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Bacia das almas do 90vernador Tornal Pessoal .iG 3 L C I O F L A V I O P I N T O "Caso .... .~~M -: u-. .* .i .<. ,- --.. '. . . '. .. .. :' ... .. ...- j %,-'4 . ..'-".., .- F on teles ": .:; a -, NO XI N213!t2kQUINZENA DEJUNHO DE1999R nada a fazer .... .. . - ... . . ..... .. ... ... .fa ze r? 2 ___(PG. 8( ECOLOGIA A praia da destruigao A temporada de verdo vai comegar no Araguaia-Tocantins, .uma das :/' maiores bacias fluviais do mundo. Suas ilhas tem praias cd'a vez mais atraentes para turistas e veranistas. Mas elas escondem um avejpqrio , leito dos rios pode estar sendo assoreado por causa dos de tamentos descontrolados. E uma grave ameaga. Acada ano a temporada de verso, que esta para come 9ar, se torna mais concorri da em Maraba, gragas A ela praia do Tucunar6. At6 Igum tempo atras, a praia nao passava de uma nesga de areia bran- ca numa diminuta ilha situada entire o rio Tocantins e a foz do Itacaiinas, que ba- nham a cidade. O acimulo de material s6lido transportado pelas Aguas na bacia do Araguaia-Tocantins foi expandindo a ilha e, nela, a praia. Hoje, ela ocupa quase toda a frente de MarabA. Os veranistas podem ficar felizes cor o fen6meno, que atrai gente de muitos lu- gares para as animadas barracas de praia nos finals de semana. Para os que ganham cor o neg6cio, tamb6m nao ha motivo para queixa. Mas o crescimento da praia do Tucunar6 traz consigo uma grave adver- tencia para os observadores mais atentos dos fen6menos naturais: indica a extensio do assoreamento de uma das maiores ba- cias hidrograficas do planet. A area carregada pelos cursos de Agua nao vem se depositando apenas em frente a Maraba ou Conceigao do Araguaia, que tambdm experiment temporadas de ve- raneio cada vez mais incrementadas, re- cebendo levas de turistas de outros Esta- dos. O segundo maior lago artificial do pais, formado no leito do Tocantins pela repre- sa da hidrel6trica de Tucurui, ajusante de Maraba, tamb6m esta sendo assoreado. A barrage nao conta cor um des- carregador de fundo,,previsto no projeto original, mas cancelado durante a execu- 9. o da obra. Com isso, os sedimentos mais - pesados nao passam de um lado para o outro da enorme estrutura de concrete, ja que a tomada de Agua estA na cota 56. Acabam se depositando no fundo do lago, passando a sedimenta-lo. Qual a dimensao desse assoreamento? Dados concretos ningu6m possui e esse 6 um "detalhe" que nao aparece no discurso da operadora do reservat6rio, a Eletronor- te. Mas o crescimento da praia do Tucuna- r6 serve de parametro para ter uma dimen- sao do problema. Um outro dado pode re- sultar do pr6prio crescimento do lago. Quando a hidrel6trica comegou a fun- cionar, em 1984, o lago de Tucurui tinha Area de 2.430 quil6metros quadrados (ini- cialmente, o reservat6rio fora calculado em 1.116 km2). Mas agora esta com 2.875 km2. Sua Area aumentou, portanto, em 18%. Com isso, a quantidade de Agua acu- mulada tamb6m cresceu, mas nao na mes- ma proporgco: passou de 45,8 trilh6es para 50,3 trilhoes de litros (o equivalent a 50,3 bilh6es de metros cibicos). Ou seja: o vo- lume de Agua cresceu 10% apenas (se pode-se empregar tal expressed ao tratar de valores desse porte), enquanto a Area evoluiu proporcionalmente 80% a mais. Um outro dado significativo 6 o do peri- metro (todo o contomo) do lago: ele cres- ceu nada menos do que 40%, j alcangan- do 7.700 quil8metros (tres vezes e meia o percurso de Bel6m a Brasilia). At6 agora, essas impressionantes infor- mag9es s6 apareceram neste journal (em maio do ano passado pela primeira vez). A Eletronorte nao se dignou a prestar os es- clarecimentos que lhe foram cobrados. Cor isso, estimula a interpretagao de que talveza significativa mudan9a registrada no lago de Tucurui se deva, ao menos em par- te, ao seu assoreamento, que o faz esprai- ar-se, ter mais ilhas e ficar mais raso (al6m de expor suas Aguas a maior evaporagdo). O problema ter um lado operational: se o fen6meno realmente estiver ocorren- do, vai afetar a capacidade nominalmente instalada de geragao de energia da usina, que agora 6 de quatro milhoes de kw e ) T' As1~4k.1li 1~ dLk~qi I]k' j- 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE JUNHO / 1999 Sdeveri dobrar con a complementagao em andamento. Mas tamb6m tem uma grave repercussao ecol6gica, que ja se verifica em todo o imenso vale. E precise estudar adequadamente a situagao para entend6- la e tentar evitar os problems que estao surgindo. Mesmo a mais rudimentar ob- servacgo empirica, no entanto, 6 capaz de servir de advertencia. Pela bacia amaz6nica 6 drenada para o Oceano Atlintico 20% da quantidade de agua doce em circulagdo no planet. Jun- to corn o sol e a floresta, esse 6 o bern mais valioso da regiao. Mas continue pes- simamente administrado. A rigor, nem se pode dizer que esteja mesmo sendo admi- nistrado. A presungao da super-abundan- cia e da infinitude do recurso entorpece a consci6ncia do valor estrat6gico da agua da Amaz6nia, na sua condigao de bem natural dotado de notdvel valor intrinseco e de mercadoria. Inutilmente algumas instituicoes e pes- soas v6m alertando para a dilapidagao do estoque aqilifero da Amaz6nia, tanto por seu uso como esgoto natural como pelo desrespeito a qualquer principio de preser- vagao e conservagao. Se ainda pode pa- recer precipitado falar em sedimentagdo do rio Amazonas em conseqiiencia do desmatamento as suas margens, esse ji 6 um problema real do vale do Araguaia- Tocantins, que drena 10% do territ6rio national. As suas margens j estao implantados milhares de empreendimentos agricolas, principalmente fazendas de gado de corte corn baixa incorporagao tecnol6gica (e nula consci8ncia ecol6gica), que coloca- ram abaixo e ainda v8m destruindo milha- res de quil8metros quadrados de floresta. A lavagem do solo, sem o anteparo das matas ciliares, leva para as drenagens material s6lido, que o rio vai depositando ao long do seu curso. Mesmo uma via- gem de aviao a partir das cabeceiras dos dois rios ji 6 bastante para dar uma id6ia do problema. Observando mais detidamente a exten- sao e a profundidade da atividade humana nessa regiao, entire os Estados de Mato Grosso, Goids, Tocantins e Para, tem-se a forte sensagao de que nao ha qualquer control visando impedir os efeitos negati- vos dessa intervengao. A Eletronorte dis- pie da melhor estrutura para acompanhar o que acontece no vale, mas sera que estA realmente podendo monitorar atrav6s de sua rede de estacges hidrol6gicas e usar eficazmente esse monitoramento na Area de influencia do reservat6rio? Para o lago de Tucurui, o cumprimen- to de normas de protegao por parte dos que usam intensamente as Areas margi- nais dos rios 6 vital. Nao s6 para evitar a sedimentagao