO DE 2000 RS 2,00


o
0'


DOSSIER 2

O PT e Silas

Assis ameag am

espancar critic
P-








2 JOURNAL PESSOAL EDICAO EXTRA/ JULHO/ 2000


uoMaranhio foi-e ainda 6-o
irjornalista do Parrd.Por uma
soma de fatores. Em primeiro lu-
gar, pelo seu long tempo de vida,
de 94 anos (de 1871 a 1966). Al~m
disso, teve a felicidade de permanecer lucido
at6 o ultimo memento, escrevendo at6 as v~s-
peras de sucumbir ao desgaste fisico. E por ter
sido, ao mesmo tempo, ao long de meio s~cu-
lo (de 1916 a 1966), o donor do jornal (a Folha
do Norte, o mais important do pais, de Recife
para ca) e o seu principal redator, o respons8-
vel pela marca editorial da publicaqio.
Umas poucas pessoas merecem o lugar que
o velho Maranhio ocupou na histbria da im-
prensa republican brasileira: Edmundo Bit-
tencourt, no Correio da Manhai, e Orlando
Dantas, no Dicirio de Noticias, no Rio de Ja-
neiro, Julio de Mesquita Filho em O Estado
de S. Paulo, Assis Chateaubriand em sua ca-
deia de comunicaF5es (os Dibrios e Emissoras
Associados), Carlos Lacerda na Tribuna da
Imprensa, e quase s,.
Mas Paulo Maranhio nio foi sempre um
grande jornalista e um home digno. Nem os
her6is sho imaculados. Numa 6poca de paro-
xismos, de poder quase absolute em Estados
que mais se pareciam a satrapias orientals, ele
as vezes desceu ao nivel do chiqueiro em que
o forgaram a entrar. Feriu perversamente ad-
versirios ou desafetos.
Seu neto, Haroldo Maranhio, reconhece-
ria, quatro d~cadas depois, o cometimento
desses danos, nem todos motivados, nem to-
dos como reap~o a uma agress~io, acabando por
alcangar inocentes, no belo e terrivel romance
Rio de Raivas. Nele, reconstituiria, com o au-
xilio de sua poderosa imaginaqio, o mais odi-
oso atentado praticado contra seu av8 pelos
baratistas, seus maiores inimigos, dons do
poder no Pard entire 1930 e 1959 (insepultos
ate hoje), com interregno entire 1950 e 1955,
quando a oposi~go (na verdade, um conglo-
merado anti-M~agalhies Barata), conquistou o
governor do Estado.
Descreve Haroldo:
"Naqueles tempos, merda nio era insulto
abstrato mas artefato ofensivo, feito o que
langaram na cara de Palma Cavalio [persona-
gem que Haroldo criou com elements ver-
dadeiros do av8 e do pai, Jod'o, gerente da
Folha por 50 anos], que aceitou a merda de
Bnimo inteiro, como de p6 teria ficado se em
vez de bosta lhe tivessem vazado a faca o
baixo venture, ou lhe espatifado o peito a balas
de ago. Uma bomba que lhe explodisse as vis-
ceras, nem piscar piscaria. Olharia nos othos
o matador e quando fossem segurai-lo parra
nio cair ja seria um morto.
Palma Cavalio com os dedos atirou fora o
exagero da bosta, abundante aquela toda mer-
da de nenhuma precisio, que dois punhados
teriam causado igual estrago, humilhando-lhe
a cara, que 6 o que quiseram, humilhar-lhe a
cara. Nio sabiam e nio souberam que o orgu-


tho nio dobrou. Ngo sujaram a alma do velho,
que foi o que se quis, melar de merda a alma
de Palma Cavalio, o agravo seguindo-o pelo
resto da vida. Merda assim endurece como
barro, seca, empedra, grudada, soldada na pele
da alma, fede anos, fedor de alma nio se lava a
sabonete, Palma Cavalio sem press e sem
raiva livrou-se do grosso do excremento. Ha-
via desembarcado do autombvel, chegou a dar
trbs, quatro passes, quando o insulto o atin-
giu. Parou. Outros apressariam a fuga, de medo
nio, de vergonha da pasta escorrendo deva-
gar. Nio mostrou o minimo sinal da ira fecha-
da na garganta. Conhecia os costumes. Botou
a merda de banda e seguiu" :
Enquanto se limpava, ja em casa, com o
auxilio da mulher, Palma Cavalio tomou a
decis~lo de contar tudo o que sofrera atrav~s
das paginas do seu journal, rebatizando o au-
tor intellectual se tal expresso pode ser
aplicada ao caso -do atentado (no romance,
Inocincio Liberal) para Inocincio Liberal
Bosta (na vida real, de Armando Corr~a para
Armando Trampa):
"Vai morrer Inocincio Liberal Bosta. A
merda que ele me mandou atirar ja sumiu. Jg o
nome dele sera Inoctncio Liberal Bosta", pro-
fetiza 0 personagem.
No dia seguinte, a manchete do journal (Fo-
lharai na ficq~o) era: "Ato porco de um go-
verno poreo". Atingiu fundo aquele que deve-
ria ser o beneficibrio da agressio a Paulo Ma-
ranhio, o general Barata (ou coronel Cagarrai-
os Palacio no livro). Sua reaCio mostrava que
dois gigantes, no confront mortal, tinham ao
seu lado, de cada lado do front, verdadeiros
pigmeus, como costuma acontecer nas cortes
dos potentados, cheios de poder e de vaidade,
suscetiveis ao jogo da perfidia e da bajula~go,
da mais abjeta sujeigio, da mais esperta cor-
ruppio, como aconteceu no cursor da autocra-
cia de Barata, na ditadura (e no populismo)
de Getu~lio Vargas e comega a se desenhar no
imperio de Fernando Henrique Cardoso.
Cagarraios, sob o impact daquela man-
chete garrafal na primeira pagina do journal do
seu Aicido antagonista, manda chamar o corre-
ligionario para saber o que fez com Palma
Cavalso. Informado, reage:
"Mas o senhor! Foi capaz de uma misdria
dessas?! O senhor 6 um porco. Porco imun-
do! Ouviu? Reaja, diga um ai, que eu quero
emporcalhar esta mio aqui na sua cara. Cara
cinica. O senhor 6 o individuo mais sujo. Um
bandido. O senhor 6 um bandido. E al6m do
mais, covarde!".
O governador consult um assessor mais
qualificado para saber o que fazer. Ele lhe diz:
"infelizmente nio hai o que fazer. Como o se-
nhor iria admitir publicamente que o seu dele-
gado de policia foi o autor intellectual do aten-
tado? Melhor o governor ignorar".
O governador ainda tenta uma outra atitu-
de, mas acaba convencido pelo mais pr6ximo
dos seus auxiliares. Quando chega em casa e 6


