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Jornalismo Journal Pessoal (AG. 5) L C IO F L A V I P I N TO ACP. ANO XIII N" 220 11 QUINZENA DE OUTUBRO DE 1999 R$ 2,00 GOVERNOR EstaGao da confusao 0 governor Almir Gabriel pretend usar o complex turfstico da Estacdo das Docas como um poderoso instrument para viabilizar seu candidate a prefeitura de Belkm. Mas as irregularidades e os pontos nebulosos da obra podem caifi.Tet1dou efeito contrdrio. E o que explica a dispute entire o governador e o 'eur-Jact' 7 Barbalho pela Companhia das Docas do Parmd.',. (A; OCT201999 4-. U . / 45. . *r.. 7 * Ssenador Jader Barbalho ven- ceu uma grande batalha con- tra o todo-poderoso Ant6nio Carlos Magalhaes, mas voltou a amargar nova derrota num combat que aparentemente exigia menos fora: a indicaqgo do president da Com- panhia das Docas do Para. O escolhido, Ambire Gluck-Paul, apenas aguardava a formalizacao do ato, que ja estava acerta- do. Afinal, o Ministerio dos Transportes e um reduto do PMDB. O partido fez o mi- nistro. E Jader fez do engenheiro Livio As- sis o homem-chave no control intemo, du- plamente obsequiado na diretoria. A per- manencia de Carlos Acatauassu Nunes, en- Stretanto, acabou sendo confirmada. Enquan- to Ambire ficou sendo o ex-quase-futuro. 5-3,P . Dizem que o governador Almir Ga- briel improvisou na audiancia particular cor o president da Reptblica, no mrs passado, para incluir um pedido pessoal: s6 nio admitia abrir mao de um cargo important na estrutura do govemo fede- ral no Para, dominada amplamente pelo president national do PMDB. Era jus- tamente a presid6ncia da CDP. Ha muitos anos esse cargo 6 ocupado por Acatauassu, uma cidadela que ele vinha defendendo com base em dividen- dos da sua gestdo e apoios influentes, como os do ex-senador Jarbas Passari- nho e do grupo Liberal. A presidencia da CDP, de qualquer maneira, ndo era tdo important que justificasse um cabo-de- guerra mais her6ico. No entanto, em sua terceira investida, o senador Jader Bar- balho tentou de todas as maneiras inclui- la entire os seus trunfos, que compreen- dem posic6es-chave, como a Sudam e o DNER. Mesmo cor todo o seu presti- gio, porem, nao conseguiu fazer o presi- dente Fernando Henrique Cardoso que- brar o compromisso assumido com seu correligionario paraense. Conforme a so- licitaio de Almir Gabriel, Acatauassu foi confirmado no lugar. Outro terA que ser providenciado para o ex-presidente da Te- lepara, um dos quadros hist6ricos doja- derismo no Para. A dispute pela CDP torou-se mais important ainda nio exatamente por sua jurisdiqio sobre os principals portos esta- duais, como os de Belem, Vila do Conde ) !UL!/L t 2 LL /duL LL [ 'lkl l U?) : U IZJ L. Q:~' OL-,LL Z, ,.. ___ " .m. .,, *.. --;' {.^.. Ly l', o 'rP(O" I--r *, IS t. < A-.. : -A I 2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE OUTUBRO/ 1999 Se Santar6m. E porque ela 6 um dos elos de sustentacgo de um empreendimento que pode render grandes dividends poli- ticos e eleitorais ao governor tucano, mas tambem poderia criar-lhe desgastantes embaraqos se passasse para mdos adver- sarias: a Estacao das Docas. Almir Ga- briel quer a todo custo inaugurar a obra ate o final do ano, numa seqfiencia de atos de grande apelo popular, comeqando pelo novo aeroporto de Belem e a pista da acesso ao terminal. Em conjunto, 6 um investimento de mais de 70 milhoes de reais e de impact major (por seu valor intrinseco e por sua visibilidade para o grande public) do que tudo o que a prefeitura municipal do PT pode apresentar. E a melhor maneira de recolocar o PSDB em posicao de forga na dispute do pr6ximo ano, ao lado do pr6prio PT do recandidato Edmilson Rodrigues e do PFL de Helio Gueiros- Vic Pires Franco, pela conquista da mais important prefeitura do Estado. Por en- quanto, os tucanos nao sao considerados cor possibilidade real de vit6ria na capi- tal. Mas uma extensa e intensive campa- nha publicitaria em tomo dessas tres obras pode dar ao candidate do governador um peso muito maior do que o atual. A Estagco das Docas, entretanto, constitui item delicado, com alto potenci- al de explosividade. Sua sofisticaqao e sua localizacqo provocarao impact positive na opiniao public, quando for inaugura- da. Mas suas podres raizes poderiam transforma-la num element de escinda- lo, principalmente se o PMDB pudesse se infiltrar na obra atrav6s da CDP. Como proprietaria dos tres galpoes do porto de Bel6m, que foram cedidos ao go- vemo do Estado, a CDP poderia fazer gra- ves questionamentos, revertendo contra a administracqo Almir Gabriel, em plena epoca pr6-eleitoral, um argument que ele vai usar para conquistar a simpatia popu- lar. A primeira irregularidade da obra 6 o descumprimento do item c da clausula quarta do contrato de cessao real de uso, assinado pelo Estado e a CDP em feve- reiro de 1997. O governor se comprome- teu a "providenciar a construcgo de Ter- minal Hidroviario para passageiros, de na- vegagCo interior, objetivando a transferen- cia das embarcaq6es que hoje [em 1997] opera na area ocupada pelos armaz6ns 1,2 e 3 e Galpao Mosqueiro e Soure, a ser executado concomitantemente com o Projeto 'Estaqco das Docas". Quem acompanhou a espalhafatosa visit feita a obra no iltimo dia 20 pelo g ernador Almir Gabriel, servindo de guia ao convidado especial, o empresario Romulo Maiorana Junior, o principal exe- cutivo do grupo Liberal, p6de ver que nenhuma previsao ha ali para o terminal de passageiros. Sob alegada provisorie- dade, as atividades portuarias que eram realizadas naqueles 200 metros de pier foram transferidas para o armaz6m nove. Ali, os passageiros embarcam e desem- barcam por agua de pequenas embarca- q6es, contornando arriscadamente navi- os maiores do com6rcio de cabotagem, e chegam por terra sujeitos a atropelamen- tos e desconfortos porque tudo 6 impro- visa~go. Mesmo cor o descarte unilateral do terminal hidroviario, que o Estado se com- prometeu a construir simultaneamente ao complex turistico propriamente dito (o queja daria causa a rescisao contratu- al), e que constava do projeto original, o custo da obra passou dos R$ 6,2 milh6es inicialmente orados para R$ 9,3 milh6es ao final do primeiro contrato e R$ 16,2 milh6es se o segundo contrato se esgotar sem o mesmo aditamento de 50% do pri- meiro. Se houver prorrogagao e adigao, a obra chegara a R$ 20 milhoes. Para se ter uma ordem de grandeza, esse valor corresponde a contrapartida do Estado ao novo aeroporto international de Bel6m, corn seus 27 mil metros qua- drados de area construida (contra 30 mil das Docas) para o atendimento de 2,7 mi- lhoes de passageiros por ano, que custa- ra R$ 48 milh6es, incluindo os recursos federais majoritarios. Com o detalhe de que o aeroporto 