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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00161

Full Text






0 F L A V
1 212 1' QUINZENA DE JU


1


A revista


essoal PAG.t 4)
1o P I N T O Otrabalho
NHO DE 1999* RS 2,00 Invisivel
(PAG. 3)
TR RAS


jas de volta


Uma agdo popular estd reivindicando na justipa federal a devolugdo das terras
de Carajds, comjuros e correcdo monetdria. Se atendido, o ato implicard em
milhbes de reais agora e muito mais depois. A questdo e
suscitada exatamente quando esti em curso o mais serio
litigio entire o Estado, a Unido e a Companbia
Vale do Rio Doce, principals 0


personagens do enredo.


i- j m 1971,julgando os gover-
nos estaduais da region
.."-'. inabilitados (ou mesmo in-
Scapazes) para promover
.,-,swj uma r6pida ocupagco da
SAmaz6nia, dessa forma
garantm o sua integragao national antes
que os riscos de "entregagdo" internaci-
onal pudessem consumar-se ("integrar
para nao entregar" era o lema geopoliti-
co), a Uniao se apropriou de 65% das
terras devolutas da Amaz6nia Legal. Fe-
deralizou-as integralmente atraves de um
prosaico pedago de papel, o decreto-lei
1.164, de data cabalistica: 10 de abril.
Foi um ato de forga. Ignorou sutilezas
formais ou substanciais da proped6utica
agraria, das normas processuais e da pr6-
pria ConstituigAo (a tristemente famosa
"emenda no 1, de 1969, o primeiro catilo-
go numeral do direito constitutional em
toda a hist6ria da humanidade). Em nome
da Uniao, o Incra (Instituto Nacional de
Colonizago e Reforma Agrdria) passou
a administrar mais de tres milhoes de qui-
16metros quadrados, o que seria o oitavo
maio- "ais do mundo e o segundo do con-
tinente, iiais extenso do que a Argentina.
E evidence que houve exagero nessa
pretenso territorial de Brasilia. O decre-
to-lei 1.164 buscava sua legitimago, en-
quanto ato de impdrio de um regime dita-
torial, na necessidade de controlar e re-
servar o uso de areas consideradas "indis-
pensAveis A seguranga e ao desenvolvimen-
to nacionais". Mas faltavam os meios, nao


s6 especifica-
mente ao Incra, mas A administracgo p6i-
blica como um todo, para dar conte6do real
a uma tal tutelajurisdicional.
A irracionalidade era tdo grande que
surgiu uma hist6ria incrivel sobre a origem
do ato. Dizia-se que a intengao do gover-
no era copiar, em territ6rio amaz6nico, uma
iniciativa do president JoAo Goulart no fi-
nal do seu governor, um dos motives alega-
dos pelos militares para depo-lo.
Jango considerara de interesse social,
para fins de desapropria9go, terras situa-


,, d a s

faixa de
I (0 qud6me-
) -tros das mar-
gens das estra-
das e ferro% ias
federais, aqudes e
S obras de irrigaqao.
O 1164 seria tambem
para desapropriar 10
quil6metros de cada lado
das rodovias federais da
Amaz6nia. Inadvertidamente, a secreti-
ria encarregada da datilografia do docu-
mento bateu um zero a mais. Como "co-
lou", ficou. Ndo houve reaCfo. A nagdo
estava amordagada, anestesiada, insen-
sibilizada, amedrontada.
Jamais me esquecerei da solenidade
realizada no PalAcio Lauro Sodr6, em
Bel6m, na qual os governadores dos Es-
tados amaz6nicos aquiesceram A brutal
perda de territorialidade. Todos nao pa- )


*m,, 'ur 7
kdW~j





2 JOURNAL PESSOAL 1 AQUINZENA DE JUNHO / 1999


Ssavam de satrapas do poder central, de-
vendo a ocupagao do alto cargo p6blico
ao engenho autoritArio do governor fede-
ral, exercido por um general de Ex6rcito.
Muitos deles lembravam os rostos an6ni-
mos dejogadores fotografados ao enver-
gar acidentalmente o uniform da sele-
g9o brasileira de futebol, at6 hoje a me-
lhor representagao da patria perante o
mundo. Passada a circunstancia que Ihes
deu tao alto posto, desapareceram do
universe, inclusive porque, por qualidades
e empenho pessoais, j amais chegariam ao
estrelato, ou por falta de intimidade corn
a bola, no caso dos jogadores, ou com o
voto, no caso dos politicos bi6nicos, indi-
retamente escolhidos.
Depois da solenidade, houve um co-
quetel no Hotel Grao-Para (o Hilton da
6poca), no qual muitos se embebedaram,
talvez para afogar a consciEncia sobre a
gravidade da ignominia. O assessor de
imprensa do Incra, o novo 6rgdo feudal,
successor, em escala ampliada, dos dona-
tArios e feitores, tratava os governadores
com escArnio: "Nao sabem o mal que fi-
zeram aos seus Estados", dizia, entire do-
ses de uisque.
De fato, nem mesmo os fins justifica-
ram (se tal legitimagco era possivel) a
viol6ncia. As estradas se mostraram um
meio de penetragao e ocupagao pior do
que o sistema de grandes lagos de Her-
man Kan, para o qual os militares queri-
am que elas fossem o sucedaneo nacio-
nal. A colonizagao ter, atW hoje, saldo
negative. Nao foi confirmado o dominio
national sobre a Amaz6nia; ainda que
houvesse, nao trouxe qualquer vantage
substantial. O devassamento das terras
altas amaz6nicas 6 um dos maiores cri-
mes ecol6gicos da hist6ria da humanida-
de. Se sobrou vontade aos militares, fal-
tou-lhes conhecimento de causa, inteligEn-
cia e, o que 6 fundamental para clarear
as id6ias, tolerancia (que s6 um ambiente
de liberdade propicia).
A federalizagao fundiariateve, para a
Amaz6nia, o significado da ocupagdo co-
lonial nos paises asiaticos. Por isso, tem
sentido positive a agao popular proposta
na semana passada, perante vara dajus-
tiga federal, em Bel6m, pelo agrimensor
e advogado Paragrassu Elleres. Em sin-
tese, ele quer anular os registros imobili-
Arios feitos em nome da Unido sobre uma
Area de 412 mil hectares, que constitui o
niicleo da provincia mineral de CarajAs,
no sul do Para. Cor isso, a Area, transfe-
rida A Companhia Vale do Rio Doce, re-
tornaria ao dominio do Estado do Para,
que se credenciaria a receber tamb6m
todos os direitos tributarios e fiscais devi-
dos pela empresa por uma ocupaqao ile-
gal de frag9o do patrim6nio piblico.
E causa de honra, destinada a reparar


