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omrnal Pessoal L U C IO F L AV IO PI N TO ANO 'XIII .* Nk 233 2' QUINZENA DE ABR ILDET200:' R2 ,0D POLITICAL A derrota dos vencedores 0 senador Ant6nio Carlos Magalhbes jd ndo e mais oferrabrds da repablica. Foi enfrentado no plendrio do senado e sofreu como nunca. Mas o autor da faganha, Jader Barbalho, se ganhou, ndo vai levar. Sua ascensdo na vida pablica brasileira foi bloqueada. Na conta de chegada, o resultado do bate-boca da semana passada pode ter sido o empate. Nesse caso, o pais e que saiu ganhando. ^ '1^1 No dia 4 de setembro de 1984 o iltimo dos govemos militares, comandado pelo general Joao Figueiredo (falecido no ano pas- sado), estava A beira do abismo. O pontape final foi dado pelo politico baia- no Ant6nio Carlos Magalhaes, o mais ca- t 7 ni racteristico home do "sistema". ACM co- estar aderindo aos inimigos do regime, do memorava seu aniversirio na festa de inau- qual fora um dos maiores beneficiados. guraqao do novo aeroporto de Salvador Diante de todo o s6quito, inclusive de quando soube que o ministry da aeronauti- Figueiredo, Ant6nio Carlos deu a resposta ca, brigadeiro Dh6lio Jardim de Matos, um de corpo present ao brigadeiro: dos integrantes da extensa e ruidosa comi- "Traidor 6 quem apoia um corrupt para tiva official, o havia chamado de traidor por a presid6ncia", disse, referindo-se a Paulo ) _ S A R S "A A" 7) 2 JOURNAL PESSOAL .2' QUINZENA DE ABRIL 2000 Maluf, em favor de cuja candidatura o mi- nistro vinhatrabalhando. O epis6dio atestava duas caracteristi- cas de Ant6nio Carlos: a coragem pessoal, descambando freqilentemente para a aberta truculencia, e o afiado senso da oportuni- dade hist6rica, muitas vezes sin6nimo de oportunismo. Essas duas qualidades vinham sendo a garantia de quase meio s6culo de carreira political ascendente: de amigo de Juscelino Kubitscheck, ACM se tomou o mais credenciado porta-voz dos mesmos militares que cassaram JK. Conquistou no- vos aliados sem perder a antiga amizade. Corn seus atos belicosos, trovejados no palco politico perante audit6rios estupefac- tos ou simplesmente imobilizados, ou suas sagazes artimanhas de bastidores, Ant6nio Carlos se tomou um todo-poderoso como nenhum outro politico no Brasil das ultimas quatro decadas. Mas se corn o choice verbal no brigadeiro conseguiu se desvencilhar de uma nau que afundava, a dos militares, e embarcar corn cr6dito numa outra, que co- megava a zarpar, a de Tancredo Neves (e Jose Samey) e da democracia, desta vez ACM perdeu o trem da hist6ria e esti che- gando ao fim. O embate corn Jader Barbalho, na se- mana passada, a tribune do senado funcio- nando como mesa de botequim ou pedra de lavadeira (sem pretender ofender os bebuns, ou as lavadeiras), foi apenas um dos moments da via crucis do senador baiano no rumo do ocaso. Talvez o mais doloroso. Mas seguramente nao o mais decisive. Nem o primeiro. Quem se deixou impressionar pelo ran- ger de dentes e a cara fechada dos tribu- nos nao se lembrou do arsenal de truques que os politicos profissionais costumam car- regar (no alforje ou no coldre, conforme a agressividade pessoal) e se esqueceu de outra expresso muito mais em6lemitica (como se costume repetir agora): aquela expressao de perplexidade, dor e fiiria cap- tada pela cdmara da TV Globo quando Antonio Carlos Magalhaes foi procurado para falar sobre as acusacqes feitas con- tra ele por Nic6a Pitta, a ex-primeira dama de Sao Paulo. Enquanto seu c6rebro procurava en- contrar um sentido l6gico (ou um.sentido qualquer, 16gico ou nao) para aquela situ- aqao absolutamente inusitada em que se via posto naquele moment, na expres- sao facial ACM tentava manter a apa- rencia de confianqa e arrogincia que constituiam sua marca registrada. Ele des- carregava sua ffiria na ex-mulher de Cel- so Pitta. Mas gostaria de ter remetido os adjetivos mais cabeludos na direq~o da- quele que o feria verdadeiramente de morte, mas como um sujeito oculto na oradgo: o empresdrio Roberto Marinho, o nonagendrio dono da TV Globo, semes- tralmente rejuvenescido pelas artes, en- genhos e magias da doutora Ana Asian, a maior geriatra do planet, s6 acessivel na Romdnia aos demasiadamente ricos. Por dever de gratidao ou compelido pe- los terms de um contrato que, se alguma vez foi escrito, 6 mantido em segura gaveta (ou num cofre), Roberto Marinho nunca permitiu que uma critical ferisse ACM em ponto sensivel, cor mais tato a partir da ascensdo dele ao Minist6rio das Comuni- caq es no governor Sarney. Em cinco anos de poder plenipotenciario, o fruto mais ma- duro foi colocar Mario Gamero para escan- teio e promover a sociedade dosjaponeses cor a Globo na NEC para a vanguard das telecomunicaqes. m s critics, quando repassadas pelos veicu- los do sistema Globo, eram previamente notifi- cadas ao parceiro e ami- go para poupa-lo de sur- presas desagradaveis. Era como se tivesse um telemprompter adi- ante da cdmara, dando-lhe um texto para ler, mas parecendo falar de improvise, um Cid Moreira elevado a en6sima pot6ncia (e sem ser empregado de Marinho, como ACM sempre fez questio de destacar). Mas naquela fatidica noite de margo deste ano, o Jornal Nacional (e, depois, o Globo Rep6rter) simplesmente deu um tempo enorme (e meticulosamente produ- zido) para dona Nicea Pitta dizer, corn to- das as letras, que ACM utilizara o ex-se- nador Gilberto Miranda (cujo notavel enri- quecimento comegou na Zona Franca de Manaus), o mais eficiente lobista da Re- p6blica (um remanescente da era Collor), para pressionar o prefeito de Sao Paulo a pagar contas atrasadas a OAS. A OAS e aquela construtora baiana que entrou numa formidavel