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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00168

Full Text






Journal Pessoa
r I 1 (' I (\ I A \/ I I "


L U C. I


I L V- I


F I I ..I


ANOXIII*NI 219 2 QUINZENADESETEMBRODE1999R$ 2,00 na olitica

JUSTIJA ':""



A revolt cega

0 'julgamento do seculo", dos responsdveispelo massacre de Eldorado de
Carajds, colocou no banco dos reus quem deveria garantir a integridade do
process: a pr6priajustica. Terd ela direito a umprocedimento mais legitimo do
que o que resultou num escdndalo de dimensoes internacionais? Esta e uma boa
oportunidadepara corrigir velbos erros e recuperar a confianca da sociedade.

D,.... -us j r- -'^----i

.l. -7- -- r i BTpBla. iz 'e,. ,,,,- l


uem assistiu a manifesta~go de pro-
f testo do MST (Movimento dos Tra-
balhadores Rurais Sem-Terra) em
t4 frente ao pr6dio do forum de Belem,
logo depois do anincio da absolvi-
gAo dos ficiais que comandaram a tropa da
Policia Militar no conflito de Eldorado dos Ca-
rajas, no final do nms passado (ver Jornal Pes-
soal 218), ficou chocado com as agress6es ver-
bais ao judiciario do Para em geral e aos seus
desembargadores especificamente. Duras pala-
vras de ordem eram repetidas em tom irado, en-
quanto os manifestantes sepultavam um caixao
simbolizando ajustiqa estadual. Depois, com o
punho fechado, gritaram inflamados contra a
"farsa" do julgamento, prometendo ndo mais
respeitar os magistrados. Urma tropa da PM co-
locada a entrada da sede do Tribunal de Justiqa
impediu incidents ainda mais graves.
-/- Certamente o protest foi extremado e des-
espeitoso. Mesmo num pais democratic, corn
instituiq6es mais zelosas de suas prerrogati-
." s' ,


vas, talvez os mais inflamados oradores (gente
da cidade mesmo, no comando do sistema de
som) tivessem terminado o dia na cadeia, co-
brados nas suas responsabilidades sobre o que
foi dito. Mas num pais que cultivasse suas
instituiq6es com providencias mais efetivas e
conseqUentes do que a ret6rica exigencia de
respeito, os cidaddos ...
nao chegariam a um tal
grau de descredito como Impr
o que se estabeleceu
logo ap6s o "julgamen- Imp
to do seculo" em Bel&m. Mais um dia d
Uma sucessao de passada, foi pretext
erros berrantes, cometi- frIseologia con enc
dos em cascata, acabou motivo para alguma
por instaurar o reino do em varias notas des
absurdo em relacio a empresa se torna, m
responsabilizaqao pelo prensa, observou urr
choque de abril de 1996, do seculo XIX, que I
.. dos bons), ate se des
entire PMs e militants dos bonds at se des
do MST, que resultou


em 19 mortos e aproximadamente 60 feridos,
no sul do Para. Os homes humildes e sofri-
dos, que repetiam com ira os comandos ver-
bais dos lideres da manifestagao em frente ao
forum, agrediam diretamente a alta corte dajus-
tiqa estadual, mas na verdade estavam inves-
tindo contra a unica instancia da estrutura ju-


-ensa?
rensa!
a imprensa, na semana
o para comemorag6es e
lonal. Para estejomal, e
s reflexes, espalhadas
ta ediqCo. Quanto mais
enosjomalistica & a im-
Srevolucionario alemIo
tambem foijomalista (e
iludir corn a profissio e
i?


dicial na qual o povo
tern papel decis6rio
(ou ao menos a prer-
rogativa de selar indu-
qao professional fo-
rense). Faziam ojogo
dos que defended a
extingao do Tribunal
do Jiri, ficando a ju-
risdiqio restrita ao
corpo professional, em
julgamentos solitfrios
ou coletivos, mas sem-
pre estritamente cor-
porativos.


BELEM: RINHA DE GALO (Pag. 5)






2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE SETEMBRO / 1999


) Sempre quejulgamentos pol6micos extra-
vasam para uma controversial sem fronteiras,
essa instituiq~o 6 questionada e se enfraque-
ce. Da mesma maneira como 6 considerado des-
preparado para votar, o povo nao estaria em
condiq es dejulgar, discemindo a verdade per-
dida no tiroteio verbal (e teatral) travado dian-
te dosjurados pela acusagao e a defesa, entre-
gues a profissionais castrenses.
Os eternos adversarios do juri, contrarios
a ele menos por seus erros do que por seus
acertos, procuram sufocar uma constatagio:
se o corpo de jurados erra, nao menos gritan-
tes sao algumas decisoes solitarias de juizes
ou dos colegiados de magistrados, teoricamen-
te os habilitados a aplicar os c6digos e nor-
mas legais que o cidadao comum tem a obri-
gaqao de conhecer apenas em tese. O actmu-
lo diario de erros de oficio,juntamente cor as
manobras protelatorias e diversionistas de ad-
vogados sem 6tica, sem as providencias cor-
retivas exemplares, estao entire as causes prin-
cipais da predisposicao ao ceticismo e ao des-
credito dos cidadaos em relaqao ao poder ar-
bitral dajusti9a.
O tribunal do juri ter normas e ritos que,
seguidos, garantem sua legitimidade, indepen-
dentemente do erro ou acerto de suas deci-
soes. No caso do julgamento dos responsa-
veis pelos crimes cometidos em Eldorado de
Carajas, o que espanta nao e tanto a delibera-
aio dos sete jurados, um desfecho que estava
entire as duas ou tres alternatives possiveis e
nao e tao discrepante assim das provas dos
autos e da formulagao dos arguments orais.
O espantoso sao os erros preparat6rios a ses-
sao e que nela se estenderam antes que a sen-
tenqa fosse anunciada.
Um desembargador aposentado, com lar-
ga experiencia nos assuntos criminals, Almir
de Lima Pereira, registrou sua estranheza em
relagao ao local escolhido para a realizacao
da sessao e a decisao de manter os jurados
em apartamentos de hotel, facilitando a que-
bra da sua indispensavel incomunicabilida-
de. Ninguem provou que houve suborno para
os oficiais da PM serem absolvidos, mas ja
esta fora de divida que ojurado Silvio Men-
donqa nao tinha a "not6ria idoneidade" que
Ihe possibilitasse ser selecionado parajulgar
caso tao grave e autorizasse o juiz Ronaldo
Valle a defender sua lisura, cor base num pro-
cesso seletivo tao fragil. O descompromisso
dos jurados era tao desproporcional a serie-
dade do julgamento que suas conversas an-
tes e ap6s a sessao inaugural chegavam as
raias da leviandade.
E o que dizer das attitudes do promoter de
justiqa, Marco Aurelio Nascimento, tentando
suprir, a margem do que esta inscrito nos c6di-
gos penal e processual penal, as falhas havi-
das em toda a instruqao e no decorrer do pri-
meirojulgamento? A iminencia da absolvi9ao
dos acusados de um crime revoltante, mas cuja
conexao causal com o crime nao estava deter-
minada nos autos (mesmo que por insuficien-
cia de provas., nao importa: a culpa e de quem
nao resguardou ou nao exigiu que essas pro-
vas fossem juntadas), fez o promoter apelar
para uma insubsistente tentative de suspen-
der liminarmente o prosseguimento do julga-
mento e, no final, como quem leva a bola para


