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Docas: Jomrnal Pesso I ,capo f .20 nj6-es SSO 2 i es L C O F L A V I O P I N O . ANO XII. N 217 2' QUINZENA DE AGOSTO DE 1999 R$ 2,00 SEP L~ ece? BAIXADAS Trapalhadas na a A brusca demissdo do gerente-geral do projeto de macrodrenagem pode ser uma advertencia de que a obra do siculo em Beldm estd enfrentando muitas dificuldades, nem todas visiveis. E que o seculo terminard sem que ela chegue ao fim, enredada nas teias da politicagem. Sm dezembro de 1993 o gover- no do Estado assinou os con- tratos para o inicio do maior program de obras executado em Belem em muitos anos. Oficialmente, era o Projeto de Recupera- Cgo das Baixadas do Una. Mas ficou mais conhecido como macrodrenagem porque 4 beneficiaria 60% do perimetro urban da q L ILL'L' L'L; cidade, a maior parte dela sujeita a inun- dacao, e 40% da sua populacao. Se tudo tivesse transcorrido como estava previs- to, as obras de infra-estrututura basica (drenagem, agua, esgoto e sistema viario) dessa area, habitada por pelo menos 200 mil pessoas situadas na faixa mais pobre da popula9ao, seriam concluidas em de- zembro de 1997. O atraso ja e de mais de um ano e meio e ainda vai se prolongar. A ultima data definida nos reajustes de cronogra- ma consider dezembro do pr6ximo ano como prazo final, mas pouca gente, in- clusive do govemo, acredita nisso. A ma- crodrenagem das baixadas de Bel6m ain- da estara em andamento quando o novo milenio chegar. NAo s6 isso: definir exata- ) LL:L'.'L 2U LV IILLLkL2/^ (Ltd.. Li) 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE AGOSTO / 1999 )mente como sera o seu desfecho se tor- nou ainda mais complicado na semana passada, quando o engenheiro Cesar Ben- tes, gerente-geral do projeto havia mais de dois anos, foi demitido pelo governa- dor Almir Gabriel, sem aviso previo nem gesto de cortesia. Pelo contrario: com to- das as indicacqes de se tratar de uma pu- nigao por mau comportamento. A substituiqgo de um t6cnico em sen- tido lato, de tratamento dificil, por seu temperament, mas considerado compe- tente e honest, por Eduardo Loureiro, um outro t6cnico do setor de saude, mas filiado ao PSDB, pode significar que a gestao da obra vai se politizar cada vez mais. Um dos principals motes da ultima campanha eleitoral, a macrodrenagem vai aparecer corn nfase crescente na dispute pela prefeitura de Bel6m, no ano 2000, e a renovacio do governor do Estado, em 2002. Nesse context, um dirigente intran- sigentemente t&cnico, como Bentes, pas- sa a ser inconvenient. Seu comprometimento exclusive corn o trabalho e a reaqio que sempre teve ao jogo politico ja vinham consumindo os cr6ditos do gerente junto ao comando tu- cano. O circulo mais pr6ximo do gover- nador se irritava com a ofensiva do PT na area e junto a imprensa, criando situa- oqes desconfortaveis para o PSDB e fa- turando prestigio cor uma das suas mai- ores obras. Bentes era acusado de nao mover uma palha para defender os inte- resses do governor nessa dispute. A prefeitura de Bel6m respondia as cobrangas da popula Io da area (quase 600 mil habitantes no total) jogando a cul- pa no governor, que abrira uma frente ampla demais para obter dividends elei- torais no ano passado, estava atrasado em todas elas, s6 se preocupava cor os ser- vigos diretamente relacionados a drena- gem, monopolizava os recursos e nao per- mitia a administraqao municipal fazer a sua parte na retaguarda das obras, sacrifi- cando os moradores. Jogando pesado, o PT encaminhou dossies ao BID denunciando os erros da obra, inclusive o seu superfaturamento. No iltimo domingo, o prefeito Edmilson Rodrigues levou tudo isso para as paginas do Didrio do Pard, do senador Jader Bar- balho. Disse que o governador age corn 6dio quando trata da prefeitura de Belem. Cesar queria se concentrar nas res- ponsabilidades que Ihe cabiam e que nao eram poucas, nem faceis de enfren- tar. O governador Almir Gabriel pressio- nou fortemente para conseguir uma re- ducao no custo inicialmente previsto equivalente a 225 milhoes de d6lares, US$ 145 milhoes do Banco Interameri- cano de Desenvolvimento e R$ 80 mi- lhoes de contrapartida estadual). Sua primeira providencia foi tirar o consultor anterior, a Rede Engenharia (in- denizada em um milhao de reais), trocan- do-a pela Leme Engenharia, encarregada de rever tudo o que foi encontrado Corn isso, o governador queria deixar mal seu antecessor, Jader Barbalho, que reivindi- ca para si a definicao do projeto basico da obra e a habilitacio do Estado para assi- nar o contrato cor o BID e iniciar os ser- vigos, imputando-lhe superfaturamento de pregos e leviandade t6cnica. Mas tamb6m queria enfrentar o desa- fio cor o menor desgaste possivel. Num novo orcamento, de R$ 234 milhoes (cor ganhos pela desvalorizagdo do real em relagdo ao d6lar), na parte do Estado (que acabou em R$ 89,5 milhoes), os recursos pr6prios ficaram em R$ 52 mi- lhoes, ja que o BNDES entrou com R$ 25 milh6es, a Uniao corn R$ 3 milh6es e a Caixa Econ6mica Federal cor R$ 2 milh6es. A redugco do investimento di- reto, porem, acarretava custos financei- ros maiores, a serem amortizados depois de finalizadas as obras. Num process inusitado, o governor conseguiu reduzir em quase 78 milhoes de reais (mais de 40% abaixo do que es- tava definido) o prego apresentado pelas empreiteiras, tudo a base da negociacqo direta e informal, a margem de dispositi- vos em sentido contrario do contrato do BID, que exigia reajuste annual com base em parametros nele definidos. S6 que en- quanto a empreiteira paraense Estacon deu um desconto de 44%, a reducgo ofereci- da pela mineira Andrade Gutierrez foi de apenas 27%. Ninguem no governor estranhou essa diferenqa. Afinal, se o "realinhamento de preqos", conforme o jargao introduzido pelo governador, tivera por base uma li- vre negociagco, cada um deu o desconto quis e o governor, como se estivesse com- prando um par de sapatos ou um quilo de banana, barganhou o que p6de, conten- tando-se cor o que quis. Era pegar ou larger. Sem reduqao significativa de cus- to, o governor estaria disposto a parar a macrodrenagem e ai os empreiteiros per- deriam tudo. A principio, o BID concordou corn esse ins6lito m6todo. Depois, rejeitou-o, segun- do a explicaqao corrente, porque um novo tecnico responsavel pela revisao do con- trato decidiu aplicar a clausula 16, que s6 admite uma variacdo em torno de 10% (para cima ou para baixo), de acordo com as flutuaoqes de mercado. Foi entao que o banco verificou os precos e constatou o superfaturamento, de R$ 8 milh6es (em- bora a prefeitura tenha chegado at& a fa- lar em R$ 20 milhbes), por parte da An- drade Gutierrez. Dois meses atras a em- presa foi intimada a recolher de imediato R$ 4,5 milhoes, mas ate agora nao o fez. Desde entao os desencontros de infor- mac6es e a diversidade de posiq6es cria- ram uma confusao que desafia o discerni- mento. Nem poderia ser de outra manei- ra, diante da forma de conducto do tal "realinhamento de precos". Tornou-se quase inevitavel desconfiar da empreitei- ra, tao mineira quanto a consultora (ainda mais por haver se destacado no financia- mento do fundo de campanha de reelei- 9ao do governador). Se ha uma planilha explicitando rigorosamente o realinhamen- to, a ela s6 tiveram acesso privilegiados