6 uma obra inteiramen- te nova, enquanto a Estacao das Docas 6 uma reform (s6 por isso o orcamento do seu primeiro contrato p6de ser estou- rado em mais 50%, quando o limited para obra nova 6 de 25% do valor original). E o aeroporto tern receita garantindo sua viabilidade, enquanto a demand pela Estacao ainda 6 uma inc6gnita. Para quanto aumentaria o custo final da Estacgo das Docas, caso a CDP exi- gisse a inclusao no orcamento das obras do terminal hidroviario, que deveriam es- tar sincronizadas com as do complex turistico? A resposta envolve nao s6 uma ques- tao de dinheiro, mas ate mesmo de con- ceppgo. Sendo hidrovidrio, o terminal tem que tender a navegadao interior. Mas o verdadeiro dono da Estacao das Docas, o arquiteto-secretario Paulo Cha- ves Fernandes, consider esse terminal incompativel com sua obra-prima (ao menos ja e a mais cara de todas). Quan- do as obras nos tres armaz6ns forem con- cluidas, ele estaria pretendendo incorpo- rar o armaz6m seguinte do porto, o quar- to, nao previsto no contrato de cessao, para transforma-lo num terminal turisti- co, que atenderia apenas as viagens fre- tadas e os visitantes. Os passageiros do interior continuariam sujeitos a perigosa improvisaiao do armazem nove, onde nao tem nem onde se proteger do tempo. Esse ja 6 um respeitavel motivo para um contencioso entire o Estado e a CDP. Mas ha outros pontos pendentes. O Es- tado se comprometeu a apresentar a empresa federal, "antes do inicio da cons- trudao da Estacao das Docas, o crono- grama fisico-financeiro da obra, onde es- tejam claramente especificadas todas as etapas de execugao do projeto". Segun- do esse cronograma, os R$ 6,2 milh6es seriam aplicados em 10 meses a partir do inicio das obras. Elasja se prolongam por dois anos. Nenhum dos compromissos desse do- cumento inicial foram cumpridos, confor- me nele estavam definidos. Outros foram assumidos unilateralmente pelo Estado. Esses novos compromissos de tempo e dinheiro para a conclusao da obra, cor justificativas sobre tao expressivos rea- justes de valor e dilatagio de prazos, fo- ram submetidos pelo Estado a companhia? E a CDP, repassou-os a Autoridade Por- tuaria, instdncia necessaria para a legiti- maaao desses atos? Pelo contrato que tornou possivel a cessao dos armaz6ns e seu entorno, o Estado tamb6m se comprometeu a apre- sentar a CDP "o estudo de viabilidade econ6mico-financeira e social do empre- endimento, antes do inicio da execudao das obras, para analise e decisao quanto a forma de sua implantagao, ouvido o cessionario"(a pr6pria CDP). Tal provi- d6ncia se explicava pela participacao da empresa, juntamente com o Estado, na "receita advinda de exploraqao comerci- al do empreendimento". O estudo defini- ria exatamente a forma de gestao do com- plexo e a maneira de remuneracao dos investimentos integralizados pelas parties . A tres meses da data prevista para a inauguraAgo da Estacao das Docas, nada disso foi definido, embora a pr6pria cons- truqao s6 devesse ser iniciada com es- ses pressupostos formalmente estabele- cidos entire as parties. S6 na semana pas- sada algo nesse sentido foi anunciado, ainda assim informalmente, corn a noti- cia de que o atual director da Imprensa Official e da Fundagao de Telecomuni- cac6es do Para, Nelio Palheta, seria designado para assumir a operacionali- zaqao do complex. Os detalhes do arranjo ainda nao sao conhecidos, nem foram oficializados. Mas ja ha algum tempo fontes oficiais admiti- am que o governor Almir Gabriel nao se- guiria o caminho conventional da admi- nistraqfo public em empreendimentos semelhantes. A primeira especulacio foi em toro de um conv6nio cor o Sebrae, que ficaria corn a parte executive. As- sim, nao seria precise fazer concorr6ncia public para dar destinaqao is instala des comerciais da Estag~o, bastando cartas- convites ou outros meios capazes de dar aparencia formal a uma arregimentacao JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 3 de parceiros que ja vem sendo feita ha meses pelo secretario de cultural (e, em various casos, concluida). Mas a formula escolhida parece ter sido a da formaqao de uma organizaqgo social, uma OS, modelo que se difundiu a partir de 1988, um hibridismo que prolon- gou a administraqco ptblica ao direito pri- vado, dando-lhe flu6ncia e maleabilidade. Gragas a esse mecanismo, o arquiteto Paulo Chaves tambem estenderia o con- trole que exerce sobre o empreendimen- to (apesar de ele formalmente estar vin- culado a Secretaria de Obras) a fase operacional. O secretario de cultural ja teria tratado de detalhes que chegam a especificacao das cadeiras que todos os estabelecimentos comerciais obrigatori- amente adotarao, se quiserem entrar no complex turistico. Mesmo uma OS teria que se restrin- gir a elaborar terms de refer6ncia para os particulares. A comercializacAo dos pontos de venda da Estacgo das Docas, entretanto, envolve uma complexidade enorme, por arrematar uma s6rie de he- terodoxias desconcertantes (para ser ele- gante na expressao, evitando que ela de- caia do nivel diplomatico para o policial, pura e simplesmente). A clausula nona do contrato de ces- sdo entire o Estado e a CDP 6 claro ao estabelecer que o "estudo de viabilidade econ6mico-financeiro e social", que de- veria ser elaborado e aprovado antes do inicio das obras, definiria "a forma de gestao do complex e a maneira de re- muneraqgo dos investimentos integraliza- dos pelas parties Isto quer dizer que os R$ 16 milhhes ou R$ 20 milhoes de in- vestimento do Estado, acrescidos do va- lor dos im6veis cedidos pela CDP, terdo que ser amortizados e remunerados, de tal maneira a report o capital aplicado e propiciar-lhe rendimento, num esquema de Estado-empresario que embeveceria Ms. Margareth Thatcher. Este seria o custo fixo a ser arcado pelos locadores ou arrendatarios dos pon- tos comerciais (ou dos escolhidos do rei, a dar-se vazdo aos boatos). Mas eles tam- bem teriam sobre seus ombros os custos variaveis ou operacionais para poderem funcionar. Entre esses custos, o mais im- portante sera a energia el6trica. Para ter- se uma ideia da despesa, basta verificar que dos R$ 6,2 milhoes do orcamento pre- visto inicialmente para a Estacgo das Docas, R$ 2,2 milh6es se referiam a ins- talaqgo de ar condicionado. As paredes do complex turistico, cor um p6 direito muito alto, serdo de vidro espelhado. Em suas entradas funcionardo cortinas de vento. Pode-se imaginar a quanto ascen- dera a conta de energia para manter a climatizaao do ambiente no nivel exigi- do pelo grande arquiteto. Mas ha quem garanta que a ousadia do criador ira ainda mais long. Al6m da especificaqco dos components de todos os pontos comerciais do complex, o go- vero montaria esses