do reservat6rio, que, numa escala mAxima, poderia at6 ameagar a barrage, mas para prevenir outros pro- blemas. At6 hoje 6 uma inc6gnita a pre- senga, no lago, de mercfirio utilizado pe- los garimpeiros, principalmente em Serra Pelada, e de dioxina aplicada pela Cape- mi na Area afogada pelo pr6prio reserva- t6rio. Pode ser que nao tenham chegado at6 ali, nem li hajam sido aplicados, mas a hip6tese nao pode ser descartada. Quando nada, porque ningu6m sabe exa- tamente qual a condi9do das Aguas. Teme-se que a situagao venha a ser agravada por uma obra que, em outros tempos, seria saudada imediatamente como benfazeja: a hidrovia Araguaia-To- cantins. Seu lado positive, o de permitir a livre navegacao ao long de dois mil qui- 18metros, desde o Planalto Central at6 o litoral norte, nao pode onerar seu custo ambiental. Ela vai afetar a natureza prin- cipalmente na interseqao do Araguaia com o Tocantins, onde esta o maior esti- rao nao-navegavel por causa dos desni- veis e das pedras. A supressao desses retentores naturais da vazao do rio para tornd-lo francamente navegavel pode contribuir para aumentar o poder erosivo e ao mesmo tempo sedimentador das Aguas, queja nao se defrontarao corn suas barragens naturais. Assim, nao 6 prova de ma-vontade ou, pelo menos automaticamente, de interes- ses inconfessaveis exigir um competent estudo pr6vio de impacts ambientais para condicionar a aprovagao das obras da hi- drovia (que, por enquanto, nao chegam at6 o estuario de Bel6m). Muito pelo contri- rio: se continuamos endossando as inter- ven95es humans sem qualquer condicio- namento, 6 porque ainda nio temos cons- ci6ncia do valor do patrim6nio natural da Amaz6nia. Vibramos com os prazeres do veraneio na praia do Tucanar6, indiferen- tes ao custo desproporcional desse bene- ficio. Que, a continuar assim, acabara sendo de curta duragao e sera muito mais one- roso do que o beneficio. * Porta aberta Sua rejeigdo ao desembar- go, na semana passada, por 21 a 1, num universe de 24 votos potenciais, mostra que ajuiza Martha Inds Antunes Lima Jaddo foi, no minimo, inabil na sua ofensiva contra o princi- pal articulador dessa iniciativa, o president do Tribunal de Justiga do Estado, Jos6 Alberto Soares Maia. Ele conseguiu convencer seus pares que a juiza, a mais antiga do Para, nao podia ser promovida por haver perdido o equilibrio emo- cional, a capacidade de discer- nimento e se proper a destruir ojudiciario, envolvendo todo o colegiado em sua retaliagdo pessoal. Impressionado corn o con- te6do de um discurso feito em Brasilia pelo deputado federal (PDT) Giovanni Queiroz, A base de documentagdo que Ihe foi entregue por Martha In6s, o tribunal tomou uma attitude in6dita: negou, pela primeiravez em sua hist6ria, que ojuiz mais antigo subisse automaticamen- te ao cargo final da carreira. A parte os elements imediatos de uma conjuntura de guerra en- tre ajuiza e o president, nada havia, nos assentamentos da magistrada, que pudesse legiti- mar a decisao. Seria como se, num process regularmente instruido, ojuiz decidisse con- tra as provas dos autos. Nao 6 improvavel, por isso, que Martha Inds venha a con- seguir a anulaqgo do ato em instancia superior, independen- temente da evolugao de sua litigancia particular com o de- sembargador Maia e sua cres- cente incompatibilizaglo com os membros do tribunal. O TJE, que acabou se envolven- do emocionalmente no epis6- dio, pode ter fornecido contra si elements da pr6pria acu- sagdo feita Ajuiza. Ou seja: de nao ter feito umjulgamento im- parcial, objetivo, fundamenta- do. Um ato in6dito como esse, agora, depois que, no passa- do, personagens muito mais controvertidos foram aceitos unanimemente ao desembar- go, havera de ter conseqiien- cias, quando nada sobre os crit6rios de avaliacgo. O tom emotional, que dei- xa em posig~o inc6moda to- dos os atores envolvidos nes- sa pega, pode ser medido pela rapidez das provid6ncias, a partir da publicagao dos atos no dia seguinte A sua adocAo e da posse imediata das duas novas desembargadoras, uma das quais beneficiada pela ca- rona dada em Martha Inds.. Em relagao a um poder que tern sua legitimidade assenta- da na pondera9go, no cumpri- mento de ritos e etapas, no efi- caz contradit6rio e na ponde- ragco, o epis6dio pode dar cau- sa a novos questionamentos no future e a uma certa perda de prestigio. Ainda mais porque continuam sem resposta as acusacges da juiza, ecoadas pela boca do deputado Giovani Queiroz, de que o desembar- gador Maia praticou esteliona- to, enriquecimento ilicito, sone- gagao fiscal e nepotismo. O parlamentar pode ter dado uma dimensAo exagerada As acusa- 95es ao tentar leva-las A CPI do Judiciario, mas ignord-las n~o 6 um bom sucedaneo. A sentenga contra a juiza pode nao ser o ato final desse capitulo ainda em aberto da his- t6ria do judiciArio paraense. * JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE JUNHO / 1999 3 Ao lado do chefe Emjaneiro de 1996, o governador Al- mir Gabriel considerou realizada a tio de- cantada (pelos tucanos e aderentes) re- forma administrative do Estado, que teria sido encontrado num verdadeiro caos em 1995. O epicentro da reform foi a de- missao de oito mil servidores (a esmaga- dora maioria recebendo baixos salArios em funq9es menores). Nesse mes, o ga- binete do governador abrigava 400 pes- soas, que custavam ao erario 460 mil re- ais (a m6dia salarial "per capital" era de pouco mais de R$ 1 mil). Em margo de 1997 ja estavam lota- das no gabinete do governador 444 fun- cionarios (10% a mais), representando uma folha de pagamento de R$ 641 mil (40% a mais). Em outubro do ano passa- do, durante a eleigCo, o gabinete gover- namental gastava mensalmente um mi- lhdo de reais com 655 funcionArios, numa inflagao, de pessoal e de recursos, de quase 50%. O chefe estava, entao, mais necessitado do que nunca de votos. Em margo deste ano (iltimo dado dis- ponivel), os nfimeros no gabinete de sua excel6ncia experimentaram um ligeiro refluxo p6s-eleitoral: tinha 625 funcioni- rios e folha de R$ 990 mil. Mas nada de comemorar qualquer moralizacgo e ra- cionalizagdo do gabinete: em um 6nico dia da semana passada o Diario Oficial do Estado publicou a contratagio de mais 14 assessores. O inchamento do gabinete, que conti- nuou a abrigar cabos eleitorais e endossar compromissos politicos, a pretexto da con- tratagao de uma assessoria especial, foi uma das caracteristicas do caos organizado por Jader Barbalho no topo da administragao pfblica estadual, sobretudo no seu segundo mandate, mantida na gestAo H6lio Gueiros. Almir Gabriel, que deveria eliminar essa excresc6ncia, renovou-a e atd a ampliou. O gabinete do governador se transformou num posta restante, capaz de abrigar tudo, mas, minoritariamente, gen- te