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Joral Pess as., L C I O F L V I O P\, l 1\r. ]- ^ _N (PAG.3 ANO XIII No 224 1' QUINZENA DE DEZEMBRO DE R$ 2,00 IP itica ibrada PODER C S '^A. 7J Muta oes do chefe 0 exercicio do poder num Estado como o Pard e um sedutor convite a tirania. E o que mostra a trajet6ria do medico Almir Gabriel, desde a prefeitura de Belem, na metade dos anos 80, ate o governor do Estado, jd no segundo mandate. Por isso, quando a vontade do chefe e contrariado, o conflito que se segue e umjogo de destruigdo que desfavorece os hdbitos politicos e aformagdo das mentalidades. S uase 15 S anos atras, Afonso Chermont ficou favo- ravelmen- te surpreendido cor o espirito democratic do entao recem-nomeado prefeito (os das capi- tais ainda nao eram elei- tos pelo povo, mas de- signados pelo governa- dor) Almir Gabrel. Ele conversava cor um grupo de feirantes con- centrados em frente a sede das entidades de classes dos economis- tas, na rua Ruy Barbo- sa, procurando con- vence-los sobre alguma media da administra- gqo municipal. Em janeiro deste ano, o mesmo Afonso soube de sua demissao da diregao-geral do Idesp (Instituto do De- senvolvimento Econ6mico e Social do Para) ao abrir o Diario Oficial e ver o ato de exo- neraqio, assinado pelo mesmo Almir Ga- briel, ja como governador do Estado. S6 en- tao Afonso foi informado de que estava fora do governor, ao qual fora incorporado dois anos e meio antes, e que o Idesp seria su- mariamente extinto. Dupla perda. Dupla decepiao. A tintura de tolerancia democratic, que ainda cobria como verniz a personalidade de Almir Gabriel na metade dos anos 80, foi raspada de vez ao long da escalada ao po- der. No topo dessa corrida, ele vem se com- portando, nos ultimos seis anos, nao como um administrator p6blico republican, mas como um soberano, um imperador. Raramente responded as critics dos ad- versarios politicos. Ignora o clamor popu- lar quando dissociado do coro dos conten- tes. Pouco fala cor a imprensa e, quando se submete a entrevistas, reage corn grosserias aos questionamentos dos raros jornalistas que ainda se atrevem ao contracanto. S6 ouve a pr6pria voz e a da corte dos escolhi- dos. Reage as contrariedades corn atos de cir6rgica represalia, como no caso do Idesp. Mesmo quando acuado ou incomodado, como diante das comiss6es parlamentares de inquerito solicitadas para apurar a apli- caqao da receita da privatizadao da Celpa e a construcao da Estagao das Docas, o que cede acaba se transformando numa armaqdo de marketing, nao numjogo verdadeiramen- te democratic. S6 aceita a critical chapa branca, cor script previo. I .3 -/ff Ji-fijuiN^'y [rjfji@J^f [hA \ duiffj4\ (4!j Of) 2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE DEZEMBRO/1999 SO pior e que o Pard esta se amoldando a face autoritaria do governador, agravando maus habitos politicos e ma attitude mental. Veja-se o caso das CPIs. E evidence que elas tem inspiracao political e podem ser usadas apenas como instruments de dispute pelo poder. Parlamentares silentes ou coniven- tes no moment em que estavam sendo pra- ticados os atos que hoje colocam sob sus- peicgo, defended a CPI porque lhes e mais convenient (ou porque a tessitura dojogo politico nao Ihes da outra opcao). E com- preensivel e mesmo defensive, portanto, que o governor tambem reaja maquiavelica- mente a esse ato de hostilidade. Mas ha regras estabelecidas para esse tipo de guerra, da mesma maneira como nos campos de batalha real os inimigos acatam determinadas normas (como a que permit a retirada de mortos e feridos). Quanto as CPIs, uma regra sempre respeitada, mesmo durante o regime military, e quanto a imedia- ta instalacao da comissao quando sua solici- taqao e feita atraves de requerimento com a adesao do nimero legal de parlamentares (no nosso caso, 9 dos 41 deputados estaduais). Pela primeira vez essa regra de ouro esta sendo enxovalhada, a pretexto de firulasju- ridicas meramente protelat6rias. Agressdo ainda mais grave porque perpetrada por ini- ciativa do pr6prio president do poder le- gislativo, um insensato cortar na pr6pria car- ne, capaz de atrair os abutres que perma- nentemente rondam o corpo da democracia representative, como se ela nio passasse de care putrida. A sessao especial armada as pressas para ferir a legitimidade da CPI da Celpa nao passa de uma pantomima. Em quase seis anos, foi essa a primeira iniciativa de tal porte adotada pelo governor Almir Gabriel. Se fosse uma rotina, mesmo que para inibir os deputados (como na segunda administra- qCo Jader Barbalho), talvez surtisse efeito, Mas ficou claro que o governor s6 quebrou sua lei p6trea do silencio porque a situaqgo criada tornou-se excepcionalmente inc6mo- da, incontornavel apenas pelo (ab)uso da propaganda. Qualquerpessoa sensataja sabia, porem, que a sessao especial dos seis secretarios es- peciais (um deles se ausentou) cor o legisla- tivo nao seria suficiente para desacreditar a CPI. Em part pela predis- posi go da oposigoo de no comparecer ao ato. Mas al tambem-e principalmente r&n - porque as caracteristicas de desse ato nao se prestavam no aos prop6sitos que, em Mecominas tese, visava tender. Iho do govern Um esclarecimento sa- do governor tisfat6rio sobre a aplicaqao zagio da Ce da verba da privatizaqgo da da BR-222, Celpa exige que documen- portes, verdi tos sejam apresentados e e nao ressar criteriosamente analisa- dos, com vagar e m6todo, replica e trepli- ca, enunciaqdo e checagem, antes de umju- izo sobre o que representam. Sem isso, o debate passa a ser uma esgrima de argu- mentos, sem a possibilidade de uma verifi- caqAo documental elucidativa. Como nem a oposigco conseguiu demonstrar ainda a le- sividade do procedimento do governor, nem a propaganda por ele largamente veiculada (como de habito) se prestou a contrapro- va, as duas parties deveriam aceitar a pre- missa de se enfrentarem numa circunscri- 9o0 investigative adequada, a de uma co- missao parlamentar de inqu6rito. Dizem os governistas que aceitar a CPI significaria submeter-se ao jogo do adver- sario, que pretend nesse foro desgastar o governor. E um risco, mas absolutamente de- mocritico. Ha a outra hip6tese: de a opo- sicao, por sua falta de fundamentaqCo, se desmoralizar. Foi o que aconteceu com a CPI da Companhia Vale do Rio Doce. O relat6rio de conclusao da CPI s6 nao e um tiro na agua porque e um tiro no pe do pi- fio atirador. Desnuda o despreparo da mai- oria, que fez a comissdo se movimentar, enfrentando dragoes e moinhos que inven- tou, nao a realidade. Se a cobranga da oposico pelos "450 milh6es da venda da Celpa" e primaria, esse primarismo result tanto do interes- se politico envolvido quanto da insufici- incia dos dados apresentados pelo gover- no para que a sociedade aprecie seus atos. Na propaganda de quatro paginas dejor- nal, o governor comeqa dizendo que esses R$ 450 milh6es sdo, na verdade, R$ 541 milh6es. Mas se ao valor pago pelo grupo Rede (os tais R$ 450 milh6es) for adicio- nada a venda de 37% das aq6es da Celpa a Eletrobras, realizada anteriormente, e os 10% alienados aos empregados (descon- tando-se o adiantamento do BNDES), mais os juros pagos, o valor passa para R$ 641 milhoes. Por esse mero exemplo, conclui- se que, por raz6es de culpa ou inocincia, ha muito ainda o que perquirir. Quem nao deve, nio teme, diz um des- ses fulminantes ditados populares. Mesmo que a coragem possa levar a um desgaste inicial, a convicqio da certeza 6 a garantia da