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Journal Pessoal I CI r n F i A V I n I N T n . ANO XII N- 210 1 QUINZENA DE MAIO DE1999 R$ 2,00 .''-4" VALE Um cavalo de Tr6ia? Nenhum Estado brasileiro depend tanto de uma unica empresa quanto o Pard da Companhia Vale do Rio Doce. Da mesma maneira, o Pard tornou-se o mais important dos nove Estados nos quais a empresa atua. E responsaivelpor ela ser, b maior exportadora do Brasil. 0 Para, no entanto, ea maior fonte de probkmas &da2C D. E a empresa e a principal causa do subdesenvolvimento paraense. Ess5 result aparentemente paradoxal, e inevitavel? ; ez anos atras, o economist ca'um Estado que,'~no nen m~i utro, de- ae dJ ogado paraense Ar- penetantodeuma unica ep a- Ficouum m' lando Mendes sugeriu que buracaraAg ~ qeltivadasen- 'a3 Companhia Vale do Rio sibilida o pao que a corpo- .Doce se rebatizasse. Passa- ra.ao desem despeito de tudo, RiuoMarDulce, incorporan- '..territ6rio paraense. A Vale, especialmente a do a primeira designagao dada ao vastissimo partir do seu novo perfil p6s-privatizagao, Amazonas pelos primeiros e espantados co- cancelou na Amaz6nia a hist6ria que ajudou lonizadores espanh6is do quinhentismo. O a escrever no vale do rio Doce, entire Minas e jogo de palavras teria um grande significado Espirito Santo, pondo um toque de amargura simb6lico: criada hA mais de meio s6culo para em tudo. iniciar a extra9ao do mindrio de ferro encrava- Do outro lado, por6m, o direito A indigna- do nas serras de Itabira, em Minas Gerais, ao e a prerrogativa de ferir, que o governador sobre as quais Percival Farquhuar assentara se outorgou, com um retardamento que se ex- seus interesses especulativos, a CVRD foi se plica pelo interesse contrariado, nao e sufici- deslocando para o norte do pais, por forga da ente para tomar o combat produtivo. Depois descoberta de novas e importantesjazidas mi- de engolir muito mais sapos do que autorizaria nerais. 0 vale do rio Doce ja nao 6 mais tao a boa culindria e ter-se mantido numa f6 que estratdgico quanto o Amazonas, no qual es- chegou As raias do fanatismo a favor, Almir tao plantadas as sementes do future da com- Gabriel comanda uma ofensiva mais emocio- panhia. nal do que racional, talvez mais preocupado Hoje, 6 no norte que a Vale obtmr um ter- em apagar seu passado de omissao e coniven- go da sua receita total e quase metade das cia (calou-se sobre a privatizagao) e preparar suas exportag6es (gragas a essa fronteira pa- uma plataforma para a pr6xima eleigao do que raense, tornou-se a primeira do ranking naci- estabelecer um padrao de relacionamento real- onal), mas o c6rebro e o coragao continuaram mente frutuoso para o Estado. em Minas e no Rio de Janeiro, talvez at6 em Todos agora querem bater na Vale, nao T6quio. O Para, individualmente o mais ren- interessando se o golpe 6 correto ou nao, se tAvel dos nove Estados nos quais a empresa vai ter efeito e se o efeito, como um bumeran- atua, continuou a ser tratado como primo po- gue desgovernado, nao acabarA se voltando bre, um espago necessario, mas nem um pou- contra o pr6prio Estado. Mas a empresa estA co amado, uma col6nia a desbravar, mas tam- bem long de powder ser equiparada a cachor- bm a explorer, literalmente. ro morto. Componente relevant da "crise No filtimo dia 19, o medico Almir Gabriel paraense", traduzida pela incapacidade que o cunhou um outro titulo para a CVRD: Compa- Estado tern manifestado de bem gerir seus nhia Vale do Rio Amargo. A designagao nao carter colonial em terras amaz6nicas. Um ca- abundantes recursos naturais (acaba se "sub- se ajusta adequadamente A sigla, mas a in- rAter que a privatizagao, rompendo com os desenvolvendo" nesse processo, a Vale abri- compatibilidade formal 6 superada pelo acer- elos diretamente pdblicos da empresa, tornou ga tamb6m os elements potenciais em favor :o de conteido. De fato, nos 10 anos que se ainda mais ostensivo. de uma melhor resolugao desse paradoxo. E seguiram A generosa sugestao de Armando A lei Kandir (barretada federal com tribu- uma espdcie de esfinge. Atd agora, s6 ela pa- Mendes, paraense auto-exilado ha tempos no to alheio, num franco desprezo pela federa- rece ter condig6es de decifrar suas charadas, Distrito Federal, a Vale apenas reforcou o seu 9ao) dissociou a Vale da administracao p6bli- num jogo viciado. i I t 14 1p A, '0 A , G g?|j 77 .3P r~B A A~8~~,~1 L_ U- V I V- I L- / \ I ^^ I I I I IL 2 JOURNAL PESSOAL I P QUINZENA DE MAIO / 1999 ) A caixa preta nao 6 absolutamente refra- tAria A elucidagao, mas exige do desafiante uma qualificaqio maior do que a apresentada atW aqui pelas principals lideranqas do Esta- do. No dia em que irritadamente tratou a em- presa como Companhia Vale do Rio Amargo, o governador Almir Gabriel decidiu nao se- guir do aeroporto para a sede da Vale em Ca- rajas, a algumas centenas de metros dali, pre- ferindo descer 30 quil8metros para Parauape- bas, pretextando qualquer coisa, depois de receber o president em exercicio, Marco Maciel. O governadorjulgava protestar con- tra a decisao da CVRD de investor a milhares de quil6metros dali, no litoral colombiano, e nao no Pard. Maciel fora a Carajas para assinar uma carta de inteng9es brasileiro-colombiana vi- sando a instalagao de uma mini-usina de ago em Porto Bolivar. O investimento, de 600 mi- IhWes de d61ares, se viabilizard pelajungio de gas colombiano cor mindrio de ferro de Cara- jAs. Muitas empresas, inclusive americanas e japonesas, se uniram na empreitada porque a Col6mbia tem muito gas ocioso. Para a Vale, escorada cada vez mais nas suas origens de mineradora de ferro, o neg6- cio 6 atraente por absorver anualmente 1,8 mi- lhao de toneladas do seu produto e abrir um mercado que tern estado fora da sua 6rbita. Nao 6, portanto, algo que deva ser descartado simplesmente porque desagradou o govera- dor do Pari. Almir Gabriel pode muito (como acabar imperialmente cor o Idesp), mas ainda nao 6 capaz de abolir as leis do mercado. Mais esse investimento, que nao se inte- gra A cadeia produtiva em territ6rio paraense, comega a ser feito tao distantemente. Outro, entretanto,jA estA em curso bem mais perto, do mesmo tamanho e nos mesmos moldes da aci- aria colombiana. a usina de Pecm, no Ceara, a primeira do norte-nordeste do pats, tambdm para ur milhao de toneladas, A base de gas (potiguar) e mindrio de ferro (de Carajas). A pergunta que se faz 6: por que essas usinas nAo se instalam tambdm e preferen- cialmente no Pard? Se 6 aqui que estao os dep6sitos de mindrio, razfo, algum tempo atrAs, para no mesmo local ser feito o seu be- neficiamento, hoje essa vinculaglo automAti- ca desapareceu. A industrializagio ocorrera onde for mais vantajosa e competitive. Nao quer dizer que mina e smelter nao possam fi- carjuntas, mas 6 precise ir al6m do mero fator locacional para defmir a viabilidade. Eleja nao 6 tudo; as vezes, nem o principal. Os cearenses, carentes de quase tudo, usaram a inteligencia para buscar uma tecno- logia compativel corn suas limitagOes. Gragas A redug4o direta a frio e a um tamanho mais ajustado da usina, estAo abrigando a primeira aciaria da regiao sem dispor em seus limits de min6fio de ferro e energia. O primeiro ele- mento estao vindo buscar aqui. O segundo, no Rio Grande do Norte. De nossa parte, estouramos rojOes para comemorar as antediluvianas