Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00163

Full Text


Jornalismo



.... (PAG. 5)
Li) CIO F LAVIO PIN TO 191 '.'..
InI'eragao:l
ANO XII NP 214*1 9 QUINZENA DE JULHO DE 1999 RS 2,00 Um IfgziO


ESTA('AO DAS DOCAS (A.3



Elefante branco tucano


A Est~agao das Docas deveria custar R$ 6,2 milhodes. Como estouk~lu eli; 50% o que
estava orgado, uma nova concorrdncia teve que ser aberta A~~ obra pod-e~tdl.hstar, no

final, 100% acima do que se previa, ou ate~ aledm. Serai um 'auttico elefahteri branco
da administragdo Almir Gabriel. IMas o autor do projeto nao se'~jzporta: a 'con~tor serai
apresentada ao povo. Como de praxe.


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-~ -~F ESAA

DAS DOCAS
MAI UMA BRA D
PAULO~ CHVE


o inicio do mis pas-
Ssado a Secretaria
de Obras do Esta-
do abriu sua pri-
meira concorr~ncia
Spi'blica do ano. E :
para 0 "prosseguimento da obra de re-
forma e construglio da Estaglio das
Docas", em Belim. No pr6ximo dia 8
as propostas apresentadas serilo aber-
tas. O contrato originbrio era de 6,2


milhaes de reais. Varios aditivos foram
assinados ampliando esse valor. A aber-
tura da segunda licitagilo para a mes-
ma obra, ainda distant da conclusio,
indica que o limited legal para acrisci-
mos de valor foi atingido. Tratando-se
de obra de reform, o reajuste pode
chegar a 50%. Isto significa que o va-
lor da Estagilo das Docas ji deve ter
chegado a R$ 9,3 milhaes.
HE quem garanta que o custo real,


hoje, vai al~m. Fala-se at6 em R$ 12
milhaes, praticamente o dobro do custo
previsto. Assim, o novo contrato tanto
vai permitir realizar novos servigos,
como poderia remunerar o que jb foi
feito por conta dessa antecipaglio de
obras sem cobertura orgament~ria. Niio
por acaso, um dos temas constantes a
margem da posse da nova diretoria do
sindicato da construgilo civil, na sema-
na passada, era: a sdrio, alguma outra)


r ~ LC
L.LL~ ~i~ L~
~' "BLc~LSc3: [~L~C~L i L C-ecL~L L L ir' (-LI s. 2 '
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2 JOURNAL PESSOAL* QUINZENA DE JTULHO/1 1999


) construtora que nIio a ji instalada no
canteiro de obras ter8 condigio real de
se habilitar a esse "'prosseguimento"?
A constru~glo da Estaglio das Do-
cas, ocupando tras galpaes no porto de
Belim, foi iniciada no final de 1997. O
novo point, projetado pelo arquiteto
Paulo Chaves Fernandes, secret~rio
executive de cultural, em um poltmico
concurso, deveria estar em condigdes
de uso para o Cirio do ano seguinte.
Provavelmente nito estard pronto nem
no Cirio deste ano, em outubro. Ficard
para a festa do ano 2000.
Diz uma fonte do setor qlue a culpa
por esse atraso, comn seus acr~scimnos
de custo, nito 6 da responsivel pela
obra, a Marko Engenharia. A empresa
limitou-se a executar todos os caprichos
do autor do projeto, um~a usina de id~i-
as em motor continue, com o inconveni-
en~te de nem sempre a sucessilo de in-
ventividade seguir process cumulative.
Um novo bafejo de genialidade pode
anular o anterior.
Nada a objetar se o custeio de tanta
criatividade nito viesse dos onerados co-
fres pilblicos. Nove ou 12 milhies de re-
ais 6 dinheiro suficiente para uma obra
de alto significado social on capaz de in-
duzir novos investimentos produt~ivos.
Mas certamnente o custo final desse pro-
jeto ir8 alem desse valor; e, provavel-
mente, de R$ 15 milhaes. Alguns apos-
tam em R$ 20 milhbes, considerando os
acr~scimos qlue foram realizados e os
servigosqcue ainda serlo necessirios at6
a obra poder ser considerada pronta e
acabada. Todas as especulaq8es sio
possiveis quando caprichos, mesmo qlue
de bomn gosto, nito t~m fronteira.
Tudo indica qlue, mais do qlue um ponto
de revitaliza~ilo da cidade, de reconcilia-
9510 com sua localizac;ilo estuarina (uma
"fjanela parao rio") oude multiplicapliodos
investimentos em turismo, a Estagilo das
Docas by Paulo Chaves Fernan~des seri
o elefante branco da administragilo Almir
Gabriel, dando-lhe a notoriedade que o
governador sem~pre buscou, mas alcanga-
da pelo caminho imprevisto e indesejidvel
(como no epis6dio do massacre de Eldo-
rado de Carajgs).
O projeto em siji6 bastanteqcuesti-
ongvel. A tal da janela par~a o rio nto
seri panortimica porqlue as estruturas
metilicas estarito ali, desajust~adas em
relaglio B nova fun~glo com suas pare-
des de vidro, sua climatizaqilo exage-
rada e 500 metros de extens~io em de-
safio B capacidade de sustentaglio eco-
n~mica, sem falar nas vias, travessas e
armadilhas qlue surgirlio no memento de


definir a forma de comnercializaglio da-
quele espago.
Esse 6 um dos n6s gordios do proje-
to. Niio se prev6 que o Estado, donor da
obra, vri tambim explor-la comercial-
mente. DeverA abrir concorr~ncia para
terceirizl-la. Seri uma terceirizagio
global on fragmentada? Isto 6: uma s6
empresa ficar6 responsabilizada pela
gestlo do conijunto de espagos e ativi-
dades projetadas para a Estaglio das
Docas, cada uma delas sublocada? Na
definigilo do valor minimo do lance de
arremataglio, o Estado incluird a retor-
nlo integral do invlestimento ali feito? Se
isso ocorrer, sera viaivel o surgimento
de candidates? Caso o Estado resolve
transformar parte do que gastou (ou
tudo) em aplicaCio a furndo perdido, sem n
ressarcimento, comno estabelecer um
valor just na rela~tio entire o vencedor
de uma concorrincia global e os ter-
ceiros que comn esse vencedor firma-
remn contratos de sublocagtio?
Silo apenas alguns dos muitos aspec-
tos intrincados desse projeto, concebi-
do e executado sem a menor preocu-
pagilo com seu impact sobre o erdrio,
definido como se viv~ssemos em uma
monarquia (na hora da comercializaFio,
transfere-se a algulm membro da corte
o direito de explora~glo, valendo-se das
acomoda95es legals qlue nosso particu-
lar sistema republican possibility).
Aconteceu assimn, na administraglo
Almir Gabriel, no restaurant do antigo
Pal~cio Lauro Sodr6 (hoje Museu do
Estado), no Parque da Resid~ncia e no
Museu de Arte Sacra, tudo B maneira
do pr~incipe Paulo Chaves.
Ele jB havia feito algo semelhante,
embora em proporg8es niio tito gran-
des, no complex do Ver-o-Peso quan-
do Almir Gabriel era prefeito de Bel~m.
A restauragilo e redefiniptio de uso do
velho pr~dio que viria a ser o Solar da
Beira foi caprichada, mas nito teve sus-
tentaZilo commercial. Sucessivas licita-
95es para o Caf6 Chic, outra cria~gio
do secretirio de culture, nito atrairam
interessados. Nilo importa: o arquiteto
tinha id~ias iluministas para 0 local; se
incompativeis com a realidade, a reali-
dade que se dane. Ao artist, o que
importa 6 a perpetuadio da sua fama
(e algo mais, se possivel).
Para os efeitos da atual aprecia~gio,
por~m, esses aspects serilo momen-
taneamnente deixados de lado. O enfo-
que grave, aqlui, 6 o do custo. No espa-
90 de menos de dois anos o orgamento
aprovado para a Estaglio das Docas ji
estourou em 50%, na versflo official, ou


