Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00167

Full Text




al Pessoal
L U C O F L A V 0IO PI N T O
wO XHC4 18 1' QUINZENA DE SETEMBRO DE 1999 R$ 2,00

ELDORADO


Massacre no juri

Crimespavorosos foram cometidos em abril de 1997 em Eldorado de Carajds. Dois
anos depois, nojulgamento dos responsdveis, tantos absurdosforam cometidos que
ja ndo se sabe o quefazer. Nafronteira amazonica, distant dos centros decisdrios
dopais, justiga e umproduto exotico. Ndo esta ao alcance dos injusticados.


.t e prevalecer a correcqo tecni
Ki ca e o mais elementary bom sen
so, devera ser anulada a ses
Sso do tribunal do jurideBelem
que absolveu tr6s oficiais da
Policia Militar responsaveis pela opera-
qAo de desobstruqgo da rodovia PA-150,
no sul do Pard, em abril de 1997, resul-
tando em choque com integrantes do MST
(Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem-Terra) e na morte de 19 lavradores,
al6m de 60 feridos. Se a anulacao ndo
for decidida pelo Tribunal de Justiqa do
Estado, que parece mais inclinado a con-
firmar ojulgamento, a revisao se dara em
Brasilia, na instdncia superior.
A anulagao nao significa automati-
camente, por6m, que o coronel Mario
Pantoja, o major Jos6 Maria Oliveira e
o capitdo Raimundo Lameira devam ser


condenados se um novojulgamento for
realizado. Tantas e tao flagrantes fo-
ram as irregularidades praticadas nos
atos preparat6rios ao juri e no desen-
volvimento da sessao que o cancela-
mento 6 irrecusavel para quem for apre-
ciar o caso cor isencqo e acuidade. Um
novo juri, sem os erros e vicios do an-
terior, entretanto, podera chegar a um
veredicto semelhante ao apresentado no
ultimo dia 18 se os jurados ativerem as
provas dos autos (embora, no juri po-
pular, tambem influa muito a teatralida-
de das arengas dos advogados).
A grande falha 6 de origem: o proces-
so contra os integrantes da tropa da PM
que, casual ou intencionalmente, cometeu
os crimes, 6 falho porque o process aber-
to na justica, com base em inqueritos da
pr6pria policia, foi insuficientemente ins-


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truido. Para o massacre efetivamente co-
metido se refletir nos autos seria necessa-
rio reabrir a instrugo e executar dilig6nci-
as que ficaram por fazer, impedidas por
quem tinha poder para tanto ou atropela-
das pela decisao de, atrav6s de um julga-
mento com bitola estreita, satisfazer a opi-
niao p6blica, a intemacional antes da naci-
onal, os interesses do governor primeiro que
os da opiniao public, as conveni6ncias de
privilegiados acima da corajosa apuraqao
da verdade. 0 julgamento foi uma farsa,
mas nem tanto pelos motives dos que as-
sim o classificaram..
Quatro coisas espantam no conflito de
Eldorado de Carajas. Por ordem cronol6gi-
ca, em primeiro lugar a virul6ncia dos mani-
festantes: eles se lancaram com firia contra
uma tropa notabilizada por sua trucul6ncia,
brandindo facas, faces, foices, pedras, paus)







2 JOURNAL PESSOAL 1l QUINZENA DE SETEMBRO / 1999


Se at6 armas de fogo (dois rev6lveres e qua-
tro espingardas). Em segundo lugar, a atitu-
de inicial dos militares: eles recuaram ao
maximo, at6 encostarem nos caminh6es es-
tacionados na pista da PA-150, uma attitude
excepcional para o padrao de comportamento
da PM em tais circunstincias.
Em terceiro lugar, o massacre que se
seguiu a chegada do segundo contingent
da tropa, oriundo de Parauapebas, quando
o primeiro grupo, said de Marabi, ja rea-
gia ao assedio ameagador dos sem-terra.
A pericia t6cnica nao deixa duvidas de que
a partir dai houve execuc6es sumarias, a
virulencia dos militares inibindo qualquertipo
de reaqo dos lavradores, ate ent~o agres-
sivos mas inabilitados para um verdadeiro
combat (dai nao ter havido uma inica bai-
xa entire os PMs).
A quarta fonte de espanto e indigna-
95o foi a absolviqAo dos tris comandantes
diretos daquela operagqo pelo tribunal do
jfri. Embora a esquerda tenha reagido ao
que classificou de farsa com um libelo ra-
dical ideologicamente e generico tecnica-
mente, mais impressionante do que o ve-
redicto em si dos sete integrantes do cor-
po de jurados foi a instrug o do process.
O resultado da primeira das 27 sessOes
reservadas para ojulgamento dos 153 r6us
estava coerente com as provas dos autos.
Estes e que ficaram em discrepancia com
a realidade. Eles terem se formado A mar-
gem do rigor investigative, em dissonancia
com os fatos, 6 a prova da fragilidade do
processojudicial, especialmente numa fron-
teira como a Amaz6nia, quando a realiza-
c9o da justiga precisa confrontar interes-
ses poderosos, econ6micos e politicos.
A distorgao final pode ter sido bizarre,
mas nao singular: ela resultou de um acu-
mulo de distor6oes, algumas deixando a
mostra a intencionalidade de gera-las. Re-
montando apenas a formaqio do juri, e de
espantar que a decisdo do Ministerio Pu-
blico, indicando um unico promoter para
caso tdo complex, nao haja provocado
protests.
E certo que os promotores da capital
combinaram declarar-se conjuntamente
suspeitos. Fizeram isso, entretanto, nao
por motivaqgo metafisica: e que nao con-
cordavam cor alguns dos procedimen-
tos da acusagdo. Acabou sendo apresen-
tada como razdo public o desejo da cor-
poraqgo de prestigiar um promoter de 2a
entrincia que acompanhou o process
desde o inicio. O promoter Marco Aur6-
lio Nascimento & considerado competen-
te pelos colegas, mas sua inexperiencia
-deve t8-lo inibido de tomar, no moment
certo, attitudes que talvez corrigissem pro-
blemas no nascedouro, acabando por ten-
tar contemporiza-las mais pela retumbbn-
cia de seus atos do que por seu ajuste as
normas legais.


A inusitada attitude dos

integrantes do MP

pode ter uma causa

lauteral imen os -

visivel.






