Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00172

Full Text




Jomal Pessoal
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ANO XIII N 223 21 QUINZENA DE NOVEMBRO DE 1999 R$ 2,00


POLITICAL


A crise


men


I I


Na novela assume-nao-assume, armada em torno dapresidOncia da CDP, ndo
hd nenhuma causa nobre, nenhum interesse superior do Pard. E apenas mais
um lance do rasteiro cabo-de-guerra travadopelas elites political do Estado. Mas
o confront entire o governador Almir Gabriel e o senadorJader Barbalho terd
um efeito: precipitar a campanba eleitoralpelos cargos municipals que estardo
em dispute nopr6ximo ano.


So dia 4, Almir Gabriel che
gou a Brasilia como o inti
morato govemador que se
desligara do seu partido, o
PSDB, e rompera com o
president da Republica, at6
entao seu correligionario. Algumas horas
depois retornou a Belem como o gover-
nador que recuara das duas audaciosas
iniciativas. Mesmo assim, foi recebido
como her6i no aeroporto da capital para-
ense por uma manifestaqao "espontanea"
montada a base de recrutamento com-
puls6rio nas repartic6es publicas. A pri-
meira-dama em pessoa, Socorro Gabriel,
andou tirando bamabe de seu expediente
para saudar sua excelkncia na volta triun-
fal. A cena lembrou os retornos a plani-
cie de Jarbas Passarinho na sua fase au-
rea do regime military.
O que fez o governador para ser tao
festejado? Sustou a consumaqao da de-
missao do president da Companhia das
Docas do Para, Carlos Acatauass6 Nu-


nes, e a nomeacao do seu substitute, Ro-
gerio Amaro Barzellay, decis6es tomadas
no dia anterior por tres votos a dois -
pelo Conselho de Administraqao da CDP,
em assembl6ia extraordinaria. A suspen-
sao dos atos foi determinada pessoalmen-
te pelo president Fernando Henrique
Cardoso, depois de conversar por quase
duas horas com o govemador, no Palacio
da Alvorada, ouvindo-lhe as queixas.
Ha muito tempo um president nao
descia tanto do trono brasiliense para cui-
dar de assunto tao comezinho. Toda a
imprensa national, surpresa, ficou sem
entender o enredo da novela. Coisas do


norte, devem ter resmungado os cosmo-
politas editors do sul. Um deles, Boris
Casoy, al6m de resmungar, estrebuchou.
"Coisa de indio", havera de ter pensado.
O indio entrando como Pilatos nesse cre-
do preconceituoso.
FHC pediu para Almir voltar atras e
aguardar o resultado de "conversaq6es
political" que iria travar para encontrar
uma soluqao conciliat6ria. F6rmula capaz
de ser aceita pelo governador sem signi-
ficar uma desfeita ao seu principal oposi-
tor na taba, o senador Jader Barbalho,
president national do PMDB, partido
que integra a coalizao governista na cor-


TnjRlf! rfjg/-T\ Al@/I [i






2 JOURNAL PESSOAL *2- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1999


te federal. Almir acusa Jader de mano-
brar nos bastidores para tirar um aliado
tucano, Acatauassu Nunes, da CDP, e
assim fulminar a "governabilidade" do
Estado em maos (maos?) tucanas.
Certamente em causa esta uma fatia
do poder, disputada por dois dos princi-
pais protagonistas da cena political para-
ense. Mas nada, objetivamente,justifica-
ria a criacqo de uma crise que comeca a
evoluir para uma guerra aberta, sem re-
gras definidas, o bago fazendo as vezes
de joelho para as botinadas, que acabam
atirando a bola contra a vidraga dos inte-
resses estaduais.
Em primeiro lugar porque, mesmo no
piano puramente politico, a CDP nao 6
um instrument capaz de desequilibrar
a partigao de poder entire as parties en-
volvidas. Em segundo lugar, porque ne-
nhuma divergehcia programatica, ideo-
16gica ou filos6fica esta em causa. Tra-
ta-se do mais rasteiro e rudimentar fisi-
ologismo, de ambos os lados, em ambos
os sentidos.
Pelo enredo do governador, o Minis-
terio dos Transportes foi transformado
num "diret6rio distrital" do PMDB. Des-
contadas as aberracges do clientelismo
e do compadrio, al6m da promiscuidade
na definigAo dos interesses de governan-
tes e governados, elements que macu-
lam a administragqo public, nada ha de
excepcional nisso. O ministry dos trans-
portes, o gaucho Eliseu Padilha, 6 um
politico do PMDB. Al6m de fazer um
jogo pessoal (de que oferece indicios a
atual celeuma em torno do pagamento
de precat6rios pelo DNER), ele serve
ao seu partido, da mesma maneira como
outros ministros procuram favorecer o
PFL e o PSDB, os outros lados da trin-
dade partidaria nada santa que da res-
paldo parlamentar ao chefe (ma non tro-
ppo) do poder executive.
NMo 6 s6 assim no Brasil: 6 a regra
em todos os regimes democraticos que
se equilibram na divisdo de poderes. O
governor Fernando Henrique foi retalha-
do entire os partidos que o sustentam no
congress. O Ministerio dos Transpor-
tes integra a cota do PMDB (alias, nao
exatamente proporcional a importdncia
do partido porque o senador Ant6nio
Carlos Magalhaes desequilibra a capen-
ga balanga patrimonialista do soci6logo-
presidente),
Admita-se que sejam absolutamente
justas as queixas do governador de que
Padilha sabota o seu governor, enquanto
6 o abre-alas de Jader Barbalho, que, em
retribuicgo, escora o cambaleante minis-
tro junto a FHC, que, por sua vez, nao
pode dispensar o senador do PMDB
(para instaurar ou esvaziar CPIs, por
exemplo). Nesse caso, o governador tem
mesmo que continuar atacando o minis-


tro, atestando os atos de lesa-Estado que
pratica, fazendo chegar ao president suas
manifestag6es de descontentamento e
ate de revolta e indignaqdo, se a tanto
conseguir chegar de fato.
Mas enquanto correligionario e aliado
do president da Republica, o governa-
dor nao tem o direito, na l6gica intema de
sua alianca, de comprometer um compli-
cado esquema de coalizao federal com
uma questiuncula intestina mal conduzi-
da. Mesmo se a frente da naqao estives-
se um estadista fire, a tarefa de apro-
var os projetos do govemo no atual par-
lamento brasileiro nao seria tarefa nada
facil. Um aliado como o Almir Gabriel da
semana passada deve dar a FHC sauda-
de dos inimigos.