de competencia e que trabalha. Virou uma bacia das almas (usar alcova seria forte demais e injusto, claro). Enquanto o gabinete do govemador cus- tava, em margo, R$ 990 mil, corn 625 em- pregados (na maioria, corn urn simples e muito rentavel cabide), a Defensoria Pfiblica dis- punha de um efetivo 50% menor, corn um tergo da folha. A Secretaria de Agricultura, encarregada de uma das'supostas priorida- des da a9go govemamental, contava corn 680 servidores, que Ihe custavam R$ 640 mil. Quem ainda se atreve a defender esse bric-a-brac funcional costume argumen- tar que os empregos no gabinete sao mal pagos. Nao tanto assim: um assessor es- pecial II esti ganhando, em m6dia, pouco mais de R$ 3 mil mensais. Um assessor especial I recebe em torno de R$ 2 mil. Mas hA gente ganhando acima de R$ 4 mil e R$ 5 mil. O chefe da Casa Civil re- cebe R$ 8 mil, bem acima do governador, demagogicamente limitado em R$ 5,2 mil. Com seus altos e baixos, a m6dia de ven- cimentos no gabinete estA acima de R$ 1.500 por mis. A m6dia, no geral da folha do Estado, 6 tres vezes menor, R$ 500. Da porta pra fora Mas quando nao se trabalha, qualquer valor que se receba 6 lucro. Certamente o chamado PalAcio dos Despachos (em seu sentido amplo, inclusive folcl6rico) nio conseguiria abrigar todo o pessoal do ga- binete (mais os 28 lotados com o vice- governador) se o comparecimento ao tra- balho fosse macigo. Muitos foram ali co- locados como pr8mio a votos conferidos a sua excel8ncia ou para manter com- promissos para rendimentos futures. Nao tem qualquer obrigagao com a fung9o, nem responsabilidades a cobrar. A rela- 9ao 6 de uma promiscuidade sancionada. O orgamento deste ano reserve R$ 17 milhoes para o gabinete do governador. Tudo indica que a verba seri estourada. Mesmo se mantida nos limits da lei, 6 demasiado para financial a political clien- telista e eleitoreira do chefe do Estado. Se fosse uma unidade produtiva, o gabinete seria uma das maiores empresas do Esta- do (condenada A falencia, por6m). Nao seria muito, mas esse montante ja ermiti- ria criar uma political de emprego, inexis- tente a s6rio na administrag~o estadual. Nao 6 tanto, mas poderia ser usada para qualificar tecnicamente o govero, contra- tando assessoria, adestrando t6cnicos de ponta de linha e montando uma base de dados. Como esta, com suas caracteristi- cas amebianas ou vir6ticas, o gabinete do govemador continue a ser o triste atesta- do de que no Para as ccisas mudam para continuar rigorosamente iguais. Mesmo quando um mddico se apresenta como capaz de debelar essas enfermidades. * Em nome do exercicio saudA- vel da profissao e da melhoria na administragao dajustiga, a Seccao Pard da Ordem dos Advogados do Brasil deveriamudar o procedimen- to que tern adotado na divulgagao das decis6es do seu Tribunal de Etica e Disciplina. Dos ac6rdAos publicados no DiArio Oficial do Es- tado 6 excluido o nome do advoga- do representado e punido, referido apenas por suas inicais, enquanto sai por extenso o nome do cidadao que contra ele representou, numa inversao de valores. "Com isso", observa um mem- bro do judiciario que alertou este jomal a respeito, "a sociedade e a pr6pria justiga ficam sem saber quem s5o os advogados punidos, alguns deles com suspensao, fi- cando impedidos de advogar. A justica, entretanto, fica sem sa- ber quem 6 o advogado suspen- so, o que impede o control do exercicio irregular da profissAo pelojudicidrio". O juiz ficara sem saber quais sao os advogados impedidos de advogar durante o period da sus- pensao imposto pela OAB. "Na pratica, a punigAo 6 um corte na Agua, ja que o advogado pode continuar advogando", acrescen- ta a fonte. Ela lembra que a Ordem "6 uma autarquia corporativa, e pessoajuridica de direito piblico, e por isso esta sujeita ao principio da publicidade, conforme o artigo 37 da Constituiqao Federal". Esse dispositivo exige que a publicagio seja complete, aten- dendo a todas as exigencias for- mais, A semelhanga dos ac6r- dAos divulgados pelo poder ju- diciario. Que, se fosse seguir o exemplo da OAB, tambbm s6 pu- blicaria as iniciais dos senten- ciados. Nesse caso, la viria a Or- dem cor critics e notas de pro- testo, exigindo de terceiros o respeito a principios que ela pr6pria nao segue. E o caso da morosidade na ins- trugao dos processes, um dos pro- blemas cr6nicos dojudiciario. Mas tamb6m da Ordem: processes bern antigos, um deles de 1991 (outros de 1995 e 1996), s6 agora, at6 oito anos depois, foijulgado pelo Tri-- bunal de Etica e Disciplina (e pu- blicados no DO de 16 de abril). HA conselheiros eficientes, mas bas- ta um fazer corpo mole para em- perrar a tramitado, com a coniven- cia de uma burocracia que nao cobra deveres. Processos relata- dos desde o inicio da ddcada ain- da estao pendentes de julgamen- to pelo tribunal graqas a autenti- cos embargoss de gaveta". Para ter autoridade e legitimi- dade nas suas critics ao judiciA- rio (e na campanha que estA pro- movendo em defesa da 6tica), mui- tas delas corretas e necessArias, a OAB/Para deveria resolver alguns desses mesmos problems em sua pr6pria estrutura. A sociedade, pe- nhorada, agradeceria. * 4 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE JUNHO / 1999 Nossa imprensa alternative: O mais recent ciclo da imprensa al- ternativa no Brasil comegou em 1964 e terminou em 1985. O Pif-Paf, de Mill6r Fernandes, langado em maio de 1964, e o retorno dos civis A Presid6ncia da Repui- blica, com Jos6 Sarney, arrematando o projeto concebido pela corrente military majoritdria de reconstitucionalizar sob control o pais, sao os marcos delimita- dores. E claro que houve alternatives an- tes e depois. Mas foi em 1964 que o flu- xo se tornou ascendente. E, por parado- xal que seja, cor a volta da democracia, 21 anos depois, a tend6ncia passou a ser declinante. Os registros (e as raras comemora- o6es) em torno dos 35 anos de ressurgi- mento da imprensa alternative deveriam se preocupar mais em analisar porque ela praticamente desapareceu do Brasil. Por- que surgiu, 6 mais ficil de identificar: a sociedade queria algo mais do que a gran- de imprensa Ihe oferecia. Mesmo sob o regime de plena liberdade formal, que uma democracia parlamentar pode oferecer em um pais subdesenvolvido e dependent como o Brasil entiree 1946 e 1964 foi a melhor da hist6ria republicana, sempre houve jornalismo marginal a grande im- prensa. A Manha, Bin6mio, Novos Ru- mos, Maquis sao apenas alguns dos exemplares desse underground. Praticamente toda a grande imprensa apoiou o golpe military de 1964. Os mais importantes aliados da derrubada de Joao Goulart, o Correio da Manhd e 0 Esta- do de S. Paulo foram os primeiros a re- ver suas posi96es, o Correio quase no dia seguinte, evoluindo para um