usinas de gusa A base de carvAo vegetal, queimando muita energia (e nutrients) para gerar um produto de baixo valor agregado, que nos faz "subde- senvolver". No entanto, produzimos muito mais hidreletricidade do que podemos con- sumir, exportando energia bruta para nossos vizinhos (que nada pagam de ICMS por esse bem), quando deveriamos ter iniciado aciari- as com forno eldtrico simultaneamente A mi- neragAo e, quem sabe, depois, trazendo gds da Amaz6nia Ocidental pelas (nio construf- das atd hoje) eclusas do Tocantins, em Tucu- rui, para criar um parque industrial equivalen- te ao do vale do Rhur, combinando mais de uma fonte em uma matriz energdtica saudAvel (e inteligente). Inteligencia 6 o bem mais nobre neste fim- de-s6culo (nao serA de sempre?) e 6 o que nos tem faltado. Nossa cultural nao estA afi- nada corn a nossa hist6ria. Nao compreende- mos nossa contemporaneidade, o que a ca- racteriza (e por isso a nossa mentalidade 6 a do colonizado). Sem entender o enredo, rea- gimos emocionalmente, uma emloAo que tan- to serve dd fio condutor A indigna go, just mas atabalhoada, como freqtlentemente abri- ga, sob as asas da boa inteng~o, muita malan- dragem e iniciativa escusa. A Comissao Parlamentar de Inqudrito da Assemblria Legislativa sobre a CVRD sequer conta com o fato certo e determinado reque- rido pela lei para ser instalada. Tem suas ra- z6es o PT e o relator, deputado (PMDB) Ga- briel Guerreiro, voto afinal vencido, para des- confiar de que ela perderd seu gAs ao menor vislumbre de acordo entire a empresa e o go- verno do Estado, promoter oculto da iniciati- va. Mesmo que va atW o fim, a que servirA? Ao cancelamento da lei de incentives que beneficiou a empresa? Revogada a lei, que realmente fere a Vale no seu ponto mais sen- sivel (o bolso, segundo quem entende do ris- cado, o ex-super-ministro e atual deputado Delfim Neto), a empresa poderd argifir a ilega- lidade da media. Afinal, a CVRD cumpriu toda a sua parte, implantando a Alunorte (lacuna no p61o de aluminio de Barcarena que onerou o pals, ao long de uma ddcada, em US$ 250 milhoes anuais por causa da importa9ao de alumina). O diferimento no pagamento do imposto (transferido do inicio para o fim do circuit produtivo, que comega na mina de bauxita e terminal na fAbrica do aluminio) 6 a contrapar- tida do Estado que viabilizou um investimen- to de US$ 750 milhies. Suprimir o diferimento significa torar o Estado inadimplente na re- lagio contratual (necessariamente bilateral), situagao que qualquer tribunal reconhecerA (como reconheceu ojuiz singular, suspenden- do a retengao do desembarque de bauxita em Barcarena, media de forga da receita estadu- al na ofensiva de retaliac~o). E claro que o govemo podera criar cons- trangimentos e causar prejuizos A CVRD nes- se litigio, agindo diretamente atravds de seus bragos fazendirio, policial ou administrative, ou entao por seus satelites politicos e extra- politicos. Alguns mecanismos colocados em acaojA foram suficientes para criar o mais ten- so e adverse clima de antagonism em que a Vale se viu envolvida atd agora no Para, mas que podem chegar (mesmo nao send essa a intengto) a atingir outras empresasjA instala- das ou que pensam em se instalar no Estado (qual delas sobreviveria A razzia feita no mo- mento sobre a Vale?). E possivel que, mesmo por vias extra-le- gais (ou mesmo ilegais), a empresa se veja compelida a rever seu comportamento arro- gante e pernicioso ao Pard. Mas talvez suas concess6es nao passem de migalhas em um contencioso tao amplo quanto complex. ou por uma viciada via de mao 6nica empresa/ poder, se a opiniao piblica continuar alheia (quando simplesmente pensa que nada disso Ihe diz respeito) ou desinformada (quando as informagdes sao manipuladas pelos que as detem e delas tiram vantagem. Quaisquer que venham a ser os desdo- bramentos dessa cruzada anti-Vale (como toda cruzada, nem sempre a realidade corres- ponde ao discurso, nem os cristaos sao ne- cessariamente o bem e os infi6is, o mal), a empresa nao deixarA de ser pega vital na eco- nomia do Estado, no sentido do progress ainda aspirado ou do subdesenvolvimento efetivamente em curso. No lugar da CPI, de eficAcia mais do que duvidosa, o semindrio proposto pela deputada (PC do B) Sandra Batista parece mais fitil para suprir os parla- mentares como, de resto, toda a opinifo pfiblica das informagbes que Ihes faltam para possibilitar uma interpretacgo de fatos (e nao apenas palpites em torno de versess. O semindrio poderA trazer a Bel6m perso- nagens ocultos ou calados, como os iltimos dirigentes da Vale estatal, a Anglo American, o BNDES e especialistas atualizados sobre o mercado international do cobre. Eles pode- rao fornecer dados para separar ojoio do tri- go nas explica0tes que a CVRD apresentou. Nao para uma guerrilla improdutiva ou in6- cua, mas, se possivel, para um piano bem es- truturado que tire a empresa da condigao que ela assumiu: um cavalo de Tr6ia fincado no corag o e nas artdrias vitais do Parn. Lateralmente, duas linhas foram traUadas nesse sentido. Uma delas pela reconstituiago do grupo Vale-Governo, de tao desastrosos resultados na sua primeira versao. Depois de ter sido representada pelo ex-ministro Paulo Haddad, a Vale colocou A disposiiao da ad- ministragAo estadual os tambem ex-ministros Eliezer Batista e Rafael de Almeida Magalhaes para tentarem formular em comum um piano de desenvolvimento. A outra via foi aberta na Sudam, cor um grupo tripartite (Sudam- CVRD-Governo) que vai tratar dos reinvesti- mentos da empresa por conta da isenoio de imposto de renda por 10 anos, concedida sem uma contrapartida A altura (mas cor a apro- vac9o do representante do Estado). Ja esta mais do que na hora de nao deixar que, como em outros epis6dios de um passa- do recent, a litigAncia se reduza A ret6rica in- consistente de personagens mais interessados em ganhos pessoais (ou grupais) do que na causa do Estado. Uma imprensa que desenca- deia campanha para arrecadar an6ncios sem se empenhar cor o conte6do das suas matdri- as ou supostos quixotes, que criam moinhos de vento para se credenciar como paladinos da sociedade, de olhos nos votos obtidos por mdtodos demag6gicos, podem empolgar num moment de maior tensao emotional. Mas sao como perfume barato, que se esfuma rapida- mente e sem deixarboa mem6ria. O Pari exige mais. Precisa de muito mais. * JOURNAL PESSOAL QUINZENA DE MAIO /1999 3 Balbina: imagem do colonizador Na comemoragao dos 10 anos de funcio- namento da hidrel6trica de Balbina, no Ama- zonas, a Eletronorte teve que deslocar sua motivacao das razoes energ6ticas para as ecol6gicas. Os observadores mais atentos da festa, realizada no 6ltimo dia 17, deveriam ter anotado o paradoxo inc6modo: a barra- gem de concrete foi construida no leito do rio Uatum5 apenas por razoes energ6ticas; o meio ambiente foi simplesmente ignorado. Agora o enredo foi invertido parajustificar a existdncia da usina. Garantia o governor military que Balbina resolveria o problema de Manaus, uma ci- dade isolada, que os sistemas integrados de gerago de energia nao poderiam alcan- car. Mesmo que custasse muito e causasse danos ecol6gicos, Balbina se justificaria porque pouparia o Brasil de pesados gas- tos com a importagao de combustivel para o parque termel6trico de Manaus e livraria sua populaq9o por