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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00188

Full Text



Journal Pessoal
SUCIO FLAV I O PI N TO
N"XI, N 2~39-" 2392' UINZENA U D Ri2

POLTICA



Mestres do golpe

Quando todos supunbam que Jader Barbalho e Helio Gueiros reeditariam a coligaido
de 1998 para a dispute da prefeitura de Belim, eles surpreenderam ate mesmo seus
correligiondrios. 0 objetivo 6 estimular um combat direto entire o prefeito Edmilson
Rodrigues e o governador Almir Gabriel e colher os resultados na eleiado de 2002.
No PMDB, deu certo. No PFL, nem tanto.


ndo foi renovada para a dispu-
ta pela prefeitura de Belem
neste ano? Essa 6 a principal
questAo que permaneceu sem
resposta ap6s a definigao das candidatu-
ras a PMB, na semana passada. O sena-
dor Jader Barbalho e o ex-prefeito Hl1io
Gueiros negociaram at6 o dltimo momen-
to antes das conveng5es partidarias, con-
versando diretamente, sem repassar do que
tratavam aos correligionarios. Parecia que
sairiam com uma chapa inica. Gueiros at6
escreveu, no exato dia 30, o derradeiro para
as conven9ges, que preferia ter a deputa-
da Elcione Barbalho, do PMDB, para pre-
feita e sua ex-secretaria, Maria de Naza-
r6 Marques (ne6fita em political do PFL,
para vice. Mas enquanto na escrita o ex-
governador previa essa chapa, nos corre-
dores do seu partidojd era dada como certa
sua mulher, a tamb6m ex-multissecretiria
Terezinha Gueiros.
Nos arraiais peemdebistas, a finica cer-
teza era a de que, pela enesima vez, o
candidate do partido sairia da cartola de
Jader e seria aceito por todos, ap6s os
tugidos e mugidos regulamentares da can-
tilena pessedista (do extinto PSD, o par-
tido que esti na origem de muitos pee-
medebistas no Para). Mas raros, mesmo
entire os que normalmente sio bem infor-
mados, estavam preparados para a sur-
presa do aniuncio da escolha do igualmen-
te ji ex-prefeito Augusto Resende, sem
tradigao e sem muita acomodagdo entire
os correligionirios, os quais combatia corn
veemrncia at6 a elei9ao de 1990 (quan-
do Barbalho derrotou o candidate de Re-
sende para o governor, Sahid Xerfan, ago-
ra disputando um lugar na Cimara Muni-


Lb


cipal por pressao dos seus contra-paren-
tes no grupo Liberal, que querem ter sua
bancada de vereadores).
Se nao houve um grave imprevisto
impedindo a consumacao dos pianos que


Jader e Helio arquitetaram sozinhos (e
nao hi qualquer evidancia de tal fato), a
conclusao 6bvia 6 de que eles estavam
atris de um poste para lancar como can-
didato (usando uma imagemjA corriquei- )


_:,-
,, -'I






2 JOURNAL PESSOAL 2i QUINZENA DE JULHO/2000


Sra entire os marqueteiros politicos), a falta
de outra alternative. Mas bem que ten-
taram um outro caminho. HWlio Gueiros
conversou duas vezes cor o governa-
dor Almir Gabriel na Granja do Icui, a
outrora resid6ncia official de verao, hoje
domicilio permanent, inclusive por pos-
sibilitar encontros reservados, mais bem
protegidos da indiscrig o p6blica do que
qualquer outro local.
A premissa do encontro, da parte de
Gueiros, era ser o candidate de uma am-
pla coalizdo, sustentada pela mAquina es-
tadual, para enfrentar o PT com boas pos-
sibilidades de vit6ria. Do lado do govema-
dor, a expectativa era induzir seu ex-alia-
do a participar da eleig~o, tirando votos de
Edmilson Rodrigues e batendo de frente
com ele, para tentar viabilizar a progres-
sao do tucano Zenaldo Coutinho para o 2-
tumo, j que o pr6prio Gueiros, corn o maior
indice de rejeig~o, nao iria adiante, confor-
me indicavam as simulagqes feitas a par-
tir dos resultados das pesquisas.
Percebendo a intencao ("o governa-
dor pensa que eu desaprendi a fazer po-
litica", confidenciou a um amigo), Guei-
ros condicionou sua entrada na arena a
dinheiro para financial a campanha, comr
o que o governador nao concordou. Ele
entao passou a apostar numa ficha que
seu ex-inimigo-agora-aliado-de-novo-
sabe-la-Deus-at6-quando Jader Barba-
Iho mantinha escondida: deixar que o pre-
feito do PT derrote fragorosamente o
candidate do governador, humilhando-o
e enfraquecendo-o para a grande elei-
gdo de 2002, quando os dois (certamen-
te Jader, pouco provavelmente HWlio, jai
entAo com 75 anos) poderao estar de
volta ao palanque.
Vendo que nao decolou a candidatu-
ra de seu primo, Jos6 Priante, apesar da
miliondria promoio do nome dele numa
autentica pr6-campanha eleitoral, e que
sua ex-mulher, Elcione, ndo se conven-
ceu de voltar a disputar a prefeitura da
capital paraense, depois da derrota de
1996, o objetivo do president national
do PMDB era resguardar seu nome e
incentivar o desgaste dos possiveis con-
correntes dentro de dois anos, ao sena-
do ou ao governor. Comandando com
mdo de ago o seu partido, Jader p6de
impor um nome que, para o efeito de
repercutir sobre o seu nome, 6 melhor
do que um poste.
Um irmao de Augusto, o empresirio
Berna Resende, era o principal respon-
sAvel pelas finangas da campanha de Al-
mir Gabriel A prefeitura de Bel6m, em
1992. Um ano depois de abandonar mis-
teriosamente a candidatura, forgado a se
explicar, o entao senador s6 conseguiu
fazer referEncias a procedimentos con-


denaveis que estariam sendo feitos sobre
empresArios, tres dos quais, amigos do
atual governador, denunciaram-lhe esse
suspeito recolhimento de dinheiro. Mas
at6 hoje a hist6ria nao foi satisfatoriamente
reconstituida, como costuma acontecer
em relagCo aos famosos funds eleitorais
(gracas a eles, Fernando Collor de Mello
vive at6 hoje como um nababo).
Na eleicAo de 1990, Augusto Resen-
de teve forga nio s6 por ser prefeito de
Bel6m, sucedendo a Xerfan, do qual era
vice, mas porque o grupo Liberal lhe deu
decidido apoio. As coisas comegaram a
mudar em 1991, quando o Banco Intera-
mericano de Desenvolvimento condicio-
nou a aprovagdo da macrodrenagem das
baixadas de Bel6m a participagio da pre-
feitura. O entao governador Jader Bar-
balho nao s6 teve que engolir Resende,
como o digeriu tro competentemente que
acabou tomando-o um correligionario do
PMDB e agora, por forca de suas con-
veniencias pessoais, candidate A PMB, j
ao seu lado.
Mas em terms: Resende tem seu
pr6prio campo gravitacional, com virtu-
des e mazelas suficientes para atrair elo-
gios e ataques sem que eles se grudem
a pele ja bastante magnetizada de Ja-
der. Quem sabe ele nao consegue atrair
para esse eixo os que estiveram ao lado
de Resende e agora estao do outro lado?
(Esse vai-e-volta 6 coisa de barata ton-
ta, mas estonteada pela atracao do po-
der.) Talvez. O certo 6 que essa candi-
datura tamb6m 6 mais favoravel do que
fator de complicago para a reeleig~o
de Edmilson Rodrigues.
A do PFL tamb6m seria se os verea-
dores do partido, alarmados corn o pre-
sente (de grego) que o president do par-
tido Ihes estava preparando, nao pedissem
socorro ao deputado Vic Pires Franco, a
menos de quatro horas do inicio da con-
vengao. Naquele moment, Vic era carta
fora do baralho. Renunciara a candidatu-
ra quatro dias antes, provavelmente sen-
tindo-se como cego em tiroteio. O lider do
seu partido mandava-o falar cor Jader
Barbalho. O senador do PMDB nao de-
volvia seus telefonemas. HWlio pedia que
continuasse a insistir. Ele iqsistia, inutilmen-
te. Pela imprensa, ou atrav6s de amigos,
ficava sabendo nao s6 que Hl1io e Jader
estavam conversando, mas do que esta-
vam decidindo. Tudo, sem inclui-lo nessa
pauta a dois, embora as pesquisas o colo-
cassem em segundo lugar e, na simula-
Ao, prevessem que, sem ele, seria possi-
vel a Edmilson vencer j no 1 turno.
A visit dos vereadores, antecedida
pela publicaAo da coluna de Gueiros com
a manifestaago da sua preferencia pela
chapa Elcione-Nazar6, influiu sobre o ani-


