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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00185

Full Text



omrnal Pessoal
L U C IO F L A V IO PI N TO
ANO XIII N< 236 1' QUINZENA DE JUNHO DE 2000 R$ 2,00

IBAMA


0 "pega, ladrao"


De paladino da causa ecoldgica, o ex-superintendente do Ibama no Pard, Paulo
Castelo Branco, surge como chefe de quadrilba, usando o trdfico de influOncia
para extorquir madeireira. Cor sua prisdo, na semana passada, a policia
comegou a levantar um tapete que esconde sujeira acumulada hd tempos. A
duvida, agora, e saber se a varrigdo serd complete.


buloso epis6dio envolvendo o
representante do Ibama (Insti-
tuto Brasileiro do Meio Ambi-
ente e dos Recursos Naturais Renova-
veis) no Pard, Paulo Castelo Branco, era
se as imagens dele captadas pelas cama-
ras de televisao instaladas no aeroporto
de Brasilia, na quarta-feira da semana
passada, caracterizaram um flagrante de
extorsio. Tecnicamente, nio caracteriza-


ram: depois de ter surpreendido os agen-
tes da Policia Federal, comparecendo
pessoalmente (e nao mandando mais umr
intermedidrio), como se supunha ao ae-
roporto para receber os 500 mil reais le-
vados de Belem pelo director da Eidai do
Brasil, ojapones Takueshi Sato, Castelo
Branco evitou segurar na pasta cor o
dinheiro. Ao ser flagrado pelos dois fe-
derais e preso, o ex-representante do Iba-
ma caminhava ao lado de Sato e do seu


preposto na chantagem, Akihito Tanaka,
indo em diregqo ao carro que os espera-
va no estacionamento (dirigido por um as-
sessor parlamentar do senador Ademir
Andrade).
Mas nao era precise que Castelo
Branco estivesse com o dinheiro em mros
parajustificar sua prisio. A cena iria ser-
vir menos para sustentar o flagrante, que
acabou sendo relaxado pelojuiz da 14 vara
dajustiga federal em Belem, e mais para )


F
J6 '3







2 JOURNAL PESSOAL QUINZENA DE JUNHO/ 2000


reforCar a tese do trafico de influencia,
que acabou sendo reconhecida para a
decretagao da prisao preventive, e mais
para reforcar as provas ja existentes. Na
semana anterior, Castelo Branco estive-
ra negociando em Bel6m com o director
da Eidai uma maneira de livrar a empre-
sa dos autos de reincidencia em crime
ambiental, ao utilizar madeira extraida ile-
galmente da floresta.
Era, sob a protegao de um encontro
reservado (mas inteiramente gravado pelo
director da madeireira japonesa), uma ati-
tude diametralmente oposta a apresenta-
da pelo representante do Ibama a opiniao
public, especialmente as concorridas e
espalhafatosas operac6es punitivas que
organizava e executava no interior do
Estado, sempre que a imprensa aceitas-
se acompanha-lo em parceria conivente.
Ou mesmo uma ONG tao famosa como
a Greenpeace, aliada de Castelo Branco
num flagrante de utilizagao de madeira
de origem suspeita montado exatamente
contra a Eidai, em sua fabric de Bel6m.
Ao inves de paladino da causa ecol6-
gica, o Castelo Branco que emerge da
gravagao 6 um servidor piblico que cria
dificuldades para vender facilidades.
Esse m6todo de extorsao 6 velho, mas
Castelo Branco revestiu-o de uma apa-
rencia glamurosa, criando um palco no
qual interpretava o papel de Robin Hood
da natureza. Para isso contou com a fal-
ta de criterios de entidades que se filia-
ram a defesa da natureza, mas sem con-
dig9es de discernir com quem estao an-
dando, e de uma imprensa capaz de ce-
der os mais elementares principios pro-
fissionais para ter exclusividade na cap-
tagao de cenas de impact e informag6es
privilegiadas, desinteressando-se da ques-
tao a partir do moment em que obt6m
tais rendimentos.
At& a v6spera inimigo de uma ines-
crupulosa madeireira, na conversa de 19
de maio Castelo Branco oferece seus
servigos justamente a empresa que divi-
de, com a G. D. Carajas, a lideranga no
ranking de multas aplicadas pelo Ibama.
Por que, ao inv6s de seguir os trdmites
legais e provar que as multas sao indevi-
das, a Eidai deveria negociar por baixo
dos panos uma solugao illegal? Castelo
Branco lembra a seu interlocutor, em lin-
guagem tipica de gangsters, que no fla-
grante armado com o Greenpeace foram
apreendidas apenas sete toras, mas mes-
mo assim "viu o escdndalo que foi? Nin-
gu6m quis saber se eram sete metros, nin-
gu6m quis saber se tavam enganados...
O que 6 que o pessoal quis saber? Que
era da Eidai. Entao, na hora que voce
coloca que a Eidai do Brasil tem 98 rein-


cidencias de multas, ningu6m quer saber
se pagou ou nao pagou, o que foi... Vai
dizer, p6, que ela teve 98 reincid6ncias de
multa, entao ela ta desmatando a vonta-
de e refazendo e refazendo. Sabe como
e... a imprensa consegue".
A Eidai, segundo a autuacgo do Iba-
ma, tinha 22 mil metros cubicos de ma-
deira a descoberto em seu patio (que,
numa conversao estranha, Castelo Bran-
co diz que correspondem a 117.074 arvo-
res), isto 6, sem identificagao da origem
(mais de dois tercos da madeira que utili-
za, a empresa compra de terceiros). Cas-
telo Branco se oferecia para legalizar ("es-
quentar", na linguagem dos mafiosos)
essa madeira.
Como? Primeiro pedindo ao pr6prio
ministry do meio ambiente, o deputado
federal (do PFL) Jos6 Sarney Filho, para
avocar todo o process da empresa para
si. Ou, nas palavras de Castelo Branco:
"o ministry puxa isso para la e esse agen-
te R6gis [chefe da fiscalizafdo e pes-
soa de confianga de Castelo Branco]
comega a colocar tudo certo, o piano de
manejo, tal, sobrou tantos metros cubicos,
joga pra ca, vai abatendo esse aqui, por-
que o que vai adiantar esse aqui, e quan-
do for fazer uma auditoria. Vou fazer uma
auditoria na Eidai, o que ela tem de d6bi-
to? Nao ter nada de d6bito. Elaja pagou
o d6bito dela. Como? Ela tinha cr6dito no
projeto tal, e foi pagando".
Um esquema engenhoso. Centraliza-
do todo o control sobre a empresa, evi-
tando que qualquer outra pessoa tivesse
acesso as informacges, todas as sobras
de projetos de manejo, quaisquer proje-
tos na regido, seriam transferidos ilici-
tamente, 6 claro, mas ningu6m saberia -
para a conta da Eidai, at6 quita-la, como
se a empresa tivesse adquirido legalmen-
te toda a madeira autuada como illegal.
Para tanto, todos contariam com a deci-
siva participaqao do ministry, livrando a
empresa de uma situagao sem said, ja
que "nao tinha mais defesa para n6s", e,
com 98 reincidencias, elaja devia ter sido
suspense, diz Castelo Branco. O "n6s"
significa ele, a Eidai e o ministry.
Para vender essa "facilidade" ele que-
ria receber, de inicio, R$ 3 milh6es. Aca-
bou deixando pela metade, em tr6s pres-
ta9qes iguais de R$ 500 mil, que seria a
sua parte, deixando os outros dois tercos
para o ministry, um valor tdo alto que o
preposto, Tanaka, manifesta em outra
gravagAo sua preocupagio com o prego,
"que nao 6 barato", e diz, numa terceira
fita, que vinha tentando "sair do neg6cio".
Mas nao sai. Confia no "taco" do parcei-
ro, garantindo que Castelo e Sarney Filho
ja fizeram "neg6cios juntos", que essa