100%, nas avaliaqaes informais. Nin-
gu~m tem d~ivida de qlue, na melhor das
hip6teses, dobrard de valor. Como j6
aconteceu no Parque da Resid~ucia e
na Feliz Lusit~inia, org~ados em R$ 7 mi-
lhdes e qlue custaramn mais de R$ 13
milhbes (a Lusit~nia ainda inconclusa).
Fazer duas vezes mais carol o que
prometia executar em prazos inferio-
res a dois anos tem sido a marca re-
gistrada de Paulo Chaves, como res-
ponsavel, de fato ou de direito, por re-
alizaC~es como a Feliz Lusitiinia e o
Parqlue da Residincia, alem da Esta-
9tio das Docas. Tais caracteristicas,
combinadas, podem ser batizadas de
imprevid~ncia. E imprevid~ncia temn
um custo. No caso, quem o paga nIto
eo autor, mas o contribuinte. Que, ali-
Bs, como ocor~re com as obr~as dos gB~-
nios auto-intitulados, nito 6 ouvido nem
cheirado. S6 serve para guitar a nota
de cobranga.
Com seus miritos e demiritos, a Es-
tagilo das Docas vem sendo construida
pela Marko Engenharia. Se uma outra
empresa por acaso veneer a segunda
concorrancia, o prosseguimento da obra
serd regular? A Marko estA suficiente-
mente remunerada para se retirar do
canteiro sem cobrar outr~o valor? O qlue
ela executou 6 exatamente o qlue foi
empenhado?
O secretario de obras, Haroldo Be-
zerra, qlue pegou esse elefante andando,
val ficar diante de um dilema. Se a Ma-
rko veneer a nova concorrbncia (comn
pouco ou nenhum concorrente), a licita-
glio podera parecer viciada. Se outra
empresa levar, haveri queem suspeite de
um arran~jo feito apenas para ingl~s ver.
E o prego, certamente indevido, ao me-
nos em tese, que um administrator pdi-
blico acaba amargando por tito bruscas
e ripidas majoraqaes de valor.
Ao secrettirio, Pilatos nesse credo
egoc~ntrico, restart colocar tudo gs cla-
ras, mandando para o in~cr~dulo jornalis-
ta c6pia do projeto, do contrato original,
de todos os seus aditivos, das ordens de
servigo e do edital da n~ova concorrin-
cia. Esses documents permitirlio quali-
ficar a hist6ria e avaliar seus autores,
reconhecendo a inoctncia de quem 4
inocente e a culpa de quem C culpado.
Do contririo, um pagard pelo outro e
a n6s, qule nem Pilatos podemos ser, res-
tarl pagar a conlta de tanta genialidade
e canceler os cr~ditos que alguns servi-
dores priblicos ainda m~erecem.
Comn a palavra, o doutor Haroldo Be-
zerra, o Pilatos no credo de Paulo Cha-
ves Fernandes. *





JOURNAL PESSOAL *P" QUINZENA DE .TULHO / 1999


Independ~ncia:

B para valer?
A recondupd~o de Geraldo
Brindeiro (um dos beneficidirios
de firias chapa branca na ilha
de Fernando de Noronhtr) h
Procuradoria Geral da
Repziblica pelo president
Fernando Henrique Cardoso,
aldm de provocar reapao de boa
parte do corpo do Ministgrio
Pliblico federal, que jd preferia
v&-lo pelas costas, pode
reacender uma reivindlicagd~o
cada vez maior: de que a
escolha do chefe do MP seja
feita unicamente pelo coldgio
eleitoral interno, incluidos os
promotores de justiga, alim dos
procuradores. O eleitorado do
MP escolhe uma lista triplice,
mas o poder decisdrio ainda &
do chefe do poder executive,
que seleciona um dos tr~s nomes
e o nomera.
Com isso, mant&m-se as
desconflanpas em torno da
isengd~o dos chefes do Ministirio
Pziblico diante do executive ou
dos grupos politicos. No caso do
Pard~, por exemplo, os dois
procuradores gerais anteriores
tomaram posigd~o political ao
deixarem os cargos de chefia:
Marilia Crespo foi ser vereadora
de Belim PMDB, partido do
governador que optou pelo
nome dela, Jader Barbalho,
enquanto Manoel Santino do
Nascimento tornou-se um dos
sete secretdrios especiais do
governador Almir Gabriel,
tambim seu avalista.
E legitimo e atg desejdivel que
esses procuradores, finda a
carreira, possam continuar
contribuindo para o bem da
coletividade em fungd~o pziblica,
fazendo uso das experibncias e
conhecimentos acumulados. Mas
a depend~ncia de uma sangd~o
do chefe de outro poden sempre
sujeita a ingerdncia politico-
partidd~ria, assegura-lhes a
independ~ncia, retrospectiva e
prospectivamente jfalando?
Foram e continuaraio a ser
independents?
Ai estdi, pelo menos, um tema
para boas reflexo~es. E, no que
couber, deliberapa~es.


tais basicos da Companhia Vale do Rio
Doce, Francisco Viveiros. Rog~rio 6 um
companheiro de viagem de muitos anos,
eu andando fora da raia, ele entrando e
saindo de minas, acumulando conheci-
mento que, generosamente, sempre dis-
tribuiu a todos, inclusive jornalistas, mais
ou menos enturmados nas coisas da
geologia. E um professional de respeito
e competencia, honest e decent.
O recurs adotado para contrata-lo,
nio nos escaninhos supostamente com-
petentes, mas na providencial vice-go-
vernadoria de Hildegardo Nunes, diz
sobre a imprevid~ncia do Para em ques-
tbo mineral e nada, rigorosamente nada
sobre o curriculo de Alberto Rogerio
Benedito da Silva. E um escarnio o Para
estar desperdigando talents como o
dele, e de muitos outros colegas de pro-
fissio, abandonados pelo caminho da
imprevid~ncia, como dilapidado esta
sendo o patrim~nio natural que o acaso
(ou a provid~ncia divina, para os cren-
tes) incrustou em seu territ6rio.
Um chapa branca retrucara que ha
ainda a Seplan e a Sectam no organo-
grama official capazes de lidar com o
assunto. Tangenciam-no, na verdade.
No caso da Seplan, a assungio de po-
der decis6rio e produto de hipertrofia
que diz respeito a egos e nio a proce-
dimentos administrativos salutares. No
caso da Sectam, a convivtncia 6 in-
dispensavel, nio a absorgio, ja que sio
secretaries destinadas a fun95es dis-
tintas, mesmo quando em um campo
~inico.
Na verdade, por essas autofagias do
poder que tanto temos amargado (e
amargurado) por aqui, destruiu-se o
melhor da intelig~ncia em temas mine-
rais que se formou no Para. Nio ape-
nas, nem principalmente em gabinetes.
Mas no confront e no tratamento de
situaCges concretas, inuimeras e diver-
sif icadas, de um front que chegou a ser
sangrento. Milagrosamente, pessoas
como Alberto Rogerio atravessaram in-
c61umes esse mar de ouros e piritas,
hematitas e cromitas, permanecendo
s~rios e aplicados para serem langados
a eventualidades de arranjos, como o
que o DO exibiu, esqueleto escondido
num armatio montado pelos insensiveis
autocratas do servigo pilblico paraen-
se, atestado de suas mazelas, que, in-
felizmente, fazem espraiar sobre esse
dadivoso e maltratado Estado. e