espiral de crescimento, ense- jando com isso que suas iniciais fossem reinterpretadas debochadamente como Obras Arranjadas pelo Sogro, ou Obriga- do, Amigo Sogro (no caso, o pai da mulher do dono da OAS, seu genro, portanto, Antonio Carlos MagalhAes). Tal acusagaoja saiu em papel impres- so, papel oposicionista, ou em mat6riajor- nalistica de ataque. Mas nunca, dessa for- ma tao direta, atrav6s de uma emissora de televisao. Impensivel, at6 entdo,,pela TV Globo (cujas imagens sio retransmi- tidas hi 15 anos na Bahia pela TV Aratu, de ACM, justamente quando a Globo en- trou na NEC). Mas 1 estava a cimara ligada, o mi- crofone aberto e a pergunta do reporter da Globo a espera da resposta do ex-todo-po- deroso ACM, tudo em conexdo "ao vivo" corn a emissora, captando aquela sucessao de tonalidades e tons do politico ferido por tris, a traigo ao menos segundo sua eti- ca, sua e dos que formal esse tipo de as- sociacgo, As vezes denominada de mafia. Por que aquele golpe dado por tras pelo "doutor Roberto", desfazendo a confraria de longos anos (ACM diz que a amizade entire os dois comegou em 1959)? Foi na busca da resposta para essa pergunta que Antonio Carlos decidiu escrever uma car- ta, tio logo se viu livre da equipe da Globo. Foi outro element pat6tico dessa tragico- media. Os filhos- e nao o "doutor Rober- to"- deram a resposta, que, em resume, parodiando uma velha vinheta de desenho animado americano (That' allfolk!), diz que "tudo 6 hist6ria"-jomalismo, no caso. ACM que se desembarace das armadi- lhas do entrevistador, ji sem telepromp- ter, nem ponto. Se ainda era capaz de discernir, Anto- nio Carlos entendeu o recado. Cor dividas no mercado intemacional que superam em duas vezes e meia seu patrim6nio liquid, as Organizagoes Roberto Marinho estavam tecnicamente falidas atW a violent desva- lorizacgo do real, no ano passado. Ganha- ram oxigenio. Mas essa reserve s6 serve de garantia se lastreada numa contrafe de poder. O aval foi dado pela administracao Fernando Henrique Cardoso, sem preci- sar assinar pap6is (embora isso tenha sido tentado, atrav6s de uma cabulosa opera- cgo de permuta cor publicidade junto ao Banco Central, abortada antes de se con- sumar, denunciada a tempo, embora sem estardalhaco, como conv6m na guerra entire brancos colarinhos). A Globo voltou a contar cor todos os favors da administragdo federal, nao s6 os que aparecem na contabilidade e no cofre, mas cor a proteqdo sombreada do Palacio do Planalto. Para ser uma parce- ria de novo tipo, como exige um neolibera- lismo jogado nas bolsas e renovado nos conselhos de administraqgo, sujeito is ava- lia oes de risco de consultores especiali- zados, essa alianca exigia de uma das par- tes uma seguranqa que nem a longevida- de lendiria do "doutor Roberto" pode as- segurar, aos 94 anos de vida. O contrato nao escrito passou a ser as- sinado pelos tres herdeiros, Roberto Irineu corn mais destaque do que os outros dois irmaos. Para ter f& de long prazo, na ex- tensao dos compromissos financeiros, para tranqiilidade de credores que nao querem JOURNAL PESSOAL .2a QUINZENA DE ABRIL/ 2000 3 se sujeitar a riscos que nao estejam na letra da lei (mesmo uma lei leonina), a Globo ti- nha que limpar seu s6tao e seu porio, es- pantando dessas dependdncias os persona- gens dos velhos tempos, a margem da lei, na ditadura (expressdoji de largo uso mes- mo nos veiculos do imperio global). Entre eles, ACM. A ordem era para tirar o es- queleto do armirio. O epis6dio Pitta era esse recado (para o qual, consciente ou nao, dona Nic6a ser- viu de mensageira): chegava ao fin o trata- mento preferencial e principesco dado ao senador baiano, at6 entao um igual (pri- mus inter pares) e nao um terceiro, mes- mo para efeito de jomalismo. As juras de amor, os favors mrituos e os compromis- sos reciprocos passavam a ser hist6ria, coi- sas do passado. ACM continuava a ser um destacado personagem, mas, como varios outros, sujeito a critical, nao mais acima de qualquer suspeita. At6 uma Nicea, nao muito antes vidra- qa de denincias sobre frangos superfatu- rados vendidos A prefeitura paulista por ela e a s6cia, dona Silvia, mulher de Paulo Maluf, conseguiu tratamento vip para exibir segre- dos de alcova e lavar roupa sujissima, nes- sa trouxa incluidos os interesses do sena- dor baiano, cujo nome era lido at& entao corn enfase diferenciadora pelos locutores da Globo. Isto, logo depois que o Paldcio do Planalto aplicou pela primeira vez um rabo- de-arraia inesperado no mais ilustre capo- eirista de Sdo Salvador, tirando-lhe de sur- presa a maior bancada no parlamento, sem que o president Fernando Henrique Car- doso tenha necessitado pedir licenca antes ou penico depois, como era de regra. Tudo isso devia estar anotado num dos cademos que armazenam muniAo para um livro de memorias que ACM anuncia ha anos e cuja publicaqao, tamb6m ha anos, transfer para uma data mais oportuna (fi- nalmente, quando nao hi mais o que per- der, ela chegou?). Mesmo assim, ele pare- ce nao ter acreditado muito no que anotou ao subir a tribune do senado para fazer a primeira das quatro oraq6es no dia da mai- or de todas as rixas ali travadas nos l6timos anos, discursos que nao feriram um tinico tema programatico ou politico, mais pare- cendo prontuarios de delegacia. Talvez confiante num recado que rece- beu (e que se revelaria traiqoeiro, algo an- tes impensivel), ACM achou que bastaria mais uma vez anunciar que chegara para, como um C6sar ao leite-de-dend8 num Rubicdo sem gl6ria, ver e vencer. Ao inv6s disso, teve que acatar um pito debochado ("nao Ihe dou aparte, o sr. falou o que quis sem interrupao e agora vai ouvir tudo ai