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oral Pessoal L U C IO 0 F LA V IO P I N. TO 0 ANO XIII N" 232 I1 QUINZENA DE ABRIL DE 2RS$- 2,00 DESENVOLVIMENTO Grandes Projetos II 0 governador Almir Gabriel e a Companhia Vale do Rio Doce, eii H'tfgio bd tres anos, desde o frustrante protocolo para a implantacdo do projeto de cobre do Salobo, agora cantam afinados. Dizem que e o canto do desenvolvimento sustentado do Pard. na verdade, a continuagdo do contracanto da exploragdo do Estado. a Companhia Vale do Rio i Doce, a maior empresa do Estado, parecem estar for- mando um coro unissono / depois de tres anos de canto e contra- canto. A metamorfose ocorreu no ultimo dia 16, durante a entrega em Bel6m de c6pia de um estudo (Para: Portal da Amazonia, 57 piginas) elaborado as cus- tas da empresa, seguido de exposigao oral dos tr6s responsaveis pelo document (os ex-ministros Eliezer Batista e Rafael de M Almeida Magalhaes e o academico Ro- --,j ,,, berto Hukai). O governador trocou o tom enfezado e azedo do tratamento que dis- pensava A CVRD desde abril de 1997, quando assinou com a empresa um pro- tocolo de intenq6es para o inicio da im- plantaCgo do projeto de cobre de Cara- / jas, que se tornou letra morta, por um gorjeio de satisfagdo. Afinal, em tabelas, graficos e imagens, os notAveis tdcnicos // contratados pela Vale simplesmente es- tavam endossando tudo o que o govema- / dor faz, diz que faz ou promete que vai - fazer para desenvolver o Para. / "E como se eu estivesse no meu ba- -v e- l" nheiro cantando Tambataji e ouvisse o , Pavaroti cantando tambataja", comparou o governador. La de cima, o autor da / mrisica, o paraense Waldemar Henrique,. ' talvez se visse na obrigacgo de pedir ve- , nia a sua excelancia para alertar os ou- t vintes para um detalhe: se a qualidade do trio professional serve de aval ao amado- / ristico solil6quio de banheiro do governa- dor, essa harmonia talvez se deva ao fato de que nenhum dos parceiros esteja tri- nando verdadeiramente o Tambataja, TAMBA.. aauela maravilhosa criag~o mel6dica que ) 2, 5 3 9, 3 gS'. Zp LII ;@iP R1 VLL JR S IE i'2002,02'"' J 1________________ 2 JOURNAL PESSOAL QUINZENA DE ABRII 2000 Waldemar Henrique trouxe dos confins de Roraima, captando a melancolia ma- cuxi pouco depois do Macunaima, de Mario de Andrade, quase 70 anos atras. O acervo de realizacqes que o m6di- co Almir Gabriel pode arrolar ap6s seis anos no governor do Parai capaz de ocu- par um suplemento de journal ou um in- tervalo na programaqco de televisao, mas n5o de transformar a face pobre de um Estado paradoxalmente rico de re- cursos naturais. Tres d6cadas de CVRD tornaram-na maior no Para do que o pr6prio governor estadual, respon- sAvel por mais de dois tergos da recei- ta de exportacao paraense, mas nao a ponto de faz6-la verdadeiramente par- te do Estado, ponte para a travessia do' vacuo de incertezas sociais. Cor 3,6% da populacao do Brasil, o Pard ter apenas 1,7% do Produto Inter- no Bruto do pais (ou 13,6 bilh6es de d61a- res), o equivalent a oito anos de fatura- mento da Vale dentro do Estado. O PIB per capital do paraense 6 apenas um ter- go do PIB que cabe a cada brasileiro (ou 1,8 mil d6lares). Na d6cada de 90 a po- pulagio cresceu 10 vezes mais do que o PIB per capital. Isto quer dizer que cada novo paraense que nasce tem 50% a menos de chances de "dar um jeito na vida", melhorando em relag~o aos pais. Esses nimeros, que podem ser extra- polados da abertura do document entre- gue ao goverador, dao ao Pard a apa- r6ncia de uma miquina de moer came viciada: a pega inteira colocada na boca de entrada da maquina 6 triturada pelo seu mecanismo central antes de chegar ao canal de said; mas antes mesmo desse estagio, a parcela maior do volume 6 des- viada por um canal de fuga secret. Esse ponto de fuga sdo os grandes projetos. Eles ficam com os grandes nacos. O res- to, triturado, vai para a populaq~o. Por necessitarem de quantidades de dinheiro superiores ao capital disponivel intemamente, dadas as suas dimens6es, esses super-empreendimentos provoca- ram endividamento international. Para pagar esses financiamentos, estabeleci- dos em condicges geralmente pr6ximas da extorsAo, torou-se necessirio produ- zir cada vez mais as mercadorias com- prometidas corn os compradores. Para produzir mais, se requeria mais infra-es- trutura, mais subsidies, mais vantagens. Um ciclo vicioso semelhante ao do serin- gueiro, visto no inicio do s6culo por Euc- lides da Cunha como aquele trabalhador que quanto mais trabalha, mais escravo fica do barracao, que o explore pagando pouco por seu produto e cobrando mais pelas mercadorias que Ihe fornece. O "Portal da Amaz6nia" se prop6e a criar infra-estrutura "para o desenvolvi- mento sustentado do Estado do Para". Mas e pouco provivel que o consiga. Na verdade, por tras das boas inten96es e de alguns arranjos esquematicos favo- raveis a verticalizagao da producgo atra- v6s de novas cadeias produtivas, segun- do o jargAo em uso, o document assi- nala uma nova etapa na trajet6ria dos mesmos grandes projetos, que tem sido a causa de o Para crescer como rabo de cavalo: para baixo. O marco dessa nova fase & o encer- ramento do contrato de fornecimento de energia A Albras, a maior fibrica de alu- minio do continent, instalada em Barca- rena, a 50 quil6metros de Bel&m, que ga- rante o suprimento de 15% das necessi- dades japonesas desse metal. Em 2004 a Eletronorte estard desobrigada de garan- tir a Albras, responsivel por 1,5% do con- sumo de energia de todo o Brasil, o maior subsidio tarifirio do pais. No espago de 20 anos, o valor da diferenca entire a tari- fa praticada e o custo de geracao de ener- gia equivalera ao de uma fabrica de alu- minio inteiramente nova, num patamar em toro de US$ 1,5 bilhdo (mais de 10% do PIB do Estado). Evidentemente, as condig6es leoninas do primeiro contrato nao serAo repetidas, inclusive porque a outra empresa de alu- minio favorecida na mesma &poca, a Alu- mar, em Sao Luis, praticamente do mes- mo tamanho, contou com favors um pou- quinho menos escandalosos. Num novo contrato de fornecimento cor a Eletro- norte, o peso da energia na composigao de custo do aluminio da Albris sera mai- or (no contrato ainda em vigor, jamais iria alem de 30%, mesmo que a queda do pre- go interacional do produto fosse abissal). Para a Albras, que pretend passar dos atuais 350 mil toneladas anuais para 580 mil toneladas de aluminio primArio por ano, assim que estiver consolidada a nova associacAo cor a Norsk Hydro, essa 6 a menos atraente das alternatives. Ha ou- tras enfileiradas na linha de tiro. A pri- meira seria participar da duplicagao da capacidade da hidrel&trica de Tucurui, ja em curso. Corn uma condicao, entretan- to, como alertou o ex-ministro (e ex-pre- sidente da CVRD) Elizer Batista, na ex- posigAo para a corte governmental: de que os custos de Tucurui I nao "contami- nem" o orcamento de Tucurui II. Quando a grande usina do rio Tocan- tins comerou a funcionar, seu custo j era de US$ 5,4 bilhoes. Hoje, esti em torno de US$ 9 a 10 bilhoes (uma vez e meia o PIB paraense). Mas ainda ha divida pen- dente. Se esse custo for somado ao de Tucurui II (US$ 1,2 bilhAo) e tirada uma m6dia para calcular um kw inico para toda a hidreletrica, entao "ninguem vai se interessar por Tucurui II", alertou Elie- zer. Se nao querem partilhar as finangas da usina, os pretendentes a privatizagAo da hidrel6trica querem usufruir de toda a estrutura que ali foi construida, gerando o 6nus financeiro, sem entrar com um centavo para a diluigao da dor monetiria que a obra tem causado ao pais. O doutor Eliezer, alias, assegurou al- gum tempo atrAs que Tucurui I teria sa- ido muito mais barata, tomando desne- cessario subvencionar (cor algo em tor- no de US$ 2,5 bilh6es) as duas industri- as de aluminio implantadas na area in- centivada do Programa Grande CarajAs (Albras e Alumar), se nao tivesse havi- do corrupcao na obra. NAo se deu ao trabalho de avaliar o tamanho do rombo, nem deu nome a esses cupins simbl6i- cos, que causaram dano incomparavel- mente maior ao erario do que os cupins biol6gicos A base da barrage, que tan- to preocuparam de