Vejo no Diario Oficial que o ge610-
go Alberto Rog~rio Benedito da Silva
foi contratado pela vice-governadoria
para dar consultoria em political mine-
ral no Estado por dois meses. Recebe-
ra, nesse period, 2.500 reais.
Presume que esse foi o arranjo pos-
sivel, nos parimetros legals, para utili-
zar os servigos de Rogerio, profissio-
nal que ja atuou no DNPM, no Idesp e
na Seicom. E pouco dinheiro para re-
munerar as qualificaq6es do geologo e
e tempo curto para um trabalho ade-
quado. Valor e prazo nada t~m a ver
com a pessoa do contratado. Retratam,
isto sim, a pobreza e a mediocridade
do governor do ParB no que se refere a
mineraqio.
Ela se restringe a indice onomastico
numa empresa natimorta, a Paramin6-
rios, que sobrevive como cabide de em-
prego e arranjo politico. EeCo nada de-
pois da virgula na secretaria que abriga
um departamento com esse nome.
A Seicom 6, primeiro e quase tudo
comercio e (no que sobra) indristria. Mi-
neraCio 6 um "detalhe". No entanto, o
Para e o segundo Estado minerador do
pais, em vias de desbancar a tradicio-
nal posigio que Minas Gerais ocupa ha
s~culos. Fornece 15% do minerio de
ferro consumido pelo Japio e 15% do
aluminio primario usado por aquele pais.
E o terceiro produtor mundial de bauxi-
ta e caulim. Tem as maiores industrias
de alumina e aluminio do continent. E
o maior produtor national de ouro e
manganes, produzidos em escala mun-
dial. E a grande fonte de silicio metali-
co. Vai entrar na corrida do cobre.
A mineraqio, sozinha, como todos
estio cansados de saber, ndo desen-
volve ningu~m. Mas como o subsolo
do Para esta cheio de minerios e essa
circunstincia nio ha de ser conside-
rada um estorvo, nio podemos dormir
sobre eles. Aldm de extrai-los das en-
tranhas da terra, e precise evitar que
suas minas se cristalizem como encla-
ves. Mas so mentes miopes acham que
podem "verticalizar" a produg~o inine-
ral com retbrica. E o nosso caso atual,
um voluntarismo empirista refratario a
critics.
Na semana passada eu ocupava
uma tavola redonda ao lado de Rogerio
(do outro lado estava Gabriel Guerrei-
ro, o ge61ogo que pulou para a political ,
ouvindo a exposigio do director de me-


Retrato em miniature


do setor mineral





4 JOURNAL PESSOAL P' QUINZENA DE JULHO / 1999






Ca rajas: a hora


., tb o ano 2004, a provincia
"~ mineral de Carajas poderi
S estar ocupando o quinto lu-
Sgar entire os maiores produ-
lLA tores de cobre do mundo.
Poder6 extrair, de quatro minas (Salobo,
Cristalino, Corpo Alemlio e 118). concen-
trado suficiente para 500 mil toneladas de
metal de cobre, o dobro que se prev6 atual-
mente. A pr6pria serra poder8 abrigar uma
plant metal~irgica e usinas de concentra-
glio do mindrio, al~m de uma quantidade de
ouro suficiente para colocar o Para entire
os maiores produtores mundiais.
Essa conclusion, sem qualquer otimis-
mo exagerado, p~de ser tirada de duas
longas sessaes de conversa, na semana
passada, em Bel~m, com o president da
Docegeo (a empresa de pesquisa geol6-
gica da Companhia Vale do Rio Doce),
Jos6 Francisco Viveiros, e com Arman-
do Cordeiro, director da empresa. Vivei-
ros 6 tamb~m director da iArea de metals
bfisicos da CVRD.
O principal foco de interesses no mo-
mento esti na jazida do Salobo, em pro-
cesso de pesquisa e de viabilizagilo eco-
n6mica ha 20 anos. E a mais conhecida e
a maior de todas as cinco jB delimitadas
no que se definiu como sendo a Provin-
cia Mineral de Caraj~s, grea de 100 qui-
16metros por 150 quil8metros, ou 15 mil
quil8metros quadrados (o equivalent a
1,5 milhilo de hectares), que 6 a mais in-
tensamente pesquisada da Amaz~nia p&-
los geblogos.
Enquanto se aprofundavam os estu-
dos sobre o Salobo, foram aparecendo
outros alvos. Pojuca (extensflo do Salo-
bo), Sossego, Liberdade, Corpo Alemlio,
Cristalino e 118 (conhecido com esse ni-
mero em funglio da contagem de anoma-
lias magn~ticas, quej jsomam 140, iden-
tificadas pelo mais modern m~todo de
investigagilo, a aerogeoffsica, em execu-
gilo em Caraj~s a partir de 1997). Alguns
desses alvos tem todas as possibilidades
de evoluir para boas minas, talvez at6
melhores do que a do Salobo/Pojuca, de
paddio international.
A carreira do projeto Salobo tem sido
acidentada e de dificil entendimento por
uma sbrie de fatores. Em primeiro lugar,
pelos insucessos anteriores na histbria do
cobre no Brasil, culminando com a frus-
traglio da Oinica mina em atividade, a da
Caraiba, na Bahia. Tamb~m parecia que
a pesquisa do Salobo poderia ter um des-
fecho semelhante ao da Caraiba, impe-
dindo o pais de abater os 600 milhaes de


d61ares que gasta anualmente em divides
(responsivel por 10% do deficit da ba-
langa commercial brasileira no ano passa-
do) importando cobre.
Finalmente conseguiu-se definir as pe-
culiaridades do min~rio do Salobo. Ele 6
muito duro, tem teor um pouco abaixo da
melhor m~dia do mercado, sofre contami-
naC5es indesejiveis (como as de fluior e
urlnio) e nito tem um min~rio associado
necess~rio, o enxofre, no process de con-
centraglio. Todos esses condicionantes
tornaram necessbrio criar uma tecnologia
especial para o seu aproveitamento. Essa
tecnologia esti sendo testada atualmente
no Canada. At6 janeiro do pr6ximo ano, a
CVRD terA uma resposta definitive sobre
o uso do cobre do Salobo.
Se a resposta for positive, os inconve-
nientes para a industrializaglio do mindrio
se transformarilo em vantagem. E que a
usina metalGrgica tera que necessaria-
mente ser instalada ao lado da mina, em
Carajas, tirando vantagem do process a
ser utilizado (a hidrometalurgia) e poupan-
do investimentos adicionais para transpor-
tar o concentrado at6 um outro local de
beneficiamento (a economic de capital
comn a tecnologia nilo conventional, a
CESL, se aprovada, sera de nada menos
do que 400 milhaes de d61ares).
Para MarabB, essa decision significa
que a fiibrica, mesmo nito ficando no dis-
trito industrial, sera instalada em territ6-
rio do municipio, beneficiando-o com re-
ceita tributiria. Para o Pari, significard
fechar o ciclo produtivo do cobre dentro
dos seus pr6prios limits territorials, com-
preendendo extragilo do mindrio (com
teor em torno de 1%), sua concentraglo
(para 38% de teor) e industrializagilo, num
process fechado, sem desperdicio de
insumos (que se transformam em rejeito
poluente quando descartados)e sem oalto
consume de energia que o process con-
vencional exigiria.
O Salobo, portanto, esta muito distan-
te de ter sido descartado. Mas certamente
nilo sera a Gnica, fonte de produplio de
cobre em Carajas. Poderi at6 nilo ser a
primeira a dar partida. Sua vantagem esti
no seu volume, no grau de conhecimento
que ja propiciou e no nivel de experimen-
tagilo alcan~ado.
Mas C esse projeto, com todo o inves-
timento nelej jrealizado, que esti permi-
tindo abrir novas minas a um custo me-
nor. Como conseqtiencia, a rentabilidade
dos demais projetos sera maior, ainda mais
porque duas das jazidas (Cristalino e 118)


