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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00187

Full Text




Journal Pessoal
L U C IO FL A V IO PI N TO

' 'ANO .XI -.N .238 ,1 OUINZENA DE JULHO DE 2 000. 9R 2q '-.


Justiga


Na contramao


da grilagem


s oito horas da manha do ulti-
mo dia 16, o procurador do
Estado Ibraim Rocha chegou
ao f6rum de Bel6m para fa-
zer uma sustentacgo oral em nome do
Iterpa (Instituto de Terras do Pard), de
cujo departamento juridico 6 director. Ele
iria pedir aos desembargadores da 3- ca-
mara civel do Tribunal de Justiga do Es-
tado para restabelecerem a tutela anteci-
pada do juiz de Altamira no process de
anulacgo e cancelamento dos registros
imobiliarios feitos naquela comarca em
favor da Incenxil. Cor isso, a Rondon
Agropecuiria, sucessora da Incenxil e
atras da qual esta a Construtora C. R.
Almeida, do Parana, ficaria sem poder
exercer suas pretensoes sobre uma area
de terras que diz alcancar at6 sete mi-
Ihoes de hectares. O Iterpa sustenta que
a Area pertence mesmo 6 ao Estado.
Ibraim encontrou vazio o plendrio onde
deveriam reunir-se os membros da ca-
mara. Um funcionario Ihe explicou que a
sessAo realmente fora realizada, mas aca-
bara quase meia hora antes. Os magis-
trados a haviam antecipado porque as oito
horas sairiam em excursao rodoviaria para
visitar uma comarca do interior. Na ta-
quigrafia, o director do Iterpa ficou saben-
do que, a unanimidade, a camara havia
decidido cancelar a tutela antecipada es-
tabelecida pelo juiz Torquato Alencar,
dando ganho de causa ao agravo inter-
posto pela Incenxil contra o Iterpa. As-
sim, para todos os efeitos, a empresa vol-
tou a ser a detentora legitima da Area, at6
que a matdria de direito venha a ser deci-
dida pelajustica.
O que as autoridades temem 6 que,
cor o restabelecimento da plenitude do
registro cartorial impugnado, a empresa
nomeie esse bem em garantia de sua di-
vidajunto a previdencia social no Parana
ou continue suas transaqres no mercado
de terras, cor derivaq6es para os neg6-
cios ecol6gicos. Pelo ritmo da tramitagAo


da agAo do Iterpa, proposta em 1996, a
justiqa estadual levara ainda muito tempo
para decidir quem 6 o verdadeiro dono
da area, deixando que o particular conti-
nue a dispor das terras at6 a sentenga
em instancia final.
O que chocou o procurador Ibraim
Rocha foi o inusitado procedimento da
cAmara do TJE. Normalmente, suas ses-
soes so comegam As 10 horas da manha.
Excepcionalmente, sao antecipadas de
meia hora. Talvez nunca antes, nos anais
do TJE, uma reuniao foi iniciada e con-
cluida meia hora antes de comegar o ex-
pediente regular do f6rum de Bel6m, que
abre as oito horas da manha e fecha as
14 horas (o protocolo permanece ativo at6
as 20 horas).
Uma viagem ao interior seria tAo im-
portante que justificasse prccedimento
de tal excepcionalidade? Ainda mais
porque sujeita o tribunal a um questio-
namento, o do cerceamento do direito de
defesa. Por nao ter sido previamente
avisado sobre a inusual troca de horArio
(a outra parte recebeu alguma comuni-
caqao?), o representante do Iterpa dei-
xou de fazer a sustentagao oral que es-
perava realizar. Isso nao caracteriza um
cerceamento de defesa?
Era uma das hip6teses que os dirigen-
tes do institute estavam examinando. Al-
guns achavam que era melhor deixar de
lado a proposigao de recurso, visando re-
alizagAo de nova sessAo, para permitir um
deslocamento mais rapido do feito dajus-
tiga estadual para a justica federal, medi-
da ja requerida. Mas a outra corrente era
de que a decisao da camara deveria ser
combatida para que o Estado possa con-
testar o agravo da Incenxil e manter so-
brestados os efeitos do registro imobilia-
rio das terras.
A surpreendente iniciativa do TJE,
antecipando ato que pode parecer de
menor importancia, ja que nao afeta o
mrrito da questao em litigio, adquire uma )


Edigao
Quando julho chega, sempre
penso em tirar as merecidas firias.
Mas os compromissos sempre
adiam a pretensdo ao farniente.
Neste julho abrasador, desisti das
ferias. Mas encasquetei em outro
projeto: fazer neste mes de
pernas-pro-ar ediVdes menos
datadas, mais soltas, menos
conjunturais, mais pessoais
verdadeiramente do que
amaz6nicas. Espero que o leitor
de julho, na cidade oxigenada
pela evacuagdo demogrdfica ou
nos balnedrios t6rridos, consider
este numero uma autentica edigdo
de firias. 0 editor, carregando
suas pedras metaf6ricas, se
sentird recompensado.