D e todas as alegagies

sacadas pelo governador

para caracterizar a md-

vontade do ministry dos

transportes, nada caracteriza

uma verdadeira sabotagem.
Ainda que tudo o que Almir diz que Padi-
lha estaria fazendo fosse a exata descri-
cao da verdade, o governador poderia
continuar sem grandes danos sua gestao
e o Pard nao seria inviabilizado ou sub-
metido a perdas insanaveis. Achar que
um politico experience e ladino como Ja-
der Barbalho iria levar suas evidentes
manobras de bastidores contra Almir
Gabriel ao ponto de poder ser pintado
como um Judas do Pard (como se ja nao
bastasse o Anhanga), 6 subestimar a ca-
pacidade de discemimento de algu6m que
viu esse fen6meno corroer a imagem de
Jarbas Passarinho. E que sempre garan-
tiu nao pretender se expor a tal risco.
Na campanha eleitoral, Jader perce-
beu que esse 6 um flanco perigoso. Pode
ser uma arma capaz de antecipar o seu
fim como uma das tr6s maiores lideran-
cas political do Pard, em qualquer cir-
cunstdncia, em qualquer tempo. Os mar-
queteiros dos tucanos exploraram ao
maximo essa fenda, corn ou sem moti-
vos, no ano passado. Desde a derrota
para o governor, Jader tem procurado
maquiar essa cicatriz para que ela, mes-
mo sem desaparecer, deixe de ser evi-
dente e inc6moda.
Se nao conseguiu seu objetivo 6 por-
que, alem de comandar uma estrutura
paralela de poder ca6tica e nem sempre
eficiente, mas quase sempre predadora,
esbarrou na restriqao da capacidade de
investimento do governor federal, em fun-
qao do compromisso de austeridade com
os fiscais do FMI (Fundo Monetdrio In-


ternacional). O senador peemedebista
gostaria de tratar o governador tucano a
pAo e agua, mas distribuindo mana dire-
tamente aos clients. Tern tido muito
mais sucesso na primeira frente do que
na segunda.
0 apparatchick do governador pode
estar usando o epis6dio da CDP como o
boxeador que martela no supercilio ja
aberto do adversario potente, mas corn
esse ponto fraco acima do olho. O san-
gramento pode abreviar o nocaute. No
caso, nao tanto pela contund6ncia do gol-
pe, mas pela id6ia de sangramento que
a abundante propaganda official projeta
diante da opiniao p6blica, em parceria
com o monopolista da comunicaqao no
Estado, o grupo Liberal. O governador
s6 nao pode 6 iludir a todos cor uma
campanha publicitaria em torno de uma
suposta causa nobre. Ele nao 6 propria-
mente um cruzado. Nem 6 a moralidade
que tenta restabelecer. Apenas quer usa-
la para seus fins; na ess6ncia, os mes-
mos do adversario, descontado o apos-
samento do butim.
Em primeiro lugar porque a substitui-
9qo de Acatauass6 Nunes s6 se tornou
uma questao de honra quando as irregu-
laridades em torno das obras da Esta-
qco das Docas (ver ediies anterio-
res do Jornal Pessoal) se tornaram
publicas. At6 entdo, noticias sobre os
constantes movimentos de Jader nas
sombras brasilienses da companhia eram
absorvidas cor ceticismo. Mesmo a in-
formaqdo de que o nome de Barzellay
ja circulava no gabinete de Eliseu Padi-
lha nao parecia capaz de provocar em
Almir Gabriel a ira, como a que o fez
colocar em risco sua filiaqao ao partido
e ao governor do president.
Alias, nem moments anteriores mais
traumaticos, como a rejeiqCo do tucano
(e compare) Fernando Flexa Ribeiro
para a superintend6ncia da Sudam, o com-
portamento nada solidario de FHC em
funqio do massacre de Eldorado de Ca-
rajas e o mico do Projeto Salobo, provo-
caram no govemador uma explosao como
no epis6dio da CDP. Pode-se alegar que
este ultimo constrangimento, ainda que de
menor envergadura, teria sido aquela gota
d'agua que faz transbordar muita agua
que ja vinha sendo represada ha tempos.
Mas nesse caso a explosio de Almir
Gabriel nao se apagaria tAo facilmente,
nem ele voltaria atras. Comportamento
como o que teve sugere que o ato de in-
dignaqAo nao foi tao espontaneo assim
quanto ele deu a entender. E provavel que
faca parte de um lance mais amplo, como
aqueles movimentos estrat6gicos em um
jogo de xadrez, que s6 adquirem signifi-
cado quando (e se) 6 dado o xeque-mate.
Nao estando em questao nenhuma
causa mais nobre, o que interessa 6 a






JOURNAL PESSOAL -29 QUINZENA DE NOVEMBRO / 1999 3


manutenq o da fatia de poder que o go-
veradorjulga haver conquistado e a sus-
tacgo da ameaqa de dano que estaria por
tras da substituicgo de Acatauassu. Ou
seja: e a renovagao da encenacio o que
esta sendo buscado, nao uma mudanca
para valer, real.
Todos os personagens sabiam (embo-
ra nao o digam) que o president da Re-
publica nao foi surpreendido por uma
mesquinha manobra intramuros da dupla
Padilha/Barbalho. Afinal, o representan-
te do Minist6rio do Orqamento e Gestao,
Francisco Oliveira, que nada ter a ver
cor o PMDB, muito pelo contririo, vo-
tou a favor da substituiq~o do president
da CDP. Bastaria ele nao ter vindo para
a decissao da assembleia extraordinario
da empresa que formalizou a mudanqa
ter-se tornado inviavel. Esse e um deta-
Ihe pra la de relevant.
Considere-se, porem, que Fernando
Henrique foi apanhado de surpresa por
uma molecagem infra-partidaria do seu
ministry dos transportes. O minimo que
poderia fazer era obrigar Padilha a apres-
sar a convocaqgo de nova assembl6ia
para anular o ato anterior o mais rapido
possivel, restabelecendo o chamado sta-
tus quo ante. 0 maximo, seria demitir o
ministry, cor desonra (ou opr6brio, como
sugeriu o general Orlando Geisel ao ir-
mao, o general-presidente Ernesto Gei-
sel, na demissao do comandante do II
Ex6rcito, Ednardo D'Avila Mello, no epi-
s6dio da morte por tortura, numa instala-
qco military, do jomalista Wladimir Her-
zog, em 1975, quando FHC ainda era ape-
nas soci6logo da oposicqo).
Ao inv6s disso, o president prome-
teu ao governador tao-somente renego-
ciar uma said honrosa para todos. Qual
seria o fruto dessa alquimia political? Quem
sabe algo assim: nem Acatauassi volta,
nem Barzellay entra? Um interino ficaria
no cargo at6 o encerramento do manda-
to, no final do pr6ximo mes. Um candida-
to mais palatavel (como gostam de dizer
os politicos) a Almir iria para o lugar,
mesmo indicado pelo ministry do PMDB
(Padilha, se ele ainda estiver no cargo ate
la), como ter que ser no esquema politi-
co federal do president. E o convenio
do Estado cor a CDP para a Estagao
das Docas nao seria tocado, evitando san-
grias tucanas desatadas.
Nada indica que realmente algo gra-
ve ou essencial esteve em jogo, exceto
as irregularidades da Estacgo gabrielina-
chaveriana, de um lado, e o fortalecimento
do PMDB local, de outro. Ate prova em
contrario, o perfil de Barzellay nao se
harmoniza corn o modelo barbalhiano, ain-
da que o ex-quase-futuro president da
CDP pudesse vir a se integrar completa-
mente aos interesses politicos do sena-
dor. Parece que o engenheiro carioca-


