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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00174

Full Text


Teimosia

Jomal Pessoal Sspeita
OAT V 0 P I T(PAG. 3)
L U C IO F L A V IO PI N T O
ANO XIII NQ 225 2a QUINZENA DE.DEZEMBRO IS pena
/,. X--A-6-Lv 1ente
ESTA CAO DAS AS -;(PAG.)


0 retrato 6 dno

Para evitar a instalagdo de uma CPI incum tigar sua obra, o
arquiteto Paulo Chaves Fernandes organizou uma visit promocional a Estaado
das Docas. Sua exposigao entusiasmou os deputados chapa branca. Mas as
informapoes queprestou, ao invis de sufocar a comissao parlamentar de
inquirito, avivam sua necessidade. A contapermanece em aberto.


'T
0- -T .--
I

-, 7 -Z I._
1 ..-- I-'= -

"I"I I- 1


Sm 1992 o Estado patrocinou um
concurso pfiblico para selecionar
um projeto que redefinisse o uso
de um quarto da extensao do cais
do porto de Bel6m, ali abrindo
uma "janela para o rio". Essa abertura na
zona portuaria desobstruiria a paisagem da
baia de Guajara para uma populagAo empa-
redada por uma urbanizacao burra, que ne-

'A Sr9 V


gou o principal component geografico do
cenario natural: a agua.
A proposta de Paulo Chaves Fernandes
foi proclamada a vencedora. Ndo sem antes
o resultado ser contestado por concorren-
tes, que inquinavam a condigao privilegiada
desfrutada pelo primeiro arquiteto, melhor
informado a respeito do que os demais,
como viciando o resultado. A contestagao


nao foi aceita. Beneficiado pela eleiqgo para
o governor estadual do seu compare, o me-
dico Almir Gabriel, Paulo Chaves tornou-se
secretario de cultural. Atropelou a compe-
tincia formal do 6rgao legal, a Secretaria de
Obras, assumindo de fato o comando da exe-
cugao do seu projeto.
A obra foi iniciada em 1997. A empresa
responsavel, a Marko Engenharia, ganhou a )


I ~ ~J' -*J


.s.






2 JOURNAL PESSOAL .23 QUINZENA DE DEZEMBRO/ 1999


concorrencia public comprometendo-se a
entregar o serviqo complete, tal como fora
especificado, por 6,2 milh6es de reais. Dois
anos depois a Marko ja havia gasto R$ 9,3
milhoes, mas ainda faltava muito para con-
cluir a obra. Mais uma concorrencia foi aber-
ta, no valor de R$ 6,9 milhoes, igualmente
vencida pela Marko. Os serviqos ja estio
em R$ 17,4 milh6es, mas o orgamento vai
continuar subindo at6 o dia da inauguraqio,
prevista para abril.
Segundo o pr6prio Paulo Chaves, pelo
menos um novo aditivo contratual sera as-
sinado ate Ia. Mas o valor sera "pequeno",
garantiu o secretario, na nao tao concorrida
exposigio que fez a deputados estaduais e
convidados in situ, na fara6nica Estaqao das
Docas, na semana passada (sem a presenqa
dos deputados da oposicao). Em materia de
calculo, o celebrado arquiteto costuma ser
aritmetico no orgamentopr6vio e geom6tri-
co na conta de chegada. E precise, portanto,
esperarpelas faturas para conferir sua cos-
tumeira previsao minimalista de custos, em
contrast cor sua hiperb6lica criatividade.
Mas ainda que a previsao se confirm,
em dois anos de execu.ao o valor da obra
triplicou. Em situacqo normal, o responsa-
vel seria chamado a responsabilidade, civil
e criminal. Um projeto arquitet6nico foi se-
lecionado, no confront cor outros proje-
tos apresentados para participar do concur-
so public, porque apresentava determina-
das caracteristicas basicas. Essascaracteris-
ticas foram esquecidas, substituidas ou pro-
fundamente modificadas no curso da sua
materializacgo. Isso nao constitui fraude ao
concurso?
Uma empresa de engenharia orgou o pro-
jeto em R$ 6,2 milh6es e por esse ajuste foi
declarada vencedora sobre as demais. Mas
nao cumpriu o contrato. Outro contrato foi
assinado, por valor superior ao valor origi-
nal do primeiro, estourado em 50% graqas a
aditamentos de custos. E ainda vai ser adi-
tado outra vez. A construtora diz que os
acrescimos acompanharam as drasticas mo-
dificag6es do projeto, impostas pelo autor-
executor-fiscalizador.
O arquiteto confirm. Mas, parajustifi-
car a extrapolagao, mostra aos supostos fis-
calizadores das verbas, lisura e moralidade
publicas, os deputados, que o vultoso di-
nheiro adicional esta ali materializado, em
mais riqueza, mais suntuosidade, novos de-
talhes, outras adicqes. A obra devera sair
por R$ 20 milhoes, mas custaria R$ 30 mi-
lhWes se A frente dela nao estivesse o aplica-
do e rigoroso Paulo Chaves.
Elogio em boca pr6pria 6 vituperio, diz
o povo. Explicagao desse tipo para verbas
publicas denota insensibilidade para cor o
erario. Recursos previstos, aprovados e or-
cados nao podem ser esticados A matraca,
indiferentemente aos principios da econo-
micidade, do melhor pre9o, da moralidade,
ainda que para viabilizar um palacio, mes-


mo que para registrar para a imortalidade a
genialidade do autor.
Em sua matematica frivola, o secretario
disse que cada metro quadrado saiu por R$
550, dividindo a area construida, de 31.750
metros quadrados, pelo seu valor (de R$ 17,4
milhoes). S6 que o calculo precisa ser feito
considerando a area construida, de 16,4 mil
m2 (e com o m2 muito mais caro), e a area
urbanizada, de 15,3 mil m2, resultando no
dobro do valor apresentado, de R$ 1.100.
Ainda e um tergo do custo do m2 na sede do
Hemopa, uma das obras da segunda admi-
nistraqao de Jader Barbalho na qual tem sido
mais apontado o superfaturamento.
Mas na Estagao das Docas a obra era de
reform e nao de construgao nova (cor fun-
dacqes e estrutura basica ja existentes) e
seu uso 6 muito menos essencial do que o
banco de sangue do Hemopa. Independen-
temente do aprofundamento da analise, e
acaciana a conclusao de que ambas sao
obras caras, excessivamente caras para um
Estado desconcertantemente pobre. Nao e
necessario que tenha havido roubo para que
ela seja um roubo. Um roubo a previd6n-
cia, ao realismo, ao bom senso, A sensibili-
dade social, A correspondencia de meios,
ao interesse coletivo.
Mesmo os genios tem que se ajustar as
normas administrativas e legais no mundo
modern. Se mostrou sofreguidao em sofis-
ticar seu projeto original, aprovado em con-
curso public, independentemente do seu
6nus para as finanqas publicas, Paulo Cha-
ves nao revelou igual apego a letra do con-
v6nio assinado pelo governor do Estado e a
Companhia das Docas do Para. Enquanto
evoluia mirificamente o shopping turistico-
cultural, um item essencial do convenio foi
desprezado: a instalaqCo, naquele mesmo
lugar, de um terminal fluvial de passageiros,
de utilidade candente.
A exigencia foi estabelecida para aten-
der a uma necessidade mais do que eviden-
te. Belem ainda e o centro de uma rede de
transport fluvial que movimenta milhares
de embarcaqces, transportando carga e pas-
sageiros que gravitam em torno da capital
paraense. Mas essa gente 6 feia e suja, deve
ter pensado o ilustrado arquiteto. O termi-
nal foi transferido para as precarias instala-
9oes do armaz6m nove, distant da future
Estagao das Docas mais de um quilometro.
A combinadao de navios de passageiros
e de carga nao 6 ali das mais felizes, nem os
pobres usuArios das pequenas embarca96es
estao ao abrigo de acidentes de trAnsito an-
tes de poderem passar do portao de acesso
ao cais ate o conv6s. Mas tudo isso nao passa
de detalhe absolutamente secundario na ca-
bega do grande arquiteto. No mAximo, ele
esta disposto a adaptar o armaz6m quatro
para-ai, sim-um terminal da grande nave-
gacdo, usada pelos turistas de fora (e por
acaso eles cruzarao os mares para vir ver a
obra-prima do dr. Chaves, cosmopolita, cer-