muito tempo do castigo do racionamento permanent, a que entao se encontrava sujeita. O consume da capital amazonense 6, atu- almente, de 800 a 900 megawatts. Balbina s6 entra cor 150 MW, ou menos de 20% da de- manda total. Jamais chegou A sua plena capa- cidade nominal de geracao, de 250 MW. A quantidade de Agua estocada no reser- vat6rio nunca foi su- ficiente para manter a plena carga as cinco turbines instaladas na sua casa de maqui- O poeta Manuel I nas. Na dura estiagem dias escrevendo vers do ano passado, o ni- o coronel-sindico dc vel da Agua chegou a Janeiro. Nem por iss ficar cinco metros e finico. A dimensao abaixo da cota mini- tamb6m nao se cont ma de geracqo, que 6 coisas que ele vem d de 42 metros. Continue a ser um d Isto significa que merecer Premio Nob uma obra equivalen- por seu trabalho em te a 1,2 bilhao de d6- perdeu o prumo da v lares fica virtualmen- suas manifesta9ges. te infitil porque o mo- Em entrevista a C nitoramento do seu fnico dos irmaos Vil reservat6rio 6 precA- que s6 os militares rio. A lamina d'Agua nao. Mesmo assim, 6 rasa (o que provoca nalidades que cita co o espraiamento do duas (Darcy Ribeiro lago) e aperman6ncia vis. A terceira 6 o m da Agua, demorada, don. Rondon criou provocando efeitos companheiros de fa: indesejAveis, tanto nao durou muito (se ecol6gicos quanto notavelbrasileiro). operacionais (por Orlando falta c( causa da grande de- garante que, em ho ple~go entire o verao "ningudm no regime e o "inverno"). Na cota maxima, de 50 metros, a barra- gem inunda 2.360 quil6metros quadrados - um absurdo. Para produzir quatro mil MW, a barragem de Tucurui inundou 2.430 km2, for- mando o segundo maior lago artificial do pais (o primeiro 6 o da barragem de Sobradinho). Em Tucurui a relagao estabelecida foi de 1,6 MW por cada quil6metro quadrado afunda- do. Em Balbina, a mesma proporgo seria de 0,1 MW por km2 submerso. Os nimeros enegrecem ainda mais se se considerar nao a capacidade nominalmente instalada, mas a efetiva produgao, mesmo res- salvando a area que ji fazia parte do leito do rio (e o fato, at6 agora inexplicado, de que o lago de Tucurui cresceu de 2.430 km2 para 2.875 km2). Como a capacidade real de gera- 95o de Balbina vai continuar diminuindo em contrast com o crescimento do seu custo operacional, principalmente se comparado ao das termeldtricas a gis natural (quando os campos de Urucu e Silves estiverem em con- dig6es de supri-las), haverd um dia em que aquela monstruosa paisagem pouco terd a ver cor hidreletricidade. I por isso que, espertamente, a Eletro- norte procura o guarda-chuva da ecologia para esconder uma das mais vergonhosas obras p6blicas jA realizadas na Amaz6nia Os amigos 3andeira terminou seus os de p6 quebrado para seu pr6dio, no Rio de o deixou de ser grande de Orlando Villas B6as rairA cor algumas das izendo,ja aos 85 anos. os poucos brasileiros a el no caso, o da Paz, favor dos indios. Mas erdade em algumas das ) Estado de S. Paulo, o las B6as ainda vivo diz ;ostam de indio; civis, de tres grandes perso- mo amigos dos indios, e Noel Nutels) sao ci- arechal Candido Ron- uma mistica que seus rda seguiram, mas ela quer a mem6ria desse )m a verdade quando menagem a Rondon, ie military tinha cora- gem de mexer com o i porque o marechal Cas meiro president do re 64, tamb6m gostava de foi que fizeram com o Costa Cavalcanti (em c nist6rio do Interior o Pi Xingu, a grande criaqi Ilas B6as, comegou a BR-80) ou o general B na Funai, o period de i patrim6nio indigena? Nao hA mais uma r segmentada. Entre civis tintamente, hA os que tam os indios, e os qu ao problema, a maiori todas as homenagens, tamos na devida conta. , Nutels, uma das mais I nalidades que conheci, desconhecido. Foi tao o de uma premiacao com Orlando. Que, a despeit continuar a ser lembrad dem os Villas Boas ami em todos os tempos. E certo que o progra- ma de meio ambiente da empresa j apre- senta faceta positive, mas 6 perfumaria em comparagao cor os danos praticados. O que 6 pior: tinha-se complete consci8ncia des- sa nocividade quando as obras da hidrel6- trica foram iniciadas. Mas as observagqes e critics foram completamente ignoradas, tanto pelos que agiam de ma f6 na hist6ria, como pelos que s6 queriam saber dos be- neficios (e nao prestaram a menor atengao ao custo), achando que basta boa intenqao para estar com a verdade. Em fungao dessa dupla participagao, ati- va ou passiva, Balbina 6, hoje, um paradoxo que escapa A percepcao dos que nao t6m uma boa 6tica amazonica, ou nao tem mem6- ria. Todos podem at6 argumentar que esse 6 o preqo a pagar pelo progress e para tirar lidao da hist6ria, em circunstancias raramen- te ideas ou desejaveis numa Area de frontei- ra como a Amaz6nia. Alguns tem tido a des- fagatez de declarar que Balbina 6 apenas uma agressao visual, embora devessem lembrar que foi por um aspect arruinado da paisa- gem que o entao president Jos6 Sarey, espicaqado pela TV Globo, exigiu da Mine- ragqo Rio do Norte um proj eto ecol6gico para a exploraggo da bauxita do Trombetas (um documentario mos- trou o assoreamento do Lago Batata pelos rejeitos da lavagem do rnindrio). Epis6dios como o ndio", ainda mais de Balbina, desde sua telo Branco, o pri- origem espiuria at6 a gime military p6s- maquilagem que atu- indio. Mas o que almente se providen- s indios o general cia, mostram que o co- uja gestao no Mi- lonizador da Amaz6- arque Nacional do nia ainda nao d capaz lo dos irmaos Vi- (quando isso o inte- ser invadido pela ressa) de considerar andeira de Mello no seu cAlculo econb- naior pilhagem do mico o component da natureza, consideran- nistica setorizada, do-a um acr6scimo e militares, indis- gratuito'e, por vezes, gostam ou detes- complicador. Ou seja: e sao indiferentes para realizar efetiva- i. Rondon merece mente seus pianos de que nao lhe pres- conquista, o coloniza- Aas o m6dico Noel dor apaga o compo- fascinantes perso- nente efetivamente permanece iljustre amaz6nico da paisa- u mais merecedor gem, seja a natureza, o o Nobel quanto seja o home. Isto to de tudo, precisa pode ser colonialismo o antes que se fin- de novo tipo, mas 6 - gos dos indios. e parece que serA sem- pre- colonialismo. * 4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE MAIO / 1999 E at6 questao de sobrevivdncia para ojor- nalismo impresso ir aldm dos fatos, apresen- tando-lhes a moldura, o context que os ex- plica. Ficar no mero registro dos acontecimen- tos desqualifica os jornais e as revistas para a competigao cor o rAdio e a televisao. Mas deve ser atAvica parajornalistas a vinculacgo das andlises e explica9oes aos fatos. As duas primeiras podem ficar como opcao para o lei- tor. Os segundos, nao: sao components vi- tais do textojornalistico. A imprensa que agri- de os fatos nio merece respeito. No entanto, mesmo quando sAo introdu- zidas no texto cor a jiBtificativa de realiza- rem jornalismo investigative, interjeiqces e qualificativos t6m se tornado uma praga da- ninha, principalmente nas revistas semanais, especialmente em Veja, a mais influence de- las. A revista deve ter sua opiniao, mas infil- trar opinides nas reportagens 6 manipulagao. Nada justifica, por exemplo, que um re- p6rter, a prop6sito da documentagFo official sobre a suspeita de vazamento de informaqdo privilegiada no Banco Central, arremate as- sim um dos parAgrafos da