mesmo, quietinho, caladinho") do seu opo- sitor, Jader Barbalho, nada podendo fazer, nem mesmo, como de seu habito, mandar o regimento as favas e partir para o braco. Mesmo porque, no braco, aos 72 anos, ACM n~o podia muito contra a maior envergadu- ra fisica do seu colega do Para, 15 anos mais mogo, dezcentimetros mais alto, dez quilos a menos. Seria demais ainda levar um tabefe para casa, mesmo que revidado a altura para um septuagenario cor pontes de safena no coraqco transbordante. Por essa 6tica mais primitive, em avali- a9ao de geral de campo de futebol ou es- quina maldita, Jader Barbalho venceu ACM. Ou, dito melhor: meteu mais um pre- go na crucificaqgo do ex-homem forte, for- malmente ou informalmente, de todos os govemos que se formaram no pais a partir de 1964, com farda ou sem ela. Em mat6- ria de valentia, ACM deixou de ser invicto, inexpugnavel. Pode bradar, invectivar e ameacar. Nao bastard mais apenas isso para se impor. Alias, n~o se import mais. E formidivel que um home tao pode- roso como ele foi atW ontem, capaz de an- tecipar o que seria transmitido ao pais pelo Journal Nacional ou decidido pelo ocupan- te do Palacio do Planalto, nunca tenha se transformado num candidate real a presi- dente da Republita, o maior dos seus so- nhos. ACM sempre foi respeitado e i todo o pais. Votado, porem, apenas na Bahia. Ile chegava a ser ga- bola quando se dizia ca- paz de ganhar um man- dato pelo Rio de Janei- ro. Mas nunca tentou. Realista, procurou realizar o sonho atra- v6s do filho, um politico da terura sem a face de Toninho malvadeza. Quando Luis Eduardo morreu, tAo prematuramente, 6 possivel que Ant6nio Carlos se tenha de- cidido a encarar de frente a esfinge. Deve ter-sejulgado em condigqes de parar a his- t6ria. Exagerou na image de eminencia parda, de dono da political, contrariando seus pr6prios correligionarios, nao deixan- do outra alterativa aos aliados do que contrarii-lo e enfrenta-lo. Agir de outra maneira significaria nao s6 mais humilha- cao, mas a morte political. Auto-suficien- te, ACM deixara de perceber que a hist6- ria j o estava atropelando O senador Jader Barbalho enfrentou-o de igual para igual-e ainda teve o desplan- te de vence-lo na rinha em si, quem sabe estimulando os mais afoitos a imaginar o antigo leao sem garras ou at6 como um cachorro doido (no que, individualmente, setr um erro de avaliaqAo). Foi, no entanto, uma autentica vit6ria de Pirro para o ex-governador do Pari. ACM nada mais tinha a perder, exceto as ilusoes. O resultado, que alguns entende- riam como desilusAo, pode se traduzir na 6tica dele por encarar a realidade, amar- gando-a e, eventualmente, contabilizando prejiizos materials (urn dos quais, ainda pendente, 6 a possibilidade de a OAS che- gar ao p6lo petroquimico de Camacari, na Bahia, associada ao grupo paulista Ultra, desbancando a rival baiana Odebrecht na privatizagAo da Copene). O trofeu do derrotado teri sido impe- dir Jader de chegar a presid6ncia do sena- do, este, sim, um pr8mio tangivel, imedia- to. Mas ainda que, por um acerto que s6 a gula rapace dos politicos explica, o sena- dor paraense consiga ser o substitute do desafeto, ir al6m-at6 uma vice-presid6n- cia da repiblica em composigao partida- ria, ou a uma aventura presidential, em jogada liderada pelo PMDB j parece fora do alcance do seu calibre. Ha uma pedra no caminho de Jader, como houve no de Ademar de Barros e esta detonando a carreira de Paulo Maluf: a pecha unissona de roubo, de enriqueci- mento ilicito. Mesmo que nAo comprovada, a acusagdo deixa um rastro de p6lvora su- jeito a explosives e aquele cheiro de enxo- fre que os mais credulos atribuem as coisas satinicas, ou pecaminosas. A sigla ACM padece da mesma conta- minaqo, mas de uma forma bem mais so- fisticada. Pois enquanto Jader condiciona- va a quebra do sigilo bancario (e outros mais) a que a devassa atingisse um circulo de 10 nomes em tomo do senador baiano, pelos quais se espraiaram favors derivados do rei, ACM queria uma investigagAo restrita aos dois contendores. Tecnicamente, a ta- tica utilizada por ambos para enfrentar o fogo, embora dotados de imensos rabos de palha, consistiu exatamente em anularem- se mutuamente. Sem haver um consenso entire suas exig6ncias, a conclusdo 6bvia & que, ao inv6s de manitoba ou vatapa, esse banquet sera a base de pizza napolitana. Os dois dossi6s que exibiram teatral- mente da tribune nada mais sao do que recortes de jomais ordenados cronologi- camente (ou tematicamente). Muitas das mat6rias da imprensa que colecionaram sao velhas de anos. NAo significa que en- velheceram. Significa que nAo foram le- vadas adiante, nAo gerando efeitos legais, principalmente quando os casos relatados prescreveram, torando inimputaveis os crimes, mesmo os que, reconstituidos nas paginas de jornais, foram recebidos num silencio geral, inclusive da parte dos auto- res dos delitos inquinados. E sugestivo que ACM e Jader tenham desferidos ataques um contra o outro, mas nAo se tenham dedicado a defender-se. Todos os trans- 4 JOURNAL PESSOAL .2- QUINZENA DE ABRIL/ 2000 gressores apostam no tempo e confiam na desmem6ria. E, quando o passado e re- volvido, armam-se de dossies para o com- bate que jamais travarao, certos de que o poder do entendimento prevalecera sobre a convocacao ao campo de batalha. Crimes, erros e omiss6es sao esgrimi- dos nos confrontos preliminares, que costu- mam ocorrer em ambientes fechados, quan- do nao sao camuflados em materias cifra- das que emerge como bales de ensaio nas muito convenientes piginas de jomal, menos como causa public do que como um teatro de interesses (para o qual se pres- tam muitos jomalistas). E