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Journal Pessoal (PA. L C F L AV O PI N T-O De volta ANO XIII NO 221 21 QUINZENA DE OUTUBRO DE 1999 R$ 2,00 interesse Public ALUMINIO Luta de gigantes Uma causa de 53 milhbes de reals, originada na distant comarca de Oriximind, estd i sendo decidida em Belem pelo 7JE. Mas pode afetar bilhoes de djlares e alcangar repercussdo international. 1 mais um capitulo da dispute entire as gigantes do a/unt.rio no mundo desdobrando-se na fronteira amaz6nica. ,i " ..... .. ....., (?i3` I-~' !.e ri"- ` ? Sst estourando no Pard um dos efeitos das drasticas acomoda- oes e reajustes que se proces- sam atualmente na economic in- lemacional do aluminio, embora os sism6grafos locals praticamente nada registrem desses abalos. A crise intema vivida desdejulho deste ano pela Minera- qao Rio do Norte, a terceira maior produ- tora de bauxita do mundo, instalada em Oriximina, no Para, 6 apenas a ponta de um enorme iceberg. Aparentemente, dois grupos de s6cios disputam o control de uma infima parce- la de aq6es preferenciais (sem direito a voto), litigio que transbordou dos gabine- tes para as barras da justiqa. Na verdade, 0o que esti em questao 6 um pesado jogo de bastidores, envolvendo um patrimonio .:s 5 '-3 de 3,5 bilhbes de d6lares, que no ano pas- sado propiciou aos tres segments de producqo: bauxita, alumina e aluminio - faturamento de quase US$ 800 milhOes. Mas suas implicaqces podem ser muito mais extensas e profundas. O Para volta a ser um centro important de decisOes sobre o mercado do aluminio. O capitulo mais recent dessa hist6ria eclodiu emjulho, emboraja viesse germinan- do desde alguns meses antes, quando a Alu- vale, a holding da Companhia Vale do Rio Doce para o setor, anunciou uma ampla par- ceria cor a norueguesa Norsk Hydro, a quarta maior do aluminio no mundo. As duas ja eram s6cias na Mineraqao Rio do Norte, a brasileira cor 40% do ca- pital, a norueguesa com 5%. A Norsk pas- sou entao a fazer parte da Alunorte, apli- cando US$ 200 milhoes no capital da em- presa de alumina (produto intermediario entire a bauxita e o metal, cor a aparencia de a ~car) e aportando metade de outros US$ 300 milhoes para elevar a produgao (de 1,5 milhAo para 2,3 milhoes de tonela- das de alumina, corn possibilidade de che- gar a 3 milhoes, o equivalent a 10% de toda a producqo intemacional). Mais ainda: a Norsk pode ficar corn um terco da produqao de aluminio da Albras, a irnn-gemea da Alunorte no distrito indus- trial de Barcarena, a maior fabrica do con- tinente, comprando, ao long de 10 anos, 100 mil toneladas firmes do metal, um ne- g6cio de US$ 1,6 bilhao. Completando esse conjunto de enten- dimentos, a Aluvale decidiu repassar A Norsk Hydro 8% de suas aq9es preferen- ) ?' LLLA-LL'L. LLLA. CL 2L .IZL'. LLtLLA.LC.L 2LLL. h LI} .... .. -.> v.. "---.- ':-.- .:"---' " .-.^;5:^'" "> (. 42 vjl 2 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 Sciais na Rio do Norte, correspondendo a 3% das acqes preferenciais da empresa e a 2% do conjunto de suas aqces (inclui- das as ordinarias, que dao direito a voto), numa transacio de R$ 53,4 milhoes. A Norsk passaria a ter 7% do capital total, abaixo da Aluvale (hoje 40%), Alcan (12%), CBA (14,8%), Billiton (10%) e Alcoa (8,58%), e acima de Reynolds (5%) e Abalco (4,6%). Cumprindo o acordo de acionistas da MRN, a Aluvale comunicou aos demais s6cios que pretendia consumer a transa- Fao nas bases estabelecidas (12 bilhoes de aqces preferenciais por R$ 53,4 milhoes). Eles teriam 60 dias para exercer seus di- reitos de preferencia, igualando a oferta da Norsk. Ao dar ciencia da notificagao, a Alcoa, a Alcan e a Billiton, as tres mais poderosas das seiss irmas" que integram o cartel mundial do aluminio, pediram mais informaqces do que as apresentadas. A Aluvale, porem, considerou descabida a solicitacgo, por envolver dados absolutea e completamente alheios e estranhos a transferencia de ac6es", violando o sigilo commercial entire as duas empresas sobre seus outros neg6cios. Imediatamente a Alcoa, multinational americana que e a nuimero um do aluminio, cobrou da direcgo da MRN que declarasse a "intransferibilidade" das 12 bilhoes de acOes preferenciais que a Aluvale preten- dia vender a Norsk. A Rio do Norte res- pondeu que nao tinha esse poder. As tres empresas, mais a Abalco, requereram en- tao a intervencgo da Corte de Arbitragem da Cdmara de Comercio Internacional para decidir o litigio, emjulgamento a ser feito no Rio de Janeiro. Mas simultaneamente in- gressaram em juizo cor uma aFgo, pedin- do a suspensao do prazo de 60 dias para exercerem a prefer6ncia, ate a decisao do arbitramento. A acao cautelar inominada foi proto- colada na comarca de Oriximina no dia 8 do mss passado. No dia seguinte, sem con- sultar a outra parte, num despacho de lau- da e meia, a juiza Rosa de Fatima Nave- gantes de Oliveira deferiu liminarmente o pedido, suspendendo "qualquer ato de transferencia das acoes, objeto da contro- versia, ate decisao do Tribunal Arbitral ou ate a prestaqao das informagqes requeri- das pela parte autora". A Aluvale apresentou entao uma ex- tensa contestaqao, argiindo inclusive a ma f6 das quatro s6cias, que acusou de terem procurado induzir a apreciaq o da juiza quando nao a incluiram, e a Norsk Hydro, no p6lo passive da acao como litisconsor- tes passivos necessarios, alem de omitir informa~oes essenciais sobre a demand. Tambem criticou o despacho dajuiza, que "nao enfrentou por qualquer meio a ques- tao posta, cingindo-se a ver o 'problema', sob a 6tica das autoras e sem oportuni- zar sequer a defesa das principals interes- sadas no neg6cio mercantil". Como, porem, a juiza manteve sua de- cisao, a Aluvale agravou para as camaras civeis do Tribunal de Justi9a do Estado. O relator, desembargador Joao Alberto Pai- va, no exercicio da vice-presidencia, rejei- tou o agravo, confirmando a sentence. Atra- ves de novo agravo, a subsidiaria da CVRD submeteu a questao a camara, que agora vai aprecia-la. Mas ainda ha instancias re- cursais a usar, de um lado as quatro multi- nacionais querendo forcar a Aluvale a dar as informac6es solicitadas e a subsidiaria da CVRD tentando manter suspense a li- minar ate o arbitramento. A demand deixa bem evidence que a causa nao se cinge a uma prosaica transfe- rincia de aqoes, que nao passam de 3% das preferenciais e 2% do capital total da MRN, at6 mesmo porque todos os envolvi- dos ja sao cotistas da mineradora. As pala- vras e o tom do litigio, que op6e quatro dos s6cios contra outros dois (estes, aparente- mente, beneficiados por uma discreta sim- patia ou neutralidade de outros dois parcei- ros na sociedade), parece revelar que a Mineraq5o Rio do Norte pode estar entran- do num process de corrosao sem retomo, desmoronando por dentro. Essa estranha forma de associaqao, na qual a maioria dos s6cios (transformado- res de aluminio) pode lucrar cor o baixo preco do minerio que comercializam, re- sistiu a alguns moments dificeis. O mais recent deles quando a Alcoa usou um projeto pr6prio de mineracio de bauxita no Trombetas, vizinho ao da MRN, para torpedear a Rio do Norte e abrir