vit6ria final, numa daquelas viradas que faz a gl6ria do vencedor ser definitive. Mas ento A talentosa Mecominas ganhou mais u cia e uma ordem de servico. Foi emitida no dia 1 6,5 milh6es de reais, para restaurar (em 180 dias trecho de 58 quil6metros entire Bujaru e Vila Co e aquela empresa mineira, freqiientemente asso nador, Marcelo, bafejada pelos bons ventos e p estadual de adiantar R$ 25 milh6es (do dinheiro Ipa, segundo a explicacgo official) para as obra: onde a operosa firma trabalhava. O Minist&rio adeiro responsivel pela obra, nao liberava o din ciu o Estado, depois, pelo generoso adiantamen nao tem sido esse o procedimento da admi- nistraqdo Almir Gabriel. Ou porque muitos dos seus atos se baseiam numa unica fonte, a sabedoria e genialidade do timoneiro (na solidao pr6pria dos tiranos), refrataria aos questionamentos externos, ou porque o seu norte de campanha 6 o fato consumado. Ain- da que esteja agindo errado, ao agir catego- ricamente imp6e a sua vontade e isso 6 o que mais Ihe interessa. Foi assim que decidiu acabar com o Idesp. Ao voltar da audi&ncia de comuni- cacqo dos fatos consumados (sua demis- sao e a extingao do 6rgAo que at& entao comandava), Afonso Chermont recebeu o aviso de que um financiamento em nego- ciaqao corn os ingleses (valor equivalent a 400 mil reais) fora aprovado. Nem res- pondeu ao oficio. Como explicar aos si- ditos de sua majestade que um institute com 33 anos de idade, um dos mais anti- gos 6rgdos de planejamento estadual do pais, que na vespera funcionava normal- mente (embora, como na maioria da sua hist6ria, sujeito a muitas criticss, desa- parecera de repente, como acontece quan- do se deleta algo da mem6ria de um com- putador, numa fraqgo de segundo? Quem se desgarrou do destiny que a se- guir o Idesp teria, foi poupado de cenas muito tristes. Como ver um caminhao co- mum chegar a sede do institute para buscar seus livros como se fosse transportar tijo- los ou sacos de batata. Como saber que uma biblioteca especializada foi (precariamente) abrigada numa biblioteca geral. Como saber que o material de consult dos pesquisado- res, guardado em gavetas, mesas ou estan- tes, foi alienado como material inservivel, virando papelAo, lixo ou coisa pior ainda. Como saber que de 1,5 milhao a dois mi- lhoes de reais ja foram gastos na reform das instalaqces para que nelas passed a fun- cionar as sete (numero cabalistico) metafi- sicas secretaries especiais, alem da audito- ria geral, dinheiro que daria para pagar os salaries do pessoal do Idesp por 8 a 10 me- ses. Como saber que 250 mil reais foram gastos no rudimentar estacionamento, im- plantado no belo terreno ao lado da sede do institute (com entrada e said para duas das principals avenidas da cidade). De um governante que foi se metamor- foseando a media que o seu poder se ampliou, ma concor- deve-se exigir que preste 0, no valor contas minuciosamente, ) a PA-140, pacientemente, ate de- missario. A monstrar sua razao, como ciada ao fi- fazia naqueles idos dos ela decisdo anos 80, quando seu poder Sda privati- ainda era pequeno. Ao me- s (federais) nos para que, ao fim de dos Trans- dois mandates sucessivos, heiro antes D. Almir Gabriel nao se to. sinta no direito de requerer a coroa de volta. 0 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE DEZEMBRO / 1999 3 Aumento de 6nibus: a contribuigao do PT Ha anos o reajuste das passagens de 6nibus em Belem obedece a um ritual: os empresarios pedem pelo alto, o conselho municipal de transport estabelece por bai- xo e o prefeito, que homologa o aumento, define a tarifa por um valor m6dio, fazen- do a populaqdo supor que o ponto de equi- librio entire o voraz appetite das empresas de transport coletivo e a demagogia po- pulista irrefletida dos governantes foi al- cancado, para o bem de todos e felicidade geral da (e do) capital. O enredo foi alterado na semana passa- da pelos roteiristas do PT atualmente no poder. Os donos de 6nibus continuaram a desempenhar seu papel: pediram que a tari- fa do 6nibus comum passasse de 60 centa- vos para R$ 0,76, ou 26% de aumento. O conselho de administracao da Ctbel (Com- panhia de Transporte do Municipio de Be- 16m) fixou o preqo em R$ 0,70, cor sete votos a favor, cinco pela manutencio do valor atual e apenas tr6s ao lado dos empre- sarios. Evidenciada a maioria precaria, opor- tunamente o Dieese, queja foi a matriz de toda estatistica e matematica no raciocinio petista, advogou um terceiro valor, de 67 centavos, estabelecido corn base em rigoro- so calculo do process inflacionario (assim, repondo o valor original desgastado pelo chamado custo de vida, ao inv&s de defasa- lo ou aumenta-lo). Surpresa: o prefeito Edmilson Rodrigues deixou de lado a solicitago formal do Diee- se. Uma semana depois, simplesmente refe- rendou a decisao do conselho, mais inclina- da para o lado dos ganhos dos empresarios do que para as perdas dos usuarios do trans- porte coletivo. Desde o inicio do Piano Real, emjulho de 1994, a inflagao acumulada 6 de 80%, enquanto a tarifa de 6nibus em Belem aumentou 170%. De R$ 0,26 ela chegou a R$ 0,50 no quatrienio Helio Gueiros. Corn tr6s anos de Edmilson, ja pulou para R$ 0,70. Ou seja: um aumento de 35%. A infla- qao foi de menos da metade, 15%. Se nao estivesse ocupando o cargo de prefeito, autor da decisao, certamente Ed- milson Rodrigues a rechacaria, a sua manei- ra, uma combinaAo de teatro e palanque. A autorizagao do aumento dos 6nibus, contu- do, deve ser criticada cor melhor fundamen- ta~go, a base da razdo e nao da emocgo, em- bora seja no bolso e na alma do cidadao co- mum que ela mais vai atingir. Em primeiro lugar, o prefeito nao 6 um simples gestor de numeros. Ainda que as planilhas de calculo atestassem que elevar a tarifa de R$ 0,60 para R$ 0,70 ou R$ 0,76 fosse um ato de puro realismo econ6mico, protegendo as empresas da deterioraqao de sua renda pelo crescimento exagerado dos seus custos, a maior autoridade public do municipio caberia buscar uma alternative para o mero reajuste bruto, que vai aboca- nhar 35% do salirio minimo de quem utiliza quatro 6nibus diarios (5% a mais do que vi- nha sendo comprometido corn o transpor- te). O impact e profundo numa cidade na qual de cada quatro pessoas em condic6es de trabalhar, apenas uma ter um emprego estavel ou regular e uma esta sujeita ao de- semprego aberto. As empresas devem R$ 16 milhbes a co- letividade, por conta de uma melhoria de servico paga e nao executada. A Ctbel ja demand contra os empresarios. E muito c6modo, entretanto, esperar pela arbitragem, que pode demorar. Esta ao alcance da pre- feitura pressionar para uma composicao des- ses valores como condicao para a homolo- gaq o do reajuste. Nada disso, nem pareci- do, foi tentado. Cor o agravante de que a administracqo municipal do PT foi ainda mais favoravel aos donos de 6nibus do que a de Helio Gueiros, coisa que as pessoas de boa-f julgavam impossivel acontecer. Se o Diesse disse que R$ 0,67 era o va- lor just, cabia a um prefeito petista sub- meter-se aos arguments da principal insti- tuiqgo de pesquisa do trabalhador brasileiro ou ent.o contradita-la. Ao seu estilo leni- nista (chama-lo de bonapartista seria inade- quado?), o alcaide ignorou a peticgo do Di- eese e acatou integralmente o parecer de sua subordinada funcional, contestado radical- mente por 40% do conselho do transport (e at6 por vereadores petistas, que, nao po- dendo antecipar a surpreendente decisao do prefeito, criticaram