mo de Vie, fazendo-o decidir enfrentar pela
primeira vez o ex-prefeito. Helio ainda ten-
tou se incluir como vice, mas foi atropela-
do pela apresentagao de uma chapa com-
pleta, Vic-Nazar6. Ir contra ela deixaria o
president regional do PFL em posigao
desconfortavel demais diante da direCao
national do partido e de quem tinha man-
dato a defender. Mas ja entao nAo restava
mais ao PFL, como ao PMDB, nenhum
outro caminho para uma coligagao signifi-
cativa. Teriam que se valer dos seus pr6-
prios meios, reduzidos na capital.
Esse quadro reforca a tendencia fa-
voravel A reeleig~o de Edmilson, talvezjA
no 12 turno. Para reverter a situagao, o
govemador Almir Gabriel vai precisar co-
locar a maquina estadual na rua (como ja
esta fazendo) para tentar empurrar Ze-
naldo Coutinho do rabo da fila, bem dis-
tante da zona real de dispute, que alberga
apenas Vic e Duciomar Costa, alem do
atual prefeito. Mas fazer isso com a nova
lei da responsabilidade fiscal em vigor e
a maquina municipal do outro lado envol-
ve mais riscos do que na ginkana que
conseguiu transformar Luiz Otavio Cam-
pos, de puro azarao, em senador do go-
vernador (hoje em evidence 6poca de
muda, fingindo-se de morto a espera de
que a foice da cassaCao passe ao largo).
Se o deputado federal Vic Pires Fran-
co nao contar com um caixa capaz de
sustentar uma boa campanha de televi-
sao e a propaganda nas ruas, se o depu-
tado estadual Duciomar tiver suas fraque-
zas (ate agora deixadas de lado) escan-
caradas no auge dos debates eleitorais e
se Zenaldo nao experimentar um cresci-
mento exponencial, em relacdo ao qual
at6 seus aliados duvidam, o caminho es-
tara aberto para Edmilson ter mais um
mandate. Se defender dele mesmo, po-
r6m, dificilmente o cumprird at6 o fim,
mesmo tendo feito tal promessa aos seus
companheiros de alianca e seja essa uma
expectativa dos que ja marcaram 2002
em suas agendas.
Corn um vice da sua confianca, o al-
caide podera deixar o cargo para concor-
rer ao governor do Estado, criando a pri-
meira oportunidade de poder no Estado
para o PT (ou para sua ala no PT). Nes-
se caso, ainda mais porque abalado por
uma derrota aniquiladora, 6 possivel que
Almir Gabriel desista de concorrer ao
senado, permanecendo no cargo at6 o fim
para tentar fazer o seu successor. Se isso
acontecer, abrira elements para uma ne-
gociagao entire os outros grupos politicos
que se lancarao ao butim, com o mesmo
appetite de sempre e o mesmo descaso
pela coerencia e a mem6ria, mas corn
uma filosofia de bolso A mao: escripulo
nao rima com poder. 0






JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENADEJULHO/2000 3



A escatologia marrom


num estado de omissao


Silas Assis 6 um caso 6bvio de regressio
senil A fase anal. O que diz tern o valor e a
seriedade de uma frase de crianca na fase
anal, precedida talvez de trauma intra-uteri-
no. Sendo j senil a regressao, entretanto, a
garatujem verbal incorpora a experiEncia de
um sexagendrio que gerou um mundo de hor-
rores a sua volta, tendo que responder por
ele (o que faz sem qualquer escrnpulo moral
e sem identificar a marca da sua autoria).
Quando ele usa sua fixaggo no sexo
alheio para agredir os desafetos, nao 6 a ter-
ceiros que atinge, ji que nao ter qualquer
compromisso corn a fatuidade das palavras.
E a si pr6prio que desvenda. Quanto mais
agride, mais sua doentia personalidade se
manifesta. Gera, assim, um ciclo vicioso de
paroxismos, capaz de abalar apenas quem
nao ter ciencia do caso clinic, que qual-
quer manual freudiano (aliAs, uma fixacgo
infantil dele, na inica frase que Ihe permit
acesso ao mestre vienense: "pode, Freud?")
explica e qualquer internagAo psiquiAtri-
ca, se nao corrige, anula.
O Silas digamos assim "natural"
odeia o Silas que uma hist6ria torta engen-
drou. Fechado no seu roto universe mental,
por6m, s6 consegue ataca-lo projetando-o
em outros. E o ardil que inventou para des-
truir o asqueroso inimigo sem destruir a si
pr6prio, embora esta fosse a iinica coisa
decent ao seu alcance. Ou, ao menos, sem
ter consci8ncia da auto-destruicao, da qual
o que subsiste 6 essa s6rdida carniga mate-
rial, destituida daquelas emana96es espiri-
tuais, morais e 6ticas que geralmente dis-
tinguem o home da maioria dos outros ani-
mais ou, a falta delas, os iguala.
Como esse individuo consegue utilizar
sua folha marrom como instrument de po-
der, se nao ter a minima credibilidade, se a
circulacqo do seu journal atende apenas os
interesses comerciais do patrocinador, se nao
vende o produto anunciado, porque ningu6m
compra sua folha corn prop6sitos sadios?
Sendo a chantagem o m6vel da agao, s6 se
submetem a vontade do chantageador os que
Ihe oferecem motives para a extorsao. Basta
comparar o que ele disse antes e depois da
rendigdo, a enxurrada de improp6rios e o si-
l6ncio, as ameaas de consumaQao iminente e
nenhuma palavra depois que o caixa foi fomi-
do, para saber, por ele, quem 6 que o susten-
ta. Portanto, ele nAo faz o mal sozinho.
Sozinho, aliAs, nao existiria, tal a sua in-
significancia, a desmoralizalio de seus velhos
recursos de pulguento circo dos horrores. Sdo
os que Ihe cedem os 30 dinheiros em troca do


