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Docas: Obra de 16 Journal Pessoal iScd L U C I F L V I 0 P I N T Paraense: ANO XII N 215 2a QUINZENA DE JULHO DE 1999 RS 2,00 mau pagador? (BEPAM. 4 BELEM A lei da selva A orla fluvial da capital paraense exemplifica uma das causes do atraso do Estado. Cada um dos grupos politicos que disputam o control do poder s6 pensa nos seus pr6prios interesses. For isso, ndo hd relagdo entire as obras do governor do Estado e as da prefeitura. Ao executd- las, os cbefespensam na hora de inaugurCd-las para faturarprestigio. Ndo pensam no melhor uso que delas poderia ser obtido em beneficio do-cidaddo. (1 i V_ A. -, S ,,,, -. :LI -- . I *- .. - I .. ", . IE TAAO A DOCAS as D U ma das causes do atraso crescente do Para no conjunto federativo bra- sileiro e political: a inca- pacidade dos lideres po- liticos de ir al6m de seus esquemas pes- soais de poder; para se firmar, e indispen- savel para eles excluir os adversarios. Nao tendo program formulado ou a defender, ,.3 3~ 0 "CCL\ I^328 nao conseguem estabelecer pontos con- vergentes para uma ago em comum. O antagonismo se reduz a uma luta pelo po- der. E cada um por si e um contra o ou- tro. Quem for podre que se quebre. Um exemplo flagrante desse feroz da- rwinismo politico esta a mostra na orla de Belem. Prefeitura e governor do Estado estdo executando seus pr6prios projetos, ignorando os do vizinho. Nio s6 inexiste integraqao entire eles como sio antag6ni- cos. E a realidade das obras nao corres- ponde ao enunciado dos projetos por causa do desvio propagandistico. Bem ao lado da Estagio das Docas, a piramide erigida por Paulo Chaves Fer- nandes para imortalizar o govemador-fa- ra6 Almir Gabriel, do PSDB neo-mondr- E -LC, LLC L[2.C i2LLL- LcL L:rish 0] ~ao~; ;5~ r1~7aCP~kL r~L-.) 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE JULHO / 1999 )quico, o prefeito Edmilson Rodrigues construiu a nova Praga do Pescador, con- sumando-a antes mesmo de saber qual o projeto vencedor (num concurso promo- vido pela pr6pria PMB) para tentar revi- talizar o Ver-o-Peso. A praga integra as linhas arquitet6ni- cas e administrativas do pobre populismo adaptado pelo alcaide belenense de algu- ma matriz neo-albanesa. Estabelece um contrast brutal cor a elitista Estaqdo das Docas, ao lado, concebida pelo mais bem- sucedido afrquiteto de interiores da cida- de, uma esp6cie de emin6ncia parda corn pretensao a Ant6nio Lemos sem dispor de uma atividade tio geradora de dinhei- ro como a borracha na epoca do mono- p6lio amaz6nico de produg~o. A autoridade competent para obras em Bel6m 6 o prefeito. Claro que nao Ihe pertence o monop6lio de agir. O governor pode e deve localizar seus projetos na ca- pital do Estado. Mas se possivel, no que couber, em harmonia cor o administra- dor do burgo, visando o bem comum e os altos interesses coletivos. De preferencia, seguindo um planejamento que va al6m do umbigo e da ponta do nariz. Ha muito tempo essa harmonia foi expurgada do territ6rio belenense, como a maltratada orla fluvial evidencia. A ci- dade foi sendo sufocada pela anarquica evolugao da construgao civil. Quando os danos foram percebidos ja era tarde: Belem perdera sua ligagao com a agua, sendo a agua o element que melhor a define (tanto geograficamente quanto at6 mesmo folcloricamente, como diz a len- da sobre os encontros antes e depois das chuvas). Construiu-se entio a utopia das "janelas para o rio". Nunca, como agora, o poder public investiu tanto no litoral da cidade. A pre- feitura, alem de reconstruir a Praga do Pescador e fazer o concurso para a re- vitalizacio do Ver-o-Peso, montou nas pranchetas o projeto "Ver-o-Rio". Fora da moldura publicitaria, esse projeto se resume a uma praga mambembe impren- sada entire a Ocrim e a Souzamar. O povo, a mingua de lazer, pode achar 6ti- ma a invencgo e usufruir dela pelo tem- po em que a seguranca permanent e reforcada no local (um tipico ambiente portuario, cor todas as suas conseqti- encias) o permitir. Mas 6 uma engana- 9go confeitada. Se a prefeitura nao investor contra a ocupagAo illegal na area, aquela pracinha vai coonestar o espaqo ao redor, com- plementando ate mesmo a seguranga para empresas desoneradas de gastos maio- res. Alem disso, sera triste verificar a es- tratificacAo humana nos cenarios estadual e municipal, especialmente se o governor tiver que se ressarcir dos pesados inves- timentos feitos na Estacgo das Docas (veja materia nesta ediiAo). Mas nao importa: as autoridades raciocinam com cinismo, usando o velho bordao: s6 tem tu, vai tu mesmo. Ou: em terra de cego quem tem um olho & rei. Mas nao & s6 um tratamento leviano dado ao lazer public: 6 uma ma con- cepqao sobre ordenacqo do uso de es- paco. A Companhia Docas do Para ce- deu os tres galpOes principals da doca sob o compromisso de o Estado tam- bem instalar ali, al6m de um centro tu- ristico alimentado pela esperanca de atrair visitantes de outros Estados ou paises, um terminal fluvial. Ao inves de cumprir esse compro- misso, o governor engendrou um termi- nal malmente adaptado em ponto incon- veniente da bacia portuaria, enquanto parece cobicar um quarto e estrategico galpAo para um terminal maritime, des- tinado aos sonhados turistas de maior poder aquisitivo, atraidos pelas "janelas para o rio" como um Galahad sem san- to graal. Enquanto esses quimericos e singulares visitantes nio chegarem, a massa dos que usam barcos na navega- qdo interior (cor 35 mil embarcaq6es registradas na Capitania dos Portos) vai ter que se expor a riscos para chegar (por terra) e sair (por agua) ao ponto de embarque. Ja ha bastante desencontros e equi- vocos nesse trecho do litoral belenen- se, mas nao esta ai a principal distor- Cqo. Ela result da falta de ura visao geral sobre o limited fluvial da cidade. Essas "janelas" nao passam de respi- radouros mediocres quando vistas no conjunto de toda a area litoranea (mes- mo cor o acrescimo da area da Cida- de Velha que for recuperada com a sa- ida do Ex6rcito do