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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00189

Full Text












































An~tes de o partido chegar ao
milson Rodrigues, eml1996,
para a prefeitura de Bel~m,
ningu~m podia imaginar que
APT pudesse algum dia des-
cer tanto no Parsi, patrocinando um jor-
nal de escindalo, sensacionalismo, chan-
tagem e escroqueria. Na sua edi~go 365,
referente a semana iniciada em 23 de
junho de 2000, o Jornal Popular admi-
tiu: "De fato, a Prefeitura de Bel~m 6
anunciante do JP".
A admissio foi feits aparentemente
num texto de responsabilidade do pri~prio
journal, um editorial na terceira pagina.


Mas ele nio foi escrito pelo verdadeiro
donor e principal redator do peri6dico, Si-
las Ribeiro Assis. Sem assinatura, seu
estilo 6 muito parecido comn o de uma
coluna da pigina anterior, Opin~ides. O
responsivel por essa se~go se apresenta
como D~cio Malho (com a inten~go de
ser lido como desce o malho).
Mas essa 6 apenas uma mascara, ins-
pirada em modelo mais recent de uma
velha forma humoristica, adotado pelos
criadores do humoristico Casseta &
Planeta. HE virios n~imeros, embaixo
de uma foto inindentificivel (como a do
ficticio Agamenon Mendes Pedreira,
usado pelo pessoal do casseta na coluna


dominical em O Globo), aparece a as-
sinatura de um suposto interino, L6cido
Flicido Pinto.
Trata-se, como estS bem claro, de
uma grosseira par6dia do meu nome.
Outras integram o acervo do journal: Ri-
mla Leirbag (Almir Gabriel ao contr8-
rio), Gasthio, Charles, Mister X, capas
pretas a disposi~go de gatos pardos.
Tambtm sou o alvo do pretense editori-
al, originado nos mesmos pores que
engendraram a tal coluna de D~cio Ma-
lho (que tal se ele passasse a ser apeli-
dado de Etnaclavac Oihcic?) e a parce-
ria conurbativa entire a prefeitura do PT
e ojornal-gazua de Silas Assis.


JOfflR CeSSO
LUCIO FLA V O PIN TO
BELEM-PARA, JULHO DE 2000 RS 2,00


A imprensa marrom


e o PT amnarelo







2 JOURNAL PESSOAL EDI('AO EXTRA/ JULHO/ 2000


mando formalmente o que
ja se sabia de hB muito tem
po. Por trsis, quem faz a de
claraqio 6 o Goebbels ca-
Nmale~nico da PMB petista:
a prefeitura paga pela publicidade veicu-
lada, a que costuma aparecer em pigina
inteira, identificivel, e pelo tratamento
bajulat6rio, assumido como linha editori-
al. A partir da primeira materia paga, o
semandrio 6 s6 flores quando trata do al-
caide. Reserva-lhe, inclusive, espago na
ap6crifa coluna para ele dizer o que quer.
Por ironia, muito freqiiente em ambi-
entes promiscuos, bem ao lado assina sua
pr~pria coluna o antecessor de Edmilson
na prefeitura de Bel~m, H61io Gueiros,
inimigo do PT. Apesar da estreita proxi-
midade, os dois lads da pigina evitam
se alfinetar, como serpentes metidas num
balaio sob o control do flautista encan-
tador. Durante mess, Gueiros se mante-
ve an6nimo por tras da coluna "Em pri-
meiro plano".
Quando brigou comn Silas, teve seu
anonimato revelado pelo antigo aliado, o
que o deixaria constrangido, se ele se
desse a tal sentiment. E que falava mal
dos amigos (e parceiros) de ontem e dos
inimigos de entio, que viriam a se tornar
amigos (ou parceiros) depois. Ou vice-
versa. O doutor Helio nio tem essas li-
mitac~es menores, morals, 6ticas ou mes-
mo religoiosas, pelas quais tanto clama-
como bom fariseu que 6.
Uma das maiores vitimas do esc~rnio
era o empresiirio Sahid Xerfan, que um
pouco antes Gueiros havia tornado seu
candidate ao governor do Estado, derro-
tado por Jader Barbalho. Quando man-
dou buscar a parte dos Gueiros no fecha-
mento dos gastos eleitorais, H61io respon-
deu que "divida de campanha nio se
paga". Nem tossiu, nem mugiu, como
costuma se expressar. Como pagou, Xer-
fan sofreu nas m~ios do seu antigo prote-
tor, sem nada poder fazer porque Silas
encobria o nome do autor, tornando a co-
luna, sem assinatura, de responsabilidade
da reda~go. Quando voltou a receber di-
nheiro de H61io atrav~s dos cofres muni-
cipais, devolveu-lhe o espago, no ano pas-
sado estendido a Edmilson, que restabe-
leceu a pritica do seu antecessor, tornan-
do-se seu vizinho de patrocinio.
Para evitar o constrangimento e a exe-
craqio pdblica, o redator das sombras
editorials 6 obrigado a tentar provar a
quadratura do circulo: que, ao contrbrio
das minhas acusaq6es, o journal financi-
ado pelo PT (na companhia de outros
anunciantes contumazes, como Josiel
Martins e os Aguillera, da rede farma-


c~utica Big-Ben) nso integra a impren-
sa marrom. Seria uma publicaqio regu-
lar, como qualquer outra da imprensa
conventional.
Os arguments em favor dessa tese
sio todos sofismiticos. T~m as pernas
curtas de um mentiroso, mais ficil de al-
cangar do que um coxo. Sabendo disso, o
semi-alfabetizado redator (cuja impericia
no manejo da lingua patria vinha sendo
maquilada pelo f~olego curtissimo dos tex-
tos publicitarios que produzia) deixa de
lado a demonstraCio da verdade e parte
para o ataque.
Admita-se: 6 um ataque mais inteli-
gente do que o do seu antecessor, o por-
nogritfico Silas Assis. Este, na investida
precedent, simplesmente havia chama-
do o opositor de veado e
revolvido hist6rias que es-
tio armazenadas em seu I
cdrebro sujo, vazio de qual-
quer outro component que
nio a maledictncia porea, \
e que usa sem qualquer ,I
adapta~go quando 6 inco- 2
modado, indiferente ao
alvo concrete que sera
atingido por essa sua f~r-
mula pronta e genbrica de
difamaqio.
Jg na sua investida, o
apparatchick do petismo
procura dar a critical uma
certa apar~ncia de verda-
de, ou ao menos de veros-
similhanga, para que nela
acredite o leitor menos avi-
sado, aquele que costuma
avaliar o journal pelos 5% de
verdade que public, su-
pondo que os 95% restan-
tes de falsidade e invenci- i
onice pura sejam equiva-
lentes. Mas o aninimo I
ofensor, sem a coragem
dos que pelo menos se per-
mitem brigar de mios limpas, e de frente,
6 um semi-analfabeto, tanto na forma de
apresentar seu raciocinio (sic) quanto no
conhecimento dos fats.
Ele se apresenta ao pdiblico interno
como se fora um intellectual marxista. De
marxismo conhece uma.meia ddizia de
citaqdes catequ~ticas de L~nin. Mas
aprendeu religiosamente com os m~todos
de Stalin, combinadas com as macaqui-
ces propagandisticas do ministry nazista
Joseph Goebbels, uma mistura de prole-
tkult com fascismo. Uma mentira repeti-
da mil vezes vira verdade. Uma difama-
g~o especifica 6 mais eficiente do que uma
gen~rica mentira. Se for necessdrio mais
do que letras e palavras, uma picareta