sito constituidas por mindrios de caracte-
rjsticas comuns, cuja exploraglo pode ser
feita com tecnologia conventional.
As respostas, do ponto de vista geol6-
gico, virlio com o tempo certo e num en-
quadramento que ji nito admite grandes
surpresas, embora'Carajas ainda esteja
long de ser um sitio completamente co-
nhecido (ainda hB di~vida, por exemplo,
de que haja um arco continue ao norte e
outro ao sul da provincia). As maiores
condicionantes, a partir de agora, pare-
cem estar no jogo de interesses e de pres-
sies dos parceiros ji estabelecidos ali ou
que nele estlo interessados.
Duas multinacionais j6 se aliaram a
CVRD. A sul-africana (cada vez mais
inglesa) Anglo American no Salobo e a
americana Phelps Dodge em Sossego e
Liberdade. Nas demais jazidas o parcei-
ro da privatizada Vale do Rio Doce 6 o
BNDES, o banco estatal de desenvolvi-
mento. Isto quer dizer que hi um dominio
national sobre a provincia. Quem exerce
efetivamente esse dominio 6 a maior mi-
neradora brasileira, jg com alguma expe-
ri~ncia na produgilo de ouro (subproduto
do cobre) e iniciando no cobre.
Desde a privatiza~glo, comenta-se que
o cobre, de negbcio marginal, iria sendo
deslocado do foco de interesse at6 ser
passado em frente. Seria um grave erro
no exato memento em que se configura,
a partir do Salobo (como ji havia aconte-
cido em relagilo ao mindrio de ferro), toda
uma provincia de cobre e ouro, de dimen-
sito mundial. Se dela resultar a auto-sufi-
ci~ncia national, ji serA uma economic
de divisas de US$ 600 milhaes. Mas Ca-
raj~s, num memento de crise do setor,
definida essa sua grandeza, passa a ter
significado estrat~gico mundial.
Analisando-se com vagar e profundi-
dade as palavras de Francisco Viveiros,
tem-se a impressilo de que essa tend~n-
cia anterior, se houve, est8 declinante.
Director de um setor novo no organogra-
ma da empresa, a diretoria de metals b6-
sicos, ele parece acreditar que o contra-
rio 6 que constitui o caminho do future: a
CVRD deslocar-se cada vez mais para
outros mindrios, especialmente o cobre e
seu acompanhante, o ouro. Na linguagem
dos executives, isso quer dizer que a Vale
pretend se transformar num verdadeiro
"player". S6 6 jogador para valer aquele
que domina jazidas, que pode valer sua
vontade sobre a produgilo.
No memento, nito 6 possivel a um ob-
servador externo referendar essa afirma- )





JOURNAL PESSOAL *9' QUINZENA DE JUTLHO / 1999 5






do cobre chegou


) tiva, mas tamb~m nio ha elements ob-
jetivos para descrer dela. Deve-se tomar
como indicador da verdade as palavras
da fonte. Mas, no caso, ha um compo-
nente a favor da definiCio de uma politi-
ca national para o cobre em Carajas: a
presenga do BNDES.
Ha inform~ages de que o banco esta
efetivamente empenhado em viabilizar a
explorag~o econ~mica das jazidas, duas das
quais tamb~m lhe pertencem, e eni garan-
tir o dominio do process por uma empre-
sa national, a CVRD. Devem estar circu-
lando estudos, pareceres e opiniaes a res-
peito no restrito circuit dos participants
diretos dessa hist6ria. Mas muito pouco tem
escoado (e ecoado) para~ a opiniio p~ibli-
ca. Por isso, uma das principals tarefas dos
seus representantes e exercer pressio
sobre o Banco Nacional do Desenvolvi-
mento Econ~mico e Social.


Os parlamentares do Para, represen-
tantes da sociedade mais diretamente
afetada pelo sucesso ou insucesso na
condugho desse projeto global, agem
mal quando reduzem a melindres pes-
soais ou a conveni~ncias paroquiais sua
relaCio comn a CVRD. Alguns deputa-
dos estaduais foram a imprensa esbra-
vejar indignaqio por nio terem partici-
pado do encontro comn os diretores da
Docegeo no Hilton Hotel, na semana
passada No entanto, foram convidados,
ao menos verbalmente. Se ndo compa-
receram por exigir convite por escrito
e outros salamaleques formats, entio
encontram-se despreparados para
exercer, nesse caso especifico, a repre-
sentagio que lhes cabe.
O deputado Gabriel Guerreiro
(PMDB) esteve la. Seu companheiro (in-
clusive na CPI da Vale) na excursio fei-


ta a sede da CVRD no Rio de Janeiro,
Faisal Salmen, representante de Paraua-
pebas, municipio que abriga parte da pro-
vincia de Carajas, nio apareceu. Nio
apareceram tambem representantes do
governor do Estado, nem das associaCges
de classes, igualmente convidados.
Todos perderam a oportunidade de
mostrar qlue tim um grau de conhecimen-
to compatirel comn suas fun95es instituci-
onais, capaz de fazer os representantes
da empresa apresentar suas credenciais
e demonstrar que suas palavras corres-
pondem a fats. E assim que produz-se a
verdade. E s6 assim se faz a hist6ria.
O cobre de Carajas comega a viver
seu memento hist6rico crucial, definidor.
Quem se escorar na ret6rica ou na fan-
tasia, vai perder a oportunidade de mo-
delar os fats segundo os nossos interes-
ses. Vai perder outra vez. ()


No illtimo vestibular da Universida-
de Federal do Para, o cursor de comuni-
caqio social foi o segundo mais busca-
do pelos candidates, numa relaCgio vagal
candidate realmente de impressionar.
Nem essa surpreendente concorrincia,
que poderia ser tomada como media es-
tatistica de sucesso, dispensa duas per-
guntas. Uma: o que exatamente estio
buscando esses candidates? Outra: o que
o cursor lhes podera oferecer? Do resul-
tado dessa aproximaqio entire expecta-
tiva e realidade pode-se chegar a um po-
sicionamento mais sensate ou desejavel.
O illtimo "prov~io": realizado pelo Mi-
nist~rio da EducaCgo (oficialmente, 6 o
Exame Nacional de Cursos), classificou
o cursor de comunicaCgo social da UFPA
entire os oito piores do pais, comn o con-
ceito E. Um cursor situado na Amaz~nia
Legal, o da Universidade Federal de
Mato Grosso, obteve A, dividindo essa
nota maxima com outros nove curses.
O problema, portanto, nio e apenas de
ma localizagio geografica, geopolitica ou
econ~mica. Conclui-se que, independen-
temente de avaliar o conteixdo de reali-
dade dos desejos dos vestibulandos que
optam por comunicaqio no vestibular da
UFPA, se chegarem a concluir os estu-
dos (a evasio e alta), certamente eles
sairio frustrados da universidade.
O problema, 6 certo, nio se restringe
a UFPA. E national, embora entire n6s
seja mais grave do que na media dos cur-


sos de comunicago social disseminados
pelo pais. Os resultados do Enem7 de
1998 mostram que o aluno de jornalismo
esta equivocado e malpreparado (10,6%
deles deixaram a prova em branco, con-
tra 4,5% de letras. 1,3% de direito e 0,4%
em administra~go), mas receptive a mais
exig~ncias (73% dos consultados em pes-
quisa) e melhor curriculo (68%). Mas,
para um future professional de jornalis-
mo, 18 pouco e 18 mal (so, 3,6% 18em ar-
tigos de revista durante o cursor .
Os resultados do Enem, ao inv~s de
simplesmente serem negados pelas li-
derangas estudantis, a pretexto de ser-
virem de ponte a privatizaCio da uni-
versidade pirblica, deveriam servir de
estimulo a uma campanha seria, cora-
josa e conseqiiente para reformular em
profundidade os curses. A comegarpelo
questionamento da simbiose comunica-
950 social/jornalismo, a meu ver espu-
ria, indo at6 a rejeigio da regulamenta-
vio professional, feita pelos militares
entire 1969 e 1972, nio para servir a
causa da liberdade e da independ~ncia
da information, 6 claro.
A Folha de S. Paulo, cujas razies
para a rejeigio da obrigatoriedade do di-
ploma do cursor de comunicag~o-para o
exercicio da profissio de jornalista nio
partilho, publicou outro dia interessante
artigo do director juridico da Aner (Asso-
ciag~o Nacional dos Editores de Revis-
tas) e membro do Instituto dos Advoga-


dos de Sio Paulo. Lourival dos Santos
sustenta que o decreto-lei 972, baixado
pelos militares em 1969, alguns meses
depois do famigerado Al-5, 6 "letra mor-
ta dentro do sistema legal do pais, nio
acolhida pela norma constitutional".
Argumenta ele que a clausula pC-
trea da liberdade de expresso intelec-
tual da constituiCio de 1988, combina-
da comn a lei sobre a direito autoral (do
ano passado), garante o livre acesso as
redagies para aqueles dotados da fa-
culdade intellectual de saber escrever,
de produzir uma obra intellectual, um
produto de id~ias, como e uma entre-
vista ou uma reportagem.
Em substincia, concordo com essa
posiCio, apenas relativizando essa liber-
dade total de expresso atrav~s da im-
prensa a manter o enquadramento da
profissio como de nivel superior (para
nio rebaixar sal~rios ja em si aviltan-
tes) e restringindo a proporgio (al~m
de qualificar a utilizaCio) de colabora-
dores, para nio enfraquecer a repre-
sentatividade professional a um ponto
que assegure todo o poder de manipu-
lagio aos patries, ou particularmente
aos maus patries (infelizmente nume-
rosos no setor).
Se estudantes e professors nio en-
cararem de frente essa situaqio, vio
continuar a viver de ilusio estatistica,
que pode durar, mas acaba. E termina
mais cedo do que se pensa. *