Largo da S6). Sem revolucionar a Estrada Nova e investor contra o apossamento de varios trechos, a aqao do poder public nio passara de maquilagem. Os imobilistas ou os estetas do vazio dirao que isso 6 impossivel ou pelo me- nos inviavel para as possibilidades da ad- ministracao public. A intervencao nes- sa area, porem, tem como ponto de par- tida uma constatacgo, facil de conseguir numa simples passage pelo local: a ex- trema dificuldade enfrentada pelos prin- cipais usarios da orla da Estrada Nova. Entrada e said de veiculos nas estAnci- as ou portos ali instalados costuma ser uma operaqao de guerra em certos peri- odos do dia. A falta de alternative, car- rogas puxadas por series humans sdo utilizadas em instAncia final. Na situa- cao atual, todos perdem, inclusive os que estao dispostos a praticar qualquer tipo de transgressao para nao perder. A said e remover todos esses esta- belecimentos comerciais da Estrada Nova. Nao manu military, coercitiva- mente. Mas oferecendo-lhes irrecusa- veis vantagens. Quem, tendo um ne- g6cio de algum porte e de determina- das caracteristicas (como estaleiros ou estincias), nio trocaria seu ponto co- mercial na Estrada Nova por um terre- no beneficiado, corn toda a infra-estru- tura de apoio, inclusive terminals de carga, em distrito industrial. Esse local existe, do outro lado do rio Guama, em Barcarena. Por enquan- to, esta sendo usado apenas pelo p6lo de alumina/aluminio e caulim. Mas pode abrigar micros, pequenas e m6dias em- presas. Esse projeto, entretanto, s6 ter exeqiiibilidade com prefeituras (a de Bar- carena, alem da de Bel6m) e governor unidos. O governor providenciaria a in- fra-estrutura (agua, luz, telefone, estra- da) no novo local, enquanto a prefeitu- ra reurbanizaria a Estrada Nova, ai, sim, restabelecendo o contato orginico do sitio urban cor sua condicgo fluvial. Seria um grande program. Nio en- volveria tantos recursos como aparenta. O governor do Estado recorreria as em- presas do complex industrial minero- metalico, motivadas a se beneficiary do adensamento econ6mico da area. A in- fra-estrutura sairia mais facil e barata. E certamente grupos econ6micos poderiam ser atraidos para criar uma boa e expedi- da estrutura de transport entire o estua- rio do rio Para e a baia do Guajara, com mais balsas e introduzindo os hovercrafts para os passageiros (usando para isso a linha de cr&dito amaz6nica do BNDES, cor um saldo enorme ainda hoje). Talvez nem fosse necessario execu- tar o projeto da algaa viaria", que esta- belece um percurso muito mais extenso ate o estuario dominado pelos grandes portos industrials. E abolir a temeraria iniciativa de prolongar a avenida 1 de Dezembro pela area dos mananciais de agua de Belem e da gleba Concei9ao do Aura, valiosissimas reserves de quali- dade ambiental para uma cidade que se torna um inferno para viver a cada dia que passa de incuria na sua ocupaqco. Mesmo o "muro de Berlim" programa- do para o Utinga e garantia quimerica de protecqo a integridade da area. O que aqui se exp6e pode parecer delirio, mas talvez seu unico merito in- discutivel seja o de delirar em escala me- tropolitana, vendo o interesse coletivo, tirando o maximo de vantage de obras p6blicas, ao inv6s de deixar-se conduzir por mandarins que s6 pensam nos limi- tes do seu espago vital, delimitado por um espelho. E o que o espelho reflete nao e bor. * JOURNAL PESSOAL 2V QUINZENA DE JULHO / 1999 3 Setran repete "convenio" Funtelpa para ter jatinho Em abril (Diario Oficial do dia 26, pa- gina 8 do 19 caderno), a Secretaria de Transporte resolve aditar um convenio, assinado no ano anterior corn a Taxi Ae- reo Weston, para o fretamento de um ja- tinho executive Learjet 55 ou similar, "para servir o Governo do Estado do Para". O conv6nio foi prorrogado por 120 dias, passando a vigorar at6 setembro.A justi- ficativa, segundo o secretario: "E decor- rente da solicitagAo formulada pelo DTA em decorr6ncia da exposicao contida no memorando n 015/99-DTA". Nada e dito sobre o contehdo de tal me- morando. Seria obrigaqCo do responsavel pelo termo aditivo explicitar ajustifica go, ao inv6s de fazer a remissAo que nada diz. E estabelecer o valor do convenio original. Prorrogando o prazo sem, simultaneamen- te, definir o valor do aditamento, fica impli- cito (mas nao 6 nada plausivel) que o valor original apenas sera espichado. Mas como o document nada diz sobre valor, a suces- sao de omiss6es parece center a intengao de sonegar informaq6es ao public. Mas nao 6 s6, muito pelo contrario. O objetivo desse "convenio A. Jur n 76/ 98" 6 a "contratag~o" de uma empresa particular para a realizadio de um servigo oneroso. Por que, entao, um conv6nio e nao um contrato? O leitor mais atilado deve ter pensado imediatamente no "conv6nio" da Funtel- pa, atrav6s do qual a empresa estadual de telecomunicaq6es se comprometeu a pa- gar 200 mil reais por mrs, ao long de cinco anos, para a TV Liberal (que nao e uma instituicgo de caridade, evidentemen- te) usar sua base em terra para a trans- missao de sinais de satelite de uma emis- sora commercial. A parte a imoralidade da relagco, denunciada seguidas vezes neste journal (mas ignorada pelas autoridades di- tas responsaveis), ha uma evidence impro- priedade legal. A relagio exige a assinatu- ra de um contrato, como bem definiu o Tribunal de Contas do Estado. A Setran esta repetindo o erro da Funtelpa? Os ob- jetivos sao os mesmos? E para que o governor precisa do freta- mento de um jatinho, feito por uma se- cretaria para servir ao governador, usan- do biombos e cortinas legais? Em mat6ria de moralidade public o Para continue o mesmo? Quem souber das respostas, que as apresente. Ou faqa outras indagacOes, ao menos para ficarem inscritas na pedra que imprimira a hist6ria sobre a tumba de muita fama mal estabelecida. * Trinta anos atras, Adelia Engracia de Oliveira fez sua opcao preferencial pela Ama- z6nia. Gragas a sua aplicaqco, discipline, competencia e sen- sibilidade, produziu alguns dos melhores