interlocutores. A controvrsia sobre os precos 6 agra- vada pela modificacao no projeto. A ri- gor, a macrodrenagem s6 constou com um verdadeiro projeto de engenharia em maio do ano passado, quatro anos e meio depois de iniciadas as obras, cor base em um projeto basico. O projeto execu- tivo foi simplificado para adequar-se a estreita bitola financeira imposta pelo go- vernador, que se consider capaz de dis- pensar os tecnicos em algumas decisoes estritamente pessoais. At6 que ponto as simplificag6es comprometeram os auda- ciosos objetivos da empreitada, s6 o fu- turo respondera. Mas ja ha algumas in- dicaqces nesse sentido. A protecao dos canais nao parece ser suficiente para protege-los da erosao. O revestimento tambem nao & compativel cor o tipo de terreno, um lamaaal que esta abaixo da cota quatro do nivel do mar. Como a ramificagao da infra-estrutura a partir do eixo do canal nao esti dimensio- nada para evitar o arraste de material, que causa a sedimentauao, um problema para futures services de limpezas sao as has- tes de concrete entire as bordas de alguns canais, impossibilitando uma eficiente dra- gagem. Moradias de ambas as margens desses canais tamb6m estardo mais sujei- tas a desabamentos. Esse tipo de iniciativa enfatiza no pro- jeto o seu lado de mera obra de drenagem e saneamento, mas enfraquece o seu as- pecto de urbanizagao, que se apresenta como necessidade a partir do moment em que os interesses dos moradores sao despertados. Essa fragilidade ter sido a cunha de penetradao da prefeitura, intei- JOURNAL PESSOAL .2a QUINZENA DE AGOSTO / 1999 3 ramente marginalizada das decis6es sobre a obra de maior impact em Bel6m, po- r6m mais agressiva politicamente (inclusi- ve mais present nos locais). A popula- 9Co, afetada e em muitos casos prejudi- cada pelo andamento (ou retardamento e paralisagCo) dos serviqos, pressiona pela extensdo das obras para o sistema viario, o meio-fio, o aterramento de novas areas. O PT promete fazer tudo isso, mas alega que esta impossibilitado porque o gover- no o boicota. O governor, na verdade, se enredou numa teia que poderia conduzi-lo a um resultado excepcionalmente positive, a partir do moment em que foi tentando esconder os problems e protelar as solu- GOes, deixando de encarar realisticamente o desafio em seu tamanho verdadeiro. Para manter algumas frentes em ativi- dade, enquanto nao definia o contencioso cor o BID, que suspended as liberac6es no final do ano passado, colocou nas bai- xadas R$ 12 milhoes a mais de recursos diretos (e procurava ocultar o problema atribuindo a evidence abulia de obras as chuvas). Dos R$ 89 milh6es de contra- partida,ja aplicou R$ 86 milhoes, usando os financiamentos internos. Restam US$ 85 milh6es do BID para esgotar o orcamento e arrematar a ma- crodrenagem. O dinheiro s6 vird se o que o banco classificou como superfa- turamento for devolvido pela Andrade Gutierrez. O problema 6 que a emprei- teira, julgando-se com direito ao que cobrou, como indenizacgo pela desmo- bilizaqAo que precisou fazer por falta de dinheiro do contratante, contest a co- branca. Nem esta sendo pressionada para fazer a devolug~o. Especula-se que C6sar Bentes nio teve qualquer preocupacgo com o evi- dente irritagAo que suas declaracqes cau- saram ao governador (contraditado em varias das afirmativas que tem feito) por ja nao estar mais satisfeito no cargo. O ex-gerente estaria preferindo voltar a Al- bras, a fibrica de aluminio do cons6rcio nipo-brasileiro, da qual 6 funcionario e que o cedeu a pedido. Mas se sua substi- tui9ao vai aprofundar o aproveitamento politico da obra, em relacgo a qual ele vinha manifestando crescente intolerin- cia, isto pode significar que a macrodre- nagem pode se embaracar cada vez mais nas teias eleitorais at6 a dispute de outu- bro do pr6ximo ano. Isso pode prejudicar a obra do s6culo em Bel6m, que, apesar dos seus eventu- ais aspects critics, efetivamente muda- ra em profundidade a fisionomia da cida- A Basilica de Nossa Senhora de Na- zar6 existe por dois motives: o padre Afonso di Giorgio decidiu construi-la e o povo aderiu maciramente a campanha por ele liderada. Ao long de 40 anos (e exa- tamente na decad6ncia da borracha, com a crise econ6mica que provocou em Be- 16m), foram ininterruptos os donativos da populacgo paraense, desde o morador mais rico, que assumia um encargo espe- fico e o executava (uma vidraga, por exemplo), at6 o mais humilde habitante com seu modesto 6bolo. A igreja esta ai: cam, bonita, as vezes deslumbrante, sem impressionar por seu estilo (na verdade, um conjunto de estilos), uma verdadeira realizagao do povo. Os seus administradores podem achar que os dois pulpitos instalados na nave central estdo em desacordo com a litur- gia da missa, a doutrina da Igreja, a es- t6tica ou seja la o que for. E um direito que t6m. Nao estA entire suas prerrogati- vas, entretanto, promover mudancas naquele pr6dio rigorosamente puiblico sem ouvir a populacgo, qualquer que sejam suas motivag6es. T6cnicos italianos trazidos para re- mover os dois piilpitos garantem que essas peas destoam da riqueza do tem- plo. O local ficara mais puro arquiteto- nicamente (se tal 6 possivel naquele ca- leidosc6pio) sem os dois apensos late- rais. Fi6is se regozijaram com a remo- gao porque agora nada mais vai atrapa- lhar-lhes a vislo do altar. E haverA mais gente para ocupar a igreja nos seus atos mais concorridos, fazendo crescer o re- banho no aprisco (e enriquecendo os dizimos, claro). Tudo bem e legitimo. Mas que se- jam ouvidas as vozes dissonantes antes que, do trono, a tonitroante voz do pa- dre Brambilla (por isso mesmo tratado de. As simplificaq6es de projeto para via- bilizar o "realinhamento de precos" po- dem diminuir os beneficios da obra e difi- cultar sua operacqo (seriam necessarios de R$ 12 milh6es a R$ 18 milhoes em gastos de manutenqco, segundo o prefei- to Edmilson Rodrigues). Os atrasos e complicaq6es contratu- ais podem, pelo contrario, encarec6-la ao inv6s de baratea-la. Afinal, tanto o di- de BrambillAo) decide em solidco nada ecum6nica, ele e qualquer outro barna- bita, de uma ordem que, ao menos no Para, nao tern se celebrizado por tole- rancia cristi, espirito democratic ou ci- vilidade. Os barnabitas ddo teco em tudo o que acontece em volta do Largo de Nazar6 e circunvizinhanga. Uns 20 anos atris at6 quiseram impedir que o dono de uma pizzaria fizesse obras em sua propriedade. S6 nao admitem contrarie- dade as suas ordens. Nio tenho opiniao definitivamente for- mada sobre os tais p6lpitos. A Basilica de Nazar6 nao me comove como as igrejas do Carmo, Santana, Santo Alexandre ou Sio Joao (as p6rolas de Landi). E bela, mas fria. Sua imponencia se impbe em demasia para meu espirito contrite e reco- Ihido, 6 deja-vu demais,parvenu (como a Basilica de Sao Pedro, em Roma, alias, de vezo mais institutional do que espiritu- al). Mas nio acho que, no conjunto frag- mentado, seja uma n6doa, nem que sua supress~o seja tarefa urgente. Urgente e ingente 6 a expurgaio da- quele anexo horroroso introduzido ao lado da fachada da nossa basilica e 1i mantido com a cumplicidade dos bama- bitas. Aquilo 6 uma inquestionavel ex- crescencia, criada talvez porque permi- te bons faturamentos durante a quadra do Cirio- e preservda pelo mais pn