estabelecimentos, sendo todos, ao menos os que fossem con- siderados principals, ancoras, entregando- os prontos para funcionamento. Essa hi- p6tese 6 pouco crivel, mas aparece nas intensas especulac es feitas atualmente em Bel6m em tomo do empreendimento. Esse caldo de cultural engrossou de vez quando, em deferencia especial, o gover- nador assumiu a condiqgo de mestre-de- obras para apresentar a Estacao das Docas a Romulo Jr (e tamb6m, talvez para amainar especulaq6es, o aeroporto). Foto registrando a visit apareceu com destaque na primeira pagina de O Libe- ral do dia seguinte, o angulo da fotogra- fia procurando nao deixar duvida sobre quem era o personagem principal daque- la estampa (em palet6 complete ao lado do goverador, este ser o casaco). O assoreamento do canal de aces- so foi restringindo progressiva- mente a utilizacgo do galpao Mos- queiro e Soure e dos tr6s primeiros ar- mazens do porto de Belem. Uma primei- ra soluqgo para o problema seria a dra- gagem do canal, para aprofunda-lo. Qual- quer que seja o motivo, o service nao foi feito. Correta ou nao, essa attitude refor- Cou a ma expectativa sobre a operacio- nalidade e atratibilidade desse terminal, que foi, durante s6culos, o mais impor- tante da Amaz6nia. Tanto que a partir do final do primeiro semestre de 1994 ma- deira extraida em Maraba comeqou a ser exportada atrav6s do porto de Itaqui, em Sgo Luis, no Maranhao. Nessa mesma 6poca, a prefeitura de Bel6m e o govemo do Estado solicitaram a cessio dessa area por comodato. O Con- selho de Autoridade Portuaria, consulta- do, foi contra a desativaqgo operacional do galpao e dos armaz6ns. Um dos con- selheiros chegou a sugerir que no local fosse construido um terminal de cont6i- neres. Prefeitura e governor uniram en- tdo os pedidos que haviam apresentado isoladamente, prometendo atuar em con- junto para mudar a destina9qo dos arma- z6ns, que passaria a ser um complex turistico e commercial. Relutantemente, o CAP acabou con- cordando em examiner um novo projeto para o local, desde que o empreendimen- to se enquadrasse no Revap (Programa Dizem que os irmAos Romulo e Ro- naldo (nada a ver com a famosa lenda romana, exceto se houver uma estiliza- qdo quanto ao papel simb6lico da loba) estariam dispostos a entrar na Estacgo, mas cor custo zero. O interesse seria por uma micro-cervejaria que funcionara no espaqo. Para ura escala econ6mica de produgao, capaz de permitir fatura- mento de dois milh6es de reais por ano, ela precisaria comercializar 15 mil litros mensais, com investimento entire R$ 900 mil e um milhdo, e pequena margem de lucro. Sem a imobilizaCqo de capital, po- rem, o neg6cio fica atraente. E quando o Estado entra no enredo. A trama dessa obra suntuaria, con- tudo, e muito mais extensa e intrincada. A cada ponta de novelo que se puxa pode-se perceber que o rolo esta ainda mais emaranhado do que parece, poden- do enrolar um governor que pretendia usa-lo como grande arma de propagan- da eleitoral. * de RevitalizacAo de Areas Portuarias) e fosse dada prioridade a construqgo de um terminal hidroviario para passageiros da navegadio fluvial interiorana. A partir do moment em que Edmil- son Rodrigues sucedeu H6lio Gueiros, a participaggo da prefeitura no projeto foi-se esvaziando. A administration mu- nicipal nao mais participou das reuni- oes entire as parties, nem foi consultada sobre um projeto relevant implantado na area da sua jurisdigio, embora o conselheiro Roberto SimOes tenha aler- tado para essa falha em reuniao do CAP de dezembro de 1996. Os entendimentos para a cessao da area ao governor avancavam, atrav6s de entendimento direto entire o governor do Estado e a CDP, apesar das resistenci- as dentro do conselho. Na reuniao de dezembro de 1996, o president da CDP informou que o ministry dos transpor- tes havia prometido publicamente ao governador Almir Gabriel "a cessao da area dos armazens", atropelando a au- toridade do CAP. Esse paralelismo fez o conselheiro Val- demiro Martins Gomes apresentar uma carta na reuniao do CAP de setembro de 1997, alertando para o nao atendimento das exig6ncias feitas pelo conselho para a aprovacao do projeto, que teriam sido "alteradas de uma forma amoral". Lem- brou que o niicleo do empreendimento era o terminal fluvial de passageiros e que o ) Uma tramitagao tortuosa 4 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 Administrap9o A Unimed esta procurando tranqiiili- zar seus 100 mil usuarios, que sofreram um choque quando o Incor, o principal hospital de Belem especializado em do- enqas cardiacas, anunciou o rompimen- to unilateral corn o maior piano de saude do Estado. Numa carta-circular aos as- sociados, o president do Conselho de Administracio da Unimed Belem, Ser- gio Lima, atribui o ato a decisao adota- da, de "se opor as imposicbes feitas por algumas empresas credenciadas, que ao nosso entender, apenas se traduziriam em desvantagens para nossos usuarios". Se tais imposicqes fossem aceitas, as diarias hospitalares poderiam ser ele- vadas em at6 50%, sem falar em "lu- cro sobre o preco dos medicamentos, que poderia variar de 42 a 500%". Corn isso, Unimed Belem seria forcada a re- ajustar as mensalidades dos pianos em ate 23.8%. "Em uma economic estavel como a que temos, onde os salaries nao Scomando decis6rio, o planejamento e o gerenciamento da empreitada deveriam ficar centralizados na CDP, o que nao estava acontecendo. Os conselheiros s6 visitaram as obras, ja em franco andamento, em maio do ano passado, sem terem podido examiner o projeto em detalhes e submeter sua apro- vagao as condicionantes que eles mes- mos haviam definido. Talvez por isso, pro- visoriamente a Secretaria de Transpor- tes do Estado improvisou um terminal de passageiros no armazem nove, prometen- do uma obra definitive para o future, mas no terminal da Enasa (Empresa de Na- vega~ao da Amaz6nia, estadualizada), na rodovia Arthur Berardes. Na Estaqgo das Docas, tambem numa segunda eta- pa, ficaria apenas um terminal para os turistas da navegagio de long curso, ape- sar das restricoes de calado no acesso ao pier (as mesmas que justificaram a mudanca de uso dos armaz6ns). Nada, porem, foi definido ate hoje so- bre a parte commercial do empreendimen- to. A cessao do uso da area nao foi gra- tuita, nem poderia: a CDP e uma empre- sa de direito privado, que busca o lucro e a rentabilidade do seu patrim6nio, como various conselheiros deixaram claro nas sucessivas reunites do CAP dedicadas ao p! ajeto. A Caixa Econ6mica avaliou os tries armazens e o galpdo em 12 mi- lhoes de reais. O investimento do gover- no ira superar esse valor. Esse capital sera considerado como recurso a fundo perdido? Se tal for a de- cisa3, ela contrariard o pr6prio contrato