antago- nismo aos novos donos do poder que pro- vocou seu desaparecimento, em 1974 (nao s6 pela ferocidade dos inimigos, como pela irresponsabilidade ou falta de visao dos intelectuais de esquerda que determinaram a linha editorial e a condu- ta administrative dojornal). Acostumado a sofrer ou se beneficiary dos contumazes golpes politicos pratica- dos no Brasil, a todos os quais havia so- brevivido, ojornal de Edmundo e Paulo Bittencourt o mais influence da Repui- blica foi incapaz de perceber que, des- ta vez, os militares nao seriam apenas os instruments cirirgicos de liberals con- servadores (a contradicgo que sempre fulminou de morte o reformismo das eli- tes brasileiras). Desta vez, tinham seu pr6prio projeto de poder, cuja diretriz ca- teg6rica (e carismitica) dispensava o contradit6rio do liberalism politico. Por isso, o caudal de independencia do jornalismo estabelecido fluiu parapublica- 95es alterativas. Mas 6 precise exami- na-las cor rigor, independentemente da simpatia e solidariedade que suscitem. O Pif-Paf de Mill6r Fernandes, por exem- plo, icone dessa era, comegou a ser plane- jado quando Jango ainda era president, supostamente bem sustentado no "dispo- sitivo" military do general Assis Brasil (tao inexpugnAvel quanto a "linha Maginot"). Miller queria dar o troco a 0 Cruzei- ro, do qual foi demitido bruscamente por pressao da Igreja (inquisitorialmente ira- da com uma nova versdo sobre a criacao do paraiso, engendrada pelo sibio do Meier). E a experi6ncia chegou ao fim, depois de apenas oito numeros, mesmo vendendo 40 mil exemplares (uma faga- nha at6 hoje), porque dava prejuizo. Mil- 16r tinha medo que a bola de cifries, cres- cendo tanto, o esmagasse. Ja O Pasquim, a mais brasileira das nossas criacgesjornalisticas (agora com- pletando 30 anos de nascimento), que vendeu cinco vezes mais, entire o final da d6cada de 60 e o inicio dos 70s, numa marcajamais atingida por qualquer outro alternative (a tiragem atual da recordista Folha de S. Paulo em dias de semana gira em tomo de 500 mil exemplares), nau- fragou nao tanto por causa da impiedosa censura dos anos M6dici, mas tamb6m pela exaustdo da intelectualidade cario- ca. O Pasquim foi o canto do cisne de formidiveis geragbes intelectuais desen- volvidas no crepusculo da capital da Re- p6blica. Foi o vigoroso iltimo suspiro dos moribundos, profundo e vital, mas que se exauriu. A imprensa alternative foi varrida do horizonte brasileiro a partir de 1985 por varios fatores, cujo peso o leitor tem o direito de estabelecer. Mas quem partici- pou da idade de ouro dessas publicag6es, antecedendo e acompanhando o ingres- so da censura official nas reda69es, sabe que nelas estavam trabalhando alguns dos profissionais que at6 entao (e ainda, em posigao hibrida) abrilhantavam a grande imprensa. Isto significa que s6 ha imprensa al- ternativa se feita porjornalistas alterati- vos (dai a razao do fracasso das publica- 96es de partido e das aq9es entire ami- gos, voluntaristas e amadoristicas). Como regra, esses jornalistas surgem nas gran- des reda95es, negando-as com o tempo. Ou seja: aprenderam como fazer boa im- prensa. E s6 decide fazer imprensa al- ternativa quando fazer bomjornalismo se torna inviavel na empresa conventional (os jornalistas nao se t6m caracterizado por ser bons empresirios). Depois do AI-5, de dezembro de 1968 (complementado, quanto a jornalismo, pela regulamentagao da profissao, feita manu military entire 1969 e 1972 por nos- sos maquiav6is castrenses, dando origem a essa an6dina e empobrecedora reserve de mercado para os cursos universitArios de comunicagdo social), os militares ex- purgaram o melhor jornalismo das gran- des redag9es, fazendo-o migrar para a resist6ncia nas catacumbas. Depois de Sarey, essa fungdo repres- siva passou a ser desempenhada pelos donos das empresas jornalisticas e seus associados no poder. A censura gover- namental deu lugar a auto-censura. O projeto politico autoritario foi substituido pela gestdo autoritAria dos neg6cios, cheia de O & M, marketing, MBA e outras tecnologias administrativas, mas tao ful- minante quanto os brucutus de antanho. Muitos que pensavam de outra maneira foram seduzidos e outros comprados mesmo. Quem continuou resistindo, foi post fora do mercado e estigmatizado. Quem ficou recebeu, mas tamb6m pagou. E a era que estamos vivendo agora. Aparentemente, tudo o que se quer sa- ber esta disponivel nas paginas dejornais e revistas ou pela internet. Mas nao 6 bem assim. Sem pretender ir mais long, tomo como exemplo este microsc6picojornal. Alguma coisa do que aqui public deve- se A competencia especifica que conquis- tei para apura-la na competigao sadia e necessaria cor os colegas. Mas muita coisa decorre da in6rcia da grande im- prensa, da circunstancia de ela se haver auto-limitado, impondo-se limits que ne- nhuma relayao t6m com a fungao jorna- listica, seus manuais e sua deontologia. Algumas pessoas nem se importam muito corn essa omissao, A espera da sa- ida do JP, na presungao de que, por um process gravitacional natural ou um magnetismo de acionamento automatic, a informagao esperada ou desconfiada aqui aparecerA. Nem sempre isso acon- tece, por6m. E, infelizmente, o vacuo ocorre com freqiiancia crescente. Nao porque tamb6m o JP tenha fixado para si um index tematico, mas porque obter e divulgar informa95es custa dinheiro e, muitas vezes, custa muito dinheiro, 6 caro. Dinheiro 6 algo que constitui raridade neste journal. Sua capacidade de checa- gem e apura9ao esta mais restrita ainda do que ja a condicionam as limita9Oes do seu redator solitArio. Isto significa que, al6m de ser feita por jornalistas alternatives independentse, capazes, orientados por principios), a im- JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE JUNHO / 1999 5 pirilampos na noite national prensa alternative requer organizagao al- ternativa para existir. Sem ela, como com- patibilizar os custos, democraticamente os mesmos para todos, e sempre acrescidos pela inovag9o t6cnica ou comportamen- tal, cor sua enfraquecida estrutura de receita? Freqtientemente, al6m de reque- rer administragao alternative, esse tipo de imprensa s6 viceja numa sociedade que a estimula, fornecendo-lhe meios materials para ser aut6noma, compromis- sada apenas cor o leitor, mais substanci- almente livre do que uma bandeirada de tAxi (para usar a bem humorada imagem de Miller). A sociedade brasileira, como estamos vendo mais uma vez (pela repeticgo de escandalos, promiscuidade entire atores piblicos e privados, avolumagao dos va- lores envolvidos em desvio de recursos e enriquecimento ilicito, tendo como pano de fundo plena liberdade disponivel, gran- des reportagens e grandes silencios, vas- tas informag6es e inconclusos