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Jomal Pessoal L U C I F L A V I P I N T O ANO XIII NO 234 la QUINZENA DE MAIO DE 2000 R$ 2,00 IMPRENSA 0 filho do "rei publicano" ~, -.; 1 crran i' ~ :: a z jI~ I. -C .5 -.C 1- A revista Caros Amigos rompeu pesada cortina de silOncio e publicou extensa reportagem sobre ofilho que o president Fernando Henrique Cardoso teve numa relacdo extra- conjugal cor uma jornalista da TV Globo em Brasilia. Ofato pode ser um bom moment para refletir sobre o papel da imprensa e a democracia no Brasil. O president Fernando Henrique Cardoso, o mais culto dentre os queja passaram pelo cargo em todos os tempos no Brasil, comparou a imprensa ao coro no teatro gre- go antigo. Disse que os jomalistas dco ao impressio de nAo serem "participes ativos" da encenaqso, mas "funcionam como o coro, fazendo a critical e o contraponto, levando os principals personagens [os politicos] a atu- ar de forma diverse e a responder a esse permanent alerta, que e dado pela midia". Garantiu o president que, compre- endendo a funqao desse coro, nao se deixa levar pela tentagco de ignora-lo, preferindo, pelo contrario, "ouvi-lo mui- to atentamente, embora nem sempre concordando, mas sempre sabendo que ) 'A A -A t S AT A R A DE 3. A 77 2 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MAIO/2000 e important que se faga esse barulho". Generosas e sdbias palavras. Sedu- zido pelo paralelismo corn a civilizadao que nos legou a democracia, o presiden- te bem que poderia tratar os jornalistas como os mensageiros da antigifidade. Quando traziam uma mensagem ruim ou indesejada, os mensageiros cram sim- plesmente mortos. Os intolerantes, 6 evidence, nao conseguiam evitar os fa- tos, mas davam vazao a sua fiiria punin- do o pregoeiro da ma noticia. Espera-se que a tradigco democrati- ca da antiguidade classica, e nao o com- ponente totalitArio da 6poca (sobretudo o despotismo oriental), continue orien- tando as reaches do president ao coro dos descontentes, ao zumbido da critical, sem o qual o silencioso funcionamento da maquina da democracia parecera uma fantasia, um artificio perigoso demais, la- mentavel demais, azeitado cor o 6leo da manipulacao. A imprensa 6 o principal instrument da critical, o sal da democracia. Mas, como o pr6prio FHC ja comentou entire integrantes da corte, a imprensa ter exa- gerado no apoio ao inquilino do Palacio do Planalto. O excess de mimos deve estar acostumando mal o president. Pode estar induzindo-o ao erro de medir seu coeficiente de democrat pela bo- nomia diante de critics que incomodam tanto quanto o impact de uma pena de passarinho sobre o rosto do transeunte la embaixo. O equivocado produto de uma imprensa amestrada e de um ouvi- do viciado na audi9ao do que s6 Ihe con- vem: o sussurro. Esse circunl6quio pode ter sido que- brado no mrs passado por Caros Ami- gos, editada em Sao Paulo. A revista dedicou capa e cinco paginas da edicgo do seu terceiro aniversario a uma mat6- ria sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso teria tido em 1991, fora do ca- samento, com ajornalista Miriam Dutra, que foi da TV Globo em Brasilia. A noticia vem sendo comentada ha muito tempo em rodas nacionais bem in- formadas. Pipocou em um e outro peque- no espago dos jornais. Mas ningu6m se atreveu a aborda-la mais extensa e pro- fundamente. Nem mesmo nas duas cam- panhas presidenciais de que FHC parti- cipou, em ambas derrotando seu mais aguerrido concorrente, Luis Inacio Lula da Silva. Apenas Leonel Brizola, na lti- ma campanha presidential, de 1998, utili- zou o fato, mas apenas num site na inter- net, sem maior exploragdo. De militants politicos a imprensa, todos parecem ter estar de acordo que a privacidade do president tleve ser preservada. Motivag6es ejustificativas sao diferentes, mas o resultado foi um s6: o consenso (ou conspiraqgo) do si- l1ncio. Ha os que temeram a reacao furiosa do potentado. Outros recearam brincar com fogo em fungdo dos pr6- prios rabos de palha. Certamente houve quem utilizasse o silencio como moeda de troca. Inver- samente, a revista Caros Amigos, corn o forte da sua receita publicitaria oriun- do de erarios municipals comandados por politicos petistas (o maior dos quais o da prefeitura de Bel6m), estaria pre- tendendo transformar a informaqco numa anna de combat? Nessa hip6tese, revelar ao grande puiblico a infidelidade de Fernando Hen- rique seria o troco ao golpe sofrido por Lula em 1989 (e nao 1990, como diz a revista), quando ficou quase grogue di- ante das cAmaras ao ser atingido pelas acusagces da mae de Lurian, uma outra Miriam (esta, Cordeiro apenas no nome). Se assim 6, tera sido um erro do PT ou de suas extens6es, formais ou infor- mais. O golpe baixo foi dado por outro Fernando, o Collor. Objetivamente, Lula nao tinha motivo para tanto abalo porque quando Lurian foi concebida (e nasceu), ele era viivo (ji FHC estava casado, como casado continue cor a antrop6lo- ga Ruth Cardoso, que se mant6m em con- tido sil6ncio). Tornar pblico a infidelida- de do president langara fogo sobre um terreno que nao 6 seguro para nenhum dos presidenciaveis em potential, o que pode ser o anteato de um inc6ndio geral. Excluindo-se qualquer inspiracao par- tidAria ou de qualquer outra natureza que nAo a jornalistica, permanece de p6 a questao: ha razAo tecnica para a mat6ria de Caros Amigos? Ela 6 nada mais do que puro e legitimo jornalismo? Nao 6 sensacionalismo, oportunismo, irresponsa- bilidade ou ato de rancor? Uma resposta afirmativa teria sua pro- cedencia. Desde que, em 1994, a revista Veja preparou uma reportagem comple- ta sobre o assunto e nao a publicou, ou- tros jornais e revistas tiveram o tema na pauta, chegando mesmo a coloca-lo na agulha da impressora. Todos recuaram, menos Caros Amigos. Os menos afeitos as origens da de- mocracia apontarao logo para os anunci- os de pagina inteira de prefeituras petis- tas nas paginas (publicitariamente anrmi- cas) da revista como silenciosa mas suficiente resposta. A relagdo nao 6 necessariamente de causa e efeito, ou nao 6 diretamente, embora fique esse fato como contrafacgo a ira da esquerda (so- bretudo quando fora do poder) de uso da midia official como element de reforgo de alianga political (degringolando em acordo geral para outros fins), largamen- te praticado pela direita. Mas uma boa resposta nao 6 tao sim- pl6ria assim. Esperamos nunca descer ao farisaismo americano no tratamento da moral pfblica e da moral privada. Nos Estados Unidos, FHC ja estaria correndo riscos com a revelaqCo, riscos falsamen- te definidos. No Brasil, erros e vacilos particulares nao costumam ser causa de queda ou demissao do home public, se nao causam danos na sua 6rbita de auto- ridade. E um procedimento bem mais sau- davel e human. Mas muita coisa errada consegue acobertamento graqas