Alguns dos passes mais importantes do fis-
cal da lei foram dados quando o Ministerio
Piblico era chefiado por Manuel Santino
Nascimento. Nao s6 da promotoria, como
tamb6m do president do inquerito polici-
al-militar instaurado para apurar os fatos.
Mas tanto o coronel Vieira quanto Santino
nao se sentiram impedidos eticamente de
assumir a casa military e uma secretaria es-
pecial do governor do Estado, depois de
terem tido participaqio tdo decisive num
epis6dio envolvendo aquele que viria a ser
seu chefe, o govemador Almir Gabriel (que
referendou o candidate que Santino apoiou
a sua sucessao).
Legalmente, nada ha contra essa troca
de funqies, mas ela envolve um compo-
nente moral e 6tico equivalent aquele que
deveria perturbar o professor Edson Fran-
co na acumulagco da secretaria especial
de promoq~o social (com jurisdicio sobre
as areas educational e cultural) com a rei-
toria da Unama (a Universidade da Ama-
z6nia), uma instituig o particular, j nao mais
considerada filantr6pica apenas por seus
estatutos a declared sem fins lucrativos (e
que estaria interessada em participar do ain-
da especulado process de privatizaqao da
Universidade do Estado).
Nao bastasse essa aparente incompati-
bilidade, o audit6rio da Unama foi escolhi-
do para sediar ojulgamento dos militares,
sob o fragil pretexto de ali ja se terem re-
alizado juris simulados. O bom senso de-
veria recomendar a escolha de um predio
puiblico, quando nada para preservar to-
dos os formalismos da isencgo do julga-
mento e prevenir propaganda gratuita (e
massive) de uma empresa particular quan-
do a imprensa estivesse registrando o fun-
cionamento do juri (havia inscri6oes corn
o nome da universidade em pontos estra-
t6gicos do local). Se o julgamento do or-
ganizador do assassinate do ex-deputado
Paulo Fonteles foi em um ginasio de es-
porte em Marituba, por que nao no ginasio
da Escola de Educaao Fisica do Estado (ou
no Centur) o "julgamento do s6culo"?
Esses poderiam ser considerados deta-
Ihes irrelevantes se a eles nao se agregas-


sem outros components que, mesmo invo-
luntariamente, sdo capazes de alimentaruma
teoria conspirativa para a absolvicgo dos ofi-
ciais. O famoso quesito seis submetido aos
jurados pelojuiz Ronaldo Valle, por exemplo.
Mesmo que ele fosse cabivel, certamente a
frase estaria protegida da suspeita de sutil
indug~o se, ao inv6s de ter perguntado se as
provas dos autos eram insuficientes par
a condenaqco dos reus, o magistrado ti-
vesse indagado se as provas eram suficien-
tes. Nesta ultima forma, a frase teria sido
muito mais isenta e objetiva.
E possivel que o melancolicamente fa-
mosojurado Silvio Mendonga Queiroz nao
tenha sido acometido por mais do que im-
pulso exibicionista e crise de boquirrotis-
mo, mas o papel ativo que se permitiu de-
sempenhar nos bastidores do corpo de ju-
rados e publicamente, no lance final do jul-
gamento, fazendo comentarios e apresen-
tando juizos de valor sobre uma das peas
dos autos (a fita de video da TV) & incom-
pativel cor ojuramento que fez para atu-
ar imparcialmente no juri. Ficou evidence
que ele prejulgara. Logo, devia ter sido
afastado pelo juiz. Alem de nao ter agido
dessa maneira, Ronaldo Valle manteve-se
omisso quando Mendonca extrapolou sua
funcgo, arvorando-se ora a advogado de
defesa, ora a promoter.
A partir desse moment, ojulgamento foi
contaminado e todas as reagces tiveram curso
sancionado. Uma autoridade com o peso da
vice-prefeita de Bel6m permitiu-se ecoar
denuncia cuja gravidade s6 tinhaparalelo com
sua inconsistencia. Com base nesse podero-
so fogo de artificio, uma revista semanal de
informaaoes como Epoca construiu um edi-
torial tonitruante onde deveria haver uma re-
portagem bem apurada, fazendo coro cor
um president da Republica envergando a
roupa de Pilatos, condenando antes de ser
condenado. Politicos de esquerda aceitaram
os favors de uma midia especialmente sen-
sibilizada para parceria localizada e usaram
um grave exemplo de crueldade e injustiga
como lenha para uma fogueira maior. Os de
direita aproveitaram para espicaqar o senti-
mento de reago de uma classes m6dia urba-
na espantada com os radicalismos.
Todos esses equivocos se tomaram ine-
vitiveis a partir do moment em que os per-
sonagens centrais da trag&dia foram exclu-
idos do enredo. Vendo pessoas humildes,
arrastando consigo criancas e dependen-
tes, percorrendo longas distincias e acam-
pando precariamente em logradouros pu-
blicos, investirem com furia contra fatos e
simbolos, 6 impossivel deixar a margem duas
ordens de reflexes.
A primeira diz respeito a indignagco que
vai tomando conta desses brasileiros, sem-
pre sujeitos a um massacre institutional e ao
infortunio pessoal, abandonados em seu lu-
gar de vida e trabalho, nos sertoes deste pais







JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE SETEMBRO /1999 3


tao grande no tamanho quanto cruel na sua que vinham de uma relagao tensa com os
tendencia concentrica ao poder. A segunda sem-terra. Deslocados de sua fung~o pro-
reflexao e relacionada ao uso desses cida- fissional, haviam sido obrigados a atuar
dAos como bucha de canhao e instrument como se fossem assistentes sociais, levan-
de manobra. Talvez nao haja outra maneira do comida e rem6dios para os sem-terra,
deutiliza-losnumaluta political demaiorf^o- ouvindo insultos verbais e provocagoes,
lego, mas o resultado dessa estrategia vale a enquanto se desenrolavam negociac6es
pena? Nao levara a substituigao de uma ve- political na capital (no litoral, sempre dis-
lha tirania por uma nova tirania? Na troca de tante, fisica e mentalmente, do sertao), como
uma solugao viciada por uma falsa solugao? um novelo emaranhado.
O segundo grupo de ausencia que viciou Esses entendimentos foram subitamen-
o resultado dojulgamento e dos verdadeiros te interrompidos quando os manifestantes
responsaveis pelo crime na cadeia de coman- bloquearam uma estrada de importancia re-
do. A instrugao processual nao conseguiu gional, radicalizaram suas exigencias e as-
individualizaras culpas, estabelecendo o nexo sumiram uma posigio de confront. Essa
causal entire cada uma das mortes e cada mudanga (na verdade colapso) em um dos
um de seus autores, corretamente determi- p6los da interlocugco foi complementada por
nados. As provas dos autos nao possibilitam alteracgo no outro p61o: o goverador ficou
dizer quem atirou em quem. Nem mesmo impressionado com os arguments de um
quem atirou e quem nao atirou (e quem usou grupo de fazendeiros da area, com os quais
as outras formas de matar, como armas bran- se reuniu reservadamente em Bel6m me-
cas, certamente para despistamento), quem nos de uma semana antes da chacina, e
matou e quem nio matou. Sob um prisma com "informes" de sua assessoria military
conservador e conventional, o crime e co- de gabinete.
letivo, de autoria incerta. Ha assassinados, Desconsiderando os antecedentes do caso
mas nao assassinos identificados. Logo, to- e sua evolugao real naquilo que os militares
dos seriam inimputaveis. denominam de "teatro de operagoes", o go-
Mas a nova interpretagao da co-autoria, vemador nao avaliou corretamente o signifi-
extraida da constitui9~o de 1988 e nao do cado da ordem que deu, para a PM garantir
C6digo Civil de quatro d6cadas antes, ensi- o trafego na PA-70, de qualquer maneira.
na que o co-autor 6 quem contribuiu para a Na capital, o desdobramento dessa ordem
pratica do delito. Evidentemente, sao crimi- pode ter sido divisado por manifestantes re-
nosos aqueles que executaram vitimas A sua cuando e, intimidados, aceitando voltar a
merc6, como aconteceu em Eldorado. Nao mesa de negociac6es. No hinterland, foi in-
sAo necessariamente criminosos aqueles que terpretado como a senha para o acerto de
mataram para defender a pr6pria vida ou na contas, a revanche. Ainda que essa postura
conviccqo de contrapor a uma viol6ncia anar- nao envolvesse corrupqao nem vilania, como
quicaumaviolencia sancionada institucional- pode ter acontecido, tecnicamente nao ha-
mente e de cumprir seu dever, quando a so- veria como evitar que o choque entire PMs e
ciedade Ihes confere legitimidade. sem-terra fosse sangrento.
O video dos acontecimentos. a mais
important prova material do crime. Ao
nao deixa mais divida de que A selvageria dos poli-
os policiais militares deram 6 cais fo espantosa,
dois tiros antes do primeiro espantosa,
tiro disparado por um sem- no nos moments registrados pelo vi-
terra. Tamb6mja esta fora de qualquer dfu- deo, mas nas etapas seguintes, quando a
vida que os dois primeiros tiros dos milita- camera j estava apreendida (o filme s6 foi
res nao visaram os corpos dos manifestan- devolvido porque os censores cometeram
tes agressores. Foram disparos de adver- um erro: exibiram a fita super-VHS num
t6ncia, para o alto e para baixo. Mas a ad- aparelho de VHS, no qual suas imagens nao
vert6ncia nao foi considerada. Os sem-ter- podiam aparecer; pensaram que o camera
ra, al6m de continuar avancando, avanca- nao tinha registrado nada). Trataram de eli-
ram numa attitude de agressao. Iriam ferir minar testemunhas e os lideres do movi-
os policiais, podendo mata-los se nao fos- mento, alem de se vingar dos inimigos que
sem contidos, como atestam as iltimas ima- a longa conviv6ncia forqada criara. A ex-
gens do video exibido pela televisao. peri6ncia e as normas exigiam que essa tropa
Acuados pelo grupo de atacantes, quais fosse substituida e que os novos PMs fos-
os recursos de que dispunham os PMs para sem deslocados da capital para a area com
se defender? Rev6lveres, fuzis e metralha- uma variedade de armas tal que Ihes per-
doras, armas inadequadas para intimidacgo mitisse aumentar o poder de agressao pro-
ou defesa em tal circunstancia. Mesmo as- porcionalmente a ameaCa sofrida (passan-
sim, as baixas entire os lavradores nao teri- do de escudos e cassetetes para caes, jatos
am sido tantas se nesse moment nao che- de agua, bombas de gas lacrimog6neo, caes,
gasse ao local a tropa oriunda de Paraua- balas de borracha e o que fosse possivel
pebas. Esse conjunto era formado por PMs acionar). Como nada disso houve, das pri-


meiras mortes ao morticinio foi uma ques-
tao de tempo muito pouco, alias, diante
dos Animos previamente formados.
A agressividade dos sem-terra guarda-
va coerencia com a intensidade da adversi-
dade na qual foram colocados? Conside-
rando-se o rosario de problems que eles
sempre precisaram enfrentar, nao. O radi-
calismo tinha um evidence impulso externo,
daqueles lideres que, por m6ritos pessoais
ou circunstancias, conquistaram essa lide-
ranqa, mas freqiientemente exacerbam-na
para alcanqar seus fins, abstraindo os mei-
os gastos nessa tarefa. Mesmo sendo es-
ses instruments series humans.
Quando o goverador Almir Gabriel,
o secretario Paulo Sette Camara, da se-
guranga public, e o coronel Fabiano Lo-
pes, comandante-geral da PM, foram ex-
cluidos da denincia do Minist6rio Pfbli-
co, o teor dos autos se torou surrealista.
Nao havendo individualizaqco dos crimes,
nao poderia haver condenaqao de indivi-
duos e aplicaqao de penas individuals. Se
havia uma cadeia de responsabilidades
espalhando seu manto sobre os respon-
saveis pelos atos dos quais resultaram os
crimes, entao os tres elos finals nao po-
deriam ser desconectados. A aparente
solu9go de transformar essas tres autori-
dades superiores em testemunhas foi ado-
tada apenas para dar uma satisfaqao ao
distinto public, mas s6 daria certo se a
farsa urdida vingasse.
O problema 6 que as incongruencias
e inconsist6ncias da instrugCo, acomodi-
veis se os formalismos dojulgamento fos-
sem respeitados, se escancaram com as
viol6ncias praticadas e admitidas na pre-
paraqdo e na realizacao da primeira ses-
sAo. E desconcertante que tantos erros
primarios tenham sido cometidos. A vi-
g6ncia de um regime democratic formal-
mente pleno deveria ter inibido essas der-
rapagens sucessivas, mas a fronteira ama-
z6nica encontram-se tao distant do eixo
central decis6rio do pais, do Brasil mo-
dero, que os seus personagens parecem
nem ligar para essas coisas de leis, ritos,
formalidades, alibis.
Ao agirem assim, entretanto, desen-
cadeiam um process de radicalismo, vi-
ol6ncia e barbarie que nem eles pr6prios
estao em condiqoes de controlar. E o pon-
to em que se encontra o "caso Eldora-
do": ningu6m pode garantir o reenquadra-
mento do process nos limits da lei e na
trilha da 16gica, nem se pode antever qual
o pr6ximo irracionalismo, venha ele da
esquerda ou da direita. Aberto, o buraco
6 sem-fim, como os desvaos da selva. Por
isso, o Eldorado famoso do final do s6cu-
lo 20 ter a ver com a ingenua esperanga
do lendario Eldorado do inicio do desco-
brimento do Brasil. Em 4 s6culos, a Ama-
z6nia s6 se degradou. *