cobrado pela mulher (Ebr~ia/Dalila Ohana), a
decisio est8 tomada:
"Assumo a responsabilidade, Ebr~ia"
"Mas, bem, nio foi voc6! Voc2 nio autoriza-
ria uma coisa dessas". "Verdade. Mas nio de-
sautorizo meus amigos. O Dr. Inoc~ncio Li-
beral obrou mal, mas agiu na qualidade de meu
amigo. Sou amigo dos meus amigos. Pronto.
Esta acabado. Nio se fala mais nisso"
Pelas linhas da fievio, esse tr echo do
romance de Haroldo Maranhio e o retrato
de uma 6poca de violincias, de violagio dos
direitos civis, dentre os quais o da livre ma-
nifestagio do pensamento e da divulgagio
da informaqio, de pilhagem dos cofres p6-
blicos, de divisio radical da sociedade, de
paixdes extremadas. Foi nessa 6poca que
pensei ao terminar de ler o artigo (sem assi-
natura, equiparavel a um editorial) com a
qual o Jornal Popular responded, na sema-
na passada, g minha primeira edi~go extra.
Depois de um rol de sandices, reunidas para
agredir e nio para responder, o an~nimo re-
dator terminal com uma ameaga, arrematada
por uma derradeira injdria, em nome do
donor da coisa, Silas Assis:
"Mais um detalhe: em relaFio as alfineta-
das dadas por Lucio na familiar Assis, esta ja e
uma outra questio. Ele deve procurar, imedi-
atamente, um professor de defesa pessoal ou
mesmo fazer um plano de saude que oferega
servigos de cirurgia plastica facial, por que
[sic] a 'turma' anda pensando em aplicar nele
uma boa sova, na base do 'muque'.. te cuida,
Liicio, final, tu 6s gay, que eu sei...".
O artigo, por enquanto metaforicamente,
6 excremento puro, grosso, fetido, daquele que
emporcalhou Paulo Maranhio. Nenhuma no-
vidade de localizaqio na origem das fezes, ex-
pelidas que foram a partir do Jornal Popular.
Mas agora hB um novo component, o da ame-
aga a integridade fisica. Uma fonte bem situa-
da me advertiu para nio encarar essa ameaga
como brincadeira, ainda que de mau gosto.
Na defesa da minha vida, valiosa para mim
e para os meus dependents, estou tomando
as providtncias que a situaqio requer. Natu-
ralmente, nio sho as que o covarde redator
sugere, tomando-se como padrio, que s6 o 6
para uso negative (ou seja: para se rejeitar).
Vou encaminh8-lo is autoridades competen-
tes, esperando que elas sejam competentes de
fato, e nio apenas de direito, para apurar o
claro crime cometido.
N~to basta, por~m, resguardar a minha pes-
soa. E precise defender um bem da sociedade:
a liberdade de expresso, o direito B informa-
Cgo. No Para, a ameaga que paira sobre ela
esti deixando de ser um problema individual
para se tornar uma grave questio social. Se eu
estivesse sendo ofendido apenas pelo execra-
do Silas Assis, nem estaria me dando ao tra-
balho de contra-atacar. Reajo porque atrzis
dele est~iuma autoridade p~iblica, um segmen-
to da administra~go p~iblica, um grupo politi-







JOURNAL PESSOAL EDICLO EXTRA/ JULHO/2000 3


co que expand o seu poder no Estado
e, indevidamente, o erario municipal.
O estilo (que uma pericia grafol6gi-
ca ira atestar) mostra que o artigo de
pigina inteira (a setima) da ultima edi-
950 do Jornal Popular nio foi escrito
por Silas Assis, nem pelo seu testa-de-
ferro, J. R. Avelar, suposto (e irregular)
redator-chefe, que, na verdade. se cha-
ma Ugui Gama de Avelar (o que talvez
explique mais esse pseudinimo naquela
folha). O estilo 6 o mesmo do respons8-
vel por uma coluna da segunda pagina,
Opinides, atribuida a um ficticio Decio Ma-
lho. Por tris desse falso personagem esta o
home de liga~go da administraqlio Edmilson
Rodrigues com Silas Assis. Que, al~m de tudo,
nem jornalista e. Malmente letrado.
A prefeitura de Bel~m, gragas a uma
abusiva verba de publicidade, incompativel
com o significado do veiculo, ngo apenas
insere nesse agougue moral suas peas de
propaganda convencionais: tem direito a cri-
ar colunas, esconder-se atris de pseud6ni-
mos e ocupar espago editorializado, sem
qualquer assinatura, sem as conseqilincias
da responsabilidade.
E por isso que a resposta g edi~go extra do
Jornal Pessoal, de duas semanas atras, nem
procura esconder, como vinha fazendo at6 en-
tio, que nio se trata da voz do donor do pape-
lucho, mas do seu financiador, de quem o alu-
gou: a prefeitura de Bel~m, controlada pelo
grupo petista de Edmilson Rodrigues. Silas
Assis e sua familiar sgo tratados na terceira
pessoa. Portanto, a noticia sobre a ameaga que
ele me faz 6 dada nio por ele, mas pelo autor
do artigo disfargado de editorial, que veicula
anuncios, escreve colunas e editorials e paga
tudo isso com dinheiro publico (convem a CI-
mara Municipal, ao Tribunal de Contas dos
Municipios ou ao Ministerio Publico, por-
tanto, apurar esse item: o desvio de fungo de
verba publica).
Silas vomitou suas anomalias mentais na
mesma edigio, mas em outro espago, com ou-
tro estilo. Na pigina sete, tudo indica que 6 o
intermediario do PT de Edmilson Rodrigues
quem esti servindo de porta-voz das ameagas
de agressio de Silas e de sua familiar.
O PT, quem diria, desistiu do combat de
id~ias, do confront intellectual, da dial~tica dos
opostos. Como um assumido fascista, quer ca-
lar o adversitrio no tapa, a ser consumado se
nio conseguir realizar seus intentos intimida-
t6rios. O PT quer de volta a era das trevas da
bipolaridade entire baratismo e anti-baratismo,
na voragem do conflito nivelando-se por baixo,
faces da mesma moeda. Os fascistas de esquer-
da querem retomar aquele tipo de combat que
resultou no crineo esfacelado de Leon Trotsky
no seu refuigio mexicano. Os bragos de St~lin
eram extensos. Os do seu seguidor ao tucupi,
tamb~m. Parece ser a forma de compensar, pa-
tologicamente, acurta inteligincia.


seu lar, e ele fica nas encolhas tre-
mendo como todos tremem".
A alegoria de Haroldo Maranhio
caberia como luva a situaqio atual se
os personagens de hoje nio se tives-
sem encolhido, da 6poca de Paulo Ma-
ranhio e Magalhies Barata para ca,
como aqueles andes descritos pelo es-
critor no seu romance anterior, justa-
mente com esse titulo. E Paulo Mara-
nhio tinha consciincia do uso abusi-
vo que fazia de sua caneta mortifera.
Basta ver seu timulo, no cemitbrio de
Santa Isabel. La esta o epitfifo: "Aqui, sim,
tenho paz".
Ter que enfrentar gente como Silas e seu
oculto financiador esta muito long de cons-
tituir um bom combat. Deve-se entesta-los,
sim, mas 6 irreprimivel a sensagio de nojo,
de desconforto professional, de nausea.
Se ha c6pias mal-feitas e mindisculas de
Paulo Maranhio, os herdeiros liliputeanos
de Barata ainda estlo ai, praticando o mes-
mo jornalismo (e a mesma political) de calu-
nias. O mais bem-sucedido deles 6 H61io
Gueiros, escriba do journal de Silas, vizinho
de pagina do colunista do PT, disfargado de
D~cio Malho (sem aquela dignidade minima,
de enfrentar de frente o adversario). A con-
viv~ncia ja e tio afetuosa entire os dois, es-
quecidos do passado, por pura conveni~ncia
entire as parties, que o colunista-propagan-
dista trata o (antes anatematizado) anteces-
sor do "professor" Edmilson de "colega ai
do lado". Colega...
O "ai do lado" nio sera mera refer~ncia
topogrifica. Gueiros tentou embarcar na nau
de Jader Barbalho, engrossando obliquamente
a esquadra de Edmilson com uma candidatu-
ra s6 para inglis ver, apostando numa vit6-
ria do alcaide ja no primeiro turno. Com isso,
alcangando a desmoraliza~go do governador
Almir Gabriel, que precisara carregar na mB-
quina official para tentar tirar seu candidate,
Zenaldo Coutinho, do final da fila de pre-
tendentes a prefeitura de Bel~m. Em 2002,
ambos esperam que venha a ser outra a his-
tbria, com Almir no governor at6 o final do
mandate, para tentar fazer seu successor (e
desistindo do senado). Edmilson, mesmo com
Valdir Ganzer na prefeitura, poderi estar
mais vulneravel do que agora. Ou, quem sabe,
em condigaes de estabelecer uma nova e sur-
preendente composi~go.
Aparentemente, isso 6 impossivel. Mas
a histbria nos ensina o suficiente sobre a
capacidade que costuma ter o "convertido"
de engolir sapo e reescrever sua biografia
anterior para se manter na nova situaqio,
tirando o maior proveito. Nela, o "conver-
tido" se excede porque traz consigo a expe-
riincia, o ressentimento e a consciencia de
culpa de ter vindo do "outro lado" (nio era
"naciona~l-socialista" o partido nazista de
Hitler?)