a nor- mas difusas ou dubias. Objetivamente, ha motives suficientes para a suspeita de que Tomas Dutra Sch- midt, nascido em Brasilia, em 16 de se- tembro de 1991, seja conseqii6ncia de um romance extra-conjugal de Fernando Henrique Cardoso cor Miriam Dutra. Os dois foram vistos juntos na 6poca em lo- cais publicos. FHC nunca se notabilizou exatamente por fidelidade matrimonial, como bem sabem seus intimos. E Ia certidao de nas- cimento de TomBs nao consta a identidade do pai. Depois de nascer, a crian9a foi cercada de cuidados especiais. A partir do moment em que FHC se tornou president da Republica, esses cuidados tiveram tamb6m uma aura ofi- cial, culminando com a transfer6ncia da mae e do filho para uma residencia em Barcelona, na Espanha, nao muito compativel cor o poder aquisitivo da professional. A revista nao aprofundou a investiga- ao jornalistica que Ihe possibilitasse afir- mar, categoricamente, que Tomas 6 filho do president. Mas os indicios nesse sen- tido sao forte., Tao fortes que provavel- mente o president nao reagira a repor- tagem, apesar dos estragos e dissabores que ela Ihe causou (e ainda causara). In- dicador nesse sentido foi sua parabola sobre o teatro grego, um recado de alto nivel para jornalistas de alto nivel, como os que participam de Caros Amigos. Tudo poderia acabar nesse entendi- mento entire gente bem, sofisticada. Mas nao 6 bem assim. Ha questies penden- tes a acertar. A primeira diz respeito ao texto. NAo 6 um bom texto, apesar de assinado por profissionais que entendem JOURNAL PESSOAL la .QUINZENA DE MAIOL/2000 3 - e muito do riscado e do recado. Tal- vez por ter sido elaborado a seis mdos, sua qualidade varia, tanto em estilo quan- to em informagao. Neste segundo aspect, ha problems graves. Os amigos dos autores do texto tmr sua identidade preservada. Por tr6s vezes a reportagem se refere a "um co- nhecido lobista de Brasilia", "aparenta- do" da mae do menino, que intercedeu tentando evitar a publicacao da mat6ria, mas nao diz quem ele 6 (provocando co- mentarios azedos de Claudio Humberto, o ex-porta-voz de Collor, que participou do ardil contra Lula em 1989). Palm6rio D6ria ouviu relate de um "colunista mui- to important da imprensa carioca", so- bre censura em sua coluna quando noti- ciou o "affair" amoroso, mas omite sua identidade (seria Ricardo Boechat, de O Globo?). As contradig9es fazem pensar que Caros Amigos pisou em ovos ao produ- zir, redigir e publicar a reportagem. Os mais c6ticos acharao que tanto cuidado foi adotado para prevenir um process judicial (flanco escancarado para Miri- am Dutra, se ela quiser chegar a tal) e nao fechar algumas portas bem traba- lhadas em madeira de lei. Deixando de ser uma pena de passarinho, passaria a ter o impact de uma garra de aguia caida no rosto. Nao mais um sussurro, mas tamb6m sem chegar a um grito. Nos li- mites das querelas entire "os brancos", que o ditado popular sabe que acabam se entendendo. Mas seria possivel interpreter as omis- soes e falhas como auto-contenago. Mais investigac6es exporiam o menino Tomas e outras pessoas a uma curiosidade pu- blica que descambaria em mesquinharia. O que Caros Amigos apresentou na sua edigao de abril 6 suficiente para bons ana- listas se langarem sobre aspects menos iluminados da personalidade do home que ocupa no moment o cargo public mais important da Repiiblica. Independentemente de seus pecados, vicios ou fraquezas, esse home pode ser um bom administrator, um satisfat6rio gestor da coisa public. Talvez ele tenha abdicado a certas expresses e direitos pessoais exatamente em funggo da ativi- dade piiblica. Mesmo assim, 6 chocante que Fernando Henrique Cardoso nio te- nha assumido a paternidade de Tomis, se ele de fato 6 seu filho. E de se esperar de um carter forte que, uma vez colocando no mundo uma nova criatura humana, pelo menos deci- da juntar-se a mae na certidao de nasci- mento, evitando o constrangedor (ou pelo menos inc6modo) registro de pai desco- nhecido. Quando Tomds nasceu, FHC ainda era senador. S6 um ano depois iria para o ministerio da fazenda. E hoca mais ainda o voluntario apartamento de um pai do seu filho, ainda mais porque FHC ja se encontrava entao um cinqiientao avangado, no pleno dominio das suas virtudes e limita6bes. O isolamento da mae e do filho, se eles tem a ver cor o president, 6 a re- nuncia a intimidade entire o pai e o fi- lho e aos desdobramentos desse dano no future. Sim, essa 6 uma questao estrita- mente pessoal de Fernando Henrique Cardoso. "Cada um sabe a dor e a delicia de ser o que 6", disse Caetano Veloso, numa mtisica que responded com sabedoria a criadao anterior, com argument contrario e bem machista, de Noel Rosa. Mas esse 6 o mesmo home que nos governa. Se o epis6- dio relatado por Caros Amigos nada tem a ver cor as virtudes de FHC, ajuda muito a explicar suas fraque- zas. Ngo estamos condenando o ho- mem. Mas agora podemos entenda- lo melhor. Assim, independentemente de inter- fer6ncias e restriq6es ao seu livre ar- bitrio na producgo de uma reportagem, a revista prestou um relevant servigo aojornalismo, a liberdade de imprensa e a democracia no Brasil. Nao foi muito long, mas foi muito mais long do que a grande e poderosa imprensa. Mes- mo que suas motivacoes possam ser postas em questao, a reportagem de Caros Amigos tornou ridiculas as ex- plicacges dadas pelos representantes do establishment jornalisticoque ou- viu para o silancio geral. Aluizio Maranhao, de O Estado de S. Paulo na ocasiao, viu o site do PDT, reproduzindo uma mat6ria do Diirio de Noticias sobre o filho de FHC. Se o site de Brizola era apenas moleca- gem, como diz Maranhao, a reporta- gem do journal portugu6s nao era. Por que nao utiliza-la como ponto de parti- da para uma reportagem s6ria, sem o amolecamento pedetista? Segundo OctAvio Frias Filho, dono da Folha de S. Paulo, seu journal nada publicou a respeito (em contrast com as mat6rias sobre a vida privada de Lula) porque "nao tivemos condiq6es de investigar, porque nao tinhamos nem condicoes de afirmar se essas his- t6rias eram verdadeiras". Prevale- cendo esse entendimento, as coisas nao comegariam porque nao comeCa- ram. Ou, como ele diz mais adiante: "E que nao sabemos sequer se esses fatos sao verdadeiros". Nao sabemos porque nao queremos, diria Frias, sem fazer pastiche involuntario de Lewis Carroll. A grande imprensa, que por omis- sao, conivencia ou participaqao havia contribuido para a crucificaqao de Lula em 1989, nao permitiria a reediqio da molecagem contra FHC, nem em 1994 (quando ela foi inibida antes de nas- cer), nem em 1998, quando o PDT de Brizola tentou pratica-la. Assim, o coro tem se especializado mais no canto harm6nico, em unisso- no, do que no contracanto. E o mensa- geiro tem aberto a correspond6ncia antes de entrega-la (a tal da auto-cen- sura) para