Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00165

Full Text

Para

Journal Pessoal "erde
L U C IO F L A V IO PI N TO Ca' a x* : ^?..
Carpeaux*
ANO XII *N 216 1' QUINZENA DEAGOSTODE 1999 R$ 2,00 ROSSO guru
(PAG. 44 )
POLITICAL


0 alcaide rugiu

Irritado comperguntas inc6modas, oprefeito Edmilson Rodrigues agrediu
verbalmente a reporter Micheline Ferreira, de 0 Liberal, na semanapassada. Mas
a grande imprensa nao fez qualquer registry do incidente,-gembora ele express
o estado politico do Pard. Talvez esperando
depois apresentar a conta do". ". I\
silencio. MR \


O didlogo travado na semana
passada entire a jornalista
Micheline Ferreira, 26 anos,
reporter dojomal OLiberal,
e o prefeito de Belem, Ed-
milson Rodrigues, do PT, e um autentico
retrato de epoca. Expressa o estado das
relac6es entire o poder politico e a imprensa
no Pard, o inimo dos poderosos quando
confrontados por jornalistas corn temas
considerados inc6modos. Esses temas fo-


ram expurgados da pauta de negociagdo
cor as empresas. Os itens ligados a in-
formaaio foram crescentemente substitu-
idos pela anotaq~o dos cifr6es. As entre-
vistas coletivas se reduziram a 6ditos pro-
nunciados como anatemas do trono da
onisciencia. O contracanto foi abolido. As
pautas sao o enredo da subserviencia.
O dialogo abaixo transcrito deu-se
em um dos sales do Hotel Sagres,
transformado em QG para os dois dias


de permanencia em Bel6m (19 e 20)
do president de honra do PT, Luis
Inacio Lula da Silva. Oficialmente, a
visit devia-se a uma palestra que Lula
pronunciaria no encontro national dos
estudantes de direito, o Ened, em rea-
lizagao no campus da Universidade
Federal do Para.
Mas, nos bastidores, havia uma in-
tensa agita.ao em torno da aguda dis-
sidencia que se formou entire os petis-)


768


IL- .-. IQ7 1L. U UL7,i .,) ;),






2 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE AGOSTO / 1999


)tas por causa da eleicgo municipal do
pr6ximo ano. As duas vertentes princi-
pais, formadas em tomo do prefeito Ed-
milson Rodrigues e de sua (sua?) vice,
Ana Jilia Carepa, tentavam capitalizar
a presence de Lula e usa-la como arma
contra os rivals. Edmilson quer a ree-
lei9ao de qualquer maneira. Ana Julia
nao pretend ficar ao sereno por dois
anos, at6 2002, quando havera eleic6es
gerais, nem aceita a migalha de um
mandate de vereador ou um novo car-
go de confianqa (que esfumou-se) na
prefeitura de Bel6m.
Mas tudo isso teria que ficar intra-
muros, como se os arraiais partidarios
fossem um convento de isolamento ve-
dado a estranhos, e o ritual official das
simulaoqes nao devesse ser perturbado
pelos fatos da realidade. Algo muito co-
mum, mas sempre execravel, nos regi-
mes de partido inico e na falsa demo-
cracia dos militares p6s-64, contra a
qual o PT surgiu e para a qual seria
um sucedineo, verdadeiro quando na
oposicdo, temerario quando no poder.
O dialogo, que nenhum 6rgao da im-
prensa escrita de Bel6m noticiou, nem
mesmo O Liberal, foi o seguinte:
Micheline Ferreira Como esta sua
relagao cor a vice-prefeita Ana Juilia Ca-
repa? As diverg6ncias j foram superadas?
Edmilson Rodrigues Nunca es-
teve tao bem. Minha relacgo cor a Ana
6 de duas d6cadas de amizade e respei-
to, carinho, companheirismo. Diferen-
gas existem e gracas a Marx, Deus, ao
socialismo, gracas ao comunismo, a luta
e ao sonho.
Micheline Essas diferengas foram
superadas?
Edmilson Ao contrario. O dia
em que nao tiver mais diferenga eu vou
dizer: viva a diferenga! Criemos dife-
renca! Porque, olha, o socialismo que
n6s professamos 6 o socialismo que
nao precisa de adjetivacao. E o socia-
lismo democritico, porque 6 o socia-
lismo que n6s sonhamos, lutamos e
construimos, e corn o governor popu-
lar damos a sinalizadao de que ele 6
possivel como mudanca estrutural da
sociedade. No Brasil e no mundo, esse
socialismo se baseia, exatamente, na
ess6ncia da democracia, que 6 exata-
mente o direito de pensar, de se orga-
nizar e agir a partir das diferengas.
Entao, o principio do pluralismo 6 um
principio totalmente enraizado na con-
cepcao do mundo que...
Micheline Mas o Raul Meireles e
o Paulo Gaya, por causa dessas dife-
rencas, estao sendo enquadrados na co-
missao de etica...
Edmilson Nao tenho nenhuma
responsabilidade nisso. Isso 6 pergun-


ta para os dirigentes do I
base do PT. Eu tamb6m s
nem do diret6rio estadual
nicipal. Qualquer decisao
nao tem interferhncia mi
pergunta para o diret6rio.
Micheline- Mas como
tido, nao?
Edmilson Nao sou 1
Micheline Tu nao t
uma lideranca?
Edmilson Eu sou
uma lideranga, social e
political, militant e fun-
dador do PT. Ai nesta
condigAo eu tenho hoje
a tarefa de governor Be-
16m, e estou fazendo
muito bem, e todo mundo
senso sabe, apesar das tenta
doras de algumas families c
monopolistas, apesar da teni
dora das forgas da elite, ret
sos, apesar da political neolil
recursos, atrav6s do Funde:
FEF, ICMS reduzido na qi
Bel6m, apesar de tudo isso
nhos dos belenenses, dos
voc6s, dos mais idosos, t
vam cor o buraco da Palm
to esta pronto, vamos faze
cor a Primeiro de Dezem
obra, ji; sonhavam corn u
coisas que hoje estao send
como dois pronto-socorros
ja existia d6cadas e d6cada
mais dois.
Micheline-Mas, respond
sa das diferengas os vereado
do enquadrados na comissa
Edmilson Isso eu n
porque eu nao sei de nada
que o PT, atrav6s de seu D
nicipal, esta perseguindo i
algu6m. Voc6 que esta afi
Micheline Eu s6 esto
que, por causes de difereng
b6m fundadores do PT est
quadrados na comissao de
Edmilson Ai eu nao
[convir?] cor a mentira. \
culpe. Ai eu nao vou coni
a mentira. Sinceramente,
jornalismo, ai voc6 esta di
senhor" a linha mentiros
gao. Ai nao da.
Micheline Nao pode
o meu trabalho cor a lin.
em que eu trabalho. Eu so
e estou fazendo o men tral
Edmilson Mas com n
Quer respeito, eu respeito.
Micheline Mas onde
nisso?
Edmilson O seu 6rg
gao mentiroso