enredos, retic&ncias entire linhas cheias desconti- nuas), esta muito long de dar conseqii- 6ncia a sua ret6rica democrAtica. Em essincia, o poder no pais persiste como organizaggo familiar, patriarcal, corpora- tiva em sucessao ou em combinagao espiria de elements de 6pocas distintas, reunidos num anacr6nico desafio ao tem- po, que passa sem evoluir, como se o des- cr6dito dos Fukuyama de hegelianismo de p6 quebrado em relagao a hist6ria tives- se procedencia. A mais important das publicag6es alternatives da hist6ria da imprensa, o I. F Stone's Weekly, cor sede em Wa- shington, s6 se manteve por 19 anos (1952-71) porque Izzi Stone teve acesso a bolsas e funds independents (sem exig6ncia de reciprocidade), os poderes repressivos do executive federal estavam limitados pelos outros dois poderes, numa pratica mais afinada com o modelo clas- sico da democracia, e porque uma admi- nistrag5o piblica profissionalizada atenu- ava os riscos de boicote e sabotagem. O leitor contemporaneo, muitas vezes seduzido e iludido pela facilidade e fran- quia da circulacgo de informac6es por redes eletr6nicas, cuja abundancia 6 pro- porcional A dificuldade de sele9ao e en- tendimento, permanece passivamente na ponta da linha. Prefere ignorar toda a luta que precede o produto. Sem process democratic, a imprensa alternative, como verdadeira alternative ao control politi- co ou empresarial (de todas as formas, corporativo) da informagao, em defesa do cidadio, torna-se uma estrela da tarde, bela e fugaz, como o sonho de verao de 1964-1985. E paradoxal que tenhamos essa boa mem6ria de uma das fases mais negras da hist6ria brasileira. No entanto, como poucas vezes isso aconteceu, a direcgo e a redag9o de varias das principals em- presas jornalisticas se uniram contra o inimigo comum, claro, objetivo, execrd- vel: o censor official, o inquisidor tout- court. Tentava-se por todos os meios burlar a censura, dentro da pr6pria em- presa ou, sem outra alternative, fora dela. Os magnatas da imprensa faziam vis- tas grossas a dupla militAncia de alguns de seus empregados, cor um p6 na grande redag9o e o outro na instalagao alternative, freqtientemente contraban- deando material da primeira para a se- gunda, sern problema. E quando todos os caminhos de divulgagAo no pais eram bloqueados, o desvio para o exterior era sancionado do alto. Record do chamado que Juilio de Mesquita Neto (ja falecido) me fez na redaCgo- de O Estado de S. Paulo. Eu tinha meses de trabalho exaustivo na co- ordenag9o da cobertura do surto de me- ningite em Sao Paulo, a maior epidemia urbana da doenga at6 entao. A censura cortava quase tudo das paginas do sau- doso matutino paulista. Numa sexta-fei- ra A noite, no final do expediente, o dou- tor Julio, como o chamAvamos (e eram tamb6m chamados os outros Mesquitas que o antecederam, com a mesma mis- tica do coronel Walker, o disfarce civili- zado do imortal Fantasma-que-anda), me pediu que voltasse A redagao na manha seguinte e escrevesse a mat6ria que eu quisesse sobre o assunto, passando-a para o Excelsior, do M6xico, que se comprometera em publica-la com todo o destaque. Era um sAbado de folga, mas IA esta- va eu dedilhando cor firia, sem consult a anota96es (que tudo ja estava afiado na cabega), como costumam sair os me- Ihores textosjomalisticos (mesmo de den- tro de quem nao esta entire os melhores jornalistas), para dar aos mexicanos uma id6ia da situagio surrealista: o noticiario sobre uma grave epidemia, irrompida numa das maiores aglomera96es urbanas do planet, ser suprimido para que as vi- timas nao soubessem do que acontecia, da doenga em si e das suas circunstanci- as nebulosas. A indignag9o 6 o m6vel por excel6ncia dojornalismo quando ele dis- poe do combustivel adequado para acio- na-la. Al6m de querer fazer, 6 precise saber fazer esse jornalismo, o que s6 a pritica continuada e o tempo de pratica possibilitam. Lembrar essa utopia, formada hi 35 anos, motiva boas lembrangas. Mas as lembrangas, por melhores que sejam, nao sao suficientes para sustentar o present e garantir o future. Enquanto leio O re- pdrter e o poder, de Jos6 Carlos Barda- will, que espero comentar, fico pensando nesse fogo-fituo que nos assemelha aos pirilampos da noite, cuja luz, por mais que ilumine ao redor, ter duragco insuficien- te para orientar os caminhos e extensao diminuta para as exig6ncias da hist6ria. Se fosse diferente, este pais nao seria o Brasil. E seria mais ficil acreditar que, um dia, isso nao continuara a ser como tem sido at6 agora. * 0 artist Ao Luis Braga cabe como luva a classificagdo de artist pldstico. Ele usa sua mdquina fotogrdfica como se manejasse um pincel. Seria um arquarelista se suas tintas ndo tivessem a forca dos melhores 6leos. Sdo fotografias de uma beleza pldstica rara. Parecem composiqoes autonomas de forma e cor, como a boa pintura, como se os models captados pela cdmara tivessem posado e as cores fossem produzidas em estzdio, ou por engenhosidade tecnica de laborat6rio e de equipamento. Mas d nas ruas e nas matas que Luis Braga fotografa, a luz que filtra pelas lentes de sua mdquina e natural, a dindmica da vida e nao um pastiche dela e o que ele procura. Temos, por isso e muito mais, todos os motives para partilhar corn ele as comemorao5es pelo quarto de sdculo de fotografia professional. Luis estd entire a meia dfizia dos melhores fot6grafos que por aqui produziram e produzem, ao mesmo tempo, para nos e para qualquer pfiblico do planet, mesmo o mais exigente. Artistas para ser lembrados mesmo quando seus pfiblicos, cendrios e personagens tiverem passado. 6 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE JUNHO / 1999 Cartas * A prop6sito da nota "Res Pfiblica", publicada na edigao anterior deste jomal, o deputado (PFL) Vic Pires Franco enviou carta e documents para mostrar que um de seus assessores parlamentares trabalhar a dois mil quil8metros de distancia da sede da Camara Federal nao constitui nenhum exemplo dos "maus usos e piores costumes vigentes politicos vigentes nesta Repiblica", como foi declarado numa sentenga proferida na justica trabalhista, em demand que o envolveu. A possibilidade estA ampara- da na resolugao niimero 72 da mesa da Camara, baixada em 1997. Em seu artigo segundo, ela esta- belece: "Os ocupantes de cargo em comissdo de Secretariado Par- lamentar terao exercicio exclusi- vamente nos gabinetes parlamen- tares, em Brasilia, ou em suas pro- jeq es nos Estados, e reger-se- ao pelas normas estatutarias e disciplinares aplicaveis aos de- mais stores da Camara dos De- putados". Como o deputado diz que seu gabinete em Beldm funciona no 3 andar da Churrascaria Rodeio, da qual 6 s6cio-proprietArio (e que motivou a agao trabalhista), Carlos Castilho ali atua no desem- penho de