"nao e a primeira vez", mas receoso de
que "o neg6cio nao vai ficar bom nisso".
Castelo e Tanaka aguardam press
a instrugdo do process, que, por enquan-
to, nao tem como chegar ao ministry, re-
ferido sem provas como participate do
esquema criminoso. Mas a quebra do si-
gilo bancario e o interrogat6rio de ou-
tros personagens pode ser o primeiro e
decisive pass para retirar as sujeiras que
se incrustaram no Ibama desde que o
6rgao surgiu, sucedendo os nao menos
pol6micos IBDF (Instituto Brasileiro do
Desenvolvimento Florestal) e Sudepe
(Superintendencia do Desenvolvimento
da Pesca).
Hist6rias sobre corrup9ao no insti-
tuto, envolvendo do fiscal de campo ao
chefe no topo da hierarquia, sao conta-
das como se fizessem parte de um ane-
dotdrio e nao fosse possivel coibi-las
porque os prejudicados (ou beneficia-
dos, conforme o estagio do neg6cio) pre-
feriam pagar o prego do achaque. A
Eidai quebrou essa cadeia de conveni-
encias, conivencias e cumplicidades.
Por que o fez, 6 um dos various temas a
ser melhor investigado.
Lider nas exportag6es e camped nas
autua96es, a empresa venceu em todas
os 76 contenciosos de multa. Nos 22 ca-
sos de reincidencia pendentes ainda nio
ha uma decisdo. Se o resultado for o
mesmo, estaria caracterizada a perse-
guiCgo a empresa e a ma-fe do 6rgio
ambiental. Ao inv6s de prosseguir nas
demands, a empresa preferiu denunci-
ar a chantagem ao Ministerio Publico e
a Policia Federal e desmascarar seu al-
goz, candidate a s6cio. Talvez porque
tenha ficado claro que a relagao autua-
cao-absolvigao seria mantida indefinida-
mente e em algum moment a empresa
quebraria. Ou porque, depois de prati-
car por tanto tempo as regras do jogo
sujo, a Eidai quer "passar-se a limpo",
como diria o fragil incora do telejorna-
lismo do SBT, B6ris Casoy.
Talvez a partir de agora esses "cau-
sos" de corrup9ao deixem de freqiien-
tar a agenda de empresarios e burocra-
tas e se abriguem no seu ninho adequa-
do: as grades da policia e as barras dos
tribunais. A escandalosa prisdo de Cas-
telo Branco pode acabar com a insensi-
bilidade de autoridades que ouviram de-
nuncias sobre o cidadao e fizeram ouvi-
dos de mercador.
Foi o caso do govemador Almir Gabri-
el. Ele soube da fama do president do PV
(Partido Verde), a cuja alianga eleitoral
(com votos que ningu6m sabe e ningu6m
viu) premiou com seis cargos na inchada
e flatulenta assessoria especial, uma bacia







JOURNAL PESSOAL *la QUINZENA DE JUNHO/ 2000 3


de almas cada vez mais penadas. Apesar
de ter sido cedido ao Ibama, Castelo con-
tinuou por cinco meses a receber como
assessor especial do governador, numa
acumuladao indevida, s6 rompida quando
denunciada por este j ornal.
Nao que o goverador tenha patroci-
nado a candidatura de Castelo Branco ao
Ibama. Esse 6 um produto da alianca do
ex-presidente Jos6 Sarney no Amapa, em
relaqgo A qual deve ter explicaq6es a dar,
ja que o ex-representante do Ibama de-
clarou, em carta enviada a este journal, s6
ter conseguido o cargo porque foi bater a
porta do Sarney pai em sua casa, no
Maranhbo. A porta que se abriu, presu-
rosa. 6 a mesma que se fecha ao pedinte,
apodado agora de r6probo.
O Greenpeace tambem deve refletir
sobre sua attitude ao engrossar o coro de
louva~ao a algu6m que surgiu tao de su-
bito como militant da ecologia e fez de
uma legend partidaria sem entranhas um
instrument de neg6cio para conseguir
cargos pfiblicos (primeiro na administra-
cao do PT em Belem, trocada, gracas a


seis cargos comissionados, pela do PSDB
no Estado) e, usando-os como ponte, criou
um instrument de negociata que s6 nao
deu certo porque talvez tenha acreditado
em suas pr6prias ilusoes e imaginado que
sua fantasia de her6i serviria de passe
mAgico para seus golpes de esperteza.
Admitir que todos foram usados e
manipulados por um farsante, cor um
curriculo tao nebuloso e conturbado, pode
ser dificil. Representou, de imediato, um
duro golpe para os ecologistas, inicialmen-
te levados a defender as madeireiras con-
tra o projeto Micheletto e, logo em segui-
da, por elas atacados quando seu aliado
revelou-se um bandido. Ainda assim, a
nota divulgada no domingo passado pela
Aimex (Associaqgo das Inddstrias Ex-
portadoras de Madeiras do Estado do
Pari) perdeu autoridade moral ao demo-
rar tanto para sair das conversas de bas-
tidores e se tornar uma posiqgo piblica.
E nao 6 exatamente a traducgo da ver-
dade ao nivelar por uma tabula rasa o ex-
representante do Ibama e todas as ONGs
ambientalistas, as causes ecol6gicas dig-


nas e a conversa de mercador de chan-
tagistas disfarcados de defensores da
natureza. Seria o mesmo que classificar
todos os extratores e beneficiadores de
madeira de bandidos, condicao de various
deles que, ainda assim, nao autoriza a
generaliza~go.
Espera-se que, a partir desse epis6-
dio traumatico, a Policia Federal, o Mi-
nisterio Piblico, a justiga federal e ate
mesmo a CPI da grilagem da Cimara
Federal aproveitem para dar uma geral
nesse setor, torado pelos cupins da ili-
citude, rastreando todos os suspeitos e
puxando o novelo ate o fim, de modo a
que nao se suspeite de que apenas a
ponta de um iceberg de sujeiras haja
emergido, ou elas varridas para debaixo
de um tapete ji atulhado. Nem continue
a haver ambiente propicio Aquele tipo
esperto de ladrao, que, uma vez flagra-
do, corre na frente gritando "pega, la-
drao". E a imagem que fica da triste his-
t6ria que explodiu na semana passada
de dentro do Ibama para uma sociedade
obrigada a purgar-se na lama.