uma bre- cha, atraves da qual integrou completa- mente suas atividades no Brasil, da mina (em Oriximina) a transformaqao do mine- rio em alumina e aluminio (em Sao Luis do Maranhao, atraves da Alumar), um brago norte independent de suas instalacqes mais antigas, no sul do pais. Por ser inevitavel naquele moment, CVRD e Alcoa compuseram interesses antag6nicos, a semelhanca do que antes havia sido feito entire a entao estatal brasi- leira e a multinational canadense, a Al- can, dona exclusive do neg6cio em sua origem. Mas o conflito permaneceu laten- te ate recentemente, quando a CVRD encontrou na associacao com a Norsk Hydro um suporte para redefinir o seus neg6cios no setor. Agora o litigio emergiu, talvez definitivamente, na forma de uma guerra commercial, do tipo daquelas em que s6 nao vale perder. E por isso que, na sua contestagao, a Aluvale diz que a acao judicial das quatro multinacionais "mais parece uma vindita ou retaliaqao de quem nao quer comprar as aqces preferenciais, tudo dentro de um espirito mais desagregador que nao pode coexistir entire os socios de uma unica so- ciedade mercantil". Assim, qualquer que seja a decisao da arbitragem administrati- va, dificilmente ela tera o condo de res- tabelecer a paz e o entendimento entire os s6cios da MRN. Uma era pode ter chega- do ao fim. Exatamente porque esta em causa uma dispute de poder e dinheiro muito maior do que a Rio do Norte, embora ela, produzindo 10 milhoes de toneladas, ja seja a 3- maior mineradora de bauxita do mundo e esteja prevendo passar para 14 milhoes de tonela- das se os pianos da Aluvale derem certo. Num moment em que os grandes (como Alcoa, Alcan, Billiton e Reynolds) se agigantam ainda mais, atraves de mega- fusbes entire si, numa sinergia que parece evoluir como ciclone para um future nao de todo previsivel (o escorpiao pode at6 picar a pr6pria cauda), quem nao crescer pode ser absorvido ou destruido. Para a Vale do Rio Doce nao ha mesmo outra said. Cor sua atual estrutura produtiva, ela nao con- seguira desfazer o n6 atado na garganta fi- nanceira da Albras e da Alunorte. Ate o final do ano passado as duas acu- mulavam prejuizos operacionais de 1,4 bi- lhao de d6lares, a Albras, mais antiga, num horizonte commercial de 14 anos. O saldo negative dos seus emprestimos alcanqava entao quase US$ 1,5 bilhao. Seus principals indicadores econ6micos tem melhorado nos tiltimos anos, mas os rendimentos desapa- recem no ralo financeiro. Precisa produzir mais, vendendo o tanto que acrescenta, para gerar mais renda e amortizar o que deve. Mas s6 conseguiria realizar os investi- mentos necessarios se um poderoso par- ceiro se apresentasse. Essa said salva- dora, ao que parece, & a Norsk Hydro, ne- cessitada de encontrar fluxos de materias primas fora do circuit das adversarias de cartel. Para ter autonomia, precisa estar firmemente present no ponto de partida (a mineraqio) e na zona de beneficiamen- to primario (alumina e aluminio), deixando de ser client desfavorecida para se tor- nar auto-suficiente. B contra esse esquema que as multi- nacionais encasteladas na MRN se insur- gem, uma batalha que pode ser numerica- mente traduzida por pelo menos US$ 2 bi- lhoes ou US$ 2,5 bilhoes fluindo para in- vestimentos no polo de aluminio do Pard ao long dos proximos 10 anos, fazendo-o produzir 14 milhoes de toneladas de bau- xita, 3 milhoes de toneladas de alumina e 400 mil toneladas de aluminio, quantitati- vos muito maiores do que os de hoje. Coi- sa grande o suficiente para fazer olhos cobicosos de muitos lugares do planet convergirem para os papeis que estao cir- culando pelos escaninhos dojudiciario pa- raense, da interiorana Oriximina, alcanCa- da por sua mais cara causa, ate a sede do seu tribunal, nada mais do que instancias de um enredo maior. 0 JOURNAL PESSOAL .*2 QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 3 Interesse pOblico Verba jorra pelo cano da Cosanpa Houve um tempo em que alguns dos inte- grantes da administracio piblica estadual res- pondiam aos questionamentos feitos nesta se- cao. Seu espirito public foi aqui registrado e louvado, embora nada mais estivessem fazendo senao cumprir um dever funcional, como ver- dadeiros servidores publicos. Raios e trov6es partidos do trono, porem, parecem haver deses- timulado essa pratica, salutar e democritica. Ningumm deve responder ao critic. Ele se can- sara. Ou o public se cansara. Talvez. Mas depois de ter "dado um tem- po", como se diz no "tempo partido", que Car- los Drummond identificou num dos seus (mui- tos) melhores versos, volto ao registro desta seqio. Se os supostos servidores publicos e o pr6prio public se calam, o problema k deles, se eles nio forem o problema. Nao e o silen- cio que ira inibir o necessario trafego da ca- ravana. Ela precisa fazer sua vigilancia so- bre a gestio do dinheiro dos impostos pagos pelos cidadaos e o exercicio do poder por eles delegado aos seus representantes legais. Ta- refa vital, como se vera. A Secretaria da Fazenda do Estado assi- nou com a Cosanpa (Companhia de Sanea- mento do Para), no inicio do mes, o 48- aditi- vo ao convenio original, de 1994, atraves do qual transfer recursos do BID (Banco Inte- ramericano de Desenvolvimento) para o "Pro- jeto de Drenagem, Rodovia, Aguas e Esgo- tos das Zonas Baixas de Belem". Da uma me- dia de quase 10 aditamentos por ano ao lon- go de cinco anos,ja quase estourando o limi- te maximo que a lei autoriza para a vigencia desse convenio, ate 31 de dezembro deste ano. Mais um pouco de atraso eja sera necessario assinar um novo convenio. A primeira questao que se suscita e sobre a natureza dessa relacqo. Por que convenio e nao contrato? Certamente para as duas par- tes o melhor instrument juridico e o conv&- nio, que permit tangenciar ou mesmo evitar certas normas da lei sobre o servico public, em nome da celeridade e da eficacia. Mas sera que a moralidade e o interesses public sao igualmente contemplados? Como a forma adotada na relaqgo e o con- venio, a secretaria e a companhia se permitiram manter, no extrato do 480 termo aditivo, publi- cado no Diario Oficial do dia 5, valores no ve- Iho padrio monetario do cruzeiro, sem atuali- za-los. A norma constitutional que obriga os governantes a dar publicidade aos seus atos (geralmente usada para propaganda pessoal) deveria exigir dos responsaveis pelo documen- to atualizar os valores. Mas, como de habito, deixaram de lado a clareza do ato e a obrigaggo maior de prestar informaq~o ao contribuinte. No entanto, 6 facil verificar que o valor ori- ginal do convenio era simb6lico, de 325 mi- lhoes de cruzeiros (do velho dinheiro), em 1994. O primeiro aditivo, assinado logo a seguir, ja foi de CR$ 576 milhaes. Nos dois meses se- guintes, ainda de 94 e antes do Piano Real, os acrescimos foram, sucessivamente, de CR$ 885 milh6es e de CR$ 980 milhOes. Ou seja, tres aditivos ao convenio excederam seu valor ori- ginal em mais de sete vezes em apenas quatro meses. Por isso e que a forma de convenio foi a adotada, afastando-se a relaqCo contractual, que limitaria os acrescimos a 50% do valor ori- ginal em caso de reform ou 25% se obra nova? Deixo