dupla fungao: como as- sessor parlamentar da base local ("projegao" do gabinete de Bra- silia) e, no hordrio nao coinciden- te com esse serving, como funci- ondrio do restaurant, exercendo acumulagao que nada teria de ili- cita. A mesma resolugao estabele- ce que cada gabinete parlamen- tar tera no minimo cinco e no md- ximo 16 servidores remunerados. Eles sao obrigados a cumprirjor- nada de 40 horas semanais, "ve- dada a prestagao de servigos ex- traordinarios". * 0 professor Josd Carneiro enviou a seguinte carta: A prop6sito do niumero 212, tenho algo embora pequeno a acrescentar a titulo de informa- 9ao. Ter a ver com a reportagem sobre a revista "Senhor" que, la- mentavelmente, nao tive oportu- nidade de conhecer. Mas conhe- ci o Reynaldo Jardim, que, como informas, teve a seu crddito "al- gumas das marcas da decad6ncia de Senhor". Em 1972, Reynaldo Jardim foi contratado pelo Umberto Calde- Durante algum tempo reclamou-se dejoma- listas por terem muitos fatos e nenhuma opinion. Nao era uma formulag9o correta. Ojomalismo fica desnaturado quando desligado dos fatos. Mais ainda quando confront os fatos, ou os omite. Mas numa era de abundancia de infor- magbes, formando um quebra-cabegas acessi- vel apenas aos iniciados, o melhorjomalismo sera aquele capaz de identificar os principals fatos e, concatenando-os, tirar deles um sentido, um sig- nificado, o que representam para a vida social (jornalismo de Robinson Crusoe 6 apenas litera- tura, se ter qualidade). A isto denomina-se, A falta de outra expressio, de contextualizaqdo da informaqdo. E o que salva o home con- temporaneo da sua dispersao c6smica, at6mica, permitindo-lhe ser ator da hist6ria e nao apenas uma Carolina abilica Ajanela. Agora, por6m, vive-se no jornalismo a pra- ga de escassez de fatos para um excess de opiniao, doenga que nao conta cor um Regu- lador Gesteira para combat8-la. Novigos mal chegados A estrada j ditam regras e se permi- tem abreviar ou mesmo abstrair o cotidiano (competencia especifica do jornalismo) para li- dar diretamente com a hist6ria (alcangAvel atra- v6s da lenta decantagao jornalistica). Produ- zem sentengas em processes sumarios, nos quais a prova da verdade dispensa o contradi- t6rio. E um caminho perigoso. Sinto sua nocividade quando leio algumas mat6rias mais bombasticas de Veja, como a reportagem de capa da edigco da semana pas- sada, sobre as gravag9es telefonicas clandes- tinas. Pode-se recear que a investigagao jor- nalistica tenha se reduzido ao recebimento de pap6is, fitas e segredos, sem uma adequada checagem do material vazado por alguma fonte official ou extra-oficial. Pelo contririo: o rece- bimento do present pode ter sido condiciona- do a uma certa cumplicidade com a fonte, pre- 9o sempre caro do furo chapa branca. Escondendo o sujeito da oragao debaixo de um v6u de anonimato inaceitavel, Veja diz: "Es- palha-se que foi a Casa Militar [da PresidOn- cia da Repziblicaj do general Cardoso que mandou grampear Lara Resende, Mendon9a raro para fazer a reformulagao grd- fica dojomal"A Critica", de Ma- naus, e de 1a veio, nao sei se con- tratado expressamente pelo Ro- mulo (ou aproveitando espagos do contrato feito pelo Calderaro, ja que eram muito amigos, como sabes) para tambdm tentar uma reformulacao grdfica em "O Libe- ral", que ha pouco tempo inau- gurara sua impressao em off-set, remember? de Barros e outros altos funcionArios envolvi- dos cor o leilao das teles". Quem espalha, cara- palida? Diz qualquer manual que quando nao se pode identificar precisamente o sujeito ou o objeto, deve-se procurar uma aproximagao capaz de dar melhor id6ia ao leitor da proce- dencia da informagio, ao inv6s de abandonA- lo ao mar encapelado da imprecisao. Se pode- se dizer "espalha-se no Palacio do Planalto", ou "espalha-se no Congresso", interdito 6 sim- plesmente escrever "espalha-se". No mesmo paragrafo da mat6ria, a revista acrescenta: "At6 os agents da PF [Policia Federal] parecem convencidos de que Car- doso nao deu ordem alguma para fazer gram- po. Mesmo assim, aproveitam o pretext para acua-lo". Nao especificando quais, quantos ou qual a representatividade de tais agents refe- ridos, a revista parece estar assumindo a defe- sa do general Alberto Cardoso contra seus ini- migos nao declarados da PF. Faz ainda crer a seus leitores mais atigados que talvez tenha sido o general quem vazou as informag9es cor as quais Veja montou sua reportagem de capa, substancialmente do lado dele. O texto evolui em precArio equilibrio, es- corregando num e noutro paragrafo, ate se es- borrachar no iltimo period da mat6ria: "Sera que o pais tera que conviver por muito mais tempo com essa praga [do grampo] que rou- ba a privacidade do president e do cidaddo comum como se ouvir clandestinamente os te- lefonemas alheios fosse uma coisa perfeitamen- te natural? Nao. Isso nao pode continuar". Abrindo uma editorial, a frase estaria bem posta. Finalizando uma reportagem, constitui excrescencia, que, ademais, soa mal ao ouvi- do, construida que foi sem o esmero redacio- nal da Veja de Elio Gaspari, a filtima boa fase da revista, mesmo com suas eventuais tenden- ciosidades. Ou Veja tem um mau conceito do seu leitor, ou, tendo que conduzir-lhe a opinion, deixa as sutilezas de lado e parte direto para a manipulagco. Cor o que, infiltrada a meia-ver- dade atras da opiniao, mais danosa do que a mentira, perdemos todos, leitores, jornalistas e jornalismo. Sem falar do pais. 0 Na grAfica do Calderaro, Rey- naldo Jardim imprimiu seu livro de poesia que, se nao me enga- no, refletia um pouco sua forte impressao da regiao amazonica e que tambdm foi langado aqui, sem muito sucesso. Ele veio de Ma- naus de navio e o seu projeto grd- fico acabou desaprovado. Lembro-me bem, eu era rep6r- ter de "O Liberal" e, num inicio de manha, muito cedo, percebi o Reynaldo Jardim chegando, ves- tindo uma das batas que o pes- soal da oficina usava, com o lo- gotipo do jomal no bolso. Ele es- tava hA vArios dias em Bel6m, apa- nhou um exemplar do journal e fi- cou olhando, longamente, para a primeira pAgina (parece que o projeto grafico era s6 para a pri- meira pagina). Logo em seguida, e surpreendentemente, apareceu o Romulo Maiorana, que o cum- Jornalismo de opiniao: onde ficam os fatos? JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE JUNHO / 1999 7 Entre sol e chuva, o som de Belem Escrevi o texto abaixo para o mais recent CD do compositor Alcyr Guimaraes, Belim, Bumbds, Boleros, Sol e Chuva, produzido por Carlos Lima, que estA sendo lanqado agora no mercado. Segue pelo menos meia d6zia de ami- gos, metade deles tocando violo, pelo menos um fazendo percussdo na caixinha de f6sforo, outro no pandeiro e mais um num bumbo equiparado a contra- baixo. Ajeite no