trabalhos em antro- pologia que surgiram no ambi- to do Museu Paraense Emilio Goeldi nesse period. Formou, cor Eduardo Galvao e Expe- dito Arnaud, o grande trio na geraggo de conhecimentos so- bre a hist6ria dos povos mais antigos da Amaz6nia, os indi- os, numa 6poca em que raras mulheres se atreveriam a en- frentar os rigores dajungle para fazer um verdadeiro trabalho de etnologia. Mas nao se limi- tou as fronteiras do academi- cismo: lutou o quanto p6de, numa 6poca de governor auto- ritario, pelas liberdades e direi- tos das minorias, inclusive das populac6es marginalizadas na selva, ou esmagadas pelo de- terminismo do "desenvolvi- mento" a qualquer preqo da- quela era de rodoviarismo doi- divanas. Aposentada, Ad6lia Olivei- ra deixou no m6s passado o "Goeldi" e voltou a sua cida- de de origem, Ribeirao Pre- to, no Estado de Sao Paulo, encerrando um ciclo de his- toria muito fertil, mas, infe- lizmente, pouco conhecido na regiao a qual ela dedicou sua inteligencia e seu vigor. Nao posso dizer que encer- rou cor chave de ouro, como se costuma dizer retoricamen- te nessas ocasi6es, uma car- reira tao densa. Como dire- tora do museu, Adelia enfren- tou uma conjuntura exagera- damente desfavoravel, mas ela pr6pria j parecia destitu- ida ("despossuida", talvez fosse a expressed inconveni- entemente certa) da forca ori- ginal para afastar ondas de ce- ticismo e impotencia. Ter dei- xado o cargo sem poder en- trega-lo ao substitute, eviden- cia o que os pais te6ricos da linha de pesquisa de Ad6lia diagnosticariam: a anomia da instituiqgo. Mas Ad6lia merecia sair com palmas muito mais inten- sas pelo que esses 30 anos de trabalho acrescentaram a cien- cia do home na Amaz6nia. Vai com a inaudivel palma do redator destejornalzinho, gra- to por haver conhecido uma mulher como ela, alem de corn ela haver aprendido. * Praxe S6 haverd respeito e verdadeira independcncia entire os poderes executive e legislative quando o primeiro ndo deixar para o recesso a aprecia~go, em regime de urgencia, de materias que exigiriam o tempo e a acuidade do rito ordindrio para serem bem aprovadas, e o segundo trabalhar cor afinco no period regulamentar para afastar de si a tenta9do dos 30 dinheiros que sempre o executive lhe apresenta, junto cor uma escondida ratoeira. Tal utopia ndo se consumard no reinado estadual de Gabriel II, nem no dominio municipal de Edmilson, o Longo. Ficard para o novo milenio. Correqao Haroldo Bezerra acabou entrando como Pilatos do Pila- tos no credo de Paulo Chaves Femandes (ver Jornal Pesso- al 214). Haroldo saiu da Se- cretaria de Obras para a de Transportes no segundo man- dato de Almir Gabriel. Seu lu- gar foi ocupado por Inacio Ga- briel, deslocado da Cosanpa (onde entrou Ramiro Bentes). O cansaqo me fez esquecer o "detalhe". Mas, ca entire n6s, e desculpas a parte, a inoculacao das sete secretaries especiais na linha de frente da administra- cao estadual nao disseminou o virus do anonimato, espalhan- do-se como ameba sobre um staff que se reduziu a mera ex- tensdo do chefe do governor? Nessa despersonalizaqdo gene- ralizada, que favorece o culto a uma tnica personalidade, es- quecer um ou fazer confused entire secretarios ji nao se tor- nou risco previsivel (e deseji- vel para quem o engendrou)? De qualquer forma, o rep- to equivocadamente feito a Haroldo Bezerra transfere-se a Inicio Gabriel. Corn todo o respeito, 6 claro. * Saida silenciosa 4 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE JULHO / 1999 Grito sem eco 0 fim 0 mais indice de inadimpl6ncia de mutuarios da Caixa Econ6mica Federal em todo o pais esta no Para: 78% dos que, no Estado, assinaram contrato de financi- amento da casa pr6pria cor a instituicao nao estao em dia cor o pagamento de suas prestac6es. Em muitos casos, o atra- so 6 de meses ou anos. Sinal de que o paraense 6 mau paga- dor? Nao, segundo pronunciamento feito pelo deputado federal Jos6 Priante (PMDB), um pouco antes do recesso par- lamentar, no final dejunho. A culpa 6 da pr6pria CEF, acusada pelo deputado de varias irregularidades, suficientemente muito graves para terem merecido a aten- 9ao da imprensa (o que nao aconteceu). Depois de ter passado "quatro anos sem financial um im6vel sequer", a Cai- xa, a partir de 1992, "assumiu compro- missos acima de suas possibilidades finan- ceiras". Por isso, nao honrou contratos assinados com varias construtoras. Um motivo poderia ser o desvio de recursos do FGTS (o fundo formado p6los reco- lhimentos dos trabalhadores), destinados a construgao de moradia popular, para a pr6pria carteira commercial da CEF. Aldm de congelar um setor produtivo altamente gerador de empregos, alem de manter quase intocado um deficitt" de 400 mil moradias no Para e 170 mil uni- dades s6 em Belem, a Caixa foi toran- do impossivel aos seus mutuirios supor- tar os encargos dos empr6stimos, ao embutir, "em indecifraveis contratos, en- genhosas formulas de atualizaqao das prestac6es". Os en- cargos embutidos nesses contratos, se- gundo Priante, sao Toda a propaj "ilegais e abusivos". govemo para atr Um exemplo 6 a uti- Estado foi atingi lizaqio da TR (Taxa artigo que Paulo Referencial) como ediaio dominica indexador dos rea- do ultimo domin justes, element pe- desventura dele sadamente onerador, tentaram verean ja que a taxa "nao da ilha do Maraj retrata a inflagao, passada. Uma cc mas sim a media de incOria, imprevic taxas de juros prati- do 6rgao govern cadas no mercado pela travessia de financeiro". continent. E, ag Outro encargo uma resposta co indevido 6 a impo- de quem suposta sicao, ao mutuario, descrente de que da Sasse Segurado- tras da moldura i ra como responsavel induzindo os pai pelo seguro obriga- paraiso que 6 o t6rio, embora essa empresa cobre, em m6dia, 20% do va- lor de cada prestaqdo a titulo de taxa de seguro, "bem acima do mercado e ab- surdamente alta para os padres finan- ceiros da maioria dos mutuarios". A ra- zao dessa vinculaqao estaria na partici- pacao, de 45%, que a Caixa tem no ca- pital da Sasse. Ao