aos especialistas todas as implica- Coes dai decorrentes, corn sua fundamenta- qio legal. Um leigo havera de levantar duvi- das sobre a correqgo que pode haver em um convenio mantido entire um 6rgdo da admi- nistraqco direta e uma empresa public para demarcar suas relagdes na execuqgo de uma obra do porte da macrodrenagem das baixa- das de Belem. Mesmo desconsiderando-se os valores transferidos ainda sob o imperio do cruzeiro, em reais os repasses da Sefa para a Cosanpa alcangaram 257 milhfes de reais en- tre julho de 1994 e outubro deste ano. Bem que a Secretaria Executiva de Edu- cado, normalmente atenciosa e eficiente no assunto, poderia esclarecer melhor o conteudo do 22" termo aditivo ao contrato de prestaado de servigo de seguranga que assinou corn a Puma. 0 valor global con- trato original, de 1996, era de 86,5 mil re- ais. Jd o valor mensal do aditamento b de R$ 96 mil. Ou seja: a Seducpagar6 mensal- mente a Puma, ate 31 de dezembro, quase o que estava previsto em todo o contrato ori- ginal. Epossivel ate que o contrato de 1996 tenha sido assinado para vigir apenas em dezembro daquele ano. Mas, segundo pode- se deduzir nas normas legais, so poderia ser aditado em ate 50%, ndo? No entanto, a maioria dos outros 21 aditamentosfize- ram acrescimo de valor. Pelaforma de re- dado do document, fica dificil esclarecer seu conteudo apenas pela leitura, jf que os terms aditivosforam enfileirados em linha continue e publicados sem suas justificati- vas. A Seduc podia, remando contra a cor- rente, esclarecer essas duvidas? A conclusdo da nova sede do Detran foi adiada, do ultimo dia 30 de setembro para 30 de abril do pr6ximo ano, como de praxe no crono- grama de obras da atual administragao estadu- al. O valor do predio high-tech, porem, ao que parece, permanece em R$ 4,5 milhOes, ap6s dois aditamentos, embora um press-realease do go- verno tenha se referido a R$ 5,5 milhoes. Em nome dos sagrados principios da in- formagdo e da moralidade publicas, pede-se d Secretaria da Fazenda que republique o extrato do 14" termo aditivo ao convenio que assinou em 1995 cor a Funtelpa (Funda- gdo de Telecomunicavdes do Para), objeti- vando a "centralizado dos servigos da co- municacao official, publicidade institutional e legal, campanhas promocionais, pesqui- sas de audiOncia e de avaliaCdo do desem- penho da Administragdo Estadual". Simpli- ficando: e a verba da propaganda official. E simplesmente impossivel, acompanhan- do a leitura dos aditivos, entender o que esta ali escrito. Em primeiro lugar, a enunciaCdo do "objeto do convenio ndo se segue, como deveria, o seu valor original, conform o mo- delo do Tribunal de Contas do Estado. A indi- caCdo dos valores dos sucessivos TAs efeita anarquicamente, ndo separando o valor ori- ginal dos respectivos acrescimos. Hd confu- sdo (inadvertida ou deliberada?) entire o va- lor original repetido e o novo valor, acresci- do apos o aditamento, ndo se podendo saber se ha ou nao incorporacdo. Tudo isso result em que pode-se saber que o valor acrescido pelo 14" aditivo e de R$ 5 milhoes, mas ndo qual o valor original, nem quanto, exatamen- te, ja foi gasto ate agora, desde 1995. Tambem neste caso cabe a duvida: pode um convenio ser utilizado legalmente nesse caso, sem exigir a assinatura de um contrato? Ate que a Sefa esclareca o assunto, fica para o proximo numero uma andlise sobre os gastos do governor Almir Gabriel corn publi- cidade e pesquisa. Ele pode estar ate gastan- do bem, mas quando se trata de divulgar algo que ndo seja promoCgo institutional e pesso- al, nota sofrivel para a comunicagdo do go- verno cor o cidaddo. * Dejulho para agosto o quadro de pessoal do Banco do Estado do Para passou de 850 para 854 funcionArios. E que foram contratados mais quatro conselheiros, dobrando o mnmero origi- nal. Mas a despesa caiu quase pela metade. O que significa que cada um dos conselheiros pas- sou a ganhar muito menos, um valor meramente simb6lico. O mesmo aconteceu, guardadas as proporqoes, com os diretores: de R$ 17,3 mil em julho, a despesa com os tres diretores do Banpa- ra baixou para R$ 13,3 mil em agosto, pouca coi- sa acima de R$ 4 mil "per capital . Como economic de quitanda, 6timo. Mas o que dizer de um salario desses pago a dirigen- tes de um banco? Mesmo que seja um tanto injustificado chama-los de banqueiros, um ban- co estatal nao e exatamente a mesma coisa que um banco particular. La nao queremos marajAs. Mas a remuneracao estabelecida pelo gover- no langa dividas sobre a gravidade que o de- sempenho do cargo envolve, ou a seguranqa que a remuneracgo deveria assegurar enquan- to just contrapartida aos services prestados. Poderia a Secretaria Executiva de Cultura explicar como a Castegel Castanhal Seguran- 9a (desconhecida em Belem e provavelmente estabelecida no municipio de Castanhal) con- seguiu vencer a tomada de pregos e foi a con- tratada, em 1996, para prestar "servigos de se- guranqa patrimonial nos predios vinculados a SECULT", provavelmente existentes na ca- pital paraense? Desde entio, o contrato origi- nal, no valor de R$ 158 mil,ja foi aditado 22 vezes, a ultima delas no mes passado. Cujo extrato, alias, simplesmente ignore a resolu- 9~o do TCE exigindo que todos os aditamen- tos anteriores sejam referidos. 0 4 JOURNAL PESSOAL 2s QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 0 luxo intellectual brasileiro aniel Piza, e editor de um dos mais importantes cadernos de cultural da imprensa brasileira, o Fim-de-semana, publicado as sextas-feiras pela Gazeta Mer- cantil. Ali escreve uma coluna, Sinopse, cor pretensoes a suceder o Didrio da Corte, de Paulo Francis, que foi, ate mor- rer, no inicio de 1997, o mais polmicojor- nalista brasileiro. A maneira do idolo, Piza monta sua coluna com informagaes, obser- vac6es e julgamentos sobre quase todos os produtos da criaqao humana, da literature a ciencia, da political ao espetaculo. E um procedimento temerario. Para ser bem-sucedido, requer excelente mem6ria, numerosas fontes de consult a mao, tem- po de estrada (que, no caso, significa cul- tura bem decantada) e discernimento. Sem esses ingredients, escrever sobre tudo vira exercicio de narcisismo ou bufonaria. Da- niel Piza parece ser uma pessoa esforqada e bem informada, mas sujeita-se a graves escorregoes, com mais freqtiUncia do que o seu modelo. Acaba distanciando-se dele muito mais do que imagine. Na sua coluna de 19 de outubro, Piza/ Francis lamentou que Civilisation, de Ken- neth Clark, "uma das leituras que mais me marcaram na vida",jamais tivesse sido "traduzido no Brasil", o que "da ideia de nossa falta de... civilizaqao". Na semana seguinte, foi obrigado a admitir que sua afirmagao havia sido "simpaticamente" corrigida por "bom numero de leitores e a editor Martins Fontes". Foi a pr6pria Mar- tins Fontes quem lanqou a Ia (em 1980) e a 2- (em 1995) edicqes da versao em por- tugues do livro de Clark. O erro nao seria tao constrangedor, ex- ceto por revelar a fraca mem6ria dojoma- lista e seu mau habito de nao checar infor- maq6es, se Piza nao houvesse, a partir de uma declaraqao categ6rica (a inexistencia de traducao