acabar com uma pelada de futebol, arguir inso-
litamente a suspeigao dojuiz.
De fato, na sucessao de falhas que acaba-
ria favorecendo os reus, ojuiz Ronaldo Valle
acabou contribuindo nesse sentido cor o
combatido sexto quesito, que fez os jurados
interromperem a seqiincia natural de conde-
naqio apontada pelos cinco quesitos anteri-
ores, para aceitar a insuficiencia de provas
que arremataria cor a condenaqao a evolu-
qio do raciocinio. Esse sexto quesito torna-
se uma anomalia porque os responsaveis por
caracterizar, tipificar e objetivar os crimes fa-
lham na tarefa de estabelecer o nexo causal
entire crime e criminoso. E por isso que, em
outros casos, quando formulado, nao provo-
cou tanta reaqao quanto no de Eldorado. Sem
ser novidade, sua existencia tornou-se aber-
rante. Mas nao e sinal de ma-fe: apenas reve-
la que um process criminal nao e correta-
mente construido apenas por ser tao volumo-
so como o de Eldorado. Esta constatagio diz
respeito ao Ministerio Publico. Espera-se que
a leve mais a serio do que ate agora.
Transformar o desfecho na causa unica do
mal e fechar os olhos a realidade, tanto da par-
te dos que invested cegamente contra ajusti-
qa, como desta, que maliciosamente pae as
vendas para nao mirar o que esta diante de si.
A maioria dos integrantes da mais alta corte do
Estado, que ainda se preocupam cor sua ima-
gem e seu acerto, deveriam encarar cor serie-
dade as causes reais e profundas que formam
o caldo de cultural para o crescente descr6dito
do poderjudiciario diante da sociedade.
Quando cada um pode lembrar casos es-
cabrosos de erros cometidos e nao corrigi-
dos de que foi vitima ao recorrer a justi9a,
entao protests como o do mes passado,
mesmo que sejam concebidos e utilizados corn
prop6sitos politicos, sao acolhidos porque o
terreno e propicio a germinadao da insatisfa-
g9o. Nao so entire o public extero, alias, mas
intemamente tambem.
No moment em que emerge uma ponta do
iceberg, cor as escandalosas decisoes dejui-
zes do interior, favoraveis a indevida utilizagao
de titulos da divida public (a tal da "moeda
podre") na quitaqao de debitos particulares, e
precise verificar quantas outras pontas per-
manecem imersas, nao exatamente por desco-
nhecimento da autoridade competent, mas por
sua omissao, conivencia ou co-autoria. Basta
pensar numa denIncia encaminhada ao Tribu-
nal de Justiqa do Estado pelo promoter de
justiga de Tucurui, Mauro Jose Mendes de
Almeida, em 30 de setembro de 1996.
Apesar de sua gravidade, a pega comple-
ta, exatamente agora, tres anos em algum es-
caninho burocratico insensivel. O promoter,
com jurisdi9ao em uma das mais explosives
comarcas do interior do Estado (e tambem um
dos mais "ricos" municipios paraenses, em
fungao de abrigar a maior hidreletrica inteira-
mente national), simplesmente acusa o de-
sembargador Werther Benedito Coelho de
favorecer um dos mais perigosos criminosos
da regiao, chefe de uma autentica mafia entiree
outras faqanhas, a de liquidar donos de gran-
des creditos na pra9a).
Condenado seguidamente na primeira ins-
tancia, Edgerson Francisco Ramos recupera-


va a liberdade graqas ao deferimento de ha-
beas corpus que sempre, por coincidencia,
eram sorteados para o desembargador. Limi-
narmente, sem pedir informaq6es ou esperar
que elas fossem fornecidas pela autoridade
coatora, o desembargador mandava soltar o
reu. Ate que o promoter, indo conversar re-
servadamente com o entao president do TJE,
desembargador Romio Amoedo Neto, con-
seguiu que o sorteio (feito por computador)
deixasse de ser tao coincidente assim. Mas
sua denuncia jamais resultou num procedi-
mento administrative sequer.
Como ate hoje permanece engasgada a re-
soluqgo do problema que culminou na preteri-
qao ao desembargo dajuiza mais antiga do Es-
tado, candidate a ascensao automatica a alta
corte por esse criterio. O motive alegado, de-
sequilibrio emotional e falta de discerimento
para bem decidir, impediu Marta Ines Jadao de
se tornar desembargadora, ap6s 23 anos de
carreirajudicial, mas nao de continuar a frente
da estrategica vara da fazenda estadual, uma
das mais importantes do foro civel da capital.
No curriculo de Marta nao consta nenhu-
ma das tantas situaq9es controversas e pole-
micas (para dizer o minimo) envolvendo, ain-
da hoje, Werther Benedito Coelho e alguns
outros de seus pares de desembargo, mas en-
quanto todos eles foram aceitos, Marta foi
recusada na promorao, que s6 pode ser blo-
queada, por maioria qualificada dos membros
do colegiado, se ha restrio6es em sua folha
funcional. Nenhuma ha na dela. E, deve-se
dizer, nem na do desembargador Werther Be-
nedito Coelho, apesar de tudo.
Indignada, ajuiza, atropelada por uma de-
cisao inedita, recorreu a instancias superio-
res para anular a decisao em Brasilia. Esta no
direito dela. Mas o tribunal que a vetou, ten-
do prometido adotar todas as medidas para
cobrar suas responsabilidades, parece ter
descurado dessas providencias. E ate da mais
elementary: de impedir que uma magistrada
considerada inabilitada para julgar em con-
junto com outros pares, continue a decidir
solitariamente no uso de umajurisdiqao auto-
cratica. Alias, sempre cor fundamento.
Da mesma maneira, parece ter considerado
que nada tinha a ver cor o incident ocorrido
no pr6prio quarto andar do forum de Belem,
envolvendo um advogado (Sergio Couto, ex-
presidente da OAB/Para) que acusou de cor-
rupqio um desembargador (Joao Alberto Pai-
va), quase havendo o que, na linguagem cri-
minal, chama-se de "desforqo fisico" entire os
dois. Mas tudo terminou cor dois almoqos
de reconciliaqao, como se um restaurant hou-
vesse sido estabelecido como instancia de
arbitramento (ex-oficio, como se permitiria um
rabula). E o que poderia levar a um procedi-
mento investigative tenninou como nota de
coluna social.
Quando, confrontado pelo paroxismo de uma
reaqao que extrapola os limits sancionados, o
tribunal julga-se ofendido e formalmente exige
respeito, da razao a uma just observaqao do
poeta alemao Bertolt Brecht: condena-se um rio
por sua violkncia, mas ignora-se as margens que
o comprimem. Esta na hora de tratar dessas
margens para que a vazao institutional aconte-
ga sem traumas nem injustiqas. 0






JOURNAL PESSOAL -2a QUINZENA DE SETEMBRO/ 1999 3





Liberdade de imprensa:


a servigo da sociedade


Uma lei de imprensa seria deveria center
pelo menos duas normas. Uma delas impedi-
ria o cidadao de ingressar emjuizo sem antes
esgotar a instancia administrative para resol-
ver pendencia de qualquer tipo. Outra trans-
formaria automaticamente em crime a recusa
ao direito de resposta por 48 horas ap6s ele
haver sido suscitado.
Corn esses dois dispositivos, realmente
o pais avanqaria na regulacao das relac;es
entire a imprensa e a sociedade. O interesse
public prevaleceria sobre todos os interes-
ses individuals, mas estes seriam respeita-
dos ate o limited em que a instancia arbitral se
torna necessaria para evitar que um poder
individual maior se sobreponha a outro, me-
nor e desvalido.
Muitas vezes um poderoso corn susceti-
bilidade exacerbada e i flor da pele recorre a
queixa-crime para calar um jornalista inc6-
modo (ou alguem que prestou declaraq6es a
imprensa ou nela publicou um artigo), dei-
xando de lado o m6vel da questao. Informa-
q6es e conhecimentos que deveriam ser par-
tilhados cor o public acabam entocados
nos autos de um process. Ou nem isso: o
recurso aos atributos da personalidade e aos
dominios da privacidade & o bastante para
determinados tipos de julgadores sentenci-
arem cor base no que alega a presumivel
vitima, sem maior consideracio para cor o
animo e as circunstancias do litigio, sem fa-
lar no interesse public.
Sempre que o assunto tivesse sido pro-
vocado pela imprensa, por ela tambem deve-
ria comeqar o contradit6rio. Seu ponto nevral-
gico & a controversial. Seu locus teria que ser
a publicaqio que deu causa a relaqio. Mas o
dono da publicaqao ou quem a comanda nao
poderiam inventar ou reinventar as regras do
jogo. Uma determinaqao exterior categ6rica
restringiria o livre arbitrio atual de muito 6r-
gao de imprensa.
A qualquer pessoa que se julgasse atin-
gida em sua honra, violada em sua privacida-
de ou vitima de uma calunia seria assegurado
o direito de responder a ofensa, coin o mesmo
destaque e no mesmo espago do fato gera-
dor, no prazo maximo de 48 horas ap6s ter
protocolado a resposta. Ela deveria ser aco-
Ihida integralmente, sem acr&scimos ou su-
pressbes, desde que mantida a proporciona-
lidade cor o motivador do agravo. A respos-
ta seria repetida tantas vezes quantas fossem
necessarias at& assegurar a proporcionalida-
de cor a publicacio original. Acrescida de
multa progressive pelo desrespeito.
Se a resposta fosse mais dura ou incisiva
do que o ataque, seria porque o ofendido
optou pela retorsio, cancelando a viajudicial
subseqciente. Se os terms da resposta fos-
sem comedidos e objetivos, seu autor pode-
ria prosseguir pelo recurso i justiCa, caso a
replica do alegado ofensor excedesse o acei-