O que me acontecer fisicamente, a partir
de agora, a responsabilidade final, ainda que
indireta, eu a atribuo ao prefeito Edmilson Ro-
drigues. Nio creio que ele ird me agredir pes-
soalmente. Em mementos relaxados, o pro-
fessor (como o trata seu cio-de-guarda) 6 um
interlocutor agradavel e uma pessoa amavel.
Contrariado, sofre a muta~go caracteristica da-
quelas pessoas que nlo aceitam o contratio,
com tendincias a tirania, a impor a sua vonta-
de de qualquer jeito.
Dou-lhe de graga que ate nio concorda
com as agressies que o fact6tum tem perpe-
trado contra mim, nem delas tomou conheci-
mento pr~vio. Mas, como Cagarraios PalB-
cio no romance de Haroldo Maranhgo, nada
faz para impedir essas vilanias, passando a
ser responsavel por elas. Afinal, Silas Assis
nio estaria circulando com seu journal se nio
recebesse dinheiro da prefeitura petista,
numa propor~go incompativel com a tiragem,
o valor de mercado e a credibilidade (nenhu-
ma) do instrument que utiliza para realizar
neg6cios. E se o pacto entire ele e seus maio-
res anunciantes (com verba publica) nlo in-
cluisse deixar que textos sem assinatura ou
sob pseud6nimo, oriundos dos sub solos pe-
tistas, saiam naquela imundicie em format
de papel impresso.
Paulo Maranhio freqiientemente igno-
rou o direito g privacidade, transpondo o
limited inviolavel da casa dos seus desafe-
tos, um "demi~nio com a caneta na mio",
como o descreveu Haroldo: "Da caneta nio
sai tinta, saem lagrimas de homes humi-
lhados diante dos filhos, da mulher, sai san-
gue, sai fel, ele espalha a destruigio, arrasa
lares, aponta adulteras, marca os cornos de
ferro em brasa na testa, escreve que moci-
nhas prevaricam e da os nomes das moci-
nhas. E nio aparece um home nesta terra
que pegue um rev61ver e entire no journal dele
e atire para matar como se mata um cachor-
ro doido?, terra sem homes, parece que o
6nico 6 ele mesmo, ele e o coronel Cagarrai-
os, s6 os dois. Mas mesmo o coronel podia
apanhar a sua arma que ele 6 military e en-
frentar a fera de macho para macho. Mas
nso enfrenta, nio vai, agilenta as cuspara-
das na cara, que o homenzinho escarra na
cara do coronel, chama-o de ladrio, de pu-
lha, de cagio, de atrabiliirio, enxovalha o








4 JOURNAL PESSOAL EDIC ~O EXTRA/ JULHO/ 2000


berto redator petista quer nos fazer retroa-
gir a uma 6poca de selvageria, que ameaga
nio apenas a mim ea minha familiar, mas a
toda a sociedade paraense. Sua agressio re-
pete as vilanias anteriores, na ofensa moral,
acrescentando-lhes um grau extremado, o da
violincia fisica. Querem me impor a lei da
selva. Mas eu a rejeito. Por mim e por todos
os paraenses, pensem comigo ou divirjam de
mim, mas que nio podem ser punidos pelo
crime de pensar. Ou big brother Edmilson
quer dar nova verso a 1984?
Continuarei apegado ao meu jornalismo,
que nio inventei. Aprendi a pratica-lo a par-
tir da heranga deixada por grandes profissio-
nais. Muito do que aprendi, devo-o a I. F.
Stone. Em 1963, tr~s anos antes do meu in-
gresso no jornalismo professional, ele escre-
veu: "Eu sou um anacronismo. [...] Em uma
6poca em que os ovens iniciam suas carreiras
no jornalismo procurando um lugar em algum
enorme jomnal ou grapo de revistas, eu sou um
jornalista inteiramente independent, me man-
tendo sozinho, sem qualquer retaguarda orga-
nizacional ou partidaria...".
N~io foi fricil para ele iniciar seu I. E Stone &
Weekly aos 45 anos, no auge do maccarthismo
nos Estados Unidos. Mais dificil ainda foi
manter o semanario, que escrevia sozinho,
durante 19 anos, entire 1952 e 1971. Mesmo
na Ambrica, um jornalista independent de
verdade nio era-e continue nio sendo -bem
aceito. Por isso, sio tio poucos. Quando um
enfarte o obrigou a interromper a carreira do
seu enorme jornalzinho (j6 entio quinzenarrio,
que chegou a tirat 70 mil exemplares, come-
Cando com 5 mil), Stone "deixou uma lacuna
dificil de ser preenchida; ha numerosos inves-
tigadores e critics do governo e da imprensa,
mas nenhum com a persist~ncia e a habilidade
de Stone. Muitos sho professors, com ou-
tras obrigaC~es, que s6 publicam ocasional-
mente; outros sio jornalistas que nio tim os
meios para se empenhar em tempo integral na
investiga~go das mazelas oficiais. A trajet6ria
cultural 6 conhecida: onde outrora havia pou-
cos, hoje h9 muitos, mas estes muitos perma-
neceram silenciosos", registrou Russell Jaco-
by, no seu ja classico Os uiltimos intelectuais.
Izzy Stone est8 tio pr6ximo de mim quan-
to qualquer estrela da nossa prosaica Terra.
Justamente por isso, ele 6 um modelo, a ser
buscado mesmo que estejamos cientes da im-
possibilidade de alcanga-lo. Ngo e tio impro-
vavel, no entanto, toma-lo como parimetro.
Alias, 6 necessirio dar-lhe essa fun~go; como
diz aquela muisica de Gilberto Gil, a perfei~go
nio passa de uma meta. Sem metas, nos tor-
namos insuportavelmente mediocres.
O leitor comum e os jornalistas iniciantes,
seduzidos por um certo tipo de j ornalismo
corrosive, brilhante, apesar de tudo, em Pau-
lo Maranhio, e asqueroso quando manejado
por profissionais inescrupulosos e incompe-
tentes, como Silas Assis e o encapuzado pu-


blicista do PT, podem achat que 6 isso o tal de
jornalismo investigative. Podem achar que
dizer a verdade 6 despejar meia duizia de fra-
ses conclusivas, fortes, carregadas -e vazias
de conteudo.
Nio e, nio. Jomalismo, independentemen-
te do qualificative acompanhante, 6 fato. Os
meus detratores nio tim fats a exibir, mes-
mo quando se apresentam como se estives-
sem munidos de tal arma.
O editorialista das sombras insisted, no seu
artigo, que me vendi ao senador Jader Barba-
lho. Diz que isso "e fato e contra fato nio ha
contesta~go possivel". Mas trata logo de re-
mendar: "Evidentemente que esse 6 um fato
dificil de provar". Porque, em se tratando de
corruppio, nio haveria recibo, nem nota fis-
cal para comprovar a afirmativa. Mas teria
que haver indicios. E quais sho? Minha pos-
tura diante de fats envolvendo o president
national do PMDB, diz ele.
Como se estivesse descobrindo a p61vora,
recomenda o tal etnaclavac: "Procuremos o
Jornal Pessoal, do senhor L6cio, e tentemos
encontrar alguma reportagem de investigation
feita por ele, em cima de alguns acontecimen-
tos da recent histbria do Park, todos relacio-
nados, diretamente, com o hoje senador Jader
Barbalho" (com o acento no primeiro nome
que nio consta do registro de nascimento do
lider do PMDB).
O primeiro caso seria o de "Mgrcio, o
Rambo/Castelo dos Sonhos", que atestaria meu
comprometimento comn Jader. O magarefe da
honra alheia, cujo raciocinio ngo vai alem de
palavras de ordem, no seu discurso de palan-
que, diz que o senador me comprou em 1992,
sem ao menos especificar um period, uma
refer~ncia datada. Relaciona o acerto ao es-
cindalo da desapropriaqio da gleba Auri (que
ocorreu em 1984, no primeiro mandate de Ja-
der como governador).
O goiano Mgrcio Martins da Costa mor-
reu em 18 de janeiro de 1992, aos 26 anos, no
garimpo de Castelo dos Sonhos, executado pela
Policia Militar. Eu ja estava "vendido", ou
nio? Jg havia tido tempo para nosso "neg6-
cio", mal comegado o ano da transa~go?
Nenhuma pessoa sB aceitard a insinuaqio
se seguir o conselho do sinistro redator. A
morte de M~rcio "Rambo" foi mat~ria de capa
das ediqdes 82 e 83 do Jornal Pessoal, refe-
rentes a 2" quinzena de janeiro e gl1 quinzena
de fevereiro de 1992, merecendo, em conjun-
to, cinco piginas.
Na primeira mat~ria sobre o assassinate,
fiz referincia ao depoimento prestado g poli-
cia de Goiinia pelo mechnico C~sar Luis Ca-
margo, empregado de Mgrcio, que acusou o
ex-patrio de envolvimento no assassinate do
senador Olavo Fires, de Rondinia, executado
com 15 tiros de metralhadora durante a cam-
panha eleitoral de 1990.
Camargo citou o entio governador Jader
Barbalho como um dos personagens que visi-