sil6ncio, no caso de alguns, ou para que Ihe
cedam um comodo no lupanar de palavras que
aluga, no caso de outros. Quem sao essas pes-
soas ou empresas? Basta ver os aniincios for-
malmente publicados ou o tratamento que al-
guns recebem. Eles nao sao meros anuncian-
tes, mas cdmplices e co-autores das indigni-
dades ali perpetradas. E precise que, enquan-
to clients e consumidores, os cidadaos co-
brem desses maus empresArios suas respon-
sabilidades, nao s6 como chefes de organiza-
cqes, mas tamb6m de families.
A maior das responsabilidades, no momen-
to, 6 a da administraio Edmilson Rodrigues.
O prefeito foi eleito para mudar a political no
municipio. Aos poucos, por6m, foi incorpo-
rando os piores vicios do exercicio do poder
na nossa terra, inclusive o patrocinio da folha
de Silas Assis, que s6 voltou ao Para porque
H6lio Gueiros, quando no governor, lhe fome-
ceu farta publicidade ticial. Por ironia da his-
t6ria, muito f6rtil numa terra em que o exerci-
cio do poder costuma levar a exacerbagAo do
autoritarismo, foi H6lio Gueiros que serviu
de ponte para a aproximagdo entire o PT de
Edmilson e Silas Assis.
Em pelo menos duas oportunidades um
porta-voz da PMB foi ao escrit6rio do ex-
prefeito, na avenida Magalhaes Barata, para
negociar a troca de dinheiro p6blico por es-
pago na publica9Fo. Incrivel, mas verdadei-
ro. Nao por caso, na coluna cedida por Si-
las para o ap6crifo D6cio Malho (ele pode-
ria muito bem se assinar etnaclavac ocihco-
cihc, se usasse o m6todo "da casa"), nAo se
pode ler qualquer critical ao antecessor de
Edmilson (que prometera ser o ferrabras do
acervo recebido, mas esqueceu esse com-


promisso, esquecido permanecendo ate que
as conveniencias da campanha eleitoral di-
gam o contririo).
Por que H6lio fez isso? Porque, sem a
chave do erario, certamente nao esti supor-
tando a gula do seu editor. Foi procurar par-
ceiro. Sem indagar pela parceria, Edmilson
entrou no barco. Agora, juntos, pode-se di-
zer que estio na companhia merecida, naqui-
lo que, num filme famoso, foi denominado
de "a nau dos insensatos".
Mas a sensatez deve ser reunida para
dar um fim nesse conjunto de mis6rias. Na
resposta A edi~lo extra deste journal que es-
crevi, Silas Assis se assume como o redator
do que aparece escondido atras de alguns
dos muitos pseud6nimos do seujornal (ou-
tros sAo cedidos). O director de redaCao, que
responded legalmente, 6 um fantoche. Como
o mais recent, J. R. Avelar. Esse cidadao
obteve o registro 1342 da Delegacia Regio-
nal do Trabalho, mas um registro precirio:
s6 pode trabalhar numa redacgo como dia-
gramador. Para qualquer outra fungio, pre-
cisa do diploma do curso superior de co-
municag&o social. Um mrs depois de obter
tal licenga,ja apareceu como o responsavel
pela reda2io do Jornal Popular.
Assim, duas fraudes estao desmascaradas.
Uma, de que o verdadeiro redator daquela coi-
sa 6 Silas Assis, que, ao assinar o vomit6rio
da primeira pigina, retirou a protetora mis-
cara de aluguel. A outra, o registro irregular-
mente utilizado do professional colocado no
expediente para responder pelos crimes que,
gracas a essa trama grosseira, Silas Assis per-
petra. Nio esta na hora de colocar um ponto
final nessa horrivel cr6nica de crimes? 0


volugao


Apesar de todos os problems, inclusive
- e sobretudo os de origem, que acabam
por prejudicar sei funcionamento regular,
deve-se registrar o esforqo de profissionali-
zaFgo dos veiculos do grupo de comunicaggo
do senador Jader Barbalho. Dependendo de
verbas p6blicas e sujeitos As flutuagoes dos
interesses politicos do dono, perdiam todo
o esforgo pela credibilidade, recaindo nos vi-
cios dojornalismo de campanha.
Mas agora p. rece que eles estao dispos-
tos a ir a maiorcs conseqiiencias na busca
do carter professional. Recentemente, o Di-
drio do Pard deu um p6blico parab6ns A
coordenadoria de comunicag~o social do


governor do Estado: "Pela primeira vez, em
seis anos da atual administra Ao, uma nota
do Reporter Diario 6 contestada por esse
setor do governor estadual", registrou a edi-
toria, A margem da carta enviada ao journal
pela assessoria.
Se as duas parties, a imprensa e o gover-
no, respeitarem a prerrogativa do cidadao,
de receber informaqOes em qualquer contro-
v6rsia, e acima delas, talvez ainda possa-
mos alcangar um nivel civilizado nesse tio
maltratado setor public, contribuindo para
tirar o espago do maujornalismo e da pr6-
pria imprensa marrom. Devolvendo a esses
ratos A sua toca natural, na sarjeta. 0






4 JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE JULHO/ 2000


Do santo fil6sofo


ao secretario narciso


Paulo Chaves Fernandes admitiu ter
pensando intensamente em algo in6dito ou
important para dizer quando falasse, como
representante do Estado, na homenagem
que se faria naquela noite do 61timo dia 27
a Benedito Nunes, um dos maiores inte-
lectuais que o Para ji produziu. Subindo
ao palco do desajeitado teatro que empresta
o nome de Maria Sylvia Nunes, mulher de
Benedito, na Estaqo das Docas, o secre-
tirio de cultural langou a bomba ao audit6-
rio (muito apropriado, alias, por se tratar
da quadrajunina): ia proper ao Vaticano a
canonizaqo de Benedito Nunes. Seria o
mais novo Sao Benedito da igreja.
Nio 6 muito provivel que o agn6stico
fil6sofo tenha se sentido bem nas vestes
santas que seu amigo pretendia vesti-lo.
Nem 6 certo que o discrete e magninimo
Benedito da rua da Estrela (impropriamente
rebatizada para Mariz e Barros) estivesse
confortAvel em meio a tantos rapap6s que,
ultimamente, Ihe tnm sido prestados. Mas
nao era infundada a inspiraqgo do secre-
tArio. S6 um santo permaneceria calado
ou receptive ao ataque verbal do homena-
geador, que se apossou da festa alheia e
fez dela escada para alcanqar o que 6 sua
busca obsessive: o promont6rio da fama,
um espelho para seu ego, que costuma in-
flar mais do que o valor da obra por ele
realizada exatamente naquele local (de 6,2
milh6es para 20 milhoes de reais em dois
anos e meio, e s6 a parte do Estado).
Corn simpatia, Paulo Chaves comegou
sua arenga microfonica informando que "o
Ben6" Ihe havia dado um bombom para
chupar. O prop6sito era o de que, uma vez
finita a chamada guloseima, cessasse a
discurseira. O bombom nao resistiu a mais
do que dois, tres minutes. A "fala" do se-
cretario durou 10, 15 vezes mais. A pro-
porgo guard relagAo corn o custo das
obras que o genial arquiteto costuma im-
pingir ao eririo. Mas nao cor a at en-
tao pretendida festa de homenagem a
uma cabeca tao celebrada.
Muito displicentemente, o loquaz ora-
dor fez ver a plebe ignara aos seus p6s no
audit6rio que desfruta da intimidade do fi-
16sofo. Vai A casa dele. Acompanha-o em
excursao a Paris. Em frente A nova e im-
pressionante Biblioteca Nacional (impres-
sionante atW pelo uso de madeira amaz6-
nica em plena capital parisiense, madeira
que tamb6m podia ser vista naquele audi-
t6rio, tentando minorar a sua agreste os-
satura de metal). A foto da capa do belo