travel ou toleravel. Nio poderia, entretanto, ir
direto aos tribunais.
Se a publicadao simplesmente se recusas-
se a dar curso ao direito de resposta, incorre-
ria em crime. Aojuiz, quando acionado pela
parte, caberia apenas reconhecer a exist&ncia
do delito e aplicar a pena, em rito sumarissi-
mo, numa media capaz de inibir a repetigao
desse ato por parte daqueles que nao conse-
guem entender o significado de um veiculo
de comunicaqio social, arvorando-se a do-
nos da opiniio public.
Voltei a essas ideias, que me acompanham
ha muito tempo, tentando dar-lhes um senti-
do operacional, ao refletir sobre tres casos
em curso. Um deles em Sao Luis, onde ojor-
nalista paraense Walter Rodrigues (nossa
melhor contribuicao para ojornalismo mara-
nhense) esta sendo processado pela gover-
nadora Roseana Sarney. O objeto da litigan-
cia e um tipico caso de interesse public.
Transformando-se numa aqao privada, sub-
sidiariamente public, desvia-se do seu cur-
so normal, privando os maranhenses de ser
adequadamente infonnados e formar seu pr6-
prio juizo a respeito. A necessaria instincia
administrative como condidao para a instau-
raqio da acao penal acabaria com essa ano-
malia: s6 depois de esclarecer seus concida-
daos e eleitores (somos sempre tentados a
falar em sliditos nesta Repiblica imperial) e
que a governadora poderia tratar da dimen-
sao particular da sua personalidade public.
Outro caso e o de Valter Correa, que em
Itaituba, cor o seu Correio do Povo, faz um
jornalismo assemelhado ao do Colundo, do
seu xara, Walter Rodrigues, e ao deste JP. O
juiz Claudio Rendeiro nio gostou de um arti-
go do Correio, o que e direito liquid e certo
seu, mandando chamar o autor da materia e
recolhe-lo ao xadrez, ja esta uma prerrogativa
que requer o devido process legal antes de
poder se materializar e o que nao houve,
caracterizando um abuso de poder.
Mesmo um juiz, ainda que numa comarca
de interior remote, nao tern os poderes de um
deus, assumindo o principio e o fim do con-
traditorio. O poderjudiciario tem que restabe-
lecer essa hierarquia para que a liberdade de
opiniao tambem seja assegurada na selva sel-
vaggia. Ou entio cancele-se a globalizaqao
por seu facciosismo e unilateralidade.
De minha parte, estou tendo que enfren-
tar mais duas aq6es, agora criminals, propos-
tas pelo empresario Cecilio do Rego Almeida,
que se declara humilhado & ofendido cor o
tratamento de grilagem dado a sua pretensao
sobre sete milhles de hectares (70 mil quil6-
metros quadrados) de terras no Xingu. Inici-
almente ele ajuizou uma aqgo civel de indeni-
zaiao junto ao foro central de Sao Paulo. Ja
suas queixas-crime vieram aportar na vara
especializada da comarca de Belem, a 16".
Vou litigar na viajudicial proposta, aguar-


dando o soberano pronunciamento da julga-
dora a partir dos elements que Ihe forem apre-
sentados nos autos. Mas ha uma indescarta-
vel dimensao public que aqui se manifesta.
Um unico cidadao, cor base em tao precaria
documentaqao, contestada em todas as ins-
tancias oficiais, nao ter qualquer tipo de me-
diaqao que o impeqa de querer se apossar de
uma area que & quase duas vezes e meia maior
do que a Belgica, em cujo territ6rio quase 10
milhOes de pessoas extraem uma renda per
capital cinco vezes superior a brasileira.
Uma area cor o tamanho e a riqueza da-
quela de que C. R. Almeida quer se apossar
no Xingu e suficiente para nos livrar do estig-
ma de sermos uma Belindia, cor uma face de
Belgica e outra de India, a simbolizar seus
p6los de riqueza e pobreza. Entregue aos ape-
tites de ur impresario como ele, vai ampliar
esses extremes, a riqueza apropriada por pou-
cos, a pobreza espraiada pela maior parte do
sofrido povo brasileiro.
A liberdade de imprensa capaz de servir a
construgao de uma grande naCao e a consoli-
dacao do regime democratic & a que possibi-
lita enfrentar esses desafios em praqa publi-
ca, diante da sociedade, e nao em ambientes
fechados, onde podem melhor agir a seducao
da compra e a mordaca silenciadora, tomando-
as mais eficazes e letais a democracia. 0



Imprensa

ruim
Os editors da imprensa paraense deveri-
am se reunir para inscrever mais um item num
sonhado c6digo de etica normativo e de in-
flexivel cumprimento para os trs jorais dia-
rios: nao publicar fotos de cadaveres (os po-
pularespresuntos na linguagem policial), prin-
cipalmente de pessoas mortas tragicamente.
A Provincia do Para colocou em uma de suas
paginas o corpo carbonizado do eletricista da
boate Mystical, vitima do incendio irrompido
naquela casa de espetaculos. O Liberal des-
tacou o corpo de um adolescent assassina-
do, encontrado num matagal em decomposi-
cao e parcialmente devorado por bichos, cin-
co dias depois de haver desaparecido.
Uma imprensa minimamente responsa-
vel s6 public tais fotos se elas atestam cri-
mes coletivos ou se podem ser usadas
como prova contra um criminosoja identifi-
cado, mas, talvez, ainda nao preso, ainda
assim preocupada em alertar, nao em escan-
dalizar. As duas fotos sao apenas um ates-
tado dos requintes sadicos dos editors e
do comercialismo sem escrupulos dos que
Ihes referendum a decisao.
Sera que nao e possivel estabelecer uma
concorrencia mais limpa e sadia? 0






4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE SETEMBRO / 1999


Dia da imprensa:


comemorar o que?


A cada 10 de setembro comemora-se o dia
da imprensa com rega-bofes. Parece que algu-
mas das chamadas autoridades encarnam o
papel da bruxa do conto de Joao e Maria: ali-
mentamjomalistas para depois tomar seu dedo
e ver se ja estio no ponto de ir para a panela.
As grades, no caso, sao invisiveis, mas costu-
mam prender mais do que as grossas barras de
ferro atras das quais foram trancafiados os dois
meninos. E a grade da seduqio, da corruppco.
O conviva esta livre como o taxi concebido por
Miller Femandes. Livre ate o pr6ximo client e
sua decorrente bandeirada, e claro.
Vem de Mill6r outro aforismo que define
nossa profissao: imprensa e oposiqco, o resto
e armazem de secos & molhados. Alguns cole-
gas interpretam essa tirada muito ao pe da le-
tra. Acham que podem partir do contra para
chegar a verdade, que confundem com um ava-
tar, a tal da "posigio progressista".
E por isso que os neo-investigadores de
Veja, Epoca ou Folha de S. Paulo escrevem
editorials pensando em estar produzindo re-
portagens. Excesso de adjetivaaio sem sus-
tentacio fatica indica que o autor ter tanta
opiniao que a repassa ao leitor, tambem lotado
de opiniatica (remember Dada Maravilha).
Ambos acabaram se empanturrando de irrele-
vante contundencia, talvez tendo muito a ver
cor fantasias construidas, mas pouco ou qua-
se nada cor a realidade.
O pressuposto oposicionista e a condiqio
necessaria para a imprensa desempenhar seu
mais important papel: a de auditora popular
do poder. Mas ter que verificar, checar, con-
frontar, elucidar. Nosso govemador, por exem-
plo, acaba de submeter ao legislative o PPA
(Piano Plurianual) 2000/2003. Pode-se conde-
na-lo corn um unico qualificativo: de que reali-
za o program neoliberal (outro avatar baixan-
do sobre qualquer desafeto). Mas um jornalis-
ta s6 pode chegar a essa conclusao depois de
ler e entender o document, sendo capaz de
contextualiza-lo e interpreta-lo. Corn a pruden-
cia de deixar ao leitor a prerrogativa de con-
cluir a leitura da reportagem cor a etiqueta de
neoliberalismo (de mau gosto, alias).
O 10 de setembro reduzido a comes e be-
bes significa a aceitaqao das terriveis grades
simbl6icas. Tio pouco afeitos a reciclagens,
osjomalistas deviam aproveitar a oportunida-
de para refletir um pouco sobre sua pr6pria
hist6ria. Examinando-a corn a atenqio, chega-
se a constataqces de impact.
A imprensa brasileira comeeou cor atraso
de um seculo em relaaio aos vizinhos de cultu-
ra hispanica e aos primos do outro lado do Rio
Grande, herdeiros do constitucionalismo ingles
e nao da (ma) tradiqio da inquisiqco religiosa.
E comecamos mal: os donos do poder institu-
iram a censura antes mesmo de ter o que cen-
surar; e os pioneiros tiveram que ouvir o pas-
saro cantar la fora antes de poder estabelecer-
se na propria terra (mesmo cor a promessa de
que os que aqui gorjeiam, nao gorjeiam como