goiano e mais uma peca do jogo do cen-
tro-oeste (Tocantins, Goias e Mato Gros-
so) e do Maranhao do sagaz senador Jose
Sarney, pois e justamente a esses inte-
resses que ele ter servido no comando
da Ahitar (Administraqco da Hidrovia
Araguaia-Tocantins), et6rea entidade bu-
rocratica fincada no Distrito Federal.
O fato de Barzellay estar tentando de
qualquer maneira forcar a aprovagao dos
estudos e relat6rios de impact ambien-
tal da hidrovia ter, cor a ecologia, ape-
nas coincidencia. A afetaqao ecologica e
uma barreira como outra qualquer ao que
esta sendo buscado: combinar a hidrovia
Araguaia-Tocantins com os modais rodo-
viario e ferroviario em dire5ao ao porto
da Ponta da Madeira, em Sao Luis.
Ora, esse esquema esta muito long
de servir aos interesses politicos do se-
nador Jader Barbalho. A nao ser que in-
teresses outros, ainda nao detectados, e
nem um pouco relacionados ao clientelis-
mo provinciano, se tenham "alevantado",
a tal ponto de faze-lo dispor-se a incorrer
num risco fatal.
Na verdade, president, governador
e senador agem como se fossem uma
combinacao hibrida da hiena cor a ra-
posa, uma rapiena ou uma hiosa: riem
da desgraga do outro, mas estao ao seu
lado na bonanza. O governador se quei-
xa de que o president s6 prestigia o
antagonista, mas sem verba federal as
places da "Uniao pelo Para" nao pode-
riam ser mais numerosas, nem teriam
graga. O senador do PMDB fica atiran-
do casca de banana no trajeto presiden-
cial, mas esta la na comitiva de FHC
para afastar a carapuqa de revanchista.
Ja o president, se nao contasse cor a
abulia do correligionario paraense, teria
apanhado muito mais de todos quando a
opiniao public procurou culpados para
punir pelo assassinate dos 19 sem-terra
de Eldorado de Carajas.
O governador nao esta certo quando
diz que todos os ministerios trabalham pelo
Para, exceto o dos transportes. A rigor, a
tnica grande obra que nao sai do discur-
so de Almir Gabriel & o Tramoeste, "o
maior plano de eletrificaqao do pais". Dois
tercos do dinheiro originou-se do tesouro
federal. A linha de energia s6 saiu por-
que a Eletronorte quer comecar a cons-
truir a hidrel6trica do Xingu (a licitaqAo
sera realizada no pr6ximo ano, como dis-
se o governador ao voltar de Brasilia,
imaginando estar anunciando uma novi-
dade). O pretexto de conectar o oeste do
Pard a Tucurui foi um bom pretexto para
energizar o future canteiro de obras de
Belo Monte.
Se interpretasse corretamente os an-
seios e perspectives do seu Estado, o go-
vernador teria combatido mais cedo con-
tra Barzellay, nao por temer que ele vies-


se a suspender o convenio da CDP cor
o Estado para repetir, mais adiante, os
delirios elitistas de Paulo Chaves Feran-
des no Ver-o-Peso, mas porque sua posi-
cao na Ahitar desfavorecia o Estado. Essa
posi~ao nao e necessariamente caudata-
ria de Eliseu Padilha ou do PMDB, mas
de outros tipos de alianqas feitos pelo
govero central. Nao & de surpreender
que o president national do PMDB quei-
ra comandar a definicao de obras e a
aplicacgo de recursos do minist6rio con-
trolado pelo seu partido em sua base elei-
toral. O contrario 6 o que os politicos cha-
mam de fazer filho em mulher alheia
Mas e de espantar que o paroxismo
da dispute o fizesse simplesmente can-
celar obras e recursos, imaginando que
pudesse se preservar do efeito em cas-
cata desse boicote, um bumerangue corn
retoro certo. Assim, alguns dos fatos que
o govero define como puniq es delibe-
radas ao Para por parte do senador pee-
medebista sao mesmo definiqies delibe-
radas de Brasilia. O conta-gotas que fun-
ciona em rela5ao ao cronograma finan-
ceiro das eclusas de Tucurui, por exem-
plo (ver mat6ria nesta edigio), tem a
marca do govero FHC, nao de JB (do
senador, nao a sigla dojogo do bicho).
Independentemente de suas origens ou
motivaqces, a crise em torno da CDP
precipitou e radicalizou o conflito entire
os principals grupos politicos do Para e
ameaca embaralhar mais uma vez as car-
tas nas maos das suas liderancas. Quan-
do nada, abreviou o cronograma da cam-
panha para as eleicqes municipals do pr6-
ximo ano, que ja esta nas ruas, nos out-
doors, na imprensa, nos bastidores.
Os maiores indicios sao de que o go-
vernador, se o Planalto nao Ihe quiser fa-
zer engolir mais uma dose cavalar de 6leo
de ricino, continuara no PSDB e aliado
de FHC. As outras alternatives exigiriam
dele uma dose de valentia e persist6ncia
bem mais demorada do que seus arrou-
bos mete6ricos, embora seja sempre sur-
preendente a capacidade dos politicos
brasileiros de engolir sapos e aular a me-
m6ria (justamente uma de suas mais pre-
ciosas ferramentas de trabalho).
A said do seu encontro com o pre-
sidente do senado, Ant6nio Carlos Ma-
galhaes, no dia 21 do mes passado, em
Brasilia, o governador disse aos jorna-
listas que tinha tratado "de coisas da
par6quia: a aproximacao do PSDB e do
PFL, para reconstituir a Uniao pelo Para,
que permitiu a minha primeira eleigdo".
Disse tal coisa sem o menor constrangi-
mento aparente.
Se essa for uma antevisao do que
esta por vir, entao na pr6xima campa-
nha eleitoral Almir Gabriel e H6lio Guei-
ros deixarao as pedras no fundo do poqo
e estarao de flores nas maos e elogios)






