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0 F L A V 1 212 1' QUINZENA DE JU 1 A revista essoal PAG.t 4) 1o P I N T O Otrabalho NHO DE 1999* RS 2,00 Invisivel (PAG. 3) TR RAS jas de volta Uma agdo popular estd reivindicando na justipa federal a devolugdo das terras de Carajds, comjuros e correcdo monetdria. Se atendido, o ato implicard em milhbes de reais agora e muito mais depois. A questdo e suscitada exatamente quando esti em curso o mais serio litigio entire o Estado, a Unido e a Companbia Vale do Rio Doce, principals 0 personagens do enredo. i- j m 1971,julgando os gover- nos estaduais da region .."-'. inabilitados (ou mesmo in- Scapazes) para promover .,-,swj uma r6pida ocupagco da SAmaz6nia, dessa forma garantm o sua integragao national antes que os riscos de "entregagdo" internaci- onal pudessem consumar-se ("integrar para nao entregar" era o lema geopoliti- co), a Uniao se apropriou de 65% das terras devolutas da Amaz6nia Legal. Fe- deralizou-as integralmente atraves de um prosaico pedago de papel, o decreto-lei 1.164, de data cabalistica: 10 de abril. Foi um ato de forga. Ignorou sutilezas formais ou substanciais da proped6utica agraria, das normas processuais e da pr6- pria ConstituigAo (a tristemente famosa "emenda no 1, de 1969, o primeiro catilo- go numeral do direito constitutional em toda a hist6ria da humanidade). Em nome da Uniao, o Incra (Instituto Nacional de Colonizago e Reforma Agrdria) passou a administrar mais de tres milhoes de qui- 16metros quadrados, o que seria o oitavo maio- "ais do mundo e o segundo do con- tinente, iiais extenso do que a Argentina. E evidence que houve exagero nessa pretenso territorial de Brasilia. O decre- to-lei 1.164 buscava sua legitimago, en- quanto ato de impdrio de um regime dita- torial, na necessidade de controlar e re- servar o uso de areas consideradas "indis- pensAveis A seguranga e ao desenvolvimen- to nacionais". Mas faltavam os meios, nao s6 especifica- mente ao Incra, mas A administracgo p6i- blica como um todo, para dar conte6do real a uma tal tutelajurisdicional. A irracionalidade era tdo grande que surgiu uma hist6ria incrivel sobre a origem do ato. Dizia-se que a intengao do gover- no era copiar, em territ6rio amaz6nico, uma iniciativa do president JoAo Goulart no fi- nal do seu governor, um dos motives alega- dos pelos militares para depo-lo. Jango considerara de interesse social, para fins de desapropria9go, terras situa- ,, d a s faixa de I (0 qud6me- ) -tros das mar- gens das estra- das e ferro% ias federais, aqudes e S obras de irrigaqao. O 1164 seria tambem para desapropriar 10 quil6metros de cada lado das rodovias federais da Amaz6nia. Inadvertidamente, a secreti- ria encarregada da datilografia do docu- mento bateu um zero a mais. Como "co- lou", ficou. Ndo houve reaCfo. A nagdo estava amordagada, anestesiada, insen- sibilizada, amedrontada. Jamais me esquecerei da solenidade realizada no PalAcio Lauro Sodr6, em Bel6m, na qual os governadores dos Es- tados amaz6nicos aquiesceram A brutal perda de territorialidade. Todos nao pa- ) *m,, 'ur 7 kdW~j 2 JOURNAL PESSOAL 1 AQUINZENA DE JUNHO / 1999 Ssavam de satrapas do poder central, de- vendo a ocupagao do alto cargo p6blico ao engenho autoritArio do governor fede- ral, exercido por um general de Ex6rcito. Muitos deles lembravam os rostos an6ni- mos dejogadores fotografados ao enver- gar acidentalmente o uniform da sele- g9o brasileira de futebol, at6 hoje a me- lhor representagao da patria perante o mundo. Passada a circunstancia que Ihes deu tao alto posto, desapareceram do universe, inclusive porque, por qualidades e empenho pessoais, j amais chegariam ao estrelato, ou por falta de intimidade corn a bola, no caso dos jogadores, ou com o voto, no caso dos politicos bi6nicos, indi- retamente escolhidos. Depois da solenidade, houve um co- quetel no Hotel Grao-Para (o Hilton da 6poca), no qual muitos se embebedaram, talvez para afogar a consciEncia sobre a gravidade da ignominia. O assessor de imprensa do Incra, o novo 6rgdo feudal, successor, em escala ampliada, dos dona- tArios e feitores, tratava os governadores com escArnio: "Nao sabem o mal que fi- zeram aos seus Estados", dizia, entire do- ses de uisque. De fato, nem mesmo os fins justifica- ram (se tal legitimagco era possivel) a viol6ncia. As estradas se mostraram um meio de penetragao e ocupagao pior do que o sistema de grandes lagos de Her- man Kan, para o qual os militares queri- am que elas fossem o sucedaneo nacio- nal. A colonizagao ter, atW hoje, saldo negative. Nao foi confirmado o dominio national sobre a Amaz6nia; ainda que houvesse, nao trouxe qualquer vantage substantial. O devassamento das terras altas amaz6nicas 6 um dos maiores cri- mes ecol6gicos da hist6ria da humanida- de. Se sobrou vontade aos militares, fal- tou-lhes conhecimento de causa, inteligEn- cia e, o que 6 fundamental para clarear as id6ias, tolerancia (que s6 um ambiente de liberdade propicia). A federalizagao fundiariateve, para a Amaz6nia, o significado da ocupagdo co- lonial nos paises asiaticos. Por isso, tem sentido positive a agao popular proposta na semana passada, perante vara dajus- tiga federal, em Bel6m, pelo agrimensor e advogado Paragrassu Elleres. Em sin- tese, ele quer anular os registros imobili- Arios feitos em nome da Unido sobre uma Area de 412 mil hectares, que constitui o niicleo da provincia mineral de CarajAs, no sul do Para. Cor isso, a Area, transfe- rida A Companhia Vale do Rio Doce, re- tornaria ao dominio do Estado do Para, que se credenciaria a receber tamb6m todos os direitos tributarios e fiscais devi- dos pela empresa por uma ocupaqao ile- gal de frag9o do patrim6nio piblico. E causa de honra, destinada a reparar usurpag9o, e tamb6m material, j que, em apuragdo final, deverA resultar em mui- tos milhaes de reais, sobre cujo valor in- cidirao custas judiciais e honorArios ad- vocaticios. Mas ela poderA assumir mag- nitude ainda maior, na escala de bilh6es de reals, se, acolhida, motivar aq9es nao apenas sobre CarajAs, mas toda a Area federalizada entire 1971 e 1976, o equiva- lente a trAs milh6es de quil6metros qua- drados na Amaz6nia. HaverA quem tente desqualificar a ini- ciativa de Paraguassu ja por esse deta- Ihe: a vinculagdo do cAlculo dos honorari- os a quanto a CVRD terA que pagar pe- los direitos superficiarios que caberiam ao Estado cor a anulagao do dominio fede- ral, sobre a Area e todos os atos sucessi- vos. O resultado, nessa hip6tese, serio honorarios milionarios, fazendo o patro- cinador da a9go partilhar dos ganhos do Estado, do qual tornou-se defensor popu- lar, de certa forma evidencianddo a omis- sao institutional. Esse aspect da questao, que 6 de natureza moral e nao legal, entretanto, sujeito, por isso, ao livre arbitrio individu- al, nao desautoriza a agCo, nem a invali- da. Sequer o fato de o advogado ser tam- b6m director t6cnico do Iterpa (Instituto de Terras do