enfiada na cabega do opositor resolve.
Picareta (estamos pensando em Leon
Trotsky, assassinado no seu refuigio me-
xicano por um enviado stalinista), nio em
sentido figurado. Picareta, nos dois senti-
dos, bem que poderia ser o simbolo da
pretensa agincia vanguardista desse PC
escarlate. Fica mais just do que a foice
e o martelo, ferramentas de todo estra-
nhas ao manejo do esgrimista de cifrdes.
A sucessio de injurias e para me inti-
midar. Se nio sou o critic mais popular
da gestio Edmilson Rodrigues, posso ao
menos requerer o titulo de o critic de
maior credibilidade. Nunca ataquei a vida
pessoal do prefeito. Nunca fui obrigado a
desmentir, pela evid~ncia de fats apre-
sentados em contraposi~go aos meus, o
que publiquei. Na iOnica vez
em que tentou me enfren-
Star, atraves de uma carta
mambembe, o prefeito ba-
teu em retirada. Desde
entio diz que nio 1C mais
o meu Jornal Pessoal, o
que nio 6 verdade (e nio
chega a ser uma honra).
Procura desqualificar mi-
nhas critics argumentan-
do haver ressentimento
pessoal da minha parte, ou
que sou daquela estirpe do
I naufrago espanhol anar-
j quista, que, ao chegar em
terra, pergunta se ha go-
verno; entio, sou contra,
reage de bate-pronto, ao
saber que ha.
Nenhuma dessas ale-
gaq~es e verdadeira. Mas
ainda que elas tivessem
procedincia, um politico
que se diz identificado com
a maioria da populagio e
com a democracia teria
que enfrentar o debate,
aceitando sua defini~go
pelo critbrio da demonstraFgo diante do
pdiblico, pelo didlogo, qualquer que fosse
a linguagem da contend, e at6 pelo con-
fronto, mas travado para informar, edu-
car e ilustrar a sociedade, a instincia ar-
bitral de tudo numa democracia.
O espago do meu Jornal Pessoal sem-
pre esteve aberto para o prefeito e para a
sua equipe. Como nio aceito publicidade
alguma, o espago 6 gratuito. At6 o mo-
mento em que senti a mi vontade da alta
administration municipal, express em si-
16ncio e informaqdes truncadas, sempre
procurei ouvi-la. A partir do memento em
que detectei a mi-f6, o desejo de manipu-
lar, a substituigio da relagio professional
entire imprensa e poder pela propaganda







JOURNAL PESSOAL EDICOLOEXTRA/ JULHO/ 2000 3


corruptora, procurei as variantes petistas
que nio se emboletaram no poder, pas-
sando a transform~i-lo numa extensio dos
seus dominios privados, ao inv~s de con-
solidd-la como uma esfera pdblica.


do PT e da esquerda em
geral foram e continuam
a ser meus leitores ou fon-
tes de informaCio (como
Mvarios outros de direita).
Vgrios deles, em conversas informais,
condenam a attitude dos integrantes da
corrente que, mesmo sendo minoritairia in-
ternamente, conseguiu alcangar a prefei-
tura da capital paraense gragas a aciden-
tes e imprevistos de percurso, de que a
hist6ria 6 tio pr6diga. Mas jamais se
manifestaram publicamente a respeito.
Nem expuseram essa diverg~ncia para
os quadros do partido.
Evidentemente, nio 6 todo o PT que
se deixou seduzir pelo poder, em nome
de sua manutenCio a tudo justificando
para a execugho de um metafisico pro-
grama de governor, retardado na execu-
950, enquanto se materializam sinais os-
tentat6rios de boa realizagao individual
- e material de alguns dos seus qua-
dros. Mas quando nio peca por agio, o
PT se compromete por omiss~io. A pena
6 a mesma.
O prefeito, com origens familiares bi-
blicas (talvez por isso age como se fora
profeta do velho testamento) deve saber:
a drvore que nio der bons frutos sera
cortada e jogada no fogo. O problema 6
que ele ateia o inc~ndio antes de verifi-
car a atividade arb6rea. Quem nio esti
com ele, esti contra ele. Passa a ser tra-
tado como inimigo. Ngo permit que se
restabelega na jurisdigio municipal o sau-
ddvel didlogo entire os opostos. Da per-
segui~go de direita se passou para a per-
segui~go de esquerda. Mudou a biruta.
O vento da intolerincia e o mesmo.
A administrator petista trouxe viri-
os avangos a capital e virios dos seus
produtos sho bons, mas em mat~ria de
comunicaqio 6 um atraso. O trato com
a imprensa se faz atrav~s de favors e
mat~rias pagas. A informagdo 6 sone-
gada, truncada. Prova disso 6 que o Di-
cirio Oficial do Municipio continue a
ser uma publicaqio semi-clandestina,
com tiragem minima, prego alto e dispo-
nivel apenas na sede da Secretaria de
Administraqio, para quem se dispie a ir
at6 la. Se houvesse seriedade no discur-
so da transpar~ncia, a circula~go do DO
deveria ser incrementada para dar aos
cidadios a possibilidade de verificar o
que faz seu representante. Ele esta ter-


minando o seu mandate e s6, quer saber
do que faz atraves das pe gas de propa-
ganda que manda veicular.
Na voragem do compromisso, os alqui-
mistas que labutam nas sombras do parti-
do direcionaram suas feitigarias contra
mim, porque nio curvei a cabega, porque
teimo em insistir que o dever de autorida-
de puiblica, no cargo por delega~go popu-
lar, 6 prestar contas, deixando de lado toda
mitologia, as suscetibilidades, as idiossin-
crasias pessoais. Nio tendo surtido efeito
o petardo f~tido de Silas Assis, no n~imero
seguinte do seu agougue moral veio o tro-
co do patrocinador. Atirando a pedra e
escondendo a mio, como do seu feitio.
E o que ele diz? S6, mentira. Dita com
a empifia de quem imagine fazer uma
denuncia, mas na verdade
deu apenas traques. Tape-
mos o nariz para seguir o
enredo da bruxaria.
Incapaz de apreender o
significado das palavras, o .
editorialista das trevas diz
que o Jornal Pessoal 6
"uma publicaq~io bimestral". -
Qualquer crianga alfabetiza- -
da verificara que se trata de *
um quinzenario. Ou seja: -
peri6dico que circula de 15
em 15 dias. O que sera que '
a pena de aluguel entende '
por publica~go bimestral? '
Seria o mesmo que bienal, *
como a que foi engendrada o1 cp
pela prefeitura para movi- *
mentar a atividade muisica
na atual quadra junina?
Insondiveis sio as
emanagbes desse tipo de
ctrebro quando ativado
para o desempenho de fun-
95es que excedem sua ca-
pacidade gen~tica. Na de-
fesa do indefensivel, pro-
cura situar o Jornal Po-
pular numa suposta tradiqdo de honra.
A ditadura military de 1964 teria cunhado
a expresso "imprensa marrom" para ati-
r8-la contra as publicaq6es independen-
tes e oposicionistas que a combatiam.
Ou, literalmente: "Esta expresso, alids,
surgiu no Brasil na 6poca da ditadura e
era usada pelos militares para referir-se
a jornais como o Pasquim, do Rio de
Janeiro, que de uma forma ou outra com-
batiam o regime".
O camuflado editorialista esti inaugu-
rando uma nova e at6 entio impensavel
teoria, que cabe como luva no samba do
crioulo doido, de Stanislaw Ponte Preta.
O que se sabe, a partir do que esti~ regis-
trado em todas as fontes confliveis, 6 que