As palavra e a verdade


No nfmero 169 (da 2- quinzena de
agosto de 1997) deste journal publiquei
carta do leitor Ant6nio Vieira Soares
Neto. Tomando como mote observa-
9ao anterior do JP, Soares atacou o se-
cretario de cultural, Paulo Chaves Fer-
nandes. Sentindo-se injuriado, Paulo
me mandou uma longa carta de res-
posta, observando que queria vt-la
publicada por inteiro ou esquecida.
Dei-lhe toda uma pigina, replicando-a
(acho que A altura), na mesma ediqao
n 170. Na edicao seguinte, Ant6nio
Soares contra-atacou.
O secretario deixou de lado a con-
trov6rsia epistolar e ajuizou uma acao
de indenizaqao por danos morais contra
Soares (exclusivamente contra ele)
na 204 vara civel de Belem. Em 27 de
maio do ano passado, Soares assinou um
termo de retratacgo public, reconhecen-
do como "infundadas" as "diversas afir-
maq6es desairosas" que fez contra o se-
cretario. Declarou que elas "nao sao ver-
dadeiras, e que foram feitas por mim sob
forte emocao, por motives de natureza
pessoal, atingindo injustamente a imagem
do arquiteto e Secretario Executivo de
Cultura do Estado".
Esse termo de retratacao s6 foi pu-
blicado no Didrio da Justiga quase um
ano depois, ji em 20 de margo deste


ano. Dois meses em seguida, em 24 de
maio (coincidindo cor minhas critics
a sua opera prima, a Estaqao das Do-
cas), Paulo Chaves me enviou c6pia do
document atrav6s de oficio, pedindo
para ser "adotada a media cabivel que
o caso requer". Legalmente, eu pode-
ria ignorar a solicitaqao: quem foi acio-
nado judicialmente e se retratou nos
autos do process foi Ant6nio Soares,
nao eu. Os direitos indenizat6rios do
secretario se exauriram na retrataqao
puiblica do ofensor e no decurso de pra-
zo para nova media judicial contra ele,
se cabivel.
Legalmente, eu nao estava obriga-
do a fazer a publicaqao. Mas faco-o,
por dever professional e senso etico,
para informar meu leitor que o autor da
carta nao sustentou em juizo o que es-
creveu a este journal de forma categ6ri-
ca, nao podendo ser considerado, por
isso, fonte confiavel. Mas enquanto lei-
tor, desde que se identifique e respon-
da, ao menos em tese, pelo que disser,
ter todo o direito de ver publicada a
carta que escreveu. Quando a publiquei,
na edicao 169, ressalvei que at6 aquele
moment nao havia ainda aproveitado
outras contribuiq6es por ele enviadas
(nao na forma de carta, mas enquanto
fonte de informacges) "por absolute


falta de tempo para a checagem pro-
fissional, que sempre se imp6e".
Jamais me retratei do que publiquei
sob a minha assinatura, nao por recusa
a reconhecer erros (que os tenho come-
tido, mas felizmente sempre menores,
aut6nticos pecados veniais, inerentes a
condi9ao humana) ou presunqao de in-
falibilidade. Mesmo nas duas 6nicas s6-
ries de demands a que fui submetido
em 34 anos de carreira, para responder
judicialmente pelo que escrevi, movidas
por Rosangela Maiorana Kzan e Cecilio
do Rego Almeida, sustentei minhas in-
formaa6es e provei- ou ainda estou pro-
vando que elas sao verdadeiras.
Este tem sido e tudo farei para que
continue a ser- meu maior patrim6nio
professional. O outro, se os leitores au-
torizam a prerrogativa, 6 nao me inti-
midar cor ameagas, arreganhos ou su-
postos golpes de sagacidade de arma-
dores de xeque-mate de araque. Nun-
ca recusei um combat, nem deixei pas-
sar inc6lume um cavalo selado. Conti-
nuo dando um boi para nao entrar numa
briga e uma manada para s6 sair dela
quando finalizada.
Dizer a verdade, qualquer que ela
seja, sejam quais forem os seus be-
neficidrios, nao constrange este jor-
nal: revigora-o.






4 JOURNAL PESSOAL .P QUINZENA DE JUNHO/ 2000


Campanha


eleitoral:


o alvo


turo n


turno


A grande duvida na fase preliminary da
campanha eleitoral deste ano em Bel6m 6
a possibilidade de definigCo da dispute ja
no primeiro turno, com a reeleiqAo de Ed-
milson Rodrigues, do PT. Nas pesquisas
ate agora realizadas, a preferincia pelo
atual prefeito tem gravitado em torno de
40%, corn ligeira tendencia para cima. A
favor dessa tendencia esti a perspective
de um forte verao, parceiro desejivel de
obras numa cidade marcada por chuvas
abundantes. Mesmo corn as novas restri-
c9es legais as manobras eleitoreiras, nio
hi um nome, ao menos no estagio atual da
corrida ao poder, que tenha conseguido
ombrear-se com Edmilson.
Contra esse delineamento otimista
colocam-se os ataques que ja comegam
a se intensificar contra a administra9qo e
a pessoa do prefeito, cuja vulnerabilidade
tem sido ampliada pela sua inabilidade
para lidar corn a controversial, e uma pre-
senna mais agressiva do governor do Es-
tado em Bel6m.
Por isso mesmo, seu maior adversi-
rio, o govemador Almir Gabriel, j a defi-
niu a estrategia de combat ao PT. Ele
sabe que nao conta corn um nome de
grande apelo popular na capital. O depu-
tado federal Zenaldo Coutinho, pr6-can-
didato do PSDB, tem disposigdo, mas nao
parece capaz de catalisar uma frente anti-
Edmilson. Vai ser o candidate do gover-
nador e terd todo o calor da miquina es-
tadual para tentar reeditar o fen6meno
Luiz Otavio Campos, um tipico produto
de marketing corn caixa official e boa apa-
rencia. A propaganda do governador ja
esta em campo, penetrando at6 na seara
administrative da prefeitura (como faz
atraves do Piano de Desenvolvimento dos
Transportes Urbanos e do Programa Be-
16m Metropole). Com tudo isso, porem,
Zenaldo entra no pareo como um azarao.
Os dois nomes mais fortes fora do PT
sio o deputado federal Vic Pires Franco,
do PFL, e o estadual Duciomar Costa, do
PDS. 0 esquema populista de Duciomar
se revelou mais proficuo do que aparen-
tava, mas e pouco provavel que durante
a campanha eleitoral ele consiga um tal