'T. O Lula 6 Micheline-Masnaopodesconfundir...
ou. Nao sou (Nesse moment, Aldenor Junior,
nem do mu- chefe de gabinete do prefeito e um dos
Sde diret6rio piv6s do atrito com Ana Julia, se apro-
nha. Ai voc6 ximou da reporter para dizer que a en-
trevista estava encerrada, enquanto a
lider do par- deputada estadual Araceli Lemos, a as-
sessora Regina Cruz e outros petistas
ider do PT! procuravam afastar Edmilson de perto
e considers de Micheline. A reporter ainda Ihe dis-
se: "quem sabe a hora de encerrar a
entrevista o jornalista e o en-
trevistado". E foi atras dele. Ar-
S gumentou que ele tinha, sim, in-
flurncia na decisdo do diret6rio,
Si que estava chamando Raul Mei-
-reles e Paulo Gaya para um in-
querito.).
que ter bom Edmilson Eu nao sou dirigente do
tivas destrui- diret6rio, Micheline. Assim, eu tenho
)ligarquicas e o direito de dizer que voc6 6 responsa-
tativa destrui- vel pelas mentiras do seu 6rgao, e voc6
irando recur- vai me dizer: eu soujornalista! Ou voc6
beral, que tira 6 dirigente do grupo Liberal? Ou voc6
f, Lei Kandir, determine a linha editorial?
uota-parte de Micheline A minha posigao 6 bem
, todos os so- diferente da tua, nao queira comparar...
sonhos como Edmilson Se eu falar que voc6
odos. Sonha- pensa como a familiar Maiorana, como
.eira, o proje- o Leal, como essa turma da elite, como
;r; sonhavam os articulistas permanentes da ditadura
ibro, esta em military, que sustentam a linha editorial
na porao de do journal, eu vou estar mentindo. Eu
!o realizadas, fiz isso como provocacgo porque voc6
alem do que 6 umajornalista, uma empregada...
is. Vamos ter Micheline Exatamente, nao sou
prefeita...
de... Porcau- Edmilson -... explorada, infeliz-
res esto sen- mente ter um sindicato que nio con-
o de 6tica? segue fazer uma greve poderosa para
ao respond cobrar seus direitos.
. Ai voc6 diz Micheline Exatamente. Agora,
iret6rio Mu- querer comparar tua situaqao cor a mi-
njustamente nha e outra hist6ria.
rmando. Edmilson Nao ter comparacao!
iu afirmando Micheline Pois 6, tu 6s lider do
as, dois tam- teu partido e eu sou empregada do meu
ao sendo en- journal, nao pass por cima de ningu6m,
etica. nem me vingo de ninguem.
vou conivir Edmilson Ela esta dizendo sim,
Voc6 me des- senhor a linha editorial do journal, mas
vir [sic] cor eu nio conivo cor mentira.
ai ja nao 6 Micheline A verdade, Edmilson,
zendo "sim, 6 que tu nao gostas de ser enfrentado,
a do seu dr- nao gostas de ser imprensado na pare-
de e eu nao vou me calar.
es confundir (Pano rdipido. Fim da conversa.)
ha do journal Perguntar nao ofende, diz um velho bro-
)u jornalista cado popular. Pode-se fazer alguma restri-
balho. cao a forma de tratamento dajomalista, seu
lentira, nao. inadequado tutear corn o entrevistado em um
ato ptiblico exigindo formalismo, distancia-
tem mentira mento. Mas todas as perguntas que ela fez
expressavamjomalisticamente temas de in-
5o 6 um 6r- teresse legitimo da opinion puiblica. A autori-
dade que desfruta de mordomias oficiais, de






JOURNAL PESSOAL P1 QUINZENA DE AGOSTO / 1999 3


privil6gios inerentes ao cargo, do poder san-
cionado e legitimado, paga o 6nus da funcao
quando ouve corn resignac*o e responded corn
aplicaqao. E sua obrigagco.
Ao inv6s disso, o alcaide gritou com a
jomalista. Mais nao fez porque havia a tur-
ma do deixa-pra-l ias proximidades. Nio s6
trovejou sua fiiria: fez acusao6es graves. Ele
estaria confortdvel nas critics ao mau uso
dojomalismo praticado pela familiar Maiora-
na se nio alimentasse de abundante publici-
dade official as burras do grupo Liberal, forta-
lecendo o monop6lio que agora volta a de-
nunciar. At6 o confront com a reporter, nao
havia nenhum indicador objetivo da insatis-
fagao do prefeito com os veiculos do mono-
p6lio jomalistico, embora ji nao Ihe faltas-
sem motives, como nos velhos tempos, quan-
do tentou ser independent e at& ameagou a
familiar num comicio montado bem em fren-
te a sede do jomal, nos funds do Bosque
Rodrigues Alves.
Em fungio de algum atraso no pagamen-
to ou escassez na veiculaaoo da propaganda,
a boa-vontade dos Maiorana foi se tomando
minuscula ate ser substituida por ferroadas
de aviso. Mas Elmilson Rodrigues nio man-
dou para o jomal nenhuma carta, nao fez
qualquer declaragto, nio emitiu uma unica
nota official a respeito. S6 agora a contrarie-
dade faz sua cascateante ret6rica transbordar
para as acusa6es frontais. Elas nao deixam
de ser verdadeiras, s6 nao sdo legitimas. Pois
o cidadio que se diz injustigado 6 o mesmo
que ajudou a solidificar as fontes de uma in-
justiga generalizada, trocando uma cobertura
viciada por propaganda dissociada de seu
autintico sentido public.
A promiscuidade, no entanto, nio e s6
do potentado com a corporacto: espalha-se
como virus solerte pelos profissionais da im-
prensa. Varios rep6rteres de O Liberal tra-
balham na Comus, a assessoria de comuni-
caq~o social da prefeitura. Nessa Comus hd
profissionais que acumulam dois empregos


A abertura das propostas da segun-
da concorrencia ptblica para a conti-
nuaq9o das obras da Estaq~o das Do-
cas, marcada para o 61timo dia 26, s6
sera retomada no dia 5. A justificati\a
official foi de que a documentacqo apre-
sentada estava inconpleta, mas tudo in-
dica que a suspensdo do ato foi neces-
saria em funqao das mudangas de ulti-
ma hora que a Secretaria de Obras pre-
cisou fazer, impulsionada pelo Tribunal
de Contas do Estado.
As alteraqoes s6 foram divulgadas na
edigio do Diirio Oficial do dia 23, ultimo
dia ttil antes da data estabelecida para a
abertura das propostas das empresas inte-
ressadas na realizadio das obras. Elas de-
vem movimentar mais sete milh6es de re-
ais (alem dos R$ 9,3 milh6es que o proje-
to do arquiteto Paulo Chaves Femandes
jA custou aos cofres p6blicos). Apesar de
o aviso da Seob garantir que as modifica-
96es nao haviam alterado "planilhas de
quanttiti os e servios", dispensando una
reabertura de prazo, nao houve urn inter-
valo rasoavel entire a divulgaco das no-


publicos, comparecendo a apenas um, em-
bora continuando a receber salaries de am-
bos (e, as vezes, nem comparecendo a um
dos empregos para buscar o contra-cheque,
levado ao outro emprego). A assessoria de
imprensa da Cimara Municipal esta superlo-
tada, mas alguns tem ali um comparecimen-
to mete6rico, quando nao de absolute OVNI.
Tais faltas nio sto perdoadas ou simples-
mente ignoradas gratuitamente. Ha uma re-


SRequentada De tanto insistir num apart que nio lhe era
dado, no plendrio da Cimara Federal, Carlos
Lacerda foi tratado como purgante pela deputada que, final, teve que
ceder-lhe a palavra. "E vossa excel6ncia & o resultado", vingou-se o
eletrico corvo da political brasileira.
Cabe uma analogia corn Bundas, o Pasquim II (a reencarnaqo) de Jaguar
& Ziraldo. A revista tamb6m e o resultado de seu titulo quando em atividade
fisiol6gica. Sempre 6 bom ler o que vdrios de seus excelentes colaboradores
escrevem, principalmente agora, em safra de magras vacas novas. Mas a linha
editorial da revista perdeu o ponto, nao existe.
E louvdvel que intelectuais hd muito na estrada ainda tenham disposigio para
as caminhadas. A trilha, por6m, nio leva a novidade alguma. Quando o deja-vu
for mais forte, nem Mill6r ou Luis Femando Verissimo conseguirio segurar a
preferencia dos leitores. A nio ser que um editor m ais arejado e perspicaz
assumir a empreitada, dando-lhe um norte.
Alids, Ziraldo estd cheio de funds para projetos editorials (a Palavra, al6m