inicio. P or um crit rio de mo- ralidade pibblica, sua tese em favor da descontami- nacio de Tucurui II em re- lag9o a podridao financei- ra de Tucurui I deveria ser mantida congelada ate que ele se explicasse. Se possivel, para uma CPI no parlamen- to, o Minist6rio Pfblico ou o delegado de policia de plantao. Se nao por inicia- tiva pr6pria, por intimadao de algu6m com poder para tal e sensibilidade sufi- ciente para se indignar com esse es- candalo que lateja corn a sutileza de um vulcao adormecido. Caso Tucurui II se tome indigesta para um esquema de socializagao do prejuizo e apropriagAo do lucro, ainda ha uma so- lugao hidrel6trica disponivel: a usina de Belo Monte, programada para o Xingu e ja prevista no Plano Plurianual para o period 2000/2007, mas delegada a inici- ativa privada (at& que ponto do cronogra- ma preliminary ira o governor, reduzindo encargos dos futures compradores, nio se sabe). O document diz que o gover- no paraense deve "reivindicar o inicio da construgo da usina" junto as autorida- JOURNAL PESSOAL = QUINZENA DE ABRIL/2000 3 des federais, sem perguntar: a) se o go- vemo do Estado conhece o projeto: e b) se o aprova (ou o acordo 6 tacito?). A outra alterativa 6 o gas. Pode vir de oeste, do Amazonas, onde ha duas hi- p6teses: uma, mais pr6xima geografica- mente e mais remota em terms de volu- me, a de UatumA, e outra mais factivel, mas de custo de transport superior, a de Urucum, ambas no Estado do Amazonas. A segunda hip6tese 6 o gas da foz do Amazonas, em alto-mar. Se nao conse- guir condicoes favoraveis para participar da segunda etapa de Tucurui, a Albras quer do governor gasoduto para transpor- tar gas at6 uma termel6trica em Barca- rena, onde a empresa garantiria seu auto- suprimento de energia. Em qualquer das alternatives possiveis, o investimento nun- ca ficara abaixo do bilhio de d6lares. t muito dinheiro para investor numa infra-estrutura (nio linear, com varias per- nas) que vai ser apropriada individualmen- te por uma empresa j favorecida por tan- tos favors oficiais. Para que tal configu- ragdo odiosa nao se materialize, o docu- mento especula sobre combinagoes vari- as para a aplicagao da energia (a hidrau- lica de Tucurui ou o gas do continent ou da plataforma submarine) em outros em- preendimentos produtivos que se forma- riam em outros p6los, como MarabA, Jari e Trombetas. Ha conjecturas sobre a transformacgo industrial de minerios, agroindustria e turismo, mas todos esses stores parecem ser a decora~go ou pe- riferia do que interessa: a segunda etapa de maturagAo dos grandes projetos de exportagco e a agregagco de novos, como o cobre de Carajas. Vencida a etapa pioneira, eles preci- sam renovar determinadas variaveis para readquirir poder de competicgo interna- cional. Estradas de revestimento primi- rio precisam ser pavimentadas ou ter seus elos perdidos concluidos (os "missing links", na linguagem dos tecnocratas). Rios de navegacgo complicada tim que virar efetivas hidrovias, capazes de su- portar sem riscos maiores movimentacdo mais intense de barcacas (como ja acon- tece no Capim com o caulim e, em me- nor escala, porem mais extensamente, no Madeira e no Tocantins com a soja). Os sistemas de comunicacqo tem que oferecer qualidade mundial. Os portos necessitam de aparelhamento e funcio- nalidade. Sistemas de transport, comu- nicagbes e energ6ticos, portanto, tem que suportar escala e tecnologia de produ- 9do ampliadas. E o que busca o docu- mento encomendado pela CVRD, que para isso tern seu titulo em ingles (Ga- teway to the Amazon), a semelhanqa do Program Grande Carajas, que tamb6m era Metal Amazon (e foi concebido para derrotar o monstro de Loch Ness, justa- mente a falta de infra-estrutura moder- na e funcional). Mas 6 impossivel camuflar o rango colonial. O document procura atrair as atenc6es para o formidavelmente baixo custo do frete da soja entire Nova Xa- vantina e Vila do Conde, por 1.500 qui- 16metros (14 reais a tonelada), mas nao esclarece se o calculo exclui investimen- tos a fundo perdido na hidrovia Araguaia- Tocantins (R$ 500 milh6es numa previ- sao otimista). Trata de locar novas usi- nas de ferro gusa em Areas desmata- das e degradadas (16 milhOes de hec- tares no total), como a do Jari, ignoran- do outra possibilidade de ajuste mais in- teressante: acrescentar a produCao pa- pel num lugar que produz caulim e ce- lulose a uma distancia de 200 metros entire as duas fabricas. O Para anacr6- nico, seguindo essas recomendacges, teria cada vez mais guseiras a base de carvdo vegetal ao lado de ind6strias de caulim e celulose, permanecendo jeju- no em mat&ria de papel. Todas essas combinac6es possiveis de investimentos sao realizadas sem uma argumentagdo demonstrative e analitica. Os tecnicos se limitaram a consolidar dados e ordenar espacos em graficos, mapas e legends, como se tivessem apli- cado uma sofisticada matriz de computa- dor a uma massa de dados obtidos, sem maior verificacio de campo (o "miolo", onde esta a geografia e a populag~o, nao interessa, ou 6 "detalhe": o que importa 6 o lugar de extraqao da riqueza, a via de transport e o porto de embarque ao menos para quem olha a Amaz6nia a par- tir de fora, e la fora ficara, mais rico com as riquezas que extraiu). S6 assim se explica que os autores do document tenham incluido a Serra das Andorinhas no p6lo turistico do Tapaj6s, quando o seu devido lugar & no Araguaia- Tocantins; e tenham sugerido a extensdo da linha de transmissao de energia de Tucurui para Altamira e Santarem, ja em operaqAo desde o ano passado. Dao a impressAo de que a Amaz6nia que conhecem e a de fluxos de caixa, di- agramas de produgdo, estatisticas de pro- duCgo, mapas, nfmeros. Uma Amaz6nia que, dessa mesma maneira, recriam para o ptiblico, redecorando uma ret6rica usa- do na primeira etapa da era dos grandes projetos para abrir alas para a segunda etapa, que agora principia. A Amaz6nia, agora como antes, sendo apenas um meio para a riqueza de quem a explore, lhe dita as regras e escreve a hist6ria. Imprensa viva Talvez em nenhuma outra capital do mundo um unico journal se decla- re proprietirio de 98% dos leitores. Este 6 um duvidoso privilegio de Bel6m e um perigoso monop6lio de 0 Liberal. Seus donos proclamam esse indice unico de leitura como um atestado da qualidade da empresa. Tamb6m e. Mas nAo 6 s6 isso, nem principalmente isso. Independente- mente de causes e condigOes locais, entretanto, nunca essa e uma situa- qao saudavel. Nenhum monop6lio 6 mais nocivo do que o da informacgo. Quando falta pluralidade de veicu- los, o que sobra 6 a desinformacgo, a informaggo manipulada. O plublico belenense pouco tem fei- to para criar ou merecer essa plurali- dade, mas ha um anseio latente por ela. E o que explica a sobrevida de A Provincia do Pard, qualquer que seja sua origem, permitindo-lhe comemo- rar, na semana passada, 124 anos (descontinuos) de vida, realizando in- vestimentos para se expandir. A me- Ihoria 6 visivel desde a substituigao do infeliz sub-cabeqalho introduzido na gest~o Gengis Freire. Saiu aquele "ojomal que nio toma o seu tempo", involuntariamente sugerindo a lixeira ao leitor, e entrou "ojoral que todos leem", ajustado a tentative da empre- sa de conquistar mercado (ousando mais nos bastidores do que nas pr6- prias piginas do jomal). Tamb6m 6 um indicador desse vacuo de leitura o surgimento de mais dois jorais nesta quinzena: Metrd- pole e Amaz6nia. 0 primeiro, ape- sar dos outdoors, mais parece um projeto clandestine, sobre o qual pou- co se sabe e, a falta desse pouco, muito se especula (como liga-lo ao PT). O segundo pode ser recebido como "O Liberal do B", fadado a faixa B mesmo, reciclavel para se tornar um journal de campanha, poli- tico, agressivo se quem estiver a frente da nova empreitada nao re- petir os vicios e erros da tentative anterior de ressuscitar a gloriosa Folha do Norte. Pode haver muita trama por tras dessas investidas, mas elas sao mais saudaveis do que esse sepulcral mo- nop6lio de (des)informacao. 