O~redator aninimo do PT (que
lacionadas ao seu nome eag far-
sa de democracia montada na
alta administra~go dos regimes
do "socialismo real" sobre uma heranga de uto-
pias na sonhada democracia socialist, o Comi-
tb Central, que acabou servindo ao dominio bu-
rocratico, a "nova classes" de Djilas) diz, no seu
artigo, que se todos os crimes de Jader Barba-
lho fossem revelados, o ex-senador Luiz Este-
vio e o ex-deputado Hildebrando Paschoal se
pareceriam a "dois querubins, quem sabe pari-
dos por madre Tereza de Calcuta".
O Goebbels petista s6 diz isso porque sua
identidade foi oportunamente (ou oportunis-
ticamente) escondida. No entanto, seu chefe,
o "professor" Edmilson, foi a Brasilia pedir a
ajuda desse incrivel criminoso para conseguir
dinheiro federal. Ngo se importou em posar
ao lado do satinico senador para uma foto
que, periodicamente, o Diario do Parai tem
publicado, ressaltando que a verba s6 saiu
porque Jader usou seu poder junto ao gover-
no de FHC para consegui-lo.
Os meios justificam os fins? Usar o aliado
para depois livrar-se dele? Tudo pelo poder
popular? A revolu~go redime qualquer coisa?
O escritor alemio Thomas Mann satiri-
zou Gyorgy Lukacs, um teorico marxista um
tanto mais bem preparado do que a soma dos
catetos dos intelectos de todo o grupelho do
alcaide, justamente por incorporar ao pensa-
mento marxista o ardil jesuitico dos meios e
dos fins. Sugiro a leitura de A Montanha Mai-
gica (o prefeito comprou outro dia um livro
num sebo, a 10 reais, certamente muito enri-
quecendo sua biblioteca), no trecho sobre o
confront de Leo Naphta com Ludovico Set-
tembrini. Ao fim e ao cabo, como diria o Isaac
Paes, ver~io que esse recurs a instrumentali-
za~go 6 um disfarce para os tiranos chegarem
ao poder e, li instalados, mandar os progra-
mas is favas, como fazem todos os ditadores
e seus asseclas.
Mesmo no caso dos revolucionarios ou re-
formistas, na avalia~go hist6rica do que fize-
ram sempre hB uma duvida cruel: as conquis-
tas materials que propiciaram compensam os
danos espirituais que acarretaram, valores
imateriais que, nos casos mais extremados,
acabaram por se traduzir em milhares ou mi-
lhdes de vidas ceifadas, comegando pelas ca-
begas divergentes, como aconteceu no Partido
Bolchevique russo? O home nio e s6 nem
principalmente care. A satisfaqio, o bem-
estar e o prazer humans envolvem compo-
nentes que a contabilidade obj etiva consider
desdenhosamente como abstratos, metafisi-
cos, sem valor apuriivel. Mas sio o amalgama
da existincia, o sal da vida.
Com aquele trecho final do artigo, que
esti me levando a adotar as providencias le-
gais e administrativas cabiveis, e a tirar mais
esta ediCio extra do Jornal Pessoal, o enco-








JOURNAL PESSOAL EDICAO EXTRA/ JULHO/ 2000 5


conteddo) com a cobertura da grande impren-
sa a morte de Marcio "Rambo" para compro-
var aabsurda eleviana acusaio. Vai verifi-
car, inclusive, que numa das edigaes eu conti-
nuava a denunciar o desvio de dinheiro do
Banco do Estado do Pard durante a primeira
administration de Jader Barbalho ("O destiny
do dinheiro", e o titulo). Matbrias que, at6
hoje, me dio alguma dor de cabega, inclusive
na formal de velada ameaga, por telefonema
interurbano.
Mais risivel 6 a acusa~go de que silenciei
sobre o "caso Quintino". Na verdade, escrevi
dezenas de artigos a respeito, sempre manti-
ve minha coluna (entio publicada em "O Li-
beral") aberta ao principal porta-voz dos la-
vradores, Chico Barbudo, que me procurava
quando vinha a Bel~m para longas conversas.
Fui um dos que denunciou a execugho de Quin-
tino, sem fazer vista grossa, por~m, ao lado
da sua biografia que nada tinha de Robin Hood
(o que uma canoniza~go tendenciosa sempre
ocultou). Se mais meus artigos nio sio cita-
dos 6 porque certos tipos de pesquisadores
consideram out usar materials jomalistico em
seus trabalhos acad~micos.
Um artigo meu influiu numa decision que o
Tribunal de Justiga tomou contra a legaliza-
gio da grilagem da gleba Cidapar (e, por con-
seqilancia, a favor dos posseiros). Ngo fui eu
quem disse tal coisa: foi o que, da tribune do
TJE, na sustentagilo oral, proclamou o advo-
gado Clbvis Ferro Costa, defensor das em-
presas. Arengando diretamente contra mim,
que me encontrava no auditC~rio como um mero
cidadio, sem o direito de replicar, disse que
eu escrevera um artigo ("Kafka no tribunal"),
publicado tamb~m em "O Liberal", para in-
fluir sobre o julgamento dos desembargado-
res. Ferro Costa foi um brilhante advogado,
brilhante sempre; certo, nem tanto.
E qual foi o meu crime no "caso Coronel
Arruda"? Ter publicado a verdade, de que ele
morreu de ataque cardiac e nio por causa de
uma bala perdida que Elcione Barbalho teria
disparado contra Jader, de quem entio se se-
parava, no auge de uma discussio entire os
dois? O boato era mais atraente g maledictn-
cia puiblica do que a verdade, de um infeliz
acidente natural que vitimou Arruda.
S6, a imprensa marrom da vazio a boatos
atraentes para aumentar a vendagem, como fez
o Jornal Popular entire agosto
e setembro de 1993, anuncian-
do como verdadeira a morte do
seguranga a bala, mas jamais
d voltando ao assunto depois,
1,,embora tivesse prometido re-
S vela-lo "por inteiro". Jornalis-
mo para valer perde em impac-
to para nio perder em credibi-
lidade. Arruda morreu mesmo
foi do coraqio. Talvez porque
o tivesse generosamente gran-
de demais.