vas condiqces e a data antes definida para
a abertura das propostas. E possikel que,
tambem por isso, o prazo acabou sendo
dilatado.
Nlas ser o suficiente para expurgarde
falhas a primeira concornncia public aber-
La pela Seob nesie ano? Uma fonte da se-
cretaria garantiu que as alleraq6es visaram
apenas colocar no texto do edital normas
queja constam da legislaqco pertinence,
ao inves de deixa-las implicitas. Nada de
esenscial teria sido atingido. Seria mais para
orientar o fururo contrato corn o \ereador
da licitaqo do que mudar o contrato. NMas
uma leitura da errata publicada no DO in-
dica uma preocupaqfo corn eventuais res-
triq6es a respeito da lisura do procedimen-
to. Estejomal, em suas duas ultimas edi-
C6es (verJP 214 e 215) levantou di ersas
quest6es, que necessanamente precisan-
am ser suscitadas num exame objcti% o da
iniciariva do govemo.
Espera-se que, final, alguma pro iden-
cia esteja sendo adotada para acabar com a
orgia de dinheiro ptiblico a pretexto de abrir
uma "janela para o rio" em Belem. *


la~io de troca que acaba desnaturando o sen-
tido da atividadejomalistica. Nessejogo de
acomoda6es, todos os principios, dos eticos
aos tecnicos, vAo pelo ralo da inconsciencia.
Nao espanta que o poderoso grupo Liberal
tenha sabido do atrito Edmilson-Ana Julia
atraves de terceiros e nio por um dos inte-
grantes da legido de funcionarios acantona-
dos na curul municipal (curul mesmo). Sen-
tando-se nesses tronos dourados, osjomalis-
tas deixam de serjomalistas para se reduzir a
chapas brancas.
Por tudo isso (e muito mais), o patetico
confront do alcaide do burgo belenense pas-
sou em brancas nuvens pela supostamente
ultrajada imprensa. Como na alcat6ia dos lo-
bos, os patroes podem estar a espera de tro-
car a gentileza por mais verbas publicitarias
municipals. Enquanto nio se ouve um s6 la-
tido, capaz de restabelecer a dial6tica demo-
cratica dos conflitos, a caravana da hist6ria
passa em march batida.
Razio tinha o grandejomalista america-
no Jack Anderson quando pediu: "A mdqui-
na da democracia nunca deve funcionar de
modo t~o suave e silencioso que venha a aba-
far o zumbido da oposicto. Deve haver pelo
menos alguns dentes que arranhem contra as
gigantescas engrenagens do Govemo". No
Para, Anderson passaria por maluco. Ou es-
taria desempregado. 0


Estagao das Docas:

uma ultima forma?






4 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE AGOSTO / 1999





Carpeaux; o present



Involuntario de Hitler


Adolf Hitler fez muito mal a humanida-
de. Sem querer, por6m, prestou um grande
servigo a cultural brasileira. Se o nazismo nao
tivesse tomado conta da Alemanha e se es-
praiado pela Europa, dificilmente Otto Maria
Karpfen teria abandonado a sua Austria na-
tal. O hitlerismo o obrigou a fugir as pressas
para o Brasil, um pais que mal conhecia, com
uma lingua nao incluida entire as suas habili-
dades de poliglota. Veio a se tornar Otto Ma-
ria Carpeaux, afrancesando o ultimo nome para
melhor se adaptar a matriz da cultural brasilei-
ra de entao, um dos homes mais sdbios que
este pais ja teve o privil6gio de abrigar, res-
ponsivel pelo alargamento das fronteiras do
nosso conhecimento.
A data 6 excepcional para a empreitada
que a Top Book iniciou no mrs passado: o
primeiro volume das obras completes de
Otto Maria Carpeaux foi langado exatamen-
te quando sua chegada ao Brasil complete
60 anos, ele com maduros 39, em 1939. O
primeiro de sete ou oito tomos programa-
dos, Ensaios Reunidos (1942-1978), ja e,
por si, a maior realizacao editorial deste
final de s6culo. Se a editor completar o
projeto integral, garantira um lugar especi-
al na hist6ria cultural brasileira.
Isso, a despeito de algumas restrig6es
que se pode fazer a iniciativa. Em primeiro
lugar, quanto ao preco. O primeiro volume
custa 75 reais. Nao 6 um preqo exagerada-
mente alto para as 928 paginas do livro, mas
6 caro, inacessivel aos brasileiros que me-
thor se alfabetizariam lendo os artigos de
Carpeaux sobre literature, verdadeiros en-
saios em tamanho reduzido, cor id6ias con-
centradas, estimulantes.
A Top Books nao 6 das editors baratei-
ras, muito pelo contrArio. Reduzir os custos
nesse caso, entretanto, s6 seria viavel com a
participacgo do governor ou de instituiqfes
privadas. Essa inclusao era indispensivel.
Nao sei se a editor tentou-a e nao encon-
trou receptividade, ou se sequer procurou o
co-patrocinio. O governor federal, tendo
como president e ministry da cultural dois
autenticos intelectuais (independentemente
do que achemos de seus trabalhos), nao po-
deria ficar a margem de um acontecimento
tao relevant como esse. E personalidades
ligadas ao livro, como o empresario Jose
Mindlin, deveriam ter-se associado a aven-
tura (que e, acima de tudo, ventura).
S6 assim a ediqAo de todo Carpeaux po-
deria ser considerada uma obra complete, ao
alcance pelo menos do public universitario.
O primeiro volume deveria ser introdut6rio,
reunindo artigos, depoimentos, biografia, bi-
bliografia e iconografia, nao na forma acanha-
da que a Top Books adotou (cor o inconve-
niente de delegar a principal tarefa de apre-
sentaggo a Olavo Carvalho, inadequado para


o melhor desempenho da missao, embora
tente, a sua maneira, ser uma conjuminaqao
de Carpeaux e Paulo Francis).
Seria a maneira de reconhecer e agradecer
pelo privil6gio de terms sido a patria de ado-
qgo (por livre escolha) de Otto Maria Car-
peaux. Com cinco anos no Brasil, ele decidiu
se naturalizar brasileiro. Cor tres anos aqui,
langou logo dois livros em portugu6s. Seis
meses no pais e j falava a lingua dos nacio-
nais. Um ano depois, escrevia bem melhor do
que a maioria dos seus colegas de redaqCo
(pude ter contato cor ele no crepisculo do
Correio da Manha, quando Francis editava
o saudavel e saudoso Quarto Caderno).
Todos os seus livros, alem de deixar a
mostra sua intelig6ncia privilegiada, eram
exemplos de um control absolute da
lingua, uma licao para brasileiros
que, apesar de consagrados, ja-
mais conciliaram o estilo com
a clareza, a fluencia, a criativi-
dade e a correCgo. Todas essas
caracteristicas estavam presents
nos textos de Carpeaux, escreves-
se ele sobre musica (sua hist6ria da musica
ainda 6 a melhor de que dispomos), est6tica,
filosofia, literature, hist6ria ou political.
Qualquer pais atestaria maturidade inte-
lectual ao apresentar ao mundo, na lingua
national, uma obra como Hist6ria da Lite-
ratura Ocidental, algo como duas mil pa-
ginas em duas unicas ediq6es publicadas ate
agora (Editora 0 Cruzeiro e Alhambra).
Analisando esse e outros livros de Car-
peaux, determinados critics optam por
destacar alguns juizos equivocados ou te-
merarios expostos e defendidos por ele.
Considerando-se a amplitude tematica e sua
prolifica produgao, de espantar mesmo 6
que tenha cometido tao poucos erros.
Desses erros, porem, nenhum prejuizo re-
sulta para o que foi o mais impressionante em
Carpeaux: sua capacidade de ser denso e sin-
tetico sem perder em elegincia e humor, refi-
namento e sabedoria, divulgando sem vulga-
rizar. Ele foi um raro erudito que escreveu
claro, sem renunciar A integridade do seu co-
nhecimento, para ser entendido por todos,
nao s6 por seus pares. Um aluno de jornalis-
mo aprenderd mais sobre lides (a abertura
de um texto) lendo Carpeaux do que tentan-
do se apossar de t6cnicas contidas em ma-
nuais. E essa seria a menor das liq6es a apren-
der na leitura de qualquer artigo dele publi-
cado em journal.
Eis a essencia do ser Carpeaux: ele foi,
acima de tudo, um jornalista. Observa-se na
restriago de certos critics um azedume
academico, que, nos Estados Unidos, s6 foi
parcialmente superado em relagao a outro
grande jornalista, I. F. Stone, quando a mo-
numental Histdria ndo-convencional do