ardorosamente a deci- sao do conselho da Ctbel). Essa attitude autoritaria poderia ser en- carada como pecado venial se, antes de me- ramente apor seu jamegao, o prefeito tives- se buscado meios alternatives para minorar o impact sobre a economic do municipe, sobretudo daquele cidaddo de renda mais baixa que votou maciqamente no PT, vendo- o como um caminho para a melhoria do seu padro de vida (ou de sobrevida, que e o que esta sendo de fato). O prefeito podia contratar uma audito- ria externa para reexaminar as planilhas de custos e toda a metodologia de apuracAo de informaa6es para verificar se ha alguma ir- regularidade distorcendo ou viciando a for- maqAo de pregos, sobretudo em relaqgo ao peso que a ampliaqco da frota ter sobre a definigao da tarifa, um dos vdrios pontos negros dos calculos. O alcaide tamb6m podia enviar mensagem a Camara Municipal desvinculando a tarifa dos "fresquinhos" da dos 6nibus comuns, an- tes de promover o reajuste. Por forga desse injustificado atrelamento, mal estabelecido na origem da criaago dessa nova modalidade de transport coletivo, o reajuste para os 6ni- bus especiais foi de 40%, um ganho a mais para as empresas. Isto sem falar no ataque a todos os problems reclamados pelos usuari- os em relagAo a um serviqo que, se esta entire os mais baratos do pais, tambem pode ser enquadrado entire os de pior qualidade. Trata-se, porem, de um neg6cio que mo- vimenta, oficialmente, entire 25 e 30 milh6es de reais a cada mis, em dinheiro vivo na mai- oria dos casos. Surpreende, mas nao 6 incom- preensivel que o PT de Edmilson Rodrigues haja fracassado no compromisso de mudar as regras viciadas desse jogo milionario. Por con- ta do espanto, fica a inovacao do ritual dos aumentos. Qual a sua motivacao? 0 Belem talvez seja a ultima das capi- tais brasileiras que ainda se permit man- ter o costume de paginas de formandos na imprensa, como uma das etapas mais importantes do ritual de conclusoo de um curso superior. 0 habito 6 provinciano. Mas nenhum inconvenient al6m deste haveria se os universitarios, para conse- guir colocar suas fotos nos jornais, nao precisassem fazer arranjos ou adotar es- trategias queja evidenciam o inicio (ou a consumaqco) da renuncia a alguns princi- pios morais e 6ticos que deveriam adotar no exercicio professional. Este 6 o aspec- to nefasto da tradicgo. Os formandos de licenca plena em lin- gua portuguesa, por exemplo, fizeram uma homenagem especial a Laercio Barbalho e, ao mesmo tempo, adotaram Ronaldo Mai- orana como patrono a fim de conquistar sua pagina nosjornais que os dois diri- gem. Para evitar o conflito que tal iniciati- va provocaria se assumida abertamente, da pAgina publicada no Didrio do Para foi suprimido o nome (e a foto, naturalmente) de Ronaldo Maiorana. JA da publicacqo em O Liberal o descartado foi o pai do sena- dor Jader Barbalho. Nao era melhor perder essa tradicgo e ainda manter por mais tempo os princi- pios cultivados nos bancos da escola? Fica a sugestao para os que, no curso das prdximas formaturas, se preocuparem mais corn a essencia do ritual do que corn o seu formalismo aparatoso e nocivo. 4 JOURNAL PESSOAL a QUINZENA DE DEZEMBRO/ 1999 Acordo Funtelpa/Liberal: justiga comega a decidir A primeira audiancia de instrucao da acao popular proposta pelo deputado federal (PFL) Vic Pires Franco para anular um con- venio entire a Fundagao de Telecomunicag6es do Pard e a TV Liberal, no valor de 12 mi- Ihoes de reais, devera ser realizada no pr6xi- mo dia 16, dois anos depois de ter sido ajui- zada. A morosidade na tramitadao da acgo no forum de Belem, embora tenha relaggo direta cor as diligencias requeridas pelo pr6prio autor, na verdade podem ser explicadas pela explosividade do seu objeto. Se acolhida, a agao, protocolada em dezem- bro de 1997, implicaria na cobranca da res- ponsabilidade dos administradores publicos que toraram possivel a relacao e a devolucqo do dinheiro do erario, comprometido desde outubro daquele mesmo ano, pelo period de seis anos, a razao de 200 mil reais por mes, pagos pela Funtelpa a TV Liberal -ate o final do segundo governor Almir Gabriel, portanto. Talvez se a causa nao envolvesse tantos seg- mentos do poder, o cumprimento dos pedidos do autor popular e dos reus teria sido possivel ou nao demandaria tanto tempo. Os incidents e procrastinaqoes obriga- ram ojuiz da 21" vara civel, R6mulo Ferreira Nunes, a remarcar duas vezes, desde agosto, a data do interrogat6rio inaugural do proces- so. Ojuiz indeferiu o pedido de liminar do deputado e rejeitou o agravo por ele inter- posto contra tal decisao. Optou por ouvir as parties antes de decidir sobre uma questao que considerou complex. A principal causa do retardamento e das evidentes lacunas probat6rias dos autos e da Embratel. A ex-estatal simplesmente se recusou a apresentar um perito aojuiz do feito, embora o ponto central da questao seja um service prestado pela propria empresa. A TV Liberal se credenciou a assinar um convenio corn a Funtelpa porque dispunha de um dos transponder no satelite Brasilsat da Embratel, ao qual a pr6pria fundacgo es- tadual nao poderia ter acesso, nem qualquer outra empresa. Assim, a TV Liberal levaria sua imagem atraves do satellite para todos os municipios paraenses, usando as estaqces de retransmissdo em terra da Funtelpa (a epoca, em 77 municipios). Ao ser solicitada a apresentar um perito para responder aos quesitos formulados pelo autor e os reus, a Embratel disse nao ter em Bel6m "tecnico cor conhecimento amplo do objeto da pericia". Alem disso, deixava de aten- der o pedido judicial por causa "do volume dos nossos serviqos" e devido a sua "reestru- turagco". Se sdo verdadeiras, as alegagces da empresa mostram a que ponto ela se contraiu desde a privatizag~o na principal cidade da Amaz6nia. Parece que o que restou da Embra- tel em Belem serve apenas para tender a ca- sos simples-e faturar, naturalmente. Estru- tura incomparavelmente menor e menos quali- ficada do que ao tempo da empresa estatal. Ja o perito judicial, Paulo Roberto dos San- tos, indicado pela Anatel (Agencia Nacional de Telecomunicaq6es), deixou de responder no seu laudo aos principals quesitos do contenci- oso porque s6 a Embratel teria condicoes de fornecer as informaqres requeridas. Ou seja: a fonte das informaa6es capazes de definir o li- tigio ficou bloqueada porque a Embratel en- controu pretextos para nao tender a indica- cAo do juiz, dando causa a que o perito se es- quivasse de incursionar por terreno movedico. Algo equiparavel aconteceu quando o Tri- bunal de Contas do Estado instruia represen- taq~o formulada contra o convenio pelo De- partamento de Controle Externo da pr6pria instituicao. A apuradao internal dos fatos re- sultou da iniciativa do analista Amarildo da Silva Gama. Examinando o convenio em no- vembro de 1997, concluiu tratar-se de "ato ilegitimo e antiecon6mico, atentando contra o principio da moralidade administrative". Amarildo nao modificou esse entendimen- to mesmo ap6s ser contraditado pela direcao da Funtelpa, Por isso, pediu ao TCE que de- clarasse a nulidade do ato (por ele considerado como um verdadeiro contrato e nao convenio), "em virtude de sua celebracao haver contraria- do os principios da legalidade, legitimidade e moralidade administrativos, alem de ser um ato antieconomico para o erario estadual". A tramitadao do process foi estancada a partir do moment em que a subprocuradora do Ministerio Publico, Iracema Braga, argu- mentou que a