Tera o redator introduzido o nome do ofi-
cial da PM que fazia a guard pessoal de Ja-
der por causa do lamentavel incident que en-
volveu o military com Edmilson Rodrigues no
govemno H61io Gueiros? Pois 6, Gueiros (hoje
um "colega do lado") mandou os segurangas
do palicio Lauro Sodr6 (entio a sede do go-
verno, hoje um museu em franco abandon)
retirarem Edmilson, que liderava uma mani-
festaCio de professors, considerando-se ofen-
dido pelo entio deputado do PT.
Edmilson resistiu. Arruda carregou-o, aju-
dado por outro PM. Edmilson ameapou mor-
der um dedo do (g 6poca) capit~io, que o segu-
rava. Quando ia dar a mordida, Arruda, com
aquele seu jeito moleque, ameagou: "Se o sr.
me morder, deputado, eu lhe encho de porra-
da", disse, entredentes. Edmilson abriu. E con-
tinuou a ser arrastado pela escadaria princi-
pal do palacio.
No caminho, a cinegrafista Gouveia Jd-
nior, da TV Liberal, foi calgado por tras por
um dos PMs e se estatelou ao chio. Teste-
munha da cena, voltei na dire~go do gabinete
para protestar contra a violtncia, seguido
pelos militares que nio estavam fazendo o
despejo de Edmilson (com quem me solida-
rizei, apesar de sua intemperanga diante de
quem, bem ou mal, era o govemnador do Esta-
do). O major (depois coronel) Gomes, chefe
da casa military, reagiu. Fomos um contra o
outro, dedo em riste, batendo boca. O fot6-
grafo de A Provincia do Pard pegou o ins-
tantineo, que saiu na primeira pigina do jor-
nal no dia seguinte. Helio prometeu tomar
provid~ncia. Nio tomou. Como do seu esti-
lo. Mas esse ji 6 outro "caso".
Portanto, nenhuma das inverdades do
oculto agressor resisted d mais elementary che-
cagem. Sua tatica 6 surrada: a cada calunia
que 6 desmoralizada, langa outra, tenha ou
nio alguma verossimilhanga. Se volta ao
tema, 6 ignorando a contradita. S6 ouve o
que fala. Retoma os mesmos arguments que
ja foram desfeitos, apenas dando-lhes nova
embalagem. Em seu granitico universe men-
tal, ainda prevalece aquela maxima dos ma-
nipuladores: uma mentira, repetida mil ve-
zes, se transform em verdade.
E assim que retoma a desmoralizada acu-
sa~go sobre minha transagio comn Jader atra-
v~s do banco de da dos que formei para a
Funtelpa (Fundagio de Telecomunicaqaes
do Para). Quem a fez, em 1991, foi o vere-
ador Raul Meireles, entio no PT (hoje na
desgraga, no PDT). Eu a desfiz. Sem exami-
nar os arguments (por isso 6 tao simples e
sumario acusar, exigindo tio pouco espago,
enquanto o acusado, numa inversio do ve-
lho principio de direito, de que o 6nus da
prova 6 de quem acusa, precisa demonstrar
em contrario, convincentemente, e, e claro,
em muito mais espago), sentencia: "E no
final fica a palavra dele [minha] contra a do
vereador".


tou M~rcio na sede de suas empresas de fa-
chada, em Porto Velho, ou na fazenda em Cas-
telo dos Sonhos. Tamb~m questioned a versio
official de que Mgrcio foi morto por ter reagi-
do a prisio, sustentando que ele foi baleado
quando tentava estava escondido numa pare-
de falsa da sede da fazenda. Tudo com as ca-
racteristicas de uma "queima de arquivo".
O segundo parigrafo da segunda mat~ria
dizia: "Ele [Ma'r:io] foi morto na sede do seu
'bunker' no garimpo de Castelo dos Sonhos,
no sul do Estado, por homes da Policia Mi-
litar, em circunstincias polimicas e ainda sem
condiqdes de complete reconstitui~go. A sor-
te de M~ircio foi selada quando o governador
Jader Barbalho ficou sabendo que o haviam
acusado de ter algum tipo de ligaCio com o
grupo de Marcio, atravbs do ex-deputado Ja-
bes Rabelo [cassado por envolvimento com o
narcotrafico], apontado pelo mechnico C~sar
Camargo como um dos mandantes do assassi-
nato do senador Olavo Pires, praticado por
cinco pistoleiros contratados por M~ircio. In-
dignado, Jader determinou a Policia Militar
que organizasse imediatamente uma operaqio
em alta escala para acabar com a base de Mar-
cio no garimpo".
O leitor que for ate os dois jornais verifi-
car8 que, em outra mat~tia, lamento estar
acompanhando ;ozinho temas explosives na-
quele memento (um outro era o assassinate
de Bruno Meira Mattos, filho do entio secre-
tario de justiga de Jader), dos quais a grande
imprensa se afastava, mesmo sabendo que
essas anomalias estavam se transformando em
fontes autinomas de poder baseadas na cri-
minalidade. "A rigor, aliais, jg e temer~irio fa-
lar em anomalia, tantos sho os casos seme-
lhantes que vio surgindo no Pard, como o ga-
rimpo do Manelio [segunda "eviddncia do
meu comprometimento, na acusagd'o que o
Goebbels encarnado faz da minha suposta
omissdio], ainda a espera de um tratamento
cirurgico, mas nio de 'queima de arquivo',
como a execuqio de Marcio se caracterizard
se impossibilitou as autoridades de obter uma
confissio ampla e detalhada desse persona-
gem", escrevi.
Bastara ao verdadeiro investigator con-
frontar as mat~rias do Jornal Pessoal ("As
raizes ocultas" e "Para o arquivo morto",
manchetes de capa que dizem muito sobre o








G JOURNAL PESSOAL EDI('AO EXTRA/ JULHO/ 2000


N~ada disso. Bastaria ao vereador
goar falsidades comn base num
sumario extrato de contrato,
N~examinar aintegra desse contra-
to, antes de lhe atribuir o que nio constava do
document. O que eu pedi ao PT foi que desig-
nasse uma comissio para apurar os fats. Si-
18ncio sepulcral.
No entanto, o entio vice-lider do PT na
mesma Cimnara Municipal de Bel~m Ohoje tam-
b~m satanizado pelos dons do partido)j jse
manifestara sobre o assunto: Jos6 Carlos Lima
havia apresentado requerimento, "em regime
de urgincia e prioridade", para que a casa ma-
nifestasse "o seu mais pungente pesar pela
said de circulagio do Ainico jornal alternative
realmente independent de que se tem noti-
cia, o 'Jornal Pessoal', editado solit~ria e
exemplarmente por Ldcio Flivio Pinto".
No mesmo requerimento, o companheiro
de bancada de Meireles tambem pedia con-
gratulagdes pelo banco de dados que eu or-
ganizava, no qual "serio colocadas a dispo-
sipio da comunidade informaq8es importan-
tissimas sobre a regiko". O vereador (depois
deputado estadual) esolarecia que essa tare-
fa poderia ter sido minimizada "se a grande
imprensa tivesse informado de forma isenta
Q popula~go o que ocorreu na instalagiio dos
grandes projetos, por exemplo". Ele denun-
ciava ainda a "concorrencia desleal" que su-
focara o meu journal: "Lamentivel 6 ter que
constatar que um jornalista da compet~ncia
de L~cio Flivio Pinto nio possa exercer, com
dignidade, sua profissio justamente por exer-
ct-la com altivez".
O grande patriminio de quem sempre age
com dignidade 6 ter a hist6ria ao seu lado.
Pode voltar no tempo sem receio de contradi-
tar-se, de precisar esconder o que fez, desdi-
zer o que disse. Por isso tenho o meu arquivo.
Esse arquivo tem de tudo (ou entio s6 espe-
lharia parcialmente a hist6ria). Inclusive um
produto tio nojento quanto o Jornal Popular.
O redator camuflado estranha que eu guard
essa coisa, achando poder colocar-me em si-
tua~go desconfortavel ao afirmar que no jor-
nal dele (dele, nio: momentaneamente aluga-
do, a peso de ouro, retirado dos cofres publi-
cos) "nio existe um exemplar sequer do seu
jornalzinho arquivado".
Pior para ele: se tivesse relido o Jornal
Pessoal n~io faria acusagies t~io primirias, f~i-
ceis de desfazer. Relendo, por dever de oficio
(sem a correspondent taxa de insalubridade),
o que Silas Assis tem perpetrado em sua alco-
va das letras, nio precise it buscar muni~go
em outro lugar. A melhor prova de acusa~go
contra ele e seus aliados inescrupulosos 6 ele
mesmo, o que fez c o que disse.
Por exemplo: na edig8o n" 26, de 5 de
junho de 1992, Silas Assis acusa o advoga-
do Jean Hueth de estar "mancomunado com
o trambiqueiro Juinior", ou seja, seu filho,