4 JOURNAL PESSOAL .2a QUINZENA DE NOVEMBRO / 1999


Snas bocas, um em relaqao ao outro, no-
vamente amigos de infincia (ate que a
infancia volte a se recolher ao seu tem-
po devido, sem projeq6es ou regresses
inc6modas).
Uma definiqgo dessa natureza, po-
rem, atraira para o governador tucano
as chuvas e trovoadas do grupo Liberal,
seu principal aliado de moment. Os
Maiorana, surpreendidos pela declara-
gio, nao aceitarao o reatamento corn
Gueiros, que estenderd os lagos da con-
fraria ate o deputado Vic Pires Franco,
o inimigo de morte de plantAo da familiar
(ou, se preferirem, famiglia). Gabriel
estara preparado para enfrentar essa
adversidade?
Menos turbulento parece ser o cami-
nho na direVao do PPS. Mas nesse caso,
se o governor FHC nao naufragar de vez,
o governador paraense teria que assu-
mir, na vera, a condigio de inimigo do
president, por apoiar a candidatura pre-
sidencial de Ciro Gomes, e nao apenas
brincar de mal-a-morte, como por en-
quanto. Ja o PPB do seu senador Luiz
Otavio Campos apresenta o constrangi-
mento de transformar Jarbas Passarinho
em seu amigo de infancia, cinco anos
depois de tanto golpe baixo desferido na
primeira campanha governmental.
Mesmo que a marola lanqada contra
o Planalto nao volte, Almir vai enfrentar
pororocas na par6quia. O governador
pretend pregar em seu maior adversa-
rio a pecha de nocivo ao Estado, alem
de reativar as acusa6es a malversacqo
de dinheiro public nos dois govemos an-
teriores de Jader Barbalho, tal como fo-
ram apresentadas no ano passado.
Ja o senador peemedebista vai ten-
tar macular a imagem de home honest
que o medico pneumologista criou (e sua
confraria utiliza a larga, as vezes como
escudo). Habilmente, porem, o senador
nao vai comprometer apenas o seu par-
tido nessa ofensiva. Dela ja participa o
PT, diretamente ou atras de entidades
da sociedade civil.
A primeira estocada ja foi dada:
atrav6s da cobranqa dos 450 milhoes
de reais que o governor recebeu pela
venda da Celpa, no ano passado. A in-
tenqfo seria mostrar que a administra-
cqo Almir Gabriel dilapida recursos pu-
blicos. O que, de certa forma, signifi-
caria dizer que ela e igual as anterio-
res, das quais seus acusadores fizeram
parte. O que implicaria reconhecer que
se o Para muda, os que nele mandam,
nao. E, nao mudando, atravancam a
caminhada do Estado. As vezes com a
falsa promessa (ou a propaganda en-
ganosa, ja que tanto se gasta por aqui
em publicidade official de que cami-
nhando se encontrara o caminho. O
caminho da anti-hist6ria, talvez.


Tucurui: a grande


Quem esteve recen-
temente em Tucurui
voltou impressiona-
do, mas nAo muito
bem informado sobre
aquele que voltou a
ser o maior canteiro
de obras do Para.
Nos papeis oficiais, ali deverdo ser inves-
tidos, ate 2002, quase 1,7 bilhAo de d61a-
res para duplicar a capacidade nominal
de geracqo da hidrel6trica e possibilitar a
transposicAo da sua enorme barragem,
que hoje bloqueia a navegaqgo do rio To-
cantins naquele ponto, a 350 quil6metros
de Bel6m.
Ao contrario da primeira etapa da obra
entiree 1975 e 1984, quando a primeira
turbina entrou em operaqAo), executada
sem maiores questionamentos porque o
pais estava sob um regime military forte e
autoritario, agora a plena democracia for-
mal deveria estimular um intense debate
sobre Tucurui-II. Inclusive para esclare-
cer graves questdes anteriores, que fo-
ram sonegadas da opiniao public ou nao
chegaram a ser percebidas diante do ca-
rater pioneiro da obra.
Surpreendentemente, porem, predo-
mina o sil6ncio e o desinteresse sobre
um ou outro movimento de mobilizaqdo
em relaqgo a aspects parciais ou isola-
dos do empreendimento, embora a agen-
da em torno da retomada de Tucurui
devesse ser tdo extensa quanto profun-
da. Essa agenda, contudo, permanece na
algibeira de uns poucos grupos, sobretu-
do os encastelados na estrutura de po-
der. Eles sabem o que Tucurui envolve.
Mas nao parecem dispostos a socializar
esse conhecimento.
O debate mais aceso vem sendo tra-
vado em torno do uso da area do reser-
vat6rio. Um grupo, com maior apoio ins-
titucional junto a Brasilia, quer transfor-
mar essa area em reserve extrativista,
permitindo maior intervencgo da popula-
cgo local. Outro grupo, liderado pelo go-
verno estadual, quer a implantacgo de
uma area de proteAgo ambiental, menos
aberta a atividade produtiva.
Esquematicamente (e um tanto cari-
caturalmente tamb6m), o primeiro grupo
poderia ser definido com o do desenvol-
vimento sustentavel. O outro estaria pre-
tendendo utilizar o apelo ambientalista
para estimular investimentos de porte no
turismo ecol6gico, evitando partilhar o
control da area.
Ainda nao surgiu um vencedor ap6s
os sucessivos confrontos que v6m sen-
do travados (o pr6ximo sera em dezem-


bro). Mas, qualquer que venha a ser o
desfecho dessa controversial (com sua
fauna political acompanhante e, em boa
media, desvirtuadora), ha uma questAo
preliminary nao esclarecida, nem mesmo
agendada: o lago de Tucurui sofrera al-
guma modificacqo para poder ser ope-
rado por quase o dobro das atual casa
de maquinas?
No moment, 12 turbines engolem 6
milh6es de litros de agua por segundo
para gerar, no pique, 4,2 milhoes de quilo-
watts de energia. Cor mais 11 maqui-
nas, a exigencia passara a ser de 11,5
milh6es de litros a cada segundo. S6 que
a potencia fire da usina, aquela energia
realmente disponivel ao long de todo o
ano, que a Eletronorte garante fornecer
independentemente do regime das aguas
da bacia do Tocantins-Araguaia (que se
espraia por 800 mil quil6metros quadra-
dos, quase 10% do territ6rio brasileiro),
nao sera automaticamente de 8,4 milh6es
de kw, mas em torno de 4 milhoes. Ou,
talvez, ate menos. Ja agora, a geracao de
Tucurui-I baixa de 4,2 milh6es de kw para
2,1 milhoes de kw nos moments mais
critics da vazante do rio.
Esse notavel decrescimo result da
necessidade de combinar a estocagem de
agua no reservat6rio para o period de
estiagem e, ao mesmo tempo, manter o
fluxo natural do rio entire o curso de mon-
tante e de jusante da barragem, evitando
soltar mais ou menos agua do que o To-
cantins naquele ponto verteria se suas
aguas nao estivessem sujeitas aquela bar-
ragem artificial.
Neste exato moment a natureza esta
fazendo uma advertencia aos barragei-
ros. Por causa da rigorosa estiagem em
curso, os principals reservat6rios hidrele-
tricos estdo operando numa cota de ris-
co, no limite-ouja abaixo dele-do que
era recomendavel. Algumas usinas redu-
ziram sua capacidade de geraqco por falta
de agua suficiente.
Nao se esperaria que o problema tam-
bem se instalasse na bacia do Araguaia-
Tocantins, mas eleja se faz sentir na area.
Ainda nao numa escala grave, mas sufi-
cientemente preocupante para nos fazer
imaginar o quadro de uma estiagem dras-
tica simultanea a uma maior demand de
agua pela hidrel6trica.
No inicio desta semana, o reservat6-
rio de Tucurui estava cor pouco menos
de 30% da sua capacidade normal de
agua (enquanto o de Serra da Mesa, a
outra hidreletrica do Tocantins, estava
com 34%).
Sera que o monitoramento da bacia






JORNALPESSOAL 2a QUINZENA DENOVEMBRO/ 1999 5




obra ainda e uma incognita


esta suficientemente calibrado para pre-
venir uma drastica reducao do nivel de
agua no reservat6rio, ao ponto de tirar de
linha uma ou mais maquinas? Quais as
conseqUincias da substituigao do regime
natural do rio por um regime induzido pela
operaqao da usina? Quais os impacts
ecol6gicos do retorno da lamina d'dgua a
um nivel de seca drastica?
Essas perguntas remetem ao seu des-
dobramento: Tucurui-II podera operar no
nivel maximo atual de Tucurui I, na cota
72 (em relaCao ao nivel do mar), ou tera
que buscar o maximo maximorum, na
cota 74? Nesta ultima hip6tese, novas
areas serao submersas? Ou, alternativa-
mente: para que o reservat6rio atual seja
satisfat6rio, sera precise construir uma ou
mais barragens a montante do Tocantins
para regularizar o fluxo do rio?