4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE SETEMBRO / 1999


A prefeitura de Belem definiu o
prolongamento da avenida I Ide De-
zembro sem maior preocupaqao corn
a "circunstancia" de que ela atra-
vessa. ao long de quatro quil6me-
tros, a Area de ProteqAo Ambiental
do municipio, onde estio os princi-
pais mananciais de agua da cidade
e sua mais imporanle rescr\a cco-
l6gica. um pulmno de \erde vital
para uma concentraqco urbana de
1.2 milhao de habitantes cujo padrao
de vida estd se deteriorando ate os
limits do insuportavel.
A obra realmente servira de desa-
fogo para o escoamento do transito,
que entra em colapso ein determina-
dos periods do dia nas duas tincas
\ ias de acesso a Belem. Por esse pris-
ma. a sua serventia e inquestionavel.
Mas nAo considerar suas implicaq6es
sobre a principal reserve de vida na-
rural e de conjunto paisagistico da ci-
dade significa aceitar renunciar a umn
patrimonio que vale mais do que a pr6-
pria avenida.
Os estudos preparados pela pre-
feitura para o liccnciamento da obra
sio insuficientes para assegurar um
ajuste harmnmco entire uma autentica
estrada (que sera essa mesmo a sua
configura ao) e o ambience. Acertou
a Secrearia de Ciencia. Tecnologia e
Meio Ambiente do Estado ao condici-
onar a liberacao da obra a aprovaqao
de docunentos complementares aos
ja apreseniados. providencia ainda
pendenre. O projeto, tal como esia
definido atr agora, acarreta riscos que
nao sao inevitaveis. mas que sao ina-
ceitaveis. Se medidas de prevenq;o e
reparaqco form adotadas, e possivel
abrir a extensao da i" de Dezembro
sem a matenalizaqfo dresses riscos, tal-
,ez are mudando o percurso e encur-
tando-a (ate o entroncamento. por
exemplo). Mas por enquanto nao ha
tais garantias. Inclusive porque o al-
caide so aceita fazer o que concebe,
sem concessoes.
A Secram estaria inteiramente cer-
ta se sua apreciaqo tccnica nao ti-
vesse sido arropelada por injunqces
political. A secretariat tinha expedido
a licenqa pro\ isoria e exigido a exe-


cuqho de variouss estudos para forne-
cer a licenqa de instalagio. A apro-
vaqao definitive parecia questao de
tempo e modo, jai que o parecer final
da Sectan concluira na primeira ava-
liacqo do projeto que "os impacts
positives potenciais quanto aos aspec-
tos sociais I...) supreme os potenciais
impactos negatios \ islumbrados nas
analises", o que lhe possibilitou deli-
mitar "uma relaCqo custo-beneficio
ambiental e economico positives".
0 inimo politico do go erno do Es-
rado, porem, se modificou quando um
timido ensaio de aproximaqio corn a
prefeitura petista se frustrou. Esse
estado de espirito gerou um anatema,
lanqado de cima para baixo, que in-
terferiu nos rumos da apreciacqo do
project da PMB. O clima de dialogo e
de busca de entendimento degenerou
para um confronlo. Mas ai formou-se
o caldo de cultural preferencial de Ed-
milson Rodrigues. Substituindo le an-
tamentos que a PMB precisa realizar,
e tem que executar corn seriedade e
aplicaqao, para preservar um patrim6-
nio unico do mumcipio, por pala% ras
de ordem e discurso palanqueiro. ele
transformou urna analise recnica num
picadeiro de circo, impondo emoqio e
passionalidade a uma decisao que tem
que ser bem maturada. Ou seja: ,ol-
tamos iquela epoca irrational de Jar-
bas versus Alacid, sem dois mil quilo-
metros se interpondo entire os chefes
de legiao.
De minha pane, ndo estou conven-
cido de que o traqado c a extens~o do
prolongamenio da avenida nao signi-
ficam unia ameaca de agravamento
da agressio que a area de protecio
amblcntal ja sofre. sem possibilidade
de corrcqio. Tao impressionante
quanto a insensibilidade da populaqco
de Belem ao estado de calamidade em
que atualmente se encontram os ma-
nanciais de agua da cidade e a bela
floresta do Aura e o descaso diante
de mais um capitulo dessa agressio
que pode vir a ser o derradeiro. Ao
menos enquanto a definiqdo dessa si-
ruaqao estiver dependendo do animo
de um confront que parece ter i fren-
te um Nero e um Caligula.


A calamidade


das calamidades


Eleigao



na fase


Dois de outubro deverd

marcar o incio para

valer da campanha

eleitoralpara as

prefeituras municipals,

embora oficialmente ela

so comece em abril do

pr6ximo ano.

entro de um mis terminara o
prazo para as trocas de parti-
do e filia6oes partidarias dos
que pretendem concorrer em
3 de outubro de 2000, a ultima
eleigao do milnio. Em Bel6m, esse pra-
zo afeta mais enfaticamente dois parti-
dos, justamente os que tem os provaveis
candidates mais fortes: o PT e o PFL.
At6 outubro a vice-prefeita Ana Julia
Carepa definira de vez suas pretensoes
de disputar a PMB. Seu caminho no PT
esta bloqueado pela reeleigdo de Edmil-
son Rodrigues. Se nao for para outro par-
tido (as hip6teses levantadas foram PSB
e PPS), teria quatro altemativas: sair no-
vamente como candidate a vice-prefeita
de Belem, optar pela vereanga, tentar dis-
putar o cargo de prefeita na vizinha Ana-
nindeua ou ficar de fora da pr6xima elei-
gao, desgastando o capital de quase 500
mil votos conseguido na eleigao para o
senado em 1998.
A primeira hip6tese parece descarta-
da porque a conviv6ncia com Edmilson
por mais quatro anos seria ruinosa, talvez
para ambos, embora seja essa a melhor
chapa que o PT poderia former. Ir para a
Camara Municipal de Bel6m significaria
para Ana Julia recomegar a carreira exa-
tamente por onde comegou, o que pode-
ria ser bom ou ruim, dependendo da ima-
gem que trabalhasse. De qualquer ma-
neira, por6m, significaria tempo perdido.
Ja a prefeitura de Ananindeua parece um
risco maior: o atual prefeito, Manoel Pio-
neiro, do partido do governador, o PSDB,
fez popularidade a base de um populismo
obreiro, base para sua condigao de favo-






JOURNAL PESSOAL *1P QUINZENA DE SETEMBRO /1999 5


do ano 2000:



das rasteiras


rito. Ali tamb6m a familiar Barbalho esta
apostando algumas de suas fichas, ensai-
ando a candidatura de Helder Barbalho.
Algumas fontes petistas garantem que
Ana Julia nao saira do partido, nem bate-
ra chapa com Edmilson na convenago
municipal. Mas se o preqo para a manu-
tencgo da reeleicao (que muitos politicos
querem derrubar) na dispute municipal do
pr6ximo ano for a exig6ncia de que os
candidates se desincompatibilizem, dei-
xando o cargo seis ou quatro meses an-
tes (o tema sera debatido no Congresso
Nacional a partir desta semana), Ana Julia
assumira a prefeitura por sete ou oito
meses, tornando-se personagem-chave no
jogo eleitoral.
E por isso que as correntes principals
do partido tentam uma composigao entire
o prefeito e sua vice, temendo os prejui-
zos que as marcantes incompatibilidades
entire os dois evoluam para um rompimen-
to aberto e formal, ameagando uma vit6-
ria tida como certa. Para Ana Julia, a
melhor perspective seria receber um
guarda-chuva confiavel para proteg6-la
at6 2002, quando podera disputar nova-
mente o senado, descer para a Cimara
Federal ou arriscar seu v6o mais alto, o
governor do Estado.
O 2 de outubro nao teria nenhuma im-
portincia para o PFL se ja estivesse de-
cidido quem sera o candidate do partido
i prefeitura da capital, o ex-prefeito H6-
lio Gueiros ou o deputado federal Vic Pi-
res Franco (o mais votado em Belem no
ano passado). Nas precarias (e as vezes
inconfiaveis) pesquisas at6 aqui realiza-
das, os dois sao os adversaries potencial-
mente mais ameagadores ao prefeito pe-
tista. Mas nenhuma das sondagens incluiu
ao mesmo tempo H6lio e Vic (nem Ed-
milson e Ana Julia).
Ha uma aceitaqFo tacita de que, tam-
bem nesse caso, os dois nao irao bater
chapa na convencgo partidaria para afir-
mar sua candidatura. As coisas poderi-
am ser resolvidas pacificamente se tam-
bem estivesse implicito que um sera can-
didato a prefeito e o outro a vice. 0 pro-
blema 6 que como nenhum dos dois pode
considerar sacramentada sua candidatu-
ra, persiste a incerteza.
Em relacio ao ex-prefeito porque ele
nao se define. Mesmo quando pressio-
nado por correligionarios, inclusive na in-