desaparecem quando ha o acerto desses interesses, sim- bolizado pelos colarinhos etemamente bran- cos, artificialmente brancos. Em media razoavel, a political 6 um teatro e o politico, um ator. Nada demais nessa dimensao da political enquanto es- petaculo. Mas ela nao 6 s6 um espetacu- lo de orat6ria e ret6rica, os elements pr6- prios da tribune, que cor ela se harmoni- zam. A political envolve tambem provas, documents, evidencias e um process no qual eles resultam e para o qual de- vem contribuir, sempre cor o sinete do interesse piblico. Enquanto politicos e atores, Ant6nio Carlos Magalhaes e Jader Fontenele Bar- balho deram seu espetaculo na tribune do senado, procurando mant6-lo sob seu con- trole, a fim de que brados, desaforos, ame- acas, cobrancas e tudo o mais nao viessem a extrapolar os limits do palco-plendrio. Nao 6 de espantar que, cumprido o oficio, as coisas voltem A ordem anterior, mesmo que os dois politicos nao troquem mais con- fid&ncias em seus gabinetes, nem sejam capazes dejuntar o que t6m de comumpara prop6sitos afins. Mas as coisas nao volta- rao a ser exatamente como eram al6m dos muros do parlamento. Fora deles, ACM pode voltar a ser go- vemador da sua Bahia pela quarta vez, fa- canha in6dita na boa terra dos orixas e dos artistas-adesivos (ou aderentes). Presiden- te, nunca. O todo-poderoso do sistema, nao mais. E provdvel que Jader Barbalho con- siga seu terceiro mandate eletivo como go- vemador do Para, titulo tamb6m in6dito na terra do agai, ou a reconducao ao senado. Mas a carreira de politico national esti fora do seu alcance. Sua fama de novo Ademar o precederd, sem que ele possa apresentar como aval do "rouba" um "faz" que o povo consider compensador, por falta de curriculo para tal. Se isso ocorrer, quern mais perdeu com o espetAculo de selvageria verbal dos dois senadores sera, tamb6m, o que mais ganha- ra: o pais. Se assim for, os dois politicos terao prestado, mesmo que sem essa intengao, seu maior servigo a causa piblica. * uando faltam id6ias, sobram agress6es pessoais. Talvez seja por isso que a pr6-campanha eleitoral tenha sido desencadeada em Bel6m, antes da data formalmente devi- da, num nivel tao baixo. A intencao pa- rece ser nao a de avaliar a qualidade dos possiveis candidates, mas tentar intimi- da-los at6 o inicio official da dispute. Essa medigao de forcas comecou su- til e at6 inteligente, mas descambou para a s6rdida agressao pessoal quando, na semana passada, alguns outdoors ama- nheceram com mensagens injuriosas contra o deputado federal (PFL) Vic Pi- res Franco, que ter aparecido em se- gundo lugar nas pesquisas informais (porque nao registradas no Tribunal Re- gional Eleitoral). O nome de Vic nao era citado, mas os outdoors qualificavam de viado, va- dio ou verme a marca do V, utilizada pelo parlamentar em outros outdoors, em bandeiras e panfletos, numa aut6n- tica pr6via eleitoral, ao arrepio da pr6- pria legislag~o. As mensagens ofensi- vas nao eram assinadas, mas os outdo- ors apareceram macicamente nos es- pagos de comercializacgo da RM Mi- dia, de Miguel Arraes. Teria sido ele o autor das veicula- coes? A pergunta era suscitada a par- tir de uma observacgo da deputada fe- deral (PMDB) Elcione Barbalho, em entrevista h revista eletr6nica do jor- nalista Tito Barata. Elcione, que tam- b6m aparece como possivel candidate a prefeitura de Bel6m, disse que a ques- tao era pessoal, sem qualquer ligagao corn os partidos, e que Vic sabia da identidade do autor dos ataques. Mas o deputado preferiu recorrer as vias judiciais e administrativas para identificar o client da RM Midia, sen- do acompanhado na iniciativa pelos de- mais partidos. O vereador Paulo Gaya, do PT, pediu a intervengao do Ministe- rio P6blico na apuraqao, desautorizan- do as especulagoes de que a responsa- bilidade seria do PT. Seguir o rastro da autoria nao pa- rece dificil, mas atribuir-lhe peso cri- minal parece mais problemitico, se- gundo um observador. E que a marca do V nao foi registrada pelo deputado do PFL. A associacao cor ele 6 feita por liyre dedug9o, sem implicar numa rela ao legal. Esse detalhe teria sido examinado numa reuniao coletiva, na qual teria sido decidida a criacqo e veiculagio do outdoor. Se tal versao 6 verdadeira, hi motivacao political e nao apenas pessoal no ato. Qualquer que venha a ser o desfe- cho do caso, ele deve servir de adver- tencia tanto para os partidos e candi- datos, quanto para as autoridades, es- pecialmente o TRE e o MP. Se 6 quase impossivel estabelecer uma "agenda positive" (o iltimo jargao em circula- qCo no mercado) para a campanha, 6 necessario que as regras legais sejam rigorosamente cumpridas, voluntraria- mente pelas parties ou por imposigao dos canais ditos competentes, corn poder arbitral, evitando-se que espacos pibli- cos sejam tornados por priticas tao vul- gares e mesquinhas como a dos outdo- ors contra Vic. Para o parlamentar, se tal constata- 9ao serve de console (mas nao para sua familiar, a inevitavel vitima dessas priti- cas s6rdidas), resta concluir que como nao se bate em cachorro morto, a vio- lCncia da investida 6 proporcional ao peso da sua candidatura. Por enquanto, segundo as poucas e precirias avalia- c6es de que se disp6e, ela 6 a unica que pode vir a ameaqar a reeleigao do pre- feito Edmilson Rodrigues. Por isso mesmo, alias, o prefeito nao deveria esperar pela provocaqao de ter- ceiros: cumprindo determinaqao expres- sa do c6digo de posturas municipais, de- veria de imediato mandar retirar o ou- tdoor ofensivo e instaurar o procedimento cabivel a transgressao. Agiria como a maior autoridade na cidade, condi9ao que precede e ultrapassa a de possivel candi- dato A eleigao de outubro, afastando to- das as suspeiqdes, mesmo as indevidas. E patrocinando uma media saneadora em favor dos costumes politicos e da civili- dade na urbe que esti sob os seus cuida- dos, antes de um estouro da boiada. E, se possivel, evitando-o. * Campanha municipal: Um comego ruim JOURNAL PESSOAL .