t~~~:U slC-csSs lr I ,~'J4t ~ J4-I~l~ I 1 r E~Ir ;F71L

*'/o d






2 JOURNAL PESSOAL -P QUINZENA DE JULHO/ 2000


)dimensao grave porque ocorre exatamen-
te quando se intensificam as investidas
sobre o patrim6nio fundiario pilblico. Por-
que esse setor foi aquecido, ha dois me-
ses a Camara Federal instalou uma Co-
missao Parlamentar de Inqu6rito. As in-
vestiga96es estdo em andamento. Um dos
seus principals alvos 6 justamente essa
area do Xingu reivindicada pelo grupo C.
R. Almeida, que saiu do dominio do Esta-
do para particulares sem a expediago do
titulo de propriedade competent. Pode
ser uma das maiores grilagens de terraja
praticadas em todo o mundo, envolvendo
centenas de milhoes de reais.
Os efeitos do registro, que estavam
suspensos ha mais de tres anos, foram
restabelecidos no final do ano passado
pelo desembargador Joao Alberto Paiva
(ver Jornal Pessoal 135) e agora con-
firmados pela 3" camara civel. Assim, a
justiga paraense parece estar se posicio-
nando no sentido oposto ao de outras ins-
tancias do poder piublico, como o execu-
tivo, o legislative e o minist6rio ptiblico,
empenhadas em impedir que particulares
se apropriem irregularmente de terras do
Estado e nao facilitando essa posse.
No mis passado, o president Fernan-
do Henrique Cardoso anunciou que o
Minist6rio do Desenvolvimento Agrario
estava cancelando o cadastro de 451 im6-
veis rurais irregularmente constituidos,
anunciando novas medidas de repressed
a grilagem. A fazenda da Incenxil s6 nao
foi incluida nessa iniciativa por um deta-
lhe elementary: o im6vel jamais foi cadas-
trado junto ao Incra (Instituto Nacional
de Colonizag9o e Reforma Agrdria). Mas
o ministerio nao tern duivida de que a area
s6 esta registrada em nome de particular
porque foi grilada. No "Livro Branco da
Grilagem", que editou, o ministerio diz que
acompanha a iniciativa do Estado para
anular o registro e cancelar a matricula
da area, reforgando a posicgo do Iterpa.
A justiqa, ao que parece, ter atuado do
outro lado da balanqa. 0


Cabanagem


T erminamos o semestre e nao saiu, como prometido,
a edicqo dos Anais do Arquivo Piblico do Para com
a documentagao do Foreign Office, o Ministerio das
Relaq9es Exteriores da Inglaterra, relative a Cabanagem,
localizada em Londres por David Cleary e remetida para
Bel6m ha quase tres anos. Trata-se da mais important base
primAria surgida em muitos anos nao s6 sobre a Cabana-
gem, mas tamb6m sobre uma face do Primeiro Imperio bra-
sileiro. Esti para ser publicada hi meses, devidamente tra-
duzida do original ingles, assim como um ensaio de Cleary
que apareceu na edigao de janeiro de 1988 da revista Com-
parative Studies in Society and History, da Universida-


de de Cambridge, nos Estados Unidos, focando a dimensdo
racial da Cabanagem.
Este journal e a Agenda Amaz6nica analisaram os docu-
mentos. Uns poucos 6rgdos da imprensa, incluida a local,
os repercutiram. E ficou nisso. Uma reacgo desproporcio-
nalmente menor face as implicacqes do que esti contido
na correspondencia dos oficiais da marinha inglesa cor o
Almirantado e o Foreign Office. Fica a cobranga pdblica
ao historiador Geraldo Mirtires Coelho, director do Arqui-
vo, para que os Anais saiam o mais breve possivel, forne-
cendo aos estudiosos material para que aprofundem a es-
crita (e, sobretudo, a reescrita) da Cabanagem. 0







JOURNAL PESSOAL lP QUINZENA DE JULHO/2000 3


Agao popular


contra Funtelpa


O Minist6rio Pfiblico aceitou a substi-
tuigo do deputado federal Vic Pires Fran-
co pelo soci6logo Domingos Conceigao
como autor da agao popular que tenta
anular o convenio assinado, em setembro
de 1997, entire a Funtelpa (Fundaqao de
Telecomunicaq6es do Para) e a TV Li-
beral, por considera-lo lesivo ao interes-
se puiblico. Pelo conv6nio, a Funtelpa paga
mensalmente 200 mil reais A emissora da
familiar Maiorana para que o sinal da TV
seja transmitido a todo o Estado, por um
transponder de satelite alugado pela
empresa. Para isso, a fundagAo estatal
cede suas estaq6es repetidoras em terra,
deixando de veicular sua pr6pria progra-
macdo para que a da Liberal, retransmis-


sora da Rede Globo, va ao ar. Como o
acerto tem duracao de cinco anos, seu
valor final serA de R$ 12 milhoes, sujeito
a corregco. At6 agora j foram pagos pelo
menos R$ 6,6 milh6es.
O parlamentar do PFL desistiu do pa-
trocinio da acgo em dezembro do ano
passado, "por motive de foro intimo".
Como "ningu6m pode ser compelido a li-
tigar", o promoter N61io Caetano Silva se
manifestou, no mes passado, a favor do
acatamento da desistencia. Aceitou tam-
b6m que Conceicao passe a ser o autor
da demand, ficando o Minist6rio Publi-
co como o fiscal da lei, acompanhando a
tramitagao do process. O promoter de
justiga nao aceitou a exclusao do gover-


nador Almir Gabriel, pedida por seu ad-
vogado, "em razao direta do grau de res-
ponsabilidade pela pratica do ato". Con-
siderou a acao "de relevant interesse
para a sociedade".
No entendimento do representante do
MP, o process esta pronto para ser de-
cidido pelo juiz da 214 vara civel, R6mu-
lo Nunes, mas o advogado de Concei-
cao quer a realizaGio da audiencia de
instrucao ejulgamento, ainda pendente,
porque promete juntar novas provas. HA,
no Tribunal de Contas do Estado, uma
inspegao extraordinaria sobrestada
aguardando a definigao judicial, a partir
de um parecer da consultoria external
contrario ao convenio. 0


Cinema


Eramos meia duzia de pessoas no
Cine Libero Luxardo a assistir Rocco e
seus irmdos, o filme de Luchino Visconti
que marcou nossa geraqao 30 anos atras.
No espago cultural ao lado, o Teatro Mar-
garida Schivazzappa, se apresentavam
grupos folcl6ricos juninos. Nao havia
muito mais gente ali. O ambiente do
Centur, cor seu antigo monop6lio que-
brado, parecia cenario do neo-realis-
mo italiano (ou seria melhor dizer: do
expressionismo alemao?). Na entra-
da comum, encontro Maria Sylvia
Nunes, cheia de vontade de ver os
nossos passaros hel6nicos ao tu-
cupi. Admiro-lhe a vibracao, par-
tilhada por Gilberto e Lilia Chaves.
Sylvia ter em casa c6pia inte-
gral em video do filme. Mas s6 o
ve em moments especiais, que
contrabalancem o clima pesado da
fita, caindo para o depressive.
Quando a luz apaga na sala de exi-
biCgo, pergunto-me porque minha
mem6ria do primeiro contato nao
registrou essa sensagao de inc6mo-
do. Mas quando as luzes voltam a
se acender, tres horas depois, dou ra-
zao a amiga: num fim de noite de sexta-fei-
ra, sozinho, surpreendido na rua por uma
chuva torrencial, enfrentando-a depois de
uma breve espera, chegando ensopado em
I casa, penso nessa sensacao agridoce de