reportagem: "Tudo o que foi revelado at6 aqui 6 estarrecedor". Ou, ao tratar da provocagAo criada pelo go- vernador de Minas Gerais, condecorando os adversArios do president da Repiblica com medalhas da Inconfidencia e prometendo re- agir ao govemo federal, advertir: "Faltou lem- brar que por muito menos Tiradentes foi en- forcado". Independentemente dos pecados de Itamar Franco (que os tern larga), a com- paragio 6 incabivel. Essa tend6ncia de investor rep6rteres nas prerrogativas de editorialistas, sem circuns- crever suas manifestacges ao espago reser- vado na publicaqao as opini6es, esta levan- do a certas patologias. Algu6m encarregado de simplesmente registrar o lancamento de um livro, por exemplo, sente-se autorizado a apre- cia-lo criticamente, tendo cor a critical literi- Nadajustifica que os possiveis erros na organizaqao e consunmaqdo do concurso para o preenchimento de cargos no judicidrio paraense va para a CPI proposta pelo senador Antdnio Carlos Magalhdes. As falhas apontadas, inclusive por estejornal (ver JP n 209), apenas atestam que o TJE continue tratando sem a atengdo merecida a admissdo de novos integrantes da magistratura, uma questdo que vai da recusa sistemdtica a terceirizar a elaboraqdo das provas ate afalta de um trabalho junto as institui&oes de ensino juridico, tudo contribuindo para afetar a ria uma vaga relaq o de "ouvir falar". Outro dispara adjetivos carregados dejuizos de va- lor achando que eles sao apenas decorativos (o entrevistado alfineta no texto, quando ape- nas estA sugerindo algo, por exemplo, sem qualquer malicia). Quando hA distorg~o, ojor- nalismo cede a simples fofocagem, ou, quan- do hA algum valor no texto, ao cronicalismo. Mas ha coisas ainda piores. O desrespei- to A privacidade 6 uma delas. Decide-se que toda e qualquer informaqAo 6 piblica, mesmo que diga respeito ao mais intimo da persona- lidade ou do carter de alguem. Um element de estrita privacidade pode se tornar pfblico, como a familiar do ex-juiz paulista Nicolau dos Santos Neto. Mas a pedra de toque da publi- cizacao foi o interesse public. Os conflitos entire ojuiz e seu genro perderam o albergue da privacidade quando escancararam desvio de recursos pxblicos. No entanto, avanga-se sobre os direitos da personalidade sem escrupulos, oferecen- do carmia da pior qualidade a abutres insaci- Aveis, que nada selecionam. Identifico essa patologia num e-mail que chegou a muitos computadores, sem qualquer solicitaqAo e sem o menor respeito, revelando as visceras da redagao de um grande journal. O mais tragico nesse tipo de iniciativa 6 que o p6blico come- Ca a se interessar por saber o que 6 verdade e o que 6 mentiranaquele amontoado de mexe- ricos. O virus da vilania se instala a partir des- sa attitude, fermentando o terreno para a cali- nia, a injiria e a difamaqio. Paga ojusto pelo pecador (se ainda pode-se usar a image bi- blica). Os bons jornalistas e as empresas respei- taveis devem, urgentemente, criar um c6digo de 6tica claro e categ6rico para ser cumprido por todos, em todo o territ6rio national, corn as sangaes devidas pela transgressao, antes que as redaqFes se consolidem como mata- douros ou coisa pior. 0 qualidade da justiga praticada no Pard. Suspeita de favorecimento foi apresentada, questionamento de critdrios levado a apreciaqao judicial. Mas inexiste prova defraude. Ademais, o assunto, por qualquer dngulo que seja encarado, se circunscreve aos limits do Estado. Requer o interesse da sociedade, mas aforma pela qualfoi levado a Brasilia sugere tanto interesse contrariado quanto o que deu causa ao contencioso entire as parties. Nao faltam motives para colocar em causa ajustiga no Pard, mas entire eles esse estd muito long de ser materia de CPI. Jornalismo de verdade Registro Kenneth Maxwell 6 autor de dois livros indispensaveis para bem entender a hist6ria luso-brasileira: A devassa da devassa, sobre a Inconfid6ncia Mineira entiree 1750 e 1808), e Marques de Pombal-paradoxo do ilumi- nismo, uma revisao do papel do d&spota es- clarecido de Portugal. Mas o jovial s6dito de sua majestade britanica acantonado ha muitos anos nos Estados Unidos se interes- sa por tudo o que 6 brasileiro, particularmente pela metade amaz6nica deste nosso vasto pais, de que 6 exemplo seu mais recent livro publicado no Brasil, Chocolate, pirates e outros malandros (Paz e Terra, 1999, 467 pd- ginas, R$ 35). O volume 6 uma reuniao brasileira de en- saios escritos por Maxwell para a grande im- prensa e revistas especializadas, combinan- do o toque muito ingles de bom humor cor o cuidado cientifico, a informaiao de moment com sua base documental hist6rica, elemen- tos presents tanto no texto quanto na prosa desse scholar. Sem nunca deixar de ser brita- nico, incorporou os padres acad6micos ame- ricanos, fundando o Camoes Center na Uni- versidade de Columbia, em Nova York, e sen- do membro senior do Conselho de Relacoes exteriores de NY, e, ao mesmo tempo, 6 tanto brasileiro quanto lusitano. Nos dois capitulos amaz6nicos da obra, Kenneth Maxwell cita tres vezes este journal. Nenhuma outra publicacqo peri6dica mereceu tal distincgo. Poeta Tatiana SA, escrevendo da antiga biblio- teca do IAN (Instituto Agron6mico do Nor- te), manda um e-mail sobre o organizador da- quele espago, evocando por um angulo mui- to pessoal da mem6ria o poeta Paulo Plinio Abreu, a prop6sito de registro aqui feito (ver Journal Pessoal n 209). O pai de Tatiana foi amigo de Paulo Plinio e ela pr6pria brincou cor uma das filhas do poeta, bibliotecArio e tradutor do IAN (hoje Embrapa) quando mor- reu, aos 38 anos. Diz Tatiana: "Pelo que sei tamb6m (nio sei at6 que ponto 6 folclore), a ele se deve o bom nivel que nossa biblioteca teve no ini- cio. Era poliglota, teve coragem de arriscar e meter a cara na compra de varios materials. Tamb6m nesta 6poca tinha o que contam do Felisberto Camargo, e os livros comprados no fim da guerra". .Eva Mauds, Maria Lucia Morais e Lucile- na Andrade me mandam o texto do video que realizaram, junto corn Cidclay Oliveira, sobre o poeta. Nao 6 um trabalho profundo, mas tem a forqa das iniciativas pioneiras. E, at6 agora, o melhor documentArio sobre a vida de Paulo Plinio, vitiva de "quarenta anos de es- quecimento", como anuncia o projeto das qua- tro concluintes do curso de comunicacio so- cial da UFPA. Tomara que essas lembranqas estimulem o fim do castigo a que tAo injustamente foi condenado um dos nossos maiores poetas. Justiga JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE MAIO / 1999 5 Criangas: morte chega mais cedo O conventional tratamento de choque econ6mico adotado pelo governor brasilei- ro, cor base no desastrado receituArio do FMI, criou realmente uma moeda no pais, mas estd acabando com o seu povo. O erro de prescrig~o, que 6 estrutural, foi agravado (e muito) pela circunstancia pessoal de ter- mos um president que, A maneira de Faus- to, vendeu a alma por um segundo mandate, que talvez represent para ele a fonte da eter- najuventude. Ele vendeu. N6s pagamos a conta e o pato. Fernando Henrique Cardoso jogou fora a oportunidade que a hist6ria Ihe deu de ser estadista e sacrificou suas pr6- prias qualidades na pira insaciavel de um ego contaminado pela corte. Com uma sensagqo que deve ser a mes- ma dos voluntArios da Cruz Vermelha nos campos de batalha depois dos