*2 QUINZENA DE ABRIL/2000 5 Jornalismo popular ou freezer em papel? Todojomalista gostaria um dia de fa- zer umjomal verdadeiramente popular, acessivel ao cidadao comum. A materi- alizagdo desse sonho toma-se cada vez mais dificil por um motivo paradoxal: 6 precise ter muito dinheiro para fazer um jomal de massa. Em primeiro lugar porque o journal precisa ser barato. Um journal s6 pode ser popular pelo prego se tiver muito anincio publicitario, capaz de compen- sar os custos industrials sem defender diretamente da venda avulsa, que entra apenas como um item a mais na com- posig o da receita. Em segundo lugar, porque para atin- gir a base da pirimide social ojornal ne- cessita de uma ampla difusdo. E precise que seja anunciado previamente e que se crie um estado de expectativa mes- mo entire aqueles que nAo sao alcanCa- dos pela imprensa escrita. Isto significa campanha de divulgagCo atrav6s da te- levisao, que 6 muito cara. S6 esses dois fatoresja bastam para afastar de sua utopia osjoralistas que, teoricamente, estariam em condig6es de fazer uma imprensa popular. Eles po- dem fazer umjornalismo comprometi- do com os interesses populares, mas que s6 chegarA ao destinatario se for gratuito, hip6tese que afasta liminar- mente a seriedade empresarial, ou se tiver um mecenas, fator que descarta a independ6ncia. Por isso, surgiria como um devaneio idilico o Amaz6nia, o journal suposta- mente popular que o grupo Liberal lan- gou na segunda-feira, 10. Mas se aque- las 24 piginas representamjomalismo popular, ent~o 6 melhor buscar outro ide- al. Mesmo os leitores de boa vontade ou aqueles que compraram um exem- plar atraidos pelo preco, de 50 centa- vos, devem ter ficado decepcionados. A primeira edigio do novo didrio ti- nha a temperature de um cadaver. Uma primeira pAgina gelada, cor a esmaga- dora maioria dos titulos requentados e sete das oito fotos em close individual, apenas uma coletiva e com movimento. A manchete era o que os profissionais chamam de "chen", uma suposta mat6- ria redacional abrindo alas para a cam- panha monopolizada pela casa (e fatu- rada publicitariamente) sobre o aleita- mento matemo na Santa Casa de Mise- ric6rdia. *enhuma novida- de nesse Amazonia pasteurizado, copia do modelo jai em fran- co descredito do ame- ricano USA Today. Chamar a esse produto de popular sig- nifica tomar a interpretacao ideol6gica pela realidade em si, o que a midia (mas sobretudo a televised) diz ser o gosto popular pelo que sao as entranhas do povo. Certamente hi alguma (ou mui- ta, conforme a dose) identidade entire a mensagem e o destinatdrio, mas eles nAo sao a mesma coisa. Esse tipo de linha de monta- gem ideol6gica e cultural gostaria que o povo ti- vesse dos acon- tecimentos uma visdo edulcorada, com notas assexuadas, servings, si- des, perfis em doses homeopiticas e noticias que mais parecem indices do que relates tematicos, desviando-o da hist6ria real para as fantasias dos es- peticulos produzidos. Muito dinheiro e muito poder de per- suasdo podem tornar eficiente a mani- pulado, fazendo o leitor pensar pela ca- bega de quem subliminarmente o con- duz. Mas atW esse tipo de projeto re- quer um grau minimo de competencia, que faltou ao primeiro numero desse Amaz6nia sem qualquer raiz assentada no mundo dos series vivos. Pode ser que ojornal evolua e que essa face plastificada, decorada por re- cursos grdficos, de lugar a um 6rgAo de campanha e combat. Para isso, po- r6m, vai precisar de algo pr6ximo de um milagre, milagre que s6 costuma ser operado, entire homes de came e osso, pela intelig6ncia. Que, pela impressao deixada no ninmero inaugural, ficou fora de cogitag~o. * 6 JOURNAL PESSOAL *2a QUINZENA DE ABRIL/2000 Cartas Old Sr. L.F. Pinto! Como vai? A questdo do Patrim6nio Hist6- rico de uma cidade diz respeito di- retamente a cultural do povo. E ne- cessario, portanto, preservar os ele- mentos que fizeram a nossa Hist6- ria, para que a pr6pria nao se perca apenas em palavras, em se tratan- do de Arquitetura. As Igrejas construidas pelo arqui- teto de Bolonha, Antonio Jose Landi, guardam boa parte da Hist6ria desta cidade e mereceriam mais atengdo, tanto na necessidade de restauraqco quanto de divulgagdo. Em vez disso, os moradores desta cidade gozam de mais uma tentative de "Revolugdo na Arquitetura", mostrada num empre- endimento (Estagao das Docas) que talvez nem esteja inserido na cultural do lugar. Realmente, suas palavras fizeram-me atentar mais ainda para o fato de que na Amaz6nia existem discrepAncias, das quais nos vemos acometidos. Enfim, obrigada pelas palavras aconselhadoras que refor- gam a busca da realidade dos fatos para se agir com sabedoria na cons- truCao da Hist6ria, as quais nao sao comuns hoje em dia, mas 6 gra- qas a elas que algumas pessoas con- tinuam acreditando na Hist6ria. Catia Magalhies. Caro Lticio Lendo teu sinal de "alerta" con- cordo apenas em parte da tua colo- cagao. Acho que a Texaco ter sim, no minimo, cinqilenta por cento de culpa no epis6dio. Trata-se de uma empresa com um corpo t6cnico de engenharia e de seguranga de primei- ro mundo. Como admitir que corn todo esse aparato ela nao tenha tido o minimo criterio na escolha da bal- sa? Claro que os 6rgaos competen- tes devem exercer uma fiscalizacgo mais rigorosa, mas nao podemos cul- par exclusivamente o transportador nem