nao se expor a transmitir noticias que cause dissabor ao desti- natario. Nesse panorama, mesmo um contracanto atravessado na melodia ou um mensageiro nada veloz tem a utili- dade de dar mais realismo e sentido de vida ao enredo, expurgando-o dos vicios da artificialidade. Final, se na Inglaterra a realeza (realeza mesmo) 6 obrigada a convi- ver diariamente com a imprensa sen- sacionalista, que funciona como con- trapeso para a persist6ncia de institui- 9ao que, de outra forma, soaria mais anacr6nica (espraiando a fantasia por todos os corpos sociais e para todas as mentalidades), nossa monarquia re- publicana (como a definiu um c6nsul ingl6s d6cadas atris) tem que se acos- tumar com a dissonincia. Mesmo porque, apesar de futeis e perversos (como a pr6pria reale- za?), os tabl6ides escandalosos de Londres mantem nos seus quadros gente e arquivos bons o suficiente para Ihes assegurar que a maior par- te do que publicam, embora freqtien- temente inttil, e verdadeiro (nossa imprensa marrom omite esse "deta- lhe"). Assim, evitam mais processes milionarios e abastecem a agenda dos suditos britanicos, induzindo-os, tal- vez, a manter ao inv6s de acabar cor os principals personagens de seus pa- pos de pubs. Nao haveremos de querer ser me- Ihores do que os ingleses nessas ma- nhas & artimanhas, pois nao. 4 JOURNAL PESSOAL a QUINZENA DE MAIO/2000 Os medicos e o monstro A manifestagao de protest organizada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra) para lembrar, em Belem, os quatro anos do massacre de Eldorado dos Carajas, na semana passada, transformaram-se em instrument da cam- panha eleitoral nao declarada que os grupos poli- ticos j travam na capital paraense. E provavel que se torne o eixo principal de polarizagAo na dispute entire a coligagCo comandada pelo gover- nador Almir Gabriel, do PSDB, e a frente de es- querda liderada pelo PT, que tenta a reeleigAo do prefeito Edmilson Rodrigues. Nada indicava que tal desfecho seria possivel quando a passeata foi iniciada, no traditional pon- to de converg6ncia desse tipo de event, a Praqa do Operario, em Sdo Braz. Havia pouca gente, menos do que se podia esperar num ato dessa envergadura, as v6speras da comemoraCoo dos 500 anos da "descoberta" do Brasil por Pedro Alva- res Cabral. No curso da romaria, entretanto, fo- ram registradas cenas de violencia como hi mui- to nao aconteciam em Belem. Era uma evidence desproporqgo com a massa dos manifestantes e mesmo o sentido pratico do ato em si, que seria fazer andar ajustiqa na responsabilizacqo e puni- gAo dos autores das mortes de 19 (mais um, bem depois do conflito) sem-terra, no sul do Para, al6m de deixar seqielas em outros 69. A desproporqAo entire o contingent human e os resultados era evidence. Um observador t6c- nico imparcial que houvesse acompanhado a pas- seata ou a examinasse pelas imagens obtidas pe- las cdmaras de televised apontaria logo o despre- paro da tropa da Policia Militar, a principal res- ponsdvel pela seguranga ptiblica naquele momen- to. Em muitos moments os militares agiram como se estivessem participando de uma rixa, de uma briga de rua. Atiraram a esmo balas de bor- racha e bombas de gas lacrimogeneo, em quanti- dade muito acima do recomendivel para a situa- g9o, diante da quantidade de rivals. Era visivel a falta de comando na hora e de uma boa estrat6gia de acao previamente acertada e ensaiada. Uma tropa coesa, avancando em li- nha, indiferente a provocac6es, tem um efeito in- timidat6rio capaz de prevenir reaq es ou econo- mizar energia. Mas o efetivo colocado nas ruas era menor do que o desejavel para evitar confron- tos e atos de selvageria ou vandalism. A PM foi mais emotional e passional do que seria se real- mente tivesse sido acionada segundo normas es- tritamente profissionais. Parece ainda vitima da sindrome de Eldorado. Este 6 um prisma da questAo. O outro e a decisdo do MST de praticar atos de ousadia em desequilibrio cor a massa de gente e o m6vel da a~go, permitindo (se nao induziu) baderna, arru- aga e vandalism. A consci6ncia da infrag~o esti patente na investida contra jornalistas que docu- mentaram a invasoo da sede da Secretaria Especi- al de Defesa Social, a antiga Segup. Mesmo nos moments de maior tensao entire manifestantes e uma poderosa emissora que pro- duzia os registros das cenas sem exibi-los em sua programag o, como na passage da d6cada de 70 para a de 80, no ABC paulista, entire ope- rarios e as equipes da TV Globo, nao se viram as agress6es cometidas contra osjornalistas dentro do pr6dio da secretaria. Num ato politico, a di- vulga go 6 uma das principals armas dos mani- festantes, seu dividend, tem politico. Nao, evi- dentemente, num flagrante criminoso, aberto A intensidade da lesao, que poderia ir de uma jane- la quebrada a um cadAver. Por que invadir a sede do comando da segu- ranga no Estado? Para mostrar sua fragilidade - e, por oposigao, a forga dos invasores? Se houve realmente o primeiro objetivo, ele foi alcancado. E quase inacreditavel que o esquema de acompa- nhamento e repressao montado pelo governor do Estado tenha deixado em tal vulnerabilidade o pr6dio da Segup. Confirmada a hip6tese da intencionalidade do govemo (a ser alcancado para efeito propagandis- tico), ficaria a deduq o de que os manifestantes do MST se desviaram da rota traditional (se- guindo um caminho absolutamente inedito nesse tipo de manifestagco) porque foram sendo blo- queados no caminho pelos policiais e militares. A outra hip6tese 6 de que os manifestantes entra- ram na rua Arcipreste Manoel Teodoro porque desde o inicio haviam planejado invadir a Se- gup. Mas haviam previsto tambem o quebra-que- bra e a intimidaq~o a simples servidores, seguida de agress6es fisicas, tudo muito condenavel? Se tiveram esse objetivo, nao conseguiram o segundo resultado: o patrocinio de tal come- timento abre flancos para os vandalos. Eles cos- tumam ser atuantes no movimento ascendente do protest, deixando a marca de sua viol6ncia. Mas sdo eliminados quando vem a ressaca da repressAo e tornam-se barata tonta no moment seguinte, o da consolidag~o do poder opressor. Quemji viveu esse tipo de voragem nao precisa ir aos manuals de hist6ria para ter a premoni Ao do prejuizo. Se o ato do MST teve como escopo exibir para os habitantes da capital do Estado no qual ocorreu o massacre de Eldorado a indignaqao das eternas vitimas do poder e sua impaciencia com as procrastinaq6es da maquina dajustica (e, por extensao, da democracia), a intenq~o era boa, mas o resultado frustrou-se. Se os maquinadores des- se movimento de massa, como de muitos outros ji realizados, e dos que ainda virAo, pretendem lancar combustivel na caldeira da revoluqgo, dis- postos a correr todos os riscos, convencidos de que nao ha outra maneira de promover mudanqas para valer neste pais, entao