4 JOURNAL PESSOAL QUINZENA DE ABRIL/ 2000 Ofolheto da exposigao Amaz6nia Felsinea, dedicada a Ant6nio Jos6 Landi, que foi inaugurada a 25 de fevereiro na cidade do Porto, em Portugal, traz a foto de uma unica das obras de arquitetura do grande artist bolonhes: 6 a igreja de Nossa Senhora de Santana, em BelCm. A escolha ndo foi casual: de- voto da irmandade de Santana, Landi teria construido cor recursos pr6prios aquela igreja, que era, por esse duplo motivo, a sua preferida. O custo da obra teria con- sumido o que ele possuia, inclusive um es- tabelecimento commercial as proximidades. A foto da uma id6ia da graciosidade, sin- geleza e delicadeza da igreja. Mas deixa A mostra os sinais do tempo, transformados em chagas pela inciria dos homes. O re- boco ji ruiu em varias parties da fachada. Pontos escuros assinalam as infiltra1tes. Hi um ar de abandon, que qualquer pessoa pode comprovar indo visitar o temple. Nada, porem, que inviabilize a recuperacio e res- tauragao. Nem em tomo da edifica~go, cer- cada por camels e tendo a frente as ca- deiras espalhadas na praga pelo dono de um bar vizinho, que abusa do volume do seu aparelho de som e da conivencia das autoridades cor a infragio as regras e pos- turas municipals. A igreja de Santana tamb6m foi alcan- gada pela onda de decadcncia do centro an- tigo de BelCm. Ainda assim, nenhum local 6 melhor do que esse para abrigar a exposicao sobre Landi quando ela for aberta em Be- Clm, entire setembro e outubro, depois de passar por Lisboa, ainda em Portugal, e Bo- lonha, na Italia, como parte da comemora- 9Co pelos 500 anos da "descoberta" do Bra- -Alguns leitores estranharao a falta, nestejor- nal, de um artigo sobre a morte de Euclides Ban- deira Gonqalves compativel corn a importincia dessejornalista na imprensa paraense contempo- rfnea e o tamanho da perda que sofremos cor o seu desaparecimento. O artigo, eu o escrevi para a Gazeta Mercantil do dia 29, seguinte ao faleci- mento. Poderia aqui reproduzi-lo agora, mas meu pequeno e valioso espago foi usurpado pela su- perlativa carta do representante do Ibama no Para (que nao acolherei mais se continuar agredindo os criterios da objetividade), reproduzida inte- gralmente para nao parecer que fiquei intimidado ou atemorizado com suas agress6es. Outras ma- tCrias precise retirar, alem de adiar a publicaAgo de uma outra carta de leitor (mesmo porque elo- giosa a estejoral). E o prego da democracia, as vezes desbragada. Mesmo assim, nao poderia deixar sem regis- tro o abalo que o subito e acabrunhador desapare- cimento do querido Chembra causou a mim e A legiio dos seus amigos. Nossa geragqoja entrou na faixa dos 50 anos. O tempo nos ter sido um mestre, talvez porque nos custe caro venc&-lo. Landi em Belem sil. Talvez com essa escolha seja possivel quebrar a letargia dos 6rgdos oficiais e dos candidates a mecenas diante do descaso corn que ter sido tratada a linda igreja. Ela estA perdendo o merecido destaque, engolfada pela vaga de mau gosto circun- dante. Mas sediar a maior de todas as ex- posiqces ja montadas sobre o maior de to- dos os arquitetos de Bel6m pode ser a oca- siio de recuperar o tempo perdido. Eviden- temente, pouca coisa sera possivel fazer nos pr6ximos meses, mas mesmo obras inter- nas superficiais e de emergCncia (no telha- do, por exemplo) e o restabelecimento da limpeza e da ordem na Praga Maranhdo, seriam os passes iniciais para report Santa- na no circuit de vida da cidade. Ha alguns anos defend o uso do "bu- raco" da Palmeira como um espago aberto entire as igrejas de Santana e do Rosario, valorizando os dois templos, reformando drasticamente aquela paisagem e criando um respiradouro no centro da cidade. Nada de camel6dromo ou estacionamento (que atrairia mais carros para a area, quando o objetivo saudavel justamente o inverso). Sugiro a quem ter o poder e pode ter a coragem de decidir a respeito que suba a uma das igrejas e olhe na dire~go da outra. Terd uma visdo totalmente nova do lugar. Talvez se inspire para sair da bitola medio- cre que ter marcado a acao pliblica no centro urban, ciimplice da devastacao do coraqco da cidade. O "buraco" em si seria ocupado por Nosso Bandeira Nao deixamos de perceber, anotar e quando o caso-verberar as falhas e insufici6ncia dos pou- cos amigos que atravessaram conosco esse meio s6culo (10% da idade do Brasil europeu, cujos 500 anos se comemoram neste mrs!). Aprendemos, no entanto, com decepq8es, tris- tezas, ang6stias, vivfncias, felicidades, e alegri- as, a valorizar a pessoa desses imperfeitos amigos. Eles sao Onicos. Mas sao um pouco de n6s, nossa extensdo, nossa moldura, nossa projegao, nossos sonhos, nossas frustra96es. Nascemos um pouco cor eles. Quando morrem, um pouco de n6s corn eles se vai (ou continue, pelo desconhecido), no que C um pouco morte e um pouco vida outra vez. Guardo alegrias e prazeres que textos de Eu- clides Bandeira me proporcionaram. Um dos me- Ihores ele escreveu para o nimero tinico da ter- ceira fase do Bandeira 3, em 1991, captando o espirito desta cidade e sendo, por sua vez, cap- tado pelo trago do Luis Pinto, que reproduziu o sorriso largo, sard6nico e boa praqa do nosso Bandeira. Corn suas barbas cada vez mais bran- cas e a tez cada vez mais azeitonada, ele me lembrava com mais nitidez o mouro teut6nico quadras de esporte, rinque de patinacao ou mesmo piscina aquecida para criangas e adolescents, freqiIentdveis conforme fai- xas etdrias, cor vestiarios e instalag6es de apoio. Os usudrios seriam cadastrados e teriam acompanhamento official. O acesso seria controlado. O publico-alvo seriam os moradores do perimetro central da cidade, vitimas de uma penuria em matdria de la- zer e diversio que chega as raias da me- lancolia nos ficais de semana. O piso superior do "buraco" seria a pra- qa, cor apenas dois portoes de acesso, toda cercada (cor as grades ji existentes), dota- da dos equipamentos tradicionais de uma praga e cor uma funqfo inovadora para Bel6m: abrigar as trocas culturais (de revis- tas, livros, discos e outros objetos) e funcio- nar como um parlat6rio para livres manifes- tagbes do cidadao, bastando para isso se ins- crever com o administrator do lugar e res- peitar as leis do pais. Naturalmente, a Guar- da Municipal teria presenga numerosa e os- tensiva (mas sem anna de fogo), para inibir as transgresses, garantindo ao sitio sua fun- 9ao de element de fruicao e prazer. Sera que a vinda da Amaz6nia Felsi- nea teria esse condo, de recolocar os be- lenenses diante de sua cidade atrav6s dos testemunhos criados na cidade pelo grande arquiteto italiano e por um modo mais hldi- co e sensivel de utiliza-la? Pensar nisso tal- vez seja sonhar. Mas quando sonhar s6 de- pende da vontade, ningu6m pode nos tirar essa prerrogativa. Karl Marx, de cuja biografia Bandeira aprovei- taria as relacqes cor Helene Damouth, as ca- chagadas, a boemia, o amor aos filhos, o caos e a tonitruante vocagAo para a confusAo, fazendo troqa de tudo o mais (que era o todo) do pais do socialismo dito cientifico. Nosso surpreendente mestigo era um epicu- rista, um home de rua & mesa de bar, socratico de suburbio, um causeur, que levava seu teatro para os causes de circunstfncia, transformando- os numa dramaturgia sem titulo, gostosa, sagaz. Seus privilegiados ouvintes, nao tivemos a apli- cacao de copii-los, como fez Thomas Mann quan- do construiu o portentoso Peeperkorn de A Mon- tanha Mdgica. Homem de teatro por instinto, Bandeira nao interpretou um personagem. Na ver- dade, ele foi um tipo. Um tipo maravilhoso, ines- quecivel, que vai reviver nas nossas conversas em mesa de bar, na nossa academia popular, mes- mo que seja num restaurant sofisticado e terno como O Outro, sendo ele, com Irawaldyr Rocha e Roberto Jares, o outro incorp6reo ao nosso lado, invisivel, vivo, vivissimo, imortal, como todos n6s um dia seremos, se o tempo ajudar. JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE ABRIL/ 2000 A Vale privatizada chegou de vez ao Para Tr6s anos depois do leilao, a Compa- nhia Vale do Rio Doce concluiu seu pro- cesso de mutacao no Pard. Ela se apre- senta agora como o que efetivamente passou a ser: uma empresa privada. Co- erente cor essa nova personalidade, tra- tou de ajustar o pass cor o governador Almir Gabriel, dando a impressao de que corrige o andamento pela passada de sua