usurpag9o, e tamb6m material, j que, em
apuragdo final, deverA resultar em mui-
tos milhaes de reais, sobre cujo valor in-
cidirao custas judiciais e honorArios ad-
vocaticios. Mas ela poderA assumir mag-
nitude ainda maior, na escala de bilh6es
de reals, se, acolhida, motivar aq9es nao
apenas sobre CarajAs, mas toda a Area
federalizada entire 1971 e 1976, o equiva-
lente a trAs milh6es de quil6metros qua-
drados na Amaz6nia.
HaverA quem tente desqualificar a ini-
ciativa de Paraguassu ja por esse deta-
Ihe: a vinculagdo do cAlculo dos honorari-
os a quanto a CVRD terA que pagar pe-
los direitos superficiarios que caberiam ao
Estado cor a anulagao do dominio fede-
ral, sobre a Area e todos os atos sucessi-
vos. O resultado, nessa hip6tese, serio
honorarios milionarios, fazendo o patro-
cinador da a9go partilhar dos ganhos do
Estado, do qual tornou-se defensor popu-
lar, de certa forma evidencianddo a omis-
sao institutional.
Esse aspect da questao, que 6 de
natureza moral e nao legal, entretanto,
sujeito, por isso, ao livre arbitrio individu-
al, nao desautoriza a agCo, nem a invali-
da. Sequer o fato de o advogado ser tam-
b6m director t6cnico do Iterpa (Instituto
de Terras do Para), membro da adminis-
tragao estadual que no moment (mas
talvez apenas conjunturalmente) litiga com
a CVRD.
S6 quem nao conhece Paraguassu
Elleres pode achar que sua iniciativa 6
nada mais do que emulagdo do governor
Almir Gabriel, uma fonte de dificuldade
para induzir negociagAo de solu9go, um
mero instrument de pressao. Mas ela
pode ser vista por 6tica diametralmente
oposta: de que causa mais desconforto
do que alivio ao governor do Estado, ao
dar conseqiifncia prAtica ao que ter sido
mais figure de ret6rica ou bala de festim.
A partir de agora, uma trincheira de com-
bate foi montada. Mais ura.
Embora os governadores amaz6nicos
tenham engolido a enorme pilula sem
agua, ou sem uma mro de farinha, seg-
mentos da sociedade reagiram A eviden-
te violencia- al6m de imotivada, despro-
positada-do governor federal. Alguns po-
liticos, advogados ejornalistas entiree os
quais tenho a honra de me incluir) criti-
caram intensamente, nao muitos anos
depois, mas A pr6pria 6poca, o DL 1164 e
seu parent especifico, o DL 1473, de
1976, que abocanhou a provincia mineral
de Carajas.
Denunciaram os absurdos relatados
agora corn competencia na agao popular
de Paraguassu Elleres. Em primeiro lu-
gar, que a identifica9ao da Area reserva-
da A Uniao fora apenas cartografica, sem
materializagio no terreno. Depois, que a


sextensio abrangida pelos atos exorbita-
va, mesmo se referida As ferramentas
para-legais de entao. Tamb6m o cinismo
impositivo dos legisladores de espada, se
apropriando de bens piblicos estaduais,
como as estradas, para absorver terras
limitrofes, gragas ao dispositivo que in-
cluia entire as terras federalizaveis atW
aquelas abrangidas por rodovias federal
simplesmente projetadas no mapa, sem
nunca sequer integrarem o Piano Rodo-
viArio Federal (como a BR-158, prolon-
gada de Sao Fl6ix do Araguaia, em Mato
Grosso, at6 Altamira, engolindo a PA-150
e a PA-279 e de 16 seguindo para norte
em linha pontilhada metafisica).
No moment em que se constituiram,
esses atos eram abusivos, ilegais. Tal vi-
oldncia pode ser quantificada e, a partir
dai, credenciar o Estado ao ressarcimen-
to? A a9ao de Paraguassu provocara dis-
cussao a respeito na instancia competen-
te, o judiciario. Mas a ela deverao ser
agregados muitos outros elements t6c-
nicos, que Ihe definirlo a complexidade.
E possivel que, devidamente enriquecida,
a questao possa ser encarada por varios
prismas ate melhor definiq9o.
A Unido 6 vild na hist6ria, certamente
a principal, mas nao a 6nica. A federali-
zagao foi possivel gragas a um ato de for-
9a, mas nao deixava de haver um residue
de legitimidade, decorrente da mA gestao
das terras p6blicas pelos governor esta-
duais. Excetuados alguns breves interreg-
nos, no inicio da Rep(blica e na revolu-
9go de 1930, os Estados dilapidaram os
seus patrim6nios de uma forma irrespon-
sAvel, corrupt. Davam terra como favor
e instrument de renovagao do compa-
drio, partilhando os dividends.
Sinceramente convencidos de suas
qualidades de cirurgi8es prAticos, os mili-
tares tentaram uma reform no campo a
partir do Estatuto da Terra, de novembro
de 1964. Desiludidos da fraseologia libe-
ral e do formalismo juridico (para tanto
recorrendo a algumas das maiores ex-
press6es de sua antitese, como Francis-
co Campos, o "Chico Ciencia"), os mili-
tares tentaram patrocinar um intervenci-
onismo corretivo. Julgavam-se d6spotas
esclarecidos e reformadores socials, ilu-
minados por um catecismo positivista
modernizado na ESG e no IPES, dois la-
borat6rios ideol6gicos do autoritarismo.
Em mat6ria fundiAria, tinham seus
motives para encarar cor restrig9es (e
tamb6m com preconceitos) os dirigentes
carcomidos das estruturas estaduais, que
consideravam incapazes de fazer a gran-
de reform agrAria, atrav6s da coloniza-
C9o, que o Incra iria realizar, assentando
500 mil families em cinco anos somente
na Transamaz6nica. Quando escrevi uma
s6rie de artigos em O Estado de S. Pau-





JOURNAL PESSOAL* I QUINZENA DE JUNHO / 1999 3


)lo sobre essa intervengao federal, o ge-
neral Golbery do Couto e Silva me man-
dou por um intermediArio c6pia do docu-
mento aut6grafo do 1164, com a obser-
vagao de que os governadores haviam
anuido transferencia, legitimando-a. Nao
tinham direito a indenizagao alguma, que
entao se cobrava. O mAximo que podiam
fazer era tentar derrubar o ato, argiiindo
sua inconstitucionalidade, o que tamb6m
se intentava a 6poca.
Deixo aos doutos juristas a discus-
slo de m6rito, o que certamente se farA
na instrugao da acao popular de Para-
guassu Elleres, inclusive para contradi-
tA-la. A iniciativa vai possibilitar rever
uma part important da nossa hist6ria
recent, reparar danos ilicitamente cau-
sados e tratar da reescrita segundo cri-
t6rios de justice e de verdade. Mas hi
o outro aspect, prAtico, material: a
CVRD teria que pagar ao Estado todos
os direitos devidos ao superficiArio so-
bre as terras, "acrescidos de juros com-
pensat6rios", fator terrivelmente one-
roso, contados a partir do fato gerador,
e a Uniao restituir receita arrecadada
indevidamente. Sera conta de muitos
milh6es de reais.
Al6m disso, as terras voltardo ao do-
minio do Estado, entidade que ter sido
tio ou mais incompetent do que a Un iio


na gestao agrdria e fundiaria. E certo
que o governor federal se utilizou de vA-
rios estratagemas, inclusive disfargados
de preocupagao ecol6gica, para se apos-
sar do que nao lhe cabia. Mas, no caso
dos 412 mil hectares, acrescidos de ou-
tros 300 mil hectares sob a roupagem
de unidades de preservagao e conser-
vacgo, a federalizagao, combinada corn
a delegagdo de poderes A CVRD, teve
o m6rito de manter razoavelmente intacta
uma das mais valiosas por6ses do terri-
t6rio amaz6nico. Nao fora isso e as ri-
cas florestas nas encostas de Carajis j
teriam desaparecido, como ocorreu em
toda a vizinhanga.
A aqdo tamb6m exige uma discussao
sobre o relacionamento do Pard cor a
Vale do Rio Doce depois da privatiza9lo,
tema pendente de luzes em meio A tor-
rente de passionalidade cega (ou nem tan-
to). Bern ou mal, a CVRD era uma ex-
tensao da nagao, que, de uma maneira
mais imediata, por ela se expressava. Pri-
vatizada, perdeu essa legitimidade e essa
funcio. Pode ser ruim, como parece ter
ficado desde entao, ou vir a ser bom, de-
pendendo da pactua9ao entire a empresa
e a opiniao pfblica, intermediada pelos
representantes legais da sociedade. O
dominion e a gestao das terras de Carajis
6 um dos pontos mais importantes dessa


agenda e do contencioso que dela neces-
sariamente decorrerA.
Um 6nus shibito e significativo, como
o que uma sentenga favorAvel A agio
popular provocaria, certamente afetard a
capacidade de competigao da CVRD no
mercado international de min6rio de fer-
ro (al6m de causar prejuizo A Uniao, corn
rombo monumental se toda a Area fede-
ralizada na Amaz6nia Legal for post em
questao). Mas pode nao compromet6-la.
Tudo 6 questao de debate, o que at6
agora nao houve, dispensando-se uma
part de prestar contas e a outra de co-
brA-las, uma por arrogancia, outra por ig-
norancia. Quando Carajis entrou em ope-
raa.o, em 1985. o min6rio saia da mina a
26 d6lares a tonelada. Hoje 6 pago por
metade desse prego.
1 just? Mesmo sabendo-se que mi-
neraqao ndo resolve problema de ningu6m
e s6 desenvolve quando estimula efeitos
para frente, verticalizando o process pro-
dutivo, estaremos sendo adequadamente
remunerados, mesmo dentro dresses pa-
rfmetros limitadores?
Perguntas como essa aparecerAo no
curso da acao. Se, desta vez, a socieda-
de souber acompanhb-la, sairA melhor
instruida e, por conseqtiUncia, ganhara
muito mais, mesmo que nao ganhem uns,
nem percam outros atores especificos.O