ma- rio comodismo, ji que um pouco mais de cuidado tamb6m nao oinibiria o fatu- ramento da ordem. Se aquele entulho de comercialismo nio perturba a est6tica e a liturgia da basilica, por que tanta intoler&ncia em relacio aos puilpitos e aos que tentaram mant6-los na rica edificaqio que ajuda- ram a erigir? Se Cristo, como fez em Jerusal6m, estivesse de volta e ali fosse pregar, a quem trataria como fariseus? nheiro do BID quanto o do BNDES te- rao que ser devolvidos, com os devidos custos financeiros. No final do primeiro semestre o BID havia aplicado US$ 56 milh6es na obra, mas s6 dejuros embol- sara US$ 12 milh6es, equivalent a 8% do que at6 entao havia sido gasto na ma- crodrenagem e 20% do dinheiro efetiva- mente cedido pelo banco. E uma advert6ncia grave. * Medievalismo em Nazare II- -- --rsl I I- 1- 4 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE AGOSTO / 1999 Cronica: intense e curta como a vida brasileira A cr6nica 6 o mais brasileiro dos gene- ros literdrios: curta, fluente, puxando para o humor, tratando do cotidiano, provocati- va, improvisada. Deveria ser a porta de entrada ao mundo da literature, mesmo que algumas vezes os freqtientadores nao con- sigam ir al6m dessa porta (6 o que dizia S6rgio Porto, um dos nossos grandes cro- nistas, a Ant6nio Olinto, dono de uma co- luna de critical de livros em O Globo com o titulo Porta de Livraria: ele bem que podia entrar e comprar um livro para ler, ao inv6s de se manter sempre a porta). Por refletir o nosso ethos, a cr6nica e (ou foi) um rito de iniciaqdo e passa- gem de um povo que fez da superficia- lidade uma virtude e do ludismo um modo de ser. Nao 6 muito provavel que outra literature national tenha tido em atividade simultanea um conjunto de cronistas como os que escreviam em jornais e revistas brasileiros entire as d6- cadas de 50 e 60, como Rubem Braga, Paulo Men- des Campos, Otto Lara Resende, Carlos Heitor O pres Cony, Carlos Drummond tem o dev de Andrade, Stanislaw onamento Ponte Preta, Ant6nio Ma- galerias q ria e por ai afora. prevenir i Mas como hoje ha pou- ver as pes cos cronistas e a proporgao tem a prer de livros de cronica no mo- do poder vimento editorial global seja existir. crescentemente diminuto Foi tri no pais, isto significaria que votada (e o genero, por ser mesmo tucional n menor em relaqgo a paren- part do te tes mais garbosos (como o ingresso, romance e a poesia), per- circense p deu f6lego e desceu ao lu- cia com u gar reservado ao ef6mero, controver datado, transit6rio? Ou, mais desa por sua debilidade e pelo No ent traqo de brasileirismo que pr6dio do incorporou, esta mais su- posiqdo d( jeito a ciclos de apogeu e dicais, par declinio, estes mais fre- salvaguar qtentes e prolongados do tao pouco que os primeiros? (para lemt Ojornalista Jason T6r- tar, pr6dig cio responded com uma A atua tentative de nao no seu merece m Orfao da Tesmpestade do, indepe A vida de Carlinhos Oli- de sua bre veira e da sua geraqdo, presid6nci entire o terror e o Oxtase (Editora Objetiva, 453 paginas, 35 re- ais). Seu esforco 6 em favor da pereni- dade do cronista Jos6 Carlos Oliveira, um capixaba que rompeu com seu Es- pirito Santo de origem para incorporar o mais tipico modo de ser brasileiro, o da zona sul da cidade do Rio de Janei- ro, enturmado entire a esquerda festival e a direita complacente. A tese central do livro 6 de que o mais expressive romance do viver cari- oca dos 50s aos 60s foi composto frag- mentadamente por Carlinhos em cr6ni- cas publicadas ao long de 23 anos se- guidos no Jornal do Brasil, mas conce- bidas, na maioria das vezes, na varanda do restaurant Antonio's, o ponto de encontro preferido da fauna urbana mais glamourosa do Brasil. O livro sofre daquela descontinuidade que as pesquisas de curto f6lego deixam a mostra. As situaqces seguem um piano de ^ Aus ncia idente da Assembl6ia Legislativa, mais do que er de adotar medidas coercitivas para assegura Regular da casa. Pode impor o control do uando ha sess6es polemicas ou mesmo conflitu icidentes. Pode colocar policiais no audit6rio pi soas que nao se comportam adequadamente. rogativa de impedir o povo de participar das a que lhe 6 mais pr6ximo, que depend do seu ste e lamentivel a sessio do dia 27 dejulho, qi aprovada pelo rolo compressor official) a emen 2 12 (apelidada de "emenddo" por incidir sobi exto da constituicgo do Estado). Mais do que bl o deputado Martinho Carmona montou um es ara tentar legitimar um ato que nao ter a meno m poder que se sustenta no debate dos contr sia e na tolerancia, o mais democratic (talvez rmado) dos poderes constitucionais da Republi anto, em period de plenitude democratic, la legislative paraense cercado de policiais mil e combat contra duas dizias de manifestantes a cujos excesses e equivocos o regime democr. das regulars e rotineiras, sem que o pastor C dotado de espirito cristdo, precise "chamar rar um dos mais sombrios motes do extinto reg ;o nesse tipo de iniciativa). 1 Assembl6ia Legislativa pode at6 ter o preside ias o Pard nao tem o poder legislative que est 11 ndente e digno. Que Carmona nos conceda o vidade. Pode ser sua melhor qualidade no exe ia da AL. seqUtncias sem amarragdo, como chapas de um filme com intervals velados. Mas 6 fdcil de ler e 6 um agraddvel divertisse- ment, especialmente para os que viveram na Cidade Maravilhosa na mesma epoca e ainda puderam conhecer pessoalmente o personagem. Se a tese de Jason fosse verdadeira, Carlinhos nao teria se empenhado ate o iltimo moment em uma grande obra, distinta dos fragments espalhados no curso de sua carreira professional. Se ten- tou disciplinar-se para essa producgo, afastando-se da bo6mia, foi porque em- bora no vasto cascalho de cr6nicas que escreveu haja preciosas pepitas, elas sao poucas demais at6 para antologias. Ex- pressam o espirito de uma 6poca, mas deixam claro que a necessidade de pro- duzir diariamente sem se exaurir nesse cotidiano s6 poupa do desperdicio pou- cos criadores, do porte de um Dostoie- vski ou de um Balzac. i Esse nao era o nivel de Carlinhos. Seu bi6grafo tern o direito, que se desviar para a gera- r o funci- gao da qual ele foi um dos icesso as personagens arquetipicos, osas para dando mais atencgo ao mun- ara remo- danismo do que a pr6pria Mas nao obra do escritor, contraditan- tividades do-se dessa maneira, mesmo voto para sem querer. A maior obra de Jos6 Carlos Oliveira foi sua uando foi vida, 6 a impressao que fi- ia consti- cou quando fechei o livro de re grande Jason T6rcio, agradecido por loquear o Carlinhos haver existido para spetaculo servir de contraponto a ge- r coer&n- raqoes que passaram a bus- trios, na car nos ramais da boa saide rrios, na porque o obsessive e da auto-estima ca. espalhafatosa uma razao de I estava o viver que estd aquem do que itares em e o melhor da vida: o risco mais ra- da novidade e do desafio. I mais ra- atico tem Que consumiu muito cedo armona, Carlinhos (aos 52 anos), o Pires" Roniquito, Hugo Bide, An- ime mili- tonio Maria, Stanislaw Pon- te Preta e tantos personagens Lente que dessa epoca, mas deu-lhes a he faltan- intensidade dos que, deixan- beneficio do sua marca pessoal, tor- rcicio da nam-se eternos, muito mai- ores do que o tempo que lhes foi permitido viver. * JOURNAL PESSOAL .