timidade, H6lio Gueiros ter respondido
com um inico argument: ainda 6 cedo
para langar uma candidatura, seja ela
qual for. Fiel ao seu estilo, se tiver real-
mente essa intencao, s6 apresentara seu
nome a tiltima hora. Mas, como sempre,
ird trabalhar nos bastidores e com o
maximo de sil6ncio e malicia-para tor-
nar viavel essa decisao no limited extre-
mo do prazo para a oficializagAo de can-
didaturas, aproveitando-se do fator sur-
presa em relaqdo a terceiros.
Ha pefelistas jurando de p6s juntos que
Gueiros nio sera candidate: porque ja esta
corn 72 anos, porque foi abalado pela desas-
trosa votaqo para o senado um ano atras
(ficou em terceiro lugar, bem abaixo de Luiz
Otavio Campos e Ana Julia Carepa e com
menos votos do que a soma dos nulos e bran-
cos), porque a fami-
lia o pressiona para se
aposentar e porque _
quer de fato encerrar *
a carreira. Sem des- 1 17 1 _.
considerar esses mo- 7 -'
tivos, ha outros ainda _7 j
mais fortes em senti- Il
do contrario. 1.
-* .. *; ';
Helio re-

conhece

o grave A

erro de

ter indicado o filho

como seu suplente,
imaginando-se ja eleito, alem do bem e
do mal que praticasse ou sofresse. Ad-
mite que sua estrat6gia de campanha foi
equivocada. Verificou que a alianga com
Jader Barbalho de muito pouco (ou qua-
se nada) lhe valeu (e vice-versa). Mas
nao aceita que seu tempo passou, que
afastou amigos e correligionarios deci-
sivos, que sua ret6rica ficou defasada,
restrita a pilherias e leviandades, sem
propostas criveis para uma cidade em
grave crise. Ele parece se achar capaz
de reparar o fracasso, voltando a um
cargo politico important e conquistan-
do um final de carreira brilhante, nao o


melanc6lico fim que a eleicgo do ano
passado Ihe reservou. Para isso, vai in-
corporar o papel de franco oposicionis-
ta, batendo forte tanto na administraqdo
do PT quanto na de Almir Gabriel. Mas
tambem se preparando para voltar a cri-
ticar seu ex-aliado, o senador Jader Bar-
balho (com o qual s6 conversou duas
vezes desde a eleiqao de 1998, sempre
superficialmente).
H6lio Gueiros tera forca para report
seu nome no topo do PFL, quando o an-
damento das provid6ncias 6 em favor
da candidatura de Vic Pires Franco, que
control o diret6rio umnicipal e tem for-
tes aliados em Brasilia (a comecar pelo
senador Ant6nio Carlos Magalhaes)?
Se for vitimado por um dos golpes de
mao de ultima hora em que Gueiros e
especialista, como reagira o deputado
federal? Aceitara o console da vice-
prefeitura? Renunciara a melhor opor-
tunidade para alcanqar o cargo que sem-
pre almejou, por Ihe permitir enfrentar
no mesmo territ6rio seu mais poderoso
inimigo atual, Romulo Maiorana Junior,
amigo de ontem?
Dois movimentos revelam ojogo de
poder. De um lado, o grupo Liberal dan-
do apoio clandes-
tino ao deputado
Federal Jose Pri-
S q ante para ele ar-
1 1 7 1 7_ rancar sua candi-
1 qq__q |I datura a prefeito
17 I do diret6rio muni-
cipal do PMDB.
Com isso, inviabi-
lizaria os plans
de Jader Barbalho
de coligar-se ao
PFL se Vic for o
candidate, uma
maneira indireta
de tamb6m hostili-
zar a candidatura
de Helio (que ndo terd o apoio peeme-
debista). Percebendo esse movimento,
Jader esta procurando isolar Priante.
Mesmo sendo seu sobrinho, nao quer
dar-lhe mais poder. Tenta convencer a
ex-mulher, a deputada federal Elcione
Barbalho (terceiro lugar nas toscas pes-
quisas realizadas, mas distant dos ca-
betas), a entrar numa chapa cor Vic.
Fecharia a derradeira porta para Pri-
ante, desde que Vic nao se tornasse vi-
tima de uma rasteira de Gueiros.
Como se v6, apesar de todos os per-
sonagens ainda declararem que esta mui-
to cedo para tratar da eleicgo do ano
2000, todos estdo tratando dela, embora
ainda como aquele jogo de esperteza e
sagacidade s6 perceptivel quando se ter
acesso aos bastidores do poder. Umjogo
de p6quer, para dar uma id6ia. *


1







6 JOURNAL PESSOAL l QUINZENA DE SETEMBRO / 1999


Sarta


A assessora de comunic
Carmen Palheta, enviou
publicada tal


SDe ordem do Exm Sr. Delegado Ge-
ral de Policia Civil, gostariamos de
contar com a atenqio de V. Sa., no
sentido de esclarecer alguns pontos so-
bre nota publicada no JP, 2' quinzena de
agosto/99, na coluna Interesse Publico,
que trata sobre viagem da perita criminal
Maria da Gl6ria Aguiar, ao Canada.
Informamos a V. Sa. que o Instituto
de Identificacqo do Para foi um dos qua-
tro Institutos convidados, dentre os 27
existentes no Brasil, pelo Instituto Nacio-
nal de Identificacqo INI, para compor
a equipe que foi ate o Canada, cor o
objetivo de conhecer melhor outros 6r-
gdos e paises que utilizam o sistema de
impressed digital automatizado. O convi-
te foi feito, principalmente, em razao da
compet6ncia e interesse cor que vem
sendo tratada a questao da identificaqao
civil e criminal pela Policia Civil do Para,
atrav6s do Instituto de Identificacqo.
Ha mais de dois anos, Maria da G16-
ria acompanha o process de estudos
acerca da possibilidade de implantacgo do
Registro de Identidade Civil-RIC no pais,
que vai significar um control maior nos
registros emitidos pelos Estados, uma vez
que o cidadao tera um unico numero va-
lido para todo o pais e controlado por um
banco de dados situado no Distrito Fede-
ral. A Lei 9454/97, de 07.04.97 que trata
do assunto, ja foi sancionada pelo Presi-
dente, aguardando regulamentaq~o. Os
conhecimentos adquiridos pela diretora do
Institute, na area civil e criminal informa-
tizada de outros Estados e fora do Brasil
ja possibilitaram colocar o Para em des-
taque como um dos Estados que emite
Carteira de Identidade em prazo recor-
de, no mesmo dia em que 6 solicitada pelo
cidadao. Alem disso, hoje a Policia Civil
esta em fase de implantacgo de um siste-
ma informatizado na area criminal, que
possibilitara maior eficiencia para atendi-
mento de processes solicitados pelas au-
toridades policiais, sendo este um dos as-
suntos tratados na visit a Policia Monta-
da do Canada.
Essas e outras iniciativas vem sendo
possiveis gragas ao interesse e preocu-
pagdo da diretora do Instituto de Identifi-
cago e do Exm- Sr. Delegado Geral, Jodo
Moraes, quanto a importancia do serving
de identificaqdo datilosc6pica e as inova-
c6es na area da informatica.
Esclarecemos, ainda, que por pos-