acompanham os aumentos repassados pela economic, tal decisao seria impra- ticavel para a grande maioria de nos- sos clientss, justifica Lima. Para compensar o desligamento do Incor, que pode ser tempordrio (as ne- gociaoqes, ao que parece, prosseguem informalmente), a direqgo da Unimed anuncia para "muito em breve" a inau- guraq o de uma nova unidade de emer- gencia na Doca de Souza Franco, "equi- pada com o que ha de melhor e mais modern na engenharia hospitalar", alem de um completeo hospital" na BR- 316, no inicio do pr6ximo ano. Muito bem. Mas seria interessante que a direcao da Unimed prestasse in- formaqres tambem sobre essa unidade de emergencia da Doca. Segundo in- formacqes do mercado, o velho dep6- sito, com 3.500 metros quadrados, que serviu a Coca-Cola local, nao foi com- prado, mas alugado. O prazo do aluguel que o Estado e a CDP assinaram, alem de descumprir decisao do CAP. Admitin- do-se, porem, que toda essa imobilizacao de recursos e de patrim6nio, que podera chegar a mais de R$ 30 milh8es (R$ 12 milhres do im6vel, mais R$ 20 milhoes de benfeitorias), seja classificada como inver- sdo de fomento em beneficio da iniciativa privada, como determinar com clareza e lisura os beneficidrios sem a realizagco de concorrfncia public? Essa condiqco foi estabelecida pelo conselheiro Gabriel Gas- parettto na reuniao do CAP de novembro de 1995: "qualquer destinaqao a ser dada a esta area deverd obedecer o que preco- niza a Lei n 8.630/93, ou somente entre- gue a exploraqco atrav6s de licitacgo plu- blica", registra a ata dessa reuniao. Para nao tender a esse compromis- so, o govero parece estar recorrendo a criacao de uma organizaqio social, que contard com uma especie de "conselho de notdveis", legitimadores e referenda- dores da destinaqgo atraves de outros processes seletivos, como a carta-convi- te. Cinco dos oito conselheiros jd estao escolhidos, todos eles ligados ao grupo Li- beral e ao secretdrio Paulo Chaves. Seus nomes serAo revelados em duas sema- nas, juntamente corn as normas para a comercializacgo dos espaqos da Estacgo das Docas. Isso tudo sendo decidido ao arrepio das normas e exigencias estabe- lecidas e do que deveria ser um dos prin- cipios bdsicos da administracqo piblica: os altos interesses coletivos. Independentemente dos aspects ma- teriais da questao, ela involve dois ou- e curto, de apenas tres anos (em outras transaces equiparaveis, tem sido de cinco anos). O valor do aluguel, de R$ 25 mil mensais, esta sendo considerado elevado para o padrAo das operacoes feitas recentemente naquela area. A Fdbrica Perseveranga alugou ao grupo educational Geo, pelo prazo de cin- co anos, um im6vel de sete mil metros quadrados (o dobro do da Coca-Cola), por R$ 10 mil. A Cate aluga um terreno (na Municipalidade corn a Quintino), de 6.500 m2, por R$ 4,5 mil. Por esses pardme- tros, o dep6sito que a Unimed pretend transformar em unidade de emergencia poderia ser alugado por um valor entire R$ 7 mil e R$ 10 mil. Por que mais do que o dobro? Os interesses dos usudrios tamb6m estao sendo defendidos da mes- ma maneira que a empresa estd fazendo em relagao aos credenciados que querem exorbitar na cobranqa dos seus services? Cor a resposta, a empresa. * tros components problematicos. Em pri- meiro lugar, o novo uso dado a areas do pier, consideradas inserviveis para os fins da sua construgho, que sAo a navegagCo de carga e de passageiro, nio esta ajus- tado ao pr6prio Piano de Desenvolvimen- to e Zoneamento elaborado para a capi- tal paraense. E precise definir que papel o traditional porto de Belem desempe- nhara num conjunto de terminals na area de influencia da capital, incluindo o de Vila do Conde e, possivelmente, o da Sotave (que a prefeitura tenta assumir). Apesar do custo e da sofisticaqco da Estaqgo das Docas, ela se antecipou a esse piano e nao parece ser coerente com ele. O mesmo se aplica ao projeto Ver-o- Rio da prefeitura de Belem, admitido pela CDP como uma especie de compensa- 9go (ou cala-boca) pela cessao dos tres armaz6ns ao Estado. Em segundo lugar, essas intervencges nao se integral ao planejamento urban global de Belem, inclusive porque a PMB foi ignorada nos entendimentos e na exe- cugao da Estag o das Docas. A conse- qiuncia e que os projetos aut6nomos e isolados do municipio e do Estado se su- cedem anarquicamente na faixa litoranea mais important da cidade, como se fi- zessem parte de galaxias distintas, inco- municdveis. E o pr6prio porto de Bel6m sofre mutracqo antes de uma andlise amadurecida sobre seu estado real e o atestado de morte que jd foi passado so- bre parte da sua estrutura. Situag o que diz muito sobre a Belnm dos nossos dias. * JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE OUTUBRO /1999 5 Jornalismo decorative: o Pasquim de Bundas O empresario Roberto Marinho, umr dos tres homes mais ricos do Brasil, o mais poderoso de todos, contratou o de- tetive particular Bechara Jalk para inves- tigar um rombo praticado em sua empre- sa, o grupo Globo. A principio, a suspeita era de que o desvio fosse de cinco mi- lhoes de reais. Ao final do seu trabalho, porem, Jalk chegou a conclusao de que o desfalque tinha sido 100 vezes maior, al- cangando R$ 500 milhhes. Quando esse fato aconteceu? Quem deu o rombo? Como os controls da po- derosa Globo permitiram que meio bilhAo de reais se esvaissem pelo ralo e, ao de- tecta-lo, s6 puderam ver 1% do valor des- viado? Quanto tempo durou essa sangria? Os culpados foram press? O dinheiro foi recuperado? Tantas perguntas sao possiveis, mas nenhuma delas foi sequer formulada por cinco jomalistas da revista semanal Bun- das, que entrevistaram Bechara Jalk, dedicando ao assunto uma duzia de in- sossas linhas. Quem 1e o ultimo nulmero nas bancas da publicaqgo, o 14, que vem procurando imitar o Pasquim com 30 anos de defasa- gem, fica espantado. A partir do moment em que o detetive fez nipida refernncia ao desfalque na Globo, era para seus entre- vistadores terem-no forqado a apresentar mais detalhes e revertido o sentido da en- trevista, transformando-a numa materia a parte. Ao inves disso, parecem ter ficado mais sensibilizados cor o uisque 12 anos que o entrevistado Ihes ofereceu. Juntando c6pias de todas as peas que produziu na primeira sessAo do Tribunal do conselhe Juri sobre o massacre de El- nheceu, dorado de Carajas, o promo- ria e ma tor plblico Marco Aurelio somente Lima do Nascimento enviou a vidos pe estejornal a seguinte carta: locado e "Por ser admirador do entendim seu trabalho e leitor assiduo camente do JP, sinto-me na obrigaado gistrado, de responder a algumas criti- trio, ha cas d minha conduta funcio- jd estav nal no caso Eldorado do Ca- segundo rajas. Primeiramente, tenho a "como q esclarecer