Jornalismro na redomra






6 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE JULHO / 1999


Fr =


In te ressepubl ico


chance, como alegam abaixo, o que fi-
zeram foi muito pouco diante da con-
tundancia do 6dito real do medico
Almir Gabriel & assessores, que re-
duziu uma instituig~io trinteniiria a
cinzas por obra e graga de um papel
riscado com raiva. A impotencia e o
abulismo da sociedade indicaram o
grau de patologia que a corrbi.
A carta do 61ltimo diretor-geral do
Idesp, Afonso Brito Chermont, 6 a
seguinte:
Na edigio da primeira quinzena
de maio/1 999 do Jornal Pessoal esti
parcialmente publicada carta do lei-
tor Miguel Batista, que estranha que
os 6rgilos representatives dos eco-
nomistas Conselho e Sindicato -
nho tenham se manifestado publica-
mente quando do epis6dio da extin-
950 do IDESP, em passado recent.
Gostaria de corrigir o que consi-
dero um equivoco cometido pelo Eco.
Miguel, pois, justamente, da parte
do Conselho, pelo seu president,
Eco. Edson Roff6 Borges, ocorreram
manifestaqdes bem explicitas, contrC-
rias ao fechamento do 6rgio. O Eco.
Roff6 se manifestou publicamente
contra a extingao do Idesp quando:
esteve present com a diregio e os
economists que li trabalhavam tio
logo a noticia comegou a circular, es-
creveu artigo na Gazeta Mercantil
questionando e pedindo, inclusive,
explicapies da decisio sem consult
a comunidade; aos diretamente inte-
ressados, manifestou-se em reuni-
Bes sucessivas no audit6rio da insti-
tuig8o; subscreveu document, com
outras instituiqdes de pesquisa, soli-
citando que fosse marcada reunion
com o Governo para que se analisas-
se possibilidades alternatives, dife-
rentes daquela entio anunciada.
Entendo perfeitamente a perple-
xidade do colega Miguel, mas tenho o
dever de afirmar, por ser absolute ver-
dade, que pelas instituiqdes que re-
presentam os economists jamais o
Idesp seria extinto; just, tamb~m,
pelas manifestagies pdblicas que to-
mei conhecimento quando estava na
sua direq50.

*A carta do president do Conse-
lho Regional de Economia, Edson
Roff6 Borges, na integra:
Pedimo-lhe a gentileza de conce-
der-nos umn pequeno espago no seu
sempre prestigiado Jornal Pessoal,
para contestar a carta de autoria do
Economista Miguel Batista, publica-
da no no 210 desse peri6dico, na qual
ele, de forma leviana e mentirosa, acu-
sa este Conselho e o Sindicato dos
Economistas do Pard de terem se
omitido no process de extin~go do
IDESP.
Em respeito aos seus leitores, aos
economists deste Estado chg opi-
niho pliblica em geral esclarecemos
que:
a)- Estivemos presents no ga-
binete do entio Diretor Geral do
IDESP, Econ. Afonso Chermont, no
dia imediato a divulga~go da decision
do governor do Estado em extinguir o
Institute, manifestando opini~o con-


trdria deste Conselho e do Sindicato;
b)- Nesse mesmo dia, estivemos
presents na assembl~ia geral dos
funciondrios do IDESP, registrando a
posigio das nossas entidades e hipo-
tecando apoio a mobilizagio que se-
ria iniciada a favor da manutengao do
Institute;
c) Subscrevemos, assim como
o president do Instituto dos Econo-
mistas do ParB (IEPA) e dirigentes de
virias instituigies p~iblicas e parti-
culares, document enviado ao Go-
vernador do Estado, datado de
05.02.99, manifestando nossa discor-
dincia quanto g decisio e solicitando
audi&ncia para tratar dessa questio,
o que, infelizmente, nio ocorreu;
d)- Na reunion de assembl~ia que
houve no audit6rio do NAEA/UFPa,
este Conselho se fez representar pelo
Conselheiro Carlos Lima, ocasiho em
que, novamente, foi manifestada pu-
blicamente a posiquo das nossas en-
tidades de classes;
e) Na pagina 2 do encarte local
do Jornal Gazeta Mercantil, do dia 12/
02/99, foi publicado artigo de nossa
autoria, com o titulo de "O IDESP o
improvise iluminado", onde, entire ou-
tros aspects, registrivamos a dispo-
sigio dos economists do ParB em de-
bater a question e buscar solugBes onde
prevalecesse o bom sensor coletivo.
Diante disso tudo, fica mais do
que evidence que o autor da carta fal-
tou com a verdade, preferindo, nio
se sabe com que prop6sito escuso,
atacar nossas entidades, quando de-
veria ter se somado ao nosso esforgo
em defesa do IDESP.


*De Luiz Bragn:
Fiquei muito comovido ao ler no
JP oregistro qurevocafez dos meus 25
anos de fotografia. SLio gestos since-
ros como o seu que me incentivam a
seguir em frente. Sou eterno aprendiz
da luz equatorial e a cada foto me sinto
reinocentando meu olharpara desco-
brir o novo naquilo que me(nos) cer-
ca. Eiesse eterno exercicio que me move.
Atravis dele consigofalar de mim e da
nossa terra. Permito-me lembrar um
episadio quando da entrega doprdmio
"Leopoldo Godowsky Jr em Boston,
1991, quando percebi um sujeito plan-
tado diante da minhafoto daBabd com
o menino napraia doFarolcercada de
capim marinho e me aproximei sem
me identificar como o autor da ima-
gem. Ele entilo comentou: "Eu posso
sentir o cheiro de digua nessa foto".
Neste instant, eu que tinha dav~iday
sobre a universalidade do trabdlho que
fazia, pude perceber que, como dizia o
poeta, posso falar da minha aidela e.
ser universal.
Quando vocC diz que sou um ar-
tistapara ser lembrado mesmo depois
que meu pliblico, cendruios e persona-
gens tiverem passado, sinto-me con-
fortado de saber que serei lembrado
peas imagens que a vida me ofereceu
aos olhos e meu coragdob teve a sabe-
doria de captar: Nada melhorpara um
artist do que ser lembrado pela sua
obra. Atd' hoje o Por/Trio me d' lembra-
dopor uma foto fantcistica que foipri-
meirapdg~ina daProvincia, em que via-
se um vidro rachado de bala e atravis
do buraco o corpo da vitima.
E por at tantas outras


sta segio deixou de ser public
nal Pessoal. Por um motive:
queria que os cidad~os se manifestas-
sem espontaneamente, fiscalizando os
atos da administration p6blica atravts
de sua publicago no Dibrio Oficial do
Estado. Nenhuma contribuigao surging
nesse period. E uma pena. Ao que
parece, nem entire seus leitores este
journal conseguiu estimul~ar uma parti-
cipagio mais ativa na leitura do DO,
que deveria ser uma atividade civica,
ao menos para as elites pensantes.
Bem alimentadas, sob um teto seguro,
com uma remunera~go dignificante,
elas tim que ap render a ler a publica-
950, tarefa nho tio simples como su-
gerem notas que comegaram aapare-
cer na grande imprensa, mas tamb~m
nio 6 um "bicho de sete cabegas".
Enquanto nio surgiam manifes-
tapdes dos cidadios, alguns 6rgios
do setor pliblico passaram a negli-
genciar as normas que regulamentam
a publica~go dos documents ofici-
ais. Esse relaxamento sempre se tra-
duz pelo empobrecimento do con-
te~ido informative desses pap~is, re-
forgando a crenga (ou descrenga) po-
pular, de que tais documents ser-