eles estdo sendo ir- responsaveis e levianos, a partir de uma avalia- gao equivocada da correla.ao de forgas. Quem conhece as entranhas desse velho pais de apenas 500 anos sabe muito bem que algumas das principals fontes dos seus desajustes, da sua aparentemente atavica incapacidade de crescer ex- pandindo os beneficios do crescimento (pelo con- trario, s6 faz concentrA-los criminosamente), es- tao no sertao, nas vastas terras rurais improduti- vas, na especulaqco fundiAria, no aviltamento do trabalho e da dignidade da pessoa humana, num mundo que se arrasta pela hist6ria, quase indife- rente as mutag6es no litoral e nas cidades. Mas essa situaqAo s6 persiste porque os donos desse sertao (ate Deus, se quiser entrar ai, precisa ir armado, alertou nosso maravilhoso GuimarAes Rosa) tim sido os personagens principals da his- t6ria de cinco seculos deste pais continental. Todas as vezes em que o confront chegou as vias do rompimento, a solucao foi traumatica. Para todos. Principalmente para o Brasil. Nunca houve um movimento rural tao forte como o MST. Forte por sua consistencia inter- na, por seu prepare, pelo sofrimento acumulado do seu client, abandonado por todos os outros agents sociais e institucionais, e por um senti- mento de culpa que relativiza ou imobiliza as aq6es repressivas. Fortalecido em sua legitimi- dade, o MST pode estar dando um pass maior do que as suas pernas, esperando tirar de suas crescentes legioes de usuArios, adeptos ou mili- tantes o que elas nao podem (ou ainda nao po- dem) dar. Mas despertando o instinto de sobre- vivencia super-aguqado de um monstro que ain- da nao realizou o rito da transiqao para uma estrutura verdadeiramente (e solidamente) demo- cratica. Com a qual, alias, o MST nao revela ter intimidade e harmonia, preso a velhas estra- t6gias de reform social a partir da tomada do poder, ante-sala das tiranias de esquerda. Esse 6 o piano digamos assim superior dos incidents da semana passada. Mas ha tam- bem um piano inferior, um subsolo que cala o chao sem base da primitive dispute political que esta sendo travada, em crescente polarizaqCo, en- tre os dois poderes sediados na capital. Do seu lado, os tucanos estao aproveitando a desastrada estrat6gia dos organizadores da manifestagAo de protest para criar, reforqar ou agravar a image de radicalidade e inconseqiUancia do PT simboli- zado pelo grupo do prefeito Edmilson Rodrigues. HA muita teatralidade e fantasia nessa campanha, mas ela nao parte do abstrato, do nada, como tentam contra-argumentar os petistas, na infantil attitude de quem quebra a vidraqa cor uma pedra- da e esconde as mios. Ha um incendidrio clima de paixoes impe- dindo que os 6rgaos oficiais desempenhem sua fungao arbitral, um grau minimo de imparciali- dade capaz de assegurar a base t6cnica, sem a qual tudo descamba para o partidarismo, num dialogo de surdos, cegos e mudos diante de uma opiniao public at6nita, maleavel. Quando cada um s6 pode tomar a attitude de militancia, o ambiente 6 propicio para as manipulaq6es dos que tmr mais poder ou sao mais audaciosos em sua demagogia. E por isso que, no meio de um tiroteio de- senfreado, surgem auto-declarados her6is, uru- bus fantasiados de pavao, como ojornal OLibe- ral. No espago dedicado ao editorial, invaria- velmente ocupado por um sonolento texto de cerca-Lourenqo que s6 tem a ver com o sexo dos anjos, um editorial agressivo vergastou, no 61- timo dia 21, as "ameagas criminosas" de que a empresa e suas extens6es estariam sendo viti- mas da parte de agressores an6nimos, utilizan- do t6cnicas intimidat6rias. Candidamente, diz o editorial: "Aqui nao nos valemos do porrete, da pedra ou das foices como armas de agressao; usamos, sim, os fatos -, le- vando-os ao conhecimento da populagAo porque e JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE MAIOL 2000 5 do interesse public que assim seja feito". As armas de O Liberal nao sao, realmente, porretes, facas ou foices. Mas tamb6m nao tem sido os fatos. Muitos, importantes, tornam-se piblicos e not6rios semjamais aparecer nas pi- ginas dojornalao da familiar Maiorana. A agen- da dos cidadaos clama por esses fatos, mas a empresa teima em sonega-los. Mata pessoas em vida, suprimindo-as de todo e qualquer noticia- rio, mesmo o de.maior relevancia piiblica, se elas se tornam inc6modas ou indesejaveis para a familiar. Inclui ou exclui fatos e pessoas con- forme seus caprichos ou interesses comerciais, mantendo algumas delas no noticiario a peso de ouro, como sabe bem o prefeito. Edmilson Rodrigues 6 agora atacado como fas- O nome tucano 6 "mecanismo de control de prestagao de informagio". Mas o batismo popular dado ao projeto, j parcialmente aprova- do no congress, e censura mesmo. Por isso, esti sendo conhecido como "lei da mordaca". Se aprovado e sancionado, ira proibirjuizes, promo- tores, delegados e qualquer outra autoridade de dar opiniao ou mesmo prestar informac~o sobre o conteuido dos processes aos quais estejam vin- culados. Contrariar essa proibigco acarretard pe- nalidades que irSo do afastamento da fungdo a pesadas multas e, por fim, a demissAo do infrator. A iniciativa tern um fundamento nobre: pes- soas indiciadas em processes ou simplesmente denunciadas a uma autoridade administrative sao tratadas como seja fossem culpadas. A pecha s6 caberia quando a condenaiao judicial "transi- tasse emjulgado", nao havendo mais para o reu qualquer recurso contra a decisdo. Antes, po- rem, de consumada a sentence condenat6ria (ou mesmo a sindicancia administrative e o inquerito policial), a imprensa costume aplicar urn qualifi- cativo categ6rico ao personagem, algo que temr sido classificado como "linchamento moral". O projeto estd provocando discusses apai- xonadas, por isso mesmo desviadas de um eixo mais racional. Um pouco mais de discemimento faria a opiniao puiblica ver o problema cor a clareza e a simplicidade que a grande imprensa nio tern conseguido destacar. O projeto em si nao 6 ruim. Como a maioria dos anteriores, que foram enriquecer os emen- tArios legais, nem sempre conseguindo gerar efeito no mundo dos homes de came e osso (ou tendo efeito contrario ao da inteng~o), o perigo nao esta propriamente no seu conteuido, mas na forma de interpretd-lo. E de aplica-lo. Nao 6 indispensdvel- e, As vezes, nem de- sej vel -que a autoridade responsavel pelo pro- cesso fale sobre o conteudo dos autos. Ela pode cista e irresponsAvel, mas foi aceito como parceiro maravilhoso quando deu 100 mil reais do erArio municipal para elevar as alturas a taxa de lucro da empresa na comercializaqAo de fitas de video de pouco ou nenhum valor cultural, ou quando pagou toda a inflacionada divida deixada por seu anteces- sor, H&lio Gueiros,justamente para atirar uma pe- dra e que pedra no seu caminho. Com esse tipo de personagens, o enredo que