Para), membro da adminis- tragao estadual que no moment (mas talvez apenas conjunturalmente) litiga com a CVRD. S6 quem nao conhece Paraguassu Elleres pode achar que sua iniciativa 6 nada mais do que emulagdo do governor Almir Gabriel, uma fonte de dificuldade para induzir negociagAo de solu9go, um mero instrument de pressao. Mas ela pode ser vista por 6tica diametralmente oposta: de que causa mais desconforto do que alivio ao governor do Estado, ao dar conseqiifncia prAtica ao que ter sido mais figure de ret6rica ou bala de festim. A partir de agora, uma trincheira de com- bate foi montada. Mais ura. Embora os governadores amaz6nicos tenham engolido a enorme pilula sem agua, ou sem uma mro de farinha, seg- mentos da sociedade reagiram A eviden- te violencia- al6m de imotivada, despro- positada-do governor federal. Alguns po- liticos, advogados ejornalistas entiree os quais tenho a honra de me incluir) criti- caram intensamente, nao muitos anos depois, mas A pr6pria 6poca, o DL 1164 e seu parent especifico, o DL 1473, de 1976, que abocanhou a provincia mineral de Carajas. Denunciaram os absurdos relatados agora corn competencia na agao popular de Paraguassu Elleres. Em primeiro lu- gar, que a identifica9ao da Area reserva- da A Uniao fora apenas cartografica, sem materializagio no terreno. Depois, que a sextensio abrangida pelos atos exorbita- va, mesmo se referida As ferramentas para-legais de entao. Tamb6m o cinismo impositivo dos legisladores de espada, se apropriando de bens piblicos estaduais, como as estradas, para absorver terras limitrofes, gragas ao dispositivo que in- cluia entire as terras federalizaveis atW aquelas abrangidas por rodovias federal simplesmente projetadas no mapa, sem nunca sequer integrarem o Piano Rodo- viArio Federal (como a BR-158, prolon- gada de Sao Fl6ix do Araguaia, em Mato Grosso, at6 Altamira, engolindo a PA-150 e a PA-279 e de 16 seguindo para norte em linha pontilhada metafisica). No moment em que se constituiram, esses atos eram abusivos, ilegais. Tal vi- oldncia pode ser quantificada e, a partir dai, credenciar o Estado ao ressarcimen- to? A a9ao de Paraguassu provocara dis- cussao a respeito na instancia competen- te, o judiciario. Mas a ela deverao ser agregados muitos outros elements t6c- nicos, que Ihe definirlo a complexidade. E possivel que, devidamente enriquecida, a questao possa ser encarada por varios prismas ate melhor definiq9o. A Unido 6 vild na hist6ria, certamente a principal, mas nao a 6nica. A federali- zagao foi possivel gragas a um ato de for- 9a, mas nao deixava de haver um residue de legitimidade, decorrente da mA gestao das terras p6blicas pelos governor esta- duais. Excetuados alguns breves interreg- nos, no inicio da Rep(blica e na revolu- 9go de 1930, os Estados dilapidaram os seus patrim6nios de uma forma irrespon- sAvel, corrupt. Davam terra como favor e instrument de renovagao do compa- drio, partilhando os dividends. Sinceramente convencidos de suas qualidades de cirurgi8es prAticos, os mili- tares tentaram uma reform no campo a partir do Estatuto da Terra, de novembro de 1964. Desiludidos da fraseologia libe- ral e do formalismo juridico (para tanto recorrendo a algumas das maiores ex- press6es de sua antitese, como Francis- co Campos, o "Chico Ciencia"), os mili- tares tentaram patrocinar um intervenci- onismo corretivo. Julgavam-se d6spotas esclarecidos e reformadores socials, ilu- minados por um catecismo positivista modernizado na ESG e no IPES, dois la- borat6rios ideol6gicos do autoritarismo. Em mat6ria fundiAria, tinham seus motives para encarar cor restrig9es (e tamb6m com preconceitos) os dirigentes carcomidos das estruturas estaduais, que consideravam incapazes de fazer a gran- de reform agrAria, atrav6s da coloniza- C9o, que o Incra iria realizar, assentando 500 mil families em cinco anos somente na Transamaz6nica. Quando escrevi uma s6rie de artigos em O Estado de S. Pau- JOURNAL PESSOAL* I QUINZENA DE JUNHO / 1999 3 )lo sobre essa intervengao federal, o ge- neral Golbery do Couto e Silva me man- dou por um intermediArio c6pia do docu- mento aut6grafo do 1164, com a obser- vagao de que os governadores haviam anuido transferencia, legitimando-a. Nao tinham direito a indenizagao alguma, que entao se cobrava. O mAximo que podiam fazer era tentar derrubar o ato, argiiindo sua inconstitucionalidade, o que tamb6m se intentava a 6poca. Deixo aos doutos juristas a discus- slo de m6rito, o que certamente se farA na instrugao da acao popular de Para- guassu Elleres, inclusive para contradi- tA-la. A iniciativa vai possibilitar rever uma part important da nossa hist6ria recent, reparar danos ilicitamente cau- sados e tratar da reescrita segundo cri- t6rios de justice e de verdade. Mas hi o outro aspect, prAtico, material: a CVRD teria que pagar ao Estado todos os direitos devidos ao superficiArio so- bre as terras, "acrescidos de juros com- pensat6rios", fator terrivelmente one- roso, contados a partir do fato gerador, e a Uniao restituir receita arrecadada indevidamente. Sera conta de muitos milh6es de reais. Al6m disso, as terras voltardo ao do- minio do Estado, entidade que ter sido tio ou mais incompetent do que a Un iio na gestao agrdria e fundiaria. E certo que o governor federal se utilizou de vA- rios estratagemas, inclusive disfargados de preocupagao ecol6gica, para se apos- sar do que nao lhe cabia. Mas, no caso dos 412 mil hectares, acrescidos de ou- tros 300 mil hectares sob a roupagem de unidades de preservagao e conser- vacgo, a federalizagao, combinada corn a delegagdo de poderes A CVRD, teve o m6rito de manter razoavelmente intacta uma das mais valiosas por6ses do terri- t6rio amaz6nico. Nao fora isso e as ri- cas florestas nas encostas de Carajis j teriam desaparecido, como ocorreu em toda a vizinhanga. A aqdo tamb6m exige uma discussao sobre o relacionamento do Pard cor a Vale do Rio Doce depois da privatiza9lo, tema pendente de luzes em meio A tor- rente de passionalidade cega (ou nem tan- to). Bern ou mal, a CVRD era uma ex- tensao da nagao, que, de uma maneira mais imediata, por ela se expressava. Pri- vatizada, perdeu essa legitimidade e essa funcio. Pode ser ruim, como parece ter ficado desde entao, ou vir a ser bom, de- pendendo da pactua9ao entire a empresa e a opiniao pfblica, intermediada pelos representantes legais da sociedade. O dominion e a gestao das terras de Carajis 6 um dos pontos mais importantes dessa agenda e do contencioso que dela neces- sariamente decorrerA. Um 6nus shibito e significativo, como o que uma sentenga favorAvel A agio popular provocaria, certamente afetard a capacidade de competigao da CVRD no mercado international de min6rio de fer- ro (al6m de causar prejuizo A Uniao, corn rombo monumental se toda a Area fede- ralizada na Amaz6nia Legal for post em questao). Mas pode nao compromet6-la. Tudo 6 questao de debate, o que at6 agora nao houve, dispensando-se uma part de prestar contas e a outra de co- brA-las, uma por arrogancia, outra por ig- norancia. Quando Carajis entrou em ope- raa.o, em 1985. o min6rio saia da mina a 26 d6lares a tonelada. Hoje 6 pago por metade desse prego. 