confron- tos, comeaamos a recolher os cadaveres nas estatisticas socials que jA estao sen- do finalizadas sobre o inicio do desgover- no de Fernando Henrique, marcado a ferro e fogo pela negociaqao da reeleiiAo. Nio s6 o do ex-soci6logo, alias: o desgoverno se espraiou pelo pais, com o virus da con- tinuidade atacando o erario, corroendo as conscidncias, alquebrando as personalida- des e desviando a nag~o do rumo de um projeto de civilizaq~o. Um levantamento do Minist6rio da Sati- de mostra que a quantidade de mortes de criangas com at6 um ano de idade nos hos- pitais conveniados do SUS (Sistema Unico de Saide), em queda constant de 1995 para 1996 e, em seguida, 1997, voltou a crescer no ano passado. De 37.751 mortes em 1995, o registro baixou para 34.191 no ano se- guinte e 31.602 em 1997. Mas cresceu para 32.407 em 1998. O correspondent da Agencia Folha em Macei6, Ari Cipola, observou em sua matdria para o journal paulista, com base nos dados do ministerio, que o decr6scimo poderia ter continuado se o Nordeste nao tivesse sido assolado pela seca. De fato, a regiao nordes- tina 6 a lider nessa m6rbida estatistica. Mas os insuficientes investimentos em safide e o empobrecimento da populacao parecem ser mais decisivos do que o clima para voltar a matar mais criancas com at6 um ano nos hos- pitais da rede do SUS. JA a regiao Norte, que acompanhou a ten- ddncianacional entire 1995 e 1997, no refluxo do ano passado exibiu um quadro muito mais grave. Enquanto o indice de crescimento das mortes foi de 2,54% no Brasil, na Amaz6nia (a classica) foi 10 vezes mais intense, de quase 25%. Dentro da Amaz6nia, em terms absolutos, a posiqao do Pard foi a que mais se deteriorou, enquanto o Acre foi o Estado no qual a situaaio mais se agravou propor- cionalmente. Em 1995 o Para detinha 55,7% das mor- tes de criangas com at6 um ano na Amaz6- nia. Em 1998 essa proporcio pulou para 65,4%, o que torna mais sombrio o proble- ma no Estado comparativamente ao Acre (que teve indice sempre crescente no peri- odo 1995-98, enquanto o Amazonas foi o finico com tendencia decrescente) por causa da desproporqlo em nfmeros abso- lutos (1.422 mortes de criancas no Pard no ano passado contra 91 no Acre). Quando, em 1997, o indice ainda era decrescente em outras unidades amaz6nicas, no Para ja apresentava tendencia de alta, reforga- da em 1998. Em mais esse indicador social, o ParA se apresenta como o Estado mais critic da Amaz6nia, integrado A porq~o mais pobre do pais. Com o agravante particular de ser governado por um m6dico. O ParA 6 isso e nio hA propaganda que apague. Ver o qua? Antes que venha o projeto de revitalizaqio de 20 milh6es de re- ais, o Ver-o-Peso jA se divide em dois. Um esta perfeito para filmes e cart6es postais: 6 o da Praca do Pescador, tao ordindria quanto bonitinha. O outro esta separado desse ddcor "neopetista" por uma esp6cie de Muro de Berlim de que faz as vezes o ex-caf6 Chic (hoje quartel da Guarda Municipal) e a "praqa" dos velames: 6 o Ver-o- Peso real, sujo, precArio, ca6tico. A inteng o do projeto de re- vitalizagao 6 avangar sobre esse segundo espago e transformA-lo. A dfvida, por6m, consiste exata- mente em tentar antecipar quem absorverA a quem: se o ato de vontade administrative ou se a realidade. E claro que pode-se - e, freqilentemente, deve-se mu- dar a realidade. Mas para isso 6 precise ber identificA-la, tanto em suas manifestagbes superficiais ou exteriores, como em suas cau- sas mais profundas. A administragao Almir Gabri- el, no caso comandada por Paulo Chaves Fernandes, achou que bastaria um ato de imp6rio e de bom gosto. Deu no que deu: as cracas da misdria penetraram na cenografia maneirista. Lenta e ine- xoravelmente, corroeram os seus palacios e belos aderegos. A administragao Edmilson Rodrigues, que tenta recuperar essas instalag6es, dando-lhes novos usos, sera uma reedigao desse iluminismo de baixo des- cortino, o ato de querer mudar nao sendo capaz de realmente modifi- car pelo descompasso entire a pouca potencia da intervengao e a grandiosidade do desafio? Pergunta ainda em aberto. Mas representantes da socieda- de civil deveriam arriscar mais na busca de uma resposta. Todos se resguardam, entocados em seus gabinetes e torres de marfim. Por isso, vai em frente essa reedigao arquitet6nica, que nao passa de decoragao de feira. Qualquer pes- soa sensata ha de concordar que um projeto a s6rio para o tal do "entorno" do Ver-o-Peso tem que abranger o boulevard Castilho Franca e a avenida Portugal para former um conjunto arquitet6ni- co (que, para surpresa de qual- quer um que chegue de barco a Bel6m, A noite, ainda estA inacre- ditavelmente bem conservado). Paulo Martins at6 ja deu uma boa id6ia: mudar o uso do merca- do de came (o Francisco Bolonha), transformando-o em unidade ad- ministrativa municipal, com isso atraindo as demais constru9ges para novas fiunmes. A Area seria valorizada e funcionaria como efei- to demonstrative e estimulo para a salvaalo daquele precioso patri- m6nio da cidade. Algo de efeito muito mais duradouro (talvez at6 definitive) e inteligente do que o projeto atual. Ou serA que o pre- feito ignora tudo o que vier de fora da sua grei? * Batalha Ao que parece, travou-se nos bastidores da eleigdo para o Sindicato dos Metal;rgicos do Pard a primeira batalha ndo declarada da guerra visando a eleiqdo do pr6ximo ano. Uma das chapas acusa a outra de ter atrds de si o governador Almir Gabriel, sendo acusada, por sua vez, de estar a serviqo do prefeito Edmilson Rodrigues. Provas ndo h6, mas o Simetal tornou-se um dos mais importantes elos da estrutura sindical no Estado. Pela primeira vez nos iltimos 15 anos houve dispute por sua diretoria, com uma votaVdo maciga (1.300 associados). 0 resultado foi para o tapetao, mas hd barbante que leva aos gabinetes do poder. Assim serd ate outubro de 2000 ou muito pior. * 6 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE MAIO / 1999 Escultura tem vez Paradoxal: nunca houve tantos locais para abrigar exposi9oes artisticas quanto agora em Beldm. Mas faltam artists na mesma propor- 9go. E ha uma quase absolute falta de critical para estabelecer uma relagao proveitosa, pro- dutiva e cumulative entire os que fazem arte e os que a apreciam. A imprensa se restringe ao registro de agenda. Os mais habilitados se limitam a olhar. Nesse pobre panorama, os convites de um marchand vem se tornando uma fonte rica de informag6es e de avaliagbes sobre o acervo artistic ja existente e a nova produgao que a ele se incorpora. Gileno Miller Chaves, o dono das galerias Elfe Bolonha, vai suprindo a au- sencia forgada ou voluntaria dos critics. Da dicas, emite opinibes e baliza posig6es em sua correspondencia aos amigos e clients, sempre que hd um pretexto (geralmente os vernissages que promove), ou sem ele. No filtimo convite, Gileno toca na chaga da aparente decadencia do ceramismo e da escultura num Pard de belas posicges no pas- sado, que acabam induzindo o culto da sau- dade porque o que passou 6 reconhecido como bom diante de um present empobreci- do. "Raras sao as mostras dedicadas as es- culturas, em Beldm. Faltam esculturas. Faltam escultores. Faltam iniciativas. Falta, sobretu- do, o tao decantado intercambio", observa Gileno. Nem por isso faltam motives para crer que com alguma dosagem de inspiragao e transpi- ragao esse quadro nao se possa modificar. Na chuva ha 20 anos, Gileno atd admite que sua confianga possa ser tomada por "ingenuida- de perifdrica", mas ela "nao esta devagar, nem quase parando". Anuncia pianos para conti- nuar a estimular a escultura paraense depois da exposigao de algumas das peas do seu acervo, desdobradas entire o Museu de Be- ldm, o CCBEU e a Elf. Felizmente. 