passar uma borracha na pisada de bola da dona Texaco. Sempre teu leitor, Ademar Amaral mAr PA L Mina oculta A administraqgopiblicaestadualgasta 9ao e a geraqao de emprego e renda. pouco mais de um milhio de reais por m&s Soma tamb6m R$ 1,8 milhao a folha dos com o pessoal lotado no gabinete do go- funcionirios englobados nessa secretariat: verador. Se considerados os outros se- Sagri, Sectam, Iterpa, Emater, Ceasa, Sei- tores que integram a Secretaria Espe- cor, CDI, Paraminerios, Paratur e cial de Estado de Governo, todas di- Junta Comercial. retamente ligadas ao govemador e E de valor equivalent o gas- funcionando nas mesmas depen- to com todo o pessoal da Uni- dancias da governadoria, a 3 versidade Estadual do Para, despesa sobe para R$ L FundaqAo Curro Velho, Fun- 1,8 milhlomensais. dagdo Carlos Gomes, Se- E o equivalent A cretaria de Cultura, Fun- folha de pessoal da daqd o Tancredo Ne- Secretaria Especial ves, Funtelpa, Ins- de Produgqo, a tituto de Artes mais important e Secretaria de de todas as se- Esportes e La- cretarias na re- zer, que consti- alizagAo daquilo tuem (excluida que o governa- a Seduc) a Se- dor Almir Gabri- cretaria Espe- el apresenta como a grande meta (e rea- cial de Estado de Promogdo Social. liza9go, nos moments de maior euforia) Pelo visto, o govemador tem ao seu da sua gestdo: a verticalizagCo da produ- lado uma mina de ouro e ndo sabe. * Ameba social A onda de corrupqao se alastra como uma ameba furiosa por todos os poros do pais. Mesmo quando um trabalho de rastreamento & feito superficialmente, os dados apresentados sao chocantes. Como os que surgiram no Amapa no rastro da CPI do narcotrafico. A calma- ria que parecia haver no Estado vizinho surge agora como aquele estado que pre- cede as tempestades. Os membros da CPI acusaram a pre- sidente do Tribunal de Contas do Estado, Margarete Salomdo, de haver pago mais de um milhao de reais no curso de um ano A firma Ribeiro & Companhia, de Sil- vio Assis, a pretexto de servi9os grificos e de publicidade. A president do TCE amapaense nao fez propriamente uma defesa. Argumentou apenas que outras instituigoes pfiblicas tiveram relaciona- mento semelhante e que s6 o Ministerio Plblico pagou R$ 3 milhoes A mesma fir- ma em igual period. Assim, por baixo, a empresa arrancou R$ 6 milhoes do TCE, do MP, do Tribunal de Justiga e da As- sembl6ia Legislativa no curso de um ano em troca de servigos intangiveis. O advogado do empresArio defende- o alegando que um percentual desse di- nheiro faturado contra a firma era dividi- do entire os pr6prios conselheiros do Tri- bunal de Contas, um dos quais, durante os seis anos em que presidiu o legislative do Amapa, usava a mansao do empresA- rio (mansao mesmo) como local de reu- ni6es, quase uma extensio do seu gabi- nete de trabalho. Outro dos conselheiros, tamb6m integrante da partilha, seria o ir- mo de um ex-govemador do Estado, que trabalha atualmente como secretario de seguranga piiblica em Sergipe. O presi- dente da OAB local foi acusado de de- fender traficantes e pistoleiros. O bolo de dinheiro teria mfiltipla ali- mentagao, uma das quais oriunda de em- pr6stimo de R$ 11 milhoes concedido pelo Banco do Estado do Amapa a Silvio As- sis, nao quitado atW hoje. Mas a principal fonte de recursos desse vasto grupo de pessoas, todas bem posicionadas na es- trutura de poder local, seria o narcotrafi- co international, que usaria o Amapa como ponte para o transport de cocaine para o vizinho Suriname. A CPI s6 nao conseguiu aprofundar a elucidagAo dessa rede porque o prin- cipal envolvido, o pr6prio Silvio Assis, teria fugido para Bel6m, escapando A ordem de prisao que contra ele foi ex- pedida porque, segundo seu advogado, a CPI seria uma armagio para prejudi- ca-lo. Silvio, que 6 dono de umjornal em Macapa, e filho de Silas Assis, proprie- tArio do semanario Jornal Popular, e irmao de Silas Assis Jtinior, que ter o diArio Jornal do Dia. * JORNALPESSOAL *2- QUINZENADE ABRIL/2000 7 As pedras no tabuleiro da eleigao municipal Os lances mais emocionantes estio reservados para os pr6ximos dias na cor- rida eleitoral A mais important prefeitu- ra do Estado, que concentra um quarto do col6gio eleitoral paraense, estrategico para a dispute seguinte, a maior, de 2002. O prefeito Edmilson Rodrigues iniciara a campanha formal como favorite, tendo como vice outro nome do PT, o ex-se- cretArio municipal (e ex-deputado fede- ral) Valdir Ganzer. A razdo de o PT que- rer os dois cargos, afastando os demais partidos da coligacgo de esquerda, pro- vavelmente deve-se A intengdo de Edmil- son de disputar o governor do Estado ou uma das duas vagas de senador dentro de dois anos. Sua pretensao seria reforgada pela ascensAo de outro petista a prefeitura da capital, ao inv6s de um membro de qual- quer outro partido. Essa retaguarda se tomarn ainda mais respeitAvel se a depu- tada Maria do Carmo Martins conseguir se eleger prefeita em Santar6m, terceiro col6gio eleitoral do Pard (e ainda ha boas perspectives no segundo principal redu- to, Ananindeua). Por enquanto, nao ha outro candidate capaz de ombrear com o prefeito. Edmil- son conta com uma distincia folgada em relacao ao adversario mais pr6ximo, Vic Pires Franco. A candidatura do deputa- do federal ainda e uma incognita. Ela po- dern crescer muito ao long da campa- Nao 6 inteligente, para dizer o mini- mo, um festival de misica cujo criterio de avaliacAo dos concorrentes result da quantidade de ligaqbes telefinicas feitas, de todos os pontos de um pais de dimen- sdo continental como o Brasil, em favor de cada um dos dois candidates postos sucessivamente em confront. Essa irra- cionalidade 6 sacramentada