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Journal Pessoal L U C IO FL A V IO PI N TO ' 'ANO .XI -.N .238 ,1 OUINZENA DE JULHO DE 2 000. 9R 2q '-. Justiga Na contramao da grilagem s oito horas da manha do ulti- mo dia 16, o procurador do Estado Ibraim Rocha chegou ao f6rum de Bel6m para fa- zer uma sustentacgo oral em nome do Iterpa (Instituto de Terras do Pard), de cujo departamento juridico 6 director. Ele iria pedir aos desembargadores da 3- ca- mara civel do Tribunal de Justiga do Es- tado para restabelecerem a tutela anteci- pada do juiz de Altamira no process de anulacgo e cancelamento dos registros imobiliarios feitos naquela comarca em favor da Incenxil. Cor isso, a Rondon Agropecuiria, sucessora da Incenxil e atras da qual esta a Construtora C. R. Almeida, do Parana, ficaria sem poder exercer suas pretensoes sobre uma area de terras que diz alcancar at6 sete mi- Ihoes de hectares. O Iterpa sustenta que a Area pertence mesmo 6 ao Estado. Ibraim encontrou vazio o plendrio onde deveriam reunir-se os membros da ca- mara. Um funcionario Ihe explicou que a sessAo realmente fora realizada, mas aca- bara quase meia hora antes. Os magis- trados a haviam antecipado porque as oito horas sairiam em excursao rodoviaria para visitar uma comarca do interior. Na ta- quigrafia, o director do Iterpa ficou saben- do que, a unanimidade, a camara havia decidido cancelar a tutela antecipada es- tabelecida pelo juiz Torquato Alencar, dando ganho de causa ao agravo inter- posto pela Incenxil contra o Iterpa. As- sim, para todos os efeitos, a empresa vol- tou a ser a detentora legitima da Area, at6 que a matdria de direito venha a ser deci- dida pelajustica. O que as autoridades temem 6 que, cor o restabelecimento da plenitude do registro cartorial impugnado, a empresa nomeie esse bem em garantia de sua di- vidajunto a previdencia social no Parana ou continue suas transaqres no mercado de terras, cor derivaq6es para os neg6- cios ecol6gicos. Pelo ritmo da tramitagAo da agAo do Iterpa, proposta em 1996, a justiqa estadual levara ainda muito tempo para decidir quem 6 o verdadeiro dono da area, deixando que o particular conti- nue a dispor das terras at6 a sentenga em instancia final. O que chocou o procurador Ibraim Rocha foi o inusitado procedimento da cAmara do TJE. Normalmente, suas ses- soes so comegam As 10 horas da manha. Excepcionalmente, sao antecipadas de meia hora. Talvez nunca antes, nos anais do TJE, uma reuniao foi iniciada e con- cluida meia hora antes de comegar o ex- pediente regular do f6rum de Bel6m, que abre as oito horas da manha e fecha as 14 horas (o protocolo permanece ativo at6 as 20 horas). Uma viagem ao interior seria tAo im- portante que justificasse prccedimento de tal excepcionalidade? Ainda mais porque sujeita o tribunal a um questio- namento, o do cerceamento do direito de defesa. Por nao ter sido previamente avisado sobre a inusual troca de horArio (a outra parte recebeu alguma comuni- caqao?), o representante do Iterpa dei- xou de fazer a sustentagao oral que es- perava realizar. Isso nao caracteriza um cerceamento de defesa? Era uma das hip6teses que os dirigen- tes do institute estavam examinando. Al- guns achavam que era melhor deixar de lado a proposigao de recurso, visando re- alizagAo de nova sessAo, para permitir um deslocamento mais rapido do feito dajus- tiga estadual para a justica federal, medi- da ja requerida. Mas a outra corrente era de que a decisao da camara deveria ser combatida para que o Estado possa con- testar o agravo da Incenxil e manter so- brestados os efeitos do registro imobilia- rio das terras. A surpreendente iniciativa do TJE, antecipando ato que pode parecer de menor importancia, ja que nao afeta o mrrito da questao em litigio, adquire uma ) Edigao Quando julho chega, sempre penso em tirar as merecidas firias. Mas os compromissos sempre adiam a pretensdo ao farniente. Neste julho abrasador, desisti das ferias. Mas encasquetei em outro projeto: fazer neste mes de pernas-pro-ar ediVdes menos datadas, mais soltas, menos conjunturais, mais pessoais verdadeiramente do que amaz6nicas. Espero que o leitor de julho, na cidade oxigenada pela evacuagdo demogrdfica ou nos balnedrios t6rridos, consider este numero uma autentica edigdo de firias. 0 editor, carregando suas pedras metaf6ricas, se sentird recompensado. t~~~:U slC-csSs lr I ,~'J4t ~ J4-I~l~ I 1 r E~Ir ;F71L *'/o d 2 JOURNAL PESSOAL -P QUINZENA DE JULHO/ 2000 )dimensao grave porque ocorre exatamen- te quando se intensificam as investidas sobre o patrim6nio fundiario pilblico. Por- que esse setor foi aquecido, ha dois me- ses a Camara Federal instalou uma Co- missao Parlamentar de Inqu6rito. As in- vestiga96es estdo em andamento. Um dos seus principals alvos 6 justamente essa area do Xingu reivindicada pelo grupo C. R. Almeida, que saiu do dominio do Esta- do para particulares sem a expediago do titulo de propriedade competent. Pode ser uma das maiores grilagens de terraja praticadas em todo o mundo, envolvendo centenas de milhoes de reais. Os efeitos do registro, que estavam suspensos ha mais de tres anos, foram restabelecidos no final do ano passado pelo desembargador Joao Alberto Paiva (ver Jornal Pessoal 135) e agora con- firmados pela 3" camara civel. Assim, a justiga paraense parece estar se posicio- nando no sentido oposto ao de outras ins- tancias do poder piublico, como o execu- tivo, o legislative e o minist6rio ptiblico, empenhadas em impedir que particulares se apropriem irregularmente de terras do Estado e nao facilitando essa posse. No mis passado, o president Fernan- do Henrique Cardoso anunciou que o Minist6rio do Desenvolvimento Agrario estava cancelando o cadastro de 451 im6- veis rurais irregularmente constituidos, anunciando novas medidas de repressed a grilagem. A fazenda da Incenxil s6 nao foi incluida nessa iniciativa por um deta- lhe elementary: o im6vel jamais foi cadas- trado junto ao Incra (Instituto Nacional de Colonizag9o e Reforma Agrdria). Mas o ministerio nao tern duivida de que a area s6 esta registrada em nome de particular porque foi grilada. No "Livro Branco da Grilagem", que editou, o ministerio diz que acompanha a iniciativa do Estado para anular o registro e cancelar a matricula da area, reforgando a posicgo do Iterpa. A justiqa, ao que parece, ter atuado do outro lado da balanqa. 0 Cabanagem T erminamos o semestre e nao saiu, como prometido, a edicqo dos Anais do Arquivo Piblico do Para com a documentagao do Foreign Office, o Ministerio das Relaq9es Exteriores da Inglaterra, relative a Cabanagem, localizada em Londres por David Cleary e remetida para Bel6m ha quase tres anos. Trata-se da mais important base primAria surgida em muitos anos nao s6 sobre a Cabana- gem, mas tamb6m sobre uma face do Primeiro Imperio bra- sileiro. Esti para ser publicada hi meses, devidamente tra- duzida do original ingles, assim como um ensaio de Cleary que apareceu na edigao de janeiro de 1988 da revista Com- parative Studies in Society and History, da Universida- de de Cambridge, nos Estados Unidos, focando a dimensdo racial da Cabanagem. Este journal e a Agenda Amaz6nica analisaram os docu- mentos. Uns poucos 6rgdos da imprensa, incluida a local, os repercutiram. E ficou nisso. Uma reacgo desproporcio- nalmente menor face as implicacqes do que esti contido na correspondencia dos oficiais da marinha inglesa cor o Almirantado e o Foreign Office. Fica a cobranga pdblica ao historiador Geraldo Mirtires Coelho, director do Arqui- vo, para que os Anais saiam o mais breve possivel, forne- cendo aos estudiosos material para que aprofundem a es- crita (e, sobretudo, a reescrita) da Cabanagem. 0 JOURNAL PESSOAL lP QUINZENA DE JULHO/2000 3 Agao popular contra Funtelpa O Minist6rio Pfiblico aceitou a substi- tuigo do deputado federal Vic Pires Fran- co pelo soci6logo Domingos Conceigao como autor da agao popular que tenta anular o convenio assinado, em setembro de 1997, entire a Funtelpa (Fundaqao de Telecomunicaq6es do Para) e a TV Li- beral, por considera-lo lesivo ao interes- se puiblico. Pelo conv6nio, a Funtelpa paga mensalmente 200 mil reais A emissora da familiar Maiorana para que o sinal da TV seja transmitido a todo o Estado, por um transponder de satelite alugado pela empresa. Para isso, a fundagAo estatal cede suas estaq6es repetidoras em terra, deixando de veicular sua pr6pria progra- macdo para que a da Liberal, retransmis- sora da Rede Globo, va ao ar. Como o acerto tem duracao de cinco anos, seu valor final serA de R$ 12 milhoes, sujeito a corregco. At6 agora j foram pagos pelo menos R$ 6,6 milh6es. O parlamentar do PFL desistiu do pa- trocinio da acgo em dezembro do ano passado, "por motive de foro intimo". Como "ningu6m pode ser compelido a li- tigar", o promoter N61io Caetano Silva se manifestou, no mes passado, a favor do acatamento da desistencia. Aceitou tam- b6m que Conceicao passe a ser o autor da demand, ficando o Minist6rio Publi- co como o fiscal da lei, acompanhando a tramitagao do process. O promoter de justiga nao aceitou a exclusao do gover- nador Almir Gabriel, pedida por seu ad- vogado, "em razao direta do grau de res- ponsabilidade pela pratica do ato". Con- siderou a acao "de relevant interesse para a sociedade". No entendimento do representante do MP, o process esta pronto para ser de- cidido pelo juiz da 214 vara civel, R6mu- lo Nunes, mas o advogado de Concei- cao quer a realizaGio da audiencia de instrucao ejulgamento, ainda pendente, porque promete juntar novas provas. HA, no Tribunal de Contas do Estado, uma inspegao extraordinaria sobrestada aguardando a definigao judicial, a partir de um parecer da consultoria external contrario ao convenio. 