excel6ncia, quando o que efetivamente ocorre 6 o contrario. No audit6rio do que era (deveria ser ou foi criado para isso) o principal centro de intelig6ncia do Estado, o extinto Idesp (Instituto do Desenvolvimento Econbmi- co e Social do Para), a CVRD entregou ao governor o seu "estudo de planejamen- to e desenvolvimento". O Estado ja nao tern um. Parece incapaz de ordenar, sis- tematizar e at6 compor visualmente algo que d& a impressao de um plano. Por isso, recebeu corn alivio e alegria a oferta, que avaliza seu anti-planejamento corn as as- sinaturas de dois ex-ministros. A Vale disse o que o governador queria ouvir em respeitavel modulagao. Em contrapartida a ret6rica, o gover- nador deve se comprometer a tornar real a infra-estrutura de que a empresa precisa para dar um pass A frente do seu process produtivo. O governador concorda em ser pracista da empresa, mas se contar cor a retribuigao dos in- vestimentos que a empresa diz serem viaveis. Crescimento, de fato. Mas a atualizaqao dos efeitos do primeiro ca- pitulo dos grandes projetos. NAo pro- priamente mudanga. Depois de dar uma martelada no cra- vo, a CVRD cravou a ferradura: assinou um conv6nio cor o grupo Liberal para patrocinar o programm? empreitada? campanha?) "Andando pelo Pard". De- talhes do acerto nao foram dados, nem informacaes sobre o enredo. Sabe-se apenas que o caminhante pelo Para, Ro- mulo Maiorana Jiinior, foi quern props a parceria aos dirigentes da Vale, solicitan- do apoio financeiro para a sua peregrina- cao pelo hinterland paraense. O valor do contrato, corn validade de 12 meses, teria ficado abaixo da metade do que ele originalmente pediu, mas num valor suficiente para garantir a cobertura de todos os gastos dessas deambula9oes coletivas, depois trombeteadas pela tele- visao e pelojomal. Em troca, a logomar- ca da CVRD apareceria ao fundo, corn sua mensagem institutional. Se o objetivo do cap do grupo Libe- ral 6, a partir de sua pr6pria descoberta, fazer os paraenses tomarem contato corn seu desconhecido Estado, 6 uma coisa. Mas parece cada vez mais delineado um objetivo politico: Rominho esta levando a s6rio uma cndidatura ao senado em 2002. Ja tem um aviao particular. Ja con- ta corn comites eleitorais informais acan- tonados nas associaqges comerciais que foram organizadas nos municipios para- enses nos ultimos anos. E agora esta fin- cando presenga nos grot6es do sertdo. Nao exatamente como faz um politico professional (ou conventional). As viagens sdo previamente organizadas para nao enfrentar imprevistos ou antagonismos e executadas em moto continue sob contro- le. E a primeira campanha de um politico virtual no Para. O objetivo 6 criar imagens, situagces, realidades para efeito documen- tal, numa fase na qual ainda nao ha a con- taminagco emotional e passional da cam- panha eleitoral propriamente dita. Quando ela chegar, o nome de Rominho ja estara disseminado e sua semente bem plantada para que ele use essas imagens e docu- mentos na sua pr6pria campanha, sem pre- cisar se expor ao corpo-a-corpo de cam- po, que nao 6 o seu forte. Um virtual bem sucedido, portanto. Se for isso, a CVRD estara se asso- ciando nAo a uma campanha de esclare- cimento, conscientizacgo ou educaqao, mas a uma campanha eleitoral anteci- pada e nao declarada. Pode usufruir dos rendimentos dessa iniciativa, mas, at6 ld, pode estar se expondo aos desgastes po- liticos de tal decisao. De qualquer ma- neira, algo mais afinado corn sua estra- t6gia de companhiaja integralmente pri- vatizada do que cor sua condigao ante- rior, de estatal. Esta, acabou. A que co- mega ainda 6 novidade para os paraen- ses, mas logo eles poderio testar o sen- tido dessa mudanQa. Agao popular volta ao comego Quem quiser dar prosseguimento A adgo popular para anular o "conv6nio" entire a Fun- dagao de Telecomunicag6es do Para e a TV Liberal, no valor de 12 milh6es de reais ao long de cinco anos, tera at6 o final dejunho para se habilitar no process. O juiz da 214 vara civel do f6rum de Bel6m, R6mulo Nu- nes, determinou a publicacgo de edital, corn prazo de 90 dias, para que qualquer cidadao ou o Minist6rio Ptblico, querendo, se apre- sentem para substituir o deputado federal (PFL) Vic Pires Franco. No dia 27 de dezem- bro do ano passado, o parlamentar, alegando "motivo de foro intimo, desistiu da aqgo, que ajuizara dois anos antes. Atrav6s do mesmo advogado, Marcus Solino, no dia 15 de fevereiro Domingos ConceigAo apresentopi seu pedido de ha- bilitaq~o como litisconsorte necessario. O advogado da TV Liberal rejeitou a ad- missao do substitute, argumentando que ele nao justificou seu legitimo interesse na causa. Ja o governador Almir Gabriel, al6m de requerer sua exclusdo da lide, por nao haver participado da assinatura do "conv6nio", de responsabilidade da Fun- telpa, que ter personalidade administra- tiva pr6pria, classificou a acqo de "me- ramente political corn "espirito emula- tivo". Consider ainda ogovernador que do tal conv6nio nAo temeirsultado "qual- quer prejuizo ao erario", nem ha "qual- quer vicio, mesmo de indole meramente formal, que o macule" Dois anos e meio depois de iniciada, a aqgo popular praticamente volta ao ponto de parti- da. O "convenio" (na verdade, um contrato), que o deputado Vic Pires Franco pretendia anu- lar em nome da moralidade piublica (dele desis- tindo por motive nao especificado de "foro in- timo"), ja esta avanqando na sua segunda meta- de, seis milh6es de reais depois, saidos dos co- fres do erario para o caixa da TV Liberal, "sem qualquerprejuizo", como diz o govemador. Se algu6m quiser ajudar a esclarecer de vez essa hist6ria, sem esperar pelo MP, a acao prosseguird at6 o deslinde final, na instancia derradeira. 6 JOURNAL PESSOALl P QUINZENA DE ABRIL/2000 J orge Caldeira, doutor em ciencia political, e Miriam Dolhnikoff, dou- tora em hist6ria, ambos pela Uni- versidade de Sao Paulo, duelaram ao lon- go de tres n6meros do Jornal de Rese- nhas, suplemento que a USP mais a Unesp e a Universidade Federal de Mi- nas Gerais publicam mensalmente na Folha de S. Paulo. Golpes de florete foram desferidos pelos dois contendores em torno de Diogo Ant6nio Feij6, sele- q o de textos do regente imperial em um livro organizado por Caldeira. 0 cientista politico garante que Feij6 foi "um brasileiro que estava na vanguar- da mundial da democracia em sua era", capaz de ombrear-se aos que lutavam para alargar a participaqgo political em paises de linha de frente, como a Franqa, a Inglaterra e os Estados Unidos. JA a historiadora sustenta que a glorificaqgo de Feij6 como vanguardista 6 falsa, fa- zendo parte de uma titica intellectual: "pro- var que sempre existiu uma facqao da elite brasileira empreendedora e demo- cratica, representative dos anseios popu- lares, que tem sido sufocada pelo restan- te dessa mesma elite". Paulistica em torno Se nao resvalar para a agressdo pes- soal, derivada de outras motivaqges que nao as intelectuais, a controversial sera en- riquecedora. Estava inconclusa quando, no ultimo nimero do suplemento, do mss pas- sado, a Folha fez baixar as regras do "ma- nual da redacao" (o livrinho do ayatold Octavinho) e encerrou o duelo. Para nao se reduzir a uma medigio de forgas com base em adjetivagBes, um debate desse tipo tem que ter como ponto em comum a compreensao da epoca. Ha sempre uma tendencia de projetar sobre o passado o universe em que vivem seus int6rpretes, anos ou s6culos depois. Foi por desconfiar dos perigos desse reducionismo que I. F. Stone decidiu apren- der grego clAssico para estudar in situ o julgamento de S6crates. Quando foi publi- cado, o livro do grandejornalista america- no lancou novas luzes sobre um fato hist6- rico ji entao exaustivamente estudado, o segundojulgamento que mais atraiu a aten- cAo em toda a hist6ria da humanidade (abaixo apenas do julgamento de Cristo). Stone exigiu dos contemporAneos que en- tendessem as razfes dos atenienses para forgar S6crates a beber o veneno. Sem o context da 6poca, sempre pro- jetaremos n6s mesmos sobre os perso- nagens do passado, o que pode at& ser itil como attitude moral, mas nao como ciencia (em face de todas as suas deri- vaces). E dificil acreditar que Feij6 fos- se um democrat de vanguard. Mas e impossivel deixar de reconhecer seu pa- pel de reformador (revolucionario, pra valer, quantos houve neste Brasil?). Um visionirio, um patriota, um nacionalista, mas nao exatamente um democrat. Alguem que defendia a federacao para manter a unidade do Brasil. Mas a unidade dos iguais, ou dos "mais iguais", daqueles que se conheciam, se identifi- cavam, tinham a mesma cor de pele. Di- ante dos desafios que as rebeli6es estou- radas simultaneamente nas fronteiras norte e sul lhe impunham, Feij6 optou por Carta " Costma-sedizerqueopapeldidoaceita Comessa pre missa,publicoabairocana enviadapelorepresenianteregi- onaldo lbama (Instituto Brsieimdo MeioAmrbiete e Recur- sosNaturaisRenovdveis), Paulo Caselo Branco. Opapeldo Journal Pessoa, noseusignificadoresnito e malerialenasua dimensdo simbdlica moral, aceita essa carl, tanto em seu conteidoquanlo emseulamanho. Antesderesponde-la, logo em seguida, renovoopedidojafeitoaosleiorespara queem sua conspodenciaprocuem sermais objetvds, sem prejuizo da ewosi~ o desseus agumentos e da defesa desuasposiedes. 