inv6s de pelo menos atuar um dos mais graves problems (tanto em dimen- sao national quanto estadual), a Caixa e apontada pelo deputado como "a respon- savel direta pelos graves conflitos que es- tao ocorrendo em 39 conjuntos habitaci- onais do Para", onde centenas de famili- as de baixa renda enterraram seus sonhos de ser donas de seus tetos. As angustias particulares caminham para se torar gra- vissimos problems publicos, ja que a Caixa vem autorizando a execuqao, des- pejo e reocupagao desses im6veis. Esse rastilho de p6lvora social pode ser visto nas paginas inteiras que os jor- nais costumam publicar com a lista de mutuirios submetidos a execucao extra- judicial por representantes autorizados da CEF, em regra tendo sobre si o peso de saldos devedores que excedem de muito - o valor venal dos im6veis que deseja- ram para si, atraidos pelo canto de sereia da casa pr6pria, apesar do queja amorti- zaram. Talvez por causa da abundancia dessas paginas, a grande imprensa nao ecoou as denuncias e cobranqas de Pri- ante, ameaqadas de ficar como um grito parade no ar. * Da cidade ganda feita pelo air turistas para o ia no figado pelo Cal escreveu na I do Diario do Para go. Ele descreveu a e dos amigos que ear na costa atlantica 6, na semana imbinaqao de l6ncia e ma-f6 dentro mental responsavel ixou o grupo no ;ora, no aguardo de nvincente da parte imente de direito, Shaja substancia por )ublicitaria aenses a conduzir o seu Estado. Alibs, sao precious depoimentos do arqu ele escreve sobre sua especialidade, Bel6n uma das pessoas que conhece a capital dos Se fosse prefeito, eu como assessor. Apro tambem outro grande na cidade, Fernando usando-o como cont; comunidades, uma es ouvidor popular. Para isso, por6m, o prefeito, al6m de fa ouvir e ver. Ouvir e v constituem condigio melhor e, justamente menos. 0 que, defini nao 6 o caso atual. A Mesbla, que montou a primeira loja de departamentos de Bel6m, 30 anos atras, fechou as portas da sua pri- meira e 6nica loja na maior cidade da Amaz6nia. Encerrou tambem um capi- tulo da hist6ria dos cidadaos que ja es- tavam na fase consciente da vida nesse period. Para alguns, essa relaaio co- mecou ainda antes. Para os que mora- ram no Rio de Janeiro, entire o fim da capital da Republica ali estabelecida e o novo Estado da Guanabara impropria- mente adaptado, a Mesbla era mais do que uma loja. Do lado de fora, havia aquele sim- patico e enorme rel6gio, de inevitavel referencia mesmo no compasso cario- ca. Do lado de dentro, o teatro elegant e as refeiq6es equilibradas. A Mesbla de entao era um modo de ser, um padrao cultural. Estive dias atras na loja belenense apenas para imprimir a melancolia do fim: os soqobrantes funcionarios agru- pados pelos cantos e um mostruario com itens envelhecidos, sobras de uma queimagao que nem se tornou intense para assinalar mais incisivamente o fim. A Mesbla morreu de inanicao, produto hibrido de uma conurbaqdo que aca- bou arrastando produto de natureza di- versa, o velho Mappin dos ingleses, popularizado sem estilo no coraqao de Sao Paulo. Foi triste testemunhar um fim sem glamour de algo que marcou tao delica- damente a nossa for- maqao. A Mesbla exerceu seu fascinio numa 6poca em que a classes m6dia tinha os os status sem ter, ne- iteto quando cessariamente, di- nheiro. Perdeu as i. Paulo Cal 6 duas coisas, o que se melhor podera atestar, mais s paraenses. uma vez, quando a o contraria Mesbla nao for mais veitaria do que lembranca, especialista sem marcos materi- Torres, ais capazes de repre- ato cor as sentar, no lugar, o sp6cie de bom gosto da mais chic das lojas que 6 precise que esteve ao alcance ilar, saiba dos nossos bolsos. ver, por sinal, Uma era de capitalis- para falar mo personalizado, do por isso, qual Panair, Mesbla e tivamente, outras marcas eram marcos-e, agora, se toraram hlpides. * JOURNAL PESSOAL 22 QUINZENA DE JULHO / 1999 5 A corte tucana: agao entire amigos Como parece ser norma na adminis- traqco Almir Gabriel, nenhum esclare- cimento official foi prestado sobre a si- tuaqao da Estaqco das Docas, a obra suntuaria comandada, de fato, no porto de Bel6m, pelo secretario de cultural, Paulo Chaves Fernandes. Nem mesmo o responsavel de direito pelas obras, o secretario Inacio Gabriel Neto, se sen- sibilizou pelas cobrangas que aqui Ihe foram respeitosamente feitas (ver Jor- nal Pessoal 214). A opiniao p6blica, para o governor tucano, 6 uma entidade passiva. O unico papel que Ihe cabe, na 6tica dos nossos mandarins empoleira- dos, 6 receber a propaganda official e acreditar nela. Fiel a seus idiossincraticos principi- os, sua excel6ncia nem deveria dar-se ao trabalho de determinar ao seu auxili- ar competent (ao menos no piano for- mal) para fornecer as informaqces soli- citadas por este journal. O doutor Almir Gabriel esta preocupado demais em acompanhar a evoluqgo do seu aliado compuls6rio, o grupo Liberal, para dar atencao a um veiculo de comunicaqao tao insignificant quanto este. Ignoran- do a origem das critics, entretanto, El- Supremo deveria prestar contas ao con- tribuinte. Afinal, 6 quem paga a conta dessa "janela" (talvez venha a ser a mais cara do mundo) para o rio, envidragada e refrigerada, como de estilo. Mas ela ja esta excessive. Confor- me este journal denunciou, o custo ofi- cial da Estacao das Docas, orqado quando as obras comecaram, no final de 1997, em 6,2 milhoes de reais, ja esta em R$ 9,3 milhoes. Para todos os efeitos legais, o valor estacionou ai para nao contrariar abertamente a lei 6.383, sobre contratos publicos. Estourado o orgamento, cor exces- so de 50% em relagao ao que estava aprovado, a Secretaria de Obras abriu nova concorrencia para a conclusao do mesmo projeto, cujas propostas serao abertas no pr6ximo dia 8 (se aparecer outra empresa disposta a enfrentar a que ja esta no canteiro, a Marko Enge- nharia). Segundo informaqoes extra-ofi- ciais, a previsao de custo para a finali- zagdo da obra 6 de R$ 7 milhoes. As- sim, na melhor das hip6teses, o que foi aprovado