*2 QUINZENA DE AGOSTO / 1999 5 0 turismo do mundo e o da Amazonia Outro dia conversava com uma ami- ga sobre como ficou chato andar (nao mais, nem s6 visitar) nos grandes cen- tros turisticos mundiais. Sendo a Italia nossa paixdo comum, falamos dos incon- venientes de estar em Roma, Veneza e Florenca durante a alta estaqgo turistica. Hordas de alemAes e japoneses, herdei- ras das legi6es americanas, tomam as ruas, os pr6dios e os monumentos mais apaixonantes da hist6ria da humanidade como se estivessem num supermercado cultural, levados por guias encalacrados em seus textos an6dinos, sem a menor intimidade com o tema e a situaqAo. Ver os novos ricos (ou ja sera ex-novos ri- cos?) japoneses fotografando tudo, nada vendo ao natural, com os pr6prios olhos, e dose para mamute. Se esse 6 o inevitavel turismo de um mundo globalizado e massificado, 6 me- Ihor ficar a distincia dessa maravilhosa industria sem chamin6s. Porque ela a tudo deforma, a tudo homogeneiza artificial- mente, a tudo imbeciliza. Mas como 6 in- sensato (e mesmo impossivel) escarecer do turismo, tentamos encontrar para va- ler uma forma inteligente de pratica-lo, que nao se reduza a artificio de marketing. A Amaz6nia 6 uma das areas de maior potential para o turismo do planet, mas a mais suscetivel a sucumbir ao pior ma- neirismo dessa maquina de triturar cultu- ras, ragas e etnias desviadas da pasteuri- zagAo global a partir das exig6ncias dos alemaes, japoneses e americanos que an- dam pelos quatro cantos em busca do seu pr6prio mundo refletido em outros espe- Ihos. Santar6m, como o Maraj6, oferece no Para a melhor plataforma para o de- senvolvimento do turismo. Simplesmente por ja atrair contingent significativo de visitantes sem lhes oferecer a mais prima- ria das estruturas receptivas. Por isso, meu comentario do numero passado sobre o piano da prefeitura para a como diria nosso alcaide revitaliza- gdo da orla de Santar6m provocou varias reaches. Mas nenhuma das pessoas quis assumir publicamente sua posiqgo. Todos preferiram aguardar a evolucgo da admi- nistraqgo municipal, com seu piano de 30 milhoes de reais (dos quais R$ 9 milhoes ja estariam assegurados). A possibilidade de Santar6m voltar a contar com as praias do passado, que lhe davam caracteristicas especiais na paisa- gem amaz6nica, nao 6 imediata, nem fa- cil. Requer coleta, drenagem e tratamen- to de esgoto para evitar a poluicgo, que tomou uma temeridade atirar-se ao Tapa- j6s em frente a cidade. Todo o cais de arrimo teria que ser desfeito e disciplina- do o uso daquela area. Continue considerando condiqgo ne- cessaria a execugao desse piano o des- monte do "tablado", o mercado fincado sobre as aguas do rio. Se as pessoas que se beneficiam desse ponto temem que a prefeitura nao sincronize o desmanche desse mercado com a construcgo de um verdadeiro terminal pesqueiro, com sua extensao commercial, entao devem exigir que a segunda obra seja iniciada de ime- diato, em local ja definido, a Vila Arig6, sem esperar pela primeira. O Mercadao 2000 continuaria funcionando no mesmo lugar, mas de forma aut6noma. Os pesca- dores e demais produtores teriam que ser apoiados por medidas que Ihes reduzis- sem os custos com a mudanca. Ao menos neste aspect, Santar6m voltaria a ser o que foi at6 algumas d6ca- das atras, um centro econ6mico de todo o Baixo Amazonas e uma cidade de praia, sendo fluvial e nao litoranea? A tarefa nao 6 facil. Impoe desafios t6cnicos, exige di- nheiro e precisa de muita vontade de fa- zer, fazendo bem (com intelig6ncia e sem desperdicio ou desvio de recursos), sem dispensar a consult aos interessados, nao apenas para conseguir referendo aoja de- cidido, mas tornando essa oitiva um ato de verdadeira decisAo. Ao contrario do que alguns pensam, tudo isso ndo seria apenas para atrair e agradar a turistas, mas recuperar a identidade de uma cidade unica numa Amaz6nia especi- al. Esta cidade ja era assim muito antes do tal "tablado", do crescimento ca6tico e dos govemos ineptos que engoliram suas prai- as e seu modo amaz6nico de ser. 0 :- Ferronorte: do Nor-te? rj r I-- O president Fernando Henrique Car- doso inaugurou, na semana passada, uma obra que, quando concebida, era apresen- tada como uma prova do arrojo da inicia- tiva privada. A Ferronorte era o espelho da capacidade de seu criador, o "rei da soja", Olacyr de Moraes. Ele prometia implanta-la com recursos pr6prios e os fi- nanciamentos que conseguisse amealhar. O primeiro trecho em operacgo, atraindo a producgo de parte do Centro-Oeste para o litoral paulista, ao custo de mais de um bilhao de reais, teve quase metade desse capital assegurado por dois funds de pen- sao federais, o Previ (do Banco do Bra- sil) e o Funcef (da Caixa Econ6mica). A participagao de Olacyr, ja agora nao mais como o "rei da soja" (nem da noite), mas um habil corretor, foi reduzida para 16% (integralizado sabe-se Ia como). A segunda etapa, abocanhando outro bilhdo de reais, vai chegar at6 Rondon6- polis, em Mato Grosso, acrescentando 390 quil6metros aos 410 kms do primeiro tre- cho (Alto Taquari-Aparecida do Taboa- do), integrados, por sua vez, aos 900 kms de linha ferrea da Fepasa (ja privatizada) ate o porto de Santos. A Sudam se com- prometeu a liberar R$ 200 milhoes, um quinto do dinheiro necessario. Ajustifica- tiva e de que a ferrovia entrou em area da Amaz6nia Legal, credenciando-se a rece- ber recursos dos incentives fiscais. E um argument chocho. O sentido da ferrovia 6 de sugar as riquezas naturais, de baixo valor agregado, do Centro-Oeste, para serem processadas ou embarcadas para exportacgo em Sgo Paulo, com gan- hos multiplicados. Nao 6, portanto, um ins- trumento de desenvolvimento regional, mas uma veia aberta de exploracao de area pe- rif6rica, de fronteira subordinada. Quando chegar a Cuiaba, na terceira etapa, vai ab- sorver mais dinheiro public e estender os tentaculos sugadores at6 o arco amaz6nico matogrossense. Alguns acham que a ferro- via estara complete quando seus trilhos apontarem em Santar6m, encontrando ali um porto alternative ao de Santos. E pro- vAvel que nao seja assim. Se for, ainda as- sim nao sera um destino diferente. Consagrara o novo reinado de Olacyr de Moraes. De rei da garganta e da esperteza- usando funds publicos, naturalmente. * 6 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE AGOSTO / 1999 Interesse public -- M Certas incompreensbes me fazem renovar a explicaqAo sobre os objetivos desta secdo. Ela nao 6 de dentincia, nem serve de inspiraqdo para mat6rias. S6 quando a informagdo 6 suficientemente grave ou indica claramente uma irregu- laridade e que faqo uma apuraqco em extensdo. Mas ai a material extravasa deste espaco, ocupando outro lugar, mais apropriado. Esta seq~o tem duas finalidades: fazer o cidadao ler (e compreender) o Diario Oficial, que abriga os atos da ad- ministracao ptiblica, mesmo quando su- marizados ou codificados, para assim melhor controlar o govemo (sem o que nao ha democracia), e exigir dos servi- dores publicos que prestem contas do que estao fazendo a quem a conta sera, final, apresentada: o contribuinte. Se o cidadao quer que seus direitos sejam respeitados e seus interesses atendidos, precisa se informar sobre a principal fonte de decisoes em relaqgo a vida coletiva, originadas no tal do aparelho de Estado. Quanto