desesperanca que Visconti deixa ao final
de sua obra (e de quase todas?).
Um aristocrata tenta colocar acima de
tudo sua consciencia social, que renega
sua classes, mas 6 afogado pela dor mo-
ral, pela angfstia de olhar em frente a
partir do que esta ao seu lado e nao divi-
sar as luzes de uma utopia (nem o prin-
cipe verdadeiramente maquiav6lico que
a realizaria), s6 aquela contraluz diluida
no horizonte, aguada. A luz do film 6
perfeita. A musica 6 fugidia, encantat6-
ria. Os atores estao inspirados. Ha algu-
ma dose exagerada de dramaticidade,
uma teatralidade grega cor um tom a
mais de artificialidade e formalismo que
polvilha de tnnue bolor (e nonsense) al-
guns moments do filme.
Mas 6 realmente uma tragedia eter-
na que estamos vendo. A verdadeira
arte incomoda, ativa id6ias e sentimen-
tos inconscientes ou adormecidos, faz
sofrer e angustiar, alegra e comove,
sublima e aprofunda, inacabada como a
vida que desabou aquosa naquela noite,
lavando o asfalto sujo da rua e trazendo
o lixo vegetal das Arvores para, no chao,
long das estrelas, recomegar o proces-
so, velho e sempre novo, que nos co-
manda e nos aniquila, oferecendo-nos o
c6u. Sem que saibamos antecipar sua
materialidade cor nossa metafisica de
serventia nula.







4 JOURNAL PESSOAL *l QUINZENADEJULHO/2000




Bundas e Pasquins:


A revista semanal Bundas com-
pletou seu primeiro ano de vida
cor motives para comemorar e
lamentar. Pode comemorar ter langado
53 edicges, melhorando sua apresentagao
e atraindo novos colaboradores. Pode la-
mentar o reajuste do exemplar muito aci-
ma da inflagdo no period: o prego de
capa passou de R$ 3,90 para R$ 4,50.
Esse encarecimento significa que os anun-
ciantes nao apareceram para compensar
a venda avulsa ao leitor num valor abaixo
do custo de produgao, prejudicando a am-
pliaqAo do public em busca de uma es-
cala de produgao segura. Esse fator su-
gere que a vida da publicagdo continue
incerta e nao sabida, temerdria.
Ziraldo, que assumiu o comando des-
sa ressurreigAo (revista e atualizada) de
0 Pasquim, divide com outros compa-
nheiros de viagem (agora tornados cola-
boradores, como Jaguar, Ivan Lessa e
Claudius) a alegria e o privildgio de repe-
tir uma empreitada alternative bem suce-
dida a grande imprensa brasileira no es-
pago de quatro d6cadas. Mas Bundas
reeeditari, no final de s6culo e milenio, o
sucesso que O Pasquim abriu no finalzi-
nho dos anos 60, garantindo sua pereni-
dade pelos pr6ximos anos?
Inegavelmente, a revista oferece
boas leituras. Traz at6 surpresas e avan-


0os que justificam compra-la e mantmr
a fidelidade de uma parte do public (mas
talvez nAo na taxa necessaria). Os leito-
res mais jovens nao contam cor um
padrao semelhante em outros veiculos
da imprensa estabelecida. O gosto de
novidade deve ser forte para eles. Mas
a desigualdade e a irregularidade sao, em
Bundas, muito maiores do que no Pas-
quim (que, com o tempo, perdeu o arti-
go do titulo). Ziraldo, hoje um empresA-
rio alternative, gragas a sua capacidade
(bem mineira) de compor interesses, at&
contradit6rios (como mostra sua outra
revista, a mensal Palavras), montou uma
colcha de retalhos.
Nao 6 um projeto editorial s6lido, con-
sistente. A composigdo de uma edigAo
da a impressao de obedecer mais a gra-
vidade natural das colabora96es do que
a uma diretriz magnetizadora, corn cri-
tdrios perceptiveis pelo leitor. Ha mo-
mentos sublimes, como em Luiz Fernan-
do Verissimo, e outros deplorAveis, como
em muitos que parecem ter-se agrega-
do A revista pelo principio do heliotro-
pismo (atraidos pela luz de holofotes que
podem tira-los do anonimato).
Para quem ja bate letras na estrada
cultural ha tempos, Bundas se apresen-
ta como um produto decafeinado, dilui-
do, uma c6pia que ja nao guard a pro-


porgao do tempo. E a expressAo de uma
vanguard intellectual ainda made in Ipa-
nema, criativa, talentosa, mas marcada
por aquilo que se chamava de radicalis-
mo pequeno-burgues (isto 6, inconse-
qiente), nos anos em que a sociologia,
nao tendo chegado ao poder, tirava coti-
dianamente a temperature da sociedade
brasileira. Um radicalismo infantil, ret6-
rico, modista. De anatemas e glorifica-
96es igualmente sem fundamentagao,
superficiais.
Nada reflete mais essa prAtica do que
o incident envolvendo o escritor Joio
Ubaldo Ribeiro, autor de um romance
que ja 6 um legitimo classico da nossa
literature, Viva o povo brasileiro. Nil-
meros atras, o cartunista Miguel Paiva
abriu uma entrevista com Joao Pedro
Stedile, o lider do MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra), fa-
zendo referencia a intelectuais de cen-
tro-esquerda que estavam manifestan-
do pela imprensa uma posicao contrAria
ao MST, acusando o movimento de ra-
dicalizar seus atos. Entre tais intelectu-
ais, JoAo Ubaldo foi incluido.
Ao chegar de Lisboa e ver a matd-
ria, o escritor baiano reagiu com tal fli-
ria que nem os panos quentes de Ziraldo
conseguiram aplacar. Mesmo assim,
apresentando a carta de Ubaldo, o edi-