Realidade
O indice de desemprego ba-
teu todos os records na maior
cidade do pais, passando de 20%
da populagFo economicamente
ativa e fustigando quase dois mi-
Ihoes de pessoas. Nem por isso
o governador MArio Covas dei-
xou de apoiar a produgio de es-
tatisticas em Sao Paulo sobre em-
prego e desemprego.
. No Para, seu correligiondrio
provocou a extingio da PED, a
melhor pesquisa sobre o merca-
do de trabalho no Estado, por ira.
O levantamento vinha sendo re-
alizado havia mais de 10 anos,
sendo Bel6m uma das oito Areas
metropolitanas beneficiadas.
Bastou desagradar sua excel6n-
cia, contrariando suas estatisti-
cas particulares, usadas sem em-
barago para fins politicos, para
ser fulminada cor a retirada do
apoio estadual e, assim, inviabili-
zada. Hoje, o ParA conta apenas
corn o Caged (Cadastro Geral
de Empregados e Desemprega-
dos), do Minist6rio do Trabalho.
Gragas a PED, a opiniio pfi-


blica p6de constatar que embo-
ra o govemador tivesse prome-
tido criar 160 mil novos empre-
gos no Para ao long do seu pri-
meiro quatri6nio, ocorreu o in-
verso: 16,7 mil postos detraba-
Iho 6 que foram fechados no
saldo da conta de admissoes e
demissoes. Do palanque eleito-
ral do ano passado, o governa-
dor anunciou a criag~ o de mais
400 mil empregos para o segun-
do mandate. No entanto, o PIB
devera se manter negative neste
ano e abaixo do crescimento ve-
getativo da populagio no pr6xi-
mo ano. A metajamais serA atin-
gida, qualquer que venha a ser a
mAgica estatistica utilizada.
De matro de 1998 a feverei-
ro deste ano foram extintos 2,3
mil empregos. O quadro 6 dra-
mitico no setor industrial, onde,
no period do real (julho de 94 a
janeiro deste ano), mais de 10 mil
empregos evaporaram, o que ca-
racteriza um process de desin-
dustrializagco no Estado.
Depois de deletar a PED, o
que mais far o govemador para
abolira realidade?


Amigo
Com a generosidade e a soli-
dariedade de sempre, o mar-
chand Gileno Miller Chaves
estA oferecendo uma assinatura
trimestral grAtis do Jornal Pes-
soal a quem comprar qualquer
uma das obras da exposigao
Porta-Retratos, que abriu na
semana passada, em sua galeria
Elf, IA permanecendo aberta A
visitanAo at6 o dia 16. Dentro das
molduras, foram colocadas aqua-
relas, postais, gravuras, desenhos
ou... nada, o porta-retratos abrin-
do alas A imagina9go do visitante
gragas A criatividade do mar-
chand-artista.
Toda a reda9co destejornal-
zinho, penhorada, agradece.

Traditore?
Quando algu6m fala da face
intellectual do president da Com-
panhia Vale do Rio Doce, Jorio
Dauster (que tamb6m 6 Maga-
lhaes e Silva), lembra suas tra-
duq6es do escritor russo (natu-
ralizado americano) Vladimir


Nabokov. Mas Dauster ji esta-
va na estrada quando realizou
esse trabalho.
Foi ele quem passou para o
portugu6s 0 Governo Invisivel,
de David Wise e Thomas Ross,
que, com malicia, a Editora Civi-
lizaqo Brasileira (do comunista
tnio Silveira) publicou acrescen-
tando um subtitulo chamativo: As
forgas ocultas nos Estados
Unidos (refer6ncia As traumAti-
cas cartas-dendncia de Get6lio
Vargas e JAnio Quadros).
Na 6poca, 1965, um ano de-
pois do golpe militar(que Edmar
Morel logo acusou de ter come-
cado em Washington), o livro pro-
vocou um grande impact. Mas
sua base documental era mini-
ma e muita coisa nao passava
dejomalismo sem muito rigor.
Da tradug9o, nunca entendi
a escolha feita por Dauster: tra-
tar no masculine singular a CIA
(Agnncia Central de Inteligen-
cia, ou InformaqOes, segundo o
tradutor, que tomou como para-
metro o entao rec6m-criado SNI
brasileiro). Nesse aspect, deve
ter sido 6nico. *


~r IlII -- Ir i I -- I





4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE JUNHO / 1999





A revista do future


HA 40 anos surgiu, no Rio de Janeiro, a
revista Senhor, Cinco anos depois ela deixou
de circular, sem haver chegado a 60 nimeros.
Recolocada nas bancas exatamente como era
em 1959, provavelmente ainda seria a melhor
revista de cultural do pais. Mesmo apenas for-
malmente, nao ficaria muito distant de publi-
cacoes como Bravo!, Repiblica ou Cult.
Mas, sobretudo em contefdo, se distanciaria
de todas elas, mantendo-se como a mais im-
portante revista de vanguard que jA houve
no Brasil.
O primeiro n6mero de Senhor, em mar-
go de 1959, corn mais de 100 paginas, em
format grande, trazia um conto encartado
(e cortado ao meio, horizontalmente) de Er-
nest Hemingway, outro de Clarice Lispec-
tor, um artigo de Otto Maria Carpeaux so-
bre o centenario da novela policial, ensai-
os fotograficos, mat6rias de cultural, moda
e comportamento.
Embora a revista fosse dirigida
"para o senior" (maduro, de forma-
qao universitaria, empresArio ou
professional liberal, vestindo palet6
para trabalhar, alto poder aquisiti-
vo), a carta do editor foi enderega-
da as mulheres. Recomendava-lhes
a leitura como maneira de alcangar
"uma ascendencia e um dominio
cada vez maiores" sobre o home,
realizando o que, finall de contas",
seria o "supremo interesse da mu-


lher". Uma boa sacada mercadol6gica an-
tes do marketing angl6filo se infiltrar.
O langamento da revista provocou impac-
to, mesmo cor sua circulaqao segmentada
(expressao ainda sem uso na ocasiao), elitiza-
da. O escritor Alberto Deodato reconheceu
que a revista era cara, mas ressalvou: "a bele-
za custa caro". No terceiro nfmero, a musa da
publicagao, a ainda iniciante Clarice Lispec-
tor, mandou uma carta registrando seu "pra-
zer de ver meu conto publicado sem erros ti-
pogrAficos e com tao boa ilustragqo", algo
elementary em paises bem educados, nao no
nosso (at6 hoje).
Al estavam duas das vArias razies do su-
cesso da empreitada. Ningudm menos do que
Carlos Scliar chefiava o departamento de arte.
Seus assistentes eram Glauco Rodrigues, Ja-
guar e Caio Mourao. Embora a maior parte
das pAginas fossem impressas pelo sistema


tipogrAfico conventional, vArias delas, geral-
mente em papel mais fino (o cauchd), saiam
no revolucionArio off-set gragas A qualidade
das Artes GrAficas Gomes de Souza. O aspec-
to industrial era tao vital que, ao lado do ex-
pediente da redacao, com 10 nomes, aparecia
o expediente grAfico, com sete profissionais
arrolados, do gerente de produgao ao pagi-
nador. Nao por acaso, atras da revista estava
a Editora Delta, dejudeus empreendedores e
iluministas, os Waissman (que publicariam ao
mesmo tempo a Enciclop6dia Delta Larousse
e a obra complete de Sigmund Freud, entire
outros feitos)
Mas tudo derivava das ideias, da cultural,
da imaginaglo, da ousadia e da inventividade
dos jomalistas que. compunham o delgado
corpo editorial permanent, comandados por
Nahum Sirotsky, Paulo Francis e Luis Lobo,
com os acr6scimos eventuais de Ivan Lessa e
Newton Rodrigues. Todos pessoas de
gosto definido, de id6ias estabeleci-
das, com carreira atras de si e compe-
tQncia construida atravds do exerci-
cio professional. Nao eram levantinos,
nem andr6ides.
A inspiradao para Senhor era evi-
dente: New Yorker, Esquire, Playboy
(Sirotsky, em entrevista recent,
Sacrescenta Partisan Review e Com-
mentary, mas estas, se foram ponto
de partida, logo se diluiram na evo-
lugdo de Senhor). No entanto, a re-)