que as provas casa pa constantes nos autos sao mais pelada a do que suficientes para as fizemos, condenagdo dos reus, tanto gamento que no primeiro julgamento o instrum, Espero que um verdadeiro jornalista, ndo um proseur, levante essa hist6ria in- crivel. Se R$ 500 milhOes foram desvia- dos das empresas do conglomerado Glo- bo, entao ha alguma coisa de podre no reino do doutor Marinho capaz de expli- car algumas anomalias na sua poderosa maquina dejoralismo & entretenimento & poder, que requer a apurago da opi- nido public. Se ha tal descontrole, isso talvez se deva a existencia de muitas folgas nas estruturas internal da Globo ou a mui- tos procedimentos informais, daqueles que levam a suspeitar de caixa dois e coisas do tipo. Comeqa a haver expli- caqao para a monumental divida que a Globo tinha em junho do ano passado em moeda estrangeira, de 3,5 bilhoes de d6lares, correspondent a pouco mais de duas vezes e meia o patrim6- nio liquid da corporaqio naquele mo- mento. Mesmo com o desconto de pos- siveis rendimentos financeiros da em- presa no exterior, o saldo liquid nega- tivo ainda seria de impressionantes US$ 2,4 bilh6es. No entanto, osjornalistas de Bundas (revista ou estado de espirito?) passa- ram indiferentemente por sobre tdo gra- ve informaqco. Tamb6m ignoraram so- lenemente outra important hist6ria su- marizada por Jalk. Em tomo de 1975 (im- precisao e uma das t6nicas da etilica con- versa), o SNI, o lugubre Servico Nacio- nal de Informacqes (criatura que o cria- dor pretendeu extinguir no dia seguinte Carta o de sentenga reco- por maioria, a auto- 'terialidade do crime, sendo os reus absol- lo tiltimo quesito, co- 'm votagdo no nosso lento de forma tecni- equivocada pelo ma- totalmente contradi- Ija vista que os reus am condenados. Em lugar jamais agimos uem leva a bola para ra acabar cor uma tefutebol". Tudo que ap6s o primeiro jul- , foi nos utilizar dos entos juridicos que estavam a nossa dis para anular o prime por ter sido realized de nulidades insandv essa que recebeu apo nomados juristas des Minha respo Sartilho das raz6e motor pela anu sessao dojjuri que abs tres oficiais response operalao da Policia .contra os sem-terra, c ja argumentei em mat dois iltimos nfimeros nal Pessoal. Ndo c com a forma que ado ao da sua concepqdo, assustado cor o resultado), matava os inimigos mais pe- rigosos aplicando-lhes injeqao letal. Nao eram muito menos violentos quan- do os aliados se negavam a cumprir suas exigencias, ainda que elas fossem absur- das ou abusivas. Os "arapongas" queri- am que Roberto Marinho demitisse tres joralistas de O Globo, que considera- vam comunistas. "Nosso companheiro" se recusou a entregar as cabecas pedi- das, uma de suas attitudes dignas recor- rentes, a garantir-lhe um lugar inquestio- navel na hist6ria dojornalismo brasileiro, entire outros motives. Resultado: os se- cretas atacaram a residencia do doutor Roberto com tiros de metralhadora e uma bomba, ndo matando por milagre o dono da Globo e sua mulher. Jalk esteve no local logo depois do atentado, sentindo o ambiente pesado. "Quem armou esse servico sujo foram o comandante da Marinha e o superinten- dente da Policia Federal no Rio, que tra- balhavam juntos, e que pegaram o Agui- naldo Silva [jornalista, escritor e autor de novelas da TV Globo], levando-o pra Ilha das Flores", informou o detetive. Um jornalista perguntaria os nomes dos per- sonagens macabros e mais detalhes da hist6ria, que confesso s6 ter torado co- nhecimento na entrevista. Mas o pessoal de Bundas s6 parecia interessado no li- quido 12 anos, "da maior qualidade", como atesta o conaisseur Jaguar. Se o Pasquim morreu, Bundas & seu espectro insepulto. * dar efeito suspensivo aos seus recursos durante a sessao do sposigdo pr6prio tribunal. Seu procedi- iro juri, mento se explicaria como um o eivado ato de indignagoo e revolta di- >eis, tese ante da condugo dojulgamen- io de re- to pelojuiz Ronaldo Valle, con- te pais. siderado incorreto, illegal ou mesmo tendencioso pelo re- sta: presentante do MP (que, por s do pro- isso, suscitou a suspeicqo do lacao da magistrado). Um pouco mais olveu os .de experiencia talvez tivesse veis pela permitido ao promoter Marco Military Aurelio Nascimento enquadrar onforme esse estado de espirito em al- erias nos gum escaninho da lei proces- do Jor- sual, sem colidir com ela. Por- oncordo que os recursos existiam, como tou para continual a existir. 6 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1999 tos da Amaz6nia), administra- do pela Sudam, encerrou seu exercicio do ano passado com 206 milh6es de reais dis- poniveis, mas sem aplicagao, no caixa do Banco da Amaz6nia, que e quem faz os repasses de recursos por autorizaqao da Superintendencia do Desenvolvimento da Amaz6nia. Outros R$ 193 milhoes, o Basa retinha do FNO (Fundo Constitucional Nor- te), a linha de credito (formada a partir de uma deducgo da receita da Unido) destinada as micros, pequenas e medias empresas, que ndo tem acesso aos incentives fiscais admi- nistrados pela Sudam, partilhados apenas entire os grandes grupos. A carencia de dinheiro para investimen- tos, alem do descompasso entire os compro- missos financeiros assumidos e a liberacgo de recursos para novas atividades produti- vas, conforme os cronogramas acertados entire a Sudam e os projetos incentivados pelo govemo federal, saojustamente dois dos pro- blemas estruturais do sistema de incentives fiscais. A eles sempre se juntam as denunci- as, de recorrencia peri6dica, sobre malver- saqCo de recursos e corrupqao na selecao de projetos, um virus de dificil (e talvez impos- sivel) prevencgo pela sistematica-atual. Esses problems, estruturais e conjun- turais, dificultam a obtencao e manutencgo de taxas de desenvolvimento suficientes para reduzir o desnivel que ha e vein se ampliando- entire a Amaz6nia e as regioes mais favorecidas do pais. Por isso, a per- manencia de dinheiro de fomento parade no caixa de um banco federal e apontada como uma das distorc6es do sistema de incentives fiscais para a Amaz6nia. Bom, e claro, para o banco, que pode usar esse dinheiro. Ruim para quem deveria ter aces- so a capital para produzir. Desde o ano passado a Sudam vem re- alizando estudos, juntamente cor a Fun- daqao Gettilio Vargas, para identificar to- das essas distorqces e proper sua corre- qio atraves de um novo program de acoes estrategicas para a Amaz6nia, incluindo uma nova estrutura institutional. Depois da apresentagao de cinco relat6rios t6cnicos parciais, as duas instituiq es estao as ves- peras de submeter o document final a opiniao pliblica para apreciagio e critical. Consolidadas, as propostas deveriam per- mitir o surgimento de um sistema depurado de tantas falhas