la). O Correio Braziliense, de Hip6lito Jose
da Costa, nasceu em 1808... em Londres.
De Lisboa, Felipe Patroni trouxe os equi-
pamentos e o impressor para inaugurar a im-
prensa, 13 anos depois, no Grao-Para, com O
Paraense. Estava certo de assim poder impor-
tar tambem o sistema monarquico constitucio-
nal originado do Porto, em 1820. Aqui chegou
como o deputado mandado as cortes e la, corn
suficientes cabelos no coraqio (segundo Ha-
roldo Maranhao) ou na fuqa, fez sua majestade
ouvir desaforos de corpo present.
Mas aqui deu de cara cor um totalitaris-
mo insensivel. Acabou deportado e suas ma-
quinas foram usadas pelos que ate entio
eram os alvos de suas critics, uma pratica
que se renovou ate o Estado Novo (o gover-
no penetrou como intruso em jornais inc6-
modos, como O Estado de S. Paulo e, entire
n6s, a Folha do Norte).
A repressAo violent intimida, mas nio
se estabelece pacificamente, nem seus ma-
les sao eternos. Ha sempre pessoas corajo-
sas que se disp6em a enfrenta-la, como Ba-
tista Campos, Cipriano Barata, Lavor Papa-
gaio e, mais perto, o BarAo de Itarare. Se nao
ganham, conferem dignidade a derrota. Va-
lorizam suas vidas e a dos outros. Fazem a
maquina da hist6ria se mover.
Sabemos que os rapap6s ou sao geral-
mente um ardil, ou refletem no espelho jor-
nalistas que renunciaram (se e que alguma
vez assumiram) a sua vital funqio social -e
estao sendo premiados por se terem domes-
ticado. No entanto, refletimos pouco sobre
essa continue e inevitavel experiencia de
conflito cor o establishment. Quando os
militares, logo em seguida ao AI-5 (de 13 de
dezembro de 1968), mandaram seus censo-
res para algumas redaoqes, entire as quais
figuravam 6rgios da imprensa que ate um
pouco antes os haviam apoiado, osjornalis-
tas que tinham enfrentado situaqio analoga
ate 1945, cor o Estado Novo, foram rapida-
mente banidos. Nao chegaram a sistematizar
e teorizar sua experiencia, transformando-a
em ensinamento aos mais novos. E precise
sempre recomegar. Retarda o avangar desse
ser paquidermico no Brasil, a hist6ria.
Nao devia ser assim. Sabemos que esses
atos de relaq6es publicas ou costumam ser
absolutamente falsos ou nao tnm profundida-
de. O primeiro ato do novo ditador (ou auto-
crata) e censurar a imprensa. Nio quer ser fis-
calizado, nem prestar contas. O sistema politi-
co e suas instituiqces ainda nAo sao suficien-
temente s6lidos no Brasil para imunizar o pais
contra recaidas golpistas. Sem nos transfor-
marmos naquele personagem do Henfil (Ubal-
do, o paran6ico), temos que estar permanente-
mente consolidando a credibilidade, o reconhe-
cimento e o apreco dos cidadaos pela impren-
sa, sem o que qualquer pe de vento derruba
nossa presungio de fortaleza, que disfarqa o
fato de ela nao passar de um castelo de cartas.


Infelizmente, essas condiq6es, que se en-
raizaram nos Estados Unidos e sio um pouco
mais fortes no restante do continent, ainda
nao existem no Brasil. Principalmente porque o
cidadio tem dificuldades em se identificar com
uma imprensa oficiosa, reinol, cortesi. Uma
imprensa que se reduz a armazem de secos &
molhados. E vende noticias como se comerci-
alizasse bananas.
Portanto, ao inves de comemorar, vigiar e
agir. E mais saudavel. 0



Verba

public

Alem da dispute intema pelo control do
diret6rio municipal do PT na capital paraen-
se, um dos p6los de decisao da candidatura
do partido a prefeitura de Belem, Edmilson
Rodrigues esta trabalhando a todo vapor na
frente externa, buscando criar um tal apoio
popular que inibiria qualquer articulaqio para
impedir sua reeleiqio corn base apenas na
maquina partidaria.
Um dos eixos centrals dessa estrategia 6 a
propaganda. Em duas semanas o prefeito pu-
blicou um cadero de materias pagas de qua-
tro paginas em O Liberal e (quem diria) no
Jornal Popular (este, ja incluido na midia
petista, enquanto A Provincia do Para dela
foi expurgada) e de nada menos do que oito
paginas no Diario do Para. Pelo preco de
tabela, esse caderno custaria 300 mil reais.
Mesmo cor um desconto excepcional de
50%, ainda sairia pelo salgado preco de R$
150 mil. Ou seja: em duas semanas de promo-
iao pessoal o prefeito torrou em propaganda
pessoal dinheiro que daria para construir uma
boa escola, incrementando o premiado pro-
grama educational da PMB.
Mas nao e s6 na imprensa local que o
alcaide invested. Ha cinco ou seis numerous,
Caros Amigos traz na tltima capa um anun-
cio da prefeitura de Belem, o maior e um dos
raros faturados por essa publicaiao. Segun-
do o seu editor, a publicidade foi concedida
espontaneamente pela agnncia que cuida da
conta da PMB.
Que um politico petista resolve ajudar uma
publicaiao altemativa, geralmente excluida da
programagAo de veiculagio das agencies,
entende-se e ate pode-se aprovar. Mas cinco
ou seis anuncios seguidos, ocupando toda a
iltima capa de Caros Amigos, ja nAo e de-
mais? Alem de excessive, estranho.
Excluindo-se o discurso e a ret6rica, o que
distingue Edmilson Rodrigues de Helio Guei-
ros na aplicacio da verba publicitaria publi-
ca? Alias, ambos estAo juntos no Jornal Po-
pular (ate quando?).
Respostas a reda go.







JOURNAL PESSOAL *2, QUINZENA DE SETEMBRO/ 1999 5





Os urubus da noticia


e a doenga do governador


0 Reporter 70 de O Liberal de 29 de agos-
to, em uma nota sumaria, anunciou que Almir
Gabriel iria se licenciar do cargo para se sub-
meter a uma cirurgia. Foi o bastante para tocar
fogo numa boataria desenfreada sobre doenca
grave que teria acometido o govemador, pro-
vavelmente o cancer. No dia seguinte, o Bonm
Dia, Para, da TV Liberal, foi colocado a dispo-
siFao do governor, para ele tentar desfazer essa
onda, em continue crescimento.
Mas e provavel que o govemador tenha
exagerado nos seus cuidados. Tentando
transmitir tranqiiilidade e confianqa, Almir
Gabriel disse que aquele inchago, visivel do
pescoqo a base do queixo, nio passa de um
cisto, corn o qual convive sem problems ha
20 anos. Tudo continuaria como antes se uma
crianqa, espantada com aquela anomalia, nao
tivesse perguntado ao goverador se ele es-
tava com papeira (uma associagAo com o con-
to de Andersen sobre o rei nu e imediata, e


nao de todo impr6pria). S6 entao o govema-
dor deu-se conta de sua aparincia e decidiu
fazer a operacao para extirpar a tumescencia,
talvez por simples preocupagao estetica.
Nao ha motives para se rejeitar a explica-
qao do govemador, mas sua historia ter fu-
ros. Se realmente o cisto convive no organis-
mo do medico Almir Gabriel ha 20 anos, foi s6
depois da campanha eleitoral do ano passa-
do que ele se manifestou exteriormente. Des-
de entao, ao menos a observaqgo superficial,
nao parou de crescer. Se realmente nao passa
de manifestaqio simples e superficial de al-
gum problema organico, entao a decisao de
eliminar ou nao o cisto esta adstrita a privaci-
dade e intimidade do govemador, nenhum de
seus concidadios tendo nada a ver cor isso.
Mas se e algo mais grave, a opiniao public
tem que ser informada.
A hist6ria contada pelo govemador e tdo
pouco crivel quanto os boatos sobre o can-