0 Cinema Eramos meia duzia de pessoas no Cine Libero Luxardo a assistir Rocco e seus irmdos, o filme de Luchino Visconti que marcou nossa geraqao 30 anos atras. No espago cultural ao lado, o Teatro Mar- garida Schivazzappa, se apresentavam grupos folcl6ricos juninos. Nao havia muito mais gente ali. O ambiente do Centur, cor seu antigo monop6lio que- brado, parecia cenario do neo-realis- mo italiano (ou seria melhor dizer: do expressionismo alemao?). Na entra- da comum, encontro Maria Sylvia Nunes, cheia de vontade de ver os nossos passaros hel6nicos ao tu- cupi. Admiro-lhe a vibracao, par- tilhada por Gilberto e Lilia Chaves. Sylvia ter em casa c6pia inte- gral em video do filme. Mas s6 o ve em moments especiais, que contrabalancem o clima pesado da fita, caindo para o depressive. Quando a luz apaga na sala de exi- biCgo, pergunto-me porque minha mem6ria do primeiro contato nao registrou essa sensagao de inc6mo- do. Mas quando as luzes voltam a se acender, tres horas depois, dou ra- zao a amiga: num fim de noite de sexta-fei- ra, sozinho, surpreendido na rua por uma chuva torrencial, enfrentando-a depois de uma breve espera, chegando ensopado em I casa, penso nessa sensacao agridoce de desesperanca que Visconti deixa ao final de sua obra (e de quase todas?). Um aristocrata tenta colocar acima de tudo sua consciencia social, que renega sua classes, mas 6 afogado pela dor mo- ral, pela angfstia de olhar em frente a partir do que esta ao seu lado e nao divi- sar as luzes de uma utopia (nem o prin- cipe verdadeiramente maquiav6lico que a realizaria), s6 aquela contraluz diluida no horizonte, aguada. A luz do film 6 perfeita. A musica 6 fugidia, encantat6- ria. Os atores estao inspirados. Ha algu- ma dose exagerada de dramaticidade, uma teatralidade grega cor um tom a mais de artificialidade e formalismo que polvilha de tnnue bolor (e nonsense) al- guns moments do filme. Mas 6 realmente uma tragedia eter- na que estamos vendo. A verdadeira arte incomoda, ativa id6ias e sentimen- tos inconscientes ou adormecidos, faz sofrer e angustiar, alegra e comove, sublima e aprofunda, inacabada como a vida que desabou aquosa naquela noite, lavando o asfalto sujo da rua e trazendo o lixo vegetal das Arvores para, no chao, long das estrelas, recomegar o proces- so, velho e sempre novo, que nos co- manda e nos aniquila, oferecendo-nos o c6u. Sem que saibamos antecipar sua materialidade cor nossa metafisica de serventia nula. 4 JOURNAL PESSOAL *l QUINZENADEJULHO/2000 Bundas e Pasquins: A revista semanal Bundas com- pletou seu primeiro ano de vida cor motives para comemorar e lamentar. Pode comemorar ter langado 53 edicges, melhorando sua apresentagao e atraindo novos colaboradores. Pode la- mentar o reajuste do exemplar muito aci- ma da inflagdo no period: o prego de capa passou de R$ 3,90 para R$ 4,50. Esse encarecimento significa que os anun- ciantes nao apareceram para compensar a venda avulsa ao leitor num valor abaixo do custo de produgao, prejudicando a am- pliaqAo do public em busca de uma es- cala de produgao segura. Esse fator su- gere que a vida da publicagdo continue incerta e nao sabida, temerdria. Ziraldo, que assumiu o comando des- sa ressurreigAo (revista e atualizada) de 0 Pasquim, divide com outros compa- nheiros de viagem (agora tornados cola- boradores, como Jaguar, Ivan Lessa e Claudius) a alegria e o privildgio de repe- tir uma empreitada alternative bem suce- dida a grande imprensa brasileira no es- pago de quatro d6cadas. Mas Bundas reeeditari, no final de s6culo e milenio, o sucesso que O Pasquim abriu no finalzi- nho dos anos 60, garantindo sua pereni- dade pelos pr6ximos anos? Inegavelmente, a revista oferece boas leituras. Traz at6 surpresas e avan- 0os que justificam compra-la e mantmr a fidelidade de uma parte do public (mas talvez nAo na taxa necessaria). Os leito- res mais jovens nao contam cor um padrao semelhante em outros veiculos da imprensa estabelecida. O gosto de novidade deve ser forte para eles. Mas a desigualdade e a irregularidade sao, em Bundas, muito maiores do que no Pas- quim (que, com o tempo, perdeu o arti- go do titulo). Ziraldo, hoje um empresA- rio alternative, gragas a sua capacidade (bem mineira) de compor interesses, at& contradit6rios (como mostra sua outra revista, a mensal Palavras), montou uma colcha de retalhos. Nao 6 um projeto editorial s6lido, con- sistente. A composigdo de uma edigAo da a impressao de obedecer mais a gra- vidade natural das colabora96es do que a uma diretriz magnetizadora, corn cri- tdrios perceptiveis pelo leitor. Ha mo- mentos sublimes, como em Luiz Fernan- do Verissimo, e outros deplorAveis, como em muitos que parecem ter-se agrega- do A revista pelo principio do heliotro- pismo (atraidos pela luz de holofotes que podem tira-los do anonimato). Para quem ja bate letras na estrada cultural ha tempos, Bundas se apresen- ta como um produto decafeinado, dilui- do, uma c6pia que ja nao guard a pro- porgao do tempo. E a expressAo de uma vanguard intellectual ainda made in Ipa- nema, criativa, talentosa, mas marcada por aquilo que se chamava de radicalis- mo pequeno-burgues (isto 6, inconse- qiente), nos anos em que a sociologia, nao tendo chegado ao poder, tirava coti- dianamente a temperature da sociedade brasileira. Um radicalismo infantil, ret6- rico, modista. De anatemas e glorifica- 96es igualmente sem fundamentagao, superficiais. Nada reflete mais essa prAtica do que o incident envolvendo o escritor Joio Ubaldo Ribeiro, autor de um romance que ja 6 um legitimo classico da nossa literature, Viva o povo brasileiro. Nil- meros atras, o cartunista Miguel Paiva abriu uma entrevista com Joao Pedro Stedile, o lider do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), fa- zendo referencia a intelectuais de cen- tro-esquerda que estavam manifestan- do pela imprensa uma posicao contrAria ao MST, acusando o movimento de