questao ficarajud-judice em conseqtincia da propositura da aq~o popu- lar pelo deputado Vic Pires Franco. O tribu- nal decidiu s6 voltar a apreciar o assunto ap6s o transito emjulgado da decisao judicial, so- brestando o andamento do process. Enquanto isso, o "convenio" vai gerando seus efeitos. A TV Liberal ja recebeu mais de cinco milhbes de reais da Funtelpa, um dinhei- ro que tanto faz falta ao custeio da administra- cqo estadual, como serb danoso se ocorrer o que prev6 o seu ex-presidente, Fernando Cezar Nunes da Silva, um dos signatarios do conve- nio. Ao se manifestar na acao popular, ele ar- gumentou que, ate maio do pr6ximo ano, o in- s6lito convenio perdera sua validade. E que, para adaptar-se ao decreto 2.593, assinado pelo president da Republica em maio do ano pas- sado, a Funtelpa teria que fazer suas emisso- ras do interior passarem a transmitir obrigato- riamente a programaqco gerada pela TV Cultu- ra-e nao mais pela TV Liberal. O entendimento 6 controversy. O citado decreto realmente fez a exigencia, mas tam- bem permitiu que os serviqos das redes pu- blicas de television possam ser executados por algumas pessoas juridicas, entire as quais so- ciedades civis, fundac6es e "sociedades naci- onais por af6es ou por cotas de responsabili- dade limitada". Exceqao que pode funcionar como uma especie de "ladrao", atrav6s do qual uma modificaqIo juridica pode vir a permitir o aditamento do "conv6nio", ao inv6s do seu desfazimento, como Francisco Cezar preve. Mas se o entendimento do ex-presidente da Funtelpa 6 correto, nao teria havido um aqo- damento da fundacgo? Retrospecivamente, a resposta 6 positive. Nos autos da a9go popu- lar ha um oficio da TV RBA declarando que a prestaqao de id6ntico serviqo seria possivel, no prazo maximo de dois meses ap6s a solici- ta go, cor um investimento inicial de R$ 250 mil e R$ 37 mil por mrs para a manutenqao do servico. Esses, alias, sAo os pregos que a pr6- pria Embratel declarou nos mesmos autos, dois anos atras. E nem seria precise ocupar todo um transponder de satelite, mas apenas uma banda de 6 Mhz (justamente o utilizado pela TV Liberal para tender o "convenio"). O analista de control externo do TCE, fa- zendo calculos cor base no proprio convenio, mostrou que a Funtelpa gastaria R$ 4,2 mi- lh6es ao long dos seis anos se assumisse o servigo, economizando assim R$ 7,8 milh6es (sem contar a corregao pelo IGP na prestagao mensal) e ainda se equipando melhor, o que precisara fazer de qualquer maneira, depois da sangria. Estabelecendo a leonina relaqao cor a TV Liberal, em favor dos Maiorana, seu pre- juizo e ainda maior do que esse valor express. So em 23 de abril deste ano o Ministerio das Comunicacoes autorizou a Funtelpa a transferir para a TV Liberal a geraqfo de seus programs em nada menos do que 50 munici- pios do Estado (como Conceigao do Araguaia, Monte Alegre e Abaetetuba). Assim, embora a fundacao estadual estivesse pagando para a TV Liberal transmitir sua programaqao co- mercial (nada harmonizada cor a finalidade de uma televisao educativa ou de cultural , nao estava havendo a contraprestaqgo do ser- vioe (se 6 que ja passou a haver). Alem dessa irregularidade, ha um outro problema. Em defesa do convenio alegou-se que ele permitiria transmitir o sinal de pro- gramacqo de TV (atrds da Liberal, o que con- ta 6 a Globo, cor seu "padrao global") para onde a TV Cultura nao podia alcancar. No entanto, a portaria do Ministerio dos Trans- portes autorizou a troca de programaqgo em Castanhal, justamente onde a TV Cultura ja atuava como geradora, transmitindo imagens JOURNAL PESSOAL *l QUINZENA DE DEZEMBRO /1999 5 da Fundaqao Padre Anchieta, de Sao Paulo. Se antes o tal convenioja era "ilegitimo e antiecon6mico", como o definiu o analista do Tribunal de Contas, agora tornou-se rui- noso para o Estado, acarretando uma san- gria diaria equivalent ao salario mensal de todos os 207 funcionarios do Idesp. Para economizar essa despesa, o governor extin- guiu sumariamente o institute de pesquisa. Qual justificativa pode resistir, depois dos questionamentos ja feitos (nestejornal, sem uma unica resposta official, desde o n 173, da 2" quinzena de outubro de 1997), para fazer a transferencia de dinheiro p(iblico para os cofres da TV Liberal senAo os interesses po- liticos e as conveni&ncias do governador? Dar as respostas e a tarefa que cabe agora a justiga, a partir da audiencia do pr6ximo dia 16. Desenvolvimento Ha virios anos defend uma nova me- todologia de planejamento para desenvolver de fato a Amaz6nia: um planejamento por vales, executado atraves de agencies de desenvolvi- mento especificas. A ideia se inspira no TVA, a ag6ncia de desenvolvimento que Roosevelt criou para o vale do Tenessee, nos Estados Uni- dos (tambem matriz da SPVEA, antecessora da desgastada Sudam), mas se adapta a nossa era de informagqes mais abundantes e maior preo- cupagAo corn o meio ambiente. A primeira dessas ag6ncias deveria ser a do Araguaia-Tocantins, cor quatro tarefas bem definidas: fazer a hidrovia chegar ao por- to de Belem, superando o desnivel da barra- gem de Tucurui; implantar um nicleo sidero- metalurgico de ponta na area de influencia da provincia de Carajas, evitando que ela se limi- te a exportar min6rio em bruto; redefinir a ge- raqAo e o uso da energia na regiao, para impe- dir que nos cristalizemos sob uma velha ma- triz colonial; e estabelecer m6dulos rurais ade- quados a aptidao dos solos. Embora nio tendo podido ir a reuniAo convocada na semana passada pela Federa- q o das Industrias em torno de Carlos Schad, director de planejamento da mais important agencia de desenvolvimento desse tipo no pais, a do Tiet&-Parana, de Sao Paulo, fiquei feliz cor a iniciativa. Lembro-me de um de- bate de alguns anos atras em Conceigao do Araguaia, quando propus algo parecido e o audit6rio incorporou com entusiasmo a id&ia. Mas o entusiasmo parece que durou pou- co, embora permaneqa viva a necessidade de uma instituiqc;o verdadeiramente da sociedade civil, cor poder de iniciativa independent do governor (embora considerando-o e procuran- do atrai-lo). Espero que o entusiasmo retome agora e permit aos aderentes do projeto co- merar a executa-lo para valer, ao inv6s de per- manecer na inutil posiqao de um Godot dos tropicos, ou de um Pedro Pedreiro buarquea- no, a espera do trem da hist6ria, da melhor opor- tunidade ou da conjunq~o dos astros. 