no Brasil se ajustou para o marrom a cor
da imprensa amarela sensacionalista ame-
ricana, cuja praga comegou a ser com-
batida, na d~cada de 20, pelo journal The
New York Times, comn uma nova postura
editorial sintetizada na frase da campa-
nha publicitaria que a langou: "um journal
que nio suja a toalha do caf6".
Nada a ver, evidentemente, com a ati-
tude do regime military, mais de quatro
d~cadas depois. Assim como St~lin rees-
crevia a hist~ria do seu tempo suprimin-
do a presenga de Trotsky na iconografia
da revolugio sovi~tica (as fotos oficiais
foram retocadas sempre que o organiza-
dor do Ex~rcito Vermelho nelas apare-
cia), seus discipulos em Bel~m acham que
podem conferir seriedade hist6rica a bes-
tialogicos que produzem
num sitio bem pr6prio para
o florescimento da coisa:
suas cabegas.
Ainda tentando pintar
de s~rio o covil de Silas
Assis, o petista de aluguel
aponta em favor do parcei-
ro o fato de que a receita
publicitiria 6 que da inde-
pend~ncia a uma publica-
Fgo, que niopode se man-
)~1~LVIter apenas com sua venda
avulsa. E verdade. Mas
rpts~ anuincios perfeitamente ca-
racterizados ou mat6ria re-
dacional suficientemente
identificada como informede
publicitirio" sho uma coi-
sa. Outra, muito diferente,
6 a mat~ria paga, aquela
que aparece na publica~go
como se fosse produto de
sua redagio, quando na
verdade foi gerada pelo
agent pagador. Mat~ria
paga e instrument de bar-
ganha e meio de achaque,
nio podendo se confundir
com os an~incios, legitimo instrument de
neg6cio e de informaCio.
A Provincia do Parai, por exemplo,
andou fazendo campanha contra Edmil-
son Rodrigues. A m8-vontade acabou
numa mesa de entrevista, o alcaide sen-
do questionado por jornalistas bem infor-
mados e convencendo-os de que estai
certo e as critics feitas sio improceden-
tes? Nada disso. A mudanga da linha
editorial foi comprada a prego de anun-
cio, numa escala que nio guard rela~go
com a tiragem do jornal. Que, a partir dai,
substituiu o ataque sem base pelo elogio
sem fundamento. Erraram os dois: o jor-
nal,por vender sua opinidio; o prefeito, por
aceitar comprii-la.







4 JOURNAL PESSOAL EDICAO EXTRA/ JULHO/ 2000


paviio o que nio passa de
urubu, com todo o respeito
pela ave, famosa por sua
fungli higienizadora, exata-
Nmente o oposto do papel de-
sempenhado por Silas Assis e seu patro-
cinador tingido de encarnado, mas, na
verdade, uma dupla amarelo-marrom.
Feito o discurso da falsa excel~ncia,
segue-se o libelo contra o inc~modo jor-
nalista, niio menos falso.
A primeira acusagio: "Em 1992, du-
rante o segundo governor Jader Barbalho
no Para, o jornalista Luicio Flivio Pinto
comegou a publicar no Liberal, uma serie
de artigos contra o hoje senador Jader,
rebuscando e remexendo em uma est6-
ria confusa ocorrida no primeiro governor
de Barbalho, que ficou conhecida na mi-
dia da epoca como o caso da gleba Aura".
Minha ligagilo com O Liberal entrou
em deterioraCio a partir de 1985 (por
causa dos meus ataques a Jader Barba-
lho e sua troupe, que tinha ligaqaes com
Romulo Maiorana) e acabou de vez em
1987. Em 1992, Rosingela Maiorana
Kzan desencadeou uma ofensiva contra
mim na justiga paraense em fun~gio de
materia publicada no Jornal Pessoal que
a irritou profundamente, por ser verda-
deira, mas inc6moda a ela.
Em 1992 nito s6 eu nito podia escre-
ver naquele journal, como de suas paginas
a refer~ncia ao meu nome passara a ser
pecado mortal, punivel com a demissto
sumaria do infrator, classificado de here-
ge. Desde entio, a folha dos Maiorana
me consider morto. Portanto, eu jamais
poderia usar o journal contra o entlio go-
vernador e menos ainda como moeda
de troca em meu favor.
Quem desencadeou a apuragilo do
escindalo em que se transformou o uso
da area do AurB, em Ananindeua, para a
construglio de um conjunto de habitagaes
populares que beneficiaria o principal fi-
nanciador da campanha eleitoral de Ja-
der, fui eu, em 1984. No auge da crise,
comecei a ser ameagado de morte. Nio
tomei qualquer provid~ncia enquanto fui
o destinatario dos telefonemas aninimos.
Certo dia, uma voz ligou para o director
de redagio de OLiberal e disse para Cla~u-
dio Augusto de Sa Leal preparar a man-
chete do dia seguinte. Ditou-a: Lucio Fla-
vio Pinto foi assassinado. Romulo Maio-
rana me telefonou, genuinamente aflito,
anunciando que estava mandando dois se-
gurangas para me proteger. Dispensei.
Nunca usei uma arma, jamais recorri a
segurangas (ao contrdrio de Silas Assis,
que anda sempre cercado de capangas,
sinal de que tem consci~ncia do que faz).