tamente, mas tao pouco amaz6nica?).
Criticas e reparos como estes talvez nao
tivessem o menor eco se, ao lado da exibicao
de luxo e riqueza feita para tentar (a manei-
ra de um Joaozinho Trinta de canudo) sufo-
car no nascedouro uma CPI (Comissao Par-
lamentar de Inqu6rito), o secretario de cul-
tura demonstrasse a capacidade de sua obra
de atrair turistas e ser auto-sustentavel.
Mas, a quatro meses da anunciada inaugura-
0ao, essa certeza s6 cabe nas peQas de pro-
paganda e na confraria da corte estadual.
A Estacao das Docas sera um sucesso
quando for aberta ao public. Nao s6 por
ser uma obra sofisticada e de bom gosto
quanto a escolha e composicgo de materials
(sua adequaqao ao espaqo sao outros qui-
nhentos), mas porque ha uma demand re-
primida na cidade por novidades, de maior
ou menor qualidade. Ainda mais quando tais
novidades criam a possibilidade de contato
com o rio. A janela aberta pela prefeitura
entire os portos da Ocrim e da Sanave, sem
os atributos da estagao estadual, nem o seu
custo milionario, tamb6m 6 um "su", como
dizem os colunistas sociais, mais afeitos a
descri~go desse tipo de realizaqCo.
Mas, al6m de introduzir um novo e subs-
tancial program na raquitica agenda de la-
zer dos belenenses, a Estaqao das Docas
conseguira se manter nessa atividade dom6s-
tica? Aparentemente sem provocar o menor
constrangimento no audit6rio, Paulo Cha-
ves disse que se sua criacao chegar a uma
taxa de ocupaqao entire 80% e 90%, o gover-
no precisara entrar cor R$ 150 mil a R$
180 mil para as despesas mensais de manu-
tenq o. Em um ano, prazo estabelecido para
a autonomia da criatura, serao gastos em
torno de R$ 2 milhoes.
A previsao minimize os gastos e supe-
restima as receitas. A taxa de ocupacao dos
dois shopping da cidade esta bem abaixo
entiree 60% e 70%) para uma possibilidade
de faturamento maior. A despesa anunciada
nao parece incluir o pagamento do aluguel a
CDP, proprietaria do im6vel, que quer R$
80 mil por mes (mas o Estado nao quer pa-
gar nada, um dos motives para defender a
permanencia de Carlos Acatauassu Nunes
na presid6ncia da empresa). A manutencgo
do Parque Resid&ncia, incomparavelmente
menor e menos complex, custa ao Estado
R$ 50 mil por m&s.
Assim, o erario pode vir a ser obrigado a
sustentar por mais tempo um peso maior.
Inclusive porque nenhum mortal sabe como
sera feita a comercializacao do espaqo. O
secretario de cultural se dignou informar ape-
nas que nao sera feita concorrencia public.
A sele9~o obedecerA a um criterio de quali-
dade (naturalmente, do secretario), para
impedir que instalaq6es tao luxuosas sejam
ocupadas por estabelecimentos comerciais
inferiores (crit6rio que nao foi adotado, en-
tretanto, na destinaqao das lojas do aero-
porto, como qualquer turista apressado po-






JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/1999 3






Alga Viaria:



teimosia suspeita


Os motives do governor do Estado para
teimar em iniciar a construcgo da Alga Vi-
aria pela mais cara e polemica de suas obras,
a ponte sobre o rio Guama (cor dois qui-
lometros de extensdo e 80 milh6es de reais
de custo, num total de R$ 180 milh6es de
todo o conjunto), dificilmente poderHo ser
considerados mais relevantes do que os ar-
gumentos para susta-la. A data para a aber-
tura do process licitat6rioja foi remarca-
da tres vezes, a ultima delas cor previsdo
para o pr6ximo dia 27.
Desde outubro o governor espera a con-
clusao do EIA/Rima (Estudo de Impacto
Ambiental e Relat6rio de Impacto Ambi-
ental), a principal lacuna legal para a li-
beragao do ato. Na semana passada os do-
cumentos ficaram prontos. Mas s6 uma
violaCgo legal podera permitir a adminis-
tracAo estadual iniciar os servigos. E que
nao basta aprontar o EIA/Rima. A legis-
laaio exige que os documents estejam
disponiveis para consult por um perio-
do de 45 dias, para que os interessados
possam pedir a convocacgo de audiancia
public para a discussao do contetdo dos
relat6rios. E uma condiggo previa para o


dera verificar). Ao inv6s da letra da lei, a
escritura do criador definira os nomes dos
seletos escolhidos.
Todo esse lixo legal e administrative
poderia ser colocado para debaixo do tapete
pelo valor intrinseco da obra. Mas ai a por-
ca continue entortando o rabo. A pouquis-
simos metros da fronteira oriental da Esta-
gao das Docas outras obras, realizadas me-
nos de 15 anos antes pela mesma dupla (Al-
mir Gabriel-Paulo Chaves), recomenda pen-
sar numa reediqao do erro, nao na sua corre-
9Ao. Dois pr6dios publicos foram restaura-
dos e adaptados para um novo uso projeta-
do pelo arquiteto, como se fossem diaman-
tes isolados.
Mas a realidade mostrou que eles esta-
vam incrustados num fio de barbante, que
apodreceu, desfazendo asj6ias. O Solar da
Beira e o Cafe Chic, depois de lustrosa-
mente inaugurados e superiormente fre-
qiientados, foram sendo sendo abandona-
dos ate fecharem e sofrerem o desgaste do
tempo e do desajuste. Aquele cartao pos-
tal s6 teria vida permanent se eliminasse
o universe circundante.- No o fazendo,
contaminou-se em seu pr6prio sonho oli-
gofr6nico, tornando-se um mundo a parte,


licenciamento ambiental da obra. Sem
atende-la, a obra se torna illegal.
Ha uma clara repercussao ecol6gica do
projeto da Alga Viaria. Ela vai exigir a
construcao de novos trechos rodoviari-
os, afetando ambientes sujeitos a impac-
to, como as areas de mangue e varzea, sem
falar no Parque Ambiental do Guama.
Mas nao 6 s6 esse efeito ambiental que
exige mais atengao nos procedimentos,
como o que a Sociedade Paraense de De-
fesa dos Direitos Humanos esta cobran-
do, atraves de acao civil piblica ja ajui-
zada no f6rum de Belem.. E o pr6prio
significado econ6mico da obra que nao foi
esclarecido.
Se o maior volume de carga flui no sen-
tido do sul do Para na direcgo do porto de
Barcarena, por que nao comecar a obra por
uma ponte dentro da cidade do Moju, que
se localiza no eixo da rodovia PA-150 (nao
exigindo, por isso, qualquer desmatamen-
to ou ingresso em area isolada), e duas
vezes menor e custard muito menos, ate
mesmo por nao exigir qualquer outra obra
de apoio? Por que a ponte do Guama, ser-
vindo a um fluxo de carga inexpressivo e