para custar R$ 6 milh6es, saira por R$ 16 milh6es, se novos adi- tamentos nao forem adicionados ao se- gundo contrato. A Estacao das Docas ainda ndo ti- nha um ano quando sofreu seu primei- ro reajuste, em setembro do ano pas- sado, no valor de R$ 851 mil. Outro acr6scimo ocorreu tr6s meses depois, de R$ 660 mil. Uma paulada de R$ 1,5 milhao foi dada em marco deste ano. Tudo isso porque o autor do projeto, o arquiteto Paulo Chaves, vive mexendo nas concepg6es originals, aduzindo mais luxo e maior inventividade. Alem de acarretar 6nus para o era- rio, cujo cofre ter sido celeremente raspado nos tiltimos meses, essa volu- bilidade ter um aspect legal: o arqui- teto venceu um concurso (ja em si po- l6mico) corn um determinado projeto, delimitado por proposta e custo. Nao respeitando esses parametros originals, nao estara o genial artist rompendo unilateralmente os terms do concurso pfiblico? Ele esta autorizado, pelo seu chefe, a abusar da circunstancia de ser, ao mesmo tempo, um secretario de Es- tado e o arquiteto da obra? A Estaago das Docas, depois do Parque da Resid6ncia e da Feliz Lusi- tania, consagra o governor Almir Gabriel como uma perdularia agao entire ami- gos. Pena que nao estejamos na corte de Versalhes. Nao custa, porem, adver- tir que excess de brioches em epoca de fome estimula id6ias como a da gui- Ihotina, ainda que nao estejamos na Franca pr6-revolucionaria do final do seculo 18 (embora tenhamos chegado ao final do milenio). * Contra o que? Depois que a onda pas- sou, li Contra o Brasil, de Diogo Mainardi (Companhia das Letras, 214 paginas, R$ 19,50). O autor pode ser apresentado como um dos herdeiros de Paulo Francis, mais para a vertente de fic- cionista do que de jornalis- ta. Tern 37 anos. Escreveu o primeito livro (Malthus) 10 anos atras. Contra o Brasil e a quarta obra. Auto-exilou- se na Italia (Ravelli), de onde manda suas resenhas litera- rias para Veja. Parece indi- car que uma aproximaqco a Gore Vidal 6 mais forte do que a Francis, o que talvez possa poupa-lo de vir a ser o Ivan Lessa da nova geraqao. A saga de Pimenta Bue- no, o personagem principal do livro mais recent, tern sido apresentada, inclusive pelo editor, como romance. O mais certo, por6m, 6 bati- za-la de novela (ou, melhor ainda, de alegoria). Nao se trata de mero detalhe ret6ri- co. Diogo Mainardi leu mui- to, e bem, a literature dos vi- ajantes estrangeiros, que, vendo o Brasil de outra 6ti- ca, permitiram-lhe contrapor ao "gigante adormecido" no eterno pais do future um Brasil sem perspective, auto- destrutivo, quase natimorto. Pode-se contra-argumen- tar que Mainardi esqueceu naturalistas estrangeiros mais bem impressionados corn o Brasil, como o magnifico Henry Walter Bates (que todo habitante da Amaz6nia devia ler, assim como o pa- dre Joao Daniel do Tesouro Descoberto do Rio Amazo- nas). Mas o escritor nao montou apenas uma tese, embrulhando-a corn o diafa- no (sim, porque, no caso dele, inconsistent) manto da fantasia. Tentou mesmo a obra de arte, a que subsiste. Tentou pelo menos cor cri- atividade e audacia, duas das condic6es da boa arte. Se conseguiu, fica um ranco de frustraqao ao fim da leitura, mas inegavelmen- te ela 6 fluente e atraente. Nao 6 pouca coisa. Ainda mais porque, fechada a ulti- ma pagina do livro, o dis- tinto leitor ter um roteiro a seguir para conhecer, de fato, o seu pais. Seguindo as marcas da sua pr6pria sensibilidade e desligando- se, no caminho, de algo que nos ter sido fatal: o precon- ceito (ou a prevengao). E do cajado ainda rustico do en- rage Mainardi. 0 6 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE JULHO / 1999 CARTA Interesse public 0 economist Jose Miguel da Silva Batista enviou a seguinte carta: Li hoje, 01/07/99, cartas-respostas dos srs. Afonso Chermont e Edson Roffe (JP n" 214) a minha carta-protesto pela omissao dos 6rgaos re- presentativos da classes dos economists na defe- sa do IDESP e contra o ato arbitrario do sr. Go- vemador do Estado. Faqo meus os seus comenta- rios introdut6rios a transcricAo das cartas dos ci- tados senhores. S6 issoja bastaria como resposta. No entanto, faco alguns comentarios adicionais, pois fui ofendido pessoalmente e publicamente em seu prestimosojornal. O sr. Afonso Chermont na ocasiao do fecha- mento do IDESP era o seu president e, portan- to, auxiliar de confianca do autor da sua extin- cao, o Sr. Governador do Estado. Era razoavel que se mantivesse omisso na questao, mesmo sendo economist. Mas a sua resposta mostra sua educaqgo e elegancia, que tive a oportunida- de de conhec6-las alguns anos atras como seu aluno de Economia Internacional. Quanto ao sr. Roffe, os anos nao o modificaram: continue o mesmo arrogante, carreirista e, quiga, o mesmo pessimo professor que tambem tive a oportuni- dade de conhecer ensinando Economia Brasilei- ra. Ha quantos anos, este senhor se pendura no IEPA, no Corecon e no Cofecon, nada fazendo para melhorar a situacao do professional econo- mista, seja empenhado-se em melhorar o nivel de ensino das faculdades de economic, seja me- Ihorando a fiscalizacgo do Conselho de Classe, evitando a invasao de outras profissbes na seara do economist. Nao seria na luta pela so- brevivencia do IDESP Marca que este senhor iria mostrar empenho. Sua Por qu a prefetur carta denota apenas lmimiciou aconstrua aioes para pessoal- gadio em frente ao T ese para pessoa- Paz antes de receber a mente se promover (a pr6pria reposta a mi- -go Iphan (Institut trim6nio Hist6rico e i nha cartaja e uma des- nha cartaj6 ua des- Nacional) e da Secre sas acoes, pois ele ja sas a po Cultura do Estado? P( previra a sua publica- o p to Edmilson R o prefeito Edmilson Rc cao evidentemente) e o evidenemente) e gastando pouco, poderi nao procedimentos ar- no procedimentos ar- uma obra singela, mas ticulados, de mobiliza- de imaco publici, mas Sde classes, para evi- de impact publicitari o de clase, para evi- tem sido a maioria das tar a extinqdo de um alizag6es. Ndo import orgao tao carol a nossa aliza06es