livrinho editado para assinalar o moment
(Dois ensaios e duas lembrangas) havia
sido batida pela esposa do arquiteto-secre-
tdrio. Era de autoria dela, tamb6m, a foto
na capa do documentario gravado em vi-
deo, sob a diligente diregio da professor
Rosa Assis, registrando o cotidiano de
Benedito e o testemunho a respeito dele
dado por virios amigos ou conhecedores
de sua obra. Rosario talvez tenha experi-
mentado um leve rubor, assemelhado ao
de Benedito, discreto e elegant, santo.
Nao sei se o menino Gabriel captou a in-
tengio do auxiliar do governador Gabriel.
N6s, mortais, nem sempre conseguimos
entender tais alus6es.
Ou obras como aquela enorme estru-
tura de metal, vidro e ar condicionado (ba-
rulhento, por sinal, no teatro, usualmente
afeito a silencios), corn a qual seri sacra-
mentada a passage do novo Landi pelo
Pari, como disse o governador do seu
construtor de maneirismos. Por causa do
despreparo das massas, o boquirroto Cha-
ves nao se vexou em meter sua colher de
pau no munguzi do fil6sofo e consumer
uma trezena de tempo, ja com um bom-
bom mais metafisico do que o de Fernan-
do Pessoa, a execrar os que tem inveja do
seu talent, lobrigam contra sua criativida-
de mal o sol espicha seus raios entire as
torres de concrete da cidade, ou nao pa-
ram de desejar que suas geniais obras te-
nham vida curta.
Comrmeus acompanhantes, tive impulso
de ir ao fil6sofo e pedir-lhe todos os bom-
bons que tivesse no bolso para atira-los ao
palco, onde o felsineo arquiteto devia se
achar in situ, na esperanca de que estes,
sim, fizessem o efeito que faltou ao pri-
meiro. Mas o tempo passava (ou urgia,
como diria Camoes, se, present a sessdo,
ainda estivesse conseguindo manter aber-
to o olho sao) e a arenga prosseguia.
Inerte como me achava, preso Is re-
gras de civilidade, que acabei por aprender,
e as de afeto, que s6 tnm feito crescer mi-
nha estima pelo grande Benedito (apesar
de o reitor Edson Franco, que ocupou o
palco antes do dilivio verbal femandesia-
no, t8-lo considerado minimo, fisicamente
falando, 6 claro), preso ao meu desconfor-
tivel assento (outra encomenda do notivel
arquiteto), procurei escapar As alfinetadas
que me eram disparadas como se fossem
carapugas, sem perder ofair-play, para cuja
manutenq~ o bem que contribuiram meus
prezados amigos Bassalo e Pinho.


Finda aquela intromissao escatol6gi-
ca (ou seria mais exato chami-la de ca-
tarse?), todos escapamos inc6lumes para
abraqar o Benedito fil6sofo, beijar Ma-
ria Sylvia e gozar da brisa purificadora
da baia. Eu, corn meus prosaicos botoes,
satisfeito de a cidade estar homenage-
ando seu ilustre filho, ele ainda vivo, pro-
dutivo. O mais freqUiente 6 a homena-
gem p6s-morte, ou a redescoberta de-
pois que o autor comeu o pao amassado
pelo diabo da indiferenca ou da incom-
preensao. Estamos melhor posicionados
nessa foto.
Mas a unanimidade recent em torno
de Benedito nao 6 exatamente a home-
nagem que ele merece, o present que o
fara feliz. Home da intelig6ncia, ele cer-
tamente preferira que com a inteligencia
o tratemos. E bom ver tanta gente em
torno dele, inclusive os que nao gozam de
sua maravilhosa intimidade (ah, as noites
entire Benedito, Maria Sylvia e Angelita!).
Mas parece que alguns compram seus li-
vros para cumprir um compromisso soci-
al. Outros repetem elogios que, sem ca-
pacidade demonstrative, formam aquele
coro das unanimidades compassivas con-
tra o qual MArio de Andrade tanto se lan-
cou, quando tratava de regar a oca cultu-
ra national.
Festas, videos, noites de lancamento-
tudo isso 6 bom, mas isso nao 6 tudo, e
pode nao ser o principal. A melhor manei-
ra de registrar os 70 anos do professor (o
que ele sempre foi, acima de tudo) e sua
produgdo e promover um col6quio em
BelCm, reunindo os que estudam a ampla
obra de Benedito Nunes, os que dele deri-
varam para a critical e a filosofia, os cria-
dores cujo trabalho ele iluminou com sua
andlise sofisticada. O pr6prio Benedito
poderia se beneficiary desse col6quio, re-
vendo alguma idWia, uma ou outra tese,
como ocorreu em relago a Clarice Lis-
pector, conforme admite, superiormente,
em uma das lembranqas do seu pequeno/
grande livro.
Se esse dia acontecer, seria prudent
que Benedito Nunes se armasse dos bom-
bons certos, no nfimero adequado, para
que o banquet da inteligencia nao seja
azedado pela bilis do ressentimento, a baba
do narcisismo ou, pura e simplesmente,
pela mi educaao de algum conviva. Para
darmos um viva limpo ao fil6sofo e dese-
jar-lhe longa vida, tao produtiva e provei-
tosa quanto a que jd viveu. 0






JOURNAL PESSOAL .2 QUINZENA DEJULHO/2000 5


A grande obra



do poeta Jesus


Seri que ele 6 mesmo poeta? Era a
pergunta que constantemente faziamos,
aos outros e a n6s mesmos. Afinal, to-
dos versejavamos, embora cada um sou-
besse muito bem da advert6ncia de Car-
los Drummond de Andrade, para nao
fazer versos sobre acontecimentos. Mas
o pr6prio bardo parecia ter esquecido
suas sAbias palavras. Um aval para tam-
b6m cometermos nossas licengas po6ti-
cas, que eram muitas naqueles anos 60.
Muitas em quantidade, 6 claro. Poe-
tas, mesmo, sobraram poucos. Bons, ra-
ros. Nenhum excepcional, como Mario
Faustino, Max Martins, Ruy Barata, Pau-
lo Plinio de Abreu, pela ordem inversa a
da cronologia.
Jodo de Jesus Paes Loureiro 6, in-
questionavelmente, poeta. E, agora, de-
tentor das mais bonitas e mais exten-
sas Obras Reunidas, publicadas em
quatro volumes, dentro de uma caixa.
Com elas, a editor Escrituras, de Sao
Paulo, ganhou o premio de melhor pro-
dugdo editorial da Associacao Paulista
dos Criticos de Arte, no ano passado.
Sao nada menos do que 1.598 paginas,
sem constituir obras completes porque
o poeta deixou de fora versos ainda a
aparecem em edicgo isolada (mas in-
cluindo dissertacAo e tese de critical li-
teraria, cor as quais obteve os titulos
de mestre e doutor).
E uma respeitavel empreitada cultu-
ral. Para tornm-la possivel, Jesus recor-
reu aos incentives a cultural disponiveis
no municipio de Bel6m e no Estado, con-
seguindo a faganha de juntar a prefeitu-
ra petista e o governor tucano, do qual
participa na condigao de president (e
criador) do Instituto de Artes do Pard.
Tr6s empresas privadas aplicaram suas
isencqes, permitindo que a caixa, corn
seus quatro bonitos volumes, numa me-
moravel ediqao, saisse por 60 reais, um
valor alto para o mercado, em terms
absolutos, mas razoavel proporcional-
mente A sua qualidade e a quantidade
de paginas impressas.
Os amantes do livro, enquanto pro-
duto industrial e artistic, vdo adorar. E
os leitores de poesia? Certamente algu-
mas delas t6m qualidades para figurar
em qualquer antologia da poesia para-
ense (e amaz6nica) que se organize.
Para o meu gosto pessoal, as melhores
estio em Cantigas de amar e de amor