Esta nio 6 uma
quest academica:
--;. ter grave significa-
do pratico. Quando a
motorizaqbo de Tu-
1 curui-I foi concluida,
o lago artificial for-
"' mado pela barragem
(o segundo maior do pais) era de 2.430
km2. Na mem6ria t6cnica da usina, pu-
blicada em 1989 (cinco anos depois da
inauguraqao da hidrel6trica), a Eletronorte
assinalou que cor Tucurui-II o nivel da
crista do reservat6rio teria que ser eleva-
do para a cota 74, aumentando a area
inundada em 205 km2 (e, portanto, para
2.635 km2). O problema 6 que a dimen-
sdo official do reservat6rio ja 6, hoje, de
2.850 km2 (com 85 trilhaes de litros de
agua armazenados).
Essa substantial diferenqa (20 trilhoes
de litros de agua adicionais no lago, 420
km2 de area) 6 apenas produto de uma
melhor metodologia de avaliaq~o ou de
algum imprevisto? Por enquanto, ha um
complete silencio official a respeito do as-
sunto. Mas Phillip Fearnside, do Inpa (Ins-
tituto Nacional de Pesquisa da Amaz6-
nia, de Manaus) arriscou uma hip6tese:
de que haveria menos agua do que o pre-
visto no reservat6rio de Tucurui.
"A menor quantidade armazenada no
reservat6rio de Tucurui, em comparaq~o
ao plano original para Tucurui-II, presu-
mivelmente seria compensada pela mai-
or regulaAio do fluxo do rio por mais bar-
ragens a montante", escreveu ele num
texto ainda a ser publicado pela Unesp
(Universidade do Estado de Sao Paulo).
Se isso for verdade, a anunciada duplica-
Fgo da usina s6 tera sentido se uma ou


mais barragens de regularizacao (nao
necessariamente motorizadas) forem
construidas rio acima. A diferenqa de
4% entire duas hidrel6tricas no mesmo
rio mostra que alguma anomalia ha para
fazer cor que a agua que flui na primei-
ra nao chegue integralmente i segunda.
Indispensavel seria a barrage de
Santa Isabel, no Araguaia, o primeiro aflu-
ente important a montante de Tucurui.
Projetada para gerar energia, ela foi des-
cartada em funqgo do impact ambiental
que causaria, formando um lago ainda
maior do que o de Tucurui. Com uma re-
presa apenas para regularizaqao (e por
isso mais baixa), esse efeito negative di-
minuiria, mas Santa Isabel continuaria a
ser uma obra cara.
Tao cara que dificilmente o governor
se disporia a bancar a segunda etapa de
Tucurui sabendo que apenas um quarto
dessa duplicaqdo (de 4 milh6es de kw)
sera energia firme e que outras obras de
regularizacqo terao que ser realizadas a
montante. Foi por isso que nenhuma em-
presa privada, nem as eletrointensivas
(como CVRD, Albras, Alumar e Camar-
go Correa), se interessou em assumir Tu-
curui-II. Depois que o governor descas-
car esse abacaxi, talvez se apresentem
para saborea-lo.
Essa inc6gnita exige que a avaliagco
do impact ambiental da hidrovia Ara-
guaia-Tocantins obedeca ao mais rigoro-
so padrdo tecnico. Os desmatamentos
descontrolados nas cabeceiras dos dois
rios e em seu alto curso podem se relaci-
onar cor a supressao das barreiras na-
turais formadas como defesa em seus
leitos, agravando problemasja visiveis de
erosAo e sedimentagco. Por enquanto,
eles nao estao sendo vistos em profundi-
dade. At6 pelo contrario: possibilitaram a
incorporacio das cidades do vale ao cir-
cuito dos balnearios, aproveitando turisti-
camente o atrativo das praias que se for-
mam ou se encorpam em frente a cida-
des como Maraba, Conceidao do Ara-
guaia ou mesmo Tucurui. Mas depois vira
a hora da contradanqa.
At6 algum tempo atras pensava-se
em hidrovia como pouco mais do que o
curso natural do rio. Mas hoje ja se tern
a consciencia de que os efeitos podem
ser muito mais amplos e negatives. A
hidrovia ainda 6 o mais barato e mais
adequado modal de transport, mas, da
mesma maneira que a hidrel6trica e a
captaqao de agua potavel, sua implanta-
gao requer uma correta avaliacqo do seu
significado.
Pode ser que interesses econ6micos,


inclusive externos, estejam por tras de
ONGs que, pela terceira vez, consegui-
ram suspender, no final do mes passado,
as audi6ncias publicas para o EIA-Rima
da hidrovia. Nao basta, porem, formular
a hip6tese. Antes de mais nada, 6 preci-
so prova-la. Em seguida, deve-se exami-
nar os arguments, contradita-los e de-
monstrar que eles estao errados, fazendo
o certo.
As questoes suscitadas pelas ONGs
em torno dos pareceres de bi6logos e
antrop6logos, que teriam sido desnatura-
dos ao serem sumarizados pela Ahitar
(Administracao da Hidrovia Araguaia-
Tocantins), podem at6 se mostrar irrele-
vantes, como alega a ag6ncia federal.
Mas se nao houve ma-fe ou irregularida-
de na sintetizacao dos pareceres, para
eliminar seus pontos critics, ainda assim
o EIA-Rima e espantosamente superfi-
cial e primario no exame da obra e do
seu context geo-ecol6gico e social. Corn
senso de responsabilidade, nao se pode
autorizar a realizadao dos servigos corn
base num estudo tao singelo.
Mas ainda que nao houvesse tantas e
tao graves indagacqes a fazer e a res-
ponder, para os paraenses ha um aspect
relevant a considerar. A hidrovia Ara-
guaia-Tocantins pouco significara para o
Estado (e menos ainda para sua angusti-
ada capital) sem as eclusas de transposi-
cgo da barrage de Tucurui. Os visitan-
tes da obra ficam espantados com o des-
compasso entire o seu ritmo e o da se-
gunda etapa da hidrel6trica. Se o gover-
nador Almir Gabriel nao conseguir con-
vencer a opiniao p6blica de que a falta de
harmonia entire as duas obras ter a ver
cor o imbroglio da CDP, deve-se enca-
rar o problema cor realismo iluminador.
Para transport a barrage e precise
construir em Tucurui a maior eclusa do
mundo. Seu custo atual foi orcado em
tomo de 450 milhaes de reais. Foram apli-
cados, de 1981 at6 o primeiro semestre
deste ano, R$ 150 milh6es. O que falta e
30% a mais do que o que esta sendo in-
vestido no maior program urban de
Belem, a macrodrenagem das baixadas.
O governor federal ira dar a prioridade
necessaria para que as eclusas estejam
prontas ao mesmo tempo que a casa de
maquinas de Tucurui-II, bem ao lado?
Essa simultaneidade deveria ter ocor-
rido ja na primeira etapa, cumprindo uma
lei federal, o C6digo de Aguas. Mas a
duplicaago de Tucurui esta a plena carga
(ja R$ 163 milh6es foram aplicados, des-
de o ano passado, al6m dos 9 bilh6es de
d6lares da primeira etapa) e o Para esta