Nao ipr rgo to cargo a nossa instituig6es compete profissao. Levianos e concordem com as id mentirosos sao aqueles , que se utilizam dos 6r- caide temendo que ul daio corn bancos e flore gaos representatives de descaracerano classes para promoo be descaracterizando classes para pro o Antes de receber uma r pessoal, como trampo-aior lim, para se aproxima- com maior probabilida rem do poder, quem um nao adantou-se sabe co o intuito de criar um fato consuma sabe co o intuit de A cidade espera qu dele fazerem parte, em A cidade espea detrimento de toda uma aga nao se consume. classes professional. * Secretaria de Educacao de terminou a inexigibilidade de liciltaqo "para serviqo de im- pressfo grafica da obra 'Estudos e Problems Amaz6nicos'", segundo o Diario Oficial do dia 6. A media foi adotada pelo subsecretario Jos6 Mar- ques, corn referendo da sua superio- ra, Rosineli Guerreiro Salame, "com fundamento no art. 25, caput da lei n 8.666/93". O dispositivo legal referido decla- ra: "E inexigivel a licitacao quando houver inviabilidade de competiqao, em especial:". Seguem-se tras incisos e dois paragrafos. Logo, a fundamen- taqco nao foi efetuada corn rigor for- mal. O ato deveria explicitar o com- plemento do caput, ou, nao o fazen- do, deixar mais claro que o enquadra- mento abrangia todos os incisos e pa- ragrafos. S6 que tal generalizagao, a vista a integra do artigo 25, nao s6 e impos- sivel, porque nao se trata de comple- mentaridade, como incorreta. Na ver- dade, a fundamentacao para a inexi- gibilidade de concorrencia piblica nao tem amparo nem nesse artigo, nem em toda a lei, a nao ser que a Seduc demonstre s6 haver uma grafica em Belem capaz de imprimir a tal publi- caqio, o que Ihe garantiria a exclusi- vidade do servi.o. Aguarda-se tal escla- recimento. de Be- e Be- eguindo sugestdo Sdeste journal, o Tri- tro da bunal de Contas do rova- ova- Estado, ainda na adminis- o Pa- tracdo de Nelson Chaves, tistico isto adotou um novo modelo ria de .rie para os terms aditivos de ue ali contratos da administra- igues, do piblica. Os responsd- ealizar veis pelos atos foram obri- gran- gados a prestar mais infor- como mad5es, favorecendo o tra- as re- balho de acompanhamento que as e fiscalizagdo do cidaddo. ;s nao s no Ouso sugerir ao novo pre- S sidente do TCE, Sebastido cala- Santana, que acrescente is aca- saca- mais uma exigOncia: que os local. models contenham tambem post, a data complete de assina- de ser tura do contrato original. Itando Pensei nessa necessida- S de ao ler, no Diario Oficial ame- de 28 de maio, o quinto ter- mo aditivo ao contrato as- sinado pela Secretaria de Obras do Estado para a reform da Santa Casa de Miseric6rdia do Para. O contrato foi assinado em 1998 (data complete nao especificada) corn a Vin- culo Engenharia. Em setembro desse mesmo ano houve um acr6scimo de 160 mil reals. O reajuste esta perfeitamente en- quadrado na lei 6.383. Mas a admi- nistragao piblica nao e regida apelas pelo principio da legalidade. Ela ter que obedecer tambem a probidade e Smoralidade. Numa administration em que o delfim faz suas obras cresce- rem tao rapidamente, como aconte- ceu cor o Parque da Residencia, a Feliz Lusitania e a Estaqao das Do- cas, a unica preocupagao parece estar sendo a da legalidade e uma legali- dade estritamente formal, para mero resguardo de direito. Desde que o teto fixado pela lei para acrescimos de va- lor e prorrogaqao de prazos seja se- guido, o mais e deixado de lado. Esse estado de espirito gera a irresponsabi- lidade, a falta de acuidade na aplica- cao do dinheiro public, na presun- qFo de que um advogado sempre ha- vera de suprir as falhas, se elas segui- rem a margem da lei. No caso, nao sera imprevidencia de quem orcou a reform da Santa Casa (por certo just e necessaria) acrescer um tergo ao valor original? Um julgamento mais exato depend de saber quando a obra comecou e quando foi aditada. Justamente para prevenir distorqbes e suprir boa infor- magao, o TCE pode aduzir ao mode- lo essa informacno: a data da assina- tura do contrato original. Sera possi- vel, assim, distinguir melhor os gatos pardos dos pretos. Diario Oficial de 27 de maio publicou o quarto aditamento ao "contrato de prestagAo de services e publici- dade" entire o Banco do Estado do Para e a Griffo Comunicaaio e Jor- nalismo. O aditivo e para prorro- gar o prazo de vencimento do con- trato, que passa a ser novembro deste ano, e acrescentar-lhe mais um milhio de reais. Mas, contrari- ando a norma do TCE, nio foi es- pecificada a data do contrato ori- ginal, nem o seu valor. Tambem nio foram explicados os motives do "aditamento de recursos financei- ros". A licitacho para a contrata- gio da Griffo foi efetuada corn dis- pensa de licitaaio (por qua?). , ad o ea ap o Ar ;ta: )rq >dr ire de o, sU a ite as nI ira o es de en do ea JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE JULHO / 1999 7 Junho foi o pior mis do ano para os donos de bancas de jomais e revistas de Bel6m e um dos piores de todos os tem- pos. Os encalhes variaram entire 40% e 50%. E um valor impressionante. Afeta sobretudo uma publicacao que depend exclusivamente do seu leitor, como esta. Ha cinco numeros o Jornal Pessoal ope- ra no vermelho. Sem reserve de capital (na verdade, sem capital algum), nao su- portara esta situaqio por mais dois ou tres numeros, simplesmente por nao poder cobrir seus custos de produgao. A alternative seria recorrer a publi- cidade, comprovada a impossibilidade de sobreviv6ncia de um peri6dico apenas atrav6s da venda avulsa (em m6dia, 80% da receita de umjomal origina-se da ven- da de antncios). Mas lancei este journal e o mantive at6 agora com o compro- misso editorial de nao acolher publici- dade, medindo sua razao de ser pela res- posta dos seus leitores (relativizada, e claro, pelas limitaq6es promocionais e de divulgagao deste JP). Prefiro encer- rar a experi6ncia a modifica-la neste as- pecto. De outra forma, logo, na escala devida, estaria tendo que assumir a rou- pagem