comecou a ser desenrolado a partir da pri- meira pedra atirada deixou de guardar corres- pondencia com a realidade para seguir a trilha dos interesses inconfessos. Nesse rumo, do medico surgira o monstro e o monstro, como todos os aprendizes de feiticeiro acabam des- cobrindo, 6 ingovernavel. simplesmente se recusar a ir al6m do que esti registrado nos pap6is oficiais. Nao lhe faltarao justificativas para essa attitude, indevidamente descartada por um nimero crescente de autori- dades, que buscam a notoriedade facil que maus jomalistas Ihes concedem A custa do dever fun- cional e de oficio de ambos. O que interessa e o acesso aos documents em procedimentos de natureza pfiblica. Abrir os autos nao deve ser privil6gio de delegados, es- crivaes oujuizes. Se o process 6 piblico, qual- quer cidadao pode consultA-lo, conforme as pres- crig6es legais. A mediaqao da autoridade nes- ses casos pode ser um pass para o abuso de poder ou a prevaricagco, como tem ocorrido fre- qientemente. Bons procedimentos investigativos, admi- nistrativos ou judiciais, contAm o contradit6rio porque permitiram as parties se manifestar. Maus processamentos podem levar a condenagdo de inocentes. Em qualquer das situagbes possiveis, esses pap6is, colecionados por uma autorida- de, sao uma fonte da verdade, mas nao toda a verdade. Sao um fato. Mas nao esgotam os fa- tos abrangidos por tun acontecimento, epis6- dio ou situag9o. Erram os jomalistas quando aceitam como produto final o que 16em nos processes que Ihes sao exibidos. Erram desastradamente quan- do tomam pelo que esta dentro dos autos a ver- sao deles apresentada pela autoridade. Mesmo que o conteddo dos pap6is seja rico, um joma- lista estara renunciando a sua especifica exper- tise se nao for olhar a paisagem, o cenario, os personagens, a situagao (ou o teatro de opera- 96es, para usar linguagem military . Desgragadamente, essa tem sido a regra e nao a excecao-do jomalismo investigative, ao menos do que se pratica no Brasil: ao inv6s de fazer sua pr6pria investigagAo, guiada por seus pr6prios crit&ios e pela metodologia de aborda- gem pr6pria dojomalismo, os rep6rteres t6m in- corporado investigagao alheia. Acabam servin- do de biombo ou instrument parajogos de inte- resse e bales de ensaio. Uma vez lanqada como verdade a informaq o extraida dos documents oficiais, corrigi-la fica muito mais dificil. Como menos plausivel se toma reparar o dano causado a alguem prejulgado nesse procedimento. As vezes umjomalista tern a ventura de re- ceber, pronta e acabada, uma verdade por intei- ro. Mas isso 6 raro. Poucas sao as fontes com- pletamente altruistas, identificadas corn a causa public, acima de suas pr6prias limitag6es. A maioria usa a informaqao como moeda de troca. As vezes a mercadoria que oferece aojomalista 6 fascinante. Parece, enfim, a verdade absolute. Mas um pouco de trabalho de campo costuma ser sufici- ente para iluminar dimens6es ocultas ou omiti- das, fatos sonegados. Por isso, deveria ser dire- triz 6tica categ6rica do jomalista conferir tudo o que for possivel-diretamente, pessoalmente. E nunca passar em frente um papel recebido sem submet-lo a urn profundo exame, a urn teste de consistencia. A "lei da mordaqa" s6 deve causar estra- gos sensiveis aos maus jornalistas, Aqueles que entram em contato com processes atraves da apresentaq o que deles faz a autoridade res- ponsavel e que nada sabe das informag6es primarias, sendo suprido apenas atrav6s de fontes secundarias. Nenhum bomjomalista seri afetado pelo que esta dito no texto do que ainda 6 projeto, se a letra da lei-e tao somente ela-for aplicada. Mas da mesma maneira que os maus jomalistas se verSo tolhidos por perderem o guia de cego (ja que nao tnm acesso A fonte pura), os maus servi- dores publicos tomario a lei como arma para con- trolar a informaqao, golpeando o direito do cida- dao de saber o que vai pelas entranhas do Esta- do, prevenindo (e evitando) o surgimento de Behemoths ou Leviatas cor o unico antidote eficiente: a disseminag.o da informagao. Ao inves de combater os estragos causa- dos pelo maujomalismo corn urn rem6dio cheio de terriveis efeitos colaterais, a sociedade deve- ria enfrentar o problema pelo prisma eficiente: impedir que a imprensa e as autoridades contro- lem a difusio da infornmaco. Como lembrou o papa Joao Paulo II, o pior mal da imprensa nao e o de divulgar fatos errados (pelos quais res- ponde e que pode ser compelida a corrigir, em- bora ainda em escala insatisfat6ria), mas sone- gar informa6oes. Como os riscos do rem6dio sao potencial- mente maiores do que seus beneficios em fun- gAo dos efeitos colaterais negatives que provo- ca, o melhor seriajoga-lo fora e procurar o trata- mento adequado para o problema. Se isso nio for feito, nosso ex-professor e ex-intelectual, re- prisado na presid6ncia da Republica, acrescen- tari mais um pecado mortal ao seuji carregado prontuario, com o qual se apresentard, se nao aojuiz supremo, pelo menos aos seculares es- crivaes do tempo. Com nossa omissao ou con- cordincia, estaremos contribuindo para pavi- mentar cor o duvidoso cascalho da boa inten- 9do o caminho para mais um capitulo infeliz da nossa hist6ria. A mordaga na informagao, apesar da boa inten ao 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE MAIO/ 2000 Baixaria "liberal" Coluna sem dono emjornal irresponsa- vel 6 um perigo: pode se transformar numa bacia das almas. Todo mundo mete la a sua colher, azedando o prato. O anonimato con- tamina o jornalismo de bales de ensaio, picaretagens ou vingangas pessoais. Como as que se v8 na arrivista coluna Tutti qui, publicada aos domingos no journal O Libe- ral. Sem um colunista que a assine, a res- ponsabilidade legal 6 do director de reda9ao, Walmir Botelho. A moral ou, mais apro- priadamente ao caso, immoral dos propri- etarios, os Maiorana. As vezes em O Liberal nao se respeita nem o professional sob cuja chancela apare- ce a coluna. Ojornalista Luiz Paulo Freitas leu em sua coluna, cor a mesma surpresa dos demais leitores, duas notas atacando ca- vilosamente o desembargador Benedito Al- varenga. As notas nao haviam sido redigi- das por Luiz Paulo. Alguem, corn poderes para se infiltrar clandestinamente na colu- na, a revelia do autor, tentarajogar lama sobre o magistrado. O pretexto da agressao era falso. Mas o motive escuso foi logo identificado: quando ainda procurador dejustiga, Alvarenga dera parecer contrario aos interesses de RosAn- gela Maiorana Kzan, em um dos cinco pro- cessos por ela ajuizados contra mim, a par- tir de 1992, como puni~ao por eu haver pu- blicado nestejornal noticia que a contrariou (emborajamais tenha procurado desmenti- la de publico. A noticia envolvia mais dois Maiorana (Romulo Jr. e Angela), mas s6 Rosangela foi As barras dos tribunais. Num dos moments da tramitaCao des- ses