6 JOURNAL PESSOAL *2- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1999




Macrodrenagem:



busca de um final


governador Almir Gabriel
dificilmente conseguira
cumprir um dos maiores
compromissos assumidos
na campanha eleitoral do
ano passado: inaugurar as obras de
macrodrenagem das baixadas de Be-
lem at6 o final do pr6ximo ano. Embo-
ra este seja o maior projeto executado
nas iltimas decadas pelo poder publi-
co na capital paraense, beneficiando
quase metade da populadio (600 mil
pessoas), que ocupa a parte (40% da
area) mais problematica do perimetro
urban, sua conclusao continue a ser
um desafio. Atrasado pelo menos 18
meses em relagAo ao cronograma em
vigor, pode demorar ainda mais tempo
do que se preve.
A primeira vista, ja nAo haveria


mais motivo para preocupacgo. A con-
trapartida financeira do Estado (de 90
milhoes de reais, dos quais R$ 52 mi-
lhoes de recursos pr6prios, em um to-
tal de R$ 235 milh6es, financiados prin-
cipalmente pelo Banco Interamerica-
no de Desenvolvimento) esta pratica-
mente realizada e 90% do projeto foi
executado. Mas quem visit o local de
atuaqao fica com a impressao de que
as tarefas por realizar excedem em
muito essa margem residual apontada
nos papeis.
Nao ha duvida de que nenhuma in-
tervenqdo public foi tdo profunda e efi-
ciente nas problematicas areas alaga-
veis de Bel6m quanto esta macrodre-
nagem em andamento. O tempo trans-
corrido na fase preparat6ria ao inicio
do projeto, tendo como marco referen-


cial o Promorar, de 1982, da uma ideia
do tamanho do desafio. Deslanchada
em 1991, cor a elaboracio do projeto
(ainda ndo no detalhamento desejavel,
de projeto executive) e a assinatura do
contrato de financiamento cor o BID,
a macrodrenagem tem cinco anos de
obras para valer. Mas certamente suas)


Sameacado de continuar com o Tocantins
bloqueado a navegacgo (e a passage
dos peixes), talvez definitivamente.

Apesar dos R$ 150
milhoes investidos
(R$ 135 milh6es du-
rante a primeira eta-
pa de Tucurui), esse
dinheiro ndo sera
considerado desper-
dicado porque a ca-
beqa da eclusa de
montante esta incrustada na estrutura de
concrete da hidreletrica. Ter, portanto,
sua fun~go, ainda que aquela imensa por-
ta permaneca indefinidamente fechada,
como soberba peqa decorative.
A eclusa s6 adquire um urgente sen-
tido pratico se relacionada a um piano
de desenvolvimento, mesmo que seja (ou
principalmente que seja) apenas do vale
do Tocantins-Araguaia. Na situacqo atu-
al, a eclusa nao saira e a hidrovia ira ate
Xambioa ou, no maximo, Maraba, des-
viando-se de Belem a partir dai atraves
do modal rodoviario ou ferroviario para
o porto de Ponta da Madeira, em Sdo
Luis do Maranhdo. Cor a eclusagem de
Tucurui, o gas de Juruti (se as prospec-
coes da Petrobras continuarem bem su-
cedidas), do medio Amazonas ou da foz
podera ser levado para a area da pro-
vincia mineral de Carajas, criando base


energ6tica e de reducAo industrial para
um p6lo siderirgico mais valioso do que
o das usinas de ferro-gusa (base des-
perdicada num primeiro moment, quan-
do a energia de Tucurui passou a ser
exportada para o Nordeste ou foi confi-
nada nas fabricas de aluminio). Sem fa-
lar na atraqao de carga com fluxo ja es-
tabelecido, mas em grande incremento.
Sem um piano de desenvolvimento
que a contextualize, a transposicgo da
barrage de Tucurui significa um acres-
cimo enorme mas sup6rfluo de ca-
pacidade de transport de carga sem cor-
respondencia com a realidade atual ou
projetavel a partir de crescimento vege-
tativo da demand, sem nada visivel para
torna-lo exponencial. NAo tem, por isso,
prioridade real para a administracao fe-
deral, embora a obra figure retoricamen-
te no program Avanca Brasil (e esteja
sendo homeopaticamente tocada).
E inacreditavel que, passado um
quarto de s6culo da obra (a hidrel6trica
de Tucurui) que desencadeou todas as
transformaqces na regiAo, o process
ainda esteja sendo substancialmente
conduzido por uma empresa especi-
alizada de energia el6trica, a Eletronor-
te. Foi exatamente porque a Eletronor-
te assumiu a conduqdo solitaria do pro-
cesso, circunscrevendo-o a execucgo
da hidrel6trica, que a dimensio da obra
foi amesquinhada. A Sudam, que en-


saiara participagAo no aproveitamento
da madeira a ser submersa pelo future
lago, se afastou de vez. A transposicio
da barrage, que deveria integrar a
obra como parte dela inseparavel, foi
destacada e transferida para a
(in)compet6ncia da Portobras.
Por incrivel que pareqa, essa forqa-
da dissociacao persiste: duas obras que
deveriam ser combinadas seguem em pa-
ralelo pela estrutura de dois minist6rios,
como se o C6digo de Aguas (de 1934,
mas em pleno vigor) nao impusesse ao
construtor da barrage garantir que ela
nao se torne barreira intransponivel em
um rio anteriormente navegavel.
Ja que a norma legal nao foi obe-
decida e nao parece haver quem a faca
cumprir na terra da potoca, a alterna-
tiva seria dar a transposigco de Tucu-
rui o sentido de uma obra vital, nao de
uma mera ret6rica, usada por uns para
aumentar o poder de atraago do seu
palanque e por outros para favorecer
empreiteira que passou de uma etapa
a outra, muito mais cara do que a pri-
meira, usando o mesmo contrato, ape-
nas aditado.
E por isso que a obra estritamente
energ6tica avanca, indiferentemente a
uma s6rie de implicaq6es e conseqtiUnci-
as para as quais, depois, a sociedade tera
que encontrar as respostas e, natural-
mente, o dinheiro para atend&-las.