Cartas
Amateria "0 mercado ver-
de e seus sacerdotes"
(JP n2 237) saiu cor al-
gum, digamos assim, senao intro-
dut6rio. Porem o assunto sobre o
suposto "acordo de cooperagdo",
da OS Bioamaz6nia (?) corn o po-
deroso laborat6rio suigo ficou
bem caracterizado. O que nos dei-
xa, a voc6 estupefacto e a mim
escandalizado, 6 a frieza dos sig-
natirios ao defenderem a lamban-
9a. Uma negocia~go de tal magni-
tude nao deveria ser decidida de
maneira tdo simpl6ria, como es-
tao querendo nos impingir. Acha-
mos que hA sabedoria e cumplici-
dade nisso tudo, precisamos ave-
riguar corn urgencia. Esse fato in-
decoroso algo assemelhado a
perda de soberania 6 o apice
do chamado process de globa-
lizagdo. Esse vocibulo tao em
voga, que os liberals inventaram,
nada mais 6 do que o imperialis-
mo de antanho.


O mercado, segundo a nove-
la privatista xiita do ex-presiden-
te do Banco Central, sr. Gustavo
Franco, sera o protagonista mai-
or da hist6ria econ6mica. Os go-
vernos serao suprimidos, vatici-
nam os liberals empedernidos.
Nessas tltimas decadas, prolife-
ra no meio social uma certa cate-
goria de pessoas, que se notabi-
lizam por terem estudado na FGV,
PUC, USP e UNICAMP, com p6s-
graduacAo no exterior (Cambrid-
ge, Harvard, M. I. T. e Oxford),
que assessoram e dao suporte
te6rico aos politicos e grandes
conglomerados industriais/finan-
ceiros, sempre mal intencionados.
O contrato commercial assinado
com a Novartis 6 fruto desse ca-
samento incestuoso. Aqui em
Belem temos os seus represen-
tantes, voc6 deve conhecer al-
gum. A prop6sito, surgiu a id&ia
de um novo Fundo Privado, des-
tinado a atrair investidores naci-


onais e estrangeiros para a Ama-
z6nia. A noticia, de primeira mao,
foi langada na provincia por um
executive, com transito livre no
poleiro dos tucanos. Assunto re-
servado para a pr6xima quinzena.
Rodolfo Lisboa Cerveira


Aprop6sito da mat&ria "O
president e o soci6lo-
go, o medico e o mons-
tro" (JP n- 237), gostaria de fazer
alguns comentirios.
Concordando que o ser hu-
mano nao e unidimensional, acres-
cento ao ser human FHC mais
uma dimens5o: a da moralidade.
Portanto, enquanto um ser moral,
ele tern que responder por seus
atos e as implicag9es destes.
E ai que quero centralizar os
arguments. Antes de assumir o
papel de president, no de soci6-
logo, FHC elaborou teorias ten-
do como objeto de estudo a reali-


dade brasileira e suas contradi-
q6es. Sugeriu soluq6es para os
graves problems de nossa soci-
edade. Apontou rumos, metas,
mediante principios que, postos
em pratica, quica atingissem seus
objetivos. Fazendo um paralelo
cor um outro cientista, digamos,
um Eng" quimico, que estudasse
elements da natureza e a partir
dos estudos, experimentasse f6r-
mulas, e das formulas chegasse a
vacinas e rem6dios, nada mais
natural que do soci6logo brilhan-
te, cujas teorias apontavam solu-
c6es, ao assumir uma condigao
em que as pudesse p6r em prati-
ca, que assim o fizesse. Ele tinha
o dever moral de buscar na prati-
ca o que sugeriu em tese, nem que
fosse obrigado a desafiar pode-
rosos inimigos. Inclusive porque
o fundamento de sua produgao
intellectual foi a realidade concre-
ta de homes concretos, cor
seus problems concretos. A re-







JOURNAL PESSOAL QUINZENA DEJULHO/2000 5





o Brasil em alegoria


tor da revista tentou amenizar a contun-
d6ncia epistolar explicando que na con-
fusao de 20 entrevistadores tentando
apontar (dedurar?) nomes que estives-
sem partilhando a mesma posigao anti-
MST, para engrossar a lista dos execra-
dos (feijoada mental na qual todos me-
tem a mao para colocar seu ingredient
pessoal, azedando o resultado), o respon-
savel pela transcriqao da entrevista do
gravador teve que fazer um sumArio um
tanto arbitrario e atribuiu aqueles nomes
a um s6 entrevistador, Miguel Paiva.
A corre9ao foi de meia-sola. Havia
11 e nao 20 entrevistados a mesa. Nao
6 a mesma coisa. A revista nao publi-
cou a errata de moto pr6prio, mas ape-
nas quando acionada, dois numeros de-
pois, por Joao Ubaldo. O tom da entre-
vista original nao deixava dtivida sobre
as intenq6es inquisitoriais, tanto que Mi-
guel, de volta ao papel de Torquemada,
declara-se em um PS "aliviado" por sa-
ber que Ubaldo "nao se colocou publi-
camente contra o MST".
Ora, o escritor baiano pode colocar-
se a vontade contra o MST, jA que es-
tamos numa democracia. Nao 6 por ser
a favor ou contra o movimento que me-
rece, como premissa, ser exaltado ou
condenado, mas pelos arguments que
express. Sem examiner os motives de