de uma empresa conventional, dividindo (quando nada, o tempo) entire escrever e arrecadar anuncios. O preco de capa do journal 6, hoje, o mesmo de maio de 1995, quando reto- mou sua circulacgo. Mesmo para efeito de simples atualizaqao monetaria, deveria subir para tris reais. Considerando-se que o poder de compra mrdio do brasileiro evoluiu abaixo da inflacao do period, pro- mover o reajuste acarretaria uma restri- 9ao de public ainda maior. Nao mexer no preco de venda ao consumidor repre- senta um supremo esforco para respeitar o empobrecimento do leitor, algo ignora- do pelo governor e a grande imprensa. Os principals jornais do pais, pretex- tando razoes t6cnicas de um process uni- versal para proporcionar ura melhor lei- tura de suas paginas, reduziram em 10% seu consume de papel. A fnica e honrosa exce~9o foi a Gazeta Mercantil, que ten- ta recuperar o prejuizo com uma propa- ganda agressiva em tomo das vantagens de ter mais espago, desde o dia 6, compa- rativamente a todo o restante da grande imprensa national. Depois de um recent reajuste de pre- qos (que tornou O Liberal o mais caro journal diario do pais e um dos mais cars do mundo, mesmo com a desvalorizacao cambial), a supressao de espaco, que es- treitou o tamanho das paginas, 6 uma vio- lagao dos direitos do leitor enquanto con- sumidor. Mas 6 tambem um artificio en- genhoso para segurar o preqo de capa, pressionado por um custo real que nao aparece nos indices do custo de vida. Uma imprensa que apoiou sem crit6ri- os (ou por crit6rios nao apresentados de public, extraidos da caixa registradora) a privatizacio a brasileira, que engendrou como um de seus produtos coerentes o "caladao" da semana passada, nem se pre- parou para cumprir as promessas feitas a opiniao public, nem a adotou cor as cau- telas da melhor imprensa intemacional. Algunsjornais nao fizeram a mudanca no dia 6 por causa dessa imprevid6ncia (ain- da tinham estoque de papel antigo) e ou- tros a adotaram cor visivel improprieda- de tecnica (a "mancha" impressa diminuiu, mas as margens continuaram grandes). Nenhum compensou o leitor, de fato e objetivamente, pela reducao do espago, senao atrav6s de ret6rica publicitaria. De minha parte, tento manter estejomal vivo e integro em sua originalidade. Mas quem vai dar a resposta final (e jd a esta dando) e o leitor. Dele, a 6nica coisa que sempre pedi foi empenhar-se para difundir o jomal, apregoando-o a pessoas ao seu acesso ou comprando mais de um exemplar para apresenta-lo a quem o desconhece, ja que a rnidia deste publicaqio sempre foi qua- se nula. Essa pregacqo parece ser insuficien- te para anular ura serie de components de um imobilismo que tern raizes ainda mais funds do que as deficiencias e improprieda- des evidentes desta publicaq~o altemativa. Se assim ter que ser, assim sera. * Agenda Por enquanto, ndo havera assinaturas p Agenda Amazbnica, publicaqdo que pre na segunda quinzena do pr6ximo mes. E empreendimento corn umna alta dose de i. que ainda vai testar a receptividade. A para as bancas de revista e sera apresen diretamente nos colegios e universidade, poderd serfeita para maiores quantidad ligarpara 2417626 e 2237690. Existencia no limited Mensagem A Vanguarda espalhou pela cidade out- door anunciando que sua propaganda re- almente "atinge o alvo". Ilustrando a men- sagem, um tanque dotado de 20 canhoes. A peca da oportunidade a algumas uteis reflexes. Nao existe o tanque que aparece no cartaz, cor 20 canhoes de diferentes ca- libres. Nem pode ser criado para o mun- do das utilidades: 6 pouco volume para tanto impact que o deslocamento cor os disparos provocaria. Trata-se, 6 6bvio, de uso da fantasia para escorar a mensa- gem publicitaria. Jamais nos devemos despir da nossa fantasia, nem na maturidade. Mas fanta- sia tem seu moment e sua circunstancia. No out-door ela foi usada abusivamente. Nao tanto pela impossibilidade fisica do tanque, mas pelo seu sentido simb6lico. Parecera, a quem captar a mensagem li- teralmente, que a propaganda s6 surte efeito se for massive, intense. Entretanto, um artilheiro que acerta o tiro a partir de um tanque corn urn ou dois canhoes 6 mais qualificado (e eficiente) do que outro que usa um tanque com 20 canh6es. Destacar esse aspect nao interessa. E nao por motive metafisico: 6 que a pre- feitura de Belem, cuja conta mais rombu- da esta cor a Vanguarda, manteve a dire- triz da administradao anterior (de H6lio Gueiros, atraves da Griffo Propaganda), recorrendo a propaganda massive para "atingir o alvo". Logo, a ag6ncia nao esta tratando de sexo dos anjos quando intro- duz o tanque de 20 canh6es no seu out- door. Busca a legitimidade remissiva, in- sinuando subliminarmente ao contribuin- te municipal que essa 6 mesmo a melhor propaganda. 0 PT que combatia H6lio Gueiros re- pete-lhe os erros, ura reediqao (na es- cala das imitag6es) do traco de continui- dade entire a propaganda Goebbels a ser- vigo de Hitler e o que faziam os prole- tkults para Stalin. A propaganda official e tao necessaria e util quanto a privada. Mas, quando serve ao culto da personalidade e a objetivos politicos individualizados, toma- ara a se um mero instrumen- tendo lancar to de manipulaq o de umn massa. Por isso, sem- ncertezas, pre foi tratada com Agenda ird atengdo (e verbas tio tada prolificas quanto regu- ada lares) pelos ditadores s. Reserve de fato e os espiritos 'es. Basta autoritarios edulcora- dos. Nao ha excegao. Nem ao tucupi. * Go home A emissao da carteirinha de meia-entrada, sua principal re- ceita, garante a UNE (Uniao Nacional dos Estudantes) fa- turamento annual de 1,5 milhao de reais. Nao 6 a toa que at6 nas entidades estudantis come- caram a aparecer denincias de corrupqao. Os ideas comeqa- ram a sair mais cedo da vida public brasileira. Antidoto Como cidadao, o m6dico Al- mir Gabriel ter todo direito a privacidade. Como govemador do Estado, tudo da sua vida que interfira na administradao p6blica precisa ser informado a sociedade (e a saciedade). Assim, desde que