JOURNAL PESSOAL .*2 QUINZENA DE NOVEMBRO / 1999 7


) marcas nos antigos igap6s, se ja servi-
ram para alterar drasticamente a pai-
sagem, se traduzem por um indice real
bem abaixo de 90%.
Se, financeiramente, o que falta
corresponde a algo em torno de 10%
dos recursos previstos, oriundos qua-
se que exclusivamente do BID, fisi-
camente o "deficit" e bem maior. A
constatacfo poderia representar a
comprovaqao de que houve desvios de
recursos ou superfaturamentos, ava-
liados, na hip6tese mais critical, em R$
20 milh6es e que teriam levado o
BID a suspender a liberacio da sua
parte durante alguns meses, at6 a re-
soluqCo do problema.
Independentemente de terem ou nao
existido essas irregularidades, uma vi-
sualizaqdo da macrodrenagem por in-
teiro sugere que o projeto ter sido mais
de puro (e conventional) saneamento
basico do que propriamente de urbani-
zaq o. A maior parte dos canais da ba-
cia do Sao Joaquim e do Una encontra-
se canalizada, razoavelmente drenada
e corrigida, mas ainda falta bastante
para substituir o antigo cenario (de pa-
lafitas, lama e vegetagio) por uma pai-
sagem verdadeiramente urbana (inde-
pendentemente de sua conotacgo valo-
rativa), garantindo que houve realmen-
te evolucgo na incorporaqao dessas ex-
tens6es do hinterland e da paisagem
natural ao tecido urban. E nesse va-
cuo intermediario de beneficios que se
concentram as queixas da populacgo,
carente de arruamento, pavimentaqdo,
meio-fio, vala, micro-drenagem e alguns
components a mais de infraestrutura
sacramentando a melhoria de nivel.
Em algum grau de media esse tra-
qo de inconclusao do projeto, de obra
parcial, result dos desentendimentos
entire o Estado e o municipio, a partir
do moment em que os seus comandos
(cor o PSDB e o PT) entraram em
conflito e a comunicacao entire ambos,
em colapso. Depois de ter excluido a
prefeitura, na presuncao de poder agir
sozinho, o governor tentou atirar-lhe a
batata quente, repassando-lhe uma obra
capenga como se ja estivesse comple-
ta, para os serviqos complementares.
Do seu lado, a prefeitura recusou-se a
fazer a sua parte enquanto a do gover-
no nao estivesse efetivamente finaliza-
da, em condigqes de ser aceita. Essa
guerrilha manteve como uma chaga
aberta o verdadeiro cronograma fisico-
financeiro da obra.
Essa irracionalidade, entretanto, te-
ria sido superada, como se podia veri-
ficar da leitura de duas edic6es suces-
sivas de O Liberal, porta-voz de am-
bas as instdncias oficiais quando elas
pagam o preco cobrado pelo desem-


penho da missao. No journal do dia 13
de outubro o secretario municipal de
saneamento, Eduardo Passetto, fez
pesadas critics ao desempenho esta-
dual na macrodrenagem. Identificou
um estranho movimento de elevacgo e
baixa de preqos dos serviqos executa-
dos pelos empreiteiros, conforme eram
apresentados para conferencia e pa-
gamento ou transferidos para uma se-
gunda etapa, sem previsao definida de
comeco. Estranhou o "sumiqo" de
nada menos do que 135 quil6metros de
canaletas e sarjetas, alem de outros
reajustes de preqos.
Na ediq~o do dia seguinte, o mesmo
Passetto aparecia em entrevista con-
junta com novo o home forte do go-
verno na macrodrenagem, o secretario
de desenvolvimento urban, Paulo El-
cidio Nogueira, e o gerente do projeto,
Eduardo Lourenqo, dizendo que todas
aquelas critics resultavam mais de in-
compreensao da imprensa e falta de
comunicacao entire as parties do que de
uma situacqo real. Os pontos referidos
na v6spera perderam toda a validade
que aparentavam ter apenas em fun-
qao de os dois homes ptiblicos terem
sentado em uma mesa de dialogo e
acertado suas diferenqas.
Tudo estaria bem se os tais pontos
de incompreensao nao tocassem em
problems reais, visiveis independente-
mente de serem bem ou mal explica-
dos, correta ou incorretamente interpre-
tados. Mas ja que os dois niveis da ad-
ministraqdo p6blica teriam se acertado
na conversaaio direta, bem que tercei-
ros interessados na maior obra urbana
de Belem poderiam leva-los para um
debate p6blico, cor a participacao de
outros interlocutores credenciados. Tal-
vez fosse uma boa oportunidade para
fazer uma ampla e rigorosa revisao da
macrodrenagem antes que ela seja
abandonada no papel como, em varios
pontos do sitio urban, seus services
foram deixados num estado de aparen-
te abandon.
Ha varios outros temas para preo-
cupagao. Um deles & a reduqao da ca-
pacidade de investimento do Estado
nos pr6ximos anos, principalmente
quando j~ nao contara corn um ingres-
so de capital liquid tao excepcional
quantos os 450 milh6es de reais da pri-
vatizacio da Celpa. Em sentido inver-
samente contrario, a acumulaqao deju-
ros do empr&stimo do BID, aumentan-
do a sangria financeira do erario.
Um grande projeto que comecou tao
vacilante nao pode terminar (sem ter-
minar de fato) mais vacilante ainda. Se
ele nao merece destiny tao ingl6rio, a
populac;o beneficiada 6 ainda menos
merecedora de tal desfecho.


De indio
Poucos cargos federais
tem sido mais bem
preenchidos nos ultimos
tempos (com intervalos
pavorosos, e certo) do que a
presidencia da Funai, a
FundaCdo Nacional do Indio.
Por la jd passaram
sertanistas de primeira linha,
como Apoena Meireles e
Sidney Possuelo, e ativistas
dos direitos dos indios, como
Marcio Santilli. Mas a
permanencia e
desproporcionalmente inversa
ao curriculo de alguns dos
ocupantes do cargo. Mcircio
Lacerda, depois de oito
meses, cedeu o lugar a Carlos
Frederico Maris, que tomou
posse nesta semana.
0 paranaense Mares e um
cidaddo decent. Tem uma
longa vida professional
dedicada ao direito, cor
especial atencdo ao direito
dos indios. A tiltima vez que
nos encontramos foi em 1990,
em Paris, na sessdo do
Tribunal Permanente dos
Povos dedicada a Amaz6nia.
Depois que fiz minha
intervengCo, Mares,
agoniado, veio me fazer um
pedido. "Nao use essa
expressdo, amaz6nida. Somos
de um mesmo pais, todos n6s
brasileiros. 0 que e esse
neg6cio de amaz6nida?".
Ndo partilhei, e claro,
dessa visdo, mas respeitei o
ponto de vista desse
brasileiro do Parand, que
ndo v, a necessidade nem
a motivaao para
considerar-se distinto dos
demais brasileiros. Ndo sei se
essa forma de encarar o pais
vai ajudd-lo a bem
desempenhar a funqdo e a
permanecer no cargo por
tempo condizente com sua
biografia. Mas, se ndo der
certo, a Mares deverd restar
o console de ndo ter
contribuido para o
insucesso. Daqui, espero que
de certo. Ao menos para que
os indios brasileiros ndo se
sintam importantes a maneira
(nada conventional) de Alice
no pais das maravilhas.