ao funcionario puiblico, ser cobrado sobre o que faz 6 parte das suas obrigacges. Nao e por favor que respon- de a pedido de informaqSes: 6 por dever funcional mesmo. Da reaAo que expres- sar teremos um crit6rio seguro para ava- liar se esti ou nao cumprindo suas obri- gaqSes. E quanto a administraqdo publi- ca, se e ou nao democrdtica, se esta ou nao a serviqo da sociedade. Portanto, ningu6m deve se sentir ofendido ou ter sua suscetibilidade al- cancada pelos pedidos de explicaq6es aqui apresentados. Nem os fatos aqui referidos expressam necessariamente uma irregularidade. Se hi algum erro ou incorrecdo, uma boa resposta reco- locara tudo nos devidos lugares, para o bem de todos e felicidade geral da na- qao. Ambos s6 serao prejudicados (e, cor eles, os referidos nesta seqao) sea resposta for o silkncio-conforme, in- felizmente, parece ser a regra at6 ago- ra, corn umas poucas e (como sempre) honrosas exceqces. Vairios 6rgdos da administragqo pl- blica contrariam norma do Tribunal de Contas quando apenas citam a data dos terms aditivos anteriores sem indicar suajustificativa. Alguns ainda supreme parcialmente a falha acrescentando a justificativa de apenas alguns, provavel- mente os que alteraram o valor do ato original (como faz a Secretaria de Obras, de que e exemplo o Diario Oficial do dia 6, pagina 4 do cademo 2). Mas ou- tros omitem tudo. O TC podia adverti- los para impor maior respeito A norma. WA Secretaria de Seguranca P6bli- ca publicou (no DO do dia 6), os ex- tratos de dois protocolos de intenqces com a Universidade Federal do Para, para estreitar as relaqces entire am- bas. Mas sem especificar logo os ob- jetivos concretos do protocolo, nao 6 perda de tempo, de papel, de trabalho e de dinheiro publicar documents tio genericos assim? Mesmo que a inson- davel burocracia exija que o process siga etapas at6 poder se materializar no mundo das coisas reais, nao 6 me- Ihor fazer as coisas de uma vez? Fica a observag o. 0O Detran se dispoe a gastar 1,1 mi- lhAo de reais nos pr6ximos 12 meses com o fomecimento mensal de vale ali- mentaqo aos seus funcionhrios, con- forme o terceiro termo aditivo a um con- trato assinado no ano passado com a Amazon Card's, que o prorrogou ate o ano 2000. Nao 6 muito dinheiro, nao? IO que sera que Maria da Gl6ria Nas- cimento, chefe do Instituto de Identifi- caio da Policia Civil, foi aprender com a Policia Montada do Canada, em Ota- wa, e em Los Angeles, nos Estados Unidos (com quem? Ou ajurisdi~ao da policia canadense ji se estende ao pais vizinho?)? Autorizada pelo govemador, ela teve direito a oito diarias, cada uma equivalent a 300 d6lares (no total, US$ 2.400), e a seguir pelo interessante ro- teiro intemacional. Na volta, a Assem- blWia Legislativa devia convoca-la para dividir os conhecimentos amealhados numa exposiao pfiblica. Alias, devia tomar imediata provi- dancia em relacgo ao secretario de pro- dugao, Simlo Jatene. Em tres semanas foi A Alemanha, Austria, Inglaterra e EUA (incluindo Los Angeles, novopo- int no passaporte da burocracia ofici- CARTA Prefeito de Belem tem boa intengoo? * 0 leitor Marcus Pessoa de Araujo enviou a seguinte carta: Leio de vez em quando seujomal e s6 posso louvar sua persistencia em man- ter um veiculo de imprensa independen- te nessa terra tAo carente deles. No entanto, discordo veemente- mente do tom da mat&ria de capa da tiltima edigao, "O Alcaide rugiu", prin- cipalmente pela inexatidao do texto ini- cial, que diz que oprefeito Edmilson Ro- drigues "agrediu verbalmente" a rep6r- ter de "O Liberal". Nao sou petista nem tenho simpatia political ou ideol6gica por Edmilson, mas me parece 6bvio pela transcriqio do did- logo que nho houve nenhuma agressao por parte do prefeito. O que houve foi uma tentative da reporter de fazer o Ed- milson falar sobre assuntos inc6modos para ele, uma recusa da parte dele e de- pois umbate-boca meio sem sentido,mas que nho resvalou em nenhum moment para o desrespeito pessoal. Em que ponto esta a "agressio"? Voce sabe melhor que ninguem que o texto joralistico ter que ser exato, nao & possivel colocar na abertura da materia algo que nao 6 confirmado pelo miolo. Eu, se fosse o prefeito, encerraria a entrevista na mesma hora em que esti- vesse sendo chamado de "tu" por um reporter. Femando Collor encerrou uma (a seu modo grosseiro, naturalmente) quando foi chamado de "voce" por um al). No territ6rio americano, teria ab- sorvido conhecimento sobre refloresta- mento e conservaq~o ambiental para aplicar em nosso Estado, cujo clima e demais condiq6es geogrfficas muito se assemelham As da California, como e piblico enot6rio. Atraves do segundo termo aditivo, a Secretaria de Transportes acresceu 900 mil reais ao contrato de 1998 assinado cor a Mecominas, at6 cinco anos atris uma inexpressiva presenqa mineira em territ6rio paraense, para services de pavimentaqio na PA-124 (trecho Ca- panema-Santa Luzia). O aditamento, publicado no DO do ultimo dia 4, nao diz qual o valor do contrato original e qual a sua modalidade, contrariando norma do TCE e impossibilitando me- Ihor avaliagho do aditamento. A Sectam (Secretaria de Ciencia, Tecnologia e Meio Ambiente) aditou pela quinta ou sexta vez contratos com empresas privadas (estabelecidos no ano passado atraves de carta-convite) para a "execugao dos microssistemas de abastecimento de agua tratada" em 52 comunidades de 11 municipios (amai- oria no Baixo Amazonas), ao custo de 2,5 milhees de reais. Justificativa para todos os terms aditivos: "prazo e difi- culdades na perfuracio dos poqos". reporter da "Folha de SAo Paulo". Eu chamo de "senhor" ate para subordina- dos meus, entAo por que deveria aceitar esse tratamento informal? Desse jeito, Edmilson se sentiu a vontade pam entrarnum bate-boca tipi- co de botequim de esquina mas sem desrespeitar a reporter. Achei instrutivo verificarcomo saio trogloditas os petistas que gravitam em tomo de Edmilson, assim como o so os vereadores processados na Comissao de Etica. Quem conhece Paulo Gaya e Raul Meirelles pessoalmente sabe que hi muito eles mereciam isso. E e fato que o "politburo"do prfeito compost de pes- soas que fizeram sua carreira political na base da sabujice e no espirito de corpo pseudo-leninista. Mas hque diferenciaresses do pr6- prio prefeito e da vice, que estao onde estao porque sao respeitados pelos pe- tistas e pelopovo. Edmilson 6 autoritario, mas tambem e meio "moleque" e diver- tido pessoalmente. E uma pessoa que ama de verdade a cidade e se senate hon- rado do cargo que ocupa Nao 6 pessoa que fique agredindo rep6rteres, mesmo que se irrite (muitas vezes sem razao) corn o trabalho deles. Sobre suas consideraq6es finals, te- nho apenas a dizer que concordo corn as critics a respeito do espirito pouco ptblico da propaganda da prefeitura, mas tambem entendo que Edmilson se abstenha de critics ptblicas ao Grupo Liberal, na esperanca de ter uma "tr6- gua" que lhe permit ocupar espagos politicos. Em political 6 defensavel omi- tir a verdadequandosuadivulgaciopode se voltar contra quem a divulga. Minha resposta Na epoca em que opresidente Ri- chard Nixon mentia descaradamente para acobertar a atividade illegal de seus "encanadores", conjunto de Mas rigorosamente em todos eles? Quais foram essas dificuldades? E do sitio, do m6todo, dos equipamentos ou do pessoal? EE conv6nio ou contrato o que o Ipa- sep (Instituto de Previddncia e Assis- tencia dos Servidores do Estado do Pard) assinou em 1997 com a Asta (Assessoria Tecnica Atuarial) para a "prestagio de serviqos de assessoria autuarial na area da previdancia"? No alto do 4- termo aditivo (publicado no DO do dia 3) aparece convenio, en- quanto o extrato fala em contrato. O document noo diz qual o valor original do contrato (ou convenio?), limitando- se a confusa referencia sobre R$ 74 mil de um segundo aditamento e a R$ 35 mil do quarto. E tudo somado? E qual e o valor de origem? S0 empenho n 99 da Secretaria de Obras, publicado no DO do dia 30 de julho, para "locac~o e montagem em 02 tendas em lona sobre estrutura tubular, na Granja do Icui", residencia official do govemador, diz que a modalidae da lici- taqdo se baseou no "art. 24, I, da Lei 8.666/93". Por que nho descodifica logo para facilitar a melhor informaqao do leitor? Atenderia o principio da publici- dade, embora contrariando os habitos da burocracia emperradora. 