1 just? Mesmo sabendo-se que mi- neraqao ndo resolve problema de ningu6m e s6 desenvolve quando estimula efeitos para frente, verticalizando o process pro- dutivo, estaremos sendo adequadamente remunerados, mesmo dentro dresses pa- rfmetros limitadores? Perguntas como essa aparecerAo no curso da acao. Se, desta vez, a socieda- de souber acompanhb-la, sairA melhor instruida e, por conseqtiUncia, ganhara muito mais, mesmo que nao ganhem uns, nem percam outros atores especificos.O Realidade O indice de desemprego ba- teu todos os records na maior cidade do pais, passando de 20% da populagFo economicamente ativa e fustigando quase dois mi- Ihoes de pessoas. Nem por isso o governador MArio Covas dei- xou de apoiar a produgio de es- tatisticas em Sao Paulo sobre em- prego e desemprego. . No Para, seu correligiondrio provocou a extingio da PED, a melhor pesquisa sobre o merca- do de trabalho no Estado, por ira. O levantamento vinha sendo re- alizado havia mais de 10 anos, sendo Bel6m uma das oito Areas metropolitanas beneficiadas. Bastou desagradar sua excel6n- cia, contrariando suas estatisti- cas particulares, usadas sem em- barago para fins politicos, para ser fulminada cor a retirada do apoio estadual e, assim, inviabili- zada. Hoje, o ParA conta apenas corn o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desemprega- dos), do Minist6rio do Trabalho. Gragas a PED, a opiniio pfi- blica p6de constatar que embo- ra o govemador tivesse prome- tido criar 160 mil novos empre- gos no Para ao long do seu pri- meiro quatri6nio, ocorreu o in- verso: 16,7 mil postos detraba- Iho 6 que foram fechados no saldo da conta de admissoes e demissoes. Do palanque eleito- ral do ano passado, o governa- dor anunciou a criag~ o de mais 400 mil empregos para o segun- do mandate. No entanto, o PIB devera se manter negative neste ano e abaixo do crescimento ve- getativo da populagio no pr6xi- mo ano. A metajamais serA atin- gida, qualquer que venha a ser a mAgica estatistica utilizada. De matro de 1998 a feverei- ro deste ano foram extintos 2,3 mil empregos. O quadro 6 dra- mitico no setor industrial, onde, no period do real (julho de 94 a janeiro deste ano), mais de 10 mil empregos evaporaram, o que ca- racteriza um process de desin- dustrializagco no Estado. Depois de deletar a PED, o que mais far o govemador para abolira realidade? Amigo Com a generosidade e a soli- dariedade de sempre, o mar- chand Gileno Miller Chaves estA oferecendo uma assinatura trimestral grAtis do Jornal Pes- soal a quem comprar qualquer uma das obras da exposigao Porta-Retratos, que abriu na semana passada, em sua galeria Elf, IA permanecendo aberta A visitanAo at6 o dia 16. Dentro das molduras, foram colocadas aqua- relas, postais, gravuras, desenhos ou... nada, o porta-retratos abrin- do alas A imagina9go do visitante gragas A criatividade do mar- chand-artista. Toda a reda9co destejornal- zinho, penhorada, agradece. Traditore? Quando algu6m fala da face intellectual do president da Com- panhia Vale do Rio Doce, Jorio Dauster (que tamb6m 6 Maga- lhaes e Silva), lembra suas tra- duq6es do escritor russo (natu- ralizado americano) Vladimir Nabokov. Mas Dauster ji esta- va na estrada quando realizou esse trabalho. Foi ele quem passou para o portugu6s 0 Governo Invisivel, de David Wise e Thomas Ross, que, com malicia, a Editora Civi- lizaqo Brasileira (do comunista tnio Silveira) publicou acrescen- tando um subtitulo chamativo: As forgas ocultas nos Estados Unidos (refer6ncia As traumAti- cas cartas-dendncia de Get6lio Vargas e JAnio Quadros). Na 6poca, 1965, um ano de- pois do golpe militar(que Edmar Morel logo acusou de ter come- cado em Washington), o livro pro- vocou um grande impact. Mas sua base documental era mini- ma e muita coisa nao passava dejomalismo sem muito rigor. Da tradug9o, nunca entendi a escolha feita por Dauster: tra- tar no masculine singular a CIA (Agnncia Central de Inteligen- cia, ou InformaqOes, segundo o tradutor, que tomou como para- metro o entao rec6m-criado SNI brasileiro). Nesse aspect, deve ter sido 6nico. * ~r IlII -- Ir i I -- I 4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE JUNHO / 1999 A revista do future HA 40 anos surgiu, no Rio de Janeiro, a revista Senhor, Cinco anos depois ela deixou de circular, sem haver chegado a 60 nimeros. Recolocada nas bancas exatamente como era em 1959, provavelmente ainda seria a melhor revista de cultural do pais. Mesmo apenas for- malmente, nao ficaria muito distant de publi- cacoes como Bravo!, Repiblica ou Cult. Mas, sobretudo em contefdo, se distanciaria de todas elas, mantendo-se como a mais im- portante revista de vanguard que jA houve no Brasil. O primeiro n6mero de Senhor, em mar- go de 1959, corn mais de 100 paginas, em format grande, trazia um conto encartado (e cortado ao meio, horizontalmente) de Er- nest Hemingway, outro de Clarice Lispec- tor, um artigo de Otto Maria Carpeaux so- bre o centenario da novela policial, ensai- os fotograficos, mat6rias de cultural, moda e comportamento. Embora a revista fosse dirigida "para o senior" (maduro, de forma- qao universitaria, empresArio ou professional liberal, vestindo palet6 para trabalhar, alto poder aquisiti- vo), a carta do editor foi enderega- da as mulheres. Recomendava-lhes a leitura como maneira de alcangar "uma ascendencia e um dominio cada vez maiores" sobre o home, realizando o que, finall de contas", seria o "supremo interesse da mu- lher". Uma boa sacada mercadol6gica an- tes do marketing angl6filo se infiltrar. O langamento da revista provocou impac- to, mesmo cor sua circulaqao segmentada (expressao ainda sem uso na ocasiao), elitiza- da. O escritor Alberto Deodato reconheceu que a revista era cara, mas ressalvou: "a bele- za custa caro". No terceiro nfmero, a musa da publicagao, a ainda iniciante Clarice Lispec- tor, mandou uma carta registrando seu "pra- zer de ver meu conto publicado sem erros ti- pogrAficos e com tao boa ilustragqo", algo elementary em paises bem educados, nao no nosso (at6 hoje). Al estavam duas das vArias razies do su- cesso da empreitada. Ningudm menos do que Carlos Scliar chefiava o departamento de arte. Seus assistentes eram Glauco Rodrigues, Ja- guar e Caio Mourao. Embora a maior parte das pAginas fossem impressas pelo sistema tipogrAfico conventional, vArias delas, geral- mente em papel mais fino (o cauchd), saiam no revolucionArio off-set gragas A qualidade das Artes GrAficas Gomes de Souza. O aspec- to industrial era tao vital que, ao lado do ex- pediente da redacao, com 10 nomes, aparecia o expediente grAfico, com sete profissionais arrolados, do gerente de produgao ao pagi- nador. Nao por acaso, atras da revista estava a Editora Delta, dejudeus empreendedores