ra- dicalizar seus atos. Entre tais intelectu- ais, JoAo Ubaldo foi incluido. Ao chegar de Lisboa e ver a matd- ria, o escritor baiano reagiu com tal fli- ria que nem os panos quentes de Ziraldo conseguiram aplacar. Mesmo assim, apresentando a carta de Ubaldo, o edi- Cartas Amateria "0 mercado ver- de e seus sacerdotes" (JP n2 237) saiu cor al- gum, digamos assim, senao intro- dut6rio. Porem o assunto sobre o suposto "acordo de cooperagdo", da OS Bioamaz6nia (?) corn o po- deroso laborat6rio suigo ficou bem caracterizado. O que nos dei- xa, a voc6 estupefacto e a mim escandalizado, 6 a frieza dos sig- natirios ao defenderem a lamban- 9a. Uma negocia~go de tal magni- tude nao deveria ser decidida de maneira tdo simpl6ria, como es- tao querendo nos impingir. Acha- mos que hA sabedoria e cumplici- dade nisso tudo, precisamos ave- riguar corn urgencia. Esse fato in- decoroso algo assemelhado a perda de soberania 6 o apice do chamado process de globa- lizagdo. Esse vocibulo tao em voga, que os liberals inventaram, nada mais 6 do que o imperialis- mo de antanho. O mercado, segundo a nove- la privatista xiita do ex-presiden- te do Banco Central, sr. Gustavo Franco, sera o protagonista mai- or da hist6ria econ6mica. Os go- vernos serao suprimidos, vatici- nam os liberals empedernidos. Nessas tltimas decadas, prolife- ra no meio social uma certa cate- goria de pessoas, que se notabi- lizam por terem estudado na FGV, PUC, USP e UNICAMP, com p6s- graduacAo no exterior (Cambrid- ge, Harvard, M. I. T. e Oxford), que assessoram e dao suporte te6rico aos politicos e grandes conglomerados industriais/finan- ceiros, sempre mal intencionados. O contrato commercial assinado com a Novartis 6 fruto desse ca- samento incestuoso. Aqui em Belem temos os seus represen- tantes, voc6 deve conhecer al- gum. A prop6sito, surgiu a id&ia de um novo Fundo Privado, des- tinado a atrair investidores naci- onais e estrangeiros para a Ama- z6nia. A noticia, de primeira mao, foi langada na provincia por um executive, com transito livre no poleiro dos tucanos. Assunto re- servado para a pr6xima quinzena. Rodolfo Lisboa Cerveira Aprop6sito da mat&ria "O president e o soci6lo- go, o medico e o mons- tro" (JP n- 237), gostaria de fazer alguns comentirios. Concordando que o ser hu- mano nao e unidimensional, acres- cento ao ser human FHC mais uma dimens5o: a da moralidade. Portanto, enquanto um ser moral, ele tern que responder por seus atos e as implicag9es destes. E ai que quero centralizar os arguments. Antes de assumir o papel de president, no de soci6- logo, FHC elaborou teorias ten- do como objeto de estudo a reali- dade brasileira e suas contradi- q6es. Sugeriu soluq6es para os graves problems de nossa soci- edade. Apontou rumos, metas, mediante principios que, postos em pratica, quica atingissem seus objetivos. Fazendo um paralelo cor um outro cientista, digamos, um Eng" quimico, que estudasse elements da natureza e a partir dos estudos, experimentasse f6r- mulas, e das formulas chegasse a vacinas e rem6dios, nada mais natural que do soci6logo brilhan- te, cujas teorias apontavam solu- c6es, ao assumir uma condigao em que as pudesse p6r em prati- ca, que assim o fizesse. Ele tinha o dever moral de buscar na prati- ca o que sugeriu em tese, nem que fosse obrigado a desafiar pode- rosos inimigos. Inclusive porque o fundamento de sua produgao intellectual foi a realidade concre- ta de homes concretos, cor seus problems concretos. A re- JOURNAL PESSOAL QUINZENA DEJULHO/2000 5 o Brasil em alegoria tor da revista tentou amenizar a contun- d6ncia epistolar explicando que na con- fusao de 20 entrevistadores tentando apontar (dedurar?) nomes que estives- sem partilhando a mesma posigao anti- MST, para engrossar a lista dos execra- dos (feijoada mental na qual todos me- tem a mao para colocar seu ingredient pessoal, azedando o resultado), o respon- savel pela transcriqao da entrevista do gravador teve que fazer um sumArio um tanto arbitrario e atribuiu aqueles nomes a um s6 entrevistador, Miguel Paiva. A corre9ao foi de meia-sola. Havia 11 e nao 20 entrevistados a mesa. Nao 6 a mesma coisa. A revista nao publi- cou a errata de moto pr6prio, mas ape- nas quando acionada, dois numeros de- pois, por Joao Ubaldo. O tom da entre- vista original nao deixava dtivida sobre as intenq6es inquisitoriais, tanto que Mi- guel, de volta ao papel de Torquemada, declara-se em um PS "aliviado" por sa- ber que Ubaldo "nao se colocou publi- camente contra o MST". Ora, o escritor baiano pode colocar- se a vontade contra o MST, jA que es- tamos numa democracia. Nao 6 por ser a favor ou contra o movimento que me- rece, como premissa, ser exaltado ou condenado, mas pelos arguments que express. Sem examiner os motives de Ubaldo nao se pode dizer que ele 6 a favor ou contra, se estA certo ou erra- do, se 6 ou nao convincente, exceto se, por um dogma categ6rico, o que se dis- cute 6 se ele deve ir para o c6u ou o inferno em funcao de virtudes ou peca- dos devidamente catalogados em cate- cismo ou manual. Ja o autor de Sargento Gettlio tem o direito de explodir contra o ato de "maucaratismo" de que foi vitima. Mas como primeiro impulso. Nao como ati- tude finalista (ou, entao, para que 6 inte- lectual?). Se nao tivesse sido tao injus- tamente exposto perante a opiniao pfi- blica, ele teria escrito para a revista, di- zendo-lhe "que se estrepe sozinha, como fervorosamente desejo e como 6 de seu inescapivel destiny, se seu costume e agir dessa forma"? O destiny talvez venha a ser at6 me- recido, mas antes 6 precise examiner cor vagar e racionalmente a revista, contribuindo para a corregao de seus erros e a melhoria de suas qualidades. Pelo menos at6 que, renitente na prdtica dos seus vicios, nos faca perder as es- peranqas na contribui9ao que ela pode dar ao jornalismo brasileiro, cujo nivel temos motives suficientes para lamen- tar (sem chegarmos ao niilismo de acei- ta-lo como algo inevitavel, lavando as maos para ganhar um lugar amorfo de Pilatos no Credo). Se, Ajusta indignagio, Joao Ubaldo acrescentasse o produto de sua inteli- g6ncia e uma coragem decidida, talvez pudesse ter identificado em sua carta qual foi "um dos jornais para que es- crevo" que Ihe deu "'demissao' volun- tAria" em fung~o de uma das crbnicas que escreveu em favor do MST. O ano- nimato indica esperanga de voltar ao 6rgao da censura induzida, aceitando reconhecer como voluntario o que, na verdade, foi imposto, para dessa ma- neira nao fechar definitivamente a por- ta? Civilidade ou oportunismo? Conversar com os intelectuais de Ipa- nema (torado o bairro como refer6ncia apenas por seu valor simb6lico) 6 muito bom, assim como usufruir dos produtos de sua intelig6ncia. Mas depois temos que tomar p6 de um Brasil muito maior e e precise, entao, descer A realidade. No nivel em que atuam instituic6es como Bundas, lida-se com perfumaria preciosa e biscuits delicados demais para um pais do tamanho desse nosso paquidermico continent disfargado de nagdo. Pasquins e Bundas funcionam nesse cenario como celul6ides, inten- sos e verdadeiros at6 que sejam ace- sas as luzes do ambiente. 0 alidade brasileira que o motivou a elaborar brilhantes teorias, 6 a mesma, senao pior, em meio a qual assumiu a presid6ncia. Ele optou, como diz ojorna- lista, pela conciliacqo, em opcqo As reforms sociais. Ele fugiu de- las, acovardou-se diante do po- der das elites que tanto criticou em suas teses. Diante disso, nAo creio ser possivel uma separaloo estanque das duas dimens6es presidente- e-soci6logo, como se o intelectu- al FHC nao pudesse ser respon- sabilizado por sua mediocre omis- sao enquanto politico! Resta saber o que ele fara de- pois que deixar a presidencia. Sendo verdade que pediu fosse esquecido o que escreveu, tera coragem de assumir novamente suas teorias? Voltara a ser o inte- lectual cujas teses o levaram ao exilio, porque representavam ameaqas ao "establishment" mantido a custa do sacrificio de pessoas como ele pr6prio (al- guns foram para o exilio, outros, para a cova)? Quem dara credito A sua pro- dugao intellectual future, se ppas- sado, para nAo larger o poder, ele mesmo renegou,jogando-o para o lixo, constituindo-se na perfei- ta materializadao contraria do jar- gao popular "faca o que eu digo, nao o que eu fago!"? As elites brasileiras sabem muito bem anular aqueles que Ihes ameagam. Na ditadura, lon- ge do poder, o intellectual FHC pagou o prego por sua coragem, sendo mandado para o exilio. Ao chegar a presid6ncia e nela se manter, sorvendo as gl6rias do poder, o outrora corajoso inte- lectual capitulou, aceitando pa- gar o prego imposto pelas eli- tes: o president FHC mandoa para o exilio o intellectual FHC. Cl6vis Luz da Silva MINHA RESPOSTA Os militares pensaram que o sociologo Fernando Henri- que Cardoso era marxista. 0 pr6prio algumas vezes aceitou ser assim apresentado. Mas nuncafoi marxista. No maximo, marx6logo. Talvez um pouco mais do que seu mestre, Flores- tan Fernandes, que at6 se dizia revoluciondrio e, sincera- mente, esforgou-se para tal -, mas, nofundo, era um neofun- cionalista (para que uma eti- queta?). Dentre todos os mui- tos livros de Florestan, o que ficardpara sempre, no meu en- tender, 6 A fun~do social da guerra na sociedade Tupinam- bd, que nada ter a ver com a literature political, mas e um trabalho maravilhoso de re- construgdo hist6rica. Jd FHC estava numa escala de naior aproximac6o do mar- xismo, que conhecia como pou- cos, incluidos os militants co- munistas (que, porfalar nisso, leem pouco, muitos restringin- do suas leituras a um patud ca- tequetico). Mas queria a refor- ma, ndo a revoludo. Quem for realmente ler seus livros, verifi- card que ele 6 mais coerente na aplicacao de suas id6ias do que dizem seus critics a esquerda. Merece critics ndo por haver esquecido a revolugdo, que nunca defended (ou renunciar a ideias que Ihe atribuem, sem ser efetivamente dele), mas por estar promovendo no Brasil uma reform mais diluida do que afaria um conservador au- t6ntico. Assim, ndo tratei de duas pessoas estanques, mas da dind- mica de uma complexidade que a maioria da esquerda, para efei- to politico, esquematiza. 