0 A miseria avanga na Amazonia occidental Em 1990 as pessoas que integravam fa- milias cor renda mensal abaixo de 40 reais representavam 9,04% da populaqCo do Amazonas. Sete anos depois, os indigen- tes pularam para quase o dobro, 17,07% da populaqao amazonense, mais de 450 mil pessoas despejadas na bacia das almas da miseria, segundo dados apurados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econ6mica Aplica- da), do governor federal. E um numero espantoso. Manaus im- pressiona pela combinagAo de modernida- de e comodidade, limpeza e funcionalida- de, com a concentragAo de mais da metade da populaqco do Estado e nunca menos do que dois terqos do seu PIB (Produto In- terno Bruto). No interior, a miseria coa- lhada em torno dos primeiros "grandes projetos", um component ja cor decadas de existencia na parte oriental da Amaz6- nia, que se conecta a marginalidade falsa- mente urbanizada na capital. Algo pareci- do cor o Ceara, com sua vitrine litoranea. O problema e que o hinterland amazonen- se, tao rico, deveria servir de aval ao seu future. A capital, bruxuleante, ofusca corn seu brilho o que esta acontecendo nas en- tranhas do Estado. Nao chega a ser surpreendente que o maior traficante de drogas do pais, corn patrimonio pessoal estimado pela Policia Federal em um bilhAo de reais, tivesse seu domicilio em Manaus, ate ser transferido compulsoriamente para penitenciarias de Brasilia e de Sao Paulo, onde esta preso, mas nao imobilizado. E que atenda pelo bem sugestivo apelido de Curica. Ant6nio da Mota Graqa foi capa da ediq o 129 des- te journal, da 2" quinzena de outubro de 1995. Tornou-se materia de pagina inteira da Folha de S. Paulo quatro anos depois. Quem se diz surpreso e porque nao acom- panha a hist6ria de olhos abertos, tanto nos moments em que emerge como uma tragedia, quanto na continuidade submer- sa dos fatos aparentemente rotineiros. O Amazonas e um poderoso desafio para todo o pais. Tanta miseria ao lado de um decor para atrair turistas, na tran- siqio entire uma fase de muletas (a Zona Franca) e outra de caminhar cor os pr6- prios pes (o gas), costuma exigir um sen- so de equilibrio e uma capacidade de de- cisao invejaveis. Assim como o poder de se antecipar a incrustaqAo dos males, pre- venindo-os. Do que, alias, da exemplos Roraima. Ao mesmo tempo em que 6 o Estado amaz6nico no qual mais o empre- go cresceu, por conta da expansao da fron- teira, foi tambem aquele corn a maior taxa de incremento da indigencia, que abran- gia 0,71% da populagio em 1990 e pas- sou para 6,22% em 1997. Nos moldes atuais, expandir a fronteira significa atrair e multiplicar a pobreza. A Amaz6nia merece trajet6ria melhor. 0- Em 1996 o governor do Estado assi- nou convenio cor a Casa Andreia para uma atividade mertir6ria: dar auxilio financeiro em favor de hansenianos assistidos pela en- tidade, que 6 sem fins lucrativos. O com- promisso envolvia a aplicadao de 1,3 mi- lhao de reais no curso de 12 meses. Nos anos seguintes o prazo de vigencia do convenio foi prorrogado, assim como seu valor, atra- ves de sucessivos aditamentos. Dobrou em 1997 para R$ 2,1 milh6es. Subiu ainda mais em 1998: R$ 2,7 milhoes. E chegou a R$ 3,8 milhoes no ano passado. Sem falar nos acres- cimos especificos (cor uma unica redugio, em fevereiro). O iltimo, no mes passado, de R$ 872 mil. Como se trata de causa nobre, mas de quantia expressive, sempre que houvesse acrescimo de valor, a Secretaria da Fazenda, responsavel por essa despesa, deveria es- pecificar a natureza do serving que onerou o erario, procedimento exigivel de todos os terms aditivos que acarretam novos encar- gos financeiros ao poder public. Embora nao seja necessariamente o caso, ha tanta pilantropia sancionada no pais, que nao se- ria excessive pedir para essa exigencia legal ser cumprida, separando ojoio do trigo. - Manter a ilumina~Ao, o control do som e as instalagbes do Museu de Arte Sa- cra, que custava ao governor 4,3 mil reais por mrs ate outubroj esta em R$ 5,4 mil, cor a prrogagdo do contrato por mais seis meses. A prorrogagAo (por mais tris meses) foi me- nor em relaq~o ao serviqo de jardinagem, que continue a custar R$ 721 mensais. Tudo ter- ceirizado e tudo feito corn inexigibilidade de licita~go, conforme a lei faculta. * Interesse public 6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE DEZEMBRO/ 1999 Carta I S I I -, Public abaixo circunstanciada carta do juiz Carlos Zalouth Filho, a prop6sito de nota destejornal. Concordo corn muita coisa do que ele diz. Discordo de algumas outras. Sustento, em sintese, o que aqui ja foi dito. Embora reconhecendo como legitimas e fundamentadas as queixas e reivindicacqes da magistratura, particularmente dos juizes trabalhistas, acho que a correcqo de injustiqas e irregularidades nao se pode fazer estendendo-as. Os juizes nao estao entire os servidores piblicos mais prejudicados pelos atos de imperio do chefe do executive federal. Nem me parece oportuno o moment, nem adequado o meio de fazerem impor seus direitos e aspiraq6es, atraves de decis6es assemelhadas as do principle, que deram causa as distorc6es que se pretend corrigir. Diante da extensAo da carta, prefiro dar guarida a manifestacqo do juiz. Na integra, cor a supressao de urn anexo que nao prejudice seus arguments: S enhor Jornalista L6cio Fl vio Pinto, No prestigioso Jornal Pessoal mantido por Vossa Senhoria, foi men- cionado na edicgo da la quinzena de novembro/99, pag. 8, que os servi- dores pOblicos sofrem ha cinco anos a corrosao dos seus vencimentos, ex- ceto o mandarinato, bem como que o Tribunal Regional do Trabalho da 8a Regiao, decidiu aumentar seus sa- 16rios em causa pr6pria em 193%, estando o reajuste suspense por for- ga de decisao de instAncia superior, transformando-se em emprestimo, sem juros ou correcao, a ser devolvi- do a perder de vista, como se obser- var da notas intituladas "MIOPIA" e "EXEMPLO". O TRT da 8a Regiao s6 decidiu a materia ap6s o pronunciamento de 12 Tribunals do Trabalho, revelando a consolidagAo da materia. Vossa Senhoria question a mo- ral do magistrados trabalhistas, bern como imputa aos mesmos falta de pudor, afora mencionar que os atos praticados podem ser enquadrados em crime de prevaricacao. A fim de report a verdade, soli- cito que seja informado aos seus leitores, dados divulgados pela As- sociagio dos Magistrados Brasilei- ros, entidade que represent mais de 14.000 magistrados, uma vez que mais de 120 categories de servido- res federal j6 obtiveram reajustes de seus vencimentos. 0 juiz ter que buscar a maior iseng o possivel e julgar corn inde- pendencia e soberania, servindo ape- nas a sua consci&ncia, b lei e, sobre- tudo, aos injustigados da sociedade. O juiz ter que integrar ao seu raci- ocinio juridico os mais variados con- ceitos do conhecimento human, como filosofia, psicologia, comuni- cag5o social, economic e financas, sociologia e sobretudo, etica como centro da t6bua constitutional. E mais, nunca na hist6ria da Repibli- ca, a magistratura trabalhou tanto quanto depois da Constituiao de 88, quando ineditas 2.090 ages diretas de inconstitucionalidade foram pro- postas e mais de 2.500 juizados es- peciais foram criados. E o Brasil per- manece cor um dos menores indi- ces de juiz por habitante do mundo: 1 para cada 23 mil. Apesar disto, os Juizes do Tra- balho do ParS e Amap,, se desta- cam no cendrio national corn deci- soes pioneiras, como reintegrar fun- cionArios portadores de AIDS, dei- xar a imprensa livre, ao vedar qual- quer demissio de jornalistas que nao possuem curso superior, muitos de- les que hoje atacam maliciosamente os Magistrados, mas a democracia importa em tais 6nus, pois o bern maior da sociedade deve ser resguar- dado, mesmo para os maus profissi- onais, que por certo terio suas ages julgadas pela sociedade, que depu- rar6 tais conceitos. Cumpre informar que nenhuma devolugo foi determine quanto ao recAlculo dos vencimentos e se as- sim for, sera feita nos terms do art. 46 da Lei 8.112/90. A materia 6 correta e just, tan- to que a 9a Vara Federal de Brasilia deferiu nosso pleito, mandando reti- ficar de imediato os vencimentos dos Juizes, send que de igual forma a Justiga Federal do Maranhgo, Sao Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Piaui, Alagoas, Distrito Federal, Parana, Rio Grande do Sul, dentre outras. Assim, o juiz tern de ser integral e exclusivamente dedicado 6 Magis- tratura. 0 juiz nao pode exercer o comercio. Ojuiz nao pode participar de nenhuma sociedade empresarial. 0 juiz nao pode se manifestar sobre process pendente de julgamento. 