e iluministas, os Waissman (que publicariam ao mesmo tempo a Enciclop6dia Delta Larousse e a obra complete de Sigmund Freud, entire outros feitos) Mas tudo derivava das ideias, da cultural, da imaginaglo, da ousadia e da inventividade dos jomalistas que. compunham o delgado corpo editorial permanent, comandados por Nahum Sirotsky, Paulo Francis e Luis Lobo, com os acr6scimos eventuais de Ivan Lessa e Newton Rodrigues. Todos pessoas de gosto definido, de id6ias estabeleci- das, com carreira atras de si e compe- tQncia construida atravds do exerci- cio professional. Nao eram levantinos, nem andr6ides. A inspiradao para Senhor era evi- dente: New Yorker, Esquire, Playboy (Sirotsky, em entrevista recent, Sacrescenta Partisan Review e Com- mentary, mas estas, se foram ponto de partida, logo se diluiram na evo- lugdo de Senhor). No entanto, a re-) S ou um feliz proprietA- rio de quase toda a colegao da revista Se- nhor, desde o nfmero um. Soube dela quando papai che- gou em casa de uma das suas constantes viagens para "o sul", como diziamos, ainda marcados por nosso distanci- amento (fisico, hist6rico e cul- tural) do pais vizinho, o Brasil. Ele havia comprado o exem- plar no aeroporto do Galedo. Tinha 12 anos entao. Sei disso porque, logo de- pois, fiz, com ele e e mamae, minha primeira viagem ao Rio e Sao Paulo. Procurei nas ban- cas e lA achei um novo exem- plar de Senhor. Nao entendia tudo, mas tudo me encantava, principalmente o que nAo con- seguia entender, coisa cheia de um misterio que sabia decifrd- vel se para tanto me esforgas- se. O que fiz. A tempo e a modo de ser um cultivador de Senhor quando ela se foi, em 1964, nao sem antes ter sido progressivamente desnaturada por Reynaldo Jardim. S6 conheci pessoalmente Reynaldo cinco anos depois, quando ele fez a reform do Di- drio de S. Paulo, onde eu era entfo reporter. Era um projeto de vanguard, mas sempre me perguntava se nao era tamb6m loucura e perda comegar as pa- ginas corn uma capitular (letra grande), retrancar o alto da pi- gina, expurgando dela os gran- des titulos, e deixar demasiado espago vertical entire as colunas de texto, ainda mais delimitadas por fios grossos. O que se ga- nhava corn tanto desperdicio e confusao? Compensava? Na minha contabilidade o saldo era negative, mas Reynal- do foijogando essas suas id6ias graficas e editorials no Correio da Manha, no Caderno de Cultura do Jornal dos Sports e por ai afora. Sempre deu er- rado. Mas era um bom poeta e parecia boa pessoa. Reencon- trei-o no langamento de um novo livro de poemas dele em Bel6m, no meio de uma bebedeira que se prolongou ate a madrugada, quando voltou para Manaus, onde tamb6m tentava levar A Critica A fal8ncia (pediu o bone ou foi mandado embora antes de conseguir a faganha). Apesar de tudo, tenho boa mem6ria dele. Seu melhor (ou finico bom) livro de poesias, Jo- ana em Flor (excelente edi9do grafica, da Jos6 Alvaro Editor, executada pela GrAfica Fon- Fon, com ilustrag9es de impac- to), me deu grande prazer e me influenciou, quando o li. Tinha a generosidade e a inconseqiien- cia dos agradaveis intelectuais cariocas de esquerda. Paraense que for a cole- 9go de Senhor tera boas sur- presas. No numero 10, de de- zembro de 1959, o hoje mago milionario Paulo Coelho (so- brinho de Mauricio Coelho de Souza e primo de Mauricinho e Frederico Coelho de Sou- za) conta "casos" da viagem que fez A Europa cor o di- nheiro que ganhou num pro- grama de televisao responden- do perguntas sobre o pintor frances Toulouse-Lautrec. Foi apresentado pela revista como "um mogo estudante de arquitetura, lambretista e nos- so amigo" (a patota 6 uma das maiores instituio9es naci- onais). Um conto de Haroldo Maranhao, nosso escritor maior, foi publicado em abril de 1960. A imortal Eneida fa- lou tamb6m ali da comida do Pard: "a geografia gastron6- mica do Brasil comega na Amaz6nia", disse ela. Bela dieta para a cabega.e Naquele tempo JORNALPESSOAL I'QUINZENADEJUNHO/1999 5 40 anos antes )vista efetivamente abrasilei- rou a "chupada" norte-ameri- cana. Nao s6 por ter atraido um grupo seleto de colabora- dores que se identificou com sua proposta editorial, como porque suas estrelas tinham luz pr6pria. Senhor s6 foi possivel porque o Rio de Janeiro ainda era a capital da Rep6blica e o espirito carioca, composto por doses equili- bradas de bom humor, picardia, savoir-faire e tolerancia, era o caldo de cultural para ilumi- nd-la. Nao foi o golpe military de margo de 1964 que, justamente nesse mes, interrompeu a carreira de 59 edio9es da revista. ElajA vinha defnhando desde julho de 1962, quando o que restava da equipe base desapareceu sob o novo comando, de Reynaldo Jardim. A ele podem ser creditadas algumas das marcas da decadencia de Senhor, mas nao todas. Nem as iniciais, que comegaram a se fazer sentir com o deslocamento da capital para o aridamente burocratico Distrito Fede- ral, ingredient fugidio mas decisive para chegarmos ao mandarinato que atualmente nos govern. A revista era cara, precisando de um pi- blico seleto, mas decidido a viabilizA-la. Com a boa acolhida, a tiragem chegou a 30 mil exem- plares (6 o equivalent ao que tira o New York Review ofBooks, a mais intellectual das publi- ca9qes do mundo), a publicidade se especi- alizou (As vezes a revista vinha cor um peda- go de tecido do anunciante), passando a ser dirigida especialmente ao espirito e format da publicagao, mas a crise do populismo ti- rou-lhe o chao de sustentagAo. Reynaldo Jardim foi apenas quem se en- carregou do oficio ffinebre. A linha editorial que estabeleceu para Senhor tem liq6es a dar. Uma coisa 6juntarjornalismo e cultural. Outra 6 fazer o chamadojornalismo cultural. No primeiro caso voce pode comer uma co- mida estranha e tomar uma bebida forte, mas, se estiver cultivando o paladar, vai conse- guir apreciar o sabor elevado de ambos. Se colocar ketchup e mostarda industrial na comida e se aguar a bebida, por6m, 6 melhor desistir de ser um gourmet. Trazendo a comparagao para a situa9ao que a inspirou, significa que voce pode ate ficar bem informado ou dispor de bons rotei- ros lendojornalismo cultural (como o da Se- nhor de Reynaldo Jardim e Bravo! de hoje), mas nao sera culto. E talvez nao forme juizo pr6prio, livre arbitrio, autonomia intellectual. Foi Reynaldo quem colocou o primeiro nu fe- minino para valer nas paginas internal da re- vista (sem identificar a mulher) e um rosto na capa, criando tamb6m o balaio (mutirao de notas curtas) e a antol6gica segao 0 Jacard, de Jaguar. Mas quando Paulo Francis se reti- rou, em setembro de 1962, o equilibrio entire alta cultural (que ainda permitia reservar 13 paginas para Amor no trem, novela de Mary Mac Carthy) e divertissement ligeiro desapa- I receu. Senhor j i no era mais o mesmo. Entrou em parafuso. Vista mesmo da perspecti- S va de agora, a revista continue a anos-luz das concorrentes que precisaria enfrentar se vol- tasse as bancas tal como era