(de 1966) e Epistolas e Baladas (de
1968). Ndo por coincid6ncia, sdo versos
escritos numa 6poca em que estive mui-
to pr6ximo de Jesus, que me deu o pra-
zer e a honra de langar vArios de seus
poemas in6ditos nas paginas de A Pro-
vincia do Pard, dando-lhes um trata-
mento grafico e editorial A parte, gragas
tamb6m a adesao competent do director
de redag~o do journal, Claudio Augusto
de SA Leal (e do an6nimo Wilson Cor-
r.a, o mestre atras dos re-
fletores). Os poemas de
Jesus saiam em pagina in-
teira, favorecidos por espa-
cos brancos e as melhores
fotos ou ilustracqes que po-
diamos arranjar.
Ele dava aos seus ver-
sos o frescor da oportuni-
dade, como se os colhes- '
se no moment mesmo em
que sua inspiragqo tocava .
os fatos do cotidiano, no
que -um tanto preconcei-
tuosamente se denomi-
nava de "poesia de circunstancia". Con-
trariando suas recomendag6es, Drum-
mond provaria que ai pode estar a me-
Ihor poesia, se temos sensibilidade bas-
tante para tomar sua temperature. Gran-
des criadores ddo as aparentes triviali-
dades do dia a perenidade de arqu6ti-
pos, demarcando seu tempo por esses
lampejos, esses raios de lucidez ou pro-
fecia, ou por uma linguagem que asse-
gura a autonomia da poesia como for-
ma de manifestaCgo, de comunicacao
ou de saber.
Eu achava que Jesus caminharia para
ser esse poeta de que necessitavamos:
preso, como CDA, ao tempo present,
aos homes presents, mas projetando-
os al6m-fronteiras, sem fronteiras. A po-
esia era, nele, um dom natural, como o
encantador caboclo abaetetubense en-
costado ao projeto de intellectual (sem-
pre posto a subir ladeiras por sua dili-
gente companheira, a socibloga Violeta
Refskalefsky Loureiro).
Mas, para o meu gosto, Jesus passou
a se repetir, a se citar, embalado por suas
pesquisas folcl6ricas, mitol6gicas, est6-
ticas ou sejam 16 quais forem. Manifes-
tei esse entendimento em 1975, quando
do langamento de O Remo Mdgico, ge-
rando um desconforto que, felizmente,


nao chegou a abalar o mfituo querer bem
dos amigos (e espero que assim perma-
nega saecula saeculorum).
Ja na partezinha final da sua apre-
sentagdo ao primeiro volume das obras
reunidas, Benedito Nunes toca no pon-
to essencial da po6tica de Jesus. E
quando, ao fim de apreciag6es e elogi-
os aos melhores versos do poeta, toca
no problema da ret6rica na obra de Je-
sus: "o profuso emprego de entidades
miticas, a tipificagqo das
imagens e a anfase discur-
S siva dos torneios sintaticos
t expoem a eloqUi6ncia ao
^,". permanent risco da re-
S dundancia, em que muitas
S vezes recai", observa Be-
It nedito, para arrematar
com a sabia sugestdo:
"Quanto menos, melhor".
0 O "dispersivo efeito da
ret6rica" afeta varios dos
poemas de Jesus, o que
nao chega a ser surpresa,
diante do volume da sua
produgdo. A eloqtiUncia do poeta 6 um
obstaculo A concisao e um problema
para os melhores resultados que uma
poesia elipitica e contudente, escolhen-
do as palavras certas num maturado
process de depurag~o, como a de Max
Martins, por exemplo (para s6 ficar
entire n6s), consegue.
Mas essa 6 uma questAo de gosto:
os que gostam dos longos cantos, a ma-
neira de Neruda, apreciarao o lirismo
que conduz o leitor pelo rio de palavras
que brota de Jesus, as vezes drenado
para outros cursos por uma influencia
comum a todos dessa geraqgo, sempre
divididos entire a lirica e a "poesia soci-
al" (outro titulo da 6poca): o russo Vla-
dimir Maiak6vski.
Como quase sempre consegue, com
a sua inventividade e bonomia, Joao de
Jesus Paes Loureiro criou um aconteci-
mento editorial e cultural com as suas
"obras reunidas". Merece que elas se-
jam recebidas com aquilo que engran-
dece esse tipo de realizagdo: a a-a"lise
critical. E o antidote capaz de evitar que
uma empreitada desse calibre acabe nos
registros telegraficos das colunas soci-
ais ou na sensaboria do jornalismo cul-
tural, dois dos fatores da pobreza de cri-
ado que nos assola. 0


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6 JOURNAL PESSOAL 2i QUINZENA DE JULHO/2000


Cartas

Meu caro LUcio FlAvio:
Muito obrigado pelas conside-
rac6es tecidas ao long da materia
"O tamanho da academia na viso
dos liliputeanos", publicada no
Jornal Pessoal, nuimero 237, des-
ta 2a. quinzena dejunho. Prelimi-
narmente, um reparo: o primeiro
coordenador do NAEA foi o Prof.
Armando Mendes, que, titular da
Pr6-Reitoria de Pesquisa e Plane-
jamento, esteve A frente da Comis-
sio de Implantagao da Reforma
Universitria (CIRU). Eu fui co-
ordenador doNAEAde 1973-1984
(exatamente onze anos), havendo,
antes, participado ativamente de
todas as comissdes, events e eta-
pas de implantaCqo do Nucleo.
Em segundo lugar, parece-me
oportuno trazer A baila, de forma
sucinta, algumas observag6es, re-
lativas as tentativas de p6s-gradu-
ar-me, que, dadas as minhas idios-
sincrasias, somente ora divulgo.
Na 6poca em que me graduei, nao
havia, no Brasil, p6s-graduaqio em
Economia. Na primeira metade da
d6cada de 60, fui estudar na Uni-
versidade da Califrmia, em Berke-
ley, nos Estados Unidos. Conclui
o Master ofArts in Economics (ju-
nho de 1964) cr6ditos para o PHD.
Os events politicos ocorridos no
Brasil obrigaram-me a voltar, pos-
to aquela altura ser funcionArio do
Banco do Brasil, o qual me cortou
os vencimentos e determinou o
meu regresso sem mais delongas.
Em 1972, concorri a uma nica
bolsa de estudos concedida pela
Fundag o Ford para a America
Latina e destinada a obtencao de
doutorado no exterior. Aprovado
na selegio, peticionei e fui aceito
pela London School of Economics,
da Inglaterra. Naquele ano traba-
lhava no BASA e na UFPa. A de-
pend&ncia do Banco subordinada
ao SNI simplesmente vetou a mi-
nha pretensAo (o setor do SNI da
Universidade manteve-se silenci-
oso a respeito), salvo se, confor-
me comentArios (com laivos de
deleite e sarcasmo) do funcionario
que respondia pela referida depen-
dencia, eu pedisse demissao do
BASA e da Universidade. Em
1973, voltei A carga, sendo-me no-
vamente negada a permissao soli-
citada. E mais: nao haveria a pos-