vem mais para ocultar do que acala-
rar. Ocord~io dos descumpridores dos
bons procedimentos engrossou, mas
felizmente alguns escaninhos da m9-
quina official permaneceram azeitados.
Pelo menos por enquanto, nso preci-
sam de cobranga externa para manter
sob a luz meridiana do pliblico os
atos que praticam.
Mesmo que os leitores nho consi-
derem recompensadora a tarefa as
vezes irdua- de ler oDidrio Oficial, ou
n5ho se sintam estimulados a transmitir
as observaqBes que fazem, eventual ou
sistematicamente, o JP retomar8 esta
segio. Para reavivar as membrias, con-
vtm esclarecer que nio se pretende com
ela denunciar servidores p6blicos. As
refer~ncias t~m oobjetivo de dar-lhes a
oportunidade de esclarecer os atos que
chancelam, todos na presungio de que
o m6vel de sua profissio 6 servir ao
phblico, inclusive de todas as informa-
95es necesskrias a um bom juizo sobre
o funcionamento do executive, do le-
gislativoe dojudicifirio.
Como manda aboanorma legal, to-
dos sho inocentes atC prova em contrd-
rio. E todos querem construir uma na-
giomelhor, at6 serem flagrados na con-
tramso dos seus deveres e obrigaqBes.


Ca rtas

* O autor do acbrdio do Tribunal Re-
gional do Trabalho, no qual foram fei-
tas critics a padres da vida pbblica
brasileira, alcangando o deputado fe-
deral Vic Fires Franco (verJorna/Pes-
soal 212), foi o juiz Jos6 Maria Qua-
dros de Alencar e nio o juiz presiden-
te da 3"turma do TRT, Walmir Olivei-
ra da Costa. Ambos os magistrados
enviaram carta a este jornal, retifican-
do a informaqio. Walmir apenas assi-
nou o ac6rdlo, lavrado por Alencar, e
aprovado Bunanimidade.
"E ainda important esclarecer
que na sessio de julgamento o que
se debate e se decide, pelo voto de
cada magistrado, 6 a mat~ria relatada
pelo Juiz Relator, a quem cabe tam-
b~m, ordinariamente, apbs o julga-
mento, a redagio final da fundamen-
tagao da decisio proferida pelo Tri-
bunal", explica o juiz Walmir Costa
na sua carta.
O juiz Jos6 Maria de Alencar
acrescenta que no acbrdso, por ele
redigido, "constou sim o nome do
Deputado Victor Pires Franco, em-
bora nio no trecho parcialmente trans-
crito".
O trecho com a referencia trata
do testemunho de Carlos Castilho,
"de estrita e pessoal confianga de um
dos sbcios da reclamada-recorrente
[a Churrascaria Rodeio], o Deputa-
do Federal Victor Pires Franco, de
quem 6 assessor na Camara Federal,
embora trabalhasse nos escritbrios do
deputado nesta cidade de Beldm -
PA", e que, por isso, nlo tinha "isen-
gio de Animo para depor".

* Com atraso, mas nito sem opor-
tunidade, duas cartas enviadas a
este journal repbem a question do
assassinado e enterrado Idesp, o
major cometimento na direa da
informaelio e da pesquisa perpe-
trado pela administration Almir
Gabriel, sem que disso result gl6-
ria para ela, muitissimo so con-
trsrio. Infelizmente, tratam do as-
sunto apenas pelo prisma que thes
diz respeito: o corporative. Batem
na tecla de que nso houve omis-
slio por parte das entidades repre-
sentativas da categoria dos econo-
mistas, umn (mas nito a tinica) das
atingidas pelo passamento do
Idesp, reagindo a carta de um lei-
tor do JP. Se essa dupla replica
esti com a razio (nem hB motive
para nito crer nisso), fica a acusa-
Flio saudavelmente apontando na
direegio das demais, quedas e mu-
das at6 agora.
Ver as obras sendo finalizadas no
que foi a sede do Idesp, em reform
para receber as sete cabalisticas se-
cretarias especiais e o gabinete-em-
trinsito-por-sobre-o-povo-como-
convem-aos-tucanos de sua excelan-
cia, o governador, deveria motivar al-
guma coisa altm de suspiros fi~ne-
bres. Se os lideres dos economists
fizeram tudo o que estava ao seu al-






JOURNAL PESSOAL *1" QUINZENA DE JULHO / 1999 7


E um privil~gio morar, hoje, na Amaz8-
nia. Segundo a Unesco, ela constitui o se-
gundo principal tema da humanidade. As
grandezas da regifto impressionam, desde
contribuir com 20% da Agua doce qlue circu-
la no planet, deter um tergo das florestas
tropicais ou ser a maior biblioteca gen~tica,
gragas a sua biodiversidade.
Essas sio as grandezas mais conhecidas.
Hg outras, ao qlue parece menos perceptiveis:
a Amazinia ji est8 produzindo bens em esca-
la mundial, como mindrio de ferro, estanho,
caulim, mangands, bauxita, aluminio, ouro,
madeira, quartz, dend&. A regiso, assim, com-
bina primitivismo e vanguardismo. Nela, pode-
se descobrir espicimes totalmente novos da
flora e da fauna (sem falar nos elements ina-
nimados da paisagem, como o subsolo), mas
tamb~m alguns dos circuitos internacionais
do capital mais intense j a tomam como eixo
ou element de c~lculo.
Apesar do seu invejivel potential, a Ama-
z~nia nho tem conseguido se desenvolver,
utilizando seus vastos recursos naturals em
beneficio do seu povo, tirando todas as van-
tagens qune esses recursos poderiam the ofe-
recer. Como os principals efeitos positives
vrio ocorrer fora da regifto, no pais do com-
prador do produto amazinico, essa situaqlo
caracteriza o carter colonial da regiio. Ou
seja: ela fica condenada a ter relaqaes de tro-
ca desiguais comn o mercado mundial. Paga
mais pelo qune compra. Recebe proporcional-
mente menos pelo qlue vende.
A solugio desse paradoxo s6 pode ser
obtida atrav~s do dominio da sua hist6ria. O
habitante da Amaz~nia n50 tem conseguido
ser contemportmeo da sua pr6pria histbria.
Sua agenda cotidiana estA dissociada da
agenda das transforma95es hist6ricas. Mal
informado sobre as principals questies da
regiio, nio se apresenta quando elas slo
decididas e acabam sendo decididas con-
tra a regi~o. Freqilentemente, s6 toma co-
nhecimento dos fats qluando eles jB estlo
consumados.
Ben Bagdkian, professor da Faculdade de
Jornalismo da Universidade de Berkeley, nos
Estados Unidos, detentor de um dos maiores
prdmios daquele pais, o Pulitzer, acertou na


mosca quando observou: "Aquilo que 6 noti-
clado passa a fazer parte da agenda p~iblica.
O qlue nso 6 noticiado pode atC nflo estar per-
dido para sempre, mas pode estar perdido para
a 6poca em qlue 6 mais necessario".
Com o Jornal Pessoal, venho procuran-
do contribuir, mesmo qlue secundariamente,
para manter a atualidade da agenda dos cida-
dios. Por suas caracteristicas de veiculo da
imprensa peri6dica, o journal precisar estar
sondando atris dos novos fats. Adota uma
linguagem e uma attitude qlue tim coer~ncia
com sua condigio de instrument de van-
guarda. Ser de elite, nesse aspect, tem sua
justificativa: mesmo a elite, quando n~io de-
t~m algum dos cordies de ligagio comn o po-
der decis6rio, ou est8 mal informada, ou esti
desorientada.
Em fungio dessa constatagilo, estou ini-
ciando um novo empreendimento editorial.
Em agosto espero colocar em circulagio a
Agenda Amaz~nica, publicagio mensal, com
12 piginas, format oficio, destinada a man-
ter informada e mobilizada uma camada mais
ampla da populagio. Serd um produto dife-
rente do Jornal Pessoal. Nio se preocupard
com o aspect estritamente noticioso do jor-
nalismo, do acompanhamento dos fats, da
atengto aos detalhes da conjuntura, a politi-
ca varejista. IrB destacar os elements de con-
tinuidade e de perenidade do cotidiano, as
linhas decis6rias do destiny amazbnico. Algo
como um manual da hist6ria em andamento,
um work in progress, como dizem em inglis.
O pdblico leitor preferencial sera consti-
tuido de estudantes, nflo s6 os universithrios
e vestibulandos, mas at6 mesmo alunos do lo
grau. Talvez boa parte da populaqflo estudan-
til consider uma infelicidade estar morando
numa regifto tio afastada dos eixos principals
do mundo e mesmo do pais, situaqio qlue in-
duz migra95es, inclusive de inteligincias.
O enredo Ihes 6 passado como algo pri-
mitivo, sem fascinio, nem significado. No
entanto, 6 na Amazinia que estio sendo
abertos alguns dos caminhos para a nova
etapa da hist6ria humana, aberturas qlue
remontam a 1973, comn a crise do petr61eo e
o novo enquadramento da atividade huma-
na ao consume de energia. A Amazinia s6