processes, o procurador Bendito Alva- renga se manifestou como representante do Minist6rio Piblico favoravelmente a minha posicao. Na esmagadora maioria das vezes, o MP se posicionou contra mim, ate mesmo mandando arquivar de pronto a unica causa que levei justice, quando o marido de Ro- sangela, Calilo Kzan, tentou me agredir fisi- camente, diante de duas testemunhas, na entrada do f6rum da cidade. Apesar da confissao do pr6prio agres- sor, a promotora nao viu "crime de especie alguma" no caso e pediu o arquivamento, s6 nao consumado naquele moment porque, al6m de apresentar queixa A policia, inician- do o procedimento de natureza public, tam- b6m ajuizei agao particular. O arquivamen- to acabou vindo depois, por prescricgo, prescri~go, que ja existe nos processes em que sou r6u, mas nao 6 declarada nem mes- mo por dever de oficio dojulgador. Nunca ataquei pessoalmente os que se manifestaram contra mim. Respeitei religi- osamente, inclusive, a vida privada dos meus algozes e de sua familiar, ignorando tudo o que me mandaram ou disseram a respeito, na suposicao de que eu daria guarida a tais mis6rias (postura adotada em relacao a qual- quer pessoa, mesmo algu6m que me agrediu tao torpemente, como o ex-prefeito H6lio Gueiros). Mas um gato pardo, que a sombra tor- nou negro, em voragem vingativa, insemi- nou as linhas de veneno na coluna de Paulo Zing contra Benedito Alvarenga, ja entao conduzido do MP ao Tribunal de Justica do Estado. Felizmente, o entao novo desem- bargador, ao contrario da tradicao de com- placencia e covardia de varios dos seus pa- res diante do grupo Liberal, reagiu a altura. Alvarenga provocou a instauragao de procedimentos penal e civel. Venceu em ambos na primeira instancia (cristalinamen- te e nao por emulacgo corporativa, que, nesse caso, por ter-se "alevantado" poder maior, nem houve, muito pelo contrario). Repeliu todas as formas de seducao e pres- sao, a mais triste das quais utilizando o pr6prio desembargador que ocupava na 6poca a presidencia do TJE e tentara im- pedir- na remessa entire o cart6rio e a re- senha a publicacao de uma sentenga mo- nocratica de juiz singular (determinando o pagamento de 100 mil reais de indenizacgo ao desembargador Alvarenga pelas ofensas morais que sofreu, praticadas com essa deliberada intencao, tal a maneira pela qual as duas notas foram redigidas). Fiel a essa tradigao, a "casa" cometeu mais uma baixeza na muy criativa coluna Tutti Qui do dia 16 passado. A calhordice esta por tras da seguinte nota (an6nima, convdm ressaltar), destacada por uma ilus- traao (de professional?) de Jorge Laurent, cor o titulo "'Arara' emergente": "Euclides 'Chembra' Bandeira era a iro- nia em flor. Antes de sua morte, encontrou- se num restaurant da cidade com outro jor- nalista, desses que expelem amargura por todos os poros. 'Chembra' aproveitou para um gole de ironia: Vem c/, caboco. Tu acaba virando o 'Arara'. Ningu6m mais agidenta essa tua ma- nia de s6 viver criticando O LIBERAL. Essa tua raivaji esta ficando chata. Raiva, nao responded o amargo das letras. E 6dio mesmo! Nao posso nem ouvir o jornaleiro gritar o nome do journal que me di um neg6cio. Cuidado, caboco. Tu acaba virando a 'Arara'(aquela boa senhora que ndo podia ver alguem gritar 'Arara' que explodia em trovoadas epalavroes). Ja imaginou ojor- naleiro gritando O LIBERAL e tu correndo atrds dele com a sombrinha para bater? " Quem escreveu a nota nunca conseguiu se caracterizar pelo rigor na divulgagao de informag6es, nem pela lisura-moral ou 6ti- ca-dos seus procedimentos profissionais e pessoais, estes ultimos, aliAs, de duvidosa convic~lo. Para dar vazao a uma caprichosa vinganga, que, como tudo, nao assume, in- ventou essa ficqAo. Talvez tenha imaginado que eu nao aceitaria a carapuca. Incorporo- a, porem, sobretudo em respeito a Euclides Bandeira, cujo senso de humor esta muito acima dos parametros cedicos (e maneiris- tas) do author da nota. A verdade 6 a seguinte. Ha muitos anos Euclides e eu freqilenta- mos o senadinho do restaurant O Outro, da querida familiar Martins (tendo como por- ta-bandeira a linda Ana Maria). Nossa mesa e partilhada por amigos de varias origens, distintas profissies, divergentes visoes do mundo, unidos, contudo, por dois tragos basicos: bom humor e espirito democratic. Ningu6m, nessa confraria, reprime uma boa frase, nem a gozagao, mesmo que ma- chuque o conviva. Todos ja passamos vari- as vezes por mementos em que e precise contar at6 10, ou ate mil, respirar fundo e rir. Mesmo que a boutade (como diria nosso Jarbas Passarinho) nao seja das mais graci- osas, 6 proibido engrossar. Quem engrossa entra em quarentena nao declarada, mas firme. Quando volta, ter que estar com a casca mais grossa e a verve mais fina. E as- sim sepasaran los anos nessa mesa em que o mais novo freqilentador 6 tamb6m o unico com menos de 50 aniversArios no curriculo. Bandeira foi o author de algumas das me- Ihores frases ou causes. Diante de various deles fomos as lagrimas de riso. E o caso da hist6ria a que a coluna macarr6nica de 0 Li- beral se referiu corn a precisao tipica de uma famiglia novaiorquina. Bandeira inventou essa narrative (que 6 pura invenCgo), na hora, muito tempo atras e nao "antes da sua mor- te". Reprisou-a varias vezes, sem perder a graca, a pedido da mesa, com a minha ade- sao e a gargalhada generalizada. Porque 6 mesmo engragada. Imaginou Bandeira que daqui a various anos, quando euji seria um anciao, andaria pelas alamedas do campus da UFPA no Gua- ma sobragando pap6is ejornais velhos. Um estudante, vendo aquela figure passar, per- gunta ao outro: Quem 6? O interlocutor responded: -Nao sei. Mas parece que e um filho des- garrado do Romulo Maiorana, que foi enga- nado pelos outros irmaos quando o velho morreu. Os irmaos ficaram corn O Liberal e deixaram para ele um.tal de Jornal Pessoal, que nunca deu dinheiro. Ele ficou na mis6ria. Sabendo disso, os moleques de rua iriam atras de mim gritando: -Ei, Liberal. JOURNAL PESSOAL *la QUINZENA DE MAIOL/ 2000 7 Ao que, como a professor Graziela, vulgarmente conhecida como "Arara", eu responderia: Ea mae! Esta, sim, 6 a hist6ria do verdadeiro Eu- clides Bandeira Goncalves, sard6nico, ir6- nico, sutil. No o pastiche que o enrustido colunista colocou nas paginas de O Liberal. A verdadeira cr6nica do Chembra 6 esporti- va, ternfair-play. Deriva do fato de que este minusculo journal tem sido uma trincheira contra o tanque destrogador do grupo Libe- ral, mas nao um pogo de 6dio contra os Maiorana. Nenhum deles, mas nenhum mesmo, tem objetivamente, enquanto pes- soa, enquanto personalidade privada, do que se queixar de mim. Todas as minhas critics sempre tiveram na mira o grupo de comunica9ao enquanto um instrument de poder, da vida piblica, com uma danosa influencia sobre a forma- 9ao (na