grupo algu6m cor bons dotes vocais. Aos outros basta "interpre- tar" can95es. Leve-os para o meio do lon- go quintal, sob goiabeiras, sapotilheiras, jaqueiras e um bico de luz. Arme-se de muitas cervejas para o abastecimento en- tre o final da tarde e a alta madrugada sem hora marcada. Eis o clima adequado para ouvir o mais paraense dos discos produzi- dos nos ultimos tempos, este, do chansso- neur, trovador e poeta Alcyr Guimaraes. A "misica paraense" 6 um hibridismo de merengue, bolero e samba-cangao, corn ramificag9es pela toada, o choro, a marcha-rancho, o samba-enredo e a lam- bada. Tem disso tudo, e do melhor disso tudo, neste CD. Mas nAo o som estandar- dizado, massificado e empobrecido que toca no hit-parade. Alcyr combine cor- das e ritmo marcado em Flor e Fita, bati- da de carimb6 e murmfirio de valsinha, a coisa mais original e bonita que o Boi-Bum- ba ji mereceu, libertando-o da vulgariza- 9do. Pode ser tambem tema musical para um filme felliniano sobre Bel6m, a mais just aproximaCgo cinematogrifica da ci- dade. Ha atd um harmonioso complemen- to, Boi no cdu, som absolutamente novo para a saison, um boi bem paraense, na transigao de s6culo e de milenio. O verdadeiro trovador nao ter precon- ceitos. Tudo absorve e a tudo recria, no meio do povo, mas capaz de distinguir va- lores, recusando raizes podres e forma mas- siva. A linguagem do povo 6 alegre, pica- resca, ambigua, bem humorada. Nao 6 por- que ele gosta de festa e danga que as coi- sas no pais estdo ruim. Estariam pior de ele fosse sisudo e frio como outros povos mais adiantados. As revolug9es, alids, cos- tumam acontecer cor uma festa, despite e detonador, como foi na Cabanagem. O sincretismo 6, ao mesmo tempo, arma de defesa e de ataque. A Ladainha da virgem de Nazare, por exemplo, eleva o lado pro- fano da maior festa religiosa do Pard e do pais. Quem sabe nao acaba sendo incor- porada como hino da romaria? Mas tambdm bate forte o banzo, sopra- do da Europa, da Africa e do Caribe, proxi- midade esta iltima reforgada pelo contagi- ante Tiempo de Flores. Desde D. Duarte te- mos saudade, misturada cor o lamento dos escravos africanos e a melancolia do colo- no lusitano. Alcyr contempla a todos, inclu- sive na emocionante homenagem ao cama- valesco negro que se foi sem o devido re- conhecimento: "como estrela/ ei, David,/ um Miguel/ da cor do breu". Alguem de mal corn a vida objetard que o compositor de todas essas belas m6sicas nao 6 cantor. O timbre, de fato, nfo 6 dos melhores. Mas a voz 6 melodiosa e afinada. O compositor que interpreta suas m6sicas teve, entretanto, o bom senso de sustentar a sua cor outras vozes mais bem dotadas, dentre as quais a de Walter Bandeira. Apre- senta a pr6pria filha, Fernandinha, afinadis- sima aos 16 anos, minha aposta como reve- lagdo do ano (e em muitos anos). Querem mais? Entao fiquem ouvindo at6 de madrugada. Ou "interpretando" as pdro- las da saga musical de Alcyr Guimaraes. PS Alcyr: eram cinco da tarde do dia 22 de janeiro de 1999. Fazia sol. Mas come- gou a cover. Sol e chuva vindos do alto em doses iguais (de onde tamb6m vem o som do bumbo do teu bumbd), caindo pela galharia das mangueiras. Muito Bel6m. Com Flor e Fita na alma, deu vontade de chorar. Obrigadissimo, irmao. LI de cima, o poeta Ruy, entire uma e outra, deve ter pedido: de novo. Bis, Alcyr. 0 primentou cordialmente e juntos ficaram a olhar, em silencio, para ojornal sobre a mesa. Eu, porperto, ouvi o Reynaldo dizer: ficou muito espago em bran- co, nd? (ele referia-se aos espagos em branco nos lados do titulo do jomal e que antes eram ocupados por "janelas" que ele havia supri- mido). O Romulo comentou qual- quer coisa na linha de que estava sendo desperdiqado espa9o. Dias depois as tais "janelas" voltaram e o Reynaldo foi embora. Como te disse no inicio, ape- nas acrescento mais um detalhe na passage por Bel6m desse camarada que ficou famoso no joralismo brasileiro (nao foi dele uma avan9ada reformulaqao grd- fica do journal do Brasil? Ou teria sido no Correio da Manha?). Minha resposta Reynaldo Jardimfez uma re- forma gr6fica no Correio da Ma- nhn, ndo no Jomal do Brasil. Uma das caracteristicas marcantes era a mesma que atraiu a aten- qao do Romulo: injustificados espagos em branco (no caso do Correio, protegidos por fios). Ndo deu certo nos dois casos e em numerosos outros em que es- teve envolvido. Como poeta e como jornalista, Reynaldo su- miu. Nao me sentiria autorizado a dizer sejusta ou injustamente. * Embora a questdo suscitada por Rosa Ferreira e Tdnia Silva, proprietdrias do Clube Aconchego, na carta enviada a estejornal, ndo tenha origem no JP, decidi abrigd-la porque express, em meu entendimento, um ponto de vista que merece ser considerado para enriquecer a avaliaq~o do tema, evitando um monocdrdio tom acusador ou desqualificante. Diz a carta: Na coluna Mauro Bonna, pu- blicada no Didrio do Para do dia 23/05, foi veiculada a nota "Acon- chego", destacando o Clube de nossa propriedade. E bem verdade que o Acon- chego 6 um Clube GLS. Mas 6 inadmissivel que um journal, nto com a expressao, mas com o ta- manho do DiArio do Pard ainda trate o assunto Gay com uma vi- sao estereotipada e vulgar. Enquanto o mundo Gay dis- cute o Projeto de Lei de autoria da ex-deputada Marta Suplicy, que permit a uniao civil entire homossexuais, e todos os gran- des 6rgsos de comunicagio do Brasil destacam o assunto com a seriedade merecida, nossa gran- de imprensa parece que parou no tempo e mant6m um jomalismo debochado e grosseiro. A principio, a nota, de tao in- feliz, nao deveria merecer qual- quer tipo de manifestagao por parte da direeao do clube, pordm, por cobranga de alguns dirigen- tes, resolver tornar p6blica nos- sa indignag9o e desafeto a esse jomalista. Jornalista? Lamentavelmente estavamos di- ante de mais uma comprovagao do baixo nivel que 6 a cam da grande imprensa estadual, quinzenalmente denunciada pelo Jornal Pessoal. Nao queremos a aceitagao de ningu6m. Ngo precisamos e nio estamos mendigando compreen- sao. Exigimos sim, respeito como cidadaos, trabalhadores e cum- pridores de nossos deveres. Consideramos que o Jornal Pessoal ainda 6 o inico instrumen- to com moral neste Estado para tra- tar e publicar o assunto com serie- dade e isengao e, por isso, o moti- vo desta correspondencia". * Mem6ria Menos de 40 pessoas foram A capela de Lourdes, no inicio da noite do dia 8, participar da missa em mem6ria de Francis- co Paulo do Nascimento Men- des, que completou 30 dias de falecido. Talvez cada um dos muitos ausentes, em d6bito corn o maior professor de literature e est6tica da hist6ria do Para, tivesse motives fortes parajus- tificar a falta. Talvez nem mes- mo tenhamos direito ao lamen- to. Talvez seja irremediavel- mente assim