0 0 leitor Miguel Batista enviou a seguinte carta: "Sobre o fim do Idesp (Jornal Pessoal n 209), estranho que a clas- se dos economists (sou economis- ta), atrav6s dos seus 6rgaos repre- sentativos, o Conselho Regional de Economia e o Sindicato dos Econo- mistas, nao tenha se manifestado pu- blicamente contra a extinfio deste important 6rgao de pesquisa econo- mica e estatistica. Essa attitude de aves- truz s6 vem confirmar a inoperancia dessas entidades. Parece que elas ser- vem somente para cobrar anuidades, nada fazendo aldm disso. Pelo Idesp passaram muitos economists, de IA saindo para fazer carreira e lustrar seus nomes em diversos governor. Desses nao se ouviu uma critical se- quer ao ato arbitrArio do governador (este, sendo mddico, nao pode mes- mo entender da importancia de estu- dos econ6micos e estatisticos). Pare- ce ser uma lei nao escrita em nosso Estado, em todos os sentidos: contra os poderosos, nao se levanta a voz (salvo raras excecoes, como a sua, atravds do seu JP)". Minha resposta: Como o leitor, ndo consigo dei- xar deficar impressionado e choca- do com o desaparecimento da opi- nido public no Pard, fendmeno do qual a extincgo do Idesp d o exemplo mais recent. Como chefe do poder executive, o governador tinha o di- reito de proper a extinado do institu- to. Mas deveria sentir-se obrigado a preceder seu ato de uma consult d sociedade para avaliaado e delibe- raqao em conjunto. Niopoderia atro- pelar a ordem processual, criando umfato consumado antes de obter a autorizagqo legalpara agir. Mesmo se esses dois moments preliminares fossem alcangados, a extinqao do Idesp deveria ser consu- mada sem prejuizo para os superio- res interesses do Estado, cor racio- nalidade. Nao estripando sua preci- osa biblioteca e expondo seu patri- monio a risco, como acabou aconte- cendo. Ogoverno comportou-se com raro autoritarismo, ignorando os go- vernados, como se vivessemos sob um Estado absolutista. 0 quase total sildncio talvez se explique, ao menos parcialmente, porque o coveiro do Idespfoi mais uma vez sagaz no seu provincianis- mo: atirou migalhas na arena ao ga- rantir que todos os empregos seriam preservados. 0 boi de piranha foi sacrificado em proveito da manada. Vdrios dos ex-servidores do Idesp realmente continuam a receber os seus saldrios, mas perderam a fun- ado, foram segregados, arquivados, disponibilizados. Tornaram-se zum- bis do servico pdblico. Rapidamente a histdria tratou de revelar o erro do governor. 0 total despreparo da administragao esta- dual para enfrentar qualquer pro- blema que estejafora da agenda ro- tineira evidenciou-se no (ainda em desdobramento) "caso Salobo". Mas os paraenses s6 terdo alguma cidncia dos fatos no future. Torna- ram-se incapazes de ser contempo- rdneos da sua histdria. Estao mal informados, desmobilizados, desvi- ados do eixo de suas vidas. Como issofoipossivel? Em gran- de media pelo mercantilismo exa- cerbado que o grupo Liberal implan- tou com base no seu virtual monopd- lio de comunicag3es, sem qualquer alternative vdlida ou vidvel dos con- correntes. 0 imperio dos Maiorana estdfazendo o Pard a sua image e semelhanga. Chegard aofim? Man- tido o atual abulismo, a visdo estrei- ta e limitada, a obsessdo exclusive pelos ganhos imediatos, o espirito de saque epilhagem, chegar6. Aiserd s6 encomendar o requiem. Da juiza Marta Ines Jadao: Em resposta ao artigo Pagando opato (JP n" 208) desse conceituado journal, cuja ediqao nos premia quin- zenalmente corn o brilho de sua inte- ligencia aliado a integridade invulgar de seu carAter, cumpre-me esclarecer dois fatos, cuja versao divulgada co- incide com a defendida pelo Senhor President do Tribunal deste Estado, amplamente divulgada. Segundo a noticia, em sintese, o funcionArio Marcos Afonso, com fd- rias programadas pela Administra- 9ao para junho, resolve antecipi- las, quiha estendendo os poderes de sua genitora, e com isso afrontou, em conduta condenavel, o Presiden- te do Tribunal. No entanto, a verdadeira versao 6 a seguinte: o funciondrio Marcos Afonso, em 14 dejulho de 98, teve seu period de fdrias alusivas ao pe- riodo de aquisicao anterior, deferido pela Administragio, conforme pu- blicaqao no DiArio Oficial. Recebeu a verba correspondent as f6rias, mas, para tender conveniencias do service, trabalhou o mes inteiro de suas fdrias. Ja se avizinhando novo period de aquisicgo, programado pela Administraqao parajunho cor- rente, se Marcos nao gozasse as fd- rias anteriores, essas prescreveriam, inevitavelmente. Entao peticionou, juntando os documents que ora exi- bo, e ainda aguardou uns dias, tem- po, alias, desnecessArio porquanto a jurisprudencia entende que, nesse caso, em se tratando de fdrias venci- das eja disponibilizadas, basta que o funciondrio comunique A Adminis- traqao seu desejo de entrar no gozo do delas. Sem atentar para isso, esquecido o Sr. President do tempo em que o funcionArio, como motorist dele, tra- balhou de fdrias, dando a versao, as- saz convenient, de que as fdrias correspondiam ao ano vertente, me- lindrado, reagiu. No contracheque do mes passa- do (margo), posiciona-se a Secretaria correspondent, com o informed de "Vimos comunicar que se encon- tra em pleno vigor a portaria 0728/ 91, do Gabinete da Presidincia, a respeito do procedimento adminis- trativo para fruiaio das firias dos servidores deste Poder. Observan- do que somente ap6s o deferimen- to das firias e licenca especial, sera permitido o afastamento do servidor". Assim, as fdrias j estavam defe- ridas para Marcos Afonso desde ju- lho do ano passado, bastava comuni- car A Administraqao de que iria entrar no gozo delas. Houve a comunicacao por escrito com bastante anteceddn- cia, informando inclusive o dia em que se afastaria do servito. Dessa forma, se a versfo da Pre- sidencia fosse verdadeira, ou seja, houvesse realmente a antecipaiao das fdrias a bel prazer de meu filho ou a minha solicitaFao do pagamento in- tegral da gratificagao de gabinete, es- taria eu desmoralizada perante meus jurisdicionados, sem condiqoes mo- rais e profissionais de situar-me. Quanto ao pedido desesperado por mim formuladojunto ao Superi- or Tribunal de Justi.a, para garan- tir-me no desembargo, outra versao do Senhor Maia, Presidente do TJE, infelizmente, ja divulgada na im- prensa, devo esclarecer que uma vez declarada aberta a vaga de antigiida- de pelo Tribunal, o simples fato de me encontrar na cabeca da lista, com ficha funcional limpa; transform a expectativa de direito em direito e isso credenciava a possibilidade de intervir na aaio cautelar que a OAB requereu para sobrestar uma vaga entire as disponibilizadas. Dai haven- do, em maio vindouro, a vacancia de mais uma vaga oriunda da carreira, pugnei, como litisconsorte passive, junto ao digno Min. Relator a libera- Fio da minha vaga para que o desfe- cho do Mandado de Seguranca inci- disse nessa nova vaga, isso porque a possibilidade iminente dessa vaga