cer linfatico que teria se instalado em seu or-
ganismo. Mas tudo se tora verosimilhante
quando a verdade e ocultada. Portanto, reno-
ve-se a sugesto que pora fim As improce-
dentes inquietaqoes e aos maledicentes boa-
tos: antes da cirurgia, deve o governador sub-
meter-se a um bom exame clinic e divulgar o
resultado para conhecimento de todos, tran-
qiiilizando os bons cidadaos e imobilizando
os urubus da informaqao.
Ate la, tanto a apressada nota do Re-
porter 70 quanto a convenient encomen-
da do Bom Dia, Para produzirdo o efeito
contririo ao do bom jornalismo e da boa
intenq~o, dois elements expurgados da
pauta da maior empresa de comunicaqao do
Estado. Alias, seus veiculos nao se comu-
nicam entire si: ojornal ignorou o desmenti-
do da televisao, que nao levou em conside-
raqao a informaqio do journal. A primeira foi
insensivel. 0 segundo leviano. *


Satrapa x alcaide:


a cidade vai ao fundo


Uma obra de 160 metros quadrados, no
valor de 15 mil reais, em frente a um dos mais
belos e valiosos predios de Belem, o Teatro
da Paz, simboliza o nivel a que baixou a con-
duqgo dos neg6cios publicos na capital pa-
raense, cidade cor 1,2 milhAo de habitantes
e PIB de 12 ou 15 bilhbes de reais.
A prefeitura resolve construir uma cal-
cada ocupando toda a Rua da Paz (ja fecha-
da ao trafego, mas acessivel ao estaciona-
mento de carros), em frente ao p6rtico do
teatro. Ao mesmo tempo que encaminhou o
projeto da obra aos 6rgdos que tutelam o
predio hist6rico, na condiq o de bem publi-
co tombado, comeqou a executar os servi-
9os. Agindo assim, deu causa a um proble-
ma previsivel: tanto a instituiqgo federal quan-
to a estadual, encarregadas do tombamento,
rejeitaram o projeto, mas nao podiam mais
negar a obra realizada. O desenho do projeto
nao foi aprovado, mas a calcada estava pra-
ticamente concluida.
Se as razies alegadas para a desaprova-
~go do projeto (que alteraria o equilibrio e a
concepiao originals das duas metades da
praga, impondo-lhe uma falsa unidade) nao
passam de pretexto para um ato de represalia
political, na escalada de hostilidades entire o
governor do Estado, do PSDB, e a prefeitura
de Belem, sob o control petista, as vespe-
ras da partida para mais uma campanha elei-


toral, seria questao a discutir. De preferin-
cia, numa mesa delimitada pela racionalida-
de, a 16gica e o interesse ptblico. Isso, se
um component de irracionalidade e bizarria
ja nao tivesse contaminado a tudo: conde-
nar o projeto implica agora destruir a obra
pronta e acabada.
O impasse resultou de uma combinaqAo
de intolerancia, ma-fe e despreparo das duas
parties, mas, sobretudo, da parte da prefeitu-
ra. E possivel que inexista a pretextada de-
sarmonia entire a nova calcada e o conjunto
urbanistico e arquitet6nico da Praqa da Re-
publica. No entanto, a administraqgo muni-
cipal nao permitiu que a controversial fosse
instaurada para separar o joio do trigo. En-
carnando o modo de ser do alcaide, nao ad-
mite contrariedade a sua vontade. Ainda que
esteja pensando de fato no bem coletivo e
esteja cor a razao, o prefeito Edmilson Ro-
drigues nao pode eliminar instancias e ritos
legais, nomeando-se principio e fim do cer-
to, do que ter que ser, como um persona-
gem de Lewis Carrol destituido de humor.
O governor, tentando sustentar o pare-
cer dos 6rgaos tecnicos, nao permitiu que o
tapume em tomo da calcada fosse desfeito
para viabilizar a obsessdo do burgo-mestre:
inaugurar obra, seja ela qual for. Mas o tapu-
me nao ter o condo de anular o que esta
dentro dele. Com malicia e aparente sagaci-


dade, o dono da obra aproveitou a concen-
traao de gente no desfile da independ6ncia
para colocar abaixo o tapume, como sendo
iniciativa de incerta autoria. No mesmo dia a
paliqada foi levantada de novo, ja agora pelo
Estado, que nao teve o cuidado de evitar da-
nos a calcada (independentemente de seus
autores, ela s6 existe porque recebeu dinhei-
ro publico.
Enquanto isso, varios "detalhes" relevan-
tes, mesmo numa obra fisicamente tao peque-
na e de custo baixo, foram completamente dei-
xados de lado. Como saber se as defenses
realmente impedirao que a calqada seja ocu-
pada pelos carros, invadida pelos ambulan-
tes ou faa a drenagem refluir para a entrada
do teatro. Isso nao interessa quando um des-
pota que transformou a coisa piblica em as-
sunto domestico va no avanqo de outro d6s-
pota nada mais do que uma ameaca pessoal.
Algo como barbaros e Bareberinis redivivos
numa urbe entregue ao caos.
Belem, finalmente, se tornou a cidade me-
dieval na qual nunca deixaram de pensar os
colonizadores portugueses que a fundaram.
Para realizar esse projeto original, seus suces-
sores estao ja nao mais fundando uma cidade,
mas afundando-a. Ao menos quanto ao con-
ceito de coisa p6blica, a res public que, con-
solidada, levou o imperio romano ao apogeu,
e, negligenciada, abreviou seu ocaso.






6 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE SETEMBRO/ 1999


Cartas

Julgamento
. KR .Irr t1,,. o general Oc-
I,, C. -.,, in dos oficiais
--w- i i thiibtllhii a atuiar nias
fileiras do Exircito nas ldtimas deca-
das, mandou o seguinte cartdo:
"Acabo de ler o n 218, 1' quin-
zena de sctembro, do seu Jornal
Pessoal, e nao resisto a dois impul-
sos.
O de felicita-lo pelos 12 anos de
vida do JP. Que epopeia!
O de registrar a minha admiracqo
pela inigualavcl sintese sobre o 'Mas-
sacre do Jiri'. Isenta, equilibrada,
perfcita. Nao vi nada igual na grande
imprensa.
Digo-lhe a minha concordAncia
quase total. O quase fica por conta
das belissimas frases do ultimo para-
grafo. A tentaqao da procura do belo,
na comparaqao entire o eldorado, le-
vou-o a uma injusta gcncralizaqao.
Primeiro, eu sou otimista, apesar
de tudo. Acho que estamos sempre
mudando para melhor.
E, final, nao se degradou, em 4
s6culos, uma Amazinia que tern um
home como voce.
Abraca-o a minha mais efusiva
admiraqgo".


Ministerio

Publico?
A'. d. -.'.L. Lisboa Cerveira: "A
prl polI' da mat&ria 'Massa-
wv ,s re no juri' (ver Jornal Pes-
soal 218): nao c, em nossa opiniio, a
fronteira que inibe ajustiqa. E o com-
prometimento s6cio-econ6mico, in-
teragindo nos tres poderes que da o
tom da musica. Tanto faz ser na Ama-
z6nia, no Nordeste ou alhurcs. Lem-
bramos do complex do Carandiru.
Foram mortos cerca de 150 encarce-
rados [111, na verdade]. Um massa-
cre urban inominivel para os pa-
dr6es civilizados da maior metr6pole
do Brasil. Algu&m foi punido? Claro
que nao estamos querendojustificar
chacinas. Passando a outro item, o
fato mais marcante no caso Eldorado
foi a attitude do promoter, negando-
se a prosseguir na funcqo e ausentan-
do-se em seguida do julgamento.
Alem de protagonizar uma acqo ridi-
cula e inaudita, prestou um desservi-
to sociedade que Ihe paga o soldo.
Presumimos que o Minist6rio Plibli-
co deva ter um codigo de 6tica para
punir com severidade os promotores
recalcitrantes. Afinal, somos ou nao
urna sociedade organizada?"