na vida contem- poranea. Mas doia ver que tio poucos dos muitos que devem algo (ou muito) ao mestre, mar- cante na formag9o de varias geracges de paraenses, conse- guiram superar as restri95es de agenda para prestar sua home- nagem a Chico Mendes. Umhomem ram como ele, que n~o surgenas linhasdemontagem do cidaddo comum, fazjus A nos- sa permanent lembranga e a de- monstraqbes de reconhecimento ao excepcional valor de sua per- sonalidade e desuavida.N~opode cair no anonimato e no esqueci- mento. Nem mesmo receber ho- menagens tao singelas quanto a da missa de 30 dia de morte. O governor ou a prefeitura ja deveriam preparar-se para dar o nome do professor Fran- cisco Mendes a uma grande escola secundaria, se 6 que as universidades nao devam tam- b6m reservar algum espago A mem6ria dele. Nao realgar-lhe a obra apenas depora contra n6s. A grandeza de Francisco Paulo do Nascimento Mendes j6 u um dado acima e al6m do alcance das conjunturas: 6 ele- mento da hist6ria da cultural, por acaso datada do Pard. Assinaturas As assinaturas (R$ 15 tri- mestral e R$ 30 semestral) podem ser feitas pelo telefo- ne (091)241-7626 Aparentemente, foi soluci- onado o assassinate do ex-de- putado Paulo Fonteles de Lima, ocorrido ha 12 anos, em 10 de junho de 1987. Os dois assas- sinos foram identificados. Um foi morto (a tipica "queima de arquivo") antes de ser preso. O outro, preso e condenado, cumpre pena nao mais no Para, mas em uma penitencidria do Rio de Janeiro, onde tamb6m cometera crimes. O organiza- dor do atentado tamb6m foi preso e cumpriu parte da pena de 21 anos a que foi condena- do. Pelos favors da lei, agora estA em liberdade condicional na sua terra, em Sdo Paulo. Deve-se esquecer, entao, essa hist6ria tragica? Parents, amigos e correligionarios do ex- parlamentar acham que nao, cor razdo. Na semana passa- da, mais uma sessqo especial em mem6ria de Fonteles foi realizada pela Assembl6ia Le- gislativa do Estado, proposta pelo Partido Comunista do Bra- sil, o PC do B, no qual Paulo militava quando morreu. Todos lamentaram o epis6dio e pro- meteram continuar a campa- nha contra o crime. Objetivamente, por6m, nada se faz ha muito tempo para dar conseqii6ncia a esse discurso. O advogado James Vita Lopes cumpriu a parte que ajustiga lhe impusera por sua culpa: ficou seis anos na cela de um quartel da Policia Military, com comportamento exemplar e em absolute silEn- cio, negando categoricamente as acusa96es que Ihe foram feitas. Credenciou-se a ser li- bertado quando chegou a um tergo da pena. Se ele tem se- gredos, os levara consigo. Quem o visitou na cadeia viu o quanto a reclusgo o abateu. Seu envelhecimento no perio- do, mesmo que nao sirva de atestado de inocEncia, revela a convic9go de sua posigao. Dificilmente ele fard agora o que nao for do seu interesse. Mas se Vita Lopes realmen- te participou da montagem do atentado que vitimou Fonteles, ele foi intermediario, nao o man- dante. Todos os pontos positi- vos da investigagdo do crime, portanto, nao tocaram no essen- cial, sem o que outras encomen- das de morte continuarao con- tando cor o estimulo da impu- nidade em favor do cabega des- sas opera95es macabras. As- sim, o "caso Fonteles", inaca- bado, mal resolvido, ird insepul- to para o t6mulo dos arquivos. A nao ser que um fato novo permit Ajustiga, talvez atrav6s do Minist6rio Piblico, reabri-lo. O inico fato que permane- ce novo ou pendente 6 a nao oitiva do dono do autom6vel Volkswagen usado pelos crimi- nosos, apontado sucessivas vezes nestejomal como o prin- cipal suspeito de ser o autor in- telectual do crime, desde o n 2 do JP, de setembro de 1987. O mineiro Hdlio FAbio Vieira Lo- pes foi identificado e chamado para depor pela Policia Fede- ral do Rio de Janeiro, Estado onde mora. Contou uma hist6- ria inacreditavel sobre como vendeu o carro, prometeu vol- tar com os documents com- probat6rios de sua declarag9o, mas nunca retornou, nem a po- licia foi atras dele, mesmo sa- bendo-o foragido de Minas Gerais, onde cometeu um cri- me e foi condenado. Enquanto nao puxar esse fio da meada, reabrindo a instru- 9go do process atrav6s do depoimento do fazendeiro (cu- jos elos de ligag9o com os as- sassinos estao definidos), qual- quer discurso em mem6ria de Paulo Fonteles, mesmo que seja emocionante, sera in6cuo. Nao fara, portanto, justiga A mem6ria do morto. Homenagem real Lapso Pedro Parente e ministry do Orgamento e ndo do Desenvolvimento, como saiu no nzimero passado. 0 indigitado chama-se Celso Lafer que, como diz o samba, acertando no que ndo viu, ningudm sabe, ningudm viu. 0 ministirio de FHC2 ter definicdo matemitica: a ordem dos fatores ndo altera o produto. Dai os eventuais lapsos, pecado venial previamente coberto por habeas corpus preventive. Jornal Pessoal Editor: Lucio Flavio Pinto Sede: Passagem Bolonha, 60-B 66.053-040 Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66 053-040 Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br Ediiao de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 Marcag o O empresArio Romulo Mai- orana Jr. e o deputado federal (PMDB) Jos6 Priante almoga- ram juntos em Brasilia, no mes passado. Rominho nao deu a noticia no seujomal. Jader Bar- balho s6 soube do encontro por terceiros. Prato de resistencia da refeigao: a candidatura de Pri- ante A prefeitura de Bel6m (in- formalmente langada em Be- 16mcom dezenas de out-doors), vista mais favoravelmente na re- dacao de O Liberal do que no PMDB. Mesmo sem ter-pelo menos por enquanto cacife para dispu- tar para valer a elei9ao para a PMB, Priante, viabilizando seu nome, atenderia ao principal obje- tivo do grupo Liberal comamano- bra: impedir que o PMDB venha a apoiar a candidatura do deputa- do federal Vic Pires Franco, em coligagAo com o PFL. Por isso mesmo, o nome de Vic nao apare- ceranaprimeirapesquisaeleitoral dos Maiorana encomendada ao Ibope, previstapara ser divulgada entire outubro e novembro. Qualquer possibilidade de uma reconciliagao, comoja hou- ve no passado, foi descartada quando o ex-amigo patrocinou uma agao popular contra o con- v6nio da TV Liberal comn aFun- telpa. Feridos em seus interes- ses comerciais, os Maiorana de- cidiram que podem apoiar qual- quer nome, mas nunca mais o de Vic. Ele passou a ser inimigo particular nfimero um. Esse clima de retaliag~o ex- plica um incident desagradavel ocorrido no mes passado, no ae- roporto de Bel6m, entire Lucid6a Maiorana e o deputado pefelis- ta. Detentora do control acio- nario da corporag~o, com 51% das ages, D6a investiu de dedo em riste e aos gritos contra o par- lamentar, chamando-o de mole- que. Vic nao reagiu. Ao que tudo indica, a pr6xi- ma eleigao vai pegar fogo nas pAginas de O Liberal. |
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