Ideologia

O deputado federal
Giovanni Queiroz, o
principal lider do PDT
no Para, foi a Granja do
Icui, no final da noite do
dia 28 de setembro, para
uma conversa reservada
cor o governador Almir
Gabriel. Levou consigo
a vice-prefeita Ana Julia
Carepa, do PT. Ana Jilia
havia recebido corn
simpatia o convite de
Giovanni para trocar o
partido de Lula pelo de
Leonel Brizola. Mas
estabeleceu uma
condicfo: a garantia de
ser a candidate da
coligagao governista a
prefeitura de Belem.
Sem esse poder,
Giovanni pediu uma
audiencia particular a
Almir para tratar do
assunto. 0 governador
lamentou nao poder dar
essa garantia pr6via a
Ana Julia. Poderia ate
trabalhar pela
candidatura dela, mas ela
teria que disputar a
indicacqo junto aos
partidos que integraram
a vitoriosa "Uniao pelo
Para da eleicao do ano
passado, do lado
contrario ao do PT.
A vice-prefeita
decidiu entao
permanecer nas fileiras
petistas.


Para acompanhar razoa-
velmente os fatos e discer-
nir o tratamento da impren-
sa ao poder no Pard, uma
pessoa precisa ler os tr6sjor-
nais diarios de Belem. Sem
isso, esta ameagada de se
tornar vitima de graves dis-
torq es. Nao porque o ma-
terial publicado pelos tresjor-
nais se complete. Na maio-
ria das vezes, principalmen-
te quando tocam em ques-
toes mais sensiveis da estru-
tura de poder, suas materias
se excluem. Ha, nelas, um
component subjetivo de va-
lor ou de vontade atrapalhan-
do a cobertura dos aconteci-
mentos.
Em funcao do conflito
cada vez mais aberto entire
o governador Almir Gabriel
e o senador Jader Barbalho,
o Didrio do Pard vai aos
poucos reincorporando o pa-
pel de 6rgao politico, numa
previa de como se compor-
tara quando vierem as cam-
panhas eleitorais. Todo o vi-
sivel e elogiavel esforqo
de profissionaliza~go, que
garantiria aojomal um lugar
pr6prio no mercado, inde-
pendentemente dos interes-
ses politicos do atual presi-
dente national do PMDB,
comega a ser colocado de
lado. Sera uma perda para


todos se essa reatracacgo (o
que os estudantes costumam
chamar de reaparelhamento)
se aprofundar.
Ja A Provincia do Pard s6
nio se torou o diario oficioso
por causa da sua pequena ex-
pressAo como instrument de
opiniao public. Mas o ex-dia-
rio associado ter feito o que
pode, com seus precarios mei-
os, para projetar uma imagem
favoravel do goverador tuca-
no, comprometendo assim a
pretensAo a independ&ncia
political, que sempre foi sua
meta, ilusdo ou fantasia. Pa-
rece ter falado mais alto a ne-
cessidade de sobreviver, a
qualquer prego (o que nao e
mera metafora).
0 Liberal, ate pouco tem-
po atras o mais governista dos
tres diarios, experiment uma
mudanqa de rumos que talvez
s6 os observadores mais aten-
tos (ou interessados no jogo
politico) perceberam. As ma-
terias foram perdendo o brilho
dos adjetivos a favor e adqui-
rindo uma roupagem suposta-
mente neutra. Os atos do go-
verador foram despejados do
seu lugar cativo na primeira
pagina, onde comegaram a
escassear as fotos de Almir
Gabriel, antes freqiientes, sis-
tematicas. Nas colunas, algu-
mas notas ja destilam veneno


-ou, quando nao isso, ambi-
giiidade, sinete da casa.
Indicador de muda no co-
mando dojomal dos funds do
bosque ou algum desejo ain-
da nao atendido? Um obser-
vador bem posicionado arris-
ca um palpite. Na sua nova
onda de candidate a candida-
to a politico, Romulo Maiora-
na Junior, o principal executi-
vo do grupo Liberal, quer es-
tar sempre no olho do fura-
cdo. O governador nao deve
tomar decisOes relevantes sem
consulta-lo, ou pelo menos avi-
sa-lo antecipadamente.
Varios recados nesse
sentido ja foram passados a
Almir Gabriel. O goverador
faz de conta que nro os re-
cebeu. Rominho ter batido
seu telefone ao saber, por ter-
ceiros, do que gostaria de ser
informado diretamente pelo
govemador, dada a importan-
cia que tem (ou se atribui).
Como a busca da aproxima-
qCo cor o PFL de Hl6io Guei-
ros & Vic Pires Franco, con-
trariedade que nem os sais
ajudam a tomar suportavel.
Seria s6 isso? Duvide-se.
E, na divida, e melhor ler
corn mais atencqo os tresjor-
nais, cada vez mais cheios de
recados, bales de ensaio e
- caspite! tutti qui. De fa-
tos, mesmo, nem tanto.


Sedug.o


Interesse puiblico


0 convenio para a
implantaCdo do projeto
Salobo em Marabd foi,
a um mis da
privatizacdo, o mico
que a Companhia Vale
do Rio Doce estatal
deixou para o
governador Almir
Gabriel pagar. 0
projeto da sidertirgica a
gas em Marabd,
apresentado sem todas
as poderosas
condicionantes que o
envolvem, e o mico que
a CVRD privada estd
colocando ao alcance
da cobiCa de sua
excelencia. Pagard pela
segunda vez para ver?


Nao consegui ainda,
pela leitura do Diario Ofi-
cial, tirar uma duvida: quan-
to o Estado ja pagou a
Leme Engenharia pelo tra-
balho de consultoria pres-
tado ao program de recu-
peragao das baixadas de
Belem? A Leme substituiu
em 1992 a Rede Engenha-
ria, consultora contratada


na administraqco Jader
Barbalho. Na revisao do
program herdado, o gover-
no Almir Gabriel viu super-
faturamento de empreitei-
ras e inaceitavel poder da
Rede. Pagou-lhe um milhao
para sair sem problems,
cedendo o lugar a Leme.
Nestes sete anos, quanto
essa empresa ja faturou?


Journal Pessoal
Editor: LOcio Flavio Pinto
Fones: (091) 223-1929 (lone-fax) e 241-7626 (lax)
Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040
Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br
Edig9o de Arte: Luizantoniodefanapinto/230-1304


Sera algo ao redor de 11
milh6es de reais ou pou-
co mais? Sera que o cres-
cimento exagerado do va-
lor final, em trAs aditamen-
tos cor reajuste de valor,
esta sendo feito em bases
legais? Nao seria neces-
sario efetuar um novo
contrato, ou os aumentos
atraves de terms aditivos
estao conforme a lei? Se
quiser, o president da
Cosanpa (Companhia de
Saneamento do Par"), Ra-
miro Bentes, bem que po-
dia esclarecer a opiniio
public sobre essa impor-
tante e as vezes descu-
rada face da macrodre-
nagem de Belem.


Atengao