afastava, a meu ver, o periculum in mora, um dos pressupostos em que se arrimou a liminar da acao cautelar incidental, litiscons6rcio, alias, ad- mitido pelo digno Min. Revisor. Note-se que esse writ esta em curso no STJ desde a vaga preenchida pela estudiosa Des. Maria Helena Cou- ceiro Simoes. * _.La 'V, JOURNAL PESSOAL *- a QUINZENA DE MAIO / 1999 7 Pirataria fundiaria. E os seus autores? O empresArio Cecflio Rego de Almeida se apresenta como proprietario de, no mini- mo, cinco milhoes de hectares no Para. Mas poderiam ser sete milhoes. Na menor das duas hip6teses, a area corresponderia a todo o territ6rio da B6snia-Herzeg6vina, pais que tanto tem preocupado o mundo, corn seus 3,5 milh6es de habitantes. Mas no Pard isso tudo "6 um nada", como ja escreveu um re- presentante do dono da C. R. Almeida, ten- tando minimizar o impact da garfada. No iltimo dia 28, a Assembl6ia Legislati- va do Estado realizou sessao especial ten- tando entender como se formou uma propri- edade rural que ter, na origem da sua cadeia dominial, "titulos hAbeis" que teriam sido ex- pedidos a partir de 1923. Assim mesmo: titu- los que foram registrados no cart6rio de Al- tamira como "hibeis", sem que o detentor se desse ao trabalho, por certamente conside- rd-lo ocioso, de ser mais precise na descri- 9ao de seus pap6is. A precisao consiste exatamente em indi- car quando e de que maneira a referida area deixou de integrar o patrim6nio pfblico e foi incorporada por algum proprietario particu- lar. Tal "detalhe" 6 necessArio porque toda Area de terras 6, na origem, bem dominical do Estado. Para ser registrada como proprieda- de privada 6 precise que haja sido destaca- da desse patrim6nio fnico, inevitAvel. Ha de haver um titulo especifico, devidamente ano- tado e efetivamente expedido, em data certa, pelo representante competent da adminis- tra9ao pfblica. NAo ha a menor sombra dessa titularida- de no caso do sr. Rego de Almeida. Sua su- posta propriedade, de cinco ou sete milh6es de hectares (a precisao, em tais dimens6es, 6 irrelevante, se assenta sobre um papel sem valor, sem origem legal. Como costuma acon- tecer nesses casos, o papel 6 de somenos importancia. O que importa 6 o m6todo para "esquentA-lo", engatando-o em algum vAcuo documental ou anexando-o a alguma docu- mentagAo considerada imprecisa (para isso contando cor uma jeitosa "ajudazinha" do setor piblico). O m6todo requer audAcia, sagacidade, falta de escrApulo e dinheiro. Sao esses os elements indispensAveis ao sucesso das grilagens de terras, entire as muitas das quais a de C. R. Almeida 6 apenas a mais audaciosa. Nem mesmo tanto dinheiro 6 aplicado. At6 agora, a empresa desembol- sou 100 mil dos 500 mil reais que diz ter pago ao detentor dos titulos, por conta de R$ 6 milhoes do valor final das terras (isso, se a dominialidade fosse acatada pelo Iterpa, num reconhecimento de que a propriedade nao 6 tao certa quanto alega). Mas haveria R$ 200 milhoes pendentes de Imposto Territorial (caso a tal proprieda- de pudesse ser regularizada), al6m do VTN (Valor da Terra Nua), calculado pelo Incra em R$ 250 milh6es. Jamais deve ter passa- do pela cabega de Rego de Almeida que sua alternative mais favorAvel at6 o control possivel das terras implique em gasto de R$ 450 milhoes. Mas o sucesso exige um outro compo- nente: o despreparo, as limita6oes estrutu- rais ou a indrcia do poder p6blico, nele com- preendido tanto o Executivo quanto o Judi- cirio e as vezes, tamb6m, o Legislativo. A sessao da AL deixou bem evidence a inacre- ditivel desinforma9ao da maioria dos depu- tados, que nada sabiam sobre o assunto at6 a mat6ria de capa da revista Veja (embora a grande imprensa local e este JP venham tra- tando do assunto ha pelo menos dois anos), tao cheia de erros, como aqui se mostrou (ver Jornal Pessoal n 203). E foram incapa- zes de definir a mr-f6 de um comprador que, advertido sobre a fragilidade dos pap6is, mesmo assim usou-os como instrument para suas manobras, no Brasil e no exterior. O problema que motivou a sessao especi- al nao existe nos paises do Primeiro Mundo mais velho hA s6culos e, nos mais novos, como os Estados Unidos, desde a metade do s6cu- lo passado. Todos esses pauses jA dispeem de bons e suficientes cadastros imobiliArios, que registram e refletem com fidelidade a rea- lidade da ocupagao fAtica do solo. E quase impossivel a grilagem. t impossivel a grila- gem da dimensao da que pretend praticar no Pard o sr. Rego de Almeida. Parte de uma regiao de fronteira, o Para esta suscetivel a piratarias fundiarias como essa porque nao dispbe dos recursos materi- ais e humans para fazer frente a saqueado- res de terras de maior porte. Para barrar-lhes a trilha daninha seria precise dispor de fiscali- zag9o in loco, de imagens atualizadas de sat6- lite, de cartografia minuciosa, de capacidade de deslocamento pronta e suficiente, de es- trutura administrative de retaguarda e de uma political piblica defmidapara seccionar essas vias abertas de drenagem de terras publicas para patrim6nios privados. Tambem seria necessdrio ter cart6rios de registro imobilidrio bem aparelhados, conve- nientemente informados, adequadamente fis- calizados, de tal maneira que inscriqges es- pfrias nao se multiplicassem em seus livros, como tem acontecido, a despeito de toda a advertencia que se vem fazendo, tao intense que, no moment, uma correi9~o extraordi- naria se faz no cart6rio de Altamira (nao sem langar mais fogo ao lncdndio). A fraude que 6 essa suposta proprieda- de no vale do rio Xingu ja foi transmitida a quem de direito e revelada pela pr6pria im- prensa. Nao suporta a mais tenue andlise t6c- nica. E um simples ato de pirataria. Mas es- ses saques sao estimulados pela lentidao ou falta de objetividade do setor p6blico. Quan- do algum escandalo se manifesta, iniciativas sao tomadas e medidas sao recomendadas. Passada a tormenta, volta-se ao status quo ante e nao sao providenciados os meios para mudar a situagao. Esses meios exigem recursos financeiros de certa monta, qualificagao de mao-de-obra e vontade de enfrentar essa rapinagem fun- diaria, que tem provocado desastrosos efei- tos sobre o estoque de recursos naturais do Estado e o seu erario. A administraago Almir Gabriel, vitima de sua dubiedade no epis6- dio de Eldorado de CarajAs, estA desde en- tao paralisada. Os indecisos sao mais perni- ciosos do que os propriamente maus, ja en- sinava Dante na sua Divina Comidia. E o caso do governor tucano. De diagn6sticos, estamos mais do que bem supridos. Ja 6 hora de agir. Alias, a agao esta retardada de anos, d6cadas, period no qual os aproveitadores se fartaram de esbu- lhar o patrim6nio do Pard (e dos demais Es- tados amaz6nicos), debochando de n6s. O que sabemos ja 6 o suficiente para agirmos. O desaflo esta justamente em montar uma estrutura para proteger, cuidar e usar esse precioso acervo de terras que se esvai pro- gressivamente do control do Estado. Nenhuma contribuigAo nesse sentido dara a CPI criada no legislative estadual se se des- viar do tema fundiArio para perder-se no ter- reno movediqo das insubsistentes den6nci- as de trabalho escravo, milicia armada ounar- cotrAfico, atribuidas ao dono da empreiteira paranaense por fontes sem credibilidade. t claro que ages de cancelamento dos regis- tros imobilidriosjA estao em curso no judiciA- rio, sujeitas aos ritos e As interferencias co- nhecidos de todos (e por todos lamentados, no caldo de cultural que dA alento A CPI insta- lada no senado federal para apurar as mazelas dajustiga, apesar de sua origem). Mas a Assembl6ia faria sua parte convo- cado advogados, t6cnicos, juizes e at6 de- sembargadores, de cuja a9ao, omissao ou conivencia se alimenta esse esbulho fundid- rio, ontem como ainda hoje. Talvez at6 atu- ais ou ex-deputados tenham que ser chama- dos a prestar conta de suas contribui96es para que tao triste e primirio capitulo tenha sido anexado de contrabando a hist6ria con- temporanea do Pard. E precise expurga-la dessas manchas s6rdidas. Sera que o legislative estadual esta dis- posto a tanto? 