incremento de preferencia capaz de apro-
ximi-lo de Edmilson. Falta-lhe um com-
panheiro de chapa mais respeitavel e urn
discurso para palanque e televisao. Vic
ter esses dois elements, que fazem su-
por uma evolugao mais positive da sua
candidatura. Mas ter uma grave restri-
9:o: em nenhuma hip6tese contard corn
o apoio do grupo Liberal. Mesmo tendo
desistido de manter o golpe mais duro
sofrido por ela: a aqAo popular contra o
conv6nio da TV Liberal com a Funtelpa
(foi uma desistencia precipitada?). Os
veiculos da familiar Maiorana sao a gran-
de base de sustentacgo do governador.
Ou ao menos assim ele os classifica.
Em fungdo desse veto, Almir esti pre-
ferindo estimular a opao por Hl6io Guei-
ros no PFL. Alguns assessores palacianos
dizem que essa opAo teria mais uma van-
tagem: HWlio Gueiros, abrindo um confron-
to dieto cor Edmilson, graoas a sua ret6ri-
ca e as realizacqes como ex-prefeito que
pode apresentar, dificilmente passaria para
o 2 turno. Sua rejeicao 6 a mais alta dentre
todos os candidates. Assim, tiraria votos do
PT sem atrai-los para si. Eles iriam parar
na cagapa de Zenaldo, de Duciomar e de
outros candidates que surgirem.
O esquema do govemador esta traba-
lhando com o maior nrnero possivel de
candidates, desfazendo formalmente a
coligagao Uniio pelo Para, sem deixar de
usa-la coesamente na pratica (mas, como
sempre acontece nas eleiqbes paraenses,
trocando de parceiros). Seria mais gente
atirando contra a administraqao petista,
obrigando Edmilson a dispersar sua defe-
sa sem contar com uma retaguarda mais
ampla. Obcecado pelo prop6sito de sair
candidate ao governor do Estado em 2002,
Edmilson fechou questto em tomo do cor-
religionirio Valdir Ganzer como vice-pre-
feito. Criou um problema para os demais
partidos da coligag~o de centro-esquerda,
sobretudo para o PSB do senador Ademir
Andrade, mas e o preco que esti disposto
a pagar para ter um home de confianga
quando deixar a PMB, eixo estrat6gico do
seu salto para o principal cargo ptiblico
estadual, dentro de dois anos.


E umjogo de alto risco para o PT, mas o
prefeito nao quer outro. Ele aposta que seus
companheiros compuls6rios de alianga aca-
barao aceitando compensaq6es pelo apoio a
uma chapa petista fechada, ou nao terao outra
altemativa. Aindamaisporqueo envolvimen-
to circunstancial de dois nomes da assesso-
ria parlamentar de Ademir Andrade em Bra-
silia cor o ex-representante do Ibama no
Para, Paulo Castelo Branco, pode vir a ser
explorado na campanha, caso o senador de-
cida lancar-se a prefeitura. A forma de di-
vulgado da noticia pela TV Globoja foi uma
amostra (gratis?) do que pode vir. Vai ser
uma campanha para arrasar nao s6 um
quarteirao, mas um municipio inteiro.
Sabendo das restrig6es que o eleitorado
da capital Ihe faz, o senador Jader Barbalho
tern preferido manter-se A distincia das es-
caramugas preparat6rias A corrida pelos vo-
tos. Se pudesse fazer prevalecer a sua von-
tade, o PMDB sairia com sua ex-mulher, a
deputada Elcione Barbalho. Mas coloci-la
em mais uma desgastante campanha, ap6s
a derrota de quatro anos atras, significaria
expor-se por extensio a voltar a ser o tema
central dos ataques, antecipando a frente de
luta que se instalard em 2002.
A outra alternative peemedebista e o
tambem deputado e primo Jos6 Priante.
Nao e o nome do coracao de Jader, nem
de muita gente dentro do partido. Mas
pagando o prego de ter ceifado todas as
liderancas que pudessem fazer sombra ao
seu nome, Jader esta tendo que aceitar
Priante por absolute falta de opQao. Pre-
feriu adotar a cautelosa attitude de ficar a
distincia. Nao nos bastidores, mas para
consume externo, ja que nao pode sofrer
derrota fragorosa nem se omitir na capi-
tal, sob pena de ver o seu poder eleitoral
enfraquecer-se nos proximos dois anos.
E a mesma exig6ncia que se coloca
diante dos demais partidos, que eles de-
verdo apresentar candidates no 10 turn
menos esperando alcangar a vit6ria do
que criar condi96es para uma alianga -
ai, sim, vitoriosa- no 29 turno. Todos de
olho desde ji gordo no butim maior,
que estara em jogo em 2002. Como de
praxe em terra paraense.







JOURNAL PESSOAL *la QUINZENA DE JUNHO/ 2000 5


Nova CPI da terra:


agora e para valer?


A Comissao Parlamentar de Inquerito da
Cimara Federal sobre a ocupagao de terra pu-
blica na Amaz6nia, mais conhecida como CPI
da Grilagem, pode ter encontrado na semana
passada, em Bel6m, um rumo para escapar ao
destino da maioria dessas iniciativas: acabar em
pizza. Depois de dois dias de intense atividade
na capital paraense, ouvindo depoimentos e
coletando documents, os deputados percebe-
ram que a frente que invested ilicitamente sobre
o patrim6nio fundiario da naqao se torou ati-
va de novo. Al6m de continuar a lanqar mao de
velhos m6todos de apropriagao ilicita, os gri-
leiros t6m um novo alvo: o crescente mercado
de uso da terra para fins ecologicos.
O ponto de partida continue sendo geral-
mente o mesmo: cart6rios do interior que se no-
tabilizaram, por omissao ou conivencia, na ma-
tricula irregular de im6veis rurais. Alguns tem
sido o foco da maioria das ilicitudes, como os de
Altamira, Sao Felix do Xingu, Igarap6-Miri ou
Acara. Apesar da intense reincid6ncia, entretan-
to, nao tem sido reprimidos ou a puniclo 6 leve.
A culpa pela impunidade e atribuida ao 6r-
gao encarregado de fiscaliza-los, a Corregedoria
Geral de Justiga. Mas ainda que a frente desse
6rgao esteja algu6m capaz, trabalhador e hones-
to, e pouco provavel que consiga reverter a atual
situaqio diante da complexidade do problema e
da sua amplitude. Uma id6ia apresentada foi a
de desmembrar a corregedoria em duas (para a
capital e o interior do Estado) e criar uma pri-
meira sub-corregedoria, encarregada de atuar ex-
clusivamente sobre os cart6rios.
Mas s6 correiqbes permanentes nao seriam
o bastante para dar consistencia a f6 piblica for-
mal desses serventuarios, na verdade agents au-
t6nomos. Tambem foi proposta a complete es-
tatizaqao dos cart6rios extra-judiciais de regis-
tro imobiliario, eliminando-se o hibridismo atu-
al, raiz das indefiniqces, que facilitam as frau-
des. Uma outra sugestao foi a unificaqao dos
cadastros de terras. Os govemos federal e esta-
duais dariam assistencia t6cnica para a monta-
gem dos cadastros nos pr6prios cart6rios. Al6m
da matricula, os livros de registros (ou as mem6-
rias dos computadores, numa atualizaqao tecno-
16gica) conteriam os croquis das areas. Com um
program de demarcaqao de terras, por via admi-
nistrativa ou judicial, dentro de algum tempo (e
a um custo que as autoridades v6m se negando a
encarar, mas 6 necessario) j seria possivel ir a
um cart6rio saber exatamente onde se localiza a
area, sem estar exposto as desagradaveis surpre-
sas que o caos fundiario engendra. Ou prepara-
las para terceiros.
Essas medidas possibilitariam criar uma es-
trutura modema, nipida e confiivel de informa-
cqes cadastrais e de situacio legal dos im6veis
rurais, raios-x impossivel de obter na Amaz6nia
dos nossos dias. Naturalmente, um resultado de
tais proporcqes vai defender de uma attitude mais
corajosa e conseqiiente por parte de cada um dos