Silas Assis Jlinior, hoje donor do sanguina-
rio Jornal do Dia (em sociedade com o ex-
representante do Ibama no ParB, Paulo Cas-
telo Branco, acusado e preso por crime de
extorsio). Eles estariam usando "todos os
vicios para ludibriar a Justiga paraense, num
process em que Silas Junior, Marina Cha-
ves Malaquias e o ladravaz Rosemiro Ro-
cha sonegam o pagamento de mais de 300
milhdes de cruzeiros emitidos em Notas
Promiss6rias, ao j ornalista Silas Assis, que
ao ver Junior chegar a Bel~m, expulso do
journal 'Amapi Estado' pelo prbprio irmio,
deu-lhe aF~es do Jornal Folha da Tarde, ten-
tando recupera-lo e tird-lo do servigo bra-
gal, posto que J~inior sempre foi inculto".
Palavra de pai sobre filho, que agora tenta
ve stir de anjo.
Na edi~go 80 (25/6/93), Luiz Otivio
Campos, president da Clmara, tem matbria
de duas piiginas, cujo titulo ja diz tudo: "Luiz
Otivio coloca a C~imara dentro da lei e resol-
ve problemss. Cinco anos depois (edigio
253, de 30/1/1998), ji sem poder ou querer
pagar publicidade official, o senador do go-
vernador sofria achaque para "se explicar",
no melhor estilo da casa: "Um censor de ara-
que do Jornal Popular, 6 o sr. Luis Otivio
Campos, president da Assembl~ia Legisla-
tiva do Estado. "Pep~ca" tem a mem6ria curta
e esquece, que mesmo contrariando os seus
principios, o Jornal Popular escondeu as
grandes facetas da sua vida como empresario
falido e que faliu o sogro. Pepeca pode sen-
tar em cima do nosso journal, tentando escon-
der as verdades que ele diz. Mas dificilmen-
te continuard tendo imunidade para voltar
para a cadeia, de onde o Vice-Governador,
Gueiros J~nior, lhe tirou..." (grifo e pego
perdio por reproduzir tanto erro).
A titica e sempre a mesma contra anunci-
antes em potential. Ainda nessa edi~go, Silas
deu a seguinte nota, sob o titulo "Esperta-
lhio": "Parece que o velho Oscar, donor do
Lider, nasceu para burlar a lei. Depois da alta
sonegagio, ele agora burla o IBAMA, usando
na construgho da ampliaCio, do Lider da Doca,
madeiras em extingio. Vamos ficar no aguardo
de uma providincia".
Ap6s muita resistincia, a recent autua-
~go do Lider pelas receitas estadual e federal
resultou na "provid&ncia" desejada: anuncio
no Jornal Popular. E nada mais foi dito a res-
peito. A chantagem produziu efeito. Uma vez
iniciada, por~m, a chantagem s6 costuma aca-
bar com violancia ou trag~dia. O chantageador
e o chantageado parecem esquecer essa ligio.
Algu~m acaba pagando muito carol. Ou todos.
Em 25/6/93, Silas saudava na primeira pC-
gina o primeiro semestre de Helio Gueiros
na prefeitura de Bel6m: "Apesar da crise ge-
neralizada, Gueiros faz uma administration
exemplar, transparent e dinimica". A pu-
blicidade municipal bamburrava nos cofres
do Jornal Popular.


Tr~s meses depois dava-se o inverse. A
edi~go 243, de 27/9/1996 anunciava, na capa:
"Elcione [Barbalho] dispara rumo a Prefei-
tura". Era mais uma daquelas "pesquisas"
feitas na reda~go, apontando resultado con-
veniente. Logo abaixo da manchete, uma des-
tacada materia: "Escdndalo PF [Policia
Federal] vai apurar desvio de verbas fede-
rais pelo filho do governador do Para", re-
produzindo oficio encaminhado por cinco de-
putados do grupo de Jader contra H61io Guei-
ros Jr., acusado de desviar para sua conta
pessoal dinheiro do Banco do Estado do Para,
quando o pai era governador.
No p6 de pdgina, uma nota "informava"
que um "sabujo do prefeito" H61io Gueiros
havia entregue, em mios de Romulo Maiora-
na Jdinior, "uma maleta de d61ares" para o gru-
po Liberal apoiar a candidatura de Ramiro
Bemtes, g 6poca o principal adversario da mu-
lher de Jader. Ao lado da nota, uma foto de
Gueiros com um copo de uisque na m~io e uma
legend: "Um copo na mio e ideias sem-ver-
gonhas na cabega".
Dentro, matbrias contra a dupla Gueiros/
Ramiro e a favor de Jader/Elcione: "Elcione
vai transformar Outeiro", "Guerreira e acla-
mada na Prratinha", "Elcione na lideranga ab-
soluta", "Jader sabe quem 6 o judeu", e por ai
afora. Toda a ultima pagina foi ocupada com a
transcrigio da carta imoral que H61io Gueiros
me mandou em 1991 e da minha resposta, com
este texto de apresenta~go, sem assinatura
(pode ter sido escrito pelo pr6prio Silas ou
ele apenas o incorporou):
"Quem li agora ou ja leu antes, pode at6
achar que ele 6 bom de briga, nio leva desa-
foros para casa, etc, por~m como se trata de
um home pdblico (?), ai o caso passa a ser
s~tio e bastante preocupante. Estamos fa-
lando de Helio Gueiros, sem duvida nenhu-
ma, um canalha da pior esp~cie, pelo menos,
pelo menos do ponto de vista da carta que
um dia escreveu para o Jornalista Luicio F1B-
vio Pinto, como resposta a um artigo em que
Lucio provava que H61io Gueiros 6 ladrio.
Al~m da mediocridade de espirito e da com-
pleta falta de estrutura emotional, esse pa-
lhago travestido de jornalista e politico pos-
sui um dos textos mais imundos de que se
tem noticia. Tamb~m 6 um covardio. Afinal,
6 muito facil ser prefeito de Bel~m e a partir
dai passar a responder a critics que recebe
com acusag Ges e ofensas desta natureza. E,
ainda por cima, se aproveitar do fato de es-
tar entrando para a fase senil de sua existin-
cia, o que impede o mais cabega quente dos
series humans a lhe dar umas porradas. Di-
ficilmente a sociedade aceita o fato de seus
velhinhos serem espancados, principalmen-
te com tapas na cara".
Conclui a apresenta~go:
"E possivel que dois ou tris eleitores gos-
tem do estilo e at6 apoiem a attitude do prefei-
to ao responder para Lucio Flivio. A grande







JOURNAL PESSOAL EDI('AO EXTRA/ JULHO/ 2000 7


maioria, por~m, esclarecida e preocupa-
da com o future de seus filhos, nio pode
de maneira alguma colaborar para dar
sustentaculo politico para um verme
dessa esptcie. O Estado do Para nio
pode suportar por mais tempo a exis-
tancia desses homes movidos a iilcool
e, em conseqilencia, agindo como o mais
sujo e imoral entire todos os moleques
safados da face da terra. Sinceramente,
nio e possivel que cidadios s~rios pos-
sam votar num politico que um dia, pelo
simples fato de algudm discordar de si,
possa escrever tanta inf~amia e mentiras con-
tra seus critics. Portanto, saiba agora por-
que nio podemos votar em quem ele apoia".
Fosse outro o autor dessas frases, eu me
teria sentido reconfortado. E, em essincia, o
que, de pronto, me mandou dizer do Rio de
Janeiro o almirante Mgrio Jorge da Fonseca
Hermes, recdm-reformado na chefia da esqua-
dra naval brasileira (o segundo posto mais im-
portante da Marinha), na mais decidida e fir-
me solidariedade que recebi a 6poca (o dnico a
autorizar a publicaglo da carta que escreveu
contra o home que fora govemnador do Esta-
do a epoca em que ele comandava, em Bel~m,
o IV Distrito Naval).
Mas quando Jader deixou de pagar o que
ele queria e Helio reassumiu esse lugar no cai-
xa, Sias esqueceu o que havia escrito e trocou
condena~go por louva~go, invertendo os pa-
peis, conforme o novo fluxo do dinheiro.
Quando Gueiros e Jader voltaram a se aliar,
em 1998, lb estava o belzebu ao lado. Agora 6
a parceria entire ele, Gueiros e o PT de Edmil-
son Rodrigues. Esta certo: se equivalem.
Mas s6 manterio a sociedade se os co-
fres municipals continuarem a ser arromba-
dos em favor de Silas. Menos de dois anos
atris (na edigio 285, de 25/9/1998), ele, a
soldo do ex-prefeito, denunciava, numa en-
trevista montada com ele mesmo, o acordo
entire o grupo Liberal e Edmilson: "a maioria
dos petistas paraenses 6 formada por imbe-
cis barulhentos. As publicaqdes dessas de-
mirncias contra H61io Gueiros, nada mais sao
do que uma satisfa~go que Rominho [Romu-
lo Maiorana Jlinior] ds para o Prefeito de
Bel~m que, como ji disse, ultimamente vem
recheando os bolsos dos Maioranas com ver-
bas municipais. Lembram-se da resistincia
de Edmilson Rodrigues logo ao tomar posse
como prefeito, no sentido de nio pagar divi-
das em favor do Grupo Liberal? Pois 6, tudo
uma farsa para montar a encenaqio que hoje
eles sustentam. Agora eu pergunto: o Grupo
Liberal ji pagou em moeda sonante o IPTU
de virias d~cadas em atraso?".
No nlimero seguinte (286, de 2/10/98),,
Edmilson e apresentado como "o bocio": "E
que fica todo arreganhado nas fotos que [sic]
aparece ao lado da classes que antes chamava
de "burguesia". Ngo hB uma foto que [sic]
nio esteja com a dentadura toda arreganhada