quando delas saiu, 35 anos atras. Qual das atuais revistas "de cultural" imprimiria um encarte de 39 pagi- nas com a novela de Leon Tolstoi, A Morte de Ivan Ilitch (em traduqao de Carlos Lacerda, nao do original russo, entretanto), geralmen- te considerada a melhor ja escrita pelo ser human? Ou 15 paginas standards para um conto de Aldous Huxley? Ou 14 pAginas sem anincio para o Meu Tio o lauretJ inteiro (por um lapso, nao saiu o nome do autor, Joao Guimaraes Rosa)? A ousadia de quem sabe o que sabe e, por isso, sabe o que quer se estendia aos anunciantes. A Walita, por exemplo, patro- cinou um suplemento de 24 paginas, na for- ma de fotonovela, para promover com bom gosto os seus eletrodomdsticos. Nem os anunciantes, nem os jornalistas tinham a ilusao on a pretensao de que lidavam com um produto de massa.Todos, contudo, es- tavam conscientes de que nenhum projeto de pais dA certo sem vanguardas. Tratavam, portanto, de alimentar as que tinhamos. Mas o populismo desenvolvimentista de Juscelino Kubitscheck (que tamb6m passou um telegrama de felicita96es, publicado no n6mero tres) se reduziu ao populismo cor- porativista (e tamb6m sindicalista) de Joao Goulart, que, nao tendo ideias, retomou as de Getilio pr6-51. A falsa demonstragao de forga (ecoada na tristemente famosa frase do "cavaleiro da esperanga" Luis Carlos Prestes: "ja tomamos o governor, agora fal- ta o poder") assustou a elite econ6mica, jo- gando a mais radical delas nas maos dos militares (e vice-versa), do que resultou a progressive aboliqao das id6ias, transfor- madas em produto proibido. Senhor nao chegou a sobreviver aos azares da conjuntura e de sua crise internal para enfrentar a caga as bruxas, que viti- mou, entretanto, a maior revista de repor- tagens que o Brasil jA teve, Realidade, da Editora Abril, surgida em 1966 (e jogada na UTI pelo AI-5, de dezembro de 1968, cor, no minimo, a conivdncia da Abril, para finalmente morrer em 1974). Mas ela ter-se mantido, ate o segundo semestre de 1962, como uma das melhores revistas de cultu- ra de toda a imprensa international, po- dendo ser bem comparada a qualquer ou- tra, atesta que a elite brasileira tinha um projeto s61ido. Como disse aquele velho alemao, tudo que 6 s61ido se dissolve no ar. No ar violentamente 6mido e violenta- mente rarefeito deste paquiderme, que, quando nao anda para tras, anda mais len- tamente do que o tempo, do que a hist6ria. Como prova Senhor. 9 Falacia Edmilson Rodrigues anunciou em OLibe- ral que vai vender as a9oes da prefeitura na Rede/Celpa e na Telemar. Consider incabivel investimento p6blico em empresas privadas, no que as duas ex-estatais se tornaram. Trata-se de alegagAo falaciosa. Antes, as duas empresas davam pouco ou nenhum di- videndo ao acionista. No caso da Celpa, en- golia enormes quantidades de recursos pi- blicos com seus freqilentes e injustificados deficits. Segundo o raciocinio do prefeito, a prefeitura mantinha sua parte no capital para sustentar a condigao estatal da empresa. Mas, ao mesmo tempo, coonestava os erros extensamente praticados. Esses erros engoliam a rentabilidade da Celpa, mesmo a empresa vendendo seu produto, a energia, por quatro vezes o valor que pagava ao for- necedor, a Eletronorte, sendo esse o seu prin- cipal insumo. Agindo assim, o administra- dor p6blico estava dilapidando patrimOnio da sociedade. Agora que as empresas privatizadas es- tao obtendo ou prometendo lucro, vender as ages da PMB nao significa abrir mao de um rendimento que poderd ser transforma- do em investimentos sociais? Ainda mais porque a aliena9ao das a98es, neste mo- mento, pode nao ser um bom neg6cio dian- te da perspective de sua possivel e iminen- te valorizagao. Ou sera que o prefeito tem informa96es exclusivas para pensar o contrario. Forga Fizeram realmente uma grosseria com o senador Luiz Otavio Campos, do PPB, exclu- indo-o da mesa official que recebia o ministry do Desenvolvimento, Pedro Parente, no Ho- tel Hilton, na semana retrasada. A cadeira reservada ao Senado, segundo o cerimonial, era para Jader Barbalho, do PMDB, que nem estava em Bel6m naquele dia- e certamente nao iria querer estar ali na ocasiao. Mas o senador do govemador (ainda?) fez grosseria maior ao quase atropelar o mi- nistro e o pr6prio governador, que chega- vam ao local, e nao aceitar as desculpas de Parente e de Almir Gabriel para voltar ao pal- co e receber sua cadeira. Para tao pouco, as trovoadas do senador foram como uma ba- talha de Itarar6. Deveria dar uso mais nobre As suas muitas energies. Mesmo porque, se algu6m atirou uma maliciosa casca de banana no caminho do cerimonial do Estado, como foi alegado em auto-defesa desajeitada, este tinha que sa- ber pelo menos do manual, que lhe da prefe- rencia na decisao, principalmente contra ar- madilhas protocolares. Mas se o senador quiser a cabega de um Joao Batista em remissao da honra atingida, pode desistir. Ali ha personalidade feminine padrao, conforme escolha de Paulo Fernan- des, que, para esse tipo de escolha, feita to- dos os anos a dedo, tem faro. O cerimonial do palacio estA com tudo, ate para errar, e nem estA prosa. 0 6 JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE JUNHO / 1999 Acompanho daqui a publicagao de seu Jornal Pessoal, present inteligente que me foi feito pelo meu amigo Hugo Jacob, e pude ler, no no.210, a materia sobre escultura, onde voc6 fala sobre a falta de critical e o descaso para as artes plasticas na cidade de Bel6m. Eu, como artist plistico sofri na pele toda essa verda- de. A impressao de um amigo meu que conheceu a cidade 6 de que elejamais viratantos artists plasticos em um s6 lugar, pois qualquer pessoa que rabisca um papel 6 elevado a categoria. Isso acontece justamente pela falta de critical, da sensibilidade de pessoas para a arte, para poderjulga-la e compreende-la. Desde 1986 dedico-me Apintura, tanto em tecidos como em telas. Comecei atraves da minha intuigao e do meu "dom", s6 que depois que j estavaconsciente de que seria aminhaescolha, pude sentir que arte se apren- de e que sem aprendizado eu iria adormecer e nao impulsionar o que ja estava dentro de mim. Assim, parti para o Rio atras de cursos de pintura, de exposi- Goes, para poder vivenciar a arte, no sentido maximo da palavra Voltei tries anos depois paraBel6m, a fim de mostrar o quanto meu trabalho estava evoluido. Que- ria expor, como havia feito na capital carioca, lugar onde conhecia pouca gente, mas que as portas me fo- ram abertas, assim que as pessoas viram aqualidade do meu trabalho, sem falsa moddstia. Procurei pelaprefeitura de Bel6m, na qual a secre- t6ria de cultural eraEdileuza Fontes, se nao me engano, Elaviu meu curriculo como se estivesse lendo a revista Capricho e pediu para eu pintar um tecido para uma blusa que deveria usar em seu aniversArio e que na entrega do mesmo combinariamos a data da exposifao. Aquilo me pareceu subomo, mas nao podemosjamais recusar encomendas neste trabalho