e capaz de resistir as conjun- turas desgastantes de um process historic ja long, de mais de meio seculo. E as amea- cas de corte ou mesmo de extincao que pai- ram sobre as cabegas tanto da Sudam quan- to do Basa, provenientes de Brasilia. Enquanto a direcgo da Sudam continua- va seguindo uma trilha tecnica, de consultas fechadas, como se um process de refor- mulaqgo a partir de dentro gerasse garantias contra atropelos a partir de fora, de cima para baixo, os funcionarios da instituico decidi- ram, na semana passada, recorrer a auxilio extemo mais explicit, temendo o pior e Sudam: agencia ou mero fund de imediato. Durante dois dias promoveram o I F6rum de Debates, em Belem, atraindo re- presentantes politicos, intelectuais e atores sociais para uma frente de resistencia. Seu objetivo maior era conseguir que o ministry da Integraqgo Nacional, Francisco Bezerra, suspendesse, ao menos temporari- amente, a decision de cortar pela metade o atual quadro de pessoal do 6rgao, com 547 funcionarios, como parte das medidas de control de gastos da administraio public, dentro das metas de ajustes acertadas corn o FMI (Fundo Monetirio Intemacional). Dis- pondo de mais tempo, os pr6prios servido- res da Sudam apresentariam altemativas ao c9rte (talvez ate ampliando o efetivo tecni- co), com reforms na estrutura da Sudam, sem reduzi-la a uma simples agencia execu- tiva (nem o Basa se tomar apenas banco de desenvolvimento, ou sucumbiria num amal- gama corn a Sudam). A Amaz6nia foi a pri- meira regiao brasileira a experimentar o planeja- .-- mento regional. Empenha- dos em "valoriza-la" eco- nomicamente (ojargao da 6poca), os constituintes de 1946 decidiram destinar a parte mais extensa e menos conhecida do ter- rit6rio national 3% da receita tributaria liqui- da da Uniao. A aplicaqgo obedeceria a um piano de desenvolvimento, renovado a cada cinco anos. Um novo 6rgao seria criado para assumir tal incumbrncia, a SPVEA (Supe- rintendencia do Piano de Valorizaqao Econ6- mica da Amaz6nia). Mas em 1966, quando foi substituida pela Sudam, a SPVEA apresentava um enorme deficit. Em nenhum ano das duas d6cadas de sua existencia seu orqamento represen- tou nem uma proporcao significativa dos 3% que teoricamente lhe cabiam no orgamento federal de investimento. O Plano de Valori- zacao Econ6mica da Amaz6nia jamais foi aprovado pelo congress. E todo o modelo de desenvolvimento, atrav6s da substituicao de importacqes, que permitiria a regiao se- guir o process national de industrializaqao como se fosse um pais dentro do pais (ou uma autarquia regional), ruiu quando a Ama- zbnia comeqou a ser integrada a economic brasileira atrav&s de estradas. Integracgo feita a revelia da vontade regional e sem a menor preocupaqgo corn suas caracteristicas fisi- cas e hist6ricas. O parque industrial montado com os in- centivos da SPVEA perdeu economic de es- cala e nio p6de competir corn os concor- rentes de dimensao national, que passaram a mandar seus produtos atrav6s das estradas. Uma a uma, foram fechando as industrias locais, que existiam em funcgo de uma dis- tancia geografica que funcionava como se fora barreira alfandegaria invisivel, e da pro- tecgo de um organismo govemamental dota- do de excepcional autonomia institutional (a SPVEA era vinculada diretamente a Presid6n- cia da Repiblica). A Sudam surgiu para utilizar as vanta- gens comparativas da Amaz6nia em rela- cao As outras areas e stores da economic brasileira, dando-lhe tambem condiq6es de penetrar no mercado international cor pro- dutos minero-metalicos, de elevada inten- sividade em energia, e agropecuarios. De- pois de mais de tres d6cadas, porem, esse model tambem entrou em pane e esta ame- aqado de colapso. O objetivo do convenio Sudam/FGV 6 re- forcar o modelo dos incentives fiscais volta- dos para a Amaz6nia antes de sua "morte anunciada". De acordo corn as disposiqces constitucionais vi- .,s._. gentes, as vantagens concedi- das regionalmente entrarAo numa escala declinante a partir de 2003, corn a reduqCo dos Sbeneficios e isenoqes fiscais, ate que, em 2013, todos eles tenham desaparecido. Nesse ano, a Amaz6nia ja nao tera mais nenhum tratamento especial, como tambem o Nor- deste e o Centro-Oeste. Cor essa perspective, a previsao e de que tambem as opc6es e preferencias pelas regimes incentivadas sofram um defluxo, de tal maneira que nem seria mais necessario marcar uma data para o fim: o desinteresse natural o anteciparia, ajudado pelas pr6prias deficiencias do atual sistema. Embora o estudo da FGV reconheca os "inegaveis beneficios para a regiao" com a transferencia de capital de outras pontos do pais para a Amaz6nia, gracas a possibilidade aberta pelo govemo de aplicarem na regiao parte do que devem de imposto de renda (atu- almente, ate 18%), taimbm critical efeitos gerados em sentido contrario. Um deles vem embutido na isenqao sobre o lucro realizado na regiao por empresas incentivadas (inicial- mente de 10 anos, corn possibilidade de pror- rogaCao): "boa parte do capital transferido para a regiao foi posteriormente 'repatriado' para as regioes de origem, mediante distribuiqio ou incorporaqao do lucro auferido com as operaqces as matrizes de filiais estabelecidas na Amaz6nia", observa o quarto relat6rio. Sem falar na "comissao de corretagem", illegal mas praticada corn abusa indiferenqa, que retem nas maos do aplicador, pessoa fi- sica, na regiao de origem da dedugAo tributA- ria, de 40 a 50% do dinheiro que, teorica- mente, ele aplica no "projeto pr6prio" incen- JOURNAL PESSOAL la QUINZENADEOUTUBRO/ 1999 7 de desenvolvimento agoes na Amazonia? tivado que escolhe (mas que, atraves de um "contrato de gaveta", fica retido em suas maos, num caixa dois). Dessa maneira, um determinado projeto, aprovado pela Sudam para receber 10 milhoes de reais, por exem- plo, vai ter que trabalhar cor 6 ou 5 milh6es, ainda assim tendo que cumprir as metas as- sumidas como se dispusesse integralmente do valor nominal comprometido. E meio ca- minho para a irregularidade, a corrupcAo ou a falencia. O trabalho da Fundaqio Getulio Vargas mostra que a corregio de falhas que se tor- naram visiveis podem evitar os efeitos nega- tivos do Finam. Em primeiro lugar, toran- do-o efetivamente um fundo de investimen- tos, capaz de valorizar as aqOes existentes em sua carteira, beneficiando nao s6 o em- preendedor que recebe os recursos, mas tam- bem o investidor que os aplica. O cotista tam- bem deveria ter participacao nas deliberaq6es da empresa incentivada, pondo fim a separa- 9ao atual. O fundo precisaria estreitar suas relaq6es cor o mercado e aperfeicoar a fis- calizagao das aplicaq6es. M as alem das sugestoes interns ao fundo administrado pela Sudam, formado com as iseng6es