apdo social da Policia Civil,
a seguinte correspondencia,
como foi escrita:


suir o trabalho de identificaqao crimi-
nal um carter sigiloso e puramente in-
vestigativo, ndo ha condiq6es de que
sejam abertos ao public todos os me-
todos que estao sendo implantados, hoje,
na Policia Civil.
Quanto a sugestao de que a Assem-
bl6ia Legislativa deveria convocar a SrO
Maria da Gl6ria para dividir os conheci-
mentos, informamos que a mesma, bem
como os pr6prios membros da Assem-
bl6ia, tem consciencia de que o podem
Minha
Ate o penultimo paragrafo vinha
a carta do delegado geral evo-
luindo dentro do melhor padrao
de relacionamento do serviqo public
cor a imprensa. A exig6ncia de respei-
to, feita no fultimo period da correspon-
d6ncia, no entanto, 6 indevida. Nenhum
desrespeito pode ser deduzido da nota
que registrou a viagem da diretora do
Institute de Identificagco, como qualquer
leitura racional verificara. Simplesmen-
te cobrou-se informaqces de um servi-
dor public que vai ao exterior autori-
zado pelo governador e recebendo sig-
nificativas diarias, pagas pelo contribu-
inte. Estranhou-se apenas que a visit
tecnica (como agora explica o director
geral) a Policia Montada do Canada
comece em Los Angeles, nos Estados
Unidos. Sobre este ponto, alias, o dele-
gado Jodo Moraes nada disse. Los An-
geles, como tem aparecido no DiArio
Official, ja e um ponto freqilente de po-
liticos e burocratas paraenses, sob di-
ferentes pretextos (na mesma epoca la
estiveram o vice-governador e o secre-
tario de planejamento).
Apesar do sigilo atribuido as ativida-
des de identificacqo, nenhum 6bice ha-
veria para uma palestra da diretora Ma-
ria da Gl6ria. Ela simplesmente pediria
para a sessio do legislative ser secret,
ou, no caso de uma audiencia pfiblica, jus-
tificaria a omissao dos temas protegidos
pela confidencialidade. Mas todos ganha-
riamos se as informacqes prestadas pelo
delegado fossem detalhadas e ampliadas.
No Canada e nos Estados, como certa-
mente a t6cnica verificara, raramente
essas quest6es sdo mantidas sob reser-
va, exceto, 6 claro, quanto ao conteudo
de algumas informacqes (os m6todos sao
de conhecimento acessivel).


1.


faz6-lo a qualquer moment, tendo, so-
bretudo, entendimento de que o assunto
6, por sua pr6pria natureza, sigiloso, como
ja foi explicado anteriormente e que, sen-
do assim, tera limitag6es quanto ao publi-
co ouvinte.
Informamos tamb6m que a diretora
nao foi fazer passeio turistico e sim, bus-
car informagces mais avangadas para,
tambem, avancarmos cada dia mais em
nosso trabalho policial.
Exigimos respeito a nossa instituigao,
sobretudo quando buscamos trabalhar a
modernizagdo dentro deste 6rgdo essen-
cial para o melhor desempenho das in-
vestigagces, como 6 o caso do Instituto
de Identificaqco do Para".
resposta
Estejornal, anos atras, teve o triste pri-
vilegio de denunciar, com exclusividade, a
destruigdo dos prontuarios de identificaqgo
civil, causada por uma prosaica goteira no
telhado da (entdo) velha sede da Secreta-
ria de Seguranga Publica. Milhares de fi-
chas acumuladas no chdo de uma das de-
pend6ncias do pr6dio foram danificadas
pela agua. Pego no contrape, por nao ter
feito a comunicaqco espontaneamente, foi
s6 depois dessa noticia que o governor pro-
moveu um novo recadastramento.
Naquele moment, simplesmente se
tornara impossivel ao poder public ates-
tar a identidade dos cidadaos, tarefa que
a dilig6ncia da atual administragao tornou
tao expedida que garante entregar o do-
cumento competent no mesmo dia da
sua solicitag~o. Trata-se de inebriante
mudanqa da agua para o vinho: da situa-
9ao em que qualquer pessoa poderia as-
sumir identidade falsa sem risco de ser
descoberta, estamos agora na linha de
frente national, credenciados para ir ao
exterior atualizar-se.
O comportamento passado e o teor da
nota que provocou a manifestacgo do
delegado mostram que nao ha qualquer
intengdo de desrespeitar instituicoes ou
pessoas que, antes de mais nada, se res-
peitam, tornando-se merecedoras do res-
peito coletivo. Uma das provas dessa
permanent attitude do Jornal Pessoal 6
a publicaago das cartas que Ihe sao envi-
adas, independentemente do suscitado
direito de resposta, do tamanho da cor-
respond&ncia (jamais resumida ou copi-
descada) e de sua correcao, inclusive gra-
matical. E assim continuara a ser, indife-
rente aos desentendimentos que possa
provocar. Queremos servir ao cidadao
tanto quanto qualquer servidor public
conscencioso.