as especula- c9es sobre sua saude deixaram o circuit da boataria e alcan- caram a forma impressa dos jomais (inclusive levianamen- te numa coluna do ex-gover- nador H6lio Gueiros, ao estilo dele), 6 obrigagao do govemo esclarecer o assunto. O que 6 simples: basta o govemador se submeter a uma pericia medica competent, que ele certamente recomendaria a um paciente se ainda estivesse exercendo sua profissao, e apresentar o resultado a opi- niao piblica. Os cidadaos fi- carao sabendo que sua exce- lCncia esta bem e que vai con- tinuar desempenhando suas fun9~es, al6m de proporcionar alegria e bem-estar a sua fa- milia e aos seus amigos. A verdade costuma ser o melhor antidote contra as aves agourentas e especimes similares. Cabega Ojomal O Estado de S. Paulo anunciou em manchete de pa- gina intema, numa reportagem sobre pesquisa arqueol6gica: "O cranio mais antigo da Ame- rica 6 de Minas". S6 faltou acrescentar: e comanda o go- vemo do Estado. Silencio Os assessores mais cinicos - supostamente os mais espertos - aconselham aos seus patr6es a nao reagir. A tatica do sil&n- cio, beneficiando-se da desme- m6ria do povo, acaba por imo- bilizar as campanhas de opiniao. Fiel a essa diretriz, o govemo do Estado nada diz sobre a in- chagao do seu gabinete (ver JP 213). E, ignorando, vai contra- tando mais assessores. Ate quando? Liso O segundo contrato para a Es- tagao das Docas, datado deju- nho, 6 o 001 da Secretaria de Obras. Isso quer dizer que, s6 no final da semestre, ela esta abrindo a primeira concorr6n- cia. Que nao 6 para obra nova, evidentemente. O governor da- se por satisfeito de continuar e finalizar ojd iniciado. O saldo de caixa evaporou. Como o buqua era barato, nem o per- fume ficou no ar. Icdesp^ / Acionado por Caimen Cal, Mn e penitencio novamente: o pro- jeto do pr6dio do Idesp 6 do arquiteto Jorge Derenji e nao de Paulo Chaves Fernandes. "Fora a funcionalidade, o ca- racol em granite preto (ou qua- se) cor parece em chapisco de concrete vermelho 6 o ma- ximo. Marca registrada de pes- soas de bom gosto", observa Carmen. Ter razao. Embora talvez haja concrete em demais para espacos tao diminutos, a meu gosto. O pr6dio, de qualquer ma- neira, ter uma marca. Sera que ela subsistira cor a re- forma que vai preparar o lo- cal para os sete secretarios especiais? A maior qualidade Anacronismo ecentemente a Cosipar ICompanhia Siderurgica do Para). instalada em Maraba. conseguiu da Scctam I Secrecana de Ciencia. Tecnologia e leio Amnbiente do Estado) licenaas de operaq;o para que 14 I tbmos do upo "rabo quente" possam produzir 2.774 metros ctbicos. mensais de can ao \ egeal. usado pela empresa como redulor de cfrro gusa. Como o prazo de \ alidade das licenras \ ai ate fe\ ereiro do pro6imro ano. dresses tbmos s-airo,. nesse penodo. quase 30 mil toneladas de can ,o \ egeral. Lima outra IIcenga de operaqao a Cosipar recebeu para desdobrar errar ra 30 metros cubicos diaros de inadeira em roras. pro% a\ elmente para utilizar conmo inatera-prima do car\ o .egetal. Pode nao haer urma rela,3o entire a., duas ordens de grandeza. mas e\amina- las num mesino document sugere uma desproportao entire a quantidade de car% o e o insumo obiido sern o desmatamento de areas notas E a conclusao de que at\ idade produi\ a de baxlssimo \ aloragregado continue se mantendo per seu elet adissimo custo ambiental. Moral sujleia a um ou outro en\ernizamento e\plicati\o, mas, na essencia, pouco edilicante. A Charles Dickens, se ressuscitasse na Amaz6nia. o que njo tltaria seria inspiraqio para rescre, er. aqui. os romances pungentes corn os quais registrou o nascirento cruel do capitalismno na Inglaterra. Sena um Dickens de hlrw lan/d. Contemporineo da pnmeira epoca em que % eoo o mundo. mesnmo passados dois seculos. E o ermpo real da Amazonia em algumas das suas principals frentes economicas. Journal Pessoal Editor: Lucio Flavio Pinto Sede: Passagem Bolonha, 60-B 053-040 Fones: 223-1929 (lone lax) e 241-7626 (tax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/,6&,05j-04Qji- Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.contbr --- Ediqgo de Arte: Luiz Antonio de Faria Pinto/230-"04 -" *, '*-" U i do projeto de Derenji 6 com- bihnar-souso official do lugar comr um- torn de informalida- de e e-ide scontracqo das li- nhas arquitet6nicas. Favorecia a atividade de um orgao cuja principal materia-prima eram as id6ias. Elas tamb6m serao trabalhadas pelos novos man- darins do governor? Alias, a administration es- tadual quis economizar dinhei- ro a maneira do prefeito Ed- milson Rodrigues. O contrato para a obra era, originalmen- te, de 100 mil reais. Um aditi- voja elevou o valor ao maxi- mo permitido para obras de reform, que 6 de 50%. Mas a finalizacao esta desafiando esses parametros. Teremos uma mini-Estagao das Docas? Contas Se o balanco 6 o espelho con- tabil de uma empresa, o ba- lanco da Delta Publicidade, empresa que edita ojornal O Liberal, tem alguma distor- qao. Uma corporaqgo tao po- derosa, poder que nao se re- flete integralmente nem mes- mo no seu faturamento annual declarado (de 30 milh6es de reais), possui como capital social inexpressivos R$ 685 mil. O demonstrative das contas da Delta, publicado no Diario Oficial do dia 1, nao fazjus a imagem que ela pr6- pria projeta para si. Parn apreciadores de boas de- monstra9oes, e uma decep- 9ao. De impressionar, mes- mo, apenas a rubrica "d6bi- tos de pessoas ligadas", en- gastada ao passive: essa con- ta evoluiu de R$ 9,9 milh6es para R$ 13,6 milh6es, duas ve- zes e meia mais do que o patri- monio liquid da empresa. Aviso Nada tenho de pessoal con- tra Paulo Chaves Fernandes. Ele 6 uma pessoa inteligente e agradavel, cor quem compen- sa conversar. O que nAo com- pensa 6 dar-lhe um cargo pi- blico. Quando terminar esse descompasso, talvez possamos a usufruir das imprevisiveis cir- cuns~andiasiuenos permitem batir 'um bom papo. At6 la, espero que nossas:divergenci- as continue fidaigais. |
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