0 gene, geralmente desqualificada, mantida nos porOes da Casa Branca para atacar pessoas incdmodas (in- clusive e sobretudo na imprensa), o escritor e cartunista Jules Feiffer cunhou ura friase que ficaria famo- sa: "Se voce quer uma mentira, va a uma entrevista coletiva. Se voce quer a verdade, roube-a". Ndo ha, nos anais historicos, ne- nhum registry de alguem que tenha convocado uma entrevista coletiva para dizer a verdade, quando ela o contraria. Mas as coletivas corn a im- prensa existem e se mantim na espe- ranca de que o entrevistado possa ser contraditado. Tambem pelo de- ver de oficio dos jornalistas, de aco- Iher a versdo official ou a explicacdo formal. Mas dizer que "em political e defensdvel omitir a verdade quando sua divulgavao pode se voltar con- tra quem a divulga" e fazer o jogo do lobo, poupando-o do desgaste de ir atrds das galinhas (ou da av6 de Chapeuzinho Vermelho). Respeito as opiniOes do leitor al- gumas das quais partilho, mas rejeito essa moral utilitdria. Dela se valem pessoas como Rubens Ricupero, o cri- ador da sindrome da antena parabo- lica, angelical de ptublico, diab6lico quando na (suposta) intimidade. Sera que o maquiavelismo, ojesuitismo ou o leninismo irdo sempre justificar a maixima do "o que e bom eu mostro e o que e ruim eu escondo do ex-mi- nistro da Fazenda? Ndo se hdi de es- perar realmente, que alguem convo- que a imprensa para declarar espon- taneamente: eu errei, eu enganei, eu roubei. Mas uma autoridade ptiblica que reage corn trovOes e raios a uma pergunta inc6moda, questionadora do seu discurso, ter o que esconder ou esta despreparada para a fungdo. Vi uma entrevista do entdo presi- ) I~-~LC-I- 3-r"ll-----F 1---11---_ JOURNAL PESSOAL *2 QUINZENA DE AGOSTO / 1999 7 0 jornalismo sem carter, segundo Wagner Carelli A entrevista de Wagner Carelli ao Jornal dos Jornais (n 4, edigqo de julho) me provocou duas sensaq6es antag6nicas. De admiraqdo, por ele ter reconhecido sem subterfiigios graves erros que cometeu. De espanto, por ha- ver cometido esses erros quando era apenasJoca (principiante) de redagao. Com a credencial de ser atualmente o director de redaqgo de duas das mais importantes revistas mensais do pais (Reptiblica e Bravo.), Wagner confessa: "eu inventava entrevistados, atribuia inforrma~ es a funcionarios ficticios e fazia mat6ria s6 com informaaqes passadas por colegas, sem conferir no local". Como exemplo, cita a reportagem que fez sobre um engarrafamento gi- gante no centro de Sao Paulo, onde um original guard de trinsito trazido de Salvador, na Bahia, faria demonstrates. Enquanto os fatos aconteciam, Wagner namorava. Ao chegar a redaqao de O Estado de S. Paulo, onde trabalhava, ficou sabendo que a rotineira materia que Ihe fora pautada se transformara num acontecimento. Sem avisar seu chefe, foi at6 a redacqo do Didrio da Noite pegar informac6es com uma amiga reporter. Cor esses dados, mais o que "ainda peguei no rescaldo dos acontecimentos", quando retomava ao Estaddo, diz haver escrito "a melhor materia que saiu em toda a imprensa sobre o caso". A auto-avaliaqco talvez nao passe de garganta, mas ainda que Carelli haja escrito mesmo uma boa material, ele teria que serdemitido se seu com- portamento tivesse sido descoberto. Uma reporter do Washington Post ga- nhou o Pulitzer, a maior premiaqco do jomalismo americano, mas ojomal devolveu o premio ao descobrir que a reporter praticara uma fraude (revela- da publicamente pelo pr6prio journal) semelhante a que Carelli parece ter tornado rotineira no inicio de sua carreira. Ajomalista sumiu das redaq6es, um castigo A altura do seu erro. JA Wagner Carelli diz que epis6dios como esse foramm as grandes liq6es da minha vida de foca". Nao chega a declarar tdo explicitamente, mas deixa seus leitores suporem que se regenerou completamente e e, agora, um pro- fissional s6rio. Mas nao ter direito a essa presunago: se como iniciante cometeu repetidas vezes o que pode ser qualificado como crimejornalisti- co, sem ter tido a iniciativa de avisar seus chefes para que estes pudessem advertir a opinido piblica ilaqueada, pode-se crer que nao tenha voltado a reincidir no erro depois e que nao continue sujeito a esse impulse mesmo agora? Seu crime, um dos mais graves da profissao, ainda nao prescreveu. Alias, e imprescritivel. O epis6dio do transito paulistano foi urn ato de irresponsabilidade. Mas ele fez muito mais: mentiu e fraudou deliberadamente. E louvavel que esteja con- fessando esses delitos, mas para mim esse tipo de erro nao tem perdao. Revela um problema de carter e uma lacuna professional que vicia a producio e conta- mina de falhas toda a capacidade de expressio dojomalista. Nao surpreende, assim, que Carelli colida cor a verdade em varios pontos da entrevista. Ele diz que a "escola dejornalismo de Mino Carta, a maior que conheco, 6 inglesa". Se ha alguma escola "minocarteana", porem, ela result de um hibri- dismo italo-americano, sujeita as flutuaoqes um tanto imprevisiveis dessa com- binacqo. Em culinaria, ela equivaleria a uma maravilhosa macarronada italiana coberta de ketchup. Wagner tambem diz que os textos que escreveu depois de 1975 (descritivos, impressionistas, personalizados) eram de um tipo "que nio se praticava no Brasil". Esqueceu que Realidade publicou muitos desses tex- tos entire 1966 e 1969, a meujuizo bem melhores do que os dele. Se o Jornal dos Jornais (titulo extraido de uma coluna de Alberto Di- nes, mas um tanto impr6prio para uma revista) quis, corn a entrevista de Wagner Carelli, mostrar a outros profissionais e estudantes dejomalismo como nao praticar a profissao, acho que conseguira seu objetivo. Se a inten- qdo tiver sido outra,jogou bom papel fora. E, corn o papel, o conceito de um jomalista, construido cor a espuma das noticias. 