S ou um feliz proprietA-
rio de quase toda a
colegao da revista Se-
nhor, desde o nfmero um.
Soube dela quando papai che-
gou em casa de uma das suas
constantes viagens para "o
sul", como diziamos, ainda
marcados por nosso distanci-
amento (fisico, hist6rico e cul-
tural) do pais vizinho, o Brasil.
Ele havia comprado o exem-
plar no aeroporto do Galedo.
Tinha 12 anos entao.
Sei disso porque, logo de-
pois, fiz, com ele e e mamae,
minha primeira viagem ao Rio
e Sao Paulo. Procurei nas ban-
cas e lA achei um novo exem-
plar de Senhor. Nao entendia
tudo, mas tudo me encantava,
principalmente o que nAo con-
seguia entender, coisa cheia de
um misterio que sabia decifrd-
vel se para tanto me esforgas-
se. O que fiz. A tempo e a
modo de ser um cultivador de
Senhor quando ela se foi, em


1964, nao sem antes ter sido
progressivamente desnaturada
por Reynaldo Jardim.
S6 conheci pessoalmente
Reynaldo cinco anos depois,
quando ele fez a reform do Di-
drio de S. Paulo, onde eu era
entfo reporter. Era um projeto
de vanguard, mas sempre me
perguntava se nao era tamb6m
loucura e perda comegar as pa-
ginas corn uma capitular (letra
grande), retrancar o alto da pi-
gina, expurgando dela os gran-
des titulos, e deixar demasiado
espago vertical entire as colunas
de texto, ainda mais delimitadas
por fios grossos. O que se ga-
nhava corn tanto desperdicio e
confusao? Compensava?
Na minha contabilidade o
saldo era negative, mas Reynal-
do foijogando essas suas id6ias
graficas e editorials no Correio
da Manha, no Caderno de


Cultura do Jornal dos Sports
e por ai afora. Sempre deu er-
rado. Mas era um bom poeta e
parecia boa pessoa. Reencon-
trei-o no langamento de um novo
livro de poemas dele em Bel6m,
no meio de uma bebedeira que
se prolongou ate a madrugada,
quando voltou para Manaus,
onde tamb6m tentava levar A
Critica A fal8ncia (pediu o bone
ou foi mandado embora antes
de conseguir a faganha).
Apesar de tudo, tenho boa
mem6ria dele. Seu melhor (ou
finico bom) livro de poesias, Jo-
ana em Flor (excelente edi9do
grafica, da Jos6 Alvaro Editor,
executada pela GrAfica Fon-
Fon, com ilustrag9es de impac-
to), me deu grande prazer e me
influenciou, quando o li. Tinha a
generosidade e a inconseqiien-
cia dos agradaveis intelectuais
cariocas de esquerda.


Paraense que for a cole-
9go de Senhor tera boas sur-
presas. No numero 10, de de-
zembro de 1959, o hoje mago
milionario Paulo Coelho (so-
brinho de Mauricio Coelho de
Souza e primo de Mauricinho
e Frederico Coelho de Sou-
za) conta "casos" da viagem
que fez A Europa cor o di-
nheiro que ganhou num pro-
grama de televisao responden-
do perguntas sobre o pintor
frances Toulouse-Lautrec.
Foi apresentado pela revista
como "um mogo estudante de
arquitetura, lambretista e nos-
so amigo" (a patota 6 uma
das maiores instituio9es naci-
onais). Um conto de Haroldo
Maranhao, nosso escritor
maior, foi publicado em abril
de 1960. A imortal Eneida fa-
lou tamb6m ali da comida do
Pard: "a geografia gastron6-
mica do Brasil comega na
Amaz6nia", disse ela.
Bela dieta para a cabega.e


Naquele tempo





JORNALPESSOAL I'QUINZENADEJUNHO/1999 5


40 anos antes


)vista efetivamente abrasilei-
rou a "chupada" norte-ameri-
cana. Nao s6 por ter atraido
um grupo seleto de colabora-
dores que se identificou com
sua proposta editorial, como
porque suas estrelas tinham luz pr6pria.
Senhor s6 foi possivel porque o Rio de
Janeiro ainda era a capital da Rep6blica e o
espirito carioca, composto por doses equili-
bradas de bom humor, picardia, savoir-faire e
tolerancia, era o caldo de cultural para ilumi-
nd-la. Nao foi o golpe military de margo de 1964
que, justamente nesse mes, interrompeu a
carreira de 59 edio9es da revista. ElajA vinha
defnhando desde julho de 1962, quando o
que restava da equipe base desapareceu sob
o novo comando, de Reynaldo Jardim.
A ele podem ser creditadas algumas das
marcas da decadencia de Senhor, mas nao
todas. Nem as iniciais, que comegaram a se
fazer sentir com o deslocamento da capital
para o aridamente burocratico Distrito Fede-
ral, ingredient fugidio mas decisive para
chegarmos ao mandarinato que atualmente
nos govern.
A revista era cara, precisando de um pi-
blico seleto, mas decidido a viabilizA-la. Com
a boa acolhida, a tiragem chegou a 30 mil exem-
plares (6 o equivalent ao que tira o New York
Review ofBooks, a mais intellectual das publi-
ca9qes do mundo), a publicidade se especi-
alizou (As vezes a revista vinha cor um peda-
go de tecido do anunciante), passando a ser
dirigida especialmente ao espirito e format
da publicagao, mas a crise do populismo ti-
rou-lhe o chao de sustentagAo.
Reynaldo Jardim foi apenas quem se en-
carregou do oficio ffinebre. A linha editorial
que estabeleceu para Senhor tem liq6es a
dar. Uma coisa 6juntarjornalismo e cultural.
Outra 6 fazer o chamadojornalismo cultural.
No primeiro caso voce pode comer uma co-
mida estranha e tomar uma bebida forte, mas,
se estiver cultivando o paladar, vai conse-
guir apreciar o sabor elevado de ambos. Se
colocar ketchup e mostarda industrial na
comida e se aguar a bebida, por6m, 6 melhor
desistir de ser um gourmet.
Trazendo a comparagao para a situa9ao
que a inspirou, significa que voce pode ate
ficar bem informado ou dispor de bons rotei-
ros lendojornalismo cultural (como o da Se-
nhor de Reynaldo Jardim e Bravo! de hoje),
mas nao sera culto. E talvez nao forme juizo
pr6prio, livre arbitrio, autonomia intellectual.
Foi Reynaldo quem colocou o primeiro nu fe-
minino para valer nas paginas internal da re-
vista (sem identificar a mulher) e um rosto na
capa, criando tamb6m o balaio (mutirao de
notas curtas) e a antol6gica segao 0 Jacard,
de Jaguar. Mas quando Paulo Francis se reti-
rou, em setembro de 1962, o equilibrio entire
alta cultural (que ainda permitia reservar 13
paginas para Amor no trem, novela de Mary
Mac Carthy) e divertissement ligeiro desapa-