que ninguem mais freqiientou. Hoje a pre-
feitura tenta reciclar o espago, nivelando-
o aos seus vizinhos para tentar dar vida
aquelas belas estruturas inanimadas.
Sabendo da fatalidade desse destiny, na
encenaqio para os deputados Paulo Cha-
ves fez sua arenga contra o Ver-o-Peso real,
que nao se ajustou ao seu projeto. Mesmo
que tivesse razao, s6 poderia realizar o que
pensa tendo a prefeitura ao lado, montan-
do cor ela um empreendimento mais am-
plo e mais conseqiente, capaz de reformar
todo o conjunto hist6rico. Mas tocou so-
zinho sua Estaqgo das Docas, indiferente
ao mundo em volta. S6 se apercebeu dos
outros agora, quando a CPI proposta na
Assembleia Legislativa fez soar a sirene do
alarme.
Vem ele entao com essa conversa de
projeto estrat6gico, de integracqo ao es-
paco, desde o Ver-o-Peso ate a Alga Via-
ria, portos e hidrovias, de novos tempos
de parceria, de transparencia e outros jar-
g6es que tentam disfarqar seu desprezo
pelo component que mais identifica e
qualifica o governor: o fato de representar
a coletividade, servindo-a e tendo que a
ela prestar contas.


provocando todos os tipos de impacts
questionados pelos critics? S6 por ser o
item mais caro do pretensioso Sistema In-
tegrado do Leste do Para?
Como a resposta do governor a pergun-
ta e il6gica, incompreensivel e estapafur-
dia, o prego a pagar pela teimosia pode se
tornar excessivamente caro, pesando so-
bre o erario e a moral piblica. A cobranca
ja comecou, cor os boatos repassados por
Claudio Humberto Rosa e Silva. ex-ass-
sessor de imprensa de Fernando Collor de
Mello na presidencia da Republica, hoje
assinando na imprensa uma coluna reple-
ta de bales de ensaio. Segundo uma de
suas notas (suprimida na versdo paraense
de A Provincia do Para), a concorrencia
seria umjogo de cartas marcadas, cor um
cons6rcio previamente escolhido, sob a li-
deranca da construtora Queiroz Galvao.
A nota da coluna nao prova o fuxico
que public. Mas sua semente de fofoca
medra em terreno adubado pela absurda
decisao que o governor tomou para dar ini-
cio a sua polemica Alga Vidria. E nebulosi-
dade suficiente para fazer os gatos pardos
parecerem negros. E vice-versa.


Enquanto estava concebendo e executan-
do sua Estagao das Docas sem questiona-
mentos, Paulo Chaves delirou a vontade.
Montou um sistema de climatizagao no va-
lor de R$ 4 milhoes (R$ 2,4 milhoes s6 em
aparelhos de ar condiconado). Colocou es-
cadas rolantes e elevadores de acesso a um
mezzanino. Fez um audit6rio se transfor-
mar em teatro cor palco flutuante. Multi-
plicou assim por tres seu orgamento, como
se o dinheiro fosse seu e dele nao devesse
prestar contas a ningu6m.
Quando esse delirio egoc6ntrico estiver
pronto, e provavel que o governor do Estado
tambem esteja inaugurando uma das melho-
res e maiores escolas que construindo em
Belem atualmente, a Salomao Mufarrej, ao
lado do canal da Tamandare. Ela custard 18
ou 20 vezes menos do que o castelo de fer-
ro, vidro e sofisticagAo de Paulo Chaves
Fernandes, supostamente feito para atrair
turistas de fora e alegrar moradores de den-
tro, faganha de problematica realizagFo e
dificil sustentagao. Mas na verdade para
inflar ainda mais o superego do criador des-
se elefante branco, na verdade sem qualquer
alvura, muito pelo contrario, quando se fi-
zer a devida apuragdo.






4 JOURNAL PESSOAL *2 QUINZENA DE DEZEMBRO/ 1999




Desafio democratic


Nao conheqo intellectual que tenha anali-
sado melhor a sociedade do seu tempo do que
Karl Marx. Ao esmiugar como um perito ana-
tomista (ou legista) o fervilhante capitalism
do seu tempo, ele forneceu tamb6m as chaves
para revelar toda a trajetoria humana at6 en-
tao. Possibilitou reconstituir todas as etapas
anteriores cor as peas que faltavam aos di-
versos quebra-cabegas ainda pendentes de
conclusAo. Marx, entretanto, foi um p6ssimo
profeta, contaminando de voluntarismo seu
"socialismo cientifico" (e negando, ao fim,
sua vit6ria sobre a alienacqo religiosa de suas
origens).
Seria como se, retirando as lentes correti-
vas da visao, ele tivesse retornado a miopia.
Sem ver com nitidez, divisou o future levado
por instintos, por desejos, pela vontade de
criar uma utopia, ainda que ela constituisse
um novo (e desastroso) quebra-cabegas (que
outro alemao, Max Weber, viria a manejar,
menos para formular uma utopia do que para
colocar o home diante de suas angustias,
sem o positivismo que fez o marxismo irradi-
ar confianga).
0 libertario Karl Marx tornou-se o pai de
alguns dos mais nefastos totalitarismos de
todos os tempos, embora sua intengao tenha
sido levar as ultimas conseqii6ncias (tarefa
para a qual nao estava preparado, por seus
impetos autoritarios e egoc6ntricos) seu belo
aforismo: os fil6sofos j haviam interpretado
suficientemente o mundo; agora, era precise
modifica-lo. Max nao queria ser apenas o
notavel intellectual que foi, um dos mais im-
portantes na hist6ria da humanidade. Dese-
java tamb6m ser um ativista, um revolucio-
nario. Fazer coisas, al6m de conceber id6ias.
Deu no que O Livro Negro do Comunismo
retrata (cor muito maior poder de convenci-
mento do que seu antipoda, encomendado
como resposta ao sucesso editorial).
Na ditadura do proletariado enquanto ne-
cessaria fase de transicgo entire o capitalism
e o comunismo, Marx deixou as sementes que
L6nin e toda a corrente do ajuste do marxis-
mo dos te6ricos ocidentais a revolug~o do
leste europeu e oriented trataram de semear.
Resultou nos Gulags de Stalin e na tradigao
de intolerancia do neol6gico "socialismo real".
Talvez o resquicio de plena lucidez tenha fei-
to o velho Marx suspirar: "se isso 6 marxis-
mo, eu nao sou marxista", teria dito, ao ob-
servar as primeiras manifestac6es dos revo-
lucionarios que empunhavam suas id6ias
como armas para derrubar a "velha classes" e
construir uma sociedade "sem classes", mas
a partir do control do "aparelho de Estado",
nirvana da "nova classes" tecnoburocratica.
Esse marxismo se tornou uma forma de
milenarismo, retomando ferramentas religio-
sas contra as quais Marx, um filho de rabino


secularizado, se voltara com vigor. Os comu-
nistas se viam e se apresentavam como "os
escolhidos", marcados pelo deus da hist6ria
para guiar os povos pelo caminho da liberta-
qao de todo e qualquerjugo. Essa f6 religiosa
nesse novo deus de p6s de barro faz cor que
os militants da nova ordem encarem a todos
como infi6is, aos quais nao resta outra alter-
nativa senao converter-se ou pagar a pena da
eterna condenaqao. Os simbolos e mitos mu-
dam; o enredo 6 o mesmo.