0 )dente Ronald Reagan na Casa Bran- ca. Campe6o da sedufgo e do gla- mour, ele estava no nivel superior da popularidade. Masfoi metralhado de perguntas, varias das quais agressi- vas, por rep6rteres credenciados na mais poderosa de todas as sedes de powder do mundo. Ndo reagiu cor coi- ce (mesmo sendo um cowboy), nao partiu para o bate-boca, ndo man- dou retirar o reporter inc6modo, nem o descredenciou. Claro: a algumas respostas ndo responded e em rela- (do a outras deixou patente o seu de- sagrado. Masficou ali, sujeito ao ti- roteio, o que constitui um dos ossos de um oficio recheado de fil. A reporter Micheline Ferreira er- rou ao tratar de public oprefeito corn intimidade. Esse tratamento e sempre incorreto. Mas bastava a Edmilson Rodrigues trata-la cerimoniosamente para, por contrast, forca-la a dar- Ihe o respeito que seu cargo impre, gostemos ou ndo dele. E se a sutileza ndo fosse suficiente, o prefeito pode- ra ser mais explicit, sem precisar re- correr d patetica frase da situaado anterior ("eu sou o prefeito e os ou- tros sdo os outros"). 0 erro da reporter entretanto, ndo tornou ilegitimas as suas perguntas, todas pertinentes. Se ndo tivesse for- cas suficientes para controlar seus im- pulsos, virtude que seu cargo tambem Ihe cobra, o prefeito simplesmente poderia dizer que ndo iria responder a essas perguntas, ou ato declard-las impertinentes, como Reagan. Mas o prefeito partiu para a agressdo verbal. Nao ha improprie- dade na expressao: se usar as pala- vras que usou, no tom que adotou, na forma que impos, acuando a jorna- lista, ndo for agressdo verbal, entio eu confesso minha incapacidade de entender o que isso e (principalmente por ter disparado contra a reporter balas na verdade destinadas aos seus patr6es, usando-a por tabela). Fica aos demais leitores o direito defazer seu proprio juizo a respeito. 0 contetido das declaragOes do alcaide tambem e uma agressdo, jd agora d verdade. Se o que ele disse do grupo Liberal e o que realmente pensa (quando gente que ndo pensa costuma falar o que ele disse, e por ser o que de fato pensa), entdo por que deu 100 mil reais para a empresa vender videos comerciais cor lucro dilatado? Por quefaz uma divulga- (do publicitdria massive nos veiculos do grupo? Por que the concede favo- res especiais na quitaCdo de divida? Por quefreqiiente os Maiorana? E evidence que o prefeito de Be- ldm deve evitar uma guerra cor o monopolista das comunicacdes na cidade. Mas, find a campanha elei- toral e iniciada sua gestdo, quando parecia ter deixado de lado o pan- fletarismo eleitoreiro, Edmilsonpro- meteu tratar a corporacdo dos Mai- orana segundo criterios estritamen- te tecnicos, objetivos. E o just e o correto. Mas ndo foi o que fez. A cada contrariedade, deixa escapar os sentiments intimos. Quando con- segue serenar volta a adotar a capa c6moda de maneirismo. A primeira attitude ndo e correta. A segunda ndo e eficiente. Sendo o que ndo e e dizendo o que pensa sem assumi-lo, apenas se enfraquece num confront que e adiado ou ameniza- do pela verba de publicidade. Por isso, o grupo Liberal ignorou o inci- dente, merecedor de um editorial (co- brando, naturalmente, pelo silOncio conveniente. Eo prefeito voltou a agir em desacordo cor o que pensa. Se o Edmilson das horas rotinei- ras ou comuns e verdadeiro, quem e esse desarrazoado batedor de boca que brota na contrariedade? Tudo pela estratdgia? Tudo pelo poder? Os sonhadores do lado de fora do balcdo se tornam os ditadores do lado de dentro sob a promessa de usar o poder para a reform social. Mas quando se empenham na des- truigCo dos que acompanham e cri- ticam seus atos, estdo preparando a cama da tirania, na qual muita boa intengco done, mas nenhuma acorda. Como o leitor, acho Edmilson uma boa pessoa se podemos sentar para uma conversa animada, um passeio descomprometido, se ele podefalar sem contengdo (de tempo e de agenda). Sob este prisma ele e um Fidel Castro sem Sierra Maestra. Tambem acredito que ele assumiu a prefeitura com o melhor dos prop6- sitos, honrado pela oportunidade que a hist6ria (ou a circunstancia his- tdrica, para ser mais exato) lhe pro- porcionou. Concordo que jd fez al- gumas coisas certas. Mas o autorita- rismo, o sectarismo e a presungcdo es- tco lhe cobrando um prego alto, in- clusive pela companhia que passou a atrair e a companhia que passou a afastar (uma pessoa que se olha tan- to ao espelho terry outra companhia que ndo seja o seu reflexo? Como os demais podem ser diferentes de um chefe obsessive e centralizador?). 0 saldo, a meu ver, ainda e posi- tivo, mesmo porque o pano de fundo e trdgico em Belem. Mas ele pode ter perdido o que era o seu maior trunfo e o seu principal compromisso: reali- zar a esperanga de todos nos de, fi- nalmente, terms um grande prefeito na capital dos paraenses. Ele podia ser um Tarso Genro. Mas o perfil que cada vez 1he cabe melhor e o de uma Luiza Fontenele. Infelizmente. 0 a3--1 I I -L- -~CI-I----L~ Um meteoro no jornalismo Luiz Lobo fez a melhor festa para comemorar os 40 anos de nascimento da revista Senhor, a mais vanguardis- ta das publica6oes brasileiras de todos os tempos. Num depoimento primoro- so, com aquele texto simples que s6 os bons escritores conseguem escrever, Lobo prestou um depoimento valioso sobre a revista que ajudou a criar, jun- tamente cor Carlos Seliar, Nahum Si- rotsky e Paulo Francis, em 1959. Diz que aquela maravilhosa revis- ta s6 se tornou possivel porque os do- nos da editor Guanabara/Koogan (ju- deus cosmopolitas, como Nahum) que- riam editar no Brasil a famosa enci- clop6dia Larousse. Para ganhar a con- fianga dos editors franceses, dese- javam apresentar-lhes uma revista capaz de impressiona-los por sua qua- lidade grafica, igual as melhores do mundo. O aspect grafico era o que Ihes interessava: os editors teriam dinheiro e carta branca "para fazer uma boa revista durante um ano". A aventura durou mais tempo, mas nao tanto quanto seria possivel se o interesse lateral dos donos da Guanabara/Koogan ja no tivesse sido atendido. Ao inves de apostar numa publicaqAo que estava fazendo o p6- blico chegar ao seu nivel de qualida- de, sem submet&-lo a Ibopes, IVCs e marketing obtusos, conciliando van- guarda e assimilacao (ja com a incri- vel marca de 45 mil assinantes na pas- sagem da d6cada de 50 para os anos 60), passaram em frente o neg6cio. O bom mecenato no Brasil e aci- dental, diz a moral da historia. Luiz Lobo ainda colaborou cor os novos donos, masja sem entusiasmo. Basta comparar a Senhor das duas fases para entender porque ele nem guar- dou mais as revistas depois que dei- xou sua editoria, abrindo mao de for- mar uma valiosa ediqao complete de uma hist6ria que acabou em 1964, antes que os militares a acabassem (uma sincronizagao que se repetiria quatro anos depois cor Stanislaw Ponte Preta, falecido antes do AI-5). Quem quiser usufruir de um ati- mo do prazer que os leitores originals de Senhor tinham quando recebiam um exemplar quentinho da revista, tern que ler o artigo de Luiz Lobo. E o melhor testemunho ate hoje produzi- do sobre a melhor revista de cultural do Brasil, a epoca como ainda hoje. Minorias Somente no dia 12 do mes passado o Diario Oficial publicou portaria do govemador constituindo um grupo executive "para elaborar o program de trabalho, relative ao ano de 1999, cor vistas a protegao e defesa dos direitos dos indios e negros". A provi- d6ncia foi adotada quase tres meses depois da criacAo do grupo. Ele tem nove integrantes. Nenhum deles & in- dio ou representante direto das assim chamadas comunidades indigenas. Sua voz foi assumida por tres antro- p6logos. Ha mais tres representantes dos negros, dois porta-vozes do Esta- do e um advogado. Espera-se