Ubaldo nao se pode dizer que ele 6 a
favor ou contra, se estA certo ou erra-
do, se 6 ou nao convincente, exceto se,
por um dogma categ6rico, o que se dis-
cute 6 se ele deve ir para o c6u ou o
inferno em funcao de virtudes ou peca-
dos devidamente catalogados em cate-
cismo ou manual.
Ja o autor de Sargento Gettlio tem
o direito de explodir contra o ato de
"maucaratismo" de que foi vitima. Mas
como primeiro impulso. Nao como ati-
tude finalista (ou, entao, para que 6 inte-
lectual?). Se nao tivesse sido tao injus-
tamente exposto perante a opiniao pfi-
blica, ele teria escrito para a revista, di-
zendo-lhe "que se estrepe sozinha, como
fervorosamente desejo e como 6 de seu
inescapivel destiny, se seu costume e
agir dessa forma"?
O destiny talvez venha a ser at6 me-
recido, mas antes 6 precise examiner
cor vagar e racionalmente a revista,
contribuindo para a corregao de seus
erros e a melhoria de suas qualidades.
Pelo menos at6 que, renitente na prdtica
dos seus vicios, nos faca perder as es-
peranqas na contribui9ao que ela pode
dar ao jornalismo brasileiro, cujo nivel
temos motives suficientes para lamen-
tar (sem chegarmos ao niilismo de acei-
ta-lo como algo inevitavel, lavando as


maos para ganhar um lugar amorfo de
Pilatos no Credo).
Se, Ajusta indignagio, Joao Ubaldo
acrescentasse o produto de sua inteli-
g6ncia e uma coragem decidida, talvez
pudesse ter identificado em sua carta
qual foi "um dos jornais para que es-
crevo" que Ihe deu "'demissao' volun-
tAria" em fung~o de uma das crbnicas
que escreveu em favor do MST. O ano-
nimato indica esperanga de voltar ao
6rgao da censura induzida, aceitando
reconhecer como voluntario o que, na
verdade, foi imposto, para dessa ma-
neira nao fechar definitivamente a por-
ta? Civilidade ou oportunismo?
Conversar com os intelectuais de Ipa-
nema (torado o bairro como refer6ncia
apenas por seu valor simb6lico) 6 muito
bom, assim como usufruir dos produtos
de sua intelig6ncia. Mas depois temos
que tomar p6 de um Brasil muito maior
e e precise, entao, descer A realidade.
No nivel em que atuam instituic6es
como Bundas, lida-se com perfumaria
preciosa e biscuits delicados demais
para um pais do tamanho desse nosso
paquidermico continent disfargado de
nagdo. Pasquins e Bundas funcionam
nesse cenario como celul6ides, inten-
sos e verdadeiros at6 que sejam ace-
sas as luzes do ambiente. 0


alidade brasileira que o motivou
a elaborar brilhantes teorias, 6 a
mesma, senao pior, em meio a qual
assumiu a presid6ncia.
Ele optou, como diz ojorna-
lista, pela conciliacqo, em opcqo
As reforms sociais. Ele fugiu de-
las, acovardou-se diante do po-
der das elites que tanto criticou
em suas teses.
Diante disso, nAo creio ser
possivel uma separaloo estanque
das duas dimens6es presidente-
e-soci6logo, como se o intelectu-
al FHC nao pudesse ser respon-
sabilizado por sua mediocre omis-
sao enquanto politico!
Resta saber o que ele fara de-
pois que deixar a presidencia.
Sendo verdade que pediu fosse
esquecido o que escreveu, tera
coragem de assumir novamente
suas teorias? Voltara a ser o inte-
lectual cujas teses o levaram ao
exilio, porque representavam
ameaqas ao "establishment"


mantido a custa do sacrificio de
pessoas como ele pr6prio (al-
guns foram para o exilio, outros,
para a cova)?
Quem dara credito A sua pro-
dugao intellectual future, se ppas-
sado, para nAo larger o poder, ele
mesmo renegou,jogando-o para
o lixo, constituindo-se na perfei-
ta materializadao contraria do jar-
gao popular "faca o que eu digo,
nao o que eu fago!"?
As elites brasileiras sabem
muito bem anular aqueles que
Ihes ameagam. Na ditadura, lon-
ge do poder, o intellectual FHC
pagou o prego por sua coragem,
sendo mandado para o exilio. Ao
chegar a presid6ncia e nela se
manter, sorvendo as gl6rias do
poder, o outrora corajoso inte-
lectual capitulou, aceitando pa-
gar o prego imposto pelas eli-
tes: o president FHC mandoa
para o exilio o intellectual FHC.
Cl6vis Luz da Silva


MINHA RESPOSTA
Os militares pensaram que
o sociologo Fernando Henri-
que Cardoso era marxista. 0
pr6prio algumas vezes aceitou
ser assim apresentado. Mas
nuncafoi marxista. No maximo,
marx6logo. Talvez um pouco
mais do que seu mestre, Flores-
tan Fernandes, que at6 se dizia
revoluciondrio e, sincera-
mente, esforgou-se para tal -,
mas, nofundo, era um neofun-
cionalista (para que uma eti-
queta?). Dentre todos os mui-
tos livros de Florestan, o que
ficardpara sempre, no meu en-
tender, 6 A fun~do social da
guerra na sociedade Tupinam-
bd, que nada ter a ver com a
literature political, mas e um
trabalho maravilhoso de re-
construgdo hist6rica.
Jd FHC estava numa escala
de naior aproximac6o do mar-
xismo, que conhecia como pou-


cos, incluidos os militants co-
munistas (que, porfalar nisso,
leem pouco, muitos restringin-
do suas leituras a um patud ca-
tequetico). Mas queria a refor-
ma, ndo a revoludo. Quem for
realmente ler seus livros, verifi-
card que ele 6 mais coerente na
aplicacao de suas id6ias do que
dizem seus critics a esquerda.
Merece critics ndo por haver
esquecido a revolugdo, que
nunca defended (ou renunciar
a ideias que Ihe atribuem, sem
ser efetivamente dele), mas por
estar promovendo no Brasil
uma reform mais diluida do
que afaria um conservador au-
t6ntico. Assim, ndo tratei de duas
pessoas estanques, mas da dind-
mica de uma complexidade que
a maioria da esquerda, para efei-
to politico, esquematiza. 0 que
naopiora FHC, aqu6m do quejd
6, nem melhora a esquerda, al6m
do que ter sido. 0