O empenho de Romulo em proteger
minha familiar, com tris filhos pequenos,
me sensibilizou. Prometi agir. Liguei para
Guilherme Augusto Pereira, amigo e as-
sessor de imprensa do governador. Disse
que estava escrevendo uma carta para o
doutor J~ilio de Mesquita Neto, um dos
dons do journal O Estado de S. Paulo,
onde eu trabalhava, que me concedia a
honra de sempre me receber em seu ga-
binete quando eu o procurava nas idas a
Slio Paulo. Pedi ao doutor Juilio (ja faleci-
do) que guardasse a carta em seu cofre.
Nela, responsabilizava o governador Ja-
der Fontenelle Barbalho por tudo de ruim
que viesse a me acontecer. Eventualmen-
te, minha morte.
Dez minutes depois, Jader estava ao
telefone. Pediu para eu nto
fazer aquilo. Seus inimigos
utilizariam aquele docu-
mento contra ele. Argu- /
mentou que jamais partici-
paria de um ato contra
mim. Apesar de "estarmos
desavindos", como disse,
continuivamos amigos e
ele me queria bem. Eu par-
tilhava essa convicq8o.
Mas alertei-o de que, que-
rendo, ele podia dar um bas-
ta naquela hist6tia. Se me
desse garantias em 24 ho-
ras, nio mandaria a carta.
No dia seguinte Jader
retornou aliga~gio. Assegu-
rou que nada havia contra
mim (para tanto reuniu todo
o seu esquema de seguran- ce-
ga, conforme me relatou
em conflanga um dos par-
ticipantes da reunitio, que ji
morreu). Aceitei sua garan-
tia. Dai em diante cessaram
as ameagas. Algu~m ensai-
ara a brincadeira de mau I
gosto, tentando, talvez,
agradar o chefe. Coisa, quem sabe, de
um aiulico tio desvairado quanto o edito-
rialista ad-hoc do Jornal Popular.
Lamentei sempre Jader nito ter cor-
respondido is esperangas que referenda-
ram sua vitbria em 1982, pondo fim ao
ciclo de governadores do regime military.
Depois de ter sido convidado para inte-
grar sua equipe de governor, quando ain-
da a formava, no pr~dio do aniquilado
(pelo democratt" Almir Gabriel) Idesp,
tornei-me o maior critic dele, fonte de
referencia para todos os que queriam se
contrapor ao politico mais poderoso sur-
gido das oposiqdes no Parb, na reptiblica
que sogobrou do regime de 1964. Inclusi-
ve para o PT: alguns dos documents


anexados ao dossi6 formado pelo partido
para tentar uma CPI contra a transa~go
do Minist~rio da Reforma Agraria (o en-
tio Mirad) no poligono dos castanhais de
Maraba e na desapropriaglio da Fazenda
Paraiso eram minhas matbrias no Jornal
Pessoal. Continue a ser assim at6 hoje.
Porque continue a ser um critic de
Jader, como uma simples leitura do meu
journal mostrard. Ainda que combatendo
o papel negative por ele desempenhado a
partir da posi~gio hegem6nica que assu-
miu na political paraense, nos respeitamos.
Subsiste uma cordialidade que nio tem
motive algum para acabar, jB que, no re-
lacionamento pessoal, nas ja poucas e
sempre rafpidas vezes em que nos encon-
tramos, ele me trata com cortesia. Feliz-
mente, nossas diverg~nci-
as tim se mantido num ni-
vel mais elevado do que o
contumaz emporcalhamen-
to que se faz da vida pui-
blica neste Estado.
A acusagio acess6ria
6 tanto caluniosa quanto
ridicule (desculpem os er-
ros, mas fago a transcri-
Cgio literal do que foi es-
crito naquela folha de alu-
guel): "Procurado por as-
sessores de Jader, o jorna-
lista Lticio que at6 entilo
tinha uma esp~cie de com-
O promisso com a 'esquer-
da' do Par6, vendeu-se
por um bom dinheiro. O
equivalent hoje a meio
milhilo de reais. A manei-
ra que ele encontrou de 'la-
var' o dinheiro sujo que re-
cebeu de Jader para calar-
se no escindalo do Aura,
foi vender seus arquivos
Ssobre a Amazinia e seus
problems, para a Funtel-
pa, na 6poca comandada
por Mauro Bona e N61io Palheta".
Prossegue a sandice: "O dinheiro foi
pago a Luicio pela Fundagio. Que se pro-
cure na contabilidade da Funtelpa o reci-
bo deve estar por la.
E foi gragas a este dinheiro que L~icio
conseguiu sua independencia financeira,
fazendo o seu ~'Jornal Pessoal', por puro
diletantismo. E bem verdade que ele tra-
balha na Universidade Federal do Para,
mas o salirio de la 6 irrisibrio".
A acusa~gio 6 feita pela primeira vez,
com um atraso de sete anos, sem qual-
quer prova, mas esse teatro niio 6 novo.
Em setembro de 1991, quando ainda re-
mava no mesmo barco de Edmilson (ago-
ra se canhoneiam em pirogas conflitan-







JOURNAL PESSOAL EDICAO EXTRA/ JULHO/ 2000 5


go, na minha familiar e fora dela. Fiquei
mais pobre. A dignidade, por~m, 6 a mes-
ma de sempre. Ningu~m a enxovalha.
Ela s6 6 posta em questio por esses
incompetentes forjadores de falsas hist6-
rias. Vamos admitir que o governador
Jader Barbalho tivesse me presenteado
com R$ 500 mil (sem que, a 6poca, eu
sequer estivesse editando o Jornal Pes-
soal, numa das abstinancias forgadas
pelas dificuldades econbmicas. Conhecen-
do-me como conhece, devia ter arranja-
do um jeito de documentary a propina, nem
que fosse naquele tipico acordo de mafi-
as, em que o selo de honra 6 firmado com
sangue.
Depois de 1993 eu j8 fiz inumeras cri-
ticas ao atual senador, inclusive em rela-
Cgo is trapalhadas com dinheiro do Ban-
co do Estado do Para.
Nesse caso, eu teria deson-
rado o compromisso de
compra e venda. Ele pode-
ria denunciar-me. Ngoten-
do provas, mandaria me
Spunir. Mas nem eume ven-
di, nem Jader ou qualquer
outro me comprou. Minha
Shonra esta acima do alcan-
ce desses mequetrefes e
I magarefes das palavras ci-
fradas, da linguagem chula
e da sintaxe torta.
~~cq~L~JQuanto ao meu empre-
go na Universidade Fede-
mal do Para: desliguei-me da
ie4 instituigioem abrilde l997.
~ Sempre fui professor-visi-
Stante. Nunca quis me vin-
cular regularmente a ela.
Foi a instincias da UFPA
1 que minha perman~ncia
t \ mnas salas de aula do cursor
de comunica~go social foi
prolongada. Acho que
cumpri meu dever no limi-
te extreme da minha capa-
cidade. Se mais nio fiz, foi porque nio
era capaz. Alunos, funciondirios, demais
professors edirigentes universitiirios t~m
todo o meu espago para provar o contrA-
rio, querendo -e podendo.
O mentiroso do editorial, portanto, 6
menos destroy do que um coxo. E muito
fa~cil desfazer toda a sua encenaqio.
Por isso, os amigos consultados me
aconselharam a nio responder ao Jor-
nal Popular. Repetem os mesmos ar-
gumentos de outras ocasides: o journal
nio tem a minima credibilidade, usado
por seu proprietario como um recurs
para negociatas e intimida95es. Retru-
car seria promovt-lo, coonestando um
jogo ardilosamente urdido.