do im- posto de renda (por si s6 de natu- reza restritiva), o estudo prop6e reunir as di- versas fontes de financiamento, "de modo a organizer pacotes financeiros especificamen- te desenhados para viabilizar clusters [con- glomerados] centrados no aproveitamento das principals oportunidades de desenvolvimen- to da economic regional". Para tanto, a FGV prop6e duas "mudan- gas importantes" na forma como atualmente esses recursos sAo gerenciados. As priorida- des (em terms de segments de atividades e de areas geograficas dentro da regido) seri- am selecionadas "a partir da analise integrada da viabilidade de um conjunto de projetos capaz de transformar a realidade economic da regiao". Alem disso, as decis6es sobre o apoio financeiro seriam submetidas a uma ins- tancia superior, "capaz de decidir sobre o mix de recursos mais adequado a execuq~o das prioridades". Feita a selegao de prioridades cor base na melhor base possivel de informaq6es, obtidas em diferentes fontes, "a analise das melhores composiqoes financeiras seria en- tregue a consultores independents, para evi- tar que prevaleca a interpretaqgo pr6pria de cada uma das agnncias ou organizaqOes en- volvidas". Essas instituiq6es, acrescidas de representantes do setor privado, fonnariam um cons6rcio (que passaria a ser conhecido como Cons6rcio Federal da Amaz6nia), en- carregado de deliberar sobre as opcqes apre- sentadas pelos consultores, "de modo a aten- der de forma eqiiitativa as prioridades de cada um dos estados da regiao". Em seguida, o cons6rcio submeteria a sua escolha a sanq~o de um colegiado composto por govemado- res dos estados da Amaz6nia e por ministros das pastas envolvidas. A proposta muda o modelo atual ao eli- minar suas principals distorcqes na aplicaqio dos incentives fiscais, substituindo o Finam pelos FIAs, funds de investimento que irao competir por recursos e projetos no merca- do, valorizando o investidor em todas as eta- pas do process e vendendo em bolsa as de- bentures e aq6es do fundo, facilitando a tran- sicAo do velho modelo para o novo. Os tec- nicos da Getulio Vargas confiam nesses no- vos FIAs porque eles seriam mais atrativos para o mercado (ao valorizar o acionista), aumentarao o fluxo voluntario de recursos para a Amaz6nia, serAo mais concorrenciais e mais dini- micos, menos sujeitos a fraudes, capazes de promo- ,-_---_ ver melhor sele9go de proje- tos, oferecendo um custo menor na transaq~o e um maior retomo social. Os t&cnicos preveem outras mudangas no caminho institutional para a materializaqao do novo modelo, reco- mendando um percurso por etapas, a partir da criaqdo do Cons6rcio Federal da Amaz6- nia (CONFEAM), ate o amadurecimento das condicqes para a fonnacgo de uma ag&ncia executive (seria o projeto-piloto desse mo- delo no pais), como fruto das articulaq6es entire as principals instituiq6es envolvidas. Uma vez obtida essa integracAo de funds e gestores, seria possivel reduzir o custo de financiamento e aumentar a viabilidade dos empreendimentos produtivos. Ao mesmo tempo, o FNO se especializa- ria no apoio a infra-estrutura e ao setor de serviqos basicos, "para atenuar as enormes carencias regionais e aumentar a competiti- vidade econbmica, aproximando ainda mais a Amaz6nia do mercado mundial, "de sorte a aproveitar as oportunidades da abertura eco- n6mica e da integraq o latino-americana e pre- servar a capacidade de as empresas. Mas 6 pouco provavel que as propostas apresentadas pela FGV garantam mais do que a modemizag9o da Sudam como gestora de um fundo de acqes ajustado as condig6es de mercado, capaz de sobreviver a fase de pri- vilegios que cessara em 2013. Diga-se em favor dos tecnicos da FGV que eles conside- ram o "conhecimento t&cnico e estrat6gico da Amaz6nia" e a "capacidade de articula- Cqo" como os dois pilares de sustentagAo da nova ag&ncia que viesse a ser criada. Sem ter a capacidade de formularr, cata- lisar, mobilizar, fomentar/induzir e executar aq6es voltadas para o desenvolvimento da regiao", e tambem particular "os interesses pu- blicos e privados" envolvidos na Amaz6nia, a agencia vira a ser uma organizaqao fraca, "que tera competencia legal para executar o seu papel, mas carente de credibilidade", per- manecendo apenas uma instAncia burocrati- ca sem efetividade. Mas ainda que o diagn6stico e as propos- tas da FGV fossem corretos e aplicaveis, a Sudam poderia realmente desempenhar um verdadeiro papel de agencia de desenvolvi- mento regional, dotada de inteligencia para continuar a formular e tentar executar um amplo piano de desenvolvimento, compati- vel com as peculiaridades da regiao? Como o f6rum dos funcionarios mostrou, essa tarefa ultrapassa os limits de uma re- forma segmentada ou setorial. Exige uma re- formulacqo muito mais ampla, tocando em pontos centrais e sensiveis da relaqao da re- giao cor o pais, no reconhecimento de que a Amaz6nia merece, de fato, um status espe- cial, nao apenas uma ret6rica. Pode-se ate ja saber o que, de essencial, deve-se fazer para que ela realmente siga as trilhas do desenvolvimento f sustentado, mas sera pos- sivel dispor dos meios ne- - 4.- cessarios para que tudo isso nao passe de uma declara- a o de boas intenq9es? Sem isso, continuarao a se cum- prir as determinaqces que foram apresentadas cor clareza chocante no II PDA, em tese para o quinquenio 1975-79, mas, na verdade, vigen- tes ate hoje, independentemente de quem te- nha sido (ou esteja sendo) o inquilino do Pa- lacio do Planalto: uma regiao subordinada e depend, uma col6nia de um eixo central e dominant, sem direito a buscar sua identi- dade, sem a prerrogativa de decidir com base na consciencia de si. Existe efetivamente uma questao regio- nal amaz6nica, a ser apurada e respeitada, ou a Amaz6nia e apenas uma parte indissociavel do todo? Mais de 20 anos atras, quando era apenas um soci6logo de prestigio, Femando Henrique Cardoso sustentou que a questao regional & um subproduto- e uma decorr&n- cia- da questao national. E que, resolvido o problema social essencial (atinomia capital versus trabalho), o resto viria quase que por decorrencia. Deve-se admitir que, quanto ao problema regional, o president nao contraditou o so- ci6logo. Embora tenha resolvido o dilemma so- cial simplesmente sufocando essa dimensdo sob o peso do compromisso financeiro. Se, contra todas as diretrizes constituci- onais, assim ter sido de fato, nao basta mu- dar a linguagem, adotando a uma nomencla- tura mais atraente. E precise mudar a reali- dade, desde a origem e na essencia. Uma tarefa ainda a ser proposta. E, quando assim tiver sido feito, realizada para valer, nao para constar em documents decorativos. * s Aniversario A pedido do vereador Cle- to Fonseca (PMDB), a Cama- ra