6 JORNALPESSOAL *' QUINZENADEJULHO/2000




Jornalismo macarronico


S 6 ha uma coisa mais chata do que
errar: e corrigir o erro. No entan-
to, por dever professional e cons-
ciencia 6tica, devemos corrigi-lo e pu-
blicamente, seja para evitarmos repetir o
erro, como para instruir os cidadaos a nao
comete-lo. Sempre iremos errar. A meta
consiste em s6 errar no varejo, em deta-
Ihes menores. E assim que estabelece-
mos nosso conceito professional e conquis-
tamos credibilidade pfiblica (inclusive con-
tra as felonies inevitiveis dos magarefes
da honra alheia disfargados de jornalis-
tas, quando contrariados).
Os internautas tem recebido uma an-
tol6gica relagdo de p6rolas recolhidas da
sefio "Erramos", da Folha de S. Pau-
lo. Confesso que essa 6 uma das parties
que leio cor mais concentraqao no jor-
nalao paulistano. Acumulo material ha
anos para um dia utilizi-lo (um dos tan-
tos projetos deixados para quando a fase
derradeira da vida chegar, se chegar, a
partir dos 60). Em primeiro lugar, reve-
renciando a coragem da folha dos Frias
de admitir sua falibilidade (virtude ex-
purgada de outros jornais grandes, in-
comparavelmente mais faltosos, como O
Liberal). Mas logo me vem, como se
fosse um susto, um sentiment antag6-
nico: 6 dificil aceitar que um journal tao
important cometa cor tanta freqi~n-
cia erros tao primarios, como os aponta-
dos na secao.
Como se pode ver na listagem (parci-
almente reproduzida na semana passada
no Didrio do Para), alguns deles sao gro-
tescos, pat6ticos, quase impossiveis. So-
mos tentados a concluir que s6 poderiam
aparecer mesmo na Folha de S. Paulo,
o journal mais dado a autocritica (que, em
funcdo da sua contumicia, chega as rai-
as da in6rcia masoquista). A redagao do
journal 6 constituida em sua maioria por
jovens candidatess a yuppies iconoclas-
tas, como o sumo-sacerdote Octavinho
Frias), graduados pelo curso de comuni-
caqao social, cor alguma carreira aca-
demica e "queda" pelo mundo cultural.
Sao auto-suficientes, mas seu conhe-
cimento 6 derivado mais da vida literaria
do que da atividade literaria, no circuit
de bares eflats, teatros e sales. Ouvem
muito galo cantar, mas nAo vAo conferir
se foi mesmo o galo quem cantou. LUem
pouco. Quando leem, raramente vao d
fonte. Mas ouvem muito falar. Recebem
bastante informagioja tratada,juizo pron-
to, cabega feita. Nio se dAo ao desgas-
tante trabalho de ir checar por seus pr6-


prios meios, usando a cabega e tamb6m
os instintos.
Deixei de lado algumas das erratas
que sao apenas sinal de falha individual.
Fiquei com as que caracterizam um gra-
ve problema de formaqao e prdtica jor-
nalistica (e intellectual em geral). Pelo
fato de circularem em campi universi-
tarios, muitos estudantes de comunica-
9io consideram-se capazes dejulgar sem
discernir, de chegar ajuizos de valor fi-
nais sem dispor antes dos elements de
demonstraqao e comprovagio, de julgar
antes de ouvir, de presumir antes de des-
cobrir. Perderam a malicia forjada nas
ruas (encarar os fatos sem a media9go
ou ocultagio dos press-releases), em-
botaram os instintos, dispensaram o va-
lor da experi8ncia e do conhecimento
empirico, exalando e exaltando um aca-
demicismo sem verdadeiro saber, uma
cultural sem conteUido,jomalistas que nio
l1em sequer jornais.
Em vdrios pontos ajudaram a melho-
rar ojomalismo, que nio era nenhum pri-
mor, muito pelo contririo. Mas em nu-
merosos outros fizeram-no involuir. Nao
tem culpa. E o produto de uma concep-
9io deformada de formaqio, que nega
a essencia do jornalismo ao tentar re-
forma-lo (autoritariamente, a partir da lei
de imprensa, de 1967, e da regulamen-
tagdo professional, de 1969). Os frutos
nefastos estao sendo colhidos agora. E
uma incultura que grassa veloz que nem
erva daninha.
Uma sele9ao de cinco anos da erra-
ta da Folha mostra que as distorgoes
cristalizaram, transformando em regra o
que deveria ser excecgo. Tendo chega-
do ao cumulo de corrigir a errata, a Fo-
lha s6 pecou por considerar equivocado
um lapso que diz melhor do que a forma
correta: um texto que tratou como ban-
do Oportunitty o banco que leva esse
nome, camuflando em outra lingua o que
na nossa diz mais sobre oportunismo do
que sobre oportunidade. At6 a ironia tor-
nou-se involuntaria.
Ha p6rolas capazes de provocar
aquela reaqAo que imortaliza as com6-
dias morals do cinema italiano: riso e li-
grimas. Passado o riso, e hora de refle-
tir sobre o prego do humor nao intencio-
nal, que sempre e caro.
Uma salegao da selecgo das erratas:
Saiu grafado incorretamente na
edicdo de ontem o plaral de fuzil-me-
tralhadora. 0 certo e fuzis-metralha-
doras, e ndo fuziveis-metralhadoras,


como foi publicado na pdg. 1-14 de
Brasil. (13.set.91) (Nesse plural, fuziveis
perde qualquer contato cor fuzis, sem
que o autor perceba.)
A reportagem "Presidente teri fai-
xa nova na posse", publicada anteon-
tem, na pdg. 1-11 (Brasil), refere-se in-
corretamente d efigie da Repdblica
como esfinge da Reptblica. (8.dez.98)
(Qualquer outro erro de grafia seria ve-
nial; esse & mortal.)
0 autor de "Dom Quixote de La
Mancha" e Miguel de Cervantes, e
ndo Manoel, como saiu publicado no
texto "Dom Quixote" vira "nordestino
na Globo ", d pdgina 5 do TV Folha
da edigdo de anteontem. (19.out.99) (O
erro talvez derive da falta do minimo de
familiaridade com o tema. E ainda assim
o autor quis fazer ironia com terceiros.)
Os irmdos Naves, vitimas de erro
judicicrio, foram condenados a 25
anos e 6 meses de prisdo na decada
de 30 governoro Getulio Vargas) e pos-
tos em liberdade condicional oito anos
depois por bom comportamento. Ndo
foram condenados a morte na 4poca
do Impirio, nem escaparam da execu-
cdo devido a favors imperiais, como
afirmou reportagem publicada dia 26
de marco, na pdg. 2 do caderno Sdo
Paulo. (13.abr.95) (Tal confusao s6 &
possivel por falta da menor intimidade com
o assunto abordado.)
Diferentemente do que informou o
Contraponto de 7/12, publicado d pdg.
1-4 (Brasil), o fil6sofo Jose Arthur Gi-
annotti ndo mora em um apartamento,
mas em uma casa. (9.dez.95)
Diferentemente do publicado na colu-
na 'Brasilia' de ontem, d pcg. 1-2 (Opi-
nido), o secretdrio da Seguranca de
Sao Paulo, Jose Afonso da Silva, nao
e safenado, ndo sofre de isquemia co-
ronariana nem recebeu orientacdo
mbdica para evitar problems emocio-
nais. (5.abr.97) (De onde o reporter ti-
rou todas essas informaq6es?)
Diferentemente do que foi publica-
do em 29/11, na pdg. 5-7 (Folhinha),
o tatu nao nasce de um ovo. Ele e um
mamifero placentdrio, que se desenvol-
ve na barriga de sua mde. (6.dez.97)
(Uma prosaica consult a enciclop6dia
evitaria tal erro.)
0 quadro da edivdo de 9/1 de 'Ci-
dncia', referente d reportagem "Viagra
para mulher", d pdg. 25 do caderno
Mais!, indica erroneamente a vagina
no local do dnus. No mesmo quadro, o