nosso tempo deixou as pdginas do pequeno
L. F Stone's Weekly e tomou o format do
livro. Os acad6micos deram entao o brago
a torcer: havia mesmo um esforqo analiti-
co e interpretative naquele material jorna-
listico disperse, uma complete weltans-
chaaung. Muitos autores universitarios se
escoravam nas mat6rias rigorosas e profun-
das de Stone sem cita-lo na bibliografia, por
mau carter ou preconceito. Com os seis
volumes da Hist6ria, o anonimato da fonte
deixou de ser possivel.
Por ser jornalista, assumindo (e exaltan-
do) essa condigao, quando tinha condigqes
de se apresentar de outra maneira, Carpeaux
seria um autor menor, um mero divulgador,
um intermediario entire as massas (condena-
das a ser ignaras na essEncia) e os ver-
I dadeiros intelectuais, artists ou es-
critores. Ele jamais incorporou a
bitola formalista dos academi-
cos, com notas de p6 de pagina,
bibliografias enquadradas nos c6-
digos e fraseologia empolada. Es-
crevia corn clareza porque era cor
clareza que pensava. Mesmo quando devas-
sava terrenos pantanosos ou erraticos.
Transitava entire a biografia e a obra do
autor analisado porque dominava ambas e
tinha o senso de equilibrio entire o mundo
das id6ias e a realidade, entire o ser e o fa-
zer, sem a relagao mecanica dos ortodoxos
de esquerda, nem os preconceitos dos pen-
sadores elitistas. Teve, para n6s, a impor-
tancia de um Isaiah Berlin ou um Bertrand
Russell para a cultural europ6ia deste s6cu-
lo, ou de Henry Mencken e Edmund Wil-
son para os Estados Unidos. O tragico e nao
terms consciencia desse papel, de que s6
um grupo de iniciados desfruta.
Infelizmente, continuara a ser assim em
fun9ao de continuarem a ser elitizadas as ten-
tativas de restabelecer a ponte de contato do
public corn Otto Maria Carpeaux, mesmo
quando dignas de elogio, como a que a Top
Books comegou a fazer. Fosse de outra ma-
neira, nosso vienense adotivo, que veio ao
mundo cor o s6culo XX, bem no olho do
furacao entao em atividade, nao teria chega-
do ao fim da vida c6ptico, semn perder a vonta-
de de fazer, mas com a nitida percepdao de
que um novo mundo, nao mais o de suas ori-
gens, em torno do faustoso imperio austro-
h6ngaro, tamb6m estava desmoronando.
Homem de utopias, mesmo as incorreta-
mente concebidas ou interpretadas, Carpeaux
continue a ser uma utopia no pais adotivo,
um pais tao paradoxal que um intellectual, ao
chegar ao poder maximo, trai suas origens
quando se trata de pensar e renuncia a ser
intellectual, quando se trata de agir. Como di-
ria Guimaraes Rosa, numa das tangentes do
redemoinho: nao se avexe, isto 6 Brasil. *






JOURNAL PESSOAL I QUINZENA DE AGOSTO / 1999 5


Para:

comercio

exterior biruta

O Pard fechou o quadrimestre do ano
como o s6timo maior exportador do Brasil.
O Estado vendeu para o exterior 621 milhoes
de d6lares, em terms absolutos um valor
muito menor do que o faturamento do primei-
ro Estado exportador, Sao Paulo, que comer-
cializou com o mercado interacional US$
4,9 bilh6es. Mas Sao Paulo importou quase
US$ 7 bilhoes, colocando esse Estado como
o maior Estado deficitario (US$ 2 bilh6es
negatives) da federaqco.
O Para apareceu no quadrimestre como o
segundo Estado em saldo da balanca comerci-
al, com US$ 568 milhoes desuperavit, abaixo
apenas de Minas Gerais (corn um bilhAo de
d6lares positives nas suas reladqes de troca).
Comemorou-se o que foi apresentado como
faqanha. Mas nao e bem assim. Esse saldo s6
esta sendo conseguido porque o emagrecimen-
to das importag6es paraenses supera a perda
relative de peso dos seus produtos de expor-
tacgo. Assim, os ganhos de divisas s6 interes-
sam para a regulaqgo do desequilibrio provo-
cado pelos Estados com atividade econ6mica
mais intense. E que, por isso mesmo, alem de
poder estar importando superfluamente, vao
buscar tambem no exterior maquinas e equipa-
mentos para promover seu desenvolvimento.
No Pard, segundo os indicadores econ6-
micos, isso nao esta ocorrendo: alem de fun-
cionar no sentido da concentragao em encla-
ves do extrativismo minero-metalurgico, res-
ponsavel por quase 80% das exportaq6es, o
Estado nao esta crescendo, a ponto de impor-
tar cada vez menos. A partir de um certo ni-
vel, essa retracgo deixa de ser instrument na
busca de uma saudavel balanca commercial para
atestar a contracgo da atividade produtiva.
Muito ruim para um Estado que ter na pres-
sdo migrat6ria um component demografico
externo (ou ex6geno) que esfrangalha os efei-
tos positives dos investimentos.
A perspective nao e boa. *



The Lady one

No nosso ponto na praia de Copacabana, na-
quela segunda metade dos anos 60, um dos mo-
tivos para brigas sem fun derivava da pergunta
que sistematicamente algum dos convivas da
areia se lembrava de fazer: quem era a maior das
grandes cantoras americanas? As preferencias
se dividiam entire Ella Fitzgerald e Sarah Vau-
ghan. Mas aos poucos foram crescendo as op-
q6es por Billie Holiday. Desenturmei-me antes
que Lady Day pudesse chegar ao primeiro lugar,
entire tantas vozes estrelares que ocuparam o ceu
brilhante da mfisica popular americana. Mas e
provdvel que tenha chegado 1i.
Mordvamos em apartamentos. FreqfientA-
vamos boates. Liamos muitos livros. Ouvia-
mos muita musica. Gostavamos de conversar