0 juiz n2o pode se filiar a partido poli- tico e nio pode concorrer a cargo eletivo. 0 juiz nao pode exercer qual- quer cargo de direcao ou tecnico em nenhuma sociedade civil, associagio ou fundacgo, salvo sem remunera- gco. Se o juiz nao pode quase tudo, camadas privilegiadas e marajas do service p6blico quase tudo podem. Como sobreviver e aperfeigoar- se dignamente, individual e profissi- onalmente, se ao juiz 6 negada a atualizagao salarial ha cinco anos, sob o falso argument de que deve permanecer em vigor um congelamen- to de vencimentos de "todos" os ser- vidores piblicos, congelamento esse que, no entanto, abriu "Excecao" para 120 categories funcionais como fis- cais, peritos, delegados, analistas e outros que interessam aos Poderes Executive e Legislativo, mascarando reajustes de vencimentos sob a for- ma de gratificagBes, premios, aju- das de custos e outros beneficios. [Segue-se um extenso quadro comparative de remuneragtes do service pdblico, excluindo as vanta- gens pessoais. 0 quadro mostra que enquanto ur delegado da Policia Federal ganha R$ 8,9 mil de saldrio bruto mensal, o que cabe a urn mi- nistro do Supremo Tribunal Federal e R$ 8 mil. Ur analista do Banco Central ou urn assistente social do Ministerio do Trabalho recebem R$ 7,4 mile urn ministry dos tribunals superiores, R$ 7,2 mil. A remune- raajo de ur juiz do TRT 6 de R$ 6,5 mil, contra R$ 7,4 mil pagos a urn mdico ou fiscal do trabalho. In- felizmente, por problema de espa- ;o, njo posso reproduzir integral- mente os dois quadros, que espe- Iham ur alto grau de irracionalida- de no serving pdblico] Como se pode facilmente perce- ber, NAO CORRESPONDE A RE- ALIDADE a afirmativa de que os servidores pOblicos federais do Poder Executivo estio sem re- ceber reajuste nosvencimentos no period de quatro anos e meio. Os integrantes das diversas carreiras estruturadas tiveram a sua remuneraCgo elevada, atraves da cri- agao de diversas gratificagbes, em regra atraves de medidas provis6rias e em elevados percentuais. Alem desses fatos, diferentemen- te de outras categories de Magistra- dos, de Procuradores do Trabalho, da Rep0blica e de servidores p~bli- cos federais, os Juizes do Trabalho nao disp6em de veiculos para o seu transport, mesmo que em carter official; nao recebem auxilio de qual- quer especie, como: alimentacao, moradia, transport, vestuArio; nao gozam de licenga-premio, enfim nao percebem qualquer outra remunera- gio direta ou indireta, fora seus ven- cimentos, sendo que'os Juizes cus- teiam por complete sua refeig6es, in- clusive compram do pr6prio bolso agua e cafe. E inconcebivel que um Juiz ao ini- ciar sua carreira perca pouco mais de R$-3.000,00 por mes, o que ma- cula o exercicio da fungao. A political implementada pelo Po- der Executivo gerou as seguintes con- sequincias: existencia de servidores cor remuneracao equivalent ao cargo efetivo superior a de Mi- nistro do Supremo Tribunal Fe- deral, mesmo sem computer as vantagens de natureza pessoal (que ainda mais a elevam), como os De- legados da Policia Federal e Perito Criminal Federal, que percebem a "Gratificag;o por Operagoes Espe- ciais GOE"; diversos servidores com re- munera55o superior a de Minis- tros dos tribunais superiores, juizes de Tribunais Regionais do Trabalho e presidents de Jun- tas de Conciliacao e Julgamen- to, como Analista do Banco Central do Brasil, Assistente Social do Mi- nisterio do Trabalho, Auditor Fiscal da Previdencia Social, Auditor Fiscal da Receita Federal, Engenheiro do Ministirio do Trabalho, Fiscal do Tra- balho e Medico do Trabalho; juizes do trabalho substi- tutos percebendo remuneracao inferior a de diversos servido- res de nivel superior, a exemplo de Cargos de Dirego Instituiges Federal de Ensino, Procurador da Fazenda Nacional e Diplomata; juizes do trabalho substi- tutos com remuneracio inferior a de servidores ocupantes de car- go de nivel intermedibrio, como Agente de Policia Federal, Escrivao de Policia Federal e Papiloscopista. No Rio Grande do Sul, o presi- dente da Associagao dos Juizes (Aju- ris), desembargador Ant6nio Tanger Jardim, criticou o president do Se- nado, Ant6nio Carlos Magalhaes (PFL-BA), que, "como autoproclama- do deus da moralidade piblica e arau- to da moralidade, abriu concurso ago- ra para guard de seguranga do Se- nado, pagando R$ 6 mil de salirio", enquanto juizes de inicio de carrei- ra, com mais responsabilidade, rece- bem R$ 3,0 mil. Assim sendo, esperando ter a verdade sido resposta, aguardo a re- tificagao da informagao prestada an- teriormente em seu journal, colocan- do-me a sua disposigao para qual- quer outro esclarecimento. Com os melhores cumprimentos. Carlos Zahlouth J3nior, Juiz do Trabalho do TRT da 8a Regiao, Dire- tor da Amatra VIII, Mestre em Pro- cesso Civil Universidade de Coim- bra/Portugal,Prof. dos Cursos de Graduagao e P6s Graduagio em Di- reito da UFPa, Prof. da Escola de Magistratura Trabalhista Contatos pelos fones: 230-3017 e 981-8881. E-mail: zahlouth@supridad.com.br * JOURNAL PESSOAL l a QUINZENA DE DEZEMBRO/ 1999 7 Os arranjos surpreendentes numa political sem vertebra .: xatamente igual como se comportou durante o debate entire os candidates S ao senado na iltima campanha eleito- . ral, Helio Gueiros retornou na semana passada a um estudio de televisao (no program Argumento, da RBA) para se anunciar novamente como provavel candidate a prefeitura de Bel6m, cargo que ocupou entire 1992 e 1996, quando foi sucedido por Edmilson Rodrigues, do PT. A mesma linguagem, os mesmos argumen- tos, os mesmos cacoetes, tudo como se sua pos- tura debochada e displicente nao tivesse sido um dos principals components da fragorosa derrota que sofreu, num distanciado terceiro lugar entire quatro pretendentes a unica vaga do senado colo- cada em dispute no ano passado. Cor uma dife- renqa: o raciocinio de Helio Gueiros nao tem mais a agilidade do passado. Aos 72 anos, ele tropeqa nas palavras, se confunde, nao complete a frase, demora a reagir as inquiriqdes, como se estivesse naquele estado em que o povo diz que ele fica rotineiramente. Suas gagues devem ter divertido os telespec- tadores. Mas Helio Mota Gueiros nao ter por pro- fissao ser palhaqo de circo, nem e um popular hu- morista de televisao. Depois de ter sido deputado estadual e federal, senador, govemador do Estado e prefeito de Belem, ele quer voltar a comandar o municipio da capital. Certamente para evitar o desfecho de sua carreira political e, se for o caso, tentar novo assalto ao cargo que e tambem o mais cobicado butim: o governor estadual, em 2002. Na republica p6s-64, s6 Alacid Nunes e Jader Barba- Iho conseguiram esse bis. Helio parece ter plena consciencia de que s6 cor sua forqa nada conseguira. Ele, que sempre contou cor uma catapulta para lanqa-lo na dire~go de postos situados bem alem da sua linha de tiro, esta a cata de um parceiro forte. Ninguem poderia imaginar que entire suas cogitac6es ainda pudesse estar o governador Almir Gabriel, alvo de suas mais incisivas agress6es nos ultimos tempos. Mas justiia se faqa ao notavel amoralismo do ex-prefei- to: foi o pr6prio Almir quem entreabriu a fresta do entendimento, ao proper, depois de audiencia corn o senador Antonio Carlos Magalhaes, em Brasilia, (ver Jornal Pessoal 223), a retomada da coligaqAo que o tornou governador pela primeira vez, em 1994. Helio Gueiros s6 trouxe a fanfarra para ale- grar o ambiente. Como Almir p6de cogitar de voltar a aliar-se