tes, no barco do alcaide o bilioso Silas tam-
b~m atirando contra o agora vereador do
PDT), Raul Meirelles encenou a version
original. Procurei-o pessoalmente, mal
terminou de fazer a acusagio na tribune
da Camnara. Reconheceu que suas infor-
mag~es estavam erradas, mas nio fez a
retificaqio puiblica.
Desafiei o PT a instaurar uma comis-
sio, dentro do pri~prio partido, para apu-
rar quem estava dizendo a verdade, se o
seu vereador ou eu. Se fosse eu, ele re-
nunciaria ao mandate. Se fosse eu, en-
cerrava 0 contrato. O partido, que so quer
lavar roupa suja quando ela e alheia, ter-
giversou, como se diz no quartel, e saiu
de fininho. Quem quiser minha apresen-
ta~go integral pode 16-la no n~imero 74 do
Jornal Pessoal, da 2" quinzena de se-
tembro de 1991.


a Funtelpa foi assinado em
1989, ainda na administra-
gio H61io Gueiros, quando
a funda~go era presidida por
NFrancisco C~zar Nunes da
Silva. A iniciativa fora dele. N~o sei se
consultou antes o governador. Eu rece-
bia um pagamento mensal, que em valor
bruto atualizado era R$ 2 mil (1% do que
a Funtelpa paga todo mis a TV Liberal
para a emissora dos Maiorana dispor das
estaqdes retransmissoras em terra da pr6-
pria fundagio estadual).
Com essa mensalidade (sem qualquer
relagio funcional ou empregaticia), eu
produzia informagdes para um banco de
dados cronol6gico sobre a hist6ria da
Amaz6nia a partir da d~cada de 40, re-
gistrando tudo o que tivesse acontecido
na regiio nesse period. Quando devida-
mente alimentado, esse banco seria aber-
to a consult atrav~s da Internet, devol-
vendo g Funtelpa o investimento que ha-
via sido feito. Do valor bruto recebido eu
tinha que abater as despesas com a com-
pra de jornais e revistas, inclusive do sul
(a principal fonte de consult nesse esti-
gio), a contratagio de uma pessoa para
cortar e colar o material e outros itens de
custeio, todos por minha conta.
O contrato foi suspense duas vezes.
Na primeira, porque fiquei constrangido
em continuar colaborando com a admi-
nistraqio Gueiros quando ela mostrou sua
face verdadeira, na segunda metade do
seu mandate (como ajudei a revel8-la, fui
punido com a tristemente famosa carta
que o ex-governador me mandou quatro
meses depois de deixar o cargo). Na se-
gunda vez, quando o mal-estar no segun-
do governor Jader Barbalho tornou o ar
carregado. O contrato definhou e nio


mais foi retomado. Agora tento a emprei-
tada sem a participa~go do setor pdblico.
Na coluna que vomit, escondido atras
do pseudbnimo de Gasthio, Silas Assis
publicou a seguinte nota no seu journal,
edigio de 15 de janeiro de 1993: "Lucio
Flivio Pinto anda que nem cachorro doi-
do de lua cheia. Jader mandou dizer a ele,
pelo porca-voz Mauro Bonna, que ngo
vai renovar o contrato da Funtelpa. Sem
a grana do governador e com o seu jor-
nal passional fora do trilho, o Lucinho
vai acabar fazendo mais besteiras...". O
oposto, portanto, do que public agora.
Fazer a acusagio sete anos depois, sem
qualquer document, 6 pr~prio dessa par-
ceria de mI~os esquerda e direita estra-
galhando sobre o mesmo butim.
O banco de dados esta la na Funtelpa,
conforme foi possivel mon-
ti-lo nessas descontinuida-
des, uma unica pessoa tra- -
balhando sobre milhares de
informaqdes originals. *
Acho que a diregio da fun- *
dagio pode deixar qualquer *
pessoa examiner o produ- '
to. De publico, autorizo a 1
abertura de todos os docu-
mentos referentes ao as-
sunto, como ja havia feito '
durante a pol~mica com .
Raul Meireles. Da mesma
maneira, coloco g disposi- .
gio dos interessados todas
as minhas declaragdes de o
renda. Se isso for possivel' e
na pr6pria toca do ledo,
caso a lei autorize a Recei-
ta Federal a sancionar tal lI
consult. Se nio, com ami- -----
nha contadora, sem a mi-
nha presenga. Meu patri-
minio nlo varia desde
1988, meu ultimo ano na
grande imprensa, a qual re-
nunciei voluntariamente,
desiludido. Desde entio, sou um comple-
to outsider no jornalismo. O que tem me
acarretado empobrecimento, como nio
podia deixar de ser.
Ningu~m precisa acreditar nessa si-
tuaqio, exceto meus familiares e as pes-
soas mais intimas, que a vivenciam hA
tantos anos. Meu carro, um modelo 1987,
6 o mesmo desde entio. Nio me sentiria
constrangido de ter carros importados e
mudar de resid~ncia, para melhor, como
alguns naiives furta-cor, se minha renda
pudesse servir de comprovagio. Mas
acato o direito dos c~ticos de investigar A
vontade onde eu possa ter escondido es-
ses R$ 500 mil que me atribuem, inclusi-
ve no patrim~nio de pessoas afins comi-







(3 JOURNAL PESSOAL EDIC'AO EXTRA/ JULHO/ 2000


Silas Assis vence anos tiran-
do dinheiro e langando lama
sobre todos, honestos e deso-
nestos, pessoas dignas e ca-
nalhas, contaminando indistin-
tamente a todos com sua baba vingativa,
ressentida, puitrida. Al~m disso, o silencio
geral induz o entendimento de que essa
pr~itica extorsioniria tem alguma coisa a
ver com jornalismo, de que esses acha-
ques representam jornalismo investigati-
vo. Avilta a sociedade, sanciona a covar-
dia, acoberta a tibieza e faz florescer o
campo de cultivo do que existe de pior
numa sociedade, aquela plant macilenta
e covarde que sufoca e deforma o me-
lhor jardim humane.
O caso de Silas Assis 6 patol6gico, mas
nio se pode reduzir o Jornal Popular a
uma patologia individual. Ele 6 o atestado
de uma doenga social que esta se agra-
vando em Bel~m, em particular, e no Para,
como um todo. De um lado, uma impren-
sa estabelecida no negbcio, na troca de
interesses, num assalto que s6 nio 6 a
mio armada, como o de Silas, mas nio
deixa de set um assalto. Uma imprensa
que transaciona sobre seu compromisso
sagrado, de ser fiel aos fats, quando o
tema bate no fiundo do caixa, ameagando
o tilintar das 30 moedas.
Questaes que poderiam estar sendo
tratadas nos jornais some de repente
para que o faturamento nlio sofra prejui-
zo. Personalidades pdiblicas morrem em
vida porque se tornaram inc~modas ao
jornal, nio g linha editorial da publicaqio,
mas ao seu donor, que se julga tamb~m
feitor da opiniko pdiblica. Sob essa som-
bra da grande imprensa se desenvolvem
organismos anaert~bios, lesmas e pustu-
las, como Silas Assis.
Quem 6, a prop6sito, o cidadio? E um
jornalista que, desde sempre, reduz seu
mbtier a publicar notas bombasticas em
colunas amparadas por pseudinimos e
fontes aninimas, a ameagar divulgar fa-
tos escabrosos que nio se materializam
se a vitima se curva ou sio inventados se
ela resisted. Comn a abund~ncia de inter-
jeiqdes que utiliza, julga-se dispensado de
apresentar fats. Inventa qualidades e
defeitos, situaqaes e circunstincias, con-
forme seu interesse.
Nenhum texto dele poderia ser classi-
ficado como noticia ou reportagem. Ao
inv~s de fats, adjetivos. No lugar de de-
monstragio, acusagio, libelo e condena-
950. Um juizo de valor sendo substituido
por outro, inteiramente oposto, no mais
curto period de tempo que media entire
a acusagio e a submissio do acusado is
condiC~es do ofensor, com o compareci-