brasileira para um livro primo- roso na sumarizacao analitica de toda a tra- jet6ria humana), aproveitado para cutucar (com sua vara curta) nossa falta de civili- zacqo. Por dedugao, ojomalista estava pro- clamando-se um excluido dessa horda de barbaros, um ser do primeiro mundo a le- vitar no quarto (literalmente?). Afinal, re- gistrara, no ato, o langamento da edia.o de luxo da Folio Society, na civilizada e dis- tante Londres. Alem de informado up-to-date sobre as atividades culturais britinicas, Piza suge- ria haver lido o livro de Kenneth Clark no origi ial, em sua primeira edigao inglesa. No entail to, por tres vezes, na nota original e no seguinte "mea culpa", grafou civilisati- on, quando a lingua de Shakespeare exi- ge o emprego de civilization. Elementar, caro Piza. Mais um "lapso"? Certamente. Mas ja este deixa as claras a mnnia de cosmopolitismo que transport algumas das nossas elites pensantes para o mandarinato ultramarino, exercido numa torre de marfim (e balangandas) em sitio estrangeiro. Flagrado num erro primario (como conceber que algu6m tao marcado por uma leitura, como Piza diz ter sido por Civilizacdo, ignore duas boas edio6es do livro na sua lingua materna, sendo essa pessoa um professional da area de cultu- ra?), o editor de Fim-de-semana, porem, nao deu o bracinho a torcer. "Ate onde vi [ah, sim,finalmente o notd- vel critic permitiu-se descer d desprezivel lingua dos bdrbaros brasileiros], a traduqao de Madalena Nicol 6 muito boa. Receio, cla- ro, que isso nao nos confira civilizaqao. Se no Brasil houvesse uma Folio Society, quem sabe. Ou a traducao dos livros que acompa- nham as series de Robert Hughes [de docu- mentcrios para a televisao], 'O Choque do Novo' e 'Visoes da America'", proclama Piza, soberbo, do alto de sua superior ilustraqao, para os. eus brasileiros. uem, mesmo por lapso, troca cilization por civilisation, ndo estdc Id muito autorizado a conferir traduo5es do singles para o portugues. Por melhor que seja, a traducao para o por- tugues de um livro que, em materia de lin- guagem, nada inova, usando-a apenas como meio de expressao, sem qualquer in- tenCgo criativa, nao pode ser considerada element civilizat6rio. Nem mesmo o conte6do do livro de Kenneth Clark o 6. Seu valor esta no poder de sintese e na clareza de exposiqao sobre a historia da humanidade, valor acrescido pelas ilustra6oes escolhidas para demarcar o percurso do homo sapiens. Obra civili- zat6ria seria publicar por inteiro O Decli- nio e a Queda do Imperio Romano, de Edward Gibbon, Hist6ria de Roma, de Theodore Mommensen, Revolugco Fran- cesa, de Michelet, ou A Decadencia do Ocidente, de Oswald Spengler, dos quais temos apenas excertos ou verses com- pactadas. Nao ha mercado? Talvez, mas nossos vizinhos argentinos dedicaram 18 volumes ao Estudo da Hist6ria, a opera maxima de Arnold Toynbee, uma das ca- tedrais da historiografia contemporinea. E por isso, e por muitos outros motives, re- ais ou imaginarios, que os portenhos se con- sideram mais britanicos do que n6s, os 6ni- cos britanicos, por sinal, deste lado do mun- do (a despeito dos Pizas). E claro que os catalogos de livros das editors brasileiras nao se comparam aos das portuguesas (apesar de estas terem sofrido por long tempo a acao inquisitori- al do salazarismo), nem das espanholas (tambem sob as patas do franquismo por tempo superior ao das nossas ditaduras, ciclicas, mas de menor f6lego at6 1964). Muito menos e possivel entesti-las com as bibliografias em ingles dos Estados Uni- dos e da Inglaterra. Nosso descompasso em relaqao aos pri- mos do Norte realmente nos deixa mal, ja que somos nag6es corn a mesma idade. Lar- gamos ao mesmo tempo, mas a primeira universidade e o primeirojomal lancados nos EUA se anteciparam em um seculo a n6s, antecipaqao que tambem houve do outro lado do rio Grande, na sua banda hispanica. Esse descompasso diz muito sobre as ba- ses lusitanas da nossa civilizaq~o. Tivemos senhores errados, na hora errada. A hist6- ria, contudo, nao ter VT corretor. Usar o exemplo ingles como parametro e desonestidade. O Brasil ainda buscava uma identidade como naCao quando a In- glaterra ja estendia seus dominios por todo o planet, beneficiando-se desse centralis- mo para haurir quase toda a diversidade cultural essencial que os homes haviam produzido at6 entao. E durante um long tempo. Nao estiveram por aqui tantos e tao notaveis suditos ingleses? Basta pensar, sem pretender esgotar a listagem, em Darwin, Bates, Wallace, Burton, Mawe e, che- gando ate bem pr6ximo de hoje, Marga- ret Mee, a fantastica desenhista de flores tropicais que comeqou sua carreira, meio seculo atras, nas matas do nosso (e dos maranhenses) Gurupi. Tgo vasta, diversificada e profunda pro- ducao intellectual, tomando por motivacao tao amplas manifestac6es da criacao hu- mana e da natureza, em pontos espalhados por quase todo o globo terrestre, haveria de provocar o surgimento de sociedades cientificas e literarias como a Folio, citada por Piza. Sao criaturas de um pais imperi- al, como foi a Inglaterra, agora sucedida pelos Estados Unidos (cor outras tantas dessas sociedades vicejando no seu terri- t6rio, nao sem motivaqCo). As que aqui brotaram, algumas ainda vivas (ao seu modo, e claro, mas vivas, como o Instituto Hist6rico e Geografico Brasileiro, a Biblioteca Nacional ou a Aca- demia Brasileira de Letras), a sombra do Estado, ou independentemente, tnm seu tempo de vida e sua estrutura delimitados pelas circunstincias e limitacqes de uma naqao fortemente reprimida quanto a edu- cacao e cultural. Nesse context castrador (nao s6 em linguagem figurada, como Piza poderia imaginar), a existencia da Socie- dade Capistrano de Abreu no passado ou a Casa de Ruy Barbosa, hoje, sao notiveis. Nao podem ser sepultadas sob os editos JOURNAL PESSOAL .*2 QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 5 entire pince-nez e abobrinhas insensatos do jornalista desatento e narci- sista, cor laivos de mandarim mimetico. Piza pode ser enquadrado entire os "des- natadores da cultural que lidam cor sua superficie. Nesse nivel conseguem ser ate brilhantes. Mas se afogam quando preten- dem fazer mergulhos mais profundos. Fal- ta-lhes para tanto o folego que s6 as cultu- ras solidamente estabelecidas, atraves de trei- namento intense e sistematico, possibility. Profissionais como Piza podem prestar relevantes services a sociedade vasculhan- do publicacqes estrangeiras, navegando pela internet, conversando com fontes bem po- sicionadas, escrevendo notas informativas, fazendo divulgacio. Mas causam um des- servico a cultural national quando emitem juizos de valor e produzem sentencas a base de material inconsolidado ou superficial. Fazem multiplicar aquelas legi6es de pes- soas que nada aprendem, mas nao esque- cem o que aprenderam. Q uando "formadores de opiniao", como Daniel Piza, costuram seus textos, borrifando-os de editos, sentencas e gritos, estao disseminando se- mentes de intolerancia, alem de incultura. Geram criaturas que sabem distribuir eti- quetas (direitista, reacionario, atrasado, etc.), mas nao sabem pensar, nao sAo ca- pazes de construir