verdade, deformacAo) da opiniao neste Estado e o uso dojornalismo como mero instrument de neg6cio. O mais atacado ter sido Romulo Mai- orana Jr.. Nao 6 por implicancia pessoal, como deixei claro em entrevista ao jorna- lista Tito Barata, ressaltando o cavalhei- rismo de Rominho nas poucas ocasioes em que cruzamos depois de desencadeada essa rixa. Mas 6 porque ele 6 o verdadeiro lider da corporacao. Sua irma, Rosangela, s6 foi citada no epis6dio que Ihe provocou ai, sim o 6dio. Nao ha uma s6 referencia a ela neste journal, nem antes, nem depois, fora desse affair. Basta consultar a colegao do JP para comprovar. Rosangela transformou um capricho pes- soal em questao editorial, numa persegui- gao que se manteve silenciosa (com uma inica excecgo: a publicagAo da "sentenga" que me condenou em primeira instancia) at6 a destilaCao de veneno da Tutti Qui. Chegou ao ponto de, numa audiencia najustiga, de- clarar que s6 voltaria a publicar o meu nome quando eu morresse, o que faria com satis- fagao. Desde entao sou um morto-vivo para o journal. Rosangela nao teria entronizado essa pantomima se o pai estivesse vivo, a frente do seu neg6cio, ainda que eu nao mais trabalhasse em O Liberal. Meus 14 anos de relacionamento profis- sional cor Romulo Maiorana foram inter- rompidos duas vezes. Em ambas eu pedi de- missao. Em ambas por discordancia editori- al, por nao aceitar interferencia sobre o que escrevia. Na primeira vez ele foi me buscar de volta, sem condig6es. Nao houve a se- gunda porque ele morreu antes de podermos desfazer nosso incident final. A reconcili- ag9o fez-se atrav6s da viiva, no vel6rio, num moment cuja emogao guard at6 hoje como um indestrutivel patrim6nio moral, indepen- dentemente do que dele pensem (ou quei- ram fazer) terceiros, hoje. Foi por causa desse patrim6nio que Ro- singela me pediu para escrever a edicgo es- pecial do primeiro ano da morte do pai, quando euja estava fora de O Liberal. Es- crevi. Nao cobrei um tostao (recebi um exem- plar da edig~o, encadernada, que ela me man- dou) Era minha retribuicao as boas lem- branqas de Romulo, que ficaram sobrenadan- do na memoria enquanto os maus moments foram decantados pelo tempo e sumiram, purificados pelo que 6 o sal da vida humana: a generosidade (por nao possui-la, muita gente permanece insossa a vida toda, defi- nhando a olhos vistos). Depois da basilica, o pr&dio mais impor- tante e valioso do Largo de Nazare e a resi- d6ncia da familiar do medico Diocl6cio Corr6a. Felizmente, apesar de fechado ha tanto tem- po, o belo casarAo ainda esta relativamente intacto. Mas comega a apresentar as marcas mais profundas de anos de abandon. Sera uma perda irremediavel para a cidade se vier a seguir a sina das edificag6es mais antigas e desabar. Nao hi mais nenhuma construgao do estilo com aquele porte e numa localizagao tao privilegiada. Umaj6ia rara, portanto. Pode-se preserva-la? Claro que sim. Pen- sei numa id6ia: transformar aquela enorme casa de dois andares no Centro de Cultura Popular, vinculado a Universidade do Estado do Para. Um centro que teria como um dos seus eixos principals o Cirio de Nazar6 (refor- cando a identidade da sua localizagao), com exposigAo permanent, museu, banco de da- dos e nucleo de pesquisa. Mas tambem dedi- cado a todas as manifestag6es culturais (no seu amplo significado antropol6gico) do povo paraense, formando acervo, dando cur- sos regulars, patrocinando estudos. Se o Estado nao se interessar por essa proposta, seria o caso de a prefeitura de Be- lem examind-la. Nesse caso, o centro de cul- tura popular poderia restringir sua abrang6n- cia temAtica a area de Belem, mas incremen- tando suas atividades de extensao, corm nfa- se nas crianqas e adolescents. Uma das pre- ocupac8es seria fazer o benenense conhecer a hist6ria da sua cidade, a passada e a pre- sente. Esse centro tamb6m ficaria encarrega- do de elaborar projetos individuals gratuitos para os proprietarios de todos os pr6dios de valor hist6rico e paisagistico da cidade recu- perarem ou conservarem seus im6veis. Um centro da intelig6ncia da cidade. Mesmo antes que ele exista, a prefeitura ji podia tomar tr6s iniciativas. Uma delas, 6 fazer um projeto integrado para a Praga Coa- racy Nunes (a popular "ferro de engomar"), aproveitando a recuperacao de suas das ca- sas daquele perimetro. O projeto permitiria dar ao local a caracterizagFo de conjunto arquite- t6nico, para todos os efeitos legais e esteti- Nao ficaram s6 membrias. Ficaram tam- b6m documents e testemunhos, orais e es- critos, informagaes e confidencias, uma his- t6ria de 14 anos que, revendo hoje, s6 tenho motives para considerar que deixou sua mar- ca na evolugAo do jornalismo e na hist6ria paraense desse period, alem de ser profun- damente rica em terms pessoais. Um pa- trim6nio tao valioso que a canalhice de tutti qui, agora, nao conseguira destruir. Jamais. Porque se tornou independent da vontade - e, particularmente, da vilania dos ho- mens, virando o que nos liberta de tudo nes- te vale de lagrimas: hist6ria. cos. A comuna poderia negociar com a fami- lia do ex-deputado Paulo Itaguahy da Silva a utilizagao do seu belo palacete como um pon- to de visits publicas e at6 de um atelier de artes para crianqas e jovens. Um outro projeto desse tipo deveria ser aplicado na rua Leao XIII. E um dos mais preciosos conjuntos da cidade, cuja integri- dade comeca a claudicar. A prefeitura ja fez um mal enorme a essa area quando la insta- lou uma das depend6ncias da secretaria de finangas. Para remir a culpa, devia intervir no local para garantir a paisagem unica da- quela sucessao de pr6dios levantados du- rante o boom da borracha. Uma terceira ofensiva deveria ser sobre o conjunto da capela Pombo, que esta sendo descaracterizado de forma galopante pelas mutag6es do com6rcio ali estabelecido. E de cortar o coraqco ver aqueles azulejos desapa- recerem sob cores berrantes. Ojardim intemo vive seus estertores, quando poderia ser transformado numa galeria popular de bares, restaurants e lojas especializadas, sem o mau gosto e o relaxamento que costumam ser as- sociados ao popular para efeitos mercantis. Finalmente: ja que a prefeitura investiu sobre o terreno do Banco da Amaz6nia na avenida Presidente Vargas, por que nao pen- sar em desapropriar, para fins de utilidade piblica, a area que a Caixa EconBmica Federal cedeu, ap6s anos de abandon, para o Esta- do usar como estacionamento da sede das secretaries especiais (o extinto Idesp), trans- formando-a em uma praga? Mais do que des- perdicio, parece-se a escrnio destinar essa Area, com saidas para duas avenidas (Nazar& e Governador Jose Malcher), num ponto no- bre, para ser estacionamento privativo de bu- rocratas, pago pelos cofres piblicos. Uma pra- ca naquele local, complay-ground, pista para cooper e equipamentos de ginastica, seria uma