0 que naopiora FHC, aqu6m do quejd 6, nem melhora a esquerda, al6m do que ter sido. 0 6 JORNALPESSOAL *' QUINZENADEJULHO/2000 Jornalismo macarronico S 6 ha uma coisa mais chata do que errar: e corrigir o erro. No entan- to, por dever professional e cons- ciencia 6tica, devemos corrigi-lo e pu- blicamente, seja para evitarmos repetir o erro, como para instruir os cidadaos a nao comete-lo. Sempre iremos errar. A meta consiste em s6 errar no varejo, em deta- Ihes menores. E assim que estabelece- mos nosso conceito professional e conquis- tamos credibilidade pfiblica (inclusive con- tra as felonies inevitiveis dos magarefes da honra alheia disfargados de jornalis- tas, quando contrariados). Os internautas tem recebido uma an- tol6gica relagdo de p6rolas recolhidas da sefio "Erramos", da Folha de S. Pau- lo. Confesso que essa 6 uma das parties que leio cor mais concentraqao no jor- nalao paulistano. Acumulo material ha anos para um dia utilizi-lo (um dos tan- tos projetos deixados para quando a fase derradeira da vida chegar, se chegar, a partir dos 60). Em primeiro lugar, reve- renciando a coragem da folha dos Frias de admitir sua falibilidade (virtude ex- purgada de outros jornais grandes, in- comparavelmente mais faltosos, como O Liberal). Mas logo me vem, como se fosse um susto, um sentiment antag6- nico: 6 dificil aceitar que um journal tao important cometa cor tanta freqi~n- cia erros tao primarios, como os aponta- dos na secao. Como se pode ver na listagem (parci- almente reproduzida na semana passada no Didrio do Para), alguns deles sao gro- tescos, pat6ticos, quase impossiveis. So- mos tentados a concluir que s6 poderiam aparecer mesmo na Folha de S. Paulo, o journal mais dado a autocritica (que, em funcdo da sua contumicia, chega as rai- as da in6rcia masoquista). A redagao do journal 6 constituida em sua maioria por jovens candidatess a yuppies iconoclas- tas, como o sumo-sacerdote Octavinho Frias), graduados pelo curso de comuni- caqao social, cor alguma carreira aca- demica e "queda" pelo mundo cultural. Sao auto-suficientes, mas seu conhe- cimento 6 derivado mais da vida literaria do que da atividade literaria, no circuit de bares eflats, teatros e sales. Ouvem muito galo cantar, mas nAo vAo conferir se foi mesmo o galo quem cantou. LUem pouco. Quando leem, raramente vao d fonte. Mas ouvem muito falar. Recebem bastante informagioja tratada,juizo pron- to, cabega feita. Nio se dAo ao desgas- tante trabalho de ir checar por seus pr6- prios meios, usando a cabega e tamb6m os instintos. Deixei de lado algumas das erratas que sao apenas sinal de falha individual. Fiquei com as que caracterizam um gra- ve problema de formaqao e prdtica jor- nalistica (e intellectual em geral). Pelo fato de circularem em campi universi- tarios, muitos estudantes de comunica- 9io consideram-se capazes dejulgar sem discernir, de chegar ajuizos de valor fi- nais sem dispor antes dos elements de demonstraqao e comprovagio, de julgar antes de ouvir, de presumir antes de des- cobrir. Perderam a malicia forjada nas ruas (encarar os fatos sem a media9go ou ocultagio dos press-releases), em- botaram os instintos, dispensaram o va- lor da experi8ncia e do conhecimento empirico, exalando e exaltando um aca- demicismo sem verdadeiro saber, uma cultural sem conteUido,jomalistas que nio l1em sequer jornais. Em vdrios pontos ajudaram a melho- rar ojomalismo, que nio era nenhum pri- mor, muito pelo contririo. Mas em nu- merosos outros fizeram-no involuir. Nao tem culpa. E o produto de uma concep- 9io deformada de formaqio, que nega a essencia do jornalismo ao tentar re- forma-lo (autoritariamente, a partir da lei de imprensa, de 1967, e da regulamen- tagdo professional, de 1969). Os frutos nefastos estao sendo colhidos agora. E uma incultura que grassa veloz que nem erva daninha. Uma sele9ao de cinco anos da erra- ta da Folha mostra que as distorgoes cristalizaram, transformando em regra o que deveria ser excecgo. Tendo chega- do ao cumulo de corrigir a errata, a Fo- lha s6 pecou por considerar equivocado um lapso que diz melhor do que a forma correta: um texto que tratou como ban- do Oportunitty o banco que leva esse nome, camuflando em outra lingua o que na nossa diz mais sobre oportunismo do que sobre oportunidade. At6 a ironia tor- nou-se involuntaria. Ha p6rolas capazes de provocar aquela reaqAo que imortaliza as com6- dias morals do cinema italiano: riso e li- grimas. Passado o riso, e hora de refle- tir sobre o prego do humor nao intencio- nal, que sempre e caro. Uma salegao da selecgo das erratas: Saiu grafado incorretamente na edicdo de ontem o plaral de fuzil-me- tralhadora. 0 certo e fuzis-metralha- doras, e ndo fuziveis-metralhadoras, como foi publicado na pdg. 1-14 de Brasil. (13.set.91) (Nesse plural, fuziveis perde qualquer contato cor fuzis, sem que o autor perceba.) A reportagem "Presidente teri fai- xa nova na posse", publicada anteon- tem, na pdg. 1-11 (Brasil), refere-se in- corretamente d efigie da Repdblica como esfinge da Reptblica. (8.dez.98) (Qualquer outro erro de grafia seria ve- nial; esse & mortal.) 