SilIncio:

leitor protest

Snsatisfeito corn os terms do
Sartigo de Joaquim Borges
I Gomes, publicado em 0 Libe-
ral de 30 de agosto, Cl6vis Luz


da Silva (conjunto Cidade Nova
VII, WE 43, 552, RG 1402705)
escreveu uma carta a redagcdo do
journal, nao publicada ate hoje,
"por motivos que a obviedade
me imp5e supor", admite o lei-
tor Para protester contra a ati-
tude dojornal, escreveu urma lon-
ga carta ao JP, anexando o que
escreveu em oposicao ao tradi-
cional (ali6s, tradicionalissimo)
artigo de Borges Gomes de to-
das as segundas-feiras. Public
un trecho da corresponddncia,
do interesse de todos, inclusive
dos donos de 0 Liberal, se ainda
se preocupam, por minimo que
seja, com a Jfncio jornalistica
de sua empresa commercial:
"Creio ter sido ingenuo ao
esperar que uma carta do tipo que
enviei, quiqa por seu aspero con-
teido, fosse publicada. Nao adi-
anta querer que O Liberal forne-
qa subsidies a uma formagao da
opiniao que se nutra de noticias
sem qualquer compromisso corn
os interesses pessoais dos do-
nos desse journal.
Eu te lanqo uma pergunta: os
grandes latifundiarios pagam para
O Liberal sempre noticiar os as-
pectos negatives das a6oes do
MST, induzindo os leitores a an-
tipatizar cor o movimento?
Quando nao e por interesses
financeiros, sao as amizades pes-
soais. Veja o caso de A Provincia
do Parr. Esse journal nunca vei-
cula nenhuma noticia positive
sobre a Prefeitura de Belem. Nao
adianta procurar, nenhum eleitor
do PT conseguira ler que a admi-
nistraqao municipal esta realizan-
do o que e possivel realizar, corn
os parcos recursos de que dis-
p6e face as imensas necessida-
des da capital, sem o apoio da
maioria dos vereadores da Cama-
ra, cor a oposiao evidence do
Governador, etc. O dilema do pro-
longamento da I" de Dezembro e
prova disso. Alias, foi muito boa
a material do Jornal Pessoal so-
bre a questao.
Sera que o fato do senhor
Helio Gueiros pertencer ao grupo
que produz A Provincia do Para
explica a desonestidade dojomal
para cor a populaqgo? Por outro
lado, o Dicario do Pard, do sena-
dor Jader Barbalho, faz o oposto,
sempre noticiando em favor do
Prefeito de Bel6m. Nao e precise
muita perspicacia para entender
que o fato de ser inimigo politico
do governador motiva o senador
a puxar a brasa pro lado da sardi-
nha de Edmilson Rodrigues.
Eis ai, carojomalista, o "x" da
questao. Por que ser desonesto
para cor os leitores? Por que des-


preza-los quando tendenciam as
noticias, tirando deles a liberda-
de de pensar por si s6s? A im-
prensa, salvo as exceqoes, mani-
pula as informaq6es, obedecen-
do a crit&rios mesquinhos, que se
afastam inescrupulosamente do
objetivo tao nobre e singular do
verdadeiro jornalismo, que 6 dar
ao leitor as ferramentas para que
ele mesmo produza seus pensa-
mentos e deles retire as motiva-
qoes para seus atos enquanto in-
dividuo e cidadao".


Futebol

inconvenient
i. ona Idalina de Jesus Pro-
en(a amarga, nos iltimos
i9 tempos, uma vizinhanca
quejaijbi risonha e franca e ago-
ra, para ela, se tornou infer-nal:
os dois campos defutebol insta-
lados na Feij, na avenida Go-
vernador Jose Malcher. Exer-
cendo seu legitimo direito de
cidadd, ela escreveu para a se-
(io de cartas de 0 Liberal pro-
testando contra os vizinhos in-
civilizados. Sua primeira carta,
generica e sintetica, foi publi-
cada no dia 26 do mes passado.
Mas quando, numna segunda
corresponddncia, deu nome aos
bois e puxou orelhas, as suces-
sivas promessas de publicacao
deramn em nada. A carta rece-
beu o popular embargo de ga-
veta, apesar de a autora, seguin-
do norma dojornal, ter autenti-
cado o document e se identifi-
cado por inteiro, assumindo o
onus que causa arrepios aojor-
nal dos funds do Bosque.
Em homenagem ao direito
de resposta e a controversial
como instrument democritico
de elucidaCdo, reproduzo a car-
ta de Idalina Proenca, para os
efeitos de quem de direito, ao
qual asseguramos desde ji es-
paco para a resposta. A integra
da carta:
"E dificil acreditar ou aceitar
que pessoas com educaqao pri-
vilegiada,ja que formaram ao Ion-
go da vida reputaqgo ilibada, cal-
cada em valores morais compre-
ensiveis e por isso conseguiram
exercer cargos publicos de not6-
ria relevancia, bem como pesso-
as do mesmo nivel intellectual, at&
corn formaqao acad&mica e enga-
jadas na defesa da convivencia
pacifica entire home e natureza,
estas mesmas pessoas deixem-se
dominar por outras, aculturadas,
verdadeiros marginais, sem qual-
quer sintonia cor os valores des-
tas primeiras, que chegam ao ex-


tremo de permitirem celebraq~o de
contratos e/ou parcerias, utilizan-
do entidades conceituadas por
suas atividades sem fins lucrati-
vos, para cor isso evitar o paga-
mento de impostos, obtendo gan-
ho ilicito decorrente da sonega-
fgo, corn flagrante desrespeito a
comunidade.
Essas pessoas, que se deixa-
ram influenciar negative e inex-
plicavelmente, 6 bor que se res-
salte, j exerceram funq6es vol-
tadas para a educaqco da infin-
cia e da juventude, dai a estra-
nheza em agora representarem,
perante 6rgios publicos, indivi-
duos cujos atos sao o oposto
dos objetivos que difundiram e
ensinaram.
Ressalte-se que omissao e
cumplicidade tambem sao cri-
mes, levando em conta que tim
consciencia das irregularidades
que estao apoiando.
A16, a16 SEFIN! A16, a16, Re-
ceita Federal! Ter gente faturan-
do alto, sonegando impostos,
valendo-se da isencio de enti-
dades que deveriam funcionar
sem praticas mercantis.
'En passant', pegando caro-
na no tema da marginalidade, re-
portam-nos a carta publicada nes-
ta utilissima coluna [de 0 Libe-
ral] de 25/4/99, sob o titulo 'Su-
cursal do inferno'. Trata-se de
denuncia contra poluic.o sonora
desenfreada (berros, apitos e pa-
lavrbes), advinda de dois campos
de futebol, instalados na FEI -
Federaco Educacional Infanto
Juvenile, localizada a Av. Gov. Jose
Malcher, entire 3 de Maio e 14 de
Abril, atualmente funcionando, se
houver clientele, a partir das 7
horas e encerrando invariavel-
mente as 23 horas.
Aos problemasij existentes,
acrescentamos o mais recent:
com o verto, a areia dos campos
esta invadindo as casas e acu-
mulando-se no organismo, ja que
irrita os olhos, entra pelo nariz,
garganta e pulm6es, provocan-
do, cor isso, series riscos a nos-
sa saude.
'Eu sou a voz que clama no
deserto, posto que a materia pri-
ma eu ja tenho.
O fato e que se as repartiq6es
competentes fizessem cumprir a
legislaqao a elas pertinente, essa
excresc6ncia em plena area ur-
bana ja teria sido erradicada.
A16, a16, SEURB! A16, a16,
Ministerio Ptlblico! Faqam cum-
prir o C6digo de Posturas do
Municipio de Bel&m e o C6digo
Civil. Deixem-me acreditar que
ainda existem pessoas fazendo
jus ao cargo que ocupam".