pela desigual- dade de oportunidades que tnm os eleito- res em potential, conforme estejam em pontos mais ou menos desfavorecidos do vasto e desigual territ6rio national. A TV Globo nao foi just e menos ainda inteligente ao definir dessa forma o criterio de selegco dos cantores no fes- tival de misica que esta realizando. Isso nao quer dizer que armou uma armadi- nha se contar com o calor da miquina estadual, que pode se contrapor e at6 su- perar a estrutura official do municipio, em poder do PT. Mas se a coligaqCo PSDB/ PFL for restabelecida, Vic s6 podera as- sumir a linguagem oposicionista em rela- qCo a PMB, nao contra o Estado. Com isso, abre-se um flanco para uma candidatura francamente oposicionista, tanto a nivel estadual quanto municipal. Essa possibilidade s6 estari ao alcance de Vic se o govemador Almir Gabriel nao quiser ou nao puder enfrentar reaqoes in- temas A aceitaqco do nome do pefelista como cabeca de chapa da alianca anti- Edmilson. A maior foi manifestada por Romulo Maiorana Jr. durante um jantar intimo na Granja do Icui com assessores e parents do governador. O grupo Liberal nao apoiara o candidate se ele for c iepu- tado, disse Rominho, que estava acompa- nhado do irmio, Ronaldo Maiorana. Diante desse veto, os tucanos ja traba- lham com outras altemativas, entire as quais os deputados Zenaldo Coutinho e Nilson Pinto, mas nio foi descartada de todo a hip6tese da coligaqao cor o PFL, mesmo sem o grupo Liberal, que seria compensa- do cor verbas publicitarias ainda mais gordas. Inviabilizando-se essa via, cada um dos dois partidos saira enfraquecido, o do govemador cor o premio de consolacgo do apoio macigo da familiar Maiorana e o PFL com a possibilidade de se apresentar Causa perdida Iha para sabotar ou punir o Pard, des- classificando a representante do Estado a partir de uma trama urdida maquiave- licamente (quando houve uma coisa sim- ples, o congestionamento das linhas te- lefinicas, que poderia ser prevenido ou remediado com providancias preparat6- rias, como as que as companhias ado- tam quando querem). Nada justificava o clamor local em defesa de Leticia Secco. Ao invds de seguir estapaffirdias teorias conspirati- vas, os paraenses deveriam simplesmen- te atacar a emissora, que talvez tenha colocado seus interesses comerciais, in- cluindo uma possivel parceria cor em- presa telef6nica, acima de um crit6rio racional de escolha dos melhores int6r- como oposigio. Nesse caso, podendo ne- gociar melhor um acordo com o PMDB, desde que os peemedebistas consigam definir um nuicleo consensual. Os dois candidates dos bastidores sdo os deputados federais Jose Priante e El- cione Barbalho. Priante tem a maquina partidaria municipal nas maos e esta tra- balhando muito para ser confirmado. El- cione reluta em se expor a um novo risco de derrota na capital, mas, como disse em entrevista a Tito Barata, pode ver-se obri- gada a esse gesto de audacia para nao ser reduzida intemamente pelo avango do sobrinho de Jader. Se topar o desafio, El- cione s6 aceita coligacio como cabega de chapa, o que pode impossibilitar uma composig~o com o PFL, ji que Vic tam- b6m nao quer ser vice. Nesse caso, haveri uma grande frag- mentacdo dos votos na capital, situacqo para a qual darn sua contribuiqao o depu- tado Duciomar Costa, uma zebra corren- do por fora, mas alimentado discretamen- te pelo governador Almir Gabriel. Inde- pendentemente da variagAo de nomes, seu objetivo maior 6 nao deixar que Edmilson Rodrigues consiga a reeleiqCo no primei- ro turno. Para o segundo turno, o gover- no do Estado espera dispor de maior po- der de fogo, atraindo novas composiqoes para evitar o que ainda parece fora de cogitaq~o: mais quatro anos de mandate para o atual prefeito. * pretes musicals. No desvio improdutivo de generosa energia, que poderia ter sido melhor canalizada, os paraenses foram cegos a uma outra evid6ncia: de que nossa cantora, por nervosismo ou o que hi tenha sido, cantou menos do que a sua concorrente. Nao merecia ganhar, o que um jiri qualificado decidiria sem maio- res problems. Ao inves de criar fantasmas ou colo- car chifre em cavalo, os paraenses de- viam se acostumar a ver a realidade (sem cair no derrotismo), encarar os fa- tos (sem ficar no pessimismo) e dar boa destina9qo ao senso de indignaqao (sem virar barata tonta), ao inv6s de se deixar levar por fantasias, por mais dadivosas que elas possam se apresentar. * Atos rasteiros Waldemar Henrique 6 uma das maiores gl6rias do Pard. Se a prefeitura de Bel6m ti- vesse seguido o rito legal para trocar o nome do ex-presidente americano John Kennedy pelo do nosso maestro na designa- ~ao da antiga praga do con- gresso eucaristico national, rejeitar essa iniciativa seria um crime de lesa-Estado. A ho- menagem abonaria at6 o mau habito de rebatizar locais pu- blicos, iniciativa sempre teme- rAria, mesmo quando bem in- tencionada. Mas o prefeito ignorou os procedimentos regulamentares: como se fosse pastor unico de uma igreja particular, remode- lou a infeliz praca e sapecou- Ihe o nome de Waldemar Hen- rique, arrematando o ato com a descortes devolugao do busto de Kennedy ao consulado dos Es- tados Unidos, como se esse ges- to de mA educaqao pudesse re- percutir em Washington. Depois de criado o problema, fez o que deveria ter feito desde o inicio: mandou a mensagem a CAma- ra Municipal. Resultado? A camara re- jeitou o projeto de lei, deixan- do de lado Waldemar Henri- que para atingir Edmilson Ro- drigues. A praga, que ja esta com a efigie do grande maes- tro e foi redecorada com te- mas alusivos a misica, volta a ser Kennedy para os fins le- gais, emboraja seja Waldemar Henrique para