I


receu. Senhor j i no era mais o
mesmo. Entrou em parafuso.
Vista mesmo da perspecti-
S va de agora, a revista continue
a anos-luz das concorrentes
que precisaria enfrentar se vol-
tasse as bancas tal como era quando delas
saiu, 35 anos atras. Qual das atuais revistas
"de cultural" imprimiria um encarte de 39 pagi-
nas com a novela de Leon Tolstoi, A Morte de
Ivan Ilitch (em traduqao de Carlos Lacerda,
nao do original russo, entretanto), geralmen-
te considerada a melhor ja escrita pelo ser
human? Ou 15 paginas standards para um
conto de Aldous Huxley? Ou 14 pAginas sem
anincio para o Meu Tio o lauretJ inteiro (por
um lapso, nao saiu o nome do autor, Joao
Guimaraes Rosa)?
A ousadia de quem sabe o que sabe e,
por isso, sabe o que quer se estendia aos
anunciantes. A Walita, por exemplo, patro-
cinou um suplemento de 24 paginas, na for-
ma de fotonovela, para promover com bom
gosto os seus eletrodomdsticos. Nem os
anunciantes, nem os jornalistas tinham a
ilusao on a pretensao de que lidavam com
um produto de massa.Todos, contudo, es-
tavam conscientes de que nenhum projeto
de pais dA certo sem vanguardas. Tratavam,
portanto, de alimentar as que tinhamos.
Mas o populismo desenvolvimentista de
Juscelino Kubitscheck (que tamb6m passou
um telegrama de felicita96es, publicado no
n6mero tres) se reduziu ao populismo cor-
porativista (e tamb6m sindicalista) de Joao
Goulart, que, nao tendo ideias, retomou as
de Getilio pr6-51. A falsa demonstragao de
forga (ecoada na tristemente famosa frase
do "cavaleiro da esperanga" Luis Carlos
Prestes: "ja tomamos o governor, agora fal-
ta o poder") assustou a elite econ6mica, jo-
gando a mais radical delas nas maos dos
militares (e vice-versa), do que resultou a
progressive aboliqao das id6ias, transfor-
madas em produto proibido.
Senhor nao chegou a sobreviver aos
azares da conjuntura e de sua crise internal
para enfrentar a caga as bruxas, que viti-
mou, entretanto, a maior revista de repor-
tagens que o Brasil jA teve, Realidade, da
Editora Abril, surgida em 1966 (e jogada
na UTI pelo AI-5, de dezembro de 1968,
cor, no minimo, a conivdncia da Abril, para
finalmente morrer em 1974). Mas ela ter-se
mantido, ate o segundo semestre de 1962,
como uma das melhores revistas de cultu-
ra de toda a imprensa international, po-
dendo ser bem comparada a qualquer ou-
tra, atesta que a elite brasileira tinha um
projeto s61ido. Como disse aquele velho
alemao, tudo que 6 s61ido se dissolve no
ar. No ar violentamente 6mido e violenta-
mente rarefeito deste paquiderme, que,
quando nao anda para tras, anda mais len-
tamente do que o tempo, do que a hist6ria.
Como prova Senhor. 9


Falacia
Edmilson Rodrigues anunciou em OLibe-
ral que vai vender as a9oes da prefeitura na
Rede/Celpa e na Telemar. Consider incabivel
investimento p6blico em empresas privadas,
no que as duas ex-estatais se tornaram.
Trata-se de alegagAo falaciosa. Antes, as
duas empresas davam pouco ou nenhum di-
videndo ao acionista. No caso da Celpa, en-
golia enormes quantidades de recursos pi-
blicos com seus freqilentes e injustificados
deficits. Segundo o raciocinio do prefeito, a
prefeitura mantinha sua parte no capital para
sustentar a condigao estatal da empresa.
Mas, ao mesmo tempo, coonestava os
erros extensamente praticados. Esses erros
engoliam a rentabilidade da Celpa, mesmo a
empresa vendendo seu produto, a energia,
por quatro vezes o valor que pagava ao for-
necedor, a Eletronorte, sendo esse o seu prin-
cipal insumo. Agindo assim, o administra-
dor p6blico estava dilapidando patrimOnio
da sociedade.
Agora que as empresas privatizadas es-
tao obtendo ou prometendo lucro, vender
as ages da PMB nao significa abrir mao de
um rendimento que poderd ser transforma-
do em investimentos sociais? Ainda mais
porque a aliena9ao das a98es, neste mo-
mento, pode nao ser um bom neg6cio dian-
te da perspective de sua possivel e iminen-
te valorizagao.
Ou sera que o prefeito tem informa96es
exclusivas para pensar o contrario.


Forga
Fizeram realmente uma grosseria com o
senador Luiz Otavio Campos, do PPB, exclu-
indo-o da mesa official que recebia o ministry
do Desenvolvimento, Pedro Parente, no Ho-
tel Hilton, na semana retrasada. A cadeira
reservada ao Senado, segundo o cerimonial,
era para Jader Barbalho, do PMDB, que nem
estava em Bel6m naquele dia- e certamente
nao iria querer estar ali na ocasiao.
Mas o senador do govemador (ainda?)
fez grosseria maior ao quase atropelar o mi-
nistro e o pr6prio governador, que chega-
vam ao local, e nao aceitar as desculpas de
Parente e de Almir Gabriel para voltar ao pal-
co e receber sua cadeira. Para tao pouco, as
trovoadas do senador foram como uma ba-
talha de Itarar6. Deveria dar uso mais nobre
As suas muitas energies.
Mesmo porque, se algu6m atirou uma
maliciosa casca de banana no caminho do
cerimonial do Estado, como foi alegado em
auto-defesa desajeitada, este tinha que sa-
ber pelo menos do manual, que lhe da prefe-
rencia na decisao, principalmente contra ar-
madilhas protocolares.
Mas se o senador quiser a cabega de um
Joao Batista em remissao da honra atingida,
pode desistir. Ali ha personalidade feminine
padrao, conforme escolha de Paulo Fernan-
des, que, para esse tipo de escolha, feita to-
dos os anos a dedo, tem faro. O cerimonial
do palacio estA com tudo, ate para errar, e
nem estA prosa. 0






6 JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE JUNHO / 1999


Acompanho daqui a publicagao de seu Jornal
Pessoal, present inteligente que me foi feito pelo meu
amigo Hugo Jacob, e pude ler, no no.210, a materia
sobre escultura, onde voc6 fala sobre a falta de critical e
o descaso para as artes plasticas na cidade de Bel6m.
Eu, como artist plistico sofri na pele toda essa verda-
de. A impressao de um amigo meu que conheceu a
cidade 6 de que elejamais viratantos artists plasticos
em um s6 lugar, pois qualquer pessoa que rabisca um
papel 6 elevado a categoria. Isso acontece justamente
pela falta de critical, da sensibilidade de pessoas para a
arte, para poderjulga-la e compreende-la.
Desde 1986 dedico-me Apintura, tanto em tecidos
como em telas. Comecei atraves da minha intuigao e do
meu "dom", s6 que depois que j estavaconsciente de
que seria aminhaescolha, pude sentir que arte se apren-
de e que sem aprendizado eu iria adormecer e nao
impulsionar o que ja estava dentro de mim. Assim,
parti para o Rio atras de cursos de pintura, de exposi-
Goes, para poder vivenciar a arte, no sentido maximo
da palavra Voltei tries anos depois paraBel6m, a fim de
mostrar o quanto meu trabalho estava evoluido. Que-
ria expor, como havia feito na capital carioca, lugar
onde conhecia pouca gente, mas que as portas me fo-
ram abertas, assim que as pessoas viram aqualidade do
meu trabalho, sem falsa moddstia.
Procurei pelaprefeitura de Bel6m, na qual a secre-
t6ria de cultural eraEdileuza Fontes, se nao me engano,
Elaviu meu curriculo como se estivesse lendo a revista
Capricho e pediu para eu pintar um tecido para uma
blusa que deveria usar em seu aniversArio e que na
entrega do mesmo combinariamos a data da exposifao.
Aquilo me pareceu subomo, mas nao podemosjamais
recusar encomendas neste trabalho ja tao mal pago,
que 6 o das artes. Pintei o tecido, que foi entregue como
combinamos, s6 que ate hoje nao vi a cor do dinheiro,
ja que ela se recusou a receber-me novamente.
Estou contando isto para voc8 ver a que ponto de
humilhaTao fui submetido algumas vezes, pois nao foi
aprimeira vez que isto me aconteceu ai em Belem. Nas
exposiq6es que ai fizjamais li critical, favoravel ou nao
sobre meu trabalho ou de qualquer outro artist que
expoe na Cidade das Mangueiras. O que existe 6 uma
protegao que langa olhares cegos sobre a "arte" de
certas pessoas que nao tnm um pingo de talent, mas
que contam corn a simpatia de donos dejomais. Li uma
de suas muitas mat6rias corajosas sobre a exposiqao do
La Roque e concordo inteiramente com o que voce