contra, sistematicamente. A adminis-
traqio Edmilson Rodrigues acumula
erros e acertos, numa escala e numa
intensidade que nio a distingue da
maioria das administragies que a an-
tecederam. Ele 6 mais um prefeito de
Belem. Nio o prefeito. Al guns seto-
res trabalham bem. Outros nem tan-
to. Varios sio sofriveis.
Tenho feito critics. Mas nio me
consider o donor da verdade. Estou
sempre disposto a reconhecer meus er-
ros. Para isso mantenho aberta uma
segio de cartas, publicando-as na integra,
coisa cada vez mais rara na imprensa brasi-
leira. E vou atras das informagies oficiais,
da voz do governor.
No m~imero 235 publiquei, em duas pigi-
nas e meia, a integra de uma entrevista com a
Assessoria de Comunica~go Social da PMB,
analisando as relaqdes do governor municipal
com a imprensa, acusada de boicot8-lo. No
diall de maio remeti para a Comus um novo
questionario, tratando exclusivamente da ques-
tio. Aguardo as respostas at6 agora. A lista
de perguntas possibilitaria a prefeitura dar a
sua verso sobre fats controversos, que tim
sido constantemente referidos, comn calma,
analisando e trabalhando cada resposta. Mas
nada, dois meses depois. As perguntas:
Como foram pagos a O Liberal os 2 mi-
lhies deixados por H61io Gueiros (valores e
datas de quitaCio).
Qual era o montante da divida com os
outros veiculos de comunicaCio, especifican-
do valor e veiculo, e como foi paga.
Relagio dos jornalistas demitidos por
nlo trabalhar (na resposta [anterior] hi refe-
rancia apenas ao Diario do Municipio).
Valor da divida do IPTU da familiar Mai-
orana e de suas empresas, discriminada.
Rela~go dos jornalistas que integram atu-
almente a Comus.
Todos os 30 mil exemplares iniciais do
Jornal do Povo eram impresses no journal no
qual eram encartados? Qual foi o crittrio ado-
tado para a escolha de tais j ornais?
_Ha algum tempo a remessa de dois exem-
plares do Jornal do Povo que me eram endere-
Cados foi suspense. A 61tima vez que vi o
jornal foi encartado em A Provincia. Ja acei-
taram a volta da circula~go nesse journal?
-As paiginas de materia aparentemente re-
dacional que tim sido publicadas no Jornal
Popular sobre a prefeitura sho pagas? Hi quan-
to tempo e feita essa veicula~go? Qual o cri-
t~rio adotado pela Comus para programar o
Jornal Popular?
Com quanto entrou a PMB para apoi-
ar o encarte de fitas de video no journal O
Liberal?
Quanto foi pago at6 agora a Caros
Amigos? Quantos anuincios de ultima pB-
gina forram publicados? Qual a progra-
maqio future?


mais parecendo pinto naquilo. Como assim
aparece ate em mementos s~rios ou ao lado
de personalidades que nlo estio gargalhan-
do, o Boca ri a toa nio se sabe de que [sic].
Deve ser por ter sido feito prefeito como o
Cacareco ou o Odorico".
Apbs paginas de critics g administration
municipal, outra nota na mesma edigio ecoa
denuincia feita neste journal, mas na lingua-
gem e nos modos de Silas (agora patrocina-
dos pela prefeitura petista): "O desequili-
brado prefeito Edmilson Rodrigues, na mai-
or cara-de-pau e desfagatez est8 patrocinan-
do a campanha do CINEMA EM CASA da
familiar Maiorana. Esse rapaz e mesmo uma
deceppio que beira o patttico. Ou pateta?
Sabe-se que ja se foram mais de 300 mil re-
ais, enquanto a grande massa de contribuin-
tes nio tem calgada, meio-flo ou pelo menos
ruas limpas. Somente aqueles camel6s s6ci-
os do Edmilson do PT (pagam por fora e
bem pago) tim vez. E agora o prefeito que
esta destruindo o PT paraense est8 bancan-
do boa parte do carnaval dos meninos do LE,
ou seja, esbanj a verbas p6blicas patrocinan-
do foliaes, segur~anga, saide, arquibancadas
e muita, muita publicidade. Que tal o retor-
no de uma camisa de forga como aquela da
Clinica Jacarepagua, no Rio de Janeiro".
A partir do inicio do segundo semestre do
ano passado o tratamento mudou da ggua para
o vinho. As critics sumiram. A ironia evapo-
rou. Para Edmilson e o PT, s6 tapete verme-
lho. A edi~go 328 (3/9/1999) do Jornal Popu-
lar foi literalmente enriquecida por um cader-
no de quatro paginas de propaganda da pre-
feitura de Belem, todo em polieromia. Em tro-
ca, teve dlireito a coluna do ficticio D~cio
Malho e meia pigina de elogios para a inaugu-
raqio do espago esportivo e cultural Altino
Pimenta (materia redacional paga, sem a indi-
caqio dessa condi~go).
Certamente eu nio estaria sendo alvo de
injurias, difamagdes e cal~inias se adotasse o
modelo de jornalismo da vanguard petista:
receber os press-releases, reproduzi-los na in-
tegra e bater palmas para o grio-vizir (e pas-
sar no caixa para receber a propina, digo, o
pagamento do empenho).
Mas essa nio 6 a missso do jornalismo.
O nosso dever 6 fiscalizar o poder. Claro
que nio para fazer campanha, a favor ou