Municipal de Belem apro- vou votos de congratulaq6es pelo 12 aniversario do Jornal Pessoal, "que muito ter con- tribuido para esta cidade". Obrigado Nao se faz 50 anos todo dia. Por isso, abro uma fresta nes- te sisudo journal para agrade- cer aos bons amigos que se lembraram de mim no ultimo dia 23. Poucos, mas essenci- ais. O maximo a que eu pode- ria aspirar. Obrigado, compa- nheiros: nos veremos nos 60. Apurag&o Bem que o Tribunal de Contas do Estado poderia fa- zer uma inspeqao extraordina- ria no Ipalep, o polemico insti- tuto de previd6ncia dos depu- tados estaduais. Ao menos para acabar com a onda de boatos sobre um "contas a pa- gar" de exercicio anterior, que s6 teria sido provisionado na administraago seguinte, sabe- se la de que maneira. Preliminar Tres diretorias atras, a oposiago saiu na frente e apresentou seu candidate a direcgo da Associaqao Co- mercial do Para antes que o president, confirmando o costume, propusesse um nome para suced6-lo. Quan- do o fez, as articulacdes con- trarias ja estavam amadure- cidas. Tanto que embora o conselho s6 tenha 31 nomes, 33 votaram, permitindo ae chapa oposicionistas vencer justamente por dois votos de diferenqa. Agora, mais uma vez a oposigao larga primeiro, com Gabriel Gasparetto a frente, antes de se saber formalmen- te quem o atual president da ACP apoiara (informalmen- te, um nome circula a boca pequena). S6 que agora in- verteram-se os papies: quem era olosiqao virou situagao. Mais uma vez, se as articula- c6es em busca de uma com- posiiao nao produzirem cha- pa inica at6 fevereiro do pr6- ximo ino, quando sera a elei- Duas vezes tentei ler Finnegans Wake, de James Joyce. Na segunda, desisti de vez: peguei o exemplar e o dei a Benedito Nunes. Jamais perguntei se ele conseguiu ler. De mi- nha parte, a empreitada s6 serviu para me dar uma convicqao: o romance s6 6 acessivel aos que t6m o ingl6s como lingua de origem. Evi- dentemente, sao poucos os ingleses ou ame- ricanos que leram aquele que, segundo seu criador, deveria ser o livro dos livros, o anti- romance que acabaria com a era dos roman- ces no s6culo XX. Muitos critics estao dispostos a proclamar que Finnegans Wake 6 o marco de uma era. Nunca poderei servir de testemunha, por mais que tenha tentado nao passar em branco sobre essa linha divis6ria. O livro, para mim, nao 6 apenas ilegivel: 6 ininteligivel. Lendo os critics, fico sabendo que Joyce criou uma nova lingua, compondo-a de pedagos de ingl6s, frances, ita- liano, espanhol. Mas a unica nova lingua litera- ria ao meu acesso e a do nosso.Guimaraes Rosa, porque o portugues 6 a minha lingua e o sertao nao me e uma realidade estranha. Mas, se puder, nao deixarei de comprar pelo menos o primeiro dos 17 livros que a Editora Record se comprometeu a lancar para colocar em lingua portuguesa o Finnicum revem, con- forme a traduq~o do titulo que Donaldo Schiil- ler deu ao romance do famoso escritor irlan- d6s. Minha geracqo teve o privil6gio de ven- cer barreiras lingiiisticas e culturais com a aju- da de guias competentes. Schiiller repetira, neste fim de d6cada, s6culo e milenio, o pre- sentaco que Herbert Caro nos proporcionou com suas tradugies de Thomas Mann, por exemplo? E a expectativa. Nao leio em alemao, uma das minhas muitas limitaq6es intelectuais. Mas quem pode atestar me garantiu que se perdi alguma coisa lendo a tradugdo de Caro de A Montanha Mdgica, foi uma perda insignificant. Mesmo se comeqas- se a estudar com afinco a lingua, dificilmente desfrutaria do prazer que a versao de Caro pro- porciona aos que dominam o portugu6s e tim cultural e curiosidade suficientes para voltar uma, c0o, o conselho voltara a de- cidir, indiferente a eterna- mente frustrada- reivindica- qao de estender o direito de votagao a todos os associa- duas ou tr6s vezes aos Alpes com o monumen- tal livro de Thomas Mann. Nesse caso, a tradu- qCo nao e traiqgo, ao contrario do que proclama o velho bordao intellectual. Por Ulysses (este, sim, li e reli varias vezes, embora parcialmente nas releituras, com prazer e desfrute) e tambem por Grande Sertdo: Ve- redas, presumo que Joyce fez uma criaqao esti- listica admiravel nos 17 anos que a construcqo de Finnegans Wake Ihe exigiu. O trabalho do nosso Rosa nao foi menos notavel. Passei um dia inteiro no Instituto de Estudos Brasileiros, na USP, em Sao Paulo, lendo os cadernos de ano- taoqes e a correspondencia que o escritor mi- neiro trocou com seus tradutores em ingles, ale- mao e italiano. Ele conhecia a estrutura, a tessi- tura e o estofo de cada uma dessas linguas me- Ihor do que os pr6prios tradutores. Diabos: por que nao fez ele mesmo todas as traduqbes? Talvez porque nao era essa a sua virtue, seu oficio, sua alquimia. Rosa, como Joyce, era um bruxo, um magico, um alquimis- ta das cultures humans, tirando-lhes a essen- cia para eliminar as fronteiras que as separam e catalogam, uma quintess6ncia a anos-luz da enganosa alquimia de Paulos Coelhos da vida, dessas diluiq6es insossas, mediocres. B, portanto, uma fa9anha civilizat6ria essa que esta realizando o professor gaucho Donal- do Schiiller- e cor ele a Editora Record, que assumiu a publica9go do Finnegans Wake com- pleto em portugues, ou num portugu6s que s6 ter curso entire os iniciados na lingua literaria, uma expressao de cultural sem a qual um pais pode se reduzir a uma esquina. PS Com um registro burocratico, nossa grande imprensa assinalou a morte de Jose J. Veiga, um dos mais importantes escritores bra- sileiros deste s6culo. Se fosse mais atenta e sensivel, faria uma campanha para que ne- nhum estudante brasileiro pudesse concluir o 29 grau antes de ler, pelo menos, A Hora dos Ruminantes. Deixando de lado todo o lixo da literature para-didatica que engorda escrito- res mediocres e elimina o verdadeiro prazer na ante-sala. dos da mais antiga represen- taago classista do Estado. A dispute pelo poder na ACP tera importancia redo- brada: uma superintend6ncia Jornal Pessoal Editor: Licio FlAvio Pinto Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 24_-786(IfA i j :_ Contato: Tv.Benjamin Constant 8457203/66-.53-040- - Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amiazp.i rt~)rn .' Edigfo de Arte: Luizanlcniodefariaplino7236-104 " :----- b criada na estrutura internal da entidade (e profissionalizada, cor o pagamento de um sa- lario ao ocupante do cargo) coordena um nimero cres- cente de associaqoes comer- ciais espalhadas pelo interi- or. Que podem se transfor- mar em nucleos eleitorais quando a dispute for para o .goye~E~lmd stdo, em 2002. ,Piutncipalmente se um impor- S:ante Os Odad6 entrar dire- -`in'ente no pare,6, saindo dos Sasm'tidores?,;.. Misterios da lingua |
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