0 PT, o mais nobre dos

partidos brasileiros, o de me-

Ihor trajet6ria, o mais consis-

tente de todos, padece des-

se remote mal de nascenca.
Brioso na oposigAo, empenhado na realiza-
cgo de causes e projetos, ao tomar o poder
transforma-se numa entidade religiosa, im-
pregnada pelo dever catequ6tico de conver-
ter os infi6is ou reduzi-los A submissao. Or-
ganiza cruzadas capazes de cometer as mai-
ores viol6ncias cor as mais elevadas justi-
ficativas. Tudo porque o crit6rio da verdade
e da justice 6 um patrim6nio exclusive dos
seus adeptos, mesmo quando eles concor-
dam em participar do jogo dos contradit6ri-
os, do embate das controv6rsias, plenamen-
te certos, porem, de guardar no bolso do
colete o catecismo da f6, que antecede o pr6-
prio debate.
Infelizmente, episodios recentes s6 re-
forgam essa convicqao: o PT ainda nao se
convenceu de que a democracia 6 uma reali-
dade acabada, nao apenas um bem interme-
diario, um valor utilitario e nao em si mes-
mo. Um povo pode viver em plena demo-
cracia sem viver bem, muito pelo contrario.
Somos um exemplo acabado dessa situagao.
S6 os brasileiros que estavam na fase cons-
ciente da vida republican entire 1946 e 1964
usufruiram por tanto tempo e tao intensa-
mente de uma democracia como a que temos
no moment. Mas somos uma das mais in-
felizes naq6es do planet, em funcqo da bru-
tal concentraqao de renda, dividindo o pais
entire os que podem gozar de sua invejavel
reserve de riquezas e os quejamais sao cha-
mados ao banquet.
A conclusao saudAvel desse paradoxo
nao e a de que a democracia 6 um bem su-
p6rfluo, ocioso. A conseqiitncia l6gica 6 de
que a democracia, apesar de essencial, noo e
suficiente para resolver os problems de um
povo, exceto se os democrats decidirem
levar seus postulados as 1ltimas e mais


radicals conseqii6ncias, para que seja o
instrument das reforms sociais e econ6-
micas. Essa via, contudo, nao tem afinidade
com a ditadura do proletariado, ou qualquer
outro artificio tornando a tomada do poder
condigao para a reform social.
O virus letal da democracia na nossa so-
ciedade de massa 6 o enfraquecimento da re-
presentatividade, o crescente distanciamen-
to entire o agent da delegacao e aquele a
quem ela 6 conferida pelo voto. O tratamen-
to corretivo tem a ver cor o fortalecimento
dos elos e, ao mesmo tempo, dos controls e
da fiscalizacao, em linhas paralelas e em cir-
culos conc6ntricos, linhas e circulos que se
tocam no dialogo, no respeito ao divers, no
bom combat dos contririos, na tolerancia as
minorias, num contencioso regulamentado.
Uma das principals bases de sustenta-
cqo da democracia 6 o respeito a oposi9go e
A liberdade de pensamento e expressao. O
PT tem falhado em demonstrar sua crenca
nesse principio democratic. A falha 6 cons-
tante e se apresenta em diferentes pontos
do pais. Em Sao Paulo, o president de hon-
ra do partido, Luis Inacio Lula da Silva, ve-
tou a participacao do jornalista paraense
Luiz Macklouf Carvalho no program da TV
Cultura no qual seria entrevistado, o Roda-
Viva. Lula pode ter razao em questioner a
isenq~o e a boa-fe do jornalista, mas subme-
ter-se a qualquer embate em public 6 uma
das mais salutares praticas democraticas.
A Cultura de Sao Paulo teve o merito de
reconhecer, depois do caldo entomado, o gros-
seiro erro de submeter ao entrevistado a lista
de convidados para fazer as perguntas. Lula,
por6m, reincidiu no pecado da intolerancia,
na sustentaq~o de um direito que nao Ihe cabe,
prerrogativa a ele indevidamente conferida
pela direqao da Cultura, de selecionar quem o
iria entrevistar. Se tem razao, Lula 6 suficien-
temente bem articulado para demonstra-la
para terceiros mesmo quando confrontado
cor o inimigo. Se nao tem, 6 melhor deixar de
ser politico. Uma das mais dignas funqses do
politico 6 a de realizar a pedagogia popular
atrav6s da orat6ria, do torneio de id6ias, da
parlamentagao. Mesmo quando o oponente
traz consigo antecedentes de indignidade.
Mesmo quando joga baixo.
A intolerancia petista entire n6s 6 ainda
mais diversificada e rasteira. Uma de suas
manifestacqes esta a mostra na cidade. Ou-
tdoors de protest contra o aumento dos
6nibus, homologado pelo prefeito Edmil-
son Rodrigues, foram pichados no mesmo
dia em que apareceram. Talvez o patroci-
nador desses pain6is, uma associacqo de
usuarios, nao seja legal. Mas o meio 6 ab-
solutamente legitimo. Esta legitimidade se
sobrepoe aquela legalidade.






JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENADE DEZEMBRO/1999 5


Sem isso, os oradores da mais democra-
tica das pragas londrinas nao subiriam em
seus caixotes para verberar aos c6us contra
deus e o mundo diante de indiferentes tran-
seuntes. 0 PT que acionejudicialmente o
autor dos outdoors. Mas nao amordace sua
voz. De outra forma, as does do PT oposi-
cionista serao mais fortes, porque darao ra-
zao aos seus perseguidores. A gloriosa re-
volu~go bolchevique, alias, comerou a fazer
agua quando Trotsky acatou a ordem de Le-
nin para reprimir a revolta do Kronstadt.
Ambos estavam pavimentando o caminho de
Stalin ao poder e da UniAo Sovi6tica a um
totalitarismo no minimo tao devastador
quanto o dos destronados czares.
Agora a prefeitura do PT esta sendo acu-
sada de fazer fiscalizacao persecut6ria con-
tra a agnncia de propaganda que presta ser-
viqo ao adversario, o governor do Estado. A
Griffo publicou nota official na imprensa de
domingo passado denunciando essa perse-
guicao. A fiscalizadao do contribuinte e um
direito (e um dever) do poder public para
que o imposto devido seja rigorosamente re-
colhido. A Griffo submeteu-se a uma meti-
culosa agao dos fiscais do municipio em duas
ocasioes, mesmo suspeitando tratar-se da-
quele velho estratagema que os baratistas
celebrizaram entire n6s (aos amigos, os fa-
vores da lei; aos inimigos, os rigores).
Apesar deja terem sido aprovadas, con-
tas anteriormente examinadas estdo sendo
novamente cobradas para nova analise. A
empresa reagiu contra essa reprise, recusan-
do-se a entregar ss documents da sua con-
tabilidade e disposta a acionar ajustica. A
prefeitura insistiu na iniciativa. Requisitou
forga policial para a fiscaliza~go, s6 nao li-
berada por interfer6ncia superior junto a Se-
cretaria de Seguranqa Publica do Estado. A
prefeitura contra-atacou entao argumentan-
do que a lei Ihe faculta voltar a verificar as
contas, desde que haja um fato novo justifi-
cando essa revisao. A faculdade legal existed.
A administracgo s6 nao indicou esse fato
novo na nota official de resposta, divulgada
na terca-feira, dia 6.
Estabelecido o litigio, um lado podendo
estar agindo corn o mesmo excess de passi-
onalidade (ou tendenciosidade) do qual se
declara vitima, o contencioso deveria ser pa-
cificamente apreciado e decidido pelo poder
arbitral dajustiqa, afastando as suspeitas de
manipulacao political a que a PMB se exp6s.
Durante muito tempo esquerda foi sin6-
nimo de decencia, honradez, verdade, progres-
so, future. A crise do comunismo acabou com
esses mitos. Conservadores e revolucionari-
os, patroes e trabalhadores, capitalistas e
socialists, todos podem cometer indignida-
des, todos podem estar errados em um ou
outro moment. Todos devem passar pela
prova da verdade, em igualdade de condices.
Se nao tem a mesma oportunidade, tim todo
o direito de adotar formas de contestapao,
forcando as margens do regime democratic a