poderes da Republica e da combina~go produti-
va de todos eles.
Superando a antiga determinario dojudicid-
rio, de que nenhum de seus membros compare-
ceria a CPIs, a desembargadora Maria de Nazar6
Brabo de Souza foi depor na comissao federal,
na sede da mesma Assembleia Legislativa da qual
se ausentou quando a CPI era estadual. Essa ati-
tude louvavel de dialogo nao foi partilhada pelo
desembargador Joao Alberto Paiva, autor da li-
beraio do registro imobilifrio da C. R. Almeida
sobre 4,7 milhoes de hectares no Xingu (ver Jor-
nal Pessoal 235). A alegacgo foi de que ele esta-
va viajando. A decisao tomada pelo desembarga-
dor era suficientemente grave para estimula-lo a
antecipar a volta em 24 horas e ir a CPI. O que
nao fez. Respondendo pelo silencio o que talvez
pela razao fosse inexplicavel.
Mas al6m de construir fundag9es e levantar
pilares institucionais, 6 necessArio combater os
pirates que agem cor total desenvoltura no
mercado paralelo ou clandestine de terms. Um
dos exemplos da excessive tolerAncia com de-
linqiientes fundiarios 6 a quadrilha que se for-
mou por tras de um personagem que, se exis-
tente, seria o maior proprietario de terras do
mundo, o fantasma Carlos Medeiros, com pre-
tensbes sobre um territbrio que teria de 9 mi-
lh6es a 12 milhoes de hectares, sobre o qual
constituem-se im6veis eja hi, ate, pelo menos
22 projetos de manejo florestal.
Os indicios veementes mostram que se trata
de uma ficqco. No entanto, diversas pessoas se
apresentam como advogados ou procradores des-
se suposto cidadao. Alguns se dizem, simultanea-
mente, advogados e procuradores de Carlos Me-
deiros. A CPI aceitou a sugestao de solicitar a
intervenqao da OAB/Para. A entidade intimaria
esses advogados a apresentar fisicamente seu cons-
tituinte num determinado prazo, sob pena de per-
derem seu registro professional e ainda sofrerem
um processojudicial. A iniciativapode niao des-
mantelar toda a quadrilha, mas representaria uma
media alem da mera indignaqao ou da bonomia,
as reac6es mais comuns diante do caso inusitado.
Alem de limpar o quadro fundiario dessas
teias fraudulentas, um desafio para a CPI e ras-
trear as novas formas de neg6cio que estAo reali-
mentando a fome dos grileiros de terras. Um des-
ses neg6cios e a destinaIao de areas florestadas
como contrapartida A poluiqCo do primeiro mun-
do. As empresas responsiveis pela emissao de
gas carb6nico para a atmosfera estZo sendo com-
pelidas a eliminar essas fontes de poluiao onde
elas ocorrem ou encontrar areas, em qualquer
parte do planet, que sirvam de esponjas vege-
tais da poluicao, se nao quiserem pagar taxas de
valor crescente. E o mercado do "seqtiestro do
carbono, em tomo do qualja existed uma dispo-
nibilidade para investimento em Areas de absor-
q9o do tamanho de 14 bilhoes de d6lares.
O interesse da C. R. Almeida pelas matas
do Xingu pode se enquadrar nessa nova ten-


d&ncia-e 6justificavel, em conseqfiincia, que
a CPI d8 prioridade A investigaiao desse dentre
tantos outros casos de apropria9Fo de terras
puiblicas incluidos na sua agenda. A refernncia
ao seu nome no noticiario tnico que a TV Glo-
bo dedicou aos trabalhos da CPI, o empresario
Cecilio do Rego Almeida reagiu declarando nada
ter corn as terras do Xingu. Nao e o que atesta,
porem, o "contrato particular de compromisso
de compra evenda" (mais conhecido como "con-
trato de gaveta"), que seus prepostos assina-
ram, emjunho de 1995, em Bel6m, com os an-
tigos auto-declarados proprietArios das 10 gle-
bas da Fazenda Curui.
De fato, nenhuma das assinaturas 6 de Ceci-
lio Almeida e s6 indiretamente ele pode ser as-
sociado a Rondon Agropecuaria, a nova contro-
ladora da Incenxil (Industria, Comercio, Expor-
taqao e Navegagao do Xingu), a empresa dos Oli-
veira. Mas, conforme a clausula 54 do contrato,
a C. R. Almeida 6 quem se obriga a ceder os 5,4
milh6es de reais de precat6rios (titulos de co-
branga contra a fazenda publica do Parand), que
completariam o pagamento das terms, no valor
de R$ 6 milhoes. Esta estabelecido o nexo.
A C. R. Almeida teve que aparecer porque
s6 ela dispunha de precat6rios. Os R$ 600 mil
iniciais seriam pagos em dinheiro. Mas das cin-
co parcelas, s6 uma, a unica de R$ 100 mil, foi
quitada. As demais (de R$ 125 mil cada) deixa-
ram de ser pagas porque os vendedores nao pre-
encheram o requisite preliminary: obter a regula-
rizagio das terras junto ao Iterpa (Instituto de
Terras do Para). As clausulas que estabeleceram
essa exigencia revelam que o comprador tinha
plena consciencia de estar adquirindo pretens6es
e nao um direito materializado. Tanto que deixou
de pagar as demais parcelas, transferindo a res-
ponsabilidade aos Oliveira.
Com isso, nao s6 credenciou-se a receber de
volta os R$ 100 mil adiantados, cor os acresci-
mos legais e pactuados, mas-o que constitui o
aspect mais letal do contrato- a transformar o
contrato em "titulo habil para execuqio forgada
contra o im6vel dado em garantia". Ou seja: a C.
R. Almeida poderia se considerar dona de quatro
milhoes de hectares (ou sete milhoes, conforme
a ultima noticia dada pelo pr6prio empresario)
sem pagar um s6 tostao aos que se intitulavam
antigos proprietarios. Componente contratual
terrivel incluido no contrato da mesma maneira
que o seu foro foi fixado em Curitiba, sede do
comprador, a mais poderosa das parties, e nao
em Altamira ou Belem, domicilios do vendedor,
a parte mais fraca do enredo. Para se defender do
que contrariar seus interesses, os Oliveira terao
que litigar na capital paranaense.
Desvendar hist6rias como essa pode assegu-
rar a atual CPI um destiny muito mais glorioso do
que o melanc6lico fin de uma CPI antecessora, de
1979, que se encerrou corn muita coisa boa no seu
bojo, mas sem qualquer conseqiiencia pritica di-
ante do mundo dos homes de came e osso.