0 que, no caso, seria perfeitamenlepossivel, evitando-se abu- sardo carderdemocrdtico e missionrio doespao queaqui seabredacolhidadascarlas Umespavosemsimilarnagrande impenso bmsileimr A integra da caa do sr Paulo Castelo Branco a seguin- le, confonnefoiescrita: "Gostaria, em primeiro lugar, de parabenizi-lo pelo con- ceituadojomal de sua propriedade, e dentro do possivel, esclareceralgumas inco etas informagces veiculadas no Jor- nal Pessoal de nimero 231, cuja matlriaresponde pelo tiulo de'OLHOVIVO". Nio querendo tomar muito o seu tempo, mas levando em considerao a admire que tenho pelo professional que voc represent e, pincipalmente, pelo fate de acharquea socieda- de donosso estado na o pode receber informages fojadas como asque tentaram he forecer, que medirijo,nestaoportuni- dade, com o fito de esclarecer como abaixo me posiciono: I-OPVEXISTENO PARA AaicBASTANTETEM- PO,SUA A~AOPOREMNAOTEMTADUZIDO EMFA- TOSCONCREITS. Nessepontoconcordo. Pormgostariade lembrar queem 1992, estando voce em um program de televisao, foi-lhe perguntado sobre o que achava do Partido Verde. Em resposta curta e rpida, voc6 responded que sena mais uma legend de aluguel para abrigar politicos couptos. Ao lembrar-me desse epis6dio o fago, como se hoje fosse, porque fui eu a pessoa quem fez aquela perguna,naquela oportunidade. Uma coisa sem divida ficou comprovado nesta afirmativa at a present data o Partido Verde nao abrigou nenhtun politico corrpto e nem se transformou em uma legend de aluguel. Sobre a questio de estar o PV a [sic bastane tempo no estado, seria a oportunidade de pergunturo que significa "bastante tempo"para voce. Poisoutrospartidos cmo PC do B, existed no Pard h pelomenos uns 60l/70anose sna dcada passada conseguiu eleger uma Deputada Federal, Socorro Gomes-que nio conseguiu a reeleigoi-c, mais recentemen- te, Sandra Batista. 0 que dizer, entao, do PPS e doPSeU e dos muitos outros P's da historia political do Brasil? E bomr lembrar, qe num passado recent, o PV vinha caninhando sempre de braqos dados corn a esquerda, principalmente cor o Partido dos Trabalhadores (PT), inclusive quando da primeira eleiqo do actual govemador, Dr. Almir Gabriel. Agora, me carojoma- lista, como voce queria que urn Partido, que era obrigado a laar uma mica candidatura nas capitals brasileiras, eleges- se algum candidate, principalmente tendo como parceiro um Petista? Como 6 do conhecimento piblico, esses partidos pe- quenos nunca tinham recursos financeiros capazes de arcar corn todas asdespesas de umaeleiiAo. 2-NAOSEVEUMNTABALHODEARREGLWMENA- AaosEPRO nMOOUEWl ACAOFOltl1CA. Infelizmente eu nao posso concordar comresa afirnati- va, pois os cursos e seminrios dados aos filiados sobre educ- 9bo ambiental no interior do Estado, o langamentp de semen- tes de aainosmanguesparenses,abrao ao musijunto corn os fimciois daquela Aularquia, manifestaco contra emis- sio de gases txicos plos tanspotes coletivos, as programa- q es dirigidas ao pliblico infantil como PINTE 0 SETE que desenvolviamos na Praa Batista Campos aos domingos, as ofi- cinas sobre educaclo ambiental que faziamos Domingo sin, domingonao,naquele mesmologradouo,ete saoalgumas aes desenvolvidas pelo PV, nunca noticiados pela imprensa local. Vc no acha que, neste on e specific, voc deveia ter nos pergunadooqueoPVfez nessesanosemquemilitanonosso estado? Porm, se isto tivesse aconlecido, seria a primeira vez que a imprensa iria chegar ale um pequeno Partido Politico, sem representante no Estado a fazer tal indagacAo. 3-SEU MELHORRESULTADOFOIARRANJARUNS LUGARESNAASSSORIADOGOVERNADO(. Posso Ihe assegurar que a melhor atuahlo do PV em elei- ao, deu-se exalamente em 1996, quando tivemosa oportuni- dade de eleger vereador, alguns companheiros do interior do estado. Infelizmente nio conseguimos manta-los na legend nempordoismeses, emrvirtude da culturarexistentede ainda fazer political do dando que se recebe. Faqo lembrar, tambem, que na administraco do atual Prefeito de Belem, Sr. Edmilson Rodrigues, o PV conseguiu fazer tris assessores. Porm, para nio feriras minhas convic- les, resolve pedir demissa o ao perceberque as denicias por mim realizadas, sobre os indicios de cormploes existntes na Administraqa Municipal, principalmente na Secretaria Mu- nicipal de Satide, quando Secretario Senhor Edmundo Galo, no conseguiram eco nem mesmo diante do Senhor Prefeito. Em vista disso, retire oPV da Administrao Municipal, mas no consegui convencer os ouros companheiros a demi- tir-se tambem. Estes preferiram filiar-se ao PT, afinal de contas nio e qualquer um que larga um cargo plblico para cuidar dos seus ideas. Depois disso, retornei i minha repar- tigo de origem, a SEGUP. Assim, sugiro a voce que procure indagar quanto era o meu sai io na Prefeitura o compare corn o que eu recebia naquela Secretaria de Estado. 4-ATECONSEGUIRSUANOMEACAOPAAOIBA- MAPAUDLCASEBIA0ULBNCOERAASSESSORDAGO- VEIRNADOM CARGOQUEPARECETERSIDOOCUPAk DOPORSUAESPOSA. Parece. Veja a coloca*o que voc fez. Creio que voc nio sedeu nea aotrabalhodepesquisaroDirioOficial paachecar averacidae dosfaos. Colocaes como essa, no me entendi- mento, pec [sic]em risco a credibilidade do seujomal, dando- me a impresslo de matlria paga. Qual foi seu preco? Quero Ihe dizer, Lticio Flivio Pinto, que eu sou concur- sado e aovirparao IBAMA fizopao pelo o [sic] meusalario de careira do estado, nio recebendo. portanto, absolutame- mntenadado IBAMA,pois a cargoqueagora exer;a [?]efm o das minhas luas na preservaco do meio ambiente e no das minhas ambioes pessoais. Qusnto n inhaex-esposa(CREUZA MARIA FRANCA SILVA),informn a voc que amesmae fincioniriadaCimara Municipal de Belem, onde exerce as suas fun,0es na Consul- toria daquela casa. A minha atual esposa e sociologa e traba- lano Esado a [sic] 12 (doze) anos e est cedida ao gabinete do Govemador a [sic] mais de trs anos, send filiada ao PV. Percebe-se, entio, que voce esti senoad usado por algum que, inconformado com as minhas atuatges diante da Repre- sentaao do IBAMA, est querendo atingir o meu maior bem. Os meus principios. Isto, por6m, ndo me preocupa, pois as pessoas da minha convivincia sabemque tenhodignidade suficiente para trilhar por estes caminhos sem me afastar dos meus ideals, us quais tim sido portadores de honestidade. Sei, tambem, que as minhas aqIes no IBAMA tIm contrariado muitos interesses, por isso, pouca e a preocupaao que tenho sobre comentriosmaliciosos. O que mepreocupa saber que o seujomal esta caindo na vala comum, isto 6, esta ficando igual a tantos ouros que sri existem para defender os interes- ses economics maiores, sem a preocupacao de verificar se as infonnagqes retraram a verdade ou se so carregadas de afir- rnaqes maliciosas. 