JOURNAL PESSOAL. 1QUINZENADE JULHO/2000 7




para rir e para chorar


testiculo estd incorretamente indicado
no local do escroto. (14.mar.00) (Se, ao
inv6s de escrever, o reporter usasse seus
conhecimentos de anatomia para praticar
o ato sexual, o que faria?)
Diferentemente do que foi publi-
cado no texto "Artistas 'perifiricos'
passam despercebidos", d pdg. 5-3
da ediqdo de ontem da Ilustrada, Je-
sus ndo foi enforcado, mas crucifi-
cado, e a frase "No principio era o
Verbo" estd no Novo, ndo no Velho
Testamento. (7.dez.94)
Em alguns exemplares da ediado
de 30 de marco de Esporte, foi in-
formado incorretamente d pag. 4-3
que o personagem biblico J6 criou a
arca que salvou as especies animals
do diluvio. Foi Noe quem construiu
a arca. (6.abr.95) (Pelo visto, a edicgo
da Biblia que circula pela redagAo da
Folha 6 do Casseta & Planeta.)
Na nota "Baldo ", da coluna Joyce
Pascowitch, publicada d pag. 5-2
(Ilustrada) de 18/
12,


,,


onde se 1I "bando Opportunity", leia-
se bancoo Opportunity". (21.dez.95)
Diferentemente do que foi publica-
do a pdgina 2-9 de 29 de maio, na re-
portagem "Estrutura political do Bra-
sil e um desastre", a regido da Cali-
f6rnia, nos Estados Unidos, onde se
concentram as induistrias de computa-
dores e conhecida como Vale do Sili-
cio. (18.jun.94) (Em ingles, Silicon Val-
ley. Saiu publicado Vale do Silicone).
A expressed em ingles "piss and vi-
negar" foi traduzida incorretamente,
de forma literal, por "mijo e vinagre",
na pag. 7 do suplemento "Time" pu-
blicado ontem. A giria e usada para


..t
-... ,


dizer que uma pessoa ter pique, ener-
gia. (12.mar.99) (Sem muita vivencia, o
autor nao deve se lembrar do velho bro-
cado popular: nem tudo que reluz e ouro,
nem tudo que balanga, cai.)
0 mtsico Carlos Santana e guate-
malteco, e ndo mexicano, como infor-
mou reportagem d pag. 4-3 (Ilustrada)
de ontem. (12.mar.96)
Diferentemente do que informou on-
tem esta secdo, o musico Carlos Santa-
na e mexicano. (13.mar.96)
Diferentemente do que foi publicado a.
pag. 1-14 (Brasil) da edico de 19/3, a
Segunda Guerra Mundial comeqou em
1939, os EUA entraram na guerra em
1941, a Guerra dos Seis Dias foi em
1967, o president Richard Nixon (EUA)
renunciou em 1974, Margaret Thatcher
assumiu o poder no Reino Unido em
1979, o Muro de Berlim caiu em 1989,
e o Iraque invadiu o Kuait em 1990.
(27.set.95) (Talvez essa tenha sido a cro-
nologia mais errada em um s6 textojorna-
listico em todos os tempos.)
Texto d pag. 4-4 (Esporte) de on-
tem informou incorretamente que a ci-
dade de Santa Cruz de la Sierra, na
Bolivia, fica no litoral. (7.abr.00). (A
Bolivia nao ter litoral, como sabe qual-
quer colegial). 0



Vida
Como ja sabem os leitores,
ndo hd mais assinatura deste
journal para Belem. As
remanescentes se consumardo
nos pr6ximos ntmeros. Serdo
renovadas apenas as
assinaturas de outros
municipios do Part, que ndo o
da capital, e de outros
Estados. E o teste final de
sobrevivdncia deste JP. Mais
do que nunca, sua
continuidade dependerd
exclusivamente da persistencia
do seu leitor.


';:~n

h
L!








Sil ncio
A OAB/ParA ainda nao
responded ao oficio do rela-
tor da CPI das Terras da CA-
mara Federal, deputado S6r-
gio Carvalho. Ele pediu pro-
videncias da Ordem contra os
advogados que se apresentam
como prepostos ou procura-
dores de Carlos Medeiros,
fantasma atrAs do qual se es-
conde uma audaciosa quadri-
lha de grileiros que pretend
se apossar de nada menos do
que 12 milhoes de hectares de
terras no Para.
Basta a Ordem obrigar es-
ses causidicos a apresentar
seu client, em came e osso,
e nao apenas em papel, como
tem feito. Sob pena de terem
seus registros profissionais
cassados. Providencia de efi-
cacia cirirgica proporcional A
sua simplicidade, mas que s6
existira quando for providen-
ciada por quem de direito. De
direito mesmo.