JOURNAL PESSOAL -.2 QUINZENA DE SETEMBRO / 1999 7


Da imprensa



a empresa


Quem escreve carta a grande imprensa
e nio a v& publicada esta criando um novo
escaninho para sua correspondencia: o Jor-
nal Pessoal. Nesta ediiao public duas car-
tas de leitores que nao conseguiram fazer
ouvir sua voz na seiao a eles destinada em
0 Liberal. Acolher essas cartas nao signi-
fica atiqar hostilidades contra a folha dos
Maiorana. Muito pelo contrario: o objetivo
e confronta-los cor a funiao public que
sua empresa ter, eles queiram ou nao reco-
nhecer essa obrigaqio. Alerta que se desti-
na nao so aos Maiorana, mas a todos os
que, detendo um veiculo de comunicacao
social, julgam-se por extensio donos da
opinito public.
E muito grave quando, em encontros
sociais, circulam noticias e informaq6esja-
mais registradas nas paginas ou nas telas
dos 6rgfos da imprensa. Esse fosso acaba
sendo utilizado por um lider demagogo ou
um empresario inescrupuloso, que recorre
a meia dizia dessas informaqbes do circui-
to informal para atrair incautos e chanta-
gear personagens vulneraveis. Esses em-
preendimentos de ma-fe conseguem dis-
faraar sua verdadeira natureza e seu real
objetivo gracas a omissio da grande im-
prensa, que cerceia, obstrui ou silencia


sobre questoes e situaq6es do mais alto
interesse public.
Julgam conseguir, assim, manipular a
opiniao public, amoldando-a aos seus in-
teresses pessoais. De fato o conseguem,
mas nio por muito tempo. E acabam geran-
do parasitas que fazem tio mal a socieda-
de quanto aos feiticeiros que os engen-
draram, se nio de imediato, algum dia, no
inevitavel ajuste de contas entire a criatura
e o criador.
O trecho da carta do leitor Cl6vis Luz da
Silva, aqui publicado, revela a profundida-
de do descredito no qual nossa grande im-
prensa vai se afundando. As vezes a infor-
magao ate nao e correta, mas o tnimo pre-
ventivo Ihe confere um sentido l6gico. Nfo
e verdade, por exemplo, que o ex-prefeito
Helio Gueiros esteja por tras de A Provin-
cia do Para, como ainda insisted alguns
boatos, sem base real, mas cor muita ve-
rossimilhanqa.
E plenamente verdadeiro, porem, o es-
tado de espirito do journal contra o prefeito
da capital em virtude de desentendimentos
comerciais. O mesmo tipo de incident que
faz o Banco da Amaz6nia excluir A Provin-
cia da publicaq~o de seu balanoe (veicula-
do em O Liberal e no Diario), enquanto o


journal retribui noticiando unilateralmente ou
superdimensionando fatos negatives rela-
cionados ao banco.
Deveria servir de refer&ncia para tais si-
tuaqaes o litigioso entire a General Motors
(a maior empresa do planet) e o Wall Stre-
et Journal, o de maior tiragem nos Estados
Unidos, na decada de 20. Irritados cor o
noticiario do grandejornal de neg6cios, os
bosses da GM cancelaram toda a publicida-
de da empresa no WSJ. Assim, de subito e
sem qualquer aviso. O journal reagiu man-
dando setoristas cobrir a fabric de auto-
moveis. Chegou num ponto em que os exe-
cutivos da corporacgo eram diariamente
surpreendidos cor noticias da GM, todas
de interesse public, virias delas que des-
conheciam por complete. A publicidade
voltou ao Wall Street. Normal, como antes.
Nfo aquele tipo de publicidade que compra
silincios e acomoda divergencias.
Num moment em que as paginas dos
jornais estAo sendo loteadas e agenciadas,
em que oja enfraquecido som dos terminals
de computador desaparece sob o tilintar das
30 moedas, convem pensar nesse exemplo e
encarar corn mais respeito o leitor. Sem ele,
os poderosos 6rgios de imprensa viram um
portentoso castelo de cartas. *


Lei do mercado


Dizem que Epoca, da Editora Globo, a
mais nova das tres revistas semanais de in-
formaqr o do Brasil, ja e a segunda em tira-
gem. No intervalo de dois meses de uma cam-
panha agressiva de divulgaaio e conquista
de leitores, passou a jato na frente de Istoe,
ficando a uma posigio eqtiidistante da pri-
meira, Veja. A facanha esta sendo atribuida
a -digamos uma reengenharia
do diretor-geral, Marcos Dvoskin,
no cargo ha seis meses.
Ngo tenho competencia para
analisar a questAo propriamente
empresarial, mas me preocupa o Pos
contribute editorial dessa formu- pou a s
la de sucesso. Tres semanas atras briel v
Epoca saiu cor umfuro nas con- vem es
correntes: a corrupcio entire os qutnci
jurados que absolveram os tries Co
comandantes militares do "mas-
sacre de Eldorado de Carajas" ass
(ver Jornal Pessoal 218). Os in- morati
dicios de irregularidade na atua- que, ha
gio de um dos sete integrantes sete de
do corpo dejuradosjustificavam Qu
a mat&ria, mas nio autorizavam o


enfoque de primeira pagina, principalmente
o seu tom conclusive e cabalistico.
Na suite da ediqgo seguinte, a revista ten-
tou segurar sua materia de capa, garantindo
que ela "comprovou a farsa consumada nojul-
gamento". No entanto, nenhuma vez se referiu
a um suborno consumado: falou em "tentati-
vas de subomo". Ao inves de fatos, verses,



Exemplo
ta restante do governor, o Rep6rter 70 do dia trs
eguinte ordem: "Discretamente, o goverador Alrr
ai fazer cor que os secretarios de Estado saibam q
tar presents ao desfile military. Nos anos anteriores
a deles foi pequena".
m todos os tucanos: se o govemador acha tdo imp
lue seus auxiliares compareqam a solenidade official
va da independencia do Brasil, que se realize em Bele
cinco anos, se manda para o interior exatamente
setembro?
em souber, made o recado a (ou atraves de) 0 Lib


subjetividades, dedu6oes. "Nessa versio [do
acusado], Brito [o acusador] teria reduzido o
convite [do outrojurado, o corruputor] a al-
gum tipo de brincadeira". Ao apresentar essa
versio, o tristemente famoso jurado Silvio
Mendonqa usou um tom de voz "que denunci-
ava entusiasmo". E assim por diante. Mas tudo,
ate agora, ainda continue como brincadeira,
embora de inaceitavel mau gosto.
Nao ha mais divida de que a
incomunicabilidade dos jurados
a partir do inicio do julgamento
do tribunal do jri foi violada e
anteci- que basta essa irregularidade
ir Ga- para anular a primeira das 27 ses-
ue de- soes programadas para resolver
,a fre- legalmente o sangrento epis6dio.
Ha ainda varias outras causes de
ortante nulidade em exame. Mas nio pela
6tica e (ai, sim) pelo tom da es-
come-
candalosa materia de capa de
m, por Epoca. Se esse & o preqo para
no dia conquistar leitores num mercado
dramaticamente dificil, esta sera
eral. a formula eficaz para mant6-los?
O tempo respondera. *








se conteve. As bombas de gas lacri-
mogeneo foram um exagero, alem de
inadequadas. Se a corporacio agiu
assim em plena capital, como se
comportara no interior? Ou os ani-
mos estavam especialmente belico-
sos em funcio dojulgamento de El-
dorado de Carajas?
Dc qualquer maneira, indepen-
dentemente do que a motivou a agir
daquela maneira, a corporaqio saiu
mal do epis6dio. Que ele sirva de aler-
ta para quem comanda. Se comanda.

Correg o
Escrevi, na mat6ria de capa do
iltimo numero do Jornal Pessoal,
abril de 1997 pensando em abril de
1996, quando ocorreu o conflito en-
tre a PM e os sem-terra em Eldorado
de Carajas. E em C6digo Penal onde
apareceu C6digo Civil. Escrevi nao-
ficqio pensando em ficqio, o genero
das cinco grandes obras arroladas na
materia sobre cultural. Era para ter
said que o deputado federal Jose
Priante e primo do senador Jader
Barbalho, mas Priante emergiu mais
uma vez como sobrinho. Tudo isso
por conta do cansaco, que cobra um
preco alto atraves dos cochilos que
engendra. Infelizmente nao hh revi-
sio de terceiros para detector esses
chatos errinhos. Como punicio, toda
a redacaio destejornal foi obrigada a
Icr 10 vezes, todos os dias, a seqAo
Erlramos da Follha de S. Paulo. Em
voz alta. Perdio, leitores.


Ontem/hoje
Quando Almir Gabriel se elegcu
govemador do Para pela primcira vez,
ninguim imaginaria que Luiz Otavio
Campos seria seu lider no legislative
(sucedido por Mirio Couto) e presi-
dente da Assembleia Legislativa (su-
cedido por Marinho Carmona, que
agora quer bis) corn seu patrocinio.
Tambem era impcnsavel que Luiz
Otavio viesse a ser um dos vice-lide-
res do professor Fernando Henrique
Cardoso no senado.
Parafraseando Stanislaw Ponte
Preta, tucano no poder voa de cos-
tas. E em circulo quadrado.