atrai tanto interesse por ser o maior reposi-
t6rio de energia da Terra.
Em linguagem simples e clara, comn ilustra-
95es, as mat~rias da Agenda fario a liga~go
do cotidiano com a hist~ria, explicando e con-
textualizando os fats correntes. Elas compo-
rflo uma pauta com todas as questaes rele-
vantes, qlue certamente constituirio tembrio
possivel do vestibular. Mas tamb~m dario
munigio ao cidadflo, permitindo-1he situar-se
na realidade amazinica e ser um efetivo parti-
cipante da hist6ria regional.
Aldm de uma ampla cobertura de atuali-
dades, a Agenda Amazinica ter8 series fi-
xas, como: Bibliografia Amaz~nica, De Cara
com a Hist6ria (testemunhos pessoais sobre
mementos relevantes da hist6ria recente,
Mem6ria Viva (registro de fats marcantes
ou originals de um passado imediato, extrai-
dos da imprensa), Indicapies de Leitura, Te-
mas para Reflexflo (dos leitores), PerGIl, En-
trevista e Cartas.
JA enviei correspond~ncia para algumas
escolas, mas gostaria de sensibilizar todos os
interessados nesse tipo de empreendimento.
Meu prop6sito 6 comercializar grande parte
da tiragem (ainda nao definida) diretamente
nos locals de ensino, complementando a lei-
tura da publicaq~to com um debate aberto com
os estudantes. Os interessados podem reser-
var exemplares da Agenda atrav~s dos tele-
fones 2237690 e 2417626 (fonefax), ou pelo e-
mail iornal~alamazon.com.br.
Os contatos tamb~m podem servir para
definir a apresentagio da publicago durante
um debate nos pr6prios col~gios on nas uni-
versidades. Espero qlue em pelo menos alguns
deles o debate seja mensal, a cada nova edi-
glio da nova publicaqio.
Tambdm estou sugerindo, a empres~rios
interessados em universos mais amplos do
qlue seus estritos mercados, a aquisigio de
exemplares para a distribuigio em escolas
pliblicas, onde nio ha poder de compra para
esse tipo de produto.
Em principio, espero poder conciliar a
nova empreitada com a manutenglio deste jor-
nal. Seria o ideal. Vai defender da receptivi-
dade de quem define tudo neste tipo de pu-
blicapilo: oleitor. Voc&. *


'~I"JI-~ICt~-C'~- C"`'~~'''~'T`~ '~": '* '` '~~+--- -: .r~*;*arF3mm~4*~1~4a-~~;Els~- .~r~~4 ~~t~2~Z~4
.., urzrUralllr.... -. r. I -ur ;r -Ir-L Yb- Y~- C~-- -.. -iL_~ ~-L .-- ^~I*.L;l;~j*IIC~Y~-YL~1ILi-~Ci-lr-


vice-governadoria nopaldjcio dos des-
pachos. Em janeiro foiassinado opri-
meir~oaditamento aesse contrato. No
dia 2 de junho saiu o segundo termo
aditivo. Doze dias depois o DO trou-
xe o terceiro aditivo, acrescentando
RS 33 mil a obra. O 2iltim~o TA nLfo
indicoul q-ual a inaidade dos dois adi-
tam~entos anteriores, contrariando,
portanto, a norma do TCE. Aldm dis-
so, se justifica perguntar porqule rea-
jurste tifo significativo em lfLo pouIco
tempo. E em qule consiste a reform


Por isso, a seqilo continue a fazer suas
perguntas. Perguntar n~o ofende aquem
nflotem dificuldade em responder.
Em 1997 a Policia Militar de-
cidiu contratar, com dispensa de li-
citaCtio, a T~xi A~reo Kovacs para
fazer a ligagilo area, atravis de fre-
tamento, comn o garimpo Castelo dos
Sonhos. A PM se disp~s a pagar 576
mil reais pelo servigo em com trato
annual. Um ano depois o contrato foi
automaticamente renovado e seul va-
lor renjustado em 25%. Isso quer


dizer que, em 1998, a PM pagou R$
720 mil a Kovacs pelo transport do
seu pessoal para Castelo dos So-
nhos, nominado no contrato como
garimpo, mas que j i se transformou
em municipio.
O DiBrio Oficial do dia 25 pu-
blicou o quarto termo aditivo desse
contrato, prorrogado ate maio do
ano 2000. Tudo legal. Mas o docu-
mento nlio declara para que foram
assinados dois dos tres aditamentos
anteriores, deixando de cumprir


exig~ncia estabelecida neste ano
pelo Tribunal de Contas do Estado.
Seria bom prestar as informaqBes.
Mas tamb6m justificar a dispensa
de licita~go e n razio de a PM preci-
sar recorrer a fretamento de tiixi
aereo para desempenhar scu servi-
Fo em Castelo dos Sonhos. O custo
j~i 6 considergvel. Tem razio de ser?
No inicio do ano aSecretairiade
Obr-as do Estad'o assinou um contra-
to no valor de qurase 80 mil reais, com
a Phoenix Ltda., paran a reformla da


Uma nova publicapaio:



a Agenda Amazbnica








A coragem de fa zer

O journal A Critica, de Mannus, publicou no dia 3 de junho o
seguinte artigo, de Narciso Lobo:
4) uando passei por Bel~m, em abril deste ano, procurei verificar
I 8nas bancas de revistas se ainda existia o Jornal Pessoal, impres-
lso no format carta, ha quase 12 anos, pelo jomnalista Llicio
Flivio Pinto. Ufa, li estava. Depois, vasculhando livros usados na Livra-
ria Arquedlogo, ainda em Belim, deparei-me com a coleglio quase com-
pleta do Jornal Pessoal e ali particularmente me chamou a atenglio o
nlimero comemorativo dos dez anos do peri6dico, de setembro de 1997,
que traz um vigoroso manifesto em defesa da livre informagio.
O journal de L~cio FlIvio, que sai a cada 15 dias, surgiu ap6s o
birbaro assassinate do advogado e militant do PC do B, Paulo Fon-
teles, em 1987, com apenas 37 anos. Inconformado porqlue o journal em
que trabalhava, na 6poca, niio se sentia com coragem suficiente para
publicar sua reportagem que escl ecia a morte do advogado. L~icio
Flavio partiu para fazer o que era gDssivel: criou seu pr~prio veiculo e
tornou pdiblico aquilo que havia 2lurado, confrontado e conferido.
Mas nito apenas Llicio Flivio dispunha desses dados, multos dos
quais veiculados esparsamente na cidade. O que havia no ar, mesmo
passada a censura da ditadura, era o medo em duas frentes: de um
lado, jornalistas temerosos, sufocando-se na autocensura; de outro,
empresas jornalisticas, ciosas de seus interesses diante de um crime
politico que envolvia grandes fazendeiros e propriet~rios de terras
articulados com autoridades, principalmente ligados aos aparelhos de
"'"uranga estabelecidos durante o regime military.
Pouco foi feito para a punig!!io dos culpados, mas a reportagem de
Lcio Flivio correu mundo e acabou fazendo parte de um grosso volu-
me organizado por Igor Fuser, que se chama "A Arte da Reportagem"
(Editora Scritta), onde estio os mais importantes textos jornalisticos,
desde Charles Dickens e Victor Hugo, passando por Euclides da Cunha,
John Reed, Caco Barcelos, Joel Silveira e Catrlos Fuentes. La est8 a
reportagem: "O caso Fonteles, um crime bem planejado".
Respondendo a sucessivos processes na justiga e vivendo da ven-
da de seu jornal nas bancas, L~icio Flivio oferece algo que estl faltando
no mercado: a coragem. "Enquanto este jomal puder circular escreveu
na edigio comemorativa dos 10 anos -, viveremos o compromisso da
verdade, sem pedir passage, sem pretender reconhecimento".
Nessa mesma trilha vejo com alegria o surgimento, entire n6s, do tabl6i-
de "Fazendo a Hora". Niio se trata de uma iniciativa de jomalistas, mas de
uma enfermeira, Margarida Campos. Indignada, sufocada pelos desman-
dos e pelo silancio, ela langou sozinha, como um outro D. Quixote, o seu
jomalzinho, sem eira nem beira, como o de Llicio Flivio. Nos titulos das
matirias vem o seu grito: "Govemo Amazonino Mendes: o altar da ilegali-
dade"; "govemo e deputados surrupiam direitos"; "resistir 6 precise".
Num mundo em que as informagies circulam de forma explosive por
todos os lads, contraditoriamente nunca se reclamou tanto da desin-
formaglio. No fundo esse excess acaba sendo uma burla. Felizmente
existem D. Quixotes contemportineos, que nos ajudam a cair na real.