um pensamento com metodo, discernivel, demonstravel. Sem isso, nao ha dialogo. Sem dialogo, nao ha tolerancia. Sem tolerAncia, desaparece a controversial. Sem controversial, nao se avanga. E sem esse conjunto a cultural e uma fichinha com a qual alguns cidadaos, mais bem protegidos por acidentes & cir- cunstancias da vida, continuam a acionar maquinas de acesso limitado, quase feti- ches, sobre e muito sobre, a enorme dis- tAncia a massa dos inciviliza- dos, dos barbaros. A cultural con- tinuara a ser um bric-a-brac dos iniciados. Mas sera que esses series pri- O fi vilegiados, tao distintos das hor- lo escre das ignaras, sao mesmo tao bem servaqa dotados quanto pensam? Daniel artigo s Piza, ao lamentar que no Brasil negans nao sejam produzidas series para lendo o a televisao, como a que foi feita do titul na Inglaterra a partir do livro de da eQua do esse Kenneth Clark, sugere professo- deu o t ralmente algo semelhante na in- element; civilizada terra brasileira "sobre Cor os moments sint6ticos de sua crevi en civilizagao, como o Recife dos a partir holandeses, a Minas de Aleijadi- atacandc nho e dos inconfidentes, o Rio edade) essa que de Machado e da Belle Epoque, vidade a Sao Paulo dos modernistas, a particular construq~o de Brasilia, etc.". O lo assin; etcetera abrange Manaus e Be- (um cab lem da borracha e Sao Luis do algodao e do arroz, em certos moments da civilizacao brasileira tao exemplares quanto os centros citados, mas que ficam na periferia do Bra- sil, numa parte deste pais selvagem que mais engulhos ainda provoca em series superio- res como Piza. Essas pessoas sao exageradamente emotivas e estranhamente sensiveis. O edi- tor da Gazeta, na mesma coluna em que ignorou a traduqco brasileira de Clark, ver- teu "uma lagrima" para o escritor goiano Jose J. Veiga, que falecera uma semana antes. Dele, Piza s6 havia lido os contos de Os Cavalinhos de Platipanto, o livro inau- gural de J. Veiga, de 40 anos atras, "mas sua imaginaCao concisa, nao especiosa, e marcante". Estranha mesmo a forma atraves da qual Piza 6 marcado por leituras. Quem leu Os Cavalinhos de Platipanto jamais deixaria de ler A Hora dos Ruminantes, o livro se- guinte, publicado sete anos depois. Primei- ro, porque houve uma mudanca (ou evolu- qao mesmo): dos contos para a novela. Em segundo, porque A Hora dos Ruminantes e obra mais s61ida, ainda mais impressio- nante, ainda mais "especiosa", para usar o vocabulario pizano. Se o notavel critic nao foi em frente (Veiga comecou a escrever ficqio tarde, mas, depois de estrear em literature, es- creveu muito), entAo nao foi picado pelo dardo "especioso" do nosso Kafka do Bra- sil Central, de Manarairema (se 6 precise dar-lhe um titulo). E se ficou por ai, nao pode avaliar Jose J. Veiga. A lagrima que derramou 6 crocodilesca, se permitem o neologismo zoomorfo. Como tambem e falso o enfado do seu colega Ivan Lessa, auto-exilado em Lon- dres, diante do Bananao (apelido dado ao arta sico Jose Maria Bassa- ve para fazer uma ob- o a proposito do meu obre a traduq~o de Fin- Wake, de James Joyce: texto, "entendi a razao de sua coluna chama- rk. Foi justamente len- livro que Gell Mann itulo para a particular ar quark, em 1964". 1o essa coluna, que es- A Provincia do Para, de 1967, era ecletica, S(as vezes sem propri- a tudo, batizei-a com era, entao, a maior no- cientifica (e a menor Sviva). Um dia, Bassa- alou esse pioneirismo oclo jornalista em dia cor a fisica na remota provin- cia) num artigo que escreveu para O Liberal. Como me cita- va, os Maiorana vetaram o arti- go. E Bassalo decidiu suspen- der algo absolutamente inico no jornalismo national ate en- tao: uma secgo fixa dedicada a fisica (no Jornal do Brasil, Ro- g6rio Mourao falava todas as semanas sobre astronomia. 0 Liberal renunciou a esse feito, que Ihe garantia pelo me- nos uma citaqao na hist6ria da imprensa e da fisica, apenas por- que Bassalo queria usar minha coluna como exemplo dos ma- les do isolacionismo, que as vezes, combinado com o pro- vincianismo e o paroquialismo, faz a universidade se atrasar, ate Brasil). Entrevistado por Daniel Piza na mesma edigfo do Fim-de-Semana, o filho de Origenes e Elsie Lessa (dois escrito- res do escalao m6dio da literature brasilei- ra) destila amargor, rancor e desdem pelo pais de origem, trocado pela perfida Albi- on. Mas, ao contrario de outros exilados, como Cabrera Infante, por exemplo, Ivan nao foi punido, nem marcado pela terra que abandonou. Exercendo legitimo direito,jul- gou nao haver mais "clima" (como se cos- tuma dizer no meio) para permanecer no Bananao. Pegou um Ita e se mandou para o Canal da Mancha. e long, porem, continuou a atirar setinhas de bom humor e criativi- dade. Escreveu um livro divertido e criativo, Os Meninos da Fuzarca. Pro- meteu outros, ate cor titulo antecipado, mas necas. Sua melhor producao saiu em conta-gotas para a s6rie de cr6nicas sobre a "horta da Luzia" e para a seqao Gip Gip Nheco Nheco, do velho Pasquim. Nada, nem de long parecido corn o maravilhoso e pro- fundo Mea Cuba, de Cabrera Infante, por exemplo, um rascante ataque a Fidel Cas- tro, sem ranqo, vivido. Intelectuais como Ivan Lessa, alem de se exilarem deste pa- quid6rmico e exasperante pais, exilaram-se de si mesmos e, em alguns casos, da cultu- ra que dizem representar (ou aspirar). Nao podem, portanto, entire um e ou- tro gole de uisque, entire um e outro in- conseqtiente martelar de mAquina, conci- liar saudade cor aversao, amor corn des- prezo, lucidez com cansaco, cotidiano com hist6ria, elements antiteticos do verdadeiro exilio criativo. Sao apenas pas- sado. E assim, como o bloco camavales- co, vao passar. A avenida, porem, esta fica. E sobra. * mesmo em relagao ao jornalis- mo vulgarizador (ou vulgar, para muito academico de nariz empinado). Segundo Bassalo, naquele moment em que eu usava o quark como titulo de coluna sobre generalidades e varieda- des, muita gente na UFPA des- conhecia o assunto. A pr6pria instituigao nAo o registrara nos seus anais e quetais. Inaugurando a coluna, ali- as, dediquei dois artigos a ex- plicaqao da expressao. Mesmo assim, era frequentemente abordado por leitores interes- sados em saber se eu estava homenageando a aveia Quaker, antes da desenfreada era do merchandising. - -- ----- Njy ,Jt 6 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 Grilagem de volta ameaga cio publicado nojornal O Es- tado de S. Paulo oferecia venda, por 40 milh6es de re- ais, o que seria a maior fazen- da do mundo, no vale do Xingu, no Esta- do do Para. Em seus limits haveria 60 milh6es de metros c(bicos de 37 diferen- tes especies florestais,ja inventariadas, e 28 rios, alguns deles navegdveis, abrigando muitas outras riquezas ainda por desco- brir. Quem estivesse interessado deveria procurar um certo JoAo Batista, que se apresentava no discreto anuncio como "procurador de 70 empresas". No inicio de 1995, o Jornal do Bra- sil, no Rio de Janeiro, e 0 Liberal, em Belem, noticiaram a existincia de uma transacqo imobiliaria envolvendo essa area. Comegava entao uma das mais gra- ves hist6rias envolvendo a maior das ameagas que paira sobre o patrim6nio