5-MAS SEENGANAQUEM PENSA NO IBAMA FOI CONSEGUIDOPELOGOVERNADORALMIRGABRIEL OUQUALQUEOUTROPOLTICODO PARA. Desta vez voce acerrtou (pelo menos uma). A minha in- dicaao pariu da Dra Mary Alegrete, coordenadoradaa Secre- taria da Amazniia, que pertence ao Partido Verde do Rio de Janeiro. Todavia, o convite feito a mim foi, em primeira instincia, para ocupar o cargo de Coordenador da Amaznia aqui no ParA, cargo que decline, pois se tratava de um lugar que exigia umgrande conhecimento dos problems amaz6ni- cos e eu sou conscience de que no possua um curricula capaz de me dar sustenticulo para um post tio important para o meio ambiente. Diante d1 tal fato, pediu-me a Dra. Mary Alegrete, que indicasse um noe que fosse capaz dedesenvol- ver, com maestria, todas .. :lividades que o cargo exige. Assim procedi e indiquei ojomalista Lcio Flvio Pinto ane- xando, a esta indicaqVo, um exemplar do livro escrito pelo meu indicado. Apos te-lo indicado, solicitei a Dra. Mary Alegrete a minha indicado parra Representante do IBAMA/Pa, a qual a no se fez de rogada e indicou omeu nome ao Ministro Jos6 Samey Filho, que lhe infoi ou que a minha nomeagao depen- deria do aval do Presidente Josi Samey. Diante da informa- glo, fui ati ao Maranho e bati na posa do Presidente e me anunciei como asseesdo doGovemadordo Pa. Esta a ver- dade dos falos. 6-0 NOVO SUPERINTENDENTETROUXE CONSI- GOUMAEQUIPEPROPRIADESONHECIDADOSTEC. NICOSDOSETOR. Errou outra vez. 0 nico Chefe de Divisio que nao per- tence ao Ibama, so esti no cargo a [sic) 15 dias e nao e tio desconhecido assim, poisja teve a oportunidade de ocupar revelantes cargos na AdministraqAo Pliblica, tanto na esfera estadual como na federal sendo, portanto, um tecnico capa- citado e apto para ocupar qualquer cargo na Administraqio Publica. curioso deste fatoe que ele s foi nomeado depois que ameacei deixar o IBAMA em virtue da Divislo de Fis- calizaqao ter ficado sem chefia, apos o sumico do ex-Chefe que saiu de frias sem comunicar a ningum, deixando aquela Divisao sem norte e sem lideranca. Quanto aosoutos cargos, quem infomara voce, que todos, absolutamente todos, so ocupados por pessoasdaasa que se encotravamencostadosapesarde odooconhecimentoecom- petencia acumuladas. Eles estavam encostados, Sr. Jomalista, em vietudedesenegarem a peencer a umgpode meia dzia de funcionarios que manipulavam o IBAMA ao seu bel prazer, tanto que tdos s leestio respondendo por inme ras irregulai- dades cometidas ao long dos anos em que estiveram a frente densa Instituio, administrando-a como se sua casa fosse. Para seu conhecimento pessoal, dou-lhe em primeira mao, as infornaFdes que me obngaram a afastar os fncioniriosdos cargo que ocupavam. a)ANTONIODEPADUALIMAREDING [EDIG] Foi afastado da Divisio Tecnica por fraudar Projetos de Manejo Florestal,estando respondendo is processes diante do Ministerio Pliblico Federal. Para ocupar o seu post nesta Representaao, escolhi o Dr. Kasushiro, considerado portodos como omelhor tecnico que o pertenete o quadro do IBAMA/Pa. b)Dra. LIDIA Foi afastada da Diretoria Administrativa e Financeira por distribuir dirias ao seu bel prazer, aproveitando uma ausen- cia minha, no final do ano passado e pelo fato de ter autori- zado uma ordem de servio para pinlar o predio sede do IBAMA no valor de R$i6.000,00 (Trinta e seis mil Reais), valor que considered elevado. c)JOSEMARIAGADELHA Era o meu substitute e foi destituido desta fun~lo porter assinado um Piano de Manejo Florestal Sustentavel de 107.000m3 de madeira, que circulou dentro do IBAMA em menos de 24h (vintee quaro horas). Depois descobriu-se que o mesmo era also e por isso esta respondendo inquerito no Mmistrio Piblico Federal. Para o seu post foi escolhida a Dra. Nilma, tecnica da JOURNAL PESSOAL *is QUINZENA DE ABRIL 2000 7 de Feijo manter Sao Pedro da Aldeia (nosso Rio Grande do Sul atual), aceitando o risco de perder o Grao Pard e Rio Negro (nos- sa Amaz6nia). Risco este que era superdimensiona- do no Rio de Janeiro, como mostrou o capitao Strong, comandante da esquadra inglesa deslocada de Barbados para Be- 16m. Exagero que nao tinha uma utilidade tAtica. Era produto de ignorAncia mesmo. O Brasil sabia pouco sobre o antigo Es- tado do Maranhao, integrado Aquela par- te da col6nia para efeitos meramente car- togrAficos. Lisboa exercia o mando dire- tamente. Se perdesse a metade inferior da terra americana, esperava manter a outra metade para projetos de future, como os que Pombal tentara realizar. No debate dos dois intelectuais uspe- anos esse "detalhe" nMo conta. Afinal, eles falam do Brasil que lhes diz respeito e conhecem. Sao paulistas como Feij6 - e como nosso tamb6m uspeano presiden- te Fernando Henrique Cardoso, alids. Alerta Tudo indica que nao foi grave o va- zamento de 6leo da balsa "Miss Ron- d6nia", a serviqo da Texaco, no litoral de Barcarena, a 50 quil6metros de Bel6m. Algumas dezenas de litros es- caparam durante o bombeamento do 6leo que estava no interior da balsa afundada, ja na fase de salvamento e nao no naufragio em si. A Texaco gas- tou algo entire cinco e seis milh6es de d6lares na operaqao. Tecnicamente, a responsavel era a empresa proprietaria da embarca9ao, nao a multinational americana do pe- tr6leo. Mas a texaco sofferia um aba- lo de image tal que nao compensava transferir a responsabilidade legal. Fe- lizmente o acidente, envolvendo uma quantidade de 6leo 60% maior do que o derramado pela Petrobras na Baia da Guanabara, nao resultou em danos maiores para 6 meio ambiente. Impressionante 6 o estado da em- barcaqAo que transportava essa quan- tidade de material agressivo a nature- za (e, por extensao, ao homem. Por sorte o 6leo permaneceu no tanque, mas esse feliz detalhe pertence mais a seara do imponderavel do que ao do- minio da prudencia. Espera-se que o acidente sirva ao menos para chamar a atengao das autoridades. Nao estamos dando o tratamento ade- quado a navegacgo fluvial na maior ba- cia hidrografica do mundo. I certo que ha muita agua para diluir o produto polui- dor, mas com essa displicencia derivada da abundancia estamos contribuindo para ameacar a potabilidade dessa agua. A situacqo pode alcancar o nivel de trag- dia numa regiao estuarina como a do rio Para, onde a "Miss Rond6nia" foi a pi- que. E bom trata-la com a atengao que ela requer antes de precisarmos faz8-lo sob o impulse de uma grande trag6dia, como a que agora se ensaiou. Ay ,ar SK A wl S las IW rha 'W: "i casa comumavastaexperincianaAdminisrario, sendouma profunda conhecedora de tudo o que se referee ao IBAMA. Como se percebe, eu nao trouxe nenhura equipe pppria desconhecida do sector. Se elas so desconhecidas do sector, deve ser daquela parte podre que, infelizmente, ainda nio consegui elimini-lo. 7-NADASECONHECEDAPRODULAOEMPiRICA OUINTELECIUALDECASI ELCAPAZDECREDEN- CIA-LOAOCARGO. Com esta afirmativa ficouy visivel que a questlo 6 pes- soal, pois uma pessoa que nunca conversou comigo, nunca me pediu uma information nio esta credenciado para falar dos meus dns. Creioque os seus leitores pelome m o diito de saber qual o mal que eu cause a voce. Se voce nio tern motivo,pelomcnos invented Um, para qued o fique tAo visivel esta conotaio pessoalque voice tanto se esforu para regis- trar em sua material. Ora, poque voc nao se deu ao tabalho de perguntar nde eu estudei, em que universidade, em que estado da Federa conclui os meus estudos. Estas perguntas que voce deveria t8- las feito, nio era para serem publicadas e amnentar o meu concerto pessoal e sim para que voce nso gastasse tantos neuinios inventando inverdades ao meu respeito, quando qui- sesse sereferi[sic]aminha pessoa em oumrepoagen qu vocE certamente fari. 8-0 IBAMATEM ANDADO SOBOS HOLOFOTES GRACAASSOPERAMESDECAMP E verdade. Entretanto, quero dizer que a midia paraense ainda nio publicou nem unm lero do trabalho por mim real, zado no IBAMA e, pelo fato de eu fabricar noticias de inte- resseda sociedade tenho sofido alguns ataques de cimes por partedealguns chefesde redao. Tanto queas matrias do PAULOCASTELOBRANCOesdo opoibidasde sermveicu- ladas naTV Liberal pelo Senhor Emanuel Vilaa e as que foram publicadas pertencem a Rede Globo de Televiso. Ou- has infonmaoes que voce precise ter em ma s se refere [sic/ a Jomal 0 Liberal, que nunca publicou um Iblto minha e que a inica matria publicada pela A Proviocia do Par, s6 me cha- mava de incompetente. A TV RBA, nao cabre as materials do Ibama e quando isso acontece, o entrevista o Representante. S para enerrar esta part, o Jomal Dirio do Para