JOURNAL PESSOAL *1 QUINZENA DE SETEMBRO / 1999 7


Da cultural verdadeira


a cultural de algibeira


Pessoa culta 6 aquela que ja leu tr6s,
quatro ou cinco vezes obras de cultural
vitais como A Divina Comedia, de
Dante Alighieri (que na origem era ape-
nas Comedia), Ana Karenina, de Leon
Tolst6i, A Montanha Mdgica, de Tho-
mas Mann, Ulisses, de James Joyce,
ou Grande Sertdo: Veredas, do nosso
Guimardes Rosa, para s6 ficar s6 nes-
ses exemplos e apenas na area de nao-
ficqao. Mas 6 precise a maturacqo do
tempo para essas releituras, sem o que
elas terdo apenas valor informative, nao
se incorporando ao modo de ver, ser e
fazer da pessoa que se torna culta.
Com o tempo, mesmo aquele que ain-
da esta em process de formaqco cul-
tural, ou cuja formaqdo permanece in-
consolidada, sabe distinguir os gatos
pardos dos pretos. Da relacgo entire o
p6lo criativo e o p6lo de absorcgo se-
gue-se o process evolutivo de uma
cultural. O aprendiz de hoje sera o mes-
tre de amanha. 0 divulgador podera
se tornar o cria-
dor, mesmo que
o faca indireta-
mente, enquanto
critic, indepen-
dentemente de
ser ou nao um
autentico cria-
dor (como T. S.
Eliot face a Eza
Pound).
Ha pessoas
excepcional- .
mente precoces
e as tdo preco-
ces que as rotu-
lamos de g6nios.
Mas a cultural e
sempre um process, mais ou menos
lento conforme as aptidoes pessoais e
as circunstancias. Um jovem home
culto nao se equipara a um velho ho-
mem culto, que adiciona a capacidade
de aprender e apreender a sabedoria
da experi&ncia. Aquele que 1l repeti-
das vezes um texto seminal da cultural
humana para expandir seu prazer, seu
conhecimento, sua sensibilidade, seu
ser, 6 virtualmente inalcancavel. Nao
no sentido da competiqgo exibicionis-
ta e narcisista que se tem tornado ro-
tineira, mas daquela tranqiiila sensa-
qdo de saber.
As vezes me espanto cor a sard6-


nica convicqao com que os especialis-
tas se lanqam as tarefas do seu domi-
nio ap6s ouvir relates que para um lei-
go parecem an6dinos e insossos. Um
home culto 6 um especialista elevado
a maior potencia, sem as restriq6es da
compartimentacao de interesse e curi-
osidade. Aproximando-nos deles, abre-
viamos nosso aprendizado e multiplica-
mos o usufruto do conhecimento, dan-
do-lhe a ess6ncia prazerosa sem a qual
o home culto reduz-se a um chato.
Fiquei refletindo sobre isso, sem
muito nexo com o m6vel do raciocinio,
ao ler o ultimo fasciculo da coleCgo so-
bre hist6ria do Brasil publicada pelo
Didrio do Pard no domingo passado.
E um trabalho agradavel, interessante
e proveitoso de Eduardo Bueno, o his-
toriador preferido da midia no moment
(ganhou materia de sete paginas no ul-
timo numero da revista Epoca, intro-
duzindo a coluna semanal que ali vai
passar a escrever).
0 principal merito de

Bueno, de

41 anos, 6

simplifi-

car e fa-

zer legivel

a hist6ria

brasileira,
aproximando-a dos
jovens, em regra
refratarios ao arrolamento freqiiente-
mente desconexo de datas, aconteci-
mentos e her6is dos manuais.
No iltimo fasciculo, Eduardo Bue-
no montou uma bibliografia critical da
historiografia national. Ai o pass foi
maior do que o alcance das pernas, re-
velando suas limitaq6es. Dou s6 um
exemplo para nao ser magante, sendo
eloqiiente. Ao tratar das hist6rias ge-
rais ji lancadas, ele diz que o alem.ao
Heinrich Handelmann lancou, em 1860,
"uma 6tima 'Hist6ria do Brasil' que, in-
justa e inexplicavelmente caiu no esque-
cimento (a tiltima edig~o brasileira des-
de trabalho foi publicada em 1931)".


Na verdade, a edigao de 1931, sen-
do o volume 108 da Revista do Instituto
Hist6rico e Geografico Brasileiro, nao
foi a "6ltima edicao brasileira", mas a
primeira integral publicada em nosso
pais. Antes, em 1918, a Revista Ame-
ricana havia publicado apenas um pou-
co mais da metade do primeiro volume
de uma obra dividida em dois grossos
volumes. Ap6s a edi9Co de 1931 ja hou-
ve outra, langada em 1978 pelas Edi-
cqes Melhoramentos, graficamente
mais atraente do que o volume unico
de mil paginas, em letra minuscula, da
edicqo de meio s6culo antes.
Ha quem afirme que a Hist6ria de
Handelmann e a melhor de todas as
que foram escritas ate a segunda me-
tade do seculo 19. Com um detalhe per-
turbador: o historiador alemao nunca
p6s seus pes em territ6rio brasileiro.
Nem ele e nem Robert Southey, cuja
Histdria do Brasil (em sete volumes)
e corretamente classificada de "belis-
sima" por Bueno, sem ele ter-se dado
ao trabalho de destacar esse fato en-
cabulador sobre dois dos mais impor-
tantes historiadores que ja escreveram
sobre o Brasil sem conhec6-lo sendo
atraves de leitura.
A intui9ao de Handelmann lhe per-
mitiu sintetizar o significado da Caba-
nagem com a frase mais feliz ja produ-
zida sobre a sublevacio "dos destitui-
dos de bens contra os que possuiam
bens". Sua acuidade no trato dos docu-
mentos lhe permitiu diagnosticar sobre
a relacio do nosso pais com o mundo
externo logo ap6s a consolidagco do
imp6rio: "a salvagco do Brasil repousa
na imigracao unicamente espontinea de
agricultores livres europeus, e sao suas
condiges essenciais a extingdo do tra-
fico de escravos africanos e o estabe-
lecimento de s6lido sistema de distribui-
gco das terras a colonizar, juntamente
com a generalizagqo do imposto terri-
torial e as devidas garantias legais".
Um s6culo e meio se foi e o diag-
n6stico nao perdeu sua ess6ncia. Cap-
ta-la, porem, requer mais do que as qua-
lidades de um diluidor do conhecimento
hist6rico, ainda que inventive, mesmo
que provocador. A diferenca corre por
conta da cultural, esse misterio (ou se-
gredo) cujo melhor reposit6rio ainda 6
o livro. Quem 16, e quem 16 bem, perce-
be a diferenga e a usa. 0







Cobre
* Do seu orqamento de 22 mi-
lhOes de d6lares neste ano (con-
tra US$ 28 milhaes em 1998), a
Docegeo-a empresa de pesquisa
geol6gica da Companhia Vale do
Rio Doce vai reservar US$ 20
milh6es para a delimitagao de dois
novos promissores dep6sitos de
cobre em Carajas: o Cristalino e o
Alvo 118, o primeiro em estagio
bem mais avangado do que o se-
gundo. Apesar da reducgo em 20%
do que investiu no ano passado,
ao que parece o cobre continue
prioritario para a empresa. E com
uma escala de possibilidades mais
ampliada, ja que agora hi pelo
menos cinco areas candidates a
mina no alto da serra. E a mais
interessante deixou de ser aquela
que esta prestes a entrar na fase
de exploraqao econ6mica, que e a
jazida de Salobo.