6 JOURNAL PESSOAL l QUINZENA DE JUNHO/2000


Cartas


Solidariedade
Lucio, caro amigo
Mais uma vez atrapalho o teu sempre
atravancado tempo, tao atravancado que nao
te deixa nenhuma margem de seguranqa para,
por exemplo, abrir espago na agenda para
inocentes bate-papos com os amigos.
Desta vez chego s6 para lamentar o pre-
cioso espaco que o Jornal Pessoal teve que
dar para o destrambelhado Paulo Castelo
Branco, quando publicou aquela enorme car-
ta que, final, nao passava de parlapatices
de um charlatao. Ele deveria ser punido tam-
b6m por isso, muito mais do que pela extor-
sao que, felizmente, nao se concretizou. Mas
a imbecil carta, esta se concretizou e caiu
sobre todos n6s, leitores do JP e principal-
mente aos que, como eu, fazem cole9ao do
joral, que esse sicofanta acabou enodoan-
do, ao roubar tanto espaco. Feito o desaba-
fo, fica a minha solidariedade. E mais uma
vez, vA-se que tu tinhas razao na tua anali-
se. Um grande abrago, do
Jos6 Carneiro

MINHA RESPOSTA
Pela boca de Cordelia, uma das mais ma-
ravilhosaspersonagens da literature univer-
sal, o mago (este, sim, verdadeiro) William
Shakespeare disse, em Rei Lear: "O tempo
desvendard o que as dobras da astzcia enco-
brem. Quem esconde aspropriasfaltas sera,
porfim, escarnecidopela vergonha ". Desde
que as li, tantos anospassados, nunca mais
esqueci essas palavras. Se na primeira leitu-
ra elas eram teatro, com o tempo passaram
a ser vida para mim. Pessoas ansiosas por
orientaCao deviam prestar mais atenCdo a
grande literature do que aos manuais de auto-
ajuda e ao esoterismo.
Por isso, chagas abertas por agressoes
como as de H6lio Gueiros, Oliveira Bastos e
Paulo Castelo Branco sangram, mas cicatri-
zam. Nao atingem nenhum 6rgao vitalpor-
que ndo alcancam a integridade de umapes-
soa decent, diferente do que eles sdo. Mas
cicatrizam tambem porque, nesses momen-
tos, sempre conto com palavras generosas e
amigas como as de Jose Carneiro. 0 maior
patrim6nio da minha vida e atrair essa gente
boa. Os canalhas, aqueles combatidos com
furor por Emile Zola, estes s6 tem motives
para se afastar de mim e me atacar.
Obrigado, Carneiro.

Indignagao
Fiquei indignado ao assistir a insercao
commercial, em programaqao da TV Liberal,
que solicitava a cooperaqao de todos para a
construgao de uma UTI neo-natal da Santa
Casa de Miseric6rdia. Nao gostaria na ver-
dade que me interpretassem mal. Ocorre que
6 inadmissivel o Governo do Estado gastar
quase 25 milh6es de reais em seu projeto "


EstagCo das Docas", popularmente ja conhe-
cido como "VER-O-RICO", quando a de-
manda da area de sadde que 6 de grande
importancia para a sociedade,paraense, pede
esmolas ao povo de Bel6m. E evidence nos-
sa cidade precisa de projetos que atraiam o
turismo, apesar da
questionavel viabilidade econbmica da area
do "VER-O-RICO", mas o que nao pode-
mos aceitar e o antagonismo do Governo,
que nos solicit apoio solidario e, ao mesmo
tempo, esbanja dinheiro em obras fara6ni-
cas. Pensei que esse Governo fosse diferen-
te dos outros... Errar 6 human.
Mario Adalberto Bel6m Jr. Cidadao
Paraense e Administrador de Empresas

R6plica
A prop6sito da entrevista dada pela Coor-
denadoria de Comunicagdo Social da Prefei-
tura de Belkm (ver Jornal Pessoal 235), Edir
Gaya enviou a estejornal a seguinte carta:
Leon e Gabriel sao meus filhos mais novo
e mais velho. O pseud6nimo Leon Gabriel
surgiu ha quatro anos, quando eu trabalhava
como assessor de imprensa do Sindicato dos
Bancarios, em materias publicadas em al-
guns jornais da cidade. Isso nao 6 segredo,
nem estratagema de ma-fe. Pessoas que tem
relacoes cor minha familiar, algumas delas
trabalhando na Comus, conhecem os meus
filhos e, sobretudo, sabem da minha opiniao
a respeito do governor municipal. Nao es-
crevo "costumeiramente" sobre o Governo
do Povo. Em mais de tres anos foram tres
cartas, publicadas no Liberal, onde trabalho
ha seis anos como editor de Atualidades.
A primeira delas, publicada no domingo
posterior ao reajuste de 6nibus e assinada
como Edir Gaya, indagava sobre as razoes
do prefeito para conceder um aumento de
tarifa que, somado aos demais, perfazia um
total de 40% s6 no seu period de governor,
algo que nenhum dos prefeitos que o ante-
cederam se atreveu a fazer. O calculo 6 do
Dieese e o argument 6 do lider do governor
na Camara, vereador Arnaldo Jordy. No pro-
cesso de discussao do reajuste, antes do
prefeito sancionA-lo, Jordy chamou a aten-
9 o para o desgaste politico que represen-
taria o aumento, sobretudo porque, apesar
do reajuste dos combustiveis, as empresas
acumulavam ganhos cor servigos nao im-
plantados de bilhetagem eletrBnica, cartao
magn6tico- temas de representagao da Ct-
bel ao Ministerio Ptblico contra os empre-
sarios-, afora a renda antecipada cor a ven-
da de vales-transportes, etc, etc, etc...
Defendia-se entao um reajuste menor,
que nAo transferisse o 6nus do transport
coletivo para o orramento dos trabalhado-
res e desempregados. O prefeito ignorou as
pondera96es do seu lider de governor e o
Dieese foi anatematizado, reabilitando-se
somente ap6s a pesquisa dando conta de que
a Prefeitura cobra o IPTU mais barato do
pais. A CUT, a CBB e varios sindicatos tam-
bem foram contra o tarifaco. O prefeito nao
teve sequer a educagao de receb8-los.
A Comus, dirigida por uma professional


recem-convertida ao prefeito, nao se dignou
a responder as indagaq6es da minha carta. Nao
vou aqui acusa-la de me boicotar. E um direi-
to meu, como eleitor e fiador deste governor,
cobrar publicamente explicagqes. O governor
se reserve ao direito de sonega-las? Tudo bem,
nao vou reclamar ao bispo. Digo o que penso
e, na pr6xima eleiq~o, dou o troco. A isso se
chama democracia. E 6 por ela que qu tenho
me batido desde a adolescAncia.
Aqui entra o Leon Gabriel. O titulo da
carta escrita por mim duas semanas ap6s a
primeira 6, na verdade, "Zelig o Homem
Camaleao", referencia ao protagonista de um
filme de Woody Allen que, na minha opi-
niao, express o temperament ciclotimico
deste governor pelas razres ja relatadas nes-
tejomal na abertura da mat6ria que deu ori-
gem a minha carta. Assinei com pseud6ni-
mo nao porque quisesse me esconder, mas
para tomando de emprestimo um termo do
meu querido Paulo Bemerguy- vergastar o
poder em busca de uma resposta nao forne-
cida anteriormente por razoes que s6 a dire-
cao da Comus pode explicar. Ao Leon Ga-
briel finalmente a Comus responded, em car-
ta publicada no Liberal, com essa baboseira
sobre a soberania do Conselho Municipal
de Transportes, uma entidade sobre a qual
ningu6m mais teve noticia ap6s o reajuste.
A decisao do conselho foi tao estapafiirdia
que a Federaqio dos Centros Comunitarios
e Associatges de Moradores (Fecampa) des-
tituiu o seu representante por ele ter vota-
do a favor do reajuste de mais de 16%.
A Ctbel estava unida entao aos sindica-
tos das Empresas de Transportes do qual
ja reclamava R$ 16 milhoes no Ministerio
Publico, referentes a serviqos incorporados
na tarifa anterior, pagos pela populacAo e
nao implantados pelos empresArios e dos
Rodoviarios- cujo president esta sob sus-
peita de receber dinheiro dos empresArios
para organizer greves. Como se nao bastas-
se, a Ctbel espalhou pela cidade dezenas de
outdoors avalizando a antiga tese de que Be-
lem ter a menor tarifa de 6nibus do plane-
ta. Nao me assusta que os empresArios re-
pitam esse argument A exausto ignoran-
do as demais mazelas sociais da cidade -;
final, eles defended o caviar de cada dia.
Mas a Ctbel defended o que? E o Governo do
Povo?
Por fim, a iltima carta esta tambem
assinada como Edir Gaya e nao respondida
pela Comus refere-se ao epis6dio envol-
vendo o secretirio de Educacqo Luiz Araij o
e a ex-mulher do prefeito, Joana D'Arc Gon-
galves. O assunto parece revelar a convi-
vencia promiscua entire assuntos publicos e
privados e envolve questbes relacionadas a
licita9~es publicas, acusag6es de agressio
fisica, abuso de autoridade, etc, etc. Eu in-
dagava entao se Luiz Araujo continuava sen-
do compativel cor o cargo de secretario de
Educacao depois do seu envolvimento no
epis6dio, acusado de agressao.
Ninguem em sa consciencia pode admi-
tir que seguranqas se atrevessem a retirar na
marra a ex-mulher do prefeito da ante-sala
de seu gabinete sem ordem superior. Tudo







JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE JUNHO/2000 7


fica ainda mais nebuloso na media em que
Sua Excelencia nao deu uma declaraqao ofi-
cial sequer para esclarecer o epis6dio. Por
fim, nao compreendo como essas indagaq6es
e opini6es podem se configurar em boicote
ao governor municipal. Talvez a diligente di-
rigente da Comus possa explicar melhor.
Edir Gaya

Floresta
Senhor Lucio Flavio
Sempre leio as duas publicag6es de sua
autoria, o Jornal Pessoal e a Questio
[Agenda] Amaz6nica.
Admiro seu trabalho, que se caracteriza
pela imparcialidade e o compromisso com a
verdade, levantando questoes das mais rele-
vantes para o nosso Estado.
Infelizmente, no iltimo nimero do Jor-
nal Pessoal da 2- quinzena de maio do cor-
rente na materia de capa "S6 Bandeira e
Ret6rica", o senhor deixou algumas quest6es
sem esclarecimentos.
Inicialmente, percebi que o senhor nao
conhecia, corn profundidade, o relat6rio do
Deputado Micheletto. Logo, estou envian-
do-o em anexo a integra do relat6rio, citado
por diversas vezes na sua materia para uma
nova avaliagao. Sei que nto por maldade mas
certamente por falta de tempo ou atW mes-
mo deixado se levar por ONGS internacio-
nais, o senhor interpretou de uma forma
equivocada a proposta.
Sinto-me injusticado quando cita na ma-
teria que a proposta 6 um retrocesso defen-
dida pelos ruralistas.
Sera que e retrocesso o fundamento de
todo o texto, que seria a imediata realizagao
do zoneamento econ6mico-ecol6gico de todo
o pais, como forma de definicAo do uso dos
recursos naturais?
Sera retrocesso a proposta da nao exi-
g6ncia de haver a reserve legal em proprie-
dades de at6 25 hectares, como forma de vi-
abilizar os pequenos produtores de todo o
pais? Lembrando ao senhor que as areas de
preservaqdo permanentes sao intocaveis in-
dependente do tamanho das propriedades e
que esta media viabilizaria o projeto de
consolidaq o da reform agraria no Brasil,
cujo principal foco 6 a agriculture familiar.
Sera que proper a expansao a m6dio e lon-
go prazo da maior fronteira agricola do pais,
o Estado do Para, de forma planejada ambi-
entalmente e tecnicamente atraves do zonea-
mento, 6 retrocesso? Lembrando que o nosso
Estado possui milhares de hectares de cerra-
dos e outros de terra rocha estruturada.
Sera que o Brasil existiria, como propoe
o senhor, deveriamos deixar intactas as flo-
restas, "permitindo assim o seu ciclo fecha-
do de nutrientss?
Alem do mais, em varios moments na
materia parece-me que ha alguns dados equi-
vocados, tais como:
1 -" a area de 500.000 quil6metros qua-
drados equivaleria a Area de Sao Paulo pa-
rece-me que nao confere a informagao.
2 "destes 500.000 km, 160.000 estio
abandonados" onde estao localizadas es-


tas Areas? Gostaria que indicasse os traba-
Ihos t6cnicos apontando a sua localizacao.
3 "Parar tudo na Amaz6nia at6 terem
podido inventariar a mesma" 6 exatamente
a proposta do relat6rio do Deputado Mi-
cheletto com o zoneamento, pois somente
assim teriamos o instrument t6cnico para
a utilizacio dos recursos naturais da regiao.
4 "Para garantir a integridade da Ama-
z6nia e o saudavel exercicio da soberania
national sobre ela o BrasiljA deveria ter con-
ferido a qualquer proposta autorizando no-
vos desmatamentos em areas de floresta den-
sa a classificacao que merece: estupidez" -
parece-me extremamente agressiva e precon-
ceituosa, uma vez que deveriamos avaliar
onde, quando e por que do uso da terra .A
radicalizacio podera estar equivocada.
Segue tamb6m nos anexos, para sua ava-
liacio, o pronunciamento do Deputado Nil-
son Pinto, que 6 autoridade paraense no as-
sunto; e material t6cnico que fundamentou
a posicao dos produtores rurais brasileiros
quanto a questao.
Tenho a certeza que pelo seu brilhan-
tismo e espirito public questionador, ira
reavaliar a sua posiqio inicial, frente a
questao polemica, pois 6 o future dos hoje
ja 20 milh6es de habitantes da Amaz6nia
que esta emjogo.
Atenciosamente
Luciano Guedes
Produtor rural
Redencio-PA

MINHA RESPOSTA
A excepcional (e sauddvel) quantidade de
cartas mandadas pelos leitorespara esta edi-
ado me obriga a ser sintitico na resposta aos
questionamentos de Luciano Guedespara ndo
prejudicar as demais materias dojornal, jd
que o espaoo encurtou muito.
1 -Li o relat6rio e o projeto Micheletto
cor muita atengao. Considerei tambem as
manifestagjes dos dois lados da questdo. Pos-
so estar errado, mas escrevi como sempre
faco: expressando umponto de vista pessoal.
Nunca tive voca6dopara marionete.
2 -Acompanhei diretamente a ocupaado da
Amazonia, apartir dos anos 60, pelapata do
boi e atraves da migraado acelerada pelas es-
tradas de integracdo national. Ambas repre-
sentaram as maiores violencias jd cometidas
contra a regido, uma estupidez complete. Evo-
luimos muito desde entdo. Mas ainda ndo o su-
ficientepara livrar a Amaz6nia daforma dis-
torcida (e invertida) impostaporseu coloniza-
dor seja a Volkswagen con suafazenda irraci-
onal em Santana do Araguaia, seja opequeno
agricultor corn seus cultivos de ciclo curto. 0
cora do e a essencia da Amaz6nia e a suaflo-
resta. Nao precisamos encard-la como museu,
esquecendo que ela existe, nem deixarmos de
incorporar verdades s6 porque algumas ONGs
e outras instituig&es internacionais chegaram
primeiro a elas. Temos que ser a autoridade
maxima em Amaz6nia. Mas ndo chegaremos a
tanto s6porsermos donos do territ6rio. Temos
que investor muito em cidncia, tecnologia, edu-
cagdo e numa nova forma de inserir a Amaz6-
nia nafederadao brasileira. 0 que defend e o