S6 a Gazeta Mercantil esta informan-
do a opiniao piblica sobre a mais nova
polamica envolvendo a diregAo da Unimed
Belem, o maior piano de sa(de do Para,
com 107 mil associados, 1,1 mil medicos
cooperados e faturamento annual superior
a 100 milh6es de reais. Toda a grande im-
prensa da capital paraense ignora a aqgo
judicial e a queixa-crime apresentadas por
opositores da diretoria, liderada por Nel-
son Lima, acusada de praticar irregulari-
dades e descumprir normas internal.
O novo capitulo foi aticado pela sus-
peita de que dinheiro da cooperative es-
taria sendo desviado para terceiros, a par-
tir da descoberta de quatro transferencias
irregulares, no valor de R$ 240 mil. A in-
vestiga~io policial, a auditagem contabil
e a instrudao processual apenas foram ini-
ciadas, nao permitindo ainda definir quem
tem razao: se o grupo de m6dicos que as-


se expandir, ou, em ultimo caso, a revolugao,
ao rompimento do status quo.
Nao e essa, porem, a forma que o PT esta
adotando em Bel&m, seu primeiro importan-
te exercicio de poder no Para. O partido ten-
ta intimidar critics e adversaries, contendo-
res e inimigos, quando nao aniquila-los. Seja
destruindo outdoors desfavoraveis, fiscalizan-
do empresas incbmodas ou criando colunas
an6nimas emjornal de chantagem (acompa-
nhada de peas publicitarias compensat6ri-
as, mantendo em suspense as antigas feloni-


O Forum da Amaz6nia Oriental, enti-
dade que congrega 18 organizac6es nao-go-
vernamentais, concebeu, aplicou e proces-
sou a primeira avaliaqao dos 41 deputados
da Assembleia Legislativa do Estado. A di-
vulgaq~o dos resultados, no final do mes
passado, provocou mais reag6es do que o
anuncio da iniciativa. Contabilizados os
pr6s e os contras, entretanto, o saldo & al-
tamente superavitario. Naturalmente, os
mais desfavorecidos pela analise, sobretu-
do os que parlamentares que aparecem com
rendimento insatisfat6rio (e notas zero),
tentarao desqualificar a avaliaqao. Mas to-
dos ganharao se ela persistir.
Nao para simplesmente aceita-la. A
metodologia pode apresentar incorrecqes
e a parte objetiva ser sujeita a questiona-
mentos. Mas a iniciativa do Faor & uma
contribuiqCo altamente positive ao acom-
panhamento e fiscalizaqao do legislative,
aproximando os representantes dos repre-


sumiu a iniciativa das den6ncias ou se a
diretoria, que se diz vitima de retaliacgo
political por haver derrotado seus oposi-
tores na eleicao de abril deste ano.
Este 6 um lado da hist6ria, cujo des-
fecho dependera das apurag6es em cur-
so. Do outro lado esta o silencio da gran-
de imprensa. Nao exatamente por coin-
cidencia, toda vez em que 6 questionada
de public, a diretoria da Unimed Bel6m
reage multiplicando a verba de publici-
dade. Isso ocorreu cor exuberancia du-
rante a conturbada campanha eleitoral,
com uma programaqao de anuncios e fil-
mes sem paralelo no setor e de dar inveja
aos melhores anunciantes institucionais
ou de varejo. Ate agora, a Gazeta Mer-
cantil foi o inico journal que soube sepa-
rar seu balcAo de an6ncios da mesa da
redagdo. Por isso, o assunto apareceu na
terca-feira nas paginas dojornal.


as cometidas contra o partido e seus militan-
tes, enquanto as moedas tilintarem no caixa)
para tentar minar o animo dos que continual
a sustentar suas ideias e querem v6-las discu-
tidas de public, para que venga o melhor, o
que convince, e nao apenas o que ter pode-
res institucionais nas maos. Como ensinou o
comunista Ant6nio Gramsci, iniciando na Ita-
lia a demoli~go do totem da ditadura do pro-
letariado, irrupqmo de intelig6ncia democrati-
ca de mais de 70 anos que nao parece ter che-
gado ao litoral do poder petista em Bel6m.


sentados e dando mais consistencia a sua
legitimidade.
E claro que a perspective do trabalho
e a esquerda do espectro politico e ideo-
l6gico. Nem poderia ser de outra forma,
j~ que o f6rum se apresenta como um or-
ganismo dos trabalhadores. Mas se sua me-
todologia nao e viciada e se os dados quan-
titativos estao corretamente mensurados,
entAo a unica providencia valida dos des-
contentes seria estimular avaliacges de
outros segments da populaqao, igualmen-
te series, contribuindo assim para colo-
car na ribalta todo o espectro da socieda-
de brasileira.
A imprensa faria a sua parte divulgan-
do os resultados, ao inv6s de ignora-los
ou sabota-los, como fez a maioria. A de-
mocracia ganhara se esse tipo de avalia-
9Ao prosseguir, cada vez melhor e mais
s6ria. Ao menos.para tirar os parlamenta-
res do torpor de sua inconsciencia.


Imprensa


Avalia"ao






6 JOURNAL PESSOAL *2- QUINZENA DE DEZEMBRO/ 1999


A voz do leitor


Nesta tltima edigdo do ano e
da d6cada, os leitores marcam
umapresenca especial corn
suas avalia6oes destejornal.
Felizmente, e um saldopositivo,
que se transferepara o prdximo
ano cabalfstico, umafonte de
estimulo e otimismo. Como Sdo
Paulo, ainda nos empenhamos
em travar o bom combat, sem
perder a f. Um novo ano
produtivo para todos n6s e um
final de 1999 a altura dos
nossos merecimentos. 0 desejo
de toda a equipe do
agradecidojornal Pessoal.