disse e j havia comentado o mesmo com um amigo
meu antes de t6-la lido.
Nao existe intercanbio cultural em Bel6m. Rara-
mente se v8 mostras de artists de renome national e
intemacional, nao existem bolsas de estudo para pes-
soas de talent, nao existe vida cultural para quem
nao conhece pessoas influentes. Ou se expee no sho-
pping da cidade ou na feirinha da Praqa da Republica.
Os museus, as salas de exposicBes, estao todos para-
dos e a burocracia que se enfrenta 6 desanimadora,
chegando a torar impossivel o sonho de ver nosso
trabalho bem exposto, com a iluminaqio adequada,
fazendo a arte se passar por artesanato.
Por isso, mais uma vez desisti de insistir em Be-
16m. Vim para Sao Paulo estudar e ter apossibilidade
de ser tratado corn a dignidade de um artist, porque
apesar de nao ser conhecido, o meu trabalho fala por
mim e me apresenta, como acho que todos os bons
artists devem ser. Enquanto houver essa consciEncia
banal da arte na nossa cidade, vai haver exodo cultural
das pessoas que procuram algo mais do que o pouco
ou nada que nos 6 oferecido.
Minhas saudacaes e muito obrigado. Um abrago
GEORGE MARINHO
RUA BELA CmTRA 422/43-Szo PAULO/SP
01415-000 SAo PAULO-SP

0 engenheiro Cicerino Cabral, president da
Cohab (Companhia de HabitaCdo do Estado do
Pard), enviou, jd cor atraso (pelo que desculpou-
se), os esclarecimentos abaixo apropdsito de uma
nota da seqao Interesse Piiblico, destejornal, da
segunda quinzena de marvo, que, com mais atraso
ainda, devido a um extravio, public agora, agre-
gando minhas excusas ao leitor (quepode avivar a
mem6ria no n"207). Diz a carta de Cicerino:
1. Os recursos repassados A COHAB-PA pelo
Govemo do Estado no exercicio de 1998 somaram R$
20.199.000 de aumento de capital para investimentos
e R$ 3.047.000 na forma de subvenqao para custeio.
2. No exercicio de 1997 o balango apresentou lu-
cro de R$ 226.000, nao de prejuizo, como diz a nota.
3. Com relacao ao resultado negative de R$
1.030.000 mil, vale ressaltar que embora tenham sido
considerados no balango todos os projetos em execu-
do na Companhia, grande parte da comercializaqao
desses mesmos projetos s6 serd efetivada no exerci-
cio em curso, o que, quando devidamente apropriado


como Receita, ensejara um resultado bem diferente
do demonstrado contabilmente.
3. Aredufao do capital circulante resultou darela-
9ao entire os valores contratados e aplicados nos dois
exercicios, ou seja, o exercicio de 1997 encerrou-se cor
muitos contratos e poucas aplicagoes. Estas s6 vieram
a acontecer de forma mais acentuada em 1998.
5. As dificuldades no dimensionamento das ages
civeis movidas contra a COHAB, por empreiteiras,
devido a divergencias no cumprimento de contratos
de obras em administraq6es anteriores, adv6m do
fato de que cabe ao contador do juizo, por determi-
nagao judicial, apurar o valor definitive de uma even-
tual condenagao. Atd este moment, a Assessoria
Juridica possui, apenas e tao somente, uma estima-
tiva apresentada com base no valor da causa atribu-
ido pelo autor da atqo na esp6cie.
6. Finalmente, sobre as perspectives da Empre-
sa, considerando o apoio institutional, politico e fi-
nanceiro que temos recebido do Govemador Almir
Gabriel, a reestruturaqfo e modemizafao, em fase
final de implementagao, nos da muitas esperangas
quanto a sua plena recuperagao.

MINHA RESPOSTA
Tenho grande respeito por Cicerino Cabral. Ele
vem fazendo um trabalho sdrio e competent na Co-
hab. Sua maior fayanha, at6 aqui, 6, como diz ao final,
a reestruturaqfo e modemizacao da empresa Mas ela
ainda precisa de um apoio do govemo proporcional
ao tamanho do desafio. Cicerino garante ter esse apoio
do goverador Almir Gabriel. Deve ter seus motives
para sustentar essa afirmativa. Um observador A dis-
tincia nao partilhara dessa mesma confianga, embora
espere estar enganado, para o bem de todos. A Cohab
ja comeqa a apresentar obras concretas, ap6s anos de
(im)pura ret6rica. Mas suas dificuldades estruturais
nao estao superadas. Uma delas 6 dispor de recursos
reais suficientes para realizar projetos empenhados,
sem voltar a acumular deficits. Outra sao as pendAn-
ciasjudiciais. Ajustiqa anda lenta na avaliaqao (como
em quase tudo), mas a empresa poderia provisionar
os recursos, mesmo A base de estimativa. Talvez nao
o faqa para nIo se descapitalizar. Cor isso, aposta
numa certa media de imponderavel, que pode afetar
seu future. Ele s6 se tomara horizonte discemivel se
a prioridade A habitaqao popular for para valer. Pode-
se exigir isso de uma direcgo tucana?


Municipal
Dizumnjurista municipal que
a Codem nao precisa mesmo
obedecer a lei sancionada pelo
president da Camara de Vere-
adores, que reduziu drastica-
mente a cobranca do lauddmio
em Bel6m, na primeira transa-
Gao, abolindo-o em seguida
(ver JP 211).
Argumenta a fonte que as
terras da primeira 16gua, trans-
feridas pela prefeitura, foram in-
corporadas ao capital da com-
panhia, constituindo seu ativo
e tornando-se propriedade pri-
vada. Diz ainda que essa co-
branga, apesar de se basear num


direito medieval, a enfiteuse,
permit ao poder pfiblico exer-
cer algum tipo de control so-
bre a ocupagio fisica da cidade.
Por fim, alega que nao 6 o lau-
demio que onera as transagbes,
estimulando o mercado parale-
lo e os "contratos de gaveta",
mas as custas cartoriais. Mes-
mo sem a cobranga da taxa de-
vida ao senhorio, essas custas
continuarao altas.
Sao arguments considera-
veis. Nao anulam, entretanto,
raz6es de outra ordem. A pri-
meira: de que a Codem perdeu
o sentido de existir, tornando-
se cabide de empregos, balcao
eleitoral e academia, apesar de


abrigar gente de qualidade,
custando caro ao erario. HA
muito desapareceu o planeja-
mento metropolitan, como, de
resto, o estadual. Uma reduqao
no valor do lauddmio permitiria
desentocar muito contrato en-
gavetado. E se as custas carto-
riais nao acompanharem essa
reduqao, seria e 6 o caso de
fiscalizar o cumprimento da ta-
bela official, num trabalho con-
junto com a Corregedoria Geral
de JustiCa, jamais caracteriza-
da exatamente por efici8ncia
nesse assunto.
Ou seja: ainda que a situa-
gqo, como esta, nao seja tao ruim
assim, mudar d ainda melhor.