sibilidade de tirar novo passapor-
te, dado que eu era considerado
subversive pelo DOPS. Porrazbes
pessoais, desisti de insistir no de-
siderato ou apelar para politicos e
pessoas entao influentes.
Em 1974 recebi, respaldado na
minha produlo cientifica sobre o
desenvolvimento regional, convite
official as Na46es Unidas para atu-
ar como professor da p6s-gradua-
go e consultor. Primeiramente, na
Argentina e no Chile. Depois, na
America Latina. Em vista disto e
correlatas implicag6es diplormti-
cas negatives, as restriq6es A mi-
nha said do Pais foram relaxadas.
Ironicamente, a partir de entao,
passei a viajar freqiientemente para
o exterior, a fun de trabalhar como
professor da p6s-graduacao, con-
sultor ou pesquisador, devidamen-
te remunerado, nao somente para
as Naq6es Unidas, mas tambmr
para vArias universidades e insti-
tui96es de pesquisa da Amrrica
Latina e da Europa.
Por iltimo, 6 sempre de bom
alvitre lembrar que existed douto-
rados e doutorados. Ha aqueles, no
exterior, que simplesmente rega-
lam titulos a alunos provenientes,
como eles gostam de chamar, do
Terceiro Mundo, e, corn isto, re-
ceber polpudas ajudas financeiras
de seus govemos, interessados es-
tes na manutenao nos paises "be-
neficiados" de maltas de neocolo-
nizados. No Sudeste do Brasil,
mormente em Sao Paulo, ha insti-
tutos e universidades, com deno-
minag6es pomposas, que facilitam
diplomas de p6s-graduagio por
correspond8ncia (inclusive dou-
torados). Nao 6 por acaso que, nos
Estados Unidos e na Europa, os
detentores de titulos de p6s-gra-
duaqdo sempre esclarecem em que
universidade o PHD ou o Mes-
trado foi obtido. E os nossos
CNPq e CAPES somente reconhe-
cem os titulos obtidos em cursos
de qualidade relativamente boa,
al6m de darem atencao A produ-
qao cientifica dos 61timos cinco
anos de cada professional.
Uma boa pista para desvendar
querm quem no seleto ciclo dos
que, ostensiva e insistentemente,
se autoproclamam de doutores, 6
ler (se por acaso estiverem dispo-
niveis) as respectivas teses dedou-
torado, algumas surpreendente-
mente mediocres, de qualidade in-
ferior A maioria das dissertacres


de Mestrado antigamente defendi-
das no PLADES. A disposiq~o
para maiores esclarecimentos,
mais uma vez agrade9o e renovo
o meu abraqo fratemo.
Jose Marcelino
Monteiro da Costa


Reporto-me ao Jornal Pes-
soal-Ediio Extra. Acho sua in-
dignaCgo, racional, coerente e
just. Um governor teoricamente
comprometido corn as minimas
aspira 6es coletivas nao deve e
nem pode mancomunar-se com
uma imprensa fajuta, conduzida
por umjornalista (?) desse nai-
pe. A prop6sito, surge o desejo
(talvez tambbm de muitas pes-
soas) de indagar: ele 6jornalis-
ta? No meu entendimento e na
acepqao integral do term, nao.
Nesse caso, a entidade que trata
do interesse da classes, j deveria
t&-lo excluido do nosso convivio.
Os colegiados das categories, ba-
seados no c6digo de 6tica, devem
usar esta prerrogativa; uma vez,
conforme vocd declara, que ajus-
tiqa nao conseguiu embargar-lhe


as aces insidiosas, dado a sua
condigio se escorregadio.
Essa 6 apenas uma face da
questao, como voc8 mesmo admi-
te. A imprensa como atividade
produtiva, que visa cobrir custos
operacionais e gerar receitas, his-
toricamente nunca foi capaz de se
mostrar transparent nos seus ob-
jetivos comerciais, notadamente
quando negocia lucros crescentes
e envereda pela seara political, lu-
tando com o poder e pelo poder.
Nesse moment, ela perde a aura
de defensora da liberdade coleti-
va e privilegia o principio mes-
quinho, de que os meios justifi-
cam os fins. Esse tipo de attitude
deslinda o perfil comportamental
da imprensa, pondo-a numa situ-
a9ao de verossimilhanga, dai para
o fundo do poqo 6 s6 esperar. A
patologia 6 abrangente, concordo,
mas nao somente em Beldm. Te-
mos exemplos regionais, nacio-
nais e internacionais. Ipsofacto,
nao se recomenda ficar repetindo
que a imprensa 6 o principal pilar
da democracia.
Rodolfo Lisboa
Cerveira


ornalismo

circense


Em duas semanas conse-
cutivas o Didrio do Para teve
duas edicges esgotadas. A ra-
zdo desse raro sucesso de ven-
das: na primeira semana, uma
cobra; na segunda, um jacar6
apareciam em fotos corn um
home inteiro na panga. To-
dos queriam ver aquela cena
de selvageria. O porteiro do
pr6dio pediu meu exemplar
para guardar. "Gosto dessas
coisas",justificou, os olhos vi-
drados. Em toda a cidade, s6
se falava nisso.
Tamb6m vi as fotos, comr
repulsa e indignagdo. Mas, so-
bretudo, sabendo da inutilidade
dessas apelaq6es comerciais. O
jomal vende como Agua num
dia. No dia seguinte, a tiragem
cresce. O assunto ecoa por al-
guns dias mais. Depois, quase
sempre, tudo volta ao normal.


Inclusive a vendagem e o fatu-
ramento dojornal.
O concorrente procurou
desfazer o "furo", mostrando
a inconsistencia das informa-
c9es e a manipulaqgo. Mas o
enredo 6 o que menos importa
nessas situaces. O que toca
as pessoas 6 a image do bi-
zarro, monstruoso, inusitado,
darmesco (como disse, certa
vez, um colunista social cor
laivos literarios de um jantar
solene na AssemblCia Paraen-
se). Mexe com as entranhas,
os poroes, os s6tios e o incons-
ciente de muita gente.
O recurso agride as pesso-
as de cabega mais bem assen-
tada e gosto melhor apurado.
Nelas, o efeito nao deixa de
existir, mas no 6 acentuado.
Nao as fard adquirir o journal,
se nao o compravam antes. )






JOURNAL PESSOAL.2 QUINZENA DEJULHO/2000 7



A Santa Casa: uma polemica


O medico Ant6nio Soares Neto me mandou
uma primeira carta, acusando o arquiteto Paulo
Chaves Fernandes de se haver apropriado de
bem do patrim6nio artistic local e o vendido
ao exterior. Publiquei-a. Processado pelo se-
cretArio de cultural, Soares acabou por se retra-
tar, reconhecendo como improcedentes as acu-
saq6es. Paulo me mandou os documents de
retratacao, que tamb6m publiquei, corn meu
comentArio a respeito. Soares nao gostou do
que disse e me mandou outra carta, que igual-
mente publiquei.
Dias depois, Soares me ligou dizendo que
eu nao havia publicado a carta na integra. Se-
gundo ele, eu suprimira duas linhas, que acusa-
vam o m6dico Hl6io Franco, director da Santa
Casa de Miseric6rdia do Para, que nada tinha a
ver corn a pol6mica, entrando na correspon-
dencia por uma viela obscura. Disse-lhe que eu
publicara a carta na integra, retirando apenas a
identificaqao final (na qual o autor se identifi-
cava como um simples cidadao), da mesma
maneira como suprimo as vezes o cabecalho de
cartas que me tratam corn a intimidade de ami-
gos, sem relagao corn o piblico, ou tim floreios
formais em demasia. E s6.
Jamais editei uma s6 carta nestejomal, algo
que me tem custado muito, em espaco e, princi-
palmente, em desgaste emotional. Sem falar na-
quela terrivel epistola de Hl6io Gueiros (que, fi-
nalmente, em entrevista a Tito Barata, assumiu a
patemidade da "coisa" e reconheceu haver errado
ao escrev6-la), lembro os casos mais recentes de
Oliveira Bastos, Edmilson Rodrigues e Bemardo
Kucinski. Alem de me atacar, como os dois ulti-
mos, Bastos inventou coisas absurdas. Nem as-
sim fiz qualquer retoque nas duas longas cartas
que me mandou, a 61tima mais ofensiva ainda, ou
as editei, como faz quase toda a imprensa.