ao home que esteve por tras de algumas das mais traicoeiras cascas de banana atiradas em seu cami- nho durante o primeiro mandate, disfarcadas de estrepolias do vice-goverador, Helio Gueiros Jui- nior, o breve? Nao havendo ideias a distancia-los, interesses comuns os reaproximariam. O maior de todos: dar um xeque-mate no senador Jader Barba- Iho, do PMDB, o mais recent aliado de Helio (os aliados do moment tem, na political paraense, o tamanho ideal para se tomarem a future traicgo). Nao que isso va necessariamente acontecer. Para os nebfitos em materia de metodologia para- ense de poder, deve-se advertir que, na temporada preparatoria atual, todos os tiroteios sao travados cor bala de festim, O moment e de reembaralhar as cartas. Um is de ouro pode acabar ao lado de um quatro de copas e um valete de paus irmanado a um seis de espadas. Helio Gueiros e um mestre nesse metier. Ele ironizou o quanto pbde o governador, mas nao a ponto de inviabilizar a tacita reaproximaqao. Claro que Almir Gabriel nao ira entrar no PFL, mas poderajuntar novamente seu PSDB ao parti- do dos pefelistas se Gueiros demonstrar que e um nome suficientemente forte para compensar o risco de apoia-lo (e escapar ao destino de ser massacra- do na capital no pr6ximo ano). Delirio? Nao propriamente. Quem poderia pen- sar que o deputado federal Vic Pires Franco, exe- crado nome do index recent dos Maiorana, volta- ria as paginas de O Liberal, na edigao de aniversa- rio do ultimo dia 15? La esta Vic, associado "a todos os paraenses nestajusta homenagem ao grande journal do nosso Estado". Esta la de volta, como se fora um filho prodi- go, mas talvez nao esteja mais tao present na acao popular que ajuizou no f6rum de Belem para colocar abaixo um leonino contrato entire a TV Liberal e a Fundacio de Telecomunicaq es do Es- tado, a Funtelpa, que transferira para o cofre da familiar, ao long de cinco anos, 12 milhOes de reais de dinheiro public (ver matCria nesta edi- cgo). Milionaria pratica da administraqgo ptiblica para cuja entronizaqco definitive muito contribuiu o H6lio Gueiros governador e o Helio Gueiros pre- feito, mas que o Helio Gueiros simplesmente ex diz que foi comedida, em contrast corn a political desbragada de promorAo dos atuais govemantes do Estado e da capital. NAo so em publicidade, alias, mas atraves de uma desbragada acao entire amigos. Delta Publici- dade, responsavel pelojornal 0 Liberal, p6de quitar por 16 milhoes de cruzeiros (valor da epo- ca) a divida de Cr$ 73 milhoes referente ao IPTU de 1992 da avenida Nazare 368, sede da TV Libe- ral, cor desconto de quase 80% (o limited legal era de 50% para composiqbes amigaveis). Pelo predio da Gaspar Viana 254, onde estava ojornal, a divi- da do IPTU foi reduzida de CR$ 15,8 milhoes para Cr$ 3,5 milhbes no mesmo ano. Romulo Maiora- na Jr. so pagou R$ 703 mil dos Cr$ 3 milhoes do IPTU de 1992 que devia por seu apartamento 1301 no edificio Leonor Fernando, na Pariquis. O beneficio foi o mesmo para varios outros im6veis da familiar, todos cor uma reduqgo extra de 50%, acumulada sobre um abatimento legal de 50%, autorizada pessoalmente pelo entao prefeito Helio Gueiros, que agora escreve contra a apropri- a~ao de dinheiro ptblico (da Sudam) pelo mesmo Rominho Maiorana que beneficiou indevidamente quando quem ordenava as atividades do erario mu- nicipal era ele, o contrito recitador biblico para consume externo. 0 tal do "politico que ama Be- 16m" dos outdoor de propaganda enganosa espalha- dos pela cidade, antecipando seu projeto eleitoral. Dando uma hora de sua televisao e uma pagina de seujomal a um aliado tAo temerario, Jader Bar- balho esta preparando a corda que o vai enforcar? Nao seria a primeira vez, e claro. Mas talvez o senador do PMDB nao tenha outra alternative se- nAo dar corda mesmo, em sentido figurado ou lite- ral, antes de tomar uma decisAo que, se errada, pode interromper sua carreira political, em ascen- sao mesmo cor a derrota do ano passado, e, se der certo, pode abrir-lhe reduto oposicionista para ca- taliza~go political. Todos estao conscientes de que, sem a maqui- na official, 6 muito dificil sustentar projetos majo- ritarios, principalmente quando a linguagem opo- sicionista soa falsa, deslocada, como uma dubla- gem dessincronizada da fala original (a maneira da parodia do program humoristico de televisao Casseta & Planeta). Seri que a linguagem de ge- ral de campo de futebol de Helio Gueiros, corn um perceptivel component etilico, ainda e capaz de convencer pessoas e desviar eleitores do trilho do fisiologismo e compadrio que serve de passage para a locomotive official de verbas e favors? Nao e provavel. Apesar de toda a sua fanfar- ronice, Helio Gueiros foi obrigado a admitir que o prefeito Edmilson Rodrigues ainda e o candi- dato mais forte, em razAo do "posto" que ocupa. Como derrubi-lo? Talvez se o pr6prio Gueiros conseguirjuntar ao seu lado o governador e o grupo Liberal. Como juntA-los se ha tantos espi- nhos a torturar as relaq6es entretodos os perso- nagens, tornando dolorosas as lembranqas? Ora (devem pensar): basta nao ter mem6ria para que nao haja lembrancas. Como parte-se do pressu- posto de que a mem6ria do povo e curta, pode-se tentar mais uma vez, ousando ao maximo, como e audaciosa a reconciliaqao Maiorana-Vic Pires Franco, que pode acabar fazendo pender para o lado do deputado a balanca da indicaqao para a prefeitura. Os brancos apostam alto, quando apos- tam entire si. No jogam para perder. 0 O coro Gostaria de contar com a participacgo do leitor na ultima edigAo da decada e do seculo. Infelizmente, escreve-se pouco para journal em Belem. 0 JP nao e excecgo. Mas continue a insistir contra a corrente. Quem sabe um numero maior de leitores, usando inclusive a maravilhosa fungdo epistolar da internet, nao consegue mandar para o pr6xi- mo nmmero sua avaliaqAo destejornal, cor critics, sugestoes ou observaqbes capazes de corrigir os erros cometidos, aperfeiqoar eventuais qualidades e prosseguir ou de- sistir, se essa for a vontade do leitor. Talvez ele prefira algo que e colocado em segundo piano, ou vice-versa: quer botar para escanteio uma bola que teimo em colocar na marca de penalti. Assim o pessoal, ficando mais coletivo, pode ate melhorar. Cartas a redaCgo, portanto. Burocrates O secretario adjunto de obras do Estado, na condicio de ordenador de despesas, decidiu reconhecer a dis- pensa de licitacAo puiblica para "os serviqos de ampliaqAo da area traba- lhada que atenda as exigEncias es- trat6gicas e de seguranca, feitas pelo Gabinete Militar do Chefe do Execu- tivo no estacionamento do pr6dio da Secretaria Especial, conforme justi- ficativa tecnica, parecer juridico e demais documentss. Todo esse flo- reio para evitar falar claro: a obra 6 a ampliaqgo do estacionamento do ex- tinto Idesp para o terreno vizinho da Caixa Econ6mica Federal, que jA foi nobre. O precioso despacho burocrati- co pode ser visto na edicAo do Dia- rio Oficial do ultimo dia 4. No Grao-Para, estacionamento virou assunto estrat6gico e de seguranqa, permitindo gastar 250 mil reais em prosaica garagem, sem fazer concor- rAncia public. Resta saber se o governador Al- mir Gabriel inaugurara mais essa obra da sua administragao, corn placa e tudo o mais. Esperanga O novo desembargador Milton Nobre garantiu: jamais se dara por im- pedido ou suspeito para julgar as quest6es que Ihe forem apresentadas, quaisquer que elas sejam, exceto se en- quadradas perfeitamente nos casos previstos