Mutag9o
Esse epis6dio surrealista dos
contratos de Elba Ramalho e Peld;
envolvendo a Sudam e a Imprensa
Official da Uniao, al6m de mostrar a
irresponsabilidade (leviandade
mesmo) de certos stores da admi-
nistraqdo publica, mostra a neces-
sidade de control do Didrio Ofici-
al pela sociedade (ver, a prop6sito,
JP 194). 0 que lembra a circulai~o
semi-clandestina do Didrio Oficial
de Bel6m, ao qual nem mesmo to-
dos os vereadores tnm acesso.
Esta na hora de estabelecer um
padrao elevado para os DOs, tor-
nando-os servidores da sociedade
e nao do poderoso de plantao. *


I ~LI Ir -------- --L~- ----~----l(~IIIL_- ------ ----- ~"-"IC-IC~--~P~IILIII~ID


B 0B f ARTRS V i T..





JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE JUNHO / 1999 7


Merecimento
O prefeito Edmilson Rodrigues de-
via pedir ao governador Almir Gabriel
para entregar-lhe o trof6u Plaqueteiro
do Ano. Por merecimento. Corn direito
a antecipagao.

Melhora
Criticar a falta de espirito comunita-
rio e de amor A cidade de Y. Yamada,
que se omitiu da recuperagao do Pala-
cete Pinho e monta lojas r6sticas, me
custou a perda do cumprimento de Hi-
roshi Yamada. Mas me senti recompen-
sado ao ver que a empresa esta recupe-
rando a bela edificagao que possui na
esquina da Jodo Alfredo com a Frutuo-
so Guimaraes, ajudando a recompor a
dignidade arquitet6nica daquele perime-
tro com mais duas outras lojas razoavel-
mente restauradas. Falta s6 nao repetir,
no mais recent trabalho, em fase final,
a placa que ha em outro, para merecer
elogios. E dizem tamb6m que a nova loja,
na Cidade Nova, esta um brinco, como
se usava antanho.
Depois alegam (at6 amigos) que cri-
ticar 6 ser pessimista e que a critical nao
constroi.

Papo
O governor 6 do povo e o partido 6
dos trabalhadores, proclama, na tele-
visdo, a propaganda da Prefeitura Mu-
nicipal de Bel6m.
Menas verdade. O alcaide patroci-
nou recentemente um rega-bofe com di-
nheiro p6blico para 22 casais no mais
caro restaurant da terrinha, a pretex-
to de divulgar sua "cidade das luzes". E,
no convescote de aniversArio, criou dois
ambientes comemorativos, um deles para
convidados especiais.
Nada como um poder depois do
outro.

Indiferenga
0 advogado Carlos Lamardo, dire-
tor do departamento juridico do Iterpa
(Instituto de Terras do Para), esta sen-
do processado pela segunda vez, pe-
rante ajustiga de Sdo Paulo, por Ceci-
lio do Rego Almeida, que quer ser o
maior latifundiArio do planet. O moti-
vo 6 a grilagem de uma enorme gleba
de terras no Xingu, que o empresArio
ja disse somar 4,7 milhoes de hecta-
res, mas que, na queixa-crime, com
base na famigerada lei de imprensa,
elevou para 7 milhOes.
Carlos vai amargar os dissabores de
mais essa retaliaglo sem que saia, das


O president Fernando Henrique
Cardoso, do PSDB, chefia um
governor de coalizao, sistema hi-
brido engendrado pela Constituiqdo-ci-
dadd de 1998, integrado ainda por PFL,
PMDB e PPB, al6m de legendas-sat6li-
tes de menor expressio. E claro que, se
quiser governor, o president precisa con-
templar seus aliados numa composigco de
forgas, algumas vezes colidindo cor prin-
cipios morais, mas sempre agindo dentro
de parametros politicos.
Almir Gabriel 6 correligionArio do pre-
sidente, seu ex-companheiro de Senado,
um dos governadores cor que conta o
PSDB no pais, a frente do 100 col6gio elei-
toral brasileiro. Soa estranho, assim, que
as relagOes entire os dois seja marcada
por tiroteios na linha de retaguarda, corn
vocifera95es do segundo escalao. Politi-
cos do esquema do governador seguida-
mente atacam a administragdo federal.
O porta-voz oficioso, ojornal OLibe-
ral, anunciou um rompimento iminente
que, at6 agora, nao se materializou. Sem-
pre que precisa assumir sua posigao na-
tural, de comandante na frente de bata-
lha, o governador manda mensagens obli-
quas ou busca uma protegao A sombra
de parceiros mais tonitruantes, como o
governador MArio Covas, de Sao Paulo.
Sem disposiqao ou compet6ncia para
colocar o guizo no pescoo9 do gato, o es-
quema do governador agora ataca o sena-
dor Jader Barbalho, do PMDB, acusan-
do-o de montar um governor paralelo para
sabotar o legitimamente eleito pelo povo
no ano passado, prejudicando o Para. Se
essa acusagao 6 verdadeira, ela tamb6m
acarreta uma conseqiiencia: como Almir
Gabriel, sendo do PSDB, desfrutando de
prestigio national, nao consegue remover
FHC dessa parceria daninha? Se 6 por
conivencia do president, o interesse mai-
or do Estado, presumivel m6vel da attitude
do goverador, deveria forgi-lo a romper
com o correligionario maior, mas nocivo.
Se nao 6 assim, entao o governador
tern 6 que arregacar as mangas e traba-


entranhas da administrag9o A qual tem
dedicado sua inquestionavel competen-
cia em mat6ria agrAria e fundiaria, um
sussurro de solidariedade e uma media
de apoio (nem mesmo da Procuradoria,
A qual esta vinculado). Ele estA sendo
processado por cumprir um dever que


lhar (se para isso ainda disp6e de dinheiro,
tdo farto A 6poca da campanha eleitoral
que Ihe permitiu antecipar despesas de
responsabilidade da Unido, favorecendo
determinadas e s6 determinadas -
obras por conta de ressarcimento que
nao veio).
Principalmente atrav6s de 0 Liberal,
o esquema do governador procura con-
vencer a opiniao p6blica de que se esta
restabelecendo no Para o clima de guer-
ra da fase mais aguda dos antagonismos
entire Jarbas Passarinho e Alacid Nunes,
que s6 mal fez ao Estado. Evidentemen-
te que Jader Barbalho nao 6 um santo e
nem sempre coloca os objetivos maiores
do Estado acima dos dele, muito pelo con-
trArio. Mas a parcela de poder que o
PMDB det6m no governor 6 inferior A do
PSDB. Se o governador nao consegue
mobilizA-la para desfazer os pianos ma-
quiav6licos do seu adversario, talvez seja
porque nao tem tanta influencia quanto
diz, porque a administragao federal esta
minada por interesses vis ou porque, em
Brasilia, tem-se consci6ncia de que a
guerrinha 6 rasteira e nao de alto nivel.
Como principal autoridade do Estado,
o governador tem que se impor, impondo
sua autoridade independentemente de
decib6is ou cara feia, ao inv6s de radica-
lizar esse litigio de susceptibilidades. Se
tem um program, se esse program tem
consistencia e se 6 capaz, o governador
nao tem que se esconder ou se ausentar
de atos oficiais, sob a alegagdo de des-
conforto pessoal, como fez na semana
passada em Itaituba.
Almir Gabriel nao 6 monarca de ori-
gem divina. A political nao 6 um piqueni-
que. Exige est6mago forte, determina-
9ao, tutano e fosfato. Mas tudo isso a
servigo da coletividade que delegou po-
der e nao de um partido, de um grupo ou
de uma pessoa. Tudo indica nao ser o
caso dessa pugna Gabriel/Barbalho, mas
o governador nao pode investir-se do
papel de mocinho, que, nessa oragdo, 6
sujeito inexistente. *


nao encontra respaldo na attitude dos
seus superiores: a defesa do patrim6nio
p6blico. No caso, o bem que assegura a
pr6pria base territorial do Estado.
E como se as demands judiciais
apresentadas por do Rego Almeida dis-
sessem respeito ao sexo dos anjos. *


Briga de faroeste


sem um mocinho


I -r CL II I Ir ,_






Lavanderia
Foi para a cadeia o primei-
ro laranja intemacional acu-
sado de estar operando a partir
de Bel6m. Segundo a Policia
Federal, que o mant6m atris
das grades, Aldesir Nardino
seria um dos elos da cadeia que
usou as contas CC5 para man-
dar seis milhoes de reais para
o exterior. A prova dos nove,
por6m, s6 surgird agora, corn a
quebra do sigilo de todas as
CC5, que sao as contas de nio
residents no pais. S6 no ano
passado esse teria sido o ca-
minho seguido por 24,7 bi-
lhWes de d6lares. O Minis-
t6rio Piblico desconfia
que a parte ilicita dessas
remessas alcanga US$ P
10bilh6es.
Ja seria o suficien-
te para criar um bom
program de emprego.