O medico Almir Gabriel criou con-
ceito como "arrumador da casa". Imp6s
boa ordem administrative no Hospital
Barros Barreto, na Secretaria de Saude
do Estado e na prefeitura de Belem, os
cargos ptblicos que ocupou no poder
executive antes de chegar ao governor.
Essa qualidade ninguem Ihe pode negar.
Mas seu descortino 6 limitado. O
governador nao ter propriamente uma
noqgo operacional de planejamento,
nao e capaz de ver a long prazo. Sua
"mesinha" gerencial e varejista. 0 mais
recent exemplo nesse sentido e a cri-
agao das sete secretaries especiais
como vertice da reform administrati-
va extraida a forceps, como se regra, da
Assembleia Legislativa.
Erros primarios foram cometidos na
estruturaqdo dessas secretaries, sanados
pelo rolo compressor da bancada situa-
cionista contra as objec6es do PT. Mas
ainda hoje 6 dificil vislumbrar, com a
maior das boas vontades, o sentido pri-
tico ou a inovaqao qualitativa dessas su-
per-secretarias. Persistem levitando no
organograma, talvez corn uma finalida-
de: favorecer o centralismo de mando.
O governador passou a ter uma guard
pretoriana de primeira linha.
A pr6pria instalagao das secretaries
revela a improvisaqgo que as gerou. Ini-
cialmente, elas seriam instaladas na sede
da Sectam (Secretaria de Ciencia, Tec-
nologia e Meio Ambiente), nas inflaci-
onadas acomodaqces adquiridas a Com-
panhia Vale do Rio Doce. Mas uma nova
mudanqa da Sectam acarretaria inume-
ros problems e desafios, inclusive dei-
xando mal a administration estadual di-
ante dos parceiros alemdes, que finan-
ciaram a compra de alguns dos sofisti-
ficados equipamentos de monitoramen-
to de imagens de satelite (atividade a ser


baixinho. Angdistias, mist6rios, dores e me-
dos nao nos assustavam, nem nos eram estra-
nhas. O humor nos poupava de baixar ao sub-
solo do niilismo. Queriamos, portanto, um
equilibrio precario.
Billie Holliday se ajustava a essa media.
Embarcavamos em seu lamento para percor-
rer as estac6es da alma humana de gueto, o
dela sofrido, o nosso solidario, mesmo quan-
do distant. Era a voz que nao tinhamos, em-
bora parecesse que a dela nao estava tao dis-
tante da nossa. Cantava como se chorasse, sem
chorar, descrevendo o lamento, sem lamen-
tar. Nada igual, mas tudo a ver corn nossa pre-
ferencia por Maisa, Dolores Duran, Nora Ney,
Silvinha Telles, Nara Leao (a maior voz brasi-


suspense at6 ser efetivada a transferen-
cia). Afinal, o governador se convenceu
a deixar a secretaria onde ela estava.
O sitio posto na mira passou a ser a
sede do recem-assassinado Idesp (Ins-
tituto do Desenvolvimento Econ6mico
e Social do Para). Obras foram inicia-
das as pressas, cor desatencgo ao rigor
orgamentario, obrigando o gestor a re-
correr aos ja famosos aditamentos de
valor e a dispensa de licitagao para a con-
tinuaqdo dos serviqos. Um detalhe in-
significante em outras circunstincias -
nao foi devidamente observado: um es-
tacionamento adequado para tender ao
movimento que o quartel-general con-
junto das sete super-secretarias atraira.
O antigo estacionamento do Idesp
e modesto demais. Uma entrada impro-
visada pela avenida Governador Jose
Malcher tambem nao parece alternati-
va satisfat6ria. O terreno vizinho (in-
crivelmente baldio ha tantos anos, num
constrangedor pessimo exemplo) seria
a melhor soluqgo, mas a dona, a Caixa
Econ6mica Federal, nao quer arrenda-
lo. A venda e o inico neg6cio que Ihe
interessa.
Mas ai o valor da transagAo passaria
a ser excessive, como, de resto, o pr6-
prio tamanho da area, para os fins per-
seguidos (literalmente). Um estaciona-
mento daquela amplitude, em area no-
bre da cidade, como a avenida Nazare,
nao deixaria de ser mau (e caro) exem-
plo. Nao s6 para ocupagao fisica de area,
alias: como modo de administrar a coi-
sa plblica tamb6m.
A unica vantage de tudo isso para
os tucanos seria despejar uma pi de cal
sobre os ossos descarnados do liquida-
do Idesp, acabando-se com sua hist6ria
como os romanos fizeram cor a dos
cartagineses do grande Anibal.


leira 6 a de Elizete Cardoso, mas sua incultu-
ra a castigava cor repert6rios sofriveis; pou-
cos foram seus convivas criativos, como Les-
ter Young foi para Billie).
Faz agora 40 anos que Lay Day morreu.
Viveu pouco, s6 44 anos. Viveu mal. Bebada,
drogada, espancada e explorada boa parte do
tempo e negra, sensual, escrachada, como
se diria agora. Essa vida ela incorporou ao seu
modo inico de cantar, marca inconfundivel
para quem, ouvindo-a uma vez, vai ouvir para
sempre, ate o ldtimo de seus dias, The man I
love, My man ou God bless the child. E vai
ama-la como, infelizmente, muitos milhares,
jA ao primeiro contato, jamais deixaram de
ama-la, tao long, tao intangiveis. 0


Um exemplo


de administragao


rrr r I rrrr Ir I L






6 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE AGOSTO / 1999


interesse public *
O extrato de termo aditivo do Detran, pu-
blicado no Didrio Oficial do dia 14 dejulho (pagi-
na 3 do 2- caderno), bem que poderia servir de
modelo para os demais 6rgaos da administraqao
public. Para ser perfeito, s6 faltou dar a data com-
pleta (dia, mrs, ano) do contrato original. O Tri-
bunal de Contas do Estado, alias, poderia fazer
inspeq es extraordinarias naqueles 6rgaos publi-
cos que estAo sistematicamente mandando para o
DO extratos em desacordo corn o modelo esta-
belecido pelo pr6prio TCE, omitindo informa6es
relevantes. Uma agqo preventive sempre tern va-
lor pedag6gico.
Agora na ferradura. A Secretaria de
Obras, no 10 termo aditivo ao contrato (de
1997) para a construgdo da sede do Detran (que
nascera superdimensionada), deixou de apre-
sentar o conteudo de sete deles, indicados ape-
nas pela data de assinatura. A obra, contrata-
da por R$ 3,9 milhoes, jd estd em quase R$ 4,5
milhies. 0 tiltimo aditivo paraprorrgai; mais
uma vez, o prazo de entrega da obra, na aveni-
da Augusto Montenegro.
No DO do dia 14 de julho a Secretaria de
Educacao publicou o extrato de um contrato
assinado cor a Graficerta, no valor de 124,7
mil reals, para a confecqto de varios tipos de
impresses escolares. Como houve dispensa de
licitaio, seria convenient, nesse caso, que o
extrato sempre trouxesse a justificativa apre-
sentada para nao ser feita concorrencia pibli-
ca. Certamente no ato da dispensa, que e uma
etapa preliminary, essa justificaqio foi apresen-
tada, mas 6 do interesse public que na assi-
natura do contrato seja renovada a informa-
lio, mesmo para facilitar o acompanhamento
do process e a elucidacio de duvidas que po-
dem aparecer, como agora.
Uma hip6tese admissivel para a dispensa
So valor da aquisicio. No entanto, no mesmo
DO, a Seduc fez tomada de preco para con-
tratar uma outra grfaica, a Perp6tuo Socorro,
para a prestacio de servico equiparavel, no
valor de RS 158,8 mil. Nio estaria ai um
exemplo de pesos e medidas distintos para
uma mesma coisa? On hi como justificar a
dispensa de licitagio no primeiro caso e a to-
mada de preco no segundo? Com a palavra,
quem de direito.
Em desacordo cor as normas do TCE o
oitavo term aditivo a um convenio entire o Ipasep
(Instituto de Previdencia e Assistincia dos Servi-
dores do Estado do Para) e a Escola Tecnica Fe-
deral, publicado no DO do dia 19. Nao informa a
data e o valor original do convenio, embora se
saiba ser de 1998. Em aproximadamente um ano,
foi aditado oito vezes, corn acrescimo de valor de
mais de um milhio de reais. Semjustificar as mo-
dificac6es, deixa a duivida sobre a coerencia entire
os varios aditivos e o prop6sito inicial da relacgo,
induzindo a pensar de ter havido extrapolacgo.
Tudo isso talvez pudesse ser evitado se o extrato
contivesse todas as informa6ges estabelecidas no
modelo do TCE.
Foi reconhecida, na Secretaria de Obras,
inexigibilidade de licitavdo para a contratavdo
de Maria Vital Galambra da Rocha Me (e as-
sim mesmo?), "caracterizada nos servicos de
restauravdo de bens de valor hist6rico no pre-
dio do antigo Idesp '" conforme a redacro do