public fundiario em todo o pais e pro- vavelmente no mundo. No mes passado, quase cinco anos depois dos primeiros anuncios, uma Co- missAo Parlamentar de Inquerito (que fi- cou sugestivamente conhecida como "CPI da grilagem") encerrou, ria Assembleia Legislative do Para, as investigacges que promoveu ao long de seis meses, ouvin- do depoimentos e analisando documen- tos. O extenso relat6rio final, elaborado pelo deputado Claudio Almeida (do PPS) e aprovado por unanimidade, alerta para a possibilidade de essa hist6ria ter um desfecho contrario ao interesse public. O pior de todos os resultados: valioso bem da coletividade passar ilicitamente para o dominio privado. Nesse e em vdrios ou- tros casos de "grilagem" em curso no Para. E uma onda que volta a se avolu- mar, assumindo claros contornos de um grave caso de seguranga pfblica. Meses depois que as primeiras notici- as brotaram na imprensa, tres assesso- res do empresario Cecilio do Rego Al- meida, paraense de Obidos que se esta- beleceu no Parana, formando a constru- tora C. R. Almeida, uma das maiores do Brasil, foram a sede do Instituto de Ter- ras do Para, em Belem. Manifestaram interesse na aquisigao dos 4,7 milhoes de hectares, que constituiriam esse mega- im6vel rural. Queriam usa-lo para implan- tar projetos integrados de preservaqao ambiental, um amazon dream que atrai- ria investimentos internacionais para um projeto ecol6gico. Foram informados pelos diretores do Iterpa que o Estado do Pard jamais fize- ra concessao de terras a particulares corn as dimensOes alegadas. A operaqAo de compra e venda pretendida era, no mini- mo, temeraria. Os diretores alertaram que o im6vel devia pertencer ao patrim6nio public, ja que nao haviam conseguido localizar, nos arquivos e nos mapas ca- dastrais do 6rgio, nenhum registro de ti- tulo definitive expedido pelo Estado na- quela localidade, cor tais dimensoes, que pudesse permitir seu registro em nome de terceiros. Apesar das advertencias, em nova audiencia, em marco de 1996, os mes- mos assessores comunicaram a diretoria do Iterpa que o empresdrio havia decidi- do comprar as terras, "por ser um home empreendedor, destemido e arrojado". Como o institute verificou, tratava-se da Fazenda Rio Curua, abrangendo supos- tamente 4,7 milhoes de hectares entire os rios Curua e Iriri, distribuidos em 10 gle- bas. Seus registros haviam sido irregular- mente promovidos no cart6rio de Altami- ra, em favor da Incenxil (Industria, Co- m6rcio, Exportacao e Navegacgo do Xin- gu), uma empresa local controlada por dois irmaos. Conforme a certiddo de re- gistro, esses im6veis teriam sido adquiri- dos do governor do Para, por intermedio da Diretoria de Obras, Terras e Viaqco, atrav6s de "titulo habil", em 1923. Poste- riormente foram alienados aos herdeiros do coronel Ernesto Aciolly da Silva, pas- sando depois aos irmaos Oliveira. Entretanto, apenas quatro das 10 dre- as cobertas pelos "titulos habeis", jamais exibidos, foram realmente objeto de con- tratos de arrendamento, assinados entire o governor e JoAo Gomes da Silva, Fran- cisco Aciolly Meirelles, Bento Mendes Leite e Anfrisio da Costa Nunes. Atra- v6s desse document, os quatro foram autorizados a explorer castanhais e se- ringais pertencentes ao patrim6nio p6bli- co estadual. Na 6poca, eles eram os uni- cos recursos naturais de interesse eco- n6mico. Era uma economic puramente extrativista. Tais concessoes eram renovadas anu- almente e nfo podiam, em hip6tese alguma, ser transferidas a terceiros, sob pena de rescisao imediata. Findo o prazo de vig6ncia, esses contratos de ar- rendamento ficavam automaticamente extintos, obrigando-se os locatarios a en- tregar as terras locadas independente- mente de notificaao judicial, sem direi- to a qualquer indenizaeio por benfei- torias que porventura nelas houvessem implantado. A legislaqgo vigente a epoca nao dei- xava qualquer dulvida de que esses do- cumentos nao transmitiam a propriedade das dreas cedidas A exploraqao particu- lar, que eram e continuavam a ser do do- minio public. No passavam de meros contratos de arrendamento, incapazes de configurar aquisicgo de propriedade de im6vel, mesmo que fossem levados a registro em um cart6rio. Nesse caso, o document teria "apenas autenticidade notarial e nunca autenticidade do assen- tamento que encerra", segundo o relat6- rio da CPI. Apesar das restriq6es legais em ple- na vigencia, em dezembro de 1993 o car- t6rio de im6veis de Altamira, atendendo solicitaqgo da Incenxil, fez uma averba- c5o no registro, a epoca referente a qua- tro milhoes de hectares, aumentando a area em 772 mil hectares, cor base num prosaico memorial descritivo carto- grifico. Uma pretensio que, no inicio, se reduzia ao direito de extrair produtos da floresta em terras publicas, passou a en- volver um dominio pleno sobre 4,7 milhoes de hectares. Atraves de simples anota- q9es feitas em um livro, sob o manto da fe pfblica que um tabeliho possui, uma imensiddo de floresta, rios, animals e ter- ras passou para o patrim6nio particular (por isso, o relat6rio da CPI invested fir- memente contra os cart6rios de im6veis, pedindo providencias dos 6rgaos oficiais competentes para acabar cor a anarquia e leviandade no registro de im6veis). azendo uma plotagem integral da drea reivindicada por C. R. Almei- da, como se ela lhe pertencesse, o entao director do Departamento Tecni- co do Iterpa, Paraguass6 Eleres, verifi- cou que a gleba teria na verdade 5,7 milh6es de hectares, um milhAo a mais do contido no registro, queja havia sido fraudulentamente feito em Altamira. Mas ela incidia em dois loteamentos pro- movidos pelo pr6prio institute (o Altami- ra II e o Altamira III). Envolvia ainda parcelas consideraveis do territ6rio pa- raense (quase tres milhoes de hectares) sob jurisdiqao federal do Instituto Naci- onal de Colonizacqo e Reforma Agraria (2,5 milhoes de ha), do Estado Maior das Forcas Armadas (268 mil ha) e da Fun- daCao Nacional do Indio (199 mil ha). A CPI considerou como "o aspect mais preocupante das denuncias" que Ihe foram feitas, incluindo trabalho escravo, narcotrafico e mortes (nenhuma das quais confirmou), a grilagem dos 4,7 milh6es, 5,7 milhoes ou sete milhoes de ha (con- forme as manifestac6es mais recentes de C. R. Almeida sobre sua. pretensao). O Iterpa ajuizou, em agosto de 1996, uma aqdo para anular e cancelar o regis- JOURNAL PESSOAL *21 QU1NZENA DE OUTUBRO / 1999 7 milhoes de hectares no Para tro dessa area, "em condic6es que desnu- dam uma s6rie de deficiencias, omiss6es e conivencia que transparecem objetivar a fraude, dilapidacao e privatizaqao do patrim6nio public, alem de flagrante des- respeito a legislacao". A margem do re- gistro contestado ja havia diversas aver- baq6es, "que alteram aspects significati- vos de seu conteudo inicial". Algumas delas registram, em sequin- cia, as cedulas pignoraticias dos s6cios e da Incenxil relatives a emprestimo junto ao Banco do Estado do Para, a penhora do im6vel por conta do nao pagamento do emprestimo e, finalmente, o resgate das cedulas em decorr&ncia do pagamento do debito, corn a conseqilente liberaqio da propriedade do