ja tao mal pago, que 6 o das artes. Pintei o tecido, que foi entregue como combinamos, s6 que ate hoje nao vi a cor do dinheiro, ja que ela se recusou a receber-me novamente. Estou contando isto para voc8 ver a que ponto de humilhaTao fui submetido algumas vezes, pois nao foi aprimeira vez que isto me aconteceu ai em Belem. Nas exposiq6es que ai fizjamais li critical, favoravel ou nao sobre meu trabalho ou de qualquer outro artist que expoe na Cidade das Mangueiras. O que existe 6 uma protegao que langa olhares cegos sobre a "arte" de certas pessoas que nao tnm um pingo de talent, mas que contam corn a simpatia de donos dejomais. Li uma de suas muitas mat6rias corajosas sobre a exposiqao do La Roque e concordo inteiramente com o que voce disse e j havia comentado o mesmo com um amigo meu antes de t6-la lido. Nao existe intercanbio cultural em Bel6m. Rara- mente se v8 mostras de artists de renome national e intemacional, nao existem bolsas de estudo para pes- soas de talent, nao existe vida cultural para quem nao conhece pessoas influentes. Ou se expee no sho- pping da cidade ou na feirinha da Praqa da Republica. Os museus, as salas de exposicBes, estao todos para- dos e a burocracia que se enfrenta 6 desanimadora, chegando a torar impossivel o sonho de ver nosso trabalho bem exposto, com a iluminaqio adequada, fazendo a arte se passar por artesanato. Por isso, mais uma vez desisti de insistir em Be- 16m. Vim para Sao Paulo estudar e ter apossibilidade de ser tratado corn a dignidade de um artist, porque apesar de nao ser conhecido, o meu trabalho fala por mim e me apresenta, como acho que todos os bons artists devem ser. Enquanto houver essa consciEncia banal da arte na nossa cidade, vai haver exodo cultural das pessoas que procuram algo mais do que o pouco ou nada que nos 6 oferecido. Minhas saudacaes e muito obrigado. Um abrago GEORGE MARINHO RUA BELA CmTRA 422/43-Szo PAULO/SP 01415-000 SAo PAULO-SP 0 engenheiro Cicerino Cabral, president da Cohab (Companhia de HabitaCdo do Estado do Pard), enviou, jd cor atraso (pelo que desculpou- se), os esclarecimentos abaixo apropdsito de uma nota da seqao Interesse Piiblico, destejornal, da segunda quinzena de marvo, que, com mais atraso ainda, devido a um extravio, public agora, agre- gando minhas excusas ao leitor (quepode avivar a mem6ria no n"207). Diz a carta de Cicerino: 1. Os recursos repassados A COHAB-PA pelo Govemo do Estado no exercicio de 1998 somaram R$ 20.199.000 de aumento de capital para investimentos e R$ 3.047.000 na forma de subvenqao para custeio. 2. No exercicio de 1997 o balango apresentou lu- cro de R$ 226.000, nao de prejuizo, como diz a nota. 3. Com relacao ao resultado negative de R$ 1.030.000 mil, vale ressaltar que embora tenham sido considerados no balango todos os projetos em execu- do na Companhia, grande parte da comercializaqao desses mesmos projetos s6 serd efetivada no exerci- cio em curso, o que, quando devidamente apropriado como Receita, ensejara um resultado bem diferente do demonstrado contabilmente. 3. Aredufao do capital circulante resultou darela- 9ao entire os valores contratados e aplicados nos dois exercicios, ou seja, o exercicio de 1997 encerrou-se cor muitos contratos e poucas aplicagoes. Estas s6 vieram a acontecer de forma mais acentuada em 1998. 5. As dificuldades no dimensionamento das ages civeis movidas contra a COHAB, por empreiteiras, devido a divergencias no cumprimento de contratos de obras em administraq6es anteriores, adv6m do fato de que cabe ao contador do juizo, por determi- nagao judicial, apurar o valor definitive de uma even- tual condenagao. Atd este moment, a Assessoria Juridica possui, apenas e tao somente, uma estima- tiva apresentada com base no valor da causa atribu- ido pelo autor da atqo na esp6cie. 6. Finalmente, sobre as perspectives da Empre- sa, considerando o apoio institutional, politico e fi- nanceiro que temos recebido do Govemador Almir Gabriel, a reestruturaqfo e modemizafao, em fase final de implementagao, nos da muitas esperangas quanto a sua plena recuperagao. MINHA RESPOSTA Tenho grande respeito por Cicerino Cabral. Ele vem fazendo um trabalho sdrio e competent na Co- hab. Sua maior fayanha, at6 aqui, 6, como diz ao final, a reestruturaqfo e modemizacao da empresa Mas ela ainda precisa de um apoio do govemo proporcional ao tamanho do desafio. Cicerino garante ter esse apoio do goverador Almir Gabriel. Deve ter seus motives para sustentar essa afirmativa. Um observador A dis- tincia nao partilhara dessa mesma confianga, embora espere estar enganado, para o bem de todos. A Cohab ja comeqa a apresentar obras concretas, ap6s anos de (im)pura ret6rica. Mas suas dificuldades estruturais nao estao superadas. Uma delas 6 dispor de recursos reais suficientes para realizar projetos empenhados, sem voltar a acumular deficits. Outra sao as pendAn- ciasjudiciais. Ajustiqa anda lenta na avaliaqao (como em quase tudo), mas a empresa poderia provisionar os recursos, mesmo A base de estimativa. Talvez nao o faqa para nIo se descapitalizar. Cor isso, aposta numa certa media de imponderavel, que pode afetar seu future. Ele s6 se tomara horizonte discemivel se a prioridade A habitaqao popular for para valer. Pode- se exigir isso de uma direcgo tucana? Municipal Dizumnjurista municipal que a Codem nao precisa mesmo obedecer a lei sancionada pelo president da Camara de Vere- adores, que reduziu drastica- mente a cobranca do lauddmio em Bel6m, na primeira transa- Gao, abolindo-o em seguida (ver JP 211). Argumenta a fonte que as terras da primeira 16gua, trans- feridas pela prefeitura, foram in- corporadas ao capital da com- panhia, constituindo seu ativo e tornando-se propriedade pri- vada. Diz ainda que essa co- branga, apesar de se basear num direito medieval, a enfiteuse, permit ao poder pfiblico exer- cer algum tipo de control so- bre a ocupagio fisica da cidade. Por fim, alega que nao 6 o lau- demio que onera as transagbes, estimulando o mercado parale- lo e os "contratos de gaveta", mas as custas cartoriais. Mes- mo sem a cobranga da taxa de- vida ao senhorio, essas custas continuarao altas. Sao arguments considera- veis. Nao anulam, entretanto, raz6es de outra ordem. A pri- meira: de que a Codem perdeu o sentido de existir, tornando- se cabide de empregos, balcao eleitoral e academia, apesar de abrigar gente de qualidade, custando caro ao erario. HA muito desapareceu o planeja- mento metropolitan, como, de resto, o estadual. Uma reduqao no valor do lauddmio permitiria desentocar muito contrato en- gavetado. E se as custas carto- riais nao acompanharem essa reduqao, seria e 6 o caso de fiscalizar o cumprimento da ta- bela official, num trabalho con- junto com a Corregedoria Geral de JustiCa, jamais caracteriza- da exatamente por efici8ncia nesse assunto. Ou seja: ainda que a situa- gqo, como esta, nao seja tao ruim assim, mudar d ainda melhor. Mutag9o Esse epis6dio surrealista dos contratos de Elba Ramalho e Peld; envolvendo a Sudam e a Imprensa Official da Uniao, al6m de mostrar a irresponsabilidade (leviandade mesmo) de certos stores da admi- nistraqdo publica, mostra a neces- sidade de control do Didrio Ofici- al pela sociedade (ver, a prop6sito, JP 194). 