mento ao caixa. Uma vez rendido B chan-
tagem, o chantageado passa a ser uma
vitima sistem~itica.
No despojamento acelerado de qual-
quer regra moral, 6tica ou professional, Si-
las Assis reduziu seu jornalismo a gazua:
localizado o butim, abre mio de tudo para
usufruir da pilhagem. Sua empresa muda
de razio social e de sede como uma pes-
soa de roupa, ou uma serpente de sua cas-
ca. E que nio paga o aluguel e acaba des-
pejado, nio sem antes inventar horrores
sobre aquele que compete a heresia de exe-
cuti-lo para ter de volta o dinheiro de que
ele se apropriou, com a amoralidade dos
celerados. Precede assim com todos os
credores, que vio se acumulando e, con-
forme o tutano (ou a falta dele), vergam a
intimida~go, langando o d~bito no eter.
Outros acabam se submetendo g tipi-
ca corretagem de mafioso.
Silas costuma recortar
anuincios veiculados em ou- %
tros 6rgios e republica-los
no seu. Depois manda a
fatura, sem a autorizaqio
pr~via. Se o dinheiro nio
vem, dispara torpezas.
Mant~m o tiroteio at6 que
a vitima ceda. Uma vez en-
tregue o primeiro pagamen-
to, outros, sempre maiores,
s~o cobrados. Em troca, os
elogios sio fartos. Mas se
a fonte seca, li vem o dild-
vio de improp~rios. Algu-
mas firmas antes submeti-
das a ataques sistemiticos,
como a rede de farmacias
Big-Ben e as lojas Vislo, e
hoje sio anunciantes cati- ~C
vos do journal. Em suas pa-
ginas, agora, tudo sio flo-
res. Mas o prego 6 essa pro-
miscuidade na lama.
Em 26 de junho de 1998
o Jornal Popular, sob o ti- t
tulo "Big Ben Um estra-
nho monop61io", publicou matbria em que,
usando fontes aninimas, dizia que "por tris
dessa expansio [da rede de farmaicias]
hB muita coisa suspeita e n~ilo bem expli-
cada". As lojas (hoje seriam 32 s6 em Be-
16m) funcionariam como "fachadas para
neg~cios escusos, como lavagem de dinhei-
ro ilicito e at6 algo relacionado com o nar-
cotrifico. Pouco depois a empresa come-
gava uma campanha de an~incios. O jorn-
nal nunca mais volton ao tema.
Na edig~io de 25 de junho de 1999, o
journal abriu mat~ria em uma pilgina cujo
titulo dizia tudo sobre o seu contedido: "In-
gratidio a Visio enganou o s6cio e aban-
donou a m~e num asilo". Em novembro,


a empresa ji contribuia com assiduidade
para o faturamento do Jornal Pessoal e
Silas esqueceu de Pio. Mas durante me-
ses bateu pesado em Hiroshi Yamada e
na sua empresa porque ele resistiu a
chantagem.
Silas Assis sempre fez isso. Mas quan-
do estava em O Estado do Parai, de Lopo
de Castro, exagerou na dose. Com seu
parceiro, Haroldo Franco (ja falecido),
inventou um atentado a bomba contra seu
carro. A pericia da Policia Militar com-
provou a fraude. Os dois decidiram trans-
ferir sua pescaria para outras aguas, aque-
las nas quais se sentem bem: as turvas.
Foram achacar no AmapB.
LA permaneceram durante bastante
tempo. Um dia, no inicio do governor H6-
lio Gueiros, vi, surpreso, um exemplar do
Jornal Popular com um anuncio da ad-
ministraq Ro estadual.
Como H61io entio me per-
}mitia, cobrei dele aquela
publicidade, que estava
ajudando a volta do pilan-
tra as maltratadas terras
paraenses. "E coisa do Si-
las, tu sabes. Ele tira anun-
cio de outro journal e publi-
ca no dele. Mas eu nio
autorizei. Nem you pagar",
me disse o governador,
com aquela sua t~cnica de
despistamento em falsete.
Mas indo sindicar nos ar-
b quivos da assessoria de im-
prensa, constatei que a fa-
tura ja havia sido quitada.
E assim outros an6ncios,
muitos, encheram os bol-
sos de Silas, cujo padr~io
de vida nio guard a me-
nor proporgio com sua
renda (se 6 que a declara
ao fisco).
Por que H61io fez isso?
Pelas mesmas justificati-
vas de outros poderosos,
sendo Edmilson Rodrigues o 61ltimo de-
les, em mais esse ponto nivelado aos po-
liticos que dizia pretender eliminar do pa-
norama paraense (antes de tomar conta
do erdirio e dar ordens, naturalmente). E
que O Liberal, donor da opiniio pdiblica
no Park, baixa interditos proibit6rios con-
tra os ordenadores de despesas p~iblicas
sempre que eles interrompem o fluxo de
verbas do tesouro para os cofres da em-
presa, que os quer aos borbotdes.
Ai comegam campanhas de descr6-
dito, que se tornam letais quando o outro
lado nio se caracteriza pela resist~ncia,
a fibra, a determinaqio. Uma maneira de
contrapor essa ofensiva e estabelecer







JOURNAL PESSOAL, EDI('AO EX TRA/ JUL~HO/2000 7


uma nova modalidade de negociagio 6
municiar o arsenal de golpes baixos de
Silas Assis, at6 que os Maiorana aceitam
um entendimento. Como, finalmente, Ro-
mulo Maiorana Juinior decidiu nio ceder
mais, a imundicie de Silas chegou ao pa-
roxismo naquela velhissima reedigio de
confissdes, revelaqdes e testemunhos
novelizados, ficqio de enrubescer qual-
quer Adelaide Carraro.