Fomos ver o documentdrio sobre o
festival de musica de Woodstock, ocorrido
alguns meses antes, em Nova York, nos
Estados Unidos, na sessao de estr6ia no
Cine Metr6pole, no centro de Sao Paulo,
30 anos atras. A galeria Metr6pole vivia a
transiqgo de um lugar agradavel, de bom
gosto, ponto de encontro de classes media
(inclusive intelectuais e artistss, para
uma boca de luxo nao oficializada.
Entramos na primeira sessao. Saimos na
terceira. Tr6s sess6es de enfiada.
Voltamos outro dia para reprise.
Ficamos maravilhados. Nao s6 por ver a
encenacao do que ji haviamos ouvido nas
fitas e discos. Recursos tecnicos de
filmagem foram ali usados pela primeira
vez, como o corte da tela em tres imagens
simultfneas e a "janela", destacando alguem
no detalhe sobre o fundo de um piano geral.
Dire go cinematografica de primeira, um
dos elements do profissionalismo por tras
do festival (mais do que musical, cultural),
que atraiu para uma fazenda na cidade de
Bethlel, as proximidades de NY, 400 mil
pessoas, principalmente jovens,
destacadamente hippies.
Woodstock trintao teve agora uma
versao comemorativa nada edificante.
Para n6s, que amavamos os Beatles, os
Rolling Stones e a revolugao, sem maior
atrativo, desfigurada. Talvez porque as
possibilidades se tenham estreitado.
Oscar, Marco Aurelio, Reginaldo, Bruno,
Leon e eu, corn idades entire 20 e 22
anos, estudavamos todos na Escola de
Sociologia e Politica de Sao Paulo,
relativamente perto do cinema, na praqa
General Jardim (ironia?). Fomos curtir
nosso rock, mas levamos panfletos
contra a eleiq o indireta da ditadura,
papeis nervosamente deixados sob a
poltrona da sala de exibigao.
Imaginavamos estar influenciando o povo
a nao legitimar um sistema politico
espfrio, sem perder o embalo.
Por conta do revival, ouvi novamente
toda a trilha sonora do festival,
confirmando o que sentira no primeiro
contato. O ponto mais alto 6 o autentico


extrato, publicado no DO do dia 22. Mas uma
tcnica paraensejai ndo vinhafazendo, hai bas-
tante tempo, esse mesmo service? Ou agora a
tarefa e distinta (em que ela consist, finall?
Quais sdo as credenciais da contratada, tor-
nando inexigivel a concorrencia puiblica?
Observe-se que as obras na sede do "anti-
go Idesp (conforme o finado institute jd vem


concerto para guitarra que Jimmi Hendrix
criou, ao long de 12 minutes, fundindo
Star Spangled Banner cor Purple Haze.
Serenado pela droga (o combustivel de
todos aqueles dias, que depois cobraria o
prego fatal), Hendrix uniu os acordes do
hino americano corn sons lancinantes de
bombardeios aereos. Transportou seus
ouvintes para os campos de batalha do
Vietnam, entire fuma9a de napalm e
marijuana. Ningu6m mais arrancaria da
guitarra aquela sinfonia dilacerante,
seguindo erratica mas lucida por
andamento anti-acad6mico.
Na ordem de preferencia, segue-se a
delirante e caleidosc6pica recriaago que
Joe Cocker fez de With a little help from
my friends, dos Beatles, uma balada que
desceu aos infernos para subir
verdadeiramente aos campos celestiais de
lucy in the sky with diamonds, a maneira do
mestre, um gargula esticando a lingua contra
a hist6ria. Depois, Freedom, de Richie
Havens, que tirou todos os dentes para
adquirir mais aspereza e profundidade quase
fetal (ou primal) na garganta, uma voz com a
qual expressou melhor sua alma negra
(tempos depois, na p6rgula do Copacabana
Palace, no Rio de Janeiro, durante a
primeira apresentaqgo no Brasil,
interrompeu a entrevista aos jornalistas para
perguntar se havia no nosso pais um grupo
politico semelhante aos Panteras Negras
dos EUA, para o qual queria fazer uma
doa~ao em dinheiro, isso em plena era negra
do general Garrastazu Medici).
The Who cor We're not gonna take it
(da 6pera Tommy, uma das que o rock criou
ou inspirou nessa epoca). O pout-pourri
faustico de Sly & The Family Stone. E, por
fim, para sair tranqililo e embalado,
Coming into Los Angeles, na voz fanhosa e
olimpica de Arlo Guthrie.
Saimos. Nao voltamos. Alguns, como
Jimmy Hendrix (e Janis Joplin, a grande e
sentida ausencia, vies de um comercialismo
ao qual nem o melhor hippismo de todos os
tempos ficou isento), sairam rapido demais.
O mundo que estava comegando tambem se
acabava. Como ter que ser?


sendo tratado nos velocissimos papeis oficiais)
estdo sendo realizadas em vdriasfrentes: a re-
forma no anexo, as instalacdes de ar condicio-
nado, os services no predio da frente. Talvez
essa pulverizaCdo se justifique pela especifici-
dade de cada obra. Mas tambem divide os va-
lores aplicados, que jd vdo bem alem do que
havia sido anunciado.


0 barato de 69,



que saiu caro


a _".a~a






JOURNAL PESSOAL QUINZENA DE AGOSTO / 1999 7


Personagens

No meio da leitura de 0 Rep6rter e o
Poder (Editora Alegro, Sao Paulo, 1999,
271 paginas), livro montado a partir de
entrevista dada por Jos6 Carlos Barda-
wil a Luciano Suassuna, me perguntei pela
razao daquela publicaqao e pelo tempo
que eu estava reservando a ela. Antes
de morrer, de cancer, aos 54 anos, em
janeiro de 1997, o reporter Bardawil ti-
nha a possibilidade de fazer suas confis-
sbes derradeiras, viscerais.
Seria quase uma reedigao das mem6-
rias (s6 postumamente publicadas, em
1991) de Samuel Wainer, em Minha ra-
zdo de viver. Mas os m6ritos de Bardawil
se restringiam a ser um reporter fuqador,
sempre empenhado em saber das "ilti-
mas". Era um personagem marginal a his-
t6ria, nao um fazedor de hist6ria, embora
se permitisse arroubos de her6i. Mesmo
os aspects testemunhais do seu relate
apresentam tantas contradicqes que nao
serve de refernncia objetiva para a re-
constituicao dos fatos. Quando muito, uma
dica (que, no fim, era um valor da sua
produao jornalistica).
Algumas dicas sao poderosas, espe-
cialmente sobre a corrupmao na e da im-
prensa, envolvendo alguns auto-denomi-
nados Cat6es e interesses que nada tem
a ver com a liberdade de informaqco, em-
bora usando-a como escudo. Esses ho-
noraveis cidadaos nem devem ter-se dado
ao trabalho de responder porque Barda-
wil tamb6m nao deu-se ao cuidado de
estar vivo quando sua entrevista saiu.
Deixou algumas bolhas de informacao no
rastro do fim. Mesmo elas, por6m, os in-
teressados trataram de apagar de imedia-
to. A imprensa que repercute o mundo ao
redor de si, nao olha para dentro.
Mas esse delenda, Bardawil nem seria
necessaria. Como Paulo Cesar Ferreira, um
"segundo" na evoluqao (evolucao?) do ra-
dio a televisao no Brasil, que tamb6m pro-
duziu um livro (Pilares via satelite, Roc-
co, 1998, 248 paginas) prometendo reve-
lar bastidores da TV Globo, o reporter (di-
retor corporativo, no final da carreira) de
Istoe atribuiu mais importincia a si do que
aos fatos que passaram ao seu lado, diante
do seu nariz, sem que ele fosse capaz de
distinguir o que 6 mat6ria de hist6ria do
que 6 a poeira do cotidiano. Restou um
livro cujos m6ritos estao mais no que fal-
tou dizer e ficou como promessa do que
no que foi dito e restou como frustraqao.
Cor o inconvenient de que, ao contrario
de Samuel Wainer, Bardawil jamais chegou
a ser realmente o personagem hist6rico que
pensou e quis ardentemente com o ardor
dos eg6latras ser, mas nao foi. *