0 que lembra a circulai~o semi-clandestina do Didrio Oficial de Bel6m, ao qual nem mesmo to- dos os vereadores tnm acesso. Esta na hora de estabelecer um padrao elevado para os DOs, tor- nando-os servidores da sociedade e nao do poderoso de plantao. * I ~LI Ir -------- --L~- ----~----l(~IIIL_- ------ ----- ~"-"IC-IC~--~P~IILIII~ID B 0B f ARTRS V i T.. JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE JUNHO / 1999 7 Merecimento O prefeito Edmilson Rodrigues de- via pedir ao governador Almir Gabriel para entregar-lhe o trof6u Plaqueteiro do Ano. Por merecimento. Corn direito a antecipagao. Melhora Criticar a falta de espirito comunita- rio e de amor A cidade de Y. Yamada, que se omitiu da recuperagao do Pala- cete Pinho e monta lojas r6sticas, me custou a perda do cumprimento de Hi- roshi Yamada. Mas me senti recompen- sado ao ver que a empresa esta recupe- rando a bela edificagao que possui na esquina da Jodo Alfredo com a Frutuo- so Guimaraes, ajudando a recompor a dignidade arquitet6nica daquele perime- tro com mais duas outras lojas razoavel- mente restauradas. Falta s6 nao repetir, no mais recent trabalho, em fase final, a placa que ha em outro, para merecer elogios. E dizem tamb6m que a nova loja, na Cidade Nova, esta um brinco, como se usava antanho. Depois alegam (at6 amigos) que cri- ticar 6 ser pessimista e que a critical nao constroi. Papo O governor 6 do povo e o partido 6 dos trabalhadores, proclama, na tele- visdo, a propaganda da Prefeitura Mu- nicipal de Bel6m. Menas verdade. O alcaide patroci- nou recentemente um rega-bofe com di- nheiro p6blico para 22 casais no mais caro restaurant da terrinha, a pretex- to de divulgar sua "cidade das luzes". E, no convescote de aniversArio, criou dois ambientes comemorativos, um deles para convidados especiais. Nada como um poder depois do outro. Indiferenga 0 advogado Carlos Lamardo, dire- tor do departamento juridico do Iterpa (Instituto de Terras do Para), esta sen- do processado pela segunda vez, pe- rante ajustiga de Sdo Paulo, por Ceci- lio do Rego Almeida, que quer ser o maior latifundiArio do planet. O moti- vo 6 a grilagem de uma enorme gleba de terras no Xingu, que o empresArio ja disse somar 4,7 milhoes de hecta- res, mas que, na queixa-crime, com base na famigerada lei de imprensa, elevou para 7 milhOes. Carlos vai amargar os dissabores de mais essa retaliaglo sem que saia, das O president Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, chefia um governor de coalizao, sistema hi- brido engendrado pela Constituiqdo-ci- dadd de 1998, integrado ainda por PFL, PMDB e PPB, al6m de legendas-sat6li- tes de menor expressio. E claro que, se quiser governor, o president precisa con- templar seus aliados numa composigco de forgas, algumas vezes colidindo cor prin- cipios morais, mas sempre agindo dentro de parametros politicos. Almir Gabriel 6 correligionArio do pre- sidente, seu ex-companheiro de Senado, um dos governadores cor que conta o PSDB no pais, a frente do 100 col6gio elei- toral brasileiro. Soa estranho, assim, que as relagOes entire os dois seja marcada por tiroteios na linha de retaguarda, corn vocifera95es do segundo escalao. Politi- cos do esquema do governador seguida- mente atacam a administragdo federal. O porta-voz oficioso, ojornal OLibe- ral, anunciou um rompimento iminente que, at6 agora, nao se materializou. Sem- pre que precisa assumir sua posigao na- tural, de comandante na frente de bata- lha, o governador manda mensagens obli- quas ou busca uma protegao A sombra de parceiros mais tonitruantes, como o governador MArio Covas, de Sao Paulo. Sem disposiqao ou compet6ncia para colocar o guizo no pescoo9 do gato, o es- quema do governador agora ataca o sena- dor Jader Barbalho, do PMDB, acusan- do-o de montar um governor paralelo para sabotar o legitimamente eleito pelo povo no ano passado, prejudicando o Para. Se essa acusagao 6 verdadeira, ela tamb6m acarreta uma conseqiiencia: como Almir Gabriel, sendo do PSDB, desfrutando de prestigio national, nao consegue remover FHC dessa parceria daninha? Se 6 por conivencia do president, o interesse mai- or do Estado, presumivel m6vel da attitude do goverador, deveria forgi-lo a romper com o correligionario maior, mas nocivo. Se nao 6 assim, entao o governador tern 6 que arregacar as mangas e traba- entranhas da administrag9o A qual tem dedicado sua inquestionavel competen- cia em mat6ria agrAria e fundiaria, um sussurro de solidariedade e uma media de apoio (nem mesmo da Procuradoria, A qual esta vinculado). Ele estA sendo processado por cumprir um dever que lhar (se para isso ainda disp6e de dinheiro, tdo farto A 6poca da campanha eleitoral que Ihe permitiu antecipar despesas de responsabilidade da Unido, favorecendo determinadas e s6 determinadas - obras por conta de ressarcimento que nao veio). Principalmente atrav6s de 0 Liberal, o esquema do governador procura con- vencer a opiniao p6blica de que se esta restabelecendo no Para o clima de guer- ra da fase mais aguda dos antagonismos entire Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, que s6 mal fez ao Estado. Evidentemen- te que Jader Barbalho nao 6 um santo e nem sempre coloca os objetivos maiores do Estado acima dos dele, muito pelo con- trArio. Mas a parcela de poder que o PMDB det6m no governor 6 inferior A do PSDB. Se o governador nao consegue mobilizA-la para desfazer os pianos ma- quiav6licos do seu adversario, talvez seja porque nao tem tanta influencia quanto diz, porque a administragao federal esta minada por interesses vis ou porque, em Brasilia, tem-se consci6ncia de que a guerrinha 6 rasteira e nao de alto nivel. Como principal autoridade do Estado, o governador tem que se impor, impondo sua autoridade independentemente de decib6is ou cara feia, ao inv6s de radica- lizar esse litigio de susceptibilidades. Se tem um program, se esse program tem consistencia e se 6 capaz, o governador nao tem que se esconder ou se ausentar de atos oficiais, sob a alegagdo de des- conforto pessoal, como fez na semana passada em Itaituba. Almir Gabriel nao 6 monarca de ori- gem divina. A political nao 6 um piqueni- que. Exige est6mago forte, determina- 9ao, tutano e fosfato. Mas tudo isso a servigo da coletividade que delegou po- der e nao de um partido, de um grupo ou de uma pessoa. Tudo indica nao ser o caso dessa pugna Gabriel/Barbalho, mas o governador nao pode investir-se do papel de mocinho, que, nessa oragdo, 6 sujeito inexistente. * nao encontra respaldo na attitude dos seus superiores: a defesa do patrim6nio p6blico. No caso, o bem que assegura a pr6pria base territorial do Estado. E como se as demands judiciais