Belo?
* Enquanto o prefeito e empre-
sarios dos dois primeiros quar-
teir6es da Joao Alfredo brincam
de recuperaqao do centro hist6-
rico da cidade, um comerciante
rasgou as paredes do belo pr6dio
onde funcionou o Banco do Bra-
sil, na esquina da pr6pria Joao
Alfredo cor a Padre Eutiquio,
transformandojanelas em portas.
Alguem foi consultado? Alguem
aprovou?
Independentemente das res-
postas,j a contrapropaganda su-
ficiente para anular o tal do ex-qua-
se-futuro Belocentro.

P6lvora
A destruicao da loja Bechara
Mattar 6 uma grave advertencia
ao que pode acontecer em outros
locais do centro commercial de Be-
1em. Alem das instalac6es eletri-
cas dos velhos pr6dios nos quais
funcionam as lojas regularmente
instaladas, um foco de preocupa-
9qo maior sao os pontos de venda
nas ruas dos camels. Eles puxam
energia atraves de precarias linhas
e vdrios utilizam botij6es de gas,
expostos na rua.
Ja que a prefeitura nao pode
ou nao quer impedir a prolifera-
qao indiscriminada desse tipo de
comercio, inevitAvel e necessario
em certa media, bem que podia
prevenir que algo pior do que o
acidente do Bechara Mattar ve-
nha a acontecer, ameaqando a area
mais antiga da cidade.


Espera l' niVrsaMIe
A Cofi'esta edigao'pJoriai res-
A unica casa construida por Ant6nio Lan'di estal .ol~ta i2ansdeva.Du-
cada vez nais ameaqada de ruir. Na esquin a rante o periodo, sua circulaA o foi
Siqueira Mendes (a primeira run de Belem) corn interrompida duas vezes pelos pro-
a Felix Rocque. na Cidade Velha, casa ro- blemasqueoleitorjaconhecesufici-
sada, como & conhecida por sua cor e entemente. Olhando para tras, vejo
muito adnmirada por suas preciosas o quantoja foi feito, consciente, po-
linhas barrocas. ja coomnea a r6m, dequeessequanto aindamui-
nostrar seus aleijOes entire to pouco. Por isso, necessario 6 olhar
as fendas que e abrem paraafrente, visando o future, enca-
rando os desafios, com os p6s bem
em suas paredes exter- plantados no chao e a vontade asso-
nas. Pode-se ver as escoras de madeira do seu interior e ter ciada as melhores utopias.
umna sensaqgo da precariedade daquele equilibrio. Mais a Resta agradecer ao apoio dos
frente, na mesma Siqueira Mendes, uma ouira casa colonial leitores, infelizmente menor do que
desabou. das poucas que ainda restavam para tesienunhar tern sido necessariopara oxigenar
as ongens desta infeliz cidade. Vamos esperar mais esta ospulmOesdestejomalzinho, mas
tragedia para chorar a more de Ins?. certamentebe maiordoque o seu
merecimento.


Grevismo
* Nunca uma greve de trabalha-
dores se pareceu tanto a um lo-
caute (paralisaCgo feita por pa-
trao) como a dos rodoviarios da
semana passada. Todos os nao
envolvidos no movimento tiveram
a impressao de que o objetivo
maior dos manifestantes era o re-
ajuste de tarifas, que a popula-
qCo, principalmente a mais neces-
sitada de transport coletivo, sem
aumento de salario hi muito tem-
po, nao ter condiqCes de absor-
ver. A parede dos motorists che-
gou a ser cruel e insensata. Nao
s6 por maltratar passageiros apa-
nhados dentro de 6nibus que ain-
da estavam em circulaCqo e obri-
gados a descer, sem devoluqFo da
passage paga, como por bloque-
ar trechos de ruas, chegando ao
c6imulo de deixar ilhado o corpo
de bombeiros (se o incendio na
loja de Bechara Mattar tivesse
ocorrido um dia depois, a trage-
dia teria sido maior ainda).
Quem anda em "fresquinhos"
e 6nibus comuns pode sentir a di-
ferenca no tratamento do moto-
rista. No primeiro, cor ar condi-
cionado, menos passageiros, sem
paradas fixas, as condiq6es de tra-
balho influem no animo do moto-
rista, que, evidentemente, nao tem
a mesma predisposigao nos 6ni-


bus calorentos, enfrentando cor
desconforto ruas esburacadas e
uma clientele nao menos irritada,
alem dos horarios rigidos.


Descontados es-
ses fatos, porem, a
populacao nao tern
motives de simpatia
pelos motorists de
6nibus. E pratica
corriqueira desres-
peitar idosos, igno-
rar pessoas nas pa-
radas, arrancar
abruptamente, des-
tratar passageiro,
travar porfias malu-
cas, etc. A opiniao
ptblica e sensivel as
reivindicac6es de tra-
balhadores tao im-
portantes, mas se e


Juntamen
corn o J
jd estcd
circulando
primeira
edigdo d
Agenda
Amaz6nic
Em banca,
livrarias


desrespeitada por um movimen-
to que ignora o interesse coleti-
vo tende a ficar contra os grevis-
tas. Ainda mais quando se difun-
de a versAo de que, por tras de-
les, age uma categoria patronal
que vem se notabilizando por ex-
plorar a exaustao sua galinha dos
ovos de ouro.
Convem ser mais inteligente
e mais sensivel aos outros na
pr6xima greve, tao facil de co-
mecar, tao dificil de chegar a um
bom desfecho.


Jornal Pessoal
Editor: Lucio Flavio Pinto
Sede: Passagem Bolonha. 60-B 66.053-040
Fones: (091) 223-1929 (fone-lax) e 241-7626 (lax)
Contato: Tv.Benjamin Conslant 845/203/66.053-040
Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br
Ediqio de Arte: Luizantoniodefanapinto/230-1304


A6reo
0 O govemador Almir Gabriel pa-
rece estar com a intenqao de viajar
muito pelo Estado durante os pro-


ximos meses. Al6m da
frota official, arrendou
um taxi aereo (ver Jor-
te nal Pessoal 216) e
abriu licitagAo para
comprar mais um
aviao, con. ,apacidade
para seis passageiros e
Sa dois tripulantes. Pelo
menos esse merito (se
e mesmo merito) as
eleic6es tem: fazer os
politicos percorrer o
a. territ6rio da suajuris-
di9~o, que no caso pa-
s e raense e do tamanho do
pais, mesmo com os
gastos acartados.
Nao importa: o povo paga.


Produgao
* A doenca nao conseguiu abater
o animo do mais important his-
toriador vivo do Para: de uma s6
fornada, Vicente Salles esta lan-
cando, a partir de Brasilia, mais
tr6s das suas "microedic6es do
author 20 exemplares de suas mo-
nografias distribuidas por um cir-
cuito privilegiado: Guerras aos
quilombolas no Grdo-Pard, Qui-
lombos na Amaz6nia (Um enfo-
que interdisciplinar) e Ndo ter
author Ndo tem direitos Sem autor
Sem direitos (Ofolclore em face
do direito de autor). Ja chega a 21
as "microediqces", micro apenas
no tamanho. No merecimento, sao
macro-trabalhos, sempre apon-
tando numa direcao nova ou reve-
lante da pesquisa hist6rica.