Como leitor assiduo do Jornal Pes
soal, creio ter alcancado toda a di
mensao do seu sentiment quando
nos conclama a participar mais efetivamen-
te do JP. E um paradoxo, inquietante, que
recebamos passivamente as informacges
que essejornal transmite, com seriedade e
profundidade, sobre os bastidores do po-
der e sobre outros temas de interesse da
coletividade.
Confesso que, as vezes, fico apreensivo
que voce desista, ante tanta passividade. Por
favor, nao o faqa. Sua mensagem soa forte
em nossas mentes. Com fibra, sabedoria e
coerencia, e arcando corn todos os 6nus de-
correntes da coragem de desnudar as "ver-
s6es oficiais" de tantos acontecimentos da
nossa hist6ria recent, voce tem nos dado
um exemplo de que de um verdadeiro ideal
nao se desiste.
O Jornal Pessoal faz enraizar o sen-
timento de que somos co-responsaveis
pela hist6ria da humanidade. Pela nossa
acao, ou pela nossa omissao. Voce tern
feito a sua parte, que tem servido, para
n6s, como liqAo.
NELIO DA MATA REZENDE
GEOLOGO (NELIO f CPRM-BE.GOV.BR)
Motivado pelo teu apelo, escrevo a
esse Jornal Pessoal para mani
festar minha satisfacqo em t6-lo
como refernncia as minhas reflexes sobre
os assuntos mais importantes nos diversos
cenarios desta terra paraense.
Confesso que ainda guard um certo des-
conforto quando leio noticias que contrari-
am minhas convicq6es mormente as poli-
ticas. Pelo menos duas dessas: a Augusto
Montenegro como obra de bela estampa,
por6m desrespeitosa quando avaliada no
item seguranga, e a Janela Para o Rio, consi-


derada demag6gica, fazem-me escorchar a
razao para alcan9ar o sentido das afirma-
6oes, por consideri-las injustas, face a (mi-
nha) conclusao simpl6ria de que Bel6m nao
havia tido, ate entdo, um prefeito que a des-
peito das diversas oposiq6es, se esforqasse
para dar A cidade obras ineditas, ou recupe-
rar aquelas ha muito abandonadas, como e o
caso das duas mencionadas.
Seria possivel reinventar uma cidade? Se
ao inves de escolherem a baia de Guajara, os
portugueses resolvessem fundar Belem nas
outras regi6es cogitadas na hoje conhecida
Baia do Sol, em Mosqueiro, ou na Vila de
Condeixas? Ou mesmo se tivessem a preo-
cupa go de manter a orla guajarina intacta?
De fato, a orla nunca foi tradicgo em Belem.
Sonhamos cor Salinas, com o Rio de Janei-
ro e acordamos numa cidade que usou pre-
dios, galpbes e outras barragens, para fe-
char sua buc6lica paisagem, como se, am-
pliando aquelas, ficassem protegidos seus
habitantes, nao dos invasores, mas das aguas
barrentas e po6ticas, que nao amedrontam,
antes fascinam. Dai porque a Janela Para o
Rio, uma pequena fenda aberta pela Prefei-
tura, aflui numerosa multidao aos fins de
semana, que ali descobre como Belem e de-
liciosa, e mais seria se toda sua orla fosse
nao uma janela, mas um imenso portal para
a baia de Guajara.
Feito esse pequeno desabafo, congratu-
lo-me com ojornalista e o seujornal, admi-
tindo ser dificil admitir a este sem a corres-
pondente admiraqao por quem o faz. E se o
jomalismo feito no PESSOAL as vezes agri-
de as consciencias mais romrnticas, e por-
que nao se at6m a mediocre tarefa de agradar
a gregos e troianos, antes, contraria a todos
que omitem, mentem e dissimulam em favor
de interesses pessoais, em detrimento dos
interesses da coletividade; a semelhanqa do
empresario dono do maior grupo de comu-
nicacao, que esta viajando por todo o Esta-
do, propaganda tais viagens sem usar de sin-
ceridade, transmitindo a idWia (mentirosa,
dissimulada) de que 6 um grande paraense,
que se interessa pelo Estado, seus proble-
mas e suas potencialidades, porem omitin-
do o que e peculiar nos lobos que seu
verdadeiro intent e imprimir sua imagem e
de seu irmAo na mente dos (eleitores) para-
enses, olhando ja para as pr6ximas eleiqces.
Tanto creio na dissimulagao do Rominho que
o seu irmao, desde j cogitado a ser candida-
to a prefeito de Beldm, nao sai da foto. Da-
qui a pouco (nem tanto, se o alvo forem as
eleic6es de 2002), o outro anunciard sua can-
didatura a um cargo qualquer.
A informaqao imparcial e a unica manei-
ra pela qual se faz umjornalismo serio um
joralismo ligado a um conceito: a verdade,
atinja a quem atingir.


Diria entao que o Jornal Pessoal, ao
feitio dos livros sagrados, tern a ardua mas
compensadora missio de falar a verdade aos
leitores. O seu profeta, incentivado pela
convicqAo de que ter a seu favor a mais
poderosa arma, destemidamente fala as
multid6es. Quem tem ouvidos para ouvir,
que o ouqa.
Pena que essa voz somente seja ouvida
por um pequeno grupo: aqueles que nao se
conformam cor as noticias da grande im-
prensa. Esses encontram no Jornal Pesso-
al um alento, principalmente porque ele ali-
menta a esperanga dos que creem que a ver-
dade jomalistica e o unico meio pelo qual a
consciencia pode se transformar, ou ao me-
nos, ser incomodada, resultando em postu-
ras dignas e firmes, numa sociedade defor-
mada, porque, dentre outros motives, as
virtudes se intimidam ante o avassalador
poder da midia que consagra a aparencia e a
superficialidade, em detrimento daquilo que
por detras delas se esconde.
CLOVIs LUZ DA SILVA

SJornal Pessoal, nos seus 13 anos,
6 o maior simbolo da combinaqao:
coragem e seriedade. Coisa rara,
numa sociedade cada vez mais corrompida e
deteriorada em seus principios eticos e mo-
rais, onde a critical e um passaporte para a
exclusio, sobretudo a exclusao do mercado
de trabalho.
Vivemos e reproduzimos um mundo
onde, via de regra, o professional nao preci-
sa ser critic, mas sim adaptdvel e capaz de
fazer cor que a legalidade e, ate mesmo, a
legitimidade sejam flexiveis diante de toda e
qualquer situaqao o meio mais indicado para
assegurar o bem estar de todos, sem contra-
riedades, nem conflitos.
Inegalvelmente, estejornal 6 digno de
todo respeito e de todo apoio possivel,jus-
tamente por ser critic, no largo sentido da
palavra, e rico em informacaes fundamenta-
das e analisadas. E, acima de tudo, merece
respeito por ser resultante de uma vasta
experiencia professional e de um amplo e
diversificado dominio cultural de seu dire-
tor-redator, que ter demonstrado, nas pa-
ginas de seu journal, nao medir esforcos para
dar contribuig6es e sugest6es para os pro-
blemas locais, regionais e nacionais, e so-
bretudo proporcionar aos leitores uma vi-
sao complete de tais problems.
O Jornal Pessoal 6, sem divida, uma
lente cor o foco (ampliado) nao apenas nos
fatos, mas na verdade dos fatos.
Muito mais do que um journal, este tem
sido uma segura fonte de pesquisa academi-
ca. E, como tal, deve estar sempre present
no dia-a-dia dos estudantes, desde o colegio
at6 a p6s-gradualao e, principalmente, nas






JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE DEZEMBRO/1999 7


Tutela

Se a hist6ria terminasse agora, os brasi-
leiros teriam um titulo certo: o povo que
mais destruiu florestas em todos os tempos.
Melanc6lica facanha cometida numa vasta
fronteira como a Amaz6nia, com um terco
ae todas as matas tropicais do planet. Co-
metendo a barbaridade numa epoca em que
as informaqoes geradas-pela ciencia e a tec-
nologia recomendariam pelo menos maior
cautela, mais vagar e muito mais inteligen-
cia. No entanto, apesar de tudo o que se tern
dito a respeito de uma abordagem mais equi-
librada dos recursos naturais da regiao, a
iniciativa que o governor esta adotando nes-
te moment, reformando o C6digo Florestal
(de 1965), sob a predat6ria inspiraqao da
bancada ruralista do congress, nao 6 s6
patetica: e burra mesmo.
Medidas como a permissao para que as
florestas nativas possam ser convertidas
em lavouras nas propriedades mais produ-
tivas sem qualquer licenga das autoridades
ambientais; ou a autorizagqo a exploracgo
econ6mica das florestas e outras formas de
vegetaqCo nas areas de preservacgo perma-
nente (margens de rios, lagos e reservat6-
rios, areas de encosta e topo de morro); ou
a reduCgo das areas de reserve legal va
Amaz6nia de 80 % para 50 %; ou o estabe-
lecimento de procedimentos "simplifica-
dos" para o desmatamento das Reservas
Legais e das Areas de Preservaqao Perma-


nente, dispensando a autorizaqao dos 6r-
gaos ambientais, entire varias outras a se-
rem examinadas cor maior acuidade mais
adiante, mostram que continue prevalecen-
do a diretriz geopolitica da integracao da
Amaz6nia a qualquer custo, para a substi-
tui~go dos seus "espagos vazios" por eciu-
menos, como condiqao necessdria ao forta-
lecimento da soberania. Para continuar a
ser brasileira a Amazonia se expoe cada vez
mais a ser cada vez menos Amaz6nia. A
perder um dos seus elements constituti-
vos basicos: a floresta native.
Por isso, nossa regiao continue ref6m da
doutrina de seguranca national. Plena de-
mocracia, corn direitos integrais e cidadania
complete, isso e s6 para os nossos pais na-
cionais. Padastros, alias.


Publicidade

elastica
Em 1995 o governor do Estado assinou
contratos com tres empresas particulares
que venceram licitaqCo public para a pres-
taqgo de serviqos de publicidade. Os con-
tratos teriam vigencia de um ano, envol-
vendo em conjunto 1,2 milhao de reais.
Desde entao, esses contratos foram sen-
do sucessivamente prorrogados e seus
valores ampliados. No final do mrs pas-
sado o Diirio Oficial do Estado publicou
os extratos dos ultimos terms aditivos


(13" e 14-), prorrogando os contratos origi-
nais ate fevereiro do pr6ximo ano, quando
nova concorr6ncia ja devera ter sido reali-
zada (pois finda a tolerincia legal de cinco
anos para as prorrogacqes contratuais).
Esses tr6s contratos ja movimentaram
47 milhoes de reais de verba publicitaria
no period, uma quantia incomparavel-
mente superior ao R$ 1,2 milhao inscrito
no contrato original. Uma das tr6s aghnci-
as, a Griffo, a principal delas, recebeu au-
torizaqao para veicular R$ 24 milh6es
nesse quinqu6nio, 40 vezes mais do que
todo o valor de origem do seu contrato
(de R$ 600 mil).
Bem que o Tribunal de Contas do Es-
tado, examinando a gestao da verba pu-
blicitaria do governor, poderia esclarecer
a opiniao piublica sobre a aplicacao a es-
sas contas das normas da lei de licita-
coes publicas (a 8.666/93) sobre acres-
cimos de valores (em obras fisicas, limi-
tados a 25% no caso de construgao nova
e a 50% em reformss, cujos limits obri-
gam a assinatura de novos contratos.
A publicidade teria que se ajustar a
essa diretriz? Se assim fosse, o maximo a
que o executive poderia chegar seriam R$
9 milhoes (R$ 1,2 milhao vezes cinco, corn
50% de acrescimo), ja que a lei autoriza a
prorrogagAo por cinco vezes do contrato
original, mantidos os seus valores, at6 os
limits claramente definidos.
Com a palavra, a voz (ja ha algum tem-
po pouco ouvida) do TCE.


instituiq6es e entidades mais pr6-ativas e
dispostas a discutir e resolver questoes ur-
gentes da sociedade. Pois consider estejor-
nal um retrato, sem a costumeira maquia-
gem, da realidade social, econ6mica, politi-
ca e cultural da Amaz6nia e do pais.
No entanto, e lamentavel que este jor-
nal, reconhecido e premiado national e in-
ternacionalmente, nao seja tao prestigiado e
valorizado (nem mesmo no preco), como
deveria ser aqui na regiao, principalmente
pelos paraenses, tao pr6ximos de um pro-
fissional com tamanha capacidade e com ta-
manho compromisso com as grandes causes
da nossa regiao.
A realidade e que, atW hoje, infelizmen-
te, nao aprendemos a conviver e aceitar a
critical e, sobretudo, a progredir a partir dela.
Nesta ultima edi~io da d6cada, s6 tenho
a dizer: Ndo desista, Lucio! Sua iniciativa
tem sido de imenso valor para todos n6s,
inclusive para os que nao admitem. Espero
que possamos continuar contando cor o seu
trabalho por muito tempo, e que novos tra-
balhos de coragem e seriedade, como o seu,
continue surgindo seguidamente pelos pr6-
ximos seculos.
ANA CLAUDIA SANTOS


efiro-me, inicialmente, ao tema pu
blicidade do prefeito e do governa
dor, assunto em permanent criti-
ca no seujornal e na midia oposicionista.
Na verdade ha um exagero de divulgagAo -
muita vez enganosa, que onera o tesouro
public e 6 pago pela sociedade. Embora
nao sirva dejustificativa e nem de conso-
lo, nao 6 s6 na provincia que isso aconte-
ce, na corte gasta-se muito mais e mal. Esse
vezo esta tdo arraigado na consciencia do
mau brasileiro (a maioria dos politicos, na-
turalmente), que os opositores tambem pe-
gam carona na metodologia para anuncia-
rem as verbas que eles supostamente in-
termediam do governor federal para aplicar
em obras publicas no Estado. E ridicule,
para nao dizer vergonhoso, cormo esses po-
liticos (maus brasileiros, a maioria, repi-
to), ostentam as verbas da coletividade
como se fosse propriedade deles. O sr. Ja-
der Barbalho, por exemplo, depois que en-
caixou um seu cupincha na direqgo local do
DNER, nao faz outra coisa aqui no Para.
Devo esclarecer que nao estou defendendo
o prefeito e o governador, long de mim
esta ardua missao.
Um outro aspect que desejo abordar,


esta relacionado a sua expressed: "o pior 6
que o Pard esta se amoldando a face autori-
taria do governador" (Jornal Pessoal n"
224, pag. 2). Ela e assemelhada a esta outra
"a cara do povo", que os demagogos utili-
zam para dizer que as casas legislativas sao
constituidas pela vontade soberana do povo.
Nao ha soberania onde a mis6ria grassa ab-
soluta. O poder econ6mico e o instituidor
da democracia das minorias. O povo serve
apenas como massa de manobra. A socieda-
de propriamente dita nao tem nada a ver
cor a modelagem do arcanjo Gabriel. Quem
tem responsabilidade nisso tudo e a elite,
grupo dominant e a imprensa, porque si-
lentes aos desmandos cometidos. Num dis-
curso pronunciado no dia 27.11.99, o go-
vernador ajuntou: "O Para deixou de ser
um Estado em que o dinheiro e aproveita-
do para comprar fazendas, aviao, televisao
ejornal". Ora, se o senador Jader Barbalho
enriqueceu ilicitamente, conforme se apre-
goa, por que nao se tomam as medidas ca-
biveis para reparar as infrac6es, na forma
da lei? Quem se apresenta?
Um feliz natal e um venturoso 2000, ex-
tensivos A familiar.
RODOLFO LISBOA CERVEIRA


I




S\\ i $ ------
....... .... ,<,/ / : ; .- .'l,,- h $ .....