im6vel. C. R. Almeida ter usado esse empr&stimo cor um ban- co official como uma das "provas" de que a area e, de fato, propriedade particular reconhecida. O relator da CPI, porem, ressaltou que o Banpara "procedeu irregularmente ao realizar essa operaqao financeira de em- prestimo, tendo recebido como garantia da Incenxil nao o Titulo Definitivo das terras, mas apenas e tdo somente c6pia de alteraqgo do Contrato Social de Cons- tituiqgo da Sociedade Por Quotas Ltda, que descrevia essas terras em uma de suas clausulas, como integrante do patri- m6nio da empresa". Ao contrario do que alegou o empre- sario Cecilio do Rego Almeida em seu depoimento a CPI, "essas terras nunca se transformaram em propriedade do Banpara". O president do banco,. Ma- rio Ribeiro, declarou aos deputados que "em moment algum" a instituicAo assu- miu essa condiqCo: "o banco arrematou, mas antes de se torar proprietario, an- tes que fosse expedida a carta de arre- mataCgo, a esposa do Senhor Umbelino [Oliveira, um dos sdcios da Incenxil] embargo, e eles compareceram ao ban- co para fazer a quita go". E m dezembro de 1993, em mais uma averbaqco ao registro, a empresa presentou novo memorial descri- tivo da area, cor os 4,7 milhbes de hec- tares, "sem que se tenha noticia que qual- quer demarcaqco procedida por manda- do judicial ou acompanhamento adminis- trativo pelo 6rgao responsavel pela politi- ca fundiaria, conforme estabelece a le- gislaFgo". Esse procedimento "constitui flagran- te delito que ensejaria a anulagco do re- gistro do im6vel", observa o relator da CPI. Ele acrescenta que, ao plotar esse memorial em mapas, o Iterpa percebeu que a descricao do imovel resultou no aumento da area para 5.694.964 hecta- res, em relacao ao memorial descritivo do registro original, de 1984. Assim, dois memorials descreviam a mesma area, com tamanhos diferentes. Enormes dife- rencas, alias. Tantas e tao gritantes sao as irregulari- dades e os erros que resultaram na consti- tuiCgo de um suposta propriedade particu- lar, com tamanhos variando de 4,7 milhOes a 7 milh6es de hectares, que a pergunta final, ndo respondida pela CPI (nem esta na 6rbita da sua competencia respond&- la), e: o golpe fundiario sera consumado? Os poderes publicos, incluindo ojudiciario (que se recusou a contribuir para a CPI), evitarAo essa usurpaqao? Ou a emissAo servira de estimulo aos grileiros? Entre conclus6es finals e recomenda- c6es, o relator da comissAo parlamentar apresentou nada menos do que 32 obser- vaq6es, pedidos e sugestoes. O cumpri- mento do rol de medidas requer a iniciati- va, a competencia e a sensibilidade de varias instancias dos tres poderes consti- tuidos. Seria necessario former uma es- pecie de forga-tarefa do poder public para encarar o problema cor a serieda- de que o caso exige. Mas para isso o Para precisaria realizar uma algo excepcional- mente conseqiiente, o oposto do que tem sido feito sendo justamente o descaso o que explica a constant e audaciosa pi- rataria que tern acompanhado a ocupa- qCo de suas terras. * 0*Poeta 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 ni Poeta unico Minha geracio perdeu, cor a morte de Joao Cabral de Mello Neto, aos 79 anos, na semana passada, uma refernncia viva de literature e de vida. Tendo tropeqado tao cedo na pedra de toque drummondia- na, para ser cativado por seu poema-pia- da, foi cor a faca-s6-l1mina do engenhei- ro sertanejo que cortamos essa amarra, naquela fase de negagao do grande mes- tre pelo qual parecemos condenados a passar, ate que a sabedoria consiga nos reconciliar com o saber superior, como parece ser o aprendizado dos conaisseurs. Muita gente mais competenteja falou e ainda falara sobre o poeta que encer- rou seus dias nesta terra. Certamente aqui nao 6 o lugar adequado para o necrol6- gio, ainda mais porque esta ediAo ja es- tava praticamente tomada por outras pau- tas. Mas eu nao toleraria ver um Jornal Fessoal sem ao mcnos ur rcgistro me- nor, tentando transmitir as gerac6es se- guintes a poderosa influencia que o per- nambucano Joao Cabral exerceu sobre nosotros. E algo que s6 tem sua equiva- lncia, em prosa, corn o poder de conci- sho e precisao exercido em nossa mente por Graciliano Ramos, nordestino das Alagoas, desde aquele singular relat6rio de prestagAo de contas na prefeitura de Palmeira dos Indios. Foi comovente ler o artigo que o sabio paulista Ant6nio Candido escreveu, em 1943, ao receber os livros de dois poetas novos "do Norte": Pedra de Sono, de Joao Cabral, e Anjo dos Abismos, do nos- so grande Ruy Paranatinga Barata. As qualidades revolucionArias do primeiro fi- zeram Candido destaca-lo, corn uma ana- lise que, examinada a distancia, revela uma precisao quase profetica em relacgo a Cabral, e uma intuiqao face a Ruy ("um bom poeta") que o tempo se encarrega- ria de ampliar. Bem que os jornais de Belem podiam dar aos seus leitores o pra- zer de ler essa resenha, reproduzindo a pagina da Folha de S. Paulo. Filho de usineiro que escreveu Morte e Vida Severina (encenada pelo Norte Teatro Escola, de Ruy & Maria Silvia Nunes, muito antes de o Tuca, de Sao Paulo, celebrizar a peca, com o refor9o da maravilhosa trilha musical de Chico Buarque de Hollanda). Homem marcado por 50 anos de uma constant e as vezes massacrante dor de cabeqa, a responsa- vel, quern sabe, pelo interdito musical que baixou. Sertanejo que exerceu sua diplo- macia pelo mundo, indo conectar seu ser- tao ao interior espanhol, unindo sua en- genharia poetica a geometria plastica dos pintores, Joao Cabral foi subindo, lenta e arduamente, a escada. Passou do pata- mar de grande poeta menor para um caso inico na poesia brasileira, daquelas sin- gularidades a desafiar nosso entendimen- to, anarquizar nossos critbrios classifica- t6rios e nos deixar com a sensacAo de que a fugacidade da vida s6 nos permit uma vez apreciar o prazer superior de ler e ouvir os poemas desse mandacaru de alma letrada. 0 Marca O govero do Estado consu- mou o que aqui se temeu que fi- zesse (ver Jornal Pessoal 216): transformou o belo terreno da Caixa Econ6mica Federal, locali- zado num dos pontos mais no- bres da cidade (avenida Nazare, em frente ao colegio marista), em estacionamento. Assim, de impro- viso em improvise, atropelando a 16gica e o bom senso nas suces- sivas adaptacqes e corregqes, a partir do moment em que deci- diu transformar a sede do assas- sinado Idesp em quartel-general das sete secretaries especiais e gabinete de despachos do gover- nador, chegou a culminAncia, dando um sub-uso a sitio que de- veria ser valorizado, valorizando dessa maneira a cidade. Como o estacionamento pr6- prio do predio do Idesp 6 acanha- do, o amplo terreno ao lado (tal- vez 1.500 ou dois mil metros qua- drados?) foi invadido. A Caixa, ori- ginalmente, nao pretendia desfa- zer-se dele, exceto por venda. Mas deve ter sido convencida a ceder. Surgiu entao um monstrengo de metal e madeira vagabunda para acomodar os carros que irAo ao novo centro administrative do Es- tado, podendo entrar e sair pela outra via, a avenida Governador Jose Malcher. A obra, entregue atraves de carta-convite, foi orga- da em 140 mil reais. Mas quanto o governor j gastou realmente nas "adaptaqoes" da sede do finado Idesp, que deve- riam saiir pelo que que ira custar o rtstico estaciona- mento? 