em lei-e convenientemente justificadas. E uma bela declaragao de prop6sito de algu6m que passara a fa- zer parte de um colegiado no qual essa triste pratica vem se disseminando como praga. Recentemente, uma desembargado- ra declarou-se impedida de apreciar o contencioso entire tres das seis "ir- mas" do cartel mundial do aluminio e a Companhia Vale do Rio Doce, questao que pode afetar a sorte de 2,5 bilhbes de dolares de gastos no Para ao long de 10 anos. Em casos semelhantes, de oficio ou por cobra.na, o magistrado deveriajustificar a alegaiao de sus- peigio. Evitaria a suspeita de simples- mente estar se esquivando de apreciar questao complex e pouparia a perda de tempo na definiqao de uma decisAo de tao graves conseqiiUncias. O advogado Milton Nobre nao e uma pessoa acima das controversial, mas ha unanimidade no acatamento a sua competencia. Conhecer o direito e Todo cidadao tem que cobrar os deveres do governor. Mas nao deve transferir a parte que Ihe cabe ao governor. Uma sociedade s6 atinge o ponto de miaturaqgo se e capaz de levar sua vida independentemente do govemo, confor- me o ideal jeffersoniano, sem cair na esquizofrenia de aceitar um govemo que esta muito abaixo do seu mereci- mento. Uma sociedade quejamais se move autonoma- mente, sempre esperando pela iniciativa official, esta con- denada a todos os males da hipertrofia do poder. Ja uma sociedade que nem esta ai para a aqCo dos govemantes, se desfibra no individualism exclusivista, que acaba por exauri-la. Por isso, recebo cor alegria a carta abaixo, enviada por Ant6nio Carlos Lobo Soares, o "Tonhao" do Museu Goeldi. Ele reagiu a uma provocacio que fiz nestejornal, a prop6sito das places de obras do governor. Ant6nio Carlos faz uma serie de observaCqes muito pertinentes, mostrando que o problema e mais amplo, complex e profundo do que um cidadio desatento pode imaginar quando passa por uma dessas peas publicitarias em per- manente multiplicaqao, tanto quanto em constant des- respeito as normas legais (sem falar no bom senso e no bom gosto, freqtientemente agredidos). Uma fonte do setor me disse que, na melhor das hip6teses, o custo medio total (da produqAo a veicula- q~o) de cada placa padronizada exibida em vias ptblicas sai, na melhor das hip6teses, por algo em torno de 300 reals. Tenho visto places da prefeitura de Belem desse porte anunciando a pavimentaqCo de diminutas passagens (em uma delas, nem carro pode passar), em parceria corn os moradores do lugar. O desprop6sito entire o ato e sua publicidade e gritante. Mas ha tambem um outro aspec- to: quem esti executando essas places? Espero que os demais leitores sigam o exemplo de Ant6nio Carlos. Sua carta: "Caro Lucio, um dos seus atrihutos que niniguni p6e em diuvida. Nao 6 algo que se possa de- clarar em relagAo a alguns dos inte- grantes do colegiado do qual ele pas- sara a fazer parte. Por isso, decidir, em primeiro lugar, e decidir com s6lida fundamentaq~o, em complement, sao dois dos components essenciais do ato de julgar que Milton Nobre pode- ra ajudar a fortalecer no Tribunal de Justiga do Estado, se mantiver os prin- cipios que adotou ao long da sua bri- lhante carreira professional, mesmo quando sujeita a critics. Seus amigos, como seus critics mais sinceros, esperam que nao haja qualquer mutagao quando ele deixar os limits da cidade, o reduto ideal da ci- Jornal Pessoal Editor: LOcio Flvio Pinto Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br Edigio de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 Respondo a sua enquete sobre quem coloca mais pla- ca de obra em via public, onde 6 contrastante o tamanho e o valor (ou o significado), se o governador ou o prefei- to. Meu voto vai para o deputado federal Vic Pires Fran- co. Se considerarmos que os outdoors tambem sao places e que ficam nas vias publicas, sem duvida ele ganhou no iltimo mrs, quando divulgou nos quatro cantos da cida- de que aprovou R$ 73.000,00 "para o prefeito trabalhar por Belem". Uma quantia pequena em contrast cor o custo de produqgo e veicula go dos outdoors. Mais uma vergonha para o parlamento do Pari. Gostaria de ampliar a discussao do tamanho das pla- cas para a de localizaq~o. Neste caso os abuses sao bem maiores. Veja as places da prefeitura de recuperag o da iluminagdo da Praga da Republica, da Praca do Rel6gio, dentre outras! Onde ficam os 6rgdos de preservaqAo do patrim6nio municipal, estadual e federal? Vamos ampliar ainda mais esta discussao para a colo- caqio dos tapumes de obra, por parte da prefeitura e gover- no do Estado. Estes, via de regra, costumam infringir um item do C6digo de Posturas do municipio, que diz que nao se pode interditar mais de dois tergos da calgada. Qualquer obra feita por um particular esta sujeita a multa se nao deixar um teroo do calgamento livre para os pedestres. As obras da praca Waldemar Henrique e Galeria Municipal de Arte, por parte da prefeitura, e Estapho das Docas, pelo governor do Estado, soo exemplos da desobediencia ao C6digo de Postu- ras por parte do poder public. Nao gosto de critical quem esti tentando trabalhar para a nossa querida Belem ficar mais bonita, mas o que esta emjogo 6 o mau exemplo que o poder ptblico vem dando para a coletividade. Prometo, de hoje em diante, encaminhar dados so- bre estes assuntos que voce provocou no journal pessoal de n 222. Quanto a sua segunda pergunta, no tenho duvida que So governor do Estado". dadania, e ingressar naquela redoma (as vezes de vidro) do powder, geralmen- te sujeita as sindromes da fraqueza humana quando um ato quase sobre- humano, o de julgar os semelhantes, se impoe. Intermezzo Ao long de varios meses, entire 1969 e 1971, eu ia passar muitos domin- gos na casa da professor Eilah Gentil Vieira, em Sao Paulo. Depois de um al- moco concorrido e agitado pelos "cau- sos" santarenos relatados com toda a ver- ve pela saudosa e querida amiga, seu fi- Iho, Chico, assumia o piano e ficavamos horas ouvindo-o, at& a luz da tarde su- mir 1i fora, mansamente, por trAs do pre- dio do col&gio de freiras Madre Cabrini, corn seu quintal arborizado exposto nos funds do bangalb onde a professor Ei- lah morava, numa pacata rua da Vila Ma- riana, a capitio Cavalcanti. Ouvindo A Mtsica e o Para (Obras para Piano), cor interpreta- cqes de Leonora Britto e Eliana Kots- choubey, minha mem6ria retornou do- cemente aquele tempo em que Chico deslizava seus dedos pelas teclas do piano, orientado por sua mem6ria e sua sensibilidade, nos fazendo ouvir val- sinhas e chores, polcas e modinhas, entire um jazz e uma bossa nova, numa saison na qual a 6inica coisa proibida era o desprazer. E mais ou menos assim esse precioso CD criado por Leonor e Eliana e produzido pela Universidade Federal do Para. Sao 10 peas de autores paraenses e brasileiros, tocadas corn simplicidade, leveza e maestria pelo duo pianistico para a gente ouvir num fim de tarde sem compromisso, indo e vindo no deleite e na mem6ria, numa viagem de gosto e sen- sibilidade como s6 a boa misica e os bons interpretes conseguem nos propor- cionar. O CD tambem atesta o alto nivel de cultural musical do Para, tanto pelos compositores apresentados como pelas artists que os selecionaram e as pesso- as que toraram possivel a existencia de um produto tao refinado. Um moment bom neste Estado de tantos maus momen- tos recentes. Faz bern para a alma e resta- belece as forqas do corpo. Propaganda official: o cidadao fiscaliza |
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