t6m a pretensio de subju-
gar a seus p~s a opinion
puiblica. Quando venceu a
eleigio de 1990, enfren-
Mtando uma campanha que
s6 teve paralelo, no passado, nas ofensi-
vas da Folha do Norte contra Magalhies
Barata, Jader Barbalho foi punido com o
complete sumigo de todos os veiculos do
grupo. Sua posse saiu escondida numa
pagina intema. Era apenas "o govemadof',
sem nome, sem imagem. Os primeiros
editais do Estado permitiram sua nova cer-
tid~io de nascimento, agora jornalistica.
Quando Jader descobriu que podia
veicular gratuitamente propaganda na TV
Liberal, em fungio de um conv~nio da
emissora com a Funtelpa, remontando a
administration Aloysio Chaves, ameagou
retaliar. Mas acabou compondo. Sua foto
voltou a ser publicada e ele apareceu ou-
tra vez na primeira pagina. An6ncios mais
freqilentes eliminaram toda e qualquer
critical a sua gestio. E isso poucos meses
depois de o grupo Liberal metralha-lo
vernacularmente como ladrio.
A hist~ria se repetiu quando Edmil-
son Rodrigues contratiou o edito imperi-
al dos Maiorana e venceu a dispute pela
prefeitura de Bel~m, derrotando o can-
didato da casa (que, mesmo com todo o
seu poder, sempre perde eleigio na ca-
pital, prova de que 6 temida, mas nio
respeitada, muito menos amada, relagio
que podera ser decisive, conforme ensi-
nou Maquiavel, um remote compatriota
do primeiro Maiorana, quando os sinais
do poder comegarem a enfraquecer,
como ji est8 acontecendo).
Edmilson tentou manter sua retbrica
de palanque, de que iria destruir os Maio-
rana, e entesou no pagamento da divida
de R$ 1,2 milhio, ardilosamente deixada
ao seu successor por H61io Gueiros, como
uma casca de banana. Mas acabou ce-
dendo: pagou tudo e ainda deu muita ver-
ba publicit~ria para o grupo Liberal, in-
clusive R$ 100 mil para aumenter o lucro
da familiar na venda de fitas de video de
apelo commercial, fato absolutamente in6-
dito em matbria de administration pdiblica
em todo o pais.


Em crise, O Liberal se tornou tio vo-
raz em suas exigencias quanto seu con-
tumaz detrator, que se vale exatamente
dessa deformaqio etica e moral do mai-
or grupo de comunicaqio do norte do
pais. Edmilson tentou diminuir a sucq~o.
Foi o bastante para comegar a sofrer
uma campanha que nada tinha a ver com
o jornalismo decent.
Mesmo que seja impelida por motives
nio muito edificantes, relacionados g per-
da de receita, a imprensa tem que pelo
menos se ater a fats quando decide de-
sencadear um acompanhamento critic
sistematico da administration puiblica, ad-
mitindo o direito de resposta e a contro-
v~rsia. Mas o grupo Liberal forja infor-
maqbes e cerceia a reciprocidade. Fre-
qiientemente, bate a porta da sua reda-
g~o na cara do agredido, mandando-o
queixar-se ao bispo (que, na
nossa provincia, nunca pa-
rece estar disposto a en-
campar tal causa).
Dessa intolerincia sobra .
um caldo de cultural do qual
se aproveita um golpista au-
dacioso como Silas Assis
para oferecer seus servings a
de pistolagem verbal aos de-
sesperados, aos tamb~m
inescrupulosos ou aqueles
aos quais OLiberal nio dei-
xou outra alternativa. Even-
tualmente, parece prestar
um serving p~blico ao repas-
sar dossi~s quej jv~m pron-
tos. Funciona como um res- o1 6
piradouro, embora respira- j
douro de fossa s~ptica. Em
tais casos, um professional
consciente tem que checar
o dossia recebido antes de
publied-lo. Nem sempre o
que tem toda aapar~ncia de
verdade 6, de fato, verdade.
Disso bem sabe o povo, ao P
alertar sobre o brilho furtive
do ouro falso. Mas isso, para Silas, 6 con-
versa de lunatico.
Nessa sucessio de fririas, o cidadio
comum 6 atropelado. Ele fica imaginan-
do que se aquele journal ataca tio furiosa-
mente os monopolistas (e mercadores) da
opiniko, 6 porque esta do lado certo, na
defesa da justiga. Se diz que fulano rou-
bou ou 6 corno, 6 porque de fato assim o
6. Nio acompanha os ziguezagues da
publicaqio. N~io se da ao trabalho de che-
car as afirmativas bombisticas. Deixa-
se impregnar pelos fluidos da maledic~n-
cia, da fofoca. Absorve aqueles elemen-
tos de uma estufa viciada, como se fos-
sem o mais puro oxig~nio.


Com isso, a histbria vira um bordel, a
alcova torna-se a antessala das decis~es
p6blicas. Terreno f~rtil para esses cata-
dores de lixo agirem, recolhendo imun-
dicie ou apenas trocando uma por outra,
levando "a sua" escondidos. E o Para~
fica cada vez mais inerte, emporcalha-
do, viciado. O porco tentando criar a
criatura a sua imagem e semelhanga. Um
destiny ingl6rio para um Estado com a
grandeza do Para.
Chega dessa vergonha chamada Si-
las Ribeiro Assis. Ha muito tempo venho
combatendo-o Por isso mesmo, aparego
sempre em suas piginas. Ser golpeado
num combat viciado e indecoroso, des-
gasta, constrange. Ate aqui, evitei assu-
mir um combat definitive para poupar-
me dos miasmas desse mundo torpe em
que se enfurna Silas Assis. Mas como
conclamava aquele poema
de Nazim Hikmet: se eu
nio me queimo, se tu n~io
queimas, quem rompera as
chamas?
Ngo sou heri~i. Ngo co-
bigo nenhuma grandilo-
quencia. Sou apenas um
cidadio, e tudo o que im-
5:plica essa condigio. Mas
quando meu sensor de dig-
nidade me cobra, dou-lhe
r todo meu empenho. Ain-
da mais quando toda essa
r~P~Lsujeira 6 espalhada na nos-
sa empobrecida cidade
com a ajuda de um gover-
je4 no que foi eleito para rea-
lizar ideals de justiga, de-
c~ncia, civilidade e 6tica,
como o do PT em Bel~m.
Um governor que s6 se
aceita com a face do mC-
r \ ~ndico, que cultiva, e reage
ensandecido quando oes-
pelho lhe devolve a ima-
gem de monstro, que ten-
ta destruir recorrendo a
qualquer expediente, inclusive o que
atende pelo nome de Silas Assis.
Posso imaginar o que vira em represai-
lia. Tenho diante de mim o niumero 41 do
JornalPopular, de setembro de 1992, no
qual Silas reproduz um oficio que teria en-
viado ao senador Jos6 Sarney, alertando-o
contra seus dois filhos, Silvio Assis e Silas
Assis Jxinior, (mais uma vez: como a re-
produgTio 6 literal, nio corrigi os numero-
sos erros do texto) "que desgragadamen-
te me vilipendiaram como pai chegando
ao ponto de realizarem apropriagio ind6-
bita atravbs de peculate de aq~es dos jor-
nais AMAPA ESTADO em Macapa e
FOLHA DA TARDE em Bel~m".








































