primado do conhecimento. Quando ele estiver
estabelecido, prdticas tidas como sauddveis e
ate mesmo econ6micas serdo abolidas.
3- Ozoneamento ecoldgico-econdmico e
uma ladainha hd mais de uma decada. Tem
servido de habeas corpuspreventivoparaprd-
ticas irracionais. E umponto positive dopro-
jeto Micheletto a exigdncia de que essa tarefa
sejafinalmente realizada. Mas sejl temos co-
nhecimentos suficientespara evitarmos a qual-
quer custo novos desmatamentos em area de
floresta densa, por queprecisamos reforcar a
tolerdncia ate que se saiba onde e como inter-
vir humanamente napaisagem natural?
4 O pequeno agricultor destr6i muito
menos e produz proporcionalmente mais do
que a grandepropriedade rural na Amaz6-
nia. Mas tambem destr6i e ndo produz tdo
bem emfungdo do modelo de ocupagdo da
terra. Os assentamentos rurais, se sao uma
necessdria vdlvula de seguranga social, pou-
co ou nada contribuem para ajustar a inteli-
gkncia ao uso da regido.
5-A reserve legal serd mais do que pa-
pel, capaz de abrigar a destrui9do sem des-
cambarpara a legalidade, gragas aos artifici-
os marginais d lei (especialidade dos advoga-
dos), sefor averbada como propriedade pu-
blica na matricula do imdvel em cart6rio. Isso
e radical? Constava da proposta de reform
do C6digo Florestal que o ministro-coronel
Mdrio Andreazza ia levar aopresidente-gene-
ralJodo Figueiredo em 1979. Mas o Conselho
de Seguranca Nacional brecou antes, Andrea-
zza afinou e se manteve ofaz-de-conta para
ingles ver (comoprefere nosso atualpresi-
dente-sociologo). Orgulho-me de terfeito a
proposta no grupo de trabalho que integrei,
sob a asaprotetora daquele quefoi um dos
poucospoliticosformadospelo regime military
de 64. A principio, Andreazza endossou a su-
gestdo, incorporada ao anteprojeto-de-lei. Mas
quandoperdeu a possibilidade de sairpresi-
dente, renunciou ao desafio.
6- 0 leitorpoderd se informar sobre dre-
as degradadas na Embrapa (cor Adilson Ser-
rdo e Alfredo Homma, principalmente), no
Imazon, no Ipam e, se puder, nos Estados
Unidos corn Susanne Hecht. A estimativa estd
em vdrios livros e teses sobre o assunto. Em
RedenCdo mesmo hd parties dessa totalidade.
Lembro-me, saindo da adolescncia em Sdo
Paulo, do impact que sofri ao ler os relatdri-
os da Comissdo Rondon nos arquivos do Mu-
seu Paulista. Nosso her6i achava que podia-
mos alimentar o mundo usando s6 o Panta-
nal. Imagine cor os 500 mil km2 jd desmata-
dos na Amaz6nia, drea que represent duas
vezes o tamanho de Sao Paulo (infelizmente, o
trecho saiu truncado na ediqdo anterior).
7-Finalmente, ainda bem que hd ruralis-
tas e ruralistas. Eufaria realmente injustica
se ndo distinguisse Luciano Guedes de outros
que, ao inves de debater civilizadamente, vi-
sando a causa public e ndo o interesse estri-
tamente particular (ou, no mdximo, corpora-
tivo), reagem como aquele ministry nazista
quando ouviafalar em cultural: com seu trOs-
oitdo. Infelizmente, ainda um instrument de
largo usopara definir controvyrsias nos gro-
toes dos nossos sertoes.








Verdade
A Coordenadoria de Co-
municacdo Social da prefeitu-
ra de Bel6m prometeu, mas
nao cumpriu: deixou de reme-
ter as respostas ao restante do
questionario que Ihe enviei so-
bre a relaCgo da PMB com a
grande imprensa local. Justa-
mente quando, por aproxima-
gao, se chegava mais pr6ximo
da verdade.
Justifica aquela famosa fra-
se de Jules Feiffer durante o
reinado de Richard Nixon nos
EUA, na d6cada de 70, quan-
do o journal The New York Ti-
mes publicou os documentss
do Pentagono", sobre o lado
sujo (ha um lado limpo?) da
guerra na Indochina, obtendo-
os secretamente: se voc8 qui-
ser uma mentira, vi a uma
entrevista coletiva; se quiser
uma verdade, roube-a.
Ou, adaptando a frase para
o present context, conten-
te-se com um questionirio.

Luz
Tudo indica que quem ven-
cer a concorrencia para o pro-
grama Luz no Campo, em vias
de ser aberta, ocupara um im-
portante espaco no interior do
Estado. Pode se tornar um
p6lo de poder em plena epoca
eleitoral nos municipios para-
enses. Por isso, as atencoes
estao focadas sobre os possi-
veis candidates.


Mem6ria
Entre os 21 livros de uma
"biblioteca ideal", que arrolou
a pedido da Livraria Cultura,
de Sao Paulo, listagem
republicada por Elias Pinto na
sua coluna semanal no Didrio
do Para de domingo passado,
o fil6sofo Renato Janine
Ribeiro inclui as memrrias de
Giacomo Casanova. Mas
lamenta que inexista uma
traducao complete da obra,
escrita originalmente em
frances (com o titulo complete
de Memoires de J. Casanova
de Seingalt iscrits par lui
meme e nao Histoire de ma
vie, como diz Janine), para
incluir os trechos mais
picantes, suprimidos na


maioria das edig6es
condensadas.
Erro primario do professor
da Universidade de Sdo Paulo.
A Livraria Jose Olympio
Editora publicou uma bela
edi~io integral em portugues
das mem6rias do maior
galanteador de todos os
tempos (e um magistral
representante de sua 6poca)
em 1959, em 10 volumes, corn
3.936 pdginas e 367
ilustracoes. A correta
traduCao foi feita por Wilson
Lousada. Agrippino Grieco
escreveu o prefacio. Uma
edigao tdo digna que merecia
um relangamento, ao menos
para avivar a mem6ria -


cultivada sem a vivacidade do
pr6prio Casanova de certos
intelectuais.
Como explicar o
cometimento de erros assim
elementares? Mesmo sendo
apenas um interessado leitor
de livros, jd registrei neste
jomalzinho lapsos lamentaveis
de gente que posa de guia
national de leitura, mas parece
singrar mais pelas transversais
de resenhas e indicagbes
bibliograficas do que pelo mar
interior das obras. Pretensao
falhada no nascedouro (talvez
por falta daquilo que o caboclo
chama de sustdncia?) a
iconoclastia de uma elite
postigamente metropolitan.


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Atendendo ao apelo feito
pelo deputado Zenaldo Couti-
nho, em outdoors espalhados
pela cidade, que lancaram sua
candidatura a prefeito, you tra-
tar bem o turista para Belem
sair ganhando. Assim que en-
contrar um turista flanando
pelas ruas da cidade.

Journal Pessoal
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