0 Ruinas A Siqueira Mendes, a primei- ra rua de Belem (vai do Largo do Carmo a Praga da S6), per- deu mais um dos seus casarbes, que desabou no l6timo dia 17. As paredes de estuque nao re- sistiram ao crescimento das rai- zes de varias arvores que vice- javam na casa largada ao aban- dono. O desabamento serve de advertancia para a ameaca que ronda cada vez mais perigosa- mente a "casa rosada", a mais preciosa das edificagaes colo- niais fora de prote9fo (embora tombada) da Cidade Velha (na esquina da Siqueira Mendes corn a Fl6ix Roque). O dono, ao que parece, nao estA s6 espe- rando que o tempo faa sua par- te, por linhas tortas, com a deci- siva participaglo da incfiria hu- mana: esta rezando por isso. Sera um golpe terrivel contra a mem6ria desta infeliz cidade. Mais um. Referencia 0 Program Amaz6nia de Amigos da Terra, uma das principals ONGs do mundo, divulgou o quarto volume da coletdnea de artigos e editorials publicados na imprensa brasileira sobre political piblicas para a Amaz6nia, no period de 10 de novembro do ano passado a 13 de margo deste ano. 0 objetivo da selecdo d "contribuir ao aprofundamento do debate entire tomadores de decisdo, formadores de opinido, acadgmicos, especialistas e entidades da sociedade civil". Dos 30 textos selecionados, 12 foram publicados nas ediqJes regionais (do Pard e do Amazonas) da Gazeta Mercantil e cinco em 0 Estado de S. Paulo, os mais citados. Depois, cor duas citagoes, vieram a newsletter Parab6licas (do Institute S6cioambiental, de Sdo Paulo), o Correio Braziliense e este Jornal Pessoal. Do Estado, s6 mais A Provincia do Pard, cor um texto. Assinatura As assinaturas do Jornal Pessoal continuam a ser feitas por Angelim e Juliana Pinto atra- v6s do telefone 2417626. A as- sinatura semestral ainda custa 30 reais e a trimestral, R$ 15, por- que persiste a esperanga na sus- tentagao do preqo. Ela 6 a ilti- ma que more. Reizinhos Sera que o governador Almir Gabriel e seu secretArio in pec- toris, Paulo Chaves Ferandes, conseguirao inaugurar ainda neste ano (depois da campanha eleitoral do ano passado, a i~lti- ma data 6 maio) a Estaqao das Docas? Quem decidir passar por la para arriscar sua previsao vai fi- car na divida. Ainda ha muita tarefa pela frente. Pelo tamanho do que falta, comparativamente ao que ja foi executado, da para ter uma dimensao do quanto se vai gastar ali at6 que aqueles (no' future) luxuosos galpaes de fer- ro, vidro e ar condicionado, des- tinados a abrir (?) uma "janela para o rio" (mas nao para a brisa marinha, nem para a verdadeira cor local), estej am concluidos. O orgamento inicial, de 6,2 milh6es de reais,jA dobrou. Qual sera o custo final e real? Se for a uns R$ 15 milhoes (hip6tese oti- mista, a esta altura do cronogra- ma), representara quase 20% do que o Estado aplicara de recur- sos pr6prios (ao long de seis anos) na macrodrenagem das bai- xadas, o maior program urban de Bel6m em muitas d6cadas. Ou seja: o delirio arquitet6nico de Paulo Chaves representara um ano e meio de investimento na macrodrenagem, que pretend beneficiary 500 mil pessoas nas Are- as alagaveis da capital. Isso 6 brioche de ouro, para lembrar uma figure capaz de fa- zer entender tanto despaut6rio, como se dizia na 6poca: Maria Antonieta, a rainha guilhotina- da pela revolugAo francesa de 1789. Cena urbana Seis e meia da manha de 19 de abril. Intercessdo da Campina com o Jurunas e a Estrada Nova. Cruzo com duas mulheres, queparecem irpara o trabalho. A mais velha e a mde. A mais nova observa, com ar triunfante: Ndo disse que eram urubus? Mas o qua? Ld de long tu tinhas dito que eram pombos. Eu d que disse que eram urubus. 0 cachorroficou com toda a carnica, os urubus vdo ficar e de de papo vazio - desconversa afilha, cortando caminho entire o grupo de urubus desconsolados e o audacioso cachorro, talvez tdo desmemoriada quanto miope. Ou serd mais uma miragem urbana de subuirbio belenense? R$ S - -' i s-* *-- --i, O que acont # iunwe a IrdAaii item no praca Waldemar H-enfque 'ajardinamenTo, mas ere pa- (ex-Kennedy) quando Ed- rece ter cor o conjunto do milson Rodrigues deixar de logradouro a relacgo do ta- ser prefeito? Foi o que fi- pete com a sujeira. quei a me perguntar en- O prefeito Edmilson Ro- quanto circulava por ali, drigues desanda a fazer num comecinho de pragas, como se Be- manha. A concep- 16 Im fosse Sucupira, 92o da praga nao a capital de um Odo- 6 ruim, muito pelo rico Paraguassu ao contrdrio. Tern tucupi. Sabe que sua graga. DA ate i praqa di voto, ne- para perceber a in- cessario para uma tengao do criador. E reeleigao que o que ele tem idei- .- PT combat as. Mas a exe- em these. cu9ao la- /., Se essas mentavel. .... obras vao O concrete durar, e da "cuia-achs- ;' -''questAo de tica" parece ter sido atingi- do por uma crise de variola (a "cura" foi obtida As pres- sas). As luminarias durarao pouco. O calgamento ji tem rachaduras. Permanece a sensagao de descompasso entire as arquibancadas e a tal da "cuia-acustica". A relevdncia menor diante da necessidade de conciliar um orgamento cada vez mais magro com o proselitismo populista das pragas. E pr6prio de um certo tipo de personalidade achar que a hist6ria comega e ter- mina com ele. Elementar Rep6rter que entrevistou uma colega sobre langamento do livro dela de poesias trocou boa parte dos nomes de poetas citados pela entrevistada. Algumas das trocas deixaram um saldo lamentdvel (Rimbaud passou a ser Hambouldt e Ezra Pound ficou Ezra Paund na tentative de reproduzir o som por escrito). Houve uma 6poca em que os jornalistas se interessa- vam pela grafia correta de todos os nomes que ouviam ou liam. E uma pritica que deve ser recuperada urgentemente. As ve- zes o erro 6 venial. Mas As vezes torna-se mortal. Nao 6 um problema local. Umajornalista experience e com- petente como Norma Couri, queji trabalhou no exterior, escre- veu no seu texto Servigo Nacional de Protecao ao Indio (SNPI), indiferente a que, algumas linhas adiante, ter reproduzido a de- claragao de Orlando Vilas B6as de que se trata do Servigo de Protecao ao Indio (SPI), antecessor da Funai. Norma tamb6m grafa Boas, quando o correto 6 B6as (palavra sempre grifado de vermelho pelo dicionario da mem6ria do computador, mas a palavra certa). Conv6m ser basico para que o leitor disponha, ao me- nos, do bAsico. Journal Pessoal Editor: Ltcio Flavio Pinto Sede: Passagem Bolonha, 60-B 053-040 Fones: (091) 223-1929 (fone-fax) e 241-7626 (fax) Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br Ediqgo de Arte: Luizantoniodefariapinto/230-1304 |
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