Jornal Pessoal
Editor: Ldcio FI~vio Pmnlo- Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 ((ax)
Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 *e-mail: jornal~~amazon.com.br
Edi~go de Arte: Luizantoniodefariapmtlol230-1304


crescenta o pai que os dois
filhos, "por serem incultos
posto que se recusaram a
freqitentar escolas, tiveram o
caraiter e a riqueza atrofia-
Ados e encamparam vicios e
defeitos sendo o mais grave deles a desle-
aldade que os leva a falta de eseni~pulos para
a obtengTio de vantagens pecunidrias".
Para comprovar o qune diz, Silas cita
como exemplo um jantar na resid~ncia de
Silvio em Macapa (uma das mais luxuo-
sas da cidade), que teve o ex-presidente
da Repuiblica (e, posteriormente, chance-
lador da nomeaqio de Paulo Castelo
Branco para a representagio do Ibama
no Pari, por indicaCgo de Silvio) como
"convidado especial": "no local de encon-
tro foram posicionados gravadores camu-
flados para captar toda a conversa la ve-
rificada". Depois, Silvio usou o nome de
Sarney e do coronel Heitor "para obten-
Cgo de vantagens", como dizer-se s6cio
deles numa concessionaria maranhense
de tratores Fiat, "negociatas junto a
CBIA e a Legiio Brasileira de Assistan-
cia em Bel~m".
Derramando ligrimas de crocodile, o
pai declara que em toda a sua carreira
professional "nunca deparei com indivi-
duos de tio alta periculosidade como as
que me refiro". Reconhece haver cria-
do "dois monstros", capa-
zes de praticar atos "que
vio da chantagem a des- r,"
truig~io de lares honrados,
motive pelo qual Silvio Bar-
bosa foi baleado em Ma- \
capa nio por pistoleiros a ,I
soldo de politicos mas por
um pai que teve a sua filha
roubada do convivio fami-
liar para se tornar amante
do citado individuo".
Declara-se, por fim,
mais tranqiiilo ao alertar o
senador maranhense
"para quem por nio ter
carter, ser desonesto e
nio possuir dignidade deve
ser banido das proximida-
des de quem como V. Ex- C
cia. tem mostrado a Na-
gio Brasileira ser um
grande estadista".
Um mis antes ele de-
nunciara a policia o outro
filho, Silas Assis Jrinior,
porque estaria recebendo -
dinheiro do governador Ja-


der Barbalho para publicar
mate~rias favoraveis Badmi-
nistraSlio do atual senador
do PMDB, colocando como
director no cabegalho do jor- *
nal, a Folha da Tarde, o
nome do pai, que ji havia
voltado ao Jornal Popu-
lar, tentando assim confun- "
dir a opinitio pdiblica. No
M6es seguinte, Silas acu- '
sou esse filho de "se tornar .
safado para com o pr6prio .
pai, enrolar a mulher e a
sogra em negociatas e per- ,
der a moral e a vergonha". o
Fundando a Folha da a1 P
Tarde, Silas se bandeara do
lado de H61io Gueiros para
o de Jader Barbalho na II r
campanha eleitoral de 1990.
Mas como suas faturas se
tornassem cada vez mais
pesadas, depois de assumir
o governor, Jader mandou
cortar a publicidade official
em favor de Silas, que dei-
xara o filho na Folha e havia voltado ao
Popular. Em fevereiro de 1992 ele man-
dou um aviso pxiblico para Jader que rom-
peria se nio fosse suspense a "descabi-
da discriminaqio", de nio guitar as fatu-
ras conforme o valor nelas
contido. Jader nio cedeu.
)}Silas voltou ao tughiio de
/ ~H61io Gueiros. Comegou a
enxurrada de publicidade
municipal. No mis em que
tomou posse na prefeitura
de Bel~m, em janeiro de
1993, Gueiros autorizou o
Jornal Popular a publicar
todo um suplemento com
16 piginas de propaganda.
A viuiva gemeu. Mas H6-
lio nunca esteve ai para o
bolso dos outros.
Abrindo duas frentes
no Pard (e mais uma no
Amapd) com os filhos, Si-
las Assis pretendia estabe-
lecer tr~s caixas distintos
para receber dinheiro p~i-
blico e de qualquer outra
procedencia. Depois de to-
dos os juizos que emitiu e
publicou sobre suas crias,
. ele se colocou ao lado de
Silvio quando a Policia Fe-
deral andou atris dele em


Bel~m para prendi-lo, sem
o encontrar. Desde entio
foragido de justiga, Silvio
Assis tem contra si um
) mandado de prisio expedi-
41do pela justiga federal do
Amapa, acusado de envol-
vimento comn o narcotrafi-
co international, embora o
agora devotado pai diga que
1 tudo nio pass de "uma
trama armada pelos seus
advers~rios em Macapa".
iv Que toda essa cr6nica
indecorosa continue a ser
escrita no Para e uma acu-
Ssa~go a pesar sobre todas
as consciencias. Nao s6
daqueles que pagam pelos
servigos do indigitado ou
para se ver livres dele (in-
I ~genuidade ou ilusio), como
E pelos que se omitem dos
seus deveres quando se
trata de apurar as respon-
sabilidades. E o caso da
justiga: magistrados logo se
dio por suspeitos ou impedidos quando a
queixa, por crime de imprensa, tem como
parte o JornalPopular. Outros negligen-
ciam o seu oficio para que o process
fenega pela prescrigio, sem a aprecia-
Fgo do m~rito.
O autor de toda essa sujeira sequer 6
processado. Esperto, Silas sempre desig-
nou outros j ornalistas para responder pe-
las indignidades geradas no seu journal.
Quando comegam a se avolumar os pro-
cessos, esses responsaveis irresponsaveis
renunciam ao mandate que lhes foi im-
posto (sabe-se li por quais razies). O
caso mais recent foi com Luiz Solano.
Embora residindo e trabalhando em Bra-
silia (6 cunhado do governador do Distri-
to Federal, Joaquim Roriz), era ele quem
aparecia no expediente do Jornal Popu-
lar ate o mimero retrasado e como o
querelado, no lugar de Silas, nas numero-
sas queixas por injdiria, cah~nia e difama-
~go que se acumulam na vara privativa
dos crimes de imprensa da comarca de
Bel~m. Na ~illtima edi~go, Solano foi brin-
dado com um despejo violent, como se
tivesse sido demitido por indignidade, e
nio abandonado o barco, certamente pelo
mesmo motive que nele o vinha manten-
do por tanto tempo at6 entiio.
Por quanto mais ficarai 0 chefe dessa
quadrilha, 6 Parai? Quem ainda tiver dig-
nidade que ajude na resposta. *