Por que eu alteraria a carta de Soares, que
at6 me elogiava, conforme se pode verificar na
edic~o 237 destejornal. Como sua carta veio
datilografada, tive que digiti-la para o compu-
tador. Isso feito, corn a consci6ncia tranqiiila,
larguei a carta no meio de uma papelada que se
avoluma e sogobra, andrquica, ao final de cada
edico, 6rfa das provid6ncias que sempre pro-
meto adotar e you transferindo, pela falta de
tempo e o acumulo de problems.
Infelizmente, nao consegui localiza-la, se 6
que ainda esti em alguma vaga perdida no oce-
ano de pap6is. Nao posso apresentar uma pro-
va definitive do que disse a Soares: que nao
mexi na sua carta. Poderia ser at6 um erro invo-
luntirio de digitacgo, mas isso s6 se eu nao
estivesse conseguindo reconstituir com fideli-
dade o que fiz-e nao 6 o caso.
Enquanto a pendencia se limitava a n6s dois,
nao estava Ihe dando importincia. Mas parece
que Soares anda espalhando que eu fiz a censu-
ra em favor de Hl6io Franco, como forma de se
contrapor A attitude do m6dico da Santa Casa,
que tirou c6pia da minha mat6ria sobre a retra-
tacao e Ihe aduziu ataques ao desafeto. Seja-
mais agi assim na minha defesa, por que o faria
em favor de uma pessoa com a qual meu conta-
to mais pr6ximo foi uma carona que me deu at6
minha casa, quando saimos de um debate de
que participamosjuntos, em abril, promovido
pela ComissAo de Saude e Meio Ambiente da
CAmara Federal?
No n 143 (2- quinzena de junho de 1996)
deste journal, publiquei um artigo avaliando a
pol6mica travada entire Franco e o reporter Ulis-
ses Campbell, entio emA Provincia do Parh,
ponderando sobre as posigbes de um e do ou-
tro lado da controversial. Na edig~o seguinte
comentei a carta que o director do hospital me


mandou, reconhecendo os problems da insti-
tui~ao, mas disposto a ouvir critics, algo ne-
cessario diante do long acervo de fatores po-
sitivos e negatives da mais antiga e important
unidade de sauide (ou de doenca?) do Estado.
Mesmo a nova acusacqo de Soares entran-
do de contrabando na carta referente A retrata-
cao, eu nao a eliminaria, ainda que ela pudesse
ser motivada por diverg6ncias de natureza co-
mercial ou pessoal. Neste aspect tenho certe-
za: o m6dico H6lio Franco nio se utilizaria do
meu sagrado compromisso como direito de res-
posta para retalia96es ou como escada para a
defesa de interesses contrariados. Teria que
prestar contas ao public e nao ao contender.
Assim, embora nao possa ainda comprovar
que realmente publiquei na integra a carta de
Soares, que cometi um erro infeliz na sua digi-
tacao ou se estou sendo vitima de um golpe
inescrupuloso, a que me expus por nao ter guar-
dado o document original para a devida con-
tra-prova, exigida em virtude do ator envolvi-
do, reproduzo a observagAo da nova (e, para
mim, a ultima) carta de Soares, alertando parra
a omissao sobre "o dermatomo hiperfaturado
da FundasAo Santa Casa", que teria constado
do original e nao reproduzido na minha trans-
crigdo. Quanto aos demais pontos aduzidos
posteriormente, como reaao a circular de Fran-
co, incluindo ironias mal redigidas sobre a falta
de prioridade da minha parte ao assunto, tomo-
as como produto de uma fonte inconfiavel. In-
confiavel, alids, nao apenas como fonte.
Sobre o tema, o que vier a sair nestejomal
sera produto de apuraAo jomalistica e nao do
embate entire interesses em confront, atrav6s
de certas sinuosas. Para a melhor informagao
dos meus leitores, que sdo toda a razao de exis-
tir deste journal. *


) Poderdo at6 deixar de 16-lo, ao
menos por um tempo. A mas-
sa dos que sao atraidos por es-
ses estouros de sensacionalis-
mo age como a vaga do mar:
depois de vir a praia da venda,
volta para seus redutos, refra-
tAria a uma rela~go sistemati-
ca cor o jomalismo impresso
(e com tudo o mais que 6 im-
presso em letra de forma).
O prego desse sucesso
momentaneo 6 o fracasso a
long prazo, que deita raizes
no analfabetismo, nos precon-
ceitos, na linguagem oral, nas
crendices em tudo, enfim,
que contribui para manter as
condiqces que dilaceram so-


cialmente o puiblico e o man-
t6m politicamente instdvel (nos
golpes, a primeira vitima cos-
tuma ser a imprensa).
Nem sempre um bom jor-
nal vende bem, seja seu exem-
plar avulso ou sua publicidade.
Mas nao existe jornalismo de
sucesso sem qualidades. A
maior delas esti na informagRo.
Nossa imprensa marrom bus-
ca seu espelho em Londres.
Mas os The Sun ou Daily Mir-
ror da vida sdo azeitadas mi-
quinas de informaq~o. Publi-
cam muita fofoca e muita bes-
teira, mas raramente 6 falso ou
inventado o que publicam. Dis-
poem pessoal qualificado para


obter as informacges que de-
cidem publicar. Nao 6 apenas
uma habilidade pessoal: seus
rep6rteres contam tambem
corn uma poderosa retaguarda,
nos arquivos, e penetrante van-
guarda, na investigagCo.
O resultado 6 que a circula-
9go desses peri6dicos se esta-
bilizou pelo alto, enquanto a dos
nossos pasquineiros tern cres-
cimento apenas mete6rico, que
logo desaba. Passada a causa,
cessa o efeito. Nao ha uma re-
lagao de empatia, de aproxima-
qao continue, de conquista con-
solidada com o leitor. Quando
ele deixa de receber os brindes
ou de ter as noticias sensacio-


nalistas, num acerto sobre ar-
dis, abandon o barco.
Vale a pena descer tanto por
esse puiblico flutuante, vohivel,
volatil? Ser essa amaneiracerta
de aborda-lo e conquistA-lo?
PreparA-lo culturalmente e se
empenhar pela melhoria da sua
condigao de vida demora mais
tempo e exige um compromis-
so editorial dapublicaco (o que
requer a coragem de evitar
muito circo e caprichar no pre-
paro do pao), mas s6 assim e
possivel semear sobre terreno
f6rtil. O que o Diirio esti fa-
zendo 6 circo. E circo mam-
bembe. Desfeita a lona, o espa-
co volta a ser um vicuo. *