revolug~o. Para nao causar grande im- pacto aos cofres piblicos, a prefeitura com- pensaria a Caixa, oferecendo-lhe espago para out-doors exclusivos como compensaqco. Com pouco se poderia conseguiria efei- tos realmente de impact. Por que nao tentar? Cidade melhor Elite O desemprego 6 o maior problema que o Brasil enfren- ta ao completar 500 anos. Tern o efeito simultaneo de uma di- Aspora e de um apartheid. Leva a migra9ges compuls6- rias e liquid por dentro indivi- duos, families e sociedades. Os dois maiores indices de desem- prego atualmente registrados no pais estao em Salvador e Brasilia, a primeira e a ultima das capitals brasileiras. Cinco s6culos andando em circulo. Critica HA pessoas, principalmen- te as que tmr poder, batendo sempre numa tecla: eu s6 fago critics, nao fago proposta. Se eu fosse capaz de fazer boas critics, j seria o bastante. No entanto, sugiro aos critics do critic dar uma olhada na co- lecao destejomal. Devem en- contrar muitas propostas e id6ias que podem ser enqua- dradas como construtivas. Para a prefeitura, ja dei inmi- meras, como as que aparecem nesta edicgo. Noo tive um ini- co retorno, nem que fosse para demonstrar a total improce- dancia da id6ia (como o cen- tro de informanao no pr6dio de 0 Liberal, uma das ultimas). Ou s6 interessa a essas potes- tades id6ias carimbadas? Extra Al&m dos 19 milh6es de re- ais que a obra civil de constru- 9o dta Estacgo das Docas ja custou ao erArio, o Estado con- tinua a investor nesse elefante branco por outras vias que nao o contrato principal. A Secre- taria de Obras gastou R$ 225 mil a firma Remantec pela aqui- sicgo de poltronas para o audi- t6rio da Estagao. O extrato de empenho nao diz quantas des- sas poltronas, da "s6rie Fox", foram compradas. Tamb6m nao fundamental a inexigibilida- de de licitacao para a compra, efetuada sob o manto (exces- sivamente largo) da exclusivi- dade do fomecedor, limitando- se a citar o dispositivo legal que amparou a iniciativa. Nem di a minima para um "detalhe": a responsavel pela Estacqo das Docas ja 6 a or- ganizagao social "Para 2000", integrada por amigos, correli- gionarios e subordinados do secretario de cultural, Paulo Chaves Femandes, responsa- vel de fato pelo cometimento, mas sem qualquer vinculaqao legal a polemica obra. Se, atrav6s de contrato, o Estado transferiu a gestao do local A "Para 2000", por que a Secretaria de Obras continue a gastar dinheiro do Estado na. obra e ainda por cima, fa- zendo aquisigao direta, sem concorrencia piublica? Ainda mais porque a receita obtida com a transfer6ncia dos ser- vigos a terceiros ira para a OS e nao para o governor. Estranho. Depend ncia E de estranhar, realmente, que a prefeitura de Bel6m este- ja programando veiculaaoo pu- blicitAria em Caros Amigos ha mais de um ano. O anuincio da PMB ocupa toda a filtima capa, um dos espacos mais cars do mensario, editado em Sao Pau- lo, ha 11 ou 12 ediq8es. Deve- se ate louvar o apoio dado a re- vista, um dos raros 6rgaos da imprensa altemativa no Brasil, de qualidade superior. Mas um ano seguido de pigina inteira em policromia 6 gasto desmedido e injustifici- vel. Estabelece uma vinculagio political sem causa para uma administraao municipal caren- te. Al6m disso, nao faz bem a necessaria independencia da revista, sem a qual sua altema- tiva padecera de certo vicio de parcialidade. O pecado seria venial se o prego do anincio estivesse muito abaixo dos va- lores de tabela da revista e a agencia de publicidade, dona de 20% do faturamento bruto, re- nunciasse A sua comissao em favor da causaa". Ainda assim, tanto tempo de publicidade institutional sem uma clara e puiblicajusti- ficativa tem o efeito mal6fico de qualquer depend6ncia. Propaganda O governor do Estado vai gastar pouco mais de 14 mi- lh6es de reais em propaganda no period de um ano, segun- do os contratos que assinou com cinco agnncias de publi- cidade. A relagao 6 estabele- cida entire a casa civil da go- veradoria, a Funtelpa (Fun- daqco de Telecomunicaqces do ParA) e as empresas. Silencio O Diario Oficial de 13 de abril publicou o demonstrative resumido da receita e da des- pesa do Estado de fevereiro si- multaneamente a republicaqgo do mesmo quadro referente a dezembro do ano passado. Mas n5o explicou, como devia, a ra- zao da atrasada republicaqco. Divida Metade dos seis maiores devedores do IPTU sao em- presas de pesca, o que da uma media da crise (velha e per- manente) de um setor que tem, teoricamente, todos os motives para crescer. O d6bito total desses seiss mais" 1,8 milhdo de reais. S6 as empresas de pesca devem R$ 565 mil. A prefeitura continue levando os. devedores a justiga. Mas eles parecem nao ligar muito. Deve haver coisa errada no meio-de-campo. Melhor Qualquer pecado cometido pela prefeitura ao ocupar A forga o terreno que o Banco da Amaz6nia manteve sem uso por quatro d6cadas na avenida Presidente Vargas foi abonado pelo efeito da inicia- tiva: de imediato, o Basa lim- pou e murou a area, tirando-a da indigna condigco de lixeira e reffigio de marginais. Pro- meteu at6 ali instalar r 5va agencia, em me' ndi- 96es operacic- ue a _ente na s,-. aco. Agora esta na hora de os ois lados se sentarem para am dialogo s6rio, respeitoso e produtivo, pondo fim ao que se apresenta como jogo de gato e rato. O Basa tirou a prefei- tura com um mandado de rein- tegragao de posse dado pela justiga e rapidamente cumpri- do. Um contingent que che- gou a ter 16 segurancas parti- culares garantiu por quase dois dias o trabalho ininterrupto de operarios para cimentar e mu- rar o terreno. Em seguida, a PMB embargo a obra, por falta de licenciamento. O necessario dialogo tern que partir agora de duas pre- missas. Uma: o Basa nao pode mais manter sem uso o terre- no, nem deve recorrer a artifi- cios em torno de uma future agencia, se nao pode construi- la. Segunda premissa: nao s6 6 um atraso, como se mostrara contraproducente transformer a area em mais um camel6dro- mo. Confinado, ele nao se sus- tentara por muito tempo. Mes- mo que se mantivesse, nao en- riquece a cidade, nem os su- postos beneficiaries. O prop6sito da prefeitura e populista. JA o Basa precisa explicar tanto empenho. Se gastou 400 mil reais de IPTU em quatro anos naquela area, talvez seja porque a integrali- zou ao seu ativo por um valor irrealmente elevado. Por isso, perdendo o im6vel, teria que provisiona-lo contabilmente. E cade o dinheiro para tal? Agenda Ainda nesta quinzena sai- ra o nmmero nove da Agenda Amaz6nica, para a qual con- tinuo fazendo (pelo telefone 241-7626) assinatura semes- tra; (a R$ 18,00). Jornal Pessoal Editor: Likcio FlIvio Pinto Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 e-mail: jornal@amazon.com.br Edi io de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 |
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