Esperanga
U/ns qulatro anos atrdcs participei de umz debate interessantissimlo com
oficiais da Policia Militar; nurma palestra qure fuli convidado a fazer
pelo director de sura academia. Na semana passada, nito foi menos
proveitoso uim encontro comn pr~agas qure fazem currso para cabos e
sargentos da corporagd~o. Encerrei urm ciclo de palestras sobre
direitos humans falando sobre o tema que me propurseram: "Papel
itico da imlprensa no relacionamento com as Policias Militares".
Devo dizer ao fim dessa experidncia, que hai motivos para esperar
mIe/hores per-spectivas comt essas novas ger~ag~es de Ph~s. Qucem em
promlovendo e apoiando essa novidade m~erece parabins.


JOrnal Pessoal
Editor: Licio FI~vio Pinto
Sede: Passagem Bolonha, 60-B 66.053-040
Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax)
Contato: Tv Benjamin Constant 845/203/66 053-040
Fone: 223-7690 e-mail: lornal~amazon com.br
EdiGio de Arte: Luizantoniodefariaplnol230-)-1304


Justiga
No final de 1994, a delegacia
de policia de MarabB instaurou
inqu~rito a pedido da entlio juiza
da comarca, Ezilda Pastana Mu-
tran. Ela se sentiu ofendida por
noticia do journal O Liberal, se-
gundo a qual agrediu uma repbr-
ter local da TV Liberal. A magis-
trada alegava que a jornalista,
Abiancy Cardoso Rosa (mais co-
nhecida como Bia Cardoso) seria
sua desafeta pessoal. Por isso,
teria veiculado uma noticia "to-
talmente desprovida de verdade".
Em fevereiro de 1995 o inqu6-
rito foi protocolado na Correge-
doria Geral de Justiga, a quem a
juiza recorrera para esclarecer o
epis6dio, e simplesmente sumiu.
Agora que a nova corregedora,
Maria de Nazareth Brabo de Sou-
za, est8 "passando a limpo" o
acervo do 6rgilo, uma sindicin-
cia foi aberta para saber onde fo-
ram parar os autos desse inquiri-
to. E, a partir dai, serem adotadas
as providencias em suposto cur-
so ha cinco anos. Como conv~m.



Jocelyn Brasil viveu multo: 91
anos. E viveu intensamente cada
um desses anos, como se fosse o
li1timo. Foi, por isso, um home
plural. Os amigos que surgiram ao
long do tempo, nas sucessivas
geraqaes que tiveram o privilegio
de conhec6-lo, se surpreendiam ao
descobrir uma nova faceta da sua
personalidade, com uma hist6ria
complete. Um military que chegou
ao topo da sua carreira, como bri-
gadeiro, sem renunciar a principios
que geralmente impediriam a ascen-
slio, e se espraiando por tantos es-
caninhos (do futebolistico ao lite-
r~rio), s6 podia ter um conjunto de
qualidades especiais.
Militante socialist, era dogmA-
tico e ao mesmo tempo tolerante.
Tomava decisaes political extrema-
das, mas quase sempre admitia con-
viver com sees inimigos. Jamais le-
vava as coisas muito a sdrio, em-
bora se dedicasse de corpo e alma
ao que despertava seu interesse.
Era alegre e bonachilo, cortante e
espirituoso, sempre disposto a ver
qualidades e a incorporar o que fos-
se positive, mas incisive ao dizer o
que pensava e hostile As falsidades.
Achava possivel combinar o
que a vida tem de oficio comn o que
oferece de prazeroso, sem sufocar
uma dimenslo com aoutra.PFor isso,
viveu como qluem sempre tem cridi-
to a sacar e morreu como om justo,
constemnando seus amigos comn sua
morte, ocorrida na semana passada,
em Fortaleza, mas nito deixando dli-
vidas de que morreu como viveu:
multo bem, em paz consigo e em
unillo com os seus. Foi-se sem ter
ido, como sempre fazia, nilo dando
tempo para perceber aausincia, nem
cultivar a saudade.


Velharia
Diariamente, em period de
aula, a escola-creche Cirandinha
Baby, na avenida Conselheiro Fur-
tado, quase esquina com a rua
Benjamin Constant, 6 freqilenta-
da por dois carros oficiais, qlue s6
poderiam ser usados em serving
(pliblico, naturalmente). Um deles
6 um Pglio 16 vilvulas preto, cha-
pa JTV 2807, vinculado ao Tribu-
nal de Justiga do Estado, que con-
duz filho de um funciondrio do
TJE. O outro carro 6 um Santana
preto JUN 6740, cujo motorist usa
uniform da Universidade Federal
do ParB, tamb~m usado para trans-
portar crianga.
Comn a palavra, para as provi-
dancias administrativas e legals
cabiveis, os responsiveis por es-
ses veiculos e, em instincia fis-
calizadora, o Tribunal de Contas
do Estado e o Tribunal de Contas
da Unitio.
Chega desses maus hibitos.

Amostra
Cl~udio Humberto, ex-asses-
sor de imprensa do president
Fernando Collor de Mello, nota-
bilizado por sua trucul~ncia ver-
bal (o tal do "bateu, levou"), es-
treou sua coluna didria em A Pro-
vin~cia do Para, no dia 16. Regis-
trou que se sentia honrado por
comegar a aparecer no journal, "a
convite de seu president, Gen-
gis Freire, empres~rio de sucesso
e intellectual mul~to respeitado".
Lembrou qlue A Provincia, fun-
dada hB 123 anos, "6 um dos jor-
nais mais tradicionais do Pais e
lider do seu mercado".
Na coluna seguinte, Cldudio
Humberto contou, na seqilo "For-
r6 politico", uma hist6ria sobre o
folcl6rico Amilcar Moreira. A mal-
dade lhe foi passada pelo depu-
tado federal Gerson Peres, sem o
esclarecimento de qlue os dois
personagens slio inimigos. A ma-
tutice dos Moref ra em CametB 6
tilo legendiria quanto sua esper-
teza. Mas, ao contr~lrio do qlue es-
creveu o ex (ex?) collorido, o
manor Amilcar nito do PPB.Nem
se pode atestar qlue o caurso te-
nha sido veridico.


Ge I ad a
Os sete secret~rios especiais
do Estado viio ter temperature
ideal para conduzir seus assun-
tos em na nova sede do diga-
mos assim colegiado, jB tratada
nos documents oficiais como
"antigo pr~dio do Idesp", embo-
ra nito seja exatamente antigo. A
Secretaria de Obras Pliblicas gas-
tou 79 mil reals comn a instalagio
de mini-centrais de refrigeragio
nos quatro andares, projeto, ali-
gs, que tem a marca do arquiteto
Paulo Chayes.
Tem a ver.