Acho justas as exig&ncias dos grupos
ambientalistas de que os arrematantes
das areas postas em licita~go pela CDP
(Companhia das Docas do Para) na area
portuaria de Santarem (o chamado retro-
porto) apresentem relat6rio de impact
ambiental pr6vio. Se realmente os danos
decorrentes da ocupagao da area por ter-
minais de carga e instalaq es industrials
forem apenas marginais, comparativa-
mente as alteracqes ja ali realizadas corn
a construcao do pier, entao o trabalho de
avaliar os novos impacts sera facil e ra-
pido. Mas nao fazer esses estudos agora
podera inviabiliza-los no future com o ar-
gumento do fato consumado.
Tudo bem que a press seja relativi-
zada pela necessidade (e conveniencia)
de se saber o que efetivamente resultara
da ampliacqo da ocupacgo naquela area,
que ja cativou os nossos encantos com a
praia da Vera Paz. Mas se os pragmaticos
estao querendo forgar a situadao para
tender interesses e caprichos, alguns dos
interlocutores da ecologia estao exageran-
do na mao.
Li em O Liberal declaraces de um
certo David McGraeph (que talvez ve-
nha a ser o pesquisador David McGra-
th, em denominagao mais pr6xima do
que consta da sua certidao de nascimen-
to), que combat um novo projeto para
a orla de Santarem, orqado em 30 mi-
lh6es de reais. O alvo principal 6 a eli-
minagao da feira que se formou sobre
um tablado de madeira projetado sobre
o rio a partir do dique de protegao, uma
esp6cie de Ver-o-Peso off-shore.
O pesquisador diz que essa feira inte-
gra a tradicao hist6rico-cultural da cida-
de, important instrument de identida-
de local e de atraqao de turistas, e de-
sempenha funcao vital na comercializa-
gao-em lugar acessivel, a prego melhor
- de grande parte da produgao de pesca-
do que chega a capital do Baixo-Amazo-


nas. Mudar essa fisionomia significaria
"copacabanizar" a orla santarena, sub-
metendo-se a cidade a mais uma maca-
queaqao desfiguradora.
Nem tanto, ou nada disso. Meus anos
de moleque ejovem foram passados numa
Santarem entiree os anos 50 e 60) vigoro-
samente "copacabanizada", numa 6poca
em que o turista preferencial de Santa-
rem eram os pracistas. Nosso mundo gi-
rava em tomo da praia, onde nadavamos,
jogavamos bola (futebol de praia avant
la lettre), conversavamos, matutavamos
e namoravamos (e onde era feita a as-
sepsia do corpo, nas freqiientes crises de
abastecimento de agua encanada).
Enquanto em Bel6m havia a repres-
sao ao corpo (que, quando liberado, pro-
vocava a insinia dos hunos carnais), em
Santarem as mocas andavam pelas ruas
com saidas de praia e os rapazes circu-
lavam com sungas pelo com6rcio. Nao
se precisava de janelas para o rio, que
era toda uma varanda solar. Uma de
minhas aventuras infants foi acompa-
nhar uma prima mais velha que me le-
vou escondido ate -justamente a Vera
Paz, numa caminhada africana desde a
Aldeia (ja entao nao mais moradia de
indio, mas bairro).
Quem dera se ainda fosse possivel
"copacabanizar" Santar6m, devolvendo-
Ihe as praias e reabrindo-lhe os horizon-
tes, engolidos pela transformacao de sua
orla num precario cais de arrimo. Os atra-
cadouros teriam que ser remanejados para
outro lugar, mais distant, e com eles
aquele f6tido e improvisado mercado, que
de original e hist6rico nada ter, sendo
antes uma concessao populista hodierna
as facilidades, que acabou enriquecendo
mesmo foi os atravessadores. Se assim
fosse, eu poderia terminar feliz os anos
que, felizes, comeqaram as margens do
querido Tapaj6s, sempre que possivel em
suas formosas praias. *


e I e f i s s o

Dos 20programas de televisdo de maior audiencia no Rio deJaneiro (todos da Globo,
S naturalmente), cinco sdojornalisticos (o Joral Nacional continue lider masjh com
55% de audiencia), cinco sdo novelas, tr&s de esportes, tres de variedades, dois
humoristicos e doisfilmes enlatados. Cor uma ou outra variagao, deve seroperfil de
todos os publicos de televisdo commercial aberta do mundo. Oproblema ndo e depublico, portanto.
Ede veiculo mesmo, a inesperadafusso de meio e mensagem que McLuhan no podiaprever
Os mais vistosprogramas humoristicos sdo Casseta & Planeta (incrivel 72 lugar) e Sai de Baixo
(13), o quefazpensar: quem reabriu a tumba para Chico Anysio?


O que e hist6rico


em Santarem?







Quem?
Um assinante de A Provincia do
Para mostrou-se surpreso: junto
corn o exemplar dojornal, recebeu,
gratuitamente, trds exemplares de
A Provincia do Tapajds, editada
em Santar6m. Normalmente, ape-
nas um n6mero dessejornal vinha
encartado. Penhorado, o assinante
premiado pergunta: e quem paga a
conta?
Resposta, a quem couber. Se de
direito.


Aquarelas
Com tanto sol, agua e paisagens na-
turais, a Amaz6nia deveria ter es-
timulado o aparecimento de mais
aquarelistas. Alguns acham que
essa 6 uma forma de expressao
menor em pintura. Tecnicamente,
nao deixa de ser verdade. Mas as
aquarelas nos fazem um bem enor-
me: nos dao prazer e renovam nos-
sa sensibilidade. T6m, para mim, a
importancia das musicas de came-
ra e dos concertos para as sinfoni-
as. Fico com as primeiras.
Por isso, sa6do com entusias-
mo a iniciativa de Mario Barata II
de colocar em circulaqao suas
aquarelas atraves de cart6es pos-
tais. Nao pude ir ao lanqamento, no
mrs passado. Mas quero registrar
aqui meu modesto e entusiasmado
apoio. Desejo que a empreitada te-
nha sucesso. Afinal, beneficia a
todos: artist e public.

Agenda
A Agenda Amaz6nica deverA cus-
tar R$ 3,00. No pr6ximo n6mero
deste journal confirmarei o lanqa-
mento na segunda quinzena. A nova
publicaaio ira para as bancas.

Imp avido
Indiferente a sua pr6pria ret6-
rica de moralidade e modernidade
(sem falar da opiniao publica, o go-
vernador Almir Gabriel continue
contratando assessores especiais
para o seu gabinete impulsionando
por compromissos politico-eleito-
rais, atendidos com elevadas dosa-
gens de nepotismo, clientelismo e
compadrio.
Como diria Cicero: quosque
tandem?