0 primei- ro contrato, algu- mas vezes adita- do, estourou o li- Minha primeira \viagem ao Mara- jo, 33 anos atras, foI para "cobrir" um v iolento suro de malaria em MuanA. Para um garoto urban de 17 anos, que chegou a ilha de aviao, pousan- do numa das ruas da cidade, travesti- da de pista de pouso, foi um choque. Para o cinqilentAo rodado, a atual epi- demia de malaria estourada em Ana- jis tem a sensaqco do deja-t iu, corn mite de valor. Um outro contrato, de R$ 485 mil, teve que ser providenciado para a conclusdo do que deveria ter sido feito integralmente em um unico contrato. Varios outros fo- ram assinados para obras com- plementares. Os filtimos gastos, em agosto e setembro, foram: R$ 44 mil com mini-centrais de ar con- dicionado, R$ 8 mil cor persia- nas, R$ 4,5 mil cor a reform dos elevadores. Sera que a "adaptagio" do predio do Idesp ja bateu em um milhao de reais? Se for, estarA no melhor padrao Almir Gabriel, que 6 tambem padro Paulo Chaves Fernandes. Adeus Dez dias atris, num sAbado modorrento, conversei por algu- mas horas cor Luis Roberto Mei- ra. Sem acerto previo, fui ver o sebo excepcionalmente sofisti- cado, alias- que el tando na rua Camp Denis Cavalcante, u to colega do Grupo lo Salgado, no Jun zemos a 3- series pri Nem parecia que aq nhor de 47 anos, m vros velhos ou esqu p6sitos, era tamben posto mais alto da paraense, disputan 18 candidates a vat colegiado de dese do TJE. Nao tinhan menor suspeita de mana depois, seria n mo, por um enfart fora de hora, injust Teria sido muitc dos se Luis Robert desembargador, ir mente dos meritos concorrentes. Jove competent, hones te, culto. Virtudes Sudam: muda no entra-e-, O senador Jader Barbalho trocou seis por meia duzia ao entregar a cabeca de Arthur Tourinho Neto ao ministry da IntegracAo Nacional, Fernan- do Bezerra, para poder obter a nomeaqco de Mau- ricio Vasconcelos para a superintendencia da Su- dam? Muitos apostam que sim. Mas nao o pr6- prio Vasconcelos, um coringa tecnoburocratico que ter alternado posiqces federais e estaduais corn a mesma desenvoltura que Ihe permit tran- sitar da political para a administragao, engatado ao esquema Jader Barbalho sem se desligar do grupo que gravitou em torno de Ronaldo Costa Couto e seu protetor, Tancredo Neves. A controversial e a divida sao mais do que naturais quando o enredo official nada tern a ver cor a hist6ria de bastidores. Oficialmente, Tou- rinho entregou o cargo por nao concordar corn a decisoo superior de reduzir a metade o quadro atual de funcionArios da Superintendencia do Desenvolvimento da Amaz6nia (ver Jornal Pes- soal 220), ajustando-a a camisa-de-forqa de uma simples agencia executive, nao mais de um 6rgao official de de- senvolvimento, o coordenador de toda a administraqCo fede- ral ne regiao. Mas o que garan- tem os gabinetes brasilienses Fone 6 que o dossi6 de denuncias Font contra Tourinho tornou-se in- Contat suportavelmente abarrotado. A Fone Jader teria restado a alternati- Ed lA va: desgastar-se na tentative de sustentar seu afilhado ou antec recendo sua cabeqa, para poder in superintendent. Imunizando-se contra os efeitos uma postica carta de despedida dei antecessor, Vasconcelos procurou cular-se da carapuga que the foi atira ro da Sudam. Prometeu foi o contrary cor poucas intervenqies (como a r flacionado quadro de DAS, os asset riores), a atual estrutura do 6rgao. Costurando verbas e materialize sas, desfiou um rosario de obras que am um piano para desenvolver de ve z6nia nos pr6ximos anos. Assim, ter Ihido para realizar uma missao na q cessor falhara- e que, por falhar, mi fazer da Sudam uma instituiqao respe competencia e exaqao. Embora, tan tendente que saia (sem passar o ca que entrava, sob o mesmo manto pr Jornal Pessoal Editor: Licio Flavio Pinto i: (091) 223-1929 (lone-fax) e 241 -7626 o: Tv.Benjamin Constant 845/20 b.i : 223-7690 e-mail: jornal@amazon.ct to de Arte: Luizantoniodefariapinto/. um gosto travoso, Iragico, como se tudo recomeiasse para nada comeqar. Isso quando o governador bate o p6 para exigir que sua hidrovia de meia- agua saia de qualquer maneira no Maraj6, alguma coisa em \ erba para o quase nada em beneficio, que pode trazer consigo um impact ambiental ainda nAo compleramente a\aliado. Nao 6 a toa que a leitura de Dalcidio Jurandir faz-nos ver o Maraj6 como uma Sicilia indilerente aoseu Lampedusa. e estava mon- costumeiramente presents, nem ,os Sales cor se combinam numa s6 pessoa m redescober- corn tanta freqtiencia assim no Escolar Cami- quarto andar do f6rum de Belem. unas, onde fi- Ganhariam o tribunal e a socieda- iria,em 1958. de se Luis Roberto, escolhido, uelejovem se- confirmasse para todos haver su- etido entire li- perado os dificeis problems que ecidos em de- atormentaram sua vida nos ilti- n candidate ao mos tempos, anuviando suas vir- magistratura tudes, obscurecendo seu brilho. do corn outros Naquele papo agradavel, flu- ga da OAB no indo espontaneamente dos nos- :mbargadores sos amados livros em comum para nos tambrm a o querido futebol, Luis Roberto que, uma se- estava mais tranqUiilo, seguro de norto, all mes- si e confiante do que em todos os e fulminante, nossos outros infelizmente o. poucos encontros mais pr6xi- o bom para to- mos. No anterior, me chamou para to se tomasse seu gabinete, no escrit6rio que idependente- dividia cor Ophirzinho e Tales, e s dos demais mostrou sua mais preciosa con- em, aplicado, quista: uma Pleiade complete, to, inteligen- uma das melhores colecges de li- assim nio sdo vros que um home culto pode ter neste planet. Milhares de francos estavam ali investidos, o sa i? que da uma id:ia da audaciosa iniciativa. Mas ela nao podia ser ipar-se, ofe- media apenas por dinheiro, mes- dicar o novo mo somando bastante. Ninguem compra uma colegao como aque- legativos que la para ocupar espaco de prate- xada por seu leira. O gentile atencioso Luis Ro- logo desvin- berto, herdeiro desse patrimonio ada, de covei- de civilidade (em seu castiqo sen- io: assegurar, tido romano) por heranca pater- eduqAo do in- na (e materna), daquele Cecil essores supe- Meira que sempre foi um elegan- te cavaleiro europeu adaptado a indo promes- esta cidade tropical, ao lado de caracterizari- sua Maria Helena, apontou para rdade a Ama- aquelas dezenas de livros bran- ria sido esco- cos e ofereceu: "Quando quiser, ual seu ante- vem buscar o que precisares". stificara: a de Que desgraqa, Babalu: voce itavel por sua se foi antes que eu decidisse pre- ito o superin- cisar de um daqueles maravilho- irgo) como o sos volumes, cedo demais, na otetor. hora mais errada, quando final- mente uma estrela voltava a apontar sua luz na direcio de sua privilegiada (e atormentada) ca- beqa. Era a paz, que voce mere- cia reconquistar aqui, onde sua presenga s6 nos fazia enrique- (fax-L. cer. af .ti-cer, no tempo "5 Si -_ X~gYvioa form rcomendada, r iman r ao: .omo as ou- 3L O ~-- : seimpre peor recimento, "M a Pl~tr |
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