0 autor de "Dom Quixote de La Mancha" e Miguel de Cervantes, e ndo Manoel, como saiu publicado no texto "Dom Quixote" vira "nordestino na Globo ", d pdgina 5 do TV Folha da edigdo de anteontem. (19.out.99) (O erro talvez derive da falta do minimo de familiaridade com o tema. E ainda assim o autor quis fazer ironia com terceiros.) Os irmdos Naves, vitimas de erro judicicrio, foram condenados a 25 anos e 6 meses de prisdo na decada de 30 governoro Getulio Vargas) e pos- tos em liberdade condicional oito anos depois por bom comportamento. Ndo foram condenados a morte na 4poca do Impirio, nem escaparam da execu- cdo devido a favors imperiais, como afirmou reportagem publicada dia 26 de marco, na pdg. 2 do caderno Sdo Paulo. (13.abr.95) (Tal confusao s6 & possivel por falta da menor intimidade com o assunto abordado.) Diferentemente do que informou o Contraponto de 7/12, publicado d pdg. 1-4 (Brasil), o fil6sofo Jose Arthur Gi- annotti ndo mora em um apartamento, mas em uma casa. (9.dez.95) Diferentemente do publicado na colu- na 'Brasilia' de ontem, d pcg. 1-2 (Opi- nido), o secretdrio da Seguranca de Sao Paulo, Jose Afonso da Silva, nao e safenado, ndo sofre de isquemia co- ronariana nem recebeu orientacdo mbdica para evitar problems emocio- nais. (5.abr.97) (De onde o reporter ti- rou todas essas informaq6es?) Diferentemente do que foi publica- do em 29/11, na pdg. 5-7 (Folhinha), o tatu nao nasce de um ovo. Ele e um mamifero placentdrio, que se desenvol- ve na barriga de sua mde. (6.dez.97) (Uma prosaica consult a enciclop6dia evitaria tal erro.) 0 quadro da edivdo de 9/1 de 'Ci- dncia', referente d reportagem "Viagra para mulher", d pdg. 25 do caderno Mais!, indica erroneamente a vagina no local do dnus. No mesmo quadro, o JOURNAL PESSOAL. 1QUINZENADE JULHO/2000 7 para rir e para chorar testiculo estd incorretamente indicado no local do escroto. (14.mar.00) (Se, ao inv6s de escrever, o reporter usasse seus conhecimentos de anatomia para praticar o ato sexual, o que faria?) Diferentemente do que foi publi- cado no texto "Artistas 'perifiricos' passam despercebidos", d pdg. 5-3 da ediqdo de ontem da Ilustrada, Je- sus ndo foi enforcado, mas crucifi- cado, e a frase "No principio era o Verbo" estd no Novo, ndo no Velho Testamento. (7.dez.94) Em alguns exemplares da ediado de 30 de marco de Esporte, foi in- formado incorretamente d pag. 4-3 que o personagem biblico J6 criou a arca que salvou as especies animals do diluvio. Foi Noe quem construiu a arca. (6.abr.95) (Pelo visto, a edicgo da Biblia que circula pela redagAo da Folha 6 do Casseta & Planeta.) Na nota "Baldo ", da coluna Joyce Pascowitch, publicada d pag. 5-2 (Ilustrada) de 18/ 12, ,, onde se 1I "bando Opportunity", leia- se bancoo Opportunity". (21.dez.95) Diferentemente do que foi publica- do a pdgina 2-9 de 29 de maio, na re- portagem "Estrutura political do Bra- sil e um desastre", a regido da Cali- f6rnia, nos Estados Unidos, onde se concentram as induistrias de computa- dores e conhecida como Vale do Sili- cio. (18.jun.94) (Em ingles, Silicon Val- ley. Saiu publicado Vale do Silicone). A expressed em ingles "piss and vi- negar" foi traduzida incorretamente, de forma literal, por "mijo e vinagre", na pag. 7 do suplemento "Time" pu- blicado ontem. A giria e usada para ..t -... , dizer que uma pessoa ter pique, ener- gia. (12.mar.99) (Sem muita vivencia, o autor nao deve se lembrar do velho bro- cado popular: nem tudo que reluz e ouro, nem tudo que balanga, cai.) 0 mtsico Carlos Santana e guate- malteco, e ndo mexicano, como infor- mou reportagem d pag. 4-3 (Ilustrada) de ontem. (12.mar.96) Diferentemente do que informou on- tem esta secdo, o musico Carlos Santa- na e mexicano. (13.mar.96) Diferentemente do que foi publicado a. pag. 1-14 (Brasil) da edico de 19/3, a Segunda Guerra Mundial comeqou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o president Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margaret Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990. (27.set.95) (Talvez essa tenha sido a cro- nologia mais errada em um s6 textojorna- listico em todos os tempos.) Texto d pag. 4-4 (Esporte) de on- tem informou incorretamente que a ci- dade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolivia, fica no litoral. (7.abr.00). (A Bolivia nao ter litoral, como sabe qual- quer colegial). 0 Vida Como ja sabem os leitores, ndo hd mais assinatura deste journal para Belem. As remanescentes se consumardo nos pr6ximos ntmeros. Serdo renovadas apenas as assinaturas de outros municipios do Part, que ndo o da capital, e de outros Estados. E o teste final de sobrevivdncia deste JP. Mais do que nunca, sua continuidade dependerd exclusivamente da persistencia do seu leitor. ';:~n h L! Sil ncio A OAB/ParA ainda nao responded ao oficio do rela- tor da CPI das Terras da CA- mara Federal, deputado S6r- gio Carvalho. Ele pediu pro- videncias da Ordem contra os advogados que se apresentam como prepostos ou procura- dores de Carlos Medeiros, fantasma atrAs do qual se es- conde uma audaciosa quadri- lha de grileiros que pretend se apossar de nada menos do que 12 milhoes de hectares de terras no Para. Basta a Ordem obrigar es- ses causidicos a apresentar seu client, em came e osso, e nao apenas em papel, como tem feito. Sob pena de terem seus registros profissionais cassados. Providencia de efi- cacia cirirgica proporcional A sua simplicidade, mas que s6 existira quando for providen- ciada por quem de direito. De direito mesmo. Cidadao Eduardo Grandi, que morreu no mes passado, em