Dica
Para quem quer estar bem sintoni-
zado com a Amaz6nia, um site muito
interessante & o www.amazonia.org.br,
do Program Amaz6nia dos Amigos
da Terra. Visite.


Agenda
Jd esta nas bancas o primeiro
niimero da Agenda Amaz6nica.
Quer quiser utiliza-la como motiva-


Qual o lan(
Romulo Maioria Junior, principal executive do
homes mais poderosos do Estado, saira finalmente ca
vo no pr6ximo ano ou em 2002? As especulaq6es vin
banho-maria pela decision de Rominho de nio voltar ao
(do qual seu nome foi retirado para permitir, em tese,
passado). Embora o prazo para a desiricompatibilizaq
qco municipal de 2000 ainda esteja long (faltam set
nome de Rominho do expediente (de qualquer maneir
Ihe daria maior margem de manobra. E preveniria espe
Os boatos se reavivaram com o compareciment
Organizaqoes Romulo Maiorana, acompanhado do
corporativo, ao Palacio do Planalto, em Brasilia, par
da lei que autoriza a construqAo da rodovia Transo
Piano Rodoviario Nacional (embora sem garantir din
obra). A iniciativa, revivendo antigo projeto, e do
Gerson Peres, mas Rom inho teria sido o seu grande
lado do president Fernando Henrique Cardoso seria
estrategia de lancar aos poucos o novo politico.
Muitos duvidam de que politico scja realmente
Maiorana. Na verdade, seria o instrument para facili
cios, aumentando o poder de influencia da corporaci
de que vai entrar na political, Rominho estaria querer
bi6nico avant la lettre, mas com todos os rendimentos
ros desse poder politico anunciado sempre para nu
Sc c dificil crcr no enredo, mais facil nio e apoiar
maior & reduzir em 120 quil6metros o percurso de Bra
maranhense, ao custo anunciado de 60 milh6es de re;
rodovia vai exigir quc 32 quil6metros scjam rasgad
floresta nessa area, consolidando os trechosja existed
ra, com isso, abrir novas oportunidades de emprego e
nhenscs do que para paraenses?). Mas sera que o cust
vier, nao sera muito grande'?
O risco e estimular uma agressAo ainda maior ao
desse trecho da costa brasileira, cujo estudo, dominio e
muito- qualquer vantagem que a Transoceanica pudes
sem control sobre suas conseqiiencias de mais long pi
Mais uma hist6ria com o velho enredo.
..;- ._ _. ^.-u., . j *.-* s ....' -..>..!-xa ^.a.- a .1


qio para debates, pode entrar em con-
tato comigo pelos telefones 2237690
c 2417626. Marcaremos uma data,
em Bcl6m ou no interior do Estado.


Hist6ria
Aprovada em 1974 pela Sudam,
a fazenda Vale do Rio Cristalino, a
primeira incursio da multinational
Volkswagen na agropecuaria, deveria
ser um emprcendimento modelar. Uti-
lizaria alta tecnologia para criar boi
para o mercado international e se
transfonnar num polo de desenvol-
vimento, transferindo para esse novo
setor a famosa marca dos veiculos
automotores alemics.
Passados mais de 25 anos, a fa-
zenda nao tem mais proprietarios
particulares, fracassou como uni-
dade de produq~o e simboliza tudo
de condenavel que se faz na Ama-


Jornal Pessoal

Editor: Lucio FlIvio Pinto
Sede: Passagem Bolonha, 60-B 66.053-040
Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax)
Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040
Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br
Ediqio de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304


z6nia, do tr
truiqro ecol
sada, o sena
drade agrad
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talista na Ar
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da, lider do P
anos do Jorn
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trata os assui
Estado e da I


' '` \ 6
~-A



el Trinta anos depois de ter chega-
do ao Pari, a Companhia Vale do Rio
grupo Liberal e um dos Doce, hoje a maior empresa instalada
ndidato a um cargo eleti- no Estado, finalmente se filiou, na
ham sendo mantidas cm semana passada, a Associaqio Co-
e do s mercial do Para. Ajuda a dar repre-
I expediente do seujomal
sentatividade a uma entidade que nao
sua elegibilidade no ano tem mais do que duas centenas de
5o dos candidates a elei- associados num universe de milhares
e meses), a supressAo do de potenciais aderentes.
a, um excess de cautela)
cuiaoes. Estrategia
o do vice-presidente das
irmio, Ronaldo. director Uma composicAo centre tres gru-
a prestigiar a assinatura pos garante, ao menos por enquan-
*a prestigiar a assinatura
to, a unidade do PT para a cleicao
ceanica, incluindo-a no em Belem no pr6ximo ano. Todas as
heiro para a execuFAo da correntes internal aceitaram, na con-
deputado federal (PDS) venqio municipal da semana passa-
padrinho. Aparecer ao da, a candidatura de Edmilson Ro-
um dos components da drigues a reeleicio. O deputado fe-
deral Valdir Ganzer, do grupo mo-
So objetivo do n0 I do derado, que ficou corn o control do
partido na capital, sera o companhei-
tar a realizacao de neg6- ro de chapa. Ana Julia Carepa troca-
o. Dando todas as pistas ra a vice-prefeitura por um lugar na
ndo se transformar num Cimara Municipal.
Secon6micos e financei- Mas se uma mudanqa na legisla-
Inca ser consumado. qio atual (ja considerada um tanto
a estrada, cujo prop6sito remote) obrigar os pretendentes a re-
ganca a Itafna, no litoral eleiqao a se desincompatibilizar, Ana
ais. Para se copletar a Julia nao mais sera candidate, assu-
s e mindo o lugar de Edmilson e penna-
os no que ainda rest de necendo no cargo ate o fim. Nesse
ites. O idealizador espe- caso, uma nova negociaqio tera que
renda (mais para mara- ser feita para garantir o apoio i pre-
o desse beneficio, se ele tensio seguinte de Ana Juilia: dispu-
tar o senado em 2002. Segundoima
ecossistema de mangues fonte petista, comeca a delinear-se
utilizaqAo superam-e de uma outra tend&ncia para essa elei-
o: Edmilson deixaria a prefeitura
,se acarretar de imediato,
de Belem corn Valdir Ganzer e seria o
razo-e de efeito inverso. candidate ao governor do Estado.
Ancorado em uma boa posiqio
.-- ,.: ... de poder, o PT ja raciocina como
partido grande.
abalho escravo a des-
6gica. Na semana pas- Eco
dor(PSB) Ademir An-
ecia a interferencia do Ha uma divida auditiva: o grito
Reform Agraria para de guerra do governor para os pr6xi-
ssentamento de lavra- mos quatro anos 6 dirigido aos para-
a. enses e deve ser ouvido como "Avan-
t6ria da expansao capi- ca, Para", ou destina-se aos investi-
naz6nia que nio figure does de fora e, nesse caso, 6 "Avan-
,nem nos prospects do Ca no Para"? Talvez se possa esclare-
Aas diz mais, muito mais cer a dtivida verificando que a pri-
eologia de ocasiao. meira frase e dita em portugues e a
segunda, levada pclos super-secreta-
rios e aderentes que tin circulado
ro u l intensamente pelo exterior, em ingles.
generoso como sempre,
anda um telegrama de Alerta
pelos 12 anos deste jor-
ados na quinzena passa- Os PMs foram efetivamente pro-
registro, agradeco pela vocados por integrantes do Grito dos
rocurar retemperar nos- Excluidos, a manifestacao de protes-
ie luta. Ao menos para to que encerraria, A margem da pro-
alioso elogio do mestre gramaqio official (ou contra ela), as
ado, Luis. comemoraqces da indcpendencia na-
cional, no dia 7. Mas os militaries tim
que ser trcinados para manter o con-
Stro trole diante de provocaqbes e outros
embleia Legislativa do atos de hostilidade. Do contrdrio, nao
putado Claudio Almei- podem atuar como profissionais da
'PS, fez o registro dos 12 seguranga pbiblica.
al Pessoal, reconhecen- Mais um pouco de impassivida-
de, competencia e inde- de c a manifestaqio teria passado
om que o referido 6rgao sem atropelos para a fase de decres-
ntos em defesa de nosso cimo e tim. Jai s6 havia umas poucas
legiAo Amaz6nica". dezenas de pessoas. Mas a PM nao