Cidadao
Eduardo Grandi, que
morreu no mes passado, em
Bel6m, era um home de-
cente. Em outro context,
essa qualidade ate podia ser
considerada menor. Mas
Eduardo atuava como advo-
gado ou consultor de empre-
sas, circulando tanto na area
privada quanto na esfera
pilblica. Confinava sua efi-
ci8ncia com um c6digo 6ti-
co, defendendo os interes-
ses dos seus clients, numa
das mais respeitadas ban-
cas advocaticias da terra,
mas capaz de reconhecer o
limited do interesse coletivo.
E respeita-lo.
Ser decent nesse uni-
verso 6 virtude que merece
ser louvada. Ainda mais por-
que Eduardo Grandi foi sem-
pre um cavaleiro, uma pes-
soa cujo grau de civilidade
se destacava exatamente
quando enfrentava conten-
dores, aceitando-os como
aquele outro lado do contra-
dit6rio sem o qual nao ha di-
reito, nem democracia. Ven-
cer nao era tudo para ele.
Vencer com elegancia cons-
tituia sua marca pessoal.


Marca que deixou im-
pressa na mem6ria
dos seus amigos e da-
queles que tiveram o
privil6gio de dialogar
profissionalmente
corn ele, tornando-se
aprendizes na (e da)
divergencia corn esse
que foi um autentico
representante da cul-
tura italiana trazida
at& n6s, sobrevivendo
integro nesta selva
selvaggia e aspra e
forte.
Pena que Eduardo
nao tenha tido tempo
para concluir um de
seus mais cars pro-
jetos: reconstituir a
hist6ria da imigragco
italiana no Para. Mas
se faltou-lhe a opor-
tunidade de escrever,
ele soube muito bem
torar-se um legitimo
participate dessa
mesma hist6ria nos
nossos dias, em que
as virtudes (a virti,
conforme as definia
um italiano cl6ebre do
sado mais remote, Maq
vel) da cidadania sao p
doxalmente escassas.
isso mesmo, Eduardo G
di deixou saudades e 1
lacuna humana.


Pessoal
Algu6m, no Niclec
Altos Estudos Amaz6n
da Universidade Federa
Para, parece atribuir a
goa pessoal meu artigo
tra a decisao do Plade
program de mestrado
instituicAo, de excluir o
nomista Jos6 Marcel
Monteiro da Costa de 1
banca examinadora de
sertacao academica. Es
rego, para quem possa a
tar a explicaqao, que jan
me magoei com o Na
Espero que a reciproca
verdadeira. Mesmo que
seja do lado de 1, conti
fire do lado de cA.


Snedito, que ja se tomaram
Arte classicos sem perder a for-
Ben e- a do conteido e o frescor
dito Mello da novidade.
e um dos O Boulevard das Artes,
maiore s rs-a-baia, devia ficar para
pintores os novos artists oupara os
paraensesdetodos trabalhos de vanguard,
paraenses deos tempos. A ex- odos experimentais, ou aque-
posio t program les de visitag~ o mais ra-
posiqdo programa-
da para comemorar pida. A Secult apro-
seus 60 anos de carreira veita-se do nome de
tem tudo para ser hist6ri- BeneditoMellopara
ca. Mas nao o local indica- tentarvalorizaro es-
o para abriga-la. E inacei- pago, mas fere e
tivel a decisao da Secreta- apequenaadimen-
sao do acontecimen-
ra de Cultura do Estado de to saadoacontecimen-
desloca-la para a Estago das to, atravs do equal ns
ocas, quando tinha a Galeria Fi- todos, indistintamente,
danza, na Feliz Lusitania, comoo podemos agradecer ao
caminho natural. grandeartista a opor-
Al6mdoambientemaispropicio. runidade de apreciar
a apreciaqfo das riquezas e sutilezas sua criao e desfru-
da arte de Benedito seria favorecida tar de sua benfazeja
pela iluminaqao do local. Como cus- present a fisica
tou muito caro, esse sistema, in forna- Deus querendo, por
izado, deve ser usado para desiacar muitos e muitos
balhos to matizados como o de Be- anos ainda


pas-
uia-
ara-
Por
ran-
uma




de
icos
I do
ma-
,on-
S, o
Sda
eco-
ino
uma
dis-
cla-
cei-
nais
iea.
seja
nao
nua


Durante menos dois anos
atuei no Naea como profes-
sor-visitante. Foi uma bela
experi8ncia para mim, um
oasis de fecundidade intelec-
tual em meio a tormentos
profissionais e pessoais da
temporada. Sai porque quis,
espontaneamente, por moti-
vos que torei piblicos corn
tranqiiilidade e sinceridade.
Mas acompanho o Naea des-
de suas origens, no inicio da
d6cada de 70, ora como co-
laborador, ora como critic,
uma atividade nao impedin-
do a outra porque jamais re-
nunciei ao que penso e sem-
pre procurei contribuir para
criar alguma coisa. Por isso
mesmo, quando chamado ou
convidado, sempre que pude
respond present, fossem
afinados ou dissonantes ou
audit6rios.
Alias, minha relagco com
Marcelino ter sido mais de


Journal Pes
Editor: LQcio FIlvio Pinlo- Fones: (091) 223-;
Contato: TV Benjamin ConslanI 845.203/66.053-0
Edieio de Arte: Luizantoniodela


contracanto do que de unis-
sono, dentro e fora do Naea.
Mas quando meus contendo-
res tnm a competencia dele
e sua riqueza pessoal, 6 com
eles que mais aprendo en-
quanto professional e tam-
b6m enquanto ser human.
Meu prop6sito no artigo foi
alertar o Naea para combi-
nar os valores que import
e as normas externas que Ihe
cumpre obedecer com nos-
sas riquezas internal e as
exceq6es a regra, sem o que
se favorece a burocracia em
prejuizo da intelig6ncia. O
que nAo fica bem numa ins-
tituicgo voltada para o saber:
ela deve encarar a verdade
e deixar de lado miserias e
picuinhas inerentes a nossa
condigao humana, lamenti-
vel e maravilhosa, que nos
pune e nos redime, nos agri-
lhoa e nos liberta.


soal
7690 (fone-lax) e 241-7626 (lax!
40 -e-mail: jornal@amazon corn br
riapintoa230-1304


I