Bel6m, era um home de- cente. Em outro context, essa qualidade ate podia ser considerada menor. Mas Eduardo atuava como advo- gado ou consultor de empre- sas, circulando tanto na area privada quanto na esfera pilblica. Confinava sua efi- ci8ncia com um c6digo 6ti- co, defendendo os interes- ses dos seus clients, numa das mais respeitadas ban- cas advocaticias da terra, mas capaz de reconhecer o limited do interesse coletivo. E respeita-lo. Ser decent nesse uni- verso 6 virtude que merece ser louvada. Ainda mais por- que Eduardo Grandi foi sem- pre um cavaleiro, uma pes- soa cujo grau de civilidade se destacava exatamente quando enfrentava conten- dores, aceitando-os como aquele outro lado do contra- dit6rio sem o qual nao ha di- reito, nem democracia. Ven- cer nao era tudo para ele. Vencer com elegancia cons- tituia sua marca pessoal. Marca que deixou im- pressa na mem6ria dos seus amigos e da- queles que tiveram o privil6gio de dialogar profissionalmente corn ele, tornando-se aprendizes na (e da) divergencia corn esse que foi um autentico representante da cul- tura italiana trazida at& n6s, sobrevivendo integro nesta selva selvaggia e aspra e forte. Pena que Eduardo nao tenha tido tempo para concluir um de seus mais cars pro- jetos: reconstituir a hist6ria da imigragco italiana no Para. Mas se faltou-lhe a opor- tunidade de escrever, ele soube muito bem torar-se um legitimo participate dessa mesma hist6ria nos nossos dias, em que as virtudes (a virti, conforme as definia um italiano cl6ebre do sado mais remote, Maq vel) da cidadania sao p doxalmente escassas. isso mesmo, Eduardo G di deixou saudades e 1 lacuna humana. Pessoal Algu6m, no Niclec Altos Estudos Amaz6n da Universidade Federa Para, parece atribuir a goa pessoal meu artigo tra a decisao do Plade program de mestrado instituicAo, de excluir o nomista Jos6 Marcel Monteiro da Costa de 1 banca examinadora de sertacao academica. Es rego, para quem possa a tar a explicaqao, que jan me magoei com o Na Espero que a reciproca verdadeira. Mesmo que seja do lado de 1, conti fire do lado de cA. Snedito, que ja se tomaram Arte classicos sem perder a for- Ben e- a do conteido e o frescor dito Mello da novidade. e um dos O Boulevard das Artes, maiore s rs-a-baia, devia ficar para pintores os novos artists oupara os paraensesdetodos trabalhos de vanguard, paraenses deos tempos. A ex- odos experimentais, ou aque- posio t program les de visitag~ o mais ra- posiqdo programa- da para comemorar pida. A Secult apro- seus 60 anos de carreira veita-se do nome de tem tudo para ser hist6ri- BeneditoMellopara ca. Mas nao o local indica- tentarvalorizaro es- o para abriga-la. E inacei- pago, mas fere e tivel a decisao da Secreta- apequenaadimen- sao do acontecimen- ra de Cultura do Estado de to saadoacontecimen- desloca-la para a Estago das to, atravs do equal ns ocas, quando tinha a Galeria Fi- todos, indistintamente, danza, na Feliz Lusitania, comoo podemos agradecer ao caminho natural. grandeartista a opor- Al6mdoambientemaispropicio. runidade de apreciar a apreciaqfo das riquezas e sutilezas sua criao e desfru- da arte de Benedito seria favorecida tar de sua benfazeja pela iluminaqao do local. Como cus- present a fisica tou muito caro, esse sistema, in forna- Deus querendo, por izado, deve ser usado para desiacar muitos e muitos balhos to matizados como o de Be- anos ainda pas- uia- ara- Por ran- uma de icos I do ma- ,on- S, o Sda eco- ino uma dis- cla- cei- nais iea. seja nao nua Durante menos dois anos atuei no Naea como profes- sor-visitante. Foi uma bela experi8ncia para mim, um oasis de fecundidade intelec- tual em meio a tormentos profissionais e pessoais da temporada. Sai porque quis, espontaneamente, por moti- vos que torei piblicos corn tranqiiilidade e sinceridade. Mas acompanho o Naea des- de suas origens, no inicio da d6cada de 70, ora como co- laborador, ora como critic, uma atividade nao impedin- do a outra porque jamais re- nunciei ao que penso e sem- pre procurei contribuir para criar alguma coisa. Por isso mesmo, quando chamado ou convidado, sempre que pude respond present, fossem afinados ou dissonantes ou audit6rios. Alias, minha relagco com Marcelino ter sido mais de Journal Pes Editor: LQcio FIlvio Pinlo- Fones: (091) 223-; Contato: TV Benjamin ConslanI 845.203/66.053-0 Edieio de Arte: Luizantoniodela contracanto do que de unis- sono, dentro e fora do Naea. Mas quando meus contendo- res tnm a competencia dele e sua riqueza pessoal, 6 com eles que mais aprendo en- quanto professional e tam- b6m enquanto ser human. Meu prop6sito no artigo foi alertar o Naea para combi- nar os valores que import e as normas externas que Ihe cumpre obedecer com nos- sas riquezas internal e as exceq6es a regra, sem o que se favorece a burocracia em prejuizo da intelig6ncia. O que nAo fica bem numa ins- tituicgo voltada para o saber: ela deve encarar a verdade e deixar de lado miserias e picuinhas inerentes a nossa condigao humana, lamenti- vel e maravilhosa, que nos pune e nos redime, nos agri- lhoa e nos liberta. soal 7690 (fone-lax) e 241-7626 (lax! 40 -e-mail: jornal@amazon corn br riapintoa230-1304 I |
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