Largada
No mes passado a Compa-
nhia Vale do Rio Doce colocou
em circulagao seu primeiro bo-
letim informative produzido no
Para. Tratando-se da maior em-
presa em atuaqio no Estado,
nao e muito. Mas consideran-
do-se os antecedentes da
CVRD, ja & alguma coisa. Se nao
estacionar ai.

Aus ncia
A UniAo e a Companhia
Vale do Rio Doce perderam
o prazo para se manifestar
nos autos da acgo popular
impetrada pelo agrimensor e
advogado Paraguass6 Elleres
para anular a transferencia
de 411 mil hectares de terras
na provincia mineral de Ca-
rajas, no sul do Para, a
CVRD, devolvendo a area ao
patrim6nio do Estado, corn as
indenizacqes devidas (ver, a
prop6sito, Jornal Pessoal
212).
Tanto a Uniao quanto a
Vale queriam a prorrogaqgo
do prazo para contestar a
aqgo, mas ajuiza Hind Ghas-


san Kayath, da 2" vara fede-
ral, em Belem, indeferiu os
dois pedidos. Na mesma
a~go, o Estado do ParA pe-
diu a sua exclusao da lide,
nao querendo acompanhar o
autor. O Incra se apresentou
como assistente simples da
Uniao.

Trilogia
O senadinho (de O Outro)
compareceu em peso ao lan-
gamento do CD Belem
Cheia de Bossa, no qual fi-
cou registrada para a poste-
ridade a primeira obra do
compositor (cartorario nas
horas vagas) Reginaldo Cu-
nha, president da tonitruan-
te congregacgo que se ma-
terializa nos almocos de sex-
ta-feira no restaurant dos
Martins. Na quadratura des-
se circulo, comenta-se, a
boca nada pequena, que, apos
"O Bar", Reginaldo vira com
o restante de sua etilica tri-
logia musical: "A Farra" e "A
Ressaca".
Vinicius de Moraes que se
acautele, la no alto, bem
"alto".


Vesguice
Ha dezenas de categories e funo5es no service pA-
blico injustigadas ou massacradas por uma remune-
racio indigna ou mesmo indecente. Nenhuma pode,
por seus pr6prios meios, corrigir essa situagAo. No
executive, a luta por um melhor saldrio, alem de ar-
dua, passa por virios estigios, comegando no chefe
e terminando na ultima instfncia recursal (freqiiente-
mente, o Supremo Tribunal Federal). Sem trocadilhos
(hein, Fernando Castro?), justica se faga: o executive
6, dos tres poderes, o que mais tem combatido as dis-
tor96es salariais e funcionais. Apesar de ser o orde-
nador geral de despesas.
O que mais revolta no caso dos salaries dos juizes
trabalhistas da 8- regido, com sede em Bel6m, que pro-
vocou uma extensa carta na edigao anterior, 6 eles pre-
tenderem ser o ponto de partida e o ponto de chegada
do aumento que se concederam. Certamente trn direi-
to a salario melhor, compativel com as responsabilida-
des do cargo. Mas, agindo como agiram, podem estar
provocando (al6m da imediata rejeigao do ato no nivel
superior da pr6priajustiga) dois efeitos mais fortes junto
A opiniao piblica: o fortalecimento da tese do control
extemo dojudiciario e o reforco da posicao dos que de-
fendem a exting~o da justiqa especializada do trabalho,
ndo s6 dos juizes classistas (boa intencAo pateralista
ou corporativa do Estado que se transformou numa ex-
crescencia, em nova fase larvar).
Deviam pensar nao s6 a curto prazo e nos interesses
pessoais.


Contas
As 10 recmeTdaqO.es .se
a Assembleia Leg if*st' fez,:
ao aprovar, no ultimo dia 24,
a prestaggo de contas do go-
verno do Estado relatives ao
ano passado, mostram que a
contabilidade public ainda
esta bem long de expressar
a realidade. A divida de 11
milhoes de reais cor o Fun-
defe cor o Ipasep, a falta de
atualizaggo do calculo do IPI
e de provisionamento das em-
presas publicas e mais alguns
itens t6cnicos sugerem que o
governor continue praticando
um orgamento inchado no
lado dos haveres e artificial-
mente achatado na conta dos
deveres.
Corn suas recomendacqes,
o legislative secunda manifes-
tacgo identica anteriormente
feita pelo Tribunal de Contas.
Mas o governor permanece
cor ouvidos de mercador.
Nao por acaso, alias.

Telinha
Por induqao da TV Glo-
bo, a TV Liberal comegou
uma campanha publicitaria
para tentar reverter um ha-
bito do telespectador nas noi-
tes de segunda-feira: ir mais
cedo para a cama. Para
isso, revelou uma pesquisa
do Ibope, atestando que em
49% dos domicilios e em
78% dos aparelhos ligados
a sintonia era corn o enlata-
do Tela Quente, invariavel-
mente de filmes americanos
e em geral corn cenas de vi-
olencia. O concorrente mais
pr6ximo, o program de
Hebe Camargo, apresenta-
va indices de 12% e 20%,
respectivamente. Enquanto
o unico program local, o
Argumento, da TV RBA, fi-
cava corn 4% e 5%.
A exibi9ao dessa estatisti-
ca provocou um troco da emis-
sora de televisAo do senador
Jader Barbalho, com indice


Journal Pessoal
Editor: LOcio FlIvio Pinto
Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax)
Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040
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Edi9do de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304



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S '- 1
nadclde pretz feli nli horario
por apr seAtar uinmprograma

;di: s-n ros, in-
terpretados a partir do gra-
fico e da tabela, que O Li-
beral publicou em pagina in-
teira, podem impressionar
mais. Como o dado de que
os televisores de 45% dos
domicilios estdo desligados
no horario de Tela Quente.
Ou que apenas 3% dos do-
micilios da Grande Belem
possuem mais de um apare-
Iho de televisao.
Mais forte do que o apelo
enfeiticador da telinha 6 a li-
mitaqao do bolso na (ja se-
gunda?) maior cidade da
Amaz6nia.

Economia
Nenhum dos cinco lideres
empresariais eleitos pelo nes-
te ano f6rum do journal Ga-
zeta Mercantil e do setor in-
dustrial. Todos atuam em ser-
viqos e com6rcio, da constru-
qao civil as comunicacoes.
Retrato da economic paraen-
se de hoje.

Estrat6gia
A Lider Taxi A6reo tem
prazo ate abril do pr6ximo ano
para entregar ao governor do
Estado um aviao bimotor, tipo
teco-teco, no valor de 6,3 mi-
lh6es de reais equivalente a
3,2 milh6es de d6lares). A
compra do aparelho foi efetu-
ada atrav6s de concorrencia
public international. O resu-
mo do contrato ja foi publica-
do no Diario Oficial.
O doutor Almir Gabriel
quer mesmo fazer o seu su-
cessor, mesmo que ele seja um
candidate eleitoralmente pesa-
do. Dai a necessidade do novo
aviao para percorrer o Estado
corn rapidez. E corn um con-
solo para o erario: e bem mais
barato do que o elefante bran-
co do Paulo Chaves Feman-
des no cais de Bel6m.