publi- cou, recentemente, uma nola dizendo que eu era o novo rico do estado para que voce nso lenha duvidas desta mentira, deixo as minhas contas bancirias: CEF C/C 001.500.126/7 (Cirio) POSTAOCC68299.7606 Da minha esposa: CEFO1.00.1780 BENS FONE 2722665-91127979 BLAZERAN095(compradanaMunurtuCiveiculos) GOLANO96CorpadonoPOLECAR) 9-lNVESlGA ESJORNALISwCAS"? Faaisso. Creio que voce tem aobrigaio de fazeras suas investigates para melhor informer aos seus leitores. Toda- via, a que voce nao pode fazer e brincar de jomalisti bern informado, colocando em divida a dignidade de pessoas que voce, efetivamente, nio conhece e nem se deu ao trabalho de conhecer, como faria qualquer professional da imprensa que tern urn minimo de carter. Voc6 esta autorizado a publicar qualquer vedadesobreaminha pessa, mesnoque esta ver- dade seja dolorida. Porem, nio deve mais publicar mentiras sobre ninguem porue as pessoas podem se darao bal de publicar verdades sobre voce. Alem do mais, creio que nao e de bom tom voce acabar corn umdos poucos meiosde comu- nicagio que ainda possui um pouco de credibilidade. Caro Liicio Flvio, no gastei o men tempo respondendo a esta infeliz materia paga que voce escreveu para ganhar espao no seujomal, mas para deixar claro que voce tem um canal abto no IBAMA, como qualquer ouo professional que tern o ever de bem informer a sociedade paraense estando, portanto, voc6 apto a usi-lo a hora que bem entender. Creio que pr este caminho voc vai ter a oportunidade de car bern informado epublicar sempre a verdade, que final de contas deve ser o caminho que todo home de bem deve trilhar. Umnabrao". Minha resposta 0representantedolbam ma coeclassificandom joal de "conceituado" ea mim como uma pessoa pela qual possu "admirac o". Depois diz que faro ojogo de terceiros e que escrevi matia paga contra ele, perguando, a patir de uma meraimpressio,sotreo meu'pseo"(naturalmente,omanao- se como modelo. Ji me acostuei a esse tipo detratamento: elogios quando tatde outros assunts aaques viukcos quan- ioatinjoopersonagemindigitado. Osiinmoqueagiuassimfoi OliveiraBastos Houvevarios oumsantes.Castelo Brano nio ser oil timo. Mas a caravan have de prossegi.. Ele diz que me indicou para ser o coordenador local da Secretaria da Amaz6nia so scr consulado sobre o cargo por Mary Alegrete. Segundo scus critrios, no deveria ter agido assim porque no me conhecia. Se o fez, porque ac :.panha- va de long o que eu vinha fazendo, tanto que cr:.aprou e mandou para Alegrete um livro meu (cois per fltaniente normal, ou ningum mais podcriase pronuciar soae clebri- dades do passado ou vivendo em outras panes do mundo, inacessiveis ao contato direto). Por esse critrio, mesmo sem me conhecer pessoalmente, sabia do meu valor para ocupar um post que consider "o importante. Mas no me perguntou: a) se eu aceitaria esse cargo; b) se eu queria tabalhar na administrlo FHC; c) se eu auto- rizava algua indicaoo feita porPaulo Castelo B nco. Uma vez lanudo meu nome, sem autorizaua (se tal fas ocorreu, o que eu desconheci ale receber a carta acima), um ome bastanteconhecido por qun atua a ire ecol6gia (inclu- sive por Mary Alegrete, hi muito tempo), tratou de solicitar nio esss fungo (que lida corn a political pblica em tese) mas a de represented do Ibama (queatua na pratica, manejando recursos aplicados em setor produtivo). Para tanto, foi bater na porta do ex-pt eidente Jose Samey. no Maranho, anunci- ando-se com assessrdo govenador AlmnirGabriel (o que era mas teria informado previamente govemador sobr o uso da credencial?). Teremo involuntariamente, o govenador e eu servido de escada par aa ascenso de Castelo Branco? Da forma como esreve,eleparcesugirque og gnrosolaoamnto domeu nome sofreu algum tipo de veto, enquanto o dele foi em frnte. Qualtipode faorpoderia t boqueado oandamento da minha indicagao e feito a dele prosperar? Basta ao leitor ler com aenio a carta e cocnfioi-la corn a histria para chegari sua conclusion, tendo em consideracio que tudoi se fez a minha complete revelia (jamais ocorreria com a minha cincia). Nio me alongarei na resposta, ncm examinarei cada um os pontos susci'aos pelo represenante do Ibama, ao menos neste mmento, para nio conprmete ainda maisesta digo dojomalj sacrificada pelo missivista. Vou apenas indicar uns points bsicos: 1-Tenho 34 anos de profissao e estou hi 12 anos frente do Journal Pessoal. Nunca, em today a minha vida, escrevi uma materiapaga que fosse,nemquandoaprecocidade do ingresso numa profisso to arriscada podia servir de aval a umescor- regio. Tudo o que escrevi esti a disposilo de quem quiser examiner para encontrar algum texto a serving de interesses econ6micos de qualquer natureza. 2-Esejomal, desde oseuprimemir m nere cusou publicidad.Viveexclushiamenedavedladosaseus exa pla 3- Naentrevista television que Castelo Branco citaeu me referi ao PV como sigla de aluguel, sem mencionar poli- ticos corrptos (falha de memria dele, como teresquecido queji cruzamos uma vez, por acaso, na ra Boaventura da Silva, ele descemo do caro para falar comigo, que andava a pe). Os coupts talvez nem se tenham interessado pelo par- tido, dada a sua inexpressividade e forma centralizadora e personalizada acatada por seu dirigente regional, que mono- polizou o aluguel. Apesar dos seus dotes pessoais, ele nio purece tercarisma ou forga intellectual suficiente para mini- mizar o fisiologismo politico no Pari e assegurar a filiaigo dos seus poucos correligionrios. Quanto ao trabalho de for- mabo e proselitismo, nio tem sido suficientemente denso para vener tods as barreiras, inclusive da grande imprensa, e obter o reconhecimento piblico. Talvez porque as lideran- gas verdes atuem mais em gabintes e bastidores do que nas ras no Para Com as divergncias ou restriges que se possa ter ao doutor Camilo Viana, sua atuaoo A frente da Sopren nao serelaciona om a obtenao de cargo piblicos,ao con- triia do PV. E o que o PV diante da Sopren? 4- Castelo Canco foi assessor especial do governador (lugarode aouam seraomddascomsro e onve- niincias political). Sua esposa continue a set. Se ela j estava no cargo antes, 6 falo merecedor de correg o. Mas requer prova, atrav6s da publicaglo do decreto no Diario Oficial, que, infelizmente, nio consegui localizar (e, por isso, agra- deo sua remessa). 5 A "produio empirica ou intellectual" de Castelo na area ecolgica permanece desconhecida. Sua obra nso exige necessariamenae o acompanhamento do seu curriculo para ser avaliada. Basta que exist. 6 Na matria, que e apenas a abordagem preliminary de um tema que precise continuar a ser analisado, como esti ressaltado no texto, apontei o "acimulo de irregularidades e ilegalidades no setor, onde os process coumam ser monta- dos para ingls ver". Logo, nao pass borracha sobre o passa- do, nemdesconhego s fraudadores e beneiciados desse acr- vo de improbidades. Desde uma den(mcia que fiz atraves de "O Liberal", em 1975, sobre desvio de tartarugas do tabuleiro do Trombetas, quando o 6rgo ambiental era o IBDF, escrevi inuimeras materials a respeito dessas irregularidades. E tempo bastante, em posilo sufcienemente clara, para exigir de quem pretend falar pelo futuro mais do que adje- tivos e retorica. E sem me deixar impressionar por ameagas. Da mesma maneira como public as verdades de interesse ptiblico de que tenho cilncia, sem pedir autorizaalo a nin- gutm,acho queesse deve ser o comportamento de qualquer outra pessoa, jomalista ou nao, a meu respeito. NAo aceito essejogo de "ou... ou". Se o sr. Paulo Castelo Branco tern verdades a meu respeito que tenham a ver com a coisa pibli- ca, deve publici-las e responder porelas, ao invs de apresen- ti-las com se fossem meeda de troca. Mais umavezprecisoinsistiroquemefazcriticar no sao motives pessoais,maspublics. Quetenta reduziras polmi- cas a essadimenso mesquinha oquequermesmo e desviaro assuntodo seu eixo fundamental e intimidaro critic. Nio se encontariumas6fofocadomisticaemtodososns menosdeste jomal, um detalhe da intimidade de uma pessoa. Nem uma unica material sensacionalia, de imprensa marrom, invenada para vender. Ou um alaqu feroz, pessoal, descendoaalcovas, seguido de silencio aceito, naturalmente, a