que haja tempo para a elaboraqAo do piano para 1999, antes do ano terminar. E que, quanto aos Estaqao das Docasta um a iOt ano Afastada uma ameaga literalmente marginal (ou sub- \ 6a- i aroiri, yacen e porque o orgamento terranea) de virada do jogo por parte de uma empreiteira, esto~ri de mudrt6 ) 'L, conrEnr, que teve seus interesses contrariados em uma outra oca- siAo e ameavava retaliar nesta, acabou acontecendo o que se esperava: a Marko Engenharia venceu a concorrencia p6blica aberta pela Secretaria de Obras para o "prosse- guimento das obras de reform e construc.o" da Estacao das Docas, no valor de 6,9 milhaes de reais. A licitaqCo pode ter sido absolutamente limpa e correta, vencendo quem apresentou a melhor proposta. Mesmo sem ser exatamente um jogo de cartas marcadas, era, porem, uma dispute de final previsivel em funqio das circunstinci- as. Ninguem, a nao ser que estivesse em condiq6es de pra- ticar umjogo desleal, poderia vencer a empreiteira que tra- balha na obra hi dois anos e, ao menos teoricamente, exe- cutou a maior parte dos servigos. Servigos que seriam dei- xados inacabados subitamente, comprometendo os custos de uma nova empresa (ainda mais se houvesse ma vontade na transmissdo do que foi feito),ja onerada pela montagem de um novo canteiro de obras. Mesmo sem envolver qualquer ilegalidade, essa nova concorrencia era viciada. Exatamente porque a primei- ra concorrencia deveria ter bastado para a realizaqAo integral da obra. Se o valor previsto e as obras compro- metidas n0o fossem suficientes, entretanto, havia o re- curso de aditar o contrato original. Tratando-se de uma reform, o valor inicial poderia ser reajustado em mais 50%. Esse limited maximo foi alcangado. Ainda assim, indios, ou eles sejam incluidos no gru- po, ainda que cor os antrop6logos ao lado (uma extensao da tutela institu- cional sob roupagem academica?), ou seja constituido um outro grupo exe- cutivo para eles. Como de praxe, tudo o que 6 con- siderado residuo no Brasil (social, eco- n6mico ou geogr~fico), ejogado numa vala comum. Tregua Qual empresa paraense poderia come- morar 30 anos de vida cor um portf6- lio de obras, virias delas expressivas, espalhadas por diferentes pontos do pais, como esta fazendo a Estacon? Independentemente de eventual restri- cao que se possa fazer a atuaqao da empresa (eu ja fiz algumas), particu- larmente A sua condigAo de empreitei- ra de obras publicas, o acervo da Esta- con impression e da orgulho. Mesmo quando se question o custo da obra, algo esta fora de dis- cussao: a qualidade do serving. Ja e uma marca que serve para identificar a Estacon e assegurar um lugar na hist6ria do Para ao seu dono, Luffala Bitar, um raro exemplo entire n6s de empresario capaz de conciliar dinhei- ro e cultural, obreirismo e inteligencia, tolerancia e critical. Parabens deste critic a todos os que fazem a Estacon. Eles merecem. A situagao ficou extremamente grave. A Estaqho das Docas, ocupando tres galpaes do porto de Belem, adapta- dos para servir de hipotetica "janela para o rio", foi inicia- da em 1997, cor um orcamento de R$ 6,2 milhoes. Dois anos depois, oficialmente, o custo da obra alcanqou R$ 9,3 milh6es. Como qualquer pessoa podera verificar, ainda falta bastante para a conclusio dos serviqos. Tanto falta que a nova concorr6ncia, que seria para ar- rematar um service inexplicavelmente deixado inacabado, mesmo depois de haver engolido 50% a mais do que Ihe fora destinado (no curto espago de dois anos), comecara num patamar ainda maior: R$ 6,9 milh6es. E como se tudo comeqasse do comeqo, para empregar uma linguagem coe- rente com essa pantomima onerosa ao tesouro, mas inca- paz de sensibilizar a quem de direito e estancar essa sangria desatada de dinheiro public para a realizaqao de caprichos pessoais em uma 6poca terrivel para o sofrido contribuinte. A Estaqao das Docas vai consumer, na melhor das hi- p6teses, R$ 16,2 milhoes. Mas bem que pode chegar a R$ 20 milh6es se houver novos aditamentos ate o limited legal maximo. Esse valor represent mais de um ter9o dos re- cursos pr6prios do Estado comprometidos no program de macrodrenagem das baixadas, o maior em execuqgo em Belem (e em muitos anos). Belem jj tem a sua Maria Antonieta: 6 a Estaqao das Docas. S6 falta a guilhotina. Esperanga Vejo no Diario Oficial que um ex-alu- no, dos mais promissores, esta entire os mais recentemente contratados as- sessores especiais do gabinete do go- verador. Espero que tenha sido indi- cado por seus meritos inegaveis e que esteja 1a para trabalhar. Nao 6 a regra. Mas sempre sobra lugar no coraqao para a esperanqa na excecao. Louvor E provivel que tenha sido mesmo mera coincidencia, mas`.depois das critics aqui feitas as iltimas iniciativas dogru- po Y. Yamada se tomaram louvaveis. Desde a inauguracao da mais luxuosa de suas lojas, a 31 na semana passa- da (algo inimaginavel dois anos atras), ate o patrocinio a 6pera de Carlos Go- mes e a restauraAgo de uma das anti- gas lojas da rua Joao Alfredo (embora a cor nao seja a original). Parte da ofensiva deve ter como motivaqlo as sondagens de ingresso no mercado paraense que o poderoso grupo frances Carrefour esta fazen- do. Mas outra parte pode ter-se inspi- rado numa auto-analise imposta a par- tir de fora, mas conseqitente. De qual- quer maneira, a montage do Yama- da Plaza em poucos meses, cor in- vestimento declarado de quatro milh6es de reais (amealhados intemamente, diz Journal Pessoal Editor: LUcio Flvio Pinto Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br Edig~o de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 a familiar 6 uma faganha que merece ser registrada- e conferida. Qualquer que tenha sido o detonador, a cidade ganhou. Nao so os Yamada. Leitura Escolhida para ser o perfil de 0 Libe- ral da semana passada, uma moga paraense de 14 anos,jA atuando como modelo em SAo Paulo e saindo na capa de revistas, disse: "Gosto mais de re- vistas, mais para ver o que esta acon- tecendo. Gosto de literature, mas s6 quando tenho mais tempo. Nao gosto muito de romance. Sou mais fa de li- vros de hist6ria real, tipo 'Diario de Anne Frank'" (grifei). A moca gosta de verdades, nao de ficqAo. Mas quando 1I uma revista para se informar sobre a hist6ria que ainda esta acontecendo, simplesmen- te ve as fotos, sem ler os textos. De- duz as informaq6es das imagens, como aquele tipo de leitor infantil estudado por Bruno Bettelheim, desligado das palavras impressas no papel por be- las ilustraq6es (tendo, por isso, que imaginar o rico enredo escrito atra- ves de deslumbrantes mas limitadas imagens que o acompanham). Se gostasse mesmo de ficqao, a jovem poderia deixar de lado os ro- mances (o que ja seria de lamentar) para incursionar por poesia ou tea- tro, nao um diario (ainda que pungen- te, como o escrito por outra joverm, judia, num gueto de Amsterdam, ator- mentada pelo nazismo). Mas nAo sabe o que quer. Enio Silveira, dono da Editora Ci- vilizaqio Brasileira (infelizmenteja falecido), fez uma campanha de aler- ta: "Quem nAo 16 mal fala, mal ouve, mal ve". Ngo era uma campanha ori- ginal, mas continue uma advert6ncia irretocavelmente atual e cruel. A bonita moqa a comprovou, sem ter essa intenqgo. li~8l.-a -_ I 7 ' G77--J |
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