apresentadas por do Rego Almeida dis- sessem respeito ao sexo dos anjos. * Briga de faroeste sem um mocinho I -r CL II I Ir ,_ Lavanderia Foi para a cadeia o primei- ro laranja intemacional acu- sado de estar operando a partir de Bel6m. Segundo a Policia Federal, que o mant6m atris das grades, Aldesir Nardino seria um dos elos da cadeia que usou as contas CC5 para man- dar seis milhoes de reais para o exterior. A prova dos nove, por6m, s6 surgird agora, corn a quebra do sigilo de todas as CC5, que sao as contas de nio residents no pais. S6 no ano passado esse teria sido o ca- minho seguido por 24,7 bi- lhWes de d6lares. O Minis- t6rio Piblico desconfia que a parte ilicita dessas remessas alcanga US$ P 10bilh6es. Ja seria o suficien- te para criar um bom program de emprego. Caixinha c Em setembro do ano passado, no auge da cam- panha eleitoral, a folha dos Maiorana publicou, cor gran- de destaque, mat6ria anunci- ando: "ONU aponta paraense vivendo mais e melhor hoje". Estejornalzinho (verJP 195) mostrou que O Liberal mani- pulava grosseiramente o rela- t6rio da Organizagao das Na- g9es Unidas para ajudar na campanha da reeleigdo do go- verador Almir Gabriel. No 61timo domingo, man- chete de primeira pigina do journal admitia o Pard como "Um pobre Estado rico", de- dicando cinco paginas internal para a citagao dos "indices sociais sofriveis", varios dos quais foram aqui antecipados, para furor de sua excelncia. Mas se o governador acei- tar reajustar para cima o con- trato TV Liberal/Funtelpa (ape- lidado de convenio), nao usar a propaganda gratuita decorren- te desse contrato e aumentar a veiculagao de propaganda, a folha oficiosa volta a pintar tudo de cor de rosa. Business as usual, como dizem os americanos, douran- do a pilula. EpitBfio Uma crise profunda de de- sdnimo e pessimismo se insta- lou no Bald Bolshoi quando seus integrantes leram, em Moscou, uma nota do Repdr- ter 70, de O Liberal, com a opinido de Paulo Chaves Fer- nandes sobre a decadencia do famoso grupo de bailarinos. Sapatilhas foram langadas ao mar. Correga tal o t6rKme hor .. ; _2.. 99 eia d cu to perionali- A tese do professor Francis/ jdaeo- co Paulo do Nscime 9,f I V 7 6 As Raizes do Romantismb eao Contra rio As Origens do Romantismo. Sao sin6nimos, mas nao exatamente a mesma coisa. O coragao traiu o c6rebro numa mat6ria cara a am- Sujeito bos. Perdao, leitores. Ah, sim: o dedo teclou num"x" As oito agdncias que aten- quando deveria ter esmagado o "k" dem a conta de publicidade de deKuKluxKlan. Bel6m fizeram um anincio de meia pagina parabenizando o Grato De coragio, agradego a Ontem solidariedade de Ray- A Bel6m 2000 j comecou, anuncia mundo MArio Sobral e uma enorme placa no inicio da rua Acyr Castro, dois dos Tiradentes, esquina com a Doca. mais frequientes e incisivos rojetando a cidade no novo mildnio, propagadores e defen- a obra anunciada pela placa da sores deste journal, uma prefeitura 6 o recapeamento com pedrinha que toda demo- asfalto, o meio-fio e as sarjetas da cracia precisa dispor para rua em suas quatro quadras. nao ser mera deontologia Quando H61io Gueiros inaugurou formal, seja para servir de om banda e tudo as seis quadras da muni9go para uma funda, Ant6nio Barreto, o PT ironizou. seja para incomodar o cal- E agora, Edmilson? canhar de falsos Aquiles. Grato, companheiros. prefeito Edmilson Rodrigues Ego por seu aniversArio, no dia 27. Nenhum politico comemorou A pega saiu sem assinatura. tao espalhafatosamente o seu ani- Acordo de cavalheiros? versario quanto Edmilson Rodri- Res public Ojuiz Walmir Oliveira da Costa, da 3a Turma do Tribu- nal Regional do Trabalho, ma- nifestou sua estranheza em relag9o aos "maus usos e pio- res costumes politicos vigen- tes nesta Rep6blica". Em sentenga quejulgou li- tigio entire a empresa Rodizios da Amaz6nia e Valdncio Al- ves Silva, datada do filtimo dia cinco de maio, o juiz consta- tou que Carlos Castilho Fer- reira da Costa, testemunha do patrao, mesmo sendo assessor parlamentar na Cdmara Fede- ral, em Brasilia, trabalhava ao mesmo tempo como gerente da churrascaria, de proprieda- de de "um deputado federal" em Bel6m, "a dois mil kil6me- tros de distancia", como fez questdo de registrar. Nao deu o nome do depu- tado, mas ele 6 Vie Pires Franco, do PFL, candidate a candidate A prefeitura de Be- 16m na elei9go prevista para o pr6ximo ano. O caso nao 6 unico. gues no tiltimo dia 26. A cidade foi inundada de out-doors. Embora produzidos em sdrie por uma agen- cia, padronizados, todos eles abri- lhantados pela fotografia do alcai- de em policromia (o que encarece a pega), os cartazes foram atribuidos a diferentes origens. At6 as crian- gas da escola-circo assinaram um dos oferecimentos, como se pu- dessem arcar com a despesa, na vi- sao caolha do marketing. Os cAlculos falam em n~me- ros entire 100 e 300 peas. Consi- derada a menor estimativa e o pre- o9 camarada de 300 reais por quin- zena de veiculagio de out-door, mais a sua produ9lo, dA R$ 30 mil, supostamente divididos por alunos do circo ou moradores da rua da Mata, mas bancados por empreiteiros e fomecedores. Journal Pessoal- Editor: Licio Flavio Pinto Sede: Passagem Bolonha. 60-B 053-040 Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br Ediqib de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 Se era para melhorar a ima- gem da escola, uma propaganda do Itafi exibida pela televisio pode ter efeito exatamente con- trario ao desejado. O filme mostra uma professo- ra aconselhando seu aluno, um menino chamado Vinicius, a "es- tudar um pouco mais de portugu- es". Presumindo-se que o pibli- co saiba que Vinicius de Moraes foi um poeta modern que mane- jou com maestria a lingua portu- guesa, principalmente em renova- dos sonetos, fica a pergunta: se a professor nao conseguiu iden- tificar as sementes do poeta, nem estimula-lo a se interessar pela matdria ensinada, 6 muito prova- vel que Vinicius se tornou poeta apesar da escola, descobrindo a lingua, sua ferramenta de traba- Iho, fora dela. Tern sido assim na maioria dos casos (Marx e Einstein, para citar s6 dois). A escola costuma atrofi- ar, ao inv6s de estimular, o desen- volvimento de talents excepcio- nais, incomuns e originals. Que vao se expandir fora da linha de montagem pedag6gica, descobrin- do nas ruas o prazer que deveria ser inoculada nas salas de aula. O pr6prio filme reflete essa falta de tirocinio. Dois pesos O prefeito Edmilson Rodrigues atacou corn ferocidade, no ano pas- sado, o Bar do Mascate, localizado na Doca de Souza Franco. Justifi- cou-se corn o argument de que o local era piblico e estava sendo irregularmente explorado por um particular. Mas na semana passada o alcaide comemorou seu aniversi- rio no Afrikan Bar, que tamb6m plan- tou-se em um logradouro pfblico e ha anos desafia a administraaob mu- nicipal corn sua existencia. A diretriz que vitimou o Mas- cate foi revogada? |
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