Simona
Foi na traditional festa do
Top-Set, do Autom6vel Clube, no
iltimo andar do edificio Palacio
do Radio, na avenida Presidente
Vargas, que ele se apresentou. Era
o dia 25 de abril de 1965, um do-
mingo, e Wilson Simonal foi apre-
sentado como "o cantor do mo-
mento" por Alberto Mota, o or-
ganizador da festa, que encerra-
va a semana (ou a iniciava?), num
hordrio em que, hoje, ningu6m sai
da frente da televisao, do Fan-
tdstico ao Sai de Baixo.
O Autom6vel Clube jamais
promoveu uma corrida de carro.
Mas tamb6m nao saiu do J6quei
Clube, algumas dezenas de me-
tros adiante, um s6 derby. 0 que
queriamos mesmo era rosetar, no
patui da 6poca. Dangava-se e
bebia-se bem no Top-Set, anima-
do pela orquestra de Alberto
Mota (ou seria pelo generoso
Cuba-Libre que um dos gargons,
meu colega de "Paes de Carva-
Iho", liberava do bar?). De vez
em quando, um grande artist na-
cional aparecia, o que era bom
por um lado, tirando-nos do pa-
drao provinciano, mas ruim por
outro, porque as gatas ficavam
em seu redil.
Para Wilson Simonal soltar
sua bela voz e balangar todo o
seu suingue, foi precise contar
cor o patrocinio do Banco do
Estado do Pard, Estincia Triun-
fo, Colch6es Imperador, Caf6
Puro e Laranjada Garoto. Quan-
tos ainda estio vivos? Simonal
acaba de ir-se, definhando aos
poucos, no Rio de Janeiro. Foi-
se mal- e injustamente, ao meu
ver. Ele nao foi nenhuma flor de
carter. Mas varios dos que o
execraram como dedo-duro tam-
b6m nao eram.
No auge da carreira, quando
julgava ser tudo, inclusive bran-
co, Simonal tropecou na acusa-
Cao de informant da policia, que
a turma dojornal O Pasquim as-
sacou contra ele. Tal crime podia
ser considerado imperdoAvel.
Era imperdoivel. Pessoas podi-
am estar sofrendo ou morrendo
em virtude de delagao. Nenhu-
ma condescendencia con o tipo.
Mas n5o ficou provado que ele
houvesse dedurado algu6m mais
do que desafetos pessoais ou
ido alem de promiscuidade corn
meganhas. Manchas de carter,
mas nao o simbolo do anti-he-
r6i em que o semanario de Ipa-
nema o transformou, escolhen-
do-o para alvo quando outros
tamb6m mereciam tanto ou
mais a acusagio.


Vale e governor:


contencioso aberto


O Pard 6 o setimo maior exportador brasileiro e
o segundo pelo criterio do saldo de divisas (a di-
ferenga entire o que export e o que importa). A
exportagio 6 a melhor opgio a disposigio do Es-
tado, ou a que Ihe foi imposta e ele precisa desen-
volver. A Companhia Vale do Rio Doce responded
por mais de dois tergos das exportag6es. Tudo o
que produz ter origem na mineraqio, estendida
por uma cadeia produtiva ainda singela atW pro-
dutos semi-elaborados. Logo, uma parte do pre-
sente e do future do Para depend do contencio-
so entire o Estado e a CVRD.
A importAncia dessa relagio nAo se evidencia
no comportamento das parties. Enquanto era esta-
tal, a Vale foi suscetivel a presses political sem
coerencia corn as regras de mercado ou ate mes-
mo o simples cdlculo econ6mico. Funcionou como
uma agencia de desenvolvimento, nem sempre de
forma rational, mas- atW uma certa media em
consonfncia com a condigao de pobreza do Esta-
do.
Privatizada, e mal privatizada, em abril de 1997,
as relaq6es da empresa corn o govero tem se res-
sentido da inexistancia de um arbitramento com-
petente e piblico. Ora parece que a CVRD desde-
nha do Estado do qual retira um terqo da sua re-
ceita, ora e o Estado que da uma impressao ama-
doristica, voluntariosa, combinando moments de
euforia desmedida com outros de depressao imo-
tivada, segundo os humores do rei.
Um novo moment desse contencioso esta
sendo vivido em torno de um acerto de contas


Como subiu, Simonal desceu:
meteoricamente. Num conjunto de
cantores que raramente sabiam
montar um repert6rio, ele tinha
personalidade, bor gosto e era urn
excelente cantor. Como encarava
os brancos de frente, no mesmo
nivel, esqueceu da questao racial.
Jamais olhou para os irmnos de
cor, citados apenas em letra de
mrisica, retoricamente. S6 queria
saber do que estava na frente e
acima. Tropegou numa pedra, caiu
de cara na lama ejamais levantou.
Nem agora, quando 6 s6 mem6-
ria, inclusive daquela noite de do-
mingo, de 35 anos atras, quando
encantou a meninada do Top-Set
do maestro Alberto Mota, que fler-
tava cor a Bossa Nova e o jazz,
igual a ele, antes dos Beatles e
dos Rolling Stones.


entire as parties, formalizado num projeto-de-lei
submetido ao legislative. O texto dos documen-
tos e a explicaago que deles deram dois secretiri-
os (da gestao e da fazenda), na semana passada,
soam convincentes. Inegavelmente, a proposta 6
um avanqo em relag9o ao tratamento dado pelo
govero em 1993, na administragao Jader Barba-
lho. Mas ainda estA long de ser suficientemente
cristalino para possibilitar, a quem o avalia de fora,
nao tomar gatos pardos por pretos.
Isso porque s6 as parties disp6em das infor-
maq6es necessArias para uma exata ideia dos va-
lores reais do encontro de contas. Em tese, ele
p6e fim a instabilidade e fluidez criada pela Lei
Kandir. O Estado s6 vai cobrar o imposto, o ICMS,
na comercializagao do produto final. Em troca, a
empresa beneficiada renunciard aos cr6ditos que
Ihe foram oferecidos pela Uniao, uma barretada
cor chapeu alheio para incrementar as exporta-
96es (sem que a compensag o ao Estado prejudi-
cado seja integral).
Assim, a conta ficard mais clara a partir de ago-
ra. Mas para haver esse ajuste foi precise negoci-
ar o toma-la-da-ci. Sobre essa negociagio sabe-
se pouco. Para eliminar a esquizofrenia que tem
marcado a relaqAo entire a empresa e o governor
desde 1997 (antecedida por uma abulia conivente
antes da privatizarqo, que a facilitou), e precise
esclarecer para a opiniao pliblica todos os pontos
desse contencioso obscure, em torno do qual gra-
vita o maior peso, present e future, da economic
paraense. Ou isso nao passa de "detalhe"?


- Carvo vo


Na sua colunapara ojornal ele-
tr6nico No, o historiador Kenneth
Maxwell, que ocupa atualmente a
Cadeira Rockefeller no Centro de
Estudos Interamericanos do Con-
selho de Relaq6es Exteriores, em
Nova York, lamentou que boa par-
te do esforqo intellectual para re-
ver a hist6ria brasileira se desper-
dice. Lembrou os livros com os
relates de viajantes do inicio do
s6culo XIX, editados pelo Minis-
t6rio da Cultura, e quejamais fo-
ram mandados para comercializa-
gao em livrarias. Do calabougo em
que essas publicaq6es foram man-
tidas, em dep6sitos de pr6dios
pmiblicos, s6 alguns exemplares
conseguiram escapar.
Maxwell se proclama no artigo


um dos privilegiados detentores
desses belos livros. Diz que teve
acesso a eles atrav6s de um pro-
fessor americano, Michael McCar-
thy, trazido ao Brasil por Anisio
Teixeira para ajudd-lo na reform
pedag6gica que empreendeu, na
tentative de "dinamitar o sistema
educational brasileiro". Esse Mc-
Carthy era um sujeito excentrico,
ou um louco. Entre as faganhas
que anunciava, estava a desco-
berta de carvao na Amaz6nia, a
partir de amostras enviadas para
serem testadas em Londres.
Infelizmente, o professor Ma-
xwell nao da mais detalhes, mas
pesquisadores tao aplicados e
criativos como ele bem que podi-
am sair atrds dessa pista.


Journal Pessoal
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