Caixinha c
Em setembro do ano
passado, no auge da cam-
panha eleitoral, a folha dos
Maiorana publicou, cor gran-
de destaque, mat6ria anunci-
ando: "ONU aponta paraense
vivendo mais e melhor hoje".
Estejornalzinho (verJP 195)
mostrou que O Liberal mani-
pulava grosseiramente o rela-
t6rio da Organizagao das Na-
g9es Unidas para ajudar na
campanha da reeleigdo do go-
verador Almir Gabriel.
No 61timo domingo, man-
chete de primeira pigina do
journal admitia o Pard como
"Um pobre Estado rico", de-
dicando cinco paginas internal
para a citagao dos "indices
sociais sofriveis", varios dos
quais foram aqui antecipados,
para furor de sua excelncia.
Mas se o governador acei-
tar reajustar para cima o con-
trato TV Liberal/Funtelpa (ape-
lidado de convenio), nao usar a
propaganda gratuita decorren-
te desse contrato e aumentar a
veiculagao de propaganda, a
folha oficiosa volta a pintar tudo
de cor de rosa.
Business as usual, como
dizem os americanos, douran-
do a pilula.


EpitBfio
Uma crise profunda de de-
sdnimo e pessimismo se insta-
lou no Bald Bolshoi quando


seus integrantes leram, em
Moscou, uma nota do Repdr-
ter 70, de O Liberal, com a
opinido de Paulo Chaves Fer-
nandes sobre a decadencia do
famoso grupo de bailarinos.
Sapatilhas foram langadas
ao mar.


Correga tal o t6rKme hor
.. ; _2.. 99 eia d cu to perionali-
A tese do professor Francis/ jdaeo-
co Paulo do Nscime 9,f I V 7
6 As Raizes do Romantismb eao Contra rio
As Origens do Romantismo. Sao


sin6nimos, mas nao exatamente a
mesma coisa. O coragao traiu o
c6rebro numa mat6ria cara a am-


Sujeito bos. Perdao, leitores.
Ah, sim: o dedo teclou num"x"
As oito agdncias que aten- quando deveria ter esmagado o "k"
dem a conta de publicidade de deKuKluxKlan.
Bel6m fizeram um anincio de
meia pagina parabenizando o Grato

De coragio, agradego a
Ontem solidariedade de Ray-
A Bel6m 2000 j comecou, anuncia mundo MArio Sobral e
uma enorme placa no inicio da rua Acyr Castro, dois dos
Tiradentes, esquina com a Doca. mais frequientes e incisivos
rojetando a cidade no novo mildnio, propagadores e defen-
a obra anunciada pela placa da sores deste journal, uma
prefeitura 6 o recapeamento com pedrinha que toda demo-
asfalto, o meio-fio e as sarjetas da cracia precisa dispor para
rua em suas quatro quadras. nao ser mera deontologia
Quando H61io Gueiros inaugurou formal, seja para servir de
om banda e tudo as seis quadras da muni9go para uma funda,
Ant6nio Barreto, o PT ironizou. seja para incomodar o cal-
E agora, Edmilson? canhar de falsos Aquiles.
Grato, companheiros.


prefeito Edmilson Rodrigues Ego
por seu aniversArio, no dia 27. Nenhum politico comemorou
A pega saiu sem assinatura. tao espalhafatosamente o seu ani-
Acordo de cavalheiros? versario quanto Edmilson Rodri-


Res public
Ojuiz Walmir Oliveira da
Costa, da 3a Turma do Tribu-
nal Regional do Trabalho, ma-
nifestou sua estranheza em
relag9o aos "maus usos e pio-
res costumes politicos vigen-
tes nesta Rep6blica".
Em sentenga quejulgou li-
tigio entire a empresa Rodizios
da Amaz6nia e Valdncio Al-
ves Silva, datada do filtimo dia
cinco de maio, o juiz consta-
tou que Carlos Castilho Fer-
reira da Costa, testemunha do
patrao, mesmo sendo assessor
parlamentar na Cdmara Fede-
ral, em Brasilia, trabalhava ao
mesmo tempo como gerente
da churrascaria, de proprieda-
de de "um deputado federal"
em Bel6m, "a dois mil kil6me-
tros de distancia", como fez
questdo de registrar.
Nao deu o nome do depu-
tado, mas ele 6 Vie Pires
Franco, do PFL, candidate a
candidate A prefeitura de Be-
16m na elei9go prevista para
o pr6ximo ano.
O caso nao 6 unico.


gues no tiltimo dia 26. A cidade foi
inundada de out-doors. Embora
produzidos em sdrie por uma agen-
cia, padronizados, todos eles abri-
lhantados pela fotografia do alcai-
de em policromia (o que encarece a
pega), os cartazes foram atribuidos
a diferentes origens. At6 as crian-
gas da escola-circo assinaram um
dos oferecimentos, como se pu-
dessem arcar com a despesa, na vi-
sao caolha do marketing.
Os cAlculos falam em n~me-
ros entire 100 e 300 peas. Consi-
derada a menor estimativa e o pre-
o9 camarada de 300 reais por quin-
zena de veiculagio de out-door,
mais a sua produ9lo, dA R$ 30
mil, supostamente divididos por
alunos do circo ou moradores da
rua da Mata, mas bancados por
empreiteiros e fomecedores.


Journal Pessoal-
Editor: Licio Flavio Pinto
Sede: Passagem Bolonha. 60-B 053-040
Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax)
Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040
Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br
Ediqib de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304


Se era para melhorar a ima-
gem da escola, uma propaganda
do Itafi exibida pela televisio
pode ter efeito exatamente con-
trario ao desejado.
O filme mostra uma professo-
ra aconselhando seu aluno, um
menino chamado Vinicius, a "es-
tudar um pouco mais de portugu-
es". Presumindo-se que o pibli-
co saiba que Vinicius de Moraes
foi um poeta modern que mane-
jou com maestria a lingua portu-
guesa, principalmente em renova-
dos sonetos, fica a pergunta: se a
professor nao conseguiu iden-
tificar as sementes do poeta, nem
estimula-lo a se interessar pela
matdria ensinada, 6 muito prova-
vel que Vinicius se tornou poeta
apesar da escola, descobrindo a
lingua, sua ferramenta de traba-
Iho, fora dela.
Tern sido assim na maioria dos
casos (Marx e Einstein, para citar
s6 dois). A escola costuma atrofi-
ar, ao inv6s de estimular, o desen-
volvimento de talents excepcio-
nais, incomuns e originals. Que
vao se expandir fora da linha de
montagem pedag6gica, descobrin-
do nas ruas o prazer que deveria
ser inoculada nas salas de aula.
O pr6prio filme reflete essa
falta de tirocinio.


Dois pesos
O prefeito Edmilson Rodrigues
atacou corn ferocidade, no ano pas-
sado, o Bar do Mascate, localizado
na Doca de Souza Franco. Justifi-
cou-se corn o argument de que o
local era piblico e estava sendo
irregularmente explorado por um
particular. Mas na semana passada
o alcaide comemorou seu aniversi-
rio no Afrikan Bar, que tamb6m plan-
tou-se em um logradouro pfblico e
ha anos desafia a administraaob mu-
nicipal corn sua existencia.
A diretriz que vitimou o Mas-
cate foi revogada?