peso de ouro, como costumam praticar os jomalistas verdadeiramente de aluguel, uma vez por semana ou todos os dias. 7 No consider o sr. Castelo Branco uma fonte autori- zada ou reconhecida dejuizos sobre assuntosjomalisticos, eticos ou morals. Portanto, ignore tudo o que disse a esse respeito. Falta-lhe autoridade para tal. 8- Finalmente, so para ao passar ao leitor desinforma- 9tes. Socoro Gomes foi reeleila deputada federal. Sandra Ba- tista deputada estadual. Jos Samey nio 6 mais president da Repiblica, embra Castelo Branco tra como tal, quem sabe porgratidao.OJornl Pessol, que nemvedeoregularespago publicitrio,jamais negociou ou negociara suas opinides. Ao conoirio:paa continuar sempreapblicaroqueapura.analisa e interprea, est disposto apagar qualquerprero, inclusive o de levar a serio o que no e digno de seriedade. -- ------------------- ---------- ---- --- --------~ Nivel A reformm" idealizada pelo deputado Martinho Carmona consagra a Assemblia Legisla- tiva como a casa do clientelismo e do compadrio, desfavorecen- do sua funtio tecnica. Entendeu o president da AL de substituir os cargos de assessoria pelas fung6es de secretarios legislati- vos. Alem da mudanca de no- menclatura, o detalhe da refor- ma 6 que no lugar de 410 DAS vao assumir 810 secretarios. Antecipando-se a condena- c9es morais, o parlamentar diz que cada gabinete, tendo quatro limitede minimo) ou 20 (teto) se- cretarios, vai continuar com a mesma verba de manutenAo: 12.684 reais. Quen quiser en- cher seu gabinete, vai pagar me- nos a cada um dos secretarios, ou pagi-los desigualmente. Mas contara ainda cor a possibilida- de de empregar os cabos eleito- rais do interior, que sempre se contentam em receber menos, garante o deputado Carmona. Quem quiser trabalhar de verdade nesse future mercado persa, fazendo coisas decentes e s6rias, tera ainda mais dificul- dades do que hoje. A AL, ao que parece, vai continuar pro- curando um novo ponto de ni- velamento, sempre porbaixo. SeqOestro A policia ainda nao tem uma pista segura sobre os autores do seqiiestro do jomalista Klester Cavalcanti, ex-correspondente da revista Veja em Beldm (ver, a prop6sito, Jornal Pessoal n2 231). Por enquanto, o dele- gado Gilvandro Furtado, respon- savel pelas investigac6es, esta fazendo sondagens de hip6teses a partir das poucas informa56es disponiveis e de raciocinio 16gi- co. Se atW o inicio da pr6xima semana ele nao conseguir dar maior consistencia a essas indi- ca6es, provavelmente deverd Exemplio Tombou de verdade mais um pr6dio tombado no papel em Belem. Ruiu no dia 21 do mrs passado uma edificagao centendria, no "canto" da avenida 16 de Novembro cor a ma Veiga Cabral, mantida sem uso desde que, alguns anos atras, uma mercearia que la funcionava encerrou suas atividades. Nao era uma construgdo de grande valor artistic, mas era um tes- temunho de 6poca. Podia ter sido preservada. Certamente faltou interesse da parte do propri- etirio. E a regra geral dos desabamentos nesses ca- sos. Convinha ao administrator municipal aplicar todo o rigor na aplicadio.das regras dojogo contra os infratores, principalme,:te nas multas aos pro- prietarios que simplesmentc ignoram as notifica- 96es recebidas alertando-os para o estado de seus im6veis. Nao sei se o nome do contribuinte 6 langa- do no cadastro dos inadimplentes, mas essa provi- d&ncia devera ser adotada, ao menos para fins in- formativos, se nao pode impedi-los de prestar con- curso ou realizar serviqos para o poder ptiblico. A media 6 injusta? NAicacho. Cito u. singelo exemplo positive: o dono V, ura loja de material eletr6nico, no "canto" da A istides Lobo com a Fru- tuoso Guimaraes, no centro commercial da cidade, pedir prorrogacao, por mais 30 dias, para a conclusAo do inqu- rito instaurado pela Secretaria de Seguranga Piblica. Depois de ter escapado da imobilizago em que os seqfiestradores o dei- xaram, ojomalista deixou suas fun96es em Bel6m, send re- manejado pela direcgo da revis- ta para a sede, em SAo Paiao. Novidade Pela primeira vez em mui- tos anos um desembargador do Tribunal de Justiga do Estado fundamentou as razSes de ter se declarado suspeito parn fun- cionar em um process. Fcl j is- tamente o mais novo d03 41 desembargadores do TJE, Mil- ton Nobre. Seu despacho, ine- dito nos anais da alta corte do judiciario paraense, foi publica- do na edi9io de 14 de mar9o do Diario da Justiga. Ele pediu seu afastamento do feito por ter "uma conviv6ncia Jornal Pessoal Editor: LOcio Flavio Pinto Fones: (091) 223-7690 (lone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 e-mail: jornal@amazon.com.br EdiGio de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 fez uma competent reform do seu im6vel. Nao s6 restabeleceu as linhas originals da edificagAo como pintou-a com gosto. E nao colocou acrilicos ou pla- cas de aluminio na fachada. Limitou-se a pintar o nome da sua loja na parede, sem o espalhafato e o mau gosto que se tornaram a regra nessa area. Nio 6 caro e pode ser vantajoso imitar esse ci- dadao (que nem conhego). A prefeitura precisa fa- zer uma campanha de esclarecimento e oferecer as- sistencia tecnica aos que estiverem dispostos a con- servar seus im6veis de valor hist6rico ou arquitet6- nico. Verao que essa attitude nao e castigo: ao inves de terem um ativo imobilizado, poderAo valoriza-lo e realizar bons neg6cios, contando para isso com a ajuda da municipalidade. Dessa maneira sera multi- plicado o bom exemplo e reprimida com severidade a attitude negative, como a do proprietirio do pr6- dio desabado no mrs passado. Enquanto isso, convinha a prefeitura fazer uma blitz pela cidade. Um belo pr6dio no "canto" da Assis de Vasconcelos com a 28 de Setembro, hoje reduzido as suas paredes externas (oneradas por um permanent outdoor), apresenta-se como can- didato em potential a queda. de longos anos" na Universida- forma esclarecedora os despa- de Federal do Pair, que gerou chos que viesse a proferir cor uma relaqao de intimidade com tal finalidade". Calilo Kzan, advogado (e espo- Diz ainda o desembargador: so) de uma das parties, a direto- "Creio que esse fato, que che- ra administrative do grupo Li- gou a ser objeto de um breve beral, Rosangela Maiorana, ca- comentario do respeitadojoma- racterizando a "freqiientagdo lista, em seu Jomal Pessoal, mes- assidua" prevista em lei para o mo nao sendo, como antes men- impedimento dojulgador. Tam- cionado, o determinante da de- bem pesou na decision uma si- cisao ora formulada, deixar-me- tuadio recent havida comigo, ia intimamente deslocado, para que sou a outra parte da deman- nao dizer constrangido, se resol- da (um dos desdobramentos de vesse esquecd-lo ou desconsi- uma das cinco agCes contra mim dera-lo e assumir a relatoria do ajuizadas, a partir de 1992, pela processo. mesma Rosingela). Por razAo 6tica, nao questi- Relata o desembargador em onarei a decisao do desembar- set despacho que "antes do fi- gador Milton Nobre. Quando fiz nad do ultimo ano, quandoja no- pessoalmente a ele o comenta- meado para o cargo de Desem- rio e, em seguida, aqui o repro- bargador, porem ainda nao em- duzi, sabia que se eventualmen- possado, encontrei corn o ex- te o process chegasse a ele, cipiente [autor da excegdo de eu poderia estar dando causa a suspeigdo argiiida contra a suspeigAo. Mas tera sido um entdo juiza da 16" vara pe- bom prego a pagar se, a partir nal de Belem], Jornalista Lii- de agora, seus pares tomarem cio Flavio Pinto, com quem, pa- a attitude como uma regra a ser rece-me oportuno ressaltar, seguida: fundamental a suspei- sempre mantive relacionamen- 9io alegada "por foro intimo", to deveras amistoso, o qual te- fazendo-a publicarpor inteiro no ceu algumas consideragOes a Diario da Justiga. respeito das reiteradas manifes- S6 os relapsos, omissos, ne- taq6es de suspeiqao de magis- gligentes ou medrosos terao a trados, corn a mera alegagio perder.cop essa "nova tradi- de 'motgi0S deSforQ hfo ',o idW>&ldde nada per- que melevou a afirmar-i-the di em combat-los, muito prop6siro de.eniprpmqtivarde -p lo c6Ctirtirbo., i'- ---- <* F '-./ ur*llsh~lrl~PI"YY-Usr~*llllill~-IIOOI~U |
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