or que a prefeitura nio aprovei-
tou essa oportunidade para "res-
tabelecer a verdade", como se diz,
se consider incorreto o que tem
Psido denunciado contra ela em re-
la~go a essas questies? S6 hi uma explicaqio: a
administration Edmilson Rodrigues e que nio
esta agindo corretamente. Ela s6 quer ceder al-
gumas informagaes, as que ndo a comprome-
tem. As demais, inconvenientes, sio trancadas
a sete chaves. Em cima de meias-verdades, que
podem ser mais perigosas do que mentiras aber-
tas, tenta manipular os raros fiscais da impren-
sa verdadeiramente investigative (a meu ver,
redund~incia: a imprensa tem que sempre che-
car as informaCges recebidas).
Quando assumiu a prefeitura, Edmilson
deve ter achado que eu ia estar ao lado dele, a
mesma ilusio de Jader Barbalho e H61lio Guei-
ros, antes. Os petistas s6, faltaram me carregar
na said do estuidio da TV RBA, apbs o debate
dos candidates & prefeitura de Bel~m, em 1996.
Mas fui aclamado. Acharam que eu havia aper-
tado Ramiro Bentes, candidate de Helio Guei-
ros, para favorecer Edmilson.
Um jomalista faz a sua parte, sem pergun-
tar a quem favorece ou prejudice. S6 quer saber
se e: verdade. A verdade servia a Edmilson na-
quele memento, como ji serviu a Jader ou a
H61io em alguma ocasiio. Hoje, e sua inimiga,
como foi dos dois, na maioria das vezes. Entio
ele tenta destruir quem a apresenta ao pu~blico.
Se quisesse confrontar a sua verdade com
a minha, viria para um debate pdblico, escre-
veria cartas, mandaria sua assessoria respon-
der, abriria obras e documents para a checa-
gem. Tudo isso e absolutamente gratuito nes-
te journal. Ao inves disso, recorre a todos os
meios, inclusive os escusos e moralmente con-
denaveis, s6, para destruir o critic e sufocar a
verdade. Conseguira?
E pouco provavel. Os poderosos geralmente
tentam desacreditar os critics inquinando-os
de levianos, pessimistas, derrotistas, "pra bai-
xo", expandindo a premissa de que critical 6
facil, fazer e que sio elas. "Menas" verdade.
Caluniar, difamar e injuriar 6 que e faicil. Criti-
car com s61idos fundamentos 6 extremamente
dificil, privilegio de poucos. Exige conhecer bem
o que se pretend critical, as vezes ate melhor
do que quem criou a coisa a ser criticada, por-
que e precise desdobra-la ou desnuda-la para
que suas falhas, vicios e problems aparegam,
sejam visiveis e inteligiveis de uma outra ma-
neira que nio a encobridora do discurso official,
da propaganda, da retbrica. S6 assim, no con-
fronto direto com o criador ou responsavel pela
obra, o critic se sustenta. S6 dessa maneira ele
conquista credibilidade, vencendo desaflos,
temperando-se no embate.
Saber o que faz realmente o poder p6blico
6 tarefa ingl6ria, profundamente desgastante.
Minha precoce afinidade comn I. F. Stone veio
do respeito que, desde o primeiro contato com
o trabalho dele, tive pela acuidade com que se
langava diante do mundo official. Entendi que


devia ler com amixtima atenCio os documents
publicos, de relatbrios a decretos, de peas pu-
blicitarias a estudos acad~micos. Que devia do-
minar o procedimento burocratico e os estrata-
gemas politicos. Que precisava confrontar o
plano ideal (nem sempre das id~ias, como
aprendi em Hegel) com o da realidade concrete
(que Marx me fez ver), indo checar com os pr~-
prios olhos e os demais sentidos o que, tradu-
zido ou camuflado, se desprendia dos papeis
oficiais, explicit ou implicitamente.
Para nio se tornar o verso da burocracia, o
desejavel 6 que o jomalista seja a sua contrafa-
Cio. E a grande contribuigio da imprensa para
o equilibrio dos poderes numa sociedade (cada
vez mais) democratic. E o legitimo poder in-
formal (mas necessitando de control social
crescente) que cabe a imprensa.
Essa e uma tarefa hercuilea, mas oferece suas
compensagies, adestrando a professional da im-
prensa. Cito uma situaqio em que sai favoreci-
do por essa conceppio: denunciei a irregulari-
dade na venda das terras de Carajas g Compa-
nhia Vale do Rio Doce a partir da leitura inte-
gral do process, que estava na Assembleia Le-
gislativa. A primeira leitura nio me fez ver o
pulo do gator. Tive a pachorra de voltar a ler
aquelas mais de mil paginas. Ai percebi que a
CVRD estava pagando por 445 mil hectares,
embora fosse levar 30 mil hectares a menos. O
prego, contudo, fora calculado sobre a totali-
dade. Para onde iria o valor daquela diferenga?
Era algo como 15 milhies de reais, hoje.
Tentando me induzir ao seu "jomnalismo",
o redator mascarado do Jornal Popular me
aconselha como bem critical: "Mesmo que nlo
tenha provas do que afirma, seja, no minimo,
coerente, direto, como um bom jornalista deve
ser. Faga como o JP, que afirma que voc2 ven-
deu-se para o J~ider Barbalho".
Afirma, sim, mas nio prova. Afirma, de
fato, mas nio junta um unico fato a respeito.
Proclama sem ao menos reunir evidencias ca-
pazes de dar uma aparancia de verdade a sua
calunia. Esse 6 o jomnalismo premiado do PT,
essa 6 a imprensa que a prefeitura de Edmilson
Rodrigues quer financial. Mas nio 6 a minha.
Nio se encontrara neste jomal uma mat~ria
dizendo que "a prefeitura do PT compete falca-
truas com o dinheiro pdiblico", conforme o de-
saflo do editorialista de aluguel do Jornal Po-
pular. Porque nio tenho provas disso. Se as
tivesse, diria, sem receio, como sempre tenho
feito, e deixei bem claro na poltmica com Ber-
nardo Kucinski. As cinco aqdes judiciais de Ro-
singela Maiorana Kzan, que me atazanam a
vida ha quase oito anos, nio me intimidaram.
Nem as tris do grileiro C. R. Almeida, que quer
transformar no maior imbvel rural particular
do mundo a que 6 terra pdiblica estadual. Esta-
rei disposto a dizer quem 6 boi e quem 6 ladrio,
desde que tenha essa convicqio. De circunlo-
quios, como Batista Campos, que tamb6m fez
seu jornal Pessoal (em O Paraense), nada sei.
O que tenho dito e que o PT nio esta fa-
zendo bom uso do dinheiro publico, que em


alguns casos o esta dilapidando, que nho tem
um program de governor, que nio possui uma
visio contextualizada de Belem, que esta atu-
ando no varejo, que realize obras eleitoreiras
ou de fachada, que repete procedimentos ar-
roz-com-feijio de outros govemos, que e con-
traditbrio, que 6 manipulador e etc. Surpreen-
di-me com a fraqueza da administraCio Edmil-
son Rodrigues no trato do transport coletivo
da cidade, que antes o PT considerava um ne-
g~io de mafia, e sua acomodagio em relagio ao
problema do lixo. Por tudo isso respond, em
qualquer nivel, diante de qualquer arreganho,
inclusive do cho-de-guarda colocado naquela
pocilga disfargada de Jornal Popular.
Ele que ladre a vontade. Pretendo continuar
a praticar o jornalismo que aprendi com gente de
outra ordem e qualidade. Hip61ito da Costa, que
criou o primeiro jornal brasileiro, no tardio 1808
(e mesmo assim em Londres), disse: "A impren-
sa livre remedeia-se a si mesma, porque n~io pode
haver raz~io para que a mentira, sendo igualmen-
te livre como a verdade, prevalega contra esta".
Pode ecoar mais em certo memento, parecer se-
dutora em outro, principalmente quando finan-
ciada a peso de ouro (por quem nio tira dinheiro
do pr6prio bolso, mas do erairio). Na verdade,
porem, acabara por se afirmar, a despeito dos
poderosos do memento.
Com o mestre Paulo Maranhio aprendi a
nio repetir o seu erro mais grave: desrespei-
tar o direito a mais recbndita intimidade, que
cada cidadio tem, por mais nefando que ele
seja. Sempre paro a soleira da casa dos meus
contendores, que, como acertadamente diz a
lei, e inviolivel. Assim entrei e assim sai de
todas as pol~micas, respeitando os que me
respeitam e aprendendo na diverg~ncia, quan-
do nada para reforgar minha couraga proteto-
ra e afiar minhas armas para o bom combat, o
6nico que me compraz.
Os que apelam, os que rastej am, os que
cultivam a lama, estes eu desprezo e deles
me afasto, quando sinto chegado esse mo-
mento, para sempre ter a possibilidade de
retomar meu corpo limpo e minha vida de-
cente, g maneira do Maranhio que Haroldo
rectiou em Rio de Raivas, como fago agora,
deixando que a inflexivel poeira do tempo
cubra e faga sumir do horizonte as figures
despreziveis de Silas Assis e do Judas ver-
melho que o sustenta. Ou que, ainda sem essa
poeira, se desincumbam dessa tarefa os que
nela sio competentes: ches, gatos e urubus.
Uma coisa 6 certa: bom repast terio. La, no
Jornal Popular e na vanguard soturna da
administraFio Edmilson Rodrigues. *