os efeitos prd- ticos, numa dicotomia que re- vela a esquizofrenia do poder public. Raivinha paga com raivinha, tapa cor tapa, luva de napa pra l1 e pra cd. Perdem todos. A comecar por Waldemar, cuja mem6ria justifica todas as homenagens que seus conterraneos Ihe queiram prestar, mas nao a molecagem; e John Kennedy, diminuido na sua dimensAo de estadista pela revisao hist6ri- ca que se seguiu A sua morte, ainda assim um inegavel esta- dista, marco da sua 6poca, para o bem e para o mal (que nenhum her6i 6 imaculado e muitos t6m os p6s de barro podre), em qualquer parte do mundo, mesmo onde nAo p6s os p6s, como Bel6m do Para, mas fez chegar o seu caris- ma, a aura da sua juventude e o efeito do poderoso service de relaqGes ptiblicas (e domi- nagao) do seu pais. Um estadista como nAo os ha nem no pr6dio da Cdmara Municipal de Bel6m, nem no da prefeitura da cidade, redu- tos de onde emanam ato, que desqualificam nao os destina- tArios, mas seus autores. Cinema 0 informant, filme de Michael Mann que ainda deve estar no circuit, vale por um curso de jornali mo. Na ver- dade, ha poucos cursos dejor- nalismo no mercado equivalen- tes as licqes desse filme. Ele ensina o que 6 6tica profissio- nal, mostra como deve ser o relacionamento do jornalista corn as fontes, instrui sobre a posigao a ser adotada pelos profissionais diante dos pode- rosos, ilumina o discemimento sobre a forma de abordar as- suntos complexes e perigosos, orienta os iniciantes e tern moments que podem revita- lizar o compromisso dos mais velhos, dizendo-lhes (ao p6 do ouvido, como conv6m) que mesmo se nao tiverem seu tra- balho reconhecido, devem per- sistir nele. Porque estao cer- tos. E porque sdo vitais. Ainda bem que a Acade- mia de Cinema de Hollywood nao deu um unico Oscar ao filme. Se tivesse dado, ou o fil- me seria uma ilusdo demonia- ca, ou a academia nao seria mais o que 6, um biombo da induistria e a extensao dos seus interesses. O final de O infor- mante nao 6 convencional- mente enquadrado, por isso nao se torna falso; nem 6 irre- fletidamente her6tico, o nao provoca desAnitr a media certa, 6 um rarn - mento do cinema atual -a reabastecer os bons proi i- tos, ter um reconforto moi e voltar ao dia a dia sem a p. e- sungdo de heroismo nem o ci- nismo da apatia. (In)Justiga Depois que o desembarga- dor Milton Nobre, o mais novo integrante da alta corte dajusti- Ca paraense, fez publicar sua fundamentada justificacqo de suspeigdo por motivo de foro in- timo, numa aao particular sub- sidiariamente puiblica, era de se esperar que nenhum dos magis- trados se dispusesse mais ausar o mesmo motive como prova dos nove para se afastar de um process. No entanto, para des- conforto intemacional dajustiga deste Estado, tres juizes crimi- nais se declararam sucessiva- mente suspeitos para continuar ou assumir a presidencia do tri- bunal do jiri sobre o massacre de Eldorado de Carajas, alegan- do motive pessoal, exatamente quando os olhos do mundo se voltam para a data desse triste epis6dio, dia 19, clamando por uma decision judicial. Qual o "foro intimo" que impede umjuiz singular de pre- sidir as sessoes que irdo apre- ciar essa causa? Trata-se de um problema de grave signifi- cado coletivo, perfeitamente enquadravel naquilo que, por todos os motives, se pode clas- sificar de dever, nao s6 civico, mas funcional. Um magistra- do 6 pago parajulgar (no caso, para conduzir umjulgamento, a ser feito por um corpo de jurados). Se hA motive pesso- al tao forte, numa freqiincia tao irritante, que o faz deixar de tender A convocacqo do seu dever de oficio, nao deve- ria apenas deixar a causa. Deveria deixar a profissao. Um juiz nao 6 pago, nem tem direito as prerrogativas do seu cargo, para escolher as causes que ird julgar. E claro que pode se sentir impedido ou suspeito, mas 6 precise ter uma dimensao do fato motivador. A sociedade exige, com intensi- dade crescente, que justifique sua attitude, para tamb6m po- der dizer se ela 6 just. Sem o que parecerd menos um ofici- ante da justiga, um element vital da organizag9o social, do que um beletrista, indiferente ao clamor social, um dos ei- xos do seu oficio. A justiga do Pard esta dando dois maus exemplos: de incompetencia e de in- sensibilidade. Cargos 0 Didrio Oficial do 61ti- mo dia 27 publicou ato do go- vernador, datado de quatro dias antes, exonerando Paulo Castelo Branco do cargo de assessor especial II, lotado na Governadoria do Estado. Como o decreto noo tern efei- to retroativo, o cidadio acu- mulou, at6 entao, essa fungio na administracqo especial com a de representante do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovaveis), que in- tegra a administraqao federal. [magem A Provincia do Pard abriu sua nova campanha promoci- onal corn uma montagem: o governador Almir Gabriel, o senador Jader Barbalho e o prefeito Edmilson Rodrigues apareciam superpostos na peqa lendo o journal. Ao ver o an6ncio, a governador ficou furioso. Nao fora consultado sobre o uso da sua image. Acionou um intermediario para determinar ao dono do journal, Gengis Freire, a retira- da da sua fotografia. Gengis ainda tentou argumentar a res- peito, mas o governador nao queria conversa. A ordem foi cumprida. Seu lugar foi ocu- pado pelo ex-prefeito H61io Gueiros, embora os outdoors nao tenham sido retirados nas ruas. A publicidade estadual continue a ser veiculada em A Provincia. Moderadamente. Jornal Pessoal Editor: LOcio FlIvio Pinto Fones: (091) 223-7690 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 e-mail: jornal@amazon.com.br Edico de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 |
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