Ritmo
O novo porto de Pec6m, a 40 qui-
16metros de Fortaleza, deve entrar
em funcionamento emjaneiro para
modificar o panorama da atividade
produtiva no litoral entire o Nordeste
e o Norte. Apesar de todas as res-
triqBes que tinha para enfrentar, o
terminal cearense estruturou-se,
atraindo para si o maximo de em-
preendimentos que uma intelig6n-
cia estrat6gica poderia conceber.
Alem deja dispor do primeiro
de dois pieres, para gran6is s6lidos,
o porto contara com uma termel6-
trica funcionando a gas natural,
uma refinaria, que, por enquanto, vai
funcionar a base de importaqao de


petr6leo, e uma si-
dernirgica, a primei- CorrE
ra de grande porte
de toda a regiao, nose rnhos
o indlusiv
combinando gas e to pelos Sa
min6rio de Estados opbls Sca
ioes pubhlca!
pr6ximos (Rio ab-anhado
Grande do Norte e mutanos" da
Para), para produ- aruar. co.a d
zir ago. No total, in- raensc apare
vestimento (alta- mo Na mesn
mente reprodutivo), minical e dor
de quase tr6s bi- lo. Parede e
lh6es de d6lares. Jornal Pess
Junto com o Paulo em se
min6rio de ferro de Perd.o, I
Carajds, o Ceari ti-
rou do Para a opor-
tunidade de sair na frente em ma-
teria de refinaria e siderurgia, cam-
pos para os quais tinha vantagens
competitivas teoricamente superi-
ores (esta mais pr6ximo da Vene-
zuela e tem minerio e energia el6-
trica em abundancia). Tinha tudo,
menos intelig6ncia aplicada a um
piano claramente formulado. O
Para, proporcionalmente, continue
parade (devagar, quase parando).
E estourando fogos para comemo-
rar a ampliacqo da producgo do ob-
soleto ferro-gusa.

Ubiq0idade
Deu no Rep6rter 70 de O Liberal
do dia 21: "O advogado Aldebaro
Baim Klautau Filho encontra-se em
Lisboa, Londres e Frankfurt, em
neg6cios de interesse de seu escri-
t6rio em Bel6m".
Por nao ser deus (ou 6?), Bairn
ja pode requerer o reconhecimento
do feito pelo Guiness, o livro dos
records. Rachando o premio com
a folha dos Maiorana.

Contrast
Nao fica bem o cidadao comum tra-
balhar todos os dias da semana do
m6s de julho e deparar com as ins-
talaq6es fechadas dos 6rgaos pui-
blicos, especialmente ojudiciario e
o Ministerio P6blico, todas as sex-
tas-feiras. Se os barnabes querem
alongar o final de semana, aprovei-
tando o t6rrido sol, que pelo menos
um rodizio de servidores funcione
na enforcada e ultrajada 6' feira.
Fica a sugestAo para a prximasai-
son de pemas para o ar peasa, alias,
que raramente sao feitas de ferro).


Vox populi
Um leitor escreve para mexer num
vespeiro, um dos muitos focos de
patrimonialismo que se constituiua
sombra do poder.


SA lala de uma retiso final c uma digl-
'5 iaq.o apressada nreram seu preqo: va-
apomnhanies puderam -er obsen ado. na ultma edi-
e op7loi que o compuatdor sempre adianta ao corre-
e-se la por qual bruxana, a lei 8 666.93, das liila-
i, saiu duas Lezes tratcstida de 6 383. O ele ado foi
da rasee sobre o "mas indice de inadimplencia de
Caixa Economica Federal no Para (e atenuar virou
islinia) A,.jm como t'lar o paraiso turistico pa-
:eu como condu.:r, embora no fundo -eja Isso nies-


ia maria. a redundancy ia de do-
nngo logo no pnmeiro paragra-
m chapisco ,irou parece. E o
oal mais parecia a Folha de 5
us melhores dias
eitores.


Em primeiro lugar. mo
question a Associaqao do por
Minist6rio Publico do Es- um
tado do Para. A seu ver. Sec
ela deveria se chamar As- gov
sociaqao dos Membros do
Minist6rio Publico, ou algo de
parecido, a semelhanca sou
Associaqao dos Magistra- ma
dos do Estado do Para. de
Evitaria parecer a associ- do
ado de uma s6 pessoa (o out
Minist6rio P6blico) e es- rad
clareceria sua condigco de (o
pessoa juridica de direito rod
privado, nao exatamente def
um braqo do MP. Acaba Lu
criando essa confusao e te d
dela, em certa media, se Tra
aproveitando, como suge- vid
re um edital publicado no Ex
Diario Oficial do dia 14 do Tra
mes passado, encimado
pelo titulo da Associaqao. qut
corn um sub-titulo (em le-
tras muito menores) Pro-
curadoria Geral de Justiga. Isso
pode levar algu6m menos avisado
a pensar que a segunda se subor-
dina a primeira. Ainda mais por-
que, sendo a entidade de direito
privado, seu edital nao deveria ser
publicado no Caderno do Judicia-
rio, mas na se ao apropriada de
avisos e editais.
O outro questionamento 6 sobre
a cobranqa de taxasjudiciarias com-
puls6rias de todos os que necessi-
tam dos serviqos da justiqa, em fa-
vor das duas associacqes. Embora
a taxa esteja prevista em lei, o leitor
(que tamb6m faz parte do universe
judiciario, dai o pedido de manter-
se an6nimo) a consider inconstitu-
cional, "porque desatende o princi-
pio da moralidade piblica", ja que,
por essa via, "ojurisdicionado paga
para a manutencio de ura associ-
aago privada".
Da mesma forma, na justice
federal 6 cobrada uma taxa de ser-
viqo em favor da Associaqao dos


Journal Pessoal

Editor: Ltcio Flavio Pinto
Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax)
Contato: Tv.Benjamin Conslant 845/203/66.053-040
Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br
EdiqAo de Arte: Luizantoniodelanapinlo/230-1304


Promogao
As pessoas interessadas em
adquirir numeros atrasados
do Jornal Pessoal devem
procurd-los a rua Aristides
Lobo, 871, entire Piedade e
Benjamin Constant. Em pro-
moqdo, cada exemplar cus-
tara metade do preCo atual,
ou RS I 1.1II.


e quebrado
D hrio Oficia] do Estado do dia 9 pu-
:ou o extrato do "2 term adilivo de
iscimo de valor" ao "contrato origi-
io n 76/98". Aparnremente, 6 omes-
que havia sido prorrogado em abril
mais tres mess, de fretamento de
jaunho da Wesron Taxi Afreo pela
retaria de Transporte, para servir ao
remador (ver Jornal Pessoal 215).
So que agora deixou (nao se sabe
que maneira) de ser convenio e pas-
a ser contract, permanecendo a mes-
numeraqAo. O valor especificado e
R$ 118.822,50, mas nao e esclareci-
se ese e o valor do contract original
do aditamento. Tamb6m nao 6 decla-
o se trata-se de pagamento mensal
nais provivel, e claro) ou se abrange
o o prazo contramal. Nerm mesmo e
inido o prazo de vgncia do aditivo.
nita-se ajustifica-lo como "decorren-
e solicictago feita pela Diretoria de
nsporres Aeroviirios", que foi "de-
amente acolhida e autorizada pelo
no. Sr. Secretino Adjunro" dos
nsportes.
A emenda pode ter said prior do
0o soneto.


Servidores da Justiqa Federal.
A revisao desses costumes que
engendraram direitos contrariando
principios da gestao public deve-
ria comeqar de dentro para fora.
S6 assim brotaria, de dentro para
fora, o credito dos cidadaos nas ins-
tituiq6es pfblicas.

Andamento
O conv6nio assinado entire as
secretaries de planejamento e de
transportes para a obra (de Santa
Engracia) de duplicaqao da
avenida Jilio C6sar (acesso ao
aeroporto), iniciada em 1996, teve
seu prazo de conclusao prorrogado
mais uma vez. Agora, vai at6 31
de dezembro. O valor,
aparentemente, continue o mesmo:
4,6 milhdes de reais (ou ao menos
a cohtrapartida estadual).
Tambem foi prorrogado para a
mesma data o prazo final para a
construq~o do novo aeroporto de
Bel6m, que comeqou em 1996. O
valor original do conv6nio Seplan/
Setran 6 de R$ 18,2 milhoes,
referente a contrapartida do
Estado. O nono termo aditivo a
esse conv6nio, assinado em
dezembro do ano passado, alterou
o valor, mas o 10' aditamento,
publicado no Diario Oficial no dia
15 do m6s passado, embora se
refira ao suplemento da
modificagao, nada diz sobre o
novo valor.